.

.

.

.

.

.

.

I I 1 ) Ii I I Ij .I j I I I i I PARTE I TRADiÇÃO E SOBERANIA FRAGMENTADA: dos motins dentro das regras do jogo colonial aos casos híbridos I1 I..

Cf...) que queria fazer aos réus e delinqüentes que lhe resistiram em uma vistoria que a requerimento das partes foi fazer em umas terras minerais'?" . Brás Baltasar da Silveira. "à vista da repugnãncia que [o ouvidor mostrava] no cumprimento dos [seus] despachos". 31 . CARTA de D. o Regimento dos Superintendentes. já que vinham lavrando as terras há muito tempo." O governador reiterava ao ouvidor que não era desta forma que se servia à Sua Majestade.. comportamento que lhe foi enviada por D. Manoel da Costa Amorim "sem admitirem administração da justiça (. alguns moradores da Vila do Carmo amotinaram-se contra o Ouvidor Geral e Corregedor da Comarca. Os mineradores não concordaram. sobre o péssimo Manoel Ferreira da Fonseca. Brás ameaçou Costa Amorim. Manoel da Costa alegava pertencerem aquelas terras à data da Real Fazenda.. Da carta tratamento que dispensava ao preso o Ouvidor Geral da Comarca de Vila ". apresentava. o Dr. Brás Baltasar da Silveira para o Ouvidor Geral da Comarca de Vila Rica de 30 de dezembro de 1714. querendo maltratar o preso tendo-o na cadeia todo o tempo que [fosse] necessário para satisfação de sua vingança. APM.CAPÍTULO 1 TRADiÇÃO os motins das primeiras décadas E REGRESSO: do século XVIII Em 1713. a sentença do preso para que fosse castigado conforme ela. Guarda Mores e mais oficiais deputados para as minas de ouro de 1702 determinava que o 40 ATA de 20 de maio de 1713. 49 (1927): 270-273. A revolta resultou da decisão do Ouvidor Geral de redistribuir algumas lavras e retirar os mineradores que nelas haviam se estabelecido. cujo despacho [o ouvidor me tornou] a remeter sem lhe dar cumprimento. que não queria que "as suas leis [vingassem] agravos particulares. a qual deveria ser levada à hasta pública de acordo com as disposições do Regimento de 1702. de tomar "as medidas proporcionadas para conservar o respeito do [seu] caráter e da [sua] pessoa". Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Códice SG 09 fi. consta ordem do Governador para que Rica publicasse O ouvidor Manoel da Costa Amorim absolutamente inadequado. Buscando sistematizar a exploração do ouro e garantir a ordem na região. Atas da Câmara de Ouro Preto. Seção Colonial. como os demais ministros das Minas. 38. D. e levantaram-se em motim. mas que se [fizesse] justiça a todos com retidão".

R. por exemplo. ATA de 20 de maio de 1713. 6 (1901) p. Este clima foi agravado em razão dos morros serem considerados realengos. COELHO. entretanto. 856 passim. Códice SG 04 tis. e fixaram o valor do pagamento do quinto em 30 arrobas anuais. cit. Seção Colonial. Mostrando a dificuldade de se impor as novas regras. a tentativa de alteração da forma de arrecadação dos impostos provocou inúmeros conflitos. importantíssimo núcleo de mineração. acabou por abusar das vistorias _ um tipo de fiscalização dos trabalhos minerais . Seção Colonial. após a devassa. "42. 42 de Minas Gerais. Diogo P. Em circunstâncias semelhantes às da eclosão do motim de Vila do Carmo. Minas e Quintos do ouro.o que generalizou um clima de tensão entre os moradores da área. p. 439 a CARTA do Governador 442. Os oficiais da Câmara de Vila do Carmo reconheciam. que convocou uma Junta a Vila Rica em 7 de dezembro de 1713. 46 "Pela palavra bateia se designarn os escravos. mas tão somente lutavam para garantir a manutenção de determinados procedimentos. Revista do Arquivo Público Mineiro. as terras e os bens seqüestrados acabaram por ser devolvidos aos mineradores amotinados e. A exemplo das tax rebellions européias. VASCONCELOS. os moradores do distrito de Itaverava revoltaram-se contra o escrivão das datas. Não obstante a ameaça de castigo. Os mineradores exigiram que D. 45. APM. porém.. CI. de. o Governador Antônio de Albuquerque. 32 33 . "sem mais título que o da ambição e da injustiça". devolvidos os bens seqüestrados e as terras em que lavravam: A Câmara de Vila Rica. havia sidp_d~J~Jm. Declararam que não discutiam a justiça do pagamento do tributo com o qual voluntariamente se dispunham a arcar. Códice SG 0911. os cabeças foram presos e. entre outros. responsável pela distribuição das datas e pela resolução dos eventuais problemas entre os lavradores. com o intuito de lembrar a " CI. o povo das minas se levantou contra o pagamentodos quintos por bateía"'. o que restringia a área de mineração. explicando ao Rei as razões da adoção da medida. nas quais os mineradores não pretendiam colocar em xeque as regras estipuladas para o jogo colonial. de sorte que o quinto por bate ia ou por cabeça de escravo vinha a ser uma rigorosa capitação". Brás Baltasar da Silveira para o Ouvidor Geral da Comarca de São João dei Rei de 12 de janeiro de 1716. por determinação do Governador. Instrução para o governo da Capitania zonte: Fundação João Pinheiro. considerados razoáveis pela sua população. Contudo. 43 44 Ibidem. Os problemas eclodiam quando. mas que nada pagariam caso a forma da arrecadação fosse alterada. 856. em geral.inado que a cobrança do quinto se faria por bateias. 1994. nas vistorias. inaugurados no alvorecer das minas e.como a revolta se generalizasse sem que fossem tomadas medidas para sua contenção. A análise subseqüente sobre o estabelecimento da cobrança do quinto por bateias baseia-se na obra citada. -No ano de 1715. ocorridas na Capitania das Minas Gerais na primeira metade do Setecentos. no morro de Vila Rica. 181-183. Foram revoltas claramente reativas. responsável pela repartição de "algumas lavras velhas". Brás Baltasar da Silveira. Da mesma maneira se comportaram os atores de outras revoltas. Por Carta Régia de 24 de julho de 1711. o Superintendente detectava a ocupação irregular dos morros e tentava reintegrar as lavras à Real Fazenda". suspendeu a execução da carta régia. APM. ao Rei de 28 de maio de 1716. tomou uma posição irredutíval a favor da decisão do Ouvidor Geral. Este ministro. Como castigo exemplar. ouvindo imparcialmente as partes. declarasse as minas isentas para sempre desta forma de cobrança. Voltando à tumultuada situação de Vila do Carmo em 1713.. impedindo-se a distribuição de datas naqueles locais. José João Teixeira. Governador da Capitania. Brás Baltasar da Silveira. Belo Hori- 45 CARTA de D. os lavradores desprezavam as regulamentações e faziam o que bem entendiam. de São Vicente e de Catas Altas. foi concedido o perdão aos revoltosos'". Estas revoltas explicitam a dificuldade que tinham as autoridades em impor regras sem respeitar aquelas estabelecidas no convívio da comunidade. O povo de Itaverava reuniu-se em armas para reparti-Ias "sem autoridade do guarda mor com o pretexto de que nesta forma repartia o povo as datas no princípio [das] minas=" . . a legitimidade da atitude dos amotinados e solicitaram à Câmara de Vila Rica interceder junto ao Ouvidor Geral para que fosse concedido perdão aos sublevados. alguns foram condenados ao degredo para Benguela e outros a "degredo mais suaoe?". p. A capitação se manteve suspensa até o governo de D. Exemplos foram os morros da Passagem.Vassalos Rebeldes: na primeira metade violência nas Minas do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minils na primeira metade do Século XVIII Superintendente deveria se empenhar em resolver as pendências entre os minera dores. os oficiais da Câmara de Vila Rica recomendaram aos de Vila do Carmo que acabassem logo com o tumulto pelo "dano que daquela sublevação podia resultar a todas [as] minas . ciente das dificuldades de se cobrar o quinto desta forma. Doe.

Esta taxa foi finalmente ratifica da em 06 de janeiro de 1714... D... insistiu na imposição do sistema de bateias.. termo de Vila Nova da Rainha.. Brás Baltasar para Francisco de Távora de 23 de abril de 1715. Ao tomar conhecimento do estanco.. pela grande distância em que [os] povos se [achavam] do mar. Tamanho era o repúdio à cobrança do quinto pelo novo modo de arrecadação.)."51. 40. que concedia perdão aos revoltosos.. D. APM Seção Colonial. também os moradores da Vila de São João deI Rei se levantaram contra o estabelecimento do contrato de aguardente determinado pela Câmara. Pela mesma carta. reivindicando isenção do tributo para os povos das minas. o Governador suspendeu a medida e retornou ao ajuste do pagamento das trinta arrobas de ouro anuais. APM. "48 . em sossegar esses povos com deixar . o que ficou ajustado em termo feito na Câmara de Vila Rica em 15 de março de 1715.. Seção Colonial.Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII promessa que os mineradores haviam feito ao seu antecessor de pagarem dez oitavas por bateia. Vila Rica e Vila do Carmo. Brás informou ao Rei que se insistisse no estabelecimento da nova taxa "provocaria uma geral suoleoação=".expressa ou licença do Governador.. 52lbidem. Nesta ocasião. 39-40. Como os povos estavam indispostos com a nova taxa. No mesmo ano. CARTA de D. "em razão de ser incerta nos escravos a ocupação de minerur'í" . Não obstante a concordância de D. •• Ibidem. Provedor da Fazenda. afirmou a D. . sem embargo de todas as diligências que [fez] a este respeito não pôde persuadir [os] moradores a que aceitassem esta forma de cobrança. Em carta a D.. regulando-se a forma da sua arrecadação. D.. Preocupado com o movimento que avançava para Vila de Sabará.7 CARTA de D. Lourenço de Almeida. [suspendeu] a execução por não arriscar [as] minas à última ruína . [perturbando os povos} por suas conveniências particulares" sem ordem real. à nova Junta de 13 de março de 1715. " permitindo " .. Códice SG 20 fI. APM.. Seção Coloníal. por Carta Régia de 16 de novembro de 1714. Brás Baltasar da Silveira ao Rei de 28 de março de 1715. Imediatamente os moradores do Morro Vermelho.lhes [faltava] o peixe e não [tinham] outra coisa que comer mais do que a carne ... APM. o Governador dava conta ao soberano de sua " .) de não poder dar a execução das ordens de de executar as ordens para se cobrarem os quintos por bateias . Alguns motins setecentistas mineiros também apresentaram características que os aproximam dos food riots europeus.. Em Carta Régia de 04 de março de 1716. 396 a 398 . as ordens do Rei foram taxativas. convicto da [Sua] Majestade sobre o pagamento dos quintos ser por bateias . o Rei.. Seção Colonial. 129 e 130.49. João V ordenou a D. Brás pressionou as Câmaras para que aceitassem a cobrança por bateias e conseguiu sua concordância com o pagamento de 12 oitavas por escravo. a Junta apresentou uma contra-proposta ao Governador pela qual os mineradores se dispunham a arcar com 30 arrobas de ouro pelos quintos de um ano. que os mineradores ofereceram. o Rei criticava acidamente estes Ouvidores e Senados da Câmara pelo grande prejuízo que causavam ao Real serviço. No entanto. levantaram-se em motim. 51CARTA do Rei a D. Códice SG 04 íls.. 'Em setembro de 1721. D. principalmente que. Lourenço de Almeida de 15 de maio de 1722. 'fizesse praticar nestas minas a cobrança dos quintos por bate ias ( . O Rei de Portugal acatou a decisão do Governador. Régia de 04 de março de 1716. em razão das possibilidades de desabastecimento e de aumentos dos preços dos produtos. Códice SG lhe 04 fls. a Câmara de Vila Real e o Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas resolveram por em contrato o corte das carnes consumidas naquela vila. Lourenço de Almeida que impedisse "as câmaras e ouvidores de usarem semelhantes procedimentos.em que se continuasse com a forma estabelecida e assentada com todos os povos em trinta arrobas de ouro por ano . e explicitaram a luta dos moradores da Capitania contra a carência de produtos de primeira necessidade na região e contra o estabelecimento de contratos destes gêneros. e como de persistir nela poderiam originar-se algumas inquietações muito contra o sossego deste governo. 34 35 .mágoa (. estabelecendo que cada escravo seria tributado em 12 oitavas de ouro. Códice SG 09 fls. O Rei ainda comunicava ao Governador ter levado em conta as considerações apresentadas pelo Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas e pelos oficiais das Câmaras das vilas envolvidas no conflito sobre a injustiça desta cobrança." Cf. Brás com o pagamento proposto pelos minera dores.. Em carta de 28 de março. imediatamente os moradores amotinaram-se em razão de serem os contratos das carnes "odiosos e prejudiciais aos povos porque sempre [redundaram] em interesses particulares. Brás que fizera bem " . Brás informava ter Sua Majestade ordenado . por ser o produto largamente consumido e também de livre comércio na região. .9 CARTA 50lbidem. vinte e cinco arrobas sobre as trinta já acordadas. até então livremente comercializadas. Em carta a Francisco de Távora. em especial por serem responsáveis pela eclosão de motins "dificultosos de soeeegar'?"..

Seção Colonial.. juiz almotacel. Códice CMOP 06115. também foram responsáveis pela eclosão de motins na Capitania. 3 36 37 . Seção Colonial. Códices CMM 04 fI. Em geral. 115v e CMOP 06 IIs. a respeito da suma carestia. mandada à Câmara de Vila Rica de agosto de 1"723. I de mantimentos para o sustento dos negros e ainda dos brancos . Seção Colonial.. 43. APM. A postura do Ouvidor evidencia os conflitos intra-autoridades na Capitania. Os amotinados incitaram a apreensão dos alimentos e sua repartição entre o pOVOS9. moradores na travessa do Teixeira e neste Ouro Preto. EDITAL da Câmara de Vila Rica de janeiro de 1723. e mais partes desta vila. como em as outras mais paragens deste termo o que é em gravíssimo prejuízo destes povos. e principalmente retendoos em casa. o que é em grande prejuízo do Povo. O Ouvidor não aceitou as acusações feitas por João de Siqueira aos oficiais de justiça.. Códice CMOP 50 fI.57 . A carência dos gêneros de primeira necessidade estampava-se em edital de 1722. Seção Colonial. tentaram garan~i: tanto o abastecimento das vilas quanto o bai- 53APM. Tropas e tropeiros no abastecimento da região mineradora no período de 1693 a 1750. com o conhecimento do Ouvidor. e seu termo. vinagre. 1991 (mimeo). Cláudia M. Vera L. os problemas de desabastecimento. Lourenço de Almeida proibiu os "ganhos II . Apud CHAVES. a esperar os maiores preços . Exemplo destas dificuldades foi o motim ocorrido em setembro de 1744 em Vila Rica. João de Siqueira. tem atravessado e costumam atravessar os mantimentos que vem para esta vila. os moradores de Vila Rica. os quais revendiam os gêneros de primeira necessidade produzidos próximos às vilas. 41. e tentou fazer valer a sua autoridade. APM. 2Bv e 29. seus subordinados. a qual nomeara o almotacel. não obstante o comportamento do Ouvidor de Vila Rica em 1744. ordenou ao Governador que suspendesse os contratos das carnes e da aguardente para que cessassem os movimentos. 113v e 114.. por estes tais atravessadores [pretendem] os revender. publicado em Vila do Carmo. informava que "no morro de Mata Cavalos e em outras partes há grande falta O mesmo argumento encontra-se em edital da Câmara de Vila Rica de 1723: ".lbidem. afirmando governar "sobre o passar dos ditos alimentos mais do que a Câmara"!". Códice CMOP 06fls. dizendo-me que vem mais Povo a esta vila por estar atravessado a maior parte dele assim no campo. farinha do reino. Ibidem. G. Estes enfrentamentos foram extremamente freqüentes nas Minas durante a primeira metade do século XVIII. argumentando que precisavam deles.a nossa notícia veio que muitas pessoas. o desabastecimento era menos fruto da carência dos produtos na região do que do movimento dos atravessadores. de que sempre são causa os atravessadores ... recorrentes na região mineradora. . "54. responsável pela fiscalização do comércio dos gêneros de primeira necessidade. 44 a 45. Um bando de D. assim vindos do Rio de Janeiro como do Sertão dos Currais'í"."56 .'APM. Por sua vez. dos portos do mar. 41v. mantimentos para fora de Vila Rica. D. Códice CMM 03 fls. representou contra dois oficiais de justiça que estavam levando. 58TERMOS 59lbidem. Por sua vez. 56PORTARIA do Governador Códice CMOP 06 fI. publicado pela Câmara de Vila Rica.Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII legitimidade das revoltas. Podemos detectar os problemas causados pelos atravessadores na portaria enviada pelo Governador à Câmara de Vila Rica: "Porquanto em todos os Povos há um grande clamor contra os atravessadores de milho. em especial aqueles que opõem os interesses dos Senados da Câmaras e das comunidades e os dos magistrados portugueses. de Acórdão de 20 de setembro de 1744. colocaram-se ao lado do almotacel e pressionavam João de Siqueira para que ele proibisse definitivamente a saída dos mantimentos de Vila Rica. no mais das vezes. Relatório apresentado a PRPq/UFMG/CNPq. e mais molhados. e VIEIRA. do qual constava a "muita falta de víveres. os Senados da Câmara.• Deve-se ressaltar que. queijos. 57 4 55APM. Seção Colonial. como são peixe. t 07.. 54APM. Outro edital de 1732. de que me tem chegado repetidas queixas. Seção Colonial. Belo Horizonte. azeite..I II ilícitos que [aos atravessadores] resultavam de revenderem mantimentos [ocasionando] a falta de [víveres] de milho e farinhas que há tempo se [experimenunxú'í'" .

estade} que estava. 1984. KRANTZ. Albert O. embora potencialmente perigosa. Hidden transcripts. longe de serem companheiros inseparáveis.::rp~::~/. Em geral. foram apenas companheiros ocasionais. . sem líder ( ) o Ignorante governad I . afirma que os historiadores. segundo as palavras de Hirschman. sem freio. Códice SG 45. Exem 10 foi .:o que assinou 6'CAR e Ivelra(1741) APM S assme/. assim). homicide and rebellion in colonial mexican vil/ages. passado de bandeira com as armas [de 5 M ~ tn a no abaixo e [tiraram-lhe} uma portoí'": ua a. luta dos_atores desenvolveutava estas regras e lutava nos s Ia . através de análises da composição social das massas. James C. a lorma de surtos anômicos por parte das multidões criminosas ou de movimentos de massa manipulados por líderes demagógicos. A nova história cultural. ' d d ' os moradores de P . Durante muito a retórica sustentou e manteve viva nas ciências sociais a tese da irracionalidade da multidão. não foram casuais. afirma que "0 crime e o motim. ro contrario da região mineradora do B' . de início. à espera da aristocracia fre~te à ~uitidã . org. tanto pela :tt~r:~hfIcadas às tax rebellions e aos Impostos ou da distribuição inicial d ç~o da forma de cobrança dos mento de contratos prejudiciais a as avras. DAVIS. E. / •• CI. 27-28). conservadora p. Scon. Em Paris à m ' .r~mos de ttuve. a perspectiva da irracionalidade dos atores. A multidão na história. em de clase.esma epoca os amoti d . a pe os apetites dos que a incitam ' na os eram vistos d Janeiro: Paz e Terra 1990 p i~~~uer tipo de crueldade". muito comuns entre o~~~~~iltlcas coloniais. Segundo Le Bon. RUDÉ. 6 E interessante ressaltar ue a . THOMPSON. . The Changing Place ant 01 Collective Violence. Vassalos Rebeldes: vlolôoclll nl'il MII\ •• na primeIra melad~ do SóculO XVIII violência nas Minas do Século XVIII uma bala. Drinking. Everyday forms of peas resistance. Em es eci çoes nas regras do jogo foram metropolitanas no mais da ao lado de incontáveis revoltas contra ~ ab ai. Raramente atentava-se contra a vida nos enfrentamentos. em especial o artigo de Suzan Desan. popular Protest in Early Hanoverian London.. [e deitaram-lhe} as canoas ue ti h :n ag:osamente. ordem.TERMOde 6'.P. levantamentos contra a~~~~ ~olonlal na qual prevaleceram México várias tax rebellions oneses da América Espanhola. .orregedor. ameaçaram revoltar-se.. podem ser constatadas no 63 y consciencia in Colonial Me~ican vilfage~ v. que participava dos . . entre outros inúmeros artigos sobre o tema scort nesta mesma revista. e não muito à vontade entre Si"65. comunidade e ritual na obra de E. =-____________ 60 . p. Weapons of the weak.Exemplo é o termo de obrigação firmado ?ilVelra.) uma ralé insens".. Petrópolis: Zahar Editores. ter. .:r~a Se~ado da Câmarade Vila Rica e Francisco Gom d pelo Senado da Câmara [ficou obri suas roças reais no ano de 1741: es e especial na década de 1840. La "economia moral' de Ia multitud en Ia Inglaterra dei siglo XVIII. William B. ci TAYLOR. In: James C.. cobrando-lhe o que =r= Obrigação que faz Francisc~ e~~::: :aOclamara que por mandado dela !~~~Ze este. a oportunidade de cometer ' . pouco apta para raciocinar. George. A xo ~reço dos alimentos. Expressão desta corrente foi Gustave Le Bon. Ideologia e protesto popular nos séculos XVII a XIX. das revoltas contra o aumenio de i a-se a multidão. por exemplo. org. naquele (ood riots. muita apta para a ação. New Haven: Yale University Press. . Esta ação teria assumido. George. A retórica da intransigência. motins referidos às for q '. clt. ao contrário.. Rio de empobrecidas do campo em o. Tradición. (. ~o seculo XIX. 65RUDÉ. A atribuição de um caráter político ao s motins invalida. 1990. "Massas. ROGER. Nicolas. por sinal. Rebeldes: na pnmeira metade .. Em linais do Oitocentos. (Ver: DAVIS Natat e. das Letras. Os historiadores. São Paulo: Cia tempo. Thompson e Natalie Davis'. no mais das vezes. 1985. "uma expressão mais refinada nas teorias sociais científicas quando as descobertas médicas e psicológicas demonstraram que o comportamento humano era motivado por forças irracionais em medida muito maior que fora reconhecido anteriormente". Stanford: Stanford University Press.----Vass~IOs. 1990. an or : Stanford University Press 1979' mg. A multidão na história.P. a critica à multidão encontrou. A outra história. considerav .. a "escória do populacho sem chamados motins de fome e como uma "muttidêo ! ças (. 39 38 - ----- . ?bngação com os produtoretde 1 a I:ratIca de se firmar termos de Impedindo de vender os gên mantimentos e frutos da terra os Já em 1719 e 1722 eros aos atravessadores'". sem dúvida. mass~~ . negaram a concepção corrente segundo a qual a multidão seria uma turba incontrolável que praticava uma violência gratuita e irracional. William B Dr~~Z· de N E . a violência era dirigida às propriedades e aos símbolos que representavam a sujeição dos revoltosos. Charles. Past & Present. Rio de Janeiro: Jorge Zanar Editor. a multidão era.219. 1979. rebeldes e amotinados. constante movimento em direção à id d ou-se quando as populações 5 CI a es. quanto pelo estabelecipelo abuso de poder das autorídadea alut.. mas dirigidos a alvos definidos e escolhidos dentre um repertório de formas de destruição tradicionais64 • Assim é que George Rudé.Cf. Barcelona: Editorial Critica. assas.. em seus movimentos fo . uma besta de muitas cabe e Impostos. TILLY. não obstante os avanços no tratamento metodológico da multidão.d . ao analisar motins em Londres no início do reinado de George 1. . Frederik. que viu a multidão como uma forma de vida inferior. Lynn. APM Se _ : ~ eçao Colonial. .a constatação do caráter propriamente político dos movimentos pré-industriais (se é que podemos chamá-Ios. (Ver: HIRSCHMAN. ao desprezo pela. motivadas Parece claro que nas revolt . ainda que se deva relativizar o significado de político. Domination and the arts of resistance. Ver também. ste medo generalizou-se e aprofund seçuiu-se o 'terror pânico' . Foi a partir de meados deste século que estudiosos procuraram recuperar a imagem dos desordeiros. George. TAYLOR. pelo desabastecimento e se dentro das regras do jogo coloni 1'. Ideologia e protesto popular. ne HUNT. Também não se pode esquecer um dos argumentos fundamentais da literatura recente sobre a violência da multidão . em especial. que escapo U l'1 1/ por sua vez. ~uscando preservá-Ias como enfatizam os recentes estudos b' st~ e? c~mpo da tradição. Natalie Z. 1982. Codice SG 29 íl. c: das autoridades omicide and Rebellion a uropa do seculo XVIII. a:::d~~~:~e~os. analisando levantamentos populares ocorridos na França e na Inglaterra.. . 1991. revuelta para tornar a revende () _ gado] a fazer termo de não atrav . ulturas do povo. Rio de Janeiro: Campus. 1992. Nicolas Roger. fI.~esf o . Manoel de Queirós o errr. entre outros: RUDÉ.Trabalhos históricos sobre .) ficando por este t:r~~ :u:~ ~e~~r os ditos mantimentos por . 79 (1978): 70-100. 1992. In: -r-. TA de 29 de janeiro de 1726.o e assim o disse e se obri pusesse.ntos ou frutos da terra se observa no expressado [d J t as as penas que o dito Senado lhe im que andasse pela rua comigo.. New Haven: Yale University Press. h o a arremataçãodo impost d apagalO aviam discordataram matar o contratador o e passagem do Rio das Velhas e ten. populaçao da Capitania aceicomo haviam sido. Op. 1 ao revelam que rais e políticas que legitimavam' r~m mspIr~das por tradições moe ate prescrevIam seus atos'" E sses. sem limites. 16. olê re a violência coletiva as m a VlOencia da multidã . São Paulo: Martins Fontes. produtor de mantimentos e frutos ~~t.: çao Colonial.

Contudo. tiveram sua própria racionalidade e seu próprio e significativo lugar na política. próprias dos distintos setores dentro da comunidade (tomados em seu conjunto).aumento dos preços dos alimentos. das exigências de um Estado ávido. Estes levantes europeus são considerados movimentos de caráter reativo e/ ou regressista. no mais das vezes. restringindo-se os levantes à destruição da propriedade. Estas barreiras apresentavam um inconvenlentà particular para os agricultores que transportavam cal de um forno próximo e que teriam de pagar o pedá- 40 41 . Lynn. Entre vários outros. cit.a fome . RUDÉ. TILLY. por sua vez. Vision and method in historical Cambridge: Cambridge University Press. de acordo com Thompson. por exemplo. In: SKOCPOL. levantaram-se em motim contra o arrecadador profissional de impostos que havia assumido a direção de todas as barreiras. I' 69 66 THOMPSON. provocados "tanto por lembranças de direitos costumeiros ou . Rebeca. As tax rebellions. carência de gêneros em virtude da especulação. os food riots e as tax rebellions. partiu do comportamento do povo frente às demandas crescentes do Estado em processo de centralização e da expansão do mercado nacional de insumos. matando-os simbolicamente. disciplinada e com claros objetivos. Dentro desta perspectiva . agisse de forma mais compulsiva do que autoconsciente ou auto-ativada. ao som de tambores. ao tratar dos food riots e das tax rebellions considera-os regressistas. e que passara a cobrar taxas mais altas.. no período anterior à Revolução Francesa. Charles Tilly. formas muito complexas de ação popular direta. destruíam as propriedades de suas vítimas e os documentos oficiais que simbolizavam sua sujeição. o grupo de revoltosos. defende o desenvolvimento de um repertório mais elástico da ação coletiva em resposta a determinadas mudanças econômicas. da vida humana. Além da semelhança ritualística.- --'-"'-'. como pelas reivindicações presentes "69 • 67 sociology 68 Cf.o trabalho de Thompson é exemplar". estavam apoiados por amplo consenso da comunidade. clt. por motivos também próximos àqueles responsáveis pelos levantamentos das populações francesa e inglesa entre os séculos XVII e XIX . À idéia tradicional das normas e obrigações sociais das funções econômicas. políticas e sociais. entre outros. 1984. foram movimentos exemplares que tanto podem ser considerados reativos quanto regressistas. o que pode tornar mais dinâmica a análise da violência coletiva 67 • O padrão dos motins das Minas nas primeiras décadas do Setecentos não foi muito diferente do padrão geral do comportamento da multidão durante os food riots e tax rebellions europeus. I apaixonadamente sustentadas". A multidão na história. Enfatizou. caminhos que a multidão encontrou na busca de interesses partilhados. Qualquer atropelo a estes supostos morais seria ocasião habitual para a ação direta da multidão. p. via de regra. Rudé. p. Thompson empreendeu uma análise cultural do comportamento e das atitudes populares.. rebelde travestido de mulher.I pela nostalgia de utopias do passado. os motins Rebeca. The Changing Place of Collective Vio/ence. P. Além do aumento dos impostos. Cf. O autor investigou escolhas feitas pelos atores entre cursos de ação disponíveis.4. firmemente. J' i. Como bem nos ensina Charles 1111y. Charles Tilly's Collective Action. Charles. ocorridos no País de Gales na primeira metade do século XIX..a preservação. tributação excessiva. ao julgar estas revoltas reativas. as motivações e os meios de legitimação da violência coletiva. Theda. muitas delas localizadas em estradas secundárias onde nunca antes haviam sido instaladas. embora reconheça o papel crucial desempenhado pela tradição nesses movimentos. Assim. diferentemente de Thompson. estar defendendo direitos ou costumes tradicionais e. Thompson detecta nos levantamentos a noção legitimizante dada pela multidão aos conflitos na medida em que os revoltosos acreditavam. em expansão'". George.~'~--~- Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII I . da cobrança de impostos etc. HUNT. não se possa afirmar que esta economia moral seja estritamente política. queimavam seus inimigos políticos em efígie. gerando distúrbios sociais repentinos que nada mais seriam do que simples respostas a estímulos econômicos. 146. tampouco se pode considerá-Ia apolítica "posto que supõe noções de bem público categórica e ·1 . O autor critica a idéia de que a multidão. Op. Tilly. Em finais de 1838. em larga medida. colocavam em xeque o direito do governo central intervir na vida local e derivaram. Embora. Também nas áreas mineradoras. alguns dos motins ocorridos na Capitania eclodiram. enfim. têm desprezado a possibilidade de os levantamentos populares se traduzirem em uma política de rua muito particular das massas. e suas 'filhas".colocava a questão da legitimidade da comercialização dos gêneros de primeira necessidade.a do caráter político dos motins . explicitava-se uma das importantes características do comportamento da multidão pré-industrial . o significado. Thompson denominou economia moral dos pobres. para Thompson. caracterizou-as como uma forma peculiar de se resistir à emergência do Estado-Nação centralizado. anteriormente controladas por vários concessionários. particularmente.Op. o coletor construiu novas barreiras. A motivação maior dos levantamentos . como mostrei. Os motins de subsistência na Inglaterra foram. E. mais especificamente. homens encapuzados.

porém. Em janeiro de 1839 construíram-se quatro novos postos fiscais. e aos chamados motins do Sertão do São Francisco que eclodiram no noroeste de Minas em 1736. mas desejo que as barreiras das estradas reais fiquem". com maior ou menor intensidade. nesta primeira fase dos motins. . saíam em grupos de 40 a 100 pessoas os quais. muito raramente balas e. em carta aos guardas especiais. mas sim a multiplicação de barreiras que constituía o principal motivo de reclamação e levou o ressentimento a incendiar-se em conspiração e violência". mas não em todos. vários deles vestidos de mulher. O movimento perdurou durante todo o ano de 1843. Rebeca e suas "filhas".em particular as que enchiam as estradas secundárias que. que pelo menos dois significativos movimentos ocorridos nas Minas. enfrentava-se as tentativas de cercar os rocios e instituir pedágios nas estradas. como seus historiadores nos lembram. Os revoltosos agiam disfarçados ou simplesmente pintavam o rosto de preto. com estas características. ''não era tanto o volume do tributo cobrado. Op. são considerados casos híbridos de atuação dos atores. Seguiram-se outros motins e a decisão do concessionário de levantar novas barreiras foi revogada. líder dos amotinados. Originados por questões fiscais. Nova fase dos motins iniciou-se no inverno de 1842.. CI. chegaram a somar 250 amotinados. apresentaram tanto características dos motins dentro das regras do jogo colonial quanto evidências de terem se originado em contextos de soberania fragmentada e serem revoltas referidas às formas políticas coloniais. Nunca operava aos domingos e até mesmo evitava. agir nas noites de sábado e nas madrugadas de segundafeira. problemas derivados da arrematação de contratos e da comercialização de produtos de primeira necessidade. i I' I !I :1 'I 11 li I' ! gio três ou quatro vezes em um pequeno trecho da estrada. Segundo Rudé. O padrão de comportamento dos amotinados foi o mesmo dos movimentos de 1839. na primeira metade do Setecentos. Rebeca e suas 'filhas' (. Como estes movimentos combinam. Na maioria deles. em geral encarnados nas reivindicações da gente miúda. "Rebeca. os movimentos desta natureza em geral ficaram adscritos às duas primeiras décadas do século XVIII. cit. via de regra. foi a tônica dominante. Rebeca e suas "filhas". ao longo de todo o período de agitação. cuidadosamente. Devemos acrescentar. Arrendatários queimaram os cereais pertencentes à pequena nobreza e reiniciaram a campanha de Rebeca contra as barreiras. afirmava: "Podem ter certeza de que todas as barreiras dessas pequenas estradas serão destruídas. a tentativa de manter inalterada a ordem das coisas.como elas haviam sempre sido no passado. 172 passim. buscaram estabelecer um nível razoável de negociação com as autoridades portuguesas e. ocorrida em Vila Rica. Rebeca só fez uma vítima: uma velha abatida a tiros em sua barreira. que visavam a restaurar um equilíbrio tradicional.. p. 42 43 II . era rigorosamente sabatista. I Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII li II ri 'li il Muitos motins. em razão de uma moção do deputado do condado no Parlamento. G. lutava-se contra o aumento do preço do pão e dos impostos. "Beca".r I . não obstante impostos pela Metrópole. ocorreram na Europa entre os séculos XVII e XIX. Nestes movimentos. Segundo Rudé. RUDÉ. Referimonos à revolta de 1720. criavam um pesado custo extra sobre o transporte de cal". abusos de poder das autoridades. por homens de rosto pintado de preto.. Não obstante agissem armados. Nas Minas do Setecentos..) tinham feito sua primeira aparição". eram considerados "justos" e "comedidos" pela população colonial/Estes levantàmentos. haviam saído vítoriosas. elementos de comportamentos dos atores tanto dentro das regras quanto referidos às formas políticas coloniais. As barreiras eram destruídas ou retiradas à noite. na "guerra" contra as barreiras. ocasionalmente as guaritas ou cabanas dos vigias eram incendiadas. Era notavelmente discriminatória: só as barreiras consideradas injustas eram atacadas. estes motins reuniram elementos tipicamente reativos. que confirma o caráter reativo do movimento. foram movimentos nos quais os atores lutaram pela manutenção de determinados procedimentos que. com elementos característicos de competição entre atores sociais com maiores recursos de poder. e alguns incidentes isolados ainda ocorreram nos últimos meses de 1844. e quase que imediatamente foram todos destruídos "à noite. saíram vitoriosos nas suas reivindicações (muito embora a repressão pudesse estar presente no processo de contenção do movimento). algumas vezes. por sua proliferação. Isto é. usavam pólvora.

