Módulo: Conhecimentos Pedagógicos – SEC/BA 2010

O QUE É EDUCAR A palavra educar deriva da palavra latina educare, que significa "revelar o que está dentro", deixar florescer as habilidades e potencialidades, tornando explícitos os poderes inatos do homem. Faremos, por nossa conta, para fins de um melhor entendimento, uma distinção semântica do termo educação, ficando este como a instrução acadêmica e profissional passada de fora para dentro, ou seja, o conhecimento técnico transmitido pelo educador ao educando, independentemente do método pedagógico adotado. Chamaremos de educare a educação que aflora de dentro para fora, aquela que diz respeito ao ser, e não ao saber. Aquela que legará condutas morais e éticas responsáveis pelo norteamento da vida de cada um. A educação em valores humanos busca a união desses dois importantes conceitos. Educar é estabelecer uma troca com o educando. Educar não é um ato de "doação" de conhecimento, mas um processo que se realiza no contato do homem com o mundo vivenciado, o qual não é estático, mas dinâmico e em transformação contínua. A relação vertical, onde o educador é superior ao educando deve dar lugar à relação dialógica, a qual supõe troca, pois "os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo.” Para Paulo Freire, educador já não é aquele que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando, que ao ser educado, também educa (...)". O saber construído dessa forma percebe a necessidade de transformar o mundo, porque assim os homens se descobrem como seres históricos. Para Paulo Freire, educar é construir, é libertar o homem do determinismo, passando a reconhecer o papel da História e onde a questão da identidade cultural, tanto em sua dimensão individual, como em relação à classe dos educando, é essencial à prática pedagógica proposta. Sem respeitar a identidade do educando, sem levar em conta as experiências vividas pelo educando antes de chegar à escola, o educador não terá êxito na sua tarefa, e o processo será inoperante, consistirá em meras palavras despidas de significação real. É um "ensinar a pensar certo" como quem "fala com a força do testemunho". É um "ato comunicante, co-participado", de modo algum produto de uma mente "burocratizada". O educador deve incentivar a curiosidade do educando valorizando a sua liberdade e a sua capacidade de aventurar-se. RELAÇÃO EDUCANDO-EDUCADOR A relação educador-educando não deve ser uma relação de imposição, mas sim, uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento. O aluno deve ser considerado como um sujeito interativo e ativo no seu processo de construção de conhecimento. Assumindo o educador um papel fundamental nesse processo, como um indivíduo mais experiente. Por essa razão cabe ao professor considerar também, o que o aluno já sabe, sua bagagem cultural e intelectual, para a construção da aprendizagem. O professor e os colegas formam um conjunto de mediadores da cultura que possibilita progressos no desenvolvimento da criança. Nessa perspectiva, não cabe analisar somente a relação professor-aluno, mas também a relação aluno-aluno. Para Vygotsky, a construção do conhecimento se dará coletivamente, portanto, sem ignorar a ação intrapsíquica do sujeito. Assim, Vygotsky conceituou o desenvolvimento intelectual de cada pessoa em dois níveis: um real e um potencial. O real é aquele já adquirido ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. Por exemplo, se domina a adição esse é um nível de desenvolvimento real. O potencial é quando a criança ainda não aprendeu tal assunto, mas está próximo de aprender, e isso se dará principalmente com a ajuda de outras pessoas. Por exemplo, quando ele já sabe somar, está bom próximo de fazer uma multiplicação simples, precisa apenas de um «empurrão». Vai ser na distância desses dois níveis que estará um dos principais conceitos de Vygotsky: as zonas de desenvolvimento proximal , que é definido por ele como: (..) A distância entre o nível de desenvolvimento que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinando através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou de companheiros mais capazes. (VYGOTSKY), “A formação Social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores”. São Paulo, Martins Fontes. 1989. Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é um conceito elaborado por Vygotsky, e define a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver um problema sem ajuda, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através de resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro. Esse conceito abre uma nova perspectiva a prática pedagógica colocando a busca do conhecimento e não de respostas corretas. Ao educador, restitui seu papel fundamental na aprendizagem, afinal, para o aluno construir novos conhecimentos precisa-se de alguém que os ajude, eles não o farão sozinhos. Assim, cabe ao professor ver seus alunos sob outra 1

perspectiva, bem como o trabalho conjunto entre colegas, que favorece também a ação do outro na ZDP (zona de desenvolvimento proximal). Vygotsky acreditava que a noção de ZDP já se fazia presente no bom senso do professor quando este elaborava suas aulas. O professor seria o suporte, ou “andaime”, para que a aprendizagem do educando a um conhecimento novo seja satisfatória. Para isso, o professor tem que interferir na ZDP do aluno, utilizando alguma metodologia, e para Vygotky, essa se dava através da linguagem. Baseado nisso, dois autores Newman, Griffin & Cole, desenvolveram essa idéia. Para eles era através do diálogo do professor com o aluno que a ZDP se desenvolve na sala de aula. Com um esquema I-R-F (iniciação – resposta – feedback), que o professor “dando pistas” para o aluno iniciava o processo, assim o aluno teria uma resposta e o professor dava o feedback a essa resposta (GOMES, 2002). Nessa perspectiva, a educação não fica à espera do desenvolvimento intelectual da criança. Ao contrário, sua função é levar o aluno adiante, pois quanto mais ele aprende, mais se desenvolve mentalmente. Segundo Vygotsky, essa demanda por desenvolvimento é característica das crianças. Se elas próprias fazem da brincadeira um exercício de ser o que ainda não são, o professor que se contenta com o que elas já sabem é dispensável. RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SEGUNDO PIAGET Para Piaget a aprendizagem do estudante será significativa quando esse for um sujeito ativo. Isso se dará quando a criança receber informações relativas ao objeto de estudo para organizar suas atividades e agir sobre elas. Geralmente os professores “jogam” somente os símbolos falados e escritos para os alunos, alegando a falta de tempo. Segundo Piaget esse tempo utilizado apenas para a verbalização do professor é um tempo perdido, e se gastá-lo permitindo que os alunos usem a abordagem tentativa e erro, esse tempo gasto a mais, será na verdade um ganho. O modelo tradicional de intervenção do professor consiste em explicar como resolver os problemas e dizer “está certo” ou “está errado”. Isso está contra a teoria da psicologia genética de Piaget, que coloca a importância da observação do professor sobre o aluno. Uma observação criteriosa, para ver o momento de desenvolvimento que a criança está vivendo, assim saber que atividade cognitiva aquele aluno estará apto a investigar. O professor será o incentivador, o encorajador para a iniciativa própria do estudante. Coloca-se também a importância da espontaneidade da criança. Muitas vezes o professor se mostra tão preocupado em ensinar que não têm paciência suficiente para esperar que as crianças aprendam. Dificilmente aguardam as respostas dos educandos, e perdem a oportunidade de acompanhar a estrutura de raciocínio espontânea de seus alunos. Com a concepção das respostas “certas” e sem o incentivo para pesquisa pessoal o estudante acaba por ter sua atividade dirigida e canalizada, podendo até dizer moldada pelo método de ensino tradicional. Por isso Piaget fixa tanto essa idéia da espontaneidade do aluno; porém, essa espontaneidade muitas vezes é distorcida em sua interpretação. Se um professor deixar a criança sem planejar sua atividade, achando que essa aprenderá sozinha, erroneamente estará aplicando o que Piaget diz. Ainda a respeito da relação professor-aluno, Piaget coloca que essa relação tem que ser baseada no diálogo mais fecundo, onde os “erros” dos estudantes passam a ser vistos como integrantes do processo de aprendizagem. Isso se dá porque à medida que o aluno “erra” o professor consegue ver o que já se está sabendo e o que ainda deve ser ensinado. Segundo Emilia Ferreiro e Ana Teberosky são esses “erros construtivos” que podem diferir das respostas corretas, mas não impedem que as crianças cheguem a ela. Piaget ainda reforça que o aprender não se reduz à memorização, mas sim ao raciocínio lógico, compreensão e reflexão. Diferentemente de Vygotsky, Piaget coloca que o aprendizado é individual. Será construído na cabeça do sujeito a partir das estruturas mentais que ele possui. Voltando a relação professor-aluno, Piaget a coloca baseada na cooperação de ambos. Assim, será através do debate e discussão entre iguais que o processo do desenvolvimento cognitivo se dará; e o professor assumindo o papel apenas de instigador e provocador, mantendo o clima de cooperação. As conseqüências serão à descentralização, à socialização, à construção de um conhecimento racional e dinâmico dos alunos. Dessa forma, a produção das crianças passa a fazer parte do processo de ensino e aprendizagem, buscando compreender o significado do processo e não só o produto.

EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE 2

A política de inclusão, na rede regular de ensino, dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, não consiste somente na permanência física desses alunos na escola; mas no propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim, que a escola crie espaços inclusivos. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas a escola consciente de sua função que se coloca a disposição do aluno. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, modificações organizacionais, estratégias de ensino, recursos e parcerias com a comunidade. A inclusão, na perspectiva de um ensino de qualidade para todos, exige da escola novos posicionamentos que implicam num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais, para que o ensino se modernize e para que os professores se aperfeiçoem, adequando as ações pedagógicas à diversidade dos aprendizes. Deste modo, pode-se dizer que a escola inclusiva é aquela que acomoda todos os seus alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou lingüísticas. Seu principal desafio é desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, e que seja capaz de educar e incluir além dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, aqueles que apresentam dificuldades temporárias ou permanentes na escola, os que estejam repetindo anos escolares, os que sejam forçados a trabalhar, os que vivem nas ruas, os que vivem em extrema pobreza, os que são vítimas de abusos e até mesmo os que apresentam altas habilidades como a superdotação, uma vez que a inclusão não se aplica apenas aos alunos que apresentam alguma deficiência. Para incluir a escola precisa, primeiramente, acreditar no princípio de que todas as crianças podem aprender e que todas devem ter acesso igualitário a um currículo básico, diversificado e uma educação de qualidade. As adaptações curriculares constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos e têm como objetivo subsidiar a ação dos professores. Constituem num conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, critérios, procedimentos de avaliações, atividades e metodologias para atender as diferenças individuais dos alunos. Assim sendo, é preciso desenvolver uma rede de apoio (constituída por alunos, pais, professores, diretores, psicólogos, terapeutas, pedagogos e supervisores) para discutir e resolver problemas, trocar idéias, métodos, técnicas e atividades, com a finalidade de ajudar não somente aos alunos, mas aos professores para que possam ser bem sucedidos em seus papéis. A realização das ações pedagógicas inclusivas requer uma percepção do sistema escolar como um todo unificado, em vez de estruturas paralelas, separadas como uma para alunos regulares e outra para alunos com deficiência ou necessidades especiais. Os educadores devem estar dispostos a romper com paradigmas e manterem-se em constantes mudanças educacionais progressivas criando escolas inclusivas e de qualidades. Essas estratégias para a ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo são necessárias para que a escola responda não somente aos alunos que nela buscam saberes, mas aos desafios que são atribuídos no cumprimento da função formativa e de inclusão, num processo democrático, reconhecendo e valorizando a diversidade, como um elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, incluir e garantir uma educação de qualidade para todos os alunos é uma questão de justiça e equidade social. A inclusão implica na reformulação de políticas educacionais e de implementação de projetos educacionais inclusivo, sendo o maior desafio estender a inclusão a um maior número de escolas, facilitando incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a diversidade está se tornando mais norma do que exceção. Por isso é preciso refletir sobre a formação dos educadores, uma vez que ela não é para preparar alguém para a diversidade, mas para a inclusão; porque a inclusão não traz respostas prontas, não é uma “multi” habilitação para atender a todas as dificuldades possíveis na sala de aula, mas uma formação na qual o educador olhará seu aluno de um outro modo, tendo assim acesso as peculiaridades dele, entendendo e buscando o apoio necessário. Por fim, cabe refletirmos sobre que é ser igual ou diferente? Pois, se olharmos em nossa volta, perceberemos que não existe ninguém igual, na natureza, no pensamento, nos comportamentos e/ou ações; e que as diferenças não são sinônimos de incapacidade ou doença, mas de equidade humana. EDUCAÇÃO COMO DIREITO Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO 3

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica. Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade; V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. § 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no “caput” deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. 4

cidadãos com competência e habilidade na capacidade de decidir.formação para o trabalho. O PROFESSOR COMO PROFISSÃO A arte de ensinar é uma tarefa difícil demais para que alguém se envolva nela por comodismo. na forma da lei. aluno enfatizado como cidadão. e a transmissão de emoções. sem articulação com os demais membros da sociedade. confessionais ou filantrópicas. § 5º O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação. recolhida pelas empresas. Na Escola Crítica havia articulação e interação entre o educador e o educando. Os padres da Companhia de Jesus instalaram a primeira escola em 1549. II . II . de duração plurianual. onde o professor era o educador que orientava o contorno da aprendizagem com participação real do aluno.erradicação do analfabetismo. VII. A formação identitária do professor abrange o profissional. a interação. Impediu-se a expressão dialética. tornando-o espectador e talvez um indivíduo sem estímulo para superar barreiras. corre-se o risco de exclusão do indivíduo no social.Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. Com o governo de Getúlio Vargas. Em 1964 tem início a Escola Tecnicista. 214. fechando-o em seu mundo. falta de opções ou porque é preciso auferir ganhos (extras). 208.As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. na forma da lei Art. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. deu-se início à escola nova. impedindo a atuação dialógica. a instrução programada e o ensino individualizado. nos termos do plano nacional de educação. Na escola tecnicista o social era ditado pelos militares que detinham o poder. IV . que: I . aluno que construía e ressignificava a história.comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação. e o modelo americano é instituído em nosso país. serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários. pois a educação tem por intenção a humanização do homem. Com a escola tecnológica. V . podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. § 2º . visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do Poder Público que conduzam à: I . Já no século XXI. o aluno era impedido de criar e pensar. constituiu fundamentalmente a sua atuação profissional na prática social. O professor do século XXI deve ser um profissional da educação que elabora com criatividade conhecimentos teóricos e críticos sobre a realidade. no caso de encerramento de suas atividades. A lei estabelecerá o plano nacional de educação.§ 3º . Devemos ter em mente que os professores exercem um papel insubstituível no processo da transformação social. para os que demonstrarem insuficiência de recursos.melhoria da qualidade do ensino. sendo empregados todos os contornos que possibilitavam a apreensão crítica e reflexiva dos conhecimentos com enfoque na construção e reconstrução do saber. A escola tradicional permaneceu por aproximadamente trezentos e oitenta e três anos. onde o professor não se comportava como o transmissor de conhecimentos e sim um facilitador de aprendizagem. Com o uso inadequado da tecnologia há a individualização do ser humano. mas. sem afinidade com o social e alienado em suas relações com o global.promoção humanística. § 4º . definidas em lei. Devemos aliar forças para que isso não aconteça. § 1º .universalização do atendimento escolar. e foram anunciados padrões e métodos educacionais com ferramentas que impressionavam e davam subsídios diferentes nas formas de ensinar. ou ao Poder Público. O ensino nesta época era tradicional. Nessa era da 5 . 213. Com o tecnicismo empregado em todos os campos. pois a docência vai mais além do que somente dar aulas. III . A formação dos educadores não se baseia apenas na racionalidade técnica e/ou como apenas executores de decisões alheias.Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio. sem explicação dialética do dia-a-dia. Art. Em 1983 deu-se o aparecimento da Escola Crítica. buscando todas as oportunidades em busca da criatividade. Essa escola era uma escola democrática e divulgada para todos (o cidadão democrático).A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório. onde o aluno era um ser ativo e participante e estava no centro do processo de ensino/aprendizagem.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. produzindo novos conhecimentos para a teoria e prática de ensinar. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando. observamos que na construção do saber a tecnologia passa a dominar os espaços locais e temporais. científica e tecnológica do País. O advento da escola nova foi em 1932. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. Nesta época foram instalados os recursos audiovisuais como suporte pedagógico. filantrópica ou confessional.

usando para isso a compreensão e a proposição do real. O COMPROMISSO SOCIAL E ÉTICO DOS PROFESSORES 6 . culturais e organizacionais que fazem parte e interferem na sua atividade docente. Isto acontece devido aos planejamentos serem feitos prevendo uma criança imaginada e não a criança concreta. Proporcionar escola gratuita pelos primeiros oito anos de escolarização. pela maioria da população para participar da condução de decisões políticas e sociais. pelas opiniões tendenciosas da mídia. sem deixar se seduzir pelos caminhos deslumbrantes dos anúncios publicitários. o ensino é sem dúvida promotora de ações indispensáveis para ocorrer a instrução. com competência do conhecimento. 4. São tarefas principais das escolas públicas: 1. AS TAREFAS DA ESCOLA PÚBLICA DEMOCRÁTICA Todos sabem da importância do ensino de primeiro grau para formação do indivíduo. metodológica e didática de procedimentos adequados ao trabalho com as crianças pobres. Assegurar a transmissão e assimilação dos conhecimentos e habilidades. Algumas perguntas envolvendo a escolarização.tecnologia. que aponta para um quadro onde a escola não consegue reter o aluno no sistema escolar. DIDÁTICA E DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO A democratização do ensino e a importância de oferecer este de qualidade e a toda sociedade é sempre uma reflexão importante. com profissionalismo ético e consciência política. da formação de suas capacidades. habilidades e atitudes. deixando como resultado um enorme número de analfabetos na faixa de 5 a 14 anos. São exemplos de alguns fatores que promovem o fracasso escolar: dificuldades emocionais. Cabe então aos professores do século XXI a tarefa de apontar caminhos institucionais (coletivamente) para enfrentamento das novas demandas do mundo contemporâneo. de igualdade nas oportunidades em educação. Ética como compromisso profissional e social devem ser respondidas e solucionadas para a garantia de uma sociedade melhor. estaremos aptos a oferecer oportunidades educacionais aos nossos alunos para construir e reconstruir saberes à luz do pensamento reflexivo e crítico entre as transformações sociais e a formação humana. 3. dando a ele esta capacidade de poder estudar e aprender o resto da vida. O fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aluno já conhece. Libâneo (1994) "A escolarização básica constitui instrumento indispensável à construção da sociedade democrática". afirma Libâneo. imaturidade. complementa dizendo que o professor deve descobri-lo e basear-se nisto em seus ensinamentos. qualidade do ensino do povo. A transformação da escola depende da transformação da sociedade. políticas e culturais. aquela que esta inserida em um contexto único. compreendendo os contextos históricos. 2. Assegurar o desenvolvimento do pensamento crítico e independente. como principal. entre outros. Aponta muitos motivos para isto. além do seu preparo para as exigências sociais que este indivíduo necessita. falta de acompanhamento dos pais. Só assim. fracasso escolar. os professores devem ser encarados e considerados como parceiros/autores na transformação da qualidade social da escola. O FRACASSO ESCOLAR PRECISA SER DERROTADO O fracasso escolar é um grave problema do nosso sistema escolar. a falta de preparo da organização escolar. Democracia poderia ser entendida como um conjunto de conquistas de condições sociais. A participação ativa na vida social é o objetivo da escola pública. e ressalta também os índices de escolarização no Brasil. mostrando a evasão escolar e a repetência como graves problemas advindos da falta de uma política pública. e continua dizendo que a escola é o meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas. A ESCOLARIZAÇÃO E AS LUTAS DEMOCRÁTICAS A escolarização é o processo principal para oferecer a um povo sua real possibilidade de ser livre e buscar nesta mesma medida participar das lutas democráticas. sociais. mas considera. Somente o ingresso na escola pode oferecer um ponto de partida no processo de ensino aprendizagem. Oferecer um processo democrático de gestão escolar com a participação de todos os elementos envolvidos com a vida escolar.

