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O pólo ideológico do campo jornalístico

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O pólo ideológico do campo jornalístico

Resenha do capítulo 5 do livro “Teorias do Jornalismo”, de Nelson Traquina Por Aline Baroni
Traquina discute, no capítulo 5 de seu livro, “O pólo ideológico do campo jornalístico”, as mudanças sociais como propulsoras do jornalismo como profissão e de seu habitus – definido por Bourdieu como a interiorização “social”, por parte de um campo, de suas práticas – que nos leva ao conceito de deontologia. Foram quatro as mudanças fundamentais no jornalismo: a industrialização da imprensa; o novo paradigma que privilegiava fatos em detrimento da opinião e a informação em detrimento da propaganda; a autonomia relativa de outros campos, especialmente do político; e, por fim, a criação de dois pólos dominantes: o econômico, pela comercialização da notícia, e o ideológico, por pensar a oferta de informação como garantia democrática. É recorrente a idéia de que o jornalismo não apenas surgiu da democracia, mas também é seu maior defensor. Em suma, a imprensa é um elo indispensável na garantia da liberdade dos cidadãos, porque promove a relação entre a opinião pública e as instituições governantes (liberdade positiva) e protege os cidadãos contra tiranias dos governantes (liberdade negativa). Todos os fatores do ethos jornalístico estão em relação simbiótica. Para haver liberdade é indispensável que os jornalistas sejam independentes (tanto economicamente como politicamente). A independência é sinônimo de credibilidade, uma vez que uma informação independente de opiniões dificilmente é distorcida e, conseqüentemente, está associada à verdade. Os critérios de noticiabilidade devem se nortear pela informação verídica. Afinal, é de se esperar que os jornalistas tentem provar que Balzac estava errado quando disse, sobre esses profissionais, que, para eles, “tudo que é provável é verdadeiro”. Além desses, outro valor fundamental – e talvez o mais presente no cotidiano de um jornalista – é a busca pela objetividade. A primazia dos fatos em detrimento das opiniões data do século XIX, quando os jornalistas começaram a procurar métodos e técnicas para tornar seu texto livre de subjetividades e parcialidades. A tecnificação do jornalismo é uma estratégia adotada para alcançar a isenção de subjetividade. Para isso, os jornalistas lançam mão de procedimentos como apresentação de opiniões e versões conflituosas sobre os fatos, verificar as informações passadas pela fonte, apresentar provas complementares que corroborem a afirmação e a utilização das aspas. Mas talvez a técnica que mais caracteriza a reportagem é o lead: um parágrafo com as principais informações que se encontra logo no início da matéria. A objetividade não só é uma tática para agilizar o fechamento da matéria, como também standartiza, padroniza, o produto: trata-se, acima de tudo, de um processo que visa trazer a legitimação da notícia. E isso estabelece também balizas para o comportamento profissional – e é tanto o resultado como o resultante da deontologia da profissão jornalismo. Não é difícil perceber que Traquina tem uma visão positiva e idealista do que é o jornalismo. Como teórico, ele tem a função de estudar o jornalismo em seu sentido normativo – mas ignorar que, na prática, a imprensa nem sempre cumpre o que propõe seu caráter deontológico, é esconder um fato importante da realidade jornalística e, por que não, do newsmaking.
TRAQUINA, Nelson. Teorias do jornalismo. Florianópolis: Insular, 2004.

BALZAC, Honoré de. Os jornalistas. Tradução de João Domenech. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1974.

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