You are on page 1of 288

PROGRAMA 1 CHEGADA A PORTUGAL
Portugal é um país com uma área total de cerca de noventa e dois mil Km2. Ocupa o extremo oeste da Europa, na zona ocidental da Península Ibérica e é delimitado a norte e este por Espanha e a sul e oeste pelo Oceano Atlântico. Compreende ainda os Arquipélagos dos Açores e da Madeira, no Atlântico Norte. É um país rico pela sua história e diversidade. Independente desde 1139, possui as fronteiras mais antigas da Europa e é a primeira nação deste continente europeu a usar uma única língua: o português. Podemos dizer que a diversidade de Portugal pode ser apreciada em quatro, ou cinco, grandes blocos: o Norte, o Centro, o Sul e as Ilhas, que formam duas regiões autónomas: a dos Açores e da Madeira. Nesta série de programas vamos conhecer essa diversidade e também alguns aspectos da língua portuguesa, na companhia de três amigos...

António: – Olá! Eu sou o António Silva. Estou no aeroporto à espera de um grande amigo meu, o João Tavares. Ele vem passar as férias a Lisboa e vem com a prima, a Ana Paula. O avião já aterrou, por isso acho que estão quase a aparecer ali ... (...) António: - João! Estou aqui! ... João (para a Ana): – Olha o António! Está ali! (Para o António) – Que bom! Ainda bem que estás aqui! Que bom voltar a ver-te! Como estás? António: – Estou óptimo, obrigado.

1

João: – Este é o meu amigo António. (Para o António) - E tu, lembras-te da minha prima Ana Paula? (Para os dois) Vocês já se encontraram, lembram-se? Ana: – Claro que me lembro! (Para o António) - Que prazer em voltar a vê-lo! Como está? António: – Lembro-me perfeitamente. (Para a Ana) - Para mim também é um prazer voltar a encontrá-la. João: – Mas porque é que vocês não se tratam por tu? Deixem-se de cerimónias. António: – Com certeza. Também concordo. Ana: – Também acho. É muito mais prático. António: – Então, a viagem? Foi boa? Ana: – Boa, mas um bocado cansativa... João: – Claro! Para a Ana todas as viagens são cansativas... É natural... Ela traz sempre tantas malas! António: – Bem, eu tenho ali o carro para vos levar ao hotel. Tenho pena de não vos receber em minha casa, mas... tenho um apartamento muito pequeno... João: – Por favor. Não tens de ter pena... nem tens de te incomodar connosco. Está muito bem assim. Nós estamos de férias, podemos ficar no hotel, podemos passear e fazer o que nos apetecer. Tu tens o teu trabalho. Encontramo-nos nos teus tempos livres... Ana: – Claro! Não tem importância. Podemos perfeitamente descobrir a cidade sozinhos... (...) João: – Estou espantado! Não me lembro de nada disto! Há tanto tempo que não venho cá!... Ana: – Bem... está muito diferente!... É natural! Tudo muda com o tempo...

2

António: – Pois é! Há muitas coisas novas e outras antigas. Continua a ser uma cidade de contrastes. Vocês vão gostar muito de Lisboa... e de Portugal inteiro!. João: – Acho que sim! Quero ver tudo... Ana: – Bom, tudo é impossível... mas eu também quero passear... Quero conhecer um bocadinho da história portuguesa, quero fazer compras; quero comer aqueles petiscos de que os meus pais falam tantas vezes... António: – Ah! Isso é o mais fácil....Estou a ver... Planos não vos faltam!... João: – Podes crer... António: – E já cá estamos. Este é o vosso hotel. (...) Recepcionista: – Boa tarde. Façam favor.... João: – Boa tarde. Temos uma reserva de dois quartos individuais. Um em nome de João Pedro Tavares ... e outro em nome de Ana Paula Martins. Recepcionista: – Só um momento.... Ah! Exactamente. Cá está: A Sr.ª D. Ana Paula tem o quarto n.º 806. tem uma vista muito bonita para a cidade. O Sr. Tavares tem o quarto n.º 817 com vista para o castelo e para o rio João: – Óptimo! Adoro ver água... e barcos... E tem varanda? Recepcionista: – Tem, tem. Tem uma varanda. Não se importam de preencher aqui esta ficha com os vossos dados pessoais? passaportes também. É só por um instante. João: - Com certeza. Recepcionista: – Muito obrigada. Aqui têm as chaves. O elevador fica à direita. Os quartos ficam no 8º andar. Ana: - Obrigada. João: - Muito obrigado António: – Bom. Então agora deixo-vos à vontade. Amanhã telefono, mas ficam com o meu número de telemóvel João: – Obrigado por tudo, António. Não te preocupes connosco. Depois vou precisar dos vossos

3

Ana: – Obrigada, António. Gostei de voltar a ver-te. Até amanhã.

A Ana e o João acabam de chegar ao aeroporto de Lisboa, onde encontram o António, um amigo do João. Os cumprimentos entre os dois rapazes surgem naturalmente. Depois, de um modo um pouco mais formal, a Ana é apresentada ao António. Este programa, por ser o primeiro, alerta para convenções sociais que se estabelecem entre falantes. São especificidades da língua que revelam adequação a contextos e situações, ora mais informais ora mais formais, de que são bom exemplo as formas de tratamento. Neste programa, abordamos ainda os diferentes modos de que dispomos em português para referenciar o outro, para nos

apresentarmos ou apresentarmos alguém e ainda para agradecermos. Falaremos também da distinção entre os verbos SER e ESTAR. 1. FORMAS DE TRATAMENTO

Terão, provavelmente, notado que no início do diálogo as formas de tratamento usadas entre o António e o João diferem daquelas que surgem entre o António e a Ana. É possível sentir-se que há uma maior familiaridade entre os dois rapazes porque estes se conhecem há mais tempo e têm uma relação de amizade mais longa. Vamos rever:

João: - Que bom! Ainda bem que estás aqui! Que bom voltar a ver-te! Como estás? Ana: – Claro que me lembro! Que prazer em voltar a vê-lo! Como está? João: – Mas porque é que vocês não se tratam por tu? Deixem-se de cerimónias.

4

a Senhora.3ª pessoa (TU ) singular (VOCÊ) ..Como estão? verbo 3ª pessoa plural (VOCÊS) . perguntando naturalmente por que razão eles não se tratam por “tu”.Como estás? . senhores? verbo 3ª pessoa plural (OS SENHORES) os 5 .Como estão? verbo 3ª pessoa plural (VOCÊS ) .Vemos que são usadas duas formas que diferem ligeiramente entre si e revelam dois modos de uso de língua: um uso informal e um uso formal. estes dois processos mostram a utilização do verbo na 2ª pessoa no primeiro exemplo (uso informal) e na 3ª pessoa no segundo (uso formal): Informal Formal Estás (tu) Está (você.3ª pessoa singular (O SENHOR) Como estão. o senhor X? verbo . o Senhor.) Por isso.. irá provocar uma uniformização das formas de tratamento usadas por estes três jovens amigos. . Vejamos em mais pormenor: Informal Formal + Formal . a imediata intervenção do João.Como está? Verbo -2ª pessoa singular verbo .Como está. Informal Formal “Que bom voltar a ver-te! Como estás?” “Que prazer em voltar a vê-lo! Como está?” Estruturalmente.

A terceira pessoa do singular do verbo é usada com ‘você’ e apresenta um grau de maior formalidade em relações de trabalho entre colegas ou noutras relações sociais entre pessoas sem proximidade familiar. constituir marca de poder hierárquico. em muitos casos.Na situação analisada surge a diferença entre o uso de “tu” e de “você”. usando a forma verbal correspondente à 3ª pessoa do plural. Por exemplo. De facto. com ou sem explicitação do pronome ‘tu’. O uso restritivo de ‘Vós’ Ainda uma nota de atenção quanto ao uso restrito do pronome “vós”. lembram-se? (Vós já vos encontrastes. Trata-se de um pronome de uso muito circunscrito à região norte do país. ainda que de forma breve. Ocorrem quando não existe qualquer grau de familiaridade entre os interlocutores. “você” não é usado de forma explícita. onde o seu uso é muito mais alargado. Vocês já se encontraram. situações em que ”você” é usado explicitamente. como pelo grau de formalidade que envolve: A segunda pessoa do singular do verbo. ao contrário do que acontece com o português brasileiro. É usada normalmente entre amigos e entre colegas de trabalho de faixas etárias iguais ou próximas. em Portugal. Habitualmente. pode. pode também ser uma marca de expressão de intimidade em certas camadas sociais altas. vindo do superior para o subordinado. Nas restantes regiões é habitualmente substituído por “vocês”. ou por “os Senhores”. contém uma marca de grande familiaridade. Contudo. no português de Portugal. lembrais-vos?) 6 . apercebemo-nos já de alguma diferença quanto à sua utilização. Expressões como “o Senhor” ou “os Senhores” são formas de cortesia bastante mais formais do que “tu” e mesmo mais formais do que “você”. não só pela forma verbal seleccionada. não é difícil encontrar.

informalmente. . ..Olha o António! . Observemos como os nossos jovens amigos se referem entre si e como são referidos pela recepcionista do hotel: Entre Amigos.. Mas quando.2. então o artigo definido é geralmente omitido (são exemplos disso “Pessoa escreveu a Mensagem” ou “Os Maias foram escritos por Eça de Queirós”). Recorre-se a outros processos. Tavares tem o quarto nº 817. Podemos verificar que... por exemplo. em português. fazer anteceder o nome próprio ou o apelido de expressões que indicam o género: “o 7 ....Este é o meu amigo António.) O Sr.. os nomes próprios de indivíduos fazem parte da nossa memória histórico-cultural colectiva. REFERENCIAR O OUTRO Também o modo como nos apresentamos e nos dirigimos ou nos referimos ao outro pode obedecer a recursos diversos.. A recepcionista do hotel.. Quando os interlocutores têm um contacto profissional ou circunstancial. A Srª D.Eu sou o António.. como. lembras-te da minha prima Ana Paula? Para a Ana todas as viagens são cansativas. .E tu.. Ana Paula tem o quarto nº 806 (. o uso da língua torna-se formal. nos dirigimos ao nosso interlocutor usando o nome próprio precedido do artigo definido.

”.Senhor” e respectivo apelido (no caso masculino).”. em que o artigo é omitido.O meu nome é António Santos.Chamo-me António Santos. a Ana . Dr. 8 . A Sr. Pode acrescentar-se ainda a indicação de algumas profissões. o António. como por ex..2 APRESENTAR ALGUÉM: Informal Formal . lembram-se? . ou apresenta alguém..Olá.: “Senhor Dr. ..Apresento-lhe o Sr. com nome próprio (no caso feminino). Eng. Margarida Campos. “Sr.. fá-lo frequentemente de um modo mais informal.1 APRESENTAR-SE: Informal Formal . . No entanto. com ou sem apelido: Informal Formal O Sr. (artigo + Senhor + Apelido) Fem.. Tavares. (artigo + Senhora + Dona + Nome próprio) O João. . . lembras-te da minha prima Ana Paula? Vocês já se encontraram. 2...ª D.ª D.Tenho o prazer de apresentar a Sr. Eu sou o António. (artigo + Nome próprio) Quando alguém se apresenta...Este é o meu amigo António. Mateus. Ana Paula Masc.E tu. Vejamos os exemplos: 2. “a Senhora Dona”. também aí pode haver processos mais elaborados em função de situações específicas.

SER . Este é o meu amigo António. Estou no aeroporto.ESTAR Quem fala português desde que nasceu. É natural! Este é o vosso hotel. AGRADECER Embora nem sempre se verifique na prática. É o caso dos verbos “SER” e “ESTAR”.Obrigado! Ana: .3. Olha o António! Está ali! Como estás? Estou óptimo! Nós estamos de férias. A viagem foi boa. não se apercebe da existência de dois verbos com significados bem distintos mas que correspondem a um único verbo em outras línguas. Vamos observar alguns exemplos retirados do diálogo ocorrido entre os nossos jovens amigos: Eu sou o António. 4. a fórmula básica de agradecimento varia em género e número. 9 . enquanto a Ana diz ‘obrigada’: De acordo com a pessoa que fala: João: .Obrigada! Apesar desta norma. de acordo com a pessoa que fala. constata-se uma tendência para a utilização da forma masculina singular por parte dos falantes em geral. provavelmente. o João agradece dizendo ‘obrigado’. Como vemos no exemplo.

“Lisboa está muito diferente” 2. “Este é o meu amigo”) que ocorre com o verbo “SER” e de outra propriedade transitória e temporária que ocorre com o verbo “ESTAR” (ex. facilmente se compreende que se trata de contextos que não permitem a troca do verbo. apesar da clareza destes contextos. apercebemo-nos de propriedades permanentes. apresenta alterações em relação a um estado anterior. Trata-se de uma propriedade duradoura: Lisboa é diferente do Porto.: “Eu sou o António”. é possível perceber a existência de uma propriedade de carácter permanente (ex. “nós estamos de férias”). Seria agramatical dizer : “*eu estou o António” ou “*Este está o meu amigo António” Assim como também seria agramatical proferir: “¨*eu sou no aeroporto” ou “*eu sou de férias” No entanto. “Lisboa é muito diferente do Porto” No primeiro exemplo. contextualizadas por “ser”. é única. tem prédios novos. 10 . cresceu. No segundo exemplo. encontramos propriedades transitórias ou temporárias: A cidade está diferente porque mudou. Vejamos o que acontece com os seguintes exemplos: 1. “Lisboa está muito diferente”.Partindo destes exemplos. “Lisboa é muito diferente do Porto”. Nestas frases.: “Estou no aeroporto”. é possível que ocorram situações em que só pelo uso do verbo é possível interpretar a frase.

O vale do rio Tejo possui características que evidenciam uma transição para sul do país. Algumas formações montanhosa preparam a entrada no Algarve. Muito próximo. cidade universitária por excelência. Na região Sul. 11 . construção romana do séc. A cidade de Évora. apresenta monumentos de épocas bastantes diversas. mais húmido e mais fresco. mais seco e mais quente.Vamos agora saber um pouco mais sobre Portugal. as ruínas romanas da cidade de Conímbriga recordam origens bem mais antigas. este rio parece dividir o território a meio: o Norte mais montanhoso. perpetuadas em lugares e tradições. no início do séc. XII. Estendendo-se mais para sul os terrenos vão ficando mais secos e menos povoados. São populares muitas histórias de feitos heróicos de resistência à dominação romana nos primeiros séculos da nossa era. De facto. dos quais se destaca o Templo de Diana. o Sul. No Centro encontram-se os contrastes do mar e da serra associados a memórias antigas. O verde das lezírias dá lugar ao dourado das searas de trigo e a grandes extensões de terra onde os rebanhos procuram descansar à sombras dos sobreiros. Com efeito. foi a partir daqui que se iniciou o processo de reconquista cristã. facto que deu origem à formação do reino de Portugal. II. o país que tem as fronteiras mais antigas da Europa. em que se destaca Viriato. classificada como Património Mundial pela Unesco. A cidade de Coimbra. No Norte de Portugal localiza-se uma área de densa vegetação e com uma profunda riqueza histórica. mais plano. muito conhecida pelas suas praias. possui uma das universidades mais antigas da Península Ibérica e uma vida intimamente ligada aos estudantes. região com características marcadamente mediterrânicas. bem recordado na cidade de Viseu. sobressaem as vastas planícies do Alentejo.

em pleno Oceano Atlântico. é possível percorrer as estações do ano em um só dia: Verão junto ao mar. fica o arquipélago dos Açores.mas onde se sente ainda a grande influência da cultura árabe que ali se manteve entre os séculos VII e XIII.. Prova disto é a classificação de Património mundial da Humanidade atribuída ao centro histórico de Angra do Heroísmo e à Paisagem da Cultura do vinho da Ilha do Pico. São prova também as festas já milenares da devoção ao Divino Espírito Santo. muito diversas entre si. Primavera nas encostas altas do litoral. Outono nas do interior e Inverno nos cumes mais altos. algumas delas mantendo ainda vulcanismo activo. o arquipélago da Madeira surpreende pela beleza contrastada entre as suas principais ilhas: a de Porto Santo e a da Madeira. 12 . Aí. cujas raízes se perdem no tempo. É um conjunto de ilhas mágicas. formado por nove ilhas. A cerca de mil quilómetros para sul. A cerca de 1400 quilómetros a oeste de Lisboa.. e que conservam tradições que remontam aos primeiros anos da sua colonização.

das quais 3 milhões nos seus transportes particulares. São elas o Metropolitano de Lisboa e a Carris. e tem à volta de 500 mil habitantes. fácil de compreender o movimento diário de deslocações entre a periferia e a cidade e dentro da cidade: são aproximadamente 4 milhões de pessoas em movimento. abrangendo os concelhos das duas margens do rio Tejo. Em que linha é que estamos agora? 1 . Com a evolução crescente dos transportes privados.. de acordo com esta planta. aproximadamente. Querem ir para o Cais do Sodré de Metro. com mais de 2 milhões de habitantes e com mais de 3 mil quilómetros quadrados. Ana: – Ora bem. ajudam de forma decisiva nas deslocações dentro da cidade. Só a área urbana ocupa cerca de 84 quilómetros quadrados.. João.PROGRAMA 2 TRANSPORTES URBANOS A cidade de Lisboa é o centro de uma vasta área metropolitana. Em Lisboa existem duas grandes empresas de transporte público que. não é? Ora o Cais do Sodré fica na linha verde. nós queremos ir para o Cais do Sodré. regista-se um aumento dos congestionamentos nos acessos à cidade e uma crescente dificuldade em gerir todo este afluxo de trânsito. É. por isso. porque é mais rápido e é uma maneira diferente de conhecer a cidade. A Ana e o João vão utilizar os transportes públicos.

Vê lá se não tenho razão: implica andar para trás até ao Campo Grande e percorrer. perguntamos a alguém. Olha. Importa-se de nos dar uma? Funcionária: – Até dou duas: uma para cada um! O percurso é mais simples do que parece. não é? Funcionária: – Sim. depois. dê-nos dois bilhetes e. João: – Tens a certeza? Não há um percurso mais directo. vai a Roma.. O Cais do Sodré é logo a seguir. João: – Ah. são só três estações. Ana? Ana: – Haver. podem optar por bilhetes combinados ou pelo passe. João? João: – Para já. Se vão também andar de autocarro. João: – E que tipo de bilhete é que nos aconselha? Funcionária: – Depende. 2 . Temos de mudar de linha duas vezes. Nós queríamos ir para o Cais do Sodré. por acaso.. Se. Se não houver. que deve haver indicações claras. podem pedir ajuda um colega meu. João: – Estamos longe! Espero que a gente não se perca. Bem.João: – Deixa ver. Ana: – Lá estás tu a ser agoirento! Não te preocupes. passar para a linha verde. mudar para a linha azul até à Baixa/Chiado e. mas a volta é muito longa. Ana: – Bom dia. A outra hipótese é ir até ao Marquês de Pombal. isso perguntas tu! Ana: – Podes ficar descansado. toda a linha verde. … João: – Obrigado. vamos ali à bilheteira perguntar à funcionária. O que é que preferem? Ana: – O que é que achas.. Se vão andar muito de Metro. estamos na linha amarela. é a melhor opção. se perderem. depois.a linha girassol. talvez seja melhor um bilhete de dez viagens. praticamente. logo vemos. Ana: – Nem queiras saber. Quem tem boca. vamos ter de mudar de linha em algum sítio. há. vamos ter de mudar de linha duas vezes. Ana: – Nós não temos nenhuma planta do Metro..

ainda. prestar atenção aos excertos que se seguem: 1. os exemplos que se seguem (só o primeiro faz parte do diálogo): EXPRESSAR DÚVIDA 1. o João expressa dúvida em relação à acção da Ana. Ana?” (Não+presente do indicativo – frase interrogativa) 2. então. quando se preparam para apanhar um meio de transporte. neste caso o Metropolitano de Lisboa. “Se calhar há um percurso mais directo. Ana?” (se calhar+indicativo) 3 . o João duvida que a leitura que a Ana fez do mapa da rede do metro seja a correcta. No excerto que vimos. aspectos relacionados com o verbo haver e com o uso de determinados registos de língua. observem. Por outras palavras. Vamos.Ana: – Vamos andando. agora. “Tens a certeza? Não há um percurso mais directo. Poderia tê-lo feito de outras maneiras. EXPRESSAR DÚVIDA “Tens a certeza? Não há um percurso mais directo. Este programa reporta-se às acções da Ana e do João. Faremos referência a formas de expressar dúvida e desejo/expectativa. Ana?” O João e a Ana encontram-se numa estação de metro e tentam delinear o melhor percurso a seguir para atingirem o seu destino. Abordaremos.

Por fim.3. conjugado no presente do indicativo (no caso de há).1. tal como se verifica no excerto retirado do diálogo: 4 . Uma vez chegados a este ponto. há que fazer alusão a características específicas deste verbo: 1. Este advérbio tem a particularidade de ser seguido por uma forma verbal conjugada no modo conjuntivo. VERBO HAVER Há uma forma verbal que. o verbo haver.” (talvez+conjuntivo) As primeiras três frases recorrem ao presente do indicativo e são estruturas muito comuns em português. ocorre em todos os exemplos que tiveram oportunidade de ver. facto que lhe confere um cariz mais formal. o quinto exemplo recorre a outro vocábulo muito comum na língua portuguesa. “Não haverá um percurso mais directo?” (não+futuro do indicativo – frase interrogativa) 5. “Possivelmente há um percurso mais directo. A quarta frase apresenta o futuro do indicativo. “Talvez haja um percurso mais directo. O verbo haver pode ser sinónimo de existir.1. talvez. embora não esteja directamente relacionada com a expressão de dúvida. Já sabem qual é? Exacto. Convém realçar que a expressão se calhar ocorre tendencialmente em contextos informais. neste caso o presente do conjuntivo. no futuro do indicativo (no caso de haverá) e no presente do conjuntivo (no caso de haja).1. 1.” (possivelmente+indicativo) 4.

Ana?” Nestas fases. É o que podemos observar nas frases que se seguem e que não fazem parte do diálogo: PRESENTE DO INDICATIVO DAS FORMAS MONOSSILÁBICAS DO VERBO HAVER+HÍFEN+DE Eu hei-de encontrar o percurso mais directo Tu hás-de encontrar o percurso mais directo Ele/ela há-de encontrar o percurso mais directo A Ana e o João (eles) hão-de encontrar o percurso mais directo 5 . apenas se utiliza na terceira pessoa do singular (é aqui o caso de há).1. quando significa o mesmo que existir. há significa o mesmo que existe. embora se use em todos os tempos gramaticais. isto é. Ana?” “Tens a certeza? Não existe um percurso mais directo. seguido da preposição de (haver de). liga-se-lhe por um hífen nas formas monossilábicas. 1. as mesmas frases para o plural: “Tens a certeza? Não há percursos mais directos. o verbo haver. agora.“Tens a certeza? Não há um percurso mais directo. o verbo haver.2. No presente do indicativo. Passemos. Ana?” “Tens a certeza? Não existem percursos mais directos. Ana?” Tal como se pode constatar ao analisarmos estas frases. só com uma sílaba.

Existem mais vocábulos na língua portuguesa que se pronunciam da mesma maneira.“Olha.” Ah (interjeição) à (contracção da preposição a + o artigo definido feminino singular a) pronunciam--se da mesma maneira que há.“Ah.3. 1. vamos ali à bilheteira.1.O mesmo não se passa quando a preposição de é antecedida por uma forma com mais de uma sílaba do verbo haver. mas possuem significados diferentes. Ainda no âmbito do excerto que estamos a tratar. mas que se escrevem de maneira diferente e que não veiculam o mesmo significado. 6 . isso perguntas tu!” 2. Conseguem lembrar-se de exemplos? Vejamos estes outros excertos do diálogo: 1. sendo substituída no uso pela forma da terceira pessoa do plural – hão-de. deixem-me dizer-vos que a segunda pessoa do plural do verbo haver (haveis de) tem uma ocorrência extremamente rara. ora vejam: PRESENTE DO INDICATIVO DAS FORMAS COM MAIS DE UMA SÍLABA DO VERBO HAVER +DE Nós havemos de encontrar o percurso mais directo Vós haveis de encontrar o percurso mais directo Antes de continuarmos. gostaríamos de chamar a vossa atenção para a grafia da forma flexionada há.

Nesta situação. Ah é uma interjeição. EXPRESSAR DESEJO/EXPECTATIVA “Espero que a gente não se perca. ao contrário da forma verbal há que tem um acento agudo. o João continua a mostrar algum receio e dá voz ao seu desejo/à sua expectativa de não se perderem. Todavia.” Espero que… + presente do conjuntivo do verbo perder Estamos perante uma atitude e um sentimento do João. 2. Na segunda frase. Poderia ter optado por frases diferentes. o h encontra-se em posição final e a palavra não tem qualquer acento gráfico. neste caso do presente do conjuntivo.Na primeira frase. Reparem como o faz: “Espero que a gente não se perca. quando este se mostra expectante em relação à hipótese de se perderem no metropolitano. Reparem na sua grafia. O acento gráfico desta palavra é um acento grave. para atingir a mesma finalidade comunicativa: 7 . faz uso do verbo esperar seguido da conjunção que e do modo conjuntivo. à corresponde à contracção da preposição a + o artigo definido feminino singular a.” O João e a Ana estão prestes a iniciar a sua viagem de metro.

No caso do diálogo entre a Ana e o João. Daí a utilização da expressão a gente. “Vamos lá a ver se a gente não se perde. que são duas pessoas da mesma idade e da mesma família. deparamos com um registo bastante informal.” Faço votos para que… + presente do conjuntivo do verbo perder 3. conjugado no presente do conjuntivo. É.” O pronome pessoal nós pode não aparecer.EXPRESSAR DESEJO/EXPECTATIVA 1. A ocorrência mais formal da mesma frase seria: “Espero que (nós) não nos percamos. “Oxalá a gente não se perca. devido à conjugação do verbo que se lhe segue: percamos. se o contexto assim o exigisse. Observem: “Espero que a gente não se perca. recuperável.” 8 . contudo. As frases número dois e três empregam o verbo perder. “Faço votos para que a gente não se perca. que se conhecem há muito tempo.” “Espero que (nós) não nos percamos. Esta expressão (que corresponde à 3ª pessoa do singular) poderia ser substituída por uma outra.” Vamos lá a ver… + presente do indicativo do verbo perder 2.” Oxalá… + presente do conjuntivo do verbo perder A primeira frase inclui o verbo perder conjugado no presente do indicativo.

Prossigamos. chega onde quiser ir. “Quem tem boca vai a Roma” Certamente já terão ouvido esta expressão. quanto como cidade onde se situa o Vaticano. 9 . local de residência do chefe máximo da Igreja Católica. Pela notoriedade da cidade. agora. “Quem tem boca vai a Roma” traduz o peso histórico da Cidade Eterna. tanto como sede do Império Romano. local onde se adquirem os bilhetes Vamos terminar com uma expressão idiomática.Continuemos o programa de hoje com algumas breves referências lexicais relacionadas com a temática dos transportes: LÉXICO Andar de metro / autocarro/ táxi / comboio /eléctrico ir de metro / autocarro/ táxi / comboio /eléctrico apanhar um meio de transporte = tomar um meio de transporte a paragem do autocarro ou do eléctrico a bilheteira. pela sua importância ao longo dos tempos. com uma. Vamos passar a explicá-la. necessariamente breve. Roma entrou no imaginário europeu. Daí terem resultado expressões como esta. Refere-se ao facto de que quem sabe perguntar. apresentação do sistema de transportes públicos da cidade de Lisboa.

Em 1988. que se desenvolveria até 1999.As primeiras estações foram construídas nos anos cinquenta do século XX e tinham já uma preocupação estética na construção de ambientes que diminuíssem a sensação de se estar num espaço subterrâneo. São excelentes exemplos a estação do Campo Pequeno. cortadas ou em cachos realçam de forma alegre e descontraída as paredes daquela estação associando-a ao nome do local. A decoração da Cidade Universitária foi entregue a Maria Helena Vieira da Silva que usou o seu estilo inconfundível para homenagear o local com o seu painel «Le Métro». D. a Sabedoria e a Razão com uma ligação directa ao local. Desse primeiro período.. São inauguradas novas estações entre Sete Rios e o Colégio Militar e entre Entrecampos e a Cidade Universitária. Surgem ainda duas grandes corujas e olhos que simbolizam o Conhecimento.... a cargo do escultor Francisco Simões. Nele Helena Vieira da Silva quis retratar simbolicamente a multidão anónima. Em 1990.. surge uma outra geração de espaços.. que a integrou também na linha histórica do local. e também a estação do Martim Moniz que evoca outras memórias. com o prolongamento da rede do metro. 10 . A ideia original de decorar os espaços públicos dentro das estações do Metro foi recuperada e levada mais a sério. Rolando Sá Nogueira decorou a estação das Laranjeiras com. aprovado um novo Plano de Expansão da Rede. claro! Inteiras. apesar dos recursos limitados. há dois nomes de referência: o arquitecto Keil do Amaral. De facto.. que criou o modelo de estação tipo e a pintora Maria Keil. Quixote de La Mancha estará para sempre ligado aos moinhos. Júlio Pomar encontrou nos esboços de figuras da cultura ibérica a sua forma de se associar ao Alto dos Moinhos.laranjas. conseguiram colocar o Metropolitano de Lisboa como exemplo de criação de espaços públicos. Manuel Cargaleiro fez a transposição desse painel para azulejo.. Manuel Cargaleiro foi o escolhido para a estação do Colégio Militar e encheu-a de letras. que assumiu os revestimentos das estações. foram convidados quatro artistas contemporâneos já conhecidos na área das artes plásticas para decorar os azulejos que revestiam as estações. de novo se avançou com a renovação de novas estações. Por isso.

o número de autocarros superou o dos carros eléctricos. com algum orgulho.que foram incrustadas nas paredes recordando tempos bem mais antigos da conquista da cidade de Lisboa. Com efeito. Nos anos seguintes foi electrificada a rede existente. aumentou o número de carros. Gradualmente os eléctricos foram ficando reduzidos a áreas cada vez mais restritas. a 17 de Novembro de 1873 foi inaugurada a primeira linha de «americanos» entre a actual Estação de Santa Apolónia e a zona de Santos. Com os anos. Entretanto os autocarros. mais fáceis de se expandir. o primeiro importado dos Estados Unidos. Fundada em 1872. acompanhavam o desenvolvimento urbano atingindo facilmente novos bairros populacionais. Hoje. em 1944. a um eléctrico ou mesmo a um elevador da Carris. têm uma marca saudosista e atraente para o turismo. Estes ficaram limitados a toda a área mais central e antiga da cidade conferindo um ambiente muito genuíno a todos os bairros por onde passavam. a Carris tem vindo a actualizar-se permitindo viagens cada vez mais confortáveis ligando todos os pontos da cidade. mas que depois de 1924 passam a ser construídos nas oficinas da Empresa. em que é agradável viajar e onde foram minimizados os receios e algum possível desconforto de espaços subterrâneos. Em 1940. a Carris comprou seis autocarros para reforçar o transporte de visitantes para a para a Exposição do Mundo Português. Em 31 de Agosto de 1901 teve início o serviço de Carros Eléctricos. A história desta empresa está intimamente ligada ao aparecimento dos primeiros eléctricos em Portugal. que Lisboa possui um Metropolitano muito bonito e moderno. que se realizaria nesse mesmo ano em Belém. Todos os que precisam de se deslocar em Lisboa sentirão necessidade de recorrer a um autocarro. foi inaugurado oficialmente um serviço de autocarros. 11 . são muito poucas as linhas existentes e. apareceram mais carreiras. Gracinda Candeias fez uma caracterização multicultural enquanto José João de Brito trabalhou o tema da conquista de Lisboa realçando o episódio de Martim Moniz. Como consequência. Podemos dizer. por serem as que restam de um passado recente.

substituindo. E também os novos autocarros. os transportes particulares. por causa das suas características ecológicas. 12 . em áreas específicas da cidade. bem equipados e confortáveis. há já uma nova geração de carros eléctricos. mais confortáveis e mais rápidos. De facto.No entanto. com vantagem. um novo dinamismo parece estar em curso tanto em eléctricos como em autocarros. facilitam a deslocação em Lisboa. assiste-se à renovação da frota com novos eléctricos.

os cais. XX. os restaurantes nas docas. mas encontramos sempre um ambiente aberto que surpreende pela grandiosidade do espaço e pela diversidade de monumentos que envolvem a grande Praça do Império.. que data do início dos anos 90. este ambiente vai fascinar a Ana e o João. Podemos chegar de autocarro. XV se confrontam com outros de estilos arquitectónicos muito diversos construídos mais recentemente e se misturam com jardins. Com situação privilegiada junto ao rio Tejo.Este passeio de autocarro foi muito agradável. não é? Também acho. por isso. um espaço de contrastes arquitectónicos onde monumentos do séc. É preciso descobrir e sentir outros tempos mas. Sente-se a ligação entre a cidade e o rio. De um lado.. na parte ocidental da cidade. É um desafio planear um passeio por Belém porque a quantidade de locais a visitar é grande e diversificada. surge.. O percurso é bonito. construído em 1960. de facto. os espaços verdes. por isso mesmo. e um moderno Centro Cultural. e o rio. um encanto especial. é um local de memórias que evoca momentos da história nacional ligada à época dos Descobrimentos e possui. Entre o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém. construídos para recordar lugares e celebrar uma época de expansão marítima. João:.PROGRAMA 3 EM BELÉM Belém é paragem obrigatória para quem passa por Lisboa. ao longo do séc.É. ou de eléctrico. as esplanadas. É. _____________________________________________________________________ Ana: . museus e parques. um Padrão dos Descobrimentos. claro! 1 ..

no regresso para o hotel.Agora que falas em barcos. não? Ou de barco. Como é que soubeste? João: . João:.É uma boa ideia para um destes próximos dias. quando por lá passámos.Claro que não! Para hoje já temos programa mais do que suficiente. Fazemos o percurso a pé. João:. Há bocado. Ana:.Bom remédio! Podemos passar por lá na volta. Se calhar são edifícios importantes. junto à água. Ainda por cima é tudo plano. ou depois. não achas? Ana:. outros mais curtos. gostava tanto de atravessar o rio para ver Lisboa da outra margem. mas eu… Ana:.De facto. reparei naquelas estruturas todas e impressiona. ir por ali fora. mas eu não sei o que são.Pois sim! Tu és capaz de aguentar porque estás habituada a andar a pé.Por mim.Ana:. Atravessar o rio num daqueles Cacilheiros também deve ser muito giro. tudo bem.Eu não consegui tirar os olhos do rio! Aquele longo passeio relvado parecia estar a convidar-me para ir andar a pé. A propósito de ponte. mesmo só vista de baixo.É verdade. Ana:. até podemos ir “à descoberta dos mares sem fim”! Ana:.Ai por favor!!!. sobretudo do alto do Cristo-Rei. também é uma forma de vermos a Ponte 25 de Abril assim. Se quiseres. João:.Deixa-te de coisas! Andar a pé faz bem. Há uns mais longos. Ana:.Não. em toda a sua extensão. João:. Mas amanhã. lá no hotel. Hoje não! Tem pena de mim.Foi há um ou dois dias. no sítio certo! Bom! Para já. É mais fácil! João:. sabias? Ana:. João:. podíamos ir de comboio. Li num folheto turístico. Mas todos passam por baixo da Ponte 25 de Abril. onde é que 2 .E do outro lado surge a cidade! Ainda reparei nalguns edifícios grandes. Deve ser giro. esqueci-me de te dizer que há barcos que fazem cruzeiros no Tejo.Com certeza! Até estamos em Belém.

A minha mãe fala muitas vezes da Torre de Belém.Pois é. Vamos embora..Em frente ao Palácio de Belém. Tem ar de construção militar. Vamos lá ao ataque dos pastéis de Belém! Ana:. João: . Eu só estou a reproduzir o que vem nos guias.És tão guloso! Acho que consegues ser mais guloso do que eu. então a Praça do Império é daquele lado. exactamente? João: . na calçada: Pastéis de Belém.É verdade! O Mosteiro dos Jerónimos é do século XVI.Quero provar.Pastéis de Belém? Já ouvi falar nisso. Será que nos dão a receita? Ouvi dizer que é segredo. Ana: . com características tão diferentes e tão bem enquadrados. com canela e açúcar em pó.. São aqueles que se comem ainda quentinhos. Impressiona-me olhar à volta e ver.Ah! Exactamente. Repara neste rendilhado da pedra.E não é só isso. a residência oficial do Presidente da República. Ana: . João: . 1837. ****** Ana: . João: . De repente.Só estou a vê-lo de longe mas parece um contraste muito bem conseguido.Espera aí! Que engraçado! Lê o que está escrito no chão. aquele edifício muito mais moderno. Lá também vamos encontrar a Cruz de Cristo e outros motivos do gótico manuelino com representações da natureza e pormenores ligados ao mar. 3 . Nunca comi nenhum.Agora não precisas de receita: é mesmo só comer. Não estás a ver a guarda? Ana: . Ana: . à esquerda. estes monumentos de épocas tão diferentes. João:. Olha! Já estou a ver o Mosteiro dos Jerónimos. Não olhes para mim com essa cara. quase lado a lado. João:. parece uma fortaleza.Hum! Se aqui é o Palácio. João: .Esta Praça é mesmo muito bonita! Ana:. E agora olha para ali.eu estou agora.Aqui estamos sempre a pensar nos Descobrimentos.

por aquele passeio relvado junto ao rio. Nos comentários que fazem ouvimo-los algumas vezes utilizar estruturas linguísticas que merecem atenção.Agora. a Rosa dos Ventos e vamos até à Torre de Belém. passamos para o outro lado da linha do comboio. sobretudo. algumas expressões duração formadas com o verbo haver e a expressão de vontade. podemos ir ao Centro Cultural de Belém. Ficamos um pouco mais no CCB para saber que exposições e espectáculos é que há em cartaz.Sabes o que te digo? Não saio daqui sem ver tudo ou quase tudo! João:. em pormenor. vemos o Padrão dos Descobrimentos.Por várias razões. que bom!! Que bem que se está aqui! Sabes? Por mim. virada para o rio.. Quero ver o Padrão. Pode ser. a Torre. A seguir.. preferia ir ver primeiro o Padrão e a Torre e guardar o CCB para o fim.. adverbiais de 4 .Bom! Estamos agora a começar. vai saber muito bem descansar na esplanada do CCB. ****** Ana:.Hum. Concordas? Ana: .. Vamos andar imenso a pé. João: . até ao anoitecer. Ana:. não sei! Acho que.Que pena! Agora que eu estava a pensar em voltar a pé para o hotel. João: .Posso saber porquê? Ana: . São elas as construções estar a + infinitivo.Começamos pelo Mosteiro dos Jerónimos. pela passagem subterrânea. ficava aqui o resto do dia. lembras-te? Ana: . eles conversam sobre o que vêem à sua volta. a Rosa dos Ventos e. João: .. João: .Ai. Aqui temos a Igreja de Santa Maria de Belém e os claustros para ver.Está bem. No regresso. depois do Mosteiro. a Ana e o João foram conhecer Belém.O quê? ****** Hoje.. Envolvidos pela presença histórica do local.

Por exemplo. considerando esta frase como um acto habitual. conferindo-lhe a característica de estar a decorrer. Agora. Tal acontece num número ilimitado de vezes e ao longo de um período de tempo não delimitado. tomemos uma frase como: Eles comem pastéis de Belém Faremos. mas que inclui o tempo em que se fala. uma interpretação de carácter mais geral. Estamos perante a construção estar a + infinitivo. uma das mais frequentes 5 . Eles comem pastéis de Belém. remete para um hábito. naturalmente. a forma verbal “comem”. significando que eles têm por costume comer pastéis de Belém com alguma regularidade. analisemos a frase: Eles estão a comer pastéis de Belém Esta frase apresenta uma perspectiva dinâmica.ESTAR A + INFINITIVO Existem na língua portuguesa mecanismos que conferem uma perspectiva dinâmica ao processo de transformação de um determinado tipo de situação em outro. Nesta acepção.1. no presente do indicativo. Produz uma transformação da anterior. O PROGRESSIVO.

****** Ana:. Não estás a ver a guarda? Ana: . É uma construção que expressa uma progressão do que está a acontecer no momento em que se fala... a residência oficial do Presidente da República.Só estou a vê-lo de longe mas parece um contraste muito bem conseguido ****** João: .em português.. (. pela preposição a e por um infinitivo verbal.Que pena! Agora que eu estava a pensar em voltar a pé para o hotel. Olha! Já estou a ver o Mosteiro dos Jerónimos.Hum! Se aqui é o Palácio.. à esquerda.Em frente ao Palácio de Belém. Vamos rever e ouvir os exemplos do diálogo: João:.) A construção em análise é formada pelo verbo estar. 6 .Aqui estamos sempre a pensar nos Descobrimentos ****** Ana: . como se pode ver nos exemplos:. então a Praça do Império é daquele lado.

que remetem para uma acção que decorre no momento em que é referida. Tal acção caracteriza-se também por ter uma duração no tempo e por não estar completa ou por não ter chegado ao fim. de facto..PROGRESSIVO: Estar a + infinitivo • • • • • Não estás a ver a guarda? Já estou a ver o Mosteiro dos Jerónimos. Agora que eu estava a pensar em voltar a pé. em: Aqui estamos sempre a pensar… Vemos que o advérbio sempre aparece entre o verbo e a preposição. como. entre estar e a preposição a. com a omissão da preposição a: 7 . É o que o acontece. por exemplo. ou seja. Esta construção admite. Trata-se. naturalmente. de formas de presente progressivo. por exemplo: Estamos neste preciso momento a pensar É interessante observar que em algumas regiões do sul de Portugal e no Brasil. O mesmo acontece se o substituirmos por uma locução adverbial. Só estou a vê-lo de longe.. Aqui estamos sempre a pensar nos Descobrimentos. este infinitivo é normalmente substituído pelo gerúndio. a inclusão de advérbios e de locuções adverbiais no seu interior...

como em: estou vendo. Hoje encontramos este verbo. Surgem assim construções com estar + gerúndio do verbo principal. EXPRESSÕES DE DURAÇÃO COM O VERBO HAVER No programa anterior vimos várias especificidades do verbo haver. o intervalo de tempo que decorre até ao momento da enunciação. estava pensando. 8 .De facto. lá no hotel. Aqui estamos sempre pensando nos Descobrimentos. 2. de forma mais precisa ou mais indefinida. ou seja. reparei naquelas estruturas todas e impressiona. unicamente na 3ª pessoa do singular. em toda a sua extensão. quando por lá passámos. Li num folheto turístico. Vejamos as ocorrências no diálogo: João: . a integrar expressões adverbiais relacionadas com localização de tempo e simultaneamente a medir. Há bocado. até ao momento em que se fala. mesmo só vista de baixo.Foi há um ou dois dias.Estou vendo o Mosteiro dos Jerónimos. não achas? ******* João: . também é uma forma de vermos a Ponte 25 de Abril assim.

como mostram os exemplos do quadro: Há muito pouco algum bastante tempo 9 . mesmo que não se saiba exactamente há quantos minutos ou há quantas horas. o João já é um pouco mais concreto ao localizar e medir o momento. muitas outras expressões podem ser construídas a partir desta forma há. Pode ir de alguns minutos – bocadinho . aquele momento em que leu o folheto no hotel.a um período mais alargado. Na expressão seguinte.” a expressão há bocado remete para uma situação que ocorreu há pouco tempo atrás.Quando o João diz “há bocado quando por lá passámos.. facto que aconteceu há um ou dois dias. Os quadros que se seguem procuram exemplificar a diversidade de expressões temporais que podem ser formadas deste mesmo modo: Há bocado bocadinho As expressões de tempo há bocado e há bocadinho são muito frequentemente usadas para indicar um período de tempo curto mas não bem delimitado. Como estas. Com a forma há é também possível construir expressões de duração indefinidas não-contáveis.. que chega a atingir algumas horas – bocado. Esta expressão é usada em contextos informais.

ela manifesta a sua vontade. Para isso. Ou ainda que o João não vinha cá há muitos anos. 3.) muitos poucos alguns bastantes segundo(s) minuto(s) hora(s) dia(s) semana(s) mês/meses ano(s) . associando a forma há a palavras que exprimem claramente períodos de tempo. Vejamos como ela o faz: 10 . contáveis e não contáveis... ou há bastantes anos.E também é possível construir expressões plurais de duração.. cerca de + nº (1.. cheia de curiosidade sobre o que a cerca.. 2. É perfeitamente possivel dizer.. exprime a sua vontade: ela não quer perder a oportunidade de experimentar e de conhecer um pouco mais. ou há cerca de 2 horas. por exemplo. como podemos ver neste quadro: Há um(a) uns /umas dois /duas três .. que um evento aconteceu há 5 minutos. ou que a Ana esteve em Portugal há 10 anos ou há cerca de 10 anos.. EXPRESSAR VONTADE A Ana.

No regresso.Pastéis de Belém? Já ouvi falar nisso.Quero provar. a Torre. Quero ver o Padrão. Até ao próximo programa.Por várias razões. virada para o rio. por mim despeço. Quero ver o Padrão. poderá ainda descobrir um pouco de Belém. De seguida. Vamos andar imenso a pé. _______________________________________________________________ 11 . Esta é uma das construções seleccionadas por querer. vai saber muito bem descansar na esplanada do CCB. em pormenor. Bom. Ela usa o verbo querer e o infinitivo de outro verbo. Vejamos o quadro: EXPRESSAR VONTADE QUERER + VERBO NO INFINITIVO • • Quero provar pastèis de Belém. um local carregado de história. ****** Ana: .me. A Ana quer provar os pastéis e também quer ver o Padrão dos Descobrimentos e a Rosa dos Ventos. Será que nos dão a receita? Ouvi dizer que é segredo. a Rosa dos ventos e sobretudo a Torre.. É o que acontece nestes dois exemplos do diálogo. a Rosa dos Ventos e.. É um verbo usado para exprimir vontade e pode seleccionar frases completivas de infinitivo não flexionado. Ana: . sobretudo.João: .

da Praça Afonso de Albuquerque em frente do Palácio. ano em que as ordens religiosas foram extintas em Portugal. tornou-se um espaço muito activo dedicado às 12 . dos tempos da monarquia. é a presença do Mosteiro que se impõe ao visitante. sempre rendilhada. os claustros formam um conjunto harmonioso entre arcadas em abóbada e colunas em pedra esculpida. A Igreja impressiona pela abóbada e pelos elegantes e delicados pilares que se erguem como se fossem palmeiras criando o ambiente adequado à reflexão e à descoberta da paz interior. sobre o Mosteiro dos Jerónimos. na ala oeste do Mosteiro. entre muitas e diversas colecções. do Jardim Agrícola Tropical. em estilo neomanuelino. Foi mandado construir pelo rei D. Para trás ficam muitos exemplos de épocas passadas. não só pela beleza mas também como um símbolo da riqueza da época dos Descobrimentos e da arquitectura manuelina. A sua inauguração coincidiu com a presidência portuguesa da Comunidade Europeia em 1993. No entanto. Manuel I por volta de 1501. pouco depois de Vasco da Gama ter regressado da Índia. residência oficial do Presidente da República. XVI e XVII. o olhar incide. mostra. No interior. Jerónimo foi responsável pelo mosteiro até 1834. O lado oeste da Praça do Império é ocupado pelo Centro Cultural de Belém. que contornam um jardim muito tranquilo. estrelas e outros mistérios do céu à noite.Quando se chega à enorme Praça do Império. o Museu da Marinha. o Planetário procura mostrar planetas. Anos depois foi acrescentada a ala moderna. Um pouco mais adiante. cuja arquitectura bastante moderna se harmoniza em simplicidade com a imponência do local. A Ordem de S. que é hoje ocupada pelo Museu Nacional de Arqueologia. a evolução ocorrida na construção das caravelas e das naus que foram tão importantes na travessia dos oceanos e na descoberta das rotas marítimas. naturalmente. das casinhas coloridas dos séc. que contrastam com os edifícios mais modernos. Ainda para o lado esquerdo. A partir de então. com plantas exóticas oriundas de África. É o caso do Palácio de Belém.

