Arte Poética - Aristóteles

CAPÍTULO I Da poesia e da imitação segundo os meios, o objeto e o modo de imitação
Nosso propósito é abordar a produção poética em si mesma e em seus diversos gêneros, dizer qual a função de cada um deles, e como se deve construir a fábula visando a conquista do belo poético; qual o número e natureza de suas (da fábula) diversas partes, e também abordar os demais assuntos relativos a esta produção. Seguindo a ordem natural, começaremos pelos pontos mais importantes.

2. A epopéia e a poesia trágica, assim como a comédia, a poesia ditirâmbica, a maior parte da aulética e da citarística, consideradas em geral, todas se enquadram nas artes de imitação.

3. Contudo há entre estes gêneros três diferenças: seus meios não são os mesmos, nem os objetos que imitam, nem a maneira de os imitar.

4. Assim como alguns fazem imitações em modelo de cores e atitudes —uns com arte, outros levados pela rotina, outros com a voz –, assim também, nas artes acima indicadas, a imitação é produzida por meio do ritmo, da linguagem e da harmonia, empregados separadamente ou em conjunto.

5. Apenas a aulética e a citarística utilizam a harmonia e o ritmo, mas também o fazem algumas artes análogas em seu modo de expressão; por exemplo, o uso da flauta de Pã.

6. A imitação pela dança, sem o concurso da harmonia, tem base no ritmo; com efeito, é por atitudes rítmicas que o dançarino exprime os caracteres, as paixões, as ações.

7. A epopéia serve-se da palavra simples e nua dos versos, quer mesclando metros diferentes, quer atendo-se a um só tipo, como tem feito até ao presente.

8. Carecemos de uma denominação comum para classificar em conjunto os mimos de Sófron (1) e de Xenarco, (2)

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9. as imitações em trímetros, em versos elegíacos ou noutras espécies vizinhas de metro.

10. Sem estabelecer relação entre gênero de composição e metro empregado, não é possível chamar os autores de elegíacos, ou de épicos; para lhes atribuir o nome de poetas, neste caso temos de considerar não o assunto tratado, mas indistintamente o metro de que se servem.

11. Não se chama de poeta alguém que expôs em verso um assunto de medicina ou de física! Entretanto nada de comum existe entre Homero e Empédocles,(3) salvo a presença do verso. Mais acertado é chamar poeta ao primeiro e, ao segundo, fisiólogo.

12. De igual modo, se acontece que um autor, empregando todos os metros, produz uma obra de imitação, como fez Querémon(4) no Centauro, rapsódia em que entram todos os metros, convém que se lhe atribua o nome de poeta. É assim que se devem estabelecer as definições nestas matérias.

13. Há gêneros que utilizam todos os meios de expressão acima indicados, isto é, ritmo, canto, metro; assim procedem os autores de ditirambos(5), de nomos(6), de tragédias, de comédias; a diferença entre eles consiste no emprego destes meios em conjunto ou em separado.

14. Tais são as diferenças entre as artes que se propõem a imitação.

CAPÍTULO II Diferentes espécies de poesia segundo os objetos imitados
Como a imitação se aplica aos atos das personagens e estas não podem ser senão boas ou ruins (pois os caracteres dispõem-se quase nestas duas categorias apenas, diferindo só pela prática do vício ou da virtude), daí resulta que as personagens são representadas melhores, piores ou iguais a todos nós.

2. Assim fazem os poetas: Polignoto(7) pintava tipos melhores; Páuson(8), piores; e Dionísio(9), iguais a

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nós.

3. É evidente que cada uma das imitações de que falamos apresentará estas mesmas diferenças, e também alguns aspectos exclusivos delas, porém inseridos na classificação exposta.

4. Assim na dança, na aulética, na citarística, é possível encontrar estas diferenças;

5. e também nas obras em prosa, nos versos não cantados. Por exemplo, Homero pinta o homem melhor do que é; Cleofonte(10), tal qual é; Hegémon de Tasso(11), o primeiro autor de paródias, e Nicócares(12), em sua Delíade, o pintam pior.

6. O caráter da imitação também existe no ditirambo e nos nomos, havendo neles a mesma variedade possível, como em Os persas e Os ciclopes de Timóteo(13) e Filóxeno.(14)

7. É também essa diferença o que distingue a tragédia da comédia: uma se propõe imitar os homens, representando-os piores; a outra os torna melhores do que são na realidade.

CAPÍTULO III Diferentes espécies de poesia segundo a maneira de imitar
Existe uma terceira diferença em relação à maneira de imitar cada um dos modelos.

2. Com efeito, é possível imitar os mesmos objetos nas mesmas situações e numa simples narrativa, seja pela introdução de um terceiro personagem, como faz Homero, seja insinuando-se a própria pessoa sem que intervenha outro personagem, ou ainda apresentando a imitação com a ajuda de personagens que vemos agirem e executarem as ações elas próprias.

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3. A imitação é realizada segundo esses três aspectos, como dissemos no princípio, a saber: os meios, os objetos, a maneira.

4. Sófocles(15), por um lado, imita à maneira de Homero, pois ambos representam homens melhores; entretanto ele também imita à maneira de Aristófanes,(16) visto ambos apresentarem a imitação usando personagens que agem perante os espectadores.. Daí que alguns chamem a essas obras dramas, porque fazem aparecer e agir as próprias personagens.

5. Disto procede igualmente que os dórios atribuem a si a invenção da tragédia e da comédia; e os megarenses também se arrogam a invenção da comédia, como fruto de seu regime democrático; e além desses, também os sicilianos se acham inventores da comédia, por serem compatriotas do poeta Epicarmo(17), que viveu muito antes de Crônidas(18) e de Magnete(19). A criação da comédia é também reclamada pelos peloponésios, que invocam os nomes usados para denominá-la com palavras de seu dialeto, para argumentar ser esta a razão por que a comédia é invenção deles.

6. Pretendem que entre eles a aldeia se chama cvma, enquanto os atenienses a denominam dhmoz , donde resulta que os comediantes derivam o nome da comédia, não do verbo cwmazeiu (celebrar uma festa com danças e cantos), mas de outro fato: por serem desprezados na cidade, eles andam de aldeia em aldeia. Quanto ao verbo agir, que entre eles se diz drau, os atenienses exprimem-no por pratteiu.

7. É bastante o dito, sobre as diferenças da imitação, quanto a seu número e natureza.

Capítulo IV Origem da poesia. Seus diferentes gêneros.
Parece haver duas causas, e ambas devidas à nossa natureza, que deram origem à poesia.

2. A tendência para a imitação é instintiva no homem, desde a infância. Neste ponto distinguem-se os humanos de todos os outros seres vivos: por sua aptidão muito desenvolvida para a imitação. Pela imitação adquirimos nossos primeiros conhecimentos, e nela todos experimentamos prazer.
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3. A prova é-nos visivelmente fornecida pelos fatos: objetos reais que não conseguimos olhar sem custo, contemplamo-los com satisfação em suas representações mais exatas. Tal é, por exemplo, o caso dos mais repugnantes animais e dos cadáveres.

4. A causa é que a aquisição de um conhecimento arrebata não só o filósofo, mas todos os seres humanos, mesmo que não saboreiem tal satisfação durante muito tempo.

5. Os seres humanos sentem prazer em olhar para as imagens que reproduzem objetos. A contemplação delas os instrui, e os induz a discorrer sobre cada uma, ou a discernir nas imagens as pessoas deste ou daquele sujeito conhecido.

6. Se acontece alguém não ter visto ainda o original, não é a imitação que produz o prazer, mas a perfeita execução, ou o colorido, ou alguma outra causa do mesmo gênero.

7. Como nos é natural a tendência à imitação, bem como o gosto da harmonia e do ritmo (pois é evidente que os metros são parte do ritmo), nas primeiras idades os homens mais aptos por natureza para estes exercícios foram aos poucos criando a poesia, por meio de ensaios improvisados.

8. O gênero poético se dividiu em diferentes espécies, consoante o caráter moral de cada sujeito imitador. Os espíritos mais propensos à gravidade reproduziram as belas ações e seus realizadores; os espíritos de menor valor voltaram-se para as pessoas ordinárias a fim de as censurar, do mesmo modo que os primeiros compunham hinos de elogio em louvor de seus heróis.

9. Dos predecessores de Homero, não podemos citar nenhum poema do gênero cômico, se bem que deve ter havido muitos.

10. Possuímos, feito por Homero, o Margites(20) e obras análogas deste autor, nas quais o metro iâmbico [ U — ] é o utilizado para tratar esta espécie de assuntos. Por tal razão, até hoje a comédia é chamada de iambo, visto os autores servirem-se deste metro para se insultarem uns aos outros (icmbize iu).

11. Houve portanto, entre os antigos, poetas heróicos e poetas satíricos.

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revestiu-se de gravidade e substituiu o metro tetrâmetro (trocaico) pelo trimetro iâmbico. em detrimento do coro (22) . a tragédia (como. Prova isto o fato de ser este metro freqüente na linguagem usual dos diálogos. assim como a Ilíada e a Odisséia são do gênero trágico. de todas as medidas. dando origem à cenografia. foi também ele o primeiro a traçar as linhas mestras da comédia. pelo desenvolvimento progressivo de tudo que nela se manifestava. em conseqüência. a comédia. empregava-se o tetrâmetro trocaico como o modelo mais adequado ao drama satírico e às danças que o acompanhavam. 15. outros da epopéia à representação das tragédias. Em seus primórdios ligada à improvisação. os poetas. cujo hábito ainda persiste em muitas cidades). perdeu uma parte da sua importância. a tragédia. voltaram-se para uma ou para outra destas formas. já que. uns passaram do iambo à comédia.htm (6 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . Sófocles introduziu um terceiro ator. Com efeito. Quando surgiram a tragédia e a comédia. Verificar se a tragédia esgotou já todas as suas formas possíveis. quando se organizou o diálogo. aliás. e criou-se o protagonista. a do iambo é a que melhor convém ao diálogo. ao passo que o emprego do hexâmetro é raro e ultrapassa o tom habitual do diálogo. De transformação em transformação. Com referência ao número de atores: Ésquilo foi o primeiro que o elevou de um a dois. o qual. este encontrou naturalmente seu metro próprio. 17. já é outra questão.Aristóteles 12. o gênero acabou por ganhar uma forma natural e fixa. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. evoluiu naturalmente. 18. em função de seus temperamentos individuais. mais tarde. aquela procedendo dos autores de ditirambos. não só porque atingiu o belo. quer a apreciemos em si mesma ou em relação ao espetáculo. Tendo como ponto de partida as fábulas curtas. 19. mas também porque suas imitações pertencem ao gênero dramático). esta dos cantos fálicos(21). porque estes dois gêneros ultrapassavam os anteriores em importância e consideração. Até então.Arte Poética . 20. 16. dizíamos. 13. o Margites apresenta analogias com o gênero cômico. de elocução ainda grotesca. Do mesmo modo que Homero foi sobretudo cantor de assuntos sérios (ele é único. a tragédia evoluiu até suprimir de seu interior o drama satírico. distribuindo sob forma dramática tanto a censura como o ridículo. 14.

Tal é.htm (7 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . Acrescentaram-se depois episódios e outros pormenores. o caso da máscara cômica feia e disforme. Os autores das primeiras intrigas cômicas foram Epicarmo (23) e Fórmis (24). do maior número dos atores e de outros pormenores análogos. basta o que já foi dito. dos quais se diz terem sido embelezamentos. dos prólogos.Arte Poética . Em Atenas. Bem tardiamente o arconte lhe atribuiu um coro. Ignora-se quem teve a idéia das máscaras. Só mesmo quando a comédia assumiu certas formas. ela só imita aquela parte do ignominioso que é o ridículo. Mas sobre estas questões. a comédia se originou na Sicília. por exemplo. 2. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. renunciando às invectivas em forma iâmbica. até então composto por voluntários.Aristóteles 21. mas não de todos os vícios. Sobre a comédia. O ridículo reside num defeito ou numa tara que não apresenta caráter doloroso ou corruptor. 6. nada sabemos. CAPÍTULO V Da comédia. como já dissemos. Assim. começou a compor fábulas sobre assuntos gerais. os poetas que se dizem seus autores começaram a ser citados. imitação de maus costumes. 5. 22. que em seus inícios foi menos estimada. nem os autores destas mudanças. 4. Comparação entre a tragédia e a epopéia A comédia é. 3. que não é causa de sofrimento. pois seria enfadonho insistir em cada ponto. Não ignoramos nenhuma das transformações da tragédia. foi Crates (25) o primeiro que.

