Marcuse, Adorno, Horkheimer, Benjamin e Habermas - Teóricos de Frankfurt

Num dia qualquer de 1940, no lado espanhol da fronteira entre a França e a Espanha, um funcionário da alfândega, cumprindo ordens superiores, impediu a entrada de um grupo de intelectuais alemães que fugia da Gestapo, a temível corporação nazista. Um dos integrantes do grupo, homem de quarenta e oito anos de idade, que estampava no rosto sinais de profunda melancolia, mas ao mesmo tempo transmitia a impressão de um intelecto privilegiado, não resistiu à tensão psicológica e suicidou-se. O fato poderia ser visto apenas à luz da psicologia individual, mas na verdade transcende esses limites e adquire dimensão social e cultural mais ampla. O intelectual em questão era Walter Benjamin, um dos principais representantes da chamada Escola de Frankfurt. As idéias dessa corrente de pensamento encontram-se, em grande parte, nas páginas da Revista de Pesquisa Social, um dos documentos mais importantes para a compreensão do espírito europeu do século XX. Seus colaboradores estiveram sempre na primeira linha da reflexão crítica sobre os principais aspectos da economia, da sociedade e da cultura de seu tempo; em alguns casos chegaram mesmo a participar da militância política. Por tudo isso, foram alvo de perseguição dos meios conservadores, responsáveis pela ascensão e apogeu dos regimes totalitários europeus da época. Fundado em 1924, o Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, do qual a revista era porta-voz, foi obrigado, com a ascensão ao poder na Alemanha do nacional-socialismo, em 1933, a transferir-se para Genebra, depois para Paris, e, finalmente, para Nova York. Nesta cidade a revista passou a ser publicada com o título de Estudos de filosofia e Ciências Sociais. Com a vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial, os principais diretores da revista puderam regressar à Alemanha e reorganizar o Instituto em 1950. Alfred Schmidt, que se dedicou à investigação da importância e da influência da Revista de Pesquisa Social, afirma que nela se fundem, de maneira única, a autonomia intelectual, a análise crítica e o protesto humanístico. Os colaboradores da revista opunham-se aos periódicos e instituições de caráter acadêmico, desenvolvendo um pensamento comum nesse sentido, sem que isso, contudo, anulasse interesses e orientações individuais e, sobretudo, sem que fossem postas de lado as exigências de rigor científico. Gian Enrico Rusconi, outro estudioso da Escola de Frankfurt, chama a atenção para o fato de que o pensamento desse grupo não pode ser compreendido sem ser vinculado à tradição da esquerda alemã. Para Rusconi, o significado histórico e político das reflexões encontradas na Revista de Pesquisa Social reside em sua continuidade em relação ao marxismo e à ciência social anticapitalista Essa posição teórica foi desenvolvida tendo como

pano de fundo as experiências terríveis e contraditórias da república de Weimar, do nazismo, do estalinismo e da guerra fria. Ainda segundo Rusconi, a “teoria crítica” , como costuma ser chamado o conjunto dos trabalhos da Escola de Frankfurt, é uma expressão da crise teórica e política do século XX, refletindo sobre os seus problemas com uma radicalidade sem paralelo. Por isso, os trabalhos de seus pensadores exerceram grande influência, direta em alguns casos, indireta noutros, sobre os movimentos estudantis, sobretudo na Alemanha e nos Estados Unidos, nos fins da década de 60. A história desse grupo de pensadores pode ser iniciada com a fundação do Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, sob direção de Carl Grünberg, que permaneceu no cargo até 1927. Grünberg abria o primeiro número do Arquivo de História do Socialismo e do Movimento Operário (publicação que fundou em 1911), salientando a necessidade de não se estabelecer privilégio especial para esta ou aquela concepção, orientação científica ou opinião de partido. Grünberg estava convencido de que qualquer unidade de pontos de vista entre os colaboradores prejudicaria os fins críticos e intelectuais da própria iniciativa. Posteriormente, já na direção da Revista de Pesquisa Social, ele próprio se consideraria um marxista, mas entendendo essa posição não em seu sentido apenas político-partidário, mas em seu significado científico; o conceito “marxismo” servia-lhe para descrição de um sistema econômico, de uma determinada cosmovisão e de um método de pesquisa bem definido. Essa postura inicial de Grünberg – vinculada a uma “escola” de pensamento, mas ao mesmo tempo entendendo-a em sua dimensão crítica e como perspectiva aberta – constitui, de modo geral, a tônica do pensamento dos elementos do grupo de Frankfurt. Entre os colaboradores da Revista, contam-se figuras muito conhecidas de um público mais amplo, como Herbert Marcuse (1898-1979), autor de Eros e Civilização e O Homem Unidimensional (ou Ideologia da Sociedade Industrial), e Erich Fromm (1900-1980), que se dedicou a estudos de psicologia social, nos quais procura vincular a psicanálise criada por Freud (1856-1939) às idéias marxistas. Outros são menos conhecidos, como Siegfried Kracauer, autor de um clássico estudo sobre o cinema alemão (De Caligari a Hitler), ou Leo Löwenthal, que se dedicou a reflexões estéticas e de sociologia da arte. Ao grupo da Revista pertenceram também Wittfogel, F. Pollock e Grossmann, autores de importantes estudos de economia política.

Os homens e suas obras
Entre todos os elementos vinculados ao grupo de Frankfurt, salientam Tentam-se, por razões d diversas, os nomes de Walter Benjamin, Theodor Wiesengrund-Adorno e Max Horkheimer, aos quais se pode ligar o pensamento de Jürgen Habermas. Esses autores formaram um grupo mais coeso e em suas obras encontra-se um pensamento dotado de maior unidade teórica. Os traços biográficos e o perfil humano de Walter Benjamin são os mais conhecidos entre esses quatro pensadores de Frankfurt; sua morte, quando era ainda relativamente moço (48 anos) e em circunstâncias trágicas, deixou marca indelével entre os amigos, fazendo com que surgissem muitos depoimentos

nas quais sempre exerceu intensa atividade política e cultural entre os colegas. que. escrevendo ainda numerosos ensaios. Seus estudos superiores foram iniciados em 1913 e realizados em várias universidades. Seu pensamento parecia nascer de um impulso de natureza artística. normalmente esperadas de um filósofo. cujo título deveria ser Paris. quase um ano após o começo da Primeira Guerra Mundial. em 1892. um dos maiores expoentes da revolução musical do século XX. projetou uma grande obra de filosofia da história. passou então a dedicar-se à crítica jornalística e a traduções. Homens Alemães. Para Adorno. Outro depoimento que enriquece de significados o perfil intelectual e humano de Walter Benjamin é o de Gerschom Scholem. teve de divorciar-se da esposa e viu ascender o totalitarismo nazista. cidade onde fez seus primeiros estudos e em cuja universidade se graduou em filosofia. recorrendo ao disfarce de pseudônimos. seus interesses eram freqüentemente contraditórios e sua conduta oscilava entre a intransigência quase ríspida e a polidez oriental. ainda conseguiu publicar alguns trabalhos menores. em Frankfurt.sobre sua vida e sobre sua personalidade. Essa maneira de ser aparentava mais o temperamento vibrante de um artista do que a tranqüilidade e a frieza racional. Em 1935. Walter Benjamin nasceu em Berlim. escreveu o ensaio A Situação Social da Música. O Narrador. tema de inúmeros outros estudos: Sobre o Jazz (1936). Finalmente veio a falecer na fronteira entre Espanha e França. fez uma das mais perfeitas traduções em língua alemã que se conhece: À Procura do Tempo Perdido. casou-se e passou a viver em Berna (Suíça). quando a universidade de Frankfurt recusou sua tese: As Origens da Tragédia Barroca na Alemanha. A década de 1930 trouxe-lhe outros infortúnios: seus pais faleceram. transformado em teoria como diz ainda Adorno “libertase da aparência e adquire incomparável dignidade: a promessa de felicidade”. e relata que nessa época ficou impressionado com a profunda sensação de melancolia de que o amigo parecia estar permanentemente possuído. Theodor Wiesengrund-Adorno nasceu em 1903. Walter Benjamin viu truncadas suas esperanças de uma carreira universitária. Alguns Temas Baudelairianos. Em 1928. Capital do Século XIX e que ficou incompleta. Nessa época. seu companheiro desde a juventude: Scholem o conheceu na primavera de 1915. estudou composição musical com AIban Berg (1885-1935). em circunstâncias dramáticas. onde os dirigentes emigrados do Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt receberam-no como um dos seus colaboradores e deramlhe condições para escrever alguns de seus mais importantes trabalhos: A Obra de Arte na Época de suas Técnicas de Reprodução. Walter Benjamin era a personalidade mais enigmática do grupo. Sob a ditadura de Hitler. Em Viena. Além disso. de ascendência israelita. Em 1932. publicou uma tradução dos Quadros Parisienses de Baudelaire (1821-1867) e no ano seguinte o poeta e dramaturgo Hugo Von Hofmannsthal (1874-1929) o convidou para publicar na revista que dirigia (Novas Contribuições Alemãs) seu primeiro grande ensaio: As “Afinidades Eletivas” de Goethe. de Proust (1871-1922). Em 1917. Sobre o Caráter Fetichista da Música e a . em cuja universidade apresentou uma dissertação acadêmica intitulada O Conceito de Crítica de Arte no Romantismo Alemão. Em 1921. Para assegurar a sobrevivência. foi obrigado a refugiar-se em Paris.