Tem a forma de uma caravela e recorda todos os que participaram no desenvolvimento dos Descobrimentos. Foi construída entre 1515 e 1521. ao rendilhado das pedras esculpidas com cordas e nós náuticos. ainda. Jerónimo. orientada para a foz do rio Tejo.artes de onde se destacam a música. XV e XVI. constitui ainda um símbolo de protecção para os marinheiros. o Monumento aos Descobrimentos. é possível ver uma enorme rosa-dos-ventos embutida no chão onde estão desenhadas as rotas dos diversos caminhos percorridos pelos descobridores portugueses durante os séc. Do alto dos seus 52 metros. Na margem do rio Tejo ergue-se. o teatro. em frente do Mosteiro. Indo ainda mais para oeste. somos surpreendidos com outra pérola da arquitectura manuelina: a Torre de Belém. para funcionar como fortaleza por entre as águas do rio Tejo. no cimo de uma colina. também de estilo manuelino muito sóbrio. estuário do Tejo e margem sul. podemos ainda ver ao fundo. no sentido norte. Henrique. A vista das salas existentes nos três andares da torre é notável. junto ao rio. A sua beleza exterior deve-se ao conjunto de galerias abertas. às torres de vigia em estilo árabe. uma pequeníssima capela. às ameias em forma de escudos e. Foi uma oferta da República Sul-Africana. sob ordem de D. a Ermida de S. 13 . uma imagem da Senhora do Bom Regresso. construído em 1960 para comemorar os 500 anos da morte do Infante D. No terraço. a fotografia e o design. Olhando para terra a partir da Torre. o Navegador. Manuel I. virada para o mar. para além de uma fantástica vista sobre toda a Praça do Império. Também ela parece enquadrar todo este espaço rematando com simplicidade a riqueza de todo este ambiente comemorativo de uma época de aventura e descoberta. Os seus cafés virados para o rio são um agradável ponto de encontro para quem quer estudar ou simplesmente encontrar amigos e conversar.

Afonso Henriques.PROGRAMA 4 CONHECER A CIDADE Lisboa fica na margem direita do Tejo.. Podemos pensar aonde queremos ir .. D. 1 . Na antiguidade. A cidade tem cerca de 500 000 habitantes. Para isso.. a 17 km do Oceano Atlântico.. Ainda hoje. O que é que vamos fazer? Ana: – Acho que podemos ir dar uma volta. em 1147. como um anfiteatro que se abre alegre para o rio.. e planear.. Por isso. Diz a lenda que o rei atribuíu esta vitória ao Mártir São Vicente.. a conquistou aos mouros... O António não pode estar connosco. A parte mais antiga ocupa um espaço distribuído por sete colinas. Já temos aqui um mapa da cidade. foi ocupada por diversos povos.. encontrando-se simbolicamente perpetuado na bandeira e no logotipo da Câmara Municipal de Lisboa. o que fica mais longe. a Ana e o João têm um desafio pela frente: descobrir a cidade. cujo corpo.. foi um local privilegiado no comércio entre o Mediterrâneo e o Atlântico.. João: – Pois é. até que. podemos ver onde ficam as zonas mais interessantes de Lisboa. recolhido no Algarve. hoje temos o dia por nossa conta. foi trazido para Lisboa numa nau guardada por dois corvos. João: – Ana. Já recuperados da viagem. mas a “grande Lisboa” estende-se a várias localidades próximas. o primeiro rei de Portugal. vamos ver o que fica mais perto . é o padroeiro da cidade.... onde podemos ir a pé. atingindo quase 2 milhões. onde é melhor ir de autocarro.

Acho que ainda são aí uns 15 quilómetros. onde é que fica o Parque das Nações.Ana: – .. mas não sei se fica para norte. podemos ver o pôr do sol!. vamos escolher alguns.... Belém. Ana: – Mais ou menos.. é o sítio onde foi a Expo 98. de qualquer maneira. E não podemos ir de metro. É por isso que o mapa nos vai ser útil... fica a oeste. moderna. mas... sim. se fica para esquerda.. se para a direita. Eu sei... São decoradas por artistas portugueses muito conhecidos. Belém..... mas não sei se podemos ir de metro.. Se calhar. Gosto de saber o que há para ver. Ana: – Está bem. Também li algumas coisas e tenho umas notas escritas.. João: – Aonde? Ana: – É ao Palácio de Queluz... João: – É verdade.... Fica cá em Lisboa ou não? João: – Não.. Onde fica Belém?... fica fora da cidade.. parece que têm muitas recordações da Torre... e o Centro Cultural de Belém. tonta. Eu sei que há muita coisa para visitar em Belém. Ana: – Há um sítio aonde eu quero ir. É lá que fica o Mosteiro dos Jerónimos... E eu prometi tirar fotografias... É o contrário de Belém que é uma zona antiga........ Ana: – É uma zona nova... vê também.. não é? Ana: – Exactamente. Antes disso ainda há muitos sítios para ver. Os meus pais falaram-me muito de Belém. João: – Se há! E como não podemos ver todos.. Ana: – Concordo. modernas. O Palácio de Queluz fica em Queluz. Lembro-me de ouvir falar nisso.. Temos mesmo de planear. é.. Já agora.... Só de comboio. ou de metro! Ouvi dizer que o Metropolitano de Lisboa tem estações muito bonitas. aquela exposição mundial...... lembras-te? João: – Sim. Olha fica junto ao rio Tejo.... e o Padrão dos Descobrimentos.. como o próprio nome indica! Não é longe.. 2 . E a Torre de Belém também fica lá. João: – Estou espantado! Tu estás muito bem informada. João: – Tens toda a razão..

procuram alguns dos locais de Lisboa e pedem e fazem sugestões para o seu primeiro passeio.. Lisboa é uma cidade virada para o rio.... Com a ajuda do mapa.... Ana: – Ah! Pois é! Mas sabes o que é que eu acho? João: – O que é? Ana: – Belém fica longe!. 3 . depois descemos até ao rio. não? Não parece longe.... . Acho que hoje vamos andar a subir e a descer... Parque das Nações. aahh . mas para oriente. Se calhar.... O Parque das Nações também fica lá longe!. Que boa ideia! João: – O que é que há aqui mais perto para ver? Da janela do meu quarto vê-se o Castelo. mas vamos ter muito que subir . para descansar. não. e da janela do meu quarto vê-se o rio. É um bom exercício!. Ana: – Não faz mal...... Acho que hoje podemos dar uma volta aqui mais perto do hotel.. podemos andar a pé e assim vamos conhecer um pouco destes bairros. Afinal estamos na cidade das sete colinas. aqui no mapa.....João: – Olha .. não é? João: – Ai é? Ana: – Li isso num guia turístico.. vamos percorrer as colinas.. Assim temos tempo de planear com calma.. fica mesmo no outro extremo da cidade. Ana: – Exactamente. e basta olhar das janelas dos nossos quartos! Há sítios altos e sítios baixos.... João: – É como tu dizes: é um bom exercício.. Fica lá mais acima. Hoje a Ana e o João estão a fazer planos para descobrir um pouco da cidade...... que fica lá mais abaixo. Ana: – Mas de vez em quando paramos. Expo... olha.. Também fica junto ao rio.... De facto. Assim..... Até podemos pedir ajuda ao António.. podemos lá ir. não achas? João: – Concordo.

. O António não pode estar connosco. mas vamos ter muito que subir . não? Não parece longe.. O que é que vamos fazer? Queres ir dar uma volta? ****** Ana: – Belém fica longe!. 1. Fica lá mais acima.. PEDIR SUGESTÃO / OPINIÃO / INFORMAÇÃO Para fazer um pedido a Ana e o João usam. Observemos estes excertos do diálogo: João: – Ana... O que achas? ****** João: – O que é que há aqui mais perto para ver? Da janela do meu quarto vê-se o Castelo.Neste programa. vamos observar algumas das construções usadas na língua para pedir e dar informações sobre orientação. hoje temos o dia por nossa conta.. para pedir e fazer sugestões e para pedir opinião.. podemos andar a pé e assim vamos conhecer um pouco destes bairros. podemos lá ir. Acho que hoje podemos dar uma volta aqui mais perto do hotel... naturalmente. PEDIR SUGESTÃO [O] que [é que] vamos fazer? 4 .. frases interrogativas. O Parque das Nações também fica lá longe!. Se calhar.

NÂO 1. não: INTERROGATIVAS TOTAIS OU DE SIM . chamadas interrogativas totais ou de sim. 2. distinguir dois tipos de estruturas diferentes para construir frases interrogativas. . É o caso desta frase produzida pelo João: “Queres ir dar uma volta?”. .” Estas frases não utilizam qualquer constituinte interrogativo e exigem uma resposta afirmativa ou negativa.Queres ir dar uma volta? . Um dos tipos caracteriza-se por ter uma estrutura sintáctica igual à da frase declarativa que lhe corresponde. São.Queres ir dar uma volta? . desde logo.Sim. Apenas se distingue da declarativa afirmativa correspondente pela curva entoacional: Interrogativa “Queres ir dar uma volta?” Declarativa Afirmativa “Queres ir dar uma volta.PEDIR OPINIÃO O que achas? PEDIR INFORMAÇÃO [O] que [é que] há aqui mais perto para ver? Nestes exemplos podemos. 5 .Não. por isso.

há uma alteração de ritmo nas duas intervenções do João. O que achas? 3. O que é que há aqui mais perto para ver? Na sua construção. É o caso das restantes frases interrogativas apresentadas nos exemplos: INTERROGATIVAS PARCIAIS 1. ou seja. embora estas três frases interrogativas sejam idênticas na sua estrutura. É uma alteração provocada pela sequência ou expressão “é que”: “O que é que vamos fazer?” “O que é que há aqui mais perto para ver?” As perguntas do João poderiam igualmente ser formuladas sem ser utilizada a sequência “é que”: “O que vamos fazer?” “O que há aqui mais perto para ver?” 6 . adjectivos ou advérbios interrogativos. constatamos a presença de um constituinte interrogativo – o primeiro “que”. Podemos verificar também que. O que é que vamos fazer? 2. que se caracterizam pela presença de constituintes interrogativos. de pronomes.Passamos agora às interrogativas parciais.

Surge frequentemente em situação de fala informal e espontânea. Ocupa uma só posição na frase: antecede sempre o sintagma verbal.. Observemos como o João transmite à Ana a informação que esta lhe pede e que expressões linguísticas usa para indicar a localização dos diversos sítios no mapa: 7 ...Do mesmo modo. tanto em frases interrogativas como em frases afirmativas. a pergunta proferida pela Ana “O que achas?” seria igualmente possível se fosse proferida “O que é que achas?”: “O que achas?” = “O que é que achas?” A expressão “é que” começou a ser usada no Português Moderno.? = Onde fica Belém? 2. PEDIR E DAR INFORMAÇÃO SOBRE LOCALIZAÇÃO ESPACIAL A Ana está muito interessada em encontrar no mapa os locais que quer visitar. Observemos mais uma vez alguns exemplos de uso da expressão “é que”: O que é que vamos fazer? O que é que achas? O que é que há aqui.? Onde é que fica Belém? = O que vamos fazer? = O que achas? = O que há aqui. Esta sequência apresenta-se como uma forma fixa e não pode ser interrompida.

Ana: – Concordo. Temos mesmo de planear. É por isso que o mapa nos vai ser útil. Onde fica Belém?... Eu sei que há muita coisa para visitar em Belém... mas não sei se fica para norte... se fica para esquerda... se para a direita... João: – Tens toda a razão. Belém... Belém... Olha fica junto ao rio Tejo, fica a oeste. Se calhar, podemos ver o pôr do sol!... É lá que fica o Mosteiro dos Jerónimos, não é? ****** Ana: – Já agora, vê também onde é que fica o Parque das Nações... é o sítio onde foi a Expo 98, aquela exposição mundial, lembras-te? **** João:– Olha ... aqui no mapa... Expo... ... não... Parque das Nações.... ah ... olha, fica mesmo no outro extremo da cidade... Também fica junto ao rio, mas para oriente. De facto, Lisboa é uma cidade virada para o rio. ****** Ana:– Belém fica longe!... O Parque das Nações também fica lá longe!... Acho que hoje podemos dar uma volta aqui mais perto do hotel... podemos andar a pé e assim vamos conhecer um pouco destes bairros. O que achas?

É de notar a frequência com que é usado o verbo “ficar”. Tem aqui o significado de “estar situado” ou “localizar-se”. Trata-se de um verbo copulativo que, em certos contextos, é equivalente a “ser”. Assim é perfeitamente possível perguntar, em vez de mapa”. “onde fica Belém aí no mapa?”, “onde é Belém aí no

“Onde fica Belém aí no mapa?” = “Onde é Belém aí no mapa”.

8

Como verbo copulativo, o verbo “ficar” é um verbo de ligação ou verbo de significação indefinida. Isto significa que é um verbo que selecciona apenas uma oração pequena, cujo núcleo pode ser adjectival, nominal, preposicional ou adverbial. Nos exemplos concretos extraídos do diálogo, em que tem o significado de “localizarse” ou “estar situado”, encontramos núcleos adverbiais, como:

Olha... cá está! fica junto ao rio Tejo. O Parque das Nações também fica longe. Torre de Belém também fica lá.

O verbo “ficar” também selecciona núcleos preposicionais, como:

...mas não sei se fica para norte... se para sul ... fica no outro extremo da cidade... ... fica a oeste

3. FAZER SUGESTÕES O João e a Ana já sabem que têm muito para ver em Lisboa, por isso a Ana apresenta algumas sugestões ao João. Vamos rever como o faz:

Ana: – (...) Já temos um mapa da cidade. Podemos ver onde ficam as zonas mais interessantes de Lisboa. ****** Ana: – (...) Olha! Podemos ir a Belém. ******

9

Ana: – (...) podemos ir ao Parque das Nações. ****** Ana: – (...) podemos ir ao Parque das Nações.

Nestes exemplos aparece a construção formada pelo verbo modal

poder,

associado a formas infinitivas de outros verbos. Poder é usado aqui para fazer uma sugestão, exprimindo um certo grau de probabilidade e incerteza.

PODER + INFINITIVO podemos podemos podemos podemos ver ir dar passear

Para melhor compreendermos o desafio que a Ana e o João têm pela frente, vamos todos conhecer um pouco da cidade de Lisboa...

Lisboa, vista do Tejo, é uma cidade luminosa, alegre, com uma diversidade de recantos bem nítidos entre as duas pontes: a mais antiga, a Ponte 25 de Abril, construída em 1960, e a Ponte Vasco da Gama, construída aquando da Exposição Universal de Lisboa, em 1998. Entre colinas, a Baixa de Lisboa, constitui o centro da capital e é, quase toda, uma reconstrução do século XVIII, como consequência do terramoto de 1755. As ruas paralelas e perpendiculares revelam, ainda hoje, o tipo de comércio e de actividades que nelas se desenvolvia. A Rua Augusta é a mais elegante ligação entre a Praça do Comércio e o Rossio, através do Arco Triunfal, que comemora a reconstrução da

10

cidade depois do terramoto. Quando visto do Rossio, este arco enquadra a estátua equestre do rei D. José I, na Praça do Comércio. Em volta, nas colinas que rodeiam a Baixa, estendem-se os bairros mais populares, com ruas mais estreitas, com vida própria, onde as pessoas se sentem mais próximas e onde a cidade fica mais intimsta. Distinguem-se Alfama, a este, com o Castelo no cimo, e o Bairro Alto, a oeste, muito conhecido pelos inúmeros pequenos bares e restaurantes, juntamente com casas de fados. Alfama é um bairro com características mouriscas. Conserva ainda um certo ambiente do casbá, com ruelas e escadarias. Por cima, bem no alto desta colina, o Castelo de S. Jorge, com os seus jardins e a cidadela, sobressai no horizonte. É memória da conquista de Lisboa aos Mouros em 1147 e um magnífico miradouro sobre a cidade e o rio. Mais a baixo, a Sé, em estilo românico, é igualmente um marco que acompanha a história da cidade até aos nossos dias. Muito perto fica a pequena igreja de Santo António. O Santo mais popular de Lisboa é celebrado anualmente, no dia 13 de Junho, com festas em todos os recantos. O Bairro Alto, na colina do lado oeste, é também um local agradável, onde pequenas oficinas e tascas convivem com uma vida nocturna activa e diversificada. Algumas casas de fados têm aí o seu lugar, assim como algumas das salas de espectáculos mais representativas: o Teatro da Trindade, o Teatro S. Luís e o Teatro S. Carlos, este último conhecido pelas suas épocas de ópera. O Chiado é uma zona de lojas elegantes, boa para compras. A Rua do Carmo e a Rua Garrett são duas das principais artérias comerciais que sobem da Baixa até ao Bairro Alto. Para quem não quer subir a pé pode optar por usar o elevador da Glória, um funicular construído nos finais do século XIX (1885) ou o elevador da Santa Justa. Este elevador é uma interessante obra neogótica, construído em 1902, por Raoul Mesnier du Ponsard, discípulo de Gustave Eiffel, e sobe 45 metros na vertical. No cimo, muito perto, o Convento do Carmo, monumento gótico acabado em 1423.

11

Abriga actualmente um importante museu Arqueológico. A Igreja mantém as ruínas provocadas pelo terramoto de 1755 e são especialmente visíveis do Rossio ou do Castelo. A cidade prolonga-se ao longo da margem do rio Tejo, no sentido da foz até Belém, zona intimamente ligada à época dos Descobrimentos. Dois monumentos, pertencentes ao Património Mundial da Humanidade, merecem um destaque especial: O Mosteiro dos Jerónimos, que comemora o regresso das naus de Vasco da Gama da Índia e a Torre de Belém, situada à beira-rio, na área de partida das caravelas. Ambos foram mandados construir por D. Manuel I nos inícios do século XVI. Em sentido contrário, ao olharmos para o extremo oriental da cidade, deparamo-nos com o Parque das Nações, local onde se realizou a Exposição Universal de Lisboa, em 1998. Tal como em Belém, também aqui é evocada a época dos Descobrimentos, através de uma das suas figuras mais representativas: Vasco da Gama, que passou o cabo da Boa Esperança, em 1489, e abriu caminho para a Índia. Assim, existe a Torre Vasco da Gama, com uma vista panorâmica única sobre Lisboa e a margem sul, e a Ponte Vasco da Gama, a segunda ponte que liga Lisboa ao sul do país, com 18 km, 13 dos quais em tabuleiro sobre o rio. O Parque das Nações é um espaço moderno e alegre, que contém exemplos únicos de arquitectura contemporânea: é o caso da Gare do Oriente, com as impressionantes abóbadas geométricas que cobrem as plataformas ferroviárias; o Pavilhão de Portugal, com uma enorme pala em betão suspensa como se fosse uma vela de um barco e o Oceanário, o segundo maior do mundo, localizado num cais rodeado de água.

12

donde pode. o Martinho da Arcada. em Lisboa.. se fazer um pequeno lanche. Existem. o Café Nicola e a Brasileira e no Porto. a meio da tarde.. agradáveis esplanadas. Além de sandes e dos típicos salgados. Os primeiros cafés portugueses surgiram em Lisboa. alguns serão local de tertúlia literária. comummente designadas «cafés». admirar-se o rio enquanto se saboreia um café. sentamo-nos já aqui! Ana: – Depois desta caminhada o que me apetece mesmo é descansar. em frente a alguns destes estabelecimentos. o Majestic. outrora centros de cultura. tanto me faz! Olha. tranquilamente. esta mesa está livre. mais ao fundo? Ana: – A mim. de discussão cultural e de debate político e ideológico.PROGRAMA 5 CAFÉS LITERÁRIOS Portugal tem uma grande diversidade de cafés e de pastelarias. em meados do século XVIII – os chamados «Botequins». As cafetarias. um pretexto para se sair de casa. Ao longo da história. Destes «cafés literários». chegaram até nós. João: – Onde preferes ficar? Sentamo-nos aqui ou ali. O convite para se «ir tomar um café» é claramente um apelo ao encontro. são um local de encontro e de convívio social. ver os amigos e «dar dois dedos de conversa». pode deleitar-se com a deliciosa pastelaria portuguesa. desde as casas com «história» e «tradição» a locais mais recentes e descontraídos. João: – E a mim também! 1 . As pastelarias são locais ideais para. que é extremamente diversificada e sempre apetitosa.

não? O retorno às origens deixou-te muito poética... João: – Saborear o espaço? E um prego.... sei tudo sobre comida portuguesa! Um prego é uma sandes de bife de vaca! Às vezes a tua tia fazia lá em casa. é isso mesmo! Aceito a tua sugestão: vou comer uma bifana.Quando ficava com saudades... deste café?.. Olhe. Prefiro porco! É menos rijo e mais saboroso. repete lá?.Eu queria uma imperial. 2 .Sim.Boa tarde! João: – Boa tarde! Ana: . não me apetece nada carne de vaca..Ana:– Apetece-me mesmo ficar aqui uns instantes.. não é? Podes contar comigo. para os lanches.Boa tarde! Ana: . Já reparaste no encanto desta praça e.Era um prego e uma bifana....ou um ou dois pastéis de bacalhau. João: – Então aconselho-te a pedires uma bifana . a “barriga” vem primeiro! Mas tens razão. já me lembro! João: – Olha. vamos pedir! Também já vou tendo um bocadinho de fome! Disseste que querias comer o quê..... uma empadinha de galinha . não gosto muito. isto para não ires para a tosta mista ou para o cachorro-quente..um bife de porco no pão! Ou se quiseres algo igualmente típico mas mais ligeiro. sobretudo. a “saborear” este espaço.. a sentir Lisboa.. por favor! Desculpe! Empregado: . senhora! E para beber? João: .. Um prego?.. sei lá.. agora ainda fiquei com mais vontade de comer um prego! Até sinto água na boca! Ana: – Um prego? Não sei! A mim.! Ana: – É verdade.. se faz favor! Empregado: ... que isso comes tu em qualquer lado! Ana: – Ah. João: – Ah! Afinal “a intelectual” precisa das explicações aqui do comilão.. primita! Ana: – Pois tu continuas na mesma! Um bom garfo é sempre um bom garfo..

para quem é? João : – É para mim! A bifana é para a Senhora. Empregado: .. tens razão quanto a esta praça – é um local mesmo encantador! Ana: – É! É Majestosa e imponente! Vês aquela estátua ali no centro? . de maçã.. quando foi o terramoto que praticamente arrasou 3 ..Sim. É de D..E eu gostava de um refrigerante.. Poderá ser um sumo de máquina ou um sumo..oh.Hum. desculpe. João: – Obrigado. não.desculpe..Empregado: .... senhora.. que tal? Está bom? Ana: –Hum! Esta bifana está óptima! que reinava em 1755. Igualmente.E a Senhora? Ana: . traga-me antes um sumo de laranja natural. Aliás. José!..Sem gás.. Empregado: – Um prego para o Senhor e uma imperial.Pode ser um sumo de máquina. Ana: .. se não se importa! Empregado: . João: – Sabes..? Ana: . sem gás! Empregado: .. João: – Então..Sumo de laranja natural não temos. Lisboa! João: – É um bom exemplo da Arquitectura Pombalina – repara que tem um traçado absolutamente simétrico. o que foi responsável pela reconstrução da cidade depois do terramoto. Ana: – Muito obrigada. uma das estátuas ali do Arco da Rua Augusta representa o próprio Marquês de Pombal. Empregado: – Uma bifana para a Senhora e um sumo de maçã. Ana: – Bom apetite! João: – Obrigado.Olhe. Ana. Empregado : – Ora aqui está! O prego....

. a mais um FALAMOS PORTUGUÊS. Almada Negreiros.. E tu já pensaste nas discussões.. Vamos também aprender a fazer o pedido da nossa refeição correctamente. só se usa “café”! Ana: – Curiosa... já podemos pedir o café? Uma bica. Eça de Queirós. Hoje abordamos. em Lisboa. Fernando Pessoa. Cesário Verde. como a própria designação indica.! Já viste bem onde vamos tomar café? Por este local passaram algumas das mais importantes personalidades do mundo político. conversam sobre comida ligeira e ao mesmo tempo apreciam o local que os envolve. uma área temática fundamental na comunicação do dia a dia: a área temática das refeições ligeiras. cultural e artístico português.. à volta destas mesmas mesas de café? Ana: – Pois! Por exemplo. portanto.. nas ideias inovadoras que aqui terão surgido?. e que pode constituir um almoço breve ou um lanche reforçado: 4 .a não ser que queiras um descafeinado ou um nescafé! Eu cá vou pedir uma bica curta escaldada (uma italiana)! João: – Por favor... Uma refeição ligeira. trazia-nos um café curto e um carioca? Empregado: – Sai um carioca e uma bica bem tirada! Ana: – Ó João. Fernando Pessoa escreveu aqui a Mensagem! João: – Sob o efeito inspirador de uma aromática chávena de café! Bem-vindos... exactamente neste local. segundo as convenções sociais exigidas por esta situação. Acabámos de assistir a uma situação de comunicação num café. em regra cozinhada e servida rapidamente. que é um café fraquinho . é uma refeição leve. João: – Então pede um carioca.João: – Então. sentados na esplanada do Martinho da Arcada. João: – Sim. essa diferença regional! Mas eu não queria um café muito forte.. A Ana e o João. Ora bem! Comecemos por explicar sucintamente o que se considera uma refeição ligeira em Portugal.. senhores telespectadores. como se diz aqui em Lisboa! No Norte..

Pode ser um sumo de máquina. 5 ...oh não.. Poderá ser um sumo de máquina ou um sumo. que pode constituir um almoço breve ou um lanche reforçado.Sem gás.. traga-me antes um sumo de laranja natural.? Ana: .E a Senhora? Ana: .. A vossa atenção.refeição leve. desculpe.Sumo de laranja natural não temos.Boa tarde! João: – Boa tarde! Ana: .REFEIÇÃO LIGEIRA .Sim senhor.Olhe. 1.Eu queria uma imperial.Era um prego e uma bifana. Ana: .Boa tarde! Ana: . FAZER UM PEDIDO Vamos agora ver como pode formular-se um pedido em português (por exemplo. tendo em conta as normas sociais que devem regular este acto comunicativo. em regra confeccionada e servida rapidamente. desculpe! Empregado: . Empregado: .Olhe...Sim senhor! E para beber? João : . se não se importa! Empregado: .desculpe.Hum. se faz favor! Empregado: .E eu gostava de um refrigerante. de maçã Empregado: . Observemos novamente a Ana e o João e reparemos no modo como eles fazem o seu pedido ao empregado. por favor! Ana: . sem gás! Empregado: .. num estabelecimento comercial).

ao efectuarem o pedido.2 FAZER UM PEDIDO – PRETÉRITO IMPERFEITO Vamos agora dar atenção às formas verbais utilizadas pelos nossos amigos no acto de fazer o pedido: 6 .. se faz favor! – (. segundo mandam as convenções sociais e o chamado “princípio da cortesia”. se não se importa! FÓRMULAS E EXPRESSÕES DE DELICADEZA Se faz favor Se não se importa Desculpe “Se faz favor”. para o efectuar com cortesia.1. a Ana e o João..) traga-me antes um sumo de laranja natural. “desculpe” e “se não se importa” são fórmulas e expressões de delicadeza. A Ana diz: – Era um prego e uma bifana. dirigem-se ao empregado de uma forma educada.1 PRÍNCÍPIO DA CORTESIA E FÓRMULAS DE DELICADEZA Gostaríamos de chamar a vossa atenção para um primeiro aspecto: como puderam notar. São utilizadas nestas circunstâncias para suavizar o pedido. 1. delicada.

respondendo-nos. Na verdade. o pretérito imperfeito nesta situação não se reporta a uma acção do passado. Por vezes.Queria uma imperial? Então agora já não a quer.Era um prego e uma bifana. Tem neste caso um valor contextual ou modal. se faz favor! . usar-se o pretérito imperfeito do indicativo para formular o pedido: como vimos.E eu gostava de um refrigerante! São usadas formas verbais como : . mas também o pretérito imperfeito de outros verbos. por exemplo. entre eles os usados para expressar desejo ou vontade (como é o exemplo dos verbos QUERER (“queria”) e GOSTAR (“gostava”). .pretérito imperfeito do indicativo do verbo SER. é extremamente frequente.Eu queria uma imperial! .“ERA” .pretérito imperfeito do indicativo do verbo GOSTAR.pretérito imperfeito do indicativo do verbo QUERER. Destina-se aqui a modalizar o discurso de acordo com regras sociais: a atenuar o pedido. podemos até ouvi-lo “brincar” com a situação.“QUERIA” . É preciso sublinhar que o pretérito imperfeito não tem aqui um valor temporal.FORMAS VERBAIS/ FAZER UM PEDIDO Pretérito Imperfeito .“GOSTAVA” . a efectuá-lo 7 . em situações de comunicação como aquela a que assistimos. “. não é assim?”. Em português. podemos utilizar o pretérito imperfeito do verbo SER (“era”). . quando fazemos um pedido desta natureza e o nosso interlocutor tem muita intimidade connosco.

FORMAS VERBAIS/ FAZER UM PEDIDO Pretérito Imperfeito = Presente do Indicativo Era/ É um prego e uma bifana. com efeito. ser usado para se fazer um pedido em português. tem um valor de presente do indicativo. por vezes. de facto. em algumas das nossas frases.4 FAZER UM PEDIDO – CONDICIONAL Noutros enunciados. também expressão de delicadeza.com polidez e cortesia. a um registo de menor formalidade.3 FAZER UM PEDIDO – PRESENTE DO INDICATIVO Vamos agora reparar que o pretérito imperfeito. É. Pode. com efeito. a sua utilização pode ser sentida como menos cortês e delicada do que a utilização do pretérito imperfeito. para o seguinte: embora o presente do indicativo também possa. no entanto. 1. A utilização do presente do indicativo corresponde também. como já explicámos. 1. ser substituído pelo presente no acto de fazer o pedido. se faz favor! Eu queria /quero uma imperial! Há que chamar a atenção. o pretérito imperfeito surge com um valor de condicional de cortesia: 8 .

mas feito com muito boa educação. neste último enunciado.. 9 . deste modo. de uma forma extremamente delicada. de um pedido. O pedido pode ser feito. O condicional assinala..5 FAZER UM PEDIDO – IMPERATIVO Vejamos ainda a frase da Ana: – (. o condicional também não tem aqui informação temporal mas sim modal. no fundo. traga-me antes um sumo de laranja natural. também com o condicional. Trata-se. “Eu gostava de um refrigerante!” equivale a dizer “Eu gostaria de um refrigerante” (é.esta questão será abordada detalhadamente no próximo programa. de facto. se não se importa! É possível utilizarmos o imperativo para fazermos um pedido. um desejo. a mesma coisa). A utilização do condicional corresponde a um registo mais formal e menos coloquial do que a utilização do imperfeito.) desculpe. 1. À semelhança do imperfeito.FORMAS VERBAIS/ FAZER UM PEDIDO Pretérito Imperfeito = Condicional E eu gostava de um refrigerante = E eu gostaria de um refrigerante. manifestado com muita elegância e suavidade. O modo imperativo é realizado pelo conjuntivo na 3ª pessoa do singular (assim como na 1ª e 3ª pessoas do plural) .

senhora!” Passemos agora à descodificação de algumas expressões usadas no diálogo. senhor! mas se o nosso interlocutor for feminino usamos “sim. senhoras! Se nos dirigirmos a um homem usamos “sim. como as expressões de cortesia “desculpe”. Assim: Resposta a um homem Resposta a uma mulher Resposta a vários homens Resposta a várias mulheres Sim. senhores! Sim. tal expressão varia em género e em número. como se esta fosse uma expressão fixa. consoante as pessoas a quem nos dirigimos. muita atenção! Parece haver uma tendência no português europeu para o uso de “sim senhor” eliminando a concordância de género e número. No entanto. é muito importante utilizarmos “atenuadores de ordem”. usa a expressão “sim senhor”. E agora. senhor! Sim. “se não se importa”.Quando usamos o imperativo e estamos a fazer um pedido. 2. ao espontaneamente aceitar satisfazer o pedido feito pela Ana. ACEITAR SATISFAZER O PEDIDO O empregado. para evitarmos que o nosso pedido pareça rude ao destinatário. e no contexto que vimos. senhora! Sim. 10 . invariável. de acordo com a tradição gramatical.

alguém que se entrega aos prazeres da boa mesa”. pelo próprio Marquês de Pombal. do lado esquerdo. É um dos mais antigos cafés lisboetas. utiliza expressões como “ Um bom garfo é sempre um bom garfo” e “a barriga vem primeiro”! O que quererão dizer estas expressões? “ser um bom garfo” A expressão significa “ser um grande apreciador de gastronomia. dirigindo-se ao João. O local fazia parte da vida diária deste poeta. no período pombalino. ALGUMAS EXPRESSÕES DO PORTUGUÊS: No diálogo. pela minha parte. Bom. por hoje é tudo! Convido-os agora a conhecerem alguns cafés onde se fez a História de Portugal – alguns cafés com história! Referimonos a cafés portugueses que se inserem na tradição dos cafés-tertúlia. destaca-se a figura de Fernando Pessoa. sob as suas elegantes arcadas neoclássicas. rabiscando alguns dos seus extraordinários 11 . por onde passaram muitas figuras importantes da cultura portuguesa. Junto à entrada. Este café-restaurante foi inaugurado em 1782. “a barriga vem primeiro” A barriga vem primeiro é uma expressão fixa que significa que a principal preocupação de alguém é a comida e que esse alguém pensa primeiro em comer e só depois noutros assuntos. a Ana. Fiquem para ver! O Martinho da Arcada situa-se na Praça do Comércio. no espaço revestido a azulejos brancos.3. Aqui se entregava à inspiração.

12 . No entanto. ficará eternamente ligado ao seu nome. saudoso e inconformado: É como se esperasse eternamente A tua vinda certa e combinada Aí em baixo. “uma bica bem tirada”. XX.poemas. no cimo das quais existe uma figura masculina a tomar café. imortaliza os momentos que Fernando Pessoa aí passou. Quando este último morreu. da autoria de Lagoa Henriques. Pessoa e Sá Carneiro. Escreve. tão lisboeta. O poeta Bocage. com um projecto do arquitecto Norte Júnior. conspirando contra o despotismo do regime político da altura. um dos maiores poetas portugueses do mesmo século. Em 1905. analisando os problemas do país. Na esplanada do café. Conta-se que neste café terá nascido a expressão. inaugurado no século XVIII. defendendo os direitos humanos. no Café Arcada Quase no extremo deste continente Três dias antes de morrer. Do espaço original deste café. A sua configuração actual. de estilo déco. quando um empregado pediu ao seu colega um café servido com esmero. na companhia de Almada Negreiros e de Mário de Sá Carneiro. uma estátua de Bocage lembra a associação eterna entre o poeta e o café. data dos anos 30 do séc. aí levou uma vida de boémio. Na fachada. aqui se refugiava. O Café Nicola é também um dos primeiros cafés lisboetas. Destemido e rebelde. distinguem-se três portas envidraçadas. Passou depois a casa de café. Pessoa sente a sua falta. uma estátua em bronze. Aqui reuniam os modernistas portugueses e entre eles. A Brasileira é outros dos locais emblemáticos da vida do poeta. quando o espaço abriu. nada resta. por aqui terá passado uma última vez Fernando Pessoa e tomado um derradeiro café. começou por ser um ponto de venda do café proveniente do Brasil. no interior.

Passa a chamar-se Majestic em 1922. Em ambas as paredes laterais. José Régio ou Amadeu Sousa Cardoso. Entre os espelhos. Os espelhos de cristal de Antuérpia conferem ao local um brilho requintado. forrados a cabedal. Aí se debateram ideias literárias e artísticas. na Rua de Santa Catarina. a par dos turistas e dos clientes habituais. é inicialmente chamado Elite e é frequentado pela alta burguesia portuense e por figuras célebres portuguesas. existem bancos corridos. 13 . Presentemente. no Porto. Por aí passaram nomes da cultura portuguesa como Teixeira Pascoaes. cuidadosamente decorados. erguem-se colunas de capitéis ornamentados. continua a ser palco de acontecimentos culturais: recitais de piano e de poesia. exposições de pintura. A sua grande sala rectangular ostenta tectos de gesso. São exemplos o aviador Gago Coutinho e a actriz Beatriz Costa. O seu estilo Arte Nova remete-nos para o Porto dos anos vinte.Em 1921. lançamentos de livros. abre um luxuoso café aristocrático. Da autoria do arquitecto João Queirós. muito diversificados. seguindo a tradição dos elegantes cafés parisienses. Continua a ser visitado por figuras públicas portuguesas. da “Belle Époque”.

Do solo português brotam inúmeras nascentes de águas minero-medicinais. Caldas de Aregos. as estâncias termais concentram-se. Algumas têm como enquadramento cenários paisagísticos de extrema beleza natural. Ainda hoje. Senhora Doutora! Dá licença? 1 . Com o objectivo de aproveitar as propriedades terapêuticas das águas. Em Portugal. antes de optar por uma estância termal. aqui construiu muitas termas. do latim CALIDAS. Também do latim provém a designação do frequentador de termas. daquele que busca o poder curativo das águas: aquista – do latim aqua. sobretudo. Caldas de Vizela... no Norte e na região centro. No nosso país. Este povo trouxe consigo o hábito de tomar águas medicinais quentes. como por exemplo: Caldas da Rainha. A palavra passou a integrar topónimos portugueses relativos a localidades onde se verifica a existência de termas. Este. Caldas do Gerês. aos romanos. Ana: – Boa tarde. que significava “quentes”.PROGRAMA 6 TERMALISMO EM PORTUGAL Todos os que precisam de melhorar o seu estado de saúde ou forma física podem encontrar nas águas portuguesas o alívio pretendido. a tradição do termalismo remonta. pelo menos. começa por ir ao médico. as fontes de águas termais são designadas caldas. em diferentes localidades. que pelas suas características físico-químicas e temperatura são adequadas ao tratamento de uma grande diversidade de doenças.

que eu estava a gostar tanto de tudo! Médica: – Ah. Ana Paula Martins! É a primeira vez. De que é que se queixa? Ana: – Olhe... mas isso é mesmo assim! Estas coisas não escolhem dia nem hora! Bom. tem tido dores de garganta? Ana: – Sim. tenho tido uma pontinha de febre! E dores no corpo e na cabeça.. dói-me um bocadinho! Médica: – Deixe-me ver.. Acho que me dói a cabeça toda! 2 .Estou a ver.está-se mesmo a ver! Não podia ter escolhido melhor ocasião? Não se vem de férias a Portugal para se ficar doente! Ana: – E logo agora.. Não é bem “uma pontinha de febre”. exactamente? Ana: – Onde. deixe-me ver. Respire fundo! Agora tussa! Disse que tinha dores na cabeça.... Médica: – Hum. então.. Senhora Doutora! É que eu não moro cá! Vim cá passar uns tempos e olhe...Médica: – Boa tarde! Faz favor! Entre.? Onde....para eu a poder auscultar......... entre! Médica: – Faça favor de se sentar! Só um momentinho que eu já a atendo! Ana: – Com certeza! Médica: – Ora bem! Senhora D. mas diga lá. vamos puxar a camisola para cima.. Médica: – Hum... Doutora? Não sei... Médica: – Está um bocadito inflamada! Mas não tem pontos brancos! Bem.. não é? Não tinha cá ficha! Ana: – É sim. hoje é o terceiro dia. Ana: – AAAAAH. Médica : – Mas tem tirado a febre? Ana: – Tenho sim! Até comprei um termómetro de propósito na farmácia! Tenho tido trinta e sete e nove... Médica: – Adoeceu. Já é mesmo febre! E há quanto tempo está assim? Ana: – Ora... então! Abra a boca! Diga: “AAAAAH”.... trinta e oito.

. ao sexto programa do FALAMOS PORTUGUÊS.. Ana: – Bom. Senhores Telespectadores. E tome este xarope três vezes ao dia! Vai ficar boa num instante! Sã que nem um pero! Ana: – Oh! Que pena! E eu a pensar que me ia mandar para as termas! Médica: – Lamento decepcioná-la. A Ana constipou-se. não é caso para isso! Mas.. No diálogo.. não é esse o caso! Eu apanhei foi uma forte constipação! Médica: – Pois. vimos algumas estruturas linguísticas e algum vocabulário relacionados com o corpo humano.. adoeceu e teve de recorrer à ajuda de um médico. qual é que a Senhora Doutora me recomendava? Médica: – Bom.. Senhora Doutora! Médica: – Vai tomar estes comprimidos de doze em doze horas. quando se bateu com a cabeça nalgum lado! Ana: – Ah! Pois. já há muita oferta desse termalismo? Por exemplo. com a doença e com o atendimento e o tratamento médico. não.. não vamos para as termas só quando temos uma doença! Também podemos ir por outras razões. sabe. Bem-vindos.. para fugir à agitação da cidade. descontrair.. para descansar. 3 ... estou a ver que tenho de vir mais vezes à consulta.. ter uma dor na cabeça é ter uma dor localizada num ponto específico da cabeça.. Hoje assistimos a uma situação de comunicação num consultório médico... para aprender mais português! Médica: – Esperemos que não! Não vai ter de ficar de cama mas vai fazer o tratamento que lhe vou receitar! É alérgica a algum medicamento? Ana: – Que eu saiba. E ficou com dores de cabeça.. se eu pudesse dar um salto a umas termas.. por exemplo. o que tem é dores de cabeça! Em português.... É o chamado “termalismo de bem estar”! Ana: – E em Portugal.Médica: – Bem me pareceu! Não tem dores na cabeça...

Ao chegar à porta do consultório. Depois. usa uma frase interrogativa. formais. Ora essa! Com certeza! Mas há outras formas de pedir permissão em português.. entre! Vimos que a Ana. Observem atentamente! Ana: – Boa tarde. sobretudo. PEDIR/CONCEDER AUTORIZAÇÃO/PERMISSÃO como dar ordens ou instruções e ainda formas de tratamento Como certamente repararam. entre.. empregue com muita frequência em português nestas situações: “Dá-me licença?”. a Ana empurra-a delicadamente e cumprimenta a médica : deseja “Boa tarde” (que é uma forma de saudação para o acto de CUMPRIMENTAR). o uso que fazem da língua é guiado.Neste programa. 1. iremos também ver como pedir e dar autorização ou permissão. PEDIR AUTORIZAÇÃO/ PERMISSÃO Dá-me licença [.]? Posso entrar? Com licença! DAR AUTORIZAÇÃO/ PERMISSÃO Faz favor! Entre. para pedir autorização ou permissão para entrar. Senhora Doutora! Dá-me licença? Médica: – Boa tarde! Faz favor! Entre. a Ana e a médica encontram-se numa situação de formalidade. pelo princípio da delicadeza. pois os dois interlocutores assumem comportamentos convencionais de cortesia. pede a autorização da médica para entrar e esta concede-lhe a sua permissão. Vejamos mais algumas: a Ana poderia ter utilizado a frase interrogativa “Posso entrar?” Neste caso 4 . Assim.

Vemos que para se dirigir 5 . FORMAS DE TRATAMENTO FORMAIS O grau de formalidade de uma situação condiciona o que dizemos e o modo como o fazemos. Trata-se de uma frase imperativa realizada pelo conjuntivo. Deste modo. A médica poderia ainda ter respondido com a expressão interjectiva “Ora essa!” ou com a locução adverbial “Com certeza!”. a Ana e a médica seleccionam formas de tratamento diferenciadas consoante a posição que cada uma ocupa na relação social.utilizaria o verbo modal poder no presente do indicativo (“posso”) + o verbo principal no infinitivo (“entrar”). a médica utiliza a fórmula de delicadeza “faz favor”. as formas de tratamento utilizadas são determinadas pela situação em que usamos a língua. Poderia também ter utilizado apenas a expressão de cortesia “com licença”. não é? Não tinha cá ficha! Ana: – É sim. Deixamos aqui apenas a advertência! Trata-se de duas palavras e não de uma só! 2. Desta forma. Lembremos as formas de tratamento usadas pela Ana e pela médica para se dirigirem uma à outra: Médica: – Ora bem! Senhora Dona Ana Paula Martins! É a primeira vez. o que está incorrecto. Chamamos a atenção para a grafia da locução adverbial “com certeza” – composta pela preposição “com” + o nome “certeza”. Para conceder autorização à Ana e dar o seu assentimento para esta entrar. entre”. Diz-lhe ainda “Entre. É um erro muito comum em português escrever-se esta expressão como se fosse uma única palavra. Senhora Doutora! O reconhecimento da posição ocupada pelos locutores na relação social tem reflexo na selecção das formas de tratamento que cada um utiliza para se dirigir ao outro. A forma verbal “entre” está no presente do conjuntivo mas tem um valor de imperativo.

. a Ana usa a forma de tratamento “Senhora Doutora” e utiliza sempre o verbo na terceira pessoa do singular. Ao realizar o atendimento médico. “tussa” (Agora tussa!) ou “tome” (E tome este xarope. Estejam atentos ao excerto! Médica: – Abra a boca! Diga: “AAAAAH”. DAR ORDENS/INSTRUÇÕES Vamos agora abordar algumas formas de DAR ORDENS/INSTRUÇÕES em português.. Usa formas verbais como “abra” (“Abra a boca”).. Por sua vez.). dá-lhe ainda algumas instruções sobre como deve tomar os medicamentos prescritos/receitados.à médica. “diga” (Diga “AAAAH”.. Médica: – Respire fundo! Médica: – Agora tussa! Médica: – (. para incentivar a Ana a realizar determinadas acções.) E tome este xarope três vezes ao dia! Como viram.. 6 .. a médica dá-lhe determinadas instruções.. a médica pede informações sobre o estado de saúde da Ana e. 3. “respire” (Respire fundo!).. No fim.). a médica dirige-se-lhe como “Senhora Dona”. vai dizendo à Ana como esta deve proceder para que possa analisar o seu estado de saúde. à medida que a consulta se vai desenrolando.