Assim sendo. a didática coloca-se para assegurar o fazer pedagógico na escola. e a metodologia como conjunto dos procedimentos de investigação quanto a fundamentos e validade das diferentes ciências. 4. Podemos daí determinar os elementos constitutivos da Didática: 1. 7. Libâneo afirma que. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DIDÁTICA E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS A didática e sua história estão ligadas ao aparecimento do ensino. afetando assim a ação didática diretamente. OBJETIVO DE ESTUDO: O PROCESSO DE ENSINO Sem dúvida. Podemos definir o processo de ensino como uma seqüência de atividades do professor e dos alunos tendo em vista a assimilação de conhecimentos e habilidades. isto é de acordo com suas características de idade e capacidade. Ação de ensinar. Os objetivos sócio-pedagógicos. estabelecendo na obra alguns princípios com: 1. Entretanto. o objetivo do estudo da didática é o processo de ensino. Aplicação de técnicas e recursos. As formas organizadas do ensino. 6. 7 . 3. 4. por isto as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. 2. 3. A DIDÁTICA COMO ATIVIDADE PEDAGÓGICA ESCOLAR Sabedores que a pedagogia investiga a natureza das finalidades da educação como processo social. ao escrever a primeira obra sobre a didática "A didática Magna". por mais simples que pareça. O ensino deve seguir o curso da natureza infantil. os temas fundamentais da didática são: 1. o currículo como expressão dos conteúdos de instrução. como toda a profissão. 3. com João Amos Comenio. O homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural. Destaca a importância da natureza do trabalho docente como a mediação da relação cognoscitiva entre o aluno e as matérias de ensino. É fundamental nesta estruturação escolar. social e técnica. 2. que se realiza em torno das matérias de ensino sob a direção do professor. Ação de aprender. Desde a Antigüidade clássica ou no período medieval já temos registro de formas de ação pedagógicas em escolas e mosteiros. no trabalho e na vida cultural e política. 5. A finalidade da educação é conduzir a felicidade eterna com Deus. a instrução como processo e o resultado da assimilação sólida de conhecimentos. na sua dimensão político. a didática aparece em obra em meados do século XVII. compreender o objetivo de estudar e relacionar os principais temas da didática que são indispensáveis para o exercício profissional. Sintetizando. DIDÁTICA: TEORIA DA INSTRUÇÃO E DO ENSINO É preciso conhecer os vínculos da didática com os fundamentos educacionais. Os métodos de ensino aprendizagem. afirmando daí o caráter essencialmente pedagógico desta disciplina. Os princípios didáticos. sendo influenciado por condições internas e externas. A assimilação dos conhecimentos não se da de forma imediata. o magistério é um ato político porque se realiza no contexto das relações sociais. Libâneo ainda coloca que ensinar e aprender são duas facetas do mesmo processo. Define assim a didática como mediação escolar entre objetivos e conteúdos do ensino. Os conteúdos escolares. sendo as técnicas recursos ou meios de ensino seus complementos. A situação didática em sala de aula esta sujeita também a determinantes econômico-sociais e sócioculturais. OS COMPONENTES DO PROCESSO DIDÁTICO O ensino. envolve uma atividade complexa. Conhecer estas condições é fator fundamental para o trabalho docente. 2.O primeiro compromisso da atividade profissional de ser professor (o trabalho docente) é certamente de preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família. Controle e avaliação da aprendizagem. Conteúdos da matérias. o processo didático está centrado na relação entre ensino e aprendizagem. O trabalho docente visa também à mediação entre a sociedade e os alunos.

b. para a avaliação. Já a direção do ensino e aprendizagem requer outros procedimentos do professor: a. antes. o autor levanta os principais pontos do planejamento escolar: a. Orientar as tarefas do ensino para a formação da personalidade. f. que tornou a verdadeira inspiração para pedagogia conservadora. e. d. que trabalhava com a educação de crianças pobres. i. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL E A DIDÁTICA Nos últimos anos. Domínio de métodos de ensino. Conhecimento das funções didáticas Compatibilizar princípios gerais com conteúdos e métodos da disciplina Domínio dos métodos e de recursos auxiliares Habilidade de expressar idéias com clareza Tornar os conteúdos reais Saber formular perguntas e problemas Conhecimento das habilidades reais dos alunos Oferecer métodos que valorizem o trabalho intelectual independente Ter uma linha de conduta de relacionamento com os alunos Estimular o interesse pelo estudo Por parte do professor. os procedimentos são: a. com as denominadas "teorias críticas da educação A DIDÁTICA E AS TAREFAS DO PROFESSOR O modo de fazer docente determina a linha e a qualidade do ensino. c. j. Assegurar ao aluno domínio duradouro e seguro dos conhecimentos. Conhecer as características sócio-culturais e individuais dos alunos.Já mais adiante. pois a aprendizagem é um processo. d. Capacidade de dividir a matéria em módulos ou unidades. Depois. ajuda o aluno a aprender. este autor não colocou suas idéias em prática. Manter-se bem informado sobre livros e artigos ligados a sua disciplina e fatos relevantes. É importante lembrar que as tendências progressivas só tomaram força nos anos 80. Estes autores e outros tantos formam as bases para o que chamamos modernamente de Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. no Brasil. Estas duas correntes têm grandes diferenças entre si. Domínio do conteúdo e sua relação com a vida prática. Estes três teóricos influenciaram muito Johann Friedrich Herbart (1776-1841). Compressão da relação entre educação escolar e objetivo sócio-políticos. A tradicional vê a didática como uma disciplina normativa. Criar condições para o desenvolvimento de capacidades e habilidades visando à autonomia na aprendizagem e independência de pensamento dos alunos. c. b. g. Henrique Pestalozzi (1746-1827). Conhecimento dos programas oficias. classificando as tendências pedagógicas em duas grandes correntes: as de cunho liberal e as de cunho progressivista. Os principais objetivos da atuação docente são: a. determinando que o fim da educação é a moralidade atingida através da instrução de ensino. Dominar os meios de avaliação diagnóstica 8 . cabendo mais adiante a outro pesquisador fazê-lo. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) propôs uma nova concepção de ensino. Porém. h. b. c. Estes três itens se integram entre si. Já a didática de cunho progressivista é entendida como direção da aprendizagem. Verificação continua dos objetivos alcançados e do rendimento nas atividades b. com regras e procedimentos padrões. o aluno é o sujeito deste processo e o professor deve oferecer condições propícias para estimular o interesse dos alunos por esta razão os adeptos desta tendência dizem que o professor não ensina. e. vêm sendo realizados muitos estudos sobre a história da didática no nosso país e suas lutas. g. f. baseado nas necessidades e interesses imediatos da criança. centrando a atividade de ensinar no professor e usando a palavra (transmissão oral) como principal recurso pedagógico.

É através dela que vão sendo comparados os resultados obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos. Pedagogico-Didáctica – refere-se ao papel da avaliação no cumprimento dos objetivos gerais e específicos da educação escolar.c. Por isto. aprofundando os seus conhecimentos no domínio da natureza e da sociedade. tendo em vista mudanças esperadas no comportamento dos alunos. A avaliação tem a função diagnostica psico-pedagógica e didática. aprender e fazer. no ato profissional. determina o grau de assimilação dos conceitos. Conhecer os tipos de provas e de avaliação qualitativa Estes requisitos são necessários para o professor poder exercer sua função docente frente aos alunos e institutos em que trabalha. através da verificação e qualificação dos resultados obtidos. Diagnóstica . também ajuda os alunos a desenvolverem a auto confiança na aprendizagem do aluno. continuo e sistemático que acompanha o desenrolar do ato educativo". deve exercitar o pensamento para descobrir constantemente as relações sociais reais que envolvem sua disciplina e a sua inserção nesta sociedade globalizada. mas sim deve ser utilizada como um instrumento de coleta de dados sobre o aproveitamento dos alunos. representando algo que seja para a criança se comunicar a partir do vocabulário formal a partir de uma linguagem "normalizada" determinada pela sua evolução mental. a fim de verificar progressos. ao mesmo tempo favorece uma atitude mais responsável do aluno em relação ao estudo. criar hábitos de trabalho independente e consciencializar o grau consecutivo dos objectivos atingidos após um período de trabalho. seja do livro didático ou mesmo de ações pré-estabelecidas. A avaliação insere-se não só nas funções didáticas. o professor. Permite um reajustamento com vista à processução dos objectivos pedagógicos pretendidos. a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas de planificação do trabalho e da escola como um todo" PILETTII (1986). investigar. A avaliação é um elemento muito importante no Processo de Ensino e Aprendizagem. IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO A importância da avaliação reside na sua função social e pedagógica. contribui para a avaliação para correcção de erros de conhecimentos e habilidades e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. habilidades e atitudes dos alunos. desconfiando do normal e olhando sempre por traz das aparências. A avaliação reflete sobre o nível do trabalho do professor como do aluno. a determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e. daí. para ele. experimentar. ela deve acompanhar todos os passos do processo de ensino e aprendizagem. Esta. NÉRICI (1985) "relaciona avaliação com a verificação de aprendizagem pois. a avaliação é o processo de atribuir valores ou notas aos resultados obtidos na verificação da aprendizagem".identifica as dificuldades do aluno e os conhecimentos prévios. com capacidades para descobrir. Ajuda ao professor a constatar as falhas no seu trabalho e a decidir a passagem ou não para uma nova unidade temática. 9 . dificuldades e orientar o trabalho para as correcções necessárias." Para GOLIAS (1995) a avaliação é "entendida como um processo dinâmico. por isso a sua realização não deve apenas culminar com atribuição de notas aos alunos. Segundo o professor Cipriano Carlos Luckesi "a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões sobre o seu trabalho. conforme os objetivos propostos. Também ajuda o aluno a realizar um esforço de sinetes das diferentes partes do programa do ensino. determina o grau da assimilação dos conceitos e das técnicas/normas. porém. porque é através dela que se consegue fazer uma análise dos conteúdos tratados nas unidades temáticas. propostas nos objetivos. assumindo-o como um dever social. ajudam o professor a melhorar a sua metodologia de trabalho. orientar a tomada de decisões em relação às atividades didáticas seguintes"."Avaliação é um processo contínuo de pesquisas que visa a interpretar os conhecimentos. AVALIAÇÃO A avaliação educacional é uma tarefa didática necessária e permanente no trabalho do professor. Já LIBÂNEO (1991) define "avaliação como uma componente do processo de ensino que visa. mas também na própria dinâmica e estrutura do Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA). A motivação do docente no ensino e a sua adequada formação deve dar o direito de comunicar ou se expressar.

Verificar os ritmos de progresso do aluno: É a colecta de dados sobre o aproveitamento dos alunos através de provas. temos como técnicas a observação de trabalhos. pois a observação visa a investigar. • Para avaliação Sumativa. Realizar a aferição dos resultados. os exercícios práticos. • Constata particularidades b) Avaliação formativa: Esta avaliação ocorre ao longo do ano lectivo. Este registo deve ser acompanhado de modo a superar as dificuldades. Estabelecer os critérios e as condições para a avaliação. Seleccionar as técnicas e instrumentos de avaliação. TAREFAS DA AVALIAÇÃO São tarefas da avaliação as seguintes: 1. adequar o ensino de forma que a aprendizagem se torne mais fácil e eficaz. 4. • Constata deficiências em termos de pré-requisitos. Para o caso concreto da disciplina de biologia deve-se utilizar as provas objectivas. • Para avaliação formativa.controla o Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA). Conhecer o aluno: Pode-se orientar e guiar o aluno no processo educativo avaliando-o. É através desta avaliação que se faz o acompanhamento progressivo do aluno. que se apresentam com maior clareza. fazendo com que o professor se adapte aos diferentes comportamentos dos alunos. como observação do desempenho e entrevista. na medida do possível. do semestre/ trimestre. • Informa sobre os objetivos se estão ou não a ser atingidos pelos alunos. a ficha de observação ou qualquer instrumento elaborado pelo professor para melhor controle. O professor pode organizar um caderno para anotar a progressão dos alunos em cada período. objectividade e precisão – são directas. ao mesmo tempo fornece informações sobre o seu desempenho. 3.alunos no decorrer das aulas. ajuda o aluno a desenvolver as capacidades cognitivas. Com base nesses resultados deve. Também pode apontar as dificuldades no mesmo caderno. exigindo mais dos professores. aptidões. identificar os fatores do ensino. Detectar as dificuldades de Aprendizagem: Ao avaliar. o Carlos tem "problemas na representação do afastamento ou cota de um ponto". melhorar e completar o trabalho. atitude. Por exemplo. escreve correctamente e conhece bem a Gramática. para estimular o sucesso de todos. provas. 2. encontramos os dois instrumentos mais utilizados que são as provas objetivas e subjetivas. etc. Permite que haja um controle contínuo e sistemático no processo de interacção professor . do ano letivo. 10 . exercícios ou de meios auxiliares. interesses e dificuldades. • Identifica obstáculos que estão a comprometer a aprendizagem. da unidade ou de um novo tema e pretende verificar o seguinte: • Identificar alunos com padrão aceitável de conhecimentos. Orientar a aprendizagem: Os resultados obtidos pela avaliação devem ser utilizados para corrigir. como técnica pode se utilizar o pré-teste. ETAPAS DA AVALIAÇÃO Durante o PEA podemos encontrar as seguintes etapas: • • • • Determinar o que vai ser avaliado. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO Existem várias técnicas e instrumentos de avaliação: • Para a avaliação diagnostica. o professor pode detectar algumas dificuldades dos alunos. para melhor conhecer a sua personalidade.Função de Controle . TIPOS DE AVALIAÇÃO a) Avaliação diagnostica: Este tipo de avaliação realiza-se no início do curso. para verificar se houve um progresso do aluno desde o ponto de partida da aprendizagem até ao momento.

inerente e indissociável enquanto concebida como problematização. Deve ser eficaz na produção e mudanças no comportamento. Ela se faz necessária para que possamos reflectir.• Localiza deficiência/dificuldades. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A avaliação deve obedecer os seguintes critérios: • • • • • • • • Tem que ser benéfico. Deve ser justo e uniforme. Acreditar em um processo avaliativo mais eficaz é o mesmo que cumprir sua função didático-pedagógica de auxiliar e melhorar o ensino/aprendizagem. Tem a função classificadora. As condições da sala de aula. A forma como se avalia. sendo que seus fantasmas ainda se apresentam como forma de controle e de autoritarismo por diversas gerações. reflexão. MODELO TRADICIONAL E ADEQUADO DA AVALIAÇÃO Gadotti (1990) diz que a avaliação é essencial à educação. Deve ser praticável e não deve ser incómodo e inútil. As conclusões finais devem ter certa validade e longo prazo. È uma classificação final . segundo Luckesi (2002). OS CRITÉRIOS DA ESCOLHA DAS TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DEPENDEM: • • • • • • • • Dos objectivos de avaliação. questionamento. é crucial para a concretização do projecto educacional. COMPARAÇÃO DOS DOIS MODELOS DE AVALIAÇÃO Visão tradicional • • • • • • Acção individual e competitiva Concepção classificatória Apresenta um fim em si mesma Postura disciplinadora e directiva do professor Privilégio à memorização Pressupõe a dependência do aluno Modelo adequado • Ação coletiva e consensual • Concepção investigativa e reflexiva 11 . Número de alunos na turma. A idade dos alunos. do ano letivo. É ela que sinaliza aos alunos o que o professor e a escola valorizam. Deve ser global. Dos conteúdos/complexidade da matéria. O tipo do aluno. O processo de avaliação deve ser aberto. Tempo disponível/duração. do curso. Deve estar ao alcance dos alunos. O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada histórica. sobre a acção. c) Avaliação somativa: Esta avaliação classifica os alunos no fim de um semestre/trimestre. Dos meios. Entende-se que a avaliação não pode morrer. questionar e transformar nossas acções. segundo níveis de aproveitamento.

para orientar suas decisões quanto à realidade dos cursos e das instituições. A novidade é que ele passará a incluir os dados por aluno. o desempenho dos alunos. Dessa forma. Realizados desde a década de 90 por amostragem de alunos das redes estadual. O Saeb é o instrumento nacional de avaliação do ensino básico no País e coleta. professores. AVALIAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR Novos mecanismos da aplicação do Censo Escolar e do Sistema de avaliação do Ensino Básico no Brasil (SAEB) serão implementados no início de 2005. Enade. não é apenas um espaço social emancipatório ou libertador. avaliação externa. Ele possui uma série de instrumentos complementares: auto-avaliação. que é o de apoiar as Secretarias de educação na melhoria da qualidade do ensino. Os resultados das avaliações possibilitam traçar um panorama da qualidade dos cursos e instituições de educação superior no País. O objetivo é informatizar tudo e disponibilizar as informações na Internet em tempo real". região e país. a extensão. nome da mãe. As informações obtidas com o Sinaes são utilizadas pelas IES. de 14 de abril de 2004. diretores e escolas.861. mas também é um cenário de socialização da mudança. cada estudante terá um cadastro pessoal que permitirá o acompanhamento de sua trajetória escolar. organizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educaionais Anísio Teixeira (Inep) a partir de 1997. para orientação da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social. garante. o explicito e o formal. afirma Dirce Gomes. obtido através do censo. Atualmente. realizado em 1931 no governo Getúlio Vargas. Ele é proposto pelo trabalho pedagógico nas escolas. o currículo é uma construção social. diretora de estatística da educação básica do Inep. à determinada sociedade e às relações com o 12 . que permite comparar. com número de alunos. O Sinaes avalia todos os aspectos que giram em torno desses três eixos: o ensino. SINAES Criado pela Lei n° 10.• • • • Atua como mecanismo de diagnóstico da situação Postura cooperativa entre professor e aluno Privilégio à compreensão Incentiva a conquista da autonomia do aluno. A prática do currículo é geralmente acentuada na vida dos alunos estando associada às mensagens de natureza afetiva e às atitudes e valores. segundo Carlos Henrique Araújo. o corpo docente. a responsabilidade social. com nome. dos cursos e do desempenho dos estudantes. o resultado demorou sete anos para ser contabilizado. a gestão da instituição. as escolas públicas já têm disponível no site do Inep um resumo de dados por escola. a estrutura física de escolas na mesma cidade. em que os estudantes respondem a questões de língua portuguesa e matemática. as instalações e vários outros aspectos. O Currículo educativo representa a composição dos conhecimentos e valores que caracterizam um processo social. Sendo um ambiente social. em 2005 toda escola e todo aluno da rede pública fará o exame. desde 1990. O resultado das provas. tem um duplo currículo. data de nascimento. A operacionalização é de responsabilidade do Inep. Avaliação dos cursos de graduação e instrumentos de informação (censo e cadastro). por exemplo). a pesquisa. o Censo Escolar é o instrumento do governo federal que traz um raios-X quantitativo das escolas. na acepção de estar inteiramente vinculado a um momento histórico. tanto o Censo como o Saeb passarão a ter o foco no aluno. "Assim eliminaremos duplicidade de matrículas e alunos fantasmas". era mostrado sempre por Estado. informações sobre alunos da 4ª e 8ª série do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio. instituições acadêmicas e público em geral. turmas e profissionais. diretor de avaliação da educação básica do Inep. ou seja. CURRÍCULO A escola. o Ministério da Educação pretende aperfeiçoar o objetivo desses diagnósticos. Desde 2003. raça e etnia. o oculto e informal. que deixará de ser amostral Diferente da análise qualitativa do Saeb. mas. "Na época do primeiro Censo. o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) é formado por três componentes principais: a avaliação das instituições. pelos órgãos governamentais para orientar políticas públicas e pelos estudantes. bem como da estrutura física (número de laboratórios e bibliotecas. por exemplo. Um dos focos mais importantes é o exame de múltipla escolha. pais de alunos. Os processos avaliativos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes). municipal e particular.

