P. 1
Politicas Urbanas Regionais Brasil

Politicas Urbanas Regionais Brasil

|Views: 16|Likes:
Published by carlosrodrigo_

More info:

Published by: carlosrodrigo_ on Aug 01, 2013
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/23/2014

pdf

text

original

Rodrigo de Faria e Benny Schvarsberg

(Organizadores)

POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL

1ª Edição

Brasília Faculdade de Arquitetura e Urbanismo / FAU-UnB 2011
1

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

e-livro POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL

Este e-livro (arquivo PDF) não pode ser comercializado. Sua distribuição é gratuita e a reprodução (parcial e/ou integral) autorizada desde indicada referência bibliográfica de autoria e organização conforme normas vigentes da ABNT.

2

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

P769

Políticas urbanas e regionais no Brasil / Rodrigo de Faria e Benny Schvarsberg, organizadores. _ Brasília : Universidade de Brasília, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, 2011. 229 p. ; 30 cm. ISBN 978-85-60762-05-7 1. Política urbana - Brasil. 2. Política regional. 3. Desenvolvimento regional. 4. Brasil - municípios. I. Faria, Rodrigo de (org.). II. Schvarsberg, Benny (org.).

CDU 711.4(81)

POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL
Coordenação de produção: Capa: Imagem da Capa: Rodrigo Santos de Faria Rodrigo Santos de Faria Mapa do Brasil com a identificação dos municípios com mais de 20 mil habitantes, respectivamente, nos anos 1940, 1960 e 1980. Fonte: IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

1ª edição: julho de 2011

FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO - Editora Universidade de Brasília – UnB Instituto Central de Ciências – ICC Campus Universitário Darcy Ribeiro – Asa Norte Caixa Postal 04431 / CEP 70904-970 Telefone: +55 (61) 31076630 http://e-groups.unb.br/fau

3

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL

Laboratório de Estudos da Urbe
LabUrbe-PPGFAU-UnB

Grupo de Pesquisa em História do Urbanismo e da Cidade
(GPHUC-UnB/CNPq) e-mail: gphuc.unb@gmail.com

4

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

3.1. 2. 5. Índice Apresentação Prefácio 4. Autores Artigos 5 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .

Cinqüenta anos de Políticas Públicas Federais de Desenvolvimento Regional no Brasil p. Política Nacional de Habitação: programas e resultados p. V.92 Alessandra d´Avila Vieira e Mirna Quinderé Belmino Chaves Cap. VII.114 Claudio Oliveira da Silva Parte C: Ordenamento Territorial. VI.33 Heloisa Pereira Lima Azevedo Parte B: Habitação e Desenvolvimento Urbano Cap. II. III. Planejamento e Gestão Municipal: planos diretores – avanços e alertas na implementação p. IV.137 Júlio Miragaya e Leandro Signori Cap. Planejamento Urbano no Brasil pós-1988: panorama histórico e desafios contemporâneos p.I. Índice Parte A: Política Urbana e Planos diretores no Brasil Cap.16 Benny Schvarsberg Cap. O debate regional no Municipalismo Brasileiro – (im)possibilidades da cooperação intermunicipal como instrumento de desenvolvimento? p. Mobilidade e Acessibilidade Urbana e Regional.51 Cap. o Papel do Transporte Público na Gestão Municipal p.1. O Estatuto da Cidade entre o Local e o Nacional Kazuo Nakano p. Política Regional e Desenvolvimento Municipal Cap.195 Rodrigo Santos de Faria 6 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . VIII.168 Kelson Vieira Senra Cap. A Importância da Política Nacional de Ordenamento Territorial (PNOT) para o Desenvolvimento Sustentável Brasileiro p.

conhecimento. pensar também processos históricos de desenvolvimento urbano e regional. Apresentação Esta coletânea de artigos que aqui apresentamos publicada no formato e-livro é resultado de um Ciclo de Conferências organizado na forma de um Simpósio na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB nos dias 11. O objetivo central do Ciclo de Conferências (com título original “Políticas no e e urbanas para e o regionais século em as no Brasil foi hoje Conferências e Debates sobre Políticas Urbanas e Regionais em construção pesquisas Brasil reflexões XXI”) articular por em acadêmicas com desenvolvimento públicas pesquisadores professores políticas construção no Governo Federal naquele momento. a Uma primeira. segunda o resulta desta no agora primeira: formato gratuita editoriais ampliando custo (a praticamente acesso distribuição é inexistem digital. Em relação ao formato e-livro. 18 e 25 de novembro de 2009. no âmbito do desenvolvimento urbano e regional no Brasil. Nesse sentido. tanto pela abordagem histórica do planejamento nacional e regional no Brasil. impressa diretamente em co-edição os custos e e sem sua 7 relacionado aos elevados custos editorias da publicação e a viabilizar condição ao produção pela FAU-UnB.2. em sua linha de Pesquisa Planejamento Urbano e Projeto de Urbanismo. duas condições dificuldade A justificam em a opção. quanto a do desenvolvimento municipal e os dilemas e (im)possibilidades de cooperação para o desenvolvimento urbano. ilimitado integralmente Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Simpósio acadêmica que dos é de certa forma (do resultante Ciclo e da deste aproximação Livro) no organizadores exercício conjunto do ensino no âmbito do Programa de PósGraduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU-UnB. inclusive aprovada por editora comercial.

Rodrigo de Faria e Benny Schvarsberg Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – UnB 1 Usos de imagens e referências bibliográficas são de responsabilidade dos autores.reprodução direitos fonte livro foram inteiramente dos da livre. que este contribua os debate nosso planejamento desenvolvimento urbano e regional no Brasil. quando citação) com o técnicos sobre o pesquisadores e o interessados no tema e ao público em geral. 8 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . aos desde e que e respeitados indicando os a autorais organizadores autores. Por fim. agradecimento1. que conferencistas. Agradecemos também o apoio da FAU-UnB na realização do Ciclo em 2009. Aos autores.

Essa dupla inserção não só propicia um olhar comprometido com o saber fazer e o fazer saber políticas nacionais urbanas e regionais. como obriga o exercício do diálogo entre ambas as instituições. Prefácio coletânea intitulada “Políticas urbanas e regionais no Uma Brasil”. professores da Arquitetura Urbanismos permite especular Brasília. a coletânea que ora tenho o prazer de prefaciar. Vai além. desperta no leitor a expectativa de encontrar uma discussão crítica sobre as propostas e os resultados dessas políticas. papel universidade. Paralelamente. organizada pela academia. No entanto. as urbanas e regionais. uma simbiose geográfica a ser reconhecida e valorizada. Idiossincrasias a parte. em princípio.3. toda esta querela perde o fôlego quando se observa que a academia está dentro do governo federal e vice-versa. No caso da presente coletânea. papel que não se resume a ser uma universidade federal. cidade-sede. portanto. A primeira peculiaridade está no fato de a maioria dos autores pertencerem ou terem pertencido. Arrisco dizer também que o governo federal tem um papel chave na UnB. entre as quais. esse diálogo nem sempre é visto com bons olhos. Porém. a relação academiagoverno federal na área urbana e regional não é propriamente uma novidade. não se restringe a esse tipo de discussão. Arrisco dizer que a UnB tem um papel chave no desenho de políticas nacionais. Desfaz-se o conhecido “gap”. Acadêmicos mais puristas reclamam que a construção de um saber urbano e regional direcionado desvirtua a sua verdadeira função e vários membros do governo federal consideram que a academia só produz teoria. Há. Possui peculiaridades que ensejam trazer à tona uma das questões mais relevantes para a área de planejamento urbano e regional: as escalas de intervenção. da cuja UnB. 9 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . aos quadros da academia e do governo federal. simultaneamente. o fato de a edição da coletânea ter partido dos arquitetos Faculdade sobre o Rodrigo de de de uma Faria e e Benny Schvasberg. coincide com a sede do governo federal. pois já vem se realizando desde há muito.

com a retirada do Estado Nacional. então. uma “sacudida” nos defensores do puro localismo. uma lei nacional que faculta aos municípios a utilização de uma série de institutos jurídicos. principalmente no decorrer dos anos 1990 e no início dos 2000. Ele representou um marco na história das políticas urbanas e regionais e. Essa característica permite introduzir a questão das escalas de intervenção que foi objeto de acirrados embates entre planejadores e pesquisadores da área. de matéria quando. com o rechaço da extremada centralização do Estado Nacional nos anos de ditadura. até que ponto as políticas urbanas No e regionais constituíam período. a Uma pseudo-indagação. princípio da Carta de 1988 que orientou a competência sobre política urbana para os municípios. cabe acrescentar a oportunidade do lançamento da coletânea neste ano de 2011. a criação do Ministério das Cidades e a elaboração de uma Política Nacional de 10 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Divulgar essa produção para estudiosos e interessados no tema é uma maneira de situar o seu estado da arte e avaliar em que moldes a retomada vem acontecendo. nacional ou local. financeiros e de planejamento. significou uma retomada da atribuição do Estado Nacional sobre as políticas urbanas e regionais. pois havia certo encantamento com os projetos meramente locais. imperava o neoliberalismo. Este quadro começou a mudar em 2001. Assim. com a aprovação do Estatuto da Cidade. Confundia-se a participação de atores da Sociedade Civil. como os movimentos sociais e as organizações não governamentais. em 2003. Pouco depois.Se não bastassem essas peculiaridades. porque não dizer. indiscutivelmente. sucessor de uma década que. Confundia-se a descentralização. Indagava-se. As peculiaridades mencionadas dão o tom da obra que se caracteriza por tratar predominantemente dos discursos de políticas urbanas e regionais de cunho nacional e seus instrumentos. não era freqüente a reclamação sobre ausência diretrizes urbanas regionais. Brasil daquele a similarmente nacionais inúmeros e países do mundo. não se pode ignorar que nos últimos anos foi gerada uma produção de conhecimento relativa ao conteúdo e o modus faciendi de tais políticas.

mobilidade urbana. resíduos sólidos e de ordenamento territorial. na definição de suas prioridades espaciais e no próprio resgate dos seus contextos históricos. sob o comando do Ministério da Integração. antes a para Claudio política Kelson mobilidade Senra denominada transporte política regional. De modo similar. portanto. Falar. A questão das escalas de intervenção leva a afirmar que o embate entre nacional ou local hoje está deslocado.“O Estatuto da Cidade entre o local e o nacional” é emblemático do encontro interescalar local-nacional.Desenvolvimento Regional. década. O encontro interescalar também pode ser percebido nos demais capítulos da coletânea. Todo esse esforço corresponde. sem dúvida. Assim o fazem: Alessandra d‟Avila Vieira e Mirna Quinderé Oliveira de Belmiro da Silva Chaves para a e urbano. não se pode concluir que houve um simples retorno da atuação do Estado Nacional. também representaram marcos e “sacudidas” que foram acompanhadas pelo arrefecimento mundial do neoliberalismo. cada uma em distintos estágios de formulação. seguiram-se outras propostas de Ao longo de toda a políticas nacionais relacionadas às urbanas e regionais. aprovação e implantação. o fazem Júlio Miragaya e Leandro Signori ao discorrer 11 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . em um contexto que começa nos anos 1980. em um encontro interescalar em termos de intervenção. para a política de Vieira de habitação. conforme aparece explícita ou implicitamente na coletânea. pois parece ser mais correto falar em nacional e local permeado pelo regional. a uma a uma reinserção da presença do urbano e retomada da atuação do Estado Nacional sobre políticas urbanas e Equivale regional na agenda do governo federal. no qual o autor promove um encontro interescalar localregional-nacional ao pressupor que a cooperação intermunicipal perpassa o urbano e o regional e trazer a tipologia microrregional da Política Nacional de Desenvolvimento Regional. capítulo escrito por Rodrigo de Faria. A despeito dessa marcante atuação. a exemplo das de habitação. Mais emblemático ainda é “O debate regional no municipalismo brasileiro”. saneamento. Trata-se de exercitar o olhar para enxergálo em cada uma das propostas de políticas nacionais vigentes. regionais. O sugestivo título escolhido por Kazuo Nakano .

nas palavras apaixonadas de Benny Schvasberg ao traçar um panorama histórico do planejamento urbano no Brasil e chamar atenção para a hegemonia do setorialismo na política urbana como um dos desafios a serem enfrentados.sobre a política de ordenamento territorial. que centra sua análise na experiência recente dos Planos Diretores. pode-se enxergar o encontro interescalar. Professora Marilia Steinberger Departamento de Geografia – UnB 12 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Por fim. Tema complementado por Heloisa Pereira Lima Azevedo. não sem antes contextualizá-la em períodos anteriores. ressaltando que vários países já a elaboraram.

br 13 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .gov. pela FAU/USP/2003.org.com Júlio Miragaya.br Heloisa Pereira Lima Azevedo. Coordenador- Geral de Planejamento e Gestão Territorial do Ministério da Integração Nacional. Mestre em gestão territorial e Doutorando Conselheiro em do desenvolvimento Conselho Federal de sustentável Economia e pela UnB. doutoranda em planejamento urbano pela Universidade de Brasília e assessora do Departamento de Urbanização de Assentamentos Precários do Ministério das Cidades – alessandra. da Mestre de em Planejamento e Urbano e Regional pelo IPPUR-UFRJ. Funcionária da Companhia de Planejamento do Distrito Federal. Doutora em Estruturas Ambientais Urbanas. Schavasrber.gov. Doutor em Sociologia pela Professor Associado Faculdade Arquitetura Urbanismo da UnB. Mestre em Arquitetura e Urbanismo pelo PPG-FAU-UnB. E-mail: heloisa. Arquiteta.gov.br Benny UnB. Economista. Autores (referências biográficas informadas em 2009) Alessandra d´Avila Vieira.br Claudio Oliveira da Silva. Professora de Planejamento Urbano do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FACIPLAC. Arquiteta e Urbanista.silva@cidades. Arquiteto urbanista.vieira@cidades.4. doutorando em demografia no Núcleo de Estudos Populacional da Universidade de Campinas (NEPO-UNICAMP).br Kazuo Nakano. E-mail: julio. Arquiteto.azevedo@hotmail.E-mail: kazuo@polis. E-mail: benny@unb. E-mail: claudio.miragaya@integracao. Atua no Ministério das Cidades. Arquiteto e Urbanista. Pesquisador do LabUrbe-PPGFAU-UnB.

Professor Adjunto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB. E-mail: kelsonsenra@gmail. Arquiteto e Urbanista.com Leandro Signori.br Rodrigo Santos de Faria. Pesquisador do LabUrbePPGFAU-UnB. Mestre e Doutor em História pelo IFCH-UNICAMP.chaves@cidades. Mirna Quinderé de Belmino Chaves. Geógrafo. Técnico da Coordenação Geral de Planejamento e Gestão Territorial do Ministério da Integração Nacional.com. E-mail: rs-dfaria@uol. de Arquiteta.Kelson Vieira Senra (Mestre em Geografia GEA/UNB – 2009.br 14 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . diretora Precários do do Departamento Urbanização Assentamentos Ministério das Cidades – mirna.gov.

Seção A Política Urbana e Planos Diretores no Brasil 15 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .

pesquisadores. e já razoavelmente longa.Planejamento Urbano no Brasil pós-1988: panorama histórico e desafios contemporâneos* Benny Schvasberg 1. de um amplo conjunto de práxis –teorias. especialmente no contexto de 1988. Não obstante a heterogeneidade desse campo.diversas tais como: *Este texto resume a apresentação feita por ocasião do Seminário sobre Políticas Urbanas e Regionais no Brasil. Santos (1993). 2 Inúmeros autores exploraram e desenvolveram a noção desse campo sob diferentes perspectivas. volta e meia recidivas. Assim. para compreender a complexidade desses desafios é relevante considerar as heranças. tendo como objeto ou pretexto o urbano espacializado em suas diferentes escalas e dimensões. O campo do Planejamento Urbano no Brasil. realizado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB em Novembro de 2009. tem institucional e sócio-territorial complexos para aberto construir nas e conjunturas posteriores ao marco da Assembléia Nacional Constituinte encontrado desafios implementar respostas e estratégias para enfrentar os velhos e novos problemas das nossas cidades. e da produção de prognósticos para minimizar as suas incertezas. para pensar e intervir em seus destinos em prazos médios e longos. as noções são de antecipação caras aos das incertezas e do às futuro práticas como do diagnostico. práticas e ideários . 16 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . dentre outros. e às vezes (muitas) quase imediatos. Breve panorama histórico do planejamento urbano Temos no Brasil uma particular. técnicos e estudiosos. seja em âmbito nacional ou internacionalmente. tais como Villaça (1999). ideologias e práticas de diversos e distintos profissionais. político. muito ideários Planejamento Urbano. começamos essa contribuição aderindo ao pressuposto de que vamos tratar de um campo multidisciplinar2 envolvendo teorias. Monte-Mor (2008). No entanto. no Brasil trajetória do planejamento urbano a depender do que entendemos por isso.

 de os profissionais tecnocratas bem posicionados no aparelho em diferentes momentos históricos empoderados e Estado. e até. mais recentemente. Mas essa trajetória é também 4 permeada pela presença de arquitetos urbanistas “visionários” . de autodenominados “acupunturistas urbanos”5. nos quais profissionais brasileiros sempre tiveram Vide a respeito ANDREATTA (2006). métodos e conceitos aplicáveis à distintas realidades.XIX 3 4 circulação práticas. como propugnava Lucio Costa no Memorial em que apresenta sua proposta para o Plano Piloto de Brasília em 1957. de alguns desde momentos sempre de da trajetória do campo em do um planejamento urbanos e suas fontes.  o movimento Higienista e de saúde publica e as Comissões de Melhoramentos3 montadas desde o século XIX. fóruns. associações internacionais. em de E. Assim. Esse percurso tem um momento conhecido e destacado pelos Planos de Melhoramentos e Embelezamentos – bem marcado na historiografia do urbanismo também pela ênfase no chamado Urbanismo Higienista. os profissionais argumento da contratados notória do exterior como o sob o indefectível especialidade francês Alfred Agache (escritório sediado em Paris) e o grego Constantinos Doxíades ( escritório sediado nos EUA). mais fortemente presente até a década de 30. 5 Veja-se a respeito Lerner (2003) 6 Veja-se a respeito Leme (1999) 17 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Referencia aos planos urbanísticos de Sergio Bernardes e Le Corbusier para o Rio de Janeiro.  a presença singular do arquiteto “demiurgo”. globalizada modelos e e circuito/fluxo difundidas envolvimento. legitimados pelo discurso técnico especializado. vale a pena reiterar a relevância sempre. revistas congressos. que é imbricada com o urbanismo desde também. especialmente de engenheiros e médicos sanitaristas. anunciadores ou vendedores de imagens-projetos espetaculares e salvadores. antes de mergulharmos no marco aqui proposto de 1988. aquele artífice sábio imbuído de dignidade de intenções. idéias.6 A segunda metade do sec. mesmo sem compromisso em adotar uma periodização.

que facilitava a implantação de um projeto de modernidade urbana em curto nesse prazo. Mas via de regra calcada em uma prática de apropriação simplista do projeto francês. mas de do alcance que limitado. com a clássica convergência para uma rotonda. as idéias.8 Sem querer adotar uma estética do pessimismo denunciador. É uma passagem histórica em que o exemplo das intervenções de Paris se tipificava quase como paradigma. uma praça ao estilo da parisiense Place de L’Etoile. No Brasil é reconhecida a influencia do ideário da urbanística francesa nos projetos realizados nas capitais brasileiras ao longo da primeira republica. mas do urbanismo e do planejamento urbano no Brasil. A houssmanização como alguns denominaram a transposição acrítica de um ideário aplicada em contextos distintos foi quase uma panacéia – receita aviada para cura de todos males urbanos: sejam cidades litorâneas. sempre que possível. é fato que exclusão e segregação são marcas constantes e indeléveis da trajetória não só da urbanização. interioranas ou no planalto.XX oferecem grande espaço para a internacionalização da cultura urbanística com fóruns. o tecnicismo e a cientifização dos diagnósticos e propostas 7 8 Vide a respeito Benchimol (1990) Vide a respeito Hobsbawn (2003) 18 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . A intervenção no Rio de Janeiro pelo Prefeito Pereira Passos é bastante conhecida e estudada na historiografia a esse respeito7. outra prática recorrente campo. propriamente estruturais nas cidades. bem como a criação de associações de urbanistas em vários países. publicação de livros de grande ressonância como “Garden Cities of tomorrow” (Howard. congressos e eventos. cidades com sítios de topografia plana ou acidentada.e primeiras décadas do séc. com traçado urbanístico em malha ortogonal. 1902). São bem difundidos os estudos que fazem uma leitura crítica arguta revelando o caráter segregador e excludente oculto na aparência modernizante dessas intervenções. constituindo-se de alterações muito mais na “produção de cenários modernizadores”. radioconcêntrica ou orgânica. e. enfatizando de forma fundamental a abertura de uma ou mais avenidas largas e extensas.XX. São destacáveis no Brasil da primeira metade do sec.

tem uma experiência rica. resiste até hoje ambiguamente termos designar variadas. Marília e Goiânia (década de 30). João Moreira Maciel (RS). Brasília (anos 50) e Palmas (anos 80). Outro aspecto de destaque nessa trajetória são os Projetos Urbanísticos de Cidades novas. E tende a ampliar de modo significativo o escopo do urbanismo para que aquele documental técnico designado como “Plano” passasse a abranger todos os setores da vida urbana. só para citar algumas das cidades de um repertorio mais amplo no século XX. Jerônimo Teixeira de Alencar Lima (BA). incrementais Alguns de com intervenções urbana marcadamente e pontuais em e infra-estrutura urbanização áreas delimitadas. Francisco Pereira Passos (RJ). não haveria assentamentos humanos prévios. outros já avançando para uma visão de conjunto de cidade. tais como: Teodoro Sampaio (BA. No caso brasileiro a importação da idéia de planejamento chega muito vinculada a técnicas de administração que reposicionam o setor de urbanismo nos governos municipais. André Rebouças (RJ). em geral engenheirosurbanistas. e com outra perspectiva. SP). O Brasil.de intervenção urbana de profissionais engenheiros em todo o Brasil. Antonio Francisco de Paula Souza (SP). O próprio introjetado convivendo na termo “planejamento” vai sendo paulatinamente publica. os e começa para a substituir praticas administração ambos gradativamente o termo “urbanismo” que. integrantes da chamada primeira geração de urbanistas. Londrina (final dos anos 20). Saturnino de Brito dentre outros. tais como: cidade “projetada” versus cidade “planejada”. município ou território. Por outro lado. de fato. por sinal. sob a liderança concepções do de Presidente Vargas) emergem planejamento que nos anos 40 chegam ao nível municipal como função de governo. São dos mais conhecidos neste debate os casos de Belo Horizonte (final sec. ou questionamentos se. Victor da Silva Freire (SP). com um vasto território continental. Maringá (década de 40). É razoável identificar nesse movimento uma boa influencia 19 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . invariavelmente acompanhada de polêmicas históricas e conceituais. 19). com respeito a estas cidades que teriam se originado de projetos. na esteira das Reformas de Modernização do Estado na chamada Getulio “Era Vargas” nos (promovidas anos 30. podendo até ser concebido e operado em escala regional.

Federal Com a de a de Habitação do e Urbanismo a em 1964. porém. em olhar mais atento.das matrizes norte-americanas e anglo-saxônicas. como uma legitimação social e política dada por uma pretensa supremacia do conhecimento técnico. que desde sempre foi passível de questionamento tanto na prática. Da mesma forma que é plausível se questionar urbanismo. o que passou a vicejar largamente até hoje. Assim. A questão social está relativamente ausente desta visão. não estará ausente ao longo de todo esse período. é quase sempre associada como tributária do período militar que se inicia em 1964.quem executa. São 20 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . mas tão somente demarcar que órgãos de planejamento e/ou comissões de planos com estas visões se instalam nos anos 40. quanto no modelo de instituições e na formação de urbanistas. a visão tecnocrática do planejamento urbano que é tão dominante até as práticas atuais. Ao mesmo tempo em que se possibilidade prefeituras empresas de consultoria para elaboração de planos. Contudo. Há uma grande safra de Planos Diretores de Desenvolvimento Integrado produzida no período de 1965 a 1971. incorporando aspecto sócio econômicos. liberação à recursos de elaboração franquia ficou condicionada de contratação instalação pelas órgãos de virtualidade e entre desenho arquitetura urbano. se intensificam nos anos 50 e se multiplicam sobremodo a partir da criação do SERFHAU – Serviço ciclo. talvez equivalente em expressão quantitativa à safra de Planos Diretores pós-Estatuto da Cidade de 2001 (ano de sua vigência) para cá. com estes elementos que consideramos é possível detectar que sua construção começa bem antes daquele período. E uma separação. de e de sua para regulamentação em 1966. arquitetura planejamento onde planejar e projetar seriam vistos como dois momentos e processos técnicos de planejamento nas prefeituras. o processo é longo e cabe ser lido mais amplamente em um projeto de reforma do Estado. que é o clássico corte a entre trabalho das intelectual separações e quem pensa – e e trabalho braçal . distintos. Não é nossa intenção aqui revisitar antigas polêmicas. que pode ser vista como um coroamento do criação planos SERFHAU. alem dos tradicionais físico-territoriais.

discursos ao modo do cuja a em tecnocrático de ainda subsiste em consensos Inclusive versões Planos nos meios democráticos Planejamento Assim.uma crença que imagina. em objetos e coisas (inanimados). dos norte. quase uma fetichização . e sua vinculação de aos interesses países. como ficou conhecido o longo processo de saída do regime militar. essa prática cresce com a aplicação das ZEIS – Zonas de Especial Interesse Social. Só mais recentemente.planos sobejamente criticados por serem compreensivos e extensos demais. Muitos estudos têm sido realizados sobre Cabe efeitos destacar do zoneamento9 que. no regime militar.americanos e anglo-saxões é razoável supor que hoje não temos nenhum modelo 9 Veja-se a respeito Feldmann (2005) e (2009) 21 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . desconstrução entretanto. nas ultimas décadas.XIX. Mas tampouco as normativas de zoneamento se vincularam claramente a políticas de desenvolvimento urbano que. e de difícil viabilidade de implementação. É profícua a produção de Legislações de Zoneamento bem como normativas para sua aplicação. pósEstatuto da Cidade. O zoneamento possui uma extensa tradição tecnocrática no Brasil como uma espécie de instrumento “por ele mesmo”. tivemos de tidos outros momentos históricos e modelos cidade planejamento celebrados como especializados. É merecedor igualmente de destaque nesse percurso a temática especifica do zoneamento que tem se aplicado desde o sec. se restringiram à experiência no âmbito do II PND – Plano Nacional de Desenvolvimento . com a chamada transição democrática. ainda diferentemente outros normativas de zoneamento na tradição brasileira quase nunca não se articularam a políticas habitacionais. mesmo que mais rudimentar. e ao longo de toda essa trajetória nunca esteve ausente.e por isso se torna poderoso e autoritário. importação evidencia construção pretensos empresarial. de modernizantes Estratégicos em e de e crítica pautadas viés ao planejamento fortemente. apropriados acriticamente e aplicados a partir da França. uma alma e forças sobrenaturais . influencia vamos comentar adiante. nós vivemos urbano um processo com e e se de nos de que.do governo Geisel. Desde os anos 80. as imobiliários e seu papel como indexador dos preços de terrenos.

acabado e pronto para ser celebrado e aplicado. nas a menores que 20 mil habitantes. e) O acesso à terra urbanizada para os segmentos de baixa renda é um enorme desafio neste modelo. Território fundiária continental perversamente a com é concentrada. mais de 70 % cerca de 4000 Mais de 50 % da população urbana concentrada nas 9 Pobreza urbana concentrada mais em de dois 80 endereços: % rural.(checar) c) periferia das RM´s e os municípios menores que 20 mil. Desafios mais recentes na busca pelo desenvolvimento urbano e territorial sustentável para construir cidades com equilíbrio ecológico e inclusão sócio-econômica Um primeiro desafio nesta perspectiva de abordagem está no Modelo de ocupação desigual e fragmentado construído e implantado no território brasileiro como uma das resultantes complexas daquela trajetória descrita. b) maiores RM´s e dois Aglomerados urbanos. 2. Neste modelo de ocupação produziu-se um padrão de urbanização com características perversas do ponto de vista da sustentabilidade ambiental. Há municípios em que há praticamente o mesmo quantitativo de 22 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Alguns aspectos desse modelo valem destaque: a) Dos 5561 municípios. hibrido múltiplas influencias e matrizes conceituais. urbanístico de rico e contraditório. Vivenciamos nesse período pós-88 um uma processo espécie próprio de de experimentação. empíricas e ideológicas. d) estrutura cidades. a) da urbanidade e da justiça com social com do alguns tecido sem traços urbano infragerais dos quais destacamos: espraiamento na horizontal de dispersão especialmente forma parcelamentos precários. assim como perversamente concentrada estrutura fundiária nossas estrutura e irregulares do ponto de vista da legislação de uso do solo.

não destinam áreas boas das cidades. via de regra.lotes quanto de população. aonde a legislação urbanística não se chega e não se aplica. ou de operações maquiadoras produtoras Projac´s (cidade cenográfica da Rede Globo). atualmente a pressão dos condomínios fechados é mais por garantir o fechamento com muros e guarita de acesso controlado do que pela sua regularização fundiária e a segurança jurídica de seu patrimônio. está no fato de que os municípios. logo não cumpre sua função social na lógica do Estatuto da Cidade. do que moradores. ou sendo objeto de desejo de revitalizações urbanas na lógica exclusiva de de mercado. Rio de Janeiro) verdadeiros “simulacros de cidade” que simulam ruas e fachadas de urbanidade de forma segura para consumidores inseguros com a violência urbana e nostálgicos do que fora a cidade bucólica. preferencialmente isolados do tecido urbano. f) shoppings. Um segundo desafio. onde a destinação urbanística não é cumprida. mais situado no campo das políticas. e) ampliação da cidade ilegal e da legislação urbanística que só dialoga com padrões arquitetônicos e urbanísticos de média e alta renda. Quase sempre na lógica especulativa de transformação da terra rural em urbana . b) pobreza destinada à periferia precária e ilegal. d) classes médias e altas seduzidas em nome da segurança pelo modo de vida em condomínios fechados amplificando a segregação sócio espacial. ensimesmadas fechadas. ou seja. e) vazios urbanos infra-estruturados. ou shoppings tipo “Downtown” (Barra da Tijuca. hectares transformados em metros quadrados. Há municípios no centro-oeste. sua que possui a particularidade e de de ocupação irregular expressiva de classe media em terras publicas e peculiaridade fundiária mercado imobiliário. de modo semelhante a certas cidades históricas de griffe. c) centros se esvaziando em decadência. como se lote fosse produto e não insumo para a habitação. com mais lotes produzidos ilegalmente na sua maioria. planos e programas urbanísticos. privadas No em Distrito face da Federal. bem localizadas e 23 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . centros financeiros e e administrativos como edificações blindadas.

urbanizadas e com acessibilidade. Lei Federal 10. os fatores. As possibilidades de alteração desse quadro. cabe notar que um dos aspectos mais expressivos da desigualdade da ocupação do território. Não avançam. legislação para e agregando capazes a de conhecedores ou operar da instrumentos. assim. particularmente arquitetos e urbanistas. justa. da necessidade de formação de profissionais novos para trabalhar em 10 ou freguesia a ser atendida. na direção das áreas apontadas como adequadas ou prioritárias para promoção do adensamento urbano como analisou Kowaltovski (1989). ou seja: crescem para onde os Planos restringem a expansão em áreas ambientalmente frágeis e com alto custo de instalação de infraestrutura. nova de profissionais. As cidades passam a ter disponível um leque de novos instrumentos regulamentados por lei federal para aplicar. formando valorização imobiliária na lógica de formação de preços do mercado imobiliário. estoques de e ficam terra vazias para áreas já infraestruturadas. evitarmos reprodução visão tecnocrática10. das cidades. municípios e regiões é exatamente a desigual distribuição da capacidade técnica e profissional instalada. o Brasil avançou na Constituição Federal de 88 ao aprovar o capitulo da Política Urbana e com sua regulamentação no Estatuto da Cidade. 24 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . para habitação de interesse social. não mais como “clientes” como agentes e da sociais nova para ordem predatório perspectiva humanista. embora não exclusivamente. Para enfrentar esse quadro. Referimo-nos a critica desenvolvida por Souza (2006 ).257/01. mas esse quadro ambientalmente as cidades solidária na e e transformar mais enfrentar socialmente excludente urbanística. implementar plenamente os instrumentos previstos no Estatuto. do ponto de vista do marco jurídico urbanístico. Mas. precisamos reaprender a dialogar com muitos interlocutores da Sociedade e do Estado. no entanto. Daí a relevância da capacitação. do um não dependem mas a é exclusivamente de um adequada um novo da disponibilidade de de vários quadros de aplicação Certamente Estatuto. deles conjunto formação perfil. Nesse sentido. técnicos da seja. E nos Planos Diretores prevalece a lógica de uma espécie de “Lei de Murphy” nas cidades .

ou das reivindicações de justiça discurso na distribuição reforma dos urbana benefícios conviveu. agentes urbanística suficiente juntando E e mais de as políticas setoriais com na política de de urbana e os profissionais promover para e a Planos construam capacidade capacitar não sociais. construção ou das muitas vezes cínica. e ainda vigente. uma aceitação superficial. de com urbanização. com indispensável participativas compromisso de práticas metodologias social comunidades. Por outro lado. referendados pelas agências multilaterais internacionais e pelas experiências de gestão empresarial das cidades. para a prática permanente do planejamento urbano. sobretudo nas cidades de pequeno e médio porte. e ônus em do processo casos. e que se do trataria governo apenas federal de e. transferir conhecimento Portanto. em nome da adequação dos municípios aos ditames portanto. ações e programas. voltada condições de legitimação necessárias para o acesso a recursos e programas federais. espaço com os temas revalorizados da gestão democrática da cidade. para a pragmática. da promoção do acesso à moradia para a população de baixa renda. Ou seja. uma agenda fortemente calcada na perspectiva da competição entre cidades. do ponto de vista das concepções de planejamento urbano dominantes. A partir de então. territorial e ambiental no desafio de planejar as cidades e municípios brasileiros para um novo ciclo de desenvolvimento mais sustentável para a nossa e as futuras gerações. pode-se observar que essa afirmação do pela muitos afirmações em contrário nos planos diretores produzidos em escala atendendo à obrigatoriedade imposta pelo Estatuto da Cidade. formar e disseminar equipes locais. ganhavam corpo como referências para pensar as cidades as agendas. processos pedagógicos qualidade e controle capacitar educação será é o ambiental aprofundar que comunidade.equipes com o perfil voltado para políticas e projetos minimamente integrados ambiental. com as de e Seguramente produzir Diretores estender a noção técnica. a agenda da ampliação da competitividade urbana passou a dividir uma parte do seu amplo. Vale lembrar que até a aprovação do Estatuto das Cidades e a criação do Ministério das Cidades. 25 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .

500. ou pela boa é isso “sustentabilidade” continua permeando diretores demonstrado. 10.787 Sudeste 460 403 342 258 100 92 8 3 1.net/planosdiretores/ Planos Diretores in: 26 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .000 a 50. embora numa perspectiva dita “descentralizadora e municipalista”.000 hab. 1997 Norte Nordeste 285 403 591 378 89 32 6 3 1. por ex.000 hab. Total Fonte: IBGE 117 98 106 90 23 11 * 2 447 * Em todas as tabelas deste artigo.observatoriodasmetropoles. A imensa maioria dos municípios brasileiros sobrevive do ponto de vista financeiro em função do repasse de recursos federais do FPM – Fundo de Participação dos Municípios e dos repasses constitucionais de saúde e educação.000 a 10.000 a 500.O parte discurso dos planos pela econômica competitividade das cidades produzidos urbana recentemente.11 Outro desafio relevante recoloca o debate de que a Constituição Federal de 1988. etc.000 hab. 100.388 910 277 176 16 11 5.000 a 100. Basta ver no quadro abaixo.666 Sul 400 302 248 124 50 33 * 2 1. 20.. descentralizou mais ônus e encargos do que recursos e poder de decisão. 50.000 a 20. 1997 BRASIL E REGIÕES Número de Municípios Existentes.000 hab. demonstrativo de distribuição dos Municípios por tamanho: BRASIL E REGIÕES Número de Municípios Existentes.000 hab. por Classes de Tamanho da População.000 hab.316 1.411 1. Mais de 1.159 Centro Oeste 149 110 101 60 15 8 2 1 446 Brasil 1. por Classes de Tamanho da População.505 Até 5.000 hab.000. o símbolo (*) indica que não existem municípios na classe de tamanho e região especificadas na célula 11 Veja-se a respeito Relatório de Avaliação dos http://web. 5.000 a 1.000 hab. no Relatório Estadual de Avaliação dos Planos Diretores dos Municípios do Rio de Janeiro. ainda que a política.000. o planejamento e a gestão do uso do solo constituam matéria municipal fundamental.

Para ilustrar as dificuldades em implementar as diretrizes e instrumentos do Estatuto da Cidade fazemos uma referencia ao caso de Brasília. etc). a Outorga Onerosa de Alteração de Uso. ações que. as duas têm a mesma o que sabemos que é ficção. pelo que o conhecemos e vivenciamos há duas décadas. Saúde e Segurança pública. que o provê de recursos para as áreas de Educação. Particularmente. viabiliza a captura da mais valia de mudanças de uso. bem utilizado. Teoricamente. que. proceder ao licenciamento urbanístico e ambiental de parcelamentos urbanos. no caso do DF seria especialmente interessante. o que não é pouca coisa. manejar e capturar a dinâmica da valorização imobiliária. em ultima instancia. legislação ambiental e patrimonial. instrumento que. Uso e Edificação. competência e responsabilidade. há que se considerar o problema das imensas assimetrias do modelo federativo brasileiro no qual se designa por Município uma cidade eminentemente rural de 800 habitantes. orientar e controlar o uso e ocupação do solo. Uma referencia ao caso de Brasília no debate do planejamento urbano pós-88 O Distrito Federal tem o privilegio. que tem no governo do Distrito Federal uma capacidade técnica instalada (com centenas de profissionais habilitados na área de planejamento urbano) e farta legislação urbanística (PDOT – Plano Diretor de Ordenamento Territorial e Urbano do DF. Nem em Brasília. Não obstante. PDLs – Planos Diretores Locais. a sede dos três poderes. de dispor de um Fundo Constitucional próprio. por abrigar a Capital.3. se consegue aplicar instrumentos básicos regulamentados pelo Estatuto da Cidade. assim como se chama de Município a cidade de São Paulo com dez milhões de habitantes dentro de uma Região Metropolitana de 17 milhões. determinam muito da lógica de crescimento. até porque tais recursos aumentaram razoavelmente nos últimos anos com o aumento da arrecadação. e das representações internacionais. inúmeras NGB´s – Normas de Gabarito. uma vez que há uma prática desenfreada de transformação de uso de lotes 27 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . É obviamente de extrema desigualdade a capacidade e autonomia para fazer planejamento urbano. expansão ou desenvolvimento urbano e territorial.

em ver e conceber a Politica Urbana como um somatório de políticas setoriais de habitação. universidades particulares. em postos de gasolina. da na contramão de de tendências e é o mundiais do de fortalecimento obviamente capacidade brasileira (habitação. só para citar alguns dos usos mais de cobiçados. do nosso ponto de vista. como demonstrou a dissertação de Lima (2009). políticas saneamento transportes) fragmentadas. mesmo que esta se pretenda uma política publica transversal como anunciava a Ministra Marina Silva em seu discurso de posse no Ministério do Meio Ambiente no inicio do Governo Lula em 2003. de modo geral. 4. Há que se considerar. Enfim. shoppings. e. que ser efetividade aplicação referido instrumento. projetos poderiam e licenças objeto as milhares de quitinetes e salas que tem aprovadas de e pagam da o IPTU comercial do e são comercializadas e ocupadas como apartamentos de uso residencial. de saneamento e de transportes. na predomínio sobre urbana seja. até de planejamento urbano. e territorial brasileira em dispersão carrega tradição urbanas política “setorialismo”. e por vezes até residenciais.comerciais. às vezes. está de da capacidade à planejamento urbana que gestão setor E a do uma publico . a visão do Meio Ambiente como outra política setorial. percebe-se que a capacidade de planejamento urbano . como todo o resto do setor público. pode-se em observar cada rua a do proliferação evangélicas Recantos das Emas e do Riacho Fundo. ainda. Vamos comentar rapidamente este aspecto porque ele é estrutural para os desafios do planejamento urbano no Brasil. leitura global do território que resulte em políticas integradas. em primeiro lugar. bairros populares do DF. E também prevalece.em Brasília muito terceirizada em gestões recentes. motéis.depende em grande medida da capacidade de gestão. Pois o setorialismo é a concepção e prática historicamente dominante no meio técnico e político do 28 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . dezenas de Além igrejas destes. que é visto igualmente como mais um “setor” da política urbana. o que ligado gestão ou política e a urbana praticada. A hegemonia do setorialismo na política urbana O predomínio efetivo da visão setorialista na Politica Urbana implica.

boa do ponto de vista urbanístico e ambiental para as maiorias. para dar um exemplo bastante comum e freqüentemente criticado nos meios técnicos. Foi o caso exemplar da única PNDU – Política Nacional de Desenvolvimento Urbano. loteamentos privatista. dividido em “setores” do meio ambiente. fosse E Essa setorialista áreas Politica revela claramente uma leitura fragmentada do território. o setorialismo é a tônica.. Estados e Municípios. Ou seja. por E pior. Assim. especialmente para abrigar na cidade a população de baixa renda que é a maioria da população do país. opera esse completamente área urbanismo. das etc. avanços hegemonia não em concepção visão participativa da urbanas preconizado pelo Estatuto da Cidade.planejamento urbano. o desafio de 29 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . 1999). a realizada no período militar no âmbito do II PND – Plano Nacional de Desenvolvimento. não é racional um processo de gestão do território efetivo separada onde da a área do do meio No ambiente entanto.057/00 que trata do parcelamento do solo urbano e regularização fundiária. porque fragmentada. Um dos problemas de um básicos que decorrem da dessa hegemonia da da concepção setorialista da Politica Urbana é que ela dificulta o enfrentamento desafio fundamental produção cidade brasileira hoje que é aumentar a oferta de terra urbanizada e bem localizada. decisão unilateral dos proprietários de uma gleba de terra. filtrado pelos interesses legitimação corporações profissionais. até dentro das próprias prefeituras. E ainda hoje. e parece ainda forte na sua revisão atualmente em debates no Congresso Nacional na longa tramitação do Projeto de Lei 3. da saúde. Reproduz-se desse modo uma leitura virtual da cidade. como se a cidade vistos fosse como um um somatório processo de loteamentos. como concepção que prevaleceu na Lei 6766. processo no Brasil acontece desde a relação entre União. etc. numa ótica desenvolvimentista mesmo com os conservadora da da onde as políticas das setoriais políticas Urbana mas derrotaram a leitura do território (Souza. assim como é virtual e fragmentada a leitura de que loteamento (ou parcelamento e condomínio) é produção de cidade. do urbanismo. como se ele dividido bairros urbanos. de rurais.

práticas. esses são alguns dos tópicos e provocações iniciais para nossa reflexão Não se individual e do viver. resumir com e década que urbanístico. instrumental. Em alguns Municípios os embates propiciados pela discussão e aprovação do Plano Diretor tiveram o mérito de dar visibilidade a essa disputa pelo território. políticos e culturais para construir cidades mais justas. mas produzir oferta de cidade para a população de baixa renda. Considerações finais Em síntese. pretendem tendo a estudiosos interessados propriamente planejamento e às e Política novidades. Na analise da Rede são Nacional bem mais e (op.cit. atualizamos enxergamos desafios técnicos. vamos mais uma vez lembrar. é o principio fundante do novo marco urbanístico brasileiro do Estatuto da Cidade. Brasileira. 30 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . sinalizadas primeira jurídico tempo em limitações podemos milênio velhos contradições que nós alguns e nas avanços novos neste panorama. inclusive com a entrada do Ministério Publico (provocado pela mobilização de entidades da sociedade civil) promovendo ações que retiraram a eficácia de dezenas de artigos do Plano aprovado pela câmara como ocorreu no caso de Salvador/BA onde o mercado imobiliário é vorazmente especulativo como o de Brasília. é a delimitação espacial de Zonas Especiais de Interesse Social em áreas vazias na disputa do território das cidades. Esse desafio é estrutural para garantir o chamado Direito à Cidade que. E ainda. 5. implementar o Estatuto da Cidade. intervir brevemente fechamos no ao a marco mesmo pesquisadores. Urbana e nem Brasil. outro grande desafio para os Planos Diretores pós-88 que buscam. no de esgotar urbano até especialmente nesse período fértil em experimentação que nos estamos oportunidade Com todas deste vezes profissionalmente com nossas pequenas contribuições individuais e coletivas.) raros os do Planos de em que tem sido bem produzidos ocupadas na casos ZEIS retalhos vazias do localizadas do ponto de vista urbanístico e ambiental do que ZEIS precariedade irregularidade tecido urbano. do ponto de vista desta oferta. ou anunciam.aumentar a oferta não só de casa. constituem o tema de as novo no e coletiva como na em profissionais.

2003. Hobsbawn. Rio de Janeiro.campinas. avanços e perspectivas. Maria Cristina da Silva. M. Referencias bibliográficas Andreatta. Fau-UnB. Roberto L. Rio de Janeiro. Geraldo M. Eric. Josue Magalhaes de. Ed. 31 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Sarah. & MENDONÇA. inflexões e rupturas. Kowaltowski. Verena.1972 Sâo Paulo: Editora da USP/FAPESP. Brasilia. 6. São Paulo: Hucitec. trajetória. Record. In: LEME. In: Seminário: Plano Diretor Municipal. São Paulo: Studio Nobel/FAU USP/FUPAM. Doris C. paraísos circulares – os planos urbanísticos do Rio de Janeiro no século XIX.br/seplan/eventos/camp230/camp2302semipa l2.mais belas e sustentáveis para um Brasil que vai se transformando. 2005. Ana. Jaime L. Milton. Leme. 1990. Jupira G. Monte-Mor.htm. Biblio-teca Carioca. 2008. A formação do pensamento urbanístico no Brasil: 1895-1965. Lima. Alteração de uso de imóveis urbanos no Distrito Federal: Apropriação individual ou gestão social. São Paulo. 2006 BENCHIMOL.K. Aguardamos com curiosidade o censo do IBGE de 2010.. Pereira Passos: um Hausmann tropical. p.. Marco Aurelio Filgueiras (org. Mauad Editora.) Urbanismo no Brasil 1895-1965. Revolucionarios: ensaios contemporâneos. FERNANDES. Cidades quadradas. _________. 2009. In: http://2009. Janeiro.sp. Planejamento urbano no Brasil. Rio de Janeiro. 1999. Do urbanismo à política urbana: notas sobre a experiência brasileira. 104-110. Belo Horizonte: C/ARTE. haja vista os últimos dados da PNAD – Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar de 2009. Rio de Janeiro. Urbanismo e Planejamento Urbano no Brasil nos anos de 60.gov. A “Murphologia” De Planos Diretores. Feldman. Prefeitura do Rio de. 70 e 80: permanências. Lerner. A Urbanização Brasileira. Santos. Maria Cristina da Silva. J. Planejamento e Zoneamento. 2003. Dissertação de Mestrado.C. Paz e Terra. GOMES. In COSTA. 1993. 1989. Acupunturas Urbanas. São Paulo: 1947.

O Processo de Urbanização no Brasil. In: Deak. 1999. Villaça. M. Cidade e pensamento único: desmanchando consensos. Csaba.Souza. L. São Paulo: EdUSP. Csaba&Schiffer(orgs). 1999. Maricato E. 2006 Souza. Petrópolis Editora Vozes 2000.de. 32 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Arantes O. Flávio.. In: DEÁK. Vainer C. da O A prisão das e e a Ágora: Reflexões de em torno do planejamento Brasil. Gestão II Cidades. Sueli Ramos (org.) O processo de urbanização no Brasil. e de. SCHIFFER.. PND Politica Urbana Brasil: contradição evidente. a Rio Janeiro: no Bertrand uma A. M. Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil. São Paulo: Edusp.

A periodização adotada por RIBEIRO E CARDOSO (1990) analisa os seguintes padrões de planejamento urbano: o higienismo-funcional. a O tecnode burocratismo período desenvolvimentista. quando o plano e o processo passaram a cumprir o papel de ordenadores e racionalizadores da ação pública sobre as cidades. Os anos 90 foram tratados como tempos de transição de para 88 1999. o tecno-burocratismo e a reforma urbana redistributivista. e a partir daí até o ano de 1999. diferentes autores utilizam classificações ou divisões históricas. O discurso da higienização e da funcionalização guardava o caráter modernizador e nacionalista da sociedade brasileira e correspondeu à fase das grandes renovações ocorreu urbanas no do início do século XX. cuja principal expressão deu-se no âmbito das discussões em torno da Constituição Federal de 1988. 33 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . 240). (CF/1988). referindo-se obrigatoriedade estabelecida no Estatuto da Cidade para aprovação dos planos diretores até outubro de 2006: “é de se esperar que grande parte das cidades atingidas por essa obrigatoriedade não a cumpram”. Por fim. autor “são possibilidades de elaboração de planos diretores num futuro próximo” Posteriormente. a reforma urbana redistributivista.Planejamento e Gestão Municipal: planos diretores – avanços e alertas na implementação Heloisa Pereira Lima Azevedo 1. VILLAÇA (1999) adota dois grandes períodos: de 1930 até 1990. Introdução Para entendimento da natureza e das transformações no campo do planejamento urbano. que se inicia no Brasil nas décadas de 30 e 40. Para o a partir da Constituição pequenas as à Federal (VILLAÇA. um futuro incerto. partir 1930. p. e posteriormente pela atuação do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano (CNDU).