Suscitando a compaixão e o terror. em não exceder o tempo de uma revolução solar. de certa extensão. formulemos a definição de sua essência própria. Por isso. A epopéia não é tão limitada em sua duração. 10. Nisto a epopéia difere da tragédia. 11. Quanto às partes constitutivas. Falaremos mais tarde da imitação por meio do verso hexâmetro e da comédia. 8.htm (8 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . a tragédia tem por efeito obter a purgação dessas emoções. na tragédia. do mesmo modo que as epopéias. 12. outras são próprias desta última. quem numa tragédia souber discernir o bom e o mau. ou pouco mais. a ação é apresentada. na medida do possível. umas são comuns à epopéia e à tragédia. em função do que deixamos dito. Se bem que. Todos os caracteres que a epopéia apresenta encontram-se na tragédia também. A tragédia é a imitação de uma ação importante e completa. E também nas dimensões. não conhecesse limites de tempo. por seu estilo corre a par com a tragédia na imitação dos assuntos sérios. A tragédia empenha-se. no princípio. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. 2. mas por atores.Arte Poética . Quanto à epopéia. sabê-lo-á também na epopéia. deve ser composta num estilo tornado agradável pelo emprego separado de cada uma de suas formas. a tragédia. e esta é outra diferença. mas sem empregar um só metro simples ou forma negativa. CAPÍTULO VI Da tragédia e de suas diferentes partes Falemos da tragédia e. não com a ajuda de uma narrativa.Aristóteles 7. 9.

sendo o fim que se pretende alcançar o resultado de uma certa maneira de agir.htm (9 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . não de homens. 8. pois a tragédia é imitação. Por elocução entendo a composição métrica. mas de ações. e por melopéia (26) (canto) a força expressiva musical. Como a imitação se aplica a uma ação e a ação supõe personagens que agem. segundo as quais podemos classificá-la: a fábula. e é tudo. há também o da música e. e. daí resulta. desde que bem ouvida por todos. três. enfim. uma.Daí resulta que a tragédia se compõe de seis partes. Duas partes são consagradas aos meios de imitar. 7. chamo fábula a combinação dos atos. diálogo. música e pensamento. e não de uma forma de ser. Entendo por "um estilo tornado agradável" o que reúne ritmo. 9. A parte mais importante é a da organização dos fatos. da vida. naturalmente. é de todo modo necessário que estas personagens existam pelo caráter e pelo pensamento (pois é segundo estas diferenças de caráter e de pensamento que falamos da natureza dos seus atos). caracteres. com efeito. o pensamento é tudo o que nas palavras pronunciadas expõe o que quer que seja ou exprime uma sentença. a própria elocução. Os file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. harmonia e canto. 12. de acordo com estas condições. 4. Por estes meios se obtém a imitação. a elocução. da felicidade e da infelicidade (pois a infelicidade resulta também da atividade). o pensamento. serem duas as causas que decidem dos atos: o pensamento e o caráter. à maneira de imitar. os caracteres. chamo caráter (ou costumes) o que nos permite qualificar as personagens que agem. Muitos são os poetas trágicos que se obrigaram a seguir estas formas. A imitação de uma ação é o mito (fábula). 10. 5. 6. aos objetos da imitação. umas manifestadas só pelo metro. e outras pelo canto. 11. toda peça comporta encenação.Aristóteles 3. Como é pela ação que as personagens produzem a imitação. enfim. o fim é alcançado ou malogra-se. daí resulta necessariamente que uma parte da tragédia consiste no belo espetáculo oferecido aos olhos.Arte Poética . o espetáculo apresentado e o canto (melopéia). fábula. além deste. Entendo por "separação das formas" o fato de estas partes serem.

pelos atos. por exemplo. 16. por mais sedutoras que sejam. 19. O elemento básico da tragédia é sua própria alma: a fábula. 17. Muito melhor seria a tragédia que. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. na imitação de uma ação e é sobretudo por meio da ação que ela imita as personagens em movimento. mas é da ação que depende sua infelicidade ou felicidade. 21. A tragédia consiste. se. mas poderá haver tragédia sem os caracteres. contivesse no entanto uma fábula e um conjunto de fatos bem ligados. 20. mas. ao contrário. Polignoto é mestre na pintura dos caracteres.Arte Poética . Daí resulta serem os atos e a fábula a finalidade da tragédia. embora pobre naqueles aspectos. nem por isso realizará a obra que é própria da tragédia. O mesmo sucede com os pintores. e só depois vem a pintura dos caracteres. Algo de semelhante se verifica na pintura: se o artista espalha as cores ao acaso. compararmos Zêuxis(27) com Polignoto. o que mais influi nos ânimos são os elementos da fábula. ora. 13. 15. A ação. os caracteres são representados. mesmo com sumo cuidado na orientação do estilo e do pensamento. não de destina a imitar os caracteres. 18.htm (10 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . pois. Se um autor alinhar uma série de reflexões morais. Sem ação não há tragédia. o que mais importa. que consistem nas peripécias e nos reconhecimentos. Esta era a grande dificuldade para todos os poetas antigos. pois. Outra ilustração do que afirmamos é ainda o fato de todos os autores que empreendem esta espécie de composição.Aristóteles caracteres permitem qualificar o homem. a pintura de Zêuxis não se interessa pelo lado moral. Além disso. na tragédia. Com efeito. elas não provocam prazer igual àquele que advém de uma imagem com os contornos bem definidos. em tudo. obterem facilmente melhores resultados no domínio do estilo e dos caracteres do que na ordenação das ações. na maior parte dos autores atuais faltam os caracteres e de um modo geral são muitos os poetas que estão neste caso. 14. a finalidade é.

enquanto estes não revelam a decisão adotada ou rejeitada. mas ela em si não pertence à arte da representação. em quarto lugar. Sem dúvida a encenação tem efeito sobre os ânimos. 23. é essa a missão da retórica. os quais possuem o mesmo poder de expressão. 28. 2. a arte do cenógrafo tem mais importância que a do poeta. a elocução consiste na escolha dos termos. Em terceiro lugar vem o pensamento. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. Com relação ao valor atribuído à encenação vista em separado. Como dissemos acima. CAPÍTULO VII Da extensão da ação Após estas definições. Temos. 27. isto é.Aristóteles 22. consiste em provar que uma coisa existe ou não existe ou em fazer uma declaração de ordem geral. tanto em prosa como em verso. 26. Mas os antigos poetas apresentavam-nos personagens que se exprimiam como cidadãos de um Estado. A quinta parte compreende o canto: é o principal condimento (do espetáculo). Assentamos ser a tragédia a imitação de uma ação completa formando um todo que possui certa extensão. ao passo que os de agora os fazem falar como retores. independentemente da representação e dos atores. Com relação ao pensamento. O caráter é o que permite decidir após a reflexão: eis o motivo por que o caráter não aparece em absoluto nos discursos dos personagens.htm (11 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . 25. e a tarefa dos políticos. 24. diremos agora qual deve ser a tessitura dos fatos. já que este ponto é a parte primeira e capital da tragédia. a elocução. a arte de encontrar o modo de exprimir o conteúdo do assunto de maneira conveniente. e nada tem a ver com a poesia. A tragédia existe por si. na eloqüência. pois um todo pode existir sem ser dotado de extensão.Arte Poética .

5. Se houvesse que levar à cena cem tragédias. em um ser vivente ou num objeto composto de partes. este ponto não depende da arte. deve apresentar certa grandeza que torne possível abarcá-lo com o olhar. um ser vivente não pode ser belo. O limite. 4. como o dos animais. 10. quando dura apenas um momento quase imperceptível). segundo se diz. do mesmo modo as fábulas devem apresentar uma extensão tal que a memória possa também facilmente retê-las. A dimensão desta extensão é fixada pela duração das representações nos concursos e pelo grau de atenção de que o espectador é suscetível.Aristóteles 3. o tempo da representação teria de ser medido pela clepsidra. O meio é o que vem depois de uma coisa e é seguido de outra. nem se for desmedidamente grande (neste caso o olhar não abrange a totalidade. Ora. 8. mas depois dele nada mais ocorre. deve não só apresentar ordem em suas partes como também comportar certas dimensões. Além disso. como antigamente se fazia e ainda é feito em outros lugares. quer segundo o curso ordinário. o belo tem por condições uma certa grandeza e a ordem. 11. mas que sejam estabelecidas segundo as condições indicadas. Com efeito. Todo é o que tem princípio. Daí se infere que o corpo humano. 7. se for excessivamente pequeno (pois a visão é confusa. Portanto. a unidade e o conjunto escapam à vista do espectador. 12.htm (12 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . quer necessariamente. O princípio não vem depois de coisa alguma necessariamente. Por este motivo. o belo. é aquilo após o qual é natural haver ou produzir-se outra coisa. 9. é preciso que não comecem nem acabem ao acaso. O fim é o contrário: produz-se depois de outra coisa. para que as fábulas sejam bem compostas. 6. com relação à própria natureza do assunto. como seria o caso de um animal que tivesse de comprimento dez mil estádios). meio e fim. para ser julgado belo.Arte Poética . é o seguinte: quanto mais abrangente for uma file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica.

a ferida que recebeu no Parnaso ou a loucura que simulou no momento da reunião do exército(29). 2.Arte Poética . CAPÍTULO VIII Unidade de ação O que dá unidade à fábula não é. sem que o assunto fique sensivelmente modificado.Aristóteles fábula. o outro houvesse de ocorrer. quer por efeito da arte. não criam a unidade. apenas a presença de uma personagem principal. 3. 4. a unidade da imitação resulte da unidade do objeto. pois.htm (13 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . na fábula. Para estabelecer uma regra geral. não constituem parte integrante do todo. pelo fato de serem realizadas por um só agente. torne em infortúnio a felicidade da personagem principal ou inversamente a faça transitar do infortúnio para a felicidade. Importa pois que. tanto mais agradável será. quer por engenho natural. no decurso de uma existência produzem-se em quantidade infinita muitos acontecimentos. como dissemos. para conferir unidade à fábula. parece ter enxergado bem este ponto. eis o que podemos dizer: a peça extensa o suficiente é aquela que. por imaginarem bastar a presença de um só herói. Homero agrupou os elementos da Odisséia e fez outro tanto com a Ilíada. Também muitas ações. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. que é imitação de uma ação. que nisto como em tudo é o que mais se salienta. da Teseida(28) e de poemas análogos. pelo fato de um evento ter ocorrido. convém que a imitação seja una e total e que as partes estejam de tal modo entrosadas que baste a supressão ou o deslocamento de uma só. como pensam alguns. Pelo que. não era necessário. ao compor a Odisséia. desde que não perca em clareza. como Heracles. por exemplo. Daí parece que laboram no erro todos os autores da Heracleida. no decorrer dos acontecimentos produzidos de acordo com a verossimilhança e a necessidade. nem sequer verossímil que. para que o conjunto fique modificado ou confundido. Em torno de uma ação única. Mas Homero. não deu acolhida nela a todos os acontecimentos da vida de Ulisses. como. que não constituem uma unidade. como nas demais artes miméticas. pois os fatos que livremente podemos ajuntar ou não.

Seria ridículo proceder desse modo. apresentando nela atos verossímeis. no qual fatos e personagens são inventados. e não procedem como os poetas iâmbicos que se referem a personalidades existentes. e os demais são forjados. se a obra de Heródoto (30) fora composta em verso. uma vez que tais assuntos só são conhecidos por poucos. inspiram confiança. os poetas podem recorrer a nomes de personagens que existiram. e apesar disso não deixa de agradar. 5. Outra não é a finalidade da poesia. em certas peças todos são fictícios. os autores. não discutimos a possibilidade dos mesmos. Quanto à comédia. donde foram extraídas as nossas tragédias. como no Anteu de Agatão(32).htm (14 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . depois de terem composto a fábula. nas tragédias um ou dois dos nomes são de personagens conhecidas. segundo o verossímil ou o necessário. Portanto não há obrigação de seguir à risca as fábulas tradicionais. e por trabalharem com o possível. embora dê nomes particulares aos indivíduos. segundo a verossimilhança ou a necessidade. não acreditamos imediatamente que seja possível. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido. é evidente que não compete ao poeta narrar exatamente o que aconteceu. dando-lhes nomes fantasiados. O que não aconteceu.Aristóteles CAPÍTULO IX Pelo que atrás fica dito. o particular é o que Alcibíades(31) fez ou o que lhe aconteceu. Na tragédia. 8.Arte Poética . figurando ou não o metro nela). o possível. O universal é o que tal categoria de homens diz ou faz em determinadas circunstâncias. mas sim o que poderia ter acontecido. 2. Por tal motivo a poesia é mais filosófica e de caráter mais elevado que a história. e mesmo assim causam prazer a todos. quanto aos fatos representados. Diferem entre si. porque a poesia permanece no universal e a história estuda apenas o particular. Não obstante. O historiador e o poeta não se distinguem um do outro. se tivessem sido impossíveis. 7. pois. não se teriam produzido. nem por isso deixaria de ser obra de história. 3. pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso (pois. atribuem-nos a personagens. 4. 6.