prever o futuro. epistemologia (define a natureza dos conhecimentos e o processo de conhecer). correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional. quanto as do indivíduo. também refletiremos em um currículo que atenderá. A visão do currículo está associada ao conjunto de atividades intencionalmente desenvolvidas para o processo formativo. a partir dos resultados das avaliações (PADILHA. através dos diversos componentes curriculares (VASCONCELLOS. "o planejamento do Sistema de Educação é o de maior abrangência (entre os níveis do planejamento na educação escolar). incorporando as políticas educacionais. O Currículo. Planejar e avaliar andam de mãos dadas. pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante. gerador de inovação. reflete uma concepção de mundo. 13 . Para elaboração de um currículo escolar devemos levar em consideração as vertentes caracterizadas pela: ontologia (trata da natureza do ser). que é o conjunto de ações pedagógicas e a matriz curricular. Para Silva. Portanto. As ciências nos mostram que não há desenvolvimento sustentado sem o capital social. e currículo é a opção realizada dentro dessa cultura. Ao pensarmos no homem como um ser histórico. tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras. o currículo oculto é “o conjunto de atitudes. mas que são implicitamente ensinados através das relações sociais. à participação cívica. de sociedade e de educação. dos rituais. estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa. aparece o movimento de exigência dos grupos culturais dominados que lutam para ter suas raízes culturais reconhecidas e representadas na cultura nacional. mas considerando as condições do presente. é social e culturalmente definido. Nesse sentido. em sentido amplo. 2001). para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades da sociedade. E que a escolarização é a condição fundamental de acesso à cultura. das elites. valores e comportamentos que não fazem parte explícita do currículo. Planejar também é uma atividade que está dentro da educação. há a mesma humanidade. estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação. 1995). estadual e municipal". cultural. O currículo é um instrumento político que se vincula à ideologia. é um processo que "visa a dar respostas a um problema. Para Vasconcellos (1995). ao reconhecimento do belo. à cultura e ao poder. à estrutura social.conhecimento. as experiências do passado. da burguesia. Porém. em prazos determinados e etapas definidas. organizações grupais e outras atividades humanas. entre recursos e objetivos. de tomada de decisão sobre a ação. e ao respeito pelo outro. visando à concretização de objetivos. mas os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam que os modelos dominantes na escola brasileira. visando ao melhor funcionamento de empresas. instituições. por uma perspectiva interdisciplinar e transdisciplinar. pois por trás das nossas diferenças. Planejar. os aspectos contextuais e os pressupostos filosófico. Planejamento Educacional é processo contínuo que se preocupa com o 'para onde ir' e 'quais as maneiras adequadas para chegar lá'. não é imparcial. de modo a atingir objetivos antes previstos. sendo o centro da ação educativa. Planejamento Curricular é o "processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. 2. marcados por uma forte fragmentação. axiologia (preocupa-se com a natureza do bom e mau. As teorias críticas nos informam que a escola tem sido um lugar de subordinação e reprodução da cultura da classe dominante. em épocas diferentes a interesses. É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno". essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola. PLANEJAMENTO É: 1. sua essência e sua defesa. Hoje existem várias formas de ensinar e aprender e umas delas é o currículo oculto. Existe uma diferença conceitual entre currículo. das práticas e da configuração espacial e temporal da escola”. de responsabilidade e de participação cívica. com a pluralidade cultural. 4. A cultura é o conteúdo da educação. que é a lista de disciplinas e conteúdos do currículo. ao sentido crítico. econômico e político de quem planeja e com quem se planeja. multidisciplinar e pluridisciplinar. O processo de busca de equilíbrio entre meios e fins. visto que esta tem como características básicas: evitar a improvisação. Há várias formas de composição curricular. a educação e currículo são vistos intimamente envolvidos com o processo cultural. em certo espaço e tempo histórico. implica relações de poder. na medida do possível. prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. setores de trabalho. processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis. devem ser substituídos. 3. pensando e prevendo necessariamente o futuro". incluindo o estético). O ato de planejar é sempre processo de reflexão. como construção de identidades locais e nacionais.

o sentido. O currículo deve ser entendido como componente central do procedimento da educação institucionalizada. Tem sua expressão nos programas e. A transdisciplinaridade considera o que está ao mesmo tempo entre as disciplinas. Ao buscarmos um novo olhar interdisciplinar chegaremos ao olhar transdisciplinar com mais entrosamento e fortalecimento. 6. compartilha. educadores de todo o país estão reunidos para discutir o entendimento do currículo no ensino infantil e fundamental. 2001). Uma sugestão curricular de alcance para a sociedade contemporânea deverá agregar as tendências atuais da ciência e da tecnologia nas atividades produtivas e nas interações sociais. a preocupação é responder as perguntas "o quê". articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social" (LIBÂNEO. A transdisciplinaridade busca a compreensão do conhecimento. mais especificamente. no cotidiano de seu trabalho pedagógico. a transversalidade. como a etimologia da palavra recomenda. em constantes interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos (PADILHA. consentindo que cada aluno perceba o conhecimento coletivo e construa o seu de maneira individual. organização dos tempos e espaços escolares. onde a ênfase é o presente. "como" e "com quê". em médio prazo e/ou longo prazo. CURRÍCULO E INTERDISCIPLINARIDADE A palavra Currículo é de origem latina e significa o caminho da vida. o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. através das diferentes disciplinas e além de toda disciplina e sua finalidade é compreender o mundo atual. da cooperação e participação. numa forma interdisciplinar sem perder de vista os objetivos fundamentais elencados para a sua disciplina. Abarca cada aspecto isoladamente e enfatiza a técnica. procura parceria. "Tem o plano e o programa como expressão maior" (GANDIN. tratando prioritariamente dos meios. que é a noção da realidade. o diálogo. O conceito de interdisciplinaridade foi organizado propondo-se restabelecer um diálogo entre as diversas áreas dos conhecimentos científicos. Currículo indica processo. O papel da educação como elemento de desenvolvimento social é reorientado. busca a inclusão. buscar conceber visões globalizantes e de eficácia. Planejamento Político-Social tem como preocupação fundamental responder as questões "para quê". Citando Paulo Freire. Os estudos serão estruturados em seis eixos temáticos: currículo e desenvolvimento humano. Planejamento de Ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores. coopera. Mediante as demandas contemporâneas. articular teoria e prática. A transdisciplinaridade é a investigação da acepção da vida através de relações entre os diversos saberes das ciências exatas. "para quem" e também com "o quê".5. de decisões sobre a organização. os instrumentos. humanas e artes. a rota de uma pessoa ou grupo de pessoas. percurso. quando existe correlação entre as capacidades exigidas para o exercício da cidadania e para as ações produtivas. adiciona. ou melhor. 1992). Como vemos. o trabalho em grupo. serve para situações de crise e em que a proposta é de transformação. Na opinião de Sant'Anna et al (1995). No Planejamento Operacional. Currículo é o ambiente do conhecimento. pois a idéia é modernizar o debate sobre a importância do currículo. 7. movimento. momento de execução para solucionar problemas. o espaço de contestação das relações sociais e humanas e também o lugar da gestão. 8. A preocupação central é definir fins. conhecimento e cultura. organização e coordenação da ação docente. centralizando-se na eficiência e na busca da manutenção do funcionamento. esse nível de planejamento trata do "processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno. principalmente após a ampliação do ensino fundamental para nove anos. envolvendo as ações e situações. Devemos lembrar que a exclusão proveniente da sociedade do consumo e do capitalismo poderá sofrer diminuição através da idéia de currículos que privilegiem áreas que estão em crescimento no momento atual. da vida e do mundo. constatamos que a fala desse educador nos elucida ao colocar que devemos aproximar a atitude interdisciplinar da atitude transdisciplinar: porque encontraremos nas duas o coletivo instituinte. sendo sobretudo tarefa de administradores. A interdisciplinaridade pode ser compreendida como sendo a troca de reciprocidade entre as disciplinas ou ciências. Planejamento Escolar é o planejamento global da escola. O que é um currículo interdisciplinar? É o modo de viabilizar as interações e inter-relações entre as diferentes disciplinas existentes. educandos e o currículo. assim como. 1994). envolvendo o processo de reflexão. áreas do conhecimento. na situação de ensino-aprendizagem". "É um processo de racionalização. estimulando a vinculação e indicando uma visão contextualizada do conhecimento. nos projetos. currículo interdisciplinar não é apenas combinar algumas disciplinas em projetos. agrega. currículo. diversidade e inclusão 14 . mas para que a interdisciplinaridade aconteça é necessário a colaboração e a parceria entre as disciplinas do currículo para se chegar a um finalidade única. Nessa expectativa compete ao professor.

Antes. processualmente e sucessivamente. de modos muito diferenciados. quando a composição das classes for marcadamente discrepante daquela uniformidade. inclusiva e pluralista do currículo. reforça-os no sentido da afirmação de uma concepção coerente. Dicotomias que indiciam. multicultural seja qual for o sentido que queiramos atribuir à raiz (cultura) do termo. quaisquer que sejam. ainda. é. significa ignorar muitos daqueles saberes e atitudes bem como o princípio da igualdade de oportunidades educativas. por um lado. e orienta para concepções dicotômicas do currículo. cada vez mais. por inerência. As raízes da persistência desta dicotomia encontram-se no peso das práticas monoculturais anteriores. Contempla os conhecimentos. o contributo de peças associadas à multiculturalidade. menos em Desenvolvimento Curricular e em algumas metodologias de ensino e é frágil na Intervenção/Prática Educativa. o conhecimento deve ser construído e reconstruído. estão unidas e ligadas pelo sentido da totalidade. por inerência. una e pluralista do currículo e tornando mais óbvia a necessidade de incluir a vertente multicultural na preparação e no desempenho profissional de professores. freqüentemente. nos discursos e nas práticas escolares. descontínua e pouco integrada. numa sociedade e num certo momento. uma dimensão essencial da coerência do currículo. A formação inicial constitui a etapa estruturante de concepções coerentes e pluralistas do currículo. mais ou menos lateral ou oculta. por um lado. e sempre foi. ano ou disciplina e. professor de currículos que são multiculturais. como souberem e puderem. Tem tido um peso significativo nas unidades curriculares da área das Ciências Sociais. as ignora. Não será a crescente diversificação cultural da sociedade e das escolas que altera estes princípios. a sua versão multicultural. A multiculturalidade é. Ignorar a diversidade. Hoje. qualquer professor é. e currículo e avaliação. Enquanto totalidade integrada. No entanto prevalecem.Diante da constatação de necessidades contemporâneas. a concepção e realização das melhores formas de adequar o currículo à diversidade dos seus destinatários. qualquer currículo. parte dessa formação mas indicia que a sua abordagem é ainda bastante avulsa. Ou. é entendido como uma adaptação das competências exigidas pelo trabalho com classes padrão ou por competências adicionais a usar e desenvolver face aos contextos multiculturais. os novos diplomados colocam a incidência da sua formação no elenco de competências para o trabalho com classes situadas num padrão cultural de referência. que faz sentido como um todo e cujas peças. as atitudes e as competências que. a prevalência de uma concepção de currículo dirigido a grupos definidos por uma suposta uniformidade cultural e social para os quais todos os professores devem ser formados e. em particular na Sociologia da Educação. o currículo tem. reforçaram o peso da diversidade e colocaram-na no centro do debate e das práticas educativas. Um currículo. os eixos temáticos referentes aos estudos em andamento incorporam a preocupação dos educadores com a necessidade de um currículo que contemple a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. enquanto variável constante na construção e realização do currículo. A razão de ser e grande finalidade da teoria e da prática de organização e desenvolvimento curricular. e o conhecimento deve ser abordado em uma perspectiva de totalidade. É condição para uma concepção una. por outro. freqüentemente. no discurso pedagógico e social em relação à multiculturalidade que. Embora reconhecendo teoricamente a importância da multiculturalidade na gestão do currículo. A análise de alguns dados sobre a multiculturalidade em alguns cursos de formação inicial de professores. CURRÍCULO E MULTICULTURALIDADE O currículo "coerente" é aquele que permanece uno. a existência de um currículo oficial de um certo ciclo. dicotomias curriculares quando entram em jogo variáveis multiculturais. acentua as diferenças e na formação de professores que. porque o ser humano é ser de múltiplas dimensões e aprendem em tempos e em ritmos diferentes. mostra que o tema é. O trabalho com populações culturalmente discrepantes desse padrão.social. são consideradas relevantes tendo em conta as características da população escolar e as finalidades do sistema educativo. de modo mais ou menos implícitos. PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS 15 . As transformações demográficas e culturais ocorridas nas duas últimas décadas. nas ideologias pessoais em relação às diferenças humanas. hoje. de um currículo multicultural a que alguns professores deverão recorrer. por outro. é hoje.

recomendando o empenho de todos os países participantes em sua melhoria. com eqüidade. em 1990. juntos. tendo em vista o novo cenário social advindo da sociedade da informação. Os objetivos do Plano Decenal de Educação para Todos são lembrados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. na Tailândia. Brasil. Nesse sentido. 3. pela Unesco. 2. a crianças. possuem mais da metade da população mundial. têm origem na preocupação da comunidade internacional com a educação. México. das teses e estratégias que estavam sendo formuladas nos foros internacionais mais significativos na área da melhoria da educação básica. provendo-lhes as competências fundamentais requeridas para a participação na vida econômica. Bangladesh. Unicef. Segundo o Plano. em todas as pessoas. Paquistão. 6. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO — PDE 16 . 5. 4. Nigéria e Indonésia . realizada em Jomtien. Esse documento é considerado "um conjunto de diretrizes políticas voltado para a recuperação da escola fundamental no país". devendo desenvolver. Em seu conjunto. na luta pela satisfação das necessidades básicas de aprendizagem para todos. a educação fundamental tem sido considerada um "passaporte para a vida". Lá o documento foi aprovado pelas duas organizações internacionais. de garantir a satisfação das necessidades básicas de educação de seu povo. aprovada em 1996. num encontro promovido pela Unicef e pelo Banco Mundial e que reuniu os nove países mais populosos do Terceiro Mundo Tailândia. constituindo-se em um compromisso da comunidade internacional em reafirmar a necessidade de que "todos dominem os conhecimentos indispensáveis à compreensão do mundo em que vivem". no período de uma década (1993 a 2003). social. jovens e adultos. Favorecer um ambiente adequado à aprendizagem. pelo governo federal brasileiro. PNUD e Banco Mundial. que também ajudaram a elaborar a Declaração de Nova Delhi. expressam-se no Plano Decenal de Educação para Todos. Ampliar os meios e o alcance da educação básica. para que possam viver em ambientes saturados de informações e continuar aprendendo. as resoluções da Conferência Mundial de Educação Para Todos. política e cultural do país. conteúdos mínimos de aprendizagem que atendam a necessidades elementares da vida contemporânea". "os compromissos que o governo brasileiro assume. jovens e adultos. conferindo maior eficiência e eqüidade em sua distribuição e aplicação.Documento elaborado em 1993 pelo Ministério da Educação (MEC) destinado a cumprir. parcerias e compromisso. cujo objetivo mais amplo é assegurar. especialmente as necessidades do mundo do trabalho. Estabelecer canais mais amplos e qualificados de cooperação e intercâmbio educacional e cultural de caráter bilateral. Fortalecer os espaços institucionais de acordos. um corpo de conhecimentos essenciais e um conjunto mínimo de competências cognitivas. a Conferência de Jomtien é um marco político e conceitual da educação fundamental. portanto. o Plano Decenal marca a aceitação formal. estabelecendo posições consensuais entre os nove países participantes. O plano expressa sete objetivos gerais de desenvolvimento da educação básica: 1.que. 7. Universalizar. Índia. As idéias contidas no Plano Decenal. Incrementar os recursos financeiros para manutenção e para investimentos na qualidade da educação básica. as oportunidades de alcançar e manter níveis apropriados de aprendizagem e desenvolvimento. Satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem das crianças. ao consolidar e ampliar o dever do poder público com a educação em geral e em particular com o ensino fundamental. O Plano Decenal de Educação para Todos foi apresentado pelo governo brasileiro em Nova Delhi. Dessa forma. até o ano 2003. multilateral e internacional. Egito.

Educação profissional: os Institutos Federais de Educação Tecnológica (IFETs) reorganizarão o modelo da educação profissional e atenderão as diferentes modalidades de ensino. . .Índice de qualidade: avaliará as condições em que se encontra o ensino com o objetivo de alcançar nota seis no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). 17 . A alfabetização de jovens e adultos será. . no contra turno de sua atividade. .Piso do magistério: definição do piso salarial nacional de 850 reais para os professores. . do ensino profissionalizante e médio. os alunos do Ensino Médio terão acesso a obras literárias no local em que estudam. visa capacitar professores da Educação Básica pública que ainda não têm graduação. em um prazo de quinze anos. . estados e municípios.Gosto de ler: a Olimpíada Brasileira da Língua Portuguesa será realizada em 2008 e pretende resgatar o prazer da leitura e da escrita no Ensino Fundamental. prioritariamente. entre outros.O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foi aprovado pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Ministro da Educação Fernando Haddad em 24 de abril de 2007.Biblioteca na escola: com a criação desse programa. . . .Salas multifuncionais: ampliação de números de salas e equipamentos para a Educação Especial e capacitação de professores para o atendimento educacional especializado. com o objetivo de melhorar a Educação no País. Saúde nas escolas e Olhar Brasil.Luz para todos: programa no qual as escolas terão prioridade.Brasil Alfabetizado: terá dois focos: a Região Nordeste. formar novos docentes e propiciar formação continuada. .Formação: o programa Universidade Aberta do Brasil.Educação Superior: duplicar as vagas nas universidades federais. feita por professores das redes públicas. e os jovens de 15 a 29 anos. que vai do Ensino Infantil ao Médio.Provinha Brasil: instrumento de aferição do desempenho escolar dos alunos de seis a oito anos. As ações deverão ser desenvolvidas conjuntamente pela União. por meio de um sistema nacional de ensino superior à distância.Proinfância: construção. como Luz para todos. .Transporte escolar: Caminho da Escola é o novo programa de transporte para alunos da Educação Básica que residem na zona rural. em todas as suas etapas. . que concentra 90% dos municípios com altos índices de analfabetismo. reestruturação e aquisição de equipamentos nas creches e pré-escolas. O plano Compromisso Todos Pela Educação propõe as diretrizes e estabelece as metas para as escolas das redes municipais e estaduais de ensino. Ações do PDE: .Estágio: alterações nas normas gerais da Lei do Estágio para beneficiar alunos da Educação Superior. melhoria da infra-estrutura física. . ampliar e abrir cursos noturnos e combater a evasão são algumas das medidas. O prevê várias ações que visam identificar e solucionar os problemas que afetam diretamente a Educação brasileira.Acesso facilitado: o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) aumentará o prazo para o aluno quitar o empréstimo após a conclusão do curso. A prioridade é a Educação Básica. mas vai além por incluir ações de combate a problemas sociais que inibem o ensino e o aprendizado com qualidade. .

