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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA CURSOS DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS HUMANAS APLICADAS (COMUNICAÇÃO SOCIAL, DIREITO, SERVIÇO SOCIAL, TURISMO)

APOSTILA DE ECONOMIA POLÍTICA

Profº Guilherme Carvalhido

1º semestre de 2013

3 1.4 .2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO --------------------------------------------------------------------------------------.DEFINIÇÕES BÁSICAS DE ECONOMIA POLÍTICA ---------------------------------.

Assim. na visão do seu organizador. E devemos esclarecer que não há nenhuma relevância específica para qualquer um dos cursos contemplados. Ela é uma representação escrita das aulas ministradas no curso de Economia Política da Universidade Veiga de Almeida nos cursos de graduação de Comunicação Social. o objetivo deste trabalho não é esgotar o conhecimento sobre Economia Política. Os capítulos e subcapítulos constituem um formato consagrado em várias obras semelhantes. Muitas partes desta compilação são cópias fiéis das fontes consultadas. serem seguidos na ordem. mas sim uma compilação de alguns trabalhos que apresentam. Acreditamos que a busca por outros materiais além desta apostila complementa o básico para os leitores se orientarem melhor no conhecimento da Ciência Econômica. aos quais são voltados os conteúdos aqui reunidos. um razoável resumo do conteúdo vasto e complexo da Economia Política. pois serão apresentados assim nas aulas expositivas do curso. Serviço Social e Turismo. Direito. mas apenas ajudar aos seus leitores na compreensão genérica dos seus principais aspectos. Outras são frutos da combinação de vários trabalhos.3 INTRODUÇÃO Esta apostila não constitui um trabalho original. portanto. Boa leitura! Profº Guilherme Carvalhido (organizador) . devendo. acrescidos de reflexões e comentários do organizador.

moradia) e não-materiais (educação. naquele ano.) de uma sociedade. Os consumidores. seja da sociedade. Os exemplos que apresentamos a seguir mostram que.4 CAPÍTULO 1: CONCEITOS FUNDAMENTAIS. Na vida real estamos constantemente escolhendo. se conceder mais verba para as obras públicas. sabe que poderá tirar uma nota baixa como consequência. o tempo todo. Para a satisfação das necessidades materiais (alimentos. tenha de sacrificar as férias de verão e não possa trocar de carro. sabe que. as empresas e o setor público têm. existe a alternativa de reinvesti-los na empresa. ou de comprar um apartamento no litoral. por exemplo. de examinar alternativas na hora de agir e decidir qual delas é a mais conveniente. lazer etc. portanto. Para um empresário que obteve lucros razoáveis. se um estudante decide sair todas as noites antes de uma prova. INTRODUÇÃO: Raciocinar em termos econômicos implica uma avaliação das diferentes opções possíveis. seja dos indivíduos. a fim de acelerar seu crescimento. Assim. ao preparar seu orçamento. é possível que. . Se um jovem casal decide dar entrada em um apartamento próprio. todos nós nos deparamos com alternativas entre as quais é preciso escolher. atuam no contexto da economia. todas as sociedades se deparam com a escolha e. obtêm-se os bens e os serviços necessários. Mediante essas atividades. entendendo-se por bem todo o meio capaz de satisfazer uma necessidade. na prática.1: A ECONOMIA E A NECESSIDADE DE ESCOLHA. A economia se ocupa da maneira como se administram recursos escassos. vestuário. O governo. Com efeito. com o objetivo de produzir diversos bens e distribuí-los para consumo entre os membros da sociedade. 1. seus membros devem realizar determinadas atividades produtivas. terá de reduzir os recursos destinados a outros fins – saúde. A economia se ocupa das questões relacionadas à satisfação das necessidades dos indivíduos e da sociedade.

como assistência médica. A macroeconomia é o estudo dos fenômenos que afetam o conjunto da economia. educação. As pessoas tratam de atender inicialmente às suas necessidades biológicas ou primitivas. . isto é. A escassez é um conceito relativo: refere-se ao desejo de adquirir uma quantidade de bens e serviços maior do que a disponível. as pessoas se ocupam daquelas outras que tornam a vida prazerosa. as empresas e o setor público tomam decisões. 1. transporte etc. A escassez não é um problema tecnológico. por sua vez. precisam prover-se de certos serviços. aquelas relacionadas com alimentação. O estudo da economia se dá sob dois enfoques: o microeconômico e o macroeconômico. Da mesma maneira.1. A microeconomia é o estudo do modo como as famílias. analisa os comportamentos agregados ou globais e se ocupa de temas como emprego. porém o nível destas dependerá do poder aquisitivo de cada indivíduo em particular.1: ESCASSEZ E ESCOLHA. mas de disparidade entre desejos humanos e meios disponíveis para satisfazê-los.5 A economia estuda como as sociedades administram recursos escassos para produzir bens e serviços e distribuí-los entre diferentes indivíduos. Uma vez atendidas essas necessidades. bem como o estudo da forma como eles interagem. A macroeconomia. A microeconomia estuda os comportamentos básicos dos agentes econômicos individuais. moradia e vestuário. inflação e o produto total de uma economia.

