Fun¸ co ˜es

Rodrigo Carlos Silva de Lima

Universidade Federal Fluminense - UFF-RJ
rodrigo.uff.math@gmail.com

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. . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . .1 Fun¸ co ˜es pares e ´ ımpares . . . . . . . .3 Restri¸ c˜ ao de fun¸ c˜ ao . . Fun¸ ca ˜o sobrejetora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1. . . .4.2 1. . . . .5 1. . . . . . . . . . Fun¸ ca ˜o bijetora . . . . . . .3. . . . . . . . y ) = e min(x. . . Imagem inversa . . .3 1. . . . . . . . . . . . .5 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . .7 Fun¸ ca ˜o identidade . . . . . . . . . . . . . . 10 Parte positiva .3.2 1. . . . . . . . . . .1. . . . . . . . . . . . . .Sum´ ario 1 Fun¸ co ˜es 1. . . . . . . . .5 1. . . . .9 Fun¸ co ˜es peri´ odicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8. . . . . . . . . . 1. . . 22 x + y + |x − y | x + y − |x − y | 1. . . . . . . . . . . . . . .7 1. . . . . . . . . . . . . . y ) = . . . . . . . . . 11 Fun¸ ca ˜o peri´ odica e integra¸ c˜ ao . . . 1. .4 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 2 . . . . . . . . . . . . . .1. . . . . . . . . . . . . . . 15 Fun¸ co ˜es linearmente independentes e dependentes . . . . . . . . . . . . . .1 1. . . . . . . . . . . . 11 Parte negativa . . .1. . . . . . . . . . . Fun¸ ca ˜o inversa. . . . . . . Fun¸ co ˜es seccionalmente afin . . . . . . . .4 1. . . .1 Conceitos b´ asicos sobre fun¸ co ˜es . . . . . . . . Fun¸ ca ˜o crescente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Fun¸ ca ˜o afim ou de primeiro grau . . . . . . . . .3. . . . 21 Fun¸ ca ˜o m´ odulo . . . . . . . .1 1. 21 Fun¸ co ˜es sim´ etricas . . . . . . . . . . . .3 1. . . .6 1. . . . . . . . . . . 22 2 2 Tipos especiais de fun¸ co ˜es . . . . . . . .2 1. . . . . . . . . . . . . . . .6 1. .8 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 4 5 5 6 6 6 7 8 9 9 9 9 Composi¸ c˜ oes de fun¸ c˜ oes . . . . . Fun¸ co ˜es do 1 grau. . . . . . . . . . . 13 1. . . . Fun¸ ca ˜o injetiva . . .1. . . . . .3. . 15 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 max(x. . . . .3.

. . . . .11 Fun¸ ca ˜o caracter´ ıstica .9. 22 Fun¸ co ˜es alg´ ebricas . . . . . . . . . . . . . . . . 23 1. . . . . . . . . . . . . . . 26 1. . . . . . . . . . . . . . . . . .12 Fun¸ ca ˜o de conjunto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9. . . . .1 1.2 1. . . . . . . . . . . . . . 22 Fun¸ co ˜es limitadas . 22 1. .´ SUMARIO 3 1. . . . .13 Fun¸ co ˜es e conjuntos . . . . . .9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 Opera¸ co ˜es com fun¸ co ˜es . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 Fun¸ ca ˜o racional . . . . . . . . . 26 1. . . . . . . . . 26 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Dom´ ınio e imagem de f s˜ ao definidos como o dom´ ınio e imagem de r. Definimos o dom´ ınio de r como o conjunto {c | ∃ d ∈ D |(c. Ent˜ ao para termos uma fun¸ ca ˜o ´ e necess´ ario que tenhamos dois conjuntos C e B e a lei de forma¸ ca ˜o de C em D ⊂ B .Cap´ ıtulo 1 Fun¸ co ˜es 1.1 Conceitos b´ asicos sobre fun¸ co ˜es Defini¸ c˜ ao 1 (Lei de forma¸ c˜ ao). d) ∈ r}. d) ∈ r}. Dados dois conjuntos C e D uma lei de forma¸ c˜ ao ´ e um subconjunto r do produto cartesiano C × D tendo a seguinte propriedade: Se (c. t) ∈ r ent˜ ao d = t. Defini¸ c˜ ao 2 (Dom´ ınio de r). d) ∈ r e (c. Defini¸ c˜ ao 4 (Fun¸ ca ˜o). Uma fun¸ c˜ ao ´ e uma lei de forma¸ ca ˜o r e um conjunto B que cont´ em a imagem de r. o conjunto B ´ e chamado contra-dom´ ınio. Definimos a imagem de r como o conjunto {d | ∃ c ∈ D |(c. No caso dizemos que r ´ e uma lei de forma¸ ca ˜o de C em D. Ent˜ ao para ter uma lei de forma¸ ca ˜o ´ e necess´ ario ter dois conjuntos C e D. 4 . Defini¸ c˜ ao 3 (Imagem de r).

Defini¸ c˜ ao 7 (Fun¸ c˜ ao crescente). Defini¸ c˜ ao 9 (Fun¸ ca ˜o n˜ ao-crescente). 1. Seja a um elemento de A denotamos por f (a) o u ´nico elemento de B tal que a lei de forma¸ c˜ ao associa ao elemento a. 1. Dizemos que a fun¸ ca ˜o ´ e n˜ ao-decrescente quando x > y implicar f (x) ≥ f (y ) .˜ CAP´ ITULO 1. Defini¸ c˜ ao 10 (Fun¸ ca ˜o n˜ ao-decrescente). Sejam f :A→B e A0 subconjunto de A definimos a restri¸ ca ˜o de f em A0 como a fun¸ ca ˜o de A0 em B com lei (a. .2 Fun¸ c˜ ao crescente Para as duas defini¸ c˜ oes a seguir considere o dom´ ınio e a imagem da fun¸ ca ˜o f como conjuntos ordenados.1. Defini¸ c˜ ao 5 (Gr´ afico de uma fun¸ ca ˜o). f (x)).1 Restri¸ c˜ ao de fun¸ c˜ ao Defini¸ c˜ ao 6 (Restri¸ ca ˜o de fun¸ ca ˜o). Dizemos que a fun¸ ca ˜o ´ e crescente quando x > y implicar f (x) > f (y ) . FUNC ¸ OES 5 Se uma fun¸ ca ˜o tem dom´ ınio A e contra-dom´ ınio B . Dizemos que a fun¸ ca ˜o ´ e n˜ ao-crescente quando x > y implicar f (x) ≤ f (y ) . Dada f : A → B o gr´ afico de f ´ e o conjunto dos pontos {(x. x ∈ A}.1. f (a)) |a ∈ A0 . denotamos por f : A → B. Defini¸ c˜ ao 8 (Fun¸ c˜ ao decrescente). Dizemos que a fun¸ c˜ ao ´ e decrescente quando x > y implicar f (x) < f (y ) .