.Educação Especial: monitorar a entrada e a permanência na escola de pessoas com deficiência. . em instituições próprias” (§ 1º) que “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”. com o objetivo de efetivar a política de acessibilidade universal. .Saúde nas escolas: o Programa Saúde da Família atenderá alunos e professores para prevenir doenças e tratar outros males comuns à população escolar sem sair da escola. os gestores conhecerão detalhes da Educação do Brasil. As escolas urbanas só receberão a verba se cumprirem as metas estabelecidas. . que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. terão mais atividades no contra turno e ampliação do espaço educativo. . . O SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO Atualmente o sistema escolar brasileiro é regido pela lei nº 9394/1996. que engloba 60 obras de mestres brasileiros e estrangeiros.Pós-doutorado: jovens doutores terão apoio do governo para continuar no Brasil.Inclusão digital: todas as escolas públicas terão laboratórios de informática. predominantemente. .. por meio do ensino.Professor-equivalente: a própria universidade poderá promover concurso público para a contratação de professores nas universidades públicas federais.Mais Educação: alunos passarão mais tempo na escola. nº 5 692/71 (que estabelecia as diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º grau). . ambientes.Guia de tecnologias: as melhores experiências tecnológicas educacionais serão um referencial de qualidade para utilização por escolas e sistemas de ensino. a lei nº 9 394/96 afirma destinar-se a disciplinar “a educação escolar. obrigatória pela lei de 1971).Acessibilidade: as universidades terão núcleos para ampliação do acesso das pessoas com deficiência a todos os espaços.Olhar Brasil: o programa identificará os estudantes com problemas de visão. Em seu artigo 1º. . A ação faz parte do plano de expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica.Cidades-pólo: o Brasil terá 150 novas escolas profissionais. que se desenvolve. e nº 7044/82 (que tornou opcional a profissionalização no 2º grau. . materiais e processos. NÍVEIS DE ENSINO 18 . Esta lei. com o objetivo de incentivar a leitura.Coleção educadores: a coleção Pensadores. revogou as leis nº 4 024/61 (que foi nossa primeira lei de diretrizes e bases da educação. nos dispositivos que ainda vigoravam). aprovada após oito anos de discussão comandada pelo Congresso Nacional. em especial. .Dinheiro na escola: todas as escolas de Ensino Fundamental Pública Rural receberão a parcela extra de 50% do Programa Dinheiro Direto na Escola . após declarar que a educação abrange “os processos formativos” que se desenvolvem em todas as instâncias da vida social. crianças e jovens de zero a dezoito anos atendidas pelo Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC). . Os estudos que faremos sobre o sistema escolar brasileiro devem ser sempre baseados na lei nº 9 394/96. a pesquisa e a busca pelo conhecimento. .Censo pela Internet: com o levantamento do Educacenso. que receberão óculos gratuitamente. será doada para as escolas e bibliotecas públicas da Educação Básica.Concurso: prevê a realização de concursos públicos para ampliação do quadro de pessoal do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da expansão da rede profissional.

não pagam. Jornalismo. Embora. as matérias são praticamente as mesmas em todas as escolas de ensino fundamental do país. formação básica para o trabalho e a cidadania. Ensino fundamental. que instituiu a profissionalização compulsória. Em linhas gerais. que poderiam pagar. ou entidades equivalentes (até três PDEanos de idade). da economia. De acordo com o artigo 29 da lei 9394/96. Geralmente. Geografia são apenas algumas entre as muitas habilitações oferecidas. 24). sendo disputadas por muitos candidatos. Educação superior. Tem a duração de oito anos letivos e é obrigatório. Em parte isso acontece porque os sistemas de ensino e os estabelecimentos escolares têm dificuldades em adaptar-se às características culturais e sociais diversificadas coexistentes em nosso país. então. Administração. diversificando-se gradualmente até alcançar uma especialização em nível superior. Artes Plásticas. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. em todos os níveis. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. é que os ricos. a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. Para crianças até seis anos de idade. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo. A educação profissional será feita em cursos específicos. que deixou em aberto a opção pela formação profissional nesse nível do ensino. a lei nº 9 394/96 atribui ao ensino médio um caráter de formação geral básica: consolidação e aprofundamento de conhecimentos já adquiridos. complementando a ação da família e da comunidade”. Educação. Ao menos. abrangerá os seguintes cursos e programas: I – cursos seqüenciais por campo de saber. Conforme o artigo 44. GESTÃO ESCOLAR 19 . vencem aqueles que desfrutam de melhores condições socioeconômicas. Ensino Médio. que sempre termina por uma especialização profissional.De acordo com a lei (art. 26). e da lei nº 7 044/82. é praticamente igual para todos. “a educação infantil. Uma série de modalidades são oferecidas no ensino superior. O desejável seria que a educação fosse pública e gratuita para todos. Medicina. seja constituído de uma “base nacional comum. Será oferecida em creches. conforme o artigo 30. principalmente nas escolas públicas e gratuitas. psicológico. História. o que pode acontecer é o seguinte: Educação infantil. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. 24 e 32). II – de graduação. ensino fundamental e ensino médio) e da educação superior: Educação infantil.32). Deve ter a duração mínima de três anos (art. As vagas para os cursos superiores. e da clientela”.35). aprimoramento do educando como pessoa humana e compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos (art. enquanto os pobres só conseguem fazer um curso superior em escolas particulares e com muita dificuldade. Economia. Ensino fundamental. e em pré-escolas (de quatro a seis anos). aperfeiçoamento e outros. em seus aspectos físico. MODALIDADES DE ENSINO O ensino oferecido pelo sistema escolar brasileiro começa por uma base comum para todos. na maioria das vezes. compreendendo programas de mestrado e doutorado. já que dispõem de melhores meios de estudar. Educação Superior. 40). pela lei (art. intelectual e social. primeira etapa da educação básica. a ser complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. cursos de especialização. por uma parte diversificada. IV – de extensão. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. III – de pós-graduação. e gratuito na escola pública (art. 21) a educação escolar compõe-se da educação básica (educação infantil. Ensino Médio. Direito. articulados ou não com o ensino regular (art. O que acontece. deve ter um mínimo de 800 horas anuais em 200 dias de efetivo trabalho escolar (arts. de diferentes níveis de abrangência. da cultura . ainda são bastante limitadas. Ao contrário da lei nº 5 692/71. em no mínimo 800 horas e 200 dias anuais de efetivo trabalho escolar (art. 35).

Parte do Plano Escolar (ou Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar) também inclui elementos da gestão pedagógica: objetivos gerais e específicos. 23). atividades de secretaria). plano de curso. em função dos objetivos e do perfil da comunidade e dos alunos. Define as linhas de atuação. costuma-se classificar a Gestão Escolar em 3 áreas. Conseqüentemente. esta se situa no âmbito da escola e diz respeito a tarefas que estão sob sua esfera de abrangência. da escola e da educação escolar. e com o mesmo objetivo. Suas especificidades estão enunciadas no Regimento Escolar e no Projeto Pedagógico (também denominado Proposta Pedagógica) da escola. avaliação e treinamento da equipe escolar. o norte da escola. do corpo docente e da equipe escolar como um todo. AUTONOMIA DAS ESCOLAS É importante salientar um importante aspecto da gestão escolar que é a autonomia das escolas para prever formas de organização que permitam atender as peculiaridades regionais e locais. Origem Normativa No Brasil.é de extrema importância.394/96. de seus recursos materiais e financeiros. 2. Acompanha e avalia o rendimento das propostas pedagógicas. PARTICULARIDADES DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR A partir de então. O Diretor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro responsável pelo seu sucesso. que vem unir forças com a Constituição de 1988. • Uma importante dimensão da gestão escolar é a relação com a comunidade (Art. Segundo Vieira (2005). gerais e específicos. às diferentes clientelas e necessidades do processo de aprendizagem (LDB. funcionando interligadas. é um termo recente.relativamente recente . outras medidas são previstas em lei com o objetivo de promover uma cultura de sucesso escolar para todas as crianças. na medida em que desejamos uma escola que atenda às atuais exigências da vida social: formar cidadãos. direitos e deveres. ainda. Gestão Administrativa: Cuida da parte física (o prédio e os equipamentos materiais que a escola possui) e da parte institucional (a legislação escolar.Suas 20 . embora muitas de suas funções que hoje lhe são atribuídas já existissem. sendo dessa forma assegurada como o princípio da educação pública. reflete as transformações oriundas de um determinado contexto histórico. definindo caminhos e rumos que uma determinada comunidade busca para si e para aqueles que se agregam em seu torno. Essa é a primeira das leis de educação a dispensar atenção particular à gestão escolar. suas incumbências modificaram-se.Para fim de melhor entendimento. A proposta pedagógica é. A partir dessa lei a organização escolar ganha um novo perfil. O conceito de Gestão Escolar . oferecendo. um marco normativo foi a Constituição Federal de 1988 que institucionalizou a “Gestão Democrática do Ensino Público”. anteriormente nomeada Administração Escolar. e assume distinta configuração na política educacional. pois esta se relaciona aos diferentes momentos da história que varia ao longo do tempo. surge para assegurar o princípio da Gestão Democrática do Ensino Público. e. a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e facilitadoras da inserção social. 12 da LDB). mas também de concepções teóricas a respeito dessa atividade. por possuir um caráter mais democrático. nesse mesmo sentido. que é a sua razão de ser. Estabelece objetivos para o ensino. Cuida de gerir o área educativa. agora não mais embasada nas conjeturas da administração. Art. a escola passa a ter uma nova função social. Propõe metas a serem atingidas. sim. Elabora os conteúdos curriculares. como detalha Vieira (2005): • A elaboração e a execução de uma proposta pedagógica são as primeiras e as principais das atribuições da escola. metas. Outro marco foi a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9. propriamente dita. com efeito. além disso.A Gestão Escolar. plano de aula. nos princípios da Gestão. Gestão Pedagógica: É o lado mais importante e significativo da gestão escolar. de modo integrado ou sistêmico: GESTÃO PEDAGÓGICA GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS GESTÃO ADMINISTRATIVA 1. A mudança de denominação não foi apenas na escrita. mas. • Acima de qualquer outra dimensão é incumbência da escola zelar pelo ensino e a aprendizagem. dos objetivos e o cumprimento de metas. Avalia o desempenho dos alunos. • A escola tem como tarefa especifica a gestão de seu pessoal. É auxiliado nessa tarefa pelo Coordenador Pedagógico (quando existe).

ECA Art. isto sim. A organização acima . Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade. visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa. moral. Art.correspondem a uma formulação teórica. contornar problemas e questões de relacionamento humano fazem da gestão de recursos humanos o fiel da balança . assegurando-se-lhes.Direitos. mental. A guarda obriga a prestação de assistência material. deveres. rendendo o máximo em suas atividades. 53 . Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal. todas as oportunidades e facilidades. por lei ou por outros meios. Art. 3. corpo técnico. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. III . na realidade escolar. pessoal administrativo.gestões pedagógica. moral e educacional à criança ou adolescente. liminar ou incidentalmente.especificidades estão enunciadas no Plano Escolar (também denominado Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar. nem deixando lacunas e vazios sujeitos a interpretações ambíguas. 21 .Sem dúvida. pais e comunidades . Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes.em termos de fracasso ou sucesso . de forma a garantir a organicidade do processo educativo. À CULTURA. Art. atribuições . 28.A criança e o adolescente têm direito à educação. Parágrafo único.estão previstos no Regimento Escolar. ou Projeto Pedagógico) e no Regimento Escolar. aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. para os efeitos desta Lei. inclusive aos pais. podendo recorrer às instâncias escolares superiores. Nos casos expressos em lei. mantê-las trabalhando satisfeitas. Parágrafo único. Art. a gestão de recursos humanos se torna mais simples e mais justa. 2º Considera-se criança.direito de contestar critérios avaliativos. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. em condições de liberdade e de dignidade. 13. Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. CAPÍTULO IV .DO DIREITO À EDUCAÇÃO. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda. nos termos desta Lei. pois. administrativa e de recursos humanos .de toda formulação educacional a que se pretenda dar consecução na escola. lidar com pessoas. preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho.alunos.de professores. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. assegurando-se-lhes: I . formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. a gestão de pessoal . sem prejuízo de outras providências legais. não tolhendo demais a autonomia das pessoas envolvidas com o trabalho escolar. explicativa. II . exceto no de adoção por estrangeiros. Gestão de Recursos Humanos: Não menos importante que a Gestão Pedagógica. AO ESPORTE E AO LAZER .direito de ser respeitado por seus educadores. equipe escolar e comunidade) constitui a parte mais sensível de toda a gestão. conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros. 25.igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. § 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato. alunos.Quando o Regimento Escolar é elaborado de modo equilibrado. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ECA – Lei 8069/90 Art. podendo ser deferida. 33. devem atuar integradamente. as três não podem ser separadas mas. independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente. Art. tutela ou adoção. espiritual e social. a pessoa até doze anos de idade incompletos. nos procedimentos de tutela e adoção.

§ 1° . III .É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico. 55 . Art.Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino.direito de organização e participação em entidades estudantis. transporte. em boa parte dos cursos de licenciatura. pela freqüência à escola.oferta de ensino noturno regular. garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura.acesso a escola pública e gratuita próxima de sua residência. didática e avaliação. II . experiências e novas propostas relativas a calendário. ao longo do curso. com apoio dos Estados e da União. em termos mais amplos. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. Desde o ingresso dos alunos no curso.O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. bem como participar da definição das propostas educacionais. IV . segundo a capacidade de cada um.Os Municípios. metodologia.O Poder Público estimulará pesquisas. § 3° . A profissão de professor precisa combinar sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais. VII . é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções. Entretanto. através de programas suplementares de material didáticoescolar.O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente. estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais.elevados níveis de repetência.Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I . junto aos pais ou responsável. II . em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional. O caminho deve ser outro. Art.No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais. Art.maus-tratos envolvendo seus alunos. Por essa razão. Art. com vistas à inserção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental obrigatório. VI . III . 59 . a ênfase na prática como atividade formadora aparece. esgotados os recursos escolares.É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: I . serração.ensino fundamental. da pesquisa e da criação artística. artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente. preferencialmente na rede regular de ensino. Isso significa ter a prática.atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade.atendimento no ensino fundamental.IV . à primeira vista.Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental. 58 . Atualmente. fazer-lhes a chamada e zelar. tanto na disciplina especifica como nas disciplinas pedagógicas. 54 . § 2° . Parágrafo Único . É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida. 57 . Art. adequado às condições do adolescente trabalhador.atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência.reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar. a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ele ter passado pela formação "teórica".progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio. 56 . como 22 . Art. V . currículo. ao se pensar um currículo de formação. como exercício formativo para o futuro professor. FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão essencial o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude.acesso aos níveis mais elevados do ensino. V . alimentação e assistência à saúde. é um dos aspectos centrais na formação do professor. obrigatório e gratuito.

os esquemas são uma necessidade interna do indivíduo. indo os professores à universidade para uma reflexão mais apurada sobre a prática. tendo a necessidade de serem repetidos (a criança pega várias vezes o mesmo objeto). o conhecimento é a equilibração/reequilibração entre assimilação e acomodação. entende que o desenvolvimento acontece por causa do ambiente. entre os indivíduos e os objetos do mundo. Por um lado. Na perspectiva construtivista de Piaget. capazes de construir nossas próprias características. transmissão ou experiência social. pessoas. Os esquemas cognitivos conduzem à formação da inteligência. a formação continuada. a criança constrói sua realidade como um ser humano singular. articula-se com a formação inicial. selecionando aqueles que irá organizar em alguma forma de estrutura. Em ambos os casos. ou seja. Concepção interacionista . é o processo pelo qual as idéias. O desenvolvimento seria fruto da aprendizagem e esta aconteceria por condicionamento. ou seja. a articulação entre formação inicial e formação continuada. possibilitando pensar as disciplinas com base no que pede a prática. A aprendizagem não influencia o desenvolvimento. Significa. Concepção ambientalista . Por outro. a pode ser feita na escola a partir dos saberes e experiências dos professores adquiridos na situação de trabalho. sujeito-objeto. o conhecimento humano se constrói na interação homem-meio. existe também uma relação evolutiva entre o sujeito e o seu meio. por controle do ambiente. Para ele. são modos de sentir que se adquire juntamente às ações exercidas pelo sujeito sobre pessoas ou objetos. pega outros que estão por perto). são: maturação. que podem ou não dar algum prazer a ela. As formas de conhecer são construídas nas trocas com os objetos. A assimilação é a incorporação dos dados da realidade nos esquemas disponíveis no sujeito. que garantem o processo de desenvolvimento: a assimilação e a acomodação. a criança que ouve e começa a balbuciar em resposta à conversa ao seu redor gradualmente acomoda os sons que emite àqueles que ouve. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. concluindo que. A adaptação ocorre através da organização. o começo do conhecimento é a ação do sujeito sobre o objeto. ou seja. A adaptação possui dois mecanismos opostos. tendo uma melhor organização em momentos sucessivos de adaptação ao objeto. também chamada de assimilação generalizadora (a criança não pega apenas um objeto. na EAPE TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE JEAN PIAGET Formado em Biologia. equilibração. Através da discriminação progressiva dos objetos. históricos e culturais. Segundo FARIA (1998). Outra propriedade do esquema é a ampliação do campo de aplicação. segundo Piaget. estamos diante de modalidades de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos de trabalho. Os esquemas afetivos levam à construção do caráter. assim como os organismos vivos podem adaptar-se geneticamente a um novo meio. a criança reconstrói suas ações e idéias quando se relaciona com novas experiências ambientais. transformando isso em conhecimento seu. Somos sujeitos ativos. de acordo com as relações que estabelecemos com o meio físico. 23 . social e cultural. entendendo por ambiente os espaços sociais. os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. Segundo Piaget. Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. cai por terra aquela idéia de que o estágio é aplicação da teoria.referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções a respeito. situação em que o cognitivo está em supremacia em relação ao social e o afetivo. da capacidade chamada de assimilação recognitiva ou reconhecedora. a criança identifica os objetos que pode ou não pegar. é algo que se dá a partir da ação do sujeito sobre o objeto de conhecimento. passando a falar de forma compreensível.Fruto de uma ciência positivista. ou seja. FARIA salienta que os fatores responsáveis pelo desenvolvimento. também. mas complementares. Conhecer consiste em operar sobre o real e transformá-lo a fim de compreendê-lo. costumes são incorporadas à atividade do sujeito. A criança aprende a língua e assimila tudo o que ouve. DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM Quais são as concepções de desenvolvimento? Concepção inatista – É inspirada nas teorias de Darwin e explica o desenvolvimento humano como resultado único de informações biológicas.o desenvolvimento humano é resultado de uma interação de fatores biológicos e ambientais. Piaget especializou-se nos estudos do conhecimento humano. Fonte: aula professora Andrea Studart. experiência física e lógico-matemática. A acomodação é a modificação dos esquemas para assimilar os elementos novos. Ou seja. sendo que o organismo discrimina entre estímulos e sensações. ou seja.

