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Portugalglobal

Pense global pense Portugal

Entrevista

Alexandre Soares dos Santos

Investir com responsabilidade social 6

Destaque
Exit Talks
Conhecimento e exportação em debate 14

Mercados

Alemanha, um parceiro estratégico 34

Empresas

Iguarivarius, Sdilab e WeedsWest 26

Maio 2013 // www.portugalglobal.pt

Maio 2013 // www.portugalglobal.pt

sumário
Entrevista // 6
O crescimento e a sustentabilidade do grupo Jerónimo Martins, a sua internacionalização para a Polónia e a Colômbia são o tema central da entrevista a Alexandre Soares dos Santos, que publicamos nesta edição. Com uma longa vida empresarial, o presidente da Jerónimo Martins faz também uma reflexão sobre temas de actualidade económica, social e cultural portuguesa.

Destaque // 14
A conferência Exit Talks – Conversas sobre Exportação reuniu em Aveiro um painel de especialistas de várias áreas de conhecimento e de know-how empresarial que debateram com cerca de 600 participantes temas em torno da actividade exportadora e da internacionalização das empresas portuguesas. Uma parceria bem sucedida entre a Universidade de Aveiro e a AICEP, cujas conclusões destacamos neste número da Portugalglobal.

Projectos internacionais // 22
Membro do Grupo Banco Mundial, a IFC – International Finance Corporation é a maior instituição global de desenvolvimento vocacionada para o financiamento de projectos do sector privado em países emergentes. Um artigo de Paula Alayo, Senior Investment Officer da IFC para a Europa Ocidental.

Empresas // 26
IGUARIVARIUS: aposta na exportação de produtos alimentares. SDILAB: soluções informáticas para a indústria e comércio. WEEDSWEST: avança nos mercados externos.

Internacionalização // 32
Um artigo de Jacinto Moniz de Bettencourt sobre o lançamento do CEIIA no Brasil no quadro de uma estratégia de afirmação tecnológica de Portugal.

Mercado // 34
A Alemanha é um dos mais importantes parceiros comerciais de Portugal, oferecendo inúmeras oportunidades de negócio às empresas portuguesas de praticamente todos os sectores de actividade. Neste dossier, destaque para os investimentos da Siemens e da Bosch no nosso país, bem como para o testemunho das empresas Socem, Nobrand e Adira que apostaram no mercado alemão.

Opinião // 54
“Competitividade das nações no século XXI – um ‘roadmap’ estratégico para as empresas portuguesas” é o tema da mais recente obra dos professores Rui Vinhas da Silva e Natália Teixeira aqui em análise.

Análise de risco por país – COSEC // 58 Estatísticas // 61 AICEP Rede Externa // 64 Bookmarks // 66

EDITORIAL

Revista Portugalglobal
Av. 5 de Outubro, 101 1050-051 Lisboa Tel.: +351 217 909 500 Fax: +351 217 909 578

Propriedade
aicep Portugal Global Rua Júlio Dinis, 748, 9º Dto 4050-012 Porto Tel.: +351 226 055 300 Fax: +351 226 055 399 NIFiscal 506 320 120

Conselho de Administração
Pedro Reis (Presidente), José Vital Morgado, Manuel Mendes Brandão, Pedro Pereira Gonçalves, Pedro Pessoa e Costa (Vogais)

Internacionalizar com conhecimento
Os três temas a destacar nesta edição têm em comum quatro palavras-chave para o desenvolvimento da economia portuguesa: o conhecimento, a inovação, a exportação e a internacionalização. Nesta medida, a “Conferência Exit Talks – conversas sobre exportação”, a entrevista a Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins, e a excelência das relação bilaterais entre Portugal e a Alemanha, constituem peças que se complementam na sua diversidade. A Conferência Exit Talks, uma parceria entre a Universidade de Aveiro e a AICEP, com o apoio de agentes privados – entre os quais se destacam a Jerónimo Martins e o BPI – mostrou, pela voz de um painel diversificado e experiente de oradores, que se pode exportar mais e melhor, desde que assente num projecto inovador, na diferenciação, na qualidade, em soluções criativas, em produtos competitivos, no conhecimento dos mercados e numa estratégia exportadora. Mostrou ainda que a colaboração entre o conhecimento das universidades e a experiência prática das empresas constitui uma simbiose indispensável no desenvolvimento das empresas e da economia portuguesa. Em entrevista, Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins, destaca a necessidade desta estreita colaboração entre universidade e a empresa, faz um balanço muito positivo das Exit Talks e do desempenho da AICEP no evento, bem como um retrato da história e dos êxitos desta empresa familiar que se tornou um grande grupo económico e uma referência emblemática do processo de internacionalização. Quanto ao mercado, a escolha recaiu na Alemanha, que é um dos países industrializados mais desenvolvidos e competitivos do mundo e a quarta economia mundial. É também um dos principais parceiros comerciais de Portugal e o principal investidor directo estrangeiro, em termos industriais, no país. Por outro lado, a Alemanha oferece inúmeras oportunidades às empresas portuguesas em praticamente todos os sectores de actividade, dos mais tradicionais aos que apresentam produtos inovadores e com elevada incorporação tecnológica, o que faz da Alemanha o principal factor para o aumento da inovação na economia portuguesa. A completar a análise do mercado alemão encontram-se dois artigos, um do Embaixador de Portugal na Alemanha, Luís de Almeida Sampaio, e outro do Embaixador da Alemanha em Portugal, Helmut Elfenkämper. O primeiro sublinha o facto de a Alemanha não ser apenas o principal motor económico do espaço europeu mas também, e cada vez mais, o principal dos seus actores políticos, partilhando Portugal e a Alemanha, de forma activa e responsável, o projecto europeu numa óptica de “mais Europa”. O segundo, enfatiza o valor acrescentado do investimento directo alemão em Portugal, que forma o maior grupo de investidores estrangeiros da indústria portuguesa, com cerca de 300 empresas, e que potencia sinergias relativamente ao melhor de ambos os países em matéria de cooperação empresarial, mudança tecnológica e internacionalização das exportações portuguesas.
PEDRO REIS Presidente do Conselho de Administração da AICEP

Directora
Ana de Carvalho ana.carvalho@portugalglobal.pt

Redacção
Cristina Cardoso cristina.cardoso@portugalglobal.pt Vitor Quelhas vitor.quelhas@portugalglobal.pt

Colaboram neste número
Alexandre Soares dos Santos, Cristina de Azevedo, Direcção Grandes Empresas da AICEP, Direcção de Informação da AICEP, Direcção Internacional da COSEC, Direcção PME da AICEP, Gilles Lipovetsky, Grupo de Trabalho das Multilaterais Financeiras (AICEP/GPEARI), Helmut Elfenkämper, Jacinto Moniz de Bettencourt, Luís de Almeida Sampaio, Manuel Assunção, Paula Alayo, Pedro Macedo Leão, Pedro Reis, Ricardo Reis, Rui Vinhas da Silva.

Fotografia e ilustração
©Fotolia, Rodrigo Marques.

Publicidade
Cristina Valente Almeida cristina.valente@portugalglobal.pt

Secretariado
Cristina Santos cristina.santos@portugalglobal.pt

Projecto gráfico
aicep Portugal Global

Paginação e programação
Rodrigo Marques rodrigo.marques@portugalglobal.pt ERC: Registo nº 125362

As opiniões expressas nos artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores e não necessariamente da revista Portugalglobal ou da aicep Portugal Global. A aceitação de publicidade pela revista Portugalglobal não implica qualquer compromisso por parte desta com os produtos/serviços visados.

4 // Maio 2013 // Portugalglobal

ENTREVISTA

ALEXANDRE SOARES DOS SANTOS Presidente do grupo Jerónimo Martins

SER EMPRESÁRIO É PRODUZIR RIQUEZA E TER RESPONSABILIDADE SOCIAL
Com uma vida empresarial de cinco décadas e uma ousadia bem-sucedida em projectos de investimento na área da grande distribuição nacional e internacional, de que são exemplo os investimentos na Polónia e na Colômbia, Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins, faz nesta entrevista uma reflexão acutilante sobre temas de actualidade económica, social e cultural portuguesa. Diz o que pensa e só a si deve as respostas. O crescimento e a sustentabilidade da Jerónimo Martins e a responsabilidade social estão no centro das suas motivações. Tendo começado a sua carreira profissional em 1957, com a entrada na Unilever, fica depois à frente dos destinos da cadeia de distribuição familiar. Foi recentemente reconduzido à liderança do grupo, continuando a ser, aos 78 anos, o rosto inconfundível do grupo Jerónimo Martins.
6 // Maio 13 // Portugalglobal

ENTREVISTA
Qual foi o seu envolvimento nas Exit Talks e o porquê desta iniciativa em torno das exportações? Este projecto foi ideia minha. Sou presidente do Conselho Geral da Universidade de Aveiro e entendo que as universidades estão demasiado fechadas e têm como obrigação chegar-se à sociedade civil e trazer os grandes desafios do nosso tempo, em várias áreas, para o debate público, dando assim o seu contributo para o desenvolvimento do país. Por outro lado, vivemos numa realidade nacional em que cada um gosta de dizer mal do outro, o que não é de modo algum positivo, e perante este quadro pouco construtivo eu disse aos meus colegas do Conselho Geral que o nosso dever é sair do âmbito estrito da universidade e mostrar à sociedade civil que temos sentido de responsabilidade social e que queremos contribuir de forma proactiva para as grandes questões do país. Todos concordaram com este conceito e então propus que se organizasse um congresso sobre dois factores fundamentais de desenvolvimento no Distrito de Aveiro e Região Centro, que são a exportação e a internacionalização. Reuniu-se uma equipa e montou-se este congresso em estreita parceria com a AICEP, com a qual celebramos um protocolo de colaboração exemplar. Pessoalmente já tinha antecedentes de relacionamento com a AICEP? Se me perguntassem há uns anos sobre o que eu pensava sobre o ICEP, e agora a AICEP, eu diria que não pensava rigorosamente nada. Aliás, quando a Jerónimo Martins esteve a estudar os mercados da Polónia, Ucrânia e Rússia, a colaboração da AICEP foi nula, e portanto perdi o interesse pela instituição. No entanto apercebi-me de como a acção da AICEP era fundamental para as PME, através da partilha de informação especializada e da experiência da Agência nos mercados, de workshops e outras acções. Por outro lado, com a experiência das Exit Talks devolvi uma imagem muito positiva da AICEP. Pode resumir a iniciativa Exit Talks? A razão do congresso foi trazer a universidade para a rua, trazer os empresários para a universidade, debater com seriedade os problemas da região e encontrar soluções. Estou certo que a universidade ficou satisfeita com os resultados e estará agora ainda mais motivada em prosseguir com iniciativas semelhantes. Quero acrescentar que esta parceria é fundamental, tanto mais que, nos dias de hoje, internacionalizar não é agarrar na mala e ir à procura de mercados, como se o empresário fosse um caixeiro-viajante. Actualmente, no mundo globalizado, os mercados, a exportação e a internacionalização tornaram-se realidades e processos muito complexos e exigentes do ponto de vista do investimento. Já é possível fazer um balanço desta iniciativa, pelo menos a título pessoal? A primeira coisa que me agradou francamente foi a resposta, o anfiteatro sempre cheio, o número de inscrições, que somado aos dos convidados representou mais de 600 participantes, os quais mantiveram vivo o interesse do debate. Por outro lado, os conferencistas estavam bem preparados e mantiveram um alto nível de discussão. Há um pormenor a destacar, que é o de terem respeitado o princípio de não dizerem mal por dizer, optando por serem fortemente construtivos. Outro aspecto positivo, foi o número elevado de consultas à AICEP. Espero, pois, que estas iniciativas não se percam e que passem a não depender apenas de personalidades ou entidades promotoras (neste caso foi a Jerónimo Martins e o BPI) e que sejam da livre iniciativa das próprias universidades, que devem dispor de fundos e patrocínios para tal. E isto só será possível no futuro se a iniciativa privada cooperar cada vez mais, com sentido de responsabilidade social, com as universidades neste tipo de eventos. Como pensa que deve ser a relação entre as universidades e as empresas? Cada vez mais próximas umas das outras. A universidade tem por missão educar e gerar conhecimento mas deverá cada vez mais educar e produzir conhecimento em função do mercado. E, nesta medida, as empresas devem aproximar-se das universidades. Dou um exemplo desta aproximação: a Jerónimo Martins fechou um contrato com a Universidade Católica e com o Instituto Kellogg, de Chicago (Kellogg School of

“Actualmente, no mundo globalizado, os mercados, a exportação e a internacionalização, tornaram-se realidades e processos muito complexos e exigentes do ponto de vista da opção por mercados e do investimento.”

Management), para acções de formação para os nossos quadros. Nós discutimos com as universidades as nossas necessidades e elas elaboram programas e ajudam-nos a encontrar soluções. A proximidade e interactividade de uma empresa com a universidade são hoje condição sine qua non para se tornar numa grande empresa. Empresas e universidades têm tudo a ganhar com a mútua colaboração. Neste momento temos uma relação de excelência com a Universidade Nova e com a Universidade Católica. A propósito desta parceria com as universidades, pode desenvolver o conceito de “arrastamento” das PME para os mercados externos por parte das grandes empresas no seu processo de exportação e internacionalização? Primeiro que tudo, são as empresas que têm que sentir essa necessidade. E depois têm que definir uma estratégia para cada um dos mercados. Por exemplo, a Jerónimo Martins foi para a Polónia e para a Colômbia, mas localmente deixamos de ser uma “empresa portuguesa”, para sermos uma empresa polaca ou colombiana. Adaptamos completamente a nossa estratégia aos mercados e aos seus consumidores. Segundo, as empresas portuguesas pecam quase todas por uma grande falta de iniciativa e ainda há empresas que pensam que exportar é enviar um fax. É preciso no entanto

Portugalglobal // Maio 13 // 7

ENTREVISTA
entender, como no caso do grupo Jerónimo Martins, que tendo mais de duas mil lojas na Polónia e milhões de consumidores, o produto – que tem que ter qualidade e tem que responder às expectativas do consumidor local – deve estar necessariamente nas prateleiras e que isso exige uma rigorosa gestão logística. A nossa cadeia é líder de distribuição na Polónia através da cadeia Biedronka, e de vinhos também, com 15 por cento do mercado, dos quais 35 por cento são vinhos portugueses. Mas é preciso sublinhar que estes produtores de vinhos foram à Polónia conhecer directamente o mercado e o gosto dos consumidores. Porquê a habitual retracção dos empresários portugueses na relação directa com os mercados? Os portugueses são comerciantes por tradição, têm apetência por ganhos imediatos, mas as actuais empresas portuguesas, sobretudo as que estão em processo de internacionalização, têm que perceber que têm de perder para ganhar depois. Na Polónia estivemos a “perder” dinheiro durante quase dez anos, com a expansão das lojas, publicidade e acções de promoção, mas recuperámos em dois anos. É necessária uma reforma da mentalidade do empresário português típico, que quase sempre é securitário em relação ao investimento e não quer correr riscos, mesmo tratando-se de uma boa aposta. Quando se está no mercado, é preciso desenvolver um produto que se adapte ao gosto e preferência do consumidor local, com rótulo do país, porque um rótulo em português nada diz aos consumidores desse mercado. São pequenos grandes pormenores que os empresários portugueses deverão integrar na sua prática exportadora e no seu processo de internacionalização. O que é que diria às empresas portuguesas que querem exportar? Primeiro, quem quer exportar tem que ter organização dentro de casa e tem que dispor de management – gestores – que defina estratégias em relação aos mercados. Uma empresa que quer fazê-lo e diz que é preciso “atacar” vários mercados ao mesmo tempo, apenas promove a dispersão. O que é

precisam de acompanhamento constante. Ter um agente local é uma solução interessante, mas este deve ser acompanhado por um representante do produtor exportador. O médio e o longo prazo são para ter em consideração? É fundamental ter uma estratégia de médio e longo prazo: o curto prazo não funciona, tem poucas hipóteses de sucesso. Resumindo: aposta no produto (que tem que ter qualidade e preço), escolha do país (sem dispersão, mas país a país), gestores à altura e um balanço financeiro forte. Uma empresa que se lance num mercado com apoio bancário e juros fica sem margem de manobra para uma operação essencial ao sucesso: a promoção. O empresário português deve olhar a empresa como um património que tem que reforçar permanentemente. Qual foi a estratégia da Jerónimo Martins para conseguir o sucesso que tem hoje? Foram mais de 30 anos a mudar o rumo de uma empresa, que embora forte, estava envelhecida. Mas o ponto de viragem deu-se no final dos anos 60, quando a Jerónimo Martins fez uma aposta sólida na industrialização, que não pôde avançar porque o Condicionamento Industrial não nos deu as licenças necessárias. Chegámos a ter um acordo com a Unilever, cujas fábricas seriam abastecidas em Espanha por nós, mas a lei do Condicionamento não nos deu luz verde. Havia muitos interesses em jogo. Como evoluiu esse contratempo? Como a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) estava a permitir a livre circulação de produtos e o mercado estava a desenvolver-se, tivemos inicialmente receio que o nosso “casamento” com a Uniliver chegasse ao fim, mas encontrámos a solução adequada aos interesses de ambas as partes: se a Uniliver é forte na produção, a Jerónimo Martins tem que ser forte na distribuição. E então começamos com os supermercados, que se desenvolveram cada vez mais, sendo que nesta fase o problema que se colocava era o crescimento. E cres-

“A universidade tem por missão educar e gerar conhecimento mas deverá cada vez mais educar e produzir conhecimento em função do mercado. Empresas e universidades têm tudo a ganhar com a mútua colaboração.”

necessário é eleger um determinado mercado e estudá-lo a fundo localmente. Fazer testes de produto para saber se está ao gosto do consumidor: testar a embalagem (se é apelativa) e o preço do produto (concorrência), e depois testar os melhores meios de promoção. Quem quiser exportar tem que ter funcionários no local, pelo menos na área dos produtos de consumo, que sendo em grande quantidade e variedade,

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ENTREVISTA
cemos. Hoje a Jerónimo Martins é uma empresa de distribuição internacionalizada. Estávamos na Polónia e agora vamos estar na Colômbia. Por outro lado, a Unilever constitui, hoje, um enorme conglomerado de empresas, produzindo inúmeros produtos que vão desde o ramo alimentar até ao da higiene e limpeza. Em Portugal a Unilever tem uma parceria com a Jerónimo Martins que é a Unilever Jerónimo Martins Lda. Como vão os negócios na Colômbia? Ainda é cedo para fazer um balanço ou para dizer se vai ser um êxito ou não. Precisamos de pelo menos dois anos para termos uma perspectiva objectiva do negócio. Seja como for, está a exceder pela positiva as nossas primeiras expectativas. Depois do estudo de mercado ser feito, de revelar potencial de expansão, tem que se arriscar. E foi isso que fizemos. Iniciámos a actividade em Março e devemos acabar o ano com 40 ou 50 lojas abertas. Na Colômbia estamos a abrir uma loja por semana, na Polónia abrimos uma loja cada dois dias, o que faz com que em 2015 tenhamos 3 mil lojas. A partir do momento em que sabemos que o conceito está certo e que o consumiçou a laborar em 1944 porque a maquinaria chegou atrasada por causa da guerra. O armazenista e o comerciante de retalho deram lugar ao industrial. Depois o rumo da empresa voltou a mudar e hoje está a tornar-se uma multinacional da distribuição. Não me custa acreditar que dentro de 15 anos seremos uma grande empresa latino-americana. O que pediria aos seus sucessores em relação ao futuro da empresa? A Jerónimo Martins continua a ser uma empresa familiar, sendo que 56 por cento da empresa pertence á família e o res-

“Os portugueses são comerciantes por tradição, têm apetência por ganhos imediatos, mas as actuais empresas portuguesas, sobretudo as que estão em processo de internacionalização têm que perceber que têm de perder para ganhar depois.”

tante aos accionistas. Ora estes, recentemente, perante uma proposta de estratégia que lhes foi apresentada, que envolve mais distribuição e aumentos de capital, entre outros factores de crescimento, portanto investimentos, riscos e eventual redução de dividendos, concordaram com a estratégia a seguir. Esta concordância entre família e accionistas foi muito positiva, pois significa que nos próximos 15 anos nada de essencial será alterado na Jerónimo Martins, ou seja, a empresa continuará a crescer na distribuição em geral e especialmente na distribuição internacional. Tudo aponta para que sejamos a breve trecho uma multinacional da distribuição, mas caminhamos de forma sustentável para atingir esse objectivo. Quais são para si os principais pilares de sustentabilidade em matéria de projectos de expansão? Tem que haver um limite à dívida e, dentro desse limite, há duas coisas fundamentais a respeitar: a política de investimentos e a política de dividendos. A capacidade de endor está a responder, que os preços são os adequados e que os fornecedores estão a cumprir, o negócio segue em frente. Qual é a sua radiografia do investimento na Polónia? Visitei a Polónia pela primeira vez em 1991 e começamos o investimento em 1994. Pouco sabíamos então sobre o mercado, apenas que o país abraçara a democracia, que a concorrência era pouca e que tínhamos tempo para aprender. E fizemos o nosso melhor. Foi um sucesso. A Jerónimo Martins é uma empresa familiar que se transforma num grande grupo económico. Como é que isso aconteceu? A Jerónimo Martins quando foi comprada pelo meu avô, no início dos anos 20, já tinha alguma importância no campo do retalho. Em breve tornar-se-ia no maior armazenista do país. Em 1936, entra na indústria das margarinas, mas só come-

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ENTREVISTA
dividamento não pode ultrapassar determinados números na Jerónimo Martins, o que anda, salvo em momentos de excepção aprovados pelo conselho, em torno dos 60 por cento. Essas políticas existem de facto na Jerónimo Martins. Em matéria de dividendos, é distribuído 40 a 50 por cento do seu lucro bruto, o resto é para reinvestir. Este ano, por exemplo, vamos investir cerca de 700 milhões de euros, 100 milhões dos quais em Portugal. Nós aprendemos à nossa custa no Brasil. Houve uns académicos norte-americanos que induziram as empresas à dívida e a nós essa receita saiu-nos muito cara. Na altura, porque era considerada benéfica, nós fomos atrás dessa teoria. Fizemos marcha atrás no parecer dos professores e estabelecemos as nossas próprias regras. Aliás, as consequências dessa indução à dívida podem ver-se, pela negativa, em todo o mundo. Mas quannha empresa. Quero ser eu próprio e quero que a empresa seja como é, sem interferências exteriores. A propósito, ainda se recorda da época de contestação em torno da mudança da sede da Sociedade Francisco Manuel dos Santos para a Holanda e que o acusaram de falta de patriotismo, entre outras coisas. Como respondeu a essa hostilidade? Nos negócios não há patriotismo, no sentido da existência de fronteiras nacionais que condicionem a livre circulação do investimento, e por isso o que se disse contra a decisão do accionista maioritário da Jerónimo Martins foi mero discurso ideológico. Segundo, o ataque que nos fizeram, foi feito à minha pessoa e não ao grupo empresarial ou à família. A razão é simples: nunca me perdoaram o ter tecido críticas ao então primeiro-ministro Sócrates numas entrevistas na televisão. Diga-se que nós nem mudámos a sede do Grupo Jerónimo Martins para a Holanda, foi a Sociedade Francisco Manuel dos Santos que é o accionista maioritário do Grupo, nem fomos a primeira. E nunca ninguém disse nada, só quando se tratou do nosso caso. Eu tenho que defender o património do Grupo e quero continuar a crescer e para isso preciso de financiamento. Se tivéssemos a sede da Sociedade FMS em Portugal as fontes de financiamento de que precisamos para fazer crescer o Grupo Jerónimo Martins estar-nosiam vedadas, porque o país é considerado de risco. Por isso, tivemos que sair porque só assim podíamos ser conhecidos pelas fontes de financiamento externas, que nos começam agora a abrir a porta. Houve quem dissesse que a deslocação para a Holanda foi uma forma da Jerónimo Martins não pagar impostos em Portugal. São tolices que se dizem. A razão deveu-se apenas ao facto de termos acesso a fontes de financiamento em melhores condições e à possibilidade de trabalharmos com uma política fiscal clara e estável, e não a qualquer tipo de estratagema para evitar impostos. Os impostos fazem parte da nossa vida de empresa. Na Holanda tenho a garantia de

“Depois do estudo de mercado ser feito, de revelar potencial de expansão, tem que se arriscar. E foi isso que fizemos. Na Colômbia estamos a abrir uma loja por semana, na Polónia abrimos uma loja cada dois dias, o que faz com que em 2015 tenhamos 3 mil lojas.”

do esta crise chegou nós estávamos preparados e sentados em dinheiro. E é por isso que continuamos a investir. As suas palavras traduzem uma grande liberdade relativamente ao poder económico e político. É assim? Vivemos há muito pouco tempo em democracia e por vezes não nos apercebemos que viver em democracia é termos liberdade e que a liberdade é um bem inestimável. Fui para fora do país aos 22 anos e foi isso que aprendi por lá que era essencial. É por isso que eu não quero nada com governos e que me venha alguém dizer o que devo fazer na mi-

10 // Maio 13 // Portugalglobal

ENTREVISTA
uma política fiscal estável e previsível, aqui não tenho nem estabilidade nem previsibilidade. Em Portugal, nesta e noutras matérias, está-se permanentemente a mudar tudo. O país precisa de um acordo de estabilidade nesta matéria não durante uma legislatura, mas durante vários anos, qualquer que seja o governo. Resumindo: neste momento, se precisar de comprar uma grande empresa ou de fechar um bom negócio internacional, eu preciso de garantias de financiamento. E na Holanda eu tenho essas garantias. Além destas, conta com outras garantias na Holanda? Há outro factor importante. A Holanda tem acordos com vários países e portanto o capital privado que sai da Holanda tem o seu futuro garantido, porque esses acordos protegem-no. Por isso é que muitos dos investimentos americanos na Venezuela são via Holanda, porque este país protege e defende os seus capitais. Mas é preciso demonstrar aos holandeses que a instalação da sede de uma empresa estrangeira no seu país representa vantagem e substância financeira para eles. Por exemplo, não podemos ter administradores portugueses em maioria, só se forem não residentes em Portugal. Como tudo o que é holandês está muito bem regulado, isso dá-nos uma enorme garantia de protecção e confiança quando se fala de negócios, financiamento e investimento. Para onde tende a deslocar-se o investimento? Não tenho uma resposta completa para essa questão, mas a minha experiência na área indica-me que o investimento está a deslocar-se sobretudo para as economias emergentes da Ásia, que estão sôfregas de dinheiro e são muito atractivas, dado o seu rápido crescimento, para o investimento estrangeiro. Paí-

“Uma empresa que se lance num mercado com apoio bancário e juros fica sem margem de manobra para uma operação essencial ao sucesso: a promoção. O empresário português deve olhar a empresa como um património que tem que reforçar permanentemente.”

