You are on page 1of 17

XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação NP 18 – Comunicação e Esporte

“TODOS JUNTOS VAMOS, PRA FRENTE BRASIL” – O FUTEBOL, OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, O PÚBLICO E O PRIVADO

Ary José ROCCO JUNIOR 1 Universidade de Santo Amaro (UNISA/SP) / Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP)

1

Vice-diretor da Faculdade de Comunicação Social, habilitações Jornalismo e Rádio & TV, da Universidade de Santo Amaro (UNISA/SP), doutorando do Programa de Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), jornalista graduado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero e administrador público formado pela Fundação Getúlio Vargas. E-mail: aryrocco@terra.com.br / arocco@unisa.br

e o brasileiro. por isso. Empresas multinacionais investem milhões e. o futebol deixou de pertencer à esfera pública. por isso. modernidade. na década de 80. querem retorno. consumo e meios de comunicação. têm apresentado sensíveis transformações nas últimas décadas. O objetivo deste trabalho é analisar. pós-modernidade. “propriedade do Estado”. no Brasil. tornando-se um “bem” privado. Elemento de forte definição das identidades nacionais e. em muitos casos. 2 . as relações existentes entre os meios de comunicação e o esporte na passagem do futebol moderno (do Estado) ao pós-moderno (do mercado). mais especificamente. a ver. o esporte mais popular do planeta começou. enquanto elementos de expressão cultural.RESUMO O futebol mundial. Com o avanço do mercado e. de uma forma geral. do apelo ao consumo. em decorrência da tão propalada globalização. uma fragmentação de seu caráter nacional. em conseqüência. Palavras-chave: Futebol.

Tal fenômeno. O Estado Novo. produto de exportação de nosso país. o espaço público e a esfera privada. o interesse dos diversos governantes da nação para o potencial do esporte como elemento f ortalecedor de nossa nacionalidade. não exclusivo do Brasil. Assistir aos jogos. do futebol brasileiro da esfera pública para a ordem capitalista de mercado. o futebol passou a ser artífice do consumo. Em outras palavras. pôde ser sentida de forma intensa em alguns momentos da história brasileira. Estamos assistindo. 1. de Getúlio Vargas. sempre foi marcada pelo poder agregador do esporte. o esporte se transformou em uma verdadeira mania nacional. logo cativou as massas. agora na sua vertente neo-liberal. só teria sentido se essa experiência pudesse ser coletiva. são momentos emblemáticos de tentativas de apropriação do futebol pela esfera do poder público. Esse caráter gregário do esporte. a uma passagem. com sua utilização política. o futebol deixou de interessar ao Estado. a identidade cultural do brasileiro passou a ser marcada pelo sucesso do nosso futebol. despertou. aliada à tão propalada Globalização. Com o desenvolvimento dos meios de comunicação e a trajetória vitoriosa do futebol brasileiro. mediada pelos meios de comunicação. um único objetivo: a lucratividade dos seus negócios. especialmente nos anos 70 do século passado. Essa relação futebol-poder. desde que Charles Miller por aqui aportou com duas bolas de futebol. estamos presenciando a transformação do futebol brasileiro de produto da propaganda estatal para produto regido pelas leis do mercado capitalista. É esse fenômeno que pretendemos analisar nesse trabalho. em novembro de 1894. acredito ser necessário apresentar alguns 3 . Por outro lado. MODERNIDADE E PÓS-MODERNIDADE Antes de analisarmos as relações existentes entre o futebol. e passou a ser alvo de empresas multinacionais que buscavam. com a democratização do país. e a Ditadura Militar. por muitas décadas. os meios de comunicação.INTRODUÇÃO A história do futebol brasileiro. FUTEBOL. Para muitos. no seu íntimo. ou deles participar. De elemento de afirmação da nacionalidade brasileira. assim.