interesses e valores. promove a reversibilidade do pensamento. A base do processo de equilibração está na assimilação e na acomodação. que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento. DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM PARA PIAGET Ao elaborar a teoria psicogenética. sejam eles do mundo físico ou cultural. interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos. Para que ocorra uma adaptação ao seu ambiente. através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer. O processo de desenvolvimento mental é lento. Este questionamento é o interesse principal da epistemologia genética. mas terá que modificar o esquema para chupeta. até o pensamento formal. assimilando tudo para si e ao seu próprio ponto de vista. o indivíduo deverá equilibrar uma descoberta. Segundo Piaget. procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico. deve passar por várias fases de desenvolvimento psicológico. o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista. A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. Para que esta adaptação se torne abrangente. A criança vai usando o sistema. supondo a atuação do sujeito sobre o meio. A educação é um processo necessário. com maior facilidade utiliza a mamadeira. o desenvolvimento mental dá-se espontaneamente a partir de suas potencialidades e da sua interação com o meio. a lógica. pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais. o indivíduo pode olhar como desafio. fica curioso. Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. pela sua própria estrutura mental. instigado. através de assimilações e acomodações. que Piaget destaca. uma ação com outras ações. desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor). é o produto das ações do sujeito sobre o objeto. uma criança que já construiu o esquema de sugar. 24 . de maneira que é necessário investigar. ou seja.motivação. resulta da coordenação das ações que o sujeito exerce sobre os objetos e da tomada de consciência dessa coordenação. período da inteligência operatória-concreta. isto é. Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância. fala egocêntrica para atingir o pensamento lógico. valores e sentimentos. construindo acomodações e assimilações. Por isso. A cada adaptação constituída e realizada. para a criança adquirir pensamento e linguagem. pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos. partindo do individual para o social. Dolle (1993). Piaget afirma que. ela já tem esquemas assimilados. a partir da adolescência. A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. Também será mais fácil para essa criança. a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas. lógico-dedutivo. é também possível graças à atividade do sujeito. faz com que a pessoa se “desequilibra” intelectualmente. A aprendizagem será a aquisição que ocorre em função da experiência e que terá caráter imediato. estando o pensamento e a linguagem centrados na criança. Segundo ele. uma suposta falta no conhecimento. e experiência lógico-matemática – o sujeito age sobre os objetos de modo a descobrir propriedades e relações que são abstraídas de suas próprias ações. Com sucessivas aproximações. O que promove este movimento é o processo de equilibração. comer com colher. Piaget chamou de acomodação. conceito central na teoria construtivista. Essas duas experiências estão inter-relacionadas. Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança. a criança vê o mundo a partir da perspectiva pessoal. o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações. nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia. período da inteligência pré-operatória. O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente. A aprendizagem é sempre provocada por situações externas ao sujeito. e período da inteligência operatório-formal. A adaptação do sujeito vai ocorrendo. motivado e. a moral. embora seja estimulado pelo objeto. No processo de egocentrismo. Diante de um estímulo. é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos.comporta ações diferentes em função dos objetos e consiste no desenvolvimento de ações sobre esses objetos para descobrir as propriedades que são abstraídas deles próprios. etc. sendo o egocentrismo o elo de ligação das operações lógicas da criança. mediante experiências. Ela poderá ser: experiência física . Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. uma é condição para o surgimento da outra. tanto intelectual como moral. é um processo ativo de auto-regulação. ”A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas. através de estágios diferentes um do outro. o falante passa por pensamento autístico. Para Piaget. nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém”. ocorrendo por meio de graduações sucessivas através de estágios: período da inteligência sensório-motora.

tornando-se habilitada à representação da realidade. porém. VYGOTSKY 25 . Wallon identifica o sincretismo como sendo a principal característica do pensamento infantil. podendo voltar-se para a imitação de cenas e acontecimentos. permanece a subordinação a um sincretismo subjetivo (a lógica da criança ainda não está presente). o estágio impulsivo-emocional. predominam as atividades de investigação. que emerge da imitação motora-gestual ou motricidade emocional. A parte cognitiva social é muito flexível. predominando a afetividade. Esta redução do sincretismo e o estabelecimento da função categorial dependem do meio cultural no qual está inserida a criança. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. sofre crises.TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE HENRY WALLON A criança. via expressões tônicas. como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. as ações da criança não mais precisarão ter origem na ação do outro. Essa é a forma pela qual a criança se desloca da inteligência prática ou das situações para a inteligência verbal ou representativa. Pela imitação. Dos 3 aos 6 anos.No início do desenvolvimento existe uma preponderância do biológico e após o social adquire maior força. que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. sofisticar. A tarefa central é o processo de formação da personalidade. exploração e conhecimento do mundo social e físico. No estágio sensório-motor. que é a imitação em ato. tautologia e elisão. conflitos. definido pela simbiose afetiva da criança em seu meio social. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". A criança. para Wallon. sendo este descontínuo e. isto é. de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. Antes do surgimento da linguagem falada. A criança começa a negociar. retrocessos. por pelo menos três anos. Do estágio sensório-motor ao projetivo (1 a 3 anos). aparece a imitação inteligente. O autor estudou a criança contextualizada. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. Para isso. Na gênese da representação. a criança desdobra. No estágio da adolescência. Imitando. A cultura e a linguagem fornecem ao pensamento os elementos para evoluir. As emoções intermediam sua relação com o mundo. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. assim como Piaget. forma-se uma ponte entre formas concretas de significar e representar e níveis semióticos de representação. faz com que as idéias atinjam o sentimento de propriedade das coisas. Neste estágio predominam as relações cognitivas da criança com o meio. Ainda conforme GALVÃO é nesse estágio que se intensifica a realização das diferenciações necessárias à redução do sincretismo do pensamento. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. Aos 6 anos a criança passa ao estágio categorial trazendo avanços na inteligência. com seu mundo sócio-afetivo. é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sóciocognitivo. a qual constrói os significados diferenciados que a criança dá para a própria ação. no estágio personalístico. suas condições de existência. a criança interage com o meio regida pela afetividade. os significados próprios. para ele. Este salto qualitativo da passagem do ato imitativo concreto e a representação é chamado de simulacro. a criança está voltada novamente para si própria. como um movimento que tende ao crescimento De acordo com GALVÃO no primeiro ano de vida. Assim como Vygotsky. é um desenvolvimento conflituoso. No simulacro. ela vai “desprender-se” do outro. TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE LEV S. a criança voltase a questões pessoais. a criança coloca-se em oposição ao outro num mecanismo de diferenciar-se. ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. por isso. contradição. morais. não existindo linearidade no desenvolvimento. Segundo GALVÃO (2000). rupturas. Durante esse período. mediada pela fala e pelo domínio do “meu/minha”. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. através da ação e interpretação do meio entre humanos. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. isto é. Wallon acredita que o social é imprescindível. Nessa fase. lentamente. sua compreensão das coisas dependerá dos outros. construindo suas próprias emoções. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e. a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. Os fenômenos típicos do pensamento sincrético são: fabulação.

a criança tem a capacidade de resolver problemas práticos (inteligência prática). que é a família. Nas interações cotidianas. Porém. generalizante. Os signos internalizados são compartilhados pelo grupo social. e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros. se desenvolve mediante um lento acúmulo de mudanças estruturais. exige-se a utilização de instrumentos para transformar a natureza e. no desenvolvimento da criança. A fala interior não tem a finalidade de comunicação com outros. sempre mediado por significados fornecidos pela linguagem. as relações sociais e a utilização de instrumentos. A fala interior. tornando-a sua. Estes elementos de mediação são os signos e os instrumentos. a fala da criança torna-se intelectual. sendo assim. Sendo assim. Vygotsky destaca a importância da cultura. depois. é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal. sendo capazes de transformar o funcionamento mental. etc. Vygotsky chama isto de fase pré-verbal do desenvolvimento do pensamento e uma fase pré-intelectual no desenvolvimento da linguagem. ela começa a falar para si mesma. na interação com adultos mais capazes da cultura que já dispõe da linguagem estruturada. Para Vygotsky. com função simbólica. fazendo com que as estruturas de fala que a criança já domina. no contexto das situações imediatas. formação de conceitos. Os signos também auxiliam nas ações concretas e nos processos psicológicos. no nível social (entre pessoas. Esta fala interior. Para ele. Essas duas mudanças são essenciais e evidenciam o quanto são importantes as relações sociais entre os sujeitos na construção de processos psicológicos e no desenvolvimento dos processos mentais superiores. no nível individual (no interior da criança. estas são complexas e articuladas. o pensamento e a linguagem iniciam-se pela fala social. antes dessa associação. Pensamento e linguagem associam-se devido à necessidade de intercâmbio durante a realização do trabalho. No início do desenvolvimento. Por volta dos 2 anos de idade. Como visto. ou seja. a comunicação social. exige-se o planejamento. planejem uma solução para um problema e controlem seu comportamento. ampliando as possibilidades de transformar a natureza. A internalização é relacionada ao recurso da repetição onde a criança apropria-se da fala do outro. da mesma forma. A capacidade humana para a linguagem faz com que as crianças providenciem instrumentos que auxiliem na solução de tarefas difíceis. um objeto social. memória lógica. Esse impulso é dado pela inserção da criança no meio cultural. que é dirigida ao sujeito e não a um interlocutor externo. na qual. Durante esse processo. então. entre o homem e o mundo existem elementos que auxiliam a atividade humana. o surgimento da fala egocêntrica indica a trajetória da criança: o pensamento vai dos processos socializados para os processos internos. e o pensamento torna-se verbal. As funções psicológicas superiores aparecem. tornem-se estruturas básicas de seu próprio pensamento. signos são meios que auxiliam/facilitam uma função psicológica superior (atenção voluntária. o desenvolvimento caminha do nível social para o individual. a ação coletiva. como diz VYGOTSKY (1987). para ele. Signos e palavras são para as crianças um meio de contato social com outras pessoas. a fala do outro dirige a ação e a atenção da criança. ou discurso interior. Essa teoria apóia-se na concepção de um sujeito interativo que elabora seus conhecimentos sobre os objetos. em um processo mediado pelo outro. Os significados das palavras fornecem a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo.). sendo produzido na intersubjetividade e marcado por condições culturais. A fala egocêntrica emerge quando a criança transfere formas sociais e cooperativas de comportamento para a esfera das funções psíquicas interiores e pessoais. portanto. O trabalho humano. ou seja. duas vezes: primeiro. permitindo o aprimoramento da interação social e a comunicação entre os sujeitos. A relação entre homem e mundo é uma relação mediada. as formas de mediação permitem ao sujeito realizar operações cada vez mais complexas sobre os objetos. Os instrumentos são utilizados pelo trabalhador. isto é. sendo 26 . a cultura e a história do homem. Esta vai usando a fala de forma a afetar a ação do outro. que une a natureza ao homem e cria. Desta maneira. constitui-se como uma espécie de “dialeto pessoal”. a criança torna-se capaz de atuar sobre suas próprias ações por meio da fala. passando pela fala egocêntrica. Segundo Vygotsky. o grupo cultural fornece ao indivíduo um ambiente estruturado onde os elementos são carregados de significado cultural. sociais e históricas. O conhecimento tem gênese nas relações sociais. no nível intrapsicológico). ocorrem duas mudanças qualitativas no uso dos signos: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos.Para Vygotsky. a mediação (necessária intervenção de outro entre duas coisas para que uma relação se estabeleça) com o adulto acontece espontaneamente no processo de utilização da linguagem. a criança nasce inserida num meio social. assim como os instrumentos. Para Vygotsky. atingindo a fala interior que é pensamento reflexivo. assim. de fazer uso de determinados instrumentos para alcançar determinados objetivos. o homem se produz na e pela linguagem. desenvolve a atividade coletiva. Os sistemas simbólicos organizam os signos em estruturas. é na interação com outros sujeitos que formas de pensar são construídas por meio da apropriação do saber da comunidade em que está inserido o sujeito. Segundo Vygotsky. A fala para si mesma assume a função autoreguladora e. é a forma de linguagem interna. ao mesmo tempo que a criança passa a entender a fala do outro e a usar essa fala para regulação do outro. no nível interpsicológico) e.

ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança. Por isso. quando apresentado por crianças. no início. A referência da zona de desenvolvimento proximal implica na compreensão de outras idéias que completa a idéia central. aquele momento. em si mesmas. um “espaço dinâmico” entre os problemas que uma criança pode resolver sozinha (nível de desenvolvimento real) e os que deverá resolver com a ajuda de outro sujeito mais capaz no momento. A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela pessoa no seu processo de aprender. Esse comportamento. a zona de desenvolvimento proximal representa o espaço entre o nível de desenvolvimento real. por isso que a sua teoria ficou conhecida como sócio-interacionista. costuma estar relacionado a problemas familiares. já que não são somente as crianças que praticam ou sofrem agressões que se prejudicam nesse caso. ajudando à criança a superar suas capacidades. Lima (1990). aparece também nas escolas particulares. É apenas pela relação da criança com a fala do outro em situações de interlocução. que sejam professores. Ele explica esta conexão entre desenvolvimento e aprendizagem através da zona de desenvolvimento proximal (distância entre os níveis de desenvolvimento potencial e nível de desenvolvimento real). consegue chegar à zona de desenvolvimento proximal. o professor terá condições de não só utilizar meios concretos. incluindo aquele que aprende. visuais e reais. que a criança se apropria das palavras. sendo que a linguagem funciona como mediador”. através da assistência e auxílio do adulto. Temos de levar em consideração que as crianças que assistem a esses episódios agressivos tendem a experimentar sensações como o medo e a ansiedade. Todo e qualquer processo de aprendizagem é ensino-aprendizagem. pais e outras crianças mais velhas e mais experientes. fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam. aquele que ensina e a relação entre eles. a agressividade não aparece só em escolas públicas. estamos tratando também de falas e atitudes hostis. A preocupação fica ainda maior quando nos remete o fato de que a escola é um local onde as crianças estão para aprender regras e valores. E uma vez o comportamento aprendido. do conhecimento. AGRESIVIDADE E APRENDIZAGEM O crescente aparecimento de comportamentos agressivos nas escolas tem cada vez mais preocupado pais e principalmente professores. e o nível de desenvolvimento potencial. para com os colegas ou até mesmo com os professores. através dos “porquês” e dos “como”. Desta forma. a criança o fazia com colaboração de um adulto ou um companheiro. que. Vygotsky colocou que “as funções mentais superiores são produto do desenvolvimento sócio-histórico da espécie. podem ser consideradas um desenvolvimento no sentido funcional. chegar a dominá-los por si mesma (nível de desenvolvimento potencial). com maior propriedade. c) Segundo Vygotsky (1987). b) A criança consegue autonomia na resolução do problema. para em seguida. O autor ressalta a importância de que esses processos sejam internalizados pela criança. Segundo VYGOTSKY (1989). são sempre palavras do outro. ele poderá ser reproduzido em todo lugar. ou por outra criança mais velha. inclusive na escola. ou seja. É importante afirmar que não estamos falando somente de agressões físicas. DESENVOLVIMENTO PROXIMAL E DESENVOLVIMENTO REAL PARA VYGOTSKY Para Vygotsky (1987). Quando o professor. pois tal atitude penderia para fazer da criança delatora 27 . se utilizando a mediação. mas. tais como: a) O que a criança consegue hoje com a colaboração de uma pessoa mais especializada. A relação entre pensamento e palavra acontece em forma de processo. mais tarde poderá realizar sozinha. abreviada. Causa ansiedade nas crianças expectadoras por nada poderem fazer para ajudar o colega agredido. a aprendizagem tem um papel fundamental para o desenvolvimento do saber.fragmentada. onde a criança era apta a resolver um problema sozinha. constituindo-se em um movimento contínuo de vaivém do pensamento para a palavra e vice-versa. Do mesmo modo que não se vê diferença entre as escolas da área rural e urbana nesse aspecto. Comportamento agressivo na escola vem se tornando um dos vários fatores que atrapalham a aprendizagem atualmente. Os estudantes podem ter em casa um modelo de solucionar problemas de forma agressiva ou explosiva. Esse processo passa por transformações que. formando desta forma uma construção dinâmica entre aprendizagem e desenvolvimento. VYGOTSKY diz que o pensamento nasce através das palavras. a aprendizagem acelera processos superiores internos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. Não se pode ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com outras pessoas. é fundamental que as práticas pedagógicas trabalhem no sentido de esclarecer a importância da fala no processo de interação com o outro.

o professor estará respeitando o aluno. antecedentes familiares e condições socioeconômicas. É no respeito às diferenças das crianças e na condução adequada de formas de tratamento a todos com igualdade. etc. as características diferenciadas englobam alguns fatores. Se levar em consideração que os alunos possuem características comuns. aparência. Concretizar tudo isso não é fácil. de maneira participativa e afetiva. os alunos terão apatia ou simpatia pela disciplina que ele leciona.lo sem medo de ser ignorado e/ou contrariado pelo professor. o sucesso da aprendizagem se caracteriza como resultado da afetividade por parte do professor. Saber lidar com elas é uma arte necessária ao sucesso de qualquer atividade humana. respeito e afeto. podem influenciar notavelmente não só no aprendizado dos conteúdos ou habilidades dos alunos. amor e afeto que o aluno terá sucesso na aprendizagem cognitiva. toda a turma sai prejudicada por essas circunstâncias. Essas sensações descritas não são adequadas para um ambiente de aprendizado. os exercícios. nível intelectual. Em outros casos mais agravados. ensinar e aprender. “todas as pessoas são merecedoras da confiança. construindo uma relação interativa com os alunos. Por outro lado. as práticas.o próximo alvo. formas imaginárias. AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM Somos profissionais do ensino. que manda que ‘ele se ponha no seu lugar (. Para solucionar ou amenizar o problema. os métodos utilizados na sala de aula. se faz necessário um trabalho de parceria da escola com a família. paciência. comprometimento e muito amor pelo que faz. mais do que ninguém. a sua inquietude. assim como a respeito de si mesmos (MORALES. As crianças. agir e refletir.). tais como constituição física. não implica diminuir a autonomia docente em sala de aula. oportunizando o acesso e a construção do conhecimento. sociabilidade. carinho. mais precisamente a sua sintaxe e a sua prosódia. mas também características diferenciadas entende-se que as características comuns são a manifestação pelo desejo de aprender e a expectativa de que a escola possa melhorar sua vida.. Para que seu trabalho seja realizado com amor. precisam da ajuda do professor para uma interação com a escola e com outras crianças. Uma influência específica vem da relação do professor com os alunos (disponibilidade. Como se pode perceber. Neste sentido. com relação à matéria. Vive-se em relação com as outras pessoas nas diversas esferas da vida. Conforme o professor se apresenta e ministra suas aulas. a ênfase na emoção e na afetividade humana imprime ao professor a essência humanizadora de seu próprio ser. porque sua realização como pessoa não poderá construir-se estando embasada em ilusões. mas também em suas atitudes. buscamos seu êxito e não seu fracasso. evidentemente. ao estudo. E grande parte das crianças sente medo de passar por tal situação. O professor que desrespeita a curiosidade do educando. e de como eles podem agir para reverter à situação. Cabe ao educador respeitar e despertar a curiosidade dos seus educandos. Para Werneck (2002): É preciso que ele ame o que faz e o espaço físico em que trabalha.). relaciono-me com os alunos apenas fora da classe [.. em alguns casos é viável fazer um trabalho psicológico com o aluno agressivo. Segundo Tisatto e Simadon (2002). onde possam existir trocas de experiências. descartar a frase: “na sala de aula. para que desse modo todos possam compartilhar suas dificuldades e dúvidas. etc. quer se pretenda conscientemente quer não. Cabe.Uma relação afetiva com os seus alunos. o seu gosto estético. e a qualidade de nossa relação com os alunos podem ser determinantes para conseguir nosso objetivo profissional. O professor precisa saber buscar. Isto quer dizer que o aluno tem o direito de participar das atividades de planejamento. cada uma com maneiras diferentes de perceber. a sua linguagem. execução e avaliação das matérias escolares. mas somente se estiver pautada na realidade concreta e iluminada pela esperança de 28 . Para que a escola possa orientar os pais sobre como o comportamento da criança na escola pode ser reflexo do comportamento da família em casa. boa preparação das aulas. Assim. Muitas vezes. interesse manifestado por todos os alunos. e ao trabalho. o professor que ironiza o aluno que o minimiza. precisam ser recebidos com amor.. o aluno deve manifestar livremente suas opinião e até mesmo ser estimulado a fazê . temperamento. sem perder sua autonomia. Sendo assim. 1999). quando as crianças chegam à escola. Ser educador requer muita responsabilidade. Além disso. é preciso que este profissional esteja se identificando e se sinta realizado em sua profissão. eu me limito a ensinar.]” Quando o professor interage com os alunos de maneira afetiva. nossa tarefa é ajudar os alunos em seu aprendizado. é necessária a mudança da prática educativa visando à formação do aluno e promovendo a sua participação: ver o aluno como um sujeito social com direitos e deveres. da amizade e do respeito dos outros”. assim. Pelo contrário.. de interpretar o que está ao seu redor. transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (FREIRE 1999). auxiliando-o a lidar com os problemas em casa e dessa forma fazendo com que a agressividade diminua. a aprendizagem se torna intencionalmente significativa.