De que modo a quebra de consumo na Europa afecta, ou não, o grupo Jerónimo Martins? Na Polónia, a nossa cadeia Biedronka teve um crescimento de cerca de 16 por cento, o que foi óptimo. Com ligeiras variações o nosso investimento europeu vai de boa saúde. A internacionalização será para as empresas portuguesas uma forma de contornar a crise interna? Não creio. A nossa crise económica é uma crise de dinheiro que só se resolve produzindo e exportando mais e tendo mais investimento estrangeiro no país. Cortar na despesa do Estado produzindo desemprego não é solução porque representa mais perda de poder de compra, menos consumo e menos colecta para o Estado. Sem se resolver o problema da capacidade financeira do país não há investimento, com a agravante de que a Europa não está virada para o investimento, sobretudo sem se saber se ficamos no euro ou se voltamos a ter o escudo ou se teremos uma fiscalidade instável. Mas não tenhamos ilusões: seja como for, nos próximos anos não vai haver investimento e crescimento. E se quando tínhamos dinheiro não crescemos durante dez anos, não é agora sem dinheiro que vamos crescer.

ses e mercados enormes como a China, Índia e a Indonésia abriram as fronteiras e têm cada vez mais poder de compra e massa crítica para se tornarem grandes mercados de consumo. Naturalmente o investimento tende a deslocar-se para a região. Enquanto isso a Europa continua a debater-se com problemas de natureza ideológica, como é o caso do Estado social, que em democracia é uma realidade, mas não pode ser um Estado social em que tudo é pago pelo Estado. Alguém tem de pagar para o Estado. Por outro lado, ao pagarmos mais impostos estamos a ficar numa situação de desvantagem relativamente aos nossos concorrentes internacionais, de que é exemplo os EUA, que ao investirem na China, deslocando significativamente a sua indústria para lá, concluíram que um dos maiores problemas com que se confrontava o investimento não era o preço da mão-de-obra mas o preço da energia. E reformularam a sua política energética. Hoje os EUA exportam gás a 3 dólares o metro cúbico e a UE importa gás da Rússia a 17 dólares. Como o preço da energia baixou, as empresas norte-americanas estão a regressar ao seu país. Mas por cá insiste-se no custo da mão-de-obra. Ela é um factor decisivo para si? Em Portugal fala-se muito em embaratecer a mão-de-obra mas trata-se de um falso problema. Dou-lhe um exemplo: em 1974, a empresa que pagava os salários mais altos deste país na indústria era a firma Lever. Com o 25 de Abril os salários aumentaram 10 por cento. O custo da mão-deobra no custo final do produto era de 5 por cento em 74 e passou para 10 por cento entretanto. No entanto, isso não constituiu um problema para a Lever. O aumento salarial foi compensado por investimento, racionalização, automa-

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ENTREVISTA
tização, mão-de-obra qualificada. Ou seja: uma máquina de embalar sabonetes tinha três operadores – o operador da máquina, e electricista e o mecânico. Agora só tem um operador especializado, o qual aprendeu a mexer na máquina e só recorre ao electricista ou ao mecânico em caso de avaria grave. Assim, ainda hoje a Lever permite-se pagar mais com menos mão-de-obra. Eu pergunto que satisfação pode ter um cidadão ao ir trabalhar por 400 ou 500 euros mensais. Isso tem consequências nas empresas e na economia? As empresas portuguesas não só têm por hábito pagar mal, como na generalidade são obsoletas, têm equipamentos trabalham para nós em Portugal. O inquérito, que teve uma grande adesão, é confidencial, naturalmente. Mas alertounos para um conjunto de dificuldades que afectavam os nossos colaboradores e que deviam ser sanadas. Apercebemo-nos de que não são só questões como o endividamento e o desemprego que afectam a vida familiar, é a dureza da vida das pessoas, como a violência doméstica e a falta de meios para enquadrar condignamente filhos, idosos, dependentes. Como empresário, sempre me preocupei, tanto quanto possível, com a vida dos trabalhadores da empresa, como as pessoas viviam e como é que a empresa se relacionava com a vida dos seus trabalhadores. Assume-se publicamente como empresário de convicções cristãs. O seu sentido de responsabilidade social tem que ver com essa coerência de ser cristão no mundo empresarial e social? A sensibilidade social, no meu caso, tem que ver com o facto de eu ser um cristão empenhado no dia-a-dia. Além do que disse, nós não despedimos trabalhadores, a não ser por causa grave. Mesmo tendo por vezes excesso de mão-de-obra em certas áreas. Quanto a mim há economistas a mais, só se fala em números, a economia está cada vez mais desumanizada. Para quê encher as ruas com mais desempregados? Eu, pessoalmente, não sei o que é a crise, mas por questões de sensibilidade pessoal e de responsabilidade social, preocupome por quem é afectado por ela, principalmente se é um dos nossos colaboradores. Indiferença é que não. Qual é a importância das cadeias de distribuição como negócio e como serviço prestado ao consumidor? Total, pois os preços praticados pela grande distribuição, a seguir ao 25 de Abril, fizeram baixar bastante os preços ao consumidor. Obrigou à baixa de margens, bem como à melhoria da qualidade dos produtos e da higiene. É claro que as grandes marcas da indústria não gostaram deste

“Vivemos há muito pouco tempo em democracia e por vezes não nos apercebemos que viver em democracia é termos liberdade e que a liberdade é um bem inestimável. Fui para fora do país aos 22 anos e foi isso que aprendi por lá de essencial.”

obsoletos, desinteressam-se por mão-de-obra qualificada e bem paga e encontram-se descapitalizadas. E neste quadro de baixos salários e de empresas obsoletas ninguém fala na taxa de absentismo que ronda os 15 por cento e que numa empresa nunca deveria ultrapassar os 5 por cento. Com a mentalidade empresarial de que é preciso é pagar mal, o resultado é desolador. Por outro lado, o mercado tornou-se ainda mais pequeno porque não há investimento e há uma forte quebra no consumo, não há dinheiro. Há desemprego e endividamento das famílias. Como se reflectem na Jerónimo Martins estas dificuldades e qual é a resposta à questão da responsabilidade social da empresa? Constituímos um fundo de apoio para nosso pessoal em grave situação financeira, apoio que no ano passado rondou os 2,5 milhões de euros. O fundo foi criado porque descobrimos que havia trabalhadores que, por razões da sua vida privada, vinham trabalhar com fome, nomeadamente por causa do endividamento ou do desemprego no agregado familiar. Neste momento, tenho mais de um milhar de colaboradores com os salários penhorados pelo Tribunal, alguns com o ordenado penhorado até 2020, pessoas que têm fome, que vão para casa com um salário muitíssimo reduzido. Perante este quadro, criamos três grupos de trabalho: um de assistência jurídica, outro de planeamento financeiro do lar e ainda outro de apoio através de um cartão de crédito só nosso, que permite ao trabalhador em dificuldades comprar nas nossas lojas até um determinado montante. Este tipo de acções internas são uma das nossas respostas em matéria de responsabilidade social. Como é que a empresa tomou consciência das dificuldades dos seus trabalhadores? Perante os sinais de que existiam problemas, fizemos um inquérito interno, alargado e anónimo, a 25 mil pessoas que

“Nos negócios não há patriotismo, no sentido da existência de fronteiras nacionais que condicionem a livre circulação do investimento. E diga-se que nós nem mudámos a sede do Grupo Jerónimo Martins para a Holanda, foi a Sociedade Francisco Manuel dos Santos que é o accionista maioritário do Grupo, nem fomos a primeira.”

novo cenário porque estavam habituadas a viver no mercado como lhes apetecia, impondo os preços que bem queriam ao retalhista e ao armazenista. A grande distribuição não aceitou essa situação. A fase que se seguiu foi de grande tensão, mas hoje as águas serenaram. Hoje já nos encontramos na fase de uma relação de confiança entre o fornecedor e o retalhista baseada na confiança e baseada em contratos de médio e longo prazo. Mesmo

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ENTREVISTA
e perguntar honestamente o que é que ela pensa do mercado. Nunca nos fecharam a porta e foram sempre abertos connosco. Nós estamos na Polónia e na Colômbia, temos experiência desses mercados, mas nunca ninguém nos perguntou nada sobre o ambiente de negócios ou sobre o mercado de trabalho, como foram tratadas as coisas a nível governamental ou como foram conseguidos acordos. Nada. A Fundação Francisco Manuel dos Santos é um dos seus motivos de orgulho. Pode dizer-nos porquê? Porque é uma aplicação no terreno do princípio da responsabilidade social. As fundações são um património que eu sempre admirei nos EUA. A certa altura começamos a debater no seio da família a criação de uma fundação, mas eu queria algo diferente do figurino tradicional das fundações portuguesas que estão muito focadas no apoio à criança e à terceira idade, área que já é contemplada por inúmeras instituições. Era meu desejo um projecto que tentasse acordar a sociedade civil, transmitindo-lhe conhecimento. Chegámos a acordo sobre esta matéria, convidei o António

assim, a grande indústria ainda protesta, porque antes reinava. Mas agora já não há guerra de preços, há contratos. Se uma empresa quer ser fornecedora de uma grande cadeia de distribuição como a nossa, tem que demonstrar a credibilidade do seu investimento, contratualizar preços, quantidades e datas de entrega, e aceitar o controlo de qualidade que lhe exigimos. Estamos a entrar na fase da industrialização da agricultura, como já acontece na fruta e nos legumes. Pensa que se houvesse mais associativismo de produtores, isso seria bom para a produção e para a distribuição? É fundamental, quanto a mim, haver grandes cooperativas, grandes estruturas associativas, mas com management e dinheiro, sem demagogia política. Para mim a estrutura agrícola produtiva, que funciona económica e socialmente neste país, é a cooperativa. A alternativa seriam as grandes empresas agrícolas, mas nós não temos dimensão para elas. Infelizmente para todos, o agricultor português não morre de amores pelo associativismo. Nem tampouco as empresas. Posso dar um exemplo: nós estamos na Polónia com várias empresas portuguesas, mas nunca houve uma reunião dessas empresas nem nunca sentiram essa necessidade. E nunca conheci um industrial português que quisesse ir para a Polónia e que me perguntasse: “Quero ir para a Polónia, o que é que me diz e aconselha já que conhece bem o mercado?” Nunca me fizeram tal pergunta. Porque é que os agentes económicos portugueses comunicam tão pouco entre si, mesmo para partilharem experiências relevantes? Creio que são manifestações típicas do tradicional individualismo português, que faz com que ninguém se disponha a partilhar associativamente com ninguém. Outro exemplo: quando a Jerónimo Martins quer entrar num mercado externo, a primeira coisa que faz é visitar uma multinacional

“A nossa crise económica é uma crise de dinheiro que só se resolve produzindo e exportando mais e tendo mais investimento estrangeiro no país. Cortar na despesa do Estado produzindo desemprego não é solução porque representa mais perda de poder de compra, menos consumo e menos colecta para o Estado.”

Barreto para a liderar e desde então o trabalho da Fundação tem-se desenvolvido com êxito. Este ano a dotação da Fundação passou de 5 milhões de euros para 7 milhões, o que reflecte a expansão do projecto. Os estudos que estão a ser desenvolvidos pela Fundação, que vão desde a justiça à saúde, são para serem debatidos com o governo e universidades e, finalmente, para serem partilhados com os portugueses. Vamos criar uma Fundação para a Polónia e ainda uma outra para Portugal. O que é que mais o toca na história do Jerónimo Martins? A primeira coisa que me tocou foi a necessidade de honrar o exemplo do meu avô e do meu pai. O meu avô saiu da sua aldeia com 10 anos, no início do século passado, para trabalhar numa mercearia no Porto. Aos 30 anos tinha amealhado mil contos. O meu pai foi para África com 14 anos. É este sentimento de honrar quem nos precedeu que é transmitido às gerações mais jovem da família. A Jerónimo Martins não foi feita para desbaratar dinheiro. Foi feita para criar riqueza e emprego e honrar aqueles que nos permitiram chegar onde chagamos. A segunda coisa que me tocou profundamente foi o momento em que senti que a aposta na Polónia, que foi uma aposta inicialmente arriscada, estava ganha.

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DESTAQUE

EXIT TALKS
CONHECIMENTOS E EXPORTAÇÕES EM DEBATE
As Exit Talks – Conversas sobre Exportação, que tiveram lugar em Aveiro nos dias 15 e 16 de Abril, atingiram com reconhecido sucesso os objectivos da organização – a Universidade de Aveiro em parceria com a AICEP – tendo o evento uma repercussão claramente inovadora no tecido empresarial e na estratégia das universidades. Iniciativa pioneira na aproximação das universidades às empresas e das empresas à universidade, as Exit Talks reuniram, sob o tema da exportação, um painel de especialistas de várias áreas de conhecimento e de know-how empresarial que expuseram e debateram com os cerca de 600 participantes inscritos temas em torno da actividade exportadora e da internacionalização das empresas portuguesas, conjunto temático que se estendeu dos casos de sucesso ao papel da universidade na sua relação com as empresas, passando pelo factores de mudança positiva na sociedade e na economia nacionais. Por outro lado, os workshops focados em mercados específicos, organizados pela AICEP, foram outro importante factor do sucesso das Exit Talks, pois além de colocarem à disposição dos participantes, em directo, a experiência e o conhecimento da rede externa da Agência em diferentes mercados, com debate sobre questões concretas, permitiu uma maior e melhor aproximação das empresas à missão, apoios e acções da AICEP junto delas.
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DESTAQUE

EXIT TALKS DO CONHECIMENTO AOS MERCADOS
>POR PEDRO REIS, PRESIDENTE DA AICEP
Há momentos em que a reflexão se transforma numa poderosa alavanca de mudança. Isto é especialmente verdadeiro quando se trata de implementar novas atitudes e meios de acção no tecido económico, os quais pelo seu efeito de repercussão positiva contribuem para incrementar práticas empresariais consentâneas com o desenvolvimento do país no âmbito do mundo global, profundamente interligado e crescentemente interdependente. As Exit Talks – Conversas sobre exportação, uma iniciativa da Universidade de Aveiro em parceria com a AICEP, teve precisamente esse efeito de mudança, alterando para melhor não só a percepção do “Made in Portugal”, como a própria confiança e experiência das empresas em matéria de exportações e de internacionalização. Investimento, inovação, marcas, competitividade, imagem de Portugal, oportunidades de negócio e abordagem estratégica de mercados, foram temas abordados e desenvolvidos em diálogo entre especialistas e empresas. A presença da cada vez mais internacionalizada Universidade de Aveiro e da sua investigação, que facultou ao evento as suas modernas instalações e logística promocional, além do seu saber, criaram sem dúvida as melhores condições para projectar as Exit Talks nos media e no mundo da cultura empresarial. O número elevado de inscrições, a proactividade dos participantes e a qualidade dos oradores – um painel de convidados diversificado, que juntou académicos, criativos, estrategas e empresários em debates e workshops – provaram não apenas que há pertinência e urgência em iniciativas como esta, que resultam da colaboração e articulação institucional, agregando vontades e contribuindo com recursos na medida das capacidades e especificidades de cada um, como trans-

formaram os dois dias do evento numa acção que pela sua repercussão, ampla adesão e sucesso reconhecido tende a ter um efeito multiplicador sobre iniciativas semelhantes e sobre as boas práticas em matéria de conhecimento, estratégia e parcerias, seja ao nível das universidades, seja do tecido empresarial mais direcionado para a exportação, potenciando a sua actividade e sucesso. O conhecimento e a capacitação empresarial, juntamente com a diplomacia de negócios e a rede externa, são aliás valências fundamentais da acção da AICEP junto das empresas e dos mercados, dado que sem um melhor conhecimento da realidade e sem uma real capacidade de agir sobre ela, não só as PME, como as empresas de vocação exportadora, terão mais dificuldades e menos

oportunidades quando se trata de entrar e ter êxito nos mercados externos. No decorrer das Exit Talks a universidade foi ao encontro das empresas e estas ao encontro da universidade, numa simbiose de saber académico e de experiência empresarial que mostra como o futuro deverá ser equacionado e olhado numa lógica inovadora de desenvolvimento do país. Por outro lado, os workshops sobre mercados estratégicos para empresas, organizadas pela AICEP, no âmbito do evento, mostram como o binómio conhecimento-mercados constitui as duas faces de uma mesma moeda. Ou seja, a exportação de bens e serviços portugueses vista numa óptica em que qualidade e quantidade encontram o seu equilíbrio certo e são cada vez mais competitivos na economia global.

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DESTAQUE

A UNIVERSIDADE COMO PARCEIRO ESTRATÉGICO
>POR MANUEL ASSUNÇÃO, REITOR DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO
A Universidade de Aveiro é conhecida pela sua capacidade de trabalhar com as empresas, com as autarquias e com outros parceiros da sociedade civil. E é reconhecida por isso. Porém, mais do que uma prática recente, ditada pela evolução da sociedade ou pela necessidade financeira imediata, este é um princípio de actuação que foi inscrito, à nascença, na missão que a UA se atribuiu, e que vem sendo prosseguindo coerentemente ao longo destes 40 anos de existência. A UA assume, desde então, o seu dever de contribuir, de forma activa, para a melhoria da qualidade de vida dos portugueses: através da criação de novo conhecimento, da sua disseminação e da sua utilização; através do desenvolvimento de competências individuais, abrindo novas possibilidades para a realização pessoal; trabalhando com outras instituições, públicas e privadas, dos mais variados sectores, reforçando a capacidade de melhor agir. Vivemos num contexto em que, por vezes, parece difícil manter a serenidade e um sentido de futuro; mas em que, reconhecendo as dificuldades que nos limitam e as incertezas dos tempos mais próximos, é importante, no entanto,

16 // Maio 13 // Portugalglobal

DESTAQUE
nunca esquecer a extraordinária acumulação de experiência e talento que as universidades portuguesas e a Universidade de Aveiro, em particular, representam e, nessa base, alicerçar uma perspectiva positiva do que podemos alcançar e de como é possível ajudar o país a sair da situação em que se encontra. Num mundo mais aberto e interligado, mais rápido e mais mutável, as Universidades têm a obrigação de estar ainda mais presentes, de ser ainda mais abertas, de mostrar ainda mais disponibilidade e pró-actividade; de ajudar na busca do equilíbrio necessário entre acções de curto prazo e perspectivas de longo prazo; de se assumirem como fator de soberania e enquanto reserva de pensamento estratégico sobre as grandes questões da atualidade. Foi esta vontade, constante, de contribuir que esteve subjacente à criação das ta das empresas na investigação e no desenvolvimento de novos processos e produtos deve ser estrategicamente assumida e efectuada em parceria, recorrendo à capacidade existente nas Universidades. As Universidades, por seu lado, devem ter dinâmicas de resposta mais ágil e mais flexível, e estar mais disponíveis para corresponder às necessidades do tecido produtivo. Conhecimento. Atitude. Visão. Trabalho em rede. É o que permite enfrentar os problemas de hoje, prevenir dificuldades futuras e, mais importante ainda, inventar os caminhos que queremos percorrer em conjunto, enquanto sociedade, enquanto país. O acolhimento entusiástico que as Exit Talks tiveram demonstra que há muita gente empenhada em responder às interrogações sobre o que temos, e sobre o que devemos ter de diferente para oferecer no mercado internacional, gerando mais riqueza e criando mais e melhor emprego. Foi, assim, com um sentimento de optimismo que o encontro se encerrou.

Universidade de Aveiro
Campus Universitário de Santiago
3810-193 Aveiro Portugal Telefone +351 234 370 200 Fax +351 234 370 985

geral@ua.pt

“O acolhimento entusiástico que as Exit Talks tiveram demonstra que há muita gente empenhada em responder às interrogações sobre o que temos, e sobre o que devemos ter de diferente para oferecer no mercado internacional.”

Exit Talks, desafio lançado pelo Senhor Alexandre Soares dos Santos, enquanto presidente do Conselho Geral da UA, a que a AICEP, desde logo, se quis associar. Uma iniciativa claramente focada no mundo das empresas, nas oportunidades e limitações à exportação, no que importa fazer olhando para fora e para o país. Sem esquecer, naturalmente, o papel que as universidades devem desempenhar neste processo e numa economia em que o conhecimento é cada vez mais importante. A Universidade promove o debate, participa nele e qualifica-o com a sua abordagem específica mas fá-lo em conjunto com as empresas, com os agentes económicos. Há ainda um caminho a percorrer na cooperação entre universidades e indústria. A apos-

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DESTAQUE
O debate arrancou com uma inspiradora visão de Gilles Lipovestky, filósofo com pensamento determinante no mundo do consumo contemporâneo e que nos mostrou que ao contrário do que é tantas vezes a percepção dominante, o consumo está aí para durar, os mercados estão vivos e dinâmicos, a qualidade é um investimento com retorno assegurado, o individualismo não é uma ameaça ao crescimento. Na intervenção de encerramento, José Pinto dos Santos mostrou igualmente como nada está já predestinado apenas ao saber fazer local mas como este pode, e deve, ser integrado num mundo de produtos feitos “nem cá”, “nem lá” mas sempre “de cá para lá”. Pelo meio, mais de uma dezena de oradores (empresários e especialistas) reflectiram sobre desafios e respostas ou deram testemunho de experiências empresariais largamente bem sucedidas. Em simultâneo, a AICEP disponibilizou um largo conjunto de técnicos que prestaram esclarecimentos presenciais sobre uma vintena de mercados (da China aos EUA, do Brasil à África do Sul). Se tivesse de identificar a principal conclusão destas Exit Talks, não hesitaria: Portugal tem saída! E não resisto a repetir aqui uma parte do que no dia seguinte ao encerramento das Exit Talks, publiquei num jornal nacional: “Portugal tem saída, pela simples razão que todos, mas todos os intervenientes (e foram muitos e de muitos quadrantes) se mostraram absolutamente comprometidos com a ideia de que continuarão a trabalhar, a lutar para crescer e criar emprego, apesar de tudo; apesar da instabilidade fiscal (mais importante do que o valor absoluto da taxa de imposto), da carga burocrática, da falta de crédito, da quebra nas economias que são nossas clientes habituais, da valorização do euro (que nos penaliza face a concorrência não comunitária) ou da falta de competitividade fiscal intra-Europeia (o que tanto penaliza a captação de Investimento Directo Estrangeiro). Sem esta determinação absoluta tudo seria pior. Percebamos portanto que as notícias negativas, o medo que se

EXIT TALKS UMA INICIATIVA DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO EM PARCERIA COM A AICEP
> POR CRISTINA DE AZEVEDO, COMISSÁRIA DA CONFERÊNCIA EXIT TALKS
Portugal tem um duplo desafio. Acumular conhecimento, cada vez mais a única verdadeira vantagem competitiva das Nações e promover a sua ligação com a realidade empresarial procurando, por essa via, estimular a actividade produtiva, criar mais renda e mais emprego. As suas Universidades, naturais protagonistas deste duplo desafio, têm sabido compreendê-lo. A Universidade de Aveiro é já um caso paradigmático conseguindo arrecadar receita própria (sobretudo provinda de contratos com empresas) equivalente a cerca de um terço das suas despesas. Foi, assim, consistente com a sua natureza e a sua prática o projecto de pensar e debater o tema das Exportações, motor vital da nossa subsistência económica, num formato dedicado à comunidade empresarial local e nacional, motivado sobretudo pela ideia positiva de remover obstáculos e potenciar o crescimento.

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DESTAQUE
instala, as situações difíceis que testemunhamos têm e terão sempre nos empresários (pequenos e grandes) deste país o exemplo de uma comunidade resiliente, lutadora e, quase sempre, ganhadora. Por isso devem ser conhecidos (pequenos e grandes), respeitados e escutados. No essencial percebemos, nestas Conversas sobre Exportações, que o país está nos eixos. Ou seja, foi absolutamente possível verificar, através do testemunho e reflexão das empresas intervenientes, que Portugal tem os dois pilares essenciais à produção empresarial bem montados: um ensino superior de qualidade, cada vez mais vocacionado para a transferência de conhecimento para as empresas/mercado e um universo empresarial cada vez mais empenhado em ganhar um lugar elevado na cadeia de valor, ou seja, apostado na diferenciação pela inovação, pelo valor acrescentado seja ele de natureza tecnológica, comunicacional ou de serviço. É visível e é irreversível. Demora é tempo a produzir resultados suficientemente alargados.” A AICEP teve, desde o início, a percepção da oportunidade do tema e a imediata vontade de potenciar esta aposta na aproximação às empresas, na divulgação de informação qualificada, no auxílio à remoção de obstáculos. Esteve assim presente desde o primeiro dia na construção deste projecto e foi pedra angular na disponibilização da informação e do discurso técnico adequado e maciçamente procurado durante os dois dias do evento em Aveiro. Os números sobre as exportações nacionais vão oscilando e Março trouxenos notícias menos animadoras, mas a tendência continua positiva em volume e em diversificação de mercados de destino, uma abertura da economia e dos seus protagonistas – apoiados na sua instituição de referência, a AICEP – que nos mantém a todos esperançados e orgulhosos.
cristinaazevedo@hotmail.com

GILLES LIPOVETSKY A GLOBALIZAÇÃO DA SOCIEDADE DE CONSUMO
Gilles Lipovetsky esteve na abertura das Exit Talks, tendo feito uma intervenção sobre o mercado do consumo e a nova economia. É francês, filósofo e professor da Universidade de Grenoble. Teórico da hipermodernidade, é autor dos livros como A Era do Vazio, O luxo eterno, O império do efêmero, A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo, entre outros. Algumas passagens do discurso de Lipovetsky.
“Vivemos actualmente numa nova fase da sociedade de consumo, a que se pode chamar uma sociedade de hiperconsumo, e é sobre esta nova sociedade que eu quero partilhar convosco algumas das suas características e linhas de força, antes de abordar o tema que são as exportações. A partir dos anos 50, 60 e 70, a sociedade de consumo apostou nos bens para a casa e família – telefone, carro, electrodomésticos – tendência que conduziu ao consumo de massas semicolectivo. Mas hoje a tendência dominante já não é esta. Hoje, a tendência é cada vez mais para o consumo centrado no indivíduo, fortemente individualizado. Isso quer dizer mais televisões, computadores, telemóveis e smartphones, mais tecnologia por habitação. Mas também moda ou hábitos alimentares na óptica de a cada um o seu uso privado, a sua preferência específica, o seu ritmo próprio, o seu consumo como expressão do eu individual.