ln: 71 72 Discurso histórico e político. e as esperanças do mando. . o levantamento apresentou reivindicações típicas de tax-rebellions ou food-riots.". p.. Da malícia daqueles que. cit... ..::. cuja autoria é atribuída.. a imunidade dos cabedais. ou de dois gêneros de maldade.. tis. e o procuraram por meio tão ilícito recobrar. I. 83/84.) por estes dois diferentes princípios se compõem neste país de duas qualidades de pessoas. 95 a 97. _ ~~-_ __ .... . Ver Anexo I..-. pode ser constatada 70 DISCURSO histórico e político sobre a sublevação que nas minas houve no ano de 1720.• '_:!:_ . _--__ .----. APM.. .". . . . Por outro lado.. e temerosos da justiça pelos seus empenhos e delitos (.~~--" . contidas nos parãmetros do jogo colonial. Seção Colonial. de contratos novos e do pagamento dos direitos de entrada no registro de Borda do Campo.. que reduzidos da fortuna à última miséria.. se justifica ao considerarmos que este fragmento permite entrever o duplo caráter da sedição de 1720.... Estudo 'Crítico. .'--~. 13/56. CAPíTULO 2 MASCARADOS FACINOROSOS: a sedição de Vila Rica "..) se agregavam livremente a esta facção'"? .-...) e do furor de alguns da ínfima plebe. Por um lado.. se os principais dos cabeças interessavam no motim a conservação do respeito.. 45 ~ .. (."~~''..••. a Vila do TERMO que se fez sobre a proposta do povo de Vil~ Rica na ocasião em que veio amotinado Carmo de 02 de julho de 1720. com a condenação do estabelecimento das Casas de Fundição. 1994._.. Centro de Estudos Históricos e Culturais. de não ser punidos pelos seus crimes. os de menos nota se prometiam também em não ser avexados pelas suas dívidas. a defesa do controle sobre o processo de aferição e sobre os abusos de poder do Senado da Câmara". ocorrida em Vila Rica. Códice SG 06.1 -A citação do trecho significativo do Discurso histórico e político sobre a sublevação que nas minas houve no ano de 1720..... Op... ao Conde de Assumar.. VER SOUZA. . 'Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro. Laura de Mello e...• . p.. levados do incrível desejo de dominar o governo se tinham antigamente apoderado da autoridade e mando de que hoje se achavam destituídos. Donde parece que os motins (... pelo menos na sua primeira parte" .

está extinto. FIGUEIREDO._----- .-.. Em primeiro lugar. Figueiredo sustentam estar a sedição de 1720 inserida numa série de motins. 1 ' I: )cf I. 77 "Nestas minas não há pessoa por abundante que seja de cabedais que não deva grossa fazenda. ficou resolvida a criação de um !:~strQ. CARVALHO.. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro. C... Nas ditas casas se deduziria o quinto do ouro. Belo Horizonte: Edições Históricas. Ordenou ao Governador A sedição de 1720 aparece na literatura tanto aproximada a uma tax-rebellion quanto contendo elementos típicos de uma situação de soberania fragmentada. cit. p. _.--_. bem entendido. e da Bahia e do Riode Janeiro lhe seriam expedidos oficiais e instrumentos indispensáveis ao seu funcionamento. Berkeley: University of California Press. Belo Horizonte: ltatiaia. 1962. BOXER. Tais considerações imputam à sedição de Vila Rica caracteristicas de movimento no qual o comportamento dos atores está contido nos parâmetros das regras do jogo colonial. cit.:~. VASCONCELOS. :. a consideram o resultado da ameaça de se estabelecer as Casas de Fundição nas minas. quilates do ouro (. A ameaça de alteração na forma da cobrança dos quintos gerou inquietações nas Minas. se resolveu a estabelecer em Minas uma e mais casas de fundição.. porque como todos esses homens são mineiros e o estilo é comprar-se tudo fiado a pagamento de um e dois anos (. João José Teixeira Coelho foi econômico na análise da sedição de 1720. que se originaram do enrijecimento da tributação a partir de 1719. que era o mais fácil.. C. é uma das causas de grande horror que têm às Casas de Fundlção".).Lourenço 31 (1980). um outro próximo ao Rio Grande e um terceiro . a qual água trazem encaminhada muitas vezes de distância de léguas (u. Dr. sociedade e administração fazendária em Minas Gerais no século XVIII. Op."•. a pagarem mil e duzentas oitavas. cada uma delas localizada nas cabeças das Com arcas.l' 11' 1 li :1. Lourenço apresentou ao Rei as razões que ele acreditava serem responsáveis por este prejuízo alegado pelos mineradores. que eram preenchidos pelos homens principais da Vila. 'I" tr:! em 11 de fevereiro de 1719 providenciar a construção das casas.. Luciano Raposo de Almeida Figueiredo. Tributação. Filipe dos Santos Freire na sedição de Vifa Rica em 1720. COELHO. fisica e política da capitania de Minas Gerais (1807). oficial da Câmara de Vila Rica. estão os devedores obrigados por cada mil oitavas que deverem.. p. 11"7. Nesta mesma Junta.--~ . . a saber Vila Rica. Boxer e Diogo P. R...' ' . VASCONCELOS.] I' I: ':. 73 74 75 t .. de Almeida ao Rei de 31 de outubro de 1722. uma das medidas cruciais adotada foi a de retirar das Câmaras a administração dos quintos. 172-209. "inimigos irreconciliáveis dos europeus'.. 1695-1750."lbidem. decidiu-se pelo estabelecimento de quatro casas. a partir de 23 de julho de 1719. peso delas. 96-100. I: ". a desorganização que acarretaria ao sistema de crédito. todo é de oiteiros. Durante este intervalo. li 11: . ocorridos em vários distritos da Capitania. 13-56. I" ! 76 CARTA de O. que ordenava caber ao Governador escolher os lugares nos quais seriam erguidas. Minas e quintos do ouro. dos ouvidores de Vilas e Comarcas e dos oficiais das Câmaras" .•••. a finta seria mantida.. II li ' '1 VASCONCELOS. Oiogo Pereira Ribeiro de. I' iJ. e como havendo Casas de Moeda e de Fundição se há de pagar o quinto de todo o ouro.. 153. a dupla taxação I I . cit. de Vasconcelos. p. Para isto foi decisiva a opinião do Conde de Assumar ao informar ao Rei de um motim. Oiogo de. 862-863. Finalmente. Breve descrição geográfica. Feu de. R.I' . em Borda do Campo. Luciano Raposo de Alrneica. Sabará. Diogo apresenta como as razões principais para a eclosâo do motim: a perda dos postos de oficiais de ordenança. liderado por Manoel Dias de Menezes. 1:.. reunida a 16 de junho de 1719. de uso generalizado nas Minas/": a seguir as dificuldades técnicas encontradas na extração do ouro nas Minas que elevariam em muito os custos de produção". s/do Ver especialmente o estudo critico de Laura de Mello e Souza em: DISCURSO histórico e político sobre a sublevação que nas Minas houve no ano de 1720. exteriorizada pelo comportamento rebelde dos potentados. Martinho Vieira. Op. O ouro todo que hoje se lira das minas que se abrem.._~. p.193-195. Martinho Vi eira. p. não obstante a diferença de estilos e a diversidade das fontes utilizadas. IX Anuário do Museu da Inconfidência. resolveu estabelecer Casas de Fundição nas Minas. porque há serviços que gastam um e dois anos de tempo traba. Ml'nas e quintos do ouro. Op. 152.. p.. para que fossem inauguradas as Casas de Fundição a serem construídas às custas dos povos da Capitania. porque todos devem muito. Ainda. C. Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII . I' Ij 1" i J . I il. de acordo com Regimento de 04 de março de 1718.li Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII -_ . De acordo com a análise de D. D. 1974. São João deI Rei e Vila do Príncipe.. Tendo sido ajustada a cobrança dos quintos por arrobas no governo de D. e como esta maioria compreende a todos estes moradores. "=. Oiogo P R. que poderia ter posto a "perder a causa do ouinto?" . ~'._~_. 1994. de Vasconcelos acrescentam a impopularidade do Ouvidor de Vila Rica. senão do que houvessem depois . pelo desserviço que faziam ao Tesouro Real.. A. Ouro Preto. li' 'I li I' 'I I 'i uma situação de soberania fragmentada. p. O Rei.j Ir 1 I ~i . R. Cf..' . v. e para se abrirem lavras nos oiteiros é preciso ser como regatos de água para desmontarem a terra. Diogo Pereira R. Por sua vez. The golden age of Brazil.. porque os dos veios da água. Em Junta.) as pessoas que tivessem ouro a fundir o deviam levar às casas para nelas se lhe reduzir a bsrre._--."~.. Pedro de Almeida.-"'~= •. Diogo de Vasconcelos e Teófilo Feu de Carvalho perceberam no levante de Vila Rica comportamento sedicioso decisivo dos potentados locais e a luta pelo poder que se travava entre os atores coloniais.152-153. Oiogo P. Ementário da história mineira.. Na frota de 1719. Ver: VASCONCELOS.lbidem. 135-136.p. (. mais recentemente. e o declínio do poder dos potentados em decorrência da atuação política do Conde e do Ouvidor de Vila Rica. R. José João Teixeira. sucessor do Conde de Assumar no governo das Minas. é com a condição que se houver novo imposto de pagar. 862. tendo no inferior contramarcas .~-- -----~. O material necessário seria enviado de Portugal pela frota. Afirma ter adquirido o levante o 'caráter de uma "rebelião formar por culpa dos pau listas. História antiga de Minas Gerais. "Inteirado el rei das desordens acontecidas na distribuição das trinta arrobas.). o devedor dá mais o que importar a maioria da imposição.2. p. 46 47 . p.R. Haveria livros de registro para o assentamento das barras. ciente das desordens observadas na distribuição da finta das 30 arrobas. " ". cit. na Comarca do Rio das Velhas. p.) {neste serviçal gastam grande cabedal. Boxer e. buscando evitar os descaminhos do ouro"'. 1993.. data estipulada para o encerramento do sistema de fintas. e correriam por conta da Fazenda Real as despesas delas. porque lhe servem do maior prejuízo "76 . Revista do Arquivo Público Mineiro. vieram os livros e material destinados às Casas de Fundição e também a Carta Régia de 29 de março de 1719. Centro de Estudos Históricos e Culturais. Op.. .. Lourenço de Almeida.. Os escritos e créditos que se passam destas dividas. Ainda Boxer e Luciano R.• Ihando nele com quarenta e sessenta negros e muitas vezes com muitos mais . os !II! 'i lil Ii "povos todos têm concebido grande horror a estas casas. aonde o ouro se reduzisse a barras marca das no cabo superior com as armas reais.". que se Ihes não tiraria o quinto do adquirido durante a finta. fixou-se o prazo de um ano. aos motivos da eclosão do levante.

mais precária ficava a situação de acomodação nas Minas. APM. Em muitas circunstâncias. 1989. o qual se restringiu. Ils. 15v. as sedições eclodem porque "amadurecido numa espera inquieta e alimentado portada uma mitologia anti-fiscal. solicitou ao governador Ayres de Saldanha de Albuquerque que os remetesse com a maior brevidade para Lisboa de forma a "aialhar este grande dano't'" . Pedra de Almeida para Vasco Fernandes APM. Ouvidor e ex-Ouvidores prepararam o terreno para a eclosão do motim. governador do Rio de Janeiro.s.. intestinamente [estavam] os ânimos não menos levantados que estl. e que logo estariam em liberdade. e introduzirem-se nela despoticamente soberanos. encostando-se as Câmaras as opiniões dos povos acham nelas um grande apoio". César de Menezes de 10 de janeiro de 1721.. APM. Mas. Pedro de Almeida ao rei de Portugal de 10 de julho de 1720. oficialmente. p. em geral a "espera de um infortúnio". 2v. 3. o estabelecimento de contratos. _-' ~'. Reiterava D. Em carta ao rei. em que informava as dificuldades de outra vez se tentar estabelecer as Casas de Fundição e Moeda. Seção DISCURSO histórico e político. Mas nenhuma de tão perniciosas conseqüências. 59. a atuação dos ouvidores e das Câmaras loi decisiva na eclosão de motins nas Minas: u••• a experiência tem mostrado que depois que há ouvidores nas minas.. Na França de linais do século XVII e início do século XVIII. Pedra de Almeida ao Rei de Portugal de 14 de janeiro de 1721.". IIs. Esta notícia horrorizou a população da Capitania de tal forma que " . Estes motivos teriam sido os responsáveis pela repugnância dos povos quanto à alteração na cobrança dos quintos e. os cabeças da sedição. História do medo no Ocidente 1300-1800.b. Ils. Seção Colonial. que se renovavam ". observadas entre os atores coloniais perderam '(f . Jean. Na opinião de D. Códice SG 04. do Rio de Janeiro de 23 de janeiro de 1721. Quanto mais intransigente tornava-se a cobrança dos impostos e visível o abuso de poder. Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XV111 a V. SOBRE o estado deste governo e da eleição das Câmaras dele. particularmente o medo do aumento de impostos. Carta de D. eo CARTA de D. sussurros que conduziam o governo ao desassossego". Pedro de Almeida ao governador Colonial. APM. mas que contribuiu para a instabilidade nas Minas até os primeiros meses de 172179• O Conde reforçou a face mais rebelde do movimento: "Vários têm sido os motins e sublevações que em diversos tempos houve nas Minas. i. os mesmos que ainda eram indignamente vassalos'"" .. as instáveis estruturas acomodativas. 906 a 909. um rumor basta para incendiar a pólvora". nessa perspectiva. em especial os da carne e da aguardente e a eventual tirania dos ouvidores ou dos Senados da Câmara.alol R. .. APM. 909 a 911.. qual era alçar a obediência ao seu príncipe.) quase todo este governo [estava] não menos que subleva. presos no Rio de Janeiro. do (. Segundo o Conde. e tanto para temer.passados alguns me- ses da quietação (. Seção Colonial. preqcupado com as dificuldades que enfrentaria na cobrança do imposto. Ils. os povos haviam se levantado contra as alterações na forma da tributação. 849 a 855. São Paulo: Cia. Exemplo importante da relação estreita entre rumores e sedição foi o Grande Medo da 1789 na França. Pedra de Almeida Códice SG 04. ao rei de Portugal de 21 de janeiro de 1721. Estas perniciosas conseqüências da sedição podem ser detectadas na carta de D. p.. Pedro de Almeida ao Vice-Rei. Códice SG 16. Códice SG 04.~-~-~ ..ldu: vlullrlalroMil MlnH na prlmolr. 48 49 . IIs. a crescente tributação gerou a máxima que do "Estado tudo se pode temer".por toda a parte as sedições querendo envolver nelas os povos com a sugestão de que [o Conde] tinha jurado por as casas de fundição a todo o risco . oerum'T". Governador e Câmara e. todas as alterações que os povos têm movido são nascidas das suas injustiças ou movidas por eles mesmos" (SOBRE o modo de se tratarem os quintos na Casa da Moeda. 79 De acordo com Delumeau. que continuaram nas minas. Segundo Delumeau. Vasco Fernandes César.). 179188. Códice SG 13.. I ~ 81 CARTA de D. uma vez que se continuariam a pagar os outros impostos costumeiros. m. Tanto em Vila Rica quanto nas outras vilas haviam sido publicados vários pasquins sediciosos induzindo os povos a não pagarem os quintosO Conde. S2 e ". CI. Seção Colonial. especialmente. Pedro a Ayres de Saldanha de Albuquerque. também. seguro de serem os presos do Rio de Janeiro os responsáveis pelas alterações. influíam nos povos divulgando o boato que a Casa da Moeda seria transformada em Casa de Fundição. Op. Carta de D..lltJ.. 83 CARTA de D. 15. até o 16 de julho. pelo temerário e inaudito fim a que se encaminhava e dirigia. os insustentáveis conflitos referidos às formas políticas coloniais entre autoridades e potentados. conflitos inscritos dentro das regras do jogo colonial. do '''uIlIlYIII que incidiria sobre os negros vendidos nas Minas. novamente se referia o Governador ao estabelecimento das Casas de Fundição e aos "ânimos alterados e suspeitosos" nas comarcas do Rio das Mortes e do Rio das Velhas. das Letras. Por outro lado. Seção Colonial. os rumores nascem de um 'tunda prévio de inquietações acumuladas'. Afirmava o Conde correr nas minas o boato de que os responsáveis pela sedição de 1720 estavam inocentes. DELUMEAU. e seus seguidores.. usurpar ao patrimônio real esta rica porção. cit.. em conseqüência. como a presente do ano de mil setecentos e vinte. pelo levantamento da população de Vila Rica em junho de 1720.. Pedro de Almeida.

ss PARA os oficiais da cãmara de Vila Rica de 30 de junho de 1720. acatou todas as proposições. 172/209.entre todas [dele] a mais estimada't'". p.. V. 23v. 50 51 .. ". É verdade que os castelos que tinham fundado no protesto de sua fidelidade esvaeciam-se completament•• Mas em suma nenhum deles tinha assentado que daria testemunho de fidelidade mesmo a despeito da fome e.. Na opinião do Governador. ou de servir a afronta de Vila Rica de glória às demais vilas. proprietário de mais de 2. 243r. foram à casa do Ouvidor Geral da Comarca.lmllra metad.. V.. não foram diferentes as razões da ec1osão do levante de 1720. Códlce Costa Matoso (cópia). Op. revoltados. Segundo Magalhães: ' "No dia seguinte o jejum tinha operado merevitne« [nos oficiais da Câmara de Vila Rica]. Op. os oficiais da Câmara de Vila Rica acabaram por concordar em seguir à frente dos revoltosos até Vila do Carmo porque foram vencidos pela fome. cit. não obstante ciente da situação explosiva no distrito. 146.hnll'. amigo pllaoal de Pascoal da Silva Guimarães e Filipe dos Santos que tez. confessou-se perplexo aos oficiais da câmara de Vila Rica. Códice SC 11.e: vlo16no1l nU Mlnu na p..fJ Etnográfico do Brasil. os quais ao arregimentar o povo na defesa de interesses particulares ou compartilhados. Em Vila Rica. portanto. . Frei Francisco de Monte Alverne.'. J. sem o que seriamrepelidos à mão armada. Atas da Cãmara de Vila Rica... homem riquíssimo. 84 Em 29 de junho. "o m. ao encontro deles no Alto do Rosário. Rebeld."vlrem dfJ capa ao atrevimento com que os rebeldes. seu filho. Couto de. '''' I'. o . "causas inauditas nlltll motins'. particularmente daquelas que souberam distinguir-se nesta ocasião para fazer mais negra e mais feia a nódoa da infidelidade que nesta vila foi pública e manífesta=" .para o matarem. engendraram graves situações de soberania fragmentada. 68. O Governador lhes concedeu o perdão mas não atendeu os pontos apresentados no memorial.. Revista do Instituto Histórico. /' . De posse do memorial. admirado do levantamento da vila. O Gover- I.' " DISCURSO histórico e político.) aqueles tornaram a rasgar-lhe a livraria e apregoar os autos e deitá-Ias pela janela abaixo . Quando os rebeldes aproximaram-se da sede do governo. justificando que o havia feito por duas razões "mui urgentes".para terem pretexto de jazer sublevar todas as minas na dúvida se [ele se] opunha ao interesse comum em que todos estavam uniformes de não querer Casas de Fundiçãoí" . ~ .Imoço." .-. D. ou se os obrigaram a fazer as duas léguas de viagem naquele mesmo rigoroso jejum a que os tinham submetido por 24 horas'. e não o acharam (. Saindo da casa do Ouvidor. I nador porém. Para a descrição minuciosa do conflito ver:VASCONCELOS. Diogo. "B4. é interessante a seguinte passagem do Discurso histórico e polltlco: "P'rsoe qUfJ a Inquieta sorte dos passados r.. o Conde determinou ao Senado da Câmara da Vila do Carmo. novamente o povo se levantou e enviou três procuradores à Vila do Carmo exigindo resposta às suas reivindicações. fI.todos foram cúmplices no pouco zelo que mostraram e esta é cousa bastante para que não seja injusta a indignação de Sua Majestade. pfJrnlcloso'. Pedro. de comum acordo. fI.. entre escravos e camaradas. Revista do Arquivo Público Mineiro. Um episódio da história pátria (1720). MAGALHÃES. A primeira porque estava seguro da intenção dos cabeças que era . Na noite de 28 para 29 de junho. Z. 36v.. amotinaram os po- TERMO de vereança de 17 de agosto de 1720. Códice CMOP 06. Envíou com o Senado o tenente José de Morais. desceram do morro do Ouro Podre.J li Segundo pitoresca narração de J. p. APM. Geográ-/Ro. segundo o Conde. tom ordens de não permitir que os revoltosos seguissem em frente e de persuadi-Ias a enviarem um procurador ao encontro de D. os cabeças do motim esperavam -ique ele discordasse das reivindicações " . o sargento-mar Sebastião da Veiga Cabral. p. XXV (1937). A crônica ou a trsdlçlo não diz se os conjurados permitiram que eles começassem a execução do tratado por algum . do . Um letrado redigiu o memorial de reivindicações dos amotinados que foi encaminhado ao Conde Covernador'". 23. Frade Bento. distrito de Vila Rica. oonoentrados no morro de Ouro Podre. aproveitando o entretenimento da população em virtude dos festejos de São Pedro. muitas vezes sua viabilidade em decorrência da intensa disputa pelo poder dos principais atores políticos. p. 25 (1862). 242v.. 333. No que ae relere às Casas de Fundição. socolor de utilidade comum. nas Mina.V•••• loall. que fosse com seu estandarte arvorado. mascarados armados. e ajuntando-se a moradores da Vila.) inventou esta lei de quimos e casas de fundiçlo só para . ex-ouvldor Manoel Mosqueira da Rosa. ~. Pedro. ao som de tambores. Em 02 de julho. condenou a infidelidade dos oficiais da Câmara os quais " . cit. Couto de Magalhães.". e que afronta será para Vila Rica se virem privilégios a todas as outras câmaras menos a esta..~Io)M1I . 37v. concentraram-se os revoltos os na praça em frente à Casada Câmara e lá permaneceram por toda a noite. 87 principais cabeças da sedição de Vila Rica foram o mestre de campo Pascoal da Silva Guimarães.. os mais pertinaestavam completamente corda tos e mais que prontos a irem levar ao general a proposta dos rebeldes. tis. Na ocasião. vo. Cãmara Municipal de Ouro Preto.ld •• : vlolOool. os mais de mil amotinados obrigaram os oficiais da Câmara da Vila a acompanhá10s à Vila do Carmo e pressionar o Conde a uma resposta favorável" . V•••• Io.000 homens.b. o Conde achou por bem não levar em conta as exigências dos revoltosos. deliberaram pôr-se a caminho para vila do Carmo.notldo do Século XVIII I..~08 APM. B5 Ver Anexo I. " . Martinho Vieira.

correndo o risco de serem les tor abaixo praça. Argumentava o Governador que o descaminho do ouro era inevitável em razão dos "infinitos portos de mar". APM. O ouvidor foi descrito no Discurso histórico e político como ligeiro e leviano. o imposto dependia essencialmente da abundância do ouro que se extraía. 61.. nas índias de Castela. e querendo ainda assim conservar respeito e autoridade despótica maquinaram muito tempo". 75. restarem amotinados só os cabeças e seus negros.". "como depois mostrou a experiência't'". não era justo o pagamento do "quinto rigoroso". Premido entre as duas faces da sedição de 1720. Além do que. outros o oitavo ou o sétimo" . entregue ao Governador. Antes de eclodir o motim. cil. Exemplo aludido na época foi o desvio do ouro pata o resgate de negros na Costa da Mina. "descomposto nas ações.. 50 52 53 . Minas na primeira m. Martinho Vieira era dotado de modos altivos. . solto de lingua. a indisposição dos moradores e dos principais do distrito com o ouvidor Martinho Vieira sequer espantava o Conde pelo comportamento pouco amistoso e pouco ético do ministro" . 93 "TERJ Mineir~! O "quinto rigoroso" referia-se ao pagamento da exata quinta parte do ouro extraído._ContinuavaD.tld.Vassalos Rol na primeira r veesace Rebeldes: na primeira metade do violência nas Minas Século XVIII V•••• Io. .! Ver A. Códice SG 04. tornaram-se inflexíveis na recusa de pagá-Ias. uma vez que o trabalho de extração do ouro revelava-se excessivo e dispendiosa a aquisição de negros. nem tornassem a admitir-se outros postos por [Sua] Majestade. cit. fls. -_'. Op. APM. o Governador recomendou ao ouvidor Martinho Vieira tomar cuidado com suas atitudes porque "estes tais sujeitos [os poderosos do distrito de Vila Rica] lhe [queriam] fazer guerra por via dos outros ouvidores". p. Para a população da Capitania. ! conta I 84 •• SOBRE o modo de se tirarem os quintos na casa da moeda. D. pagando uns minera dores o décimo.) obrava tão sumária e If executivamente com as partes até que a sua exasperação prorrompeu neste desatino'í". Ouro Preto: v. do ouro tributava-se menos do que da prata e os mineradores não eram executados por dívidas cíveis. o Rei fornecia índios necessários para o trabalho mineral a um grande número de vassalos. VIi que f~ confe' do ocasii lei diminutas as catas. cit. Carta da Câmara de Vila Rica ao rei. com a política das Casas de Fundição. 855 a 878. Seção Colonial. nem ministros nestas minas. os mineradores arriscavam seu cabedal.9 A aversão dos mineradores ao estabelecimento das Casas de Fundição representou. Seção Colonial. Por seu lado. Não obstante os contínuos tumultos. 90 SOBRE os motins de Vila Rica e castigos feitos nos cabeças deles. enquanto as reivindicações dos mineradores de Vila Rica estavam contidas dentro das regras do jogo colonial existiu. LOS. SOBRE o modo de se tirarem os quintos na Casa da Moeda. na casa de Pascoal da Silva Guimarães. e que de todos falava com desprezo. Pedro afirmando ao rei negarem-se os povos a pagar o "quinto rigoroso'<" e. Ou seja. Códice SG 04. 15 de julho de 1720. Códice SG 11.. " Ibidem. APM. por parte do Conde. 1955-1957.. As reivindicações constantes do memorial do povo da Vila. o repúdio à tentativa da Coroa de cobrar o "quinto rigoroso". te. Anuário do Museu da Inconfidência. VI. Tratando desta situação difícil dos mineradores das Gerais. fls.7 APM. Doe. o Conde escreveu ao Rei de Portugal sugerindo que a idéia do estabelecimento das Casas de Fun-> dição nas minas fosse abandonada pela sua pouca utilidade'". 849 a 855. quando da prisão de João Lobo. PARA o ouvidor da comarca. Carta do governador julho de 1720. com a situação de soberania fragmentada. Rsbsld •• : vlol&noll no. 25 de junho de 1720. Nas Índias de Castela. portanto. o Conde acreditava. Ainda mais.5 SOBRE a revolta de 1720. p. DI B5 ao rei de 21 de se PARA Câmarei . A segunda razão do Conde residia na sua expectativa de. propondo ao Rei a criação da Casa da Moeda no lugar das Casas de Fundição e a taxação do ouro em 12%.0J?ição de negociar. sem exceção de pessoa . explicitada em movimento referido às formas políticas coloniais pelo qual os poderosos tentavam minar a autoridade do Governador e dos demais ministros da Comarca.. O Conde tentou contornar a situação de conflito. não ameaçavam a ordem colonial. o -que gerava desordens'": --. ex-capitão-rnor de Pitangui. . Pedro de Almeida buscou conciliar a resolução dos interesses do povo de Vila Rica. De acordo com as palavras do Governador. 10 de julho de 1720.. --ª-di~f2.. fi. uma vez atendida as reivindicações dos povos. inscritos dentro das regras do jogo colonial. DISCURSO 'histórico e político. do SlIoulo XViii muita: poder na dei grave: vante da po mado ajunte: Coma "sugerir o povo com pretextos aparentes da sua conveniência e valer-se desta para que não houvesse governador. SOBRE o modo de se tirarem os quintos na casa da moeda. e daí para as nações estrangeiras sem que fosse pago o quinto de Sua Majestade e sem "tirar deste comércio utilidade nenhuma para a fazenda [real]"92. Seção Colonial. nas minas de ouro de lavagem e de manchas incertas da América Espanhola (característica da maioria dos serviços minerais na Capitania). os oficiais da Câmara de Vila Rica justificaram ao Rei a revolta de 28 de junho de 1720 pelo crescente endividamento da população e a sua dispersão pela capitania. Doe. preterindo os termos judiciais e (. conspiração mui semelhante a de Catalina e urdida [por] pessoas que na desesperação de não poderem pagar a ninguém as exorbitantes dívidas que deviam. Os povos das Minas haviam argumentado que. -No calor da revolta em Vila Rica. 240v.

". o sargento-mor sugeriu ao Conde fingir-se de doente e deixar o governo em suas mãos por alguns meses. / potentados era o de tomar os lugares do Conde Governador e do Ouvidor Geral da Comarca. que a revolta chegaria logo ao seu término. 100 Ibidem. Para acalmar os ânimos dos revoltos os. consta que o Conde u••• {howe] por bem conceder a rodos os à outros quaisquer que se acharam no dito tumulto ou fossem cabeças dele. o Conde acreditou ser prudente considerar o perdão que os rebeldes pediam através dos procuradores do povo. APM. 6 de julho de 1720. Revoltou-se pela ameaça da cobrança das 30 arrobas de ouro dos mineradores de Vila Rica. Pedro reiterava aos oficiais sequer estar estabelecido o pagamento que caberia a cada uma das Vilas e que Vila Rica pagaria sua parte na tributação como qualquer outra localidade na Capitania'?". ao reunir-se. Em edital de moradores desta vila e não. tendo em vista a ocupação dos morros e desfiladeiros pelos amotinados que punham em perigo.r O objetivo. Em razão da sua permanência nas Minas. I porém.A decisão de conceder o perdão foi unânime. Pedro ainda informou aos presentes. ou o perdão concedido aos moradores de Vila Rica de 01 de julho de 1720. SOBRE Seção Colonial. perdão ..) com armas nas mãos intentando vir nesta forma a (Vila do Carmo ]"98 . se já era difícil cobrá-Ias de todas as Minas? D. haviam enviado cartas a todas as comarcas.. APM. na primeira metade do Século XVIII VassaJos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII __ > 1 I I I I I. Pedro lamentou comunicar que o povo continuava em tumulto não só com ". o Governador teve de ceder já que a revolta. APM. Tentando neutralizar Manoel Mosqueira. Se o indulto não fosse concedido " . visando colocar f 103lbidem. Ver nota de rodapé 35 deste capítulo. "Ibidem. os quais tentavam persuadir o Governador de que.. com o Ouvidor Martinho Víeira. 289r. 101 SOBRE a revolta de 1720. durante os ataques aos revoltos os. nomeou-o Provedor da Fazenda Real. 5G 11. 94v. c1aramemte explicitado. 104 ORDEM do Governador de 10 de julho de 1720. atingindo Sabará e Mato Dentro. superintendente das Casas de Fundição. o Conde 0 ~ i ~ I I i ~. De acordo com informações dos oficiais da Câmara de Vila Rica ao Rei. 54 55 . se generalizava. 94. Eugênio Freire de Andrade. os cabeças enviaram emissários à Vila Rica. por sua vez. e a "aceitação da casas de fundição (.. Códice 5G 11. Códice 5G 06. 244v. 102PARA os oficiais da Câmara de Vila Rica.. Para por fim ao conflito."I04. "constrangidas por força no mesmo tumulto". pessoas inocentes. explicitou-se com a presença de Pascoal da Silva Guimarães e Manoel Mosqueira da Rosa em Vila Rica. Seção Colonial. comentar-se na Vila que os amotinados preparavam mais reivindicações além daquelas já arroladas no memorial. na ausência do Ouvidor.. [ •• TERMO de perdão dado ao povo de Vila Rica na ocasião que se levantou de 01 de julho de 1720. IIs.entravam os povos destas minas em uma geral subleoação"?" . em 5 de julho o povo de Vila Rica novamente levantou-se. o Conde de Assumar providenciara a saída do ouvidor Martinho Vieira da Comarca. os conflitos só cessariam.. fI. O Conde informou também que os cabeças do motim. Insistia Veiga Cabral que os tumultos cessariam uma vez que o Conde se retirasse para São Paulo. Carta da Câmara de Vila Rica ao rei de 15 de julho de 1720.tenacidade mas também com indução de outros para engrossar o seu partido (.. No entanto. Doe. D. I ·f Mosqueira. /I ••... ~ VassaJos Rebeldes: violência nll Mino.. Como cobrar todas as 30 arrobas de Vila Rica.) tão meiindroea'"?'. D.. Códice 5G 11 fi. A face propriamente rebelde da sedição. Desejava tomar o lugar de Martinho Vieira e por isso incitou um novo motim no qual deveria ser aclamado Ouvidor. Códice 01 de julho de 1720. 243v. -> Àquela altura. para que os apoiassem.. fI.. D. importantes da Comarca. o sargento-mor Sebastião da Veiga Cabral pretendia tornar-se Governador. eu. o tenente geral Félix de Azeredo Carneiro e Cunha e o capitão de dragões [oseph Rodrigues de Oliveira. Não obstante o perdão. contudo. APM. tributação que se referia a toda a Capitania'?". Seção Colonial. Por sua vez. especialmente à do Rio das Velhas. dos . não ficou satisfeito com o ofício de Provedor da Fazenda Real.. já que o desejo dos amotinados era fazer-lhe Governador. aquela que caracterizamos como referida às formas políticas coloniais. Pedro foi informado de um novo motim a iniciar-se em 12 de julho. 11· v mostrara-se perplexo com a "imaginação" do povo. Em carta aos oficiais da Câmara. apoiada por grandes e pequenos. Nas noites que se seguiram. e solicitou ao Bispo do Rio de Janeiro que o nomeasse Provedor dos defuntos e ausentes. convocando os moradores que os acompanhassem "0 que achava fácil aceitação por servirem todos no interesse comum de requerer contra os quintos e casas de [undição"?". uma vez que eles ocupassem os postos mais . Seção Colonial. Enviou ao exOuvidor Mosqueira uma carta na qual expressava toda sua admiração e lhe pedia que assistisse] em Vila Rica para sossegar com seu respeito toda e qualquer alteração procurando que pelas passadas [ficassem] os ânimos quietos e sossegados em virtude do perdão que lhes [concedera] . em 1 de julho.