A classificação tradicional dos fatores produtivos contempla três categorias. como fator produtivo: .1. Todos aqueles que têm o poder e/ou utilizam dos fatores produtivos. recebem alguma remuneração pela sua posse. mas à produção de outros bens. . Os fatores produtivos. as ferramentas.2: FATORES PRODUTIVOS. .O trabalho: o tempo e a capacidade intelectual dedicados às atividades produtivas. . os edifícios e as matérias-primas.6 1.O trabalho: remuneração genérica o salário. isto é. Os inputs são combinados ao longo do processo produtivo a fim de obter os produtos (outputs).O capital: os bens duradouros que não são destinados ao consumo. ainda que também seja comum considerar o empresário. nada mais que um promotor e gestor de empresas.O capital: remuneração genérica o lucro. As economias capitalistas são assim denominadas justamente porque esse capital costuma ser propriedade privada dos capitalistas. Quais são: . o trabalho. a terra. . .A terra: remuneração genérica o aluguel.A terra (ou recursos naturais): tudo o que a natureza aporta ao processo produtivo. Os fatores ou recursos produtivos (inputs) são os recursos empregados pelas empresas ou unidades econômicas de produção para produzir bens e serviços. que consistem em uma ampla gama de bens e serviços cuja finalidade é o consumo ou uso posterior na produção. as máquinas. são utilizados para produzir bens e serviços.

.O que produzir? Que bens e serviços serão produzidos pela sociedade? É necessário escolher quais os produtos e serviços serão efetivamente produzidos para melhor satisfazer às necessidades coletivas. e não capital financeiro. O fato de os recursos produtivos estarem disponíveis em quantidades limitadas e de as necessidades humanas serem praticamente ilimitadas leva. máquinas e edifícios. portanto. ou será enfatizada a produção de serviços destinados a ocupar o tempo livre. . à escolha.3: PROBLEMAS ECONÔMICOS FUNDAMENTAIS DE TODAS AS SOCIEDADES. como roupas. Um lote de ações não constitui um recurso produtos de bens e serviços. Capital humano são os conhecimentos e as qualificações adquiridos pelos indivíduos por meio da educação e da experiência. será incrementada. em economia é necessário distinguir o capital físico do capital humano. como fábricas. o termo capital significa capital físico. como alimentos e automóveis.7 Em economia. A necessidade de escolher fica evidente quando se consideram os quatro problemas fundamentais a que todas as sociedades devem dar respostas: O que produzir? Quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir? . a menos que se especifique o contrário. tais como concertos e espetáculos teatrais? A quantidade. Serão produzidos muitos bens de consumo. ou se dará mais atenção aos bens de produção. ou seja.1. e não é capital físico. é necessário determinar as quantidades de cada produto e serviço escolhido. Da mesma maneira.Quanto produzir? Junto com a definição dos produtos e serviços que serão produzidos por uma sociedade. 1. que permitirão incrementar o consumo no futuro? Serão produzidas muitas roupas de baixa qualidade ou poucas de boa qualidade? A produção de bens materiais. inevitavelmente. está intimamente ligada à definição das escolhas da sociedade.