Assim.que é possível mudar. O lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo. Ele é considerado prazeroso. O Lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana. pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica. estimulando o pensamento. pois é o espaço para expressão mais genuína do ser. Através da atividade lúdica e do jogo. ou seja. Esta relação afetiva constitui incentivo para o desenvolvimento da aprendizagem cognitiva. Através deles. respeito mútuo e democracia. simpatia. vai se socializando. A participação da família também é muito importante para o sucesso e faz parte integrante desse processo. a criança forma conceitos. Portanto. por si só. criando um clima de entusiasmo. a iniciativa e a auto-estima. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. • O lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço espontâneo. 29 . uma situação de aprendizagem. mas também requerem um esforço voluntário. ao brincar. integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempos. a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais. a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco. estabelece relações lógicas. o que é mais importante. com as pessoas e com os objetos. ou seja. as atividades lúdicas são excitantes. integra percepções. O jogo e a brincadeira são. não a percorremos sozinhos. ao movimento espontâneo. devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total. o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conexões. confiança em si mesmo e certeza de que a estrada é longa e que. LUDICO E APRENDIZAGEM O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. a criança desenvolve a linguagem. É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. que através do “faz-de-conta” são reelaboradas criativamente. na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar. Em geral. seleciona idéias. vislumbrando novas possibilidades e interpretações do real. contudo. compreensão. A escola deve facilitar a presença dos pais no cotidiano escolar porque uma escola não se faz de paredes. o pensamento. faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e. preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo. Sendo uma atividade física e mental. A escola que cria um clima de afeto. um lugar onde todos compartilhem suas experiências e opiniões proporcionam o envolvimento de todos os segmentos que dela fazem parte. satisfazem uma necessidade interior. Caso achasse confinada a sua origem. A ludicidade. tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores. e neste sentido. Em virtude desta atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola. É importante que o educando seja orientado e motivado para a busca efetiva da construção do conhecimento. canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. mas de pessoas e ideais compartilhados. As regras e a imaginação favorecem a criança comportamento além dos habituais. Várias são as razões que levam os educadores a recorrer às atividades lúdicas e a utilizá-las como um recurso no processo de ensino-aprendizagem: • As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança. a socialização. O APRENDER ATRAVÉS DO BRINCAR O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física. Ela reproduz muitas situações vividas em seu cotidiano. o elemento que separa um jogo pedagógico de um outro de caráter apenas lúdico é este: desenvolve-se o jogo pedagógico com a intenção de provocar aprendizagem significativa. estimular a construção de novo conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória. capaz de gerar um estado de vibração e euforia. • As situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. bem como relacioná-la as demais produções culturais e simbólicas conforme procedimentos metodológicos compatíveis a essa prática. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas.

a vontade de aprender. Mas para que se realize a ação e esta resulte no aprendizado é necessário. Estimula a observar e conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive. explorar toda a sua espontaneidade criativa. sabendo que eles trazem enormes contribuições ao desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar. pintura. é necessário ter motivos para se chegar a esse estado. Quanto mais rica for à experiência pela criança. Segundo o dicionário Silveira Bueno. contar histórias. o que torna o ambiente infantil artificial. constatamos que os jogos e brincadeiras mais freqüentes na educação infantil são: massinha de modelar. maior será o material disponível e acessível a sua imaginação. nesse caso. recursos para fazer com que o 30 . que haja a VONTADE. As crianças estão sempre dispostas a jogar e brincar. Pois trabalhar de forma lúdica exige mais tempo. utilizando suas potencialidades de maneira integral. No jogo. O professor deve descobrir estratégias. com o silencio e a organização na sala de aula. que envolvam os alunos e o conhecimento. para autocontrolar suas atividades. e é uma das formas mais natural e prazerosa no processo de aprendizagem. do brinquedo e da brincadeira. envolvimento e dedicação e muitos não estão dispostos a sair de suas posições cômodas. não permitindo espaço para o divertimento. Eles devem ter em mente que o jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos. jogo de memória e a educação física. as vivências da criança com os jogos. Os jogos. de criatividade. Estimula o crescimento e o desenvolvimento. enfim. brincar e/ou jogar com seus próprios ritmos. neste momento. psíquicos e motor. a iniciativa individual. Mas o que pudemos observar nas realizações dos estágios. a coordenação muscular. cada vez mais. pois ao brincar se sente livre para criar e recriar o mundo ao seu modo. Os educadores e pais devem estar cientes que brincar só faz bem para a criança. brinquedos e brincadeiras. que é a maneira privilegiada de contato com o mundo. uma vez que este reconhece que a aprendizagem é um processo pessoal. A hora do recreio e a hora da saída se tornam os únicos momentos em que as crianças desnudam da responsabilidade da escola para permitir-se brincar e ser criança. inicialmente. Através do jogo o indivíduo pode brincar naturalmente. pode-se constatar que estar motivado é estar animado. as faculdades intelectuais. favorecendo o advento e o progresso da palavra. da imaginação e do simbólico. e que ela desenvolve. reflexivo e sistemático que depende do despertar das potencialidades do educando. O brincar se resume em ouvir histórias ou cantar algumas músicas. quebra-cabeça. foi que os professores das séries iniciais afastam o lúdico da vivência dos alunos em sala de aula. num lugar onde as crianças sintam prazer pelo ato de aprender. pelos quais o mundo tem seus limites ultrapassados: a criança cria o mundo e a natureza. é que o lúdico e o brincar estão mais presentes na educação infantil do que nas séries iniciais. É somente sendo criativo que a criança descobre seu próprio eu (TEZANI. O mundo da fantasia. A impressão que tivemos. sobretudo no aspecto intelectual. O jogo é essencial para que a criança manifeste sua criatividade. Qualquer coisa que se faça na vida. a sala de aula é apresentada como coisa séria. longe dos gostos das crianças. Segundo Santos (2000): Educadores e pais necessitam ter clareza quanto aos brinquedos. se da primeira alternativa não obteve o resultado esperado. brincadeiras livres com brinquedos e atividades no parquinho da escola. brincadeiras e/ou jogos que são necessários para as crianças. MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM Atualmente a motivação dos alunos para a aprendizagem é o centro das atenções no processo educaticional. ela se cria e se transforma. além do tateio. o forma e o transforma e. muitas vezes é reforçada com respostas imediatas de sucesso ou encorajada tentar novamente. Educação requer Ação e como resultado dessa ação. o rigor e a disciplina são mantidos em nome dos padrões institucionais. ao invés de aproveitarem como instrumento facilitador da aprendizagem. a criança sadia possui a capacidade de agir sobre o mundo e os outros através da fantasia. amadurece e aprende ao mesmo tempo. corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária importância na educação escolar. Nesta. da imaginação. Os professores estão mais preocupados com o conteúdo. testar hipóteses. Já nas séries iniciais geralmente são utilizados os jogos educativos. Através dessas definições. de maneira sozinha ou com a ajuda do educador. Através das observações e da prática em sala de aula. é necessário primeiro a vontade de realizá-la. do jogo. Isso também ocorre na educação. Cabe ao educador propor atividades que promovam essa motivação. motivação quer dizer exposição de motivos ou causas. entusiasmado. tais como. não apenas nos aspectos físicos ou emocionais. mas. animação. entusiasmo. ao contrário. há o APRENDIZADO. Para isso. jogos matemáticos. além de prazeroso também é um mundo onde a criança está em exercício constante. senão nada acontece. rodas e cantigas. 2004). ela está livre para explorar. daí a necessidade do professor ampliar. Além do valor inconteste do movimento interno e externo para os desenvolvimentos físicos. proporcionando uma aprendizagem de qualidade. de imaginação. A ludicidade deve permear o espaço escolar a fim de transformá-lo num espaço de descobertas. os brinquedos e as brincadeiras são atividades fundamentais nas áreas de estimulação da educação infantil e nas séries iniciais.Segundo Redin (2000): A criança que joga está reinventando grande parte do saber humano.

sendo assim assimilado. mas como todo produto é indissociável de um processo. promovem a educação. idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens. quer na sua qualidade. a sua história de vida. em outras palavras. que despertem no educando motivação para interação com o objeto do conhecimento. complementares e relacionados de alguma forma. • Ser paciente e compreensivo com o aluno. inclusive os objetivados como instituições que. o conceito de aprendizagem não é tão simples assim. De acordo com Bock o processo de organização das informações e de integração do material à estrutura cognitiva é o que os cognitivistas denominam aprendizagem. com seus colegas e com os próprios professores. Bock destaca que a aprendizagem mecânica refere-se à aprendizagem de novas informações com pouca ou nenhuma associação com conceitos já existentes na estrutura cognitiva. Dessa forma a aprendizagem numa perspectiva cognitivoconstrutivista é como uma construção pessoal resultante de um processo experimental. Tal processo compreende todos os comportamentos dedicados à transmissão da cultura. Embora haja discordâncias entre os estudiosos. então terá registrado um processo de aprendizagem. orgânicos. familiar. sendo resultado de construção e experiências passadas que influenciam as aprendizagens futuras. quer na sua natureza. (BOCK. mostrar que ele pode contar sempre com o professor. E durante o seu trajeto educativo tem a possibilidade de adquirir uma estrutura cognitiva clara. estável e organizada de forma adequada. • Aproveitar as vivências que o aluno já tem e traz para a escola no momento de montar o currículo. isto é. estes são quatro categorias representativas dos estilos de aprendizagem. psicossociais e culturais. Cabe aos educadores proporcionar situações de interação tais. ou seja. bem como da transferência destes para novas situações. • Mostrar-se disponível para o aluno. estilo e ritmo. É necessário refletir que cada indivíduo apresenta um conjunto de estratégias cognitivas que mobilizam o processo de aprendizagem. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. respeitando a sua vida social.aluno queira aprender. de uma série de condições internas e externas ao sujeito. estejam ligados à realidade do aluno. emocionais. tentativas e erros. Há diversas possibilidades de aprendizagem. segundo a autora. deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. fazem parte de um todo que depende. envolvendo aspectos cognitivos. ensino. O principal objetivo da educação é o de levar o aluno com um certo nível inicial a atingir um determinado nível final. No nível social podemos considerar a aprendizagem como um dos pólos do par ensino-aprendizagem. Em outras palavras. Já a aprendizagem significativa. que se implicam mutuamente e que embora possamos analisá-los separadamente. visando resultados esperados e compreendidos. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias. DESENVOLVIMENTO A aprendizagem está envolvida em múltiplos fatores. descobertas. fazendo ligações àqueles já existentes. relaciona-se com conceitos relevantes. o processo de construção do conhecimento dá-se na diversidade e na qualidade das suas interações. tendo a vantagem de poder consolidar conhecimentos novos. No entanto. O processo de aprendizagem é pessoal. Através dela o sujeito 31 . mesmo que a aprendizagem ocorra na intimidade do sujeito. respeitando-o e valorizando-o. 1999) A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. para a Psicologia. Porque. etc. Como por exemplo: • Dar tratamento igual a todos os alunos. específica (escola) ou secundariamente (família). cuja síntese constitui o processo educativo. há diversos fatores que nos leva a aprender um comportamento que anteriormente não apresentávamos um crescimento físico. cada pessoa aprende a seu modo. O conhecimento pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. claros e disponíveis na estrutura cognitiva. Por isso a ação educativa da escola deve propiciar ao aluno oportunidades para que esse seja induzido a um esforço intencional. • Utilizar métodos e estratégias variadas e propostas de atividades desafiadoras. incluir temas que tenham relação. interior à pessoa e que se manifesta por uma modificação de comportamento. • Procurar elevar a auto-estima do aluno. A abordagem cognitivista diferencia a aprendizagem mecânica da aprendizagem significativa. processa-se quando um novo conteúdo (idéias ou informações). Se conseguir fazer com que o aluno passe de um nível para outro. Ao aprender o sujeito acrescenta aos conhecimentos que possui novos conhecimentos. ou seja. podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa.

a decidir a sua prossecução e o seu termo A motivação é. nossos interesses e emoções. de querer saber sempre. o que conduz à necessidade de integrar tanto os aspectos cognitivos como os motivacionais. ou seja. portanto. dos erros. a necessidade e o objeto de satisfação. A motivação é um processo que se dá no interior do sujeito. Com isso entende-se que o desenvolvimento do individuo é um processo que se dá de fora para dentro.histórico exercita. o interesse é indispensável para que o aluno tenha motivos de ação no sentido de apropriar-se do conhecimento. ciência e tecnologia. um trabalho de atrair. prender a atenção. está sempre um organismo que apresenta uma necessidade. Essa atitude pode 32 . para isso é necessário “querer” fazê-lo. utilizando o que a criança gosta de fazer como forma de engajá-la no ensino. mas também do nível de desenvolvimento alcançado. como modo de privilegiar seus interesses. ter a disposição. desenvolver nos alunos uma atitude de investigação. Veja bem. uma intenção. fabrica e reza segundo a modalidade própria de seu grupo de pertencimento. Pode-se afirmar que a aprendizagem acontece por um processo cognitivo imbuído de afetividade. o que o leva a iniciar uma ação. na concepção Vygotskyana. A motivação está também incluído o ambiente que estimula o organismo e que oferece o objeto de satisfação. encantar. Desejar saber deve passar a ser um estilo de vida. a análise qualitativa das “estratégias”. A autora Bock (1999) destaca que a motivação continua sendo um complexo tema para a Psicologia e. Para ter bons resultados acadêmicos. do processo de generalização. para que deseje saber. a intenção e a motivação suficientes. uma atitude que garanta o desejo mais duradouro de saber. Para Vygotsky. A motivação é um fator que deve ser equacionado no contexto da educação. a aprendizagem sempre inclui relações entre as pessoas. o que faz referência às capacidades. Torna-se tarefa primordial do professor identificar e aproveitar aquilo que atrai a criança. Bruner é defensor desta proposta. Assim. que são válidas para qualquer fenômeno histórico na sociedade humana. Trata-se de compreender como funcionam esses mecanismos mentais que permitem a construção dos conceitos e que se modificam em função do desenvolvimento. para aprender é imprescindível “poder” fazê-lo. particularmente. a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente. aos conhecimentos. A motivação apresenta-se como o aspecto dinâmico da ação: é o que leva o sujeito a agir. uma vontade ou uma predisposição para agir. por fim. isto é. Ao sentir-se motivado o individuo tem vontade de fazer alguma coisa e se torna capaz de manter o esforço necessário durante o tempo necessário para atingir o objetivo proposto. aquilo do que ela gosta. por nossos desejos e necessidades. e uma forma de criar este interesse é dar a ele a possibilidade de descobrir. E. A preocupação do ensino tem sido a de criar condições tais. mas é determinado por um processo histórico-cultural e tem propriedades e leis específicas que não podem ser encontradas nas formas naturais de pensamento e fala. nessa perspectiva pode-se dizer que a motivação é a força que move o sujeito a realizar atividades. cita algumas sugestões de como criar interesses: 1. o processo que mobiliza o organismo para a ação. sendo que o meio influencia o processo de ensino-aprendizagem. na base da motivação. A relação do individuo com o mundo está sempre medida pelo outro. Vygotsky diz ainda que o pensamento propriamente dito é gerado pela motivação. Nas situações escolares. procurando mobilizar as capacidades e potencialidades dos alunos a este nível. Motivar passa a ser. portanto. usa utensílios. Vygotsky defende a idéia de que não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando conforme o tempo passa ou recebemos influência externa. principalmente. Por trás de cada pensamento há uma tendência afetivo-volitiva. para as teorias de aprendizagem e ensino. adquire então relevo especial – além da análise do processo de comunicação – análise do modo como o sujeito constrói os conceitos comunicados e. O aluno deve ser desafiado. seus professores e colegas. seduzir o aluno. Bock. Não há como aprender e apreender o mundo se não tivermos o ouro. Diante desse contexto percebe-se que a motivação deve ser considerada pelos professores de forma cuidadosa. Segundo a concepção de Vygoysky se a aprendizagem está em função não só da comunicação. um interesse. aquele que nos fornece os significados que permitem pensar o mundo a nossa volta. que o aluno “fique a fim” de aprender. a orientá-la em função de certos objetivos. Uma das grandes virtudes da motivação é melhorar a atenção e a concentração. o pensamento verbal não é uma forma de comportamento natural e inata. às estratégias e às destrezas necessárias. um desejo. intimamente ligado às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio. devemos considerá-lo sujeito a todas as premissas do materialismo histórico. relação e motivação. também. 1985) Assim. na motivação está incluído o objeto que aparece como a possibilidade de satisfação da necessidade. Segundo Vygotsky uma vez admitido o caráter histórico do pensamento verbal. os alunos necessitam de colocar tanta voluntariedade como habilidade. Isso significa que. estando. Propiciando a descoberta. 2. (PAÍN. tendo grande importância na análise do processo educativo. entretanto. Uma compreensão plena e verdadeira do pensamento de outrem só é possível quando entendemos sua base afetivo-volutiva.