A difusão do futebol de um lado a outro do mundo possibilitou que diferentes culturas e nações construíssem formas particulares de identidade por meio de sua interpretação e forma de jogar.. muito utilizados... a mais importante é a relativa simplicidade de suas regras. que podem ser caracterizados como ‘tradicional’.) As identidades sociais e culturais tornam-se cada vez mais fuidas e ‘neotribais’ em suas tendências de lazer. onde vestígios da era pré-industrial ou pré-capitalista são ainda muito influentes. que estão transformando o futebol em um jogo cada vez mais incluído em um mercado global. Praticado 4 . as melhorias de infra-estrutura e a criação de programas de bem-estar social também servem para suscitar sentimentos unitários de identidade nacional. em 1894. às vezes até de maneira equivocada. Charles Miller. Provavelmente. que exerce sua autoridade muito mais por convenções do que por meios racionais ou democráticos. sociólogo e pesquisador do esporte. filho de ingleses.) O crescimento dos meios de comunicação de massa. Nenhuma outra forma de cultura popular motiva uma paixão tão ampla e participativa entre seus praticantes. como a que se tem pelo futebol. produtivo) e espaços femininos (privado. “Quando discuto o ‘tradicional’ estou falando sobre o ‘pré-moderno’... (. como sua etapa “tradicional”.conceitos. Sem dúvida alguma. podemos entender que o futebol brasileiro apresenta. “por estágios específicos.) A globalização dos povos. como modernidade e pós-modernidade. A partir daí... Essa fase tem início com a chegada oficial do esporte no Brasil.. Essa diversidade está sendo cada vez mais enfraquecida pela relação recíproca das forças econômicas e culturais. o esporte se t orna uma febre no seio da aristocracia nacional do período.. da tecnologia e da cultura dá origem a uma cultura híbrida e uma dependência econômica das nações em relação aos mercados internacionais”. (... através do paulista. (. Estabelece-se uma divisão entre espaços masculinos (público. isso envolve a aristocracia ou a classe média tradicional. Richard Giulianotti (1999:9). reprodutivo). o esporte mais popular do mundo tem algumas características essenciais que contribuem para sua popularidade. o período compreendido entre 1894 a 1933. com duas bolas de futebol debaixo do braço. mas pertinentes a esse trabalho. (.. afirma que o futebol passou. torcedores e adeptos. a divisão entre burguesia e classes trabalhadoras é reproduzida por meio de uma diferenciação entre alta cultura (‘legitimada’) e baixa cultura (‘popular’). (. dos equipamentos e das técnicas corporais do jogo. ‘moderno’ e ‘pós-moderno”.) Em matéria de lazer e de recreação.) A ‘pós-modernidade’ é marcada pela dimensão crítica ou pela rejeição real da modernidade e de suas propriedades definidas. De modo geral. define cada uma dessas etapas. até chegar a ser o que é hoje. O estudioso britânico Assim. que por aqui desembarca.) A ‘modernidade’ está relacionada à rápida urbanização e ao crescimento demográfico e político da classe trabalhadora. (.

ocorrida durante o Governo de Getúlio Vargas. O encerramento da era “tradicional” do nosso futebol acontece com profissionalização do esporte.) A transição do amadorismo para o profissionalismo foi contemplada pela divulgação do esporte pelo rádio (a partir de 1938). é possível encontrarmos. Os jogadores filiaram-se a partidos de acordo com suas convenções políticas e tiveram participação ativa em movimentos como o das Diretas Já!” (Gozzi & Sócrates. então. com o surgimento da Democracia Corintiana. 2001:59). o esporte passa a viver um novo momento. de pós-modernas”. 5 . inclusive a linguagem utilizada na prática esportiva era inglesa” (Pimenta. “As arquibancadas eram freqüentadas por grã-finos e mulheres de ‘boa família’. no ano de 1982. “O processo que começamos a descrever como globalização pode ser resumido como a passagem das identidades modernas a outras que poderíamos chamar. (Bruhns. No entanto. (. O período “moderno” do futebol brasileiro iria se encerrar.. “foram reconhecidos formalmente como empregados. Assim. embora o termo seja cada vez mais incômodo. O revolucionário sistema implantado no Corinthians a partir do fim de 1981 “esteve intimamente ligado ao processo de abertura política do Brasil após anos de um regime militar cruel com seus opositores e dissidentes. É evidente que nenhuma dessas épocas é hermeticamente fechada pelas outras. o futebol e as esferas público e privada do esporte no país. começam a se dissipar. (Canclini. vestidas pela moda parisiense. justificam e validam os estágios acima mencionados. 2000:65). as estruturas políticas que sustentavam o futebol na esfera pública. 2002:28). da mesma forma como já recebia apoio da imprensa escrita popular. dentro da divisão proposta. elementos que fogem a estrutura e aos momentos apresentados. agora. Com isso. acredito que a história do futebol brasileiro. para o estágio “moderno” do futebol brasileiro. sob a jurisdição do novo Ministério do Trabalho. a partir de do início desta etapa. Os atletas. e seu relacionamento com os meios de comunicação.pelas elites que dividiam o espaço urbano das emergentes cidades industriais do Brasil. onde o mercado global começa a dirigir seus tentáculos em direção ao apelo mercadológico no universo do nosso futebol. Proponho. A partir deste instante. o período compreendido entre os anos de 1933 e 1982. em 1933. 1997:41). Esses dois meios de comunicação acompanhariam a rápida emergência do futebol antes da Primeira Guerra Mundial”. estudar as relações existentes entre a mídia. Vamos.. o futebol deixava de lado as camadas populares menos favorecidas.