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DESTAQUE
Verificamos que há uma segmentação cada vez maior do mercado do consumo e de produtos de consumo, de que é exemplo a imensa variedade de marcas e de material desportivo, o que permite ao consumidor personalizar a sua compra, adaptando-a ao seu gosto pessoal. Nesta medida, a Swatch é um caso de sucesso de personalização e de opção de escolha, bem como a vasta gama de marcas e produtos cosméticos. Vivemos numa sociedade de individualização e o mercado constrói-se pela personalização e pela renovação e sofisticação constante dos bens de consumo, cada vez mais personalizáveis e cada vez mais transversais à estratificação social sendo que as marcas ditam cada vez mais este consumo transversal. O consumidor tornou-se imprevisível. Hoje, contraditoriamente, o mesmo consumidor pode adquirir um produto de consumo low cost ou de luxo apenas movido pelo desejo de o possuir. O código de luxo foi absorvido pelas marcas populares mundializadas, da moda, à indústria automóvel, do turismo ao urbanismo. Nesta nova sociedade de consumo, mundializada, tudo – mesmo a cultura – obedece às leis da economia, porque tudo tem de ser rentável, mercantilizado. A sociedade de consumo transformou por completo a noção de cultura. Hoje, todas as actividades, desde a moda, à indústria automóvel, do turismo ao urbanismo, obedecem às leis da economia, porque tudo tem de ser rentável. A cultura hoje resume-se a cinco vectores – o mercado, a ciência, a informação, a indústria cultural e as novas tecnologias de comunicação e a necessidade de individualização. A importância em termos de mercado de consumo do casamento entre tecnologia de ponta e bens correntes e a estetização desses bens, vivemos num universo de integração, de cruzamento, de partilha, enquanto ainda há poucos anos vivíamos numa sociedade compartimentada, demasiado fechada. Agora, não é só o útil que se vende, mas a aparência, a emoção, o estilo, a sedução, e mesmo os produtos mais tecnológicos, do computador ao carro, partilham desta emoção estética, deste design da aparência que seduz os sentidos, e que vende porque seduz esteticamente. Assim, é enorme o papel da criatividade na imagem das coisas, nesta hibridação entre o prático e o estético. Verifica-se a democratização do desejo do caro e do sofisticado, sobretudo agora nas economias emergentes, o que potencia enormemente esta procura nos mercados internacionais. Os europeus deveriam investir mais na qualidade e na imagem, na criação e na inovação acelerada, mesmo nas marcas e nos produtos de tradição. É nesta renovação permanente dos bens de consumo que mudamos o mercado e que ganhamos mercado. Hoje vende-se a marca e a marca não é apenas o produto, é a comunicação do produto, a estratégia, a publicidade, a exposição e a visibilidade nas superfícies de venda: é este conjunto de factores que cria e afirma uma marca. Não partilho a análise do mercado de consumo que diz que tudo mudou hoje em dia, nomeadamente em função da crise, com o aumento da procura de produtos low cost. Agora muitos querem aceder ao que estava reservado para poucos. Ao contrário do que alguns teóricos do consumo afirmam, o consumo está numa fase de proliferação global, de democratização acelerada, encontrase numa fase de explosão. O consumo é toda a ‘mercadorização’ do mundo. Para além dos bens de consumo mais convencionais, mas em evolução permanente, cada vez se vai consumir mais música, imagem, informação, cinema, jogos, moda, turismo, restauração. Este universo de hiperconsumo encontra-se em crescimento e não em retracção. Como somos sociedades cada vez mais sem tradição, os consumidores procuram sensações novas, que preencham esse vazio de tradição. É verdade que nas sociedades tradicionais ainda se vive – mas cada vez menos – com poucas necessidades para se satisfazer, sem experimentar a necessidade de novidade. São sociedades em que se reproduz o mesmo modelo, o qual muda lentamente no tempo. Com o hiperconsumo todo este ritmo é acelerado até à dissolução da tradição. Eram sociedades fechadas, hoje são sociedades abertas, que crescem ao ritmo da globalização, da ‘mercadorização’ do mundo. A produção e o consumo interagem segundo as mesmas leis de mercado, cada vez mais globalizadas, e por isso a exportação e a internacionalização só fazem sentido quando levam em consideração a dinâmica desta nova realidade.”

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PROJECTOS INTERNACIONAIS

MULTILATERAIS FINANCEIRAS IFC – INTERNATIONAL FINANCE CORPORATION
Membro do Grupo Banco Mundial, a IFC – International Finance Corporation (Sociedade Financeira Internacional) é a maior instituição global de desenvolvimento vocacionada para o financiamento de projectos do sector privado em países emergentes. Em 2012, a instituição aprovou investimentos superiores a 20 mil milhões de dólares, um valor recorde para a IFC, que tem com Portugal e as instituições portuguesas um relacionamento de muitos anos do qual têm resultado algumas parcerias de sucesso. Um artigo de Paula Alayo, Senior Investment Officer da IFC para a Europa Ocidental.
22 // Maio 12 // Portugalglobal

PROJECTOS INTERNACIONAIS
Fundamentalmente vocacionada para o financiamento de projectos no sector privado em países emergentes, a IFC tem como principal missão reduzir a pobreza nestes países, financiando projectos que levem à criação de empresas, que gerem emprego e promovam serviços essenciais ao desenvolvimento dos países. A IFC promove igualmente a mobilização de capital de terceiros, oferecendo serviços de consultoria para garantir um desenvolvimento sustentável. De salientar que, em tempos de incerteza económica global, os investimentos da IFC atingiram um recorde de 20,4 mil milhões de dólares em 2012, montante que inclui aproximadamente 5 mil milhões de dólares provenientes de outros investidores. Membro do Grupo Banco Mundial, e tal como outras instituições financeiras internacionais, a IFC investe em projectos com perspectivas rentáveis e sustentáveis, oferecendo empréstimos a taxas de mercado, com a segurança que a sua classificação de crédito AAA lhe proporciona. A IFC oferece uma variedade de produtos e serviços financeiros aos seus clientes que permite aumentar o acesso a mercados de capitais nacionais e internacionais e gerir riscos. Os produtos disponíveis incluem empréstimos directos da IFC (tipo A), empréstimos sindicados de terceiros (tipo B), investimento em capital, produtos estruturados e de gestão de risco, financiamentos em moeda local e de curto prazo. Os financiamentos da IFC podem variar entre 5 milhões e 100 milhões de dólares (referentes ao montante oferecido pela IFC, não incluindo montantes sindicados), sendo limitados a 25 por cento do valor total do investimento. Especificamente para projectos de expansão, a IFC pode investir até 50 por cento do valor do projecto. Para ser elegível a um financiamento da IFC, o projecto deve estar localizado num país em desenvolvimento, deve ter predominantemente accionistas privados, ser técnica e financeiramente viável, deve promover a economia local e satisfazer as normas ambientais e sociais da IFC e do país. Para a IFC é muito importante que os projectos sejam financeiramente sustentáveis.

Como pedir um financiamento
Não há um processo padrão para solicitar um financiamento à IFC. Empresas ou empresários, estrangeiros ou locais, que visem estabelecer um novo empreendimento ou expandir um negócio já existente podem abordar directamente a Instituição. Para empresas e investidores baseados na Europa Ocidental, o pedido deve ser efectuado com a apresentação de uma breve proposta de in-

ou de empresas para desenvolver acções específicas para o seu departamento de consultoria e assessoria (Advisory Services), o qual oferece serviços nas seguintes áreas: acesso a serviços financeiros, parcerias público-privadas (PPP), gestão dos impactos ambientais e sociais do projecto e negócios sustentáveis. Para consultores e empresas interessadas, é possível aceder a todas as oportunidades do Grupo Banco Mundial e apresentar manifestações de interesse através do site wbgeconsult2.worldbank.org/. Com este sistema, a IFC pretende que o processo de selecção seja transparente e eficiente, além de fornecer uma aplicação on-line segura, que permite gerir e monitorizar o processo de licitação.

“Para ser elegível a um financiamento da IFC, o projecto deve estar localizado num país em desenvolvimento, deve ter predominantemente accionistas privados, ser técnica e financeiramente viável, deve promover a economia local e satisfazer as normas ambientais e sociais da IFC e do país.”

Sindicação
Para apoiar o desenvolvimento do sector privado em mercados emergentes, a IFC actua como um catalisador na mobilização de capitais provenientes de outros investidores nacionais e internacionais. A IFC mobiliza os fundos através de empréstimos sindicados “tipo B” (provenientes principalmente de bancos comerciais), empréstimos sindicados “paralelos” (provenientes principalmente de outras instituições financeiras de desenvolvimento internacionais) e participações em empréstimos “tipo A” (de bancos comerciais ou outras instituições financeiras). Por se tratar de uma instituição de desenvolvimento multilateral, a IFC tem um estatuto preferencial de crédito, que concede aos beneficiários de empréstimos da instituição o acesso preferencial à moeda estrangeira em caso de crise de divisas no país. Desta forma reduz-se o risco de transferência e convertibilidade para a IFC e para os seus parceiros em empréstimos sindicados. Para mais informações sobre sindicação do IFC aceda a: http://www1.ifc.org/wps/wcm/connect/topics_ext_content/ifc_external_corporate_site/ifc+syndications/ overview_benefits_structure/overview_ benefits

vestimento ao Country Manager da IFC responsável pelo país onde a empresa está ou, em alternativa, do país onde se localizará o projecto. (Informações específicas de cada país e contactos estão disponíveis no site www.ifc.org/ ifcext/westeurope.nsf/content/HowtoWorkwithIFC). Após o contacto inicial e revisão preliminar, a IFC pode eventualmente solicitar um plano de negócios ou um estudo de viabilidade detalhado para avaliar o projecto. A IFC trabalha com empresas sólidas, que têm experiência no sector e no país de investimento, e com capacidade para investir capital no seu próprio projecto. De referir que, normalmente, a IFC não financia start-ups e não trabalha com capital de risco.

Como fornecer serviços de consultoria
No âmbito da sua actividade, a IFC recorre regularmente a serviços de consultores

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PROJECTOS INTERNACIONAIS

Trade finance e financiamento de curto prazo
Para apoiar operações de trade finance – um motor essencial do crescimento mundial – a IFC desenvolveu uma série de produtos nesta área e de financiamentos de curto prazo. Os dois principais programas da IFC são: o Global Trade Finance Program (GTFP), que oferece garantias directas a bancos relacio-

guintes programas: Global Warehouse Finance Program, Global Trade Suplier Finance Program, Critical Commodities Finance Program, financiamento para distribuidores e transacções estruturadas de trade finance. Para mais informações sobre estes programas aceda a: http://www1.ifc.org/wps/wcm/ connect/Industry_EXT_Content/ IFC_External_Corporate_Site/ Industries/Financial+Markets/ Trade+and+Supply+Chain/GTFP

“A IFC e Portugal têm uma relação próxima e produtiva, que inclui o desenvolvimento de negócios com empresas portuguesas interessadas em investir em mercados emergentes, iniciativas dinamizadas através de recursos doados por instituições portuguesas e da colaboração com bancos portugueses.”

da IFC), a IFC detinha uma exposição de 345,7 milhões de dólares com empresas portuguesas, em investimentos em países emergentes. Embora o sector financeiro ainda represente 56 por cento deste portfolio, os sectores das infra-estruturas, e indústria e serviços ganharam espaço nos últimos anos, representando, respectivamente, 27 e 15 por cento da carteira. Em termos de distribuição geográfica, a África Subsaariana representa 61 por cento do portfolio, a Europa e Ásia Central representam 33 por cento e a América Latina e Caraíbas representam os restantes 6 por cento.

A IFC e Portugal Parceiros no desenvolvimento do sector privado
A IFC e Portugal têm uma relação próxima e produtiva, que inclui o desenvolvimento de negócios com empresas portuguesas interessadas em investir em mercados emergentes, iniciativas dinamizadas através de recursos doados por instituições portuguesas e da colaboração com bancos portugueses. Portugal tornou-se membro da IFC em 8 de Julho de 1966 e detém 0,35 por cento do capital da instituição através do Ministério das Finanças. O Governo de Portugal e a SOFID (Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento) mantêm excelentes relações com a IFC. Neste contexto, é de sublinhar que o portfolio de investimento da IFC com instituições portuguesas mais do que duplicou no ano fiscal de 2011 e, desde então, continua a crescer. Em 30 de Junho de 2012 (final do exercício fiscal

A IFC e os bancos portugueses Mobilização
Em 30 de Junho de 2012, as instituições financeiras portuguesas detinham aproximadamente 32 milhões de dólares de empréstimos sindicados com a IFC. O Banco Espírito Santo (ocupa a 66.ª posição no programa de sindicação da IFC) e a Caixa Geral de Depósitos (ocupa a posição 169.ª) são parceiros particularmente activos da IFC. Em 30 de Junho de 2012, as instituições portuguesas em geral atingiram a 34ª posição no programa de sindicação da IFC. Os bancos portugueses que aderiram aos “Equator Principles” (Princípios do Equador) incluem o Banco Espírito Santo e o Banco Comercial Português.

nadas com comerciais individuais; e o Global Trade Liquidity Program (GTLP), que promove liquidez em mercadosalvo através de garantas financiadas, linhas de trade finance e refinanciamento de carteiras de crédito detidas por bancos. Até à data, o GTFP e o GTLP promoveram 50 mil milhões de dólares em operações de trade finance de/para mercados emergentes. A IFC tem vindo a expandir o seu portfolio de produtos de trade finance, a fim de incluir os se-

Global Trade Finance Program (GTFP):
Desde o início do GTFP, em 2005, a IFC emitiu 716 garantias no valor de 214,1

24 // Maio 12 // Portugalglobal

PROJECTOS INTERNACIONAIS
gal). No ano fiscal de 2010, a IFC concedeu um empréstimo de 30 milhões de dólares para apoiar o sector de retalho do BCI em Moçambique, incluindo o segmento de pequenas e médias empresas (PME). Este investimento foi o segundo financiamento da IFC ao BCI, depois de ter concedido um empréstimo subordinado de 8,5 milhões de dólares e um pacote de serviços de consultoria de um milhão de dólares em 2008. O pacote de serviços de consultoria foi usado para fortalecer a actividade do BCI focado nas PME, incluindo a revisão de políticas internas, introdução de novos procedimentos e desenvolvimento de novos produtos. O programa de consultoria também incluiu formação intensiva ao pessoal do BCI na esfera das PME e a nomeação de um especialista sénior internacional neste sector, que actuou como conselheiro residente durante dois anos, coordenando as diferentes actividades do BCI neste segmento. Por último, o pacote incluiu uma componente de “Women in Business” (Mulheres nos Negócios), realizado através de um programa de Gestão de Soluções para PME, com o objectivo de aumentar o acesso das mulheres aos financiamentos. O Programa teve como alvo 200 empresárias e proporcionou formação em competências de gestão de negócios e acesso à informação. Durante a primeira fase do programa foram formadas aproximadamente 100 mulheres. A segunda fase está em desenvolvimento. Para mais informações sobre o departamento da IFC focado na Europa Ocidental, aceda a: www.ifc.org/westerneurope

milhões de dólares a bancos portugueses. O banco mais activo no programa (confirmação de garantias) foi o Banco BPI, seguido do Banco Espírito Santo e da Caixa Geral de Depósitos.

Parceiros em desenvolvimento - relações com doadores portugueses
Até 30 de Junho de 2012, Portugal forneceu um total acumulado de 5,79 milhões de dólares para apoiar projectos da IFC de assistência técnica e consultoria. Em Junho de 2009, Portugal marcou o seu regresso como um doador activo da IFC, com uma contribuição modesta mas importante para a Empresa de Serviços de Gestão Africana (AMSCO, sigla em inglês), e com a criação do IFC Trust Fund para países lusófonos, com uma contribuição total de 900 mil dólares. Os fundos para esta segunda iniciativa foram alocados a novos projectos focados no acesso a financiamentos e investment climate na África lusófona.

para o Mercantile Bank, uma subsidiária da Caixa Geral de Depósitos (Portugal). O financiamento da IFC ajudou o Mercantile Bank a expandir os seus empréstimos para pequenas empresas, incluindo para o financiamento de projectos na área das energias renováveis e utilização eficiente de energia, visando reduzir as emissões de CO2. O investimento consiste num empréstimo de 48,4 milhões de euros da IFC e um segundo empréstimo de 1,6 milhões de euros de um fundo do Banco Mundial destinado às tecnologias limpas. O investimento visa ajudar as PME na África do Sul a obter mais facilmente os fundos de que necessitam para crescer, apoiando o desenvolvimento de longo prazo deste segmento da economia. O financiamento da IFC em rands reduzirá o risco de câmbio para as PME, permitindo o acesso a financiamentos de longo prazo em moeda local para estimular o desenvolvimento económico.

Paula Alayo

Senior Investment Officer IFC Western Europe
66, avenue d’Iéna 75116 Paris, França Tel: +33 1 40 69 33 64 Fax: +33 1 47-20 77 71 Telm.: +33 610 97 66 38 palayo@ifc.org

Parcerias de Sucesso MERCANTILE BANK – FY2011
A IFC mobilizou o equivalente a 50 milhões de euros em rands sul-africanos

BANCO COMERCIAL E DE INVESTIMENTOS, MOÇAMBIQUE – FY2010
O Banco Comercial de Investimentos (BCI) de Moçambique é uma subsidiária da Caixa Geral de Depósitos (Portu-

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Portugalglobal // Maio 12 // 25

EMPRESAS

IGUARIVARIUS APOSTA NA EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ALIMENTARES
Inicialmente vocacionada para a exportação de produtos alimentares portugueses, a IGUARIVARIUS estendeu a sua actividade à indústria alimentar e à consultoria de gestão com vista à promoção destes produtos no mundo. A empresa estabeleceu como mercados prioritários os países da América do Sul – Venezuela, Colômbia, Brasil – actuando, porém, igualmente em mercados europeus como Espanha, Alemanha, França, e ainda nos mercados asiáticos – Hong Kong, China, Vietname – no seguimento de uma estratégia de internacionalização que pretende ver reforçada.
Criada no final de 2010 com 100 por cento de capital privado português, a IGUARIVARIUS, S.A. dedicou-se inicialmente à exportação de produtos alimentares portugueses, designadamente para países fora da UE, mas, no decorrer de 2011, alargou a sua actividade à indústria alimentar e à consultoria de gestão, com vista à promoção destes produtos no mundo. Ao nível do mercado externo, a empresa estabeleceu importantes contratos para fornecimento de alimentos, tais como carne de suíno, bovino, charcutaria e conservas de peixe, para os seus mercados prioritários. Segundo fonte da empresa, no final de 2011, a IGUARIVARIUS identificou uma importante oportunidade para o desenvolvimento da sua actividade, tendo contratualizado com a empresa Ruiz Teeuwissen, do Teeuwissen Group (grupo empresarial holandês e líder mundial no negócio de subprodutos cárneos e tripas de todas as espécies animais) uma representação exclusiva para Portugal, com o objectivo de serem estabelecidas parcerias de negócio com os diferentes matadouros nacionais, na busca da melhor solução e maior rentabilização possível para os seus produtos, ao nível de diferentes segmentos destino (tais como consumo humano, tripas naturais, indústria farmacêutica, indústria de pet food e produção de proteína animal) para os diferentes mercados mundiais. Esta actividade teve um período de crescimento moderado em 2012, segundo a mesma fonte, perspectivando-se que, em 2013, venha a ter maior relevância face à previsível concretização de um processo de centralização logístico e operacional a implementar em Portugal. No que se refere à actividade industrial, a IGUARIVARIUS definiu como objectivo estratégico a participação directa no sector agro-industrial, através da procura e identificação de oportunidades de negócio, prevendo-se a concretização na entrada neste tipo de actividade durante este ano. A IGUARIVARIUS apostou também na actividade de consultoria, especialmente com empresas portuguesas, no âmbito da gestão empresarial e comercial ao nível dos processos de exportação, tendo sido atingindo um volume de negócios de cerca de 20 milhões de dólares para essas empresas.

26 // Maio 13 // Portugalglobal

EMPRESAS
Mais recentemente, no final de 2012, foi desenvolvida uma nova área de actividade na empresa, no domínio das tecnologias dos sistemas de informação, tendo como alvo clientes do mercado nacional mas também no mercado externo, que pode ir de um simples processo de consultoria, até ao desenvolvimento de sistemas específicos desenhados em função dos requisitos estabelecidos pelo cliente. Apesar de ter sido recentemente criada, a IGUARIVARIUS atingiu, em 2012, um volume de vendas superior a 25 milhões de dólares, representando o mercado externo 95 por cento deste valor, nomeadamente através da venda de 5.250 toneladas de carne de porco congelada produzidas pela IGUARIVARIUS ou nas unidades industriais portuguesas que esta representa. Actualmente, frisa a fonte da empresa, a IGUARIVARIUS, que conta com um quadro de pessoal de nove colaboradores, é a maior empresa portuguesa na exportação de carnes frescas/congeladas, prevendo-se um aumento destas exportações em 2013. presas/produtos de outras empresas, e apresentar um serviço global para a gestão dos produtos cárneos e subprodutos de origem animal, junto dos operadores da indústria de carnes em Portugal. Entre os objectivos da empresa, encontra-se igualmente a implementação de uma solução ao nível de infra-estrutura física industrial própria, através de parceria com outras empresas, bem como a concentração na gestão por áreas de negócio, nomeadamente com a especialização e crescimento do subdomínio Tecnologia de Sistemas de Informação. No que respeita ao processo de internacionalização, a fonte refere que a abordagem aos mercados externos tem vindo a ser efectuada através do contacto directo com parceiros económicos internacionais, após um processo prévio de procurement e sequentes celebrações de acordos comerciais, ou através da participação em missões empresariais organizadas pelo Governo português a países para os quais as exportações portuguesas são pouco expressivas, e onde são estabelecidos contactos com potenciais importadores. Posteriormente, e de uma forma persistente, têm tido lugar deslocações para reuniões de trabalho, com vista à celebração de acordos comerciais com as diferentes entidades compradoras. De referir que a actuação da IGUARIVARIUS nos mercados externos envolveu, numa fase prévia, o estabelecimento de parcerias com empresas nacionais do sector agro-alimentar e a identificação, em conjunto, de novos mercados internacionais com grande potencial de compra e de crescimento económico elevado, por forma a concentrar oferta junto dos clientes nesses mercados de destino. A abordagem aos mercados externos é igualmente feita em função da evolução dos negócios nos diferentes países e da sua consolidação. Assim, foram identificados, até final de 2012, como principais mercados da IGUARIVARIUS, um conjunto de países que representou um volume de negócios superior a 23 milhões de dólares. Além da Venezuela – onde a IGUARIVARIUS já avançou com o registo prévio para o estabelecimento de uma empresa no mercado –, outros mercados de expansão são a Espanha (para indústrias de carne e produtos para pet food), Alemanha (indústrias de carne), França (importadores e distribuidores) e Hong Kong (importadores e distribuidores). Sobre os projectos em curso, adianta a mesma fonte que, além da concretização, este ano, de contratos de venda de alimentos para o mercado venezuelano, na ordem dos 80 milhões de dólares, existem dois outros importantes projectos para a consolidação do futuro da IGUARIVARIUS. O primeiro respeita à participação na criação de uma nova empresa em parceria com outras entidades nacionais, com infra-estrutura industrial e logística, adequada às necessidades da actividade dessa empresa, por forma a poder crescer nas exportações de produtos cárneos e seus derivados. O segundo prevê a participação na gestão do processo de aprovação e implementação de um projecto internacional (na América do Sul) em sistema de consórcio, no domínio agro-industrial – pecuária, fabrico de alimentos compostos para animais, abate e desmancha de animais de grandes espécies e transformação de carnes. Este projecto deverá desenvolverse em três anos, atingindo um montante superior a 130 milhões de dólares, acrescenta a fonte da IGUARIVARIUS.

