Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).Vale do Ribeira. .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos. químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .

mas pouco se faz. se propõe e se discute sobre o assunto. Nos últimos anos. alterações climáticas. comprometimento do abastecimento de água. ou melhor. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. pois. a falta de propostas decorre de um dos dois. ou significam estratégias proibitivas. empobrecimento do solo.perda da fauna e da flora. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. que em sua maioria não resolvem o assunto. provavelmente.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. conse- . é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. entre outros -. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. Acreditamos que. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e.

de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. Para tal. como os ribeirinhas da Amazônia. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. não se dá apenas visando à sobrevivência. a contribuição deste . pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. quer sejam comunidades tradicionais. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. os moradores da floresta . priorizadas.qüentemente. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. portanto. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. atualmente. Nesse aspecto. Por sua vez. entretanto. Essa relação. como mais um produto para comercialização. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. os pescadores do Vale do Ribeira. Nesse sentido. Consideramos.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. regional. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. mas inclui ainda interesses econômicos. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local.quer sejam grupos definidos. Dessa forma. São eles que conhecem a floresta. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. sem dúvida alguma. permitir grandes avanços na conservação. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. São eles que podem. seus produtos e suas relações.

considerando os aspectos aqui referidos. e também no de desenvolvimento. No entanto. publicado originalmente em 1989. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. Dessa forma. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. Começamos o trabalho. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. Passou da hora de a ciência e a política. pagando o preço de um trabalho mais social. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. como instituições determinantes para o avanço. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. Não custa lembrar e salientar. em janeiro de 1999. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à .livro é um começo. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. conseqüentemente. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. entretanto. A equipe já não era a mesma. Foi a partir de pesquisas que realizamos. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. já que dez anos haviam se passado. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. mais abrangente. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. cada qual havia tomado seu caminho. na verdade.

A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica.não . Estado de São Paulo. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. buscamos informações em diversos endereços. Chemical Abstracts). catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. químicos. pelo menos as mais citadas. por um lado. por outro. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. Index Medicus. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica.proposta original. à medida que. além dos desenhos apresentados inicialmente. Nessa nova etapa. incluindo fotos de algumas espécies. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. Por si só. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. outro importante e singular ecossistema brasileiro. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. farmacológicos. No entanto. a nova idéia não tinha mais como retornar. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material.

que serão úteis. sem dúvida. passaram a representar uma nova alternativa . que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. especificamente. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. No entanto. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. da Mata Atlântica. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. durante todo esse período. mas um novo trabalho. não apenas catalogando espécies medicinais. especialmente os mais ameaçados. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. mas com um livro. mais acessível que os artigos . raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. A conservação dos ecossistemas tropicais. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área.em artigos científicos e técnicos. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. sempre foi uma preocupação constante. mas as plantas medicinais. como é o caso da Amazônia e. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. hoje. Com essa nova concepção. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país.

cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. municipais e federais) e não-governamentais. Luiz Claudio Di Stasi . Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. Nesse sentido.para a conservação dos ecossistemas. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. realizadas de forma racional e sustentável. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. mas pouco realizado na prática. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. apesar de preliminar e pequena. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais.não pode ser apenas a retórica. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. Finalmente.

a nosso modo de ver. realizar um estudo etnofarmacológico regional. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. Em terceiro lugar. Em primeiro lugar. pretendeu-se. Em segundo lugar. que esse conhecimento seja perdido. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. desse modo. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. evitando-se. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. o que.

preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. com as atividades deste trabalho. Nesse contexto. Osvaldo Aulino da Silva. com a promoção de melhores condições de vida para a população. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. com os conhecimentos adquiridos. Finalmente. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. Nesse contexto. além dos objetivos aqui expostos. realizado no município de Humaitá. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. Em quarto lugar. químicos. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. como qualquer outra atividade humana. e que visa. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. consideramos que a ciência. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. juntamente com o Prof. pretendeu-se. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). Por outro lado. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. farmacologistas etc). Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. da qual o próprio pesquisador faz parte. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. deve ter um componente social em seu escopo. que potencialmente es- .natural.

estágio de desenvolvimento. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). além de botânicos. estações do ano e outros). Acreditamos. clima. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. propiciou um imenso prazer. além de engrandecer o trabalho. farmacologistas. que se superando as dificuldades. que podemos denominar ecológico. portanto é urgente a sua consideração. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. antropólogos e químicos. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. essa área requer um enfoque novo. no entanto. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. como seres vivos. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. consideramos de grande importância colocar que. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. para que o conheci- . pela sua característica multidisciplinar. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. tipo do solo. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. No entanto. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. e nossa experiência é prova disso.

não só de conhecimento das potencialidades da natureza. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. acrescentaram uma experiência rica. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. que. Luiz Claudio Di Stasi . o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam.mento tradicional seja devidamente resgatado. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. além de tornarem possível este trabalho. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final.

Observa-se. e. por fim.. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial.. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. portanto. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. mas os primeiros registros remontam a milênios.William Shakespeare. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. quando se constata. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. de um lado. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. a grande maioria na região amazônica. Dessas. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. Ato II de Romeu e Julieta . o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. (Cena III. O Brasil contribui com 120 mil espécies. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. apesar disso.

Por último. Dra. efeitos observados. como este que aqui se apresenta. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. Mas o passo foi dado. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. e isso é o que importa.Campinas) . Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. Profa. Quando dizemos criteriosos. posologia. a distância vencida.criteriosos. enfim. Levantamentos etnofarmacológicos. de outro.

a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. que. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. conforme aponta Philip M.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. . No entanto. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. Atualmente. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. no caso da Amazônia. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. apesar da pobreza dos solos. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. Fearnside. A exploração madeireira. Dada a fragilidade desse equilíbrio. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. De fato. provenientes da evapotranspiração. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta.

visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. por outro. fruto de um trabalho sério de pesquisa. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. Prof. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. riquíssima em espécies. desde o leigo ao mais especializado. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. ecológico e histórico. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. das quais poucas foram estudadas. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular.Rio Claro) . Somada a isso. Luiz Claudio Di Stasi. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . Dr. acarreta duas situações que. julgamos altamente preocupantes: por um lado. De qualquer maneira. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. honrado em apresentar esta obra. Plantas medicinais na Amazônia. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. coloca às mãos dos leitores. Sinto-me. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. e. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. do ponto de vista social.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. portanto.

pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. resumidamente. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. sul do Estado do Amazonas. no Amazonas. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Vale do Ribeira. no Estado de São Paulo. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. • Aldeia dos Tenharins. Jacupiranga e Sete Barras. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões.Metodologia de pesquisa Apresentamos. conforme descrito a seguir: .

Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). evitando-se. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. assim. • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. Para as espécies da Amazônia.Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Departamento de Botânica do Instituto de . Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). a coleta errada do material. Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). Para materiais fora da fase de floração. Amazonas. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia).Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". No caso de material em fase de floração.

Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP .Botucatu. Chemical Abstracts. Sites da Internet. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies.Biociências da UNESP . Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. Outras informações (agronômicas. Itajaí . foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues".Rio Claro. para sua identificação. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies.Santa Catarina. Index Medicus (Med-line). . Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado.

como havia sido feito na primeira edição deste livro. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I .incluindo as monocotiledôneas medicinais. com o tempo. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. . mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente.

respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. as quais se subdividem em cinco seções: . • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae .Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. incluindo: .• Parte II . • Introdução sobre a família botânica ou. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias.incluindo as dicotiledôneas medicinais.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. Para cada capítulo. . significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. . tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. .Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae . • Dados químicos. em vários casos. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. que compreendem uma descrição botânica.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae .nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). dados ecológicos e distribuição.

além de uma extensa bibliografia atualizada. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. . medicinais na Amazônia e foram escaneadas. Instituto de Biociências de Botucatu. C. UNESP. • Dados toxicológicos. . O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. formatadas e montadas para inclusão no livro. No final do livro. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. . Essas ilustrações constavam do livro Plantas. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero.• Dados farmacológicos. formatado e montado para a inclusão neste livro. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. de vários tipos: . encontram-se um glossário de termos botânicos.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. .Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. formatadas e montadas para inclusão no livro. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). algumas delas descritas neste capítulo. Guimarães C. Typhales. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. Hiruma-Lima E. Santos L. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. C. Mayacaceae e Commelinaceae. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. M. A. Xyridaceae. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico.1 Commelinidae medicinais C. pelo seu grande valor ornamental. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. M. Outras ordens botânicas como Juncales. . Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae.

substâncias cianogênicas. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. que inclui alguns importantes gêneros. Andropogon nardus. açúcar e óleos essenciais. Cymbopogon. • Centothecoideae. Paspalum. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. reunindo inúmeras utilidades. é a mais importante. ácidos fenólicos. Zea. amido. Os outros constituintes incluem alcalóides. como Sorghum do sorgo. flavonóides e terpenóides (Evans. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. que incluem vários gêneros. e o gênero Oryza. do ponto de vista de espécies medicinais. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. do famoso centeio e da aveia. que inclui os gêneros Secale e Avena. . e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). Saccharum e outros. açúcar e trigo. principalmente Zea mays (milho). As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. 1996). que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. A família é dividida em quarenta tribos. também denominada Gramineae. cujo representante principal é o arroz. Arundinoideae e Chloridoideae. Várias espécies possuem importância terapêutica. mas sem importância medicinal. respectivamente. saponinas. • Pooideae. • Panicoideae. gêneros alimentícios como bebidas. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. subfamília que. ferragem.A família Poaceae.

Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal.5 m de altura. espiguetas sésseis e fruto cariopse. com folhas invaginadas bastante agudas. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica.K. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. a planta também é conhecida como Capim-membeca. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. Andropogon nardus L.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. Em outras regiões do país. Em outras regiões do país. por sua vez. os colmos são finos. os quais. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. glabros e curvados. podendo atingir até 2 m de comprimen- .B. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. possuindo um grande número de ramos.

Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. folhas alternas. ásperas em ambas as faces. com grande valor econômico. formigas e traças. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. eretas. 1962). formando uma touceira robusta. bainha larga e lígula na base do limbo.1). nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. problemas estomacais e febre. . Cymbopogon citratus (DC. Sídró. Capim-cidreira. Capim-cheiroso. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. Capim-cidrão. Capim-sidró. Capim-limão. lineares. marginatus e validus. compridas.) Stapf. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. rizoma semi-subterrâneo. Vervena. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. Erva-cidreira. com nós e entrenós. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. tais como flexuosus. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. Patchuli-falso. Capim-marinho. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. sudoríficas e carminativas. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk.to.

no Pará. 1988). como calmante e antiálgico (Van den Berg. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. folhas amplexicantes. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . reumatismo e febre. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. espiguetas com flores pequenas. dores de cabeça e dores musculares. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. nervura central saliente e bainha espinescente. duas vezes ao dia. colmo arqueado na base.2). 1982). Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. 1 dísticas. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa.Na região da Mata Atlântica. em Brasília. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. 1982. verde ou violácea. ásperas. contra gripes. como diurético. hermafroditas. lineares. 1986). carminativo. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. planas. Cana. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Saccharum officinarum L. ápice agudo. cilíndrico. simplesmente.. calmante e antiespasmódico (Barros. simples. Matos & Das Graças. na forma de banho (Amorozo & Gély. Na região da Mata Atlântica. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. o suco do colmo da planta. dores de cabeça e disenteria. a infusão das folhas é usada como antidiurético. 1980). O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. pequeno (Figura 1. articulado e um pouco mais grosso nos internós. 1980). no Mato Grosso. no Ceará. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. fruto do tipo cariopse ovóide.. gripes fortes. no Rio Grande do Sul.

contra úlceras da córnea. 1981). felandreno. neral. citronelal. internamente. 1. cólera.4%). envenenamento com arsênico. febres. chumbo e cobre. farnesol. tuberculose. Ming et al. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. 1986). 1997). cariofileno. mentol. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. geraniol.diurético e contra hipotensão.e b-pineno. como citronelal. 1984). Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. metil-heptenona. terpenos e dipenteno (Costa. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). 1996). mirceno. a. escarlatina. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. como o geraniol. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. contra resinados e anginas e. além de seus isômeros geralúal e neral. 1997). rachas dos seios. 1996. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. O óleo essencial de C. externamente. vômitos da gravidez (Corrêa. aftas. laurato de etila. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. . linalol.8-cineol. metil-heptenol. vários aldeídos. erisipela. limoneno. isovaleraldeído e decilaldeído.. cetonas e alcoóis. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. neral. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais.. nerol.

citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. Onawunmi & Ogunlana. anti-helmíntica (Jourdan.9%) e neral (33.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. 1986. 1996). Com as folhas de C.. 1984. Pinho et al. 1989) e antioxidante (Lopes et al. 1986 e 1987. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al.. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. 1988). 1997). Onawunmi et al. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al.. 1995). 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. . 1985).. 2002).. A atividade antibacteriana de C. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. 1988) antimicrobiana (de Sá et al. Di Stasi et al. relatam. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho.. e Di Stasi (1987)... porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al.. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. mirceno (12. 1997) e o extrato de C. (1985).. toxicológico e clínico com essa espécie. 1983 e 1989a). citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. não observando propriedades de interesse terapêutico. 1990). (1983) referem atividade antiespasmódica.. no entanto. 1997). 2002. Os principais constituintes das folhas de C.8%). uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. Lorenzetti et al. 1988).. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. 2000.. 1986 e 1987). enquanto Ferreira et al. Onawunmi.. 1998). geranial (45. O extrato metanólico de C. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. citratus. 1988). analgésica (Viana et al. 1988).. 1988).

1989). perda de postura.. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. 1999).. Dados toxicológicos O óleo de C.. sedação e defecação (Ferreira et al. visto o grande número de trabalhos com C.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. 1986a). Além de hipocolesterolêmico. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. 2000). O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. ferúlico e sinápico (He & Terashima.. 1983). Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. Hikino et al. ataxia. Foi isolado também o policosanol. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. De S. 1988). ligninas e ácidos fenólicos. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. Para a espécie Saccharum officinarum. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. ácidos p-coumárico. também conhecido como Capim-cidrão. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. citratus. Menendez et al. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al.. . bradipnéia. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. um álcool alifático com alto peso molecular. 1990). citriodorus. 1997..

b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis).FIGURA 1. .Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas. c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).1 .

FIGURA 1.Banco de imagens ). .Saccharum officinarum.2 . Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .

M. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. importante produto de comercialização. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. Santos E. Cannaceae e Marantaceae. C. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. A. As espécies da família Bromeliaceae. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais.2 Zingiberidae medicinais C. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. Tal uso não é comum na região amazônica. De todas essas famílias. . Guimarães C. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. Hiruma-Lima L. M. Lowiaceae. Zingiberaceae.

Renealmia e Riedelia. Curcuma. com várias espécies medicinais. especialmente as famosas Canas-do-brejo. larga bainha na base que envolve o caule. destas. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica.100 espécies tropicais espontâneas. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. algumas delas aqui descritas. na qual se localizam os gêneros Zingiber. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. nos quais estão distribuídas 1. Costus e Hedychium. com folhas membranosas. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. Além do valor medicinal das espécies dessa família. Vindecaá e Vindicáa. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. inclui 52 gêneros. e • Zingiberoideae. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. lâminas . Alpinia.

A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. 1988). contém inflorescências terminais. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. . hermafroditas e zigomorfas. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico.5 m de altura. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. elípticas. espessas. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. densas com flores brancas ou róseas. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. Dados da medicina tradicional Na Amazônia.1). androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides.com 20 a 40 cm de comprimento. ápice agudo e base arredondada. gineceu com ovário ínfero. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. Costus spiralis Rosc. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. mas com algumas espécies em regiões tropicais. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. fruto capsular. O gênero Costus. descrito por Carl Linnaeus. perianto distinto em cálice (claviforme. inclui 42 espécies tropicais. vistosas. flores em grupos com brácteas vistosas. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. podendo chegar a até 1. entouceirada. contra sarampo.

em Iguape é comum a denominação Napoleão. Em razão de sua beleza. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. O gênero Hedychium. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. . incluindo a espécie aqui descrita.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. A decocção de suas folhas.2). grandes. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. descrito por Johan Gerhard Koenig. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. a espécie é muito utilizada como ornamento. muito perfumadas (Figura 2. cilíndricas. na forma de infusão. contra diarréias graves. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. de onde partem as folhas longas. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. especialmente de origem sifilítica. as inflorescências são terminais com flores brancas. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. Hedychium coronarium Koen. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. lanceoladas e coriáceas. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. Lírio branco e Gengibre branco. sendo de fácil multiplicação por touceiras. sésseis. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. vistosas. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga.

Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. mas especialmente na Ásia. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. lumbago e cólicas menstruais. flatulência e eólicas. 1994). Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. cólicas. folhas alternas. gripes e para problemas circulatórios. internamente. lanceoladas. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. A espécie é reputada como estimulante. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. 1995). sendo provavelmente o local de sua origem. além de diversos outros usos (Bown. onde a maioria das espécies é espontânea. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. contra náusea. contra reumatismo. C. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. carminativa com uso na dispepsia. com ampla distribuição. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. em todo o Brasil. tosses. mesmo no Vale do Ribeira. . diarréias e como vomitiva.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. e. indigestão. gripes. de Gengibre. A espécie é usada. externamente. com uma lígula membranosa bífida.

. galanga (Mori et al. flavonóides em A.6-dehidrokawaina. 1988a). 1985a e 1985b. Cinco compostos. isohanalpinona e alpinenona. 1990). o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. 1987b). 1996).. linalol. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. japonica (Morita et al. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. nutans (Mendonça et al..6-dehidrokawaina. 1987). acetato de geranil.8cineol. 1987c). speciosa. 1. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. 1987). galanga. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. 1987b).. 1987).. óleo essencial. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al.-(17)12-labddieno-15. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. Os compostos isolados dos rizomas de A.. Os sesquiterpenos -eudesmol. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. De A. e 5. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al.. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em .. 1988). constituintes fenólicos em A.. Foram isolados dos rizomas de A. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. galanolactona e (E)-8. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B.. katsumadai (Okugawa et al.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. 1995). speciosa e A.. Da espécie A. 1988). Dos rizomas de A. galanga (Barik et al. galanga. (Xue et al.16-dial (Morita & Itokawa. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona.... eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A.. nerolidol. humulene. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. 1987a e 1987f) e A. 1988). São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. Os principais constituintes dos frutos de A. taninos. intermedia (ltowaka et al. 1987). dihidro-5.

isohanalpinona. 1989). C. ferro. polyantha foram isolados. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al.5heptanediona. 1988). flabellata (Kikuzaki et al. 1997a)...7-difenil-3. hanalpinona. Três novos diarilheptanóides . O óleo essencial das folhas e caules de A. sendo um novo. isohanalpinol e aokumanol. yakuchinona B.. 1997).8-cineol (Lai et al. As sementes possuem mirceno. 1. fenchona e geraniol. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. -ll(12)-eremofilen-10.foram isolados recentemente da espécie A. De A...8-cineol. cálcio. 1990). citronelol. 1989).calixina A e B e 3-epi-calixina B . manganês. felandreno. 1990)... furopelargona B. além das vitaminas B1. linalol. 1992). furopelargona A. Dos rizomas de A. magnésio. -sitosterol. sesquifelandreno e zingibereno. 1999). citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. 1996). 2001) e do seu rizoma (Masuda et al.. 1997a). l. chumbo. sódio... yakuchinona A. 1987). chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. zinco.-o1. geraniol. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. Das sementes A. E. Os frutos de A.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. daucosterol. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. Além dos sesquiterpenos hanalpinol. . Cinco diarilheptanóides.. blepharocalyx (Kadota et al. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. B2.. oxyphylla contêm neonotkatol. 1997b) e quercetina (Wang et al. intermedeol e -selineno (Itokawa et al. A análise fitoquímica de A. katsumadai possui -pineno. hanalpinol peróxido.. mirceno. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. 1987d). decanol. Das partes aéreas de A. alpinenona. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. 1997). epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano.. densibracteata foram isolados os bisabolanos. trans-bergamoteno. Do óleo essencial das sementes de A.. flavonóides (Luo et al. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. bornil acetato. 1994). potássio. pineno. além de óleos essenciais (Mendonça et al. 1997b). fenóis e alcalóides.. conchigera (Athmaprasangsa et al. terpineol e 1. zerumbet (Xu et al. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al.