térmicas. pelo contrário. As proposições quanto ao que deveria ser correspondem a certos critérios éticos. como o total da produção nacional será usufruído pelos diferentes indivíduos e famílias? Será favorecida a distribuição igualitária da renda ou. um 1 Agentes econômicos: Famílias: grupos pequenos de pessoas que atuam em conjunto .Para quem produzir? A quem se destinará a produção? Quem consumirá os bens e serviços produzidos? Em outras palavras.4: A ECONOMIA POSITIVA E A ECONOMIA NORMATIVA. incluindo a utilização de robôs? As grandes empresas pertencerão à iniciativa privada ou ao estado? . Em todos os casos. As empresas decidem que produtos e serviços vão produzir e como vão produzi-los. ideológicos ou políticos a respeito do que se considera desejável ou indesejável. por exemplo. 1.Como produzir? Como os bens e serviços serão produzidos? Com que recursos e com que técnicas as empresas os produzirão? Quem desenvolverá cada uma das atividades? A energia a ser empregada será fornecida por usinas hidrelétricas. nucleares ou por centrais de energia solar? A produção será prioritariamente artesanal ou altamente mecanizada. o peso relativo do setor público. . Assim. As pessoas decidem que produtos e serviços vão comprar. Sob o ponto de vista normativo. Governo (setor público): grupo de administradores responsáveis pela gerência da economia pública de uma sociedade. Essas decisões do governo baseiam-se nos orçamentos públicos. trata-se de verificar se esse setor deveria aumentar ou reduzir sua importância dentro do contexto global da atividade econômica. serão permitidas grandes diferenças de renda? Quem decide a essas quatro perguntas básicas nas economias capitalistas são os diferentes agentes econômicos1 que atuam em uma infinidade de mercados. Os governos decidem que projetos e programas vão realizar e como eles serão financiados. Por sua vez. a chave está na atuação de uma ampla rede de mercados. ao estudar. a que profissão vão se dedicar e quanto dinheiro vão guardar.1. e não exclusivamente no raciocínio científico.8 . Empresas: grupo de administradores responsáveis pelo comando de empresas que produzem bens e serviços para satisfazer as necessidades dos indivíduos em uma sociedade. em economias formulam-se preceitos sobre o sistema econômico baseados em juízos de valor.

as alternativas de escolha são inúmeras. 1. os componentes positivo e normativo da ciência econômica. mesclam-se de tal maneira que se torna muito difícil separá-los. A economia positiva procura dar explicações objetivas sobre o funcionamento da economia. com o objetivo de alterar determinados eventos que consideramos desfavoráveis. Na vida real. isto é. Para simplificar o problema. consideremos uma economia que dispõe de uma dotação fixa de fatores produtivos. Se não houvesse possibilidade de influir na atividade econômica por meio de políticas econômicas. mas se utilizam o conhecimento da realidade e o suporte da teoria econômica para tentar interferir na economia e transformá-la. Seja como for. A FPP ilustra um fato importante: em economia que conta com milhares de produtos. a economia positiva e a economia normativa.9 enfoque positivo se limitaria a indicar a importância relativa do setor público.2: A FRONTEIRA DE POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO (FPP) E O CUSTO DE OPORTUNIDADE. A curva de transformação – ou fronteira de possibilidades de produção (FPP) – mostra a quantidade máxima possível de bens ou serviços que determinada economia pode produzir com os recursos e a tecnologia de que dispõe e dadas as quantidades de outros bens e serviços que também produz. sem entrar em qualquer julgamento de valor. a economia seria uma disciplina meramente descritiva e histórica. A economia normativa refere-se aos preceitos éticos e às normas de justiça. em economia não se fazem afirmações sobre o que deveria ser. os quais supomos todos empregados. e na qual se produzem somente dois tipos de bem: computadores pessoais e telefones celulares. .

10 Se. das quais cinco se apresentam no Quadro 1. será preciso sacrificar certa quantidade de celulares. a partir de dada situação.1. Em outras palavras. As diferentes possibilidades com que a economia em questão depara podem ser representadas em um exemplo numérico. se decide produzir mais computadores pessoais em uma dada economia e se concentram os esforços nessa direção. dada a suposição de que só se produzem dois bens. Portanto.1 e na Figura 1. aumentar a produção de computadores tem um custo para a sociedade em termos dos celulares que deixam de ser produzidos. As opções distintas são as combinações possíveis de computadores e celulares. para melhor atender às necessidades de computadores nessa economia. . obrigatoriamente menos celulares serão produzidos.

É preciso optar entre diferentes alternativas. a produção de computadores vai aumentando à custa da redução no número de celulares. em que não se produz nenhum computador. pois a vida real sempre apresenta dilemas dos quais precisamos estabelecer prioridades. igualmente desejáveis. Todos os pontos dessa curva são. está formada por todos os pontos intermediários entre as situações representadas no Quadro 1. No exemplo do quadro. já que todos os recursos são empregados na produção de celulares. Um simples olhar .11 A fronteira de possibilidades de produção. partimos de uma situação extrema (A). A partir dessa situação inicial. ou curva de transformação.1. A FPP ilustra uma característica fundamental: a economia é a ciência da escolha. em princípio.