sexo ou convicções. acima. e até os gritos dos capitães do time em campo – come back forwards.. em São Paulo. estabelecendo a infra-estrutura de recursos e serviços urbanos capaz de garantir sua plena vazão e desenvolvimento”. uma dimensão popular. já existiam alguns destinados especialmente ao esporte. mil vezes reproduzidas em jornais e revistas. até. (.2. Em 1913. nacionalidades. Anteriormente à década de 30. Bruhns. Pegaram carona nas profundas mudanças por que passou o Brasil nas primeiras décadas do século XX. o historiador Nicolau Sevcenko (2003:59) chama a atenção para o fato de que “a paixão futebolística crescia muito mais depressa do que as providências administrativas dos clubes ou do governo podiam acomodar ou sequer acompanhar. com o eixo econômico deslocando-se do campo para a cidade e a conseqüente urbanização da população brasileira” (Almeida & Micelli. já estabelecendo uma relação entre o esporte e as massas. Arthur Friedenreich. “todas as posições dos jogadores eram ainda ditas em inglês.) Mas sobretudo unanimemente. Caldas (1990:97) cita vários: O Brasil Esportivo. 6 . Como aponta Lopes (Apud. 40 mil espectadores aconteceram na década de 20. As imagens. futebol e rádio tornaram-se catalisadores de emoções e ídolos do povo. desse novo panteão atlético. São Paulo Esportivo e Sport . 2004:2). A profissionalização do futebol brasileiro. man on you. 2000:61). condição social. O RÁDIO E O FUTEBOL BRASILEIRO “Filhos da elite. como um esporte de massa. Partidas com 20 mil e. deram à prática do esporte. o futebol trazia a marca da cultura inglesa. O ESTADO NOVO. nos anos iniciais do futebol brasileiro.. bem como o surgimento e crescimento do rádio. uma nova identidade e um peculiar orgulho compulsivo de se sentir parte da cidade” (Sevcenko. incontestavelmente.) para o maior artilheiro futebolístico de todos os tempos. as aclamações maiores eram galvanizadas (. o futebol começa a projetar seus primeiros ídolos. dentro daquilo que convencionamos. assim. “Dia a dia a cidade (de São Paulo) produzia e entronizava novos ídolos. O futebol já se projetava. de era “tradicional” do esporte por aqui. Com o crescente interesse dos jornais... 2003:57). O pesquisador aponta para o fato de que o aumento da circulação dos jornais coincidiu com o aumento da cobertura do futebol pela imprensa. despertavam nos seus admiradores. enquanto meio de comunicação de massa. quaisquer que fossem suas etnias. A prática do futebol já ocupava espaço nos jornais da época. fervorosamente. Analisando o fenômeno. take your man”.

seria transformada em madrinha dos jogadores. Foi ele o primeiro político a notar que o esporte era um importante instrumento para moldar a visão que o brasileiro tinha de si próprio. se incomodava alguns grupos. com o auxílio dos meios de comunicação. o futebol não mais “pertencia” a aristocracia paulistana. A Legislação Social e Trabalhista de Vargas iria. com algumas pequenas variações.) Visto pelo alto ou pela base da hierarquia social. as m elhorias de infra-estrutura e a criação de programas de bem-estar social também servem para suscitar sentimentos unitários de identidade nacional” (Giulianotti. ainda. estava iniciada a ingerência do Estado na gestão do futebol no país. das conquistas do 7 . (Sevcenko. regulamentar algumas profissões. (. de 1930 a 1936. até então inexistentes no âmbito urbano. no centro ou na periferia. que palpita de um modo ou de outro por todos os desvãos da cidade e preenche o tempo ampliado das horas de lazer. ao assumir a presidência do Brasil em 1930. lá estava Getúlio Vargas. “O fenômeno esportivo em geral. Passando pelo Palácio do Catete. na São Paulo da década de 30. pelos comentários de Sevcenko que.. ainda Chefe do Governo Provisório..) Esse componente indisciplinado. Uma das primeiras manifestações desta interação entre líder e esporte ocorreu em dezembro de 1932. a de jogador de futebol. Getúlio Vargas logo percebeu o potencial do futebol como elemento de aglutinação popular. Até a década de 80.O pesquisador chama a atenção..) A cidade não assiste ao esporte como um episódio isolado e externo: ela lhe dá vida. e. ela se vê nele”. de vez. 1999:9). entre elas. via futebol. apresentou um projeto intitulado “Programa de Reconstrução Nacional”. os jogadores foram acolhidos por milhares de entusiastas na capital. (.) Desfilando em carro aberto. repercutindo no futebol e em seus atletas. Getúlio Vargas. Getúlio tornou-se um dos patronos da seleção brasileira. corpo e voz – ela não o vê de fora. é uma manifestação plenamente urbana.” (Agostino.. onde “o crescimento dos meios de comunicação de massa. Alzira Vargas. enquanto sua filha. 2003:60). O futebol brasileiro deixava sua fase “tradicional” e entrava.. onde disputou a Copa Rio Branco. (. que objetivava melhorar a infra-estrutura do país e acabou. A adoção do profissionalismo e o advento do rádio apenas contribuíram para colocar o esporte. com isso. definitivamente. “Nos anos seguintes. para a constituição de identidades. o futebol propiciava o embaralhamento das posições relativas. Populista nato. “nos braços do povo”. um gesto que os brasileiros – querendo ou não – ainda veriam muitas vezes. futebolístico em particular. Com a atitude de Vargas. por outro lado atraía multidões.. como conseqüência. quando a seleção brasileira foi recebida com festa após uma jornada de vitórias no Uruguai. na “modernidade”.. os dirigentes estatais iriam se aproveitar.. 2002:142). (. a saudar o scracht com a mão estendida. Podemos perceber. tentar vincular seu nome às conquistas futebolísticas do Brasil.

