˜o Introduc ¸a ` a

ˆ nica dos Fluidos Meca
e aos ˆ menos de Transporte Feno

Maur´ ıcio Gobbi, Ph.D.
Centro Federal de Educa¸ c˜ ao Tecnol´ ogica do Paran´ a

Nelson Lu´ ıs Dias, Ph.D.
Universidade Federal do Paran´ a

Flavio Mascarenhas, D.Sc.
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Enise Valentine, D.Sc.
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Pref´ acio

A ´ area de Mecˆ anica dos Fluidos ´ e uma das mais importantes e dif´ ıceis na forma¸ c˜ ao de cientistas e engenheiros. A´ area de pesquisa e ensino hoje conhecida como Fenˆ omenos de Transporte formou-se aos poucos, ao longo do s´ eculo XX, ` a medida em que se compreendiam as analogias existentes entre os processos de transporte de quantidade de movimento, energia, e massa, em meios cont´ ınuos. A Mecˆ anica dos Fluidos forma a grande base de conhecimento para a compreens˜ ao dos Fenˆ omenos de Transporte. Esta vis˜ ao unificada instalou-se inicialmente nos cursos de engenharia qu´ ımica e mecˆ anica, mas est´ a cada vez mais presente em outros ramos das ´ areas tecnol´ ogicas e cient´ ıcicas. Este livro nasceu da necessidade de se dotar disciplinas de Mecˆ anica dos Fluidos e/ou Fenˆ omenos de Transporte do curso de engenharia de v´ arias unidades de ensino de terceiro grau do Brasil, de um texto unificado introdut´ orio, rigoroso, e corretamente dimensionado para um curso que compreende um u ´ nico semestre da disciplina com um m´ ınimo de quatro horas/aula te´ oricas semanais. O texto contˆ em os fundamentos matem´ aticos e f´ ısicos dos processos e as abordagens para cada tipo de propriedade transportada foram feitas, na medida do poss´ ıvel, em conjunto, e n˜ ao em partes distintas como ´ e o caso de v´ arios livros texto sobre o assunto.

Os autores.

iii

. . vetores. . . . . . 1. . . . . . . .5 Sistema de unidades . 1. . . . .6. .Conte´ udo Pref´ acio Conte´ udo 1 Introdu¸ c˜ ao 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 A energia interna ´ e fun¸ c˜ ao da temperatura e do volume . . . . . . . . . . .1 Apresenta¸ c˜ ao . . . . . . . . .3 Fluidos . . . . . v iii v 1 1 2 3 4 6 7 7 8 10 13 15 16 19 19 21 24 24 26 28 31 32 .6. . . . . . . . . . . . de superf´ ıcie. . . . . . . . . . . . . . . . . . 2. . . .2 O meio cont´ ınuo . . .4 A primeira lei da termodinˆ amica . .6. . . . . . . . . . . . . . . Stokes. .2 Produtos escalares e vetoriais. . . . . . . . 2 Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica 2. . . . . . . . . . e tensores . . . . . . . . . . . 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . contra¸ c˜ oes entre tensores 1. . . . 1. . . . .5 Teoremas de Gauss. . . .1 Escalares. . . 2. . . . . . . . .3 Temperatura . . . . . 1. . . . . . . . . . . . . .7 Equa¸ c˜ oes de estado . . . . .1 O potencial de Lennard-Jones . . . . . . . . . . . . . . . . . 1. .6 A s´ erie de Taylor . . . . .6. . . .6 Revis˜ ao matem´ atica . . . . .4 Campos escalares e vetoriais . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . .6 A equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal . . . . . .6. . . . . . . 2. . . . . 2.4 Princ´ ıpios fundamentais da f´ ısica . . . . . 1. . . . 1. .2 Energia de um sistema de part´ ıculas . . . . . 1. . . . e Green . . . 2. . . . . . . . 1. . . . . .8 Problemas propostos . . . . . . . . e de volume . . . . . . . . . . . . . 2. . . . . . . . . . . . .3 Integral de linha. . 2. . . . . . . . .

. . . 5. . . . . . . .5 Problemas propostos . . . . . . . .1 Lei de Fourier para a condu¸ c˜ ao de calor . . . . . . 3.1 O tensor de tens˜ oes . . . . .7 Problemas propostos . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . .1 Lei de Fick para difus˜ ao molecular . 6. . . . . . . . . . 6. . .4. . . 5. . . .1. 5 Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica 5. . 5. . . 4. . . . . . . . . . . . . 6. . . .2 Deforma¸ c˜ ao de cisalhamento . . . . . . . . . . . .1 Linha e tubo de vorticidade . . . .3 Movimento relativo .6 Fluxo e fluxo espec´ ıfico advectivo . . . . . . .5 Propriedades intensivas e extensivas 3. . . . . . . . . . .1 For¸ cas de corpo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4. . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . . . . .3 Difus˜ ao e advec¸ c˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Deforma¸ c˜ ao linear . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Linha e tubo de corrente . . . . . . 5. . . .1. . . . . . . . . . . . . .2. . . . . 6. . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 A segunda lei da termodinˆ amica . . . . . . 4. . . . . . .4 Circula¸ c˜ ao . . . . . . . . .1. . . . 3. . . . 6. ´ CONTEUDO 35 35 36 38 39 40 42 44 46 51 51 51 53 57 58 66 77 77 77 79 81 82 83 85 88 91 91 99 99 100 100 102 102 105 106 107 . . . . . . . . . . . . . . . .vi 3 Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo 3. . . . . . . . . . . .4 Problemas propostos . . . . . . . . . . . .2 Press˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Fluidos newtonianos e n˜ ao-newtonianos . . . . 4. . . . . . . . . . . . 6. . . 5. . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . 6.6 Problemas propostos . . .4 Fluxos difusivos e advectivos combinados . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 For¸ cas de superf´ ıcie . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Transferˆ encia de quantidade de movimento . .1. . . 3. . . . . . .2 A viscosidade como fun¸ c˜ ao da temperatura 6. . . . . . . . . .3 Transferˆ encia de massa . . . . . . . . . . 4.1 Introdu¸ c˜ ao . . .2 A hip´ otese do cont´ ınuo . . . . . . . . . . . . . . . . . 5. . .4 Descri¸ c˜ oes de Euler e de Lagrange . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . .2 Transferˆ encia de calor . . .2. . . . . . . . 5. . . . . . . . . . .3 Hidrost´ atica . .1 Taxa de deforma¸ c˜ ao de um fluido . . . .Hidrost´ atica 4. 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas 6. . . . . . . . .2 Rota¸ c˜ ao de um fluido: vorticidade . . . . . . .

.9.4 Escoamento transiente em fluido semi-infinito . . .´ CONTEUDO 7 Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais 7. .11. . . . . . . . . 147 . . . . . . .4 Conserva¸ c˜ ao da massa . . . .8 Aspectos das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao . . . . 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . 192 . . . 7.1 Introdu¸ c˜ ao . . 163 8. . . . .5 Escoamento oscilat´ orio em fluido semi-infinito .11. . . . . . . . 188 8. . 149 . . . . . . . 128 . . . . . . 171 8. . . . . . 8 Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais 159 8. . .11. .11 Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao . 176 8. . . . 174 8. . . . 112 .10 Equa¸ c˜ oes em coordenadas curvil´ ıneas . . . . . . . . . . . . . .5 Conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Princ´ ıpios b´ asicos de conserva¸ c˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186 8.7 Conserva¸ c˜ ao da energia . 137 . 124 . .6 Balan¸ co de energia . . . 143 . . . .11. .10.11. . 161 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7. . 159 8. .7 Condu¸ c˜ ao de calor atrav´ es de uma parede . . . . . . .2 Fluido em rota¸ c˜ ao uniforme . . . . . . . . . . . . . . .9. . . .1 Superf´ ıcie s´ olida . vii 109 . 180 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10. .8 A equa¸ c˜ ao de Bernoulli e o balan¸ co de energia . . . . 7. . . . . . . . . . . . . . . . 180 8. . . . . . . . . . . . . . . . .2 Superf´ ıcie livre de um l´ ıquido . . 171 8. . . . .4 Balan¸ co de massa de um soluto . . 191 8. . . . . . . . . . . 184 8. 7. . . . . . . . . . . . . . . . .6 Escoamento laminar em plano inclinado . . . . . . . . . . . . 189 8. . . .9. . . . . . . . . . . . . . . . .primeiro problema de Stokes . . . .segundo problema de Stokes . 182 8.7 A equa¸ c˜ ao de Bernoulli .3 A derivada material de uma propriedade intensiva . . . . .2 Teorema do transporte de Reynolds . . . . . . . . . . . . . 116 . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170 8. .7. . 173 8. . . . . . . .3 Difus˜ ao pura em material semi-infinito . . .11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 8.11. . . . . .9 Condi¸ c˜ oes de contorno . . . . . . . . . . . . .9. . . . . 168 8. . . . . . . . . . . . . . .12 Problemas propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7.1 Energia mecˆ anica e energia t´ ermica . 166 8. 165 8.3 Interface entre dois fluidos . 168 8.1 Equa¸ c˜ ao de Navier-Stokes . . . . . . .1 Escoamento permanente entre placas paralelas . 7. . . . . .5 Balan¸ co de quantidade de movimento . . . . . . . . . .6. . . . . . . .4 Condi¸ c˜ oes de entrada e sa´ ıda . . . . . . . . . . .2 Fluxos difusivos e equa¸ c˜ oes integrais . 109 . 175 8. .3 Balan¸ co de massa . . . . . .1 Coordenadas cil´ ındricas . 175 8. . . . . . . . . . . . . . . 7. . . . . 162 8. . . . . . . . . . . . 160 8.2 Coordenadas esf´ ericas . . . .6 Conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 Problemas propostos .

viii ´ Indice ´ CONTEUDO 195 .

y. uma grande quantidade de fenˆ omenos f´ ısicos ocorrem continuamente. como uma seq¨ uˆ encia de transforma¸ c˜ oes no estado do sistema.. E u ´ til considerar um fenˆ omeno f´ ısico como um processo a que um determinado sistema bem identificado ´ e submetido. No final do cap´ ıtulo. 1. Por exemplo. ou seja. h´ a uma distribui¸ c˜ ao cont´ ınua de mat´ eria onde pode-se definir as propriedades do meio como fun¸ c˜ oes matem´ aticas cont´ ınuas do espa¸ co tridimensional (x. A hip´ otese do cont´ ınuo ´ e v´ alida se as escalas de comprimento relevantes no 1 . ou seja. assim como em sistemas projetados pelo homem. a massa do meio ser´ a representada atrav´ es da fun¸ c˜ ao cont´ ınua massa espec´ ıfica ρ(x. t). Os meios f´ ısicos onde tais processos ocorrem ser˜ ao supostos cont´ ınuos.1 Apresenta¸ c˜ ao Na natureza. press˜ ao. temperatura. quantidade de movimento. uma breve revis˜ ao de alguns conceitos matem´ aticos ´ e apresentada. tais como: massa. O sucesso em se prever ou simular quantitativamente o comportamento de um determinado meio depende de nossa capacidade de formular modelos matem´ aticos dos seus ´ fenˆ omenos f´ ısicos mais importantes. Por estado do sistema entende-se o conjunto de suas propriedades f´ ısicas. z. apresenta as leis fundamentais da f´ ısica e um sistema consistente de unidades (SI) das principais grandezas que aparecem ao longo do livro. y. volume. constitui¸ ca ˜o qu´ ımica. z ) e do tempo t.Cap´ ıtulo 1 ˜o Introduc ¸a Este cap´ ıtulo introduz os conceitos de meio cont´ ınuo e de fluido. no lugar de mol´ eculas e espa¸ cos vazios. Em fenˆ omenos de transferˆ encia estuda-se os processos por meio dos quais trˆ es propriedades f´ ısicas fundamentais s˜ ao transportadas de um ponto a outro do espa¸ co: massa. e energia. etc.

tentar compreender um sistema atrav´ es da descri¸ c˜ ao de cada mol´ ecula individualmente ´ e algo simplesmente imposs´ ıvel. • a lubrifica¸ c˜ ao a ´ oleo de um sistema mecˆ anico. seja ela s´ olida ou fluida. Por exemplo. ou seja: que o sentido dos processos obedece ` a segunda lei da termodinˆ amica. ou quantidade de movimento que. • a dispers˜ ao de um poluente lan¸ cado num rio. • o aquecimento da atmosfera durante o dia provocado pela radia¸ c˜ ao solar. Assim sendo. o n´ umero de mol´ eculas por unidade de volume de mat´ eria ´ e enorme.2 1 – Introdu¸ c˜ ao processo f´ ısico em quest˜ ao forem v´ arias ordens de magnitude maiores que o espa¸ camento m´ edio entre as mol´ eculas no meio. d˜ ao origem a fluxos dessas quantidades em dire¸ c˜ ao ao equil´ ıbrio.2 O meio cont´ ınuo O comportamento da mat´ eria. 1. tubula¸ c˜ oes. tais como ´ agua em rios. Em geral. ou seja. est´ a diretamente associado ao comportamento das mol´ eculas que a constituem. aqui est˜ ao alguns exemplos de interesse em engenharia: • o escoamento de todo e qualquer fluido. e se torna conveniente pensar em termos de uma distribui¸ c˜ ao espacial cont´ ınua de massa. pode-se propor uma abordagem macrosc´ opica da mat´ eria. Uma das mais importantes hip´ oteses feitas em fenˆ omenos de transferˆ encia ´ e a de que os processos f´ ısicos procedem na dire¸ c˜ ao do equil´ ıbrio. Conforme j´ a mencionado anteriormente. de um meio cont´ ınuo. o cont´ ınuo ´ e um modelo v´ alido desde que a menor escala de interesse . Alternativamente. Na pr´ oxima se¸ c˜ ao discute-se com mais detalhe tal hip´ otese. mar ou na atmosfera. ao final de 20 vezes a idade do universo. na melhor das hip´ oteses. A todo processo f´ ısico em fenˆ omenos de transferˆ encia est˜ ao associadas diferen¸ cas de concentra¸ c˜ ao (de um soluto). Se vocˆ e decidisse contar o n´ umero de mol´ eculas nesse pequeno volume a uma raz˜ ao de uma mol´ ecula por segundo. ou gases em condutos ou na atmosfera. temperatura (energia). canais. por sua vez. Uma grande quantidade de fenˆ omenos f´ ısicos podem ser enquadrados como objetos de estudo desta ampla disciplina chamada fenˆ omenos de transferˆ encia. o n´ umero de mol´ eculas em um cent´ ımetro c´ ubico de ar ´ e da ordem de 1019 . os estudos s˜ ao feitos em termos estat´ ısticos pela chamada mecˆ anica estat´ ıstica. vocˆ e n˜ ao teria terminado! Obviamente. • a refrigera¸ c˜ ao a ´ agua de um motor. Como motiva¸ c˜ ao. lagoa.

Para os objetivos do presente texto. de modo que o registro de press˜ ao no sensor em fun¸ c˜ ao do tempo ´ e praticamente constante.3 Fluidos In´ umeros pesquisadores j´ a propuzeram v´ arias defini¸ c˜ oes do que seja um fluido.3 – Fluidos a b c 3 1234 1234 1234 1234 1234 1234 p p p t t t Figura 1. Finalmente.1: Limite de validade da hip´ otese do cont´ ınuo numa cˆ amara com um g´ as progressivamente evacuada. Esta ´ e uma tarefa dif´ ıcil na medida em que os materiais que denominamos genericamente de fluidos tem seu comportamento associado a um grande n´ umero de vari´ aveis. por . na verdade est´ a se considerando a m´ edia estat´ ıstica do efeito de um grande n´ umero de mol´ eculas em torno deste ponto. em (c). Assim. existe um grande n´ umero de mol´ eculas na cˆ amara. e que nem sempre ´ e poss´ ıvel distinguir claramente a fronteira entre os s´ olidos e fluidos. considere o registro de um sensor de press˜ ao em um cˆ amara contendo g´ as. Como exemplo. quando se refere a propriedades em um ponto no meio cont´ ınuo. define-se fluido da seguinte forma: Um material ´ e dito fluido quando se deforma indefinidamente ao ser submetido a uma tens˜ ao (tangencial) de cisalhamento. o n´ umero de mol´ eculas na cˆ amara ´ e t˜ ao pequeno que o registro se torna err´ atico. 1. em fun¸ c˜ ao dos choques apenas eventuais das mol´ eculas de g´ as. Na situa¸ c˜ ao (a). retira-se g´ as da cˆ amara at´ e um ponto em que pode-se perceber o efeito do bombardeio individual das mol´ eculas sobre o sensor. Na figura 1. Na situa¸ c˜ ao (b). nas mais diversas situa¸ c˜ oes.1. no problema em quest˜ ao seja muito maior que as escalas moleculares.1 est˜ ao indicadas trˆ es situa¸ c˜ oes.

4 Princ´ ıpios fundamentais da f´ ısica Os princ´ ıpios fundamentais que ser˜ ao adotados como leis que governam todos os fenˆ omenos f´ ısicos de relevˆ ancia neste livro s˜ ao: 1. equilibrando F . a for¸ ca com que o s´ olido resiste ao esfor¸ co da placa ´ e proporcional ` a pr´ opria deforma¸ c˜ ao sofrida.2: F ∆x =k .2: Diferen¸ ca entre s´ olidos e l´ ıquidos em termos de deforma¸ c˜ ao e taxa de deforma¸ c˜ ao.2 ilustra a defini¸ c˜ ao acima. no caso de um fluido. a tens˜ ao tangencial aplicada sobre o materal ´ e F/A. na segunda o enfoque ´ e resorver-se as taxas de deforma¸ c˜ ao (que se traduzem em velocidades). menor que ela seja. e uma for¸ ca el´ astica restauradora aparecer´ a sobre a placa. Ao se aplicar uma for¸ ca tangencial F sobre a placa. (1. A y (1.2) A ∆t y y Eis neste exemplo uma diferen¸ ca fundamental entre a mecˆ anica dos s´ olidos e a mecˆ anica dos fluidos: enquanto na primeira quer-se resolver as deforma¸ c˜ oes (que se traduzem em deslocamentos). 1. . Em termos das defini¸ c˜ oes da figura 1. Um material ´ e colocado entre uma placa horizontal de ´ area A e um plano horizontal em repouso.4 Vx = ∆x ∆t 1 – Introdu¸ c˜ ao A ∆x F y A F S´ olido Fluido Figura 1. No primeiro caso. Um s´ olido sofrer´ a uma deforma¸ c˜ ao finita. A figura 1. conserva¸ c˜ ao da massa. J´ a um fluido se deformar´ a continuamente enquanto F estiver aplicada.1) enquanto que. a for¸ ca ser´ a proporcional ` a sua taxa de deforma¸ c˜ ao: F ∆x 1 Vx =k = .

4 – Princ´ ıpios fundamentais da f´ ısica 5 2. Quando se fala em um aumento na desordem do sistema o que se quer dizer ´ e que a energia inicialmente organizada do pˆ endulo (as part´ ıculas do pˆ endulo se movem em conjunto de forma ordenada) se transformou em energia desorganizada do sistema (agita¸ c˜ ao aparentemente aleat´ oria das mol´ eculas traduzindo-se macroscopicamente em aumento da temperatura). jamais o sistema se arrefecer´ a cedendo a sua energia t´ ermica para o pˆ endulo ganhar energia mecˆ anica (note que nesse caso a energia se conservaria). que n˜ ao ´ e o caso em mecˆ anica dos s´ olidos e fluidos. conserva¸ c˜ ao da energia. Essa forma de enunciar a segunda lei freq¨ uentemente causa confus˜ oes que o exemplo a seguir tenta elucidar: considere um pˆ endulo num recipiente fechado e isolado contendo um certo fluido a uma certa temperatura T1 . Pela experiˆ encia sabe-se que a viscosidade do fluido far´ a com que em algum instante toda a energia mecˆ anica inicialmente no pˆ endulo desapare¸ ca. conserva¸ c˜ ao ou aumento da entropia. 4. o ´ ıtem (3) em sua forma mais geral ´ ea primeira lei da termodinˆ amica. A vari´ avel termodinˆ amica associada ` a desordem dos sistemas ´ e . 3. O´ ıtem (1) dispensa coment´ arios. para o equil´ ıbrio. Dois corpos com temperaturas distintas colocados em contato um com o outro ir˜ ao tender a uma temperatura de equil´ ıbrio. Essa energia mecˆ anica (o vai-e-vem do pˆ endulo) ter´ a sido transformada em energia t´ ermica (agita¸ c˜ ao microsc´ opica das mol´ eculas). aumentando a temperatura do sistema para T2 . A lei (4) merece uma pequena digress˜ ao. As leis da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento linear e angular s´ o s˜ ao independentes uma da outra quando h´ a rota¸ c˜ ao intr´ ınseca de uma ou mais part´ ıculas constituindo um sistema.1. Um cubo de a¸ cu ´ car colocado em uma x´ ıcara de caf´ e ir´ a se dissolver e o a¸ cu ´ car tender´ a a se distribuir no caf´ e. Considere tamb´ em que o pˆ endulo oscila inicialmente com uma certa energia mecˆ anica (potencial+cin´ etica). a segunda lei diz que jamais o a¸ cu ´ car ir´ a se reagrupar e formar um cubo. Freq¨ uentemente a segunda lei ´ e enunciada dizendo que h´ a sempre um aumento da desorganiza¸ c˜ ao ou desordem do sistema. A segunda lei da termodinˆ amica diz simplesmente que todo sistema caminha naturalmente no sentido da elimina¸ ca ˜o das diferen¸ cas. Mais uma vez. o ´ ıtem (2) trata-se dos princ´ ıpios de conserva¸ c˜ ao da mecˆ anica newtoniana. Mais que isso. ou que os dois corpos retomar˜ ao temperaturas distintas. a segunda lei garante que se a condi¸ c˜ ao inicial for o pˆ endulo parado num sistema com temperatura T2 . e o ´ ıtem (4) ´ e a segunda lei da termodinˆ amica. conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento e de quantidade de movimento angular. j´ a que ela aparece implicitamente nos modelos e n˜ ao na forma de uma ou mais equa¸ c˜ oes como nos ´ ıtens (1) a (3).

para atender ` a segunda lei nas modela¸ c˜ oes matem´ aticas dos processos f´ ısicos. utilizadas neste texto. Neste texto. e viscosidade. basta que se adote valores positivos para os coeficientes de difus˜ ao molecular. permanece constante. portanto. a segunda lei da termodinˆ amica est´ a t˜ ao presente no dia-a-dia dos seres humanos que pode-se dizer que ela ´ e a mais intuitiva e a mais facilmente assimil´ avel de todas as leis da f´ ısica. n˜ ao possuem unidades com nomes padr˜ ao no SI. etc. temperatura. Os s´ ımbolos entre parˆ enteses n˜ ao se tratam das unidades.2 mostram as unidades SI das grandezas fundamentais e daquelas definidas a partir das mesmas.6 1 – Introdu¸ c˜ ao chamada de entropia. como ´ e o caso.1 e 1. etc. acelera¸ c˜ ao (LT −2 ). . mas sim de uma abrevia¸ c˜ ao usualmente utilizada para indicar a grandeza em si. tempo. ou.. da unidade n˜ ao -SI de velocidade n´ o. a entropia de um sistema isolado sempre aumenta.5 Sistema de unidades O termo dimens˜ ao ´ e utilizado em referˆ encia a qualquer grandeza mensur´ avel. como comprimento. Em fenˆ omenos de transferˆ encia as grandezas fundamentais empregadas s˜ ao: • massa de cada componente do sistema (M ). As tabelas 1. • grandezas derivadas: s˜ ao aquelas para as quais as dimens˜ oes s˜ ao expressas em termos das grandezas fundamentais. 1. Na realidade. por exemplo. As grandezas mensur´ aveis em geral s˜ ao divididas em dois grupos: • grandezas fundamentais: s˜ ao aquelas para as quais se estabelecem escalas arbitr´ arias de medida. Algumas grandezas como velocidade (LT −1 ). • comprimento (L). condutividade t´ ermica. utilizada em navega¸ c˜ ao. • temperatura (Θ). no m´ ınimo. • tempo (T ). Adiantando um pouco o que ser´ a introduzido em cap´ ıtulos futuros. as unidades adotadas ser˜ ao exclusivamente as do sistema internacional de unidades (SI).

z ). No cap´ ıtulo 3 ser˜ ao definidas grandezas f´ ısicas tensoriais do tipo T. e tensores Considere trˆ es tipos de grandeza como fun¸ c˜ oes cont´ ınuas do espa¸ co tridimensional R3 (elas podem tamb´ em ser fun¸ c˜ ao do tempo. ey .1: Grandezas fundamentais do SI. 1. ´ algebra vetorial e tensorial. Grandeza For¸ ca Energia Potˆ encia Press˜ ao Unidade S´ ımbolo Newton N Joule J Watt W Pascal Pa F´ ormula kg m s−2 kg m2 s−2 kg m2 s−3 kg m−1 s−2 1. z ) cujos vetores unit´ arios canˆ onicos s˜ ao (ex . z ). y. ez ): φ = φ(x. e T ´ e uma matriz 3 × 3 (tamb´ em chamada de tensor de ordem 2 no espa¸ co R3 . mas a dependˆ encia temporal ´ e irrelevante para as considera¸ c˜ oes desta se¸ c˜ ao) com coordenadas cartesianas r = (x. y. ´ e definido por uma componente apenas. ou seja. y.6 – Revis˜ ao matem´ atica Tabela 1. z ). Nesta se¸ c˜ ao ´ e apresentada de forma bastante breve uma revis˜ ao de alguns conceitos da parte mais avan¸ cada da matem´ atica utilizada neste texto. Unidade S´ ımbolo Quilograma kg Metro m Segundo s Kelvin K 7 Grandeza Massa Comprimento Tempo Temperatura Tabela 1. ou simplesmente tensor) com nove componentes.6 Revis˜ ao matem´ atica Uma base s´ olida de matem´ atica (c´ alculo diferencial e integral.6.) ´ e fundamental para a compreens˜ ao dos conceitos em fenˆ omenos de transferˆ encia. v ´ e um vetor no espa¸ co R3 . (1. etc.1 Escalares. v = v(x.3) φ ´ e um escalar. por agora .2: Grandezas derivadas do SI.1. O leitor com base matem´ atica mais fraca deve procurar livros texto sobre os assuntos espec´ ıficos. y. vetores. T = T(x.

No caso em que pelo menos um dos vetores seja nulo. (1. (1. T =  Tyx Tyy Tyz  . enquanto barras verticais simples ir˜ ao denotar valor absoluto de um escalar. obviamente.5) Claramente. o produto interno entre eles ´ e nulo. ou. Em coordenadas cartesianas:   Txx Txy Txz v = (vx . vy . o produto interno acima ´ e simplesmente o valor da proje¸ c˜ ao de u na dire¸ c˜ ao de v. v = v 1 . o resultado da express˜ ao acima ´ e um escalar. e − u v se tiverem sentidos opostos.2 Produtos escalares e vetoriais. θ n˜ ao est´ a definido e o produto interno ´ e simplemente tomado como igual a zero. o produto interno pode ser calculado como u · v = u v cos θ. Fica claro portanto que se u e v s˜ ao vetores perpendiculares. No caso em que se conhece o ˆ angulo θ ≤ π entre os vetores u e v. uz vx − ux vz . No caso particular em que v ´ e um vetor unit´ ario. cada componente de v e de T ´ e um escalar e ´ e fun¸ c˜ ao de (x. . z ). e quando os dois vetores s˜ ao colineares o produto interno ´ e igual a u v se os vetores tiverem o mesmo sentido. 1 (1. O produto escalar pode ter a seguinte interpreta¸ c˜ ao geom´ etrica: o seu resultado ´ e o produto entre o m´ odulo de v. y. e a proje¸ c˜ ao de u na dire¸ c˜ ao de v. v = 1.8 1 – Introdu¸ c˜ ao admita que T ´ e nada mais que uma matriz. 1. Finalmente. por defini¸ c˜ ao. note que u · v = v · u. ou seja. Produto vetorial O produto vetorial entre dois vetores u e v tem como resultado um vetor w cujas componentes s˜ ao dadas em coordenadas cartesianas em termos das componentes de u e v por: w = u × v = (uy vz − uz vy . ux vy − uy vx ) . quando aplicadas a uma matriz quadrada. contra¸ c˜ oes entre tensores Produto escalar O produto escalar (tamb´ em chamado de produto interno) entre dois vetores u e v em coordenadas cartesianas ´ e definido por: u · v = ux vx + uy vy + uz vz .6.4) Tzx Tzy Tzz onde.6) Barras verticais duplas como v denotam m´ odulo de um vetor. Outro resultado particular importante ´ e o seguinte: u 2 = u2 = u · u. denotar´ a o seu determinante. vz ). ou viceversa.

contra¸ co ˜es Define-se o seguinte produto (contra¸ c˜ ao ) entre um tensor T e um vetor v:    Txx Txy Txz vx T · v =  Tyx Tyy Tyz   vy  Tzx Tzy Tzz vz = (Txx vx + Txy vy + Txz vz ) ex + (Tyx vx + Tyy vy + Tyz vz ) ey + (Tzx vx + Tzy vy + Tzyz vz ) ez .6) pode ser calculada como o determinante: w =u×v = ex ey ez ux uy uz .3). O m´ odulo de w ´ e igual ` a´ area do paralelogramo cujos lados s˜ ao os vetores u e v. Note tamb´ em que a express˜ ao (1.8) Note que o resultado da opera¸ c˜ ao acima ´ e um vetor. A contra¸ c˜ ao entre dois tensores T e D cujo resultado ´ e um novo tensor. e o sentido ´ e dado pela regra da m˜ ao direita (figura 1. (1. A dire¸ c˜ ao de w ´ e perpendicular ao plano definido por u e v. vx vy vz (1. ´ e definida por:     T11 T12 T13 D11 D12 D13 T · D =  T21 T22 T23  ·  D21 D22 D23  T31 T32 T33 D31 D32 D33 . por defini¸ c˜ ao.1.7) Produtos envolvendo tensores .3: Regra da m˜ ao direita para determinar o sentido do produto vetorial w = u × v.6 – Revis˜ ao matem´ atica w u v 9 Figura 1. u × v = −v × u. Note que.

(1. de superf´ ıcie (integral dupla). (1. A seguir. 0. y. para que o contorno da esfera se torne uma superf´ ıcie com uma das coordenadas constantes enquanto as outras variam (se a esfera est´ a centralizada em (0. de superf´ ıcie. Por exemplo. e de volume  =   . e como usar parametriza¸ c˜ oes de coordenadas para facilitar seus c´ alculos. Txy . ou a massa de uma esfera cuja densidade diminui ao se afastar do centro. No caso geral. z ) em Txx . A integral de linha de f ao longo de C ´ e definida por: Il = C f dl.10) 1. f (x. apresenta-se as integrais de linha.6. Considere agora uma linha (que pode ser curva) C no espa¸ co R3 ao longo da qual f ´ e uma fun¸ c˜ ao bem comportada.11) . (1. estas transforma¸ c˜ oes de coordenadas nada mais s˜ ao do que parametriza¸ c˜ oes das coordenadas originais em termos de novas vari´ aveis independentes.3 Integral de linha. ou de volume (integral tripla) pode ser bastante complicado devido ` a dificuldade de se identificar o dom´ ınio de integra¸ c˜ ao e seu contorno em termos das coordenadas que se tem em m˜ aos. em coordenadas cartesianas ´ e bastante complicado o c´ alculo d´ a´ area da superf´ ıcie de uma esfera.10  3 j =1 T1j Dj 1 3 j =1 T2j D1j 3 j =1 T3j Dj 1 3 j =1 T1j Dj 2 3 j =1 T2j Dj 2 3 j =1 T3j Dj 2 3 j =1 T1j Dj 3 3 j =1 T2j Dj 3 3 j =1 T3j Dj 3 1 – Introdu¸ c˜ ao  onde se utilizou ´ ındices i. z ). j (= 1. e de volume. A contra¸ c˜ ao dupla entre dois tensores T e D resulta em um escalar e ´ e definida por:     Txx Txy Txz Dxx Dxy Dxz T : D =  Tyx Tyy Tyz  :  Dyx Dyy Dyz  Tzx Tzy Tzz Dzx Dzy Dzz = Txx Dxx + Txy Dxy + Txz Dxz + Tyx Dyx + +Tyy Dyy + Tyz Dyz + Tzx Dzx + Tzy Dzy + Tzz Dyz . 0) esta coordenada seria o vetor distˆ ancia do centro e o contorno seria definido pelo raio da esfera). para abreviar a nota¸ c˜ ao atrav´ es da utiliza¸ c˜ ao do somat´ orio. o c´ alculo de uma integral de linha (integral simples). 2. de superf´ ıcie. etc. Nestes dois casos particulares ´ e interessante se trabalhar transformando as coordenadas cartesianas em cordenadas polares esf´ ericas.9) No caso geral. y. 3) em Tij no lugar de (x. Integral de linha Considere uma fun¸ c˜ ao escalar no espa¸ co R3 .

Ao variar-se q obt´ em-se uma linha da mesma forma que na se¸ c˜ ao anterior. Para v´ arios p’s. y (b). q ). z = z (τ ). q ). z (a)) = (x(b).15) onde r ´ e ainda o vetor posi¸ c˜ ao ao longo de C . Integral de superf´ ıcie Na se¸ c˜ ao anterior foi visto como a parametriza¸ c˜ ao das coordenadas r = (x. mas f dl ´ e substitu´ ıdo pelo produto escalar v · dr. Repare que se f = 1. y (b). cada ponto da linha pode ser identificado por seu vetor posi¸ c˜ ao r = (x. Por isso. ent˜ ao (x(a). y. (1. z (a)) at´ e o seu fim (x(b). z ) com um u ´ nico parˆ ametro (no caso τ ) fornece uma linha no espa¸ co R3 . q ). geralmente se denota a integral por ). fornece uma superf´ ıcie S (que pode ser curva) no espa¸ co: x = x(p.15). a integral de linha pode ser escrita como: b f dl = C a f (x(τ ).12) ou seja. (1. Este vetor posi¸ c˜ ao pode ser parametrizado em termos do parˆ ametro τ : x = x(τ ). z = z (p.14) Note o produto escalar na express˜ ao acima.6 – Revis˜ ao matem´ atica 11 onde dl ´ e um comprimento elementar ao longo da linha C . portanto. Similarmente. y. obt´ em-se uma . y = y (τ ). De modo geral. a integral de linha ´ e simplesmante o comprimento da mesma. z (τ )) dl dτ.16) C Imagine que se mantenha p constante. z ). Caso a linha seja fechada.1. y (a).13) onde pode-se mostrar que dl = dτ dr dr · dτ dτ 1/2 . Repare que dr ´ e um vetor elementar ao longo de C (ao passo que dl era um comprimento elementar e portanto n˜ ao possuia orienta¸ c˜ ao). Integrais de linha aparecem tamb´ em na forma: Il = v · dr. A linha C pode ou n˜ ao ser fechada (quando sim. y = y (p. z (b)). parametrizando o vetor posi¸ c˜ ao r com dois parˆ ametros. (1. percorre-se a linha do seu in´ ıcio (x(a). a integral de linha troca de sinal ao se trocar o sentido para o qual se move em C . y (a). a ≤ τ ≤ b. z (b)). (1. ` a medida que se varia τ de a para b. dτ (1. Ent˜ ao. na forma (1. y (τ ).

∂p ∂q (1. β. γ ) tem-se: x = x(α. γ ) correspondente a V . a integral de superf´ ıcie acima pose ser calculada como a seguinte integral dupla: = f (x. q ). y. E acil mostrar que. z )dS. γ ) ´ e igual a dV = e a integral de volume fica f (x(α.17) onde dS ´ e um elemento de ´ area. q )) ∂r ∂r × dpdq. y. . z ) em termos de trˆ es parˆ ametros (α. Repare que se f = 1. β. y. ou seja. a integral acima ´ e ´ f´ simplesmente a ´ area da superf´ ıcie. Se f = 1 a integral acima ´ e o volume total V . γ ). S (1.18) Repare o produto vetorial na express˜ ao de dS . β. (1. q ). · × ∂α ∂β ∂γ (1. γ ). q ). ent˜ ao a integral ´ e a massa total de V . y (p.21) ∂r ∂r ∂r dαdβdγ. γ ). β. β. a integral de volume de uma fun¸ c˜ ao f em um volume V ´ e definida por: Iv = V f (x. β. Integral de volume De forma absolutamente an´ aloga ` as integrais de linha e de superf´ ıcie. · × ∂α ∂β ∂γ (1. β. γ ). Parametrizando r = (x. γ )) V ∂r ∂r ∂r dαdβdγ. β. γ ). para cada par (p. y. q ) da express˜ ao acima. Se f ´ e por exemplo a massa espec´ ıfica de um material ocupando V . z ) sobre S . ´ e regi˜ ao que mapeia a superf´ ıcie S . em termos de (p. y = y (α. z )dV. z = z (α. z (α. β. z )dS = S S f (x(p.22) V ´ e a regi˜ ao do sistema de coordenadas (α. y.20) Pode-se demonstrar que o volume elementar em termos das novas coordenadas (α.12 1 – Introdu¸ c˜ ao fam´ ılia de linhas (uma para cada p) que forma uma superf´ ıcie. A integral de superf´ ıcie de f em S ´ e definida como a seguinte integral sobre todo o dom´ ınio de integra¸ c˜ ao S : Is = f (x. q ).19) onde dV ´ e um volume elementar. z (p. tem-se um ponto no espa¸ co (x. (1. y (α. A regi˜ ao de integra¸ c˜ ao S nas vari´ aveis (p.

A divergˆ encia Considere um ponto P = (x. Se a grandeza for um escalar (por exemplo a temperatura do ar) diz-se que h´ a um campo escalar. no ponto P como: (v · n) dS div v = lim S . define-se o divergente em termos do operador ∇: div v = ∇ · v. ∂x ∂y ∂z (1. v´ arios campos escalares e campos vetoriais podem coexistir na mesma regi˜ ao. ∂/∂z ) . Se a grandeza for um vetor (por exemplo a acelera¸ c˜ ao da gravidade no entorno da terra). onde dS ´ e o elemento de integra¸ c˜ ao da ´ area S e n ´ e o vetor unit´ ario normal a dS (note que n = 1 constante mas. e n˜ ao um vetor.1.27) .6 – Revis˜ ao matem´ atica 1. y.24) Considere agora o operador diferencial vetorial (` as vezes chamado de operador gradiente) definido por: ∇ = (∂/∂x. Obviamente.26) Repare que como ∇ ´ e um operador diferencial vetorial (isto ´ e.25) Utilizando a nota¸ c˜ ao do produto escalar. Nesta se¸ c˜ ao ´ e apresentada uma s´ erie de conceitos relacionados a tais tipos de campos. Pode-se demonstrar facilmente que no caso de coordenadas cartesianas: div v = ∂vx ∂vy ∂vz + + . ∂x ∂y ∂z (1. (1. no sentido que a dimens˜ ao m´ axima de R tende a zero enquanto R cont´ em P . z ) num campo vetorial v em torno do qual h´ a uma regi˜ ao R (de volume V ) cujo contorno ´ e a superf´ ıcie S (n˜ ao importa muito aqui qual ´ e a forma desta regi˜ ao). Considere a seguinte integral de superf´ ıcie: S (v · n) dS . z )). Define-se o divergente do vetor v. Na realidade. um operador com trˆ es componentes). (1. div v.4 Campos escalares e vetoriais 13 Quando uma grandeza est´ a definida em todos os pontos de uma regi˜ ao R do espa¸ co R3 diz-se que naquela regi˜ ao h´ a um campo. diz-se que h´ a um campo vetorial. ∂/∂y. ent˜ ao ∇ · v = v · ∇. (1. sua dire¸ c˜ ao e sentido s˜ ao fun¸ c˜ oes de (x.23) R→0 V onde R → 0 significa que a regi˜ ao R tende ao ponto P .6. y. v·∇ ´ e definido como o seguinte operador diferencial escalar: v · ∇ = vx ∂ ∂ ∂ + vy + vz .

ou z . como ´ e de se esperar de acordo com a interpreta¸ c˜ ao geom´ etrica do gradiente dada acima. (1. e seu sentido aponta para a dire¸ c˜ ao para onde o valor de φ aumenta.31) vx vy vz onde se utilizou a nota¸ c˜ ao do produto vetorial. ´ e poss´ ıvel construir-se ´ (iso-)superf´ ıcies curvas bi-dimensionais nas quais o valor de φ ´ e constante. (1. Uma aplica¸ c˜ ao interessante do gradiente ´ e quando se deseja calcular a derivada de φ n˜ ao em rela¸ c˜ ao a x. y .29) . Esta derivada ´ e calculada como: dφ = ∇φ · n. . O rotacional O rotacional de um vetor ´ e o vetor definido em coordenadas cartesianas por: ex ey ez rot v = ∇ × v = ∂ ∂x ∂ ∂y ∂ ∂z .28) O gradiente O gradiente do escalar φ(x. + + ∂x ∂y ∂z ∂Tyx ∂Tyy ∂Tyz + + ∂x ∂y ∂z ey + (1.30) dn Repare que se n ´ e tangente a uma iso-superf´ ıcie de φ. mas em rela¸ c˜ ao a uma dire¸ c˜ ao qualquer definida por um vetor unit´ ario n. E um fato que o vetor ∇φ em um ponto ´ e sempre normal ` a iso-superf´ ıcie que passa naquele ponto. z ) ´ e o vetor definido por (em coordenadas cartesianas): ∂φ ∂φ ∂φ .14 1 – Introdu¸ c˜ ao O significado f´ ısico do divergente de um vetor ficar´ a claro oportunamente. As barras verticais denotam o determinante da matriz cuja primeira linha cont´ em os vetores unit´ arios normais do sistema cartesiano. A opera¸ c˜ ao que resulta em um vetor ´ e definida em coordenadas cartesianas por: ∇·T = ∂Txx ∂Txy ∂Txz ex + + + ∂x ∂y ∂z ∂Tzx ∂Tzy ∂Tzz ez . y. grad φ = ∇φ = ∂x ∂y ∂z Se φ ´ e uma fun¸ c˜ ao suave do espa¸ co tridimensional. (1. ent˜ ao dφ/dn = 0. a segunda cont´ em ∇ e a terceira cont´ em o . ´ E comum se usar a nota¸ c˜ ao do divergente (∇·) aplicada a um tensor T.

Combina¸ co ˜es O divergente do gradiente de um escalar φ ´ e definido como o importante operador escalar chamado laplaciano (aqui apresentado em coordenadas cartesianas): ∂2φ ∂2φ ∂2φ + 2 + 2.33) (1. ∇ × (φv) = ∇φ × v + φ∇ × v. O teorema da divergˆ encia de Gauss Seja um campo vetorial v definido em um volume V cujo contorno ´ e a superf´ ıcie S .6 – Revis˜ ao matem´ atica 15 campo vetorial v.38) (1. Em mecˆ anica dos fluidos. Dados os vetores u. v. As demonstra¸ c˜ oes destes teoremas podem ser encontradas em livros de matem´ atica.35) (1. grad (u · v) = ∇ (u · v) = (u · ∇) v + (v · ∇) u + u × (∇ × v) + v × (∇ × u) . o rotacional do campo de velocidade ´ e chamado de vorticidade ω = ∇ × v. div rot (u) = ∇ · ∇ × u = 0.37) (1. Stokes. 1. o rotacional deste campo em cada ponto ´ e igual a duas vezes o vetor velocidade angular local.39) A seguir. uma s´ erie de teoremas envolvendo campos.6. e Green div (φv) rot (φv) div (u × v) rot (u × v) = = = = (1.34) (1. O teorema da divergˆ encia de Gauss garante que a integral de volume do div v em V ´ e igual ` a integral de superf´ ıcie em S de v · n (componente de v perpendicular . e integrais de linha superf´ ıcie e volume s˜ ao apresentados.32) ∇2 φ = ∇ · ∇φ = ∂x2 ∂y ∂z A seguir uma s´ erie de identidades s˜ ao apresentadas. rot grad (φ) = ∇ × ∇φ = 0. ∇ · (u × v) = v · ∇ × u + u · ∇ × v. (1.36) (1. e o escalar φ: ∇ · (φv) = ∇φ · v + φ∇ · v. e seja n o vetor unit´ ario normal a cada ponto de S . No caso em que o campo vetorial ´ e um campo de velocidade em um meio cont´ ınuo.5 Teoremas de Gauss. ∇ × (u × v) = u∇ · v − v∇ · u + (v · ∇) u − (u · ∇) v. da´ ı o nome rotacional.1.

46) . (1. Seja n o vetor unit´ ario normal a cada ponto de S .16 a S em cada ponto de S ). O teorema de Stokes garante que a integral de superf´ ıcie em S da componente do rotacional de v normal a S ´ e igual ` a integral de linha fechada da componente de v tangencial ` a linha C . . . . . . ou seja: V 1 – Introdu¸ c˜ ao (∇ · v) dV = S (v · n) dS. . v = φ(x.6 A s´ erie de Taylor Considere uma fun¸ c˜ ao suave f (x) e a seguinte seq¨ uˆ encia de polinˆ omios p0 (x).: p0 (x) = f (a).45) pn (x) = f (a) + f ′ (a) (x − a) + . y )ey . e r o vetor distˆ ancia da origem at´ e C . (1. . ou seja: S (∇ × v · n) dS = C v · dr. e a orienta¸ c˜ ao da integral de linha ´ e no sentido anti-hor´ ario. 2! 1 (n) f (a) (x − a)n . y )ex + ψ (x.6. . .41) O teorema de Green No caso particular em que a superf´ ıcie S e seu contorno C est˜ ao no plano cartesiano (x. .43) (1.44) 1 ′′ f (a) (x − a)2 . y ). p1 (x) .42) S 1. n! (1. p1 (x) = f (a) + f ′ (a) (x − a) . o teorema de Stokes se reduz ao chamado teorema de Green: ∂ψ ∂φ − ∂x ∂y dS = C (φdx + ψdy ) . + (1. (1. . (1. .40) O teorema de Stokes Seja um campo vetorial v definido em um espa¸ co R3 contendo uma superf´ ıcie aberta S delimitada por uma linha curva C fechada. p2 (x) = f (a) + f ′ (a) (x − a) + . .

mesmo n˜ ao conhecendo-se todas as derivadas em x = a (apenas digamos as duas primeiras). etc. A partir deste resultaso.6 – Revis˜ ao matem´ atica 17 Fazendo x = a para as express˜ oes acima assim como suas derivadas primeira.. . segunda.49) onde. tem-se: p0 (a) = f (a) p1 (a) = f (a) p2 (a) = f (a) · · · p′1 (a) = f ′ (a) p′2 (a) = f ′ (a) · · · ′′ p′′ 2 (a) = f (a) · · · . conhecendo-se a fun¸ c˜ ao e todas as suas derivadas em x = a. n! (1. pode-se calcular a fun¸ c˜ ao em qualquer ponto x0 nesta visinhan¸ ca.1. os primeiros termos da s´ erie de Taylor podem fornecer uma ´ otima aproxima¸ c˜ ao para f (x0 ). j´ a que ele mostra que. a fun¸ c˜ ao f e o polinˆ omio p s˜ ao iguais no ponto x = a. Este ´ e um resultado extremamente importante. dado que uma fun¸ c˜ ao ´ e bem comportada o suficiente na vizinhan¸ ca de um ponto x = a de seu dom´ ınio. a s´ erie de Taylor de f (x) em torno de x = a ´ e definida por: f (x) = f (a) + f ′ (a) (x − a) + · · · + ou. (1. . se x0 estiver suficientemente pr´ oximo de a.48) 1 (n) f (a) (x − a)n ..47) Portanto. em nota¸ c˜ ao mais compacta: f (x) = ∞ n=0 1 (n) f (a) (x − a)n + · · · n! (1. Mais do que isso. e 0! = 1. por defini¸ c˜ ao: f (0) = f (derivada de ordem zero). at´ e a n-´ esima derivada.