Materialismo e Metafísica (1930). . Sobre a Polêmica _ do Racionalismo na Filosofia Atual (1934). tornou-se professor em Frankfurt. Entre outras obras publicada ficadas por Adorno. O Problema da Verdade (1935). Max Horkheimer. Ensaios de Literatura I. al i permanecendo até 193 7. Adorno foi obrigado a refugiar-se na Inglaterra. Entre os mais importantes contam-se: Inícios da Filosofia Burguesa da História (1930). Esta obra foi publicada em 1950. passando a lecionar na Universidade de Colúmbia. quando teve de se refugiar. Materialismo e Moral (1933). Dissonâncias (1956). onde escreveria. Dialética Negativa (1966). II e III (1958 a 1965). Em 1933. com a tomada do poder pelos nazistas. Nesse ano transferiu-se.Estudos Sobre Husserl e as Antinomias Fenomenológicas (1956). o principal diretor da Revista de Pesquisa Social desde o afastamento de Grünberg nos fins da década de 20. onde permaneceu até 1934. Horkheimer permaneceu até 1949. a 14 de fevereiro de 1895 e faleceu em Nuremberg. nasceu em Stuttgart. a obra Dialética do Iluminismo (1947). em colaboração com Horkheimer. Em 1930. O Último Ataque à Metafísica (193 7) e Teoria Tradicional e Teoria Crítica (1937). ocorrida em 1969.Regressão da Audição (1938). transferiu-se para os Estados Unidos. Foi também nos Estados Unidos que Adorno realizou. sal Tentam-se ainda Para a Metacrítica da Teoria do Conhecimento . Nesse ano. para os Estados Unidos. em colaboração com outros pesquisadores. Nos Estados Unidos. Teoria Estética (1968) e Três Estudos Sobre Hegel (1969). ano em que pôde regressar a Frankfurt e reorganizar o Instituto de Pesquisas Sociais. onde passou a lecionar na Universidade Oxford. A maior parte dos escritos de Horkheimer encontra-se nas páginas da Revista de Pesquisa Social. antes de sua morte. com Adorno. como os demais companheiros. Fragmentos Sobre Wagner (1939) e Sobre Música Popular (1940-1941). Um Novo Conceito de Ideologia (1930). ano em que Adorno pôde regressar à terra natal e reorganizar o Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt. a 9 de julho de 1973. um estudo considerado posteriormente como um modelo de sociologia empírica: A Personalidade Autoritária.

transferiu-se para Nova York. intitulado O Absoluto e a História. chegando-se a compor um quadro de suas principais idéias. Nascido em 1929. salientar alguns de seus temas. Em 1968. De Walter Benjamin. no entanto. juntamente com trabalhos de outros autores. Pode-se. Reflexões Sobre o Conceito de Participação Pública (publicado em 1961. Técnica e Ciência como Ideologia (1968). Lógica das Ciências Sociais (1967). Teoria e Práxis (1963). em Gummersbach. com um trabalho sobre Schelling (1775-1854). passando a lecionar na New Yorker New School for Social Research. Evolução Estrutural da Vida Pública (1962). devem-se destacar reflexões sobre as técnicas ficas de reprodução da obra de arte. Entre suas obras principais. Habermas licenciou-se em 1954. torna difícil a sistematização de seu pensamento. Benjamim: cinema e revolução Os múltiplos interesses dos pensadores de Frankfurt e o fato de não constituírem uma escola no sentido tradicional do termo. e .Jürgen Habermas é considerado um herdeiro direto da escola de Frankfurt. e Conhecimento e Interesse (1968). mas uma postura de análise crítica e uma perspectiva aberta para todos os problemas da cultura do século XX. colaborou estreitamente com Adorno no Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt. De 1956 a 1959. particularmente do cinema. com o título geral de O Estudante e a Política). contam-se Entre a Filosofia e a Ciência .O Marxismo como Crítica (1960).

Se. a aura. fico. a aura de um Macbeth. Para Benjamin. que fazem dela uma coisa para poucos e um objeto de culto. . Com o progresso das técnicas de reprodução. o mesmo não acontece no cinema. em conseqüência. sobretudo do cinema. por outro lado. este priva-se de sua aura. o conceito de “indústria cultural” e a função da obra de arte. Trata-se de uma postura otimista. na medida em que possibilita I outro relacionamento das massas com a arte. mas. Adaptado adequadamente ao proletariado que se prepararia para tomar o poder. de Adorno. Essas dimensões seriam resultantes da estreita relação existente entre as transformações técnicas da sociedade e as modificações da percepção estética. a reciprocidade de ação entre a matéria e o homem. não é raro que os próprios acessórios desempenhem o papel de atores. as idéias sobre a ciência e a técnica como ideologia. de Habermas. no qual a reprodução de uma obra de arte carrega consigo a possibilidade de uma radical mudança qualitativa na relação das massas com a arte. destituiria a obra de arte de seu status de raridade. possibilita a experiência do inconsciente visual. liga-se indissoluvelmente à aura do ator que o representa. dotando-as de um instrumento eficaz de renovação das estruturas sociais. ao substituir o espaço onde o homem age conscientemente por outro onde sua ação é inconsciente. dissolvendo-se nas várias reproduções do original. promovem a liquidação do elemento tradicional da herança cultural. a análise de Benjamin mostra que as técnicas de reprodução das obras de arte. Embora o cinema diz Walter Benjamin exija o uso de toda a personalidade idade viva do homem. que foi objeto de reflexão crítica por parte de Adorno. tal como se encontram formulados em sua “teoria crítica”. provocando a queda da aura. portador de uma extraordinária esperança histórica. do mesmo modo que a prática psicanalítica possibilita a experiência do inconsciente instintivo. os fundamentos epistemológicos da posição filosófica de todo o grupo de Frankfurt. por exemplo. assim. no qual a aura dos intérpretes desaparece com a substituição do público pelo aparelho. e esta. enquanto objetos individualizados e únicos. e. o cinema tornar-se-ia. O ponto central desse estudo encontra-se na análise das causas e conseqüências da destruição da “aura” que envolve as obras de arte. de Horkheimer. A perda da aura e as conseqüências sociais resultantes desse fato são particularmente sensíveis no cinema. tal como essa aura é sentida pelo público. Exibindo. o cinema seria de grande valia para um pensamento materialista. no teatro. Em suma.as conseqüências sociais e políticas resultantes. esse processo contém um germe positivo. Benjamin considera ainda que a natureza vista pelos olhos difere da natureza vista pela câmara. a partir do momento em que a obra fica excluída da atmosfera aristocrática e religiosa. finalmente. a dissolução da aura atinge dimensões sociais. Benjamin tinha seu ensaio A Obra de Arte na Época de suas Técnicas de Reprodução na conta de primeira grande teoria materialista da arte. Na medida em que o ator se torna acessória da cena.