1985:17). (. encarregado de uma seção de rádio que antecedeu a ‘Hora do Brasil’. em 1940. chamado nação. o DOP foi transformado em Departamento de Propaganda e Difusão Cultural..) recorreu ao som dos alto-falantes colocados em locais públicos. a Copa de 38 representou um marco da atuação governamental. À época. na tentativa de criar uma identidade única do cidadão brasileiro. havia sido criado o Departamento Oficial de Propaganda – DOP. Em relação ao futebol. na França. o Governo de Vargas criou o Conselho Nacional de Desportos (CND) que vinculava todas as atividades esportivas ao Estado. O Governo Vargas iria contar. No dia 12 de setembro de 1936. o indivíduo encontra a nação. Ferrareto (1999:109) nos conta que “constituída em meados dos anos 30. na França. às portas do Estado Novo. de uma forma geral. o futebol brasileiro em sua era “moderna”. a Rede Verde-amarela. em 1938”. Paralelamente ao avanço do controle dos meios de comunicação pelo Governo. Logo após a “Revolução de 30. o Governo decidiu que “a Rádio Nacional ‘tinha que ser um instrumento de afirmação do regime’. também. A primeira tentativa de estruturação de uma rede de radiodifusão acontece tendo como palco a Copa do Mundo de 1938. opondo-o sob a forma dada pela sua organização estatal – a outras nações” (Canclini.nosso futebol. A respeito dessas transmissões. Consolidam-se subordinando regiões e etnias dentro de um espaço mais ou menos arbitrariamente definido. realizaria a primeira cobertura esportiva de um Campeonato Mundial de Futebol. “As identidades modernas eram territoriais e quase sempre monolingüísticas. também passou a ser alvo dos interesses do Estado Brasileiro. (. o esporte. e ‘Getúlio Vargas decretou a encampação da empresa. para isso.. de forma idílica: não a nação ela própria. Em 1934. 2001:59). “Encarado pela propaganda 8 . surge a Rádio Nacional do Rio de Janeiro.) Era a pátria de chuteiras que começava a se formar”. o rádio já era fenômeno de massas e suas mensagens alcançavam a mais ampla divulgação.) Pelo rádio. Leônidas e Perácio na voz de Gagliano. Em 1941.. Percebendo isso. 1985:18).. Almeida & Micelli (2004:6) comentam que “o Brasil inteiro parou para ouvir a narração das jogadas de Domingos da Guia. Vargas iniciava.. Quem não tinha um aparelho de rádio em casa (.. Sem saber. surgindo então ‘A Voz do Brasil” (Ortriwano. dos Byington. com o crescimento do rádio como elemento de comunicação de massa. mas a imagem que dela se está formando” (Ortriwano.

2002:144). (. o presidente fez questão de.. conferindo aos brasileiros um estilo de jogo original”. com a TV Tupi de Assis Chateubriand. (. 3.) Com a transmissão da partida decisiva. por exemplo. este permitia captar as glórias brasileiras em gramados tão distantes” (Agostino. “Na despedida dos jogadores. ou por radioamadores. do Mundial de 1958. 2002:144).) o futebol assumia uma função crucial nos valores ideológicos governamentais” (Agostino. na sociedade brasileira. Gilberto Agostino (2002:144) completa sua idéia com a afirmação de que “a presença de negros era apresentada como símbolo da democracia racial. “Captadas por pequenas emissoras locais.. No plano das comunicações. Os anos 40 e 50. sendo o rádio um elemento vital: ao inaugurar a transmissão futebolística para a América. disputado na Suécia. Essa prática atingiria um de seus momentos máximos na Copa do Mundo de 58. A TELEVISÃO E A SELEÇÃO DE 70 A década de 40. foram marcados como momentos de uma incipiente sociedade de consumo. estava montado o cenário para a perfeita união entre o Estado e o futebol brasileiro. 2004:6). o Palestra Itália tornou-se a Sociedade Esportiva Palmeiras em 1942.estadonovista como síntese da capacidade e originalidade brasileira (. o ano de 1950 marca o surgimento da televisão no país.. esta união não poderia ser tão perfeita sem a ajuda do rádio. desejar sorte ao selecionado nacional” (Agostino. da Rede Bandeirantes de São Paulo.. Assim. idéia que ganhava projeção nos anos de 1930 a partir das teses de Gilberto Freyre. 9 . um pouco antes do embarque para a França.. quando o locutor esportivo Edson Leite. “As sementes da propaganda iam produzindo bons frutos. e. as partidas eram retransmitidas muitas vezes por alto-falantes instalados na praça principal. no âmbito político. época da Segunda Guerra Mundial.. em solo europeu. os fracassos de 1950 e 1954 obtiveram sua redenção com a vitória. 2002:144). Assim. criou a Cadeia Verde e Amarela. contra a Suécia. marcou o auge do rádio como meio de comunicação de massa mais importante do país. cobrindo o país de norte a sul. A DITADURA MILITAR. um clima de intenso nacionalismo que tornou insustentável. a Bandeirantes alcançou praticamente todo o território nacional e superou 90% de audiência” (Almeida & Micelli. pessoalmente.) Freyre afirmava que um dos trunfos da seleção brasileira era exatamente a mestiçagem. No futebol. No entanto. no futebol. a permanência de clubes que levavam nomes estrangeiros.