Através do bando de 13 de julho..rll. o Governador ordenou atear fogo às casas de Pascoal da Silva Guimarães e em muitas dos seus cúmplices situadas no morro do Ouro Podre de onde originavam.. tornando estes insolentes a aparecer lhe atirem e os matem por serem perturbadores do sossego público e inquietadores do pOVO"106• to de Vila do Carmo._. apossarem-se de seus bens e ficarem isentos de suas dívidas'!". Chegando à Vila.. II .. Por sua vez. Pedro queria uma platéia expressiva para presenciar o casti-. ção e a regenerescência destes locais. 797-798.-_._--- . cit. Códice SG 11. o alferes Manoel de Barros Guedes e o capitão Manoel da Costa Fragoso. o mestre de campo Pascoal da Silva Guimarães. . Este ritual já era observacto entre 01 romanos. não incorreriam em crime algum e ainda seriam recompensados com cem oitavas de ouro'?". Segundo costume da época. ameaçando incendiar toda a Vila. APM.. freqüentadores do morro de Ouro Podre e de Vila Rica. pata dominarem os povos. todas as noites." . fazendo lubibrio delas..•• _--. . 56 I 87 . _. Atas da Câmara de Vila Rica. O ban"0 TERMO de vereança de 17 de agasto de 1720.. o perdão concedido em 1 de julho continuou em vigor somente para o povo da Vila. as casas e vendas seriam arrasadas e queimadas "para que não houvesse mais memória delas"?" .tls. Revista do Arquivo Público Mineiro. para por em sossego [VilaRica1 e livrar o seu povo das vexações. 855 a 878.. dirigiu-se o Conde em 16 de. tinham "urdido uma conjuração feita entre eles para expulsar [das] minas Governador e ministros e todos mais oficiais de Sua Majestade". 290v.. Vassalos Rebeldes: na primeira metade violência nas Minas do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira melade do Século XVIII Sebastião da Veiga Cabral no poder e preencher os outros cargos e ofícios já previamente divididos por Pascoal da Silva Guimarães'?". .. . Dicionário de símbolos. hostilidades."110• D. tendo sido revogado para os líderes da sedição. no domínio [de Sua Majestade] rebelado contra as suas leis e reais ordens. representava a tentativa de tornar estes lugares inférteis para sempre.. APM.. _ . Frei Vicente Botelho: Frade Bento. . filho de Mosqueira e Frei Francisco de Monte Alverne.. Seção Colonial.._. ocorrida também em 12 de julho.. 106 BANDO de 13 de julho de 1720.. 440-443. 291r..fls. acusado de cabeça e instigador do levantamento.. tis. 105 SOBRE os motins de Vila Rica e castigos feitos nos cabeças deles. o Conde publicou um bando pelo qual determinava que todos os proprietários de casas ou vendas localizadas no morro de Ouro Podre se desfizessem delas no prazo de quinze dias..~. desatino tão atroz que ofende os ouvidos de quem o ouve escandalizadamente mais aos que com mediana fidelidade o presenciaram"!" .julho para Vila Rica.':. amigo pessoal de Pascoal da Silva'?". Com a reincidência do motim. Seção Colonial. o Governador tratou de por ordem em Vila Rica. p.. juntamente com 30 dragões... . XXV (1937).. para que não se repetisse o "horroroso atentado como para não deixar a mão alçada para outro".. Seção Colonial. e fossem se estabelecer em Vila Rica ou qualquer outro lugar que desejassem. acompanhado de todas as 'pessoas principais do distri0 I ~? ! I I I. prendessem os cabeças da revolta. 112 O ritual de arrasar e queimar com o usa do fogo os loei da desordem na colônia simbolizava a purifica... que foi executado sumariamente.. Foram presos Manoel Mosqueira da Rosa.. ! II I [ i III . 109 SOBRE os motins de Vila Rica e castigos feitos nos cabeças deles.. Era inconcebível um povo ". •.. com um número considerável de negros armados. estes homens disfarçados.. 14 de julho de 1720. determinou "... arrombaram e saquearam as casas. Códice SG 11. Em 17 de julho... invadiram Vila Rica. . geralmente os cabeças dos motins. p. I rI r. com um montante de 1500 negros armados e a companhia de dragões ". APM.. no sítio de Cachoeira do Campo...apóI a destruição pelo fogo. A prisão dos cabeças desencadeou um novo motim. go exemplar reservado aos amotinados. o uso do 811.~--_.__ . . prendeu-se Filipe dos Santos. Aqueles que exterminassem os mascarados. t t t Ibidem.... Segundo o Governador.. aspectos positivos da destruição.. inquietações e extorsões que lhe faziam os cabeças amotinadores e perturbadores do sossego público . Carta do Governador ao Rei de 21 de julho de 1720. os motins. que jogavam sal nas terras das cidades que destruíam para-tornar o solo eternamente 111.. 108 SOBRE se querer somente castigar os cabeças do motim de Vila Rica. ultrajando-as e inventando novas leis para se observarem.~_ . Códice SG 04. CHEVALlER. 291 r.. missão concluída com êxito. Homens mascarados. A esta altura. para evitar todo o gênero de desassossego que têm com os mascarados. Inibindo I geração de novas idéias rebeldes e a recorrência das desordens. Cf.... _ . 1°'lbidem. 145. Doe. 291v.>. ..> O Conde determinou que o ajudante de tenente Manoel da Costa Pinheiro. quebraram portas e janelas.~. Durante o começo de uma sublevação. Jean et ai. . Generalizada a desordem.

o Conde convocou o Ouvidor Martinho Vieira para reocupar o seu lugar na Comarca. Somente foram queimadas as propriedades de Pascoal da Silva Guimarães. convir ao sossego e quie/ação destes moradores. ATAS da Câmara de Vila Rica. Em 20 de julho... Pedro de Almeida.soltura com que vivem os poderosos nesta terra. na opinião de D. demasiadamente benignos para tanta perversidade. Diogo de. senão for o mais essencial (. APM. p.. Martinho Vieira. 248v. I . VASCONCELOS. APM. aonde todos [conseguiam] com as armas na mão tudo quanto [intentavam]"1l6. Existe uma polêmica quanto à destruição do morro de Ouro Podre que teria sido totalmente incendiado e passado a se denominar Morro da Queimada.a malícia ta a Ordenação do Reino.. 11. 116Ibidem.. e favorecendo [o das minas] a liberdade e a dissolução. IIs.. líder da sedição de Pitangui (ver capitulo 4 deste trabalho)..fI. mais um caso híbrido de comportamento dos atores. 11v e 12. Seção Colonial. . é um exemplo desta liberdade de ação dos potentados e das dificuldades de o governo controlar a Capitania das Minas Gerais. TERMO de acórdão de 08 de agosto de 1720. não [era] possível que se [conservasse] a paz.1<PARA o Dr. nas casas e roças de Domingos Rodrigues do Prado. por termo de acórdâo. APM. 248r. Códice SG 11. et 58 . O Conde de Assumar queixou-se ao secretário de Estado. cit.. de 14 de dezembro de 1720.) para todos os climas. ". 291v. Seção Colonial. Não obstante vários são os relatos que atestam a destruição total do Morro de Ouro Podre. tendo os bens confiscados e estando sujeitos às penas da lei pelo horroroso crime em que ficariam incursos'"'. cada um. observando em tudo o regimento que Ihes havia de dar o Senado para melhor expedição às obrigações de que Ihes faziam cargo". Nem por isso a inquietação em Vila Rica e nos demais distritos da Capitania foi aplacada.) um dos danos maiores. 113 BANDO de 17 de julho de 1720. A próxima sedição examinada. repartidos pelos bairros de Vila Rica à noite. 139. Cf. "homens dos mais capazeS' que deveriam. Exemplo mais conhecido deste ritual está ordenado na sentença de condenação de Tiradentes. por exemplo. Seção Colonial. IIs. Rebeldea: violência nas Minas na primeira melada do Século XVIII \ do especificava ainda que todos os moradores de Vila Rica deveriam estar recolhidos às suas casas no prazo de três dias sem o que seriam considerados cabeças dos rebeldes e traidores de Sua Majestade. 115 CARTA para o secretário de Estado. Revista do Arquivo Público Mineiro. da ". a qual determinava arrasar e salgar a casa em que vivia o Alferes Joaquim José da Silva Xavier "para que nunca mais no chão [coisa alguma] se editioue". e não haver lei que [proporcionasse] os termos à sua soltura (.. Códice SG 11. que ameaçava arrasar e queimar casas e vendas situadas no morro. e usando-se só dos meios que apon- 1\ I il I. Em razão das desordens.) e que não pode haver uma lei geral (.. a Câmara de Vila Rica resolveu eleger seis cabos das rondas. Op. comunicando-lhe a prisão dos principais da sedição e o esquartejamento de Filipe dos Santos'" . Códice SG 13. dos poderes limitados dos governadores na contenção das desordens nas minas onde " . não encontramos nenhum documento que confirmasse a sua destruição total. Diogo de Mendonça. Apesar do bando do Conde de Assumar. incorporando a versão na história dos motins de 1720 em Vila Rica.I i Este procedimento de queimar e salgar propriedades dos cabeças das revoltas foi utilizado.Vassalos RebeldeS. dos mal contentes [era] muitas vezes mais atendida que a sua [dos governadores] justificada razão'T": A eclosão de motins que entendemos como referidos às formas políticas coloniais derivava. violêncIa nas Mlnu na primeira metade do Século XVIII Valllo. 20 de julho de 1720.. Diogo de Mendonça. XXV (1937).. reunir 12 homens e.

Sobre o assunto ver: MATA MACHADO. I /I onde nunca se conheceu Rei. barra do Rio das Velhas (hoje Guaicui). 1991. 11 passim. da taxa de capitação no Sertão do São Francisco e se generalizaram a partir dos entendimentos entre a gente miúda e os grandes potentados. p. 1918. Embora distante de Sabará. A revolta do Sertão do São Francisco compreendeu urna série de motins os quais constituíram "uma rebelião declarada que (..os motins de 1736 foram muito violentos. Belo Horizonte: Imprensa Oficial.mulatos. levantou-se a região noroeste da Capitania de Minas Cerais'" . 1690-1930." Em 1736. . I1 ! I ! Os motins resultaram do repúdio dos moradores do noroeste de Minas ao estabelecimento. Japoré (hoje Nhandutiba).. Diogo de. t18 VASCONCELOS. História média de Minas Gerais. p. entre outros núcleos urbanos menores. 61 . A sedição de 1736 apresenta particularidades se comparada aos motins híbridos ocorridos em Vila Rica em 1720. a sua inclusão nesta Comarca se explicava pela indefinição I I 117 A região noroeste de Minas. Bernardo. em fevereiro de 1736. índios . Belo Horizonte: Imprensa Oficial.) não achamos na história de minas tempestade mais temerosa em todo o período cotoniai"?". Manga. A dinamização do noroeste de Minas i I ~ I O Sertão do São Francisco estava. compreendia os arraiais de São Romão. mamelucos. na terceira década do século XVllI. Além de contar com a participação das camadas mais baixas da população do São Francisco nas assuadas .I r i r I I I i CAPÍTULO 3 POTENTADOS E BANDIDOS: os motins do Sertão do São Francisco I .98. . Brejo do Salgado (hoje Januária). História do sertão noroeste de Minas Gerais. Montes Claros. Capela das Almas. Embora os motins possam ter se iniciado apresentando características de uma tax rebellion. que denominamos o Sertão do São Francisco. logo definiram seus contornos de revolta referida às formas políticas coloniais. provavelmente pelo desenvolvimento singular da região. sob a jurisdição da Comarca do Rio das Velhas.

e nos de seus afluentes como o Verde. p. o que ficou positivado com a criação das três primeiras comarcas. Formação do Brasil contemporâneo. foram organizadas para este fim bandeiras e entradas. com sede na Vila Real. v. da Bahia.'ro. em o qual mudavam de rumo conforme a jurisdição. no que se referia à jurisdição eclesiástica. A região. sobre as Minas do Brasil. uma das quais. os formadores dos núcleos criatórios e comerciais do noroeste da Capitania de Minas Gerais. limitando-se ao sul com aquelas duas. Ii l 119 Segundo Joaquim Ribeiro Costa: "Na criação das primeiras vilas limitavam-se os respectivos atos oficiais à declaração pela qual eram os antigos arraiais elevados àquela categoria. e com tão continuada freqüência facilitaram o trânsito daquele caminho que muitos deles transportando por ele suas mulheres e famílias mudaram os seus domicílios de São Paulo para as beiras do dito rio de São Francisco.172. Embora a proximidade com a Bahia possa sugerir um povoamento derivado das regiões baianas e pernambucanas. É o que teria ocorrido na fixação dos limites entre Vila do Carmo e Vila Rica e entre estas e a Vila Real de Sabará. ao que parece. p. Belo Horizonte: Imprensa Oficial. Anlxa 87 .. COSTA. pelo qual entravam e cortando os vastos desertos que medeam entre as ditas vilas e o dito rio. p. Consta do documento anônimo Informações sobre as Minas do Brasil: "Das vilas de São Paulo para o Rio de São Francisco descobriram os paulistas antigamente um caminho a que chamavam Caminho Geral do Sertão. Vir 2. Caio. ser reduzido "à boa ordem e sujeição à justiça" • Desde que o apresamento dos índios tapuias se constituiu como economia básica da Capitania de São Vicente. 1 (1896). com sede em Minas Novas. Caio Prado Júnior. em razão da tardia criação do Bispado de Mariana • Como o Sertão do São Francisco não se vinculava à economia de exportação.montagem de um vasto aparelho burocrático. Sertão. em sua obra clássica Formação do Brasil contemporâneo.Vassalos Rebeldes: violêncla nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século xvm dos limites territoriais de cada jurisdição . da foz do rio das Velhas para o norte. A ocupação do São Francisco desviou-se dos pressupostos administrativos básicos da política metropolitana para as regiões mineradoras . História das bandeiras paulistas. nesta área.. embora sua formação e desenvolvimento estivessem intimamente ligados a estas. 197. o Carinhanha. que devia.n. Pernambuco e Bahia sendo para todas geral o dito caminho até aquele termo fixo que faziam nesta. p. do dízimo. 80. 124 Anais da Biblioteca Nacional do Rio de 1963. São Paulo: Melhoramentos. Foram criados juízes. A resistência à tentativa da Metrópole de organizar a área não foi pequena.. por todos os mei12l os. 662. o Paracatu'" . Mas o Sertão continuou "um país (. e a leste. A sua delimitação verificava-se na medida em que se estendia. --. Assim. e a INFORMAÇÕES (1939). Foi. Motins do TAUNAY. J. importantes bandeirantes paulistas .fundaram enormes fazendas de criação no vale do São Francisco. ou naquela parte do rio de São Francisco. teve ajustada a sua divisa com as de Vila Rica.t. afirma que o norte e noroeste da Capitania achavam-se povoados pelos baianos desde o século XVII e que a ocupação realizada pelos paulistas não teve contínuídade'". 1970. 121 de 29 de junho de 1736 e de 17 de outubro de 1737. a ação das autoridades até onde não se entrassem em conflito com a autoridade vizinha. podia-se observar. à semelhança dos juízes de vintena. Toponímia de Minas Gerais. e designados o capitão-mor e cabos de milícia para sustentarem as decisões judiciais. 649-600. Revista do Arquivo Público Mineiro. Desta forma. o Urucuia. 120 Segundo Afonso de Taunay. Esta última. que a da força". Foram os responsáveis por estas banli 1l9 1 \ deiras. não teria naturalmente outros limites a observar pelo simples fato de que outras vilas não haviam sido criadas. nas quais era cobrado o imposto. como foram Maranhão. 153 62 . ligava-se porém. por aqueles lados. nele fizeram várias conquistas de tapuias e passaram a outras para os sertões. aos Bispados de 12o Olinda e. sua jurisdição se estenderia até onde chegassem. 122 123 PRADO Jr. margem esquerda ligava-se ao Vigário da Vara que regia a área pernambucana. tributário e fiscalizador. Joaquim Ribeiro de. de diversas jurisdições. Afonso. mas não faziam referência ao território da respectiva jurisdição. transformadas em meados do século XVII em prescrutadoras de metais preciosos. ou Capitania a que encaminhavam. submetida administrativamente à Comarca do Rio das Velhas. ou conveniência que se lhe oferecia. os limites da capitania.) habitado de régulos que não conheciam outra lei. a jurisdição da vila de Sabará foi muitíssimo maior que as das outras duas reunidas'.p. tocando a esta a parte do sul e àquela a do norte. na prática. A Carta Régia de 20 de janeiro de 1699 representou o primeiro esforço para introduzir alguma ordem no Sertão. tanto ao norte como a oeste. meio civil meio eclesiástico. as evidências documentais nos permitem afirmar que to (ia aár~a_foi originalmente povoada pelos paulistas aos quais se deveu também a sua dinamização.> Somente após a instalação do Arcebispado da Bahia foram criadas freguesias no Sertão. nas quais hoje se acham mais de cem casais todos paulistas e alguns deles comcabedais muito grosSOS"123. como sedes de municípios. grande fluidez adminis-' trativa e uma organização sócio-econômica bem diferenciada daquela da região mineradora. • A margem' direita do São Francisco CARTAS de Martinho de Mendonça submetia-se à Vigaria Geral.

dificultando o controle da região. Minas do S6culo XVIII V•••• Io. e. uma saída para burlar os agentes metropolitanos. Em 1736. matldo do S6culo XVIII A dinamização da economia agro-pastoril do noroeste de MiA tentativa régia de fechar os caminhos para Goiás explicitavase na Carta Régia de 10 de janeiro de 1730 que ordenava a existência de um só caminho para a região via São Paulo. 64 65 _" . A articulação comercial entre o noroeste de Minas e Goiás representou. CARTA de 12 de outubro de 1732. escravos. garimpando à beira dos rios. Sérgio Buarque de. Em 1734 informava o Conde de Sarzedas ao Rei que haviam sido abertas novas picadas "por onde vieram do rio de São Francisco e das Minas nas. brasileira. apesar da cobrança da capitação ter se realizado. o comércio das minas com a Bahia. na. Segundo o documento: "Quanto ao primeiro motivo que respeita à conveniência dos moradores das minas. mas também gados. p. A dinamização da área do São Francisco foi gradatíva.mmenor valor do que lhe custam no Rio de Janeiro. A área mineradora goiana. Documentos interessantes. Tentativa infrutífera. MOTINS do Sertão. Op. mostrando "o aparecimento de ati- vidades produtivas novas. mas precisamente necessá~ia a que eles têm no comércio do rio São Francisco. 179. 125 \26 INFORMAÇÕES sobre as minas do Brasil. uma vez que atraem por vias diferentes o produto delas" 129.posição estratégica. à semelhança do sertão agro-pastoril do São Francisco. resultou de uma dupla conjugação de fatores .1. foi proibido. v. do que o das próprias jazidas. Para se evitar o descaminho do ouro. de tal sorte que de nenhuma outra parte lhe vão nem lhe podem ir os dos gados. centro geográfico do intercâmbio que se estabelecia. de farinha e de outras causas. Fica evidenciado através do exame das Informações sobre as Minas do Brasil que o volume do comércio entre a área agro-pastoril do noroeste de Minas e a área mineradora da Capitania já era vultoso na virada do século XVII para o século XVIII. A possibilidade de contribuir para o abastecimento da população mineira incentivou a formação de grandes currais nas margens do São Francisco. \ HOLANDA. montar seus núcleos próprios de produção. 99.1. Mina. 127 \28 129 Carta de 15 de março de 1734. São Paulo: Nacional. Virgílio Noya. excetuando-se o comércio do gado. muitas vezes. 1979. governador interino de Minas Gerais. todas precisas para o trato e sustento da vida"!" . p. com o interesse de extraírem os pagamentos em ouro sem pagarem os quintos que se deve. 1977. Martinho de Mendonça. pelo caminho do São Francisco. p. um numeroso contingente de escravos fugira para a região de Coiás!" . 98. no quadro do movimento de articulação interno entre as várias capitanias promovido pela mineração. Em 1726 iniciava-se a exploração aurífera de Goiás e já em 1732 estabeleciam-se os primeiros vínculos comerciais com a nova área mineradora. prlmolr. p. São estas condições que permitiram à região intermediar o movimento do fluxo de mercadorias que envolveu tanto o setor minerador da própria Capitania quanto o comércio da Bahia. n. Da mesma sorte se prove pelo dito rio caminho de cavalos para suas viagens.2. História geral da civilização Rio de Janeiro: Ditei. O comércio com as minas de Goiás representou um dos pontos altos da economia do norte de Minas. Goiás e Mato Grosso. área de povoamento peculiar. cil. ainda. In: -. Metais e pedras preciosas. não só é grande. espalhados por uma área vastíssima. marginado por rota terrestre já existente e via natural de acesso.VlIIIiOI Rtblldtl: 11Iprlma~. Providências neste sentido estão contidas nas or- co. a Vossa Majestade"127. Robtld •• : vlolOnelana. atendendo ao crescimento da demanda das regiões mineradoras. 663. Os moradores de Coiás. apresentou grandes dificuldades para se enquadrar dentro do esquema metropolitano e manter as formas acomodativas entre sua população e a Coroa. não menos rendosas.289. porque não os há nos sertões de São Paulo nem nos do Rio de Janeiro. Ibidem. Sérgio Buarque de Holanda enfatizôu a expansão de mandiocais. A lavoura desenvolveu-se em razão do mercado crescente para os seus produtos._"u 4 . Apud PINTO. de sal feito de terra no rio de São Francisco. O ouro brasileiro e o comércio anglo-português. algodoais e arrozais. a implantação de engenhos com o desenvolvimento da cana-de-açúcar. E grande porque lhe entram por ele fazendas de todo o gênero. Neste mesmo ano escrevia o Conde de Sarzedas ao Rei D. Currais e Minas Gerais"126. e mais cousas necessárias para o seu uso cO. Revista do Arquivo Público Mineiro.mllldt vlollnel. E precisamente necessária porque pelo dito rio ou pelo seu caminho lhe entram os gados de que se sustenta o grande povo que está nas minas. dificilmente constituíram em núcleos urbanos. no momento de resistência ao estabelecimento da taxa de capitação na área agro-pastoril do São Francisco. nômades. 4 (1896). localização às margens do São Francisco. informou ao rei de Portugal que. p. João V que o arraial de Meia Ponte esperava" carregações e muito maior número de gado do rio de São Francis- Gerais não só fazendas.

as quais ofereciam as carnes e as farinhas necessárias ao sustento dos mineradores. Brejo do Salgado. nos primeiros anos que sucederam descobertas. as facilidades para o desenvolvimento das lavouras e os lucros obtidos pelo gado e demais produtos nas minas. nos principais e mais freqüentes pontos das rotas que buscavam aquelas regiões"133 ."o arraial tem grande fama pelo seu amplo tráfego comercial" 132. de sal"!". Com o aumento da produção paulista. a riqueza destes grandes proprietários. açúcar e. de 23 e 25 de setembro e 20 de dezembro de 1701. todos os demais arraí- comercial de importância com negócios de peixe. em 1705. A produção e a intermediação fizeram surgir importantes empórios comerciais na região . Tal situação tornou o comércio através do São Francisco fundamental para a sobrevivência das minas nos seus primeiros anos. As providências foram renovadas por D. Toda essa massa de mercadorias que era comercializada com as áreas de extração aurífera voltava em ouro. afirmou Waldemar de Almeida Barbosa que o arraial foi "centro Brejo do Salgado foi considerado. é fácil inferir a alta capitalização dos fazendeiros da região. como veremos. ELLlS.que controlavam a saída do ouro das minas. Tratando de São Rornão.Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII dens e bandos de Arthur de Sá e Menezes. 436. ao mesmo tempo. permitiu a emergência de potentados e. na criação de gado e na produção de gêneros de subsistência para o consumo das regiões mineradoras. A região noroeste. Revista de História. 'A totalidade dos arraiais do noroeste da Capitania de Minas Gerais teve a pecuária e a produção de gêneros de subsistência como base de sua economia. Estes empórios. p."postos fiscais estabelecidos nos limites dos distritos mineradores. onde o poder das autoridades era apenas nominal. Waldemar de Almeida. melancias. 1951. sofria muito pouco com a tributação. 1971. seja através da via fluvial. Morrinhos. no século XVIII. em atos de 16 e 25 de setembro de 1702. 472. p. se comparados com aqueles recolhidos nas vilas da Comarca do Rio das Velhas. as proibições nunca foram respeitadas. Belo Horizonte: Itatiaia. BARBOSA. Segundo Mafalda Zemella: "A vida nas minas. 155. conseqüentemente. Miriam. ao contrário da região mineradora. assegurando assim a continuidade da indústria extrativa do ouro" 130. de onde saíam boiadas para a região do rio das Velhas.O desenvolvimento econômico do sertão do São Francisco apoiou-se. A região agro-pastoril do noroeste de Minas. porque seus núcleos urbanos não possuíam as insígnias de vila. evidentemente ínfimos. 1971. seria praticamente impossível sem os fornecimentos partidos do Recôncavo e das zonas marginais do São Francisco. p. Contudo. carne. escravos e gêneros. dos impostos locais recolhidos pelos Senados da Câmara e das propinas. p. Com exceção dos dízimos da Ordem de Cristo e dos impostos cobrados nos registros . sobretudo. João Emmanuel. sofreu uma aguda crise em razão da grande demanda das minas nos seus primeiros anos. ficava ainda excluída dos direitos de peagem. o maior empório comercial entre o Alto e Médio São Francisco. reforçadas pela Carta Régia de 9 de dezembro do mesmo ano. primeiro centro abastecedor das Gerais. tiveram peso significativo na Capitania de Minas Gerais durante o século XVIII. Álvaro da Silveira de Albuquerque. por não se constituir em área de mineração. A importância de Barra do Rio das Velhas foi assinalada por João Emmanuel Pohl. assim. São Paulo: USp. O mercado paulista não estava em condições de suprir as necessidades das minas e. Viagem ao interior do Brasil. da venda de gêneros de subsistência para fora de São Paulo. Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais. graves dificuldades para a manutenção das formas acomodativas no sertão do São Francisco . Belo Horizonte: Promoção Familia. . aliada à grande autonomia administrativa da região.. 67 .Barra do Rio das Velhas. 131 66 I 't' I 132 133 POHL. Mafalda. Ressaltando a baixa capitalização da atividade pastoril. a tributação praticamente inexistia no sertão do São Francisco. do São Francisco. da Capitania de Minas Gerais no século XVIII. Deve-se também ressaltar que o mercado paulista. Com exceção de São Romão. seja das rotas terrestres do sertão. isenta do quinto. único arraial onde se recolhia impostos.10 e 13 de março de 1703. o abastecimento 1~ ZEMELLA. isto sem levar em conta os lucros da intermediação comercial. a proibição foi cancelada em 1722 mantendo-se somente a restrição quanto ao comércio de gado. principalmente pelas maiores facilidades oferecidas para o escoamento das mercadorias. sustentar as regiões vicentinas o que acarretou a proibição. fiscalizavam e taxavam pessoas. 36 (1958). 68. Contribuição ao estudo do abastecimento das zonas mineradoras do Brasil no século XVIII. situados no caminho do São Francisco. São Romão. Assim.

de aumentar a contribuição dos quintos para um mínimo de 100 arrobas anuais.Os lavradores. p. as vendas eram taxadas proporcionalmente aos seus cabedaís'" . Op. Diogo. Minas e quintos do ouro. visitar a Casa da Moeda no Rio de Janeiro. Martinho de Mendonça deveria. cit. seus respectivos proprietários e suas residências. indicaram a possibilidade de se adotar o imposto da capitação. Em 1733.. C. Cf. em razão das exigências do novo sistema. 138 137 131 BOXER. outro bando da mesma. oficiais de qualquer ofício e escrávos ficavam obrigados ao pagamento de 4 3/4 oitavas de ouro per capita. escrivão e meirinho . do número de escravos que vivia nas Minas e a ocupação deles. informar-se. o que se efetivou a partir de 1735. entrar em acordo com o Governador das Minas e os procuradores das vilas sobre a melhor maneira de se cobrarem os quintos. as pequenas (de 2000 a 3000 cruzados) e os mascates seriam t8!<ados com 4 oitavas de ouro. dízimos sobre sua produção e a capitação referente aos seus escraVOS 137 • '. é pois geral o sentimentocom que se vem decrescer as forças dos 'poVOS .000 cruzados) pagariam 12 oitavas de ouro. esta vigorou em 1734 e 1735 apenas.s. subordinado ao Governador. Conde de Galvêas. C. 68 69 . passlm. -O regimento constava de 41 capítulos que dispunham sobre o processo de cobrança da taxa. "se são mineiros. Secretário de. se roceiros. sem diminuição do que por direito está Vossa Majestade recebendo. a qual seria realizada nos primeiros dias dos meses de janeiro e julho. REPRE$ENTAÇÃO. A análise de Boxer pode ser comprovada pela representação oficiais da Câmara de Vila Rica ao Rei na qual tratavam da dos ". 85·88." opressão universal dos moradores destas Minas involuta no arbítrio atual de se cobrarem os quintos de Vossa Majestade devidos. os oficiais finalizavam o documento pedindo a real "piedade e compaixão" na providência e suspenAs lojas grandes (mais de 30. ao qual eram submetidos os oficiais da Intendência .r'·'· Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeld •• : violência na. já que os escravos pagavam a mesma quantia independente dos resultados da extração do ouro. 216/221. Pela portaria de 01 de agosto de 1735 foram estabelecidas as Intendências das comarcas de Minas. A Coroa persistia no propósito de estabelecer o sistema de capitação. cit. as médias (de"\S. VASCONCELOS. 4. por sua vez. Em cada distrito haveria um Intendente. Minas e Quintos do Ouro. João V Consultas aos ex-governadores das Minas. A respeito do sistema de capitação ver: VASCONCELOS. e D. sofriam uma dupla taxação pois pagavam . R. CI. 30 de outubro de 1733. o qual foi confirmado por carta do Secretário de Estado de 15 de agosto de 1736. com precisão. 134 135 Segundo a sua Instrução. Conde de Assumar. foi enviado para as minas Martinho de Mendonça de Pina e de Proença. Segundo Boxer. na primelramOCàde do Século XVIII ais e a totalidade da população de taxações de fato até 1736. R.. Diogo R. O Governador encarregava-se de distribuir aos Intendentes os bilhetes da matrícula da capitação. Op. Pedro de Almeida. Gomes Freire de Andrade assinou o regimento da capitação em 1735. permanecendo as Casas de Fundição. do noroeste mineiro ficaram isentos Os motins do sertão Ao se iniciar os anos 30 do século XVIII. P. "138. fiscal. o alcance do poder dos Intendentes e as medidas punitivas aos sonegadores do imposto. REGIMENTO ou Instrução que trouxe o Governador Martinho de Mendonça de Pina e de Proença de . 3. este foi mandado cumprir por bando de 01 de julho de 1735 e. fi. Op. data determinou o retorno à circulação do ouro em pó após o fechamento das Casas de Fundição e proibiu a circulação de moedas na Capitania. Pelo novo sistema homens livres. o volume do ouro arrecadado na Capitania ficava muito aquém das expectativas de D.tesoureiro.e todos os moradores do distrito. Mina..000 cruzados) 8 oitavas. Da matrícula deviam constar o nome e a pátria dos escravos. entre outras diligências: 1. e BOXER. 898. clt. 42r. 2. João V134. Incidia de forma mais contundente sobre os pobres do que sobre os ricos. em que sítios e por que espaço de tempo costumam estes minerar'. Seção Colonial. Op. podendo ser pagos com alguma suavidade de outra forma. D. Aceita a contra-proposta. Revista do Ar~uivo Público Mineiro. sem dependência de escravos. na consideração de que ainda sejam lícitos os fins se deve abraçar os meios mais toleráveis. Com a possibilidade de se adotar a capitação. Igualmente os proprietários de estabelecimentos deficitários arcavam com os mesmos ônus daqueles que "retiravam grandes proventos" dos seus estabelecimentos . examinar os materiais e instrumentos que haveriam de ser enviados para as Minas. 3 (1898) p. "a taxa de capitação mostrou ser altamente impopular". responsável pela implantação do novo sistema':"... p. 217. insistir para que os moradores das vilas aceitassem a "capitação geral de todos os escravos e uma contribuição proporcionada aos lucros que se faziam nas Minas.o.OOO a 20. ficando os demais direitos antigos em seu vigor". Aprovado o regulamento da capitação. segundo as diretrizes traçadas por Alexandre de Gusmão.. p. cit.de. APM. Códice CMOP 49. Após a exposição do argumento.D. "de sorte que se faça com a menor vexação que for possível". as Câmaras apresentaram uma contra-proposta ao então Covemador André de Meio e Castro. Lourenço de Almeida.

desde que André Moreira persuadisse os moradores do Sertão da justiça do sistema. Para esta cobrança. ao contrário dos povos das minas. da Barra do Rio das Velhas e do Rio Verde. APM. 44r. onde os negócios se iam fazendo cada vez mais retraídoS no conceder crédito aos mineiros". Pela portaria de 19 de fevereiro de 1736 foi designado André Moreira de Carvalho. não só para obter informações precisas sobre os movimentos do São Francisco como também para controlá-los!": O primeiro motim eclodiu. Op. p. APM. durante algum tempo. antes de terem pago por eles. p.o livro de matrícula deveria ser entregue ao juiz de São Romão e remetido à Intendência de Sabará até o último dia do mês de abril. através do rio São Francisco para a região do Carinhanha. . muitas vezes tinham esses escravos seqüestrados pelos funcionários da Coroa. Martinho de Mendonça. em sua primeira cobrança. atitude a qual.. de acordo com o Governador Interino. cít. Carla M. 114. fls. Brejo do Salgado. VASCONCELOS. às quais-recomenâou que não vexassem os pOVOS"141 . Cf. uma. O comissário teria de fazê-los reconhecer o supremo poder da Coroa. ficaram à espera da esquadra do Barreto. Seção Colonial. Martinho de Mendonça "autorizou pessoas de seu conceito. como mostrou a experiência nos motins do Sertão. 17 de junho de 1736.de. APM.. fls. 22. em novembro de 1737. no arraial de Capela das Almas contra o juiz de Papagaio. a maior parte das pessoas era forçada a fazer empréstimos de mais quantidade de ouro. cobriria seis meses passados tornando-se esse procedimento regra geral para os futuros pagamentos. P. fi. CARTA de Martinho de Mendonça ao Dr. Códice SG 54. em março de 1736. p. Seção Colonial. VASCONCELOS. p. além de estarem isentos dos serviços de guerra'". personificado nos agentes metropolitanos e alertá-los de que. Paracatu e caminhos de Goiás. Dissertação de Mestrado. Bernardo. Os amotinados. A situação era agravada pela adoção da penhora por dívidas daqueles que não podiam pagar ou que atrasavam o pagamento da taxa nas datas estipuladas. Cf. Diogo.o comissário deveria exercer rigorosa vigilância para que não houvesse a possibilidade de fuga dos moradores com os escravos. 243-248. sempre haviam sido poupados do pagamento 139 140 Ibidem. junto ao Rio Verde. 2 . contra o comissário da capitação. 141 "'Ibidem. com longos prazos e os mineiros que não podiam pagar sua taxa de capitação. de impostos. tratou imediatamente de reunir elementos de reação". Op. a penhora por dívidas acarretou a retração do crédito aos mineiros'!". Martinho de Mendonça "que já estava prevenidíssimo sobre indícios de uma sublevação. Códice Costa Matoso (cópia). Seção Colonial. Tanto foi assim que. Urucuia. História média de Minas Gerais. Sobre os motins do Sertão ver: ANASTASIA. R. p. 898/899. logo que teve conhecimento dos motins de Montes Claros.". Diogo R. \ 70 71 . Op. Estes tumultos. e os seis que corriam. A resistência da gente miúda em pagar a taxa recém-estabelecida e as ameaças ao poder político dos potentados do Sertão foram responsáveis pela eclosão e generalização dos motins. em semelhante matéria não se deve desprezar qualquer princípio. BOXER. ao tempo do pagamento. P. O segundo movimento iniciou-se em princípios de maio no sítio de Montes Claros. Minas e quintos do ouro. 898 passim. o Governador afirmava com relação a um provável início de revolta em Vila do Carmo: "..João Soares Tavares. Op. ou então vender seus próprios pratos. Esse estado de coisas acabou por produzir efeitos desfavoráveis no comércio com os portos. foram mais generalizados e mais violentos do que o da Barra do Rio das Velhas. Cf. A autonomia dos poderosos do Sertão ficaria seriamente comprometida com a presença das novas autoridades instituídas para a cobrança do imposto. Op. clt. Ver também Protestos das câmaras nas Minas Gerais contra a taxa de capitação em 1741/1751. alferes da tropa de dragões. Os escravos eram todos comprados a crédito. 1983 (mimeo) e MATA-MACHADO. Ver anexo 11. liderados por André Gonçalves Figueira. Como mostraremos a seguir. cit.. Apesar das precauções de Martinho de Mendonça e das disposições especiais para a cobrança da capitação no noroeste mineiro. Juiz de Fora da Vila do Ribeirão do Carmo de 03 de novembro de 1737. C. Códice SG 61 fI. farejando o rastro da Inconfidência. 22v. 20 de junho de 1736.43-50. sobrecarregados de tributos.o comissário tinha autorização resistisse à capitação.p. sequer esteve convicto da veracidade das informações a respeito dos motins. Martinho de Mendonça deduziu.1". DCP/UFMG. Minas e quintos do ouro. de. pelas informações do comissá- \ "Para pagar em tempo sua taxa de capitação. 4 . Belo Horizonte. responsável por tirar devassas de alguns tumultos que haviam ocorrido em Barra do Rio das Velhas!" . 23. 25.' Vassalos Rebeldes: na primeira metade violência nas Minas do Século XVII t Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII são do "insofrível e continuado castigo que [atormentava] até a própria alma dos pobres habita dores destas Minas"139 . 64. se experimentou. ctt. Como todo o movimento comercial na Capitania apoiava-se no sistema de crédito. Seção Colonial. APM. A cobrança da capitação no Sertão do São Francisco apoiou-se em disposições especiais em razão das singularidades regionais que certamente trariam dificuldades à execução do regimento na sua íntegra. 218.a taxa de capitação. '" Para o Desembargador Intendente Francisco da Cunha Lobo. 3 . As disposições especiais que regiam a cobrança da taxa no Sertão foram: 1 . para prender e enviar para a cadeia de Sabará qualquer pessoa que Diogo R. aonde não se fazendo caso das vozes que se disseram uma noite na barra do Rio das Velhas. A sedição de 1736: estudo comparativo entre a zona dinâmica da mineração e a zona marginal do Sertão agro-pastoril do São Francisco. ao depois. após as violências contra o juiz. para enfrentá-Ia. em todo ou em parte. O Governador Interino deixou ao arbítrio do comissário as providências que se fizessem necessárias. VASCONCELLOS. '" Segundo Diogo de Vasconcelos. para a cobrança da taxa no Sertão. ou as jóias da esposa e das filhas. Martinho de Mendonça enfrentou graves dificuldades no governo da Capitania. André Moreira. indicava "máquina maior fomentada por cabeça grande"145. escoltado por um cabo de esquadra e uma partida de dragões. Códice SG 54. formal rebelião . Para o Dr.. J. cit.. os sertanistas não aceitaram a presença do comissário André Moreira de Carvalho.

