P. 1
01495002820085010481#08-05-2013

01495002820085010481#08-05-2013

|Views: 8|Likes:

More info:

Published by: Mauricio Pessanha da Silva on Aug 13, 2013
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

04/13/2014

pdf

text

original

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO
Gabinete Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira Av. Presidente Antonio Carlos, 251 7º andar - Gab. 40 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0149500-28.2008.5.01.0481 – RTOrd Acórdão 4ª Turma ACIDENTE DE TRABALHO INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – TEORIA DO RISCO. MERGULHADOR PROFISSIONAL – PETROBRÁS S/A TOMADORA DOS SERVIÇOS. Em matéria de acidente do trabalho, já se consagrou a teoria do risco profissional, segundo a qual o empregador é objetivamente responsável pela situação de perigo a que estão expostos seus empregados no exercício de suas funções laborativas, devendo indenizar o dano causado. No presente caso, a atividade desenvolvida pelo reclamante de mergulhador profissional envolvia riscos à sua integridade física. Na hipótese vertente, o acometimento da lesão, decorrente de acidente de trabalho, ocorrido na embarcação fretada pela tomadora dos serviços, Petrobrás, impõe às reclamadas o ônus de reparar o dano, sobretudo quando indiscutível o nexo causal entre a atividade desempenhada nas rés e a doença que causou o afastamento temporário do trabalho e a incapacidade laboral parcial, pois foi constatada a perda total do uso dos membros inferiores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso ordinário em que são partes ALAN DE SOUSA OLIVEIRA, BOURBON OFFSHORE MARÍTIMA S/A, PETROLEO BRASILERI S/A PETROBRAS – MACAÉ E FUGRO BRASIL SERVIÓS SUBMARINOS E LEVANTAMENTOS LTDA. como recorrentes, sendo recorridos OS MESMOS. Inconformando-se com a r. sentença de fls. 853/858 verso, complementada pela decisão em sede de embargos declaratórios de fls. 938/938 verso, prolatada pela ilustre Magistrada Marcela de Miranda Jordão, da MM. 1ª Vara do Trabalho de Macaé, que julgou procedente, em parte, o feixe de pedidos, recorrem ordinariamente todas as partes. Pretende o Reclamante às fls. 866/885 a reforma da decisão de primeiro grau para que lhe seja deferida a reparação por dano estético que, no seu entender, pode ser cumulada com a indenização por danos morais. Diz que restou provada nos autos a alteração funcional e fisiológica do membro atingido do trabalhador, inclusive, a perda de
6554 1