Demonstra sua evolução nos últimos 50 anos. adotou-se uma periodização que tem como primeira fase os anos 60 e 70. Notadamente após 64. O texto não tem o propósito de analisar em profundidade as principais características dos planos diretores e do planejamento urbano. com o objetivo de contribuir para o desafio da década que se inicia . Caracterização do planejamento urbano e do plano diretor 2. A partir dos resultados das concepções e práticas de planejamento na primeira fase. Rio de Janeiro: FASE / UFRJ-IPPUR. evolui-se para novas concepções que se materializaram na CF/1988. ser centralizado nas definição gerais seguidas administrações locais. Os quadros ao final do texto. 2. entendidos como o principal instrumento 12 SANTOS JÚNIOR. é a partir de 1950.28. Entendeu-se para a que o poder de naquele momento. O. deu-se a maior produção. sendo denominado planejamento integrado.1. sintetizam as principais características em cada período. dos. que o país absorve de forma mais sistemática as concepções dos urbanistas reformadores europeus e as práticas da racionalidade se administrativa.a busca por uma maior efetividade e maior grau de implementação desses planos. formulações de que é a vítima serem a cidade. p.1995. Reforma Urbana: por um novo modelo de planejamento e gestão das cidades. o que foi feito intensamente por diversos autores. de forma breve. Consolidação do Plano e Planejamento Tradicionais – anos 60 e 70 No Brasil.12 pela Foi durante das esse período que se construiu o planejamento como ideologia de Estado. A. de planos diretores urbanos no país. até então. e enfatiza o período entre 2000 e 2010.Como ponto de partida para discutir os avanços alcançados nesta década. quando o planejamento urbano tradicional se consolida. Atribuíam-se à ineficiência e à má administração do poder público o descontrole sobre o crescimento e a incapacidade de correção das disfunções deveria. Os anos 60 e 70 caracterizaram centralização políticas urbanas. 34 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . com as transformações decorrentes da industrialização. com fins didáticos.

metropolitanos ou microrregionais. mostrandose em descompasso com a dinâmica dos processos físicos. O a aparato de regulatório uma cidade contido que no se plano diretor. et alii (Org). O. apoiados em paradigmas obsoletos. contribuiu para o surgimento de um mercado especulativo e para ocultar formação construía ilegalmente. as quais eram complementadas por normas urbanísticas rígidas. contra cerca de 45% na década de 60). p. São Paulo: FAU/USP. 71 e 91. A cidade do pensamento único.” In: ARANTES. sociais e econômicos década de das 70 a cidades. p.2. De 1967 a 1969. Tendências da gestão intermunicipal em aglomerações urbanas metropolitanas.8% da da de das urbana de metropolitana. 2. 35 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Tese de Mestrado. normas. ao longo das décadas em que se consolidava o planejamento urbano. duas ou três zonas estanques. M.124. 1976. Fortaleza e Belo Horizonte. que ia se estabelecendo além desse mercado . Os planos eram feitos por consultorias e sem a participação dos técnicos e dos cidadãos. p. por meio de extensos diagnósticos e continham poucos dispositivos com alguma aplicabilidade. p. Sistematização das características dos planos e planejamento nos três períodos. em 5. Desmanchando consensos. Planejamento local Integrado: uma fase necessária ao desenvolvimento urbano planejado. sob a tutela do SERFHAU. 2002. sendo finalizados entre 70 e 71.de política urbana e de orientação do crescimento das cidades. O planejamento reproduzia o mesmo modelo e poderia abranger 14 a escala local. apontavam reformulação pareciam instrumentos crescimento planejamento.anos 80 e 90 13 AZEVEDO. tendo sido elaborados de 1968 a 1975 para as seguintes regiões metropolitanas: Recife. fora 16 na das origem. (explosão necessidade que não As transformações e ocorridas a partir 55. 13. dos o quando população passou a ser urbana. E. mais ordenar cidades. O determinismo dos cenários ideais indicados como solução dos problemas15 foi. “As idéias fora do lugar e o lugar fora das idéias. STEINBERGER. Plano e Planejamento “reformistas” ou “redistributivistas”. 14 Esses planos eram municipais. Rio de Janeiro. Universidade Federal do Rio de Janeiro.8. H. 16 MARICATO. Tese de Doutorado em Estruturas Ambientais Urbanas. 2000. A ênfase era dada ao zoneamento. 15 Ver Quadro 1. 12 PDIs municipais foram elaborados. a intermunicipal ou a metropolitana. São Paulo.13 Nessa época foram produzidos planos de desenvolvimento integrado. Rio de Janeiro: Vozes.

A crítica à política urbana federal. São propostos instrumentos mais favoráveis às demandas populares. por meio de um novo modelo de planejamento difundido nos planos diretores locais e nas leis orgânicas. e 92 número o expressivo prefeitos representantes de coalizões progressistas e democráticas nas eleições propaga redistributivismo democrático.788/90. mas serviu de modelo).ibid. o que permitiu identificar a existência de um novo modelo de planejamento. p.571/2001). Os preceitos descentralizadores e democráticos da Constituição respostas CF/1988 Federal a e no a crise campo do das Estado com brasileiro urbanas estimularam locais. institui a progressividade do IPTU e a regularização das posses urbanas por meio do usucapião urbano. fez surgir movimentos sociais que reivindicavam a construçâo de moradias. Na década de 80. embora com dificuldades de implantação.12.19 Uma série de planos diretores em cidades como São Paulo (1991 – não aprovado. Após a aprovação para a da CF/1988. Cuiabá (1992). a melhoria dos serviços urbanos e a participação da população nos destinos das cidades. Brasília (1997) inspiraram uma nova prática de planejamento e elaboração de planos diretores. às condições de vida nas cidades. obriga a elaboração de planos para municípios com mais de 20. 17 18 AZEVEDO. Natal (1994). A popular. Nos anos 80 e 90. 2002. calcado nos princípios da democracia e da justiça social. 36 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .000 habitantes. H. mas que passaram a integrar os Projetos de Lei 775/83 e 5. Porto Alegre (1994).Id. que deram origem ao Estatuto da Cidade (Lei 2.18 trazendo um novos conceitos e de instrumentos vitoriosas política de 88 urbana. à ditadura militar. o ideário do planejamento redistributivista começa a ser implementado.17 As iniciativas de intelectuais. inovadoras políticas apregoa gestão democrática participação introduz o conceito de função social da propriedade estabelecido pelo plano diretor. Rio de Janeiro (1991). 19 SANTOS JÚNIOR (1995) analisou os planos diretores de 15 municípios no estado do Rio de Janeiro. cria-se a Articulação Nacional do Solo Urbano (ANSUR). parcialmente contemplados na Constituição Federal de 1988. que tinha por objetivo a elaboração de propostas que atendessem às demandas dos movimentos urbanos. de setores da igreja e dos movimentos sociais convergiram em torno do Movimento Nacional pela Reforma Urbana. Goiânia (1994).

Alguns dos 20 avanços analisados nos planos desses municípios citados. Plano e Planejamento Participativos . 37 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . dos instituição planos de conselhos de política urbana. social ZEIS). ações de sensibilização e capacitação de técnicos e agentes locais. é um alguns aspectos. divulgação de material e articulação a outros programas federais21. com adesão de parceiros locais. buscando uma maior efetividade. aparece em poucos planos. junto aos municípios processos participativos elaboração planos diretores.anos 2000 O Ministério em das Cidades. o implantação.14. ainda que somente consultivos e com pouca representatividade públicas. de capacitação na elaboração de planos diretores participativos. p. A questão especificidades proteção tratavam cultural. a partir de 2003. Esses modo planos os na que diretores arranjos sua inauguram uma e nova a maneira cultura tenham do de fazer e em de planejamento urbano. De geral. que indicava a necessidade de monitorar sua implementação. Sistematização das características dos planos e planejamento nos três períodos. oriundos de entidades técnicas e 20 Ver Quadro 2. foram : inclusão de instrumentos de política urbana que seriam posteriormente contemplados no Estatuto da Cidade (inclusive as zonas especiais de interesse popular. de não elaboração mais e do área pelos com dos técnicos locais (com ou sem apoio de consultoria) e realização de audiências Esses planos zoneamentos ambiental ainda da qualificados patrimônio rural. passou a atuar. Uma campanha nacional22. 21 Programa de Fortalecimento da Gestão Urbana. destacando-se o de Belo Horizonte. item 5. que se manteve restrita a poucos municípios. as cidades permaneceram com problemas estruturais e certamente indicativo baixo implantação alcançado. por meio de repasse de recursos.3. institucionais nessas cidades Ainda técnica avançado grau política preponderante impediu que avanços mais significativos setoriais. 22 Campanha Nacional Plano Diretor Participativo: Cidade de Todos. investimentos prioritários. apoiado na de missão de implantar de o Estatuto da Cidade. 2.

ONGs. a elaboração de planos 23 ROLNIK. da tradição ou não de participação da população local. A Campanha propiciou que aproximadamente 1. 2005. foi baixo o grau de aplicabilidade dos instrumentos do Estatuto. VILLAÇA avalia a experiência paulistana de elaboração de planos diretores e faz uma crítica contundente aos processos de participação e à baixa efetividade e aplicabilidade desses planos. o prazo (outubro de 2006) fez com que alguns municípios reduzissem o número de reuniões e audiências. Certamente. p. não estão voltadas à ampliação do acesso à terra urbanizada para todos os segmentos sociais. Brasília: Ministério das Cidades. R. o que pode ser melhor instrumentos regulação urbanística práticas gestão.6). segundo o Estatuto da Cidade. Os instrumentos ainda não foram integralmente que incorporados territórios à de prática inclusão do e planejamento.700 municípios cumprissem a determinação quanto à obrigatoriedade e contribuiu. Caixa Econômica Federal. ou a aplicação de novas de novos de Da mesma forma. CYMBALISTA. sendo mais utilizados os instrumentos tradicionais de regulação urbanística. excetuando aquelas inseridas em áreas metropolitanas (VILLAÇA. “demarcam exclusão”23. No entanto. Apostila do Curso de Acesso à Terra Urbanizada . avaliado no Item 3. Para ROLNIK de E CYMBALISTA (2007). R. 2007. formou coordenações em 25 estados e promoveu a capacitação de técnicos e lideranças de cerca de 1. para a incorporação nesses planos dos princípios e instrumentos contidos no Estatuto. de modo geral. Afirma ser a experiência de São Paulo aplicável a todas as cidades médias e grandes brasileiras.profissionais. significativamente.4. “Regulação Urbanística no Brasil: conquistas e desafios de um modelo em construção”. com obrigatoriedade de aprovarem seus planos até outubro de 2006. nos últimos 50 anos.330 municípios. embora lento e gradual o avanço na prática de planejamento urbano. da consultoria e/ou corpo técnico. Podemos afirmar que. dentre outros fatores. 38 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . p. os níveis e entendimentos sobre participação variaram de acordo com o grau de comprometimento dos políticos.

mesmo inovando em alguns dos aspectos relacionados à forma de planejar. assim como a imensa quantidade de zonas e subzonas. sendo comprovados e significativos os resultados da Campanha Nacional Plano Diretor Participativo: cidade de todos.3). de 25 de abril de 2009. 24 Ano de início da Campanha Nacional Plano Diretor Participativo: Cidade de Todos realizada sob a coordenação do Ministério das Cidades. 2007. 25 Ano de realização das pesquisas da Rede de Avaliação e Capacitação para a Implementação dos Planos Diretores Participativos. gerir o território e elaborar planos diretores. gerando dezenas de consultas sobre sua aplicabilidade ao órgão de desenvolvimento urbano. modelo que parte do pressuposto que a maior parte da sociedade possui meios para reproduzir esses padrões (RAQUEL e CYMBALISTA.diretores por meio do planejamento participativo se consolidou na década analisada. coeficientes. o Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF . 26 ROLNIK E CYMBALISTA Id.ibid. p. no qual técnicos e cidadãos têm dificuldade de entendimento dos dispositivos do plano. ainda que não integralmente. coordenada pelo Ministério das Cidades e IPPUR. coeficientes de aproveitamento. 27 Aprovado pela Lei 803. etc -.PDOT27. em o padrão dos tradicional de permanece presente muitos municípios. O instrumento que hegemonizou a prática do do planejamento em nesse onde período são foi o zoneamento divisão território zonas aplicados parâmetros de uso e ocupação traduzidos em índices como taxas de ocupação. p. O lugar-comum são experiências municipais que. notadamente entre 200524 e 200925.10. possui a função histórica de distanciar as regras da população. Outro ponto destacado pelos autores26 é que a complexidade dos índices. práticas especulativas e desintegradas intersetorialmente. 2007. retroagem em relação a outros aspectos. mesmo aqueles com obrigatoriedade de elaboração dos planos diretores e que tiveram processo de capacitação por meio da Campanha. associados às ideologias conservadoras. que passa ao largo da questão e não chega a compreender os interesses em jogo. A primazia da tecnocracia foi a característica mais marcante do planejamento urbano durante quase todo o século XX. planejamento a despeito da evolução. Podemos complementar com um exemplo recente. 39 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Entretanto. paradigmas tecnocráticos.

3. Pesquisas de avaliação dos planos diretores
Algumas Banco de pesquisas Experiências Nacional a pesquisa de
29

de

avaliação de Planos

dos

planos

diretores

apontam da das ao e pelo

avanços obtidos pós- Estatuto da Cidade. Dentre elas, destacamos o Diretores Urbanos, a da dos Participativos, do Ministério das de Cidades Avaliação Secretaria Cidades28; sistema Capacitação Programas e Implementação

contratada

pelo

Ministério Rede

CONFEA-CREA ; para
30

coordenação Planos

IPPUR/UFRJ/MCidades/Instituto a Participativos.

Polis/FASE

Diretores

Os resultados dessas pesquisas embasaram a palestra

e a produção deste artigo.31 É possível concluir que, embora os planos diretores produzidos no terceiro período, com apoio da Campanha Nacional promovida pelo Ministério das Cidades, contemplem alto percentual de instrumentos do Estatuto (como outorga onerosa do direito de construir, IPTU progressivo, parcelamento compulsório, ZEIS, etc), de acordo com a pesquisa pois não CONFEA/CREA, são eles ainda e são tratados insuficientemente, de regulamentação, autoaplicáveis necessitam

normalmente sem prazo estipulado para que esta ocorra. A avaliação desses instrumentos não é uma prática incorporada aos processos de gestão urbana. Um ponto fundamental para que as estratégias contidas no plano diretor sejam efetivadas refere-se às políticas setoriais, cujas diretrizes encontram-se contempladas, com freqüência, nos planos. As articulações dessas políticas com a política urbana, no momento da
28

Teve por objetivo difundir práticas de planejamento e de elaboração de planos diretores fundamentadas nos preceitos de planejamento elencadas no Estatuto da Cidade. Disponível em: http//www.cidades.gov.br/programas urbanos/planejamento urbano/banco de experiências. Acesso em maio de 2011. 29 Foi aplicada para 1.552 municípios com obrigatoriedade de elaboração do PD, entre outubro de 2006 e fevereiro de 2007, com três formulários para os coordenadores técnico, político e sociedade civil. Os resultados encontram-se no site http//www.cidades.gov.br/programas urbanos/planejamento urbano/campanha plano diretor/pesquisa plano diretor. Acesso em maio de 2011. 30 Foi aplicada em quase todos os estados, tendo uma equipe regional de avaliação e análise de diversos planos e estudo de caso em dois planos por estado. Foi realizado relatório estadual, cujos resultados estão no site do Observatório http//web.observatoriodasmetropoles.net. Acesso em fevereiro de 2010. 31 Na época da palestra haviam alguns relatórios estaduais finalizados. Foi publicado em 2011 os resultados em: Os Planos Diretores Municipais Pós-Estatuto da Cidade:balanço crítico e perspectiva.

40

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

sua

implantação,

dificilmente

ocorre,

e

as

propostas

setoriais,

neles contidas, funcionam como meras sugestões. As políticas setoriais o identificadas de sua e no plano diretor deverão tomar o como ser a de

relevantes para a política urbana, pactuadas ou não com os órgãos responsáveis objeto de responsável iniciativa importantes e durante pela processo do elaboração, A diretor para em coloca constante buscar acompanhamento a necessária as quais articulação. instituição

implantação sem

plano se

deve risco
32

integração

resolução

questões,

meio

ambiente, não se garante a participação anunciada no discurso e deixa-se de implantar estratégias que são fundamentais. A política nos ambiental, planos por exemplo,

encontra-se os

bastante municípios

contemplada

diretores.

Tomando-se

analisados no Relatório Estadual do Rio Grande do Sul, da Rede de Avaliação e Capacitação para a Implementação dos PDPs33, tem-se que 74% apresentam intenções de alcançar a sustentabilidade, mas somente 24% traçam metas ou instrumentos concretos. Este percentual diminui ainda mais, quando se trata de executar as propostas, que embora aparentemente incluída nos zoneamentos por meio de macrozonas e zonas especiais de proteção, não se exerce a gestão integrada para a preservação ambiental de regiões sensíveis. A Rede de Avaliação e Capacitação (IPPUR/UFRJ, 2011) teve seus resultados publicados em “Os Planos Diretores Municipais PósEstatuto da Cidade: balanço crítico e perspectivas”, onde se pode ter uma visão completa da pesquisa. “Os Planos Diretores, de modo geral, não expressam uma abordagem integrada das questões ambientais
32

Para exemplificar, algumas questões que dependem de regulamentação ou articulação intersetorial, extraídas do PDOT/2009 (Plano de Ordenamento Territorial do DF): a) parâmetros relativos à taxa de permeabilidade do solo relativos à emissão de diretrizes urbanísticas para novos parcelamentos, b) definição de poligonais e implantação de áreas econômicas, c) definição de alíquota diferenciada de IPTU em zona de contenção urbana d) medidas de controle e monitoramento de áreas de sensibilidade ambiental, e) elaboração de programa anual de gestão das Áreas de Proteção de Mananciais - APMs e regulamentação de competências dos órgãos gestores, f) implantação de redes de transportes públicos para a efetivação de novas centralidades urbanas, g) implantação dos conselhos de planejamento, h) implantação de instrumentos de política urbana.
33

IPPUR/UFRJ – Observatório das Metrópoles. POZZOBON, R. (coord). Relatório Estadual de Avaliação dos Municípios do Rio Grande do Sul. Rede de Avaliação e Capacitação para a Implementação dos Planos Diretores Participativos. IPPUR, 2009. Disponível em http//web.observatoriodasmetropoles.net.Acesso em fevereiro de 2010.

41

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

e demais políticas setoriais, as quais continuam sendo tratadas de maneira efetivos segmentada de e muitas vezes conflitantes, da grande sem mecanismos de compatibilização.” “Apesar quantidade

planos diretores que indicam a questão ambiental, entre os objetivos e princípios fundamentais da política de desenvolvimento urbano, sobretudo através dos conceitos de sustentabilidade
34

e

qualidade

ambiental, poucos são os que incorporam mecanismos e instrumentos capazes de dar efetividade à política ambiental.”

Quanto aos temas de acesso à terra urbanizada e da política de habitação, tomando-se novamente como exemplo o Relatório Estadual do Rio a Grande mas do Sul, tem-se traçam que metas aproximadamente ou se 70% dos planos estabelecem diretrizes de inclusão social, sendo que 80 % referem-se ZEIS, poucos articulam de de baixa ZEIS, com renda programas em terra a habitacionais. infraestrutura, Habitação e quando para há população previsão

urbanizada é uma meta distante. As áreas são periféricas e sem deixa-se para regulamentação o detalhamento de sua aplicação.35 Os resultados publicados da Rede de Avaliação e Capacitação para a Implementação à dos PDPs do apontam que 81% dos planos de diretores parâmetros incorporaram as ZEIS, mas estão colocadas de maneira insuficiente quanto demarcação território, definição urbanísticos e prazos. A ZEIS confirmou-se como o instrumento mais utilizado entre o conjunto de dispositivos associados à questão da moradia. Um número expressivo de planos confere diretrizes e prazos para a elaboração de Planos Municipais de Habitação, mas faltam estratégias habitacional. Outro aspecto é que grande parte dos municípios localizados em área metropolitana apresenta, no plano diretor, diretrizes para uma
34

socioterritoriais

no

enfrentamento

da

questão

COSTA, H. S., CAMPANTE, A. L. G. e ARAÚJO, R. P. Z. de. “A dimensão ambiental nos planos diretores de municípios brasileiros: um olhar panorâmico sobre a experiência recente”. In: SANTOS JUNIOR, O. A., MONTANDON, D.T. (orgs). Os Planos Diretores Municipais Pós-Estatuto da Cidade: balanço crítico e perspectivas. Rio de Janeiro: Letra Capital: Observatório das Metrópoles: IPPUR/UFRJ, 2011, p.177. 35 Uma análise completa dos demais estados pode ser vista em OLIVEIRA, F. L.l e BIASOTTO, R. “O acesso à terra urbanizada nos planos diretores brasileiros” e CARDOSO, A. L. e SILVEIRA, M. C. B. “O plano diretor e a política de habitação”. In: SANTOS JUNIOR, O. A., MONTANDON, D. T. (orgs). Id.ibid., 2011.

42

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

gestão com perspectiva de integração intermunicipal, mas não define metas dessas concretas, sendo este Uma um das instrumento formas limitado os
36

para

tratar e

articulações.

seriam

convênios

consórcios, como o caso do Vale do Jiquiriçá – BA , onde quatro municípios elaboraram os planos conjuntamente, com maximização de recursos e tratamento de temas transversais a todos os integrantes do consórcio. Não são todos os municípios que estão incluindo as áreas rurais no zoneamento. Ainda que isso ocorra, são poucos os instrumentos capazes de inibir o avanço da ocupação urbana sobre o território rural. A manutenção das áreas rurais próximas às áreas urbanas, que sofrem pressão e para serem que e parceladas, passam por fiscalização, exige além estratégias com de incentivos de à utilização setoriais, produção. Um último ponto trata da criação dos conselhos de planejamento. Os resultados da pesquisa da Rede de Avaliação e Capacitação indicam que houve uma ampla criação de Conselhos Municipais da Cidade por parte dos municípios brasileiros, mas a maioria necessita regulamentação. O fato do plano criar um sistema de planejamento e conselhos não garante que de fato serão implantados e atuantes. Os conselhos de planejamento levam muito tempo para se instalarem e a participação dos movimentos populares ainda está pouco consolidada. preservação articulação órgãos

monitoramento

4.

Recomendações

para

a

implementação

dos

planos

diretores
Como recomendação aos municípios que tem a missão de implementar seus planos diretores participativos, o ponto de partida para essa etapa requer uma readequação da estrutura municipal, que atue em conjunto com uma da instância sociedade. de Os controle gestores social, e um conselho com participação lideranças municipais

deverão ser capacitados para esse processo. A partir daí, devem ser eleitas as prioridades do plano diretor, relacionando os projetos
36

http//www.cidades.gov.br/programas experiências. Acesso em maio de 2011.

urbanos/planejamento

urbano/banco

de

43

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

mas a maior parte depende da mera articulação da política urbana com as demais políticas. Uma etapa importante é a realização da leitura comentada dos capítulos do plano diretor. bem como indicar outras fontes de recursos para a realização de todo o processo. para mais se Os planos Por inúmeras da que efetivarem econômico e articulação secretarias. como é o caso da política de transportes. Os planos resultados diretores. empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Programa Minha Casa Minha Vida. publicados bem como da dos Rede de Avaliação e Capacitação aos (IPPUR/UFRJ. e mesmo áreas 44 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . 2011. Os planos e seus instrumentos devem ser objeto de uma gestão integrada e constantemente monitorados e avaliados.52) chamam a atenção para a readequação dos investimentos decorrentes. 42 do Estatuto da Cidade. que avalie resultados. Essa etapa requer do poder público ampla responsabilidade na compatibilização do órgão de política urbana com os demais órgãos setoriais. diretores necessitam exemplo. contrariando modelo excludente predatório. propostas desenvolvimento tradicional contidas no PDP devem conjugar melhorias sociais e de proteção ao ambiente. habitação. meio fundiária contém de as e desenvolvimento diretrizes entre duas de política o ou econômico. p. O monitoramento é elemento do conteúdo mínimo do Plano Diretor estipulado no Art. Deve-se também montar na prefeitura uma unidade de monitoramento do plano.urbanísticos e setoriais a constarem dos orçamentos anual e plurianual do município (LDO. A insuficiência de instrumentos de gestão e monitoramento dos planos diretores faz com que muitas das macrozonas. LOA e PPA). identificando aqueles artigos cujo conteúdo expressa a necessidade de implementar alguma ação. Alguns desses artigos serão objeto de decreto regulamentador. mas que não foi objeto de regulamentação ou mesmo de resolução do Conselho Nacional das Cidades. meio ambiente. instrumento fundamental para a implementação dos planos diretores.

capaz de fornecer insumos sobre onde ocorrem as maiores valorizações e orientar o uso correto dos instrumentos. Alguns política aspectos a a a serem dos monitorados coeficientes dos seriam e dos de os parcelamentos de A irregulares. da próprio irregularidade. Esses devem apoiar-se na construção de um observatório que avalie as transações imobiliárias ocorridas nos mercados formal e informal da cidade. em última instância. 5. Deve ser aplicado também no sentido de antecipar-se à iniciativa privada e articular as políticas setoriais ou os segmentos da sociedade. devem garantir a execução do plano e a consecução de suas estratégias fundamentais. além de avaliar impactos. torne para política confirmação de situações consolidadas. servindo consolidação irregularidades. O monitoramento e a avaliação. Um dos aspectos do monitoramento seria a implementação de instrumentos de gestão da valorização imobiliária. durante etapa elaboração. que espraiam pelo território com enormes prejuízos ao meio ambiente e à qualidade de vida. as operações urbanas e o IPTU progressivo. imobiliária pela como e de se privada. às sejam vezes apropriadas até de pelo e redesenhadas Estado. a cada revisão. atuando sobre os movimentos especulativos. urbana. para a especulação de degradação ao meio ambiente. deve também indicar ações a serem realizadas. Sistematização das características dos planos e planejamento no três períodos 45 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Os planos diretores. porém indesejadas e nocivas ao meio ambiente.especialmente iniciativa territórios estão protegidas. Outro ponto seria o de avaliar os efeitos da legislação urbanística e dos investimentos públicos e privados sobre o território. que por vezes desvirtuam a aplicação de instrumentos fruto também fim a e de de estratégias pactuação balizar que evitar fundamentais a as a correções revisão dispostas de de do rumo plano da se no plano É a diretor. instalação conselhos unidade de monitoramento da prefeitura. utilizado urbana. aplicação instrumentos planejamento. como as outorgas onerosas.

o modelo meio de da cidade por meio ideal. Fonte: elaborado pelo autor: Azevedo. sem a participação dos técnicos e sem a participa dos cidadãos da população. Praticava a praticava-se a “universalização” de interesses particulares. Os 46 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . diretrizes. e caberia aos urbanistas defi o destino destino destino apenas daqueles que habitavam as cidades. Quadro 2 – Características do Plano e Planejamento Redistributivistas . H. onde a população de baixa renda. de da Apoiava-se na racionalidade poderiam se técnica por normatização. O campo e a cidade eram vistos como áreas estanques. determinar crescimento. Estado. a Transferência do Direito de Construir. Operação Urbana. Reproduziam o mesmo modelo. O plano passou a contemplar os conflitos e priorizar o processo. . Diagnósticos extensos procuravam resolver todos os problemas das cidades.anos 80 e 90 Os planos continham instrumentos como a Edificação Compulsória e o IPTU Progressivo. 2009. As favelas eram locais de transição. proveniente sua maioria do sua maioria do campo.Quadro 1 . sem adequação aos problemas política local.50% Executivo e 50% outros setores da sociedade.. Remetia-se a uma lei de uso e ocupação do solo distanciado da distanciadas da prática. Praticava-se a erradicação de favelas e a construção para conjuntos habitaciona Desconsiderava-se a multiplicidade de interesses existentes nas cidades. Instituíam o Conselho de Política Urbana (de modo geral . Os Zoneamentos incluídos nos planos determinavam 3 ou 4 macrozonas sem detalhame detalhamento. plano era um conjunto de intenções. a configuração e os modos de vida nas cidades. mas não eram autoaplicáveis. Concessão Onerosa do Direito de Construir.Características do Plano e Planejamento Tradicionais – anos 60 e 70 Perseguia acreditava.que. Planos feitos por consultoria. aguardaria a provisão de habitação por parte que acreditava-se seriam locais melhores que as favelas para a habitação a população de baixa renda. de forma que o setor popular ficava com apenas 1 ou 2 representantes) e eram conselhos consultivos.

Fonte: elaborado pelo autor: Azevedo.. 47 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Os técnicos elaboravam o plano com ou sem consultoria. O MCidades deflagra o direito à regularização fundiária e à garantia das posses urbanas. Alguns planos continham cronograma de investimentos prioritários. Definiam zonas especiais de interesse social (ZEIS). como áreas para regularização fundiária e programas de urbanização fundiária de favelas. 2009. Caso haja Consultoria (caso haja). as faculdades e obrigações da propriedade urbana e rural. os interesses coletivos devem se sobrepor ao privado e a função social da propriedade garantida. H. que indicava a necessidade de monitoramento da sua implementação . Destaca-se o plano de BH. Os técnicos elaboram e discutem com a população municipal os problemas e as potencialidades locais – leitura técnica e leitura comunitária por meio de reuniões temáticas e setoriais. Quadro 3 – Características do Plano e Planejamento Participativos . Direito à moradia e à regularização fundiária de milhões de brasileiros que vivem nas favelas e nos loteamentos irregulares. com diferentes possibilidades de adensamento nas zonas urbanas e com áreas de diretrizes especiais e zonas de proteção ambiental ou do patrimônio cultural. mediante regulamentação que definisse indicadores para avaliar a qualidade de vida da população. técnicos e comunidade são capacitados.anos 2000 O plano diretor participativo é difundido pelo Ministério das Cidades e adotado por aqueles municípios que deveriam aprovar seus planos até outubro de 2006. buscando maior implementação. O plano diretor é o instrumento que vai indicar os limites. por meio de processos participativos. O Plano diretor é elaborado para as áreas urbana e rural. sendo as audiências públicas a forma mais difundida de participação. Não tratavam da área rural. No paradigma e metodologia difundidos.zoneamentos já estavam mais qualificados. tratadas de forma integrada. de acordo com o estabelecido pelo Estatuto da Cidade.

O plano diretor coibe. condições necessidades preservação ambiental.8 e 12.182 da Constituição Federal. Brasilia. 2002. 48 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . O plano diretor estabelece critérios para utilização dos instrumentos do Estatuto da Cidade e delimita as áreas para a aplicação: outorga onerosa do direito de construir. Passa-se a trabalhar com temas prioritários.sujeitas à aplicação dos instrumentos do parcelamento e edificação compulsória. Ministério das Cidades. Fonte: elaborado pelo autor: Azevedo. GRAZIA. 6. Tese de Doutorado em Estruturas Ambientais Urbanas. de. ao invés de extensos diagnósticos. terão áreas indicadas no plano diretor. 2009. Direito capacidade a de cidades sustentáveis do ponto do de meio vista físico ambiental. p. integrantes de áreas de especial interesse turístico. direito de preempção. onde o poder público pretenda utilizar os instrumentos previstos no § 4º do art. transferência do direito de construir e as ZEIS.Na nova prática e metodologia difundidas. G. Implementação de Planos Diretores. estimula ou qualifica os usos e contempla a infraestrutura.. Tendências da Gestão Intermunicipal em Aglomerações Urbanas Metropolitanas. integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas. O Estatuto da Cidade amplia o número dos municípios com obrigatoriedade elaboração do plano.000 habitantes. e social e de econômico. _________________. H. novembro de 2007. por meio das outorgas onerosas do direito de construir e alteração de uso. o plano diretor parte da leitura da cidade real e passa a ser visto como base para a gestão pactuada e não mais como instrumento para resolver todos os problemas da cidade. Referências AZEVEDO. Power point para oficinas de capacitação. passando a ser: com mais de 20. operações urbanas consorciadas. Ganhos imobiliários pertencentes a alguns proprietários são mais bem distribuídos para a sociedade. H. Secretaria Nacional de Programas Urbanos. As áreas urbanas consideradas subutilizadas ou não utilizadas. São Paulo: FAU/USP. inseridos na área de influência de empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional.

XIV Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais. O. RIBEIRO. T. A. SANTOS JUNIOR. 49 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Rio de Janeiro: Letra Capital: Observatório das Metrópoles: IPPUR/UFRJ. As ilusões do Plano Diretor. VILLAÇA. de Q. e SHIFFER. C. A cidade do pensamento únicodesmanchando consensos. R. 1990. Rio de Janeiro: FASE/UFRJ-IPPUR. 71 e 91. dos. “Planejamento urbano no Brasil: paradigmas e experiências”. (mimeo) e da IPPUR/UFRJ – OBSERVATÓRIO DAS METRÓPOLES. Dissertação de Mestrado. ________________. UFRJ. 2005. Rio de Janeiro. São Paulo: divulgação no site www.124.. ROLNIK. Os Planos Diretores Municipais Pós-Estatuto da Cidade: balanço crítico e perspectivas. 1995. “Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil. L. p.net. L. Reforma urbana: por um novo modelo de planejamento e gestão das cidades.169-243. F.(coord). 2009. 2010. S. STEINBERGER. POZZOBON. Brasília. 2000.flaviovillaca. _______________. RJ: Vozes. R. Planejamento local integrado: uma fase necessária ao desenvolvimento urbano planejado. et alii (org). O processo de urbanização no Brasil. Curso de Acesso à Terra Urbanizada. (orgs). 1999. M. 2007.arq. CYMBALISTA. MARICATO. C. Relatório Estadual de Avaliação dos Municípios do Rio Grande do Sul. http//web.” In: DEÁK. São Paulo: Editora da Universidade. D. 1976. uso. Caxambu: ANPOCS.Brasília: M Cidades.GDF/SEDUMA – “Monitoramento do parcelamento.br. ocupação gestão urbana e territorial”. O. R. Disponível em. Rio de Janeiro: IPPUR. “As idéias fora do lugar e o lugar fora das idéias. Rede de Avaliação e Capacitação para a Implementação dos Planos Diretores Participativos. p. “Regulação urbanística no Brasil: conquistas e desafios de um modelo em construção”. (orgs). CARDOSO. p.observatoriodasmetropoles. A. Ermínia. Acesso em fevereiro de 2010.” In: ARANTES. R. MONTANDON. 2011.

Seção B Habitação e Desenvolvimento Urbano 50 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .

de edificação fins de compulsória. O artigo termina com algumas considerações sobre os limites dos governos limites locais são na implementação ordens do Estatuto da Cidade. A implementação daquele marco legal da política urbana nacional ocorre por meio de planos diretores instituídos em legislações municipais que devem ser elaboradas com a participação dos diferentes segmentos da sociedade civil. evidenciam dificuldades planos articulação Antes instrumentos apresenta-se da política nacional-local daquelas de um formulação sobre nos das após a a desses diretores de alguns instituídos na última década. no tempo. É preciso aprofundar as conquistas positivas e superar as dificuldades encontradas. Estatuto da Cidade (lei federal 10. Essa análise principalmente e utilização Tais instrumentos IPTU parcelamento. econômicas. desiguais do país existentes nas cidades brasileiras seguido por uma breve trajetória urbana percorrida ocorrida na segunda metade da década de 1980. Esses e de políticas. A aplicação prática daquele marco nacional em âmbitos locais se dá com inúmeras variações e limitações. análises geral incorporação diretores características redemocratização política quadro urbana planos paulistas. variações na progressivo as estudos de impacto de vizinhança e concessão de uso especial para moradia.257/2001) e criação do Ministério das Cidades em 2003.O Estatuto da Cidade entre o Local e o Nacional Kazuo Nakano 1 . O principal objetivo deste artigo é analisar as variações na incorporação se detém de alguns instrumentos nos do Estatuto como o da Cidade num conjunto de 92 planos diretores do Estado de São Paulo. A política urbana deve seguir ciclos de 51 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .Introdução A trajetória recente da política urbana brasileira demonstra avanços importantes em nível nas esferas em jurídicas especial e com a institucionais aprovação do estabelecidas federal. técnicas institucionais e precisam ser analisados detalhadamente em pesquisas futuras para que hajam aperfeiçoamentos nos avanços conseguidos até agora.

6 2.4 Fonte: Diretoria Técnica. principais características demográfica ocorrida naquele período se expressam nas quedas significativas das taxas de fecundidade global e das taxas brutas de mortalidade verificadas na população brasileira.4 9 de estudos e 1991 2000 2. Tabela 1 – Brasil . bem como dos patrimônios ambientais e culturais. Em relação à taxa bruta de mortalidade essa queda foi de 20. Os ciclos de formulação.04 7. promova as reais condições para a justiça social no desenvolvimento econômico.Evolução nas Taxas de Fecundidades Globais e Brutas de Mortalidade – 1950 a 2000 1950 1960 Taxa de fecundidade global 6. 2 .2 filhos por mulher em idade reprodutiva em 1950 para 2. o Brasil viveu do um forte As processo de transição demográfica e urbana que alterou profundamente estruturas características dessa sócio-territoriais transição país. Elaboração: do autor.A Transição Urbano-Demográfica e a Produção de Cidades Desiguais Na as segunda e metade do século XX.1 6. mais adequadas e exeqüíveis para a concretização de cidades que realmente efetive o direito à cidade.3 Taxa bruta de mortalidade 20.8 4.2 6.6 óbitos por mil habitantes em 1950 para 6. Departamento Sociais IBGE. implementação.formulação e implementação de propostas submetidas ao monitoramento e avaliação dos resultados alcançados para orientar revisões do que for necessário.6 13. 1970 1980 5.7 em 2000. monitoramento e revisão das políticas urbanas ajudam na busca por propostas melhores.7 Indicadores 52 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Na tabela 1 e no gráfico 1 abaixo.04 em 2000. observa-se que a taxa de fecundidade global caiu de 6. social e humano e garanta a proteção dos grupos sociais mais vulneráveis. Propostas que realizem os direitos sociais básicos.01 9.

% 1950 a 1960 1960 a 1970 1970 a 1980 3. respectivamente).Evolução nas Taxas de Fecundidades Globais e Brutas de Mortalidade – 1950 a 2000 Fonte: Diretoria Técnica. A despeito dessa redução. 60 e 70 (3. Departamento de estudos e Indicadores Sociais IBGE.5%. Tabela 2 – Brasil – Evolução das Taxas Geométricas de Crescimento Anual – 1950 a 2000 Taxa Geométrica de Crescimento Anual . 2.9% e 2. tabela gráfico seguir valores dessas taxas que caíram de 3. Elaboração: do autor Um dos principais efeitos dessa transição demográfica no Brasil foi uma desaceleração gradativa no ritmo de crescimento populacional verificada na redução das taxas geométricas de crescimento anual.9 2.5 53 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .2% ao ano na década de 1950 para 1.6% na década de 1990.2%.2 2.Gráfico 1 – Brasil . A essas 2 e taxas o se mantiveram 2 a em patamares trazem os relativamente altos nas décadas de 1950.

54 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Na tabela 3 abaixo nota-se que o percentual da população brasileira vivendo em áreas urbanas passou de 36. Departamento de estudos e Indicadores Sociais IBGE.8% para 18. ocorre uma grande disseminação das relações urbanas na conformação dos modos de vida sociais e nos territórios do país.2% em 2000. Elaboração: do autor Gráfico 2 – Brasil Evolução das Taxas Geométricas de Crescimento Anual – 1950 a 2000 Fonte: Diretoria Técnica. Nesse mesmo período.1980 a 1991 1991 a 2000 1. Essa inversão fica evidente no gráfico 3 abaixo que apresenta as variações dos percentuais das populações urbanas e rurais sobre a população total do país.2% em 1950 para 81. Departamento de estudos e Indicadores Sociais IBGE. Simultaneamente às transformações nos perfis de fecundidade e mortalidade e no ritmo de crescimento da população brasileira.8 1.6 Fonte: Diretoria Técnica. Elaboração: do autor As mudanças também foram bastante significativas em relação à transição urbana. o percentual referente às populações rurais passou de 63.8%.

161.817 52.992.143 36.603.9 44.573 146.0 67.506 38.904.633 31.198 36.137. Urbana % do Total Pop.891 32.Evolução da População Total.583 121.5 18.744 82.397 70.5 81.508.839 39.835. Rural % do Total 63.2 18.459 169.3 24.150.1 56.944.004.Tabela 3 – Brasil . Total Pop.987.343 94.8 Fonte: Censos Demográficos IBGE. Elaboração: do autor Aquela representatividade das populações urbanas e rurais na população total do país está diretamente associada com a evolução dos seus números absolutos e com seus comportamentos migratórios.8 54.917. O gráfico 4 abaixo apresenta essa evolução durante a segunda metade do século XX.755.875.7 75.826 137.693 1960 1970 1980 1991 2000 Fonte: Censos Demográficos IBGE.590. Elaboração: do autor Gráfico 3 – Brasil – Evoluções dos Percentuais das Populações Urbanas e Rurais sobre a População Total – 1950 a 2000 33.550 51. Nota-se que.526 41.013.0 32.041. Urbana e Rural – 1950 a 2000 1950 Pop.782. enquanto a população urbana acompanha o 55 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .2 45.375 110.

6 milhões de habitantes. desde as cidades da zona costeira até aquelas 56 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .1 milhões de habitantes em 1950 e 31.Evolução da População Total. Esse quadro de crise urbana aparece em diversos contextos regionais e socioambientais. ou dentro dessas regiões. com uma suave elevação em 1970 quando o número de pessoas vivendo nas áreas rurais atingiu o seu patamar máximo de 41. Tais movimentos possuem características diversas e ocorrem entre áreas rurais para urbanas e entre diferentes áreas urbanas. excludente do ponto de vista territorial e predatório do ponto de vista ambiental. a população rural permanece praticamente estável variando entre 33. Elaboração: do autor Essas transições demográficas e urbanas foram dinamizadas por intensos movimentos migratórios que ocorreram e continuam a ocorrer entre diferentes regiões do país. Urbana e Rural – 1950 a 2000 Fonte: Censos Demográficos IBGE.8 milhões em 2000. Gráfico 4 – Brasil . As configurações das cidades brasileiras desse começo de século XXI são frutos desses e de outros processos macro-estruturais de formação e transformação da sociedade e do território brasileiro. Essas cidades expõem legados históricos que constituem dívidas sócio-territoriais acumuladas durante décadas de intensa urbanização segundo padrões desiguais do ponto de vista social.crescimento da população total.

inteligência e diversidade. não evitam as ocorrências freqüentes de crimes contra a pessoa De e o patrimônio lado. más condições de oportunidades são ocupados vulnerabilidades de pobres que. Esses apesar das dificuldades enfrentadas todos os dias. uma pequena parcela do território daquelas cidades atende aos padrões a urbanísticos serviços. demandas poucas urbanos carências coletivas na não de por oferta atendidas emprego. mobilidade. outro proliferação grande assentamentos irregularidades fundiárias. Viver nessa parte da cidade custa caro e é possível privilegiada. como no interior da floresta amazônica. De um lado. 57 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . minoria mobiliza inúmeros serviços privados de segurança que realizam esses controles sócio-territoriais na busca por maior proteção que. precariedades urbanísticas e déficits de urbanidade agrava a exclusão territorial que estrutura o espaço urbano. Tem. entre outros graves problemas. no entanto. de controles grupos de dispositivos para o exercício contato vigilâncias convivência sócio-territoriais Essa que filtram acessos a determinados espaços urbanos a fim de evitar o com indesejados. ocorrência perdas crescentes residentes nesses espaços urbanos consolidados de modo a acirrar a segregação e as desigualdades sócio-territoriais. sociais e riscos ambientais. com nesses a espaços pretensamente de um protegidos número e de controlados. cada de e a vez mais e intensamente. a estabelecidos equipamentos crescentes endinheirada e nas a de e leis e é reconhecida pelo Poder Público como integrante da cidade legal. multidões de por equipamentos saneamento comunitários. assentamentos básico. essa minoria endinheirada lança mão. Com a explosão da violência urbana. portanto. sobrevivem por meio de táticas e estratégias de interação com o território que surpreendem pela vitalidade.localizadas nas regiões do interior mais recôndito do país. de população. urbanos somente a acesso que uma Daí investimentos revalorização minoritária no número da de públicos regulares que garantem a manutenção e melhorias dos espaços promovem parte a processos imobiliária. Nesses assentamentos existem péssimas condições de moradia. dificuldades de acessos físicos e sociais.

Esses paradigmas incluem a democratização dos processos de planejamento e gestão urbana e territorial. e em ações As práticas clientelistas e patrimonialistas. O histórico social. Pela primeira vez se incluiu. e político e por institucional autores como dessas Adauto lutas Lucio encontram-se descrito analisado 58 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . 3 . marcados pela abertura política. fazem com investimentos minoritários. Esses avanços são desdobramentos dos processos ocorridos desde a segunda metade da década de 1980. Essas lutas buscaram definir novos paradigmas sobre a apropriação e o uso do território a partir dos princípios do direito à cidade e do cumprimento das funções sociais das cidades e das propriedades urbanas. numa Constituição brasileira. É importante ressaltar que os avanços mencionados no parágrafo anterior foram frutos de lutas sociais pela inclusão social e territorial dos grupos de baixa renda para terem acessos às bases para o desenvolvimento social. excludente e predatório caminhou de mãos dadas com políticas clientelistas e critérios patrimonialistas de atendimento às demandas sociais por serviços. vimos avanços inegáveis nas trajetórias das políticas urbanas e habitacionais do Brasil. esse padrão de urbanização desigual. presentes nos processos de urbanização. privados detrimento coletivos e difusos.Historicamente. equipamentos e infra-estruturas urbanas. públicas dos privilegiem interesses interesses públicos. um capítulo específico sobre a política urbana do país (Artigos 182 e 183). redemocratização e elaboração da Constituição Federal aprovada em 1988 na qual se incluíram os importantes princípios da dignidade humana e da função social da propriedade urbana. econômico e humano existentes nas cidades. Essa articulação aprofunda as desigualdades sócio-territoriais inscritas nas cidades e dificulta a efetivação dos direitos sociais básicos garantidos por leis nacionais. Tais associações dificultam e inviabilizam processos democráticos de planejamento e gestão que os urbana e territorial.A Construção de Políticas Urbanas na Busca pelo Direito à Cidade Nessa primeira década do século XXI.