tornou-se definitivamente um fenômeno nacional. (. é caracterizada pelo aumento em volume e em dimensão do mercado de bens culturais. Promovia-se assim uma importante estratégia de propaganda da Assessoria Especial de Relações Públicas (AERP). 2002:161). o Governo Médici criou a Loteria Esportiva no Brasil. para a queda do treinador João Saldanha. A situação cultural do período. no México. que se já estava popularizado com o rádio. afirmou que “a seleção. consolidando-se os grandes conglomerados controladores dos meios de comunicação e da cultura popular de massa.. narrador de esportes da Rádio Panamericana na campanha do México. principalmente após a posse de Emílio Garrastazu Médici” (Agostino. para driblar a vigilância dos soldados que guardavam a delegação brasileira. Geraldo Bretas.grudado no radinho de pilha. articulando os êxitos futebolísticos à imagem do Brasil-Potência que o governo se esforçava em difundir. “. no sentido de transformar o presidente em Torcedor Número 1 da nação. Agostino (2002:158) descreve Além da presença constante.. A televisão entra nesse período como transmissora direta das partidas. Joseval Peixoto2 . com o Brasil classificado para o Mundial.) À medida que a Copa se aproximava. Rivelino entrevistava os colegas e. João Havelange (presidente da CBD) tinha agora o caminho aberto para a militarização da delegação que conduziria o Brasil ao México” (Agostino. assim o período que antecedeu a Copa do Mundo de 1970. para poder entrevistar os atletas do escrete canarinho era obrigado a jogar seu gravador por cima do muro.. foram várias as vezes em que o presidente (Médici) se arriscara a freqüentar estádios lotados. assumidamente de tendência esquerdista. 2002:158). Elio Gaspari (2002:207) narra assim a conquista do Tri: 2 Entrevista realizada. pertencia ao Exército. como era amigo do Rivelino. anunciando a chance de mobilidade social para todos. Um pouco antes. devolvia o gravador também por cima do muro. a partir da Copa do Mundo de 1970.O advento da televisão e sua significativa introdução nos lares brasileiros nas décadas de 60 e 70 ampliou o alcance do futebol. nosso repórter na Copa. “Com as transformações na Comissão Técnica. 10 . procurando conciliar sorte e futebol. no dia 02 de maio de 2005. as possibilidades de interação futebol-poder se ampliavam”. “a relação entre o esporte mais popular do país e o quadro político se intensificava. também.. Só assim conseguíamos cumprir nosso papel de informar o povo brasileiro”. na cidade de São Paulo. depois. O presidente contribuiu. no país. não raro sendo anunciada sua presença pelos alto-falantes. de fato.

como mais uma demonstração da interação poder-futebol. na década de 70. ainda. “onde a ARENA vai mal. estádios suntuosos eram inaugurados em todo o país. É no projeto desenvolvimentista dos governos militares que se propõe um processo modernizador da sociedade brasileira e o futebol se apresenta como um dos elementos capazes de auxiliar a execução segura desse projeto e colaborar na construção da identidade nacional. as Copas de 70. Paralelamente. o projeto de construção dessa identidade nacional. composta por Miguel Gustavo para inspirar a seleção durante a Copa do México. um produto estatal. em razão do poder da televisão como veículo de comunicação de massa. Pimenta. Fora a primeira Copa transmitida ao vivo. assim como o rádio no Estado Novo. Em 1979. ou não. o primeiro Campeonato Brasileiro.. Porém. Em 1971. O esporte mais popular do país era. (. Nunca se vira algo igual. numa época em que o milagre econômico e a própria 11 . 1997:50). Apud. o Governo militar tratou.. na Argentina. ame-o ou deixe-o’. não se curvando às necessidades do mercado consumidor já em constante crescimento. seleção e governo misturavam-se num grande Carnaval de junho”. o sr.) Falava-se de um ‘Brasil Grande’. para a integração nacional via futebol. tivemos como técnico do time brasileiro um Capitão do Exército.“O país cantava: noventa milhões em ação. o Campeonato Nacional iria crescer até atingir 96 clubes. foi criado. de 70 diferentes municípios do território nacional. Com a conquista do México. 74 e 78 não foram exclusividade de nenhuma emissora de televisão do país. Era a época do Milagre Brasileiro e do “Pra frente Brasil”. futebol.. Médici abriu os jardins do palácio do Alvorada e saiu em mangas de camisa. “na Copa do Mundo de 1978. sempre com o apoio dos meios de comunicação de massas. nasce a Democracia Corintiana propondo mudanças radicais nas relações envolvendo o futebol. Tudo mostrado ao país pela televisão.. País. via futebol. time no Nacional” (Rocco Jr. Cláudio Coutinho” (Pimenta. Coincidência. Nos anos 80. A cumplicidade do futebol com o Estado foi tanta que. de alguma forma. pra frente. sempre observando interesses políticos. Era a época da máxima. só foi possível. para promover a integração nacional. com uma bandeira na mão e uma bola no pé. de estreitar sua ligação com o produto futebol. 1997:50). Copa. e as multidões vitoriosas iam às ruas com os versinhos patrióticos que empanturravam as transmissões dos jogos. o que pode ter contribuído.) Salve a seleção. Distribuíam-se adesivos com a inscrição ‘Brasil. ‘Brasil Potência’. Brasil do meu coração (.