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO
Gabinete Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira Av. Presidente Antonio Carlos, 251 7º andar - Gab. 40 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0149500-28.2008.5.01.0481 – RTOrd movimentos. Afirma que houve, portanto, lesão a harmonia das formas, pois o reclamante perdeu a mobilidade natural do joelho direito em virtude do sinistro e das quatro cirurgias a que foi submetido. Pleiteia a majoração do quantum indenizatório por dano moral que foi fixado em R$80.000,00 pelo juízo de origem para 300 salários mínimos. Postula, também a majoração da pensão mensal para 100% da maior remuneração do obreiro na função de mergulhador para que seja paga até o reclamante completar 72 anos de idade, idade provável de sobrevida do autor, sustentando que não é cabível a limitação até a idade de 45 anos, fixada na sentença para limite do pagamento da pensão mensal, visto ser esta a idade máxima permitida para o trabalho em condições hiperbáricas, nos termos do item 1.3.6 da NR-15 da Portaria 3.214/78. Pretende que as parcelas vencidas relativas a indenização por danos materiais consistente na pensão mensal seja paga de uma só vez. Requer a devolução dos honorários que foram adiantados ao sr. Perito (fls. 702/703) , ante a sucumbência das rés. Invoca os arts. 515 e 516 do CPC e 790 – B da CLT. Por derradeiro, pugna pelo pagamento de honorários advocatícios. Às fls. 897/915, pretende a terceira reclamada, tomadora dos serviços, PETROBRAS , a reforma do julgado para que seja excluída a condenação por dano moral, arbitrada em R$80.000,00. Aduz que a responsabilidade objetiva ofende o art. 7 o inciso XXVIII da CF/88. Afirma inexistir culpa ou dolo da Petrobras, que era mera contratante. Assegura inexistir, de igual modo,nexo causal e prova de conduta omissiva ou comissiva da Petrobras. Requer a redução do valor da indenização. Na mesma toada pretende que sejam excluídas da condenação a pensão mensal e os danos emergentes. A segunda reclamada Bourbon Offshore Marítima S/A interpõe por seu turno, recurso ordinário às fls. 918/927, arguindo preliminarmente a incompetência da Justiça do Trabalho. Expõe que a Bourbon firmou contrato de prestação de serviços com a Petrobrás, tomadora dos serviços do autor, para afretamento de embarcação (fls. 358/392). Logo não existiu nenhuma relação de emprego entre o reclamante e a segunda ré. Pugna pela exclusão da condenação da reparação por danos materiais consistente na pensão mensal , aduzindo que o reclamante se encontrava em gozo de benefício previdenciário, não sendo necessária uma pensão adicional. Ademais diz que o reclamante foi considerado apto para o exercício de outras atividades. Argumenta que a pensão mensal e o dano moral configuram bis in idem e a circunstância de o acionante haver sofrido grave acidente de trabalho, embora lamentável, não se traduz em dano à moral do trabalhador. A primeira reclamada Fugro, interpõe recurso ordinário às fls. 940/961, alegando que o acidente ocorreu por ato de terceiro, manobras realizadas pela embarcação da empresa Bourbon, que estavam sendo operadas por empregados dessa empresa, não podendo ser atribuída culpa à primeira ré. Acrescenta que o equipamento era de propriedade ou da segunda ou terceira ré, que possuía o cabo mensageiro. Sustenta que sua responsabilidade é objetiva, por força do art. 7º inciso XXVIII da CF/88. Insurge-se contra a condenação ao pagamento de indenização por dano moral, requerendo, caso mantida a decisão, que seja reduzido o respectivo valor. Requer que seja deduzido/compensado o valor do seguro recebido pelo trabalhador da seguradora contratada pela primeira demandada, de acordo com a cláusula décima segunda da Convenção Coletiva da categoria. No tocante à pensão mensal e ao dano emergente, argumenta que a condenação em ambas as parcelas constitui bis in idem. Além do mais, assevera que não é devida ao autor nem uma nem outra. Se mantida a condenação, diz que o percentual de perda da capacidade laborativa do autor foi
6554 2

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO
Gabinete Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira Av. Presidente Antonio Carlos, 251 7º andar - Gab. 40 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0149500-28.2008.5.01.0481 – RTOrd de 35%, logo deve o percentual incidente sobre o seu salário ser reduzido de 100% para 35%. Pede que o pagamento da pensão vincenda seja realizada mediante inclusão do autor na folha de pagamento na forma do art. 620 do CPC. Pugna pela exclusão da multa por embargos declaratório procrastinatórios. Depósito recursal e custas processuais das três reclamadas Contrarrazões do reclamante, às fls. 996/1024, 1029/1036 e 1054/1094. Da Petrobras, às fls. 970/980. Da Bourbon às fls. 1045/1053 e da Fugro às fls. 981/995 e 1037/1043. , sem preliminares Deixei de remeter os autos ao douto Ministério Público do Trabalho em razão da hipótese não se enquadrar na previsão de sua intervenção legal (Lei Complementar nº 75/1993) e/ou das situações arroladas no Ofício PRT/1ª Região nº 27/08-GAB, de 15/01/2008. É o relatório. DA ADMISSIBILIDADE Conheço admissibilidade dos recursos porque satisfeitos os requisitos legais de

INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO A segunda reclamada Bourbon Offshore Marítima S/A interpõe por seu turno, recurso ordinário às fls. 918/927, arguindo preliminarmente a incompetência da Justiça do Trabalho. Expõe que a Bourbon firmou contrato de prestação de serviços com a Petrobrás, tomadora dos serviços do autor, para afretamento de embarcação (fls. 358/392) . Logo não existiu nenhuma relação de emprego entre o reclamante e a segunda ré. Deve ser rechaçada a preliminar suscitada, tendo em vista que o pedido de indenização, em decorrência de acidente de trabalho, decorre do liame empregatício havido entre a primeira ré e o autor, que por sua vez era a prestadora de serviços da terceira demandada Petrobras, que celebrou contrato de afretamento de embarcação com a segunda, inserindo-se na competência da Justiça do Trabalho definida no art. 114 da CF/88. Rejeito. INVERTO A ORDEM DE JULGAMENTO DOS RECURSO, CONCENTRANDO OS RECURSO DAS RÉS DE ACORDO COM O TEMA DO ACIDENTE DE TRABALHO – INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL Às fls. 897/915, pretende a terceira reclamada, tomadora dos serviços, PETROBRAS , a reforma do julgado para que seja excluída a condenação por dano moral, arbitrada em R$80.000,00. Aduz que a responsabilidade objetiva ofende o art. 7º inciso XXVIII da CF/88. Afirma inexistir culpa ou dolo da Petrobras, que era mera contratante. Assegura inexistir, de igual modo,nexo causal e prova de conduta omissiva ou comissiva da
6554 3

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO
Gabinete Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira Av. Presidente Antonio Carlos, 251 7º andar - Gab. 40 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0149500-28.2008.5.01.0481 – RTOrd Petrobras. Requer a redução do valor da indenização. A segunda demandada, por sua vez, alga que a circunstância de o acionante haver sofrido grave acidente de trabalho, embora lamentável, não se traduz em dano à moral do trabalhador. A primeira reclamada Fugro, interpõe recurso ordinário às fls. 940/941, alegando que o acidente ocorreu por ato de terceiro, manobras realizadas pela embarcação da empresa Bourbon, que estavam sendo operadas por empregados dessa empresa, não podendo ser atribuída culpa à primeira ré. Acrescenta que o equipamento era de propriedade ou da segunda ou terceira ré, que possuía o cabo mensageiro. Sustenta que sua responsabilidade é objetiva, por força do art. 7º inciso XXVIII da CF/88. Insurge-se contra a condenação ao pagamento de indenização por dano moral, requerendo, caso mantida a decisão, que seja reduzido o respectivo valor. Requer que seja deduzido/compensado o valor do seguro recebido pelo trabalhador da seguradora contratada pela primeira demandada, de acordo com a cláusula décima segunda da Convenção Coletiva da categoria. Consoante exposto na fundamentação do julgado(fls. 854), o autor alegou que sofreu acidente de trabalho no dia 24/05/2005 quando, após o encerramento da jornada, sofreu acidente que acarretou lesões no joelho direito, luxação na articulação acromioclavicular do ombro direito, além de danos neurológicos. Disse que o acidente ocorreu na embarcação de propriedade da segunda ré Bourbon, no instante em que era recolhido o cabo do mensageiro da plataforma da Petrobrás, contratante da primeira e segunda demandadas. A primeira ré admitiu a ocorrência do acidente. Com base no contexto probatório, sobretudo na prova pericial (fls.709/717) que concluiu pela existência de graves lesões, que culminaram no gozo de benefício previdenciário de 21/1/2005 a 15/3/2006 e que impediram o reclamante de continuar a trabalhar como mergulhador, tendo sido submetido a quatro cirurgias, entendeu o juízo de primeira instância que, independentemente da observância ou não dos procedimentos adequados de segurança, ou se poderiam ter sido adotados outros mais eficazes, pela responsabilidade solidária das rés em indenizar o acionante, nos teros do art. 927 , parágrafo único do Código Civil. Baseou-se, ainda, a magistrada, o art. 942, caput, parte final do Código Civil e fixou em R$80.000 o valor da indenização por dano moral. Deve ser mantida a bem lançada decisão a quo. Em matéria de acidente do trabalho, já se consagrou a teoria do risco profissional, segundo a qual o empregador é objetivamente responsável pela situação de perigo a que estão expostos seus empregados no exercício de suas funções laborativas, devendo indenizar o dano causado. É neste sentido a Súmula 25 do nosso Tribunal Regional abaixo transcrita “ACIDENTE DO TRABALHO. DANO MORAL. TEORIA DO RISCO. Quando a atividade exercida pelo empregador implicar, por sua própria natureza, risco acentuado para o empregado, a obrigação patronal de indenizar o dano moral decorrente de acidente do trabalho depende, exclusivamente, da
6554 4