Grazia de. elaborado em forma de decreto. Um dos desdobramentos mais importante dessas discussões foi a apresentação do Projeto de Lei de “Reforma Urbana”. p.cit) traz. no hotel Quitandinha. durante os quais se realizaram políticas 37 CARDOSO. Adauto Lucio (orgs. José Roberto. em Petrópolis/RJ. Reforma Urbana e Gestão Democrática – Promessas e Desafios do Estatuto da Cidade.). as transcrições do “Documento Final do Seminário de Habitação e Reforma Urbana” e do Projeto de Lei de “Reforma Urbana”. Esses autores adotaram a década de 1960 como ponto de partida comum para suas análises sobre a trajetória histórica do ideário da Reforma Urbana. Nesse deveriam Políticas Seminário para um e foram discutidas na em ritmo as bases de e dimensões que e as ser consideradas construção políticas de de urbanas habitacionais Brasil acelerado capazes urbanização. 40 SOUZA. Subsecretaria de Edições Técnicas. p. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. durante o governo do presidente João Goulart (1961-1964).Cardoso37. Mudar a Cidade:uma introdução crítica ao planejamento e à gestão urbanos. no ano de 1963. 2003.41 Com o golpe militar ocorrido em 1964 há uma interrupção nos processos inovadores que estavam em curso nos vários campos das vidas políticas. 39 GRAZIA. econômicas e culturais do país. 41 BASSUL (op. Rio de Janeiro: Revan/FASE. Nesse período se realizou o Seminário de Habitação e Reforma Urbana. entre os anexos. Esse golpe instaurou uma ditadura militar no país que se prolongou por 20 anos. justamente num momento histórico em que essas cidades estavam passando por forte crescimento territorial e populacional. 53-70. Estatuto da Cidade: Quem ganhou? Quem perdeu? Brasília: Senado Federal. “A Cidade e seu Estatuto: uma avaliação urbanística do Estatuto da Cidade”. 2005. 2002. Reforma Urbana e Gestão Democrática – Promessas e Desafios do Estatuto da Cidade. “Reforma Urbana e Estatuto da Cidade”. Os processos de construção de uma política urbana para as cidades brasileiras foram interrompidos no seu nascedouro. Luiz Cesar de Queiroz & CARDOSO. Adauto Lucio (orgs. 155-168. reduzir urbanas habitacionais desigualdades sócio-territoriais presentes nas cidades que estavam tendo níveis crescentes de tensões sociais. 59 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . In: RIBEIRO. José Roberto Bassul38. Rio de Janeiro: Revan/FASE. p. com profundas transformações nas suas configurações espaciais e diversas realidades econômicas e sociais. 38 BASSUL. In: RIBEIRO. Marcelo Lopes de.). entre outros. Grazia de Grazia39 e Marcelo Lopes de Souza40. 2003. Luiz Cesar de Queiroz & CARDOSO. Adauto Lucio. 27-51.

construção marcos políticas dessa habitacionais pelas dos iniciais retomada foi a apresentação da emenda popular da Reforma Urbana apresentada políticos popular organizações sociais luta pela à governamentais. Essa Constituição instituiu um novo pacto federativo no país estruturado em quatro níveis de governo: federal. por exemplo. entre outras atribuições. Distrito Federal e municipal.urbanas e habitacionais centralizadas no governo federal que. a organização de sistemas locais de transporte público e coletivo. estadual. 60 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . residentes municípios passaram a ter o direito de eleger seus governantes e representantes poder legislativo. a oferta de serviços básicos de saúde e educação. favoreceram prioritariamente os setores minoritários das classes médias urbanas se e frações do capital com os imobiliário processos e de fundiário que estavam estruturando urbanização. Essa emenda apresentada Assembléia Constituinte estava preparando a nova Constituição Federal que foi aprovada em 1988. vulneráveis do ponto de vista sócio-ambiental. de uma maneira geral. Esse pacto federativo procurou descentralizar a administração estaduais e pública municipais no delegando de grande As autonomia populações Os para os níveis nos governo. a regulação do uso e ocupação do solo. contendo o já mencionado capítulo sobre a política urbana. Com a redemocratização da vida política e institucional do Brasil urbanas ocorrida da e em meados do da década Um não por de de 1980 há uma das espécie de retomada trajetória interrompida país. em assentamentos habitacionais precários do ponto de vista urbanístico. informais do ponto de vista jurídicofundiário. entre outros sociais que direitos entidades sujeitos para os profissionais. governantes municipais passaram a ter autonomia orçamentária e receberam um conjunto de responsabilidades de interesse local como. movimentos urbanos. Esse processo se deu em detrimento do atendimento das necessidades habitacionais dos grupos sociais de menor renda que cresciam nas periferias das cidades. mobilizados foi trabalhadores e para as camadas sociais de menor renda.

dos movimentos populares de luta por moradias.124/2005 que institui o Sistema e Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social. como 42 A realização desses investimentos nos espaços urbanos sofreu críticas de alguns setores da sociedade brasileira por causa da desarticulação em relação aos planos diretores e todo o processo de participação social realizada nas conferências das cidades e no Conselho Nacional das Cidades. dos governos federal. para a urbanização de assentamentos precários e para a produção de moradias para famílias de média e baixa renda42. Esses desdobramentos devem ser implementados no âmbito daquele pacto federativo e obedecer às autonomias e responsabilidades dos diferentes níveis de governo.a criação do Ministério das Cidades em 2003. .a realização de três edições das Conferências Municipais. .a realização. das entidades profissionais.a aprovação do Estatuto da Cidade (Lei Federal 10. . 61 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . a elaborarem e aprovarem seus planos diretores por meio dos quais se dá a implementação do Estatuto da Cidade nos territórios locais. principalmente dos municípios com mais de 20 mil habitantes e integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas. .Os principais desdobramentos recentes daquele marco constitucional que fundamenta a construção das políticas urbanas e habitacionais no Brasil foram: . . organizações governamentais. a realização da Campanha pela Nacional por Planos de Diretores Programas Participativos conduzida Secretaria Nacional Urbanos do Ministério das Cidades com o objetivo de estimular os governos e sociedades locais.257/2001). principalmente os municipais que.a elaboração do Plano Nacional de Habitação. estaduais e municipais. das universidades. de grandes investimentos de com recursos de do governo federal básico em para a implantação infra-estruturas saneamento áreas urbanas.a aprovação da Lei Federal 11. . a criação das do Conselho Nacional não das Cidades em 2004 com representantes dos empresários.a aprovação da Política Nacional de Habitação pelo Conselho Nacional das Cidades em 2004. sob a coordenação do Ministério das Cidades. Estaduais e Nacionais das Cidades a partir de 2003.

equipamentos e infra-estruturas urbanas. a oferta de serviços. nos conteúdos de planos diretores do Estado de São Paulo.visto. lacunas e insuficiências.instrumentos da política urbana. a ordenação e controle do uso e ocupação do solo. a proteção dos patrimônios ambientais e culturais realização existentes de nos locais. Adiante veremos exemplos desses problemas em relação à incorporação. Como as determinações do Estatuto da Cidade. Nessa articulação entre escalas distintas da política urbana brasileira ocorrem muitas distorções. III .diretrizes gerais da política urbana. vale destacar a implementação do Estatuto da Cidade por meio dos processos de elaboração dos planos diretores nos municípios que estavam obrigados a instituírem esse instrumento ordenamento urbanas. a articulação entre diferentes entes da federação e com a iniciativa privada para o desenvolvimento urbano. que valem para todo o território nacional. Essa relação entre o Estatuto da Cidade e os planos diretores merece destaque porque nos permite analisar como os princípios. se adaptam às especificidades das diversas realidades locais existentes num país de grandes dimensões territoriais como o Brasil? As determinações contidas no Estatuto da Cidade encontram-se organizadas em cinco capítulos: I . tem a responsabilidade constitucional de planejar e gerir os territórios e espaços urbanos locais. a integração entre atividades rurais e urbanas para o desenvolvimento local. Como essas determinações são incorporadas nos planos diretores aprovados nos municípios? As diretrizes gerais tratam de várias dimensões da política urbana como. IV – gestão democrática da cidade e V – disposições gerais. II .plano diretor. o controle da expansão das cidades. urbanas a nos regularização assentamentos fundiária precários e e melhorias básico das da política sociais de das desenvolvimento cidades e das urbano e de funções propriedades 62 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . por exemplo. diretrizes e instrumentos da política urbana nacional instituída pela lei federal do Estatuto da Cidade se implementa nos níveis locais por meio das leis municipais dos planos diretores. Dentre os avanços recentes na política urbana brasileira. de alguns instrumentos de política urbana previstos no Estatuto da Cidade.

de contrapartidas financeiras que devem ser pagas por empreendedores imobiliários interessados no aproveitamento mais intenso de determinadas áreas urbanas. a regularização fundiária de moradias localizadas em assentamentos informais outras. pelo poder público. e entre Essa interesses é com do as políticos e econômicos também que. Vale dizer que essas diretrizes são pertinentes nos diferentes tipos de realidades urbanas existentes no país. por técnicas. a cobrança. Os instrumentos de política urbana trazem uma série de normas e critérios gerais para os municípios regularem as atuações dos agentes que operam nos mercados de terras urbanas e na produção e comercialização de empreendimentos imobiliários. por exemplo. Vale dizer que a adaptação daqueles instrumentos ocorre. a reestruturação urbana a partir de grandes projetos e baseadas em parcerias público-privadas. a indução para o aproveitamento de terras urbanas ociosas. até as pequenas cidades localizadas nas porções mais interiorizadas onde há baixa densidade demográfica. como na região amazônica. A aplicação desses instrumentos de política urbana nas diversas realidades urbanização locais do país exige um grau maior e de adaptação processos e às de dos características dos mercados imobiliários dessas dos construídos em terrenos públicos ou privados. Dependendo características objetivos que se quer atingir no ordenamento do uso e ocupação do solo local. a justa distribuição dos ônus e benefícios da urbanização. restringem os alcances da regulação pública estatal e nãoestatal dos mercados fundiários e imobiliários em função da falta de equipes e conhecimentos técnicos. 63 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . entre existentes. desde as grandes metrópoles inseridas em regiões densamente ocupadas. alguns instrumentos são mais adequados do que outros. como a macrometrópole do Estado de São Paulo. Trata-se de normas e critérios com finalidades específicas como. segundo as co-relações nos locais. também. entre outras. muitas existentes adaptação poder influenciada fragilidades público local condicionantes institucionais relacionados financeiras vezes.informais onde vive a população de baixa renda.

Os modos de incorporação dos instrumentos de política urbana nos planos diretores constituem-se num dos fatores que mais contribuem para a variabilidade dos processos de implementação do Estatuto da Cidade nas políticas urbanas locais.a delimitação das áreas urbanas onde se aplicam o parcelamento. As fragilidades também locais da políticas técnicas e e realidades poderes institucionais A seguir influenciaram de alguns bastante os trabalhos de elaboração dos planos diretores.as determinações para a aplicação do direito de preempção. por exemplo. apresenta-se incorporação instrumentos de política urbana em 92 planos diretores aprovados em municípios do Estado de São Paulo. Apesar de um dos artigos do capítulo que trata do plano diretor definir seu conteúdo mínimo43. mesmo em relação àqueles que o Estatuto da Cidade não exige regulamentação por meio de lei específica como. considerando a existência de infra-estrutura e de demanda para utilização. econômicas prevaleceram das dos as condições locais. 64 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . De uma maneira geral. Esse quadro dá uma idéia do grau de variabilidade na apropriação desses instrumentos previstos no Estatuto da Cidade por parte das políticas urbanas locais.A Incorporação dos instrumentos de política urbana do Estatuto da Cidade em planos diretores do Estado de São Paulo A incorporação dos instrumentos de política urbana previstos no Estatuto da Cidade foi o aspecto mais problemático identificado nas análises dos planos diretores analisados no Estado de São Paulo. .o sistema de acompanhamento e controle. da outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso. edificação ou utilização compulsórios. 4 . o estudo de impacto de vizinhança. Apesar dos planos diretores não serem totalmente nulos no que diz respeito às definições relativas aos instrumentos de política 43 Segundo o artigo 42 do Estatuto da Cidade os planos diretores devem conter. públicos um quadro territoriais. das operações urbanas consorciadas e da transferência do direito de construir. . nota-se que a aplicabilidade desses instrumentos a partir do plano diretor é bastante insuficiente e limitada. no mínimo: .

urbana. apresenta-se de um quadro urbana detalhado foram do modo como alguns planos instrumentos diretores. aplicação. de saber: a especulativa provocam terras terras com implantação empreendimentos ocupação impactos vizinhança. cidades urbanas. públicas assentamentos precários e informais com moradias das populações de baixa renda. edificação e utilização compulsória – PEUC . Nesse sentido. de Essa escolha de das dessa a generalização fatores a retenção de possibilidades formação de política tratados nesses incidência estruturais que brasileiras. Propõe-se analisar a incorporação de alguns instrumentos de política urbana por parte dos planos diretores analisados. Os instrumentos escolhidos para compor esse quadro cabem em praticamente considerou.Imposto predial territorial urbano progressivo no tempo – IPTU-PT . cabe perguntar sobre o porquê das insuficiências encontradas nessas definições.Estudo de impacto de vizinhança – EIV 65 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Nesse sentido.Parcelamento. as análises focalizaram os seguintes instrumentos: . Será que as equipes responsáveis pela elaboração desses planos diretores inseguras desconheciam em incluir as formas de aplicação dos instrumentos nos planos previstos no Estatuto da Cidade? Será que as equipes se sentiram alguns desses instrumentos diretores? Será que a não inclusão desses instrumentos se deve à falta de estudos e informações mais consistentes para orientar a formulação das propostas? Será que isso se deve às dificuldades de gestão vislumbradas pelas equipes técnicas diante das fragilidades e desestruturações técnicas e institucionais das prefeituras? Será que as insuficiências e limitações nas definições relativas aos instrumentos de política urbana nos planos diretores analisados se devem a conflitos políticos e de interesses que ocorreram durante o processo de elaboração no âmbito do poder executivo e aprovação no âmbito do poder legislativo? Nessa parte do texto não se pretende responder a todas essas questões. urbanos a e a todas além as realidades em de urbanas do das país.

de gerados a pela especulativa locais grandes sistemas terras urbanas bairros próximas centrais e a assentamentos consolidados dotados de infra-estrutura urbana básica. Edificação e Utilização Compulsória – PEUC Nos municípios do Estado de São Paulo. Tabela 4 Municípios cujos planos diretores prevêem a aplicação do Parcelamento.. edificação e utilização compulsória e mais de 80% definiram regras básicas para aplicação dos instrumentos. Na tabela 4 abaixo nota-se que a maioria dos planos diretores previu o parcelamento. É comum percebermos grandes distâncias entre as moradias dos grupos mais ricos. O destaque está nos municípios com população entre 100 mil e 500 mil habitantes 100% e com mais de 500 mil habitantes. dos planos diretores previram parcelamento. Muitas retenção localizadas vezes em esses de com vazios são efetivamente glebas viários. em especial aqueles localizados nas regiões do interior. localizadas nas áreas periféricas. a número permanece significativo: 78. Edificação e Utilização Compulsória. Apesar do menor percentual (conforme dos o planos Estatuto diretores da que definiram para a regras básicas desses Cidade) aplicação instrumentos.Concessão de uso especial para fins de moradia – CUEM  Parcelamento. com respectivas regras de aplicação 66 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . é comum encontrarmos sérios problemas de desarticulação e desintegração entre partes do tecido urbano por causa da existência de grandes vazios urbanos inseridos em áreas com ocupações consolidadas. Uma das principais conseqüências dessa desarticulação do tecido urbano provocada pelos vazios urbanos é a segregação sócio-espacial entre os locais de moradias dos grupos de alta. e dos mais pobres.3% dos planos diretores analisados. média e baixa renda. Nesses municípios. edificação e utilização compulsória nos seus conteúdos (97.8% dos planos diretores analisados). geralmente localizadas nas porções mais centrais das cidades.

4 80. sanção. no progressivo Estatuto edificação Apesar no da tempo e e utilização instrumentos compulsória.0 71.Nº de municípios pesquisados Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 92 6 32 25 1 28 PD prevê PEUC 1 27 24 32 6 90 100.3 83. análises lei a constatou-se 21. uma IPTU desses Cidade. Tabela Municípios Parcelamento.4 96. inovação.1% planos que no diretores pequeno de lei e permitem essa aplicação direta e 78. Elaboração: do autor Em relação se à aplicabilidade percebe-se com o conforme do parcelamento. onde o perceber não município com menos de 20 mil habitantes analisado o instrumento é aplicável plano necessitando específica.0 100.9% exigem regulamentação por específica.3 % Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo. Edificação Utilização Compulsória é aplicável a partir do plano diretor ou 67 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .8 % PD prevê regras PEUC 1 20 20 26 5 72 100. possibilitando compulsória dos aplicação a partir do do parcelamento. articularem desapropriação definido parte dos planos diretores analisados exigiram regulamentação por meio de lei específica somente em relação ao IPTU progressivo no tempo e desapropriação edificação e sanção.0 96.0 81.0 97. 2010.3 78. Nas meio de utilização que próprio plano diretor.0 100. partir 5 do Interessante diretor.

6 27 84.4 6 18.8 3 12.8 25 24 7 29.9 14 15.3 4 66.2 17 70. PEUC lei específica 0 0. PEUC 0 0.4%. Tabela Edificação e 6 Municípios onde a aplicação está do Parcelamento. também é significativo o percentual dos planos diretores que definiram as porções das áreas urbanas onde se devem identificar os imóveis considerados ociosos sujeitos à aplicação desses instrumentos: 64.8 23 85. edificação e utilização compulsória por meio de lei específica.depende de regulamentação por meio de lei específica em prazo prédefinido Nº de municípios pesquisados Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 32 mil habitantes acima de 500 mil 6 habitantes Total 92 90 19 21. Elaboração: do autor É interessante observar ainda que.8 1 1 PD prevê PEUC PEUC aplicável do PD 1 100.0 % Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo. mesmo sendo significativo o percentual dos planos diretores que exigem regulamentação posterior do parcelamento.7 32 5 15.5 28 27 4 14. no espaço e Utilização Compulsória definida vinculada a um objetivo ou diretriz do plano diretor 68 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .6 6 2 33.0 % Regulam. 2010.7 1 16. Destaque para o município com menos de 20 mil habitantes e aqueles com população entre 100 mil e 500 mil habitantes.0 % Prazo regula m.2 4 14.1 71 78.

2 16 59. seguido pelo IPTU progressivo no tempo e desapropriação sanção.0 4 66.2 24 75.4 Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo.7 58 64.0 1 11 13 18 4 47 100. Elaboração: do autor A aplicação do parcelamento. depende da definição de critérios para identificação dos imóveis ociosos. edificação e utilização compulsória.Nº de municípios pesquisados Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 92 6 32 25 1 28 PD prevê PEUC 1 27 24 32 6 90 Áreas aplicação PEUC 1 % PEUC com objetivo e diretriz % 100.7 54.2 56. 66.3% incluíram critérios para identificação dos imóveis não utilizados ou subutilizados.3 13 54. 0 40. 2010. 69 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . conforme a tabela 7 abaixo. Dos 92 planos diretores analisados.7 52.3 66.

3 6 2 33.3 2 33.Municípios cujos planos diretores definem imóvel edificado não utilizado ou subutilizado e as áreas urbanas onde devem ser identificados Nº de municípios pesquisados PD define imóveis edificados não utilizados e/ou subutilizados Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 92 61 66. 2010.1% dos planos diretores que incluíram aquele instrumento. respectivamente.3 17 60.7 1 0 0. 70 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .0 18 72.3 32 23 71. Conforme a tabela 8 abaixo. definiram esses prazos.Tabela 7 .3% e 1.0 % PD define imóveis não edificados não utilizados e/ou subutilizados 1 100.0 % Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo.0 28 18 64.9 23 71.9 25 18 72. somente 3. Elaboração: do autor Poucos planos diretores previram prazos para monitorar e rever a aplicação do parcelamento. edificação e utilização compulsória.3 61 66.

0 32 32 1 3. proprietário do imóvel ocioso não o destine para um aproveitamento adequado.Municípios cujos planos diretores definem prazos para monitorar e rever a aplicação do Parcelamento.3 1 1. Conforme tabela 9 abaixo.4% dos planos diretores incluíram o IPTU progressivo no tempo nos seus conteúdos (enquanto 97.1 6 6 0 0. 92. edificação e utilização compulsória).Tabela 8 .7 0 0.0 1 1 PD prevê PEUC Prazo monitorar PEUC 0 0.2 0 0.1 25 24 1 4. há uma pequena diferença de percentual dos planos diretores que previram e definiram regras para a aplicação desses instrumentos. edificação e utilização compulsória) e 70.0 % Prazo rever PEUC % Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo. Edificação e Utilização Compulsória Nº de municípios pesquisados Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 92 90 3 3. 2010.8% dos planos diretores incluíram o parcelamento.% dos planos diretores definiram esse tipo de regras para o parcelamento.7% dos planos diretores analisados previram regras básicas de aplicação do IPTU progressivo no tempo (enquanto 78.0 0 0. Elaboração: do autor  IPTU Progressivo no Tempo – IPTU-PT edificação e utilização compulsória caso o A aplicação do IPTU progressivo no tempo segue a aplicação do parcelamento. Entretanto.0 28 27 1 3.1 1 3. 71 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .0 0 0.

9 25 22 88.3 1 1 100. e sim esse que percentual essa chega a 22. 72 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Dentre os planos diretores cujos municípios possuem população entre 50 mil e 100 plano mil habitantes. Isso não não foi significa que o instrumento é auto-aplicável a partir da lei do diretor exigência simplesmente incorporada como parte dos conteúdos.0 % 9 Municípios cujos planos diretores prevêem a aplicação do IPTU Progressivo no Tempo.0 18 72. Tabela aplicação Nº de municípios pesquisados Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 92 85 92.4 65 70.0 PD prevê IPTU-PT % PD prevê regras IPTUPT 1 100.0 5 83.0 28 26 92. Elaboração: do autor Dentre os planos diretores que incluíram o IPTU progressivo no tempo. 2010. um pequeno percentual não exige regulamentação por meio de lei específica como determina o Estatuto da Cidade: 12.7%.9 18 64.9%.8 23 71. Trata-se de uma apropriação equivocada daquele instrumento por parte dos agentes envolvidos no processo de elaboração desses planos diretores.Essas pequenas diferenças demonstram que alguns planos diretores não articularam devidamente a aplicação desses importantes instrumentos de combate à retenção especulativa das terras urbanas.3 32 30 93.7 6 6 100. com respectivas regras de Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo.

edificação e utilização compulsória por meio de lei específica.Municípios cujos planos diretores não mencionam exigência de lei específica para regulamentação do IPTU Progressivo no Tempo e mencionam regulamentação por meio de lei específica em prazo pré-definido Nº de municípi os pesquisa dos Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 1 28 25 32 6 92 PD Não exige % Regulam.1% definiram prazo para essa regulamentação. o percentual é menor.5 77. conforme tabela 10 abaixo. 2010. Lembramos que em relação à exigência da regulamentação do parcelamento.0 12.3 90.0 14.0 88. correspondente a 78.1 23.IPTU-PT lei PT 1 26 22 30 6 85 específica 0 3 5 3 0 11 Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo.7 10.0 11.3 0. IPTU-PT lei específic a 0.5 22.9 1 23 17 27 6 74 100.Ademais.1 0 3 2 7 0 12 0.0 100. IPTU. Em relação a esses instrumentos.9%. IPTU-PT % prevê regulam. 87.5 9. Elaboração: do autor Em relação ao percentual dos planos diretores que definiram as áreas urbanas onde devem ser identificados os imóveis sujeitos à 73 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .0 87. Tabela 10 .0 11.0 0.1% dos planos diretores exigiu regulamentação do IPTU progressivo no tempo por meio de lei específica e somente 14. o próprio Estatuto da Cidade exige regulamentação posterior à aprovação do plano diretor.1 % Prazo regulam.

já mencionada anteriormente.0 46. Elaboração: do autor 74 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Essa pequena diferença se deve à desconexão entre esses instrumentos em um pequeno conjunto de planos diretores. vale destacar tanto o plano diretor do pequeno município com menos de 20 mil habitantes que definiu as áreas urbanas sujeitas ao IPTU progressivo no tempo.8 % IPTU-PT com % objetivo e diretriz 1 12 100.3% dos planos diretores cujos municípios possuem população entre 200 mil e 500 mil habitantes.aplicação do IPTU progressivo no tempo. quanto os 73.4%.0 25 22 10 45.7 4 66.Municípios onde a aplicação do IPTU Progressivo no Tempo está definida no espaço e vinculada a um objetivo ou diretriz do plano diretor Nº de municípios pesquisados Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 92 85 51 60. primeiro edificação é e utilização a 60. nota-se certa proximidade com o percentual dos planos diretores que também o fizeram para a aplicação Enquanto do o parcelamento. o segundo percentual igual corresponde a 64.3 18 60.7 32 30 22 73. que também o fizeram. Vale ressaltar que essa desconexão não deveria ocorrer.0 47 55. 2010.5 1 28 1 26 PD prevê IPTU-PT Áreas aplicação IPTU-PT 1 100.3 6 6 4 66. Tabela 11 .5 12 54.0%. compulsória.2 Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo. De acordo com a tabela 11 abaixo.0 14 53.

2% definiram prazos para revê-lo. De um lado.0 0.7% dos planos diretores definiram prazos para monitorar a aplicação daquele instrumento e somente 1.0 % Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo. planos definiram prazos para monitoramento e futuras revisões.6 0 0.0 0 0.3 25 22 3 13. importante estabelecer implantação desses empreendimentos e suas respectivas atividades nos 75 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Somente 4. causadores é impactos para incômodos melhor modo vizinhanças devem ser baseadas em audiências e discussões públicas.0 32 30 1 3. Tabela 12 .EIV O estudo de impacto de vizinhança é um instrumento de política urbana que possui importância de duas ordens. diretores utilização compulsória.0 0. No caso do IPTU progressivo no tempo. também há poucos planos diretores que definem esses prazos. Elaboração: do autor  Estudo de Impacto de Vizinhança .7 1 1.0 % Prazo rever IPTU-PT 0 0 0.0 1 28 IPTU-PT 1 26 Prazo monitorar IPTU-PT 0 0 0. 2010.Como edificação verificado e nos dados referentes poucos ao parcelamento.3 1 3. esse instrumento é importante para a democratização da gestão pública na medida em que as decisões de sobre o licenciamento urbanos o e de novos nas de empreendimentos De outro lado.Municípios cujos planos diretores definem prazos para monitorar e rever a aplicação do IPTU Progressivo no Tempo Nº de municípios PD prevê pesquisados Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 92 85 4 4. conforme a tabela 12 abaixo.2 6 6 0 0.

9 25 24 96. onde todos os planos diretores incorporaram esse instrumento.3 20 71. Tabela de aplicação Nº de municípios PD prevê EIV pesquisados Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes 6 6 100.9 23 71. O processo de consolidação dos espaços urbanos promove uma mistura gradativa de atividades residenciais e não residenciais numa mesma área urbana. conforme pode ser visto na tabela 13 abaixo. por exemplo. com respectivas regras 76 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .9% dos planos diretores incorporaram o estudo de impacto de vizinhança. de tal instrumento.0 28 25 89. essa mistura é provocada por grandes equipamentos que podem ocasionar.espaços urbanos de modo a reduzir ou eliminar os impactos. percentuais 70.0 17 68.0 0 0.3 32 31 96. onde 96.0 5 83. e naqueles com mais de 500 mil habitantes. Destes planos diretores regra que de trataram aplicação. em especial nos contextos onde há um sistema viário já saturado por fluxos intensos de circulação de veículos.4 1 1 % PD prevê regras EIV 100.0 % 13 Municípios cujos planos diretores prevêem a aplicação do Estudo de Impacto de Vizinhança.7% definiram alguma Esses mostram apropriação significativa desse importante instrumento para a gestão urbana. Daí a importância de 94. em especial nos planos diretores das grandes cidades com população entre 100 mil e 500 mil habitantes. o aumento no tráfego de automóveis prejudicando a qualidade de vida urbana. Muitas vezes.6% dos planos diretores analisados incluírem o estudo de impacto de vizinhança nos seus conteúdos. conflitos e incômodos que podem vir a ocorrer.

3%. EIV lei específica % Prazo regula m.8 0.4% desses planos diretores definiram um prazo para essa regulamentação.5 0. Tabela 143 . 2010. Elaboração: do autor A dificuldade e insuficiência nas regras para a aplicação do estudo de impacto de vizinhança na análise e licenciamento de novos empreendimentos sua pode ser por vista meio de no alto percentual de 71.3 71. regulamentação não é exigida pelo Estatuto da Cidade.0 70. ao mesmo tempo.4 27.7 7 Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo.0 9.0 1 3 16 2 17 2 23 5 100.6 65 0.0 28 25 32 6 92 25 24 31 6 87 9 7 8 0 24 6. exigem a regulamentação lei especifica.8 74.3 35.2 83.0 64. somente 18.0 8.6 62 77 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .3 3 2 11 0 16 12.0 0 0.Municípios onde o Estudo de Impacto de Vizinhança é aplicável a partir do plano diretor ou depende de regulamentação por meio de lei específica em prazo pré-definido Nº de municípios PD prevê EIV aplicável do % PD Regulam.2 5. EIV % pesquisados EIV Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 1 1 0 0.Total 92 87 94.0 18. portanto o próprio plano diretor poderia trazer todas as normas e critérios para a utilização dos estudos de impacto de vizinhança. Segundo a tabela 143 abaixo. planos Essa diretores que tratam desse instrumento e.

0 4. Tabela 15 .Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo. Elaboração: do autor É grande a necessidade de estreito monitoramento na aplicação dos estudos de impacto de vizinhança que extrapolam os processos de licenciamento dos empreendimentos imobiliários e envolve a 78 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .0 0 52. Na tabela 15 abaixo vemos que 66. 2010.0 4.7% desses planos diretores dos municípios com mais de 500 mil habitantes definiram essas áreas.7 50. 2010. Com exceção do pequeno município com menos de 20 mil habitantes.4 0.0 9.6 1 1 6 0 8 0.2 Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo.2 19. Elaboração: do autor Metade dos planos diretores que incluíram o estudo de impacto de vizinhança nos seus conteúdos definiu as áreas urbanas onde deve ser aplicado esse instrumento de democratização da gestão e de regulação do uso e ocupação do solo.0 50.Municípios onde a aplicação do Estudo de Impacto de Vizinhança está definida no espaço e vinculada a um objetivo ou diretriz do plano diretor Nº de municípios pesquisados PD prevê EIV Áreas aplicação EIV % EIV com objetivo e diretriz % Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 1 28 25 32 6 92 1 25 24 31 6 87 1 13 12 14 4 44 100.2 66.0 45. esse percentual é menor dentre os planos diretores dos municípios com portes populacionais menores.

De acordo com a tabela 17 abaixo.0 0.0 3. trazem essas definições. quase a metade dos planos diretores que o fizeram. Tabela 16 . Destaque para os planos diretores dos municípios com mais de 500 mil habitantes. Por isso é preocupante o percentual e definiram impacto de para monitoramente somente 1.0 0. 2010.0 0.1 0 1 0 0 0 1 0. Esse monitoramento é importante permanentes de planos dos impactos e de incômodos urbanos exigem. 49.0 4.1 Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo.1%.0 1.4%.implementação também baixo para os das medidas compensatórias aperfeiçoamentos diretores estudos que de e que mitigadoras as análises prazos que de porventura venham a ser definidas.0 1.7% possuem tais definições que auxiliam na identificação de empreendimentos e 79 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . dentre os quais 66.0 0.2 0.0 0.Municípios cujos planos diretores definem prazos para monitorar e rever a aplicação do Estudo de Impacto de Vizinhança Nº de municípios PD prevê pesquisados EIV Prazo monitorar EIV % Prazo rever EIV % revisão vizinhança: Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 1 28 25 32 6 92 1 25 24 31 6 87 0 0 0 1 0 1 0. Elaboração: do autor As definições dos diferentes tipos de empreendimentos e atividades urbanas que devem apresentar os estudos de impacto de vizinhança no ato do licenciamento é um passo importante para a regulamentação do instrumento.

atividades potencialmente geradoras de impactos e incômodos urbanos e de vizinhança.0 1 1 Estudo PD prevê EIV de Impacto PD define empreend. Tabela 17 .7 32 31 15 48.7 28 25 13 52.Municípios cujos planos diretores definem os tipos de empreendimentos que devem apresentar Nº de municípios pesquisados Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 92 87 43 49.220/2001 que recupera artigos do Estatuto da Cidade que foram vetados no momento em foi sancionado pelo presidente da república. para EIV 1 100. Esse instrumento serve para a realização da regularização fundiária de assentamentos precários e informais ocupados com as moradias das populações de baixa renda e localizados em glebas e terrenos do poder público. Esse tipo de regularização é importante para assegurar a posse dessas moradias por parte dos moradores diante de ameaças de despejos forçados e 80 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . 2010.4 6 6 4 66.4 25 24 10 41. Elaboração: do autor  Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia .0 de % Vizinhança no licenciamento Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo.CUEM A concessão de uso especial para fins de moradia é um dos instrumentos trazidos pela Medida Provisória 2.

Metade dos planos diretores de municípios com população entre 20 mil e 50 mil habitantes de previram aquele com instrumento. Somente 29. segundo a tabela 17 abaixo. a demarcação urbanística. nem todos os assentamentos precários e informais localizam-se em glebas e terrenos públicos.6%. A existência de daqueles tipos todos de os assentamentos municípios é comum na A urbanização praticamente brasileiros. Todo plano diretor precisa incluir alguma estratégia para lidar com essa problemática das cidades reais. a concessão do direito real de uso. ficaram abaixo das expectativas. Pelo menos a maior parte dos planos diretores de grandes municípios. A problemática dos assentamentos precários e informais de baixa renda é mais grave nesses grandes municípios. No que diz respeito à inclusão da concessão de uso especial para fins de moradia nos planos diretores analisados do Estado de São Paulo. entre No 100 caso mil se dos e planos 500 mil os de diretores Esse uso municípios se população mais moradia habitantes. nota-se que pouco mais da metade incorporaram esse instrumento. esse percentual ficou em 59.3%. irregularidade fundiária é estrutural nos processos de urbanização do país. 81 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . incluíram a concessão de uso especial para finas de moradia nos seus conteúdos: 83. por exemplo. com mais de 500 mil habitantes. quadro para torna de grave e quando observa regra percentuais de planos diretores que previram o uso da concessão de especial fins definiram alguma aplicação. à primeira vista. 57.garantir indenizações justas em caso de desapropriações motivadas pelo interesse público.4%. Entretanto. É importante que esses planos diretores incluam nos seus conteúdos todos os instrumentos de regularização fundiária disponíveis nas legislações federais como. a usucapião especial urbana. Em relação à previsão de uso da concessão de uso especial para fins de moradias nos planos diretores dos municípios pequenos e médios.3% desses planos diretores o fizeram. entre outros. podemos dizer que. Esse fator deve ser levado em consideração na leitura desse percentual.

6 0 6 6 12 3 27 0.Tabela 18 - Municípios cujos planos diretores prevêem a aplicação da Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia.4 24.4 83. tornam-se inócuas sem a definição dos espaços urbanos onde o instrumento deve ser aplicado.0 21. mais do que o percentual desses planos diretores que definiram alguma regra de aplicação. somente 20.5 50. 2010.0 37. municípios Vimos que tais 50.0 59. com respectivas regras de aplicação Nº de municípios pesquisados PD prevê CUEM % PD prevê regras CUEM % Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 1 28 25 32 6 92 0 14 15 19 5 53 0. 82 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .3 Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo. como mencionado antes. há graves problemas relacionados com os assentamentos precários e informais de baixa renda.0 50. Entretanto.0 60.0% alguma regras dos planos de diretores aplicação desses desse grandes definiram regra instrumento.0% definiram as áreas de aplicação da concessão de uso especial para fins de moradia.0 29.3%. Dentre os planos diretores de municípios com mais de 500 mil habitantes onde. Elaboração: do autor Na tabela 19 abaixo podemos ver que o percentual dos planos diretores que incluíram a concessão de uso especial para fins de moradias e definiram as áreas para a aplicação desse instrumento é igual a 43.3 57.

2010.0 6. Isso é grave porque esse tipo de concessão precisa ser acompanhado por um bom monitoramento a fim de evitar desvios em relação ao interesse social das terras públicas nas quais estão construídas moradias regularizadas das famílias de baixa renda.3 0.0 11. respectivamente.3 52.0 0.0 43.Municípios cujos planos diretores definem prazos para monitorar e rever a aplicação da Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia 83 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .0%. os percentuais dos planos diretores que definiram prazos para monitoramento e revisão da concessão de uso especial para fins de moradia é extremamente baixo: 1.6 20.3 Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo. Tabela 20 .Tabela 19 . Elaboração: do autor Segundo a tabela 20 abaixo.9% e 0.0 28.Municípios onde a aplicação da Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia está definida no espaço e vinculada a um objetivo ou diretriz do plano diretor Nº de municípios pesquisados PD prevê CUEM Áreas aplicação CUEM % CUEM com objetivo e diretriz % Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 1 28 25 32 6 92 0 14 15 19 5 53 0 4 8 10 1 23 0.6 53.7 26.4 0 0 1 5 0 6 0.

0 0.9 0 0 0 0 0 0 0.0 0. Como visto anteriormente.0 0.3% desses planos diretores demarcaram zonas especiais de interesse social em áreas com assentamentos precários e informais. não utilizadas ou subutilizadas.Nº de municípios pesquisado s Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 92 6 32 25 28 1 PD prevê Prazo CUEM monitora r CUEM 0 14 15 19 5 53 0 0 1 0 0 1 % Prazo rever CUEM % 0. nesses municípios a problemática dos assentamentos precários e informais é mais grave e apresenta grandes dimensões.0 0.0 0. Podem ser demarcadas em áreas com assentamentos precários e informais.9% dos planos 84 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .0 0.0 0. entre outros. Os planos diretores dos municípios maiores registraram percentuais maiores. e em glebas.7 0. Na tabela 21 abaixo nota-se que 66. Elaboração: do autor  Zonas Especiais de Interesse Social As zonas especiais de interesse social é o instrumento mais importante para garantir o acesso à terra urbana para a provisão de habitações para as populações de baixa renda.0 1. como favelas e loteamentos clandestinos. terrenos e edificações ociosas. Todos os planos dos municípios com mais de 500 mil habitantes demarcaram ZEIS ocupadas e 75.0 Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo. 2010.0 6.

4 12 57. Mesmo assim.0 6 100. Tabela 21 . pois muitas vezes choca com os interesses dos proprietários daqueles imóveis.0 0 0. essa demarcação é conflituosa. terrenos e edificações desocupados estabelecem certa reserva de terras urbanas para a provisão habitacional destinada às populações de baixa renda.5 28 21 15 71.8 22 75.0 e % informais demarcadas no espaço Nº de municípios pesquisado s Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo. Elaboração: do autor As zonas especiais de interesse social demarcadas em glebas.0 32 29 24 82. é previsível a ocorrência de um número menor de planos diretores que fazem essa demarcação. 85 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .6 13 56.3 6 6 6 100. Por isso. Em geral.9 25 23 16 69.5 53 66.3% dos planos diretores analisados o fizeram. 51. 2010.dos municípios com população entre 100 e 500 mil habitantes o fizeram.1 1 1 1 100.Municípios cujos planos diretores definem zonas especiais de interesse social com PD define ZEIS assentamentos PD define ZEIS ocupadas % precários PD demarca ZEIS ocupada s Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 92 80 62 77.

É preciso também verificar se a quantidade de áreas demarcadas é suficiente para atender as necessidades habitacionais acumuladas na cidade. Tabela 22 . Entretanto.Conforme a tabela 22 a seguir. nos municípios com população entre 200 e 500 mil habitantes e com mais de 500 mil habitantes esses percentuais foram maiores. é preciso verificar a qualidade da localização dessas ZEIS vazias do ponto de vista urbanístico.4 9 42.3 6 6 100.0 6 100.8 8 34.0 11 52.Municípios cujos planos diretores definem zonas especiais de interesse social vazias demarcadas no espaço Nº de os pesquisa dos Até 20 mil habitantes de 20 mil a 50 mil habitantes de 50 mil a 100 mil habitantes de 100 mil a 500 mil habitantes acima de 500 mil habitantes Total 92 80 87. Elaboração: do autor 5 .8 28 21 75. 2010.Considerações Finais Como visto anteriormente.0 11 47.6 21 72.3 32 29 90. respectivamente.9 1 1 100.0 50 62.4 19 65.5 25 23 92.5 41 51. a redemocratização brasileira ocorrida na segunda metade da década de 1980 possibilita à política urbana brasileira construir uma trajetória com avanços importantes 86 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .0 5 83.0 PD ZEIS % PD define ZEIS vazias % PD demarca ZEIS vazias no territóri o 0 0.0 % municípi define Fonte: Rede de Avaliação e Capacitação para Implementação dos Planos Diretores Participativos Estado de São Paulo.5% e 83. 65.3%.0 1 100.

Portanto. estão fragilizados pelas dificuldades orçamentárias que capacidades investimentos atendimento demandas sociais e na promoção do desenvolvimento urbano local. é importante manter e fortalecer as práticas urbanas e e instituições habitacionais democráticas desenvolvidas para no superar período as novas Os dificuldades e desafios surgidos com as experiências de políticas recente. por das outro lado.correspondentes às instituições de marcos jurídicos e institucionais nas instâncias que federais. Outras lições importantes podem ser extraídas de análises sobre a aplicação prática das novas diretrizes e instrumentos de política urbana instituídos Essa pelo aplicação Estatuto depende da Cidade (Lei da Federal dos 10. possibilidades brasileira. gestão e regulação urbana e territorial em direção às cidades justas. De um lado estão fortalecidos e pressionados pelas autonomias e responsabilidades limitam suas trazidas pelo de pacto federativo no vigente e.257/2001). aperfeiçoamentos dos processos de planejamento. a Tais de importantes sobre as agendas da descentralização da administração experimentada são aprendizagens extremamente importantes definição futuros aperfeiçoamentos no campo das políticas públicas em geral e 87 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Essa é uma das principais lições que podem ser extraídas das trajetórias recentes da política urbana brasileira. foram responsáveis por grande parte desses avanços. Os limites daqueles governos municipais em relação à formulação e implementação desses de políticas urbanas precisam ser analisados e apreendidos com mais detalhes e em profundidade maior. diretamente atuação níveis municipais de governo que se encontram numa situação ambígua. participação inclusive dos populares tradicionalmente excluídos das esferas de formulação e instituição de legislações e políticas públicas. ser operacionalizadas nas e implementadas estaduais setores por e da marcos As sociedade devem instituídos de instâncias de diversos setores municipais. A compreensão clara pública limites certamente no Brasil irá nas propiciar décadas para aprendizagens recentes. democráticas e sustentáveis serão mais profundos com a participação daqueles setores sociais.

limitando seus alcances públicos e ferindo os interesses sócio-ambientais. Há locais onde existem e instalações de grandes que empresas e e de corporações a nacionais transnacionais determinam influenciam instituição das regras de ordenamento territorial.das políticas de desenvolvimento urbano e habitacionais em particular. A implementação do Estatuto da Cidade por meio da exigência de elaboração e aprovação de planos diretores nos municípios com mais de 20 mil habitantes e integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas expõem uma série de entraves existentes nos níveis locais que precisam ser analisadas com mais cuidado. nos processos de elaboração dos planos diretores e demais legislações urbanísticas. Esses entraves avanços são de ordens na técnicas. médio e longo prazo baseados nos planos diretores e em instrumentos de regulação do uso e ocupação do solo que atendam às demandas dos grupos mais vulneráveis e ordenem os espaços das cidades de modo 88 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . o poder público municipal está capturado por coalizões entre forças políticas e econômicas conservadoras que não tem interesse em estabelecer processos de planejamento e regulação urbana e territorial voltados para garantir o interesse público e efetivar o cumprimento das funções sociais da cidade e das propriedades urbanas. Muitas vezes. Muitos governos locais não estruturas e políticas As capazes que frágeis romper práticas àqueles e clientelistas interesses patrimonialistas também favorecem poderosos. a frágil organização e mobilização restrita possuem dos cidadãos comuns não tem condições de de fazer com frente àqueles poderosos interesses privados. Em muitos locais existem proprietários que concentram grande quantidade de terras e imóveis urbanos e rurais que influenciam. práticas e processos contínuos de planejamento de curto. trajetória políticas recente e da institucionais política que precisam ser estudados e superados a fim de se continuar com os alcançados urbana brasileira. Em muitos desses locais. em benefício próprio. estruturas técnicas institucionais desses governos não contribuem para a construção de culturas.

analisados orientaram Estatuto incorporando as suas diretrizes e definindo estratégias de aplicação dos instrumentos de política urbana com maiores ou menores alcances 89 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . O exame das formas como alguns instrumentos de política urbana foram inseridos nos conteúdos dos planos diretores paulistas é uma pequena parte dessas análises. técnicas e ambientais. na maior parte dos municípios. . Essas colocações mostram que as análises sobre a implementação do Estatuto da Cidade por meio dos planos diretores dos municípios devem abranger as várias condicionantes políticas. a aplicação do Estatuto da Cidade na regulação e no planejamento dos processos de urbanização em curso nos territórios municipais. que afetam. econômicas. apesar se desses problemas. . entre outras.os descompassos entre as definições de regras básicas para a aplicação dos instrumentos de política urbana e as indicações das áreas das cidades onde tais regras se aplicam evidenciam lacunas nos mecanismos de regulações territoriais contidas nos planos diretores analisados. os processos de planejamento e gestão urbana local. positiva ou negativamente. institucionais.a generalização das exigências de regulamentação posterior dos instrumentos de política urbana por meio de legislação específica posterga. .mais justo e equilibrado do ponto de vista dos acessos aos benefícios da vida urbana. territoriais.a ausência de prazos para a realização do monitoramento dos processos de aplicação dos instrumentos de política urbana.a falta de definições de prazos para a aprovação daquelas leis dos específicas planos de regulamentação sem dos instrumentos de aplicação de política na urbana faz com que esses instrumentos fiquem adormecidos nas leis diretores possibilidades prática gestão urbana e territorial. evidencia a desconsideração em relação às avaliações dos resultados positivos e negativos alcançados e expressam uma visão incompleta e descontínua dos processos de planejamento e gestão urbana e territorial. Vale diretores dizer que. pelo todos os da planos Cidade. Em relação a esse aspecto podemos destacar os seguintes problemas: . somada à ausência de prazos para a revisão desses instrumentos.

GRAZIA.em relação ao ordenamento e à regulação dos processos de urbanização locais. 2005. 6 . Grazia de. cada qual com suas relações de poder. Luiz Cesar de Queiroz & CARDOSO. 44 No sentido proposto por Carlos Brandão em seu estudo sobre as relações entre território e desenvolvimento. Adauto Lucio (orgs. BRANDÃO. Adauto Lucio (orgs. 2007.). NAKANO. “A Cidade e seu Estatuto: uma avaliação urbanística do Estatuto da Cidade”. José Roberto. Reforma Urbana e Gestão Democrática – Promessas e Desafios do Estatuto da Cidade. núcleos de decisões e níveis de complexidades determinadas pelas densidades de interações entre diversos tipos de variáveis. É importante buscar melhores articulações entre os planos diretores dos municípios com instrumentos de planejamento e gestão urbana e territorial a serem instituídos nas instâncias estaduais. Luiz Cesar de Queiroz & CARDOSO. BASSUL. Estatuto da Cidade: Quem ganhou? Quem perdeu? Brasília: Senado Federal. regionais e municipais. Campinas: Editora da UNICAMP. Rio de Janeiro: Revan/FASE. 2003. Subsecretaria de Edições Técnicas. “O – Promessas e e Desafios a do Estatuto da Cidade. 27-51. In: KOGA.Referências bibliográficas CARDOSO. Território e Desenvolvimento – as Múltiplas Escalas entre o Local e o Global. 90 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . “Reforma Urbana e Estatuto da Cidade”. principalmente em relação aos instrumentos de política urbana. 2003. Isso mostra a importância de um marco nacional que oriente e referencie os processos locais.). In: RIBEIRO. 53-70. Reforma Urbana e Gestão Democrática Kazuo. Rio de Janeiro: Revan/FASE. é preciso que esse marco nacional seja mais efetivo na indução de conteúdos dos planos diretores. Adauto Lucio. Anderson Planejamento Gestão Territorial: Entre o Tecnocratismo e o Direito à Cidade”. Tratase de articular diferentes escalas44 de planejamento das áreas urbanas e das regiões. p. p. Carlos. In: RIBEIRO. Contudo.

à Mudar gestão a Cidade: uma introdução Janeiro: planejamento urbanos.). GANEV . Cidades e Questões Sociais. 2008. Rio de Bertrand Brasil. p. 155-168.Dirce. crítica ao Marcelo Lopes e de. 2002. SOUZA. Eunice (orgs. 91 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . São Paulo: Andross. Eliane & FAVERO.

que constituem 78. um tem-se um aprofundamento da da desigualdade. “Claro que a desigualdade não foi toda gerada nas chamadas ´décadas perdidas` . como os cortiços e os loteamentos clandestinos. principalmente urbana. 45 DAVIS. Vale ressaltar que o autor engloba como favela todos os tipos de habitação subnormal. 92 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Introdução A partir da década de 70 há uma reestruturação produtiva internacional com as diretrizes neoliberais. plástico reciclado.2% do estoque habitacional urbano contra desenvolvidos. blocos de cimentos e restos de madeira. proporções. 2006. foi a causa da produção deste45.Programas Nacionais de Habitação: Programas e Resultados Alessandra d´Avila Vieira e Mirna Quinderé Belmino Chaves 1. muitas das vezes em áreas de proteção ambiental (como os mananciais). o que houve foi um aprofundamento de um quadro histórico de 5 séculos de formação da sociedade brasileira” (MARICATO. O resultado do crescimento urbano rápido no contexto do ajuste estrutural. Nos anos 80 e 90. construídas gerando um social grande parte de tijolo aparente. para DAVIS (2006). Nos países periféricos como o Brasil que não haviam passado por uma implementação efetiva das políticas de bem-estar social. 2000. de como fora previsto serão por gerações em anteriores urbanistas. “Assim. da desvalorização da moeda e da redução do Estado. palha. 25). nas de grandes enormes aumento significativo impacto favelização e ambiental cidades. tem-se como resultado uma concentração cada vez maior de renda e um agravamento da exclusão social e territorial. com a recessão promovendo econômica. as cidades do futuro. em massa 6% de habitações nos países subnormais nos países em desenvolvimento. em vez de feitas de vidro e aço. p.

29). No 93 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . 196). De forma análoga. 2006. boa parte do mundo urbano do século XXI instala-se na miséria. na Anatólia. promovendo uma estrutura urbana segregada social e espacialmente. Essa exclusão do mercado de parcela significativa da população conduziu a um movimento sintomático de ocupação de terras urbanas. mas insuficiente para enfrentar o desafio da urbanização brasileira. cercada de poluição. excrementos e deterioração. Na América Latina. No período de funcionamento do Banco Nacional de Habitação .Em vez das cidades de luz arrojando-se aos céus. o bilhão de habitantes urbanos que moram nas favelas pós-modernas podem mesmo olhar com inveja as ruínas das robustas casas de barro de Catal Hüyük. “O caráter excludente de e restritivo na das relações Latina fordistas assalariamento América conduziram a constituição de um mercado em que uma parcela significativa da população se viu excluída desse mercado de bens duráveis. Entre 1950 e 2000. sendo as formas de financiamento ao acesso a terra urbana a consolidação desse processo de estruturação urbana. 1997. p. amplas camadas sociais foram excluídas dos mercados de consumo. organizada por grupos populares ou num processo mais lento de ocupação espontânea. Na verdade. Um circuito perverso se criou onde a exclusão do mercado formal de trabalho impedia o acesso ao mercado.BNH (1964-86). construída no alvorecer da vida urbana há 9 mil anos” (DAVIS. foram financiadas aproximadamente 25% das novas moradias construídas no país porcentagem relevante. a população urbana brasileira vivendo em cidades com mais de 20 mil habitantes cresceu de 11 milhões para 125 milhões. os sistemas de poupança e empréstimo habitacional se institucionalizaram segundo a lógica da exclusão da população com baixa remuneração no mercado formal ou pertencente ao mercado de trabalho informal” (ABRAMO. p. mas também ao crédito ao consumidor.