.as formas do imperativo ocorrem exclusivamente em frases afirmativas. Respire fundo! Agora tussa! E tome este xarope (. Vamos exemplificar com o verbo “respirar”: IMPERATIVO – frases afirmativas Respira! (tu) Respirai! (vós) O imperativo conjuga-se sem sujeito expresso e gramaticalmente só tem as formas de segunda pessoa do singular (caso de Respira! – “tu”) e de segunda pessoa do plural (exemplo de Respirai! – “vós”). Devemos sublinhar dois aspectos fundamentais do uso do imperativo: .DAR ORDENS ORDENS/ INTRUÇÕES Abra a boca Diga “AHHHH”.. já não é utilizada em grande parte de Portugal. 7 . usa-se o presente do conjuntivo nestas circunstâncias para substituir as formas que faltam ao imperativo..) Estas formas são formas do presente do conjuntivo que surgem em frases imperativas.actualmente. Esta forma foi susbtituída no uso pela terceira pessoa do presente do conjuntivo. que outrora também se aplicava a interlocutores singulares para denotar uma grande deferência (“respirai”). Em vez de “respirai” diz-se hoje “Respire” (“você”) ou “Respirem” (“vocês”). a forma de segunda pessoa do plural do imperativo.. Em português.. Expliquemos melhor este aspecto.

uma mesma frase imperativa pode ter uma leitura de ordem.nós). “não respire – você”. de acordo com o significado que lhe queiramos imprimir.CONJUNTIVO Respirem! (vocês) .CONJUNTIVO Respiremos! (nós) . “não respiremos –nós”. etc. “não respirem – vocês”. Utiliza-se igualmente o conjuntivo sempre que a frase é negativa.CONJUNTIVO Não respirem! (vocês) . de pedido.CONJUNTIVO Não respires! (tu) . Gostaríamos ainda de chamar a vossa atenção para o seguinte: as frases com uso do imperativo (frases imperativas) podem ser diferentemente interpretadas consoante o contexto situacional e linguístico em que surjam.DAR ORDENS/ INSTRUÇÕES (imperativo e conjuntivo) Afirmativa Negativa Respira! (tu) – IMPERATIVO Respire! (você) . Assim. Devemos ter cuidado com a entoação que damos a uma frase.CONJUNTIVO Não respire! (você) . de instrução. Não devemos esquecer que uma mesma frase pronunciada com entoações diferentes pode ter em português diferentes significados.Como é que foi ontem com o João? Conta-me tudo imediatamente! – Pedido! 8 . Imaginemos os seguintes contextos: A mãe diz para a filha .CONJUNTIVO Não respiremos! (nós) .: “não respires – tu”.Soube que te portaste mal na escola! Conta-me tudo imediatamente! – Ordem! Uma amiga diz para outra .CONJUNTIVO O presente do conjuntivo com valor de imperativo emprega-se também para a primeira pessoa do plural (“respiremos”.

povoação do Banho. até ao próximo programa. situam-se no distrito de Viseu. Neste momento. numa paisagem idílica. A médica afirma: “Estas coisas não escolhem dia nem hora” Quer a médica dizer com isto que há situações que não são previsíveis. Na margem esquerda do Vouga. mas vou ainda convidá-lo a conhecer alguns locais termais de Portugal! Fique connosco e conheça algumas termas portuguesas. Desta histórica denominação provém o nome actual da vila – Banho! Ao longo dos tempos. ansiosas por aliviar os seus males. resta-me despedir. no concelho de S. Pedro do Sul. as mais frequentadas de Portugal. “ ficar ou ser sã/são que nem um pero” Esta expressão significa ficar/ser muito saudável. como evidenciam os presentes vestígios arqueológicos. Pedro do Sul. vamos esclarecer o significado de algumas expressões do texto. 9 . Diz ainda que a Ana vai ficar “Sã que nem um pero!”. os seus banhos sulfurosos quentes foram ganhando fama e atraindo gentes de todas as classes sociais. construíram os romanos um Balneum – balneário termal constituido por diversas estruturas.4. ALGUMAS EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS Para finalizarmos. As Termas de S.

direccionados quer para a cura de doenças quer para o relaxamento e libertação do stress. rodeando uma Ilha que se encontra unida às margens por características pontes. de cerca de 1km de perímetro. as Termas de Vidago encontram-se inseridas num deslumbrante cenário paisagístico. entre outras. Assume também relevo um enorme lago artificial. que contribui para o repouso e tranquilidade dos aquistas. Do termalismo clássico ao recente conceito de termalismo de bem-estar. aqui buscou a cura para uma fractura de uma perna. As Termas da Curia situam-se em plena região da Bairrada. passeando por entre as centenárias árvores ou andando de bicicleta. Uma completa estrutura turística. Localizadas em Trás-os-Montes. 10 . Amélia”. cujos caminhos se podem percorrer. recebendo as termas o seu nome: “Thermas da Rainha D. campo de golfe. destacam-se frondosas e verdejantes matas. estas termas oferecem uma grande diversidade de programas. estão dotadas do mais moderno equipamento e tratam. reumáticas e músculo-esqueléticas. envoltas por um lindíssimo parque com uma área de 14 hectares. do aparelho respiratório.. Nas Termas de Vidago tratam-se doenças do sangue.Conta a lenda que D. Os seus lindos edífícios “Belle Époque” merecem também ser admirados. após a Batalha de Badajoz. Também aqui passou férias a última rainha de Portugal. que inclui piscinas. tendo sido informado das propriedades terapêuticas destas águas. campo de ténis. etc. doenças do aparelho respiratório. As novas instalações. concelho de Chaves. Afonso Henriques. em funcionamento desde 2001. no coração do centenário e maravilhoso Parque Natural de Vidago. No seu enquadramento. proporciona ao visitante uma férias inesquecíveis. no distrito de Vila Real. do sistema nervoso. do aparelho digestivo e da pele. primeiro rei de Portugal.

no enquadramento paradisíaco da luxuriante floresta secular da Mata Nacional do Buçaco. para uma perfeita sensação de calma e de tranquilidade. encontram-se as Termas do Vimeiro. do aparelho respiratório. são benéficas para as afecções do aparelho digestivo e do aparelho circulatório. No seu interior. afamadas desde o tempo dos romanos. avenidas toldadas de espessa vegetação. picadeiro. pesca e grande diversidade de desportos náuticos. do aparelho digestivo e da pele. embora as referências à qualidade das águas venham de longa data. As indicações terapêuticas das águas abrangem patologias do aparelho circulatório. com as várias tonalidades do arvoredo. As águas do Gerês. O aquista pode aí usufruir da pureza e frescura do ar. A estância termal das Caldas do Gerês localiza-se num vale de denso arvoredo. são um local ideal para o lazer e divertimento. do aparelho circulatório e do aparelho urinário. entre a fecundidade dos lagos e a magia da montanha. O cenário é aqui verdadeiramente paradisíaco – 70 000 hectares de maravilhosa flora e interessante fauna chamam a atenção de todos os que aí procuram refúgio. ténis. das mais fuoretadas de Portugal e da Europa. Aí se encontram o convento de 11 . situa-se a estância termal e turística do Luso-Buçaco. natação. em pleno Parque Natural da Peneda-Gerês. na sua encosta poente. SPA. 60 kms a norte de Lisboa. Recentemente remodelado. No concelho da Mealhada. fazem as delícias do visitante. piscinas. O primeiro estabelecimento termal foi construído no Gerês no século XVIII. ténis. fontes de águas cristalinas. entre o majestoso arvoredo da Serra do Buçaco.As águas da Curia. discotecas. O verde do mar desenrola-se à sua frente. equitação. golf. contribuindo. curam doenças músculo-esqueléticas. etc. Ao mesmo tempo. pois a estrutura turística que as complementa inclui praia. canoagem. que proporciona a prática de montanhismo. regatos murmurantes. ermidas. conta hoje com o suporte de uma alargada estrutura turística.

um afluente do Rio Tejo que faz fronteira com Espanha. urinário e músculo-esqueléticas.Santa cruz do Buçaco e o Palace Hotel do Buçaco – sumptuoso palácio do séc XIX. As propriedades terapêuticas destas águas quentes são conhecidas. pelo menos. 12 . ginecológicas e da pele. A água do Luso é benéfica no tratamento de doenças do aparelho circulatório. respiratório. Pertence ao concelho de Idanha-a-Nova e dista cerca de 70 Km de Castelo Branco. Tratam afecções do aparelho digestivo. junto à margem direita do Rio Erges. desde o século XVIII. que alimentam as famosas Termas de Monfortinho. na nascente da Fonte Santa. brotam ancestrais águas minerais. Na Serra. expoente máximo do Neo-Manuelino. A freguesia de Monfortinho situa-se na encosta da Serra de Penha Garcia.

Entre os vários quadros expostos no Museu. Para tal muito contribui a riqueza e diversidade museológica. Amélia de Orléans e Bragança. Podemos admirar ainda as obras abstractas inspiradas em paisagens de Arpad Szenes. apresentando recursos de enorme qualidade e variedade cultural. de 1936. o Museu dos Coches. Possui uma colecção única de viaturas de gala e de passeio dos séculos XVII a XIX. A Ana começa a sua visita pela Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva. Este foi criado em 1905. A maioria destas viaturas pertencia à Casa Real 1 . Composition. Visitaremos hoje alguns museus de Lisboa mas estamos longe de esgotar a oferta. Assim. por iniciativa da Rainha D. Carlos I. de Arpad Szenes. Enquanto a Ana está neste Museu. o João visita outro museu. salientam-se os auto-retratos que ilustram bem os seus temperamentos e posturas plásticas diferentes e a enorme cumplicidade entre ambos.PROGRAMA 7 MUSEUS DE LISBOA Lisboa é hoje um destino de grande prestígio internacional. a colecção permanente do Museu apresenta duas obras emblemáticas. mulher do Rei D. O objectivo principal deste Museu é divulgar a obra destes dois pintores. Este Museu fica situado no edifício do antigo Picadeiro Real do Palácio de Belém. do século XVIII. de Helena Vieira da Silva e L’Enfant au Cerf Volant. com as suas cores suaves e quentes e as cidades e bibliotecas de Helena Vieira da Silva. A Fundação está instalada na antiga Real Fábrica de Tecidos de Seda. de 1935.

. O que é que te aconteceu? João: – Imagina lá que tocou o alarme de incêndio e toda a gente teve de sair. claro. nem no Mundo. a Ana e o João encontram-se no Jardim das Amoreiras. Este museu permite compreender a evolução dos meios de transporte usados pelas cortes europeias até ao surgimento do automóvel. outros luxuosos. Apanhei cá um susto. Mas quando nos disseram que era um falso alarme.. _____________________________________________________________________ João: – Desculpa lá o atraso.. Ainda me fartei de rir! Ana: – E ao menos valeu a pena a visita? João: – Sim. isso até deve ter sido divertido... Tive uma vontade enorme de entrar num qualquer e. Felizmente. São três séculos de História. pois não? João: – Não. Após as visitas aos museus. Acho que não vais acreditar. João: – Acredita que é verdade.. Destacam-se ainda o coche único e muito antigo do Rei Filipe II. porque não estiveste lá. Eu também cheguei há poucos minutos. A princípio assustei-me um pouco. aquela sirene que não parava de tocar …e as pessoas a sairem à pressa. construído em Espanha em finais do século XVI e início do século XVII. Não há outro na Europa. claro que não. fiquei mais descansado. Ana: – Cá para mim.Portuguesa. É um museu único. João: – Achas divertido. Ana: – Não tem importância.. Ana: – Mas não entraste. Ana. Ana: – Eu não acredito. Ou querias que fosse preso? 2 . tratou-se de um falso alarme e minutos depois mandaram-nos entrar. em 1716. João: – Nem sabes o que me aconteceu no Museu dos Coches. Vi coches tão variados. Ana: – Mas diz lá. Até vieram os bombeiros e tudo.. e ainda os coches da embaixada do Marquês de Fontes usados na visita ao Papa.. uns simples. Não me deixavam.

Bem. Ana: – Eu até tenho a barriga a dar horas! João: – És mesmo uma exagerada. Ana: – Li no guia que a Basílica da Estrela é aqui perto. foi emocionante. Espero que gostes. Estou mesmo a precisar duma bebida quente e dum bolinho. João: – Também estou cheio de fome.. Não se pode ver tudo. Vale mesmo a pena visitá-lo. Ana: – Boa ideia... nem ninguém tentou roubar nenhum quadro! Mas. mesmo assim. uma pastelaria com um ar agradável. João: – Porquê? Ana: – Porque achei tudo muito interessante. Ana: – Obrigada. Ana. Que colecção fantástica! As cores.Ana: – Coitadinho. vi um café. Não soou nenhum alarme. Mas terá de ficar para a próxima visita a Lisboa. trouxe-te esta pequena lembrança que comprei na loja do museu. a luz.. Fica muito perto daqui. É muito giro. Que vergonha! João: – Não faz mal. João. Ana.. João: – E a tua visita. Comprei também uns lápis para oferecer a uns amigos. a minha visita ao Museu Vieira da Silva foi muito tranquila. Como é que adivinhaste que eu fazia colecção de porta-chaves? Eu não te comprei nada. João: – Olha. João: – E que tal se fôssemos beber qualquer coisa? Quando desci do autocarro. Isso é uma coisa tão insignificante. Achas que ainda lá podemos ir hoje? 3 . como foi? Ana: – Bom. Pobre João. Ana: – Muito obrigada. Foste muito simpático. João: – Pois é. Ana: – Tens razão. Não comi mais nada depois do pequeno-almoço. João. o espaço. é indescritível. Há ainda tantas coisas que queria ver.

.João: – Oh. O Petérito Perfeito do Idicativo tem geralmente como ponto de referência temporal o momento da fala ou da enunciação. tem dó de mim. _____________________________________________________________________ Acabámos de assistir ao encontro da Ana e do João no Jardim das Amoreiras. Ana. ****** Ana: . Eu também cheguei há poucos minutos. a minha visita ao Museu Vieira da Silva foi muito tranquila. Vejamos então três excertos do diálogo: João: .Desculpa lá o atraso. É um tempo do passado e que marca o momento em que determinado evento ou estado terminou.Mas. Até vieram os bombeiros e tudo. mesmo assim. Mas. conhecidos também como Pronomes Clíticos. foi emocionante.Porquê? 4 . João: . vamos abordar o Pretérito Perfeito do Indicativo para relatar eventos no passado e ainda os Pronomes Pessoais Objecto. Não soou nenhum alarme.Arpad Szenes e o Museu dos Coches. diz lá. Ana: .Bom. RELATAR EVENTOS NO PASSADO Em português usa-se o Petérito Perfeito do Indicativo para relatar ou referir eventos acabados. em Lisboa.Imagina lá tu que tocou o alarme de incêndio e toda a gente teve de sair. Eles falam sobre aquilo que viram nesses museus. Estou muito cansado e mortinho por chegar ao hotel.Nem sabes o que me aconteceu no Museu dos Coches. Apanhei cá um susto. 1. Ana. Ana: . O que é que te aconteceu? João: . depois de terem visitado o Museu Vieira da Silva .Não tem importância. João: . Acho que não vais acreditar.. nem ninguém tentou roubar nenhum quadro. Neste Programa.

a luz. a minha visita ao Museu Vieira da Silva foi muito tranquila. João. Ana. usadas pelas personagens para referirem o que lhes aconteceu num momento passado.Porque achei tudo muito interessante. é indescritível.. como é que adivinhaste ... Vale mesmo a pena visitá-lo. Espero que gostes. .. antes de se encontrarem. (7) . RELATAR EVENTOS NO PASSADO PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO (1) Eu também cheguei há poucos minutos. Ana:. Bem.. As cores. (3) . Que vergonha! Vamos agora destacar as formas verbais usadas pela Ana e pelo João... nem ninguém tentou roubar nenhum quadro. Que colecção fantástica. Como se pode ver nestes exemplos. o espaço..... ****** João: ..Ana: .? (9) . eu não te comprei nada. (2) Tocou o alarme.. trouxe-te esta pequena lembrança que comprei na loja do museu..Obrigada. (8) . (5) Bom.. Como é que adivinhaste que eu fazia colecção de portachaves? Eu não te comprei nada... 5 ....Olha. (4) Apanhei cá um susto.. vieram os bombeiros . As formas verbais em análise são formas do Pretérito Perfeito do Indicativo. o Pretérito Perfeito do Indicativo marca sempre o momento em que um evento ou estado terminou.. (6) Não soou nenhum alarme .

os. em posição proclítica. Esta posição é denominada ênclise.” (3) “Não se pode ver tudo. o clítico surge aqui depois da forma verbal “trouxe” -. ou seja. em posição enclítica. (3) e (4). O padrão mais frequente de colocação do clítico em português europeu é depois do verbo. a lhe. a colocação destes pronomes apresenta variações.2. vos. São eles: PRONOMES CLÍTICOS me. Os pronomes surgem quer depois do verbo. ligando-se a este por um hífen.” Como se pode observar nas frases apresentadas.” (4) “Não me deixavam. o. lhes Vejamos alguns exemplos do diálogo: (1) “Trouxe-te esta pequena lembrança.” (2) “Eu não te comprei nada. se. PRONOMES CLÍTICOS Já de seguida. as. quer antes do verbo. como nos exemplos (2). te. nos. isto é. como é o caso do exemplo (1) – como podem verificar. vamos abordar a sintaxe dos Pronomes Pessoais Objecto ou Clíticos. se. Vejamos novamente alguns exemplos do diálogo: 6 .

JÁ ANTES DO VERBO (13) Ainda me fartei de rir! 7 ...visitar .) vale a pena visitá-lo..) assustei-me um pouco. com as frases subordinadas. quando nos disseram... B) FRASES SUBORDINADAS (11) .lo. C) FRASES COM O OPERADOR QUE ANTES DO VERBO (12) O que (é que) te aconteceu? D) FRASES COM ADVÉRBIOS: AINDA. não se pode ver tudo. (10) . surge à direita da forma infinitiva .(5) “Trouxe-te esta pequena lembrança. com o operador Qu. e ainda com alguns advérbios: A) FRASES NEGATIVAS (9) . não te comprei nada...na frase 7. conhecida como próclise.” (8) “tratou-se de um falso alarme.. A colocação do pronome clítico antes do verbo.” O pronome clítico -o. verifica-se em contextos tão diversos como: • • • • com a negativa.. BEM.” (6) “(.” (7) “(..e por razões fonológicas apresenta a forma ..

mandar. Por João:. tratou-se de um falso alarme e minutos depois mandaram-nos entrar. começa a ser cada vez menos utilizada. que passamos a exemplo. Dá-se então a subida do clítico. (14) Felizmente. ouviram-se algumas expressões.16). Estes exemplos não fazem parte do diálogo: (15) Ver-nos-emos no próximo verão.ex. A expressão ter dó de alguém significa que se tem pena de alguém: 8 . 3.ex. Estou muito cansado e mortinho por chegar ao hotel. ALGUMAS EXPRESSÕES No diálogo. No entanto. quer dizer.15] e do Condicional (vd. Isto acontece com as formas do Futuro (vd.Oh. Vamos observar a frase com um verbo causativo. ou seja. este tipo de construção tem origem na gramática do Português antigo e está em regressão. mandar. O pronome pode ainda surgir no interior da forma verbal na chamada posição mesoclítica.Em português europeu é também possível colocar o clítico junto de um verbo do qual o clítico não depende. Ana tem dó de mim. (16) Dir-te-ia se o soubesse. este é colocado junto do verbo causativo. ouviu-se o João dizer : explicar.

A expressão estar mortinho/mortinha por fazer alguma coisa significa que se deseja muito fazer algo. ____________________________________________________________________ O Museu do Chiado fica situado no centro histórico de Lisboa. constitui a mais importante colecção nacional de arte portuguesa contemporânea. É claro que o seu uso é muito informal. Francisco.. Anastácio Gonçalves foi mandada construir pelo pintor José Malhoa ao arquitecto Norte Júnior e foi distinguida com o prémio Valmor de 1905. ouvimos ainda no diálogo a Ana dizer: “Eu até tenho a barriga a dar horas!” Esta expressão significa que se tem muita fome.ter dó de alguém = ter pena de alguém E o João acrescentou ainda “. É uma moradia de dois pisos. finalmente. mas 9 . de Columbano Bordalo Pinheiro. de Fernando Lanhas. ocupando parte do antigo convento de S. Foi fundado em 1911 e reconstruído em 1994.Estou muito cansado e mortinho por chegar ao hotel”. que abrange o período de 1850 até à actualidade.. A colecção de arte portuguesa. ter a barriga a dar horas = ter muita fome Por hoje é tudo. de Joaquim Rodrigo e de René Bértholo. Destacamos assim as obras de Silva Porto. Agora espero que gostem da proposta que vos fazemos de visistarem alguns museus em Lisboa. A expressão poderia ser substituída por uma equivalente. constituída por dois corpos distintos. A actual casa-museu Dr. como por exemplo “estou ansioso por chegar ao hotel “: estar mortinho/mortinha por fazer alguma coisa = desejar muito fazer alguma coisa E.

dada a cor das suas janelas. Vicente de Fora e um retrato de D. Maria I. Na capela de Santo Alberto. de Silva Porto. de Columbano. fundamentalmente de cariz religioso. vidros 10 . podem ver-se exemplares dos séculos XVII e XIX. Possui ainda uma importante colecção de escultura. assim como objectos medievais e do período dos Descobrimentos. Anastácio Gonçalves em 1932. as obras neo-clássicas de Domingos Sequeira e ainda obras de artistas estrangeiros como Piero della Francesca. de tendências neo-românicas. O museu foi inaugurado em 1969 e faz parte do legado deixado a Portugal pelo multimilionário arménio. Destacamos os Painéis de S. da Virgem e de Santos em pedra e madeira. Foi adquirida pelo Dr. com elementos da «casa portuguesa» e alguns aspectos de Arte Nova. O Museu Nacional de Arte Antiga está instalado num palácio do século XVII. ficando na posse da sua família por mais de um século. O museu alberga uma colecção de pintura portuguesa e europeia do século XIV a meados do século XIX. policromas. Apresenta uma colecção de pintura portuguesa dos séculos XIX e XX . Sebastião de Cristóvão Morais. além da colecção de porcelana chinesa e de mobiliário português e estrangeiro. Existe ainda uma colecção rica de ourivesaria portuguesa e europeia. José e de D. Bosch. destacando-se especialmente as peças da época de D. podemos ver o presépio de Machado de Castro do século XVIII. construído para os Conde de Alvor. O acervo inclui peças do Antigo Egipto. Da colecção de pintura fazem parte obras de Malhoa. A colecção de arte de Calouste Gulbenkian está reunida no Museu Gulbenkian. O Marquês de Pombal adquire-o em 1770. estátuas de Cristo. Quanto ao mobiliário português. de António Ramalho e de João Vaz. Cranach e Rafael entre outros. como por exemplo.articulados entre si. Durer. O museu propriamente dito foi inaugurado em 1884 e é também conhecido pelo museu das janelas verdes. A porcelana chinesa data dos séculos XVI e finais do século XVIII.

Amadeu Souza . 11 . tapetes persas e turcos. Destacam-se o famoso retrato de Fernando Pessoa no Café Irmãos Unidos de Almada Negreiros e os trabalhos de Eduardo Viana. Rui Sanches e Teresa Magalhães.Cardoso. porcelanas chinesas e ainda objectos de Arte Nova.islâmicos. O Centro de Arte Moderna da Gulbenkian inclui obras de artistas portugueses contemporâneos. Graça Morais. Paula Rego.

É um espaço moderno. de espectáculos e de lazer que se integram plenamente na vida quotidiana da cidade.. ao longe parecem mesmo palmeiras . inovador. o Parque apresenta locais de exposições.. Ana: – Gostei muito da arquitectura da Gare do Oriente. de negócios e outros serviços.. em 5 km de frente para o estuário do Tejo.. a conhecer um pouco da beleza deste espaço. não só pelo respeito ambiental em que se desenvolve mas também por apresentar uma nova concepção de vida urbana. De facto. Não tinha reparado. como o Metro. 1 . o autocarro ou o comboio e um marco imponente para quem visita o próprio Parque das Nações e a Vila Expo. Rodeado por áreas residenciais..PROGRAMA 8 PARQUE DAS NAÇÕES O Parque das Nações corresponde ao local em que decorreu a Exposição Mundial de Lisboa em 1998 e onde foram revitalizados com enorme sucesso terrenos da parte oriental da cidade que estavam em estado de degradação. com uma notável requalificação do ambiente em toda a área e possui as infra-estruturas tecnologicamente mais avançadas da cidade de Lisboa. O António decidiu levar os seus amigos. Ana e João. A Gare do Oriente é um ponto obrigatório para quem usa os transportes publicos.. Parecem palmeiras estilizadas! Já repararam? João: – Ah! É verdade. Abrange 340 ha...

. João: – Eu também gostei muito do Centro Comercial.. tão agradáveis para passear . João: – Isto é um espaço bastante grande... mas era tudo muito desordenado! havia uma refinaria.É! é uma área muito grande.. antes da Expo.. 2 . muita desorganização . João:... não é? António: – É verdade. mas vocês haviam de ver isto antes. Como o rio aqui é muito largo...Quem diria... a ponte parece que nunca mais acaba... é enorme! Tem uma construção muito moderna. António: – Pois é! Agora não parece possível. A mim.... Quando entramos até parece que estamos dentro de um barco.. Ainda são uns 5 km de frente para o rio.... António: – Pois é...São para aí uns 340 ha. desde produtos petrolíferos a aterros sanitários... para descansar. Havia um pouco de tudo mas sem nenhuma preocupação com o ambiente! ... António: . Ana: – Eu não consigo imaginar uma lixeira aqui! Estes espaços tão verdes. São cerca de 12 quilómetros. mas agora acho que ficou muito giro..... e também havia pequenas indústrias... Era completamente diferente. Não era nada agradável para passear..Vocês sabiam que toda esta parte nova da cidade....E a Ponte Vasco da Gama? É tão elegante. no princípio fazia-me confusão.. Ana: – Ai era?!! António: – .. É muito bonita... Isto está tão bonito aqui mesmo à beira rio.Ana: .... Agora é tudo muito bonito.. Mais tarde podemos atravessá-la.... era uma zona muito degradada? Havia aqui muita poluição. não é? António: . havia depósitos vários . Era uma lixeira! João: – Sério? Não posso acreditar.. era uma zona portuária. mas antes era uma zona muito desagradável..

. António: . Vocês encontram aqui plantas de locais exóticos: Brasil. É extraordinário este Jardim Garcia de Orta. Na companhia do António.. Ana: – Daí este jardim tão giro! Tem uns recantozinhos tão acolhedores.. Por exemplo... XVI...Ana: – Ai! Vocês adoram falar de números! Mas isso... É o que eu digo: só apetece andar. temos de ir ver o Oceanário.. António: – Era um médico do séc. António: – Pois é. Goa .... andar.. que estudou e que desenvolveu as propriedades curativas das plantas.. A entrada é aqui ao lado e a saída fica na outra ponta. mas nós temos ainda muita coisa para ver. andar... Ana: – Nem eu... João: – Olha a novidade! Não sabes dizer mais nada? Tu queres sempre ver tudo. a Ana e o João passearam por todo o Parque 3 ... Acho que vocês vão gostar.. Aqui só sinto vontade de andar. podemos apanhar o teleférico para lá..... Foi lá que contactou com especialistas árabes e hindus. S. Hoje foi o dia de descobrir a área mais moderna da cidade de Lisboa: o Parque das Nações. não me diz nada! Só sei que estamos num sítio agradabilíssimo.. Até parece que estamos mesmo dentro do mar. Viveu muitos anos em Goa.. Ana: – Que excelente ideia António! De facto a entrada é ali mesmo.. Vocês sabem quem era Garcia de Orta? João: – Eu não sei.. ao mesmo tempo.. Tomé e Príncipe. Ana: – Ai é?! Também quero ir ver. vemos os movimentos tranquilos dos peixes que passeiam na nossa frente..Reparem! Como estamos aqui.. mesmo junto do Oceanário. E o cheirinho destas plantas? António: – É! Isto é uma miniatura de outros continentes. com certeza... e ficamos com uma ideia do conjunto deste Parque tão giro. a mim.. E tinha um jardim onde criava plantas raras. É um aquário gigante.... João: – Óptimo! Fazemos o percurso pelo ar..... Há um silêncio extraordinário lá dentro e. Na sua maioria são plantas medicinais. Não faço a mínima ideia.....

e. A mim.. mas vocês haviam de ver isto antes. recorre-se repetidamente a verbos como “achar” e “parecer” integrados. naturalmente... Acho que vocês vão gostar. no princípio. 1. Até parece que estamos mesmo dentro do mar. Era completamente diferente. ou não.. É em volta das construções linguísticas usadas para exprimir opinião e entusiasmo e para descrever comparativamente o passado e presente que vamos reflectir hoje. ao mesmo tempo.. Há um silêncio extraordinário lá dentro e. Vamos analisar a forma como manifestam a sua opinião e as estruturas que utilizam: Ana: – Gostei tanto da arquitectura da Gare do Oriente. não conseguem parar de pensar sobre o que viram e exprimem-no de várias maneiras.. em estruturas mais complexas. mas agora acho que ficou muito giro. Parecem palmeiras estilizadas! Já repararam? **** João: – Eu também gostei muito do Centro Comercial.. fazia-me confusão.. não só manifestaram as suas opiniões e o seu agrado sobre o que viram como também ouviram descrições sobre as transformações ocorridas naquele espaço. De facto.. Quando entramos até parece que estamos dentro de um barco.. Por exemplo.. É um aquário gigante.. António: – Pois é. Podemos sistematizá- 4 ... EXPRESSAR OPINIÃO A Ana e o João estão bastante entusiasmados. **** António: – Pois é.. temos de ir ver o Oceanário. Nestes excertos do diálogo encontramos várias construções que se repetem e que expressam opinião.. vemos os movimentos tranquilos dos peixes que passeiam na nossa frente. Abordaremos ainda o verbo “haver” como auxiliar.. mas nós temos ainda muita coisa para ver. Agora é tudo muito bonito....

. [que vocês vão gostar]. ACHAR Acho [ que ficou giro ] Acho [ que vocês vão gostar ] As frases subordinantes são completivas (ou integrantes).. são frases que têm uma função de complemento da frase superior. ‘Achar mal’: COMPLETIVA ADJECTIVAL Achar [ giro.. com Achar + Adjectivo. que é seleccionada por ela. ‘Acho óptimo’.: ‘Acho giro’..] Achar [ óptimo.] No entanto.. isto é.. ou seja. ou com advérbio: ‘Achar bem’. é igualmente possível construir frases.] Achar [mal. ‘considerar’.. ‘ter opinião subjectiva’. Nestes exemplos a selecção da frase subordinante é feita pelo verbo.] COMPLETIVA ADVERBIAL Achar [bem.. introduzidas pelo complementador Que.. etc.los nos quadros que se seguem: - verbo achar tem aqui o significado de ‘ter impressão’. Trata-se de uma completiva verbal: COMPLETIVA VERBAL Achar [ que. forma frases complexas: uma frase superior (ou subordinante) constituída pela própria forma verbal ‘acho’ e outra que lhe é subordinada. que podem ser simples ou complexas. Nestes exemplos. ‘pensar’. como por ex. como as que aqui estão representadas: [que ficou giro]..] 5 .

Será. por exemplo. ] Acho bem irmos para o Oceanário.. 6 .. recordemos os exemplos retirados do diálogo: Parecem palmeiras Parecem mesmo palmeiras Parece [ que nunca mais acaba ] Parece [ que estamos dentro de um barco ] Parece mesmo [ que estamos dentro do mar ] É de notar os significados diferentes do verbo ‘parecer’ e consequente diversidade do seu comportamento estrutural. Quanto ao verbo ‘parecer’. Aqui limitamo-nos essencialmente aos dois tipos de ocorrências no texto: “parecem palmeiras” e “parecem mesmo palmeiras”. o caso de: COMPLETIVA ADJECTIVAL Achar + adjectivo [ . COMPLETIVA ADVERBIAL Achar + advérbio [ ... ] Acho giro fazermos este passeio.Estas frases podem seleccionar frases completivas adjectivais e adverbiais não finitas (com verbos no infinitivo).

nas frases “parece que nunca mais acaba” e “parece que estamos dentro de um barco” o verbo tem um significado perceptivo. Parecem palmeiras Parecem mesmo palmeiras ´Parecem palmeiras’ – está aqui implícita uma comparação de formas: os arcos ogivais são semelhantes a palmeiras. Nesta construção o verbo é flexionado normalmente.Parecer = ser semelhante a. ser parecido com. Assim. dar a sensação Parece [ que nunca mais acaba ] Parece [ que estamos dentro de um barco ] 7 . Mas os exemplos do diálogo também nos mostram que este verbo se pode referir a algo que é aparente. comunica-nos uma impressão ou uma sensação. tal como acontece com o verbo anterior ‘achar’: Parecer (3ª pessoa do sing. usando o complementador Que. ter o aspecto de.) + [que] = dar a impressão. Apresenta-se flexionado unicamente na 3ª pessoa do singular e selecciona frases completivas finitas como objecto (complemento) directo.

António: – .. desde produtos petrolíferos a aterros sanitários. Não era nada agradável para passear... Vamos rever o que ele disse: António: – Pois é. como era antigamente aquela área por oposição ao que é actualmente. ao contrário do que acontece com o Pretérito Perfeito do Indicativo. ou seja. e também havia pequenas indústrias. antes da Expo.. DESCRIÇÃO (PASSADO VS PRESENTE) O António explicou aos seus amigos a mudança que se verificou naquele espaço.. no princípio fazia-me confusão. Havia um pouco de tudo mas sem nenhuma preocupação com o ambiente! .. A mim. mas antes era uma zona muito desagradável.. Vocês sabiam que toda esta parte nova da cidade. era uma zona portuária.... mas num espaço não delimitado. muita desorganização.. Agora é tudo muito bonito. Para isso teve de fazer uma comparação entre o passado e o presente. mas agora acho que ficou muito giro. O Pretérito Imperfeito do Indicativo é um tempo gramatical com informação de passado... era uma zona muito degradada? Havia aqui muita poluição.. como vimos no programa anterior.. havia depósitos vários . 8 ... Era completamente diferente. Era uma lixeira! António: – Pois é! Agora não parece possível.. mas era tudo muito desordenado! Havia uma refinaria... mas vocês haviam de ver isto antes..... Reconhecemos nestes excertos a predominância de verbos conjugados no Pretérito Imperfeito.2.

. havia depósitos vários ... António :– .. não era nada agradável.) No entanto.. houvesse (e tempos compostos tem havido. etc. havia muita poluição Antes era uma desagradável zona muito Podemos observar a relação entre os advérbios de tempo utilizados com o tempo presente e com o Imperfeito: “agora” está directamente ligado ao tempo presente. este verbo é conjugado em todos os tempos gramaticais mas apenas na 3ª pessoa do singular: Há. “Antes” refere-se a um tempo alargado no passado. houve.. havia.. 3. aparece no diálogo uma forma diferente: 9 . haja.TEMPO PRESENTE Agora é tudo muito bonito Agora não parece possível TEMPO PASSADO Antes da Expo era uma zona muito degradada . como já vimos em um programa anterior. havia um pouco de tudo Enquanto impessoal. havia uma refinaria .. VERBO HAVER COMO AUXILIAR Podemos constatar ainda que o verbo haver se repete no seu uso impessoal com o significado de “existir”.. e também havia pequenas indústrias.

em parte. Tanto as zonas residenciais como o Centro de Negócios são complementados por grande variedade de serviços. que contribuíram de forma decisiva para a modernização e internacionalização de Lisboa.. “haviam de ver” é equivalente a “tinham de ver” ou “deviam ter visto”. recuperando o ambiente e a paisagem e fazendo um planeamento urbano de acordo com as necessidades de uma cidade ideal. que vão ao encontro das necessidades dos residentes e profissionais da zona.António: – (Pois é. A partir de uma área desordenada e poluída foi possível criar espaços requalificados. Tal como os nossos amigos. vamos agora fazer uma visita orientada pelo Parque das Nações. espaços de lazer e infra-estruturas desportivas.. As principais zonas habitacionais situam-se junto à Marina e ao Parque Tejo e proporcionam de forma harmónica uma interligação com o rio e com os abundantes espaços verdes. Neste caso. até ao próximo programa! A Expo 98 foi. 10 ... “haver” é flexionado em todas as pessoas verbais. de facto. um terço dos 340 ha foi reservado a espaços verdes. O António usa aqui uma outra construção com ‘haver’ enquanto verbo auxiliar: Haver de + Verbo no infinitivo. Eu despeço-me.. As empresas beneficiam de um espaço urbano com as mais recentes tecnologias. um hospital e outros serviços complementares. Surgiram assim áreas residenciais. ) mas vocês haviam de ver isto antes.. com infra-estruturas urbanas ambientalmente integradas. equipamentos e serviços. Estes têm escolas. pela Estação do Oriente e pelo Centro Vasco da Gama. De facto. restauração e comércio oferecidos. uma oportunidade para criar um novo e moderno conceito de espaço urbano. Agora é tudo muito bonito.

a estrutura metálica branca toma o aspecto de uma vela ao vento e o miradouro. evoca a epopeia marítima dos portugueses. Usando o teleférico. o maior da Europa. Do alto dos seus 140 metros temos acesso a uma vista panorâmica sobre Lisboa. XXI. se localizam grandes pavilhões. que acolhem as mais diversas actividades. Da autoria do arquitecto espanhol Santiago de Calatrava. que é um grande recinto multiusos onde se têm realizado espectáculos e competições desportivas para grandes multidões. enquanto ficamos com uma visão mais geral do Parque. assemelha-se muito ao cesto da gávea.Pela sua grandiosidade arquitectónica. Paralelamente. Por fim. a viga vertical é o mastro. Poder-se-ia dizer que estamos perante uma Torre de Belém do séc. tendo por trás a ponte com o mesmo nome. A sua silhueta simboliza as naus dos Descobrimentos: em baixo tem a forma de proa. Depois de sair da Estação do Oriente e atravessar o Centro Vasco da Gama entramos num ampla área pedonal para toda a frente ribeirinha ao longo da qual. junto ao rio. um gigantesco tanque central (com com 35 metros de largo e 7 de profundidade. de forma oval. a Estação do Oriente é uma obra que se impõe ao olhar de qualquer pessoa. 11 . interurbanos e internacionais. espalhados um pouco por todo o Parque. para norte e para sul. Ao chegarmos. descobrimo-nos junto do Oceanário. Os Cafés. podemos voltar para o lado sul. a Torre Vasco da Gama. No seu interior. para ali vão passear. os Jardins Garcia de Horta reúnem muitas espécies vegetais provenientes das regiões percorridas pelos portugueses em homenagem ao médico e botânico renascentista. Este é a grande atracção para adultos e crianças. Para o lado esquerdo encontramos o Pavilhão Atlântico. esplanadas e restaurantes. o rio Tejo e áreas circundantes. lá em cima. especialmente aos fins de semana. procura harmonizar a cidade com o rio ao mesmo tempo que constitui uma plataforma multimodal de transportes urbanos. oferecem momentos de descontracção aos muitos visitantes que.

Pacífico e Índico). tocar. executado por peixes grandes e pequenos. Retomando o sentido da Estação do Oriente. É. experimentar e descobrir muitas áreas científicas e tecnológicas.. sentir e avaliar diversas propostas artísticas.contendo cerca de 7 milhões de litros de água do alto mar) oferece um permanente e extraordinário bailado aquático. o Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva apresenta muitas exposições activas. Antárctico. sem dúvida. aparentemente leve. com um enorme espaço coberto por uma. não podemos deixar de apreciar o Pavilhão de Portugal. Muito perto. engenharia. uma prodigiosa obra de 12 .. onde é possível tocar. num cenário de elegante tranquilidade. Os quatro cantos são ocupados por quatro aquários mais pequenos que reproduzem os ecossistemas dos quatro oceanos (Atlântico. Um pouco por todo o lado há lugares especiais consagrados à arte urbana onde é possível ver. pala de betão suspensa de dois pórticos e reforçada por tirantes de aço inox. da autoria do arquitecto Siza Vieira.

ao fundo .no cimo da serra. conhecer um pouco de Sintra.sudoeste. mas se achas mágico. Aquilo ali é o Castelo dos Mouros! João: – Uau! Fabuloso! Que cenário deslumbrante! Ana: – Parece mesmo que saiu dum conto de fadas! Tem o seu “quê “ de mágico. lá no alto. até atingir o Oceano Atlântico. não tem? Faz lembrar aquelas lendas medievais.a vila de Sintra. o Homem e a Natureza... vão empreender uma extraordinária viagem ao passado. De visita a Sintra. Venham daí com eles. situa-se a deslumbrante Serra de Sintra. espera até chegares lá acima! Quando vires a vista. Ana: – E o palácio de que nos falaste. Distintas épocas históricas deixaram aqui os seus testemunhos bem vivos. ali. na zona litoral. habitada desde tempos remotos por inúmeros e diferentes povos . Ergue-se a cerca de 528 ms de altitude e serpenteia por uma extensão de 10 kms. associados no fluir histórico. aninha-se uma formosa vila.. abrigada pela sua encosta. António: – Olhem.PROGRAMA 9 SINTRA 28 Kms a norte de Lisboa.. acompanhados pelo António. na direcção noroeste .. criaram um cenário de extrema beleza e raridade. único no mundo. Em Sintra.... das mouras encantadas ! António: – Ah. António? Aquele que disseste que também íamos visitar? 1 .. os nossos amigos Ana e João. a profundidade da serra e o mar... No sopé desta serra..

.. Quanto tempo se leva. António? António: – Claro! Fica a quinhentos metros de altitude! Ana: – E a distância. ligeiramente mais acima..! Enfim. foi. são cerca de 45 minutos! João: – E achas que vale mesmo a pena fazer-se o percurso a pé? António: – Vale a pena. do centro histórico! Ana: – Olha.sempre a andar. E ficou inscrita sob essa designação. hoje ficam a conhecer o caminho. mais ou menos.. também gostava de vos mostrar o Palácio de Seteais e a Quinta da Regaleira... 2 .. e hoje ao fim do dia vão perceber bem porquê! Quando estivermos lá em cima. Repara. vão reparar na encosta da serra: avistam-se imensos edifícios antigos...“paisagem cultural de Sintra”! António: – Foi.leva-se cerca de meia-hora. no meio do arvoredo.Aquele que também fica no alto duma colina! António: – Ah! O Palácio da Pena! Fica num outro cume. sem dúvida.. Ana: – Tens razão.. a caminho de Seteais! João: – Sabes qual é altitude a que o palácio fica. temos de aproveitar bem o tempo! António: – Olhem.. mas não consegue ver-se daqui! Já o vamos ver. talvez um pouco mais. depois até podem voltar cá os dois.. vale a pena pelo contacto com a natureza! Além disso.António: – Qual? O da Pena ou o de Seteais? Ana: .......Mas o quê? Palacetes ?. fontes.... João: . a chegar lá acima. apanham o comboio em Entrecampos.? António: – Bem... então se calhar até podíamos ir a pé..... a pé.. como tínhamos combinado. não foi? ...? Qual é a distância a que se encontra da vila? António: – Fica situado a 4 quilómetros e meio daqui.... mas não te esqueças de que o percurso é muito íngreme.. vão-se encontrando mansões... pode conhecerse mais de perto a “paisagem cultural de Sintra”! Ana: – Pois é. convém parar de vez em quando! É um bocadinho cansativo! E eu hoje. Sintra foi classificada pela UNESCO como Património Mundial....

das mais diversas épocas Ana: – É. vamos passear um pouco aqui pela “Vila Velha” – desenvolveu-se na Idade Média! Vão poder ver muitas ruas estreitas. construídas em declives. com escadinhas.. de facto... João! Tem uma mistura muito grande de estilos.. Fernando II construiu o Palácio da Pena! Estive a ler sobre isso ontem! João : – Ah! O Palácio da Pena foi construído por D. foi até que Lisboa passou para as mãos dos cristãos. tem muitas assimetrias. foi dominado por eles até. Fernando II? D. a lembrar a Idade Média! António : – É uma construção exuberante. Olha.. mas isso é porque é uma construção romântica.. Fernando II.. becos. não tem? Faz lembrar a arquitectura islâmica! Ana :– Ah. não? António: – Parece que sim! Afinal.. mas dessa fortaleza pouco resta – parece que o castelo foi quase totalmente reconstruído no século XIX.. por D. não? António: – Sim. é mesmo o oposto do Palácio de Seteais! 3 . os árabes estiveram aqui mais de quatro séculos! Ana : – E o Castelo dos Mouros? O Castelo dos Mouros foi construído pelos árabes... Não sabia! Quando estou convosco aprendo sempre imenso! Esse palácio tem muitas cúpulas. muitos minaretes. António? António: ..Há aqui uma mistura única de sítios culturais e naturais! Ana :– Bem dizia o meu pai que não há outro lugar em Portugal como Sintra! João: – Bom. reentrâncias e desníveis.. quintas aristocráticas...... surpreendente! João: .António históricas.. Palacetes..Marcas da presença muçulmana... João: . também tem um torreão. igrejas.em meados do século XII. FernandoII! Ana : – D.Pelo menos.. Está a fazer-se tarde! Não é melhor começarmos a visita? O que é que vamos ver primeiro? Ana: – Talvez seja melhor começarmos aqui pelo centro histórico. olha..

Ana: – Seteais e a Pena foram construídos em épocas diferentes. viram que a Ana e o João se referem. vão referindo situações relacionadas com o que observam. Vamos andando? António : – Vamos lá! Hoje. à construção do Palácio da Pena por D. aqui em Sintra. muito elegante! E tem um arco do triunfo donde pode ver-se o Palácio da Pena – até parece mesmo que está emoldurado! Ana : – Já percebo porque é que homens como Lord Byron... Fernando II através de construções frásicas diferentes. aprender a construir frases activas e frases passivas. Ouçamos novamente a Ana e o João! 4 . de facto.. Vamos. muito equilibrado. Neste programa. construiram-se muitos palácios no século XIX. daqui a pouco vamos passar pelo Lawrence’s . assim.aquele hotel que está sempre a ser referido na obra dele! Ana : . mas Seteais foi construído no período Pombalino! Tem um traçado simétrico. Christien Andresen ou mesmo Richard Strauss ficaram tão impressionados com Sintra! João : – Ou Eça de Queirós! António: – Olha.. tradicionalmente designadas “voz activa” e “voz passiva”. a mesma ideia. por exemplo. no essencial. vamos aprender a referir situações através de conjugações verbais diferentes. 1. Ao conversarem. em que o verbo aparece numa conjugação diferente. CONSTRUÇÕES ACTIVAS E CONSTRUÇÕES PASSIVAS Se estiveram atentos à conversa dos nossos amigos.Bem. embora tais frases transmitam. o João e o António foram passear a Sintra... a Ana. não foi? António: – Pois foi! Olha.

5 . Fernando II (PASSIVA) Em termos discursivos. a utilização da forma activa ou da passiva resulta de uma escolha do locutor. João: – Então o Palácio da Pena foi construído por D.está na forma activa .D. Fernando II . Constatamos que em (1) o locutor opta por apresentar a situação na perspectiva do agente .Ana: . da perspectiva em que este quer apresentar a situação. Fernando II construiu o Palácio da Pena (ACTIVA) (2) O Palácio da Pena foi construído por D. D.o Palácio da Pena. “O Palácio da Pena foi construído por D. O agente é a entidade que controla uma dada situação.D. Construções Activas vs Construções Passivas (1) D.frase (1) . A frase “D.está na forma passiva. Fernando II. Fernando II é o agente pois é ele quem intencionalmente constrói – quem manda construir. Fernando II! As frases proferidas pela Ana e pelo João mostram-nos que a acção expressa pelo verbo pode ser perspectivada de uma forma activa ou de uma forma passiva. A frase proferida pelo João. proferida pela Ana . Fernando II construiu o Palácio da Pena. bem entendido .frase (2) . Fernando II construiu o Palácio da Pena”.

que ocorre à sua direita. “Quem construíu o Palácio da Pena?” . Fernando II construiu o Palácio da Pena.Fernando II”. “o Palácio da Pena” é o complemento directo (ou objecto directo). comecemos por analisar uma construção activa: CONSTRUÇÃO ACTIVA: D. neste caso. Fernando II” é o sujeito gramatical da frase. Fernando II?” – “o Palácio da Pena”! Então. O paciente é tradicionalmente visto como a entidade que sofre o processo significado pelo verbo. “D. pois.Já em (2) o locutor decide perspectivar a acção do ponto de vista do paciente o Palácio da Pena. “O que é que construiu D. SUJEITO COMPLEMENTO DIRECTO Nesta frase activa temos. 1. naturalmente. CONSTRUÇÕES ACTIVAS A fim de compreendermos as transformações que ocorrem da forma activa para a passiva. selecciona um complemento directo. O sujeito é a entidade acerca da qual se faz uma afirmação e.1. O verbo “construir” é um verbo transitivo directo. como vemos. 6 . permite responder à pergunta “quem?”. um elemento que desempenha a relação gramatical de sujeito.“D. O Palácio da Pena é o paciente pois sofre aqui o processo de construção. portanto.

(SUJEITO) (COMPLEMENTO DIRECTO) PASSIVA: O Palácio da Pena foi construído por D. o sujeito da construção activa (1). (SUJEITO) (COMPLEMENTO AGENTE DA PASSIVA) “O Palácio da Pena”. pode também ser precedido de “de”). precedido da preposição “por” (mais raramente. o complemento directo da construção activa (1). Fernando II construiu o Palácio da Pena. Fernando II. “D.2. vai cumprir a função de complemento agente da passiva na frase (2). torna-se o sujeito da construção passiva (2). perfeito + part. construiu (pret. FernandoII) referida pelo João: 1. conferindo-lhe um sentido passivo. Vejamos a mesma situação (a construção do palácio por D. passado) 7 . perfeito) foi construído (pret.Vamos agora aprender a transformar esta frase. TRANFORMAÇÕES ACTIVA/PASSIVA ACTIVA: D. Centremos agora a nossa atenção na forma verbal da voz passiva (2): vemos que “construiu” deu lugar a “foi construído” . Fernando II”.

isto é. seguido do particípio passado do verbo principal da activa. no plural (“foram construídos”).” “A carta foi entregue pelo carteiro. é o particípio irregular (a forma forte) que em geral ocorre nas construções passivas. naturalmente. Relativamente à forma verbal da voz passiva. deve seguir a regra normal de concordância sujeito-verbo.devemos ter em conta que a forma verbal tem de concordar em número com o sujeito. vejamos a frase do texto: “Esses dois palácios foram construídos em diferentes épocas” O sujeito (“esses dois palácios”) está no plural. Como na voz activa o verbo “construir” está no pretérito perfeito (“construiu”) vai dar lugar na voz passiva a uma forma verbal composta.no caso de verbos com particípios duplos. seguido do particípio passado de “construir”(“construído). há alguns aspectos que gostaríamos ainda de sublinhar: . reparem nas frases que passamos a apresentar: “O menino foi salvo pelo bombeiro.O exemplo mostra que a forma verbal da passiva é formada pelo verbo auxiliar “ser”. no mesmo tempo do verbo principal da voz activa. logo a forma verbal também tem de estar. . em que o verbo “ser” também aparece no pretérito perfeito (“foi”).” 8 .

1. quando o verbo principal da frase activa é um verbo transitivo directo ou transitivo directo e indirecto (verbos que seleccionam complemento directo e indirecto).3. também é possível construir frases passivas com o clítico –se. aqui em Sintra. Estejam atentos ao exemplo. PASSIVAS DE -SE Em português. falámos destes elementos no programa 7). que passamos a apresentar abreviadamente. Vejamos alguns aspectos da sua estrutura: PASSIVA DE -SE: Construiram-se muitos palácios (. isto é..“O menino foi salvo pelo bombeiro” – nunca “foi salvado”! “A carta foi entregue pelo carteiro” – nunca foi entregada! É muito importante realçar que a transformação da voz activa para a voz passiva só pode ocorrer quando existe nela um complemento directo.) SUJEITO 9 .. Na tradição gramatical. estas passivas recebem o nome de “passivas reflexas” ou “passivas pronominais”. construiram-se muitos palácios no séc XIX! As passivas de –se são passivas em que o verbo é acompanhado de um elemento clítico –se (se estão recordados. por favor! António: .De facto.