FUNC ¸ OES 6 Propriedade 1. Uma fun¸ c˜ ao f : A → B ´ e dita injetiva quando temos f (a) = f (b) ⇒ a = b Propriedade 2.1. 1. Propriedade 3. de onde segue f (x) = f (y ). f : A → B ´ e injetiva ⇔ existe g : B → A tal que g (f (x)) = x ∀x ∈ A. . Demonstra¸ c˜ ao.1. Toda fun¸ c˜ ao crescente ´ e injetora. 1. como g ´ e fun¸ c˜ ao tem-se g (f (x)) = g (f (y )) = x = y logo f ´ e injetiva. Seja um elemento qualquer x ∈ A tal que x > y . Seja f uma fun¸ c˜ ao e a um elemento do seu dom´ ınio. Se existe g : B → A tal que g (f (x)) = x ∀x ∈ A ent˜ ao f : A → B ´ e injetiva. ⇐ . podemos tomar a ∈ A e definir g (y ) = a para todo y ∈ B ∈ / f (A). somente se a = b. Suponha f (x) = f (y ). 1.1.4 Fun¸ c˜ ao sobrejetora Defini¸ c˜ ao 12 (Fun¸ ca ˜o sobrejetora). pois se a > b vale f (a) > f (b) e se b > a vale f (b) > f (a). vale f (a) = f (b). Vamos mostrar que f (x) = f (y ) implica x = y. Uma fun¸ ca ˜o f : A → B ´ e dita sobrejetora quando para todo elemento y de B existe um elemento x de A tal que f (x) = y.˜ CAP´ ITULO 1.3 Fun¸ c˜ ao injetiva Defini¸ c˜ ao 11 (Fun¸ ca ˜o injetiva ou injetora). tal que g (f (x)) = x ∀x ∈ A. Sejam dois elementos a e b quaisquer no dom´ ınio. Se f ´ e injetiva ela est´ a em bije¸ ca ˜o com sua imagem f (A). Se uma fun¸ c˜ ao ´ e n˜ ao-decrescente e n˜ ao-crescente ent˜ ao ela ´ e constante. da´ ı existe uma inversa g : f (A) ⊂ B → A. se vale f (a) = 0 ent˜ ao a ´ e chamado de uma raiz da fun¸ ca ˜o f . Defini¸ c˜ ao 14 (Raiz de fun¸ c˜ ao). Demonstra¸ c˜ ao. Uma fun¸ c˜ ao f : A → B ´ e bijetora sse ´ e injetora e sobrejetora.5 Fun¸ c˜ ao bijetora Defini¸ c˜ ao 13 (Fun¸ ca ˜o bijetora). continua satisfazendo g (f (x)) = x∀x ∈ A. Demonstra¸ c˜ ao. da´ ı a fun¸ ca ˜o g : B → A. ⇒. ent˜ ao vale f (x) ≥ f (y ) e f (y ) ≥ f (x).

logo existe x ∈ M tal que g (f (x)) = z assim g ◦ f ´ e sobrejetora. Demonstra¸ c˜ ao. Seja uma fun¸ c˜ ao de R em R. Demonstra¸ c˜ ao. N e P conjuntos n˜ ao vazios. ent˜ ao g ◦ f ´ e injetora. FUNC ¸ OES 7 1. da´ ı f (0) = 0. Defini¸ c˜ ao 15 (Composi¸ c˜ ao de fun¸ co ˜es).2 Composi¸ co ˜es de fun¸ c˜ oes Sejam f : M → N e g : N → P M. Se f e g s˜ ao bijetoras ent˜ ao g ◦ f ´ e bijetora. . Demonstra¸ c˜ ao. temos f (x) ̸= f (y ) pois f ´ e injetora da´ ı temos tamb´ em g (f (x)) ̸= g (f (y )) logo g ◦ f ´ e injetora. conclu´ ımos que |f 2 (0)| = |f 2 (0) − f (0)| logo f (0) = 0 ou f (0) = 2f 2 (0) a segunda identidade implica |f (0)| = 2|f 2 (0)| = 2|f (0)|. Se f e g s˜ ao sobrejetoras . Temos tamb´ em |f 5 (0) − f 3 (0)| ≤ |f 4 (0) − f 2 (0)| = |f 2 (0) − f (0)| =|f 2 (0)| de |f 2 (0) − f (0)| ≤ |f 2 (0)| e |f 2 (0)| ≤ |f 2 (0) − f (0)|. ent˜ ao f (0) = 0. Denotamos g (f (x)) = (g ◦ f )(a). que satisfaz f 3 (0) = 0 e |f (x) − f (y )| ≤ |x − y |. Propriedade 4. Se f e g s˜ ao injetoras. Seja z ∈ P arbitr´ ario como g ´ e sobrejetora existe y ∈ N tal que g (y ) = z e como f ´ e sobrejetora.˜ CAP´ ITULO 1. Seja x ̸= y ∈ M . Propriedade 6. Propriedade 5. Corol´ ario 1. Definimos a fun¸ ca ˜o g ◦ f : M → P como a fun¸ c˜ ao que a cada x ∈ M associa z ∈ P dado por z = g (f (x)). ent˜ ao g ◦ f ´ e sobrejetora. existe x ∈ M tal que f (x) = y . Vale |f 3 (0) − f 2 (0)| ≤ |f 2 (0) − f (0)| ≤ |f (0)| = |f 3 (0) − f (0)| ≤ |f 2 (0)| =|f 2 (0)| da´ ı tiramos que |f 2 (0)| = |f (0)| e |f 2 (0) − f (0)| ≤ |f 2 (0)|.

Defini¸ c˜ ao 17 (Rota¸ co ˜es). f (z ) = a.z com a ∈ R a > 1. Dar o exemplo de duas fun¸ co ˜es f injetora e g sobrejetora.3 Fun¸ co ˜es do 1 grau.˜ CAP´ ITULO 1. quando for o caso citaremos as modifica¸ c˜ oes. se ´ e da forma f (x) = ax para algum a ∈ R.z onde a ∈ R s˜ ao chamadas de Homotetias. Uma fun¸ ca ˜o f ´ e linear. ∞) → R com f (x) = ex e g (x) = ln(x2 ) . ent˜ ao G = H. f (z ) = a. G. Demonstra¸ c˜ ao. H : B → A tal que G(f (x)) = x∀x ∈ A e f (H (y )) = y ∀y ∈ B .z com a ∈ R 0 < a < 1. Defini¸ c˜ ao 19 (Dilata¸ c˜ ao). Para f : A ⊂ C → C temos as quatro pr´ oximas defini¸ c˜ oes. Defini¸ c˜ ao 20 (Contra¸ c˜ ao). tais que f ◦ g n˜ ao seja sobrejetora nem injetora. Sejam f.z onde |a| = 1 s˜ ao chamadas de rota¸ c˜ oes. g : (0. por´ em em alguns casos fun¸ co ˜es em outros conjuntos. 2 1. da´ ı eln(x ) = x2 x2 n˜ ao ´ e injetora nem sobrejetora . Exemplo 1. f (z ) = a. Vamos considerar em geral fun¸ c˜ oes de um conjunto A de n´ umeros reais em R. Defini¸ c˜ ao 18 (Homotetias). Defini¸ c˜ ao 16 (Fun¸ ca ˜o linear). . As fun¸ co ˜es de lei f (z ) = a. Sejam f : A → B . FUNC ¸ OES 8 Propriedade 7. g n˜ ao ´ e injetora pois g (1) = g (−1) = ln(1) = 0 e f ´ e injetora.

3. 1. ent˜ ao vale f (2x) = 2x + 1.1 Fun¸ c˜ ao identidade ´ a fun¸ Defini¸ c˜ ao 21 (Fun¸ ca ˜o identidade). se x ´ e par.3. Se x´ e´ ımpar temos f (x) = x − 1 = 2x + 1 da´ ı x = −2 absurdo pois x deve ser ´ ımpar.3 Fun¸ co ˜es seccionalmente afin Defini¸ c˜ ao 23 (Fun¸ co ˜es seccionalmente afin). ent˜ ao. 1. f ´ e uma fun¸ c˜ ao afim sse f (x) ´ e do tipo f (x) = ax + b para a e b reais.4 Fun¸ c˜ ao inversa. ent˜ ao f (x) = x + 1 = 2x + 1 implicando que x = 0. Defini¸ c˜ ao 24 (Fun¸ c˜ ao inversa. FUNC ¸ OES 9 Exemplo 2.2 Fun¸ c˜ ao afim ou de primeiro grau Defini¸ c˜ ao 22 (Fun¸ ca ˜o afim ou de 1◦ grau). E ca ˜o f de A em A dada por f (x) = x.3.3.). Exemplo 3 (ITA-1966). . 1. Denotamos g = f −1 . Uma fun¸ c˜ ao ´ e seccionalmente afin se ela ´ e afin numa cole¸ ca ˜o de intervalos cuja uni˜ ao d´ a o dom´ ınio da fun¸ c˜ ao. qual express˜ ao para f (x)? Tomamos y = 2x + 1 da´ ı y−1 = x. Seja f : R → R com f (2x + 1) = x para qualquer x. tem-se 2 y−1 f (y ) = . 2 1. Seja f : A → B ent˜ ao g : B → A ´ e inversa de f sse f (g (y )) = y ∀y ∈ B e g (f (x)) = x ∀x ∈ A.˜ CAP´ ITULO 1. Uma fun¸ ca ˜o f : Z → Z ´ e definida como   x − 1 se x ´ e´ ımpar f (x)  x + 1 se x ´ e par Ent˜ ao quais as solu¸ c˜ oes de f (x) = f (2x)? 2x sempre ´ e par.

isto ´ e.). cont´ ınua e sua inversa ´ e cont´ ınua. Sejam U ⊂ Rm um aberto. Chamamos f n (x) de en´ esima composi¸ ca ˜o de f (x) Se f −1 existe denotamos f −n (x) como a n-´ esima composi¸ c˜ ao de f −1 (x). Se f ∈ C r (U ) para cada r natural ent˜ ao dizemos que f ∈ C ∞ (U ).3. Diremos que a fun¸ c˜ ao f (x) ´ e suave se ela ´ e pelo menos C 1 . Diremos que uma fun¸ ca ˜o ´ e C ∞ se para todo n ∈ N f (x) ´ e C n. Definimos f −1 (C ) = {x ∈ A |f (x) ∈ C }. Chamamos tal conjunto de imagem inversa de C pela fun¸ c˜ ao f . Definimos f 0 (x) = x f n+1 (x) = f (f n (x)) para n natural. Propriedade 8. Defini¸ c˜ ao 27. f ´ e uma fun¸ c˜ ao C r se f ´ e um homeomorfismo C r tal que f −1 ´ e tamb´ em C r . Defini¸ c˜ ao 30 (Composi¸ ca ˜o recorrente de fun¸ co ˜es). Defini¸ c˜ ao 29 (C r difeomorfismo). Dizemos que f ´ e de classe C r se f r (x) existe e ´ e cont´ ınua em todo seu intervalo de defini¸ ca ˜o . [f (x)] = n ′ n −1 ∏ k=0 f ′ (f k (x)). Se f ´ e anal´ ıtica (pode ser expressa como uma s´ erie convergente na vizinhan¸ ca de qualquer ponto de U ent˜ ao escrevemos f ∈ C w (U ). Se todas as derivadas de ordem k existem e s˜ ao cont´ ınuas para k ≤ r ent˜ ao dizemos que f ∈ C r (U ). . Defini¸ c˜ ao 26 (Homeomorfismo). Sejam a fun¸ ca ˜o f : A → B e o conjunto C ⊂ B .5 Imagem inversa Defini¸ c˜ ao 25. a derivada existe e ´ e cont´ ınua. FUNC ¸ OES 10 1. f uma fun¸ c˜ ao de U em Rm .˜ CAP´ ITULO 1.) Defini¸ c˜ ao 28 (Fun¸ co ˜es C r e C ∞ . Uma fun¸ ca ˜o f de A em B ´ e um homeomorfismo sse ela ´ e bijetora .

˜ CAP´ ITULO 1. f (x)}. Outra maneira de definir ´ e usando a fun¸ c˜ ao m´ aximo f + (x) = max{0. 2 2 1.3. somando ambas tem-se h(−x) = g (x) + h(x) = f (−x) + f (x) −f (−x) + f (x) + = f (x). ent˜ ao ela pode ser escrita como soma de uma fun¸ c˜ ao par e uma fun¸ c˜ ao ´ ımpar. definimos h(x) = e temos −f (−x) + f (x) 2 f (−x) + f (x) 2 f (x) + f (−x) = g (x) 2 −f (x) + f (−x) −f (−x) + f (x) =− 2 2 logo h(x) ´ e´ ımpar. FUNC ¸ OES 11 Propriedade 9.7 Parte negativa Defini¸ c˜ ao 32 (Parte negativa). Definimos g (x) = e temos g (−x) = logo a fun¸ ca ˜o ´ e par.3. A parte positiva assume sempre valores n˜ ao-negativos. 1. Seja f uma fun¸ c˜ ao de R em R deriv´ avel. Seja f (x) : A → R definimos a parte negativa da fun¸ ca ˜o como f − (x) =   0 se f (x) > 0  −f (x) se f (x) ≤ 0.6 Parte positiva Defini¸ c˜ ao 31 (Parte positiva). Seja f (x) : A → R definimos a parte positiva da fun¸ c˜ ao como   f (x) se f (x) ≥ 0 f + (x) =  0 se f (x) < 0. Demonstra¸ c˜ ao. .

Se existe x tal que f (x) = a > 0. Outra maneira de definir ´ e usando a fun¸ c˜ ao m´ aximo f − (x) = max{0. . Propriedade 10. f (x) = f + (x) − f − (x). Demonstra¸ c˜ ao. Demonstra¸ c˜ ao. ent˜ ao f + (x) = 0 = f − (x) e vale f (x) = 0 = 0 − 0. Se f (x) > 0 temos f + (x) = f (x) e f − (x) = 0 logo |f (x)| = f (x) = f + (x) + f − (x) = f (x) + 0. Se existe x tal que f (x) = 0. logo |f (x)| = f (x) = f + (x) + f − (x) = 0 − f (x). Propriedade 11. ent˜ ao f + (x) = a e f − (x) = 0 da´ ı f (x) = a = f + (x) − f − (x) = a − 0 = a. se existe x tal que f (x) = b < 0. Se f (x) < 0 ent˜ ao f + (x) = 0 e f − (x) = −f (x).˜ CAP´ ITULO 1. |f (x)| = f + (x) + f − (x). FUNC ¸ OES 12 A parte negativa assume sempre valores n˜ ao-negativos. −f (x)}. se f (x) = 0 ent˜ ao f + (x) = 0 e f − (x) = 0 de onde segue |f (x)| = |0| = 0 = f + (x) + f − (x) = 0 + 0. ent˜ ao f + (x) = 0 e f − (x) = −b da´ ı f (x) = b = f + (x) − f − (x) = 0 − (−b) = b. E por u ´ltimo. No u ´ltimo caso.

pois f (x + p) = c = f (x). f (x+mt) = f (x). mostre que f + g . Demonstra¸ c˜ ao. desse modo todas as fun¸ c˜ oes seriam peri´ odicas. Se T ´ e per´ ıodo da fun¸ ca ˜o f ent˜ ao para todo inteiro m. Vamos provar primeiro para m natural. . E ario que p ̸= 0. Demonstra¸ c˜ ao. o mesmo para o produto L(x) = f (x). para m = 0 vale f (x + 0t) = f (x) supondo validade para m. Defini¸ c˜ ao 34. f. FUNC ¸ OES 13 1. Propriedade 12. Tomando h(x) = f (x)+ g (x) temos h(x + T ) = f (x + T )+ g (x + T ) = f (x)+ g (x) pois f e g s˜ ao per´ ıodicas. Propriedade 14.g (x + T ) = f (x).g (x).g e af com a ∈ R tamb´ em s˜ ao fun¸ c˜ oes de per´ ıodo T. tal que f (x + p) = f (x) ´ necess´ para todo x ∈ A. A fun¸ ca ˜o f de R em R dada por f (x) = c onde c ∈ R constante n˜ ao possui per´ ıodo m´ ınimo. f (x + mt) = f (x) vamos provar para m + 1. Agora sendo a um n´ umero real.4 Fun¸ co ˜es peri´ odicas Defini¸ c˜ ao 33 (Fun¸ ca ˜o peri´ odica). Exemplo 4. Uma fun¸ ca ˜o f de A em B (conjuntos de n´ umeros reais) ´ e dita peri´ odica sse. por indu¸ ca ˜o. pois sempre vale f (x + 0) = f (x). Se f per´ ıodica de per´ ıodo T e g per´ ıodica de per´ ıodo P e existindo inteiros m e n tais que mT = nP ent˜ ao vale (f + g )(x + mT ) = (f + g )(x). Agora para −m n˜ ao positivo temos que f (x − mt + mt) = f (x − mt) = f (x) . existe p ̸= 0 real. todo valor p ´ e per´ ıodo dela. tomando que W (x) = af (x) segue W (x + T ) = af (x + T ) = af (x) .˜ CAP´ ITULO 1. Se f e g s˜ ao peri´ odicas de per´ ıodo T . logo a fun¸ c˜ ao soma tamb´ em ´ e per´ ıodica com o mesmo per´ ıodo. Propriedade 13. Quando existe o menor p tal que p ´ e per´ ıodo de f ent˜ ao p ´ e dito per´ ıodo fundamental.g (x) segue h(x + T ) = f (x + T ). f (x + (m + 1)t) = f (x) temos que f (x + (m + 1)t) = f ((x + mt) + t) = f (x + mt) = f (x).

N´ umeros irracionais n˜ ao s˜ ao per´ ıodos.senat+cosbp. Vamos mostrar que todo n´ umero racional p ´ e per´ ıodo da fun¸ c˜ ao H . b . Se f possui per´ ıodo w ent˜ ao g definida como g (x) = f (cx) tem per´ ıodo w . O conjunto dos racionais ´ e denso em R. implicando que H (x) = 0 = H (x + p). Temos que (f + g )(x + mT ) = f (x + mT ) + g (x + mT ) = f (x + mT ) + g (x + nP ) = f (x) + g (x) Propriedade 15. . O per´ ıodo de f ´ e w. a b 2πs 2πk s b a k k como temos p = p segue = . Demonstra¸ c˜ ao. f (t) = cosat + cosbt ´ e per´ ıodica sse a ´ e racional. Exemplo 5. Mostrar que H ´ e peri´ odica e o conjunto dos seus per´ ıodos ´ e denso em R. senbp = 0 para isso temos que ter 2πk 2πs ap = 2πk para algum k inteiro logo p = e bp = 2πs com s inteiro logo p = . Seja H : R → R definida como H (x) = 1 se x racional e H (x) = 0 se x irracional .˜ CAP´ ITULO 1. logo tem-se f (cx + w) = f (cx) = g (x). sendo w o menor valor que c c c satisfaz essa propriedade. H (x) = 1 e H (x + p) = 0. senap = 0.cosbt temos que ter ent˜ ao cosap = 1. = ou = como ´ e racional ´ e necess´ ario b a k a b s s a que seja racional. por cx + w cx + w w outro lado f (c ) = g( ) = g (x + ) = g (x). ent˜ ao f (t+p) = cos(at+ap)+cos(bt+bp) = cosat. logo s˜ ao distintos. b Propriedade 16. Suponha existˆ encia de um per´ ıodo P . ent˜ ao vale x + p ∈ Q da´ ı H (x) = 1 = H (x + p) se x ´ e irracional ent˜ ao x + p ´ e irracional. pois dado x ∈ Q e p n˜ ao racional vale x + p n˜ ao racional. FUNC ¸ OES 14 Demonstra¸ c˜ ao. Seja x racional. c Demonstra¸ c˜ ao.cosap−senap. cosbp = 1.cosbp−senbtsenbp = f (t) = = cosat.

4.˜ CAP´ ITULO 1.1 Fun¸ c˜ ao peri´ odica e integra¸ c˜ ao Propriedade 17. 1. t− a Demonstra¸ c˜ ao. FUNC ¸ OES 15 1. Uma fun¸ c˜ ao f ´ e´ ımpar quando dado qualquer a no dom´ ınio da fun¸ c˜ ao −a tamb´ em pertence ao dom´ ınio e vale f (a) = −f (−a).5 Fun¸ co ˜es pares e ´ ımpares Defini¸ c˜ ao 35 (Fun¸ ca ˜o par. Uma fun¸ ca ˜o f ´ e par quando dado qualquer a no dom´ ınio da fun¸ ca ˜o −a tamb´ em pertence ao dom´ ınio e vale f (a) = f (−a). Escrevemos ∫ b b+a ∫ f (x)dx = b a ∫ f (x)dx + a b b+a ∫ f (x)dx = b a ∫ f (x)dx + 0 b f (x + a)dx = ∫ = 0 ∫ f (x)dx + b a ∫ f (x)dx = 0 a f (x)dx .). a] ent˜ ao ∫ 0 a ∫ f (x)dx = b b+a f (x)dx. Se f ´ e uma fun¸ c˜ ao per´ ıodica de per´ ıodo P e integr´ avel ent˜ ao fa (t) = t + a ∫ f (s)ds ´ e tamb´ em per´ ıodica de per´ ıodo P . Defini¸ c˜ ao 36 (Fun¸ ca ˜o ´ ımpar. Se f ´ e peri´ odica com per´ ıodo a e integr´ avel sobre [0. Propriedade 18.). Demonstra¸ c˜ ao. t+a t+ t+a t+ a ∫ ∫P +a ∫ ∫ f (s)ds = f (s)ds = f (s + p)ds = f (s + p)ds = fa (t) fa (t + P ) = t−a t+P −a t− a t−a . . Nesta se¸ ca ˜o iremos considerar apenas fun¸ c˜ oes que satisfazem a propriedade de a no dom´ ınio ent˜ ao −a no dom´ ınio.

Se f ´ e´ ımpar. Demonstra¸ c˜ ao. Se f ´ e par temos f (a) = f (−a) = 0 da´ ı f (−a) = 0 ent˜ ao −a ´ e raiz. Seja a no dom´ ınio ent˜ ao −a tamb´ em pertence ao dom´ ınio e pela fun¸ c˜ ao ser identicamente nula. da´ ı f (0) = 0. Se f ´ e par e ´ ımpar ent˜ ao f (x) = 0 para todo x no seu dom´ ınio. em especial para x = −p temos f (0) = f (p) = 0. Seja x um elemento qualquer do dom´ ınio. ent˜ ao f (0) = 0. segue que f (a) = f (−a) = 0. Propriedade 24. logo f ´ e identicamente nula pela arbitrariedade de x. par ou ´ ımpar. dada pela lei f (x) = 0 pra todo x ∈ A. Seja p(x) um polinˆ omio. Propriedade 21. como f ´ e par segue f (x) = f (−x) e como f ´ e´ ımpar segue que f (x) = −f (−x) da´ ı f (−x) = −f (−x). logo f (a) = −f (−a) = −0 e f (a) = f (−a) = 0. Se a ´ e raiz de uma fun¸ ca ˜o f . f (−x) = 0 = f (x). Propriedade 23. Seja a fun¸ ca ˜o f de A em {0} identicamente nula. Demonstra¸ c˜ ao. Como f ´ e´ ımpar. logo −a ´ e ra´ ız de f em ambos casos. ent˜ ao f ´ e par e f ´ e´ ımpar. Demonstra¸ c˜ ao. Se f ´ e´ ımpar e peri´ odica de per´ ıodo p . FUNC ¸ OES 16 Propriedade 19. 2f (0) = 0.isto ´ e. Demonstra¸ c˜ ao. 2f (−x) = 0.˜ CAP´ ITULO 1. Propriedade 20. Vale f (x + p) = f (p) para todo x. ent˜ ao −a tamb´ em ´ e raiz dessa fun¸ ca ˜o. Demonstra¸ c˜ ao. ent˜ ao f (p) = 0. Propriedade 22. vale f (0) = f (−0) logo f (0) = −f (0). Se f ´ e´ ımpar. tem-se f (a) = −f (−a) = 0 logo −f (−a) = 0 que implica f (−a) = 0. considere a fun¸ c˜ ao p de R em R com lei x → p(x) ent˜ ao se p ´ e par o polinˆ omio se escreve como p(x) = v ∑ k=0 a2k x2k .

isto ´ e se p ´ e´ ımpar ent˜ ao os coeficientes de ´ ındice par s˜ ao nulos e se p ´ e par ent˜ ao os coeficientes de ´ ındice ´ ımpares s˜ ao nulos. se p(x) = 0 ent˜ ao ele ´ e par e ´ ımpar. Seja p(x) um polinˆ omio dado. seja n o grau do polinˆ omio . n ∑ se ele n˜ ao ´ e identicamente nulo. Demonstra¸ c˜ ao.˜ CAP´ ITULO 1. De k = 0 at´ e n temos ´ ındices pares e ´ ımpares. Agora se p ´ ımpar. FUNC ¸ OES 17 se p ´ e´ ımpar o polinˆ omio se escreve como p(x) = s ∑ k=0 a2k+1 x2k+1 . separamos a soma ent˜ ao como p(x) = se p ´ e par. logo p(x) = ak xk com an ̸= 0. temos p(x) = p(−x) = v ∑ k=0 v ∑ k=0 s ∑ k=0 s ∑ k=0 v ∑ k=0 k=0 a2k x 2k + s ∑ k=0 a2s+1 x2s+1 a2k x2k + s ∑ k=0 a2k+1 x2k+1 = v ∑ k=0 v ∑ k=0 a2k (−x)2k + s ∑ k=0 s ∑ k=0 a2k+1 (−x)2k+1 = = da´ ı a2k x2k + a2k+1 x2k+1 = a2k (x)2k − a2k+1 (x)2k+1 − a2k+1 (x)2k+1 = s ∑ k=0 s ∑ k=0 a2k+1 (x)2k+1 2 a2k+1 (x)2k+1 = 0 logo os coeficientes a2k+1 s˜ ao zero e o polinˆ omio ´ e do tipo p(x) = quando p ´ e par. temos p(x) = −p(−x) = v ∑ k=0 v ∑ k=0 s ∑ k=0 s ∑ k=0 v ∑ k=0 v ∑ k=0 s ∑ k=0 s ∑ k=0 v ∑ k=0 a2k x2k a2k x 2k + a2k+1 x 2k+1 =− a2k (−x) 2k − a2k+1 (−x)2k+1 = =− a2k x 2k + a2k+1 x 2k+1 = a2k (x) 2k + a2k+1 (x)2k+1 .

Sejam n fun¸ co ˜es pares (fk (x))|n ao vale pra cada k . Propriedade 27. O produto finito de fun¸ co ˜es pares com mesmo dom´ ınio ´ e uma fun¸ c˜ ao par. Seja g = f ′ logo g (x) = f ′ (x) e g (−x) = f ′ (−x). Propriedade 28. Seja g dada por g (x) = f ′ (x). Propriedade 26. . Demonstra¸ c˜ ao. logo g (x) = g (−x). derivando em ambos lados segue f ′ (x) = −f ′ (−x). Se f ´ e par e deriv´ avel ent˜ ao f ′ ´ e´ ımpar. como f ´ e´ ımpar vale f (x) = −f (−x) derivando ambos lados segue f ′ (x) = f ′ (−x). vale f (x) = f (−x). fk (x) = fk (−x). como g (−x) = f ′ (−x) segue que g (x) = −g (−x) logo g que ´ e a fun¸ ca ˜o derivada ´ e´ ımpar. ent˜ fun¸ c˜ ao g dada pelo produto dessas n fun¸ co ˜es g (x) = ent˜ ao g (−x) = n ∏ k=1 n ∏ k=1 n ∏ k=1 s ∑ k=0 a2k+1 x2k+1 fk (x) fk (−x) = fk (x) = g (x).˜ CAP´ ITULO 1. como f ´ e par. logo a fun¸ ca ˜o derivada ´ e par. O produto de n fun¸ co ˜es ´ ımpares de mesmo dom´ ınio ´ e uma fun¸ c˜ ao ´ ımpar se n ´ e´ ımpar e ´ e uma fun¸ ca ˜o par se n ´ e par. Demonstra¸ c˜ ao. FUNC ¸ OES 18 da´ ı − v ∑ k=0 a2k (x) v ∑ k=0 2k = v ∑ k=0 a2k (x)2k 2 a2k (x)2k = 0 logo os coeficientes a2k s˜ ao zero e o polinˆ omio ´ e do tipo p(x) = quando p ´ e´ ımpar. Se f ´ e´ ımpar e deriv´ avel ent˜ ao f ′ ´ e par. Propriedade 25. seja a k=1 . Demonstra¸ c˜ ao.

∫ a ∫ a ∫ f (x)dx = f (x)dx+ −a 0 0 ∫ f (x)dx = ∫ =2 0 a ∫ f (x)dx+ 0 a ∫ f (−x)dx = 0 a ∫ f (x)dx+ 0 a f (x)dx = −a a f (x)dx. seja g definida pelo produto g (x) = n ∏ k=1 n n ∏ n ∏ k=1 fk (x) n ∏ k=1 g (−x) = fk (−x) = (−1)fk (x) = (−1)n fk (x) = (−1)n g (x). Se f ´ e par e integr´ avel em [−a. se n par temos g (−x) = g (x) assim a fun¸ ca ˜o ´ e par e se n ´ ımpar g (−x) = −g (x) logo a fun¸ c˜ ao ´ e´ ımpar. k=1 logo vale g (−x) = (−1) g (x). FUNC ¸ OES 19 Demonstra¸ c˜ ao. temos que fk (x) = fk (−x). Demonstra¸ c˜ ao. 0 . Propriedade 29. Seja g definida pela soma de fun¸ co ˜es ´ ımpares fk . da´ ı g (x) = g (−x) = n ∑ k=1 n ∑ k=1 fk (x) n ∑ k=1 fk (−x) = − fk (x) = −g (x). da´ ı g (x) = g (−x) = n ∑ k=1 n ∑ k=1 fk (x) n ∑ k=1 fk (−x) = fk (x) = g (x). A soma finita de fun¸ co ˜es pares no mesmo dom´ ınio ´ e uma fun¸ ca ˜o par.˜ CAP´ ITULO 1. a] vale ∫ a ∫ a f (x)dx = 2 f (x)dx. A soma finita de fun¸ c˜ oes ´ ımpares no mesmo dom´ ınio ´ e uma fun¸ ca ˜o ´ ımpar. Sejam n fun¸ c˜ oes ´ ımpares (fk (x))|n k=1 . Seja g definida pela soma de fun¸ co ˜es pares fk . temos que fk (x) = −fk (−x). Propriedade 30. Propriedade 31. Demonstra¸ c˜ ao. vale a propriedade fk (x) = −fk (−x). −a 0 Demonstra¸ c˜ ao.

Definimos a parte ´ ımpar de f como fi (x) = f (x) − f (−x) . 2 Propriedade 34. pois fi (x) + fp (x) = f (−x) + f (x) f (x) − f (−x) + = f (x). Seja uma fun¸ ca ˜o f : R → R. fi (−x) = f (−x) − f (x) f (x) − f (−x) =− = −fi (x). (Propriedades de somat´ orio de fun¸ c˜ oes ´ ımpares e pares no texto somat´ orios 2. 2 Corol´ ario 2. Demonstra¸ c˜ ao. 2 2 fp (−x) = f (−x) + f (x) = f (x). Seja g (x) = f (−x) + f (x).˜ CAP´ ITULO 1. Logo g ´ e constante. Definimos a parte par de f como fp (x) = f (x) + f (−x) . ∫ a ∫ f (x)dx = −a 0 a ∫ f (x)dx + ∫ = 0 0 ∫ f (x)dx = ∫ 0 0 a a ∫ f (x)dx + 0 a −a a f (−x)dx = f (x)dx − f (x)dx = 0. valendo ent˜ ao g (x) = 0∀x. Vamos mostrar que f (−x) = −f (x) . A parte ´ ımpar ´ e´ ımpar e a parte par ´ e par . 2 2 . a] vale ∫ a f (x)dx = 0. Se f ´ e´ ımpar e integr´ avel em [−a. 2 Defini¸ c˜ ao 38 (Parte par). Demonstra¸ c˜ ao. vale que g (0) = 0 e g ′ (x) = −f ′ (−x) + f (x) = −f ′ (x) + f ′ (x) = 0. −a Demonstra¸ c˜ ao. Se f (0) = 0 e f ′ (x) ´ e par ent˜ ao f ´ e´ ımpar. FUNC ¸ OES 20 Propriedade 32. Seja uma fun¸ ca ˜o f : R → R. Toda fun¸ ca ˜o pode ser escrita como soma da sua parte ´ ımpar com sua parte par. Defini¸ c˜ ao 37 (Parte ´ ımpar).) Propriedade 33.

FUNC ¸ OES 21 Exemplo 6 (ITA -quest˜ ao 1. x). y ´ e sim´ etrica quando g (x.˜ CAP´ ITULO 1. pois f (−x) = 1 + e−x 1 + ex ex 1 + e−x ex + 1 = = = − = −f (x).6 Fun¸ co ˜es linearmente independentes e dependentes Defini¸ c˜ ao 39 (Fun¸ c˜ oes linearmente independentes e dependentes). x) Propriedade 35. y ) = f (|x − y |) = f (| − 1||y − x|) = f (y − x) = g (y. Se ck fk (x) = 0. 1 − e−x ex 1 − e−x ex − 1 1 − ex 1. y ) = g (y. As fun¸ c˜ oes (fk )n 1 : R → V (V um espa¸ co vetorial com escalares que contenham R) s˜ ao LD ⇔ existem (ck )n ao nulo). ∀x ∈ R implicar cada ck = 0 ent˜ ao (fk )n ao ditas LI . por ser produto de duas fun¸ c˜ oes ´ ımpares e f ´ e ´ ımpar. 1 s˜ 1. x ∈ R ent˜ ao g ´ e par. g (x. y ) = f (|x − y |) ´ e sim´ etrica. f(h(x-y)) onde h ´ e par . Uma fun¸ c˜ ao g de duas vari´ aveis x.1990.Solu¸ ca ˜o). ∀x ∈ R. Dadas as fun¸ c˜ oes f (x) = 1 + ex x ∈ R \{0} 1 − ex e g (x) = xsen(x). g (x. Demonstra¸ c˜ ao.7 Fun¸ co ˜es sim´ etricas Defini¸ c˜ ao 40. em que vale 1 ∈ R (pelo menos um n˜ n ∑ k=1 n ∑ k=1 ck fk (x) = 0.

E ca ˜o f : C → C que denotaremos por y = f (x) que satisfaz n ∑ k=0 Pk (z )y k = 0 .1 Tipos especiais de fun¸ co ˜es Fun¸ c˜ ao racional Defini¸ c˜ ao 41 (Fun¸ ca ˜o racional).2 Fun¸ co ˜es limitadas Defini¸ c˜ ao 42. FUNC ¸ OES 22 1. 2 1. y ) = x + y − |x − y | x + y + |x − y | e min(x. y ) = x + y ent˜ ao min(x. y ) + min(x.8.˜ CAP´ ITULO 1. 1. y ) = . Uma fun¸ c˜ ao f : A ⊂ Rn → Rn ´ e dita limitada quando existe uma constante real M > 0 tal que ∥f (x)∥ ≤ M ∀x ∈ A.1 Fun¸ c˜ ao m´ odulo max(x. Sendo ∥∥ a norma euclidiana em Rn .9 1.9. y ) = .8 1. 2 2 Propriedade 36. 1.9.z k onde A ⊂ C e p(z ) = ck . quando vale n ∑ =1 f (z ) = k m ∑ k=1 m ∑ k=1 ak z k ∀z ∈ A ck . Uma fun¸ c˜ ao f : A → C ´ e dita fun¸ ca ˜o racional.9. y ) = .3 Fun¸ co ˜es alg´ ebricas ´ qualquer fun¸ Defini¸ c˜ ao 43 (Fun¸ ca ˜o alg´ ebrica).z k n˜ ao possui raiz em A. y ) = x + y + |x − y | x + y − |x − y | e min(x. Vale max(x. 2 2 x+y+x−y Demonstra¸ c˜ ao. Se x ≥ y ent˜ ao x − y = |x − y | da´ ı = x como vale 2 x + y − |x − y | max(x.

Consideramos tamb´ em o caso de ter no lugar de A. Caso ∗ seja uma adi¸ ca ˜o temos a fun¸ c˜ ao soma (f + g )(x) = f (x) + g (x). Definimos a adi¸ c˜ ao e multiplica¸ ca ˜o por escalar de duas fun¸ c˜ oes quaisquer f.g (x) Propriedade 37. Dado um conjunto B munido de uma opera¸ c˜ ao ∗. A) e f (X. O mesmo com E . ficando assim definidas uma opera¸ ca ˜o de adi¸ ca ˜o e de multiplica¸ ca ˜o.g )(x) = f (x). tem-se a fun¸ c˜ ao produto (f. A) por (f + g )(x) = f (x) + g (x) (cf )(x) = cf (x) onde c ∈ A. Definimos f (X. g em f (X. e duas fun¸ c˜ oes f : A → B e g :→ B definimos a fun¸ c˜ ao f ∗ g : A → B como (f ∗ g )(x) = f (x) ∗ g (x) para x ∈ A. .g )(x) = f (x). Seja X um conjunto n˜ ao vazio.g (x). A) como o conjunto de todas fun¸ c˜ oes f : X → A. f (X. Caso ∗ seja um produto.10 Opera¸ co ˜es com fun¸ c˜ oes Defini¸ c˜ ao 44 (Opera¸ co ˜es com fun¸ co ˜es).˜ CAP´ ITULO 1. E um espa¸ co vetorial . E ) s˜ ao espa¸ cos vetoriais. e A um anel com unidade. 1. Defini¸ c˜ ao 45 (Espa¸ co das fun¸ co ˜es ). Definimos o produto de duas fun¸ co ˜es (f. um espa¸ co vetorial no lugar de A Defini¸ c˜ ao 47 (Soma e produto). FUNC ¸ OES 23 onde cada pk (z ) ´ e um polinˆ omio em z com coeficientes em C . Defini¸ c˜ ao 46 (Soma e produto).

−f (x).(tf (x) por propriedade do anel (espa¸ co vetorial). definindo g (x) = −f (x) ∀x tem-se f (x) + g (x) = f (x) − f (x) = 0 • Existe a identidade escalar 1 ∈ A (ou 1 ∈ K o corpo associado ao espa¸ co vetorial E ) e vale 1f (x) = f (x). • Caso X = N temos E = E. • Vale a distributividade (c + t)f (x) = cf (x) + tf (x) • c(f (x) + g (x)) = cf (x) + cg (x). da´ ı g (x) + 0 = g (x). • Vale a associatividade da adi¸ ca ˜o (f (x) + g (x)) + h(x) = f (x) + (g (x) + h(x)) • Existe elemento neutro da adi¸ ca ˜o 0 ∈ A(V ) e a fun¸ c˜ ao constante f (x) = 0 ∀ x ∈ A(V ). Exemplo 7. FUNC ¸ OES 24 Demonstra¸ c˜ ao. • Caso X = In ×Im temos o espa¸ co das matrizes de n linhas e m colunas com elementos em E . . Exemplos de F (X. • Existe o sim´ etrico para todo f (x).t)f (x) = c. • Vale a associatividade da multiplica¸ ca ˜o por escalar (c.˜ CAP´ ITULO 1. • Caso X = In temos E n = n ∏ k=1 ∞ ∞ ∏ k=1 E. E ).

(g (x). Demonstra¸ c˜ ao. • Vale a associatividade da multiplica¸ ca ˜o (f (x). comutativa.g )(x) = f (x)g (x) = g (x)f (x) = (g.h(x) = f (x). associatividade. • Comutatividade da adi¸ c˜ ao (f + g )(x) = f (x) + g (x) = g (x) + f (x) = (g + f )(x) • Existe a fun¸ c˜ ao sim´ etrica. associativa. valendo tamb´ em a comutatividade. FUNC ¸ OES 25 Propriedade 38. • Comutatividade da multiplica¸ ca ˜o (f.g (x)). temos f com f (x) = −g (x) e da´ ı (g + f )(x) = g (x) − g (x) = 0.˜ CAP´ ITULO 1.1 = g (x).f )(x) . Sejam X um conjunto qualquer e K um corpo. para adi¸ ca ˜o. Lembrando que em um anel comutativo com unidade temos as propriedades. da´ ı (g + 0)(x) = g (x) + 0(x) = g (x). da´ ı (g. dado g (x). K ) munido de adi¸ ca ˜o e multiplica¸ ca ˜o de fun¸ c˜ oes ´ e um anel comutativo com unidade. existˆ encia de unidade 1 para o produto e distributividade que relaciona as duas opera¸ c˜ oes. n˜ ao existindo inverso para todo elemento. ent˜ ao o conjunto F (X. • Vale a associatividade da adi¸ ca ˜o ((f + g ) + h)(x) = (f (x) + g (x)) + h(x) = f (x) + (g (x) + h(x)) = (f + (g + h))(x) • Existe elemento neutro da adi¸ ca ˜o 0 ∈ K e a fun¸ ca ˜o constante 0(x) = 0 ∀ x ∈ K .h(x)) • Existe elemento neutro da multiplica¸ ca ˜o 1 ∈ K e a fun¸ ca ˜o constante I (x) = 1 ∀ x ∈ K . elemento neutro e existˆ encia de inverso aditivo.I )(x) = g (x).

pois dada uma fun¸ ca ˜o. Y subconjuntos de A. N˜ ao temos inverso multiplicativo para toda fun¸ ca ˜o. x ∈ E A fun¸ c˜ ao caracter´ ıstica tamb´ em pode ser chamada de fun¸ ca ˜o indicadora e denotada por IE . f (X ) \ f (Y ) ⊂ f (X \ Y ) X. pois f (1) = 0. Seja E ⊂ X definimos a fun¸ ca ˜o caracter´ ıstica χE : X → {0. Defini¸ c˜ ao 49 (Fun¸ ca ˜o simples). 1. ent˜ ao valem 1. 1. n˜ ao existe fun¸ c˜ ao g tal que g (1)f (1) = 1. x ∈ E c χE (x) =  1.h)(x). FUNC ¸ OES 26 Por u ´ltimo vale a distributividade (f (g + h))(x) = f (x)(g (x) + h(x)) = f (x)g (x) + f (x)h(x) = (f. . Uma fun¸ c˜ ao S : X → B tal que S (X ) ´ e um conjunto finito ´ e dita ser uma fun¸ ca ˜o simples. Seja f : A → B .11 Fun¸ c˜ ao caracter´ ıstica Defini¸ c˜ ao 48 (Fun¸ ca ˜o caracter´ ıstica). tal que f (1) = 0 e f (x) = 1 para todo x ̸= 1 em K . Uma fun¸ ca ˜o µ : A → M . que tamb´ em ´ e simbolizado por P (B ). assim o produto de f por nenhuma outra fun¸ ca ˜o gera a identidade.g + f. 2B o conjunto das partes de B . 1. onde M ´ e um conjunto qualquer ´ e chamada de fun¸ ca ˜o de conjunto. 1} como   0.˜ CAP´ ITULO 1. Seja B um conjunto e A ⊂ 2B .12 Fun¸ c˜ ao de conjunto Defini¸ c˜ ao 50 (Fun¸ ca ˜o de conjunto).13 Fun¸ co ˜es e conjuntos Propriedade 39.

J´ a fizemos na propriedade anterior. FUNC ¸ OES 27 2. ⇐). Dada f : A → B ent˜ ao 1. logo vale a outra inclus˜ ao e o resultado fica provado . Demonstra¸ c˜ ao. J´ a sabemos que vale a inclus˜ ao f (X ) \ f (Y ) ⊂ f (X \ Y ). a ∈ / X = {x} por´ em f (a) ∈ / f (A) \ f (X ) ent˜ ao n˜ ao vale a igualdade. f ´ e injetora ⇔ f −1 (f (X )) = X ∀X ⊂ A. Suponha f injetora. Se f for injetiva ent˜ ao f (X \ Y ) = f (X ) \ f (Y ). o que ´ e absurdo. j´ a sabemos que f (X ) ⊂ f −1 (f (X )) pelo item anterior. Suponha que f −1 f (X ) = X ∀X ⊂ A. 1. Seja z ∈ f (X \ Y ) ent˜ ao existe x ∈ X \ Y portanto x ∈ X e x ∈ / Y tal que f (x) = z . vale que f (a) ∈ f (A \ X ) pois a ∈ A. sendo X = {x}. Propriedade 41. Demonstra¸ c˜ ao. Seja z ∈ f (X ) \ f (Y ) ent˜ ao z = f (x) e n˜ ao existe y ∈ Y tal que z = f (y ) ent˜ ao z ∈ f (X \ Y ) pois ´ e imagem de um elemento x ∈ X \ Y . ⇒).˜ CAP´ ITULO 1. O que ´ e absurdo ent˜ ao f ´ e injetora. ∀X ⊂ A temos X ⊂ f −1 (f (X )). Demonstra¸ c˜ ao. Suponha que f n˜ ao ´ e injetora ent˜ ao existem x ̸= y tais que f (x) = f (y ). f : A → B ´ e injetora ⇔ f (A \ X ) = f (A) \ f (X ) ∀X ⊂ A. Propriedade 40. 1. Y ̸⊂ X. . ⇒). Vamos provar agora a outra inclus˜ ao f (X \ Y ) ⊂ f (X ) \ f (Y ). ⇐). vamos provar agora que f −1 (f (X )) ⊂ f (X ) suponha por absurdo que exista y ∈ /X tal que f (y ) ∈ f (X ). 2. 2. y = {y } da´ ı f −1 f (X ) ̸⊂ X pois Y ⊂ f −1 f (X ). vamos mostrar que f ´ e injetora. seja X = {x}. 2. Suponha por absurdo que f n˜ ao ´ e injetiva ent˜ ao existem a ̸= x tais que f (x) = f (a). Se z ∈ f (Y ) ent˜ ao existiria y ∈ Y tal que f (y ) = z mas como f ´ e injetora x = y o que contraria x ∈ X \ Y . f −1 (f (X )) ´ e o conjunto dos elementos x ∈ A tal que f (x) ∈ f (X ) ent˜ ao vale claramente que f (X ) ⊂ f −1 (f (X )). ent˜ ao f n˜ ao ´ e injetora o que contraria a hip´ otese ent˜ ao deve valer que a inclus˜ ao que quer´ ıamos mostrar e portanto a igualdade dos conjuntos. f (y ) = f (x) para y ∈ / X e x ∈ X .

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