124/2005. é voltado para a faixa de interesse social. coordenação. representada pelo MCidades e ao ConCidades ao cabe acompanhar e avaliar a implementação do Sistema e de seus instrumentos. Sistema além tem de seu cooperativas.período entre a extinção do BNH (1986) e a criação do Ministério das Cidades (2003) .PNH. desenho associações e movimentos por uma sociais. apontou medidas políticas. No sentido da reestruturação institucional e legal do setor.SNHM e o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social . os formas. e as demais políticas setoriais de 94 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . instituído pela Lei Federal n° 11. institucional composto instância central de planejamento. Arcabouço institucional Com o Ministério foi instituído um novo marco políticoinstitucional para o setor habitacional e a área de habitação de interesse social e o setor habitacional de mercado passaram a se articular com eixos importantes da política de desenvolvimento urbano no país. legais e administrativas visando efetivar o exercício do direito social à moradia e previu a organização de um Sistema Nacional de Habitação. do Distrito Federal e municipal. o qual organiza os agentes que atuam na área de habitação e reúne os esforços dos três níveis de governo e do O mercado. gestão e controle.SNHIS. O Sistema está subdividido em dois sistemas que operam com diferentes fontes de recursos. aprovada pelo Conselho das Cidades .MCidades.ConCidades e instituída a partir de 2004. e com instâncias de participação. que busca compatibilizar as políticas habitacionais federal. estadual. definindo um modelo de gestão descentralizado. estabelecem mecanismos para a provisão de moradias em todos segmentos sociais: Sistema Habitação Mercado . 2. condições o de financiamento Nacional de e. caracterizando a descontinuidade e a ausência de estratégias para enfrentar o problema. Este último. o setor do governo federal responsável pela gestão da política urbana e habitacional esteve subordinado a sete ministérios ou estruturas administrativas diferentes. a Política Nacional de Habitação . de forma de complementar.

o FNHIS recebeu R$ 1 bilhão. a atuação compatibilizar. e articular. ambientais e sociais. que foram aplicados na urbanização de assentamentos precários e construção de moradias para a população com renda mensal de até três salários mínimos. que tem papel deliberativo e participativo e é responsável pela aprovação dos programas a serem executados com recursos do Fundo. II – implementar e o políticas subsídios. para acessar recursos do Fundo.” (Lei Federal n° 11. “Art. estados.FNHIS e seu Conselho Gestor – CGFNHIS.desenvolvimento urbano. 2o Fica de instituído Interesse o Sistema – Nacional com de o Habitação Social SNHIS. mas é condição necessária para que o FNHIS seja operado.124/2005) A adesão dos entes subnacionais ao SNHIS caracteriza-se como voluntária. A lei também instituiu o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social . Assim. 95 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . sua aprovação é considerada uma conquista dos movimentos sociais. com prioridade à erradicação de palafitas. das instituições acompanhar e órgãos apoiar desempenham funções no setor da habitação. Ao aderirem ao Sistema. assinado por mais de um milhão de pessoas e tramitou por 13 anos. O projeto de lei para o SNHIS foi apresentado ao Congresso Nacional em 1991 por organizações e movimentos populares urbanos filiados ao Fórum Nacional de Reforma Urbana. à e programas promovendo voltada de e à e que investimentos viabilizando III – acesso habitação população de menor renda. Distrito Federal e municípios devem tomar medidas institucionais para constituir um Fundo Local de Habitação de Interesse Social. objetivo de: I – viabilizar para a população de menor renda o acesso à terra urbanizada e à habitação digna e sustentável. criar um Conselho Gestor deste Fundo – que deverá ter um modelo similar ao nacional – e elaborar um Plano Local Habitacional de Interesse Social – PLHIS Em 2006. Esse montante de recursos.

bem capacidade institucional agentes públicos. Esse processo de ampliação de recursos para o setor habitacional foi intensificado nos anos seguintes com o Programa de Aceleração do Crescimento . por meio de uma política subsídios. ações de orientar planejamento com durante a quinze objetivo à direcionar digna. privados e sociais e buscar a ampliação das fontes de recursos. do a periódicas. 2. agentes Social.MCMV (2009). o CGFNHIS e os Conselhos Curadores do Fundo de Garantia 96 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .além de ampliar em quase três vezes os recursos não onerosos que estavam sendo investidos em habitação. O PLANHAB também foi previsto na Lei 11. 4.PAC (2007) e o Programa Minha Casa Minha Vida . articulado aos instrumentos de planejamento e orçamento. 3. diálogo ConCidades. em dos recursos e apresentar estratégias para os eixos estruturadores da universalização como reforçar acesso moradia particular para a população de baixa renda. institucional de Nacional Habitação Interesse habitação de interesse social. As ações estratégicas propostas pelo Plano estão definidas em quatro eixos: 1. previsão anos. e territorial Modelagem Organização do Sistema de subsídios e e alavancagem ampliação de de dos financiamentos para população de baixa renda. é parte de um processo de planejamento do para de longo com o prazo para equacionar de o revisões das as necessidades Foi no setor habitacionais elaborado habitacional PNH. Propostas e mecanismos de fomento para a cadeia Incentivos à adoção de mecanismos de política e fundiária para ampliação de áreas para produtiva da construção civil. Sua formulação se deu entre agosto de 2007 e dezembro de 2008 em um processo coletivo que envolveu um conjunto de reuniões e debates todas as – com regiões diversos do segmentos Envolveu envolvidos também o com a questão com o habitacional – em diferentes fóruns e instâncias de participação em país.124/05 e. de visando país.

situações forma a cada educação de saúde. mas como um componente que interage fortemente com os demais condicionantes Uma habitação do desenvolvimento compreende. também os vezes. além da adequação do sistema viário e do 97 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . pela deficiência da infraestrutura. sistemas de abastecimento de água. digna edificação propriamente dita. construção equipamentos públicos.incluindo rede elétrica. saneamento. níveis de à combinados outros altos assentamentos edificações precariedade construtiva das unidades habitacionais.1 Urbanização de assentamentos precários A melhoria das condições de habitabilidade das famílias moradoras de assentamentos precários não pode ser vista como uma questão setorial.FGTS e do Fundo de Desenvolvimento Social FDS. A esse conjunto de carências soma-se um conjunto de questões configuram. A precariedade da moradia caracteriza-se por vários aspectos: pela irregularidade fundiária e/ou urbanística. ao domínio pela violência. e de extrema vez mais de vulnerabilidade. além da social e ambiental. principalmente muitas sujeitas. contenção e de estabilização solo eliminação riscos. significativa. Desse modo.do Tempo de Serviço . projetos devem prever implantação infraestrutura básica . iluminação pública. caros e com alto nível de desconforto públicos sociais em que e insegurança. 3. a qualidade ambiental do meio e a inserção e integração com a cidade através da disponibilidade de infraestrutura urbana e de acessibilidade ao mercado de trabalho e aos equipamentos públicos. Eixos de atuação da Política Nacional de Habitação 3. esgotamento sanitário. além da os insuficiência de dos serviços e geral. urbano. deslizamentos densidade dos ou pela ocupação tipos de de e áreas risco. pelas grandes distâncias percorridas entre a moradia e o trabalho associadas a sistemas de transportes insuficientes. condições do adequadas para de coleta de de lixo -. drenagem pluvial. das sujeitas pelos a alagamentos.

para implantação de infraestrutura ou sistema viário. tremores terra. É necessário que as famílias a serem remanejadas/reassentadas participem de todo o processo de elaboração e aprovação da proposta e que as regras tenham sido pactuadas com os envolvidos. como um mero projeto de obras. Nos casos de remanejamento/reassentamento deve-se atentar para prováveis custos de compensação ou indenização às famílias afetadas ou para a necessidade de produzir unidades habitacionais de uso comunitários. a estudadas todas alternativas riscos de de em minimizem necessidade de destes. sob áreas de inundação. O local de reassentamento original. na sua maioria. ainda. promover no desadensamento – re-ordenamento da implicando remanejamento reconstrução unidade habitacional no mesmo perímetro da área que está sendo urbanizada – ou no reassentamento de famílias para outras áreas. ambiental ou em áreas imprescindíveis à regularização urbanística. em áreas não passíveis de regularização. aos sempre laços que que de possível. com e o que dispôs níveis as de da desordenada. que Portanto. em deve ser. Uma vez que os assentamentos precários foram produzidos. devem mesmas tensão. moradias por de auto-promoção forma da própria população. ser servida de infraestrutura básica e equipamentos reassentada. alterando seu local atual de moradia. ser mas todo o entorno as a social e urbanístico. As adequações no parcelamento e sistema viário são feitas de forma a possibilitar acesso a serviços públicos e atendimentos emergenciais.parcelamento da área. ou. o contando elevados densidade populacional. ainda. de alta preservação desabamento. vizinhança à demanda próximo e à área já respeito trabalho da estabelecidos. deslizamento. uma vez que afeta não somente a vida das famílias envolvidas e a área objeto de intervenção. inúmeras são as situações em que se faz imprescindível ocupação. atendam comunidade 98 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . tornando-os admissíveis somente quando as estiverem próximas expostas a áreas incêndio. Deverá. melhorando as relações funcionais da área de intervenção com o tecido urbano no qual ela se insere. O remanejamento/reassentamento de uma população não pode ser considerado isoladamente. fios insalubres.

a concessão de direito real de uso. tanque roupa reservatório. que devem ser compostas por vaso sanitário. nesse caso. fazer com que as unidades habitacionais ou lotes. encontra-se chuveiro. vinculadas a razões de de insalubridade e e insegurança. de podendo ser utilizados. instalações e de hidráulico-sanitárias As ligações domiciliares. os empreendimentos do PAC para componente organizada articulação 99 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . instrumentos como a cessão de uso. Alternativamente à produção de unidades habitacionais novas. No que diz respeito à regularização fundiária em favor das famílias moradoras do assentamento precário. inexistência definido serem pelas do padrão mínimo edificação de a habitabilidade. ou inadequação do número de integrantes da família à quantidade dormitórios. Quanto às famílias que permanecem em sua moradia. Além de respeitarem a configuração e transformações já feitas pelas famílias. portanto possibilitam uma condição adequada de moradia a menor custo para o poder público. As melhorias habitacionais são uma forma interessante de atuação por aproveitarem os investimentos já feitos pelas famílias em suas residências. decorrentes da intervenção. reflitam compromisso de constituição de direito real sobre o imóvel em favor das famílias à beneficiadas. alternativamente transferência propriedade. uma solução que pode ser adotada é a aquisição de imóveis usados para recuperação ou modificação de uso.misto – residência e comércio – para que não haja diminuição das condições de sobrevivência das famílias. passíveis melhorias de de posturas como municipais. lavatório. Devido esta à complexidade dependem de inerente uma às ações de regularização com o fundiária em assentamentos precários. entre outros. possibilitando o aumento de sua escala de atuação. é importante registrar a sua obrigatoriedade. cômodos as construção de de lavar utilizados mais Dentre habitacionais urgentes. poderão ser contempladas com recuperação ou melhorias habitacionais. água e de intradomiciliares abastecimento esgotamento sanitário devem estar sempre previstas nos investimentos de forma a assegurar sua execução. O objetivo final da regularização é.

apenas 42% dos municípios brasileiros possuíam órgão específico para trato da habitação. Outra aquisição atendimento como. municipais.trabalho social. convivência comunitária. por meio da edificação das exemplo. já em 2008. Tais equipamentos podem ser voltados a atender questões educação. e e à comércio local. Programa de Aceleração do Crescimento . realizada pelo IBGE. principalmente. “(. compreendendo a conservação das infraestruturas e equipamentos implantados. assistência social. Mostra disso é que em 2004. de população lazer. A integração das intervenções físicas com o trabalho social e a efetivação da regularização fundiária são condições essenciais para a sustentabilidade das intervenções de urbanização dos assentamentos precários. idoso. a permanência das famílias nas áreas beneficiadas. os equipamentos já existentes na vizinhança.PAC A inclusão da urbanização de assentamentos precários no eixo de infra estrutura social e urbana do PAC trouxe importantes avanços na consolidação de uma estratégia nacional para garantir moradia digna para famílias de baixa renda. ao identificadas segurança. fez com que Governos estaduais. A co-responsabilização federativa pelos empreendimentos. 46 Fonte: Pesquisa do Perfil dos Municípios Brasileiros .. atenção infância. deficiência de trabalho responsável domicílio geração renda famílias beneficiadas. mulher das beneficiada.) A oferta regular de serviços habitacionais é diretamente dependente da existência de órgãos. e a inclusão de tais áreas nas rotinas de manutenção da cidade e de provisão dos serviços públicos. portador e desporto. com o ritmo das obras de engenharia e com os órgãos licenciadores envolvidos. do Distrito Federal e o próprio Governo Federal precisassem reestruturar seu setor habitacional para dar conta do novo cenário.. à por ação ou importante de atrelada ao trabalho públicos pela social é o ao financiamento à construção de equipamentos comunitários. 70% dos municípios passaram a possuem tal órgão46. além da perspectiva de recursos expressivos continuados.MUNIC. observando-se as carências do local e entorno e. 100 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . ao pelo equipamentos voltados necessidades saúde.

p. não apenas organizadas em nível nacional. a os seleção recursos dos do principais PAC – territórios de em que seriam Urbanização Assentamentos saneamento. Belo Recife/PE. ao passo que há uma elite de cidades que dispõem de capacidades desenvolvidas descentralizadas 2007. além de indicadores que permitem comparar os aspectos sociais das populações que habitam as várias situações existentes. caracterizar e localizar o problema. infraestrutura.. Paulo/SP. o Ministério das Cidades encomendou ao Centro de Estudo das Metrópoles do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento – CEM/CEBRAP – um estudo para melhor quantificar. São Salvador/BA. trabalho Para alocados degradada. o Governo Federal. regularização Precários. Janeiro/RJ. Campinas/SP.recursos executar e burocracias programas capazes de planejar e públicos.1 bilhões de recursos fiscais – dos quais R$ 2. Baixada Santista/SP. área institucionais para e suficientemente políticas (ARRETCHE. 47 Procurando aprofundar-se no conhecimento das favelas do país. mas também de forma desagregada. produzir participativas. Rio de Horizonte/MG.. fundiária equipamentos recuperação públicos. Atualmente encontram-se alocados R$ 21.7 bilhões de recursos de financiamento (FGTS e FAT). definiu o conjunto de cidades prioritárias para atuação:  Belém/PA.” social.8 milhão de famílias com ações integradas de construção e e melhoria de de habitações. 9). 101 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . sendo R$ 13. (. Municípios integrantes das Regiões Metropolitanas de Fortaleza/CE. As informações dizem respeito à quantificação e localização dos moradores e domicílios. estejam eles instalados nos nível municipal ou no nível estadual de governo. Com esses recursos estão sendo atendidoas mais de 1. Curitiba/PR e Porto Alegre/RS. a fim de servir de base para o processo decisório de alocação dos recursos.8 bilhões são do FNHIS – e R$ 5.6 bilhões em intervenções em favelas com recursos do PAC em 739 contratos. baseado nos estudos fornecidos pelo CEM/CEBRAP47 e outros indicadores de precariedade urbana e social.) A distribuição dessas capacidades é muito desigual no país – expressivo número de municípios está desprovido de qualquer capacidade institucional para gerir programas habitacionais. foi possível obter um conjunto de informações gerais. A partir disso.

Num primeiro momento foram selecionados. Marabá e Castanhal (PA). Manguinhos e Alemão no Rio de Janeiro (RJ). nos municípios de: Rio Branco (AC). por meio de pactuação federativa. Porto Velho (RO). possuíam raio de influência regional. voltada aos assentamentos porte. região metropolitana de Recife (PE) e Baixada Santista (SP). por sua atividade econômica ou infraestrutura logística. cuja população total fossem superior a 150 mil habitantes ou que. do dentre país. e a segunda. principalmente. e Outros municípios de grande porte. Essas nas intervenções visaram. A seleção de projetos foi realizada de duas formas e momentos distintos: de menor a primeira. adotados seguintes critérios: 102 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . os projetos prioritários de investimentos. Guarituba em Curitiba (PR). além de outras intervenções em 2. voltada aos e grandes complexos de favelas. tais como: Rocinha. despoluir mananciais e equacionar áreas de risco iminente principais cidades Para tanto. Vila Dique e Nazaré em Porto Alegre (RS).   Municípios da Região Integrada do Entorno do Distrito Federal – RIDE/DF.153 outros municípios em todas as Unidades da Federação. anual. João Pessoa (PB). foram erradicar os palafitas. implicou duas estratégias critérios distintos. Manaus (AM). Macapá (AP). Os recursos do PAC foram. Santarém. Heliópolis e Paraisópolis em São Paulo (SP). Capitais de estados que não integram as regiões metropolitanas supracitadas e o Distrito Federal. além de erradicação de palafitas e habitações em áreas de risco. que exigiram maior volume de recursos e com grande complexidade de execução. Lauro de Freitas (BA). Belém. Fortaleza (CE). Estrutural no Distrito Federal (DF). destinados a projetos de urbanização de assentamentos precários em grandes complexos. Isso no início em de 2007. outros objetivos. Ananindeua. Maciço do Morro da Cruz em Florianópolis (SC).

2 Produção de habitação de interesse social Entre série de os estudos sobre que o vem subsidiando a mensuração urbano e e a caracterização das necessidades habitacionais do país. os recursos foram direcionados ao atendimento de assentamentos de menor porte. destaca-se a estudos déficit habitacional rural 103 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . desde que a área de intervenção fosse ocupada por. portos. Para as seleções anuais. preservação ambiental e/ou de preservação permanente.   Aproveitamento do patrimônio da União. chamada apresentação propostas em formulário eletrônico. Mitigação de danos ao meio ambiente. energia. milhões. de assentamentos  do país. envolvem assim consideradas superiores a aquelas R$ 10 intervenções investimentos Articulação e integração no território. pelo menos. Eliminação de gargalos na infraestrutura logística tais como de aquelas que impedem ou prejudicam o rodovias. e Complementação de obras já iniciadas.  de Grande que porte. sua foram de insalubridade utilização selecionados objeto legislação Esses para pública proibisse habitacionais. cujas áreas e execução envolvam mais de um agente abrangência  institucional – estado e município ou mais de um município. Mitigação de de impacto decorrente que de grandes e instalações infraestrutura nacional. ocupada há mais de cinco anos. 3. ferrovias. causados por irregulares em áreas de mananciais. água tratada e esgoto. ou que estivesse localizada ou para por fosse fins meio de em situação de que configurasse que projetos risco. 60% das famílias com renda até três salários mínimos. polarizam dinamizam atividades socioeconômicas na área de influência do empreendimento. funcionamento  aeroportos. hidrovias.

tanto em termos absolutos. a construção de 48 equipamentos públicos e também tem como item obrigatório a A partir de 2007. em localidades urbanas ou rurais.9 7.0 0.0 2. Programa PróMoradia.0 7.0 7. habitacional passou detalhar melhor o a considerar problema da 104 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . além de terreno. totalizando R$ 1 bilhão de investimentos. Essas ações são financiadas por meio de recursos do FNHIS. O Programa financia. vem-se verificando uma tendência de redução do déficit habitacional. e do FGTS. habitação e infraestrutura.8 7.(Fundação João Pinheiro/CEI)48. como relativos.0 2000 2004 2005 2006 2007 *para comparação 2007 *nova metodologia FONTE: SNH/MCidades Financiamento ao setor público Consiste em apoiar estados. mitigando as desigualdades sociais e contribuindo para a ocupação urbana planejada. Pode ser executado por meio das seguintes modalidades: produção produção ou ou aquisição de lotes de unidades ou habitacionais.0 5. Este indicador mostra que.0 6. Distrito Federal e municípios no acesso da população de baixa renda (até três salários mínimos) à habitação regular e dotada de serviços públicos. o cálculo do déficit alterações metodológicas que possibilitaram convivência familiar ou coabitação.2 7. milhões 9.3 4.0 8. aquisição urbanizados requalificação de imóveis.9 7. acompanhando a melhoria em geral das condições de vida da população nesses últimos anos. pois em 1991 o déficit abrangia mais de 15% dos domicílios do país. totalizando um investimento de R$ 1. hoje este é cerca de 10%.0 1.3 6.0 3.4 bilhão.

realização de trabalho social para a população a ser beneficiada. Um conjunto dessas ações concentrou-se no setor da construção civil e infraestrutura. que previu investimentos da ordem de R$ 34 bilhões para a construção de 1 milhão de moradias. Além de definir a estrutura e as modalidades de atendimento do MCMV. a lei 11.977 de 7 de julho de 2009. O PMCMV implementou uma reforma significativa no modelo de subsídios promovendo ao introduzir subsídios fixos e estabelecer linhas de corte por faixa de renda para acesso a financiamento de longo prazo. bem 105 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . incluindo empresas da construção civil e movimentos populares por moradia.MIP e Danos Físicos ao Imóvel – DFI. Entre as medidas anticíclicas adotadas está o Programa Minha Casa Minha Vida. Essas ações. Por meio dos instrumentos do PLANHAB. um aumento significativo nos montantes individuais. o Governo Federal passou a adotar uma série de medidas com o objetivo de mitigar seu impacto nos vários setores da economia nacional. foi garantido subsídio para as famílias de baixa renda. a redução dos prazos e custas cartoriais e incentivos fiscais para a produção de imóveis para a baixa renda. voltadas diretamente à produção de habitação. O processo de construção do Programa se deu em conjunto com diversos setores da sociedade civil. o barateamento dos seguros Morte e Invalidez Permanente . passaram a integrar a carteira de investimentos do PAC Habitação. Financiamento ao setor privado: Minha Casa Minha Vida Diante do agravamento da crise financeira ocorrida em 2009. tais como a criação do Fundo Garantidor de Habitação (FGHAB). melhores taxas de juros em financiamentos habitacionais e a criação de um Fundo Garantidor para cobrir as prestações em até 36 meses para as famílias que perderem o emprego ou passarem por uma perda na renda. traz instrumentos que tratam de um conjunto de gargalos que impedem ou tardam o desenvolvimento de uma política habitacional para as faixas menores de renda. a partir de 2007.

Atualmente tem R$ 165 milhões alocados neste programa. o programa Crédito Solidário. Pode ser em construção. O Programa teve como objetivo o financiamento habitacional a famílias de baixa renda organizadas em associações. terceiros. construção terreno conclusão. beneficiando 19 mil famílias. em 2008. aportou um total de R$ 362 milhões em recursos do FDS. O programa parou de operar em 2009 com a criação do Programa Minha Casa Minha Vida Entidades. Financiamento a entidades Desde a criação em 2005. no Programa Produção Social da Moradia. construção próprio. Já o PAC trouxe. forma atendimento. sindicatos financiado: terreno ou a entidades aquisição da de sociedade terreno em e civil de organizada. O produção mistas. Nessa organização da demanda é feita pelas cooperativas habitacionais ou pelas os demais assumem entidades. O Programa visa o desenvolvimento de ações integradas e articuladas que resultem em acesso à moradia. uma inovação quanto à modelagem de produção habitacional: o repasse de OGU às entidades sem fins lucrativos vinculadas ao setor habitacional. prevê a empreendimentos associações aquisição habitações. ampliação ou reforma de unidade habitacional. 106 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . situada em localidades urbanas ou rurais. produção ou aquisição de lotes urbanizados. para de o atendimento com às a de famílias com participação em entidades sem fins lucrativos. voltada a famílias de baixa renda. cooperativas. aquisição de unidade construída e aquisição de imóveis para reabilitação urbana com fins habitacionais. e requalificação de imóveis. além dos recursos onerosos à pessoa física e para financiamento à infraestrutura. beneficiários responsabilidade contratual 49 O volume total de recursos investidos em subsídios corresponde a R$26 bilhões para a construção de moradias. programa de Minha Casa Minha e e a Vida.como no volume total de recursos direcionado a subsídios49. O programa inova também promovendo uma articulação entre os recursos do Orçamento Geral da União e do FGTS. além do acompanhamento técnico-social para as comunidades. por intermédio das modalidades: produção ou aquisição de unidades habitacionais. R$2 bilhões para compor o Fundo Garantidor. por meio do FNHIS.

seja pela progressividade em relação à renda familiar. Financiamento a pessoa física Desde a sua criação. O FGTS constitui-se na principal fonte de financiamento para a política habitacional. Foram alocados nesta ação R$ 500 milhões oriundos do OGU. abaixo de três salários mínimos. por meio de programas. duas o trabalhadores com e empregadores estabelecer assinada e uma e de da operado poupança políticas gerando funções principais: para por trabalhador do carteira de contratação pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e fomentar meio financiamento para o programas Financeiro habitação popular. A partir de 2003. o FGTS passa a priorizar o atendimento das famílias de baixa renda. em 1966. Essas diretrizes se concretizaram por meio da Resolução nº. proposta pelo MCidades no final de 2004 e. induziu estabelecimento pelas parcerias. que introduziram um novo modelo de concessão de subsídios. Apoio à Produção e Pró-Moradia. sob gestão pública – regido por normas e diretrizes estabelecidas por um Conselho Curador (CCFGTS) com representantes pela CAIXA compulsória públicas um do com governo. das Resoluções CCFGTS nº. 107 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . e Esse modelo de considerou o diversidade de dos custos produção aquisição os imóveis de acordo com o porte e localização dos municípios. 460 do Conselho Curador do FGTS.pela manutenção do imóvel e pelo pagamento de prestações mensais. correspondentes à 10% da renda familiar.00. 518 e 520 de 2006. de baixa potencializando renda – seja benefícios aumento dos sociais e a redução dos custos do FGTS e a ampliação do acesso à moradia famílias pelo descontos oferecidos. posteriormente. o FGTS constitui-se um fundo financeiro de natureza privada. pelo prazo de 120 meses. com ampliação da dotação orçamentária destinada especificamente para o financiamento da habitação. importante funding Sistema Habitação. de saneamento básico e de infraestrutura urbana. Carta de Crédito Associativo. a taxas de juros subsidiadas. limitada à R$ 50. tais como Carta de Crédito Individual. dirigidos a financiamentos a pessoas físicas com renda familiar mensal a bruta até cinco salários de mínimos.

que consistia em cobrar taxas de juros diferenciadas e crescentes. interno ao sistema. sendo mais de 831 mil famílias beneficiadas em todo país. montagem do SFH. O SFH possui.Para o período 2007 a 2009. a poupança voluntária proveniente dos depósitos na caderneta de poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo – SBPE. de acordo com o valor do financiamento. reaplicação desse dinheiro.3 Produção habitacional via mercado Sistema especializado retorno desse Financeiro do Sistema da Habitação (SFH) é um prevê segmento desde a Na Financeiro até a Nacional que arrecadação de recursos. reforma ou construção de novas moradias (R$ bilhões) * Evolução dos financiamentos – FAR/FGTS/subsídios/FDS ** Não inclui contrapartidas nem contratações do Programa Minha Casa Minha Vida Fonte: 10º Balanço do PAC 3. o que foi realizado de maneira a não recorrer a recursos do Tesouro Nacional. Especificamente para habitação de interesse social. com recursos do FGTS. para créditos concedidos a pessoas físicas. observou-se que havia necessidade de subsídios às famílias de renda mais baixa. Financiamento FGTS . desde a sua criação. houve a superação das metas inicialmente previstas no PAC em 99%. Foi estabelecido então um subsidio cruzado. foi contratado 27% a mais do que o inicialmente previsto. o empréstimo para a compra de imóveis. o empréstimo. como umas das principais fontes de recursos. 108 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . totalizando R$ 137.5 bilhões.6 milhões de famílias.Aquisição. beneficiando 1. FAR e FDS.

2 milhões para ações de Desenvolvimento 109 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . onde a oferta de áreas edificáveis é reduzida. e a valorização imobiliária.Devido à resolução nº. não há somente o financiamento para obras. 3.CMN.16 bilhões para a aquisição de imóveis prontos. houve um aumento recorde tanto em contratações quanto no volume financeiro investido em habitação no país. Até 2009 foram alocados R$ 132. o confiança crescente dos de tomadores e dos como agentes a aumento devido e da ao o financeiros. com a aplicação instrumentos alienação fiduciária incontroverso. Isto se explica por vários fatores.177/04 do Conselho Monetário Nacional .4 Desenvolvimento institucional e qualidade No PAC. para R$ 34 bilhões (303 mil unidades) em 2009. destacando-se a melhoria das condições de prazo e taxa de juros. Do total de R$ 34 bilhões. sobretudo nos locais com infraestrutura adequada e nas grandes capitais. a ampliação pelos agentes financeiros da parcela financiada em relação ao valor total do imóvel. saltando de um patamar de R$ 3 bilhões (54 mil unidades) em 2004.85 bilhões se destinaram a operações de empréstimo para a construção de novas unidades e R$ 20. permitindo aos tomadores de crédito acesso a imóveis de maior valor. cerca de R$ 13. * Contratações do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (R$ bilhões) Fonte: 10º Balanço do PAC Além dos impactos causados pela resolução do CMN. aprimoramento institucional do crédito imobiliário. o valor médio dos financiamentos vem-se elevando desde 2006. 3.

atender privadas lucrativos. trabalho social e regularização fundiária necessários para execução de empreendimentos que configurem a urbanização de assentamentos precários modalidade ou de a produção assistência de habitação de interesse melhoria / social.5 milhões em no 661 contratos) (R$ no 13. além de oferecer este tipo de serviço. entidades profissionais e organizações não-governamentais sem fins lucrativos para prestação de serviços de assistência técnica e capacitação da população. Institucional Pró-Moradia Importante ressaltar que a elaboração dos PLHIS habilitarão esses entes para obtenção de novos recursos no SNHIS. A criação deste programa teve como objetivo reduzir o percentual de habitações que são construídas sem qualquer tipo de auxílio técnico tentando. elevada parcela de produção de habitações que ocorre no mercado informal. o programa de assistência técnica passou a vigorar possuindo duas modalidades: a elaboração de projetos para produção habitacional e urbanização de assentamentos precários. executados por meio do processo de autogestão. estados Distrito Federal. ambiental. introduzir uma cultura municipal de serviços técnicos. O Programa os de Assistência sem fins Técnica e (AT). de produtividade e de segurança.568 contratos) e Assistência Técnica (R$ 24. programas de extensão universitária. visa que possui além a como das proponentes entidades municípios. O programa incentiva que os municípios/entidades privadas sem fins lucrativos realizem parcerias formais com instituições de ensino.Institucional como a elaboração dos Planos de Habitação de Interesse Social (R$ 94 milhões em 1. A partir do exercício de 2009. arquitetura que e contempla urbanismo. contempla a contratação de mão-de-obra especializada para acompanhamento ou execução de obras de melhoria. executadas renda. O 110 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . e a / técnica para conclusão construção de unidades habitacionais. por conclusão famílias ou de construção baixa de unidades em regime habitacionais de mutirão. sem qualquer tipo de apoio técnico que permita atingir padrões mínimos de qualidade. a de elaboração de projetos recuperação técnicos de engenharia. autoconstrução ou autogestão.7 FNHIS milhões e em Desenvolvimento 5 contratos).

universidades e entidades de classe durante a realização.aprimoramento das questões tratadas no programa se deu em conjunto com membros de movimentos sociais. em 2009. bilhões Com de a componentes por meio sistemas melhorias limite de crédito objetivando aumentar a competitividade empresarial qualidade produtividade. no âmbito do Minha Casa Minha Vida. destinando R$ 15 milhões para a área habitacional. sustentabilidade e ao uso de novas tecnologias: Por meio do BNDES houve a disponibilização de cerca de R$ 1 bilhão para apoio financeiro e de às construtoras. chamada pública para projetos de pesquisa tecnológica. programa setorial. municípios. O Programa está estruturado com base na implementação de um conjunto de sistemas. do 2º Seminário Nacional de Assistência Técnica. Todas fases envolvem agentes e de agentes direito cadeia setor público. e Sistema de Qualificação de Materiais. criado em 1998. (Sistema da Avaliação da Conformidade de Serviços e Obras – SiAC. construtivos. Importante ressaltar a parceria com outros órgãos. Sistema Nacional de Avaliação Técnica de produtos inovadores – SINAT. que teve como objetivo principal debater a implementação da lei 11. fomento.888/08. visa a organizar o setor da construção civil em duas vertentes principais: a melhoria da qualidade do habitat e a modernização produtiva. agentes agentes com do de o setor as público. Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). com ênfase na inovação tecnológica e a implementação do SINAT e na sustentabilidade. financiadores fiscalização econômico consumidores e sociedade em geral. e acordo setorial da cadeia produtiva civil.5 materiais. Componentes pretende e Sistemas Construtivos – SiMaC) cuja consolidação fortalecer o mercado nacional. E com o Ministério do 111 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Cadeia produtiva O Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). O PBQP-H é um programa de adesão voluntária e desenvolve-se em nível nacional por meio de três fases: sensibilização e adesão. de fornecedores além e de R$ de 5. agentes financeiros da e e de e sociedade produtiva. em linhas de atuação relacionadas aos temas de qualidade.

que se iniciou com a Campanha de Adesão ao SNHIS. ainda não cumpriram plenamente as condicionantes previstas em lei para estruturação institucional do sistema. após anos da aprovação da lei. nesse contexto. não existindo. com o objetivo de disseminar o modelo institucional para estados. inerentes ao fato de que constitucionalmente a competência de ordenamento. a SNH vem promovendo uma ação nacional de mobilização. contudo. ressaltando que. em sua maioria.Meio Ambiente: incentivo para uso de Aquecimento Solar de Água nos empreendimentos do PMCMV. ainda. DF e municípios e demais agentes sociais. consolidação do SNHIS. necessariamente. Soma-se a isso a dificuldade de estabelecimento 112 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Considerações finais A precariedade da moradia popular tem alta visibilidade material e simbólica na sociedade brasileira. legislação e gestão do uso e ocupação entes com do as solo. e tencionando Cabe as políticas destes União Estados. O enfrentamento efetividade passa. que não significa. atender às 3 exigências da lei: fundo e conselho em funcionamento e plano elaborado. da questão de caracterização forma a se ter ou localização. ainda ressaltar. ocupa os espaços das cidades e da mídia. da é municipal. Desde a criação do Sistema. Mesmo assim. Importa também considerar as contradições. informações precisas quanto a sua quantificação. para o município ser considerado regular com o Sistema ele deve cumprir prazos e metas estabelecidos pelo CGFNHIS. um ponto nevrálgico para a implementação efetiva do Sistema: a fragilidade de grande parte das administrações públicas municipais. os entes subnacionais. Tomemos como exemplo a situação de adesão ao SNHIS relatada no relatório de gestão2009 do FNHIS. 4.

Brasil. MINISTÉRIO DAS CIDADES. Brasil. e efetividade na política Cidades. 2010. Mike. Plano Nacional de Habitação.imobiliário: um ensaio com base na noção de regime urbano. Marta (coord. Brasil. ARRETCHE. 2007. Ministério das Cidades. Referências bibliográficas ABRAMO. já ficou demonstrado que. MARICATO. 2006. Brasil. DAVIS. 14. Urbanismo na periferia do mundo globalizado: metrópoles brasileiras.FNHIS. Vol. Avanços e desafios: Política Nacional de Habitação. 2009. o setor habitacional. Pedro. 2009. Seade . especialmente o público. São Paulo. 2010. Planeta Favela. Formas de financiamento do acesso a terra e funcionamento do mercado fundiário . Capacidades administrativas. Relatório de Gestão 2009: Unidade jurisdicionada . déficit Brasil. vai se recompondo e reestruturando. in Cadernos IPPUR/ UFRJ ano 1 nº 1. nº 4. Brasil. Importante perspectiva para essa continuidade de investimentos é a tramitação de proposta de emenda constitucional que busca destinar 2% do orçamento da União e de 1% do orçamento de estados e municípios para a habitação de interesse social. FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. Ministério das habitacional. a partir da continuidade de disponibilização de recursos. 1997. 113 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . out/dez 2000. Urbanização de Favelas: a experiência do PAC. 5.de diretrizes nacionais em um país de dimensões continentais e com tamanha heterogeneidade.). 2007. Déficit Habitacional no Brasil. Erminia. Contudo. MINISTÉRIO DAS CIDADES. in Revista da Fundação Seade: São Paulo em Perspectiva. Boitempo Editorial. MINISTÉRIO DAS CIDADES. Rio de Janeiro. MINISTÉRIO DAS CIDADES.

Dessa interpretação. Nesse de da contexto. planificações. produção do espaço de circulação.MCid. (BALBIM.] de de tenta cotidianas e e indivíduo.181) A partir da criação do Ministério das Cidades . Partiu-se da compreensão 114 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . um simples movimento de braço ou de uma bola rolando sobre o chão pode indicar que algo tem mobilidade ou se moveu. ação ao o conceito conjunto [. e que a vida na cidade requer constante movimentação de pessoas e bens chegamos próximo ao conceito de mobilidade urbana. p.. em 2003. sobressaem uma série de possibilidades e limitações derivadas do próprio espaço de conflitos que se configura. Claudio Oliveira da Silva 1.. A medida que os deslocamentos de pessoas se sobrepõem em uma escala maior. Para Balbim: Ao invés de separar o ato de deslocar-se dos vários comportamentos mobilidade atividades suas individuais integrar do e de a grupo. em si. A prática de deslocamento. um sujeito agente estudos. é consequência do ato de entrar em movimento e depende de um desejo ou intenção de sair de um ponto A em direção a um ponto B. já utilizado em outros níveis de governo designar e em países europeus. ser que pensa e reage. 2003. foi incorporado o conceito de mobilidade urbana. com reivindicações diretrizes práticas próprias. o Papel do Transporte Público na Gestão Municipal.Mobilidade e Acessibilidade Urbana e Regional. Mobilidade e acessibilidade O termo “mobilidade” vem do Latim mobilitas significando qualidade ou propriedade do que é móvel ou do que obedece às leis do movimento. Considerando o campo das intenções como inerência ao ser humano. que ao correlato a transporte para políticas públicas contemplam circulação de pessoas e bens nas cidades. o indivíduo que se desloca é ator social.

que

é

necessário

ampliar

o

escopo

e

pensar

nas

estruturas,

localizações, dinâmica urbana e até motivações pessoais ou de grupos para definir e ampliar o universo a ser trabalhado.
O novo conceito (mobilidade urbana) é em si uma novidade, um avanço na maneira tradicional de tratar, isoladamente, o trânsito, o planejamento e a regulação o transporte calçadas e coletivo, assim por a logística diante. Em de distribuição lugar, das mercadorias, a construção da infra-estrutura viária, das seu deve-se adotar uma visão sistêmica sobre toda a movimentação de bens e de pessoas, envolvendo todos os modos e todos os elementos que produzem as necessidades destes deslocamentos. (BRASIL, 2004c, p. 9)

A definição mais objetiva que foi amplamente difundida nos primeiros anos de atuação do MCid é que a “mobilidade urbana é o resultado da interação dos deslocamentos de pessoas e bens entre si e com a própria cidade”. A mais atual, não necessariamente mais bem elaborada, é a que se encontra consolidada no Projeto de Lei n.º 1.687/2007, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana e dá outras providências, que menciona: “condição em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas no espaço urbano”. Especialmente essa última definição nos apresenta um dos problemas associados ao entendimento do termo mobilidade urbana. Não é razoavelmente possível determinar ou medir de forma integrada como são as condições em que se realizam deslocamentos nas cidades. Gomide (2003, p.12) utiliza o índice de mobilidade urbana, expressão do número médio diário de viagens realizadas por cada habitante, como uma forma das de de medição servir e instrumento referência, quanto a Por que de planejamento. em Esse a se índice, apesar como desconsidera facilidade essa devem tanto que

motivação como

pessoas, único

intenção, e

realizam os deslocamentos. Nesse sentido não deve ser considerado instrumento suficiente. adiante, razão ser devemos considerar e compreender o papel da dinâmica urbana e o conceito de acessibilidade, como veremos utilizados

115

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

também como referências para o entendimento do que é mobilidade urbana. No caso da dinâmica urbana, um princípio básico é compreender os modos de produção/reprodução da circulação urbana como uma relação entre fixos e fluxos. Para Duarte, os fixos, lugares de permanência, e os fluxos, lugares de passagem, devem ser entendidos de forma articulada e na sua inter-relação está o próprio entendimento da circulação em si. Mas, a mobilidade urbana não pode ficar restrita aos aspectos da forma.
O movimento dinâmica de de e das pessoas, do qual ao decorre também a circulação das coisas e das idéias, confere às cidades uma própria, um intrínseca e fenômeno que diz urbano. e da faz Trata-se cidade num movimento intercâmbio ato simultaneamente comunicação como nos mecânico

interativo

„obra

perpétuos‟,

Henri que

Lefebvre. Essa obra perpétua envolve a tudo e a todos movimento (contínuo-descontínuo) incessante resulta das ações individuais e coletivas empreendidas pelo território, e a partir do território, através das redes de circulação disponíveis. (DUARTE, 2006, p.35)

As sistema

redes viário

de e

circulação pelo

são

configuradas implantação escolar,

basicamente e operação

pelo dos e

planejamento, transporte objeto

serviços de transporte público coletivo, transporte aquaviário de passageiros, reforçam-no fretamento, não como táxi, mas moto-táxi transporte urbano de carga. Essas redes são do campo do transporte e principal, como elemento constituinte da mobilidade urbana. Avançando é vê-la como a para o conceito de de acessibilidade em urbana, de

Vasconcellos (2001, p.40), diz que uma visão restrita da mobilidade habilidade movimentar-se, decorrência condições físicas e econômicas. A ser analisada dessa maneira, não seria possível definir por que e como a mobilidade é exercida pelas pessoas ou, em outras palavras, a análise restrita da mobilidade não permite evidenciar as dificuldades de locomoção como: gasto excessivo de tempo nos deslocamentos, grandes distâncias a serem

116

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

percorridas, disponibilidade de meios de transporte e facilidade de alcançar os pontos de destino. Derivado da necessidade de um entendimento mais amplo,

Vasconcellos propõe uma definição que relacione a mobilidade com o conceito de acessibilidade.
Este estrutura Requer enfoque urbana, a mais como amplo requer a análise da conexão entre a oferta do sistema de circulação e a elementos da interdependentes. e da também análise conveniência

acessibilidade econômica dos meios de circulação, bem como da compatibilização entre o tempo disponível dos indivíduos destino e as horas de operação das atividades complexo de de das viagens. Este conjunto

determinantes faz da acessibilidade um conceito muito mais abrangente do que o da mobilidade simples e o único capaz de capturar o padrão de deslocamentos – e da reprodução social de forma conveniente. (VASCONCELLOS, 2001, p.41)

A acessibilidade urbana reflete sempre a facilidade de alcance, seja na escala da rua, do bairro ou da cidade, às construções e equipamentos urbana. Ainda transportes, que a noção de mobilidade política possa ou remeter, o em que sua se plenitude, a conceitos afetos a campos diversos como a geografia, economia, ciência sociologia pretende aqui é focar o tema de mobilidade nos aspectos relacionados a arquitetura e urbanismo. A partir dessa escolha, considera-se que a circulação da das pessoas e em bens áreas na cidade e esta da intimamente distribuição relacionada como causa e conseqüência do crescimento e expansão das cidades, concentração centrais espacial das atividades no território. urbanos desejados e será considerada não como um conceito conflitante, mas complementar ao entendimento da mobilidade

117

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

2.

Mobilidade e desenvolvimento urbano
Ao a isolar natureza do a circulação deste do ambiente perpétuo construído, que anima o e pragmatismo tecnocrático se torna incapaz de compreender movimento de e participa lado, os processo produção da cidade. ocupados Ocorre, com o

assim, um divórcio entre a circulação e a cidade. De um arquitetos urbanistas, planejamento e desenho e o desenho do espaço, de outro, os engenheiros de transporte e trânsito, ocupados com o desenho e o planejamento do tempo. (DUARTE, 2006, p. 27)

Ao

falar

do

descasamento

entre

transportes

e

planejamento

urbano, Duarte sugere o necessário exercício de abordagem integrada da circulação humana que requer analises qualitativas que superem a vão além dos tradicionais dados numéricos. Um caminho para tal exercício pode ser dar por meio da ampliação do foco em veículos e infraestrutura ao foco em pessoas e cidades. Sob essa visão fácil entender a mobilidade das pessoas nas cidades como um problema de desenvolvimento evolução das urbano. e Ademais, os uma breve pode abordagem nos sobre a cidades transportes sugerir outros

aspectos constituintes do problema, especialmente aqueles da relação entre pessoas e espaços de circulação. Um regresso não muito longínquo nos leva às cidades préindustriais, maior período na existência da espécie humana, onde a mobilidade era exercida por meio da força motriz dos animais ou pelo ritmo do caminhar das pessoas. As cidades não eram muito extensas e suas ruas constituíam não só local de passagem, mas da conversa, troca e permanência. Havia então a possibilidade do encontro e da vida em comunidade em todos os espaços ao ar livre. Com as transformações decorrentes da Revolução Industrial, que trouxe nova lógica produtiva e promoveu aglomeração de pessoas em grandes cidades, começou também um processo de mudanças significativas nos padrões, modos e formas de circulação urbana. Duarte faz referência ao “projeto de modernização da Europa” (Paris de Haussmann e Barcelona de Cerdá) e reflete sobre as relações

118

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

especialmente por meio da Carta da de Atenas. quando se consolidam as bases materiais para o surgimento de uma nova cultura urbana. em que se verifica uma brutal concentração da renda e o agravamento das desigualdades sociais. foram se enraizando no seio da sociedade. o que nos aproxima do período contemporâneo. tendo como fundamento a introdução da racionalidade na produção dos espaços. É a 119 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . [. basicamente.] acrescente-se que a transição da cidade moderna para a cidade contemporânea ocorre num tempo marcado pelos efeitos da globalização da economia capitalista. O fosso econômico e social estabelecido entre as classes dominantes e as classes dominadas se expressa na configuração espacial de cidade contemporânea sob a forma de guetos.. associada a uma nova escala de cidade. o mundo foi apresentado aos postulados do Movimento Moderno que preconizavam. legislativa e financeiramente. O divisor de água encontra-se nas grandes transformações ocorridas na cidades do século XIX. levada a cabo ao longo das últimas décadas. Jane Jacobs (2001) desenvolve uma crítica contundente aos princípios e objetivos que moldaram o planejamento urbano dessa época e diz que o período de evolução do automóvel como transporte cotidiano correspondeu precisamente ao período durante o qual o ideal de anticidade foi elaborado arquitetônica. também com reflexos na mobilidade urbana. 2006. No caso da função Circular a prerrogativa era a introdução do automóvel e exercício ilimitado da velocidade e fluidez. o desprezo pelas e a cidades antigas. Segundo ele: A distinção entre a cidade tradicional e na a cidade ruptura moderna fundamenta-se. Desde então as cidades continuaram a crescer e os aspectos negativos do processo de urbanização. p.identificadas entre circulação urbana e configuração sócio espacial das cidades. ocasionada pela introdução da racionalidade industrial na produção do espaço. sociológica. 45) A partir do século XX.. do reafirmação modernidade industrial especialização território em espaços fragmentados. (DUARTE.

ricos e pobres encontram-se espacialmente segregados (DUARTE. misturando-se com as cidades Municípios de vizinhos. inclusive transportes populações de baixa renda. Na publicação Sistematização do Seminário de Mobilidade Urbana em Regiões Metropolitanas encontramos uma boa definição desse processo: O crescimento principal de fato se deu por expansão horizontal. 129) O processo de urbanização excludente promoveu a expansão das fronteiras urbanas de forma não planejada. O espraiamento urbano – crescimento horizontal .relegou áreas afastadas dos centros para assentamentos acesso aos humanos com baixas condições de de habitabilidade para e as serviços urbanos. 120 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . envolvendo-se. que os mais limites Assim. política e territorial. no do megaconurbações. das cidadelas. ou seja. pela agregação de novos territórios ao tecido urbano. 2004d. e desde a sua processo gênese que urbanização a marca confunde-se com o da formação de regiões metropolitanas traz concentração/exclusão caracteriza nossa social. das casamatas. condicionou aos de maior renda o uso do automóvel como alternativa única de deslocamento. vizinhas. p.cidade das barricadas. em decorrência da concentração de atividades e atração de pessoas. e nesse sentido as possibilidades de expansão maiores apresentavam-se cidades. Esse crescimento de horizontal urbanos promoveu e fez com também que as aglomerações necessidades por de agregação tecidos circulação assumissem grande escala passando a ser objeto de cunho regional. Por outro lado. de as sua em Brasil binômio formação aquelas concentram oportunidades. Nesta cidade. 8) As áreas centrais. com transbordaram os O jurisdição. das fortalezas amuralhadas. 2006. p. (BRASIL. e os corredores de tráfego foram os espaços mais acometidos pelos problemas da circulação motorizada. menos limitadas.

crescimento das cidades e novas formas produtivas veio também o aumento do número de deslocamentos e a necessidade de velocidade de produção e reprodução constituiu ambiente favorável para introdução dos veículos motorizados. mas que os automóveis. 121 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . melhor dizendo. as pessoas se deslocando em automóveis.inclui todos os motorizados . Por exemplo. Em 1990 havia média de 0. em especial o automóvel. número de deslocamentos e veículos motorizados.7% do total de passageiros em circulação. cidade global. só para não falar de outras externalidades negativas. desde políticas rodoviaristas de governo Washington Luis: governar é construir estradas. passando pelo valor simbólico assumidamente elitista.e em 2008 esse número passou a 0.124 veículos por habitante .2. Vale comentar o exemplo de São Paulo. sem margem de erro. sabemos que automóveis ocupam 58. 36% da população brasileira viviam em cidades e em 2005 essa porcentagem atingiu os 82%. para a até o papel que a indústria Os efeitos automobilística representa economia nacional. onde nos últimos 10 anos a população cresceu 12% e a frota de automóveis cresceu 73%. Duarte. tomaram forma de principais protagonistas da mobilidade urbana nesse processo. Com o aumento da população.5% das pessoas enquanto os ônibus ocupam 24. Em 1950. depõe sobre o sucateamento do transporte público que hoje é um dos fatores que condiciona ao uso do automóvel. ao falar do período do Milagre Econômico dos anos 60 e 70 que ratificou a opção rodoviarista.1 Panorama dos transportes As cidades cresceram e as populações se concentraram em grandes centros urbanos. Vemos que não só cresceram a população. Ocorre assim uma verdadeira apropriação privada do espaço coletivo que abre caminho para a negação à cidade.283.6% do espaço e transportam 68. A respeito da ocupação de espaço.3% do espaço viário e transportam somente 20. Há uma série de fatores para caracterizarmos. dessa conjuntura convergiram para que as cidades fossem tomadas de assalto pelos automóveis gerando congestionamentos de trânsito como faceta mais visível desse modelo perverso. que nosso país urbano é (des)organizado para a circulação por automóvel.

aumento de tarifas.. 2009) “o transporte público [. qualidade serviço (DUARTE. 122 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . prestado assegurassem população. foram ferrovias sucateadas. aqueles relacionados com a operação: baixa velocidade operacional por causa dos congestionamentos. Mas não são só os automóveis privados e o transporte público as partes nas constituintes de do panorama dos transportes. recursos fim dos quando a Constituição Nesse passa a competência para os municípios investirem e gerirem os transportes públicos. Somados ineficiência investimentos a do esses dos há outros fatores tais que colaboram a o com para a de transporte governos. p. o Hoje aumento Ribeiro pode frota motocicletas que. concessões exploração acompanhar a ônibus do do poder indispensáveis investimentos em mecanismos de controle. de automóveis: 19% a. Essa realidade mudar rápido padrão mobilidade cidades brasileiras. 2006. proporção de demanda. tempos de viagens relativamente longos..a. seu primeiro os o golpe. continua prover “houve condizentes”. A precarização do transporte ferroviário e o desmantelamento principal linhas por de do linhas bonde existentes de cidades brasileiras consagraram o ônibus como modalidade transporte as não se público para fizeram que a passageiros. das dos boa Lastimavelmente. principalmente. segundo cresce Carlos mais Henrique Carvalho muito 2009). de (CARVALHO. público como escassez concorrência transporte clandestino e. ganha extrema Historicamente relevância que nas a o de foram relegados os pedestres. parte público. crescia a nas entretanto.a respectivamente.24) Ainda. contra 9% a.A oferta de nas transportes mesma das públicos em não que ocorreu. segundo Nazareno (AFFONSO. aumento dos custos operacionais. inclusive também com reflexos negativos como aumento no número de acidentes e na poluição sonora e atmosférica. e os ônibus perderam 20 bilhões de passageiros entre 1992 e 2005”. e maior irregularidade no atendimento. bondes. ciclistas e pessoas com deficiência políticas da de transportes.] recebe sem ele. as contexto.