.

. Supondo que a intera¸ c˜ ao entre duas mol´ eculas depende exclusivamente das distˆ ancias rij entre elas. M. O problema entretanto ´ e suficientemente complexo para que at´ e os dias de hoje n˜ ao exista uma descri¸ c˜ ao de intera¸ c˜ oes intermoleculares baseada exclusivamente em leis fundamentais cl´ assicas.1 O potencial de Lennard-Jones A natureza da intera¸ c˜ ao entre duas mol´ eculas ´ e eletromagn´ etica. Sabe-se que. qualitativamente. duas mol´ eculas tendem a se repelir se estiverem muito pr´ oximas e a se atrair quando a distˆ ancia ´ entre elas for relativamente grande. a rela¸ c˜ ao entre a energia Alonso. Edi¸ ca ˜o em portuguˆ es: F´ ısica . J. E conveniente tratar-se destes fenˆ omenos em termos de energia potencial associada ao campo de for¸ cas. Addison-Wesley Publishing. e que a dire¸ c˜ ao da for¸ ca ´ e dada pela reta que une os seus centros de massa. Editora Edgard Bl¨ ucher.Cap´ ıtulo 2 ´tica Elementos de Teoria Cine ˆ mica Cla ´ ssica e Termodina Neste cap´ ıtulo s˜ ao introduzidos alguns conceitos fundamentais relacionados com as escalas moleculares ocorrentes nos fenˆ omenos f´ ısicos que se relacionam com fenˆ omenos em escalas macrosc´ opicas que ser˜ ao objeto dos pr´ oximos cap´ ıtulos. E. 1972. 1967.Um Curso Universit´ ario. e n˜ ao diretamente com as for¸ cas em si.Fundamental University Physics. 1 19 . 2. A forma de exposi¸ c˜ ao adotada aqui ´ e baseada no livro F´ ısica 1 de Alonso & Finn . e Finn.

0 -0. ∂rij (2.8 -1.2) onde E0 e r0 s˜ ao constantes determinadas para cada tipo de g´ as.5 3.6 0.6 -0.4 -0. −E0 ´ ea energia potencial no ponto de equil´ ıbrio.2 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica Em /E0 0. potencial molecular Em (rij ) e a for¸ ca F (rij ) ´ e: Fij = − ∂Em . A figura 2. r0 ´ e a distˆ ancia em que a for¸ ca entre duas mol´ eculas passa de repulsiva para atrativa.PSfrag 20 1.5 2.0 3.0 2. ambas adimensionalizadas.5 1.0 r/r0 Figura 2.0 0.0 1.8 0. . e ´ e da ordem do diˆ ametro de uma mol´ ecula.4 0. em fun¸ c˜ ao da distˆ ancia rij adimensionalizada por r0 .1 mostra a fun¸ c˜ ao Em adimensionalizada por E0 .1: Energia potencial de Lennard-Jones em fun¸ c˜ ao da distˆ ancias entre mol´ eculas. (2.1) Uma equa¸ c˜ ao emp´ ırica que descreve com sucesso a fun¸ c˜ ao Em para gases ´ e o potencial de Lennard-Jones: Em (rij ) = E0 r0 rij 12 −2 r0 rij 6 .2 -0.0 0.5 4.

ou seja: E = Ect + Ept . todas as mol´ eculas est˜ ao sujeitas a um campo gravitacional uniforme com acelera¸ c˜ ao g de m´ odulo g . (2.2) supre empiricamente a falta de um conhecimento mais detalhado sobre a natureza das for¸ cas intermoleculares. (2. enquanto que o u ´ ltimo termo ´ e devido ao campo gravitacional.2 Energia de um sistema de part´ ıculas Considere agora a existˆ encia de duas formas de energia: cin´ etica e potencial. a massa total do sistema ´ e: M = Nm.5) onde vi ´ e a velocidade de cada mol´ ecula. A velocidade de cada mol´ ecula pode ser decomposta em: vi = v + vri . como ´ e mostrado a seguir.2 – Energia de um sistema de part´ ıculas 21 2. (2. A velocidade do centro de massa do sistema ´ e dada por: 1 v= M N (2. A energia cin´ etica total do sistema Ect pode ser separada entre a energia cin´ etica interna em rela¸ c˜ ao ao centro de massa.8) . onde zi ´ e a posi¸ c˜ ao de cada mol´ ecula em rela¸ c˜ ao a um plano horizontal de referˆ encia.6) 2 i=1 Supondo que al´ em da energia potencial devido ` as intera¸ co ˜es m´ utuas.7) i=1 j =i+1 Observe que o termo com somat´ orio duplo s´ o depende das intera¸ c˜ oes m´ utuas entre as mol´ eculas. a energia total ´ e a soma da energia cin´ etica total com a energia potencial total.4) mvi . i=1 (2. cada uma com massa m. Supondo que o sistema ´ e composto por N mol´ eculas idˆ enticas.3) O potencial de Lennard-Jones dado pela equa¸ c˜ ao (2. Num sistema composto por N part´ ıculas.2. (2. a energia potencial total ser´ a: Ept = N −1 N N Em (rij ) + i=1 mgzi . e a energia cin´ etica correspondente ao movimento do centro de massa. A energia cin´ etica total do sistema ´ e: N 1 Ect = m (vi · vi ) .

2 1 2 Ecu = Nmvrmq . a energia cin´ etica em rela¸ c˜ ao ao centro de massa. 2 (2. e a segunda. e 1 Ec = M (v · v) .22 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica onde vri ´ e a velocidade de cada mol´ ecula em rela¸ c˜ ao ao centro de massa.9) fica ent˜ ao: 1 Ect = M (v · v) + 2 N i=1 1 m (vri · vri ) .13) (2.11) como: Ect = Ec + Ecu . A equa¸ c˜ ao (2. 2 (2.10) e o termo entre colchetes representa a quantidade de movimento do sistema em rela¸ c˜ ao ao centro de massa. 2 (2. que ´ e nula (a prova ´ e deixada como exerc´ ıcio). i=1 (2. Definindo a velocidade rmq (raiz-m´ edia-quadr´ atica ) vrms do sistema de part´ ıculas como: vrmq 1 = N N 1/2 i=1 (vri · vri ) . A energia cin´ etica total ser´ a: N Ect = i=1 N 1 m (vi · vi ) 2 1 m ([v + vri ] · [v + vri ]) 2 1 m (v · v + vri · vri + 2v · vri ) 2 N N = i=1 N = i=1 1 (v · v ) M + = 2 Note que N i=1 m (v · vri ) + N i=1 1 m (vri · vri ) .15) . (2.11) sendo a primeira parcela a energia cin´ etica translacional do sistema associada ao movimento do centro de massa.12) pode-se reescrever (2.14) (2. onde.9) i=1 m (v · vri ) = v · mvri .

(2. e. define-se a energia interna do sistema por: U = Ecu + Epu .2 – Energia de um sistema de part´ ıculas 23 A mesma id´ eia ´ e agora aplicada ` a energia potencial do sistema. ep = gz . Esta ´ e obtida dividindo-se E em (2.23) onde ec = 1/2 (v · v). A posi¸ c˜ ao z do centro de massa em rela¸ c˜ ao a um plano horizontal de referˆ encia pode ser escrita como: N Mz = i=1 mzi .17) enquanto que a energia potencial interna ´ e: Epu = N −1 N Em (rij ). possui uma parcela identific´ avel com o centro de massa do sistema e outra parcela interna.16) A energia potencial gravitacional de todo o sistema ´ e portanto: N Ep = i=1 mgzi = Mgz. de modo que a energia total passa a ser dada por: E = Ec + Ep + U. por sua vez.22) (2. . Por conveniˆ encia. A energia total do sistema ´ e t˜ ao somente a soma das energias cin´ etica e potencial totais: E = Ect + Ept . de mol´ eculas).20) Um ponto crucialmente importante na modela¸ c˜ ao de processos que ocorrem em meios cont´ ınuos ´ e a suposi¸ c˜ ao de que existe um sistema formado por um grande n´ umero N de mol´ eculas na vizinhan¸ ca de cada ponto do espa¸ co.22) pela massa M do sistema: e = ec + ep + u. de cada mol´ ecula) do sistema: E = (Ec + Ecu ) + (Ep + Epu ) .2.21) (2. (2. (2. cuja contabiliza¸ c˜ ao exige o conhecimento das posi¸ c˜ oes e velocidades de cada part´ ıcula (no caso.18) i=1 j =i+1 O resultado deste desenvolvimento projeta alguma luz sobre a maneira usual de modelar a energia de um sistema (no caso. (2.19) cada uma das quais. e u = U/M . (2. de modo que podemos associar a cada ponto uma certa energia total por unidade massa. (2.

2 . deve haver tamb´ em uma energia (potencial) de liga¸ c˜ ao a ser considerada.24) mostra que a temperatura do sistema ´ e proporcional a Ecu . este ´ e o caso. rota¸ c˜ ao. o conceito f´ ısico de temperatura ´ e usado para definir o estado de agita¸ c˜ ao. 1970. k ´ e denominada constante de Boltzmann e´ e dada por: k = 1. no presente caso) est´ a associada uma energia m´ edia 1 igual a 2 kT . o trabalho Feymman. De fato.The Feymman Lectures on Physics. M. cada mol´ ecula tem 3 em m´ edia uma energia cin´ etica em rela¸ c˜ ao ao centro de massa igual a 2 kT .38045 × 10−23 J K−1 . 2 2 (2. De fato. Pode-se mostrar que para cada grau de liberdade que a mol´ ecula possui para se movimentar (trˆ es.24) onde o lado direito ´ e a energia cin´ etica m´ edia (por mol´ ecula) do sistema em rela¸ c˜ ao ao centro de massa. Se o sistema interage com a vizinhan¸ ca. o fracasso da f´ ısica cl´ assica em explicar o comportamento de mol´ eculas poliatˆ omicas (na verdade de prever seu calor espec´ ıfico . cada mol´ ecula est´ a animada apenas de energia cin´ etica translacional. E permanece constante. se restringem em princ´ ıpio a mol´ eculas mono-atˆ omicas. portanto. Os resultados apresentados aqui. Em outras palavras. entretanto. Observe que no presente modelo.. A equa¸ c˜ ao (2. e por estarem os ´ atomos ligados. Leighton.24 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica 2. Para uma apresenta¸ c˜ ao mais geral 2 do assunto.ver pr´ oxima se¸ c˜ ao) criou um impasse que s´ o seria solucionado com o advento da mecˆ anica quˆ antica. Addison-Wesley Publishing. Para os objetivos deste texto. recomenda-se Feymman et al. R. ou simplesmente a energia cin´ etica das mol´ eculas que constituem o sistema em rela¸ c˜ ao ao seu centro de massa. 2. . Historicamente. Podese imaginar que as mol´ eculas constituidas de dois ou mais ´ atomos possuem energia cin´ etica vibracional e rotacional.4 A primeira lei da termodinˆ amica O princ´ ıpio da conserva¸ c˜ ao de energia diz que. a f´ ısica cl´ assica ´ e insuficiente para descrever o comportamento molecular das diversas formas de energia poss´ ıveis neste tipo de sistema: transla¸ c˜ ao. R. e Sands. Al´ em disso. B. ser´ a razo´ avel definir a temperatura T de um sistema em que cada part´ ıcula (mol´ ecula) s´ o possui energia cin´ etica translacional tal que: 3 1 2 kT = mvrmq . .3 Temperatura A no¸ c˜ ao macrosc´ opica de temperatura est´ a associada a Ecu . e vibra¸ c˜ ao.. no caso de um sistema isolado. P.

´ e poss´ ıvel calcular W como: W = Fext · dr. Neste caso. realizado pela vizinhan¸ ca sobre o sistema ´ e igual ` a varia¸ c˜ ao de E do sistema: W = ∆Ec + ∆Ep + ∆U. (2.27) Define-se a press˜ ao a que o sistema est´ a submetido como: |Fext | .2: Trabalho macrosc´ opico realizado por for¸ ca externa sobre um sistema. Quando movemos oˆ embolo do pist˜ ao reduzindo o volume do sistema.25) Quando as intera¸ c˜ oes entre o sistema e sua vizinhan¸ ca d˜ ao origem a deslocamentos macrosc´ opicos. (2.26) onde Fext s˜ ao as for¸ cas externas atuando sobre o sistema. A figura 2.2 mostra um exemplo cl´ assico. Um pist˜ ao cheio de g´ as est´ a parado num referencial inercial.4 – A primeira lei da termodinˆ amica 25 A Fext ∆x Figura 2.2.29) . Neste caso Ec = 0 e Ep = C (constante). e: p= W =− pdV. (2. (2. Adx ´ e a varia¸ c˜ ao do volume do sistema associada a um deslocamento infinitesimal dx.28) A onde A ´ ea´ area do pist˜ ao. (2. o trabalho realizado pelas for¸ cas externas no sistema ´ e: W = |Fext | (−dx) . O sistema em quest˜ ao ´ e formado por todas as N mol´ eculas de g´ as dentro do pist˜ ao.

Assim. 2. Usando (2.5 A energia interna ´ e fun¸ c˜ ao da temperatura e do volume A energia interna U de um sistema ´ e: U = Ecu + Epu . Por exemplo. usando (2.15) e (2.26 logo 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica − pdV = ∆U.34) i=1 i=i+1 As mol´ eculas devem se distribuir mais ou menos homogeneamente por todo o volume V do sistema. Ou seja. e sem trocas de calor com o exterior ou adiab´ aticos. ´ e poss´ ıvel que um sistema troque energia com sua vizinhan¸ ca sem que haja deslocamentos percept´ ıveis (ou seja. Trˆ es classes de processos particularmente importantes s˜ ao aqueles que ocorrem: a volume constante (W = 0) ou isovolum´ etricos. macrosc´ opicos).30) No entanto. (2. ou que seja poss´ ıvel identificar claramente as for¸ cas externas atuando sobre o mesmo. a press˜ ao constante ou isob´ aricos. A equa¸ c˜ ao (2. pode-se escrever a lei da conserva¸ c˜ ao de energia como: W + Q = ∆Ec + ∆Ep + ∆U. e Epu depender´ a essencialmente da densidade de .31) ´ e conhecida como a primeira lei da termodinˆ amica.31) onde agora W refere-se somente ` a parcela macrosc´ opica de trabalho realizada sobre o sistema. (2.18): 1 2 U = Nmvrmq + 2 e.24): 3 U = NkT + 2 N −1 N N −1 N (2.32) Em (rij ) . Define-se o calor Q como essa parcela de W realizada microscopicamente sobre um sistema.33) i=1 i=i+1 Em (rij ) . (2. uma barra de a¸ co muito quente mergulhada em um balde de ´ agua fria troca energia com a ´ agua quando as mol´ eculas do metal com grande quantidade de energia cin´ etica (alta temperatura) se chocam com as da ´ agua. (2. ´ e poss´ ıvel que uma parcela de W seja realizada em n´ ıvel microsc´ opico.

(ii) um fluido incompress´ ıvel. ser´ a apenas fun¸ c˜ ao da varia¸ c˜ ao de temperatura: ∆u = u (T2 . a varia¸ c˜ ao da energia interna entre dois estados. No modelo de g´ as ideal. ∂T (2. o conhecimento do valor de cv e a hip´ otese de que ele permanece constante ao longo de uma determinada faixa de temperatura ∆T = T2 − T1 s˜ ao suficientes para calcular varia¸ c˜ oes de energia interna. sup˜ oe-se que as mol´ eculas est˜ ao t˜ ao afastadas umas das outras. Neste caso.39) Em dois casos particulares. V ) .36) Conforme mencionado anteriormente. v ) − u (T1 . para um sistema de massa M constante. a energia interna espec´ ıfica (energia interna por unidade de massa) u ser´ a uma fun¸ c˜ ao de T e de v : u = u (T. que Epu pode ser desprezado.38) O calor espec´ ıfico a volume constante de uma substˆ ancia ´ e definido como: cv = ∂u . entretanto.41) . Assim. Logo: ∆u = cv ∆T.37) M . y. Estes casos s˜ ao quando a substˆ ancia for: (i) um g´ as ideal. evidentemente. M (2. Quando v´ alida. Neste caso.2. num meio cont´ ınuo imagina-se que existe de um sistema termodinˆ amico em torno (na vizinhan¸ ca) de cada ponto (x. V (2. (2. um fluido incompress´ ıvel ´ e um material cuja massa espec´ ıfica permanece constante ao longo dos processos f´ ısicos aos quais ele ´ e submetido. (2. (2. n˜ ao existe tal material e o sucesso desta hip´ otese simplificadora fica sujeito a verifica¸ c˜ ao experimental e depende da situa¸ c˜ ao em quest˜ ao. v ) = cv ∆T. (2.40) Por outro lado. v ) . a energia interna depender´ a de sua temperatura T e de seu volume V : U = U (T. Naturalmente.5 – A energia interna ´ e fun¸ c˜ ao da temperatura e do volume 27 mat´ eria e da extens˜ ao ocupada pelo sistema. U = U (T ).35) Define-se a massa espec´ ıfica de um sistema como: ρ= e o volume espec´ ıfico ´ e o inverso de ρ: v= V . z ) do espa¸ co.

(2.46) em rela¸ c˜ ao ao tempo: dA = dt = i=1 N i=1 N dri mvi · + dt m (vi · vi ) + N m i=1 N dvi · ri dt N i=1 mai · ri = 2Ect + i=1 Fi · ri.28 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica novamente.43) (2. de forma que: 1 dQ ∂u = . (2. os efeitos de compressibilidade s˜ ao grandes.6 A equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal Considere a quantidade escalar: N A= i=1 mvi · ri . De fato.42) 2M Al´ em disso o nome de cv prov´ em do fato de ele ser numericamente igual ao calor recebido por unidade de massa por unidade de temperatura.45) Em gases. e ´ e comum distinguirse claramente entre cv e cp . p (2.46) onde ri ´ e o vetor posi¸ c˜ ao de cada mol´ ecula num referencial inercial.44) M dT v ∂T onde o sub-´ ındice indica a grandeza mantida constante. ent˜ ao W = 0 e: cv = Q = ∆U. J´ a em l´ ıquidos. O calor espec´ ıfico a press˜ ao constante de uma substˆ ancia pode ser definido de maneira an´ aloga como o calor recebido por unidade de massa por unidade de temperatura quando a press˜ ao p do sistema ´ e constante: cv = cp = 1 M dQ dT . (2. em geral as varia¸ c˜ oes de volume espec´ ıfico s˜ ao desprez´ ıveis (o fluido pode ser considerado incompress´ ıvel). cv e cp sejam praticamente iguais. (2.34) prevˆ e que o calor espec´ ıfico a volume constante de um g´ as monoatˆ omico ´ e: 3 Nk . Diferenciando (2. a volume constante. Observe tamb´ em que a equa¸ c˜ ao (2. 2.47) . Isso faz com que para l´ ıquidos que n˜ ao estejam sujeitos a condi¸ c˜ oes extremas de press˜ ao. se V ´ e constante.

Cada Fi pode ser escrita como a soma da for¸ ca externa ao cas internas devido ` as sistema sobre cada mol´ ecula Fei . isto ´ e. tem-se: dA A|t=∆ − A|t=0 = = 2Ect + dt ∆ N i=1 (Fei · ri ) + N −1 N i=1 j =i+1 (Fij · rij ).47). de modo que Ect = Ecu .48) Substituindo em (2. N = donde: dA = 2Ect + dt N −1 N (2. j = i. para ∆ suficientemente grande: N 2Ect + i=1 (Fei · ri ) + N −1 N i=1 j =i+1 (Fij · rij ) = 0.50) i=1 j =i+1 N i=1 (Fei · ri ) + N −1 i=1 j =i+1 (Fij · rij ) . (2. (2. tem-se: dA = 2Ect + dt N N Fei + i=1 j =1 Fij · ri j = i.52). . (2. (2.2. pela segunda lei de Newton.6 – A equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal 29 onde ai ´ e a acelera¸ c˜ ao de cada mol´ ecula e Fi ´ e a for¸ ca resultante sobre cada mol´ ecula.49) Sabendo que Fij = −Fji (pela terceira lei de Newton) e que rij = ri − rj : N N i=1 j =1 Fij · ri (j = i) = N −1 N i=1 j =i+1 (Fij · ri + Fji · rj ) (Fij · rij ) . com a soma das for¸ N − 1 outras mol´ eculas Fij : N Fi = Fei + j =1 Fij .52) Repare que em (2. que a velocidade v do centro de massa seja nula. Suponha que o sistema esteja em repouso. desde que a quantidade A seja finita em qualquer t. onde ∆ a ¯ = 1/∆ 0 adt.51) Tomando a m´ edia temporal entre t = 0 e t = ∆ da equa¸ c˜ ao acima.53) A equa¸ c˜ ao acima ´ e o chamado teorema do virial. (2.

volume V = a .30 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica z H D C G a E A x B F y Figura 2.3) um cubo de aresta 3 a. portanto: (Fei · ri ) = 0. para todo o cubo: N i=1 (Fei · ri ) = −3pV. Aplica¸ c˜ ao do teorema do virial. Supondo que as for¸ cas sejam perpendiculares ` as respectivas paredes. Em EFGH. considere (figura 2. para a face ABCD: N i=1 (Fei · ri ) = −pa3 = −pV.56) em (2. (2. As for¸ cas externas correspondem aos choques das mol´ eculas de g´ as fora do cubo com as paredes do cubo. em repouso contendo N mol´ eculas de um g´ as. x = 0.53): 2Ect − 3pV + N −1 N i=1 j =i+1 (Fij · rij ) = 0. Como exemplo de aplica¸ c˜ ao.3: G´ as contido num cubo de aresta a. Procedendo analogamente para as outras faces. (2. tem-se. N (2. pode-se escrever que.54) onde p ´ e a press˜ ao ` a que a face est´ a submetida.57) .56) Substituindo (2.55) i=1 naquela face. (2.

4 717.1: G´ as Ar Di´ oxido de carbono H´ elio Hidrogˆ enio Nitrogˆ enio Oxigˆ enio Vapor d’´ agua S´ ımbolo kg 31 Grandezas fundamentais do SI. Ru ´ e a chamada constante universal dos gases e ´ e dada por: Ru = 8. M R J kg−1 K −1 J cv kg−1 K −1 J cp kg−1 K −1 mol−1 CO2 He H N2 O2 H2 O 28.0 1005.58) que ´ e a equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal.02 × 10−3 286.4 651.0 296. e cp para alguns gases nas condi¸ c˜ oes normais de temperatura e press˜ ao (CNTP).00 × 10−3 18. Outra forma muito u ´ til de se escrever a lei universal ´ e: p = ρRT.7 – Equa¸ c˜ oes de estado Tabela 2. definindo Ru = NA k pode-se reescrever (2.57) pode ser desprezado.314JK−1 mol−1 .0 649.0 14180.9 2077.7 Equa¸ c˜ oes de estado As vari´ aveis mais comumente utilizadas para descrever processos t´ ermicos e mecˆ anicos em sistemas termodinˆ amicos com substˆ ancias puras s˜ ao a press˜ ao .1 mostra valores de M.0 4124.8 461. e o fato de que Ect = Ecu .59) onde ρ ´ e a massa espec´ ıfica do g´ as. O n´ umero N de mol´ eculas ´ e igual ao n´ umero de Avogadro NA vezes o n´ umero de moles n.6 1540. (2.58) na sua forma mais conhecida: pV = nRu T. R ´ e uma constante espec´ ıfica do g´ as dada por R = Ru /M. R.4 5225.00 × 10−3 2.0 Como para um g´ as ideal as for¸ cas internas no sistema s˜ ao desprez´ ıveis.61) (2. (2.0 1039. Assim.01 × 10−3 4.9 188. 2.0 840.2. Usando ainda (2.4 10060. ´ e a chamada massa molecular do g´ as.0 742. e M = M/n. tem-se: pV = NkT.98 × 10−3 44.15).4 2000. por sua vez.24).8 259.01 × 10−3 32.07 × 10−3 28.0 909.4 3147. A tabela 2. (2. cv .60) (2. o u ´ ltimo termo de (2.

Obs: nos dois u ´ ltimos itens. e v . De forma mais geral: p = f (T. Seja a equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal: pV = nRu T . T . pode-se trabalhar por unidade de massa. n ´ e o n´ umero de moles e ∼ indica calores espec´ ıficos molares. A equa¸ c˜ ao (2.62) Note que o termo envolvendo o somat´ orio das for¸ cas internas na equa¸ c˜ ao (2. baseado nas defini¸ c˜ oes deste cap´ ıtulo. re-escreva a equa¸ c˜ ao na forma p = ρRT . ∂T (b) cp = cv + R. A partir das defini¸ c˜ oes de calor espec´ ıfico a volume e press˜ ao constante: cv = 1 dQp 1 dQv 1 dQp 1 dQv . 2. Considere dois sistemas: um cujo volume ´ e mantido constante e outro cuja press˜ ao ´ e mantida constante. e o volume V . (c) c ˜p = c ˜v + Ru . pV = nRu T . valem as seguintes rela¸ c˜ oes: dQ + dW = dU . a temperatura T . use a equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal nas formas convenientes. c ˜v = . Com R = 8. 2. (2.61) ´ e um caso particular de equa¸ c˜ ao de estado.65) . Alternativamente. Durante uma transforma¸ c˜ ao adiab´ atica de um g´ as ideal. (2. dQ = 0. cp = . Ambos est˜ ao inicialmente ` a mesma temperatura. dW = −pdV . 3.63) M dT M dT n dT n dT onde M ´ e a massa do sistema. Equa¸ c˜ oes de estado s˜ ao aquelas que interrelacionam estas vari´ aveis. c ˜p = .64) dU = nc ˜v dT . e para tal utiliza-se p. (2. c ˜p = c ˜v + Ru .314 J kg K−1 para este g´ as.57) ´ e por assim dizer o respons´ avel pela forma da equa¸ c˜ ao de estado para casos particulares. e recebem quantidades de calor dQv e dQp tais que as suas temperaturas aumentam igualmente de dT . mostre que: (a) cv = 1 ∂U M ∂T = ∂u . v ).8 Problemas propostos 1. (2.32 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica p.

4. V1 ) e (p2 . mostre que: p1 V1γ = p2 V2γ . mostre que as varia¸ c˜ oes de entalpia ser˜ ao dadas por ∆h = cp ∆T . onde ∆T s˜ ao as varia¸ c˜ oes da temperatura absoluta do sistema.2. . Para o caso de um g´ as ideal com calor espec´ ıfico m´ assico constante cp .66) onde p ´ e a press˜ ao e ρ ´ e a massa espec´ ıfica do material.67) γ= c ˜p . Define-se entalpia espec´ ıfica por: h=u+ p . c ˜v (2. V2 ). Se as condi¸ c˜ oes iniciais e finais s˜ ao (p1 . ρ (2.8 – Problemas propostos 33 onde os ∼ indicam calores espec´ ıficos molares.

.

Cap´ ıtulo 3 ˜ o do Meio Cont´ Descric ¸a ınuo Este cap´ ıtulo introduz formalmente a hip´ otese do cont´ ınuo. ou seja. concentra¸ c˜ ao. e postular a existˆ encia das propriedades associadas a este sistema em cada ponto. tens˜ ao. 3.1 Introdu¸ c˜ ao O principal objetivo deste cap´ ıtulo ´ e a formula¸ c˜ ao de conceitos que permitam a quantifica¸ c˜ ao dos fenˆ omenos f´ ısicos que ser˜ ao estudados em cap´ ıtulos futuros. de um vetor velocidade associado a cada ponto do espa¸ co. envolvem fluidos em movimento. No caso dos fluidos. Alternativamente. em sua maioria. Conforme visto no Cap´ ıtulo 1. temperatura. enquanto que o transporte devido aos processos a n´ ıvel molecular d˜ ao lugar ao conceito de difus˜ ao. d´ a lugar ao conceito de advec¸ c˜ ao (o transporte de uma propriedade devido ao movimento macrosc´ opico do meio). ´ e poss´ ıvel ent˜ ao definir algumas propriedades tanto a n´ ıvel macrosc´ opico quanto molecular do meio em cada ponto do espa¸ co. velocidade. ´ e claramente imposs´ ıvel se aplicar as leis da f´ ısica para cada part´ ıcula individualmente na tentativa de se descrever o sistema como um todo. O enfoque. a existˆ encia de um campo de velocidades. pode-se supor a existˆ encia de um sistema em equil´ ıbrio termodinˆ amico tal como definido no Cap´ ıtulo 2 na vizinhan¸ ca de cada ponto do espa¸ co. A partir deste modelo. em fenˆ omenos de transferˆ encia defronta-se com um n´ umero extraordinariamente grande de part´ ıculas (mol´ eculas). e portanto. ou seja: de que a mat´ eria distribui-se uniformemente no espa¸ co. Outra quest˜ ao fundamental ´ e a compreens˜ ao da natureza dinˆ amica dos processos que. tais como: massa espec´ ıfica. 35 .

1 comporte uma certa massa ∆MA de uma substˆ ancia A sujeita a dilui¸ c˜ ao. De acordo com o Cap´ ıtulo 2. tal como vapor d’´ agua em ar seco. daqui para frente. tal como indicado na figura 3. Considere tamb´ em a possibilidade de existir alguma substˆ ancia dilu´ ıda no meio. e o volume ocupado pelo sistema ´ e ∆V . y. ocupando todo o espa¸ co tridimensional. procurou-se mostrar como a natureza molecular de sistemas termodinˆ amicos se evidencia macroscopicamente atrav´ es de propriedades associadas ao movimento do centro de massa. tal que o sistema da figura 3. A massa do sistema ´ e ∆M . A id´ eia foi de se criar base para a chamada hip´ otese do cont´ ınuo. .1: Sistema termodinˆ amico em torno de cada ponto do espa¸ co. ∆M . al´ em das caracter´ ısticas intr´ ınsecas. E u ´ til imaginar que em torno de cada ponto do espa¸ co existe um sistema termodinˆ amico. a quantidade de movimento ∆P.2 A hip´ otese do cont´ ınuo No Cap´ ıtulo 2. e sim ` as propriedades do escoamento em uma regi˜ ao de interesse.1. ou a¸ cu ´ car em ´ agua destilada. ∆P y x Figura 3. z ). 3. define-se a massa espec´ ıfica ρ em cada ponto do espa¸ co cartesiano (x. a energia total ∆E . n˜ ao mais ser´ a dado ao que acontece a cada mol´ ecula. ∆V . tais como a energia interna.36 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo z ∆E . Esta hip´ otese concebe um meio material com uma ´ distribui¸ c˜ ao cont´ ınua de mat´ eria.

A justificativa final para a utiliza¸ c˜ ao da hip´ otese do cont´ ınuo deve ser a sua capacidade de prever com sucesso o comportamento dos meios materiais. este texto adotar´ aa concentra¸ c˜ ao m´ assica CA de um soluto A como a massa de A por massa da solu¸ c˜ ao. y.6) ∆M →0 ∆M O meio cont´ ınuo passa ent˜ ao a ser descrito por trˆ es fun¸ co ˜es (ou campos) escalares e uma fun¸ c˜ ao (ou campo) vetorial. y. y. z.1) ∆V →0 ∆V A velocidade em cada ponto dever´ a ser a velocidade do centro de massa do sistema na vizinhan¸ ca do ponto: ∆P . z. z. a sua validade tem sido amplamente verificada. v(x.3) pressup˜ oe a existˆ encia de um campo de temperaturas T . por meio de experimentos. ´ e preciso definir concentra¸ c˜ ao em cada ponto. como medida da quantidade de soluto A. (3. y. T (x. a hip´ otese do cont´ ınuo falha. n˜ ao existe uniformidade na defini¸ c˜ ao de concentra¸ c˜ ao.3) ∆M →0 ∆M Observe que (3. (3. (3. Neste sentido. uma vez que. dependendo do problema ou ´ area de conhecimento. y.3. z. gramas de soluto por litro de solu¸ c˜ ao. conforme j´ a visto: e(x.4) 1 (v · v) . . y. z. ρ). y. . ou T . uma vez que a rigor ´ e imposs´ ıvel que um sistema termodinˆ amico tenha dimens˜ oes nulas. miligramas. t) = lim . z. t) = lim ∆M →0 ∆M Analogamente. Obviamente quando ∆M se aproxima da massa de um n´ umero relativamente pequeno de mol´ eculas. t). z. ∆V → 0 s˜ ao uma abstra¸ c˜ ao matem´ atica. t). (3. Os limites de validade dos modelos cont´ ınuos devem ser estabelecidos empiricamente. ou seja. t). v. ou microgramas por litro. t). Ao contr´ ario de ρ. (3. onde ec = (3.2 – A hip´ otese do cont´ ınuo e instante de tempo t como: 37 ∆M . Para manter uniformidade na nota¸ c˜ ao e nas unidades. e CA (x. ep = gz. s˜ ao parte da modela¸ c˜ ao dos fenˆ omenos f´ ısicos. define-se concentra¸ c˜ ao das mais diversas formas e com as mais diversas unidades: gramas. ou seja: ∆MA CA (x. moles de soluto por moles de solu¸ c˜ ao.5) 2 Finalmente. a saber: ρ(x. u = u(T.2) v(x. z. y. Repare que. t) = lim ∆E . a energia espec´ ıfica (energia por unidade de massa) ser´ a: ρ(x. t) = lim e = ec + ep + u. os limites ∆M. rigorosamente falando. etc.

O que acontece ∆t segundos depois? A figura 3. y. y. de forma que a mesma possui no instante t as propriedades do ponto (x. y. z. T (x. y. y. v(x. para serem distinguidas das outras mol´ eculas do fluido. apenas transladou-se de v∆t. y. ou part´ ıcula. entram tantas mol´ eculas brancas quanto saem mol´ eculas pretas. Este ´ e o an´ alogo ao ponto material. ∆M permanece constante. no instante t. e CA (x. Este efeito que ´ e devido ao movimento aleat´ orio das mol´ eculas que comp˜ oem a part´ ıcula de fluido. ´ e chamado de difus˜ ao molecular ou simplesmente difus˜ ao. t).38 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo z ∆V v∆t y x Figura 3. t). z. t). em m´ edia. Deve-se considerar tamb´ em que o sistema termodinˆ amico local em torno de (x. e ocorre independentemente do movimento do fluido. suponha que durante ∆t o volume ∆V da part´ ıcula n˜ ao variou.2 ilustra a situa¸ c˜ ao. Em t + ∆t. z ) mencionado acima ´ e por assim dizer interno ` a part´ ıcula. enquanto que algumas entraram. Para fixar as id´ eias. suponha que todas as mol´ eculas desta part´ ıcula foram pintadas de preto. t). de modo que o efeito da difus˜ ao molecular sobre a massa do fluido ´ e nulo. Repare que. z ) no instante t. . 3. verifica-se que algumas das mol´ eculas pretas est˜ ao agora fora de ∆V . z. Por simplicidade. Em outra palavras. y. z.2: Movimento de uma part´ ıcula de fluido: advec¸ c˜ ao e difus˜ ao. z ): ρ(x. da mecˆ anica cl´ assica. A transla¸ c˜ ao do volume ∆V ´ e denominada advec¸ c˜ ao. por causa da aleatoriedade do movimento das mol´ eculas.3 Difus˜ ao e advec¸ c˜ ao Uma maneira algumas vezes u ´ til de se raciocinar em problemas envolvendo o escoamento de fluidos ´ e considerar a existˆ encia de uma part´ ıcula de fluido com um pequeno volume ∆V passando pelo ponto (x.

h´ a transferˆ encia destas propriedades no fluido. y. y. drp = vx 0 . a descri¸ c˜ ao euleriana de um escoamento consiste em encontrar as fun¸ c˜ oes ρ(x.O mais prol´ ıfico dos matem´ aticos. o vetor posi¸ c˜ ao rp de uma part´ ıcula obedece ` a equa¸ c˜ ao: d2 rp = a. a energia (ou a temperatura). y0 . Na maioria das vezes. t).4 – Descri¸ c˜ oes de Euler e de Lagrange 39 Entretanto. Assim sendo.4 Descri¸ c˜ oes de Euler e de Lagrange A descri¸ c˜ ao de Lagrange1 ou lagrangeana do movimento de um fluido consiste em acompanhar a hist´ oria de uma ou mais part´ ıculas. e a concentra¸ c˜ ao do soluto A (em casos nos quais h´ a um soluto A) nas part´ ıculas de fluido. que pode ser determinada pela segunda lei de Newton. Sua obra completa tem mais que setenta volumes. dt (3. z.7) deve ser integrada com as condi¸ c˜ oes iniciais: rp (0) = (x0 . a difus˜ ao molecular afeta a quantidade de movimento.7) onde a ´ e a acelera¸ c˜ ao da part´ ıcula. por outro lado. T (x. vz 0 .8) (3. 1 . z. A descri¸ c˜ ao de Euler2 ou euleriana do movimento dos fluidos. Como j´ a visto. t). ainda ´ e poss´ ıvel modelar a trajet´ oria da part´ ıcula e suas propriedades matematicamente. v(x. y. Euler possuia uma mem´ oria espetacular: sabia de cor todas as f´ ormulas de an´ alise e trigonometria. dt2 (3. as primeiras seis potˆ encias dos primeiros cem n´ umeros primos.9) (a posi¸ c˜ ao ocupada pela part´ ıcula e sua velocidade no tempo inicial). 2 Leonhard Euler (1707-1783) . A equa¸ c˜ ao (3. Por exemplo. A modela¸ c˜ ao dos mecanismos sob os quais estas transferˆ encias se d˜ ao ´ e o objeto da disciplina fenˆ omenos de transferˆ encia. t). consiste em acompanhar as propriedades do escoamento em pontos fixos no espa¸ co. Sua obra ´ e repleta de elegˆ ancia e simplicidade. z0 ) . (x. No entanto. t). n˜ ao h´ a interesse em se conhecer a hist´ oria de cada part´ ıcula e sim da evolu¸ c˜ ao temporal da distribui¸ c˜ ao espacial das propriedades do meio. z. z. 3. onde agora. vy 0 . y.3. y. ao longo do tempo. Diz-se ent˜ ao que devido ` a difus˜ ao aliada ` a advec¸ c˜ ao. para fornecer rp (t). devido ` a difus˜ ao molecular.Um dos mais importantes matem´ aticos de todos os tempos. e CA (x. z ) n˜ ao ´ e a posi¸ c˜ ao Joseph-Louis Lagrange (1736-1813) . etc. a pr´ opria identidade da part´ ıcula se modifica continuamente por causa das trocas de mol´ eculas entre esta e o fluido em seu redor. uma infinidade de poemas..

Nenhum vetor velocidade cruza um tubo de corrente. e sim um sistema de coordenadas cartesiano indicando uma posi¸ c˜ ao fixa no espa¸ co. Um conceito importante. 3. . de uma part´ ıcula em qualquer instante t.10) Um tubo de corrente ´ e uma superf´ ıcie formada por pareces contendo de linhas de correntes e topologicamente igual a um cilindro (um tubo ou um cilindro deform´ avel). a linha de corrente pode ser definida pelas equa¸ c˜ oes: dx dy dz = = . A descri¸ c˜ ao euleriana ser´ a preferencialmente utilizada ao longo deste texto.40 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo z y x Figura 3.2 ilustra as defini¸ c˜ oes de linha e de tubo de corrente.1 Linha e tubo de corrente Uma linha de corrente ´ e definida como a linha ` a qual o vetor velocidade ´ e tangente num dado instante. A figura 4. especialmente na descri¸ c˜ ao euleriana.3: Linhas de corrente gferando um tubo de corrente.4. vx vy vz (3. ´ e o de linha de corrente. ou v · n = 0. independente de t. Alternativamente. onde n ´ e o vetor normal ` a linha de corrente.

(3.11) vx = 1 + x2 1 vy = .yp ) s˜ ao tais que: dxp t .3. 3 3 2 1 2 3 + yp (t) + yp (t) = t. (1 + yp ) dyp = dt.14) 41 onde as constantes de integra¸ c˜ ao Cx e Cy s˜ ao determinadas pela 4 e Cy = − 3 .13) (3. As condi¸ c˜ ao inicial (xp (0). (3. yp (0)) = (1. 1) no instante t = 1. y ) = (1. = vx = dt 1 + x2 p dyp 1 = vy = .4 – Descri¸ c˜ oes de Euler e de Lagrange Exemplo Um escoamento bidimensional tem as seguintes componentes de velocidade: t . 1) no instante t = 0.17) (3. Integrando: xp + yp x3 t2 p + Cx = . − 2 2 − (3. Solu¸ ca ˜o a) As coordenadas de uma part´ ıcula (xp . dt 1 + yp Separando as vari´ aveis: 1 + x2 p dxp = tdt. b) Determinar a linha de corrente (ou fluxo) que passa no ponto (x. 3 2 2 yp + + Cy = t.15) (3. 1): Cx = − 3 2 equa¸ c˜ oes param´ etricas da trajet´ oria da part´ ıcula (a posi¸ c˜ ao em fun¸ c˜ ao do tempo) s˜ ao: 4 1 1 2 + xp (t) + x3 p (t) = t . y ) = (1.19) (3.20) .12) 1+y a) Determinar a trajet´ oria da part´ ıcula situada no ponto (x.16) (3.18) (3. 2 (3.

23) dy vy 1 + x2 = = . e ocupar´ a regi˜ oes distintas do espa¸ co com o correr do tempo.22) (3. Naturalmente. conter´ a um n´ umero extraordin´ ario (infinito ) de part´ ıculas (aqui nos referimos a part´ ıculas de fluido e n˜ ao a mol´ eculas).4: Linha de corrente.21) . E tan α = rearranjando: t (1 + y ) dy = 1 + x2 dx. b) A linha de corrente deve ser tangente ao vetor velocidade em ´ imediato que: cada ponto. um volume Vs finito. pode-se considerar a por¸ ca ˜o de mat´ eria que ocupa um dado volume Vs (volume do sistema) em um determinado instante t como um sistema termodinˆ amico.42 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo y Linha de corrente v α vx vy x Figura 3. 3 (3. por menor que seja. dx vx t(1 + y ) (3. .5 Propriedades intensivas e extensivas Conforme visto anteriormente. onde C = 1 6 3. Integrando: t y+ y2 2 =x+ x3 + C. pela condi¸ c˜ ao (x(1). ou seja: as posi¸ c˜ oes de suas part´ ıculas variar˜ ao com o tempo. 1). y (1)) = (1.10. conforme a figura 3.

o mesmo valendo para a quantidade de movimento. Este volume recebe a denomina¸ c˜ ao de volume de controle.24) O vetor quantidade de movimento total do sistema ser´ a: P= Vs vρdV. s˜ ao definidas ponto a ponto e n˜ ao s˜ ao aditivas: ao reunir-se dois sistemas com a mesma concentra¸ c˜ ao de soluto CA . energia total.3. (3. a massa total do soluto A dilu´ ıdo no sistema ser´ a: MA = Vs CA ρdV. o volume Vs de um sistema pode sofrer distor¸ c˜ oes cont´ ınuas. de maneira geral.27) na forma: ηρdV. . e. Al´ em disso. (3.5 – Propriedades intensivas e extensivas 43 Assim sendo. (3. e torna-se extremamente dif´ ıcil o acompanhamento de uma massa de fluido durante todo o tempo de observa¸ c˜ ao. ´ e mais conveniente a aplica¸ c˜ ao das leis b´ asicas da f´ ısica a um volume fixo ou com movimento conhecido no espa¸ co. a massa resultante ser´ a a soma das massas individuais. propriedades extensivas s˜ ao aditivas: ao reunir-se dois sistemas.26) E finalmente.25) A energia total por sua vez ser´ a: E= Vs eρdV. (3.28) N= Vs Diz-se que N ´ e uma grandeza ou propriedade extensiva.27) Repare que. ao longo do tempo. por outro lado. pode-se escrever as integrais (3. Propriedades intensivas. mas permanecer´ a CA .24)-(3. A massa total de um sistema pode ser escrita como: M= Vs ρdV. Dessa forma. e η a grandeza ou propriedade intensiva associada. e massa de soluto. O procedimento a ser aqui adotado consiste em formular as leis da f´ ısica primeiro para um sistema. obviamente a concentra¸ c˜ ao resultante n˜ ao ser´ a 2CA . mais tarde (Cap´ ıtulo 5). De maneira geral. reescrevˆ e-las para uma regi˜ ao arbitr´ aria do espa¸ co (um volume de controle). foi visto que na descri¸ c˜ ao euleriana do movimento dos fluidos a observa¸ c˜ ao ´ e feita com rela¸ c˜ ao ` as propriedades do escoamento em cada ponto. (3.