Três-quartos da superfície do concelho são ocupados pela faixa agrícola – no suave relevo dos férteis terrenos agrícolas. a zona agrícola e a serra de Sintra. formando maravilhosas baías e praias. a faixa costeira apresenta altas escarpas e acentuadas falésias. Mucifal. muito procuradas no Verão. 10 . o verbo também tem de estar no plural! O clítico “-se” passivo representa a função de agente (o agente é sempre indeterminado nestas passivas – quem construiu estes palácios? Não se determina! O agente não é determinado!) Vimos hoje algumas características de alguns tipos de passiva. De desenho extremamente recortado. o ponto mais ocidental da Europa Continental. Almoçageme. A Praia das Maçãs. “a terra se acaba e o mar começa”. onde. em frente das arribas rochosas surgem línguas de fina areia. desenvolveram-se pequenas aldeias e vilas: Colares.O sujeito da frase é “muitos palácios” – como o sujeito é plural. segundo Camões. Os mares que banham a costa de Sintra são bastante favoráveis à prática de desportos náuticos como o surf ou o bodyboard. entre outras povoações. Agora convidovos a conhecerem um pouco mais da vila visitada pelos nossos amigos! Por mim. até ao próximo programa! A surpreendente paisagem natural do concelho de Sintra é constituída por três grandes zonas. a Praia Grande e as Azenhas do Mar são alguns exemplos destas praias. emprestam um pitoresco muito próprio à região. A norte do Cabo da Roca. Estas projectam-se no Atlântico até ao Cabo da Roca. de características distintas: a faixa costeira.

Miguel de Odrinhas.e a Serra Brava . são visíveis marcas das diversas etapas da história do homem e do próprio planeta. tendo sido classificada pela Unesco em 1992 como “paisagem cultural de Sintra”. As suas muralhas sinuosas. acompanham o acidentado do relevo. os seus majestosos palacetes e quintas.Outrora designada “Monte da Lua” devido à forte tradição de cultos astrais aí registada.denso manto de frondoso e verdejante arvoredo . edificado num dos cumes rochosos da serra. na vila e na vertente norte da serrania. As brumas matinais envolvem muitas vezes o cume da serra. Em S. Em Sintra. chegou até nós um interessante conjunto de Toloi e de Antas. a corte e a nobreza foram procurando Sintra como local de descanso e de lazer. no país e na região mediterrânica. Da pré-história. conferindo a todo o cenário um maior mistério e encantamento. É o caso da imponente pista de Dinossauros de Carenque. em que se erguem cinco torreões.área de matas e de clareiras de pequenos arbustos. com a conquista de Lisboa e de Santarém por D. de estilos artísticos marcados. Em 1147. Este micro-clima é sem dúvida responsável pela exuberante vegetação que cobre as encostas da serra. Sintra usufrui de um micro-clima único. foram construindo. de cintura dupla. a Serra de Sintra é um local encantador. com cerca de 100 milhões de anos. reúne-se o espólio arqueológico relativo à ocupação romana. É muito apreciada pelas suas condições climáticas particulares. O Castelo dos Mouros. é um testemunho da presença muçulmana. pleno de atracção e de magia. Num enquadramento natural grandioso e soberbo. 11 . Ao longo dos tempos. Hoje. Nela destacam-se dois tipos de paisagem: o Grande Jardim . que se traduzem em verões frescos e aprazíveis e invernos solarengos e doces. provavelmente no século VIII. Sintra é um local de extraordinário interesse natural e cultural.

Manuel I. Obedecendo às irregularidades do terreno. A sua profusão decorativa remete para uma intensa simbologia de carácter esotérico. 12 . As indizíveis maravilhas de Sintra impressionam de forma marcante todos os que por aí passam. apresenta elementos góticos e clássicos. mandado erigir por D. Foram inúmeras as figuras históricas que se renderam ao deslumbramento de Sintra. Localizado na Vila Velha. A Quinta de Regaleira é uma clara evocação do passado áureo dos Descobrimentos portugueses. A sensiblidade estética romântica encontra na mítica paisagem sintrense o pano de fundo perfeito. Envolvendo o palácio. JoãoI. Hans Christian Andersen aí vislumbrou a sua querida Dinamarca. Num estilo predominantemente neo-manuelino. No edifício. De cunho revivalista. é o expoente arquitectónico máximo do Romantismo em Portugal. no centro histórico de Sintra. verdadeiro ex-libris da vila. Lord Byron chamou-lhe “o glorioso Eden”. De todo o conjunto desprende-se uma imagem de exotismo e de franca assimetria. falsas ruínas.Afonso Henriques. elevam-se duas enormes chaminés cónicas. por ocasiões diversas sofreu intervenções e obras de reedificação. que não compromete a harmonia geral. Nesta quinta foi construído um poço iniciático. foram sendo acrescentadas outras partes ao longo de diversos períodos históricos. Foi mandado construir no século XV por D. sendo de destacar a intervenção de D. miradouros. a partir de um corpo central aí existente. Fernando II no sítio onde se erguia um antigo convento. que se crê ter sido usado em rituais de iniciação maçónicos. o castelo passa definitivamente para as mãos dos cristãos. O Palácio da Pena. Fontes. lagos. cascatas. o rei projectou o Parque da Pena para simular uma manifestação espontânea e efusiva da natureza. Com o movimento romântico dá-se o apogeu do desenvolvimento de Sintra. proliferam entre mais de 2000 espécies de plantas. O Paço Real é um notável conjunto arquitectónico. Ao longo dos séculos. demonstra o gosto pelo exótico e pelo orientalizante.

que a devolve. sabes. Cheiros. a solidão aberta nos lábios e nos dedos. No imaginário poético. Lisboa é sempre retratada como mulher. ampliada. como mostra o poema de Eugénio de Andrade: LISBOA Alguém diz com lentidão: «Lisboa. descendo degraus e degraus e degraus até ao rio.. doce e rejuvenescida. Reflecte-se no rio.. nesta cidade milenar. cores e sons saturam os nossos sentidos. sabias? Eugénio de Andrade A Ana e o João vão hoje andar por Lisboa sem destino certo. crua e branca. algumas rugas finas a espreitar-lhe os olhos.PROGRAMA 10 QUOTIDIANO NA CIDADE Passear por Lisboa ao sabor do acaso é desvendar um rico universo sensorial.. um vento súbito e claro nos cabelos. evocando memórias de outros tempos. É uma rapariga descalça e leve. E tu. Há uma graça feminina.» Eu sei. 1 . Uma luminosidade ímpar. Eu sei. com o objectivo de sentirem o pulsar da cidade.. invade e preenche todos os espaços.

E real... 2 . Ana: . a cidade é como um balão: enche-se de manhã e esvazia-se à noite..Ainda tenho de aprender essa!… Andar ao acaso!. João: . autocarros.. a informação sobre o trânsito? Agora a cidade está a encher!. na televisão. nos barcos também.. se calhar....Nem penses! Ainda te perdias.Queres mesmo andar por aí.. de facto é uma forma de se conhecer uma cidade mas não sei se estou disposto a chegar à noite sem conseguir mexer-me. Ana: . metro..Essa imagem de encher e esvaziar é engraçada! João: .... Isso é lá contigo! Vou eu sozinha… João: . a pé! Quando estivermos cansados logo se vê.. à toa.Olha. Finalmente. Lisboa não podia ser excepção! E nós... ou andar à tua procura por becos e vielas! Vá.Claro! A maior parte das pessoas que trabalha aqui na cidade.Não é tanto assim. vamos embora! Ana: .Bom. nas vias rápidas. É mesmo isso que acontece nas grandes cidades. e depois lá tinha eu de ir à polícia. e que são óptimas surpresas! João: .....Se queres ficar no hotel a ver televisão e a ler o jornal. Ana: . com tantas colinas. João: . não? João: .Claro. estações de comboios. como é que vamos andar por aí? Ana: ... um dia sem programa! Vai saber-me tão bem! João: .Não viste há bocadinho.Podíamos arranjar uma bicicleta..Tanta gente! Que movimento! João: .E .. mora do outro lado do rio.... para já. Assim.Se Lisboa fosse uma cidade plana... Vais ver que ainda acabamos por descobrir sítios que não vêm nos roteiros. é um bocadinho complicado! João: . contavas comigo.. Ana: .. Por isso. É bom andar na rua.Ana: . no meio das pessoas.Decidiste-te!.Ah!. na periferia.. ao sabor da inspiração do momento? Ana: . Ana: .. Naquele passeio junto ao rio é bem plana.. ao ritmo delas.. sempre a subir e a descer. Há engarrafamentos por toda a parte: nas pontes.

Cinco e dez. sem destino. Ana: .. Ana: . Ana: .. João: .. este andar à toa. João: . ou não? João: .Então.Ai um bolinho.Obrigadinha. mesmo que tenha acabado de tomar um bom pequenoalmoço.K.. Ana: .Ana: . O.Duas bicas.Então. como tu dizias..Acho que andámos em quase todos os meios de transporte. Muito obrigado. não é? João: ... já agora. João: .. Agora temos outros cantos para descobrir. Ninguém funciona sem uma bica... pagas tu.. Ana! Obrigadinho! Ana: ..Olhe.Sabem tão bem a esta hora do dia. Não penses que te escapas.. mas por lá já nós andámos..Claro que valeu! Há muita coisa de que não me vou esquecer. Quanto é? Empregado: ..Mas vimos muito da Lisboa antiga e da Lisboa moderna.De nada.E.Já sabia que aceitavas. 3 .Para não falar no que andámos a pé. João: ... dois… Ana: . levou-nos a locais muito interessantes.. Estou morto de cansaço! Ana: .Mas valeu a pena... João: ... Ana: .Deixa lá ver as horas. João? Valeu a pena este dia sem programa? João: . E hoje sou eu que pago.. se faz favor. . obrigado.Bom! Então eu proponho que comecemos com o célebre cafezinho. Ana: . um pastelinho de nata também.Pois sim.. se faz favor João: . Logo. ainda para mais se o cafezinho for acompanhado com um bolo. então vamos lá! João: .. Não tens de quê.Acho que me vai saber muito bem. Ana: . acabadinhos de fazer. aceito. e.Nem me digas nada! .. Estamos bem.

hoje já não dá. E as compras. Tivemos a oportunidade de acompanhar a Ana e o João num passeio por Lisboa. João: . Mas não te esqueças! Ana: . É melhor irmos descansar.Se não estivesse tão cansada. Faremos.. Os jardins.. Frases Condicionais Factuais ou Reais Como já viram.. ainda gostava de ir às Docas.Até amanhã! Boa noite e dorme bem! Chegámos a mais um programa da série Falamos Português. Mas vendo bem. Vou-me deitar. a companhia do João. o cheiro a maresia.Querer.Queres? Confesso que hoje de manhã estava com receio das tuas loucuras mas agora estou prontíssimo para sair outra vez. queria.Os cheiros das lojinhas de fruta e de flores.. Logo no início do diálogo deparamos com uma intervenção de Ana de que vos quero falar um pouco: 1. João: .. de tudo! Ana: . claro! Fartei-me de comprar coisas.. fica para outro dia. ou sem. no qual iremos abordar aspectos relacionados com as frases condicionais.. Ana: .Estou cheia de sono. Foram também os cantinhos sossegados das zonas residenciais. junto ao rio. ouvir música. Gostei imenso! Foi um dia em cheio. se quiseres. João: .Também gostei muito.. ainda. referência ao verbo andar e aos diminutivos. a um daqueles barzinhos..Eu também vou já.. Recordemos o início deste diálogo: 4 .. João: .Então. a Ana está determinada a andar pelas ruas de Lisboa com.. Ana: . Ana: .É que não foi só a confusão da Baixa e das avenidas mais movimentadas.João: .

a oração começada por se exprime uma condição e por esse motivo se designa oração condicional: “Se queres ficar no hotel a ver televisão e a ler o jornal…”. Estas apresentam uma grande diversidade de estruturas sintácticas. Isso é lá contigo! Vou eu sozinha… É sobre esta intervenção da Ana que pretendo reflectir um pouco. Todavia. ou seja.Bom.Se queres ficar no hotel a ver televisão e a ler o jornal. Estamos perante uma construção condicional. na oração condicionada: “Vou eu sozinha…”.. assume-se.. são formadas por duas orações em que a oração que exprime a condição é começada por se. antes.. a consequência vai surgir na terceira oração. de facto é uma forma de se conhecer uma cidade mas não sei se estou disposto a chegar à noite sem conseguir mexer-me. ver a relação de dependência semântica que se estabelece entre a oração condicional e a oração condicionada: 5 ... neste exemplo concreto a oração seguinte: “Isso é lá contigo!” não exprime a consequência dessa condição.. Neste caso.. Ana: . [Isso é lá contigo!] Vou eu sozinha…” oração condicional + oração condicionada Com efeito. Analisemos o excerto seguinte mais em pormenor: FRASE CONDICIONAL “Se queres ficar no hotel a ver televisão e a ler o jornal.João: .. agora. se este preferir ficar no hotel. Na sua realização mais frequente. Ela diz ao João que não se importa de ir sozinha. vamos. como um comentário a essa condição. Posto isto.

não divulgando o nome das mesmas. ao passo que na oração que exprime a consequência. no modo indicativo. Falaremos mais sobre as construções condicionais num próximo programa. encontramos o verbo ir conjugado no presente do indicativo também. porque se presume que o conteúdo das duas proposições se verifica no mundo real. neste tipo de orações condicionais factuais ou reais a oração que exprime a condição está no modo indicativo no tempo presente. Prestem atenção: 6 . imperativo Na oração condicional em análise encontramos o verbo querer conjugado no presente do indicativo. ou no futuro (na frase 2).Irei eu sozinha…” 3. (…) 1. 2. Estas construções condicionais são factuais.. futuro do indicativo 3. Verbo andar Este programa.Vou eu sozinha…” 2. ou no modo imperativo (na frase 3). que narra um passeio pela cidade de Lisboa sem se referir a um local específico. ou condicionada. A oração condicionada pode estar. mas no presente (na frase 1).. presente do indicativo 2.Fica!” oração condicional Se+presente do indicativo + + + + oração condicionada 1. também.FRASES CONDICIONAIS FACTUAIS ”Se queres ficar no hotel a ver televisão e a ler o jornal. Geralmente. contém expressões que permitem mencionar áreas da cidade.

. estou a reportar-me ao verbo andar. Este verbo implica movimento. mas sim como parte integrante de um todo maior: a cidade. certamente. Contudo.Queres mesmo andar por aí. sem um plano detalhado.. isto é. por exemplo. Pode.. no meio das pessoas. num verbo que ocorre com frequência na sequência que vos mostrei… Exacto. constituem exemplos de generalizações em relação a um local concreto: Lisboa..E. O João e a Ana não nomeiam os locais por onde andaram. Vejamos as frases seguintes que não são provenientes do diálogo: 7 . Estas intervenções. ainda. levou-nos a locais muito interessantes. É bom andar na rua. Este verbo é usado em expressões como andar à toa. Todas estas ocorrências do verbo andar conferem realce ao modo como a Ana e o João estão a planear o seu passeio a Lisboa. ao ritmo delas. andar ao acaso. (…) João: . à toa. em expressões como andar por aí ou andar por Lisboa. como tu dizias.João: .Ainda tenho de aprender essa!… Andar ao acaso!. Já repararam... retiradas do diálogo entre a Ana e o João. este andar à toa. ou andar à tua procura por becos e vielas! (…) João: . uma vez que o seu objectivo não era conhecê-los em si mesmos.Nem penses! Ainda te perdias. usar-se com a preposição por.Claro. uma vez que não parecem tão próximas do significado mais óbvio do verbo. há ocorrências deste verbo que merecem uma chamada de atenção. sem destino. (…) João: . e depois lá tinha eu de ir à polícia. ao sabor da inspiração do momento? Ana: .

Ana: . O José andou na Universidade Aberta = o José frequentou a Universidade Aberta 2. mesmo que tenha acabado de tomar um bom pequenoalmoço. se faz favor.Sabem tão bem a esta hora do dia.Então. Ana: . O José andou com a Maria = o José namorou com a Maria Na frase 1. ainda para mais se o cafezinho for acompanhado com um bolo. Ana! Obrigadinho! Nesta sequência. acabadinhos de fazer. então vamos lá! João: ..Bom! Então eu proponho que comecemos com o célebre cafezinho. obrigado. se faz favor João: .. não é? João: . dois… Ana: .Deixa lá ver as horas. andar em equivale a frequentar. E hoje sou eu que pago. Muito obrigado. e.. Ana: .Obrigadinha..Cinco e dez. O.. Diminutivos João: .K. Ana: .Ai um bolinho.Acho que me vai saber muito bem. João: .Olhe. 3. Ninguém funciona sem uma bica. já agora. andar com corresponde a namorar com. aceito.Duas bicas..Já sabia que aceitavas.. Estamos bem.1. na frase 2.. Quanto é? Empregado: . João: . Esta partícula constitui um sufixo e permite 8 . a Ana e o João recorrem com frequência a várias palavras que terminam da mesma forma: em –inho. um pastelinho de nata também.

o sufixo –inho. para intensificar o sentido da palavra ou frase. a derivação por sufixação ocorre quando se juntam sufixos às palavras primitivas: DERIVAÇÃO POR SUFIXAÇÃO COM –INHO 1. Os últimos dois constituem casos de processos de derivação de particípios passados. paradoxalmente. um sufixo que veicula o significado de pequenez. Os três primeiros exemplos são casos de processos de derivação de nomes. exactamente porque assume frequentemente a função de qualificador.inho). Antes de terminar. é muitas vezes usado. bolo+inho = bolinho 3. obrigado+inho = obrigadinho Os diminutivos dos substantivos acentuados perdem o respectivo acento gráfico na formação do diminutivo. acabado+ inho+s = acabadinhos 5.a formação de novas palavras. café+inho = cafezinho 2. Este fenómeno designa-se derivação por sufixação. o particípio passado também se chama adjectivo verbal. de modificador de um nome: na frase os bolinhos acabadinhos de fazer. café faz cafezinho. Por outras palavras. É de salientar o valor afectivo dos sufixos diminutivos (como . Por isso. gostaria ainda de fazer referência à seguinte expressão: 9 . É o caso da fórmula de agradecimento obrigadinho. Por outro lado. o vocábulo acabadinhos deixa implícito a qualidade de os bolinhos serem muito recentes. Por um lado. de diminuição. pastel+inho = pastelinho 4.

mas não em pitoresco. Obrigado pela vossa atenção. Os tradicionais cacilheiros cumprem a sua intemporal romaria.. E chegámos ao fim de mais um programa.. tem início mais um dia de oito horas de trabalho. 10 .. vindo também da margem sul. O tabuleiro da Ponte 25 de Abril fica coberto de automóveis. desembocando nas suas principais avenidas e praças. ou andar à tua procura por becos e vielas!” O João. “por becos e vielas” não quer dizer que vai à procura da Ana em becos e em ruas estreitas. O quotidiano nesta cidade é semelhante ao de tantas outras capitais europeias. O frenesi toma conta de todos os locais: filas intermináveis de carros prolongam-se pelas principais vias de acesso à cidade. Entre as oito e as dez horas da manhã é hora de ponta. utilizam o comboio da ponte ou fazem a travessia do Tejo de barco. Os catamarans ganham-lhe em modernidade. ao emprego. com destino ao Terreiro do Paço. à procura da prima. preferem viajar despreocupadamente. pura e transparente. Ele está a querer dizer que não pretende andar a vasculhar toda a cidade. a poucos quilómetros. Fiquem agora com uns breves apontamentos sobre o quotidiano da cidade de Lisboa. e depois lá tinha eu de ir à polícia. começam a acordar as enormes cidades-dormitório que se foram agigantando. aqueles que. a beleza de Lisboa impõe-se. Por volta das sete horas da manhã. incluindo as zonas mais recônditas. ao usar esta expressão. na periferia. sem atrasos. e conferem uma nota colorida ao rio.. ou talvez um pouco antes. Mesmo na azáfama do dia-a-dia. Há que chegar às nove horas.“Nem penses! Ainda te perdias. Para muitos.

O tempo passa por Lisboa mas ela. enfeitam inadvertidamente as praças ou recantos de ruas com matizes vários.. se entranham e disseminam na cidade. será sempre “menina e moça”: Lisboa.. no Parque da Nações.. na sua história ancestral.. A partir de cerca das seis da tarde.. Floristas. profissões e etnias que. abrem o apetite ao comprador. Os mercados animam-se de vida.. a agitação das ruas vai sossegando. amada Cidade mulher da minha vida No terreiro eu passo por ti 11 . com boas condições para viagens de trabalho e de lazer. com as suas bancadas ou cestas de flores. tons diversos. da terra e do pomar. varina Pregão que me traz à porta.. Lisboa é uma cidade alegre. na cama do Tejo Com lençóis bordados à pressa Na cambraia de um beijo Lisboa menina e moça.. o bulício encaminha-se novamente para os bairros periféricos.. ternura Cidade a ponto luz bordada Toalha à beira mar estendida Lisboa menina e moça.Nos comboios da linha de Sintra e de Cascais chegam magotes de gente. Conta hoje com um conjunto de infra-estruturas e equipamentos de excelência para a realização de eventos profissionais.. como congressos e encontros. o sol. de todas as idades. apressadamente.. descanso o olhar E assim desfaz-se o novelo De azul e mar À ribeira encosto a cabeça A almofada. menina Da luz que meus olhos vêem tão pura Teus seios são as colinas.. menina e moça No castelo. terminou mais um dia na cidade. de que são exemplo a FIL. esconde-se no rio. e o Centro de Congressos de Lisboa. incandescente. desprende-se o cheiro da fruta madura e paira no ar.. ponho um cotovelo Em Alfama..

Mas da graça eu vejo-te nua Quando um pombo te olha. sorri És mulher da rua E no bairro mais alto do sonho Ponho o fado que soube inventar Aguardente de vida e medronho Que me faz cantar Letra: Ary dos Santos e Joaquim Pessoa Música: Fernado Tordo e Paulo de Carvalho Canta: Carlos do Carmo 12 .

... acha que é antigo. Em qualquer das suas obras.. e escolhendo no molho rico os bons pedaços de ave. antigo é.. É a base.PROGRAMA 11 GASTRONOMIA PORTUGUESA A riqueza e variedade da gastronomia portuguesa têm sido referidas em alguns textos dos mais conhecidos escritores portugueses.. como é o caso de Eça de Queirós. Ouçamos um pequeno excerto de uma das obras de Eça de Queirós. “– Vilaça. abade — disse Afonso — que eu sei que é o seu fraco. ia murmurando: – Deve-se começar pelo latinzinho. O abade obedeceu com deleite. é a basezinha!“ ****** 1 .. ao seu carácter e à sua condição social e contribuem indubitavelmente para o retrato da sociedade da época. as referências gastronómicas são inúmeras.. ande. Ele.. e deixe lá o latim. chegando a atingir refeições completas. de garfo no ar e um sorriso de santa malícia — não se deve falar em latim aqui ao nosso pobre amigo. Não admite. Os Maias. Vilaça — advertiu o abade. deve-se começar por lá. As alusões gastronómicas associam-se quase sempre à caracterização das personagens.. – Ora sirva-se desse fricassé.

Só um momento. Mais tarde. Empregado: – Desculpem. precisamos da tua ajuda. Utilizam-se muito as especiarias trazidas pelos navegadores portugueses na época dos Descobrimentos: a pimenta. Ana: – Que bonita cervejaria! João: – Reparem nos azulejos.As especialidades típicas das várias regiões são feitas a partir de produtos locais e de saberes ancestrais. já escolheram? António: – Ainda não. Empregado: – Com certeza. o tomate e a batata da América. a canela. António: – O convento foi destruído pelo terramoto de 1755. António: – Queríamos uma mesa para três pessoas. Os senhores querem esta aqui ou aquela ali? António: – Pode ser aquela ali. Os portugueses trouxeram também para a Europa o arroz e o chá do Oriente. os senhores. João: – António. eu ainda não. Que interessantes que são. não sabia. o café e os amendoins de África. António: – Sabem que esta cervejaria ocupa as antigas instalações do Convento dos Frades Trinos? João: – Não. Empregado: – Boa noite Todos:– Boa noite. o ananás. entre outras. em meados do século XIX. É um pouco deste mundo que o António quer mostrar à Ana e ao João. inauguraram aqui a fábrica da cervejaria. o caril e o gengibre. Já têm alguma ideia do que vão pedir? Ana: – Não. por favor. Parece que usavam as receitas monásticas no fabrico da cerveja. Ana: – Eu também não. O que é que nos sugeres? 2 .

não me parece que goste mesmo nada disso.. eu talvez queira um prato do dia. 3 . espetada de novilho e iscas com.. tanto faz. sim.. que são bons. Estes pratos são todos óptimos! Querem peixe ou carne? Ana: – Eu preferia peixe. arroz de pato. Este prato tem também camarão. temos: bacalhau à Brás. iscas. António: – É um prato de arroz com uma variedade de peixe. arroz de tamboril com camarão. É um peixe muito saboroso. disseste que querias peixe. não foi? Ana: – Sim. Não foste tu que disseste que gostavas muito de bifinhos de fígado? Ana: – Eu?! Nunca poderia ter dito tal coisa! Nunca provei! Aliás.. António: – Nas carnes. António: – Ana. Por isso.. o tamboril.. Se estiverem com muita fome e não quiserem esperar muito tempo. Ana : – O que é isso? António: – Arroz de tamboril? Ana: – Sim. Ana: – Iscas?! João: – Sim. linguado grelhado. E aqui fazem-no bem. temos bife à portuguesa.. são mais rápidos..António: – Bom. a escolha não é nada fácil ... António : – No peixe. É mesmo muito bom . António: – E se começássemos a comer as entradas? Ana: – António.. O teu prato preferido. o que é isto? António: – São croquetes de carne. Estou cheia de fome. Ana: – O que são os pratos do dia? António: – São pratos que estão quase prontos. Prova. António: – Para mim. Ana. Ana: – Então.

um caldo verde. João: – Mas o que é que vamos então pedir? António: . João? Que sopa queres? João: – Para mim. não. obrigada. aproveita enquanto cá estás.. salada de fruta e . O que acham? Ana: – Acho óptimo.António: –Mas olha que é bom! Iscas com elas… Ana: – Com elas?! António: – Sim. Já estou a ficar com água na boca. claro! Ana: – Nem com batatas. Ana: – Para mim. e se pedíssemos umas cervejas bem fresquinhas? 4 . o famoso arroz doce. com batatas. Mas. Ana.Já alguma vez provaste? João: – Não. pudim flan. António: – E nas sobremesas. António: – Para começar. Obrigado. Petiscos destes só mesmo em Portugal. Gosto muito de caldo verde. António. ainda não. sopa. o que é que nos aconselhas? António : – Bom. João: – Também concordo. Há caldo verde e creme de marisco.Bom. podíamos pedir umas sopas.. António: – Não?! João: – Sopa. como estamos numa cervejaria. António: – Então porque não pedes uma entrada? Eu sugeria-te talvez uma saladinha de polvo. António: – E tu. nem sem batatas! Não quero iscas. É isso mesmo que vou pedir. Ana: – Chega. Já conheces expressões bem portuguesas. Talvez peça então uma saladinha de polvo. chega. com arroz de tamboril pode ser um vinho branco. António: – Olha. eu não sei se estão de acordo mas talvez sugerisse uma dose de arroz de tamboril para os três. é coisa que eu não aprecio lá muito. João: – E se escolhêssemos as bebidas? António. António: – Muito bem. há leite creme.

O que é que fizeram hoje? João: – Nem te conto. digam-me lá. Ana: – Não. já. não. Fomos à praia. João: – Andámos quilómetros. Eu vou pedir uma água sem gás. Imagina lá tu que fomos a pé da Costa da Caparica até à Fonte da Telha! E se ao menos tivéssemos parado para descansar. Ana: – Bom. posso provar um pouco de cerveja. João: – A Ana parece que queria muito provar uma cerveja. mas.Por fim.. lá na outra banda e andámos um pouquinho à beira-mar.. Empregado: – Os senhores já escolheram? António: – Sim. queres tu dizer. não brinques comigo. Empregado: – E para beber? António: – Uma água natural sem gás e duas imperiais bem fresquinhas. O diabo desta menina quando lhe dá para andar.Ana: – Por mim... Empregado: – E para prato principal? António: – Uma dose de arroz de tamboril para três pessoas. António e João: – ÁGUA?! João: – A água enferruja. um creme de marisco e uma saladinha de polvo. ninguém a pára.. Mas. por favor. já não sentia os pés! António: – Não me digas! João: – E como ela anda depressa! 5 .. Ana: – Que exagerado que ele é. escolham à vontade. Para começar era um caldo verde. E tu tens uma saúde de ferro. António: – Então. João: – Linda menina! Assim soa melhor! António: – Um dia não são dias.

já não e ainda.? ****** João: – E se escolhêssemos as bebidas? António. Estou cheia de fome. Mas. e se pedíssemos umas cervejas bem fresquinhas? 6 .? (2) E se escolhêssemos as bebidas? (3) . o que é que nos aconselhas? António: – Bom. como estamos numa cervejaria e se pedíssemos umas cervejas bem fresquinhas? Observemos então as frases do diálogo: 1. António: – E se começássemos a comer as entradas.Vimos a Ana. abordaremos algum vocabulário relacionado com a referida situação de comunicação e ainda os seguintes conteúdos linguísticos: o Pretérito Imperfeito do Conjuntivo para fazer uma sugestão.. Ana: – Então. FAZER UMA SUGESTÂO PRETÉRITO IMPERFEITO DO CONJUNTIVO (1) E se começássemos a comer as entradas. ainda não. o advérbio talvez e os adverbiais temporais já.. o João e o António a jantarem num restaurante português. FAZER UMA SUGESTÃO Vamos agora registar as frases com as ocorrências do Pretérito Imperfeito do Conjuntivo. Vamos começar por rever duas sequências do diálogo em que as personagens usam o Imperfeito do Conjuntivo para fazerem uma sugestão. com o arroz de tamboril pode ser um vinho branco. Neste programa. eu talvez queira um prato do dia.

. É intenção do locutor incentivar o(s) alocutário(s). escolher as bebidas. verificamos que é feita uma sugestão.se eu escolhesse .. Todas estas frases poderiam ser antecedidas por [Seria bom/ Era bom]: “Seria bom se começássemos a comer as entradas... o(s) interlocutor(es)... FORMAÇÃO DO IMPERFEITO DO CONJUNTIVO PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO (3ª Pessoa do Plural) Ex: Eles escolheram os pratos.” ou “Era bom se escolhêssemos as bebidas”...se eles escolhessem os pratos . este forma-se a partir da 3ª pessoa do plural do Pretérito Perfeito Simples do Indicativo. . Recordam-se certamente de ter ouvido: 7 . a fazerem algo (como comer as entradas.Nas frases apresentadas. ADVÉRBIO: TALVEZ Observemos agora algumas frases do diálogo com o advérbio talvez.) As frases são introduzidas pelo conector se e seguidas do Imperfeito do Conjuntivo.se ele escolhesse os pratos ... pedir umas cervejas. Quanto à formação do Imperfeito do Conjuntivo.se nós escolhêssemos os pratos 2. a que se retira a terminação – ram e se acrescenta – sse.

A frase apresenta uma leitura de futuro... 8 . já escolheram? António: – Ainda não.. o advérbio talvez está colocado depois do verbo. os senhores. Empregado: – Desculpem. já. ADVERBIAIS TEMPORAIS Vamos rever duas sequências do diálogo para observarmos o uso dos adverbiais temporais: já . Nesta frase. encontrando-se este por isso no Imperfeito do Indicativo. o advérbio talvez está colocado antes do verbo e exige o uso do Conjuntivo. (.. ****** Empregado: – Os senhores já escolheram? António: – Sim.) Eu sugeria-te talvez uma saladinha de polvo Neste exemplo..António: – Bom. 3.. eu ainda não. Observe-se agora por exemplo. ainda não.) Já têm alguma ideia do que vão pedir? Ana: – Não. o contraste com a frase seguinte: António: – (. eu não sei se estão de acordo mas talvez sugerisse uma dose de arroz de tamboril.

obrigado... quando usamos já. AINDA – Ainda tenho fome. Não. já. O valor aspectual destes advérbios temporais marca a oposição entre um estado de coisas acabado e um estado de coisas inacabado. 9 . ainda não. eu ainda não. já escolheram? (2) .. (. O António utiliza o advérbio já para indicar ao empregado que terminou a sua escolha. Vejamos agora outros exemplos que não constam do diálogo: JÁ NÃO – Já não quero mais. Por oposição. Os enunciados escolhidos apresentam os advérbios temporais já.. estamos a descrever um estado de coisas acabado.(1). o estado de coisas é considerado inacabado...) Já têm alguma ideia do que vão pedir? (3). O António usa ainda não para dizer ao empregado que não terminou a sua escolha... os senhores. Quando usamos ainda não. Ainda não. (4) Os senhores já escolheram? (5) Sim.

4. • (o) bacalhau à Brás: prato de bacalhau desfiado com batatas fritas. 10 . com os adverbiais temporais: ADVERBIAIS TEMPORAIS Valor aspectualAcabado Já Já não Valor aspectualInacabado Ainda Ainda não Salientamos que estes advérbios surgem geralmente antes do verbo. • (o) prato do dia: prato que faz parte da ementa diária de um restaurante e que já está confeccionada. tudo envolvido em ovo.Observemos agora um quadro – síntese. VOCABULÁRIO Vejamos ainda algum vocabulário relacionado com a situação de comunicação abordada neste programa: jantar num restaurante. (o) arroz doce: doce feito à base de arroz cozido em leite provar: comer ou beber uma pequena quantidade de um alimento para se verificar o seu sabor ou a sua qualidade. • • • (a) sobremesa: trata-se da fruta ou doce que se come no fim de uma refeição. • (a) espetada de novilho: pedaços de carne de animal bovino de pouca idade assadas num espeto.

5. açorda alentejana ou sopa da pedra. queijinhos variados. Agora espero que gostem da proposta que vos fazemos de descobrirem a gastronomia portuguesa. Por hoje é tudo. ou presunto.”: dia em que se pode fazer uma excepção.. enchidos e pequenos pratos de salada como. provenientes de regiões como o Alentejo.Já estou a ficar com água na boca”: expressão usada quando queremos dizer que alguma coisa é ou nos parece muito saborosa. esta com origem num conto tradicional popular e que se serve com uma pedra dentro.E eu tenho uma saúde de ferro. ouviram certamente algumas expressões e que eu vou passar a explicar... de tomate.. EXPRESSÕES Durante o diálogo. Seguem-se a sopa. “. ______________________________________________________________ Uma refeição típica consta de aperitivos que podem ser azeitonas. A mais famosa destas sopas é o caldo verde. as Beiras ou os Açores. feito com couve portuguesa cortada em tiras finas e servida com rodelas de chouriço. Pela minha parte.. a salada de polvo. Depois das entradas. pão e manteiga. um prato de peixe ou de carne. de cação.Um dia não são dias. despeço-me. de marisco. Até ao próximo programa. por exemplo.. Esta expressão é sempre usada em contextos gastronómicos. Depois pede-se fruta ou doce para sobremesa e termina-se com um café.” : “ter uma saúde de ferro” significa “ter uma boa saúde” “ . vem a sopa nas suas diversas variedades: de legumes.. “. 11 ..

. santola. legumes. os vários tipos de caldeiradas. sendo a doçaria do Algarve. confeccionado com várias carnes. o carapau. o cozido à portuguesa é talvez o mais popular.. Mas em Portugal apreciam-se também os peixes de água doce. porco. frito ou feito na cataplana. enchidos. o salmonete. o linguado. as lulas. de porco. cadelinhas. O gosto dos portugueses por doces parece ter origem no tempo da ocupação mourisca. mexilhões. pode-se saborear o famoso cozido das Furnas. feita com amêndoas. um bom exemplo. As sobremesas. como a lampreia e o salmão do Minho. Os pratos de carne de porco são igualmente muito saborosos. a gastronomia portuguesa distingue-se pelos seus mariscos e peixe de grande qualidade. o bife de atum da Madeira e o bacalhau que. O marisco serve-se cozido. feijão e é feito com variadas carnes: vaca. caranguejos. de borrego e de cabrito. especialmente nos locais junto à costa. sapateira. cozido lentamente em panelas enterradas em caldeiras vulcânicas. mas especialmente na noite de Consoada. cozidos ou grelhados e as sardinhas assadas nos meses de Verão. o pargo. De entre os vários pratos de peixe destacamos o cherne. a pescada. De entre os vários pratos. as trutas da Serra da Estrela e dos Açores. se tornou famoso na nossa culinária. a carne possui um lugar muito especial na gastronomia portuguesa.Devido à sua localização e ao facto de possuir uma longa costa. amêijoas. As opções são muitas e incluem a carne de vaca. Come-se bacalhau durante todo o ano. Na ilha de S. lagosta. conforme os usos e costumes das diferentes regiões. O coelho é também um prato muito apreciado. podendo ser preparado de variadas maneiras. nos Açores. frango e enchidos. o polvo guisado. que pode ser assado em forno de lenha. Aí encontram-se camarões. Miguel.são de «comer e chorar por mais». apesar de pescado longe da nossa costa. Tem como acompanhamento arroz. destacando-se o famoso leitão assado da Bairrada. o peixe-espada. Apesar de Portugal ter fama pelo seu peixe. 12 . batata doce e legumes. O marisco também é muito apreciado.

A gastronomia portuguesa pode ser apreciada em diferentes locais. existe também uma diversidade enorme de restaurantes. entre os quais se contam as tascas. Pelos claustros chega-se às galerias. As tascas são baratas e servem petiscos variados.Nos séculos XVII e XVIII. As escadas enquadradas sob arcos abobadados desembocam no refeitório. os restaurantes. feito com gila e massa de amêndoa. A Pousada foi construída no interior do castelo. Os restaurantes são geralmente mais formais e têm maior escolha de pratos. As pousadas têm restaurantes tradicionais onde é possível comer especialidades gastronómicas muito bem confeccionadas e apresentadas com requinte. No entanto. os conventos ganharam fama pela confecção dos seus bolos e doces. As marisqueiras servem sobretudo pratos de marisco. as marisqueiras e as cervejarias. Nos doces destacam-se os ovos moles de Aveiro e o pão de Rala de Évora. 13 . A Pousada de Palmela fica situada no cimo de uma enorme colina. enquanto as churrasqueiras têm grelhados na brasa. o conforto que se espera de espaços como estes. por isso. A uma certa austeridade associa-se. integrando ainda os claustros de um convento aí existente. podendo daí desfrutar-se de uma vista panorâmica de rara beleza.

com as promoções. onde é que achas que deveríamos ir? 1 . queria falar contigo sobre isso mesmo. O Rossio funciona como porta de entrada para uma das zonas mais comerciais da Baixa lisboeta onde ainda sobrevive o comércio tradicional. esta Praça espelha a diversidade cultural da cidade. Eu não trouxe roupa para este tempo. sabias? Ana: – Não te aflijas! Temos o pretexto ideal para irmos às compras. É nesta zona da Lisboa que a Ana e o João decidem fazer compras depois de tomarem o pequeno-almoço.PROGRAMA 12 FAZER COMPRAS O Rossio foi em tempos passados e de certo modo ainda é o centro mais importante de Lisboa. tu que estás sempre de guia em punho. Os seus sóbrios edifícios pombalinos estão ocupados por lojas de pronto-a-vestir. Nunca pensei que pudesse fazer tanto calor em Portugal. mesmo na altura do tempo quente. livrarias e cafés. João: – É verdade. Olha lá. recordações. joalharias. Ana: – Ouviste o boletim meteorológico? Parece que vai estar um forno. Actualmente. sapatarias. Calha bem. artesanato. nos próximos dias. João: – E agora? Eu não me dou bem com o calor. retrosarias. Tu reparaste como aquela senhora ia vestida!? Ana: – Então não! Não viemos até cá para morrermos de calor. festivais e paradas militares. Ao longo dos tempos tem sido palco de touradas.

essa cor não te fica bem. estavam em promoção! 2 . Só têm uma vantagem: protegem-nos das agruras do tempo. Afinal sempre estamos a tentar conhecer o país. mas era preciso subir a bainha e ainda por cima eram demasiado caras. Além do mais. Ana: – Como queiras. Encontrámos tudo quanto precisávamos… E essas sandálias? Tens a certeza de que não te estão apertadas? Ana: – Não.João: – Bem… o comércio em Lisboa é como em todo o lado: grandes superfícies e comércio tradicional. são o meu número. é que sejam confortáveis. ficam-me bem. e agora devem estar fresquinhas… Ana: – Pois! Mas o pequeno comércio atrai-me muito mais. Ana: – Tu mandas. Estão em conta e com este calor vamos ter oportunidade de ir até lá. não achas? Ana: – Ficam-te muito grandes e é preciso subir a bainha… Já viste o preço? São muito caras. sinto-me bem nestas. Ana: – As grandes superfícies são todas iguais. João: – Ainda bem que viemos para a Baixa. Pelo menos são do tamanho adequado… Olha. Então? Já estás mais fresquinho? Eu cá preferia que tivesses comprado as castanhas. Ana: – Ó João. João: – Livra! Vou experimentar outras. pareces mais gordo! João: – Não me importo. João: – Lá terá de ser… Vamos à Baixa? Parece que a zona em redor da Rua Augusta tem muitas lojas e sempre podemos ir de Metro. E até foram baratas. João: – O que me interessa. vamos levar estas toalhas de praia também. João: – Ana. João: – Sim. O preço é bem mais acessível.

João: – E se subíssemos? Ana: – Boa ideia! A vista deve ser sublime. o João poderia ter optado por uma outra maneira de expressar a sua atitude resignada. João: – Cá estamos. Ora vejam: 3 . EXPRESSAR RESIGNAÇÃO “Lá terá de ser…” Repararam na expressão proferida pelo João para expressar uma atitude resignada? É uma estrutura modal comum na língua portuguesa. vamos falar da partícula lá e de onomatopeias. formas de expressar atitudes e sentimentos e de reagir a certificação de compreensão. construída com ter de + infinitivo. Neste programa. EXPRESSAR ATITUDES E SENTIMENTOS 1.Ana: – Olha agora que já estamos preparados. Abordaremos. Há um café no topo do elevador.1. Porém. Acabámos de acompanhar a Ana e o João numa ida às compras pela Baixa lisboeta. aqui. 1. também. antes de regressar ao hotel. Trata-se. vamos passear. O dia estava muito quente e o João não parecia ter muita vontade de se aventurar lá fora. deixou-se convencer. Ana: – Óptimo! Estou mesmo a precisar de tomar uma bebida fresca. No entanto. de verbalizar uma atitude a que o João se sente obrigado. após a argumentação da Ana. Brrr! O ar condicionado deve estar no máximo! Vamos para o sol… João: – Muito tu gostas de apanhar calor! Ana: – Olha o elevador de S. Justa.

Vejamos. mas na primeira.“Lá terá de ser…” (lá + ter de + infinitivo do verbo ser) 2. então. no presente do indicativo. o verbo ter está conjugado no futuro do indicativo e.“O que tem de ser tem muita força!” (frase exclamativa construída com ter de + infinitivo) As duas expressões utilizam a já mencionada estrutura com ter de + infinitivo (usada genericamente em português para expressar necessidade ou obrigação). 1. o que lhe não agrada. a que a Ana poderia ter recorrido: 4 . outras maneiras de expressar desagrado. vamos passear.2. Brrr!” A Ana exprime o seu desagrado em relação ao ambiente demasiado frio que se faz sentir no interior da loja. EXPRESSAR DESAGRADO “Olha agora que já estamos preparados.EXPRESSAR RESIGNAÇÃO 1. na segunda. devido ao facto de o ar condicionado estar regulado para uma temperatura demasiado baixa.

” Esta palavra transmite uma mensagem compreensível para todos os falantes. que estão na forma negativa. A expressão não gostar de é muito comum. uma palavra que reproduz. Brrr é uma onomatopeia. um som natural.EXPRESSAR DESAGRADO 1. ora vejam: 5 . Como? Reparem na forma como a Ana termina a sua intervenção: “Brrr!” = “Não gosto do ar condicionado tão frio!” A exclamação Brrr podia ser substituída pela frase: “Não gosto do ar condicionado tão frio. são similares no seu significado. “Não gosto do ar condicionado tão frio!” (advérbio não+verbo gostar+preposição de) 2. com os recursos da língua e de forma aproximada. isto é. apenas variando o verbo empregue. mas não suportar veicula uma noção de desagrado mais forte. “… Brrr!” = que frio! As duas primeiras frases. “… Não suporto o ar condicionado tão frio!” (advérbio não+verbo suportar) 3. Por seu lado. a frase 3 distingue-se das outras.

pois. para atingir o mesmo objectivo: MANIFESTAR COMPREENSÃO 1. • ou podem ser verdadeiras palavras (pumba.” 2. Vejamos outras opções que a Ana poderia ter tomado. zzzzz). miau). pfff.” Antes de terminarmos a sessão de hoje. “Compreendi (perfeitamente)! Mas …” 6 . catrapuz. cacarejar. vamos reflectir um pouco sobre este excerto produzido pela Ana. “Sim! Mas …” 3. 2. ou seja. a Ana expressa uma oposição. Estamos perante uma palavra que pode ter sentidos opostos em português. que o tinha compreendido mas que discordava dele. REAGIR A CERTIFICAÇÃO DE COMPREENSÃO “Pois! Mas o pequeno comércio atrai-me muito mais. por exemplo. ela garante ao João. “Pois! Mas o pequeno comércio atrai-me muito mais. ou restrição. Ao organizar o seu discurso. sem vogais de apoio (como. de facto. ela pode significar “sim” ou “não”. Ela não estava. interessada em andar dentro dos centros comerciais. Através desta palavra. “Percebi (perfeitamente)! Mas …” 4. De acordo com a entoação.As onomatopeias podem ser constituídas por: • simples conjuntos de fonemas sem estrutura vocabular. brrr. ao que foi dito.

data do aniversário da rainha D. visitados pela Ana e pelo João. as quatro figuras femininas são alegorias à Justiça. agora. o nome oficial desta praça pretende ser uma homenagem ao rei D. A inauguração ocorreu no dia 13 de Abril de 1846. que dediquem a vossa atenção aos próximos momentos do nosso programa de hoje.” 7 . Maria II. No entanto. Na base desta. Maria II. A partir de então. já só resta uma pequena secção central. nestas frases. Embora popularmente conhecida como Rossio. Os padrões ondulantes a preto e branco foram dos primeiros desenhos usados na decoração dos pavimentos da cidade. desempenham o mesmo papel (manifestar compreensão). As frases 3 e 4 atingem a mesma finalidade. ergue-se a estátua deste monarca. a presença (eventual) do advérbio perfeitamente confere-lhes mais ênfase. o Teatro Nacional adoptou também a designação de “D. original de Jacinto Aguiar de Loureiro. Nos dois primeiros casos são utilizadas exclamações: pois (na frase 1) e sim (na frase 2). em meados do século XIX. o primeiro imperador do Brasil independente. qualidades atribuídas a D. O escritor e político Almeida Garrett foi então incumbido por Passos Manuel de edificar o Teatro Nacional para aí se apresentar um repertório dramatúrgico nacional. à Força e à Moderação. vocábulos muito comuns na língua portuguesa e que. Bem.Estas quatro frases permitiriam à Ana comunicar ao João que o compreendera. Hoje. mesmo não concordando com ele. No seu centro. A história deste Teatro não se pode dissociar do triunfo do Romantismo e da burguesia portuguesa do século XIX. Até ao próximo programa. No lado norte da praça fica o teatro Nacional D. peço-vos. Esta praça foi dos primeiros locais de Lisboa a ser calcetado. Maria II. Pedro IV. A peça que por esta ocasião subiu à cena foi o drama histórico em 5 actos O Magriço e os Doze de Inglaterra. à Sabedoria. Pedro IV. que tecem algumas considerações sobre alguns locais da Baixa de Lisboa.

há agora uma esplanada panorâmica. no seu eixo. entre outros. O elevador de Santa Justa. instalaram-se diversas corporações. Este baseava-se numa direcção planificada de ruas alinhadas. com opções arquitectónicas assentes em regulamentos de construção. o Marquês de Pombal.Toda a área foi completamente arrasada pelo grande terramoto de 1755 e reconstruída de acordo com novos modelos urbanísticos. Com uma estrutura composta de duas torres metálicas geminadas. cem anos. com vista privilegiada sobre a baixa lisboeta. se colocou a estátua equestre de D. Ponsard foi o responsável por projectos de sistemas de elevadores de transporte público em várias localidades do país. Nas ruas próximas. de vários centros comerciais modernos espalhados por todo o perímetro urbano. Rua dos Correeiros. Rua dos Fanqueiros. também. incluindo normas anti-sísmicas. Rua dos Retroseiros. constituindo um imenso centro comercial ao ar livre. É por essa razão que esta zona é designada por Baixa Pombalina. O sistema urbanístico obedecia a traçados de eixos de composição em que a simetria era obrigatória. Raoul Mesnier du Ponsard. Lisboa dispõe. a sua elegância chama a atenção. José. O grande impulsionador desta obra foi o Primeiro-ministro do Rei D. nascido no Porto. onde originalmente se situavam as máquinas a vapor. aliás. muito diversificada. o “rei dos 8 . José. A actividade comercial da capital é. É por isso que ainda hoje encontramos nomes alusivos a tais profissões: Rua Áurea ou Rua do Ouro. encontra-se o Elevador de Santa Justa. em 2002. É obra do arquitecto de origem francesa. Ao sair do Rossio para a Rua do Ouro. No topo. por exemplo. designação dada às diferentes profissões que se agrupavam nas diversas artérias. de 45 metros de altura. pretendendo destacar-se nos extremos os monumentos e as estátuas. a Rua Augusta com o arco triunfal. Rua da Prata. O pensamento iluminista dominante no século XVIII foi influência determinante no plano de reconstrução implementado. esta zona da cidade encontra-se repleta de lojas. Actualmente. após o qual. um dos ex-libris de Lisboa que celebrou. Rua dos Douradores. a chamada gaiola pombalina.

