Acompanhando as mudanças morais sofridas na contemporaneidade, os contos de fadas estão às avessas.

Considerando-se esta premissa, isto ocorre pela necessidade de condizerem com a realidade cotidiana, vez que sua finalidade é a aquisição, por parte das crianças, de uma maior estabilidade psicológica. Tal equilíbrio é conquistado através de uma percepção inconsciente de que seus conflitos emocionais também são vividos pelos personagens principais. Sendo assim, as crianças saberão lidar melhor com os dilemas proporcionados pela vida, já que por trás da ficção há uma apresentação da realidade, seguindo-a desde os problemas à moral vigente. O desenvolvimento da independência da mulher é uma das oscilações mais bem representadas pelas histórias infantis, por meio das princesas, a Disney apresentou as diferenças entre os comportamentos de cada geração. Uma das primeiras foi A Bela Adormecida, em que o homem era o definidor da sua felicidade, futuro e personalidade, seguida da Pequena Sereia, que trata sobre uma relação de pai e filha, na qual a protagonista tem atitude a ponto de ter o controle sobre a própria vida, por mais que seu pai (figura de autoridade masculina) tente impedi-la de cumprir os seus desejos. A mais contemporânea é a da Princesa e o Sapo, que contrariando a lógica “disneyana” a personagem feminina é negra, não mora em um palácio de algum lugar desconhecido e é uma trabalhadora que economiza e sacrifica a diversão pelo seu objetivo. Com a maior valorização das ações e desvalorização da calmaria e submissão das personagens centrais, percebe-se que o conhece-te a ti mesmo socrático não é o suficiente para vencer uma batalha, uma vez que é preciso mais do que a simples boa vontade e espera que existia nas versões antigas.

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