Entre os instantes de tempo t e t + ∆t.1 resume as rela¸ c˜ oes entre propriedades intensivas e extensivas utilizadas neste texto. e seja ∆S um elemento de ´ area dessa superf´ ıcie.30) ∆t. A tabela 3. ser´ a dado . Propriedade extensiva Massa Quantidade de movimento Energia Massa de soluto S´ ımbolo M P E MA Propriedade intensiva 1 velocidade energ. (3.1: Propriedades extensivas e intensivas em um fluido. de acordo com a figura 3. ´ e definida como a quantidade de massa transportada por unidade de tempo por unidade de ´ area: m ˙ = lim ∆M = ρ (v · n) .5. a quantidade de massa que ´ e transportada no espa¸ co entre t e t + ∆t ser´ a dada pelo produto entre massa espec´ ıfica do fluido ρ e o volume do prisma. Sendo n o vetor de m´ odulo unit´ ario normal a ∆S . a quantidade total de mat´ eria que atravessou ∆S estar´ a contida no prisma mostrado em detalhe.44 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo Tabela 3.28) mostra claramente que as propriedades intensivas η podem ser consideradas como concentra¸ c˜ oes m´ assicas das propriedades extensivas associadas: a velocidade ´ e a quantidade de movimento por unidade de massa. a energia espec´ ıfica ´ e a energia por unidade de massa. Ent˜ ao: ∆M = ρ (v · n) ∆t∆S. e a concentra¸ c˜ ao de soluto ´ e a massa de soluto por unidade de massa (total).6 Fluxo e fluxo espec´ ıfico advectivo Seja S uma superf´ ıcie aberta no espa¸ co correspondente a um fluido em escoamento. que ´ ea taxa com que a massa ´ e transportada atrav´ es de uma superf´ ıcie. 3.∆S →0 O fluxo advectivo total de massa. cuja base ´ e ∆S e a altura ´ e (v · n) ∆t. concentra¸ c˜ ao S´ ımbolo 1 v e CA Rela¸ c˜ ao M= P = E= MA = Vs ρdV Vs vρdV eρdV Vs CA ρdV Vs A equa¸ c˜ ao (3. ou simplesmente fluxo de massa.29) A grandeza denominada fluxo espec´ ıfico de massa. espec. ∆t∆S (3.

chamado de fluxo advectivo.6 – Fluxo e fluxo espec´ ıfico advectivo 45 S ∆S n v ∆S (v · n) ∆t Figura 3. o fluxo (total) associado ser´ a: n ˙ = ˙ = N S (3. (3. pela integral de m ˙ em toda a superf´ ıcie S. que ´ e aquele devido a processos intermoleculares. Entretanto.3. (3.32) (3. ´ e dada pelo produto da propriedade intensiva associada η pela massa do prisma. a importˆ ancia e as particularidades desse tipo de fluxo s˜ ao tais que o assunto merece uma discuss˜ ao ` a parte. a quantidade dessa grandeza transportada no espa¸ co durante um intervalo ∆t. Existe tamb´ em o chamado fluxo difusivo. para uma grandeza extensiva qualquer N . ∆t∆S Finalmente. e ser´ a objeto do cap´ ıtulo 6. ˙ = M S ρ (v · n) dS. corresponde ` a parcela do transporte devida ` a advec¸ c˜ ao (movimento m´ edio das mol´ eculas). ∆M : ∆N = ηρ (v · n) ∆t∆S.33) ηρ (v · n) dS. . O fluxo espec´ ıfico da grandeza N ser´ a: ∆N = ηρ (v · n) .5: Fluxo atrav´ es de uma superf´ ıcie aberta.31) Generalizando.34) O tipo de fluxo discutido acima.

ρ B v0 (inv´ ıscido) C camada limite δL δ (x) A L (viscoso) D v0 δ (L) = δL x Figura 3. a componente horizontal da . D .7: Determina¸ c˜ ao de fluxos em uma camada limite idealizada. ρ.6 tem diˆ ametro D . e ∆t.46 c(t) v c0 D 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo M ∆t 3∆t Figura 3. e c(t). v . Em x ≤ 0. (b) A partir do resultado de (a). 3.6: Determina¸ c˜ ao do fluxo de massa em uma tubula¸ c˜ ao. A figura 3. O escoamento possui velocidade m´ edia v . ˙ (t) atrav´ (a) Determine o fluxo de massa M es de S em fun¸ c˜ ao de ρ. determine a velocidade m´ edia v em fun¸ c˜ ao de M . A tubula¸ c˜ ao da figura 3.7 Problemas propostos 1. 2. D . e da fun¸ c˜ ao c(t) dada na figura. Uma massa M de sal ´ e injetada a 100 m da se¸ c˜ ao S e observa-se a curva de concentra¸ c˜ ao em fun¸ c˜ ao do tempo c(t) mostrada.7 mostra a forma¸ c˜ ao da chamada camada limite sobre uma placa horizontal: regi˜ ao do escoamento influenciada pela presen¸ ca da placa de comprimento L. y v0 fluido. c0 .

˙ (b) M (fluxo de massa) atrav´ es da se¸ c˜ ao CD. y ) = v0 = constante. Dentro da nuvem. 0) = 0 e vx (x.9 mostra o modelo simplificado de uma tempestade de ver˜ ao. que o perfil y de vx ´ e linear tal que vx (x.8: Determina¸ c˜ ao de fluxos em um tubo circular. velocidade vx (0. e R ´ e o raio do tubo. Sendo a massa espec´ ıfica do fluido ρ.7 – Problemas propostos 47 v (r ) v0 R r Figura 3. O ar u ´ mido entra pela base da nuvem C. determine: (a) o fluxo de massa no tubo. Determine: ˙ (fluxo de massa) atrav´ (a) M es da se¸ c˜ ao AB. (Obs. vx (x. (c) o fluxo de energia cin´ etica no tubo.. por simplifica¸ c˜ ao.) 3. . A concentra¸ c˜ ao de vapor de ´ agua no ar ´ e CA = 10 gramas de ´ agua por quilogramas de ar. (3. A figura 3. para o centro do cilindro) ´ e 10 m s−1 . admita. ˙ x (fluxo de quantidade de movimento) atrav´ (c) P es da se¸ c˜ ao AB.35) onde v0 ´ e a velocidade no centro do tubo. A velocidade do vento convergindo para a nuvem (isto ´ e. e que para y > δ (x) . o ar u ´ mido ascende (este processo advectivo ´ e conhecido por convec¸ c˜ ao) at´ e um n´ ıvel onde se condensa dando origem ` a precipita¸ c˜ ao. y ) = v0 .: como o problema ´ e bidimensional. sendo δ (x) a expessura da camada limite. 4. em 0 < x ≤ L. δ (x)) = v0 . O campo de velocidades na se¸ c˜ ao circular do tubo da figura 3.8 axissim´ etrico. ˙ (d) Px (fluxo de quantidade de movimento) atrav´ es da se¸ c˜ ao CD.3. dˆ e sua respostas por unidade de comprimento na dire¸ c˜ ao z . r ´ e a distˆ ancia a partir do centro (vari´ avel). Considere a regi˜ ao de entrada como sendo a lateral de um cilindro de raio r0 = 10000 m e altura h = 1000 m. e ´ e dado por: v (r ) = v0 1 − r R 2 .B. (b) o fluxo de quantidade de movimento no tubo.

9: Esquema simplificado de uma tempestade convectiva. A distribui¸ c˜ ao de velocidades 2 do fluido ´ e v (r ) = v0 1 − (r/R) . Cal˙ . Calcule a quantidade (altura) acumulada de chuva em mm (ou seja. A concentra¸ c˜ ao C de sedimentos (argila) na ´ agua de densidade ρ constante ´ e linear. e η =propriedade intensiva associada. A figura 3. e (b) [1. admitindo que os dados fornecidos se mantiveram constantes durante este intervalo de tempo. S˜ ao conhecidos: ρar = 1. ˙ = mas seja consistente. Posicione o sistema de coordenadas na forma que melhor lhe convier. A figura 3.48 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo C. o volume de chuva por unidade de ´ area horizontal).5] cule: (a) [1. F´ ormula do fluxo: N ρη (v · n)dS .5] o fluxo do vetor quantidade de movimento P ˙ A atrav´ o fluxo de massa de argila M es da superf´ ıcie vertical cujo vetor normal unit´ ario ´ e n (ver figura). onde v0 ´ e a velocidade no centro do . m´ axima no fundo (CM ). O escoamento ´ e permanente e varia apenas na dire¸ c˜ ao normal ao canal. 6.B. h ˙A M r0 Figura 3. 5. Neste escoamento s´ o h´ a varia¸ c˜ oes na dire¸ c˜ ao radial r . trˆ es horas ap´ os o seu in´ ıcio. O vetor velocidade da ´ agua v tamb´ em ´ e uma fun¸ c˜ ao linear m´ axima na superf´ ıcie (vM ) e nula no fundo.2 kg m−3 . e ρH2 O = 1000 kg m−3 .11 mostra um tubo circular de raio R onde se d´ a o escoamento permanente de um fluido de massa espec´ ıfica ρ. onde S N =propriedade extensiva. e nula na superf´ ıcie.10 mostra um canal inclinado (um rio) de largura B com ˆ angulo θ e profundidade H (na vertical).

ao inv´ es de v (r ). H H . A profundidade do canal ´ e H e o escoamento n˜ ao varia na dire¸ c˜ ao do canal.) ˙ na se¸ (b) Determine o fluxo de quantidade de movimento P c˜ ao transversal do tubo utilizando a velocidade v (r ). tubo. justifique. A figura 4. (a) Determine qual ´ e a velocidade m´ edia v ¯ no tubo.10: Problema do canal inclinado com sedimento. 7.11: Tubo circular com escoamento.3.7 – Problemas propostos vM H CM n 49 θ Figura 3.9 mostra um escoamento em um canal com superf´ ıcie livre (ingnore a dire¸ c˜ ao transversal e resolva o problema por unidade de largura). v(r) _ v R r Figura 3. Se as respostas do ´ ıtem (b) e (c) forem diferentes. A velocidade do fluido de massa espec´ ıfica ρ no canal varia com a profundidade e ´ e dada pela combina¸ c˜ ao de um termo devido a um vento na superf´ ıcie soprando para cima e outro termo devido ` a a¸ c˜ ao da gravidade: v (h) = −Vs 1 − h2 1 h + Vg 1 − 2 . (c) Determine o fluxo de quantidade de movimento utilizando a velocidade m´ edia v ¯ calculada no item (a). (Use o fato de que a velocidade m´ edia deve produzir um fluxo de massa no tubo idˆ entico ao produzido por v (r ).

enquanto que o perfil de concentra¸ c˜ ao de di´ oxido de ferro C (r ) ´ e o dado na figura (nulo em r = 0 e igual a Cmax em r = R). 8. Determine o valor de Vs para que o fluxo de massa do fluido numa se¸ c˜ ao qualquer do canal seja nula.13: Fluxo advectivo de massa em um tubo. . Admitindo que nada varia com a coordenada x ao longo do tubo: (a) calcule o fluxo de massa da solu¸ c˜ ao (´ agua + di´ oxido de ferro) atrav´ ez de uma se¸ c˜ ao transversal qualquer. Ambas fun¸ c˜ oes s˜ ao conhecidas. A figura 4.10 mostra uma tubula¸ c˜ ao de raio R por onde passa ´ agua com uma di´ oxido de ferro dilu´ ıdo (massa espec´ ıfica igual a ρ).12: Fluxo de massa num canal. O perfil de velocidade v (r ) na se¸ c˜ ao ´ e dado como fun¸ c˜ ao da distˆ ancia r at´ e o centro por: v (r ) = Vmax (1 − r 2 /R2 ). v (h) H h Figura 3. (b) calcule o fluxo de massa do soluto (di´ oxido de ferro).50 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo Onde Vs e Vg s˜ ao valores de velocidades que dependem do vento e do ˆ angulo no fundo respectivamente. admitindo que as outras vari´ aveis s˜ ao conhecidas. v (r ) C (r ) Figura 3.

A figura 4.Cap´ ıtulo 4 ˜ es num Fluido Forc ¸ as e Tenso ´ tica . Uma caracter´ ıstica fundamental ´ e a de que. sendo o campo definido em todo o volume contendo o sistema. O resultado das intera¸ c˜ oes com as part´ ıculas do lado de fora ´ e uma for¸ ca ∆Fs agindo sobre ∆S . isto ´ e. a for¸ ca de corpo em um sistema ocupando volume Vs ser´ a dada pelo peso do corpo.1) ´ u E ´ til se pensar no campo gravitacional imaginando-se um vetor g associado a todo e qualquer ponto do espa¸ co.2 For¸ cas de superf´ ıcie As for¸ cas de superf´ ıcie s˜ ao o resultado das intera¸ c˜ oes das mol´ eculas que est˜ ao na fronteira do sistema com o espa¸ co imediatamente ` a sua volta.1 For¸ cas de corpo For¸ cas de corpo s˜ ao aquelas que atuam em um sistema devido a ` presen¸ ca de um campo de for¸ cas. sujeito ` a acelera¸ c˜ ao do campo gravitacional g: Fc = Vs ρgdV. Define-se o vetor tens˜ ao atuando 51 . ele atuar´ a em todo o sistema. Neste texto apenas o campo gravitacional ser´ a considerado como for¸ ca de corpo. 4. Considere uma pequena regi˜ ao de ´ area ∆S da superf´ ıcie de um sistema. cuja normal ´ e n.1 ilustra esquematicamente o conceito de for¸ ca de superf´ ıcie.Hidrosta 4. (4.

A defini¸ c˜ ao do vetor tens˜ ao dada por (4. Em outras palavras. num ponto (x. (4. uma caracter´ ıstica de certa forma incˆ omoda desta defini¸ c˜ ao ´ e que ao mudar-se a orienta¸ c˜ ao do vetor unit´ ario normal n.3) onde Ss ´ e a superf´ ıcie em torno volume do sistema (superf´ ıcie do sistema). y. no caso geral. E inconveniˆ encia em se trabalhar com o vetor tens˜ ao que surge a necessidade do conceito de tensor de tens˜ oes. a for¸ ca total de superf´ ıcie atuando sobre o sistema ser´ a: Fs = Ss tdS. ignorando por um momento a qual sistema esta superf´ ıcie pertence ou com que sistema ela faz fronteira (figura 4. mas tamb´ em da dire¸ c˜ ao n escolhida.2) Deste modo.Hidrost´ atica z ∆FS n S y ∆S x Figura 4. Entretanto.1: For¸ cas de superf´ ıcie sobre um sistema. . Considere agora uma pequena superf´ ıcie ∆S dentro de um fluido. z ).2) obviamente permanece v´ alida. ∆S →0 ∆S (4. a for¸ ca ∆Fs muda. z ) e do tempo t . Considere a for¸ ca resultante ∆Fs agindo sobre ∆S .2). devido aos choques entre as mol´ eculas de um lado e do outro de ∆S . y.52 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . o vetor tens˜ ao ´ e uma fun¸ ca ˜o n˜ ao apenas do ´ desta ponto (x. num ponto como: t = lim ∆Fs .

e o primeiro indica a dire¸ c˜ ao da componente da tens˜ ao atuando naquele plano.4.3. 4. z n ∆Fs y x x z ∆Fs n x. dada pelo vetor normal n. y. com componentes Tij . z y 53 Fs e a dire¸ c˜ ao do plano Figura 4.1 O tensor de tens˜ oes At´ e agora. t. note que: t1 = Txx ex + Tyx ey . t2 = Txy ex + Tyy ey . foram apresentadas grandezas escalares: ρ.2: Dependˆ encia entre o vetor tens˜ ao t = ∆ ∆S de atua¸ c˜ ao. e grandezas vetoriais: v. Define-se Tij como a i-´ esima componente do vetor tens˜ ao que atua no plano com normal na dire¸ c˜ ao j . T . Ou seja.2. Assim sendo. o segundo sub-´ ındice indica o plano de atua¸ c˜ ao da tens˜ ao.3 mostra um elemento de fluido em duas dimens˜ oes. y. A figura 4.5) onde ex e ey s˜ ao os vetores unit´ arios nas dire¸ c˜ oes x e y . Alguns autores se referem aos escalares como tensores de ordem zero. e um escalar possui um elemento. Trabalhar em duas dimens˜ oes facilita a visualiza¸ c˜ ao e o esfor¸ co alg´ ebrico. ´ e necess´ ario que se introduza um novo tipo de grandeza: o tensor.2 – For¸ cas de superf´ ıcie z x. e CA . T´ e chamado de um tensor (de tens˜ oes. Tyx ´ e a componente y do vetor t1 que atua no plano com normal na dire¸ c˜ ao x (note que este plano est´ a na dire¸ c˜ ao y ). enquanto que um vetor possui trˆ es elementos (dois. no caso bidimensional). e ao que este texto . Para se obter uma descri¸ c˜ ao apropriada de for¸ cas de superf´ ıcie por unidade de ´ area. no caso bidimensional). aos vetores como tensores de primeira ordem. (4.4) (4. Por exemplo. Note que o n´ umero de elementos desse tensor ´ e nove no caso geral de um espa¸ co tridimensional (quatro. no caso). sem prejudicar a compreens˜ ao dos conceitos fundamentais. de acordo com a figura 4.

54 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . de tensores de segunda ordem. 2 na segunda lei de Newton aplicada sobre o elemento: ∆Fs + ∆Fc = ∆ma. Admitindo que t(ex ) = t1 . e utilizando o fato de que t(−n) = −t(n) (pela terceira lei de Newton da a¸ c˜ ao e rea¸ c˜ ao). que ´ e: 1 ∆Fc = ∆mg = ρ∆x∆y g. chama tensor.7) . Considere agora o elemento triangular da figura 4.Hidrost´ atica y t2 Txy ∆y Txx ∆x x Tyy t1 Tyx Figura 4. mas est˜ ao fora do escopo deste texto.9) (4. t(ey ) = t2 . ent˜ ao: ∆Fs = t∆S − t1 ∆y − t2 ∆x. respectivamente. Tensores de ordem mais alta tamb´ em s˜ ao poss´ ıveis. tem-se que os vetores tens˜ ao atuando em ∆x e ∆y s˜ ao −t2 e −t1 .6) de modo que nx e ny s˜ ao as componentes de n. por simplicidade. (4.4 (novamente. (4.8) (4. O vetor tens˜ ao atuando em ∆S ´ e t. A for¸ ca de superf´ ıcie total sobre o elemento ´ e. O vetor normal ` a superf´ ıcie ∆S ´ e: n = cos θex + sen θey = nx ex + ny ey . ignore a dire¸ c˜ ao z ).3: Conven¸ c˜ ao adotada entre o vetor tens˜ ao t e o tensor de tens˜ oes T. Substituindo a for¸ ca total de corpo sobre o elemento.

4: Elemento triangular de um fluido.5) tem-se: t = (Txx ex + Tyx ey ) nx + (Txy ex + Tyy ey ) ny = (Txx nx + Txy ny ) ex + (Tyx nx + Tyy ny ) ey .13) (4.4) e (4.14) tz Tzx Tzy Tzz nz . y.4. pendˆ encia entre t e n. considerando as componentes do vetor t = tx ex + ty ey . z ) a equa¸ c˜ ao acima fica:      tx Txx Txy Txz nx  ty  =  Tyx Tyy Tyz   ny  . (4. 2 (4.10) Tomando o limite quando o elemento se torna infinitesimal. ou. (4. tem-se: 1 1 ρ∆x∆y g + t∆S − t1 ∆y − t2 ∆x = ρ∆x∆y a. ou seja.2 – For¸ cas de superf´ ıcie 55 y n θ ∆y ∆S −t1 −t2 ∆x x t Figura 4. ∆x = ∆Sny e rearranjando: 1 t − t1 nx − t2 ny = ρ∆Snx ny (a − g). 2 2 Substituindo ∆y = ∆Snx .12) No caso de um elemento tridimensional no espa¸ co (x.11) (4. o lado direito da equa¸ c˜ ao acima se anula. tem-se: tx ty = Txx Txy Tyx Tyy nx ny . Usando (4. quando ∆S → 0. Determina¸ c˜ ao da de- onde a ´ e a acelera¸ c˜ ao do elemento.

tem-se o torque total: Tz = −Txy ∆y ∆x + Tyx ∆x∆y − 1 ∂Txy 1 ∂Tyx ∆y 2 ∆x + ∆x2 ∆y.5: Elemento de um fluido. Uma caracter´ ıstica importante do tensor de tens˜ oes ´ e que ele ´ e sim´ etrico.Hidrost´ atica Txy + B ∂Txy ∆y ∂y C −Tyx ∆y ∆x A G Tyx + ∂Tyx ∆x ∂x −Txy D x Figura 4. Apenas as componentes tangenciais Txy .17) . (4. considere o elemento de fluido da figura 4.56 y 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . em nota¸ c˜ ao de ´ algebra vetorial: t = T · n.5. ou.16) onde I ´ e o momento de in´ ercia do elemento e α ´ e sua acelera¸ c˜ ao angular. o vetor tens˜ ao atuando num plano cuja normal ´ e n.15) Ou seja. (4. A for¸ ca tangencial sobre a face AD ´ e −Txy × 1 × ∆x e o torque desta for¸ ca em rela¸ c˜ ao a G ´ e −Txy × 1 × ∆x∆y/2. (o torque ´ e positivo quando provoca rota¸ c˜ ao anti-hor´ aria). Repetindo a id´ eia para as demais faces. 2 ∂y 2 ∂x (4. Para demonstrar essa propriedade. −Txy +∆y∂Txy /∂y e −Tyx + ∆x∂Tyx /∂x produzem torque Tz em rela¸ c˜ ao ao ponto G: Tz = Iα. Txy . ´ e dado pelo produto matricial entre o tensor de tens˜ oes T e o vetor unit´ ario normal n. Simetria de T: Txy = Tyx .

sendo todos os outros nulos: T= Txx 0 0 Tyy . sen θ) ser´ a. (4.19) torna-se desprez´ ıvel. o processo ´ e an´ alogo e resulta no seguinte tensor de tens˜ oes sim´ etrico:   Txx Txy Txz T =  Txy Tyy Tyz  .24) . ∂y ∂x 12 (4. resultando em: Txy = Tyx . dando: Txy − Tyx = ∂Tyx 1 ∂Txy ∆y − ∆x + ρ ∆x2 + ∆y 2 α. e n˜ ao ao movimento das mol´ eculas que comp˜ oem o sistema termodinˆ amico associado a cada ponto ou part´ ıcula de fluido ).2. (4.15): t= Txx 0 0 Tyy cos θ sen θ = Txx cos θ Tyy sen θ . sabe-se que sob tens˜ oes tangenciais n˜ ao nulas o fluido se deforma continuamente. no caso de um fluido em repouso as tens˜ oes tangenciais s˜ ao nulas e o tensor de tens˜ oes apresentar´ a apenas os termos da diagonal principal. pela equa¸ c˜ ao (4. (4. est´ a em movimento. ou seja. juntamente com o momento de in´ ercia do quadrado: I =ρ ∆x∆y ∆x2 + ∆y 2 . Portanto. ∆y ) → 0.18) pode ser substituido em (4.23) O vetor tens˜ ao t associado a uma dire¸ c˜ ao normal gen´ erica n = (cos θ. ou seja. o tensor de tens˜ oes T ´ e sim´ etrico: T= Txx Txy Txy Tyy .16). (4.22) Txz Tyz Tzz 4.20) Para o caso de um elemento tridimensional. o lado direito da equa¸ c˜ ao (4.21) (4.2 Press˜ ao Considere um fluido em repouso (lembre-se que o repouso refere-se ao movimento macrosc´ opico do meio cont´ ınuo.19) Tomando-se o limite quando (∆x. 12 57 (4. Da pr´ opria defini¸ c˜ ao de fluido.2 – For¸ cas de superf´ ıcie que.4.

3 Hidrost´ atica Considere um elemento de fluido em repouso num referencial inercial conforme o esquema mostrado na figura 4. a prensa hidr´ aulica. z )∆x∆y − p(x. e m´ odulo igual a p: t = T · n = −pn. z )∆x∆y − p(x. t e n devem ser sempre paralelos. onde p ´ e um n´ umero positivo.26) 4. A resultante das for¸ cas de superf´ ıcie na dire¸ c˜ ao z ´ e: ∆Fsz = p(x. A u ´ nica maneira de atender a essa condi¸ c˜ ao ´ e requerendo: Txx = Tyy = −p.27) Uma vez que a resultante total deve ser nula (caso contr´ ario o fluido aceleraria).28) (4. Entre outras coisas inventou uma m´ aquina de calcular.29) Blaise Pascal (1623-1662) .58 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . y. 1 (4. por hip´ otese.F´ ısico-matem´ atico que deu grandes contribui¸ co ˜es na ´ area da hidrost´ atica. (4. e o sinal de menos aparece para indicar que as tens˜ oes em um fluido em repouso s˜ ao de compress˜ ao.6. O m´ odulo da for¸ ca de superf´ ıcie por unidade de ´ area. y. Obviamente. ou seja. a componente tangencial de t deve ser nula. Isso significa que. A equa¸ c˜ ao (4. para um sistema termodinˆ amico. . e a for¸ ca de corpo (gravitacional) ´ e ∆Fcz = −ρg ∆x∆y ∆z.25) A grandeza escalar p ´ e chamada de press˜ ao. z + ∆z )∆x∆y − ρg ∆x∆y ∆z = 0. z + ∆z )∆x∆y. (4. o barˆ ometro. y. (4. qualquer que seja a orienta¸ c˜ ao do vetor normal n.Hidrost´ atica Repare entretanto que. neste caso. e a seringa. e o elemento est´ a sujeito ao seu peso (for¸ ca de corpo) na dire¸ c˜ ao vertical. y. Em cada uma das faces do elemento o vetor tens˜ ao t tem m´ odulo igual ` a press˜ ao p orientado normalmente ` a face no sentido de compress˜ ao. e. neste caso. nas dire¸ c˜ oes x e y as for¸ cas de superf´ ıcie nas faces opostas devem se equilibrar. num fluido em repouso. ´ e o mesmo em todas as dire¸ c˜ oes e igual ` a press˜ ao em um sistema termodinˆ amico p. esta grandeza ´ e a mesma que foi definida no cap´ ıtulo 2.26) ´ e conhecida como o princ´ ıpio de Pascal 1 : num fluido em equil´ ıbrio as mol´ eculas tˆ em iguais probabilidades de estarem se movimentando em qualquer dire¸ c˜ ao. o vetor tens˜ ao t em um fluido em repouso tem sempre sentido contr´ ario ao vetor unit´ ario n. tem-se: p(x.

4.3 – Hidrost´ atica

59

z

t(x, y, z + ∆z )

ρg

y

x

t(x, y, z )

Figura 4.6: Elemento de um fluido em repouso.

Dividindo (4.29) pelo volume do elemento ∆x∆y ∆z : p(x, y, z + ∆z ) − p(x, y, z ) + ρg = 0. ∆z (4.30)

Tomando-se o limite quando ∆z → 0, tem-se a equa¸ c˜ ao diferencial da hidrost´ atica : dp + ρg = 0. dz (4.31)

A figura 4.7 apresenta um esquema de um reservat´ orio sujeito ` a press˜ ao atmosf´ erica p0 , onde uma certa quantidade de um l´ ıquido de massa espec´ ıfica constante ρ (ou seja, o fluido ´ e incompress´ ıvel) est´ a confinada. Para se obter a press˜ ao no ponto z = −h, integra-se a equa¸ c˜ ao (4.31) na vertical entre z = 0 e z = −h:
p(−h) p(z =0)

dp = −ρgdz, dp =
0 −h

(4.32) (4.33) (4.34) (4.35)

−ρgdz,

p(−h) − p0 = −ρg (−h − 0), p(−h) = p0 + ρgh.

60

4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido - Hidrost´ atica

z p0 (0, 0) x

z = −h

Figura 4.7: Fluido em repouso sujeito ` a press˜ ao hidrost´ atica.

A equa¸ c˜ ao (4.35) mostra que num fluido incompress´ ıvel em repouso, a press˜ ao cresce linearmente com a profundidade. Embora esta equa¸ c˜ ao seja chamada de equa¸ c˜ ao hidro st´ atica, ela ´ e usada n˜ ao s´ o para ´ agua, mas para a maioria dos fluidos, l´ ıquidos ou gasosos. A constante de integra¸ c˜ a o p0 ´ e o valor da press˜ ao em z = 0 (press˜ ao atmosf´ erica, no caso da figura 4.7). O valor m´ edio da press˜ ao atmosf´ erica ao n´ ıvel do mar ´ e: p0 = 101325 Pa. Freq¨ uentemente os intrumentos de medi¸ c˜ ao de press˜ ao s˜ ao capazes de medir diferen¸ cas de press˜ ao em rela¸ c˜ ao ` a press˜ ao atmosf´ erica p0 . Por isso, costumase chamar a press˜ ao dada por p na equa¸ c˜ ao (4.35) de press˜ ao absoluta, e a press˜ ao dada pela leitura desses instrumentos de press˜ ao relativa (prel ), press˜ ao instrumental, ou press˜ ao manom´ etrica (manˆ ometro ´ e o nome dado a um aparelho que mede press˜ ao). deste modo, tem-se que: prel = ρgh. (4.36)

Exemplo Uma maneira bastante simples de medir press˜ ao em um sistema consiste no manˆ ometro do tipo tubo U, que possui uma extremidade ligada ao sistema e outra ` a atmosfera. Na figura 4.8, o fluido dentro do tubo, denominado fluido manom´ etrico, tem massa espec´ ıfica ρm , e a diferen¸ ca de n´ ıveis no tubo ´ e h. Determine a press˜ ao relativa e absoluta do sistema que cont´ em o g´ as.

4.3 – Hidrost´ atica

61

D h G´ as, ρg h1 B C ρm A

Figura 4.8: Medi¸ c˜ ao de press˜ ao hidrost´ atica. Manˆ ometro em tubo U.

Solu¸ ca ˜o Primeiramente, repare que em qualquer fluido a press˜ ao aumenta com a profundidade, j´ a que em um fluido em equil´ ıbrio, a press˜ ao nada mais ´ e que o efeito do peso do fluido. Portanto, entre os pontos A e B, haver´ a uma diferen¸ ca de press˜ ao dada por: ∆pAB = ρg gh1 . (4.37) Muitas vezes este efeito ´ e pequeno no caso de um sistema gasoso, em compara¸ c˜ ao com o fluido manom´ etrico, j´ a que ρg ≪ ρm . Assim, as diferen¸ cas de press˜ ao entre pontos do sistema gasoso podem ser desprezadas: ∆pAB ≈ 0. Os pontos B e C contˆ em o fluido manom´ etrico e possuem a mesma press˜ ao pois est˜ ao a uma mesma altura (diz-se que est˜ ao no mesmo plano isob´ arico): pB = pC . pC = pB = p = pD + ρm gh. Onde pD ´ e igual ` a press˜ ao atmosf´ erica p0 . Lembrando que a press˜ ao relativa pr = p − p0 : pr = ρm gh. (4.40)

(4.38) (4.39)

Mas pB ´ e a press˜ ao do g´ as em quest˜ ao. Pela equa¸ c˜ ao da hidrost´ atica:

62

4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido - Hidrost´ atica

pv p0 h0 p0

ρm Hg

Figura 4.9: Medi¸ c˜ ao de press˜ ao atmosf´ erica. Barˆ ometro de merc´ urio.

Exemplo A press˜ ao atmosf´ erica p0 depende da localiza¸ c˜ ao na vertical e pode ser determinada atrav´ es do barˆ ometro de merc´ urio. Observe na figura 4.9 que o reservat´ orio cont´ em merc´ urio sujeito a ` press˜ ao atmosf´ erica p0 , exceto no compartimento central onde o merc´ urio est´ a isolado e sujeito apenas ` a press˜ ao do seu pr´ oprio vapor pv .

Solu¸ ca ˜o Aplicando a equa¸ c˜ ao da hidrost´ atica entre a superf´ ıcie livre do merc´ urio sujeita ` a p0 e a superf´ ıcie livre dentro do tubo sujeita a pv : p0 = pv + ρm gh0 . (4.41)

Sabe-se que a press˜ ao de vapor do merc´ urio ´ e muito pequena e pode ser desprezada: pv ≈ 0, ent˜ ao, a press˜ ao atmosf´ erica pode ser calculada como: p0 = ρm gh0 . (Em condi¸ c˜ oes normais: h0 ≈ 0,76 m). (4.42)

(4.10. A ´ area do elemento dS no plano da comporta.10: Solu¸ ca ˜o A for¸ ca pedida ´ e uma for¸ ca de superf´ ıcie decorrente das press˜ oes hidrost´ aticas nas duas faces da comporta. Sd (4. tem-se que a proje¸ c˜ ao na vertical de ξ ser´ a ξ sen θ. Exemplo Determine a intensidade da for¸ ca total que o ar e a ´ agua exercem sobre a comporta da figura 4.45) (4.4.44) . onde: h = H + ξ sen θ.10): |Fs | = pdS = Se + Sd Se pe dS − pd dS.3 – Hidrost´ atica y x h H ξ sen θ ´ agua.10: Determina¸ c˜ ao da for¸ ca hidrost´ atica em uma comporta.43) Adotando um sistema de coordenadas ξ e η como mostra a figura 4. de altura dξ e largura b ´ e dS = bdξ . Sabendo que a press˜ ao a uma profundidade h qualquer abaixo da superf´ ıcie livre ´ e dada por: pe = p0 + ρgh. ρ Se η ξ b dξ Sd θ ξ 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 d 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 63 L pe p = p0 dS Figura 4. A intensidade da for¸ ca de superf´ ıcie total ´ e dada por (ver detalhe da figura 4.

Hidrost´ atica B 2m ´ agua A ´ agua ρm D C E ´ agua H 3m Figura 4. Calcule a diferen¸ ca entre as press˜ oes nas se¸ c˜ oes transversais do tubo onde h´ a escoamento de ´ agua passando por A e B. Observe ainda que a for¸ ca de superf´ ıcie determinada deve ser equilibrada pelo peso e for¸ cas nos pontos de fixa¸ c˜ ao da comporta. ent˜ ao pe = p0 + ρg (H + ξ sen θ).11.11: Manˆ ometro diferencial para medir mudan¸ ca de press˜ ao devido a varia¸ c˜ ao da se¸ c˜ ao transversal de um escoamento em tubo.46) |Fs | = 0 [p0 + ρg (H + ξ sen θ)] bdξ − L sen θ 2 . Exemplo Um manˆ ometro diferencial ´ e utilizado para medir a varia¸ c˜ ao da press˜ ao causada pela redu¸ c˜ ao na se¸ c˜ ao transversal de um escoamento em tubo. caso contr´ ario a mesma n˜ ao estaria em equil´ ıbrio. supondo que: (i) a press˜ ao ´ e uniforme em qualquer se¸ c˜ ao transversal (incluindo as se¸ c˜ oes . p0 bdξ 0 = ρgbL H + (4. j´ a que sua atua¸ c˜ ao nos dois lados da comporta se anula.47) Repare que a contribui¸ c˜ ao da press˜ ao atmosf´ erica n˜ ao aparece na for¸ ca total de superf´ ıcie sobre a comporta. logo: L L (4. como mostra a figura 4.64 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido .

sendo ρ0 e c constantes. pC = pE : pA + ρa g (H − 2) = pD + 3ρm g. ou seja.48) (4. em todos os exemplos vistos o fluido foi considerado incompress´ ıvel.3 – Hidrost´ atica passando por A e B) do tubo com ´ agua.31): dp = ρgdh. Exemplo At´ e agora.12. (ii) no manˆ ometro (fluido abaixo dos pontos A e B) tanto a ´ agua quanto o fluido manom´ etrico est˜ ao em repouso. (4. j´ a que os fluidos tendem a se movimentar para pontos de menos press˜ ao. Solu¸ ca ˜o Aplicando a equa¸ c˜ ao da hidrost´ atica dentro do manˆ ometro.4.53) (4. como ρm > ρa . .54) dp = p0 0 ρgdh. o que ´ e de se esperar. sua massa espec´ ıfica ´ e constante. pA > pB . ou seja.51) Substituindo (4. determine a intensidade da for¸ ca de superf´ ıcie devido ao fluido e o ar sobre a parede vertical da figura 4.50) 65 Como os pontos C e E est˜ ao a uma mesma altura. (4.49) (4. p h (4.52) Note que. Solu¸ ca ˜o Como a massa espec´ ıfica agora varia com h. Se a massa espec´ ıfica de um fluido varia linearmente com a profundidade segundo ` a lei ρ = ρ0 + ch.51) e rearranjando: pA − pB = g (3ρm − ρa ) . (4. pD = pB + ρa g (H − 3). entre 3 pares de pontos: pC = pA + ρa g (H − 2). pE = pD + 3ρm g.50) em (4. a press˜ ao deve ser calculada a partir da integra¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao diferencial da hidrost´ atica (4.

Em R h´ a uma r´ otula em torno da qual a comporta pode girar e S est´ a livre.13 tem massa m. .66 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido .4 Problemas propostos 1. +c = Bg ρ0 2 6 (4. Integrando: H dS = Bdh. (4. ρ h p0 B 123456789012345 123456789012345 123456789012345 dh H dS Figura 4. A intensidade da for¸ ca que atua no elemento ser´ a: |dFs | = pdS − p0 dS.57) 4. Determine o m´ aximo valor de H para o qual a comporta n˜ ao abre. O fluido tem massa espec´ ıfica ρ e a acelera¸ c˜ ao da gravidade ´ e g . o que fornece: h p − p0 = (ρ0 + ch) gdh = ρ0 gh + cg 0 h2 .55) Seja o elemento de ´ area dS com dimens˜ oes dh e B .12: For¸ ca sobre uma parede vertical exercida por um fluido de massa espec´ ıfica vari´ avel.Hidrost´ atica p0 h fluido. A comporta retangular da figura 4.56) |Fs | = p0 + ρ0 gh + cg 0 h2 2 Bdh − p0 BH H3 H2 + cgB − p0 BH = p0 BH + ρ0 gB 2 6 H3 H2 . 2 (4.

4. . ρ B H Figura 4.13: Comporta sujeita a press˜ ao hidrost´ atica.4 – Problemas propostos 67 B H R ρ θ S L Figura 4.14: Determina¸ c˜ ao das for¸ cas de press˜ ao em uma comporta triangular. patm patm ´ agua.

No topo do tubo (ponto A). por exemplo um cubo. (c) Calcule a press˜ ao no fundo do tubo (ponto B) para t ≫ 0 (situa¸ c˜ ao de equil´ ıbrio).14. e que em t ≫ 0 (o tempo suficiente para a bolha subir) a bolha ocupar´ a o topo do tubo.15 mostra a seguinte situa¸ c˜ ao: no instante t = 0 uma bolha de ar (g´ as ideal ) se encontra no fundo de um tubo de ´ agua completamente fechado (n˜ ao me pergunte como ela foi parar l´ a). onde ρ0 = 1300 kg m−3 e α = 20 kg m−4 . Usando apenas o comprimento do tubo h. a massa espec´ ıfica da ´ agua. mas isso n˜ ao ´ e necess´ ario para resolver o problema). Supondo que a massa espec´ ıfica da lama varia com a profundidade h segundo ρ(h) = ρ0 (1 + αh). (b) Mostre que a situa¸ c˜ ao em t = 0 ´ e de desequil´ ıbrio. (Obs. A figura 4. ainda em t = 0. com uma camada de lama de 10 m de profundidade sobre uma superf´ ıcie horizontal de rocha. trabalho com o exterior).) 4. e a acelera¸ c˜ ao da gravidade g : (a) Calcule aproximadamente a press˜ ao dentro da bolha PB em t = 0. Considere o leito de um lago seco. 5. 3.68 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . Indique nas suas solu¸ c˜ oes todas as vezes que vocˆ e precisar usar qualquer das suposi¸ c˜ oes (i)-(v).Hidrost´ atica 2.16. (a) determine a massa total de lama por unidade de ´ area horizontal 2 (ou seja.: despreze a press˜ ao atmosf´ erica atuando no topo da camada de lama. ρw . (v) despreze completamente efeitos de tens˜ ao superficiais na superf´ ıcie da bolha (se vocˆ e n˜ ao sabe o que ´ e isso. e as trocas de calor entre a bolha de ar e a ´ agua s˜ ao desprez´ ıveis. (iv) o sistema ´ e completamente isolado (n˜ ao troca calor. simplesmente admita que a press˜ ao imediatamente no lado de fora da bolha ´ e igual ` a press˜ ao dentro da bolha). Admita que: (i) a massa espec´ ıfica da ´ agua ρw ´ e muito maior que a do ar ρa . (ii) a bolha de ar tem dimens˜ oes desprez´ ıveis em compara¸ c˜ ao com o tamanho do tubo e a press˜ ao dentro dela ´ e uniformemente distribu´ ıda (se lhe convier suponha uma geometria para a bolha. Justifique sua resposta. (b) determine a press˜ ao sobre a rocha devido ao peso da camada de lama. O 1/3 inferior da barra tem massa . Uma barra s´ olida est´ a em equil´ ıbrio e imersa at´ e 3/4 de seu volume em um fluido como mostra a figura 4. (iii) tanto o ar quanto a ´ agua s˜ ao incompress´ ıveis (ρw e ρa constantes). Calcule a for¸ ca de superf´ ıcie devido ` as press˜ oes da ´ agua e do ar na comporta triangular da figura 4. por m ). massa. n˜ ao h´ a ar (a ´ agua est´ a em contato direto com o tubo) e a press˜ ao l´ a´ e pA |t=0 = 0.

ou t˜ ao pesado quanto a ´ agua.17 mostra um sistema hidr´ aulico em equil´ ıbrio (o recipiente est´ a fixado num referencial inercial e o fluido est´ a em repouso). A3 . O fluido ea ´gua a ´gua barra est˜ ao sob a press˜ ao atmosf´ erica.15: Problema da bolha. etc. os 2/3 restantes (parte superior) tˆ ρa . . No fundo. Em fun¸ c˜ ao de m2 . determine: (a)A massa m1 . A figura 4. da acelera¸ c˜ ao da gravidade (apontando para baixo) g . igualmente sem atrito e sem massa. de ´ areas A1 e A2 . A2 .). h1 . Justifique sua resposta baseando-se em leis e/ou equa¸ c˜ oes da f´ ısica. a for¸ ca F atua para cima no ˆ embolo de ´ area A3 .4 – Problemas propostos A g h A p= 0 A 69 bolha de ar ρ a água ρw B p=? t>> 0 B água ρw bolha ρ de ar a B t= 0 p=? B Figura 4. menos pesado. da massa espec´ ıfica do fluido ρ. Determine se o fluido em quest˜ ao ´ e mais pesado. e das grandezas geom´ etricas que vocˆ e julgar necess´ arias (A1 . 2/3 1/3 ρágua g 2 ρágua Fluido ρ=? Figura 4. As massas m1 e m2 est˜ ao sobre ˆ embolos sem atrito e sem massa.4. Respostas ˜ baseadas puramente em intui¸ c˜ ao NAO ser˜ ao sequer consideradas. onde ρ ´ e o valor da massa espec´ ıfica da ´ a gua.16: Problema da barra parcialmente imersa. espec´ ıfica 2ρa em massa espec´ ıfica ´gua . 6.

A b´ oia carrega sensores e equipamentos de medi¸ c˜ ao na plataforma horizontal da parte superior. a parte da b´ oia acima da plataforma possui altura h/4 e tamb´ em possui massa espec´ ıfica ρ/2.Hidrost´ atica m2 m1 Êmbolo A2 Êmbolo h1 h2 A1 Fluido ρ d h3 h4 h5 A3 F Êmbolo Figura 4.70 (b) [1.19 mostra um tubo em U aberto para a atmosfera de diˆ ametro interno igual a 1 cm.20 mostra uma calota hemisf´ erica de raio R = 0. Determine as componentes horizontal e vertical da for¸ ca da ´ agua sobre a superf´ ıcie da calota.6 m imersa a 3 m de profundidade (´ agua em repouso com ρ = 999 kg/m3 ). e a parte superior at´ e a plataforma possui altura h e ´ e feita de material com massa espec´ ıfica igual a ρ/2. 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . 9. . A figura 4. a parte inferior da b´ oia possui altura h/4 e ´ e feita de material com massa espec´ ıfica igual a 2ρ. Determine qual a massa m m´ axima poss´ ıvel dos equipamentos para os mesmos permane¸ cam acima do n´ ıvel da ´ agua. ρ ´ e a massa espec´ ıfica da ´ agua. 8.17: Sistema hidr´ aulico em equil´ ıbrio. 7.18 mostra uma b´ oia em um lago parado sujeito a uma press˜ ao atmosf´ erica p0 . calcule a nova configura¸ c˜ ao das alturas de merc´ urio nos dois lados depois que o sistema entrar novamente em repouso. A base da b´ oia possui ´ area a.5] A fˆ or¸ ca F . A figura 4. Se 20 cm3 de ´ agua (densidade ρa = 999 kg/m3 ) s˜ ao inseridos no lado direito. A figura 4. com merc´ urio (densidade ρm = 13550 kg/m3 ).

(b) a press˜ a o pb ` a direita.21 mostra uma b´ oia prism´ atica/triangular (triˆ angulo equil´ atero). A figura 4. de h. e merc´ urio (densidade ρm conhecida).24 mostra um sistema com um g´ as em uma cˆ amara fechada e um tubo em U contendo 2 l´ ıquidos (l´ ıquido 1 e l´ ıquido 2). 13. Calcule a densidade ρ1 em fun¸ c˜ ao dos outros dados da figura. Considere que a largura do tanque na dire¸ c˜ ao perpendicular ao papel ´ e constante e igual a 1 m. Em fun¸ c˜ ao dos outros dados mostrados na figura: (a) Calcule qual deve ser a menor massa m dessa tampa para que o . ρ ρ/2 2ρ ´ Area a Figura 4. A figura 4. A figura 4. a b´ oia possui 1 m de comprimento (altura do prisma). Em ρ) e lama (massa espec´ ıfica 4 ρ). h h/4 71 10.22 mostra um tanque com 2 l´ ıquidos: ´ agua (massa espec´ ıfica 5 a em repouso. calcule quanto deve ser a densidade ρb do material da b´ oia para que esta configura¸ c˜ ao ocorra.4. calcule a for¸ ca que os ´ ıquidosfazem na parede esquerda (AB). massa total m h/4 Ar. ´ agua (densidade ρa conhecida). A figura 4. 11.23 mostra um tanque com ar. Note que o merc´ urio est´ a separado da ´ agua por uma parede vertical. O sistema est´ fun¸ c˜ ao da gravidade g . p0 ´ Agua.25 mostra um reservat´ orio de ´ agua onde h´ a um acesso com uma tampa circular e uma placa triangular (triˆ angulo equil´ atero) no lado direito .4 – Problemas propostos Equipamentos. Use o fato de que. e a press˜ ao pa medida no sensor da esquerda. determine (a) a altura h (ver figura). 12. e ρ. A massa espec´ ıfica da ´ agua ´ e dada por ρ = 999 kg/m3 . na dire¸ c˜ ao perpendicular ao papel. Considerando as alturas a e 3a/2 conforme a figura. A figura 4. Conhecendo a press˜ ao atmosf´ erica p0 .18: B´ oia suportando equipamentos de medi¸ c˜ ao. altura de merc´ urio d.

: resposta intuitiva NAO es de argumentos baseados nas leis da f´ ısica. Sugest˜ ao: use o referencial acelerado do pr´ oprio carrinho. A acelera¸ c˜ ao da gravidade ´ e g. mas n˜ ao se esque¸ ca de incluir a for¸ ca fict´ ıcia de in´ ercia (lembre-se de seus cursos de f´ ısica).19: Tubo U com merc´ urio.72 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . Justifique sua resposta atrav´ Obs. (b) Calcule a for¸ ca que a ´ agua faz na placa triangular. 14.27 mostra um tanque contendo ´ agua (massa espec´ ıfica ρ) sobre merc´ urio (massa espec´ ıfica 14ρ). ˜ VALE. A figura 4. peso dela seja suficiente para n˜ ao haver vazamento de ´ agua.26 mostra um carro cheio d’´ agua que se acelera livremente (sem atrito) sobre um plano inclinado com inclina¸ c˜ ao α em rela¸ c˜ ao ` a horizontal. Na interface entre os dois fluidos. Determine a raz˜ ao entre as distˆ ancias a e b. Encontre o ˆ angulo β que a superf´ ıcie livre ter´ a para que o fluido esteja em repouso em rela¸ c˜ ao ao carro. flutua um bloco s´ olido de a¸ co (massa espec´ ıfica 8ρ). 15.Hidrost´ atica d = 10 cm d = 10 cm Figura 4. . A figura 4. em rela¸ c˜ ao ao qual a ´ agua est´ a parada.