porque os fatos passados podem ter sido forjados pelo poeta. como. outras complexas. que em sua queda esmagou um espectador. estendem a fábula para além do que ela pode dar. e porque imita as ações. 11. De acordo com isto. por imperícia. e muitas vezes procedem assim em detrimento da seqüência dos fatos. em Argos. (e mais ainda) quando os fatos se encadeiam contra nossa experiência. Embora lhe aconteça apresentar fatos passados. Entre as fábulas e as ações simples. aparecendo como verossímeis ou possíveis. mas também de imitar fatos capazes de suscitar o terror e a compaixão. as episódicas não são as melhores.. nem por isso deixa de ser poeta. não só de imitar uma ação em seu conjunto. 14. por serem assim as ações que as fábulas imitam. entendo por fábula episódica aquela em que a conexão dos episódios não é conforme nem à verossimilhança nem à necessidade. Como se trata. visto que ele é poeta pela imitação. por exemplo. que outro não era senão o culpado pela morte de Mítis). por darem ouvido aos atores. as circunstâncias provenientes da fortuna nos parecem tanto mais maravilhosas quanto mais nos dão a sensação de terem acontecido de propósito. 13. a estátua de Mítis.. 2. umas são simples..Aristóteles 9. Tais composições são devidas a maus poetas. e a bons poetas. conforme definimos. permanece uno e contínuo e file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. pois desse modo provocam maior admiração do que sendo devidos ao acaso e à fortuna (com efeito. 12. daí resulta necessariamente tais fábulas serem mais belas. Como destinam suas peças a concursos. é manifesto que a missão do poeta consiste mais em fabricar fábulas do que fazer versos. Chamo ação simples aquela cujo desenvolvimento.Arte Poética . e estas emoções nascem principalmente. 15. CAPÍTULO X Das fábulas. 10.htm (15 of 53) [3/9/2001 15:05:20] .

htm (16 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . reconhecimentos. 5. O reconhecimento. dos fatos anteriores. nem de reconhecimento. CAPÍTULO XI Elementos da ação complexa: peripécias. faz passar da ignorância ao conhecimento. acontecimento patético ou catástrofe A peripécia é a mudança da ação no sentido contrário ao que parecia indicado e sempre. Estes meios devem estar ligados à própria tessitura da fábula. no Linceu(34). 4. mas a seqüência dos acontecimentos tem como resultado a morte do segundo e a salvação do primeiro. como dissemos. de maneira que pareçam resultar. 3. 3. 2. 4. em conformidade com o verossímil e o necessário.Aristóteles na qual a mudança não resulta nem de peripécia. mas produz efeito contrário quando se dá a conhecer.Arte Poética . como o nome indica. Assim. trazem Linceu a fim de ser levado à morte e Dânao acompanha-o para matá-lo. O mais belo dos reconhecimentos é o que sobrevém no decurso de uma peripécia. pois é grande a diferença entre os acontecimentos sobrevindos por causa de outros e os que simplesmente aparecem depois de outros. Do mesmo modo. E ação complexa aquela onde a mudança de fortuna resulta de reconhecimento ou de peripécia ou de ambos os meios. o mensageiro que chega julga que vai dar gosto a Édipo e libertá-lo de sua inquietação relativamente a sua mãe. no Édipo(33). file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. mudando o ódio em amizade ou inversamente nas pessoas votadas à infelicidade ou ao infortúnio. necessariamente ou por verossimilhança.

7.htm (17 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . às vezes produz-se apenas numa pessoa a respeito de outra(35). a união de um reconhecimento e de uma peripécia excitará compaixão ou terror. epílogo. o patético é devido a uma ação que provoca a morte ou sofrimento. Quanto às partes distintas em que se divide. como a das mortes em cena. o reconhecimento deve ser duplo: assim. Tratamos da peripécia e do reconhecimento. conforme dissemos. 9. CAPÍTULO XII Divisões da tragédia Tratamos anteriormente dos elementos da tragédia. 8. em outros casos. canto coral. Mas o reconhecimento que melhor corresponde à fábula é o que decorre da ação. sejam quais forem. A este respeito. quando uma das duas fica sabendo quem é a outra. duas partes constituem a fábula: peripécia e reconhecimento. Ifigênia foi reconhecida por Orestes(36). para que Orestes o fosse por Ifigênia. a terceira é o acontecimento patético (catástrofe). 2. Com efeito. compreendendo este último o párodo e o estásimo. dos ferimentos e outros casos análogos. foi preciso um segundo reconhecimento. O que acabamos de dizer ocorre também com objetos inanimados. êxodo.Arte Poética . file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. Quando o reconhecimento se refere a pessoas. como acontece no Édipo. e de quais se devem usar como suas formas essenciais. infortúnio e felicidade resultam dos atos. Além do que. ora. das dores agudas. precisamente nos capazes de os excitarem consiste a imitação que é objeto da tragédia. 10. é matéria de reconhecimento ficar sabendo que uma pessoa fez ou não fez determinada coisa. Há outras espécies de reconhecimento. mas. são elas: prólogo. graças ao envio da carta.Aristóteles 6.

4.Aristóteles 3. Tratamos primeiramente dos elementos essenciais da tragédia. O episódio é uma parte completa da tragédia colocada entre cantos corais completos. 8. que meios devem ser utilizados para que a tragédia surta seu efeito máximo. O commoz (37) é um canto fúnebre comum aos componentes do coro e aos atores em cena. e que precede o párodo (entrada do coro). outras são peculiares a algumas peças. CAPÍTULO XIII Das qualidades da fábula em relação às personagens. 7. 6. Do desenlace Que fim devem ter os poetas em mira ao organizarem suas fábulas.htm (18 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . a saber. e acabamos de indicar o número das partes distintas em que a peça se divide. depois file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. O prólogo é uma parte da tragédia que a si mesma se basta. 5. é o que nos resta expor. 9. o párodo é a primeira intervenção completa do coro. que nela devem figurar. que obstáculos deverão evitar. O estásimo é o canto coral donde são excluídos os versos anapésticos (UU—) e os versos trocaicos (—U). após a qual já não há canto coral. o êxodo (ou saída) é uma parte completa da tragédia. estas partes são comuns a todas as tragédias. No elemento musical.Arte Poética . os cantos da cena e os cantos fúnebres.

7. não inspira nenhum dos sentimentos naturais ao homem – nem compaixão. Télefo(40). Édipo. mas cai no infortúnio em conseqüência de algum erro que cometeu. entre estas situações extremas. Por isso. e outros personagens idênticos. 4. quando o censuram por assim proceder em suas tragédias. é óbvio não ser conveniente mostrar pessoas de bem passar da felicidade ao infortúnio (pois tal figura produz. 9. a maneira de compor uma peça muito bela. Esta é. de sorte que o acontecimento não inspira compaixão nem temor. 5. a posição intermediária: a do homem que. como Édipo ou Tiestes ou outros membros destacados de famílias ilustres. em nossos dias. não da infelicidade para a felicidade. 2. 6. e isto não em conseqüência da perversidade da personagem. Orestes. são capazes de excitar o temor e a compaixão (pois é essa a característica deste gênero de imitação). neste caso o temor nasce do homem nosso semelhante. é portanto necessário que ela se proponha um fim único e não duplo. mas. não é mau nem perverso. da felicidade para o infortúnio. pois.O recurso usado atualmente pelos que compõem tragédias assim o demonstra: outrora os poetas serviam-se de qualquer fábula. erram os críticos de Eurípides(41). não temor e compaixão. não simples. segundo a técnica peculiar à tragédia. das famílias de Alcméon(38).Aristóteles das explicações precedentes. visto a personagem ser antes melhor que pior. A mais bela tragédia é aquela cuja composição deve ser. mas uma impressão desagradável). Outro caso diz respeito ao que não merece tornar-se infortunado. faltando-lhe todos os requisitos para tal efeito. neste caso coloca-se também o homem no apogeu da fama e da prosperidade. mesmo não se distinguindo por sua superioridade e justiça. como indicamos. pelo contrário. Tiestes. mas por causa de algum erro grave. as mais belas tragédias ocupam-se de um muito reduzido número de famílias. como alguns pretendem. ela deve oferecer a mudança.htm (19 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . que tiveram de suportar ou realizar coisas terríveis. por exemplo. Resta. 3. nem temor). este é o mais oposto ao trágico.Arte Poética . aquela cujos fatos. mas complexa. nem um homem completamente perverso deve tombar da felicidade no infortúnio (tal situação pode suscitar em nós um sentimento de humanidade. Em primeiro lugar. por ela imitados. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. 8. Meleagro(39). Nem convém representar homens maus passando do crime à prosperidade (de todos os resultados. Para que uma fábula seja bela. mas sem provocar compaixão nem temor).

embora falhe de vez em quando contra a economia da tragédia. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. para obter este resultado pela encenação. ele é mais próprio da comédia. Independentemente do espetáculo oferecido aos olhos. as peças deste gênero são as mais trágicas.Arte Poética . como na Odisséia. A melhor prova disto é a seguinte: em cena e nos concursos. Mas. propiciando o que ele prefere. Esta última categoria é devida à pobreza de espírito dos espectadores. 3. e nenhum recebe do outro o golpe mortal. O segundo modo de composição. tal concepção é justa. o que é preferível e mostra maior habilidade no poeta. como sente quem ouve a fábula do Édipo. Como já dissemos. 10. outro para os maus. ao ouvir os fatos que vão passando. e Eurípides. CAPÍTULO XIV Dos diversos modos de produzir o terror e a compaixão O terror e a compaixão podem nascer do espetáculo cênico. Não é este o prazer que se espera da tragédia. a fábula deve ser composta de tal maneira que o público. como Orestes e Egisto(42). pois os poetas limitam-se a seguir o gosto do público.htm (20 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . quando bem conduzidas. separam-se como amigos no desenlace. 2. pois nesta as pessoas que são inimigas demais na fábula.Aristóteles que na maioria das vezes terminam em desenlace infeliz. que alguns elevam à categoria de primeiro. consiste numa dupla intriga. mas podem igualmente derivar do arranjo dos fatos. nem por isso deixa de nos parecer o mais trágico dos poetas. 11. onde os desenlaces são opostos: há um para os bons. não se requer tanta arte e exige-se uma coregia dispendiosa. 13. sinta arrepios ou compaixão. 12.

Arte Poética . quer execute o ato ou o prepare. quando mata os próprios filhos. como nos poetas antigos. 9. por exemplo.Aristóteles 4. Examinemos. Digo. ou um filho o pai. 13. 5. Como o poeta deve nos proporcionar o prazer de sentir compaixão ou temor por meio de uma imitação. mas só a emoção perante o monstruoso. Nas fábulas consagradas pela tradição. mas apenas o que é próprio dela. pelo espetáculo. Vamos explicar mais claramente o que entendemos pelas palavras "da melhor maneira possível". não há aí nada que mereça compaixão. mas o poeta deve ter inventiva e utilizar. não é permitido introduzir alterações. Há casos em que a ação decorre. estes dados transmitidos pela tradição. quando um irmão mata o irmão. O ato produz-se. mas só mais tarde toma conhecimento do seu laço de parentesco com a vítima. 12. é evidente que estas emoções devem ser suscitadas nos ânimos pelos fatos. Mas. o Édipo de Sófocles. Em outros casos. Se um inimigo mata outro. como sucede com a file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. casos como estes são os que devem ser discutidos. da melhor maneira possível. ou no decurso da própria tragédia. 6. por exemplo.(44) 11. ou um filho a mãe. como. pois pela tragédia não se deve produzir um prazer qualquer. quando os acontecimentos se produzem entre pessoas unidas por afeição. o mesmo se diga de pessoas entre si estranhas. entre os fatos. salvo o fato considerado em si mesmo. como a Medéia de Eurípedes. por exemplo. ou a mãe o filho.htm (21 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . que Clitemnestra(43) deverá ser assassinada por Orestes. aqueles que aparentam a nós serem capazes de assustar ou de inspirar dó. ou está prestes a cometer esse crime ou outro idêntico. não o terror. 10. Necessariamente ações desta espécie devem produzir-se entre amigos ou inimigos. com personagens que sabem o que estão fazendo. Os autores que provocam. 7. a personagem executa o ato sem saber que comete um crime. pois. e Erífila por Alcméon. ou indiferentes. ou fora do drama representado. nada têm em comum com a natureza da tragédia. 8.

na Antigona. De todos estes casos. O segundo caso é o do ato executado. 17. coerentes consigo mesmos No que diz respeito aos caracteres. na tragédia de mesmo nome escrita por Astidamante. 14. mas age por ignorância. 19. mas não trágico. É preferível que a personagem atue em estado de ignorância e que seja elucidada só depois de praticado o ato.Arte Poética . por isto ninguém trata semelhante caso. porque o sofrimento está ausente. como o de Mérope em Cresfonte:(47) ela está para matar o próprio filho. é repugnante. e também na Ifigênia. por exemplo. no caso de Hémon com relação a Creonte(46).htm (22 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . o pior é o do que sabe.(48) CAPÍTULO XV Dos caracteres: devem ser bons. Além destes. e reconhece o erro antes de agir. quatro são os pontos que devemos visar. forçosamente. com conhecimento de causa. e na Hele. mas não o mata porque o reconhece. em que a irmã dispõe-se a matar o próprio irmão. não há outros casos possíveis. 15. 18. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. prepara-se para executar o crime porém não o faz.. ou com a ação de Telégono no Ulisses ferido(45). semelhantes. conformes.Aristóteles ação de Alcméon. 16. ou por ignorância. O último caso é o melhor. Existe um terceiro caso: o que se prepara para cometer um ato irreparável. este perde o caráter repugnante e o reconhecimento produz um efeito de surpresa. a não ser muito raramente – como acontece. o crime comete-se ou não se comete.