segundo. na medida em que elas não trazem à luz o antagonismo que reside no próprio interior do conceito de “técnica”. Segundo Adorno. pronunciadas em 1962. Por conseguinte. ao aspirar à integração vertical de seus consumidores.Enquanto negócios. não só o cinema. não apenas adapta seus produtos ao consumo das . segundo Adorno. graças. como também o rádio. a indústria cultural. a racionalidade da técnica identifica-se com a racionalidade do próprio domínio. seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada exploração de bens considerados culturais. Tal exploração Adorno chama de “indústria cultural”. ao fato de que as circunstâncias que favorecem tal poder são arquitetadas pelo poder dos economicamente mais fortes sobre a própria sociedade. Os defensores da expressão “cultura de massa” querem dar a entender que se trata de algo como uma cultura surgindo espontaneamente das próprias massas. as técnicas de reprodução sacrificam a distinção entre o caráter da própria obra de arte e do sistema social. de Horkheimer e Adorno. em grande parte. “enquanto desenvolvimento exterior às obras de arte”.Adorno: a indústria cultural Para Adorno. a postura otimista de Benjamin no que diz respeito à função possivelmente revolucionária do cinema desconsidera certos elementos fundamentais. pois esta induz ao engodo que satisfaz os interesses dos detentores dos veículos de comunicação de massa. Este último. explicou que a expressão “indústria cultural” visa a substituir “cultura de massa”. Para Adorno. tal ocorre. Ao visarem à produção em série e à homogeneização. Adorno procura mostrar a falta de sustentação de suas teses. Embora devendo a maior parte de suas reflexões a Benjamin. numa série de conferências radiofônicas. Em decorrência. não devem ser tomados como arte. O conceito de técnica não deve ser pensado de maneira absoluta: ele possui uma origem histórica e pode desaparecer. O termo foi empregado pela primeira vez em 1947. que desviam sua argumentação para conclusões ingênuas. quando da publicação da Dialética do Iluminismo. se a técnica passa a exercer imenso poder sobre a sociedade. que diverge frontalmente dessa interpretação. “O fato de não serem mais que negócios – escreve Adorno – basta-lhes como ideologia”. passou despercebido a Benjamin que a técnica se define em dois níveis: primeiro “enquanto qualquer coisa determinada intraesteticamente” e. Essas considerações evidenciariam que.

tornando-os senhores e liberando o mundo da magia e do mito. Em suma. a indústria cultural contribui eficazmente para falsificar as relações entre os homens. o desejo suscitado ou sugerido pelas imagens. mas. Considerando-se diz Adorno que o iluminismo tem como finalidade libertar os homens do medo. sob o capital capitalismo. o de portadora da ideologia dominante. a indústria cultural cria condições cada vez mais favoráveis para a implantação do seu comércio fraudulento. Esse progresso transformouse em poderoso instrumento utilizado pela indústria cultural para conter o desenvolvimento da consciência das massas. como nas verdadeiras obras de arte. capazes de julgar e de decidir conscientemente”. tudo levaria a crer que o iluminismo instauraria o poder do homem sobre a ciência e sobre a técnica. A indústria cultural traz em seu bojo todos os elementos característicos do mundo industrial moderno e nele exerce um papel específico. oferecer e privar. o homem tornou-se vítima de novo engodo: o progresso da dominação técnica. a indústria cultural reduz a humanidade. prometer e não cumprir. converte-se em conduta masoquista. determina o próprio consumo. como pretendia. e sobre sua felicidade. o desejo divorcia-se de sua realização que. independentes. a diversão é buscada pelos que desejam esquivar-se ao processo de trabalho mecanizado para colocar-se. qual seja. acaba sendo satisfeito com o simples elogio da rotina. e sua cúmplice ice. bem como dos homens com a natureza. a qual outorga sentido a todo o sistema. de tal forma que o resultado final constitui uma espécie de antiiluminismo. A indústria cultural nas palavras do próprio Adorno “impede a formação de indivíduos autônomos. no qual os consumidores são continuamente enganados em relação ao que lhes é prometido mas não cumprido. Para Adorno. Ao expor sempre como novo 0 objeto de desejo (o seio sob o suéter ou o dorso nu do herói desportivo). assim como cada um de seus elementos. e admitindo-se que essa finalidade pode ser atingida por meio da ciência e da tecnologia. Assim. pelo hábito da privação. Exemplo disso encontra-se nas situações eróticas apresentadas pelo cinema. mas o reprime e sufoca. “só se pode escapar ao processo de trabalho na fábrica e na oficina. novamente. Mas ao invés disso. O suposto conteúdo não é mais que uma pálida fachada: o que realmente lhe é dado é a sucessão automática de operações reguladas. ou seja. Interessada nos homens apenas enquanto consumidores ou empregados. Não conseguindo. Nelas. determinando tão completamente a fabricação dos produtos para a distração. em larga medida. às condições que representam seus interesses. liberto do medo mágico. durante o tempo livre. em suas formas mais avançadas. em seu conjunto. diz Adorno. adequando-se a ele no ócio”. de tal modo que. a diversão e o lazer tornam-se um prolongamento do trabalho. em condições de se submeterem a ele. AI fada à ideologia capital capitalista. que o homem não tem acesso senão a cópias e reproduções do próprio trabalho. escapar a esta última. A mecanização conquistou tamanho poder sobre o homem. Tolhendo a consciência das massas e instaurando o poder da mecanização sobre o homem. sufocada e transformada em negação. ao invés de encontrar uma satisfação correspondente à promessa nelas envolvida. são um . a indústria cultural não faz mais que excitar o prazer preliminar não sublimado que. converte o próprio desejo em privação: A indústria cultural não sublima o instinto sexual. O próprio ócio do homem é utilizado pela indústria cultural com o fito de mecanizá-lo.massas.

Tal advertência evidencia como a indústria cultural administra o mundo social. jamais. Adorno não desemboca numa visão inteiramente pessimista. todas as tentativas de liberação estão condenadas ao fracasso. como diz Max Jiménez i Jiménez. e sabiamente controlado pela indústria cultural. a advertência precisa de que não se deve. o argumento de que contra a totalidade bárbara não surtem efeito senão os meios bárbaros. Esse tema aparece desenvolvido em sua última obra. ele é apenas e tão-somente um objeto daquela indústria. mas que ele não podia deixar de olhar e denominar”.único e mesmo ato da indústria cultural. além de configurar-se como um universo de “coisas”. Criando “necessidades” ao consumidor (que deve contentar-se com o que lhe é oferecido). Adorno responde que. atinge-se um valor limite. comentador de Adorno. conclui Adorno. Tal dominação. Contudo. o universo social. embora plausível para muitos. A seus detratores. na verdade não releva que. Desse modo. e procura mostrar que é possível encontrar-se uma via de salvação. a indústria cultural organiza-se para que ele compreenda sua condição de mero consumidor. instaura-se a dominação natural e ideológica. constituiria um espaço hermeticamente fechado. une “à alusão e à excitação. esquivando-se assim da práxis política. Recomendado: Dialética do Esclarecimento THEODOR WIESENGRUND ADORNO MAX HORKHEIMER A obra de arte e a práxis Em Teoria Estética nas palavras do comentador Kothe “Adorno oscila entre negar a possibilidade de produzir arte depois de Auschwitz e buscar nela refúgio ante um mundo que o chocava. apesar disso. A situação erótica. Nele. ou seja. Essa postura foi extremamente criticada pelos movimentos de contestação radical. que o acusavam de buscar refúgio na pura teoria ou na criação artística. A violência . Nesse sentido. intitulada Teoria Estética. tem sua mola motora no desejo de posse constantemente renovado pelo progresso técnico e científico. chegar a esse ponto”.