4 – Problemas propostos 73 ρ = 999 kg/m3 h=3m R = 0. A patm ρ h 5 4ρ h/2 B Figura 4.22: Press˜ ao de 2 l´ ıquidos nas paredes de um tanque.21: B´ oia triangular.20: For¸ ca em calota hemisf´ erica. .4. a 3a/2 ρ = 999 kg/m3 Figura 4. 6 m Figura 4.

25: Sistema sob press˜ ao. . Figura 4.74 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . Figura 4.23: Press˜ ao hidrost´ atica.24: Tubo em U.Hidrost´ atica Figura 4.

27: bloco flutuante. .4.26: Carro com ´ agua descendo a ladeira. ρ a b 14ρ 8ρ Figura 4.4 – Problemas propostos 75 Superf´ ıcie livre xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 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xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 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xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx β g x α Figura 4.

.

1) . vx = 0. Nesta se¸ c˜ ao se apresenta este conceito. o quanto o elemento se deforma com o tempo). este se deforma devido ` a varia¸ c˜ ao de vx na dire¸ c˜ ao x. 77 (5.2) (5. A taxa de deforma¸ c˜ ao linear do elemento na dire¸ c˜ ao x ´ e definida como a varia¸ c˜ ao relativa no tamanho do elemento naquela dire¸ c˜ ao: 1 d 1 ∆x + ∆l − ∆x (∆x) = lim .1. no caso geral. Note que esta deforma¸ c˜ ao. O elemento tem inicialmente tamanho ∆x e ap´ os ∆t.Cap´ ıtulo 5 Movimento Relativo Em Um ´ tica Fluido: Cinema 5. 5.1 Deforma¸ c˜ ao linear Considere um elemento de fluido retangular em um escoamento plano unidirecional com vy = 0.1 Taxa de deforma¸ c˜ ao de um fluido O conceito de taxa deforma¸ c˜ ao de um fluido ´ e vital para se compreender como um fluido pode transportar quantidade de movimento.1. como mostra a figura 5. de modo que n˜ ao ´ e pr´ atico se falar em deforma¸ c˜ ao e sim em taxa de deforma¸ c˜ ao (ou seja. ocorre continuamente com o tempo. considere que vx ´ e fun¸ c˜ ao de x apenas. al´ em disso. ∆x dt ∆x ∆t→0 ∆t Mas ∆l = (vx |x+∆x − vx |x ) ∆t.

que substitu´ ıdo em (5. pode haver tamb´ em a chamada deforma¸ c˜ ao volum´ etrica. Ou seja.7) onde ∇ = (∂/∂x.6) (5. (5. ∆y dt ∂y 1 d ∂vz (∆z ) = . a taxa deforma¸ c˜ ao volum´ etrica ´ e igual ` a soma das taxas de deforma¸ c˜ ao linear nas trˆ es dire¸ c˜ oes. ent˜ 1 d ∂vx (∆x) = .78 y 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica y ∆t vx |x ∆x vx |x+∆x x ∆x + ∆l x Figura 5. ∂/∂z ).1: Deforma¸ c˜ ao linear de um elemento de fluido em escoamento plano unidirecional.3) Para um elemento suficientemente pequeno.5) (5.4) Al´ em da deforma¸ c˜ ao linear. ∆x dt ∆x (5. Note que ´ e . ∆z dt ∂z (5. ∂/∂y. ∆x dt ∂x Analogamente as taxas de deforma¸ c˜ ao linear em y e z s˜ ao: 1 d ∂vy (∆y ) = . o lado direito de (??) ´ e a derivada ∂vx ao a taxa de deforma¸ c˜ ao linear em x ´ e: parcial ∂x . dada por: 1 d ∆V ∆V dt = 1 d (∆x∆y ∆z ) ∆x∆y ∆z dt 1 d 1 d 1 d = (∆x) + (∆y ) + (∆z ) ∆x dt ∆y dt ∆z dt ∂vx ∂vy ∂vz + + = ∂x ∂y ∂z = ∇ · v.1) resulta em: (vx |x+∆x − vx |x ) 1 d (∆x) = .

e por isso. nota-se que o bordo inferior do elemento tem velocidade vx |y . Note que est´ a se supondo que o atrito na base do s´ olido ´ e suficientemente grande para que o corpo n˜ ao deslize.1.2 Deforma¸ c˜ ao de cisalhamento Ao definir-se fluido no cap´ ıtulo 1. ao passo que os s´ olidos apresentariam uma deforma¸ c˜ ao finita. n˜ ao ´ eu ´ til se falar em deforma¸ c˜ ao para fluidos. poss´ ıvel haver deforma¸ c˜ ao linear sem que haja deforma¸ c˜ ao volum´ etrica. Portanto. em um intervalo de tempo ∆t. mas sim em taxa de deforma¸ c˜ ao. 5. a deforma¸ c˜ ao de cisalhamento ´ e. ∇ · v ´ e o escalar chamado de divergente do vetor velocidade. Analisando seu deslocamento relativo. fun¸ c˜ ao do espa¸ co e do tempo. A taxa de deforma¸ c˜ ao do elemento ´ e definida como a m´ edia das taxas de varia¸ c˜ ao dos ˆ angulos que as faces do elemento do fluido fazem com os eixos .2. mais uma vez. enquanto que o bordo superior tem velocidade vx |y+∆y . Para introduzir a id´ eia de deforma¸ c˜ ao de cisalhamento em um fluido com um caso simplificado. considere uma part´ ıcula retangular plana (bidimensional) elementar com lados ∆x e ∆y no interior de uma massa fluida em um escoamento unidimensional (vy = 0).2 do cap´ ıtulo 1). conforme est´ a mostrado na figura 5.2: Deforma¸ c˜ ao de cisalhamento de um elemento de fluido em escoamento plano unidirecional.1 – Taxa de deforma¸ c˜ ao de um fluido 79 y vx |y+∆y ∆y vx |y x ∆t y ∆l α|t+∆t x Figura 5. no caso geral. e que se deforma indefinidamente enquanto sob uma tens˜ ao tangencial (ver figura 1. e ´ e nulo quando o fluido ´ e incompress´ ıvel (no Cap´ ıtulo 6 o divergente ser´ a apresentado com maior detalhe). foi dito que trata-se de um material distribuido de acordo com a hip´ otese do cont´ ınuo.5. at´ e que uma for¸ ca el´ astica restauradora equilibraria a for¸ ca provocada pela tens˜ ao tangencial.

2 ∂y (5.80 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica coordenados. ∆y ∆y ∆l = (vx |y+∆y − vx |y ) ∆t.9) foi usado arctan ∆ ≈ ∆ em vista de que a deforma¸ c˜ ao ´ e y y pequena em rela¸ c˜ ao ao tamanho do elemento. Pela defini¸ c˜ ao de taxa de deforma¸ c˜ ao: 1 2 Desta vez: α | t = β | t = 0. Ou seja. Substituindo as equa¸ c˜ oes (5.3 mostra o elemento em tal configura¸ c˜ ao.8) (5. A figura 5.15) .14) (5. (5.11) para ∆y suficientemente pequeno. e ∆l ∆l onde em (5. (5.9) e (5. h´ a apenas deforma¸ c˜ ao em uma dessas dire¸ c˜ oes e o ˆ angulo ´ e α: α|t+∆t − α|t 1 1 dα = lim . Considere agora o caso mais geral de um corte no plano (x. tendo o vetor velocidade v componentes x e y iguais a vx e vy . ∆y ∆x dα dβ + dt dt = 1 lim 2 ∆t→0 α|t+∆t − α|t β |t+∆t − β |t + ∆t ∆t .13) onde ∆lx = (vx |y+∆y − vx |y ) ∆t. No caso da figura 5. 2 dt 2 ∆t→0 ∆t α | t = 0.10) mas α|t+∆t = arctan ∆l ∆l ≈ .9) (5.2.8): ∆t (vx |y+∆y − vx |y ) ∆ 1 dα 1 y = lim 2 dt 2 ∆t→0 ∆t 1 (vx |y+∆y − vx |y ) = 2 ∆y 1 ∂vx = . ∆lx ∆ly + arctan ∆y ∆x ∆lx ∆ly ≈ + .10) na equa¸ c˜ ao (5. a taxa de deforma¸ c˜ ao de um fluido escoando apenas na dire¸ c˜ ao x e sujeito a cisalhamento apenas na dire¸ c˜ ao y´ e igual ` a metade da taxa de varia¸ c˜ ao da velocidade em x na coordenada y . (5.12) α|t+∆t + β |t+∆t = arctan (5. y ) em um escoamento tridimensional. ∆ly = (vy |x+∆x − vy |x ) ∆t.

13) em (5. 2 dt 2 ∆t→0 ∆t (5.14). que ´ e a taxa de deforma¸ c˜ ao no plano (x. y ) de um elemento de fluido em escoamento. y ). para facilitar e uniformizar a nota¸ c˜ ao. z ) e (y.3 os ˆ angulos est˜ ao em sentidos .3. as taxas de deforma¸ c˜ ao linear e de cisalhamento podem ser combinadas para formar o tensor taxa de deforma¸ c˜ a o D:   ∂vy ∂vx 1 ∂vx 1 ∂vx ∂vz + + ∂x 2 ∂y ∂x 2 ∂z ∂x    1 ∂vx ∂vy  ∂vy 1 ∂vy ∂vz D =  2 ∂y + ∂x (5.2 – Rota¸ c˜ ao de um fluido: vorticidade 81 y vy |x vy |x+∆x y ∆lx α|t+∆t ∆ly β |t+∆t x vx |y+∆y ∆t vx |y x ∆y ∆x Figura 5.15).16) Para ∆x e ∆y suficientemente pequenos: 1 1 d (α + β ) = 2 dt 2 ∂vx ∂vy + ∂y ∂x .18) + ∂y  . z ). (5.17) Note que D ´ e um tensor sim´ etrico. (5. obt´ em-se: ∆t ∆t + (vy |x+∆x + vy |x ) ∆ (vx |y+∆y − vx |y ) ∆ y x 1 d (α + β ) 1 = lim .2 Rota¸ c˜ ao de um fluido: vorticidade Considere agora a figura 5. e (5.5. imagine que os ˆ angulos α e β tivessem ambos o mesmo sentido de rota¸ c˜ ao (na figura 5.3: Deforma¸ c˜ ao de cisalhamento no plano (x.12). por´ em. Substituindo as equa¸ c˜ oes (5. Finalmente. Uma dedu¸ c˜ ao an´ aloga pode ser feita para as taxas de deforma¸ c˜ ao nos planos (x. ∂y 2 ∂z   1 ∂vx 1 ∂vy ∂vz z z + ∂v + ∂v 2 ∂z ∂x 2 ∂z ∂y ∂z 5.

ωy . (5. (5. z ) e (y. ´ e poss´ ıvel calcular o campo de voticidade ω associado a esse campo de velocidades.22) Linha e tubo de vorticidade Dado um campo vetorial de velocidades v de um fluido. Claramente. Um exemplo pr´ atico aproximado de um tubo de vorticidade ´ e o funil de um tornado ou de um furac˜ ao. pode-se perceber que a vorticidade ω ´ e igual ao rotacional do campo de velocidades: ω = (ωx . e portanto mede a taxa de rota¸ c˜ ao no ponto. simplesmente aplicando-se o rotacional de v. z ). Aplicando a mesma id´ eia para a rota¸ c˜ ao nos planos (x. d´ a-se o nome de vorticidade. por´ em com um dos ˆ angulos com sinal trocado: 1 2 dβ dα − dt dt = 1 lim 2 ∆t→0 β |t+∆t − β |t α|t+∆t − α|t − ∆t ∆t . Essas linhas s˜ ao definidas pelas equa¸ c˜ oes: dx dy dz = = . Podemos definir esta velocidade como a componente z de um vetor velocidade angular. ou seja. (5. Assim como definimos linha de corrente como as linhas ` as quais os vetores velocidade s˜ ao tangentes a elas. a velocidade angular local da part´ ıcula de fluido en torno do eixo z . essencialmente. ωz ) ≡ 5. − . o tubo de vorticidade ´ e uma superf´ ıcie gerada por linhas de vorticidade adjacentes.19) Analogamente ao caso da deforma¸ c˜ ao (o leitor deve aqui dar os passos alg´ ebricos para comprovar). (5. − ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y .2.1 ∂vz ∂vy ∂vx ∂vz ∂vy ∂vx − . neste caso.21) Ao que aparece entre parˆ enteses em 5. Claramente. ou. − .82 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica opostos).35.23) ωx ωy ωz Analogamente a um tubo de corrente. dado pela equa¸ c˜ ao 5.20) que d´ a. temos ent˜ ao um vetor velocidade angular: 1 2 ∂vz ∂vy ∂vx ∂vz ∂vy ∂vx − .21. definimos a taxa de rota¸ c˜ ao de forma an´ aloga ` a taxa de deforma¸ c˜ ao de cisalhamento. linhas de vorticidade. Assim. analogamente definir linhas cujos vetores vorticidade s˜ ao tangentes a elas. a vorticidade ´ e um vetor igual a duas vezes a velocidade angular do fluido em um ponto. o que temos ´ e: 1 d (β − α ) 1 = 2 dt 2 ∂vy ∂vx − ∂x ∂y . . temos o que se assemelharia mais a uma rota¸ c˜ ao que a uma simples deforma¸ c˜ ao. podemos. − ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y = ∇ × v (5.

tal escoamento ´ e chamado de escoamento irrotacional ou potencial. naquela regi˜ ao. ω = ∇ × v = 0.3 – Movimento relativo z Q r + ∆r ∆r r P v y x v + ∆v 83 Figura 5. v e v + ∆v. ∆v. A velocidade de Q relativa a P. Sejam dois pontos pr´ oximos P e Q.5. ∆z ). ou seja.4 ilustra a situa¸ c˜ ao. A figura 5.24) A equa¸ c˜ ao 5. ∆vz ) = ∂vx ∂vx ∂vx ∆x + ∆y + ∆z.4: Movimento relativo.24 pode ser reescrita de forma muito mais conveniente como: ∆v = G∆r (5. Se em uma regi˜ ao do dom´ ınio o escoamento ´ e tal que a vorticidade ´ e nula. 5. ∆vy . pode ser expressa em termos de diferenciais: ∆v = (∆vx . ∂x ∂y ∂z ∂vz ∂vz ∂vz ∆x + ∆y + ∆z ∂x ∂y ∂z (5.3 Movimento relativo Vamos considerar agora o movimento relatido entre dois pontos pr´ oximos em um fluido. separados por um vetor distˆ ancia ∆r ≡ (∆x. ∂x ∂y ∂z ∂vy ∂vy ∂vy ∆x + ∆y + ∆z. respectivamente. ∆y.25) . e cujas velocidades s˜ ao.

27) Au ´ ltima matriz na equa¸ c˜ ao 5. portanto. uma medida local do movimento relativo entre duas part´ ıculas vizinhas.84 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica onde a matriz G ≡ ∇v ´ e chamada tensor gradiente de velocidade.29) . e definida por:  ∂v ∂v ∂v  x x x O tensor G ´ e. (5. ´ e antisim´ etrica. e pode ser escrita em termos das componentes de vorticidade como:  0 1 2 1 2 ∂vx ∂z ∂vx ∂z 1 2 ∂vz ∂x ∂vz ∂x 1 2 1 2 ∂vy ∂z ∂vx ∂y   R≡   − 0 − ∂vy ∂x 1 2 1 2 − − ∂vx ∂z ∂vy ∂z − − 0 ∂vz ∂x ∂vz ∂y  ∂vz ∂y  0 −ωz ωy  ωz 0 −ωx  −ωy ωx 0    =  (5. (5.27 ´ e chamada de tensor de rota¸ c˜ ao R .26)       G= 1 2 1 2  ∂vx ∂y ∂vx ∂z + + 0 ∂vx + ∂y ∂vy ∂y ∂vy + ∂z ∂vx ∂y  = ∂vy ∂x 1 2 1 2 ∂vx ∂z ∂vy ∂z + + ∂vz ∂x ∂vz ∂y      ∂vz ∂y ∂vy ∂x 1 2 1 2 ∂vz ∂y ∂vz ∂z ∂vx ∂z ∂vy ∂z   +   1 2 1 2 ∂vx ∂z ∂vx ∂z − 0 − − − 0 ∂vz ∂x ∂vz ∂y − −      (5.28) A conclus˜ ao ´ e que qualquer movimento relativo entre 2 part´ ıculas infinitesimalmente pr´ oximas ´ e uma combina¸ c˜ ao (soma) entre deforma¸ c˜ ao pura e rota¸ c˜ ao pura: G = D + R. Note que:  ∂vx ∂x ∂vy ∂x ∂vz ∂x ∂vx ∂x ∂vx ∂y ∂vy ∂y ∂vz ∂y ∂vx ∂z ∂vy ∂z ∂vz ∂z 1 2 ∂vy ∂x ∂vz ∂x 1 2 1 2 ∂vz ∂x ∂vz ∂x 1 2 ∂vy ∂z  G= ∂x ∂vy ∂x ∂vz ∂x ∂y ∂vy ∂y ∂vz ∂y ∂z ∂vy ∂z ∂vz ∂z  .

4 Circula¸ c˜ ao Por defini¸ c˜ ao.31) S C temos uma liga¸ c˜ ao entre o conceito de circula¸ c˜ ao e o conceito de vorticidade. (5.32) onde n ´ e o vetor unit´ ario normal ao elemento de ´ area dS .6 ilustra a conex˜ ao entre o fluxo de vorticidade e a circula¸ c˜ ao. Veja a ilustra¸ c˜ ao na figura 5. para calcular a circula¸ c˜ ao causada por um campo de velocidades v. e a integral ´ eo fluxo sobre uma superf´ ıcie qualquer S que passa por C . uma maneira alternativa ` a integral de linha 5.5.5: Defini¸ c˜ ao de circula¸ c˜ ao.30. Especificamente. (5. ´ e usar o Teorema de Stokes juntamente com a defini¸ c˜ ao de vorticidade ω ≡ ∇ × v: Γ= S (ω · n) dS. A figura 5.5. .4 – Circula¸ c˜ ao 85 z dr v y C x Figura 5. 5. ao longo de uma linha fechada: Γ= C v · dr.30) O conceito ´ e an´ alogo ao conceito de trabalho de uma for¸ ca ao longo de um circuito fechado. Pelo teorema de Stokes (∇ × v · n) dS = v · dr. (5. a circula¸ c˜ ao Γ ´ e definida como uma integral de linha orientada do produto interno entre o vetor velocidade do fluido e o vetor elemento da linha.

vy . − . 0) = (−Ωy. e nenhuma varia¸ c˜ ao na dire¸ c˜ ao vertical.86 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica z ω n dS S dr v C y x Figura 5.6: Conex˜ ao entre a circula¸ c˜ ao e o fluxo de vorticidade. a vorticidade pode ser calculada em termos de coordenadas cartesianas. Ap´ os um per´ ıodo transiente.34) . o fluido se move como se fosse um corpo s´ olido. em c´ ırculos concˆ entricos.35) (5. 0. j´ a que r 2 = x2 + y 2 . O efeito viscoso ir´ a ent˜ ao fazer com que o fluido se mova paralelamente ` as paredes do balde. A velocidade do fluido pode ser expressa em coordenadas polares cil´ ındricas: vr = 0. 2Ω) (5. (5. Considere um balde com ´ agua colocado lentamente em rota¸ c˜ ao em torno do seu eixo at´ e atingir uma velocidade angular final Ω. 0) . vθ = Ωr.7 ilustra vistas lateral e superior do balde. Ent˜ ao. A vorticidade ter´ a ent˜ ao somente componente z : ω= ∂vy ∂vx ∂vz ∂vy ∂vx ∂vz − . v = (vx . Ou seja. Ωx. − ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y = (0.33) Embora seja poss´ ıvel usar coordenadas polares. espera-se que todo o fluido esteja se movendo apenas com velocidade na dire¸ c˜ ao tangencial. Exemplo Rota¸ c˜ ao de corpo s´ olido. A figura 5.

(5. 2Ω) · (0. lembrando que r 2 = x2 + y 2 .5. 1)rdrdθ r2 = 2π 2Ω 2 R = 2π ΩR2 .7: Fluido em rota¸ c˜ ao como se fosse um corpo s´ olido. r onde c ´ e uma constante.8 ilustra vistas lateral e superior do escoamento. 0. A figura 5. . A circula¸ c˜ ao em torno do eixo de rota¸ c˜ ao ao longo de uma circunferˆ encia de raio R ´ e dada por: 2π Γ= v · dr = vθ Rdθ = 2πR(ΩR) = 2π ΩR2 . A velocidade tangencial do fluido pode ser expressa em coordenadas polares cil´ ındricas por: c (5. 0 (5.37) 0 Exemplo Modelo de furac˜ ao. A vorticidade pode ser calculada em termos de coordenadas cartesianas. vθ = .36) A circula¸ c˜ ao pode tamb´ em ser calculada pelo fluxo de vorticidade atrav´ es do disco de raio R circundado pela linha da integral acima: 2π R 0 Γ= 0 (0.38) vr = 0. 0. Considere um modelo simplificado de um furac˜ ao (ou de um ralo que drena ´ agua de uma banheira).4 – Circula¸ c˜ ao 87 Ω vθ Ω Figura 5.

mesmo que ele seja irrotacional fora da origem. 5. exceto na origem. Ent˜ ao.39) A vorticidade para este campo de velocidades ´ e nula (verifique este resultado). pois o escoamento ´ e irrotacional. v= x2 cx −cy . 2 + y x + y2 (5. por´ em produz circula¸ c˜ ao n˜ ao nula.9.5 Problemas propostos 1. A circula¸ c˜ ao em torno do eixo de rota¸ c˜ ao ao longo de uma circunferˆ encia de raio R ´ e dada por: 2π Γ= v · dr = vθ Rdθ = 2πR 0 c = 2πc. Para o campo de velocidades do experimento de Newton mostrado na figura 5. . n˜ ao h´ a nada de errado com este resultado.8: Fluido em rota¸ c˜ ao tipo furac˜ ao. Note que a vorticidade tende a +∞ na origem (h´ a uma descontinuidade infinita na velocidade). calcule: a) o tensor taxa de deforma¸ c˜ ao para um ponto no meio das duas placas.0 . pois tende a ±∞. Este fato ´ e que faz com que haja circula¸ c˜ ao em torno da origem: toda a vorticidade est´ a concentrada na origem e o escoamento responde a isso com uma circula¸ c˜ ao n˜ ao-nula. Note que a vorticidade de fato ´ e zero em todo o dom´ ınio do problema. 2 . R (5.40) O resultado ´ e aparentemente contradit´ orio. Entretanto.88 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica vθ vθ Figura 5. onde sequer a velocidade ´ e definida.

ou seja. 0). Usando coordenadas cartesianas. Sabendo que em coordenadas polares cil´ ındricas a componente vertical da vorticidade ´ e definida por 1 ∂ 1 ∂vr (rvθ ) − . µ b) o tensor de rota¸ c˜ ao para um ponto no meio das duas placas. quando escrita em coordenadas cartesianas d´ a: v= x2 cy cx . vz ) = (0. no modelo de furac˜ ao. Usando coordenadas cartesianas. d) a circula¸ c˜ ao ao longo do contorno C (ver figura) usando a integral de superf´ ıcie (teorema de Stokes). o fluido n˜ ao se deforma. deforma¸ c˜ ao. 0) (modelo de furac˜ ao). no caso de rota¸ c˜ ao como corpo r´ ıgido. a vorticidade ´ e zero em todos os pontos. vz ) = (0. todos os elementos do tensor taxa de deforma¸ c˜ ao s˜ ao nulos. exceto na origem.5. prove que. no modelo de furac˜ ao. 2 + y x + y2 (5. Ωr. Prove que. ωz = . e (b) (vr . vθ . 3. e circula¸ c˜ ao no experimento de Newton. 6. Prove que. a velocidade (vr . vz ) = (0. 0) (rota¸ c˜ ao como de um corpo r´ ıgido).42) r ∂r r ∂θ calcule ωz diretamente em coordenadas polares a partir de (a) (vr . c) a circula¸ c˜ ao ao longo do contorno C (ver figura) usando a integral de linha. 2 . prove que.9: Rota¸ c˜ ao. vθ . C H ρ. a circula¸ c˜ ao em torno do eixo de rota¸ c˜ ao ´ e igual a 2πc. vθ . c/r.0 . e uma integral de linha em torno do eixo de rota¸ c˜ ao.41) 4. onde a vorticidade ´ e infinita. 2. (5. c/r.5 – Problemas propostos 89 V0 v x (y ) D Figura 5. no modelo de furac˜ ao. 5.

.

massa. 6. v´ alidas para um conjunto de materiais. e calor. e sim equa¸ c˜ oes emp´ ıricas que carregam como u ´ nico princ´ ıpio fundamental a segunda lei da termodinˆ amica.1 Transferˆ encia de quantidade de movimento No cap´ ıtulo anterior foram obtidas as taxa de deforma¸ c˜ ao de um fluido em fun¸ c˜ ao do campo de velocidades do mesmo. sup˜ oe-se que as equa¸ c˜ oes constitutivas s˜ ao proposi¸ c˜ oes emp´ ıricas obtidas experimentalmente. Esta equa¸ c˜ ao pode ser obtida empiricamente atrav´ es de experiˆ encias de laborat´ orio. Neste texto. Em fenˆ omenos de transferˆ encia e em mecˆ anica dos fluidos. ou atrav´ es de modela¸ c˜ ao matem´ atica da estrutura molecular da mat´ eria.Cap´ ıtulo 6 ˜ es Fluxos Difusivos: Equac ¸o Constitutivas Neste cap´ ıtulo ser˜ ao apresentadas as chamadas equa¸ c˜ oes ou leis constitutivas para a transferˆ encia de quantidade de movimento. esta rela¸ c˜ ao chama-se equa¸ c˜ ao ou lei constitutiva para a quantidade de movimento. Resta agora estabelecer a rela¸ c˜ ao dessas taxas com as tens˜ oes surgidas no fluido. A equa¸ c˜ ao constitutiva da transferˆ encia de quantidade de movimento. Estas equa¸ c˜ oes n˜ ao s˜ ao propriamente leis fundamentais como as leis de conserva¸ c˜ ao. por assim dizer. No caso da transferˆ encia de quantidade de movimento. o elo entre as propriedades moleculares e as propriedades macrosc´ opicas do meio cont´ ınuo. a equa¸ c˜ ao constitutiva estabelece uma rela¸ c˜ ao entre tens˜ ao tangencial e a taxa de deforma¸ c˜ ao devido a esta tens˜ ao. As equa¸ c˜ oes constitutivas s˜ ao. por 91 .

ela arrasta consigo as part´ ıculas que est˜ ao aderidas a ela. sendo vx (0) = 0 e vx (h) = v0 (estas s˜ ao as chamadas condi¸ c˜ oes de n˜ ao-deslizamento. nem todas as part´ ıculas de fluido se movem com a mesma velocidade. como mostra a figura 6. O mecanismo se d´ a da seguinte forma. O experimento de Newton Imagine um fluido de espessura h confinado entre um fundo r´ ıgido e uma placa m´ ovel na fronteira superior. Por isso ela ser´ a apresentada primeiramente no contexto cl´ assico do experimento de Newton: um escoamento cisalhante unidirecional. Entretanto. Observa-se ent˜ ao que a massa fluida entra em escoamento no sentido do movimento da placa. A distribui¸ c˜ ao de velocidades ocorre devido ` a transferˆ encia de quantidade de movimento da placa para o fluido. a placa se move com velocidade v0 .1: O experimento de Newton de transferˆ encia de quantidade de movimento. transferem parte .1) onde A ´ ea´ area da placa. ou seja. Quando a placa superior entra em movimento.1. e aparece uma tens˜ ao tangencial Txy na parte superior do fluido: Txy = F A . Inicialmente o fluido e a placa est˜ ao em repouso. Estabelece-se um perfil de velocidades. (6. uma distribui¸ c˜ ao espacial de velocidades vx (y ). Exercendo-se uma for¸ ca F constante na placa superior. esta ser uma grandeza vetorial. e estas por sua vez. ´ e bem mais complexa que as de massa e de calor. e entre camadas de fluido adjacentes. pois implicam que as part´ ıculas de fluido em contato com uma fronteira s´ olida tˆ em a velocidade da fronteira).92 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas v0 F vx (y ) x Txy = µ dv dy fluido h Figura 6.

h´ a uma proporcionalidade entre a tens˜ ao tangencial e a taxa de deforma¸ c˜ ao. A transferˆ encia de quantidade de movimento deve ser entendida como existindo nos dois sentidos. e ao fato de que estas camadas ir˜ ao trocar mol´ eculas com quantidades de movimento m´ edias diferentes entre si. ´ e a taxa de deforma¸ c˜ ao. (6. e tˆ em a ver com o fato de que as mol´ eculas em uma camada de fluido (mesmo este estando macroscopicamente em repouso) est˜ ao em constante agita¸ c˜ ao e se h´ a uma velocidade m´ edia (lembre-se da id´ eia da velocidade do centro de massa de um sistema visto no cap´ ıtulo 2) maior que a das mol´ eculas de uma camada vizinha. e que a constante de proporcionalidade ´ e uma propriedade intr´ ınseca do material. fisico . part´ ıculas de fluido com maior velocidade que o seu entorno tendem a aumentar a velocidade do seu entorno.inventou o c´ alculo difer´ ao encial e integral. Repare que a varia¸ c˜ ao da velocidade em y . Sir Isaac Newton (1642-1727) . dvx /dy .6. o respons´ avel pelo paradigma cient´ ıfico sob o qual vive-se hoje.2) a forma: ∂vx Txy = ρν . conforme explicado na pr´ oxima se¸ c˜ ao).1 – Transferˆ encia de quantidade de movimento 93 de sua quantidade de movimento para as que est˜ ao imediatamente abaixo. definida por: µ . Newton1 observou empiricamente que. enquanto que part´ ıculas com menor velocidade tendem a diminuir a velocidade do seu entorno (a transferˆ encia neste caso ´ e negativa. Note que. haver´ a uma transferˆ encia de quantidade de movimento do fluido devido aos choques aleat´ orios entre as mol´ eculas dessas camadas. ` a qual denominou viscosidade absoluta ou viscosidade dinˆ amica. Assim: Txy = µ ∂vx .2) Por raz˜ oes pr´ aticas. 1 . e descobriu a lei da gravita¸ ca ˜o. para muitos fluidos (os chamados fluidos newtonianos. lado de Ren´ e Descates. µ. ou fluxo espec´ ıfico difusivo de quantidade de movimento. e que esta ´ e. e da viscosidade cinem´ atica ´ e [ν ] = m2 s−1 .Fil´ osofo. (6. como o fundo ´ e fixo. por assim dizer). ou seja. se trabalha tamb´ em com a chamada viscosidade cinem´ atica. e assim por diante para as camadas abaixo. este tende a freiar a camada de fluido imediatamente acima. Estas transferˆ encias de quantidade de movimento se d˜ ao devido a intera¸ c˜ oes a n´ ıvel microsc´ opico entre mol´ eculas que est˜ ao pr´ oximas umas das outras. ∂y (6. matem´ atico. E.4) ∂y A unidade SI da viscosidade dinˆ amica ´ e [µ] = Pa s.3) ν= ρ dando a (6. um indicador da taxa de transferˆ encia de quantidade de movimento. portanto. criou a mecˆ anica (newtoniana).

Sir George Gabriel Stokes (1819-1903) . (na equa¸ c˜ ao acima est˜ ao inclu´ ıdas suposi¸ c˜ oes que est˜ ao al´ em do escopo deste texto introdut´ orio: a isotropia nas rela¸ c˜ oes entre tens˜ oes e deforma¸ c˜ oes do fluido. Ainda com rela¸ c˜ ao ao exemplo da placa posta em movimento sobre um fluido.5) 0 0 −p (6. Por isso ´ e conveniente separar o tensor de tens˜ oes em duas partes: a parte hidrost´ atica. sempre que h´ a deforma¸ c˜ ao em um fluido. e a hip´ otese de Stokes2 . Como o interior do fluido tem energia mecˆ anica constante (j´ a que a velocidade da placa se mantˆ em constante). De fato. que n˜ ao ´ e capaz de deformar o fluido. e a parte dinˆ amica T′ : T = −pI + T′ . ou melhor.4) ´ e a equa¸ c˜ ao constitutiva de transferˆ encia de quantidade de movimento para um fluido em escoamento cisalhante em uma u ´ nica dire¸ c˜ ao. tem m´ odulo igual ` a press˜ ao termodinˆ amica p. onde h´ a taxa de deforma¸ c˜ ao linear. este constante input de energia que vem do mecanismo que puxa a placa (seja ele qual for) est´ a sendo perdido. h´ a perda de energia mecˆ anica para energia interna.94 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas onde I ´ e a matriz identidade. Para uma exposi¸ c˜ ao mais detalhada. que em u ´ ltima instˆ ancia diz que a o valor m´ edio das tens˜ oes normais (Txx + Tyy + Tzz ) /3. muito embora haja um campo de tens˜ oes dado pelo campo de press˜ ao:   −p 0 0 Trepouso = −pI =  0 −p 0  .7) onde ∇ · v corresponde ` a deforma¸ c˜ ao volum´ etrica e D ´ e o tensor taxa de deforma¸ c˜ ao dado por (5.18). (6.2) ou (6. que alimenta de energia o interior do fluido. Neste ponto o leitor atento deve estar se perguntando se n˜ ao deveria haver processos t´ ermicos ocorrendo sempre que ocorrem transferˆ encias de quantidade de movimento por tens˜ oes viscosas. No caso geral.6) A equa¸ c˜ ao (6. para manter a placa com uma velocidade constante ´ e necess´ ario que haja uma for¸ ca sobre a placa. e de cisalhamento nas trˆ es dimens˜ oes. est´ a sendo transformado em energia interna do fluido. em um fluido em repouso n˜ ao h´ a deforma¸ c˜ ao. 2 . a proporcionalidade entre tens˜ oes dinˆ amicas T′ e as taxas deforma¸ c˜ ao ´ e mais complexa e dada pela seguinte rela¸ c˜ ao: 2 T′ = − µ (∇ · v) I + 2µD. ver Kundu (1990) ou Batchelor (1967). 3 (6. Obviamente.Excepcional f´ ısico-matem´ atico cuja obra na ´ area de mecˆ anica dos fluidos e dos s´ olidos ´ e inestim´ avel. volum´ etrica. e essa for¸ ca realiza trabalho.

determine o tensor de tens˜ oes T. (6.12) ∂x ∂y ∂z O tensor taxas de deforma¸ c˜ ao ´ e dado por::   ∂vy ∂vx 1 ∂vx 1 ∂vx ∂vz + + ∂x 2 ∂y ∂x 2 ∂z ∂x     1 ∂vx ∂vy ∂vy 1 ∂vy ∂vz + D =  2 ∂y + ∂x  . 3 Em muitos casos (especialmente de l´ ıquidos).10) L L Conhecendo-se o campo de press˜ oes p(x.13) ∂y 2 ∂z ∂y   ∂vz 1 ∂vy ∂vz ∂vz 1 ∂vx + ∂x + ∂y 2 ∂z 2 ∂z ∂z y substituindo vx = v∞ L .8) se reduz a: T = −pI + 2µD. Solu¸ ca ˜o O tensor de tens˜ oes ´ e dado pela equa¸ c˜ ao (6. j´ a que ∂vx ∂vy ∂vz ∇·v = + + = 0. y ).8) T = − p + µ (∇ · v ) I + 2 µ D . (6. vy ) = v∞ ex + ey . (6. e vz = 0:  2µv∞ 0 L ∞ 2µD =  2µv 0 L 0 0 A parte da tens˜ ao relacionada ` a deforma¸ c˜ ao volum´ etrica ´ e nula. Nesses casos a equa¸ c˜ ao constitutiva (6.6.1 – Transferˆ encia de quantidade de movimento 95 A equa¸ c˜ ao constitutiva geral para a transferˆ encia de quantidade de movimento ´ e dada pela rela¸ c˜ ao entre o tensor de tens˜ oes T e o tensor taxas de deforma¸ c˜ ao D ´ e: 2 (6. 0 (6.14) .9) Exemplo Seja o seguinte campo de velocidades em um plano horizontal: y x v = (vx . o fluido pode ser considerado incompress´ ıvel (∇ · v = 0).11) Multiplicando o tensor acima por 2µ e x vy = v∞ L .8): 2 T = − p + µ (∇ · v ) I + 2 µ D . 3 (6.  0 0 . (6.

15) T =  2µv −p(x.18) A for¸ ca por unidade de comprimento de tubo ser´ a igual ` a tens˜ ao Txr em r = R vezes a per´ ımetro da se¸ c˜ ao do tubo: F = Txr × (2πR) = −4πµv0 . R (6. R R R (6. O tensor de tens˜ oes.96 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas Note que a u ´ ltima coluna e a u ´ ltima linha da matriz de deforma¸ c˜ oes s˜ ao nulas.16) v (r ) = v0 1 − R onde R ´ e o raio do tubo. y ) 0  . j´ a que se trata de um escoamento bidimensional (x.17) Na parede do tubo. (6. (6. incluindo a press˜ ao ser´ a dado portanto por:   2µv∞ 0 −p(x. A tens˜ ao de cisalhamento dentro do fluido ´ e dada por: Txr = µ ∂v r 2 ∂ v0 1 − =µ ∂r ∂r R r 1 2µv0 r = µv0 −2 =− 2 . o que ´ e de se esperar.19) . Solu¸ ca ˜o A for¸ ca que a parede do tubo exerce sobre o fluido ser´ a devido ` a tens˜ ao de cisalhamento na fronteira entre o tubo e o fluido. determine a for¸ ca por unidade de comprimento que as paredes do tubo exercem sobre o escoamento. L 0 0 −p Exemplo A distribui¸ c˜ ao de velocidades para um escoamento em um tubo circular ´ e: r 2 . r = R e a tens˜ ao ´ e: Txr = −2µv0 . y ) L ∞ (6. Se a viscosidade dinˆ amica do fluido ´ e µ. y ).

como mostra a figura 6. Esta for¸ ca de atrito ´ e devido ` a viscosidade da ´ agua. Solu¸ ca ˜o (a) A equa¸ c˜ ao do movimento para bloco de gelo com velocidade v´ e dada pela segunda lei de Newton: m dv = mg senθ − Fa .6. (b) A velocidade final do bloco.1 – Transferˆ encia de quantidade de movimento 97 y x δ gelo.20) onde Fa ´ e a for¸ ca de atrito da ´ agua sobre o gelo. Supondo uma distribui¸ c˜ ao linear (na dire¸ c˜ ao normal ao plano inclinado) de velocidades na lˆ amina de ´ agua. Exemplo Um bloco de gelo de massa m desliza em um plano inclinado com velocidade v a partir do repouso.2.2: Bloco de gelo deslizando em um plano inclinado. sobre uma lˆ amina de ´ agua de espessura δ . A viscosidade da ´ agua ´ e µ. dt (6. ea´ area da base do bloco ´ e A. obtenha: (a) A equa¸ c˜ ao diferencial para a velocidade do bloco. e pode ser calculada . massa m v lˆ amina d’´ agua θ v0 = 0 Figura 6.

23) a equa¸ c˜ ao (6.28) .27) µA mδg senθ 1 − exp − t µA mδ (6. ln (v − v1 ) = − mδ µA v − v1 = v2 exp − t .20) fica: m (b) Definindo: v1 = mδg senθ .24) pode ser resolvida como mostrado abaixo: d µA (v − v1 ) + (v − v1 ) = 0. δ (6. dt mδ µA d (v − v1 ) = − dt.24) v Fa = µA . (v − v1 ) mδ µA t + ln v2 . µA . ∂y (6.22) (6. (6. µA (6. dt δ (6. ∂y δ de modo que e a equa¸ c˜ ao (6.26) mδ Como em t = 0 a velocidade ´ e nula: v2 = −v1 = − ent˜ ao v= mδg senθ . e esta deve ser nula no plano inclinado e igual a v na superf´ ıcie de contato com o gelo. Como a distribui¸ c˜ ao da velocidade va em y ´ e linear.98 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas conhecendo-se a tens˜ ao cisalhante existente no topo da lˆ amina: Txy = µ ∂va . mδ µA v = v1 + v2 exp − t .21) onde va ´ e a velocidade da ´ agua.(6. ent˜ ao: ∂va v = .25) dv µA + v = mg senθ.

e com o aumento da temperatura. como se sabe. glicerina.1. Fluidos que n˜ ao obedecem a tais rela¸ c˜ oes s˜ ao chamados de fluidos n˜ ao-newtonianos.3 mostra curvas relacionando tens˜ ao e taxa de deforma¸ c˜ ao para v´ arios tipos de fluido.1 Fluidos newtonianos e n˜ ao-newtonianos A viscosidade de um fluido ´ e a medida de sua resistˆ encia ` a deforma¸ c˜ ao. Este movimento aumenta consideravelmente com o aumento da temperatura (na realidade o aumento da temperatura ´ e exatamente uma manifesta¸ c˜ ao desse aumento da agita¸ c˜ ao das mol´ eculas). intensificando o choque entre as part´ ıculas. o que acarreta um aumento da tens˜ ao viscosa e da viscosidade. Os fluidos newtonianos constituem a maioria dos gases e l´ ıquidos existentes em condi¸ c˜ oes normais e de interesse em engenharia e ciˆ encias da terra.1. em l´ ıquidos. a ´ agua resistir´ a menos (e portanto se deformar´ a mais) que a glicerina.. 6. No caso dos gases. v´ arios tipos de ´ oleo. o espa¸ camento m´ edio entre as mol´ eculas aumenta. A figura 6. as for¸ cas de coes˜ ao intermolecular s˜ ao desprez´ ıveis (devido ao grande espa¸ camento entre as mol´ eculas) e o comportamento do material em rela¸ c˜ ao ` a viscosidade ´ e avaliado frente aos movimentos aleat´ orios das mol´ eculas gasosas. Ao se submeter ´ agua e glicerina ` a mesma tens˜ ao Txy durante um intervalo de tempo ∆t. pois esta tem maior viscosidade. Como foi dito anteriormente. diminuindo o atrito entre as camadas de fluido em movimento relativo.1 – Transferˆ encia de quantidade de movimento A velocidade final do bloco se d´ a quanto t → ∞ e o termo exponencial tende a zero: mδg senθ . Alguns exemplos de fluidos newtonianos s˜ ao: ´ agua.6. .2 A viscosidade como fun¸ c˜ ao da temperatura A viscosidade de qualquer fluido varia sensivelmente com a temperatura. e essas for¸ cas se enfraquecem. Portanto. a viscosidade diminua com o aumento da temperatura. ´ e de se esperar que. No caso dos l´ ıquidos. etc.29) vf = µA 99 6. (6. ar. e podem apresentar diversos tipos de equa¸ c˜ oes constitutivas diferentes das dos fluidos newtonianos. as for¸ cas de coes˜ ao molecular s˜ ao fortes se comparadas com as dos gases. Todo fluido que obedece ` as equa¸ c˜ oes constitutivas dadas na se¸ c˜ ao anterior ´ e chamado fluido newtoniano. a viscosidade pondera a transmiss˜ ao de quantidade de movimento no interior de uma massa fluida.

1 Lei de Fourier para a condu¸ c˜ ao de calor Primeiramente.3: Tens˜ ao × taxa de deforma¸ c˜ ao para v´ arios tipos de fluido.2 Transferˆ encia de calor Assim como em fluidos h´ a transferˆ encia de quantidade de movimento quando h´ a gradientes de velocidade (na realidade taxas de deforma¸ c˜ ao espaciais). 6. ou seja. ´ e preciso se explicitar que pode haver transferˆ encia de calor por advec¸ c˜ ao. Para introduzir as id´ eias de transferˆ encia de calor por condu¸ c˜ ao pura. Considere uma barra longa e esbelta constitu´ ıda de um material homogˆ eneo e isotr´ opico. em qualquer meio cont´ ınuo h´ a transferˆ encia de energia t´ ermica (calor) por condu¸ c˜ ao sempre que h´ a gradientes de temperatura. um fluido mais quente em escoamento pode transferir calor de uma regi˜ ao do espa¸ co a outra simplesmente por efeito da transla¸ c˜ ao das part´ ıculas.100 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas Txy fluido pl´ astico ideal pequeno cisalhamento fluido newtoniano µ 1 grande cisalhamento dvx dy Figura 6.2. 6. estando inicialmente toda ela ` a mesma temperatura. pela difus˜ ao desta propriedade causada pelo contato entre pontos com diferentes temperaturas (agita¸ c˜ ao molecular). Se em uma extremidade for . A equa¸ c˜ ao constitutiva que relaciona gradiente de temperatura e fluxo de calor por condu¸ c˜ ao ´ e conhecida como lei de Fourier. ou seja. A lei de Fourier trata apenas da transferˆ encia de calor por condu¸ c˜ ao. ´ e mais f´ acil considerar um s´ olido em vez de um fluido.

da extremidade mais quente para a mais fria. A lˆ amina junto ` a fonte de calor estar´ a mais quente que sua vizinha. obviamente esta extremidade da barra ficar´ a mais quente que o seu restante. suponha que a barra seja formada por uma sequˆ encia de lˆ aminas transversais (perpendiculares ` a dire¸ c˜ ao de sua maior dimens˜ ao) imagin´ arias. Usando o mesmo racioc´ ınio do caso de transferˆ encia de quantidade de movimento. Em muitos materiais. que. Assim como no caso da quantidade de movimento.6. a rela¸ c˜ ao entre o fluxo de calor e o gradiente de temperatura (lembrando mais uma vez que a temperatura se relaciona com a energia . etc. Em s´ olidos como metais h´ a tamb´ em grande contribui¸ c˜ ao na condu¸ c˜ ao de calor devido ` a transferˆ encia de el´ etrons livres. (figura 6. por sua vez.4: Condu¸ c˜ ao de calor em uma barra. ou seja. colocada uma fonte de calor.4). portanto maior temperatura) com mol´ eculas com menor agita¸ c˜ ao. que ocasionar´ a um fluxo de calor no sentido oposto ao gradiente de temperatura. A transferˆ encia de calor por condu¸ c˜ ao no sentido oposto ao gradiente de temperatura ´ e exprimida atrav´ es do vetor fluxo de calor q. Esta situa¸ c˜ ao caracteriza um desequil´ ıbrio t´ ermico. lˆ aminas vizinhas ir˜ ao trocar calor devido a haver entre elas trocas e choques de mol´ eculas com maior agita¸ c˜ ao (maior energia interna.2 – Transferˆ encia de calor 101 T t=∞ t = ∆t T0 fonte qx T∞ t = 2∆t t = 3∆t t = 4∆t x Figura 6. estar´ a mais quente que a pr´ oxima.