Portanto é manifesto que o desenlace das fábulas deve sair da própria fábula. ou em ocorrências posteriores que é necessário predizer e anunciar. 11. e não como na Medéia(50). mas se a personagem que se pretende imitar é por si incoerente. 9. pois atribuímos aos deuses a faculdade de tudo verem. de um caráter sem conveniência nem conformidade é o de Ulisses lamentando-se na Cila. O quarto ponto consiste na coerência consigo mesmo. 12. O terceiro ponto é a semelhança. a propósito do desembarque das tropas. de modo que a personagem. Tanto na representação dos caracteres como no entrosamento dos fatos. pois em atitude de suplicante não se assemelha ao que mais tarde revelará ser. do mesmo modo que o escravo.htm (23 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . 7. 4. exemplo de caráter inconstante é Ifigênia. 6. 10. esteja em conformidade com o necessário e verossímil. inteiramente distinta da bondade e da conformidade.Aristóteles 2. convém que permaneça incoerente coerentemente. 3. produzidos anteriormente. e que ninguém poderia conhecer. pode possuir boas qualidades. ou de Melanipo(49) discursando. em Áulis. 5. Esta bondade é possível em qualquer tipo de pessoas. entretanto a coragem desta espécie de caracteres não convém à natureza feminina. Mesmo a mulher. Um exemplo de caráter inutilmente mau é o de Menelau em Orestes. O primeiro é que devem ser de boa qualidade. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica.Arte Poética . é necessário sempre ater-se à necessidade e à verossimilhança. Este processo deve ser utilizado só em acontecimentos alheios ao drama. provir de um artifício cênico (deus ex machina) ou como na Ilíada. O segundo é a conformidade. embora a mulher seja um ente relativamente inferior e o escravo um ser totalmente vil. e que ocorra o mesmo na sucessão dos acontecimentos. tais como foram explicadas. em suas palavras e ações. sem dúvida existem caracteres viris.

Há duas maneiras. embora mantendo semelhança. é o reconhecimento por meio de sinais exteriores. Das espécies de reconhecimento. como acontece no Édipo de Sófocles. convém proceder como os bons pintores de retratos. os pintam mais belos.Arte Poética . exatamente como Agatão e Homero pintaram Aquiles. por outro lado. a não ser fora da ação. pois acontece freqüentemente cometerem-se faltas neste domínio. a mais desprovida de habilidade e a mais usada à falta de melhor. como as cicatrizes. 14.htm (24 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . como "a lança que se vê sobre os Filhos da Terra". a cicatriz de Ulisses tornou possível que fosse reconhecido pela ama de uma forma. dos quais uns aderem ao corpo. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. Entre estes sinais. de utilizar estes sinais. por exemplo. 3. Eis o que se deve observar. Sendo a tragédia a imitação de homens melhores que nós. considerar as sensações associadas necessariamente na peça à arte própria da poesia. os quais. uma melhor e outra pior. querendo reproduzir o aspecto próprio dos modelos. 15. como os colares ou a cestinha-berço no Tiro. Outros sinais são adquiridos. 2. Mas sobre o assunto falei bastante nos tratados já publicados. O irracional também não deve entrar no desenvolvimento dos fatos. 4. a primeira. e outros não fazem parte dele. ou as estrelas do Tiestes de Cárcino(51). uns são devidos à natureza. Assim também. deve pintá-los como são. e de outra pelos porqueiros. mas com vantagem. CAPÍTULO XVI Das quatro espécies de reconhecimento Dissemos acima o que vem a ser o reconhecimento.Aristóteles 13. quando o poeta deve imitar homens irados ou descuidados ou com outros defeitos análogos de caráter. é necessário.

no Édipo de Sófocles e na Ifigênia. pois é verossímil que Ifigênia quisesse entregar uma carta. pois o efeito de surpresa é então causado de maneira racional. na narrativa feita a Alcino. pois ali foram expostas. onde as mulheres ao verem o lugar em que chegaram. pensasse que também ele o seria. ora. 12. aparece nas Fineidas(55). Outro exemplo. 11. tendo vindo com a esperança de salvar o filho. A segunda espécie é a devida à inventiva do poeta. na Ifigênia. finalmente. por ser verossímil que Orestes. a propósito de Ifigênia. O mesmo se diga da voz da lançadeira no Tereu de Sófocles. O reconhecimento pode igualmente basear-se num paralogismo por parte dos espectadores. e por tal motivo não é artística. 8. Idêntico é o reconhecimento inventado pelo sofista Políido (53). Estas espécies de reconhecimento são as únicas que dispensam sinais imaginados e colares. há o reconhecimento proveniente de um silogismo. operados pela confiança que o sinal deve gerar. Outro exemplo é o de Tideu de Teodectes (54). por exemplo. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. Este meio é vizinho daquele que declarei defeituoso. a personagem acha-se capaz de reconhecer o arco. o qual. 10. Ulisses. quer que ele declare. e não a fábula. raciocinaram sobre a sorte que as aguardava: aquele fora o lugar pelo destino designado para morrerem. são preferíveis os que provêm de uma peripécia. quem veio foi Orestes. a afirmação de que poderá reconhecer o arco é a base do paralogismo dos espectadores. 9. Foi assim que os reconheceram. o melhor é o que deriva dos próprios acontecimentos. como se vê na peça Ulisses. sabendo que sua irmã tinha sido sacrificada. 7. Os reconhecimentos.Arte Poética . Orestes. pois Orestes podia ter apresentado alguns sinais sobre si. que na realidade não vira. falso mensageiro. onde a vista de um quadro arranca lágrimas a uma personagem. ele próprio foi morto. bem como todos os do mesmo tipo. a vista de um objeto evoca uma sensação anterior.htm (25 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . mas Orestes declara aquilo que o poeta. como nas Coéforas(52): apresentou-se um desconhecido que se parece comigo. graças à carta. De todos estes meios de reconhecimento. assim. logo. ninguém se parece comigo senão Orestes. A terceira espécie consiste na lembrança. do mesmo modo. como no Canto do Banho. 6. como nos Ciprios de Diceógenes.Aristóteles 5. ao ouvir o citarista. Em quarto lugar. por exemplo. Em segundo lugar vêm todos os que estribam num raciocínio. não denotam grande habilidade. e Ifigênia. faz-se reconhecer declarando ser Orestes. recorda-se e chora.

proceder como se ela decorresse diante de seus olhos. Por isso a poesia exige ânimos bem dotados ou capazes de se entusiasmarem: os primeiros têm facilidade em moldar seus caracteres. foi tirada dos sacrificadores.Arte Poética . o irmão da sacerdotisa chega àquela região. e isto ocorre porque o oráculo do deus lhe prescrevera que se dirigisse àquele lugar. da mesma forma que suscita a ira aquele que melhor a sabe sentir. a propósito de Ifigênia. Em virtude da nossa natureza comum. e transportada a outra região onde uma lei ordenava que os estrangeiros fossem imolados à deusa. deve. são mais ouvidos os poetas que vivem as mesmas paixões de suas personagens. 6. sem estes darem pelo fato. vendo as coisas plenamente iluminadas. Passado algum tempo. porque não olhava a cena como espectador. Uma donzela. mas foi o bastante para a peça cair no desagrado. não sentem dificuldade em se deixarem arrebatar. 2. prestes a ser degolada durante um sacrifício. pois. 4. e a donzela foi investida nesta função sacerdotal. na medida do possível. 5. Quanto aos assuntos. encontrará o que convém. convém que ele primeiro faça dos mesmos uma idéia global. 3. escapou este pormenor ao poeta. e não lhe escapará nenhum pormenor contrário ao efeito que pretende produzir. o que está mais violentamente agitado provoca nos outros a excitação.htm (26 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . por motivo file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. pois os espectadores se indignaram. Na medida do possível. quer o poeta os invente. e que em seguida distinga os episódios e os desenvolva. quer tenham sido já tratados por outros. Eis o que entendo por "fazer uma idéia global": por exemplo. como se estivesse presente. é importante igualmente completar o efeito do que se diz pelas atitudes das personagens.Aristóteles CAPÍTULO XVII Conselhos aos poetas sobre a composição das tragédias Quando o poeta organiza as fábulas e completa sua obra compondo a elocução das personagens. A prova está nesta crítica feita a Cárnico (56): Anfiarau(57) saía do templo.

8. declarando naturalmente que não somente ele. Importa tratar os episódios. O nó consiste muitas vezes em fatos alheios ao assunto e em alguns que lhe são inerentes. depois de acossado por muitas tempestades. que em sua casa os bens vão sendo consumidos por pretendentes que ainda por cima armam ciladas ao filho deste herói. 10. mas quando ia ser sacrificado. Dou o nome de nó à parte da tragédia que vai desde o início até o ponto a partir do qual se produz a mudança para uma sorte ditosa ou desditosa. 9. Eis o essencial do assunto. o assunto da Odisséia é de curtas dimensões. Chegando lá.htm (27 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . De fato. e o plano de purificá-lo. a epopéia assume proporções maiores. Nos poemas dramáticos os episódios são breves. dá-se a conhecer a algumas pessoas. o Coro Em todas as tragédias há o nó e o desenlace. e uma vez atribuídos nomes às personagens. deu-se a conhecer (quer como explica Eurípides. CAPÍTULO XVIII Nó. 7. tragédia e epopéia. desenlace. mas também sua irmã devia ser oferecida em sacrifício) e com estas palavras se salvou. tendo o cuidado de bem os entrosar no assunto. a crise de loucura.Arte Poética . como. além disso. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. Tudo o mais são episódios. o que vem a seguir é o desenlace. 2. quer segundo a concepção de Políido. que causou sua salvação. ele é feito prisioneiro. mas baseando-se neles. Um homem afastado de sua pátria pelo espaço de longos anos e vigiado de perto por Poseidon acaba por se encontrar sozinho.Aristóteles alheio à história e ao entrecho dramático da mesma. que provocou sua prisão. no caso de Orestes. Após isto. sucede. ele regressa ao lar. e chamo desenlace a parte que vai desde o princípio desta mudança até o final da peça. ataca e mata os adversários e assim consegue salvar-se.

htm (28 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . não só no argumento.. constituída inteiramente pela peripécia e o reconhecimento. no Linceu de Teodectes. Muitos tecem bem a intriga. A prova em que todos os que se propuseram a representar por inteiro a ruína de Tróia.. Por exemplo. por exemplo.. 7. para ser aplaudido. mas também no nó e no desenlace. do tipo de Ajax(58) e de Íxion(59). atendendo principalmente as severas críticas de que são alvo em nossos dias. 5. Há quatro espécies de tragédias. 10. É justo dizer que uma tragédia é semelhante a outra ou diferente dela.. Importa não esquecer o que muitas vezes tenho dito: não compor uma tragédia como se compõe uma obra épica. 14. incluindo o rapto da criança e além disso.Aristóteles 3.. 13. exige-se de um só autor que supere seus próprios méritos em relação aos daqueles outros poetas.Arte Poética . correspondentes ao número dos quatro elementos. como as Fórcidas e Prometeu e todas as que se passam no Hades. o desenlace vai desde a acusação de assassinato até o fim. é necessário conjugar os dois méritos. 12. A extensão inerente a este gênero de poema permite dar a cada parte as dimensões convenientes. a tragédia de caracteres. entendo por épica a que enfeixa muitas fábulas.. como houve poetas que se distinguiram neste ou naquele elemento essencial. como Ftiótidas(60) e Peleu(61). e não apenas file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. no entanto. A quarta. seria contra a expectativa. a peça patética. 8. como se alguém quisesse incluir numa tragédia todo o assunto da Ilíada. na arte dramática. ou pelo menos os mais importantes e a maior parte deles. 6. A outra. o nó abarca todos os fatos iniciais. 11. Uma complexa. Seria conveniente que os poetas se esforçassem ao máximo para possuir todos os méritos. mas saem-se mal no desenlace. 9. sistema este que. 4.

em vez de fazerem como Ésquilo. 18. mesmo contra toda verossimilhança. mas à maneira de Sófocles. como a qualquer outro gênero. Ora. ou quando um homem corajoso mas injusto é derrotado. a saber. os cantos corais referem-se tanto à tragédia. ou fracassam ou são mal colocados no concurso. explica-nos Agatão. pois este gênero de investigações é seu objeto próprio.htm (29 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . O coro deve ser considerado como um dos atores. Na maioria dos poetas. falhou apenas por este motivo a peça de Agatão. não como em Eurípedes. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. Isto é verossímil. Tudo que se exprime pela linguagem é domínio do pensamento. pois é verossímil que muitos acontecimentos se produzam. Assim acontece quando um homem hábil mas perverso é enganado como Sísifo. 19. a emoção trágica e os sentimentos de humanidade. cuja origem remonta a Agatão.Aristóteles parcialmente. os poetas alcançam maravilhosamente o fim que se propõe alcançar. por isso constituem uma espécie de interlúdio. deve constituir parte do todo e ser associado à ação. ou toda a história de Niobe. 16. Mas nas peripécias e nas ações simples. O que diz respeito ao pensamento tem seu lugar nos Tratados sobre retórica. 2. 3. onde se encontram.Arte Poética . existirá diferença entre cantar interlúdios e transferir de uma peça para outra um trecho ou um episódio completo? CAPÍTULO XIX Do pensamento e da elocução Depois de termos falado sobre os outros elementos essenciais da tragédia. 17. como fez Eurípedes. 15. resta-nos tratar da elocução e do pensamento.