as transmissões das Copas do Mundo. No entanto. O futebol brasileiro estava entrando na sua pós-modernidade. dificuldades técnicas obrigaram as três principais emissoras de TV do país. Na Copa de 70. A partir de 1987 iniciaram-se as transmissões ao vivo. O futebol entrou também na era da televisão. Em 1983. O grande mérito do movimento foi o de atualizar a então paternalista relação entre os clubes e os jogadores de futebol profissional. fez com que a equipe do Parque São Jorge pensasse a questão do patrocínio nas camisas e as ações mercadológicas do clube. em geral. 4.ditadura militar já apresentavam sinais de esgotamento. 1997:550). Entretanto. O desenvolvimento tecnológico deu um impulso muito grande às transmissões esportivas pela televisão. a publicidade nos uniformes foi vista pela primeira vez no nosso futebol. A PÓS-MODERNIDADE NO FUTEBOL BRASILEIRO Ricardo Gozzi & Sócrates (2002) afirmam que a Democracia Corintiana esteve intimamente ligada ao processo de abertura política do Brasil após anos de Regime Militar. a partir de 1982. sua influência sobre a totalidade do futebol brasileiro. O dinheiro gerado era dividido entre os estádios e as federações. as dificuldades técnicas desapareceram. trazer as partidas do Mundial para o povo brasileiro. à época. depois. em particular. e sobre a seleção. os clubes não recebiam dinheiro pelas transmissões. como a queda de público aumentava e os clubes arrecadavam muito pouco das bilheterias. através de um pool. Esta foi a primeira tentativa de solucionar a crise que a cada ano tornava-se mais expressiva. 12 . a publicidade foi introduzida ao redor dos campos de futebol. na Espanha. Porém. Além disso. iniciou-se um êxodo maciço de jogadores para a Europa” (Helal. a venda de craques para o exterior tornou-se a saída mais imediata para problemas financeiros dos clubes. de uma forma direta. que passou a exercer. “Em 1977. A passagem do futebol brasileiro da década de 70 para a de 80 foi marcada por inúmeras transformações. como vicepresidente de marketing do Corinthians. com vídeo-teipes dos jogos sendo transmitidos. a presença do publicitário Washington Olivetto junto aos jogadores que lideraram o movimento e. de uma forma mais profissional. nova para o cenário de crise do futebol brasileiro do início dos anos 80. gerando uma polêmica sobre o esvaziamento dos estádios e as compensações financeiras dos contratos assinados pelos clubes com a televisão. tornaram-se exclusividade da TV Globo . Com o surgimento das transmissões via satélite. se juntarem para. Após 1982.

através da figura de Mário Jorge Lobo Zagallo. com a presença cada vez mais constante da iniciativa privada no esporte.. que o futebol do país se inserisse nessa vertente.Nesta mudança percebemos também que o futebol pode ser entendido como um momento de “fortalecimento das relações capitalistas. ‘clientes’ para os mesmos serviços. famosas ou não. 1997:55). à sociedade brasileira que se encontrava. em tese ‘fornecedora de material esportivo’. mostra. À medida em que as culturas nacionais tornam-se mais expostas a influências externas. O futebol passa a se adaptar. permitiu. por exemplo.. utilizando a imagem dos jogadores e dos clubes” (Pimenta. onde se destacou o incentivo às exportações e a revitalização do parque industrial brasileiro. dos quais o esporte faz parte. na época. como a bandeira e o hino) em um produto a mais no marketing mundial da empresa Nike. e com a presença cada vez maior de jogadores brasileiros no exterior. Pimenta. O profissionalismo nos grandes clubes torna o futebol um negócio altamente rentável. os fluxos culturais. como comprova o caso PalmeirasParmalat. aponta que “pode ser percebida a transformação da seleção brasileira (um símbolo da nacionalidade para os brasileiros. é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural”(Hall. no caso. para o ambiente privado. “Os clubes (. Dessa forma. Gastaldo (2002:58). inclusive na gestão de clubes de futebol. 2003:74). o jogo” (Corbisier Apud. da esfera pública. 1997:56)... O mesmo autor. o futebol do país tornou-se um produto. criando à sua volta uma indústria sólida que vai desde a difusão das ‘escolinhas’ (de futebol) – passando pela incursão da mulher ao jogo de bola – até a venda de marcas.) são empresas que vendem. impulsionada pelas medidas econômicas do Governo Collor.) Zagallo. mas de fato uma poderosa força a intervir no gerenciamento dos negócios desse time de futebol tão importante no imaginário da sociedade brasileira”. em processo de franca modernização. que ‘dialogou’ amigavelmente com a pressão superior em ambos os 13 . o técnico da seleção acabou sendo o mesmo: (. ao analisar diferentes momentos da seleção canarinho nos mundiais de 70 e 98. como quaisquer outras. entre as nações e o consumismo global “criam possibilidades de ‘identidades partilhadas’ – como ‘consumidores’ para os mesmos bens. assim. com consumidores em todo o mercado mundial. também. sua mercadoria. “Curiosamente. Assim. a transferência do poder sobre a seleção. A integração do Brasil no fluxo econômico mundial. tanto em 1970 quanto em 1998. ‘públicos’ para as mesmas mensagens e imagens – entre pessoas que são bastante distantes umas das outras no espaço e no tempo.