31) ´ e a equa¸ c˜ ao constitutiva para transferˆ encia de calor por condu¸ c˜ ao. No caso de uma barra na dire¸ ca ˜o x: qx = −K dT . [α] = m2 s−1 . Este assunto ser´ a tratado mais adiante onde algumas simplifica¸ c˜ oes permitir˜ ao a solu¸ c˜ ao de v´ arios problemas interessantes. Tanto a condutividade t´ ermica K quanto a difusividade t´ ermica α n˜ ao s˜ ao constantes para um dado material. Inicialmente n˜ ao h´ a outra substˆ ancia no recipiente que n˜ ao ´ agua. No caso tridimensional: q = −K ∇T. 6.3 Transferˆ encia de massa Finalmente. inclusive com a temperatura. A equa¸ c˜ ao constitutiva que fornece esta rela¸ c˜ ao ´ e conhecida como lei de Fick. da mesma forma que nos casos anteriores para transferˆ encia de quantidade de movimento (equa¸ c˜ ao de Newton para fluidos viscosos) e de calor (lei de Fourier).30) onde K ´ e a chamada condutividade t´ ermica. pode-se estabelecer uma rela¸ c˜ ao entre o gradiente espacial de concentra¸ c˜ ao CA de um soluto em um fluido e a taxa de transferˆ encia deste soluto no espa¸ co. dx (6. Note que a difusividade t´ ermica α tem a mesma unidade da viscosidade cinem´ atica ν = µ/ρ. ρcp (6. 6. o que torna a equa¸ c˜ ao (6.3. S˜ ao grandezas que variam com diversas propriedades do sistema.1 Lei de Fick para difus˜ ao molecular Considere um recipiente com ´ agua pura (solvente B ).31) n˜ ao-linear e portanto mais complexa. A equa¸ c˜ ao (6.102 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas interna em um ponto) ´ e linear.31) onde ρ ´ e a massa espec´ ıfica do material e cp ´ e o calor espec´ ıfico a press˜ ao constante. Imagine agora que uma placa . [K ] = Jm−1 s−1 K−1 . Define-se difusividade t´ ermica α de um material qualquer como: α= K .32) (6. [cp ] = Jkg−1 K−1 . As unidades SI das vari´ aveis e constantes envolvidas s˜ ao: [q] = JM−2 s−1 .

No restante do meio. Suponha que. 3 . na interface com uma regi˜ ao onde h´ a ampla disponibilidade de soluto (no caso.33) Assim. o fluxo espec´ ıfico de massa de A se d´ a na dire¸ c˜ ao y . este se dissolver´ a transferindo parte de sua massa para espa¸ cos vazios entre as mol´ eculas da ´ agua. a placa de A) observa-se que a concentra¸ c˜ ao atinge o seu valor de satura¸ c˜ ao (os espa¸ cos dispon´ ıveis entre as mol´ eculas de ´ agua s˜ ao totalmente ocupados): ∗ CA = CA . devido a trocas de mol´ eculas entre camadas adjacentes de fluido de concentra¸ c˜ oes diferentes. y = h. estabelece-se um fluxo de massa na dire¸ c˜ ao de menor concentra¸ c˜ ao e forma-se um perfil cont´ ınuo de concentra¸ c˜ oes similar ao que ocorre com a temperatura. Por defini¸ c˜ ao.6. pode ser que as mol´ eculas do soluto. ao entrarem em contato com a superf´ ıcie s´ olida do fundo.3 – Transferˆ encia de massa 103 fonte de soluto y ∗ CA fluxo jy h ´ agua t = ∆t t = 2∆t t = 3∆t t = 4∆t t=∞ CA Figura 6.3).5: Difus˜ ao molecular causando fluxo de massa. sofram um processo de adsor¸ ca ˜o. por algum mecanismo f´ ısico-qu´ ımico3 . (6. servido de fonte de algum s´ olido sol´ uvel em ´ agua (soluto A) ´ e colocada em contato com a superf´ ıcie livre da ´ agua como mostra a figura 6. Este processo se d´ a devido ` a difus˜ ao molecular (ver se¸ c˜ ao 3. Como A ´ e sol´ uvel em ´ agua. independentemente das condi¸ c˜ oes no meio fluido. o fluxo espec´ ıfico de massa ´ e a massa de A que atravessa Por exemplo. a concentra¸ c˜ ao do sol´ uvel no fundo seja mantida nula.5. A concentra¸ c˜ ao do soluto junto ` a placa ser´ a sempre muito alta. no caso da transferˆ encia de calor. Em particular. a concentra¸ c˜ ao na interface permanece igual ` a de satura¸ c˜ ao.5. No caso da figura 6.“abandonando” a ´ agua e se ligando quimicamente ` a superf´ ıcie do fundo.

Em s´ olidos a difus˜ ao molecular ´ e ainda menor (por volta de uma ordem de magnitude) que nos l´ ıquidos. DAB .5 ´ e: ∂CA . temperatura. pois o ´ acido reage com o hidr´ oxido de s´ odio. e depende de uma propriedade intr´ ınseca do meio (soluto+solvente) chamada de coeficiente de difus˜ ao (ou difusuvidade) molecular do soluto A no solvente B .35) [DAB ] = m2 s−1 . e NaOH. (6. os tanques A. a equa¸ c˜ ao constitutiva de transferˆ encia de massa (lei de Fick) ´ e: j = −ρDAB ∇CA . H2 O. 1 [CA ] = kgA kg− AB . j´ a que a mobilidade das mol´ eculas ´ e bem maior nos gases. j. Sabendo-se que a difusividade do HCl em ´ agua ´ e D. (6. A lei de Fick para difus˜ ao molecular para o caso unidimensional da figura 6. Na interface BC a concentra¸ c˜ ao de HCl ´ e nula. Na interface AB. Exemplo Na figura 6.36) DAB tem a mesma unidade que a viscosidade cinem´ atica ν e a difusividade t´ ermica α. e composi¸ c˜ ao qu´ ımica do sistema. B. e o gradiente de concentra¸ c˜ ao de A se d´ a na forma de uma equa¸ c˜ ao constitutiva. ´ E de se esperar que este coeficiente seja maior (por volta de trˆ es ordens de magnitude) para gases que para l´ ıquidos. determine a taxa MHCl .104 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas o plano perpendicular ao fluxo (paralelo ` a placa de a¸ cu ´ car)) por unidade de ´ area por unidade de tempo. . a concentra¸ c˜ ao de HCl ´ e C0 . Na maioria dos casos a sua determina¸ c˜ ao ´ e feita por via de experimentos em laborat´ orio. Da mesma forma que nos casos anteriores. a ´ area das membranas interfaciais ´ e A e a massa ˙ espec´ ıfica no tanque ´ e ρ.34) jy = −ρDAB ∂y No caso geral de haver uma distribui¸ c˜ ao tridimensional de concentra¸ c˜ ao.6. e C contˆ em respectivamente HCl. As unidades SI das grandezas envolvidas s˜ ao: [j] = kgA m−2 s−1 . O coeficiente de difus˜ ao molecular depende da press˜ ao. com que o ´ acido HCl se difunde atrav´ es de uma se¸ c˜ ao transversal em B. (6. a rela¸ c˜ ao entre o fluxo espec´ ıfico difusivo de massa de A.

δ−0 δ (6. que se .6 (cap´ ıtulo 3).6: Fluxo de ´ acido clor´ ıdrico de A para C. M δ (6.38) C0 0 − C0 ex = ρD ex . (6.4 Fluxos difusivos e advectivos combinados Na se¸ c˜ ao 3. Este fluxo corresponde ao transporte de N devido ao movimento m´ edio das mol´ eculas de fluido. foi definido o fluxo advectivo de qualquer grandeza extensiva N atrav´ es de uma superf´ ıcie aberta S como: ˙ adv = N S ηρ (v · n) dS. ´ area A A B H2 O + HCl + NaOH ρ.37) 6. D C NaOH HCl 1 δ Figura 6.4 – Fluxos difusivos e advectivos combinados 105 membrana.39) ond η ´ e a grandeza intensiva associada a N . Solu¸ ca ˜o O fluxo espec´ ıfico de massa ser´ a o vetor: jHCl = −ρD ∇C = −ρD O fluxo difusivo ser´ a: ˙ HCl = jx A = ρAD C0 .6.

40) onde j ´ e dado pela equa¸ c˜ ao (6.31)): ˙A = M ˙A +M ˙A = M adv dif S ρ (CA v − DAB ∇CA ) · ndS. Na realidade. sobreposto a este. Na verdade este ´ eou ´ nico (embora crucial) momento em que a segunda lei da termodinˆ amica ´ e invocada de forma expl´ ıcita em toda a teoria apresentada neste texto. pode-se obter o fluxo total do vetor quantidade de movimento: ˙ = P [vρ (v · n) + (T · n)] dS. α. (6.5 A segunda lei da termodinˆ amica Qualitativamente. (6. T ´ e dada pela equa¸ c˜ ao (6.40) com (6. e calor. e 6. . O fluxo difusivo de massa do soluto A atrav´ es de da superf´ ıcie aberta S ´ e: ˙A = M dif S (j · n) dS.42) S onde.3). (6. Sabe-se que. as equa¸ c˜ oes constitutivas indicam o sentido em que se d´ a os processos difusivos de transferˆ encia de quantidade de movimento. e massa devido ` a difus˜ ao molecular (ver se¸ c˜ ao 3. 6.43) = S ρ [(ev − αcp ∇T ) · n] dS. O fluxo de uma propriedade devido ` a difus˜ ao molecular foi justamente o objeto de estudo deste cap´ ıtulo (se¸ c˜ oes 6. 6.39 para a grandeza massa (equa¸ c˜ ao (3. o fluxo total de energia atrav´ es de S ´ e: ˙ = E S eρ (v · n) dS + S (q · n) dS (6. Note que em todos os casos a segunda lei da termodinˆ amica ´ e respeitada desde que os valores de µ. o que obviamente ´ e o caso. e o produto (T · n) entre um tensor e um vetor.3). O fluxo total de massa de A atrav´ es de S´ e obtido combinando-se (6. resultando no vetor tens˜ ao.41) Analogamente. ´ e chamado de uma contra¸ c˜ ao simples. Finalmente.106 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas traduz como a pr´ opria velocidade do fluido como um meio cont´ ınuo. energia.2. o fluxo total de uma grandeza N atrav´ es de uma superf´ ıcie ´ e a soma dos fluxos advectivo e difusivo desta grandeza.8). massa. h´ a um fluxo de quantidade de movimento. e DAB sejam n˜ ao-negativos (condi¸ c˜ oes estas necess´ arias e suficientes).1.35).

6. obtenha a concentra¸ c˜ ao CL em fun¸ c˜ ao de f . uma corrente de ar remove constantemente o vapor de ´ alcool ` a taxa de f CL (massa de ´ alcool por unidade de ´ area por unidade de tempo). e supondo que o problema ´ e permanente (n˜ ao depende do tempo) e unidimensional. D . L. C0 .6 Problemas propostos 1. . Admita que o efeito viscoso nas paredes laterais ´ e despres´ ıvel. e da massa espec´ ıfica do ar ρ.7: Difus˜ ao de ´ alcool no ar em um recipiente.6.6 – Problemas propostos y j˙y = f CL y=L 107 ar em repouso evapora¸ c˜ ao y=0 ´ alcool Figura 6. O campo de velocidades ´ e dado por: v = vx (y ) = 2vM y 1 y − H 2 H 2 . onde CL ´ e a concentra¸ c˜ ao de ´ alcool em y = L.44) Determine o diagrama de tens˜ oes tangenciais na se¸ c˜ ao transversal e a for¸ ca sobre o fundo do canal de comprimento L e largura B . A figura 6. (6. 2. Seja o escoamento de um fluido com viscosidade dinˆ amica µ no canal mostrado na figura 6.8. e que a difusividade molecular do ´ alcool no ar ´ e D . O ´ alcool evapora para o ar que est´ a totalmente parado dentro do recipiente.7 mostra um recipiente contendo ´ alcool et´ ılico. Na borda superior do recipiente. Sabendo que a concentra¸ c˜ ao de ´ alcool no ar em y = 0 ´ e C0 .

108

6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas

vM vx (y )

L

H B

Figura 6.8: Escoamento em um canal com superf´ ıcie livre.

3. Suponha que o l´ ıquido 1 da figura 4.24 (cap´ ıtulo anterior) se dilui na interface A entre os 2 l´ ıquidos e penetra dissolvido com uma concentra¸ c˜ ao C no l´ ıquido 2. Sabendo que: (i) a difusividade de massa do l´ ıquido 1 no l´ ıquido 2 ´ e D12 e a densidade da mistura se mant´ em ρ2 ; (ii) na superf´ ıcie livre (interface entre l´ ıquido 2 e atmosfera) a concentra¸ c˜ ao C = 0; e (iii) na interface A entre os 2 l´ ıquidos a concentra¸ ca ˜o ´ e m´ axima C = CM ; (iv) o fluxo de massa atrav´ es de qualquer se¸ c˜ ao do tubo com o l´ ıquido 2 (comprimento d3 ) ´ e constante; pergunto: qual ´ e esse fluxo de massa do l´ ıquido 1 diluido no l´ ıquido 2, em fun¸ c˜ ao de ρ2 , R, CM , D12 , e de d3 .

Cap´ ıtulo 7

˜o: Princ´ ıpios de Conservac ¸a ˜ es Integrais Equac ¸o
Neste cap´ ıtulo s˜ ao apresentados formalmente trˆ es princ´ ıpios b´ asicos da f´ ısica: conserva¸ c˜ ao da massa, conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento, e conserva¸ c˜ ao da energia. Essas leis ser˜ ao aplicadas a problemas de escoamento de fluidos. Embora as leis da f´ ısica sejam aplicadas a sistemas com identidade fixa, ´ e mais interessante que o comportamento local (sem acompanhar o sistema) das grandezas intensivas seja conhecido. Ser´ a estabelecido um conjunto de equa¸ c˜ oes integrais de conserva¸ c˜ ao das propriedades f´ ısicas em um volume (o volume de controle ), onde a varia¸ c˜ ao de cada propriedade f´ ısica (massa espec´ ıfica, velocidade, energia, e concentra¸ c˜ ao de um soluto) no volume se equilibrar´ a com fluxos dessas propriedades na superf´ ıcie (a superf´ ıcie de controle ) no contorno deste volume.

7.1

Princ´ ıpios b´ asicos de conserva¸ c˜ ao

No cap´ ıtulo 3 foram apresentadas as rela¸ c˜ oes integrais entre as grandezas extensivas e intensivas (ver tabela 3.1). As equa¸ c˜ oes integrais sobre o volume do sistema relacionando massa com massa espec´ ıfica, quantidade de movimento com velocidade, energia com energia espec´ ıfica, e massa de soluto com concentra¸ c˜ ao do mesmo, s˜ ao: M =
Vs

ρdV, vρdV,
Vs

(7.1) (7.2)

P = 109

110

7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais E =
Vs

eρdV, CA ρdV,
Vs

(7.3) (7.4)

MA =

respectivamente. Ora, sabe-se que a massa de um sistema, por defini¸ c˜ ao, deve permanecer constante. Do mesmo modo, a massa de um soluto dilu´ ıdo no sistema permanecer´ a constante a menos do fluxo difusivo de massa atrav´ es da superf´ ıcie do sistema. Quando houver um fluxo difusivo de massa atrav´ es da superf´ ıcie, este dever´ a ser igual em m´ odulo ` a taxa de varia¸ c˜ ao de massa do soluto dentro do sistema. O fluxo difusivo de massa total atrav´ es da superf´ ıcie do sistema (Ss ) pode ser calculado a partir da integra¸ c˜ ao do vetor fluxo espec´ ıfico de massa j sobre Ss . J˙ = − (j · n) dS. (7.5)
Ss

Observe que o sinal negativo indica que o fluxo para dentro do sistema seja considerado positivo, j´ a que o vetor n aponta para fora, por conven¸ c˜ ao. A quantidade de movimento do sistema, segundo ` a segunda lei de Newton, variar´ a em fun¸ c˜ ao da for¸ ca resultante Fs + Fc (for¸ ca de corpo mais for¸ ca de superf´ ıcie) sobre ele, onde: Fc =
Vs

ρgdV,

(7.6)

e Fs =
Ss

(T · n) dS.

(7.7)

˙ A energia total do sistema variar´ a em fun¸ c˜ ao do fluxo difusivo de calor Q ˙ recebido pelo sistema e o trabalho por unidade de tempo W realizado sobre ˙ ´ o sistema (primeira lei da termodinˆ amica). O fluxo difusivo de calor Q e calculado a partir do vetor fluxo espec´ ıfico de calor q integrado sobre toda a superf´ ıcie do sistema: ˙ =− (q · n) dS. (7.8) Q
Ss

Mais uma vez, fluxo de calor para dentro do sistema ´ e positivo, da´ ı o sinal negativo. Finalmente, o trabalho realizado pelas for¸ cas de superf´ ıcie sobre o sistema por unidade de tempo ´ e: ˙ = W
Ss

[(T · n) · v] dS,

(7.9)

7.1 – Princ´ ıpios b´ asicos de conserva¸ c˜ ao

111

onde v ´ e a velocidade em cada ponto da superf´ ıcie do sistema. Note que, por T ser um tensor, T · n ´ e um vetor, e n˜ ao um escalar. Al´ em disso T · n ´ e uma tens˜ ao (for¸ ca por unidade de ´ area) e vdS representa a taxa de varia¸ c˜ ao do volume de um elemento de fluido na fronteira do sistema, de modo que (7.9) ´ e uma generaliza¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao (2.26) para o c´ alculo do trabalho realizado sobre um sistema. O trabalho realizado pelas for¸ cas de corpo n˜ ao precisa ser inclu´ ıdo, uma vez que ele est´ a intrinsecamente contabilizado em termos de energia potencial em (7.3). A lei da conserva¸ c˜ ao da massa diz que a massa de um sistema n˜ ao muda com o tempo, e se escreve: DM , (7.10) 0= Dt D , chamado de derivada material ou total, ´ e a taxa de onde o operador Dt varia¸ c˜ ao temporal da grandeza em quest˜ ao associada a um sistema. Ou seja, D indica a varia¸ c˜ ao temporal de uma propriedade extensiva quando se est´ a Dt seguindo ou se movendo com o fluido. A lei de conserva¸ c˜ ao de massa de um soluto A diz que a varia¸ c˜ ao de massa de soluto em um sistema deve ser igual ao fluxo difusivo de massa do soluto, J˙, atrav´ es das fronteiras do sistema: DMA J˙ = . Dt (7.11)

A lei da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento diz que a quantidade de movimento de um sistema muda com uma taxa igual ao valor da resultante das for¸ cas de corpo Fc e de superf´ ıcie Fs atuando no sistema: Fc + Fs = DP . Dt (7.12)

A primeira lei da termodinˆ amica pode ser escrita como: ˙ +W ˙ = DE , Q Dt (7.13)

ou seja, a taxa de varia¸ c˜ ao da energia total do sistema DE ´ e igual ` a soma do Dt ˙ , e da taxa de fluxo de calor fornecido ao sistema atrav´ es de sua superf´ ıcie, Q ˙ trabalho realizada sobre o sistema, W . Note que esta forma de enunciar a primeira lei ´ e ligeiramente diferente da apresentada no cap´ ıtulo 2, uma vez que pretende-se obter aqui uma equa¸ c˜ ao instantˆ anea. Aqui, como no cap´ ıtulo ˙ ˙ 2, Q ´ e positivo quando calor ´ e fornecido ao sistema, e W ´ e positivo quando trabalho ´ e realizado sobre o sistema. As rela¸ c˜ oes (7.10)-(7.13) governam como um sistema com suas propriedades extensivas evoluem no tempo. Os lados esquerdos das equa¸ co ˜es atuam como

tem-se DN . for¸ cantes e geralmente s˜ ao conhecidos ou facilmente determin´ aveis. Os lados direitos s˜ ao as taxas de varia¸ c˜ ao das propriedades extensivas do sistema. De modo geral.14) A figura 7.15) . ∆ t → 0 Dt ∆t (7. o mesmo ocupa o volume Vs (t + ∆t) = VII + VIII .2 Teorema do transporte de Reynolds Seja N (t) uma propriedade extensiva qualquer de um sistema no instante t. Na pr´ oxima se¸ c˜ ao a express˜ ao para DN em termos do campo de velocidades ´ e deduzida.112 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais z v y VI x VII VIII Figura 7. ´ e composto sempre pelas mesmas part´ ıculas. A taxa de varia¸ c˜ ao da propriedade N ´ e dada por: N (t + ∆t) − N (t) DN = lim . a quantidade DN ir´ a Dt depender do campo de velocidades pois o sistema poder´ a ocupar posi¸ c˜ oes diferentes ` a medida que o tempo passa. O volume ocupado pelo sistema no instante t ser´ a denominado volume de controle Vc = Vs (t) = VI + VII . Em t. o sistema ocupa um volume Vs (t) = VI + VII . Em t + ∆t. Como o sistema.1: Sistema fluido entre dois instantes. para uma propriedade N . Dt 7. (7.1 ilustra o sistema em 2 instantes consecutivos t e t + ∆t. por Dt defini¸ c˜ ao.

18) e (7.21) ´ e simplesmente igual ` a derivada parcial da quantidade entre colchetes: 1 ∆t→0 ∆t lim = ∂ ∂t ηρdV.7. N= Vs ηρdV.15) e (7.16) Usando a rela¸ c˜ ao geral entre grandezas extensivas N e intensivas η . (7.22) . Para calcular N (t + ∆t). (7. (7.19) Substituindo (7.18) onde o sub-´ ındice no colchete indica o tempo em que a quantidade dentro dos colchetes s˜ ao calculadas.17) vem: N (t) = Vs (t) ηρdV = Vc ηρdV t . 113 (7.19) em (7.20) Rearranjando a express˜ ao acima tem-se: DN Dt = + 1 ∆t→0 ∆t lim 1 ∆t→0 ∆t lim ηρdV Vc t+∆t − − ηρdV Vc t ηρdV VIII t+∆t ηρdV VI t+∆t .14) tem-se: DN Dt = 1 ∆t→0 ∆t lim − ηρdV + Vc VIII ηρdV − ηρdV VI t+∆t ηρdV Vc t . (7. Vc ηρdV Vc t+∆t − ηρdV Vc t (7. usa-se (7.21) O primeiro limite da equa¸ c˜ ao (7. (7.16): N (t + ∆t) = Vs (t+∆t) ηρdV ηρdV + Vc VIII = ηρdV − ηρdV VI t+∆t .2 – Teorema do transporte de Reynolds O volume do sistema em t + ∆t est´ a relacionado com Vc por: Vs (t + ∆t) = VII + VIII = Vc + VIII − VI .

2. Considere as regi˜ oes I e III em um corte bi-dimensional (para facilitar a visualiza¸ c˜ ao) como na figura 7. O volume de cada prisma ∆V ´ e o produto da ´ area da base. (7. Analogamente.24) onde S+ ´ e a parcela da superf´ ıcie de controle que contribui para a superf´ ıcie da regi˜ ao III.2: Elementos de integra¸ c˜ ao nas regi˜ oes I e III correspondendo a um sistema nos instantes t e t + ∆t.114 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Sc S− S+ III v ∆S ∆S v n I n − (v · n) ∆t (v · n) ∆t Figura 7. ∆S . (7. Sc ) e cujo topo encontra-se na superf´ ıcie do sistema em t + ∆t. Observe que pode-se tomar como elementos de volume da regi˜ ao III prismas elementares cuja base est´ a sobre a superf´ ıcie do volume de controle (superf´ ıcie de controle. pela altura (v · n) ∆t: ∆V = (v · n) ∆t∆S. e cujo topo est´ a na .23) Como dentro do elemento o produto ηρ pode ser considerado constante (pois o elemento ´ e pequeno).21) fica: ηρdV VIII t+∆t = lim ∆t ∆t→0 S+ ηρ (v · n) dS. ´ e preciso calcular separadamente as integrais pois as regi˜ oes de integra¸ c˜ ao s˜ ao diferentes. Para se avaliar o segundo limite da equa¸ c˜ ao (7.21). pode-se calcular a integral sobre a regi˜ ao I usando como elementos de volume prismas cuja base est´ a sobre Sc . A id´ eia ´ e a de transformar as integrais nas regi˜ oes I e III em integrais no instante t na superf´ ıcie Sc . a integral sobre o volume VIII na equa¸ c˜ ao (7.

28) Levando (7. e (7.22) e (7.13) substituir´ a DN na Dt equa¸ c˜ ao (7. (7. por conven¸ c˜ ao. e considerando que. .21) ´ e portanto: 1 ∆t→0 ∆t lim = Sc ηρdV VIII t+∆t − ηρdV VI t+∆t ηρ (v · n) dS.27) o segundo limite da equa¸ c˜ ao (7.10)-(7. Nas pr´ oximas se¸ c˜ oes. A equa¸ c˜ ao (7. (7.24). Como a regi˜ a o Vc ´ e arbitr´ aria. cada uma das leis (7.29) ´ e o Teorema do transporte de Reynolds.21) tem-se a seguinte express˜ ao envolvendo apenas integrais na regi˜ ao ocupada por Vc : DN ∂ = Dt ∂t ηρdV + Vc Sc ηρ (v · n) dS.7. o sistema ocupa aquele volume de controle. (7. O volume de cada elemento ser´ a: ∆V = − (v · n) ∆t∆S.13) combinadas com a rela¸ c˜ ao (7.29) substituindo-se N e η pelas propriedades extensivas em quest˜ ao. e energia. massa de um soluto. j´ a que. quantidade de movimento. instantaneamente. de forma a facilitar os c´ alculos das integrais envolvidas. para um volume de controle.26) onde S− ´ e a parcela da superf´ ıcie de controle que contribui para a superf´ ıcie da regi˜ ao I. o vetor normal unit´ ario n est´ a apontando para fora do prisma (o oposto do caso da integral na regi˜ ao III).26). Naturalmente. Para um problema particular a id´ eia ´ e a de se definir um volume de controle.25) = lim −∆t ∆t→0 S− ηρ (v · n) dS.28) em (7.2 – Teorema do transporte de Reynolds 115 superf´ ıcie do sistema em t + ∆t. que ´ e a equa¸ c˜ ao integral de balan¸ co da propriedade extensiva N para um volume de controle.29) que ´ e a express˜ ao para se calcular a taxa de varia¸ c˜ ao instantˆ anea de uma propriedade extensiva N de um sistema que ocupa o volume Vc nesse instante. a superf´ ıcie de controle total ´ e: Sc = S+ ∪ S− .29) para formar as equa¸ c˜ oes integrais de conserva¸ c˜ ao de massa. em geral se escolhe uma que seja conveniente para o problema em quest˜ ao. (7. Desta vez o produto (v · n) dever´ a ter um sinal negativo. e usar as leis da f´ ısica (7. e a integral sobre VI ser´ a: ηρdV VI t+∆t (7. (7.10)-(7.27) Usando (7.

efeitos difusivos n˜ ao alteram a massa total de um sistema. Conhecendo a velocidade V0 antes da redu¸ c˜ ao. tem-se: 0= ∂ ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS.10)). esta deve ser balanceada pelo fluxo de massa atrav´ es da superf´ ıcie de controle Sc .3.30) A equa¸ c˜ ao (7.10) e (7. A equa¸ c˜ ao de . Solu¸ c˜ ao O volume de controle escolhido ´ e formado pela pr´ opria tubula¸ c˜ ao e por uma se¸ c˜ ao transversal antes da transi¸ c˜ ao (se¸ c˜ ao 0) e uma se¸ c˜ ao transversal depois da transi¸ c˜ ao (se¸ c˜ ao 1).29) com η = 1. um fluido d´ a-se da esquerda para a direita e ´ e permanente e uniformemente distribu´ ıdo nas se¸ c˜ oes transversais antes e depois da transi¸ c˜ ao. A grandeza intensiva η associada ` a massa total de um sistema ´ e simplesmente 1.30) ´ e chamada de balan¸ co integral de massa. se h´ a varia¸ c˜ ao temporal de massa dentro de um volume de controle Vc .116 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais 7. calcule a velocidade V1 depois da redu¸ c˜ ao. (7. de modo que reunindo (7. e diz que. Exemplo A redu¸ c˜ ao da se¸ c˜ ao transversal da tubula¸ c˜ ao circular da figura 7.3 ´ e tal que o diˆ ametro reduz-se de D para D/2.3 Balan¸ co de massa Conforme j´ a foi discutido na se¸ c˜ ao 3.3: Transi¸ c˜ ao numa tubula¸ c˜ ao circular. O escoamento de V0 D D/2 V1 = ? Figura 7. O fluido de massa espec´ ıfica ρ ´ e incompress´ ıvel. que permanece constante (equa¸ c˜ ao (7. em um dado instante.

sendo constante. respectivamente (note que estes valores s˜ ao constantes nas se¸ c˜ oes transversais. Como por hip´ otese o escoamento ´ e permanente.30) ´ e a lei da conserva¸ c˜ ao a ser usada. a equa¸ c˜ ao fica ent˜ ao: ρ (v · n) dS = ρ (v · n) dS + dS + ρV1 S0 S1 Sc S0 S1 ρ (v · n) dS dS = −ρV0 = ρ −V0 πD 2 π (D/2)2 = 0. (7. Abrindo-se a v´ alvula de sa´ ıda. o g´ as escapa com velocidade v0 . pode sair da integral. chamando as superf´ ıcies das se¸ c˜ oes 0 e 1 de S0 e S1 . exceto nas se¸ c˜ oes 0 e 1.34) Exemplo Um extintor de incˆ endio como mostra a figura 7. cuja se¸ c˜ ao tem ´ area a.31) O balan¸ co de massa ent˜ ao se reduz ao fluxo de massa sobre toda a superf´ ıcie de controle: ρ (v · n) dS = 0. onde v · n = −V0 e v · n = V1 . ent˜ ao v · n = 0 em toda a superf´ ıcie de controle. ρ.32) Sc Como o fluido n˜ ao penetra as paredes do tubo.7. respectivamente) donde: V1 = 4V0 . supondo que a expans˜ ao do g´ as atrav´ es da v´ alvula ´ e isot´ ermica.3 – Balan¸ co de massa conserva¸ c˜ ao da massa (7. com que a press˜ ao p cai no instante em que Determine a taxa ∂p ∂t a v´ alvula ´ e aberta. Vc 117 (7. (7. e que na se¸ c˜ ao 0 o valor ´ e negativo pelo fato de que os vetores v e n tˆ em sentidos opostos).33) + V1 4 4 (acima.4 tem volume V e contˆ em CO2 ` a temperatura ambiente T0 . ent˜ ao: ∂ ∂t ρdV = 0. (7. . se usou o fato de que S0 dS e S1 dS s˜ ao as ´ areas das se¸ c˜ oes transversais das se¸ c˜ oes 0 e 1. Al´ em disso.

∂t ∂t (7. Solu¸ c˜ ao O volume de controle escolhido aqui ´ e o pr´ oprio extintor. Usando a equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal. como o g´ as se expande dentro do volume de controle devido ` a despressuriza¸ c˜ ao. Al´ em disso. Supondo que a cada instante a distribui¸ c˜ ao da massa espec´ ıfica ´ e uniforme no extintor.4: Problema do extintor de incˆ endio. tem-se que o termo transiente ´ e: V ∂ρ 1 ∂p =V . RT (7. uma vez que a massa total de g´ as dentro do volume de controle varia com o tempo. ∂t RT0 ∂t (7.118 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais v0 a V T0 Figura 7. o escoamento ´ e necessariamente compress´ ıvel. Repare que este ´ e um problema transiente (ou n˜ ao-permanente). tem-se: ∂ ∂t ρdV = Vc ∂ ∂ρ (ρV ) = V .37) .36) na express˜ ao acima. ´ e constante. V .30).35) Acima usou-se o fato de que o volume do extintor. A equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da massa ´ e dada por (7. ρ= p .

(7.41) Exemplo Considere um tanque de ´ agua cil´ ındrico com ´ area da base igual a A. a u ´ nica superf´ ıcie onde h´ a fluxo (v · n = 0) ´ e a se¸ c˜ ao transversal da v´ alvula. Sc 119 (7. como mostra a figura 7. ou seja.42) p0 1 ∂p + v0 a = 0. e n˜ ao ρ (massa espec´ ıfica dentro do volume de controle). No termo advectivo de (7. ρ0 pode ser calculada pela equa¸ c˜ ao de estado para um g´ as ideal nas condi¸ c˜ oes da sa´ ıda do g´ as pela v´ alvula.38) Sc Note que acima foi usado ρ0 .5.40) Sc e a equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da massa fica: V Portanto: p0 v0 a ∂p =− . e com um orif´ ıcio de ´ area a no fundo. temperatura T0 e press˜ ao atmosf´ erica p0 ambientes: ρ0 = p0 .3 – Balan¸ co de massa onde foi usado T = T0 constante. como era de se esperar. RT0 (7.39) O fluxo total na superf´ ıcie de controle fica portanto: ρ (v · n) dS = p0 v0 a.30).7. ∂t V um valor negativo. determine a altura da ´ agua como fun¸ c˜ ao do tempo h(t). RT0 ∂t RT0 (7. RT0 (7. Se a velocidade da ´ a gua atrav´ es do orif´ ıcio ´ e conhecida e √ igual a v = 2gh e a altura inicial da ´ agua no tanque for h0 . Como l´ a v · n = v0 (constante): ρ (v · n) dS = ρ0 v0 dS = ρ0 v0 a. .

o problema pode ser permanente ou transiente! Inicialmente.5 por (a). ∂t dt dt (7.120 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais a h0 h(t) b v= √ 2gh Figura 7.5: Cilindro com orif´ ıcio no fundo.30) n˜ ao pode ser desprezado. considere o VC que vai at´ e a linha tracejada marcada na figura 7. j´ a que a massa dentro do volume de controle ´ e vari´ avel com o tempo. O escoamento pode ser suposto incompress´ ıvel com massa espec´ ıfica ρ. Novamente a equa¸ c˜ ao que ser´ a utilizada para se resolver o problema ´ e a equa¸ c˜ ao integral de conserva¸ c˜ ao da massa (7.43) onde V (t) = Ah(t) ´ e o volume de ´ agua no volume de controle que ´ e fun¸ c˜ ao apenas do tempo. que dependendo da escolha do volume de controle (VC). Solu¸ c˜ ao Este exemplo mostrar´ a que ´ e poss´ ıvel escolher mais que um volume de controle para se resolver o mesmo problema.30) Note que o problema ´ e transiente. A integral de superf´ ıcie (fluxo advectivo) da . acima do n´ ıvel de ´ agua inicial. Este termo ´ e dado por: ∂ ∂t ρdV = Vc ∂ dV dh (ρV ) = ρ = ρA . portanto primeiro termo de (7. Al´ em disso. e portanto a derivada parcial ´ e igual ` a derivada ordin´ aria.

(7. Neste caso.48) Neste problema. de modo que o balan¸ co de massa no VC se dar´ a pelas integrais de superf´ ıcie no topo e no orif´ ıcio do fundo: Sc ρ (v · n) dS = Stopo ρ (v · n) dS + Sfundo ρ (v · n) dS (7.30) fica: dh ρA + ρ 2gha = 0. (7. (7. enquanto a superf´ ıcie livre n˜ ao alcan¸ car o topo do volume de controle. . de primeira ordem. linear. A solu¸ c˜ ao pode ser obtida separandose as vari´ aveis: a 2gdt = 0. Esta integral fica simplesmente: Sc 121 ρ (v · n) dS = ρ 2gha. a massa de ´ agua no volume de controle ´ e constante.46) h−1/2 dh + A Integrando a express˜ ao acima: h h h0 −1/2 a dh + A 1/2 t 2g + a A 0 dt 2gt (7. marcado por (b).3 – Balan¸ co de massa equa¸ c˜ ao (7. (7.47) = 2 (h(t))1/2 − h0 = 0. Portanto: h(t) = √ a 2g h0 − t 2A 2 .7. Pode-se admitir que a velocidade que atravessa esta superf´ ıcie ´ e uniformemente distribuida na superf´ ıcie e igual a dh v0 = − dt . sob o aspecto da conserva¸ c˜ ao da massa. homogˆ enea.44) Juntando o termo transiente com o fluxo advectivo. a equa¸ c˜ ao (7.30) tem apenas contribui¸ c˜ ao no orif´ ıcio. o problema ´ e permanente. e portanto. A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa se reduz a: ρ (v · n) dS = 0.50) = −ρv0 A + ρva = 0. poderia-se alternativamente escolher o volume de controle que corta o fluido (abaixo de h(t)).45) dt A express˜ ao acima ´ e uma equa¸ c˜ ao diferencial ordin´ aria. pois somente l´ a v · n = 0.49) Sc Repare que agora h´ a fluxo de massa atrav´ es do topo do volume de controle. (7.

6 mostra um aterro destinado a coletar ´ aguas de chuva e conduzi-las a uma canaleta. e que a porosidade do solo ´ e n. obviamente. obt´ em-se: dt ρA dh +ρ dt 2gha = 0. (7. ´ e a mesma equa¸ c˜ ao diferencial para h(t) que foi obtida anteriormante (7. onde L ´ e o comprimento do aterro. determine o n´ ıvel H em fun¸ c˜ ao do tempo. Admitindo que a vaz˜ ao Q que eflui ´ e proporcional ao n´ ıvel da ´ agua dentro do aterro. sabendo que H (0) = H0 . Este tipo de armazenamento de ´ agua dentro de um meio poroso pode ser u ´ til em regi˜ oes ´ aridas.30). e k ´ e conhecido empiricamente.122 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais concreto piezˆ ometro H argila B θ Q canaleta Figura 7.6: Aterro de coleta de ´ aguas pluviais (escoamento em um meio poroso).51) que. Exemplo A figura 7. Solu¸ c˜ ao O volume de controle escolhido ´ e o pr´ oprio de aterro e a equa¸ c˜ ao utilizada para se resolver este problema ser´ a a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (7. para reduzir perdas por evapora¸ c˜ ao. Note que necessariamente o problema . √ Substituindo v = 2gh e v0 = − dh acima. Q = kLH .45).

54) Sc A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa fica: ρnL B dH H dH − dt tan θ dt + ρkLH = 0. − dt tan θ dt = (7. Desprezando o pequeno fluxo dentro do piezˆ ometro.57) .30) fica: ∂ ∂t ρdV Vc ∂ H ρn B − HL ∂t 2 tan θ dH H dH = ρnL B . nB ln H0 tan θ H (7. o volume de ´ agua dentro do aterro ´ e igual ao produto do volume total da regi˜ ao molhada (at´ e o n´ ıvel H ) com a porosidade n.53) Observe o uso de derivadas ordin´ arias para H . onde a integral de superf´ ıcie ´ e dada pela pr´ opria vaz˜ ao Q = Sc (v · n) dS multiplicada pela massa espec´ ıfica ρ: ρ (v · n) dS = ρQ = ρkLH.7. tem-se: nB H t dH n dH + k dt = − tan θ H0 H0 H 0 n H − (H − H0 ) + kt = 0. Por defini¸ c˜ ao.55) Rearranjando e separando as vari´ aveis H e t. (7. a u ´ nica regi˜ ao da superf´ ıcie de controle onde h´ a fluxo (v · n = 0) ´ e pr´ oximo ` a canaleta. H tan θ (7. o termo transiente de (7. e este ´ e vari´ avel dentro do volume de controle.52) 123 Admitindo que a massa espec´ ıfica da ´ agua ρ ´ e constante. uma vez que o tempo ´ e a u ´ nica vari´ avel da qual H depende. O volume ocupado pelo aterro H at´ e o n´ ıvel da ´ agua H ´ e dado por V = B − 2 tan HL. (7.56) Integrando a equa¸ c˜ ao acima. de modo θ que o volume de ´ agua ´ e dado por: VA = n B − H 2 tan θ HL. j´ a que a vari´ avel que se quer resolver H (t) est´ a relacionada com o volume de ´ agua no aterro.3 – Balan¸ co de massa ´ e transiente. (7. tem-se: nB dH n − dH + kdt = 0.

as distribui¸ c˜ oes de velocidade b entrada do canal sa´ ıda do canal h ar ´ agua v1 J˙ ar ´ agua v2 C0 Figura 7. h (7. .11). cujo fundo ´ e um reservat´ orio de ´ agua como mostra a figura 7.58) CA ρdV + J˙ = ∂t Vc Sc Exemplo Ar seco com massa espec´ ıfica ρ e velocidade v1 entra em um duto de se¸ c˜ ao retangular h × b.7. 7. (a) Calcule a velocidade m´ axima na sa´ ıda (se¸ c˜ ao 2) v2 em fun¸ c˜ ao de v1 .124 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Repare que a equa¸ c˜ ao acima n˜ ao permite uma express˜ ao expl´ ıcita para H .7: Canal de vento fechado sobre um reservat´ orio. A equa¸ c˜ ao A Dt fica: ∂ CA ρ (v · n) dS.4 Balan¸ co de massa de um soluto A lei integral da conserva¸ c˜ ao de massa de um soluto A (na ausˆ encia de rea¸ c˜ oes qu´ ımicas!) em uma regi˜ ao do espa¸ co (volume de controle) ´ e expressa pela A equa¸ c˜ ao (7.59) Desprezando as varia¸ c˜ oes de velocidade nas laterais. h2 C (y ) = C 0 (h − y ) . e concentra¸ c˜ ao de vapor de ´ agua s˜ ao dadas por: v (y ) = 4v2 y (h − y ) . (7. Este tipo de equa¸ c˜ ao ´ e chamada de transcendental e H s´ o pode ser avaliado numericamente de forma iterativa. DM ´ e dado por (7.29) com N = M e η = CA . Na sa´ ıda.

e a integral de superf´ ıcie em S2 ir´ a equilibrar o fluxo difusivo de massa do soluto: J˙ = ρ4C0 v2 b CA ρ (v · n) dS = h3 S2 1 ρC0 v2 bh. o termo transiente ´ e nulo. vapor de ´ agua) ´ e dada por (7.7. Como o problema ´ e permanente.62) Como por hip´ otese o ar est´ a seco na entrada do duto (S1 ). portanto: ρ (v · n) dS = h 125 SC S1 ρ (v · n) dS + S2 ρ (v · n) dS (7. O termo devido aos fluxos advectivos tˆ em componentes na entrada (S1 ) e na sa´ ıda (S2 ) do duto. a integral naquela superf´ ıcie ´ e nula (CA = 0).60) = −ρv1 bh + 4v2 ρ 0 y (h − y ) bdy = 0. b.58).30). e h. A integral sobre a superf´ ıcie de controle (fluxo advectivo) ´ e: CA ρ (v · n) dS = + S2 Sc S1 CA ρ (v · n) dS CA ρ (v · n) dS. o termo transiente (∂/∂t) ´ e nulo. e portanto deve ser solucionado considerando-se a conserva¸ c˜ ao da massa do fluido (7. ap´ os a integra¸ c˜ ao. = 3 h 0 y (h − y )2 dy (7. (b) A equa¸ c˜ ao de balan¸ co de massa de um soluto (no caso. ρ. Solu¸ c˜ ao (a) Este ´ ıtem diz respeito ` a velocidade do fluido. Como o escoamento ´ e permanente. v2 . J .61) Repare que J˙ n˜ ao contribui para o balan¸ co de massa do fluido. em fun¸ c˜ ao de C0 .4 – Balan¸ co de massa de um soluto (b) Calcule o fluxo de massa de vapor de ´ agua que evapora do ˙ reservat´ orio. h2 donde. (7.63) . 2 (7. obt´ em-se: v2 = 3v1 .

mostra um tanque industrial contendo inicialmente ´ agua pura (ρ constante). dada pela equa¸ c˜ ao (7. e desprezando a difus˜ ao molecular do fenol. j´ a que CA = CE (t) e ρ s˜ ao.64) . Sendo V o volume (constante) de fluido no tanque. uniformes no volume de controle: ∂ ∂t CA ρdV = Vc ∂ dCE [ρCE (t)V ] = ρV ∂t dt (7. Considere que um misturador mant´ em a concentra¸ c˜ ao de fenol dentro do tanque homogˆ enea e igual ` a concentra¸ c˜ ao de sa´ ıda. O termo J˙ ´ e dado como desprez´ ıvel. Para se calcular uma f´ ormula para CE (t).58). Em t = 0.30) nos fornece ´ e a de que a vaz˜ ao de entrada deve ser igual ` a vaz˜ ao de sa´ ıda.8. conectado a tubos de circula¸ c˜ ao. CE (t). Q (repare que para a conserva¸ c˜ ao da massa de fluido. Solu¸ c˜ ao O volume de controle a ser utilizado ´ e obviamente o tanque em si.8: Fluxo de fenol em um tanque. uma vaz˜ ao volum´ etrica Q come¸ ca a transitar no tanque tranzendo ´ agua com uma concentra¸ c˜ ao m´ assica C0 de fenol.C0 Q. Exemplo A figura 7. deve ser empregada a lei de conserva¸ c˜ ao de massa de um soluto. obtenha CE (t). por suposi¸ c˜ ao.CE (t) V misturador Figura 7.126 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Q. Au ´ nica informa¸ c˜ ao que a equa¸ c˜ ao do balan¸ co de massa de fluido (7. o problema ´ e permanente). O termo transiente pode ser calculado imediatamente.

ent˜ ao c = C0 . tornase: dCE + Q (CE (t) − C0 ) = 0. (7. (7.58) com J˙ = 0. A integral de superf´ ıcie da equa¸ c˜ ao (7. dt (7.68) .4 – Balan¸ co de massa de um soluto Repare que . Sendo S1 e S2 as se¸ c˜ oes da entrada e sa´ ıda do tanque.69) V onde ln c ´ e a constante de integra¸ c˜ ao. a derivada parcial pode ser substituida pela derivada ordin´ aria. Finalmente: CE (t) = C0 1 − e−(Q/V )t .71) (7. A equa¸ c˜ ao de balan¸ co de massa de fenol. (7. Exponenciando a express˜ ao acima: (C0 − CE (t)) = ce−(Q/V )t .65) = −ρC0 Q + ρCE (t)Q.66) V dt A equa¸ c˜ ao acima pode ser convenientemente rearranjada: V d (C0 − CE (t)) + Q (C0 − CE (t)) = 0. (7.58) s´ o tem contribui¸ c˜ oes nas se¸ c˜ oes que comunicam o tanque com os tubos de circula¸ c˜ ao. como o tempo ´ e a u ´ nica vari´ avel independente. tem-se: CA ρ (v · n) dS = + S2 127 Sc S1 CA ρ (v · n) dS CA ρ (v · n) dS S1 = ρC0 (v · n) dS + ρCE (t) S2 (v · n) dS (7. (7. (C0 − CE (t)) V Integrando: Q ln (C0 − CE (t)) = − t + ln c.7.67) Separando as vari´ aveis: d (C0 − CE (t)) Q = − dt.70) Como CE = 0 em t = 0.

y.12). No sistema de coordenadas cartesiano as trˆ es componentes (x.128 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais 7.29) com N = P e η = v.5 Balan¸ co de quantidade de movimento Em um dado instante em que um sistema ocupa um volume de controle (VC) em um referencial inercial.2. (7.72) s˜ ao na realidade trˆ es equa¸ c˜ oes. como em muitos ∂ ∂t ∂ = ∂t ∂ = ∂t vx ρdV + Vc Sc vx ρ (v · n) dS. ou seja. como a quantidade de movimento ´ e um vetor. vz ρ (v · n) dS.73) (7. Esta for¸ ca ´ e P . 4. D Dt acordo com a equa¸ c˜ ao (7.72) s˜ ao: Fsx + Fcx = Fsy + Fcy Fsz + Fcz Exemplo Utilizando as equa¸ c˜ oes (7.72) ´ e a equa¸ c˜ ao integral do balan¸ co da quantidade de movimento em um volume de controle.1).1.74) (7.75) vy ρdV + Vc Sc vz ρdV + Vc Sc . z ) de (7.9 (neste exemplo. (b) ∂p/∂x = 0. e 6. a for¸ ca que o restante do universo faz sobre o sistema ´ e Fs + Fc . unidimensional na dire¸ c˜ ao x com v = vx ex . Observe que. (c) ∂p/∂y = −ρg .72) para um escoamento permanente. vy ρ (v · n) dS. (7. e com o tensor de tens˜ oes dado apenas pelo campo de press˜ ao T = −pI (I ´ e a matriz identidade). de a respons´ avel pela varia¸ c˜ ao da quantidade de movimento do sistema. com a acelera¸ c˜ ao da gravidade atuando no sentido −y perpendicular a x. mostre que: (a) ∂vx /∂x = 0. tem-se: Fs + Fc = ∂ ∂t vρdV + Vc Sc vρ (v · n) dS.72) A equa¸ c˜ ao (7. desprezando termos viscosos. que ´ e o princ´ ıpio da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento de um sistema. Utilizando (7. onde Fs e Fc s˜ ao as for¸ cas de superf´ ıcie e de corpo atuando no sistema naquele instante (ver se¸ c˜ oes 4. Solu¸ c˜ ao Considere o elemento de fluido que ocupa um volume de controle mostrado na figura 7. (7.

