501

CAPÍTULO 18

MATERIAIS DIELÉTRICOS



Sumário

Objetivos deste capítulo..........................................................................................503
18.1 Introdução .......................................................................................................503
18.2 Conceitos gerais..............................................................................................505
18.3 Comportamento dos materiais isolantes.........................................................505
18.3.1 Capacitância ................................................................................................505
18.4 Dielétricos - descrição atômica .......................................................................517
18.5 Polarização......................................................................................................518
18.5.1 Polarização eletrônica (dipolo induzido), Pe ................................................520
18.5.2 Polarização por orientação de dipolos permanentes, Po.............................523
18.5.4 Polarização de cargas espaciais, Ps............................................................526
18.5.5 Polarização total...........................................................................................527
18.6 Dependência da polarização com a freqüência e temperatura.......................527
18.7 Materiais ferroelétricos....................................................................................532
18.8 Materiais antiferroelétricos ..............................................................................538
18.9 Materiais piezoelétricos...................................................................................538
18.10 Propriedades de materiais dielétricos (isolantes)..........................................539
18.10.1 A constante dielétrica de gases, líquidos e sólidos....................................539
18.11 Tipos de dielétricos .......................................................................................541
18.12 Materiais dielétricos de maior utilização, e suas constantes dielétricas........541
18.13 Outros Materiais dielétricos e suas aplicações .............................................542
18.13.1 Vernizes isolantes ......................................................................................542
18.13.2 Compostos isolantes..................................................................................542
18.13.3 Tintas isolantes ..........................................................................................542
18.13.4 Diluentes e solventes .................................................................................542
18.13.5 Gases isolantes..........................................................................................543
18.13.5.1 O ar atmosférico......................................................................................543
18.13.5.2 Nitrogênio................................................................................................543
18.13.5.3 O gás SF
6
................................................................................................543
502

18.14 Aplicação dos dielétricos...............................................................................544
18.15 Materiais isolantes sólidos ............................................................................544
18.15.1 Propriedades dos materiais isolantes ........................................................545
18.15.2 Resistência de isolamento .........................................................................545
18.15.3 Medida da resistência de isolamento.........................................................546
18.15.4 Valores da resistência de isolamento.........................................................546
18.16 Ensaio de absorção dielétrica .......................................................................547
18.17 Tipos de materiais isolantes e sua classificação pela temperatura ..............549
18.18 Materiais isolantes.........................................................................................550
18.18.1 Mica e produtos de mica ............................................................................550
18.18.2 Asbestos (material inorgânico)...................................................................550
18.18.3 Vidro...........................................................................................................551
18.18.4 Fibra e tira de vidro ....................................................................................551
18.18.5 Composição mica + vidro...........................................................................552
18.18.6 Porcelana...................................................................................................552
18.19 Comportamento eletromagnético dos materiais cerâmicos ..........................552
18.20 Isolantes sólidos usados na fabricação de transformadores ........................553
18.20.1 Papel ..........................................................................................................553
18.20.2 Fenolite ......................................................................................................555
18.20.3 Presspan....................................................................................................556
18.20.4 Permawood................................................................................................556
18.21 Referência bibliográfica do capítulo ..............................................................556
Exercícios................................................................................................................556


503

18 MATERIAIS DIELÉTRICOS



Objetivos deste capítulo

Finalizado o capítulo o aluno será capaz de:
• Entender o comportamento dos materiais dielétricos na presença de um
campo;
• Conhecer conceitos básicos tais como polarização, capacitância, constante
dielétrica, rigidez dielétrica e outros;
• Classificar os materiais dielétricos baseando-se nas aplicações.


18.1 Introdução

Vimos em capítulos anteriores que sólidos cuja banda de valência está
totalmente preenchida e que possuem “gap” de energia proibida largo (>>1), se
comportam como isolantes elétricos. A resistividade de tais materiais varia entre 10
8

Ω.m e 10
22
Ω.m (ou seja, que a temperatura ambiente, pouquíssimos elétrons
podem ser ativados).
Entre as várias aplicações desses materiais, as mais comuns são como
elementos capacitivos em circuitos eletrônicos e como isolantes elétricos. Nessas
aplicações, as propriedades de maior interesse são a resistividade elétrica (a maior
oposição possível à passagem de corrente
λ
= ρ
2
ne
v m
med e
), e a constante dielétrica
(mede a capacidade de armazenamento de carga K = ε
r
= ε/ε
0
, e é

uma das
primeiras característica a ser considerada num projeto), o fator de perda (quanto a
polarização está atrasada com relação à intensidade do E, se a polarização vem
acompanhada de dissipação de energia que provoca o aquecimento do dielétrico) e
a rigidez dielétrica (perdas por efeito Joule, capacidade de suportar tensão sem
ruptura).
Essas propriedades dependem tanto das características do material (tipo de
ligação, estrutura do cristal, constituição das fases, defeitos estruturais do cristal)
como da temperatura, freqüência de tensão aplicada e tempo em que a tensão é
aplicada, fatores este que afetam a resposta dos dipolos induzidos ou intrínsecos.
O papel dos dielétricos na eletrotécnica é muito importante e tem dois
aspectos:
• realizar o isolamento entre os condutores, entre estes e a massa ou a terra,
ou, ainda, entre eles e qualquer outra massa metálica existente na sua
vizinhança;
• modificar, em proporções importantes, o valor do campo elétrico existente em
determinado local.
O processo principal, característico para qualquer dielétrico, que se produz
quando sobre ele atua uma tensão elétrica, é a polarização, ou seja, o
deslocamento limitado de cargas ou a orientação das moléculas dipolares. Assim,
eles podem ser fabricados para apresentar a estrutura de dipolo por separação de
cargas a nível atômico ou molecular.
504

Muitos materiais poliméricos e cerâmicos são materiais isolantes à temperatura
ambiente e, além disso, tem estrutura de banda de energia similar àquela
representada na Figura 18.1. Assim, à temperatura ambiente, pouquíssimos elétrons
podem ser excitados através do gap pela energia térmica disponível, ocasionando
os quase ínfimos valores de condutividade destes materiais nessa condição. O
número de elétrons na banda de condução de um dielétrico é extremamente baixo
se comparado a um condutor. Normalmente em dielétricos a barreira de energia ou
“gap” entre as bandas de valência e condução é da ordem de 4 eV a 8 eV, que é
suficientemente grande para manter a maior parte dos elétrons presos numa banda
de energia mais baixa. Assim quando um campo elétrico é aplicado num material
dielétrico, poderá surgir uma condução muito pequena conhecida como perda
dielétrica. Este fenômeno pode ser causado por um número finito de elétrons livres
em adição a outros portadores de carga livres, quando há contaminação por
impurezas, ou acúmulo de cargas na interface de materiais diferentes ou fases. As
perdas por orientação dipolar são comuns em moléculas polares sujeitas a campos
alternados.


Figura 18.1 - Diagramas esquemáticos de bandas de energia de um condutor
metálicos (a) semicondutor (b) e isolante (c).

Na Tabela 18.1, é fornecida a condutividade elétrica de diversos destes
materiais. Observe a queda em aproximadamente 20 vezes em relação aos
condutores, como o cobre por exemplo, σ
Cobre
, 58,0x10
6
(Ω.m)
-1
. Por isso, muitos
destes materiais são utilizados como materiais de base em isolamento elétrico
quando uma elevada resistividade é desejável. Os polímeros são muito usados
como dielétricos devido ao seu baixo custo e facilidade de processamento. Materiais
cerâmicos, por sua vez, são mais resistentes às condições ambientais
(particularmente a alta temperatura) e são menos deformáveis.

Tabela 18.1 - Condutividade elétrica de alguns materiais não-metálicos.
Material
Condutividade
elétrica (Ω ΩΩ Ω-m)
-1

Material
Condutividade
elétrica (Ω ΩΩ Ω-m)
-1

Cerâmicas Polímeros
Al
2
O
3
10
-10
-10
-12
Fenol-formaldeído 10
-9
-10
-10

Porcelana 10
-10
-10
-12
Nylon 6,6 10
-9
-10
-12

Vidro (soda-lime) < 10
-10
Polimetilmetacrilato < 10
-12

Mica 10
-11
-10
-15
Polietileno 10
-13
-10
-17

Outro Poliestireno < 10
-14

Grafite 10
5
Politetrafluoretileno < 10
-16

505

18.2 Conceitos gerais

Capacitância: é a propriedade de um capacitor ou de um sistema de
condutores e dielétricos que permite armazenar cargas separadas eletricamente,
quando existem diferenças de potencial entre os condutores.
Capacitor: é um dispositivo constituído por dois condutores, cada um tendo
uma determinada superfície exposta ao outro, separados por um meio isolante. Uma
diferença de potencial entre os dois condutores acarreta em armazenamento de
cargas iguais em intensidade e de polaridades opostas. Os dois condutores são
chamados eletrodos.
Dielétrico: é o meio no qual é possível produzir e manter um campo elétrico
com pequeno ou nenhum suprimento de energia de fontes externas. A energia
requerida para produzir o campo elétrico pode ser recuperada, no total ou em parte,
quando o campo elétrico é removido.
Dielétrico perfeito: é um dielétrico no qual toda a energia requerida para
estabelecer um campo elétrico no mesmo é recuperada quando o campo ou a
tensão aplicada é removida. Desta forma, possui condutibilidade nula.
Dielétrico imperfeito: é aquele no qual uma parte da energia requerida para
estabelecer um campo elétrico no dielétrico não retorna ao sistema elétrico quando
o campo é removido. A energia é dissipada no dielétrico, em forma de calor.
Absorção dielétrica: é o fenômeno que ocorre em dielétricos imperfeitos pelo
qual cargas positivas e negativas são separadas e estão acumuladas em certas
regiões dentro do volume do dielétrico. Este fenômeno se manifesta, por si próprio,
como uma corrente que decresce gradualmente com o tempo, após a aplicação de
uma corrente contínua e constante.
Corrente de condução: a corrente de condução através de uma superfície em
um dielétrico imperfeito é aquela proporcional ao gradiente de potencial. Ela não
depende do tempo durante o qual o campo elétrico é aplicado ao dielétrico.
Constante dielétrica: a constante dielétrica (relativa) de qualquer meio é a
razão entre a capacitância de uma dada configuração de eletrodos, tendo tal meio
como dielétrico, para a capacitância da mesma configuração, considerando-se o
vácuo como dielétrico.


18.3 Comportamento dos materiais isolantes

Como mencionado, um material dielétrico é eletricamente isolante e
apresenta, ou pode ser feito para apresentar, uma estrutura de dipolo elétrico, ou
seja, há uma separação de entidades eletricamente carregadas positiva e
negativamente, num nível atômico ou molecular. Como resultado destas interações
entre o dipolo e campo elétrico, os materiais dielétricos são utilizados em
capacitores. Um capacitor é um dispositivo largamente utilizado em circuitos
eletrônicos capazes de armazenar cargas elétricas.

18.3.1 Capacitância

Quando uma voltagem é aplicada através de um capacitor (tipo placa),
constituído de duas placas condutoras paralelas de área A separadas por uma
distância L onde existe o vácuo (Figura 18.2a), uma das placas torna-se
positivamente carregada, e a outra negativamente, com o correspondente campo
506

elétrico aplicado dirigido do terminal positivo para o negativo. Uma carga Q
0
é
acumulada em cada placa do capacitor e é diretamente proporcional à tensão
aplicada e a área das placas e inversamente proporcional á distancia entre elas,

v C v
l
A
Q
0 0 0
= ε = (18.1)

aqui o parâmetro ε
0
é chamado de permissividade do vácuo (ou constante dielétrica
do vácuo) é uma constante universal tendo o valor 8,885 x 10
–12
F/m
1
. C
0
é a
capacitância do sistema cujas unidades são Coulombs por Volt, ou Farads (F).
Um material contendo cargas altamente polarizáveis quando colocado entre
as placas de um capacitor na presença de um campo elétrico, influenciará
acentuadamente as cargas que estão entre as placas. Com este material dielétrico
inserido na região entre as placas (como óleo mineral ou plástico) mantendo-se a
mesma tensão aplicada V, o que acontece então com a capacitância? Alguma
polarização pode ocorrer no material permitindo um adicional de cargas
armazenadas no mesmo.
A variação na capacitância C é o reflexo direto da constante dielétrica do
material.

C = Q / V (18.2)

onde Q é a carga armazenada (em Coulombs) e V é a voltagem através dos
condutores (ou placas).
Assim com o material dielétrico uma carga maior Q, é acumulada entre as
placas, neste caso,

Cv v
l
A
Q
d
= ε = (18.3)

ε
d
é a permissividade do meio dielétrico e será maior em magnitude que ε
0.
A
relação entre as capacitâncias do sistema com o vácuo e com o dielétrico será

o r
d d
C C
v L A
v L A
C
C
ε =
ε
ε
=
ε
ε
=
0 0 0
) / (
) / (
(18.4)

A relação ε
d

0
é a

permissividade relativa ε
r
, que freqüentemente é chamada
constante dielétrica (k)
2
, é maior que a unidade, para qualquer dielétrico ε
r
>1e
representa o incremento na capacidade de armazenamento de carga pela inserção
de um meio dielétrico entre as placas. A constante dielétrica, k, é uma propriedade

1
ε
0
=885 x 10
–12
C
2
/J.m; F=C/V; V=J/C
2
Em 1837, Michael Faraday – a quem se deve todo o conceito de capacitância e, por isso, teve seu
nome escolhido como unidade SI de capacitância, usando aparatos simples verificou que a
capacitância de um capacitor completamente preenchido por um dielétrico aumentava por um
numérico k, que ele chamou de constante dielétrica do material introduzido. A constante dielétrica do
vácuo, por definição, é igual a (01) um. A medida da constante dielétrica do ar é apenas um pouco
maior que 1 (um); geralmente a diferença é insignificante. Isto se deve ao fato de ser o ar,
essencialmente um vazio do ponto de vista de um dielétrico. Para o ar seco a 0 ºC e pressão
atmosférica normal k é 1,0006.
507

do material e, deve ser uma das primeiras características a serem consideradas no
projeto de um capacitor.
A Tabela 18.3 fornece os valores típicos de ε
r
para alguns materiais a 20 ˚C
.

Tabela 18.3 - Valores de ε
r
para alguns materiais a 20˚C
.
Cristais inorgânicos ε εε ε
r
Cerâmicas ε εε ε
r

Alumina 8,1-9,5
NaCl (seco) 5,5
Porcelana 6,0-8,0
CaCO
3
9,15 Enstatita 5,5-7,5
Al
2
O
3 ,
MgO 10,0; 8,2 Forsterita 6,2
Silicato de Alumínio 4,8
TiO
2
100 Titanatos 50
BaTiO
3
4100 Zirconia 8-10,5
Vidros ε εε ε
r
Mica 5,4-8,7
Sílica fundida 3,8
Resinas poliméricas
polares
ε εε ε
r

Pirex 5,1 Poli(cloreto de vinila) 3,2-3,6
Vidro soda-lime 6,9 Acetato de polivinil 3,2
Resinas poliméricas
não polares
ε εε ε
r
Nylon 6,6 4,0-3,6
Polietileno 2,3 Polietileno tereftalato 3-2,5
Polipropileno 2,5-2,6 Epoxy 3,0-4,5
politetrafluoretileno 2,1 Policarbonato 2,9-3,0

A constante dielétrica, k (ou ε
r
) do material compara a capacidade de
armazenamento de cargas do material com aquela do vácuo entre as placas de
mesma geometria sob a ação de um campo elétrico aplicado de mesma intensidade
e indica quantas vezes a capacidade do sistema foi aumentada com a introdução do
dielétrico entre as placas do capacitor.
O valor de k depende não só da pureza do material, mas das condições
ambientais, da freqüência e da intensidade da tensão aplicada.
Como sugerido pela Equação 18.2, a capacitância de todos os tipos de capacitores
pode ser escrita sob a forma

C = ε ( L ) (18.5)

onde L, que tem dimensão de comprimento, depende da geometria das placas do
capacitor. De acordo com a descoberta de Faraday, para um capacitor
completamente preenchido por um dielétrico, a Equação 18.5 torna-se então:

C = K ε
0
L = K C
ar
(18.6)

onde C
ar
é o valor da capacitância, com o ar preenchendo o espaço entre as placas.
Na Tabela 18.4 são apresentadas as fórmulas para o cálculo de algumas
capacitâncias.




508

Tabela 18.4 - Capacitância.
Capacitor Capacitância
Placas paralelas
d
A
0
ε
Cilíndrico
) / ln(
2
0
a b
L
πε
Esférico
) ln(
4
0
a b
ab

πε
Esfera isolada
R
0
4πε

O armazenamento de carga pode ser ilustrado conforme as Figuras 18.2 e
18.3. Na Figura 18.2a, na situação de vácuo, uma carga +Q
0
está armazenada na
placa superior, e uma carga -Q
0
na placa inferior. Quando um dielétrico é introduzido
e um campo elétrico é aplicado, o sólido introduzido dentro das placas torna-se
polarizado (Figura 18.2b). Como resultado desta polarização, há um acúmulo
adicional de carga negativa de magnitude -Q’ na superfície do dielétrico próxima da
placa positivamente carregada, e de forma similar, uma carga adicional +Q’ na
superfície adjacente à placa negativa. Para a região do dielétrico mais distante
destas superfícies, os efeitos de polarização não são importantes. Assim se cada
placa e suas superfícies adjacentes do dielétrico forem consideradas como uma
simples entidade, a carga induzida pelo dielétrico (+Q’ ou -Q’) pode ser considerada
como anulando alguma das cargas que originalmente existiam na placa para a
condição de vácuo (+Q
0
ou -Q
0
). Da fonte, elétrons são obrigados a fluir para a
placa negativa de forma a restabelecer a voltagem. E assim a carga em cada placa
é agora Q
0
+ Q’, tendo sido incrementada de um montante Q’. A densidade de carga
superficial, D, ou quantidade de carga por unidade de área da placa do capacitor
(C/m
2
).
A densidade de carga superficial, ou quantidade de carga por unidade de
área da placa do capacitor (C/m
2
) também pode ser obtida, é proporcional ao campo
elétrico e é representada na Figura 18.2. Quando o vácuo está presente,

D
0
= ε
0
E (18.7)

A constante de proporcionalidade sendo ε
0
. Além disso, uma expressão análoga
existe para o caso dielétrico, que é

D = ε E (18.8a)
D = ε KE (18.8b)

Algumas vezes D é também chamado de deslocamento dielétrico.
Na presença de um dielétrico, a densidade de carga superficial nas placas do
capacitor pode ser representada por

D = ε
0
E + P (18.9)

onde P é a polarização, ou o incremento de densidade de carga acima do vácuo,
devido à presença do dielétrico. Para muitos materiais dielétricos a polarização, P,
que pode ser alcançada no material, é proporcional a E através da relação
509


P = ε
0
( ε
r
– 1 ) E (18.10a) ou

P = ε
0
( k

– 1 ) E (18.10b)

Neste caso ε
r
ou k é independente da magnitude do campo elétrico. A polarização P
pode ser considerada como o momento dipolar total por unidade de volume do
material dielétrico, ou como uma polarização do campo elétrico dentro do dielétrico,
que resulta de um alinhamento mútuo de muitos dipolos atômicos ou moleculares
com o campo externo aplicado.

510


Figura 18.2 - Modelo simplificado de polarização dentro de um material dielétrico.

511


Figura 18.3 - Capacitor de placas paralelas (a) separadas por um vácuo e (b)
separadas por um material dielétrico.

Outro efeito do dielétrico é limitar a diferença de potencial que pode ser
aplicada entre as placas de um capacitor a certo valor V
máx
. Se este valor for
ultrapassado substancialmente, o material dielétrico se romperá originando um
caminho condutor entre as placas. A relação entre a máxima diferença de potencial
que um dielétrico pode suportar sem que ocorra sua ruptura (“breakdown”), e a sua
espessura denomina-se rigidez dielétrica do material. Seu valor é, geralmente,
expresso por V/m e depende da área específica, porosidade, defeitos e pureza do
material, assim como da freqüência da tensão aplicada, tempo de aplicação da
tensão e condições ambientais (temperatura, umidade, etc...).Todo material
dielétrico possui, então, como característica uma rigidez dielétrica que é o valor
máximo do campo elétrico que o material pode tolerar sem haver ruptura no poder
isolante.
A rigidez dielétrica de materiais sólidos, medida em campos elétricos
uniformes e evitando-se o efeito de descargas superficiais, varia de 0,5 a 10
5
KV/m
para cristais halogenetos alcalinos, é de 2 a 2x10
6
KV/m para filmes poliméricos e
alguns materiais inorgânicos tais como a mica, óxido de alumínio, etc. Valores de
propriedades de alguns dielétricos medidas à temperatura ambiente são listados nas
Tabelas 18.4 e 18.5.



512

Tabela 18.4 - Algumas propriedades dos dielétricos (medidas à temperatura
ambiente).
Substância
Constante
dielétrica
K
Rigidez
dielétrica
KV/mm
Substância
Constante
dielétrica
K
Rigidez
dielétrica
KV/mm
Ar (1atm) 1,00059 3 Parafina 2,1-2,5 10
Água (20ºC) 80,4 - Plexiglass
a
3,4 40
Água (25ºC) 78,5 - Silício 12 -
Etanol 25 - Germânio 16 -
Baquelite 4,9 24 Poliestireno 2,55 24
Mica 5,4 10-100 Porcelana 7 5,7
Neopreno 6,9 12 Vidro (pirex) 4,7 14
Óleo de
transformador
4,5 12 Cerâmica 130 -
Papel 3,7 16
Titanato de
estrôncio
310 8
a
Poli (metacrilato de metila) (PMMA)

Tabela 18.5 - Algumas propriedades dos dielétricos (medidas à temperatura
ambiente).
Substância
Constante
dielétrica K
Rigidez
dielétrica
KV/mm
Al
2
O
3
99,9% 10,1 9,1
Al
2
O
3
99,5% 9,8 9,5
BeO 99,5% 6,7 10,2
Cordierita 4,1-5,3 2,4-7,9
Nylon 66 reforçado com 33% de fibra de vidro 7,8 17,3
Nylon 66 reforçado com 33% de fibra de vidro
(umidade relativa de 50%)
3,7 19,7
Poliester 3,6 21,7

Como mencionado acima, a rigidez dielétrica é o máximo gradiente de
voltagem que pode suportar um isolador sem ruptura, o seu valor experimental é
afetado dentre outros detalhes do procedimento, pela geometria da amostra e dos
eletrodos. Os valores encontrados variam grandemente. A ruptura de um dielétrico
inicia-se com o aparecimento de um número de elétrons na banda de condução,
BC; esses elétrons podem ser acelerados rapidamente alcançando elevada energia
cinética pela aplicação de um campo elétrico elevado. Parte dessa energia é
transferida por colisões aos elétrons de valência, que são promovidos para a BC. Se
um número suficientemente grande desses elétrons inicia o processo, estes se
automultiplicam e uma avalanche de elétrons aumenta rapidamente, e pode suceder
que o dielétrico funda, queime ou vaporize em forma localizada. Entretanto, é
necessária uma condução de elétrons para iniciar o processo e Isso pode originar-
se de diversas formas. Uma origem comum é o arco entre um terminal de alta
voltagem e a superfície contaminada do isolador. Os átomos de impurezas podem
também doar elétrons para a BC. Os poros interconectados em dielétricos
proporcionam às vezes canais diretos de ruptura como resultado de descargas
elétricas de gás. Quando o dielétrico é submetido a um campo elevado por longo
tempo, a ruptura é precedida geralmente por fusão local. Nos capacitores velhos, a
513

ruptura pode ocorrer por intensidade de campo relativamente baixa se o dielétrico
sofreu modificação química ou mecânica. A Figura 18.4 mostra a voltagem de
ruptura de diversos materiais dielétricos em função da espessura do dos mesmos.


Figura 18.4 - Esforço para ruptura de diversos dielétricos com campos uniformes.
Tensão de ruptura em função da espessura do dielétrico.

Exemplo 1: Em um capacitor plano e com ar entre suas placas se aplica uma DDP
fixa. Se introduzirmos entre as placas um dielétrico a quantidade de carga por ele
armazenada aumentará? Explique.
Sim, uma carga maior Q, é acumulada entre as placas, neste caso, Cv v
l
A
Q
d
= ε =
onde ε
d
é a permissividade do meio dielétrico, a qual será maior em magnitude que
ε
0.
A relação entre as capacitâncias do sistema com o vácuo e com o dielétrico será
o r
d d
C C
v L A
v L A
C
C
ε =
ε
ε
=
ε
ε
=
0 0 0
) / (
) / (
. A relação ε
d

0
a

permissividade relativa ε
r
,
freqüentemente é chamada constante dielétrica, a relação ε
r
= ε/ε
0
é maior que a
unidade e representa o incremento na capacidade de armazenamento de carga pela
inserção de um meio dielétrico entre as placas. A constante dielétrica é uma
propriedade do material e, deve ser uma das primeiras características a serem
consideradas no projeto de um capacitor. Assim para qualquer dielétrico ε
r
>1.

514

Exemplo 2: Um condensador simples de duas placas paralelas pode armazenar
5
10 0 , 7

× C com uma diferença de potencial de 12000 V. Se for usado um material
dielétrico de titanato de bário com 2100 = κ entre placas, as quais têm uma área de
2 5
10 0 , 5 m

× , qual deve ser a distância de separação entre as placas?

Q= CV e Cv v
l
A
Q
d
= ε = onde C

é o valor da capacitância do material entre as
placas. Mas, C = K ε
0
L ou
d
A
C
0
κε = ;

12
0
10 854 , 8

× = ε F/m
κε =
d
A
v
Q
0
Q
A v
d
0
κε
= m x
3
5
5 12
10 159 , 0
10 7
10 5 * 10 854 , 8 * 2100 * 12000


− −
=
×
× ×
=

Exemplo 3: Um condensador simples de duas placas paralelas armazena
5
10 5 , 6

× C com um potencial de 12000 V. Se a área das placas for
2 5
10 0 , 3 m

× e a
distancia entre as placas for 0,18mm, qual deve ser a constante dielétrica do
material colocado entre as placas?
Q = C V;
d
A
C
0
κε = ;
12
0
10 854 , 8

× = ε F/m
κε =
d
A
v
Q
0

0
ε
= κ
vA
Qd
3674
10 854 , 8 * 10 0 , 3 * 12000
10 18 , 0 * 10 5 , 6
12 5
3 5
=
× ×
× ×
=
− −
− −


Exemplo 4: A polarização de um material ferroelétrico é dada por P = (
r
–1)
0
E,
onde
r
é sua permissividade elétrica relativa,
0
a permissividade elétrica do vácuo e
E a intensidade do campo elétrico. a) Que tensão deve ser aplicada a um cristal de
0.1mm de espessura do material B, para eliminar totalmente sua polarização,
desorientando seus dipolos. b) Que intensidade de campo elétrico deve-se aplicar
ao material A, inicialmente despolarizado, para causar uma polarização de 6x10
-8

C/m
2
? Calcule a permissividade elétrica desse material nesse ponto.
a) Considerando que o material esteja saturado positivamente, o campo elétrico que
deve se aplicado é de -2.8 V/m. Sendo assim a tensão que deve ser aplicada é de -
2.8*0.0001=280µV.
b) O campo elétrico que deve ser aplicado é de 4 V/m.
Temos que P=(
r
– 1)
0
E P=(-
0
)E. Resolvendo para temos:
=
0
+P/E
= 8,85*10^-12 + 6*10^-8/4 = 150*10^-9 F/m.

Exemplo 5: Um disco de 2 cm de diâmetro por 0,025 cm de espessura constituído
de esteatita apresentou uma capacitância de 7,2 µF e um fator de dissipação de 72.
Determinar a a) permissividade elétrica, b) o fator de perda dielétrica, c) a
susceptibilidade elétrica e d) a permissividade elétrica complexa.
C = 7,2 µF; r = 1 cm; l = 0,025 cm; tg = 72
a) µ = ε =>
µ
µ
ε = µ => ε = 7295 , 5
250
1596 , 314
2 , 7
d d d
x
l
A
x C
515

b)
'
"
ε
ε
= δ tg
tgδ é o fator de dissipação; ' ε é a permissividade relativa; " ε é o fator de perda
dielétrica
0
'
ε
ε
= ε
d
' ε = 644,8408 x 10
3
e " ε = 46,4285 x 10
6

c) 1
0

ε
ε
= χ
d

ε
0
= 8,885 x 10
–12
F/m
d
ε
= 5,295 x 10
–6
F/m
χ = 644,8586 x 10
3

d)
efc
= ε
r
+ j
´´
ε

efc
é a permissividade efetiva complexa;
´´
ε o fator de perda dielétrica;
ε
r
permissividade elétrica relativa [F/m].
=
ε
ε
= ε
0
d
r
644,8408 x 10
3

efc
= 644,8408 x 10
3
+ j 46,4285 x 10
6

Exemplo 6: Um capacitor de placas paralelas que utiliza um material dielétrico com
uma
r
de 2,5 tem entre placas um espaçamento de 1mm (0,04 pol.). Se for usado
um outro material, porém com uma constante dielétrica de 4,0 e a capacitância não
for alterada, qual deve ser o novo espaçamento entre placas?
0 r
⋅ =
12 12
10 2125 , 2 10 85 , 8 ) 5 , 2 (
− −
× = × ⋅ =
12 12
10 54 , 3 10 85 , 8 ) 0 , 4 (
− −
× = × ⋅ =
L
A
C ⋅ = e
L
A

L
A
⋅ = ⋅
L
A
mm
A
⋅ × = ⋅ ×
− − 12 12
10 54 , 3
1
10 21 , 2 mm L L 6 , 1
10 2125 , 2
10 54 , 3
12
12
=
×
×
=




Exemplo 7: Um capacitor de placas paralelas com dimensões de 100 mm por
25mm e uma separação entre placas de 3mm deve ter uma capacitância mínima de
38pF quando um potencial CA de 500 V é aplicado a uma freqüência de 1MHz.
Quais dos materiais listados na Tabela 18.4 são possíveis candidatos? Por quê?
12
3
3 12
10 6 , 45
²] [ 10 5 , 2
] [ 10 3 * ] [ 10 38 *


− −
= ε → = = ε → ε = x
m x
m x F x
A
l C
l
A
C
A constante dielétrica é:
15 , 5
10 85 , 8
10 6 , 45
12
12
0
= =
ε
ε
= ε


x
x
r

Assim, observando Tabela 18.4 os possíveis materiais são titanato, mica, Enstatita
vidro soda-lime e porcelana. Devido à proximidade das constantes dielétricas
tabeladas para estes materiais e a constante dielétrica calculada no exercício.
516


Exemplo 8: Considere um capacitor de placas paralelas que possui uma área de
2500 mm² e uma separação ente placas paralelas de 2 mm, e que contém um
material com constante dielétrica de 4,0 posicionado entre as placas. a) Qual é a
capacitância desse capacitor? b) Calcule o campo elétrico que deve ser aplicado
para que uma carga de 8,0x10
-9
C seja armazenada em cada placa.
a) ] [ 10 43 . 4
10 2
10 5 , 2
) 10 54 , 3 (
11
3
3
11
F x
x
x
x
l
A
C − = = ε =




11 12
0
10 54 , 3 10 85 , 8 * 4
− −
= = ε ⋅ ε = ε x x
r

b) ] [ 180
10 25 , 44
10 0 , 8
12
9
v
x
x
C
Q
v
v
Q
C = = = → =



= = =
−3
10 2
180
x l
v
E 90,3x10³ V/m

Exemplo 9: Uma carga de
3x10
-11
C
deve ser armazenada em cada placa de um
capacitor de placas paralelas que possui uma área de 160 mm² e uma separação
entre as placas de 3,5 mm.Qual a voltagem necessária se um material com
constante dielétrica de 5,0 for posicionado entre as placas? Qual a voltagem
necessária se fosse no vácuo? Quais são as capacitâncias para as partes “a” e “b”?
Calcule o deslocamento dielétrico para a parte “a”. Calcule a polarização para a
parte “a”.
v
mm m mm m F x
m x C x
oA r
QL
v
L
A
o r
v
Q
3 , 17
10 / 1 . 160 . / 10 85 , 8 . 5
10 5 , 3 . 10 5 , 3
.
.
2 6 2 2 12
3 11
= =
ε ε
=
ε ε =

− −

v
m x m F x
m x C x
oA
QL
v 5 , 86
10 160 . / 10 85 , 8
10 5 , 3 . 10 5 , 3
2 16 12
3 11
= =
ε
=
− −
− −

Para a parte “a”: F x
v
C x
v
Q
C
12
11
10 2
3 , 17
10 5 , 3


= = =
Para a parte “b”: F x
v
C x
v
Q
C
13
11
10 4
5 , 86
10 5 , 3


= = =
m x D
m x
v m F x
D
L
rv o
D
rR o D
E r o oE D
3
3
12
10 2 , 2
10 5 , 3
3 , 17 . 5 . / 10 85 , 8
) 1 (



=
=
ε ε
=
ε ε =
− ε ε + ε =

2 7
3
12
/ 10 75 , 1
10 5 , 3
3 , 17 ). 1 5 .( / 10 85 , 8
) 1 (
m C x P
m x
v m F x
P
L
v
r o P



=

=
− ε ε =

517



18.4 Dielétricos - descrição atômica

Se uma mesma quantidade de carga elétrica for mantida nas placas do
capacitor, antes e após a introdução do dielétrico, haverá uma diminuição do
potencial entre as placas do capacitor, com conseqüente diminuição do campo
elétrico, ao se introduzir o dielétrico. A introdução do dielétrico enfraquece o campo
de um valor igual ao da constante dielétrica relativa do material utilizado:

ξ
=
0
E
E (18.11)

Para compreender esse resultado obtido experimentalmente, torna-se
necessário examinar alguns aspectos microscópicos da matéria. O que acontece,
em termos atômicos e moleculares, quando um dielétrico é submetido à ação de um
campo elétrico? Existem duas possibilidades (que veremos mais detalhadamente
após esta introdução de conceitos).
Dielétricos polares: Alguns dielétricos, como as moléculas de água, possuem
um momento de dipolo elétrico permanente. Tais materiais (chamados de dielétricos
polares) tendem a se alinhar com o campo elétrico externo como nos mostra a
Figura 18.5. Pelo fato de as moléculas estarem em constante agitação térmica, este
alinhamento não é completo, mas aumenta quando cresce a intensidade do campo
aplicado ou quando a temperatura diminui.


Figura 18.5 - Dielétrico polar, há alinhamento dos mesmos por um campo elétrico
externo.

Dielétricos não-polares: Quer as moléculas tenham ou não momentos de
dipolo permanentes, elas os adquirem por indução, ao serem colocadas num campo
elétrico externo. Sabemos que o campo elétrico externo tende a “esticar” a molécula
518

separando ligeiramente os centros de carga positiva e negativa. A Figura 18.6a
mostra uma lâmina dielétrica sem aplicação de nenhum campo elétrico externo. Na
Figura 18.6b, um campo elétrico externo E
0
é aplicado, sendo seu efeito separar
ligeiramente os centros das distribuições positiva e negativa. O efeito resultante é
uma acumulação de carga positiva na face direita da placa dielétrica, e de carga
negativa na face esquerda. A placa como um todo, permanece eletricamente neutra,
não havendo excesso de carga em qualquer elemento de volume no interior do
dielétrico.
A Figura 18.6c mostra que as cargas superficiais induzidas aparecem de tal
maneira que o campo E’, por elas criado, se opõe ao campo externo E
0
. O campo
resultante E dentro do dielétrico, que é o vetor soma de E
0
e E’, aponta na mesma
direção de E
0
mas tem módulo menor. Deste modo, o efeito do dielétrico é
enfraquecer o campo elétrico aplicado dentro do dielétrico.


Figura 18.6 - (a) Uma lâmina dielétrica, indicando os átomos neutros no interior da
lâmina. (b) Um campo elétrico externo é aplicado, esticando os átomos e separando
os centros de carga positiva e negativa. (c) O efeito resultante é o aparecimento de
cargas superficiais. Estas cargas criam um campo E’, que se opõe ao campo
externo E
0
aplicado.


18.5 Polarização

A maioria dos materiais isolantes tem um número reduzido de elétrons ou
íons móveis que permitem uma ínfima passagem de corrente elétrica quando
colocados em um campo elétrico. O campo elétrico interage nos isolantes elétricos
provocando um ligeiro deslocamento no balanço das cargas positivas e negativas
dentro do material para formar um dipolo elétrico e são assim denominados
materiais dielétricos. Duas cargas pontuais de modulo q e sinais opostos, separados
entre si de uma distância s (eixo do dipolo), constituem um dipolo elétrico. O
momento desse dipolo,

p , é uma grandeza vetorial de módulo qs, com a direção da
reta que une as duas cargas e sentido da carga negativa para a positiva. A Figura
18.7 ilustra o momento do dipolo elétrico discreto.

519


Figura 18.7 - Representação do momento de um dipolo elétrico gerado por duas
cargas (de magnitude q) separadas por uma distancia s, o vetor polarização
associado

p , também, é mostrado.

Supor que as cargas estejam ligadas entre si mecanicamente, de tal forma
que a distancia s seja sempre constante. Colocando esse dipolo elétrico em um
campo elétrico uniforme, de intensidade Ε(que é também um vetor quantidade),
externo (o próprio dipolo será um campo elétrico, porem isso não nos interessa no
momento). A extremidade positiva do dipolo é atraída para a direita, e a negativa
para a esquerda, por uma força

F (ou torque) que atuará sobre o dipolo para
orientá-lo com o campo aplicado, de intensidade Ε q , conforme ilustra a Figura 18.8.
O campo elétrico fornece um trabalho ao dipolo para girá-lo até que sua direção e
sentido seja os mesmos do campo (Figura 18.9). Este processo de alinhamento do
dipolo é denominado polarização.


Figura 18.8 - Momento de um dipolo elétrico em um campo elétrico.


Figura 18.9 - (a) Forças impostas (torque) agindo sobre um dipolo elétrico devido a
um campo elétrico. (b) Alinhamento final do dipolo como o campo.
520


Polarização é então, o alinhamento induzido ou permanente dos momentos
de dipolo de moléculas ou átomos por efeito de um campo externo. Os materiais
isolantes (ou dielétricos) dependendo do tipo de material e das condições de
aplicação do campo externo, basicamente podem apresentar 3 tipos de polarização
(um, dois ou mais simultaneamente), eletrônica, iônica e molecular (Figura 18.10). A
polarização eletrônica resulta do deslocamento de nuvens de elétrons em relação a
núcleos atômicos. A contribuição iônica resulta do deslocamento de íons em relação
a outros íons. A polarização molecular resulta da mudança de orientação de
moléculas com momento dipolo elétrico permanente por efeito do campo externo
aplicado. Em materiais heterogêneos existe um quarto tipo de polarização –
interfacial produzida pelo acumulo de cargas elétricas nas interfaces estruturais.
Este tipo não é levado em conta habitualmente e estudos teóricos, mas é importante
do ponto de vista prático, já que materiais isolantes comerciais são sempre
heterogêneos.


Figura 18.10 - Mecanismos de polarização – esquema ilustrativo.

18.5.1 Polarização eletrônica (dipolo induzido), Pe

No caso de freqüências óticas a polarização é de longe a mais importante.
Ocorre em todos os materiais dielétricos e é ocasionada por um ligeiro
deslocamento dos elétrons que circundam o núcleo atômico para a direção do
eletrodo positivo e, por sua vez o núcleo atômico é ligeiramente deslocado para a
direção do eletrodo negativo. Como os centros de cargas não são coincidentes há a
formação de um pequeno dipolo (Figura 18.10). Apesar de haver tantos momentos
dipolares quanto o número de átomos presentes, o momento dipolar resultante, µ
e
,
521

é baixo de forma que a polarização eletrônica resultante, também é baixa e é dada
por:

Pe = Σ µ
e
(18.12)

A polarização eletrônica diminui com o aumento da temperatura, devido a
dilatação do dielétrico e conseqüente diminuição do número de partículas por
unidade de volume. A freqüências elevadas, da ordem de 10
16
Hz, a polarização
eletrônica responde rapidamente às mudanças que ocorrem no campo elétrico. A
remoção do campo elétrico aplicado provoca um retorno dos elétrons e do núcleo
para a posição original.


(a) (b)
Figura 18.10 - (a) Sem campo elétrico aplicado e (b) com campo elétrico aplicado.

Como isso acontece: suponhamos que um átomo de hidrogênio seja
colocado em uma região onde exista um campo elétrico, conforme ilustra a Figura
18.11.


Figura 18.11 - Um átomo num campo elétrico.

O campo elétrico distorce a simetria do átomo, puxando a carga negativa
para baixo e o núcleo positivo para cima, quando o equilíbrio é atingido, o átomo
ligeiramente distorcido terá um momento de dipolo elétrico, por que os centros de
carga positiva e negativa não mais coincidem. O modulo desse momento de dipolo
induzido será b e p . = , onde b é o deslocamento sofrido pelas cargas, e cujo valor é
proporcional a intensidade do campo elétrico aplicado:

→ →
Ε α = .
e
p (18.13)

522

A constante de proporcionalidade
e
α é uma característica de cada átomo, e é
denominada de polarizabilidade eletrônica. O hidrogênio e os metais alcalinos têm
valores elevados de
e
α , sendo que esse valor cresce com o numero atômico do
elemento.
Os gases nobres têm valores de
e
α muito menores, porém também
crescentes com o número atômico do elemento (ver pg. 395 de Kittel, valores de
e
α
para vários íons).
Assim como os átomos, muitas moléculas não apresentam momentos de
dipolos permanentes. São moléculas cujas distribuições atômicas são tais que os
centros de carga positivas e negativas coincidem (apolares). No entanto, também
nessas moléculas pode-se induzir um momento de dipolo elétrico pela ação de um
campo elétrico externo. Obviamente tanto nos átomos como nas moléculas, o
momento de dipolo induzido desaparece com a retirada do campo externo.
Porém, como as moléculas são menos simétricas que os átomos, para elas
podem-se ter momentos de dipolo induzido não paralelo ao campo aplicado.
Consideremos, como exemplo, uma molécula de dióxido de carbono (CO
2
), é uma
molécula linear, conforme ilustra a Figura 18.12.


Figura 18.12 - Molécula de CO
2

paralelo
>> α
perpendicular
).

A estrutura eletrônica dessa molécula sofre deformações diferentes para
campos aplicados transversalmente ou longitudinalmente a ela. De fato, a
polarizabilidade observada da molécula de CO
2
para um campo aplicado
paralelamente ao seu eixo é quase o dobro daquela observada para um campo
transversal.
Como resultado, temos um vetor momento de dipolo induzido não paralelo ao
campo elétrico que é induzido.
Este exemplo ilustra que a polarizabilidade de uma molécula não é um
simples escalar, mas composta por um conjunto de coeficientes que exprime a
dependência linear das componentes de um vetor, no caso p

, relativamente as de
um outro,

Ε. Tal conjunto de coeficientes é denominado tensor (já observamos que
a condutividade elétrica também é um tensor).
Um dielétrico que contém N moléculas por unidade de volume, terá como
momento de dipolo elétrico induzido total:

E N p N p
e

* * * α = = (18.14)
523


A este vetor denominamos de polarização elétrica, e seu modulo fornece o
número de momento de dipolo induzido por unidade de volume do dielétrico.

