Autonomia da Universidade VS Lei De acordo com o presente caso, a Universidade Lusitânia Expresso, veio invocar a sua autonomia a nível

académico e pedagógico por forma a não serem abrangidas pelo regime jurídico das Instituições do Ensino Superior e consequentemente estarem sujeitas a Inspecção e Fiscalização, bem como terem autonomia para regularem e criarem os seus estatutos e formas de organização de Ensino. Esta autonomia está prevista como dito acima, no Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior, que em nada invalida a aplicação do disposto em matéria de Inspecção e Fiscalização – veja-se o art.1º /nº2 da Lei 62/2007 que exclui do âmbito de aplicação da Lei as enumerações dos arts. 179º e 180º ; ora a Universidade em causa, é uma instituição do Ensino Privado, pelo que não cabe na letra desses mesmos artigos (que se referem ao ensino superior público especial ou a universidades católicas). Quanto à sua autonomia, à luz do art.9º / nº4 do mesmo regime, as instituições do Ensino Privado guiam-se pelo direito privado em tudo o que não for contrário à lei e ao interesse público, bem como o disposto no art.11º/ nº5 – A autonomia das Universidades em nada preclude a tutela ou fiscalização. Olhemos ainda para as atribuições do Estado sobre Universidades Públicas ou Privadas, segundo o art.9º/ i) do Estatuto do Ensino Superior particular e cooperativo, e o art. art.26º/ nº 1 d) do RJIES, nos quais estas e aquelas estão sujeitas a apreciação , tutela e inspecção do Estado. Sendo que foi através do Ministro da Tutela que nos chegou o pedido de Inspecção à Universidade Lusitânia Expresso, á luz do art. 30º /nº1 b) do RJIES , os regulamentos e procedimentos de uma Universidade privada estão sujeitos a apreciação do Ministro da Tutela – pelo que qualquer obstrução (por parte do estabelecimento de ensino) ao exercício da sua função constitui causa de ilícito , conforme o art. 164º / nº2 c) e d) , que pode resultar numa coima no valor de 2000 aos 20000 euros. Relativamente à acção de inspeccionar os estabelecimentos de Ensino, todas as instituições estão sujeitas aos arts. 148º, 149º/nº1 e nº2 e 150º / nº1 , ou seja aos poderes de fiscalização , de defesa de interesse público e tutela do Estado, devendo colaborar com as instâncias e entidades competentes para o efeito. Por último, poder-se-ia ainda aplicar medidas preventivas contra a Universidade em questão desde que ouvidas em audiência prévia- tendo sido ouvida , cabe na letra dos art. 154º/ nº1 e nº2.

Rita Martins