1976) e A. é usada na culinária. Sesquiterpenos isolados de A. 1987). e seu óleo. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. 1988. 2000). ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. Mendonça et al. indicando . Estudos com a espécie A. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. galanga (Itokawa et al. na perfumaria. 1985). mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. 1986). A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. 1988b). revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. 1997). provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. A espécie A. 1999). 1994). 1996). speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. inibição da musculatura lisa. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. 1989). oxyphylla (Kyung-Soo et al. bloqueio neuromuscular. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. 1999. sendo antiulcerogênica (Wang et al. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. speciosa. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. que é um derivado do gingerol. A erva. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. japonica e A. galanga (Janssen & Schefter. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. 1996). além de medicinal. 1988). Constituintes isolados de A. Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. 1987c) e A. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. 1972). 1996).De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. Lin et al.

1994)... speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. 2001).. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. Compostos isolados dos rizomas de A. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. 1988b).. 1996). galanga (Itokawa et al. Dos rizomas de A. 1988. speciosa. anticonvulsivante (Maia et al. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. Moraes et al. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. Os diarilheptanóides isolados de A.. 2002). 1990). Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al.. . 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. O composto dihidro-5. O extrato acetônico de A. O terpinen-4-ol.. 1982). speciosa apresentou atividade analgésica periférica. Mendonça et al. 1989). 1993) e antimicrobiana (Sá et al. Mendonça et al. 1992). Geraniol e isotimol isolados de A. 1996). speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al.. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. Estudos com a espécie A. oxyphylla (Chun et al.. Do óleo essencial das folhas de A. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. 1994). O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al.6-dehidrokawaina isolado de A... 1988a. O óleo essencial de A. Os rizomas de A. speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. 1987c).a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al.. 1998. 2001). 1998). antifúngica (Lima et al. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1982.. 1988). também isolado do óleo essencial. officinarum (Kiuchi et al. 1992). 1992). 1990). Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. ArnaudBatista et al.. 1987c) e A. 1988). que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al.

2000). ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al.. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al.. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. relatadas a seguir. dos quais dois possuem grande importância no Brasil.. A espécie H. 1988b).. oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al.. contorções. Surh... 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al.. 2001. 1992). 2000) e H. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. 2002)..A atividade antiinflamatória de A. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico. 2000). . hipocinese. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. 2000). 1999).. 1999). que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. speciosa produziu excitação psicomotora. Musa e Heliconia. 2002).. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais.

com pseudocaule ereto e cilíndrico. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. minúsculas e duras. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. oblongas e inteiras.5 m de altura. . laminares de grande comprimento. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. com bainhas grandes. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero.. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. com folhas longo-pecioladas. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. folhas longas.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. O fruto da espécie não é usado como alimento. no entanto não foi possível obter sua identificação completa.

podendo atingir até 2 m. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. .Alpinia japonica. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). flores reunidas em espigas. onde é amplamente cultivada como ornamento. FIGURA 2. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). dando um pequeno fruto que também é comestível. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. mas com 25% do comprimento e da largura. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. A espécie não é nativa da Mata Atlântica.1 .

2 .Hedychium coronarium. . Vista da planta florida (Banco de imagens - ).FIGURA 2.

Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. Gonzalez L. família Liliaceae. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. C. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . Di Stasi F. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. especialmente na ordem Liliales. G. família Liliaceae. N.3 Liliidae medicinais L. Liliales e Orchidales). Dioscoreaceae. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. principal. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. Asparagales. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. Velloziaceae e Iridaceae. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. Velloziales. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. ordem Orchidales. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. Alliaceae e Amaryllidaceae. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. A. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. Seito C. Dioscoreales.

. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. que passamos a descrever. ambas de valor econômico incomensurável. Colchicum e Drimia. especialmente do gênero Iris. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. Alloe. Tulipa. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). A segunda.e Liliaceae. Outro gênero importante é Aloe. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. esse da importante Babosa (Aloe vera). dos quais devemos destacar o gênero Allium. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. pelo grande número de espécies ornamentais. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. 1997). Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. A primeira. Trilium. Narcissus e Veratrum. Lillium. Convallaria.950 espécies vegetais. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. como é o caso da cebola e do alho. grande fonte de espécies dessa família. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita.

Nas comunidades do Vale do Ribeira. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. Era citado pelos babilônios no ano 3. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. loculicida (Figura 3. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. capsular. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. sésseis. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. obtida comercialmente. são utilizados de várias formas. folhas lineares. ao passo que a infusão é usada contra gripes. flores brancas ou avermelhadas. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . Não foram encontrados sinônimos para a espécie. 1995). a maioria é cultivada.1).000 a.Espécies medicinais Allium sativum L. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. em geral seco. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. na forma de umbela pedunculada. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. os bulbos dessa espécie. inclusos e envolvidos por fina membrana. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. C. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. que se mesclam com os bolbilhos. tosse e também contra hipertensão. especialmente em crianças. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. fruto.

No Pará. tosse com expectoração. dispostas em umbela. ateromatose. em afecções nervosas. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. subgloboso. flores hermafroditas regulares esverdeadas. folhas radicais ocas e compridas. todos usados e comercializados como alimento e condimento. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. Trata-se de uma espécie com usos históricos. Dados botânicos Erva bulbosa. digestivo. Em outras regiões do Brasil. para problemas da pele. Em Minas Gerais. 1982). a espécie inclui vários usos medicinais. como referido para o Alho. carnoso e com casca fina amarelo-parda. 1988). o uso externo. anual. 1992). como antiespasmódico e antigripal (Verardo. com bulbo grande e solitário. ao passo que a infusão das cas- . Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. reumáticas e paralíticas (Corrêa. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. arteriosclerose. os bulbos são usados na hipotensão. tosse. febrífugo. agudas.queca. diurético. antiasmático. histéricas. 1984). gastroenterite e disenteria. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. com inúmeras variedades e subtipos. poderoso anti-séptico das vias digestivas. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. especialmente acne e micoses. também são utilizados como sudorífico. bronquite. rouquidão. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. além do uso como condimento. carminativo e vermífugo. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. resfriados.

Dados botânicos Planta perene e suculenta. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. densas. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. Aloe vera L. é considerado excelente contra úlceras. descansado por 24 horas na geladeira. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. . para acne. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. reunidas na forma de rosetas em sua base. usadas externamente. são úteis contra edemas. folhas suculentas. podendo atingir até 1 m de altura. internamente. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. dores e infecções da pele.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. lanceoladas. Na região amazônica. O uso interno de um macerado em água fria. externo. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. A manipulação dessa planta no preparo de loções. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. ao passo que as folhas frescas. como cicatrizante.2). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. externamente. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. as flores são tubuladas. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra.

vários heterosídeos sulfurados. 1968)... além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin.. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik.. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. A antro-cenona. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. proteínas e fermentos (Costa. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. isobarboloina (Kuzuya et al. et al. holosídeos. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. a polpa é emoliente e resolutiva. aloe barbendol foram isoladas das raízes A.. saponinas esteroidais (Peng et al. 1990).. alil e alil-propil. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. 1997). B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. barbadensis (Saleen et al. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. Da espécie A. 1995).Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. Nos bulbos também foram encontrados aliina.. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. obtidos de A.. (B8) e P. B. catártico e febrífugo. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. Além disso. fitosterinas. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. 1992). . 1986). vitaminas A. aliinase que origina a alicina. 1993). 1997). 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen.. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. 2000). Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. C. 1995). 1999). além de evitar queda de cabelo. 1979). e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. sativum. 1991). e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. desoxialiina. exigindo-se cuidado na utilização. relatando ainda que as folhas são purgativas. barboloina. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. 1997). Prostaglandinas A. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G.

Além dessa classe de compostos. 1987. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). Entretanto. Hikino et al. hipocoleste.. fibrinolítica.. Esse mesmo efeito foi detectado . demonstrou que os compostos de A. 1995. 1996). alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina.. 1991). 2000). o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. Kwon et al.. Augusti & Sheela. Nerkar et al.. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. 1992). amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina.. isolado de Allium sativum Linn. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. antibiótica. Por sua vez. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. 2002). sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. rolêmica. cicloxigenase. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. in vitro (Sheela et al. entre outras ações que serão discutidas a seguir. No entanto.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. 1981. O estudo comparativo in vitro. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma.. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. Em animais com carciriogênese bucal o A.

1995).. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al.. Singh & Shukla. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. 1984. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos.. O sulfóxido de S-alilcisteína. 1997. Guevara et al. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. 1980). 1992). sativum apresentou também atividade antibacteriana. O óleo de A. Sovova et al. 1982. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. Dababneh & Aldelamy. além de atuar como . in vitro... 1994). A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. Mossa. Rees et al.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. 1983. 1985. 1985). compostos fenólicos (Patel et al.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma.. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. 1993) e aquosos (Sato et al.. O extrato de A. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. fosfatase ácida.. contra Helicobacter pylori. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. 1996). Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. 2002) contra Staphylococcus aureus. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. precursor da alicina e obtido do alho... 1981. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno.. O estudo realizado por Celini et al. enquanto a associação dessa dose com 4. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. 1984. 2001). Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. Khan et al. 1983) obtidos a partir dessa espécie. 1993).

assim como substâncias isoladas do alho. no entanto. 1996). enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. Mohammad & Woodwara (1986). Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh.. 2001). metil-ajoeno. e não as substâncias isoladas. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. (1985). (1986). 1994). Kamanna & Shandras-Wkhara. 1995b). Block et al. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. Essas propriedades farmacológicas. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. Sandhu et al. 1978). extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. 1978. Boelter et al. (1992). 1978. 1993). assim como as respectivas substâncias isoladas. sem. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary.. no entanto.. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. inibem a síntese de colesterol.. cepa (Dorsch et al„ 1985). Rotzsch et al. 1980. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. 1993). 1986) e brutos (Rees et al. alicina e sulfeto de dialila. Os resultados obtidos por Sendl et al. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica.. 1992). Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno.. 1993).agente anticercaricida. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. 1984. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . Adetumbi et al. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. 1993). Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. 1980.

(1982). Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. 1996). atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. 1990). tais como a histamina (Usui & Susuki. assim como a reação de liberação induzida por agonistas.. sua condutância. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. 1991). (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. 1996). Estudos realizados por Apitz-Castro et al. 12. 1996). 1991). E. M. como radioproteção (Reeve et al. relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. 1997).. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. 1996). 1996). A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. (1987). et al. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio.5. (1986b). Ribeiro et al... 1993b). sativum (Kweon et al. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. Essa mesma planta reduziu a concentração .. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. também. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos.. atividade diurética. I. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. Por sua vez.. enquanto Pantoja et al. principal componente antiplaquetário do alho. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al.. 1993). 1993). A. (1992) com o composto ajoeno. 1986a). Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. et al. natriurética e hipotensora em cão. Foushee et al. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al.sos de bulbos de alho fresco (5. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das.. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais..

1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. 1993.. Para a espécie Aloe vera. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. (1994).. 1991). estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e.. 1992). 1995). Além disso. Resultados similares foram obtidos por Imai et al. Lipotab. in vitro. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das.. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. 1992. 1994). sativum ou A. I. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. 1993). et al. Extrato aquoso de A. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. cepa com A. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. um preparado à base de Curcuma longa. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. Nepeta hindostana e ácido nicotínico. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. Allium sativum.. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. sativum L. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. 1995). Ko & Son. 1996). ela é um excelente cicatrizante (Costa. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al.. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. Chithra et al.... conseqüentemente. 1993). E a mistura de A. 1993). . (1996).. 1990).

barbadensis tem sido relatada (Vasques et al.1998)... 2001). e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. contudo. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al. Os estudos de toxicidade de Allium cepa. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. As folhas de A. em camundongos. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. 1991). Essa família possui pequena importância no Brasil. 2001).. vera e hipotensora de A. A atividade antiinflamatória de A. 1997). Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al... relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. Entretanto. que inclui algumas espécies popu- . Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. 2000). pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al... 1997). vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al... 1995). O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. aumento na contagem de espermatozóides. 1994). Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley. esses dados referem-se. 1996. Saleem et al.

trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. contra problemas hepáticos. No entanto. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al.. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. no entanto. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. e o Agave. cilíndricas. brancas. possui folhas carnosas. longas. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura.. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". pontiagudas e com manchas brancas.. saponinas esteroidais (Mimaki et al. na região amazônica.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. 1987). o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. 1996). O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. flores pequenas. 1996 e 1997b). Das .

folhas de S. Das folhas de S. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. cylindrica foram isolados lipídios. .. pigmentos. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al.1 .. 1982). 1986).Allium sativum. 1998) (Banco de imagens ). saponinas.em Joly. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. FIGURA 3... 1996). 1997). além de carboidratos.

. Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).2 .Aloe vera.FIGURA 3.

duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. Triuridaceae. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. C. das quais destacamos apenas a família Alismataceae. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. S. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. ainda não discutidas neste livro. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. portanto. esta segunda com uma única família. As duas espécies. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. Mariot M.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. Di Stasi A. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. de pouco interesse para nosso estudo.

Aguapé. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. também denominada Arecaceae. espécie de grande valor econômico. numerosas. e Sagittaria. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. flores brancas. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. coriáceas. freqüentemente . ovadas. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. contendo vasos apenas nas raízes. Inclui ervas perenais. grandes e eretas. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. 1997). essa segunda inclui apenas a família Palmae.1). A espécie possui as variedades floribundus.mico. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. muitas aquáticas ou brejosas. folhas pecioladas. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. latescentes com lâmina foliar grande. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. rizoma grosso e carnoso. com caule triangular e glabro.

Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. 1997). e outras. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. Incluem árvores ou arbustos. também denominada Arecaceae. moléstias da pele e do fígado. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. reumatismo. raramente trepadeiras. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça.consideradas outra espécie. bem como gripes e resfriados. tônica e diurética.. sífilis. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. com folhas terminais. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. nas costas. como sedativo.650 espécies tropicais (Mabberley. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. especialmente contra dores de cabeça. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. como ornamentais. útil ainda contra artrites. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. 2000). especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). . de barriga. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. muitas delas usadas como medicinais. e como anti-helmíntico. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico.

Cocos. Kobayashi et al. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. amplamente conhecido na Mata Atlântica. 1998). conseqüentemente.. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. amplamente conhecida na região amazônica. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais.A família está subdividida em seis subfamílias. com folhas pinadas. do famoso coqueiro da Bahia. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. respectivamente do babaçu e da carnaúba. que incluem a piaçava e a ráfia. outras são importantes como medicamento. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. e o açaí. como é o caso de várias palmeiras. 2000a e 2000b). Espécies medicinais Euterpe edulis M. Destaca-se o gênero Euterpe. especialmente da Mata Atlântica. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. Tratase de uma família de grande valor econômico e. como é denominada a outra espécie do gênero. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. chegando até 25 m de altura. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . como é o caso da Areca catechu. 2002.. e o Arecastrum. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. do jerivá (Joly. que inclui o famoso palmiteiro. macrophyllus (Shigemori et al. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea.

O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. 1998) (Banco de imagens). . frutos esféricos de cor preta-arroxeada. externamente. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. internamente. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. contra dores de barriga para controlar hemorragias e.nhas.1 . como antídoto para picada de cobras.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. FIGURA 4. o suco do caule é usado. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. não fosse a intensa exploração da espécie.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. do famoso Boldo. inúmeras espécies são medicinais.5 Magnoliales medicinais C. Na família Monimiaceae. mas deve ser destacado o gênero Peumus. Myristicaceae e Lauraceae. Guimarães C. tais como as Magnoliaceae. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. algumas com amplo número de espécies no Brasil. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. C. M. Na família Chloranthaceae. inúmeros gêneros são importantes. tais como Magnoliaceae. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. Annonaceae. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. M. Hiruma-Lima E. da qual inúmeras espécies de grande valor . todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. são importantes como ornamentos. Santos L. A. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. Outras famílias dessa ordem também são importantes.

Cryptocarya. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. Artabotrys. Uvaria. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Pinha. os gêneros mais comuns são Annona. A família inclui árvores. Laurus e Sassafras. Aniba e Nectandra. como Aniba. arbustos e lianas. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. Annona cherimolia. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. Annona reticulata. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. que inclui nosso Abacateiro. Graviola e outros. Cabeça-de-negro.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. 1997). Guatteria. No Brasil. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis.150 espécies tropicais (Mabberley. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. e Monodoroideae. Cinnamomum. 1997) e subtropicais. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. . espalhadas por todo o planeta. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. Annona coriacea. e ainda outras importantes como alimento. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. Xylopia. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. que inclui os gêneros Annona. Xylopia e Rollinia. Annona tenuiflora e Annona squamosa. compreendendo aproximadamente 260 espécies. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado.

Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. Várias espécies. espessa com saliências cônicas.1). com várias delas comuns na Amazônia (Joly. Coração-de-rainha e Nona. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. sucosa. pecioladas. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. com um espinho central. inflorescência cauliflora. mole e recurvado. que apresentamos a seguir. Araticum-de-paca. Espécies medicinais Annona muricata L. cordadas na base e acuminadas no ápice. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. Araticum-punhê. que são muito apreciados. fruto do tipo baga irregular. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. Iriticum. com um tronco revestido por casca aromática. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. ovadas ou elípticooblongas. subglobosas. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. Araticum-ponhê. no entanto vários sinônimos são usados. . latescente. tais como Araticum. alcançando até 15 cm de comprimento. polpa branca. 1998). no entanto. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. amareladas. as folhas são alternas. com cálice de lobos triangulares e agudos. alcançando até 30 cm de comprimento. com epiderme verde-escura. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". flores axilares.

a planta fornece madeira. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. sorvetes e geléias (Corrêa. Além dos usos medicinais da espécie. as flores. 1984). peitorais. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. sendo depois levada para outras regiões do planeta. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. tem grande valor como alimento. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. 1984). podendo também ser usada na arborização urbana. antiespasmódicas e antidisentéricas. para baixar febres. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. por sua vez. diurético e no combate a insônias leves. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. com importante uso potencial na fabricação de papel. O fruto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. As folhas e raízes são consideradas sedativas. usadas topicamente. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. 1984). Em outras regiões do Brasil. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . onde se tornou subespontânea. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. especialmente na produção de sucos. referidos a seguir. mole e branca. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. Na Amazônia. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. antiespasmódicas e hipotensivas. combatem reumatismo e abcessos. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. as folhas cozidas. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. dores de cabeça e como emagrecedor. os brotos e as folhas são usados como béquicas.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. especialmente lombrigas.

Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. é usado externamente para neuralgia. Annona tenuiflora Mart. Na Jamaica e no Haiti. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. e as sementes. . no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. foram referidas espécies desse gênero. 1986). diarréia e como lactagogo. Esse uso. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. espasmos e febres. 1955. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. as raízes e folhas. Weninger et al. Ayensu. parasitas. as cascas e folhas. De acordo com os mesmos autores. 1992). impedindo-lhes a identificação correta. como antiespasmódico. especialmente na África. asma. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. 1962). as sementes. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. contra diversos parasitas (de Feo. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. contra diabetes. no processo de pesca. 1987).mas do fígado. Nas Guianas. no entanto. as folhas e a casca da árvore. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. na forma de chá. 1962). Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. tosse. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida.. Na Índia. 1993). 1978. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. a fruta e seu suco são usados contra febre. gripe. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. onde é usada contra tosses. enquanto o óleo das folhas. inseticidas. No Peru.. o chá das folhas é utilizada para catarro. 1990).

deiscente. e copa alongada. Pau-de-imbira. Nomes populares A espécie é denominada.3). Pindaíba-branca. Coaguerecou. com casca fibrosa. .2). Ibira. Pindaúva. sul do Amazonas. aromática. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. cálice gamossépalo. folhas alternas. coriáceas. O gênero Xylopia. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. Jejerecou. alternas e ápice cuspidado. Envira-preta. onde parte deste estudo foi realizada. Envira. Breu branco ou. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. na região amazônica. lineares. frutescens Aubl. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. muitas das quais usadas na medicina popular. vermelho. Em outras regiões do Norte do Brasil. também descrito por Carl Linnaeus. hermafroditas. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. Pindaúba. Breu. Jegerecu. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. sem estipulas. Coagerucu. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. Jejerecu.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. folhas ovado-oblongas. agudas no ápice. simplesmente. tronco ereto e cilíndrico. alcançando até 8 m de altura. tonturas e hipotensão. oblongolanceoladas. Coajerucu. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. Xylopia cf. Malagueta e Banana-de-macaco. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. fruto do tipo baga ovóide. com duas a seis sementes (Figura 5. Pijerucu. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. curto-pecioladas. pétalas lineares. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. Pindaíba. simples.

A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. sementes de espécies da família Annonaceae. própria para uso em carpintaria. especialmente. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. folhas e. para combater resfriados e dores de cabeça.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. são usadas como estimulantes da bexiga. . A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. perenifólia e pioneira. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. raízes. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. 1984). 1998). Na região amazônica da Colômbia. ao passo que a decocção da casca é usada. 1984). a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. na forma de inalação. também aromáticas. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. sendo uma espécie heliófita. As sementes. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. como digestivo e são úteis contra catarro. como cabos de instrumentos e varas de pesca. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes.

as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. 1994). Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. No entanto. 1991b). anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. 1995a). iso-neoanonacina-10ona. especialmente como citotóxicas.. denominada corepoxilona. neo-anonacina-10-ona. anomutacina 1. 1995c).. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B).. 1995b).. e que são importantes representantes da flora brasileira. 1991). 2 e 3 (Wu et al. muricatetrocina A e B. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas.. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. .. 1995e). muricatocina C e gigantetronenina. cis-annomontacina (Liaw et al. Anomuricina A e B. 1995b). também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. murihexocina A e B (Zeng et al. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico.. enquanto Gromek et al. I. muricina H.. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. anonacina-10-ona.São ácidos graxos modificados. 2002). 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C.. Recentemente. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1993). hoviicina A. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al.. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A.. epomuricenina A e B (Roblot et al.. 1994a e 1994c). Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al.

1994). 1994). 1993). 1992). 1962). tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. jeteína. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk.Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae..buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. bulatanocina. reticulacinona (Hisham et al. cherimolia. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. 1991a e 1991c)... cis. 32-hidroxibulatacina. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. 1993). 1991). 1995). 1995) em Annona bullata. isoquerimolina 1. itrabina. C e D (Fujimoto et al.. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal... tais como reticulatina (Saad et al. solamina. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. isomolvizuína 2. além de esquamocina e esquamostatina A. incluindo A. 31-hidroxibulatacina. B. squamocina e almunequina (Duret et al. 1994). Sahai et al. 1996). 1994a).. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. 1994b). muricata e A. Das semen- . 1994a e 1994b). 1995).. Das sementes da mesma espécie. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al.. esquamostanal A (Araya et al.... 1991). Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. 1994c) neodesacetiluvaricina.... Cortes et al. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. bulatencina... anogaleno (Sahpaz et al. três uvariamicinas.. 1993b).. 30-hidroxibulatacina. (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas.. 1993b). anoreticuína-9-ona. esquamona.. 1994b). Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. anomontacina em Annona montana (Jossang et al. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. esquamosteno A (Araya et al. 1996). anomonicina e roliniastatina (Chang et al. 1995a).. molvizarina e motrilina (Cortes et al. esquamosinina A (Yang et al.

... Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina.. cherimolia (Yang et al. squamosa (Silveira et al. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk.. 1987). 1979. 1993) e sesquiterpenos em A.. A. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. C. 1986).. reticulina. A. Martins et al. enquanto diterpenos foram descritos em A. squamosa (Wu. Y. squamosa (Krishna Rao et al. 1976). isoboldina e outros foram isolados de A. enquanto os alcalóides anonaína. 1992. 1982a e 1982b. 1991).. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. uma lignana ((-)-siringaresinol). Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. squamosa (Leboeuf et al. Wu et al. 1978). 1984).. anolobina e asimilobina foram isolados de A. A. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin.. de A. 1994). ambotay (Oliveira et al. aromatica (Rios et al. 1996). 1994). bullafa (Kutschabsky et al. 1994).. X.. reticulina.. A. como constituintes predominantes. 1995e). brasilienses (Casagrande & Merotti. Inúmeros compostos terpenóides. 1970) e X. purpurea (Castro et al. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. Monoterpenos foram isolados de A. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. 1976).. michelalbina.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. Mukhopadhyay et al. salzmannii (Paulo et al. 1991).. ambotay (Carazza et al.. et al. anonaína.. foram isolados do fruto de Annona muricata . Alcalóides conhecidos como anoretina. laureliptina. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. 1986) e A. squamosa (Setharaman. 1993). 1962). frutos de A. 1978). X.. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. anolatina. 1985) e A. cacans (Saito & Alvarenga. 1989. montana (Wu et al. 1979. 1981).. 1988). 1986).. oxouxinsunina. cherimolia (Villar et al. Barbosa Filho et al.. Yang & Chen. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. Flavonóides foram descritos em A. enquanto três amidas ácidas.

.. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al.. 1991). vasodilatadora... 1925 e 1932). X.. a raiz.. A espécie Annona muricata possui. 1998). Anomutacina 1.. 1993. 1995e).. 1979. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. . corosolona 1 e corosolina 2.. cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. a casca. acetogenina isolada de Annona muricata. obtidas de Annona muricata. 1979).. brasiliensis e X. Lopez Abraham. assim como outras espécies do gênero. 1940). 1990).. Ngouela et al. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. Vilegas et al.. Solanina. Misas et al. propriedades inseticidas (Tattersfield et al. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. 1996. Heinrich et al. 1962). Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. 1993. Acetogeninas isoladas sementes de A.. 1991... De Xylopia frutescens. muricata. aromatica. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. 1991b). também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. 1991). Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. enquanto extratos de folhas. X. 1995b). Carbajal et al. 1991). 1992. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al.(Wong & Khoo. muricata e de A. Gbeassor et al. Bourne & Egbe. 1993). Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. uma acetogenina isolada de A. 1991). mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. 1988. 1979). Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. 1941. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. Di Stasi. 1995. antiespasmódica. 1987)..

1995a). 1993).. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. oxoxilopina. 1987) e A. solamina. enquanto os alcalóides liriodenina. bulatanocina... Os alcalóides isolados de A. salzmannii. isolados de A. Hui et al. montana (Wu et al. 1993). anonaína. anoreticuína9-ona. squamosa. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. 1992). 1980).Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona... reticulina. . Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína... laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. et al. montana (Wu et al. Esteróides de A. 1991. 1980). enquanto os alcalóides de A. respectivamente. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. (1995b)... anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. asimilobina. 1994). squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. 1988b e 1988a). cherimolia (Villan del Fresno et al. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. Chang et al. galucina. cherimolia (Cortes et al. 1993) e várias outras (Jossang et al. coridina. Cortes et al.. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. 1991. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. Y. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. norcoridina. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. 1992).. 1993b).. Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. 1991c e 1991a). reticulatina.. 1995).. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. 1991).... Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. C.. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. esquamona. 1993b e 1994b. reticulina. enquanto alcalóides isolados de A. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya.

. Anopheles stephensi (Saxena et al. Extratos preparados também com A. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. Trypanossoma brucei. 1979).. 1996.. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al... que determinaram efeito depressor do SNC. Martins et al.. entre outras. 1996). foi caracterizada a . donovani. aromatica foi isolada atherospermidina. Oliveira et al. atividade anticonvulsivante e analgésica. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. coriaceae (Souza et al. Do extrato etanólico das folhas de X. squamosa. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. 1998). Extratos metanólicos de A. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. 1989. 1993).. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994).. 1979. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. frutescens não apresentou atividade moluscicida. A.. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. como acido caurenóico.1983). Rao et al. Extratos etanólicos de sementes de A. parassimpatomimética de A. 1994). 1975). Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. O extrato etanólico da raiz de X. 1999). Silva. 1993). além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). 1994). et al. 2001). 1990. F. E.. Das cascas de X. et al.. que apresentou atividade citotóxica. 1998). senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro.. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito.. L. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. fungitóxica. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos.. A. A atividade inseticida do extrato etanólico de A. discreta.. 1996). enquanto o extrato etanólico de A.

(1988) para a espécie Annona muricata. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. muricata e A. Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. 1988c). Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. 1999). 1962). indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. . 1996 e 1997).Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al.. especialmente em uso crônico. 2001). O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al.. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas.. Os diterpenos caurenoicos presentes em X.. anti-helmíntico e citotóxica. E da espécie X. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. como inseticida. Em Guadalupe. 2002).

Virola. Neste levantamento. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. Sucuuba. Bicuíba. usada como condimento. No Brasil. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. como Myristica. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. e também como Leite-de-mucuiba.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. podendo chegar a até 35 m de altura. Sucuba. Nozmoscada e Ucuuba-branca. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. 1997). como a Noz-moscada (Myristica). Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. Horsfieldia e Knema. Essa família inclui gêneros importantes. contendo ramos carregados de folhas . é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. Árvore-do-sebo. que possuem importância do ponto de vista econômico. e espécies do gênero Virola. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. Ucuuba cheirosa. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Espécies medicinais Virola surinamensis L. 1996).

. para o tratamento de câncer. usadas como venenos de flechas. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. inflamações.. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. oblongolanceoladas. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. elongata . É uma planta perenifólia. pavonis (Martinez et al. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. 1996). V. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. 1971). et al.. V surinamensis (Lopes et al. 1997).pecioladas. L. Cassady et al... Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis).. com até 20 cm de comprimento.. Vidigal et al. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. como outras do gênero. 1989. infecções. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. V. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima.. 1984). 1987a). Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. pavonis (Marques et al. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. A casca é usada como medicamento para aftas. Ferri & Barata. surinamensis. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. Martinez et al. 1969. 2000). V cf. chegando até Pernambuco. 1996. S. 1987). 1991 e 1992).. Espécie de ocorrência na Amazônia. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. 1992. bem como -sitosterol. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. 1995). muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. V michelli (Santos.

. V. pavonis.(Kato et al. Andrade et al. Das folhas de V. flexuosa (Aguirre. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. oleifera (Fernandes et al. A atividade analgésica de V. 1999. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. michelli (Santos et al. carinata e V. 1994 e 1995).. V.. foschnyi (Lemus & Castro.. 1987b).. 1992). 1992) e V. V.. michellii (Cavalho et al. A atividade antifúngica das espécies V. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. V. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. titonina (Andrade et al. 1989). 1994 e 1996. michellii foi atribuída à presença da flavona.. 1999). Além das lignanas. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. 1987). V.. Pagnocca et al. Cavalho et al. 1990). sebifera... V. Lemus & Castro. V.. V. urbaniana (Reis et al. 2001).. carinata e V. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al.. 1996. 1989) e V.. calophylla (Martinez et al. e polifenóis nas espécies V.. 1996a). 1990. V. 1996) e V. 2001). 1990). titonina . 1996. 1986 e 1990). 1995). 1988). venosa (Kato et al... calophylloidea (Von Rotz et al. Alvarez et al.. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. calophylla.. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. surinamensis. calophylloidea (Martinez. 1993 e 1994). As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V.

donovani e V. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. mas não foi detectada em V. 1978). A família reúne grande importância econômica. do nosso famoso Abacateiro. Ocotea. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. porém. Persea. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. Os principais gêneros são Laurus. 2000). sugerem cuidados da população quanto ao uso. inseticida de V. 1996). 1998. Barata et al. V. 1987) e anti-hemorrágica de V. carinata e V. aliados ao relato de atividade moluscicida. V.. do famoso Louro. da famosa Canela-sassafrás. dados etnofarmacológicos de V. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. elongata (Davino et al. sebifera. 1997). Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. A propriedade antioxidante foi confirmada para V.. Nectandra. 2000). todos aromáticos. alucinogênica de V.850 espécies. calophylla (Miles et al.. oleifera. Sassafras.A atividade leishmanicida nas espécies V. e outros. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. 1996. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. tripanossomicida. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto.. koschnyi (Castro et al.. surinamensis. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. duckei (Bennett & Alarcon. 1999). As propriedades antioxidante e surfactante de V. 1987). pois. 1994). além do .. cercaricida e molucicida de V. 1986b e 1998). amplamente usado no Brasil como condimento. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. Licaria. Incluem muitas espécies aromáticas. árvores e arbustos (Mabberley. surinamensis (Lopes et al.

Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. fornecedor de alimento amplamente comercializado. e laus = "louvor". bem como para dores de barriga. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. deriva de lauer = "verde". O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. lanceoladas. sendo considerada digestiva. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. de estômago e como emética e abortiva. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. 1998). Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. pecioladas. como a Canela e o Louro. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. Espécies medicinais Laurus nobilis L.Abacateiro. onde se adaptou muito bem. 1998). folhas alternas. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. e de outras espécies. . usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . para combater problemas hepáticos e intestinais. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. A infusão também é indicada contra dores de cabeça.

Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. emenagogas. diuréticas e febrífugas. onde se encontram as folhas alternas. contra reumatismo. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. estomáquicas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. nome dado especificamente ao fruto. reumatismo e uremia (Corrêa. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. as folhas são usadas contra indigestão. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. anti-sifilíticas. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. externamente. carminativas. vulnerárias. úlceras e piolhos (Bown. sendo comercializada em todo o mundo. ao passo que a infusão das folhas. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. Persea americana Mill. que envolve a semente grande e marrom. com polpa verde. analgésico. . ou Persea gratíssima Gaertn. é também usada contra febres. além de atuar como diurético e analgésico. lanceoladas e acuminadas. não ocorrendo espontaneamente. estimulante do apetite e contra cólicas. além de serem usadas contra doenças renais. 1995). 1984). O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. pecioladas. pequenas e pouco vistosas.Internamente. comestível. bronquites. fruto do tipo baga ovóide. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. flores branco-pálidas. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar.

2002). Hargis et al. Carman & Handley. 2002).8-cineol isolado de L. elemicina.. 2002. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. antiinflamatório (Ademylmi et al.. hidrocarbonetos. 2001). 1991). antifúngico (Domergue et al. . Sladler et al. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. 1991.. O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano.. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al.. 2002). 1997). bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). Às folhas de P. 1995. foram atribuídos os efeitos analgésico.. O 1. 2002). A atividade antiulcerogênica de L. americana citados acima.. antimicrobiana (Raharivelomanana et al.. 2002).Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al.. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. 2000. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al.. A espécie Persea americana L. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P. spatulenol... 1999).. 1987). Afifi et al. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. 1991. Grant et al.

1984). .1 . b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ).FIGURA 5.Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa.

1984) (Banco de imagens).2 .Annona tenuiflora. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 5. .

frutescens: a) Escanerata do ramo florido. b) Detalhe da flor (Banco de imagens).FIGURA 5.3 .Xylopia cf. .

e. C. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae.ó Aristolochiales medicinais L. M. M. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. Di Stasi C. Santos C. 1997. Hiruma-Lima E. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. muitas das quais usadas como medicinais. Joly. ao passo que na região do . A. 1998). Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. Thottea e Asarum. no Brasil. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras.

usadas como venenos. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. e várias com usos medicinais descritos. flores isoladas. hermafroditas. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. folhas alternas. parto. Dados botânicos É uma planta trepadeira. simples. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. que lembra o feto em posição antes do nascimento. Jarrinha. foi referida como medicinal. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". Contra-erva. grandes.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. Capa-homem. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. e lochia = "nascimento". Mil-homens e Papo-de-peru. . denominada popularmente como Milomem. Outras denominações populares são Angelicó. axilares. Calunga.1). sulcados e estriados. fruto capsular cilíndrico. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pecioladas. muitas das quais ricas em alcalóides. Batarda. com sementes achatadas. zigomorfas. ramos lisos.

anti-séptica. estomáquica. gripes fortes. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. cicatrizante e contra úlceras crônicas. sulcados e estriados. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. constipação nasal. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. diurética. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. especialmente para combater náuseas e vômitos. .Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. pecioladas. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. simples. 1984). não sendo encontrada em áreas degradadas. os ramos são lisos. sudorífica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. 1982). as flores são isoladas e axilares. no entanto. excitante. catarros crônicos. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. anti-histérica e útil contra febres graves. sarnas e orquites (Van den Berg. disenteria e diarréia. capoeiras e áreas em regeneração. Também não é uma espécie cultivada. estimulante.

1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1995) e A. Zhang et al. acuminata (Moretti et al.. 1991). 1992). L. cinnabarina (Li et al. 1980). 1991a).. A. A.. 1983b). 1987. brasiliensis (Lopes et al. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1991a). II. 1983a). versicolor (Zeng et al.. A.. 1987). 1980). 1987. manshuriensis (Lou et al.. A. A. A.. 1987).. longa (De Pascual et al. 1991) e de A. A. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. A. 1987). A. 1988).. A. tubiflora (Peng et al. chilensis (Urzua et al. 1990. 1992). A. 1994).. vários outros alcalóides aporfínicos de A. 1995). A. tubiflora (Peng et al. A. tais como A. molissima (Peng et al. . contorta (Lou et al. A. tubiflora (Peng et al. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. P et al.. bracteata (ElTahir. S. 1992). A. A. 1991b). et al. Higa et al.. T. A. dematilis (Makuch et al. liukiuensis (Mizuno et al. 1977 e 1985). A. clematitis (Kostalova et al. rotunda (Pistelli et al. 1992. A. 1986). ponticum (Houghton & Ogutveren. kankauensis (Wu et al. 1979) em raízes de A. 1980). cinnabarina (Li.. 1979). indica (Che et al. 1996). 1991). A. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. et al. 1985) e A. galeata (Lopes...Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia.. et al... 1987). molissima (Peng. em A. A.. raízes de A. 1983). fangchi (Tsai et al. A. 1986b e 1986a). 1995) e A.. A. kankauensis (Wu. debilis (Ahmed Farag et al. 1993).... A. H. Paiva et al... X... 1995). chilensis (Urzua Rodriguez. 1992) e outros alcalóides em A. arcuata (Watanabe & Lopes. rigida (Pistelli et al. 1995). nata (Moretti et al. et al. auricularia (Houghton & Ogutveren. 1995). 1996. Chakravarty et al. A. 1995). 1983). 1988).. maurorum (Kery et al. et al. 1991). argentine (Priestap. 1991. gigantea (Cortes et al... 1988). clematitis (Kostalova et al. C. T.. gigantea (Lopes. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A.. Lopes. versicolor (He et al. 1988. 1989). A.. 1984). A... esperanzae e A. III e IV (Houghton & Ogutveren. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. elegans (El-Sebakhy et al. G.. A. M.1993). Abel & Schimmer.. longa (De Pascual et al... clematitis (Kostalova et al.... A. A. versicolor (Zhang&He. bracteata (ElTahir. rodix (Tsai et al. indica (Piers & Tse. S. manshuriensis (Ruecker et al. 1987). A.. L. 1995). J... A. Lou et al. A. 1991b). 1987). alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. 1991).. argentine (Priestap. 1982). ftiangularis (Bolzani et al. sendo descrito em A. kankauensis (Wu. A. Alcalóides foram isolados de várias espécies. yunnanensis (Chen et al. A. 1994). 1994). Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia.