Intendente de Sabará. 09 de julho de 1736. Seção Colonial.( Vassalos Robek:Jes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII -t 11 Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII rio.. Já o Desembargador Cunha Lobo reputou por "inverossímel esta asserção. 87r. tis. CI. Para o Desembargador côdice SG 54. ti.r ! I I I . o Rei de Portugal informava a D. contudo.. 106r. Códice SG Ber. 17 de junho de 1736. Códlo. João Soares Tavares. Seção Colonial. fi. para' O comissário AndréMoreira. IIllbldem. fi. Códice SG 2911. Ordenava-lhe o Governador infundir nos líderes da sedição" o temor e o respeito às leis do scoerano'"? . 27'de junho de 1736. porque de ordinário sempre as sublevações têm cabeças superiores e poderosas"155. APM. o Governador inlormou ao desembargador Ralael Pires Pardinho a prisão de Faustino Rebelo. que chamais régu/os.11•. Códice SG 54.) a capitação". que ambos os movimentos "se encaminhavam do mesmo fim" e portanto era "crível que tivessem os mesmos indtadores"?" . O Governador Interino.I I I I ! Ii No início de julho de 1736. Em carta de 1726. Códice SG 54. Em 03 de julho de 1736. com o pretexto de comprar cavalos. para obter informações sobre o estado da região do São Francisco com os sertanistas que lá estivessem negociando gado'". e das principais pessoas das Minas. O comissário André Moreira estava convicto de que o "levante fora disposto por gente vil e de pouca suposição". insistia o Governador com seus ministros na necessidade da cobrança do novo imposto.33v. cit. '0 Governador determinou que o mestre de campo Faustino Rebelo. Seção Colonial. fI. "homem muito poderoso. Ao Desembargador parecia que não haviam cessado os motins "daqueles insolentes" o~ quais persistiam "no absurdo de repugnarem (. 21. '49 150 I r li' Carta de Francisco Cunha Lobo para o governador de 08 de julho de 1736. Com a inquietação generalizada no noroeste da Capitania. APM.. . 11I Para o Dr. 16. '"Ibldlm. Nesse mesmo dia. que andava muito desvalido. sendo tllo suavemente aceita e executada nas minas"154.) a piedade que iõ se usa com muitos se deve ressarcir com o rigor e severidade com que se deve tratar os poucos que são cabeças". os quais também são muito poderosos e se acham metidos no Sertão e situados em parte onde se não pode ter com eles a coação competente. Para o Desembargador Ralael Pires Pardinho. nas devassas que este deveria tirar dos motins "com grande miudeza". Doe. Se as notícias de André Moreira não estivessem refletindo o "terror pânico" do comissário. APM. 11. 52r. 03 de julho de 1736. APM. Seção Colonial. o Governador ordenavalhe tirar devassas das assuadas e informava que. e procurador e sócio dos dois .)00 . frente às notícias contraditórias. do governador a Gomes Freire de Andrade.Assim. Francisco da Cunha Lobo. 72 73 . Martinho de Mendonça que tinha grandes suspeitas de Faustino ser cúmplice dos rebeldes. juntamente com Manoel Rodrigues Soares!". 114 sa 64. 29. Seção Colonial. Em carta a Francisco da Cunha Lobo. o Desembargador Cunha Lobo informava ao Governador estar extremamente apreensivo com as notícias que lhe dera André Moreira. João Jorge Rangel e Gaspar Ribeiro da Gama assistissem a João Soares Tavares. em caso da eclosão de novos motins. • . APM. nem vagarosa a soltura"... Seção Colonial. Recomendava ao Desembargador prender os líderes da sedição porque "nos delitos da multidão (. 108r. Manoel Nunes Vianna e Manoel Rodrigues Soares. '''Carta tis. Desembargador Intendente. João Soares Tavares. 31. informando-lhe a esta altura que os amotinados. haviam finalmente resolvido pagar o novo ímposto'" . Lourenço de Almeida que o mestre de campo Faustino " Rebelo era. Sobretudo. Carta de Francisco da Cunha Lobo para o gov~rnador Códlc. com medo dos destacamentos de cavalaria. APM. pouco lhe importando que a capitação necessitasse de "termos mais violentos no sertão. Cunha Lobo acreditava que as notícias "nunca {eram] para desprezar"?". Posteriormente Faustino foi enviado à Vila Rica onde ficou aguardando a sua partida para o Reino. 107v. 51v. Este último espalhara espias e comissários por todas as partes do Sertão que o informavam dos movimentos dos ministros e das tropas.. 19 de junho de 1736. permitindo o trânsito mais livre dos revoltosos!" . uma vez que sempre se colocara contra a cobrança dos quintos e fora motor dos levantes de Catas Altas ocorridos em 1719. e unidos todos poderão perturbar as minas". Francisco da Cunha Lobo. Códlce 66. Seção Colonial. APM. 21 de julho de 1736. SG 54. APM. QS motins do Sertão eram resultado da indisposição do povo miúdo com o estélb~J~çimentodonQyoimp-Os- i . Para Francisco Barreto Pereira Pinto. CARTA de 29 de janeiro de 1726. que fora enviado para Sabará. Ibidem. mantendo porém o rigor das devassas e enviando José de Morais a Cachoeira do Campo. Seção Colonial. de 19 de julho de 1736. aguardava o desenrolar dos acontecimentos. escoltasse o comissário da capitação e se colocasse à disposição do Desembargador até a chegada de oficial maior"? . Dispunha-se a examinar de perto a "hidra" que se apresentava e os meios de destruí-Ia. Lembravalhe Martinho de Mendonça que nas revoltas "nunca (era] antecipada a prisão. Informou.. 111v. BSv. cit. Doe. lhe seria delegado "poder econômico e militar". Para o Desembargador Intendente Francisco da Cunha Lobo. fi. 107r. I :i" Para o Or.. 29 de junho de 1736. . Cunha Lobo acreditava que a rebelião era fomentada e "influída nos humildes" pe. em especial Domingos do Prado Oliveira. 112r. proprietário de 500 arcos e de muitos escravos'" . Martinho de Mendonça ordenou a Francisco Barreto que suspendesse a marcha para os Goiases. Para o Desembargador 11. \ . los principais moradores do Sertão. APM. Seção Colonial Códice SG 54. 19 de junho de 1736. SG 54. voltou O Desembargador a escrever ao Governador.

74 76 .:dias estava na Barra e só conseguira seis testemunhas. As autoridades metropolitanas. Em alguns enfrentamentos. !otro. A esta altura. Seção Colonial.era" a sublevação que sefazia aos moradores [dos] sertões. CARTA de Antônio Tinoco Barcelos para Gomes Freira de Andrade de 29 de julho de 1736. 'Ao juiz de São Romão foi apresentado o requerimento dos rebeldes.i . cit. . uns a pé. Para Cunha Lobo. 156r a 157r. APM. portanto. os amotinados. entraram no arraial de São Romão. Em 06 de julho de 1736. responsáveis pelo controle da população colonial. ~ As Minas. Seção Colonial. O requerimento Vassalos Rebek:tes: v~ência nas Minas na primeira metade do Século XVIII tQ. porém.JaX rebeliion. APM. com situações de soberania fragmentada mais agudas. Ambos criticavam duramente Alexandre de Gusmão. Viva o Povo e Morra o Governador". "de baixo e de cima". é preservado mesmo em alguns motins referidos às formas políticas coloniais. r -"-. o Governador Interino já formara opinião sobre os motins do Sertão. vindos das beiras do São Francisco. 158 CARTA do desembargador Francisco Cunha Lobo para o Governador de 29 de julho de 1736. todos armados. Em primeiro lugar. 115. Cunha Lobo afirmava estar certo de que os poderosos comandavam o povo.''I Os rebeldes exigiam que o governador "aliviasse" a capitação sem o que voltariam a São Romão ao cabo de 33 dias e dali partiriam. IIs._--~.. 118v.o Quinto. para as minas!". obrigado a acompanhar os revoltos os em Brejo do Acari.J'\ºS J~varia . Assim é que. outros a cavalo. APM. 'u CARTA do desembargador Francisco da Cunha Lobo para o governador de 07 de agosto de 1736. O desembargador do Serro Frio. e dificultavam o bom andamento da arrecadação. no mais das vezes. Engrossavam o tumulto "mais de 500 arcos e flechas". permanecia insatisfeito com o andamento da capitação não só no Sertão quanto no Tejuco. 81Qlo Colonial. Códice SG 54. Rafael Pires Pardinho. fI. Códice SG 54. uma vez que as terras eram estéreis e sujeitas ao gentio bravo e não era justo. que os moradores do Sertão fossem tributados'" . os motins edodiramem razão da prepotência e da autonomia dos potentados do noroeste da Capitania. Códice SG 54. aparece em várias outras circunstAndas. 119v e CARTA do Juiz de São Romão Francisco Souza Ferreira para o Governador de 10 de agosto de 1736. Francisco da Cunha Lobo havia escrito a Martinho de Mendonça que resolvera. entretanto. idealizador do novo sistema. Seção Colonial. Códice SG 54. seguir para BreJo do Salgado e Barra do [equitaí para se oporem aos "bárbaros rebeldes e tratá-Ias como inimigos". '" CARTA do Juiz de São Romão para o Governador de 10 de agosto de 1736. com alguns capatazes. figura mítica e incorpórea. . O Desembargador informou ao Governador que havia três . estavam os moradores do sertão. Sêçêo Colonial. ainda indiferente às opiniões sobre os motins.r I I Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII _. senão morra" .Afidelidade 210 Rei. totalizando cerca de 900 homens. O soberano. 115. fI. Mais descontentes.fora das contagens 'e terras minerais se impunha capitação aos seus escravos".. disto poderia "resultar a Coroa e repúblicas"?". expressa nas vozes populares. 123v. 127r a 129v. Os amotinados acrescentavam que caso houvesse "alguém que com algum negro [plantasse] alguma lavoura". APM. estava velho demais e nunca fora um "grande capitante". Códice SG 55. que se negavam sistematicamente a reconhecer a autoridade da Metrópole. " Carta do governador a Gomes Freire de Andrade de 28 de julho de 1736. conseguiu. Este motim foi controlado por Domingos Alves Perreira que. A Francisco da Cunha Lobo não agradava que a capitação fosse feita fora dos registros. por sua vez. que lhes "deferiu. Doe. juntamente com o mestre de campo. CARTA de Domingos Alves Ferreira para o Governador de 09 de setembro de 1736. espalhá-los em São Romão aos gritos de "Viva D. mas nada conseguia provar contra eles162• . Afirmavam que a causa do tumulto . Seguiram para Capela das Almas e Barra do Rio das Velhas mas seus moradores fugiram em canoas e se embrenharam nas caatingas do Tabuleiro. 57r.justas ordens emanadas do Rei. aceitando-o como juiz" para evitar que fossem 157 foi enviado ao Governador e o juiz alertou a Martinho de Mendonça que._Q_qlJ.161. 56v.~. nada conseguiram. além de se considerar Intendente perpétuo. é possível detectar um repúdio generalizado à Coroa e às ordens que dela emanam através do sintético "Viva o Povo. posição que nos permite defini-los como movimentos referidos às formas políticas coloniais em um contexto de soberania fragmentada. Seção Colonial. Parecia a Martinho de Mendonça que os desernbargadores "tudo [faziam] às aoeeeos'T". "não tinha por verdadeiras" as informações que lhe eram prestadas pelo Desernbargador lntendente Francisco da Cunha Lobo e pelo mestre de campo João Ferreira Tavares. porém. eram responsabilizadas por perverterem as. 122v. e morram os traidores e régulos à Coroa. APM. só o fazia para sua subsistência. fls. os amotinados saíam às ruas aos gritos de "Viva El Rei.él caracterizá-loscomo Jlp1a. Códice SG 54. -Martinho de Mendonça. APM. Dispostos os dois ministros a tirar devassa da investida dos amotinados em São Romão. 94r.. '10 Ibldem. caso os amotinados chegassem até às minas. A injustiça do i sistema estava em tributar escravos que serviam nas fazendas de gado vacum e cavalar que já pagava contagens e dízimos. '" CI. .

Francisco da Cunha Lobo para o Governador de 29 de julho de 1736. 128r a 130r. t. na qual os negros escolheram rei.. responsável pela primeira lnvustidn em São Romão "lhe [parecia] que o [era] tanto na realidade como o foi o Rei do Rio das Mortes. 18. na verdade.) litro Ifuriu) demorar a cobrança da capuação'P". Seção Colonial. I Contudo. Martinho de Mendonça referia-se. Se por um lado não acreditava na existência dos graves tumultos no noroeste de Minas.Vassalos Rebeldes: violência nas Minas naprlmslra metade do Século XVIII I Cunha Lobo solicitou ao Governador que enviasse mais partidas de dragões e mais capitães-do-mato. CARTA do Governador para o capitão de dragões José de Morais Cabral de 03 de setembro de 1736. Passavam de vinte mil as reses que nele nasciam. Códice SG 5411. fls. filhos de iunnens livres. Embora desconsldcrasse a força dos motins. por que escravos só os tinham Manoel Rodrigues Soares. Este sempre foi o argumento típico das autoridades para a negociação em caso de motins considerados dentro das regras do jogo colonial. Martinho de Mendonça. rainha e oficiais militares que (lovernarlam as Minas caso a sedição fosse bem sucedida. 57r. Referiam-se ao controle que a capítação passaria a exercer na região sobre "a liberdade de se scroir com escravos induzidos efurtados aos passageiros" e ao conhecimento que fassaria a ter o Intendente dos diversos delitos cometidos no SerH'Io1 • Outra razão era de ordem econômica. Martinho de Mendonça. Doe. de contraírem as doenças do sertão. 165 CARTA do Governador Códice SG 54. CARTA do Governador para o Intendente da Fazenda Real Manoel Dias Torres de 07 de setembro de 1736. como estava acontecendo no Sertão. 76 I 77 . Romão"164. pois só 'assim poderia enfrentar os graves tumultos que eclodiam intermitentemente no Sertão. armas e gritos". Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII qUI O capitão da tropa de amotinados. nascido e criado no rio de São Francisco"!". APM. ridicularizasse a qualidade dos homens do Sertão e não estivesse disposto a negociar. à fracassada insurreição escrava na região mineradora em 1719.. Ver capítulo 7 deste trabalho. . Conde de Galvêas. Doe. as outras duas razões que haviam gerado os motins eram derivadas da má qualidade dos povos do Sertão e não permitiam "supor maior máquina".. tendo em vista a chegada da estação das águas com "sezões e malignidades'P": Descrente das razões de Cunha Lobo e do mestre de campo.' O 164CARTA do Governador a Gomes Freire de Andrade de 13 de agosto de 1736. o Governador afirmava ter convicção de que o corpo de rebeldes era composto por gente miúda. mulatos e mamelucos (. O Governador dizia-se seguro de que "o tempo [mostraria] as quimeras que se [contavam] sobre os motins do sertão". o Desembargador avisou o Governador das dificuldades das autoridades permanecerem na região. 56v. 18. duvidando da força dos tumultos. aconselhava-o a não "desprezar antes de dar a co- nhcccr quanto um ajuntamento de pés rapados. fI. escreveu com ironia a Gomes Freire de Andrade 163 CARTA do desembargador cil. que [eram] muitos e muito pobres"?". I O Governador justificava a sublevação desta gente miúda como resultado do odioso pagamento da capitação pelos "mulatos. IIs. APM. para Antônio Tinoco Barcelos de 13 de agosto de 1736.. consideradas inegociáveis.Por outro lado. Códice SG 54 fls. para Antônio Tinoco Barcelos. Luís de' Siqueira e Domingos do Prado e estes negros e índios não eram suficientes para sustentar os motins. nascidas da imaginação de "gente mal intencionada que [vivia] desde a barra até São . Contudo a posição de Martinho de Mendonça revelava-se contraditória. Ainda.-). segundo o Governador. para atender a gente miúda. no governo do Conde de Assumar. Em carta de 01 de agosto de 1736. I/olbldem. Gomes Freire de Andrade. I '··Ibldem. que o distrito do Sertão lucrava todos os anos mais de um milhão. fls. APM. seriam atendidos com justiça"165 . APM. Além da necessidade de reforços. Para Martinho de Mendonça "ajuntamento de povo. cit. '"" CARTA do Governador para Gomes Freire de Andrade de 13 de agosto de 1736. . Martinho de Mendonça os acusou de inventarem quimeras por estarem com medo. em resposta à carta do Govcrnndor Interino. 91v. 92v. APM. . Seção Colonial. APM. não eram "meios de alcançar favor"166. Códice SG 55. Seção Colonial. Informava Martinho de Mendonça ao ex-governador das Minas.. pois (. e este [era] um mama Luiz filho de uma carijó. Tampouco acreditava Martinho de Mendonça no comissário da capitação André Moreira que a "cada hora [sonhava] novo exército de levantados".. Códice SG 55. Seção Colonial.100v e 101v. CARTA do Governador para Gomes Freire de Andrade de 23 de julho de 1736. 1/1 CARTA de Martinho de Mendonça para o Conde de Galvêas de 26 de setembro de 1736. Seção Colonial.. 166lbidem. Seção Colonial. "governando-se as fazendas com pouquíssimos escravos". por outro insistia na insolência das reivindicações dos rebeldes. ao comparar o capitão da tropa de amotinados do Sertão com o rei do Rio das Mortes. .) aquele falava latim aplicando textos a prepósitos. Códlce SG 55. afirmava que "se os rebeldes fossem fiéis vassalos. ordenou a André Moreira "que praticasse {lia cobrança do imposto] toda a moderação'F" . "no aumento dos gados que nele se [engordavam]".

apresentado pelos amotinados em 06 de julho no arraial de São Romão.vassalos Rebeldes: na primeira metade violência nas Minas do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII produto dos gados do Piauí e das demais regiões do Sertão e muitos carregamentos dos portos do país passavam "por quintar às mãos dos mais poderosos. Seção Colonial. roubando-lhes fazendas. e todos subiram ao arraial de [anuário Cardoso. Códice SG 54. a nosso ver. APM. Apesar liisso. fls. deveria ser implantado um projeto muito diferente das minas.E. CARTA de Martinho de Mendonça para Gomes Freire d. a esta altura.[GomesPreire de Andrade] tem na lembrança. Intendentes e ministros e "por forma nenhuma [convinha] que este malvado povo [chegasse] às abas tias minas". fls. um caso típico de soberania fragmentada. Segundo ele. Códice SG 54. Todos juntos. De acordo com João Bezerra da Silva. e confirmava um ministro.u do 810 Francisco. e a falta de ilícito lucro [foi] que [fez ao Sertão] odiosa a capitação". os rebeldes insultaram os comboieiros.11 Culonlal. impossibilitando os principais de se "servirem com escravos que ali se [refugiavam] e que [roubavam] aos passageiros"172. o mestre de campo João Perreira Tavares escreveu ao Governador informando-lhe estar de posse de notícias fidedignas de • Carinhanha e Brejo do Salgado. 104v a 105v. Seção Colonial...mhto da 1736. iI' OARTA dlil 1130. Nos dias anteriores ao encerramento do prazo dos 33 dias. com o avanço da ordem pública para o noroeste de Minas. enviou João Perreira com o destadas Macaúbas. 129. fls. 21v. Entretanto. 138v a 139v. os quais. recebera mensagem dos levantados para que" tivesse gado junto no curral" pois os rebeldes lá chegariam dentro de dois días!". Em 12 de agosto. CARTA do Mestre de Campo João Ferreira Tavares ao Governador de 07 d. de 23 de agosto de 1736. Afirmava o Desembargador que a revolta estava "cada vez mais obstinada nas vizinhanças do Prado. um pardo. acusado de liderar o de João da Cunha de e que se refugiou no de Andrade de-12 de O C 172lbidem. CódiGOSG 54. 111 CANTA de Martlnho de Mendonça para Gomes Freire de Andrade de 24 de agosto de 1736. 173CARTA de João Ferreira Tavares ao Governador Códice SG 54. Seção Colonial. pois [haviam sido] eles [que] moveram as águas para esta S rn lide enxurrada"?" . IIs. "computando por cômputo largo" todos os moradores do Sertão. Seção Colonial. ru monto para as vizinhanças "ter saído o povo amotinado do arraial de [anuário Cardoso há muitos dias". APM. Já o tabelião de Papagaio. eram qua1'(' 3000 homens a ameaçar o Governador. 129v. APM. Padre Mendes Santiago foi acusado de ser cúmplice . IIgo. "Q. Códic8 SG 55. nem se acharia por todo o preço um arco só em todo o distrito". APM. comunicou a Gomes Preire de Andrade que os moradores de Pitangui clamavam pela presença dos revoltosos na Vila. Códice SG 54. cavalos e negros. João Bezerra da Silva. que são as extremidades mais longínquas tio governo"?" . que constituiu. ameaçando os que não aceitavam acompanhá-los. uma vez que havia sido informado de um "segundo levante em São Romão com poder formidável". Cf. CARTA do Governador para o I1l1plllo de dragões José de Morais Cabral de 27 de agosto de 1736. porque ali eram os "frades e muitos clérigos (. rio acima em canoas. APM.lo de 1736. 78 79 . com o intento de passarem às minas no dia da cobrança da capitação. lidar das violentos motins ocorridos nos Tocantins em 1735 e 1736 "tl. Seção Colonial. buscando impedir que DI' sublevados entrassem em Sabará.•• nunueloa. IlItll1l1llo eatava se referindo principalmente ao Padre Antônio Mendes Santiago. o Governador continuava a não considerar a aludida força do motim. 133v a 134v. 129v a 131. APM. fls. e dirigiram-se para São Romão. do Tabelião de Papagaio João Bezerra da Silva para Gomes Freire de Andrade de 27 de agosto Seção Colonial. Códice SG 56. por não poder desconsiderar a notícia que lhe dava oficial. unindo-se à tropa de Domingos do Prado. A única razão à qual Martinho de Mendonça não se referiu explicitamente foi a autonomia dos potentados do Sertão e sua recusa sistemática em aceitar outro pólo de poder. Prancisco da Cunha Lobo e João Perreira Tavares já haviam informado a Martinho de Mendonça em 7 de agosto que Domingos Rodrigues do Prado e todos os seus negros subiam armados para São Romão. 1I. Deixaram Brejo do Salgado uns poucos" ladrões peralvilhos" que seguiram para Carinhanha onde se juntaram com outros.) a Ilt'dra do escândalo. no que não acreditava "porque as rebeliões não [costumavam] sair de seu próprio país". No caminho. Martinho de Mendonça 11m 11.. CARTA de Francisco da Cunha Lobo para o Governador de 07 de agosto de 1736.4nv. o que fizeram ameaçando de lhes queimar os engenhos. para controlar o Sertão e "sossegar [os1malditos". enviou para o Sertão José de Mornis com uma tropa de dragões'?". lembrava-me dos 500 arcos do Prado sabendo que não tinha 50 índios. rlmlllfO motim de São Romão. Cunha Lobo recebera informações que os moradores estavam dispostos a seguir os amotinados. 115. APM.. voltaram ao Brejo do Salgado para arregimentar mais pessoas. morador duas léguas abaixo do arraial. as notícias do segundo levante lhe pareciam "coisa do Rei Negro que Y. 21r.

como mortes. averiguasse o comportamento do sargento-mor Antonio Tinoco Barcelos e lhe informasse também sobre a fidelidade do escrivão que redigira o requerimento dos amotinados'?". seu filho Pedro Cardoso. 147v. educada pelas carmelitas e figura lendária no Sertão. em os acompanharem.. 131 Os amotinados constituíram também um general das armas. Martinho de Mendonça remeteu para Vila Rica alguns poucos presos. 61 r. APM. APM. 68.para a Bahia à ordem do Vice-Rei. Em setembro de 1738. '" CI. CI. filho de Martim Alonso de Meio." Cf. considerados principais cabeças da sedição e das devassas.) se tem feito odioso ao vulgo . matricularam escravos e. investido no cargo de procurador do pOV0178• No seu caminho para São Romão. por mais prudentes e consideradas que [fossem] as medidas [seria] fortuna grande prenderem-se os réus". Os réus eclesiásticos loram colocados à mercê da justiça do Bispado de Pernambuco. Códice SG 54. considerada nas devassas como peça fundamental da sedição de 1736. /I. marechal de campo. 127r. Códice SG 61. O secretário do governo loi Francisco de Souza e Meio. juiz de povo e secretário de governo. Códice SG 61. APM. Seção Colonial. 127v. CARTA de Gomes Freire de Andrade para o Brigadeiro José da Silva Paes de 03 de setembro de 1738. Os amotinados. Vassalos na primei Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira melade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: vlolA"cll nl. 171 r. APM. 179 CARTA de Domingos Alves Ferreira para o Governador Colonial. Seção Colonial. Seção Colonial. fls. Códice SG 56. porém. Martinho de Mendonça'". os tumultos começaram a involuir no sertão. Ciente. onde prenderam mais de 60 pessoas. em especial Manoel Rodrigues Soares. 132. 11. Códice SG 54. Seção Colonial. o tenente Simão da Cunha Pereira com seus homens para a região do Urucuia. Seção Colonial. BA de 09 de setembro de 1736.. 172v. CI. Ils. CARTA de Martinho de Mendonça para o Conde de Galvêas de 26 de outubro de 1736. em São Romão. Ils. que prendesse suspeitos do motim de Capela das Almas e. APM. Seção Colonial. Maria da Cruz. Martinho de Mendonça esperava "poder executar na cabeça dos culpados o castigo. 180 181 CARTA de 02 de novembro de 1736. Intendente da Fazenda Real da Comarca do Sabará. fls. Códice SG 55. liderados por Pedro Cardoso. IIs. José de Queirós. meir zãol do F miru retol fora foi c mén ciscc anos Não obstante descrente do poder dos levantados. Códice SG 55.. Martinho de Mendonça inquietava-se com rumores de uma sedição em Vila do Carmo.. No entanto. Desde que os motins haviam sido controlados. 135r. 156r a 157r. Códice SG 61. cobraram a capitação'" . CARTA de Martinho de Mendonça de 15 de dezembro de 1736. ferragens e gêneros da Bahia. 11. partiram para a sede da Comarca do Rio das Velhas'?". em novembro de 1736. APM. incêndios e estupros'". CARTA de Martinho de Mendonça para o Conde de Galvêas de 11 de dezembro de 1736. que seria um desdobramento dos motins do Sertão. Juiz de Fora da Vila do Ribeirão do Carmo de 03 de novembro de 1737. Códice SG /31. "delinqüentes que além da rebelião cometeram homicídios. APM. 15v. e sobrinho de Domingos do Prado Oliveira. Luís de Siqueira e Dr. 66v. o Governador ordenou a Sebastião Mendes de Carvalho. 134v. além de se ocupar do comércio de sal. APM. Miguel de Souza. Mendes de Carvalho de 12 178 Pedro Cardoso era filho de D.' . com. forçamento de mulheres. em lins de 1736. a "vastidão do país [situado] nos extremos da capitania [faziam] extremamente dificultoso conseguir [as] prisões e. Nos últimos meses de 1737. 67v. fi ~. Seção Colonial. Vinte e quatro homens haviam sido enviados à Capela das Almas e Barra do Rio das Velhas para buscarem os moradores destes arraiais e os levarem até Jequitaí. Seção Colonial. Ils. Segundo o Governador. acusados pela devassa de terem cometido. 54v. de 03 de setembro de 1736. As atrocidades cometidas pelos revoltosos na sua jornada resultaram na condenação à morte do mestre de campo dos amotinados pelas suas próprias tropas. forçaram mulheres casadas e solteiras. 148.. Arrefecidos os motins. os rebeldes assaltaram viajantes.11. a tropa rebelde contava com a ajuda que lhe seria dada em Jequitaí por fazendeiros poderosos da região. 67. tres . póri Salg min de ~ afin 177 INSTRUÇÃO para melhor direção da diligência cometida ao Dr. incêndios e roubos que chamavam confiscos. CARTA de Martinho de Mendonça ao Desembargador Plácido de Almeida de 09 de novembro de 1737. Ils. em cuja união vinham confiados. Seção Colonial. CARTA de Martinho de Mendonça para o Dr. CARTA de Martinho de Mendonça para o Desembargador Ralael Pires Pardinho de 08 de novembro de 1737. APM. Alheios às devassas ordenadas pelo Governador. principal origem das inquietações. além dos atos sediciosos. postos preenchidos pelos capatazes dos contingentes locais. os amotinados continuavam a sua marcha. que por ora só se [podia] executar nas suas estétues. Maria da Cruz. acompanhados de D. publicando bandos com pena de morte". A partir deste momento. pretendiam conquistar Sabará e ampliar os tumultos até a ocupação de Vila Rica. moça da familia da Torre. Em fins de novembro. o Intendente Sebastião Mendes de Carvalho mandou. estes sertanistas recusaram acompanhá-los "pela falta dos principaie'P" .. depois. fizeram seqüestros de bens. 60r. da gravidade da situação que enfrentara no SerCARTA de João Ferreira Tavares para o Governador Códice SG 54. A maioria dos revoltosos. Seção Colonial. Pedro Cardoso possuía extensa fazenda de gado.. cometeram muitas outras insolências e. sobre os principais cabeças dos motins do Sertão e prevenções para a prisão deles de 01 de maio de 1737. finalmente. fls. na primeira melada do 860ulo XVIII I ! dens de d do n SilVE 13 d: pela: rias. filho e herdeiro de Manuel Nunes Viana. APM. "execráveis delitos". e na recusa dos potentados de Iequitai. àquela altura. Manoel Dias Torres. IIs. Códice SG 54. INSTRUÇÃO para o Dr. 54r. Sebastião de agosto de 1736. O controle dos motins do Sertão não significou o sossego do Governador Interino. conseguiu embrenhar-se no Sertão e escapar da prisão. 11. Para tanto. 64. cart :~ZEI 1951. APM. "no seu intruso das Minas. recém-nomeado Provedor e Intendente dos Goiases. '" CARTA de Martinho de Mendonça a Gomes Freire de Andrade de 24 de novembro de 1736. Códice SG 55. Gomes Freire de Andrade enviou ao Brigadeiro José da Silva Paes quatorze presos acusados dos motins do Sertão que. Códice SG 66. Seção Colonial. Era considerado um dos principais potentados do noroeste de Minas e possuidor de uma fortuna incalculável. a pretexto do chamado dos moradores das ---'> minas. Seção Preme 66 80 81 . APM.". Mina.126v. Afirmava o Governador que "0 método presente da cobrança da capitação (. roubaram e saquearam casas. APM. deveriam ser remetidos. que havia sido secretário de Manool Nunes Viana. CI.

Embora os rumores do levantamento não tenham se confirmado. segundo O Governador. sempre rebelde. o tenente Simão da Cunha Pereira com uma tropa de dragões para evitar qualquer tipo de tumulto em Sabará.. mas estes interesses.. característicos dos motins referidos às formas políticas coloniais. Martinho de Mendonça fora informado que "os sublevados fiavam muito nos seus parciais das Minas" e que os moradores de Sabará esperavam ansiosos pelos levantados do São Francisco. e enviou. 662.. Antônio Guedes Pereira. profundo conhecedor dos problemas do Sertão. na análise a seguir. Revista do Arquivo Público Mineiro.. "onde nunca [faltavam] descontentes e casualidades que. não podia se constituir em empecilho para a sujeição dos povos. 83 82 '" ír- t . O comportamento dos atores em contextos de soberania fragmentada. são já. Pelas devassas dos motins do Sertão. queimando casas.. da 17 da outubro de 1737. para a sede da Comarca. Martinho de Mendonça estava convicto de que os motins de 1736 tinham correspondência nas Minas.185. Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII ----_. Op. todo cuidado era pouco porque "as vozes populares e sediciosas muitas vezes. "para administrar justiça àqueles povos e se evitarem as desordens". CARTA do Rei de Portugal a Gomes Freire de Andrade de 03 de julho de 1738. Vassalos Rebeldes: vlolênola nas Minas na primeira metade do Século XVIII tão.. As vozes de viva EI Rei. O Governador desconfiava que as vozes que se ouviam em Vila do Carmo eram provenientes da Comarca do Rio das Velhas. cit.. sentenciando à morte e executando as sentenças". As dificuldades em controlar a região noroeste de Minas Gerais permaneciam.. indiretamente [animavam] os mal-intencionados". as mesmas" com que no sertão se juntaram. viva o Povo e morra Martinho de Mendonça eram. a respeito dos conflitos referidos às formas políticas coloniais que eclodiram nas minas na primeira metade do século XVIII. É o que veremos. 330. Seção Colonial. quando ainda no lugar de origem são ainda sussurro oculto. APM. o qual ministro poderia ainda servir de Intendente da capitação naquele dlstritol". diminuindo o respeito do Governo. sugeriu ao Rei de Portugal que nomeasse um juiz letrado para o Arraial de São Romão.. O Intendente dos Goiases. julgo pouco considerável a vista do que resultam da obediência em que está um país que foi até agora habitado de régulos que não conheciam outra lei. que a da força . Códice SG 63. sem fazer mistério. A preocupação eminentemente política de tornar previsível o comportamento dos habitantes do Sertão fica patente na afirmação de Martinho Mendonça: "O rendimento anual da capitação do Sertão se deve regular entre cinquenta e sessenta mil cruzados. Sebastião Mendes de Carvalho. Apesar das suas especificidades. motivos de conservação pública".-. responsável pela devassa da sedição de 1736. roubando e dos dízimos se há de aumentar consideravelmente pela facilidade da cobrança. já havia se revelado uma ameaça à previsibilidade da ordem social na região das minas. Para a Coroa sempre foi muito difícil a sujeição dos povos das Minas Gerais. o .~ ! i . tirando e fazendo juízes e oficiais. p. fI. " I ••• CARTA de Martinho de Mendonça para o Secretário de Estado.--. nas partes mais distantes.

. os direitos. e corno advertia.'~.' "'.este governo não é governado nem por Sua Majestade.-:"_." (Discurso Histórico e Político sobre a Sublevação que n~s Minas houve no ano de 1720) ".'--'--:-:-:::--~~ PARTE 11 OS PRíNCIPES DAS MINAS os movimentos em contextos de soberania fragmentada "E a razão por que aos poderosos._ a paz e a guerra..••. os poderosos." .. que quanto cada um destes pior obrava. eram os favorecidos. justamente julgava que eles eram os príncipes das Minas ./ . obedecia o Povo.. mais que aos ministros de El Rei..~ •• . os honrados.. J- . -'.• ' . me parece que era porque via que em poder dos tais estavam as leis.. . as sentenças. ~. "_'. então se estabelecia mais seguro.. não se isentando nem a jurisdição eclesiástica de seu poder.:'-.-_ .. os ricos. e que só eles. senão ~la Divina Providência .. sem que se desse gênero algum de castigo a seus insultos. ou os que eles queriam. nem pelos seus governadores..