envolvendo aspectos cognitivos. uma vez que disponibiliza os recursos para a aptidão. O propósito é discuti-lo como um elemento resultante da integração de várias “forças” que englobam o espaço institucional (a escola). se ela é um processo que ocorre entre subjetividades. levam à perda do interesse.Não há aprendizagem sem motivação. por isso é necessário conhecer como o professor ensina e entender como o aluno aprende. ora todo um sistema econômico. Quando se fala em fracasso. psicossociais e culturais. É fundamental que o aluno queira dominar alguma competência. orgânicos. utilizando para tal métodos adequados e um currículo bem estruturado. Não é difícil para o professor estar sempre retomando em suas aulas a importância e utilidade que o conhecimento tem e poderá ter para o aluno. Não deve expurgar a responsabilidade de um fracasso escolar. Porém. recursos para fazer com que o aluno queira aprender. torna-se comum o surgimento em todas 33 . o que ocorre muitas vezes é a busca pelos culpados de tal fracasso e. Mas será que existe mesmo um culpado para a nãoaprendizagem? Se a aprendizagem acontece em um vínculo. captando a atenção do aluno. é necessário poder sair do lugar da culpa. Aqueles que não conseguem responder às exigências da instituição podem sofrer com um problema de aprendizagem. A estrutura cognitiva do aluno tem que ser levada em conta no processo de aprendizagem. Compreender a utilidade do que se está aprendendo é também fundamental. São os conhecimentos que o aluno já possui que influenciam o comportamento do aluno em cada momento. assim um aluno está motivado quando sente necessidade de aprender o que está sendo tratado. Ao estimular o aluno. ora a família. SUCESSO E FRACASSO ESCOLAR O fracasso escolar aparece hoje entre os problemas de nosso sistema educacional mais estudados e discutidos. Para ser responsável por seus atos. emocionais. onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido. proporcionam uma aula mais efetiva por parte do docente. percebe-se um jogo onde ora se culpa a criança. só assim o processo educativo poderá acontecer e o aluno conseguirá aprender a pensar. e tarefas fáceis. O desejo de realização é a própria motivação. deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. uma ruína. 4. de fácil compreensão. Somos sempre “ a fim” de aprender coisas que são úteis e têm sentido para nossa vida. descobrir. Os exercícios e tarefas deverão ter um grau adequado de complexidade. O aluno não “fica a fim”. 3. O professor deve descobrir estratégias. em geral. o considerar-se culpado. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. O professor deve utilizar as estratégias que permitam ao aluno integrar conhecimentos novos. considerando-o como peça resultante de muitas variáveis. o aluno se dedica às tarefas inerentes até se sentir satisfeito. supõe-se algo que deveria ser atingido. pois ensinar está relacionado à comunicação. não esquecendo do papel fundamental que a motivação apresenta neste processo. está no nível imaginário” O contrário da culpa é a responsabilidade. A busca incansável e imediata pela perfeição leva à rotulação daqueles que não se encaixam nos parâmetros impostos. . aprendizagem é também motivação. que não desafiam. o espaço das relações (vínculos do ensinante e aprendente). os objetos que fazem parte de seu mundo físico e social. a família e a sociedade em geral. Os conhecimentos que o aluno apresenta e que correspondem a um percurso de aprendizagem contínuo são fundamentais na aprendizagem de novos conhecimentos.. A sociedade busca cada vez mais o êxito profissional. a competência a qualquer custo e a escola também segue esta concepção. Por meio dessa necessidade.É necessário refletir sobre o que é o conhecimento e perceber que é algo de complexo que deve ser entendido como um processo de construção e não como um espelho que reflete a realidade exterior. nunca uma única pessoa pode ser culpada. Essas observações sistematizadas vão gerar duvidas (por que as coisas são como são?) e aí é preciso investigar. Porém mau êxito em quê? De acordo com que parâmetro? O que a nossa sociedade atual define como sucesso? Daí a necessidade de analisar o fracasso escolar de forma mais ampla. o educador desafia-o sempre. Alicia Fernández nos lembra que “a culpa. bem como da transferência destes para novas situações. Conclusão: A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. O ensino só tem sentido quando implica na aprendizagem. Tarefas muito difíceis. 5.As técnicas de incentivo que buscam os motivos para o aluno se tornar motivado. a sentir e a agir. a partir daí. ora uma determinada classe social. que começam pelo incentivo á observação da realidade próxima ao aluno – sua vida cotidiana . para ele. político e social. assim o professor deve fornecer sempre ao aluno o conhecimento de seus avanços. Falar ao sempre numa linguagem acessível. Assim. que geram fracasso.ser desenvolvida com atividades muito simples. Ele é definido por um mau êxito.

portanto entre subjetividades. cotidianas. se esquece da interferência afetiva na não aprendizagem. que se dá no vínculo entre ensinante e aprendente. Esses problemas tornam-se parte da identidade da criança. se repetidas constantemente. seu corpo e sua inteligência construídos em interação e a dimensão inconsciente. Alicia Fernández cita uma pesquisa com famílias de classe baixa facilitadoras da aprendizagem. O sujeito pode estar em dificuldades de aprendizagem por ter ligado este fato a uma situação de desprazer. o ser humano coloca em jogo seu organismo herdado. uma informação a ser transmitida. daquilo que ela reflete em termos do sistema em que se insere. Assim acontece com o fracasso escolar. além de tentarmos analisar os fatores que contribuem para seu surgimento. teatro. na escola zero” que trata do ensino da matemática. A sociedade do êxito educa e domestica. A partir disso. muitas vezes os profissionais da educação não conseguem transpor o conhecimento ensinando para a realidade do aprendente. podemos definir aprendizagem como uma construção singular que o sujeito vai fazendo a partir de seu saber e assim ele vai transformando as informações em 34 . uma alimentação adequada. analisando a história de vida do sujeito e buscando uma significação das fantasias relacionadas ao ato de aprender. ela revela uma possibilidade de mudança. pois implica no inconsciente. computador. mitos relativos à aprendizagem muitas vezes levam muitos ao fracasso. “O saber em jogo”. ao conceder este rótulo à criança. cursos. ou seja. Ela define como autoria “o processo e o ato de produção de sentidos e de reconhecimento de si mesmo como protagonista ou participante de tal produção” . Ou seja. mas sim dentro de um contexto muito mais amplo e repleto de significados. A aprendizagem tem um caráter subjetivo. pelo desejo. própria dele. Perde-se o sujeito. Em seu livro. APRENDIZAGEM X FRACASSO ESCOLAR: QUAL O LIMITE QUE OS SEPARA? Ao falarmos de fracasso escolar. Quando se fala em “famílias possibilitadoras de aprendizagem” tem-se uma tendência a excluir as famílias de classes baixas já que estas não podem fornecer uma qualidade de vida satisfatória. Porém. O que caracteriza estas famílias é a criação de um espaço favorável para que cada membro possa escolher e responsabilizar-se pelo escolhido. Seus valores. Na escola os alunos vão mal. ao passar pelo portão da escola. Já mencionamos que a aprendizagem é um processo vincular. Para aprender. Este caráter informativo da educação se manifesta até mesmo nos livros didáticos. Esta última é o conhecimento objetivado que pode ser transmitido. de “crianças fracassadas”. dentro da família. e que necessitam de um raciocínio matemático eles vão muito bem. Aprender passa pela observação do objeto. não se observa em quais circunstâncias ela apresenta tais dificuldades (ele está assim e não é assim). há facilidade de aceitar as diferentes opiniões e idéias. Condições estas que não são comuns em famílias produtoras de problemas de aprendizagem. segundo Maud Mannoni. ao valorizar a inteligência. Daí a necessidade de buscar o significado do “não aprender”. já que os pais são os primeiros ensinantes e as atitudes destes frente às emergências de autoria do aprendente. ele pode assumir. Esta situação pode estar ligada a algum acontecimento escolar. pois o aprender implica em desejo que deve ser reconhecido pelo aprendente. É preciso distinguir aquilo que é próprio da criança. em termos de dificuldades. Além disso. o conhecimento é o resultado de uma construção do sujeito na interação com os objetos (PIAGET) e o saber é a apropriação desses conhecimentos pelo sujeito de forma particular. é necessário conceituar aquilo que viria a ser seu oposto: a aprendizagem. nos quais o aprendente é levado a memorizar conteúdos e não a pensá-los. pela ação sobre ele. o conhecimento é considerado conteúdo. um sintoma não deve ser considerado de forma única.instituições educativas de “crianças problemas”. As discrepâncias entre o desempenho fora e dentro da escola são significativas. ocorre. As atividades visam à assimilação da realidade e não possibilitam o processo de autoria do pensamento tão valorizada por Alicia Fernández. A aprendizagem é a articulação entre saber. hiper-ativas. o acesso a diversas formas de cultura (cinema. porém em situações naturais. por sua vez. Outra questão referente à escola é que esta. Entretanto é possível a existência de facilitadores de autoria de pensamento mesmo convivendo com carências econômicas. A família. etc). Claparéde diz que a escola pode provocar na criança conflitos que influenciarão seu gosto pelo aprender. Isso não é apenas uma diferença terminológica. ele passa a ser sua dificuldade. disléxicas. a criança assume o papel que lhe foi atribuído e tende a correspondê-lo. isolado. agressivas. Isso pode ser exemplificado no livro: “Na vida dez. Em nosso sistema educacional. etc. O perguntar é possível e favorecido. Também contribuem para o fracasso escolar a própria instituição educativa que muitas vezes não leva em consideração a visão de mundo do aprendente. não ocorrendo de fato uma aprendizagem. também é responsável pela aprendizagem da criança. É importante lembrar que o desejar é o terreno onde se nutre a aprendizagem. Desta forma. propiciando um espaço para a autoria de pensamento. uma função. conhecimento e informação. irão determinar a modalidade de aprendizagem dos filhos.

Conhecer como se dá a circulação de conhecimento na família. O terceiro refere-se à gestão da educação. para as próximas décadas. Para a obtenção do sucesso. Em matemática. modificando seu modo de pensar e de agir com relação à criança. e. Os estudantes com um ano de atraso obtiveram 166 pontos. teve média de 158 pontos. O psicopedagogo deve buscar o que significa o aprender para esse sujeito e sua família. É certo que o principal desafio da educação brasileira. na região mais pobre (Nordeste) o número é de 43%. na avaliação de leitura. seja por aspectos disciplinares. mas eu. As evidências mostram que familiares mais escolarizados atribuem maior valor à educação. O grupo de alunos.aprendizado. e a deficiência mental tem incidência pequena na população. Os condicionantes originados no ambiente escolar podem ser agrupados em três grandes conjuntos. na 4ª série do ensino fundamental. seja por falta de coordenação do trabalho docente. tentando também engajar a família no projeto de atendimento para ampliar seu conhecimento sobre a dificuldade. uma diferença de 23 pontos. acima da média nacional que é de 169. mas também organizar metodologias para facilitar a aprendizagem e o desempenho escolar. o nível socioeconômico e a escolaridade dos pais.1%. Alicia Fernández fala de um enfoque clínico que significa preocupar-se com os processos inconscientes e não somente com a patologia. monitoramento e avaliação do trabalho docente e de seus resultados junto aos alunos. com pelo menos um ano de atraso. aos resultados das interações sociais e intelectuais entre alunos. é o da qualidade. sobressaem-se o seu universo familiar. conforme a trajetória escolar. pelo abandono das salas de aula e pela reprovação ao final do ano letivo. recentemente divulgados. portanto. distribuindo-se entre fatores ligados diretamente aos alunos e às escolas. na segunda série. deixando sua marca como autor e vivenciando a alegria que acompanha a aprendizagem. Relativamente às características dos alunos. Para ela no fracasso escolar “a criança não tem um problema de aprendizagem. é de magnitude considerável. constatava-se que mais de 50% dos alunos repetiam a primeira série do ensino fundamental. A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA: Considerando os fatores implicados no processo da aprendizagem. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) tem produzido um volume significativo de dados sobre os desempenhos dos alunos e os seus fatores associados. os alunos que estão na idade correta auferiram nota média de 182 pontos. São ainda elevadas. Alicia Fernández diferencia fracasso escolar. Em 1990. tentando descobrir a função do não aprender. Este processo se difere bastante do fracasso escolar que pode evidenciar uma falha nesta relação vincular ensinante. É preciso combater o fracasso escolar representado pela repetência. efetivando o pleno desenvolvimento de habilidades e competências em todos os componentes curriculares. revelam que as taxas decaíram. Esses números são sinais de como as oportunidades educacionais estão distribuídas de forma não equânime. (FERNANDEZ. problema de aprendizagem e deficiência mental. como docente. contra 177 da média nacional. pouco contribuem para o bom aprendizado dos estudantes. é de praticamente 48%. constituindo-se um sério problema para a educação. Os condicionantes do fracasso são diversos. incluindo desde a administração superior até a da escola propriamente dita. ou seja. são necessárias ações claras e racionais de alcance de metas. tenho um problema de ensinagem com ele”. ações que maximizam as chances de sucesso. acompanham e incentivam os seus filhos. No Norte. Os números da educação no Brasil de 2003. estão em situação de atraso escolar.aprendente. inclusive em tarefas do cotidiano escolar. O segundo conjunto refere-se ao clima escolar. As avaliações educacionais têm constatado que são altas as taxas de repetência e baixos os níveis de aprendizado na educação básica. Os resultados do Saeb de 2003 mostram que cerca de 38% dos alunos. Uma educação bem sucedida deve conjugar um fluxo escolar regular com o progresso cognitivo dos estudantes. o grupo sem defasagem obteve média de 189 pontos. 1994). é fazer uma escuta particular do sujeito que possibilite não só encontrar as causas do não. Conclui-se que a diferença da medida de aprendizagem. A proporção nacional. de 19. O primeiro diz respeito à formação e atuação dos professores que. poderíamos pensar no papel de psicopedagogo com relação ao fracasso escolar. na primeira série do ensino fundamental é de 30.conhecimento. Quase 11% dos alunos da região mais rica (Sudeste) refazem a primeira série. não perdendo de vista qual o papel da escola na construção do problema de aprendizagem apresentado. Esta é motivada pelo ingresso tardio da criança na escola. Escolas com clima degradado.8%. O problema de aprendizagem pode ser um sintoma de outros conflitos ou ainda uma inibição cognitiva. Nessa etapa. qual a modalidade de aprendizagem da criança. em muitos casos são deficitárias. 35 . professores e funcionários escolares. Os dados de fluxo mostram que as chances de repetência são bem maiores no Nordeste e no Norte do país.

não se teria condição de fazê-lo. foge da realidade. Práticas. Portanto. não está longe de ser um neurótico. A criatividade tem sido abordada de maneiras distintas. Este é um tema central de desenvolvimento da nação com impactos nas relações sociais e econômicas. quase que instantaneamente. cujos líderes são M. Koffka e W. O pensamento criador é. poesias. Para que tais habilidades sejam desenvolvidas plenamente é importante dotar os docentes das competências para o seu ensino. provavelmente. é amplo e muitas vezes até controvertido.As teorias sicológicas modernas em muito contribuíram para uma melhor compreensão do complexo fenômeno da criatividade. que o levam. Isto se dá. ela origina-se num conflito dentro do inconsciente. chegouse a considerar a criatividade como inspiração divina – o criador como um ser divinamente inspirado – ou tém como loucura – considerando o ato de criação como proveniente de um acesso de loucura. Criatividade é uma forma de reduzir tensão. à solução do problema. é a gratificação do seu próprio inconsciente inacessível. de novas possibilidades de ação. É necessário abandonar a idéia de que essa é uma etapa simples do processo de escolarização. seus fatores condicionantes. o indivíduo cria para aliviar certos impulsos. O indivíduo criativo é aquele que aceita livremente as idéias que surgem do ID. são algumas das medidas. incluir atividades desta natureza no material didático e prever a melhor forma de avaliar o progresso dos alunos. A teoria gestaltista. quanto uma nova receita de bolo feito por uma cozinheira. É a tese da “catarsis criadora”. como debate sobre textos de jornais e revistas. exercícios de gramática relacionados com os textos. mais precisamente. o oposto de imitação. criar é o seu consolo. a consciência fonológica e fonêmica são metas incontornáveis para o sucesso dos estudantes. Para Sigmund Freud. que o indivíduo 36 . Wertheimer. K. que eram anteriormente separadas. passa a fantasiar. de uma forma geral. conscientemente. composição de sinfonias musicais. desde a criação de trabalhos artesanais. Kohler. É urgente e imprescindível buscar obsessivamente a qualidade na Educação. Em tempos passados. Seu conceito. Melhorar os processos de alfabetização. educadores. o domínio da associação entre fonema e grafema. parte/todo. pai da psicanálise. CRIATIVIDADE Criatividade é. filósofos ou mesmo outros profissionais. O artista ou criador. entretanto. Algumas das principais evidências do Saeb revelam que o ensino de língua portuguesa centrado na evolução da capacidade de leitura dos estudantes obtém melhores resultados. ou seja. Populares aplicam a palavra indiscriminadamente para uma série de produtos finais. desenvolvendo as habilidades centrais. através dos tempos. para superar o fracasso evidenciado e experimentado por boa parte dos estudantes no sistema educacional brasileiro. na etapa de alfabetização. com competência. bem-sucedidas de aprendizado. de cópia. A teoria humanista de Carl Rogers enfatiza que criatividade pode ser tanto a teoria da relatividade de Einstein. Ao perder a ligação com os objetos reais das brincadeiras. uma reconstrução de configurações. Ela é crucial e irá contribuir para uma boa trajetória posterior da ampla maioria dos estudantes. como não possui os meios de alcançar determinadas satisfações. É necessário. o indivíduo só aparentemente desiste desta grandiosa fonte de prazer. Uma etapa necessária é a do letramento. até as descobertas da física e da matemática. leitura e discussão de diversificados gêneros textuais. criatividade e neurose têm a mesma fonte de origem:os conflitos do inconsciente. desta forma. tais como a codificação e decodificação. a fluência na leitura.A ação pública no setor educacional pode combater o fracasso minimizando efeitos não desejáveis de progressão escolar sem aprendizado. é “insight”. Um aspecto importante é a necessidade de melhorar as condições da escolarização nas séries iniciais. passando a elaborar desejos imaginários. É a reconstrução do campo perceptivo do indivíduo. É o aprender a ler. no seu ambiente. para superar os problemas de fluxo educacional e de aprendizado é necessário adotar políticas de transformação da vida cotidiana das famílias e das escolas. Segundo Freud. instrumentos de avaliação. A criação é uma forma de sublimação. definições operacionais. estudo de textos explorando as diferenças entre fatos e opiniões. estabelecendo-se. considera a criatividade como a habilidade do indivíduo reverter à relação figura/fundo. primariamente. porque a noção de criatividade abrange um conjunto de fronteiras incertas. É o ler para aprender. Parando de brincar ao se tornar adulto. a percepção brusca. Suas fantasias podem ser tanto desejos eróticos quanto desejos de engrandecimento. Segundo Freud. O “insight” envolve a percepção ou reconhecimento súbito da associação entre duas unidades de pensamento. uma nova conexão. seja entre psicólogos. de se atingir indiretamente algo que. Os professores podem e devem iniciar mudanças em suas práticas docentes cotidianas para o alcance desse objetivo. tentando encontrar melhores explicações. Esta habilidade modifica-se nas diferentes idades. textos de gêneros variados. o desenvolvimento da capacidade dos estudantes em utilizar a linguagem escrita e ler.

