Galiot

Era uma vez dois irmãos, Elena e Haroldo, que moravam em um povo muito tranquilo. Lá existia uma casa onde morava um ser estranho, esquisito, raro. Este ser olhava as crianças que vinham da escola através de uma janela escura. Os olhos brilhantes do ser inquietavam Elena. Elena era uma menina muito alegre, curiosa, esperta, e um dia decide, junto com o irmão, descobrir o misterioso mundo que jazia naquela casa. Haroldo, um pouco temeroso seguiu a irmã. Ao chegar àquela casa, velha e arrepiante, bateram à porta, e foram recebidos por um homem magro e velho. Este homem atendia pelo nome de Filadelfio. A casa era escura e cheia de pó. Os donos da casa, um casal com sorriso malicioso, convidaram os irmãos para jantar. Os irmãos aceitaram com a finalidade de conhecer o dono dos olhos brilhantes que morava nessa casa. Assentados nas cadeiras e preparados para jantar, os meninos perceberam que havia mais um assento. Nesse momento, observaram como Filadelfio puxava uma cadeira de rodas. Na cadeira, estava uma pessoa com o rosto coberto por uma manta. Ao chegar bem perto da mesa, o mordomo descobre o rosto, e pela primeira vez, Elena observa Galiot, um menino de mais ou menos catorze anos com paralisia infantil. Elena descobre que aqueles olhos que tanto a inquietavam eram dele, do moço na cadeira de rodas que olhava pela janela! Galiot tinha as mãos e pés tortos, dentes sujos e estava apertado por um cinto. O cinto o machucava visivelmente. Ele ficou tão nervoso ao olhar os meninos que quando tentou experimentar um bocado jogou a comida sobre si. Este fato provocou nele um ataque de cólera e movimentos bruscos. Os pais e o mordomo tentaram acalmá-lo cobrindo a sua boca com um lenço. A mãe brigou com o pai e juntos tentaram, com muita violência, calar Galiot. Haroldo ficou muito nervoso e ia embora, mas Elena não o deixou. Ela olhava como o rapaz era tratado com tanta crueldade, e aproximou-se do rapaz e acariciando seus cabelos lhe deu um beijo no rosto. O rapaz acalmou sua cólera e presenteou a menina com um sorriso enorme! Os pais e o mordomo compreenderam nesse momento que o que faltava a Galiot era um pouco de amor, compreensão, doçura e carinho. Depois desse dia, todas as tardes, Galiot foi visitado por seus novos amigos que foram tornando-se muito mais ao longo do tempo. Aquele ser estranho de olhos brilhantes era tratado como um ser humano e não como um objeto da crueldade de outros seres não tão humanos.