2010. Política Para evolução transportes efeitos recente Nacional de da de é Mobilidade importante Federal o Grupo Urbana mencionar a Sustentável . Desde de então os transportes quando urbanos muito.é uma das principais plataformas sobre transportes público e tráfego urbano no Brasil. principalmente no que eles têm de negativo a respeito de emissão de poluentes.Em termos de dados. requerendo. de vieram forma tratamento maneira pontual. dissociada das demais políticas de desenvolvimento urbano. Em 1991 a EBTU foi extinta e o GEIPOT permaneceu com atividades restritas até sua extinção recebendo em 2001. sensíveis diferentes realidades necessidades. Suas informações são úteis para demonstrar que o problema abordagens da e mobilidade políticas pode ter origens às distintas e matrizes e específicas. Executivo Integração da Política de Transportes – GEIPOT que em parceira com a Empresa Brasileira de Transportes Urbanos – EBTU. 123 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . O problema do transporte urbano voltou a ser tratado no governo federal em 2000 por meio da criação do Grupo Executivo de Transporte Urbano – GTrans então vinculado à Secretaria Especial de 50 Disponível em: < http://portal1. criada em 1975. a depender dos portes de cidades. Tais transporte fatos mostram e uma visão geral do sobre a decadência privado. o Sistema de Informações da Mobilidade Urbana da Associação Nacional de Transportes Públicos 50 – ANTP .PNMUS contextualização atuação Em 1968 do foi Governo criado no tema dos para urbanos.antp. 3.net/site/simob/default. Desde então foram elaborados estudos e planos e executados diversos projetos nas mais diversas partes do país.aspx> Acesso em: 13 de ago. portanto. do público prevalência transporte Cabe repensar a circulação por automóvel e o aumento recente do uso de motocicletas. acidentalidade no trânsito e ocupação dos espaços das cidades. foi responsável pela execução da política federal de transportes urbanos.

à infra-estrutura e aos serviços e equipamentos urbanos de qualidade. e fragilidade da regulação dos serviços de transporte coletivo.Desenvolvimento Urbano - Sedu/PR. cultura. além de meios de geração de renda e acesso à educação.sob a qual estão integradas como partes constituintes as demais políticas setoriais do MCid. ao trânsito seguro. saúde. salvo pelo acréscimo de pontos como os custos sociais. baixa capacidade institucional de e investimento público. (GOMIDE. o conforto e a regularidade do transporte coletivo. à mobilidade urbana. informação. Como consequência desse processo foi construída e aprovada a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano –PNDU .por sintetizar a visão integrada dos problemas da cidade. Segundo Gomide os fatos que levaram à criação do grupo foram: As mudanças verificadas na dinâmica da ocupação urbana no Brasil. e o elevado número de mortes por atropelamento. Dos princípios estruturantes da PNDU há um que merece destaque – Direito à Cidade . 124 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . com maior crescimento da periferia. integração setorial. o crescimento do transporte individual e do transporte coletivo informal. a terra urbanizada. reduzindo a fluidez do tráfego e diminuindo a velocidade. foram reunidas as políticas de desenvolvimento urbano num mesmo órgão com o objetivo de integrar as ações diretamente incidentes sobre as cidades e com a intenção de reverter o processo de urbanização excludente e combater os passivos da urbanização acelerada. ao saneamento ambiental. 12) Essa motivações não seriam muito distintas daquelas que futuramente dariam substância a formulação da Política Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana no escopo do MCid. 2008. p. ambientais e econômicos do atual modelo de mobilidade baixa urbana. que geraram uma demanda de rede de transporte distinta da construída. com a criação do MCid. Esse princípio foi assim definido: Todos os brasileiros têm direito à cidade. a sobrecarga do sistema viário das cidades. Em 2003. entendido como direito à moradia digna. territorial das políticas urbanas.

trabalho e participação. financeira e organizativa. os Estados. e na e a construídos realização escopo participação promovida Conferência das referendados pela sua instância colegiada de natureza consultiva e deliberativa. É atribuição de todos os entes federados zelarem pela guarda da CF. consagrou o município como membro integrante do conjunto federativo brasileiro e delegou-lhe autonomia política.esporte. com a participação da sociedade. brasileira. além sociais e de e conservar garantirem o e patrimônio assegurarem público. Conselho política setorial foi definida da seguinte forma: Em síntese. p. coadunados popular Cidades. segurança pública. como o caso do transporte urbano. inciso exercício direitos individuais. lazer. As diretrizes da política visam contribuir para o crescimento urbano sustentável e a apropriação justa e democrática dos espaço públicos. das leis o e das instituições 23.51) 3. há competências comuns entre os demais entes federados. 2004b. a Política por de Nacional forma de Mobilidade a à Urbana Sustentável urbana tem objetivo promover universal. legislativa. (BRASIL. MCid. Art. Embora os municípios possuam responsabilidade sobre assuntos de interesse local. rápida e confortável. o Distrito Federal e os Municípios. priorizando os transportes coletivos e os meios não-motorizados (BRASIL. promovendo e apoiando a circulação segura. dos democráticas I. 2004. mobilidade população sustentável. especialmente no âmbito da pactuação para implementação das políticas públicas. promovendo ações articuladas entre a União. incluindo-se nesse último o direito de ir e vir que é definido na Declaração Universal dos Direitos Humanos e incorporado ao status da 125 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . administrativa. 77) Os princípios e diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável no da 1ª o – PNMUS da foram Nacional Cidades. Caderno 6 das No aos da em do PNDU 2003. p.1 Implementação da PNMUS A Constituição Federal de 1988 – CF.

126 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .107. de 2005 instituiu as normas gerais de contratação de consórcios públicos sanando uma lacuna legal que dificultava a atuação consorciada dos municípios entre si. Assim. as poucas tentativas de prestação de serviços em conjunto por mais de um município ficavam que. os serviços públicos de interesse local. 25. incluído o de transporte coletivo. diretrizes desenvolvimento inclusive saneamento básico e transportes urbanos. dependia sua complementar do estado. a organização.. de funções coletivo entidades públicos e constituídas agrupamentos municípios limítrofes. 30. Art.10) Não é nas definições da CF sobre os serviços de transportes que se resume adequadamente os assuntos afetos à mobilidade urbana. de metropolitanas. execução públicas de interesse comum. que tem caráter essencial. (BRASIL. Aos municípios compete organizar e prestar.]. 11.. ou a associação civil sem fins natureza os privada. inciso XX. e prestação ficam artigo 25 aglomerações o planejamento dos ou por serviços a meio urbanas e a de microrregiões. Com base nesse artigo.nossa carta magna. É obrigatório também zelar pelo cumprimento dos artigos 182 e 183. a organização previstas no transporte das consórcios intermunicipal condicionados instituição dos convênios de cooperação previstos no artigo 241 da CF. fica definido para pela o CF que é competência urbano. articulação de e vez.107/2005 que representou um grande avanço na cooperação federativa: A Lei nº. § 3º. Art. inciso V. No entanto foi a Lei Federal nº. [. 2007. p. No que diz respeito ao âmbito de atuação do MCid. 11. 21. Os regiões integrar Estados da têm e competência dos residual A com eles e relação compete aquelas instituir para exclusivas União por Municípios. que fragilidade dos entes jurídico-institucional somente se prestava a promover a esforços conjuntos municipais. diretamente ou sob regime de concessão ou permissão. Art. da União instituir habitação. restritas por sua à criação da região de lei metropolitana lucrativos.

3. Em outubro de 2009 uma revisão foi sugerida por entidades ligadas ao Comitê Técnico de Trânsito.Capítulo II Da Política Urbana. (iii) institucionalização da discussão do barateamento de tarifas. As discussões mais recentes que ainda estão em fase de formulação são o apoio às obras de infraestrutura de mobilidade urbana nas cidades sede da Copa – 2014 e a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC 2. Esse PL foi encaminhado em agosto de 2007 após um longo processo de discussão com a sociedade e aprovação do Conselho das Cidades. (ii) execução de fomento por meio dos Programas Bicicleta Brasil e Brasil Acessível. Transporte e Mobilidade Urbana que trabalhou e submeteu proposta de alteração ao pleno do Conselho. Estatuto da Cidade. e (v) proposição do Projeto de Lei n. programas e ações da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana – Semob.657/2007 Vimos que um dos fatores usualmente atribuídos ao sucateamento do transporte público é a ausência de regulamentação adequada seja por fragilidade institucional ou ausência e precariedade dos contratos de permissão ou concessão. PROMOB e PRÓ-TRANSPORTE. A União.º 1. de autoria do Poder Executivo. Desde 2003 alguns avanços foram alcançados como: (i) execução do apoio financeiro por meio dos Programas Mobilidade Urbana. 51 Hoje o PL 1. 81 do Conselho das Cidades que recomenda ao MCid o encaminhamento ao Congresso Nacional das propostas de aperfeiçoamento do PL 1. encaminhou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei 1.257/2001. Do entendimento da PNMUS.º 10.689/2007. passaram a ser implementadas as estratégias. técnico e institucional aos demais entes da federação.2 Projeto de Lei nº 1. do MCid por meio de apoio financeiro. a partir dos princípios e diretrizes expostos no Caderno 6.687/2007 está apensado ao Projeto de Lei 694/1995 que “Institui as Diretrizes Nacionais do Transporte Coletivo Urbano e dá outras providências” 127 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . (iv) atividades de capacitação de corpo técnico e desenvolvimento institucional. instrumentos. por meio do MCid. Desse trabalho resultou a Resolução Recomendada nº.687/2007. que os regulamenta.687/2007. que “Institui as diretrizes da política de mobilidade urbana e dá outras providências” 51 . da CF e da Lei Federal n.

]. Alexandre Gomide: [.687/2007 com relação à gestão da mobilidade no âmbito municipal pode ser depreendida da interpretação do Diretor de Regulação e Gestão. Um dos pressupostos do projeto é que a existência de regras claras com instituições adequadas (em contraposição à discricionalidade de políticos e burocratas) contribui para a consistência das políticas do setor. p.3). Possibilidades da arquitetura e urbanismo Uma corrente adequada as necessidades de trabalhar a mobilidade urbana nas cidades converge à retomada dos espaços públicos pelas e para as pessoas em lugar dos automóveis. 24) A necessidade de regulação dos serviços de transporte público se dá pela incapacidade do mercado de promover uma solução que atenda às necessidades de todos.. y otras actividades en el deteminan transporte las distancias Alta de viajes de promedios urbano.A importância do PL 1. mantendo sua continuidade. (GOMIDE. los lugares de compra. mantienen las distancias cortas entre orígenes y destinos de los viajes urbanos” (GTZ. estabilidade e coerência. 128 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . à época. reduzindo custos de transação. 2002. p. densidad población.. 4.. el trabajo. los lugares de recreación.] o entendimento do problema que motivou a formulação das nos diretrizes serviços de da política de mobilidade quanto urbana na se apoiava tanto na necessidade de uma reforma regulatória transporte urbano mudança institucional no ambiente da mobilidade urbana [. Veremos que há uma série de possibilidades no campo da arquitetura e urbanismo.. 2008. A idéia básica da integração entre uso do solo e transportes está expressa da seguinte maneira: “La distribuición espacial de la vivienda. Nesse caso os poderes públicos devem interferir seja pela provisão direta do serviço ou pela regulação das atividades concedidas à iniciativa privada. además de una mezcla de uso del terreno para varias actividades sociales y econômicas.

comércio e lazer para redução das necessidades de uso do transporte coletivo e motorizado. Esses dados exemplificam interdependência densidade populacional. 2002. (ii) descentralizar equipamentos públicos de forma a desconcentrar convergência de pessoas em pólos atratores de viagens. forma da cidade e uso dos transportes. embora seja veículo e como tal tenha direito de utilizar o espaço viário destinado aos automóveis. não podemos deixar de incluir espaços para a circulação não motorizada. já a e existentes (iv) e desenvolvimento convergência ocupação de centralidades centros de forma forma desconcentrar promover dos vazios urbanos otimizar utilização sistemas de transporte existentes e reduzir necessidades de grandes deslocamentos – reversão do urban sprawn. uso Nestas do últimas. (iii) promover de consolidação de novas pessoas em de sub-centros de a de cidade. empresa alemã de cooperação para o desenvolvimento sustentável. as diretrizes básicas para o tratamento da mobilidade através do planejamento urbano são: (i) promover a diversificação de usos de forma a alocar espaços de residência e trabalho com proximidade a espaços de serviços. menor porcentagem de uso transporte motorizado. loteamentos e revitalizações. leis de uso e ocupação do solo e regulamentação dos instrumentos do Estatuto da Cidade. dos Estados A GTZ. 5). menor será a porcentagem de deslocamentos em transporte público e não motorizado e maiores serão os gastos dispensados ao setor de transportes européias não e e infraestrutura. há possibilidades de projeto e implantação de 129 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . p. e mais menor espraiadas. existe maior extensão viária. Essas diretrizes devem ser consolidadas nos planos diretores e planos de mobilidade urbana de forma a orientar ações para os anos futuros.Segundo Silva (2009). Os instrumentos urbanísticos potenciais são o macrozoneamento. mostra entre cidades asiáticas. projetos de bairros. como é a maior automóvel entre porcentagem de uso do transporte público (GTZ. 2002) mostram que quanto menor for a densidade populacional (hab/ha). Para a bicicleta. do Unidos. Estudos da União Internacional dos Transportes Públicos (UITP. No campo do desenho urbano.

Por meio de interferências físicas é possível reduzir a velocidade do tráfego motorizado e promover a reversão de domínios.° 5. Desde 2004. equipamentos públicos e locais de trabalho. No Brasil. deve ser garantida a acessibilidade para as pessoas com deficiência quando e restrição do de mobilidade das de forma a permitir a livre circulação e permanência com autonomia e segurança. comércio.. mas sobre o direito reconhecido de ir e vir. ainda haverá exclusão de determinadas parcelas da população no acesso aos transportes e as localidades nas cidades. do automóvel aos não motorizados.. ciclofaixas e espaços compartilhados. Outra possibilidade é a utilização das técnicas de moderação de tráfego que permitem redividir os espaços viários e torná-los atraentes e seguros para os atores da circulação urbana. Enquanto não mudar a realidade da exclusão urbana e não forem enfrentados os problemas reais. Considerações finais Vamos entender mobilidade e acessibilidade urbana como partes do urbanismo que dizem respeito a circulação de pessoas e bens nas cidades tendo como substrato o sistema de transporte e como motivação as interfaces com as demais funções urbanas como alocação de habitações. como a lógica de mercado aplicada ao transporte público. Mobilidade tem relação com continuidade de movimento. país em desenvolvimento. ou sinalização paisagismo. pessoas com acabamentos. predomina a desigualdade social e isso se reflete também no acesso aos meios de transporte. deficiência mobilidade reduzida não se trata mais de sensibilização.. Para as dimensionamento. 5. em todas as intervenções urbanas.296/2004. Lembrando que cuidamos trânsito pessoas com deficiência estamos cuidando também dos pedestres que geralmente são relegados a segundo plano. Dados do Movimento pelo Direito ao Transporte (MOVIMENTO. serviços. seja de reforma ou construção. em todos os casos deve ser dar especial atenção de respeito e segurança.infraestrutura projeto a em forma de de ciclovias. Acessibilidade tem relação com facilidade de alcance. de acordo com o Decreto Federal n. 2009) indicam que 37 milhões de brasileiros são excluídos do sistema de transporte 130 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .

Disponível em: < http://www. A importância da indústria automobilística para a economia do país representa um dilema que dificulta a mudança desse modelo atual. Políticas públicas devem ser. por definição. direcionadas. Devem ser no mínimo redistributivas.público despesas. como atribui o inciso XI do artigo 22 da CF. 52 Então. veio cumprir papel promovendo instituição de diretrizes da política nacional de mobilidade urbana e legislando sobre o tema dos transportes. haverá cada vez mais espaço aumentar o espaço a eles destinado. fato que leva ao aumento do número de automóveis em circulação.br/exec/inf_discursosdata. trânsito por Sem que falta são de condições com os pela econômicas de minoria da para e arcar com que as de usa contar custos poluição acidentes provocados população automóvel e são pagos por todos da sociedade. Segundo. Essa atitude representou uma tentativa de mudança e estabelecimento de regras por meio da construção de um marco legal. em 08 de março de 2010. Até o momento que não sobre mais espaço para as pessoas.planalto. 2010.687/2007 representou um ponto de inflexão com relação é dos à mobilidade a urbana União e aos transportes seu públicos. Apesar de a PNMU fomentar o uso racional. O primeiro é que a proposição do PL 1. Reconhecidamente o uso indiscriminado do automóvel está na raiz da crise da mobilidade nas cidades. a Semob passou por mudança de direção em 2005 e isso interrompeu o fluxo de planejamento e execução antes posto em 52 Discurso do Presidente durante cerimônia de assinatura de contratos para implementação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. prefeitos e governadores. façamos mais ruas. e de não se opor a posse.” para a introdução de veículos e Se os governantes continuarem cada vez mais necessidade de com a lógica de oferecer infraestrutura. Sobre a PNMU vale destacar três pontos. elaboradas e implementadas pelo bem do público em geral. Recentemente o Presidente da República declarou: “Mas ainda não é o pobre que tem carro (referindo-se ao recorde de vendas) – e eu quero que o pobre tenha carro também.gov. que nós. 131 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . como num ciclo vicioso. mas ao uso.cfm> Acesso em: 13 abr.info. Como a a competência de organizar e prestar o serviço de transporte coletivo municípios. a política macroeconômica incentiva a todo custo a produção e comercialização.

3 destinados para habitação e saneamento apenas no âmbito da primeira fase do PAC entre 2007 e 2010 deste artigo. ainda que haja a política nacional bem definida e em perfeito estado de o estabelecimento pacto federativo no âmbito que da a União mesma é se necessário efetivar para capilarize nos demais entes da federação de forma a tornar produtivo e real o processo de transformação da mobilidade urbana nas cidades. o estruturante pudemos da mobilidade cabe e à O papel do transporte público. Para que a mudança comece a acontecer é necessária participação de todos. Com a ampliação de recursos direcionados à mobilidade urbana podemos estar vivenciando um momento de inflexão na destinação de recursos federais para os transportes. 132 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .br/conselho-dascidades/biblioteca/ApresPACmiriamcidades. Tal fato é um instrumento legítimo do exercício da democracia que institui continuamente distintos ciclos derivados do sistema político. Em janeiro de 2010 foram anunciados recursos na ordem de R$7. retrabalho e morosidade até que novas diretrizes sejam postas em prática. o apoiar financeiramente demais federados implantação de infraestrutura tem sido desempenhado ainda de forma muito tímida. certamente municípios. é nos 53 . Então.68 bilhões para investimentos em transportes no PAC das Cidades-sede da Copa 2014 e em março de 2010 foi lançada a segunda fase do Programa de Aceleração do Desenvolvimento – PAC 2 que prevê investimentos na ordem de R$24 bilhões para mobilidade urbana e pavimentação. O aspecto negativo dessa prática é que encadeia quebra de rumos. Fato é que. a exceção do PAC das Cidadessede papel da de Copa 2014 e o anúncio do os PAC 2. Terceiro. De toda a forma.68 bilhões reservados representam muito pouco perto dos R$146. Desde os cidadãos que exercem controle social sobre as 53 Informações disponíveis em: <www. tal como sugerido no título acessibilidade Conforme perceber União estabelecer as diretrizes e apoiar ações que estejam alinhadas às mesmas.ppt> Acesso em 18 mar.cidades. os R$31. não entes tivemos avanços para significativos em ações de impacto nos últimos anos.gov. baixa execução de obras e menor aporte de investimentos de comparada às políticas de habitação e saneamento também deste Ministério. 2010.andamento. Exemplo disso é a escassez de recursos.

6) BRASIL.políticas públicas e fazem escolha no uso dos meios de transporte disponíveis até os governantes de tem a responsabilidade de engrenar a máquina de planejamento. Automóveis e sustentabilidade. ago. Desafios do Nazareno S. (Cadernos MCidades. Brasília: Espalhafato Comunicações. Brasília: Espalhafato Comunicações.cidades. (Cadernos MCidades. de Pesquisa Revista Desenvolvimento. São Paulo. BRASIL. Ministério das Cidades. Ministério das Cidades. em: de das Cidades. para Secretaria elaboração das Nacional de plano de de Transporte e da Mobilidade Urbana. 2004a. n. Referência Bibliográficas AFFONSO. 2009. Brasília. p. Ministério das Cidades. Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável. PlanMob. Secretaria Nacional de Ministério caderno urbana. construindo a cidade referência Brasília: Ministério Cidades. em: 13 2004c. BRASIL. Política Nacional de Desenvolvimento Urbano. sustentável: mobilidade Disponível 2010. BALBIM. Práticas espaciais e informatização do espaço da circulação: Mobilidade cotidiana em São Paulo. 133 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . <http://www. Sistematização do seminário de mobilidade urbana em regiões metropolitanas.br/secretariasAcesso nacionais/transporte-e-mobilidade/biblioteca> Transporte e da Mobilidade Urbana. Instituto Econômica Aplicada. 2003. regulação. 1) BRASIL. 2003. 2004b.gov. Tese (Doutorado em Geografia Humana). 2004d. gestão e operação dos sistemas de transporte e desenvolvimento urbano. 597f. 53. Universidade de São Paulo. 27. Departamento de Geografia. 6. Brasília: Ministério das Cidades/BNDES. abr. Renato.

serviços de Ministério transportes das Cidades. ago. Morte e vida das grandes cidades. em: <http://www. A. 2008. tradução: GTZ. Constituição da República Federativa do Brasil. de. Forma e movimento. 2003 (Texto para Discussão. 2006. Transporte Urbano e Inclusão Social: Elementos para Políticas Públicas. Planificación Newtenberg de uso del terreno Digitales. DUARTE. 2002. 2009. 2007. A. A. Agenda governamental e o processo de políticas públicas: o projeto de lei de diretrizes da política nacional de mobilidade urbana. Jane. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Disponível . n. 960). Mobilidade sobre duas rodas. GOMIDE. Presidência da República Federativa do Brasil. Rio de Janeiro: Viana & Mosley: Ed. nº 1334) GTZ. A.planalto. 53. y transporte Alemanha.BRASIL. Revista Desafios do Desenvolvimento. Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana. A licitação e contratação dos públicos coletivos urbanos.gov. 2010. Acesso em: 13 abr. 26. CARVALHO. Brasília: IPEA. Carlos Henrique R. São Paulo: Martins Fontes. Brasília: IPEA. (Coleção Arquitetura e Cidade) GOMIDE.br/ccivil_03/constituicao/constituiçao. Brasília. JACOBS. (Texto para Discussão. p. Brasília: Ministério das Cidades.htm> Publicaciones Eschborn: 134 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . de 05 de outubro de 1988. Cristóvão Fernandes. 2001. PROURB. n. BRASIL. urbano.

Eduardo A. VASCONCELLOS. Departamento Urbanismo. 2001. 2009 (Caderno de Ideias . CI0910).br/pt/saladoconhecimento/Paginas/cadernodeideias . PELO DIREITO AO TRANSPORTE e PÚBLICO DE Mobilidade urbana inclusão social. Tradução: Estudos. SOUSA. da.MOVIMENTO QUALIDADE PARA NACIONAL TODOS.fdc. Paulo Renato. Planeamento e Orçamento do Metropolitano de Lisboa. V. SILVA. 2009.org. 2009. Brasília. São Paulo: Annablume. Cidades concebidas para o automóvel: (Mestrado Graduação em em Arquitetura Arquitetura e e mobilidade urbana nos planos diretores posteriores ao Estatuto da Dissertação de Pós Urbanismo). Nova Lima: Fundação Dom Cabral. Cidade. Comissão Geral Transporte e Cidade. espaço e eqüidade.aspx?COD_ACERVO=19249> Acesso em: 13 abr. 2009. Brasília:MDT. 2010. Paulo T. Claudio O. 135 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . de.l. UITP. 174f. Mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras: Um estudo sobre os impactos do congestionamento. 2000. Universidade de Brasília.]: UITP. Disponível em: <http://www. RESENDE. [s. Melhorar a Mobilidade nas Cidades. Transporte urbano.

Seção C Ordenamento Territorial. Política Regional e Desenvolvimento Municipal 136 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .

Para um país com dimensões continentais imprescindível que ordenamento território.A Importância da Política Nacional de Ordenamento Territorial (PNOT) para o Desenvolvimento Sustentável Brasileiro Júlio Miragaya e Leandro Signori 1. deve do ser seu e sociais. assim como a delimitação 137 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . e que o se complementa com condicionantes das de regiões políticos. equipamentos . cujos desdobramentos constroem o espaço social e moldam o território. ganhou expressão na sociedade brasileira o reconhecimento a compreensão da necessidade dinâmicas de se compatibilizar exige as um formas exame de das ocupação e uso do território com as suas potencialidades. culturais e ambientais. consideradas território nacional. A produção do espaço tem como suporte fundamental a acumulação de capital. Introdução Nos últimos anos. conta aspectos normativos instrumentais. diferenciados das experiências políticas de ordenamento territorial dos Estados-Nação.da população. de subsídios elaboração Política de Ordenamento Territorial conceitua ordenamento territorial como “a regulação das ações que têm impacto na distribuição . que para atender o interesse da sociedade é desenvolvimento uma leve política em equilibrado nacional os objeto de regulação estatal. É fato que das territoriais singularidades destes processos. grande parte considerado e aos uma disciplina bastante várias definições diferentes processos perspectivas. conservação interesse das para atividades das a segurança produtivas.e suas tendências. com deve em em construção. O documento para a base do Ministério da da Integração Nacional Nacional. Mas o que é exatamente o ordenamento territorial? O que se pretende com ele ? Para que serve e a quem interessa? O ordenamento do território é Isto um se conceito nova. áreas do dos espaços como de de dos ambiental.

efeito multiplicador. União. estadual convertem e municipal). como representa de um desafio. Do ponto de vista jurídico. o território é a “extensão ou base geográfica do Estado. A atual Constituição Brasileira. portos e também a faixa do mar exterior que lhe banha as costas e que constitui suas águas territoriais. rios. golfos. entretanto. funcionais e estruturais que caracterizam o espaço. Uma política nacional de ordenamento do território em suas múltiplas importância dimensões. não dispõe de um sistema nacional integrado que possibilite uma ação coordenada no nível federal e entre os diferentes níveis de governo (federal. 2006. lagos. políticos e ambientais que lhe deram origem. Foi para evitar esta dispersão que a Constituição Federal de 1988 atribuiu à União a definição de diretrizes ordenação dos instrumentos existentes de uma forma orgânica que e sirvam de referencial para a realização de processos que visem à harmônica entre os diferentes níveis. o ordenamento territorial é um conjunto de arranjos formais. 138 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . a sua instrumento crescimento justiça social e desenvolvimento sustentável. promulgada em 1988. segundo uma visão estratégica.de territórios. associados aos processos econômicos. causando conflitos nos outros níveis. E sob uma perspectiva normativa e estratégica. 2004). em ações A realidade sem demonstra uma diversidade e que de a planos. considerando as ofertas e restrições. 19). além do espaço aéreo correspondente ao próprio território” (HOUAISS. O Brasil. Em suma. sociais. entendendo econômico. P. mares interiores. definiu como sendo competência da União a elaboração e execução de planos de ordenamento territorial. mediante articulação institucional e negociação de múltiplos atores” (PNOT. os Estados ou os Municípios adotam. mas que geralmente se isoladas. trata-se de conceber uma proposta estratégica para o território associada a um projeto de nação. sobre a qual ele exerce a sua soberania e que compreende todo o solo ocupado pela nação. águas adjacentes. baías. inclusive ilhas que lhe pertencem. programas e projetos sem articulação.

Histórico O debate sobre a necessidade de o Governo Federal assumir de forma coordenada “Nossa ações referentes ao ordenamento pela do território de nacional remonta à década de 1980. cujo texto da Carta Magna estabelece. vários países formularam suas políticas nacionais de ordenamento do território e criaram órgãos que coordenam a intervenção no território de forma articulada. que tinha como atribuições cumprir aquele preceito constitucional. desenvolvido Secretaria Assessoramento da Defesa Nacional. a ela subordinada. A DOT realizou. 2. econômica. em seu Artigo 21. Em suma. Todavia o fato de ainda não existir uma política nacional de ordenamento territorial no Brasil não significa que não existam instrumentos e mecanismos para o ordenamento territorial. a Diretoria de Ordenação Territorial (DOT). Agrícola.podem relacionados instrumentos. A estratégia básica da DOT concentrou-se na elaboração de Planos de Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). Plano Nacional de Reforma Agrária entre outros. fica evidente a falta de uma política nacional que permita a articulação entre esses instrumentos e a necessidade da criação de um sistema nacional de ordenamento do território. A eficácia de seu funcionamento é comprometida. quando se deu a concepção do Programa Natureza”. entretanto. pela falta de articulação entre si. entre outros. tecnológica. os seguintes trabalhos: eleição e adequação de conceitos e métodos 139 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Em 1990 foi criada a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e. Planos Diretores Municipais. Se considerarmos ser as diversas diversos dimensões político-institucional. O tema viria a se tornar preceito constitucional em 1988.Ao longo da última metade do século XX. parágrafo IX: “Compete à União elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social”. tais como: Zoneamento Industrial. Planos Macrorregionais e Mesorregionais. subordinada ao Gabinete Militar da Presidência da República. social e cultural . físico-biótica. Zoneamento Zoneamento Planos de Bacias Hidrográficas. Ecológico-Econômico.

que orientariam os trabalhos de Zoneamento Ecológico-Econômico e de Ordenamento Territorial. b) identificar os campos de atuação c) específicos o relações regional Ministério funcionais e da ordenamento territorial. sendo por muitos erroneamente considerada coincidente com as atribuições do Econômico. O objetivo geral do estudo era instituir a base de entendimento conceitual. no Decorridos ano de mais 2004. de o 15 anos da de promulgação da Constituição Federal e com a responsabilidade que lhe iniciou de processo de elaboração proposta Política Nacional Ordenamento Zoneamento Ecológico- Territorial. metodológica e programática que orientasse o alcance. de da o uma Defesa MI (MD). desenvolvimento papel planejamento Integração identificar 140 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . metodológicas e programáticas que informam as abordagens interesse e de ordenamento territorial e as do de parte de agentes entre governamentais e privados no Brasil. a partir de então. A coordenação das ações de ordenamento territorial não tiveram. que estabeleceu as atribuições de cada Ministério. a SAE foi extinta e as suas atribuições referentes ao ZEE transferidas para o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e. Entre os objetivos específicos. No ano de 2005 o MI firmou convênio com o Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília (UnB) e com a Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (ABIPTI) para a elaboração do “Documento base para a definição de uma Política Nacional de Ordenamento Territorial”. uma clara definição de responsabilidades. conferiu a responsabilidade sobre o ordenamento territorial ao Ministério da Integração Nacional (MI) e ao foi Ministério atribuída. territorial. podem ser destacados: a) identificar o espectro de concepções e visões conceituais. Em 2003. contudo. e Plano de Zoneamento Ecológico-Econômico da Amazônia. Em 1999. a abrangência e o escopo de formulação e implementação de uma Política Nacional de Ordenamento Territorial. em parceria com os estados e diversos órgãos do Governo Federal. no âmbito do Governo Federal. os ZEEs vêm sendo realizados de forma sistematizada e continuada. a Lei Federal Nº 10.683/03.

ou seja. o Governo Federal instituiu o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) com a atribuição de elaborar a PNOT. e) espaços geográficos sob poder público. c) a contribuição de experiências internacionais e nacionais de ordenação do território. O GTI. Ministério do Planejamento. aos serviços definidos etc. Em dezembro do mesmo ano o GTI concluiu a elaboração da minuta do Projeto de Lei que institui a PNOT. básicos. b) propiciar uma distribuição das atividades econômicas território. melhor As suas diretrizes básicas são: a) no propiciar uma melhor distribuição da população no território. As bases da política O Territorial objetivo é a geral da e Política Nacional de de Ordenamento de promoção articulação instrumentos ordenamento do uso e ocupação racional e sustentável do território nacional. coordenado pela Casa Civil da Presidência da República e tendo o Ministério da Integração Nacional como secretaria executiva. públicos os d) melhorar a qualidade dos ambiental. ao trabalho. d) definir a PNOT como uma política de Estado e não apenas de Governo. o que ainda não ocorreu. tendo este documento como base. 141 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Ministério das Cidades e Ministério de Minas e Energia. buscando exploração das potencialidades e maior produtividade. e) avaliação do aparato institucional e jurídico-legal na perspectiva da PNOT. c) gerar uma maior racionalidade econômica no uso e ocupação do território.Nacional como articulador de diferentes esferas de poder. Orçamento e Gestão. direcionar o uso e a ocupação do território em suas várias possibilidades. 3. era integrado ainda pelo Ministério da Defesa. de e e) melhorar a qualidade de vida (maior acesso à terra. planos e programas no uso e ocupação do território. d) avaliação dos impactos da logística e de grandes projetos privados no uso e ocupação do território. Em 2007. b) avaliação dos impactos de políticas. Ministério do Meio Ambiente. que foi encaminhada à Casa Civil da Presidência da República para apreciação e posterior encaminhamento ao Congresso Nacional.).Para eixos efeito estudos a) o foram uso e seguintes temáticos: padrão ocupação do território e as principais tendências de transformação.

Políticas Setoriais: Política Nacional Desenvolvimento Regional (PNDR). Programa de Apoio às Comunidades Quilombolas. de Plano Desenvolvimento Nordeste (PDCO). do de Ordenamento e Territorial” foi a que a identificação políticas política instrumentos programas território setoriais. Programas com rebatimento territorial: Programa de Proteção de Terras Indígenas. Gestão Territorial e Etnodesenvolvimento. Nacional Hídricos. Planos instrumentos Recursos setoriais: de gestão Planos de e do Diretores Bacias Municipais Plano territorial urbana). e que podem ser considerados como instrumentos de ordenamento territorial: Sistemas: Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). de Política Defesa Nacional Nacional. do Plano de Desenvolvimento sub-regionais: do de Centro-Oeste (PDSA). de Desenvolvimento Marítima (e Plano seus de de (PNDU). Instrumentos de ordenamento territorial Um dos principais objetivos do “Documento base para a definição de uma Política dos públicas. Política Nacional de Recursos Urbano Hídricos (PNRH). outros País compreendendo instrumentos não impactam o território. Desenvolvimento Semi-Árido Desenvolvimento Regional Integrado (PDRI). Sistemas de Municipais de Planejamento entre outros. Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA). Planos Hidrográficas. Plano Nacional de Energia (PNE). Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). Conforme já visto. Política de Desenvolvimento Rural Sustentável (PDRS). Sistema Nacional de Recursos Hídricos. planos programas identificados como de destacado impacto no território. políticas. Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA). São apresentados em seguida um rol exemplificativo sistemas.4. Programa de Zoneamento Ecológico-Econômico. Plano Amazônia (PDNE). Programa 142 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Plano Desenvolvimento Territorial Sustentável Planos Sustentável Plano de macrorregionais (PAS). Plano BR-163 Sustentável Planos setoriais: Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT). a inexistência de uma ordenamento de no significa e inexistência desses instrumentos. Política Políticas Nacional e para os Recursos do Mar. de Nacional diversos planos.

Programa de Desenvolvimento do Agronegócio (PRODEAGRO). Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica. Programa Luz para Todos. Irrigação e à Armazenagem (MODERINFRA). Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND). Fundos: Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (FUNTTEL). 143 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Desenvolvimento Socioambiental Familiar Rural (PROAMBIENTE). Programa de Apoio ao Fortalecimento (PROGEREN). da Programa Produção de Áreas Especiais e Corredores Ecológicos. Projeto Programa de de Gestão Ambiental Rural (GESTAR). Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). do Nordeste (FNE) e do Norte (FNO). Programa de Fortalecimento e Modernização das Entidades Filantrópicas de Saúde e Hospitais Estratégicos Integrantes do Sistema Único de Saúde – SUS. Programa da Sustentabilidade de Espaços SubRegionais (PROMESO). Programa Especial de Desenvolvimento do Entorno do Distrito Federal (PRORIDE). Programa de Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR). a da Capacidade de de Geração Financeiro Programa de de a Emprego e Renda em a Programa em Apoio Investimentos Financeiro Ferrovias nas Regiões Norte e Nordeste. Programa de Arranjos Produtivos Locais. Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA).Nacional de Apoio a Agricultura Familiar (PRONAF). Programa de Apoio Financeiro Investimentos Biodiesel. Programa de Regionalização do Turismo. Programa de Promoção e Inserção Econômica de Sub-Regiões Sustentável (PROMOVER). Programa Nacional de Microbacias Hidrográficas e Conservação de Solos na Agricultura. Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (MODERAGRO). Programa de Agendas 21 Local. Apoio Investimentos em Fontes Alternativas de Energia Elétrica no Âmbito do PROINFRA. Programa de Desenvolvimento Social da Faixa de Fronteira. Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). do Programa de Desenvolvimento Programa de Integrado Incentivo e à Semi-Árido (CONVIVER).

articuladas em redes logísticas visando à competição internacional. que. enquanto a maior parte do território nacional é ocupada por municípios que contribuem muito pouco à riqueza nacional. na promoção da integração espacial dos fluxos econômicos. submetem ou excluem os territórios grupos sociais pela menos de poderosos grandes substancialmente e que impactados ação corporações empresariais interferem na condição de ocupação de segmentos sociais diversos.Ressalta-se ainda que os novos ritmos e localizações de atividades econômicas. muito embora seja um problema que nos anos recentes vem sendo combatido com relativo sucesso. Outro marco é a oposição e disparidade entre a logística das grandes empresas e da produção familiar. Devem ser citadas também a desarticulação entre as políticas geram setoriais com impacto territorial. o ponto de partida foi a identificação das principais questões com forte expressão no território. a seguir relacionadas: a) Político-institucional: A principal constatação foi à forte desarticulação e dispersão da ação do Estado na gestão integrada do território. colocam em xeque a capacidade do Estado nacional promover a integração espacial dos fluxos. e agravada são focos por de estratégias conflitantes de políticas públicas. b) Econômica: A análise do quadro atual brasileiro aponta uma forte concentração espacial das atividades econômicas ao longo do litoral. a geopolítica da 144 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . visto que cerca de 70% do PIB é produzido numa área extremamente reduzida do país. conforme demonstrado na Figura 01. Diagnóstico do território brasileiro nas diversas dimensões No processo de elaboração da PNOT. muitas vezes. expectativas por projetos governamentais conflitos territoriais e as dificuldades para o Estado. ou seja. agrupadas em distintas dimensões. nas áreas metropolitanas e nas regiões Sudeste e Sul. c) Logística: O de atual “mapa” brasileiro revela ou territórios que são dominados por grandes empresas que incorporam.5.

contrapõe-se à geopolítica da pequena social. e média produção. mas precária nas regiões Centro-Oeste e 145 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . sendo a malha de transportes relativamente densa nas regiões Sudeste. observa-se uma forte concentração da malha rodoviária na faixa litorânea acima da concentração das atividades econômicas. Sul e Nordeste.corporação baseada na logística. que lhe atribui grande velocidade de crescimento e expansão territorial. gerando fortes conflitos e exclusão Figura 01: Distribuição do PIB nos municípios Fonte: Documento base para a definição da PNOT (2006) Ademais.

de alimentação retro-portuarias e terminais de transbordo afetam a produtividade do modal ferroviário. com a participação da ferrovia na matriz de transportes brasileira ainda pequena.Norte. em proporção abaixo da real participação destas regiões na produção de produtos agrícolas e industriais. conforme demonstrado na Figura 02. Figura 02: Rodovias e densidade de população Fonte Documento base para a definição da PNOT (2006) A malha ferroviária possui uma distribuição desigual e é mal explorada. prejudicada pela ausência de grandes e regulares volumes de tráfego. com o modal fluvial muito pouco utilizado no país. problemas de malha segmentada. observa-se uma baixa exploração da navegação hidroviária no território nacional. carência de áreas de armazenagem. tendo maior relevância 146 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Em relação ao transporte fluvial. diferenças e insuficiência de bitola.

ocorre disparidades na distribuição territorial das redes de informação a longa distância o litoral permanece como o eixo principal do País. onde todas as redes se concentram (Figura 03). o que não ocorre. A extensão territorial e a tropicalidade do Brasil. Quanto à infra-estrutura de comunicações. Nota-se também uma distribuição desigual da infra-estrutura de armazenagem no território nacional. onde é usado para o transporte da carga geral da produção regional e a circulação de população de baixa renda. reduzindo a competitividade de diversos produtos.na Bacia Amazônica. deveriam atribuir à circulação fluvial um papel de destaque. Figura 03: Redes de informação Fonte: Documento base para a definição da PNOT (2006) 147 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . A localização dos pontos de estocagem da produção em boa parte encontra-se distante das áreas produtoras.

implicando em extensas linhas de transmissão (Figura 148 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . observa-se insuficiência de uma infra-estrutura de logística orientada para a integração continental.Também se verifica acentuada discrepância espacial crescente entre regiões está produtoras se e consumidoras com potencial de energia de origem Norte e hidrelétrica. Sul e Nordeste 04). esgotando. A ampliação da geração nas regiões Sudeste. sobretudo no Estado de São Paulo. c) Centro-Oeste: densa no eixo Brasília – Goiânia – Cuiabá / regiões periféricas dominam vias sem asfalto. Desta forma o quadro geral por macrorregião pode ser assim resumido: a) Sul/Sudeste: redes densas. b) Nordeste: densa no litoral e esparsas no sertão. e d) Amazônia: redes restritas a alguns eixos (Transamazônica) / completamente ausente no norte e parte ocidental. nas regiões Centro-Oeste. Por fim.

Figura 04: Energia e densidade de populaçãoFonte: Documento base para a definição da PNOT (2006) d) Fundiário-territorial: O território nas brasileiro regiões entre as apresenta ainda com forte e concentração contrastes populacional (Figura 05). litorâneas. regiões acentuados socioeconômicos Sul-Sudeste Norte-Nordeste Figura 05: Densidade de população 2000 Fonte: Documento base para a definição da PNOT (2006) 149 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .

particularmente Amazônia. vem ocorrendo um contínuo processo de deslocamento da população em direção às regiões Norte e Centro-Oeste (Figura 06). Figura 06: Variação da população entre 1970 e 2000 Fonte: Documento base para a definição da PNOT (2006) Observa-se também forte assimetria na distribuição de funções urbanas entre as redes de cidades do Sul-Sudeste e Norte-Nordeste. com forte predominância da grilagem e violência como na forma de apropriação Ocorre e controle conflitos fundiário.De todo modo. também 150 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . O País ainda convive com um quadro de acentuados conflitos fundiários pela propriedade e controle do território.

e) Ambiental: O modelo de uso e ocupação do território brasileiro tem se revelado ambientalmente insustentável. com forte desmatamento ao longo dos eixos de expansão da fronteira agropecuária. A Figura 07 apresenta os principais ecossistemas nacionais e a localização das unidades de conservação segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e a Figura 08 apresenta a delimitação no território das unidades de conservação e terras indígenas.entre os organismos governamentais em relação a destinação do território. Fonte: Documento base para a definição da PNOT (2006) 151 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Figura 07: Ecossistemas e Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

do podem domínios ser assim b) as ecológicos enumerados: apresentados Figura Cerrado. o problemas desmatamento que da afetam na Amazônia os e principais 09. d) os desabamentos na Serra do Mar e e) o desflorestamento dos últimos resquícios de Mata Atlântica.Figura 08: Unidades de Conservação e Terras Indígenas Fonte: Documento base para a definição da PNOT (2006) Os principias do a) País. ameaças de drenagem e de poluição do Pantanal. 152 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . c) a desertificação do Nordeste interior.

153 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .Figura 09: Limites e ameaças Fonte: (2006) Documento base para a definição da PNOT Já a Figura 10 sintetiza os o conjunto das situações do territoriais descritas apresentando principais motores desenvolvimento brasileiro.

o Brasil ingressou em um novo ciclo de crescimento econômico. planejamento governamental setorial 154 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .Figura 10: Motores do desenvolvimento. bem como em um processo de reconstrução período do Estado O Brasileiro. após o desmonte parcial do neoliberal. Fonte: Documento base para a definição da PNOT (2006) 6. Considerações Finais Nesta primeira década do século XXI.

territorial (PAS). sobretudo o agronegócio. Mas a inexistência no País é ainda de uma política de ordenamento com o papel territorial flagrantemente contraditória exercido de principal protagonista do projeto de integração sulamericana. tais como o PDRS da Área de Influência da rodovia BR163. em fase Macrozoneamento da Amazônia Legal e os planos de desenvolvimento regionais sustentáveis (PDRS) sub-regiões recepção de grandes projetos de infra-estrutura ou economicamente deprimidas. plano do portanto. intensificação da conquistando sua e transformando regiões acumulação. o PDRS do Arquipélago do Marajó. A gestão do território dialoga não apenas com as políticas de desenvolvimento urbano e regional. ou melhor. produzindo um conjunto variado de planos. o que tem implicado em um processo de maior integração econômica e a construção de infraestruturas compartilhadas sem o planejamento adequado do uso e da ocupação do território. elaboração diversos particularmente na região Amazônica: o Plano Amazônia Sustentável estratégico desenvolvimento para as macrorregional. deveria contribuir para o ordenamento territorial da América do Sul. com a de uma nova fase de no planejamento planos. o de País. o nosso país poderia. o PDRS do Xingu (área de influência da UHE de Belo Monte). o que recomenda uma presença efetiva do planejamento governamental.redescobriu o território. Aliado a experiências nacionais mais avançadas de ordenamento territorial. O gigantismo territorial brasileiro e a necessidade de desconcentração de riqueza e população exigem das políticas de ordenamento territorial uma vinculação com as políticas de planejamento regional. programas e projetos de médio e longo prazo com efetiva influência nos territórios demarcados em que incidem as suas políticas. mas também com todas aquelas políticas setoriais e macroeconômicas capazes de produzir efeitos territoriais importantes. 155 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Reconhece-se. o PDRS do Meio-Norte e o previsto PDRS do Sudoeste da Amazônia (área de influência das UHEs de Santo Antônio e de Jirau). como a da Venezuela. Sabe-se que o capital se movimenta para a aceleradamente.

vol. não há um debate nacional instaurado sobre a proposta da PNOT.0 5º Edição. 2004.es/geocrit/sn/sn-24566. Brasília: Ministério da Integração Nacional. 1 de agosto de 2007. A Política Nacional de Ordenamento Territorial. Antônio. Brasil. Brasília. 31-40.htm> RUCKERT. Brasília. MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL. RÜCKERT. Referências HOUAISS. está em flagrante respeito descompasso às com a conjuntura internacional avançadas de no que diz diversas experiências ordenamento territorial. 2006. MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL.ub. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. 2005 – p. 2005. não obstante já terem os Ministérios da Integração Nacional e da Defesa coordenado o processo de elaboração da Política Nacional de Ordenamento Territorial e encaminhado à Casa Civil da Presidência da República. Uma política territorial contemporânea em construção. <http://www. Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales. A. A. O retardamento da ação governamental no que se refere ao envio do projeto de lei ao Congresso Nacional. 245 (66).Dessa forma. 156 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . núm. 1. Scripta Nova. O processo de reforma do Estado e a política nacional de ordenamento territorial. In: Para pensar uma política nacional de ordenamento territorial. XI. Barcelona: Universidad de Barcelona. 7. Para pensar uma política nacional de ordenamento territorial. Documento base para a definição de uma política nacional de ordenamento territorial. Aldomar A.

a articulação e o desenvolvimento sustentável. das atividades econômicas. culturais e 157 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . contribuindo para a estabilidade e o desenvolvimento regionais. II – a promoção da qualidade de vida e de condições favoráveis ao desenvolvimento ambientais. diretrizes e estratégias estabelecidos nesta Lei.MINUTA DO PROJETO DE LEI. sociais. IV – fortalecer a integração do Brasil com os países sul-americanos. VI – orientar a racionalização. a ampliação e a modernização do sistema logístico físico do território brasileiro. 1º Fica instituída a Política Nacional de Ordenamento Territorial PNOT. com fundamento nos arts. princípios. valorizando as potencialidades econômicas e as diversidades sócio-culturais e ambientais do território nacional.ANEXO . 23 e 43 da Constituição. de acordo com os objetivos. visando à promoção e articulação de instrumentos de ordenamento do uso e ocupação racional e sustentável do Território Nacional. reduzindo as desigualdades regionais. com a preservação da integridade territorial. águas jurisdicionais e espaço aéreo. III – a integração e a coesão nacionais. VII – promover a justiça social e a redução de conflitos no uso e ocupação territorial. Dos Objetivos Art 2º A Política Nacional de Ordenamento Territorial visará os seguintes objetivos: I – a garantia da soberania. 21. propiciando o controle. do patrimônio e dos interesses nacionais. Institui a Política Nacional de Ordenamento Territorial e dá outras providências Art. V – fortalecer o Estado nas áreas de faixa de fronteira.