O maior centro comercial ao ar livre da cidade permanecerá. O quotidiano deste lugar especial continuará a desenrolar-se sob o olhar atento daquele a quem presta homenagem.elevadores de Lisboa. O Rossio vai enfrentar novos desafios no século XXI. D. tal como o resto da cidade de Lisboa. no entanto.” foi o último dos nove ascensores de Lisboa a ser construído e um dos quatro que ainda estão em funcionamento – Lavra. Glória e Bica. 9 . Pedro IV. como um testemunho da história da capital de Portugal e como ponto de encontro entre todos aqueles que por ali passam.

do mar aparecem as amêijoas. o vinho. Tantas coisas boas! António: – É só para vocês verem. a sapateira. o camarão. os frutos. os legumes.. das terras planas vêm o pão. o queijo e o vinho... os sabores do campo. as carnes.. Também a tradição tem uma palavra a dizer.. as ostras. claro! São alguns petiscos bem portugueses. os enchidos fumados e alguns vinhos... João: – e cheiros! Eu não resisto! Posso comer qualquer coisa...PROGRAMA 13 AROMAS E SABORES Os Portugueses gostam de conviver em volta de uma mesa colorida e aromática onde a conversa aparece naturalmente enquanto se saboreia e se petisca. ervas aromáticas. Cada região tem os seus aromas e os seus sabores concretos e tudo tem importância: das terras mais altas surgem os queijos. dependendo do local em que se estiver. Podem ser os sabores do mar. e provarem. António? 1 . as saladas.. especiarias e para os complementar tornam-se imprescindíveis: o pão.. por isso. De facto.. convidou-os a provar alguns petiscos. O António quis mostrar um pouco desta diversidade aos amigos. Ana: – Os meus pais tinham razão. Hum. Ana: – Mas que é isto? António! Que cheirinho é este que anda no ar. os sabores da serra. nada como estar em Portugal para descobrir outros sabores. a diversidade é grande porque os petiscos necessitam de toda a espécie de temperos.

... sei lá! Olha.. Estes são de meia cura... as gaivotas não dão leite. Fica aqui perto.. e aquele ali é bem curado. Ana: –Ah. E. Foi para comerem tudo isso que vos convidei. mas tem a ver com o tipo de alimentação. entre Lisboa e Setúbal. não é? António: – Exacto. O João estava a brincar... Ana: . E este da Ilha. É da Serra da Arrábida.. para mim. o da Serra da Estrela não tem nada a ver com o de Azeitão. quase picante... É da ilha de S. mas também! Tens aqui um de Niza que é mistura de ovelha e cabra. Mas vocês têm aqui mais variedades.É dos Açores. ovelha é ovelha!... João: – Porquê? António: – Não sei bem. Não imaginava nada que havia diferenças.. com a altitude dos pastos.... Hum mas este é delicioso.... Ana. com o clima.. Jorge. Por exemplo.. São de várias regiões do país. É muito bom. Ana: – É curioso...... António: – Não ligues. não? Ana: – Que disparate João! As Berlengas só têm gaivotas. só sei que há muitos factores envolvidos. igual em qualquer parte do mundo. João: – E este chouriço? 2 .António: – Claro. Há aqui queijinhos frescos.... apesar de serem os dois de ovelha... que é de vaca... que eu saiba. estes queijos! Que perdição! Eu adoro queijo. Tem um sabor forte. António: – Não só. João: – Da Ilha? Qual? Se calhar é das Berlengas. para comer com sal e pimenta. Ai! Tão bom!!! António: – Esse aí é de Azeitão..... e todos diferentes uns dos outros.. é de Évora.. para todos os gostos. São de leite de cabra? É que eu adoro queijo de cabra..

.. António? Parecem azeitonas.. Não páras enquanto não vires o mapa... Preciso de pão.. Já nem sei para que lado me vire. Aí é que vocês podem comer petiscos a sério.. por exemplo.. António: – É natural... João: – A Ana? Ter calma??? Isso é fácil de dizer.. Provem. Estremadura.. pimenta e vinagre! Põe em cima de um bocadinho de pão. Lá iremos! Agora aconselho-te a saborear. Um mapa de Portugal já eu aqui tenho.... e 3 . Esse é um paio. Acho que ainda não a conheces! Calma é coisa que ela não tem.. António: – Exactamente. João: – De facto.. Ana: – Pronto! Lá está ele! João: – Ah! Pois não. António: – Tem calma. Isto é delicioso.. e quando. Ajudem-me! Preciso de um mapa. mais importante do que tudo isso. Há imensas diferenças.Obrigado por me teres lembrado! Isto sem vinho não tem graça. é verdade João! Já me esquecia. Têm alhos bem picadinhos. Mas.. Ana: – Nunca comi temperadas assim.... João: – E o vinho? António: – Ah. Também serve como molho para temperar peixe cozido. É alentejano e é óptimo. é um dos meus preferidos! O chouriço é aquele mais fininho. Ana: – O que é isto. António: – Isso é muito fácil de resolver... No ano passado fui à festa gastronómica de Santarém! Comi tanto. É da Estremadura...António: – Ó João! Não é chouriço! Pensas que é tudo igual? Não.... Ana: – Isto é demasiado para mim! Tenham dó desta ignorante.. São azeitonas bem picadinhas.. sal.. azeite.. É um aperitivo que eu adoro fazer... Só eu é que as sei fazer. Comprei um tinto que me parece óptimo para estes petiscos. também é muito bom.... coentros... Não tenho palavras. é saber onde.. Açores. Assado. salsa. Serra da Estrela. é que há feiras de gastronomia e tasquinhas..

Tinha imensos petiscos! Mas feiras destas é coisa que não falta em Portugal inteiro! 4 .. Ai! Tão bom!!! António: – (.bebi tanto! Tinha imensos petiscos! Mas feiras destas é coisa que não falta em Portugal inteiro! A descoberta de novos aromas e sabores desperta manifestações de surpresa e reacções de sociabilidade... e bebi tanto!.. Isto é delicioso.. E demonstram-no através de algumas realizações exclamativas muito concretas.) Aí é que vocês podem comer petiscos a sério. Preciso de pão. Não tenho palavras.) alguns petiscos regionais. São de leite de cabra? É que eu adoro queijo de cabra.. João: – De facto. EXPRESSAR SURPRESA E ADMIRAÇÃO.. A Ana e o João foram envolvidos neste ambiente por terem sido convidados pelo António para provarem (e cheirarem. Os nossos amigos estão muito surpreendidos com a diversidade de petiscos que encontraram em casa do António. 1.. No ano passado fui à festa gastronómica de Santarém! Comi tanto. vamos observar algumas expressões de surpresa e algumas situações de uso do infinitivo flexionado em português...Hum… Tantas coisas boas! Ana: – Ai estes queijos! Que perdição! Eu adoro queijo.... Neste programa.... Vamos revê-las: Ana: – Mas que é isto? António! Que cheirinho é este que anda no ar..

As frases exclamativas podem caracterizar-se por processos prosódicos através de um alongamento quer da vogal tónica da palavra em realce quer da curva entoacional, normalmente ascendente.

“Comi tanto... bebi tanto!...”

Em “Comi tanto... bebi tanto...” os verbos, ‘comi’ e ‘bebi’, são acompanhados do advérbio de intensidade ‘tanto’. Mas as frases exclamativas podem também ser constituídas por nomes simples antecedidos, ou não, de palavras de grau, como nos exemplos:

“tantas coisas boas!” “tão bom!!!”

No primeiro caso, o nome é antecedido pelo indefinido que concorda em género e número com o nome: ‘tantas coisas’. No segundo caso, é o advérbio de intensidade ‘tão’ que antecede o adjectivo ‘bom’. Igualmente bastante frequente é a construção de frases exclamativas –Q que ocorrem com quantificadores-Q em posição inicial de frase. É o caso dos exemplos:

“Que cheirinho ....” “Que perdição!”

Estamos então perante expressões nominais (porque contêm um nome, claro) iniciadas pelo quantificador ‘Que’.

5

2.ALGUMAS OCORRÊNCIAS DO INFINITIVO FLEXIONADO EM PORTUGUÊS

O António convidou os amigos com o propósito, ou melhor, com a finalidade de lhes mostrar um pouco dos petiscos tradicionais portugueses. Ao explicar por que razão os convidou, usa estruturas complexas interessantes que podem ser analisadas. Vamos rever os exemplos usados no texto:

António: – É só para vocês verem... e provarem, claro! São alguns petiscos bem portugueses.

António: – Claro. Foi para comerem tudo isto que vos convidei...

De facto, ele usa uma forma muito frequente para explicitar a finalidade em português: a preposição 'para’, seguida da forma flexionada do infinitivo. O português é uma das poucas línguas no mundo em que se pode flexionar a forma infinitiva dos verbos. Isto quer dizer que é possível, em português, atribuir pessoa ao infinitivo para todos os verbos de qualquer conjugação. Tem ainda a particularidade de não conter qualquer forma irregular.

INFINITIVO FLEXIONADO

eu provar

eu comer

6

tu provares ele, você provar nós provarmos vós provardes eles, vocês provarem

tu comeres ele, você comer nós comermos vós comerdes eles, vocês comerem

Recordemos os exemplos do diálogo:

É

para

vocês

verem...

e

provarem

Foi para comerem tudo isto que vos convidei

Nestes exemplos concretos, estamos perante frases que exprimem finalidade e são iniciadas pela preposição ‘para’, que aqui desempenha a função de complementador. Estas frases são complementos do verbo da frase anterior, o que origina orações não finitas, isto é, com o verbo no infinitivo. Estas frases mantêm uma relação de dependência semântica com a oração antecedente ou principal. Poder-se-ia dizer a mesma coisa recorrendo ao conector ‘para que’. Obteríamos então uma frase equivalente, embora mais formal. Trata-se igualmente de frases finais, que complementam a frase principal. No entanto, são orações finitas, porque o verbo é temporalmente conjugado. Observemos o quadro: É só para que vocês vejam ... e provem, claro!

7

Foi para que comessem tudo isso que vos convidei.

As formas verbais seriam flexionadas no modo conjuntivo, no presente ou no imperfeito, em concordância com o tempo do verbo da oração principal: A primeira, que contém o verbo da frase principal no presente: ‘é’, obriga a que os verbos da frase final estejam no presente do conjuntivo: ‘vejam’ e ‘provem’. A segunda, porque o verbo da frase principal ‘convidei’ está no pretérito perfeito, obriga à concordância com o Pretérito imperfeito do modo conjuntivo ‘comessem’. Esta frase inclui um processo de ênfase de que falaremos mais adiante. Na sua leitura mais simples equivale a “Convidei-vos para comerem tudo isso” ou “Convidei-vos para que comessem tudo isso” Mas o diálogo mostra ainda outros exemplos de uso do infinitivo pessoal. Recordemos os excertos:

António – (...) São de várias regiões do país... e todos diferentes uns dos outros. Por exemplo, o da Serra da Estrela não tem nada a ver com o de Azeitão, apesar de serem os dois de ovelha.

António – Ah, é verdade João! Já me esquecia...Obrigado por me teres lembrado! Isto sem vinho não tem graça (...)

Estamos perante outras situações diferentes de uso do infinitivo flexionado, diferentes da expressão de finalidade que analisámos. No primeiro caso, o conector concessivo ‘apesar de’ introduz uma oração concessiva infinitiva (com o infinitivo flexionado).

8

O da Serra da Estrela não tem nada a ver com o de Azeitão, apesar de serem os dois de ovelha.

O da Serra da Estrela não tinha nada a ver com o de Azeitão, apesar de serem os dois de ovelha.

Poder-se-ia substituir por ‘embora’ e teríamos uma oração finita, com o verbo no modo conjuntivo concordando com o tempo da oração principal. Seria, então, equivalente a:

O da Serra da Estrela não tem nada a ver com o de Azeitão, embora sejam os dois de ovelha.

O da Serra da Estrela não tinha nada a ver com o de Azeitão, embora fossem os dois de ovelha.

Já a frase

Obrigado por me teres lembrado!

é uma oração causal infinitiva iniciada pelo conector ‘por’. Também aqui existe uma relação de dependência semântica entre duas frases. Neste caso, o valor semântico da causalidade é a razão, ou o motivo, pelo qual o António agradece. A forma infinitiva

9

bem temperados. Esta breve análise pretendeu apenas alertar muito sumariamente para a diversidade das construções infinitivas em português. cada um deles. Muito fica por dizer sobre a riqueza da sua utilização.” outra alerta para alimentos saborosos. ‘visto que’. Obrigado visto que me lembraste Obrigado uma vez que me lembraste Etc. Vamos agora retomar o convite do António e descobrir um pouco mais deste outro lado da cultura portuguesa que está directamente relacionado com os aromas e os sabores de cada região. que podem ser comidos. Uma que significa “comer pouco. Eu despeço-me. de preferência. ‘uma vez que’. Estes podem iniciar uma oração no modo indicativo em qualquer tempo. Podemos obter a mesma expressão de causalidade se colocarmos duas orações finitas iniciadas por um conector como ‘porque’. Será. entre outros.ocorre sobre o auxiliar ‘ter’ porque se usa aqui o infinitivo composto como expressão de passado. Pode ser interpretada de duas formas distintas. mas em grande variedade e. acompanhados de um bom vinho! 10 . por exemplo: Obrigado porque me lembraste. até ao próximo programa! Petiscar é uma palavra curiosa em português. em pequenas quantidades..

E se cada região já é tão diferente. Existem actualmente 14 zonas geográficas de produção conhecidas como “Denominação de Origem Protegida. só. do sul e das ilhas. Se não. têm desenvolvido modos originais de cozinhar peixes. como. bivalves e outros petiscos marinhos. vejamos: as regiões produtoras de cereais. aromas e formas de confecção daquilo que. por exemplo. É incontornável a fama do queijo da Serra. rivalizam com os petiscos de peixe e marisco do litoral. produzido nos distritos de Viseu e Guarda em volta da Serra da Estrela. salpicões e presuntos das Beiras e Alentejo. poderão ser produtos iguais. influenciadas pela presença do mar. produzem naturalmente queijos. até à conservação do leite e fabrico do queijo. ao pão de centeio. mariscos. sejam de serra ou de planície.” que abrangem quase todo o país e correspondem maioritariamente a queijos de ovelha e cabra no continente e de vaca nas ilhas dos Açores. É feito a partir de leite de ovelha. Esta denominação de Origem obriga a uma produção controlada de acordo com regras precisas que passam pelas condições de produção do leite. aparentemente. As alheiras de Mirandela. As regiões do litoral. do centro. que vão do tipo de pasto ao processo de fabrico e às formas de maturação. sobretudo nos 11 . Portugal apresenta uma enorme variação quanto a sabores. os diversos tipos de linguiças e chouriços. o trigo no Baixo Alentejo. As regiões de pastagem com produção de leite. Pela diversidade entre litoral e interior e pelas características orográficas do norte. a combinação de todos esses sabores vindos de todas as regiões do país revela tradições de extraordinária riqueza cultural. apresentam tipos de pão que vão desde pão alentejano ao pão de Mafra. higiene de ordenha. paios. ou o milho no norte transmontano e Beiras. cada um com características próprias. ao pão de milho. As regiões produtoras de carne de porco especializaram-se na fabricação de enchidos e de carnes fumadas que diferem do norte para o centro e para o sul.

Para além dos vinhos verdes do Minho. o queijo de Azeitão é produzido apenas nos concelhos de Azeitão. Jorge é um queijo de vaca com um paladar forte e ligeiramente picante. Setúbal. O queijo de S. Portugal tem várias zonas de origem controlada e os vinhos de mesa. a norte da Serra da Estrela. excelentes para acompanhar marisco e peixe. normalmente de ovelha. Jorge. há regiões demarcadas muito conhecidas. As regiões vinícolas estão demarcadas e mostram como têm personalidade própria: os vinhos do Dão. Com sabores bastante diferentes. produzido na ilha de S. mas diferente em sabor. Os pequenos queijos de Évora têm uma consistência dura e cor amarelada e um sabor ligeiramente picante e acidulado. nos Açores. os queijos alentejanos de Nisa e de Serpa possuem cada um características bastante distintas e muito apreciadas. naturalmente gaseificados. do Alentejo ou do Algarve entre outros. Igualmente muito conhecido e semelhante no processo de fabrico. Os do Dão. todos reflectem um carácter individualizado do solo. são aveludados e excelentes vinhos de mesa. 12 . Caracteriza-se por ter um paladar silvestre de uma serra virada para o mar. Tem um aroma e um paladar inconfundíveis e é um dos mais internacionais queijos portugueses. do Douro. têm em muitos casos mistura com leite de cabra e caracterizam-se por paladares bastante intensos e processos de maturação bastante longos. Os tintos combinam com carnes picantes e queijos. os queijos produzidos na Beira Baixa e no Alentejo. Sesimbra e Palmela. Os tintos acompanham geralmente carnes e queijos de sabor intenso. Poder-se-ia dizer que é o maior queijo português porque se apresenta em grande formato podendo pesar até mais de 10 quilos.meses de Novembro a Março. da Bairrada. É o caso dos vinhos do Douro muito frutados e de cores fortes. e consoante a sua maturação pode ser mais amanteigado ou mais denso ou curado.

O vinho da Madeira é um vinho licoroso. O carácter único do vinho do Porto deve-se ao clima particular da região. produzido na ilha da Madeira há mais de 300 anos. De igual modo. no Ribatejo e Vale do Tejo. É um vinho de reputação mundial. envelhecido e exportado a partir da cidade do Porto de que herdou o nome. A produção deste vinho é feita a partir de determinadas castas especiais. produzido unicamente a partir de uvas da região demarcada do Douro. respeitando normas de produção e de envelhecimento rigorosas.Os brancos. além de várias tonalidades. corpo e sabor do vinho do Porto são inconfundíveis. Possui um aroma e um paladar original. O Vinho do Porto é um vinho natural. também acompanham bem os queijos característicos da região. 13 . Ruby e Tawny. As características do aroma. sendo servidos como aperitivos ou digestivos. Os vinhos do Porto e da Madeira são vinhos para momentos de festa e de convívio. na Estremadura até Setúbal e no Algarve. É um vinho de fama internacional. Existem actualmente três tipos de vinho do Porto: Branco. como a Tinta Negra Mole e a sua fabricação é também muito especial. Os vinhos do Alentejo são a companhia ideal para todas as especialidades alentejanas. mais suaves e aromáticos. às castas utilizadas e ao modo como é feita a fermentação. são produzidos vinhos de óptima qualidade que são os complementos perfeitos para todos os seus produtos regionais.

vários espaços onde se pode praticar desporto: municipais e privados. Ana: – Falem por vocês. porque me arrastaram. O Parque do Calhau. João: – Não sejas piegas! Vais ver que vais gostar. num ambiente aprazível.PROGRAMA 14 PRATICAR DESPORTO Lisboa possui. António: – Ora bem. dispersos pela cidade. João: – Do Calhau?! O que é isso? António: – É outra forma de dizer pedra. Toca a mexer! João: – Bem precisamos! Depois do que comemos ontem. afinal? António: – Numa zona que os lisboetas já vão conhecendo e é muito agradável: o Parque do Calhau.. já cá estamos. é um parque natural. Ana: – Mas onde é que nós estamos. relaxar do stress quotidiano.. existem para todos os gostos e os lisboetas não se furtam a usá-los. simplesmente. É que eu reparei na placa no início da rua… 1 . ou. situado no bairro com o mesmo nome.. como o Estádio Universitário. grandes e pequenos. onde as pessoas se podem dedicar à prática de exercício físico. Integrados em bairros de menor dimensão ou em áreas institucionais. Ana: – Tem então o nome do bairro onde se situa. Eu só vim. O António convidou os seus amigos para usufruir deste agradável espaço ao ar livre..

que estrada é aquela? António: – É o Eixo Norte-Sul.. João: – Então isso quer dizer que prà direita fica o Sul. Vê-se logo que vocês já vão tendo uma ideia geral da cidade. claro. Tenho uma surpresa.. Ana: – Ó António. não! É o moinho das Três Cruzes. Sem ele.João: – Pois está claro! António: – Basta de conversa! Vamos fazer o circuito de manutenção. seja qual for a modalidade. não se deixem atrasar! João: – Aquela está a armar-se em carapau de corrida.. logo o Eixo Norte-Sul vai desembocar na Ponte 25 de Abril. António: – Estou com vontade de comer.. de vermelho e verde e. com as quinas. lá vai mais um com uma camisola da selecção. João: – A propósito. João: – Olha. quando se organizou cá o Europeu de Futebol. 2 . Se vocês tivessem cá estado na altura. então é que tinham assistido a um espectáculo inesquecível. se é que isso é possível… Ana: – Deixa cá ver se acerto… o Norte fica para a nossa esquerda… António: – Correcto. equipa assim. Trouxe uma merenda. Tudo o que é selecção nacional. São o símbolo de Portugal.. António: – Sim. João: – Agora o espectáculo vai repetir-se com o Mundial da Alemanha: PORTUGAL! PORTUGAL! Ana: – Então? Ó tagarelas. Ela já vai ver. Ana: – Que engraçado… parece um moinho! António: – Parece. o trânsito de Lisboa ainda seria mais caótico. Ana: – Sabes se há aqui algum café? António: – Não é preciso.. por que razão é que se vêem bandeiras nacionais em algumas janelas e varandas? António: – Isso tem a ver com o orgulho que os portugueses sentiram. não é? António: – Afirmativo. um dos poucos que restam na cidade.

FRASES CONDICIONAIS CONTRAFACTUAIS OU IRREAIS O António quis chamar a atenção dos amigos para um acontecimento no passado. vamos abordar alguns aspectos relacionados com frases condicionais. então é que tinham assistido a um espectáculo inesquecível.. já comia qualquer coisinha. também. E se fôssemos comendo e andando ao mesmo tempo? António: – Até sabe melhor! No programa de hoje. nem parece que estamos no meio de Lisboa! António: – Chegou a comida! João: – Do que é que estamos à espera..João: – O que é isso? Algo que se coma? António: – Algo que se come e que se bebe. com o uso do vocativo e com a contracção de palavras. Faremos. em que acompanhámos a Ana. E que tal irmos para o Parque das Merendas? O tempo está bom e não há nada melhor do que merendar depois de um bom exercício.” 3 . É uma hipótese irreal porque sabemos que não se verificou. Ana: – Também acho. Observemos o excerto do diálogo: “Se vocês tivessem cá estado. mas não me apetece ficar sentado. uma referência breve a formas de expressar opinião. Já venho! Ana: – Associação Portuguesa de Educação Ambiental. o João e o António a praticar desporto de manutenção. João: – Está no sítio ideal. 1. Para isso coloca a hipótese “se vocês tivessem cá estado”.

Por outras palavras. então é que tinham assistido a um espectáculo inesquecível. ou seja. a que se atribui o nome de condicionada ou consequente. assim. Ora vejamos: FRASE CONDICIONAL “Se vocês tivessem cá estado. agora.Tal como já tínhamos referido no programa 11. o tipo de relação de dependência semântica que existe entre estas duas orações. a oração que exprime a consequência. Atente-se no quadro seguinte: 4 . Podemos. a oração consequente (então é que tinham assistido a um espectáculo inesquecível) revela a consequência: a Ana e o João perderam um espectáculo inolvidável. Uma vez chegados a este ponto. esta frase estabelece uma relação entre proposições que se verificam em mundos alternativos ao mundo real.” oração condicional/antecedente + oração condicionada/consequente A oração condicional ou antecedente (se vocês tivessem cá estado) enuncia o facto que condiciona a oração condicionada ou consequente (então é que tinham assistido a um espectáculo inesquecível). depreender que estamos perante uma frase condicional contrafactual ou irreal. observemos. esta frase é constituída por duas orações que mantêm entre si uma relação de dependência semântica. Chama-se oração antecedente ou condicional à oração de cujo conteúdo proposicional depende semanticamente o conteúdo proposicional da outra oração. A oração antecedente (se vocês tivessem cá estado) dá a entender que a Ana e o João não estiveram em Portugal no período de tempo em que ocorreu o evento referido anteriormente. a propósito das construções condicionais factuais.

FRASES CONDICIONAIS CONTRAFACTUAIS 1.“Se vocês tivessem cá estado. e o pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo na oração condicionada ou consequente. então é que tinham assistido a um espectáculo inesquecível.” se + pretérito mais-que-perfeito do conjuntivo + pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo A frase 1 utiliza o pretérito mais-que-perfeito do conjuntivo na oração condicional ou antecedente. 5 . “Se vocês tivessem cá estado. então é que teriam assistido a um espectáculo inesquecível.” se + pretérito mais-que-perfeito conjuntivo + condicional perfeito Vemos que a frase poderia ocorrer com o condicional perfeito na oração condicionada ou consequente e manteria o mesmo significado. Esta mesma frase poderia ocorrer da seguinte forma e com o mesmo significado: FRASES CONDICIONAIS CONTRAFACTUAIS 2.

…” “Ó tagarelas.” A diferença reside na ênfase que se quer dar à pessoa chamada ou invocada.” = maior ênfase “António.. “Ó António. Constitui uma expressão de cariz invocativo. não se deixem atrasar! Reparem na forma como a Ana chama a atenção do António e do João. Vejamos os exemplos retirados do diálogo: Ana: – Ó António. sobressai a partícula Ó. Ou seja. observemos: “Ó António. nos dois excertos. Expressa-se por meio de formas interpeladoras.” = menor ênfase Tanto podemos dizer: “Ó António. dá-me o livro” como: “António. dá-me o livro. dá-me o livro. 6 .2. que nomeia a pessoa a quem o falante se dirige e designa-se vocativo. …” Este Ó (com acento agudo) é uma interjeição indicativa de chamamento ou invocação. o recurso à interjeição Ó confere mais ênfase à frase em que foi usada. isolada do resto da frase por vírgula. o interlocutor. ou interpelar. Que estrada é aquela? (…) Ana: – Ó tagarelas. dá-me o livro.. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O VOCATIVO O vocativo é usado para chamar.

Interjeições são as palavras com que. com a interjeição Oh!. na oralidade. Esta forma é usada na oralidade e pode contrair-se com os artigos ou pronomes o. esqueci-me do guarda-chuva!” (desalento) Na frase 1. favorece o desaparecimento de vogais não acentuadas. temos uma interjeição que veicula surpresa.Antes de avançarmos. prà direita. São frequentes nas frases exclamativas e costumam ser acompanhadas de ponto de exclamação.. à forma sincopada da preposição para: pra. É o que se passa neste excerto: “Então isso quer dizer que na direcção oposta fica o Terreiro do Paço. isto é. muito brevemente. a velocidade de elocução. CONTRACÇÃO DE PALAVRAS Como certamente sabem. indicadora de admiração. enquanto que a frase 2 exprime desalento. deixem-me que vos alerte para o seguinte: convém não confundir a interjeição Ó do vocativo. não é?” Quero aludir. 3. as. de maneira espontânea. a. os. reparem: 7 . “Oh! António. Vejamos: 1. “Oh! António. exprimimos vivamente as nossas emoções. a velocidade a que falamos. está chover!” (surpresa/admiração) 2..

deixa passar o que sente. EXPRESSAR OPINIÃO O António. e associa-lhe (usando a conjunção e) a sua própria opinião: “e é muito agradável”!. Vejamos: Eles vão à ginástica [ir a + a ginástica] Eles vão àquele ginásio [ir a + aquele ginásio] 4. prà. ao apresentar a cidade aos amigos. o João e ele próprio se encontram. como aquele. Observemos o que diz: Ana: – Mas onde é que nós estamos. afinal? António: – Numa zona que os lisboetas já vão conhecendo e é muito agradável: o Parque do Calhau. O mesmo acontece quando se verifica na língua escrita a contracção da preposição a com o artigo a (como por ex.para + o. as = prò. Na língua ocorre a contracção. etc. Esta afirmação do António tem por finalidade formular um juízo valorativo pessoal em relação ao local onde a Ana. sempre com acento grave.: eles vão à ginástica) ou com qualquer forma do demonstrativo iniciada igualmente por a-. Ele dá uma informação objectiva.. pràs Deixem-me alertar-vos para o facto de todas estas formas contraídas se escreverem com acento grave. aquela. “os lisboetas já vão conhecendo”. integrando a sua própria opinião no discurso. pròs. a. os. Observem outras formas de 8 .

aqui conjugado no presente do indicativo –seguido do adjectivo agradável Nas outras frases são introduzidas expressões que sublinham que o juízo de valor que está a ser feito pelo locutor tem um carácter pessoal.” 4.” 3. … e em minha opinião é muito agradável. … e quanto a mim é muito agradável. a frase 3 possui uma estrutura similar.formular um enunciado com o mesmo sentido (apenas a frase 1 está incluída no diálogo): EXPRESSAR OPINIÃO 1. o António utiliza simplesmente o verbo – neste caso o verbo ser. substituindo “quanto a mim” por “para mim”.” Na primeira frase. resulta da sua opinião: a frase 2 recorre à expressão “quanto a mim”.” 2. É usada quando se pretende aludir a alguém que age. Vamos terminar o programa de hoje com uma expressão idiomática: armar-se em carapau de corrida = pretender ser muito esperto Esta expressão é usada em contextos irónicos e tem um carácter pejorativo.“É uma zona que os lisboetas já vão conhecendo e é muito agradável. tendo-se em conta de muito esperto. 9 . … e para mim é muito agradável. já na frase 4 optou por usar-se a expressão “em minha opinião”.

circuito de manutenção. Esta instituição fomenta o conhecimento da natureza junto das crianças urbanas que raramente contactam com o mundo natural. A melhor forma de o conhecer é a realização de uma visita ao Espaço Monsanto. 10 . agora. campo relvado e pista de atletismo. O Parque Florestal de Monsanto foi criado em 1934 por Duarte Pacheco. ginásio. pavilhões polidesportivos onde se realizam muitas vezes competições interescolares. e não só. Espaço com vastas áreas de mata diversificada. O parque mais conhecido da capital é o Parque de Monsanto. O Estádio Universitário data dos anos 50 do século XX e tem sido alvo de vários melhoramentos. Até ao próximo programa. localizado na encosta norte do Parque. Refira-se que muitas das calçadas de Lisboa são de pedra extraída de Monsanto. O Complexo Desportivo Universitário é constituído por: • • • • estádio de honra. • • • • campos de ténis. oferece imensas possibilidades para actividades de lazer. com alguns momentos dedicados aos espaços destinados à prática desportiva em Lisboa. pistas de atletismo. é frequentado maioritariamente pelos estudantes das Instituições de Ensino Superior situadas nas proximidades. campos de futebol. Como o nome indica.Fiquem. É um parque repleto de contrastes onde as zonas de clareira são interrompidas por um denso arvoredo que permitem ter acesso a bonitas vistas sobre a cidade e o rio. e campos de grandes jogos.

O Estádio Universitário de Lisboa disponibiliza um vasto leque de instalações desportivas, das quais importa destacar, pela sua dimensão actual e número de utentes, o Complexo de Piscinas. Outro espaço é o Parque da Bela Vista, que tem cerca de 85 hectares e oferece zonas de lazer e de prática desportiva. O relevo natural, a paisagem e o facto de estar no centro da cidade fizeram deste parque o preferido da organização do Rock in Rio, um importante evento musical, que veio divulgar o Parque da Bela Vista junto do grande público. Há modalidades desportivas que despertam a atenção dos portugueses, como por exemplo: • • o andebol; o hóquei em patins, modalidade na qual Portugal detém um longo e rico palmarés; • • • • o atletismo, outra modalidade na qual o país se tem destacado; a vela; o judo; e o tiro, entre outras. O futebol constitui o denominado “desporto-rei” em Portugal, tal como em muitos países e tem marcado presença no panorama internacional quer a nível clubístico, quer a nível das selecções nacionais. Com efeito, os três grandes clubes portugueses, o Sport Lisboa e Benfica, o Futebol Clube do Porto e o Sporting Clube de Portugal são instituições com pergaminhos reconhecidos aquém e além fronteiras. Juntos conquistaram vários títulos internacionais, entre os quais pode destacar-se a conquista da Taça UEFA, em 2003 e da Liga dos Campeões, em 2004, pelo Futebol Clube do Porto, sob a orientação do treinador José Mourinho. Durante o Verão de 2004, Portugal foi o organizador da fase final do Campeonato da Europa de Futebol. Construíram-se e remodelaram-se dez estádios, um pouco por todo o país. Não podemos deixar de aludir a uma obra arquitectónica de

11

grande envergadura, que foi erguida a propósito desta competição desportiva: o Estádio Municipal de Braga. Obra projectada pelo arquitecto Souto Moura assume-se como um ponto de referência na paisagem urbanística da capital do Minho. O estádio possui capacidade para trinta mil espectadores. Os topos são ocupados pelo perfil da encosta do monte, sobre a qual a estrutura foi erigida. As pontes construídas pela civilização Inca, do Peru, serviram de fonte de inspiração à cobertura. Durante o Euro 2004, a população portuguesa empenhou-se, a fundo, no apoio à selecção portuguesa. As janelas e as varandas encheram-se de bandeiras e cachecóis com as cores da bandeira nacional: o vermelho e o verde. Apesar do campeonato ter sido ganho pela selecção da Grécia, a boa carreira da equipa nacional deu azo a grandes festejos que percorreram o país na sua totalidade.

12

PROGRAMA 15 FESTAS E TRADIÇÕES

Os muitos povos que, ao longo dos tempos, passaram pela Península Ibérica deixaram marcas em Portugal através de uma grande diversidade cultural. Encontramse muitos vestígios celtas, romanos, árabes, entre outros, nas festas e nos trajes populares, dispersos um pouco por todo o país. De todos os vestígios da Península Ibérica, talvez os Pauliteiros de Miranda sejam os mais evidentes na sua exuberância. Conservam ainda os seus trajes únicos bem coloridos e, com os seus paus, reproduzem antigas danças guerreiras com origem ou influências que se supõe serem celtas. Estas terão sido bem conservadas pela sua localização geográfica lá por detrás dos montes, como indica o nome desta região, Trás-os-Montes. A Ana e o João visitam o António, em sua casa, e conversam sobre as tradições e as festas populares...

António: - Até que enfim que conseguiram arranjar um bocadinho para conversarmos tranquilamente! Ana: - É verdade! Já não era sem tempo... António: - Pelos vistos têm andado num virote... João: - Podes crer! Mas da última vez que aqui estivemos, comemos que nem uns abades! Ana: - Pudera! Com todos aqueles petiscos...

1

António: - A intenção era estarmos juntos. O resto foi só para vos recordar os nossos paladares portugueses. Ana: - E foi mesmo muito bom. Acho que não vou esquecer aqueles queijos... e as azeitonas... Estavam saborosíssimas... João: - E agora, olha... cá estamos outra vez! António: - Sempre que queiram! João e Ana: - Obrigadíssimo/a, António! António: - Então, contem-me lá! O que é que descobriram de novo? Ou o que é que querem saber?! Se eu puder ajudar... Ana: - Pois... A verdade é que o tempo é pouco para tudo o que queremos ver... Ontem à noite, por exemplo, vimos um programa bastante interessante na televisão. Era sobre festas populares... tradições portuguesas... João: - É verdade. Tinha imensa informação... eu não consegui fixar nem metade... Acho mesmo que já não me lembro de nada… António: - Ah!... Festas tradicionais... sim… conheço alguma coisa. Pelo menos do Norte… …Minho… Trás-os –Montes… Beiras…! João: - Ainda bem. Que bom. Assim até nos podes ajudar a descobrir mais coisas... Eu não conheço quase nada do Norte, tirando alguma coisa sobre aquelas romarias mais populares de Viana do Castelo... António: - Ah! as Festas da Senhora d' Agonia! Olha, tenho aí livros sobre isso tem imensas fotografias dos trajes minhotos, que são riquíssimos... e até de outras tradições menos conhecidas, como os Caretos e os Pauliteiros de Miranda, de Trás-os Montes... João: - A propósito de Pauliteiros e de Trás-os-Montes, lembro-me que falaram de Miranda... do Douro, acho eu. É lá que há duas línguas, não é? António: - Exactamente. Falam Português naturalmente, mas as pessoas mais velhas também falam o Mirandês. Agora também é ensinado nas escolas. Assim as crianças aprendem-no. É uma forma desta língua tão antiga não se perder.

2

João: - Acho muito boa ideia. Ana: - Foi pena que não tivessem falado disso... Mas mostraram tanta coisa! Eu, daquilo que vi, gostei especialmente dos trajes. Os Pauliteiros, com aquelas saias, com aquelas meias de riscas, o chapéu cheio de fitas e flores... João: - Tem ar de ser uma tradição bem antiga... E, ainda por cima, a baterem com os paulitos uns nos outros, enquanto dançam... Será que não se aleijam de vez em quando? António: - Não... Não é assim tão violento!... É uma dança de homens, uma espécie de dança guerreira… Simulam defesa e ataque. Há várias explicações sobre as suas origens… Parece que estão ligadas aos celtas... João: - Olha, sabes de que é que eu gosto? É dos trajes das mulheres do Minho António: - Aqueles fatos....todos bordados... até as chinelas! Ana: - Levam muitos fios de ouro ao pescoço, não é? António: - Pois é. São autênticas fortunas que passam de pais para filhos, posso garantir-vos! Mas olhem que na zona Centro também há festas muito interessantes... Estou a lembrar-me da Festa dos Tabuleiros, em Tomar, e da Feira do Cavalo, na Golegã. João: - Daqui a pouco temos a Ana a refilar porque também quer saber coisas da terra dela... ou melhor, da terra do pai. Ana: - Ah! Claro! As minhas raízes estão no Alentejo... No tal programa de televisão, mostraram as Festas do Povo de Campo Maior. Fiquei fascinada! João: - Quando é que são? António: - São sempre no início de Setembro e são, de facto, muito bonitas. Ana: - Só o trabalho que deve dar fazer tantas flores de papel!... Quem é que paga? António: - Eles lá se organizam... Há um responsável, o “cabeça de rua”, que é a pessoa que se encarrega de recolher os donativos dos moradores... e até dos que são de lá mas que estão fora. As flores... essas são feitas sobretudo pelas mulheres, ao serão, sempre em segredo.

3

António: . mesmo junto à fronteira com Espanha. É de uma beleza!. Nem imaginam!... É uma vila construída toda dentro de muralhas.A verdade é que o tempo é pouco para tudo o que queremos ver. João: .Nunca ouviste dizer que "as conversas são como as cerejas"? Encadeiamse umas nas outras.. 1. Uma conversa puxa outra..Por este andar.? 4 ... vimos que a Ana quer sempre ir a todo o lado e ver sempre tudo. A propósito da sua conversa.Também concordo com ele. acho que a conversa vai durar até de manhã. com tanta coisa interessante que tens para nos dizer. falaremos de alguns pronomes indefinidos.. Temos muito tempo… A noite ainda é uma criança! Hoje. Vale a pena a visita. comparam-na a um ninho de águias porque fica a cerca de 900 metros de altitude.. a Ana e o João foram visitar o António. no cimo dum penhasco. não é.Ana: .E Marvão? Como é? O meu pai costuma falar muito de Marvão.. PRONOMES INDEFINIDOS Ao longos destes programas.. de alguns quantificadores indefinidos e de alguns quantificadores universais.. Vamos ouvi-la novamente! Ana: . António: ... Vamos ainda abordar o significado de algumas expressões próprias do português. Diz que é muito bonito....

o pronome indefinido “tudo” exprime uma ideia de quantidade. no discurso. “tudo”. sem faltar nenhuma. Este pronome indefinido. não varia em género. que a Ana e o João querem ver: “todas as coisas”. as coisas a que a Ana se refere. isto é.“Tudo” trata-se de um “pronome indefinido”. refere-se aqui ao conjunto ou à totalidade das coisas. e que exprime uma ideia de “vazio”. número ou pessoa. identificado de forma vaga ou imprecisa. Tudo pronome indefinido É um pronome porque substitui. tudo = todas as coisas Este pronome indefinido é invariável. O mesmo se passa com o indefinido que é seu antónimo. “nada”. O tempo é pouco para tudo o que queremos ver/ O tempo é pouco para as coisas que queremos ver/ O tempo é pouco para todas as coisas que queremos ver/ Os pronomes indefinidos são assim chamados porque designam algo. A Ana disse “O tempo é pouco para tudo o que queremos ver” mas também poderia ter dito “O tempo é pouco para as coisas que queremos ver”. 5 . um nome: neste caso. Assim.

tudo ≠ nada

É o que acontece na frase do João que vamos ouvir já de seguida:

João: - (...) Na verdade, acho mesmo que já não me lembro de nada...

Em “todas as coisas”, “todas” é um quantificador pois está antes do nome e especifica-o. Especifica a quantidade, o número ou parte das coisas referidas. É um quantificador da totalidade, também chamado quantificador universal.

2. QUANTIFICADORES UNIVERSAIS

Os quantificadores universais remetem para conjuntos universalmente considerados, referindo todos os elementos desses mesmos conjuntos.

todas as coisas

Este quantificador “todo” é variável em género e número, de acordo com a realidade a que se refere: “todas as coisas” / “toda a coisa”/ “todo o ser”/ “todos os seres”.

toda a coisa todo o ser todos os seres

6

Além de “todo, toda, todos, todas” também são quantificadores universais variáveis em género e número “ambos” e “ambas”: “ambos os rapazes” /”ambas as raparigas”.

ambos os rapazes ambas as raparigas

Os quantificadores “todo” e “ambos” são seguidos de artigo definido.

todas as coisas ambos os rapazes

Mas também podem aparecer seguidos de outro determinante, como mostra a frase da Ana.

Ana: - Pudera! Com todos aqueles petiscos...

“Aqueles” é um determinante demonstrativo porque nesta situação implica um certo afastamento temporal do locutor (da Ana) relativamente àquilo que refere: “aqueles petiscos” são “os petiscos que comeram no outro dia”. Os demonstrativos têm valor deíctico porque situam no espaço ou no tempo. Voltando ainda aos quantificadores universais, gostaríamos de sublinhar que há alguns que não admitem a presença de artigo definido. É o caso de “qualquer” e de “cada”.

7

qualquer homem cada homem

De referir que “qualquer” apenas apresenta flexão em número. Não varia em género: qualquer rapaz /qualquer rapariga. Chamamos a atenção para seu plural: quaisquer rapazes/ quaisquer raparigas:

qualquer rapaz /qualquer rapariga quaisquer rapazes/ quaisquer raparigas

O quantificador “cada” é invariável (não varia em género nem em número).

cada revista cada jornal

3. QUANTIFICADORES INDEFINIDOS

Na conversa entre os três amigos ocorrem ainda outro tipo de quantificadores, diferentes dos que vimos até agora. Vamos ver alguns excertos do diálogo:

Ana: - (...) ontem à noite, por exemplo, vimos um programa bastante interessante na televisão. Era sobre festas populares... tradições portuguesas... João: - Olha! Tinha tanta informação... eu não fixei nem metade... na verdade,

8

acho mesmo que não me lembro de nada! António: - Ah! As festas tradicionais... sim... eu conheço alguma coisa...

No excerto a que assistimos existem alguns “Quantificadores indefinidos”. Os quantificadores indefinidos de quantidade exprimem a quantidade de forma imprecisa ou indeterminada. É o exemplo de “tanta” em “tinha tanta informação”.

Tinha tanta informação...

“Tanta” acentua a quantidade de informação que o programa apresentava. “Alguma”, em “Eu conheço alguma coisa”, é também um quantificador indefinido de quantidade.

Eu conheço alguma coisa...

Relativiza o conhecimento do António acerca das festas populares. Como se constata nestes exemplos, os quantificadores “tanto” e “algum” variam em género (aqui vemo-los no feminino) e, naturalmente, também variam em número.

4. ALGUMAS EXPRESSÕES DO PORTUGUÊS

Antes de terminarmos os nossos comentários de hoje, vamos ainda apresentar o significado de algumas expressões do português.

António: - Ah! Pelos vistos, têm andado num virote, ham!

9

“Andar num virote” significa andar muito ocupado, atendendo a muitas coisas ao mesmo tempo. É uma expressão que se emprega num registo de língua popular ou mesmo familiar. Tem como sinónimos expressões como “andar num corrupio”, “andar numa correria”, “andar numa roda viva”.

andar num virote andar num corrupio andar numa correria andar numa roda viva

Vamos ver ainda mais algumas expressões:

António: - Então, nunca ouviste dizer? As conversas são como as cerejas... Encadeiam-se umas nas outras... Uma conversa puxa outra... Há muito tempo... A noite ainda é uma criança!

Como o António explica, e muito bem, “As conversas são como as cerejas” significa que um assunto traz sempre outro à conversa. Quando tocamos num assunto surge sempre um outro. Daí a comparação que a expressão estabelece entre as conversas e as cerejas... quando tiramos uma cereja de um monte delas, há sempre outras que vêm atrás, presas à primeira... Esta expressão tem como sinónimo uma outra: conversa puxa conversa!

As conversas são como as cerejas... Conversa puxa conversa...

10

numa mostra da devoção das gentes do mar. Atrai todos os anos muita gente. O Norte de Portugal é terra de importantes romarias. 11 . Viana do Castelo.Finalmente. festas em honra de um santo de devoção local e muitas vezes coincidentes com feiras onde se transaccionam produtos agrícolas. Nele adquire um especial relevo a mulher de Viana. Há dois grandes momentos que marcam esta festa: • a procissão ao mar: os pescadores levam a imagem da Nossa Senhora da Agonia num barco para a barra e todos os barcos a acompanham. tem uma das mais conhecidas festas: a Romaria da Senhora da Agonia. Acontece por volta do dia 20 de Agosto. os cordões e cruzes de ouro maciço e os corações e brincos em filigrana. que reflecte os usos e costumes das gentes de Viana do Castelo. “a noite ainda é uma criança” significa que estamos ainda no princípio do serão. Esta grande festa transmite a expressão viva da cultura vianense e do modo de ser das gentes minhotas. o nascer do dia ainda vem longe. durante um longo fim-de-semana. • e o cortejo etnográfico. A noite ainda é uma criança Fiquem ainda connosco para saberem um pouco mais sobre as festas tradicionais portuguesas. cidade situada no Alto Minho. artesanato e outros. entre habitantes da cidade. na foz do Rio Lima. peregrinos vindos de longe e muitos curiosos. os seus lenços coloridos. percorrendo uma parte da cidade com a diversidade dos seus trajes rústicos e profusamente bordados.

numa manifestação de rara beleza e significado. cuja origem se perde no tempo. É com enorme entusiasmo que se assiste a uma espantosa demonstração de fogo de artifício. 12 . apresentam uma coroa e uma pomba branca. e são empilhados em forma de cilindro e ornamentados com flores e fitas coloridas. em Tomar. de acordo com a tradição.Uma outra festa. Está directamente ligada ao culto do Espírito Santo. O encerramento de todas estas festas é sempre grandioso. A procissão dos tabuleiros desfila pelas ruas de Tomar. de origem medieval. As Festas do Divino Espírito Santo realizam-se por todo o Arquipélago dos Açores. vieram para os Açores com os primeiros povoadores. normalmente no período da Páscoa. No cimo. símbolo do Espírito Santo. O ponto principal das festas atinge-se com a distribuição dos diferentes tipos de pão (pão doce. é a festa dos Tabuleiros. A invocação do Espírito Santo durante as catástrofes naturais que frequentemente atingiram o arquipélago e a fama dos seus milagres. para os mais desfavorecidos. a vida difícil e o isolamento das ilhas muito contribuíram para que o culto se instalasse e perdurasse até aos nossos dias. que marcou profundamente a Idade Média portuguesa. Os tabuleiros são conjuntos artisticamente construídos com pães. vestida de branco o transportava à cabeça. ter a altura de cada uma das raparigas que. pão de mesa e pão de água) e vinho de cheiro por toda a gente. a partir do domingo de Pentecostes até ao Verão. As festas do Espírito Santo são uma demonstração viva do espírito devoto e alegre do povo açoriano e tornaram-se assim nas mais tradicionais de todo o arquipélago dos Açores. Estas festas. Estas construções deviam. que ilumina a última noite festiva.