Forte aposta na internacionalização
A estratégia de crescimento da IGUARIVARIUS passa, naturalmente, por uma forte aposta na internacionalização e pela possibilidade de entrada em novos mercados. A empresa pretende também aumentar a gama de produtos e serviços, através da representação de em-

IGUARIVARIUS
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Portugalglobal // Maio 13 // 27

EMPRESAS
Fundada em 2010, a SDILAB, empresa do grupo José Pimenta Marques, de Braga, dedica-se ao desenvolvimento de soluções informáticas para a indústria e comércio em geral, com especial incidência nas áreas do POS e pesagem comercial, procurando colocar no mercado produtos não apenas inovadores, mas que sejam diferenciadores e uma mais-valia num sector profissional extremamente competitivo e concorrencial. Explica Luís Barbosa, Director do Departamento de Engenharia da SDILAB, que, apesar de ter sido criada recentemente, a SDILAB “conta com a enorme experiência acumulada ao longo de muitos anos pelos seus profissionais altamente qualificados e que na sua carreira se especializaram em ‘software’ de gestão e de facturação, sendo o conhecimento o grande património da empresa”. A criação da SDILAB acaba por ser o corolário lógico do know-how dos seus fundadores que, desta forma, puderam criar e reunir condições para desenvolverem os seus próprios produtos sustentados nas competências adquiridas, dedicando-se desde o início à implementação de um produto específico, de concepção própria de raiz. Segundo Luís Barbosa, a SDILAB desenvolveu uma base de dados proprietária e exclusiva – a DBDI, “um conceito aprimorado e trabalhado ao longo de anos” –, de forma a poder criar o seu próprio software, com tecnologia completamente autónoma e que possui como principais qualidades a robustez, a capacidade de armazenamento de dados, a velocidade de acesso aos mesmos, a simplicidade e a eficiência. O ETPOS da SDILAB, software certificado de facturação com interface táctil, é o resultado deste trabalho, sendo um software POS versátil e totalmente configurável para se adaptar às diversas especificidades de gestão comercial, com uma completa optimização dos recursos já que está concebido para uma utilização específica bem definida, refere Luís Barbosa, que acrescenta: “o facto de ser totalmente baseado em tecnologia própria da SDILAB, faz com que, por um lado, seja um software não dependente de desenvolvimento externo à empresa e, por outro lado, seja completamente exclusivo e hermético”.

SDILAB SOLUÇÕES INFORMÁTICAS INOVADORAS PARA A INDÚSTRIA E COMÉRCIO
A SDILAB desenvolve soluções informáticas para a indústria e comércio, com maior incidência nas áreas do POS e pesagem comercial onde se destaca o ETPOS, um software de facturação com interface táctil que é já exportado para mercados como Espanha, França e Alemanha. A empresa aposta forte na sua internacionalização, beneficiando das sinergias com outras empresas do grupo José Pimenta Marques a que pertence.
28 // Maio 13 // Portugalglobal

EMPRESAS
O ETPOS é já uma referência no mercado, com milhares de utilizadores, sendo exportado para mercados importantes como os de Espanha, França e Alemanha. Em 2012, a SDILAB deu mais um passo significativo no seu crescimento, lançando um produto inovador, o ETPLUS, o primeiro equipamento de facturação portátil português, com software certificado, impressora e bateria incorporadas. Outro produto próprio, também lançado no ano passado, é o ETPED, um tablet para registo de pedidos com ligação directa ao POS. “Pode dizer-se que, após dois anos de amadurecimento, a SDILAB tornou-se uma empresa consistente e capaz de estar na vanguarda do sector, tendo alcançado em 2012 um valor de facturação que ultrapassou largamente as expectativas”, sublinha Luís Barbosa. Refira-se que em 2012 os resultados operacionais da empresa ascenderam a 300 mil euros. senvolver software específico para ARM ou fabricantes interessados em adquirir software para instalar de origem no seu hardware”, refere Paulo Marques, responsável comercial da empresa, tenoutra empresa do grupo empresarial bracarense, a Balanças Marques, que integram o seu software. “Cerca de 15 por cento do software da SDILAB já é enviado em balanças ou equipamentos de POS para outros países”, refere Alice Marques, Directora Financeira, avançando ser objectivo da empresa fazer do mercado externo a principal fonte de receitas. “Queremos que em 2014 este valor se inverta completamente e atinjamos os 85 por cento de exportação, rácio totalmente ao nosso alcance”, afirma a responsável. Para alcançar esse objectivo, além de fazer uso da experiência e da estrutura exportadora do grupo José Pimenta Marques, “está a ser feito um forte investimento financeiro, a rondar os 600 mil euros”, acrescenta Alice Marques. A SDILAB inaugurou recentemente as suas novas instalações, em Celeirós, Braga, uma mudança que resulta do forte crescimento da empresa no último ano. Para o sucesso da SDILAB muito tem contribuído a estrutura de todo o grupo José Pimenta Marques, principalmente ao nível da distribuição comercial em Portugal e da exportação. Contando com mais de 60 colaboradores e um volume de negócios de 16 milhões de euros em 2012, além da SDILAB o Grupo é constituído por mais sete empresas: Balanças Marques, Europesagem, Marques Negócios, CRU Design, LxPack, Balanzas Marques (Espanha) e Balances Marques (França). “Temos vindo a construir e consolidar um grupo económico que se diferencia pela ousadia e pela capacidade de encarar proactivamente o futuro e a SDILAB é mais um exemplo disso”, afirma Francisco Marques, CEO do Grupo, que se congratula com o forte crescimento registado pela empresa. a apostar forte na internacionalização. Inserida nesta estratégia, a empresa marcou presença, já este ano, em feiras importantes como a SIRHA, em França, e a CeBIT, na Alemanha. “A SDILAB tem como grande objectivo o desenvolvimento de esforços para captar eventuais investidores que queiram dedo o facto de a SDILAB estar “uns passos à frente da concorrência nesta matéria”, dado que o ETPOS já está actualmente a ser distribuído, numa versão de demonstração, em equipamentos na Malásia. A internacionalização da SDILAB também se tem feito por outra via, tirando partido da exportação de produtos de

“Apesar do crescimento exponencial no mercado nacional, a SDILAB, aproveitando a estrutura exportadora perfeitamente consolidada do grupo José Pimenta Marques de que faz parte, está a apostar forte na internacionalização.”

Aposta na internacionalização
Apesar do crescimento exponencial no mercado nacional, a SDILAB, aproveitando a estrutura exportadora perfeitamente consolidada do grupo José Pimenta Marques de que faz parte, está

do a participação na CeBIT corrido bem nesse sentido. “Concluímos a feira com excelentes perspectivas de negócio, nomeadamente o estabelecimento de acordos OEM para instalação do ETPOS em equipamentos para venda em países como a China, Rússia, Grécia e Chipre”. Esta perspectiva concretizada “coloca o ETPOS num patamar de números extraordinários; equipar um grande fabricante asiático é colocar automaticamente o nosso software numa escala planetária”, continua o director comercial, salientan-

SDILAB
Rua 5 de Julho 4705-730 Celeirós - Braga Tel.: +351 253 678 191 Fax: +351 253 672 882 geral@sdilab.pt

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Portugalglobal // Maio 13 // 29

EMPRESAS

WEEDSWEST AVANÇA NOS MERCADOS EXTERNOS
A WeedsWest, com sede no Porto e especializada, entre outras áreas, em pavimentação rodoviária, apostou na sua internacionalização através da criação de uma rede de parcerias, designadamente em países emergentes e de forte crescimento económico como Angola e Moçambique. Guiné Equatorial e América Latina são mercados para onde a empresa quer agora avançar.

A WeedsWest é uma empresa portuguesa, fundada no Porto em 2008, dedicando-se à actividade de trading e ao fornecimento de soluções para a indústria de pavimentação rodoviária. Concretamente, as suas áreas de negócio são a comercialização de químicos e aditivos; o fornecimento (venda e/ou aluguer) de equipamento para a produção de betumes modificados e emulsões betuminosas; e o desenvolvimento de soluções globais de engenharia para a indústria da pavimentação rodoviária. A empresa integra, desde 2012, a Souldiscover, uma holding que também detém as empresas Testinground e Terriang, formando um universo de empresas que se dedicam ao desenvolvimento de soluções tecnológicas e à comerciali-

zação de produtos químicos e matériasprimas para a indústria de pavimentação rodoviária em todo o mundo. No total, este grupo de empresas engloba 50 colaboradores, na sua maioria quadros técnicos especializados, com um forte know-how em todas as vertentes deste sector de actividade, o que lhe confere a capacidade para responder às mais elevadas exigências do mercado internacional. Tendo por missão tornar-se um dos principais players do mercado da indústria da pavimentação rodoviária e ser um parceiro estratégico para os seus clientes, é objectivo da WeedsWest continuar a incrementar a sua actividade através de um crescimento sustentado e aumento de vendas, essencialmente no mercado inter-

nacional. Segundo fonte da empresa, este crescimento irá realizar-se em grande parte com base em parcerias estratégicas nos vários países onde pretende expandir a sua actividade, como é o caso da América Latina. Dentro dos objectivos de expansão da WeedsWest está igualmente o avanço para a Guiné Equatorial. A empresa está a desenvolver parcerias com grandes empresas internacionais com presença nestes países e será com base nessas parcerias que a internacionalização da WeedsWest nesses mercados se irá consubstanciar, adianta a mesma fonte. “O crescimento da WeedsWest vai ser feito de forma orgânica e sustentada, através do aumento da sua produtividade e vendas nos mercados externos. Para isso tem um papel fundamental as

30 // Maio 13 // Portugalglobal

EMPRESAS
parcerias que vamos construindo com empresas internacionais, bem como a nossa equipa que detém a capacidade para oferecer soluções globais para a indústria de pavimentação rodoviária em todo o mundo. Temos uma forma única de trabalhar, produzindo lado a lado com os nossos clientes no terreno, e esse é um dos nossos principais factores diferenciadores”, afirma Hugo Guimarães, CEO da empresa. A estratégia da WeedsWest para o mercado internacional assenta, precisamente, na criação de uma rede de parcerias com empresas com as quais cria sinergias que lhe permitem alavancar a sua actividade nesses mercados. Esta aposta é feita essencialmente nos mercados emergentes, países com economias em crescimento, onde a construção de infra-estruturas como estradas e vias de ligação se encontra em pleno desenvolvimento. Explica o mesmo responsável que foi o decréscimo da actividade da construção de infra-estruturas rodoviárias em Portugal que levou a empresa a procurar alternativas de mercado. “Com a estagnação da construção rodoviária em Portugal, investimos na reorientação da nossa estratégia comercial para mercados externos, que representam já 95 por cento da nossa facturação”, refere Hugo Guimarães. Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), como Angola e Moçambique, apresentaram-se como mercados naturais, dado o seu elevado índice de crescimento ao nível da construção de infra-estruturas, bem como os contactos entretanto desenvolvidos pela holding Souldiscover nestes países. Também a Espanha se revelou um mercado importante, onde um dos principais clientes da WeedsWest é a Acciona, uma das empresas espanholas líderes na construção de infra-estruturas. Em Moçambique, por exemplo, a WeedsWest desenvolveu uma parceria com a Betumoc – Betumes de Moçambique, uma empresa de ADN moçambicano, com sede em Maputo, através da qual conseguiu firmar uma posição de destaque como fornecedor para o mercado da indústria da pavimentação rodoviária naquele país.

Agora a WeedsWest equaciona a sua expansão para novas áreas geográficas: o objectivo mais imediato é avançar para a Guiné Equatorial, em África, onde já existem contactos com um parceiro internacional, seguindo-se a América Latina. Numa primeira fase de expansão para a América Latina, a WeedsWest vai apoiarse na rede externa de escritórios que a AICEP tem nesses países, nomeadamente na Argentina, Chile e Colômbia. Estes contactos serão “muito importantes para alavancar a sua entrada nestes mercados e oferta de oportunidades de negócio”, acrescenta a mesma fonte. Refira-se que o volume de negócios da empresa rondou os 2 milhões de euros em 2012, com um crescimento expo-

nencial relativamente ao ano anterior fruto da actividade comercial no mercado externo, que representou já 95 por cento das vendas. As expectativas para este ano são “muito positivas”, já que a empresa possui projectos em carteira no valor de cerca de 19 milhões de euros, dos quais 7,5 milhões serão concretizados em 2013, o que equivale a um crescimento de cerca de 250 por cento, conclui a fonte da WeedsWest.

WeedsWest
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Portugalglobal // Maio 13 // 31

INTERNACIONALIZAÇÃO

LANÇAMENTO DO CEIIA BRASIL NO QUADRO DE UMA ESTRATÉGIA DE AFIRMAÇÃO TECNOLÓGICA DE PORTUGAL
>Por Jacinto Moniz de Bettencourt, Presidente da EEA – Empresa de Engenharia Aeronáutica, S.A.
São tradicionalmente duas as feiras aeronáuticas ditas “globais” – Farnborough, no Reino Unido, e Le Bourget, em França, que alternam entre si todos os anos – onde os principais construtores e fornecedores apresentam os seus produtos e competências e fazem os mais importantes anúncios ao mercado. Recentemente, porém, e por motivos não alheios à crescente pujança económica e política do Brasil, também a LAAD – Feira Internacional de Defesa e Segurança, que decorre naquele país, se tem vindo a intrometer entre os grandes eventos do sector. Com efeito, muito embora a LAAD constitua, originariamente, uma feira de cunho regional, que agrega sobretudo empresas sul-americanas dos sectores de segurança e defesa, a presença massiva de gigantes (como a Boeing, EADS, Embraer, Lockheed Martin, Dassault, Alenia, Agusta-Westland, United Aircraft Corporation, Sikorsky, SAAB, Bell, Bombardier, Honeywell, Thales, Safran, Rockwell Collins, Rohde & Schwarz, Elbit, BAE Systems, GE Aviation, entre outros integradores, fornecedores, governos e entidades do sistema científico e tecnológico mundial), incluem-na hoje no roteiro crítico da indústria. A indústria aeronáutica nacional não poderia passar à margem deste acontecimento, para mais num contexto marcado por grandes mudanças e investimentos que vêm tendo lugar ao longo dos últimos dois anos. Referimonos, em particular, aos investimentos da Embraer em Évora, onde a mesma instalou duas unidades produtivas de selecionadas pela Embraer: a OGMA (responsável pela produção) e o CEIIA (responsável pela engenharia). É certo que o conjunto de projectos aeronáuticos e investimentos associados aos mesmos que presentemente decorrem em Portugal não são obra do acaso – disso é exemplo o Programa KC-390 que resulta de uma estratégia pensada e desenhada em conjunto pela DirecçãoGeral de Armamento e Infraestruturas de Defesa e o think tank INTELI para a chamada Base Tecnológica e Industrial de Defesa (BTID) que reúne o conjunto de empresas e entidades do sistema científico e tecnológico com competências para participar no ciclo de vida (desde o desenvolvimento até ao desmantelamento) dos equipamentos e serviços utilizados pela Defesa. Mas a aposta no sector ganha cada vez mais importância face à situação que Portugal atravessa e ao generalizado apelo a uma campanha de reindustrialização do país como prioridade estratégica para a recuperação das finanças e da economia nacionais. Com efeito, se por um lado a crise no sector automóvel ameaça seriamente o contributo do mesmo para as exportações nacionais, também cria disponibilidade numa indústria onde se verificam evidentes afinidades tecnológicas. Por outro lado, um crescimento significativo das nossas exportações recomenda uma aposta firme em novos mercados e em produtos e serviços tecnológicos de valor acrescentado. E aqui assume particular relevância o sector aeronáutico na medida em que se direciona para integrar empresas nacionais num mercado que se prevê vir a ter taxas de crescimento

“A aposta no sector [aeronáutico] ganha cada vez mais importância face à situação que Portugal atravessa e ao generalizado apelo a uma campanha de reindustrialização do país como prioridade estratégica para a recuperação das finanças e da economia nacionais.”

aeroestruturas metálicas e compósitas; ao acordo de contrapartidas renegociado entre o Estado português e EADS-CASA no verão de 2012, nos termos do qual a última “apadrinha” a entrada do grupo Salvador Caetano no sector, apoiando a construção de uma nova fábrica de materiais aeronáuticos da Caetano Aeronáutica; e, last but not least, a participação significativa de empresas portuguesas no programa de desenvolvimento da aeronave Embraer KC-390*, futuro e sério concorrente do histórico C-130, que em Portugal vem sendo coordenada pela EEA e, do ponto de vista técnico, por duas entidades

32 // Maio 13 // Portugalglobal

INTERNACIONALIZAÇÃO
anual, durante as próximas duas décadas, na ordem dos 5 por cento, que constitui um sector de alta-tecnologia que gera produtos e serviços de alta intensidade tecnológica com longos ciclos de desenvolvimento e de vida (oferecendo, assim, maior estabilidade ao sector), e abrange tecnologias consideradas, de forma consensual, como um catalisador de inovação e valor económico noutros sectores tecnológicos e económicos. É importante notar, porém, que o crescimento da indústria aeronáutica não depende apenas da capacidade exportadora do sector em sentido estrito, condicionada hoje pelo maior ou menor acesso das empresas nacionais a novos mercados, produtos e serviços, e pelo potencial aproveitamento de oportunidades geradas em Portugal por investimento estrangeiro – designadamente, pelos presença no nosso país da Embraer, que de uma certa forma veio suprir a falta de um OEM (Original Equipment Manufacturers) no território. Depende, também ou sobretudo, da forma como as empresas portuguesas serão capazes de pensar os desafios com que se deparam num contexto global, internacionalizando-se. Tal internacionalização não é apenas uma segunda via, portanto, antes constitui, em particular no acesso aos mercados emergentes que impõem maiores barreiras a produtos e serviços estrangeiros, o passo necessário. Foi neste enquadramento que o CEIIA, em coordenação com a EEA, decidiu constituir e lançar o CEIIA Brasil durante a LAAD que teve lugar em Abril deste ano, no Rio de Janeiro. Este lançamento constitui um passo natural, atendendo à natureza global do CEIIA, como o demonstram o facto de o mesmo ter já presença e equipas de engenharia distribuídas por Itália, Reino Unido, França e Brasil (para além de Portugal), bem como o respectivo envolvimento nos mais variados projectos internacionais liderados por entidades como Embraer, AgustaWestland, EADS Socata-Daher ou Pinifarina. Mas é igualmente um passo estratégico, na medida em que, por um lado, a presença local no Brasil permite aprofundar e alargar a parceria estabelecida com a Embraer no âmbito do Programa KC-390, e materializar as oportunidades que tal parceria abre às empresas portuguesas para participarem na fase de desenvolvimento da mais importante aeronave concebida pela Embraer e na qualidade de fornecedores de primeira linha; e porque, por outro lado, oferece a massa crítica necessária à concretização dos vários projetos que o CEIIA vem desenvolvendo na área da mobilidade inteligente sustentável e no quadro da actuação do Pólo das Indústrias da Mobilidade, que agrega os clusters dos transportes e aeronáutica. Não por acaso, assinalou-se o lançamento do CEIIA Brasil com a assinatura de um novo contrato de engenharia com a Embraer, tendo por objecto o projecto detalhado da fuselagem central do futuro KC-390, prevendo-se também para breve o anúncio de várias parcerias estabelecidas entre o CEIIA Brasil e empresas do sector energético, autoridades públicas e entidades sistema científico e tecnológico do Brasil, para o desenvolvimento conjunto de soluções de mobilidade. A abertura e interesse do mercado brasileiro justificam plenamente a aposta e a orientação estratégica da opção de exportar internacionalizando. É este porventura o caminho recomendado para as empresas portuguesas que pretendem actuar em novos mercados e em sectores mais exigentes, e que permitirá contribuir para a afirmação global da engenharia aeronáutica portuguesa e da sua capacidade de intervenção na concepção, desenvolvimento e testes de produtos complexos e tecnologicamente inovadores para o mundo.

* A participação de Portugal no Programa KC-390 inclui engenharia (projecto e análise estrutural, ensaios e testes, e apoio à certificação) dos ‘sponsons’ e ‘elevator’ da aeronave, bem como a produção destes módulos e da fuselagem central. O CEIIA Brasil, por seu turno, assegura ainda o desenho detalhado da fuselagem central. Complementarmente são ainda várias as empresas nacionais envolvidas no desenho e produção de ‘tooling’ (moldes, estaleiros) e peças.

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MERCADOS

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ALEMANHA
PARCEIRO ESTRATÉGICO DE PORTUGAL
A Alemanha ocupa um importante lugar enquanto parceiro comercial e investidor no nosso país, num relacionamento de longa data que, longe de estar esgotado, antes revela uma dinâmica que permite perspectivar um incremento nas relações económicas bilaterais. Quarta maior economia do mundo, a Alemanha oferece inúmeras oportunidades às empresas portuguesas de praticamente todos os sectores de actividade, dos mais tradicionais aos que apresentam produtos inovadores e com elevada incorporação tecnológica. Pedro Macedo Leão, director-coordenador do Centro de Negócios da AICEP na Alemanha, fala-nos, neste artigo, dos principais factores de competitividade da economia alemã e das potencialidades que o mercado encerra para as empresas portuguesas, quer ao nível das exportações, quer como maior investidor industrial estrangeiro em Portugal.
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MERCADOS
A Alemanha é um dos principais parceiros comerciais de Portugal e o principal investidor directo estrangeiro em termos industriais. Estrategicamente é o primeiro e principal motor para o aumento da capacidade de inovação na economia portuguesa. O investimento alemão em Portugal permite o acesso a capital humano com maiores níveis de formação, a organizações melhor adaptadas aos processos de inovação e a redes internacionais de conhecimento e parcerias. A fábrica da Volkswagen Autoeuropa em Palmela é um bom exemplo e representa um dos mais importantes investimentos industriais estrangeiros até hoje efectuados em Portugal. A aplicação em Berlim do modelo da diplomacia económica abre um novo ciclo em que a Embaixada de Portugal, os Consulados-Gerais na Alemanha, o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, o Centro de Negócios da AICEP e a Representação do Turismo de Portugal se alavancam mutuamente em prol de mais e melhores exportações nacionais, da internacionalização das empresas portuguesas, da promoção de Portugal e da sua imagem, e da captação de investimento directo estrangeiro de qualidade. A Newsletter de periocidade quinzenal produzida nesta Embaixada denominada “Auf dem Weg zur wirtschaftlichen Erholung“ (A Caminho da Recuperação Económica) é já um resultado concreto desta actuação conjunta, e um veículo de informação das inúmeras actividades que vão sendo realizadas em conjunto no mercado. De referir também o apoio que temos tido na operacionalização de alguns eventos por parte dos hotéis portugueses em Berlim, das cadeias Pestana e Sana, ambos 4 estrelas superiores e localizados em zonas de prestígio de Berlim. São ambos um exemplo da forma como, em sinergia, as empresas de capital português no estrangeiro podem ser uma mais-valia na promoção do nosso país e das nossas marcas. A Alemanha é considerado um dos países industrializados mais desenvolvidos e competitivos do mundo e é a quarta economia mundial. Com mais de 82 milhões de habitantes, é também o maior e o mais importante mercado na União Europeia e a locomotiva principal do seu crescimento económico. A sua economia está especializada no desenvolvimento e produção de bens industriais complexos, recorrendo a dustrie 4.0”, que é também a buzzword do momento da Alemanha em termos industriais. Trata-se de um novo conceito de “indústria integrada”, que para muitos pode ser a “Quarta Revolução Industrial”, e que aposta em levar a internet para dentro da fábrica. Os componentes vão passar a ter uma identidade dupla, uma para o mundo real e outra para um registro digital. O projecto do futuro “Indústria 4.0” é parte da estratégia de alta tecnologia 2020 do governo alemão. Com o objectivo de resistir à concorrência internacional estão a ser desenvolvidos os chamados Cyber-Physical Production Systems (CPPS) com máquinas, sistemas de armazenagem e meios de produção inteligentes. Um dos factores de desenvolvimento para um país e para a sua indústria é seguramente a capacidade de actuar no presente antecipando o futuro.