1995). 1996). 1993). Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. 1980). taliscana (Longsw et al. A.. et al.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. A. e o ácido aristolóquico de A.. chilensis (Urzua et al. esperanzae. galeata (Lopes & Bolzani.. T. Compostos como -cariofileno. S. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. 1980. Lopes et al. 1977). 1988) e amidas em A. Lignanas também foram descritas em A. O ácido aristolóquico de A. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. S. triangularis (Ruecker et al. R. Urzua & Presle. et al. 1990). 1988) e A. 1979). arcuata (Watanabe & Lopes. 1994). A. cymbifera. indica (Pakrashi & Pakrasi. 1987b. A. 1990). -elemeno. kankauensis (Wu.. birostris (Conserva et al. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. A. 1987) e A. gigantea e A.. 1978).. A. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & ... copaeno. macroura (Leitão et al. 1991b)...

Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. paucinervis (Gadhi et al. 1995)... O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos.. 1988). 2001). papilaris (Maia et al. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. papilaris (Maia et al. G. 1990). 1996). Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A.. A.Choudhury. 1979). Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. multiflora (Moretti et al. Atividade mutagênica. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. 2002). também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. 1988).. niaurorum (Kery et al.. antibacteriana. O mesmo ácido obtido de A.. H. triangularis (Garcia. A. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. birostris demonstraram.. 1985). 1991).. A espécie A. 1991). 1991).. gigantea (Campos et al. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina... 1993). causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento .. 1983). acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. 1985). além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. tulobata (Sosa et al. no Sistema Nervoso Central. determinada pelo teste de Ames. com A. Estudos com A. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. et al. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. 1999).. 1999).. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. e antiviral com A. 1979). Atividade antiinflamatória também foi observada em A. atividade analgésica. 1993). anti-séptica e cicatrizante de A.

50 ou 100 mg/kg via oral.com 10. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. 1996) por humanos. Entretanto.Aristolochia trilobata. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. . Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. 1993). por suas características químicas. FIGURA 6. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. Da mesma forma. cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem.1 .. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes.

lianas. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. Di Stasi C. C. Por sua vez. G. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. Peperomia e Pothomorphe. Geralmente as plantas são arbustos. dos quais se destacam os gêneros Piper. normalmente com células de óleos essenciais. epífitas. Mariot W.7 Piperales medicinais L. especialmente do gênero Piper. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. onde ocorrem em abundância e diversidade. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. S. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. e espécies me- . Portilho M. 1997). A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. Piper nigrum. Hiruma-Lima A. A. do qual se destacam espécies como a Pimenta.

A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. muito semelhantes entre si. Piper longum. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. como a chinesa e aiurvédica. Piper cubeba. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga.1). muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais.dicinais de ampla utilização.B. folhas alternas. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. Nomes populares Além de Tracoaptera. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. ovário com um só estigma. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. Piper angustifolium. sendo também apenas . O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. pequenas. Espécies medicinais Peperomia elongata H. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. O gênero Peperomia. como a Piper betle (betel). fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas.K. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. as quais passamos a discutir a seguir.

simples.B. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. mas com pouca ocorrência. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. Piper cavalcantei Yuncker. Não foram encontrados sinônimos. na região amazônica. gastrite e gripes. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. . de distúrbios do estômago. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. curtopecioladas. Peperomia rotundifolia H. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.obtida na área de floresta em torno da aldeia. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara.K. pequenas. Nomes populares A espécie é chamada. bastante carnosas e glabras. A espécie é encontrada na Mata Atlântica.

membranáceas. assimétricas na base. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. especialmente para dores de cabeça. os frutos são drupáceos (Figura 7. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. inflorescências do tipo espiga. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. sendo a maioria arbustos. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. todas aromáticas. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. Piper cernnum Vell.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. isoladas e levemente curvadas.2). podendo chegar a até 5 m de altura. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. algumas lianas e pequenas árvores. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. folhas pecioladas. pendente. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. atingindo até 10 cm de comprimento. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. . O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto.

um pouco ásperas. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. particularmente contra cólicas abdominais. Em outras regiões do país. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. assimétricas na base. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. levemente curvadas.3). além de ser útil em distúrbios renais. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. membranáceas. onde a espécie é abundante. inflorescências do tipo espiga. a infusão das folhas é usada como analgésico. acuminadas no ápice. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. estomacais e hepáticos. tendo distribuição por todo o Brasil. incluindo hepatite.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. . especialmente contra dores de barriga. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. Piper gaudichaudianum Kunth. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro.

A espécie é muito comum na Mata Atlântica. Ihotzkyanum Kunth. Bitre. estomacais e renais. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. Piper marginatum Jacq. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. Nhandi. pecioladas. inflorescências do tipo espiga. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga.4). Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. Em outras regiões do país. levemente assimétrica na base. membranosas. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. flores . glabra. com ápice acuminado. com ramos glabros e cilíndricos. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. alongada e fina. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos.Piper cf. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. pequena (até 11 cm de comprimento). cordiformes. r e t a . sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . Aperta-ruão ou Aperta-juan. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. folhas alternas. membranácea. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba.

O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. as raízes são carminativas. Caá-peuá. peitadas. androceu com três estames. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. . formando uma falsa umbela. estomáquica. gineceu com três estigmas. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. 1984). se ingerida.5).6). diuréticas. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. Catajé. peltatas. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. os frutos são excitantes.) Miq. estimulatórias (Corrêa. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. dores de dente e blenorragias. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. e não isoladas. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. essas diferenças ficam bem claras. Malvarisco. principalmente da tucundeira. descrita a seguir. sialagogas. minúsculas. fruto do tipo baga (Figura 7. membranosas. como ocorre no gênero Piper. Pothomorphe peltata (L. contra veneno de cobra. resolutiva e usada em banhos após o parto.com brácteas triangulares. bainha desenvolvida. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. ovado-arredondadas. sudoríficas. A planta é tônica. andróginas. um gênero da família Araceae. Uma outra espécie do mesmo gênero. as folhas. flores sésseis. com ápice agudo e nervação peltinérvea.

lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. bainha desenvolvida. Capeba ou Pariparoba. 1980). minúsculas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1984). ovado-arredondadas. fruto do tipo baga.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. membranosas. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7.7). antiinflamatório externo e interno. cordada. Pothomorphe umbellata (L) Miq. flores sésseis. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. . diurético. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. andróginas. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. vermífugo. com ápice agudo e nervação peltinérvea. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. formando uma falsa umbela.

.. marginatum foram isolados aril-propanóides. 2001). Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. Das partes aéreas de P. proctorii (Mbah et al. são .5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. flavonóides (Tillequin et al. Os alcalóides. monoterpenos. Piper Das raízes de P. 1982). que também possui ácido grifólico. ácidos graxos (Lima et al. 1994). Cromonas foram isoladas de P. 1988). foram isolados lignanas denominadas peperomina A. 1996). 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al.. miristicina. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. 2002. quinonas piperogalona. indicada populamente como antitumoral. et al. E. G. grifolina bisobolol. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al.. De Peperomia japonica. 1990).. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies..Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. 3-hidroxi-4... M. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. sesquiterpenos. além de apiol. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. 2001). compostos de grande importância farmacológica. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al.. B e C (Chen. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad.. et al. C. 1982). 1988).. vulcanica e proctorionas de P. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. 1997). marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. Mahiou et al. Seeram et al... Das raízes de P. que representa 49% dos constituintes voláteis. 2000).

. flavonóides de P. Pothomorphe P. sendo os principais piperlonguminina. P. 1980)... 1983). lignanas de P. P. Isolaram também neoglicanas de P. tuberculatum (Braz Filho et al. chavicina e outros. 1979). guineense (Cole. betle (Evans et al. Li & Han.. 1986). betle (Rimando et al. 1986 e 1987).. 1981) e P. 1987).. Foi demonstrado também que P. amalago (Dominguez et al... 1980) e P.. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. methysticum (Smith. 1987). P.. 1986. P. P. 1977) e P.. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. 1985) e P. 1981).. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. hispidum (Burke & Nair. auritum (Ampofo et al. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. 1995). 1986). P. 1987). Foram isolados diversos alcalóides em P.. Tabuneng et al. piperina.. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . aduncum e P..encontrados com freqüência nesse gênero. longum (Dutta et al.. 1985). P peepuloides (Shah et al... 1987). aduncum (Smith & Kassim. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. 1986) e P. hidropiperona.. P. 1986). 1968). 1982) e P clusti (Koul et al. 1985). piperidina. nigrum (Inatani et al. P. Uma quinona. compostos fenólicos de P.. lancei (Han et al.. hispidum (Vieira et al. 1979). 1977. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. P. hispidum (Vieira et al. 1992). hancei (Li et al. 1986. Achenbach et al. hostmanianum (Diaz et al. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. P. 1987). 1984).. sylvaticum (Banerji & Pal. piperlongumina.. Shoji et al. Bacillus subtilis. futokadsura (Chang et al. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. cubeba (Badheka et al. 1983. jaborandi (San Martin. retrofractum (Banerji et al. 1986) e flavonas de P.

O extrato aquoso de P. S. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. lacrimejamento. antifúngica (Lima. 2001). et al. Arigoni-Blank et al.cies de Leishmania (Mahiou et al. O. galioides e os compostos ácido grifóico. 1996). longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. R. 1996a). hipotensora (Siqueira et al. promoveu piloereçáo. et al. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. V.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. 1997). Assim. B. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. 1992). e atóxica (Saad et al. Embora o extrato de P. apresentou atividades diurética (Santos. em doses que variaram de 0.. também conhecida como Língua-de-sapo. antibacteriana. V. 2001). bloqueada com prazosin e ioimbina. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. 1997). do extrato (0. Substâncias de P. H. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro.. 1994). Piper Foram caracterizadas para P. cicatrizante (Saad et al...1-0. 1994).. H.. et al. 1998.1-1 g/kg. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. E. 1996).. Villegas et al. atuar como antialérgico e diminuir .... R. hipotensora (Santos.. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. O. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. 1996). Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas.. M.v. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. salivação intensa.. 2002. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte.. V.. et al. et al. Aziba et al. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. 1997). A administração i. 1996b).. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. L. relaxamento muscular e dispnéia. 1995). analgésica (Da Silva et al. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. 2002.

abutiloides. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. retrofactum (Woo et al. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al.. P. P. cincinnatoris.. gaudichandianum. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. Shen et al. apresentou propriedades anestésica. esta última com potente atividade (Di Stasi. e antiviral P.. 1988). O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . P. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. 1985). antioxidante (Choudhary & Kale. 1983). 1988). a degranulação. 1976). A espécie P. fungicida. conhecida como Pariparoba. além de bloquear a transmissão neuromuscular. peltata possui atividade analgésica (Pupo. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al.. 2002). 2002).. Cairney et al. De P.. 1987). 1985). P. aduncum (Lohezic-Le et al. espasmolítica. nigrum (Miyakado et al. peltata. inseticida com substâncias de P. As neoglicanas isoladas de P. lancei e P. Dahanukar et al.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar.. 1991. 1985).. 1986. 1984). mutagênica (Chen et al. Desmachelier et al. analgésica.. 1986 e 1988. methysticum também conhecida como kava-kava.. 1984. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. 1984). Amorim et al. nematicida (Evans et al. Atualmente.. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. 1986).. agindo como os anestésicos locais (Singh. 2002. A espécie P. 2000). e aumentou o tempo de sono (Duve.. Pothomorphe A espécie P. por seus constituintes químicos. larvicida (Mongelli et al.. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger.. 1985). 1987. 1988). Di Stasi & Pupo. 1979). amalago (Pupo. anticonvulsivante. betle apresentou atividades fungicida. Prakash. 1978. 1984). futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al.. lindbergü e P. Porém. regnelli.. inibindo a agregação de plaquetas.

Banco de imagens . peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. Miq. De P.. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. 1992).. peltata (Felzenswalb et al. antimalárica e antioxidante (Isobe et al.Peperomia elongata. o que não foi observado na espécie P. analgésica. 2002. umbellata L... FIGURA 7. 1997. 1987). P. umbellata. 1987). 1995). Ramo florido (Desenhado por Di Stasi ... antiedematogênica.. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al.1 .. O extrato etanólico das raízes de P.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al.. 2000). Desmarchelier et al. de Ferreira da Cruz et al. 1996). umbellata.

.2 .Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.FIGURA 7. b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .Banco de imagens ).

Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).FIGURA 7. .3 .

4 .Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.FIGURA 7. . b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).

FIGURA 7. . Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).Piper marginatum.5 .

Banco de imagens .Pothomorphe peltata.FIGURA 7..6 . . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi . .

Pothomorphe umbellata. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).inflorescências Folha cordada FIGURA 7. .7 .

como a morfina e outros derivados opióides. das quais devemos destacar Menispermaceae. Pteridophyllaceae.8 Ranunculales medicinais L. A. arbustos escandentes e . nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. Di Stasi C. C. Sabiaceae. como é o caso da Papaver somniferum. Berberidaceae. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. o famoso Ópio. foram obtidos. Santos E. M. M. Hiruma-Lima C. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. algumas lianas. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. Ranuculaceae e Papaveraceae. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas.

tais como A. foi referida como planta antiinflamatória. folhas alternas e pecioladas. fruto do tipo drupa. rufescens e A.raramente árvores ou ervas (Mabberley. Outra denominação é Iroba. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. onde a planta foi referida como medicinal. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. a espécie é chamada de Abuta. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. aplicada no local lesado e/ou ingerida. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. típica da aldeia tenharins. assim como . Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. no entanto. raspada e misturada com água. imene. 1996). Nessa família. com ampla distribuição na América do Sul. Dados botânicos Planta perene. da Mata Atlântica. Espécies do gênero Abuta.1). com contorno oblongo (Figura 8. 1997). Dados da medicina tradicional A casca do tronco. também denominada de Abutua. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. Uma delas. são consideradas muito tóxicas. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. utilizadas por índios do Norte do país.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

1996 e 1998). talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. 1994). Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. L. Kern et al. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al.. Gomes et al... 1996a e 1996b). 1987). porém. M.. L.. 1996). 1996).. ainda. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al.. 1993). o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. 1993. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. 1996. 1996. 1998. et al. argentea. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos.. Farias. Induziu. et al. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. Uma loção contendo C. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . 1997). D. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. 1997). 1996).. GOT..parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu.. J.. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al... in vitro.. 1997). 1997). Loureiro et al. 1997. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. 1999. Brochado et al. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. Não foram observadas. D. et al. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. relaxante (Araújo et al. analgésica (Macedo et ai. raízes. Além disso. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. antiviral (Brochado et al. B. LDH) e o nível de bilirrubina. Farias. B.

provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. 1989).. B... inclui . 1992). Extrato aquoso de A. hemorragias. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. et al..quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. sobretudo contra helmintos. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. 1995). subclasse Caryophyllidae. 1972).. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. aliado aos dados de toxicidade em peixes. confirmados para inúmeras espécies dessa família. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. 1996. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. Yang et al. porém. S. Do extrato de A. 1993). 1998). Zhang et al.. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. C. 1986. O uso das espécies contra helmintos.. 1996). não apenas com as espécies citadas. et al. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. especialmente em uso crônico. De Ruiz et al. 1988. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al.. requer cuidados por parte da população.

são espécies perenes.400 espécies (Mabberley. Segundo Joly (1998). Cereus e Melocactus (Cactoideae). todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. que inclui a espécie Pereskia grandiflora. 1978). suculentas. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. • Cactus. que também inclui espécies medicinais. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. de hábito variável e geralmente espinhosas. Em ambos os casos. 1978).97 gêneros. embora várias espécies possam ser encontradas na África. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. . No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. • Opuntia (Opuntioideae). Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). No Brasil ocorrem 32 gêneros. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. com aproximadamente 1. 1997).

arabinofuranose. galactose. C. cresce em matas e em restingas. xilose e ramnose (De Pinto et al. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura.. além de galactose.. oblongas e acuminadas com base atenuada. Das folhas de P. sendo uma homenagem ao professor N. 1986). com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. 1990). . ácido galactopiranosilurônico. antitérmico e contra gripes e resfriados. folhas subpecioladas. glucurônico e seus metil ésteres. A espécie é originária da Argentina. galactose. em altitudes e também no nível do mar. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. além de heteropolissacarídeos. dispostas em rácimos terminais. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico.. obovóide. guamacho possui ácidos galacturônico. numerosos acúleos. A goma de P. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. 1994). lenhoso. arabinopiranose. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. arabinose. galactopiranose. 1987). Peiresc. glucose. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. fruto do tipo baga glabra. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. F.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras.

Portulaca oleracea. arbustos e ervas. O principal gênero é o Portulaca.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. 1997). Talinum e Portulaca. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. e 33 espécies (Barrozo. muitas delas suculentas (Mabberley. sendo algumas pequenas árvores. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. 1978). . No Brasil ocorrem apenas dois gêneros.

tais como Verduega. e a maioria é de ervas suculentas anuais. Bodroega. fruto capsular obovóide. referindo-se às propriedades purgativas da planta. obovadas. outros usos são atribuídos à espécie. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. na forma de salada. Dados botânicos É uma erva de caule curto. as partes aéreas cruas são usadas. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. dadas sua rusticidade e resistência à seca. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. como alimento. Inclui três variedades principais. diminutivo de "porta". o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. Na região da Mata Atlântica. planas e suculentas. pequenas. flores amarelas. folhas pequenas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. especialmente em Portugal e na Alemanha. pequenas. arroxeado e suculento. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. cólicas renais e . sésseis. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. axilares ou terminais. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. mas algumas variações de nome popular são usadas.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. Berduega e Veduega.

Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. emenagoga e eficaz contra erisipela. lanceoladas. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. amarga. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. pequenas. flores amarelas. como as da beldroega. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. cicatrizante externa. Também conhecida como Beldroega. de onde saem folhas alternas. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. estomáquica. emoliente. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. As folhas dessa planta também são comestíveis. vulnerária. Portulaca pilosa L. Caaponga. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. diurética.afecções da vista. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. . Perrexi e Alecrim-desão-josé. pilosas. emenagogos e vermífugos. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". as sementes passam por diuréticos. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. glabros e suculentos. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves.

. 1996).. 1994). Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3.5% de lipídios. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. 1991). 1996). além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. 1992). ferro. ácido ascórbico. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. oleracea de proteínas. cycloartenol. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al.. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. 22:6ômega-3... 1991.. 1988). succínico.. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. málico. três diterpenóides transclerodânicos. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. carboidratos. pilosanol A. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al.. campesterol e stigmasterol.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. 1992). malônico.. pilosa (Ohsaki et al. sendo o último composto um glicosídeo. 1995. . Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. P. Boehm & Boehm. 1990). como sitosterol.. Boschelle et ai. fósforo. B e C. 1991). parkeol.. (1991) detectaram de R oleracea 3. 1991). 1995b). ascórbico. isolados das raízes de P. ácido linoléico e ácido palmítico. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. cálcio. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. fumárico e acético (Gao & Liu. Simopoulos et ai. 1996). dentre os quais 18:3-ômega-3. manganês.. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. butirospermol.4.