Estes sempre foram um lugar privilegiado para se conversar e trocar ideias com amigos e colegas. vamos acompanhar a visita do João e da Ana a um cibercafé. os cafés. não me pareceu nada caro. Neste programa. Deve ser suficiente para vermos os nossos e-mails. o que é que eles te disseram sobre a Internet? João:– Bom. __________________________________________________________ Ana: – João. Não te esqueças de que temos de procurar informações sobre a Madeira e os Açores. não achas? Ana:–Acho pouco tempo. mais barato fica. Já me tinha esquecido disso. sugerindo desde logo a possibilidade de se ter acesso à Internet.PROGRAMA 16 PORTUGAL. A comunicação alargou-se de tal modo que hoje é possível comunicar em tempo real com pessoas em qualquer parte do Mundo. enquanto se bebe um café ou se saboreia um capucino. por exemplo. Ana: – É o normal. João: – Que cabeça a minha!Tens toda a razão. UMA SOCIEDADE MODERNA A Internet revolucionou os espaços de convívio como. Estes espaços passaram a designar-se cibercafés. Quanto mais usarmos. 1 . Têm frequentemente no seu nome palavras relacionadas com o mundo cibernético. Como é que vamos fazer então? João: – Eu sugiro que comecemos com meia-hora.

mesmo assim. E. Para mim. não conheces? Ana:– Sim. postais só no Natal. Achas que podemos pedir ao António para imprimir umas folhas? João:– Sim. tu já conheces a Madeira. Quanto mais olho para este aqui com o castelo. podemos sempre pagar mais meia-hora.João... Os dois são bonitos.. Tenho a certeza que ele não se importa. fui lá uma vez. Quase já nem me lembro de nada.. só preciso de escrever mais estes dois postais.Ana:– Que tal começarmos com uma hora para cada um de nós? Depois. diz-me lá. João: – Mas. SMS ou MMS. Então. diz-me lá. João.. Ana:– Excelente! Estou mesmo a precisar duma bica! **** Ana:– João. Jorge ou este com várias vistas de Lisboa? Ana:– Sei lá.. Mas. envio mensagens. João:– É claro que eu também prefiro escrever e-mails! Aliás. O castelo é tão bonito! João:– Obrigado. vou enviar-lhes este. Ana:– E. já terminaste de escrever os teus postais? João:– Estou quase a terminar. mais gosto dele.. Vão adorar! Ana:– Olha o que eu encontrei aqui sobre a Madeira. João:– Olha. deixa-me ver melhor. quanto menos se escreve postais ou cartas. uso bastante o correio electrónico. Que mania! João:– Olha quem fala! 2 .. mas quando não há outro remédio. disseram-me ainda que se usarmos uma hora ou mais. há muitos anos. se precisarmos de mais tempo. claro. o que é que tu tanto precisas de imprimir? Ana:– Não sejas curioso. Ana. Ana:– Não sei como ainda tens paciência para escrever postais.. Mas. temos direito a um café.. não é verdade? João: – Ana. Era eu ainda uma criança.. qual é o postal que devo enviar aos meus avós? Este aqui do castelo de S. Sempre que posso.. menos se gosta de escrever.

se não hoje não saímos daqui. Toma lá a pendisk! E depois. João:– Como é que adivinhaste? Ana:– Já te conheço há muito tempo. Adivinha lá quem é. Talvez sim. João:– Bom. vamos dar mais um passeio por Lisboa. mais gostas de mim. Ah! Já calculo quem seja.Obrigado. Ana. Por isso. Ana. Não sejas assim.. não é verdade? . Tu trouxeste uma pendisk! Não há dúvida que as mulheres pensam sempre em tudo! Será que te posso pedir um favor. 3 . Mas. não achas? Ana:– Que descarado me saíste tu! Queres usar a minha pendisk. os amigos são para as ocasiões. Ana:– Logo que terminares. Afinal.. confessa-te.claro Ana:– Tu não desistes. És mesmo teimoso! João:– Ana.Ana:– É que eu gravei numa pendisk as informações sobre a Madeira que encontrei na net. por razões sentimentais. Ana:– Não faço ideia nenhuma. claro.... deixa-me ver o que encontrares sobre os Açores. despacha-te lá.. João: – Sim. Ana. que gostava muito de ir lá . É só mais um minutinho! Que lindo! Ana. estou quase pronto. Eu compreendo. Ana:– Tens cá uma lata! Deixa-te de conversas e toca a despachar. talvez não. claro.e para não falar da minha companhia.. João:–Vá lá.. Ana:– Não é o que estás a insinuar. João:– Razões sentimentais? Vá lá .. Mas desta vez tenho de ir à Madeira . está bem.é que os meus avós maternos eram de lá.. não queres vir comigo aos Açores? Ana:– Claro. João:– E quanto mais me conheces. Ana.. João: – Não acredito. olha que os Açores são deslumbrantes. Ana? Ana:– Hum! Deixa-me pensar. João:– Mas. alguém que tu conheces bem manda-te saudades..

**** Ana:– Se nos sobrar tempo. João:– Olha. Ana. E tu. podemos ainda fazer chat com aqueles nossos amigos que estão sempre on-line! João:– Estão sempre em linha. Mas ainda me faltam as informações sobre os preços dos bilhetes de avião. encontrei. podemos sempre pagar mais meia-hora. queres tu dizer! __________________________________________________________ Neste programa vamos abordar o Futuro do Conjuntivo em construções hipotéticas. Ana:– Se nos sobrar tempo. se precisarmos de mais tempo. Ana. João:– Boa ideia. Vamos começar por rever duas sequências do diálogo passado no Cibercafé em que as personagens usam o Futuro do Conjuntivo. Ana. temos direito a um café. encontraste muita coisa sobre a Madeira no tal site? Ana:– Sim. Será que também me podias ver os preços para os Açores? Ana:– Claro. Ana. disseram-me ainda que se usarmos uma hora ou mais. João: – Obrigado. Ana:– Que tal começarmos com uma hora para cada um de nós? Depois. as construções que traduzem proporcionalidade e ainda algumas expressões do português. podemos ainda fazer chat com aqueles nossos amigos que estão sempre on-line! João:– Estão sempre em linha.João:– Agora vou então procurar as informações sobre os Açores. João.. queres tu dizer! 4 .

” Na frase principal ou subordinante destas frases.. podemos sempre pagar mais meia-hora. (3) “.... em 2...(2) “.” 3.se precisarmos de mais tempo.. vejamos: (1) “.se precisarmos de mais tempo. São frases que apresentam um maior ou menor grau de incerteza ou de probabilidade...podemos fazer chat com aqueles nossos amigos. CONSTRUÇÕES HIPOTÉTICAS FUTURO DO CONJUNTIVO 1. o tempo verbal usado neste tipo de construções é o Futuro do Conjuntivo. FUTURO DO CONJUNTIVO E CONSTRUÇÕES HIPOTÉTICAS Observemos agora algumas frases do diálogo.podemos sempre pagar mais meiahora... podemos ainda fazer chat com aqueles nossos amigos que estão sempre on-line!” As frases 1. “.. 2 e 3 são construções hipotéticas... como em 1.”. De um modo geral.” ou em 3. Ora. “.1.” 2..” 5 .”.. “..temos direito a um café”.se usarmos uma hora ou mais. “Se nos sobrar tempo. “...... temos o Presente do Indicativo.se usarmos uma hora ou mais.. temos direito a um café.. “Se nos sobrar tempo..

menos se gosta de escrever.. (tanto) menos 6 .” Estas frases proporcionais são introduzidas por conectores correlativos. mais gostas de mim..2. (tanto) mais Quanto menos... CONSTRUÇÕES QUE TRADUZEM PROPORCIONALIDADE Comecemos por rever uma sequência do diálogo em que as personagens usam um tipo de construção que traduz proporcionalidade. Os conectores correlativos exprimem quantificação ou grau de intensidade. Observemos o quadro-resumo: CONECTORES CORRELATIVOS Quanto mais.” (3)“Quanto mais olho para este aqui com o castelo... (1)“Quanto mais usarmos.. mais gosto dele. mais barato fica..” (4) “E quanto mais me conheces.” (2)“Quanto menos se escreve postais ou cartas.

És mesmo teimoso! Vejamos agora o quadro-síntese: ACTOS DE FALA IRRITAÇÃO: “Que mania!” CENSURA: “És mesmo teimoso.” 4. EXPRESSÕES DO PORTUGUÊS As expressões que destacamos no diálogo e que passamos a explicar são: 1. “Os amigos são para as ocasiões “ significa que se deve pedir ajuda aos amigos quando se precisa.3. 7 . destacamos a expressão da irritação na seguinte sequência: Ana:– Não sejas curioso. ACTOS DE FALA Quanto aos actos de fala. Que mania! E a expressão da censura neste excerto: Ana:– Tu não desistes. João.

E tudo isto enquanto se come ou bebe alguma coisa. a expressão “tens cá uma lata” significa que se tem descaramento ou se mostra atrevimento. mas ainda eram poucos os que tinham acesso à Internet de Banda Larga. Estes dados têm vindo a sofrer alterações positivas nos últimos anos devido aos incentivos proporcionados à população. enviam-se mensagens de correio electrónico. Mas este género de estabelecimentos tem vindo a crescer de tal modo que é possível. _______________________________________________________________ Em Portugal. Na segunda frase. Num estudo realizado em 2004 concluía-se que 54% da população portuguesa usava computador e cerca de metade da população afirmava ter computador em casa. na 8 . compra-se material informático. Hoje apresentamo-vos alguns aspectos de modernidade da sociedade portuguesa. na cultura. esta frase foi dita com ironia. Sugerimos que fiquem ainda connosco para conhecerem melhor Portugal. Neles. fazem-se chats. Na primeira frase “os amigos são para as ocasiões” significa que devemos pedir ajuda aos amigos quando precisamos. o primeiro cibercafé terá aparecido no ano de 1995 em Lisboa. imprimem-se páginas de um documento.2. hoje em dia. encontrá-los em pequenas cidades ou vilas pelo país. “Tens cá uma lata. enquanto 31% dos inquiridos afirmava ter conexão à Internet em casa. O mesmo estudo indicava que 43% dos portugueses utilizava a Internet.” significa ter descaramento ou atrevimento. vídeoconferências ou telefona-se usando voz IP. No diálogo. alugam-se computadores à hora. A Sociedade da Informação e da Comunicação criou nos cidadãos portugueses novas expectativas em vários domínios como na educação.

como as portagens. que faz a gestão de sistemas electrónicos de cobrança de serviços. com capacidade criativa. No domínio da Educação. empresa constituída em 2000. desde Janeiro de 2006. ligadas à Internet em Banda Larga. Portugal não foi excepção neste domínio. Trata-se de um modelo de aprendizagem muito inovador e que utiliza as mais modernas Tecnologias da Informação e da Comunicação. alargou o pagamento a postos de combustíveis e a parques de estacionamento. competitivas e com projectos arrojados. Nos últimos anos. A explosão da Internet veio permitir a divulgação do conhecimento e da informação de forma rápida. havendo mais telemóveis que habitantes. Surgiram empresas inovadoras. Nos telemóveis. concebidos por pessoas especializadas e recorrendo à integração de recursos multimédia. no entretenimento e nos serviços. De entre os vários serviços. destaca-se o acesso móvel à Internet através de tecnologias de 3ª geração. Salientamos ainda o projecto denominado Escola Virtual que se baseia nas tecnologias da Informação e da Comunicação.economia. A taxa de adesão é superior aos 100%. É o caso da Via Verde Portugal. Pretende-se com esta medida promover o uso das novas tecnologias na Educação e esbater assim as assimetrias regionais. permitindo-lhes assim competir num mundo cada vez mais globalizado. no sentido de tentarem fidelizar os seus clientes. não pode deixar de referir-se que as escolas públicas portuguesas estão. O desenvolvimento das novas tecnologias permitiu também modernizar as empresas existentes e criar outras. A cobrança destes serviços faz-se através de um identificador colocado no veículo e o equipamento colocado na via ou em qualquer outro local. Por isso. Portugal também foi bastante receptivo. as operadoras têm vindo a diversificar a oferta de serviços. Este projecto apresenta na Internet todos os conteúdos programáticos das várias disciplinas. A introdução do cartão electrónico em algumas escolas portuguesas surge no seguimento de um esforço para modernizar a escola e melhorar a qualidade de vida 9 .

Portugal ocupa um lugar de relevo. A maioria das empresas ligadas a esta área localiza-se na zona da Marinha Grande. o dinheiro vivo deixa de existir na escola e todos os pagamentos nos vários serviços. a nível mundial. mas a sua produção é reconhecida pela enorme precisão e excelente relação qualidade/preço. Para além disso. São na generalidade pequenas e médias empresas. Os produtos produzidos têm-se conseguido impor no mercado internacional pela sua qualidade. Terá de continuar a fazê-lo com determinação. se quiser competir com os outros países da União Europeia e do Mundo. o cartão permite um maior controlo do encarregado de educação em relação ao seu educando.de todos os seus participantes. produtos de limpeza e óleos lubrificantes. investindo em alta tecnologia e apostando na especialização dos seus empregados. autorizando ou não a saída deste do recinto escolar e conhecendo ainda rapidamente as suas faltas e notas. electrónica. Este introduz também uma maior celeridade no acesso aos serviços. utilidade e originalidade no design. leite. como a papelaria e o refeitório. de embalagem e de electrodomésticos. audácia e muita criatividade. Portugal tem-se destacado também na produção de embalagens de plástico para as maiores empresas do mundo nas áreas da alimentação. água. Assim. são feitos através do cartão. PME’s. deixando de existir filas. Produzem geralmente os moldes para as Indústrias automóvel. da limpeza e da indústria automóvel. Portugal tem-se modernizado muito nestas últimas décadas. Produzem-se assim milhões de embalagens em plástico para guardar produtos tão variados como margarinas. Na Indústria de Moldes para Plásticos. O cartão pode também ser usado na biblioteca ou na sala de computadores. iogurtes. Esta indústria tem sabido acompanhar a modernização dos tempos. 10 .

porque lá podia andar pelas levadas no meio de vistas deslumbrantes e penhascos. Descoberto e colonizado nos princípios do séc.. com picos montanhosos.PROGRAMA 17 MADEIRA As regiões Autónomas dos Arquipélagos dos Açores e da Madeira são dois destinos com características bem diferentes para quem quer conhecer o outro lado de Portugal: o Portugal insular. florestas e muito casario disperso pelas encostas. decidiram separar-se. cada um foi em busca do que mais atractivo sentia para si. A Ana e o João queriam conhecer estas duas realidades mas como não tinham muito tempo.. Reencontraram-se em Lisboa. o céu e o mar. João! Não podes imaginar a beleza daquelas paisagens. foi à Madeira. além de outros ilhéus. É ainda mais bonito do que eu supunha!. Ana: – Tive tanta pena que não tivesses ido comigo. entre a serra.. depois destas suas experiências. A Ana. O Arquipélago da Madeira fica a cerca de mil quilómetros a sul de Portugal continental e a 600 km do continente africano e é formado pelas ilhas da Madeira e do Porto Santo. Neste programa a Ana contou ao João as suas impressões de viagem.. 1 . surpreende pela beleza contrastada das suas principais ilhas: a extensa praia de areia branca de Porto Santo e a diversidade geológica da Ilha da Madeira.. assim. XV.. que gosta tanto de andar e sentir a natureza atravessando paisagens intensas.

. Olha! Imagina uma folha de papel muito amarrotada. É muito bonito. não? Deve haver muitas lagoas. vai pelas estradas mais estreitas que sobem e descem os montes e leva mais tempo... é muito mais fácil do que há 10 anos atrás.... Agora imagina estradas que serpenteiam por essas montanhas e muitas casinhas espalhadas e nos sítios mais incríveis... que fica no lado norte... mas agora anda-se muito bem.. Como é uma Ilha... vai pelas vias rápidas. Miguel. e as levadas. mais largas.. as fajãs... quem quer passear e ver a paisagem. não é? João: – Exactamente. Ana: – Não. Quando visitei os Açores com os meus pais. É claro que. muitos regatos... ainda não há muitos anos demorava-se mais de duas horas para se ir do Funchal a S. Ultimamente têm aberto tantos túneis.. João: – Então de que é que gostaste mais? 2 ..... Há imensa vegetação. As que existem são muito pequenas porque a ilha é mesmo muito montanhosa.... é a ilha. ou existem muito poucas.. É lindo!... Eu lembro-me bem... João: – Que diferença!!! É muito bom! Ana: – É óptimo para as pessoas. não? Ana: – Lá isso é verdade. Ana: ..... agora levase pouco mais de meia hora.. põe-na em cima de água. com muitos túneis. João: – A sério? Ana: – É impressionante! Por exemplo.. eu acho que imagino. muitas vistas calmas para o mar. têm construído tantas estradas novas e viadutos que se torna muito fácil atravessar a ilha..João: – Bem. João! Nada disso! A Madeira não tem nada a ver com os Açores.. que é onde se cultiva muita coisa. com montanhas e picos muito altos. deve ser parecida com S. e quase sem curvas. João: – Então as estradas devem ter muitas curvas.. muita água.... Mas quem precisa de se deslocar rapidamente de um lado para o outro. Vicente.Mas na Madeira praticamente não existem fajãs. vi zonas planas por entre os montes. e vales muito fundos.

João: – Sei... não faz frio. É uma cidade muito agradável. E a capital? Ana: ... Foi muito engraçado.... Deve haver uma razão qualquer! Não me lembrei de perguntar a ninguém. O clima é sempre ameno. depois chegavam a um largo e começavam a dançar. é uma delícia... João: – Estou a ver. Não faço ideia nenhuma por que razão é que eles dançam semi-dobrados. mas depois há sempre uma poncha e uma espetada à nossa espera..Ana: – Olha que é difícil de dizer..... nem bicicletas. e em grande número das levadas é mesmo preciso ter cuidado! É preciso ver bem onde se põe o pé. Há quem faça estes caminhos todos. e não perguntaste a ninguém? Como pode ser possível? Eu nem acredito.. É óbvio que adorei os caminhos ao longo das levadas! Têm paisagens de cortar a respiração! Alguns são mesmo difíceis de percorrer porque são muito estreitos e à beira de precipícios.. Lá não cabem carros ..... É curioso. João: – O quê?! Tu falas pelos cotovelos. Já vi em várias revistas. Ana: – Eu quase só falei com outros turistas. A paisagem é fantástica: há sempre o verde da vegetação e o azul forte do mar.. João: – A pé??? Ana: – Claro. com o mar lá muito em baixo..O Funchal tem imenso movimento..... Anda-se muito.. Ana: – E devias ter visto o Bailinho da Madeira....... para retemperar forças! João: – Poncha? Ana: – Ah! É uma bebida muito popular feita com aguardente de cana. Elas têm umas saias com riscas verticais muito coloridas.. Ah! E no Domingo havia bandas de música a tocar em vários pontos da cidade! João: – A sério? Ana: – É verdade! E ranchos folclóricos também! Iam andando pela rua.... E acho que falei muito pouco! 3 . À noite é tão bom passear junto ao mar!. mel e limão.

) À noite é tão bom passear junto ao mar!. Mesmo agora a falar contigo. por exemplo. Não faz frio... Vamos observar neste programa algumas formas de construção da concordância em frases negativas. apesar de tudo o que já te disse. ainda não te consegui contar nada da viagem....) Não podes imaginar a beleza daquelas paisagens. “não”. Ana: – (:. nada. é colocado antes do verbo que nega.. ou seja. Ana: – (.. a expressão de modalidade com o verbo “dever” e o valor de algumas expressões de passado. A Ana gostou bastante de tudo o que viu na Ilha da Madeira e contou ao João alguns dos momentos da sua viagem. Ana: – (... em posição anterior ao constituinte negado. Esses quantificadores negativos podem ser. Acho mesmo que tenho de lá voltar porque ficou muita coisa por ver.. 4 . Este marcador de negação.) não faço ideia .. EXPRESSAR NEGAÇÃO Em português as frases negativas são normalmente introduzidas pelo marcador de negação “não”. 1.João: – Deixa-me rir! Tu achas que falas pouco?!!! Ana: – É verdade. É também possível usar simultaneamente o marcador “não” e quantificadores negativos na mesma frase.

João! Nada disso! (.Ana: – Não. Trata-se de mais uma forma de modalidade em português. recorrendo ao marcador de negação Não e a um quantificador negativo: nenhuma: “Não faço ideia nenhuma”.) É curioso.. Dizer “não é nada disso” significa dizer “é o contrário disso”.. O locutor poderia ter dito apenas “Não é isso”. No entanto. em certas frases.. a presença de mais de um constituinte negativo. 2. O locutor poderia ter dito apenas “Não faço ideia”. “é o oposto disso”. nada. O português permite.) A frase “nada disso” é equivalente a “não é nada disso”. DEVER + INFINITIVO Neste diálogo. à semelhança 5 . Em vez disso. prefere enfatizar aquilo que diz:” Não é nada disso”.. Observemos outro exemplo semelhante do diálogo: Ana: – (. Não faço ideia nenhuma por que razão é que eles dançam semi-dobrados...nenhuma. Nada disso! = Não é nada disso! Trata-se de um processo de intensificação da negativa que tem como objectivo explicitar a intenção do locutor em relação àquilo que é referido.. opta mais uma vez por enfatizar o que diz. ocorrem várias frases construídas com o verbo dever + Infinitivo. como é caso das frases que vimos: Não.. Não.

.) Como é uma Ilha. não? provavelmente têm . muitas vistas para o mar. Vejamos os exemplos do diálogo: João: – (. não? é provável que seja parecida com os Açores.. um dos seus significados está associado a “probabilidade” e à manifestação de um certo grau de incerteza.. 6 . é provável que haja muitas lagoas devem ter muitas curvas... muitas curvas. não? deve haver muitas lagoas provavelmente há muitas lagoas. não? provavelmente é .. de igual significado: deve ser parecida com os Açores. São frases que explicitam uma ideia de probabilidade e podem ser substituídas por outras estruturas. No caso concreto do verbo dever + infinitivo.. não? Deve haver muitas lagoas. baseando-se naquilo que conhece dos Açores... não? é provável que tenham muitas curvas. não? Todos estes exemplos revelam expectativas do João. Como vimos em programas anteriores. deve ser parecida com os Açores.do que acontece com poder + infinitivo. João: – Então as estradas devem ter muitas curvas. não? A mesma ideia está contida nesta frase da Ana “Deve haver uma razão qualquer”. Ele refere-se a uma realidade que não conhece.. poder + infinitivo tem o valor de “possibilidade”. parecida com os Açores. à Madeira. ou seja.

tem a frase: “devias ter visto o Bailinho da Madeira”. a construção dever + Infinitivo pode ter ainda um outro significado. ou melhor. bem diferente de probabilidade. Mas um outro sentido. Poder-se-ia mesmo dizer que equivale a “É pena que não tenhas visto o Bailinho da Madeira .. por exemplo.Ana: – (. o caso de: O senhor deve apanhar um táxi para chegar ao aeroporto. Ana: – E devias ter visto o Bailinho da Madeira. de envolver o João numa situação que este não conhece..Embora não se verifique no diálogo. Nesses casos é normalmente substituído por ter de. Está relacionado com “necessidade” e com “obrigatoriedade”.) Deve haver uma razão qualquer! Ela considera que “provavelmente” há uma razão qualquer para eles dançarem semi-dobrados..” . Será.. Ele teve de apanhar um táxi para chegar ao aeroporto 7 . Aqui está contida a ideia de sugerir. [necessidade] Ele deve obedecer imediatamente à ordem da polícia [obrigatoriedade] Ainda uma particularidade deste verbo modal dever: não é usado no Pretérito Perfeito do Indicativo e raramente surge no Futuro do Conjuntivo.

que o distinguem de muitas outras línguas. Este tempo pode conter também uma leitura de iteratividade. isto é. Ele acha que a Ana é muito faladora. exemplos retirados do diálogo: Vejamos estes Ana: – (. A Ana quis efectivamente explicar ao João que a abertura de novos túneis e a construção de novas estradas são actividades que começaram há um tempo não especificado e continuam a decorrer. não só quanto ao seu início como também quanto ao seu termo. de algo que se inicia no passado mas que perdura até ao presente. apresenta características particulares em português. de repetição ao longo do tempo. EXPRESSÃO DE TEMPO PASSADO PRÓXIMO: O PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO O Pretérito Perfeito Composto é formado pelo auxiliar ter no presente do Indicativo e o Particípio Passado de outro verbo. 4. Esta leitura pode ser apoiada pela presença de advérbios ou de expressões adverbiais. isto é.3. De facto.. de repetição. Como tempo gramatical. A presença do advérbio “ultimamente” reforça a marcação de um tempo indeterminado bastanto vago..) Ultimamente têm aberto tantos túneis. EXPRESSÃO “FALAR PELOS COTOVELOS” Uma breve nota para alertar para uma expressão usada pelo João. têm construído tantas estradas novas e viadutos que se torna muito fácil atravessar a ilha. podendo ainda prolongar-se no futuro. até ao tempo em que se fala. este tempo marca um aspecto iterativo. por isso diz: 8 . e também de duração.

uns podem ser visitados por amadores. XVI. a Ilha da Madeira é quase inteiramente aproveitada para produção agrícola. Os caminhos de manutenção dos canais formam passeios pedestres de indiscutível beleza um pouco por toda a ilha e não têm qualquer acesso por estrada.. ao longo do tempo foram sendo escavados socalcos. As levadas designam-se assim porque “levam” a água do Norte da Ilha para outras zonas do sul onde ela é mais escassa. Vamos agora passear um pouco pela Ilha da Madeira e fazer o reconhecimento do ambiente que a Ana viveu e quis descrever ao João.. Uns são mais longos. Para isso. 9 . mas todos eles possuem a magia do contacto directo com a natueza. No total. É usada num registo de língua familiar. Apesar de ser muito montanhosa. com espaços próprios onde se podem grelhar as tradicionais espetadas. outros só por caminhantes treinados porque passam por caminhos íngremes e desafiam o equilíbrio. que criam espaços planos pelos montes para o cultivo de produtos agrícolas. esses canais correspondem a mais de 2000 km e alguns datam dos pricípios do séc.João: – O quê?! Tu falas pelos cotovelos. formado por inúmeros canais – as levadas. e foi desenvolvido um sistema de irrigação.... Por todos os cantos e no meio das luxuriantes florestas existem locais próprios para as famílias se reunirem em alegres piqueniques. outros mostram cascatas que se precipitam em vales profundos. outros mais curtos.. e não perguntaste a ninguém? “Falar pelos cotovelos” é uma expressão muito frequente para caracterizar pessoas que falam muito e com grande desembaraço.

a Sé. acabada de construir em 1514. Lá no alto. Entre elas. O Mercado dos Lavradores é um cartão de visita da Madeira. Os jovens dançam curvados. uma espécie de trenó feito em verga com deslizantes de madeira.. entre muitas outras. A Ilha oferece enorme variedade de flores exóticas. de ruelas estreitas. fica o coração da cidade. frutas e também.. e a zona turística. Muito perto do Funchal há uma pitoresca vila de pescadores que preserva no nome a existência de antigas colónias de lobos marinhos: é Câmara de Lobos.A cidade do Funchal. É um transporte típico usado apenas no Monte que data de 1850 e é. um cálice de um dos deliciosos tipos de vinho da Madeira ajuda a recuperar o fôlego. no qual. a leste. um dos centros mais importantes de pesca do peixe-espada. Entre a Cidade Velha. sem dúvida. é um dos símbolos mais representativos. Este peixe é mais uma das especialidades da Madeira. É pescado à linha e vive a cerca de 800 metros de 10 .. muitas flores. o seu tão característico Bailinho da Madeira. as orquídeas e as estrelícias que são o ex-libris da Madeira. desde produtos agrícolas e peixe. de grandes hotéis. recordando os tempos em que os escravos dançavam assim por não poderem erguer os olhos para ver os seus patrões. é um enorme anfiteatro que se espraia pelos montes circundantes da baía. a capela da Senhora do Monte domina a paisagem. Ali é possível encontrar um pouco de tudo o que é produzido na Ilha. Aos domingos. a alegria é tónica da cidade.. empurrado por dois condutores que o guiam. com o seu importante centro histórico. Grupos folclóricos animam a baixa do Funchal cantando e dançando. uma forma bastante original de descer. Depois. É possível subir no teleférico e descer no tobogã.. Esta tem a forma de um porto natural onde os barcos dos pescadores convivem com barcos de recreio na marina e com os cruzeiros transatlânticos no cais. a capital. a oeste. travando com as suas próprias botas. flores.. até objectos em verga.

e. mostra-se muito diversificado: é fácil visitar as piscinas naturais de Porto Moniz no extremo oriental. agora muito acessível graças à rede viária com túneis. subir à simpática aldeia de Santana a 400 metros de altitude para ver as originais casas.. passar pela Camacha para ver o artesanaoto e ir até às falésias de S. não há restaurante que não o tenha na ementa.profundidade.. passar por baixo da gigantesca pista de aterragem do aeroporto de Santa Cruz. subir aos cumes do Pico do Arieiro.. que torna mais prática a travessia dos montes. descobrir o miradouro da Eira do Cerrado e descer àquila vila perdida lá em baixo no fundo dos montes que dá pelo nome de Curral das Freiras. Frito ou grelhado. O resto da Ilha... com ou sem banana. Lourenço no extremo mais ocidental. de regresso ao Funchal pelo Machico. descer à enseada mimosa de Porto da Cruz. 11 .

As nove ilhas açoreanas ficam a cerca de 1 400 quilómetros a oeste de Lisboa e espalham-se pelo Atlântico norte ao longo de 650 Km. Miguel e ficou com pena de não ter tempo para visitar as outras ilhas. com as Ilhas de Santa Maria e São Miguel.. o grupo central. Graciosa. onde se situa a capital Ponta Delgada. com as duas pequenas e mais isoladas ilhas: Flores e Corvo. depois destas suas experiências. São Jorge.... com as ilhas Terceira. não? Gostaste? João: – Vim apaixonado! 1 . e contou-lhe as suas impressões de viagem. não encontro muitas semelhanças. Estas ilhas têm vulcanismo activo porque estão isoladas na linha Dorsal Média Atlântica. João: – A minha viagem foi mesmo muito diferente da tua.PROGRAMA 18 AÇORES A região Autónoma do Arquipélago dos Açores é um destino cheio de magia para quem quer conhecer um pouco mais de Portugal. e o grupo ocidental. Ana: – Mas também deves ter muita coisa para contar sobre S. reunidas em três grupos: o grupo oriental. Pelo que contas da Madeira. O João.. foi à Ilha de S.veio deslumbrado! Reencontrou-se com a Ana em Lisboa.. Pico e Faial. Miguel.. uma das linhas de afastamento das placas da crosta terrestre. que prefere ambientes tranquilos mas que ao mesmo tempo tem um fraquinho por vulcões.

ninguém nota... Houve quem se assustasse!. turistas. não há muitos. com muito movimento. Acho que deve haver alguns... E pelo que me disseram. não! Aliás... é que em S. Apesar de a última erupção ter sido em 1630. mas como são pequeninos. telúrica.. por exemplo.... O Porto Santo talvez seja mais calmo! João: – Pois. há muitas 2 .. sim... há várias fontes de água quente e.. junto da Lagoa das Furnas.... em S. deve ter sido medonho. Acho que foi em 1998... Mas mais famoso do que esse tremor de terra foi a erupção dos Capelinhos em 1957 na Ilha do Faial. as açoreanas?! João: – Ó Ana! Não é nada disso! Pelo que me disseste.não? Eu lembro-me de ter ouvido falar num tremor de terra há poucos anos. João: – Talvez seja isso! Em Ponta Delgada. Sente-se. Cheira a tranquilidade por todos os cantos. Tanta paz deve ser para compensar a actividade vulcânica.. A Madeira é uma ilha com muita gente! O Funchal está completamente cheio de turistas. não foi? João: – Foi... e com salpicos pretos e brancos..Ana: – São bonitas... Pronto! Ana: – Acho que te entendo.. são as vacas a pastar!!! Ana: – Mas que bucólico... com muitas hortênsias azuis a separar terrenos e estradas. Miguel sente-se uma tranquilidade enorme.. é difícil de descrever. mas pelas fotografias que vi. não? João: – Não.. muito activa. Mas foi no mar.. predomina o verde.... é mesmo uma característica de todo o Arquipélago açoreano: em terra. digamos assim.. 2000... Eu não fui lá. Ana: – Mas quem é que não se assusta com um tremor de terra?... No entanto. Miguel há alguns sítios onde se sente mesmo aquela força natural. a cidade é como se fosse o reflexo de toda a Ilha.. As pessoas lá devem sentir muitos tremores de terra....... a Madeira deve ser uma Ilha com muita gente. Ana: – A Ilha da Madeira. muito perto da Ilha Terceira..

Ana: – Deve ser saboroso. mas talvez fosse um bocadinho cansativo. que mais é que viste? João: – As paisagens!... Para lá ia vazio.. Eles chamam-lhes caldeiras e fazem lá um cozido sensacional........ como os olhos da princesa e do pastor.. Ana: – Uau! Deve ser giro! João: – É fabuloso! Infelizmente passei por lá já tarde e fiquei pouco tempo. podia! Era só um quilómetro.fumarolas e cheira imenso a enxofre. São todas deslumbrantes. mais ou menos a um quilómetro.. Lá poder.. gostaste mesmo! João: – Adorei! Tenho de voltar lá com mais tempo. há um ilhéu que é o que resta de uma cratera antiga e que forma a baía mais deliciosa que alguma vez vi! É praticamente circular. Comi muito.. com uma metade verde. Quando vinha das Furnas.... quando se abre aquela panela.. no chão.. porque apanhei o último barco! Era o último do dia. Hum. Ana: – O quê? Tu sentes-te bem? 3 ... No mar.. passei por Vila Franca do Campo... Ana: – Bom! Pelos vistos..... Com a ajuda de uma corda. É tudo metido numa panela grande. As Lagoas são lindas! A Lagoa do Fogo tem uma cor verde esmeralda.. Ana: – Podias ter vindo a nado. tem cerca de 150 metros de diâmetro.. é tapado e depois põem a panela dentro dum saco. uma cidade muito bonita. Ao fim de umas cinco ou seis horas.. que cheirinho! Ana: – Já te estou a ver deliciado com o cozido! Ou não fosses tu o comilão-mor! João: – Podes crer. mesmo em frente... E depois.. mas era também o último para voltar. mas uma vez não são vezes. E soube tão bem!.. Imagina tu! É um cozido único! Ana: – Cozido? Cozido de quê? João: – . João: – A nado?! Bom. E vinha completamente cheio! Nem imaginas.. Não tenho palavras para descrever. de hortaliças e vários tipos de carnes e enchidos. colocam-na num buraco.... é inacreditável! Ah! E aquela lagoa das Sete Cidades.... outra metade azul.

Diz a lenda que uma princesa. ele descreve essa experiência e usa algumas construções linguísticas que podemos observar mais atentamente. 1. ou seja. No entanto.. subentendido. Isto é possível. O sujeito está.João: – Ah! Pois. Seleccionámos para hoje uma reflexão sobre formas de indeterminação e uma breve análise sobre o uso e omissão do artigo definido com nomes geográficos. há várias formas de tornar o sujeito indeterminado. porque o português é uma língua de sujeito nulo. O João veio encantado com a sua visita à Ilha de S. na primeira pessoa do singular – vim – indica-nos que o sujeito da frase é o pronome eu. tomemos a frase proferida pelo João: . Miguel..Vim apaixonado! O verbo.. Casos há em que o sujeito pode ser indeterminado. Tu não sabes a lenda daquela lagoa. não tem uma referência definida.. no Arquipélago dos Açores. Em português. Por exemplo.. INDETERMINAÇÃO DE SUJEITO Sabemos que em português é frequente construir frases sem explicitar o sujeito. Vamos olhar para alguns dos exemplos do texto: 4 .. neste caso. Na sua conversa com a Ana. em português nem sempre há um sujeito com referência definida. como no exemplo apresentado. já que o podemos reconstituir pela própria flexão do verbo.

é que em S. João: – ..... é mesmo uma característica de todo o Arquipélago açoreano. Cheira a tranquilidade por todos os cantos. Uma recorre à terceira pessoa do singular do verbo.João: – Pois... a cidade é como se fosse o reflexo de toda a Ilha. é tapado e depois põem a panela dentro dum saco. quando se abre a outra usa o verbo na terceira pessoa do plural. turistas.. não há muitos. não! Aliás.. como nos exemplos: 5 .... de hortaliças e vários tipos de carnes e enchidos.. É tudo metido numa panela grande. É o caso de: SUJEITO INDETERMINADO: SE sítios onde se sente.. Ao fim de umas cinco ou seis horas. Hum. Miguel sente-se uma tranquilidade enorme. Sente-se. Com a ajuda de uma corda....... que cheirinho! Constatamos que existem aqui duas formas diferentes de exprimir o sujeito indeterminado. é difícil de descrever.. quando se abre aquela panela... Pronto! João: – Talvez seja isso! Em Ponta Delgada. E pelo que me disseram.. colocam-na num buraco. no chão. acompanhada do pronome se....

2000. Vejamos: João: – A minha viagem foi mesmo muito diferente da tua. Pelo que contas da Madeira. não encontro muitas semelhanças.SUJEITO INDETERMINADO: 3ª PESSOA PLURAL pelo que me disseram depois põem a panela colocam-na num buraco 2.. Mas foi no mar. *** João: – Foi... Acho que foi em 1998. USO E OMISSÃO DO ARTIGO COM NOMES GEOGRÁFICOS Uma outra questão interessante em português prende-se com o uso e com a omissão do artigo definido junto de nomes geográficos e de topónimos. Mas mais famoso do que esse tremor de terra foi a erupção dos Capelinhos em 1957 na Ilha do Faial. Encontramos alguns exemplos no diálogo que ouvimos há pouco... junto de nomes de localidades... muito perto da (Ilha) Terceira. 6 .. Os artigos definidos têm a função de determinar (ou apresentar) o nome que os segue... ou seja..

.. é inacreditável! Ah! E aquela lagoa das Sete Cidades com uma metade verde. os Açores ).. . os Estados Unidos) e de ilhas (as Honduras. . o Brasil. É o que acontece com a maioria dos nomes geográficos. o Pacífico. O artigo está normalmente presente no caso concreto de nomes de países. o Mississípi É também o que acontece com a maioria dos nomes de países (o Brasil. os Açores. de mares ( o Mediterrâneo. a Madeira. de regiões.) As Lagoas são lindas! A Lagoa do Fogo tem uma cor verde esmeralda. o Amazonas. a Àfrica do Sul. de mares e de arquipélagos. cada nome (ou substantivo) é precedido do artigo que o apresenta no discurso.. o Pacífico. os Estados Unidos. o Índico).. a Àfrica do Sul. 7 . etc. De acordo com a regra geral. a Madeira. o Índico.. de oceanos.. o Atlântico. o Mississipi).. o Mar Negro) e de rios (o Tejo. o Mediterrâneo. como por exemplo.. as Honduras. o Amazonas. o Tejo. de continentes. os nomes de oceanos ( o Atlântico.João: – (.

o artigo é.. Marrocos. Vila Franca do Campo. Estocolmo. Malta Com os nomes de localidades... Macau. há casos de países em que o artigo é omitido.. Cuba. omitido. Angola.) há várias fontes de água quente e. normalmente. É o que se verifica com países como: Portugal. Sidney. S. Timor. Goa. Vejamos os exemplos: Ana: – (:. João: – As paisagens!.. Lisboa..) O Funchal está completamente cheio de turistas..No entanto.. são todas deslumbrantes. Cabo Verde. quando os topónimos correspondem a um nome comum existente na língua. No entanto.... Los Angeles. E é o caso da grande maioria dos nomes de cidades: Ponta Delgada. junto da Lagoa das Furnas. Tóquio. Israel. verifica-se frequentemente a presença do artigo. João: – (. Luanda. Dakar. Quando vinha das Furnas. Moçambique. Tomé e Príncipe. há muitas fumarolas e cheira imenso a enxofre..) João: – (:. Madrid.. (. por exemplo. passei por Vila Franca do Campo.. uma cidade muito bonita. Paris. 8 .) Mas mais famoso do que esse tremor de terra foi a erupção dos Capelinhos em 1957 na Ilha do Faial.

As palavras “lagoa” ou “furnas” são palavras comuns do vocabulário quotidiano. Recordamos aqui mais alguns nomes de outras cidades que são usadas com o artigo. e Faial quer igualmente dizer um local onde havia muitas faias. 9 . a que se veio juntar o sufixo –al. Palavras como “Funchal” e “Faial” também são oriundas do vocabulário comum. Funchal significa um local onde havia grande concentração de funcho. nomes das plantas que nasciam espontaneamente no local onde surgiram as cidades que designam. a Guarda. Assim. Assim. Por exemplo: O Porto. normalmente os nomes de cidades só admitem a presença de artigo quando têm origem num nome comum. a Cidade Velha 3. uma planta herbácea de crescimento espontâneo. embora possam ter um sentido menos transparente. que quer dizer conjunto. EXPRESSÂO DO PORTUGUÊS Ao referir-se ao barco que liga Vila Franca do Campo ao Ilhéu. etc. Lagoa refere um pequeno lago e furnas são cavidades naturais existentes em rochas. sintetizando. ou colectivo de determinada planta. não cabia mais ninguém. vinha completamente cheio. plantas também de crescimento espontâneo. o Rio de Janeiro. É uma maneira informal de explicar que o barco trazia muita gente. “funchal” e “faial” formam-se respectivamente a partir de “funcho” e de “faia”. a Praia. árvore. o João disse que vinha ‘apinhado’ ou vinha ‘à pinha’.

a Lagoa das Sete Cidades. Miguel é a maior e também a mais povoada das ilhas do Arquipélago.Vir apinhado ou à pinha = vir muito cheio de gente E agora chegou o momento de irmos conhecer um pouco deste paraíso que o João visitou. as sulfaradas vulcânicas. Em dias de sol. Diferente. com 12 km de perímetro. As nove ilhas que constituem este arquipélago são conhecidas pelas paisagens vulcânicas. mas igualmente fascinante. O Vale das Furnas é um dos ex-libris da ilha. com água fervente e borbulhante com o seu característico cheiro a enxofre e o calor do próprio terreno. Nas suas margens. É uma enorme caldeira rodeada por flores e vegetação frondosa onde repousam as águas transparentes e tranquilas da Lagoa das Furnas. ocupa a cratera de um antigo vulcão. Com 90 km de comprimento e entre 8 a 15 km de largura. as caldeiras. Possuem condições ideais para quem gosta de se isolar. aquela pequena praia de areia lá ao longe é um local paradisíaco para um piquenique! A ocidente. criam um espaço único onde se desenvolvem as cozinhas naturais como o famoso «cozido». pela flora abundante e pela tranquilidade. contém excitantes paisagens vulcânicas com caldeiras que resultam de antigas erupções e com nascentes termais em vários pontos da ilha. a lagoa do Fogo de águas límpidas azulturquesa. A Ilha de S. de passear calmamente ou de entrar pelo mar num barco à vela. Existem muitas nascentes de água termal a diversas temperaturas. possui o fascínio da conjugação de duas 10 .

cultivada entre muros feitos de pedras de lava soltas. Angra do Heroísmo. ficou igualmente conhecida pela erupção do vulcão dos Capelinhos em 1957-58. Estas festas. teve um papel importante ao longo da história como ponto estratégico de ligação entre Europa. 11 . a capital. O que une toda a comunidade açoreana são as Festas do Espírito Santo comuns a todas as ilhas que têm lugar no domingo de Pentecostes. Nos Biscoitos estes campos de lava formam piscinas naturais muito frequentadas no verão. A região ocidental é caracterizada pela cultura da vinha. São bem visíveis as marcas que deixou quer pela extensão de cinzas quer pelo farol meio soterrado que ali permanece. Na frente do Pico. é paragem quase obrigatória para os veleiros que cruzam o Atlântico Norte. África e América. constituem ainda hoje uma forte tradição que junta familiares emigrados em países como a América do Norte. declarada Património Mundial em 1983. A Ilha Terceira é a mais desenvolvida das ilhas do grupo central. Estas formam paisagens classificadas pela UNESCO. O interior é predominantemente verde mas no litoral norte há zonas áridas cobertas de lava. o Faial. A Ilha do Pico deve o seu nome à montanha que domina toda a ilha e que constitui o ponto mais alto de Portugal com 2351 metros de altitude. como Património Mundial. Pela sua localização geográfica. a Ilha do Faial é muito conhecida pela marina da bonita cidade da Horta. separada por um canal de 8 km. como diz a lenda. trazidas para as ilhas pelos primeiros colonos portugueses no século XV. desde 2004. envolvem rituais muito antigos que apenas aqui ficaram preservadas. uma azul e outra verde que.lagoas. teriam sido formadas com as lágrimas de uma princesa e de um pastor que tiveram os seus amores contrariados. Brasil e outros. Preparadas durante as sete semanas depois da Páscoa. Esta ilha. As tripulações têm por hábito deixar nas paredes do cais os seus cartões de visita tornando muito alegre o ambiente em volta.

Júlio Artur da Silva Pomar nasce em Lisboa.. João: – Ou não fosses tu uma leitora inveterada. a cuja obra daremos hoje particular atenção. sim! No entanto. conhecer alguns autores portugueses de projecção internacional. Ana? Satisfeita com os livros que comprámos? Ana: ..Sou realmente uma leitora inveterada! Mais ainda: orgulhosa e saudavelmente inveterada! João: – Sim.PROGRAMA 19 AUTORES CONTEMPORÂNEOS ENCONTRO COM JÚLIO POMAR Numerosas figuras portuguesas sobressaem actualmente no panorama artístico e cultural internacional. Foram procurar João: – Então. a Ana e o João passaram a tarde numa livraria.. A sua obra. Ana: . Entre estas figuras de projecção mundial. primeiro em Lisboa e depois no Porto.. a 10 de Janeiro de 1926. está bem! Justifica-te.Com os que comprámos. Para darmos só alguns exemplos. És mas é compulsiva! 1 . Hoje. não consigo deixar de pensar nos que não pudemos comprar. poderemos falar do arquitecto Siza Vieira… da pintora Paula Rego…do pintor Manuel Cargaleiro…do escultor João Cutileiro e da pintora Graça Morais. incluiu-se o pintor e escultor Júlio Pomar.. plena de liberdade criadora. manifesta uma acentuada diversificação de processos e evidencia um percurso multifacetado e singular. Acredita: ainda gostaria de ter comprado muitos mais. Frequenta Belas-Artes..

Sim.Ainda te digo mais: um dia. já me lembro: imagens de Camões. Bocage.. Ana: . porcos. Ana! Não te conhecia essa faceta de jovem empresária! Embora até perceba esse teu sonho! Com tantos autores portugueses para conhecer melhor! Era juntar o útil ao agradável! Ana: . nas mais diversas perspectivas.Ana: – Sim... tartarugas. ilustração.. Olha..Ah. Ana: . mas de forma sã! Sãmente compulsiva.. gravura. gostaria de abrir uma livraria.. há inúmeras personalidades portuguesas cujos percursos têm sido brilhantes! E merecem mesmo ser conhecidos! João: – Os livros que comprámos referem-se só a alguns exemplos: Paula Rego...No entanto.. se não te importas! Tem pintura.Passa-me aí o livro sobre Pomar! É um dos maiores nomes da pintura portuguesa! Representado nas mais diversas galerias mundiais! João: – Das artes plásticas.Calma! Toma lá! Apressadinha! Ana: . sim. Fernando Pessoa e Almada Negreiros! Mas é a pintura que me fascina: repara nesta profusão de cores! João: – Pois é! Eu adoro este azul! Os azuis e os vermelhos são muito vivos. estão em harmonia perfeita. macacos... se eu tivesse dinheiro suficiente. se me permites! Ana: . Não te lembras da decoração mural em azulejo. muito exuberantes. mas também desenho.. se não conseguir voltar (se ficar por lá. nessa pintura? Mostra! Deixa-me ver! João: .Júlio Pomar .Gosto muito de Pomar mas as telas de Paula Rego também têm imensa força! Sobretudo a imagem da mulher! Tem um impacto muito grande! Ora vê lá! 2 .. escultura. não é? Ana: ..) abro uma livraria especializada em livros portugueses! João: – Desce à terra. da estação de metro do Alto dos Moinhos!? Ana:. vistos de vários ângulos. cerâmica..Que animal é esse. tal como a ligação do creme e do preto! João: – O que mais me impressiona são os animais: tigres.

parece levíssima.. as pernas e os pés! São impressionantes! Transmitem sentimentos muito intensos! João: – Cada quadro..João: – Repara nos corpos.Claro! É um edifício emblemático – com aquela pala.. fantásticas! João: – Bom.. nunca confunde os interlocutores! O domínio da técnica narrativa é perfeito. Ainda te lembras do Pavilhão de Portugal.. não é? Ana: – Se é! Está traduzido em mais de vinte e cinco línguas.. parece ser uma cena duma história! Leva-nos a imaginar o que irá acontecer a seguir! Ana: – Agora por história.. não tem juntas! 3 . É um notável contador de histórias! João: – O que ganhou o prémio Nobel da literatura aqui há uns anos? Ana: – Esse mesmo. mas aconselho-te a leitura em português! Tem outro encanto! João: – Ouvi dizer que tem um estilo muito característico.E os rostos. Foi galardoado em 1998! Este livro é dele! João: – É um autor muito traduzido... nunca utiliza travessão para indicar as falas das diferentes personagens! João: – E o leitor.. a cobrir a Praça Cerimonial! João: – Embora seja de betão armado. Ana: – Inconfundível. É um feito de engenharia extraordinário! O material é contínuo.. nas mais diversas posturas. já me convenceste! Vou ter muito que ler! Mas hoje. mesmo! Por exemplo. não perde o fio à meada? Não deve ser nada fácil de ler! Ana: – Autores como ele nunca são muito fáceis! Mas não tenhas receio que não te vais perder! O que é curioso é exactamente isso: o leitor nunca se perde. Ana: . gostava de passar os olhos por este livro sobre Siza.. de betão armado. e as histórias envolventes. no Parque das Nações? Ana: . tens de ler José Saramago. as mãos.