Segundo inquire aquele crítico — exortar a fazer ou a não fazer.Aristóteles 4. Quem consideraria como falta o que Protágoras censura. sempre que for necessário apresentá-los comoventes. importantes ou verossímeis. uma há que se prende ao nosso exame: as atitudes a tomar no decurso da dicção. tais como a compaixão e o temor. que o poeta. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. 5. é dar uma ordem? 9. Disso fazem parte a demonstração. uma narrativa. a refutação. quando exclama: "Canta. uma ameaça. 6. Com base no fato de o poeta conhecer ou ignorar estas questões. pensando endereçar uma súplica. uma interrogação. na realidade dá uma ordem. Coloquemos de lado esta questão. uma resposta. a cólera e as outras. não se lhe pode fazer nenhuma crítica digna de consideração. e outros casos deste gênero. temíveis.htm (30 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . Trata-se de saber como se exprime uma ordem. mas a outra arte.Arte Poética . e outros deverem ser preparados por quem fala e produzidos conforme suas palavras. se o prazer fosse experimentado sem a intervenção do discurso? 7. e também a maneira de mover as paixões. Entre as questões relativas à execução. uma súplica. a saber. deusa. 8. Pois qual seria a parte daqueles que têm à sua disposição a linguagem. pois ela respeito não à poesia. a cólera". mas tal conhecimento depende da arte do comediante e dos que são mestres nessa arte. É evidente que devemos empregar estas mesmas formas. A diferença consiste no fato de certos efeitos deverem ser produzidos sem o recurso do aparato cênico. a propósito dos fatos.

5. como o "A" e "O ". pois os animais também fazem ouvir sons indivisíveis. de sua duração maior ou menor. embora não completo. mas a esses não dou o nome de letras. meu. nome. 8. sendo composta de vários sons. que se produz com esses movimentos. As letras dividem-se em vogais. verbo. e que se coloca nas extremidades ou no meio. o fim ou a divisão de uma preposição. 6. mas o estudo dessas diferenças compete igualmente aos metricistas. e se coloca nas extremidades e no meio. significativo.htm (31 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . o "S" e o "R". e também ajuntando-se o "A". conjunção. htoi. mas de seu emprego numa combinação resulta naturalmente um som compreensível. to amji (em volta) e to peri (os arredores) e outros casos análogos. a muda. não empregamos cada elemento com file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. mas ele em si não produz esta expressão com sentido. A sílaba é um som sem significação. composto de uma muda e de uma letra provida de som. 4. graves. não tem som por si mesma. por exemplo. com a ajuda de vários sons. se não convém lhe assinalar um lugar independente no começo de uma composição. É vogal a letra que produz um som perceptível.Arte Poética . da presença ou ausência de aspiração. que. intermediários. e nenhuma de suas partes faz sentido por si mesma. sem movimento da boca (para articular). semivogais e mudas. A conjunção é uma palavra destituída de significado.Aristóteles CAPÍTULO XX Da elocução e de suas partes Eis os elementos essenciais da elocução: letra. por exemplo. O nome é um som composto. o "G" e o "D". 7. mas torna-se audível juntando-se às letras sonoras.dh. como "GRA". 3. expressão. uma expressão dotada de sentido. nos nomes formados de dois elementos. O artigo é um termo sem significação que designa o começo. a semivogal produz um som perceptível com a ajuda desses movimentos. de seus acentos agudos. dos lugares onde se produzem. A letra é um som indivisível. ou pode ser uma palavra vazia de sentido que não impede que se produza. artigo. pois. mas o estudo destas particularidades é do domínio da métrica. flexão. sílaba. As diferenças entre estas letras provêm das modificações dos órgãos da boca. 2. pois o grupo "GR" sem o "A" é uma sílaba. não tira nem confere a um termo seu poder significativo. por exemplo. sem indicação de tempo.

por exemplo. 13. 11. o elemento doro não apresenta significado. Deve ter. significativo. na proposição "Cleon anda". Assim. como "os homens".(62) CAPÍTULO XXI Das formas dos nomes. com efeito.Aristóteles um sentido próprio. das figuras Eis as espécies de nomes: primeiramente o nome simples. na definição do homem. 2. "andou" indicam. A locução (ou expressão) é um conjunto de sons significativos.htm (32 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . por exemplo "terra". A locução aparece una de duas maneiras: quando designa uma só coisa. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. os termos "homem" e "branco" não dizem nada sobre o tempo. o tempo passado. pois nem todas as locuções são constituídas por verbos e nomes. "o homem". a locução pode existir sem verbo expresso. 12. mas as formas "anda". ou quando oferece várias partes ligadas entre si. por exemplo. como "deste" ou "a este". ora de elementos todos significativos. sempre uma parte significativa. no entanto. A flexão é uma modificação do nome e do verbo. e do qual nenhum elemento é significativo por si. a primeira. O verbo é um som composto. a segunda. porque designa apenas um ser. o estado de ânimo de uma personagem que interroga ou que manda: "Andou?" "Vá!". Chamo simples o nome que não é composto de elementos significativos. que indica uma relação. em Teodoro. por exemplo. tal como igualmente sucede nos nomes. estas últimas formas são flexões do verbo. esta parte é o nome "Cleon". algumas partes dos quais têm significação por si mesma. e o termo "homem". é o composto ora de um elemento significativo e de outro vazio de sentido. a Ilíada apresenta unidade por efeito da reunião de suas partes. e outras relações análogas. nome duplo. o tempo presente. 9. o singular ou o plural. que indica o tempo. 10.Arte Poética .

ou uma metáfora. são duas maneiras de tirar. a taça de Ares. 5. pois. ou de uma espécie para outra.Arte Poética . como muitos usados entre os marselheses. de quatro. na proporção em que o quarto está para o terceiro. porque "milhares e milhares" está por "muitas". "minha nau aqui se deteve". chamar-se–á taça o escudo de Dionísio e ao escudo. por exemplo. Entendo por termo próprio aquele de que cada um de nós se serve. Todo nome é termo próprio ou termo dialetal.htm (33 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . 6. ou um vocábulo ornamental. Por termo dialetal (ou glosa) aqueles de que se servem as pessoas de outra região. 11. "esgotar" equivale a "cortar" e "cortar" equivale a "esgotar". Se disser que a taça é para Dionísio assim como o escudo é para Ares. ou da espécie para o gênero. O nome pode ser formado de três. empregar-se-á o quarto em vez do segundo e o segundo em lugar do quarto. Da espécie ao gênero: "certamente Ulisses levou a feito milhares e milhares de belas ações". manifestamente. de sorte que o mesmo nome pode ser. Às vezes também se acrescenta o termo ao qual se refere a palavra substituída pela metáfora. A metáfora é a transposição do nome de uma coisa para outra. neste caso. 8.Aristóteles 3. assim sxgunon (lança) é termo próprio para os cipriotas e dialetal para nós. ou a palavra forjada. alongada. 10. pois lançar ferro é uma maneira de "deter-se". mas não para as mesmas pessoas. modificada. abreviada. por exemplo ermocaicoxanqoz. e até mesmo de vários outros nomes. 7. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. Quando digo do gênero para a espécie. transposição do gênero para a espécie. 9. aqui. próprio ou dialetal. 4. por analogia. Digo haver analogia quando o segundo termo está para o primeiro. 12. é. e a expressão é aqui empregada em lugar de "muitas". Da espécie para a espécie: "tendo-lhe esgotado a vida com o bronze" e "de cinco fontes cortando com o duro bronze".

outros neutros. se nele se faz uma supressão. Há outra maneira de empregar este gênero de metáfora. Em alguns casos de analogia não existe o termo correspondente ao primeiro. S ou em letras compostas de S (que são as consoantes duplas Y e X). O nome forjado é o que não foi empregado neste sentido por ninguém. o ocaso da vida. Parece haver algumas palavras deste gênero.Arte Poética . conserva-se uma parte e muda-se a outra. outros femininos. que entre semear e a semente. dv (por dwma="casa") e dy (por dyiz="vista") em "uma só imagem provém dos dois olhos". como se. (Desapareceu do texto original. O nome é alongado ou abreviado. a tarde é para o dia. e a velhice é a tarde da vida. pelo emprego de uma vogal mais longa que a habitual ou pela adjunção de uma sílaba. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. 22. e phlhiadev em vez de phleidou. 20. tais como "rebentos" para designar "cornos" e arhthra – "o que dirige súplicas" –por sacerdote. Em si mesmos. são abreviados cri (por crioh = "cevada'). dando a uma coisa um nome que pertence a outra e negando uma das propriedades desta. por exemplo. 16. atribui a uma coisa. ou. contudo existe a mesma relação entre este ato e a luz.) 18. 14. mas que o poeta. mas a taça sem vinho. por exemplo. mas não existe termo próprio para designar o ato de o sol deixar cair sobre nós sua luz. com Empédocles. no segundo caso. R.Aristóteles 13. no primeiro caso. 19. O que a velhice é para a vida. por sua própria autoridade. Diremos pois que a tarde é a velhice do dia. polhox em vez de polevx. O ato de "lançar a semente à terra" chama-se "semear". os nomes são uns masculinos. no termo usado. pelo que se diz: "semeando uma luz divina". Alongado é. como em dexiteron cata mczon (contra o mamilo direito) em vez de dexion. não a taça de Ares.htm (34 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . 21. se denominasse o escudo. 15. 17. porém mesmo assim nada impede que se empregue a metáfora. Há modificação do nome se. São masculinos os que terminam em N.

2. colava bronze noutro homem" e outras expressões semelhantes. doru (lança). 4. torna-se enigmático ou bárbaro. em G terminam cinco: pvu (rebanho). os alongamentos. napu (mostarda). em suma tudo o que se afasta da linguagem corrente. 24. Nenhum nome termina em muda ou em vogal breve. mas só através da metáfora. CAPÍTULO XXII Das qualidades da elocução A qualidade principal da elocução poética consiste na clareza. Os neutros terminam por estas mesmas letras e por N e S. usando vocábulos peregrinos (chamo peregrinos os termos dialetais). Uma forma de enigma consiste em exprimir uma coisa qualquer numa seqüência de termos absurdos.htm (35 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . gonu (joelho).Aristóteles 23. pelo uso de termos dialetais.Arte Poética . por exemplo: "vi um homem que. commi (goma). aotu (cidade). mas sem trivialidades. como H e W ou em A alongado. A elocução mantém-se nobre e evita a vulgaridade. porém. enigmático. bárbaro. 3. Obtém-se a clareza máxima pelo emprego das palavras da linguagem corrente. com fogo. peperi (pimenta). 26. a metáfora. Exemplo deste último estilo é a poesia de Cleofonte e de Esténelo. o estilo comportar apenas palavras deste gênero. mas à custa da elevação. 25. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. pelo abuso de metáforas. Isso não é possível de atingir reunindo os vocábulos por eles mesmos. Se. 5. daí resulta o mesmo número de finais para os masculinos e os femininos. pois Y e X são as mesmas que S. Em I terminam apenas três nomes: meli (mel). São femininos os que terminam em vogal sempre longa.

A vulgaridade e a trivialidade serão evitadas por meio do termo dialetal. empregou uma glosa). Assim. pois. ver-se-á que dizemos a verdade. Claro que. praticar de algum modo a mistura de termos.Aristóteles 6. pretendia ser fácil escrever em verso. 13. desde que fosse permitido alongar as sílabas à vontade. no qual ba (breve) alonga-se em ba (longa) ] e este outro: Ele que não teria gostado do seu heléboro 10. Ésquilo no Filocteto escrevera: A úlcera que come as carnes de seu pé. Com efeito. evita-se a banalidade. mas o termo próprio é o que dá clareza ao discurso. porém ainda inteligível. usarmos palavras correntes. cai no ridículo. e Eurípedes substituiu o verbo "come" pelo verbo "banqueteia-se". e o outro vulgar. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. e à maneira de paródia citava este verso em estilo vulgar: Quando vi Ares marchando para Maratona [ bazein é um termo da linguagem em prosa. os que censuram este gênero de estilo e põem o poeta em ridículo. foi o bastante para que um dos dois versos parecesse belo. são criticados sem razão. pois é necessário conservar o meio termo em todas as partes da elocução. do vocábulo ornamental e das demais formas anteriormente indicadas. no lugar do termo usual. Euclides. De fato. num verso iâmbico composto por Ésquilo. de termos dialetais.Arte Poética . O meio de contribuir em larga escala para a clareza. em vez destes vocábulos estranhos. 9. são os alongamentos. o Antigo. pode se verificar nos versos épicos. Eurípides não fez mais do que mudar uma só palavra (ou seja. 12. as apócopes e as modificações introduzidas nas palavras. servir-se com exagero de metáforas. de formas análogas. 11. pelo fato de mudar a fisionomia dos termos correntes e de sair da rotina. da metáfora. O uso de termos dialetais faz da língua algo estranho. se o poeta utiliza este processo. Se. mas a clareza subsistirá na medida em que as palavras participarem dessa rotina. é o mesmo que provocar o riso de propósito. evitando a vulgaridade. 8. Quão diferente é o emprego moderado dos dois termos.htm (36 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . introduzindo no metro vocábulos da prosa. das metáforas e de outras figuras de palavras. Por isso. Por exemplo. Importa.