preocupar-se com o desenvolvimento concreto do pensamento. Horkheimer delineia seus traços principais. cujas antinomias e antagonismos nela reaparecem como problemas internos de sua forma. mas como indicações para investigações ulteriores. Criticando a práxis brutal da sobrevivência. por um lado. não pretender qualquer visão concludente da totalidade e. mas reflete esse materialismo segundo a óptica dos momentos subjetivos e objetivos que devem entrar na interpretação desses autores. da expressão “materialismo” Horkheimer não repete ou transcreve simplesmente o material codificado nas obras de Marx e Engels. Por outro lado. nos mais diversos contextos. apresenta-se. Para Horkheimer. inextricavelmente imbricada naquilo que deveria ser modificado: “ou a humanidade renuncia à violência da lei de talião. Ela é aparência por sua diferença em relação à realidade.que há cinqüenta anos podia parecer legítima àqueles que nutrissem a esperança abstrata e a ilusão de uma transformação total está. a obra de arte. o típico da teoria marxista é. para Adorno. ou a pretendida práxis política radical renova o terror do passado”. por outro. obra e público. afirmando-se como ente autônomo. socialmente. após a experiência do nazismo e do horror stalinista. pelo caráter aparente da realidade que pretende retratar. Por teoria tradicional Horkheimer entende uma certa concepção de ciência resultante do longo processo de desenvolvimento que remonta ao . Desse modo. a arte é até mesmo aparência de si própria na medida em que pretende ser o que não pode ser: algo perfeito num mundo imperfeito. que se constitui como aparência. entre autor. por se apresentar como um ente definitivo. as categorias marxistas não são entendidas como conceitos definitivos. a obra adquire prioridade epistemológica. Esse duplo caráter vinculase à própria natureza desdobrada da arte. pelo caráter aparente do espírito do qual ela é uma manifestação. Horkeimer: ciência e totalitarismo A expressão “teoria crítica” é empregada para designar o conjunto das concepções da Escola de Frankfurt. como antítese da sociedade. tomando como ponto de partida o marxismo e opondo-se àquilo que ele designa pela expressão “teoria tradicional”. Quando se vale. quando na verdade é algo feito e tornado como é. cujos resultados retroajam sobre elas próprias.

acaba por se tornar mais abstrata. por exemplo. Por outro lado. “pré-formados socialmente de dois modos: . assim. Horkheimer admite a legitimidade e a validez de tal concepção. dando relevância social à ciência. realiza-se desvinculado dos demais. exatamente porque pretende o maior rigor para que seus resultados alcancem a maior aplicabilidade prática. Para Horkheimer. Descartes – diz Horkheimer – fundamentou o ideal de ciência como sistema dedutivo. A teoria crítica ultrapassa. pretende ultrapassar tal subjetivismo. Esta. Estas formariam os princípios gerais que tornariam mais completa a teoria. dentro dos moldes da teoria tradicional. Nasce assim a aparência ideológica de uma autonomia dos processos de trabalho. E esta atribui maior relevo a determinados i nados aspectos dos dados. sua aplicabilidade prática é muito vasta. a teoria tradicional encontrou amplas justificativas para um tal tipo de ciência no fato de que os sistemas assim construído construídos são extremamente aptos à utilização operativa. A teoria crítica. não conclui que o conhecimento deva ser pragmático. o subjetivismo e o realismo da concepção positivista. vistos pelos positivistas como possuidores de um valor irredutível. das situações reais nas quais a ciência é usada e dos escopos para os quais é usada. segundo a qual a verificação prática de uma idéia e sua verdade não são coisas idênticas. ao contrário. ao paradoxo de que a ciência tradicional. transformando-se em puro sistema matemático de signos. O pensamento cientificista contenta-se com a organização da experiência. isto é. Chega-se. Os fatos sensíveis. Em outros termos. permanecendo alheio à conexão global dos setores da produção. ao contrário. quanto menor fosse seu número. no qual todas as proposições referentes a determinado campo deveriam ser ligadas de tal modo que a maior parte delas pudesse ser derivada de algumas poucas. muito mais estranha à realidade (enquanto conexão mediatizada da práxis global de uma época) do que a teoria crítica. mesmo quando os positivistas atribuem maior peso aos dados. são. em “força produtiva imediata”. a qual se dá sobre a base de determinadas atuações sociais. em detrimento mento de outros. cuja direção deve ser deduzida da natureza interna de seu objeto. Por outro lado. visando a descobrir o conteúdo cognoscitivo da práxis histórica. a teoria tradicional não se ocupa da gênese social dos problemas. A exigência fundamental dos sistemas teóricos construídos dessa maneira seria a de que todos os elementos assim ligados o fossem de modo direto e não contraditório. apresenta-se nitidamente quando os positivistas conferem preponderância explícita ao método. reconhecendo o quanto ela contribuiu para o controle técnico da natureza.Discurso do Método de Descartes (1596-1650). mas o que estas significam para o todo social não entra nas categorias da “teoria tradicional”. o trabalho do especialista. assim. para Horkheimer. O subjetivismo. desprezando os dados em favor de uma estrutura anterior que os enquadraria. Mas o reverso da moeda é negativo. favorece a reflexão autônoma. como diz Marx. segundo Horkheimer. expressão mais acabada da teoria tradicional. transformando-se. esses acabam sendo selecionados pela metodologia utilizada I utilizada.

contanto que funcione. os conceitos são considerados como meras abreviaturas de muitas coisas singulares. político. A teoria justa. e construir-se em nome do futuro revolucionário para o qual trabalha. vivendo sob condições determinadas e que conservam sua própria vida com a ajuda dos instrumentos de trabalho”. Desse ponto de vista. Habermas: tecnicismo e ideologia Jürgen Habermas desenvolve sua teoria no mesmo sentido de Horkheimer. sobretudo os aspectos políticos nele envolvidos. ele afirma que o positivismo caracteriza-se por conceber um tipo de razão subjetiva. Nessa conferência. é exame teórico e crítico da ideologia. a teoria crítica não está anunciando sua visão do mundo. e a qualquer custo. Outros elementos de crítica ao positivismo. a razão desembaraça-se da reflexão sobre os fins e torna-se incapaz de dizer que um sistema político ou econômico é irracional. em 1951. e destes com a natureza.pelo caráter histórico de objeto percebido e pelo caráter histórico do órgão que percebe”. Por cruel e despótico que ele possa ser. Horkheimer não visa suprimir a discórdia entre razão subjetiva e objetiva através de um processo puramente teórico. formal e instrumental. a práxis histórica. Para ele. mas exemplificados ficados abstrata e sumariamente. Para Habermas. a teoria deve ser crítica. ou seja. a razão positivista o aceita e não deixa ao homem outra escolha a não ser a resignação. Ao tentar superar a razão formal positivista. o tecnicismo. A “razão polêmica” de Horkheimer. ao contrário escreve Horkheimer. mas também crítica revolucionária do presente. ou seja. já não são subjugados mediante um duro trabalho concreto. Essa dissociação somente desaparecerá quando as relações entre os seres humanos. O projeto filosófico de Habermas pode ser sintetizado em termos de uma crítica do positivismo e. mas servem apenas para a organização de um material do saber para aqueles que podem dispor habitualmente dele. encontram-se em uma conferência de Horkheimer. o saber científico e a . Ao considerar que a existência social age como determinante da consciência. como ficções destinadas a melhor sujeitá-las. com o título Sobre o Conceito de Razão. os conceitos não mais expressam. da ideologia dele resultante. através daquilo que se poderia chamar um decreto filosófico. vierem á configurar-se de maneira diversa da que se instaura na dominação. Dentro dessas coordenadas. a teoria crítica de Horkheimer pretende que os homens protestem contra a aceitação resignada da ordem total totalitária. cujo único critério de verdade é seu valor operativo. qualidades das coisas. seu papel na dominação do homem e da natureza. ou seja. assim. sobretudo. A união das duas razões exige o trabalho da totalidade social. como tais. Em suma. mas diagnosticando uma situação que deveria ser superada. “nasce da consideração dos homens de tempos em tempos. ao se opor à razão instrumental e subjetiva dos positivistas. não evidencia somente uma divergência de ordem teórica. engajada nas lutas políticas do presente. o tecnicismo é a ideologia que consiste na tentativa de fazer funcionar na prática. teórico e político.

passa a ser a conotação da técnica. nesse contexto ela não é mais que uma especial idade entre outras. subordinando todas as demais: Para Habermas. no seio da instituição universitária. retroage sobre ela. devido a seus refinamentos teóricos. determinando seus rumos. colocando-se “junto às ciências” e afastada das preocupações de um público leigo. Para ele. empreendida por Habermas. onde a Secretaria de Defesa e a NASA são os mais importantes comanditários em matéria de pesquisa científica. graças a seu saber daquilo que ocorre num mundo não vivido de abstrações e de deduções. Nesse complexo. de duas faces da mesma e ilusória moeda ideológica: tanto um. não seriam mais que “manchas turvas no horizonte da racionalidade”. ciência e técnica tornam-se a primeira fora produtiva. em nenhum caso a filosofia poderia ser propriamente uma ciência exata. Essa vinculação.técnica que dele possa resultar. mas também econômico-político . Nesse sentido. e as pretensões que ela pode (e poderá) manifestar nesse sentido não fazem senão testemunhar sua contaminação pelo objetivismo positivista das ciências. por suposição ocorreria algo análogo). pois esta. é inseparável de sua luta contra o objetivismo tecnocrático. Contra a ilusão da teoria pura. pode-se falar de um imbricamento entre ciência e técnica. mostra Habermas. Nesse sentido. Assim. Habermas procura trazer à tona as raízes antropológicas da prática teóricocientífica e evidenciar os interesses. não apenas técnico-científico. que estão no princípio do conhecimento. dirigindo e modificando 0 mundo no qual os homens possuem. Desse modo. O positivismo e o tecnicismo não passam. A crítica do positivismo científico e filosófico. . adquiriram imensa e crescente potência (. o processo de mútua vinculação entre ciência e técnica amplia-se tornando-se um processo generalizado de realimentação recíproca que Habermas compara a um sistema de vasos comunicantes. Na medida em que se considera o complexo militar industrial. “são os cientistas e os técnicos que. particularmente do conhecimento científico. o privilégio e a obrigação de viverem”. esse contexto. tem-se como conseqüência um novo complexo que poderia ser referido como complexo ciência-técnica-indústria-exércitoadministração.). No plano da filosofia social. como outro. simultaneamente.. é particularmente sensível nos Estados Unidos (na URSS. e na medida em que se releva aquela comandita. particularmente observável nos Estados Unidos. Habermas critica o objetivismo ontológico e contemplativo da filosofia teórica tradicional.. para ele. embora dependa da primeira. o autor ataca a ilusão objetivista das ciências.

Estudos com Martin Heidegger levaram-no ao doutorado em filosofia em 1927. e a "indústria cultural" dos países capitalistas pelo outro lado. já reconciliado na vida acadêmica (formou-se em filosofia por Berlim e Friburgo). Também desta época são as concepções com as quais estes pensadores (mais tarde Adorno e Horkheimer serão conhecidos como líderes do “grupo de Frankfurt”. em 1925. De sua juventude sabemos que participou em 1918 do movimento revolucionário spartakista. transformar-se-ia em 1932 num erudito livro sobre Hegel e a história: A ontologia de Hegel e o fundamento de uma teoria da historicidade. sendo de origem judaica. o aniquilamento da Razão – e por Razão entende Marcuse o sentido hegeliano deste conceito. e com a equipe que constituía o centro da intelligentzia alemã exilada nos Estados Unidos por causa de Hitler: o “Institut Für SozialForschung”. Com a ascensão do nazismo. o “Instituto de Pesquisas Sociais”. os movimentos repressivos das liberdades individuais. ampliada. o proletariado se perdeu ao permitir o surgimento de sistemas totalitário como o nazismo e o stalinismo por um lado. Para os membros do grupo de Frankfurt. com uma tese sobre Hegel. por ser esta cidade aquela onde. a possibilidade do homem desenvolver inteira e livremente suas potencialidades. um levantamento bibliográfico sobre Schiller. ao lado dos sociólogos. e o fenômeno que melhor conhecemos como "cultura de massa". termo criado por Adorno e Horkheimer em seu livro de 1947. publicou seu primeiro trabalho. o que lhe valeu ser feito assistente de Heidegger. cessada a guerra. foge Marcuse em 1933 para Genebra. Desta época deixou-nos Marcuse enorme quantidade de ensaios que apresentam os germens das teses a serem desenvolvidas nos livros de sua maturidade: a preocupação com o desenvolvimento incontrolado da tecnologia. Começa então um longo período de pesquisas com estes dois. e em 1934 se instala nos Estados Unidos. a grande influência filosófica em seu pensamento. também neo-hegelianos. Max Horkheimer e Theodor Wiesengrund Adorno. .Herbert Marcuse Herbert Marcuse nasceu em Berlim em agosto de 1898. Esta tese. A "indústria cultural". a Dialética do Iluminismo. o racionalismo dominante nas sociedades modernas. Quais são essas potencialidades? É esta pergunta objeto também das pesquisas dos pensadores no "Instituto de Pesquisas Sociais". eles voltam a ensinar na Europa) abalam uma das teses fundamentais do marxismo: a revolução como responsabilidade histórica do proletariado.

Durante a segunda grande guerra ocupa Marcuse uma posição no Departamento de Estado americano (mais precisamente. Dutschke. o pensador desmascara o sistema soviético. o nome do professor ganha rapidamente projeção internacional. Mas a imagem que mais freqüentemente dele aparece na imprensa é a de um velho tranqüilo de roupa informal conversando amigavelmente com seus alunos. Devido a esta ligação de Dutschke com Marcuse. as emprêsas Springer. as minorias raciais. Serão publicados na década de 50 dois de seus mais importantes livros. Em junho de 1968 Marcuse volta à Alemanha para um debate com os estudantes que estavam amotinando Berlim. de Homem Unidimensional (o título português deste livro é Ideologia da Sociedade Industrial. Nesta conhece Rudi Dutschke. líder estudantil alemão que muito se chega ao velho professor. Tornando-se uma figura carismática malgré lui.) Em Homem Unidimensional Marcuse ataca violentamente todas as características repressivas e irracionais do estado pós-industrial moderno. formado em sociologia. Não e um encontro fácil. Marcuse prefere não acompanhá-los. nem sua filosofia. Os testemunhos que temos não desmentem essa imagem. As Idéias de Marcuse . chamando-o "asqueroso cão comunista". no segundo. projeção acentuada pela revolta francesa do mês de maio. para um curso na Universidade Livre de Berlim. ficando como professor de Ciência Política na Universidade Brandeis. que acusavam Dutschke de "baderneiro" e "irresponsável") . foi de 1942 a 1950 chefe de seção nesta secretaria de governo dos Estados Unidos). Quando em 1950 Theodor Adorno e Max Horkheimer voltam para a Alemanha. sempre na cadeira de Filosofia e Ciência Política. A Ku Klux-Klan ameaça-o de morte. fama que se incentiva quando da publicação. e o velho filósofo sai do anfiteatro da Universidade Livre de Berlim debaixo de aplausos e vaias violentos. fundamentará suas lutas sobre as idéias de Marcuse. em 1964. os miseráveis que o bem-estar geral não conseguiu incorporar. o “Welfare State”. o Estado do Bem-Estar Social considerado por ele como o “Warfare State” – o Estado Beligerante. Em 1967 volta Marcuse á Europa. O caos provocado na Alemanha pelo movimento de Dutschke é tão grande que em inícios de 1968 este sofre um atentado a bala. Estas obras trazem uma certa fama para Marcuse. deixando-o moribundo por várias semanas (o atentado foi precedido por uma violenta campanha da imprensa dirigida pelo truste alemão dos jornais. Marcuse passa agora a lecionar na Universidade da Califórnia. mostrando de que manei ra está o totalitarismo russo afastado das concepções humanísticas de Marx. os outsiders. desenrolam-se em torno de seu nome os mais estranhos incidentes. Nos Estados Unidos. No primeiro tenta Marcuse mostrar que o homem pode ser feliz. o Eros e Civilização e o Marxismo Soviético.Quem substitui os proletários? Aqueles cuja ascensão a sociedade moderna de modo algum permite.

Não se pode compreender a “possibilidade” longe do conceito de “necessidade”. É muito fácil compreender como a falta de dinheiro representa um bloqueio falso. e que nem sempre me possibilitam morar satisfatoriamente. particularmente num de seus textos menos lidos e ainda menos compreendidos. em outras condições. Como pensador. a tendência das sociedades modernas à administração total. mas apesar disso. Onde se encontram. hegeliano. o dinheiro. portanto. Ao mesmo tempo. Grandes dificuldades bloqueiam nosso acesso ao pensamento hegeliano. como dissemos. a moeda. essa também se dissolve. como toda a intelectualidade alemã se estava então entusiasmando. ou seja. muito discutíveis. Da segunda vez o supérfluo era cortado do texto. como uma falsa necessidade. mas certas convenções sociais. Na realidade posso ter o apartamento. Aos vinte anos. veio o filósofo morrer em 1831 em posição de reconhecimento oficial (de 1829 a 1830 tinha sido Hegel reitor da Universidade de Berlim). O apartamento é um símbolo de status social. com a Revolução Francesa. minhas necessidades e minhas possibilidades? Como compreenderemos o que e Razão? Marcuse muito se preocupa com este problema ao longo de toda a sua obra. a idéia de “Razão” e a idéia de “Negatividade”. à planificação de todos os setores da vida tem sua origem no mercantilismo burguês. e pouco acessível. Para haver comércio e preciso haver dinheiro. pôde Hegel entusiasmar-se. o nacionalismo. Para Marcuse. estudante em Tübingen. então. Verdade ou não. pouco a . A minha necessidade se revela. A Razão. Como vê Marcuse a vida nas sociedades industriais modernas? Um fantasma atravessa estas sociedades: o nacionalismo. esclarecendo o assunto. o fato é que de Hegel descendem correntes filosóficas as mais conflitantes. antitese e síntese é uma máscara sobre o que este conceito representava mesmo para Hegel). e a medida de minha possibilidade é o dinheiro que me falta. a dialética sob forma triádica: tese. se me interrogo a respeito da minha necessidade face ao apartamento. O que necessitamos? A necessidade nos dirige a certos objetos cuja falta sentimos. Marcuse toma em Hegel duas noções capitais. Essa quantificação manifestando-se nas relações interpessoais do homem atingirá. radicalmente dialético e crítico: a crítica ao modo de vida atual significa a manifestação de um dos lados daquela negatividade que Marcuse identificará como sendo o núcleo da dialética em Hegel (para Marcuse. Se quero um apartamento mas não tenho dinheiro para comprá-lo. A possibilidade mede o raio de nosso alcance face a tais objetos. Marcuse é. como antes dele para Adorno e Horkheimer.Herbert Marcuse é um legítimo pensador alemão. e preciso que todas as coisas sejam reduzidas a uma medida comum. Diz-se que o filósofo escrevia seus livros duas vezes: da primeira todas as coisas eram ditas. ou resultado de certas convenções visando ao gosto que seriam. é a faculdade humana que se manifesta no uso completo feito pelo homem de suas possibilidades. O centro de sua filosofia é Hegel. acima de tudo. à tecnocracia burra. ficando este denso. que respeito de modo mais ou menos acrítico. o objeto de minha necessidade é o apartamento. particularmente nos últimos tempos: os “Fundamentos da Crítica à Economia Política”. á satisfação de meu desejo. A vida de Hegel é bastante tumultuada. sempre polêmica. Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em Stuttgart em 1770. assim como o bloqueio pela falta de dinheiro das minhas possibilidades era um bloqueio falso. para Georg Lukács e mesmo para Marx. fictício. me impedem de possuí-lo.

da "precisão" de resultados que as modernas técnicas nos oferecem é compreendida por todos os pensadores acima citados como resultando em última análise da extensão do comércio a todos os setores da vida humana. segundo Marx na sua obra referida. E.separável de determinadas situações sociais. A descida para o concreto se faz na Ideologia da Sociedade Industrial.contém seu rompimento. age repressivamente para evitar este avanço extremo. a infelicidade é um fenômeno in. e tenta ao mesmo tempo esboçar o caminho que poderá nos afastar dele.pouco. por um aspecto. os Fundamentos. o homem poderia ser feliz. Será este princípio superável? Como superá-lo? Para Marcuse. Assim sendo. a contestação da sociedade pelos marginais que a sociedade desprezou ou não conseguiu beneficiar. isto é. segundo Marx e Marcuse.F. o princípio da realidade resulta de condições históricas específicas. Será este reprimido? Marcuse espera que não. sentindo. Quais são estes efeitos? O problema da sociedade moderna é a invasão da mentalidade mercantilista e quantificadora a todos os domínios do pensamento. O que faz o homem infeliz é que o mundo bloqueia a realização de seus desejos. todas as regiões da vida humana. Neste livro Marcuse repete a crítica ao racionalismo (irracional. Mas Eros e Civilização ainda se encontra numa região mais ou menos metafísica do pensamento. que sua base a tecnologia . Esta oposição do mundo a nós foi chamada por Freud “princípio da realidade”. MATOS . Escola de Frankfurt: Luzes e Sombras do Iluminismo OLGARIA C. que deverá ter. Em Eros e Civilização Marcuse nos mostrará que o homem guarda lembranças profundas de uma possibilidade da felicidade. e também esperamos nós. Marcuse a encontra em Marx. lembrança presente nos mitos de Orfeu e Narciso. quando atingirmos a situação social correta. A crítica ao nacionalismo. ligado de modo íntimo aos processos de alienação do homem. A apologia que hoje em dia se faz do “rigor” das ciências. Eros e Civilização tenta provar essa tese. E o Marcuse freudiano? Em Freud Marcuse encontra a possibilidade do homem ser feliz. portanto. efeitos revolucionários. A sociedade moderna. com o desenvolvimento extremo da tecnologia “a forma de produção assente no valor de troca sucumbirá”. O caminho será. pois não fundado na verdadeira Razão) da sociedade moderna. Essa mentalidade se representa economicamente pelo valor de troca. Será por outro aspecto o desenvolvimento extremo da tecnologia. Quando será? No “Império da Razão”.

Adorno conhece Max Horkheimer. 1936 – Benjamin publica em francês A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica. 1939 – Publica Fragmentos sobre Wagner. 1933 – O Instituto de Pesquisas Sociais transfere-se para Genebra. 1918 – Benjamin gradua-se na Universidade de Berna com a dissertação sobre a Noção de Crítica de Arte no Primeiro Romantismo. ao qual se liga por profunda amizade. 1914 – Tem início a Primeira Guerra Mundial. nasce Walter Benjamin. Horkheimer. / Paz e Terra – Rio de Janeiro. No mesmo ano. 1929 – Nasce Jürgen Habermas. 1938 – Adorno viaja para os Estados Unidos. . 1921 . Adorno Consultoria Paulo Eduardo Arantes . Eclode a Segunda Guerra Mundial. 1940 – Benjamin suicida-se. 1974 Os Pensadores . 1928 – Benjamin vê rejeitada sua tese sobre As Origens da Tragédia Barroca na Alemanha.Benjamin. Guanabara.Bibliografia: Marcuse. Vida e Obra – Francisco Antônio Doria – José Álvaro Editor S. são publicadas suas Teses sobre a Filosofia da História. Abril Cultural CRONOLOGIA 1892 – Em Berlim. Habermas.Ed. 1924 – Fundação do Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt.A.

Estudos sobre Husserl e as Antinomias Fenomenológicas. 1966 . Horkheimer pronuncia conferências Sobre o Conceito 1954 – Habermas I licencia-se com uma tese sobre Schelling: O Absoluto I e a História. 1958 – 1965 – Publica os Ensaios de Literatura I. Habermas publica Técnica e Ciência como “Ideologia”. tese de doutoramento de Habermas. 1956 – Adorno publica Para a Metacrítica da Teoria do Conhecimento – Estudos sobre Husserl e as Antinomias Fenomenológicas. 1959 – Habermas colabora com Adorno. II e III. na Alemanha. 1973 . e transfere-se para Nova York.Adorno publica a Dialética Negativa.A 6 de agosto. . 1962 . com 66 anos. 1961 Inicia a Teoria Estética.A 9 de julho. de Benjamin.Publicação de Evolução Estrutural da Vida Pública. morre Max Horkheimer. 1950 – Reorganização do Instituto de Pesquisas Sociais. falece Theodor Wiesengrund-Adorno. 1956 – Adorno publica Para a Metacrítica da Teoria do Conhecimento . 1969 .1947 – Adorno e Horkheimer empregam pela primeira vez o termo indústria cultural. com 78 anos de idade. 1963 Habermas publica Teoria e Práxis. 1955 – Publicação do original alemão de A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica. 1968 . 1951 – de Razão. Adorno publica seu estudo sobre a Personalidade Autoritária.Conclui a primeira versão da Teoria Estética.

by Douglas Kellner . Em inglês. O Que é a Escola de Frankfurt .Como diz. uma introdução aos teóricos e ao pensamento da Escola de Frankfurt.Theorists and Critics . Teoria Crítica e Educação .Links Úteis: Herbert Marcuse .Com vasto acervo sobre o Autor. com ênfase a "One-Dimensional Man". em inglês. mas com um projeto sólido e coerente! .Uma biografia interessantíssima. Em português. Herbert Marcuse.Fundamentos da Teoria Crítica e breves biografias dos principais epígonos. publicado em português sob o título "Ideologia da Sociedade Industrial" The Herbert Marcuse Internet Archive .Vários trabalhos em inglês. Introdution to The Frankfurt School .Em elaboração. sempre em inglês.