Podemos definir melhor o conceito de custo de oportunidade. isto é. chamamos custo de oportunidade de um computador o número de celulares que é preciso deixar de produzir para obtê-lo. e o quarto computador exige o sacrifício de nove celulares. ela está diante de um dilema: produzir uma quantidade maior de um bem exigirá necessariamente produzir menos de outro. celulares.2. A economia ensina que “não existe almoço grátis”. isso só será feito mediante a redução na produção do outro bem. computadores. Se uma economia se encontra sobre essa fronteira e todos os recursos estão sendo plenamente utilizados. O computador seguinte tem um custo de oportunidade de três celulares (intervalo de B a C). Em economia. Assim. o qual devemos sacrificar para nos deslocarmos do ponto A até B. o que equivaleria ao princípio de que tudo tem seu custo.1: CUSTO DE OPORTUNIDADE. entendido como aquilo que precisamos entregar para obter algo. . No caso da Figura 1. 1. que denominamos custo de oportunidade. Essa escolha entre os dois bens indica que o custo de obter mais unidades de um deles. a opção que se deve abandonar para poder produzir ou obter outra coisa se associa ao conceito de custo de oportunidade. de maneira eficaz. Em termos mais precisos.12 à nossa volta nos diz que tomar decisões implica optar por um objetivo em detrimento de outro.1. a partir da fronteira de possibilidades de produção. o custo de oportunidade de produzir um computador é um celular (a diferença entre 18 e 17). se obtemos uma combinação determinada de bens empregando. os incrementos na produção de computadores a que chegamos ao nos deslocarmos de A para E elevam cada vez mais o custo de oportunidade. todos os recursos de que a sociedade dispõe e ainda assim queremos produzir algumas unidades a mais de um dos bens. na coluna (4). em nosso caso. Como mostra o Quadro 1.1. é justamente deixar de produzir algumas unidades do outro.

À medida que as oportunidades de trabalho tomamse mais atrativas. Em economia esses ajustes são conhecidos como mudanças marginais. uma parte do custo de oportunidade de estudar é a possível perda da renda advinda de um emprego. aumenta o custo de oportunidade de estudar. Assim. D e E) se raciocinarmos à luz de mudanças marginais ou unitárias. 1. e vice-versa: se não existem oportunidades de trabalho para os jovens. é .1. Para compreender como funcionam as economias dos diferentes países.2. B. Assim. C. Ao apresentar o custo de oportunidade de produzir computadores em termos de celulares. recorremos à análise marginal. As pessoas racionais pensam em termos marginais. A sociedade deverá decidir quantos celulares está disposta a sacrificar para obter “um” computador adicional.3: TEORIAS E MODELOS ECONÔMICOS. a outras coisas que poderíamos fazer como trabalhar. muitas das decisões tomadas exigem pequenos ajustes adicionais.2: MUDANÇAS MARGINAIS. Na vida real. os jovens escalados por um time de futebol com salários milionários têm um elevado custo de oportunidade para continuar seus estudos. o custo de oportunidade de um bem ou serviço é a quantidade de outros bens ou serviços a que se deve renunciar para obtê-lo. 1. pois definimos o custo de oportunidade de obter m computador como o número de unidades de celular que é preciso deixar de produzir para obtê-lo. chegaremos à posição considerada adequada entre as possíveis (representadas pelos pontos A.13 O custo de oportunidade de uma decisão é aquilo a que se deve renunciar para obter algo. durante os anos de estudo. Em outras palavras. nos termos da Figura 1. a opção de frequentar um curso universitário significa renunciar. Portanto. Por exemplo. o custo de oportunidade toma-se menor.

as teorias são compostas por um conjunto de definições. Para levar a cabo essas tarefas. mas uma necessidade. a única coisa que os economistas poderiam fazer seria observar a realidade e descrever o que vissem. a fim de explicar o porquê de certos acontecimentos ou justificar a relação entre duas ou mais coisas. As teorias nos permitem ordenar o que observamos. e. Sem as teorias.1: TEORIAS. Uma teoria é uma explicação do mecanismo subjacente aos fenômenos observados. 1. procuram facilitar a previsão das consequências de alguns acontecimentos. uma série de pressupostos e determinadas hipóteses sobre o comportamento das variáveis econômicas. por um lado. Uma variável econômica é algo que influi nas decisões relacionadas aos problemas econômicos fundamentais ou algo que descreve os resultados dessas decisões. As teorias. por outro. PRESSUPOSTOS E MÉTODO CIENTÍFICO. A teoria econômica proporciona uma estrutura lógica para organizar e analisar dados econômicos.14 necessário contar com teorias e modelos que expliquem o funcionamento dos fenômenos econômicos. . pretendem explicar por que se observam determinados acontecimentos no mundo real ou por que se dá certa relação entre duas ou mais variáveis econômicas.3. Teorizar não é um luxo.