.. n-triacontano. 1997).. 1989). 1989). 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. 1987). encontrado por Rocha et al. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. sem alterar a diurese. enquanto das partes aéreas de P. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. (1994). 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. Rocha et al.. O extrato de P. apresentou atividade hipoglicemiante. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. 1993).... diurética (Rocha et al. 1989). reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. 1985) relaxante muscular. 1993.De P. .. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. dentre outras espécies. 1994). beta-sitosterol... O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+.. De P. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun.. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al.. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. 1995). n-hexacosanol. oleracea.. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. stigmasterol. Habtemariam et al. 1994). lupeol. grandiflora Hook. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al... 1987). 1996). 1989). P. 1989. oleracea foi investigado in vitro. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. 1989b) e hipotensora (Poli et al. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al.

extremamente ramificado. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. 1997). Caacica. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. 1978). ramos folhosos verdes com folhas alternas. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. que pode atingir até 1.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. Spinaceae.5 m. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. ervas anuais ou perenes e. Erva-das-cobras. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. Salsola e Atriplex. A família se subdivide em quatro subfamílias. pequenas árvores. Anserina vermífuga. Ex Stend.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. Mentrasto e Mentrusto. No entanto. raramente. Menstruço. caule ereto e glabro. Também é chamada de Ambrósia. Salicornia. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. oblongas denteadas. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. Inclui arbustos. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. sendo uma planta extremamente . Erva-das-lombrigas. Lombrigueira. Erva vomiqueira.

o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. esse uso é comum também em outros países. percevejos. contra reumatismo. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. como abortiva. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado... Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. 1985a e 1985b. bronquite. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. baratas e demais insetos.) . amplamente disseminado nas zonas rurais. a maioria de ervas. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. dor ciática e parasitas intestinais e. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. ao passo que a infusão das folhas é usada. especialmente na área veterinária. febre. Além desse uso. Godano et al. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. extremamente útil para afugentar pulgas. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e.. 2002. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. 1978. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. em altas doses. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. incluindo a Amazônia. Melito et al. externamente. referindo-se às folhas lobadas. internamente. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". para problemas da pele. 1995). lesões hepáticas.

Boerhavia. em trinta gêneros. Bougainvillea. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. Mirabilis. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. Guapira e Andradea. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. . ovadoblongas. 1997). químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. a espécie é conhecida como Erva-tostão. nome usado em todo o Brasil. Mirabilis e Bougainvillea. mas não antocianinas (Mabberley. arbustos e ervas que produzem betalaínas.3). No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. pilosas e pecioladas. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. distribuídas.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. incluindo árvores. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Pisonia. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. Dos gêneros. de onde partem folhas pequenas. Pega-pinto e Tangaraca. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. opostas. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia.

Rawat et al. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg.. particularmente contra lombrigas. lianas ou ervas.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. 1997). 1999). 2000a). sem efeito teratogênico (Singh et al. além de ser considerada excelente diurético. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia.. Aslam. 1978 e 1980. Corrêa (1984) refere que a planta. a maioria rica em antocianinas (Mabberley.. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas.. 1996.. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. atóxica. possui sabor picante. 1991. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. 1990 e 1991). 1995). Sohni et al. sendo árvores. arbustos. especialmente a raiz.. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. 1996) e lignanas (Lami et al. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras.. 1999). que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. 1997). 1991).

agudas no ápice e estreitas na base. ramificado com ramos compridos. fruto aquênio cilíndrico. pequenas. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. Gambá-tipi.como ornamentais. em Pernambuco e em São Paulo. alfavacão. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. gineceu unicarpelar com ovário súpero. flores sésseis. achatado e carenado (Figura 9.4). no alívio de dores musculares. que inclui uma única espécie. em decocto ou pó. delgados e ascendentes. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. ereto. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. e o gênero Petiveria. como abortiva. no Mato Grosso. inchaço de mem- . farmacêutico e amante da natureza. Amansa-senhor. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. O uso externo das folhas novas e da raiz. na Bahia. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. Outros dados incluem o uso da raiz. folhas curto-pecioladas. antiespasmódica e reputada como sudorífica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Em outras regiões. limão de cayanna. sublenhoso. raízes e ramos são considerados emenagogos. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. também é comum. diurética. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. alternas. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. 1984). reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. Pipi. estipuladas. membranosas. folhas. como Tipi. no Rio de Janeiro. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. androceu com quatro estames. Dados botânicos Subarbusto perene. Tipi-verdadeiro.

et al. em Brasília e no Mato Grosso.. 1982). 1992). 1997. S. 1990). ainda. lignoceril álcool. M.. alantoína. 1982.. 1980. reumatismo. 1988b). serina.. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg.. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. 1988). Van den Berg. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. 1982).. 1988). peptídeos como ácido glutâmico. dores de cabeça. M. flavonóides. como abortivo. C. no Rio Grande do Sul.. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. C. no Ceará. De Lima et al. ácidos palmítico. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol.. et al. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. Trotta et al. Grandi et ai. pinitol. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. na Paraíba. nitrato de sódio. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. além dessas indicações. T. beta-sitosterol. esteárico. 1990). glicina e alantoína (Sousa et al... e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai.. antiespasmódico e sudorífico (Verardo.. paralisia. 1986). as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. 1982). 1988.. Pinto C. 1988. as raízes são usadas na hidropsia. 1986). como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. em Minas Gerais. 1998). 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. trans-N-metil-4-metoxiprolina. et al. 1989) e depressora do SNC (Lima. a raiz é útil na amenorréia (Agra. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. 1988. beta-sitosterol. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. trisulfeto de dibenzila. T. triterpenos (Delia Monachi et al. linoléico. 1980).7-di-O-metilpinocembrina. . a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. 1980). De Souza et al. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. ácido lignocérico..

. 1998).. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso.. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. Davino et al. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. 1993.. Caldeira et al. 1989. Y. com uma D L m a de 1. 2001)... 2050 aci02). 1988. acaricida (Johnson et al... citotóxica. . 1991 e 1992).. 1993. afasia e até à morte (Corrêa.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi.. efeito zigotóxico (Guerra et al.. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al.. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. 1998). P. et al. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. 1989. 1992).. 1990).. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. Takahashi.. hematopoiética (Quadros et al. utilizado popularmente como vermífugo. 1984)... M. 1991).. 1994). 1991). O extrato hidroalcoólico de P.. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. 1993). Guerra et al. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. Germano et al. 1988). O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. Malpezzi et al. 1987) e antiviral (Ruffa et al. antiinflamatória oral (Germano et al. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. 1994).. 1997) e antifungica (Benevides et al. Elisabetsky et al. 1996) e antitumoral (Davino et al. 2002. e o de caule. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al.. No entanto. alliacea.. Cortez et al. por levar à imbecilidade. 1988.. 1991. 1988. Davino et al. tendo sido determinada a toxicidade subaguda. 1995).. 1991. Lopez-Martins et al. atividades analgésica (Thomas et al. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol...

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

flores amarelas esbranquiçadas. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). alternas. descrito por Patrick Browne.3). Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. e sua raiz. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. sulcado. sendo um produto amplamente comercializado. . é uma variação de sicyos. com caule anguloso. fruto do tipo pepônio verde. longos. como em formações secundárias. como Cabeça-de-negro. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. rugoso. e o nome. capoeiras e na beira de estradas. O nome do gênero Sechium. É uma importante espécie econômica. e muitas variedades em cada espécie. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. Wilbrandia. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. membranosas. ramoso e delicado. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. especialmente após o cultivo sistematizado. foi dado em homenagem a John Wilbrand. especialmente na Itália. que significa "pepino". flores amarelo-claras. O gênero inclui apenas seis espécies. com até 20 cm de comprimento. Wilbrandia ebracteata Cogn. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. 5-lobadas e raramente com mais lobos. mas ásperas.a cinco lobos. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. folhas pecioladas.

. Mn e Li (Peng & Li. 1991. sífilis (Almeida et al. 1989. 1996. Das folhas de M.. 1990a). afecções da pele. assim como no controle da diabetes. A composição química do fruto de M. charantia foi isolada a gama-momorcharia.81%). Das sementes de M. 1992). momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. aminoácidos e abundância em elementos como Cu. além do esterol. 1996. glicolipídios (35. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. 1989). Cr.. 1988. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. 1989. 1995. 1996). Zn. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. 1990. Dos frutos verdes de M.40%). Chandravadana et al..80%) e fosfolipídios (16. ácido linolênico.. charantia também foram isolados triterpenos... momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai.. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. 1987). 1996). Além disso. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. 1985). Ni. Kusmenoglu. Grondin et al.. proteínas. tumores e. charantia foi determinada como 0. Wang et ai. também. charantia também foram isolados vicina. 1986). Zheng et al. 1996.76% de lipídios.. 1997). como laxativo (Farias et al. sendo o cucurbita-5. Nguyen.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. 1997). a raiz é utilizada no tratamento de febre... Chang et al. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos.. Foram isolados ainda das sementes de M.. De M. Foram isolados também cicloarterol. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. charantia ... divididos em lipídios não-polares (38. Huang et al. 1996). charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. além das momordicinas (Fatope et al. Das sementes de M.. reumatismo. Dos frutos frescos de M. Co... Hara et al. momordicinina e momordicilina. 1990). Das sementes de M. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 1992).

Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. sesquiterpenolactonas e taninos. rigorosamente. seguidas. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. também descrito em M. 1990b). esteárico. 1987). linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. 1990). as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. 1990). contendo trinta carbonos. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina.vicine. também foram detectados em Aí. 1993). Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). Geralmente. 1995). Das sementes de M. charantia. dioica eM. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. charantica. balsamina (De Tommasi et al. além de possuir óleo essencial (Guerrero. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. Aí. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. H e I (Miro. 1993). além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. triterpenos tetracíclicos. 1994).. posteriormente.. pela E e.. .. 1994). Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. 1987). além do ácido rosmarínico. oléico. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. Dos frutos de Aí. 1995). 1997). pelas G. foetida (Mulholland et al. 1991). As sementes possuem 50% de óleo. isolados das partes aéreas. além de uma resina (Volák & Stodola.

Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. 1984. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. Athar et al. O extrato etanólico de M. Pugazhenthi & Murthy.. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. (1986). A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. parâmetros hematológicos permaneceram normais. Platel & Sirinivasan. El-Gengaihi et al. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. 1980. 1997). 1996). sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. Welihinda et ai.. extratos brutos de folhas. 1993). 1996.. Raman & Lau. 1996.. Inibição da síntese de RNA. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. da síntese protéica.. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al.. 1986.. 1996. 1993). Ahmad et al... 2002). Além disso. 1981. DNA. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. Karunanayake et al. decocto das folhas e suco de M. (1994). 1983). 1982a e 1982b). 2002) (Jilka et al.. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. 1987).. 1982. charantia (Rathi et al. antiviral (Takemoto et al. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. Ng et ai.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes.. 1983a e 1983b) e . O suco dos frutos de M.

Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. 1996). 1995b). et al. Wang et al. charantia. momordina 1 e momordina 2.. alda-momorcharina. 1993). (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. isoladas dessa espécie. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. antitumoral. 1994). incluindo M. isoladas de sementes de M... uma proteína inativadora de ribossomos.. A glicoproteína isolada das sementes de M. As proteínas inativadoras de ribossomos.. 1996). 1990)... os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al.. charantia. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. 1995). Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. 1990a). na qual descreveram a momorcochina. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. 1983). atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. 1987. L. 1990). quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. Os frutos e sementes de M. charantia) inibe a integrase de HIV-1. charantia. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. pulmonares e da mama (Rybak et al. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. Fong et al. Cinco compostos foram isolados de sementes de M.. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M.. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. . proteínas inativadoras de ribossomos. 1993).. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al.imunomoduladora (Spreafico et al. charantia. 1994).. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. charantia. Ng et al.

1987). apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . O extrato produzido com a combinação dos frutos de M.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. Basaran et al. charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. Dos frutos verdes de M.. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. 1997).. De M. Misra et al. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. 1994). 1996).. O extrato aquoso da folha de M. L.... 1994). 1996). Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. Apesar da indicação popular para inflamação. 1988).. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. (1984 e 1985). et al. charantia e Emblica officinalis Gaertn. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. Embora indicada contra malária. 1990. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. charantia (Silva.. MAP30 isolado de M. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. 1996). charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. antiancilostomose (Berchieri et al. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. Os frutos de M. 1987).. 1995). charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. 1996). 1990. No entanto.. Amorim et ai. 1991). 1990).. Foram isoladas duas proteínas de M. Das folhas de M. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. De M.. M. A M. charantia foi isolado ginsenosídeo.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. e o rizoma de Curcuma longa Linn. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. 1995).

O extrato alcoólico de M. em rato. 1997 e 1999). anti-helmíntica. 1995. 1995. 1991). Peters et al.. antimicrobial.. Miró.. antitumoral. Teixeira. 1986b). aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. 1996). diarréia. . 1995. inibição da ovulação. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. Além disso.. 1995). 1986).... 1984. tais como antiinflamatória. 1994). Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. C. do que o extrato de M. diminuição da pressão arterial. 2000) e antimutagênico (Yen et al. anticoncepcional. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. 1993). 1989. inúmeras atividades farmacológicas são referidas. Jensen & Lai. 2001). De M. 1997). citotóxica. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular... 1993). Hamato et ai. Outras atividades também foram descritas para a espécie. Trichosantina. 1995). Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al... et al.. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. Pagotto et al. 1993). tais como antioxidante. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. hipotensora (Gordon et al. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró.atividade hipoglicemiante. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. 1995. 1996).. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. A. hipovolemia. Proteínas isoladas de M.. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. 1991). Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae.. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al..

1997). 1996. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. El-Gengaihi et al. Raman & Lau. charantia em enzimas hepáticas. 1996. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M.. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. angaria foi de DL50 = 1. 1996. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. Platel & Sirinivasan. 1986. especialmente por gestantes. . observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. Das sementes de M.Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados.. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. 1986). 1986). A toxicidade do fruto de C. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas.. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. Chan et al. 1994). 1988).. recentemente. 1990). 1987).. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai... antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al.. 1992)..6 mgAg. Em ambos os casos. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. Os frutos de M. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai.

flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. distribuídas em regiões tropicais. farrapo".Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). alternas. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. pedaço. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies.4). com gomo terminal protegido por estipula caduca. semente com endosperma carnoso (Figura 10. ovário unilocular. pétalas ausentes. folhas simples. androceu com um estame. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. mas que possui uma grande importância. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. referindo-se ao estame bifurcado. . um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. onde há cerca de oito espécies. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. e stemon = "estame". Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. e não foram encontrados sinônimos para ela. fruto do tipo capsular trilobado. bem desenvolvidas. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. 1978).

1997). Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. arbustos e árvores (Mabberley. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. em geral trepadeiras. No Brasil. de valor alimentício e medicinal. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). . conforme apresentamos a seguir. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. 1996). conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. 1992). existem várias espécies do gênero Passiflora. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. representando um importante recurso econômico. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). no entanto. compreendendo lianas.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. com 575 espécies tropicais e temperadas.

ovadas. folhas inteiras. estipulas ovadas. 2-pentadecanona. Uma outra espécie de maracujá. 2tridecanona. 1990).. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. . mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. fruto oblongo-ovóide. chamada popularmente de Maracujá gigante. peninérveas. é usada para diversas finalidades... Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. agudas no ápice e estreitas na base. corniculadas. sementes compridas (Figura 10. (9Z)-ácido octadecenóico. côncavas. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. mas identificada apenas até o gênero. margem inteira. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. 1991). 1997). cilíndrico. principalmente a P edulis. o suco dos frutos é considerado sedativo. e cinco pétalas rosadas. 1987b e 1985). Spencer & Seigler. caule robusto. uma espécie denominada Maracujá. carotenóides (Ferreira et al. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. alternas. hexadecanóico. flores com cinco sépalas ovadas. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. gavinhas que são ramos florais modificados. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma.. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. cordiformes. 1987a. Na região da Mata Atlântica. 1996. 1983). Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero.Dados botânicos Planta glabra. Passiflora macrocarpa Mart. monoterpenóides. epipassicoriacina. que lembram os instrumentos do martírio. 1989).5). passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. pela interpretação dada às peças florais. planas e obtusas. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). antocianinas (Kidoey et al. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares.

maltol... Dos frutos e folhas de P . Vale & Leite. ferro. amliformis (Restrepo & Duque. 1988. saponarina. isoschaftosídeo. K. isoorientina. PP e C (Zhuang & Wang. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. O suco dos frutos contém água. mollissima (Froehlich et al. 1989).. Proliac & Raynaud. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. Raffaelli et al. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. fermentos. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. 1987). 1988). bem como a presença de glicosídeos em P. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero.. 1997. flavonóides (orientina. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. 1998).. potássio. sendo a passiflorina o mais conhecido. nem em R incarnata (Speroni et al. 1996).. lipídios. fósforo. 2000). Costa. 1986). 1986). harmalina. Sena & Leite. Amaral. B2.. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. 1987b). taninos. de onde foi isolada crisina. 2000. orientina e isoorientina. P.. 1995. Ortega et al.. analgésica. Da espécie P. harmina. 1988. 1979).. riboflavina. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. P coriacea (Spencer & Seigler.. vitaminas A. carboidratos. 1996). Spencer & Seigler. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. harmol e harmalol). espasmolítica (Queiroz & Brandão. 1997). isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al.. 1986). 1980. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. 1991). ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. et al. Flavonóides como vitexina. isovitexina.. Menghini. Esse composto não foi detectado em P coerulea.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. 1997). cálcio. 1988. 1997. assim como ácidos graxos.. B1.. 1988). quadrangularis (Orsini et al. proteínas. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al.. glicosilflavona (Geiger & Markham. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. 1988). açúcares. 1997.1979). 1980). Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al..

Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. espasmolítica (Carneiro et al. 2000). 1989).edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. Das folhas de P .. Detalhe da folha 5-lobada. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al.Luffa cylindrica Roem. antiinflamatório (Silva et al. inotrópica. 1988). Echeverri & Suarez. 1985).. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al... enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. 1991. fruto e flor (Banco de imagens .. Barros et al. 1998a). FIGURA 10.. Porém.. 1985b.. 1989 e 1993) e inseticida. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico.. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona..1 . 1978). que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli. foetida apresentou atividades hipotensora. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al.. 1991). antipirético (Silva et al.

2 .Momordica charantia: a) ramo com frutos.FIGURA 10. . e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

Malva-preta. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. canaiensis (Willd.) K. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. . Sida rhombifolia L var. Nomes populares A espécie é chamada. lineares e de cor branca. no Pará. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. de Vassoura. com caule ereto e ramoso.mas. 1939). a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. Schum. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. as flores são pequenas. como abortivos. como emético (Hoehne. Vassoura e Relógio. na Bahia. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1982). reunidas em fascículos axilares. mas também de Ganchuma e Relógio. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. freqüentemente com cálice roseado. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. na região amazônica. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. emenagogos e as folhas (decocto).

anti-hemorroidal. Malva e Vassoura-do-campo. em Minas Gerais. rombóideovais ou lanceoladas. Na Mata Atlântica. flores solitárias. emoliente. Coaquibosa. Urena lobato L. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. é de grande uso externo contra reumatismo. Aramim. Rabo-de-foguete. é tido como útil. Malvaísco. Aguaxima. Ibaxama. Carrapicho-de-lavadeira. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. folhas curto-pecioladas. . e Guanxuma. Guaxiúba. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. tônica. Uacima e Uacima-roxa. no Rio Grande do Sul. como Minas Gerais. na região amazônica. chamada de Caapiá. alternas.. Em outras regiões do país. var.Vassourinha. dispostas em racemos. Guaxima. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. Dados botânicos Planta anual. no Rio Grande do Sul. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ereta. a planta é utilizada como béquica. 1982. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. na dose de três xícaras ao dia. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. Guaxuma. 1986). em São Paulo e no Rio de Janeiro.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. Malva-roxa. O chá de toda a planta. popularmente conhecida como Caapiá. Grandi & Siqueira.4). pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. contra desarranjo menstrual. mas esta não foi completamente identificada. 1982).. róseas. ramosa e pubescente. axilares. reticulata (Cav.

com ramos alternos cilíndricos. de onde partem folhas alternas. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. diurética e útil contra eólicas. cannabinus foram isolados. 1985) e H. pecioladas. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. solitárias. 1986. pequenas. H. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. H. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. mucilagens das espécies H..Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. suculentus (Moawad et al. 1990). 1986). a decocção da raiz é usada como diurético. Dados químicos Hibiscus De H. De H. onde se encontram glândulas nectaríferas. fruto do tipo capsular. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado.. Tomoda & Ichikawa. suculentus (Tomoda et al.. 1977b e 1978). 3-7 nervadas. 1986). rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. 1977a. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. moschentos (Tomoda et al. lobadas e de formas variáveis. emoliente e contra eólicas renais. de até 3 m de altura. flores pecioladas. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. 1991). com grande destaque para as três nervuras centrais. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. syriaceus (Shimizu et al. comum às espécies desse gênero. roxas ou rosas. fosfolipídios (Tolibaev et ai. cordiformes. ligninas de H. ciclopropenos (Nakatani et ai. 1987).. cannabinus (Kulchik . 1991).. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. 1984).

epi-ikshusterol. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. xilose e frutose (Pouget et al. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. Foram isolados também de H. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. sabdariffa foi determinada (Kalyane. oléico e linoléico (Tolibaev et al. De H. epoxiacilglicerídeos. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. esculentus e H. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol..5. ácidos palmítico. 1977). moschentos foram isolados 3.. sterculico. galactose. fosfatidilinositol. diacilglicerídeos. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al.. Duckart et al. 1988). Das pétalas de H.. malvidina (Kim et al. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico.. linolenato de metila. pelargonidina. kaempferol 3. triacilglicerídeos.8. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. 1986. taxifolina e herbacetina.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. monoglicerídeos. 1990). beta-sitosterilglicosilado. 1988). abelmoschus (Maurer & Grieder. esterois livres. De H. 1988). petunidina. 1989a e 1989b).et al. Em cultura de tecidos. 1989). 1991).. glucose. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. 1989). A quantificação das proteínas das sementes de H. sesquiterpenóides de H. 1991) e lactonas de H. quercimeritrina. tiliaceus (Ali et al. 1988).. ikshusterol.. 1986). 1990). 1990) e alfacelulose (Saikia et al. betasitosterol. De H. o H. . Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H.. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%.-L-arabinosideo-7. além de 15% de ramnose. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. No óleo das sementes de H. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. N-acilfosfatidiletanolamina. 1978). esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen.4'-pentahidroxiflavona. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. peonidina. fosfatidiletanolamina. N-acilisofosfatidiletanolamina. 1986. ácidos graxos livres.7... cianidina. sabdariffa produziu antocianinas. Husain et al. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. Das sementes de H. esterol ésters. 1990a e 1990b). arabinose e arabinan.

lecitinas. mucilagens e proteínas (Costa. 1985). 1995). esteárico. barbadense. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. óleo-dilinoleínas. hirsutum (Schmidt & Wells. diversos terpenóides (Hunter et al. palmítico. também isolado de G. silianum (Kumamoto et al. mirístico. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. 1986. dipalmito-linoleínas. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. oléico. D-galactose. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. prolamina e glutelina (Sammour et al. hidrocarbonetos. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. 1979) e G. hirsutum e G arboreum. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . 1986). globulina. xantofilas. araquídico. miristoléico e palmitoléico. barbadense determinou a presença de albumina. G. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. principalmente o esqualeno. esteróis. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. Ermatov et al. dipalmito-oleínas. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. palmito-dilinoleínas. 1979). barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. Foram isolados de G. 1985). fosfolípides. rainundii (Stipanovic et al.Das folhas de H. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). Das sementes de G. 1980). resinas. 1995). 1986). corantes como carotenos. hirsutum e B. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. 1987). De G.

stigmasterol. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. Sida Alcalóides foram isolados de S. 1989a). 1987). esteárico e hexacosanóico (Khan et al. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo.(+) gossipol de G. isoquercitrina. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. As partes aéreas de S. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. hirsutum (Mansour et al. S. acuta (Goyal & Rani. rhombifolia e S. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. barbadense e G. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. hirsutum (Zhou & Lin. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. 1988). Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. A extração das partes aéreas de S. fitano. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. hermaphrodita contêm também os flavonóides. 1988a).3%3%) (Bandyukova & Ligai. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. 1981). spinosa (Prakash et al. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. De S. humilis. ácido glutâmico e aspártico. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. 1989). barbadense e G. campesterol. 1989b). Das partes aéreas de S. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. ácidos graxos como beta-sitosterol. pristano. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. 1997). S. vesícula seminal e próstata ventral foram . colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. 1990). espermátide e espermatozóide. As partes aéreas floridas de S. acuta. ácido palmítico.

A taxa de inibição de fertilidade com H. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. 2000). esculentus (Medeiros et al. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. esculentus. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. 1985). rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. assim como uma forte ação citostática. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. 1984. O ovário apresenta sinais de luteólise. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. no tratamento com Hibiscus. Ainda de H. hipoglicêmica de H. 1990). 1979). . antimutagênica (Wang et al. e de H. 1976a e 1976b ). 1987). Pakrashi et al.reduzidos nos animais tratados com H. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. porém os níveis de colesterol subiram. citotóxica. 1992). rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. Em camundongos. O extrato das flores de H. Essas atividades. A espécie H. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. Pai et al. As flores de H. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. Haji & Haji. 2002). 1999.. tripsina e a alfa-quimiotripsina. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. 1989). moschentos (Tomoda et al. 1999). 1987). 1986. 1986). 1987). sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. verificadas por Singh et al (1982). e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. antiespermatogênica. 1985). sabdariffa (El-Merzabani et al. causando o final da gestação (Pakrashi et al. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. 2001).

Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. rhombifolia (Bortoluzzi et al. Terpenóides isolados de G. As proteínas das sementes de G. 1978). barbadense e G. 1982). barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. 1996).. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. 1980). 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia.Gossypium O gossipol. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. Extratos de S. 1985). barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. principal constituinte do óleo do algodão. 1985). Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. hirsutum e G. serratifolia (Sawhney et al. 1988) e S. Wang & Bunkers. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. 2000) e tóxico (Bourke. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. 1995). arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. Sida Os alcalóides de S. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. 1997). O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. Flavonóides de G. 1984). 2001.

1996). não foi observada atividade mutagênica (Sugai. nos quais se distribuem 1. Dombeya. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. vulgarmente chamada de Guaxuma. rhombifolia. et al.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. 1998. poucas em áreas temperadas. 1998). utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. e o gênero Theobroma. 1992). cordifolia (Malva-branca). lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. Sterculia. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. Das partes aéreas e folhas de S. C. 1997). no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. Helicteres e Waltheria. 1988. todos típicos de cerrados e campos. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. 2001). Bianchi et al. exceto Bacillus subtilis. Drena As raízes de U. Do infuso de S. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. Segundo Barrozo (1978).500 espécies tropicais. V. Fernandes et al. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. de grande cultivo em jardins. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. carpinifolia. do valioso Cacaueiro Joly 1998). raramente ervas ou lianas (Mabberley. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. Franzotti et al. 1998. onde são encontrados em abundância. 1988b). distribuídas em onze diferentes gêneros. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. incluindo árvores e arbustos. F. Na região . porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al.

O nome do gênero. 1988). ex Spreng.) Schum. ou por suas variantes: Cupuaçu. . Dados botânicos Arvore de grande porte. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. Em tribos indígenas amazônicas. com estipulas caducas. medicinal e alimentar. folhas com pecíolos curtos e carnosos. pedunculadas. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. significa "manjar dos deuses". descrito por Carl Linnaeus. de valor econômico. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. e o chá da sua casca. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. no Pará (Amorozo & Gély.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. Cupu-assu. com ramos longos. vermelho-escuras. O gênero Theobroma. com brácteas linear-lanceoladas. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. flores que brotam dos galhos. para o tratamento de diarréia. grossos e tomentosos. bem como nas comunidades locais da Amazônia.5). oblongolanceoladas. liso e escuro (Figura 11. Copoaçu. fruto do tipo capsular grande. grandes e vistosas. 1991). com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. ovóide. duas das mais importantes e valiosas espécies. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. Theobroma. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. 1990).

mono. no Amazonas. oblongolanceoladas. Pagonini et al. oléico e linoléico. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. 1993). 1989). folhas com pecíolos longos. 1977).6). 1970. como a T. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos Árvore de porte médio. cafeína (Maia et al. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. Já a espécie T. mirístico. tripsina . Cacao forastero. ácidos esteárico. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. até 10 m de altura. speciosa possui ácido 1. vermelho-escuras.3. et al. Chocolate.9-tetrametilúrico. inibidores fenólicos da a-amilase. palmítico. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. M. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. fruto capsular ferrugíneo. cacao. T. teobromina.e tri-insaturados (Costa. denominado Theobroma cacao L.. 1992a e 1992b). Cacao azul. glicerídeos di-saturados.Theobroma speciosa Willd. Caca-y. 1979). Criollo. (Figura 11. Outras espécies desse gênero. contêm flavonóides (Jalal & Collin. fasciculadas. com ramos curtos.. globulinas (Voigt et al. ex Mart. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. inteiras. Kakao. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. 1986). flores dispostas no caule. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. grandiflorum).. Cacaoyer.. albuminas.7.

cacao. dentre os quais o óxido de linalol (12. ácido lático. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. procianidina B2. bicolor e T. quercetina e esculentina (Bastide et al. bicolor e T.37 a 1.9%). Alcalóides purínicos (cafeína. cacao consistem de 78 componentes. speciosum. O índice de saponificação da T. 1991). teobromina. 1989). taninos condensados.7% a 57. T. 1994). subincanum.. T. Esse constituinte também . (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al.. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. ácido cítrico. mariae. geraniol.. pela presença de ácidos graxos. quercetina3-0-glucosídeo. T.. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. taninos. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al.5%) e o isoeugenol (8.(Quesada et al. tais como ácidos palmítico. cacao e também em T. Além de açúcares totais.. nerol. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. gorduras (Malini et al.. Porém.. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. Em T. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. 1986). 1996). mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. e T. porém. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina.6%. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. As essências florais de T. xantinas e lipídios. simiarum. O T. augustifolium. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. 1986).. (-)epicatequina. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. 1987).. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. flavan-3-ols. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. 1994). ácido ecosadienóico. antocianinas. 1991).74% (SantAnna Tucci et al. diferentemente do T. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. ácido araquídico. 1996). augustifolium (Sotelo & Alvarez. 1987). Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. Os alcalóides teobromina. 1991).2%). cacao foi caracterizado como de 190. Em T. que variou 50. derivados do ácido hidroxicinâmico. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. longifoleno e citronelol (Erickson et al. 1995).

Sanbongi et al. 1997).. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. Paganini et al.. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. 1992). Melzig et al.. clorofila. 1989). 1997. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. 1997. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. 2000).pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. amido.. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. uma atividade analgésica (Santos. análoga à manteiga de cacau. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. ... M. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. cacao apresentou um efeito vasodilatador.. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini.. 1992a e 1992b). 1997). fenóis e taninos. 1997). et al. 1997)... 1997). 2002). As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. isolada dessa espécie vegetal. cacao (Yamagishi et al. proteína. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. cacao (Gurney et al. cafeína. e a proantocianidina. 1970.

os gêneros mais comuns são Luehea. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. sendo a maioria de árvores e arbustos. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. . com o nome de Curumin-nhapuá. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. da planta Pau-de-jangada. raramente ervas ou lianas (Mabberley. 1997). 1998). folhas curto-pecioladas. muito conhecida na região amazônica Joly. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. oblongolanceoladas.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. que a referiram como medicinal. serrilhadas. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. Espécies medicinais Muntingia calabura L. agudas no ápice e oblíquas na base. e Apeiba. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. Dados botânicos Árvore de porte médio. 1978). de até 13 m de altura. de numerosos estames livres. Triumfetta. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. No Brasil.

ovário 5-7 locular. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. inúmeras sementes (Figura 11.dispostas em pedicelos axilares. ésteres (26.3%). Do extrato citotóxico das raízes de M.3%).6%) e derivados furanos (8. alcanos (15. fruto do tipo baga.4%). Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. 1984). O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. e as flores. sendo ésteres (31. arredondado.9%). vermelho. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. 1990).3%) os mais significativos.7%). aqui descrita como medicinal. Dos frutos de Aí. calabura foram isoladas Havanas.7).. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. quercetina. indeiscente.5%) e compostos carbonil (23. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. compostos fenólicos (11. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. antiespasmódicas (Corrêa. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. calabura L.3%). dos quais predominaram alcanos (44. . foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos. A casca é emoliente. e salicilato de metila. sesquiterpenóides (10. 1991).

1 -Bixa arbórea.FIGURA 11. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens . Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998.

FIGURA 11. b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.2 . 1984). 1998) (Banco de imagens - .Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa.

3 .FIGURA 11. Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .Gossypium barbadense.

Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998) (Banco de imagens . canaiensis.Sida rhombifolia var.4 .FIGURA 11.

FIGURA 11.Theobroma grandiflorum. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .5 .

Theobroma speciosa.FIGURA 11.6 . Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

FIGURA 11.7 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .Muntingia calabura.

12 Urticales medicinais L. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. Ulmaceae e Barbeyacea. fonte de substâncias também tóxicas. Em duas delas. por esse fato. Cecropiaceae e Moraceae. e o importante gênero Urtica. C. As outras duas famílias dessa ordem. Di Stasi L N. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. Seito C. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. Cecropiaceae. fonte da maconha (Cannabis sativa). duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. das quais as famílias Moraceae. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. A. Da família Cannabaceae. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. e o segundo. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. amplamente conhecida como . não possuem importantes espécies de valor medicinal.

a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Ibaituga. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. de Lixa. Myrianthus. Arvore-da-guiça. . referida com adulterante da Espinheirasanta.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. lactescentes. Ambatí. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Imbati. peitadas acima do centro. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. alternas e protegidas por duas estipulas. Ibaíba. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. Ambahú. folhas grandes. Ambaí. Figueira-de-surinam. e a espécie Sorocea bomplandii. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. Pourouma e Cecropia. Poiküospermum. Ambaitinga. Arvore-da-preguiça e Torém. Com esse novo arranjo. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. Ambaíba. longopecioladas. Outras denominações populares são Aimbahú. Embaúba. Toréin. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Musanga. Imbaubão.

. 1986. F. et al.. indicada popularmente como antiinflamatório. muitas delas de ocorrência no Brasil. C.. R. Das folhas de C. carpelar. 1985).1).. gemas e brotos são adstringentes. antililiásica (Domingos et al. do grego. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. asma. formando infrutescências inclusas (Figura 12.flores pequenas de sexo separado. Mal de Parkinson. Na espécie C. 1986). glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. filho da Terra. A. C. 1984b). et al. 1984). bronquite e gripes fortes. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. . Kerber. a raiz é considerada útil contra tosse. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops.. frutos nuculares. As folhas. reunidas em densas inflorescências. usados na fabricação de instrumentos de sopro. 1996b). O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. hidropisia. 1994). Na região do Vale do Ribeira. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. 1996). obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. 1983). apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. Em C. A. ecoar". et al.. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. Santos. Das raízes de C. adenopus.. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. Nas folhas do extrato de C. 1998). catharinensis. R. lyratiloba (Menda. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. meio homem e meio serpente. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A. unilocular. 1992. que significa "chamar.

isolada de espécies deste gênero. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. 1997).. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. que incluem árvores. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae.. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. efeito depressor do SNC. na Mata Atlântica.) Burger. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. possui atividade antimicrobiana (Andra et al.. compreende 1. característica marcante da maioria das espécies dessa família... A cecropina. 2001).. Rocha et al. 2001). 1993 e 1996a). com inúmeras espécies usadas como ornamentais. descrita originalmente por.. lianas e ervas (Mabberley. de Espinheira-santa. antiulcerogênica (Cysneiros et al. ansiolítica (Barettaetal. Cysneiros et al. 1998a e 1998b. Astocarpus e Sorocea..depressora do SNC.. 2001). No Brasil. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. antidepressiva. 1992). Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. a família conta com aproximadamente 340 espécies. 1988). pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. Dorstenia. dos quais se destacam: Ficus. Johann Heirinch Friedrich Link. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. arbustos. 1998. 1988. Em outras re- . distribuídas em 28 gêneros. Rocho et al.100 espécies tropicais e poucas temperadas.. Morus. 2002). Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. espasmolítica (Delia Monache et al. distribuídas em 38 gêneros.

uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. quando não está em época de floração. Carapicica-de-folha-miúda. com tronco ereto. Araçari. Folhas-de-serra. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras.. de casca fina. Laranjeira-do-mato. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. bomplandii. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. ilicifolia e S. folhas simples. de face superior brilhante e inferior opaca. Recentemente. especialmente da Mata Atlântica. chegando a 10 cm de comprimento. Trata-se de uma espécie perenifólia. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. . cilíndrico. 2001. Resple. ciófita.. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. 1993). inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). 2001. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. fruto do tipo baga.giões do país a planta é chamada de Cincho.. Gonzales et al. da família Celastraceae). A espécie é latescente. especialmente na Mata Atlântica. Canxim. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago.. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. Calixto et al. 1993). Flavonóides foram isolados de S. Soroco.

c) inflorescência. (Banco de imagens . b) detalhe da folha. d) flor feminina. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 12.1 . Reis).Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. S. 1998.

Thymelaceae e Euphorbiaceae. Guimarães C. Souza-Brito E. R. A família Euphorbiaceae. 1997). 1978). . M. C. segundo Mabberley (1997). No Brasil.13 Euphorbiales medicinais C. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. comumente com células especializadas na produção de látex. a maioria cosmopolita. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. M.100 espécies. é urgente uma revisão da família. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. arbustos. Hiruma-Lima A. lianas ou ervas. A. Das centenas de gêneros. a família é representada por 72 gêneros. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. compreende 313 gêneros. com aproximadamente 1. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. M. Santos L. Na família ocorrem árvores. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo.

Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. esquizocárpico. com limbo dividido em lobos ou segmentos. sementes ricas em endosperma (Figura 13. Mabea. ervas e arbustos. atualmente cultivada em vários países. Do gênero Euphorbia. Jatropha e Croton. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. dos quais referimos algumas espécies a seguir. folhas simples.devemos destacar Ricinus. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. icterícia e malária. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. pela semelhança das sementes com esse animal. espécie rica em óleo de rícino. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. flores de sexo separado. Pedilanthus. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". a maior produtora de borracha. enquanto a infu- . verdes.1). que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. da valiosa Mamona. problemas hepáticos. separando-se em três cocos. especialmente em Phyllanthus. lanceoladas. febres. pecioladas. estipuladas. e outras. fruto seco. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. sendo algumas árvores. peninérveas. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

no Ceará. amarelo-esverdeadas. na região amazônica. lobadas. mas também de Peão. com ápice curtamente acuminado e base cordada. Pinhão-do-paraguai. reunidas em inflorescências paucifloras. nodoso. sementes ricas em endosperma. fruto seco. estipuladas. de caule grosso. Croton sacaquinha Croizat. Pião. palminérvias. esquizocárpico. lactescente. pequenas. separando-se em três cocos. folhas simples. de Sacaquinha. a Sacaca. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). membranosas. lanceoladas. no Pará. Pinhão-de-purga. com brácteas . curto-pecioladas. Pinhãodos-barbados. glabras. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. folhas alternas. reunidas em inflorescências racemosas. atingindo até 4 m de altura. Pinhão-manso. é útil contra hepatite. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. Nomes populares A espécie é chamada. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. longo-pecioladas. flores unissexuadas. Maduri-graça. grandes. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. peninérveas. Pinhão Pinhão-branco. flores de sexo separado. e Mandobiguaçu.são das folhas. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco.

e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. 1988). as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). gengibre amassado. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.lanceoladas. Raizde-téu. fruto do tipo capsular.2). Jatropha gossypifolia L. coriáceo. lisas. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite.. partir e tirar a "folhinha". assar a polpa na cinza. contra feridas (Amorozo & Gély. Pião caboclo. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). assim como para constipação nasal. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. o látex é aplicado externamente. O nome do gênero Jatropha. enquanto as sementes. constipação nasal e como purgativo. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. secar até ficar fria. Peão-pajé. após a retirada do embrião. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. elipsóides e oblongas (Figura 13. . Mamoninha. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. Batata-detéu. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. 1982). gripe (descascar a semente. sementes escuras. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. no Pará. são torradas. As sementes são eméticas (Corrêa. colocar no café e banhar a cabeça). 1984). Pinhão-roxo. Peão-curador. deriva do grego iatros = "remédio". gineceu com ovário glabro e estigma bífido. Erva-purgante. dez estames. Arg. esta passa a ser comestível e saudável). descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell.

A planta é purgativa. 1984). 1982). que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. no Piauí (Emperaire. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. folhas pecioladas. ramosa. No Pará. o chá das folhas é usado como antitérmico. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. cálice com cinco pétalas. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. útil nas obstruções das vias abdominais. lineares. glabras e estipuladas. 1982). contra "mau olhado". contra feridas. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. fruto capsular. O nome do gênero Mabea. Em Brasília. escuras e com pecíolos pubescentes. grandes. dispostas em cimeiras paniculadas. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. palmadas e limbo dividido em lobos. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. e as folhas na cabeça. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. 1988). Mabea angustifolia Spruce ex Bth. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. trissulcado. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. roxas. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . flores unissexuadas. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. o banho. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa.3). com folhas alternas.

alternas. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. enquanto a infusão de toda a planta. flor masculina fasciculada com três estames. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. significa "flor na folha". folhas com limbo. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. Phyllanthus corcovadensis Muell. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. ramificada. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. 1984). distribuídas na América tropical. cápsulas pequenas. descrito por Carl Linnaeus.4). sementes minúsculas (Figura 13.Aublet. O nome do gênero Phyllanthus. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. Dados botânicos Planta de pequeno porte. flores de sexo separado. Na região do Vale do Ribeira. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. trissulcadas. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate.5 m de altura. estipuladas. com ramos glabros. Arg. é usada como diurético e contra . que atinge até 0. Na região amazônica. incluindo as raízes. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores.

desidrocrotonina copaeno Craveiro et al.. 1989). dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. 1986). Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. Kubo et al. de ácido aleuritólico (Muller et al.. Das cascas de C. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. 1998). Em Minas Gerais. O óleo essencial das cascas de C.dores de barriga. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al.. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. 1992). .. 1979. 2000). 1991). cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. Posteriormente. Maciel et al. alfa-humuleno. é útil contra problemas do fígado.8-cineol.. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. 1990. transcrotonina. 1. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. A infusão das folhas.. 1982).. e os principais constituintes são alfa-pineno. beta-cariofileno. além de ser usada contra pedras nos rins. 1989.

Das folhas de C. a printziano e um norclerodano (Siems et al. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. glandulosus (Neto et al. a levatina (Moulis et al. e chiromodine (Weckert et al. propionato de etila. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. 1992).. C. cânfora. 1995). Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. 1996). (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. metileugenol. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. eucaliptol. alfa-ilangeno. Os constituintes voláteis isolados de C. 1996). zambesicums Muell. 1992b). 3. gama-elemeno. allo-aromadendreno e torreyol. 2. 1992). 1993a).. 1994). 4b-dihidroxi-15. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane.4-dimetoxifenol. lechleri foram: acetato de etila. enquanto germacreno B. Das partes aéreas de C. 1992). Porém.8-cineol. acetato de propila..16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16).5-trimetoxibenzeno.. 1993b). a C. acetato de 3-metil-butanol.6-trimetoxifenol. 4-hidroxifeenetil. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. linalol.. acetato de 2-metil-butanol... gama-elemeno. . Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1.14-dieno.cadideno. 1996).4-dimetoxibenzil.. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. Além disso. De C. foi determinada. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. hovarum: a 3a. metil isoeugenol. limoneno e outros. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. 3. glandulosus. alfa-guaieno. estragol. ludianus possui 1. lundianus e a C. A composição do óleo essencial das cascas de C. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al.. cadineno. 2-metil-butanol.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). aubrevillei J. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. betabourboneno e gama-cadineno. alfa-cubebeno. 1995). alfa-humuleno. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. e de C. lechleri foi isolada a sinoacutina. cortesianus foram isolados o clerodano. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. sitosterol.3.. e das folhas de C.4. e das cascas do caule de C..14dien-9-al e 3a. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. p-cimeno.4b-dihidroxi-15. o óleo de C. mirceno.

Compostos terpenóides foram isolados de C. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. .7-dimetoxicoumarina. 1996).. Jatropha Das raízes de J.. ésteres e cetonas não-terpenóides. 1976). e das folhas de C. 1996). sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. 1986) e C. Das partes aéreas de C.. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado.. 1986). 1995). sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. argyrophylloides (Monte et al. De J. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. 1988). jatrofol. e de C. taraxerol. eluteria foram isolados sesquiterpenos. 16hidroxijatrofolona. b-sitosterol. 1992). 1991a).. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al.7. jatrofolona B. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. castaprenol-11. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C.5.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. 1981).. hemiargyreus (Barnes & Borges. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. taraxerol.De C. 5hidroxi-6. C. a seco-labdane (Schneider et al.. Do óleo de C.. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. 1992).. tomentina. eudesmanos. jatrofina.. 1993). De C. beta-sitosterol (Chen et al. e das cascas de C. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. jatrofolona B. 1991). nobiletina. Das raízes de C. 1992). ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. 6a. diasii (Alvarenga et al.7b-dihidroxiannoneno e 6a. enquanto alcalóides foram encontrados em C. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. 1991). 1994). macwstachys (Herlem et al.3'. os triterpenóides jatrofolona A.. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. curcas foram isolados ainda as latiranas.. stigmasterol. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al.. caniojana. jatroolona A. gossypifolios (Cespedes et al.6-diona. riangularis (Moura et al.

1996b). todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. metionina (13. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. foi isolado de seu látex a albaditina. denominada curcina (Costa. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji.. Das raízes secas de J. Banerji et al. Das raízes de J.. multifida L. e 43. 1997. galvani (Guevara et al. 1983). Das cascas da raiz de J. 15. Makkar et al. podagrida apresentaram 24%. 1990). arginina (0. 1988).. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. malacophylla. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al.. esteróides e glicosídeos. gossypifolia e J. 1990).30%) (Jain & Garg. Saponinas foram detectadas apenas em J..9%). 1988). 1986). isoleucina (3. 1996a) e jatrodiena (Das et al. flavonóides. caniojanae 1. saponinas.07%).26% de ácido aracdônico. 1988). isoorientina.1%). sendo 0. respectivamente (Raina & Gaikwad. Dos rizomas de J. De J.9%.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al.60%. divica foram isolados beta-sitosterol. J. ácido araquídico e toxalbumina. glicina (19. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al.6% de ácido oléico. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. As espécies. os aminoácidos cistina (2. compostos fenólicos. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al./. curcas. 0.1997). 1995). valina (18. De J. Teixeira..9%. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. Auvin-Guette et al. 1988).26%. curcas foram isoladas também várias lectinas. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al.15% e 15% de ácidos graxos saturados.71%). 2epijatrogrossidiona.. J. elbae.. 1989).98%). 1997). Das folhas deJ. 14. jatrofolona B. 1997). ácido esteárico.92%) e leucina (12... De J. bem como o ácido nurístico. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. 1987). ácido linoléico (Nasir et al. 1988. Do caule de J. 1996.. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. tlalcozotitlanensis e J. alanina (28. gadaína (Das et al. J. 1987.. 0.. mollissima foram isoladas orientina.. Do látex de /. 1989a e 1989c). além de outros três derivados diterpenóides. . pohliana var. Das folhas de J. ácido oléico.. 1989). grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. 1997). mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. terpenos.94%).

ácido caféico.. terpenos. assim como os diterpenóides de J.. 1991). 1983. Mensah et al.. discoideus. De J. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. triterpenóides (Joshi et al. P. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). virgatus (Babady-Bila et al.. 1988). 1986.. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. 1996). 1988. 1988. 1986). Ahmad et al. 1981). 1980 e 1981). antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole.. 1986. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona. Singh et al. neolignanas (Satyanarayana et al. 1988. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. flavonóides. 1984) e antibacteriana (Odebiyi.. lignanas (Satyanarayana et al. enquanto em P.. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al.. . Negietal. 1996. da qual foram isolados alcalóides. timol e carvacrol (Odebiyi.. gossypifolia. Anjaneyulu et al. 1996).. hidroxiflavanona. levulose. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. 1996. cumarinas. 1988. De P. Singh et al. 1980). ácido clorogênico.. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. P. 1989a e 1989b. Ojewole & Odebiyi. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. Huang et al. Houghton et al... Mabea Do látex do caule de M. 1991). 1986) e vários outros compostos (Singh et al.Da espécie J. 1997). glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus.... diterpenos. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al.. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. Yunes et al. 1986. 1990).. 1990. e dos frutos de M. a mais estudada é a P. simplex. 1995).. Anjaneyuly et al. 1989. P. sacarose. Petchnaree et al. 1985). citral. Hassarajani & Mulchandani. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. 1996. amarus e P. 1977). niruri... 1988). Singh et al..

1996). 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al..De P. 1996) e fisalinas (Makino et al. 1999). Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. antiinflamatória. HirumaLima et al. 1989. 1988. emblica L. De P. 1996c). 1988a. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. 1988... 1997 e 1996a). nalcanóis. . n-alcanos. Farias et al. Farias et al. antinociceptiva (Carvalho et al. De P flexuosus foram isolados triterpenos. Li et al. Bighetti et al. Lu et al..... 1988b). 1996). et al. 1995b). 1996b). 1987. além de taninos (Zang. 1999a). peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. olenadienóis. antiedermatogênica (Campos et al.. antidiabética (Silva et al. 1996) antitumoral (Grynberg et al. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. francheti foram obtidos cicloheptano.. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. 1995a)... D. 1996).. 1998. 1996).. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. 1988.. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. 2002. Tanaka et al. hipocolesterolêmica (Martins et al. C.. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu.. 2001). inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. 1996). fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga... foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico.. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. Tanaka & Matsunaga. analgésica.. 1998). Das raízes de P. antiestrogênica (Luma Costa et al. depressora do SNC (Hiruma-Lima.. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al... myrtifolius. De P... Tanaka et al. alkekengi var. et al. 1997).. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. Z. 1993. Em P. calisteginas (Asano et al. 1995).

Chen & Pan. mais comumente de C. Costa. Das sementes de C. 1985) e C. 1988b) e substâncias isoladas de C. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- .23 mg/kg para crotina II. M.. C.. entre outras.. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al.. Ao final.. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina... C. lacciferus (Bandara & Wimalasiri. rangelianus (Lima et al. penduliflorus (Asuku. 1993. Batatinha et al. 1993). lechleri.. 1987). Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. 1993. C. 1985. Tang et al. 1999).. 1987) e C. et al. campestris (Lima et al.. 1988). A DL50. para crotina I foi de 0.. macrostachys (Mazzant et al. tranqüilizante.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al.. 2002a). 1983).. 1980). zehnteri (Albuquerque et al. glabelus (Novoa et al. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al.. 1988a). 2000a e 2002b). 1988. C. anestésica local. 1980. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton.. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al.. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. 2001). draconoides e C. 1986). anticonvulsivante e analgésica de C. C. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. com o uso prolongado (Rodriguez et al. antiulcerôgenica de C. sonderianus (Craveiro & Silveira. antinociceptiva (Bighetti et al. 1982). 1975). a ligana 3'. C. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. 1988) e C. subtyratus (Kitazawa et al. rhamnifolius (Silveira et al. lacciferus (Ratnayake et al. Luz Paredes et al. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. penduliflorus (Anika & Shetty.45 mg/kg e 2. presente nos casos de C. tiglium (Deshmukh & Borle. 1984). 1982). erythrochilus.4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. cajucara (Hiruma-Lima et al. inseticida de C. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. 1999b. 1994). hipotensora de C..

C. Ao final. lupeol. tonkinensis contêm 0. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. Do óleo essencial de C.. antibacteriana e cicatrizante. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al.. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. 1991). 1993). os alcalóides de C. Pieters et al.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. berghei (Be &Truong. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al... 1994a e 1994b). 1992. 1995). Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P.. 1995). Das raízes de C. As folhas secas de C. De C. 1992). A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. betulina e ácidos graxos. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. berberina e outros alcalóides desse grupo. macrostachys foram isolados crotepóxido. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos.. O extrato etanólico bruto das folhas de C. 1994).78% de flavonóides. Essa possui isoguanosina. 1991a e 1991b). Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. 1992a).32% de alcalóides e 2. Ao final dos experimentos.. nardus (Lemos et al. O efeito de C. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al..

1987. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico.. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular. 2000). 1995). curcas foi isolada uma enzima proteolítica. (Huang et al. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J.9%) (Liberalino et al. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al.. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais.. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. o alcalóide taspina (Itokawa et al. tiglium (Fanetal. 1992). Ubillas et al. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al.. 1995).7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas... Os extratos da sementes de C.. 1990) o óleo de C. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. O óleo de C. Do extrato clorofórmico das raízes de C. 1991a). Atividades larvicida (Karmegam et al.. 1997) e Schistosoma mansoni e S. 1994)... a curcaína (Nath & Dutta.. Do látex de C. 1994). 2000). como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. 1988. 1993). Hirota et al. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al. curcas. e no retículo sarcoplasmático. 1992.. Das sementes de /. Das sementes de J. 1991).. 1989 e 1991). tanto na prova do campo aberto. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. Jatropha Das sementes de J. haematobium (Rug & Ruppel. antiplasmodial (Kohler . pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al...39 mg pela via i. 1988). 1988). e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. Do látex de J. 1989).. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica.p. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C.

que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. 1987) também foram caracterizadas em J.. 1987). que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. Das raízes de J. antiespasmódica (Silva et al. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. isabellii foi isolada a jatrofona. 1987b). 1987) e tóxica (Brum et al. De J. J. Santos et al.. 1998). elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. 1992b e 1996).. O látex de /... As folhas de J. De J.. 2000). 1990. 1996). multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al.. A J. cilliata foram isolados isoorientina e orientina.. 1997). et al. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. zeyheri foi isolada a jaherina. 1996). curcas foram isoladas curcusonas A e C.. . glauca (AlZanbagi et al. De J. 2001). 1993). 1992a. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. 1992).. Dutra et al].. 1996). gaumeri (Sanchez-Medino et al. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta.. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. De /. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. e de J. 1996).. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. multifida. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. 1994). Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida.et al.. espasmolítica (Trebien et al. O óleo das sementes de /. et al. curcas. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. M. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al.... F. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /. 1996). que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. Esta mesma atividade foi observada em J. 1996... P. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al.. 1996). 2001). 1996)..

1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis).Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. 1989). 1988. 1995). Ribeiro et al. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. Di Stasi. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. 2000).. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. que foi atribuída aos compostos estigmasterol. diurética. 1992).. 1987). 1985 e 1986b. 1984. 1987). Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. . que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. Gorski et al.. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares.. O extrato hidroalcoólico de P. 1995). porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al.... 1995). 1996a). 1988). A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar... 1988). Além disso. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. 1995).. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo.. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al.. 1985). campesterol e fitosterol (Santos et al. 1993. Além disso.. 1994). O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al.. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno.. Shimizu et al. 1996). De P. 1992.. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. Santos et al..

Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina.. De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. . A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren.. 1996). 1988). de P urinaria. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. 1996. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P.. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. Sane et al... 1995). 1994).... Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. 1990. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. 1996). De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. 1996). 1995).. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. 1996). De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. ácido brevifolincarboxílico. 1997). 1995). Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. 1997).. ácido elágico.. corilagina. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. quercetina. 1996). ácido gálico e ácido protocatecoico. 1997a e 1997b). que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. niruri e P urinaria (Santos et al.. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. Foram caracterizadas.. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. 1996). Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina.. 1995). 1991).. Roy et al. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al.

hipotensão e desidratação. Porros et al. Itokawa et al. 1995. e ação estimulante da musculatura lisa. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. Ahmed & Adam.. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. 2000). Quadros de hemorragia anal. Como conseqüência de seu uso crônico. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. náuseas. 1984). 1986. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J.. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman.. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . 1987) e provoca náuseas. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. podendo causar a morte em humanos. Pieters et al.. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). vômitos e diarréia. 1991c).Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz.. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. 1979). coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. 1993.. 1979).. mutifida (Levin et al. 1993. Torpor. curcas em ratos. 1979). Hemorragias internas em diversos órgãos. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). diarréia.. Efeitos como redução no tempo de protrombina. Existem registros de intoxição em crianças de J. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. redução no consumo de água. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al.

Pieters & Vlietinck. 1998) (Banco de imagens . Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. FIGURA 13. 1986). 1983.(1999).1 .. tiglium (Bauer et al.Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

.FIGURA 13.2 -Jatropha curcas. Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).

3 .Jatropha gossypifolia.FIGURA 13. Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais. Hiruma-Lima). .

Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo.FIGURA 13. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens . 1998). c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.4 . b) flor feminina.

No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. Clusia. óleos essenciais e resinas. 1978). algumas delas de valor medicinal. e Elatinaceae. sendo raramente descritas epífitas. . Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. É composta por árvores. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. gomas. 1997). arbustos ou ervas. pigmentos. A.370 espécies. Hiruma-Lima L. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1.14 Guttiferales medicinais C. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. No Brasil ocorrem 21 gêneros. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). C.

Trata-se de uma espécie semidecídua. as folhas são simples. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. damaradienol. O tronco ereto possui casca grossa. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. 1990). descrito por Domingos Vandelli.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. a maioria é fornecedora de resinas. com ocorrência em formações secundárias. com distribuição restrita à América tropical. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. euxantona. madagascina. pecioladas. foi dedicado a Visme. damagascina. e várias têm valor medicinal. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. friedelina. O nome do gênero Vismia. Em outras regiões. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. sendo facilmente cultivada. opostas e com borda inteira. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. ácido crisofânico. coriáceas. e algumas na África. Em V. No Brasil. também chamada de Lacre. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. martiana foi observada a presença de sitosterol. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . ácido betúlico. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. como Picharrinha.

De Vistnia caynnensis.. 1996). 2-isorenilemodina e 5. como a friedelina. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. 1982). 1997).e a ferruginina (Pasqua et al. Das raízes de V. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. 1995.. 1979). Porém.. indicado para dermatofilose. 1994). Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. vários triterpenos. 1999). Moracelli et al. popularmente chamado de Lacre ou Picharinha.. vulgarmente chamada de Pichirina. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. 1993). . Os extratos hidroalcoólicos. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al.. 2000). 1995). apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. cayennensis... magnoliaefolia. 1999) em V. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira..japurensis Rich.. 1983). clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. Em V. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr.. p-o.. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. e em V. da planta fresca (Tokarnia et al. conhecido popularmente como Lacre. micrantha foram isolados xantonas. et al.5'dimetoxisesamina (Camele et al... benzofenonas (Fuller et al. O extrato etanólico da folhas. 1996). Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d.