V – sustentabilidade sócio-ambiental. definem-se como: I – Território Nacional. nas diversas escalas. 4º A Política Nacional de Ordenamento Territorial observará os seguintes princípios: I – Soberania Nacional e integridade territorial. 1. 3º Para os efeitos desta Lei. culturais e político-institucionais. Plataforma Continental e Zona Econômica Exclusiva. sócio-econômicas. II – solidariedade intergeracional. para o ordenamento territorial instrumento estruturar intersetorial. Dos Princípios Art. e integrada cidades diversificados no território nacional. de maneira a valorizar as potencialidades econômicas. com extensões definidas de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. II – Política Nacional de Ordenamento Territorial.VIII como IX – – promover a de uma geração tomada rede e de integração decisão de e de de conhecimento articulação de portes multitemático. 158 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . promulgada pelo Decreto nº. IV – participação social na gestão do território. garantindo às gerações atual e futuras um território ordenado. ambientais e culturais locais e regionais. incluindo o Mar Territorial. de 22 de junho de 1995. Art. III – inclusão social e promoção da cidadania. sociais. a extensão geográfica sobre a qual o Estado exerce sua soberania.530. a política de Estado exercida e por de meio de um conjunto de ações entre políticoos entes administrativas planejamento concertadas federados para o uso sustentável dos recursos naturais e a adequada ocupação do território em função de suas características biofísicas.

potencialidades atendimento às distribuição energéticas necessidades das expansão infra-estrutura. e nas políticas públicas de uso e ocupação desenvolvimento melhor atividades 159 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . à geodiversidade e à diversidade cultural. mediante o incremento da acessibilidade. das A PNOT observará os à critérios segurança e condições do de áreas indispensáveis território estratégicos do País. interesses a conservação e a preservação.VI – cooperação e coordenação entre os entes da Federação. XI . VIII – Promover a articulação e cooperação entre os entes federados na gestão do ordenamento fundiário do patrimônio nacional. visando o acesso democrático. centrando no direito fundamental de acesso á terra com prioridade para as ações de reforma agrária. sem prejuízo das respectivas autonomia e competência. XIV . XII – Estimular a integração e a criação de infra-estrutura.Estimular a integração dos mercados intra e inter-regionais e nacional. X – Promover a interiorização da ocupação do território nacional. visando à desconcentração da propriedade da terra e seu uso sustentável. XII – Incorporar a dimensão ambiental nos processos de planejamento governamental territorial. dos equipamentos e dos serviços urbanos e sociais. o desenvolvimento atendendo os sustentável. a reestruturação e o redimensionamento dos sistemas de comunicação e estrutura de abastecimento.Promover a destinação ordenada dos espaços físicos em ambiente aquáticos. IX – Promover a destinação ordenada do estoque de terras públicas. e VII – respeito à biodiversidade. único. de das em e do uso otimizado da multie a de modalidade nos transportes. ambientais. seu patrimônio cultural e natural e as diferentes formas de organização social e produtiva. econômicos e sociais. XV Promover da da a do comercialização utilização País. Parágrafo utilização nacional. considerando a diversidade dos territórios.

vivência e uso do território. XXVI . § 1º.produtivas e de melhor aproveitamento das oportunidades e vocações regionais. XIX Valorizar as identidades territoriais. III.(art 91. XXI Considerar ações em que todos os planejamentos para o para o Ordenamento da Defesa Territorial Nacional. concorram fortalecimento Das Estratégias Art. tradicionais e regionais com respeito à diversidade. XXIII XXIV XXV Buscar Promover Promover o a o articulação com os das planos redes e de entre programas cidades cidades de de de ordenamento territorial dos países vizinhos. fortalecimento das centralidade média.Identificar as Áreas Indispensáveis à Segurança do Território Nacional. XVI . 5º A PNOT adotará as seguintes estratégias para implementar as suas diretrizes: 160 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . XVII . fortalecimento relações pequeno porte e os núcleos urbanos de apoio à área rural.Articular a PNOT e os Planos de Ordenamento Territorial a uma política nacional de desenvolvimento urbano de modo a promover a redução das desigualdades sócio-territoriais. XX . da CF).Garantir às populações locais o acesso ao conhecimento das potencialidades econômicas do território.Promover a geração de conhecimento do potencial em recursos naturais da biodiversidade e da geodiversidade em prol dos interesses nacionais.Estimular o planejamento e a gestão integrados das áreas metropolitanas e das grandes aglomerações urbanas. articulando bens e serviços já existentes e a implementação dos que se fizerem necessários. XVIII – Garantir os interesses das populações socialmente vulneráveis e dos povos e comunidades tradicionais nos processos de ocupação. XXII .

bem como seu planejamento e gestão 161 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . e) Observar os princípios e as diretrizes da PNOT nas decisões de investimento dos acordos firmados pelo Brasil para a integração sul – americana. ambiental e territorial. organizacional.I – Na dimensão político-institucional: a) Promover múltiplos a articulação atores e institucional instâncias e a negociação de entre a decisórias. social.Na dimensão urbana: a) Articular a rede urbana pela dinamização das cidades de centralidade média. de forma a cumprimento desta descentralização administrativa e o controle social. III . a cooperação com os países vizinhos na gestão de áreas contíguas. II . d) Estimular. conformidade diretrizes desta Lei. b) Estimular a articulação de consórcios municipais para promover políticas integradas de ordenamento territorial. institucional e político ao desenvolvimento rural. b) Promover a adequação e a racionalização das diversas fontes de financiamento ordenamento Promover garantir a o do de políticas públicas que em incidam sobre com o as o a território nacional. de diferentes integrados. e b) Fomentar alternativas tecnológicas e estratégias territoriais de suporte social. Estado. política. econômico. o setor produtivo e a sociedade civil. e c) Promover o fortalecimento de redes equilibradas de cidades. portes.Na dimensão rural: a) Garantir políticas públicas de suporte ao desenvolvimento rural com enfoque nas dimensões da sustentabilidade: econômica. c) gestão territorial das participativa diretrizes envolvendo Lei. no âmbito do ordenamento territorial. modo compatibilizar interesses e reduzir conflitos na ocupação e no uso do território e de seus recursos. cultural.

remanescentes quilombos. regiões deprimidas e estagnadas. terras indígenas. tais como linhas de crédito especiais e incentivos fiscais.unidades de conservação e áreas com potencial minero-energético. considerando as territórios potencialidades locais e a rigidez locacional. priorizando as regiões deprimidas e estagnadas. terras arrecadadas. V – Na dimensão fundiária: a) Estabelecer critérios e prioridades para o tratamento de conflitos reforma do uso em terras públicas destinadas à colonização de e agrária. e) Apoiar e o fortalecimento e a disseminação priorizando de as ações de qualificação capacitação profissional. c) em Priorizar o desenvolvimento das atividades econômicas economicamente deprimidos. b) Considerar como áreas prioritárias para a implantação de políticas públicas de reforma e reordenamento agrário das terras públicas com ecossistema alterado. compatibilizandoos com as necessidades econômicas do país e com o desenvolvimento socioeconômico das populações impactadas por esta destinação. agrária. destinando-as regularização prioritariamente fundiária comunidades tradicionais. e) Realizar o ordenamento das fundiário para fins das de locais terras reforma e públicas.IV – Na dimensão econômica: a) pesquisa Apoiar e o fortalecimento e a e disseminação de inovação de pólos de desenvolvimento (P&D) tecnológica. 162 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . d) Promover a articulação e criação de instrumentos econômicos de apoio à desconcentração territorial da atividade produtiva. modelos desenvolvimento sustentável para destinação e/ou preservação das áreas florestadas. c) d) Articular Adotar a gestão de fundiária na Amazônia Legal com os sistemas de monitoramento. b) Estimular investimentos em arranjos e cadeias produtivas determinantes para o desenvolvimento sustentável de regiões menos dinâmicas. proteção e vigilância.

armazenagem e redes de informação. em suas diferentes escalas. f) fomentar a utilização de geotecnologias de forma integrada para atender as necessidades de ordenamento fundiário do País e aos interesses da soberania e da segurança nacionais. mineração. integração infra-estruturas transporte. a melhoria e a ampliação d) e) da infra-estrutura a a do País. preservação de áreas florestadas. b) Apoiar a preservação de memória e do patrimônio históricocultural. comunicações. sistema excelência logístico e a território brasileiro. dos as observando recursos políticas as políticas da de setoriais. VII – Na dimensão da infra-estrutura a) Construir que e mecanismos incorporem integrar visando a o intergovernamental b) Aprimorar de e logística: de as coordenação diretrizes da intra PNOT físico e no do das planejamento e nas decisões dos investimentos em infra-estrutura. e os objetivos da PNOT. unidades de conservação. a economicidade. e defesa e de mobilização nacional para o desenvolvimento da infraestrutura e logística nacional. 163 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .reconhecimento de áreas indígenas. Garantir Promover identificação articulação entre naturais setoriais biodiversidade e da geodiversidade. VI – Na dimensão ambiental: a) Articular a Política Nacional de Ordenamento Territorial com os instrumentos de política ambiental e de uso e ocupação do território. remanescentes de quilombos. energia. VIII – Na dimensão sócio-cultural: a) Proceder a ações de ordenamento territorial compatíveis com os direitos das populações vulneráveis e dos povos e comunidades tradicionais aos processos de ocupação e uso do território. c) Estimular a eficiência. ambientes aquáticos e exploração minero-energético.

IX – Na dimensão da defesa e das relações internacionais: a) Aprimorar a vigilância. e garantir. em relação à destinação do território. visando. e) Aprimorar e integrar o sistema de gestão das terras do patrimônio fundiário da União na Amazônia ao Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM). aérea e fluvial. c) Aumentar a presença do Estado na Amazônia brasileira e águas jurisdicionais brasileiras. h) Integrar os esforços governamentais. ao desenvolvimento e à vivificação da faixa de fronteira. estadual e municipal. o controle e a defesa das fronteiras. f) Complementar e manter atualizado o mapeamento topográfico terrestre e náutico do território nacional. a plena capacidade do Estado brasileiro em regulamentar a questão. com apoio da sociedade. b) Cooperar com outros paises no desenvolvimento e na prestação de serviços relacionados à vigilância e à navegação marítima. nos acordos internacionais. das águas jurisdicionais e do espaço aéreo do Brasil. g) Garantir a implantação de instalações militares em áreas públicas do Território Nacional no interesse da Defesa Nacional. reduzindo conflitos de competência nos âmbitos federal. i) Estimular a adequação da legislação sobre a aquisição de terras por estrangeiros aos interesses da Segurança do Território Nacional e às prioridades de desenvolvimento do País. 164 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . em especial. por meio da integração das ações dos diversos órgãos governamentais envolvidos.c) Apoiar iniciativas de acesso ao conhecimento das potencialidades locais do território às populações vulneráveis e aos povos e comunidades tradicionais. j) Estimular o uso e a ocupação da faixa de fronteira. bem como o desenvolvimento de atividades econômicas de forma sustentável nessas áreas. d) Implementar ações para desenvolver e integrar as regiões norte e centro-oeste.

21. 25 da Constituição. e III – na escala municipal. II – na escala estadual. dos Estados. planos nacional. determinada pelo art.Da Coordenação das Competências Art. 30 e 182 da Constituição. em e do Distrito Federal de suas respectivas escalas. serão elaborados regionais. IX da Constituição. além da que constar em lei federal. bem Estaduais como e do Distrito Ordenamento Territorial. Art. os estaduais quais. pelo exercício da competência da União para elaborar e executar planos nacional e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social. pelo exercício da competência dos Estados determinada pelo art. além da que constar em lei federal. 8º O SISNOT será composto por órgãos e entidades da União. deverão ser apreciados pelos Conselhos do SISNOT. pelos colegiados 165 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . 7º Fica criado o Sistema Nacional de Ordenamento Territorial – SISNOT com o objetivo de promover a coordenação e a articulação institucional das políticas públicas setoriais e dos instrumentos de regulação com relevante impacto territorial operados pelos entes federados. do DF e dos Municípios com competências relativas ao ordenamento territorial Federal de e pelos Conselhos Nacional. ordenamento Para a implementação da PNOT. Parágrafo Único. Do Sistema Nacional de Ordenamento Territorial Art. 6º As competências para a definição de estratégias de ordenamento territorial serão coordenadas na implementação da PNOT a partir das seguintes escalas: I – na escala nacional e regional. territorial. pelo exercício da competência dos Municípios determinada pelos arts.

e VII – propor diretrizes para a implementação dos planos nacional e regionais de ordenamento territorial. 12º Compete ao CNOT: 166 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . 11º Os Estados e o Distrito Federal deverão constituir conselhos estaduais e distrital de ordenamento territorial. A participação nos Conselhos de que trata o caput será considerada prestação de serviço de relevante interesse público e não será remunerada. O regulamento disporá sobre a composição e a forma de indicação e nomeação dos representantes. II III – – representantes representantes indicados de pelos Conselhos das Estaduais e do e Distrito Federal de Ordenamento Territorial. VI – analisar e sugerir propostas de alteração da legislação pertinente ao ordenamento territorial. A Secretaria Executiva do CNOT será exercida pelo Ministério da Integração Nacional. facultado a estes entes estabelecer sua composição e competências. Parágrafo único.municipais destinados a definir a política de expansão e do desenvolvimento urbano. Art. entidades classes patronal trabalhadora e demais organizações da sociedade civil. integrado pelos seguintes membros: I – representantes dos Ministérios e Secretarias da Presidência da República com atuação no ordenamento territorial. Parágrafo único. Parágrafo único. aplicação de seus instrumentos e atuação do SISNOT. 9º Fica criado no âmbito do Ministério da Integração Nacional o Conselho Nacional de Ordenamento Territorial – CNOT. Art. Art.

programas e fundos públicos.I – assessorar os órgãos da união com atribuição de elaborar e executar planos nacional e regionais de ordenamento territorial nas questões que lhe forem demandadas.valendo) Articular a rede urbana a partir das diretrizes e princípios de uma política nacional de desenvolvimento urbano. III – promover a articulação com vistas os e à compatibilização elaboração de e das políticas dos do públicas IV – setoriais. 13º • A PNOT será implementada por meio da articulação institucional dos instrumentos territoriais técnicos de e regulação. fiscais. estaduais. político-institucionais. operados pelos órgãos federais. regionais. do DF e municipais. econômicos. II – apreciar os planos nacional. Os Conselhos do SISNOT. 167 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . implementação e ocupação planos nacional e regionais de ordenamento territorial. compreendendo políticas. (levar para o final do PL . manifestar-se da união com sobre conflitos de uso e território que lhe forem demandados e encaminhar sua apreciação aos órgãos atribuição elaborar executar planos nacionais e regionais de ordenamento territorial. Dos Instrumentos da PNOT Art. Parágrafo único. financeiros. • quando da elaboração ou revisão destes pelos municípios. (valendo. estaduais e distrital de ordenamento territorial e sugerir propostas de alteração ao órgão competente. para efeito de subsidiar a elaboração dos planos territoriais de sua competência. planos. • Articular os planos de ordenamento territorial e os planos diretores. V – apreciar e manifestar-se sobre as questões que lhe tenham sido encaminhadas pelos Conselhos Estaduais e do Distrito Federal de Ordenamento Territorial. desde que exista a PNDU – juntar com o anterior – final do PL). levarão em consideração os planos setoriais com impacto territorial.

lançada em 1959. PDEN. 10). e sua iniciativa 168 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . este estudo concluiu que as políticas públicas federais para o desenvolvimento regional têm uma conformação diferenciada ao longo do tempo. analisar o terceira planos. O estudo conclui que a Fase Nacional-Desenvolvimentista ocorreu do Pós-Guerra (1945) até o Golpe Militar (1964). relevantes das políticas públicas federais de desenvolvimento regional dessas quatro Fases identificadas. Neoliberal artigo irá apresentar e aspectos Desenvolvimentista-Militar. p.Cinquenta anos de Políticas Públicas Federais de Desenvolvimento Regional no Brasil Kelson Vieira Senra Este estudo tem como referência inicial o entendimento de Diniz e Crocco segundo o qual há pelo menos três gerações distintas de políticas neoliberal e regionais uma no Brasil: geração que Ao desenvolvimentista. A Fase Neoliberal é caracterizada principalmente pelas medidas ortodoxas adotadas após a Constituição Federal de 1988. quadro institucional. programas. o que confere cinquenta anos de história para este tipo de política no país. é o elemento mais marcante desse período. A Política de Desenvolvimento Econômico do Nordeste. o que leva ao reconhecimento da existência de quatro fases distintas: Este Nacional-Desenvolvimentista. são as iniciativas de maior destaque desse período. Neodesenvolvimentista. investimentos e resultados de várias iniciativas do Governo Federal. ocorreria nos anos 2000 (DINIZ & CROCCO. A Fase DesenvolvimentistaMilitar se estendeu de 1964 até meados da década de 1980 e considera-se que os planos regionais. desde o Pós–Guerra (1945) até o ano de 2009. inseridos nos Planos Nacionais de Desenvolvimento. PNDs. A PDEN é também considerada o marco inicial da política pública regional no Brasil. 2006. da década de 1970.

o Governo Federal manteve uma relativa autonomia para a SUDENE ao mesmo tempo gestão em que das organizava políticas uma de estrutura centralizada para a desenvolvimento regional. lançados em que 1996. posto que algumas “características” de uma Fase podem “aparecer” pontualmente em outra. A Política Nacional de Desenvolvimento Regional. por exemplo. fiscais ao dos fundos tempo em FINOR que e FINAM. FIGURA 01 É importante frisar que as quatro Fases não têm fronteiras e paradigmas rígidos.mais relevante é o programa dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento. lançada em 2003. apesar das suas limitações (FIGURA 01). No final da década de 1990 e mesmo criava Ministério da Integração Nacional com a missão de investir no 169 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . A Fase ações Neodesenvolvimentista ocorre a partir dos anos 2000. característica da Fase Desenvolvimentista-Militar. Na década de 1980. a União reduziu investimentos públicos. mas manteve a política início de dos benefícios anos 2000. lançadas ENIDs. Nos anos de 1960. mesclaram neoliberais e desenvolvimentistas. o criados no período anterior. é apontada como ponto de referência da Fase Neodesenvolvimentista. Os elementos analisados indicam que ocorreram períodos de transição entre as diferentes Fases. quando foram medidas contraditórias. embora a tônica do período fosse a maior participação do Estado.

1994. 170 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . mas com um grande contexto impacto regional. pode-se afirmar que as políticas de desenvolvimento regional tiveram pelo menos dois grandes objetivos: a diminuição das desigualdades regionais (econômicas e sociais) e a promoção da ocupação do território ocorreram nacional. inspirada na teoria da Regional Science americana. No que se refere ao desenvolvimento regional. sob coordenação do economista Celso Furtado. do de em 1959. ou como parte de um projeto de âmbito nacional. planos.desenvolvimento regional. políticas implícitas. da do Política elaborada Desenvolvimento Grupo Econômico Trabalho Nordeste (PDEN). sob responsabilidade de órgãos públicos setoriais. com participação do BNB e do BNDE. Segundo o IPEA (1972a. são da apresentados. sócio-econômico. o que melhor caracteriza o início dessa fase para o desenvolvimento de pelo regional de foi o lançamento. Desenvolvimento Nordeste (GTDN). a proposta enviada de ao criação do Banco do Brasil (BNB) Congresso Nacional. principais iniciativas e resultados de cada fase identificada no estudo. visando o desenvolvimento regional. A seguir. transformadas em agências de desenvolvimento. Nordeste já do em 1952. programas e ações específicos. também instituições. contando com medidas indiretas. o Governo Federal extinguiu a SUDAM e a SUDENE. 52). defendia que a solução dos problemas sociais e econômicos do Nordeste se desse “à luz da moderna técnica do planejamento regional”. referências política regional. políticas Durante regionais mas os últimos cinquenta contando anos com explícitas. p. p. Fase Nacional-Desenvolvimentista Alguns autores entendem que se vivia nos anos Pós-Guerra (1945-1964) uma “fase de mudança do padrão de desenvolvimento” (CARVALHO. Ao longo de todos os períodos estudados. No entanto.

sem uma coordenação centralizada. considerando políticas explícitas e implícitas de desenvolvimento regional. autores desenvolvimentistas defenderam a intervenção do Estado na economia e no processo de desenvolvimento nacional e regional. b) a formulação e a tentativa de implantação da primeira política de desenvolvimento regional para a Região Nordeste. da problemática nordestina”. Na visão de desenvolvimento subdesenvolvimento estão inter-relacionados em centro-periferia. Na Fase do Nacional Desenvolvimentismo. foram marcas significativas: a) a criação de um conjunto de instituições de desenvolvimento regional. a exemplo da Superintendência para do Desenvolvimento do Nordeste. espacialmente regiões. dentro da economia brasileira. tomando parte de um único sistema econômico mundial. público sistema o de era necessário prevaleceu para Para e e ampliar o a entendimento de que o Estado deveria intervir na economia e investimento do demanda nos períodos de desaquecimento econômico e garantir o equilíbrio ocorre capitalista. riqueza econômicas acentuaria concentração diferenças e sociais. efeitos acumulativos e disparidades econômicas entre regiões e países. de desigual população autores econômico em e as desenvolvimentistas. Nesta que o Fase Nacional-Desenvolvimentista. afirmou que uma “causação geraria (1949). Para reverter esse processo. e c) a criação de para mecanismos promover de a benefícios tributários creditícios industrialização da Região Nordeste (estes instrumentos viriam 171 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . acarretando determinadas circular” Prebisch processo maneira de acentuando crescimento desequilibrada. por exemplo. Myrdal (1954).15) “tratou-se da primeira iniciativa consistente de inspecionar o caráter especial.

A ação estatal. Sudeste. nos vales úmidos do Maranhão e Goiás dever-se-ia promover uma colonização capaz de receber população migrante da área semiárida. maneira instituições sob uma coordenada. principalmente Brasília. chamado de nacional “tripé internacional. plataforma no Governo d) e) a e a realização construção no uma entanto. quando se estabeleceu parceria Estatal. em articulação com os estados. pois seria amplamente adotada nos anos seguintes. promover Vale a destacar a articulação e a de propostas de um para diferentes parcelas do território: na Zona Costeira dever-seindustrialização criação centro manufatureiro autônomo para gerar emprego em massa.a ser amplamente de de utilizados nas décadas em na seguintes). e do investimentos na Região Centro-Oeste do país. única orientação. no SemiÁrido caber-se-ia aumentar a produtividade da agropecuária. pesados investimentos criando infraestrutura industrialização. Outras articulações foram lançadas: os investimentos diretos da União do seriam em infraestrutura privado em econômica e os investimentos públicos atuar de capital As industrialização. desenvolvimento”. A criação de mecanismos de isenções tributárias e benefícios creditícios é uma experiência que também merece ser destacada. A Política para Desenvolvimento Econômico do Nordeste (PDEN) ganhou destaque por trazer a primeira proposição de um plano de ação abrangente para o desenvolvimento de uma região do ia Brasil. Região uma apenas para JK. públicas deveriam do incentivado por meio de isenção tributária e financiamentos diferenciados. e os trabalhos deveriam se apoiar em Planos de Desenvolvimento Regional. Governo Federal. 172 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . ocorreu entre formando acentuadamente os o capitais que foi durante a execução do Programa de Metas.

esbarrou em várias dificuldades. 173 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Nesse contexto de poucos resultados. Expansão “o mercado não se nacional deu subjugação da Região ao poder econômico instalado no Centroconta inexistência da oportunidade histórica para a criação de um Centro Autônomo Manufatureira Regional” (CANO. e centralizada a na SUDENE. 25).Os resultados do Plano de Ação do GTDN foram limitados. p. o sistema rodoviário implantado por JK integrou esta região e lançou vias de penetração na direção ao oeste. A articulação ocorreu. A modernização da agropecuária do semi-árido encontrou resistências ao se deparar com uma estrutura agrária tradicional baseada no conservadorismo dos latifundiários. apesar de não tratar explicitamente da questão regional. A construção de Brasília possibilitou a formação de um nódulo de articulação. conseguiu que também impor não aos pois órgãos Superintendência estados não hegemonia pretendia inicialmente. A criação de um centro da com de industrial do GTDN no Nordeste mostrou-se e da da inviável Sul. Apesar de ter concentrado investimentos e urbanização na região Centro-Sul. A SUDENE. que. lançando novas possibilidades para a ocupação do território nacional. 1981. O desenvolvimentismo utilizadas pelos de JK construiu na as bases que seriam do militares fase seguinte. criada com a missão de implantar os Planos Diretores de Desenvolvimento Regional. outros das a ações. a exceção para o desenvolvimento regional ocorreu com os desdobramentos do Programa de Metas de Juscelino Kubitscheck. De diante acordo integração Cano. Desenvolvimentismo-Militar. norte e nordeste do território nacional. teve grande impacto na ocupação do território. uma plataforma para exploração das Regiões Centro-Oeste e Norte do País.

na economia que e no promoveu forte desenvolvimento regional. 1992). 2006. p.Fase Desenvolvimentista-Militar Na Fase Desenvolvimentista-Militar. até meados da década de 1980. que significaram o maior esforço de planejamento e investimento público ocorrido desde o Plano de Metas de JK (BECKER. A manobra geopolítica para integração do território nacional presidiu a estratégia espacial – das políticas regionais. o país continuou governado por uma ideologia participação de do perfil Estado Keynesiano. A Teoria dos Polos de Crescimento (1949). A concepção da ESG previa: “1 articular firmemente a base ecumênica de nossa projeção continental. de 1964. A característica desenvolvimentista pode ser notada no elevado volume de investimentos públicos. ano do Golpe Militar no Brasil. A participação do Governo Federal no desenvolvimento regional pode ser observada nos Planos Regionais de Desenvolvimento. 2 – impulsionar o avanço para noroeste da onda colonizadora. que alcançou 10% do PIB em 1970. inseridos nos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PNDs). de François Perroux. entende O que o Estado e pode o indústrias motrizes foi também apoiar desenvolvimento desenvolvimento regional fortemente Desenvolvimentista-Militar orientado pelo pensamento da Escola Superior de Guerra (ESG).8% do PIB em 1980 (MONTEIRO NETO. em particular o I e o II PND. passou para 11. ligando o Nordeste e o Sul ao Núcleo central do país. a partir da plataforma central. quando foi instalada a Nova República. 24). foi muito influente na Fase DesenvolvimentistaMilitar. 174 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Na visão do autor. instalação de uma Perroux de região.9% do PIB em 1975 e cresceu para 12. há indústrias motrizes que geram ondas de inovações. são capazes de mobilizar outras indústrias secundárias e outros setores da economia e podem promover a dinamização estimular dessa Fase a regional.

1981.46). no que se refere às políticas implícitas. b) valorização do planejamento brasileiras investimentos território estatal. a coberto dos nódulos fronteiriços.de modo a integrar a península Centro-Oeste no todo ecumênico brasileiro. diminuição de das a) desenvolvimento à ocupação de do uma desigualdades criação regional. p. abrangendo todo o país. fortemente centralizada no Governo Federal. a partir de uma base avançada no Centro-Oeste e em ação coordenada com a progressão E-O. FIGURA 2 Na Fase do Desenvolvimentismo-Militar. seguindo o eixo do grande rio” (SILVA. programas Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . explícitas nacional foram e e à visando marcas significativas: institucional dedicada ao desenvolvimento regional. 1981. Golberi. 46 nacional. p. 3 – inundar de civilização a Hiléia Amazônica. território estrutura regionais. como em escala considerando principal associados de as atuação a macrorregiões c) pesados do de 175 ocupação infraestrutura econômica para Fonte: Couto e Silva.

MINTER (1968). produção agrícola e mineração. restringiu o papel desses órgãos regionais. cabe mencionar que o próprio MINTER relata a sua garantir “integrada” regional. marca essa fase a criação de Superintendências de Desenvolvimento Regional para as cinco macrorregiões. envolvendo outros Ministérios. No fim dos anos 1960. p. em de acordo Apesar atuação de com toda os parâmetros estabelecidos dificuldade em Brasília. a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste do Nordeste baseou sua atuação em Planos suas Diretores que a promoveram tinha pesados um no investimentos em infraestrutura. e utilização em larga escala de políticas de incentivos fiscais e tributários. sob A coordenação ênfase do Ministério pelo do Interior Militar – à conferida Governo centralização institucional. Os Planos Nacionais de Desenvolvimento (PNDs) foram o principal instrumento de planejamento estatal do período.industrialização. estados e municípios. Região desenvolvimento manteve inalterada interesses modernização estritamente fundiária da militar. no início das atividades. e polos agrícola-minerais para o 176 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . a centralização da política promovida. a atividade mais importante da SUDENE era a seleção de projetos para receber benefícios tributários. teve a dos A perfil grandes baseado projeto período e conservador. no entanto. regional. baseados nos investimentos de empresas estatais. O I PND colocou a proposta de polos regionais agrícola-industrial para o Sul e o Nordeste. Quando criada. Segundo Carvalho (1994. 52). “reformista”. d) criação de polos industriais e agrícolas. Do ponto de vista institucional. solidificou estrutura proprietários de terra. uma vez que a submissão das instituições públicas a um projeto centralizado encontrou resistências de tecnocratas e lideranças políticas. num do SUDENE de caráter entanto.

a fim de obter economia de escala para os investimentos públicos. e também lançou a ideia dos “eixos naturais de penetração” para regiões da Amazônia e Centro-Oeste. foi amplamente criticada. Os Programas PIN e PROTERRA foram muito questionados e fracassaram nas suas intenções. criados ao longo de 1970/71. à época dos PNDs “foram dados os primeiros passos para a montagem de um sistema nacional de planejamento”. entre as quais se ressalta a construção das rodovias Transamazônica e CuiabáSantarém. 49). p. de levar “homens sem terra” para uma “terra sem homens”. ponto vista institucional. 25% para o Ministério do Interior (projetos de irrigação) e o restante para projetos de colonização. Entre 1972 e 1974.Norte e o Planalto Central. Têxteis-confecções Couros-calçados. objetivando a ocupação de áreas selecionadas. 47% dos recursos do PIN foram destinados ao Ministério do Transporte. o plano de irrigação de 40 mil ha no Nordeste e a implantação de corredores de transporte. propôs concentrar recursos públicos em Áreas Integradas e Polos e e Industriais. O II PND adotou como estratégia a ação concentrada do Governo Federal em Áreas Integradas. até por ex-ministros 177 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . incluído no II PND. projetos de colonização. O Programa de Redistribuição de Terras e de Estímulo à Agroindústria (PROTERRA) visou apoiar o pequeno produtor desprovido de terra e o pequeno proprietário. a O Plano de projeta Polos de a de elevação dos investimentos federais em Programas Especiais e Incentivos Fiscais. segundo Carvalho (1973. O Programa de Integração Nacional (PIN) abrangeu várias iniciativas. 1972-1974. Fertilizantes. O Plano de Desenvolvimento do Nordeste. A proposta de construção da Transamazônica. foram importantes instrumentos dos PNDs. Os Programas Especiais. entre outros. com o apoio da aplicação de ciência e tecnologia. Metal-Mecânico e Eletro-Mecânico. apoia implantação Do Petroquímica.

Em meados mais da década de pela 1970 também foram lançados durante a programas especiais para promover “polos de desenvolvimento”. d) desenvolvimento financiamento de da agropecuária (EMBRAPA. Os polos industriais. promoção de industrialização (SUDECO. pesquisa e) e frigoríficos (BNDES. Segundo Abreu (2000). 27%). Houve ênfase na implantação de grandes complexos de base. f) 10%). Siderúrgico do 178 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . se basearam principalmente nos investimentos das empresas estatais. Cloroquímico de Alagoas. os p. como o Complexo Petroquímico de Camaçari (Bahia). com repercussões Norte e (ABREU. espaciais” no implantou 2000. estratégia utilizada política regional Fase Desenvolvimentista-Militar. adotou cinco linhas de ação. b) energia (Companhia Energética do Mato Grosso. tendo conseguido assentar somente cerca de 6 mil famílias. Nas cumpriu o papel de promover ”a valorização do capital. tendo sido promovida uma distribuição espacial dos principais projetos. principalmente e centralização. basicamente com recursos Federais: a) transporte (Ministério dos Transportes. Regiões de Nordeste. por uma série de razões. programas especiais desenvolvimento da agropecuária não foram capazes de alcançar bons resultados socioeconômicos. que adquiriram uma dimensão regional. 17%). por exemplo. O Programa Especial de Desenvolvimento do Pantanal – PRODEPAN. c) saneamento ambiental (DNOCS. 2%). como Roberto Campos. Já o PROTERRA. que afirmou tratar-se da união da “miséria da caatinga” com a “miséria da selva”. fracassou na proposta de promover a colonização rural. por sua vez. infraestrutura 14). entanto. o PRODEPAN devido a demonstrou sua ineficiência mas de gestão. Os polos criados na Região Centro-Oeste foram os que alcançaram os melhores resultados.aliados dos Militares. Industrial e Portuário de Suape (PE). 6%). 36% do total dos recursos). Note-se a pequena participação do organismo regional.

o benefício foi posteriormente estendido à Amazônia (1963) e ao Espírito Santo (1969) e às e atividades setoriais como pesca Segundo (1967). com 1. p. Industrial de Base de Sergipe. O FINOR movimentou uma média de US$ 260 milhões por ano de 1975 a 1980. até o final de 1971. e haviam sido para aprovados o NE. que somavam 568 iniciativas. para US$ 320 milhões em 1969. e o FINAM alocou cerca de US$ 100 milhões por ano no mesmo período. Nabuco turismo. Agroindustrial do Médio São Francisco (Petrolina/Juazeiro) (ALMEIDA. os 13% ao de Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal. Na época do funcionamento Fundos Investimentos do Nordeste (FINOR). p. 13). De acordo com o IPEA (1972b. 16% à SUDAM. Entre 1972 e 1974. os investimentos oriundos do Esquema 34/18 para o Nordeste passaram de US$ 32 milhões. estavam 1974. 2004). principalmente no Nordeste. Outro ponto de destaque da política regional do período foram I e os II incentivos Planos fiscais da e creditícios o para a industrialização e projetos agropecuários. (2007. o que contou com benefícios tributários e creditícios além de pesados 179 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . 69).Maranhão. e da Amazônia (FINAM). beneficiando principalmente a Zona Franca de Manaus (AM). em 1962. Um dos pontos mais relevantes é a formação de polos industriais na periferia do País. (1968). vinculados entraram à em SUDENE. Criados à época do Diretores SUDENE.339 projetos para industriais agropecuários destaque projetos de bovinocultura. reflorestamento (1968). Inicialmente restrito à indústria e ao Nordeste. cerca de 40% do total de recursos dos incentivos fiscais II PND. Cabe sublinhar que os resultados das políticas de desenvolvimento regional dessa Fase são controversos. Esquema 34/18 possibilitou às empresas o re-investimento de 50% do Imposto de Renda em projetos considerados prioritários para a região.

1992. Região Da mesma forma. redemocratização controlada país. quando assume a Nova República e são aprofundadas medidas de cunho neoliberal. ainda sob a condução do Regime Militar. do NE. para 6. 1992. o tipo de indústria que se instalou no Nordeste com subsídios dos incentivos fiscais pouco tinha a ver com a população da região.investimentos das empresas estatais. o Governo Federal tratou e de promover a “alternância – e controlada e um entre – de sob centralização apud BECKER. integração economia nacional. Na década de 1980. por também vez. desconcentrar recursos e conjugar esforços de todas as esferas de governo e da iniciativa privada na promoção do desenvolvimento regional. p. os programas Os das grandes dirigidos projetos para Centro-Oeste. 180 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . sua planejados “de cima para baixo”. Os projetos de aproveitamento florestal e agropecuários. O investimento público caiu da faixa dos 12%. 148). No entendimento de Becker. 1981. PND.7%. no entanto. 25). no entanto. controle dos militares. “o sistema federal de incentivos ficais promoveu de fato uma transferência de capitais para a periferia” (BECKER. 229). em 1980. afirmou a necessidade de fortalecer estados. descentralização p. ressalta-se a instalação da Zona Franca de Manaus. em 1985. a exemplo da Transamazônica e políticas rural acabaram fracasso. municípios e órgãos regionais. p. do sístoles liderou O III diástoles processo ainda condição essencial da sobrevivência do Estado” (SILVA. 1981. No caso da política de incentivos fiscais e creditícios dirigida para a Região Norte. promoveram a degradação ambiental e a concentração fundiária para de a na a Região. em causaram degradação ambiental e desigualdade sócio-econômica. Para Cano. seguindo a orientação da Escola Superior de Guerra. e não contribuiu para solucionar o problema do desemprego (CANO.

Durante a Nova República. Fernando políticas mercado Nacionais política período.Fase Neoliberal A partir da década de 1980. regional objetivo considerada relevante desenvolvimento principal conectar espaços produtivos nacionais aos mercados internacionais. Cardoso. o Brasil adotou políticas para reduzir as despesas do Estado. a crescimento produtividade em 1994. sustentado e no a assume que deveria à a fomento capacidade da estabilidade o sua de aumento inserção que o sete Presidência República Henrique priorizou a moeda e a desestatização da economia. As idéias neoliberais tiveram origem no Pós-Guerra com a publicação Hayek. Para Collor. públicas. um se processo aprofundou foram de degradação o órgãos apoiar das como no de da da no instituições Collor. 1996/1999 de de que Integração teve como Plano Eixos a do introduziu Desenvolvimento. que de O Caminho a da Servidão de (1944). considerando indesejável a participação do Estado na expansão das atividades econômicas. O receituário 181 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Teóricos como Milton Friedman se posicionaram contra o Keynesianismo. retomada aumento inovação. eleito do da Já teve em início que 1989. políticas países desenvolvimento neoliberais. SUDESUL e o Ministério do Interior.5%. durante Governo quando extintos se SUDECO. Numa década em que o PIB subiu apenas 1. promover a liberação da economia e ampliar as exportações para o pagamento da dívida externa. bem como a concepção de Estado de BemEstar. o mundo viveu um acelerado processo induzindo de internacionalização em do a capital adotarem financeiro. de 1985 a 1989. de Friedrich econômico combateu idéia planejamento realizado pelo Estado. FHC também enfatizou públicas das destinadas empresas Foi e promover e contexto proposta mais competitividade Plurianual nacionais nesse a internacional.

Liberalização comercial. o chamado “modelo de acumulação flexível” (HARVEY. Na Fase Neoliberal. Garantia do direito de propriedade. baseados na cooperação de diferentes agentes sociais e na construção de ambientes de solidariedade. No entendimento de Harvey. 6. a assimetria do poder significado medida em especial que a desenvolvimento da tecnologia regional revolução possibilitou uma conexão direta e imediata do global com o local. 1996. 8. 10. 3. 2. 9. p. Disciplina fiscal. 140). 5. no marco de um projeto coletivo de desenvolvimento (BOISIER. marcas das significativas: desvalorização instituições tradicionais do desenvolvimento regional.Unificação da taxa de câmbio. território ou explícitas nacional foram e e à implícitas. um conjunto de idéias resumidas no decálogo: 1. o desenvolvimento endógeno é resultado de uma forte articulação de atores locais e variados capitais intangíveis. p. 45).Privatização. Nesse momento. b) a redução dos incentivos fiscais e tributários como instrumento 182 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .Priorização dos gastos públicos. diminuição desigualdades extinção regionais. 4. global assumiu na tecnológicos o comunicação e transporte. nesse período surgiu um novo regime de acumulação capitalista. cabendo apoiar processos de desenvolvimento local. Boiser avaliou que os territórios foram valorizados. Essa cartilha orientou a política brasileira na Fase Neoliberal. Nesse contexto.Reforma fiscal.Liberalização do financiamento.Abolição das barreiras ao investimento externo. no que se refere às políticas federais de desenvolvimento visando das a) à a regional ocupação no do Brasil.Desregulamentação.neoliberal foi consolidado no chamado Consenso de Washington. Para o autor. 2000. determinando principalmente uma série de medidas macroeconômicas. 7. A Fase Neoliberal apoiado também pelos é marcada avanços para pelo processo de de globalização.

Há que se recordar também a acirrada “guerra fiscal” promovida pelos governos estaduais nos anos 1990. FNO e FCO para aplicações pequenas empresas e para o setor rural que. com o intuito de atrair investimentos internacionais para os seus territórios. período. no período de 1995 183 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . revisão micro em da -. por sua vez. Na Fase Neoliberal também foi valorizado o processo de descentralização de políticas sociais. Nesse período também foram adotadas políticas macro-econômicas. que possibilitou. De 1995 a 1997. como saúde e educação. e) o apoio às iniciativas de desenvolvimento local. o que provocou Nesse criados uma série com as a de iniciativas também suas de renúncia uma fiscal. em particular a estabilização da moeda. que eram majoritariamente dirigidas para a Zona Franca de Manaus (40% do total). as instituições tradicionais do campo do desenvolvimento regional – SUDAM e SUDENE tiveram seu escopo de atuação extremamente reduzido. estabelecidas na Constituição Federal de 1988. a estabilização da renda para a população mais pobre.do desenvolvimento regional. c) programa dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento. sofreram cortes nos seus orçamentos e nos salários dos servidores. e contradição diretrizes União macroeconômicas promoveu neoliberais. no entanto. em legislação dos Fundos Constitucionais 1988. Contraditoriamente. o FINOR administrava apenas cerca de 8% das renúncias tributárias federais. em 1997 o Governo aprovou lei que reduziu os benefícios e estabeleceu um cronograma de extinção para Zona Franca. Na década de 1990. apontadas por uma CPI da Câmara dos Deputados. que trouxeram benefícios não mensurados para o desenvolvimento regional. orientando FNE. na linha neoliberal. de caráter endógeno e solidário. FINAM e FINOR não operaram durante os primeiros anos da década e depois enfrentaram uma série de denúncias de corrupção e de ineficiência na gestão dos fundos fiscais.

em 2000 (GUIMARÃES NETO. Eixos considerado Fase Plurianual agregar principal Governo desses deveria investimentos públicos e privados nas áreas de infraestrutura econômica. Uma versão menos abrangente dos Eixos de Integração e Desenvolvimento foi de fato adotada. O Programa de dos Eixos 03).a 1997. o gasto total do investimento do governo federal continuou sua tendência de queda. Os investimentos realizados privilegiaram Centro-Oeste e Sudeste. absorveram 56% dos R$ 2.7% do PIB. 184 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . de p. No período. desenvolvimento social e redução das desigualdades investimentos para o regionais. desenvolvimento social.7% do PIB. 1996/1999. Esses projetos deveriam ter um efeito multiplicador. somando 53. conjunto um e foi Ao de Desenvolvimento iniciativa lançado longo no (FIGURA política FHC. para 3.7 bilhões aplicados (IPEA. gerando um círculo virtuoso de aumento do emprego. dos “a provocar impactos mais significativos desenvolvimento.7% do total. tendo passado de 4. elevação da renda. em 1995. bastante generalizada no discurso oficial do planejamento dos anos 70”. espacial da Segundo dos concepção dos eixos representa uma redefinição logística e uma ampliação noção desenvolvimento. informação. Egler polos a coordenação (2000. conhecimento e meio ambiente.17). 2006). regional no Plano se Nacionais da de Integração a Neoliberal. 1999). poderia Para o PPA. crescimento econômico. desencadeando outros investimentos.

O Projeto Piloto para Preservação de Florestas Tropicais (PPG 185 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . 2007b). O Plano Avança Brasil 2000/2003 deu sequência ao PPA anterior e propôs doze Eixos Nacionais. em que entende vetores que de “os investimentos dirigidos foram para concentrados alguns produção.FIGURA 3 Fonte: BNDES A política dos Eixos é questionada por especialistas como Proença. Os projetos de desenvolvimento local foram outra iniciativa a ser considerada na Fase Neoliberal. vistas como espaços não-competitivos. do IPEA. foram ficando marginalizadas nesse processo” (SENRA. foi marcante a atuação do Programa Comunidade Solidária. enquanto grandes áreas do País. que buscava estabelecer parcerias entre o setor público e a iniciativa privada na realização dos objetivos estabelecidos comumente para atender à população mais pobre. No primeiro Governo FHC. integração da economia brasileira ao mercado global.

e funcionou como projetos endógenos ganhou expressão principalmente devido ao interesse da comunidade internacional na Amazônia. o PPG 7 ressente a falta de uma estratégia definidas ou conjunta. independentemente de uma estratégia nacional. o 186 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . participantes Com objetivo de enfrentar o desemprego. da As mesorregiões regionais momento. o Banco Mundial. 1999. readequar instrumentos. 2005). com investimentos indutor de de cerca de US$ 250 milhões. Para Becker. no entanto. para seria os o desenvolvimento prioridade lançadas primeiros no para ano regional. 256). Os ainda fizeram que obtiveram programas de uma programas de geração de emprego e renda. sinalizou a determinação do Governo em recolocar a função regional na agenda de prioridades do Estado (FERREIRA. pouco 2005). Para Bresser-Pereira (2006). por exemplo. foi descentralizado e seu financiador. foram adotados pelo de o Banco do Nordeste e do Brasil. Fase Neodesenvolvimentista A Fase Neodesenvolvimentista tem início nos anos 2000 e sua conformação está em debate. rever mecanismos institucionais e modernizar o modelo de da gestão União. não demais desenvolvimento Governo sobreviventes parte primeiro estratégia nacional de desenvolvimento (IPEA.7). conduzido resultados federais durante muito frágeis limitados. passou a assinar contratos diretamente com os Estados. em 1999. assumidas e apresenta pelos responsabilidades (BECKER. diferenciadas. as seguinte. O Programa de Apoio ao Produtor Rural (PAPP). p. políticas Nesse Fase observam-se indicativos Neodesenvolvimentista. O MI assumiu a missão de formular políticas. A criação do Ministério da Integração Nacional (MI). a exemplo do PROGER. lançado em 1993 e financiado por países europeus. FHC. regional.

de (STORPER caberia SCOTT. após os anos 1990. surge uma nova geração de políticas regionais. ganha importância inovação. Nesse período.fracasso América das medidas ortodoxas com um novo o de propostas base e em um no uma Consenso de Washington abriu espaço para um “novo-desenvolvimentismo” na Latina. mas também entre sistemas regionais a de produção. a ressalta o ressurgimento. “social ocorre p. p. 2006. concomitantemente com o aumento da renda da população e ao mercado das Draibe Estado. Ministro da Fazenda do Governo Lula. fortalecimento pensada sistemas no e de do crescimento massas. que construído ambiciona num onde estratégia forte. Na avaliação de Diniz e Crocco. que o Brasil Estado ciclo. 19). social ao desenvolvimento capacidade e que facilitar estimulam dos o o econômico proteção política econômico enfatizando promover em tempo crescimento mesmo desenvolvimento social. avalia entrou chamado desenvolvimentismo”. sobretudo para a variável tecnológica e para a arma crescimento” (DINIZ e CROCCO. mercado de Mantega (2007). 28) nacionalista. das da uma vez que as regiões vantagens integram sistemas globais de produção. como resultado das críticas ao modelo de desenvolvimento endógeno. nos anos 2000. p. 2003. Storper e Scott entendem que a urbanização é o principal vetor de desenvolvimento global dos anos 2000 e que é necessário “re-interpretar a velha abordagem de “Hirschmann-Myrdal-Perroux” e diferenciar o que pode ser creditado às políticas como da de uma macroeconômicas do do e o que deve ser & a compreendido desenvolvimento fragmentação política território Brasil. 18). para evitar o aprofundamento implementação nacional desenvolvimento 187 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . da política social bojo relações social. a competição não ocorre somente entre firmas. Nesse processo. Na visão de Araújo (2000). “a capacidade central regiões competição criarem e do comparativas. entre em econômico (2007.

b) a multiplicidade e a sobreposição de instituições públicas que se dedicam ao desenvolvimento regional. para diferentes escalas territoriais. A Política Desenvolvimento Regional considera múltiplas escalas territoriais. c) a política dos Territórios da Cidadania d) a elaboração de planos de desenvolvimento. território de regionais. como o Bolsa Família. considerando o novo paradigma produtivo e tecnológico mundial e os novos condicionantes de localização de atividades produtivas. econômica e cultural. principalmente os programas de transferência de renda. e de infraestrutura social. reconhecendo a desigualdade existente em todo território nacional. também foram adotadas políticas sociais que tiveram impacto expressivo do ponto de vista territorial. Na políticas implícitas. social. devem se tornar público. que beneficiaram fortemente o Norte e o Nordeste. o Ministério da Integração Nacional lançou a Política defendendo promoção do participação Nacional de Nacional maior da de Desenvolvimento do a Estado A regional. rompendo com a visão tradicional que tendeu a circunscrever ao problema regional brasileiro ao Nordeste e ao Norte do País As mesorregiões diferenciadas. desenvolvimento diversidade dimensões ambiental. Nacional explícitas nacional foram visando marcas significativas: Desenvolvimento Regional e as mesorregiões diferenciadas. O Semi-árido investimento nordestino e a Faixa de Fronteira também são merecedores de 188 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . de a nas participação sociedade processo valoriza regional. como o Luz Para Todos. Em 2003. Nesse período. e Regional no PDNR (PNDR). criadas no PPA 2000/2004.regional. desenvolvimento à a ocupação Política do desigualdades no que se refere e às e à regional. áreas prioritárias para segundo a PNDR. territorial ou local. diminuição Fase de das a) Neodesenvolvimentista.

que atuam com lógicas de empréstimo bancário. em Ministério quando foi Fundos sistema Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e do Nordeste (FDNE). a orientação dos recursos dos Fundos Constitucionais FNE. controla extinto os o depois de de 2007. estaduais municipais sentido construção de uma política regional. agências O desenvolvimento. apesar da ampliação dos recursos para o crédito rural. FNO e FCO. A PNDR se propõe a promover uma articulação de diferentes áreas setoriais na perspectiva do desenvolvimento regional e busca apoiar a criação das condições necessárias ao desenvolvimento das atividades econômicas e de inserção digna da população no mercado de trabalho. vinculado reforma tributária do país. que criados 2001. Os Fundos Constitucionais. Francisco Companhia Desenvolvimento transformadas recriadas foram em (CODEVASF). não foi viabilizado.políticas específicas de desenvolvimento regional. O O MI investiu em arranjos produtivos à locais e em recursos hídricos nas mesorregiões diferenciadas e Semi-árido. Os resultados alcançados pela PNDR no são limitados. com o objetivo de financiar 189 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . e a criação de uma Câmara de Articulação de Políticas no Governo Federal. e Superintendências SUDAM e SUDENE. que foram extintas em 2001. no entanto. a PNDR propõe a criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional. Para garantir seu funcionamento. como o Departamento Nacional (DNOCS). A Câmara de Articulação de Políticas também órgãos não conseguiu gerenciar e as iniciativas no dos diversos da federais. O quadro institucional do Governo Federal voltado para o desenvolvimento regional O é bastante da amplo Integração a na Fase Neodesenvolvimentista. de Obras contra do em as Vale Ministério Secas do São de Nacional de e as coordena os órgãos tradicionais. não possibilitaram o direcionamento da aplicação dos recursos para regiões mais pobres. incentivos fiscais FINAM e FINOR. Fundo Regional.

a da analisar mesorregiões Rurais e dos das por Agrário) Integração Territórios (Ministério pesquisa das Desenvolvimento uma grande Consórcios de Desenvolvimento (Ministério do Desenvolvimento observou de cada sobreposição e observado. (Ministério Sustentáveis Social). com várias iniciativas sobrepostas e desarticuladas. Foi atividades política. emprestam grandes somas para o crédito agrário e são controlados e operados pelos bancos regionais do Nordeste e da Amazônia. FNO e FCO. Senra (2006) demonstrou que este universo políticas federais Ao desenvolvimento políticas Nacional). com destaque para o Ministério do Desenvolvimento Agrário e para o Ministério Comércio. territórios. e pelo Banco do Brasil. um que investe número de nos de Consórcios de Desenvolvimento. exemplo. Arranjos das do por Desenvolvimento sua vez. não O foram MI colocados coordena em ainda funcionamento os Fundos Constitucionais. que financiam a iniciativa privada. principais características institucionais. para somaram 1600 era iniciativas em 2006.grandes efetivo obras. que Social. FNE. 190 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . do para regional amplo e descoordenado. O Ministério da Indústria e do coordena que o grande mais Produtivos Locais. até mas 2008. Há também as políticas de desenvolvimento territorial. que 45% dos municípios que participavam dos CONSADs também faziam parte dos Territórios Rurais (FIGURA 4).

da 191 independentemente Colegiados locais. O Programa microrregiões. estaduais e municipais. 2006 Os Territórios da Cidadania. o que inclui instituições de desenvolvimento regional. basicamente envolvendo cerca de 1800 municípios.FIGURA 04 Fonte: Senra. de articular ações para o desenvolvimento territorial. com maior incidência no Norte e no Nordeste. O Programa busca articular os recursos de diferentes iniciativas. Cerca de metade dos recursos envolvidos nos Territórios são parte do programa Bolsa Família e os investimentos de áreas setoriais são decididos em outras dos instâncias do Governo Os Federal. A gestão local dos Territórios da Cidadania decide sobre o investimento de um volume limitado de recursos. são baseados Rurais principalmente Sustentáveis. política pública lançada em 2008. na do experiência Ministério dos do Territórios Desenvolvimento Agrário. rurais. e representam uma segunda tentativa do Governo Federal. orientado para o apoio a atividades de produção rural. promovidas pelos atua governos em 120 federal. territorial e local. Territórios Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . no Governo Lula.

planos e o de que inclui os Planos Plurianuais planos (orçamento). (habitação. Plano Estratégico de Desenvolvimento 163 – Sustentável além Desenvolvimento Sustentável para a Área de Influência da BR Cuiabá-Santarém. planos Integração desenvolvimento participou Nordeste.Cidadania também apresentam limitações mais devido das a sua escala de territorial. nas escalas municipal. Como apurou Senra (2006). a elaboração dos planos de desenvolvimento cria expectativa e frustração nas sub-regiões envolvidas diante da não execução da extensa lista de reivindicações reunidas no que deveria ser um instrumento de planejamento. regional e nacional. sem priorizar investimentos e sem apontar estratégias que possibilitem alcançar seus objetivos. etc. Na Fase Neodesenvolvimentista realizados em vários foram programas ampliados federais. O a de e apoiou Plano ordenamento territorial. os Os 192 investimentos Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . aproximando-se iniciativas desenvolvimento endógeno da década de 1990 do que a lógica de articulação em múltiplas escalas. Faltam prioridades e projetos na escala mesorregional (o que exige volumes maiores de recursos para infraestrutura). estadual. educação etc). Os planos são amplamente utilizados pelas políticas de desenvolvimento regional na Fase Neodesenvolvimentista. setoriais integrado. diretores municipais. planos vários para órgãos bacias hidrográficas. Os planos dessa Fase Neodesenvolvimentista são construídos participação representantes da sociedade. De fato. procuram contemplar as demandas locais. Ministério Nacional do de de elaboração do Plano Amazônia Sustentável. articulação institucional e cooperação federativa. zoneamentos ambientais (ecológicos econômicos). da metropolitanos. a Constituição de 1988 já estabeleceu uma verdadeira “pilha de planos”. com mesorregiões públicos e diferenciadas.