Entre os nomes. É importante saber empregar a propósito cada uma das expressões por nós assinaladas. convêm os nomes de que nos servimos geralmente na conversação. isto é. Arífrades(63). em suas comédias. as glosas. 15. 19. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. Isto só.Arte Poética . teríamos: E agora ele é pequeno. Na poesia heróica devem empregar-se todas as expressões indicadas. justamente por não serem habituais.htm (37 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . dizendo. teríamos "a praia emite um grito". 16. o nome usual. maior todavia é a importância do estilo metafórico. e expressões idênticas. e. 17. impotente e sem vigor. em lugar de "longe das casas". nos versos iâmbicos. Mas Arífrades não dava por isso. seria possível escrever: Depois de ter trazido uma cadeira reles e uma pequena mesa. os versos iâmbicos.Aristóteles Se no verso: Agora ele é pouco considerável. a poesia heróica. os duplos convêm sobretudo aos ditirambos. as metáforas. a metáfora e o vocábulo ornamental. Deve bastar quanto dissemos sobre a tragédia e imitação por meio da arte dramática. e qual não é possível tomar de outrem. como neles principalmente se procura a imitação da linguagem corrente. por utilizarem termos que ninguém emprega na conversação. alguém quisesse empregar os termos próprios. pois descobrir metáforas apropriadas equivale a ser capaz de perceber as relações. zombava dos autores de tragédias. nomes duplos e glosas. 18. em lugar da expressão: "a praia muge". fraco e disforme. Ou: Depois de ter trazido um miserável assento e uma simples mesa. 20. comunicam à elocução aspecto isento de vulgaridade. "das casas longe". constitui a característica dum rico engenho. e seqen e egv de nin e "de Aquiles a respeito" em vez de "a respeito de Aquiles". por exemplo. Estas maneiras de se exprimir.

meio e fim. na Sicília. 2. 6.Aristóteles CAPÍTULO XXIII Da unidade de ação na composição épica Na imitação em verso pelo gênero narrativo. sem que nenhuma destas ações tendesse para o mesmo fim. que encerrem uma só ação. 7. Homero. como por exemplo o catálogo das naus e outros trechos que de espaço a espaço dispõe no poema. ela teria sido demasiado complicada por tão grande variedade de incidentes. como as tragédias. inteira e completa. um fato sucede a outro. pelo contrário. não uma ação única. da Pequena Ilíada. assim nos acontecimentos consecutivos. É este o processo adotado pela maioria dos poetas. tomam um só herói em um único período. enquanto de cada um dos poemas da Ilíada e da Odisséia não há possibilidade de extrair senão um ou dois argumentos da tragédia. ou então. 5. nos parece admirável. como dissemos. 3.(64) 4. Por esta razão.Arte Poética . Os outros poetas. e cada um dos quais só está em relação fortuita com os restantes. com princípio. pois evitou contar por inteiro a guerra de Tróia. a batalha dos cartagineses (em Himera). Assim como foram travados simultaneamente o combate naval de Salamina e. o autor dos Cantos Cíprios e da Pequena Ilíada. Limitou-se a tratar de uma parte da guerra e inseriu muitos outros fatos por meio de episódios. Filocteto. por exemplo. grande número de argumentos se pode tirar dos Cantos Cíprios e oito. se bem que ela tenha começo e fim. ou seja. se a tivesse reduzido a uma extensão razoável. como faz. nas quais é obrigatório mostrar. referindo todos os acontecimentos que nesse tempo aconteceram a um ou mais homens. a saber: O Juízo das armas. causem o prazer que lhes é próprio. pelo menos. sem que entre eles haja comunidade de fim. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. mas sobrecarregam esta única ação de muitas partes. assemelhando-se a um organismo vivente. comparado com os demais poetas. Por este motivo. para que. é necessário que as fábulas sejam compostas num espírito dramático. Neoptólemo.htm (38 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . Semelhante argumento correria o risco de ser demasiado vasto e difícil de abarcar num relance. Isto é óbvio. A combinação dos elementos não se deve operar como nas histórias.

as diversas partes simultâneas de uma ação. 3.htm (39 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . Quanto à extensão. 6. 4.(65) CAPÍTULO XXIV Das partes da epopéia. 2. Saque de Tróia. A epopéia goza de vantagem peculiar no concernente a sua extensão: enquanto na tragédia não é possível imitar. seu autor supera os demais poetas. Sínon e As troianas. salvo o canto e a encenação.Arte Poética . Partida das naus. exceto a que está sendo representada em cena pelos atores. Cada um dos dois poemas é composto de tal maneira que a Ilíada é simples e patética. Além disso. ou de caráter. que se apresenta em forma de narrativa.Aristóteles Eurípilo. ou patética. e a Odisséia oferece uma obra complexa (onde abundam os reconhecimentos). Todos estes méritos. Isso aconteceria. méritos de Homero A epopéia deve apresentar ainda as mesmas espécies que a tragédia: deve ser simples ou complexa. é possível mostrar em conjunto vários acontecimentos simultâneos. se as composições épicas fossem menos longas que as dos antigos e se estivessem em relação com o total das tragédias representadas numa só audição. apresentar pensamentos e beleza da linguagem. os quais. e um estudo dos caracteres. em estilo e pensamento. 5. o primeiro que os teve disponíveis e os empregou de modo conveniente foi Homero. indicamos o limite exato: é preciso que o seu conjunto possa ser abarcado do princípio ao fim. O Mendigo. Lacedemônicas. Os elementos essenciais são os mesmo. o tornam mais grandioso. Deve. as peripécias e os acontecimentos patéticos. Mas a epopéia é diferente da tragédia em sua constituição pelo emprego e dimensões do metro. se estiverem bem relacionados ao tema central. além disso. no mesmo momento. na epopéia. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. também são necessários os reconhecimentos.

permitir aos ouvintes transportarem-se a diversos lugares. 11. ao longo do poema procedem como atores em cena. como engrandecer a obra. 8. pelo contrário. O poeta deve dialogar com o leitor o menos possível. pois não é procedendo assim que ele é imitador. Homero é por muitas razões digno de elogio. introduz imediatamente um homem. pois a uniformidade não tarda em gerar a saciedade. introduzir variedade por meio de episódios diversos. feitos um para a dança e o outro para a ação. Daí resultam várias vantagens. e de cada um são estudados os costumes. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. O resultado seria de todo extravagante. 10. 12. uma mulher ou outro personagem.Aristóteles 7. para fazer uma imitação em forma narrativa. se se combinassem estes metros. e também neste particular a imitação pela narrativa é superior às outras. A experiência provou que a medida mais conveniente à epopéia é o metro heróico. como fez Querémon. causa do fracasso das tragédias. 9. Os poetas que não Homero. e como dissemos. imitam pouco e raramente. jamais alguém escreveu um poema extenso que não fosse em verso heróico. CAPÍTULO XXV Como se deve apresentar o que é falso Sem dúvida. sendo por isso o mais apto a acolher glosas e metáforas. saltaria aos olhos a inconveniência. ao passo que Homero.htm (40 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . Por este motivo. Visto ser o metro heróico . e a principal delas é o fato dele ser. de todos o que possui maior gravidade e amplidão. a própria natureza do assunto nos ensina a escolher o metro conveniente. Com efeito. 2. se.Arte Poética . O iambo e o tetrâmetro são metros de movimento. ou variado. após curto preâmbulo. o único que faz as coisas como elas devem ser feitas. entre os poetas. e nenhum carece de caráter. se empregasse metro diferente.

salvo se for alheio à peça. Ora. Antes de mais nada. nem pensamentos. mas mesmo assim a coisa existe ou vem a se produzir. produzindo-se tal fato. É preferível escolher o impossível verossímil do que o possível incrível. se fosse redigido por um mau poeta. levada à cena. pois o passo inverossímil da Odisséia. Refiro-me ao paralogismo. é necessária a presença do maravilhoso. Nas tragédias. o primeiro também é real.htm (41 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . A perseguição de Heitor. Homero foi também quem ensinou os outros poetas como convém apresentar as coisas falsas. o poeta dispõe de outros méritos que lhe possibilitam mascarar o absurdo por meio de subterfúgios. e o outro (Aquiles) que lhes acena com a cabeça negativamente". pode-se introduzir nelas o absurdo. esses detalhes estranhos passam desapercebidos. Mas. através do qual se obtém este maravilhoso no grau mais elevado. ou se torna real. não se deveriam compor fábulas desse gênero. mas na epopéia pode-se ir além e avançar até o irracional. como no caso de Édipo ignorante das circunstâncias da morte de Laio. Ora. Numa narrativa. e a prova está em que todos quantos narram alguma coisa acrescentam pormenores imaginários. Daí se imagina que. não seria tolerável. 6. 5. Eis como os homens pensam: quando uma coisa é. mas. onde se fala nos Jogos Píticos(66) e nos Mísios. 9. em nosso caso. que não ostentam nem estudos de caracteres. como na Electra. 8. Disso temos exemplo no episódio do Banho. isto é falso. e outra coisa também é. Seria ridículo pretender que a fábula não se sustentaria sem isso. 11. onde um personagem vem de Tegéia até Mísia. ou. um estilo demasiado fulgurante. 7. neles não deve entrar nada de contrário à razão.Aristóteles 3. que trata do desembarque (de Ulisses pelos feaces). com intuito de agradar. porque na epopéia nossos olhos não contemplam espetáculo algum. estabelece-se uma ligação entre antecedente e conseqüente: sabendo que o segundo caso é verdadeiro.Arte Poética . exibido em toda a peça. se o antecedente é falso. E os assuntos poéticos não devem ser constituídos de elementos irracionais. deixaria na sombra os caracteres e o pensamento. se o segundo é real. mostrar-se-ia inteiramente ridícula: "uns imóveis e que não perseguem. deve ser muito acurada só nas partes de ação com menos movimento. nosso espírito tira a conclusão falsa de que o primeiro também o seja. tal outro igualmente se produz. e nunca dentro do próprio drama. o maravilhoso agrada. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. se há poetas que as fazem e de maneira que pareçam ser razoáveis. Quanto à elocução. 4. sem proferir palavra.

htm (42 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . Mas se o erro provém de uma escolha mal feita. a falta é dele. 3. Se o poeta se propõe imitar o impossível. são duas as ocasiões de cometer faltas: umas referentes à própria estrutura da poesia. Sendo o poeta um imitador. 5. Acrescentemos que não se aplica o mesmo critério rigoroso da política à poesia. como os outros dizem que são ou dizem que parecem ser. a file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. por exemplo. a metáfora e muitas outras modificações dos termos. há falta. que comporta a glosa. desse modo. ou se de qualquer modo ele admitiu a existência de coisas impossíveis. Em arte poética. como as admitimos nos poetas. 4. 6. É com este critério que convém responder às críticas relativas aos poetas controversos. se ele representou um cavalo movendo ao mesmo tempo as duas patas do lado direito. isto nada quer dizer.Arte Poética . como o é o pintor ou qualquer outro criador de figuras. perante as coisas será induzido a assumir uma dessas três maneiras de as imitar: como elas eram ou são. então o erro não é intrínseco à própria poesia. no entanto. O poeta exprime essas maneiras diversas por meio da elocução. acidentais. se o fim próprio da arte foi alcançado (fim que já foi indicado) e se.Aristóteles CAPÍTULO XXVI Algumas respostas às críticas feitas à poesia Sobre os pontos de controvérsia e as soluções para eles. ou se a falta se refere a algum conhecimento particular como a medicina ou qualquer outra ciência. outras. esta ou aquela parte da obra redundou mais impressionante. ou como deveriam ser. Examinemos primeiro o que diz respeito à própria arte: se o poema contém impossibilidades. 7. alguma luz derramarão as considerações em seguida: 2. sobre o número e as diferentes espécies de controvérsia. 8. nem às outras artes em relação à poesia. como.

como é ainda hoje entre os ilírios. a falta é indesculpável. mas como eram outrora. que dizia ter pintado os homens tais quais são. tal como ela se exprime acerca dos deuses. 16. não devemos nos limitar ao exame da ação executada ou da palavra proferida. pois tanto quanto possível dever-se-ia evitar qualquer falta. não devemos interpretar "os machos". E nesta expressão: zvroteron de ceraie. Para saber se uma personagem falou e agiu bem ou mal. 9. respeitando a verdade. mas "as sentinelas". 15.htm (43 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . para saber se elas são boas ou más. do que quando ela não foi representada de acordo com sua figura. Além destas duas espécies de explicação podemos ainda responder pela opinião comum. a propósito de Dólon — ele era de aspecto disforme — deve entender-se que ele não tinha um corpo desproporcionado. mas sim de misturar mais depressa.Mas sobre qual destes dois pontos recai a falta: a própria arte ou uma causa estranha acidental? A falta é menos grave. não se trata de servir o vinho "sem mistura". a ausência de verdade é criticada. além disso. 10. é possível responder que o autor representou as coisas como elas devem ser. Contudo se o fim podia ser melhor alcançado. é preciso ter em conta a pessoa que fala ou age. 12. por exemplo. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. mas apenas um rosto feio. a exemplo de Sófocles. De igual modo. quando (o poeta diz) a respeito das armas: "que suas lanças estavam plantadas eretas como o ferro para o alto". quando. era esse o uso outrora. 11.Arte Poética . Talvez também as coisas não sejam representadas da melhor maneira (para a atualidade). por exemplo. saber a quem se dirige. se para produzir maior bem ou para evitar maior mal. por que e para que. a referente ao uso da glosa (termo dialetal): em ourhaz men prvton "primeiro os machos".Aristóteles perseguição de Heitor. 14. como se fosse para os bêbados. e que seja verdadeira a opinião de Xenófanes(67): "mas a multidão pensa de modo diferente". Se. 13. No exame do estilo importa refutar certas críticas. pois os cretenses exprimem por — de belo aspecto — a beleza do rosto. se o poeta ignorava que a corça não tem cornos. Pois é possível que esta opinião sobre os deuses não seja boa nem exata.