considerando a seleção como um símbolo nacional. As Leis Zico e Pelé. nas primeiras edições do Campeonato Paulista. o poder autoritário do Estado. as cotas das transmissões esportivas se valorizaram de uma forma muito expressiva. no início do século XX. foram movimentos nesse sentido.) Sem dúvida.. em 1894.. Nos últimos anos. interferindo na confecção das tabelas dos principais campeonatos disputados no país. o futebol sempre se revestiu de um caráter comunitário e atraiu para si as atenções dos meios de comunicação. para transmitir o Campeonato Brasileiro determina o horário e os locais das partidas. os clubes que disputavam a competição eram marcados por sua identificação com as comunidades 14 . no plano econômico do futebol brasileiro. também com valores majorados (até então pagava US$ 2 milhões por ano). E alguém poderia perguntar. Todas essas modificações. de acordo com sua grade de programação. (. Em 1998. a CBF iniciou uma parceria com a Nike. em 1998. acabaram por provocar modificações na legislação específica do futebol brasieiro. com o mercado seria impossível sem o crescimento da participação das empresas de comunicação no esporte. que se comprometeu a pagar cerca de US$ 160 milhões por dez anos de exclusividade no fornecimento de material esportivo e pelo direito de promover 50 partidas amistosas da seleção brasaileira. a Coca-Cola antecipou-se em renovar seu contrato com a entidade...casos. Toda essa aproximação do futebol. ao lado da venda de jogadores para o exterior. CONSIDERAÇÕES FINAIS Desde sua introdução no Brasil. Com graves problemas administrativos. por exemplo. Ainda na fase amadora. “Em 1997. os clubes brasileiros passaram a enxergar nas cotas de televisão. 2002:59). 2000:204). as suas maiores fontes de rentabilidade. no Brasil. que usa as cores da bandeira nacional e o hino nacional. ingenuamente: a obtenção de lucros comerciais por intermédio de um bem público não caracterizaria um caso de privatização indevida?” (Proni. Vinte e oito anos depois.) Poderíamos ponderar se estamos falando da mercantilização de um bem público. podemos identificar diferentes maneiras pelas quais a lógica do mercado vinha influenciando na reestruturação do futebol brasileiro. a CBF oferece um dos melhores exemplos da mercantilização da imagem construída pela tradição futebolística no Brasil. que paga cerca de US$ 150 milhões por um contrato de três anos. A Globo. (. mudou a origem da emanação do poder: em 1970. Mesmo antes da aprovação dessa nova legislação. o poder econômico da empresa” (Gastaldo.

Apoiar a seleção nacional é uma sentida declaração pública de lealdade à nação. Os laços de origem criavam a identificação com os clubes. Para muitos. o futebol atinge um âmbito global. entre imprensa e “torcida”. trans e 15 . foi concebida para ser uma instituição de caráter internacional. nacionais. delimitando. pelos jornais. como o rock. o tamanho que essas comunidades ocupariam no espaço. Os “jornalistas” escreviam diretamente para os jovens torcedores. O espetáculo atinge em cheio às massas. pautada pela imprensa escrita que se aventurava a escrever sobre o esporte na época. essa. com torcedores em todos os cantos do planeta. à cidade de São Paulo. a difusão do futebol está. nos últimos anos da década de 90. isto é.estrangeiras que viviam na cidade de São Paulo. e pelos militares na ditadura dos anos 60 e 70. criada no auge do nacionalismo europeu (1904). em um elemento útil para estimular a integração simbólica tão necessária para a conformação das identidades que estão na base dessas comunidades imaginadas que são as nações. a forma estatal-nacional foi sendo paulatinamente colocada em questão como comunidade político-cultural. O futebol se converteu. A organização das torcidas passa a ser pautada pela televisão e sua festa feita para ela. A televisão muda por completo a relação torcida-futebol. Surgem os clubes transnacionais. em alguns casos. independentemente do gosto pelo esporte. Identificação. transformando a relação dos fãs com os clubes no espaço. utilizada com maestria por Getúlio Vargas. Os processos de globalização. que se manifestam em conformidade com as novas identidades sub. e esta é uma grande diferença com outros fenômenos globais. Essa popularização provoca o estreitamento da relação poder-esporte. até o momento. marcada por uma sensação de pertencimento. estreitamente relacionada com outra tendência que lhe foi contemporânea: a difusão da forma moderna de comunidade política. dessa forma. no Estado Novo. Relação essa. Com essa nova relação entre os meios de comunicação de massa e os torcedores. Agora. Com o advento do profissionalismo e a popularização do rádio. a constituição dos Estados-Nação. no início da década de 30. Porém. então. Isto se evidencia na forma de organização que adquiriu o futebol: a FIFA. a comunidade que acompanha o futebol ganha um âmbito regional e. a assistência ativa aos espetáculos esportivos é um verdadeiro dever cívico. restrita. uma vez que seus membros são federações – e não estados – nacionais.