A Teoria Crítica realiza uma incorporação do pensamento de filósofos "tradicionais". Como todos os intelectuais da Escola de Frankfurt. filho de um industrial Mortitz Horkheimer -. Horheimer associou-se em 1923 à criação do Instituto para a Pesquisa Social. Principais Filósofos da Escola de Frankfurt Max Horkheimer Max Horkheimer nasceu em 1885. O órgão do Instituto era a publicação chamada Arquivos Grünberg. consolidou o Estado alemão sob a hegemonia da Prússia. Por intermédio de seu amigo Pollock. pôde exercer a função de diretor do Instituto. em 1931 sucedendo o historiador austríaco Carl Grünberg. cogitou-se o nome Instituto para o Marxismo.O que é a Escola de Frankfurt Um Traçado Histórico Em novembro de 1918. era judeu de origem. pro clamou-se a república em um país até então dominado pela família dos Hohenzollern. até o século XX e que conduziu à unificação dos principiados independentes. Fundação da Escola de Frankfurt A Escola de Frankfurt foi fundada em 1924 por iniciativa de Félix Weil. Stuttgard. de 1923 a 1930. na Prússia. e sim da filosofia. foi seu primeiro diretor.que proclamou a república e depôs os Hohenzollern . o que significava predominância do militarismo e da burocracia. era governo. O órgão oficial dessa gestão passou a ser a Revista para a Pesquisa Social. que se associava à Universidade de Frankfurt. e faleceu em 1973. seja pelo fato de seus colaboradores não adotarem o espírito e a letra do pensamento de Marx e do marxismo da época. na ocasião. já com título acadêmico. portanto. e com reservas. que. Horkheimer. No início do século XX a Alemanha assistiu a duas insurreições operárias: a de novembro de 1918 . colocando-os em tensão com o mundo presente. filho de um grande negociante de grãos de trigo na Argentina. Seja pelo anticomunismo reinante nos meios acadêmicos alemães nos anos 1920-1939. A sociedade alemã foi seriamente abalada por esses movimentos. a partir de 1931. com uma modificação importante: a hegemonia era não mais da economia. o Instituto recémfundado preenchia uma lacuna existente na universidade alemã quanto à história do movimento trabalhista e do socialismo. .e a de 1923. Antes dessa denominação tardia (só viria a ser adotada. A Alemanha. em 1871. e ele próprio estava destinado a dar continuidade aos negócios paternos. Carl Grünberg. economista austríaco. cujo poder se ampliou desde sua constituição no século XII. mas optou-se por Instituto para a Pesquisa Social. tornou-se à imagem e semelhança do Reino da Púrssia. levante dos operários de Bremen. Foi Bismarck quem. formando um Estado nacional. do qual foi diretor. sufocados pelo Partido Socialista Alemão. por Horkheimer na década de 1950).

Teoria Crítica Ontem e Hoje -Horkheimer apresenta nesse texto de 1970 as características de sua Teoria Crítica: filosofia e religião. judeu assimilado . filho de pai alemão um próspero negociante de vinhos. descobriu a obra de Kant por intermédio de seu amigo Kracauer.Neste trecho do ensaio de 1933. Adorno torna-se o novo diretor. Estudou filosofia em Berlim e Freiburg. com a aposentadoria de Horkheimer. que viria a se notabilizar com a publicação da obra De Caligari a Hitler. Com o fim da Guerra. Isso porque indica um "princípio de realidade" incompatível com a coerção política e psíquica.Neste texto. Cedo em sua vida intelectual. Foi membro do Partido Sicial-Democráta Alemão entre 1917 e 1918. A Dimensão Estética .Theodor Adorno Theodor Wiesengrund Adorno nasceu em 1903 em Frankfurt. Herbert Marcuse Herbert Marcuse nasceu em Berlim numa família de judeus assimilados. . teologia e revolução devem ser coadjuvantes. Horkheimer mostra a indivisão entre a teoria conceitual e práxis social. sentimentos morais e transformação social. na seqüência da qual deixou o partido. A teoria Crítica reunifica razão pensamento duralista que separa sujeito e objeto de conhecimento. de 1937. fala da nessecidade de reunificar ética e política. onde conheceu os filósofos e professores de filosofia Husserl e Heidegger e se doutorou com a tese "Romance de artista". Adorno é um dos que mais desejam o retorno a Frankfurt.e mãe italiana. sobre as relações entre o cinema e o nazismo. tornando-se diretor-adjunto do Instituto Para Pesquisa Social e seu co-diretor em 1955. especialista em sociologia do conhecimento. HORKHEIMER Materialismo e Moral . Teoria Tradicional e Teoria Crítica .A arte possui um tônus revolucionário especial: não pode mudar a sociedade mas é capas de transformar a consciência daqueles que modificam o mundo. Horkheimer. Adorno vinha de um meio de musicistas e amantes de músicas e logo se orientou para a estética musical. tendo participado de um Conselho de Soldados durante a revolução berlinence de 1919.

O terceiro foi aquele ocupado inteiramente por Nietzsche. sob a liderança de Félix Weil. a Escola de Frankfurt. mais ou menos simultaneamente com o anterior. foi a presença derradeira que se irradiou por campos até então não explorados pelo crivo da crítica no sentido de estudar os tormentos da vida moderna. O segundo. Schelling. poderíamos identificar. indivíduo moderno (cena do filme cinco momentos na história do Dr. Theodor Adorno e Herbert Marcuse. um tanto distante Integrantes do simpósios sobre marxismo. Última representante daquela fase áurea do espírito alemão. fundada em 1924. sendo que as datas de 1850 a 1880 assinalam o período dos seus trabalhos mais significativos. puramente cronológica. filósofos críticos e contestadores como Marx e Nietzsche tiveram enorme ascendência sobre as ciências sociais e sobre as ideologias e partidos que se formaram. independentemente das suas divergências ou aproximações. formada por J. e que se estendeu mais ou menos até 1860. E. Husserl na fenomenologia. Hegel e Schopenhauer. ascensão e queda da Teoria Crítica Nestes cem anos. seus principais expoentes. a Escola de Frankfurt. ocorrida em 1900. Herder. Max Horkheimer. cuja ressonância maior deu-se após sua morte. núcleo fundador da Escola (1923) .Leia mais » A Escola de Frankfurt. expoentes do materialismo filosófico. angustia e neurose do a partir do final do século XVIII.Caligari que serve como tema da moderno pensamento alemão: o Escola de Frankfurt) primeiro deles foi o dominado pelo "idealismo clássico". tendo ainda como "companheiro de viagem". N. Tratou-se da época dos três H's. Heidegger no existencialismo. dominou grande parte do cenário » Principais autores e títulos da intelectual ocidental entre 1850 e 1950. Seguiu-se-lhes então. período que Escola de Frankfurt correspondeu a formação do moderno estado germânico (II Reich – República de Weimar – III Reich) e sua transformação numa das potências mundiais. seja qual for a tonalidade alemã ideológica que assumiu. Fichte. Os começos da Escola de Frankfurt Num quinto momento. ascensão e queda da Teoria Crítica » O fracasso da revolução O pensamento alemão. que teve em Kant. Indústria. secundado por seu companheiro Friedrich Engels. A Escola de Frankfurt. já no século XX. até que duas guerras mundiais o destruíram. estruturou-se a Frankfurt Schule. um quarto momento caracterizado pelo ecletismo e que lançou sua influência sobre a maior parte do pensamento filosófico contemporâneo. cuja cabeça principal foi a de Karl Marx. Uma cronologia da filosofia alemã Numa classificação livre. Hartmann na ontologia e por M. foi basicamente um pensamento no exílio.

foram contemporâneos da primeira tentativa de implantação de uma sociedade democrática na Alemanha: a República de Weimar (1918-1933). Poucos grêmios de intelectuais tiveram uma vida tão acidentada mas também tão rica e diversa como a dos seus integrantes. num cenário internacional turbulento e extremamente agitado provocado pela eclosão da Revolução Russa de 1917. Karl Wittfogel. quando. Félix Weil. assistiram a assombrosa e rápida nazificação do país. em 1920. Karl Korsh e Victor Sorge. como foi o caso de Horkheimer. só o fizeram depois de vinte anos de exílio. entre perplexos e atemorizados. Adorno e Pollock.deles. Ela seria uma espécie de anexo da Universidade de Frankfurt ligado. terminaram por renegá-las. (*). (*) Na verdade a denominação original da Escola era mais abrangente: Institut für Forschungen über die Geschichte des Sozialismus und der Arbeiterbewegung. como resultante de um encontro preliminar – na verdade um seminário denominado de Erste Marxistische Arbeitswoche . todavia. Riazanov na União Soviética. o filósofo Ernst Bloch e o psicólogo social Erich Fromm.Instituto de Pesquisa Social.34). retornaram para a terra natal.Além de ter um prédio próprio. México. a afirmação de um "novo paradigma" representado pela fusão do materialismo histórico com a psicanálise. amargurados com as teorias e idéias que esposavam antes. Os quadros da Escola. além da abertura a outros pensadores como Schopenahauer e Nietzsche. um roteiro de ciganos. Georgy Luckás. A "Escola" denominada oficialmente como Instituts fur Sozialforschun . Uma testemunha da época. um negociante judeu muito rico que fizera fortuna na Argentina. um manifesto ou programa de ação apresentado por Horkheimer no seu discurso inaugural de 1931. talvez. über Wirtschaftsgeschichte und Geschichte und Kritik der politischen Ökonomie. agitador e doutorando" .ocorrido num hotel em Ilmenau. partindo para Genebra. pela ditadura bolchevique e pelo surgimento do fascismo. foi fundada no auditório da Universidade de Frankfurt em 22 de junho de 1924. a tornar-se um mecenas a fim de financiar as obras e amparar o pessoal da instituição de cunho marxista que idealizou. na Turíngia. assegurou que a intenção de Félix Weil com seus instituto de estudos . mais tarde. Os que. sendo que por isso forçados a ter que abandonar o país em 1933. a presença de um mestre-de-pensamento carísmático na figura de Horkheimer e depois Adorno. estiveram presentes Friedrich Pollock. provocou na sociedade européia em geral. Quanto a ela merecer a designação de escola constata-se a existência de alguns sinais essencias que a confirmam. Mesmo assim tinha garantias de total autonomia. tão afastadas uma da outra como Nova York de Los Angeles. tais como a existência de um quadro instituicional representado pelo Instituto. Além de Weil. A origem do Instituto foi estranha. como se deu com Horkheimer. a contra gosto.a quem um biógrafo denominou de "milionário. A inspiração mais próxima para sua abertura veio-lhes da existência do Instituto Marx-Engels de Moscou que havia sido fundado por D. Paris. que terminou sendo apresentada como Teoria Crítica. e as agitações e revoluções que se seguiram. p. cuja importância revelou-se mais tarde durante o exílio americano deles. e a existência de uma revista períodica que abrigava os ensaiso dos intergantes e colaboradores (Rolf Wiggershaus – A Escola de Frankfurt.conseguiu convencer seu pai Herman Weil. numa época de inflação galopante e de tumultos políticos espalhados por grande parte da Alemanha. o Instituto receberia uma dotação anual de 120 mil marcos dos fundos de Herman Weil. um jovem intelectual de apenas 25 anos . por igual. ou para várias cidades dos Estados Unidos. O destino os fez ser testemunhas das grandes transformações que a Primeira Guerra Mundial. Cumpriram então. ao Ministério da Educação e Cultura da Prússia. E. 2002.

Charles Baudelaire: Quadro parisiense (1923). regiram aos acontecimentos espetaculares que explodiram ao redor deles por meio da elucubração teórica. Foram inúmeros os intelectuais alemães que. um veterano historiador do socialismo. 22 de junho de 1924). A obra de arte na época da sua reprodução mecanizada (1936) Iluminações (1971).já se encontrou manifesta na própria aula inaugural do Instituto pronunciada pelo seu primeiro diretor. O Homem por ele mesmo (1947). O fim e o começo: sobre as gerações das culturas e origens do Ocidente (1981) Fromm. que. visto que.O espírito da utopia (1918) Borkenau. de uma maneira tipicamente alemã.Acumulação . Erich . Leia mais » A Escola de Frankfurt. Walte .O declínio da imagem feudal à imagem burguesa (1934). A Revolução da Esperança (1968). De uns 30 ou 40. O vigor crítico que eram possuídos em nenhum momento se transformou em pulsão revolucionária. giraram como cometas ao redor dos seus diretores.Dialética do Iluminismo (1947). Henryk . Carl Grünberg. da busca incessante de modelos teóricos de origem multidisciplinar mesclados com trabalhos de campo que lhes permitissem entender o que estava ocorrendo. Psicanálise e Religião (1954). na sociedade alemã do após-Primeira Guerra Mundial.marxistas era entrega-lo mais tarde a um Estado Soviético implantado algum dia futuro na Alemanha. Bloch. Principais autores e títulos da Escola ascensão e queda da Teoria Crítica de Frankfurt » O fracasso da revolução alemã Adorno. que também fori contemporâneo de revoluções. Primeiro em torno de Horkheimer e a seguir de Adorno.A Evolução do Dogma de Cristo (1930). os "frankfurtianos" o foram de Lenin e Stalin. . Marx e a Psicologia Social (1970). A Crise da Psicanálise: ensaio sem Freud. A » Principais autores e títulos da Personalidade Autoritária (1950). não estavam atrelados a nenhum dogma partidário. apesar de se confessar "adepto do marxismo". mas estritamente num sentido cientifico" (Festrede gehalten. Grossmann. Franz . A percepção dessa incapacidade revolucionaria – da profunda crise em que marxismo alemão atravessava. entre as décadas de trinta e cinqüenta. mais de 10 deles deixaram significativa contribuição à ciência social e ao mundo da cultura em geral.a lei do colapso do sistema capitalista (1929) . O Medo à Liberdade (1941). assegurou que esse deveria ser compreendido "não num sentido partidário. Se Kant e Hegel viveram na época de Robespierre e Napoleão. Theodor W. As circunstancias históricas em que a escola surgiu lembraram um tanto as que influenciaram o idealismo alemão dos séculos XVIII e XIX. pois a própria preocupação da Escola em voltar-se para o estudo e a publicação já revelava em si já descartava a possibilidade de uma transformação radical. detectada por Horkheimer . Ernst . Dialética Negativa Escola de Frankfurt (1966) e Mínima Moralia (1951) Benjamin. de massas. O viés esquerdista deles não lhes empanou as pesquisas. E. O rinhadeiro espanhol (1936).

O homem Unidimensional (1964). Kurt Mandelbaum. Eros e civilização (1955). 2002. Felix .Razão e Revolução: Hegel e a ascensão da teoria social (1941).Socialização (1922). Nathan Ackerman e Marie Jahoda. O Colapso da Razão (1941). Rio de Janeiro: Difel. California University. Psicologia de massas do fascismo (1934) Weil.Os empregados na nova Alemanha (1929).A Escola de Frankfurt.O despotismo oriental (1957) Autores com menor ou ocasional participação ou atuação indireta: Ernst Schchtel. Neumann. 1996. Phil – Origem e Significado da Escola de Frankfurt: uma perspectiva marxista. Ernst Krener. Mirra Komarovsky. 1978.Análise do Caráter (1933). O enigma argentino (1944) Wittfogel. De Caligari a Hitler (1947) Marcuse. O estado democrático e o autoritário (1957) Pollock. Slater. Kirchheimer. Rio de Janeiro: Zahar Editores. etc. Leo Löwenthal.Otto . Wigghaus. Wilhelm . Martin – The Dialetical Imagination. Max . Karl August . O marxismo soviético (1958). Friedrich . As conseqüências econômicas e sociais da automação (1957). Paul Lazarfeld. Gerhard Meyer.A experiência da planificação econômica na União Soviética (1929). . O fim da utopia (1980). Olga Lang. Herbert . Reich. Estudos social-filosóficos (1972). Paul Massing. Rolf .Horkheimer.Behemoth: a estrutura e a prática do nacional-socialismo (1944). Bibliografia Jay. Siegfried .Punição e estrutura social (1939) Krakauer. Carl Grünberg. Teoria Crítica (1968). Franz . Dialética do Iluminismo (1947).Estudos em Filosofia e ciências sociais (1941).

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