Por exemplo. daí dizer-se "cnêmide de estanho novamente fabricada". como nos versos de Empédocles: "Depressa se tornou mortal. seria conveniente verificar de quantas maneiras se pode admitir que a lança tenha se detido. daí se pôde dizer que Ganimedes serve esta bebida a Zeus.) 19.. denominam-se "trabalhadores de bronze". e logo a seguir diz: "quando olhava para a planície de Tróia. falta apenas o último". É provável que o problema seja proveniente de um equívoco. dormiam a noite inteira". pois o termo "todo" contém a idéia de "muito". Todas estas expressões podem resultar de metáfora. Seguramente. formam idéias preconcebidas. deuses e guerreiros. Pode tratar-se da acentuação. pois o termo plevn(68) tem sentido duplo. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. Também: "a única que não se deita". 21. inteiramente oposta ao método de que fala Glauco. 25. Os operários que na realidade trabalham o ferro. sem boas razões. a saber: alguns. pois o mais conhecido é o que está só.. Outras vezes pela diérese. a acreditarmos nos cefalênios. embora os deuses não bebam vinho. como. o que antes tomara o hábito de ser imortal. o ruído das flautas e das siringes". como por exemplo em: "Todos os outros.Aristóteles 17. Outras vezes por anfibologia: "as estrelas percorreram boa parte de seu curso.htm (44 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . 20.. Pensa-se que ele foi lacedemônio. 24. por exemplo. já passaram mais de dois terços da noite. "todos" está em lugar de "muitos" por metáfora. sempre que vier de encontro à opinião deles. Outras vezes trata-se de certa maneira de falar. 22 Quando um termo parece provocar uma contradição.Arte Poética . depois põem-se a raciocinar e a decidir pela condenação do que se lhes afigura ter sido dito no poema. ao vinho misturado com água dá-se o nome genérico de "vinho". em "a lança de bronze aqui se deteve". e as coisas antes puras tornaram-se mescladas".(. Será esta a melhor maneira de compreender. O poeta pôde falar por metáforas. e que se trata de Icádio e não de Icário. Parece portanto absurdo que Telêmaco não o tenha encontrado quando foi à Lacedemônia. importa examinar quantas interpretações ele pode tomar no passo em questão. mas talvez as coisas se tenham passado de modo diferente. 18. 23. Dizem estes que Ulisses foi à terra deles casar-se.. deve-se entender por metáfora. Foi o que sucedeu a propósito de Icário.

pois é verossímil que aconteçam coisas na aparência inverossímeis. e são doze. E talvez seja impossível que os homens sejam tais como os pinta Zêuxis. o prejudicial. quando se trata do absurdo e da perversidade pura. 31. ou à maldade de Menelau na peça Orestes.Aristóteles 26. As críticas referem-se a cinco pontos: o impossível. e por que motivo. é necessário examiná-las. Entretanto a crítica tem fundamento. 30. mas ele os pinta melhores porque o paradigma deve ser de valor superior ao que existe. No que diz respeito à poesia. Quanto às contradições. mostrar que por vezes não são ilógicas. se o poeta falou. devemos atribuir a presença do impossível à própria poesia. quanto às coisas irracionais referidas pela opinião. o contrário às regras da arte. conforme foi dito. temos de admiti-las tais como são propaladas e 29.htm (45 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . ele próprio. 27. deve-se preferir o impossível crível ao possível incrível. o contraditório. não havendo então necessidade de se recorrer ao irracional. como se faz com as provas colocadas nos processos. o irracional. Em suma.Arte Poética . ou à opinião corrente. como fez Eurípedes a propósito de Egeu. ou ao melhor para a situação. e o que pensaria sobre o assunto um homem sensato. CAPÍTULO XXVII Superioridade da tragédia sobre a epopéia file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. As refutações devem ser buscadas nos casos enumerados. 31. ver se a afirmação refere-se ao mesmo caso e às mesmas coisas e da mesma maneira. 28.

como era censurado Calípides e em nossos dias o são alguns outros. Esta. quando acompanham com seu instrumento a representação do Cila. ou mesmo entremeá-la com o canto. pois sua qualidade pode ser avaliada apenas pela leitura. às vezes multiplicam os movimentos. 3. deveriam aplicar-se à tragédia. além disso — o que não é de pouca file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. segundo se diz. 6.Aristóteles Poder-se-ia perguntar qual das duas é superior à outra. O mesmo se dizia de Píndaro.htm (46 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . e. julgando que o público seria incapaz de sentir caso eles não acrescentassem a interpretação ao texto escrito.Com efeito. semelhando os maus tocadores de flauta que rebolam a fim de imitar o lançamento do disco. Acresce que a tragédia. produz seu efeito próprio. 9. 10. pois que até o rapsodo pode levar a imitação ao ponto de se servir de gestos. em relação aos primeiros. esta crítica não vai endereçada contra a arte do poeta. e se é sempre esta a que se dirige aos melhores espectadores. não devemos condenar toda gesticulação. Os atores em cena. a tragédia pode utilizar o metro desta última. mas só a dos maus executantes. manifestamente é de qualidade inferior. e se a tragédia tem algo de banal. com efeito. Estes últimos são. é feita para um público de bom gosto. se ela é superior em tudo o mais. ela contém todos os elementos da epopéia. Assim. por imitarem mulheres de condição servil. por causa da gesticulação forçada demais. não é necessário que o seja neste particular. Em seguida. mas sim contra a do ator. 2. Em primeiro lugar. 8. Portanto. ao passo que a tragédia se destina ao vulgo. nem toda dança. o que toda a arte trágica é em relação à epopéia.Arte Poética . a que se propõe imitar tudo seria por conseguinte a mais vulgar. assim. como fazia Sosístrato. como Mnasíteo de Oponte. 5. As críticas que os antigos atores dirigem a seus sucessores. Minisco tratava Calípides de macaco. Em seguida. 7. que não precisa de toda aquela gesticulação. tal como a epopéia. mesmo não acompanhada da movimentação dos atores. se a menos vulgar é a melhor. ou que arrastam o corifeu. 4. se a imitação épica ou a trágica.

realizando melhor sua finalidade. se o poeta em sua epopéia trata uma só fábula. sobre a natureza e espécie das mesmas. ou então. resultará prolixa. ou seja. se a obra é constituída por muitas ações. se a tragédia se distingue por todas estas vantagens e mais pela eficácia de sua arte (ela deve proporcionar. mas o que é por nós indicado). ela é superior à epopéia. sobre seus elementos essenciais. 15. E mais: com extensão menor que a da epopéia. de modo que. 11. ela será exposta de modo forçosamente breve. que concorrem para gerar aquele prazer mais intenso que lhe é peculiar. a imitação em qualquer epopéia apresenta menor unidade que na tragédia. enfim sobre as críticas e os efeitos que provocam. Mas se trata muitas fábulas. A prova é que. a imitação de uma arte única. não um prazer qualquer. bem como a Odisséia. conformando-se às dimensões habituais do gênero. e resultará bem mesquinha. é evidente que. ora. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. 12. e no entanto estes poemas formam um todo da maneira mais perfeita e constituem.Aristóteles importância — dispõe da música e do espetáculo. Portanto. mesmo assim ela atinge seu objetivo. Por exemplo. 14. Falamos sobre a tragédia e sobre a epopéia. que é imitar. sua clareza permanece intacta.htm (47 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . partes que em si são extensas. o que é mais concentrado proporciona maior prazer do que o diluído por longo espaço de tempo – pensemos no que seria o Édipo tratado no mesmo número de versos que a Ilíada! 13. sobre as causas que as tornam boas ou más. a Ilíada comporta muitas partes deste gênero. 16.Arte Poética . carece de unidade. no mais alto grau. tanto na leitura quanto na representação. Além disso. de qualquer imitação épica se extraem vários argumentos de tragédia. número e diferença dos mesmos. Além do mais.

8. foi pintor ateniense afamado. Segundo Aristóteles. Viveu no século IV A.. pelo lat. P. . Tersites.Aristóteles NOTAS 1. cantava os heróis da Guerra de Tróia – a julgar pelos títulos das peças. 11. A.Arte Poética . Sófron de Siracusa (primeira metade do século V) criou o gênero que se chamava mímica. 9. poeta lírico dórico— originário duma ilha de Lesbos chamada Antissa— (talvez primeira metade do século VII A. canto coral de caráter apaixonado (alegre ou sombrio). Diz-se que esta foi a primeira associação feita entre a poesia e a música. introduzindo um coro cíclico de cinqüenta personagens.. Ditirambo era poesia coral para honrar Dionísio. Parece que. Na Arte Retórica.C. Dionísio de Colofônia.. 2. 1. considerados companheiros do deus Dionísio. mímica apaixonada. VII A. e de outra propriamente coral. Era um tipo de canto religioso hierático... e fala do prazer que se sentia ao ler suas peças. executada por personagens vestidos de faunos e sátiros..C. Dioniso. constituído de uma parte narrativa. Xenarco era poeta cômico. A raiz da palavra Dionísio é trácia: nisos — filho. Hegémon de Tasso era poeta cômico. Aristóteles o elogia por ser bom logógrafo. 5.C. dithyrambu] S... Tiestes. decorou o Pécile de Atenas. Pintou "O saque de Tróia" no pórtico (Lesque) Cnídio de Delfos. Viveu no século V A. Querémon foi poeta trágico. Ulisses. dithyrambos. 4. recitada pelo cantor principal.) foi poeta trágico. 12. Diz-se dele que era conhecido como poeta cômico porque introduziu cenas engraçadas em suas peças. Teat. 2. ou corifeu.. escrito em hexâmetros dactílicos.. Terpandro. o ditirambo (coro cíclico acompanhado pela dança.. talvez uma narrativa épica) deu origem à tragédia ática.).m. 6. foi autor de composições musicais em que o canto era acompanhado por cítara. Não se conhece em que época viveu. V. Segundo o dicionário Aurélio: [Do gr. Os primeiros ditirambos foram transplantados da Ásia Menor para a Grécia. Centauros. 3. fazia uma narrativa em celebração ao deus. Composição lírica que exprime entusiasmo ou delírio.. Nas origens do teatro grego. que dançava e. A história grega registra bastante informação a seu respeito.. Nicócares foi poeta cômico. em honra do qual se prestava essa homenagem ritualística.C. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. entre eles: Aquiles.C. Cleofonte de Atenas (séc.) compôs os primeiros ditirambos para o teatro.htm (48 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . assim como Homero... especialista em paródias. Empédocles de Agrigento foi um filósofo do século V. que zombou do primeiro na Acarnenses. música de flautas. e Mús. V A. Parece que Árion (séc. Polignoto de Tasos (séc. que se chamava nomo.. 7. quando Árion organizou o verdadeiro carnaval das comemorações dionisíacas. Páuson foi contemporâneo de Aristófanes. Alguns fragmentos de tragédias escritas por Querémon chegaram até nós. no qual se tentava apresentar uma imitação perfeita da vida.. ext. Viveu no século IV A.C. 10..). decerto. Infere-se que o ditirambo deve ter penetrado na Grécia acompanhando o culto desse deus.C.