76) (7. y ) Figura 7. As equa¸ c˜ oes relevantes para este sistema s˜ ao as da conserva¸ c˜ ao da massa e da quantidade de movimento nas dire¸ c˜ oes x e y: 0 = Fsx + Fcx Fsy + Fcy ∂ ∂t ∂ = ∂t ∂ = ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS. (7. outros. y ) ∆x ∆y vx (x + ∆x. sientes ( ∂t ) s˜ (a) Como s´ o existe escoamento na dire¸ c˜ ao x. a dire¸ c˜ ao z perpendicular ao papel ser´ a desprezada por conveniˆ encia).9: Escoamento paralelo hidrost´ atico.7. y )ρ∆y = 0. vy ρ (v · n) dS. e tomando agora o limite .5 – Balan¸ co de quantidade de movimento 129 p(x. vy ρdV + Vc Sc Uma vez que o escoamento ´ e permanente. Tomando o limite no qual a altura do elemento ∆y tende a zero.79) Sc Dividindo a equa¸ c˜ ao acima por ∆x∆y . y )ρ∆y + vx (x + ∆x. y ) x p(x. ent˜ ao: ρ (v · n) dS = −vx (x. a velocidade vx pode ser considerada constante entre y e y + ∆y . Sc (7. todos os termos tran∂ ao nulos. y + ∆y ) g y vx (x. a equa¸ c˜ ao da continuidade se reduz ao balan¸ co entre os fluxos nas fronteiras laterais do volume de controle.78) vx ρdV + Vc vx ρ (v · n) dS.77) (7.

y )ρ∆y + vx (x + ∆x. y )∆y − p(x + ∆x. j´ a que s´ o h´ a for¸ ca de corpo na dire¸ c˜ ao y . ∂x ∂x (7. y )∆y.84) (7.82) Sc Combinando o termos acima na equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao. tem-se: p(x. tem-se: ∂vx = 0. pois . (7.81) (7. o lado direito ´ e nulo. ∂p = 0. y )ρ∆y. Ent˜ ao. tomando ∆y → 0 admitindo que a press˜ ao ´ e uniforme ao longo de ∆y tem-se: Fs x = p(x. e tomando agora o limite quando ∆x → 0.85) Como ∂vx ∂x = 0 (ver item (a)). y )ρ∆y. y )∆y − p(x + ∆x. Nesta equa¸ c˜ ao.83) Dividindo a equa¸ c˜ ao acima por ∆x∆y . (b) O lado esquerdo da equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao da componente x da quantidade de movimento reduz-se ` a contribui¸ c˜ ao das for¸ cas de superf´ ıcie devido ` a press˜ ao atuando nas faces verticais do volume de controle. a equa¸ c˜ ao acima se torna: 2 ∂p ∂vx + = ∂x ∂x ∂vx ∂p 2vx + = 0. ∂x (7.86) (c) Resta agora a aplica¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao dinˆ amica (como tamb´ em ´ e conhecida a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento) na dire¸ c˜ ao y . (7. (7. ∂x como quer´ ıamos demonstrar.130 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais quando ∆x → 0. y )ρ∆y + vx (x + ∆x. y )∆y = 2 2 −vx (x.80) O lado direito da equa¸ c˜ ao se reduz ao fluxo advectivo de quantidade de movimento nas faces laterais do volume de controle: 2 2 vx ρ (v · n) dS = −vx (x.

vy ρ (v · n) dS.10 ilustra o escoamento permanente de um fluido incompress´ ıvel atrav´ es de uma jun¸ c˜ ao de tubula¸ c˜ oes. A0 .87) 131 Tomando Fsy + Fcy = 0. as for¸ cas de superf´ ıcies Fsy s˜ pelo balan¸ co de for¸ cas devido ` a press˜ ao: Fsy = p(x. A1 . y )∆x − p(x. y )∆x − p(x. e as press˜ oes nas se¸ c˜ oes 0. portanto n˜ ao h´ a componente gravitacional no plano (x. y + ∆y )∆x − ρg ∆x∆y = 0.) Solu¸ c˜ ao As equa¸ c˜ oes para a solu¸ c˜ ao deste problema s˜ ao as de balan¸ co de massa e de quantidade de movimento em x e y : 0 = Fsx + Fcx Fsy + Fcy ∂ ∂t ∂ = ∂t ∂ = ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS. v1 . (7. e p2 . (Admita que as velocidades e press˜ oes s˜ ao uniformes nas se¸ c˜ oes. vy ρdV + Vc Sc . dadas por p0 . y ).90) que mostra que um escoamento atendendo ` as condi¸ c˜ oes dadas tem um comportamento hidrost´ atico. 1.91) (7.89) Dividindo a equa¸ c˜ ao acima pelo volume de controle e tomando o limite quando ∆y → 0: ∂p = −ρg. (7. ∂y (7. Sc (7. tem-se: A u ´ nica for¸ ca de corpo ´ e o peso do fluido dentro do volume de controle: Fc y = −ρg ∆x∆y. vy = 0.7.88) p(x.93) vx ρdV + Vc vx ρ (v · n) dS. v0 . Exemplo A figura 7.5 – Balan¸ co de quantidade de movimento n˜ ao h´ a escoamento na dire¸ c˜ ao vertical. p1 . (7. y + ∆y )∆x. calcule o vetor for¸ ca da ´ agua sobre este trecho de tubula¸ c˜ ao.92) (7. ou seja. A2 . A figura est´ a mostrada em planta. Considerando dados ρ. e 2. Simiao dadas larmente ` a componente x.

94) (7. A0 . tem-se que todos os termos com ∂ s˜ ao nulos. Fs y = p0 A0 sen θ + Fy . e na dire¸ c˜ ao y d´ a: Fsy = Sc vy ρ (v · n) dS = −v0 sen θρv0 A0 . Tomando como volume de controle o pr´ oprio con∂t torno da tubula¸ c˜ ao. A2 . v0 Figura 7. v1 θ p2 . Sendo o escoamento permanente. A1 .95) Sc v0 A0 + v1 A1 . e fornece a velocidade v2 : ρ (v · n) dS = ρ (−v0 A0 − v1 A1 + v2 A2 ) = 0. 2. e 3. v2 = (7. (7.10: For¸ ca de um fluido em uma jun¸ c˜ ao.96) = −v0 cos θρv0 A0 − v1 ρv1 A1 + v2 ρv2 A2 . (7.99) . Fy ) do conduto sobre o fluido: Fsx = p0 A0 cos θ + p1 A1 − p2 A2 + Fx .132 y 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais p1 . A2 A equa¸ c˜ ao dinˆ amica na dire¸ c˜ ao x torna-se: Fsx = Sc vx ρ (v · n) dS (7. A equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao de massa reduz-se ao balan¸ co de fluxos nas se¸ c˜ oes 1.97) As for¸ cas de superf´ ıcie atuando sobre a superf´ ıcie de controle s˜ ao a combina¸ c˜ ao das for¸ cas devido ` as press˜ oes nas se¸ c˜ oes com as for¸ cas (Fx .98) (7. v2 = ? x p0 .

A fun¸ c˜ ao do grande tanque C (denominado de chamin´ e de equil´ ıbrio) imediatamente antes da v´ alvula ´ e absorver este efeito para proteger a tubula¸ c˜ ao.11: Oscila¸ c˜ ao num tanque devido ao fechamento abrupto de uma v´ alvula. ´ agua dentro de uma tubula¸ c˜ ao T escoa com velocidade v0 atrav´ es da v´ alvula V . O s´ ubito fechamento da v´ alvula em t = 0 causa uma sobrepress˜ ao na tubula¸ c˜ ao.5 – Balan¸ co de quantidade de movimento 133 N´ ıvel c/ V aberta H (t) C h a R v (t) p L V 123 123 123 x A p + ∆p Figura 7. que substitu´ ıdas nas equa¸ c˜ oes dinˆ amicas fornecem: 2 2 Fx = −ρv0 cos θA0 − ρv1 A1 2 +ρv2 A2 + p2 A2 − p1 A1 − p0 A0 cos θ.11.7. (7. Fy ): F = −(Fx .100) (7. A´ agua dentro do tanque passa a oscilar.102) Exemplo Na figura 7.101) A for¸ ca da ´ agua sobre a jun¸ c˜ ao dos condutos ´ e a rea¸ c˜ ao a (Fx . Fy ). o mesmo acontecendo com a velocidade v na tubula¸ c˜ ao entre o reservat´ orio R (repare . (7. 2 Fy = −ρv0 A0 sen θ − p0 A0 sen θ.

72). ∂t dt (7. (7.104) Vc onde VT e VC s˜ ao os volumes de ´ agua dentro da tubula¸ c˜ ao e dentro da chamin´ e de equil´ ıbrio VC . de modo que: ρ (v · n) dS = −ρav (t).30) ´ e portanto: ∂ ∂t ρdV = Vc dH ∂ ρ [VT + A(H (t) + h)] = ρA . no caso ideal (sem atrito) varia entre ±v0 . A ´ area secional da tubula¸ c˜ ao ´ e a. e a da base do tanque ´ e A.105) O termo transiente da equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da massa (7. este ´ e um problema transiente. (7.106) Au ´ nica parte da superf´ ıcie de controle onde h´ a fluxo ´ e a fronteira entre a tubula¸ c˜ ao e o reservat´ orio.30) e as equa¸ c˜ oes da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento (7. a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (7. o fluido pode ser encarado como incompress´ ıvel (ρ constante). O volume de controle escolhido (tracejado) ´ e a tubula¸ c˜ ao T mais a chamin´ e de equil´ ıbrio C : Vc = T ∪ C .103) Obviamente. (7. (7. mais uma vez.107) Sc A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa fica: ρA dH − ρav (t) = 0. Obtenha a equa¸ c˜ ao diferencial que governa a evolu¸ c˜ ao de H√ (t). Estes volumes s˜ ao: VT = constante. dt (7. VC = A(H (t) + h).108) . A massa dentro de Vc pode ser escrita como: ρdV = ρ (VT + VC ) .134 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais que o volume do reservat´ orio ´ e enorme e o seu n´ ıvel pode ser considerado inafetado pelo sistema) e o tanque C que. Solu¸ c˜ ao As equa¸ c˜ oes adequadas para a solu¸ c˜ ao deste problema s˜ ao. Resolva esta equa¸ c˜ ao para o caso simplificado em que v ≪ gH . Uma vez que o tanque C est´ a em contato com a atmosfera e a ´ agua pode se mover livremente dentro dele.

A for¸ ca de superf´ ıcie resultante em x ´ e ent˜ ao: Fs x = pa − (p + ∆p)a = −ρgaH (t) (7. dt (7.113) onde L ´ e o comprimento da tubula¸ c˜ ao.114) Sc A equa¸ c˜ ao dinˆ amica em x torna-se. Para isso.110) Para calcular a quantidade de movimento x dentro do Vc . as equa¸ c˜ oes dinˆ amicas ser˜ ao usadas. Vc vρdV . o fluxo de quantidade de movimento x existe apenas na entrada da tubula¸ c˜ ao: vx ρ (v · n) dS = −ρv 2 a.112) de modo que o termo transiente ´ e: ∂ ∂t vx ρdV = ρaL Vc dv . A press˜ ao na entrada da tubula¸ c˜ ao p ´ e: p = patm + ρgh. (7. dt (7.109) 135 Na v´ alvula. As for¸ cas de corpo na dire¸ c˜ ao x s˜ ao evidentemente nulas. assim: −ρgHa = ρaL dv − ρv 2 a.111) (7. Resta estabelecer uma rela¸ c˜ ao entre estas vari´ aveis para se obter uma equa¸ c˜ ao diferencial para H (t) somente. j´ a que h´ a duas vari´ aveis dependentes (H e v ).5 – Balan¸ co de quantidade de movimento Repare que a equa¸ c˜ ao acima n˜ ao ´ e a resposta do problema. (7. Assim como o fluxo de massa. Vc (7. As for¸ cas de superf´ ıcies naquela dire¸ c˜ ao s˜ ao decorrentes das press˜ oes na fronteira R–T (entrada da tubula¸ c˜ ao) e na v´ alvula V .7. sendo desprez´ ıveis no tanque C : vx ρdV = vρaL. existe um efeito de sobrepress˜ ao compensado pelo desn´ ıvel H do tanque: p + ∆p = patm + ρg (H (t) + h). pode-se admitir que a velocidade do escoamento ´ e significativa apenas dentro da tubula¸ c˜ ao T .115) .

(7.136 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Pela equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa obtida anteriormente: A dH a dt A d2 H dv = dt a dt2 v = (7. este termo pode ser desprezado em compara¸ com os outros. tem-se: H2 = aL v0 .120) Usando H (t = 0) = 0.117) Substituindo as express˜ oes acima na equa¸ c˜ ao dinˆ amica j´ a obtida e dividindo-a por ρ.118) A equa¸ c˜ ao acima ´ e n˜ ao-linear devido ao termo (ρv 2 a) proveniente do fluxo de c˜ ao. tem-se. (7.122) .116) (7.119) dt2 AL A equa¸ c˜ ao acima governa uma oscila¸ c˜ ao senoidal e tem solu¸ c˜ ao geral: H (t) = H1 cos ag t + H2 sen AL ag t. Ag (7. Conhecendo-se a velocidade inicial no tubo v0 . tem-se que H1 = 0. Admitindo √ quantidade de movimento na tubula¸ c˜ ao que v ≪ gH . e a equa¸ c˜ ao diferencial para H (t) pode ser linearizada: ag d2 H + H = 0. AL (7.121) dt A donde por substitui¸ c˜ ao na derivada da express˜ ao para H (t) acima. (7. pela equa¸ c˜ ao da continuidade que: dH (t = 0) a = v0 . obt´ em-se uma equa¸ c˜ ao diferencial para H (t): A d2 H L − a dt2 A dH a dt 2 + gH = 0.

125) representa a taxa de trabalho revers´ ıvel realizado pelo resto do universo sobre a superf´ ıcie do sistema. em geral.123) onde p ´ e a press˜ ao no fluido. 3 (7.125) com N = E e η = e: ˙ +W ˙µ− Q p (n · v) dS = ∂ ∂t eρdV + Vc Sc Ss 2 µ (∇ · v) (n · v) dS + 2 3 Ss µ [(D · n) · v] dS.1. e ser´ sipa¸ c˜ ao ser´ a denominada W a desprezada sistematicamente. (7. essa dis˙ µ .123) em (7.9): ˙ = W Ss 2 − µ (∇ · v) I − pI + 2µD · n · v dS. W a expresso numa forma conveniente para seu uso sistem´ atico.29) com N = E e η = e: DE ∂ eρ (v · n) dS. os efeitos desta dissipa¸ c˜ ao viscosa sobre o escoamento de fluidos com viscosidade relativamente baixa (caso da ´ agua) s˜ ao desprez´ ıveis. v = 0.125) A segunda e terceira integrais de (7. Primeiradificuldades de se incluir o termo do trabalho W ˙ ser´ mente.127) Como no instante considerado a superf´ ıcie do sistema e a superf´ ıcie de controle coincidem. a menos que se indique o contr´ ario.124) Percebendo que I · n = n. A equa¸ c˜ ao integral de balan¸ co de energia ´ e dada por (7.13). (7. e aplicando a propriedade distributiva do produto interno: ˙ =− W Ss p (n · v) dS − (7. e D ´ e o tensor taxa de deforma¸ c˜ ao.6 Balan¸ co de energia Dentre as equa¸ c˜ oes integrais de balan¸ co. devido ` as ˙ dado por (7. µ ´ e a viscosidade dinˆ amica. Este termo. e (7. a equa¸ c˜ ao de balan¸ co de energia ´ e au ´ nica que ser´ a apresentada de uma forma ligeiramente diferente.126) eρdV + = Dt ∂t Vc Sc combinada com (7. o tensor de tens˜ oes foi obtido como: 2 T = − p + µ (∇ · v ) I + 2 µ D .125) representam a dissipa¸ c˜ ao de energia mecˆ anica do sistema por efeito da viscosidade (tens˜ ao viscosa) associada com o movimento da fronteira do sistema (note que numa fronteira s´ olida em repouso. Freq¨ uentemente.6 – Balan¸ co de energia 137 7. Ss eρ (v · n) dS. No decorrer deste texto.7.9). Levando (7. A primeira integral de (7. 3 (7. ´ e bastante importante. pode-se agrupar as integrais sobre estas superf´ ıcies em uma . Na se¸ c˜ ao 6. e este termo ´ e nulo).

128) A equa¸ c˜ ao (7. denominando W encia adicionada por um eixo ao sistema dentro do volume de controle. ´ e conveniente se usar o volume de controle contendo a turbina (linha pontilhada). Ao se considerar um volume de controle excluindo a turbina (linha tracejada). (7. Assim. u ´ nica integral. contendo a casa de for¸ ca com uma turbina.12.13 mostra um corte da barragem de uma usina hidrel´ etrica. e a equa¸ c˜ ao de balan¸ co integral de energia fica: ˙ +W ˙µ= ∂ Q ∂t eρdV + Vc Sc e+ p ρ ρ (v · n) dS. devido ` a presen¸ ca de uma superf´ ıcie de controle demasiadamente complexa. mas. ´ e preciso que se inclua um termo de trabalho de eixo x realizado pela ˙ x a potˆ turbina sobre o fluido. Desprezando os efeitos de viscosidade na tomada d’´ agua (se¸ c˜ ao 1) e no canal eρdV + Vc Sc e+ p ρ ρ (v · n) dS. transita uma vaz˜ ao volum´ etrica (unidade L3 T−1 ) Qv . tem-se finalmente: ˙ +W ˙µ+W ˙x= ∂ Q ∂t Exemplo A figura 7.12: Ilustra¸ c˜ ao da inclus˜ ao do trabalho de eixo. considere a turbina sujeita a um escoamento como est´ a mostrado na figura 7. (7. Para mostrar por quˆ e.138 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Figura 7. Pela turbina. a complexidade do problema aumenta muito.129) .128) est´ a quase completa para ser usada. para isso. O desn´ ıvel entre o reservat´ orio e o canal de restitui¸ c˜ ao de vaz˜ oes ´ e H . Por isso.

30) e a da conserva¸ c˜ ao da energia (7. e A2 s˜ ao as velocidades e ´ areas nas se¸ c˜ oes 1 e 2. v2 . A1 . Na equa¸ c˜ ao da energia (7. de restitui¸ c˜ ao (se¸ c˜ ao 2).129). g . assim como o termo transiente. Solu¸ c˜ ao As equa¸ c˜ oes adequadas para a solu¸ c˜ ao deste problema s˜ ao a da conserva¸ c˜ ao da massa (7. Admitindo que o fluido seja incompress´ ıvel.129) os termos de dissipa¸ c˜ ao viscosa e ˙µ e Q ˙ ser˜ de trocas de calor com o ambiente.6 – Balan¸ co de energia 139 p1 ρg A1 H1 z1 A2 p2 ρg H z2 H2 Figura 7. usando o fato de que o regime ´ e permanente. a equa¸ c˜ ao (7. admitindo regime de escoamento permanente. (7. e admitindo que a energia cin´ etica nas se¸ c˜ oes 1 e 2 podem ser desprezadas. W ao desprezados. Qv .130) onde v1 . contendo a casa de m´ aquinas.13: Transforma¸ c˜ ao de energia hidr´ aulica em energia el´ etrica. Ent˜ ao: ˙x = W = S1 ∂ ∂t eρdV + Vc Sc e+ p ρ ρ (v · n) dS e+ p ρ ρ (v · n) dS . determine a potˆ encia P da turbina em fun¸ c˜ ao de ρ. H . e escolhendo como volume de controle o volume de fluido entre as se¸ c˜ oes 1 e 2 (parte clara da barragem na figura).7.30) torna-se apenas: −v1 A1 + v2 A2 = −Qv + v2 A2 = 0.

131) Admitindo que as se¸ c˜ oes S1 e S2 s˜ ao pequenas e que portanto a energia espec´ ıfica e e a press˜ ao p s˜ ao homogˆ eneas nestas se¸ c˜ oes.135) Baseado na suposi¸ c˜ ao de que a energias cin´ eticas v 2 /2 s˜ ao pequenas. (7. (7. admitindo que o processo ´ e isot´ ermico (a temperatura da ´ agua ´ e a mesma nas se¸ c˜ oes 1 e 2). Assim: p2 p1 = gh1 . W (7. cin´ eticas v 2 /2.132) W ρ ρ As energias espec´ ıficas s˜ ao dadas pelas somas das energias espec´ ıficas internas u. (7.138) A potˆ encia fornecida pela turbina ´ e o rec´ ıproco da taxa de trabalho fornecida pelo seu eixo ao sistema ocupando o volume de controle: P = ρQv gH. (7. tem-se: e1 = u1 + ˙ x = − u1 + gz1 + p1 W ρ + u2 + gz2 + p2 ρ ρQv . e potenciais gz : 2 v1 + gz1 . donde: ˙ x = −ρQv gH. (7. (7. estas quantidades podem ser fatoradas das integrais de superf´ ıcie. Assim.136) ρ ρ ˙ x fica: A express˜ ao para W ˙ x = [−u1 − gz1 − gh1 + u2 + gz2 + gh2 ] ρQv W = [− (u1 + gH1) + (u2 + gH2 )] ρQv = ρQv g (H2 − H1 ) + ρQv (u2 − u1 ) .137) A energia interna espec´ ıfica u ´ e fun¸ c˜ ao da massa espec´ ıfica ρ e da temperatura T (ver cap´ ıtulo 2). e´ o c´ alculo das mesmas se tornam triviais: ˙ x = ρ e1 + p1 (−v1 A1 ) + e2 + p2 (v2 A2 ) .134) 2 Desprezando v 2 /2 e lembrando que Qv = v1 A1 = v2 A2 . e tem-se que u1 = u2 . ´ e poss´ ıvel calcular as press˜ oes p1 e p2 hidrostaticamente (ver pr´ oxima se¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ ao de Bernoulli).140 + 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais e+ S2 p ρ ρ (v · n) dS.139) . = gh2. (7. (7.133) 2 v2 e2 = u2 + 2 + gz2 .

A se¸ c˜ ao 2 tem ´ area A2 . (7. dadas por: 0 = Fsx + Fcx ∂ ∂t ∂ = ∂t + Sc ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS. Determine.14 mostra um g´ as ideal escoando atrav´ es do alargamento de uma tubula¸ c˜ ao. eρdV (7. p1 . T1 Figura 7.14: Escoamento de um g´ as atrav´ es de uma expans˜ ao s´ ubita. e as condi¸ c˜ oes p2 . As equa¸ c˜ oes a serem utilizadas s˜ ao as da conserva¸ c˜ ao da massa. Exemplo A figura 7.141) ˙ +W ˙µ+W ˙x = Q ∂ ∂t Vc .140) vx ρdV Vc vx ρ (v · n) dS. T2 ap´ os o alargamento (suponha que o escoamento ´ e incompress´ ıvel). T2 A1 .6 – Balan¸ co de energia 141 p1 A2 . e energia. v2 . e do calor espec´ ıfico a press˜ ao constante do g´ as cp : a taxa de ˙ atrav´ transferˆ encia de calor Q es das paredes do alargamento. temperatura T1 . v2 . em fun¸ c˜ ao das condi¸ c˜ oes na se¸ c˜ ao 1. velocidade v1 .14. v1 . de A2 . As condi¸ c˜ oes na se¸ c˜ ao 1 de ´ area A1 s˜ ao: press˜ ao p1 .7. quantidade de movimento em x. p2 . Solu¸ c˜ ao O volume de controle escolhido est´ a indicado pela linha tracejada na figura 7.

142 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais + Sc e+ p ρ ρ (v · n) dS. RT1 (7.144) Supondo uniformidade das condi¸ c˜ oes do fluido nas se¸ c˜ oes 1 e 2. As paredes verticais por sua vez reagem ` a essa for¸ ca de press˜ ao e a for¸ ca total na dire¸ c˜ ao x fica: Fsx = (p1 − p2 ) A2 . β= (7. ρR (7.148) onde foi usado que v1 A1 = v2 A2 .142) Repare que o problema possui 4 inc´ ognitas e que h´ a apenas 3 equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao. (7.147) (7. A equa¸ c˜ ao dinˆ amica escreve-se: 2 2 (p1 − p2 ) A2 = −ρv1 A1 + ρv2 A2 = ρ (v2 − v1 ) v2 A2 .150) .145) A1 . e que o valor de p pr´ oximo ` as paredes da expans˜ ao deve necessariamente ser p = p1 .146) A2 N˜ ao h´ a for¸ cas de corpo na dire¸ c˜ ao x.149) A temperatura na se¸ c˜ ao 2 vem da equa¸ c˜ ao de estado: T2 = p2 . a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao de massa fornece: 0 = −ρv1 A1 + ρv2 A2 . (7. A massa espec´ ıfica (constante) pode ser calculada em fun¸ c˜ ao das condi¸ c˜ oes na se¸ c˜ ao 1 por: ρ= p1 . (7. de modo que as derivadas temporais s˜ ao nulas. o problema ´ e permanente. A equa¸ c˜ ao adicional que pode ser usada ´ e a equa¸ c˜ ao de estado: p = ρRT. (7. ou: v2 = βv1 . Repare que a press˜ ao p1 n˜ ao cai imediatamente ap´ os a expans˜ ao do duto. Dividindo por A2 e usando novamente a equa¸ c˜ ao da continuidade: 2 p2 = p1 + β − β 2 ρv1 . (7.143) Primeiramente.

7. ou seja. A dedu¸ c˜ ao envolve o balan¸ co de quantidade de movimento em um elemento de fluido e sua integra¸ c˜ ao ao longo de uma linha de corrente (ou linha de fluxo). O resultado pode ser interpretado como um balan¸ co de energia mecˆ anica. N˜ ao h´ a trabalho de eixo (Wx ) neste ˙ µ ) pode ser desprezado. tem-se: ˙ = ρv1 A1 cp (T2 − T1 ) + 1 v 2 − v 2 Q 1 2 2 . desprovido de dissipa¸ c˜ ao de energia) e o balan¸ co de quantidade de movimento s˜ ao equivalentes. resta calcular a taxa em que calor ´ e trocado atrav´ es ˙ da superf´ ıcie de controle. (7.154) cp = cv + R. . u1 e u2 s˜ ao as energias espec´ ıficas internas nas se¸ c˜ oes 1 e 2. (7. (7. admitindo que z1 = z2 . Utilizando a equa¸ c˜ ao de estado e da conserva¸ c˜ ao da massa: ˙ = ρv1 A1 (u2 − u1 ) + g (z2 − z1 ) Q + R (T2 − T1 ) + 1 2 2 v2 − v1 2 . Considere um escoamento com as seguintes caracter´ ısticas: 1. a equa¸ c˜ ao do balan¸ co de energia fica: ˙ = − e1 + p1 Q ρ ρv1 A1 + e2 + p2 ρ ρv2 A2 . chamada equa¸ c˜ ao de Bernoulli. o que mostra que o balan¸ co de energia mecˆ anica (em um sistema conservativo. caso e o trabalho devido ` a viscosidade (W Assim. (7.153) 7.7 – A equa¸ c˜ ao de Bernoulli Finalmente.151) 143 onde z1 e z2 s˜ ao as alturas das se¸ c˜ oes 1 e 2 em rela¸ c˜ ao a um n´ ıvel equipotencial de referˆ encia.152) Mas. escoamento permanente. e tomando para o caso de um g´ as ideal: u2 − u1 = cv (T2 − T1 ) .7 A equa¸ c˜ ao de Bernoulli A equa¸ c˜ ao do balan¸ co de quantidade de movimento pode ser reduzida a uma forma bastante conveniente.

15: Equa¸ c˜ ao de Bernoulli em um tubo de corrente. Em geral a ´ area da se¸ c˜ ao transversal do tubo de corrente ´ e dependente de l. efeitos de viscosidade desprez´ ıveis. Por defini¸ c˜ ao. e a ´ area na sa´ ıda do elemento de comprimento ∆l como os dois primeiros termos da s´ erie de Taylor destas vari´ aveis em torno dos seus valores na entrada do . 2.15.156) vl ρdV + Vc vl ρ (v · n) dS. A θ ∆l ∂A ∆l ∂l Figura 7. Sc (7. e que o comprimento do tubo ∆l ´ e suficientemente pequeno. Define-se um volume de controle elementar de comprimento ∆l ao longo de uma linha de fluxo e supondo que n˜ ao h´ a escoamento atrav´ es das paredes deste volume (tal volume ´ e chamado de tubo de corrente ou tubo de fluxo ). conforme mostra a figura 7.144 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais tubo de corrente z (2) v+ ∂v ∆l ∂l A+ ∆l y x (1) v. velocidade. 3.155) (7. de forma que pode-se expressar a press˜ ao. Considere agora a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa e de quantidade de movimento na dire¸ c˜ ao l (ou seja na dire¸ c˜ ao tangente ` a linha de corrente): 0 = Fsl + Fcl ∂ ∂t ∂ = ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS. Considerando que as velocidades s˜ ao aproximadamente uniformes em qualquer se¸ c˜ ao transversal do tubo. compressibilidade desprez´ ıvel. n˜ ao h´ a fluxo atrav´ es das paredes laterais do tubo de corrente.

∂l ∂v ∆l ∂l (7. novamente. a resultante das for¸ cas de superf´ ıcies na dire¸ c˜ ao l sobre o volume de controle ´ e: Fsl = pA − p + ∂p ∂A ∆l A+ ∆l ∂l ∂l ∂A 1 ∂p ∆l ∆l.157) Dividindo a express˜ ao acima por ∆l e tomando o limite quando ∆l → 0: ρ (7.159) Ou ´ ltimo termo do lado direito da equa¸ c˜ ao acima ´ e a pequena contribui¸ c˜ ao da press˜ ao nas paredes laterais do tubo (tomada como atuando na posi¸ c˜ ao ∆l/2). ∂l (7. = ρ (vA) ∆l + ρ ∂l ∂l ∂l A+ ∂ (vA) = 0. + p+ 2 ∂l ∂l (7.7.7 – A equa¸ c˜ ao de Bernoulli 145 elemento. ∂l 2 ∂l ∂l ∂l (7.156). Rearranjando os termos escreve-se: Fsl = −A ∂p 1 ∂p ∂A 2 ∂p ∆l − ∆l ≈ −A ∆l. A for¸ ca de corpo em l ´ e a proje¸ c˜ ao do peso do sistema naquela dire¸ c˜ ao: Fcl = − A + 1 ∂A ∆l ∆lρg sen θ 2 ∂l 1 ∂A ∆l ρg ∆z = − A+ 2 ∂l 1 ∂A ∂z = − A+ ∆l ρg ∆l 2 ∂l ∂l ∂z ≈ −ρgA ∆l. o termo quadr´ atico em ∆l foi onde foi usado sen θ = ∆ ∆l desprezado. e.160) Repare que como ∆l ≪ 1 o termo quadr´ atico pˆ ode ser desprezado em compara¸ c˜ ao com o termo linear.161) z . a equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da massa em regime permanente fornece: 0 = −ρvA + ρ v + ∂A ∆l ∂l ∂v ∂A 2 ∂A ∂v ∆l + ρ ∆l = ρ A +v ∂l ∂l ∂l ∂l ∂v ∂A 2 ∂ ∆l .158) Na equa¸ c˜ ao dinˆ amica (7. O fluxo de quantidade de movimento na dire¸ c˜ ao l atrav´ es da .

162): −A ∂p ∂z ∂ ρv 2 A ∆l. A equa¸ c˜ ao de Bernoulli ´ e extremamente u ´ til para se aplicar a escoamentos onde n˜ ao h´ a fonte ou perdas consider´ aveis de energia mecˆ anica. Dividindo onde foi usado ∂l a equa¸ c˜ ao acima por A: ∂ ∂l ou: 1 p + ρgz + ρv 2 2 = 0.146 superf´ ıcie de controle ´ e: 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Sc vl ρ (v · n) dS = −ρv 2 A + ρ v + ≈ ∂ ρv 2 A ∆l. (7. da energia potencial gravitacional. ∆l − ρgA ∆l = ∂l ∂l ∂l (7. pela equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa. ∂l ∂l 2 ∂p ∂z ∂ ρv 2 A .167) ´ e conhecida como equa¸ c˜ ao de Bernoulli.163) Combinando os termos em 7. ao longo de uma linha de corrente. ∂l ∂v ∆l ∂l 2 A+ ∂A ∆l ∂l (7. De acordo com ela. por unidade de volume) permanece constante.161).167) A equa¸ c˜ ao (7. se: (i) o escoamento for permanente.160).162) Reunindo (7.165) ∂ (vA) = 0.166) 1 p + ρgz + ρv 2 = constante. e da energia cin´ etica (no caso. . e (7. a soma do trabalho realizado pela press˜ ao. − ρAg = ∂l ∂l ∂l (7. e (ii) os termos viscosos puderem ser desprezados. (7.164) (7.156 e dividindo a equa¸ c˜ ao por ∆l tem-se (repare que tomando o limite quando ∆l → 0 anularia os termos n˜ ao lineares em ∆l mesmo se estes n˜ ao tivessem sidos desprezados nas express˜ oes anteriores): −A Mas ∂ ρv 2 A ∂l = ρ ∂ (vA) ∂v v + ρvA ∂l ∂l ∂v ∂ 1 2 = ρvA = ρA v . 2 (7.

O calor Q trocado com o ambiente apenas muda a energia interna (temperatura) do sistema. a energia t´ ermica e a energia mecˆ anica ficam desacopladas.7. e que o regime ´ e permanente). e: p1 2 ˙ = − u1 + 1 v1 Q ρv1 A1 + gz1 + 2 ρ p2 1 2 ρv2 A2 + gz2 + + u2 + v2 2 ρ 1 2 1 2 p2 p1 = − v2 + gz2 + v1 + gz1 + 2 ρ 2 ρ + (u2 − u1 ) ρv1 A1 .16 mostra um esquema para se medir a velocidade de um fluido conhecido por tubo de Pitot. Em fun¸ c˜ ao de ρg . Aplicando as equa¸ c˜ oes do balan¸ co de massa (7.8 A equa¸ c˜ ao de Bernoulli e o balan¸ co de energia Considere a figura 7.168) ρv1 A1 (7.169) Se as hip´ oteses da equa¸ c˜ ao de Bernoulli valem. e a equa¸ c˜ ao da energia se torna: ˙ = (u2 − u1 ) ρv1 A1 . Exemplo A figura 7. ρa . admitindo que o trabalho das for¸ cas viscosas nas laterais do tubo ´ e desprez´ ıvel. A entrada do primeiro manˆ ometro ´ e perpendicular ao escoamento.15. o termo entre colchetes ´ e nulo. Dois manˆ ometros. enquanto que a do segundo ´ e de frente para o mesmo. determine a press˜ ao e a velocidade do g´ as dentro do tubo (considere que as mesmas s˜ ao uniformes dentro do tubo.170) ou seja.8 – A equa¸ c˜ ao de Bernoulli e o balan¸ co de energia 147 7. contendo ´ agua (massa espec´ ıfica ρa ) s˜ ao inseridos numa tubula¸ c˜ ao contendo g´ as (massa espec´ ıfica ρg ) em escoamento. e n˜ ao sua energia mecˆ anica. e das alturas manom´ etricas he e hs . quando n˜ ao h´ a fonte ou dissipa¸ c˜ ao de energia mecˆ anica em um escoamento permanente. . Q (7.30) e energia (7. g . tem-se: v1 A1 = v2 A2 . (7. As leituras nos dois manˆ ometros s˜ ao he e hs respectivamente.128) ao volume de controle entre as se¸ c˜ oes (1) e (2).

2 (7.173) (7. Aplicando a equa¸ c˜ ao de Bernoulli entre (1) e (2): 1 2 1 2 p1 + ρv1 + ρgz1 = p2 + ρv2 + ρgz2 .171) com p1 = pe . isto ´ e a press˜ ao real do fluido. A diferen¸ ca entre a press˜ ao de estagna¸ c˜ ao e a press˜ ao est´ atica ´ e denominada press˜ ao dinˆ amica. e z2 = 0: (7. Analogamente. 2 2 1 pe + ρg v 2 = ps . que ´ e maior que a press˜ ao est´ atica pois envolve o trabalho que o manˆ ometro realiza para desacelerar o fluido naquele ponto. ρg b he hs ´ agua.175) . p2 = ps .174) (7. z1 = 0. a press˜ ao de estagna¸ c˜ ao ´ e: ps = patm + ρa ghs . v2 = 0. e a press˜ ao lida ´ e denominada press˜ ao de estagna¸ c˜ ao. Na entrada do segundo manˆ ometro (2) a velocidade do g´ as ´ e nula. v1 = v = ?. Desprezando o peso do g´ as dentro do manˆ ometro: pe = patm + ρa ghe . ρa Figura 7.172) (7. A press˜ ao est´ atica pe ´ e dada pela leitura do manˆ ometro (1): pe + ρg gb = patm + ρa ghe .148 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais (1) (2) g´ as.16: Tubo de Pitot. Solu¸ c˜ ao O primeiro manˆ ometro mede a chamada press˜ ao est´ atica do escoamento.

A/4 A q =? H T (t) A0 v0 . Determine qual o fluxo de calor q necess´ ario para manter a temperatura T (t) na cˆ amara constante e igual a 5T0 . ρ. com velocidade uniforme v0 . A. . Na parte superior direita (´ area A/4) da cˆ amara h´ a uma fonte de calor que fornece um fluxo espec´ ıfico q . e que tanto o calor espec´ ıfico a volume constante cv e a massa espec´ ıfica do g´ as ρ s˜ ao constantes. ρg (7.7. Q0 . ache a solu¸ c˜ ao transiente para T (t) (temperatura dentro e na sa´ ıda do recipiente) considerando que inicialmente T (t = 0) = T0 .17 mostra uma cˆ amara (volume A × H ) onde entra ar numa se¸ c˜ ao de ´ area A0 .9 – Problemas propostos Ent˜ ao: v= 2 ρa g (hs − he ).17: Aquecimento de ar circulando recipiente. cv . T0 Figura 7. a temperatura T0 . Dados: T0 .176) 149 7. A temperatura na cˆ amara ´ e uniforme e ´ e igual ` a temperatura na sa´ ıda do recipiente. Utilizando o resultado acima para q .9 Problemas propostos 1. A figura 7.

´ area A2 ) e do uso de dois manˆ ometros para se medir a press˜ ao nas se¸ c˜ oes 1 (´ area A1 ) e 2. Para que se fa¸ ca a retirada do cloro ao mesmo tempo que se . das alturas manom´ etricas h1 e h2 . das ´ areas antes e depois da contra¸ c˜ ao A1 e A2 . e que o sistema n˜ ao se envolve em processos de trocas de calor. que o escoamento ´ e permanente. calcule a for¸ ca F que o fluido faz na tubula¸ c˜ ao em fun¸ c˜ ao da massa espec´ ıfica do fluido ρ. Em fun¸ c˜ ao de A1 . 4.20 mostra um tanque de base com ´ area A e altura hm inicialmente contendo ´ agua at´ e o n´ ıvel h0 e com uma concentra¸ c˜ ao inicial de cloro C0 . v2 Figura 7. 3.150 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais 2. Admitindo que as propriedades do fluido s˜ ao uniformes nas se¸ c˜ oes transversais. e que dissipa¸ c˜ oes viscosas s˜ ao desprez´ ıveis. v1 A2 . e da massa espec´ ıfica do fluido ρ. A figura 7. que o regime do escoamento ´ e permanente. para medir a vaz˜ ao de um tubo. da velocidade antes da contra¸ c˜ ao v1 .19 mostra uma contra¸ c˜ ao em uma tubula¸ c˜ ao que despeja ´ agua na atmosfera em forma de um jato ap´ os a contra¸ c˜ ao (pense na ponta de uma mangueira do corpo de bombeiros). e da press˜ ao atmosf´ erica p0 . que a dissipa¸ c˜ ao viscosa pode ser deprezada. h1 h2 A1 . A figura 7. que todas as propriedades do fluido e do escoamento s˜ ao homogˆ eneas em cada se¸ c˜ ao transversal do tubo. Admita que os fluxos de energia potencial nas se¸ c˜ oes 1 e 2 do tubo s˜ ao idˆ enticos. A figura 7.18: Tubo venturi.18 mostra um aparato conhecido por tubo venturi. da acelera¸ c˜ ao da gravidade g . O aparato consiste de um afunilamento do tubo (se¸ c˜ ao 2. determine as velocidades na se¸ c˜ ao 1 e na se¸ c˜ ao 2. A2 .

C0 . Admita tamb´ em que n˜ ao h´ a fluxo difusivo envolvido no problema (J˙ = 0). a1 . de forma que a concentra¸ c˜ ao de cloro na sa´ ıda ´ e igual ` a concentra¸ c˜ ao de cloro dentro do tanque C (t). abre-se a v´ alvula da se¸ c˜ ao 1 (´ area a1 ) e injeta-se ´ agua pura no tanque com velocidade v1 . Massa de cloro dentro do tanque: MA = V CA ρdV = MC (t) = ρAh(t)C (t). C (t) Figura 7. (Dica: Massa de fluido (´ agua+cloro) dentro do tanque (ver termo transiente da equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa): M = V ρdV = ρAh(t). . abre-se tamb´ em a v´ alvula da se¸ c˜ ao 2 (´ area a2 ) e controla-se a velocidade de sa´ ıda v2 para que esta propicie uma vaz˜ ao igual ` a metade da vaz˜ ao de entrada.9 – Problemas propostos 151 A2 v1 A1 v2 = ? Figura 7.7. Em fun¸ c˜ ao de A.20: Entra ´ agua pura – Sai ´ agua com cloro. Admita que o cloro e a ´ agua se misturam imediatamente. a1 C0 h0 v2 . v1 . hm . h0 . Enquanto isso. encha o tanque.19: For¸ ca devido a uma contra¸ c˜ ao de um tubo. e da massa espec´ ıfica da mistura ´ agua cloro (considere-a constante) ρ. a2 . encontre a solu¸ c˜ ao C (t) da equa¸ c˜ ao acima e determine o tempo para que a concentra¸ c˜ ao se reduza ` a metade de C0 .) A hm h(t) C (t) v1 .

(obs. Despreze a press˜ ao atmosf´ erica agindo no sistema. Em fun¸ c˜ ao dos dados e a partir das equa¸ c˜ oes integrais da conserva¸ c˜ ao: (a) determine a velocidade v2 da solu¸ c˜ ao na sa´ ıda. p2 . v1 =? ∆h g F A2 . calcule a velocidade m´ axima v1 de entrada do fluido pela se¸ c˜ ao 1 para a qual a haste n˜ ao quebra em fun¸ c˜ ao de F . Sabendo que a for¸ ca horizontal m´ axima que o apoio da tubula¸ c˜ ao suporta fazer antes de quebrar ´ e F . ignore as for¸ cas na dire¸ c˜ ao vertical. A figura 7. A1 .) A1 . etc. p2 .152 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais 5. velocidade.21: Determina¸ c˜ ao de v m´ aximo em rela¸ c˜ ao ` a resistˆ encia de uma haste. Admita que esta massa do soluto se mistura imediatamente com a ´ agua e que a massa espec´ ıfica da solu¸ c˜ ao permanece igual ` a da ´ agua pura. A2 . ou seja. enquanto que na se¸ c˜ ao 1 a press˜ ao ´ e desconhecida. A figura 7. A press˜ ao na se¸ c˜ ao 2 ´ e p2 . ∆h. h´ a uma fonte de um soluto A alimentando a ´ agua na esfera a um fluxo espec´ ıfico igual a jA atrav´ ez da ´ area a.22 mostra um tanque esf´ erico (raio R) onde entra ´ agua (massa espec´ ıfica ρ. v2 =? Figura 7.: n˜ ao se preocupe com a for¸ ca vertical no apoio. As ´ areas das se¸ c˜ oes s˜ ao A1 e A2 respectivamente. 6.21 mostra um sistema em regime permanente onde entra ´ agua (com massa espec´ ıfica uniforme ρ) na se¸ c˜ ao 1 e sai pela se¸ c˜ ao 2. energia cin´ etica e potencial. (b) qual ´ e a solu¸ c˜ ao em regime permanente (equil´ ıbrio) do problema? (c) determine uma equa¸ c˜ ao diferencial para a concentra¸ c˜ ao CA do soluto como fun¸ c˜ ao do . Considere que as propriedades do escoamento (press˜ ao. No fundo.) podem ser consideradas uniformes em cada se¸ c˜ ao. p1 =?. A solu¸ c˜ ao ´ agua+soluto ent˜ ao sai pela ´ area A2 . incompress´ ıvel) pura na se¸ c˜ ao 1.

