Capítulo 8

Segunda organização interna da Igreja

Blog Christi Fidei Da série: História da Igreja Pe. Miguel de Oliveira CONSTITUIÇÃO DA IGREJA Os Papas. O primado dos Pontífices romanos, que já se tinha claramente manifestado, afirmou-se com maior vigor e frequência desde a paz da Igreja. Numerosos fatos ate stam o exercício da autoridade suprema: são os Papas quem preside pelos seus delegad os aos concílios e lhes confirma a doutrina; os próprios hereges e os imperadores re conhecem no bispo de Roma o chefe da Igreja e guarda da ortodoxia. Diziam os bis pos arianos que, se atraíssem ao seu partido o Papa Libério, todos os outros cederia m em breve. Santo Ambrósio, bispo de Milão, podia com razão exclamar: Ubi Petrus ibi E cclesia [Onde está Pedro, está a Igreja]. Alguns bispos de Constantinopla começaram, n o entanto, a arrogarem-se poderes iguais aos de Roma, com o pretexto de Constant inopla ser a residência do imperador, uma segunda Roma . Esta ambição levaria mais tarde ao Cisma do Oriente. Os principais Papas deste período foram: S. Milcíades (311-314), último pontífice inumad o nas Catacumbas; S. Silvestre I (314-335), que presidiu pelos seus delegados ao Concílio de Niceia; S. Libério (352-366), que mandou construir a Basílica Liberiana n o lugar onde hoje se ergue Santa Maria Maior; S. Dâmaso (366-384), oriundo da Peníns ula Hispânica, a quem se devem os maiores cuidados pela conservação das Catacumbas; S. Leão Magno (440-461), Doutor da Igreja, que exerceu um dos mais gloriosos pontifi cados. S. Leão Magno tornou-se célebre pela sua atitude em face dos Bárbaros: obrigou Átila, ch efe dos Hunos, a recuar e, quando Genserico, chefe dos Vândalos, invadiu Roma, evi tou o incêndio da cidade e o morticínio dos seus habitantes. Nos dias críticos da deca dência do império do Ocidente e da heresia no Oriente, manteve vivo o princípio da uni dade da Igreja. Bispos, Metropolitas e Patriarcas. No tempo de Diocleciano, o Império foi dividido em prefeituras, dioceses e províncias. Desta organização partiu o desenvolvimento da hierarquia eclesiástica. Os bispos governavam as cidades (futuras dioceses) e os m etropolitas eram os bispos das capitais das províncias. Depois sobrepuseram-se a e stas províncias jurisdições mais extensas que correspondiam às dioceses civis do Império e que, como estas, abrangiam diversas províncias: foram os patriarcados. Os patriar cas eram cinco: um para o Ocidente, o bispo de Roma; quatro para o Oriente, os b ispos de Antioquia, Alexandria, Jerusalém e Constantinopla. Os Párocos. A princípio, só nas cidades havia comunidades chamadas paróquias, com uma únic a igreja dirigida pelo bispo. Quando se fundaram mais igrejas, o bispo continuou a ser o chefe de todas elas e só na igreja episcopal se administrava o batismo e se celebrava a Eucaristia. A extensão do Cristianismo tornou necessária a fundação de igrejas nos campos, e junto d estas igrejas estabeleceram-se no Oriente os corepíscopos ou bispos rurais. Reconh ecendo-se que não convinha dividir tanto a jurisdição episcopal, os poderes dos corepísc opos foram sucessivamente reduzidos, até se suprimir essa instituição. No Ocidente, ra ramente aparece o título de corepíscopo; não consta que tenha havido algum na Península Hispânica. As paróquias rurais foram confiadas a simples presbíteros, sujeitos ao bisp o da cidade. Em virtude do desenvolvimento destas paróquias, foram aparecendo igre jas auxiliares e capelas que ficavam por sua vez dependentes do presbítero que reg ia a igreja paroquial. Este tomava então o nome de arcipreste. Escolha e formação do clero.