Diogo de Vasconcelos oferece elementos que permitem identificar o motim de Pitangui de 1720 com um food-riot. DINIZ. Não encontramos na documentação alusão à tentativa de João Lobo fazer contrato da aguardente. IX Anuário do Museu da Inconfidência. o comércio de aguardente de cana.como o juiz ordinário . Não só por motivo da miséria do País. ocorridos entre 1717 e os primeiros meses de 1720. sobretudo. couto de todos os criminosos do governo da capitania do ouro" Os motins de Pitangui. quando anuncia-se o projeto de instalar em Minas uma Casa de Fundição e Moeda.m a cumprir as obrigações de vassalos. VASCONCELOS. [os paulistasj não mandaram procuradores às Jttntas realizadas nos anos de 1715 (2 de fevereiro. no de 1718(16 de Julho) e 1720 (24 de outubro). Tributação.nflg. p.e militares . o mais atormentado que ainda houve nas Minas. Ouro Preto. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.são atacadas por grupos liderados por Domingos Rodrigues do Prado 'costumado a seduzir os povos para não pagarem o quinto'. ou em contrato. considerando os movimentos interrelacionados. 1974. Sílvio Gabriel Diniz nos parece ser o que apresenta a interpretação mais razoável acerca dos motins de Pitangui. p. 13 e 18 de maio). Os motins de Pitangui apresentaram sobretudo comportamentos dos atores referidos às formas políticas coloniais. mas. 96-110. e por isso levantou-se o povo em motim sob o comando de Domingos Rodrigues do Prado. Em Pitangui. . na Luciano Raposo de Almeida Figueiredo. as instâncias judiciárias . numa demonstração de rebeldia contra o pagamento dos quintos. posição que não sustentamos. p. v. FIGUEIREDO. Luciano Raposo de Almeida. Segundo Diniz: "Logo de início. sociedade e a administração fazendária em Minas no século XVIII. no de 1716 (22 de julho). por causa do ãnimo revoltoso. paulista poderoso e caudilho terrível'. Mais tarde. em trabalho apresentado no Seminário "Tiradentes: Mito. por isso mesmo. a arrematação dos dízimos deu 'pano para mangas'. 119-133. um outro motim de graves proporções rebentou na vila de Pitangui: ali estando 'no juiza do da vila o Brigadeiro João Lobo de Macedo quis por em estanco. Cultura e História" e publicado no IX Anuário do Museu da Inconfidência. foram movimentos que se aproximaram menos de uma tax-rebellion ou de um jood-riot do que de uma situação de soberania fragmentadal". Era a vila.o de 1720 . atribui características de tax rebellion ao levante de Pitangui . mesmo porque os tumultos iniciam-se em 1717 e persistem por toda primeira metade do século XVIII. Belo Horizonte: Itatiaia. fI'fI. História antiga das Minas Gerais. amotinada".CAPíTULO 4 "GENTE INTRATÁVEL": os motins de Pitangui I~" "Vila de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui. 170.e as aproxima das da sedição de Vila Rica. a Sétima Vila das ''MInas do Ouro". Gabriel Diniz.como o capitão-mor . Segundo Luciano Figueiredo: '~ primeira ofensiva de peso da administração ocorreria a partir de 1719. Pitangui. Diogo de. O levante se espalha mais tarde para Ouro Podre em Vila Rica onde 'se confederam alguns homens livres' invadindo a casa do Ouvidor". "8 B7 . 2.v. 1993. Afirma o autor: "Em janeiro daquele mesmo ano de 1720.

8v. 192 "9 REGISTRO de D. carência de alimentos e questões eminentemente fiscais. biográficos. administrativamente funcionava corno se o fosse. Os habitantes de Pitangui. Desde a ocupação do distrito de Pitangui pelos paulistas. "Ordeno ao sargento-mor engenheiro Pedro Gomes Chaves que logo que chegar a Pitangui (. 188 de julho de 1714 de D. 9v.) [apresentasse ordem do governador para que a Vila de Pitangui pagasse] uma arroba de ouro a qual é juízo que os seus moradores satisfaçam com a maior brevidade".i~F· :. 9r. levantou vila no distrito de Pitangui. Seção Colonial. não obstante o empenho de D. 88 I ~. APM. VASCONCELOS.não só para o bom regime [dos seus] moradores.. I 493 a 496. Seção Colonial. acudindo a eles com grande presteza. Na medida em que a própria cobrança do tributo foi posta em xeque. Além de liderarem os moradores da Vila na recusa ao pagamento da taxa. V. Durante o ano de 1716. . CódicfJ SG 04. Seçlo Colonlll. Brás Baltasar da Silveira ao Sargento-Mor Pedro Gomes Chaves. 28-29. com ordem do governador e capitão general e comissão do ouvidor geral..90v. do procurador AntOnio Ribeiro da Silva. p. recusavam-se sistematicamente a pagar os quintos reais.'. a tendência da sua população fora isolar-se do Governo da Capitania. São Paulo: sld. e com grande despesa de sua fazenda mandou fazer o primeiro tronco que houve na dita vila e depois a cadeia. . 191 li J CARTA do Governador ao Rei de 09 de dezembro de 1717. p. APM. que tratava da distribuição das datas e regulava a exploração do ouro. desde a sua criação. sendo então encarregados da "regência e governo dos moradores" os sertanistas paulistas Bartolomeu Bueno da Silva. IIs. CARTA PATENTE do mestre de campo Antonio Pires de Ávila. a Domingos Maciel Aranha para o ofício de escrivão do Superintendente e a Antonio da Silva para o de meírínho'". o engenheiro recebeu ordens do Governador para deixar o arraial e iniciar a feitura de um mapa da Capitania do ouro. Brás ordenou que se levantasse a Vila de Nossa Senhora . em presença dos oficiais dela.. Além de estabelecer esta "junta governativa".da Piedade de Pitangui ". fez entrega de todos os bens pertencentes à fazenda Real. 121. Francisco Jorge da Silva e Jerônimo Pedrosa de Barros.. Em 22 do dito mes e ano. Apontamentos históricos. o Governador da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. Luís Botelho de Queirós. . APM. 187 ORDEM de 12 de abril de 1714 de D. Em abril de 1714. 1 !' . Bré:\s/ os moradores da Vila de Pitangui. tudo com tanta clareza e verdade. Domingos Rodrigues do Prado. Já ao instalarem serviços minerais. Brás no governo da Capitania. Em julho do mesmo ano. Brás Baltasar da Silveira.. informava ao rei de Portugal que. Expulsos das Minas Gerais após a Guerra dos Emboabas. na casa da câmara da dita vila. não pagavam os quintos-reais'?' . Seção Colonial. Brás Baltasar da Silveira. 11. dos vereadores João Cardoso. CI. abrindo um caminho direto de São Paulo ao arraial. Em junho de 1715. acomodando sempre a todos. ·Os motins de Pitangui se diferenciaram dos levantes contra o estabelecimento de contratos. o capitão-mar Domingos Rodrigues do Prado havia publicado vários bandos sob pena de morte àqueles que se dispusessem a pagá-los. Op. os potentados de Pitangui concentraram recursos de 190 "••• r. Códice SG 09. apoiados pelo Senado da Câmara e liderados pelo capitão-mor Domingos Rodrigues do Prado. Brás passou provisão ao sargento-mor Antônio Pires de Ávila para exercer o ofício de superintendente do distrito de Pitangui. Conde de Assumar. 1. D. sucessor de D. como quem mostrava o desinteresse com que servia à Sua Majestade. 'I I'. os paulistas insistiam na criação da Vila. clt. Diogo de. ' Dois anos após a criação da Vila. Pedro de Almeida. despachou o engenheiro Pedra Gomes Chaves para governar o arraial e o encarregou de recolher a arroba do ouro referente aos quintos reais. f instalada a 9 de junho do mesmo ano pelo superintendente Antônio Pires de Ávila.a' Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII medida em que a população da Vila negou-se sistematicamente a aceitar as regras estabelecidas para arbitrar o jogo colonial. 111. 22. sem reparar no perigo a que se expunha. impedindo a real arrecadação'".) havendo-me Sua Majestade que Deus guarde ordenado pusesse em melhor forma a arrecadação dos seus reais quintos pelos descaminhos que neles toma (. ORDEM 89v. dificilmente estes levantamentos poderiam ser aproximados daqueles que apresentaram comportamentos dos atores claramente definidos dentro das regras do jogo colonial. D. os paulistas se concentraram no arraial de Pitangui. com poderes delegados pelo ouvidor geral da Comarca do Rio das Velhas. IIs. Ajunta Governativa fazia as vezes de um Senado da Câmara.. assistida pelos demais oficiais providos pelo Governador. constituindo um pólo de poder local que se manteve durante toda a primeira metade do século XVIII.I~j . CARTA do Governador ao Marquês de Angeja de Códice SG 11. sem tirar nem levantar emolumentos que pelas suas provisões lhe pertenciam. geográficos. Apud MARQUES. ae :'. tributada às minas de Pitangui no ajuste das 30 arrobas!" . D. Seção Colonial. A primeira câmara de Pitangui loi composta pelos juizes Antônio Rodrigues Velho e Bento Pais da Silva. desobedeceram ao disposto no Regimento de 1702. Lourenço Francisco do Prado e José Silva Monteiro . Brás Baltasar da Silveira. distribuição de terras. Embora Pitangui ainda não tivesse as insígnias de Vila. APM. Manoel Eulrásio de Azeredo. após o término da Guerra dos Emboabas. Códice SG 09 fi.39. Luís Botelho de Queirós'?". havendo-se com notória constância em alguns levantamentos que houveram [sic] na dita vila. APM. 30 de dezembro de 1717. dendo-lne o nome de Vila de Nossa Senhora da Piedade. Em fevereiro de 1715. devendo-se ao seu respeito o atalho das desordens". e tentaram isolar as novas minas do governo da Capitania. dos defuntos e ausentes e quintos do gado que haviam entrado na dita vila. D. estatísticos e noticiosos da província de São Paulo.'mas para melhor expedição da cobrança dos reais quiruos'T": A Vila foi j I l ~ VassaJos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII I 1 '1' I' j. Códice SG 04. Contudo.

Porém.•• SOBRE PERDÃO e indulto geral que se concede aos moradores de Pitangui e~eu distrito.nem esses moradores com a demasiada carga [ficassem] oprimidos blícas e registrado nos livros da Secretaria e nos das câmaras das vilas onde se publicar"?": A justificativa do Conde para o perdão foi de ordem econômica. Controlado o motim. Indignado.7Ibidem. D.. O Governador somente informou ao Rei da concessão do indulto geral em julho de 1718.. em nome do Rei. Contudo. incentivando a fixação de paulistas que ali desejassem se estabelecer. o Conde de Assumar conseguiu que a Câmara de Pitangui iniciasse a arrecadação do tributo. quatro dias antes de enviar para o Governo da Vila de Pitangui o Brigadeiro João Lobo de Macedo. Com ameaças de "castigo exemplar" aos moradores da Vila. Seção Colonial. com instruções de adotar uma política "suave" com relação aos moradores da região... .. tis 272r. '93 '94 o CARTA do governador CARTA do Governador CARTA do Governador ao Rei de 09 de dezembro de 1717. Pedro de Almeida. '. 33 r. 0 nem [ficasse1 também tão prejudicada a Fazenda de Sua Majestade que [fosse] necessário usar do rigor antes que da moderação"?" . Alegava que se devia considerar as "grandíssimas utilidades" das minas de Pitangui para a fazenda de Sua Majestade e para os seus vassalos. Pedro de Almeida chegou a considerar legítimos os motivos dos amotinados dos primeiros levantes. CARTA do Governador ao Rei de 14 de julho de 1718. Os vassalos rebeldes assassinaram Valentim Pedroso. e investir de autoridade homens da comunidade. Códice SG 04. na primeira metade do Século XVIII i I poder suficientes para desafiar os ministros metropolitanos. 550v. abusando do "bom termo" do Governador. APM. a Vila contribuiu com apenas 1600/8 das cinco arrobas devidas. Seção Colonial. Doc. 30 de maio de 1718. não o fez para não "vexar os povos" e ficar "inabilitado para as â-mais causas igualmente eseenciais't'" . 272v. Códice SG 11. Segundo o Coqde. se recolhessem ao distrito no prazo de um ano a partir de 1 de julho de 1718. De acordo com o Governador. n. 551 r. a política do Governador em relação a Pitangui tornava-se menos "suave" e o controle da Vila foi se enrijecendo. fI. APM. D. Para o indulto. D. a concessão de sesmarias "necessárias para sua lavoura". e o privilégio de cavalheiros. situação que gerava considerável prejuízo à Real Fazenda/Para garantir a continuidade da exploração das minas de Pitangui. e do perigo do contágio de outras vilas que poderiam ficar" . em razão da carga exorbitante do quinto". encarregado da cobrança do quinto. negando-se a aceitar a sua jurisdição. 550r. Ipretendeu ainda ampliar os serviços minerais. Não obstante estivesse convicto da necessidade de tomar uma série de medidas rigorosas para controlar a população e os régulos de Pitangui.. 551v. à semelhança do que fora concedido pelo Rei aos oficiais da Câmara de São Paulo.. fls. a todos os moradores do crime de sublevação e de outros criI rnes precedentes visando à permanência dos povos no distrito!".Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Mina. o Conde acenou aos moradores com algumas regalias como a suavidade na cobrança dos quintos. Seção Colonial. à câmara de Pitangui de 22 de abril de 1718. seu sogro e cunhados e feriram gravemente seu irmão Jerônimo Pedroso. a obstinação dos moradores de Pitangui e o conseqüente fracasso na arrecadação da quantia estipulada em razão dos quintos reais fizeram com que o Governador mudasse sua política relativa à Vila. dadas in perpetuum para os moradores e seus descendentes. clt. famílias e dos negros e carijós que possuíssem.. a redução da taxa nos dois anos subseqüentes ao de 1718. o povo da Vila amotinou-se e isolou a região. APM. em maio de 1718 o Governador da Capitania concedeu perdão e indulto geral aos moradores de Pitangui " .) e tão pernicioso aos interesses de Sua Magestade [e] ao sossego [do] governo". àqueles que ocupassem os cargos de juiz. o Conde perdoou. juiz ordinário da Vila de Pitangui'".com a mão alçada para fazerem o mesmo e [tornarem1 incobráveis os quintos". Pedro escreveu aos vereadores recomendando que dali por diante cuidassem para que " . a condição imposta pelo Governador foi a de que os moradores e os paulistas interessados em se fixar na região. à medida que a negação da autoridade colonial tornava-se mais explícita. 11v. em razão do "procedimento tão estranho (. 90 91 . todos os movimentos em Pitangui resultavam da exorbitância da cobrança dos quintos. àqueles que possuíssem mais de dez negros ou carijós. os moradores da Vila fugiam da região pelo temor do castigo que mereciam pelo seu levantamento contra a cobrança do tributo.. 273r. acompanhados então de suas mulheres. Seção Colonial. '95 Códice SG 11. Contudo. as quais estavam se tornando praticamente desertas e abandonadas " . Preocupado com a reocupação de Pitangui. Em repúdio à tentativa do Conde de Assumar de cobrar o imposto em 1717.. por bando mandado publicar ao som de caixas. Negociando a paz do distrito com seus habitantes. O Conde já se dera conta de que o seu poder estava limitado pelo poder maior dos potentados e pelo comportamento pouco cooperativo do Senado da Câmara de Pitangui. fixado nas partes púI . fI. a força do potentado Domingos Rodrigues do Prado. APM. Códice SG para Bartolomeu de Souza Mexia de 20 de maio de 1718. gerando um contexto típico de soberania fragmentada.

:'( ' '. em especial da fábrica de Garcia Pais. i I I.informar o desejo do Conde de ver povoadas e bem sucedidas as minas de Pitangui e persuadir seus moradores do "bom ânimd' do bando. . 41v. Códlca SG 11. o Governador enviou carta aos oficiais da Câmara de Pitangui. 40v. O Governador respondeu ao Senado da Câmara. 10·deixar claro para os moradores que sua permanência em Pitangui visava tão somente pacificar suas controvérsias e contendas. 22 . o Governador ordenou que o povo da vila de Pitanguí recebesse logo o Brigadeiro e lhe desse posse sem o que mandaria ". . Seção Colonial.. clt. observa-se a fragmentação da soberania. por outro lado.acalmar a Câmara quanto às suas disputas de terra e corte de lenha com o guarda-mar Garcia Rodrigues Pais.não havia tido. Seção Colonial. com instrução para governar Pitangui. finalmente.. ): I1 li . Quanto ao pagamento dos quintos. o Governador já se convencera das dificuldades de governar a Capitania. 132 . mas sem prometer perdão. constituindo um duplo pólo do poder. o Conde comunicava aos oficiais que não admitia mais ouvir falar deles e advertia à Câmara ". obrando mais como bandidos e como ferozes. . Pedro de .por o fogo a essa Vila para que não {houvesse] mais memória dela" e castigaria com inaudito rigor os "delinqüentes". APM. repreendendo-os pelas "desobedientes resoluções (. buscando fixar a população. 3· . O Governador estava certo de que o motim e a ".acalmar os criminosos que temessem ser presos pelos vários crimes cometidos. em conseqüência disso. fI. para colocarfimàs indisposições constantes entre paulistas e portugueses presentes desde a guerra dos Emboabas. 47r.incentivar a mineração utilizando-se serviços de água mais permanentes. APM. para capitãomor da Vila2OO• Temos aqui o que consideramos uma situação típica de soberania fragmentada. 200 Prosseguia o Conde afirmando deduzir. jamais o castigo.. o número de paulistas e reinóis. 11· . vereador e procurador do Senado da Câmara de Pítanguí!". Segundo D. " . corretamente203• Tampouco o repudiado Brigadeiro João Lobo de Macedo escapou à ira do Conde. Em recorrentes cartas ao Conde.. homem que havia ocupado vários postos importantes na Colônia. nas eleições da Câmara. Códice SG 11. O povo de Pitangui recusava-se a aceitar o governo do Brigadeiro João Lobo de Macedo e com "inaudita pretensão" havia nomeado Manoel Dias da Silva. fls. não podia ser cabeça de um povo amotinado". acusando-o de estar "metido no meio do motim". fi. . o Conde afirmava que se dis- punhe a acreditar que o futuro capitão-mor aceitara o posto para convencer o povo a se colocar sob as ordens do Brigadeiro. envolveram o povo nesse desatino?".que sempre foi a mais rebelde e mais renitente" que passasse a agir.algumas pessoas dessa câmara (. 5· . 41r. Almeida enviou o Brigadeiro João Lobo de Macedo. submisso ao Príncipe.l em relação a João Lobo de Maced0201 • A esta altura. CARTA do Governador Códica SG 11.manter o Governador informado dos acontecimentos.(4) .valor para mostrar a cara e reprimir a insolência dos atrevidos". I 92 93 .proibir o estabelecimento de religiosos de qualquer ordem na região. e feita em sociedade com reinóis. 7· ... que havia recebido provisão do Governador para estabelecer uma fábrica de minerar com fogo no morro do Batatal. 12· . os obrigara a dar posse ao capitão-mor que os moradores haviam escolhido. 102 a Manoel Dias da Silva de 08 de setembro " de 1718.. Em razão de tantos desmandos. Códice SG 11. Quase dois meses após a concessão do indulto.. Pedro de Almeida: ". D. considerado então um dos principais do distrito. Doe. . 47v.procurar igualar.. com a investidura de autoridades locais e rejeição aos ministros metropolitanos. Ibldem. CARTA do Governador para a Câmara de Pitangui de 08 de setembro de 1718. SeCjão Colonial. fi. " . O perdão que fora concedido pelo Conde não alterou o ânimo belicoso dos moradores da Vila. sublevado. 6· . 8· . afirmando que não havia nada contra eles.. Em setembro de 1718. Em carta a Manoel Dias da Silva.teria toda a [sua] in- d/gnaçtlo porque branco e honrado. o povoamento de Pitangui. doravante. APM. um dos principais da Vila. APM. pelas cartas dos oficiais da Câmara. Rompida a acomodação. o Brigadeiro devia: 1·.ter um bom relacionamento com os moradores.oa instrução constavam 13 artigos.' I I.o que ele duvidava ..) com o mau costume em que (estavam] de repugnarem a todas as ordens de seus superiores". I: .para os favorecer em todos os negócios em que tiverem justiça" e do seu reconhecimento aos serviços prestados por eles à Sua Majestade..sedentarizar a população para que "não andem vagabundos".) esquecendo-se da obrigação de leais vassalos. Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII li i I I I 1 i l ." SOBRE o PERDÃO e indulto geral que se concede aos moradores de Pitangui e seu distrito. que se o órgão não havia conspirado para que o povo se levantasse .resolver o que fosse omisso na instrução. obedecendo o bando e garantindO. os oficiais da Câmara de Pltangu! o haviam informado de que o povo da Vila. Seção Colonial..i . CARTA do Governador para os oficiais da Câmara da Vila de Pitangui de 05 de setembro de 1718. 47v..recomendar aos moradores que tirassem cartas de sesmarias visando a posse firme e estável da terra e.. português nascido no Minho. O bando que acompanhava o Brigadeiro visava fundamentalmente neutralizar a indisposição dos paulistas com as autoridades e garantir assim a exploração sistemática das minas do distrito!". O Conde esperava com isto que Manoel Dias da Silva se colocasse numa posição favoráv. 199. da inclinação do Governador aos paulistas ".[~ I: . INSTRUÇÃO que leva o Brigadeiro João Lobo de Macedo de 18 de julho de 1718. Continuava o lovcrnador afirmando que. 1o..apresentar a carta-patente que levava para a Câmara e homens principais da Vila de Pitangui e tratar de controlar seus moradores. se assim não fosse..:?).

~.~!U. Seção I I t CARTA do Conde para o ouvidorgeral da comarca do Rio das Velhas de 22 de setembro de 1718. Bernardo Pereira de Gusmão na sua expedição a Pitangui'?". Advertia-lhe o Conde que as colônias só " . o Governador informou ao Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas sobre o perdão concedido pelo Brigadeiro.. 54r.. além de não ter conseguido tomar posse pelos seus próprios meios.. Ver nota de rodapé 50 da qual constam os artigos da lnstrução dada ao Brigadeiro João Lobo de Macedo. cil. enquanto Domingos Rodrigues do Prado. -----.. _. APM Seção Colonial. Em carta a João Lobo de Macedo. o Governador enviou uma carta a João Lobo na qual acusava-o. p.:. 11.r Vassalos Rebeldes: na primeira metade violência nas Minas do Século XVIII ----. pois aqueles que deviam observar as minhas ordens as executam como melhor lhes parece"204. APM.homem régulo e por natureza matador.APM. Poucos dias depois. Op. APM. 205lbidem.. 53v a 55r. I!:I I! " . Diogo de. o Conde recebeu a notícia de que o Brigadeiro. que em faltando tem certa a sua destruição"?" . Descrente de uma ação eficaz de João Lobo e buscando garantir a submissão da Vila.. com 20 soldados montados e escolhidos. imediatamente após a sua entrada na Vila de Pitangui. D.como expectador para ver como o Brigadeiro o [remediava]''205. Códice SG 11. APM._ .. João Lobo de Macedo de 08 de setembro de 1718. fI. Códice SG 11.. Bernardo Pereira de Gusmão e Noronha.. e os colocar às ordens do Dr.. 209lbidem..sejazem per" Em carta da mesma data. fls.. o capitão-mor expulsou o Brigadeiro João Lobo da Vila e assassinou o juiz ordinário Manuel de Figueiredo Mascarenhas.~-- .APM. Seção Colonial. VASCONCELOS.. I! i escolha do capitão-mo r haviam ocorrido em razão da morosidade do Brigadeiro em se dirigir para a vila de Pitangui.~_:. Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Ili. .-. Incontinenti.-1 ~ I r. cit._. Pedro de Almeida confessava: " . Seção Colonial. o Governador ordenou ao ouvidor geral da Comarca do Rio das Velhas..:... 751 a 759. 48v.. APM.. A expedição do Ouvidor Geral para Pitangui foi atribulada.. ~~•.48v.. capitão-mor da Vila. ao Rei sobre as alterações de Pitangui de 09 de fevereiro de 1720. " . Códice SG 11 fls. de 1718.. Códice SG 11.~..por nenhum princípio poder para isto. Voltando a Pitangui.. = . Ordenou ainda ao coronel [oseph Correa de Miranda nomear um capitão de sua total confiança e um alferes de seu regimento. antes ordem expressa minha no capítulo r da lnstrução'T"...:. João Lobo de Macedo de 22 de setembro ORDEM ao ajudante de tenente Manuel da Costa Pinheiro de 28 de dezembro de 1719.. 49r. 48r. I) 'l ·\1 r li..- .__ . insigne e motor principal das revoluções". líder da sedição de 1720 em Vila Rica.-..já agora não chegarão a tempo quaisquer ordens que se lhe mandem e não pode deixar de causar uma grandíssima confusão ajustar em um dia certo e depois arbitrá-Ia cada um como lhe parece"?". Códice SG 04 fls.''".:c.para Sua Majestade mais conveniente lhe será que não a haja que ter ali um contínuo fermento de rebelião"?". 204CARTA do Conde para o Brigadeiro Colonial. fiados na facilidade com que se lhes [perdoava]. 94 95 •• .... fi. de incitar a repetição dos crimes uma vez que os moradores ficavam ". Códice SG 11. APM. li. o Governador ordenou ao ajudante de tenente Manuel da Costa Pinheiro sitiar a Vila de Pitangui e aguardar a chegada do Ouvidor-Ceral da Comarca do Rio das Velhas que devia tirar devassa de tão inauditas desordens. '" Segundo Diogo de Vasconcelos. 196r. ~: . como U ••• aquele [Domingos Rodrigues do Prado] e outros homens cometiam sem temor de Deus e das justiças de [Sua] Majestade"213 .11s. Não só se desentenderam. A Vila de Pitangui manteve-se relativamente calma até os últimos meses do ano de 1719.- . Encontramos referências à conduta escandalosa do Brigadeiro que havia se tornado sócio de vários amotinados nos serviços minerais e que no seu governo só desejara "vaidade e exaltação". 170.. avisava-lhe o Conde que se poria " . Seção Colonial. na jornada.208.. o ministro e o capitão-mor da tropa como não cumpriram as ordens do Governador quanto à data da entrada do Ouvidor na Vila... Nos últimos dias de dezembro de 1719. "O / pétuas e duráveis na boa administração da justiça. ro de 1720. Uma vez que o atraso de João Lobo desencadeara o motim.. Queixava-se novamente o Conde de Assumar: " . Seção Colonial.~. Códice SG 11. 54v. 207 ORDEM do Governador de 09 de setembro de 1718. Códice SG 11 fls. 2\3 211 CARTA do Governador 206CARTA do Conde ao ouvidor geral da Comarca do Rio das Velhas de 09 de setembro de 1718. fI... 194v e CARTA do Governador sobre as alterações de Pitangui de 09 de \everei. Seção Colonial. queixando-se de que o mesmo não tinha " .. Foi preso posteriormente quando se encontrava escondido na casa de Pascoal da Silva Guimarães. que havia informado ao Conde sobre as desordens por ele promovídas'" .:--=. --"-'~--_. Não encontramos nos documentos confirmação deste fato. CARTA do Governador ao ouvidor do Rio das Velhas de 03 de janeiro de 1720.Já vou desconfiando de não saber governar este governo porque me não vale prevenir os sucessos e dispor as cousas para eles... .:. a expulsão do Brigadeiro foi decorrência da sua tentativa de fazer contrato do comércio de aguardente. 208CARTA do Governador para o Brigadeiro Seção Colonial.. 196v. havia perdoado os amotinados.. permanecera em São Paulo?". ". que fosse a Pitangui e tomasse medidas as mais rigorosas porque . Doc..

cít.. que ficará forro. SOBRE DESORDENS em Pltangui cometidas por Domingos Rodrigues do Prado de 26 de outubro de 1720. Após algumas escaramuças. O ouvidor geral da comarca do Rio das Velhas "mandou levantar no lugar mais público uma forca. escravos e serviço de água no Rio da Onça). Documentos interessantes para a história e costumes de São Paulo.Vassalos Rebeldes: na primeira metade violência nas Minas do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Para reforçar as forças do Ouvidor Geral. do Sabará. casas. sendo pessoa em que assente bem a dita mercê. 2 (1897): 425·517. Antonio Rodrigues de Andrade (cata de vinte braças de terra. Op. LI 11. nem sítios. Seção Colonial. o Conde de Assumar enfa tizou ". muitos criminosos que para ela tornarão com desígnios de vingança e de recuperarem todos os negros perdidos"?". enquanto não indicava um capitão-mor que " . e sendo negro ou mulato forro se lhe fará a graça de 100$000 réis e de uma ajuda de custo competente. 198r. 1931. de Gaspar Gutierrez (lavras e escravos). sempre ameaçada por " . em sociedade com o Brigadeiro João Lobo de Macedo. 171. acompanhado de 23 dragões montados. possuidor de uma tropa de 500 paisanos. Seção Colonial. Em carta ao Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas.. e que [procurasse] mais a paz e o sossego que a sua vaidade e exaitaçõo"?" . Códice SG 11. Seção Colonial. cometendo lesa-majestade por lhe negar o seu domínio e por pegar em armas contra as suas tropas. encontraram Domingos Rodrigues do Prado juntamente com 400 amotinados entrincheirados nos matos e nos caminhos. seu cunhado. 96 97 . Recomendava ao capitão que fosse duro com eles porque eram "meio bárbaros e mais os [convenciaJ o modo que a razão". fls. as casas de Domingos Rodrigues do Prado loram queimadas.. Em outubro de 1720. . o Anhanguera Filho. associado a Bartolomeu Bueno da Siva.. CódlCfJ SG 11. escrivão dos seqüestros e algumas outras pessoas. os cabeças do motim tiveram os seus bens seqüestrados e estipulada recompensa para a prisão ou morte de Domingos Rodrigues do Prad0219 .. o haverão por banidos. Slo Paulo: Imprensa Oficial. cabeças de porco. tendo-se por certo que este pr~mlo incitará na cobiça de muitos empreenderem a dita diligência: e para que a este régulo o desampa· rem a maior parte das pessoas que o seguem.não [quisesse] senhoria. CI. O Conde providenciou a permanência de Francisco Duarte Meireles e um número considerável de paisanos na Vila. É interessante ressaltar que os paisanos. Em 1722. 212r. p. quintal e bananal). João V para penetrar nos sertões de Goiás à procura de riquezas. Nos documentos examinados não encontramos referência ao acontecido.. com perdas de ambos os lados. M. os rebeldes embrenharam-se pelos matos e o Ouvidor pôde entrar na vila de Pitangui?". Domingos Rodrigues do Prado. lavras. VASCONCELOS. CARTA do Governador para Francisco Duarte Meireles de 06 de março de 1720.. Revista do Arquivo Público Mineiro. APM. de Manoel Mendes (escravo). casas e uma roça de milho). ao tomar conhecimento da "comédia". casas de vivenda e escravos). de confiscos. Códice SG 11. Fazenda Real. que no mesmo bando se exprima. Chegando as forças do governo ao rio de São João. de Bento Pais da Silva (lavras no RIo da Onça. da sedição de Pitangui de 1720 afirma que.. e nela fez executar em efigie o dito rebelde" que havia se retirado com suas tropas para o sul do Rio Pará.com o poder de duzentas armas". seu sogro..a ousadia que tiveram esses régulos de se por em resistência contra um ministro de El Rei e contra suas tropas. e metendo-o que se lhe dará 100$000 réis. recusaram-se a obedecer o capitão Joseph Rodrigues de Oliveira. além do envio de uma tropa de paisanos comandada pelo sargento-mar Antônio Martinez Leça e outra oriunda da Comarca do Rio das Mortes. de Manoel Fernandes Preto (roça de milho. nº 105. AUTOS de Seqüestro. Foram seqüestrados os bens de Pedro Morais da Cunha (roças. cít. partiu para os Goiases e foi ~m dGS rllponsável pelas primeiras descobertas de ouro naquele território. casas de telha com suas senzalas. mas de primeira cabeça. 212v. 193r. Francisco Duarte Meireles ficou responsável pelo sossego da Vila de Pitangui. Diogo de Vasconcelos tratando. '" Ibidem. de Domingos Rodrigues do Prado (roça plantada de milho). o Conde ordenou a Francisco Duarte Meireles. Seção Colonial. APM. casas de vivenda). 202. 197v. parecer do Conselho Ultramarino recomendava ao Rei ordenar ao Governador das Minas publicar um bando oferecendo recompensa a quem prendesse ou matasse Domingos Rodrigues do Prado: ". Doe. APM. sob o comando de Francisco Duarte Meireles. Domingos Rodrigues do Prado foi acusado de ser o principal cabeça do motim. v. e a de Domingos Rodrigues do Prado merecia ser logo cortada por estar incurso na pena de rebelde facinoroso e ré guio. peqsndo-se o seu valor da fazenda de Vossa Majestade a seu Senhor. ". Consultas do Rio de Janeiro. Códice SG 11. fls.m". seguirem para Pitanguf'". que todo o que o seguir "O não deixar logo. 196v e CARTA do Governador ao rei sobre as alterações de Pitangui de 09 de fevereiro de 1720. Domingos Rodrigues do Prado conseguiu escapar da prisão e. fI. José Joaquim. Conselho Ultrarnarino. duas léguas antes de entrar na Vila. p. Memória histórica da capitania de Minas Gerais. e no caso em que o não possa prender trazendo-lhe a cabeça. requereu licença de D. lavra e escravos) de Francisco Rodrigues Almeiro [sic] (lavras. APM. o Ouvidor sugeriu a D. e que sendo feita a dita prisão ou morte por algum escravo. pendurou por sua vez o ouvido r mascarado "na mesma figuração picaresca". li" 215 CARTA do Governador a Francisco Duarte Meireles de 28 de janeiro de 1720. após a abertura de rigorosa devassa. CARTA do Governador ao capitão Joseph Rodrigues de Oliveira de 03 de fevereiro de 1720. 213r. para se executar neles a pena da leI'. APM. arrasadas e salgadas pelo meirinho. casas de vivenda). e João Leite da Silva Ortiz. 400 "manos" de milho. 216 217 CARTA do Governador para o ouvidor geral da Comarca do Rio das Velhas de 29 de janeiro de 1720. em sua História antiga das Minas Gerais. Pedro de Almeida nomear um capitão-mor para permanecer em Pitangui " . de Joseph Rodrigues Lima (sítio. que terá a mesma mercê do hábito de Cristo com 12$000 réis de tença efetivos. Diogo. Francisco Pereira de Menezes (roças. surpreendido que [osJ paisanos ignorassem deviam obedecer a v. quem o prender será premiado com a mercê do hábito de Cristo com 30$000 réis de tença efetivos. crime não só grave. Por ordem do ouvidor-qeral da Comarca do Rio das Velhas. lndiciados na devassa do Ouvidor Geral. casas de vivenda e uma balança de pesar ouro). O Conde afirmou ao capitão ter ficado ". 192r. IIs. de Francisco Pedroso de Almeida (sítios na Ponte Alta.. casas e escravos). Este mesmo relato encontra-se em ROCHA. de Simplício Poderoso [si c] (lavras. 197r. e ao capitão Joseph Rodrigues de Oliveira. 192v. fazendo hostilidades aos vassalos de Sua Majestade e negando obediência ao seu governador e às suas justiças"?": Em razão dos constantes e graves crimes cometidos na Vila...