“O mercado alemão é um mercado importante, mas que exige algum investimento em tempo e dinheiro e uma boa preparação. É muito dinâmico e existem oportunidades em praticamente todos os sectores de actividade para as nossas empresas.”

tecnologias inovadoras de produção, e está fortemente orientada para a exportação. A indústria transformadora é o motor da sua economia. A cinco meses das eleições legislativas na Alemanha, com data agendada para o próximo dia 22 de Setembro, o presidente da BDI - Federação da Indústria Alemã afirmou durante a “Feira das Indústrias” em Hanôver que a economia alemã deve crescer significativamente no segundo semestre de 2013. A BDI espera um aumento do PIB alemão até 0,8 por cento, bem acima das previsões do governo (0,4 por cento). Altamente orientadas para a exportação, as empresas industriais alemãs continuam, no entanto, a examinar o ambiente europeu com preocupação, onde o principal risco é ainda a crise da dívida na zona Euro. Os mercados chinês e dos EUA permitem que os fabricantes alemães possam compensar parcialmente a queda na procura devido à recessão na zona do euro. Os industriais alemães parecem ter razões para estar optimistas dado que as estatísticas apresentam um aumento de 2,3 por cento nas encomendas industriais, numa escalada sem precedentes desde Outubro de 2012, e um aumento na produção industrial 0,5 por cento acima das expectativas dos economistas. O tema principal na última edição da “Feira das Indústrias” em Hanôver foi o “In-

Desafios e oportunidades para Portugal
A Alemanha é o segundo cliente e o segundo fornecedor de Portugal, absorvendo, em 2012, 12,3 por cento do total das exportações e fornecendo 11,4 por cento do total das importações portuguesas. Em 2012, Portugal exportou para a Alemanha bens no valor de 5,6 mil milhões de euros, tendo importado 6,4 mil milhões de euros de mercadorias. No último ano a taxa de cobertura das chegadas pelas expedições registou uma subida significativa, do que resultou uma diminuição significativa do défice comercial. A estrutura das exportações portuguesas para a Alemanha é marcadamente evoluída do ponto de vista tecnológico, com os produtos de alta e média-alta intensidade tecnológica a representarem mais de três quintos do valor global. Também no sector dos serviços, o mercado alemão tem um papel da maior relevância para a economia portuguesa, surgindo, em 2012, na balança comercial de serviços, no 4.º lugar, como cliente de Portugal. Entre 2007 e 2012, a balança comercial de serviços luso-alemã foi continuamente favorável a Portugal. Portugal, para enfrentar os desafios colocados pela globalização, terá de transitar com sucesso para uma sociedade do conhecimento com uma dinâmica de inovação forte. Na actual situação

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MERCADOS
económica difícil, temos de intensificar os esforços para colocar produtos e serviços competitivos nos mercados mundiais. As duas economias, fruto do elevado investimento industrial alemão em Portugal, apresentam um elevado grau de relacionamento das suas indústrias. Ao fornecermos as fábricas destas empresas na Alemanha, e também as suas fábricas espalhadas pelo mundo, estamos a exportar produtos com níveis de sofisticação e incorporação tecnológica muito elevados e a posicionarmo-nos como fornecedores globais e, em certa medida, a exportar o que eu chamaria de “Made in Germany/Made in Portugal”. As empresas portuguesas que se qualificam com sucesso como fornecedoras das fábricas alemãs em Portugal, concorrem também às outras fábricas mundiais do mesmo Grupo, tornando-se fornecedoras globais desta cloud. O modelo de negócio clássico dos fabricantes de automóveis está a mudar dado que o valor da criação continua a cair. As marcas foram apanhadas num ciclo onde mais e melhores funções tecnológicas são exigidas para cada novo modelo. Os avanços tecnológicos, historicamente do lado dos construtores, estão a passar para os seus fornecedores, o que constitui uma boa pool de novas oportunidades para as nossas empresas exportadoras que aparecem com avanços tecnológicos e produtos inovadores, como os presentes na última edição da feira de fornecedores IZB, do Grupo VW, onde organizámos um stand nacional com 25 empresas portuguesas. Aí, detectámos oportunidades para empresas portuguesas de moldes que possam prestar assistência aos moldes vendidos a empresas e destinados a equipar a todos os sectores de actividade para as empresas nacionais. É um mercado estratégico onde cada vez mais, nos bens de consumo, os canais de venda on-line funcionam como lojas para grandes grupos de consumidores. Como exemplos de tendências futuras e sectores de oportunidade para as empresas portuguesas, para além dos sectores tradicionais onde se continua a assistir a uma dinâmica positiva, prevê-se um aumento do consumo de embalagens, de mobiliário e utilidades domésticas em polímeros versáteis, de novos materiais e processos ligados a edifícios inteligentes, de aparelhos electrónicos utilizando camadas orgânicas funcionais, de próteses ortopédicas e orgãos artificiais fabricados em matérias plásticas, de sistemas de optimização de níveis de eficiência energética em processos de produção e materiais de construção relacionados com eficiência energética. A Alemanha tem ainda grande interesse por matérias-primas raras que vai precisar de importar para garantir a produção de tecnologia de ponta. De notar que existe uma tendência de regresso à Europa por parte de algumas empresas alemãs, que estão a dar sinais de querer voltar a comprar na Europa. Portugal pode tirar benefício desta tendência dado que foi capaz, com mérito, de conservar as suas indústrias tradicionais de bens de consumo. Um estudo acabado de publicar da Associação Alemã das Câmaras de Comércio e Indústria – Auslandsinvestitionen – vem confirmar esta nova tendência “Comeback Europas? Ja!”. Este estudo aponta algumas indústrias como potenciais beneficiárias, destacando a indústria farmacêutica, a indústria têxtil e a indústria da borracha e plásticos. A Alemanha é também a principal plataforma de negócios do mundo para quem quer mostrar e divulgar os seus produtos. Dois terços das principais feiras internacionais de comércio são realizados na Alemanha: cerca de 160.000 expositores participam anualmente em 140 feiras internacionais, o que representa 6 milhões de m² de espaço alugado. O esforço que a Embaixada e a AICEP têm vindo a desenvolver para melhorar o posicionamento das empresas

“O investimento alemão em Portugal permite o acesso a capital humano com maiores níveis de formação, a organizações melhor adaptadas aos processos de inovação e a redes internacionais de conhecimento e parcerias.”

cloud de fábricas, a uma escala global, com destaque para unidades de produção no México e Brasil. O mercado alemão é um mercado importante, mas que exige algum investimento em tempo e dinheiro e uma boa preparação. É muito dinâmico e existem oportunidades em praticamente

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MERCADOS

portuguesas que participam nas principais feiras de comércio na Alemanha é também um bom exemplo da forma como se aplica em Berlim o modelo da diplomacia económica. Congregando as empresas e as entidades nacionais com presença nestas feiras com as entidades organizadoras, temos procurado aumentar a sua visibilidade e melhorar em simultâneo o relacionamento institucional. A forma como as empresas nacionais de alguns sectores se apresentaram revela que temos vários clusters de sucesso o que deve orgulhar todos os portugueses. Os têxteis-lar, os vinhos, o calçado, as cerâmicas e porcelanas e as utilidades domésticas impressionam particularmente pela força e número de empresas que participam na Alemanha em feiras da especialidade. Temos recebido os maiores elogios à participação portuguesa e à forma como tem evoluído a sua presença. As empresas que visitamos mostraram ser capazes de criar vantagens competitivas, não assentes no preço, mas num novo modelo de negócio, com base no serviço ao cliente. A Alemanha, a par com os Estados Unidos, é hoje um dos países líderes em inovação. A estratégia alemã high-tech, lançada em 2006, permitiu à Alemanha colocar-se no grupo dos países mais bem sucedidos em I&D. Os seus objec-

tivos são continuar a mobilização de todos os actores da área da investigação, públicos e privados, para promover o desenvolvimento de produtos inovadores e manter a competitividade alemã a nível global. As prioridades de investigação são o clima e a energia, a saúde e a nutrição, a mobilidade, a segurança e a comunicação. Este ambiente alemão high-tech tem uma forte capacidade de

Economia em mudança
Após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e após a reunificação, a Alemanha ocupou-se principalmente de si própria durante um período de dez anos: as exportações estagnaram e a Alemanha importou mais do que exportou. Com a viragem do século foi implementada uma política focada no aumento das exportações e baseada num congelamento dos salários alemães. Entre 1998 e 2008 os custos unitários do trabalho cresceram apenas 4,4 por cento na Alemanha, contra 19 por cento em média na zona Euro. A parte dos salários no valor acrescentado desceu de 66,3 por cento em 2000 para 62,2 por cento em 2007, reflectindo aumentos salariais bem abaixo dos ganhos de produtividade. Esta pressão intensa exercida nos custos do trabalho durante uma década inteira não teve equivalente em nenhum outro país na Europa. Esta política de austeridade aplicada na Alemanha, em contraciclo com o resto da Europa, resulta que, ao contrário de muitos países europeus hoje em dificuldade, a Alemanha possa apresentar no início de Maio o mais elevado índice de clima do consumidor (GfK) dos últimos cinco anos. Um valor não visto desde Outubro de 2007, o que demonstra que os alemães têm

“Dois terços das principais feiras internacionais de comércio são realizados na Alemanha: cerca de 160.000 expositores participam anualmente em 140 feiras internacionais, o que representa 6 milhões de m” de espaço alugado.”

atrair pesquisadores e empresários em todo o mundo. Pela primeira vez, a Alemanha tem mais de 250 mil estudantes estrangeiros matriculados em universidades. Considera-se que a viabilidade futura da economia alemã vai depender de poder atingir no futuro uma posição de liderança nas tecnologias chave.

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MERCADOS
confiança na força da sua situação actual. O desemprego está no nível mais baixo dos últimos 20 anos. No final de Abril, o Ministro Federal da Economia e Tecnologia afirmou que a Alemanha está a conseguir sair do Inverno económico. A recuperação deverá acelerar durante o corrente ano. A taxa de crescimento média de 0,5 por cento para 2013 apresenta uma dinâmica três vezes superior à do ano passado. De acordo com as estimativas do governo, os rendimentos disponíveis devem aumentar 2,3 por cento este ano e 2,8 por cento no próximo ano. Os salários líquidos reais, que têm vindo a aumentar desde 2009, devem continuar a crescer. O governo alemão também acredita que o investimento, depois de 15 meses de declínio, possa inverter gradualmente o ciclo negativo. Finalmente, as exportações deverão aumentar no próximo ano com uma taxa de crescimento de 5 por cento. De notar que o dinamismo da procura interna vai garantir que a Alemanha vai importar mais do que vai exportar tanto em 2013 como em 2014, o que são boas notícias para as nossas empresas exportadoras e poderá contribuir para apoiar o crescimento das nossas exportações. A França deve perder nos próximos anos a sua posição de líder de mercado nas exportações alemãs. Dentro de 10 anos deverá passar a ser o terceiro cliente da Alemanha, atrás da China e dos Estados Unidos. As exportações alemãs estão a reorientar-se cada vez mais para a Ásia e, em geral, para todos os mercados emergentes. A zona Euro vai perder importância global. Em 2013, as exportações alemãs para a Ásia deverão crescer cerca de 7,5 desafios que o nosso país enfrenta no momento actual. Os nossos parceiros têm permitido identificar e contactar as pessoas certas, e que melhor podem ajudar nos negócios das nossas empresas. A promoção da “Marca Portugal” é um dos grandes desafios que temos pela frente. A nossa intelligence e a nossa experiência estão ao serviço de todas as empresas que se sintam motivadas para actuar neste mercado. Em Julho deste ano, fruto do reconhecimento da nossa actuação no mercado, Portugal vai ter destaque nos desfiles da Berlin Fashion Week. Com um investimento residual vamos chamar a atenção para as nossas marcas e as nossas indústrias tradicionais, agora que a Alemanha dá sinais de querer voltar a comprar produtos europeus. Gostaria que muitas marcas e empresas nacionais se juntassem a este projecto, para todos em conjunto projectarmos uma imagem de um Portugal moderno e produtor de produtos de excelência.

“Os nossos projectos – da Embaixada e da AICEP – são ambiciosos, e para a sua prossecução trabalhamos em estreita colaboração com associações e confederações alemãs generalistas e sectoriais, que estão conscientes dos desafios que o nosso país enfrenta no momento actual.”

por cento, duas vezes mais do que as exportações para a zona Euro. Os nossos projectos – da Embaixada e da AICEP – são ambiciosos, e para a sua prossecução trabalhamos em estreita colaboração com associações e confederações alemãs generalistas e sectoriais, que estão conscientes dos

Centro de Negócios da AICEP na Alemanha
Zimmerstr. 56 10117 Berlim - Alemanha Tel.: +49 30 254 10 60 Fax: +49 30 254 10 699 aicep.berlin@portugalglobal.pt

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MERCADOS

PORTUGAL - ALEMANHA UMA PERSPETIVA DE FUTURO
>POR LUÍS DE ALMEIDA SAMPAIO, EMBAIXADOR DE PORTUGAL NA ALEMANHA*
O relacionamento entre Portugal e a Alemanha é muito intenso e da maior importância política, diplomática, económica, financeira, cultural e social. Esta importância, que não é de hoje, é porventura hoje ainda mais evidente do que no passado devido ao papel central que a Alemanha desempenha no contexto do aprofundamento do processo de integração europeia que vivemos e que determinará o nosso futuro coletivo. Com efeito, a Alemanha não é apenas o principal motor económico do espaço europeu mas é também, e cada vez mais, o principal ator político numa União Europeia em busca de soluções eficazes e duradouras para a crise multifacetada que atravessamos. É nesta perspetiva que vejo o essencial da nossa relação com a Alemanha. Do ponto de vista político, Portugal está irreversivelmente ligado ao projeto europeu, é parte ativa, responsável, integrante da grande família europeia. A Alemanha e Portugal querem “mais Europa”. Diplomaticamente as nossas relações são excelentes. Não precisam de mais adjetivos nem qualificações. Nesta perspetiva é muito fácil ser Embaixador de Portugal na Alemanha. No plano económico, a Alemanha é um dos mais importantes parceiros do nosso país, como os vários testemunhos desta edição da revista Portugalglobal bem ilustram. Culturalmente a impressionante vitalidade da Alemanha tem sido origem e destino de muito do que de melhor se faz no nosso país. A densidade do relacionamento cultural ultrapassa largamente o padrão habitual das relações entre dois países com Histórias, dimensões e idiossincrasias tão diferentes. Socialmente é muito relevante o contributo que para o reforço da nossa relação bilateral dá a exemplar comunidade portuguesa que na Alemanha vive e trabalha.
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Tudo isto é relativamente bem conhecido e apreciado pela opinião pública portuguesa informada e é frequente-

“Há na Alemanha a convicção profunda de que Portugal vai vencer. Vai ultrapassar a crise, cumprir as difíceis exigências que o ajustamento nos impõe, fazer as inadiáveis reformas, projetar as condições para um desenvolvimento sustentável e enfrentar o gigantesco desafio que o desemprego, sobretudo o desemprego jovem, nos coloca.”

determinação dos alemães em edificarem, nos escombros da II Guerra Mundial, um país moderno, uma economia vibrante, uma sociedade tolerante e solidária. É também com carinho e emoção que nos associamos coletivamente à extraordinária vitória que representa para a Europa e para o mundo o sucesso da reunificação da Alemanha. O que é porventura menos conhecido em Portugal, e por isso talvez valha a pena dedicar-lhe duas linhas, é o que na Alemanha se pensa e se diz de nós. Há na Alemanha a convicção profunda de que Portugal vai vencer. Vai ultrapassar a crise, cumprir as difíceis exigências que o ajustamento nos impõe, fazer as inadiáveis reformas, projetar as condições para um desenvolvimento sustentável e enfrentar o gigantesco desafio que o desemprego, sobretudo o desemprego jovem, nos coloca. Há também na Ale-

mente associado ao sentimento de admiração que generalizadamente partilhamos pela coragem, persistência e

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MERCADOS
manha a noção exata que é do interesse da União Europeia, e do interesse da Alemanha, que Portugal seja uma história de sucesso e que os sacrifícios que nos são impostos não só não sejam em vão, como correspondam ao preço a pagar para nos dotarmos de uma economia mais robusta e muito mais competitiva, indispensável para fazer face aos desafios do mundo global em que vivemos. Há na Alemanha, de facto, um grande respeito pelo esforço dos portugueses e quando comparações são feitas com outros saímos sempre a ganhar. O debate, tão na moda entre nós, em torno da imaginária antinomia entre “austeridade” e “crescimento” esbate-se na Alemanha económica e política na certeza de que “austeridade” e “crescimento” são duas faces da mesma moeda igualmente indispensáveis para a superação europeia da crise. É muito interessante refletir como, também por isto, na Alemanha o populismo antieuropeu não tem voz expressiva, nem na política nem nos “media”. Na Alemanha, o debate que conta continua a ser sobre a Europa e o seu futuro. E é neste quadro que a relação com Portugal é perspetivada. A nossa situação geográfica periférica em relação ao core da União Europeia – situação periférica naturalmente acentuada com os alargamentos da U.E. para Leste – é percebida pelos nossos interlocutores alemães mais esclarecidos como uma vantagem geoestratégica e não como uma irremediável fatalidade, um fado, que nos condenasse à perpétua menor importância ou menos prospenanceiro e comercial. Ora, Portugal tem impecáveis credenciais atlânticas, que o posicionam excecionalmente e às quais acresce, com elevadíssimo efeito multiplicador, o nosso mar e a sua economia, a nossa relação única com o Brasil, o facto de sermos a melhor ponte, porta e chave para importantíssimos mercados emergentes em África e na Ásia, alguns dos quais ninguém conhece ou percebe como nós. Curiosamente, por vezes de forma mais aguda do que aquilo que é comum encontrar-se entre nós, prevalece na Alemanha política, económica e cultural que conta, com grande lucidez e boa análise, a ideia de que Portugal está destinado a desempenhar um papel insubstituível no relacionamento da Europa com o espaço atlântico, com a América Latina, com África e com a Ásia. Há assim muito para fazer, muito por fazer, para transformar estas perceções e expectativas em resultados económicos e empresariais concretos, projetando o investimento direto alemão em Portugal, o crescimento das nossas exportações para a Alemanha, a partilha de bons exemplos e de boas práticas, o desenvolvimento de um verdadeiro networking científico e tecnológico, o estabelecimento de parcerias e o desenvolvimento de projetos comuns na Europa e fora dela, a par da intensificação do intercâmbio educativo, linguístico e cultural. A Embaixada de Portugal em Berlim, em estreita articulação com o Centro de Negócios da AICEP e com a Delegação do Turismo e em permanente coordenação com os nossos ConsuladosGerais na Alemanha, está ao serviço destes objetivos.
*Este artigo foi escrito de acordo com a nova grafia.

“A nossa situação geográfica periférica em relação ao core da União Europeia é percebida pelos nossos interlocutores alemães mais esclarecidos como uma vantagem geoestratégica e não como uma irremediável fatalidade, um fado, que nos condenasse à perpétua menor importância ou menos prosperidade.”

ridade. Há, na perspetiva de Berlim, a noção exata de que Portugal é essencial no contexto global. Este exige que a Europa, que a União Europeia, para continuar a desempenhar um papel de primeiro plano do ponto de vista político e económico ao longo das próximas décadas do século XXI, proteja e intensifique o eixo transatlântico, que faz da Europa e dos Estados Unidos um modelo intacto crescentemente interdependente do ponto de vista económico, fi-

Embaixada de Portugal em Berlim
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MERCADOS

SINERGIAS DE SUCESSO
>POR HELMUT ELFENKÄMPER, EMBAIXADOR DA ALEMANHA EM PORTUGAL
A grande riqueza da Europa reside na sua diversidade cultural, que, por sua vez, se traduz em diversidade empresarial. Um excelente exemplo das potencialidades da cooperação empresarial europeia consiste no valor acrescentado do investimento directo alemão em Portugal. Aliando o melhor de ambos os países, estas sinergias de sucesso conduziram a sucessos partilhados também nos exigentes mercados internacionais. As empresas alemãs activas a investir em Portugal são inovadoras, fiáveis, socialmente empenhadas e realizam investimento a longo prazo, tal como demonstra o facto de algumas estarem em Portugal de forma continuada há mais de cem anos. Estas empresas costumam valorizar a alta qualificação dos funcionários, elemento que determina os valores salariais praticados. A presença da economia alemã em Portugal traduz-se em aproximadamente 300 empresas, que, só em 2012, realizaram um esforço de investimento na ordem de 240 milhões de euros. Assim, formam o maior grupo de investidores estrangeiros da indústria portuguesa, assumindo particular relevância nas indústrias automóvel, farmacêutica, química, óptica, metalúrgica e de engenharia mecânica. Esta forte presença traduz-se em aproximadamente 60.000 postos de trabalho directos, valor que se multiplica quando analisamos os postos de trabalho indirectamente ligados a estas empresas. Grande parte destas empresas é gerida por portugueses que se sentem “em casa” em ambas as culturas e línguas. Frequentemente estes gestores regressam a Portugal após a sua formação e depois de adquirir experiência no mundo económico da Aleção das exportações portuguesas. Três dos dez maiores exportadores de Portugal são empresas luso-alemãs. Mas também importa salientar o papel das PME, como componente importante deste tecido empresarial que tira partido das sinergias entre Portugal e a Alemanha no campo das exportações, frequentemente sublinhando o crescente potencial de Portugal no ramo de produtos de alta qualidade tecnológica. Tanto as PME como as empresas de maior dimensão contribuem para destacar a imagem positiva de Portugal enquanto local de produção. Mas não fiquemos pela indústria tradicional. Destaca-se, por exemplo, a importante cooperação entre empresas portuguesas e alemãs no ramo das energias renováveis. De acordo com o mais recente inquérito da Câmara de Comércio e de Indústria Luso-Alemã (CCILA), 91 por

“As empresas alemãs em Portugal adaptaram-se à mudança tecnológica imposta pela globalização, contribuindo para o esforço de internacionalização das exportações portuguesas.”

manha, assimilando conhecimento, práticas e contactos. Ao regressar a Portugal, invertem o fluxo migratório e, desta forma, tornam-se gestores de sucesso, aplicando esse knowhow para contribuir de forma decidida para o sucesso destas empresas em Portugal. As empresas alemãs em Portugal adaptaram-se à mudança tecnológica imposta pela globalização, contribuindo para o esforço de internacionaliza-

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MERCADOS
cento das empresas alemãs com presença em Portugal, encontram-se satisfeitas e muitas até valorizam a sua experiência em Portugal como muito positiva. Questionadas quanto aos principais obstáculos que encontram na sua actividade em Portugal, salientam que desejariam uma tributação mais baixa, uma melhoria da ética de pagamento, menos burocracia e um sistema judicial mais eficiente. No fundo, pontos que qualquer empresa, independentemente da sua origem, escolhas profissionais aos jovens portugueses, ao invés de os afunilar num modelo rígido único, com reduzidas perspectivas profissionais futuras. Nesse sentido, Portugal conta com a experiência da Alemanha, através da assinatura em 2012 do memorando de cooperação entre os respectivos ministérios da educação e sua actual implementação no terreno. As sinergias só funcionam quando todas as partes envolvidas abraçam o mesmo projecto de cooperação, partilhando objectivos e realçando os aspectos mais positivos de cada parte. A cooperação empresarial e a presença de empresas alemãs em Portugal tem originado muitas sinergias de sucesso. Ao trabalho das empresas aliam-se os esforços de organizações estatais e não-estatais, destacando-se a CCILA que, em concertação com a Embaixada da Alemanha e em estreita colaboração com uma AICEP reestruturada e redinamizada, tem contribuído significativamente para assegurar condições cada vez mais propicias ao sucesso das empresas luso-alemãs.

“A alta qualidade da mãode-obra existente é um dos factores-chave que torna Portugal mais atraente para o investimento estrangeiro. Os gestores alemães valorizam a excelente qualificação académica dos engenheiros, físicos e técnicos portugueses, a sua boa ética de trabalho e os seus conhecimentos de línguas estrangeiras.”

Embaixada da Alemanha em Portugal
Campo dos Mártires da Pátria, 38 1169-043 Lisboa Tel.: + 351 218 810 210 Fax: +351 218 853 846 embaixada.alemanha@clix.pt www.lissabon.diplo.de

identificaria como pontos essenciais para melhorar a capacidade de atrair investimento para o país. O investimento directo é indispensável para fomentar a competitividade da economia portuguesa nos mercados cada vez mais globalizados, simultaneamente assegurando empregos para trabalhadores qualificados. A alta qualidade da mão-de-obra existente é um dos factores-chave que torna Portugal mais atraente para o investimento estrangeiro. Os gestores alemães valorizam a excelente qualificação académica dos engenheiros, físicos e técnicos portugueses, a sua boa ética de trabalho e os seus conhecimentos de línguas estrangeiras. Hoje felizmente reconhece-se em Portugal a importância da formação profissional, estando o país a apostar no desenvolvimento do ensino dual, acrescentando um leque de possíveis

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MERCADOS

EXPORTANDO EXCELÊNCIA O EXEMPLO DA CATÓLICA LISBON SCHOOL OF BUSINESS AND ECONOMICS
>Por Ricardo F. Reis*, Professor e Director para as Relações Internacionais da Católica Lisbon
A Católica Lisbon School of Business and Economics é uma escola com uma posição de crescente destaque nos rankings e acreditações académicas internacionais, e com cada vez maior visibilidade na Alemanha. Nos últimos tempos, com a introdução de Bolonha, tem vindo a atrair um número crescente de jovens estudantes alemães que obtêm os seus graus na Católica-Lisbon e contribuem para mudar a face da escola. Eles protagonizam hoje na Católica as mudanças que esta geração trará a toda a Europa e ao seu projecto da União. Mas a ligação da Católica-Lisbon ao mercado mais competitivo da Europa vai bastante para além dos alunos. A internacionalização da Católica-Lisbon está também na investigação científica de topo, em que colabora com algumas das universidades e instituições alemãs de referência, e mobiliza apoio financeiro de fundações de referência alemãs. A palavra “universidade” encerra em si a noção de universo. A universidade é o sítio que nos dá a conhecer o universo e onde o conhecimento sobre o mesmo se difunde. Assim sendo, uma universidade deverá ser um sítio de abertura por excelência, que acolhe ideias de todas as épocas e de todos os espaços; ponto de cruzamento de pessoas e culturas; e ponto de partida para jovens de todas as carreiras. Por isso, a grandeza das universidades estejam elas nos Estados Unidos, na Alemanha ou em Portugal vê-se não só na sua excelência académica e científica, mas também na medida em que estas se abrem ao exterior, ao “universo”. Nas últimas décadas, as universidades dos Estados Unidos têm sido as granA Católica-Lisbon tem vindo a alavancar esta oportunidade em todas as suas dimensões. Sendo uma escola com uma reputação e excelência académica reconhecida em Portugal desde há várias décadas, abraçou Bolonha como uma grande oportunidade para oferecer um ambiente universitário e totalmente aberto, dinâmico e internacional. Isto significou alterar programas, na sua estrutura, conteúdos e língua de instrução, fazer evoluir o seu corpo docente para que seja internacional, e toda a sua filosofia de ensino, investigação e ligação à sociedade. A escola reconfigurouse para dar resposta a anseios que já não são locais ou nacionais, mas que são os anseios de grande parte dos jovens europeus. As acreditações internacionais e os lugares de destaque nos rankings internacionais, nomeadamente do Financial Times, mais que meios para atingir o sucesso, são corolários da excelência que a escola tem vindo a atingir num contexto internacional, e que nos permitem hoje em dia colocar os nossos licenciados e mestres nos mais competitivos mercados de trabalho mundiais. Respondendo a esta crescente abertura e reconhecimento internacional, e aproveitando a enorme atração que Lisboa tem junto de muitos jovens europeus, dezenas de estudantes alemães escolhem a Católica-Lisbon como seu destino académico. É notório o aproveitamento que a Alemanha está a fazer desta nova oportunidade de mobilidade criada por Bolonha, e são os jovens estudantes alemães a protagonizar esta abertura e a contribuir de forma significativa para a universalidade de muitas escolas na Europa.

des protagonistas desta abertura. Mas a reforma de Bolonha veio dar um enorme contributo para a abertura universitária na Europa. Com a ‘standardização’ de cursos e equivalência de créditos e graus, Bolonha revolucionou a mobilidade académica dentro do espaço europeu. Hoje em dia, é normal um jovem fazer a licenciatura numa faculdade e o mestrado noutra, com vários intercâmbios também internacionais durante o percurso. Esta mudança, por vezes, não se limita apenas à escola, mas pode também traduzir-se numa mudança radical: mudar de país, mudar de língua, mudar mesmo de área académica. Este fenómeno criou uma grande oportunidade para o meio universitário europeu – a possibilidade de abraçar este processo de internacionalização e transformar o meio universitário europeu, tornando-o muito mais aberto, internacional e dinâmico; um abraçar profundo desta universalidade que deve ser o ambiente académico.