Territórios da Cidadania, por exemplo, que investiram R$ 9,3 bilhões em 2008, projetaram investir R$ 23,5 bilhões em 2009, sendo R$ 5,5 bilhões para Apoio a atividades produtivas; R$ 13,8 bilhões para Cidadania e acesso a direitos; R$ 4,1 bilhões para Qualificação da infraestrutura. O FNE contratou R$ 1 bilhão em 2003, ampliando esse valor para R$ 4,2 bilhões em 2007, o que se deve principalmente ao crédito rural. As transferências do Programa Bolsa Família também favoreceram regiões causou mais uma pobres. Em estados no como PIB o Ceará, o de programa 1,2%; em variação positiva regional

Pernambuco, esta variação foi de 0,9%; na Região Norte, 0,6%. De acordo com as informações do próprio Governo Federal, em 2006, os investimentos da União representaram 0,64% do PIB. E, em 2007, primeiro ano do Programa de Aceleração do Crescimento, PAC, este índice subiu para 0,73% e, em 2008, alcançou a marca de 1% do PIB, com previsão de 1,2% do PIB em 2009. Apesar das limitações dos resultados, as políticas

regionais estudadas indicam um quadro de orientação do Governo Federal distinto da Fase Neoliberal, que sugere um Estado com traços Neodesenvolvimentistas. Bibliografia ABREU, S. Intervenção e Gerenciamento Espacial: o caso do PRODEPAN In: III Simpósio sobre os Recursos do Pantanal. Corumbá: 2000. Disponível em http://www.cpap.embrapa.br/agencia/congresso/Socio/ABREU-066.pdf. Acesso realizado em 05/08/09. ALMEIDA, P. R; 2004; A experiência brasileira em planejamento econômico: uma síntese histórica; In http://www.pralmeida.org/05DocsPRA/1277HistorPlanejBrasil.pdf Acesso realizado em 05/08/09. BECKER, B; EGLER, C. A. G. Brasil, Uma potência regional na economia mundo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1992 BRESSER-PEREIRA, L. C. The new developmentalism and conventional orthodoxy. São Paulo: FGV, 2008 193

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

CANO, W. Desequilíbrios Regionais e Concentração Industrial no Brasil, 1930-1970. Campinas: Global, 1981 CARVALHO, J. O. Uma Estratégia de Desenvolvimento Sustentável para o Nordeste, Projeto Aridas. Brasília: Secretaria de Planejamento, Orçamento e Coordenação da Presidência da República, 1994 CARVALHO, J. O. Ações no Campo do Desenvolvimento Regional. Brasília: Ministério do Interior, 1973 DINIZ, C. C; Crocco, M. Bases teóricas e instrumentais da econômica regional e urbana e sua aplicabilidade ao Brasil: uma breve reflexão In Economia Regional e Urbana. Belo Horizonte: UFMG/Ministério da Integração Nacional, 2006 DRAIBE, S. Estado de Bem Estar, Desenvolvimento Econômico e Cidadania: algumas lições da literatura contemporânea In Políticas Públicas no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2007 EGLER, C. Eixos nacionais de Integração e Desenvolvimento: prováveis impactos ambientais. Rio de Janeiro: CREA, 2000. FERREIRA, H. V. Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável de Mesorregiões: Uma Experiência Inovadora de Desenvolvimento Regional do Governo Brasileiro. 2005 GUIMARAES NETO, L. A Política Regional na Era da Globalização. Brasília: IPEA Konrad - Adenauer - Stiftung, Debates, N 12, 1996. HARVEY, David; Condição Pós-Moderna. Editora Loyola; 1996 IPEA. Políticas de Desenvolvimento Regional no Brasil: antecedentes e perspectivas. Brasília: Seminário sobre Desenvolvimento Regional, outubro de 1972. Brasil/ Comunidade Econômica Européia, IPEA, 1972a . IPEA. 1995-1998: Quatro Anos de Transformações. Brasília: IPEA, 1999. MANTEGA, G. Brasil entrou no novo ciclo econômico do socialdesenvolvimentismo, avalia Mantega. In Agência Brasil, Disponível em http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias /2007/09/06/materia.2007-09-06.0542491259/view. Acesso em 06/09/2007. MONTEIRO NETO, A. Intervenção estatal e desigualdades regionais no Brasil: contribuições ao debate contemporâneo. Texto IPEA nº 1229. Brasília: IPEA, 2006. NABUCO, M. R. A (des) institucionalização das políticas regionais. In Espaço, tempo e crítica, N ° 2 (6), VOL. 1, Belo Horizonte: CEDEPLAR, 2007. PREBISCH, R. El desarrollo económico de américa latina y alguno de sus principales problemas. Santiago: CEPAL, 1949. SENRA, K. Políticas e Instituições para o Desenvolvimento Econômico Territorial no Brasil. Pesquisa para ILPES/CEPAL. Santiago: mimeo, 2006. SENRA; K. Casos de Estudos de Políticas de Desenvolvimento Regional. Pesquisa realizada para o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura - IICA. Brasília: mimeo, 2007b. 194

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

O debate regional no Municipalismo Brasileiro – (im)possibilidades da cooperação intermunicipal como instrumento de desenvolvimento?54
Rodrigo de Faria

1. Perguntas-problema
Quais foram as discussões e proposições sobre urbanismo e planejamento urbano-regional no âmbito do Movimento Municipalista Brasileiro, especificamente a partir da criação das duas instâncias institucionais municipalista, a Associação Brasileira de Municípios (1946) e o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (1952)? É possível denominado categoria para de os municípios da articular do aquilo com que os é comumente como do “peculiar interesse autonomia município”, entendido

fundamental

local,

interesses

desenvolvimento regional, pela necessidade que tal desenvolvimento apresenta de se efetivar pela cooperação intermunicipal? (e mais ainda, pela cooperação e articulação na gestão entre os três entes da federação: União, Estado e Município). Qual o limite do “peculiar interesse do município” diante de questões que perpassam temas de interesses de um conjunto de municípios que integram uma determinada região? As (possíveis) respostas não serão apresentadas ou dissecadas em suas totalidades neste artigo, cujo interesse central passa mais pela explicitação de um processo interpretativo em construção sobre o municipalismo no Brasil, particularmente no que tal sobre a questão perpassa da o cooperação Um intermunicipal, interpretativo cooperação no

planejamento urbano e regional como instrumento de desenvolvimento. processo que encontra próprio discurso municipalista das décadas de 1950 e 1960, os elementos técnicos e políticos para enunciar contraposição ao que se caracterizou como defesa intransigente da autonomia como categoria da “competição entre cidades”, preconizado no planejamento estratégico de cidades,
54

Parte da pesquisa para este artigo integra o Projeto Urbanismo e Planejamento Urbano Regional no Movimento Municipalista Brasileiro (1946-1964/1964-1979), financiado pelo CNPq.

195

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

no caso brasileiro, sobretudo a partir da década de 1990. Autonomia construída no discurso da individuação, justificada pela criação de uma “marca-cidade”, de uma “unidade-identidade” única, específica, “imagem-cidade” que só se reconhece em si mesma. Distinta, portanto, de outras “unidades-identidades”, por isso em competição pelas melhores “oportunidades” de inserção desta “imagem-cidade” no fluxo internacional pós-fordista de (re)produção do capital. Aquelas três questões iniciais estão aqui formuladas, portanto, para reforçar uma crença fundamental para o desenvolvimento equilibrado dos municípios brasileiros – dubiamente enunciado como pergunta no subtítulo do artigo: “(im)possibilidades da cooperação intermunicipal como instrumento do desenvolvimento?” – que é aquela que necessariamente passa pelo desenvolvimento regional, portanto, pela necessidade de articular no mesmo projeto político, tanto a autonomia local, quanto a cooperação intermunicipal. Autonomia local e cooperação intermunicipal processos de não podem significar contraposição das do conceitual título se nos planejamento não a apenas urbano-regional a possibilidade para o

municipalidades brasileiras. Nesse sentido, o caráter dúbio do subdesfaz, demarcando mas desenvolvimento regional. Exemplos dessa condição “possível” e “necessária” (ainda que passíveis de críticas, considerações para continuar seu aprimoramento) estão nas políticas regionais elaboradas pelo Governo Federal brasileiro (na Gestão do Presidente Luís Inácio Lula da Silva), no âmbito do Ministério da Integração Nacional em sua Secretaria de Políticas de Desenvolvimento Regional, particularmente a Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) e a Política Nacional Ordenamento Territorial (PNOT), integrantes do “Programa de Gestão da Política de Desenvolvimento Regional e Ordenamento Territorial”. Um programa que tem como objetivo, segundo o informe do próprio Ministério da Integração Nacional, “articular as ações de instituições federais, estaduais e locais na implementação das políticas de desenvolvimento regional e ordenamento territorial a fim de buscar a redução das desigualdades regionais e promover a ativação dos regional, necessidade pleno

desenvolvimento municipal pela cooperação intermunicipal e inter-

196

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

dando origem aos cartogramas e suas tabelas associadas56.gov. existentes caso a que específico metodologia foram da Política dos Nacional censos de Desenvolvimento dados básicos do IBGE de trabalho utilizou extraídos demográficos (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no período 19912000. As variáveis procuram exprimir padrões e dinâmicas recentes da distribuição da população no território. local de residência (rural ou urbana) e nível de educação. posteriormente agregados em microrregiões. Os indicadores de dinamismo foram obtidos pela média geométrica do crescimento do PIB per capita dos triênios 1990 – 1993 e 1999 – 2002 de cada município. quando tal dado não era disponível. características da população no que tange a rendimento médio. elaborados pelo IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas). realizada dia 04/02/2010 56 56 Disponível no sítio eletrônico do Ministério da Integração (http://www. Conforme o Documento “Política Nacional de Desenvolvimento Regional – Sumário Executivo”.mi. por indicador de capital de estado próximo. econômica e social do território. O planejamento e a implementação dessas ações são orientados conforme as escalas territoriais nacional. microrregional e intraurbana”55. Os dados foram agregados por microrregião. escala considerada a mais adequada para os propósitos da análise. Os indicadores de renda pessoal e de crescimento de produto foram espacializados. com padrão de custo de vida semelhante.asp). Os dados de rendimento foram ajustados em termos de paridade de poder de compra. caracterizando 55 Disponível no sítio eletrônico do Ministério da Integração (http://www. captado por meio da variação do PIB per capita. macrorregional. mesorregional.gov. e das análises dos Produtos Internos Brutos (PIB) municipais. No Regional. individualmente e de forma conjugada. ou.potenciais da rica diversidade social. conforme definidas pelo IBGE. por meio de ponderação pelo custo relativo da cesta básica da capital do estado considerado. Da análise e produção das informações a partir dos referenciais originados no IBGE e IPEA ocorreu a elaboração da “Tipologia Microrregional” da PNDR (mapa abaixo da tipologia).br/programas/desenvolvimentoregional/index.asp).mi.br/programas/desenvolvimentoregional/index. e dinamismo econômico. realizada dia 04/02/2010 Nacional Pesquisa Nacional Pesquisa 197 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .

36).mi. notadamente no Norte e Centro-Oeste e em parte do Semi-Árido nordestino. 198 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .gov. Imagem 1.asp). porém avançando metodologicamente ao reconhecer que o território nacional não se caracteriza pela homogeneização de dinâmicas oposição sócio-econômicas.br/programas/desenvolvimentoregional/index. Disponível no sítio eletrônico do Ministério da Integração Nacional (http://www. “é neste espaço [referencia aos baixos níveis de adensamento de extensas áreas nessa porção do territorio nacional] que se encontram as áreas de ocupação menos densas. “estagnadas” conceitual apontando em todas ao a as existência já de estruturas do País – binômio sub-regionais macrorregiões importante desgastado interpretativo norte-nordeste pobre (baixa dinâmica sócio-econômica) sudeste-sul rico (elevada dinâmica sócio-econômico). com a região 57 Conforme análise de Tânia Bacelar e Antonio Galvão.no mapa especificamente as “Tipologias sub-regionais” conforme os níveis de renda versus níveis de variação do PIB.GALVÃO. 2004:p. cuja ocupação se associa a baixa capacidade de absorção de mão-de-obra ou ao baixo dinamismo das atividades ali localizadas ou ainda a sua tardia ou deficiente integração às áreas mais dinámicas do país BACELAR.Pesquisa realizada dia 04/02/2010 O mapa é da explícito ao ao apontar de “Baixa – confirmando nas resultado uma Norte de e pesquisas realizadas 57 longo décadas Renda” histórica concentração sub-tipologia regiões Nordeste do Brasil .

GALVÃO. marcado “por um forte impulso ao processo de industrialização nucleado em São Paulo com investimentos 199 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . (cujo caracterizada dinamismo aqui incipientemente está com transição” econômico fortemente associado às fronteiras agrícolas. Planejamento Governamental e desenvolvimento regional pós-1950 O primeiro dos ciclos foi definido por Coutinho como “o período Juscelino Kubitschek (1955-1960)”. particularmente o Estado do Mato Grosso) – ainda que já seja possível integrar a região Centro-Oeste nos mesmos No federais padrões de concentração deixa de de taxas que de urbanização das no regiões Sul e Sudeste (BACELAR..). a conjunção de interesses privados e a forma específica de articulação do projeto nacional de desenvolvimento” (Coutinho. (em não reconhecer à historicamente da na Brasil produziu-se uma macro-concentração dos investimentos públicos infraestrutura nas regiões voltada consolidação particularmente produção porção industrial) sul-sudeste. territorial do Estado Brasileiro entre as Regiões Metropolitanas (RMs) do Rio de Janeiro e São Paulo (com clara predominância para a RM de São Paulo) ao longo do século XX. Cada um dos grandes ciclos de expansão da economia corresponderam políticas regionais urbanas que refletiam a conjuntura de forças políticas. expansão referida Segundo e desenvolvimento Coutinho. 2003: 39). implementados a partir da segunda metade do século XX. viabilizou-estruturou o primeiro de um conjunto regional de três em ciclos São de pela Paulo. 2004:39). especificamente entre 1950 e 1970. urbanodos ciclos caracterizados concentração Luciano espacial investimentos delineados “por meio de blocos de investimento púbico em infraestrutura (. caracterizando-a em grande parte da sua poção territorial como de “alta renda” (fortemente marcadas pelo seu complexo e diversificado mercado produtor e também mercado consumidor) – ainda que nesta mesma área do território existam áreas “estagnadas”. Este aporte de recursos públicos. entanto. 2..centro-oeste “área de entre ambas.

. à base de o mas reformista regionais abandono.infra-estruturais de integração nacional (em energia e transporte)” e com uma nova política de incentivos aos investimentos no Nordeste mediante a criação da Sudene” (Coutinho. Todavia. Os outros dois ciclos definidos por Coutinho (2003) foram. “o país engata na dinâmica geral do capitalismo mundial pós-guerra e se transforma num dos NIC´s (New Industrial Country). no “Programa de Integração Nacional”. como propusera Furtado no GTDN” (ARAÚJO. por meio decisões políticas. “importante instrumento de formação. 2003: 39). segundo Tania Bacelar de Araújo. 1993:88). explicitamente expressa em política obras desconcentração (Coutinho. regional. cuja “marca” foi aquela concentração nucleada em São Paulo. 1970:32). o “milagre econômico” sob coordenação de Delfin Neto (1967-1973). e pelo (. Tal integração foi “desenhada” e elaborada. uma integração tendências que dominavam o processo mais geral de industrialização do país” (ARAÚJO. apresentado em setembro de 1970. respectivamente. 2003: 39).) abandono de uma para de sua “proposta colada industrializante. como também o “Programa de Integração Social”. 1993:88). por exemplo. Neste segundo Araújo. de uma sociedade economicamente aberta” (BRASIL.) sem entretanto. indústria atender marca recursos mercado “às voltada prioritariamente explicita da nordestino. no Brasil. no âmbito do II PND (1974-1978). Neste momento. embora houvesse um preocupação com a integração grandes viárias” 200 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . 1993:87). Embora o faça num processo interno excludente que ao promover o crescimento da renda a concentrava enormemente” (Araújo. e o último no Governo Geisel. como parte integrante do documento geral “Metas e Bases para a Ação de Governo”. uma buscou compensações às regiões periféricas (. o “ciclo de algumas do milagre brasileiro (1967-1973) oferecer de também algumas reforçou a concentração industrial em São Paulo e. cujo eixo de atuação deveria constituir. contendo não somente o referido “Programa de Integração Nacional”. no caso específico da SUDENE.. Segundo Coutinho. atuação caracterizada. segundo o próprio documento geral... perseguir nacional.

Particularmente no caso do “Programa de Integração Nacional”. Imagem 2) –. no seu conjunto o “Metas e Bases para Ação de Governo” foi estruturado mediante discurso crítico ao processo de planejamento ocorrido no período anterior ao golpe militar de 1964 (o documento não fala em “golpe”. por estar mais diretamente direcionado às intervenções no território usado (principalmente mediante grandes obras viárias). Presidência da República. BRASIL. 1970. o III Governo da Revolução). justamente o 201 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Em relação ao aspecto político do planejamento. e de no a documento reforma lado foram a em Transamazônica faixa rodovias de terra e a de Cuiabáaté dez Santarém. ao próprio planejamento urbano-regional para promover o “desenvolvimento regional integrado” (BRASIL. “Metas Governo Serviço e – Bases Gráfico para do Síntese”. a agrária das cada duas mencionadas (BRASIL. portanto. 1970:29).106/70. Figura 2. como indicado no Decreto-lei 1. Ação de Brasília: IBGE.além das obras viárias (as duas grandes obras viárias apresentadas colonização quilômetros 1970:30). tinha como objetivo . mas em “revolução”.

e do descompasso entre a elaboração de projetos e a sua implementação.momento histórico que marca o “arco temporal” do primeiro ciclo: 1946-1964. considerado por parte da historiografia econômica como um plano que fracassou (Macedo. pela própria conjuntura política em relação ao Governo Goulart em 1964 (ou antes. com um crescimento econômico relativamente menor (aproximadamente entre 3. tanto no que se refere ao incentivo ao desenvolvimento econômico como na parte concernente ao combate ao processo inflacionário” (Macedo. dando-se a de impressão excesso pela insuficiência execução” (BRASIL. este elaborado por equipe chefiada por Celso Furtado. de planos não executados.9%). desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961). do irrealismo e ausência de objetividade de certos programas e projetos elaborados em alguns setores. Segundo Roberto Macedo. Assumindo a hipótese de que a crítica pela “proliferação antes de 1964. 1970). mas sobretudo por um fracasso anterior à crise política. 2003). de em determinados de planos órgãos. Talvez até uma crítica mais direta ao próprio “Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico”. sobretudo a partir de 1962. é possível considerar que tais acusações deveriam atingir os dois grandes Planos Governamentais e um Programa desenvolvidos entre 1946-64: o Plano de Metas (1956-1961). foi período marcado pela “proliferação antes de 1964. o Programa de Estabilização Monetária (1958-1959) e o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico (19631965). mesmo em época mais recente.4% e 5%) em relação ao período de euforia entre 1957-1961 (com o PIB em média de 6. de planos não executados” estava direcionada aos governos federais democráticos que se sucederam entre 1946 e 1964. Segundo apresentação do documento geral. pode-se ver que o fracasso foi enorme. No entanto. um fracasso da economia nacional. 2003:61). “se comparadas as metas estabelecidas pelo referido Plano para o ano de 1963 com os resultados que esse ano apresentou. se economicamente o país já vivia uma conjuntura negativa. e 202 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .

pelo lado da reestruturação da economia o “Plano de Ação Econômica do Governo” (PAEG. o Banco Nacional da Habitação (BNH) e o Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU).assim como Roberto Macedo (2003) que a conjuntura inflacionária (e outros fatores) teve papel relevante na desestruturação econômica e política nacional. após o Golpe. consta a “Política denominada Habitacional” (Capítulo Social XII). “Condução” que pode receber uma explicação mais elaborada deste processo na interpretação de Benício Schmidt: as “contenciosas relações entre um executivo reformista e um legislativo extremamente conservador trouxeram o sistema político a ponto de um inteiro colapso ao final de 1963” (Schmidt. não foi um plano de caráter exclusivamente econômico no sentido mais específico possível do termo.entre os “Instrumentos Gerais de Ação” -. mas não somente. 2003:71-72). Por outro lado. Tanto que na segunda parte . pois fundamental considerar a complexidade demográfico-social-urbano-industrial brasileira período) reforçava a “condução do país” ao Golpe de 1964. politicamente o cenário não era também muito diferente. sobretudo ao definir objetivos básicos “Programa processo inflacionário. 1983:101). Cenário nacional que. este autor considera também . assim como a proposta de “atenuar os desníveis econômicos setoriais regionais e as tensões criadas pelos desequilíbrios sociais. “produziu”. e e na quarta parte “Desenvolvimento Valorização Regional” (pelo 203 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . e já em agosto de 1964. encaminhado ao Congresso em agosto de 1964 e publicado em novembro do mesmo ano) e. mediante a melhoria das condições de vida” (BRASIL. 1964:15). “uma de segundo política Celso que a Martore. o que conjuntamente neste (economia e política. bloqueavam contenção crescimento da economia” (MARTORE. No eliminar como caso a as específico formulação do de PAEG. a aceleração do desenvolvimento econômico. capaz ele de o do representou econômica fontes internas do estrangulamento de Ação”. pelo lado das questões urbano-regionais econômicas que (não estas desconsiderando questões tinham no as devidas do implicações planejamento âmbito governamental federal).forte elevação do nível de preços (taxa de 51%).

como 204 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . a desvinculação entre os Planos Locais e o planejamento macroeconômico do Governo Federal. Em relação ao “sistema” BNH/SERFHAU . particularmente São Paulo. levando a situações conflituosas entre cidades de uma mesma região (prenúncios da lógica da “guerra fiscal” em defesa de um “neolocalismo não cooperativo”?). onde a presença de economias de escala e economias externas assegurariam maior rentabilidade do investimento” (BRASIL. 1964:225). No entanto. reconheceu-se que “a maximização da taxa de crescimento econômico.. ou o que ele denominou de “reformulação na concepção e no planejamento urbano” no Brasil – já no contexto final da década de 1970 .) de e desenvolvimento atentamos comissões nacional.. E quais seriam as tais “regiões de mais rápido progresso”? Corroborando com a noção dos “ciclos” apontados por Coutinho (2003). Por outro lado. assim como. pode exigir concentração de investimentos nas regiões de mais rápido progresso. considerado o segundo ciclo de desenvolvimento. a concepção da cidade como organismo autárquico em desconsideração de possíveis articulações com outras cidades e regiões. que do ciclo do milagre brasileiro (19671973). também recebeu reforço pela concentração industrial. 1964:225-226).particularmente a atuação do SERFHAU -. esta região de mais rápido progresso estava no Sudeste do país. ao explicitar a necessidade de definir que os planos de desenvolvimento regional sejam formulados para de a dentro do contexto de de um se programa acentua (. planejamento necessidade estaduais” “que quando multiplicação organismos regionais (BRASIL. 1978: 42). entre eles. para manter a análise no eixo da problemática econômica (não é certamente o único eixo de análise desse sistema). para quem “a produção dos Planos Locais não é condição suficiente para caracterizar a existência de tal política” (TOLOSA. Uma crítica explicitada mediante argumentos importantes. é oportuna a avaliação realizada por Hamilton Tolosa. o próprio Tolosa reconhece uma mudança. a curto prazo. consta a “Necessidade de Integração dos Planos Regionais” e “Principais Programas Regionais”. pelo documento informativo do PAEG.Capítulo XXIV) -.

355 de 20 de abril de 1979. 83. pela orientação concentrada na região SUDESTE do processo de desenvolvimento econômico-urbano 205 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . mas que também já avançara entre as décadas de 1940. Política Ainda segundo em Schmdit. 59 Políticas importantes. e 1983:109). controlar o que se e planejar pode dizer a é economia que elas brasileira. vinculado ao Ministério do Interior. por exemplo. para criar uma ordem capitalista Nacional de mais integrada” (Schmdit. no âmbito do já referido Programa “Metas e Bases para a Ação de Governo”. o II PND caracterizou-se por uma “completa política baseada sobre a idéia de combate aos desequilíbrios entre as diferentes regiões. com o Capítulo sobre Políticas Urbanas) toda uma conjuntura de planejamento governamental brasileiro inicialmente direcionado para o desenvolvimento macroeconômico59. mais esforços no sentido de racionalizar o processo orçamentário como é o caso do Plano Salte (1948). deve ser interpretado de maneira diferente pois o Plano de Metas. que extinguiu a CNPU e criou o referido Conselho. no entanto. ainda que necessária a crítica aos seus encaminhamentos. mais diagnósticos como é o caso da missão Cooke (1942-1943).marca importante daquele que seria o último dos grandes planos governamentais (no contexto dos governos democráticos e autoritáriomilitar) desde a redemocratização de 1946: o II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento). é neste contexto do II PND. publicado em setembro de 1970. foram mais propostas como é o caso do relatório Simonsen (1944-1945). “a partir da década de 1940 várias foram as tentativas de coordenar. O período de 1956-1961. após passar também pela criação das Regiões Metropolitanas em 1973. Para Benicio Schmdit. pode ser 58 Com a criação. Segundo Celso Lafer. sobretudo o que se processou ao longo da década de 1980 até a Constituição de 1988. que a política urbana brasileira teve seu arcabouço terminado. Entretanto. 1960 e 1970 na implementação de políticas urbanas para o desenvolvimento dos municípios e regiões do país. A CNPU a é certamente um de marco outros importante que “fecha” no (não significa inexistência encaminhamentos período posterior58. 1950. quando da criação da “Comissão Regiões Metropolitanas Urbana” (CNPU) 1974. pela complexidade de suas formulações e pela profundidade de seu impacto. do Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano pelo Decreto n.

até adentrar no regime militar com vários outros planos: o “Plano de Ação Econômica do Governo” (PAEG/1964-1966) pelo “Plano desenvolvido Estratégico por de Roberto Campos. com a “Constituição Municipalista” e a criação da Associação Brasileira dos Municípios. 206 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . época de atuação da CNPU).considerado como a primeira experiência efetivamente posta em prática de planejamento governamental” (Lafer. que perpassou o arco temporal do conjunto daqueles três ciclos de desenvolvimento no âmbito que do interessa como conjuntura (quiçá estrutura) de abordagem da questão do desenvolvimento regional e intramunicipal cooperação Movimento como Municipalista pelo brasileiro. e os PNDs (o I – entre 1972/1974 e o II – entre 1975/1979. 2003:30). sobretudo o segundo. Municipalismo no Brasil: do centralizaçãona (responsável descentralização. 3.como já dissera Betty Mindlin. 2003:7) -. distintos também os momentos da história política nacional. (contraditória?) agrarismo-industrialização construção Estado pelo planejamento) Nacional É todo esse contexto de ação governamental para implementação do planejamento como instrumento para o desenvolvimento . como Ministro Extraordinário para o Planejamento e Coordenação Econômica. desde o próprio “Plano de Metas” (1956-1962) no Governo JK. passando pelo “Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social” – ambos no período da redemocratização 1946-1964 -. “um modelo teórico para a ação” (MINDLIN. marcando certa (re)construção do próprio Municipalismo em suas orientações programáticas. Uma conjuntura complexa e com distintas experiências de planejamento governamental. propugnado Municipalista dos anos 1950 e 1960 – ou mais precisamente a partir do ano de 1946. discurso Sobretudo em relação ao que este desenvolvimento deveria passar pela intermunicipal. passando Desenvolvimento” (PED/1968-1970).

Uma

(re)construção,

pois

os

debates

sobre

os

interesses

e

autonomias (ou a perda dessa autonomia) locais estão em construção e discussão no Brasil desde os tempos Coloniais60, mas sobretudo desde a Constituição de 182461, passando pela Lei de 1
62

de Outubro de século XIX de Outubro

1828 , pelos “intérpretes do municipalismo” ainda no autor de “Regimento das Câmaras Municipais ou Lei de 1 de 1828”, publicado 1885 -,

(Tavares Bastos – autor de “A Província”, de 1870 -, Cortines Laxe – e Carneiro Maia – autor de “Estudos

sobre Administração Municipal”, de 1883), transcorrendo durante toda primeira metade do século XX, culminando na grande mudança/inflexão dessa (re)construção: a Constituição de 1946. Nesse locais longo processo em histórico relação em sua às desde o século – XIX, que um no dos jogo suas períodos mais negativos para a premissa da autonomia dos poderes (distintamente provinciais para político do Brasil Imperial produziu uma “acomodação” das elites provinciais federalistas autonomia conduzir respectivos territórios) teve início com a Lei de 1 TÍTULO alguma II – Funcções Municipaes, Art. e que 24, não na “As exercem de Outubro de Camaras são de

1828. Conforme o texto da própria Lei, no capítulo que trata do cooporações meramente administrativas, (Laxe, 1885:72), jurisdicção

contenciosa”

interpretação

Cortines Laxe resulta numa “liberdade nos actos de pura e simples administração; dependência tanto quanto era necessária para prender as municipalidades ao corpo social como órgão dele” (Laxe, 1885: XXIII). Para Miriam Dolhnikoff,

60

Referências importantes sobre o período colonial da história brasileira: “Modos de Governar – idéias e práticas políticas no Império Português, séculos XVI a XIX”. Organizado por Maria Fernanda Bicalho e Vera Lúcia Amaral Ferlini, foi publicado em 2005 pela Editora Alameda; “O Governo dos Povos”, organizado por Laura de Mello e Souza, Junia Ferreira Furtado e Maria Fernanda Bicalho, foi publicado em 2009, também pela Alameda. Sobre o período imperial, é fundamental o trabalho de Miriam Dolhnikoff, “O Pacto Imperial – origens do federalismo no Brasil”, publicado em 2005, como primeira reimpressão. 61 Não considerando obviamente a “força” das Localidades durante o período colonial. Constituição de 1824 - CAPITULO II. Das Camaras. Art. 167. Em todas as Cidades, e Villas ora existentes, e nas mais, que para o futuro se crearem haverá Camaras, ás quaes compete o Governo economico, e municipal das mesmas Cidades, e Villas. In: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituiçao24.htm (pesquisa realizada dia 14/05/2010) 62 Título II, Funcções Municipaes, Art. 24. As Camaras são coorporações meramente administrativas, e não exercem jurisdição alguma contenciosa. In: LAXE, 1885:72

207

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

“as Câmaras de 1828 tinham atribuições bastante limitadas. Cabia a elas administrar a cidade contas sua ao conselho de província. ou a vila, Não podiam meros prestando decidir agentes

livremente quer sobre a arrecadação de impostos, quer sobre aplicação. Tornaram-se, portanto administrativos” (Dolhnikoff, 2005:86). Uma situação que supostamente mudaria pouco tempo depois, no Período Regencial (1831-1840), este marcadamente um período em que se configurou no Brasil um regime descentralizado, construído no bojo das reformas liberais da década de 1830 – particularmente a partir o Ato Adicional de 1834, quando “a competência do governo central e dos governos provinciais foi dividida constitucionalmente” (DOLHNIKOFF, 2005:17). Todavia, como mencionado, supostamente mudaria, sobretudo por se constituir uma autonomia das províncias e não (ou uma condição de submissão restritiva às províncias) das municipalidades, evidenciando o próprio embate político entre as elites nacionais (uma parte na defesa pela federação – neste caso pelos liberais como Diogo Antonio Feijó - e outra pela centralização) na estruturação do Estado Nacional. E ainda conforme Dolhnikoff, o que possivelmente pode indicar uma contradição, qual seja, certa inviabilização da noção de autonomia, estava no próprio projeto liberal: “sua concepção nutriam de federalismo Câmaras incluía um alguma autonomia municipal, no âmbito maior da autonomia provincial (...) os liberais pelas profunda desconfiança, pois qualquer autonomia devia se dar no interior (...) da unidade nacional” (Dolhnikoff, 2005:86). Até o momento em que ocorreria a já referida mudança/inflexão do municipalismo no Brasil, mediante (re)construção de sua estrutura programática pela Constituição de 1946, a “Constituição Municipalista”, somente com a instauração da República na década de 1890, é que o município no Brasil teria, de certa forma, restaurada sua autonomia, nos inclusive É o e “Decretos por deliberação do Estado do dos de próprios São Estados como do (antigas Províncias). caso Paulo,

explicitado

Resoluções

Governo

Provisório

Estado de São Paulo” publicado em 1913 (sobre o período de 18 de

208

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

novembro de 1889 a 17 de outubro de 1890), particularmente o Decreto n. 13 de 15 de janeiro de 1890. enunciar o “etorpecimento e a penúria da vida econômica do município pela tutella administrativa, exercida por mais de século. Condição desfavorável aos poderes locais que não pode prescindir – conforme as proposições do Decreto n. 13 - da urgente necessidade de emancipar os municípios, confiandolhes a faculdade de promover seus próprios negócios, assim como, a compreensão de que somente a descentralização pelo estabelecimento da autonomia municipal, conseguirá despertar as energias locaes” (SÃO PAULO, 1913:17). Conjuntura histórica que culmina com aquela mudança/inflexão delineada pela Constituição de 1946, quando, segundo Marcus Melo “o municipalismo ressurge com um apelo doutrinário espetacular, vindo a ter forte apelo na Constituição”. Ainda conforme Melo, “não seria exagerado supor que se buscou, em larga medida, convertê-lo em mito fundador da segunda República (...) O municipalismo cumpriu o papel singular de reconciliar varguistas e antivarguistas na Constituinte de 46 (...) Ele incorporava, a um só tempo, a ideologia rural salvacionista do Estado Novo e a crítica ao centralismo e à perda de autonomia das instâncias subnacionais ocorrida no período” (Melo, 2008:49-66). Talvez aí o “ponto de ruptura” (ruptura aqui como uma nova origem da efetiva na entre inclusão Estados, do município efetiva e na estrutura do do e Estado “pacto Nacional) construção (pouco na necessária contínua O texto do Decreto é explícito ao

articulação

Municípios

União)

atual

federativo brasileiro”, ainda que marcado (ou “desviado”) por um processo de (re)centralização durante o Regime Militar pós-1964, mas que se consolida na Constituição de 1988, todavia, pelo oposto, ou seja, a forte descentralização. Se o século XIX representou a desconstrução mais aguda das ações e movimentos que preconizavam a autonomia como fundamento

209

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

político do Estado Nacional, ainda que uma autonomia que colocou em contínuo confronto os poderes municipais e os provinciais, o século XX, e mais precisamente a segunda metade do século, marcou um fortalecimento substantivo das instâncias municipais no Brasil. Para ser mais preciso, já no século XIX, a partir da consolidação da República, em sua longa maturação, negociada que foi entre as elites políticas em seus respectivos projetos de federação e centralização monárquica melhor até culminar que a a com reforça construção a Constituição (uma da de 1946. Processo para urbano uma e das discursiva histórico-político municipalista com condição-problema construção do Brasil

investigação)

associação

discursiva

industrial (em desconstrução do Brasil rural agroexportador) produção industrial e, portanto, da própria

primeiras décadas do século XX até a consolidação no país do modo de urbanização, constituindo assim (ainda que genericamente) a estrutura econômica e social da Nação. Pensar sobre essa condição-problema, sobre como o municipalismo foi constituído ao longo do século XX, pode produzir uma lógica interpretativa que talvez desfaça (ou amenize) interpretações generalizantes sobre os processos históricos em relação aos períodos democráticos e autoritários do período; generalizações que correm o risco de colocar em profunda e uníssona contraposição os movimentos autoritários centralizadores do século passado com os movimentos de defesa municipalista da autonomia no mesmo período. Não que a contraposição não exista, mas surgem não apenas em tempos históricos distintos, com contextos demográficos, econômicos e sociais também repletos de especificidades. É preciso, do portanto, desses Estado empreender ao uma interpretação que do século pelas a XX. particularidades construção processos históricos longo perfizeram

Nacional

também

Particularidades que enunciam (possíveis) contradições, como foi a articulação entre agrarismo interpretação de Marcus (associado à ideologia antiurbana na e o municipalismo, sobretudo pela Melo)

210

Políticas Urbanas e Regionais no Brasil

referido texto “A Organização Nacional”: “para Torres. a instauração do regime federativo no país representou seu desmembramento e a exacerbação do isolamento dos municípios” (Melo. 2005: 168). podem sobretudo estar pela constituídas forte aquelas na vinculação interpretação de Marcus Melo. Partindo da consideração apresentada por Melo. na obra 63 “A . gerida por um Estado centralizado e controlador. uma fusão entre agrarismo e municipalismo federalistas de Tavares Bastos particularmente (autor de “A Província”) e de toda a orientação as que foram apresentadas por Alberto Torres no política liberal que fundamentou a Constituição Republicana de 1891. o trabalho de Torres deve ser interpretado com uma “crítica à não realização plena e à inviabilidade do projeto (utópico) de uma nação construída pela agregação de interesses individuais e grupos de caráter local” (Melo. Nas (possíveis) particularidades contradições. de ambos os autores (Torres e Vianna) com a ideologia antiurbana. próprio político das elites 63 Para Marcus Melo. pautados em suas narrativas pela defesa do Brasil agrário. 2008). de que o texto “A Organização Nacional” forneceu as balizas ideológicas do ciclo da Revolução de 30. por para “considerar um regime inexistir condição fundamental democrático. o texto “A Organização Nacional” forneceu as bases ideológicas da revolução de 30. e que a obra de Oliveira Viana está na base ideológica do próprio Estado Novo. sendo um governo autoritário a solução adequada para um país com as características do Brasil” (Bresciani. de Frisamos mas no que a contradição jogo não está na interpretação Melo. tal qual. Organização Nacional” de autoria de Alberto Torres (Melo. pela sua influência na formulação das políticas públicas da era Vargas. 2008) que está na base das críticas aos pressupostos Segundo Marcus Melo. as proposições de Oliveira Viana em suas no críticas Brasil a ao liberalismo vigente.“fusão” entre ambos na República Velha. Ainda conforme Melo. defendendo a conformação de um país com vocação agrária. 211 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . particularmente em relação a esse primeiro regime centralizado do século XX é que reforçamos a necessidade de realização da interpretação pelas particularidades. 2008).

pela 212 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . cujas atribuições eram elaborar a planificação País. que são. dirigir o “Setor Industrial” (SPI).nacionais. É o que se pode constatar. na verdade. marcado fortemente. portanto. em Federal 1942 que do de a Comércio criação entre orientar seus e Exterior” da (que tinha da entre suas atribuições. está no que foi a evidente preocupação com a questão industrial pelo próprio governo Vargas desde 1930. próprio Estado oligárquico que se rompe internamente. uma condução uníssona no próprio governo varguista. do “Conselho Novo. intimamente associado à degeneração do caráter nacional. pelas contraposições da sua base ideológica. em sua visão” (Melo. pelo tema do agrarismo introduzido por Torres e Vianna. transporte (Ianni. 2008) Não existe. também. Segundo Melo. Conforme Octavio Ianni. elétrica. inclusive considerada por Melo. “o debate ocorrido na década de 30. econômica. explicitadas no que Melo chamou de o debate ocorrido na década de 30. estudar as prioridades na distribuição para a indústria energia. como se sabe. “a Revolução de 1930 representa uma ruptura política e. O mesmo regime que tem em sua base ideológica pensadores que fundamentam sua interpretação do Brasil pela estrutura agrária como base de consolidação do Estado Nacional. Aliás. também se constitui por outras orientações e estruturações das instâncias governamentais. outro. é e os industrialização. necessárias de interpretação particularizada para sua efetiva compreensão. Econômica”. o campo das disputas políticas entre as elites nacionais. mas também como profundamente danoso ao país. combustível. industrial de setores. vigente social nas e cultural como o Estado é o oligárquico décadas anteriores. ou já no Estado com tinha “Coordenação o Mobilização de de Produção produção 1971:50). em que se alinhavam os críticos ideólogos das da indústrias artificiais por por um lado. por exemplo. Uma dessas contradições. a promoção de indústrias nacionais). portanto. programa industrial. O processo de urbanização era também visto não só como artificial. com a criação em 1934.

para o continuamente reforçada premissa pautado concentração. as classes mentalidade na economia interesses primária caracteristicamente (Ianni. produtivo caracteristicamente industrial. o Regime Militar de construção um modo monopolista foi do a estruturada “marca” o capital estrangeiro (Schmidt. por exemplo.. evitando (possível) generalização conclusiva de que o municipalismo não condiz. Assim sendo. inexiste. desvincula-se do jogo político nacional nos interstícios centralizadores do século XX. no que o modo de produção industrial representou para o primeiro. grande com a industrialização no Brasil no processo de consolidação monopolista economia baseada foi articulação Estado capital da pelo intenso internacional economia. como foram suas ações em relação a aos processos de industrialização substituição e de urbanização.e. particularmente naquele primeiro ciclo de expansão da Neste sistema momento. o Estado Novo. ainda que parcial. sobretudo industrialização (via exportadora” importação). Pouco a pouco. 1983). urbanos impuseram-se por sobre a mentalidade e os interesses enraizados 1971:21-22).impossibilidade de acomodarem-se as tensões e conciliarem-se os contrários pela crise econômica mundial e interna (. ou ainda.) E assim sociais consolidou-se de uma e vitória importante. da cidade sobre o campo. a De da – como de geral na um uma “nacionalismo economia e essa econômico e capitalismo no da nacional” (Ianni. 1971) . investimento em infraestrutura de energia e transporte direcionado consubstanciando processo de urbanização do Brasil . Nesse sentido. para o segundo. pela noção de nacionalização da produção e desenvolvimento 1964.mesmo que inicialmente atrelado 213 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .. é fundamental analisar. Estado Novo (incluindo o movimento golpista de 1930) e Regime Militar de 1964 não perfazem uma única unidade identitária amalgamada pela centralização política. chamamos atenção para a necessidade de pensar a construção discursiva autonomista municipalista em processos históricos autoritários e centralizadores que são em si distintos na base ideológica.

São Paulo foi o que mais explícita e intensamente aglutinou este contingente de transformações econômicas e urbanas – mas não unicamente. Nas pesquisas que Paul Singer realizou sobre São Paulo. o emprego urbano e seus aspectos demográficos podem ser detalhadamente apreciados em dois estudos publicados em ESTUDOS CEBRAP n. especialmente aquelas interessadas na interpretação das relações entre a economia e a urbanização. urbana de nas transporte áreas em público. De todos os municípios da região sudeste do país. cuja oferta fora criada pela expansão da indústria resultante dos referidos investimentos64. expansão periférica das cidades que esta migração acarretou.e neste movimento não só a relação campo-cidade. 64 Especificamente sobre a urbanização. movimento migratório em direção às áreas de atração de mão-de-obra para o mercado de trabalho industrial . entre 4. outras. 19. expansão saúde. geralmente relacionada à necessidade habitacional deste contingente populacional em crescimento – inicialmente migratório e posteriormente natural -. sobretudo pelas potencialidades comerciais e econômicas das terras urbanas para loteamentos. 214 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . pois é um processo nacional de mudanças delineadas a partir da segunda metade do século XX. muitas configuradas como vazios urbanas à espera de maior valorização. intensa horizontal especulação imobiliária interessada e associada a esse processo de transformação e expansão física das cidades. a economia urbana. “Aspectos Demográficos da Urbanização” de Felícia R. também transformado em agente de demanda por melhorias das na infra-estrutura lazer. 3. 2. cidades. mas de cidades de outras regiões do país para a capital paulista e demais cidades da região sudeste -. educação. 1977: ”Emprego e Urbanização no Brasil” de Paul Singer. Processo de urbanização também caracterizado por um conjunto de variáveis associadas às mudanças produtivas e espaciais da economia no país.às áreas de interesse (sudeste do Brasil) dos investimentos deste ciclo. entre as quais mencionaremos quatro que estiveram (de certa forma continuam) intimamente relacionadas aos debates urbanísticos e de planejamento urbano-regional nos municípios brasileiros a partir da década de 1950: 1. Madeira. crescimento da população urbana decorrente inicialmente deste movimento migratório e êxodo rural. a lógica da concentração espacial do capital na cidade é ainda mais claramente enunciada.

593 habitantes. que passa (deveria passar) pela cooperação entre os municípios que integram não somente a Região Metropolitana de São Paulo.Para Singer. que. o que determinou tal concentração foi a já existência na capital paulista mercado do maior parque formado industrial pela da do país. uma condição urbana que deve ser problematizada no contexto metropolitano65. no “grande regional do cafeicultura” independentemente norte do Paraná deslocamento cafeicultura para a partir da década de 1940. 2005a: 15). conforme dados do IBGE. com uma Estimativa da População em 2009 em 11.037. tempo conformando aí uma e “urbanização dispersa cuja triangular” 65 intensiva-extensiva Somente o município de São Paulo neste contexto metropolitana conta. mudanças cujo resultado é apreensível no perduraria até os anos de 1970 (Feldman. segundo Sarah Feldman. “continuou fortemente ligada a São Paulo. da constituição expansão espacial periférica da cidade e que reestruturação da centralidade”. segundo sua análise. cujo título prenuncia mediante uma indagação uma constatação negativa: “Regiões Metropolitanas: por que não cooperam?” (GARÇON. pautados pela infra-estruturação territorial do referido Juscelino Kubitschek”. Uma cidade caracterizada. e até São José dos Campos (pelo eixo da Rodovia Presidente ao mesmo Dutra). 215 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . já no final da década de 1940. o consubstanciado. pela “intensificação processo de da verticalização. população Paulo atingiu. a marca de dois milhões de moradores. 66 Convém enunciar o importante trabalho de Sol Garçon. cuja hegemonia no mercado nacional já não podia ser mais disputada” (Singer.244 habitantes. 2009). É neste contexto pela de mudanças econômicas do determinadas capital de São e da substancialmente “período concentração que espacial a produção.852. regional. mas que no caso brasileiro está delineado pela ineficiência e inexistências de processos de cooperação intermunicipal66 – no caso de São Paulo. a RM de São Paulo estava no ano de 2000 com 17. de articulação e cooperação entre as municipalidades para as soluções dos problemas urbanos comuns. 1987: 124). Portanto. mas também os Municípios da área urbana expandida até a Região Metropolitana de Campinas (ao longo do eixo das Rodovias Bandeirantes e Anhanguera). Em levantamento do Observatório das Metrópolis do IPPUR/UFRJ no Censo IBGE.

