Saramago e os povos zapatistas de Chiapas

Na décima quinta Cumbre Iberoamerica de Salamanca (outubro 2005) se falou por vez primeira dos povos indígenas esquecidos graças ao Saramago, quem insistiu em que para resolver os graves problemas de América Latina o primeiro que se tem que fazer é não esquecer a situação dos povos indígenas. Assim como o reconhecimento da existência desses povos e sua situação de marginalização.
Durante toda sua vida, Saramago sempre se sentiu perplexo ante a possibilidade de que América Latina se desintegre tanto que as culturas, as identidades e suas línguas desapareçam pelos interesses capitalistas de outros. Por isso, quando em março de 1998 chegou a México com os povos de Chiapas ele falou “estou aqui porque é meu direito e minha obrigação”. E é que durante toda sua visita naquele ano, ele esteve sempre vigiado pela Secretaria de Governo e os serviços de inteligência. Mas isso longe de aterrorizá-lo, o acosso o fortaleceu, ainda quando tinha tido advertências de expulsão do pais por parte de migração. Embora não foi suficiente. Quando chegou com o tzotziles ele chorou de indignação, mas também se motivo por ver a resistência do povo ante o frescor da matança de Acteal. Nessa visita o inundou as coisas que viu, as palavras que ouviu, as pessoas que conheceu para sempre. Percorreu também os acampamentos dos deslocados em Polhó, mas ante todo ele escutou, como o maior ensino que nos legou para todos o filosofo já falecido Carlos Lenkersdorf. Depois de esse ano, Saramago voltou a Chiapas em 2001 para entrevistar se com alguns dos dirigentes, entre eles o subcomandante Marcos. Nessa mesma visita disse que ele foi testemunha ocular da realidade, que ninguém mais teve que falar para ele, por isso Saramago sempre manteve com os indígenas de México uma relação notável e para sempre. Até o final.

Rosalba Quintana Bustamante Portugués N. 6 05 de agosto 2011

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