APM. D.Manoel Nunes. proprietários de extensas fazendas na região dos currais do São Francisco e de lavras no distrito de Catas Altas.~ I. Pedro de Almeida para o Marquês de Angeja de 30 de dezembro de 1717. pois servem aos governadores de instrumento para conseguirem cobrar os quintos. a postura de Portugal em relação aos "poderosos" das Minas foi sempre ambígua. Códice SG 11115. foi personagem importante na sedição de 1736 no sertão do São Francisco.que [foi o seu] flagelo com as contínuas revoluções que [tinha] andado"?": Em junho de 1720. para prender criminosos .d .:~i:.' '. . enfrentou. li i CAPíTULO 5 EXTRAORDINÁRIOS POTENTADOS 'U li' ./: '..~:\:' i. Pedro de Almeida para o Marquês de Angeja. i: I i J ~ hJ ! . mais tarde. 98 \ 99 I _. Constatação exemplar desta assertiva é trecho da carta de D. para reprimir os revoltos os de menos poder. Pedra de Almeida teve pouco tempo mais para continuar a se preocupar com a Vila de Pitangui "..8-9. com grande séquito de escravos. eclodiu grave revolta em Vila Rica que absorveu atenção plena do Governador. foi aclamado governador pela sua população e usou de seu poder para fazer valer interesses particulares tanto nas áreas mineradoras quanto no São Francisco.. abusam do seu poder. o que contribuiu para consolidar o poder destes homens principais da área mineradora. Governador das Minas. em outras são muito essenciais ao mesmo serviço de Nosso Rei. cit.~ Durante a primeira metade do século XVIII. Seu primo. p . Manoel Rodrigues Soares.. Seção Colonial. dois sérios conflitos nos anos de 1718 e 1719: o motim de Catas Altas e o de Barra do Rio das Velhas. dominou o distrito de Catas Altas e. poucos meses depois do motim de Pitangui.» Vassalos Aebekfes: vioJência nas Minas na primeira metade do Sêculo XVIII D. 1+1 !1' ) 1 222 221 CARTA do Governador ao Rei sobre as alterações de Pitangui de 09 de fevereiro de 1720. CARTA de D. pela rebeldia destes potentados. . líder dos emboabas na guerra contra os paulistas."m. rr ••• 11 ~\ í . Doe. . em algumas coisas. escrita em fins de 1717: se estes homens [os poderosos] por uma parte. na primeira década de vida das Minas. residentes no Caeté.~ Dois dos mais importantes potentados das Minas foram os mestres-de-campo Manoel Nunes Viana e seu primo Manoel Rodrigues Soares. Pedro de Almeida..

Bento Ferraz. severamente castigadas. Em Catas Altas. enviou seus negros armados para ajudar no controle dos motins de Pitangui e comportou-se com "notável zelo" na sedição de 1720 em Vila Rica. o qual havia se disposto. 2H ORDEM sobre a contenda de Oatas Altas. 4-6. em 1718. Particularmente. seriam. APM. Temia a possibilidade de o conflito se generalizar já que "algumas pessoas mal intencionadas queriam [faZer] causa comum daquilo que [era] couslJ1"particular"227.J. 11' ORDEM sobre a contenda de Catas Altas de 19 de julho de 1718. Seção Colonial. ouvirem as partes e dirimirem as diferenças. REGISTRO de certidões passadas a Bento Ferraz Lima. camaradas e "dispendendo considerável fazenda" nos enfrentamentos das ameaças à ordem pública. prendeu o Coronel João Barreiros e o Juiz ordinário da Vila "por juntarem armas para perturbar os povos". 225 Assumar. seus representantes. Colonial Brazil. clt. ficavam retidas partículas de ouro que os escravos resgatavam nos trabalhos com as bateias. em termo firmado com o Governador. e que fi- . mas também demandavam os maiofes investimentos iniciais gerando disputas intermináveis pelo direito exclusivo de minerá-Ias 7. não obstante "digno e merecedor de todas as honras". surgiu uma contenda entre os feitores do mestre-de-campo Manoel Rodrigues Soares e Bento Ferraz. Os seixos e areia levantados passavam por uma série de comportas e. a não incitar disputas nas áreas míneradoras'" . contrariando as disposições do bando de 1717 que proibia os escravos de portarem armas de qualquer qualídadeê" .R. "tumultuosamente. juntando armas para violentamente defender o seu partido". o Conde de Assumar ameaçou prender Manoel Rodrigues Soares. APM. além de terem seus bens confiscados para a Real Fazenda. o Governador recomendou aos mestres-de-campo. ed. porque acreditava que da contenda poderia "nascer-ai- guma alteração e desordem contrária ao bem-comum e sossego e quietação daquele pOVO"226 . Códice CMM 12115. APM. pelo qual ficaria determinado que as pessoas do distrito que o contrariassem seriam reputadas por inimigas do sossego público e perturbadoras dos povos e. Procurando garantir a ordem no distrito. Seção Colonial. Pedro de Almeida.XVIII "Potentados Sediciosos": o motim de Catas Altas Foram constantes. Mining. 22'lbldem. em razão de um serviço de água para lavrar as terras do distrito. tão logo tomou conhecimento da disputa. Doe. • 101 / . Homem de muitas posses. foi um exemplo de potentado extremamente útil à Coroa Portuguesa. APM. semeando vozes sediciosas". sempre apoiou D. CARTA do Governador das Minas para Bartolomeu de Souza Mexia de 08 de janeiro de 1719. deveria ser lavrado um termo no livro de notas de um dos tabeliães de Vila do Carmo. em cada uma delas. Leslie. ao longo da primeira metade do Setecentos. A.38. e PATENTE de Gomes Freire de Andrade de 28 de janeiro de 1736. 1690-1750. que. uma vez resolvida a disputa.•. fornecendo-lhe negros armados. RUSSELL-WOOD. espoliando delas o Governador e justiças". 69-71. Dos serviços minerais. as disputas por terras nas lavras mineiras. Seção Colonial. D. sem atentar para os direitos de seus donos originais". ocasião eJll que os moradores das Minas intentaram reduzir a uma "República as terras [daquele] governo. minerador e senhor de engenho. D. D. 2lTlbldem. (Certidões de 25 de março de 1719: 28 de novembro de 1719: 12 de maio de 1720 e 10 de novembro de 1720). A situação em Catas Altas se agravou quando Manoel Nunes Viana passou a apoiar seu primo na disputa contra Bento Ferraz. posto confirmado pela patente de Gomes Freire de Andrade de 1736224• Este potentado. 1987. ao contrário de Viana e Rodrigues. Pedro de Almeida preocupava-se com a situação. andando a minerar "armados de toda a sorte de armas". Pedro informava a Bartolomeu de Souza Mexia que Manoel Nunes Viana quis fazer valer o seu poder em Catas Altas e apossar-se de "todas as terras drcunuizinhae. Cambridge: Cambridge University Press.Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XViii Vassalos Rebeldes: violência' nas Minas na primeira metade do Século. Algum tempo depois de ocorrido o motim. nomeou os mestres de campo Joseph Rabelo Perdigão e Manoel da Affonseca para se dirigirem ao distrito de Catas Altas. impedir a permanência dos negros de Rodrigues em Catas Altas22s• O Governador das Minas. 94 a 99. Nas desordens em Caeté. as lavras eram as que apresentavam os melhores resultados. 223 224 CI. Destruiu quilombos no morro do Caraça.23. Tke gold cycle. Comunicava também estarem os negros do potentado e os de Manoel Rodrigues Soares. tentou. como tal. Nas lavras. Na ocasião. o cascalho era trabalhado por pressão hidráulica. termo da Vila de Nossa Senhora do Carmo. Comarca do Rio das Velhas que Rodrigues e Viana "não [cessavam] ~e botar explorados por este País. CÓd'fs S~ 11 fls. In: BETHELL. que trabalhavam nas lavras. Códice SG 11 11. Bento Ferraz foi nomeado capitão-mor das Catas Altas em 1733. Pedro de Almeida comunicou ao Ouvidor Geral da. Conde de CI. Códice SG 49 Ils. 100 . Seção Colonial. região assim denominada pelas profundas escavações que se faziam no alto do morro.

67. proibindo todas as pessoas. 152.. Seção Colonial. . D. se D. tendo tanta autoridade e respeito quer qualidade ou condição. Antônio Ferreira 230 PARA O OUVIDOR Geral da Comarca Colonial. Pedro foi informado de que os negros de Manoel Rodrigues Soares e de outras pessoas mais estavam a andar "com armas. CARTA do Governador SG 11 fi. Em razão do clima de "[aniástico temor" que se instalou no distrito com a generalização dos tumultos. do Rio das Velhas em 08 de janeiro de 1719. promovendo as "desordens mais in- suportáveis que se [pudessem} imaginar". 66. Seção Colonial. humildes. o Conde de Assumar./ Em carta enviada a Manoel. Agravando a determinação dos moradores de Catas Altas de abandonarem suas lavras. com Manoel Rodrigues Soares para que trouxesse o distrito à ordem. Códice 102 103 . Códice SG 11 fI. naquele momento. Manoel Mosqueira da Rosa. foi bem recebida em Portugal. Seção Colo- a3e ORDEM do Governador das Minas de 3 de novembro de 1718. a ordem de prisão de Viana e Rodrigues. de entrar em Catas Altas até que o governo tomasse conhecimento da resistência que os seus negros haviam feito ao tenente geral Manoel da Costa Fragoso'" .r' Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII casse de sobreaviso na Comarca do Sabará "onde [havia} muitos homens poderosos"?". Soares de 13 de agosto de 1718. o Conde enviou para o distrito rebelde o Ouvidor Geral da Comarca de Vila Rica. prejuízos para a Real Fazenda. especialmente a Manoel Nunes Viana. Um dia depois. Códice SG 11 fls. "de qual- Como Manoel da Costa.Rodrigues Soares. 100-101. pois [estava] acostumado a não ouvir o dos pobres sem grande mágoa . costumam ser as desordens de consideração"?". 68. 43. Códice SG 11 fi.. Códlce SG 11 fI. O despovoamento de uma área mineradora significava. D. Pedro de Almeida. Revelando uma preocupação "social". expedida por D. Seção Colonial. Os negros de Rodrigues levantaram-se. para Manoel Rodrigues Soares de 2 de novembro de 1718. Pedro não os prendesse.. APM. Da mesma forma como havia procedido nos motins de Pitangui. Seção CARTA do Governador nial. Continuava o Secretário afirmando que. pacíficos. A chegada do tenente a Catas Altas agravou a situação. APM. Para Manoel Nunes Viana. o Conde enviou para a região o tenente geral Manoel da Costa Fragoso. 237 233 CARTA do Governador para o Ouvidor Geral da Comarca de Vila Rica de 01 de novembro de 1718. Seção Antônio Ferreira Pinto de 13 de agosto de 231 ORDEM do Governador das Minas para o Sargento-mor 1718.. De acordo com Mexia. 43. APM. Pedro proibiu Rodrigues. e Manoel Gomes Aires.. 67. APM. Seção Colonial. que Manoel Mosqueira lhe informasse o grau de responsabilidade de Manoel Nunes Viana no motim de Catas Altasê" . que estava no Caeté. Códice SG 11 fi. para o Tenente-geral João Ferreira Tavares. Códice SG 11 fI. que [fossem} moradoras e assistentes no distrito". Seção Colonial. Uma vez constatada a culpa dos potentados. este último também acusado de liderar um motim em Santa Bárbaraê". sobrinho de Rodrigues. APM. recomendando-lhes usar de os negros amotinados. O Secretário Bartolomeu de Souza Mexia comunicou ao Governador que ele agira bem mandando prender os dois régulos. Pedro de Almeida para Manoel Rodrigues Colonial. obviamente. Ao mesmo tempo. "já decantado pelas sublevações de quefoi arguído e de que não teve castigo". feitor do potentado . o Governador tentou evitar a fuga dos moradores de Catas Altas. ainda. imprimia "terror nos miseráveis. afugentá-Ios era também uma espécie de castigo "que [servia] para intimidar os moradores [daquelas] minas. "232. tiprontamente enviou para e o sargento-mor Antônio "toda a prudência e moderação porque sempre que se junta muita gente." 231 232 CARTA de D. APM. certamente os colocaria para fora do distrito das Minas pelo "temor [que teriam} do castigo". APM. Incisivamente afirmava-lhe esperar que ele fizesse "todo o possível para que estes clamores não [tornassem] a chegar aos [seus] ouvidos. vendo que. Pedro de Almeida confessava-se desconsolado por ver toda a população de Catas Altas vendendo suas fazendas "por não arriscar ser perturbada". que tanto havia se vangloriado de ter concorrido para o sossego das Minas e de ter sido o responsável "de a livrar das vexações com que a dominavam os Paulisias". sempre tão cruel. o Conde afirmava espantar-se por ser ele quem. APM. com a ordem de tirar devassa das insolências cometidas pelos negros de Manoel Rodrigues Soares e pelos seus feitores Manoel Gomes Aires e Nuno Gomes. insistiu.. 234 CARTAS do Governador para o Capitão Paulo Rodrigues Durão e para o Sargento-mor Pinto de 2 de novembro de 1718. nesta oportunidade. ao prender vesse exacerbado o conflito. O Governador pretendia. fazendo violências contra os bandos do Cooernador"?": Mais uma vez. D. pelo menos. os seus moradores resolveram se desfazer de seus bens e abandonar as lavras. buscando manter a ordem no distrito de Catas Altas. Códice SG 11 fI. com a ordem de prender a todos que não o obedecessem e de levar à sua presença Antônio Carvalho de Almeida. de vender ou alienar seus bens sob pena de vê-I os confiscados pela Coroa'" . o Governador o distrito o capitão Paulo Rodrigues Durão Ferreira Pinto.

estavam sendo lavradas por Manoel Rodrigues Soares. Em 1715. 105 l.--. O Governador justificou a cobrança em razão da necessidade de suprir os rendimentos para as despesas dos soldos e ordenados dos militares e ministros. o Rei recomendava que fosse instituído um tributo mais moderado.-. uma oitava. quatro oitavas. ••• COELHO. naquele momento. Os contratos eram. dando-se a cada uma das ditas cargas seis libras de tara. à mesma época. Antônio de Albuquerque. p. APM. cit. .. p. llão sendo carregada ou montada. José João Teixeira. cada escravo negro.. cobrados nos registros.~-_c_. gados e cavalos que entrassem pelo registro de minas "242 • Ficou determinado que cada carga de fazenda seca pagaria quatro oitavas de ouro. escravos. . convocou os povos para formarem uma Junta que deliberasse sobre a cobrança dos impostos nos registros. ManoeI Mosqueira deveria fazer justiça a cada um "de acordo com seu merecimento".--__.R. O desfecho do motim foi pitoresco. 104 . C. BOXER. Códice SG 16fl. das propinas. duas oitavas.r Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVlll entre eles aqueles homens.. a cobrança destes direitos era arrendada para os contratadores. 68.. seis oitavas e cada cabeça de gado. Instrução para o governo da Capitania 239 CARTA do Governador para o Sargento-mor Antônio Ferreira Pinto.. Em 1710. Governador de São Paulo e Minas. se pagam duas oitavas de ouro quintadas. cit. APM. De cada cabeça de gado. no governo de D. na região de Barra do Rio das Velhas. como bem demonstrou seu comportamento na sedição de 1720 em Vila Rica. que entra a primeira vez em Minas. cada carga de molhados. Em geral. em razão dos abusos do Ouvidor. lU Ibldem. comerciantes e viajantes que entravam ou saíam das minas. arrecadados por estes órgãos contribuiriam no pagamento das 30 arrobas de ouro devidas à Coroa em razão do quinto. uma rigorosa tributação. no mais das vezes. acabaram sendo considerados "pouco menos que eantos"?". constituídos pela diferença entre a quantia arrecadada pelos direitos e o paga- mento efetuado à Real Fazenda. ficou assentado que os direitos de entrada passariam a pertencer aos Senados da Câmara. Códice SG 11 fI. coletavam os direitos em seu nome e apropriavam-se dos lucros. lhes não aproveitou para usar com eles da demonstração que mereciam por suas culpas "238. durante todo o século XVIII.. p./ r I "De cada escravo. intimidou de tal sorte as testemunhas que o seu inquérito foi invalidado. Da Carta Régia de 24 de julho de 1711 constava que a tributação dos negócios de gado. 82. O poder e a culpa destes potentados foram reiterados em outro conflito. de 30 de novembro de 1718. D. duas oitavas. e de cada carga de molhados. O valor dos impostos permaneceu praticamente o mesmo. Seção Colonial. APM. De cada carga de fazenda seca. Estes contratadores pagavam uma quantia pré-estipulada à Coroa. que se comprometeram a pagar 25 arrobas anuais em satisfação do quinto e entregaram à Coroa a arrecadação dos direitos das entradas.J' 238 CARTA de Bartolomeu de Souza Mexia para o Conde de Assumar Seção Colonial. era excessiva e "dera causa a se alterarem os POVOSl/243 • Na mesma carta. Manoel Mosqueira da Rosa. 7 (1852): 255-484.tltuto Histórico e Geográfico do Brasil. deMinas Gerais. com ordem inclusa para o Ouvidor Geral. 189 passim. O Ouvidor Geral. dos subsídios e outros. Além do quinto. de 24 de março de 1720.. .! íl li I Minas Gerais sofreu. Diabólicos Curraleiros: o motim de Barra do Rio das Velhas I' I. 80. através de sua arrematação em hasta pública. Op. Os negros e feitores de Manoel Rodrigues Soares. ._ . Revista do In. Tornavase para este fim imprescindível tributar "o negócio de fazenda. .406. oitava e meia. Pedro ordenou ao Ouvidor Geral notificar todos os seus moradores da necessidade de lhe apresentar os títulos de posse de suas lavras e "purificar" as suas pretensões sobre as terras que. estavam também os direitos de entrada sobre bens. postos fiscais estrategicamente colocados nos caminhos e nos rios. Seção Colonial. com a obrigação de as minas pagarem 30 arrobas de ouro anuais referentes ao quinto. meia oitava'?" . iniciando rapidamente a demarcação das divisas de todas as propriedades dos mineradores de Eatas Altas'" .-- . trienais e tanto podiam ser arrematados por um só indivíduo quanto por um conjunto deles?". de 4 de novembro de 1718. 240 CARTA do Governador das Minas para o Conde de Vimieiro.. dos dízimos.-. "'Ibldem. "costumado a fazer as justiças às avessas". Códice SG 11 fI. Estes impostos não foram cobrados imediatamente. cada escravo mulato. Governador da Bahia. que vinham da Bahia. De cada cavalo ou besta.77 . uma oitava. Brás Baltasar da Silveira. ••• CI. Insistindo em fazer retornar a ordem ao distrito. 405. -----. de duas arrobas. Os rendimentos das entradas. No governo do Conde de Assumar foi feito novo ajuste com os mineiros. Manoel Mosqueira da Rosa. Op.

por onde se fazia um importantíssimo comércio desta vila e de todo o seu sertão. Op. Códice SG 11 Ils. sossegando alguma altera- \. vinham a não obedecer a nenhum . distante 100 lé- deixar perder [toda aquela] renda a Fazenda Real"245. a do Rio das Mortes e as de outros rios menos consideráveis. "porque lhe parecia injusto \ Manoel Nunes Viana afirmava ser procurador de D. Manoel Rodrigues Soares. Pedro de Almeida para o Conde de Vimieiro de 16 de outubro de 1718. "não [deixava] de contentar a alguns porque isentando-se deste governo por esta causa e distando aquele país da Bahia. os párocos eram colocados no distrito por provisão do Arcebispado da mesma Capitania. É fato que a indefinição de limites entre as jurisdições administrativas na colônia foi responsável por inúmeros desentendimentos e conflitos. o qualdeveria mostrar o "seu zelo. Seção Colonial. APM. cit. controlava a população de Barra do Rio das Velhas. SeçAo Colonial.. e não o de Minas. Pedro recomendava ao Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas que não permitisse que Manoel Nunes Viana e seu primo. Nesta época. protegido de Manoel Nunes Viana. APM. ao estabelecer a passagem na Barra. p. •" CI. D. Códice SG 11 IIs. e CARTA de D. ao governo das Minas. os sertões da Capitania sempre haviam pertencido à Comarca do Rio das Velhas e.. História antiga de Minas Gerais. era a novidade do fato naquele lugar. Pedro de Almeida informava ao Marquês de Angeja que a dificuldade de controlar a população das Minas em caso de tumulto não havia ainda permitido que fossem estabelecidas as passagens dos rios em todas as partes convenienteso Já haviam sido instaladas a do Rio Paraíba. o Padre Antônio Curvelo de Ávila. os dízimos deveriam ser cobrados pelo governo da Bahia e. 55-56. CARTA para o Ouvido r Geral da Comarca do Rio das Velhas de 10 de outubro de 1718. D. Ao Conde de Vimieiro. D. Pedro de Almeida para o Marquês de Angeja de 30 de dezembro de 1717. o que sempre "[causava] movimento nos espíritos". jurisdição sobre ela. D. A mudança decisiva da opinião de D. Pedro havia resolvido arrendar tal passagem. nenhum governador cuidara de estabelecer passagem no lugar mais importante que era a Vila de Barra do Rio das Velhas. a se alorarem a D.I ção que [pudesse] haver sobre (a passagem] no distrito do Rio das Velhas até os seus currais "246 . até aquele momento. Manoel Nunes Viana alirmava ter obtido procuração da proprietária e obrigava os moradores do distrito que se estabelecessem nas terras. \ I I \1 ) i I 'I r . que afirmava serem devidos à proprietária das terras: A esta altura. Isabel f\1aria Guedes de Brit0248 e obrigava os moradores a lhe pagarem os foros. __ I .II. o que. Códice SG 11 Ils. o Capitão Antônio Guedes de Brito."250. Menos de dois anos depois. Pedro de Almeida para Bartolomeu de Souza Mexia de 08 de janeiro de 1718. Isabel. APM. afirmava ser "coisa mui frívola entender-se que um levantado {tinha] jurisdição mais extensa que aqueles que a {tinham] do seu Príncipe" 249. 8-9. questão mais delicada. Códíce SG 11 Ils. 61-62. Cf. repartindo o distrito por oficiais de ordenanças e auxiliares. I1 CARTA de D. APM. fossem os contratadores da passagem e o alertava de que ambos estavam muito empenhados em conseguir arrematar o contrato. Pedro sobre Viana fora acarretada pela pretensão do potentado de "governar como senhor despótico a parte do país que está até a Barra do Rio das Velhas. VASCONCELOS. Pedro já estava extremamente irritado com o comportamento de Viana. No caso de Barra do Rio das Velhas. Códice SG 11 Ils. Portanto. 110 245 CARTA de D. na perspectiva do Conde. Vice-Rei do Estado. em conseqüência. tirando e dando fazendas a quem lhe parecesse e administrando uma justiça injuriosa à de Sua Majestade. 58-61.t Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Em finais de 1717.153 . 107 I I 106 11 ! . Mas. Diogo de. Isabel herdara extensas propriedades de seu pai. sem mais título que o da sua vontade e do seu querer"247 . 94-99. Vigário do arraial de Matias Cardoso. 2 ou 3 meses de jornada. Seção Colonial. Reivindicava um patrimõnio de 160 léguas de terras às margens do São Francisco. \ I O Governador acusava o potentado de levar a população de Barra do Rio das Velhas a acreditar ter o governo da Bahia. Viana usava deles como usurpador. Seção Colonial. Por isso. D. o qual o Capitão Guedes havia recebido do Rei como prêmio por as ter descoberto e povoado. I I: I' . Pedro de Almeida para o Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas de 27 de setembro de 1718. Ressaltava que teria de tomar muito cuidado com a matéria e aq:editava poder contar com a ajuda de Manoel Nunes Viana. Segundo o Governador. Os seus antecessores os tinham governado. região muito movimentada. APM. 246Ibidem. '" CARTA de D. Seção Colonial.I I! 'I i i I' 'U D. Pedro comunicava ao Marquês que o grande problema que teria de enfrentar. com o que não concordavam as autoridades eclesiásticas do Bispado do Rio de Janeiro. .

O Governador recomendou-lhe tirar "a né- sem direitos ao governo da Capitania das Minas. cit. CARTA do Governador das Minas para Pedro Tavares Correa de 15 de outubro de 1718.-:::============~.256. PARA O CORONEL Martim Alonso de Meio em 15 de outubro de 1718. o Ouvldor deveria expulsá-Io da região e colocar no seu lugar o Pe. Curvelo. Francisco Palhano. que o Pe. que tinha provisão do Bispado do Rio de Ianeiroi". um: bando proibindo aos moradores da Barra de obedecerem a Manoel Nunes Viana e reivindicando a jurisdição do governo daquele dísrrítoê". Curvelo ameaçou excomungar o Coronel Martim Afonso. ·0 que foi feito com grande víolêncíaê" . 11 CARTA do Governador das Minas para o Tenente Geral Manoel da Costa Fragoso de 06 de novembro de 1718. Pedro de Almeida de 15 de outubro de 1718. ~ voa com que cegamente [os moradores acreditavam] que [havia] em Manoel Nunes Viana alguma jurisdição para os governar". Curvelo pretendia "ter uma freguesia de 300 léguas de circunferência e 200 de largo"?" . 58-61. e colocar na Câmara pessoas de confiança "para que abraçassem melhor a lsua} resolução e pagas- o CORONEL Martim Afonso de Meio em 15 de outubro de 1718. cit. Pedro Tavares devia fazê-los aceitar o fato de "que o poder para os governar só [podia] emanar da pessoa de E~ei ou de seus legítimos representantes"?" . que persuadisse os moradores da Barra de que estavam sendo enganados por Viana "mais [por] ignorância ou medo que [por] sua malícia". eu. CARTA de D. 253 25' que a vll« se não havia de levantar por ordem deste governo. Pedro de Almeldapara Bartolomeu de Souza Mexia de 08 de janeiro de 1719. Como o Coronel conseguisse escapar da ira da multidão. APM. Enquanto os revoltos os agiam em Barra do Rio das Velhas. Ordenou. 283-286. . cít. APM. o Vigário incitou o povo para que não tomasse conhecimento do bando do Governador e matasse Martim Afonso.62-63. APM. Bernardo Pereira de Gusmão. . Códice SG 11 fls. Doe. APM. O poder e a aliança de Viana e do Vigário de Matias Cardoso inviabilizavam as pretensões do Governador de estabelecer a passagem em Barra do Rio das Velhas. 61·62.. mandou que o Coronel Martim Afonso de Melo publicasse.86. Em 15 de outubro. Pedro de Almeida para o Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas de 12 de dezembro dI 1718. Afirmava D. pois. Pedro solicitou a Pedro Tavares Correa. Através de pastoral. APM. um capitãomor.70. CARTA do Governador das Minas para o Ouvidor Geral da Comarea do Rio das Velhas de 10 de outubro de 1718. APM. APM. O Bispo do Rio não concordava como poder concentrado pelo Vigário e enviou para o distrito da Barra o Pe. Pe.63. Pedro de Almeida para Bartolomeu de Souza Mexia de 08 de janeiro de 1719. O Conde encarregou também Bernardo Pereira de Gusmão de tornar informações a respeito do Pe. APM. o que elevou consideravelmente o seu valor. Pedro de Almeida para o Conde de Vimieiro de 16 de outubro de 1718.Vassalos Rebekfes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII ~ I! I ~ i Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII guas da sede da Vigaria. Seção Colonial. e todos os moradores que pretendessem obed(!c€!·lo25H. com o argumento de que o ministro não tinha jurisdição para Ievantá-Ia=". •• o PARA 117 . não consentiam om determInação alguma". Ao Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas. que publicara o bando do Conde. ciente do intento de Viana de arrematar o contrato do gado e carregações. impedindo os lances de Viana e Rodrígues'" . I 108 \ l_o 109 . CARTA de D. Doe. ao Ouvídor que levantasse a vila "na parte onde houvesse mais povo" com o nome de Santa Maria do Bom Sucesso. Pedro. e das ameaças do potentado "para que ninguém se ntreoesse a lançar com ele". assistido por um mestre-de-campo. O Governador estava convicto de que a única forma de se controlar o poder crescente de Viana era levantar uma vila nos Papagaios. com seus escravos e armas/'". Códice SG 1111. Seção Colonial. "moderno habiiador daquele país". Doe. . Neste mesmo dia. CI. Codice SG 04 fls. Curuelo'T".. Curvelo ordenou ao povo roubar e queimar as suas casas. Por sua vez._. ordenou que fizesse diligência no distrito da Barra. Códice SG 1111. vir buscar ao Ouvidor e dizer-lhe resolutamente I I 255 ORDEM de D. Seção Cnlonllll. em especial sobre quem lhe passara provisão para que exercesse seu ministério. Códice SG 11 IIS. o Conde tomou uma série de medidas. Seção Colonial. CI. !nnolro d(j1719~ Doe. Francisco Palhano. CARTA de D~Pedro de Almeida para Bartolomeu de SOUZ<l Mexia de 08 de ••o Manoel Nunes Viana ordenou "juntar-se o Povo. Manoel Nunes Viana aproveitou-se da demora de Bernardo Pereira de Gusmão em se dirigir para o distrito. Seção Colonial.. um sargento-mor e um capitão. Seção Colonial. Caso não fil~alHle provado ter sido a provisão concedida por Sua Majestade. um tenente-coronel. '" SOBRE TIRAR devassas do incêndio feito nas casas de Martim Alonso de Meio em 12 de janeiro de 1719. "que não foi admitido por negociações do Pe. Códice SG 11 p. Seção Colonial.63-64. em todas as partes em que se fizesse necessário. Carta de D. Pe. e os Procuradores do Povo alegaram que ele til/tE/Vil notificado por ordem dos governadores e Vice-Rei do Estado para não reconhecerem outro gover110 qUtl o da 8ahia e enquanto Sua Majestade não declarasse a qual deviam obedecer. Códice SG 1111. incentivou alguns indivíduos de posses a arrematar o contrato das passagens por partes. D. e conclamou o povo para que resistisse ao Ouvidor e à ereção da vila. Seção Colonial. ironicamente. Pcdro de Almeida. núcleo urbano relativamente mais denso. D.. tIU 251 252 CARTA de D. Códice SG 11 fls. Temeroso da investida do Governador sobre a região. Tentando resolver este problema.

Devido ao insucesso do Ouvidor e do Coronel Martim Afonso em Papagaios e a conseqüente dificuldade de. Códice SG 11 fls. ordenava ao Ouvidor que o informasse sobre: 1. Seção Colonial. fomentado secretamente a desor262lbidem. envolvia" tantos prejuízos e tantas con- dem em Papagaios. cit. ameaçando de morte quem pagasse os quintos e 5. e arguindo-o da possibilidade de os Campos de Curitiba fornecerem 18 a 20. PARA O OUVIDOR Geral da Comarca do Rio das Velhas em 07 de novembro de 1718. ••. "debaixo de penas muito rigorosas". Doe. com o que mandaria fechar os currais da Bahia=". O motim foi se espalhando pela Comarca do Rio das Velhas. Curvelo. metendo na cabeça dos povos alguns discursos sediciosos'v'". Pedro procurou tomar providências rigorosas. Seção Colonial. do que decorreria a diminuição dos lucros dos contratadores por impossibilitálos de "satisfazerem os ouartéis"?".. Códice SG 11 fls. Em razão da pretensa cobrança dos 10%. "o monopólio de gados que [aqueles] homens tinham feito no Caeté. novamente o Governador fez uma tentativa para tornar previsível a ordem no distrito da Barra. No Catete. Códice SG 11 fI. quando estes [sabiam] muito bem que tão contrário [era] ao serviço de Sua Majestade como aqueles que [procuravam] malquistar os que [governavam]. mandando homens armados "para engrossar o número do povo" e apoiando as insolências praticadas pelo Pe. Ordenou-lhe tratar de colocar ordem na região e ter sucesso na cobrança dos dízímosê". embaraçando quem os queria contar para serem eles únicos. o pasquim. os oficiais mecânicos levantaram-se contra a imposição da nova taxa.. 2. o potentado. D. medida exclusiva das autoridades metropolitanas. Códice SG 11 fI. pondo pasquins em várias partes que morreria quem pagasse quiruoe"?". acusou Viana de ter.r( I Vassalos Rebektes: vâolência nas Minas na primeira melade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Em represália. 84. o Conde escreveu ao Ouvidor da Comarca de São Paulo. APM. escrito em espanhol. 4. APM. 70·71. A estratégia do potentado para tumultuar a cobrança do imposto teve resultados. para o controle da população das mente importante [era] cortar os membros podres para que não [passassem] herpes aos demais"265. O Governador "'0 CARTA do Governador das Minas para o Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas de 05 de Julho de 1719. Rafael Pires Pardinho. "do partido de Manoel Nunes Viana e Manoel Rodrigues Soares".. da sua fazenda em Jequitaí. Determinou a Faustino Rebelo e João Ferreira dos Santos. Por outro lado. informando-o dos acontecimentos. CARTA do Governador das Minas para o Ouvido r Geral da Comarca do Rio das Velhas de 21 de janeiro de 1719. Geral da Comarca do Rio das Velhas em 12 de dezembro de 1718. Pedro ordenou ao potentado que deixasse imediatamente as minas "para parte onde [ele] não/pudesse} suspeitar que [fosse} o perturbador [daquele} pais"?". D. cit. "7 CARTA de D. explicitando uma posição típica em contextos de soberania fragmentada. Seção Colonial. 135. ". Códice SG 11 fI. publicou um bando. com que razão publicaram que dentro de dois meses haveria levantamento nas Minas. as vozes sediciosas que se espalharam sobre os 10%. das dificuldades que enfrentaria caso o gado não chegasse às minas. Por este comportamento. Em julho de 1719.controlar Manoel Nunes Viana. 266 CARTA do Governador das Minas para Rafael Pires Pardinho de 19 de dezembro de 1718. i 110 111 . acusando o Conde de adotar medidas para as Minas sem antes ouvir os Senados da Câmara. régulos poderosos das Minas. APM. quase sempre sediciosos. "causa de se levantar o povo". Doe. Esta postura paradoxal da Coroa de delegar poder aos poderosos. APM. 263Ibidem. o que parecia confirmar a opinião do Governador de "quão suma- Como o acirramento das desordens e o fracasso no levantamento da vila em Papagaios tivessem decorrido da morosidade do Ouvidor em acatar as ordens do Conde e ter prontamente se dirigido para a região. Ordenava-lhes finalmente que "reduzissem os moradores à obediência do governo das Minas "270 . quem do Morro Vermelho ofereceu armas ao motim de Catas Altas". Pedro de Almeida para Bartolomeu 265PARA O OUVIDOR de Souza Mexia de 08 de janeiro de 1719. Viana fez também correr o rumor que o Governador determinara a imposição de mais 10% sobre cada negro na nova lista dos quintos.. o Governador o censurou com veemência: ". Viana adotou ainda a estratégia de não permitir que o gado fosse levado para a região minera dor a. APM. as CARTA de D. Generalizado o motim. seqüências [naqueles] povos (.. Pedro de Almeida para Manoel Nunes Viana de 04 de dezembro de 1718. 103-105. Seção Colonial. 89.não [era] possível que o [Conde precisasse] estar botando exploradores pelas partes onde [estavam] ministros de El Rei. emissários saíram de Caeté "semeando estas e outras semelhantes vozes. Seção Colonial.) que [seria] causa de se levantarem se [houvesse] fome a este respeito "263 . proibindo o envio de cargas de peixe para as Minas. 3. matéria que. segundo o Governador.000 cabeças para a área minera dor a. . que persuadissem o povo de Papagaios a aceitar a ordem de Sua Majestade de se tomar posse das passagens do Rio das Velhas.

D.. 84. com Gomes Freire de Andrade. Questão de limites. VASCONCELOS.. SOBRE os limites deste governo. estendendo-se até a Mantiqueira. Imediatamente. Diogo de. separado do de São Paulo. urna vez povoado aquele sertão. ordens régias e cartas do governador ao Rei· 1721-1731 (Códice 23). Em 1710.\ Em 1721. ii t:. vila paulista. Lourenço. em 1746.. informava ao Rei de Portugal que. No governo de D. o termo da Vila de São João del Rei foi ampliado. Em setembro de 1714. Carta de D. . mostrava-se preocupado porque. havia urna larga extensão de muitas léguas de terra que ainda estava despovoada. os governadores de Minas e São Paulo também iriam desejar que fossem "seus súditos os novos moradores que hou- vessem "272 .. e o sertão desconhecido. com o intuito de' demarcar novo limite entre os distritos e tornar posse daquela região. dirigiram-se à paragem de Caxambu e lá colocaram um marco de pedra...'~": "Ii-· . apareceriam dúvidas entre os dois ministros sobre a correição a que estaria submetido e.' 'i]_~" CAPíTULO 6 REBELDESDO RIO SAPUCAí: motim de Campanha do RioVerde . Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primetra metade do Século XVIII . fatalmente. l ~.. Lourenço de Almeida de 06 de setembro de 1721._-. corno limites para a do Rio das Mortes. nesse sentido. 'J Corno já afirmamos anteriormente. na oportunidade. ficaram decretados. a oeste273. XVIII (1911): 107· 123. p. CI.. ficando acertado que os limites regionais se converteriam em políticos para as duas circunscrições. Lourenço tinha razão de ser. que veremos a seguir.. Lourenço de Almeida. Brás Baltasar da Silve ira. D. XXXI (1980). Revista do Arquivo Público Mineiro. os oficiais da Câmara de Guaratinguetá. com a consolidação deste poder ao nível de suas comunidades e o decorrente enfrentamento das ordens metropolitanas. a indefinição dos limites entre as capitanias sempre gerou desentendimentos e conflitos e. com a criação das três comarcas na região das Minas. D. 273 112 113 . Governador das Minas. Regis· tro de alvarás. Revista do Arquivo Público Mineiro. local em que chegava tanto a correição do Ouvidor de São Paulo quanto a do Rio das Mortes. a Serra da Mantiqueira.. o motim de Campanha do Rio Verde ou do Sapucaí. o cuidado de D. .a de Pitangui e a de Vila Rica em 1720271... cartas. Pedro de Almeida ainda enfrentou duas sérias revoltas no seu governo ._. Antônio de Albuquerque criou o distrito das Minas. Era preciso dedicar maior cuidado ao sertão da Comarca do Rio da Morte pelas investidas dos paulistas naquela área. o marco foi ar- 272 271 Ver capítulos 2 e 4 deste trabalho.. Em conseqüência.'.) o. . Minas.I.' o. gerou inevitavelmente a formação de contextos de soberania fragmentada.-. ao sul. nos confins da Capitania. novamente a indefinição de limites contribuiu para a eclosão nas Minas de mais um levante referido às formas políticas coloniais. Alguns anos mais tarde.