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MERCADOS
A Alemanha é um dos países que mais alunos de intercâmbio envia para a Católica-Lisbon. Mas este envolvimento torna-se mais profundo nos mestrados, em que mais de 10 por cento das candidaturas deste ano foram de alunos alemães. Ou seja, há largas dezenas de excelentes alunos alemães que estão a escolher Lisboa e a Católica, não apenas para passar um semestre, mas para concluírem a sua formação universitária com um mestrado da Católica-Lisbon. E juntamente com os alemães, encontramos ainda alunos de mais de 20 nacionalidades presentes entre os estudantes de mestrado. excelência da Católica-Lisbon vem das próprias universidades alemãs. Somos reconhecidos como um interessante veículo de internacionalização para algumas destas escolas e é cada vez mais frequente sermos abordados por escolas de topo na Alemanha para programas conjuntos. Temos já um acordo de dupla titulação de mestrado com WHU-Otto Beisheim School of Management, uma prestigiadíssima escola de negócios alemã que vai permitir aos nossos estudantes complementarem o seu grau da Católica com um mestrado alemão. Outras iniciativas com outras cial para partilha de soluções inovadoras induzidas por pacientes, em que a empresa alemã de co-criação Innosabi sedeada em Munique tem um papel central. Este projecto é financiado pela Peter Pribilla Foundation sedeada na Universidade Técnica de Munique. Outro exemplo é um projecto de investigação que visa o desenvolvimento de escalas para medir a capacidade inovadora dos indivíduos e que está a ser desenvolvido em colaboração com investigadores da Technische Universitaet Darmstadt e o MIT-Sloan. Em conclusão, o caminho da internacionalização é incontornável para as Universidades. Começou pela preparação das estruturas necessárias para receber uma avalanche de interesse por parte de jovens estudantes. Segue-se a exportação desta formação para dentro das empresas por toda a Europa, fornecendo mãode-obra altamente qualificada, com uma visão internacional e vivência universal. As próprias empresas começam a perceber que o recrutamento destes jovens é um canal natural para a sua própria internacionalização e a universidade tornase cada vez mais um veículo privilegiado para esse networking global. Mas imagine-se o que vai ser o próprio projecto Europeu, o que vai ser a União Europeia, quando estes jovens, verdadeira e essencialmente europeus, daqui a menos de uma década tiverem responsabilidades dentro das empresas e das organizações, que os estão a recrutar. Nessa altura, Portugal pode contar com centenas e centenas de amigos, que guardarão de Lisboa as melhores recordações que se podem ter na vida: as memórias de estudante e os ensinamentos dos seus mestres. Aqui se percebe o peso da responsabilidade daquilo que estamos a fazer com sucesso na Católica-Lisbon.
*Ricardo F. Reis é Doutorado em Business Science and Applied Economics (Wharton School, University of Pennsylvania), Licenciado em Economia (Universidade do Porto).

Estes são alunos exigentes e criativos, muito organizados e com uma grande disciplina de trabalho. Em suma, alunos muito bons que promovem a melhoria contínua dos outros colegas portugueses e de outras nacionalidades, dos professores que lhes dão aulas e, em geral, dos padrões de ensino da escola. Estes estudantes exigemnos que os formemos com o mais elevado padrão de qualidade e que, no final, os devolvamos ao mercado de trabalho internacional com colocações competitivas. Se não o fizermos, deixam de nos procurar. Desta forma, a Católica-Lisbon passou a ser uma entidade exportadora e, mais do que isso, exportadora de recursos humanos altamente qualificados, capazes de ter sucesso num mercado de trabalho internacional altamente competitivo. A Católica-Lisbon é, cada vez mais, uma exportadora de excelência... A outra vertente de reconhecimento da

universidades de renome na Alemanha estão também em desenvolvimento. Para além da formação e da universalidade crescente dos nossos alunos, não podemos esquecer a universalidade da geração de conhecimento e a difusão do mesmo, porque essa é a essência de uma universidade como a Católica. Também aqui, a Católica-Lisbon tem relações privilegiadas com a Alemanha. Um dos projectos mais relevantes foca a saúde, uma das áreas da maior importância para as actuais sociedades. O projecto de investigação estuda a inovação induzida por utilizadores no sector da saúde, examinando o papel dos pacientes no desenvolvimento de novas terapias e equipamentos médicos. Tem como parceiros de trabalho na Alemanha as Universidades de Nuremberga-Erlanger e o HHL Leipzig. O projecto prevê ainda o desenvolvimento de uma plataforma e rede so-

Católica-Lisbon
Palma de Cima, 1649-023 Lisboa Tel.:+351 217 270 250 Fax: +351 217 270 252

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MERCADOS

EMPRESAS PORTUGUESAS APOSTAM NO MERCADO ALEMÃO
Há muito que as empresas portuguesas apostaram no mercado alemão, onde construíram uma presença sólida, tanto a nível da exportação como no investimento directo. Conheça os testemunhos da Socem, nos moldes, da Nobrand, no calçado, e da Adira, nas máquinas-ferramenta.

SOCEM
Presente na Alemanha desde 1996, a Socem ED, empresa de engenharia e produção de moldes do grupo SOCEM, apostou em força no mercado alemão, estando actualmente a trabalhar com os seus parceiros alemães no projecto Audi Q7, BMW 1126, 1156, F45, VW B8 e Daimler MB C218.   Fundada em 1986, a Socem conta actualmente com 240 colaboradores em Portugal e Brasil, estando igualmente presente – e além da Alemanha – no México e na China. Recentemente, o Grupo Socem ED, com várias unidades industriais em Martingança Gare, inaugurou um Centro de Ensaios, que conta com máquinas de injecção ENGEL, DEMAG e KRAUS MAFFEI, equipadas com tecnologia de 2K, que vão desde 240 toneladas até 2.300 toneladas, num investimento superior 3,5 milhões de euros, que lhe permitirá passar a ser o fabricante de moldes com o centro de ensaios mais apetrechado e moderno da Europa.   Segundo fonte da empresa, este investimento insere-se numa política de melhoria do serviço e de garantia de qualidade aos seus clientes, podendo efectuar as primeiras séries de peças em condições de produção. O Centro de Ensaios será certificado pela norma ISO-TS 16949.   Além do fabrico de moldes, a empresa efectua o apoio ao desenvolvimento do produto e ao cliente na sua produção fornecendo gabaris de medição e mãos de robot para equipar as suas injetoras. Anualmente, o Grupo produz cerca de 300 moldes na Europa e cerca de 80 moldes na sua unidade do Brasil.   O grupo SOCEM conta com oito unidades: a SOCEM ED (engenharia de moldes), a INPACT (inovação, design, desenvolvimento e engenharia de produto), a SEPTEC (polimento, textura, manutenção), a MAXIPLAS (injecção), a SOCEM MS (moldes grandes), a SOCEM BRASIL (moldes médios), a SOCEM Lda. (moldes até 3 toneladas) e a SPIM (moldes pequenos de alta precisão).   Em 2012, o volume de facturação registou um crescimento de 16 por cento, prevendo-se para este ano um crescimento na ordem dos 20 por cento.

SOCEM
Rua do Brejo, Nr. 6 2445-719 Martingança, Leiria - Portugal Tel.: +351 244 009 900 Fax: +351 244 009 924

www.socem.pt

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MERCADOS

NOBRAND
A aposta na presença em feiras da especialidade tem sido o maior investimento da Nobrand no mercado alemão. Tratase, de acordo com fonte desta empresa de calçado sedeada em Felgueiras, “de um mercado desafiante, que requer uma constante actualização”. Assumindo um posicionamento que a diferencia de outras empresas do sector, por criar a sua própria tendência de moda, a Nobrand é hoje a marca portuguesa de calçado mais vendida na Alemanha, devido igualmente à sua aposta na participação em feiras internacionais. Nos horizontes da empresa está a consolidação da marca no mercado europeu, onde existe potencial para fomentar um crescimento na ordem dos 25 a 30 por cento, adianta a mesma fonte, acrescentando que, além destes, a empresa considera também a abordagem aos mercados emergentes, como é o caso da Rússia e de alguns mercados dos PALOP. A China, pelo interesse que começa a demonstrar pelas produções de qualidade europeias, é outro mercado que a empresa considera interessante, mas não sem antes consolidar o negócio na Europa, que – afirma a mesma fonte – é ainda “uma montra mundial muito visitada e desejada pelos outros continentes”.

“A Nobrand efectuou um grande investimento na Alemanha, não só na participação nas várias feiras especializadas, mas também em tudo o que envolve a criação das colecções de calçado (investigação, procura de materiais, testes de qualidade e conforto), numa aposta que se revelou um sucesso.”

A estratégia da empresa passa, segundo a mesma fonte, por uma aposta num posicionamento de nicho de mercado, sustentado por um estilo próprio, e pelo desenvolvimento de um intenso trabalho comercial junto de agentes e distribuidores, que transmite uma imagem forte da empresa e revela solidez financeira, criatividade e qualidade. “Uma marca para ter realmente uma imagem forte, que prime pela originalidade, não pode disparar em todos os sentidos com o intuito de agradar a ‘gregos e a troianos’. Muitas vezes, é imperativo ter a coragem de não querer, por exemplo, incluir determinado modelo ou sola. É muito importante saber quando arriscar e quando não arriscar, o que se integra ou não se integra no espírito que se imputou à coleção”, conclui a mesma fonte da Nobrand.

Concretamente sobre o mercado alemão, a Nobrand afirma ter feito um grande investimento, não só na participação nas várias feiras especializadas, mas também em tudo o que envolve a criação das colecções de calçado (investigação, procura de materiais, testes de qualidade e conforto), numa aposta que se revelou um sucesso. “O reconhecimento internacional que a Nobrand já conseguiu em bastantes mercados, particularmente no mercado alemão, tem muito a ver com a estratégia empresarial implementada no decorrer dos anos”, frisa a mesma fonte.

Maximo Internacional S.A. – NOBRAND
Apartado 77 (P.O. Box) 4614-909 Felgueiras - Portugal Tel.: +351 255 340 400 Fax: +351 255 340 409 info@nobrand.pt

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MERCADOS

ADIRA
Com quase 60 anos de existência, a Adira tem com a Alemanha um relacionamento de longa data. Empresa certificada e especializada no desenvolvimento, concepção, fabrico, produção e comercialização de máquinas-ferramentas, a Adira vende máquinas de forma consistente para a Alemanha há décadas. “Sempre sentimos que os mercados tecnicamente exigentes e de qualidade, como o mercado alemão, são o grande impulso para a Adira na política de inovação permanente, tendo sempre apresentado na Blech, em Hanôver (a mais reputada Feira do sector) as nossas novidades tecnológicas, à semelhança do que fazem todas as grandes marcas internacionais”, afirma fonte da empresa. De acordo com a mesma fonte, o maior trunfo da Adira é uma vasta experiência no campo técnico, um investimento permanentemente no desenvolvimento tecnológico, para fornecer sempre as melhores soluções aos seus clientes, contando com o apoio de Universidades e reputados Laboratórios de pesquisa. “Isso garante à Adira um reconhecimento mundial como um ‘player’ de prestígio e confiança, capaz de uma qualidade consistente através de soluções adquiridas ao longo dos últimos 60 anos”, sublinha a fonte. Em relação à Alemanha, a Adira afirma-se empenhada em reforçar a sua presença no mercado alemão, contando para tal com o apoio do Embaixador português em Berlim, bem como com o apoio da AICEP, dado tratar-se de mercado que sendo muito exigente, constitui “um excelente desafio tecnológico” para o desenvolvimento da empresa portuguesa. “Estamos muito orgulhosos de contribuir para a crescente re-industrialização da Alemanha, não só no fornecimento consistente de máquinas de alta tecnologia e primeira qualidade nas últimas décadas, mas também através do equilíbrio transaccional, pois a Adira compra um número importante de componentes estratégicos de alta tecnologia na Alemanha”, acrescenta a mesma fonte. A gama de produtos Adira é composta pelo seguinte tipo de máquinas-ferramenta: a Bluebender (uma quinadora totalmente eléctrica e ecofriendly), a Greenbender (uma quinadora inteligente com tecnologia híbrida), quinadoras sincronizadas, guilhotinas hidráulicas e máquinas de corte a laser (a LP Premium, a LE Efficiency e a LF Fibra). Qualquer um deste tipo de máquinas pode utilizar ressonadores FAF, SLAB ou fibra. De referir ainda que a Adira tem sido, pelo 5 º ano consecutivo, classificada como PME Líder ou PME Excelência. Esta é uma nomeação da Associação Nacional e Internacional de Bancos em Portugal que efectua a avaliação económica, financeira e desempenho transparente das empresas, e as distingue pela sua solidez financeira, qualidade e liderança de gestão.

ADIRA
Rua António Bessa Leite, 1106, 4150-072 Porto, Portugal Tel.: +351 226 192 700 Tlm.: +351 966 775 926 Fax: +351 226 192 701 adira@adira.pt

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MERCADOS

SIEMENS PRESENÇA INCONTORNÁVEL EM PORTUGAL
Presente no nosso país há 107 anos, a Siemens é uma referência incontornável no que respeita ao investimento directo estrangeiro em Portugal, empregando cerca de 2.500 colaboradores e exportando mais de 100 milhões de euros de produtos e serviços para cerca de 50 países.
Fundada há mais de 160 anos, a Siemens emprega cerca de 370 mil colaboradores nos 190 países onde está presente. A empresa é uma powerhouse global no campo da engenharia electrónica e electrotécnica e opera nos sectores da indústria, da energia e da saúde, fornecendo igualmente soluções para infra-estruturas e cidades. Cerca de 40 por cento das suas receitas é proveniente de produtos e soluções “verdes” e as suas vendas cifraramse em cerca de 80 mil milhões de euros. Em Portugal, a Siemens está activa há mais de 107 anos com duas unidades de produção, cerca de 2.500 colaboradores e mais de 57 parcerias com universidades, instituições de ensino superior e centros de investigação, participando ainda com outros parceiros em mais de 42 projectos de I&D, tendo já submetido várias patentes. Quanto ao seu desempenho financeiro, a Siemens Portugal terminou o ano fiscal de 2012 com o montante de 340 milhões de euros em vendas e exportações que atingiram o valor de 109 milhões, adianta fonte da empresa. Nas últimas décadas, o modelo de desenvolvimento da empresa passou de uma organização virada para a actividade industrial para um Grupo focalizado no desenvolvimento tecnológico, com a criação de centros de competência. Entre as inúmeras participações em investimentos essenciais para o reforço do tecido industrial português, destaque para o fornecimento de três das quatro centrais de ciclo combinado em Portugal – Tapada do Outeiro, Ribatejo e a Central do Pego –, o projecto chave-na-mão para o Hospital da Luz, onde a Siemens foi responsável pelo fornecimento, instalação e manutenção de soluções e equipamentos que vão desde a imagiologia e o processo clínico até ao fornecimento de energia e à gestão centralizada do edifício; a manutenção de infra-estruturas relevantes no panorama nacional – como o Centro Cultural de Belém ou o Oceanário e a presença nos principais parques solares do país, tendo sido responsável até ao momento pela instalação de mais de 110 MW. De acordo com Carlos Melo Ribeiro, CEO da Siemens Portugal, o ano de 2012 representou o reforço da aposta na exportação como a melhor forma de ultrapassar a crise: “Actualmente, os nossos produtos e serviços estão presentes em mais de 50 países, sendo os principais mercados de destino a Alemanha, o Médio Oriente, a Oceânia e principalmente África, onde, com o apoio da Siemens Portugal, a Siemens Angola arrancou com um volume de encomendas crescente, que chegou

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MERCADOS
aos 100 milhões de euros. Destaco ainda, neste mercado, a implementação de quatro aeroportos nas cidades de Soyo, Dundo, Saurimo e Luena”. Quanto à actividade comercial do ano transacto, a empresa salienta um conjunto de projectos inovadores e estruturantes para o país. A Siemens Portugal consolidou a sua posição no segmento das renováveis, através das encomendas importantes da Martifer Solar para duas centrais fotovoltaicas localizadas na região do Algarve. Por seu turno, a REN – Energias de Portugal confiou nas capacidades de engenharia da empresa para os trabalhos de remodelação da subestação de Vermoim. Um dos projectos mais emblemáticos da actividade da empresa neste ano foi a parceria com o HospitalEscola da Universidade Fernando Pessoa. Este acordo foi fundamental para poder criar valências em áreas como a análise estratégica, programação funcional, tecnologias biomédicas e optimização processual, que contribuirão para o desenvolvimento deste importante sector de actividade do país. Além dessas áreas, a Siemens equipou o hospital com sistemas de informação e com tecnologias de diagnóstico por imagem e laboratoriais de última geração, assim como soluções da Building Technologies para a gestão dos edifícios da infra-estrutura. Actualmente, a Siemens tem em Portugal dez centros de competência que ocupam mais de 700 colaboradores, principalmente dedicados à exportação, que representam um contributo essencial para o crescimento do país, pela sua capacidade de oferecer competências na área dos serviços financeiros, compras e de recursos humanos, produção, transporte e distribuição de energia, aeroportos, manutenção de turbinas industriais e instrumentação e controlo de centrais eléctricas, conclui o mesmo responsável.

BOSCH UMA SÓLIDA APOSTA EM PORTUGAL
Fundada na Alemanha em 1886 e a operar em Portugal desde 1911, o grupo Bosch é uma empresa internacional líder em tecnologia e serviços, com uma sólida presença no nosso país, designadamente nos sectores automóvel e de termotecnologia.
A chegada dos produtos Bosch a Portugal, em 1911, foi feita pela mão de Roberto Cudell, que viria a ser o representante exclusivo da Bosch em Portugal durante quase cinquenta anos. Actualmente, o Grupo é representado no país pela Bosch Termotecnologia SA, em Aveiro, a Bosch Car Multimedia Portugal, S.A, em Braga, e a Bosch Security Systems – Sistemas de Segurança SA, em Ovar, que desenvolvem e fabricam uma larga gama de produtos, a maior parte dos quais exportados para os mercados internacionais. O Grupo possui ainda uma empresa comercial, uma SGPS e uma participação de 50

Siemens, S.A.
Rua Irmãos Siemens, 1 2720-093, Amadora, Portugal Tel.: +351 214 178 288 Fax: +351 214 178 051

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MERCADOS
por cento na filial da BSH, situadas em Lisboa. Com cerca de 3.845 colaboradores, a Bosch tornou-se um dos maiores empregadores industriais de Portugal, tendo em 2011 aumentado o volume total das vendas de todas as empresas 3,3 por cento, para 1.047 milhões de euros, mantendo-se acima dos mil milhões de euros, valor alcançado pela primeira vez em 2010. As unidades industriais do grupo Bosch, que está presente em mais de 60 países, têm tido um papel fundamental na dinamização da economia das regiões nas quais estão inseridas, segundo refere fonte da empresa. Além de oferecer centenas de oportunidades de emprego directo e indirecto, a Bosch apostou ainda mais na formação e no desenvolvimento da sua equipa. Cada colaborador recebe em média mais de 40 horas anuais de formação técnica e comportamental. De acordo com a mesma fonte, sendo Portugal uma importante localização de produção para as operações globais do grupo Bosch, a empresa tem vindo a investir fortemente na sua capacidade de inovação, que permite desenvolver produtos e soluções orientados para as necessidades e expectativas actuais e futuras dos consumidores a nível global. Os investimentos em Portugal aumentaram 14 por cento para um montante de 31 milhões de euros em 2011. As subsidiárias portuguesas exportam cerca de 90 por cento do seu total de vendas para mais de 60 mercados em todo o mundo, tendo registado um aumento de 4 por cento para 937 milhões de euros. Valor este que fez com que a Bosch reforçasse ainda mais a sua posição como um dos maiores exportadores portugueses. Em 2011, o investimento no desenvolvimento de produtos em Portugal foi de mais de 13 milhões de euros, principalmente nas áreas da tecnologia automóvel e da termotecnologia, com a preparação da produção de novos produtos como o head-up-display, um sistema de informação e entretenimento inovador, e o desenvolvimento das bombas de calor. Com uma visão empresarial focada num futuro cada vez mais inovador e tecnológico, a força inovadora da Bosch em Portugal tem sido potencializada também através do desenvolvimento de fornecedores locais e ainda através de parcerias estabelecidas com instituições de ensino como as Universidades do Minho e de Aveiro e a ATEC, criada em parceria com a Volkswagen, a Siemens e a Câmara do Comércio e Indústria Luso- Alemã. Já em 2012, a Bosch deu um dos seus maiores passos em termos de I&D ao associar-se à Universidade do Minho para a criação de um Centro de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT). Um projecto que prevê um investimento de 15 milhões de euros nos próximos cinco anos e um impacto económico positivo em sectores estratégicos. O ano de 2013 ficará na história do Grupo pela comemoração dos 20 anos de Investigação & Desenvolvimento da empresa em Aveiro. A Bosch registou em 2012 um crescimento de vendas do grupo a nível internacional de 1,9 por cento, para 52,2 mil milhões de euros. O Grupo foi fundado em Estugarda no ano de 1886 por Robert Bosch como uma “oficina de mecânica de precisão e eletricidade”. Actualmente, é representado por mais de 350 filiais ou empresas regionais em mais de 60 países. Em 2012, os seus 306 mil colaboradores geraram um volume de negócios de 52,5 mil milhões de euros, requerendo ainda o registo de mais de 4.800 patentes em todo o mundo. Desde 2013, as operações do grupo foram divididas em quatro sectores: tecnologia automóvel, tecnologia industrial, bens de consumo, e energia e tecnologia de construção. info@pt.bosch.com
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MERCADOS

RELAÇÕES ECONÓMICAS PORTUGAL – ALEMANHA
A Alemanha é um importante parceiro económico de Portugal, quer no que respeita ao comércio internacional, quer no investimento directo estrangeiro, quer ainda como emissor de turistas para o nosso país.
O mercado alemão tem um papel da maior relevância para a economia portuguesa, surgindo, em 2012, na balança comercial de bens, em 2º lugar (seguir à Espanha), quer como cliente, quer como fornecedor de Portugal, absorvendo aproximadamente 12,3 por cento do total das saídas (expedições + exportações) e fornecendo mais de 11,4 por cento do total das entradas (chegadas + importações) portuguesas. Nos primeiros dois meses deste ano, de acordo com os dados do INE, a Alemanha figurava, também, como 2º cliente de Portugal, com uma quota de mercado de 12,48 por cento, e como 2º fornecedor, respondendo por 11,65 por cento das nossas importações. No período de 2008-2012, a balança comercial luso-alemã foi sempre desfavorável a Portugal. Contudo, em consequência do diferencial de dinâmicas de crescimento das duas variáveis – 4,2 por cento ao ano em média para as expedições e menos 5,8 por cento para as chegadas –, a taxa de cobertura das chegadas pelas expedições registou uma subida significativa de 57,6 por cento para 86,7 por cento, do que resultou uma diminuição assinalável do défice comercial de cerca de 3,6 mil milhões para 859 milhões de euros. Em relação a período homólogo de 2012, nos primeiros dois meses de 2013 as expedições contraíram 3,5 por cento e as chegadas 7,6 por cento. Nas expedições portuguesas para a Alemanha destacaram-se, em 2012, dois grupos de produtos – máquinas e aparelhos (26,6 por cento do total expedido) BALANÇA BILATERAL - COMÉRCIO DE BENS
2008 Exportações Importações Saldo Coef. Cobertura (%) 4.954.299 8.594.931 -3.640.632 57,6% 2009 4.106.440 6.789.988 -2.683.547 60,5% 2010 4.851.545 8.134.380 -3.282.835 59,6% 2011 5.811.182 7.332.379 -1.521.197 79,3% 2012 5.578.227 6.437.464 -859.237 86,7% Var %a 11/08 4,2 -5,8 --2012 Jan/ Fev 979.010 1.110.661 -131.651 88,1% 2013 Jan/ Fev 944.508 1.026.551 -82.043 92,0% Var %b 13/12 -3,5 -7,6 ---

e veículos e outro material de transporte (25,9 por cento), que representaram, no seu conjunto, mais de metade do valor global expedido para aquele mercado. De referir, porém, a quebra de 23 por cento registada na venda de veículos e outro material de transporte à Alemanha, situação que se manteve nos dois primeiros meses de 2013. Dos restantes grupos de produtos, realce para os plásticos e borracha (7,3 por

Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística Unidade: Milhares de euros Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2008-2012; (b) Taxa de variação homóloga 2012-2013 2008 a 2010: Resultados definitivos; 2011: Resultados provisórios; 2012 e 2013: Resultados preliminares

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MERCADOS
cento do total), produtos químicos (6,7 por cento), calçado (5,2 por cento), metais comuns (5,1 por cento), pastas celulósicas e papel (5,1 por cento) e vestuário (4,1 por cento). De acordo com os dados do INE, o número de empresas portuguesas que têm vindo a expedir produtos para a Alemanha aumentou de 2.386 em 2007 para 2.466 em 2011, reflectindo um interesse crescente dos agentes económicos portugueses por aquele mercado. No que respeita às chegadas, 66,8 por cento do valor global das aquisições, em 2012, são relativos a apenas três grupos de produtos: máquinas e aparelhos (26,2 por cento do total), veículos e outro material de transporte (25,2 por cento) e produtos químicos (15,4 por cento). Esta estrutura mantinha-se estável nos primeiros dois meses deste ano. Dos restantes grupos de produtos, destacavam-se ainda, em 2012, os plásticos e borracha (7 por cento do total de aquisições), os metais comuns (6,5 por cento), os produtos agrícolas (3,4 por cento) e os produtos alimentares (3,1 por cento). Segundo o INE, o número de empresas portuguesas que têm vindo a adquirir produtos na Alemanha caiu de 7.451 em 2007, para 6.231 em 2011, continuando, mesmo assim, muito superior ao número de empresas expedidoras. também no 4º lugar como fornecedor, com 8,9 por cento do total das importações portuguesas de serviços. Uma posição que se tem mantido estável nos últimos anos e que se confirmou nos primeiros dois meses de 2013. A balança comercial de serviços entre os dois países é favorável a Portugal, sendo de apontar, no período de 20082012, uma contração nas importações de serviços do mercado alemão. Como principais serviços exportados destacavam-se, em 2012, as viagens e turismo com 49,4 por cento do valor global (44,6 por cento em 2008), evidenciando a importância do turismo alemão para Portugal; e os transportes com 28,4 por cento (26,4 por cento em 2008). Pelo lado das chegadas, surgiam à cabeça os transportes com 40,5 por cento do total (39,5 por cento em 2008), seguidos dos outros serviços fornecidos por empresas com 21,4 por cento pelas viagens e turismo com 19,9 por cento. testemunha um interesse variável dos agentes económicos portugueses por este mercado, ocupando, em 2012, a 15ª posição no ranking de países destinatários de investimento português no exterior, ou seja, 0,39 por cento do total. Nos primeiros dois meses de 2013, a Alemanha posicionava-se no 7º lugar no ranking de países receptores de IDPE (2,2 por cento do total investido no exterior). Em 2012, o investimento bruto da Alemanha em Portugal ascendeu a cerca de 3,25 milhões de euros, mas o desinvestimento foi bastante superior originando um saldo negativo de menos 135,6 milhões de euros. Já em termos de IDPE, no mesmo ano, o montante investido foi 34,84 milhões de euros mas o desinvestimento ultrapassou os 49 milhões, dando igualmente origem a um saldo negativo.