Ana e João: . enquanto isso não acontece. 1.. a Ana 4 . João: – Já sei! Abririas uma livraria! Entretanto.Deve ter sido um enorme desafio! Não é à toa que a sua obra é conhecida por todo o mundo! Tem mesmo uma vasta obra no estrangeiro! Ana: – O que é que tens mais aí? Mostra lá! João: – Tenho um livro sobre o mestre do cinema português – Manoel de Oliveira! Depois vês! Ana: – E eu ainda aqui tenho um sobre João Cutileiro – que fez a escultura ao 25 de Abril. “de forma/ de maneira atenta” . No excerto que vamos ver a seguir. “atentamente” é um advérbio e utilizo-o para me referir à maneira ou modo como quero que ouçamos a Ana e o João: “com atenção”. Usam-se para modificar diversos tipos de constituintes numa frase.. Hoje. se eu um dia tivesse dinheiro. a que está no cimo do Parque Eduardo VII! João: – Há tantos autores portugueses notáveis. talvez seja melhor pensarmos em poupar um bocadinho mais. se eu disser “ouçamos atentamente a Ana e o João”.Para comprarmos mais uns livritos..Ana: . a Ana e o João quiseram conhecer melhor a obra de alguns autores portugueses. Por exemplo..Também são dele a estação de metro Baixa-Chiado e o próprio Plano de Reconstrução do Chiado – toda a zona foi recuperada de forma a conservar o mesmo ambiente que tinha antes do incêndio de 1988! João: .. que me apetecia conhecer melhor! Ana: – Olha... abordaremos alguns advérbios e o modo de formação do plural de alguns nomes e de alguns adjectivos. A propósito da sua conversa. ADVÉRBIOS Os advérbios constituem uma classe de palavras muito heterogénea.

ADVÉRBIOS EM . Vejamos cada um dos exemplos: Formação de Advérbios em -mente (1) realmente (real + -mente) (2) saudavelmente (saudável + -mente) (3) sãmente (sã + -mente) 5 ..MENTE João: .. És mas é compulsiva! Ana: – Sim. se me permites! 1.usa advérbios para “confirmar” o que é dito e para “precisar” ou “ajustar” ligeiramente o sentido do que é dito. MODO DE FORMAÇÃO Em português.Sou realmente uma leitora inveterada! Mais ainda: orgulhosa e saudavelmente inveterada! João: – Sim. mas de forma sã! Sãmente compulsiva. “realmente”. está bem! Justifica-te. muitos advérbios são derivados de adjectivos com o sufixo – mente.Ou não fosses tu uma leitora inveterada. Ana: .1. 1. “saudavelmente” e “sãmente” são advérbios derivados de adjectivos por sufixação.1. No excerto que revimos.1.

não são acentuados graficamente. + o sufixo –mente. O exemplo (3) demonstra que quando o adjectivo é biforme (apresenta uma forma para o masculino – “são”. numa frase. que significa “saudável”. No exemplo (3) temos o advérbio “sãmente”. 6 . a que se juntou o sufixo –mente.Mais ainda: orgulhosa e saudavelmente inveterada! Sempre que. a que se junta o sufixo. só o último costuma receber o sufixo. No exemplo (2). No caso do advérbio derivar de adjectivos com til (~) . sinónimo de “saudavelmente”. “realmente” forma-se a partir do adjectivo “real”. têm a mesma forma para o género masculino e feminino. pois este sinal serve para marcar a nasalação da vogal. como é o caso de “real” e de “saudável”) o sufixo –mente vem juntar-se a esses mesmos adjectivos para formar o advérbio. Reparem agora na seguinte frase da Ana: Ana:.No exemplo (1).e outra para o feminino – “sã”) o advérbio é formado a partir da forma feminina do adjectivo. “Sã” é a forma feminina do adjectivo masculino “são”. “saudavelmente” forma-se a partir do adjectivo “saudável” + o sufixo –mente. é de salientar que o advérbio conserva o til (~) do adjectivo que lhe deu origem. formado a partir do adjectivo “sã”. de referir que mesmo que os advérbios em – mente derivem de adjectivos com acento circunflexo ou agudo. Os exemplos (1) e (2) demonstram que quando os adjectivos são uniformes (isto é. ocorra uma sequência de dois ou mais advérbios em – mente. como é aqui o caso de “saudável” (palavra com acento agudo).

recebe o sufixo). Comparemos os exemplos que foram dados: (1) Ana: . a Ana afirma que é “orgulhosa e saudavelmente inveterada” e “sãmente compulsiva.Vamos ver mais um exemplo. espontânea e admiravelmente” Nas sequências de dois ou mais advérbios em –mente (em que só o último. se me permites! *** (2) João: . os advérbios “saudavelmente” e “sãmente” modificam os adjectivos “inveterada” e “compulsiva” (através do seu uso. os advérbios que surgem antes dele apresentam-se na forma feminina e conservam a acentuação. mas de forma sã! Sãmente compulsiva. mas de maneira saudável e “compulsiva”. mas de uma “forma sã”).2. Ana: . como vimos. imagine-se a frase que se segue: “A Ana falou séria.. És mas é compulsiva! Ana: – Sim..Mais ainda: orgulhosa e saudavelmente inveterada! João: – Sim. está bem! Justifica-te. 7 .Ou não fosses tu uma leitora inveterada. 1. a Ana explicita que é uma leitora “inveterada”. CLASSIFICAÇÃO E POSIÇÃO DE ALGUNS ADVÉRBIOS NA FRASE Vamos falar agora da classificação e da posição de alguns advérbios na frase.Sou realmente uma leitora inveterada! No exemplo (1).

isto é. sobre os factos enunciados. Os advérbios que modificam adjectivos posicionam-se na frase antes do adjectivo que modificam: vemos que “saudavelmente” está antes de “inveterada” e “sãmente” antes de “compulsiva”. do qual dependem (neste caso. pela possibilidade de poderem ocupar diversas posições na frase: A) . o advérbio “realmente” exprime a atitude do falante. o ponto de vista do enunciador. pois não modificam um dado elemento específico dentro de uma frase mas toda uma frase. realmente! 8 . globalmente considerada. a Ana reconhece a verdade da afirmação do João. sou uma leitora inveterada! C) – Sou uma leitora inveterada. os advérbios disjuntos caracterizam-se normalmente pela mobilidade.Sou realmente uma leitora inveterada! B) – Realmente. esse termo é o adjectivo). espontânea e admiravelmente” Os advérbios “séria. Ao contrário dos advérbios adjuntos. No exemplo (2). Estes advérbios designam-se disjuntos. quando a Ana diz “Sou realmente uma leitora inveterada”. espontânea e admiravelmente” são colocados a seguir à forma verbal “falou”. através da sua utilização. No caso de os advérbios modificarem verbos em tempos simples figuram na frase depois do verbo: é o caso do exemplo que vimos há pouco: “A Ana falou séria. A posição dos advérbios adjuntos na frase não é móvel. que insinua que ela é “uma leitora inveterada”.Os advérbios em análise são advérbios adjuntos porque estão junto de um outro termo da frase.

Os nomes e os adjectivos terminados em –ul (átono/ não acentuado) formam o plural em –uis (caso os nomes “azul/”azuis).A Ana utiliza o advérbio no meio da frase mas poderia tê-lo utilizado no início ou no fim.. a Ana usa o nome singular “animal” e o João o seu plural “animais”. a formação do plural de nomes e de adjecivos terminados em –l. PLURAL DE NOMES E DE ADJECTIVOS EM –L Abordemos agora. de forma muito rápida. sou uma leitora inveterada” ou “Sou uma leitora inveterada. Os nomes e os adjectivos terminados em –il formam o plural também em –eis (adjectivos “fácil” /”fáceis”). poderia ter dito “Realmente. 2. Os nomes e os adjectivos terminados em –el formam o plural em –eis (exemplo dos adjectivos “notável/”notáveis”). uma vez que a formação do plural dos adjectivos segue a regra de formação do plural dos nomes. nomes e adjectivos terminados em –ol (de que não vimos exemplo no diálogo) formam o plural em –óis (nomes “farol”/”faróis”): 9 .Que animal é esse. Assim. Finalmente. Trataremos a formação do plural de nomes e de adjectivos em –l ao mesmo tempo. Vejam o exemplo que apresentamos: João: – O que mais me impressiona são os animais (. nessa pintura? Como observaram. -il e -ul. realmente”.. Nomes e adjectivos terminados em –al formam o plural em –ais .) Ana: . No diálogo ocorrem ainda nomes ou adjectivos terminados terminados em –el.

No Gadanheiro.ol (farol) . revela também. de 1946-50. agigantando-se. É a obra mais emblemática do realismo de intervenção social. nos movimentos do trabalho perpassa força que se adivinha heróica.eis (fáceis) . figuras de trabalhadores anónimos preenchem quase toda a tela. Nestas. uma enorme força latente.ul (azul) Plural . acocorada e encolhida. Desta fase destacam-se: O Gadanheiro. a partir dos anos 40. com os seus corpos entre o deformado e o escultórico.eis (notáveis) .Plural de nomes e adjectivos terminados em -l Singular -al (animal) .ais (animais) . Agora convido-vos para um breve encontro com Júlio Pomar! É no âmbito do neo-realismo. de 1945 e O Almoço do Trolha. A personagem central de O Almoço do Trolha.el (notável) . A fase neo-realista prolongar-se-á de 1946 a 56. transformados em heróis do quotidiano. por contraste. 10 .il átono (fácil) .óis (faróis) -uis (azuis) Vimos hoje advérbios em –mente e o modo de formação do plural de alguns nomes e de alguns adjectivos. que a obra de Júlio Pomar começa a ganhar destaque nacional – o autor é considerado o expoente máximo do neo-realismo.

Tal caminho irá conduzir ao surgimento. em que ganham relevo as cores lisas. entra num período marcado por processos de colagens. de 1985. de Lewis Carroll. desempenham um saliente papel no trabalho de Pomar. Hellmut Wohl. Camões. Fernando Pessoa e Almada Negreiros surgem. Pomar envereda por um neo-figurativismo lírico. inspirada na novela Tigres Azuis. assinala que a partir de 80 se dá uma mudança na obra deste. além de tigres. De 1979 a 1982. de que é exemplo Maria da Fonte. falando sobre a pintura de Pomar. gatos. triptícos baseados no poema Hunting of the Snark. retratando personalidades emblemáticas da nossa história cultural: é o caso de Camões ou de Fernando Pessoa. sucedem-se. Nos anos 70. Os contornos começam a ficar indistintos e assistimos a uma certa fragmentação e escurecimento. Santa Rita Pintor e Amadeu de Sousa Cardoso. inaugurada num estilo de grande amplitude pictórica e de cores e de grande liberdade gestual – o «estilo tardio» da obra de Pomar. Júlio Pomar é também um nome ligado à azulejaria. a temática erótica é explorada numa série em que o erotismo adquire um tom explícito. de Jorge Luís Borges. entre outros. da importante série da Tauromaquia. em 1989. as formas recortadas. No seu “bestiário pessoal”. Em Lusitânia no Bairro Latino. numa efabulação delirante. Em curso desde 68. representados no enorme painel da estação do Alto dos Moinhos. tartarugas. em 1964. vemos Mário de SáCarneiro. produz a série dos Tigres. volta-se para a cultura portuguesa. diz-nos Pomar… [excerto de entrevista a Pomar] Na década de 80. macacos. O trabalho de maior destaque desta fase é a Caça ao Snark. porcos e até traças… Sobre o seu bestiário. 11 . As figuras de animais.A partir de 1957.

entre muitos. tendo pintado. 12 .Destaca-se igualmente como importante retratista. o retrato de António Lobo Antunes ou de Mário Soares.

O talento e a genialidade de Bordalo Pinheiro manifestam-se nas suas naturezas mortas.Sou eu. Neste programa. As mulheres de Viana do Castelo souberam muito bem reproduzir a natureza observada. como o pote das ginjas ou o gato e o rato. A lenda do galo de Barcelos está associada à cidade de Barcelos e é quase um símbolo do país. Quem fala? Ana: . a Ana. sim.. destacando-se pelos motivos e cores. Ana: .Estavas a dormir? 1 .Ai. António: .PROGRAMA 20 ARTESANATO PORTUGUÊS O artesanato português é de uma enorme riqueza e variedade.Hum. não estava a reconhecer a tua voz.João? João: . estilizando-a nos seus bordados.. desculpa. Ana: . a Ana e o João descobrem a enorme riqueza e diversidade do artesanato português. As louças têm características únicas. reflectindo a relação criativa do artesão com a matéria-prima da sua região e com a sua cultura.

Nem deu tempo. João: . eu já imaginava que o artesanato português era um nunca mais acabar.Porque é que não me avisaste? Ana: .Não. Diz lá. Desço já.João: .Ah. João: . 2 . enquanto está fresquinho e me lembro de todos os pormenores! João: .Ok.. Estava só a passar pelas brasas.. São quase horas de jantar. Temos com certeza pano para mangas.Não faz mal. Lembras-te dos folhetos e das brochuras que temos sobre artesanato português? João: .Olha..Sim. mas isso depois vemos na net. João:. Foram mesmo só uns minutitos. ****** João: .. podíamos lá ir.Podes vir ter comigo cá abaixo? João: . nem de propósito! Nós ontem a falarmos de artesanato e eu acabei de assistir aqui. E além disso. Mas. mas ainda vi peças tão bonitas… azulejos. Ana: . cerâmica decorativa... a um bocadinho de um programa sobre artes e ofícios tradicionais em Portugal.Vá.. Ana: .Que pena! Ana: .Então conta lá o que viste... Ana: . E depois? Ana: .. mais tarde. vitrais . e do livro que compraste.. Acho que era uma escola de artes e ofícios tradicionais aqui em Lisboa.Boa ideia..Ah.Posso. Bem.. isso era uma excelente ideia. fiquei cheia de pena de não o ter visto todo! João: ... sabes? Eu não vi o princípio do programa. encontrei aqui uma coisa gira. tecelagem. só que eu não sei onde fica. Porquê? Aconteceu alguma coisa? Ana: . E mostraram pessoas a trabalhar e tudo.. Mas ainda supera as minhas expectativas. que giro.. Está tudo bem. Com tanto entusiasmo.E depois?! Olha. Se conseguíssemos descobrir onde fica. por acaso. mas anda lá! Desce lá! Quero contar-te tudo.

tanto faz. Maria Keil.Boa ideia! vamos de manhã. Olha.João. lembras-te? Ana: . eu nem faço ideia do preço por metro quadrado!. repara. Eu não sou esquisita. Ficava todo baralhado com tantos pauzinhos. Mas. Nem me fales! Sabes é que eu perco-me por isso… um anelzinho moderno… de prata ou ouro. Amanhã? João: . João: .Olha e aqui temos tapetes.. entre outros. pelos vistos diz aqui que são típicos de Vila do Conde e de Peniche. cheios de cor… Aliás. Ana: . João: . mas há também os Arraiolos… bordados à mão… João: .Oh e os azulejos que estão aí por todo o lado: nas igrejas. até no meio do trânsito. mas isto é aqui artístico no verdadeiro sentido da palavra… Olha. João: .. São tapetes murais. Temos de lá ir. ainda não fomos ao Museu do Azulejo. mas tem ar de qualquer coisa que se perde no tempo.Ah. se passarmos por um. E são feitos na região de Portalegre… Hum! Ah.Esquece. Até tinha lá imensos bordados da Madeira.Ana:.Ah. e aquelas rendas feitas com aqueles pauzinhos todos.. nas estações de metro. João: .. já sei.Olha. em museus! Ana: .O que eu gostava de ter um tapete destes! Mas é impossível. esses "pauzinhos" chamam-se bilros. espera. Ana: . nos palácios. tens toda a razão. 3 . como ali ao pé do Jardim Zoológico..Se queres dizer que temos muito por descobrir.João.. A joalharia.... há uma coisa de que tu não gostas nada mas que te tem deixado colada a todas as montras que encontramos pelo caminho.. nos jardins.Eu vi lenços desses numa loja aqui perto! Era uma loja com muitos bordados e rendas. Ana: .Sim. João: . não resisto a comprá-lo.. Almada Negreiros. não faço ideia.. Esses também são só para ver e apreciar. Olha e outra coisa que também adoro são aqueles lenços minhotos .. Reproduzem obras de artistas como Vieira da Silva. Bem.Bilros?!!! Que nome esquisito! Qual será a origem? Ana: . .

4. repara! Conta lá . Anda lá! Desce lá! Olha.._____________________________________________________________ No diálogo vimos a Ana e o João a falarem sobre artesanato.(. Com tanto entusiasmo. 1.Vá. 5. eu já imaginava que o artesanato português era um nunca mais acabar.Então conta lá o que viste..) Olha. Ana: . enquanto está fresquinho e me lembro de todos os pormenores! ****** João: . sabes? ****** Ana:. Mas ainda supera as minhas expectativas. Reproduzem obras de artistas como Vieira da Silva.. o uso do vocativo e um tipo particular de frases exclamativas muito usadas na oralidade.. Maria Keil.... 4 . Vejamos então agora as frases: FAZER UM PEDIDO: USO DO IMPERATIVO 1. 2. Olha.. Neste programa vamos estudar o uso do imperativo para se fazer um pedido.. 3.Olha. mas anda lá! Desce lá! Quero contar-te tudo. repara.. Almada Negreiros. entre outros. FAZER UM PEDIDO Vamos observar algumas sequências do diálogo em que é feito um pedido..... Ana: .

um conselho ou uma exortação. Esta é muito usada na oralidade e serve para aumentar a importância dada à ideia expressa.Todas as frases apresentadas no quadro são expressão de um pedido por parte do locutor. Mas agora vejamos novamente a frase 5.e. Verificamos que na sua construção se usa o imperativo. i. 5 . chamo a vossa atenção para a partícula de realce ou enfática. à expressividade do locutor e ao contexto em que é proferida. Conta lá . É o contexto que nos permite identificar se a frase se trata de uma ordem ou de um pedido.. Apesar das frases imperativas serem geralmente consideradas expressão de ordem. estaríamos perante uma ordem e não um pedido. Anda lá! 2. 5.. Antes de terminar. No entanto as frases 3. principalmente fático. afirmámos que as frases apresentadas expressavam um pedido. O contexto situacional em que as frases se inserem são determinantes para a interpretação de ordem ou pedido. é frequente também expressarem um pedido. Por isso. Então conta lá o que viste Se esta frase fosse proferida num tribunal. 4 apresentam também um valor pragmático. Está intimamente ligada à entoação. as frases são usadas para chamar a atenção do interlocutor.. lá. Desce lá! 3. Vejamos novamente as frases do diálogo: 1. não modificando contudo o valor lógico da frase. Todas as frases acima são exemplo de um pedido.

O sintagma . 3.2. esses "pauzinhos" chamam-se bilros. Esta frase realiza um acto ilocutório expressivo ou seja exprime o estado psicológico do locutor relativamente a um determinado estado de coisas descrito no enunciado. o termo João não está subordinado a nenhum outro elemento da frase. Este termo de entoação exclamativa é separado da frase por uma vírgula. Serve apenas para chamar com maior ênfase essa pessoa.O que – é colocado em posição inicial de frase. Esta frase poderia ser parafraseada por outra: Como eu gostava de ter um tapete destes! 6 . . Assim. VOCATIVO Ana: . FRASE EXCLAMATIVA Observemos agora a frase: O que eu gostava de ter um tapete destes! Trata-se de uma frase exclamativa muito frequente na oralidade. Se quisermos ainda dar mais ênfase à frase.João. esses "pauzinhos" chamam-se bilros. fazemos preceder o vocativo da interjeição ó. O vocativo com ou sem a interjeição é muito usado na oralidade em português. O vocativo consiste num sintagma nominal (SN) que apenas invoca o destinatário do enunciado.Ó João.

esses "pauzinhos" chamam-se bilros. e aquelas rendas feitas com aqueles pauzinhos todos. Ficava todo baralhado significa ficava completamente confuso. Ficava todo baralhado com tantos pauzinhos. 1.Eu vi lenços desses numa loja aqui perto! Era uma loja com muitos bordados e rendas.João.Bilros?!!! Que nome esquisito! Qual será a origem? 1. “Ficava todo baralhado com tantos pauzinhos. João: . Ana: . esquisito = estranho 7 .4. 2. ficar todo baralhado = ficar completamente confuso 2. Que nome esquisito significa que nome estranho. Até tinha lá imensos bordados da Madeira. VOCABULÁRIO Agora. vejamos a sequência do diálogo: João: . Olha.” 2. “Bilros?! Que nome esquisito! Qual será a origem?” 1.

em algodão e em linho permitiam às comunidades locais fabricar peças de vestuário e de uso doméstico.” Ser um nunca mais acabar. A transformação da lã e do linho adquiriu também uma enorme importância. “temos pano para mangas” ter pano para mangas = ter muito para fazer _____________________________________________________________________ Algum artesanato apresenta ainda hoje um aspecto utilitário ou está relacionado com festas populares ou religiosas.Tem uma importância significativa na vida doméstica e rural.5.. recordemos algumas expressões do diálogo e tentemos conhecer o seu significado.“Estava só a passar pelas brasas. 8 .. para terminarmos. verga ou palha. “o artesanato português era um nunca mais acabar.” Passar pelas brasas = dormir um sono leve e curto.. Ainda hoje são muito apreciados os lençóis e as colchas de linho. 3. madeira.. A cestaria tem origem muito remota no nosso país e utiliza espécies arbóreas autóctones. EXPRESSÕES DO PORTUGUÊS E. Os tecidos produzidos em lã. dormitar 2. Fabricam-se os mais variados objectos em junco. 1.” = existe tanta variedade que não é possível nomear todos os elementos. os cobertores de lã e as mantas de trapos.

a prata. Os motivos são inspirados em animais domésticos. Os desenhos mais tradicionais apresentam plantas e animais e são bastante coloridos. São uma das expressões mais verdadeiras do artesanato regional. não se distinguindo nela o direito do avesso. As pessoas exigem agora objectos mais sofisticados mas que relembram a tradição e arte de outrora. 9 . destreza e sobretudo muita paciência. em virtude da recriação original de obras de alguns pintores portugueses como. por exemplo. Produzem-se peças sofisticadas. Trabalha-se com requinte e arte materiais nobres como o estanho. Quem não conhece as famosas rendas de bilros de Peniche e de Vila do Conde? É uma renda feita com minúcia. a filigrana e o ouro. Os bordados de Niza. Os tapetes de Arraiolos provêm de uma vila alentejana com o mesmo nome. nas toalhas. nos lenços. riqueza e imaginação? A tapeçaria de Portalegre. Ninguém pode ficar indiferente às rendas e aos bordados em panos de linho dos Açores. tem vindo a adquirir notoriedade. são executados à mão com muita paciência e perícia. flores e folhas ou elementos geométricos bordados com linha de algodão azul. executados com tanta beleza.Mas longe vão os tempos em que estes objectos satisfaziam apenas as necessidades das populações. Maria Helena Vieira da Silva e Maria Keil. São tapetes bordados à mão com fios de lã e sobre tela. modernas ou tradicionais que se exportam e adquirem reputação internacional. Os bordados de Viana do Castelo são inconfundíveis. os famosos alinhavados. com o seu ponto característico feito em lã. Hoje produz-se para vender e para exportar. minúcia. vermelha e branca. E que dizer então dos bordados no vestido de baptizado. Almada Negreiros. apresentando motivos inspirados na flora local.

Mas o azulejo está presente em diversos palácios e igrejas por esse país fora.Na Marinha Grande trabalha-se o vidro de uma maneira singular e original. o vidro continuou a ser produzido e manuseado com cuidado. impondo-se no mercado internacional pela sua grande qualidade e originalidade Quanto à tradição de trabalhar o barro. a Quinta da Bacalhoa. onde é possível observar a história. como de verdadeiros diamantes se tratassem? Ou os conhecidos «bonecos» de Estremoz que retratam com simplicidade e alguma ingenuidade várias figuras populares e religiosas. arte e empenho nas fábricas da Marinha Grande. Apesar da crise enfrentada pela indústria vidreira. 10 . «as cantarinhas». com as suas pedrinhas brancas cuidadosamente cravadas no barro vermelho. onde tradição e modernidade andam de mãos dadas. a mentalidade e o gosto de um povo ao longo de várias épocas. a Igreja de Jesus e o Palácio dos Marqueses da Fronteira. Mencionamos apenas alguns: o Palácio Nacional de Sintra. Quem não conhece as características bilhas da região de Niza. ela persiste em várias regiões. considerando-se hoje que se trata de uma manifestação original da cultura portuguesa. O artesanato revela a alma e a arte de um povo que tem sabido guardar as suas tradições e adaptá-las às necessidades e aos gostos dos tempos. O azulejo passou também a ser usado como suporte para a produção artística.

Jorge. JORGE Os séculos de História deste país estão patentes um pouco por toda a capital. mas não estás longe. Mas foi só durante o reinado de D. Ana: – Não. Por onde é que começamos a nossa viagem? Ana: – Vou-te dar uma pista. tornou-o então padroeiro nacional. João I que o castelo foi colocado sob sua protecção. Com efeito. Jorge. Recebeu o nome de S. em Portugal. está na altura de empreendermos uma viagem ao passado. acérrimo devoto de S. A colina mais alta de Lisboa exibe um dos castelos mais simbólicos de Portugal. o Castelo de S. Jorge: o militar que se fez santo. 1 . A devoção a este santo foi propagada. Jorge gira em torno da sua bravura ao salvar uma virgem das garras de um dragão. João: – A História de Portugal é um mundo vasto. O Mestre de Avis. João: – o Rio Tejo. Hoje a Ana e o João vão conhecer o Castelo de S. no século XII.PROGRAMA 21 NO CASTELO DE S. Uma das lendas mais conhecidas referentes a S. Jorge tem sido fiel acompanhante de Lisboa desde tempos idos. pelos ingleses que acompanharam Afonso Henriques na conquista de Lisboa. Diz-me um local de Lisboa que seja visível de longe e de muitos sítios. Ana: – Companheiro João.

o intrépido Martim Moniz impediu que esta porta se fechasse a custo da sua própria vida. Ana: – Ainda não. despacha-te. antes de ser conquistado. Desde então. Jorge. João: – Quero mais detalhes... João: – Conta lá. Mas. Também já vi isso no guia.. antes de cair morto. em 1147. João: – . aos Mouros. Afonso Henriques entrassem na cidade.. Sabes quem foi? João: – Já ouvi falar. Ana: – Durante uma das muitas investidas contra o castelo. o seu corpo ficou entalado entre os dois batentes e permitiu que os cristãos liderados por D. Ana: – Pois ouve só. por D.. Ana: – Mas que bem! Que letrados que nós somos! João: – Anda. com o auxílio dos Cruzados a caminho da Terra Santa. João: – Nada que o Martim Moniz não merecesse! 2 . Ana: – Pois bem.João: – O Aqueduto das Águas Livres. é o Castelo de . durante o cerco de Lisboa. Afonso Henriques. Afonso Henriques quis honrar a sua valentia e o sacrifício da sua vida ordenando que esta entrada passasse a ter o nome de Martim Moniz. devo admitir que não sei quem foi. estamos na Porta Martim Moniz. a lenda que envolve o seu nome parece uma cena retirada dum filme. Martim Moniz entrou com os companheiros e fez ainda algumas vítimas entre os inimigos. de S. Ana: – Segundo o guia. vem daí. João: – Ui! Deve ter doído! Ana: – Mas tu pensas que isso o impediu de continuar? Ouve o resto: ferido gravemente. D. Ficas já a saber que esse era o nome do castelo.. João: – Já sei! O Castelo de Lisboa! Ana: – Correctíssimo. O Santo que luta contra um dragão montado no seu cavalo. para ser sincero. Pensa em arquitectura militar.

João: – Queres dizer que a família real vivia aqui? 3 . foi representado aqui. presume-se que o Castelo remonte a 48 A. “fundador” do teatro português.. XVI. João: – Deixa lá o Condado Portucalense para outro dia. de Gil Vicente.... futuro D. Ana: – Fica sabendo que foi escrito e representado pelo próprio Gil Vicente na câmara da rainha. é daí que eu conhecia o nome. Ana: – É verdade. Agora estamos no Castelo de S. Promete-me que não me deixas ir embora sem irmos a Guimarães. Estou a ver que D. Ana: – Provavelmente. Afonso Henriques te levou a pensar na cidade berço. ainda no tempo dos Romanos . Que mais é que tu leste sobre este local? Ana: – Vejamos. para comemorar o nascimento do príncipe D. em 1502. João: – Deste lugar e de outros espalhados por este país.. são mais de oitocentos anos de história.. João: – Está descansada.. Ah! Ouve só: o Monólogo do Vaqueiro... João: – Estou a tentar imaginar a cena.. Ana: – Bem sabes. Jorge. Ana. João: – Agora percebo o que tu querias dizer com a história da viagem ao passado… Ana: – Imagina só o que as pedras deste lugar já testemunharam. que sempre fui uma apaixonada por História. João: – Vamos andando.Ana: – O povo diz que foi D.. Afonso Henriques que mandou colocar o busto do herói num nicho de pedra. Quero visitar a Igreja de Santa Cruz. Ana: – E não te esqueças da Olispónia! João: – O quê?! Ana: – Uma exposição multimédia que recria a Lisboa do séc. Afinal. João III. onde ainda hoje se encontra. junto à Praça de Martim Moniz. João. João: – Ah! Então.C.

No programa de hoje. Quero apreciar a luz deste local. João: – Porquê? Ana: – D. Ana: – Fora o resto. ainda. lembro-me eu. Diz-me um local de Lisboa que seja visível de longe e de muitos sítios. João: – As pessoas falam muito no terramoto de 1755 e quase ninguém se lembra que houve outros que marcaram a história desta cidade. Ana: – Não posso deixar de pensar nos povos que já terão passado por este castelo. Ana: – Ainda não.. por esta cidade. Todavia. alusão a formas de expressar dor e suposição com o futuro composto do indicativo. João: – Sentemo-nos um pouco. João: – O Aqueduto das Águas Livres. Faremos. ADVÉRBIOS Ana: – Vou-te dar uma pista. dos Árabes e dos Cristãos. João: – Já sei! O Castelo de Lisboa! 4 . Manuel não gostava de viver no Castelo. mandado construir por D. João: – Dos Romanos... Ana: – Não. iremos abordar aspectos relacionados com os advérbios e com as interjeições. a antiga Alcáçova Mourisca. mudaram-se para o Paço da Ribeira. João: – O Rio Tejo. Dinis. desde o reinado de D.Ana: – No Paço Real da Alcáçova.. mas não estás longe. Depois houve um terramoto em 1531 que danificou o Paço da Alcáçova. 1. Manuel. Pensa em arquitectura militar.

entre a Ana e o João: 1.” = (ainda não acertaste no nome do local a que me refiro) Na frase 1. completando a acção por ele expressa. Os advérbios são palavras invariáveis que modificam vários tipos de constituintes da frase. Com efeito. 5 .” “Ainda não. longe e ainda. com mais atenção para estes advérbios. mas não estás longe. os advérbios ainda não equivalem à frase “ainda não acertaste no nome do local a que me refiro. Porém. nem todos os advérbios o fazem da mesma maneira. “Não. Pensa em arquitectura militar. longe e ainda possuem diferenças entre si.” Olhemos.” Na frase 2. encontramos três advérbios: não.. Em duas destas frases o verbo está subentendido e depreende-se do contexto do diálogo. agora. neste caso. “mas não estás longe.” em que não modifica o verbo estar. o advérbio não corresponde à frase “não acertaste no nome do local a que me refiro. não.Nas frases proferidas pela Ana.. tal como pode ser visto na frase.” “Não.” Já dissemos que os advérbios podem modificar um verbo. “Diz-me um local de Lisboa que seja visível de longe e de muitos sítios. …” = (não acertaste no nome do local a que me refiro) 2. como por exemplo os verbos. “Ainda não.

que se refere à dor que Martim Moniz terá. que vimos num dos programas anteriores. seja ela no espaço: “Diz-me um local de Lisboa que seja visível de longe e de muitos sítios. Observem. João: – Ui! Deve ter doído! Esta exclamação do João. Estas são frequentes nas frases exclamativas e costumam ser acompanhadas de ponto de exclamação. certamente. agora. conferindo. 2. por isso.” ou no tempo: “Ainda não” (o João. retoma algo de que já falámos num programa anterior . EXPRESSAR ATITUDES E SENTIMENTOS – DOR Ana: – Pois bem. mais formas de expressar dor em português: 6 . até àquele momento. “Ui!” é aqui uma interjeição.” Os advérbios longe e ainda indicam uma localização. Exprime aqui um valor aspectual inacabado. um carácter negativo a uma frase. não acertou). O advérbio não transmite o significado de negação. sentido.Classificação Não – advérbio de negação Longe – advérbio de localização espacial Ainda não – adverbial temporal.as interjeições. Afonso Henriques entrassem na cidade. o seu corpo ficou entalado entre os dois batentes e permitiu que os cristãos liderados por D. como por exemplo: “mas não estás longe.

por esta cidade. EXPRESSAR SUPOSIÇÃO COM O FUTURO COMPOSTO DO INDICATIVO Ana: . é perfeitamente natural que ocorram neste contexto.“Ai!/Ui! Deve ter doído!” 2. A Ana. influenciada pela relevância histórica do castelo de S. Reparem como o faz: 7 . 3. de maneira espontânea. “Cuidado. As frases 2 e 3 não recorrem a interjeições.. respectivamente. tal como a frase 1 exemplifica. imagina quem terá pisado aquelas pedras.EXPRESSAR DOR 1. Jorge.. “Dói-me imenso (o braço)!” 3. A não ocorrência de interjeições confere-lhes menos ênfase do que se estas tivessem sido utilizadas. Aqui expressa-se dor através do uso dos verbos doer e magoar. e também devido ao facto destas frases serem exclamativas. Assim. estás a magoar-me!” As interjeições são as palavras com que. exprimimos vivamente as nossas emoções.Não posso deixar de pensar nos povos que já terão passado por este castelo.

” (Verbo auxiliar ter no futuro do indicativo + o particípio passado do verbo principal passar) A Ana utiliza o futuro composto do indicativo (terão passado) para exprimir a probabilidade. Esta forma verbal composta é construída com o verbo auxiliar ter no futuro do indicativo. ganhou o direito a este cognome Fiquem. usada pelo João.. com uns breves apontamentos sobre a longa história do castelo de S. Em 1531. agora. seguido do particípio passado do verbo principal passar. por esta cidade. para o nascimento de Portugal. O Castelo de S. Estou a ver que D. João: – Está descansada. Afonso Henriques te levou a pensar na cidade berço Antes de terminarmos. isto é. Promete-me que não me deixas ir embora sem irmos a Guimarães. assim. Encontramo-nos em presença de uma expressão com valor metafórico e que remete para o início da existência da nação. a suposição sobre factos passado. Foi 8 . gostaria de fazer referência à expressão cidade berço.“Não posso deixar de pensar nos povos que já terão passado por este castelo. 4. Jorge.. Guimarães foi o berço de Portugal e a sua primeira cidade capital e. Jorge foi durante vários séculos a casa oficial da família real portuguesa. um terramoto afectou gravemente as estruturas do Castelo. EXPRESSÕES Ana: – É verdade.

oferece vistas magníficas. Ó míseros mortais! Ó terra deplorável! De todos os mortais monturo inextricável! Eterno sustentar de inútil dor também! Filósofos que em vão gritais: «Tudo está bem». a Torre Ulisses. Há acontecimentos que. se mudou para o Paço da Ribeira. na actualidade. A partir daí. é. Por outro lado. marcaram a Humanidade de uma forma global e em várias dimensões. 9 . pavões reais e cisnes e. embora não mereçam honra de feriado nacional ou de celebrações festivas. contemplai ruínas desoladas. quem se encontra na zona mais baixa da cidade tem a oportunidade de apreciar a sua grande dimensão. Uma delas. autor francês do século XVIII. que protegia a entrada principal do recinto. Ao ocupar uma das colinas mais altas de Lisboa. já em pleno século XX. Regressando ao interior do Castelo. com toda a propriedade. Sofreu trabalhos de restauro durante o regime do Estado Novo. o Venturoso. Voltaire. um miradouro. deparamos com um espaço ajardinado. Manuel I. O terramoto de 1755 abalou as suas estruturas. Afonso Henriques. O Terramoto de 1755 constitui um evento que se inscreve. O Castelo terá começado a ser edificado pelos árabes.então que D. que lhe é conferida pelas muralhas maciças nas quais se podem contar onze torres. no actual Terreiro do Paço. como não podia deixar de ser. com a estátua de D. O Castelo de S. facto que testemunha o interesse que este marco da História de Portugal ainda desperta na actualidade. nesta categoria. com fontes. Este acontecimento teve repercussões em toda a Europa e nas manifestações artísticas da época. Jorge não foi o único edifício a sofrer abalos violentíssimos que se registaram na manhã do dia 1 de Novembro de 1755. as grossas paredes passaram a servir para guardar presos e militares. Vinde pois. foi um dos que se lhe referiu num poema de sua autoria.

fazer das fraquezas forças e partir dos escombros para uma modernização que se impunha. O Poema sobre o Desastre de Lisboa. membros ao deus-dará no mármore em estilhas. Lisboa continua indelevelmente ligada à tragédia que a mutilou. desgraçados cem mil que a terra já devora. Lisboa: Alêtheia Editores. e a palpitar embora. nenhum socorro atinam e em horrível tormento os tristes dias finam! (…) Voltaire. os seus corpos em pilhas. 2005. no entanto. os meninos e as mães. em sangue. cinzas desventuradas. Numa palavra. Soube. Trad. que soterrados são.Restos. 10 . 35. farrapos só. há 250 anos. a espedaçar-se. Vasco Graça Moura.

João: – Estás a referir-te aos bairros circundantes do Castelo de S. Adriano Correia de Oliveira) A Ana e o João deambulam por uma cidade que se perde no tempo e no coração dos poetas. Ana… Vamos Ana. a Sé… João: – …e Alfama! 1 . a Madalena. nem pareço eu mesma… João: – Não discordo! Mas temos de ir andando. indica o caminho! Ana: – Vamos passear pela Lisboa medieval. (excerto de «Canção com Lágrimas» de Manuel Alegre. a Graça. João: – Cicerone. João: – Está na hora de prosseguirmos a nossa viagem pelo passado. não te esqueças que tu queres ver tudo! Ana: – Pronto! Já despertei. Ana: – Estou aqui tão bem… Bem. o Castelo.PROGRAMA 22 POR LISBOA ANTIGA Eu canto para ti Lisboa à tua espera Teu nome escrito com ternura sobre as águas E o teu retrato em cada rua onde não passas Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio. Jorge? Ana: – Tal e qual! Temos a Mouraria.

Não queres ir até lá? João: – Eu nem me atrevo a dizer que não! Tu matavas-me! A menina “quero ver tudo!” Ana: – É que no cimo da Calçada encontramos a Igreja de Nossa Senhora da Graça e o miradouro! 2 . com as suas ruelas a subir e a descer. João: – E o que é que mudou? Ana: – Bem.. João: – As ruas aqui em volta são tão estreitas!. João: – Travessas. becos. João: – O próprio D. pequenos largos e escadinhas… Faz-me lembrar um casbá. Manuel I deixou o Paço da Alcáçova. Ana. não achas? Ana: – Pudera! Esta é uma área que tem imensa influência árabe. Ana: – E parece que quem as desenhou não conhecia a linha recta. Tomé. vamos dar à Calçada da Graça. João: – Anda ver a vista do Tejo. É única. João: – Explica lá. esta zona era habitada por gentes com posses e elevado prestígio social.Ana: – De quem é esta estátua? João: – Deixa ver… S. É o símbolo da cidade. Ana: – Saíste-me cá um espertinho… Antes da Idade Média. que tu já tens o guia na mão e eu não quero cansar as minhas. Ana: – E por falar em mudanças. Vicente. Repara só no barco com dois corvos! Ana: – É uma nau. já vimos um bocadinho de Alfama! Se percorrermos a Rua de S. Olha as sacadas! Ana: – Deixa-me que te diga que esta zona da cidade já foi uma das áreas mais ricas de Lisboa.. Ana: – Tens razão. a cidade cresceu e os terramotos obrigaram essas pessoas a mudar-se para outras áreas da cidade. João: – As frontarias são giras.

Mas tens de me prometer que depois voltamos ao Largo das Portas do Sol para ver o Museu de Artes Decorativas! Ana: – Está combinado. O primeiro caiu em 1681. É a Mãe-Natureza! João: – Se esta igreja é um Panteão.João: – Está bem. João. João: – Ainda bem que viemos cá! Gosto muito de edifícios do estilo Barroco. durante uma tempestade. eu lembro-me dos meus pais falarem do Panteão Nacional. Logo no início do diálogo deparamos com uma intervenção de Ana de que vos quero falar um pouco: 3 . Ana: – Aqui vou eu! Vamos. Não é por aqui? Ana: – Efectivamente. o Panteão abriga os monumentos fúnebres de heróis e de diversas personalidades da História de Portugal. que ainda temos de ir ver o Museu de Artes Decorativas. O guia diz que também se chama Igreja de Santa Engrácia. Ana: – Mas não penses que este edifício era o original. Convenceste-me com o miradouro. João: – Ana. abordar formas de expressar resignação e alguns aspectos relacionados com o grau do advérbio bem e com o uso hiperbólico da língua. João: – Isso já eu sabia! Ana: – Até lá está a Amália Rodrigues! João: – Entremos. não é longe. João: – Esta cidade não tem falta de desastres naturais! Ana: – Isso é assim em todos os lugares do mundo. quem é que estará lá sepultado? Ana: – Segundo o guia. hoje.

Ana: – Estou aqui tão bem… Bem. resigna-se e levanta-se. Ana… Vamos Ana. Ora vejamos: EXPRESSAR RESIGNAÇÃO Pronto! Que remédio! O que é que se há-de fazer? O que é que hei-de fazer? Note-se que a palavra “pronto” é muitas vezes usada como um regulador da comunicação. a Ana aparenta estar com pouca vontade de continuar o seu percurso por Lisboa. Ao ser confrontada com a inevitabilidade da partida. nem pareço eu mesma… João: – Não discordo! Mas temos de ir andando. não admitindo qualquer flexão.”Ela poderia ter optado por uma outra alternativa. Na oralidade. não te esqueças que tu queres ver tudo! Ana: – Pronto! Já despertei. Nestas acepções a palavra é invariável. Utiliza. uma vez que está a usufruir da beleza do espaço onde se encontra.1. No excerto que acabámos de ver. 4 . a palavra “pronto. então. EXPRESSAR RESIGNAÇÃO João: – Está na hora de prosseguirmos a nossa viagem pelo passado. é frequentemente utilizada para dar um assunto como concluído e passar para outro.

tal como se verifica com o advérbio de modo bem. São palavras invariáveis que modificam outros constituintes da frase como. Quando são graduáveis. GRAUS DO ADVÉRBIO BEM “Estou aqui tão bem…” Regressemos. os verbos. são uma classe de palavras bastante heterogénea e complexa. Alguns advérbios são graduáveis. têm superlativo absoluto sintético. observem: Superlativo absoluto sintético de bem: “Estou aqui optimamente…” Superlativo absoluto analítico: Superlativo absoluto analítico de bem: “Estou aqui muito bem…” Podem então ser modificados por advérbios com valor quantitativo: “Estou aqui tão bem…” (tão – advérbio com valor quantitativo + advérbio bem) 5 . ao tema dos advérbios. Estes últimos. admitem flexão em grau.2. relembro. por exemplo. agora. isto é. completando a acção por eles expressa.

hoje. como vamos observar nas seguintes frases: GRAUS DO AVÉRBIO BEM Comparativo de inferioridade de bem: “Estava aqui pior do que (estava) no hotel…” Comparativo de igualdade de bem: “Estava aqui tão bem como (estava) no hotel…” Comparativo de superioridade de bem: “Estava aqui melhor do que (estava) no hotel…” Note-se que há advérbios que não se flexionam em grau porque o próprio significado não admite variação de intensidade. para a sua prima Ana. se o João se recusasse a fazer o que ela 6 . de modo muito ligeiro. anualmente. USO HIPERBÓLICO DA LÍNGUA Ana: – E por falar em mudanças. Exemplos: aqui. num registo de língua familiar.Surgem também em construções comparativas. que já conhece bem. concretamente. Não queres ir até lá? João: – Eu nem me atrevo a dizer que não! Tu matavas-me! A menina “quero ver tudo!” Esta intervenção do João leva-nos a aludir. amanhã. com humor. 3. vamos dar à Calçada da Graça. ao uso de recursos estilísticos. Claro está que a Ana não iria cumprir esta ameaça. “Tu matavas-me!” exclama o João. lá. ali. Tomé. já vimos um bocadinho de Alfama! Se percorrermos a Rua de S.

Por outras palavras. não é? Ana: – Pudera! Esta é uma área que tem imensa influência árabe. com as suas ruelas a subir e a descer. 4. INTERJEIÇÃO: PUDERA! João: – Travessas. Esta interjeição tem origem no pretéritomais-que-perfeito do indicativo do verbo Poder. quando usada neste contexto. Estamos perante um uso hiperbólico da língua. pequenos largos e escadinhas… Faz-me lembrar um casbá. Ela recorre à palavra Pudera!.queria.” “Não admira! …” “É evidente! …” “É claro! …” 7 . marcado por uma carga emocional. Esta corresponde a uma interjeição. pois esta ficaria muito irritada com ele. a fim de pôr em destaque determinada realidade. o João pretende realçar que não se atreveria a não fazer o que a Ana queria. Se a Ana tivesse querido. com as suas ruelas a subir e a descer. A hipérbole consiste no emprego de termos exagerados. poderia ter optado por um outro enunciado. assim se justifica o uso do ponto de exclamação. Permitam-me que me refira ao modo exuberante como a Ana expressa a sua concordância com o António. becos. como estes que vos propomos: “Pudera! Esta é uma área que tem imensa influência árabe.

Em meados do século XIII. fundaram pelo ano 800 a. Esta cidade conheceu. em 1147. a capital portuguesa foi também palco de convulsões sociais e políticas.C. uma breve digressão pela história de Lisboa. em 1580.Obrigado pela vossa atenção e não deixem de acompanhar. Lembram-se da Revolução de 138385. em 1640. com outros povos. por exemplo. a seguir. há que fazer referência ao ouro que vinha do Brasil no século XVIII. João I. Os romanos concederam-lhe a categoria de município e atribuíram-lhe o nome de Felicitas Julia. Lisboa é elevada a capital do reino. As excelentes condições naturais oferecidas pelo seu porto fluvial depressa atraíram as atenções. desencadeada pela morte de D. momentos mais conturbados. o primeiro rei da dinastia de Avis? No século XVI. comerciais e pessoais. de tempos a tempos. um núcleo urbano a que chamaram Alis Ubbo. que muito veio ajudar 8 . Fernando? E da posterior subida ao poder de D. já no século XX. substituindo Coimbra. também. Voltando ao passado. A civilização árabe também passou por Lisboa até esta ser conquistada pelo primeiro rei de Portugal. A sua relação com o rio adquire ainda mais destaque com a aventura dos Descobrimentos. Aliás. e mantendo-nos fiéis à ligação Lisboa – rio Tejo. que só virá a recuperar 60 anos mais tarde. Portugal perde a independência para Castela. sobre a qual vos falaremos no próximo programa. Além dos terramotos que sempre visitaram Lisboa. São os anos das viagens de Vasco da Gama e de outros navegadores que sulcam os mares em busca de novas terras. O país viveu uma era de grande prosperidade. Os Fenícios. Um dos motivos que terá contribuído para o sucesso desta empresa terá residido na facilidade com que os portugueses entabulavam relações. que se desenrola nos séculos XV e XVI. Afonso Henriques. D. Isto para não falar da Revolução dos Cravos. grandes navegadores da altura. a Ana e o João já visitaram algumas das magníficas pérolas da arquitectura que esses séculos nos deixaram: o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém.