cores. Outra condição importante. apenas. Se aprendizagem for conceituada como toda nova reorganização que tem caráter de permanência e disponibilidade no tempo. conjugação de verbos e. emocionais e sociais. Desde o ponto de vista pedagógico. o oposto de defesa psicológica. gerando um estilo de criatividade estreitamente relacionado com o produto. Isso ocorre quando a aprendizagem possibilita o estabelecimento de relações e vínculos. entendemos a aprendizagem significativa como a aquisição de conhecimentos em que somos capazes de atribuir significado ao conteúdo aprendido. no caso da Educação Física. podemos concluir que é inevitável se trabalhar com a criatividade na sala de aula”. emoções. como predeterminadas. técnicas de movimentos esportivos. Aí estariam incluídos princípios. enquanto que a civilização oriental privilegia a experiência subjetiva como forma de conhecimento. Os primeiros autores vêm à criatividade como uma forma de vida. quantas vezes seja necessário. de ver a vida de uma forma nova e significativa. Mesmo entendendo que os dois tipos de aprendizagem não ocorrem de forma pura. que é. Guilford. primeiramente. uma aprendizagem que provoca mudança no comportamento. esclarecendo que o professor deve incentivar o aluno a encontrar suas próprias idéias. por considerála um sistema de atitudes capaz de modificar-se e adaptar-se. mesmo que estas já lhes sejam conhecida. Não é o caso de se desprezar a aprendizagem mecânica. é que a avaliação do produto final seja feita internamente. Central para todo tipo de atividade criativa é o que ele chama de “abertura à experiência”. o que vale observar é o nível de significância que pode resultar de cada uma delas. como forma de construção de conhecimento e de aprendizagem significativa. O que se pretende é valorizar outros tipos de aprendizagem que possibilitem o desenvolvimento do pensamento divergente e da criatividade. à sociedade. fórmulas. tem como base experiências anteriores e resulta em algo produtivo para o indivíduo ou para a sociedade. É necessário. Estimular o potencial de alunos faz parte de um tipo de prática pedagógica que envolve mudanças. em segundo plano. um fenômeno multifacetado. Apoiando-nos em Ausubel e Rogers . emocional. em quantidade e qualidade. inter pessoal e irracional. originado de múltiplas fontes: cognitiva. causam estranheza e têm tendência a não serem aceitas de imediato. de algo concreto ou de uma forma de comportamento que seja nova para quem o fez. segundo Rogers. que: "ao considerarmos a noção de aprendizagem como um ato onde se encontram elementos cognitivos. a expressão de uma idéia. influi em sua habilidade de criar algo novo. atitudes que muitas vezes chocam outras pessoas. Wechsler (1995) comenta a esse respeito. que debates de estudiosos concluem que a criatividade é um conceito muito abrangente. para converter cada situação em uma possibilidade de aprendizagem e ensino. A educação tem sido questionada por dar ênfase à aprendizagem mecânica ou de memorização e por não estimular uma forma autônoma de pensar e de agir. O fato de o indivíduo perceber ou não as categorias. O contexto sócio-histórico-cultural pode fomentar ou inibir a criatividade. social. Mudança. Outra importante contribuição na área da criatividade foi à análise fatorial de J. satisfazê-lo e. pode-se supor que toda aprendizagem é primeiramente uma criação. ainda assim representa uma realização criadora. uma pessoa é criativa na medida em que realiza suas pontencialidades como ser humano. sair da rotina são experiências que causam temor. o sistema educativo deveria se preocupar em oferecer experiências que promovessem o desenvolvimento da criatividade em todas as áreas de expressão. transformar os elementos. que interagem para trazer a motivação e o envolvimento com a tarefa. em atitudes e na personalidade.possua a habilidade de lidar com conceitos e elementos. um estilo de criatividade mais centrada no ser humano e no seu desenvolvimento pessoal. Dieckert (1985 e 1984) prefere o termo criatividade pedagógica. pois conteúdos factuais são melhor ensinados e aprendidos por meio de repetição e memorização. exatamente. entre o novo conteúdo e as experiências vividas ou com os conhecimentos já adquiridos. Apesar da aceitação do conceito de criatividade e da proliferação dos trabalhos nesta área. O meio ambiente pode. que haja liberdade psicológica e que não se faça uma avaliação do indivíduo. 37 . para haver criatividade. de Expressar o ridículo. Encontramos na literatura vários conceitos e definições sobre criatividade que apontam para uma capacidade humana. maximizar a possibilidade de emergência da criatividade. trazendo como conseqüência o aprender. que gera um tipo de pensamento divergente.P. Quando o indivíduo descobre algum fato que já foi revelado por outros. formas. assustam. Quando se oferece ao aluno oportunidade para ser criativo está se oferecendo também uma abertura para a expressão de sentimentos. Ressalta. de brincar espontaneamente com idéias. relações. igualmente. o processo educativo é insuficiente para desenvolver a criatividade e a educação formal não tem oportunizado o ensino do pensamento criativo. Sefchovich & Waisburd (1995) e Capra (1982) assinalam que a cultura ocidental sempre valorizou o pensamento dedutivo racional. transformação. A ação criativa é uma situação onde se produz o novo. Este tem que. Por aprendizagem mecânica ou repetitiva entende-se a aquisição de conhecimentos que nos possibilita memorizá-los e repeti-los literalmente quando somos questionados. que o próprio indivíduo julgue o ato de criação. ainda.

As características de aluno criativo que mais chamam a atenção de docentes de Educação Física estão ligadas ao aspecto motor. A originalidade (respostas inovadoras). No entanto.variáveis positivas no aspecto social. na capacidade que o indivíduo possui de utilizar movimentos corporais para expressar uma idéia. trabalhadores. No entanto. fluidez (quantidade de respostas). a flexibilidade (riqueza das respostas). CARACTERÍSTICAS DE ALUNOS CRIATIVOS Um aspecto comprovado é a tendência dos docentes em privilegiar características de indivíduos criativos que se relacionam mais ao produto que este apresenta. Ser curioso. Características associadas à criatividade. espontâneos. como a independência de pensamento. ao estudar indivíduos altamente criativos. vivências motoras ou domínio corporal implica experiências anteriores. em vários outros trabalhos. artísticos . a exemplo de atletas e bailarinos. 38 . a estética dos movimentos. forma de agir ou mesmo de personalidade do indivíduo são incompatíveis com aquelas mais enfatizadas pela sociedade em geral e pelo professor em particular. interesseiros. desordenados. espontaneidade não foram consideradas importantes.um dos requisitos para o desenvolvimento de habilidades de pensamento divergente . às técnicas esportivas. Alencar (1993) ao analisar as características e comportamentos desejados e encorajados pelos professores em sala de aula. despertando insensibilidade de amigos ou mesmo da sociedade. o que se percebe nos discursos de alguns docentes é a associação que se faz da capacidade de se “expressar bem corporalmente" com a habilidade física. e “querer saber de tudo”. esses estudos vão contra as concepções de Maslow (1998) e Rogers (1985) em relação à criatividade como auto realização. Uma delas é a determinação em fazer algo. a qualidade técnica. o que pode gerar uma idéia errônea de que somente os indivíduos com performance corporal. flexíveis. descontrolados. sinceros. Isso não significa que estejam relacionadas.traços negativos do ponto de vista social. mas pobres em comodidade emocional. Segundo Vigotski (1998). egocentrismo. “A estimulação intelectual e a privação emocional podem produzir um gênio. o conceito de criatividade e o de pessoa sadia e plenamente humana talvez resultem a mesma coisa. aventureiros. A mesma autora. seriam criativos. o que ocorre apenas em uma pessoa psicologicamente saudável. Rogers (1985 a e b) acredita que a criatividade envolve toda uma orientação do organismo e não apenas a mente consciente.” Gardner (1996 e 1999). Estaria implícito aí o conceito de motricidade. Geralmente a infância de pessoas consideradas criativas são ricas em estímulo intelectual. referem-se ao produto que o sujeito apresenta e nos esclarecem pouco sobre atitudes e comportamentos da pessoa criativa nos momentos de sua atuação. que pode ou não incluir técnicas esportivas. que valoriza a criatividade. intolerância. estes estudantes são também originais. geralmente. São. contrários às regras . populares e bem aceitos pelos colegas . Parece existir “discordância" em relação ao que se entende por técnicas no esporte e dança e vivência corporal diversificada que um indivíduo adquiriu em sua história de vida. A outra dimensão revela a tendência à conservação de traços ou aspectos menos atraentes da infância: egoísmo. intuição.atitudes que parecem facilitar a disciplina em sala de aula. elaboração (número de detalhes).são vistas muitas vezes como condutas que atrapalham a aula. e as práticas docentes que indicam um comportamento convergente. Antunes (1999) comenta que alunos considerados criativos comparados com figuras históricas consideradas geniais por sua criatividade.Em nosso entender o desconhecimento de características de personalidade e da forma de agir e se expressar. a depreciação dos outros e a auto promoção destes indivíduos. a variedade e riqueza de experiências estão em relação direta com a atividade criadora. que acaba por conduzi-los a tornarem-se marginalizados. Estudantes criativos em relação aos não criativos são instáveis. Algumas pesquisas sugerem que apesar de a criatividade ser considerada importante como habilidade de pensamento e como fator de desenvolvimento humano. ser questionador durante as aulas. Algumas características do comportamento de pessoas criativas são consideradas inadequadas ou negativas e acabam por rotulá-las como pessoas difíceis. Para o primeiro autor. mas também podem gerar pessoas frustradas e insatisfeitas. demonstram extrema ousadia e ambição em sua maneira de agir. atenciosos. cultos. pessoas que pouco se incomodam em sacrificar o bem estar pessoal ou mesmo suas relações afetivas em troca do desenvolvimento de sua obra . obstinação. curiosidade. de julgamento. necessariamente. comenta as duas dimensões pessoais que os coloca como pessoas difíceis. metodologias de ensino que estimulem formas de pensamento divergente e canalizem o agir para mudanças positivas também representam um obstáculo para o desenvolvimento do potencial criativo dos alunos. algumas características de sua conduta. aponta que mais de 95% dos professores gostariam que seus alunos fossem obedientes. estupidez. aponta para uma certa inconstância entre o discurso. Possuir um bom repertório de movimentos. De certa forma.

tentar novas formas de expressão. ainda são comuns em nossa sociedade. invenção e de ir mais além do conhecido. com os ganhos e mais com o processo. até certo ponto. simbólicos. professores). Isso pode ser observado já nas primeiras séries escolares e mesmo na educação não formal. medo de serem diferentes. questionar são encaradas com receio. a falta de tempo e o pouco conhecimento que têm sobre a criatividade impossibilitam o reconhecimento da capacidade criativa dos alunos. de inventar novas formas de relação com o grupo. A inibição na utilização do corpo como linguagem de expressão. De acordo com Mackinnon (1980) pessoas criativas são as que apresentam mais indicadores de feminilidade. Ruiz Perez (1995) acrescenta que. sendo o professor mediador e facilitador da construção de conhecimento do aluno. Expressar a criatividade por meio da motricidade é um problema na maioria das vezes. que nós é imposta pela sociedade acaba por intimidar nossa capacidade de criar novos movimentos. embora numerosas atividades na Educação Física reclamem um pensamento convergente e reprodutor. associada a uma resistência ao que novo ou diferente. ainda. aceitar e valorizar as idéias e as soluções encontradas pelos alunos. Alencar (1993) aponta a liderança. como por exemplo o medo de ser avaliado negativamente por outros (pais. Cabe ao professor criar ambientes de respeito e aceitação que oportunizem as diferentes formas de expressão de criatividade do aluno. acabam por inibir e aparecimento de formas de expressão individuais. O culto ao corpo perfeito. de manusear materiais de forma inusitada . A utilização de metodologias de ensino diretivas. Torre (1997:9) adverte que os conteúdos não devem ser obstáculos para o desenvolvimento da criatividade. amigos. descobrimento. descrevem formas de trabalho ou estilos de ensino nas quais o aluno é protagonista do processo e a principal meta é sua autonomia. Pensar de forma diferente. 2001): estar preso a programas e conteúdos. acaba por criar barreiras à expressão criativa do aluno. mas sim um veículo para acrescentar a ideação através dos conteúdos figurativos. Isso exige que o professor esteja preparado para proporcionar aos alunos problemas e situações relevantes. existem numerosas oportunidades para aprender de forma mais criativa.MEDO DE SE EXPOR Muitas pessoas têm dificuldades e. nas quais o professor e o conteúdo a ser aprendido são o centro do processo ensino-aprendizagem. mas como maior interesse por atividades estéticas que envolvem emoção e sentimentos. As pesquisas sobre criatividade no Brasil têm sido realizadas principalmente com alunos e professores do ensino fundamental e médio e relatam estudos 39 . Mosston & Ashworth (1996). Esportes e Dança oferecem grandes oportunidades para desenvolver a capacidade humana de diversidade. semânticos ou comportamentais. espontaneidade e sensibilidade. Concepções de ensino em que são privilegiadas e valorizadas a reprodução de conhecimento e a memorização de fatos são projetadas para que os alunos adquiram conhecimento de forma passiva. a independência e a iniciativa como características mais exigidas para o sexo masculino e a intuição. que pode ter diferentes causas. Isso também foi evidenciado em nossa pesquisa realizada com docentes universitários de Faculdades de Educação Física (Tibeau. Estudos comprovam que o medo aumenta com a idade e é na fase da adolescência (fase também de transformações corporais) que se pode observar melhor o temor de se expor. Afirmam que as áreas de Educação Física. em um dos mais importantes trabalhos sobre metodologias de ensino em Educação Física. As mulheres se comprometem menos com os produtos. as formas de manifestação corporal ditadas pela sociedade moderna. para o sexo feminino. METODOLOGIAS DE ENSINO Uma questão que é sempre presente nas discussões sobre criatividade no processo educacional versa sobre como os educadores reconhecem e cultivam uma forma de pensar divergente e autônoma de seus alunos e. Parece que para as meninas essa situação é mais comum que para os meninos. de serem criativos. como esses educadores proporcionam aos estudantes oportunidade para canalizar sua energia criativa. Para Maslow (1990) os exemplos de criatividade sempre fazem referência a produtos masculinos. não como desvio de sexualidade. Em nossas pesquisas uma das causas alegadas pelos docentes universitários como dificuldade para identificar alunos criativos é o medo e a vergonha que os alunos têm de se expor. Aquelas velhas e tão conhecidas frases do tipo “isso não é pergunta que se faça”. “menino não dança assim” ou “meninas não se comportam desta maneira”. Os sentimentos negativos em relação ao próprio corpo geram um tipo de ansiedade que é pouco produtiva para a expressão de idéias e emoções por meio da motricidade. O receio e a vergonha de se expor em atividades motoras está relacionado ao fracasso. as formas estereotipadas das danças transmitidas pelos meios de comunicação. que colocam o êxito e o triunfo em evidência. especialmente nas atividades motoras.

no sentido de estimularem os indivíduos a elaborarem e transformarem as suas idéias. abandonando. a abertura à percepção. principalmente. fatores inibidores e promotores da criatividade e. especialmente no Brasil. influência da criatividade no rendimento escolar. habilidade para sentir problemas. muito freqüentemente. Estabelecer um relacionamento criativo com uma determinada realidade é. assim. Wechsler (1995) vai mais longe e assinala o próprio despreparo do futuro profissional para entender. as pessoas possuem. com novas idéias e soluções. soluções originais). com uma predisposição ao pensamento criativo. autônomo. julgarem. E é do mesmo modo necessário”. habilidade para reestruturar idéias. fluência. È. isto funciona como um incentivo ao desenvolvimento de suas próprias idéias. para oferecer condições para o desenvolvimento de formas de pensamento crítico. para a descoberta de melhores respostas aos obstáculos e desafios do mundo moderno. A educação formal. pode melhorar sua capacidade de pensamento criativo. divergente e de trabalhar os conteúdos de maneira questionadora e indagadora. Criatividade. flexibilidade. A criatividade. portanto. espera-se que o professor tenha sido preparado no seu curso de formação profissional para atuar de maneira crítico-reflexiva em relação aos conteúdos a serem ensinados e a valorizar a construção do conhecimento dos alunos. diante do volume e da complexidade dos problemas dos tempos atuais e da rapidez com que se processam as mudanças. Relatam também a falta de preparo dos professores. pois. E como bem o afirma Ostrower: “Criar é tão difícil ou tão fácil como viver. que o indivíduo recebe. Os condicionamentos agem. devem ser devidamente estimulados. na formação de profissionais da educação. como a emergência de originalidade e individualidade. assim. autogeradora. Qualquer indivíduo. Geralmente. destruída ou incentivada. entre outros. deve ser suficientemente aberta. fundamental que. romper com o passado e o presente. A velocidade das informações e dos conhecimentos enfatiza a necessidade de o Homem se adaptar continuamente a novas situações a fim de responder. consequentemente. é necessário incrementar um tipo de ensino que combine o esforço de pensar com o de aprender. inteligência ou nível sócio-econômico. A psicologia admite que. exceto em casos patológicos. para ser autocrítica. Mudanças tecnológicas e científicas que ocorrem neste final de século têm ocasionado uma crise na universidade e. tais como a auto-confiança. procurando tornar o indivíduo sensível aos estímulos ambientais. ao treinar e incentivar as atividades relacionadas com o pensamento convergente (reprodução de fatos conhecidos). De uma certa forma.sobre avaliação da criatividade em alunos. portanto. a classificarem. conformismo. á avaliação do pensamento produtivo. idéias novas. e os métodos de ensino reformulados. a velhos problemas. em graus diferentes. A emergência da era industrial e conseqüente modernização e automação da sociedade definiram muito as características das transformações que o processo educacional deveria incorporar. Questionam também a própria forma de atuação do professor. metodologias e programas para o desenvolvimento de diferentes formas de expressão da criatividade. a educação sem criação não é uma educação de verdade. de acordo com uma série de valores introjetados. há uma tendência para levar os indivíduos a interpretarem fatos. quando este é encorajado a manipular objetos e idéias. dependendo do meio ambiente em que os mesmos se desenvolvam. é encontrada em cada indivíduo. projetando-se no futuro. para considerar que a educação formal suprime muito a criatividade natural. o humor. pode ser inibida. as atividades relacionadas ao pensamento divergente (fantasias. na maioria das vezes. a descobertas de outras. compararem. Segundo Maria Helena Novaes (1975). em muitos pesquisadores na área da criatividade. todas as habilidades em potencial. curiosidade inteletual. A FORMAÇÃO PROFISSIONAL Estudos realizados na área de formação de professores têm evidenciado a carência dos cursos de licenciatura em fornecer meios ao futuro profissional de desenvolver e aprimorar sua própria capacidade criativa e para reconhecer e valorizar esta forma de pensar e agir em seus alunos. independente de idade. Tendências e traços da personalidade criativa. valorizar e lidar com sua própria criatividade. sexo. Boa Sorte! 40 . potencial presente em todos os indivíduos por ocasião do nascimento. Há uma tendência. o indivíduo utilize o seu potencial criador contribuindo.

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