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO
Gabinete Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira Av. Presidente Antonio Carlos, 251 7º andar - Gab. 40 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0149500-28.2008.5.01.0481 – RTOrd comprovação do dano e do nexo de causalidade com o trabalho desenvolvido. Art. 927 do Código Civil.”. No presente caso, o reclamante colocava à disposição das reclamada sua força de trabalho, como mergulhador profissional, o que, sem dúvida, envolvia riscos sua integridade física . Como bem salientado na sentença recorrida, in verbis: ”No caso em tela, o reclamante ativava-se como Mergulhador, atuando, pois, em embarcações em alto-mar, sujeito a toda espécie de intempéries, exposição a inflamáveis, vazamentos de produtos de alta toxicidade, problemas com descompressão, dentre outras. Portanto, evidentemente, aqueles que têm como meio de subsistência o labor nas plataformas, ou navios destinados à produção petrolífera encontram-se expostos a riscos em maior grau comparativamente aos demais trabalhadores em sua maioria.” Na hipótese vertente, o acidente que lesionou gravemente o joelho do trabalhador não se mostra no campo da imprevisibilidade ou da previsibilidade irresistível, o que impõe às reclamadas o ônus de reparar o dano, sobretudo pelo fato de ter sido constatado o nexo causal entre a lesão sofrida pelo reclamante que o levou à incapacidade laboral parcial, que jamais permitiria se ativar novamente como mergulhador e a atividade desempenhada nas rés. Indiscutivelmente sofre o trabalhador psicologicamente quando fica incapacitado para o trabalho. Não importa perquirir se o reclamante está efetivamente sofrendo psicologicamente, porque o dano moral é aferido em comparação com o que sentiria o homem médio se submetido a mesma situação, de forma abstrata e de acordo com as regras comuns de experiência. Logo, a impossibilidade de recuperar a capacidade laborativa e de se achar inválido para o trabalho, deixa comprovado que o trabalhador foi vítima de dano moral. Além disso, a dor física, os tratamentos médicos e fisioterápicos causam, sem dúvida alguma, angústia, aflição, complexos e turbação de ânimo. Dessa forma, considerando todos os lamentáveis fatos expostos e devidamente comprovados, evidencia-se que o reclamante foi vítima de dano moral. A indenização por danos morais destina-se a repelir e prevenir ocorrências futuras similares, bem como proporcionar ao ofendido atenuante para a dor sofrida. Tudo sem deixar de lado o princípio da razoabilidade sem tornar o evento danoso vantajoso para o ofendido a ponto de este desejar sua repetição e sem fixar indenização irrisória a ponto de se traduzir a própria indenização, em nova ofensa ao trabalhador. Considerando a condição econômica do reclamante, o seu afastamento do trabalho, a incapacidade laborativa como mergulhador profissional , a gravidade e extensão das lesões sofridas, a capacidade financeira das rés, a lucratividade da industria petrolífera, em face dos elementos da responsabilidade civil, e, ainda, do princípio da razoabilidade, mantenho o quantum indenizatório por danos morais à razão de R$ 80.000,00 (oitenta mil
6554 5