Este caso específico e não único no Brasil será mais detalhadamente analisado neste artigo no que concerne à desconstrução da cooperação intermunicipal pelas elites políticas e econômicas locais em defesa de um discurso competitivo-mercadológico pautada nos pressupostos preconizados pelos arautos do planejamento estratégico de cidades por exemplo. articuladas fisicamente à Ribeirão Preto por importante rede viária nacional (Rodovia Anhanguera-BR 050) e aérea. sobre a implantação do Aeroporto Internacional de Ribeirão Preto. um sistema de aviação regional com conexão nacional e internacional. Cooperação do do Intermunicipal. Sua inserção na economia global (gestada à partir da 67 Caso particular em que pensar a Cooperação Intermunicipal para o desenvolvimento regional deve extrapolar não somente os limites jurídicos dos municípios de um mesmo Estado. Perfazem cidades conformado articuladas às cidades definidas como centro regional. que está vinculada e polariza numa extensa e densa rede urbana de cidades médias e pequenas . é ilusão pensar que tal ineficiência do e inexistência usado são exclusividades por das grandes também médias concentrações regiões urbano-metropolitanas território brasileiras. mas necessariamente pensar uma macro-região sócio-econômica conformada também pelas cidades de Uberaba e Uberlândia no chamado “triângulo mineiro” (Estado de Minas Gerais). 4.são exemplos as cidades de Franca/SP – parque industrial calçadista -. o argumento da defesa dos “interesses do município” são colocados como defesa da sua autonomia. Araxá/MG – pólo turístico -.“amarração” (entre Campinas e São José dos Campos) se faz pela Rodovia D. Pedro. entre tantas outras. no interior do Estado de São Paulo.. municipalismo planejamento um pressuposto ao e mito ao histórico localista (oposição estratégico neomunicipalismo pós-88) Por outro lado e para agravar a situação. 216 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Neste discurso da competição das cidades no mercado global pela sobreposição econômica de uma cidade sobre a outra. Frutal/MG – pólo agrícola -. na gestão de diferentes Prefeitos. Sertãozinho/SP – pólo industrial sucro-alcooleiro -. neste caso. entre outros projetos urbanos que estiveram na pauta das propostas do governo municipal entre 1990 e 2009. São Carlos/SP – pólo industrial e científico . como é o caso da cidade de Ribeirão Preto e sua macrorregião67.

os Estados e o Distrito Federal a organização político-administrativa da República Federativa do Brasil. Tanto que é história municipalista município reafirmou na Constituição de 1988 (Art. O mediante que se pretende de é a conjunção da organização às dinâmicas regional locais. para o caso específico políticas urbanas contexto municipalista. as e discussões regionais e no encaminhamentos perfazem um longo tempo. Da Organização do Estado – Da Organização Político-Administrativa) o reconhecimento efetivo desta sua autonomia (sendo indissolúvel). cooperativa cultura intermunicipal para o planejamento regional. Um debate (interno às que instâncias possibilita institucionais Municipalismo Brasileiro) 217 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Entretanto. local que e a o municipalismo luta Brasil pela partir da chamada “Constituição Municipalista de 1946”. nacionais do garantir máxima captação recursos própria internacionais estruturar autonomia município. de pela para entre e portanto. outras) garantir deve. possibilitem políticas. 1950) e do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM. regional e nacional. Se ainda hoje no Brasil essas duas “culturas” estão por se dos forjar debates em sobre sua concretude. competição. mas que expedientes gestão articulada e respeitando suas particularidades. à época da criação da Associação Brasileira de Municípios (ABM. culturais. compondo com a União. 1946). assim como uma cultura local para o planejamento urbano. não se pretende qualquer financeira na encaminhamento que da o que abdique no da autonomia alcançou. Importante frisar nesse momento que um “risco” considerável dessa lógica mercantil de (promoção) produção do espaço urbano está na inviabilização da ação que garanta tanto a autonomia local. – a financeiros marca ou esportiva. remontando. a marca – empresarial. qualquer processo de cooperação intermunicipal para o desenvolvimento local. quanto a cooperação intermunicipal – contudo. dos Congressos Nacionais de Municípios Brasileiros (CNMB. arregimentar econômicas uma administrativas. sejam elas sociais. autonomia política sobretudo. antes um “risco”. 18. mas muito perto de um pressuposto perverso. urbanísticas. inviabilizando.marca da “individualização” da cidade em determinado contexto: marca cultural-patrimonial. Título III. do 1952).

densa) rede urbana que pode fazer parte dessa articulação atuando no processamento industrial da produção agropecuária antes do seu deslocamento ao mercado externo e mesmo interno. pois no (e âmbito das dos Congressos Nacionais Municípios Brasileiros Cartas Municipalistas resultantes dos Congressos) ou mesmo nas Revistas da ABM e IBAM. assim como a discussão sobre uma (superada. por exemplo. no Estado de São Paulo -. da cooperação intermunicipal como instrumento à prática do planejamento local. em meu entender) oposição-dicotomia-contradição entre campo e cidade. “zona rural”. como CEAGESP em São Paulo. o que pode ser considerado “campo” no contexto do crescente processo de ocupação e transformação do território. como é possível constatar na leitura das Revistas da ABM e IBAM) é a melhor enunciação do que está aqui definido como um mito (da defesa da ação) localista do municipalismo de brasileiro. como práticas correlacionadas na (contínua) construção da autonomia local e cooperação municipal na condução do desenvolvimento dos municípios na (necessária) oposição à fiscal como (suposto) instrumento de do desenvolvimento de guerra – local infelizmente enunciada e praticada (a guerra fiscal) pelas elites políticas como “instrumento” atração investimentos 68 Não faremos aqui maiores considerações sobre o (necessário e importante) debate em relação aos conceitos de “urbano”. pelos Portos ou Centros de Abastecimento. isso sem contar a necessária articulação desses dois pontos dinâmicos à uma malha rodo-aérea (física. Portanto. A noção de “espaço abstrato” está aqui referenciada na interpretação de Roberto Luis Monte-Mór (MONTEMÓR. Debate que considera.como o Porto de Santos. afinal. mas certamente não existe essa separação quando se pensa à partir das relações económicas e produtivas que existem entre esses dois pontos se vinculados à circulação (no espaço abstrato) do capitalcapitalismo mundial. pois não mais restrito à área urbana. à “área rural”) está fortemente vinculada à produção urbano-industrial. “cidade” e mesmo “município” que já perfazem os trabalhos desenvolvidos principalmente pelo campo disciplina da Geografia. Esse debate (interno às instâncias municipalistas. da cidade.e pontos dinâmicos de infraestruturas de circulação internacional dessa produção . por exemplo.como a realizada. 2008) em artigo sobre a Amazônica na (importante) coletânea “Brasil século XXI: por uma nova regionalização”. respectivamente. 218 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . pode existir ainda um “tipo” de separação-distinção física entre pontos dinâmicos dessa produção agropecuária .questionar uma defesa intransigente e comprometedora – quiçá equivocada – da autonomia local como ação “fechada” na dimensão intra-urbana do território. mas de toda a área do município)68 e planejamento regional. as abordagens sobre o meio “informacional” como realizado por Milton Santos. no Estado do Mato Grosso . “região”. principalmente aquela monocultora e extensiva voltada ao mercado internacional? Nesse contexto. portanto) que atravessa extensa (e em alguns partes do território. quando a própria produção agropecuária (comumente “associada” ao “campo”. o que se verifica é a defesa da articulação regional. planejamento urbano (intramunicipal.

2001). a Associação Brasileira dos Municípios. Rio de Janeiro (1957). responsável decisiva pela rearticulação do Movimento Municipalista pós-1946 e pela implementação do Congresso Nacional dos Municípios Brasileiros. sobretudo em parte importante dos documentos produzidos pelo Movimento Municipalista Brasileiro: as Cartas Municipalistas.B. mas esse recorte temporal está vinculado à pesquisa que coordeno e desenvolvo (“Urbanismo e Movimento Municipalista no Brasil: discussões e proposições urbanísticas nos Congressos Nacionais de Municípios Brasileiros. a A. que em seu primeiro evento. ainda por ser “originada” ou “inventada” como instrumento a reverter as lógicas da competição entre cidades e da guerra fiscal. em especialmente vista dos diante pesados dos altos custos que estas alterações têm implicado. pautando inclusive o argumento pela (suposta) geração de empregos. desde que na competição entre as cidades – preconizado no “planejamento estratégico de cidades” -. Uma alternativa à constante e contínua desestruturação das relações cooperativas intermunicipais não está. Tal alternativa já estava presente no próprio discurso municipalista brasileiro (e iberoamericano também). São Vicente (1952). 1946-1964”) no Grupo de Pesquisa em História do Urbanismo e da Cidade (GPHUC) na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. define a associação como órgão oficial das municipalidades. 71 A A. esta geração poder ser. No dia 15 de março de 1946 é instalada. resultantes dos Congressos Nacionais de Municípios de Brasileiros. Recife (1959) e Curitiba (1963).M teria poderes e direitos para 219 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . “considerada retornos desprezível. São Lourenço (1954). 69 O que essas mesmas elites políticas que governam as municipalidades não consideram (ou não interesse considerar. como já analisado por Ana Cristina Fernandes em artigo publicado na Revista Espaço & Debates nº 41. Entretanto. surgiu a partir dos trabalhos de uma Comissão Nacional designada em março de 1945 pela Comissão Pan-Americana de Cooperação Municipal da Junta Diretora do Congresso Interamericano de Municípios.B. Nessa sua condição de representatividade oficialmente deliberada e determinada segundo o texto da Reforma dos Estatutos da Associação Brasileira de Municípios. nesse sentido. publicado no Relatório do II Congresso Nacional dos Municípios Brasileiro – realizado em São Vicente no ano de 1952 -. uma cidade adversária seja banida do mapa da locação de investimentos privados interessados em determinado suporte infraestrutural territorial existente para a manutenção da (re)produção contínua do capital) é que os custos sociais da guerra fiscal são muito maiores que seus (supostos) “benefícios”. na cidade de Petrópolis. 70 Os congressos ocorrem nas seguintes cidades brasileiras: Petrópolis (1950). Ocorreram outros Congressos. no Rio de Janeiro.M. em termos de fiscais incentivos disponibilizados pelo governo local aos novos investimentos" (FERNANDES.financeiros69. (principalmente os que ocorreram entre 1950 e 196370) organizados pela Associação Brasileira de Municípios71.

O município de implementar no país o plano organizado e apresentado pela Carta de Princípios. Todos os interessados nos problemas objetivando municipais a construíram das importante duas campo de debates implementação recomendações mencionadas. mas sim ao planejamento regional uma vez que a distinção entre zonas rurais e urbanas não tem sentido senão para o levantamento de informações. 220 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . especialmente até o Congresso realizado em Curitiba no ano de 1963. 1950). determinou que as teses apresentadas devessem versar sobre alguns assuntos específicos. duas merecem destaquem por conduzirem as proposições da “Carta de Princípios. Direitos e Reivindicações Municipais. Nas conclusões apresentadas pelos congressistas que estiveram em Petrópolis. Tais pressupostos orientaram as ações da Associação Brasileira dos Municípios – fundada em abril de 1946 – ao longo dos vários congressos que ocorreram no Brasil. denominada Carta de Petrópolis. perdendo sua razão de ser sempre que se trata de elaborar um Plano Diretor. realizado em Petrópolis no ano de 1950. sociais e culturais da comunidade”. resultante do I Congresso em 1950. 2009).O “Manifesto e Regimento Interno do I Congresso Nacional de Municípios Brasileiros”. dentro do qual existe uma inevitável inter-ligação de problemas urbanos e rurais cuja solução de conjunto é preconizada pela doutrina técnica de urbanismo” (ABM. entre eles “Agrupamento de Municípios para solução dos problemas regionais”. Direitos e Reivindicações aprovadas: 1) “os Municípios brasileiros reconhecem a necessidade de planejamento participação 2) “É e da consideram-no administração a indispensável municipal de que nas Planos se a melhor atividades Diretores uma Municipais” (Carta de Petrópolis) que foram econômicas. O Urbanismo não pode mais ser ater ao objetivo de mera reforma de cidades. Todas pautadas e apoiadas na regulamentação da autonomia política e financeira determinadas pela Constituição de 1946. inadiável ou elaboração no caso em Municipais Regionais impuser solução de conjunto para dois ou mais municípios vizinhos. Outras informações no artigo “Urbanismo e Municipalismo entre a Associação Brasileira de Municípios (ABM) e o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM): a construção institucional do municipalismo brasileiro pós-1946 e os “problemas técnicos” de urbanismo” (Faria.

221 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . ocorrida no dia 14 de agosto de 1954 (documento manuscrito). 2001: 96-101). n. Ainda que pouco detalhada em sua conceituação. C. o planejamento é. Ano XVII – 2001. Na palestra José de Oliveira Reis afirmou ser necessário: “planejar todos os atos da atividade humana. apresentado na 157ª Sessão da Câmara Municipal de Ribeirão Preto. está na compreensão que o engenheiro José própria atuação ele denominou de “planejamento social”. foi 72 criada a Comissão Especial do Plano Diretor de Ribeirão Preto . integrou o Constituição. que é a região ecológica. também. pela iniciativa de seus vereadores. Essa Comissão foi a responsável pelo convite ao Diretor do Departamento de Urbanismo do Rio de Janeiro (Engenheiro José de Oliveira Reis). que a arte de construir cidade na sua restrita concepção foi hoje ultrapassada para abranger todo o município e. a noção de região ecológica certamente enuncia e reforça a necessidade de não se pensar mais na distinção (já apontada) entre campo-cidade. Através de requerimento de autoria do Vereador J. associação de engenheiros. Reis fez o da mais importante escala a de ser reforçado do para que a discussão aqui delineada. 41. para realizar uma consultoria e avaliação dos encaminhamentos do primeiro Plano Diretor de Ribeirão Preto de 1945.. Vê-se.. G. Entre as atividades que ele realizou em 1955 a pedido da Comissão Especial do Plano Diretor. extendendo-se por toda a região ecológica” (Reis. ir além. E mais ainda.] é isso que se propõe o Urbanismo dentro da nova técnica de planejamento Social.73 Deste de Oliveira enunciado. Marques Ferreira.Ribeirão Preto. ordem dos advogados nacional e demais ações profissionais a partir pelos também desta movimento arregimentado suas consubstanciando pressupostos municipalistas da Carta de Petrópolis. 73 O texto da palestra de 1950 foi integralmente na Revista Espaço & Debates. uma delas foi norteada pelas duas conclusões do I Congresso Nacional de Municípios Brasileiros: a palestra “Urbanismo e sua influência no município”. rompe com 72 as limitações comumente determinantes da (quando existente) Requerimento 347. ao apontar para uma dimensão pouco comum (a ecológica). Por isso mesmo. então. uma nova técnica social [. É mais do que dar um bonito plano de cidade no papel e cuja execução fica muitas vezes na aspiração. Biblioteca da Câmara Municipal de Ribeirão Preto. tendo o município e sua relação com outros municípios a base para o planejamento.

das (necessárias e desejadas) trocas equilibradas e entre (recusa as ao termo em “sustentáveis”. Como afirmado anteriormente. em Madrid no ano de 1955: “Problemas de las grandes concentraciones urbanas desde el punto de vista de la organización administrativa y de la gestión urbanística”. que é a escala local total “campo-cidade”. quais sejam. subsídios Brasileiro: nacional à regiões de particularidades (sejam elas. onde se efetivam as autonomias locais. até o passando pelo planejamento das regiões metropolitanas (atualmente jurisdição implementação legal Estados) planejamento urbano-regional. coordenada por um importante profissional espanhol. que é também político e vinculado às dinâmicas econômicas. tanto pelos importantes cargos públicos ocupados em sua trajetória 222 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Em região ecológica está o espaço social. é possível constatar tais objetivos em duas ocasiões específicas do debate municipalista iberoamericano. sociais. sob a União. no âmbito do Instituto de Estúdios de Administración Local. plano e desenvolvimento pelos regional. geológicas. que essas intencionalidades não precisavam de uma “invenção”. entre devem fornecer (no do caso políticas e urbano-regionais circunscritas e associadas às diversas “escalas” da estatal Portanto. de Municípios Distrito Federal). pois já enunciadas e debatidas. A primeira. climáticas. de desgastado marketing cujas conceitualmente competitivo) outras) ação transformado municipalidades. D. mas intramunicipal. Pedro Bidagor Lasarte.articulação intermunicipal. não mais pensado como categoria intraurbano – muitas vezes revestido de individuação e distinção do seu entorno até então denominado (será ainda possível assim denominálo?) “campo” -. à época Jefe Nacional de Urbanismo. instrumental conformando implementação Estados. Sua presença no Congresso reforça a importância dos debates urbanísticos no âmbito do Movimento Municipalista Iberoamericano. quando as principais questões municipais em suas diversas instâncias foram abordadas na primeira das quatro áreas temáticas do “I Congresso Iberoamericano de Municípios” (cuja denominação mais específica é “Congressos Hispano-Luso-Americano y Filipino de Municípios”). a jurídica e a administrativa.

a questão regional. o “Plan General de Ordenación de Madrid”. Segundo Lasarte75. la totalidad de um término municipal. qual seja. Em seguida se aprecio que si bien el organismo urbano quedaba plasmado dentro dels âmbito comarcal. las vinculaciones entre las diferentes urbes de uma región. Jefe Nacional de Urbanismo – 1949/1956. Madrid: IEAL. evidentemente. “el espacio de influência del planeamiento urbanístico há passado. obteníndose así la necessidad de formular planes regionales y nacionales de urbanismo”(Lasarte. 74 75 In: Servicio Histórico do Colégio Oficial de Arquitectos de Madrid In: Crônica del I Congreso Iberoamericano de Municípios. publicada nos Anais do I Congressos Iberoamericano de Municípios.profissional (jefatura de la sección de Urbanismo de la Dirección General de Arquitectura del Ministério del Gobiernación em 1939. realizado em Lisboa no ano de 1959. su comarca de influencia. em texto que José de Oliveira Reis retoma o argumento da necessidade de pensar o planejamento em diversas escalas territoriais – o artigo apresentado é na verdade uma nova versão de um texto apresentado no VII Congresso Interamericano de Municípios da OICI. y de la nación entera. eram tan fuertes que. luego. no Rio de Janeiro em 1958: “a interdependência existente entre o planejamento local. estadual. regional. Director General de Urbanismo del Ministério de la Vivienda – 1957/1969). urbano. 151. suburbano. p. 1956: 151) A segunda das ocasiões ocorreu no II Congresso Iberoamericano de Municípios. más tarde. su desarrollo se condicionada por exigências y limitaciones mutuas. Director Técnico de la Comissária General de Ordenación Urbana de Madrid – 1945/1556. pela cooperação entre as municipalidades. de abarcar primer ola periferia.74 Em seu texto introdutório da temática “Problemas de las grandes concentraciones urbanas desde el punto de vista de la gestión urbanística”. 223 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Bidagor Lasarte discute uma das questões centrais ao Movimento Municipalista em relação ao planejamento urbano. aprovado em 1944 pela Lei de 25 de novembro. quanto pelo importante trabalho urbanístico realizado entre 1939 e 1942. que requerían uma visión conjunta y superior. em rápido sucesión. dirección de la oficina Técnica de Reconstrución de Madrid. metropolitano. 1956.

para afirmar críticamente que serão sim impossíveis se mantidas as mesmas orientações na ação dos poderes da públicos locais local e justificadas do (com o argumento) do pela A defesa autonomía desenvolvimento municipio. mostra que se. no Estado de São Paulo.76 No caso específico a partir do da texto de da José de Oliveira Reis. coletivos entre regionais dos associados às problemáticas comuns (seja ambiental. p. infraestrutural. como mencionou José de Oliveira Reis. outras) municípios pensados na lógica da cooperação intermunicipal. há limitações de áreas. 1959. qual seja. A partir dessas considerações é importante retomar a pergunta (dúbia) do sub-título – “(im)posibilidades de desenvolvimento regional para os municípios Brasileiros?”. não se efetivarão. principalmente no contexto indicação escala “internacional”. que devem manter um íntima colaboração”. por permite uma aproximação com as problemáticas atuais dos municípios daquela referida e competição internacional as investimentos. mistas Nesse de planejamento os de poderá ou conseguirá ser contexto interesses transporte. entre Estados distintos.nacional e internacional. 224 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . política e administrativamente.nessa ação? É possível consubstanciar por essa ação algum tipo de cooperação intermunicipal? – a ação aqui 76 In: Crônica del II Congresso Iberoamericano de Municipios. dificilmente a construção de comissões instituída. No contexto da chamada “guerra fiscal” em que os Estados e Municípios brasileiros estão inseridos. afirmativa crítica aquí será delineada pela análise de um exemplo entre algumas dessas ações no municipio de Ribeirão Preto. estaduais e municipais. na realidade esses limites são ultrapassados no estabelecimento dos planejamentos. ou ainda. “Cooperación Intermunicipal”. uma competição destrutiva das relações cooperativas associativas entre diversas municipalidades de um mesmo Estado. habitacional. para tentar responder a outras duas preguntas: qual o lugar do Planejamento Regional – como possibilidade de implementação da cooperação intermunicipal . base da própria denominação da organização municipal iberoamericana. Madrid: IEAL. 373. de uso do solo. Para conciliar os interesses jurisdicionais dessas limitações. tem-se proposto a criação de órgãos planejadores em âmbitos nacionais. No caso brasileiro.

que o tamanho da pista fosse mantido. 77 (preferencialmente) naquela região Alta Mogiana-Triângulo Mineiro – mencionada em nota de rodapé de conjuntos habitacionais custos de distantes urbanização das aos áreas cofres acarretando elevados Conforme materia publicada no Sitio Eletrônico do Jornal A CIDADE. conforme acordo entre Ministério Público. portanto. O primeiro deles está justamente atrelado à localização do aeroporto em área (na atual conjuntura da expansão física do sistema viário) próxima ao centro de Ribeirão Preto – inclusive uma área interna ao anel viário que há muito tempo foi tomado pelo processo equivocado de implementação centrais. na quinta-feira. decorrente também da retirada. O promotor regional do Meio Ambiente. públicos. na cidade. Sergio Augusto de Arruda Camargo.php?t=540431. A discordância pode recair em dois aspectos importantes.com/showthread. Pesquisa realizada dia 10/02/2010. conforme informação de Hélio Pelissari no sitio eletrônico http://www. no dia 16 de dezembro de 2009 (retomando. dentre outras coisas. o governo do Estado e o Daesp. tanto que 77 a campanha pela internacionalização do Aeroporto Leite Lopes quanto perene mais de uma política que regional. Marcelo Pedroso Goulart.67. disse nesta segunda-feira que o assunto já está encerrado e que não há mais o que se discutir depois de um acordo fechado no ano passado entre o Ministério Público.referida é a Internacionalização do Aeroporto Leite Lopes. “A Prefeitura de Ribeirão Preto vai reabrir a discussão com o Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo) sobre o projeto para internacionalizar o aeroporto Leite Lopes para cargas e passageiros. constatação problemática inexistência internacionalização do Aeroporto Leito Lopes de Ribeirão Preto . explicitando. reforçamos a pergunta acima para seguir na análise: qual o lugar do planejamento urbano-regional na região de Ribeirão Preto? Não existe este lugar. Partindo dessas considerações.” Pesquisa realizada dia 10/02/2010. que não estamos apresentando no município posição ou contrária a um aeroporto macrointernacional n.skyscrapercity. O documento prevê. porém (para que não ocorram críticas desavisadas). Governo do Estado de São Paulo e DAESP. que na verdade não está atrelada a uma única gestão. A oposição é a um aeroporto internacional na cidade. 225 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . adentramos É pela a está dessa da 78 totalmente desconectada de qualquer política pública substancial. a defesa da internacionalização). do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. por parte do Departamento Aeroviário do DAESP. 78 Ainda que atualmente (referência ao ano de 2009) o processo de internacionalização esteja parado. mas é defendida pelas elites econômicas do Município de Ribeirão Preto. A discussão será retomada durante encontro da prefeita Dárcy Vera (DEM) e secretários com o superintendente do órgão.

tal qual a RIDE-Distrito Federal no Brasil79 . portanto. alterado pelo Decreto nº 3. podem alteração devem não.710. da lógica da guerra fiscal como “instrumento” dessa ampliação. como é o caso das RIDEs (Regiões Integrada de Desenvolvimento). dos Estados de Goiás e de Minas Gerais e do Distrito Federal. criada pela Lei Complementar nº 94. para o projeto. é constituída pelo 226 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . renda. é fundamental traçar um programa determinado por variáveis econômicas e regionais inerentes à implementação de uma política econômica relacionada à geração de empregos e. para efeitos de articulação da ação administrativa da União. desvinculada. de 04 de maio de 2000. da do habitacionais atual que mínimas) e ou localizadas viário. Condução intermunicipal. internacionalização equacionamento da problemática habitacional dos moradores da região Por outro lado. Condição que a Política Nacional de Regional parâmetro ampliação (PNDR) para das abordada diretrizes pela regionais ação (coordenadas cooperação Federal).445. entretanto. sub-moradias de ser sistema feitas como o deslocamento (necessário não apenas para a implantação do aeroporto. aeroporto.A implementação da Internacionalização do Aeroporto acarretará (caso exista a retomada desse projeto e sua possível efetivação) ações mas públicas criar no entre de expansão da pista de pouso de e decolagem. pela cooperação entre Municípios e Estados (caso das Regiões Metropolitanas) e pela cooperação entre Estados distintos através dos Municípios que perfazem uma mesma região administrativa. obra e operacionalização do porte de um Aeroporto Internacional. Ações independentemente do aeroporto.ainda que pouco efetivas na condução e articulação de políticas públicas interestaduais. A dimensão continental do Brasil deve conferir às ações sobre o território usado um caráter de articulação regional. para condições entorno outras. (um sobretudo como a variável de pode para o infraestrutural Desenvolvimento representar pelo Governo como e desenvolvimento circulação aeroporto) inicialmente condução dinâmicas pautada na das elemento (re)conexão de redes urbanas. pensadas como instrumentos de cooperação de intermunicipal. mediante ampliação das atividades econômicas produtivas de toda a região. de 04 de agosto de 1998. de 19 de fevereiro de 1998 e regulamentada pelo Decreto nº 2. 79 A Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno – RIDE/DF.

2001: 296-345). pelos municípios de Abadiânia.gov. que envolva municipalidades. Pirenópolis. Cabeceiras. Buritis e Cabeceira Grande. Cristalina. Santo Antônio do Descoberto. Padre Bernardo. distante Distrito Federal. Água Fria de Goiás. coletar rendas mais elevadas ou capturar riquezas ali produzidas por aqueles na posição adequada para tanto” (Fernandes. construiu-se uma homogeneização discursiva interessada das “elites do crescimento” para os quais “a cidade é uma máquina de crescimento. a partir da qual pode-se promover uso mais intenso da terra. como Bauru. e de Unaí.br/programas/desenvolvimentodocentrooeste/ride/index. Entretanto. Planaltina. Luziânia. Alexânia. A discordância principal está construída pela constatação da incapacidade de pensar o aeroporto como um programa político regional. Valparaíso de Goiás e Vila Boa. no Estado de Minas Gerais. Pesquisa realizada dia 11/02/2010. no Estado de Goiás. como defesa da autonomia do município em relação à acirrada competição econômica que dominam as agendas dos agentes públicos – interessados na inserção competitiva das suas localidades no âmbito do “espaço abstrato do capitalismo mundial” (Monte-Mór.asp. Águas Lindas de Goiás.mi. argumento que reduz drasticamente as possibilidades de crescimento regional. Novo Gama. profissionais e a sociedade em geral.Chego ao ponto no qual é oportuno apresentar mais especificamente a discordância ao aeroporto internacional na cidade de Ribeirão Preto. Formosa. que seja em um décadas dia acarretarão implantado) ao (caso o aeroporto da área entorno internacionalizada. pois pensado pelos seus promotores como elemento de transformação (exclusivamente) local. 2004). Corumbá de Goiás. pelo próprio processo de crescimento físico da 227 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . O discurso da internacionalização do Aeroporto Leite Lopes recaiu desde o início no argumento equivocado da competição entre as cidades por maiores investimentos. No argumento de que Ribeirão Preto não pode perder o Aeroporto Internacional para cidades vizinhas ou de outras regiões do Estado de São Paulo. Mimoso de Goiás. justificado por estes mesmos promotores. In: http://www. empresas. Cocalzinho de Goiás. Não estou nem mesmo adentrando as necessárias considerações urbanísticas internacional cidade. Cidade Ocidental. pois não pensado como um programa consorciado de investimento mútuo entre as municipalidades.

Araraquara.da noção de desenvolvimento pautada no binômio competição- crescimento entre os municípios (é o que defendem as “elites do crescimento”) de uma mesma região administrativa. entremeadas por sistemas regionais aéreos (Uberaba. ou. São Carlos. que poderia ter Ribeirão Preto como sede dois articuladora pólos da macrorregião – região Mogiana-Triângulo quando Mineiro. e aqui vai uma proposição. como afirmou José de Oliveira Reis lá nos idos de 1955. Triângulo Mineiro Uberlândia Uberaba Franca Belo Horizonte Ribeirão Preto Vitória Rio de Janeiro São Paulo Duas regiões articuladas por um sistema rodoviário tronco que é a Rodovia Anhanguera/BR-050. com os regionais ecológica extrapolados (limitados) sistemas jurídicos de definição dos limites municipais – de extrema importância para a economia nacional: Ribeirão Preto e Uberlândia. transpostas pelo sistema fluvial do Rio Grande e outras ramificações fluviais. um sistema ferroviário com ramificações nacionais. um Aeroporto Internacional da Alta Mogiana de São Paulo. Franca). além de sedes de 228 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Talvez. de uma “região ecológica”.

Porém. por conseguinte. –.importantes sistemas de produção do conhecimento técnico-históricobiológico que são as universidades. o que é mais provável. Universidade de São Paulo/São Carlos. que os recursos ruas. o amálgama que vai reunir os seguimentos dispersos da sociedade local é o argumento tradicional dos novos empregos que as ações da coalizão vão gerar. 229 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . dos investimentos em hospitais. praças. 81 Idem. são deslocados creches. para a atração destes para a coalização”. ibidem.. de grande importância. malgrado todas as desregulações empreendendo emprego da vida cotidiana com este ser que fim a escala de local vem justo atrair novos investimentos [. Universidade Estadual Paulista/Franca. Universidade Federal do Triangulo Mineiro/Uberaba. especialmente diante dos altos custos que estas alterações tem implicado. interessadas na manutenção da competição que degrada economicamente os municípios pela locação de recursos públicos em incentivos para as empresas se instalarem nas municipalidades. Universidade Federal de São Carlos. argumento compreensivelmente de grande apelo entre os trabalhadores. seus ativos estão nas cidades por elas dominadas politicamente. pelos seus interesses nos benefícios públicos gerados para a implantação de seus empreendimentos privados pagos pelos cofres públicos – IPTU por exemplo escolas. Justificativa para tal posição? “Com não podia ser diferente. as “elites do crescimento” estão estruturas localmente. em termos de retornos fiscais (em vista dos 80 Universidade Federal de Uberlândia.] Alterações significativas no nível de local pode considerado desprezível.. transporte coletivo. Novos empregos? “A noção de que o crescimento produz empregos esbarra numa evidência concreta: são as políticas macroeconômicas exercidas na escala geográfica nacional que exercem maior efeito sobre o nível agregado de emprego.81 O problema é que essas mesmas “elites do crescimento” desconsideram por ingerência ou. particularmente as públicas80. Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto.

diretor-superintendente da Tead Brasil. pois destituídos de um programa 82 83 RUBEL Thomas. Por maiores que sejam os benefícios da implantação do Aeroporto Internacional.com.82 Obviamente que um sistema de engenharia como um Aeroporto não pode ser pensado da em termos de de custo. Eles não são e não serão “pessoas com capacidade de gasto e ansiosas por absorver serviços” como afirmou o Secretário de Planejamento84 da gestão Antônio Palocci à época da elaboração de outro projeto urbanístico em Ribeirão Preto: o Vale dos Rios. 27 out. tais como a de que “precisamos construir o produto será Ribeirão Preto e vendê-lo. Mantida a lógica da competição pela implantação do aeroporto emoldurada pelo discurso estratégicocompetitivo que marcou e marca as últimas administrações municipais de Ribeirão Preto. Isso certamente tornará os projetos ali alocados sustentáveis do ponto de vista econômico por atrair pessoas com capacidade de gasto e ansiosas por absorver serviços”.br. e hoje ecoa pelos discursos inerentes aos mais desavisados (talvez interessados?). Informação publicada no Jornal Tribuna de Ribeirão. eles serão inócuos.pesados incentivos disponibilizados pelo governo local aos novos investimentos)”. ibidem. e “Tribuna de Ribeirão. 29 mar. impossível pensar exeqüibilidade política regional de desenvolvimento.] O adensamento de atividades nesses setores realinhará. empresa vencedora da licitação para a construção do terminal alfandegado no Leite Lopes. 2002”. a vocação da área. mas de investimentos. 84 “De nada adianta algumas tentativas de melhora na infra-estrutura que não contemplem uma inversão de tendências e procurem atrair novamente as pessoas (consumidores) para o centro [. num sistema de delineadores que várias inserção determinada o integrem região circulação internacional. Continuar no caminho que passa pelo interesse em “vender a mercadoria Ribeirão Preto” com projetos como a Internacionalização do Aeroporto Leite Lopes. Idem. inequivocamente. caderno Folha-Ribeirão. Pensado como um sistema macrorregional em municipalidades jurídico-administrativoeconomicamente poderia promover a redução dos gastos públicos que obra de tal dimensão acarreta. 2001. 230 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil .tribunaribeirao. www.. Informações que constam de reportagens dos jornais “Jornal Folha de São Paulo. em nada contribuirá para o crescimento e desenvolvimento integral do Município.. para mudança das condições de habitabilidade de parte substancial de moradores ainda locados em favelas ou morando nas ruas da cidade. a com o aeroporto de uma internacional”83.

br/palavra. Uso e Ocupação do Solo.php.86 85 86 www. precariamente reformada. intermunicipal e interestadual. O que existe em Ribeirão Não Preto é a é sua do o que falta. Nada comparado à qualidade de aeroportos dos Municípios de Londrina e Maringá no Estado do Paraná ou Uberlândia no Estado de Minas Gerais. estou mas e a denominando manutenção uma suas de da (des)planejamento. todos com as características de um sistema regional de circulação aeroviária articulados ao sistema nacional e internacional de aeroportos em função das conexões estabelecidas pelas companhias aéreas.org. regularizações interessadas às “elites do crescimento”. indicativo problema nesse ampliado sentido. de crescimento físico. nos 65 anos que nos separam do Plano Diretor elaborado por José de Oliveira Reis em 1945. como pensar a possibilidade de um debate para implementação do planejamento regional? Não foram. por que fim. Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto – Engenheiro Wilson Laguna -. e. um aeroporto tenha (o atual) por totalmente reforma e ainda recentemente passado ampliação do terminal de passageiros.aeaarp. 231 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . precariedade habitacional. sendo também aprovada a Lei Complementar do Código de Obras. a cidade foi cotidianamente transformada por decretos. porém ainda degradada e inadequada para a sobreposição do sistema de transporte municipal. Não existe “falta de planejamento” nas cidades. (des)interessada crescimento resultantes: rodoviária enchentes. quão as questões urbanas transcorrem deslocadas demográfico municipal: “após 35 anos de discussão foi aprovada e sancionada a Lei Complementar de Parcelamento. 35 anos de falta de planejamento como a imprensa e a maioria das pessoas costumam confirmar. já que parece inexistir qualquer pelas Indiretamente podemos auferir palavras (à época do debate sobre esses projetos) do Presidente da Associação de Engenharia. leis. de econômico e pela inexistência política urbana planejamento urbano.regional. Esse foi um grande avanço para a cidade e representará maior disciplina para a análise dos processos de viabilidade e aprovação das obras”. Nos 35 anos ou.85 Sendo essa a dinâmica temporal dos encaminhamentos do do do processo município. obsoleto. para ampliar a dramaticidade do problema. contudo. especulação pobreza.

Um aeroporto que não precisa estar dento do perímetro urbano do município de Ribeirão Preto efetivado pela simples ampliação da pista de decolagem e pouso. estaduais atual Federal. e segundo Jorge Wilhein. o Plano Regional “constitui um instrumento de suma importância à atuação do Conselho de Desenvolvimento Regional da Região Administrativa de Ribeirão Preto”. O problema é o planejamento regional. O Plano Regional desenvolvido pela Secretaria de Economia e Planejamento do Governo do Estado de São Paulo em 1978. Jorge. Qual a localização exata para essa obra? Os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) . quero dizer. cujos objetivos básicos são o controle do crescimento e recuperação de qualidade de vida da Região Metropolitana e a atenuação dos desequilíbrios regionais no território paulista”.Estudos de Impacto de Vizinhança (IEV) seguidos de seus respectivos Relatórios de Impacto do Meio Ambiente e Relatório de Impacto de Vizinhança talvez pudessem apresentar uma alternativa estudos locacional. Esse aeroporto deve estar na “região ecológica” que perfaz o município de Ribeirão Preto com os outros municípios. a inexistência dele. ou melhor. porque o problema não é o aeroporto.Alguma contradição em terminar apontando a necessidade de se repensar o aeroporto após discorrer e enunciar discordância até aqui? Não. intermunicipal.VII. sua incapacidade de receber passageiros adequadamente ou de cargas como se pretende inicialmente para a internacionalização. Plano Regional de Ribeirão Preto. Ainda segundo Wilhein. aprovado em 23 de janeiro de 1976 pelo Conselho do Governo.p. Governo do Estado de São Paulo – Secretaria de Economia e Planejamento / Centro de Informação Documentária e Coordenadoria de Análise de Dados. Secretário de Estado dos Negócios de Economia e Planejamento à época da elaboração do Plano Regional de Ribeirão Preto. A Coordenadoria de Ação Regional estava nesse momento sob a responsabilidade da Professora Maria Adélia de Souza. conhecimentos interesses sobre 87 constituído que tenha de por regional um com – sistema políticas novamente Regional de gestão e à interação federais referência do de desenvolvimento Nacional Política Desenvolvimento Governo planejamento regional. para entenderem a complexidade da definição 87 Importante mencionar (intenção destituída de qualquer análise sobre os possíveis aspectos qualitativos) algumas experiências de políticas regionais realizadas no Estado de São Paulo que incorporaram o Município de Ribeirão Preto. 232 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . É fundamental pensar sim num programa de implementação de um Aeroporto Internacional Intermunicipal a partir de um programa regional de desenvolvimento. In: WILHEIN. através da Secretaria de Economia e Planejamento vem implementando a Política de Desenvolvimento Urbano e Regional – PDUR. 1978. “o Governo do Estado de São Paulo. caso os técnicos e que elaborarem estes o tenho informações.

O discurso municipalista contemporâneo deve subtrair de seu arcabouço o que foi aqui denominada “mito localista”. necessidade articular administrativamente. É nesse contexto que deve ser promovida a autonomia indissolúvel e cooperação em nada intermunicipal. apenas para a competição. É. focada na redução das desigualdades (respeitando suas diversidades) que existem também em regiões dinâmicas da economia e do território nacional. pensada importante categoria sistema de engenharia da circulação. de política urbana e regional. uma questão de decisão política. o pois historicamente das o municipalismo como parte brasileiro fundamental de e do e uma iberoamericano sempre estiveram pautados pela necessidade de pensar desenvolvimento localidades pela desenvolvimento regional. Um município não urbanisticamente. Um aeroporto internacional pensado no âmbito de uma política urbana Mogiana e regional é o que pode Nesse contribuir contexto com a geração favorável do à de desenvolvimento do município de Ribeirão e de toda a região da Alta -Triângulo Mineiro. econômica). desse como pois sou sim internacionalização local.de um “local ideal” para o (aqui anteriormente proposto) Aeroporto Internacional da Alta Mogiana. pois o crescimento equilibrado das microeconomias locais se substantiva na circulação das pessoas. aonde insistentemente pretendem estar as “elites do crescimento” do Município de Ribeirão Preto. das mercadorias e do conhecimento. unidade isolada em si mesmo. 2004). No “espaço abstrato do capitalismo mundial” não existe “lugar” para a cooperação. ou seja. social. 233 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . nos usos do território vivido e não naquele do “espaço abstrato do capitalismo mundial” (Monte-Mór. pode ser pensado politicamente politicamente como economicamente as municipalidades. portanto. ações isolacionistas localistas beneficiarão os municípios. desvinculado da sua inserção regional (geográfica.

Luciano. M. Carleial.1. Moreira.. C. In: Regiões de cidades. 1a. Ministério do Planejamento e Coordenação Econômico. Faria. In: Limonad. “O desafio urbano-regional na construção de um projeto de nação”.. Antonio Carlos Figueiredo Galvão. Araújo.. “José de Oliveira Reis. IFCH-UNICAMP. 2005. urbanista em construção: uma trajetória profissional no processo de institucionalização do urbanismo no Brasil (1926-1965/1966)”. Organizadores Maria Flora Gonçalves. Associação Brasileira dos Municípios. Política Nacional de Desenvolvimento Regional: uma proposta para discussão. Rio de Janeiro. Luciano. regional no Tânia Bacelar In: de. 1950. Brasília: Serviço Gráfico do IBGE. 2003. Nabco. R. ed. 2004. agentes. 28-53 Araújo.. E. de L planejamento M. São Paulo: Editora Unesp: ANPUR. escalas. B. no 234 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Rodrigo Santos de. Presidência da República. São Paulo: Max Limonad. Haesbaert.. BRASIL. p. A. Século XXI .). São Paulo: HUCITEC/ANPUR. Brasil”. “Carta de Princípios. Organizadores Maria Flora Gonçalves. Antonio Carlos Figueiredo Galvão. Brasil. Brasília. “A experiência L. São Paulo: Editora Unesp: ANPUR. 2003. Carlos Antônio Brandão. Tese de Doutorado em História. Carlos Antônio Brandão. São Paulo: Globo. “Programa de Ação Econômica do Governo. 1993. 2007. Serviço Gráfico do IBGE. cidades nas regiões: o desafio urbano. “Reestruturação do espaço urbano e regional no Brasil”. Documentos EPEA. N. 1964. M. Coutinho. Direitos e Reivindicações Municipais”. O pacto imperial: origens do federalismo Brasil. Coutinho. GALVÃO. In: Regiões de cidades. F.. Levinas. BRASIL. R. Referências Bibliográficas ABM.por uma nova regionalização? Processos. 1970. v. cidades nas regiões: o desafio urbano. “Metas e Bases para Ação de Governo – Síntese”.. 19641966/Síntese”. (Org. T. Dolhnikoff. “O desafio urbano-regional na construção de um projeto de nação”..

Lamparelli. “Urbanismo e Municipalismo entre a Associação Brasileira de Municípios (ABM) e o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM): a construção institucional do municipalismo brasileiro pós-1946 e os “problemas técnicos” de urbanismo”. 2009. S. Lebret: continuidades. C.5. In: Espaço & Debates – Revista de Estudos Urbanos e Regionais. Crônica del P. “Problemas de las grandes de concentraciones Madrid: urbanas desde el punto de vista de la gestión urbanística”. 2005a. 1971.. Rodrigo Santos de. Nacional de órgãos In: de planejamento/ do e XI Encontro em Pesquisa empresas Nacional de da engenharia Associação Urbano e Anais Pós-Graduação Planejamento Regional. São Paulo: 19471972”.Faria. Fernandes. In: Congreso Iberoamericano Municípios. Celso M. C. Lamparelli. “Da reestruturação corporativa à competição entre cidades: lições urbanas sobre os ajustes de interesses globais e locais no capitalismo contemporâneo”. Regimento das Camaras Municipaes ou Lei de 1 de outubro de 1828. n. Ianni. Anais do Encontro da ANPUR. rupturas e sobreposições”. Estado e Planejamento Econômico no Brasil. Istituto de Estudios de Adminitración Local. “O ideário do urbanismo em São Paulo em meados do século XX. L. I B. Celso M. Ano XIV. Feldman. Celso M. Florianópolis. Garnier. Sarah. B. In: Cadernos de Pesquisa do LAP – Série Urbanização e Urbanismo. “Planejamento e Zoneamento. Sarah. Garson. São Paulo: EDUSP/FAPESP. 1956 Laxe. ano XVII. Salvador. Regiões metropolitanas : por que não cooperam?. “O arranjo SERFHAU: assistência técnica aos municípios/ consultiva”. mar-abr/1995. NERU. Lasarte. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Leme. da Silva. 41. Rio de Janeiro: B. In: Anais do IX 235 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . Feldman. Belo Horizonte: Letra Capital. n. Maria C. 2009. In: Espaço & Debates. n. A. J. UFSC. 2005b. “A politização do urbanismo no Brasil: a vertente católica”. 1994: 90-99. O Pe. 1885. “Louis-Joseph Lebret e a pesquisa urbanoregional no Brasil: crônicas tardias ou história prematura”. O. Lamparelli. 2001. 37.

Reis. Perspectiva.112-122. “Os desafios do urbanismo no Brasil: ensino e profissão”. C. In: Crônica del II Congresso Iberoamericano de Municipios. 5 Betty (org). 236 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . reimpressão. “Municipalismo. MOREIRA. 2003. In: Roberto Social no “Plano Paulo: do Trienal In: Desenvolvimento Betty (org). p. Diogo (org). de O. Samuel Haig Jamason (org) Rio de Janeiro: FGV. “Planejamento Urbano e Planejamento Regional – sua interligação”. Ministério do Planejamento. E. Leme. Marques da Silva. século XXI – por uma nova regionalização. “A formação do pensamento urbanístico no Brasil. Perspectiva. 2003. FUPAM. São Paulo: edição. Econômica Brasil. Planejamento no Brasil. L. 1958-1965”. Macedo. Monte-Mór. Ação no Mindlin. Celso “Análise Betty de.. L. (1963-1965). de M. M. In: “O IBGE na história do municipalismo e sua atuação nos municípios O pensamento de Teixeira de Freitas e de Rafael Xavier”. Max Limonad. Centro de Documentação e Disseminação de Informações. 5 Mello. Plano de reimpressão. R. Haesbaert. Brasil. Rachel Denise Barcellos Machado. 2 do São In: edição. 2 reimpressão. volume II. Mindlin. Planejamento do Paulo: Perspectiva. Orçamento e Gestão. 2003. Silva Pereira. Madrid: IEAL. Município”. Mindlin. Leme. São Paulo. National Building e a Modernização do Estado no Brasil”. Brasil. Margareth B. 1999. de Selecionados Administração “Competência Municipal Textos Pública – Volume X. “Urbanização e Modernidade na Amazônia Contemporânea. Marcus André B.. IBGE. São Paulo: Studio Nobel. de. Rio de Janeiro: UFRJ/PROURB. Rio de Janeiro. J. Administração 1965. São in: da Urbanismo em questão. 2 L. Econômico e Planejamento Martone. R. de 5 Coutinho Maria Cristina da Silva. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –IBGE. Melo. 2004. 1959. – edição. R. In: LIMONAD.Encontro Nacional da ANPUR. Governo”. FAUUSP. 2001: 675687. 2003. 2008. Maria Cristina da Silva. Rio de Janeiro.

Porto Algre: EdUFRGS. Oficial. J. “Decretos e Resoluções do Governo Provisório do Estado de São Paulo” (período de 18 de novembro de 1889 a 17 de outubro de 1890). H. “Economia Política da Urbanização”. Typ. Cavalcanti. In: Toledo. Schmidit. 1987. Csaba. 1999: 171-243. p. Deáb. NERU. de O.96-101 Ano XVII – 2001. São Paulo: Brasiliense. São Paulo: EDUSP/FUPAM. Paul. SÃO Paulo. M. Benicio Vieiro. “Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil”. 1983. organizadoras. “O Estado e a Política Urbana no Brasil”. Flávio. Hamilton C. SÃO PAULO. A. 237 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . “Urbanismo e sua influência no município”. Singer. Sueli R. n. Revista Espaço & Debates. In: O processo de urbanização no Brasil.41. “Planejamento Urbano em Debate”. Villaça. 1978. 1913.Reis. “Política Urbana e Redistribuição da Renda”. Cshifler. Tolosa. São Paulo: Cortez & Moraes.

saneamento. mobilidade urbana.“Ao longo de toda a década. sem dúvida. Todo esse esforço corresponde. seguiram-se outras propostas de políticas nacionais relacionadas às urbanas e regionais. a uma retomada da atuação do Estado Nacional sobre políticas urbanas e regionais. resíduos sólidos e de ordenamento territorial. aprovação e implantação. a exemplo das de habitação.” Fragmento do Prefácio escrito por Marilia Steinberger POLITICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL Laboratório de Estudos da Urbe LabUrbe-PPGFAU-UnB Grupo de Pesquisa em História do Urbanismo e da Cidade (GPHUC-UnB/CNPq) 238 Políticas Urbanas e Regionais no Brasil . cada uma em distintos estágios de formulação.

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->