(d) Resolva a equa¸ c˜ ao acima utilizando a condi¸ c˜ ao inicial CA (t = 0) = 0. calcule a distˆ ancia X que a ´ agua atingir´ a como fun¸ c˜ ao de h e H . Para o recipiente furado da figura 7. .9 – Problemas propostos 153 tempo. A figura 7.23.24 mostra um duto de diˆ ametro D levando ar (massa espec´ ıcica ρ) com press˜ ao p1 e velocidade V1 .v2 =?. raio R v1 .CA = 0 jA atrav´ es de a A2 . Estime a for¸ ca por unidade de altura do cone que o ar faz no cone (ou seja. 8.A1 . que descreva o regime transiente. estime a for¸ ca para um cone de altura unit´ aria). Para que valor de h/H a distˆ ancia X ser´ a m´ axima? H h X Figura 7. 7. Na sa´ ıda. ` a press˜ ao at0 mosf´ erica p0 . o ar se choca com um cone com ˆ angulo de 90 formando uma lˆ amina de altura d.7.22: Esfera com soluto.CA (t) =? Figura 7.23: Tanque furado.

h´ a uma curva (o diˆ ametro se mantˆ em igual a d nessa curva) de 180◦ . 10. calcule a for¸ ca que a ´ agua faz nesse trecho de tubula¸ c˜ ao. (ii) utilizando a conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento. calcule a velocidade e a press˜ ao na sa´ ıda do tubo. A tubula¸ c˜ ao est´ a em planta (portanto.24: For¸ ca do ar sobre um cone.154 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais d D p1 V1 90 o d Figura 7. ignore a for¸ ca da gravidade). V 1 . A figura 7.26 mostra um canal de largura b (perpendicular ao plano do papel) onde h´ a o escoamento de ´ agua (massa espec´ ıfica constante . A figura 7. p2 = ?? Figura 7. A velocidade e a press˜ ao s˜ ao uniformes na ´ area da se¸ c˜ ao e conhecidas na entrada do tubo (V1 e p1 ).25: For¸ ca em um trecho conduto. Desprezando qualquer perda de energia por dissipa¸ c˜ ao: (i) utilizando a conserva¸ c˜ ao da massa e a equa¸ c˜ ao de Bernoulli. Nessa tubula¸ c˜ ao h´ a uma redu¸ c˜ ao de diˆ ametro (de D para d). e logo ap´ os. p1 D d V2 .25 mostra uma tubula¸ c˜ ao com escoamento permanente de ´ agua de massa espec´ ıfica ρ. 9.

7.9 – Problemas propostos

155

ρ) que sobe uma rampa com ˆ angulo de inclina¸ c˜ ao β . A ´ agua ´ e ent˜ ao lan¸ cada para cima no final da rampa de altura H (o sistema ´ e similar ` a “rampa de ski” nos canais vertedores de Itaipu). A profundidade da ´ agua h ao longo do seu percurso ´ e uniforme e constante. Suponha que a velocidade da ´ agua ´ e t˜ ao grande que a press˜ ao em qualquer ponto da ´ agua pode ser desprezada, e que a velocidade da ´ agua antes da rampa ´ e V0 . Em fun¸ c˜ ao das vari´ aveis dadas: (a) Determine a velocidade V1 da ´ agua na sa´ ıda da rampa. (b) Determine a for¸ ca F (horizontal) que a ´ agua faz na rampa. Obs.: justifique toda vez que desprezar um termo.

H V0 β h

Figura 7.26: For¸ ca da ´ agua numa rampa.

11. A figura 7.27 mostra (em planta) uma lagoa com volume V constante. Trˆ es rios desaguam na lagoa com vaz˜ oes (volume por tempo) Q0 , Q1 e Q2 constantes. Esses rios contˆ em quantidade de poluente quantificados pelas concentra¸ c˜ oes (massa de soluto por massa total da solu¸ c˜ ao) constantes C0 = 0 (rio limpo), C1 e C2 , respectivamente. Suponha que a concentra¸ c˜ ao do poluente ´ e uniforme (bem misturada) dentro da lagoa e igual ` a concentra¸ c˜ ap na sa´ ıda da lagoa Cs (t) (em princ´ ıpio, vari´ avel no tempo). Em fun¸ c˜ ao das vari´ aveis dadas: (a) Determine a vaz˜ ao Qs (constante) na sa´ ıda. (b) Encontre uma equa¸ c˜ ao diferencial para a concentra¸ ca ˜o Cs (t). (c) Determine o menor Q0 para que a concentra¸ c˜ ao na lagoa n˜ ao ultrapasse um valor m´ aximo denotado por Cm´ e conhecido). ax (esse valor ´ ˙ Obs.: Despreze fluxos difusivos (J = 0) 12. A figura 7.28 mostra um sistema em que ´ agua (densidade ρ, profundi-

156

7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Q1 , C1

Qs , Cs (t) Volume V Q2 ,C2

Q0 , C0 = 0 Figura 7.27: Lagoa com poluente.

dade H ) sob press˜ ao pg de um g´ as de um tanque sai por uma tubula¸ c˜ ao de diˆ ametro constante que se curva para cima at´ e uma altura h, onde a press˜ ao ´ e a atmosf´ erica patm . Conhecendo essas vari´ aveis (mais, obviamente, a acelera¸ c˜ ao gravitacional g ), e supondo escoamento permanente, determine: (a) A velocidade V2 da sa´ ıda do tubo. (b) A velocidade V1 na entrada do tubo. (c) A press˜ ao p1 na entrada do tubo.

7.9 – Problemas propostos

157

pg

V2 =?? patm ρ H h

p1 =?, V1 =? Figura 7.28: Tanque com jato de ´ agua.

quantidade de movimento e energia. As fronteiras do dom´ ınio do problema ser˜ ao tratadas nas chamadas condi¸ c˜ oes de contorno.1 Introdu¸ c˜ ao No cap´ ıtulo 7 foram desenvolvidas as equa¸ c˜ oes integrais de balan¸ co de massa.Cap´ ıtulo 8 ˜o: Princ´ ıpios de Conservac ¸a ˜ es Diferenciais Equac ¸o 8. Neste cap´ ıtulo ser˜ ao deduzidas equa¸ c˜ oes diferenciais que atendem aos mesmos princ´ ıpios f´ ısicos j´ a apresentados no cap´ ıtulo 7. ´ e desej´ avel que se conhe¸ ca as grandezas intensivas como fun¸ c˜ ao do espa¸ co e do tempo. entretanto. Na maioria dos casos pr´ aticos em engenharia esses problemas de valor de contorno n˜ ao possuem solu¸ c˜ ao anal´ ıtica completa e. Em muitos casos. Este conhecimento mais detalhado da solu¸ c˜ ao do problema se d´ a atrav´ es das solu¸ c˜ oes de equa¸ c˜ oes diferenciais parciais governando as propriedades do escoamento em cada ponto do espa¸ co. que. qualquer solu¸ c˜ ao particular de interesse ter´ a que satisfazer simultaneamente tanto ` as equa¸ c˜ oes diferenciais quanto ` as condi¸ c˜ oes iniciais e de contorno. Este conjunto de equa¸ c˜ oes diferenciais dever´ a ser capaz de descrever a evolu¸ c˜ ao temporal de quaisquer vari´ aveis de interesse em Fenˆ omenos de Transferˆ encia em todos os pontos do dom´ ınio espacial. juntamente com as condi¸ c˜ oes iniciais. para um volume de controle. por isso. Obviamente. O conjunto de equa¸ c˜ oes integrais obtido atende ` as necessidades de solu¸ c˜ ao de um grande n´ umero de problemas pr´ aticos de tranferˆ encia dessas quantidades. recorrese com freq¨ uˆ encia a simplifica¸ c˜ oes ou a m´ etodos de solu¸ c˜ ao num´ erica (onde 159 . qualquer que seja a complexidade do problema. complementam as equa¸ c˜ oes diferenciais na especifica¸ c˜ ao completa do problema.

2) (8. A dedu¸ c˜ ao das equa¸ c˜ oes diferenciais de conserva¸ c˜ ao pode ser feita diretamente a partir da aplica¸ c˜ ao das leis da f´ ısica e das equa¸ c˜ oes constitutivas (cap´ ıtulo 6) em part´ ıculas de fluido elementares. A u ´ ltima op¸ c˜ ao ser´ a a utilizada neste texto.1) (8.3) Abaixo est´ a uma lista com as defini¸ c˜ oes dos parˆ ametros e vari´ aveis presentes nas equa¸ c˜ oes acima e suas unidades SI: j – vetor fluxo espec´ ıfico de massa (kgA m−2 s−1 ). T – tensor de tens˜ oes Pa). . α – difusividade t´ ermica (m2 s−1 ). Este texto introdut´ orio se concentrar´ a nos casos em que ´ e poss´ ıvel simplificar o problema suficientemente para obter-se solu¸ c˜ oes anal´ ıticas para os problemas. Na pr´ oxima se¸ c˜ ao faz-se uma breve revis˜ ao das equa¸ c˜ oes integrais (cap´ ıtulo 7) e equa¸ c˜ oes constitutivas (fluxos difusivos . ∇ · v – divergente da velocidade (s−1 ). ν – viscosidade cinem´ atica (m2 s−1 ). respectivamente: j = −ρDAB ∇CA .160 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais aproxima-se as equa¸ c˜ oes diferenciais por equa¸ c˜ oes alg´ ebricas) das equa¸ c˜ oes. e quantidade de movimento. regem os processos de transferˆ encia difusiva de massa. DAB – difusividade molecular do soluto A no solvente B (m2 s−1 ). D – tensor taxa de deforma¸ c˜ ao (s−1 ). ρ – massa espec´ ıfica (kg m−1 ). 3 (8.2 Fluxos difusivos e equa¸ c˜ oes integrais As equa¸ c˜ oes ou leis constitutivas de Fick. q = −ρcp α∇T . cp – calor espec´ ıfico a press˜ ao constante (J kg−1 K−1 ). ∇T – vetor gradiente de temperatura (K m−1 ). e Newton. apresentadas no cap´ ıtulo 6. ou a partir das equa¸ c˜ oes integrais para um volume de controle j´ a deduzidas no cap´ ıtulo 7. Fourier. ∇CA – vetor gradiente da concentra¸ c˜ ao do soluto A (kgA kg−1 m−1 ). energia. Elas s˜ ao.cap´ ıtulo 6) para posteriormente chegar-se ` a an´ alise diferencial. q – vetor fluxo difusivo espec´ ıfico de calor (J m−2 s−1 ). 8. 2 T = −p + ρν (∇ · v) I + 2ρν D.

6). (8. fun¸ c˜ ao do espa¸ co tri-dimensional e do tempo.58). e (7.1)-(8.5) Analogamente a equa¸ c˜ ao de balan¸ co de quantidade de movimento pode ser escrita combinando-se (7. z. t) . (7. e (7. (7. e que a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da energia se reduz a um balan¸ co entre as trocas de calor e a varia¸ c˜ ao da energia interna (energia t´ ermica) do fluido. (8.8. Neste caso: − (q · n) dS = ∂ ∂t cv T ρdV + Vc Sc Sc cv T ρ (v · n) dS. esta propriedade ´ e. O fluxo difusivo n˜ ao afeta o balan¸ co de massa em um volume de controle. (7.72): ∂ ∂t vρdV + Vc Sc vρ (v · n) dS = ρgdV + Vc Sc (T · n) dS.8) onde cv ´ e o calor espec´ ıfico a volume constante e T ´ e a temperatura. em geral. j´ a foi visto que esta se conservar´ a.9): ∂ ∂t eρdV + Vc Sc eρ (v · n) dS = − Sc (q · n) dS + Sc [(T · n) · v] dS. (8.5) ´ e o que est´ a ocupando o volume de controle de (7.8).4) A equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto para um volume de controle pode ser expressa combinando-se (7. lembrando que o sistema de (7.13). (8.3 A derivada material de uma propriedade intensiva Considere uma propriedade intensiva η (ou seja. Em coordenadas cartesianas: η = η (x.9) .58) no instante considerado.6) Finalmente a equa¸ c˜ ao da energia ´ e reescrita como a combina¸ c˜ ao de (7. y. 8. uma que seja associada a cada ponto de um meio cont´ ınuo) qualquer.7) Se no escoamento n˜ ao h´ a fontes e/ou dissipass˜ ao de energia mecˆ anica.7). Obviamente. (8. (8.3) ` as equa¸ c˜ oes integrais de conserva¸ c˜ ao apresentadas no cap´ ıtulo 7. ambos em cada ponto do fluido. Esta equa¸ c˜ ao escreve-se: ∂ ∂t CA ρdV + Vc Sc CA ρ (v · n) dS = − Sc (j · n) dS. que ´ e: ∂ ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS = 0.126).3 – A derivada material de uma propriedade intensiva 161 A id´ eia agora ´ e a de acoplar as equa¸ c˜ oes constitutivas (8.5) com (7. sob uma perspectiva euleriana.

10): ∂η ∂η dx ∂η dy ∂η dz dη = + + + .15) V 1 S Karl Friedrich Gauss (1777-1855) . e n˜ ao a pontos do espa¸ co. A id´ eia ´ e equivalente ` a da derivada material de uma propriedade extensiva. (8. a maneira de se resolver este problema ´ e identificando as coordenadas de cada part´ ıcula. que agora ter˜ ao que poder variar no tempo: ηpart´ ıcula = η (x (t) . dt dt dt . (8. (8. Em outras palavras. (8. de modo que para que se aplique tais leis ´ e preciso que se identifique a part´ ıcula ` a qual se est´ a referindo. Em uma descri¸ c˜ ao euleriana.12) dη Dη ∂η = = + (v · ∇) η. vz ) = ent˜ ao: dx dy dz . 8. deve-se associar η a uma part´ ıcula que move com o fluido. vy .162 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais Acontece que as leis da f´ ısica. (8.11) dt ∂t ∂x dt ∂y dt ∂z dt Como. por defini¸ c˜ ao. z (t) . t) .14) Neste ponto ser´ a usado um sofisticado teorema conhecido por teorema da divergˆ encia. se aplicam a part´ ıculas de fluido. e um volume V no espa¸ co envolvido por uma superf´ ıcie fechada S : (∇ · f ) dV = (f · n) dS. ou teorema de Gauss 1 : Dado um campo vetorial f qualquer.4 Conserva¸ c˜ ao da massa A equa¸ c˜ ao integral de conserva¸ c˜ ao da massa para um volume de controle arbitr´ ario (mas fixo no tempo) ´ e: ∂ ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS = 0. v = (vx . (8.10) de modo que a taxa de varia¸ c˜ ao de η de uma part´ ıcula ´ e a derivada total de (8. . y (t) . que tratam de taxas de varia¸ c˜ ao temporal de tais propriedades. apresentada no cap´ ıtulo 7. .Considerado o principal matem´ atico do s´ eculo XIX.13) dt Dt ∂t onde Dη (com esta nota¸ c˜ ao) ´ e denominada derivada material de uma proDt priedade intensiva e expressa a varia¸ c˜ ao temporal da propriedade η de uma part´ ıcula que se move com o fluido com velocidade instantˆ anea v.

(8.5): CA ρdV + Vc Sc CA ρ (v · n) dS = − Sc (j · n) dS. ∂t (8. tem-se que a massa espec´ ıfica de cada part´ ıcula permanece constante ao longo do tempo: Dρ ∂ρ = + (v · ∇) ρ = 0 =⇒ ρpart´ (8.5 – Conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto 163 Aplicando (8. 8. pode-se escrever: Vc ∂ (CA ρ) + ∇ · (CA ρv) + (∇ · j) dV = 0. (8.16) ρdV + ∂t Vc Vc Como o volume de controle n˜ ao varia no tempo.18) ´ e a equa¸ c˜ ao diferencial de conserva¸ c˜ ao da massa.14).18) pode ser reescrita como: Dρ + ρ∇ · v = 0. Se o escoamento ´ e incompress´ ıvel. sem deforma¸ c˜ ao volum´ etrica local (∇ · v) = 0.18) A equa¸ c˜ ao (8.8.15) com f = ρv ` a integral de superf´ ıcie da equa¸ c˜ ao (8. Usando (8.19) Dt que mostra claramente que se a massa espec´ ıfica de uma part´ ıcula s´ o varia no tempo se houver um divergente n˜ ao nulo do campo de velocidades. esta se torna: ∂ ∇ · (ρv) dV = 0.5 Conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto ∂ ∂t Partindo da equa¸ c˜ ao (8. o operador ∂/∂t pode se distribuir dentro da integral e os dois termos de (8. Ent˜ ao: ∂ρ + ∇ · (ρv) = 0. ∂t (8. ou seja.17) Vc Como o volume de controle Vc ´ e arbitr´ ario.16) podem ser combinados: ∂ρ + ∇ · (ρv) dV = 0. (8. e f = j.20) ıcula = constante. ∂t (8. Dt ∂t Repare por´ em que diferentes part´ ıculas podem ter ρ diferentes ao longo do escoamento. a lei integral da conserva¸ c˜ ao da massa (8.17) s´ o pode ser satisfeita se o integrando for nulo para qualquer ponto do espa¸ co em qualquer instante. (8.21) aplicando-se o teorema da divergˆ encia (8.15) ` as duas integrais de superf´ ıcie com f = CA ρv.13).22) .

28) torna-se: ρ DCA − DAB (∇ρ · ∇CA ) + ρDAB ∇2 CA = 0. ∇2 = (∇ · ∇).28) s˜ ao equa¸ c˜ oes gerais de conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto com concentra¸ c˜ ao m´ assica CA em um fluido.24) ou ainda. Dt (8. e (8. Dt (8. a componente local (derivada parcial) de D/Dt em (8. Admitindo que DAB ´ e uniforme e constante.13) com η = CA ρ: D (CA ρ) + CA ρ (∇ · v) + (∇ · j) = 0. f´ ısico. qu´ ımico. 2 (8. (8.27) torna-se: ρ (v · ∇) CA − ∇ · (ρDAB ∇CA ) = 0. necessariamente: ∂ (CA ρ) + ∇ · (CA ρv) + (∇ · j) = 0. Em coordenadas cartesianas: ∇2 = (∂ 2 /∂x2 + ∂ 2 /∂y 2 + ∂ 2 /∂z 2 ). e ´ e definido como o divergente do gradiente.30) Pierre Simon de Laplace (1749-1827) . tem-se: D (CA ρ) + CA ρ (∇ · v) − ∇ · (ρDAB ∇CA ) = 0. utilizando a lei de Fick (8.23) Esta equa¸ c˜ ao pode ser reescrita como (esse passo ´ e deixado como exerc´ ıcio): ∂ (CA ρ) + CA ρ (∇ · v) + v · ∇ (CA ρ) + (∇ · j) = 0. e (8. (8.27). Dt (8.1). expandindo o u ´ ltimo termo: ρ DCA − [∇ (ρDAB ) · ∇CA ] + ρDAB ∇2 CA = 0.28) O operador diferencial escalar ∇2 ´ e conhecido como o laplaciano2 .29) As equa¸ c˜ oes (equivalentes umas ` as outras) (8.13) ´ e nula. ∂t ou. utilizando (8. Dt ou. usando a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (8. ou seja. ∂t (8.25) (8. .18): ρ DCA − ∇ · (ρDAB ∇CA ) = 0.27) (8.164 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais donde se conclui que. onde ρ ´ e a massa espec´ ıfica da mistura.26).Matem´ atico.26) (8. Dt Finalmente. e astrˆ onomo francˆ es. Para escoamentos permanentes.

da acelera¸ c˜ ao gravitacional.29) se reduz a: DCA ∂CA = + (v · ∇) CA = DAB ∇2 CA . Por´ em.32) ρ (g · ex ) dV + [(T · n) · ex ] dS. considere o escoamento atmosf´ erico e o escoamento de um rio. ent˜ ao. Na atmosfera. ∇ρ = 0.20) ´ e a de que ρ´ e constante seguindo uma part´ ıcula. g · ex = gx . Neste caso pode-se dizer que o escoamento da atmosfera ´ e aproximadamente incompress´ ıvel. Neste u ´ ltimo caso.6): ∂ ∂t Vc Vc (v · ex ) ρdV + Sc Sc (v · ex ) ρ (v · n) dS = (8. muitas vezes podese considerar que cada part´ ıcula mant´ em sua massa espec´ ıfica constante. v · ex = vx . ser´ a feita a dedu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao para a componente x da quantidade de movimento.31) 8. ´ e perfeitamente sabido que a massa espec´ ıfica da atmosfera diminui com a altitude (devido ` a diminui¸ c˜ ao da press˜ ao). do segundo termo de (8.8. Dt ∂t (8. neste caso. pois tal condi¸ c˜ ao de incompressibilidade (8. J´ a no escoamento de um rio.22)): (T · n) · ex = (Txx ex + Txy ey + Txz ez ) · n. e da velocidade (lembrando que T ´ e dado por (4. J´ a a condi¸ c˜ ao de incompreesibilidade do fluido implica em que ρ seja uniforme no espa¸ co e no tempo. assim. Partindo do produto interno entre o vetor unit´ ario na dire¸ c˜ ao x ex . . pode-se dizer que o fluido ´ e aproximadamente incompress´ ıvel. e tomando as componentes x da tens˜ ao. e a equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento (8.6 Conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento Nesta se¸ c˜ ao a equa¸ c˜ ao vetorial diferencial da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento ser´ a deduzida. A condi¸ c˜ ao de incompressibilidade de um escoamento em nada simplifica a equa¸ c˜ ao para CA . o valor da massa espec´ ıfica da ´ agua ´ e praticamente insens´ ıvel a varia¸ c˜ oes de press˜ ao em condi¸ c˜ oes normais. a equa¸ c˜ ao (8.6 – Conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento 165 Neste ponto ´ e importante refor¸ car uma distin¸ c˜ ao entre as aproxima¸ c˜ oes para escoamentos incompress´ ıveis e fluidos incompress´ ıves.29) pode ser igualado a zero. Para facilitar a compreens˜ ao. Para exemplificar estas aproxima¸ c˜ oes. Note que nem mesmo o vetor ∇ρ.

37) est´ a no fato de que T ´ e uma inc´ ognita.35) Utilizando a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (8.166 pode-se escrever: ∂ ∂t Vc 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais vx ρdV + Vc Sc vx ρ (v · n) dS = (8. conclui-se que o integrando deve ser nulo em todos os pontos para qualquer instante. pode-se escrever: ∂ ∂t Vc vx ρdV + Vc Vc ∇ · (vx ρv) dV − (8. Utilizando o teorema da divergˆ encia (8. Sendo esta igual a zero para qualquer volume de controle. ∂t (8.1 Equa¸ c˜ ao de Navier-Stokes Uma das dificuldades de se resolver (8. (8.37). Assim: ∂ (vx ρ) + ∇ · (vx ρv) = ρgx + ∇ · [(Txx ex + Txy ey + Txz ez )] . como um tensor sim´ etrico. Pode-se escrever de forma compacta uma equa¸ c˜ ao vetorial (na verdade as equa¸ c˜ oes para as trˆ es componentes de v) como: Dv ρ = ρg + (∇ · T) . rege a dinˆ amica de todo e qualquer tipo de escoamento de todo e qualquer tipo de fluido.36). Cauchy desenvolveu toda a teoria de vari´ aveis complexas. distribuindo a diferencia¸ c˜ ao parcial para dentro da integral. ou melhor. conhecida como equa¸ c˜ ao de Cauchy3 .37) Dt A equa¸ c˜ ao (8.18). 3 .34) em apenas uma. T s˜ ao seis inc´ ognitas.33) ` as duas integrais de superf´ ıcie com f = (Txx ex + Txy ey + Txz ez ).34) ρgx dV − Vc ∇ · (Txx ex + Txy ey + Txz ez ) dV = 0.33) ρgx dV + Sc [(Txx ex + Txy ey + Txz ez ) · n] dS. (8.Um dos expoentes da an´ alise rigorosa em matem´ atica. 8. pode-se combinar todas as integrais de (8. o primeiro ´ ındice) em (8.6. e f = vx ρv. basta substituir x (no caso das componentes de T.36) Dt ∂t Para as componentes y e z . Uma Augustin-Louis Cauchy (1789-1857) . tem-se (este passo ´ e deixado como exerc´ ıcio): ρ Dvx ∂vx =ρ + ρ (v · ∇) vx = ρgx + ∇ · [(Txx ex + Txy ey + Txz ez )] .

40) Dv 1 = −∇p + ρg + µ ∇2 v + ∇ (∇ · v) .37). ∂t ∂x ∂p ∂vy + ρ (v · ∇) vy = − + ρgy + µ∇2 vy .42) onde h ´ e uma distˆ ancia em rela¸ c˜ ao a um ponto de referˆ encia na dire¸ c˜ ao oposta a g. Com isso escreve-se (8.8.43) As componentes cartesianas em x.41) s˜ ao: ∂vx ∂p + ρ (v · ∇) vx = − + ρgx + µ∇2 vx .38) se torna: ρ onde foi usado: ∇ · 2D − 2 1 ( ∇ · v ) I = ∇2 v + ∇ ( ∇ · v ) .39) (a verifica¸ c˜ ao da igualdade vetorial acima ´ e deixada como exerc´ ıcio. e ´ e um dos resultados mais importantes de toda a mecˆ anica dos fluidos. (8.46) .44) (8. ρ ∂t ∂y ∂p ∂vz + ρ (v · ∇) vz = − + ρgz + µ∇2 vz . A equa¸ c˜ ao vetorial (8.38) onde usou-se a identidade ∇ · (pI) = ∇p. Dt 3 (8. fornece: ρ 2 Dv = −∇p + ρg + ∇ · 2µD − µ (∇ · v) I . que as varia¸ c˜ oes de temperatura s˜ ao pequenas). Dt (8. ρ ∂t ∂z ρ (8. Admitindo que a viscosidade µ ´ e uniforme no fluido (ou seja. (8. 3 3 (8. esta equa¸ c˜ ao ´ e dada por (6.38) ´ e conhecida como equa¸ c˜ ao de Navier-Stokes. No caso de um fluido newtoniano. y .41) como: ρ Dv = −∇ (p + ρgh) + µ∇2 v.) Em casos em que o escoamento ´ e incompress´ ıvel. Dt 3 (8.41) ´ comum se definir uma quantidade chamada press˜ E ao modificada pm como pm = p + ρgh. Dt ∂t (8. ou seja. e z para o caso da equa¸ c˜ ao vetorial (8. ∇ · v = 0 e: ρ Dv ∂v =ρ + ρ (v · ∇) v = −∇p + ρg + µ∇2 v.6 – Conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento 167 maneira de se reduzir esse n´ umero de inc´ ognitas ´ e usando uma equa¸ c˜ ao constitutiva. g = −g ∇h.45) (8. que aplicada em (8.8).

47). 8. e passando este termo ao lado direito ∂t (este termo pode ser interpretado como a taxa de trabalho realizada pela for¸ ca de corpo gravitacional). 2 (8. notando que ∂t eρdV = ∂ (eρ)dV .9).47) Aplicando trˆ es vezes o teorema da divergˆ encia (8. e usando o fato que o inte∂t grando deve ser nulo.18) e a lei de Fourier (8.50) notando que os termos da derivada total da energia potencial espec´ ıfica d˜ ao ∂ (g · r) = 0 e (v · ∇) (g · r) = (g · v). cin´ etica. tem-se: ρ v· Dv Dt = ρ (v · g ) + v · (∇ · T ) .37) e tomando o produto interno desta com o vetor velocidade.52) . e o sinal negativo indica que a energia potencial aumenta no sentido oposto ao sentido de g): e=u+ 1 (v · v ) − (g · r ) . tem-se: ρ D 1 Du +ρ (v · v) = ρ (g · v) + ∇ · (T · v) + ∇ · (ρcp α∇T ) .48) Usando a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (8.49) pela soma das energias interna. ∂t De ∂e = ρ + ρ (v · ∇) e = ∇ · (T · v) + ∇ · (ρcp α∇T ) . f = q.49) A equa¸ c˜ ao (8.126). e (7. Dt ∂t (8.15) com f = eρv. (8. e notando que (T · n) · v = (T · v) · n: ∂ ∂t eρdV + Vc Sc eρ (v · n) dS = − Sc (q · n) dS + Sc [(T · v) · n] dS. (8.168 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais 8. ∂ e f = T·v ` as integrais de superf´ ıcie de (8.2): ρ (8. (7.8).7. e potencial gravitacional (a energia potencial espec´ ıfica ´ e dada por (−g · r).49) ´ e a equa¸ c˜ ao diferencial geral de conserva¸ c˜ ao da energia total. (8.7 Conserva¸ c˜ ao da energia A equa¸ c˜ ao integral do balan¸ co de energia pode ser reescrita combinando-se as equa¸ c˜ oes (7. tem-se: ∂ (eρ) + ∇ · (eρv) = ∇ · (T · v) − ∇ · q.1 Energia mecˆ anica e energia t´ ermica Substituindo a energia espec´ ıfica e em (8. combinando as integrais de volume.13). onde r ´ e o vetor posi¸ c˜ ao. (7.51) Dt Dt 2 Voltando ` a equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento (8.

−φµ ´ e sempre negativo (processo irrevers´ ıvel).18) respectivamente. Dt 2 (8.57) A equa¸ c˜ ao (8. p (∇ · v).56).57) ´ e a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao de energia t´ ermica. Esse termo pode ter sinal positivo ou negativo. na ordem mostrada: a taxa de trabalho devido ` a for¸ ca de corpo gravitacional (ou varia¸ c˜ ao da energia potencial gravitacional). e a taxa de trabalho que deforma o fluido por tens˜ oes viscosas. obtida a partir da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento. Repare que os termos de trabalho de deforma¸ c˜ ao tˆ em sinais opostos nas equa¸ c˜ oes . um escalar.18). (8. O resultado deste produto ´ e. e o termo v · (∇ · T) foi Dt 2 escrito como: v · (∇ · T ) = ∇ · (T · v ) − (T : D ) . ´ e a parte revers´ ıvel da troca de energia mecˆ anica em energia interna (e vice versa). Os termos do lado direito.7 – Conserva¸ c˜ ao da energia que pode ser reescrita como: ρ D 1 (v · v) = ρ (v · g) + ∇ · (T · v) − (T : D) . O u ´ ltimo termo. por expans˜ ao volum´ etrica. Dt 2 169 (8.56) de (8.51). tem-se: ρ Du = −p (∇ · v) + φµ + ∇ · (ρcp α∇T ) .8.53) pode ser reescrita como: ρ D 1 (v · v) = ρ (v · g) + ∇ · (T · v) + p (∇ · v) − φµ .8) e (5.55) onde φµ ´ e a parte do produto (T : D) proporcional a µ. respons´ aveis por tal varia¸ c˜ ao de energia cin´ etica s˜ ao.54) onde D ´ e o tensor taxa de deforma¸ c˜ ao. a taxa de trabalho que deforma o fluido por expans˜ ao volum´ etrica. O pen´ ultimo termo. Assim a equa¸ c˜ ao (8.56) A equa¸ c˜ ao (8. (8. O lado esquerdo ´ e a varia¸ c˜ ao da energia cin´ etica das part´ ıculas. dado por (5. obviamente. a taxa de trabalho devido ` as tens˜ oes de superf´ ıcie. O produto (T : D) entre tensores ´ e chamado de uma contra¸ c˜ ao dupla e ´ e definido como a soma dos produtos entre cada respectiva componente de T e de D. Dt (8. Subtraindo a equa¸ c˜ ao (8. ´ e a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da energia mecˆ anica em um fluido. e representa a taxa de dissipa¸ c˜ ao de energia mecˆ anica em energia interna. pode-se escrever (T : D) como (T : D) = −p (∇ · v) + φµ . Substituindo T e D por (6.53) v D 1 onde foi usada a identidade: v · D = Dt (v · v) .

ou pela temperatura (ou energia . quantidade de movimento. na equa¸ c˜ ao da energia mecˆ anica (8. ∂t (8.1).56). e no segundo eles aumentam sua energia interna. A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (8.57) e (8. e. A suposi¸ c˜ ao de que φµ ´ e um termo desprez´ ıvel na equa¸ c˜ ao da energia t´ ermica ´ e uma excelente aproxima¸ c˜ ao para escoamentos em condi¸ c˜ oes normais.57) tem-se: ρcp DT = φµ + ∇ · (ρcp α∇T ) . 8. pelas componentes do vetor velocidade. t) . Entretanto. Dt ∂t (8.28). e energia t´ ermica s˜ ao formalmente bastante similares. este termo geralmente n˜ ao pode ser desprezado pois ele representa o u ´ nico mecanismo dissipa¸ c˜ ao de energia capaz de manter a energia do fluido finita. e cp − cv = R. e (8. Elas podem ser escritas como: ∂η + (v · ∇) η − K ∇2 η = f (x. (8. para um g´ as ideal tem-se que a energia interna dada por u = cv T .59) Admitindo que o aumento de temperatura devido ao trabalho das for¸ cas viscosas φµ ´ e desprez´ ıvel.41). A equa¸ c˜ ao (8. tome como exemplo as equac˜ oes (8. (8.56).58) Dt T Dt Dt p Usando esses resultados em (8. desde que: o escoamento seja incompress´ ıvel.170 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais (8. obviamente cp e α sejam uniformes. De fato.61) onde η ´ e a propriedade intensiva que pode ser substitu´ ıda pela concentra¸ c˜ ao.2) supondo a difusividade t´ ermica α ´ e uniforme. Dt (8.19) d´ a: −p (∇ · v) = p Dρ p ≈ ρ Dt ρ ∂ρ ∂T DT p DT DT =− = −ρ (cp − cv ) . j´ a que no primeiro caso eles subtraem energia mecˆ anica do escoamento. De acordo com o cap´ ıtulo 2. em casos em que h´ a for¸ cantes externos (como ocorre no caso do experimento de Newton se¸ c˜ ao 6.8 Aspectos das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao As equa¸ c˜ oes diferenciais de conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto. tem-se: DT ∂T = + (v · ∇) T = α∇2 T. z. y.60) que ´ e a forma mais simples da equa¸ c˜ ao de difus˜ ao/advec¸ c˜ ao de calor.60).60) pode ser usada tamb´ em para l´ ıquidos. a equa¸ c˜ ao de estado ´ e p = ρRT . e usando a lei de Fourier (8.

deve ser circundado por um contorno. Este termo ´ e dividido na varia¸ c˜ ao local (ou seja fixa no espa¸ co) de η .9 – Condi¸ c˜ oes de contorno 171 interna no caso mais geral). z ) no instante t. z.9 Condi¸ c˜ oes de contorno As equa¸ c˜ oes diferenciais apresentadas nas se¸ c˜ oes anteriores descrevem as propriedades do fluido dentro de um dom´ ınio que. O termo K ∇ η ´ e o termo de difus˜ ao de η no espa¸ co ao longo do tempo. e calor (α).9. 8.8. onde as mol´ eculas se refletem perfeitamente (reflex˜ ao especular). obviamente. Dη e a taxa de varia¸ c˜ ao da propriedade η da part´ ıcula Fisicamente. o fato da superf´ ıcie possuir uma rugosidade aleat´ oria. Matematicamente. e uma varia¸ c ˜ a o devido ao ∂t 2 fluxo advectivo de η . Neste contorno deve-se especificar o comportamento da solu¸ c˜ ao das equa¸ c˜ oes para todo t. ou seja. A n´ ıvel molecular. (v · ∇) η .1 Superf´ ıcie s´ olida Em um contorno formado por uma superf´ ıcie s´ olida que se move com velocidade vc (note que em muitos casos o contorno est´ a em repouso e vc ´ e nulo). o fluido n˜ ao penetra o contorno mas pode deslizar sobre ele. faz com que a condi¸ c˜ ao de contorno seja a de que a velocidade do fluido (que ´ e uma m´ edia das velocidades moleculares) no contorno ´ e igual ` a velocidade do contorno: v = vc . z. t) ´ e uma fun¸ c˜ ao for¸ cante. isso implica em ser necess´ aria uma condi¸ c˜ ao inicial (a solu¸ c˜ ao para η deve ser conhecida em algum instante). e das mol´ eculas em choques com a superf´ ıcie se refletirem com ˆ angulos tamb´ em aleat´ orios (reflex˜ ao difusa).62) Em casos aproximados em que as tens˜ oes viscosas n˜ ao s˜ ao importantes (escoamentos inv´ ıscidos). ∂η . (8. K ´ e a propriedade molecular da mat´ eria relacionada com a capacidade de difus˜ ao de massa (DAB ). quantidade de movimento (µ). isso ´ e equivalente a se ter uma superf´ ıcie perfeitamente lisa. na qual representa a soma dos for¸ cantes do escoamento (gradiente de press˜ ao e for¸ ca de corpo gravitacional). t) ´ e um for¸ cante que. y. al´ em de condi¸ c˜ oes de contorno em toda a fronteira em torno do dom´ ınio do problema para todo t. f (x. 8. o termo Dt ´ de fluido que ocupa a posi¸ c˜ ao (x. Neste . no caso das equa¸ c˜ oes em quest˜ ao. ´ e n˜ ao nulo apenas na equa¸ c˜ ao da quantidade de movimento. Finalmente o termo f (x. Note que no caso geral as equa¸ c˜ oes possuem derivadas primeiras no tempo e derivadas segundas no espa¸ co. ´ e comum adotar-se a condi¸ c˜ ao de impermeabilidade. Nesta se¸ c˜ ao s˜ ao apresentadas algumas das condi¸ c˜ oes de contorno freq¨ uentemente encontradas. y. y.

Similarmente ` a temperatura. mas a condi¸ c˜ ao para a componente tangencial vtan pode ser aproximada por: 3 vtan − vct = Ma cf . Um efeito an´ alogo aparece tamb´ em nas condi¸ c˜ oes de contorno para a temperatura e para a concentra¸ c˜ ao de um soluto. • condi¸ c˜ ao combinada: T + β (∇T · n) = f . para a concentra¸ c˜ ao de um soluto as condi¸ c˜ oes em paredes s´ olidas s˜ ao: • prescri¸ c˜ ao da concentra¸ c˜ ao: CA = f .63) podem n˜ ao funcionar bem. Este tipo de condi¸ c˜ ao de contorno n˜ ao ser´ a utilizada neste texto e estes casos n˜ ao ser˜ ao discutidos aqui. onde β ´ e um coeficiente conhecido. em que v · n − vc · n = 0.63) (8. a condi¸ c˜ ao ´ e a de que a componente da velocidade do fluido normal ao contorno naquele ponto ´ e igual ` a componente da velocidade do contorno naquela dire¸ c˜ ao: v · n = vc · n. • prescri¸ c˜ ao do fluxo de calor: (∇T · n) = f . Nenhuma condi¸ c˜ ao ´ e imposta ` a componente tangencial da velocidade. Em casos em que o contorno ´ e uma parede porosa.64) onde V ´ e a velocidade tangencial relativa do fluido fora da regi˜ ao influˆ encia do e a componente da velocidade do contorno tangencial ao pr´ oprio contorno. vct ´ contorno. e ∇T · n = 0. V 2 caso. e dependente da porosidade do material da parede. . Para a temperatura. Ma ´ e o n´ umero de Mach do escoamento (ver pr´ oximo cap´ ıtulo).62) ou apenas (8. Note que nos trˆ es casos f ´ e uma fun¸ c˜ ao que pode variar no tempo e na superf´ ıcie do contorno. Um caso particularmente interessante ´ e aquele em que o contorno ´ e insulado. Em alguns casos em que o fluido ´ e um g´ as em que distˆ ancia m´ edia entre as mol´ eculas ´ e relativamente grande e a superf´ ıcie ´ e rugosa.63). (8.172 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais onde n ´ e o vetor normal unit´ ario ao contorno. e cf ´ e um coeficiente de atrito emp´ ırico entre o fluido e o contorno. (8. • prescri¸ c˜ ao do fluxo de massa: (∇CA · n) = f . h´ a trˆ es tipos de condi¸ c˜ ao de contorno em paredes s´ olidas: • prescri¸ c˜ ao da temperatura: T = f . ´ e comum se utilizar a condi¸ c˜ ao de penetrabilidade. Nestes casos a condi¸ c˜ ao para a velocidade normal ` a supef´ ıcie ´ e (8.

y. t) = 0 a condi¸ c˜ ao cinem´ atica ´ e DF/Dt = 0. (8. A condi¸ c˜ ao de contorno dinˆ amica ´ e dada por: 1 1 .66) + p = p0 + σ R1 R2 . Por causa da existˆ encia dessa interface. se a superf´ ıcie livre ´ e representada pela equa¸ c˜ ao F (x.8. Macroscopicamente. y. o efeito ´ e chamado de capilaridade. Em termos de dinˆ amica do escoamento. Matematicamente. entretanto.9 – Condi¸ c˜ oes de contorno 173 • condi¸ c˜ ao combinada: CA + β (∇CA · n) = f .2 Superf´ ıcie livre de um l´ ıquido Quando um l´ ıquido est´ a em contato com um g´ as onde tens˜ oes de cisalhamento s˜ ao despreziveis. que ´ e apresentada brevemente a seguir: Tens˜ ao superficial A existˆ encia de uma interface visivelmente bem definida entre um l´ ıquido e um g´ as tem origem no fato de que normalmente l´ ıquidos tˆ em massa espec´ ıfica ordens de grandeza maior que gases. no qual a superf´ ıcie livre est´ a sempre tentando se contrair atrav´ es de uma tens˜ ao denominada tens˜ ao superficial. t) ´ e a posi¸ c˜ ao da superf´ ıcie livre. pois a for¸ ca de atra¸ c˜ ao molecular ´ e muito menor no lado do g´ as. Numa superf´ ıcie livre h´ a dois tipos de tens˜ ao: a j´ a familiar press˜ ao e a tens˜ ao superficial. Uma mol´ ecula na superf´ ıcie. Uma mol´ ecula dentro do l´ ıquido ´ e atra´ ıda igualmente em todas as dire¸ c˜ oes pelas suas visinhas. Novamente. 8.9. (8. z. na qual a press˜ ao do g´ as p0 deve equibrar a press˜ ao do l´ ıquido na interface. dois tipos de condi¸ ca ˜o de contorno se fazem necess´ arias numa superf´ ıcie livre: (i) condi¸ ca ˜o cinem´ atica. que pode ser escrita como: ∂ζ ∂ζ ∂ζ vz = + vx + vy . em que as part´ ıculas da superf´ ıcie livre permanecem na superf´ ıcie livre (ou seja. Este efeito faz com que o n´ umero de mol´ eculas na superf´ ıcie livre seja o m´ ınimo necess´ ario para mantˆ e-la. diz-se que esta interface ´ e uma supef´ ıcie livre. as mol´ eculas na superf´ ıcie est˜ ao em ambiente diferente daquelas dentro do l´ ıquido. f ´ e uma fun¸ c˜ ao que pode variar no tempo e na superf´ ıcie do contorno. As for¸ cas moleculares que atraem as mol´ eculas umas ` as outras dependem da distˆ ancia m´ edia entre elas. onde β ´ e um coeficiente conhecido. a superf´ ıcie livre ´ e uma superf´ ıcie material). tende a ser puxada para o interior do l´ ıquido no sentido normal ` a superf´ ıcie. (ii) condi¸ c˜ ao dinˆ amica. a menos da tens˜ ao superficial.65) ∂t ∂x ∂y onde z = ζ (x.

etc. massa de um soluto. as condi¸ c˜ oes de contorno na interface s˜ ao: • continuidade da velocidade: v1 = v2 . • continuidade das tens˜ oes na superf´ ıcie (press˜ ao mais tens˜ oes viscosas) cuja normal local ´ e n: T1 · n = T2 · n (no caso em que h´ a tens˜ ao superficial.3 Interface entre dois fluidos No caso mais geral de haver uma interface entre dois fluidos (sub-´ ındices 1 e 2) em que h´ a fluxos de quantidade de movimento (tens˜ oes de cisalhamento). • continuidade do fluxo de calor atrav´ es da interface cuja normal local ´ e n: ρ1 cp 1 α1 (∇T1 · n) = ρ2 cp 2 α2 (∇T2 · n). A figura 8.9. 8.174 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais p0 g´ as σ R σ p l´ ıquido Figura 8. • continuidade da concentra¸ c˜ ao de um soluto A nos fluidos 1 e 2: CA 1 = CA 2 . Note que a tens˜ ao superficial s´ o´ e importante se a superf´ ıcie livre tem raios de curvaturas pequenos. o balan¸ co da tens˜ ao normal deve ser corrigido de acordo 1 1 ). onde σ ´ e o coeficiente de tens˜ ao superficial que depende das condi¸ c˜ oes da interface (fluidos envolvidos.1 ilustra o equil´ ıbrio para uma superf´ ıcie livre (desprezando uma dimens˜ ao). . e R1 e R2 s˜ ao os raios de curvatura da superf´ ıcie livre em dire¸ c˜ oes ortogonais do plano tangente ` a superf´ ıcie no ponto em quest˜ ao. temperatura. com (T1 · n) · n = (T2 · n) · n + σ R +R 1 2 • continuidade da temperatura: T1 = T2 .).1: A¸ c˜ ao da tens˜ ao superficial num elemento de uma superf´ ıcie livre. e calor.

Obviamente. e energia apresentadas em nota¸ c˜ ao vetorial .67) (8.31). Estas condi¸ c˜ oes se estendem tamb´ em para casos em que se conhece a solu¸ c˜ ao no far-field. ∂x ∂y ∂z 2 2 2 ∂ ∂ ∂ + 2 + 2. digamos que o dom´ ınio se estende at´ e y → ∞. (8. ent˜ ao deve-se especificar v∞ .8. e (8. DAB 1 ´ B. ∂ ∂ ∂ ∂ D = + vx + vy + vz .por exemplo (8.70) onde (x. z ) s˜ ao as coordenadas cujas orienta¸ c˜ oes s˜ ao dadas pelos vetores unit´ arios ortogonais entre si ex .41). T∞ .9. y. temperatura T . As equa¸ c˜ oes em sistema cartesiano s˜ ao obtidas simplesmente substituindo: v = vx ex + vy ey + vz ez .69) (8. e o sub-´ ındice 1 se refere ` a mistura entre A e B (fluido 1). Nesta se¸ c˜ ao as equa¸ c˜ oes para um escoamento incompress´ ıvel onde as propriedades moleculares do fluido s˜ ao uniformes e constantes s˜ ao apresentadas (sem dedu¸ c˜ ao) em sistemas de coordenadas cil´ ındricas e esf´ ericas. CA ∞ . embora de forma geral foi utilizado o sistema de coordenadas cartesiano nas suas dedu¸ c˜ oes. concentra¸ c˜ ao do soluto CA . quantidade de movimento. 8. se nenhuma simplifica¸ c˜ ao ´ e feita. o soluto A deve ser o mesmo para os dois fluidos. press˜ ao p. .por exemplo de uma tubula¸ c˜ ao ou em duas se¸ c˜ oes transversais de um rio). (8.19). a rigor. e ez .s˜ ao v´ alidas para qualquer sistema de coordenadas. ey .10 Equa¸ c˜ oes em coordenadas curvil´ ıneas As equa¸ c˜ oes da conserva¸ c˜ ao da massa. devem ser conhecidas as seguintes vari´ aveis em todos os pontos desses trechos do contorno: vetor velocidade v. ∇2 = 2 ∂x ∂y ∂z (8.68) (8. e a difusuvidade de um soluto A no solvente Na u ´ ltima equa¸ c˜ ao acima.4 Condi¸ c˜ oes de entrada e sa´ ıda Quando o contorno do dom´ ınio de um problema intercepta o escoamento (tipicamente em entradas e/ou sa´ ıdas do fluido .59) . p∞ . O mesmo ´ e v´ alido para o fluido 2. Dt ∂t ∂x ∂y ∂z ∂ ∂ ∂ ∇ = ex + ey + ez . 8. Por exemplo.10 – Equa¸ c˜ oes em coordenadas curvil´ ıneas 175 • continuidade do fluxo de massa: ρ1 DAB 1 (∇CA 1 · n) = ρ2 DAB 2 (∇CA 2 · n).