A nomeação dos párocos e dos outros clérigos pertencia ao bisp

A disciplina dos Sacramentos não teve durante este período modificações imp Quanto ao batismo. não tinha abóbada. Este. A confissão pública foi abolida em Constantin opla no fim do século IV. uma das mais célebres a Sofia. a antiga disciplina continuou em vigor no Oriente. o Papa S. mas um teto de madeira. em Constantinopla. Na arquitetura religiosa seguiram-se dois estilos: a basílica e a igreja A basílica formava um retângulo. mas era concedida remissão parc ial das penas canônicas em alguns casos. Graças à munificência de Constantino e da sua família. A educação dos clérigos era feita ordinariamente pelos próprios bispos e muitas vezes já n os claustros. Leão Magno estabeleceu aos subdiáconos a obrigação de observá-lo. mas foi aparecendo a tendência de os imperadores apresentarem os candidatos. Fora da missa. generalizou-se no século V a prática de administrá-lo às crianças. ortantes. por filas d era em forma é a de Sant . começou o clero a viv er em comunidade. SACRAMENTOS E CULTO Sacramentos. durante a missa. Paulo. Durante este período houve quatro Concílios Gerais ou Ecumênicos: o de Nic eia (325) contra o Arianismo. ambos contra os Priscilianistas. O direito de convocar um concílio ecumênico pertencia exclusivamente ao Papa. As cerimônias começaram a realizar-se em edifícios especiais chamados batistérios. e os sínodos diocesanos em que se reuniam os sacerdotes de uma só di ocese sob a presidência do seu bispo. e no Ocidente em meados do século seguinte pelo Papa S. e o de Calcedônia (451) contra os Monofisitas. o de Éfeso (431) contra Nestório. Pedro e de S. e a confirmação pontifíci a era absolutamente necessária para que as decisões conciliares tivessem validade ge ral. Aos fiéis que não comungavam distribuía-se no fim da missa a eulógia ou pão bento. do Monte das Oliveiras e de Belém. No Ocidente. Quanto ao celibato. Estes sínodos diocesanos só se tornaram possíveis quando aumentou o número das paróquias. o que no Ocidente só se admitia em casos excepcionais. O ministro da Confirmação era no Oriente um simples sacerdote. só passou ao Ocidente no século VI. A Comunhão era dada ainda. de S. Depois da liberdade religiosa. segundo o antigo costume. Lugares do culto. A igreja de cúpula circular ou poligonal e foi mais usada no Oriente. formando uma espécie de seminário em que os mais velhos instruíam os novos. A bênção do santo crisma era reservada ao bispo em tod a a Igreja. frequentemente dividido em 3 ou 5 naves e colinas. Além dos concílios ecumênicos. chama do catecumenato. excluindo o p ovo da eleição. de cúpula. com ungava-se como hoje sob uma só espécie.. sob as duas espécies. Os Concílios. No Ociden te. o de Constantinopla (381) contra Macedônio. havia os concílios ou sínodos provinciais ou regionais em q ue tomavam parte os bispos da respectiva região para deliberar sobre assuntos de i nteresse local. introduzido no Oriente no século III. ergueram-se e m Roma as basílicas de Latrão. surgiram por toda a parte numer osas igrejas cristãs. Reuniram-se neste período na Espanha o I Concíli o de Saragoça (380) e o I de Toledo (400). convertida em mesquita desde 1453. sob o impulso de Santo Agostinho. O ba tismo dos adultos continuou a ser precedido de um tempo de preparação e prova. Este costume. era escolhido pelo clero e pelo povo. Leão Magno. Continuou a penitência pública para os grandes crimes. e na Palestina as igrejas do Santo Sepulcro.

fundados por S. S. O ofício divino. Faltou-lhes o estímulo das perseguições. mas foi c ompletamente reformado por S. com jeju m na quarta e sexta-feira e no sábado. Vida monástica. Pedro e S. honraram-se os confessores da fé e os que se distinguiam pelas suas virtudes heroi cas. Trabalharam muito na sua difusão S. chamaram-se ascetas aqueles cristãos que se propunham lutar contra o mundo e a carne. instituiu em Tabena. V). o primeiro mosteiro e deu aos religiosos uma regra comum. Logo nos primeiros tempos da Igrej a. O canto litúrgico data dos primeiros tempos da Igreja. Dias de festa e de jejum. e na legislação do século parecem referências a mosteiros. nem sempre sinceros. e muitos deixaram-se abalar em virtude d as sobrevivências pagãs ao contato com as heresias. pois se encerravam em estreito habitáculo. embora continuassem a viver com a famíl ia. aumentou o númer o dos convertidos. no Egito. IV). vi ndo a Roma pelo ano 335. pela profissão da castidade perfeita. deu também aos seus religiosos uma regra que prescre via rigorosa obediência. Jerônimo em Roma. entrou na liturgia desde o século IV. Além dos mártires. Santo Ambrósio em Milão e Santo Agostinho na África. Miguel. na Capadócia. S. Houve ainda os chamados estilitas que viviam sobre uma co luna e praticavam a mais alta mortificação. Pacômio foi o fundador da vida cenobít ica. No século III. já o I Concílio de Saragoça (380) fala em regra monástica. mas variaram certas cerimônias e orações. O fundo da liturgia continuou a ser o mesmo. mencionam-se já as Quatro Têmporas. Depois vieram a diferenciar-se: os reclusos eram os ún icos verdadeiramente isolados. lições e orações. Quanto ao jejum. Na Hi spânia. Veneravam-se também os anjos. apareceram neste período as do Natal e da Ascensão. No tempo de S. Anunciação (séc. espe cialmente S. tornou conhecidas dos cristãos as austeridades dos eremit as orientais. em geral perto do Nilo. Martinho de Tours. Na Gália. Gregório Magno (590-604) daí o nome canto gregoriano. em virtude de se generalizar a prática do batismo das crianças e de se modific ar a disciplina da penitência pública. O primeiro foi S. No Ocidente. Tornou-se menos rigorosa a distinção entre missa dos catecúmenos e missa dos fiéis. durante 40 di as (Quaresma). para viverem sós (mong es). durante este período. As quatro mais antigas festas de Nossa Senhora tiveram origem na igreja grega: Purificação (séc. a congregação contava muitos milhares de reli giosos. algum declínio da vida moral e religiosa dos cristãos. entregues às mais rudes austeridades. fundado por Santo Honorato de Arles. Vítor. IV). pelo ano 330. Mesmo quando se aproximavam de outros. o que se e xplica pelas perturbações causadas pela invasão dos Bárbaros. V). S. No século V. tornou-se geral o de preparação para a festa da Páscoa. perto de Marselha.IMAGEM DA IGREJA DE SANTA SOFIA Liturgia. composto de salmos. Em vários aspectos nota-se. A vida monástica não apareceu organizada de súbito. Assunção (séc. a vida monástica alcançou grande florescência. e o de Lérins. apenas c . a vida monástica desenvolveu-se sobretudo graças a Santo Atanásio que. Além das festas de Nosso Senhor mencionadas para os prim eiros séculos. o ascetismo revestiu-se de formas especiais: alguns cristãos reti raram-se para os desertos do Egito. As festas dos mártires que primeiro se celebraram em toda a Igreja foram as de S. dava-se-lhes o nome de santos ou senhores. Em compensação. Leão Magno. fundado por João Cassiano. A vida ascética de Santo Antão (+ 356) atraiu-lhe uma multidão de discípulos que viveram na Tebaida e em outros des ertos. A festa da Exaltação da Santa Cruz começou a celebrar-se no Oriente depois que Santa Helena descobriu a V era-Cruz (326). o de S. mas faltam outros elementos de informação. VI) e Natividade (s ). João Batista e Santo Estevão (séc. Simeão Estilita (+ 459) que viveu durante 37 anos sobre várias colunas e operou numerosas conversões com o e spetáculo da sua vida santa. Basílio. esses monges habitavam cela separada e não obedeciam a uma regra. dando origem a diferentes liturgias no Orien te e no Ocidente. Paulo (séc. tornaram-se célebres os mosteiros de Ligugé e Marmoutier.

que S. os eremitas construíam celas próximas umas das o utras e associavam-se uma ou duas vezes por semana em orações comuns. Aproveitando esta tendência para o agrupamento. m odalidade de vida religiosa mais discreta. Pacômio cercou de muro várias celas e deu aos religiosos uma norma comum. sem extravagâncias ascéticas. os anacoretas escolh iam morada em antigos túmulos cavados no flanco das montanhas. os cenobitas l evavam vida comum. S. sujeitos a uma regra.om um postigo por onde recebiam alimento da caridade pública. . Estava fundado o cenobitismo. Bent o havia de elevar depois à grande perfeição. Tanto os anacoretas como os eremitas bu scavam direção espiritual junto de algum solitário que mais se distinguia em ciência e s antidade. Continua no Capítulo IX. mas não evitavam todo o contato com os seus semelhantes.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful