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A Ilusão do Poder

Postado por Revista Impacto em 14 nov, 2011 em Matéria de Capa, O Cristão e a Política | 0 comentários

Por: Charles W. Colson
Charles W. Colson serviu como assistente especial do ex-presidente Richard M. Nixon, entre 1969 e 1973. Em 1974, no julgamento do escândalo político conhecido como Watergate, ele se declarou culpado a várias acusações, e ficou sete meses na prisão. Antes mesmo do seu julgamento, passou por uma profunda experiência de conversão, relatada por ele no seu livro Born Again (Nascido de Novo). Após esta experiência, dedicou sua vida para ministrar a prisioneiros, familiares, e também para vítimas de crimes. É fundador e diretor de Prison Fellowship, que além dos objetivos acima, também luta para melhorar as condições de vida nas prisões, e para reformar o sistema penitenciário. Como alguém que participou do lado de dentro do sistema de poder e influência, e que hoje possui um testemunho cristão reconhecido nestes círculos em vários países, Colson fala com muita autoridade sobre o comportamento do cristão nesta área. A compulsão de nossa cultura pelo poder tem cativado até mesmo muitos crentes bem intencionados – especialmente quando se trata da arena política. John Naisbitt observou no livro Megatrends (Mega Tendências) que movimentos significantes começam de baixo para cima, não de cima para baixo. Transformações culturais realmente importantes começam não a partir de pessoas em cargos de destaque nem de celebridades, mas através de pessoas comuns. Cada pessoa pode – e deve – buscar fazer diferença em seu canto do mundo, ajudando pessoalmente as pessoas em necessidade. Apesar disso, algumas pessoas de fato são chamadas para trabalhar através de estruturas governamentais e meios políticos, para trazer a influência de Cristo à cultura. Essas, entretanto, precisam ser advertidas: o dia-a-dia dos negócios da política é o poder, e poder pode ser perigoso para qualquer um. Perigos do Poder Aprendi sobre os perigos do poder de primeira mão. Pouco tempo depois que me tornei assessor presidencial na Casa Branca, minha maneira brusca de “faça isso a qualquer custo”, ganhou o favor de Richard Nixon, e comecei a trabalhar diretamente com ele. Com esse tipo de influência tive pouca dificuldade em remanejar agentes do serviço secreto e secretárias a fim de ocupar o escritório imediatamente ao lado do escritório do presidente. Ainda que a evidência da minha mudança de status fosse visível na atitude dos meus visitantes quando tomavam conhecimento de que o presidente estava ali, do outro lado da parede, a mudança era símbolo de algo ainda mais importante. Eu sabia que havia ultrapassado uma linha divisória invisível. Estava agora “por dentro”. Em Washington isso significa poder. Entrei no governo pensando que o cargo publico era uma responsabilidade, um dever. Aos poucos, imperceptivelmente, comecei a ver tudo isso como uma cruzada santa; o futuro da república, como eu racionalizava, dependia da continuidade do presidente em seu posto. Mas, quer eu reconhecesse isso ou não, era igualmente importante o fato de que meu próprio poder dependia disso. Mesmo que o poder comece como meio de alcançar um fim, logo se torna um fim em si mesmo. Como testemunha e participante do caso de Watergate, posso corroborar a sabedoria do adágio de Lord Acton: o poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente. É crucial observar, porém, que o poder corrompe, o que não significa que o poder seja corrupto. É como a eletricidade. Quando manejada corretamente, provê energia e luz; quando mal manejada, destrói. Deus deu poder ao Estado para ser usado na repressão do mal e manutenção da ordem. A questão é se o poder é usado para a ordenada função do Estado, ou para ganhos pessoais. O problema do poder não se limita aos cargos públicos, é claro. Afeta a todos os relacionamentos humanos, dos pais dominadores ao chefe intimidante, do cônjuge manipulador ao pastor que brinca de Deus. Isso também é utilizado com eficiência pela pessoa aparentemente fraca que manipula outros para obter seus fins. A tentação de abusar do poder confronta a todos, incluindo pessoas em posição de autoridade espiritual. A bem divulgada corrupção de alguns televangelistas alguns anos atrás pode facilmente ser vista como inabilidade de lidar com o poder. É um empreendimento ousado liderar ministérios de âmbito mundial, shows milionários de televisão ou ricas igrejas que parecem anfiteatros. Líderes que alcançam proeminência no mundo religioso são colocados em precários pedestais de celebridade cristã. Quando essa celebridade é magnificada muitas vezes pelo tubo eletrônico, o perigo de cair aumenta dramaticamente. É ridículo para qualquer cristão crer que ele próprio seja um objeto merecedor de culto público; seria como se o burro, carregando Jesus para Jerusalém, acreditasse que fosse a ele que a multidão aclamasse, e que para ele estendesse as vestes no chão. Mas as vantagens e a adulação do público, que acompanham a exposição da televisão, são suficientes para inflar o ego da maioria das pessoas. Isso leva ao uso auto-indulgente do poder, chamado por alguns de “síndrome de Imelda Marcos”, que dizia: “Porque estou nessa posição, tenho o direito de

conhece seus próprios limites e necessidades e. Tivesse eu ido ao Peru especificamente para o encontro com a liderança chave do governo. Poder é como água salgada. Milton escreveu a respeito de Lúcifer em Paradise Lost (Paraíso Perdido): “Reinar é uma ambição válida ainda que no inferno. Quando a frustração da minha incapacidade parecia maior. dizendo: “… o maior entre vós seja como o menor. talvez por causa do desejo incontido que ele próprio nutre pelo poder. é o saudável entendimento de sua fonte. uma das maiores prisões do mundo. com total egoísmo e desrespeito pelos outro s. Mesmo assim. Esse é o paradoxo do verdadeiro poder. estavam amontoados em situação terrível: ódio. Talvez seja por isto que Deus tão freqüentemente confunda a sabedoria do mundo. dentro da escuridão de Lurigancho. Eles quiseram me ver.44). Esse paradoxo tem sido um espinho na carne dos tiranos. Aprendi isso. Eva foi tentada a comer da árvore do conhecimento do bem e do mal pela “possibilidade” de ser como Deus e adquirir o poder que lhe era re servado. quando aceitou e rendeu-se à sua mais completa impotência. Um rei servindo as necessidades mais mundanas dos seus súditos? Incompreensível. Jesus inverteu totalmente as visões convencionais de poder. o trabalho de Prison Fellowship nas cadeias tem sido produtivo. visitei Lurigancho.10). roupa. uma tarefa reservada para os servos mais humildes na Palestina do primeiro século. mas a pessoa chamada fraca. No processo de anunciar o reino e oferecer redenção da queda. no sentido convencional. O ensino cristão de que o homem é vulnerável às tentações do poder tem levado democracias e nações livres a erguerem restrições e a estabelecerem um princípio de equilíbrio de poder em suas estruturas. Quando os discípulos discutiram entre si sobre quem era o maior. incluindo numerosos terroristas. e aquele que dirige seja como o que serve” (Lc 22. O entendimento cristão é que o poder é encontrado mais freqüentemente na fraqueza. não por causa de minha influência ou poder. em alguns dos impérios religiosos. Solzhenitsyn escreveu que. Em suas memórias do “gulag” (sistema de prisão soviético). jamais serão suficientes –. Após a sua conversão. enquanto tentava manter algum grau de poder sobre sua situação – controle de comida. liderança de servo é o âmago dos ensinos de Cristo. Poder Versus Liderança de Servo A sedução do poder pode separar o mais resoluto dos cristãos da verdadeira natureza da liderança cristã.9. A cultura que exalta o poder e a celebridade. prontos a discutir uma visão bíblica sobre assuntos de justiça e carceragem. então tornou-se livre do poder dos seus captores. realizando seus propósitos através dos não poderosos. Sabiam que Prison Fellowship estava fazendo algo para trazer cura e restauração ao caos de Lurigancho. com mais sede fica. não por causa de nenhum poder que tenhamos como organização. despreza essas