a do torcedor globalizado. como já vimos. 2002. até então. Campinas. adquire os produtos do seu time do coração em todo o mundo. como os grandes clubes do futebol mundial. Florianópolis. Como ocorre em outros âmbitos da vida social. Gilberto. Ambos. uma mídia. no agora torcedor consumidor. ALMEIDA. O incremento das novas tecnologias. está acentuando o surgimento de uma nova geração de admiradores do futebol. 16 .supraestatais. porém. reciclados no ideal de “fair play”-. que possui um alto poder aquisitivo e. Pablo. Rio de Janeiro. os seres humanos valorizavam e sob os quais atuavam socialmente. Trabalho apresentado no GT História da Mídia Sonora. já acentuada pela televisão. Rádio e futebol: gritos de gol de Norte a Sul. Resta saber de que forma essas novas tecnologias irão provocar novas modificações na já mutante cultura do futebol mundial. Papiru. Fútbol y patria – el fútbol y las narrativas de la nación en la Argentina. Mauad. II Encontro Nacional da Rede Alfredo de Castilho. 2001. Alda de & MICELLI. A transparência do mal: ensaio sobre fenômenos extremos. BIBLIOGRAFIA AGOSTINO. Todas essas modificações já provocaram uma acentuada mudança na cultura do futebol mundial. em especial da Internet. o futebol está perdendo cada vez mais não somente seus valores humanistas particulares – inspirados em ideais olímpicos e amadores. senão também sua associação com o nacionalismo e a regulamentação estatal. 15 a 17 de abril de 2004. dita tradicional. em função disso. Acredito que estamos presenciando um enfraquecimento da até então exitosa articulação entre futebol e nacionalismo. aquele que compunha a massa. Vencer ou morrer – futebol. 1992. provocando uma transformação na cultura futebolística mundial. a globalização do futebol implica uma modificação da organização desde formas internacionais até formas que têm um caráter mais supranacional. italianos e ingleses. ALABARCES. estão desgastando o sentido comum nacionalista que. em especial. os espanhóis. Márcio. transformando o antes torcedor organizado. geopolítica e identidade nacional. Buenos Aires. Jean. Prometeu Libros. BAUDRILLARD. se caracterizam pelos sentimentos de igualdade e homogeneidade e a ausência de hierarquia presentes em cada uma dessas comunidades. Como conseqüência.

a história e a técnica. ROCCO JR. A metamorfose do futebol. 2002. SEVCENKO. A ditadura escancarada. ORTRIWANO. Taubaté. chuteiras e propaganda – o brasileiro na publicidade da Copa do Mundo. Futebol. São Paulo. REBELO. Nova Alexandria. Heloisa Turini. São Paulo. PRONI. Petrópolis. PIMENTA. FERRARETTO. 2000. apresentada na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Novas Tecnologias e as Torcidas Virtuais – a transformação da cultura do futebol no século XXI. Luiz Artur. A informação na rádio – os grupos de poder e a determinação dos conteúdos. Campinas. Aldo & TORRES. 2003. 1999. Rio de Janeiro. São Paulo. carnaval e capoeira – entre as gingas do corpo brasileiro. 2003. 1997. Rio de Janeiro. Rádio – o veículo. Pátria. Néstor Garcia. 2003. Waldenyr. Richard. GOZZI. Ricardo & SÓCRATES. Elio. SANTOS. 1990. Torcidas organizadas de futebol – violência e auto-afirmação. CALDAS. DP & A. 1985. HALL. 1997. Cia. Nicolau. Édison. Summus. Vogal Editora. São Paulo. Ronaldo.BRUHNS. Orfeu extático na metrópole – São Paulo sociedade e cultura nos frementes anos 20. XXVI Congresso Anual em Ciência da Comunicação. Vozes. Das Letras. 2001. 2001. Sagra. 1998. Dissertação de mestrado em Comunicação. Trabalho apresentado no NP 18 – Núcleo de Pesquisa Mídia Esportiva. Papirus. GIULIANOTTI. 2002. Casa Amarela. Passes e impasses – futebol e cultura de massa no Brasil. “Dos espetáculos de massa às torcidas organizadas: paixão. Ibrasa. Porto Alegre. Democracia corintiana – a utopia em jogo. Campinas. São Paulo. GASPARI. 2002. Sociologia do futebol – dimensões históricas e socioculturais do esporte das multidões. Marcelo Weishaupt. A identidade na pós-modernidade. 1999. Carlos Alberto Máximo. Stuart. Unicamp.. Consumidores e cidadãos – conflitos multiculturais da globalização. São Paulo. Gisela Swetlana. Tarcyanie Cajueiro.4a Ed. Belo Horizonte. 17 . Sílvio. São Paulo. 2000. Boitempo. Ary José. O pontapé inicial – memória do futebol brasileiro. HELAL. Annablume. CANCLINI. UFRJ. rito e magia no futebol”.. São Paulo. CBF – Nike. GASTALDO. Cia das Letras.