'r,,,,", ,
Vassalos Rebéldes: violência nas Minas na primeira melada do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII

rancado por ordem da Câmara de São João del Rei e levado para seu lugar de origem. O fato de o marco ter retomado à Serra da Mantiqueira não impediu, contudo, os constantes avanços dos paulistas sobre o sertão da Comarca do Rio das Mortes, o que gerava uma constante instabilidade naquela área de mineração. Criada a Capitania independente das Minas Gerais, os limites da Comarca do Rio das Mortes foram confirmados por Ordem Régia de 22 de abril de 1722274. Antônio da Silva Caldeira Pimentel, Governador de São Paulo, sentindo-se prejudicado, reclamou ao Rei que a demarcação fora desproporcional, ficando a Vila de Guaratinguetá com somente cinco ou seis léguas "experimentando o prejuízo de se não poderem prender os culpados pela facilidade com que [passavam] para a jurisdição das Minas, de onde [vinham] constantemente ao termo de Guaratinguetá a cometer novos insultos e violências ...", Antônio Pimentel.§olicitava ao Rei que ampliasse os limites da Vila de Guaratinguetá até Caxambu ou Boa Vista. Tendo em vista as reivindicações de São Paulo, D. João, em nova ordem, expedida em 1731, determinou que os governadores interessados ajustassem os limites "que por esta devem ter um e outro governo, e me dareis conta para aprovar, se me parecer, declarando a distância de uma e de outra parte, e só naquela se achar alguma serra ou rio, que possa servir de demarcação aos dois governos ..."275 . Apoiado na Ordem Régia, o novo Governador de São Paulo, D. Luiz de Mascarenhas, convidou, em março de 1733, André de Melo e Castro, Conde de Galvêas, para o ajuste dos limites. Não só o Governador das Minas desconheceu a correspondência de D. Luiz quanto escreveu uma representação ao Rei, denunciando o abandono da Seri i

,li
([11

I

ra da Mantiqueira, sob os cuidados do governo de São Paulo. À astúcia do Conde Galvêas somou-se o fato de não existirem outras divisas naturais que pudessem servir de balizas entre as duas capitanias. Nessa medida, a Ordem Régia de 1731 ficou sem execução e os limites permaneceram como antes. À época do governo de Martinho de Mendonça, tropas foram enviadas ao Rio Sapucaí para garantir a sua posse. Em carta ao Ouvidor da Comarca do Rio das Mortes, o Governador lhe ponderava que" quando

"'

não estão reconhecidos os limites, sabe VM. muito bem que vale mais a posse que a razão". Na oportunidade, solicitava ao Ouvidor que formasse um su\.

:1

jl
ir

mário do qual constasse terem sido as minas do Sapucaí e parte da freguesia de Baependi descobertas e povoadas pela gente das Gerais, "em que nunca teve atos possessórios outra jurisdição", mas não alferasse a posse de São Paulo sobre Itajubá, ainda que fosse injus~a276 . . Com os descobrimentos das minas de-Campanha do Rio Verde, entre 1740 e 1743, os paulistas novamente invocaram os seus direitos de posse até o Rio Grande, justificando-os pelo desbravamento promovido na região pelas expedições paulistas prescrutadoras de índios. Em 1743, D. Luiz de Mascarenhas, entendendo que as descobertas do Rio Verde pertenciam à sua jurisdição, nomeou para seu superintendente Bartolomeu Correia Bueno. Em agosto deste ano, os oficiais da Câmara de São João del Rei comunicaram ao Governador que o superintendente fora mandado pelo governo de São Paulo para "com mão armada, [os] despojar da posse em que [estavam] das minas do Rio Verde, Sapucaí e Pedra Branca, com grande opressão dos vassalos e detrimento do patrimônio real de Sua Majestade"?". Segundo os oficiais, Bartolomeu Bueno, chegando às minas de Rio Verde, com a força de armas e de violência, publicou editais pelos quais.suspendeu toda a jurisdição dos ministros da Comarca do Rio das Mortes sobre elas e proibiu que se arrecadasse os quintos pela Intendência da Comarca, argumentando que os mesmos lhe pertenciam conforme fora ordenado pelo Governador de São Paulo.

~

.J'li
I

I

i

I'

!

I

Diogo de Vasconcelos afirmou em sua "Questão de Limites": "...sem se poder bem afirmar do motivo, se representação da Câmara de São João ou se do próprio Governador das Minas, o certo é que o Rei expediu a Ordem Régia de 22 de Abril de 1722, confirmando esses timitee". Op. cit. p. 110. Sem dúvida, a Ordem Régia de D. João V derivou da carta, supra citada, de D. Lourenço de Almeida de 06 de setembro de 1721, na qual externava sua preocupação com os conflitos que fatalmente ocorreriam quando a área fosse povoada. 275 Ibidem.
274

.r

,

'" CARTA de Martinho de Mendonça para o Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Mortes de 10 de julho de 1737. APM. Seção Colonial. CódiceSG 56 fI. 64.
sn DOS OFICIAIS da Câmara de São João dei Rei em 26 de agosto de 1743.APM. Seção Colonial. Caixa

3, doe. 07.

114

115

'. f
I'

r

V.a •• to. Reh.Id.I: vlolOncl1 na. Minas na prlf1\llrl meldde do Século XVIII

Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade de Século XVIII

Gomes Freire de Andrade havia escrito a D. Luiz Mascarenhas externando sua surpresa, ao tomar conhecimento pelos seus ministros, de ter o governo de São Paulo nomeado um regente para as minas do Rio Verde. Afirmava o Governador das Minas não se persuadir, a não ser que lhe explicasse D. Luiz Mascarenhas "como estando aquele Arraial, e suas anexas, há tantos anos pertencendo à Câmara de São João del Rei, e os seus quintos cobrados por aquela Intendência, de que Sua Majestade [era] plenamente informado, se [fizesse] um atentado cujas conseqüências [seriam] tais, como [eram] venenosas as propostas que [entendia] fizeram a V.E. alguns moradores daqueles distritos, com as quais sem mais averiguação entrou V.E. no risco de meter aquele numeroso povo no intento de um distúrbio (...) contrário às leis e reais intenções de Sua Majestade, ao seu Real serviço e bem público" 278. Para "atalhar qualquer sinistro procedimento e acautelar algum pernicioso acidente", tendo em vista que os "efeitos de tão violentos procedimentos" estavam colocando em risco o bem público e a Real Fazenda, além de usurpar a jurisdição do Senado da Câmara de São João del Rei, o Ouvidor do Rio das Mortes, José Antônio Calado, acompanhado de mais de cem homens armados, expulsou o superintendente paulista de Rio Verde. De acordo com o Ouvidor, "com a sua retirada

paulista, Francisco Martins Lustosa, para repartir datas nos descobertos junto ao Morro do Cervo, além do Sapucaí, para o que o governo das Minas já havia provido guarda-mor'" , Em razão deste despropósito, os oficiais da Câmara de-São João del Rei foram ao Rio Sapucaí tomar posse das minas e, lá chegando, não o puderam atravessar pois Francisco Martins Lustosa e seus aliados haviam escondido as canoas. Impossibilitada de chegar aos descobertos, a Câmara convocou à sua presença o guarda-mor paulista, comunicando-lhe que " ...estava ali o Senado da Vila de São João (...) que [os oficiais] queriam passar para a outra parte a administrar justiça no seu distrito (...) que logo lhes mandassem canoas para este efeito"282 • Respondendo aos oficiais, Francisco Martins Lustosa negou-lhes passagem, respaldado nas ordens do seu General de não conceder justiça alguma à Câmara de São João, e ainda de lá os expulsou. Os cameristas insistiram, ordenando-lhe apresentar as ordens de D. Luiz de Mascarenhas, ao que Lustosa respondeu negativamente pois elas continham "outros segredos de justiça" e lhes informou que tinha instruções de convocar o povo para defesa daqueles portos e que contava, no momento, com 200 homens armados entrincheirados nos barrancos do Sapucaí. O guarda-mor, Bento Pereira de Sá, provido pelo governo das Minas, afirmou a Gomes Freire de Andrade ainda não ter visto "maior insolência daqueles rebeldes criminosos e levantados que, para viverem livres de perseguições dos credores, e outros por irem públicos os seus insultos, [buscavam] aquele quilombo, para não serem administrados de justiça desta Capitania"283. O Fiscal das minas, Francisco de Castro que o Senado permanecesse às margens do rio canoas, para atemorizar os revoltos os, forçando dúvida, os oficiais da Vila de São João teriam de e Costa, insistiu para Sapucaí, construindo a sua desunião. Sem enfrentar os amotina-

I

respiraram os povos, conseguindo-se a quietação deles"

279 •

Dificilmente a população do Rio Verde teria recebido, de bom grado, a expulsão de Bartolomeu Bueno, pois o Governador das Minas fora informado terem sido os moradores "os que foram inquietar o Senhor General de São Paulo" e o persuadir de ser a nomeação do superintendente o mais conveniente ao bem público e ao serviço de Sua Majestade280. A adesão dos mineradores do Sapucaí ao governo de São Paulo explicitou-se com os acontecimentos de 1746. Neste ano, novamente o Governador de São Paulo nomeou um

278 CARTA de Gomes Freire de Andrade para o Sr. General de S. Paulo, D. Luiz Mascarenhas de 13 de fevereiro de 1743. APM. Seção Colonial. Códice 5G 84 IIs. 4-5. 279lbidem. 280 CARTA do Governador para o Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Mortes, o Dr. José Antônio Calado de 13 de fevereiro de 1743. APM. Seção Colonial. Códice SG 84 IIs. 3·4.

281DOS OFICIAIS da Câmara da Vila de São João dei Rei em 22 de setembro de 1746. APM. Seção Colonial. Códice 5G 76 IIs. 90·91. 2B2 CARTA do Guarda-Mor Bento Pereira de Sá para Gomes Freire de Andrade de 24 de maio de 1746. APM. Seção Colonial. Códice 5G 76f15. 81·82. 28'lbidem.

117 116

r

vuallot AIOIldH: vlol6nol. nu Mina.
na prlmalra malada do ."ulo XVIII

Vassalos RebekJes: violência nas Minas na primeira melade do Século XVIII

se pode hauer. .. "286.

dos sozinhos porque, além de todos os moradores da freguesia se encontrarem nos novos descobertos, impedindo ao Senado ajuntar corpo de gente para intimidar os levantados, todo o povo estava do lado de São Paul0284• Segundo correspondência do Fiscal, Francisco de Castro e Costa, os moradores da freguesia desejavam ficar submetidos ao governo de São Paulo, em razão das arbitrariedades e desmandos de Bento Pereira de Sá. Os levantados, "muito atrevidos e com má doutrina", estavam armados, entrincheirados nas margens do Rio, e na sua opinião eram criminosos, homens vis, e deviam ser exemplarmente punidos. O Fiscal não acreditava ser possível que fosse o governo de São Paulo quem fomentasse tais insolências-" e mandou abrir devassa, convicto de que, se não houvesse castigo, seria aquele povo "o mais absoluto que
. •

resolvida pelos Generais e Soberano e se retirarem, juntamente com seus escravos, sem o que prenderia a todos e os enviaria para São Paul0288. A resistência dos rebeldes continuava e os levantados do Sapucaí fecharam definitivamente a passagem para o outro lado do rio, colocando sentinelas em todos os portos com a maior vigilância. Ameaçado, o Guarda-mor Bento Pereira de Sá insistiu com o Governador que "sem grande castigo aos cabeças e criminosos que [moviam] conti-

nuamente estas dúvidas, se não [aquietaria] o pais"?":
Procurando garantir a posse das terras do Sapucaí e dar fim ao motim, a Câmara da Vila de São João deI Rei enviou para o Governador de São Paulo certidões que comprovavam sua jurisdição sobre as cobranças de dízimos e capitação, devassas e arrecadações feitas pelo juízo dos defuntos e ausentes, e repartições das terras minerais. Visando à prisão dos cabeças do levante, o Juiz Ordinário tirou devassa pelo "motim e assuada e ofensa de jus tiça" 290. Os carne ris tas comunicaram estas providências ao Governador das Minas e afirmaram-se espantados com o conflito, uma vez que D. Luiz de Mascarenhas, desde 1743, teria "desistido da [posse)

l:8lindefinição da jurisdição administrativa' era responsável pelos desmandos e pela violência, uma vez que a região do Sapucaí acabava por não obedecer nem ao governo das Minas, nem ao de São Paulo. Tal situação facilitava a instituição de um poder local, que enfrentava as determinações metropolitanas, configurando um contexto de soberania fragmentada. Francisco de Castro criticou duramente os oficiais da Câmara da Vila de São João por não terem permanecido nas imediações do Rio Sapucaí. Os cameristas, "sem cabeça e com achaques incuráveis", recolheram-se ao arraial de Campanha sem enfrentar a desordem/". A versão dos paulistas logo veio a público com a carta de Francisco Martins Lustosa, enviada a Cristovão de Faria, presidente da Câmara de São João. O guarda-mar paulista levou ao conhecimento do oficial que, quando os cameristas daquela Vila resolveram tomar posse dos desçobertos e ampliar seu termo, pedira, mais de uma vez, para não ser perturbado. A presença do Senado, que "com a força das armas [queria] entrar no distrito alheio", estava sendo muito prejudicial ao comércio e interferindo negativamente nos "povos que [estavam] trabalhando pacificas para pagarem os quintos de Sua Majestade". Francisco Lustosa recomendou aos oficiais deixarem a questão dos limites ser

que violentamente [pretendeu] adquirir Bartolomeu Correa Bueno, a quem havia mandado por Superintendente" e reconhecido a jurisdição da
Vila de São João deI Rei. Acreditavam que os cabeças do motim eram Francisco Martins Lustosa, guarda-mar paulista, executado por um grande número de dívidas, Bento Correa de Melo e José Pires, ambos acusados pela justiça de São Paulo, os quais teriam sido movidos não pelas ordens do governo de Sã$fPaulo, mas pela . "co"b:içadI hauerem para si as melhorep~·tlm;J:/'{parq.,vênderem e desfruta-.'

I

r:(ni, como f~zham, com patente i1;tjustiçâ"na reporiição, pois nenhum ~ineirofico1J. c011Jterras de conver1iênda"291. v ' . .
;.. Não conseguimos informações precisas sobre o final do. motim. Contudo, em 16 de junho de 1746, quando a disputa entre os levantados do Sapucaí e os oficiais do Senado da Câmara da Vila de São João deI Rei havia se tomado incontrolável, Gomes Freire de Andrade determinou a
28.CARTA de Francisco Martins Lustosa ao Sr. Cristovão de Faria de 04 de junho de 1746. APM. Seção Colonial. Códice SG 76fl. 84. 289CARTA de Bento Pereira de Sá de 06 de junho de 1746. APM. Seção Colonial. Códice SG 76 fI. 83.

28'lbidem. 285 DE FRANCISCO de Castro e Costa em 22 de maio de 1746. APM. Seção Colonial. Códice SG 7611.82. Bento Pereira de Sá para Gomes Freire de Andrade de 24 de maio de 1746.

aso

'86 CARTA do Guarda-Mor Doc.cil.
287

CARTA do Intendente do Rio das Mortes, Bento Antõniodos Seção Colonial. Códice SG 76 IIs. 84-85. DOS Oficiais da Câ~ara Códice SG 76 IIs. 90-91.

Reis Pereira de 08 dejunho

de 1746. APM.

291

DE FRANCISCO

de Castro e Costa em 22 de maio de 1746. Doe. cít,

da Vila de São João dei Rei em 22 de setembro de 1746. APM. Seção Colonial. -

118

-,

119

as quais o Regimento mandava repartir."z95 .!lbr?9G'olli~ travam-s~. Enfim. Guilherme Rodrigues da Veiga foi repartir entre os amotinados as terras dos suplicantes..pór ~emR.d.aloa Rebeldea. Guilherme Rodrigues da Veiga. Hironimo Frota Silva Guimarães. entraram a chamar a malta vox. Uma vez ciente dos acontecimentos no Rio das Mortes. e como já estavam concedidas. negando obediência às justiças e sujeição a este Governo. obtidas do Superintendente da Comarca do Rio das Mortes. nesta mesma região. em nome do Capitão Heitor de Sã Souto Maior.. cit.que a este sítio sirva de limites dessa Capitania a serra da Mantiqueira para desta sorte se evitarem as desordens.cit. 111. liderado por um dos personagens da revolta de 1746. a respeito da jurisdição a que tocam àquelas terras. portanto. 296 120 121 .. dizendo viva o Povo". em que trabalhavam os suplicantes" com grande fábrica de escravos". em consulta do meu Conselho Ultramarino.f>n1il. pólvora e balas ficaram por conta da Real Fazenda. determinou ao Governador de São Paulo que tendo em vista "as contendas.rotalm/Í1t~ f.loJas r~ltatAs"'~vaso "V .294 . Retirado à força.Íliírye. e por seus camaradas. os paulistas perderam qualquer direito na região.é qy~'j. 03 de dezembro de 1751. a qual apresentou também características de levantamento dentro das regras do jogo colonial.. que podem resultar de ficar o dito sítio administrado e regido por duas jurisdições . Como a revolta de Campanha aparece várias vezes nos documentos como se fora um quilombo.oraqo Controle metropolitano. consolidando-se a sua posse pelo governo de Minas.. costumados a fazer absolutos tumultos e voluntários motins. e assim o conservaram em uma casa com guardas às portas e sentinelas à vista". bacamartes e pistolas. 292 EXPEDiÇÃO mandada fazer por Gomes Freire de Andrade para abater os quilombos.apesar ge CÓQt~re. APM.é atfib~rda(iqi'9'sa~1R~a~~út9ri~l~~s por'!iJgue~a~p~rá j~nominp:r I"evantaml. e todas as suas terras. " -. Com a real confirmação dos limites.. quiseram obrigar o guarda-mor Bento Pereira de Sá a repartir as terras. novamente a revolta de 1746 foi vista como a formação de um quilombo e várias vezes observamos na documentação referências ao quilombo do Sapucaí. Códice SG 93 tis. (.:.'_ . Neste processo conflituoso. estas observações pretendem tão somente levantar uma possibilidade para explicar o controle da sedição de Campanha do Rio Verde. 140-141. a expedição pode ter tido como alvo o reduto dos revoltosos nos barrancos do rio Sapucaf'".ín çqr:niápres. Vila Real de Sabará e Vila Nova da Rainha que contribuíram com 2750 oitavas de ouro. reparti-Ias sem ordem do Superintendente. o verdadeiro guarda-mor "foi levado preso e arrastado debaixo de armas de fogo. é interessante o registro de um motim. 294 CARTA do Guarda-mor Doc.• ~~--'~ .::==-'-::":"'. João Francisco Grilo.quilpmb0. que participara das desordens de 1746. violência nas Minas no primeira metade do Século XVIII I Vassalos Rebeldes: violência nas Mina. Capitão Heitor de Sá Souto Maior e seus sócios. Como o ministro ponderasse que as terras não eram de faisqueiras. De uma petição ao Governador das Minas feita pelos proprietários de várias terras e águas minerais no distrito de São Gonçalo do Rio Verde..5 REGISTRO de uma petição que se fez a Sua Exa. de Andrade de 24 de maio de 1746.Freire Oiogo de. p.. liderados por Bento Correa de Melo. constituindo-se em mais um caso híbrido de atuação dos atores. fia m!e~marf9rma qye.' ~/ J' ..:. informara o guarda-mor Bento Pereira de Sá a Gomes Freire de Andrade que vários criminosos se escondiam naquele "quilombo para não serem administrados da justiça desta Capitania . João Gonçalves Branco e mais sócios das terras minerais de São Gonçalo do Rio Verde sobre o motim sucedido naquela paragem.. em 1751.-' .' v /. junto ao rio Sapucaí. No dia seguinte. - ( " \ Vas. responsabilizando-se pela manutenção dos participantes. Armas. Mariana. o Rei.. Revista do Arquivo Público Mineiro.mto~. Os amotinados. relativo a outro motim liderado por Bento Correa de Melo. que já haviam sido expulsos delas?". Em documento de 1751."':'.s na primeira melada do Século XVIII partida de uma expedição para combater os quilombos da Comarca do Rio das Mortes'?". que tem havido entre a Câmara da Vila de São João dei Rei e o Guarda-Mor posto por esse Governo em um distrito da parte de além do Rio Sapucaí. os amotinados nomearam para proceder à repartição um dos seus. Seção Colonial. por Ordem Régia de 30 de abril de 1747. A expedição foi financiada pelos Senados da Câmara de Vila Rica. na petição ao Governador. não podendo. Na ocasião do conflito.) fui servido determinar por Resolução de 22 do presente mês e ano. Op. e invadiram violentamente a casa de Bento Pereira de Sá. Vila de São José. . Apud VASCONCELOS. 1903: 619-621. consta que um grande número de homens levantados.-~=. solicitavam que se aplicasse um exemplar castigo aos "rebeldes vassalos de Sua Majestade. pretendeu repartir a lavra. " Ó}7rmo . 293 l'" / ~/ •. 2. Os proprietários. como é constante dos rebeldes moradores do Sapucaí" sem o que "seriam despojados todos os Mineiros das lavras que [possuíam]". Vila de São João dei Rei. Bento Pereira de Sá para Gome. n~ obstante a es~ecifitidid.oi.. que. "todos com espingardas. armados .

ao lado daqueles que apresentaram características semelhantes aos food-riots e tax-rebellions europeus. Logo. 1 :. como pretendem alguns. se Francisco Martins Lustosa e seus levantados tivessem sido justiçados por sua rebeldia em 1746. os amotinados não teriam se atrevido a fazer o recente tumulto e cometer tantas violências. medidas que colocaram um ponto final em mais um levantamento na Capitania.: i' 1. cabeça de vários levantes. '1li1 122 f. Segundo Heitor de Sá. No mais das vezes. como vimos.1 i . O Governador. 11III" do •••• ulo XVIII Acusavam Bento Correa de Melo. os motins referidos às formas foram predominantes na primeira metade do Setecentos. ao contrário do que supõem aqueles que trabalham com a dicotomia contestação versus oposição. na segunda metade do século XVIII. em virtude da crescente tomada de consciência dàs contradições existentes entre os interesses coloniais e metropolitanos. ordenou que fossem feitas diligências sobre o ocorrido. é problemático. entre os quais o de 1746 no rio Sapucaí. homem acostumado a semelhantes insultos. levando-se em consideração as dificuldades de se manter as formas acomodativas entre os atores coloniais. em seu despacho na petição. Não obstante. presos os cabeças e remetidos à cadeia da Vila de São João del Rei. e os seus camaradas de liderarem a revolta. nas primeiras décadas do século XVIII. Os levantamentos que ameaçaram a viabilidade da manutenção das regras do jogo colonial estiveram presentes. diminuiu o número de revoltas tanto referidas às formas políticas coloniais quanto aquelas dentro das regras do jogo. A tipologia tradicional leva a considerar que tanto maior seria a possibilidade de contextos de soberania fragmentada quanto maiores fossem as demandas materiais por parte da Coroa Portuguesa e mais afluente se tornasse a sociedade. afirmar a presença deste tipo de revolta a partir de meados do século XVIII. ~' PARTE 111 ( AS AMEAÇAS DO REI NEGRO: as revoltas escravas nas Minas J I II .VII ••• " ••• 1eI1I1vlaltnoll nll Mln•• 1II1II1m1lr.

tem por várias intentado despojar-nos das próprias vidas.. I ] \~il.. e contando-se para cada \um branco mais de cem etíopes. apesar da sua convivência com outros atores do sistema colonial.189a 193. GUIMARÃES. uma generalizada sublevação escrava poderia . 298 das Minas ern 09 de novembro de 1778.- I { 125 . ..) e estando as mes\ mas Minas tão abastadas destes bárbaros. I Ct. que todos moradores possuem.i. Embora referidas às formas políticas coloniais. Se a formação de quilombos representou a "negação da ordem escravista"298.Seção -. Mesmo assim..CAPíTULO 7 NEGROS REBELDES: o "inimigo mais pernicioso" Dentre os motins coloniais. inviável. Dissertação de Mestrado. 1983 (mimeo). que julgam capitais inimi. não se pode considerar que as sublevações dos negros tenham decorrido de contextos de soberania fragmentada. ainda que \ do mestiço a força do temor e inclinados só a fazerem J mal e matarem os brancos. Os negros sempre foram considerados " I " .. pelo privar da liberdade. l.297. Colonial. as revoltas escravas e a possibilidade da fundação de uma "república" negra na Capitania ameaçavam toda a sociedade mineira colonial. Uma negação da ordem escravista: quilombos em Minas Gerais no século XVIII. as revoltas escravas foram os movimentos que mais preocuparam as autoridades portuguesas.0 inimigo mais pernicioso. Carlos Magno. DCP/UFMG. uns mais.... pelas características do sistema escravista. porque sendo eS.. e outros menos conforme suas posses (.~ ji 1'4 fi I (~~)CARTA de D. a possibilidade de os negros concentrarem recursos de poder para disputarem um lugar na sociedade era. que como bárbaros impelidos da sua natural frieza.' II .~ \ gos. APM. 8elo Horizonte. e nossas mulheres e filhas cativarem .tasMinas só cultivada com gente preta bárbara de Africa e Guiné. Maria ao Governador CÓdiceSG218fls. Não obstante o número dos escravos nas Minas tenha sido um recurso importante para o enfrentamento tanto das autoridades quanto dos seus senhores.

47. Eram acusadas principalmente do desvio de jornais em razão de os cativos. João V a D. cuja conjuração se descobriu por especial favor de Deus e se acudiu a tempo de se atalhar o dano que este movimento podia ocasionar à conservação dessas minas. Brás Baltasar da Silveira de Ia OQII. sendo necessárias todas as forças do Brasil para nós tornarmos a restituir daquela porção de terra que eles possuíssem"?" . "lI 126 127 . que algumas pessoas mandam às ditas lavras e sítios em que se tira ouro dando ocasião a este se desencaminhar de seus senhores e ir dar a mãos que não pagam quintos a Sua Majestade'?" . foi reforçada a proibição da venda de petiscos pelas negras de tabuleiro assim fi lUIS que fizeram nos Palmares de Pernambuco'P" . APM. insinuando a defesa de./ APM. mortes e ameaças de le111 estradas como em quaisquer lavras de ouro'F" . Afirmava o Rei de Portugal que. Nesta conjuntura. que não só I lIus fiavam todo o gênero de armas. desciam aos caminhos. comentando os "roubos e malefícios cometidos nas estradas pelos negros fugidos". o trânsito descontrolado pelos caminhos. D.v•••• Ie. mas arriscada. ao consumirem quitutes e aguardentes. Códice SG 2311. Em especial. II IOBRE a sublevação que os negros intentaram a estas dllO d.. IIIIANDO do Governador Antônio Albuquerque Ia 07111. a proibição do comércio ambulante.forras ou escravas -.301 . Rio de Janeiro: José Olympio. . gerando reclamações dos proprietários de escravos. bolos. Tal constatação fica explicitada em carta de 1725 de D. Seção Colonial. nos núcleos mineradores. e mais bebidas. o Conde de Assumar informava ao Rei que as possibilidades de atos sediciosos cresciam porque os negros tinham a: seu favor a sua "multidão" e a "nécia confiança de seus senhores.Tensão Social). e entraríamos no cuidado de dar uma guerra a qual não só seria muito custosa. as determinações atingiam as negras de tabuleiro .12-13. no governo de D. para que os escravos não viessem" afazer nessa capitania o I 1:1 vantes. Foi precoce. I!: '/ i\ 'li 1\. locais ou generalizadas. e os Mina também de. Brás Baltasar da Silveira. o Rei de Portugal escrevia ao Governador Geral do Rio de Janeiro.e. gastarem parte do ouro devido aos seus senhores/" . As tentativas de frear os comportamentos rebeldes dos negros não se mostraram tímidas durante a primeira metade do século XVIII. se não houvesse entre eles a diferença de que os negros de Angola queriam que fosse Rei de todos um do seu Reino. Esta tentativa de acomodação rapidamente se desvaneceu em razão do número cada vez maior de escravos nas áreas mineradoras e do conseqüente agravamento dos insultos. O avesso da memória. Seção Colonial. que fosse da sua mesma pátria. fi Em 1714. Exemplos da crescente preocupação das autoridades com as ameaças provenientes da radicalização do comportamento dos negros foram a substituição de quaisquer eventuais formas acomodativas pelo castigo exemplar e a extensa legislação para controlar os escravos. doces. durante a noite. Proibiram-se os batuques. Já em 1699. o Rei recomendava ao Governador ter cuidado no trato com os negros.ldll: violência nos Minas na prlmolr. Códice SG 0211s. as quais absolutamente se perderiam se eles as dominassem. os quais se reuniam nas serras e. principalmente. No governo de Antônio de Albuquerque proibiu-se de irem mulheres com tabuleiros às lavras do ouro com pastéis. Governador da Capitania. Minas. Rob. "'IANDO de D. Lourenço de Almeida de 18 de junho de 1725. pela ameaça constante da eclosão de rebeliões escravas. Seção Colonial.". Cotidiano e trabalho Minas Gerais no século XVIII. Lourenço de Almeida. mas encobriam as euas insolências e os delitos. Luciano. A turbulência escrava não foi pequena nas Minas da primeira metade do século XVIII e pode ser evidenciada pelos insultos e mortes provocados pelos negros e. APM. mel. APM. nos primeiros momentos do povoamento das Minas. Códice CARTA do Rei de Portugal ao Governador CARTA do Rei ao Governador das Minas.uma certa acomodação entre os atores sociais das minas. o porte de armas. aguardente. o comércio ambulante. Em 1719. colocando em pânico os viajantes. Carta do Governador ao Rei de Portugal 04 Ils. 587-596. Seção Colonial. de 1699. Códice SG • lobrl "Imlnlno 299 d. abril de 1719. Códice 04 de fevereiro'de 1714. as vendas nas áreas de mineração. 300 Geral do Rio de Janeiro de 24 de setembro Colonial. que transitavam pelas lavras e falsquetras. APM. mulher ~m !Ia negras de tabuleiro ver: FIGUEIREDO. na área mineradora. 171-172. 1993 (em especial Comércio . de 1Q de dezembro de 1710. como nas Minas "os negros intentaram sublevarem-se contra os brancos o que conseguiriam. Seção . melade do Século XVIII f Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII representar a fundação de uma nova ordem e a perda do controle das Minas.

como parte do bando de 13 de maio de 1736. I ~ I. prostitutas e oficiais mecânicos que bebiam "aguardente da terra" e promoviam grandes tumultos.'~ A proibição do comércio ambulante não se restringiu às atividades destas negras. As tentativas de controlar as vendas foram infrutíferas. A presença de vendas localizadas nos morros auríferos também foi duramente combatida. quanto os "molhados" (bebidas e comestíveis) e acabaram por multiplicarem-se onde existiu possibilidade de consumo para seus artigos. I' 305 I EDITAL de Gomes Freire de Andrade de 26 de maio de 1747. Governador das Minas.) em Antônio Dias nas quais [costumavam] os uendeiros rlcolller negros fugidos" e lhes recomendava dar "providência a este desconcerto e [evitar] este dano"?". muitos negros fugidos. metidos pelos buracos . ~I " Em 1742. Apud CHAVES. No final da segunda década do Setecentos. _ _. Os vendedores ambulantes. AIgl. Oddlcl Sei i7 li."311. os quais {tinham] as vendas abertas até muito tnrd.. Códice CMOP 49 11. Edital da Câmara de Vila Rica./lM~. Códice SG 501ls. foram também reprimidos.. e alguns deles [recolhiam] os negros fugidos e. APM. Água Limpa e Morro. contudo. IIs. ordenou também ao capitão-mor prender :I 'fIram] os furtos que [faziam]. Gomes Freire de Andrade. ~l. Lourenço para o Conde de Calvêas que todas as desordens derivavam da "granal1'lbiçtfodos vendilhões. Relatório apresentado a PRPqlCNPq.. andavam à noite "inquietando os moradores dele e cometendo vários insulto.. 51Qlo Colonl. não permitindo que entrassem nas lavras "negras ou negros de tabuleiros"306.. Por Edital do Senado da Câmara de Vila Rica. Gomes Freire mandava executar o edital..\..". utilidades domésticas. Seção Colonial. em 1743.l. ~ li' alla/oros". da noite. ~ ..0 OAOI!M GIl do Senado da Câmara de 17 de março de 1742. eo. Belo Horizonte. Estes estabelecimentos. apreensivo com as notícias. Lourenço de Almeida comunicava ao Conde das Calvêas ter sido informado que. "homens de capa em colo por. foram o principal meio de abastecimento das populações das vilas. arraiais e núcleos mineradores. não surtiam efeito. Nestes estabelecimentos. cit.. O Senado da Câmara de Vila Rica recebeu. Seção Colonial. publicado em 1742. entre as lavras do Ar). ~ Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII ~. CI. nas vizinhanças de Vila Rica.) para dentro. (.~. As vendas comercializavam tanto os "secos" (tecidos.) e para que não aleguem ignorância. reiterava as disposições de seu bando de 13 de maio de 1736. IIs. Códices CMOP 06.-:~ . porque continuava o comércio de "cousas comestíveis. a respeito do grande número de vendas (calculadas em 150 estabelecimentos') I .. APM. . o que mais Nessa medida. ra. Tropas e tropeiros no abastecimento da região mineradora no período de 1693 a 1750. mandamos afixar vários deste teor .APM. frasqueiras de boleiroe. p:41passim. G. APM. FAFICH/UFMG.. I ti. o..I .. vinho. ordenou ao capitlo-mor das ordenanças fazer rondas todas as noites nas imediações do arraial de Antônio Pereira e prender todos os negros que se encontra•• em nas ruas após as nove horas da noite. p. Eram freqüentadas por escravos.49. a Câmara de Vila Rica comunicava aos juízes almotllcéls as reiteradas queixas que vinham sendo feitas "a respeito de l/mUII ver/das (". D. aviamentos. será punido seu senhor (.. 14. 306 307 1f j. forros. Em 1747. insistia na execução dos bandos e outras proibições sobre a prática do comércio ambulante em razão do grande número de ::'Qt:.\ no arraial de Antônio Pereira. Também lá eram realizados bailes e batuques que atraíam um grande número de pessoas facilitando a generalização das desordens'?". 32. sem embargo das repetidas proibições em semelhante matéria. Luciano.i ) ~t· ~!r 'i tiplicadas vendas que [desertavam] da vila por esta tão urgente circunstãncia"?".· D. 20 a 21. Informava D.. Cláudia M. 1991.11d. ferramentas)."~n\l. de dia ou de noite.'ro di v'r108 edltals que o Senado da Cãmara mandou publicar em 19 de janeiro de 1743. misturados com outros tantos do mesmo arraial. fomentando-os nestes t. FIGUEIREDO. O Governador. 44-45. de 19 de janeiro do 1743. ••• CAATA di D. As proibições. I . contratando com eles. & VIEIRA.. os escravos planejavam fugas e vendiam o produto da mineração. 31 a 32 e CMOP 49. Lourenço para o Conde de Galvêas de 13 de dezembro de 1729.. lOI'bldlm.. andarem vendendo em sacos e trouxas... os quilombolas compravam pólvora e chumbo para resistirem às autoridades.. .) serão condenadas em 10/8 de ouro e 30 dias de cadeia sendo escravo forro.as ocultas. Op. I' I I !. cestos de comestíveis" que andavam continuamente pelos morros e lavras "por onde se [desvaneciam] as mul- 1i: I . ficou determinado que "todas as pessoas que [tiverem] venda pública e [recolherem] negros alheios (. e se for cativo. vendilhões que estivessem" com as vendas e portas abertas fora de ho- raial Novo e em todas as vizinhanças daquele distrito do Rio das Velhas. . 1I 128 f I' I 129 f- ~------. aguardente e cachaça. Seção Colonial. misto de bar e armazém. furtado de seus proprietários. 1 .. Comarca do Sabará". CMOP 4911. uma representação dos moradores da Ponte de Antônio Dias. Vera L.