palavras como se fossem sem sentido. será servo de todos” (Mc 10. diz o escritor quaker Richard Foster. em 1984. então é que sou forte” (2 Co 12. É difícil permanecer em pé num pedestal e lavar os pés dos que estão embaixo. e fazendo seus mais poderosos trabalhos através da fraqueza humana. Igualmente. quanto mais você bebe. sete mil prisioneiros. depende totalmente de Deus. Durante uma viagem inesquecível ao Peru. tristemente. como meu testemunho de vida e base de ministério. primeiro. descobre-se um poder mais profundo. e concluiu: “Porque quando sou fraco. não foram meus triunfos ou vitórias. O que ele tem usado desde então. Ali. que é servir a outros. “O pecado do jardim foi o pecado do poder”. horário – ele estava constantemente sob o calcanhar dos seus captores. A mais importante restrição ao poder. Mas é isso. Lavou os pés empoeirados dos discípulos. Quando o poder. Poder tem sido um dos instrumentos mais eficazes de Satanás desde o princípio.fazer como quiser”. na prisão. Qualquer autoridade que eu tivesse ao falar para esses homens poderosos não vinha de minha posição. Jesus foi tão bom quanto suas palavras. mas por causa da falta de poder daqueles que servem. Indivíduos fortes confiam em seus próprios recursos – que. pude olhar atrás e ver como Deus usou minha incapacidade para seus propósitos. Após visitar esses irmãos. porém. mas do serviço aos menos poderosos. Imagine o impacto que sua declaração causaria nas salas laterais da política ou nos escritórios atapetados dos grandes negócios – ou. hostilidade e desespero transpiravam das celas. “… quem quiser ser o primeiro entre vós. .26). q ue adora o sucesso. Jesus reprovou-os. há uma próspera comunidade cristã – homens que encontraram a Cristo e experimentaram a renovação de corações e mentes. O apóstolo Paulo escreveu: “O poder se aperfeiçoa na fraqueza…”. descobri que a graça de Deus era mais do que suficiente. e certamente teria sido bloqueado. assim. mas minha derrota. Foi essa mesma tentação do poder que levou ao primeiro pecado. estavam ávidos de ouvir nossas recomendações. fui diretamente da cadeia para um encontro com funcionários do governo. Melhor reinar no inferno do que servir no céu”. falei a esses mais altos funcionários do governo – e eles prestaram a máxima atenção. porém. por exemplo. é desprezado. Depois da minha prisão. Coberto com poeira da prisão e marcado com o abraço suado dos prisioneiros cristãos. Assim. no centro de Lima. mas por causa do nosso trabalho nas prisões. em última instância.

e uma visão exaltada da capacidade humana. assim como outros que atuam em campos especializados. o primeiro teste para que alguém assuma cargo público. não é só presunçoso e teologicamente questionável. É uma idéia simplista e perigosamente triunfalista. Os cristãos podem fazer uma diferença. porém. um promove o “eu”. reformados pela influência cristã. O desafio para os cristãos em posição de influência é seguir o exemplo de Moisés em vez de cumprir a profecia do filósofo alemão. não como um direito para controlar os outros. mas para preservar o plano de Deus de ordem e justiça para todos. será também um governante sábio e justo. Quantos incrédulos pensam do político ativista cristão primeiro como servo dos fracos e dos sem poder? Nada distingue mais os reinos do homem do reino de Deus. tementes a Deus” para ajudar a governar a . O mal direcionado entusiasmo de hoje pela solução política dos problemas morais de nossa cultura nasce de uma visão distorcida tanto da política quanto do cristianismo – uma visão muito baixa do poder do Deus soberano. Ainda que tivesse enorme poder e responsabilidade como líder de 2 milhões de israelitas. Aqueles que atentam à visão bíblica de liderança de serviço tratam o poder como uma humilde delegação de Deus. o cristão pode exercê-lo em boa consciência. foi descrito nas Escrituras como “… mui manso. é também mentiroso. o reino que construímos pode terminar sendo o nosso próprio. Políticos. Não conheço sequer um caso onde um avivamento espiritual foi alcançado pela promulgação de leis. Mesmo na teocracia de Israel. Fazendo isso. Ainda assim. Sugerir que a eleição de cristãos para cargos públicos seja a solução para todas as doenças públicas. A celebrada alegação de que “a habilidade de ouvir de Deus deve ser a qualificação número um para ocupar a presidência do país” é perigosamente mal orientada. mas pelo prestígio e pela posição de uma causa muito valiosa – o avanço do próprio reino de Deus. Jetro aconselhou Moisés a selecionar “homens capazes. o líder do século XIX que forjou a Alemanha unificada a partir de um aglomerado de estados menores. Ademais. mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12. a História demonstra a falácia da idéia de que. só porque alguém é devoto. Bismarck foi também um inescrupuloso arquiteto do Deutschland Uber Alles (Alemanha acima de tudo). um busca prestígio e posição. o cidadão do reino de Cristo tem a oportunidade de oferecer luz a um mundo amortalhado pelas pretensões tenebrosas de uma devastadora sucessão de poderosos e maus tiranos. Esta é uma distinção justa: Profetas devem fazer alegações religiosas.3). uma cosmovisão chauvinista que fundamentou duas guerras mundiais. Essa é a razão pela qual um eminente historiador conservador sugeriu que “alegações religiosas na política devem variar inversamente em relação ao poder ou possibilidade de poder que alguém tenha”. Otto von Bismarck-Schönhausen foi um cristão comprometido com sua fé. A Solução Simplista e Triunfalista Após descrever a ilusão do poder prometido por este mundo. cometidas em nome de Deus. Em recentes anos. Ignora também a lição consistente da História que mostra que as leis são mais freqüentemente mudadas como resultado de poderosos movimentos espirituais (não vice versa). Mesmo assim. A idéia de que os sistemas humanos. destrona o “eu”. Tome. especialmente nas instituições governamentais às quais Deus assegura o poder da espada. Friedrich Nietzsche. se procurarmos este avanço junto com as linhas de poder seguidas pelos reinos deste mundo. pedindo perdão pela rebelião do povo e cuidando das necessidades do povo antes das suas próprias. Os historiadores descrevem Bismarck como um mestre maquiavélico da duplicidade política. poder pode ser tão corruptor – ou confuso – para os cristãos como para os não cristãos. Assim. devem ser selecionados com base em suas qualificações e habilidades assim como pelo seu caráter. Qual é essa aproximação mais direta? Simplesmente eleger cristãos para cargos públicos. Como já dissemos. Algumas vezes não é nem para o nosso uso pessoal que buscamos poder. servir pessoas. então. E os resultados algumas vezes são mais terríveis quando o poder corrompe aqueles que crêem possuir um mandato divino. não deve ser o espiritual. por exemplo. para o avivamento – tem a mesma aura de utopia encontrada na literatura de Marx. Em posição de liderança. especializado em sangue e ferro. o outro eleva o pobre e desprezado. Suas injustiças são. Ele era guiado pelo ministério – intercedendo diante de Deus em favor do seu povo. Um visa o controle das pessoas. pelo menos. Mas o cristão usa o poder com um motivo diferente e de maneiras diferentes: não para impor sua pessoa sobre outras. Nada disso significa que o cristão não possa usar o poder. Políticos não devem – doutra forma se tornariam aiatolás.Ativistas cristãos que fazem lobby para diversas causas evangélicas correm o risco de algumas vezes violar princípios buscando o poder segundo a forma convencional. isto é. Moisés oferece um grande modelo. o outro. do que suas visões diametralmente opostas sobre o exercício do poder. falava abertamente de sua devoção por Deus. do mundo. e alegava a direção divina em resposta a orações. os cristãos têm insistido numa aproximação mais direta para provocar mudanças sociais. o outro. que lia regularmente a Bíblia. pavimentam o caminho para o Reino – ou. em relação ao “desejo de poder” que ele previu como a força motivadora da vida no século XX. é importante que façamos mais uma aplicação à obsessão contemporânea que alguns evangélicos parecem compartilhar com os corredores de poder dos governos seculares.

mas por aqueles a quem servem. Cidadãos cristãos devem ser ativos na fé. Como cidadãos. eles devem falar livremente de sua fé e testemunhá-la através dos valores cristãos em suas vidas. não devem se lançar na política despreocupadamente. os empresários. Outra vez. Esse. Na maioria dos países democráticos. Editora Cultura Cristã. Os cristãos. lutando por justiça. Miquéias. O conselho de Jetro faz sentido. . Só uma igreja livre de dominação externa pode ser a consciência da sociedade. Isto não significa que devam comprometer sua fé ou sua fidelidade a Deus. O primeiro é o da igreja tornar-se apenas mais um grupo de interesse especial. portanto. Existem armadilhas. mas perderão suas vozes. “Se eu falar contra esta política”. de alinhar seus alvos espirituais com sua agenda política. perante Deus. Por outro lado. quem discorda da sua preferência política não pode nem ser incluído entre as “pessoas de fé” . Seu dever é assegurar justiça e liberdade de religião e imparcialidade para todos os cidadãos de todas as crenças. foi passo por passo através de uma seqüência de enganos mais sutis. Daniel e muitos outros. Este não é nosso papel. Extraído e adaptado do livro Religião de Poder. e o cristão precisa influenciar as políticas da eqüidade e da justiça. mas pela força de suas idéias. porém. onde grande parte das igrejas chegou a alinhar-se com o governo. cientes das ciladas. Os cristãos se encontrarão lado a lado com os não cristãos. A terceira e talvez mais perigosa armadilha é o erro. este é um direito constitucional fundamental. algumas igrejas e líderes têm aberto mão de sua independência. estamos a apenas um passo de situações como a da Alemanha nazista. porém. Isto está dentro da melhor tradição bíblica de Jeremias. por “cristianizar” sua cultura – não pela força ou pela espada. Os cristãos (como aliás os outros também). precisam ficar de olhos abertos. Perigos da Politização Veja a seguir três dos mais perigosos abismos à espera dos incautos. Poderão também (conforme eu mesmo já experimentei) encontrar-se sob a suspeita até das mesmas pessoas ao lado das quais lutaram. Se terroristas tomassem o controle de um aeroporto. O efeito colateral desta ilusão é que. nós iríamos querer que só cristãos devotos tomassem conta da situação. os aposentados. que Deus colocou nas mãos do governo para preservar a ordem e manter a justiça. S. os resultados serão opostos. Os cristãos eleitos para cargos públicos. para não perder o acesso à influência política. Mas este absurdo não aconteceu de uma vez. é o preço que têm de pagar para preservar sua independência e não estar preso a nenhum alinhamento político. “não serei convidado para o jantar e minhas possibilidades de testemunhar serão podadas”. recebem um conjunto diferente de responsabilidades. eles conservarão seus lugares. Por essa razão não podem usar o cargo para evangelicamente “cristianizar” a cultura. ou escolheríamos pessoas especialmente treinadas em negociação de reféns? Lutero estava certo quando disse que preferia ser governado por um turco competente do que por um cristão incompetente. para cobrar do governo a responsabilidade moral. Aí é onde a ação política está. Para muitos. arrazoam. não estou defendendo que líderes ou grupos religiosos devam boicotar os palácios e parlamentos do mundo. usar seus cargos para favorecer a posição do cristianismo ou da igreja . tanto de liberais quanto de conservadores. Quando a religião se torna instrumento da ideologia política. e da mesma forma qualquer possibilidade de exigir responsabilidade do governo. Ainda que este raciocínio seja compreensível. C. mas busca a justiça para todos como questão de princípio público”. O segundo é superestimar nossa importância por causa do cortejo por parte de forças políticas. esforçando-se através do seu testemunho. de viver de acordo com o que diz.nação judaica (Êx 18. porém. os cristãos estão livres para advogar seus pontos de vista cristãos em toda e qualquer forma. Lewis escreveu que “o demônio que existe em cada partido (político ou eclesiástico) está sempre pronto a disfarçar-se como o Espírito Santo”. Um escritor cristão o resumiu muito bem: “O „estado cristão‟ é aquele que não oferece nenhum privilégio público ao cidadão cristão. O Cristão Como Cidadão Versus Homem Público A estrutura mental triunfalista também não consegue fazer distinção entre a função do cristão como cidadão e sua função como homem público. Amós. Os evangélicos são vistos como os sindicatos. Não podem. eles agem não por si mesmos. ou outro grupo qualquer. Agora eles possuem o poder da espada. nada do que dissemos significa que os cristãos devam permanecer alheios aos desafios da política. contudo. Agora. pensando que poderão drenar o brejo. que precisam ser identificadas e evitadas.21).