Jesus purifica a mulher samaritana com a água viva

Por: Jânio Santos de Oliveira Presbítero e professor de teologia da Igreja Assembléia de Deus no Estácio Rua Hadok Lobo, nº 92 - Pastor Presidente Jilsom Menezes de Oliveira

Meus amados e queridos irmãos em cristo Jesus, a PAZ DO SENHOR!

“Disse-lhe a mulher: Senhor dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la”. (João 4:15)

Em pleno sol do meio-dia e um calor ardente, uma mulher trazia em seu ombro um cântaro e caminhava em meio a nuvens de poeiras pelos caminhos de Sicar, cidade de Samaria, ela seguia em direção à fonte de Jacó (João 4:6). Ao se aproximar do poço onde a população local pegava água, aquela mulher samaritana avistou um homem sentado junto à fonte e sem ela mesma saber por que, entre tantas pessoas, a presença daquele homem lhe chamou a atenção. Ela, de imediato, notou que ele era judeu e demonstrava estar cansado. Ignorando as diferenças sociais e religiosas aquele homem pediu água para beber a uma mulher samaritana. Pelas tradições dos povos da época e pelas circunstâncias, aquela mulher tinha todos os motivos para não trocar uma palavra com o judeu que lhe pedia água. Porém, aquele homem, que na verdade era Jesus, sabia que precisava falar com a mulher samaritana, aquele diálogo tinha um propósito muito especial. A curiosidade da mulher foi aguçada quando Jesus lhe falou da água viva, pois afinal a água que o Mestre estava se referindo aliviaria a sua tarefa árdua de ter que buscar água todos os dias. “Dá-me dessa água...” (João 4:15a), pediu a mulher samaritana a Jesus. Teria ela encontrado alguém capaz de saciar a profunda sede de sua alma? Jesus, respondendo a samaritana, disse-lhe: “vai, chama teu marido e vem cá” (João 4:16). Jesus sabia da vida irregular que levava aquela mulher, porém, mesmo assim não a condenou pelas suas infelizes experiências. Aquela mulher samaritana estava convicta de que o Messias podia curar as feridas que ela havia adquirido com o estilo de vida que levava. Ao dizer “Eu o sou, eu que falo contigo”, (João 4:26) Jesus revelou para aquela mulher a sua verdadeira identidade, e as Suas Palavras encheram o coração da samaritana de esperança, pois ela havia encontrado o seu Salvador. A mulher então confessou seus pecados a Jesus e Ele ofereceu a ela da água viva da purificação e do perdão. Jesus é o único que com seu amor, um amor sem igual, não faz acepção de pessoas e recebe a todos com salvação e vida, vida com abundância “...eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância”. (João 10:10b).

I - O ENCONTRO JUNTO AO POÇO DE JERICÓ

1) a mulher desconhecida.

- A Bíblia não registra o nome nem a genealogia da mulher samaritana. Diz, apenas, que ela era natural de Samaria, capital do antigo Reino do Norte.

- Tratava-se de uma mulher humilde, pois ela mesma cuidava dos seus afazeres domésticos, não tendo, certamente, quem os fizesse. Era, pois, uma mulher laboriosa. seu nome não aparece; não importa aqui descobrir seu nome, pois o mais importante para Deus são: os atos de fé na graça do Senhor.

- Pela vaidade do homem ele importa que seu nome seja aparecido, e isto nos vários lugares de comunicação.

2) A popularidade de Jesus.

- Os milagres operados por Jesus despertaram a atenção do povo e sua fama chegou ate aos fariseus. Estes, movidos mais pela inveja, procuravam encontrar Jesus. Entre os discípulos de João também houve discussão, porque Jesus batizava mais que o próprio João Batista. Então o senhor Jesus resolveu deixar a Judéia a ir outra vez para Galiléia. Ele não aceita e não concorda que haja inveja e contenda no seu trabalho. Por isso, (Jo. 4.3).

3) Jesus em Samaria.

- Samaria conforme foi dito era a antiga capital do Reino do Norte, fundada por Onri, rei de Israel (1 Rs.16.24).

- Foi por muito tempo um centro de idolatria (Jr.23.13;0s.7.1). Em 722 a.C., quando Sargon II,(Is.20:1) rei da Assíria, levou para o cativeiro as dez tribos do reino do Norte (2 Rs.17.5,6.23,24). Enviou para a cidade de Samaria os povos oriundos de outras terras e nações.

- Era uma mistura de babilônicos e gente de Ava, de Hamata e de Servavim (2 Rs.17.24). Foram esses povos que vieram para colonizar Samaria, resultando daí uma raça mista que provocou muitos conflitos com os judeus. II – A SAMARITANA E A FONTE DE JACÓ

1) Jesus e as barreiras físicas.

- Jesus cansado do caminho sentou-se para descansar, porque sua humanidade experimentou as mesmas limitações físicas que todos os homens sentem e conhecem (Hb.4.15). Era quase a hora sexta (meio dia, segundo o calendário judaico), quando seus discípulos voltavam da cidade, para onde tinham ido comprar comidas.

2) Jesus pede água a samaritana. As barreiras religiosas e sociais são um impedimento. Para a mulher samaritana.

Havia três barreiras para ela aproximar-se de Jesus:

a) A barreira racial: Jesus era judeu; e, ela samaritana; Tudo começou quando Oséias conspirou contra Salmanasar, rei da Assíria. Samaria, a capital de Israel, foi sitiada pelas tropas assírias por três anos e, posteriormente, seus moradores foram transportados para a Assíria (2 Rs 17.3-6). Isto aconteceu em 722 a.C. Somente os pobres puderam ficar em Israel (cf. Jr 39.10). Logo, vieram também estrangeiros e se estabeleceram na região devastada.