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO
Gabinete Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira Av. Presidente Antonio Carlos, 251 7º andar - Gab. 40 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0149500-28.2008.5.01.0481 – RTOrd reais). Quanto à dedução/compensação do valor do seguro recebido pelo trabalhador da seguradora contratada pela primeira demandada, deve ser feito em observância à Convenção Coletiva da categoria, na sua cláusula décima segunda, parágrafo primeiro, (fls. 956) que dispõe que ocorrendo acidente de trabalho, o valor da indenização paga pela seguradora será considerado como se tivesse sido sido pago pelo empregador para fins de dedução em eventuais ações de responsabilidade civil. Restou comprovado nos autos que o reclamante recebeu R$6.000,00 (seis mil reais) conforme recibo de fls 295, motivo pelo qual deve ser deduzido do valor da indenização por danos morais de R$80.000,00 o respectivo valor. Dou provimento parcial para deferir a dedução do valor de R$6.000,00 do valor da indenização por danos morais de R$80.000,00. PENSÃO MENSAL E DANOS EMERGENTES Pretendem as acionadas mensal e os danos emergentes. que sejam excluídas da condenação a pensão

No tocante à pensão mensal e ao dano emergente, argumenta primeira reclamada que a condenação em ambas as parcelas constitui bis in idem. Além do mais, assevera que não é devida ao autor nem uma nem outra. Se mantida a condenação, diz que o percentual de perda da capacidade laborativa do autor foi de 35%, logo deve o percentual incidente sobre o seu salário ser reduzido de 100% para 35%. Pede que o pagamento da pensão vincenda seja realizada mediante inclusão do autor na folha de pagamento na forma do art. 620 do CPC. O juízo de origem além da reparação por dano material consistente em pensão mensal no percentual de 70% (perda total do uso de um dos membros inferiores) da remuneração do reclamante até a idade de 45 anos, também condenou as rés ao pagamento de danos emergentes consistente na diferença entre os valores que o reclamante receberia, caso em atividade estivesse e aqueles pagos pela Previdência Social durante os períodos de afastamento. Efetivamente, devem ser excluídos os danos emergentes, visto que a pensão mensal já repara o reclamante pelos danos materiais advindos da incapacidade laboral como mergulhador profissional. A pensão mensal (indenização por dano material) é devida, tendo em vista o prejuízo financeiro da vítima que deixou de receber o seu salário e, portanto, viu diminuído o seu patrimônio avaliável monetariamente, em virtude da doença decorrente do acidente que o levou à incapacidade laborativa parcial. Como houve perda total do uso dos membros inferiores, está correta a sentença que determinou o percentual de 70% da remuneração do autor, parcelas vencidas e vincendas, incluindo-se todas s vantagens percebidas pelo autor em atividade na empresa, inclusive décimo terceiro salário.
6554 6

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO
Gabinete Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira Av. Presidente Antonio Carlos, 251 7º andar - Gab. 40 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0149500-28.2008.5.01.0481 – RTOrd A fim de se evitar o enriquecimento ilícito, deve ser deduzido das parcelas vencidas o valor pago pelo órgão previdenciário, enquanto o acionante esteve em gozo do auxílio-doença (para tanto devem ser observados os períodos discriminados na sentença às fls. 856 verso, parágrafos 5º,6º,7º.) No que concerne ao requerimento da primeira reclamada para que o reclamante seja incluído em sua folha de pagamento, não foi apreciado pelo juízo de primeiro grau e nem foi instado a fazê-lo por meio de embargos de declaração, devendo ficar a critério do juízo que for executar a sentença a melhor forma de viabilizar o pagamento da pensão mensal vincenda ao autor. Dou provimento parcial aos recursos das rés para excluir os danos emergentes da condenação e determinar a dedução do valor pago pelo órgão previdenciário, enquanto o acionante esteve em gozo do auxílio-doença da pensão mensal parcelas vencidas. EMBARGOS PROTELATÓRIOS - MULTA Pugna a primeira acionada pela exclusão da multa por embargos declaratórios procrastinatórios. Da leitura dos embargos de declaração interpostos às fls. 861/865, verifica-se que pretendia a embargante a revisão do julgado, pois inexistiam contradições e/ou omissão. Dessa feita é devida a penalidade aplicada com fulcro no art. 538 do CPC. Nego provimento. RECURSO ORDINÁRIO DO RECLAMANTE I – DANO ESTÉTICO Pretende o Reclamante, às fls. 866/885, a reforma da decisão de primeiro grau para que lhe seja deferida a reparação por dano estético que, no seu entender, pode ser cumulada com a indenização por danos morais. Diz que restou provada nos autos a alteração funcional e fisiológica do membro atingido do trabalhador, inclusive, a perda de movimentos. Afirma que houve, portanto, lesão a harmonia das formas, pois o reclamante perdeu a mobilidade natural do joelho direito em virtude do sinistro e das quatro cirurgias a que foi submetido. Apurado pelo expert do juízo que inexistia dano estético não há porque ser alterada a sentença que julgou improcedente o correspondente pedido. Apesar de já ter sido sedimentada na jurisprudência do nosso Tribunal (Súmula 15) a possibilidade de cumulação do dano moral com o dano estético, é necessário para que a parte seja contemplada com a indenização, evidentemente, a ocorrência do referido dano.

6554

7

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO
Gabinete Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira Av. Presidente Antonio Carlos, 251 7º andar - Gab. 40 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0149500-28.2008.5.01.0481 – RTOrd Se constatado pelo perito do juízo a inexistência de deformação visível a comprometer a imagem estética do autor, é de ser negado provimento ao apelo quanto a este aspecto. II – MAJORAÇÃO DOS DANOS MORAIS Pleiteia o reclamante a majoração da indenização por danos morais para 300 salários mínimos. No que se refere ao quantum arbitrado para a reparação, prevalece na doutrina a teoria que indica para o caráter misto da indenização por danos imateriais: reparação cumulada com punição, considerando-se a teoria do desestímulo. Certamente, não é admissível a tarifação do dano moral, que seria manifestamente inconstitucional por ofensa ao princípio da igualdade substancial (art. 5º da CF/88). Entretanto, dispõem os arts. 944 e 945 do CC/02 o que se segue: "Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano. Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, eqüitativamente, a indenização". "Art. 945. Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano". Tais critérios colaboram para que seja fixada a penalidade que visa, quando possível, a reparação do dano, observando-se o caráter pedagógico-punitivo da indenização. O valor fixado em primeiro grau, no importe de R$80.000,00, é bastante razoável diante da reprovabilidade do ato que se comprovou nos autos sendo também compatível com a gravidade da lesão sofrida, a incapacidade para o trabalho de mergulhador profissional e a capacidade econômica dos agentes. Nego provimento. PENSÃO MENSAL Postula o reclamante também a majoração da pensão mensal para 100% da maior remuneração do obreiro na função de mergulhador para que seja paga até o reclamante completar 72 anos de idade, idade provável de sobrevida do autor, sustentando que não é cabível a limitação até a idade de 45 anos, fixada na sentença, visto ser esta a idade máxima permitida para o trabalho em condições hiperbáricas, nos termos do item 1.3.6 da NR-15 da Portaria 3.214/78. Pretende que as parcelas vencidas relativas à indenização por danos materiais, consistente na pensão mensal, seja paga de uma só vez. Se não houve incapacidade total para o trabalho não pode ser fixada a pensão mensal em 100% da remuneração, pois se encontra o autor apto a desenvolver
6554 8

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO
Gabinete Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira Av. Presidente Antonio Carlos, 251 7º andar - Gab. 40 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0149500-28.2008.5.01.0481 – RTOrd outras atividades que não envolvam os membros inferiores, podendo trabalhar sentado ou em função que demande ficar em pé por curto espaço de tempo. Apenas no período referente ao gozo de auxílio-doença acidentário, cujo valor deverá ser deduzido do total das pensões mensais vencidas devidas, faz jus o autor ao percentual de 100%, pois nestes períodos apenas recebeu o benefício previdenciário quando, não fosse o acidente, estaria recebendo o valor integral de sua remuneração. Mantém-se o percentual de 70% da remuneração nos demais meses. No que toca à extensão da pensão além de 45 anos, assiste razão ao demandante uma vez que embora esta seja a idade limite para o desempenho de atividades em condições hiperbáricas, ou seja, a partir desta data não poderia o autor ainda que estivesse em condições perfeitas de saúde para sua faixa etária, ativar-se como mergulhador profissional, a pensão mensal foi fixada em 70% da sua remuneração considerando a inaptidão física da perda total dos membros inferiores, o que incapacita o autor não só para a profissão de mergulhador profissional como também para diversas outras profissões em que tivesse que fazer uso de suas pernas. Assim sendo, deve a pensão ser paga até o autor completar 72 anos, como pleiteado por ele na inicial e em seu apelo. Não existe respaldo legal para que as pensões vincendas sejam pagas de uma só vez, devendo, para tanto, ser levada em conta a capacidade econômica das reclamadas que foram responsabilizadas solidariamente. Dou provimento parcial para determinar que a pensão mensal nos meses de gozo do benefício previdenciário, seja paga à razão de 100% da remuneração do autor e para determinar que a data limite de pagamento da pensão mensal seja quando o autor completar 72 anos de idade. HONORÁRIOS PERICIAIS Requer o autor a devolução dos honorários que foram adiantados ao sr. Perito (fls. 702/703) , ante a sucumbência das rés. Invoca os arts. 515 e 516 do CPC e 790 – B da CLT. Por derradeiro, pugna pelo pagamento de honorários advocatícios. A matéria não foi apreciada pelo juízo a quo e nem a parte ofereceu embargos de declaração para que o juízo de primeira instância se manifestasse a respeito. Todavia, entendo que não há preclusão em relação à matéria que pode ser apreciada por este órgão revisor em face da sucumbência das reclamadas. Devem as rés ressarcir o autor do valor adiantado a título de honorários advocatícios no importe de R$2. 000,00. Dou provimento. IV – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
6554 9

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO
Gabinete Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira Av. Presidente Antonio Carlos, 251 7º andar - Gab. 40 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ

PROCESSO: 0149500-28.2008.5.01.0481 – RTOrd Indevidos por não preenchidos os requisitos do artigo 14 da Lei nº 5584/70. Nego provimento. Ante o exposto, conheço dos recursos, rejeito a preliminar de incompetência da Justiça do Trabalho, e, no mérito, dou provimento parcial aos recursos das reclamadas para excluir os danos emergentes da condenação, determinar a dedução do valor pago pelo órgão previdenciário, enquanto o acionante esteve em gozo do auxílio-doença das parcelas vencidas da pensão mensal e deferir a dedução da quantia de R$6.00,00 do valor devido a título de indenização por dano moral. Dou provimento parcial ao recurso ordinário do reclamante para determinar que a pensão mensal nos meses de gozo do benefício previdenciário seja paga à razão de 100% da remuneração do autor e para determinar que a data limite de pagamento da pensão mensal seja quando o autor completar 72 anos de idade e para determinar o ressarcimento do valor adiantado a título de honorários periciais ante a sucumbência das rés, nos termos da fundamentação supra.

A C O R D A M os Desembargadores da Quarta Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, por unanimidade, conhecer dos recursos, rejeitar a preliminar de incompetência da Justiça do Trabalho, para, no mérito, dar provimento parcial aos recursos das reclamadas a fim de excluir os danos emergentes da condenação e determinar a dedução do valor pago pelo órgão previdenciário, enquanto o acionante esteve em gozo do auxílio-doença das parcelas vencidas da pensão mensal e deferir a dedução da quantia de R$ 6.000,00 do valor devido a título de indenização por dano moral. Dar provimento parcial ao recurso ordinário do reclamante para determinar que a pensão mensal nos meses de gozo do benefício previdenciário seja paga à razão de 100% da remuneração do autor e para determinar que a data limite de pagamento da pensão mensal seja quando o autor completar 72 anos de idade e para determinar o ressarcimento do valor adiantado a título de honorários periciais ante a sucumbência das rés, nos termos da fundamentação supra. nos termos da fundamentação do voto da Excelentíssimo Juiz Relator. Sustentaram os advogados, Dr. Rodrigo Guessa Tostes Malta (OAB/RJ 73770), pela Bourbon Offshore, e Dr. Alexandre B. Correia (OAB/RJ 102465), pela PETROBRAS. Rio de Janeiro, 29 de Abril de 2013.

Juiz do Trabalho Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira Relator

6554

10

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->