Turismo
A Alemanha assume uma posição muito importante no turismo português. Em 2012, surge no 4º lugar no ranking de países geradores de receitas para Portugal, com uma quota de mercado 10,13 por cento, numa posição que se manteve estável ao longo dos últimos cinco anos. No ano em referência, são de realçar as quotas de mercado igualmente elevadas de emissão de turistas (10,55 por cento) e nas dormidas (13,61 por cento). No período de 2008-2012, verifica-se que as três variáveis que caracterizam o turismo alemão em Portugal cresceram a taxas médias de 1,9 por cento nas receitas, 1,2 por cento no número de hóspedes e de 0,6 por cento nas dormidas. Em 2012, Portugal recebeu 811.373 turistas com origem na Alemanha.

Investimento
Como emissor de investimento directo estrangeiro (IDE), e de acordo com os dados do Banco de Portugal, a Alemanha continua a ter importância para Portugal, figurando, em 2012, no 6º lugar no ranking de investidores, com uma quota de 8,27 por cento do IDE total. Verifica-se, porém, uma quebra face a posições ocupadas anteriormente – 4º lugar do ranking em 2008 e uma quota de 15,11 por cento, e 2º lugar em 2010 (16,14 por cento do total de IDE). Nos primeiros dois meses deste ano, registase, porém, uma ligeira inversão desta tendência com a Alemanha a ocupar o lugar de 4º maior investidor em Portugal (11,8 por cento do IDE total). Como receptor de investimento directo português (IDPE), a posição alemã

Serviços
Também no sector dos serviços, o mercado alemão tem um papel relevante para a economia portuguesa, surgindo, em 2012, na balança comercial de serviços, no 4º lugar como cliente de Portugal, absorvendo aproximadamente 9,24 por cento do total das exportações, e

BALANÇA BILATERAL - COMÉRCIO DE BENS
2008 Exportações Importações Saldo Coef. Cobertura (%) 1.820.435 1.155.181 665.254 157,6% 2009 1.650.954 1.043.440 607.514 158,2% 2010 1.793.746 950.413 843.333 188,7% 2011 1.891.657 969.000 922.657 195,2% 2012 1.764.889 925.981 838.908 190,6% Var %a 12/08 -0,5 -5,3 --2012 Jan/ Fev 225.843 140.644 85.199 160,6% 2013 Jan/ Fev 232.542 136.679 95.863 170,1% Var %b 13/12 3,0 -2,8 ---

Fonte: Banco de Portugal Unidade: Milhares de euros Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2008-2012

(b) Taxa de variação homóloga 2012-2013

52 // Abril 13 // Portugalglobal

MERCADOS

ENDEREÇOS ÚTEIS
CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA LUSO-ALEMÃ
Av. da Liberdade, 38 – 2º 1269-039 Lisboa Tel.: +351 213 211 200 Fax: +351 213 467 150 infolisboa@ccila-portugal.com www.ccila-portugal.com

ALEMANHA EM FICHA

Berlim

GERMANY TRADE AND INVEST GMBH
(COMÉRCIO)

Alemanha

Agrippastr. 87-93 50676 Colónia - Alemanha Tel.: +49 221 20570 Fax: +49 221 2057212 trade@gtai.de www.gtai.com
(INVESTIMENTOS)

Friedrichstr. 60 10117 Berlim - Alemanha Tel.: +49 30 200 0990 Fax: +49 30 200 099 111 invest@gtai.de www.gtai.com

Área: 356.970 km2 População: 81,7 milhões de habitantes (2011 - estimativa) Densidade populacional: 228,9 hab./km2 (2011 - estimativa) Designação oficial: República Federal da Alemanha Forma de Estado: República parlamentar com duas câmaras: Bundestag (câmara baixa) e Bundesrat (câmara alta). Chefe do Estado: Joachim Gauck (eleito em Março de 2012) Chanceler Federal: Angela Merkel Data da actual Constituição: 23 de Maio de 1949 Principais Partidos Políticos: União Democrática Cristã (CDU); União Social Cristã (CSU); Partido Democrático Livre (FDP); Partido Social Democrata (SPD); Partido de Esquerda; Os Verdes/Aliança 90. As próximas eleições parlamentares estão previstas para Outubro de 2013. Capital: Berlim – 3,4 milhões de habitantes (2008) Outras cidades importantes: Hamburgo; Munique; Colónia; Frankfurt; Dortmund; Essen; Estugarda; Dusseldorf, Bremen; Hanôver. Religião: Cerca de 31% é católica romana; 30% da população é protestante e 4% são muçulmanos (na maioria turcos).

Língua: alemão. Unidade monetária: Euro (EUR). 1 EUR = 1,39 USD (média de 2011) Risco País: Risco político: AA Risco de estrutura económica: A Risco país: A (AAA = risco menor; D = risco maior) Ranking em negócios: Índice 7,86 (10 = máximo) Ranking geral: 15 (entre 82 países) (EIU – Agosto de 2012) Risco de crédito: 1 (1 = risco menor; 7 = risco maior) (COSEC – Março 2012 - http://cgf.cosec.pt) Grau da abertura e dimensão relativa do mercado (2011): Exp. + Imp. / PIB = 80,5% Imp. / PIB = 37,2% Imp. / Imp. Mundial = 6,8%

CDH - CENTRALVEREINIGUNG DEUTSCHER WIRTSCHAFTSVERBAENDE FUER HANDELSVERMITTLUNG UND VERTRIEB
(Federação Nacional dos Agentes de Comércio e Distribuição) Am Weidendamm 1A 10117 Berlim - Alemanha Tel.: +49 30 7262 5600 Fax:+49 30 7262 5699 centralvereinigung@cdh.de http://cdh24.de/en/verband/organisation

DIHK-DEUTSCHER INDUSTRIE - UND HANDELSKAMMERTAG E. V.
(Federação Nacional das Câmaras de Comércio e da Indústria Alemãs) Breitestr. 29 10178 Berlim – Alemanha Tel.: +49 30 205 080 Fax: +49 30 203 081 000 infocenter@dihk.de

AUMA – AUSSTELLUNGS UND MESSEAUSSCHUSS DER DEUTSCHEN WIRTSCHAFT E.V.
(Associação das Feiras na Alemanha) Littenstr. 9 10179 Berlim - Alemanha Tel.: +49 30 240 000 Fax: +49 30 240 00330 info@auma.de

Fontes: The Economist Intelligence Unit (EIU): Country Report (Setembro 2012); Views Wire (Agosto 2012), WTO – World Trade Organization (Abril 2012); COSEC.

Portugalglobal // Abril 13 // 53

OPINIÃO

COMPETITIVIDADE DAS NAÇÕES NO SÉCULO XXI UM “ROADMAP” ESTRATÉGICO PARA A ECONOMIA PORTUGUESA
>POR RUI VINHAS DA SILVA*, PHD E NATÁLIA TEIXEIRA**, PHD

“Não é tanto a dimensão da dívida pública mas mais o tempo necessário à sua absorção que importa”. (Stiglitz, 2010)
Se em 2015, os países equilibrarem os orçamentos, atingirão o rácio dívida pública/PIB de 60% em:
Portugal França Alemanha Grécia EUA Bélgica
Fonte: IMD-World Competitiveness Centre (2010)

2037 2029 2028 2031 2033 2035

A relação da economia portuguesa com os determinantes globais de competitividade das nações, capacidade exportadora e de atracção de IDE por uma economia é vista aqui à luz da situação actual da nação, do prazo de actuação sobre cada um dos itens no sentido da sua mudança e da percepção subjectiva dos autores em relação à capacidade de mudança efectiva do estado de coisas. Estes são os itens que perfazem as economias verdadeiramente competitivas, que mais exportam e que mais atraem IDE. Esta é a situação de Portugal. O esforço orçamental feito para conseguir um hipotético objectivo de défice de 5 por cento que não deve ser conseguido é acompanhado de uma contracção de PIB que ninguém verdadeiramente sabe onde se situará. O que existirá certamente é um agravamento do rácio de dívida pública/PIB seguramente muito para além dos 120 por cento do PIB. O esforço adicional que nos pedem tem mais a função pedagógica de nos habituarmos ao que aí vem do que efeitos práticos sobre este rácio crucial para o estado das economias. É comum a agenda de crescimento económico, no aumento das exportações e na necessidade de atrair IDE. No entanto, políticas estratégicas definidas num planeamento faseado são fundamentais para iniciar esse processo. É fundamental uma estratégia a médio-longo prazos para Portugal atingir esse crescimento económico sustentado em maiores níveis de competitividade. No entanto, a verdade é outra e bem mais transparente. A nossa situação tem vindo a agravar-se devido à ausência de estratégias concertadas que melhorem a economia nacional no comportamento comparativo nos itens abaixo identificados. A verdade é que o gap entre Portugal e os países mais competitivos vai-se acentuando à medida que o tempo vai passando. Há ausência de estratégia nacional, soma-se o investimento e desenvolvimento das outras economias. Se este

As economias mais competitivas do mundo são simultaneamente (quase sempre) as que mais exportam e as que mais e melhor conseguem atrair Investimento Directo Estrangeiro (IDE). Por outro lado, as economias mais competitivas, que mais exportam e que mais e melhor atraem IDE são também as economias que crucialmente apresentam melhores indicadores de desenvolvimento social e humano. Estas economias apresentam comportamentos mais ou menos padronizados num conjunto de factores domésticos que correlacionam positivamente com competitividade, capacidade exportadora e atracção de IDE e repete-se crucialmente com indicadores de desenvolvimento social e humano. Este último aspecto é muito importante e carece de entendimento profundo em Portugal. Este artigo identifica um conjunto de itens domésticos de competitividade que caracterizam as economias mais competitivas que foram agregados nas seguintes dimensões: ambiente macroeconómico, ambiente de negócios, sofisticação dos mercados e cosmopolitismo, liderança e elites, infra-estrutura e logística, pessoas, inovação e conhecimento aplicado e transparência, ética e enforcement da lei.

54 // Maio 13 // Portugalglobal

OPINIÃO
trajecto não for invertido urgentemente, os indicadores de desenvolvimento social e humano irão ser penalizados por falta de criação de riqueza sustentada para financiar esses índices. Infelizmente, o tempo urge. Cada um julgue por si… Nota sobre as escalas: Situação actual: de -3 a 3 sendo -3 péssimo e 3 óptimo; Prazo de actuação: Curto (CP), Médio (MP) e Longo (LP) Prazos; Capacidade de mudança: Baixa, Média e Alta.

Roadmap para Portugal: Ambiente Macroeconómico
FACTORES DOMÉSTICOS Ambiente Macroeconómico Situação Actual -3 -1 -3 -1 -2 -3 -1 Prazo de Actuação LP LP LP MP MP/LP LP LP Capacidade de Mudança Média Média Alta Alta Nula Média Média

Roadmap para Portugal: Sofisticação dos Mercados e Cosmopolitismo
FACTORES DOMÉSTICOS Sofisticação dos Mercados e Cosmopolitismo Situação Actual Prazo de Actuação Capacidade de Mudança

• • •

Rácio de Dívida Pública/PIB Evolução PIB per capita Endividamento dos Particulares

• Natureza das Vantagens

Competitivas das Empresas

-2 -3 -2 -3

LP MP/LP LP LP

Alta Média Baixa Baixa

• Controlo da Distribuição • Sofisticação
Doméstico

• Níveis de Poupança • O Rating da Dívida Pública • Dimensão da Dívida e •
Política Económica

Internacional e do Marketing do Consumidor

Capacidade da sua Absorção

• Existência de Marcas Valiosas
de Notoriedade Global

• Utilização de Ferramentas

Roadmap para Portugal: Ambiente de Negócios
FACTORES DOMÉSTICOS Situação Actual -1 -1 Prazo de Actuação MP LP Capacidade de Mudança Alta Alta Ambiente de Negócios dos Fornecedores

de Marketing Sofisticadas pelas Empresas Cliente

-1

MP

Média

• Grau de Orientação para o

-1

LP

Média

• Quantidade e Qualidade • Nível de desenvolvimento • Legislação Concorrencial • Cooperação nas Relações • Delegação de Autoridade • Flexibilidade da Legislação • Disponibilidade de Prontidão • Formação e Desenvolvimento • Absorção de Novas
Tecnologias Recente de Competências dos Colaboradores da Tecnologia Laboral nas Empresas Laborais e Eficácia de Política Anti-Monopolística de clusters

Roadmap para Portugal: Liderança e Elites
FACTORES DOMÉSTICOS Situação Actual -3 Prazo de Actuação LP Capacidade de Mudança Baixa Liderança e Elites

-2

CP/MP

Alta

-2 -3 -3 +3

MP/LP MP/LP MP MP/LP

Média Baixa Média Alta

• Retenção e Atracção de
Talento

• Formação em Gestão

e Qualidade das Business Schools

+2

MP

Alta

• Disponibilidade de Cientistas,
Engenheiros e Experts Altamente Qualificados

+2

LP

Alta

-1

CP/MP

Alta

+2 +3 +1 -1 -3 +1

MP MP/LP MP/LP MP MP MP/LP

Alta Alta Média Média Média Média

• Disponibilidade de Tecnologia • Investimento em I&D • Sofisticação dos Processos • Accountability da Gestão • Capacidade de Inovação • Capacidade de Financiamento
de Projectos Inovadores e de Risco das Empresas aos Investidores e CA Produtivos

Roadmap para Portugal: Infra-estruturas e Logística
FACTORES DOMÉSTICOS Infra-estruturas e Logística Situação Actual +3 Prazo de Actuação LP Capacidade de Mudança N/A

• Qualidade das Infra-Estruturas
Gerais do País

• Qualidade da Infra-Estruturas
Rodoviárias

+3

MP

N/A

-2

MP

Baixa

• Qualidade do Fornecimento
de Energia Eléctrica

• Disponibilidade de Produtos • Intensidade Concorrencial
em Portugal e Serviços Financeiros para as Empresas

+2

LP

N/A

+1

CP

Média

• Qualidade da Infra-Estrutura
Ferroviária

+2

MP/LP

N/A

• Relação Salário/Produtividade

dos Mercados Domésticos

-3 -3

LP LP

Baixa Baixa

• Qualidade da Infra-Estrutura
Portuária

+1

MP/LP

Baixa

Portugalglobal // Maio 13 // 55

OPINIÃO Roadmap para Portugal: Pessoas, Inovação e Conhecimento Aplicado
FACTORES DOMÉSTICOS Pessoas, Inovação e Conhecimento Aplicado Situação Actual Prazo de Actuação Capacidade de Mudança

• Invenções Patenteadas e
Conhecimento Aplicado

0 0

MP/LP CP

Alta Alta

• Disponibilidade de Treino e
Formação Especializados

• Investimento Efectuado pelas
Empresa na Formação dos seus Colaboradores e Indústria

-2

CP

Baixo

• Ligação entre Universidade • Nível de Sistema Educativo
como Impulsionador de Competitividade

+2

MP/LP

Alta

-1

LP

Média

• Acesso à Internet nas Escolas • Qualidade das Instituições de
Investigação Científica

+2 +2

CP MP/LP

Alta Alta

Roadmap para Portugal: Transparência, Ética e Enforcement da Lei
FACTORES DOMÉSTICOS Transparência, Ética e Enforcement da Lei Situação Actual -3 Prazo de Actuação MP/LP Capacidade de Mudança Média

• Enforcement da Legislação • Enforcement de Direitos de
Propriedade e de Protecção de Activos Financeiros Intelectual e de Medidas Anti-Contrafacção Fundos Públicos

0

CP/MP

Alta

• Enforcement de Propriedade • Corrupção e Desvio de • Ética Empresarial, Ligações
Dúbias ao Poder e Conluio Nepotismo na Ascensão da Gestão de Topo e Indivíduos pelo Decisor

+1

CP

Alta

“The task is ... not so much to see what no one has yet seen, but to think what nobody has yet thought about, that which everybody sees”. (Erwin Schrödinger, Quantum Theory Physicist, Quoted in L. Bertalanffy, Problems of Life, 1952)
*Rui Vinhas da Silva é Professor Associado com Agregação no ISCTE Business School, em Lisboa. Licenciado em Economia e em Gestão de Empresas pela York University (Canadá), fez o seu doutoramento e pós-doutoramento na Manchester Business School (Reino Unido) onde foi professor durante 14 anos, os últimos 5 como Professor Associado. É autor de várias obras, acabando de editar um novo livro que versa, precisamente, o tema em foco neste artigo: “Competitividade das nações no século XXI - um ‘roadmap’ estratégico para a economia portuguesa” e “Competitiveness in the Real Economy”, a ser editado no Reino Unido em Novembro 2013. **Natália Teixeira é Professora Auxiliar no Instituto Superior de Comunicação Empresarial e no Instituto Superior de Educação e Ciências, em Lisboa. É licenciada em Economia pela Universidade Nova de Lisboa, tendo obtido o Masters in Economics na University of Manchester e posteriormente, o doutoramento pela University of Manchester (Reino Unido), sendo co-autora do livro “Competitividade das nações no século XXI - um ‘roadmap’ estratégico para a economia portuguesa”.

0 0

MP/LP MP/LP

Média Média

• Transparência e Mérito versus • Favorecimento de Empresas • Independência do Sistema
Judicial do Poder Político, Cidadãos ou Empresas Jurídico e Relação com o Sector Empresarial na Resolução de Disputas Laborais na Obtenção de Decisões Judiciais Favoráveis Policiais em Garantir o Cumprimento da Lei e a Manutenção da Ordem

-2

MP/LP

Baixa

-1

MP

Média

-1

LP

Média

• Eficiência do Sistema

-2

LP

Média

• Eficiência do Sistema Judicial • Pagamentos e Subornos • Capacidade das Forças

-3

LP

Média

+1

LP

Média

+1

MP

Alta

56 // Maio 13 // Portugalglobal

ANÁLISE DE RISCO - PAÍS

COSEC
África do Sul* C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). Angola C Caso a caso. M/L  Garantia soberana. Limite total de responsabilidades. Arábia Saudita C  Carta de crédito irrevogável (decisão casuística). M/L Caso a caso. Argélia C  Sector público: aberta sem restrições. Sector privado: eventual exigência de carta de crédito irrevogável. M/L  Em princípio. exigência de garantia bancária ou garantia soberana. Argentina T  Caso a caso. Barein C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária. Benim C  Caso a caso, numa base muito restritiva. M/L  Caso a caso, numa base muito restritiva, e com exigência de garantia soberana ou bancária. Brasil* C Aberta sem condições restritivas. M/L  Clientes soberanos: Aberta sem condições restritivas. Outros Clientes públicos e privados: Aberta, caso a caso, com eventual exigência de garantia soberana ou bancária. Bulgária C Carta de crédito irrevogável. M/L  Garantia bancária ou garantia soberana. Cabo Verde C Aberta sem condições restritivas. M/L  Eventual exigência de garantia bancária ou de garantia soberana (decisão casuística). Camarões T  Caso a caso, numa base muito restritiva. Cazaquistão Temporariamente fora de cobertura. China* C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária. Chipre C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida.

Políticas de cobertura para mercados

No âmbito de apólices individuais
Colômbia C Carta de crédito irrevogável. M/L Caso a caso, numa base restritiva. Coreia do Sul C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Costa do Marfim T Decisão casuística. Costa Rica C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Croácia C  Carta de crédito irrevogável ou garantia bancária. Extensão do prazo constitutivo de sinistro para 12 meses. Redução da percentagem de cobertura para 90 por cento. Limite por operação. M/L  Garantia bancária ou garantia soberana. Extensão do prazo constitutivo de sinistro para 12 meses. Redução da percentagem de cobertura para 90 por cento. Limite por operação. Cuba T Fora de cobertura. Egipto C Carta de crédito irrevogável M/L Caso a caso. Emirados Árabes Unidos C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). Estónia M/L Garantia bancária. Etiópia C Carta de crédito irrevogável. M/L  Caso a caso numa base muito restritiva. Filipinas C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Gana C  Caso a caso numa base muito restritiva.
M/L

Guiné Equatorial C  Caso a caso, numa base restritiva.
M/L

Clientes públicos e soberanos:  caso a caso, mediante análise das garantias oferecidas, designadamente contrapartidas do petróleo. Clientes privados: caso a caso, numa base muito restritiva, condicionada a eventuais contrapartidas (garantia de banco comercial aceite pela COSEC ou contrapartidas do petróleo).

Macau C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Malásia C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Malawi C Caso a caso, numa base restritiva. M/L  Clientes públicos: fora de cobertura, excepto para operações de interesse nacional. Clientes privados: análise casuística, numa base muito restritiva. Malta C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Marrocos* C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária ou garantia soberana. Martinica C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. México* C Aberta sem restrições. M/L  Em princípio aberta sem restrições. A eventual exigência de garantia bancária, para clientes privados, será decidida casuisticamente. Moçambique C C  aso a caso, numa base restritiva (eventualmente com a exigência de carta de crédito irrevogável, garantia bancária emitida por um banco aceite pela COSEC e aumento do prazo constitutivo de sinistro).
M/L

Hong-Kong C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Iémen C Caso a caso, numa base restritiva. M/L  Caso a caso, numa base muito restritiva. Índia
C M/L

Aberta sem condições restritivas. Garantia bancária.

Indonésia C  Caso a caso, com eventual exigência de carta de crédito irrevogável ou garantia bancária.
M/L 

aso a caso, com eventual exiC gência de garantia bancária ou garantia soberana.

Irão
T

Fora de cobertura.

Iraque T Fora de cobertura. Jordânia C Caso a caso. M/L Caso a caso, numa base restritiva. Koweit C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). Letónia C Carta de crédito irrevogável. M/L Garantia bancária. Líbano C  Clientes públicos: caso a caso numa base muito restritiva. Clientes privados: carta de crédito irrevogável ou garantia bancária.
M/L

A  umento do prazo constitutivo de sinistro. Sector privado: caso a caso numa base muito restritiva. Operações relativas a projectos geradores de divisas e/ou que admitam a afectação prioritária de receitas ao pagamento dos créditos garantidos, terão uma ponderação positiva na análise do risco; sector público: caso a caso numa base muito restritiva.

Fora de cobertura.

Geórgia C  Caso a caso numa base restritiva, privilegiando-se operações de pequeno montante.
M/L

Clientes públicos: fora de cober tura. Clientes privados: caso a caso numa base muito restritiva.

Montenegro C  Caso a caso, numa base restritiva. privilegiando-se operações de pequeno montante.
M/L 

aso a caso, numa base muito C restritiva e com a exigência de contra garantias.

Líbia
T

Caso a caso, com exigência de ga rantia soberana ou bancária, para operações de pequeno montante.

Fora de cobertura. Nigéria C  Caso a caso, numa base restritiva (designadamente em termos de alargamento do prazo consti-

Guiné-Bissau T Fora de cobertura.

Lituânia C Carta de crédito irrevogável. M/L Garantia bancária.

58 // Maio 13 // Portugalglobal

ANÁLISE DE RISCO - PAÍS

de destino das exportações portuguesas

No âmbito de apólices globais
M/L

tutivo de sinistro e exigência de garantia bancária). Caso a caso, numa base muito  restritiva, condicionado a eventuais garantias (bancárias ou contrapartidas do petróleo) e ao alargamento do prazo contitutivo de sinistro.

Senegal C  Em princípio. exigência de garantia bancária emitida por um banco aceite pela COSEC e eventual alargamento do prazo constitutivo de sinistro.
M/L

Na apólice individual está em causa a cobertura de uma única transação para um determinado mercado. enquanto a apólice global cobre todas as transações em todos os países para onde o empresário exporta os seus produtos ou serviços. As apólices globais são aplicáveis às empresas que vendem bens de consumo e intermédio. cujas transações envolvem créditos de curto prazo (média 60-90 dias). não excedendo um ano. e que se repetem com alguma frequência. Tendo em conta a dispersão do risco neste tipo de apólices. a política de cobertura é casuística e. em geral. mais flexível do que a indicada para as transações no âmbito das apólices individuais. Encontram-se também fora de cobertura Cuba. Guiné-Bissau. Iraque e S. Tomé e Príncipe.
exigência de garantia bancária. Para todas as operações, o prazo constitutivo de sinistro é definido caso a caso. Uganda C  Caso a caso, numa base muito restritiva.
M/L

Oman C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). Panamá C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Paquistão Temporariamente fora de cobertura. Paraguai C Carta de crédito irrevogável. M/L Caso a caso, numa base restritiva. Peru
C M/L 

ventual alargamento do prazo E constitutivo de sinistro. Sector público: caso a caso, com exigência de garantia de pagamento e transferência emitida pela Autoridade Monetária (BCEAO); sector privado: exigência de garantia bancária ou garantia emitida pela Autoridade Monetária (preferência a projectos que permitam a alocação prioritária dos cash-flows ao reembolso do crédito).

Aberta sem condições restritivas.  lientes soberanos: aberta sem C condições restritivas. Clientes públicos e privados: aberta, caso a caso, com eventual exigência de garantia soberana ou bancária.

Sérvia C C  aso a caso, numa base restritiva, privilegiando-se operações de pequeno montante.
M/L 

aso a caso, com exigência de C garantia soberana ou bancária, para operações de pequeno montante.

sempre que se justifique. Os países que constam da lista são os mais representativos em termos de consultas e responsabilidades assumidas. Todas as operações são objecto de análise e decisão específicas.

Qatar C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). Quénia C Carta de crédito irrevogável. M/L Caso a caso, numa base restritiva. República Checa C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). República Dominicana C  Aberta caso a caso, com eventual exigência de carta de crédito irrevogável ou garantia bancária emitida por um banco aceite pela COSEC. M/L  Aberta caso a caso com exigência de garantia soberana (emitida pela Secretaria de Finanzas ou pelo Banco Central) ou garantia bancária. Roménia C  Exigência de carta de crédito irrevogável (decisão casuística). M/L  Exigência de garantia bancária ou garantia soberana (decisão casuística). Rússia C  Sector público: aberta sem restrições. Sector privado: caso a caso. M/L  Sector público: aberta sem restrições, com eventual exigência de garantia bancária ou garantia soberana. Sector privado: caso a caso. S. Tomé e Príncipe
C

Singapura C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Síria
T

Fora de cobertura.

Legenda:
C M/L T 

aso a caso, numa base muito C restritiva.

Uruguai C  Carta de crédito irrevogável (decisão casuística).
M/L

Curto Prazo Médio / Longo Prazo Todos os Prazos

Suazilândia C Carta de crédito irrevogável. M/L  Garantia bancária ou garantia soberana. Tailândia C  Carta de crédito irrevogável (decisão casuística).
M/L

Não definida. * Mercado prioritário.

Não definida.

Venezuela C  Clientes públicos: aberta caso a caso com eventual exigência de garantia de transferência ou soberana. Clientes privados: aberta caso a caso com eventual exigência de carta de crédito irrevogável e/ou garantia de transferência.
M/L

Taiwan C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Tanzânia T  Caso a caso, numa base muito restritiva. Tunísia* C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária. Turquia C Carta de crédito irrevogável. M/L  Garantia bancária ou garantia soberana. Ucrânia C  Clientes públicos: eventual exigência de garantia soberana. Clientes privados: eventual exigência de carta de crédito irrevogável.
M/L

Aberta caso a caso com exigência  de garantia soberana.

Zâmbia C  Caso a caso, numa base muito restritiva.
M/L

Fora de cobertura.

Zimbabwe C  Caso a caso, numa base muito restritiva.
M/L

Fora de cobertura.

COSEC

Companhia de Seguro de Créditos. S. A. Direcção Internacional Avenida da República. 58 1069-057 Lisboa Tel.: +351 217 913 832 Fax: +351 217 913 839 internacional@cosec.pt 

nálise caso a caso, numa base A muito restritiva. 

Clientes públicos: eventual exigência de garantia soberana. Clientes privados: eventual

Advertência: A lista e as políticas de cobertura são indicativas e podem ser alteradas

www.cosec.pt

Portugalglobal // Maio 13 // 59

TABELA CLASSIFICATIVA DE PAÍSES

COSEC
Tabela classificativa de países
Para efeitos de Seguro de Crédito à exportação
A Portugalglobal e a COSEC apresentam-lhe uma Tabela Classificativa de Países com a graduação dos mercados em função do seu risco de crédito. ou seja. consoante a probabilidade de cumprimento das suas obrigações externas. a curto. a médio e a longo prazos. Existem sete grupos de risco (de 1 a 7). corresGrupo 1
Hong-Kong Singapura * Taiwan

pondendo o grupo 1 à menor probabilidade de incumprimento e o grupo 7 à maior. As categorias de risco assim definidas são a base da avaliação do risco país. da definição das condições de cobertura e das taxas de prémio aplicáveis.
Grupo 5 Grupo 6
Albânia Ant. e Barbuda Arménia Bangladesh Belize Benin Bolívia Butão Cabo Verde Camarões Camboja Comores Congo Djibouti Dominica Geórgia Honduras Kiribati Moçambique Montenegro Nauru Quénia Samoa Oc. Senegal Sérvia Sri Lanka Suazilândia Tanzânia Turquemenistão Tuvalu Uganda Uzbequistão Vanuatu Zâmbia

Grupo 2
Arábia Saudita Botswana Brunei Chile China • EAUa Gibraltar Koweit Macau Malásia Oman Trind. e Tobago

Grupo 3
África do Sul • Argélia Bahamas Barbados Brasil • Costa Rica Dep/ter Austr.b Dep/ter Din.c Dep/ter Esp.d Dep/ter EUAe Dep/ter Fra.f Dep/ter N. Z.g Dep/ter RUh Ilhas Marshall Índia Indonésia Lituânia Marrocos • Maurícias México • Micronésia Namíbia Palau Panamá Peru Qatar Rússia Tailândia Uruguai

Grupo 4
Aruba Barein Bulgária Colômbia El Salvador Fidji Filipinas Letónia Roménia Tunísia • Turquia

Grupo 7
Afeganistão Argentina Bielorussia Bósnia e Herzegovina Burkina Faso Burundi Campuchea Cent. Af. Rep. Chade Congo. Rep. Dem. Coreia do Norte C. do Marfim Cuba • Equador Eritreia Etiópia Gâmbia Grenada Guiana Guiné Equatorial Guiné. Rep. da Guiné-Bissau • Haiti Iemen Irão • Iraque • Jamaica Kosovo Laos Líbano Libéria Líbia Madagáscar Malawi Maldivas Mali Mauritânia Moldávia Myanmar Nepal Nicarágua Níger Paquistão Quirguistão Ruanda S. Crist. e Nevis S. Tomé e Príncipe • Salomão Seicheles Serra Leoa Síria Somália Sudão Suriname Tadzequistão Togo Tonga Ucrânia Venezuela Zimbabué

Angola Azerbeijão Cazaquistão Croácia Dominicana. Rep. Egipto Gabão Gana Guatemala Jordânia Lesoto Macedónia Mongólia Nigéria Papua–Nova Guiné Paraguai S. Vic. e Gren. Santa Lúcia Vietname

Fonte: COSEC - Companhia de Seguro de Créditos. S.A. * País pertencente ao grupo 0 da classificação risco-país da OCDE. Não é aplicável o sistema de prémios mínimos.

• Mercado de diversificação de oportunidades

• Fora de cobertura

• Fora de cobertura. excepto operações de relevante interesse nacional

NOTAS
a) Abu Dhabi. Dubai. Fujairah. Ras Al Khaimah. Sharjah. Um Al Quaiwain e Ajma b) Ilhas Norfolk c) Ilhas Faroe e Gronelândia d) Ceuta e Melilha e) Samoa. Guam. Marianas. Ilhas Virgens e Porto Rico f) G  uiana Francesa. Guadalupe. Martinica. Reunião. S. Pedro e Miquelon. Polinésia Francesa. Mayotte. Nova Caledónia. Wallis e Futuna g) Ilhas Cook e Tokelau. Ilhas Nive h) A  nguilla. Bermudas. Ilhas Virgens. Cayman. Falkland. Pitcairn. Monserrat. Sta. Helena. Ascensão. Tristão da Cunha. Turks e Caicos

60 // Maio 13 // Portugalglobal

ESTATÍSTICAS

INVESTIMENTO e COMÉRCIO EXTERNO
>PRINCIPAIS DADOS DE INVESTIMENTO (IDE E IDPE). EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES.

INVESTIMENTO DIRECTO COM O EXTERIOR
INVESTIMENTO DIRECTO DO EXTERIOR EM PORTUGAL IDE bruto IDE desinvestimento IDE líquido IDE Intra UE IDE Extra UE
Unidade: Milhões de euros

2012 39.257 32.318 6.939 35.684 3.573

tvh 2012/11 -8,9% -7,8% -13,5% -8,3% -14,6%

2012 Jan/Mar 8.243 6.948 1.295 7.379 864

2013 Jan/Mar 6.690 6.304 386 6.087 603

tvh 13/12 Jan/Mar -18,8% -9,3% -70,2% -17,5% -30,2%

tvh 13/12 Mar/Mar -40,7% -36,4% -90,6% -35,7% -68,6%

tvc 13/12 Mar/Fev -23,5% -17,6% -88,5% -21,8% -39,0%

IDE Intra UE IDE Extra UE
% Total IDE bruto

90,9% 9,1% % Total 19,9% 19,4% 17,7% 11,7% 7,7%

--tvh 13/12 -1,3% -27,9% -8,8% 1,9% -37,3% tvh 2012/11 -54,0% -15,2% -86,1% -56,4% -39,6%

89,5% 10,5%

91,0% 9,0%

---

--% Total 42,7% 22,8% 17,4% 4,9% 3,1%

--tvh 13/12 -15,9% -18,3% -9,9% -43,9% 4,2% tvc 13/12 Mar/Fev 210,3% -30,3% 1930,5% 314,0% -1,1%

IDE bruto - Origem 2013 (Jan/Mar) França Espanha Reino Unido Alemanha Países Baixos INVESTIMENTO DIRECTO DE PORTUGAL NO EXTERIOR IDPE bruto IDPE desinvestimento IDPE líquido IDPE Intra UE IDPE Extra UE
Unidade: Milhões de euros

IDE bruto - Sector 2013 (Jan/Mar) Comércio Ind. Transformadora Act. Financeiras e de Seguros Act. Informação e Comunicação Electricidade, Gás, Água 2012 Jan/Mar 2.997 1.306 1.691 2.330 667 2013 Jan/Mar 1.297 723 574 1.066 231 tvh 13/12 Jan/Mar -56,7% -44,6% -66,1% -54,3% -65,3%

2012 8.989 7.498 1.490 7.304 1.685

tvh 13/12 Mar/Mar -65,4% -77,5% -57,8% -63,3% -76,8%

IDPE Intra UE IDPE Extra UE
% Total IDPE bruto

81,3% 18,7% % Total 52,5% 13,9% 5,0% 4,7% 4,5%

--tvh 13/12 -62,1% -34,6% -82,8% 459,1% -22,6%

77,8% 22,2%

82,2% 17,8%

---

--% Total 76,3% 7,6% 5,0% 4,0% 2,6%

--tvh 13/12 -57,1% 12,8% -82,9% -26,6% -66,5%

IDPE bruto - Destinos 2013 (Jan/Mar) Países Baixos Espanha Brasil França Angola

IDPE bruto - Sector 2013 (Jan/Mar) Act. Financeiras e de Seguros Comércio Ind. Transformadoras Construção Act. Consultoria e Técnicas

  Stock IDE Stock IDPE
Unidade: Milhões de euros

2010 83.585 49.942
Fonte: Banco de Portugal

2011 86.428 55.823

2012 88.799 54.010

2012 Mar 84.667 54.563

2013 Mar 89.958 54.693

tvh 13/12 6,2% 0,2%

Portugalglobal // Maio 13 // 61

ESTATÍSTICAS

COMÉRCIO INTERNACIONAL
BENS (Exportação) Exportações bens Exportações bens UE27 Exportações bens Extra UE27
Unidade: Milhões de euros

2012 45.324 32.197 13.127

tvh 2012/11 5,8% 1,0% 19,8%

2012 Jan/Mar 11.568 8.417 3.151

2013 Jan/Mar 11.601 8.300 3.301

tvh 13/12 Jan/Mar 0,3% -1,4% 4,7%

tvh 13/12 Mar/Mar -2,8% -6,1% 6,0%

tvc 13/12 Mar/Fev 9,0% 5,7% 17,7%

Exportações bens UE27 Exportações bens Extra UE27
Unidade: % do total

71,0% 29,0%

---

72,8% 27,2%

71,5% 28,5%

---

---

---

Exp. Bens - Clientes 2013 (Jan/Mar) Espanha Alemanha França Angola Reino Unido EUA Países Baixos

% Total 23,4% 12,1% 11,8% 5,8% 5,2% 4,5% 4,3%

tvh 13/12 2,0% -7,1% -6,3% 7,5% -3,6% 2,5% 10,7%

Exp. Bens - Var. Valor (13/12) Argélia Espanha Países Baixos Nigéria China França Alemanha

Meur 100 53 48 -56 -79 -92 -108

Cont. p. p. 0,9 0,5 0,4 -0,5 -0,7 -0,8 -0,9

Exp. Bens - Produtos 2013 (Jan/Mar) Máquinas, Aparelhos Veículos, Outro Material de Transporte Combustíveis Minerais Metais Comuns Plásticos, Borracha

% Total 14,8% 10,9% 10,2% 8,2% 6,8%

tvh 13/12 0,6% -17,1% 19,2% 0,0% 0,0%

Exp. Bens - Var. Valor (13/12) Combustíveis Minerais Alimentares Químicos Pastas Celulósicas, Papel Veículos, Out. Mat. Transp.

Meur 191 58 43 32 -262

Cont. p. p. 1,7 0,5 0,4 0,3 -2,3

 SERVIÇOS Exportações totais de serviços Exportações serviços UE27 Exportações serviços extra UE27
Unidade: Milhões de euros

2012 19.098 13.100 5.998

tvh 2012/11 -0,3% -4,3% 9,7%

2012 Jan/Mar 3.898 2.587 1.311

2013 Jan/Mar 4.045 2.670 1.375

tvh 13/12 Jan/Mar 3,8% 3,2% 4,9%

tvh 13/12 Mar/Mar 5,0% 4,3% 6,6%

tvc 13/12 Mar/Fev 16,0% 17,2% 13,7%

Exportações serviços UE27 Exportações serviços extra UE27
Unidade: % do total

68,6% 31,4%

-- 

66,4% 33,6%

66,0% 34,0%

---

---

---

62 // Maio 13 // Portugalglobal

ESTATÍSTICAS

BENS (Importação) Importações bens Importações bens UE27 Importações bens Extra UE27
Unidade: Milhões de euros

2012 56.234 40.402 15.832

tvh 2012/11 -5.1% -7.4% 1.4%

2012 Jan/Mar 14.507 10.463 4.044

2013 Jan/Mar 13.466 9.521 3.945

tvh 13/12 Jan/Mar -7,2% -9,0% -2,5%

tvh 13/12 Mar/Mar -9,8% -12,2% -3,3%

tvc 13/12 Mar/Fev 4,9% 5,7% 2,9%

Importações bens UE27 Importações bens Extra UE27
Unidade: % do total

71,8% 28,2%

---

72,1% 27,9%

70,7% 29,3%

---

---

Imp. Bens - Fornecedores 2013 (Jan/Mar) Espanha Alemanha França Angola Itália Países Baixos Reino Unido

% Total 31,0% 11,8% 6,6% 6,0% 5,1% 4,8% 2,8%

tvh 13/12 -11,1% -7,4% -6,7% 40,3% -6,2% -5,2% -15,1%

Imp. Bens - Var. Valor (13/12) Angola Rússia Turquia Guiné-Equatorial Alemanha Brasil Espanha

Meur 232 104 103 -118 -126 -229 -520

Cont. p. p. 1,6 0,7 0,7 -0,8 -0,9 -1,6 -3,6

Imp. Bens - Produtos 2013 (Jan/Mar) Combustíveis Minerais Máquinas, Aparelhos Agrícolas Químicos Metais Comuns

% Total 19,7% 14,2% 11,3% 11,3% 8,1%

tvh 13/12 -15,6% -10,2% 7,0% -3,3% -4,5%

Imp. Bens - Var. Valor (13/12) Agrícolas Vestuário Veículos, Out. Mat. Transp. Máquinas, Aparelhos Combustíveis Minerais

Meur 99 -55 -190 -219 -489

Cont. p. p. 0,7 -0,4 -1,3 -1,5 -3,4

 SERVIÇOS Importações totais de serviços Importações serviços UE27 Importações serviços extra UE27
Unidade: Milhões de euros

2012 10.405 7.591 2.815

tvh 2012/11 -9,2% -5,9% -17,1%

2012 Jan/Mar 2.526 1.859 666

2013 Jan/Mar 2.461 1.770 691

tvh 13/12 Jan/Mar -2,6% -4,8% 3,7%

tvh 13/12 Mar/Mar -4,6% -7,0% 1,9%

tvc 13/12 Mar/Fev 7,2% 2,3% 21,5%

Importações serviços UE27 Importações serviços extra UE27
Unidade: % do total

73,0% 27,0%

--  2012 INE -3,2 3,3

73,6% 26,4%

71,9% 28,1%

---

---

---

PREVISÕES 2013 : 2014 (tvh real %)

2011 INE

FMI Abril 13 -2,3 : 0,6 0,9 : 4,3

CE Maio 13 -2,3 : 0,6 0,9 : 4,4

OCDE Maio 12 -2,7 : 0,2 1,4 : 5,1

BdP Março 13 -2,3 : 1,1 2,2 : 4,3

Min. Finanças Abril 12 -2,3 : 0,6 0,8 : 4,5

PIB Exportações Bens e Serviços
Fontes: INE/Banco de Portugal Notas e siglas: Meur - Milhões de euros tvc - Taxa de variação em cadeia

-1,6 7,2

Cont. - Contributo para o crescimento das exportações

p.p. - Pontos percentuais

tvh - Taxa de variação homóloga

Portugalglobal // Maio 13 // 63

Miguel Porfírio
HOLANDA
aicep.thehague@portugalglobal.pt

Gonçalo Homem de Mello
BÉLGICA
aicep.bruxels@portugalglobal.pt

António Silva
FRANÇA

REDE EXTERNA
Raul Travado
CANADÁ
aicep.toronto@portugalglobal.pt

aicep.paris@portugalglobal.pt

Miguel Fontoura
REINO UNIDO
aicep.london@portugalglobal.pt

José Nogueira Ramos
IRLANDA
aicep.dublin@portugalglobal.pt

Oslo

Manuel Martinez
ESPANHA
aicep.barcelona@portugalglobal.pt

Hai Dublin Londres Paris

Bruxelas

Eduardo Henriques
ESPANHA

Zuriqu Milão

Toronto Nova Iorque

aicep.madrid@portugalglobal.pt

Barcelona Madrid Rabat

Ana Sofia O’Hara
EUA
aicep.s.francisco@portugalglobal.pt

S. Francisco

Argel

Rui Boavista Marques
EUA
aicep.newyork@portugalglobal.pt

Praia

Rui Gomes
MÉXICO
aicep.mexico@portugalglobal.pt

Armindo Rios
CABO VERDE

Cidade do México

aicep.praia@portugalglobal.pt

Carlos Pinto
VENEZUELA
aicep.caracas@portugalglobal.pt

Rui Cordovil
Caracas Panamá Bogotá
MARROCOS
aicep.rabat@portugalglobal.pt

Miguel Crespo
COLÔMBIA
aicep.bogota@portugalglobal.pt

João Renano Henriques
ARGÉLIA
aicep.argel@portugalglobal.pt

Lima

Luís Moura
ANGOLA
aicep.luanda@portugalglobal.pt

António Felner da Costa
BRASIL
aicep.rio.janeiro@portugalglobal.pt

João Cardim
Rio de Janeiro São Paulo
ANGOLA
aicep.benguela@portugalglobal.pt

Carlos Moura
BRASIL
aicep.s.paulo@portugalglobal.pt

João Pedro Pereira
Santiago do Chile Buenos Aires
ÁFRICA DO SUL
aicep.pretoria@portugalglobal.pt

Jorge Salvador
CHILE
aicep.santiago@portugalglobal.pt

Fernando Carvalho
MOÇAMBIQUE
aicep.maputo@portugalglobal.pt

Luís Sequeira
ARGENTINA
aicep.buenosaires@portugalglobal.pt

64 // Maio 13 // Portugalglobal

Pedro Macedo Leão
ALEMANHA
aicep.berlin@portugalglobal.pt

Maria José Rézio
RÚSSIA
aicep.moscow@portugalglobal.pt

João Guerra Silva
DINAMARCA
aicep.copenhagen@portugalglobal.pt

Nuno Lima Leite
POLÓNIA
aicep.warsaw@portugalglobal.pt

Eduardo Souto Moura
SUÉCIA
aicep.stockholm@portugalglobal.pt

Joaquim Pimpão
HUNGRIA
aicep.budapest@portugalglobal.pt

Kristiina Vaano
FINLÂNDIA
aicep.helsinki@portugalglobal.pt

Ana Isabel Douglas
ÁUSTRIA
aicep.vienna@portugalglobal.pt

Helsínquia Estocolmo Copenhaga Berlim Varsóvia Praga Budapeste Bucareste Ancara Tunes Tripoli Atenas Baku Moscovo

ia

s

Filipe Honrado
ÍNDIA
aicep.newdelhi@portugalglobal.pt

ue

Bratislava Viena

Liubliana

Alexandra Ferreira Leite
CHINA

Celeste Mota
TURQUIA
aicep.ankara@portugalglobal.pt

Pequim Tóquio Xangai Nova Deli Guangzhou Macau Hong Kong

aicep.beijin@portugalglobal.pt

José Joaquim Fernandes
JAPÃO
aicep.tokyo@portugalglobal.pt

Laurent Armaos
GRÉCIA
aicep.athens@portugalglobal.pt

Filipe Costa
CHINA
aicep.shanghai@portugalglobal.pt

Riade

Doha

Abu Dhabi

Maria João Bonifácio Pier Franco Schiavone
ITÁLIA
aicep.milan@portugalglobal.pt

CHINA
aicep.macau@portugalglobal.pt

Nuno Várzea
TUNISIA
aicep.tunis@portugalglobal.pt

Kuala Lumpur

Manuel Couto Miranda
EAU
aicep.abudhabi@portugalglobal.pt

Jacarta

Luanda Benguela

Windhoek Pretória Gaborone Maputo

Maria João Liew
MALÁSIA
aicep.kuala_lumpur@portugalglobal.pt

João Noronha
INDONÉSIA
aicep.jacarta@portugalglobal.pt

AO SERVIÇO DAS EMPRESAS
Portugalglobal // Maio 13 // 65

BOOKMARKS

INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS
Este livro pretende explicar a resolução de uma série de casos práticos que abrangem as principais matérias de finanças, desde a análise das empresas e mercados, passando pelas ferramentas de avaliação de novos projetos de investimento, até ao detalhe da mecânica do cálculo financeiro. As restrições em termos académicos obrigam a que os exercícios aqui incluídos traduzam alguma simplificação da vida real e possam ser resolvidos sem grande dispêndio de tempo. Deste modo, sentimos a necessidade de completar a parte prática com uma explicação, em cada capítulo, dos princípios financeiros básicos que sustentam a tomada de decisão nas diversas áreas da vida financeira. A teoria financeira deve fugir a certas ideias e conceitos deformados de ganho que se encontram muito sedimentados no espírito demasiado ganancioso da natureza humana. Pretende chamar a atenção para a verdadeira lógica financeira e acompanhar os exercícios práticos com uma série de alertas que complementam e substanciam as conclusões dos cálculos efetuados.

Autor: António  Gomes Mota, Clementina Barroso, Helena Soares, Luís Laureano Editor: Edições Sílabo Nº de páginas: 252 Ano: 2013 Preço: 17,90€

GERMANY KEYS TO UNDERSTANDING GERMAN BUSINESS CULTURE
Trata-se de uma obra fundamental escrita por alguém que conhece muito bem o país e o mercado, pois vive e opera nele há mais de uma década. É pois ideal para quem queira conhecer melhor a Alemanha e as suas oportunidades de negócio. Enfatiza as competências necessárias ao gestor cuja empresa opera não só no mercado interno como no alemão, chama a atenção para as características da mentalidade e do mercado alemães, bem como para os contextos com que se depara o empresário quando os aborda. Negociar com alemães pode ser difícil, mas não o é obrigatoriamente. Nesta medida, o livro fornece algumas chaves essenciais para facilitar o acesso ao mercado e à cultura de negócios alemães, retirando deles o melhor proveito. pedromacedoleao@gmail.com www.amazon.com

Autor: P  edro Macedo Leão Editor: (Edição do autor) Nº de páginas: 80 Ano: 2012 Preço: 15.61 USD$

66 // Maio 13 // Portugalglobal

Videoconferências

AICEP Global Network
A AICEP disponibiliza um novo serviço de videoconferência para reuniões em directo, onde quer que se encontre, com os responsáveis da Rede Externa presentes em mais de 40 países. Obtenha a informação essencial sobre os mercados internacionais e esclareça as suas dúvidas sobre: • Potenciais clientes • Canais de distribuição • Aspectos regulamentares • Feiras e eventos • Informações específicas sobre o mercado

Para mais informação e condições de utilização consulte o site:

www.portugalglobal.pt

Tudo isto, sem sair do seu escritório

Lisboa Av. 5 de Outubro, 101, 1050-051 Lisboa Tel: + 351 217 909 500 E-mail: aicep@portugalglobal.pt

Porto Rua Júlio Dinis, 748, 9º Dto 4050-012 Porto Tel. + 351 226 055 300 Web: www.portugalglobal.pt

Sede: Rua Júlio Dinis, nº 748, 9º Dto 4050-012 Porto - Portugal Tel.: + 351 226 055 300 Fax: +351 226 055 399 E-mail: aicep@portugalglobal.pt Web: www.portugalglobal.pt

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