Espera-se que o esforço de modernização empreendido nesses anos tenha continuação nos alvores deste novo milénio. de que resultaram construções em bloco. Veja-se o caso das Docas e do Parque das Nações. marcada por uma obra emblemática: o Aqueduto das Águas Livres. a essência da cidade continua viva e a servir de inspiração aos poetas. O século seguinte testemunhou um contínuo crescimento da cidade. E do primeiro sistema de iluminação pública. Olhemos para Lisboa através dos olhos de uma poetisa: Sophia de Mello Breyner Andresen. o encanto de Lisboa e a sua relação com o rio não foram afectados. Lembremo-nos ainda que a cidade de Lisboa tinha sido destruída pelo terramoto de 1755.na reconstrução da cidade. Apesar de todas as vicissitudes que marcaram a história de Lisboa ao longo dos tempos. No entanto. Lisboa Digo: « Lisboa» Quando atravesso – vinda do sul – o rio E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna Em seu longo luzir de azul e rio Em seu corpo amontoado de colinas Vejo-a melhor porque a digo 9 . que não privilegiaram espaços verdes e zonas de lazer. O século XIX assistiu à chegada do comboio. algumas vezes desordenado. cuja construção já se tinha iniciado antes do grande cataclismo que marcou este século.

Digo para ver Sophia de Mello Breyner Andresen Obra Poética II 1977 10 .Tudo se mostra melhor porque digo Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência Porque digo Lisboa com seu nome de ser e de não ser Com seus meandros de espanto insónia e lata E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro Seu conivente sorrir de intriga e máscara Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata Lisboa oscilando como uma grande barca Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência Digo o nome da cidade .

um contentamento.. João: .... Portugal acordou para uma nova fase do seu devir histórico...! Foi um homem que viveu “na carne” a opressão.. Até parece que o local nunca conheceu agitação. 1 .. a partir das descrições do avô! Lembras-te? Sempre nos falou tanto do dia da revolução.... O “25 de Abril” ou “Revolução dos Cravos” vinha pôr fim a 50 longos anos de ditadura militar.PROGRAMA 23 O DIA DA LIBERDADE No dia 25 de Abril de 1974.....Mas conheceu! E não foi pouca! Ana: . a bebericarem do chafariz.... por isso. ninguém diria! Ana: – Pois é! Toda esta tranquilidade. na clandestinidade.. e lutou sempre.. não admira nada! ! O avô foi um forte opositor à ditadura. não admira nada! João: – Não..E ficava com um brilhozinho no olhar...Eu tinha mesmo de vir aqui! Fui construindo uma imagem deste sítio. as pessoas a irem calmamente comprar o jornal ali ao quiosque. João: . Ana: – Um forte opositor? Um acérrimo opositor.. Ana: – Cá estamos nós. os pombos a esvoaçarem. esta calma.... no celebérrimo Largo do Carmo! Este é um dos locais mais célebres do 25 de Abril! João: – Mas olha.. notava-se um orgulho. Ana: – Pudera.

João: – E com muita vivacidade! Lembras-te dos discos que às vezes punha a tocar. eram presos. que sempre vivemos em Democracia e Liberdade! Por isso é que o avô queria que soubéssemos! Ana: – Claro! Mas mesmo assim. Ana: – Ah! Pois tinha! Era uma canção do Paulo de Carvalho. Ana: – Sim.Sim.. os Capitães de Abril começaram a cumprir a sua missão. não é fácil imaginarmos a vida. foi ele quem me ensinou.. imagina. tim-tim por tim-tim! Tudo com muitos pormenores. do Zeca Afonso? João: – Aquela canção que foi transmitida no dia 25 de Abril pela Rádio? Que foi uma das senhas da revolução? Ana: .“E depois do Adeus”! Após ouvirem o sinal. João: . o dia a dia das pessoas! Já pensaste no que seria a vida num país onde não podias estar a falar na rua com mais duma pessoa? Vinha a polícia de costumes e dispersava os grupos de mais de duas pessoas! Eram considerados “ajuntamentos”..João: .. João: – E podias ser multada se não tivesses “licença de porte de isqueiro”! 2 .. torturados. o que sei do 25 de Abril. Como é que era a letra? João e Ana: – “Grândola vila morena/Terra da fraternidade/ O povo é quem mais ordena/ Dentro de ti ó cidade!”... Ana: .Era um grande homem. que havia lá em casa dele? Ana: – Era a chamada música de intervenção – tinha um carácter de combate e de denúncia! Recordas-te da “Grândola Vila Morena”... contava-nos tudo. essa mesma! O avô explicava-nos sempre isso! Ai.... É preciso ser-se corajoso! Ana: – Sim ! Porque todos os que se opunham ao regime eram severamente perseguidos. João! Ainda nos lembramos perfeitamente! João: – Mas o primeiro sinal para iniciar as operações tinha sido emitido na véspera. Chamava-se.Fantástico... naquele gira-discos.. João: – É difícil imaginarmos tempos assim! Nós. o nosso avô! Olha..

teve de acabar por se render. música. 3 . nas escolas. viver-se com medo do próprio vizinho? Com medo até da sombra da esquina. o povo começou a festejar. quando os militares controlaram certos locais estratégicos e a situação estava dominada... João:..Ana: – A esta distância... tudo passava pelo crivo da censura! Ana: . mesmo que fosse mentira. João: – O Presidente do Conselho.. corredores e até recreios separados! João: – Mas acho que ainda pior do que isso era não haver liberdade de expressão. os espancamentos.. não é? João: – Pois! Os censores riscavam com um lápis azul tudo o que considerassem subversivo – a imprensa e as artes eram completamente controladas: teatro..De facto.. parece ridículo! Mas a existência das pessoas tinha imensas limitações: por exemplo. Porque alguns eram riquíssimos mas o povo. em cima dos tanques do exército. Ana: – Imagina este largo como o avô o descrevia: apinhado de gente.Olha! Não vamos mais longe – o próprio Zeca Afonso.. João: – Por isso. a cantar “coisas” como “Eles comem tudo/ E não deixam nada”! Ana: – Isso era um protesto muito forte contra a injustiça na distribuição da riqueza. literatura. vinham os interrogatórios. os militares e o povo. não deve haver nada pior do que viver-se com medo! Ana: – Deve ser mesmo péssimo! Já viste bem? Às vezes.... é o caso d’ “A morte saiu à rua”! Ana: – É inimaginável! Se alguém te acusasse... Ana: – Estás a referir-te ao “lápis azul” da censura.. cinema. de quem falámos há pouco! Foi preso pela PIDE! João: – Claro! Também. esse era paupérrimo! João: – Mas Zeca Afonso chega mesmo ao ponto de denunciar os assassínios cometidos pela polícia... Olha. lado a lado. rapazes e raparigas não se misturavam! Tinham salas. às vezes mesmo a morte. tudo a gritar palavras de ordem. Marcelo Caetano. a vir para a rua.

são graduáveis – isto é. GRAUS DOS ADJECTIVOS 4 . Atenção ao excertos que se seguem: 1. como já vimos em programas anteriores. abordaremos adjectivos (os graus de alguns adjectivos e a sua posição na frase). “tão bonita como outra”. pela sua importância histórica. João: – Era finalmente a liberdade! Ana: – Para muitos. uma dada realidade pode ser “bonita” em escalas diferentes: “bonita”. Na conversa a que hoje assistimos.1. O local.Ana: – A alegria era tanta que o povo espetava cravos nas espingardas dos soldados.. A propósito da sua conversa. ADJECTIVOS Os adjectivos qualificativos.). a Ana e o João utilizam muitos adjectivos graduados . “muito bonita”. Alguns adjectivos qualificativos. Estão nesta condição os adjectivos que apontam para qualidades que admitem uma gradação.. levou-os a falar sobre o 25 de Abril. “bonitíssima”. podem ser modificados por expressões de grau. “menos ou mais bonita do que outra”. como a própria designação indica. uma escala de valores (por exemplo. exprimem qualidades das entidades que qualificam. 1. era uma espécie de “madrugada”! Sophia de Mello Breyner diz exactamente isso. etc. Queres ouvir? Ana: – Esta é a madrugada que eu esperava/ O dia inicial inteiro e limpo/ Onde emergimos da noite e do silêncio/ E livres habitamos a substância do tempo! Hoje. a Ana e o João visitaram o Largo do Carmo.

Sequência 1: Ana: .Cá estamos nós.. no celebérrimo Largo do Carmo! Sabias que este é um dos locais mais célebres do 25 de Abril? Sequência 2: João: – Não. a maior parte dos adjectivos do excerto estão no grau superlativo absoluto sintético.. extremamente forte ou extremamente acre). Superlativo Absoluto Sintético Celebérrimo (= extremamente célebre) Acérrimo (= extremamente acre/ forte) Riquíssimo (= extremamente rico) Paupérrimo (=extremamente pobre) 5 . um opositor “mais do que forte”. Ana: – Um forte opositor? Um acérrimo opositor. diz antes assim. extremamente ricos). utiliza adjectivos no grau superlativo. que o avô foi um “acérrimo opositor” à ditadura (isto é.. para qualificar as entidades a que se refere. esse era paupérrimo! A Ana. mas que o povo era “paupérrimo” (extremamente pobre).. Sequência 3: Ana: – Porque alguns eram riquíssimos mas o povo. não admira nada! ! O nosso avô foi um forte opositor à ditadura. A Ana recorre ao superlativo absoluto sintético para apresentar as qualidades das entidades no seu grau máximo: diz-nos que o largo do Carmo é um local “celebérrimo” (equivale ao superlativo absoluto analítico extremamente célebre ou extremamente famoso). que alguns eram “riquíssimos” (ou seja.

FORMAÇÃO DO GRAU SUPERLATIVO ABSOLUTO SINTÉTICO Como já foi abordado em programas anteriores. após a queda da vogal final –o. No que diz respeito particularmente aos adjectivos terminados no grau normal em -co. Mas há também adjectivos cujo superlativo absoluto sintético nos chegou directamente do latim. vamos ver melhor como se forma em cada um destes exemplos o grau superlativo absoluto sintético. que nos chegaram por via erudita: Grau Normal Superlativo Absoluto Sintético CÉLEBRE ACRE POBRE CELEBÉRRIMO (do latim celeberrĭmu-) ACÉRRIMO (do latim *acerrĭmu-) PAUPÉRRIMO (do latim pauperrĭmu-) 6 . São cultismos.1. em muitos casos. palavras cultas. mudam o c em qu antes de receberem o sufixo: RICO [RIC(O) + ÍSSIMO ] RIQUÍSSIMO Vemos que em “RICO” o “–o” cai. desaparece. com o sufixo –ÍSSIMO .1. o “C” muda para “QU” e junta-se depois o sufixo –ÍSSIMO para formar o superlativo abosoluto sintético. em português o superlativo absoluto sintético forma-se. 1.Já de seguida.

para o adjectivo “pobre” temos a forma erudita “paupérrimo” a par da forma popular “pobríssimo”. chegou-nos do latim “celeberrimu-“. CASOS PARTICULARES DE COMPARATIVO E DE SUPERLATIVO Alguns adjectivos apresentam formas particulares para expressar a quantificação: Ouçamos a Ana e o João: 7 . formada . “acérrimo”. a partir do adjectivo: Adjectivo Forma erudita Forma popular pobre paupérrimo pobríssimo [pobr(e) +-íssimo] Assim. superlativo absoluto sintético de “acre”. vem do latim “pauperrimu-“. com o sufixo –íssimo. superlativo absoluto sintético de “pobre”. neste caso. De salientar que alguns dos superlativos absolutos sintéticos ditos “eruditos” têm também uma forma popular. provém do latim “* acerrimu-“ e “paupérrimo”.2.“Celebérrimo”. 1. Estas formas de superlativo tendem a ocorrer em registos discursivos bastante cuidados. superlativo absoluto sintético de “célebre”.

João: . “péssimo” é o superlativo absoluto sintético. “maior”.. “pequeno” e “grande” têm formas próprias de comparativo e de superlativo: “bom”. “pequeno”. bem como ao valor semântico associado a cada posição. “melhor”.João: – Mas acho que ainda pior do que isso era não haver liberdade de expressão. “óptimo”. “menor”. também “bom”.. “mínimo”. 8 .De facto. POSIÇÃO DO ADJECTIVO NA FRASE Vamos agora dar atenção às posições que os adjectivos qualificativos podem ocupar na frase. 2. “grande”. “máximo”. não deve haver nada pior do que viver-se com medo! Ana: – Deve ser mesmo péssimo! Normal Comparativo de Superioridade Superlativo Absoluto Sintético MAU BOM PEQUENO GRANDE PIOR MELHOR MENOR MAIOR PÉSSIMO ÓPTIMO MÍNIMO MÁXIMO “Pior” é o comparativo de superioridade de “mau”. À semelhança do que se passa com “mau”.

o significado do adjectivo deixa então de ser 9 . “grande” significaria então “de estatura elevada”. são colocados depois do nome. o João coloca o adjectivo “grande” antes do nome. “grande” assume. por exemplo. da classe de qualidade objectiva. Mas imaginemos que o João colocava o adjectivo a seguir ao nome e dizia. nesta posição. que remete para o seu sentido inerente. ”não figurado”. Cada uma das posições veicula um significado particular. objectivamente observáveis e muitas vezes até passíveis de medida. alguns destes adjectivos.Era um grande homem.Certos adjectivos qualificativos podem ocorrer na frase em duas posições diferentes: antes ou depois do nome que qualificam. Vejamos o seguinte excerto: João: . podem ser colocados antes de alguns nomes. querendo dizer de valor superior”. desta forma. “O nosso avô era um homem grande”. O adjectivo tem assim um valor descritivo. o significado de “notável. um mesmo adjectivo em posições diferentes suscita diferentes interpretações. ou seja. o nosso avô! Como certamente repararam. um grande homem (= notável) um homem grande (= de estatura elevada) Sintetizando: os adjectivos que designam qualidades objectivas.

“um homem pobre” é um homem sem recursos materiais mas um “pobre homem” é um homem “sem sorte”. vamos agora aprender um pouco mais sobre a história recente de Portugal. com recursos materiais. boa). um “coitado”. uma “pessoa rica” é alguém endinheirado. nesta situação. o adjectivo adquire um valor expressivo. um golpe de estado tinha terminado com a Primeira República. Em 28 de Maio de 1926. Terminámos a explicação de hoje dedicada aos adjectivos. pessoa rica ( = endinheirada) / rica pessoa (= bondosa. mas “uma rica pessoa” é alguém bondoso. por vezes.objectivo e passa a avaliativo. Vejamos exemplos de adjectivos de uso muito frequente em português. mas depressa determina toda 10 . homem pobre (= sem recursos) / pobre homem (= sem sorte) Se temos um “amigo velho” quer dizer que temos um amigo idoso. que se afiguraria duradoura. com qualidades humanas superiores. cuja significação muda consoante a sua posição na frase: amigo velho (= idoso) / velho amigo (= amigo de longa data). mas se temos um “velho amigo” temos um “amigo de longa data”. Começa por ser Ministro das Finanças. extinguido todas as instituições políticas democráticas e instaurado no país uma ditadura militar. que ficou marcada pela “Revolução dos Cravos” – o 25 de Abril. não necessariamente idoso. António Oliveira Salazar viria a ser a personalidade política central do regime então iniciado.

Iniciada em Angola. O referido sistema político controla todas as actividades económicas e sociais do país através dum rígido intervencionismo económico-social. fortes movimentos de contestação estudantil. quando o estudante Ribeiro dos Santos. na sequência de acções repressivas contra trabalhadores angolanos. Salazar apela ao cumprimento do dever. cargo que ocupa até 1968. estendese em 1963 à Guiné e depois a Moçambique. Preconiza um estado forte. Todos irão esperar ansiosamente “o grande dia” – o dia do regresso. do reencontro. por diversas vezes. A constituição de 1933 inaugura um regime político que ficou conhecido como Estado Novo. Tais lutas são acentuadas em 1972. é morto a tiro pela PIDE. ao sentido de patriotismo. É nomeado Presidente do Conselho em 1932. corporativo dificulta o surgimento de movimentos sindicais. mas os rostos que nos chegam da guerra só espelham desespero e incompreensão. Uma das traves mestras do governo é o seu severo imperialismo colonialista.a orientação política do governo. A Guerra do Ultramar transformou-se num dos maiores motivos de oposição ao governo. quando adoece gravemente em virtude de uma queda e é substituído por Marcelo Caetano. centralizador e antidemocrático. o último império colonial do mundo ocidental. ao embarque de milhares de jovens combatentes. as mulheres assistem. Na metrópole. do MRPP. para uma guerra que lhes rouba os seus jovens filhos. uma sangrenta Guerra Colonial. Portugal mantém violentamente. no Ultramar. Desde 1961. cuja actuação será marcada pelo autoritarismo. O nacionalismo 11 . no decorrer de uma manifestação. sob condenação das Nações Unidas. Apela à heroicidade. namorados e maridos. Levanta. impotentes e inconsoláveis. trava.

comemora-se. Durante os anos que se seguiram à Revolução. as primeiras eleições livres ocorrem no dia 25 de Abril de 1975. os Pides. Portugal. polícia política do Estado Novo. é extinta e alguns informadores. a polícia política do Estado Novo. silenciador de todas as vozes discordantes. o Dia do Trabalhador. É o caso de Álvaro Cunhal e de Mário Soares. O “Movimento das Forças Armadas” – MFA – é a força militar que no dia 25 de Abril de 1974 depõe o governo ditatorial e conduz à restauração da Democracia. exultante. a Pide. “os capitães de Abril” começam a reunir clandestinamente. pela primeira vez em Portugal. são presos. é o instrumento da repressão. A dura censura exercida sobre as artes e a cultura leva a intelectualidade portuguesa também ao exílio. a 1 de Maio de 1974. cessou a Guerra Colonial e a 27 de Julho de 1974 é reconhecido o direito à independência das colónias portuguesas. desenrola-se um período de forte contestação das autoridades tradicionais e de luta laboral e social. Na sequência imediata da Revolução. presos ou são forçados à clandestinidade e ao exílio. aplaude o regresso ao país dos líderes do partido socialista e comunista. A partir de Agosto de 1973. Os músicos e 12 . delineia-se um movimento – o Movimento dos Capitães . está votado ao isolamento internacional. contra o regime e a guerra colonial. seguindo o lema do “orgulhosamente sós”. o povo.a favor duma revolução.Com efeito. a sociedade portuguesa presencia rápidas alterações: são libertados os presos políticos e a Pide é extinta. Pouco a pouco. a PIDE. Os opositores ao regime são perseguidos.

no dealbar do séc. fazem eco das preocupações revolucionárias no “canto de intervenção”. Portugal é um país livre. Mas os valores conquistados por Abril levarão o seu tempo a germinar. tanto tempo privados de voz. . XXI. democrático e plural onde a abertura ao mundo e o multiculturalismo.cantores. 13 . em 1986. Hoje. a implantar-se na mentalidade e no modo de vida dos portugueses. são uma realidade cada vez mais acentuada. sobretudo depois da adesão à CEE.

título atribuído pela rainha D. João: . __________________________________________________________ Ana: .É o mesmo autor dos painéis do Palace Hotel do Buçaco e da Igreja dos Congregados aqui no Porto. A Ana e o João decidem por isso visitar o Porto. não é verdade? João:. o comércio dos vinhos com a Inglaterra compensou a perda do comércio das especiarias.Mas também há representações de festejos populares e religiosos.Que azulejos interessantes. 1 . durante o cerco da cidade pelos Miguelistas. Maria II. devido à coragem dos seus habitantes. Temos milhentas coisas para ver aqui no Porto.Enquanto dormias. toca a despachar.Que ignorância. Sabias que o autor destes azulejos foi Jorge Colaço? Ana: . Ana: . a minha! Quem foi ele? João:. Posteriormente. também conhecido como Cidade Invicta.PROGRAMA 24 NO PORTO O Porto prosperou com o comércio desde que as rotas mercantis dos romanos cruzavam o Douro.Como sabes essas coisas? Andaste a ler o meu guia. Soube ainda aproveitar as riquezas geradas pelas descobertas marítimas portuguesas dos séculos XV e XVI. Mas. A maior parte deles são alusivos a episódios da História de Portugal. O Porto constitui hoje um centro industrial importante e é a segunda cidade do país.

Que pena! Ana:. Ana:.Achei a casa linda.Mas talvez ainda tenhamos tempo amanhã de manhã.Eu sei. João:.E não vimos tudo. bem conseguido. vá lá.Estou a gostar do ambiente da cidade e das pessoas aqui do Porto. Ana:. mas os jardins são magníficos. sem dúvida.O projecto foi. João:.Ficaria aqui mais tempo. nas colunas e nos pilares. As linhas são Art Déco. João. achei-a bonita. não ficaríamos a conhecer tão bem o Porto. João: Acho que visitámos muitas coisas.Mas. mas prefiro coisas mais modernas como aquela casa que vimos na Av. se pudesse.Parece que o proprietário da casa solicitou a colaboração de artistas estrangeiros para o desenho destes jardins. Como era o nome dele? João:. João:. Ana:. Ou a Igreja de São Francisco. E para não falar no Museu Soares dos Reis. É uma igreja renascentista. é claro. Que edifícios espectaculares! ****** Ana:.Eu diria antes que me apaixonei por esta cidade e por estas gentes. o que é sabes sobre o Museu Soares dos Reis? 2 . Se nos levantarmos cedo. Ana:. É o mesmo que desenhou a Faculdade de Arquitectura aqui do Porto. É obviamente dos anos 30. Parece que o seu interior do século XVIII surpreende todos os visitantes.Se não fosses tu.Dir-se-ia que gostaste do Porto.Siza Vieira. Ana:. Gostaria tanto de ter visitado a Igreja de Santa Clara.Gostei imenso da casa. Imagina lá que há mais de 200 kg de ouro no altar. João:.João:. o da reconstrução do Chiado em Lisboa. mas ainda ficou tanto por ver. Dos Combatentes daquele arquitecto. O seu proprietário teve muito bom gosto. Ana:. Quanto à casa.

Deixa-te de lamentações.. Agora.Não faças fitas. a família real adquiriu-o para sua residência. não era? João:. _____________________________________________________________________ Acompanhámos a visita da Ana e do João à cidade do Porto.Bom. não sabes? Ana:. faça sol ou faça chuva. Ana:.Eu cá não prometi nada. Descansamos um pouco aqui nestes jardins e depois continuamos a visita. parece que há muitas coisas para ver no Museu.Ainda te lembras disso? Apenas o tinha sugerido.E parece que chuva é coisa que aqui não falta. Mais tarde. Só não sei se sobreviverei.Lá achar. João:.Sim.. Tenho a impressão de que continuamos a treinar-nos para alguma maratona! Ana:.Já ouvi falar. sei que fica num palácio construído em finais do século XVIII. do século XIX.Não sei se te diga ou não. João:. mas. Pertencia a uma família rica do Porto. Li no teu guia que é o autor da escultura O Desterrado e que está no Museu. Mas. Era um escultor.Mas não achas boa ideia? João:. João:. Ana:. devemo-nos esforçar um pouco.João:. diz-te alguma coisa? Creio que te lembras bem... desde pintura a ourivesaria.lembras-te do prometido? João:. E só muito mais tarde é que se tornou no Museu Soares dos Reis.Pobre de mim! Ana:. Se queremos aproveitar bem a estadia no Porto. acho.Não?! Caves do vinho do Porto. vamos retomar algumas frases do diálogo para abordar o uso do Condicional. 3 . Sabes quem foi Soares dos Reis. a sintaxe dos clíticos e ainda para explicar o significado de algumas expressões do português. E já foi há tanto tempo! Ana:.

Ana:. o João 4 .Eu diria antes que me apaixonei por esta cidade e por estas gentes. se pudesse. Parece que o seu interior do século XVIII surpreende todos os visitantes.Acho que visitámos muitas coisas.E não vimos tudo. João:. João:. se pudesse.Se não fosses tu. 3. em (1) o condicional é usado como uma probabilidade feita sob uma condição: se a Ana pudesse (condição) ficaria mais tempo (era provável que ficasse mais tempo). em (2) faz-se uma suposição provável – ou seja. É uma igreja renascentista.Gostaria tanto de ter visitado a Igreja de Santa Clara. não ficaríamos a conhecer tão bem o Porto. USO DO CONDICIONAL 1. As frases que estamos a ver apresentam o Condicional com valor modal. mas ainda ficou tanto por ver.1. Ou a Igreja de São Francisco.Dir-se-ia que gostaste do Porto. Imagina lá que há mais de 200 kg de ouro no altar. Uso do Condicional Vejamos novamente um excerto do diálogo: Ana:.Estou a gostar do ambiente da cidade e das pessoas aqui do Porto. pela reacção da Ana.Ficaria mais tempo. Que pena! Observemos agora algumas frases que acabaram de ouvir no diálogo.Dir-se-ia que gostaste do Porto.Ficaria aqui mais tempo. nas colunas e nos pilares.Eu diria antes que me apaixonei por esta cidade e por estas gentes. João:. Gostaria tanto de ter visitado a Igreja de Santa Clara. 4. Assim. 5. Ana:. 2. E para não falar no Museu Soares dos Reis.

destaca-se nestas o seu carácter modal. O ponto de perspectiva temporal desta frase é o passado. Sintaxe dos Clíticos Vejamos agora mais umas frases do diálogo e observemos a sintaxe dos pronomes clíticos que correspondem às formas átonas do pronome pessoal. Não apresentam características temporais mas sim gramaticalizam as opiniões das personagens. O ponto de perspectiva temporal nestas frases não é o passado. Creio que te lembras bem. Como dissemos logo no início. em (3) é feita uma eufemização – isto é. 5. Apenas o tinha sugerido. 2. que não está no diálogo: 6. SINTAXE DOS CLÍTICOS 1. Dir-se-ia que gostaste do Porto. Contrastem-se as frases em análise com a frase seguinte. Ontem a Ana encontrou um colega e este convidá-la-ia para ir ao teatro. suavizada. 3.. Tenho a impressão de que continuamos a treinar-nos. Aqui o condicional usa-se para perspectivar o futuro mas a partir do passado (ontem). 5 . 2. a Ana declara ter-se apaixonado pelo Porto mas de uma forma eufemística. Ainda te lembras disso? 4.supõe que ela tenha gostado do Porto.. em (4) exprime-se um desejo e em (5) usa-se o condicional para exprimir uma certa irrealidade.

. também seria possível fazê-lo preceder o verbo aspectual .continuar a. Ambas as frases estariam correctas.. Na frase 3. 6 . Assim. a frase poderia ser dita: Se queremos. Na frase 6.. O advérbio de focalização apenas atrai o clítico para uma posição antes do verbo. Em 4.. também seria possível colocar o clítico depois da forma infinitiva. devemo-nos esforçar... Em 2. observamos que o pronome clítico ocorre à direita da forma infinitiva.. devemos esforçar-nos. No entanto.. Trata-se de uma sobrevivência da gramática antiga do português.. o clítico surge depois do verbo modal dever. Em 1... No entanto. Em 5.Qu atrai o clítico para a posição antes do verbo. observamos que o pronome objecto está colocado entre a forma infinitiva e os afixos flexionais. Se queremos.6. O complementador. o clítico surge antes do verbo porque temos uma frase interrogativa e além disso iniciada com um operador de focalização -ainda..... o clítico precede o verbo. o pronome surge antes do verbo porque se trata de uma frase subordinada.. A frase poderia ser dita do seguinte: Tenho a impressão de que nos continuamos a treinar.

É uma igreja renascentista.E não vimos tudo. destacamos a expressão de desejo e de pena. mas ainda ficou tanto por ver. E para não falar no Museu Soares dos Reis. João:. se pudesse.. Vejamos novamente um pequeno excerto do diálogo: Ana:.Estou a gostar do ambiente da cidade e das pessoas aqui do Porto. Que pena! ACTOS DE FALA • Para se expressar desejo: “Gostaria tanto de .. nas colunas e nos pilares. **** João:. Ou a Igreja de São Francisco.” • Para expressar pena: “Que pena!” 7 .Dir-se-ia que gostaste do Porto. Imagina lá que há mais de 200 kg de ouro no altar. Ana:.3. João: Acho que visitámos muitas coisas. Actos de fala Quanto aos actos de fala.Ficaria aqui mais tempo. Parece que o seu interior do século XVIII surpreende todos os visitantes.Eu diria antes que me apaixonei por esta cidade e por estas gentes. Ana:.. Gostaria tanto de ter visitado a Igreja de Santa Clara.

4. Comecemos a nossa visita pelo Terreiro da Sé. Aqui podemos ver a Sé. sendo aqui locais para visitar ou ver. 8 . 1. Agora espero que gostem da proposta que vos fazemos para conhecerem o Porto ______________________________________________________________ O centro histórico do Porto merece uma visita. Se descermos as escadas até ao Cais da Ribeira. a casa do Cabido e o Palácio Episcopal. “Faça sol ou faça chuva. Esta expressão é utilizada num registo de língua bastante informal. Num dos claustros gótico e abobadado observam-se os painéis setecentistas de azulejos de rara beleza. Hugo pode ver-se a Casa-Museu Guerra Junqueiro.” A frase 1 “Temos milhentas coisas para ver aqui no Porto” trata-se de um exagero. A Sé foi alvo de intervenções ao longo dos séculos.“Temos milhentas coisas para ver aqui no Porto. chegamos ao Barredo – bairro de aspecto medieval. de uma hipérbole. zona típica. Os tesouros artísticos da Sé merecem ser visitados.” 2. apresentando hoje uma enorme variedade de estilos.É um edifício setecentista. de estilo barroco. A frase 3 “Não faças fitas” significa não dar nas vistas. A frase 2 “Faça sol ou faça chuva” significa em qualquer circunstância. propriedade daquele poeta do século 19. não agir de forma exagerada. “Não faças fitas. Expressões do Português Vamos agora recordar algumas expressões do diálogo e explicar o seu significado. atribuído a Nicolau Nasoni. Na rua D.” 3. que significa que se tem muito para fazer.

a Igreja de São Francisco: a sua fachada austera. como o casario de cores fortes. Se caminharmos até à Ponte de D. Mas o interesse e património histórico da cidade do Porto não se esgotam nestas zonas.Pela rua de S. Nicolau Nasoni. gótica não nos deixa adivinhar a talha dourada existente no seu interior. desde o Cais até à Sé. avista-se a Ponte e a Bolsa. que ajudava os mais necessitados e que faz hoje parte do imaginário popular. Actualmente. A Praça da Ribeira foi até ao século XIX. com a sua casa e jardins magníficos. considerado um magnífico exemplar do barroco. É da sua responsabilidade a fachada da Igreja da Misericórdia. Luís. como por exemplo a Fundação de Serralves. a transformação da Sé e o conjunto dos Clérigos. Na Cadeia e Tribunal da Relação. Este mosteiro é considerado um dos edifícios religiosos mais importantes e imponentes da cidade do Porto Ao fundo da Rua de S. esta zona atrai muitos turistas pelos restaurantes e espaços nocturnos existentes. poderemos observar toda a zona envolvente. ficando quase totalmente destruído. projectada por um discípulo de Eiffel no século XIX. o Coliseu. dos Aliados e a Praça da Liberdade. o edifício sofreu vários incêndios. Veja-se ainda na Ribeira. João. da cidade do Porto. pode visitar-se o Mosteiro com o mesmo nome. Na Rua de S. Bento. Domingos onde se erguia o convento com o mesmo nome. fundado em 9 . Bento da Vitória. figura importante no panorama artístico do século XVIII. A Ribeira também merece ser descoberta. Se descermos a Rua dos Clérigos podemos apreciar a Av. Há muito mais por descobrir nesta cidade encantadora. assaltante da região. Mas. chegamos ao Largo de S. considerada hoje Património Mundial pela UNESCO. restando-lhe agora a fachada recuperada. o centro da actividade comercial da cidade. arquitecto de origem italiana. estiveram presos Camilo Castelo Branco e Ana Plácido e ainda o famoso Zé do Telhado. entre 1787 e 1832.

Podem ainda visitar-se as Caves do Vinho do Porto. cafés antigos. de estilo neoclássico. a sua verdadeira beleza está na força e singularidade do seu rio. pelos seus monumentos. considerada a mais antiga do Porto. do século XII. mercados. um dos maiores da Península Ibérica. em Vila Nova de Gaia ou fazer-se um passeio de barco. é um edifício centenário e um dos mais emblemáticos da cidade.1941 e desenhado por Cassiano Branco. A cidade do Porto é considerada pela UNESCO como sendo «cidade património mundial». É uma cidade cheia de monumentos históricos. restaurantes e ruas estreitas. O Porto é actualmente um próspero centro urbano mundialmente conhecido pelo seu vinho. No entanto. 10 . pelas suas actividades culturais. o Estádio do Dragão do arquitecto Manuel Salgado e a Igreja de Cedofeita. O edifício da Bolsa. o rio Douro.

um verdadeiro jardim botânico.Custe o que custar. Seleccionámos apenas aquelas que apresentam hoje alguma originalidade arquitectónica e despertam a curiosidade dos visitantes. por isso. João. Coimbra. esperando num futuro próximo a oportunidade de visitar estes pitorescos recantos. A Ana e o João não têm tempo para descobrir todo o país. Será que nos deixam visionálo? Deixa-me perguntar àquele funcionário. É verdade que o Buçaco é uma floresta antiga.Concordo contigo. Talvez se possa dar um pulinho até ao Buçaco. ****** Ana:.E no centro. Proponho Évora ou Beja no Alentejo Ana:.Olha.Não digas uma coisa dessas.PROGRAMA 25 POR ALDEIAS E VILAS DE PORTUGAL Neste programa apresentaremos um percurso por algumas aldeias e vilas históricas portuguesas. a livros e a DVD temáticos. João:. talvez.Encontrei este e gostaria que o víssemos juntos. O que achas.Buçaco! Mas o que é que tu queres fazer no Buçaco? Só há árvores e plantas ou haverá algo mais do que isso? Ana:. encontraste algum DVD? João:. João. temos de visitar apenas uma cidade por região. E tu. recorrem. 1 . encontrei estes dois livros sobre Portugal que me parecem interessantes. Ana:. João? João:.

Mas. para que não te restem dúvidas. Poderá ainda ver o monumento à Batalha do Buçaco e que assinala a vitória de Wellington em 28 de Setembro de 1810. Na Igreja de Santa Cruz estão sepultados os dois primeiros reis de Portugal.Interessante e caro.Haverá. poder-se-ão ainda ver os claustros. Não é certamente para as nossas bolsas! João:. poderá visitar a Igreja de São Tiago com a sua fachada simples. eu sei que estás mortinha por ler o que diz o guia. Ana:. Ana:.E há ainda o Palace-Hotel do Buçaco. este guia. Os monges ergueram capelas e caminhos de contemplação. Duvido que seja mais completo do que este guia.Vá lá Ana.Ana.João:. Uma placa recordar-lhe-á que Wellington dormiu numa das celas forradas a cortiça. João:.Então. João:. A Sé Nova fica perto da Universidade e foi fundada em 1598 pelos jesuístas. é considerada um dos mais belos edifícios românicos portugueses. encontrará lojas. 2 . É excelente. Do largo da Portagem. Até dá sugestões de lugares onde se pode comer e dormir. um restauro do século XII. mandado construir pelo Rei D. possuindo no seu interior um retábulo rococó em talha dourada. A Sé Velha. Num dos recantos. Poderá ainda visitar a Igreja do Carmo com um retábulo do sec. até à Praça do Comércio. Do seu mosteiro. a avaliar pelo seu aspecto. Ana:. vou ler-te o que está escrito aqui no guia. Carlos I em 1888 e terminado em 1907. João:. a capela e algumas celas de monges. bares.Coimbra foi terra Natal de seis reis e sede da mais antiga Universidade de Portugal.E se víssemos agora algo sobre Coimbra? Ana:.Será como dizes. Ana:. mas não acredito. restaurantes e pastelarias. XVI e a Igreja da Graça também do mesmo século. na Baixa.O Buçaco foi retiro monástico no século XVI. basta de História! Ana:. o hotel terá cerca de 100 anos! Deve ser interessante.Boa. João:. com certeza outros hotéis mais baratos lá perto. em estilo fortaleza.

Uma lenda conta-nos que surgiu aí uma nascente. Também eu. Mas não é possível ver tudo desta vez. temos os conventos de Santa Clara e que estão muito ligados a Santa Isabel e a D. Se se interessar por igrejas. a praça central. junto à Praça da República. que pode ser vista nos Jardins da Quinta das Lágrimas. Poderá ainda ver a impressionante Sé. André Soares da Silva.Lá estás tu outra vez a falar no guia. João:.Adivinhaste os meus pensamentos! Gostava imenso de conhecer esse parque. diga -se lá o que se disser.A Universidade foi fundada por D.E lá bem no Norte. podíamos dar um salto ao Parque Nacional de Peneda-Gerês. João:. poderá visitar a Capela dos Coimbras do Século XVI e a Igreja de Santa Cruz. mas nem me atrevia a fazer a sugestão.Garranos?! Que raio de bichos são esses? Ana:. onde se pode ver a Torre de Menagem do século XIV. João:.As Igrejas. O que diz o livro sobre Braga? Gostas tanto desse guia! Ana:. Ana:. Dizem que é de uma enorme beleza natural.São cavalos e éguas baixos e robustos! João:. Muitas das mansões de Braga datam do período barroco. 3 . Do outro lado do Mondego... as mansões do século XVIII e os magníficos jardins dão a Braga um encanto muito especial.Estou impressionado contigo. Ana. Coimbra tem muito encanto. ambos atribuídos ao arquitecto do século XVIII.Mas já que gostas tanto de Natureza.. João:.Pois é. Se pensa visitar Braga. Ana:. Temos de cá voltar. poderá começar por um pequeno passeio no centro histórico. Dinis em 1290 e é uma das mais antigas do Mundo. Parece que até há garranos à solta. Inês de Castro que aí foi apunhalada em 1355. no estilo Barroco do século XVII. a Fonte dos Amores. O que vale é que eu faço ouvidos de mercador! Ana:.Há tantos outros lugares que eu gostava de visitar. não podemos deixar de visitar Braga. tal como o Palácio do Raio e a Cãmara Municipal. Ana.

Conheço-a e não me importo nada de lá voltar. XV com a capela dos ossos do sec. não me vou embora sem passar pelo Algarve. Neste programa. Vamos ainda apresentar frases concessivas e finalmente conhecer o significado de algumas expressões do português. Ou ainda a praia do Camilo.Como a de Arrifana na costa oeste. através do uso do futuro do indicativo. Este não marca geralmente uma localização temporal. XVIII e a Igreja de Nª Sraª da Graça do sec. XVII e a Universidade. uma reserva natural que vale a pena conhecer. muito mais a sul. tem bonitas formações rochosas.Ou a praia de Beliche. A igreja da Misericórdia do sec. Introduz antes no enunciado uma fonte de incerteza. a incerteza. Poderá admirar a praça do Giraldo com a fonte de 1571. 4 . Évora ganhou fama sob os romanos e floresceu na Idade Média como centro de aprendizagem e de artes. Ana:. Ana:. o Templo romano construído no século II ou III d. XVI. é marcada no diálogo pelo uso do Futuro do Indicativo. Há praias lindíssimas! João:. A Ana e o João querem partir à descoberta de Portugal. a Igreja de S. que apesar de ficar “no fim do Mundo”.. vamos abordar a expressão de dúvida.Ana:. É lindíssima! João:.Acho que ficamos a conhecer Portugal de lés a lés. sendo considerado por isso modal.Aconteça o que acontecer. do século XV. EXPRESSÃO DE DÚVIDA/ INCERTEZA A dúvida. É abrigada pelas falésias e tem uma vista espantosa. Ana:. Vejamos o que se pode visitar em Évora.E agora mais a sul.Ou a Ria Formosa. Francisco do sec. O convento dos Lóios.c. 1. A Sé que demorou 50 anos a construir e que mais parece uma fortaleza. de incerteza. é agora uma luxuosa pousada onde se pode dormir nas celas e jantar nos claustros.

E há ainda o Palace-Hotel do Buçaco.Ana. 2.Vejamos novamente um excerto do diálogo: Ana:. mandado construir pelo Rei D. com certeza outros hotéis mais baratos lá perto. basta de História! Ana:. João:.Haverá.O Buçaco foi retiro monástico no século XVI. o hotel terá cerca de 100 anos! Deve ser interessante. Os monges ergueram capelas e caminhos de contemplação. João:. Uma placa recordar-lhe-á que Wellington dormiu numa das celas forradas a cortiça. Não é certamente para as nossas bolsas! João:. Poderá ainda ver o monumento à Batalha do Buçaco.Então. Então. a capela e algumas celas de monges. a capela e algumas celas de monges.Interessante e caro. Carlos I em 1888 e terminado em 1907. poder-se-ão ainda ver os claustros. Do seu mosteiro. o hotel terá cerca de 100 anos! 5 . poder-se-ão ainda ver os claustros. Do seu mosteiro. Ana:. a avaliar pelo seu aspecto. Poderá ainda ver o monumento à Batalha do Buçaco e que assinala a vitória de Wellington em 28 de Setembro de 1810. Uma placa recordar-lhe-á que Wellington dormiu numa das celas forradas a cortiça. Vejamos então algumas frases do diálogo: EXPRESSÃO DE DÚVIDA/ INCERTEZA: FUTURO DO NDICATIVO 1.

Ana:. temos de visitar apenas uma cidade por região.Como a de Arrifana na costa oeste. É abrigada pelas falésias e tem uma vista espantosa. chamada posição mesoclítica. outros hotéis mais baratos lá perto.” e “Uma placa recordar-lhe-á ---“. Chamamos a vossa atenção para a construção da frase com os pronomes clíticos “se” e “lhe”.Concordo contigo. Há praias lindíssimas! João:. Conheço-a e não me importo nada de lá voltar. poder-se-ão ainda ver os claustros. FRASES CONCESSIVAS Vamos rever duas sequências do diálogo para abordarmos as frases concessivas com repetição do verbo. com certeza. alojado entre a forma infinitiva “poder” “recordar” e os afixos flexionais “ão” e “á”. o futuro é usado para expressar uma hipótese.: “Do seu mosteiro. mas não acredito.Aconteça o que acontecer. Haverá. Na frase 3. 2.. ***** Ana:. antecipada ao leitor/turista.3. 4. Estas frases apresentam de algum modo uma relação contrastiva. Na frase 4 temos uma concessão com dúvida. é uma reminiscência da gramática antiga da língua portuguesa. João? João:. O que achas.. Será como dizes.Na frase 2. Como já vimos em programas anteriores.Custe o que custar. Proponho Évora ou Beja no Alentejo. 6 . esta posição do clítico. não me vou embora sem passar pelo Algarve.o uso do futuro exprime um cáculo aproximado. Em 1 o futuro apresenta uma possibilidade.

observamos a ocorrência de uma situação que contrasta com aquilo que se esperaria. muito longe. Na frase 3. “O que vale é que eu faço ouvidos de mercador!” 2. que apesar de ficar no fim do Mundo. conhecer Portugal de lés a lés significa conhecer Portugal de uma ponta à outra. Trata-se de frases concessivas com repetição de verbo. ficar no fim do Mundo significa ficar num lugar longínquo. Observamos ainda a presença do conjuntivo nas frases concessivas. tem bonitas formações rochosas. 2. …diga-se lá o que se disser. “…ou a praia de Beliche. “Acho que ficamos a conhecer Portugal de lés a lés. Conhecer Portugal em toda a sua extensão. EXPRESSÕES Vamos agora recordar algumas expressões do diálogo e explicar o seu significado. Nestas frases. Coimbra tem muito encanto. 7 . temos de visitar apenas uma cidade por região. Custe o que custar. não me vou embora sem passar pelo Algarve. Na frase 2. Aconteça o que acontecer.” 3.FRASES CONCESSIVAS 1. 3. fazer ouvidos de mercador significa fingir-se que não se ouve. 1.” Na frase 1. conferindo-lhes um carácter modal 4.

Foi um burgo próspero nos séculos XII e XIII. Existem ainda as Igrejas de São Tiago e a Capela do Senhor dos Passos. É uma cidadela medieval portuguesa. um pelourinho e uma das entradas para a cisterna. Sortelha é uma aldeia de granito. Esta antiga vila fortificada foi testemunha de um acontecimento importante das guerras da Restauração. Junto à Porta do Anjo. situada perto da Covilhã. Perto do castelo. Conserva o seu aspecto medieval na arquitectura das suas casas de granito. destacam-se a Torre de Menagem e a Igreja Matriz. Nesta cidadela. Marialva fica situada no alto de um monte rochoso. dedicada a Nossa Senhora do Rocamador. entre Celorico e Foz Côa. a do Monte. fica a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios e a Igreja de São Pedro. destacam-se. Possui quatro portas de entrada: a do Anjo da Guarda. Na Praça dos Paços 8 . no exterior da muralha. de traça românica e fundada no século XII para apoiar os peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela. As casas de granito apresentam alguns traços manuelinos. Castelo Novo fica situado numa das encostas da Serra da Gardunha e é considerada uma localidade bem conservada do ponto de vista arquitectónico.Agora espero que gostem da proposta que vos fazemos para descobrirem Portugal. Dentro das muralhas. As ruas são estreitas e os largos pequenos. de estilo neoclássico. cujas origens parecem ser anteriores à colonização romana. mas é hoje pouco habitada. no largo do Pelourinho. A Igreja Matriz é dedicada a Nossa Senhora das Neves. uma construção quinhentista dominada pela Torre de Menagem e pela cisterna. existe também uma Torre de Menagem. ___________________________________________________________ Castelo Rodrigo ergue-se no cimo de um monte vizinho da Serra da Marofa. a de Nascente e a da Traição. há a Igreja Matriz. Para além das casas do burgo.

toda caiada de branco. afluentes do Mondego. janelas com cortinas de renda. o miradouro e as ruínas da capela românica de S. Salientamos ainda a Torre de Menagem e a Igreja Matriz ou Igreja de S. temos a casa da Câmara do século XV e o Pelourinho. Perto. As ruas são estreitas. sucessivamente. O Museu Municipal possui boas colecções de pintura. O seu castelo e conjunto urbano estão hoje classificados. O largo da Bica é dominado pelo Chafariz do mesmo nome do século XVIII. A Igreja Matriz de Santa Maria foi. Óbidos foi uma localidade com alguma importância. Esta aldeia é rodeada pela Serra do Açor e pelos rios Alva e Ceira. mesquita e novamente igreja cristã. vê-se a Torre de Lucano do século XIV com o seu relógio. está o castelo que foi conquistado aos mouros por D. No largo da entrada. Monsanto como tantas outras aldeias e vilas. Salvador. apresentando uma arquitectura religiosa de matriz popular. Afonso Henriques em 1165.do Concelho. Nesta aldeia viveu o médico e escritor Fernando Namora. temos a Igreja de Nossa Senhora da Conceição. tem um miradouro com uma vista deslumbrante. templo visigótico. encontram-se as típicas casas em granito. Miguel. As ruas são pequenas e sinuosas e desembocam aqui e além em pequenos largos ou surgem escadinhas com degraus de xisto. O pico onde se ergue a aldeia de Monsanto domina a planície à sua volta. A caminho do castelo. 9 . revestida a azulejos. empedradas e acolhedoras. Piódão mantém os traços medievais e surpreende pela disposição em anfiteatro das casas feitas de xisto. E lá no alto. particularmente de Josefa de Óbidos e de Arte Sacra. A Porta da Vila apresenta uma magnífica capela oratório do século XVIII.

consegue conquistá-la definitivamente. de estilo gótico. representando as fases da Justiça terrena. em estilo gótico. com o auxílio dos Templários. No largo D. Monsaraz fica situada no cimo de uma colina de onde se avista vasta planície alentejana. O seu desaparecimento deu origem a algumas lendas na memória popular. Pedro. Foi um castro pré-histórico. O primitivo castro foi romanizado e mais tarde ocupado sucessivamente por visigodos e mouros. com a bandeira pintada em 1590 por Diogo Teixeira. 10 . o Menir de Belhoa e o Cromeleque do Xerez. Hoje. Nuno Alvares Pereira. O seu castelo é uma fortificação orientada estrategicamente para a fronteira. mosteiro franciscano de século XV. Afonso Henriques aos mouros. seu avô. vê-se a Igreja Matriz que tem no seu interior um fresco. temos o convento de Nossa Senhora da Estrela. D. como por exemplo o Menir de Outeiro. Fernando por D. a riqueza de Monsaraz vem-lhe sobretudo do conjunto urbano. Salientamos ainda a cidade romana de Ammaia.A Igrejas de S. Só em 1252. O passeio pelas ruas desta vila é um prazer. devido à beleza das suas ruas e das casas caiadas e com vasos de flores coloridas nas janelas. Vêem-se ainda hoje na região monumentos megalíticos. Sancho II. reconstruída depois do terramoto de 1755 e a Igreja da Misericórdia. Nuno Álvares Pereira. Em 1412 foi doada a D. Fora das muralhas. merecem ser visitadas. Marvão foi conquistada por D.