74) ∇2 = ∂r 2 r ∂r r 2 ∂θ2 ∂z 2 Conserva¸ ca ˜o da massa A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa de um fluido incompress´ ıvel em coordenadas cil´ ındricas ´ e dada por: ∂vr 1 ∂vθ ∂vz vr ∇·v = + + + = 0.2 ilustra o sistema de coordenadas cil´ ındricas e sua rela¸ c˜ ao com o sistema cartesiano. θ. y = r sen θ. (8.73) Dt ∂t ∂r r ∂θ ∂z 1 ∂ 1 ∂2 ∂2 ∂2 + + + . y. x ou x = r cos θ.176 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais z r (r. Os seguintes operadores s˜ ao definidos: D ∂ ∂ 1 ∂ ∂ = + vr + vθ + vz . z ). z ) z θ x y Figura 8. z = z. A coordenada z ´ e idˆ entica ` a do sistema cartesiano.1 Coordenadas cil´ ındricas As coordenadas cil´ ındricas s˜ ao representadas por (r. eθ . 8.10. (8. A figura 8. θ = arctan . θ. z ) cujas orienta¸ c˜ oes s˜ ao dadas pelos vetores unit´ arios ortogonais er . z = z. z ) e sua rela¸ c˜ ao com o sistema cartesiano (x.71) r = x2 + y 2. θ.72) O vetor velocidade ´ e representado por v = vr er + vθ eθ + vz ez . e ez . (8. (8. As rela¸ c˜ oes entre as coordenadas cil´ ındricas e as coordenadas cartesianas s˜ ao: y (8.75) ∂r r ∂θ ∂z r .2: Sistema de coordenadas cil´ ındricas (r.

θ. respectivamente.76) + µ ∇2 vr − 2 − 2 ∂r r r ∂θ 1 ∂p 2 ∂vr vθ = ρgθ − .81) . Equa¸ co ˜es de Navier-Stokes As equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes para um fluido incompress´ ıvel e com viscosidade constante. (8. Conserva¸ ca ˜o da energia A equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da energia t´ ermica para a temperatura T em coordenadas cil´ ındricas ´ e dada por (8. em coordenadas cil´ ındricas para as dire¸ c˜ oes r . eθ .59) com os operadores (8. Dt (8. φ = arccos . θ.77) + µ ∇2 vθ + 2 − r ∂θ r ∂θ r ∂p = ρgz − + µ∇2 vz . 8.78) ∂z = ρgr − Repare que o vetor acelera¸ c˜ ao (lados esquerdos das equa¸ c˜ oes acima) ´ e: a= 2 Dvr vθ − Dt r er + Dvθ vr vθ + Dt r eθ + Dvz ez .10. (8.73) e (8. z = R cos θ. θ = arctan . (8. (8. O raio R aqui n˜ ao tem a mesma defini¸ c˜ ao que o raio r das coordenadas cil´ ındricas e a nota¸ c˜ ao R (mai´ usculo) foi adotada exatamente para evitar confus˜ oes. e eφ . As rela¸ c˜ oes entre as coordenadas esf´ ericas e as coordenadas cartesianas s˜ ao: z y R = x2 + y 2 + z 2 .10 – Equa¸ c˜ oes em coordenadas curvil´ ıneas Conserva¸ ca ˜o da massa de um soluto 177 A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto de concentra¸ c˜ ao CA em coordenadas cil´ ındricas ´ e dada por (8.2 Coordenadas esf´ ericas As coordenadas esf´ ericas s˜ ao representadas por (R.79) 2 onde −vθ /r e vr vθ /r s˜ ao as parcelas da acelera¸ c˜ ao devido ` as for¸ cas fict´ ıcias centr´ ıpeta e de Coriolis. (8.31) com os operadores (8. e z s˜ ao dadas por: ρ ρ 2 Dvr vθ − Dt r Dvθ vr vθ + Dt r Dvz ρ Dt ∂p vr 2 ∂vθ . y = R sen φ sen θ.80) 2 x x + y2 + z2 ou x = R sen φ cos θ.74).73) e (8.8.74). A coordenada θ ´ e idˆ entica ` a do sistema de coordenadas cil´ ındricas. φ) cujas orienta¸ c˜ oes s˜ ao dadas pelos vetores unit´ arios ortogonais eR .

φ) e sua rela¸ c˜ ao com o sistema cartesiano (x.82) (8. 2 R ∂R R sen φ ∂θ R sen φ ∂φ (8. 2 R sen φ ∂φ ∂φ (8. O vetor velocidade ´ e representado por v = vR eR + vθ eθ + vφ eφ .3 ilustra o sistema de coordenadas esf´ ericas e sua rela¸ c˜ ao com o sistema cartesiano. φ) R φ θ x y Figura 8. θ. y.3: Sistema de coordenadas esf´ ericas (R. θ. z ). Dt ∂t ∂R R sen φ ∂θ R ∂φ 1 ∂2 1 ∂ 2 ∂ R + + ∇2 = R2 ∂R ∂R R2 sen2 φ ∂θ2 1 ∂ ∂ sen φ . Os seguintes operadores s˜ ao definidos: ∂ ∂ 1 1 ∂ ∂ D = + vR + vθ + vφ . A figura 8.84) .178 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais z (R.83) Conserva¸ ca ˜o da massa A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa de um fluido incompress´ ıvel em coordenadas esf´ ericas ´ e dada por: ∇·v= 1 ∂vθ 1 ∂ (sen φvφ ) 1 ∂ (R2 vR ) + + = 0.

θ.87) − 2 − 2 2 R ∂φ R sen φ R sen2 φ ∂θ Mais uma vez as for¸ cas fict´ ıcias se manifestam no vetor acelera¸ c˜ ao: a = 2 2 + vφ Dvθ vR vθ vθ vφ cot φ DvR vθ eR + eθ + − + + Dt R Dt R R 2 cot φ Dvφ vR vφ vθ eφ .31) com os operadores (8. e vR vφ /R s˜ ao acelera¸ c` oes de Coriolis.86) + 2 + 2 2 R sen φ R sen φ ∂θ R sen2 φ ∂θ 2 1 ∂p cot φ Dvφ vR vφ vθ = ρgφ − + − Dt R R R ∂φ 2 ∂vR vφ 2 cos φ ∂vθ ∇2 vφ + 2 . Conserva¸ ca ˜o da energia A equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da energia t´ ermica para a temperatura T em coordenadas esf´ ericas ´ e dada por (8. vθ vφ cot φ/R.82) e (8. (8. e φ s˜ ao dadas por: ρ + µ ρ + µ ρ + µ 2 2 + vφ ∂p DvR vθ = ρgR − − Dt r ∂R 2vR 2 ∂vφ 2vφ cot φ 2 ∂vθ ∇2 vR − 2 − 2 .10 – Equa¸ c˜ oes em coordenadas curvil´ ıneas Conserva¸ ca ˜o da massa de um soluto 179 A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto de concentra¸ c˜ ao CA em coordenadas esf´ ericas ´ e dada por (8.59) com os operadores (8. (8.82) e (8.83).88) + − Dt R R 2 2 2 onde −(vθ + vφ )/R e −vθ cot φ/R s˜ ao acelera¸ c˜ oes centr´ ıpetas e vR vθ /R.85) − − R R ∂φ R2 R2 sen φ ∂θ 1 ∂p Dvθ vR vθ vθ vφ cot φ = ρgθ − + + Dt R R R sen φ ∂θ vθ 2 2 cos φ ∂vφ ∂vR ∇2 vθ − 2 . em coordenadas esf´ ericas para as dire¸ c˜ oes R. .83). (8. Equa¸ co ˜es de Navier-Stokes As equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes para um fluido incompress´ ıvel e com viscosidade constante. (8.8.

Este sistema de equa¸ c˜ oes diferenciais parciais n˜ ao lineares ´ e extraordinariamente dif´ ıcil de se resolver para casos gerais. tem-se sete equa¸ c˜ oes para as sete inc´ ognitas: massa espec´ ıfica. 8. 8. concentra¸ c˜ ao do soluto. como mostra a figura 8. trˆ es componentes de velocidade. de modo que a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa . ent˜ ao ∂vx /∂x = 0. e sujeito a um gradiente de press˜ ao uniforme ∂p/∂x.11.11 Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao Com as equa¸ c˜ oes da conserva¸ c˜ ao da massa e da massa de um soluto.1 Escoamento permanente entre placas paralelas Considere o escoamento permanente (∂/∂t = 0) de um fluido viscoso entre duas placas paralelas infinitas em movimento relativo (a placa superior em movimento com velocidade V e a placa inferior parada). quantidade de movimento. Nesta se¸ c˜ ao ´ e apresentada uma s´ erie de exemplos de aplica¸ c˜ ao das equa¸ c˜ oes diferenciais de conserva¸ c˜ ao da massa. Primeiramente o escoamento pode ser suposto incompress´ ıvel. e condutividade t´ ermica como vari´ aveis. O escoamento ´ e obviamente uniforme na dire¸ c˜ ao x.180 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais V ∂p ∂x y x 2h Figura 8. A bi-dimensionalidade do escoamento imp˜ oe ∂/∂z = 0. Devido aos termos advectivos (n˜ ao-lineares). as trˆ es equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes. press˜ ao. e temperatura. a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da energia t´ ermica. Caso se queira considerar os coeficientes de viscosidade. solu¸ c˜ oes anal´ ıticas s´ o s˜ ao poss´ ıveis para casos particulares extremamente simplificados.4. para situa¸ c˜ oes particulares nas quais algumas simplifica¸ c˜ oes s˜ ao feitas de modo a viabilizar solu¸ c˜ oes anal´ ıticas. deve-se estabelecer equa¸ c˜ oes de estado para estas vari´ aveis tamb´ em. e uma equa¸ c˜ ao de estado.4: Fluido entre placas paralelas sujeito a gradiente de press˜ ao. e mesmo solu¸ c˜ oes num´ ericas s˜ ao limitadas devido ` a complexidade das equa¸ c˜ oes. difusividade m´ assica. e energia.

95) . Integrando a equa¸ c˜ ao do movimento-x duas vezes em rela¸ c˜ ao a y . ∂x dy ∂p 0 = −ρg − .11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao 181 ∂vx /∂x + ∂vy /∂y = 0 fornece ∂vy /∂y = 0. Na placa inferior y = 0. y = 2h. vx = V . − 2h µ ∂x 2 (8.94) vx = 2h e a tens˜ ao de cisalhamento ´ e: Txy = Note que neste caso Txy ´ e constante.89) (8.45) se reduzem a: d2vx ∂p +µ 2 . µV .44) e (8. Na placa superior. tem-se: y 2 ∂p + µvx + C1 y + C2 = 0.92) A tens˜ ao de cisalhamento no fluido ´ e: Txy = µ dvx µV ∂p = + (h − y ) . ent˜ ao C2 = 0.91) C1 e C2 s˜ ao constantes de integra¸ c˜ ao e podem ser determinadas pelas condi¸ c˜ oes de contorno como se segue.93) Escoamento plano de Couette Este ´ e um caso particular do exemplo mostrado em que o gradiente de press˜ ao ´ e nulo.8. O perfil de velocidades ´ e ent˜ ao dado por: vx = y y ∂p Vy h− . − 2 ∂x (8. (8. ent˜ ao C1 = h (∂p/∂x) − µV / (2h). ∂y 0 = − (8.90) A equa¸ c˜ ao do movimento-y mostra que a press˜ ao ´ e hidrost´ atica. dy 2h ∂x (8. As equa¸ c˜ oes do movimento para x e y (8. vx = 0. Como vy = 0 em y = 0. e o escoamento ´ e movido apenas pelo trabalho das for¸ cas viscosas proveniente do movimento da placa superior. ent˜ ao vy = 0 em todo o dom´ ınio. 2h (8. Neste caso o perfil de velocidade ´ e: Vy .

o mesmo sinal (b). Escoamento plano de Poiseuille Se a placa superior se encontra em repouso. e os casos particulares de Couette (c) e Poiseuille (d).182 V 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais V ∂p ∂x <0 ∂p ∂x >0 (a) V y x (b) V =0 ∂p ∂x =0 ∂p ∂x <0 (c) Couette (d) Poiseuille Figura 8.5: V´ arios casos de escoamento entre placas paralelas. Para este caso o perfil de velocidade ´ e parab´ olico: vx = − y y ∂p h− .5 ilustra v´ arias combina¸ c˜ oes das solu¸ c˜ oes mostradas neste exemplo. incluindo aquelas em que ∂p/∂x e V tˆ em sinais opostos (a). A figura 8. µ ∂x 2 (8. tem-se o chamado escoamento de Poiseuille. Inicialmente a superf´ rota¸ c˜ ao com velocidade angular θ ıcie livre do fluido ´ e .2 Fluido em rota¸ c˜ ao uniforme Imagine um cilindro contendo um fluido inicialmente em repouso colocado em ˙. 8.96) e a tens˜ ao de cisalhamento ´ e uma fun¸ c˜ ao linear: Txy = (h − y ) ∂p . no qual a fonte de energia ´ e o trabalho residual devido ao gradiente de press˜ ao.97) Repare que a tens˜ ao no centro do tubo (y = h) ´ e nula neste caso.11. ∂x (8.

A pergunta ´ e: que fun¸ c˜ ao descreve a superf´ ıcie livre neste caso? Inicialmente pode-se observar que. dr + dz = ρr θ ∂r ∂z (8. n˜ ao h´ a tens˜ oes viscosas. como o fluido n˜ ao se deforma.6: Fluido em rota¸ c˜ ao uniforme com superf´ ıcie livre. ou seja: µ∇2 v = 0. ∂z (8.6 ilustra este estado final. Essa ˙ velocidade na dire¸ c˜ ao θ ser´ a: vθ = r θ. e n˜ ao do ˆ angulo θ.98) (8.11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao 183 ˙ θ Superf´ ıcie livre Figura 8. e a componente na dire¸ c˜ ao angular θ ´ e apenas fun¸ c˜ ao do raio r .100) .8. As equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes se reduzem ao balan¸ co entre a for¸ ca centr´ ıfuga e do gradiente de press˜ ao em r . e muito menos o divergente das mesmas.99) O diferencial da press˜ ao ´ e dado por: dp = ∂p ∂p ˙2 dr − ρgdz. e uma equa¸ c˜ ao hidrost´ atica para a dire¸ c˜ ao vertical z : ˙2 = − −ρr θ ∂p ∂r ∂p 0 = − − ρg. Devido ao atrito com as paredes do recipiente o fluido come¸ ca a se mover at´ e que um regime permanente ´ e atingido quando as for¸ cas centr´ ıfuga e o gradiente de press˜ ao devido ` a inclina¸ c˜ ao da superf´ ıcie livre se equilibram. horizontal. a velocidade do fluido na dire¸ c˜ ao radial ´ e nula. Neste ponto o fluido p´ ara de se deformar e entra em rota¸ c˜ ao uniforme com o recipiente como se fosse um corpo s´ olido. A figura 8. Al´ em disso.

102) Supondo ainda que z1 ´ e a posi¸ c˜ ao da superf´ ıcie livre no centro do cilindro (r1 = 0). 8. 2g (8.3 Difus˜ ao pura em material semi-infinito Considere um canal semi-infinito com ´ agua pura em repouso. 4g A fun¸ c˜ ao que descreve a superf´ ıcie livre em fun¸ c˜ ao de r ´ e. Resta encontrar a posi¸ c˜ ao da superf´ ıcie livre zs .11. tais tens˜ oes desaparecem completamente. Ao entrar em regime permanente. ent˜ ao: z (r ) = ˙ 2 R2 θ 2g r2 1 − 2 R 2 .106) (8. ela deve satisfazer ` a equa¸ c˜ ao acima com p1 = p2 = p0 : (z2 − z1 ) = 1 ˙2 2 2 θ r2 − r1 .105) Neste exemplo ´ e importante notar que as tens˜ oes viscosas s˜ ao importantes apenas para colocar o fluido em rota¸ c˜ ao. Admitindo que o raio do cilindro ´ e R e que a posi¸ c˜ ao da superf´ ıcie livre em repouso ´ e z = 0 com a profundidade inicial do fluido igual a H . ent˜ ao: 2π 0 0 R H + z1 + 1 ˙2 2 θ r rdrdθ = πR2 H. 2g (8. 2g (8. (8. p2 − p1 = ρθ 2 (8.103) que ´ e a equa¸ c˜ ao para um parabol´ oide de revolu¸ c˜ ao em torno do eixo. e atribuindo z2 = z e r2 = r tem-se: z = z1 + 1 ˙2 2 θ r .184 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais Integrando a equa¸ c˜ ao acima entre dois pontos 1 e 2 quaisquer no fluido: 1 ˙2 2 2 r2 − r1 − ρg (z2 − z1 ) .104) Integrando o lado esquerdo e explicitando z1 : ˙2 R2 θ z1 = − . que subtamente ´ e colocado em contato com um reservat´ orio de ´ agua salgada (a difusividade sal-´ agua ´ e Ds ) com concentra¸ c˜ ao de sal que pode variar com o .101) Supondo que a superf´ ıcie livre est´ a sob press˜ ao atmosf´ erica constante p0 . Esta ´ e a equa¸ c˜ ao que descreve a posi¸ c` ao de superf´ ıcies de igual press˜ ao. se o volume total de fluido deve se manter o mesmo quando o fluido est´ a em rota¸ c` ao. tem-se que.

107). t = 0) = 0. e tem . qual ser´ a a concentra¸ c˜ ao dentro do canal em fun¸ c˜ ao de x e t? A figura 8.109) − 2 dx Ds A solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao acima ´ e: √ √ ¯s = Ae s/Ds x + Be− s/Ds x .108) (8. ∂t ∂x2 As condi¸ c˜ oes iniciais e de contorno s˜ ao Cs (x. Primeiramente note que como n˜ ao h´ a qualquer for¸ cante no problema. ou seja. tempo C0 (t). (8.11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao y 185 C0 (t) x Figura 8. s˜ ao desprez´ ıveis. t) = C0 (t) .29) que. assim como a viscosidade. as part´ ıculas de ´ agua ir˜ ao permanecer com velocidade constante no tubo. com DAB = Ds e v = 0. Como a condi¸ c˜ ao inicial ´ e de v nulo.7: Canal de ´ agua doce em contato com ´ agua salgada. (8.8. ent˜ ao v permanecer´ a nulo para todo t. A equa¸ c˜ ao de transporte de sal ´ e dada por (8. C ¯ (s) = A transformada de Laplace em t ´ e dada por L {f (t)} = f ¯ como propriedade: L {df /dt} = sf (s) − f (0) 4 ∞ 0 (8. tem-se: ¯s s ¯ d2 C Cs = 0. as equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes para x e y se resumem a: Dvx /Dt = 0 e Dvy /Dt = 0.107) Aplicando a transformada de Laplace4 no tempo ` a equa¸ c˜ ao diferencial parcial (8. se reduz a: ∂ 2 Cs ∂Cs = Ds . Cs (x = 0. Admitindo que o gradiente de press˜ ao entre o reservat´ orio e o canal e a componente x da for¸ ca da gravidade.6 ilustra a situa¸ c˜ ao.110) f e−st dt.

0) = 0.111) Chamando a transformada de Laplace da condi¸ c˜ ao de contorno em x = 0 de ¯ ¯ C0 (s).112) A solu¸ c˜ ao desejada ´ e a transformada inversa de (8. Isso n˜ ao ´ e surpreendente. A equa¸ c˜ ao relevante ´ e a equa¸ c˜ ao do movimento na dire¸ c˜ ao x que. ent˜ Tomando C ao A = 0.112) que d´ a: x Cs (x. Este problema tem uma vers˜ ao inteiramente an´ aloga para a transferˆ encia de calor (bastando substituir concentra¸ c˜ ao por temperatura.115) Este problema ´ e conhecido como problema de Rayleigh e tamb´ em como primeiro problema de Stokes.primeiro problema de Stokes Considere uma placa infinita localizada em y = 0 sob um fluido viscoso inicialmente em repouso.111) fornece B = C0 (s). Para obter a solu¸ c˜ ao poderia-se utilizar. ∂t ∂y (8. t) = V. (8.4 Escoamento transiente em fluido semi-infinito . Repare que a concentra¸ c˜ ao no canal Cs apenas depende da condi¸ c˜ ao de contorno entre τ = 0 e τ = t.186 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais ¯s (x → ∞) = 0. e difusividade molecular por t´ ermica) e outra para transferˆ encia de quantidade de movimento que ´ e mostrada a seguir. (8. e (8. (8. t) = 0. ap´ os simplifica¸ c˜ oes se reduz a: ∂vx ∂ 2 vx =ν 2. vx (0. e t ´ e o instante atual. As condi¸ c˜ oes iniciais e de contorno para o problema s˜ ao: vx (y. vx (∞. ou seja. C (8. Assim: √ ¯s = Be− s/Ds x . como .113) A integral acima n˜ ao possui uma forma anal´ ıtica em termos de fun¸ c˜ oes elementares e deve ser avaliada numericamente. j´ a que n˜ ao ´ e de se esperar que o que ocorrer´ a na condi¸ c˜ ao de contorno no futuro influencie a situa¸ c˜ ao do presente. τ ´ e uma vari´ avel de integra¸ c˜ ao no tempo.111) fica: √ − s/Ds x ¯ ¯ Cs (x.11. t) = √ 2 Ds π t C 0 (τ ) 0 e−x 2 /[4D s (t−τ )] (t − τ )3/2 dτ. 8. da informa¸ c˜ ao passada. s) = C0 (s) e . e aplicando-a em (8.114) (ν ´ e a viscosidade cinem´ atica igual a µ/ρ). A placa ´ e posta em movimento em t = 0 e mantida a velocidade constante V na dire¸ c˜ ao x.

8. Assim. A equa¸ c˜ ao (8. 2 (8.119) ´ e reescrita como: d dξ Integrando duas vezes tem-se: ξ (8.11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao 187 no problema anterior.120) (8. 0 0 ∞ ∞ −(x2 +y 2 ) e dxdy .123) onde C1 e C2 s˜ ao constantes de integra¸ c˜ ao.114) cujos termos ficam: dvx ∂ξ n dvx ∂vx = = ξ . ∂t dξ ∂t t dξ ∂ 2 vx 1 2 d2 vx = ξ .114) fica: d2 vx n y 2 dvx − = 0.117) (8. (8. I 2 = ∞ −ξ 2 e dξ : 0 π/2 ∞ −r 2 e rdrdθ. dξ (8. 2 (8.119) se torne fun¸ c˜ ao de ξ apenas (e n˜ ao de y ou t). ∂y 2 y 2 dξ 2 ent˜ ao (8. Considere a seguinte vari´ avel: ξ = Bytn . ξ= √ . como ilustra¸ c˜ ao.116) Admitindo que vx = vx (ξ ). a t´ ecnica da transformada de Laplace (note a semelhan¸ ca do problema).124) = x2 + y 2 . (iv) 2e 0 . Aplicando a condi¸ c˜ ao de contorno vx (ξ = ∞) = 0. B= √ . escolhe-se: 1 1 y n=− . tem-se C2 =√ V .121) dvx dξ + 2ξ dvx = 0. (8. tem-se5 C1 = −2V / π : vx = V 5 2 1− √ π (i) I 2 = (iii) ξ 0 e−ξ dξ . vx (ξ = ∞) = 0. Aplicando a condi¸ c˜ ao de contorno vx (ξ = 0) = V . (ii) r2 0 0 ∞ −r 2 I 2 = π/2 − 1 = π/4.119) dξ 2 ξ νt dξ A id´ eia do m´ etodo ´ e escolher n e B de forma que a equa¸ c˜ ao (8. √ I = π/2 Solu¸ ca ˜o da integral I = dxdy = rdrdθ. ser´ a procurada a chamada solu¸ c˜ ao por similaridade. Em vez disso.118) (8.122) vx = C1 0 e−ξ dξ + C2 . 2 2 ν 2 νt As condi¸ c˜ oes de contorno em termos de ξ s˜ ao: vx (ξ = 0) = V. pode-se substituir esta transforma¸ c˜ ao em (8.

as solu¸ c˜ oes para pontos ξ = constante s˜ ao similares. A equa¸ c˜ ao do movimento ´ e: ∂vx ∂ 2 vx =ν 2. ser´ a admitido que a solu¸ c˜ ao ´ e peri´ odica. ∂t onde i = √ −1 A equa¸ c˜ ao (8. per´ ıodo T = 2π/ω ) e amplitude V0 : V (t) = V0 cos ωt. 2 e eiθ = cos θ + i sen θ. t) = V0 cos ωt.segundo problema de Stokes Considere uma situa¸ c˜ ao similar ` a do problema anterior. mas h´ a um n´ umero infinito de combina¸ c ˜ o es de y t t que d´ a o mesmo ξ (aquelas que satisfazem ξ = √ y/ 2 νt ). Portanto. ∂vx = iωF (y ) eiωt .130) Dividindo por eiωt e solucionando a equa¸ c˜ ao diferencial para F (y ): F (y ) = Ae(1+i)δy/ = Ae 6 √ 2 √ √ δy/ 2 iδy/ 2 + Be−(1+i)δy/ + Be 2 e √ √ −δy/ 2 −iδy/ 2 e . ou seja. assim como o ´ e a condi¸ c˜ ao de contorno.131) por defini¸ ca ˜o: sen θ = eiθ −e−iθ . em nota¸ c˜ ao complexa (onde ape6 nas a parte real deve ser considerada) : vx (y. Neste caso n˜ ao ser´ a considerado o per´ ıodo transiente em que o fluido ´ e colocado em movimewnto a partir do repouso.127) Se a solu¸ c˜ ao ´ e oscilat´ oria.125) Repare que para um dado ξ tem-se um u ´ nico vx . 2i cos θ = eiθ +e−iθ .126) ∂t ∂y As condi¸ c˜ oes de contorno s˜ ao: vx (∞. da´ ı a terminologia solu¸ c˜ ao por similaridade. e sim a condi¸ c˜ ao quando t → ∞. 8. .5 Escoamento oscilat´ orio em fluido semi-infinito . vx (0. (8. entretanto.188 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais que pode ser escrita em termos da chamada fun¸ c˜ ao erro : vx = V (1 − erf ξ ) = V 1 − erf y √ 2 νt .11.128) (8. (8. dy 2 √ (8. (8. t) = 0. (8. t) = F (y ) eiωt .129) (8. pode-se escrever. com a velocidade da placa infinita oscilando com freq¨ uˆ encia angular ω (ou seja.126) fica: iωF eiωt = ν d2 F iωt e .

portanto.9) ilustra a situa¸ c˜ ao. t) = V0 e− √ ω/(2ν )y cos ωt − ω y 2ν . A equa¸ c˜ ao de Navier-Stokes na dire¸ c˜ ao x se reduz a: 0 = ρg sen θ + µ A equa¸ c˜ ao em y ´ e: 0 = −ρg cos θ − dp . e que. Retornando a vx : vx (y. como ´ e de se esperar.133) Repare que a solu¸ c˜ ao decai exponencialmente de V0 at´ e se anular em y = ∞. e que.11. e que viscosidade diminui. a freq¨ uˆ encia espacial da solu¸ c˜ ao (em y ) aumenta ` a medida que a freq¨ uˆ encia temporal ω aumenta. dy dy (8.135) d2vx . (8. considerando que a press˜ ao atmosf´ erica ´ e desprez´ ıvel. supondo que o u ´ nico for¸ cante do problema ´ e a for¸ ca da gravidade. n˜ ao h´ a gradiente de press˜ ao na dire¸ c˜ ao x. t) = F (y ) eiωt = V0 e−δy/ = V0 e e √ √ √ −δy/ 2 i(ωt−δy/ 2) √ 2 −iδy/ 2 iωt e e .136) . e δ = quando y → ∞. t) = V0 cos ωt. ao mesmo tempo que oscila tanto no espa¸ co (y ) quanto no tempo. fornece que B = F (y = 0) = V0 . ent˜ ao a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa ∂vx /∂x + ∂vy /∂y + ∂vz /∂z = 0 fornece que ∂vx /∂x = 0. dy (8. A figura 8. a condi¸ c˜ ao vx (0. Como vx → 0 onde A e B s˜ ao constantes de integra¸ c˜ ao. dy 2 (8. a condi¸ c˜ ao ´ e a de que a tens˜ ao viscosa de cisalhamento ´ e nula: Txy (y = δ ) = µ dvx dvx (y = δ ) = 0 ⇒ (y = δ ) = 0 .6 Escoamento laminar em plano inclinado Considere um fluido viscoso incompress´ ıvel escoando sobre uma superf´ ıcie plana infinita e com inclina¸ c˜ ao θ em rela¸ c˜ ao ` a superf´ ıcie da terra.8.8 ilustra a solu¸ c˜ ao com perfis em y de vx em v´ arios instantes num per´ ıodo T = 2π/ω de oscila¸ c˜ ao. A id´ eia ´ e procurar uma solu¸ ca ˜o para a velocidade vx em regime permanente. 8.11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao 189 ω/ν .132): vx (y.134) A condi¸ c˜ ao de contorno no fundo fornece vx (y = 0) = 0. A figura (8. (8. ent˜ ao A = 0. Admitindo que vy = vz = 0.132) Tomando apenas a parte real de vx em (8. Na superf´ ıcie livre.

partindo de um instante de referˆ encia t.2 t4 t3 t2 t1 0.0 0. s˜ ao dados por tn = t + (n − 1)T /8. Perfis de velocidade vx (y ) para v´ arios instantes dentro de um per´ ıodo.8 −0.9: Escoamento em plano inclinado.6 −0. Os instantes tn .6 0. .8 1 vx /V0 Figura 8. y δ x vx (y ) g θ Figura 8.190 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais y t8 t7 t6 t5 −1 −0.2 0.8: Escoamento sobre fundo oscilat´ orio com per´ ıodo T .4 0.4 −0.

8. Em uma das faces (posi¸ c˜ ao x = 0) a temperatura ´ e mantida constante em T0 . Ent˜ ao.139) ρg sen θ δ.142) dx x=L ρcα Integrando (8. e calor espec´ ıfico c. (8. e em regime permanente: d2 T 0 = α 2.134) ´ e: vx (y ) = − ρg sen θ 2 y + C1 y + C2 . que deve haver um fluxo de calor qx que deve ser igual ao fluxo de calor dentro da parede naquela posi¸ c˜ ao. (8. Deseja-se saber a distribui¸ c˜ ao de temperatura na parede em regime permanente.141) dx ou qx dT =− . massa espec´ ıfica ρ.140) dx A condi¸ c˜ ao de contorno em x = 0 ´ e T (0) = T0 .143) . entretanto. Sabe-se. A equa¸ c˜ ao governante para este problema ´ e a equa¸ c˜ ao da difus˜ ao unidimensional (j´ a que o problema s´ o depender´ a de x) para um material em repouso.8. em x = L: dT −ρcα = qx .11.138) Repare que o perfil ´ e parab´ olico e que a velocidade ´ e m´ axima na superf´ ıcie livre. (8. uniformes e constantes. Em x = L n˜ ao se sabe qual ´ e a temperatura. (8. µ C2 = 0. (8.11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao A solu¸ c˜ ao de (8.7 Condu¸ c˜ ao de calor atrav´ es de uma parede Considere uma parede infinita perpendicular a um eixo x com um material s´ olido de condutividade t´ ermica α. A outra face (x = L) est´ a em contato com o ar que difunde calor para x > L a uma taxa igual a qx . 2µ 191 (8.140) duas vezes: T (x) = Ax + B.137) Sustituindo as condi¸ c˜ oes de contorno tem-se: C1 = A solu¸ c˜ ao ´ e ent˜ ao: vx (y ) = ρg sen θ µ δy − y2 2 . (8.

144) T (x) = T0 − ρcα Repare que se a parede fosse insulada em x = L. A acelera¸ c˜ ao da gravidade ´ e g apontando para baixo. tanto nas paredes quanto na interface entre os fluidos (dica: na interface. e dos calores espec´ ıficos a press˜ ao/volume constante (iguais neste caso) c1 e c2 . 8. e que o problema ´ e permanente.10 mostra duas camadas de fluidos diferentes (sub-´ ındices 1 e 2 indicam fluido superior e inferior). estabele¸ ca condi¸ c˜ oes de contorno em y . resolva o problema permanente e ache o perfil de temperatura em cada camada em fun¸ c˜ ao das propriedades de cada fluido. Txy 1 = Txy 2 ). com a condi¸ c˜ ao em x = 0 e x = L. . Ambos os fluidos est˜ ao sob um gradiente de press˜ ao constante ∂p/∂x < 0. µ2 . incompress´ ıvel. Na figura 8. todos uniformes. (iv) esboce gr´ aficos dos perfis em y da velocidade vx para os casos em que (a) µ2 = µ1 /2. com igual espessura. A figura 8. (c) µ2 = 2µ1 . µ1 ∂p/∂x = constante < 0 ρ2 . xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx ρ1 . (b) µ2 = µ1 . e A = − ρcα Portanto: qx x.10 as paredes s˜ ao mantidas a temperaturas T1 e T2 . ent˜ ao teria-se qx = 0 e portanto a solu¸ c˜ ao permanente do problema seria uma temperatura uniforme e igual a T0 . Em termos de ρ1 e ρ2 . (8. (i) Escreva as equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes completas para os fluidos 1 e 2.10: Dois fluidos entre placas fixas. das difusividades t´ ermicas α1 e α2 . e que todas as propriedades de cada fluido s˜ ao uniformes. onde ρ2 > ρ1 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx h y x h Figura 8.12 Problemas propostos 1. (iii) resolva para vx (y ) em termos das propriedades dos fluidos e de ∂p/∂x. onde. nas dire¸ c˜ oes x e y . Admita que as camadas de fluido s˜ ao infinitas nas dire¸ c˜ oes horizontais. (ii) fa¸ ca as simplifica¸ c˜ oes nas equa¸ c˜ oes. tem-se B = T0 .192 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais qx . 2.

e n˜ ao h´ a gradiente de press˜ ao modificada na dire¸ c˜ ao axial. Determine o escoamento de um fluido viscoso (viscosidade µ) em regime permanente (o seja. 7.12 mostra dois fluidos com ρ1 . escoando entre 3 placas. a expessura da pel´ ıcula. 5. µ2 . respectivamente. mas h´ a gradiente de press˜ ao modificada conhecido na dire¸ c˜ ao axial. .11 vapor se condensa em uma superf´ ıcie vertical. Determine a velocidade V da placa do meio.12 – Problemas propostos 3. A figura 8. Na figura 8. ρ2 . • (b) Ambos os cilindros permanecem em repouso. Imagine um escoamento de um fluido viscoso (viscosidade µ) entre dois cilindros concˆ entricos com raios R0 (externo) e Ri (interno). ∂t Dt 4. µ1 . Determine a solu¸ c˜ ao permanente para a velocidade do fluido em cada um dos segunites casos: • (a) O cilindro externo se move com velocidade constante V0 enquanto o cilindro interno permanece em repouso. A placa superior e a inferior est˜ ao em repouso. • (b) A espessura da pel´ ıcula δ (x). 6. • (c) O cilindro externo se move com velocidade constante V0 enquanto o cilindro interno permanece em repouso. onde m ˙ ´ e igual ao fluxo de massa na dire¸ c˜ ao do escoamento na placa. Admita tamb´ em que n˜ ao h´ a varia¸ c˜ ao da press˜ ao atmosf´ erica no ar. Fa¸ ca as simplifica¸ c˜ oes pertinentes e determine: • (a) m ˙ como fun¸ c˜ ao de δ (x). e o fluido de cima (´ ındice 1) e de baixo (´ ındice 2) est˜ ao sujeitos a gradientes de press˜ ao constantes dp/dx = k e dp/dx = −k . e h´ a gradiente de press˜ ao modificada na dire¸ c˜ ao axial.8. As espessuras dos fluidos s˜ ao h e 2h. determine a distribui¸ c˜ ao espacial da velocidade do fluido) em uma tubula¸ c˜ ao cil´ ındrica (raio R) horizontal sujeito a um gradiente de press˜ ao conhecido na dire¸ c˜ ao do eixo do tubo. mas a placa do meio pode se mover horizontalmente. Mostre que: 193 DCA ∂ (CA ρ) + ∇ · (CA ρv) = ρ . A taxa de condensa¸ c˜ ao ´ e dm/dx ˙ = C1 constante. Admita que a lˆ amina ´ e muito fina e que o escoamento ´ e viscoso. A ´ agua (de massa espec´ ıfica ρ e viscosidade µ) ´ e ent˜ ao puxada para baixo pela for¸ ca gravitacional formando uma fina pel´ ıcula de espessura δ (x).

µ1 . dp/dx = k xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Placa m´ ovel h y 2h x xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx ρ2 . xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx ρ1 .12: Dois fluidos e trˆ es placas. .11: Condensa¸ c˜ ao em uma parede.194 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais y ar ´ agua δ x Figura 8. µ2 . dp/dx = −k Figura 8.

´ Indice

condi¸ c˜ ao de contorno, 171 interface entre dois fluidos, 174 balan¸ co da quantidade de movimento na superf´ ıcie livre equa¸ c˜ ao integral, 127, 161 cinem´ atica, 173 balan¸ co de energia dinˆ amica, 173 equa¸ c˜ ao integral, 136, 161 superf´ ıcie livre, 173 balan¸ co de massa superf´ ıcie s´ olida, 171 equa¸ c˜ ao integral, 115, 161 tens˜ ao superficial, 173 balan¸ co de massa de um soluto condu¸ c˜ ao de calor, 100, 191 equa¸ c˜ ao integral, 124, 161 condutividade t´ ermica, 102 Bernoulli unidades, 102 equa¸ c˜ ao de, 143 conserva¸ c˜ ao balan¸ co de energia e, 146 energia, 4, 24 Boltzmann massa, 4 constante de, 24 quantidade de movimento, 4 quantidade de movimento angucalor, 26 lar, 4 transferˆ encia de, 99 conserva¸ c˜ ao da energia calor espec´ ıfico coordenadas cil´ ındricas, 177 a press˜ ao constante, 28 coordenadas esf´ ericas, 179 a volume constante, 27 equa¸ c˜ ao diferencial, 167 em gases e l´ ıquidos, 28 equa¸ c˜ ao integral, 136, 161 campos conserva¸ c˜ ao da massa escalares, 12 coordenadas cil´ ındricas, 176 vetoriais, 12 coordenadas esf´ ericas, 178 capilaridade, 173 equa¸ c˜ ao diferencial, 162 Cauchy equa¸ c˜ ao integral, 115, 161 Augustin-Louis, 166 conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto equa¸ c˜ ao de, 166 coordenadas cil´ ındricas, 176 circula¸ c˜ ao, 84 coordenadas esf´ ericas, 178 concentra¸ c˜ ao, 37 advec¸ c˜ ao, 37 195

196 equa¸ c˜ ao diferencial, 163 equa¸ c˜ ao integral, 124, 161 conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento coordenadas cil´ ındricas, 177 coordenadas esf´ ericas, 179 equa¸ c˜ ao de Navier Stokes, 166 equa¸ c˜ ao diferencial, 165 equa¸ c˜ ao integral, 127, 161 constante universal dos gases, 31 constitutiva equa¸ c˜ ao, 91 lei, 91 cont´ ınuo, 1, 35 hip´ otese do, 35, 36 coordenadas cil´ ındricas, 175 conserva¸ c˜ ao da energia, 177 da massa, 176 da massa de um soluto, 176 Navier-Stokes, 177 coordenadas curvil´ ıneas, 175 coordenadas esf´ ericas, 177 conserva¸ c˜ ao da energia, 179 da massa, 178 da massa de um soluto, 178 Navier-Stokes, 179 corrente linha de, 40 tubo de, 40 Couette escoamento de, 181 deforma¸ c˜ ao de cisalhamento, 79 linear, 77 taxa de, 77 volum´ etrica, 78 derivada material em um ponto, 161 em um sistema, 111 difus˜ ao, 37 pura exemplo de, 184 difus˜ ao molecular, 102 difusividade molecular, 104 unidades, 104 difusividade t´ ermica, 102 unidades, 102 divergente, 13

´ INDICE

energia, 36 conserva¸ c˜ ao, 111 coordenadas cil´ ındricas, 177 coordenadas esf´ ericas, 179 equa¸ c˜ ao diferencial da conserva¸ c˜ ao, 167 equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao, 136, 161 espec´ ıfica, 37 interna, 23, 26, 36 espec´ ıfica, 27 mecˆ anica, 168 t´ ermica, 168 total, 23 total de um sistema, 43 energia cin´ etica, 21, 22 do centro de massa, 21 interna, 21 energia potencial, 21 gravitacional, 21, 23 interna, 23 entropia, 4 equa¸ c˜ ao constitutiva, 91, 160 de Bernoulli, 143 e o balan¸ co de energia, 146 hidrost´ atica, 60 equa¸ c˜ ao constitutiva transferˆ encia de calor, 102 transferˆ encia de massa, 104

´ INDICE

197

transferˆ encia de quantidade de movi- Leonhard, 39 mento, 95 fenˆ omeno f´ ısico, 1 equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao em coordenadas cil´ ındricas, 175 Fick lei de, 102 em coordenadas curvil´ ıneas, 175 fluido em coordenadas esf´ ericas, 177 defini¸ c˜ ao, 3 equa¸ c˜ ao de estado, 28, 31 n˜ ao-newtoniano, 99 equa¸ c˜ ao diferencial newtoniano, 99 conserva¸ c˜ ao da energia, 167 fluxo conserva¸ c˜ ao da massa, 162 advectivo, 44 coordenadas cil´ ındricas, 176 difusivo, 91, 160 conserva¸ c˜ ao da massa de um socalor, 101 luto, 163 massa, 103 coordenadas cil´ ındricas, 176 quantidade de movimento, 93 conserva¸ c˜ ao da quantidade de moviespec´ ıfico mento, 165 advectivo, 44 da hidrost´ atica, 59 fluxo de calor, 110 de Navier-Stokes, 166 for¸ ca energia de corpo, 51 coordenadas cil´ ındricas, 177 de superf´ ıcie, 51 coordenadas esf´ ericas, 179 For¸ c as, 51 massa Fourier coordenadas esf´ ericas, 178 lei de, 100 massa de um soluto coordenadas esf´ ericas, 178 g´ as ideal, 28 quantidade de movimento Gauss coordenadas cil´ ındricas, 177 Friedrich, 162 coordenadas esf´ ericas, 179 teorema de, 15 equa¸ c˜ ao integral gradiente, 14 conserva¸ c˜ ao da energia, 136, 161 grandezas fundamentais, 6 conserva¸ c˜ ao da massa, 115, 161 Green conserva¸ c˜ ao da massa de um soteorema de, 16 luto, 124, 161 conserva¸ c˜ ao da quantidade de movi-hidrost´ atica, 58 mento, 127, 161 equa¸ c˜ ao, 60 equil´ ıbrio, 2 equa¸ c˜ ao diferencial da, 59 escalar, 7 hip´ otese do cont´ ınuo, 1, 35, 36 escalas moleculares, 19 Integral estado de um sistema, 1 de linha, 10 Euler de superf´ ıcie, 11 descri¸ c˜ ao de, 39

198 de volume, 12 interface entre dois fluidos, 174 Lagrange descri¸ c˜ ao de, 39 Joseph-Louis, 39 laplaciano, 15 lei constitutiva, 91 da viscosidade, 93 de Fick, 102, 160 de Fourier, 100, 160 de Newton da viscosidade, 160 Lennard-Jones potencial de, 19 linha de corrente, 40 linha de vorticidade, 82 meio cont´ ınuo, 2, 35, 37 meio fluido, 3 modelos matem´ aticos, 1 mol´ eculas, 2 movimento relativo, 83

´ INDICE

Navier-Stokes coordenadas cil´ ındricas, 177 coordenadas esf´ ericas, 179 equa¸ c˜ ao de, 166 Newton experimento de, 92 Isaac, 93 lei da viscosidade, 93

placas paralelas escoamento plano entre, 180 Poiseuille escoamento de, 181 massa, 36 potencial conserva¸ c˜ ao, 111 gravitacional, 21 coordenadas cil´ ındricas, 176 potencial de Lennard-Jones, 19 coordenadas esf´ ericas, 178 Press˜ ao, 51 de soluto num sistema, 43 press˜ ao, 57 de um sistema, 43 dinˆ amica, 148 equa¸ c˜ ao diferencial da conserva¸ c˜ ao, est´ atica, 148 162 equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao, primeira lei, 24 primeira lei da termodinˆ amica, 111 115, 161 princ´ ıpios de conserva¸ c˜ ao transferˆ encia de, 102 energia, 111 massa de um soluto equa¸ c˜ oes diferenciais, 159 conserva¸ c˜ ao equa¸ c˜ oes integrais, 109 coordenadas cil´ ındricas, 176 massa, 111 coordenadas esf´ ericas, 178 quantidade de movimento, 111 equa¸ c˜ ao diferencial da conserva¸ c˜ ao, princ´ ıpios fundamentais da f´ ısica, 4 163 equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao, produto 124, 161 escalar, 8 massa espec´ ıfica, 36 contra¸ c˜ oes, 9 mat´ eria, 2 vetorial, 8 abordagem macrosc´ opica, 2 propriedades mecˆ anica estat´ ıstica, 2 estensivas, 42

29 Rayleigh teoria cin´ etica. 144 sistema de fluxo. 102 de quatidade de movimento. 81 165 teorema equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao. 93 Taylor volume. 40 propriedades f´ ısicas de um. 7 George Gabriel. 77 unidades. 7. 56 equa¸ c˜ ao de Navier-Stokes. 166 gradiente de velocidade. 84 equa¸ c˜ ao diferencial da conserva¸ c˜ ao. 24. 19 Reynolds primeira lei. 186 termodinˆ amica. 16. 85 dependˆ encia da temperatura.´ INDICE intensivas. 2 rota¸ c˜ ao trabalho. 111 de tens˜ oes. 26. 99 rotacional. 43 tens˜ ao superficial. 15. 93 taxa de deforma¸ c˜ ao. 24 de uma part´ ıcula de fluido. 22. 43 sim´ etria do. 16 tubo segunda lei. 36 tensor. 173 . 85 transferˆ encia de. 91 do transporte de Reynolds. 99 dinˆ amica. 111 teorema do transporte de. 182 de calor. 112 virial. 14 de massa. 2 de corrente. 23. 82 sistema de part´ ıculas. 29 primeiro problema de. 91 s´ erie de Taylor. 42 199 coeficiente de. taxa de deforma¸ c˜ ao. 16. 112 segunda lei. 94 virial hip´ otese de. 94 teorema. 186 viscosidade segundo problema de. 1 tubo de vorticidade. 52 conserva¸ c˜ ao. de Gauss. 6 velocidade. 161 de Green. 16 de controle. 51 quantidade de movimento. 20 sistema SI de unidades. 81 transferˆ encia fluido em. 93 teorema de. 22 Stokes vetor. 43 temperatura. 1 tubo de corrente. 188 cinem´ atica. 37 sistema termodinˆ amico. 174 Tens˜ oes. 36 rmq. 19 problema de. 26 de um sistema. 162 127. 16 quatidade de movimento de Stokes. 36 s´ erie de. 52 de um sistema. 144 estado de um.

82 ´ INDICE . 82 tubos de.200 vorticidade. 81 linha de.

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