na corte de Dionísio. Chegaram até nós alguns fragmentos de suas obras. também Fórmis (séc. V A.C. das quais conhecemos 11 apenas. cujos títulos cita. e fragmentos de algumas outras. foi quem deu forma artística ao turanismo de Mégara. tiranos irmãos que admiravam e protegiam os artistas.).). e 388 A. de Mégara. chegaram até nós sete tragédias e fragmentos de várias outras. Viveu entre 540 A. à custa de um cidadão designado para servir de corego. 18.C. O arconte escolhia três poetas. Fixou-se em Siracuso. Nasceu em 495 A.C. que era colônia dória. Magnete de Icária. 22.C. X D. Assim como Epicarmo.C. Entretanto Aristóteles considera que Formis de Siracusa e Epicarmo foram os criadores da comédia. De todo o seu trabalho. O arconte-rei era o máximo pontífice religioso. Era cortesão na Macedônia. Epicarmo era de Cós.C. Eram executados por cantores chamados falóforos.C.C. além de fragmentos de um drama satírico. filósofo e poeta cômico. Ficava a seu encargo a organização das representações dramáticas. 23. o inventor da comédia foi Susarião (século VI A. foi poeta cômico. Segundo a tradição. poeta cômico que viveu em cerca de 400 A. 19.C. Margites ou Louco enfatuado de si mesmo.C. pertencendo ao séquito do rei Arquelau.C. Quando se tornou poeta. para terem suas obras representadas.Arte Poética . era especialista em criação de tipos característicos.C. Sófocles era de Colono. foi viver sob a proteção de Gelão e de Hierão I. 21. 24. aos gritos de que sua cantoria não era para as virgens. 14.). Aristóteles vê nele a origem da comédia. Timóteo de Mileto foi poeta lírico e músico. Os cantos fálicos eram farsas mimadas. viveu em fins do século VI A. Epicarmo gostava de criticar os costumes bárbaros do povo siciliano e sua tendência para a gula. celebradas em cidades como Sicíone. O coro era concessão do arconte. Sua infância e juventude. 16. Diz-se que foi o primeiro a receber um prêmio com uma comédia. e na primeira metade do século V A. 17. 20. Crates de Atenas (sabe-se que faleceu em 424 A. O Velho. 25. passou-as em Mégara.C. Crônidas de Atenas foi poeta cômico (séc. e seu objetivo como escritor era claramente moralizante.) viveu nas cortes de Gelão e Hierão I..htm (49 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . V A. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. e ao ser autorizado significava uma espécie de aval para encenar o espetáculo. Aristóteles considera Fórmis um dos criadores da comédia.. Suidas (séc. falecendo em 356 A. morreu em 406 A.C. Epicarmo da Sicília. 15.C. pois eram um culto público a Dionísio. perdeu-se. bastante indecentes. e 452 A.C.Aristóteles 13.C.). poema satírico que Aristóteles atribui a Homero. a 380 A. um demo da Ática. Escreveu 44 comédias. Viveu entre 427 A. dentre todos os concorrentes. e na Ilíada e na Odisséia a origem da tragédia. como o Ébrio.C. Sabe-se que nasceu em 446 A. na Sicília.) afirma serem dele algumas tragédias. Filóxeno de Citera foi autor dramático e lírico (439 A. Aristófanes de Atenas.

outras em versos iâmbicos mesclados aos líricos. tornando-se.). e V A. Casado com Hipermnestra. após abandonar a esposa Alfesibéia para se casar com Calirroe. 34. pois obteve a vitória de 416 A.C. Alcméon era filho do adivinho Anfilau. diálogo lírico entre o coro e alguns personagens em cena.htm (50 of 53) [3/9/2001 15:05:20] .C. A.C). 30. sendo posteriormente reconhecido por sua ama Euricléia. por isso. pois erle aparece no Banquete fazendo um discurso medíocre.).C. quando o pai delas mandou que todas as suas filhas matassem os homens com quem tinham casado. A tragédia de Agatão perdeu-se. 38..C.C. agradável. hostoriador das guerras médias (séc. Trata-se da Ifigênia em Tauris. escritas por vários poetas conhecidos. Paníase de Samos (séc.). Refere-se a Herodoto de Helicarnasso. Alcibíades (séc. referente à melopéia. com sua primeira peça. 31. Linceu era um dos filhos de Egito. morto pelos argivos em lugar do próprio Linceu. porque a Odisséia contém a parte em que Ulisses é ferido na perna por um javali. Melopéia era a parte da arte musical que se referia à composição melódica. ou porque a edição de que dispunha não trazia esta cena—. Uma das oito tragédias de Sófocles que não chegaram até nós. V.). Pintava figuras de crianças e mulheres mitológicas. Agatão fez críticas ao estilo usado por Agatão nas Tesmofórias. VII A. 36.C. e V A. herói dório. sabendo que a missão era suicida. Aristóteles diz que ela não fora mencionada por Homero. Na peça. ação de bater no peito. VI A. Matou sua mãe.C. Assim também. Eram coletâneas de poemas. Mais tarde Alcméon. 35. Astidamante (poeta que viveu file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. 32. O autor foi poeta de renome. A. antes de o reconhecer.) 29. Eram conhecidos entre os séculos VII A. 33. o herói ateniense.C. Linceu foi sucessor de seu tio e sogro Dânao. 37. em estrofes que iam se sucedendo livremente. às vezes em versos líricos. 28. subordinando a música à poesia.C. Apenas alguns fragmentos e nomes de personagens chegaram até nós destes poemas cíclicos. causando sérios problemas à sua pátria. que o identifica justo ao observar a ferida. quanto à loucura fingida por Ulisses. ficou famoso por ser belo e leviano. sua prima. no monte Parnaso. que Aristóteles menciona também não estar presente na Odisséia.C. Os personagens principais eram Heracles. Tragédia de Teodectes de Fasélis (sec. V A. Zêuxis de Ericléia viveu em Atenas no final do século V. Por alguma razão— esquecimento. Baquídiles de Ceos (sécs. IV A. Pouco chegou até nós. entre os quais sabe-se que estavam incluídos Pisandro de Rodes (séc. por ter ela forçado o marido a ir cercar Tebas.Aristóteles 26. Esse ponto é bastante discutido. A. uma das cinqüenta danaides. Era uma seqüência de sons musicias dispostos de forma a provocar uma emoção estética harmoniosa. commoz: lamentação. V. Aristóteles refere-se à Electra de Sófocles. morreu degolado pelos irmãos de Alfesibéia. e Teseu.C. Electra já é conhecida por Orestes. peça de Eurípides representada em 410 A. Parece que Platão não gostava do poeta. Erífila.Arte Poética . foi poupado pela esposa. 27. a informação é errônea.

htm (51 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . Mérope de Acádia. para libertá-los. Hëmon. Os maiores dramaturgos da Grécia usaram essa história para compor tragédias. todas hoje perdidas. Hele caiu no mar que ganhou seu nome. aonde fora lançado por uma tempestade. No Ajax de Sófocles. 44. Nas margens do rio Caíco.Arte Poética . hoje perdida. ela jogou no fogo a tocha em que as Parcas haviam acorrentado o fio da vida de Meleagro. os perseguia e Zeus. 43. ojavali de Cálidon. Ulisses o enfrenta e é morto pelo próprio filho. por ter sepultado seu irmão Polinice. Também a esposa de Creonte se mata. Télefo era rei da Mísia. A madrasta do casal de irmãos. foi ferido por Aquiles. se tornasse aliado dos gregos. Eurípides escreveu uma tragédia a respeito de sua história. sempre incitado por Electra. Egisto. foi assassinado por ela epor Egisto. É condenada à morte por Creonte. ele correu a ajudá-los. Meleagro tomou parte na expedição dos Argonautas e matou. que não o reconheceu. Egisto aparece nas peças em que Clitemnestra é personagem. Também Eurípides e Agatão escreveram tragédias. Orestes. mata sua mãe Clitemnestra e o amante desta. Quando os troianos foram cercados. enviou um carneiro com velocino de ouro que os transportaria até a Anatólia. tem um irmão chamado Frixo. em seguida. Usando a ferrugem da lança de Aquiles. 48. esposa de Cresfonte. Também matou os dois irmãos de sua mãe numa briga. 42. Seu marido Agamemnon. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. Antígona era filha de Édipo. etc. A tocha queima e Meleagro morre com a combustão. Os filhos famosos de Clitemnestra. tentou devastar a ilha de Itaca. Ifigênia exclui-se do drama. filho de Creonte. por gratidão. 45. O terceiro filho de Mérope. Ino. Ulisses curou-o. Menelau e Agamenon saem reconciliados pela intervenção de Ulisses. na fábula de Homero. fazendo que Télefo. Orestes. intrigas inverossímeis.desesperada. 47. Telégono. Aristóteles censura os críticos do que seriam alguns defeitos das peças de Eurípides. criado em segredo pelo avô. ao retornar de Tróia. 40. suicidou-se porque amava Antígona. e a injustiça é reparada com estas mortes. denominadas Télefo. planejam matar a mãe. Clitemnestra era filha de Tíndaro e de Leda. Havia uma tragédia a respeito desta lenda.C) sobre Alcméon. 46. 39. Em desespero. rei de Orcômeno na Beócia. mata o tirano antes que consiga realizar seu intento. denominada Mísios. motivou a Guerra de Tróia. com quem ia casar-se. e a Helena que. em função das regras então codificadas sobre o teatro grego – como a repetição dos mesmos efeitos e meios. Hele. que a desejava e tenta depois obrigá-la a casar com ele. Teucro. Sófocles escreveu uma tragédia (desaparecida) sobre o tema. filho de Ulisses e de Circe ou de Calipso.Aristóteles nos séculos V e IV A. perdidas. que era amante de Clitemnestra. que o tirano Creonte considerava traidor da pátria. porém. Seus irmãos eram Castor e Pólux. e Frixo chegou à Cólquida. O marido de Mérope é assassinado por um tirano. filha de Atamante. Alcméon era filho de Erífila. Ifigênia e Electra. 41. Os dois nasceram do primeiro matrimônio de Atamante.

Zeus o leva para o Olimpo.Arte Poética . Cárcino de Atenas. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. 57. seduzida pelo feitiço de um colar. I d. ele volta a si e se mata. Este capítulo. Seus personagens agiam e discursavam em tribunais. rei da Trácia. Ésquilo compôs uma peça a respeito deste mito. filho deles.C. Sófocles e Eurípides fizeram peças sobre a tragédia de Peleu. Há uma peça de Sófocles sobre o tema. Coéforas é a segunda obra de uma trilogia escrita por Ésquilo (séc. à qual deu o nome.htm (52 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . Oartifício cênico a que Aruistóteles se refere é o carro alado que Medéia recebe de presente do Sol. 63. 54. Eurípides compôs outras tragédias usando Melanipo. Erífila. 60. está cheio de lacunas no texto original.C. 61. séc. mas todas foram destruídas. provocado porque as armas de Aquiles foram dadas a Ulisses. Existem controvérsias a respeito desta interpretação feita por Aristóteles. a segunda chama-se Oréstia e a terceira Eumênides. descobriu o esconderijo onde ele estava. Parece que este Políido é o mesmo Políido pintor. 58. 51. 50. 64. suicidou-se após um acesso de loucura. viajou com os argonautas. Adivinho célebre. 56.). Foi representada em 413 A. 59. pequena região onde Aquiles reinava. 52. pois não queria participar da guerra contra Tebas. em absoluto. VI/V A. Ftiótidas eram as mulheres da Ftia. onde o delírio de Ajax é provocado por uma deusa. por seu excesso de orgulho. Cartago e a Pérsia. filho de Télamon. A primeira peça é Agamenon. Viveu no século IV A. onde Íxion ousa apaixonar-se por Hera. que deu ouvidos ao vitupério de sua segunda esposa e mandou vazar os olhos dos filhos de seu primeiro matrimônio. músico e poeta ditirâmbico que viveu no século IV ou final do século V. assim como Ajax. Zeus o precipita no Tártaro. Teodectes de Fasélis foi poeta trágico e orador. As Fineidas dizem respeito aos filhos de Fineu. 55. e as expedições não foram. 62. Há um verso dessa tragédia no Banquete de Platão. apunhalou a própria mãe por vingança por haver esta descoberto o ardil de Anfiarau. Autor desconhecido.. Ajax. Melanipo é personagem de uma tragédia de Eurípides.). puxado por dois dragões.C. Medéia é uma tragédia de Eurípides. C) afirma que houve tratados entre Susa. uma coincidência. poeta trágico (século IV A. A historiografia siciliana (Diodoro da Sicília. Sua mulher. de pouca importância no que diz respeito à Teoria Aristotélica sobre a arte poética. Aclméon. Íxion é punido.Aristóteles 49.C. Sófocles escreveu uma sobre respeito o tema. 53.. A obra de Arífrades foi toda destruída e não se tem notícia alguma deste poeta como pessoa. onde tem que mover uma roda em movimento perpétuo. Após ter matado as reses do rebanho que pertencia ao exército.

no Ulisses disfarçado.Arte Poética . A pequena Ilíada foi escrita por Lesqueos de Lesbos. Os autores da lista de poemas mencionada por Aristóteles são: O juízo das armas — Ésquilo. Mas não exitiam ainda.C.htm (53 of 53) [3/9/2001 15:05:20] . Viveu na segunda metade do século VI A. Troianas — Eurípides. Xenófanes. 68. eterno. Significa "a metade" ou "dois terços". Deus é uno. filósofo eleata de Colofônia. outros poetas gregos construíram várias histórias que se tornaram célebres. em honra de Apolo. Lacedemônias. de quatro em quatro anos. Filocteto — Sófocles e Ésquilo. 66. e sua obra trata de teologia. Baseados n'Os cantos cíprios. está na Odisséia. Sínon — Sófocles. 67. file:///C|/site/livros_gratis/arte_poetica. foram destruídos. Para Xenófanes. no tempo em que Electra viveu. escritos em onze livros pelo poeta Estásino de Chipre (do ciclo troiano). filho de Sófocles. O mendigo. imortal e espiritual. Saque de Tróia — Iofon. Ajax — Sófocles. Eurípilo (restam fragmentos) — Sófocles. Os cantos cíprios. Infelizmente. criticando bastante as crendices e o politeísmo populares. Era também um trabalho importantíssimo. Neoptólemo está em Filocteto — Sófocles. Os Jogos Píticos eram celebrados em Delfos.Aristóteles 65.