18.5.2 Polarização por orientação de dipolos permanentes, Po

Envolve moléculas não simétricas que contém dipolos elétricos permanentes.
A maioria dos dipolos permanentes em materiais cerâmicos, por exemplo, não
podem ser reorientados por aplicação de um campo elétrico sem que haja a
destruição da estrutura dos cristais. Em virtude disto, este mecanismo de
polarização não é tão importante para os materiais cerâmicos, mas é muito
importante para os polímeros. Algumas moléculas, devido a sua estrutura não
simétrica, possuem momento de dipolo elétrico intrínseco, mesmo na ausência de
um campo elétrico externo. Nessas moléculas os centróides das distribuições de
carga negativas e positivas estão permanentemente separados por uma
determinada distância. Tais moléculas são denominadas de polares.
Como exemplo mais simples temos as moléculas diatômicas formadas por
átomos diferentes, como o HCl. Para essa molécula o elétron do hidrogênio desloca-
se parcialmente em direção a estrutura do Cl, desta forma, resulta em um excesso
de carga negativa na extremidade do cloro. Momento de dipolo permanente, regra
geral, é mais intensa que qualquer momento que se possa induzir por campos
elétricos comuns, usados em laboratório.
Outro exemplo bastante conhecido de molécula polar é a molécula de água,
H
2
O. Essa molécula tem um momento de dipolo permanente porque é “dobrada” no
centro, com os eixos O-H formando um ângulo de cerca de 105º entre si. A Figura
18.13 apresenta alguns exemplos de moléculas polares bem conhecidas.


Figura 18.13 - Algumas moléculas polares bem conhecidas O valor observado no
momento de dipolo permanente p é dado em unidades de 10
-18
esu-cm (esu:
524

unidade eletrostática de carga) para converter para unidades do SI multiplique p por
1/3x10
11
).

O comportamento de uma substancia composta por moléculas polares como
dielétricos é notavelmente diferente de uma substancia composta de moléculas não
polares. Neste ultimo caso, a aplicação de um campo elétrico externo induz um
pequeno momento de dipolo em cada molécula. Na substancia polar, os dipolos já
estão presentes em grande quantidade, porém, na ausência do campo elétrico
externo, são orientados aleatoriamente, de modo a não apresentar um momento de
dipolo resultante mensurável.
Um campo elétrico externo alinha tais dipolos, fornecendo como efeito
macroscópico uma intensa polarização. Como resultado obtém-se uma constante
dielétrica muito maior em dielétricos polares que em não polares. A constante
dielétrica relativa da água, por exemplo, é 80, enquanto para um liquido típico não
polar esse valor se mantém em torno de 2.
A polarização causada em substancias polares denominada de polarização
por orientação. Neste caso também se pode definir uma grandeza
o
α , denominada
de polarização por orientação, de forma que:

E N p
o

* *α = (18.15)

onde N é o numero de moléculas polares por unidade de volume do material e E

o
campo elétrico aplicado ao material.
Polarização por orientação molecular não ocorre em cristais iônicos ou em
vidros. Porém, outro tipo de polarização também denominada de polarização por
orientação, pode ocorrer em tais substancias.
A mais simples imperfeição na rede cristalina é a denominada vacância: falta
de um átomo ou íon em uma posição da rede. Em equilíbrio térmico todos os cristais
apresentam certo numero de vacâncias. A concentração de equilíbrio de vacâncias
diminuem com a diminuição da temperatura.
Pares de vacâncias de sinais opostos associados formam um dipolo elétrico.
Impurezas iônicas adjacentes a uma vacância de sinal oposto ao seu também
formam um dipolo permanente. Esse dipolo íon-vacância, poderá se orientar sob a
ação de um campo externo, desde que existam duas ou mais posições disponível
na rede para o íon de impureza. Esse tipo de polarização é o esquematizado na
Figura 18.14.


Figura 18.14 - Reorientação de um par de vacâncias na rede. Outros tipos de pares
de defeitos fornecem resultados similares.
525


A adição de cloreto de cálcio, CaCl
2
em cristais de KCl, por exemplo, leva a
um aumento de concentração de vacâncias de cátions (vacâncias ++). Existe uma
tendência para os íons de Ca
2+
nesse cristal de se associar a essas vacâncias
fornecendo um dipolo (Figura 18.15). Esse tipo de polarização é também conhecido
como polarização por defeitos ou impurezas.


Figura 18.15 - Produção de vacâncias na rede pela dissolução de CaCl
2
em KCl,
para garantir a neutralidade elétrica uma vacância positiva é introduzida na rede
para cada íon Ca
++
. Os dois íons Cl
-
do Ca Cl
2
entram como íons negativos normais
na rede.

Este tipo de polarização dipolar difere da eletrônica e da iônica com relação
ao movimento das partículas por efeito da temperatura. As moléculas dipolares, que
se encontram em movimento térmico caótico, se orientam parcialmente pela ação
do campo, o qual é a causa da polarização. O mesmo é possível se as forças
moleculares não impedirem os dipolos de se orientarem de acordo com o campo.
Ao aumentar a temperatura se enfraquecem as forças moleculares e diminui a
viscosidade da substância, de forma que se intensifica a polarização dipolar. No
entanto, ao mesmo tempo aumenta a energia dos movimentos térmicos das
moléculas, o que faz que diminua a influência orientadora do campo. De acordo com
isto, a polarização dipolar aumenta a princípio com o aumento da temperatura,
enquanto que o enfraquecimento das forças moleculares influencia mais que a
intensificação do movimento térmico caótico. Depois, quando este última se
intensifica, a polarização dipolar cai a medida que aumenta a temperatura;
Alguns autores denominam a polarização que aparece apenas em corpos
amorfos e em sólidos não cristalinos polares (caso do vidro) como polarização
estrutural, na qual um corpo amorfo é parcialmente constituído de partículas e íons.
A polarização estrutural vem a ser a orientação de estruturas complexas de material,
perante a ação de um campo externo, aparecendo devido a um deslocamento de
íons e dipolos, na presença de aquecimento devido a perdas Joule. Em relação á
temperatura esses matérias apresentam comportamento semelhante à polarização
dipolar.

18.5.3 Polarização iônica (induzida), Pi

Este tipo de polarização envolve o deslocamento de íons positivos e
negativos sob a ação de um campo elétrico aplicado e é o tipo mais comum nos
materiais cerâmicos. O campo elétrico aplicado ao material pode provocar um
deslocamento comparativamente grande em algumas estruturas, porém muito
menor do que 1,0 Å e, assim, desenvolver constantes dielétricas relativamente altas,
devido à polarização iônica. A polarização iônica assim como a eletrônica se
526

caracteriza por um deslocamento elástico de íons ligados ao núcleo de um átomo.
Diferentemente da polarização eletrônica este tipo de polarização é intensificada
com o aumento da temperatura, uma vez que se debilitam as forças elásticas
interiônicas e aumenta as distâncias entre os íons quando o corpo se dilata; Neste
caso também se pode definir uma polarizabilidade iônica, α
i
. Obviamente, a
polarização desaparece ao se retirar o campo elétrico externo.
A polarização iônica é mais vagarosa do que a polarização eletrônica sob a
ação de um campo elétrico variável aplicado. A resposta máxima é da ordem de
10
13
Hz.


(a) (b)
Figura 18.16 - Polarização iônica o campo distorce a rede: (a) sem campo elétrico
aplicado e (b) com campo elétrico aplicado.

18.5.4 Polarização de cargas espaciais, Ps.

Envolve as cargas espaciais ou cargas estranhas que se situam nas
interfaces. Em outras palavras estas cargas são cargas randomicamente causadas
por radiação, deterioração térmica, ou são aquelas absorvidas no material durante o
processamento. Seu valor e a freqüência de resposta dependem mais da geometria
dos contaminantes do que das outras propriedades do material.
Este tipo de polarização ocorre em dielétricos multifásicos (polímeros
policristalinos e cerâmicas heterogêneas). Quando uma das faces presentes possui
resistividade muito diferente da outra, um campo elétrico externo aplicado pode
causar um acumulo de cargas elétricas nas interfaces entre as faces. Esta região de
carga espacial se estende por um volume muito maior que o ocupado pela região
não homogênea em si. Essa polarização conhecida como polarização interfacial ou
por carga espacial é esquematizada na Figura 18.17. Para este caso defini-se a
polarizabilidade por carga espacial,
c
α .

527


(a) (b)
Figura 18.17 - Polarizabilidade por carga espacial (a) sem campo elétrico aplicado e
(b) com campo elétrico aplicado.

18.5.5 Polarização total

A polarizabilidade total, α, que pode ocorrer em um dielétrico, é representada
pela soma de todas as polarizabilidades possíveis de ocorrer, isto é:

c e i o
α + α + α + α = α (18.15)

É importante salientar que o próprio dipolo elétrico induzido ou permanente,
produz campo elétrico na região que o circunda. A Figura 18.18 esquematiza
algumas linhas de campo produzidas por um dipolo.


Figura 18.18 - Algumas linhas de campo produzidas por um dipolo.

2
cos&
r
p ⋅
= ϕ
3
cos& & 3
r
sen p
E
x
⋅ ⋅ ⋅
=
3
2
) 1 & cos 3 (
r
p
E
z
− ⋅
= (18.16)


18.6 Dependência da polarização com a freqüência e temperatura

A polarização total P, a polarizabilidade, α e a permissividade relativa, ε
r
, de
um dielétrico em um capo elétrico alternado, dependem todas da facilidade com que
528

os dipolos podem invertir seu alinhamento com cada inversão de campo Em muitas
situações práticas a corrente é alternada, e a voltagem, ou campo elétrico que é
aplicado, muda de direção com o tempo. Assim no material dielétrico, a cada
reversão de sentido, os dipolos tentam se reorientar com o campo, ou seja, um
processo que requer um tempo finito. Para cada tipo de polarização, algum tempo
mínimo de reorientação existe, o qual depende da facilidade com que cada
particular dipolo é capaz de realinhar-se. Uma freqüência de relaxação é resultado
de um tempo mínimo de reorientação. Todos os tipos de polarização que podem
ocorrer em dielétricos possuem uma certa inércia de momento, isto é, existe um
certo tempo necessário para que os dipolos sejam induzidos ou para que os que já
existam então que se alinhem com o campo elétrico externo aplicado. Esse tempo é
denominado de tempo de relaxação da polarização. Um dipolo não pode manter as
trocas de direção de orientação quando a freqüência do campo elétrico aplicado
excede a freqüência de relaxação, e, além disso, não proporcionará nenhuma
contribuição para a constante dielétrica. Deste modo, esses mecanismos podem
não ocorrer se houver uma inversão suficientemente rápida da tensão aplicada.
A dependência de ε
r
da freqüência do campo é representada na Figura 18.19
para um meio dielétrico que exibe três tipos de polarização; note que o eixo da
freqüência está plotado de forma logarítmica. Como indicado na Figura 18.19,
quando o mecanismo de polarização cessa de operar, há uma queda abrupta na
constante dielétrica; por outro lado ε
r
está virtualmente independente da freqüência.
A absorção da energia elétrica por um material dielétrico que está sujeito à um
campo elétrico alternado é chamada perda dielétrica. Esta perda pode ser
importante nas freqüências de campo elétrico localizadas nas vizinhanças da
freqüência de relaxação para cada tipo operativo de dipolo de um material
específico. Uma baixa perda dielétrica é desejada na freqüência de utilização.


Figura 18.19 - Polarização (ε
r
) versus freqüência do campo para um meio dielétrico
que exibe três tipos de polarização. As polarizações com resposta mais rápida
prosseguem nas freqüências mais elevadas.

529

Obviamente a variação da polarização é refletida pelas constantes dielétricas.
Quando a freqüência do campo aplicado excede a necessária para ocorrer a
polarização, os dipolos não conseguem mais reorientarem-se e o processo cessa.
Como o tempo de relaxação dos quatro processos de polarização que foram vistos é
diferente, é possível separar-se experimentalmente as contribuições de cada
processo ao valor da constante dielétrica como mostrado na Figura 18.20.
A polarização eletrônica é o único processo suficientemente rápido para
acompanhar variações muito rápidas de um campo elétrico alternado. Isto é
facilmente compressível, uma vez que nesse processo só se tem variação da
estrutura eletrônica e pouca massa entra em jogo. Esse tipo de polarização
predomina em dielétricos não polares.
A polarização eletrônica responde rapidamente, encontra-se presente a
elevadas freqüências, trazendo importantes característica.
A polarização iônica, não é tão rápida para acompanhar variações intensas
do campo, só contribuindo para a constante dielétrica na região do infravermelho do
espectro (f < 10
14
Hz). Nas altas freqüências a polarização iônica não se pode
manter na inversão de campo, enquanto que a polarização eletrônica se mantém.
A polarização por orientação, envolve a movimentação de toda uma estrutura
molecular, estando, assim sujeita a uma determinada força de atrito, é muito mais
lenta. Neste caso o tipo de relaxação varia muito de uma substância para a outra.
Assim este tipo de polarização é afetada somente a baixas freqüência (em
freqüências inferiores ao infravermelho UHF ou microondas)., pois em altas
freqüências não há tempo suficiente para que as moléculas possam realinhar com
cada ciclo.
Finalmente a polarização por carga espacial é mais lenta, só contribui para o
valor de ξ a baixas freqüências. A Figura 18.20 mostra a variação da constante
dielétrica relativa em função da freqüência de campo elétrico aplicado, destacando-
se a contribuição de cada processo.

530


Figura 18.20 - Variação da polarizabilidade total e da absorção dielétrica em função
da freqüência. A contribuição da polarizabilidade decai à medida que aumenta a
freqüência característica de ressonância.

A perdida de energia q se produz nos dielétricos de deve á condutividade c-c
e relaxamento dos dipolos. O fator de perda é uma indicação da energia perdida
como calor. Sua variação com a freqüência esta indicada na Figura 18.20. Nas
freqüências ópticas e IV, os máximos ilustram a absorção óptica e IV. A perdida
dielétrica máxima para qualquer tipo particular de processo de polarização se produz
quando seu período de relaxação é o mesmo daquele do campo aplicado, ou seja,
quando se produz ressonância, assim todos os máximos da Figura 18.20 se
produzem perto do limite de freqüência de cada polarização particular. Na Figura
18.21 é mostrada a variação esquemática com a freqüência da parte real da
constante dielétrica de um dielétrico sólido hipotético com quatro mecanismos de
polarização.

531


Figura 18.21 - Variação esquemática com a freqüência da parte real do coeficiente
dielétrico de um dielétrico sólido hipotético com quatro mecanismos de polarização.

Sólidos fortemente covalentes como o diamante apresentam só polarização
eletrônica. Desta forma
r
ξ pode ser medido opticamente através do índice de
refração. Materiais iônicos perdem a contribuição da polarização iônica em
freqüências abaixo do infravermelho. Para esses materiais é possível medir-se
separadamente a contribuição iônica e a eletrônica efetuando-se medidas tanto
ópticas como elétricas de
r
ξ .
Para uma freqüência dada a constante dielétrica relativa dos materiais, ξ
depende ainda da temperatura. Em materiais onde predomina a polarizabilidade
eletrônica, esse efeito é em geral muito pequeno. Os principais efeitos são sentidos
nos materiais que possuem polarização por orientação (materiais moleculares
polares) e polarização iônica. Nos primeiros, a constante dielétrica tende a diminuir,
devido à agitação térmica provocada e esse efeito pode ser grande, conforme ilustra
a Figura 18.22a, para o nitro benzeno (C
6
H
6
NO), e a Figura 18.22b, para polietileno
tereftalato ou poli(tereftalato de etileno) (PET) e outros polímeros.

532


(a) (b)
Figura 18.22 - (a) Permissividade relativa do nitro benzeno em função da
temperatura. (b) Variação da constante dielétrica em função da temperatura para
polietileno tereftalato (PET) e outros polímeros.

Em materiais que possuem polarização iônica com a elevação de
temperatura, observa-se uma tendência da constante dielétrica em aumentar, pois
há aumento da resposta iônica ao campo com qualquer freqüência em
conseqüência do aumento dos portadores de carga e a mobilidade iônica. Este
aumento na constante dielétrica sugere que o mecanismo dominante é a
polarização iônica.
Cada uma das polarizações citadas é reversível e essencialmente
proporcional ao campo elétrico aplicado, para pequenos campos e baixas
freqüências. E pode-se até escrever que P / E = módulo constante

18.7 Materiais ferroelétricos

Os íons que se deslocam em um cristal sobre a ação de um campo elétrico
externo, causam o aparecimento de um dipolo, conforme vimos no inicio do capítulo,
e geralmente retornam as suas posições originais após a retirada do campo elétrico.
Porém, em certos materiais, como por exemplo o titanato de bário (BaTiO
3
), a
temperatura inferior a 120 ºC, isso não ocorre. O BaTiO
3
, tem uma estrutura cúbica
estável à temperatura acima de 120 ºC, conforme mostra a Figura 18.23.

533


Figura 18.23 - Cela unitária “perovskita” (Ca
2+
). Íons por célula unitária:5
(distribuição:1Ti
4+
, 1Ba
2+
e 3 O
2-
). Cada Ba
2+
em coordenação 12 com o O
2-
, Ti
4+
em coordenação 6 com o O
2-
. Apenas Ba
2+
– O
2-
,formam FCC.

Ao ser resfriado abaixo de 120ºC o (BaTiO
3
) sofre uma transformação de
fase a uma transformação tetragonal. A temperatura critica em que ocorre a
transformação é conhecida como temperatura de Curie. Neste caso o (BaTiO
3
) de
estrutura tetragonal é um material ferroelétrico. Nessa estrutura, o íon central Ti
4+

em relação aos íons O
2-
pode situar-se em duas posições sendo portanto uma
estrutura assimétrica. Como nenhuma dessas posições está no centro da célula
unitária, o centróide das cargas positivas não coincidem com o das cargas
negativas, formando, portanto um dipolo elétrico. A Figura 18.24 ilustra o que foi
descrito, embora esse deslocamento seja inferior a uma pequena fração de
angstrons, é muito maior que os deslocamentos químicos que ocorre na maior parte
dos sólidos. Como resultado, teremos um momento de dipolo elétrico intenso para a
célula unitária, o que leva o (BaTiO
3
), a ter uma constante dielétrica muito elevada.
(8~4000). O valor de ξ variam com a temperatura e com o campo aplicado
conforme é mostrado na Figura 18.25. Para valores muito altos de E(V/cm) os
domínios são orientados de forma mais efetiva e assim altos valores de ξ resultam.
Ao mesmo tempo pode ser verificada forte influencia da temperatura. Os dois picos
ondulados a 5ºC e -80ºC ocorrem devido a variação de fases do material: T >120°C
: cúbica; 120 à 5ºC:tetragonal; 5ºC à -80 ºC:Ortorrômbica; T <-80 ºC Romboédrica.
Felizmente essa influencia da temperatura nos valores da ξ pode ser modificada
preparando soluções sólidas com ampla faixa de composições. Parte dos íons Ba
2+

podem ser substituídos por Pb
2+
, Sr
2+
, Ca
2+
e Cd
2+
mantendo as
características ferroelétricas do material. Assim como o dos íons Ti
4+
podem ser
substituídos por Sn
4+
, Hf
4+
, Zr
4+
, Ce
4+
e Th
4+
.

534



Figura 18.24 - O titanato de bário (BaTiO
3
), cúbico (a) e (c) passa a ter uma
estrutura tetragonal (b, d, e), abaixo de 120ºC (temperatura de Curie) na qual o íon
central Ti
4+
pode situar-se em duas posições.
535


Figura 18.25 - Variação do valor de ξ com a temperatura e E para BaTiO
3
.

É necessário um certo tempo uma vez que uma certa energia é necessária
para mover o íon Ti
4+
de sua posição de mais baixa energia. A Figura 18.26 ilustra
os domínios ferroelétricos, sendo assim denominados por que a propriedade de
alinhamento espontâneo de dipolos elétricos recebe o nome de ferroeletricidade.
Como mostrado na figura, em contraste com o material cúbico, a estrutura de dipolo
da célula tetragonal permite elevada polarização em resposta ao campo elétrico
aplicado. Isso é mostrado como um efeito macroestrutural e cristalográfico. O
material ferroelétrico pode apresentar polarização nula sem campo aplicado devido
à orientação aleatório dos domínios a escala microscópica, regiões essas nas quais
o eixo c das células unitárias adjacentes tem uma direção em comum. Quando se
aplica um campo, são favorecidas as orientações dos dipolos das células unitárias
que estão mais ou menos paralelos à direção do campo aplicado. Neste caso os
domínios com essas orientações crescem as custas dos domínios orientados menos
favoravelmente. O mecanismo específico do movimento da parede do domínio é
simplesmente o pequeno deslocamento das posições dos íons dentro da célula
unitária, dando como resultado a mudança de orientação do eixo c tetragonal. Tais
movimentos da parede do domínio dão como resultado a polarização espontânea.
Em contraste com o material paraelétrico a campo apenas provoca um pequeno
dipolo induzido (cátions puxados ligeiramente em direção do eletrodo negativo e
anions para o eletrodo positivo).


536




Figura 18.26 - Polarização, P, versus campo elétrico aplicado, E,. Para o material
paraelétrico apenas observa-se modesta polarização, já o material ferroelétrico
apresenta polarização espontânea na qual os domínios das células unitárias
orientadas similarmente crescem ao aumentar os campos de igual orientação.


Figura 18.27 - Domínios ferroelétricos.

537

Em equilíbrio, um material ferroelétrico tem seus domínios orientados
aleatoriamente, de forma a não apresentar nenhuma polarização resultante
mensurável. Ao se aplicar um campo elétrico externo, as fronteiras entre os
domínios se movem de forma a expandir nos domínios orientados mais
favoravelmente ao campo aplicado, e concentrar os menos favoravelmente. Como
resultado, origina-se uma polarização total não nula no material, que aumenta
rapidamente com o campo aplicado, tal como ilustra a parte O-A da curva do
diagrama polarização x campo aplicado da Figura 18.28. Essa figura resume o ciclo
de histerese que resulta se um campo é aplicado ciclicamente (i.é. AC). Como o
alinhamento tende a um máximo (uma vez que a densidade de domínios é finita),
atinge-se uma situação na qual um aumento adicional do campo elétrico aplicado
apenas melhora ligeiramente a polarização preferencial (parte A-B da curva).


Figura 18.28 - Histerese ferroelétrica. O comportamento acima é chamado de
ferroelétrico em virtude da sua semelhança com o comportamento ferromagnético.

A remoção do campo externo não elimina totalmente a polarização
preferencial, de forma que uma polarização remanescente, P
r
, permanece, até que
se aplique um campo coercitivo, E
c
, de polaridade oposta. A aplicação cíclica de
campos elétricos produz um ciclo de histerese, tal como o percurso BCDFB
mostrado na curva da Figura 18.28. (observe a analogia com a curva BxH de um
material ferromagnético).
Vários parâmetros importantes podem ser obtidos do ciclo de histerese:
Polarização por saturação Os (ponto B):devida ao crecimento máximo dos domínios,
Polarização remanescente, Pr, a quel permanece quando o campo é eliminado. A
redução de E=0 não recupera a estrutura dos domínios a volumes iguais de
polarização oposta, para isso é necessário um campo coersitivo, Ec.
Cada material ferroelétrico apresenta uma temperatura característica, T
c
,
denominada de temperatura de Curie, acima da qual a energia térmica não permite
a formação de domínios e o material perde sua ferroeletricidade, tornando-se um
dielétrico comum, muitas vezes denominado de paraelétrico. No caso do (BaTiO
3
),
temos T
c
= 120 ºC, pois acima desta temperatura o material perde sua polarização
538

espontânea, em virtude de sua passagem para a forma cúbica. A Tabela 18.6
mostra alguns cristais ferroelétricos e suas respectivas Tc.

Tabela 18.6 - Temperatura de Curie e polarização espontânea de cristais
ferroelétricos.
T
c
[K] P
s
[µ µµ µCcm
-2
) T[K]*
KH
2
PO
4
123 16,000 [96]
KD
2
PO
4
(Fosfato de potássio
dideuterium.)
213 13,500 --
RbH
2
PO
4
147 16,800 [90]
RbH
2
AsO
4
111 -- --
KH
2
AsO
4
96 15,000 [80]
RDP
GeTe 670 -- --
Sulfato de
Triglicina
322 8,400 [293]
TGS
Selenato de
Triglicina
295 9,600 [273]
BaTiO
3
393 78,000 [296]
SrTiO
3
~0 (9,000) [4]
KNbO
3
712 90,000 [523]
PbTiO
3
763 >150,000 [300]
LiTaO
3
890 70,000 [720]
Perovskites
LiNbO
3
1470 900,000 --
*para obter os valores em CGS seu-cm
-2
, multiplique o valor da tabela por 3x10
3


Além da utilização como dielétricos em capacitores especiais, devido ao
alternador de ξ , materiais ferroelétricos têm importantes aplicações pela
propriedade piezelétrica que apresentam. É importante salientar que todos os
cristais no estado ferroelétrico são piezos elétricos, porém podem-se ter cristais não
ferroelétricos e que apresentam piezo eletricidade.


18.8 Materiais antiferroelétricos

Em alguns materiais, como por exemplo, o (WO
3
), os momentos de dipolos
elétricos de células unitárias vizinhas se orientam antiparalelamente, resultando em
uma polarização total nula. Tais materiais são denominados de antiferroelétricos.
Também nesse caso, tense uma temperatura de transição, com que o material
perde essa propriedade. A diferença essencial entre um material ferroelétrico e um
antiferroelétrico é que, este último, não apresenta o fenômeno de histerese abaixo
de uma temperatura de transição.

18.9 Materiais piezoelétricos

Deformação mecânica também pode causar a polarização de determinados
cristais. Isto ocorre devido ao deslocamento relativo entre os íons no cristal, e só
ocorre quando este não possui centro de simetria, isto é, os centróides de carga
positivas não coincidem. Esse tipo de material denominado piezo elétrico, ou se
alonga, ou se contrai quando sujeito a um campo elétrico, pois os comprimentos dos
539

dipolos são alterados por gradientes de tensão. Essa é uma forma de se transferir
energia elétrica em mecânica, pois o cristal vibra com a freqüência do campo
alternado nele aplicado, e em proporção de diferencial de voltagem. Dispositivos
eletromagnéticos que utilizam essa propriedade são os transdutores, normalmente
são utilizados para produzir ondas sonoras de alta freqüência para sincronização de
circuitos eletromagnéticos.
O processo inverso também é possível, ou seja, a inversão de energia
mecânica em elétrica tornando-se um cristal piezo elétrico.
Desta forma, pode-se transformar vibrações, ondas sonoras e outros
movimentos mecânicos em potenciais elétricos. As principais utilizações de tais
dispositivos são os microfones, cristais fonográficos, telefones, dispositivos para
sonar, medidor de pressão, etc. entre os materiais mais comumente utilizados por
seu efeito piezo elétrico, temos o quartzo, o (BaTiO
3
), o SiO
2
e o PbZrO
3
.


18.10 Propriedades de materiais dielétricos (isolantes)

Os isolantes são caracterizados por uma série de propriedades, cujos valores
numéricos os identificam em termos quantitativos e cuja variação informa aspectos
qualitativos. Essas propriedades variam o seu valor numérico de acordo com as
condições físicas de seu uso (como por exemplo, variações de temperatura e
umidade, tensão elétrica aplicada, etc). Assim, para sabermos se uma dada
condição de serviço influi, e até que grau, sobre as características do material, é
imprescindível comentar de que modo, e em função de que grandezas, as
características dos isolantes podem variar.

18.10.1 A constante dielétrica de gases, líquidos e sólidos

A constante dielétrica varia em função da polarização e como os gases tem
um afastamento intermolecular bastante grande, e apresentam baixa densidade, a
sua polarização é pequena e a constante dielétrica é praticamente igual a um. Os
gases apresentam puramente polarização eletrônica, ou uma combinação de
polarização eletrônica e dipolar. A constante dielétrica é tanto maior quanto maior o
raio molecular. A variação da constante dielétrica de gases com a temperatura e a
pressão é justificada pela mudança do número de moléculas por unidade volume,
quando a pressão e a temperatura variam.
Isolantes líquidos podem ser constituídos de moléculas polares ou não
polares. O valor numérico das constantes dielétricas não é elevado (geralmente <
2,5). A variação de a constante dielétrica γ, em função da temperatura, pode ser
explicada pela redução do número de moléculas por unidade de volume (densidade)
quando a temperatura se eleva. Nos líquidos polares, a polarização é determinada
por um deslocamento nas camadas eletrônicas das partículas elementares
(polarização eletrônica) e orientação dos dipolos na direção do campo aplicado
(polarização dipolar). Como conseqüência, a constante dielétrica de líquidos polares
é tanto maior, quanto maior é o número de moléculas por unidade de volume.
540

Em relação ao valor da constante dielétrica de isolantes sólidos a diversidade
estrutural e as variações de matérias-primas neste grupo levam a valores bastante
diferenciados de ε
r
. Assim os sólidos podem se caracterizar por polarizações
eletrônicas, iônicas estruturais ou espontâneas bem definidas.
A menor constante dielétrica é encontrada em dielétricos sólidos, constituídos
de moléculas não polares, e que assim apresentam uma polarização eletrônica
pura. A temperatura influi sobre o valor de ε
r
, devido à variação com a temperatura
do número de partículas por unidade de volume.
Isolantes polares sólidos com estrutura cristalina ou amorfa, bem como
isolantes iônicos amorfos, tais como resinas polares, baquelite, ebonite, cloreto de
polivinila (PVC), goma-laca e outros, e ainda celulose e seus produtos derivados
(papel, tecido) e vidros inorgânicos, constituem um grupo de isoladores em que
encontramos simultaneamente as polarizações eletrônicas, iônicas e de estrutura.
Classifica-se esse grupo em geral nos 2 sub-grupos a seguir:
• 1° Subgrupo: Constitui-se de dielétricos amorfos, como o caso dos vidros
inorgânicos. Sua polarização de estrutura é resultante de uma mudança de
orientação de áreas iônicas inteiras, devido à ação da temperatura. A
constante dielétrica é relativamente grande, entre 4 e 20, seu coeficiente de
temperatura é positivo.
• 2° Subgrupo: Constitui-se de sólidos polares cristalinos e amorfos, nos quais
encontramos uma polarização dipolar, semelhante à dos líquidos polares,
porém com tempos próprios de polarização bem diferentes. Essa polarização
dipolar deriva da existência de grupos polares acentuada influência da ação
de campos externos, que introduzem no sólido uma agitação térmica.
Exemplo de tais grupos é a celulose devido à presença do radical (OH). As
constantes dielétricas desses materiais variam acentuadamente com a
temperatura e com a freqüência do campo externo aplicado, obedecendo as
mesmas leis dos isolantes líquidos polares.
Na Tabela 18.7 são apresentados valores da constante dielétrica em função
da freqüência para esses dielétricos.

Tabela 18.7 - Constante e rigidez dielétricas de alguns materiais dielétricos.
Constante dielétrica Rigidez dielétrica
Material
60 Hz 1 MHz (V/mil)
a

Cerâmicas
Cerâmica titanato - 15-10000 50-300
Mica - 5,4-8,7 1000-2000
Enstatita (MgO-SiO
2
) - 5,5-7,5 200-350
Vidro soda-lime 6,9 6,9 250
Porcelana 6,0 6,0 40-400
Sílica fundida 4,0 3,8 250
Polímeros
Fenol-formaldeído 5,3 4,8 30-400
Nylon 6,6 4,0 3,6 400
Poliestireno 2,6 2,6 500-700
Polietileno 2,3 2,3 450-500
Politetraflouretileno 2,1 2,1 400-500
a
1 mil = 0,001 pol.


541

18.11 Tipos de dielétricos

As particularidades da polarização permitem dividir todos os dielétricos em
vários grupos.
• Ao primeiro grupo pertencem os dielétricos que possuem somente a
polarização eletrônica, por exemplo as substâncias sólidas não polares ou
debilmente polares em estado cristalino ou amorfo cujas moléculas
apresentam ausência ou fraco momento dipolar (parafina, enxofre,
poliestireno), assim como os líquidos e gases não polares ou debilmente
polares (benzeno, hidrogênio e outros).
• Ao segundo grupo pertencem os dielétricos que possuem ao mesmo tempo
polarização eletrônica e dipolar. São estas as substâncias polares (dipolares)
orgânicas, semilíquidas e sólidas (algumas resinas, celulose, resinas
sintéticas termofixas, alguns hidrocarbonetos cloretados, etc).
• Ao terceiro grupo pertencem os dielétricos inorgânicos sólidos com
polarização eletrônica, iônica e íon-eletrônica dipolar (de estrutura). Este
grupo pode ser dividido no subgrupo 1) com polarização eletrônica e iônica ao
qual pertencem principalmente as substâncias cristalinas com
empacotamento denso de íons (quartzo, mica, sal e óxido de alumínio) e o
subgrupo 2) com polarização eletrônica, iônica de dipolos ao qual pertencem
os materiais que contem fase vítrea (porcelana) e os dielétricos cristalinos
com empacotamento não denso.
• A um quarto grupo pertencem os componentes ferroelétricos, que tem
polarização espontânea (nos campos elétricos alternados, os materiais com
polarização espontânea se caracterizam por uma considerável dissipação de
energia), eletrônica e iônica combinadas. Seriam estes materiais o sal de
Seignette
3
e o de Rochelle, titanato de bário e outros.
Esta classificação dos dielétricos permite que suas propriedades elétricas
sejam até certo ponto pré-determinadas.

18.12 Materiais dielétricos de maior utilização, e suas constantes dielétricas

Um considerável número de cerâmicos e polímeros são usados como
materiais isolantes. Muitas das cerâmicas, inclusive vidro, porcelana, esteatita, e
mica, têm constantes dielétricas na faixa 6 a 10. Estes materiais também exibem um
grau alto de estabilidade dimensional e resistência mecânica. Aplicações típicas
incluem isolamento elétrico de Linhas de Transmissão, bases de chaves
seccionadoras (e/ou interruptores), e receptáculos de lâmpadas. O óxido de titânio
(TiO
2
) e as cerâmicas de titanato, tais como titanato de bário (BaTiO
3
), podem ser
fabricadas para ter constantes dielétricas extremamente altas que as fazem
especialmente úteis para algumas aplicações capacitivas.
A magnitude da constante dielétrica para a maioria dos polímeros é menor
que para as cerâmicas, uma vez que estas últimas podem apresentar os maiores
momentos de dipolo; os valores da constante dielétrica para polímeros geralmente
situam-se entre 2 e 5. Estes materiais geralmente são utilizados para isolamento de
fios, cabos, motores, geradores, e assim por diante, e, além disso, para alguns tipos
de capacitor.

3
O Tartrato misto de potássio e sódio (KNaC
4
H
4
Ou
6
·4H
2
Ou) chamado comummente Sal de Seignette
ou Sal da Rochelle foi descoberto em 1672 por Pierre Seignette, farmacêutico da Rochelle.
542


18.13 Outros Materiais dielétricos e suas aplicações

Outros exemplos de materiais isolantes são: vernizes isolantes, compostos
isolantes, tintas isolantes, diluentes e solventes e gases isolantes.

18.13.1 Vernizes isolantes

Podem ser classificados conforme sua finalidade:
• para impregnação;
• para esmaltação;
• adesivos.
Consistem de resinas sintéticas, fenólicas, poliésteres puros ou modificados,
epóxis e asfálticas, diluídas com solventes voláteis que são eliminados pela
secagem ao ar ou estufa. Devem ser escolhidos com cuidado a fim de melhorarem
as características de resistência à temperatura, bem como os sistemas de
isolamentos. São usados especialmente como materiais aglutinantes, como material
de enchimento e para revestimento. Normalmente os vernizes estão definidos em 4
categorias:
• Classe A - Secagem ao ar ou estufa até 105°C;
• Classe B - Secagem em estufa a 135°C;
• Classe C - Secagem em estufa a 155°C;
• Classe D - Secagem em estufa a 180°C.

18.13.2 Compostos isolantes

Os compostos têm por finalidade a impregnação de materiais porosos, tais
como: madeiras, fibras, telas de papel, etc. Esta impregnação preenche os poros do
material, eliminando o ar, a umidade e outras substâncias, melhorando assim a
rigidez dielétrica e auxiliando na melhoria de outras características do material.
Geralmente são de base asfáltica, do tipo termoplástico ou de base epóxi do tipo
termofixo.

18.13.3 Tintas isolantes

As tintas isolantes são utilizadas para cobrir superfícies isoladas ou protegê-
las contra possíveis danos, contra os efeitos de atmosfera corrosiva e umidade.
Estas tintas devem ser aplicadas, atendendo as especificações, dos fabricantes;
nem todas as tintas são isolantes, pois algumas são formuladas com componentes
condutores, como é o caso das tintas metálicas.

18.13.4 Diluentes e solventes

Os diluentes ou agentes dissolventes são usados para a fabricação e
aplicação de vernizes e tintas. Devido às diversas bases ou resinas básicas
empregadas na fabricação, dos diversos tipos de tintas ou vernizes, deve-se ter o
cuidado de utilizar o tipo de solvente recomendado pelo fabricante, para cada tipo
de tinta, ou corre-se o risco de destruir as qualidades do produto ou comprometer os
resultados.

543

18.13.5 Gases isolantes

18.13.5.1 O ar atmosférico

As características isolantes do ar atmosférico variam com a umidade relativa.
Quando seco suas, propriedades se aproximam muito com as do vácuo. Nas
proximidades de um condutor sujeito a uma diferença de potencial o ar se ioniza,
resultando em gás condutor. Se a renovação do ar não se efetuar ou se a diferença
de potencial crescer, rapidamente o poder dielétrico do ar poderá ser rompido,
causando assim uma perfuração do isolamento. É o ar o isolante natural, entre os
condutores de uma linha aérea, fora dos apoios.

18.13.5.2 Nitrogênio

É um gás de elevada estabilidade química, bom poder dielétrico. É utilizado
para manter a pressão interna dos tanques de transformadores, reatores e outros
equipamentos, acima da pressão atmosférica e dessa forma evitar a penetração de
umidade. Dada sua elevada estabilidade química é pouco reagente, não afetando,
pois, os demais meios isolantes.

18.13.5.3 O gás SF
6


Sintetizado pela primeira vez no ano de 1900, em Paris, teve suas pesquisas
para aplicação industrial iniciadas em 1937. Em 1939, o uso em cabos e capacitores
foi patenteado. Pesquisas para sua utilização como meio interruptor são de 1950 e
equipamentos blindados e isolados à SF
6
surgiram a partir de 1970.
O SF
6
gás é um dos gases de maior densidade (6,16 kg/m³), quase 5 vezes
maior que a do ar. É um gás incolor, inodoro, não tóxico, quimicamente inerte e
estável e não inflamável. Sua estrutura molecular está representada na Figura
18.29.


Figura 18.29 - Estrutura molecular do SF
6
.

O gás apresenta propriedades térmicas e elétricas notáveis:
• elevada rigidez dielétrica: a 1 atm, é mais que 2 vezes a do ar ou do
nitrogênio, e a 3 atm é igual ao do óleo isolante.
• alta eficácia como supressor de arco: comparativamente ao ar é 10 vezes
mais eficiente, num tempo 100 vezes menor.
544

• produz enorme redução do número de elétrons livres (grande afinidade
eletrônica do flúor), restabelecendo a rigidez dielétrica.
Quanto à decomposição do SF
6
, tem-se que:
• após arco o gás SF
6
tem grande capacidade de recombinação:
SF
6
S + 6F
• no entanto ocorre decomposição acima de 500 ºC e principalmente sob arco
elétrico.
• os principais sub-produtos são gasosos e sólidos.
• a presença de umidade e os compostos ácidos (HF).
a umidade no gás SF
6
pode ser proveniente de:
• permeabilidade da água através de o’rings;
• difusão através de vazamentos;
• difusão através da micro-porosidade do alumínio;
• absorção de água pelos materiais orgânicos (graxas, haste de acionamento,
isoladores poliméricos).
O controle consiste em manter o teor dentro dos limites especificados.


18.14 Aplicação dos dielétricos

Os dielétricos se dividem em três principais categorias:
a) Aqueles com 12 < ξ ;
b) Aqueles com 12 > ξ ;
c) Os ferroelétricos. A primeira categoria pode ainda se subdividir em
subcategorias com base na temperatura de operação. O algodão a seda, o
papel e vários polímeros e líquidos são usados quando a temperatura não
excede 90ºC.
Materiais inorgânicos como a mica e o absteto e materiais orgânicos são
utilizados a temperaturas de até 130ºC. Aglutinantes de silicone podem ser usados
até a temperatura de 180ºC.
Aplicações em temperaturas superiores requerem isolantes de mica,
porcelana, vidro e outros materiais inorgânicos similares. Estes últimos são
utilizados em aplicações que envolvem alta tensão, pois são menos sensíveis a
rupturas. Neste caso é necessário que o dielétrico não absorva a umidade de modo
a manter elevada rigidez dielétrica. Para diminuir a absorção de umidade, e ainda
eliminar poros e fissuras da superfície, que podem facilitar a condução elétrica,
esses dispositivos geralmente tem a sua superfície vitrificada.


18.15 Materiais isolantes sólidos

Isolante elétrico é todo material de tão baixa condutividade que a pequena
corrente que passa por ele, quando submetido a uma diferença de potencial, pode
ser desprezada. Isolador é um corpo constituído por material isolante. Corrente de
fuga são as correntes que fluem pelos materiais isolantes.



545

18.15.1 Propriedades dos materiais isolantes

Ao escolhermos um material isolante, temos que levar em conta as seguintes
propriedades:
• propriedades mecânicas: resistência à tração, à compressão, à esforços
cortantes, à fricção, absorção de umidade e gases, e ainda, dureza,
fragilidade, ductibilidade, dilatação e contração.
• propriedades elétricas: resistência de isolamento superficial, resistência de
isolamento volumétrica, rigidez dielétrica, resistência à impulsão, absorção
dielétrica, perda de potência, fator de potência, resistência ao arco.
• propriedades químicas: estabilidade de composição, resistência aos ácidos,
álcalis, óleo, luz solar, corrosão e umidade, ponto de inflamação,
combustibilidade.
• propriedades térmicas: resistência térmica, calor específico, coeficiente de
dilatação térmica e ponto de fusão, ebulição, de solidificação e viscosidade.

18.15.2 Resistência de isolamento

Quando dois condutores são separados por um material isolante, a aplicação
de uma diferença de potencial elétrico entre os dois condutores corresponde à
circulação de uma corrente de fuga. A resistência elétrica oferecida à circulação
desta corrente é a Resistência de Isolamento. Em geral, temos dois caminhos
possíveis para a corrente de fuga nos isolantes:
• através do corpo do isolante;
• sobre a superfície do isolante.
Estes caminhos apresentam, cada um, sua própria resistência. Logo temos:
• resistência de isolamento volumétrica;
• resistência de isolamento superficial.
Conforme o tipo de aplicação, uma ou outra destas resistências de
isolamento é de maior importância. Na prática, a fuga superficial aumenta em
função da deposição de matérias estranhas que, originando uma película,
prejudicam o isolamento. Outros fatores podem ser considerados, tais como a
umidade relativa e a temperatura. O circuito equivalente de um dielétrico real, a
grosso modo, pode ser apresentado como na Figura 18.30.


Figura 18.30 - Circuito equivalente de um dielétrico real

No circuito da Figura 18.30, C e ri, representam, o ramos percorridos pela
corrente dentro do dielétrico. Ai está o elemento responsável pelo aquecimento da
546

massa do material. O ramo de rf é percorrido pela componente superficial da
totalidade da fuga existente. No dielétrico ideal, ri seria zero e rf seria infinito. Os
valores de C, ri e rf não são constantes em todas as condições de trabalho, sendo
influenciados por, temperatura, freqüência, fadiga do material e umidade relativa.

18.15.3 Medida da resistência de isolamento

Resistência de Isolamento Superficial: é medida entre dois lados opostos de
um quadrado de uma unidade de lado, situado na superfície do isolante (Figura
18.31). A resistividade volumétrica mede-se entre duas faces opostas de um cubo
de aresta unitária.
As perdas próprias do material podem variar de acordo com a umidade
relativa do ar. Sabemos que a umidade tem a propriedade de reter as partículas (pó)
existentes na atmosfera e, como estas, geralmente, são condutoras, provocam o
aumento da corrente de fuga nos materiais isolantes. Não só a água provoca a
formação de uma película de sujeira nos materiais isolantes, mas também o óleo,
graxas, etc.

Figura 18.31 - Medição da resistência de Isolamento Superficial


Portanto, as perdas próprias do material (volumétricas) somadas às perdas
superficiais formam as perdas totais. Logo, as perdas totais dependem em grande
parte das condições de limpeza da superfície do material isolante.

18.15.4 Valores da resistência de isolamento

Geralmente os materiais isolantes são classificados não pela corrente de
fuga, mas pela resistência de isolamento, medida em Megaohm (ou megohm).
Como ilustração, na tabela 18.8 são apresentadas as resistências superficiais e
volumétricas para alguns materiais. A precisão das medidas é baixa (meramente
comparativa). A mesma experiência pode apresentar várias discrepâncias, quando
repetidas. A umidade foi variada para cada grupo de materiais.

547

Tabela 18.8 - Valores da resistência de isolamento
R
superficial
, Megohms
Material 50%
umidade
70%
umidade
90%
umidade
R
volumétrica

MΩ ΩΩ ΩxC
Âmbar (resina fóssil) 6x10
8
2x10
8
1x10
5
5x10
10

Cera de abelha 6x10
8
6x10
8
5x10
8
2x10
9

Celulóide 5x10
4
2x10
4
2x10
3
2x10
4

Fibra de vidro 2x10
4
3x10
3
2x10
2
5x10
3

Placa de vidro 5x10
4
6x10 2x10 2x10
7

Vidro Kavalier 4x10
3
1x10
3
8x10
9

Borracha (nova) 3x10
9
1x10
8
2x10
3
1x10
12

Marfim 5x10
3
1x10
3
3x10 2x10
2

Cimento Khotinsky 7x10
8
3x10
8
5x10
5
2x10
8

Mármore italiano 3x10
3
2x10
2
2x10 1x10
5

Mica incolor 2x10
7
4x10
5
8x10
3
2x10
11

Parafina 9x10
9
7x10
9
5x10 1x10
10

Porcelana (não
esmaltada)
6x10
5
7x10
3
5x10 3x10
8

Quartzo 3x10
6
2x10
3
2x10
2
5x10
12

Breu 6x10
8
3x10
8
2x10
8
5x10
10

Cera sintética 2x10
9
6x10
8
9x10
7
8x10
9

Verniz 6x10
7
3x10
6
7x10
3
1x10
10

Ardósia 9x10 3x10 1x10 1x10
2

Enxofre 7x10
9
4x10
9
1x10
8
1x10
11

Madeira 4x10
8
5x10
5
7x10
3
4x10
7


A medição da resistência de isolamento de materiais isolantes, ou seja, do
isolamento de máquinas elétricas e equipamentos é realizada em corrente contínua
através normalmente de instrumento denominado Megôhmetro (ou Megger).
Existem vários tipos de Megger, com tensões de ensaio de 500, 1000, 5000 ou
10.000 Vdc e modos de operação manual ou motorizado, com retificador e bateria,
mas os princípios de operação são os mesmos para todos os tipos de instrumentos.
O ensaio de resistência de Isolamento é um ótimo meio de detecção e
prevenção de defeitos na isolação de equipamentos elétricos. Através dele pode-se
determinar preventivamente se a isolação está deteriorada, antes que ocorra um
defeito.


18.16 Ensaio de absorção dielétrica

O ensaio de absorção dielétrica proporciona consideravelmente mais
informações sobre a condição da isolação do que o teste anterior. Ele é
particularmente útil para um diagnóstico quando nenhum registro anterior da
resistência de isolação está disponível. O megôhmetro é aplicado aos terminais do
equipamento sob ensaio e é lida a resistência de isolamento a cada minuto até
completar os 10 minutos.
Uma curva elevando-se ininterruptamente, indicará um enrolamento limpo e
seco, mas uma curva que se achata rapidamente indica isolamento sujo e úmido. O
ensaio é usualmente feito com megôhmetro de 500 a 5000 Volts, é geralmente
548

independente da temperatura. Mas devido que a temperatura deva estar a poucos
graus do ponto de orvalho, para prevenir condensação da umidade na isolação, é
geralmente melhor conduzir o ensaio após a parada da máquina, ou do
equipamento. A Figura 18.32, a seguir, mostra curvas típicas de variação da
resistência de isolação com o tempo para enrolamento da armadura de máquinas
de classe B.
A razão de duas leituras tempo x resistência, tal como uma leitura de 60
segundos dividida por uma leitura de 30 segundos é chamada Razão de Absorção
Dielétrica. Se a razão é uma leitura de 10 minutos por uma leitura de 1 minuto, o
valor é chamado de Índice de Polarização. Essas razões proporcionam um
quantidade avaliável da condição da isolação com respeito a umidade e outros
contaminantes. Os valores recomendados do IP, que determinam se enrolamentos
de máquina estão limpos e secos são: isolação classe A 1,5 ou mais; isolação
classe B 2, O ou mais e para isolação classe F 2,5 ou mais. Se o índice de
polarização for menor do que 1, indica a necessidade de um imediato
recondicionamento.

Figura 18.32 - Curvas típicas mostrando a variação da resistência de
isolamento com o tempo para isolamento de classe B.

A Tabela 18.9 dá valores das razões e dos índices e as correspondentes
condições da isolação que as mesmas indicam.




549

Tabela 18.9 - Condição da isolação indicada pelas razões de absorção dielétrica e
índice de polarização pela aplicação de uma tensão de 500 V c.c.
Condição da isolação
Razão de absorção
dielétrica
Índice de polarização
Perigoso - menor que 1
Ruim menor que 1,1 menor que 1,5
Questionável 1,1 a 1,25 1,5 a 2
Regular 1,25 a 1,4 2 a 3
Boa 1,4 a 1,6 3 a 4
Excelente acima 1,6 acima de 4 **
** Em muitos casos valores aproximadamente 20% maior do que os mostrados indicam um
enrolamento seco e quebradiço que falham sob condição de choques ou durante o início de
funcionamento (na partida).

18.17 Tipos de materiais isolantes e sua classificação pela temperatura

Cada material pode suportar determinada temperatura sem se deteriorar e os
organismos de normalização (ABNT, por exemplo) classificaram os materiais
isolantes segundo a temperatura que suas substâncias básicas suportam, conforme
a Tabela 18.10:

Tabela 18.10 - Classificação materiais isolantes pela temperatura que suportam
Classe
Designação da
classe
Alguns materiais representativos da classe
90 °C Y (O)
algodão, seda e papelão não impregnado, (fibras de
celulose e derivados)
105 °C A
algodão, seda e papel impregnados ou revestidos ou
quando imersos em líquido isolante.
120 °C E Laminados de celulose e resinas
130 °C B
mica, fibra de vidro e asbestos, com substâncias
aglutinantes adequadas às elevações de temperaturas
correspondentes,
155 °C F
mica, fibra de vidro e asbestos, com substancias
aglutinantes adequadas às elevações de temperaturas
correspondentes.
180 °C H
elastômeros de silicatos, mica, fibra de vidro e
asbestos, com substancias aglutinantes adequadas às
elevações de temperaturas
Acima de
180 °C
C
materiais formados inteiramente por mica, porcelana,
vidro, quartzo e materiais orgânicos semelhantes.

A seguir mostraremos algumas características de alguns materiais isolantes e
tipos de materiais isolantes empregados em grandes máquinas.




550

18.18 Materiais isolantes

18.18.1 Mica e produtos de mica

A mica isolante é derivada de uma classe de mineral que possui uma
estrutura laminada muito fina e facilmente susceptível a rachaduras, os flocos são
flexíveis e consistentes e extremamente resistentes ao calor.
As duas classes mais comumente usadas para finalidade elétricas são: mica
ferro magnésia flogopita (1), também chamada âmbar ou mica prata e (2) a mica de
potássio moscovita, chamada de Índia, Branca, Rubi ou Mica Potassa (potash mica).
A mica flogopita é produzida principalmente em Madagascar e Canadá. A moscovita
é produzida principalmente na Índia, Estados Unidos, África e América do Sul. A
mica para fins elétricos deve ser rigorosamente selecionada. A resistividade da mica
a 25 °C varia eu torno de 10
12
a 10
16
ohms.cm . O valor da resistividade dependerá
evidentemente de impurezas e será tanto menor, quanto maior a temperatura. As
micas são variáveis e complexas na composição. A mica moscovita cuja
composição ideal é K
2
Al
4
Al
2
Si
6
O
20
(OH)
4
, possui um aspecto luminoso. Suas cores
mais comuns são : branca, rubi (cor de vidro), verde ou marron.
A mica flogopita cuja composição ideal é K
2
Mg
6
Al
2
Si
6
O
20
(OH)
4
, possui um
aspecto opaco. Suas cores mais comuns são : amarelo pálido (âmbar), prata a
marron. A mica moscovita é mais rígida e menos flexível comparada com a
flogopita.
Característica da mica: mudança da constante dielétrica com a temperatura e
mudança do fator de potência com a temperatura. A rigidez dielétrica da mica é em
torno de 160 kV/mm, que corresponde ao valor máximo do gradiente de potencial
que pode existir dentro do dielétrico sem que haja ruptura do poder isolante. A
resistência ao corona com flocos de mica é muito alta comparada com materiais
orgânicos.

18.18.2 Asbestos (material inorgânico)

Asbestos é um material cristalino fibroso, e a crisólita é a principal fonte para
o uso comercial. É uma sílica hidratada de magnésia cuja fórmula tem a composição
3MgO, 2SiO
2
, 2H
2
O. Todavia, a composição pode variar de 37 a 44% de óxido de
silício, 39 a 44% de óxido de magnésio, 12 a15% de H
2
O, e acima de 6% de óxido
de ferro. Tem uma densidade específica de 2,2 a 2,6. Individualmente as fibras são
muito resistentes, apresentando uma tensão de ruptura acima de 400.000 lb/in
2
; o
mineral perde a água aproximadamente a 400°C e torna-se quebradiço. A
temperatura de 700°C toda a água é removida e a 775°C a estrutura cristalina é
modificada, à temperatura de fusão do asbestos é em torno de 1525°C. Principais
lugares onde são encontrados : Canadá, Estados Unidos, Turquia, Rodésia e China.
Muitos asbestos tem magnetita, e outros óxido de ferro como impurezas.
Existem processos desenvolvidos para remover impurezas e obter boas
propriedades de isolação elétrica.
Os asbestos não é bom isolante a não ser se for totalmente seco. Ele
absorve prontamente toda a umidade para muitas aplicações elétricas. Para que
possa ser aplicado para fins elétricos ele é secado e impregnado com vernizes ou
aglutinantes inorgânicos, como soluções de fosfato.
Processos refinados têm-se desenvolvido para remover eletrólitos solúveis na
água e óxido de ferro. Às fibras, são então dispersas e transformadas em folhas
551

finas como na fabricação de papel. Esses produtos são chamados de Quinterra e
Novabestos. Os materiais são geralmente usados para impregnação ou laminados.
Asbestos são também usados para prover barreiras de separação onde resistência
ao calor, propriedades de resistência a arco são requeridos. Revestimentos com
Asbestos são usados para melhorar a segurança elétrica. Asbestos são usados
também em isolamento à prova de fogo.

18.18.3 Vidro

O vidro é uma substância amorfa (sem forma determinada, diz-se de uma
substância que não apresenta estrutura cristalina) às vezes constituída de silicatos,
embora em muitos casos de borato (sal ou éster do ácido bórico), fosfatos etc.
Muitos vidros são feitos pela fusão juntamente com alguma forma de sílica tal como
a areia, óxido de álcali tal como os originados do potássio ou soda, e alguma outra
base como o cal ou óxido de chumbo. É um material firme e quebradiço quando frio,
mas com o calor ele amolece, tornando plástico e finalmente fluído. Pode ser
prensado e fundido em uma grande variedade de moldes. As cores são obtidas pela
introdução de óxidos metálicos que absorvem luz com apropriado comprimento de
onda. O número de fórmulas é bastante variado, mas a constituição mais importante
é SiO
2
(sílica), que geralmente pode ser de 50 a 90% do valor constituído. O vidro
geralmente possui alta resistividade e alta rigidez dielétrica à temperaturas baixas.
Porém, existem vidros que podem se tornar semi-condutores pela adição de
material como óxido de vanádio (V
2
0
5
).
A resistividade típica do vidro à temperatura ambiente é de 10
11
a 10
18

ohms.cm . A resistividade pode chegar a 10
19
ohms.cm, fundindo-se a sílica pura de
alta qualidade.
O coeficiente de temperatura é negativo. A altas temperaturas os vidros
tornam-se bastante condutivos e eventualmente quando fundidos possuem uma alta
condutividade.
As propriedades mecânicas do vidro em geral são certamente escassas, com
tensão de ruptura muito baixa, da ordem de 2000 a 12000 Lb/in
2
. Entretanto a
ruptura a compressão é muito alta, variando de 20.000 a 50.000 Lb/in
2
.
A densidade dos vidros comuns varia de 2,2 a 2,8; entretanto o cristal, que
contém silicato de chumbo, tem uma densidade de 5,9. O coeficiente de dilatação
térmica, varia consideravelmente com a composição e tem um valor de 0,8 x 10
-6
a
13 x 10
-6
/ °C.
A rigidez dielétrica do vidro, como todos os sólidos, varia com as condições
de teste, e variam de 5 a >100 (kV/mm); uma vantagem do vidro, é que ele resiste
ao efeito corona e tem uma grande durabilidade à esse efeito, comparado com
materiais orgânicos.

18.18.4 Fibra e tira de vidro

Vidro em folhas finas ou tiras torcidas com espessuras abaixo de 0,0025 cm
pode ser utilizado em capacitores. Também, processos têm-se desenvolvidos para
produzir fibras de vidro de 0,0005 cm de diâmetro, as quais são 2x10
3
torcidos em
fios e trançados. As fibras são feitas por vidro derretido através de orifícios
pequenos. Essas fibras são feitas com pano de vidro, fita, e usadas com resinas
orgânicas como um agente de ligação.
552

Muitas vezes as fitas de vidro são combinadas com a mica para laminação de
bobinas e isolação de ranhuras.

18.18.5 Composição mica + vidro

Esta é uma composição incluindo mica moída, um ligador vítreo fundível de
vidro macio, ou borato de chumbo (borato = designação genérica dos sais e ésteres
dos ácidos bóricos), com uma proporção de 2 partes de mica para1 parte de vidro
macio. A mistura é aquecida a uma temperatura suficiente para amolecer o vidro,
então o produto é moldado, com prensa hidráulica, através do calor. Este é um
material vítreo que pode ser mecanizado, serrado, perfurado e encardaçado. O
material tem sido usado para faciamento de tubos de vácuo, isolação de juntas de
cano etc. Sua temperatura de utilização é de 250 °C. Seu tradicional note é Micalex.
É utilizado no isolamento de condutores.

18.18.6 Porcelana

É usada para isolação elétrica consistindo aproximadamente de 28% de
argila de louça, 10% de argila de terra, 35% de feldspato, 25% pedra, e 2% de talco.
O feldspato que tem a composição K
2
0 Al
2
O
3
6SiO
2
, serve para ajudar a dissolver os
materiais mais insolúveis, argila e quartzo. A porcelana é geralmente fundida a
1200°C. Durante o processo existe uma contração de 12%. A rigidez dielétrica da
porcelana é elevada e comparável a alguns tipos de vidro, estes valores
correspondem ao valor máximo de gradiente de potencial que pode existir dentro do
dielétrico sem que haja ruptura do poder isolante.


18.19 Comportamento eletromagnético dos materiais cerâmicos

Os materiais cerâmicos são conhecidos pelo seu uso como isolantes
elétricos. Como resultado de (1) suas altas constantes dielétricas, (2) suas reações
piezelétricas e (3) seu comportamento dielétrico, os materiais cerâmicos atendem os
fundamentos dos circuitos eletromagnéticos. Finalmente, os óxidos de muitos dos
elementos de transição são semicondutores.
Cerâmicos dielétricos - Muitos óxidos servem bem como isolantes porque a
valência eletrônica dos átomos metálicos é transferida permanentemente para os
átomos de oxigênio formando íons O
2-
. Vamos nos referir aos isolantes de velas de
ignição, os íons Al
3+
cercam os elétrons de valência que carregariam o alumínio
metálico. Estes elétrons estão agora presos firmemente pelos íons oxigênio. Em
outros materiais isolantes, os íons Mg
2+
perdem seus elétrons para os íons O
2-
no
MgO; e o silicato e o oxigênio compartilham elétrons com o tetraedro do SiO
4
. Como
resultado, composições de MgO - AI
2
O
3
formam alguns dos melhores isolantes.
Entretanto, materiais normalmente considerados isolantes podem falhar no
isolamento, quando submetidos a altas voltagens. Geralmente, esta falha é um
fenômeno de superfície. Por exemplo, as velas de um automóvel podem ser curto
circuitadas em uma manhã úmida, em virtude da condensação de umidade na
superfície, o que passa a permitir a passagem de corrente. Os isoladores são
projetados de forma a terem caminhos na superfície os mais longos possíveis (ver
Figura abaixo), a fim de diminuir a possibilidade de um curto-circuito através da
superfície; como a presença de poros e fissuras facilita a condução, as superfícies
553

são geralmente vitrificadas, o que as toma não-absorventes. A falha de isolamento
através do volume do material ocorre apenas em gradientes de voltagem
extremamente elevados. Um campo elétrico muito forte pode ser suficiente para
romper os dipolos induzidos no isolador, e, quando se atinge o valor crítico dessa
ruptura, o material deixa de ser isolante.

18.20 Isolantes sólidos usados na fabricação de transformadores

18.20.1 Papel

Desde há muito tempo (1920-1925) o papel representa um material indicado
para o isolamento elétrico, tendo substituído a proteção de algodão nos
enrolamentos dos transformadores. Além de ser um material relativamente barato,
sua estrutura permite-lhe ser facilmente impregnado e sua associação com um
impregnante bem escolhido confere-lhe ótimas propriedades. O impregnante
atualmente associado ao papel é, mais freqüentemente, um óleo mineral.
O papel é formado de longas fibras tubulares, cujo principal constituinte é a
celulose, a qual entra igualmente na composição dos papelões, amplamente
utilizados em numerosos isolamentos e destinados, sobretudo, a assegurar uma
certa resistência mecânica.
Os papéis de algodão e os papéis derivados do cânhamo de manilha foram,
durante muito tempo, os únicos a oferecer propriedades satisfatórias para o uso na
indústria elétrica.
Atualmente, sabe-se fazer papéis à partir das madeiras, por processos
químicos, e o papel "kraft" obtido a partir de coníferas é, hoje em dia, o papel mais
utilizado na indústria elétrica.
A celulose, que é o principal constituinte do papel, apresenta-se sob a forma
de longas cadeias que são a repetição de um número mais ou menos grande de
anéis de glicose (da ordem de 1200/1300), cuja fórmula estrutural é aprensentada
na Figura 18.33.


Figura 18.33 - Fórmula estrutural da celulose.

Na madeira, estas cadeias constituem feixes de 200 a 250 macromoléculas
em paralelo - os filamentos micelares - os quais, reunidos, formam as fibrilas. As
fibras de madeira são constituídas de vários conjuntos destas fibrilas.
O grau de polimerização molecular é o número médio de anéis de glicose -
C
6
H
8
O
5
- da molécula de celulose. A Figura 18.34 mostra uma distribuição
estatística dos valores do grau de polimerização de papéis novos destinados ao
isolamento de transformadores, a partir de cerca de 400 amostras numa experiência
do laboratório central da indústria elétrica francesa.

554


Figura 18.34 - Exemplo típico de distribuição dos valores do grau de polimerização
de papéis novos destinados ao isolamento de transformadores.

No curso de degradação da celulose, o seu grau de polimerização decresce
continuamente - desde 1200/1300 até aproximadamente 100. Existe uma estreita
correlação entre o grau de polimerização e as qualidades mecânicas do papel. A
Figura 18.35 mostra a perda de resistência a ruptura à medida que decresce o grau
de polimerização. Vê-se que para valores de grau de polimerização inferiores a 150,
o papel praticamente perdeu sua resistência mecânica.



555


Figura 18.35 - Correlação entre a resistência mecânica à tração e o grau de
polimerização.

A temperatura máxima do papel kraft neutro usado para isolar os condutores
do enrolamento do transformador, imerso em óleo isolante, é 55°C acima da
temperatura ambiente, sem que haja degradação da celulose.
Com o objetivo de poder aumentar os aquecimentos no material elétrico de
grande porte, notadamente nos transformadores, procurou-se melhorar a
estabilidade térmica do papel através de modificações químicas, surgindo, assim, os
papéis termicamente estabilizados. Estas modificações estão baseadas, na maior
parte, na substituição parcial dos grupos hidroxila - OH - da celulose por grupos
quimicamente mais estáveis, que podem conferir, inclusive, uma higroscopicidade
menor ao papel. A temperatura máxima de trabalho do papel termicamente
estabilizado imerso no óleo isolante é 65 °C acima da temperatura ambiente.

18.20.2 Fenolite

É formado de conjuntos de lâminas de papel kraft aglutinado com resina
fenólica, prensado sob condições específicas de pressão e temperatura e,
posteriormente, curado. Possui ótimas qualidades mecânicas e elétricas, além de
ser de fácil transformação. É usado em corpos de anéis estáticos, na estrutura de
comutadores lineares, em cunhas do núcleo e em alguns calços.

556

18.20.3 Presspan

Sua constituição provém de fibras de celulose de alta qualidade e de natureza
lamelar. Como o nome já diz, é obtido por prensagem. Este material estratificado é
usado na fabricação da grande maioria dos calços e estecas que se encontram no
transformador bem como capas, barreiras, canaletas, anéis, etc. Tendo em vista
que este material é submetido a intensos campos elétricos em certas regiões do
transformador, o mesmo deve ser livre de impurezas, principalmente em
equipamentos de extra alta tensão.

18.20.4 Permawood

Sua fabricação constitui-se da prensagem de lâminas de madeira com resina
e empilhadas de maneira que as fibras fiquem sobrepostas transversalmente.
Possui propriedades mecânicas muito boas e propriedades elétricas boas. É usado
em suportes de cabos e conexões, anéis de pressão e escora, bem como em
alguns tipos de calços.


18.21 Referência bibliográfica do capítulo

CALLISTER, W. D. Jr. Materials Science and engineering: an introduction. J.
Wiley & Sons, 1997.

SHACKELFORD, James F. Ciencia de materiales para ingenieros. 3. ed. México:
Prentice Hall, 1995.

VAN VLACK, Laurence Hall. Princípio de ciência dos materiais. E. Blucher.

WULFF, J.: SHEPARD, L. A.; ROSE, R. M. Electronic properties. Vol. IV, J. Wiley
& Sons, Inc. 1965.

REZENDE, E. M – Materiais usados em electrotécnica. LIVRARIA
INTERCIENCIA LTDA. Rio de Janeiro, 1977.

SMITH, W. E. Materiais Elétricos , VI, VII. Blucher. 1977.

SMITH, W. F. Princípio de ciência e engenharia dos materiais. 3 ed. Portugal:
McGraw-Hill, 1998.


Exercícios

Questões de 1-20 são obrigatória para todos, entregar em duplas.

1.) Quais são as principais propriedades dos Materiais Isolantes sólidos?
2.) As propriedades elétricas dos materiais isolantes sólidos são: Resistência de
isolamento superficial, resistência de isolamento volumétrica, rigidez dielétrica,
resistência à impulsão, absorção dielétrica, perda de potência, fator de potência,
resistência ao arco. Defina cada uma de essas propriedades.
557

3.) Como é realizado o ensaio de Resistência de Isolamento Superficial?
4.) Como é realizado o ensaio de Resistência de Isolamento Volumétrica.
5.) Elabore uma tabela comparativa dos valores de Resistência de Isolamento
Superficial e Volumétrica.
6.) O Ensaio de Absorção Dielétrica proporciona importantes informações sobre as
condições da isolação do material, como é realizado o ensaio? .
7.) Como se classificaram os materiais isolantes segundo a temperatura que as
substâncias suportam? Faça uma tabela.
8.) Como podem ser classificados os materiais isolantes segundo:
sua natureza (ou estado físico): sua origem: sua composição: sua temperatura
máxima de trabalho. De exemplos.
9.) A maior parte da isolação sólida dos transformadores é constituída de papel e,
portanto, de natureza celulósica. Descreva as características do tipo de papel
utilizado neste caso, qual a estrutura molecular do mesmo.
10.) Quais os mecanismos de degradação que sofre o papel isolante utilizado em
transformadores.
11.) Quais os tipos de degradação que o papel pode sofrer?
12.) Existem vários ensaios para avaliar o envelhecimento do papel isolante, quais
são?
13.) Quais as principais funções de um líquido isolante dentro de um equipamento
elétrico-.
14.) Quais os tipos de óleos utilizados como isolantes em equipamentos elétricos,
qual sua origem.
15.) Os ensaios determinam as características básica que permitem verificar o
comportamento do óleo quanto à sua função de resfriamento e isolação, quais
são esses caracteristicas?.
16.) Os ensaios determinam as características básica que permitem verificar o
comportamento do óleo, quais são esses ensaios?
17.) As propriedades físicas de um óleo isolante são obtidas pelos ensaios de:
densidade, tensão interfacial, cor, ponto de fulgor, viscosidade, índice de
refração e ponto de anilina. Em que consistem esses ensaios?
18.) Quais as propriedades químicas que são medidas e quais os ensaios
indicados?
19.) Descreva cada um de esses ensaios químicos.
20.) Quais os ensaios realizados para um controle das características elétricas de
óleo isolante? Como são realizados esses ensaios?
21.) De que maneira a adição de impurezas pode alterar a condutividade elétrica
de um material (a) condutor e (b) semicondutor? Se o material for um isolante
elétrico, como impurezas, podem alterar o valor de sua permissividade elétrica?
Essa alteração depende da freqüência da tensão alternada aplicada? Explique.
22.) Cite pelo menos duas propriedades importantes para a caracterização de um
material isolante elétrico (dielétrico).
23.) Explique porque o fator de perda dielétrica (ε” = ε’ tg) do cloreto de polivinila
é alto para tensões alternadas com freqüência próxima de 10¹¹ Hz. Como a
temperatura pode influir no valor de ε”?
24.) São desejáveis capacitores que tenham alta capacidade de estocagem de
carga e baixo fator de dissipação. Durante a fabricação de um dielétrico
constituído de material cerâmico, que propriedades são importantes e que
fatores devem ser controlados?
558

25.) Um disco de 2cm de diâmetro por 0,025 cm de espessura constituído de
enstatita apresentou uma capacitância de 7,2 F e um fator de dissipação de
72. Determinar:
a) A permissividade elétrica
b) O fator de perda dielétrica
c) A susceptibilidade elétrica
d) A permissividade elétrica complexa
27.) Um capacitor plano com ar entre as placas é carregado a um potencial V por
meio de uma bareria que é, então, desligada. Em seguida, um dielétrico é
introduzido entre as placas. Descreva qualitativamente o que acontece à carga, à
capacitância, à ddp entre as placa e a intensidade do campo elétrico.
28.) Por que a permissividade elétrica de um dielétrico pode depender da
freqüência da tensão alternada a ele aplicada? Essa dependência é sempre
influenciada pela temperatura? Por que?.
29.) A polarização de um material ferroelétrico é dada por P= (ε
r
- 1 ) ε
0
E,
onde ε
r
é sua permissividade elétrica relativa, ε
0
permissividade elétrica do
vácuo (= 8,85x10-¹² F/m) e E a intensidade do campo elétrico aplicado. (a) Que
tensão deve ser aplicada a um cristal do 0,1mm de espessura do material B
(Figura 1), para eliminar totalmente sua polarização, desorientando seus dipolos.
(b) Que intensidade de campo elétrico deve-se aplicar ao material A, inicialmente
despolarizado, para causar uma polarização de 6x10 c/m² ? Calcule a
permissividade elétrica desse material nesse ponto.


Figura 1 - Curvas de histerese para dois materiais ferroelétricos.
559


30.) O aço ao silício com grãos orientados é superior ao aço ao silício ordinário
como material magnético mole, por ter uma perda de energia por ciclo de
histerese nitidamente menor. Usando os dados da tabela I, explique, com auxílio
do ciclo de histerese, por que o material com grãos orientados tem somente
cerca de ¼ da perda de energia do aço ao silício ordinário.
31.) Defina, brevemente, o que você entende por:
a) Permissividade elétrica relativa
b) Fator de dissipação elétrica
c) Rigidez dielétrica
d) Temperatura de Curie de um material ferroelétrico
e) Piezoeletricidade
f) Polarização e polarizabilidade
31.) Em um capacitor plano e com ar entre suas placas se aplica uma ddp fixa. Se
introduzirmos entre as placas um dielétrico a quantidade de carga por ele
armazenada aumentará? Explique.
32.) Explique, sucintamente, o que você entende por:
a) Rigidez dielétrica
b) Temperatura de Curie de um material ferroelétrico
c) Piezoeletricidade
33.) Cite os principais tipos de polarizações que podem ocorrer em um dielétrico,
explicando sucintamente cada um deles. Que relação existe entre
permissividade elétrica de um material e as polarizações que nele podem
ocorrer? Como e por que a freqüência da tensão aplicada a um dielétrico pode
influir no seu fator de dissipação (tg)?






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