Nesse sentido. são lógicos no delineamento dos problemas e nas soluções que escolhem. que os indivíduos são utilitaristas ou egoístas e. cabe argumentar que as teorias não devem ser avaliadas à luz do maior ou menor realismo dos pressupostos por elas empregados. por outro. . mas sim pela validade das previsões delas derivadas. Provavelmente. os pressupostos introduzidos em economia são criticados por sua falta de realismo. A investigação econômica: O método normalmente seguido na investigação em economia tem três fases (Esquema 1.15 O papel dos pressupostos: Os pressupostos que integram as diferentes teorias são proposições cuja validade no âmbito teórico se assume como dada. Sob esse ponto de vista. são usados porque sintetizam o padrão de conduta dos agentes econômicos. isto é. As teorias não devem ser avaliadas pelo realismo de seus pressupostos. e. Os pressupostos são proposições cuja validade se toma como dada e que resumem a conduta dos agentes econômicos. sempre procuram maximizar alguma grandeza. Muitas vezes. uma teoria será válida sempre e quando as consequências ou previsões formuladas a partir dela também o forem. os pressupostos mais característicos utilizados em economia são: por um lado. consequentemente. um fenômeno é observado e nos perguntamos por que pode existir determinada relação.1): • Na primeira. que os agentes econômicos atuam de forma racional. mas sim pela validade de suas previsões.

• Na terceira. as demais variáveis que influenciam a demanda por esse bem. uma das maiores dificuldades é realizar experimentos controlados com os agentes econômicos. exceto o preço. permanecem constantes. Em economia. costuma-se introduzir a condição ceteris paribus (tudo o mais constante) nos modelos econômicos.1. ESQUEMA 1.16 • Na segunda. formula-se uma série de hipóteses e desenvolve-se uma teoria que tenta explicar o fenômeno observado. por exemplo. se estamos estudando a influência do preço na quantidade demandada de automóveis. podem-se empregar tanto o método indutivo (aquele que parte da observação da realidade para obter princípios gerais) como o método dedutivo (aquele que consiste no emprego de deduções lógicas extraídas de axiomas a priori sem recorrer à observação empírica). Essa condição consiste em supor que. as previsões da teoria são constatadas ou verificadas pelo seu confronto com os dados.1 Representação da investigação em economia Observação (Indução) Hipótese (Dedução) Teorias. Para amenizar os efeitos desse obstáculo. Somente desta forma podemos analisar o efeito de . Veja o Esquema 1. leis (Verificação) Observação Experimentação Método dedutivo Método indutivo A cláusula ceteris paribus: Na investigação econômica.

podem comprometer a objetividade na análise dos fenômenos econômicos. certos juízos de valor que os indivíduos aprendem e absorvem. livre de juízos de valor e de elementos subjetivos. Na filosofia da ciência. Nesse contexto. argumentos e conclusões. ceteris paribus. além disso. o ideal de uma explicação dos fatos puramente objetiva. Os modelos econômicos supõem que o comportamento dos indivíduos é “racional”. aceita-se de forma generalizada que toda investigação científica implica elementos subjetivos importantes. Esses juízos de valor influenciam as questões que os cientistas estudam.2: OS MODELOS E SUA UTILIZAÇÃO. que eles tomam as decisões mais efetivas para ajudá -los a . o tipo de perguntas que se fazem. explica determinada proposição ou certo aspecto de um fenômeno mais amplo. Os juízos de valor: Todas as sociedades têm certos valores ideológicos. por meio de pressupostos. Para tentar influenciar as atividades. 1. Embora sempre sejam simplificações da realidade.3. na quantidade demandada de automóveis. A incorporação de juízos de valor não é exclusiva da economia. o que exige a elaboração de modelos. os conceitos que empregam e as hipóteses que formulam. muitas vezes de forma inconsciente. os modelos econômicos têm a capacidade de estabelecer explicações e previsões.17 uma mudança no preço dos automóveis. Um modelo é uma simplificação e uma abstração da realidade que. a economia deve se preocupar com as relações de causa e efeito. isto é. já foi abandonada. ou seja.

mas também a qualquer agente que realize uma ação econômica. .18 alcançar seus próprios objetivos sejam lá quais forem. O comportamento racional dos indivíduos exige que eles atuem em coerência com um conjunto sistemático de preferências. De acordo com o pressuposto da racionalidade. a partir do qual ele decide como atuará diante de cada situação. os agentes perseguem certos objetivos. Na medida em que os sujeitos econômicos atuam racionalmente. suas ações são previsíveis e é possível estudar as consequências que uma mudança no entorno terá sobre elas. Esse pressuposto de racionalidade não apenas se aplica ao sujeito individual. A racionalidade garante ao sujeito econômico um critério estável. e suas escolhas são coerentes com a avaliação que fazem de seus próprios interesses.