Diz o relato bíblico: “O rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Hamate e de Serfavaim, e a fez habitar nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel; tomaram posse de Samaria e habitaram nas suas cidades” (2 Rs 17.24). Da mescla com a população que havia ficado, surgiu uma nova raça denominada de samaritanos (nome derivado de Samaria, a metrópole fundada por Onri, pai de Acabe, por volta de 880 a.C.).

No princípio, quando os estrangeiros passaram a habitar em Samaria, eles não temeram ao Senhor; pelo que o Senhor mandou leões invadirem suas terras, os quais mataram a alguns do povo. Com razão atribuíram esta praga à ira de Deus. Então, rogaram ao rei da Assíria que enviasse um sacerdote israelita para lhes ensinar “como servir o Deus da terra”.

E assim aconteceu que um judaísmo adulterado foi enxertado ao culto pagão. Quando uma parte dos judeus voltou à terra de seus pais (principalmente, mas não exclusivamente, parte dos que haviam sido deportados para a Babilônia em 586 a.C.), construiu-se um altar para o holocausto e pos-se os fundamentos do templo, samaritanos zelosos e seus aliados interromperam as obras (Ed 3 e 4). Assim fizeram porque negaram a eles a permissão de cooperar na obra de reconstrução.

Sua petição foi: “Deixa-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus, como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos fez subir para aqui”. A resposta que receberam foi a seguinte: “Nada tendes conosco na edificação da casa do nosso Deus”. Ao receberem esta dura resposta os samaritanos passaram a odiar os judeus. Logo começaram a construir seu próprio templo no monte Gerizim. Porém, João Hircano, um dos reis macabeus, destruiu este templo em 128 a.C. Os samaritanos, não obstante, continuaram adorando em cima da montanha, onde haviam erigido o templo sagrado.

A aversão dos judeus para com os samaritanos pode ser vista ainda em Jo 8.48 e no livro apócrifo de Eclesiástico 50.25,26.1 E a mesma atitude por parte dos samaritanos em Lc 9.51-53. b) a barreira material: Jesus não tinha para ela, os utensílios para tirar a água da vida. Para tirar água do poço era necessário, corda e um balde. c) a barreira espacial: o poço era fundo. Mas para Jesus as barreiras são encurtadas.

- Jesus derruba as barreiras e diz para a mulher (v.10). Para tirar a água viva, que é a graça salvadora de Deus, não precisamos de balde e corda, precisamos sim de conhecer o dom de Deus que é a graça dEle.

- Não existe poço fundo para Jesus Cristo, as dificuldades são superadas. Jesus não perguntou qual a sua religião e sua família não perguntou se a mulher era idolatra, nem se era de boa ou má conduta. Mas ofereceu a mulher o que ela mais necessitava: a água viva. A mulher não conhecia: O dom de Deus, que Jesus é a fonte d’água viva. Para tirar água do poço de Jacó era necessário sim balde e corda, mas para tirarmos água da fonte da vida é necessário unicamente FÉ. Ele oferece gratuitamente. (Ap.22:17).

- Jesus é a inesgotável fonte de água da vida, onde, diariamente, todos os crentes, de todos os lugares podem beber e encher os seus cântaros, que simbolizam novos corações.

III – A CONVERSAO DA MULHER SAMARITANA

a) a visão materialista da mulher.

- As palavras de Jesus despertaram o interesse material da mulher samaritana: (Jo.4:15).

- O propósito da mulher era não ir mais ao poço de Jacó tirar água. O poço de Sicar é uma figura do mundo. Quem beber desse poço voltará a ter sede. - Existem muitos crentes que voltaram a beber em Sicar, por isso não tem uma vida consagrada a Deus.

- A mulher samaritana nunca mais voltou a beber água do velho poço de Jacó. Daquele dia em diante encontrou uma fonte melhor, Cristo a Fonte das Águas Vivas. (Ap.22.1)

b) a visão espiritual da mulher é despertada.

- Ela desejava saber onde e como adorar a Deus. Os samaritanos consideravam o monte Gerizim sagrado. Nele estava o templo samaritano. Por isso, a mulher argumentou com Jesus dizendo: (4:20) Jesus ensina-lhe que Deus não pode estar em lugar determinado por homens, e mostra-lhe

que o pai é adorado em Espírito e Verdade. O único canal de comunicação com Deus é a FÉ.(Rm.8:26). Existem três tipos de adoradores (V.v.22,23).

1) 0s que adoram o que não sabem; 2) os que adoram o que sabem; 3) os que adoram em espírito e em verdade.

Foi ai que a samaritana compreendeu a verdadeira adoração, e como evidência de sua transformação “deixou o seu cântaro” e foi a cidade dizendo: “Vinde e vede...não é este o Cristo?”

Jesus não liga para as diferenças de raças, cores ou sexo ou separações políticas que os homens fazem, o que ele deseja é que se submetam a obediência a Deus. Os samaritanos são os habitantes de Samaria, região que foi o centro do reino de Israel, rival de Judá. Vários Assírios povoaram a região de Samaria produzindo uma mescla de etnias o que para os judeus representava a impureza dos samaritanos. Com a volta dos samaritanos do exílio opuseram a reconstrução de Jerusalém e o templo e levantaram o seu templo no monte Gerezim. Só reconheciam o Pentateuco e assim os judeus não reconheciam o seu culto a Deus. O resultado disso foi uma separação social entre os samaritanos e os judeus. Embora houvesse desacordos doutrinários e sociais entre Judeus e Samaritanos, Jesus estava ali esperando pela mulher para ter um encontro com ela, fazer a obra de Deus não ligando para os obstáculos e unindo os povos para glorificar um único Deus. Fique na paz do Senhor.

Que Deus nos abençoe e nos guarde em nome de Jesus, amé m!

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