sendo em tanto número estes mal-feitores. as degolaram e despedaçaram uma.Vassalos Rebektes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas naprjmesa metade do Século XVIII existentes na rua de Argel. APM. e com suas famílias REPRESENTAÇÃO da Cãmara de Vila Rica ao Rei de Portugal de 31 de agosto de 1743. . Os oficiais da Câmara desta Vila enviaram carta ao Rei. não sempre [foram] rechaçados obrando nas dos pobres. Das devassas tiradai IX oficio entre os anos de 1741 e 1748. 3'2 ". antes sim Ihes sucede da tal ruae fazerem-se-Ihe seus escravos quilombolas e fujões. locais em que os escravos "com o motivo de fazerem seus bailes.noramentos de crianças negras. se está conservando contra os tais bandos uma rua inovada. sem que os seus mesmos senhores os [pudessem] conter . CMOP 47. Códice CMOP 49 fI. em abril de 174Q. Água Limpa e Morro que estando proibido pelos bandos dos senhores governadores o consentirem-se vendas nas paragens em que possam prejudicar aos mineiros. juntamente com seus oficiais subalternos e alguns soldados. Preocupado com a situação no termo de Vila do Carmo. Ineficazes as determinações para o controle dos negros. (1741-1748).eduas mulheres. as desordens derivadas da rebeldia dos escravos generalizaram-se nas Minas na primeira metade do século XVIII. Representam a Vossas mercês os moradores da Ponte de Antônio Dias. nas suas próprias fazendas e casas. A ordem decorria dos tumultos que estavam acontecendo no Morro da Panage. porretes e paus compridos e outras armas. pelos danos que a estes e seus escravos sucede. o Conde de Galvêas.. e das estratégias para dar couto aos escravos fugidos'" . No início de 1745. APM..pelos contínuos roubos e mortes que [faziam] os negros fugidos.. Seção Colonial. declarando aos negros que encontravam [que] por cada negro que fosse justiçado. insistindo que fossem tornadas providências para a decadência em que se [achava] o povo das Minas. 31< "J ! li' e""TA li. Também em Vila Rica.. patronas e mais armas de toda sorte de que [usavam] tão destramente como qualquer soldado. as desordens haviam se agravado. os negros estiveenvolvidos em situações de violência. no arraial de Baixo e nos caminhos para Ribeirão do Carmo. a rua de Argel (. . cinqüenta escravos armados dirili. a grande maioria referia-se a tentativas de assassinatos de escravos. dando-lhas nas casas da tal rua couto e escapula por certos becos que nela há.J. estivesse a postos nos sítios e estradas nos quais os negros costumavam se reunir. ram-Ie ao lugar marcado para o suplício "para tirar a justiça do réu". [matavam] por devoção aos brancos. pressionando ao pé da vila duas mulheres e.. andavam tumultuariamente vagando de uma para outra parte com bastões grossos. Códice SG 37 fI. APM. Como vingança à decretação da sentença de morte por esquartejarnento d.. que [degeneravam] ordinariamente em bulhas. "vingar-se por modo mais bárbaro. cometido por' negros quilombolas. por forma que seus senhores não recebem jornais alguns. Seção Colonial. incêndios. i vexação em que se [via] causada da multidão de negros fugidos e aquilombados que [havia] em todas elas. Códice CMOP 49 fi.. APM.. arrombamentos e des1ruiçlo de propriedades provocados por bandos de negros armados'" . . para evitar as desordens e prender os "insolentes temerários". resolveram ao•• 11·'·' r./ tinuamente [estavam] sucedendo nos cruéis assassínios e roubos violentos que a cada instante [estavam] fazendo .''.. 3'3 CARTA do Conde de Galvêas ao capitão-mor das ordenanças Antônio de Oliveira Paes de 30 de agosto de 1734. Seção Colonial.levando-as a um mato não muito distante. [caiam] dos atrevimentos que [cometiamJnas estradas. /'-.. ordenou ao capitão-mor das 'ordenanças do morro da Panage que. -.. que em partes mui distantes de seus quilombos se encontraram partidas de 20. ou nas suas ciladas.. justiçariam dois brancos'?".lm negro no termo de Vila Rica.: . tendo chegado a sua insolência a tal extremo.) onde tudo são vendas e casas de comissão em que se recolhem os negros fugidos e se consome todo o ouro dos' escravos. REPRESENTAÇÃO ao Senado da Cãmara de Vila Rica de 25 de maio de 1743.l Rei denunciavam os tumultos ocorridos na Comarca do Rio das Mortes e a inquietação dos moradores da região: ram lempre l . Além da conflituosa relação com os brancos. baionetas. 1.l00-l0l. sede do governo das Minas.. APM. 81.. em que [achavam] menor resistência. que ainda sem o interesse do roubo. em 1743. não obstante as proibições expressas nos vários bandos publicados." 314 . que lhes caem nas mãos. Seção Colonial. do Qovlrnador Gomes Freire de Andrade de 20 de abril de 1740. \lml branca grávida e uma mulata.eU6III. com armas de fogo e brancas. ' de que [resultavam] os extraordinários casos que con. Cf. 59v. 68. 30 e demais com espingardas. em 1734. 'i " ••• Exemplo desta violência que permeava as relações entre brannegros foi o assassinato. Foram também comuns d.l. chamada pelos roubos e desaforos que nela se fazem.. 130 131 i I I \.. principalmente nos domingos e dias santos. também os oficiais da Câmara de São João d. Seção Colonial. não [duvidavam] insultar aos moradores que [possuíam] fábricas grandes. nl maior parte das vezes bem sucedidas."313 .. ÃO mlio do caminho. Códice CIVAIIAS. I i I i i "Senhores do Senado.

o uso de armas nas áreas mineradoras. os negros Mina do Furquim. '-. Os senhores senhores em decorrência das desordens. ' . localidade nas imediauma sublevação com o intuito de matarem toda a população branca.."317 . Documentação avulsa da Capitania de Minas Gerais. Doe. APM. já havia prevenido o Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Mortes da possibilidade dos negros se levantarem. o Governador expressara menor preocupação com o possível sucesso da empreitada dos escravos do que com o provável terror pânico dos brancos que. Seção Colonial. alegando que a generalização de seu porte era "um abuso mal introduzido por pessoas reooltosas'P". mandou tirar devassa e " .. Em 1733. poderi- extorsões e prejuízos.80.. Códice SG 2711. O então Governador das Minas. clt.tendo se ajustado enCI/ti.322. D. mortes e roubos . Seção Colonial. O levantamento estava previsto para a quinta-feira de atldocnças. Cornarca do Rio das Mortes. novamente em 1748. de que se segue aos seus senhores grande prejuízo e ao público maior desassossego. Após a ameaça de uma revolta dos escravos em 1719.. Não era. para a Fazenda Real". APM. Lourenço de Almeída'" . 2-3 114 "1 IOBRE • lublevaçAo que os negros intentaram fazer a estas minas... cominando-lhes a pena de ? 'i perdimento do escravo.65 320 11I CARTA de Gomas Freire de Andrade ao Rei de 26 de agosto de 1733. Códice Ia 0711. a proibição do trânsito de escravos armados nas lavras e vilas das Minas Gerais já havia sido expressamente reiterada. pois.. representação dos moradores que solicitavam medidas contra os escravos e quilombolas que praticavam ". Para evitar tais tumultos. Antônio de Albuquerque. matando-se e ferindo-se uns aos outros. Caixa SG 04. ao tomarem conhecimento da eminente revolta. com os quais fazem pendências grandes.i. insultos e mortes prati- eados pelos negros. que as [trouxesse}. APM. Códice CMOP 52fls. ". parecia. Da mesma forma. Pedro de Almeida. o Secretário de Estado. CI. LOURENÇO de Almeida para todas as vilas deste governo das minas em 31 de maio de 1730. que a possibilidade de um levante dos negros atemorizasse tanto a população livre das áreas Em 1711. os oficiais da Câmara de Vila Rica receberam. (. É interessante ressaltar como a legislação vai se adequando ao crescimento do número de negros e às constantes ameaças e rebeliões escravas. aos brancos. O Conde de Assumar já havia proibido. Pedro de Almeida informando que lhe ordenava Sua Majestade proibir" com as penas que lhe parecer. Seção Colonial. o uso das armas de qualquer qualidade que [fossem} dos negros e que J os senhores deles não lh'as [consentissem]. Pedro de Almeida de dezembro de 1717. Bartolomeu de Souza Mexia..' TERMOS de Acórdãos..grandes enfrentar os levantamentos dos seus escravos. am '11t""'''''I'Ilr Ipoderiam] usar de todas as [armas] que entendessem lhes [fosAssim..118. e com um exemplar castigo que [servisH'" de exemplo em caso tão importante ao bem comum ..APM. revolta escrave generalizada. SeçAo Colonial. a ameaça constante à segurança dOI "". no começo daquele ano. Códice SG 1611. levando umas e desflorando outras. escreveu a D. ocasião em que o Conde de Assumar informou ao Rei que " . Seção Colonial.. ~."Faço saber aos que este meu ban d o virem que por quanto costumam os neçrçs andarem por esta Vila com bordões. 'I Ire' si fi maior parte da negraria destas Minas a levantarem-se contra os brantrataram de urdir uma sublevação geral.é·r I I Vassalos Rebeldes: vIolência nas Minas na primeira metade do Século XVIII Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII brancas. 132 133 . poderiam promover incontroláveis desordens. planejaram /111 forma das Leis de Sua Majestade.318.. 202-203. APM. e por que é preciso evitar esta desordem. os maiores atrevimentos a que [podia] chegar a sua maldade."?" que teria seu início na I I I I II I "7 II REPRESENTAÇÃO dos oliciais da Câmara da Vila de São João dei Rei ao Rei de Portugal de 28 de abril de 1745. 02. Na ocasião. a proibição ficou restrita aos escravos. o ensaio-deuma mlneradoras. Códice CMOP 06 fls.1 n. BANDO de D..proceder ções do Ribeirão do Carmo. Bando de D. APM. APM.. desde maio de 1730. principalmente na Semana Santa. mando que nenhum negro cativo entre nesta Vila com bordão de nenhuma casta nem também com nenhuma arma de nenhuma qualidade". . quando os negros atacariam as casas da população branca. os salteadores das •• trnclnM e ns feras "onde a aspereza dos contínuos matas [convidava} os ~t1/l11n/!l tios mal inclinados e pouco tementes a 'Deus. Situação mais delicada ocorreu em abril de 1719. amarrando-lhes suas mulheres e filhas. Seção Colonial. à sua vista .) e [seria] este meio eficaz para se conseguir o sossego [daqueles] pOVOS"321 .) . Seção Colonial. O cuida- I i.323. Tal ordem \ visava a evitar "a ocasião de se atreverem e animarem os escravos a 'intentar tão detestáveis delitos. em que se ajuntam a maior parte dos negros. APM. CARTA do Governador das Minas para o Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Mortes de 24 de março di 17111. Códice SG '611.". lia.178 UI O~CEM do Senhor Governador e Capitào-rnor para o Superintendente Joseph Rebello Perdigão tirar dev••••• do leventamento que intentavam os negros Mina do ribeirão abaixo. . '21 CARTA de Bartolomeu da Souza Mexia para o Conde de Assumar de 24 de março de 1720. doe. 16 de outubro de 1748. CódiceSG 11 11. reunida nas Igrejas. roubariam suas armas e a mataria+". no ano de 1717.clulslfrias para defesa das suas pessoas e fazendas".. por bando de D.. sem razão. DCHdc o alvorecer das Minas..

era tanto maior pelo receio com que recebera as notícias da generalização da revolta em partes distintas da Capitania. morte de alguns brancos e a constatação da " . o Juiz de Fora do Ribeirão do Carmo e outros dois minis•• achassem mais acessíveis. Imediatamente o Governador tomou medidas para evitar a sublevação. a Junta poderia ser composta pelo Ouvidor Rica.ODO. representaram do do Governador...) convocando à Junta os Ouvidores das quatro comarcas e o Juiz da Vila do Ribeirão do Carmo..Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XV\II 'f . João conferiu aos Ouvidores Gerais das Comarcas a mesma jurisdição que tinham os do Rio de Janeiro de sentenciarem à morte negros considerados culpados em Junta com o Governador e demais ministros. Se a revolta não foi bem sucedida.. ao prevenir o Ouvidor...Itros. Doe.mbuco e PaJaíba. impedindo o acesso dos negros às suas armas e cuidando da sua segurança nas Igrejas. Por resolução do Conselho Ultramarinho de 21 de fevereiro de 1731. de acordo com o disposto na Resolução do Conselho Ultramarino de 1731. Em 1719. o que permitiu romper o segredo do levante na Comarca do Rio das Mortes e transpirar a movimentação escrava no Furquim e em Ouro Preto. se possível. e em São Bartolomeu.. enviou o tenente João Ferreira Tavares para prender os cabeças. os escravos escolheriam I I seu rei. A movimentação dos negros era noticiada no Furquim. João Ferreira prontamente enviou para Vila do Carmo os reis das nações Mina e Angola e outros negros nomeados oficiais militares. o Rei concedeu ao Governador das Minas a mesma jurisdição do Governador do Rio de Janeiro e do de São Paulo " . 'I após nova consulta ao Conselho Ultramarino. 135 134 . APM.. para tal... Os oficiais sugeriam que. Segundo D. "329 • As dificuldades de reunir a Junta.12. 326 SOBRE a sublevação que os negros intentaram fazer a estas minas.. CMOP 0911. especialmente no morro de Ouro Podre onde mineravam quase quatro mil escravos.conformando-ee todos em partes ao Rei solicitando que.que sentenciassem em última pena aos delinqüentes (. e os constantes atos secliciosos cometidos pelos escravoS resultaram no afrouxamento das Ixigências para a punição dos negros. sobre o perigo que os escravos representavam.1"" di IIor\ugal Ia Governador 1111I.. da mesma forma que 328 mui distantes por meio de vários emissários que andavam de umas para outras paragens"?".. por estes delitos. le1\\ D.liberdade com que vivem r- .".27. João. poucos anos após a ameaça de eclosão da revolta escrava na Comarca do Rio das Mortes. com o Provedor da Fazenda . Corroborando a afirmativa de D. os negros merecessem morte natural se executasse a sentença sumariamente nas Minas.. sendo tão necessários para a subsistência do país. não obstante tenha sido possível evitar a sublevação. do que resultou a . 327lbidem. uma revolta escrava em Catas Altas. a ordenar os negros nas Minas com o número de quatro .. os negros entendiam-se " . tal fato deveu-se ao desentendimento entre os escravos Mina e os Angola que disputavam a liderança do movimento. Pedro de Almeida. 0'111. fosse dada jurisdição do Governador ao Ouvidor Geral da Comarca de Ouro Preto e ao Provedor da Fazenda Real. Preveniu à população acautelar-se na quinta-feira de Endoenças. como "se lhes não [podiam] tirar os pensamentos e os desejos de liberdade. li sentenciassem ~r 'lI :. área periférica de abastecimento dos núcleos urbanos. clt.. APM. sempre este fica exposto a suceder-lhe cada dia o mesmo'<" . rainha e demais oficiais militares que seriam os líderes do movimento..". Em 1735.. Rica ao Rei de Portugal de 29 de dezembro de 1725. da mesma forma que fora decidido para as Capitanias de . a revolta negra foi abortada. Pedra. Para que não crescessem as culpas dos negros lixas dos moradores. um dos quais. afirmava o Governador das Minas ao Rei de Portugal que. . sendo principal motivo de suas desordens o verem n~o se punem os atrozes delitos que escandalosamente cometem . D. onde a população negra excedia consideravelmente a branca. em Ouro Preto. fosse ermitido que. o Juiz .ca 4811. Para o sucesso da sedição. .cravos nessas Minas. Porém.. \11'1IIcrellm de Sua Majestade que Deus guarde ao Ouvidor geral para se fazer junta em . Para a Comarca do Rio das Mortes. tendo em vista as " . 1ft.lIm k mortl as pessoas nela declaradas de 24 de fevereiro de 1731. Seção Coloda Capitania de Minas de 31 de dezembro de 1735. Com a Resolução do Conselho Ultramarino de 1735 pre- 01101111 da Câmara de Vila 1\OU/C. APM. se praticava na cidade do Rio de Janeir0 • Em 1731.tão repetidas insolências fel mortes que nestas minas sucedem feitas por escravos aos seus senhores e com o pouco temor do casti o.. os oficiais de Vila Rica . 0Id/Ot .2·93. nem por esta causa se podem extinguir todos.

11. O suposto de que o siste".. 136 137 I \. As tentativas de preservar as formas acomodativas ficaram patentes tanto pelas negociações absolutamente razoáveis mantidas com os mineradores e Senados da Câmara nos momentos em que os povos das minas ameaçavam se levantar. APM.n.asperissimamente com açoutes em o mourão que [mandara} levantar [naquele] distrito . Seção Colonial. Op.. Estas determinações tampouco foram eficazes. Seção Colonial.. sem dúvida.. as revoltas escravas seriam sempre "referidas às formas". Bernardo Martins Pereira. cit. Seção Colonial. I ! 331 CARTA do Conde de Valadares ao Capitâo-rnor José Álvares Maciel de 13 de maio de 1770. ocorridos nas minas na primeira metade do século XVIII. que têm discutido o antigo sistema co- crioulos e pretos cativos [dos quais nasciam} certas premissas [el irreparáveis prejuízos ao público e ao Real Serviço . no mais das vezes. As relações que se estabeleceram entre colonos e autoridades portuguesas nas primeiras décadas do Setecentos. quanto pelas diligências das autoridades de retomar a situações de acomodação em contextos de soberania fragmentada. Antônio de Noronha. I. com todas as companhias da Capitania. "334 .. p.. Códice SG 17911. tentando diminuir o grau de violência nas Minas.. postergando a adoção de medidas repressivas e buscando APM.. . A estratégia do Conde de Valadares parece também não ter sido bem sucedida. Maria I. . I I' I' I I 'I ti I'I" '11 'i> to remédio para evadir I i i.. reiterou a necessidade de rígido patrulhamento devido ao comportamento de muitos" . dos Carijós.çme1d&1e. 334 "" NOVAIS. prender negros rebeldes e vadios+" . a "história real que se desenrola mais no plano do atípico e do l'l'euliar" é.11çi\o. APM. Códice SG 218f1s. como imprimiram à dominação metropolitana uma rigidez e lntcncionalidade bastante discutíveis. 190-193.Eretos . o Conde de Valadares.. Determinou que o Comandante dos Carijós averiguasse cuidadosamente o rumor de vozes sediciosas e prendesse os cabeças. castigando-os " . roubos e desordens . O medo da "haitinização" do Brasil determinou a necessidade de um firme controle dos negros. permitem afirmar que." ordenou ao capitão-mor José Álvares Maciel.. Fernando A.. CARTA de D. apreendidas pela análise dos levantamentos. muitos trabalhos.. mas procurou garantir a viabilidade das situações de acomodação com os atores coloniais. e castigar duramente aqueles que fossem encontrados portando armas333• Neste mesmo ano de 1778. " rr-~r r. reiIerou algumas questões revelantes a respeito do "antigo sistema coloni- un. "332. Ressaltese que outro levante com estas mesmas características fora abortado no ano de 1756.. Códice SG 21511. No encerramento do século XVIII. como já foi enfatizado na introdução deste trnbalho. Ver nota de rodapé 5 da lntrodução. Em 1778. Antônio de Noronha ao Comandante CARTA de D. Em 1771. Governador das Minas à época.. menos atípica e peculiar do que pretendeu Novaís'". dentro das regras do jogo colonial. D. Independente do fato colonial.das.". CONCLUSÃO Cnlrndos na significação fundamental de um "projeto básico" da IOleml:t. em razão das constantes reclamações dos moradores contra as " . O exame dos 111011115. No governo de D.pardos. Rainha de Portugal. 333 abril de 1777.. 86. O Governador reiterou a necessidade de ser obedecido o bando que mandara publicar proibindo os escravos de andarem armados (mesma proibição intentada desde os tempos do Conde de Assumar). APM.~llsl'da atuação dos atores políticos coloniais quanto pela (re)ação dn Coro" Portuguesa ao comportamento destes atores.r :ii "1 " r I A ameaça de uma generalizada revolta escrava perdurou por todo o período imperial. ""'Ibldem. em 03 de CARTA do Conde de Valadares ao Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas de 16 de julho de 1771.I: i i I lunlAl.pron- . e.. i Ii li os perigos que a estes Povos [podiam} resultar da multidão. pode ser questionado tanto a partir da í1r. um grande levantamento escravo foi preparado para o dia do Espírito Santo. nüo só conferiram uma lógica predominantemente externa ao II/IIhm1t1. 59-60. 332 Códice SG 179 fI. Maria ao Governador Em primeiro lugar.. Seção Colonial... II I 1/1 dn era mercaniilista".38. ordenou ao seu Governador que se tomassem providências e " . o Governador procurou cortar o mal pela raiz. a Metrópole não se dispôs a dominar a área mineradora a "fer1'0 e fogo" e a enfrentar sistematicamente a população. ou se levantaram.perturbações.lr I' I' ! I1 I' Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII tendia-se infundir temor aos negros e controlá-los pelas facilidades da execução de sentenças sumárias. das Minas de 09 de novembro de 1778.. de acordo com um "projeto básico que por vários séculos infor11I01/ fi política metropoíitana+". colonial funcionou como uma projeção dos desígnios metropUlll1l1105.

". no que diz respeito à administração da Capitania de Minas Gerais.~( I· " ~-~=~ Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII . gerou revoltas inscritas dentro das regras do jogo colonial. a impropriedade de se conceber um "projeto" apriorístico de colonização. quer por medidas político-administrativas. Segue-se que às alterações no cenário metropolitano deveriam corresponder necessariamente alterações no cenário colonial.. na contingência do estabelecimento das Casas de Fundição em 1719 e 1720. Na região mineradora.. pode ser detectada uma forte disposição do Rei. usurpador do governo das Minas. refletiriam a consciência adquirida pelos colonos em virtude. O rompimento de acordos relativos à "economia moral" dos habitantes da Capitania. Já a possibilidade da emergência de revoltas referidas às formas políticas coloniais em contextos de soberania fragmentada. _. comercial e. investidos de poder pela Coroa. Pedro Cardoso.~-. Nos motins reativos. para reger a convivência da população das minas com as autoridades metropolitanas. Este foi o ponto central que pretendi discutir neste trabalho. Líder dos Emboabas. mostrou a necessidade de a Metrópole cooptar os potentados. para caracterizar os movimentos coloniais da primeira e da segunda metade do século XVIII. As reiteradas tentativas metropolitanas de acomodação com os atores coloniais sugerem. por sua vez. das influências iluministas que teriam permitido o desvelamento das estruturas metropolitanas de dominação. mesmo assim. . rigidamente determinados. que supõe um "aumento" da consciência dos colonos no que se refere ao exclusivo metropolitano e suas implicações. Sem dúvida. as quais colocavam em xeque as regras que arbitravam as relações entre colônia e metrópole. foram responsáveis pela eclosão de levantamentos em contextos de soberania fragmentada. patente de mestre de campo. acabou por merecer carta de mercê do Rei de Portugal pelos "relevantes serviços" prestados à Coroa... Estes conflitos têm sido tradicionalmente denominados movimentos de contestação e sua ocorrência foi delimitada temporalmente na primeira metade do século XVIII. principalmente. Nesta~_r~YQltE-~. oferecem elementos de análise que permitem questionar os entraves efetivamente colocados para a população pelo pacto colonial. Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira melade do Século XVIII '4 ! I' I' 1I i I persuadir os potentados da importante e necessária aliança com a Coroa. a partir do exame dos motins setecentistas mineiros. os quais Portugal enfrentou com grande dificuldade. baseadas nos ditames do pacto colonial. Nunes Viana recebeu. que enfatizam urna. explícita ou implicitamente. E... de acatar as reivindicações da população.. A característica mais fundamental destes movimentos teria sido a tentativa de romper com as disposições do monopólio.. movimentos reativos que buscavam retomar às formas acomodativas anteriormente estabelecidas. com a dominação portuguesa338• 337 338 THOMPSON. na gestão de Gomes Freire de Andrade. Brás Baltasar da Silveira. ?_q:)JJsdência do "viver em colônias" estaria ausente. o exclusivo metropolitano não impossibilitou a acumulação interna nem barrou a concretização de interesses dos agentes econômicos elou políticos. Assim aconteceu. é mais adequada a idéia de um processo de colonização. Não foi diferente o comportamento da Metrópole em relação a Manoel Rodrigues Soares. refere-se ao predomínio da lógica ex- terna na análise do sistema colonial. no qual os atores interagiram conforme as contingências se lhes apresentaram... responsáveis pela fragmentação do poder soberano ao constituírem fortes redutos de poder privado. ocorridos nas minas. Desta lógica resulta uma correspondência unívoca entre os tempos europeu e colonial. apresento uma tipologia dos movimentos intimamente relacionada com o padrão de comportamento dos atores e as especificidades do rompimento das formas acomodativas acordadas. ou dos seus representantes na colônia. entre outros que. os movimentos de oposição. . cit. Ver Introdução do trabalho. por exemplo. 138 139 lI. absolutamente mercantil e predatório. Cabe ressaltar que estudos recentes sobre o período. Este viés informou a grande maioria dos trabalhos que discute a crise do sistema colonial e atribui elementos cronológicos. P. com as precauções tomadas para a cobrança da taxa de capitação sobre os escravos no Sertão da Comarca do Rio das Velhas em 1736. -'---'Neste-me'smoregistro. Expulso da Capitania em razão da sua infidelidade à Coroa nos motins de Catas Altas e Barra do Rio das Velhas. Domingos Rodrigues do Prado.. no governo de D. Em contraposição a uma análise mais linear.. O paradoxal relacionamento das autoridades metropolitanas com Manuel Nunes Viana é paradigmático das tentativas da Coroa de preservar a acomodação política do sistema.certa autonomia da dinâmica interna colonial.. recorrendo ao conceito de Thompsorr'". dificilmente controlada quer por determinações econômicas. Uma segunda questão que se coloca. por conseqüência. nas várias circunstâncias em que se tentou alterar a forma da cobrança do quinto: nos primeiros anos da mineração com Antônio de Albuquerque. Op. em 1715.

por conseqüência. a Inconfidência Mineira originou-se do dissenso entre as autoridades da Capitania no que dizia respeito à implementação de polítlcas para a região mineradora. Da mesma forma que a revolta de Vila Rica. a sedição de 1720339• Enfim. As ameaças da eclosão de revoltas escravas e a conflituosa convivência entre brancos e negros acrescentaram um ingrediente a mais para a imprevisibilidade da ordem social das minas na primeira metade do século XVIII. na sua face de movimento referido às formas políticas coloniais. do que seu pelo seu caráter.que não consentem em Casa de Fundição. as trinta arrobas. a documentação relativa às revoltas na Capitania de Minas Gerais permite contestar o caráter ~~sêptrcbda região mineradora. depois de se ter buscado todos os meios que pareceram convenientes para sossegar o tumulto do povo de Vila Rica. cunhos e moeda. de oposição ao exclusivo comercial e ao fato coloniaL Estes movimentos decorreram de situações específicas de rompirrtento das formas acomodativasj As tentativas da ordem pública de penetrar em redutos nos quais se ha-I viam consolidado pólos de poder privado e assentado comunidades desvinculadas do aparato político-administrativo metropolitano. n ! r 1I ANEXO I I l t ~. ao longo da primeira metade do século XVIII. e pelas mais conseqüências que daqui se seguiam. e no caso que este não chegue se obrigam por inteirá-Ias. As fontes consultadas revelaram um cenário de desordem nesta região. Sr. o exame da documentação nos permite afirmar que os moviID~!'ltº~de_QP_ºsição secaracterizaram mais pela recusa dosatorcisem aceitar a autoridade dos ministros portugueses e a sua disposição de "fragmentar" a soberania metropoli tana. I \iii I I II J 'i I. a ordem pública e. ." Aos dois dias do mes de julho de mil setecentos e vinte. . em decorrência não só do rompimento das formas de acomodação. e foram deferidos na mesma forma. e levarão recibo para se descarregarem no dito registro.~ Vassalos Rebeldes: violência nas Minas na primeira metade do Século XVIII . e querem que toda a pessoa que ocultar escravo fique confiscado para a Fazenda . a partir de 1711. ao que se lhes deferiu na mesma forma que pediam. originadas de contextos de soberania fragmentada. r I I. mas da violência que impregnava as relações cotidianas da população da Capitánia. lançando-se somente a cada negro oitava e meia. ANEXOS " . apresentaram as condições seguintes a saber: 1° . conforme a falta que para a dita conta [se faça]. Dom Pedro de Almeida. para cuja cobrança elegerão as Câmaras dois homens em cada Arraial ou os que forem necessários.que não consentem que se pague o registro da borda do Campo pelo incomodo que dá. e seu termo. 2° . com a Câmara presa e as mais pessoas principais da sua Vila. cada qual das cargas que trouxer para delas pagar meia oitava por seco. I:! ! I ir :1 II Não obstante O sucesso historiográfico desta concepção. e meia pataca por molhado. com especial destaque para a rebeldia negra. os de Pitangui e os do rio Sapucaí. ao que respondo se lhes deferia como pediam. só sim tragam bilhete.~---_. "Termo que se fez sobre a proposta do povo de Vila Rica na ocasião em que veio amotinado a Vila do Carmo. os levantamentos de Catas Altas e Barra do Rio das Velhas e. a desconsideração. Conde de Assumar.y Exemplos foram respectivamente os motins do Sertão do São Francisco. persistindo no mesmo intento durante o tempo de cinco dias. por fim. Governador e Capitão Geral da Capitania de São Paulo e Minas. e outrossim se pagará pelos negros novos a oitava e meia por cada um. por parte da Metrópole. 3° . aonde cada qual for sua direita descarga para o qual se elegerão cobradores.'~ . Majestade que Deus guarde. na qual supostamente teriam predominado. dos interesses dos potentados e os conflitos intra-autoridades foram responsáveis pela eclosão de revoltas referidas às formas políticas coloniais. com a presença de um sem número de movimentos sediciosos. para o que contribuirão as lojas e vendas. as determinações metropolitanas.Querem segurar a S. 339 140 141 I \ :l. nesta Vila Real de Nossa Senhora do Carmo e no palácio em que assiste o Exmo.. 4° . e por vir todo o povo sobredito a esta dita Vila do Carmo.que não consentem contrato novo algum que não esteja em estilo até o presente. de sorte que não passem de cinco oitavas cada uma.

Registro de cartas do Governador ao Vice-Rei e a diversas autoridades da Capitania e do Vice-Rei ao Governador. Códice SG 93.Termos e Obrigações.1745-1748 .-. n. respostas e cartas do Governador. Códice SG 55.I d. Códice SG 218 .. Bandos. Códice SG 63.Portarias. Portarias.Termos de Acórdáos da câmara. cartas do governador ao Vice-Rei e mais autoridades da Capitania. Editais.Registro de cartas de Gomes Freire de Andrade ao Governador e deste a Gomes Freire de Andrade. Alvarás e Patentes Régias. 1741-1754 . Alvarás.Registro de Ordens.Registro de Alvarás. \ .:.Originais de Cartas e Ordens régias.c·==-. Códice SG 27.Termos de vere ação e Acórdãos. Códice SG 76.I Ii II 11' \1 ' I . Códice SG 65. Regimentos.- i \'_'i~::'.Registro de Cartas Circulares do governador a diversas autoridades da Capitania. ~ vassaíos Rebeldes: violêoc\a nas Minas na primeira metade do Século XVIII V"••• lq. a Gomes Freire de Andrade e a diversas autoridades e destas ao Governador..Registro de cartas do Governador a autoridades da Capitania. 1737 . 1724-1732 . " ' . 1732-1734 . Códice SG 35. 1741-1809 .i I Códice SG 23. _-. CMM 12. Códice SG 56. CMOP 09. Regimentos.Registro de cartas do Governador e mais autoridades do Senado. Procurações e Inventários. Propostas. Provisões. Ordens.: vlol. I' . Ii I \1 . Códice SG 50. 1725-1731 . Câmara Municipal de Mariana CMM 03. Cartas.. Propostas.Registro de cartas do Governador ao Vice-Rei e mais autoridades da Capitania.Registro de cartas da Câmara a Sua Majestade.~-'·- . Despachos e Cartas. 1718-1738 . com respectivas respostas e ainda.1740-1750 . Provisões. Editais. de Bandos. Representações. 1717-1733 . _-. 1721-1724 . Nombreamentos e Provisões (com índice anexo).ncla nas Minas n. 1735-1739 . CMOP 45. Cartas. Requerimentos e Instruções (com índice no final). Ordens.Termos de vereação e Acórdáos. CMOP 07. Instruções.1719-1738 .1743-1749 .Originais de Cartas e Ordens Régias e avisos. 1742-1745 .:1\ Ir.Registro de Ordens Régias e cartas do Secretário de Estado.1716-1717 _Lançamentos de pagamentos dos direitos de entrada em Vila Rica. 1738-1743 .Registro de Cartas. Escrituras. Bandos e Cartas.Termos de Distribuições de devassas e querelas. 1736 .Originais de Cartas e Ordens Régias. Documentos Avulsos Caixa 03 C\ixa 04 ':f • ~1 "li li 'I . Avisos. . . ordens e Circulares do Governador a diversas autoridades da Capitania e cartas destas ao mesmo. \ II . CMOP 50. prlmolra melode do Século XVIII . Códice Costa Matoso (cópia) COmara Municipal de Ouro Preto CMOP 06. Ordens.Registro de Ordens Régias.Registro de Ordens Régias. Códice SG 66."'T-:-~:'··:"'c'_'-'-~:':::::=. Códice SG 29. 1732-1734 . Instruções. 1738-1740 . Códice SG 215 . Portarias. 150 151 .\ I i "í . 1749-1753 . Códice SG 179 . Códice SG 46. I . 1738 . Ordens.boldo.Registro de cartas do Governador ao Vice-Rei. I. Códice SG 84. Códice SG 49.Registro de Ordens Régias e suas respostas. Códice SG 61. I '.Registro de Portarias.Registro de Sesmarias.~-----P---------· . CMOP 49.Registro de Cartas e Ordens Régias e Avisos.Receita e despesas do Senado. Ordens Régias e cartas do Governador ao Rei. ao Conde de Sarjedas e cartas das autoridades ao Governador.. 1735-1740 . 1742-1743 . Códice SG 54. 1736-1737 . com procedência de listas das devassas anteriores. Requerimentos ou Petições. 1735-1784 .Registro de cartas do Governador a diversas autoridades e destas ao Governador. Cartas e Assentos. 1736-1737 .Registro das cartas de diversas autoridades da Capitania e Qutras~ao Governador e respostas deste.Registro de Bandos.1716-1721 . Patentes. Regimentos.Registro de Patentes. I' \ \'\1 . 1721-1731 . CMOP 47. CMM 04. il' " J I \ . CMOP 52. Códice SG 37. Avisos e cartas do Vice-Rei. Representações.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful