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Breve análise sobre o toyotismo_ modelo japonês de produção

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Breve análise sobre o toyotismo: modelo japonês de produção

Por MARLI DELMÔNICO DE ARAÚJO FUTATA Aluna não-regular do mestrado em Educação Universidade Estadual de Maringá – PR.

Breve análise sobre o toyotismo: modelo japonês de produção
Linha de montagem automatizada A crise do final dos anos 1960 e início de 1970, que se estende até os dias atuais, como afirma Antunes (1999) está relacionada, fundamentalmente, à crise da estrutura do capital, que na tentativa de recuperação de seu ciclo reprodutivo e resgate de seu processo de dominação, deflagra intensas transformações no próprio processo produtivo, pelas vias de novas formas de acumulação.

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Nesse sentido um novo movimento político é criado quando bases da direita tomam para si os discursos que até então eram considerados de esquerda. Essa nova tendência é denominada por grupos que estudam o materialismo histórico, de Nova Direita. Embutidos nesse “novo” movimento político é possível verificar a existência de uma vertente conservadora e uma vertente neoliberal[1]. A Nova Direita e sua vertente neoliberal, amplamente divulgada, porém superficialmente discutida, são as formas encontradas para redefinir as bases do processo de acumulação capitalista. Esse movimento político traz consigo postulados como, estado mínimo, livre iniciativa, consideram todas as atividades como mercadorias, inclusive a educação e ressaltam a incapacidade que a mesma apresenta de insuficiência quanto à produção de bens para o mercado. As tentativas de resolver os problemas gerados pela crise do capitalismo, que fazem gerar esse movimento, são responsáveis por modificações importantes no campo do trabalho, como a introdução de novas tecnologias e aumento da exploração da classe operária. A concorrência intercapitalista e a necessidade de marcar o domínio do controle das lutas sociais, oriundas do trabalho, através das transformações do modelo de produção fazem com que o mundo do trabalho sofra transformações em sua estrutura produtiva, sindical e política. Nos países de desenvolvimento tecnológico acelerado, a acumulação de capital se fortificou, as mudanças tecnológicas foram inseridas no mundo da produção fabril, provocando intensas modificações, e é possível afirmar que, “[...] a classe-que-vive-dotrabalho sofreu a mais aguda crise deste século, que atingiu não só a sua materialidade, mas teve profundas repercussões na sua subjetividade e, no íntimo inter-relacionamento destes níveis, afetou a sua forma de ser”.(Antunes, 1999, p. 15). Harvey (1989) afirma que essas transformações surgem com a intensa recessão iniciada em 1973 quando a crise estrutural do capitalismo, gerada pela crise do padrão de acumulação taylorista/fordista, faz com que o capital mergulhe num processo de reestruturação para restaurar o seu domínio societal. Nesse momento, instaura-se uma “guerra” entre os países considerados super potências, pela acumulação de capital, e a competitividade passa a ser a “arma” mais importante. O modelo de produção industrial fundamentado no princípio taylorista/fordista, de produção em massa, perde a exclusividade e iniciam tentativas para superá-lo. Nesse contexto assistimos a uma nova fase de expropriação da mão-de-obra, a chamada acumulação flexível - a partir do modelo de produção criado pelos japoneses, toyotismo - e junto com ela a degradação das condições de trabalho, dos direitos trabalhistas e, conseqüentemente, dos trabalhadores. Ao término dos anos 60 a empresa japonesa Toyota já estava totalmente dentro desse novo modelo de produção flexível e o modelo era divulgado dentro e fora do Japão. Os princípios ideológicos e organizacionais desse modelo passaram a sustentar as práticas empresariais como modelo de administração e, “[...] com a mundialização do capital, na década de 1980, o toyotismo tornou-se a ideologia universal da produção sistêmica do capital”.(GIOVANI, 2001). Sendo assim objetiva-se, através do presente texto, aprimorar conhecimentos acerca dos pressupostos desse modelo japonês de produção – toyotismo – analisando-os, para compreender sua influência no mundo do trabalho.

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por isso. “[. não teria condições de desenvolver uma forma semelhante de produção.. o que diminuiria a quantidade de trabalhadores necessários numa linha de montagem.espacoacademico.. ou antes. o tamanho dos espaços disponíveis nas fábricas e o alto número de funcionários. 172). seu país. as mercadorias deveriam ter giro rápido.. capital e matéria – prima escassos. estoque. Obtiveram excelentes resultados com essa idéia e ela passou a ser a essência do modelo japonês de produção. produção maior do que o necessário. Assim o trabalhador que até então era treinado para desenvolver seu trabalho em uma única máquina pode se responsabilizar por várias. peças intermediárias ao processo produtivo ou mercadorias já produzidas. pois era considerado desperdício e classificaram o desperdício em sete tipos principais: tempo que se perdia para consertos ou refugo. pelos operários. pois sabia que o Japão possuía um mercado pequeno. a quantidade de estoques. transporte.] a compra de tecnologia no exterior era impossível e a possibilidade de exportação era remota”. gestão participativa. Um sensor faz com que ele pare no local devido. ao contrário do fordismo[3]. mantendo um fluxo de produção contínuo. toda demanda tem que ser produzida após ter sido efetivada sua venda. e da escassez de recursos para manter a produção parada. A partir do princípio acima citado. Toyoda e seu especialista em produção Taichi Ohno. iniciaram um processo de desenvolvimento de mudanças na produção. arrasado por um período pós-guerra. Foi inserido. (OCADA.. onde a autora teve experiência de trabalho. A seguir serão abordados os conceitos fundamentados em Gounet. Um dos elementos de maior destaque dentro do modelo toyotista é o chamado just-in-time (na hora certa). “[. movimento humano e espera. pois para eles era onde se concentrava a maior fonte de lucro. e a eliminação de estoques. além de fixar gavetas e laterais.. onde o fluxo normal é produzir primeiro e vender depois quando já dispunham de grandes estoques. Assim. O espaço para armazenamento da produção era outro obstáculo para os japoneses. fixar quatro mil parafusos por dia (45 em cada máquina dependendo do modelo). Também são eles que repõem as peças solicitadas. Para conseguir competir então. Consiste em detectar a demanda e a produção de bens em função da necessidade específica. Na procura de soluções para esse encaminhamento.br/047/47cfutata. Partiram do princípio de que qualquer elemento que não agregasse valor ao produto. Toyoda ficou impressionado com as gigantescas fábricas. relata Wood Jr. Surgiu da necessidade de criar uma alternativa aos poucos espaços para armazenar estoques. caracterizando o que passou chamar toyotismo. 2004. just-in-time. regras criteriosas foram incorporadas gradativamente à produção. 1992).] A primeira impressão chega a lembrar um sofisticado parque de diversões. (ou Ohnismo. devido aos nomes Toyoda e Ohno).(WOOD JR.] por todos os lados sirenes piscam e os ruídos ensurdecedores da estrutura de metal em funcionamento misturam-se com a música sintética [. sejam eles matérias-primas. A automatização é considerada o primeiro elemento desse modelo. Relatou isso quando escreveu à sede de sua empresa dizendo que ia ser necessário uma nova forma de organização do trabalho. planejou-se um modelo de produção composto por: automatização. estava nos projetos de Toyoda. para ampliar a oferta e a variedade de produtos. através de um painel eletrônico. p. mais flexível e que exigisse menor concentração de estoques.com. (1992). operações desnecessárias no processo de manufatura.. administração por estresse. deveria ser eliminado.31/07/13 Breve análise sobre o toyotismo: modelo japonês de produção TOYOTISMO: ORIGEM E CARACTERÍSTICAS Nos anos 50. na Toyota japonesa. em meados da década de 70 por Taichii Ohno. kanban[4]. flexibilização da mão-de-obra. pela primeira vez. É uma fábrica de máquinas copiadoras e a tarefa que é atribuída à autora consiste em prender inúmeros fios. Para ele. sistema dirigido pela linha fordista de produção. do tempo necessário. nos grandes mercados. www. trabalho em equipe. Introduziram técnicas onde fosse possível alterar as máquinas rapidamente durante a produção. controle de qualidade e subcontratação. Trata-se da utilização de máquinas capazes de parar automaticamente quando surgem problemas.htm O trabalho em equipe é outra estratégia usada pela Toyota para racionalizar a utilização de 2/7 . a Toyota precisaria modificar e simplificar o sistema da empresa americana Ford. como relata a seguir. ainda que parecesse impossível.. Para isso criam-se os sistemas visuais de informação.[2] O tempo exigido para a realização da atividade é de quatro a cinco minutos dependendo do modelo. A partir de então. No interior da fábrica robôs transitam pelo imenso espaço levando os “esqueletos das máquinas” de um posto a outro. naqueles moldes. o engenheiro japonês Eiji Toyoda passou alguns meses em Detroit conhecendo a indústria automobilística americana. através deles é possível informar a quantidade de peças necessárias para o dia. a segunda impressão sugere a imagem do inferno”.

através de robôs ou de esteiras. no toyotismo vemos eliminado esse tempo entre um trabalhador e outro. para evitar sobrecarregar seus colegas. surgem defeitos que somente são visíveis aos olhos dela que parece sentir prazer em gritar o dia todo. cada trabalhador deveria descobrir outros “tempos mortos” a fim de diminuir cada vez mais o tempo de produção de determinada peça. a pressão que cada trabalhador sofre para desempenhar sua função com qualidade.com.. para os quais Ohno disponibiliza apenas 90% dos recursos que ele deveria normalmente oferecer e desafia os operários a atingir a produção necessária. Coloridas e instaladas bem ao alto. lo que reducía las tareas a 36 segundos. lo que el obrero realizaba em 60 segundos. considerado “tempo morto” e que não agrega valor à produção.. Es éste principio de racionalizacion que se encuentra a la base de la introducción del teamwork donde Toyota (GOUNET. No Japão. Una fábrica en los EEUU consiguió producir 100 coches por hora.31/07/13 Breve análise sobre o toyotismo: modelo japonês de produção O trabalho em equipe é outra estratégia usada pela Toyota para racionalizar a utilização de mão-de-obra... Por exemplo. Na Toyota. no modelo toyotista de produção. en 36 segundos que en 1 minuto o en un lapso de tiempo aun mas largo. adequando-se a cadeia de montagem. na verdade. isso se desenvolve no quadro do trabalho em grupo: o ausente não é substituído e o time deve se desembaraçar sem ele [. De acordo com as vendas é estabelecido um objetivo de produção para cada dúzia de trabalhadores. Ao reduzir o tempo de dez para nove minutos. assim são eliminados muitos segundos que seriam gastos para que um trabalhador levasse o produto de um posto de trabalho a outro. muitos outros como por exemplo à gestão pelas lâmpadas. uma ao lado da outra. com a orientação de um Rida (líder). discutem entre si e descobrem maneiras de vencer o desafio. Em certos casos. não raro. a hora lo tiene que hacer em 50 segundos [. quando pensam ter vencido.. com a função de coordenar o grupo e substituir qualquer um que venha faltar. O objetivo não consiste então. Pero es mucho más duro racionalizar el trabajo. em pé. sobrecarrega-se os trabalhadores e eliminam-se postos de trabalho. A racionalização é a fábrica mínima. em voz bem alta (até mesmo para que sua voz ultrapasse o barulho das máquinas) diz o nome da operária responsável pela parte defeituosa e completa dizendo: k izú (risco). 2000).]. O trabalho em equipe representa. “Isso para mostrar que se trata de um sistema permanente. esses últimos foram procurar o doente para trazê-lo para a cadeia de montagem. com efetivo mínimo. quando cita um exemplo sobre o funcionamento dos trabalhos em grupos.] a gestão pelas lâmpadas permite à direção da empresa ver como se passa concretamente a produção nas oficinas [. Isso irrita as trabalhadoras pois. [.. Doze mulheres. os trabalhadores chamam a isso de ‘sistema Oh! No!’ (do inglês Oh! Não!)”. reduzir trabalhadores. Essa cadeia de caça aos doentes é introduzida de forma geral na indústria automotiva mundial” (GOUNET. por sua vez. Conhecendo o rigor desse sistema de produção.. como se observa no relato da autora. Enquanto no fordismo cada trabalhador é responsável por uma parte da produção e após realizá-la passa adiante para que outro trabalhador realize a parte que lhe cabe..] Dicho de outra forma. o sea encontrar segundos de tiempos inútiles. uma brasileira reexamina todas as peças e imediatamente comunica qualquer defeito dando um grito. ou seja. em diminuir trabalho e sim. Esto significa que la racionalización no se hace sobre el minuto que trabaja el obrero en un coche.. e assim sucessivamente. Estes.] parecem as das sinaleiras: verde significa que tudo está bem na seção. O trabalho consiste em produzir fechaduras para carros.] aquele que não se sente bem vem para a empresa ainda assim.espacoacademico. Gounet (1998) reafirma as condições de estresse em que são submetidos os trabalhadores. [. Por eso Toyota define las tareas en cuadrilla.. A idéia consiste em agrupar os trabalhadores em equipes.. Ohno retira novamente a porcentagem de recursos. sob pena de ser rejeitado pelo grupo. Esse sistema foi vivenciado pela pesquisadora e além desse.br/047/47cfutata. laranja indica que há um problema de www. 1998).] Pero este tipo de racionalización alcanza límites cuando se eleva la producción. Na cadeia de montagem quem se movimenta é o produto em fase de produção. [. Porém. pero sobre los 10 minutos que la cuadrilla de diez hombres tienen para realizar las operaciones al coche.os trabalhadores vêm trabalhar doentes. ao encontrar algum defeito na peça. brasileiras e japonesas.htm 3/7 . cada uma desenvolve uma parte da produção e é responsável pelo controle de qualidade dessa mesma parte. ainda que neste grupo todos se encontrem nas mesmas condições. No final da linha. Este trabalharia junto com os demais operários. e algumas vezes “coincide” de ser a mesma pessoa a ser chamada atenção o dia inteiro. Além disso. na direção da cabeça dos trabalhadores.

É preciso ser polivalente para assumir qualquer posto que se faça necessário. p. caso assim for necessário para suprir a demanda. Nesse sentido Ocada (2004) coloca-nos o fato de que A realidade social adquire o simples aspecto de relações sociais de compra e venda de uma força de trabalho destituída de qualquer forma de subjetividade e concebida como um corpo social assexuado.br/047/47cfutata. O operário já não dispõe de tempo para o lazer e para a vida familiar. A flexibilização da mão-de-obra passa a ser outro requisito essencial para o trabalhador inserido no sistema toyotista. Desta maneira os trabalhadores estão sempre sob pressão. Isso acaba provocando o individualismo e solapando o trabalho organizado. a direção está segura de que os trabalhadores estão ocupados ao máximo. pois o único tempo livre é utilizado para repouso e recuperação. a acumulação flexível de capital representa um confronto direto com a rigidez fordista. são flexibilizados. pois todo trabalhador almeja atingir o referido avanço. é sinal de valorização dentro da fábrica. de eliminação da ação sindical. Isso surge na verdade. Ainda com referência aos princípios subjacentes ao modelo japonês de produção temos a gestão participativa onde os trabalhadores são levados a se sentirem como participantes da empresa. próprio da sociabilidade moldada contemporaneamente pelo sistema produtor de mercadorias. Essa “preocupação” com a qualidade total fez o país desenvolver um produto de alto padrão de qualidade e se inserir no competitivo mercado dos países centrais.espacoacademico. enquanto todos os departamentos estão no verde. se apóia na flexibilidade dos processos de trabalho e não pode conviver com um sistema jurídico que regula rigidamente a exploração da força de trabalho humana. a partir da necessidade de utilização adequada da matéria-prima de elevado valor. just-in-time – é implantado um processo de qualificação da mão-de-obra através.com. laranja indica que há um problema de sobrecarga. É uma sobrecarga de trabalho e responsabilidades.31/07/13 Breve análise sobre o toyotismo: modelo japonês de produção significa que tudo está bem na seção. Assim a estratégia da gestão participativa traz consigo a tentativa. vermelho obriga a parar a cadeia. Dessa forma. Obviamente. de modo a dotar o capital do instrumental necessário para adequar-se a sua nova fase. pois. a direção está satisfeita e que seu objetivo foi atingido. a organização do trabalho necessita se desmantelar. Os acidentes de trabalho passam a ser constantes e verifica-se também um alto índice de suicídios. no que diz respeito aos direitos do trabalho. porque os trabalhadores não podem mais segurar o ritmo. controle de qualidade.103). Esse nível de estresse também decorre da necessidade dos trabalhadores estarem sempre preparados para produzir o que pede a demanda. com a ilusão de se tornarem “gerentes”. por exemplo) e. (GOUNET2000. afirma Harvey (1989). Também é necessário que o trabalhador esteja disponível para incorporar à sua rotina de trabalho árdua e desgastante. onde o indivíduo precisa desenvolver uma série de capacidades para se inserir ou se manter no mercado de trabalho. pela participação dentro da ordem e do universo da empresa. www. sempre exigindo dele qualidade total. Para atingir os objetivos dento do padrão toyotista . Poderia-se crer que. Mas não é assim. Assumem um posto de liderança frente a um grupo (líderes coordenadores da linha de montagem. É preciso um índice zero de desperdício para o sucesso da produção. a lucratividade. como esclarece Antunes (1999. Esse nível de “avanço” dentro da fábrica estimula a competitividade e a emulação – meritocracia o que resulta em grande produtividade. cujos desdobramentos são também agudos. Vivem-se formas transitórias de produção.htm 4/7 . muitas horas de trabalho. p. 16). da mesma forma todas as motivações culturais e valorativas que orientam as condutas dos atores sociais são reduzidas ao determinismo de uma causalidade econômica. uma vez que a produção é feita sob encomenda. contudo aos olhos do trabalhador numa análise superficial. Estes são desregulamentados. objetivando alcançar um de seus princípios fundamentais: a eliminação de desperdício. O trabalho representa uma completa servidão. Direitos e conquistas históricas dos trabalhadores são substituídos e eliminados do mundo da produção. com a implantação do toyotismo. Diminui-se ou mescla-se. ao mesmo tempo em que executam o processo de controle de qualidade. pelo envolvimento manipulatório. passam a responder pela marcha da produção. eliminação de tempos “mortos”. Baseado neste princípio de multifuncionalidade é deflagrada nas últimas décadas a teoria das competências. bem sucedida. Em realidade. dependendo da intensidade. é preciso que as lâmpadas oscilem continuamente entre o verde e o laranja. Para os japoneses a função da escola deveria ser de iniciar o indivíduo nestes princípios. Desta maneira devem adaptar-se imediatamente para a nova produção no decorrer do dia.estoque mínimo. da educação do povo. ou seja. o despotismo taylorista. por legislação trabalhista.

só a partir de efetivados no trabalho são transferidos para um “apto” (por pior que fosse seria sempre melhor que aquele lugar). rumo ao alojamento. os casais permanecem juntos num alojamento individual. Sendo assim. as pequenas empresas começaram a contar com os trabalhadores estrangeiros. nesse momento. será menor o choque cultural. No Japão. Nesse momento há o aumento de estrangeiros ilegais no país o que passa a representar um sério problema às autoridades japonesas. No dia seguinte.espacoacademico. focando o modelo japonês de produção sob a ótica do trabalhador. Por esses materiais todos assinam vales no valor de 15 mil ienes cada um (na época somavam 150 reais aproximadamente). Sob pena de não serem aceitos. As pessoas são divididas em grupos porém. carga horária maior. as recusam por não haver. pois. p. É nesse contexto em que a autora chega ao Japão e vivencia. todos entregam. Percebe-se rapidamente que a experiência na fábrica é um grande desafio e o problema é acrescido por questões como a comunicação. para que se ja possíve l apanhar os parafusos com agilidade .31/07/13 Breve análise sobre o toyotismo: modelo japonês de produção Nesse contexto a subcontratação passa a representar uma necessidade e um recurso poderoso dentro do modelo japonês de produção. “não conseguindo atrair os empregados japoneses. 5/7 [1] Se rá conside rada ne olibe ral toda ação e statal que contribua para o de sm onte das políticas de ince ntivo à inde pe ndê ncia e conôm ica nacional. o trabalho em linhas de produção de produtos automobilísticos e tecnológicos. 1999). praticamente destruído. são as pequenas empresas. Também é oferecido um kit com utensílios de cozinha no valor de 21 mil ienes (aproximadamente 210 reais) o qual todos recusam. Nesse sentido a política de imigração tornase mais rigorosa dando maior abertura ao imigrante latino.(Sasaki.br/047/47cfutata. de instauração de ple no e m pre go (Ke yne sianism o) e de m e diação dos conflitos sócioe conôm icos. Após três dias de espera o tantocha (nome dado ao encarregado da empreiteira) volta ao alojamento para a indicação de vagas recém surgidas[6]. Para estes reserva-se salário mais baixo.com. Todavia é ne ce ssário cortar os de dos pole gare s e indicadore s das m e sm as. Com os documentos nas mãos revela que é preciso recolher os documentos. No Brasil. A posse de Fernando Collor como presidente em 1990 juntamente com as medidas econômicas tomadas por sua equipe. Após identificados pelo encarregado da empreiteira entram em um grande carro e começam uma viagem. O encarregado que os conduziu até ali entrega um pacote com dois futons (acolchoados). que parece não ter fim. Depois de aproximadamente duas horas de viagem este encarregado fez uma parada. 2001. outros ficam agendados para o dia seguinte e a ala feminina do grupo é submetida a um teste com trinta cálculos matemáticos. pre nde -nos os m ovim e ntos. que recebem encomendas das grandes empresas montadoras e não dispõe de mão-de-obra pois.htm . São recepcionados no aeroporto de Nagoya. uma pia com muitos insetos e um armário. para que aceitem o primeiro emprego que surgir e não fiquem colocando obstáculos. O encarregado despede-se e promete voltar durante a semana. Uns são levados na hora[7]. uma vez que é onde está localizada a maior colônia japonesa fora do Japão. com a informação de que quem resolvesse todos os trinta cálculos em cinco minutos seria indicada para a vaga daquele dia. Ao chegar deparam-se com uma construção aparentemente abandonada. compra latas de café quente. incentiva um bate-papo informal e pede pra ver passaportes e canhotos de passagem. na cidade de Toyohashi. a clamar por modificações na política imigratória e a procurar trabalhadores fora do Japão”. por isso o uso de luvas é obrigatório. principalmente brasileiro. pois. A falta de mão-de-obra no Japão fez com que as empresas comecem. No interior dos alojamentos encontram uma pequena geladeira em péssimo estado de conservação. que ingressam no mercado de trabalho. A chegada já é muito traumática. provocaram uma grande instabilidade no país e. os japoneses. onde há a passagem de retorno ao Brasil. no dia se guinte e stam os www. alavancaram a migração internacional. a alimentação e. usam os pom ada analgé sica e e nfaix am os m ãos e braços ante s de dorm ir. de prom oção do be m e star-social (W e lfare State ). de sta m ane ira. (SAES. perspectivas de ascensão profissional e pelas condições precárias a que são submetidos os trabalhadores. considera-se que. Há algumas pessoas que estão ali há uma semana e relatam aos demais que é costume da empreiteira hospedar os “novatos” neste alojamento para uma certa “pressão psicológica”. 82) [2] As pe ças utilizadas para m ontar a m áquina são cortante s. sobretudo os mais jovens. serviços desqualificados e nenhum vínculo empregatício ou sindical. dois macurás (travesseiros) e dois edredons. De sta m ane ira te m os m uitos corte s nas m ãos que causam dor e sofrim e nto e agravado pe lo rigoroso inve rno da é poca. todos aproveitam para conversar e se conhecer. Pela janela avistam um terreno baldio também com sinais de abandono. o final da década de 1980 e início de 1990 foi marcado pela massificação do movimento dekassegui[5]. principalmente a submissão às empreiteiras. Para as funções essenciais dentro da fábrica a Toyota seleciona os trabalhadores efetivos e as demais funções são deixadas para o pessoal subcontratado. Destes dois anos de experiência. empresas responsáveis pela (sub)contratação de mão-deobra estrangeira. formados. Para que a dor não pre judique o de se m pe nho durante o trabalho. segundo Sasaki (1999) quem mais se utiliza desse tipo de mão-de-obra. para roupas. Incluindo a autora são seis brasileiros chegando ao Japão pela primeira vez. como operária subcontratada. nestas fábricas. foi possível analisar algumas questões referentes ao mundo do trabalho operário.

nem ao menos é possível considerá-lo como um avanço do sistema taylorista/fordista. Conseqüentemente os casais foram separados e como o trajeto de uma cidade à outra era extenso. nesta nova fábrica..com. Foram necessários dez meses de árduo trabalho para conseguir pagar todas as dívidas contraídas com a empreiteira. como era de se esperar. após um mês. Chamou uma funcionária e pediu que a levasse para provar o uniforme. foi indicada à outra vaga. por intermédio do tantocha. Após atravessar o pátio chegávamos ao local onde era preciso trocar o calçado por um semelhante a um conga e. são as mercadorias que produzem. só era possível fazê-lo uma vez por semana. e ra ne ce ssário prim e iro produzir e m m assa. sobre tudo aque le s prove nie nte s do norte e norde ste do Japão. 6/7 www.htm . aplicado aqui aos de sce nde nte s de japone se s nascidos Breve análise sobre o toyotismo: modelo japonês de produção A autora conseguiu resolver vinte e oito dos cálculos no tempo que foi estipulado e por isso foi levada a uma fábrica da Suzuki na cidade de Kosai para uma entrevista. No Japão. jamais havia visto ou executado tal função. pois estar na fábrica era menos enlouquecedor do que ficar no alojamento. o k anban funciona com o cham ada para a quantidade a se r produzida pe las unidade s ante riore s. dife re ncia-se do siste m a de cartõe s de inform açõe s que acom panham a produção nos m olde s industriais tradicionais: e nquanto e ste s se base iam e m um plane jam e nto a priori da produção.. a atividade solicitada era tão desqualificada que não era difícil sentir saudades da fábrica anterior. a tentativa para tentar conseguir acompanhar o ritmo das máquinas. enfermeiras e professoras. A atividade era tão mecânica que apesar do entendimento da língua japonesa ser pouco e de informática menos ainda. pe la prim e ira ve z. O processo de trabalho não dependia da mediação de sua interpretação para que tivesse seqüência. Ao chegar recebeu o uniforme e foi levada à linha de montagem. Esse ritual era repetido na hora do almoço e antes de ir embora. havia o agravante de estar no alojamento já por vários dias sem confirmação de trabalho. onde havia demanda de mão-de-obra feminina e os homens foram para Kwana-shi onde demandava mão-de-obra masculina. ela não conseguiria desenvolver a função. 1994). extremamente repetitivas e exaustivas. As peças eram dispostas num aparelho que através de uma tela de computador verificava-se sua perfeição ou seu defeito. sob o olhar reprovador do chefe e dos colegas de linha. 2002) [5] A palavra japone sa dekassegui significa trabalhar fora de casa.espacoacademico. desta vez uma fábrica que produzia fechaduras para carros da Mitsubishi. as atividades sempre seguiam a mesma linha. houve a transferência para outro o setor. Terminando a atividade ele mesmo conferiu os resultados e pareceu naquele momento que a vaga estava confirmada. Solidificar amizades também não era possível. a autora jamais faltasse ao trabalho. durante os dois anos que esteve lá. Finalmente. A experiência como operária subcontratada tornou possível ver bem de perto que o a única diferença entre os trabalhadores. no vestiário seguinte trocava–se o primeiro uniforme pelo definitivo. os chamados k ibans. faze ndo com que a produção se ja acionada do fim para o início. pois. Em todas que a autora teve oportunidade de trabalhar ou apenas conhecer. Ao terceiro dia de trabalho. utilizado. a função (trabalhar no setor de reposição de peças) exigia que se desse 15 mil passos por dia. tão grande era o sofrimento pelo qual passava. Uma verdadeira maratona envolvia o ritual matinal. Seu corpo fora transformado num instrumento dos movimentos automáticos da linha de produção”. Durante os primeiros dias trabalhou muito preocupada em dar conta da produção exigida (950 peças por dia). (C ATTANI. Através de conhecidos foi possível outra colocação com melhor remuneração e com maior probabilidade de horas extras em Suzuka-shi. pe la Toyota japone sa. pois além da adaptação estar sendo difícil. as dificuldades eram grandes. a autora foi capaz de realizá-la sem maiores problemas. e m purrando-a de sde o e stoque até o se tor de ve ndas. No dia seguinte. com exceção do calçado.31/07/13 se guinte e stam os re cupe rados para m ais um dia de trabalho de sgastante . tal qual. Num primeiro momento. o de kensa (controle de qualidade). [4] Este siste m a. e ntão. [3] De acordo com o m ode lo de produção fordista. pois. e stabe le cido por He nry Ford. chefe de alguma coisa que não se lembra. Nesse sentido é possível concordar com Antunes (1999) quando enfatiza que não se pode atribuir ao toyotismo um caráter de novo modelo de organização e de produção. Neste dia ficou sabendo que uma colega do alojamento havia tentado se matar. apenas orientações de como realizar a tarefa. Às sete horas iniciávamos um trajeto de bicicleta de aproximadamente. No primeiro vestiário trocávamos nossa roupa pelo primeiro uniforme. que ele dizia que ela deveria reaprender a escrever os numerais 4 e 7. “[. A fábrica em que foi levada para trabalhar nesse momento. re fe ria-se aos trabalhadore s que saíam te m porariam e nte de suas re giõe s de orige m . mesmo doente.br/047/47cfutata. pelo porte físico. e o faziam quando não havia shigotô (trabalho) aos domingos.(MARTINS. resgatar os documentos e fugir do domínio da empreiteira. e para a empresa se certificar que o funcionário estava dentro das normas era colocado um marcador na perna – na altura do tornozelo – e segundo eles. Lá ficaram as mulheres. e stocar e som e nte de pois ve nde r. introduzido pe la Toyota japone sa. não haveria diferença de uma fábrica para outra. Esse m e sm o te rm o é . Quando voltou o tantocha comunicou que a autora não havia sido aprovada porque a fábrica não aceitava secretárias. produzia placas eletrônicas. o qual não desviava os olhos da atividade e soube. O k anban. mas apenas reagir interpretativamente aos movimentos que o ritmo do processo de trabalho impunha ao seu corpo. constitui-se de um conjunto de cartõe s que indica a quantidade ne ce ssária de m até ria-prim a ou de pe ças inte rm e diárias a se re m produzidas para se suprir a cé lula se guinte (clie nte ). quatro quilômetros até a fábrica. onde o trabalho se encontra totalmente alienado. Província de Mie-Ken. derivou problemas de saúde o que obrigou a empreiteira a levá-la para o alojamento. Esse fato perturbador fez com que a partir desse dia. ainda que isso seja despercebido para muitos deles. devido à vida nômade que todos levavam e isso contribuía para aumentar o stress do cotidiano envolvendo a todos num processo de solidão crônica. e iam e m dire ção a outras m ais de se nvolvidas durante o rigoroso inve rno que inte rrom pia suas produçõe s agrícolas no cam po. pois não estava de acordo com o sistema do Japão.] Ao operário já não cabia pensar o seu trabalho. Após uma sessão de perguntas sobre a vida profissional teve que refazer os cálculos na presença de um japonês. Não houve nenhum treinamento. Não fosse assim.

Trabalho.] a diminuição entre elaboração e execução. El toyotism o o e l incre m e nto de la e x plotación. só é possível porque se realiza no universo estrito e rigorosamente concebido do sistema produtor de mercadorias.Todos os dire itos re se rvados www. 32 (4): 6-18. Fordism o. k ik e n (pe rigoso) e k itsui (pe noso) – que e ram re cusados por e le s. David. Ade us ao trabalho? Ensaio sobre as m e tam orfose s e a ce ntralidade do m undo do trabalho.espacoacademico.htm -23k . no m e io da produção. 2003.com . [6]Q uando partim os para o Japão fom os inform ados da vaga e do salário que te ríam os. R e vista de Adm inistração de Em pre sas. Referências ALVES. e d. Maria Apare cida Morae s. que e stava no m e sm o grupo é le vado para um a e stação de tre m a fim de conhe ce r o local onde de ve ria trabalhar e não se te ve m ais notícias de le . [. São Paulo. 12ª. 2004. pp. 33). 47-58. Breve análise sobre o toyotismo: modelo japonês de produção [.. C e nas do Brasil Migrante . 2004.br/047/47cfutata. R . nov. a princípio te m porariam e nte . Sociol. (p. C ATTANI. e VIZENTINI.k itanay (sujo). R icardo e SILVA. na verdade. Movim e nto De k asse gui. São Paulo: Loyola.. R . São Paulo: vol. não se re stringindo ape nas aos brasile iros. A e m pre ite ira re ce bia de ze nas de trabalhadore s por m ê s e de pois procurava colocação para e le s. Se t. SALES. ________ R icardo. as novas form as de acum ulação de capital e as form as conte m porâne as do e stranham e nto (alie nação). e m busca de m e lhore s ganhos salariais.. T. O toyotism o.htm 7/7 . 243-274. (orgs. A aparição do de m ônio na fábrica. n. R e . Dicionário crítico sobre trabalho e te cnologia.). 4. Paulo Fagunde s. São Paulo: Ex pre ssão Popular. Te m po Social. [7] Um brasile iro da cidade de Lucé lia-SP. A crise do capitalism o globalizado na virada do m ilê nio.31/07/13 japone se s nascidos fora do Japão. Thom as.PDF>.e spacoacade m ico.org/PDF/W alte r/Te c-Antune s. sofrim e nto e m igração inte rnacional: o caso dos brasile iros no Japão. Am pl. Thom az. porto Ale gre : Ed. do processo de criação e valorização do capital. e d.C opyright © 2001-2005 . http://www./1994. Fim do trabalho.).] a questão que nos parece mais pertinente é aquela que interroga em que medida a produção capitalista realizada pelo modelo toyotista se diferencia essencialmente ou não das várias formas existentes de fordismo. Da UFR GS. São Paulo: C orte z.br . São Paulo. 1999). Pe trópolis: Voze s. A e x pe riê ncia m igratória e ide ntitária dos brasile iros de sce nde nte s de japone se s no Japão. Fabio Kazuo./out. e d. Assim foi tam bé m conosco. fim do e m pre go. Toyotism o e ne ocorporativism o no sindicalism o do sé culo XXI. uma grande ofensiva aos trabalhadores. GO UNET. (SASAKI. Ace sso e m : 21 jun. SASAKI. W O O D JR . R icardo. A partir dessa breve análise é possível concluir que o toyotismo representou.. O ave sso do trabalho. Antonio (O rg. R e v. M. 6e d. Boite m po. 1999. p. ANTUNES. 1992. entre concepção e produção. Disponíve l e m : <http://www. O utubro. que constantemente se atribui ao toyotismo. Toyotism o e Volvism o. Disponíve l e m : <http://www. 2004. In: ANTUNES. HAR VEY.>. Evidenciando assim que. São Paulo. ainda vai longe esse modelo de sociedade composta por exploradores e explorados. Elisa Massae . MAR TINS. José de Souza. In: C AR R IO N. 5. C am pinas: Editora da Unive rsidade de C am pinas. In: R EIS. e x e cutando trabalhos de baix a qualificação. 1ª.com. 1999. 2002 .alast. C ondição Pós-Mode rna.. uma vez que se instalou como um processo apenas preocupado em resgatar o domínio e o poder de acumulação do capital. O C ADA. USP.wpb. O s cam inhos da indústria e m busca do te m po pe rdido. caracte rizados pe los japone se s com o “3K”. que vão trabalhar no Japão.5. 2001.be /icm /98e s/98e s11. R aul K. Giovanni. ________________. contudo som e nte ao che gar soube m os da ve rdade . Ace sso e m : 21 jun.

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