1997).225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. ainda não identificada completamente. descrita por Robert Brown. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. . Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. arbustos e lianas. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins.15 Primulales medicinais L. Nessa família ocorrem 33 gêneros. Theophrastaceae e Myrsinaceae. C. A. Di Stasi C. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. Rapania e Cybianthus. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. nos quais se distribuem 1. sendo a maioria árvores.

actinomorfas. reunidas em inflorescências axilares. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. e anthos = "flor". Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. sem estipulas. bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. dispostas em racemos. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. androceu com cinco estames opostos às pétalas. inteiras. ovário supero. ramos.Espécies medicinais Cybianthus sp. curtas.1). Não foram encontrados sinônimos para ela. flores pequenas. flores e frutos. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. . O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". folhas alternas. diclamídeas.

Cybianthus sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .FIGURA 15.1 .

uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. . C. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. Para a espécie Nasturtium officinale. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. gripes e bronquites. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. no entanto. Hiruma-Lima L. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. Na região amazônica. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. anemia e distúrbios da tireóide. além de seu consumo como condimento. A. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. essas espécies não foram referidas como medicinais. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira.16 Capparidales medicinais C. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião).

no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. arbustos ou pequenas árvores.5 m de altura. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. raramente são descritas lianas (Barrozo. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. e a espécie Cleome latifolia. que justifi- . optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. Capparia e Maerua. tem valor medicinal na região amazônica. Os principais gêneros são Cleome. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. com seus representantes incluindo ervas. descrita a seguir. inflorescências terminais bastante vistosas. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. 1978). espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. com muitas flores rosas e bonitas. 1997).Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. que atinge até 1.

.0025%)... kaempferitrina (0.cam seu uso como ornamental. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi.. um trinortriterpenóide dilactona. O extrato metanólico da planta toda de C. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. 1987). O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais.. 1997b).06%) (El-Din et al.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. 1996). 1990)... Das sementes de C. 1997) e glicinebetaína. 1986). isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. De C. a isoramnetina 3. e das partes aéreas de C. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al.0075%). 1990). a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. 1990).7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al.. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al..0013%)..7-di-O-ramnosídeo (0. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley. 3. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. são cultivadas e usadas como ornamentais. 1997). a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. 1997) e triterpenos (Harraz et al. um flavonol. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. De C. incluindo a Cleome latifolia. a diacetoxibraquiicarpona. o ácido cleomaldéico (Jente et al.. 1988) e um diterpeno macrocíclico. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas. 1995). Várias espécies desse gênero. os flavonóides artemetina (0. bonanzina (0. viscosa apresentou um . kaempferol.

1995b).. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. viscosa (Samy et al. 1993. A propriedade antibacteriana foi constatada em C. droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al.. De C. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al.. 1970). 1992). 1996).efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. 1995). 1999)..6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al.. .. Chrysantha (Hashem & Wahba.. Lemos et al. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. C. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. 1999). 1996). popularmente conhecido como Mussambé.. gynandropsis Samy et al. 1995a) e antioxidante (Selloum et al... A espécie C.. 2000) e C.

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

C. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. com inúmeras espécies medicinais. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. Saxifragaceae. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. Várias espécies dessa ordem são medicinais. Na região amazônica. No entanto. A. espécies dos gêneros Spiraea. 1978). Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. e de Rosaceae. Di Stasi C. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. .17 Rosales medicinais L. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Crassulaceae. a qual descrevemos a seguir. a qual foi identificada apenas até o gênero. Pittosporaceae. Rubus e Prunus. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo.

Espécies medicinais Hirtella sp. estipuladas. muitas delas usadas para a produção de carvão. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. referindo-se ao tipo de pilosidade. Os principais gêneros dessa família são Licania. corola com cinco pétalas.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. segundo Barrozo (1978). distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. inteiras. Chrysobalanus e Hirtella. onde ocorrem 120 espécies. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. flores pequenas. zigomorfas. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. ovário unilocular. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. folhas simples. alternas. . sépalas e pétalas livres. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. com cerca de 460 espécies tropicais.1). cálice gamossépalo com cinco lacínios. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. cíclicas. peninérveas. fruto do tipo drupa. diclamídias. incluindo árvores e herbáceas. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo.

ou frutíferas. e • Prunoideae. os gêneros Crataegus e Malus. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. da histórica Spiraea ulmaria. toxicologia e química. ralada. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais.825 espécies subcosmopolitas. entre outros. encontradas em climas temperados. Potentila. • Maloideae. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. Rubus e Quijala. 1997). com destaque para o gênero Spiraea. • Rosoideae. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. a famosa aspirina. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. da qual foi isolado o ácido salicílico. e raiz bifurcada para as mulheres. do gênero Frunus. com aproximadamente 1. com destaque para os gêneros Rubus. No Brasil há poucas espécies. a maioria nos gêneros Prunus. Normalmente são árvores de pequeno porte. como a . também se utiliza o chá contra reumatismo. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. primeira substância a ser comercializada como medicamento. Agrimonia e Fragaria. compreende 95 gêneros. é utilizada como afrodisíaco. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. no que se refere à farmacologia. como é o caso das espécies do gênero Rosa. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. que inclui. arbustos e ervas (Mabberley. descrita por Antoine Laurent de Jussieu.

dispostas em fascículos do tipo umbela. a decocção das folhas é usada contra dores. Groselha e Moranguinho (Rubus). Cereja. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. 1998). Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. flores vistosas brancas. Pêssego. solitárias e/ou geminadas. de margem serrada. assim como em várias regiões do país.Maçã (Malus). Marmelo (Cydonia). doce e com uma única semente. comestível e saboroso. que existe em grande número. O nome do gênero corresponde a "ameixa". Pêra (Pirus). Damasco. Morango (Fragaria). . a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. Ameixa. Nomes populares Na Mata Atlântica. pendente. ásperas. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. lanceoladas. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. em latim. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. especialmente de cabeça. e a infusão dos frutos. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. carnoso. e contra diarréias. dependendo da variedade. Espécies medicinais Prunus domestica L. fruto do tipo drupa. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. com folhas alternas.

1978) (Banco de imagens • . 2001). Nakatani et al. 2000). FIGURA 17.contra distúrbios hepáticos e dores de barriga. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al.Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi).. 2002.. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados. laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz.1 ... Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. 2001).Sapuntzakis et al. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso. 2001)..

C. lianas e ervas. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. incluindo árvores. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. dependendo do arranjo sistemático adotado. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. Guimarães C. M. M. A. M. Compreende três subfamílias. . nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. Santos C. ornamentais. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae.18 Fabales medicinais L. medicinais. R. Hiruma-Lima A. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. 1997). arbustos. Di Stasi E.

No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. as quais descrevemos a seguir. Cassia multijuga. a saber: Caesalpinia férrea. que inclui o gênero Bauhinia. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. todos contendo várias espécies de valor medicinal. C. C. dentre as quais C. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). 1997). amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. Caesalpinia pulcherrima. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. Cassia occidentalis. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). • Cercideae. C. Dalwits. • Detarieae. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. .Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. Dialium e Senna. • Cassieae. occidentalis. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. das quais se destacam as espécies C. que inclui os gêneros Cássia. bonduc. angustifolia e C. que inclui o gênero Caesalpinia. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. sapan e C. pulcherrima. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. bonducella. senna. J. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. que inclui o gênero Copaifera.

Por ser de rápido crescimento. bastante espinhosa. flores intensamente brancas. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. dadas as características morfológicas de suas folhas. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. assim como em quase todo o Brasil. heliófita.1). . tronco tortuoso ou ereto. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. Pata-de-boi e Unha-de-boi. folhas glabras. raramente dentro das florestas. onde ocorre em áreas úmidas. algumas arbóreas e outras lianas. sempre com acúleos e seus dois ápices. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. É uma planta decídua. vistosas (Figura 18. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. A espécie fornece madeira leve. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. É amplamente utilizada como ornamental. Mororó. usada para produção de carvão e caixotes. com grande abundância na Mata Atlântica.

é utilizado como . hermafroditas. fruto levemente estipitado. na forma de decocto. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. quase reto (Figura 18.Caesalpinia ferrea Mart. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. ferrea var. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. séssil. São muito comuns duas variedades: a C. na região amazônica. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. Dados botânicos Arvore de grande porte. ferrea e a C. ferrea var. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. ao passo que o preparado de casca de jucá. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. além de ser empregado como fortificante para crianças. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. ovalados ou obovais. Jucá. Suas folhas. especialmente de ruas e avenidas. dez estames. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. ultrapassando o cálice gamossépalo. botânico italiano. com tronco liso e cerne duro. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. aquecido até formar um xarope. A espécie é heliófita. após aquecimento. Muirá-obi e Muiré-itá. açúcar e água. Nomes populares A espécie é denominada. Imirá-itá. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. folhas de manga. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. além de largamente empregada como espécie ornamental. é utilizado contra asma e bronquite. flores diclamídeas. leiostachya. folhas bipinadas com folíolos oblongos. casca de jatobá.2). podendo chegar a 15 m de altura.

tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. e em Alagoas. . da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. Na região da Mata Atlântica. resfriados e tosses. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. Espécie muito usada como ornamental. 1984). tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos.anticatarral. 1982). 1982). Baio-deestudante.) Sw. com folíolos ovado-oblongos. Chagueira ou Barba-de-barata. além do uso comum contra gripes. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. Nomes populares A espécie é denominada. a decocção das raízes é usada como antitérmico. A vagem crua é útil contra tosse. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. na região. inflamações do fígado e baço. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. Considerada de origem antilhana. sobretudo como cerca viva. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. contra tosse crônica. 1984). Em outras localidades do país. pois floresce quase ininterruptamente. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. Caesalpinia pulcherrima (L. especialmente bronquites. internamente. flores grandes e vistosas. também é chamada de Flor-de-pavão. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. glabros. asma e como cicatrizante (Campêlo. No Piauí. Flor-do-paraíso. folhas compostas. bipinadas. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. com até 10 cm de comprimento.

obtusos no ápice e com base irregular. a raiz é acre. febrífugos. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. largo e achatado (Figura 18. febre e como purgativo. folhas pinadas. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. odontálgicos. as folhas e flores são usadas como tônicos. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. tendo propriedades tônicas. excitantes. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. além de ornamental. em doses elevadas. atingindo até 10 m de altura. . sendo uma planta decídua no inverno. pela beleza da planta na época de floração. Segundo Corrêa (1984). descrito também por Carl Linnaeus. Em outros locais do país. Cassia multijuga Rich. amarga. abortiva. a casca é considerada emenagoga e. febrífugas e venenosas. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. deriva do grego Kasia. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. com rara ocorrência dentro de florestas. externamente. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. lenha e carvão. brinquedos. quando em grandes doses. O nome do gênero Cassia. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. A espécie ocorre em todo o Brasil. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. purgativos. dado à falsa canela. casca lisa e cinzenta. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente.como emenagogo e abortivo e. estipuladas. heliófita e pioneira. o fruto é do tipo vagem reta.3).

A espécie é anual e floresce na época de chuvas. Mata-pasto. Tararucu. Lava-prados. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa.Cassia occidentalis L. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. achatados.4). Ibixuma. paripenadas com ráquis comprida. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. Outras denominações são Folha-de-pajé. frutos do tipo vagem glabra. é indicada popularmente como antitérmico. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. Manjerioba. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. gripes. beiras de estradas e próximo a culturas. Maioba.. flores grandes. Na região da Mata Atlântica. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. diurético e colagogo (Gavilanes et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. no Brasil é espontânea nas pastagens. febre. Em Minas Gerais. laxativo. amarelas. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. Lava-pratos. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. folhas alternas. racemos axilares. no Piauí a infusão do caule. com caule lenhoso na base. Segundo Emperaire (1982). Mamangá. estipulada e com glândulas na base. dispostas. curto-peciolados. resfriado e diarréia (Grandi et . assim como em outras regiões do país. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. gineceu com ovário piloso. Majerioba. verde-escuros em ambas as faces. ramos quase cilíndricos. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. infecções gerais. Rioba. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso.

hidrópisia e dismenorréia (Dennis. estômago. No Rio Grande do Sul. como vermífugo (Nagaraju et al. 1982). nos desarranjos menstruais. . problemas hepáticos. anemia. 1994). mas também são utilizadas contra tuberculose. as raízes são consideradas diuréticas. febrífugo. é utilizada contra doenças do fígado. dores menstruais e uterinas. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. 1990). reumatismo. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. 1988). e a infusão das flores contra bronquite (Rutter.. inflamações nos olhos.. diurético. e para constipações em bebês (Gupta et al. malária. 1979). erisipela e tuberculose. mordida de escorpião. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. febrífugo e diurético. reumatismo. 1986). Cassia reticulata Willd. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. 1985). 1970). emenagogo. sudorífico. desordens do trato urinário. na forma de cataplasma. Na Índia.. rins e bexiga (Simões et al. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. tinha e hemorróidas. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. são utilizadas contra asma. as raízes são consideradas um tônico. doenças venéreas. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. 1990). A espécie C. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. No Brasil. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. No Peru. como antiinflamatório e. na asma. purgativo. Além disso.. Na Amazônia peruana. No Panamá. preparadas como o café.. as sementes. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras.al. internamente. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. Em outras localidades do país. como Mata-olho.

com 6 a 15 cm de comprimento. Algarobo. marrom. fruto doce. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. Jutaí. folhas compostas. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. Hymenaea courbaryl L. Olhode-boi. Jatobazeiro. Jatobá-de-porco. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. nome dado à planta em quase todo o Brasil. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. ápices acuminados. como antitérmico e diurético. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Jatobá-de-anta. 1994). alternas e pilosas. Jatobá-roxo. Jutaí-açu. farinhento e comestível.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. brilhante. dispostas em cimeiras terminais. Jutaí-peba. a espécie é conhecida como Jatobá. Nomes populares No Vale do Ribeira. Jutaí-café. base assimétrica. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. Jatai. Jutaí-do-campo. tronco ereto e ramos glabros. com até . flores brancas vistosas. lisos. os frutos são vagens delgadas. Abati-tambaí. negras. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. com casca dura. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. entre outros. Também é chamada de Jatobá-mirim. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra.

sedativo e peitoral. e a seiva é excelente tônico para crianças. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. especialmente em crianças. vermífugo. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. além do uso contra bronquite.forticata (da Silva et al. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos.. enquanto a madeira é usada na construção civil. ferrea forneceu sitosterol. É uma espécie semidecídua. Yadava & Tripathi. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. é eficaz contra tosses. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. ácidos palmítico e octacosanóico. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.. 2001. enquanto o xarope da casca do caule. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. com florescimento entre outubro e dezembro. ácidos . O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila.15 cm de comprimento. sendo usada na arborização de parques e jardins. em alusão aos dois folíolos. o deus da união. 2000) e os flavonóides kaempferol. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. estimulando a digestão e fortificando o organismo. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. microstachya (Meyre-Silva et al. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. O nome do gênero deriva do grego hymen. 2000). Caesalpinia O extrato benzênico de C.

miricetina.ll.. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al.. 1977). 8metoxibonducelina. 1987a). 8. lupeol. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al.. 6p-cinamoiloxi5a. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. 1997). 1978). beta-amirina.. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. taraxerol (Yadava & Nigam.4. episapanol. Das sementes de C. 1987c). 1987) e pulcherriminas A. 4-O-metilepisapanol. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. 1986. beta-sitosterol.. 1977). cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. 1973). De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. 1997). quercetina (Rao et al. 1985).. quercetina. 1997). lup-20(29)-en-3beta-ol.. 1997b). 1954). sapanona B. 4. quercimeritrina (Awasthi & Misra. protosapina (Namikoshi et al.. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. bonducelpina A.9... C e D (Peter et al. 1987). ácido 3. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. Das cascas e raízes de C. 3'-0-metilsappanol. bondenolídeo. 1983). Kim et al. De diferentes partes de C. 2002). Da madeira de C.6-dimetoxi-l. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. C e D (Patil et al..14-didehidro-5a-vouacapenol. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. B. 8metoxibonducelina. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. 1987b.. 1997). 1997a). B.. 1978) e 2. 3'-0-metilepisappanol.5-trihidroxibenzóico (Rao et al. 1978). 4-O-metilsapanol. alfa-amirina.. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al... Foram isolados os flavonóides: rutina. 1996). brazilina (Namikoshi et al. 3'-deoxisapanoI. sapanol. Peter et al..4benzoquinona (McPherson et al.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. cianina. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. 1983). sappan foram isolados octacosanol.. 7p-vouacapenediol. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. 1987e). .. leucodelfinidina. bonducelina. 3'-0-metilbrazilin. pulcherimina.

1987d). M. 1997)... crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. glicosídeos (Singh. 3-deoxisapanchalcona.. digyna (Mahato et al. glicosídeos de C.. dicopetala (Chowdhury et al. 1994). Das sementes de C. Cassia Da espécie C. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol.. Fuke et al. 1981). 1987. platyloba.. 1987a).. japonica (Namikoshi et al. sappan (Namikoshi & Tamotsu. hintoni (Contreras et al. 1987f).8-di-hidroxiantraquinona (Costa. taninos. 1977). ácidos linoléico e palmítico de C. 1982). 1983). B e C (Namikoshi et al. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. a espécie C.. sappan (Saitoh et al. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. C. sapanonas a e b. episapanol. buteína.Das raízes de C. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. 1996). brasilina e protosapaninas A.. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh.. 1985). spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. glicosídeos cardiotônicos... Namikoshi et al. . 1995). sappan (Nigan et al. C. occidentalis. Foram isolados alcalóides de C. sapachalcona.. 4-O-metilsapanol. 1986. Na espécie C. et al. Dos frutos de C. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. 1977). 4-O-metilepisapanol. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. sitosterol. isoliquiritigenina.. 1986).. 1996) e de C. C. saponinas. 1988).. Kitanaka et al. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. A composição de ácidos graxos das sementes de C. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. sapanol. cacalaco e C. vários compostos aromáticos de C. 1996). (Kitagawa et al. Do Fedegoso. reticulata. S. 1985). isolaram-se 1. caladenia e C. isoflavanóides de C. 1977. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. M. sitosterona. pumila foi analisada. além de xantonas (Wader & Kudav. Da madeira de C.

alfa. 1989a). 1985). A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. 1986. 1987. Singh. 1979). 1988b). occidentalol-2. roxburguina. Telange et al. crisofanol. 1985). 1982) e das raízes (Singh & Singh.7-dihidroxi-3metilxantona.. roxburguinol e um novo estilbeno... 1996). Das folhas de C. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma.. .. occidentalol-1. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. Das superfícies das folhas de C. Das sementes de C. germicrisona. 1986). palmítico. 1989). dienóico e trienóico (Zaka et al. emodina. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas.8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. l.. 1989). occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. 1988a). mirístico. Da raiz de C. questina. 1. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. 1987). 1986)... Das sementes de C.. ácidos monoenóico. triglicerídeos (Zaka et al. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al.e beta-amirina. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. bis (tetrahidro) antraceno. De C. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. J. De C. além de flavonas (Guptaetal. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al... 1990).. occidentalis foram isolados pinselina. esteárico e oléico (Alencar et al.1987. & Singh. crisofanol. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. 1987). 1987). renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. 1987). marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. De C. 1987). Foram isolados das sementes de C. J. 1990). roxburguina (Ashok & Sarma. 1978). pinselina. 1977) e os ácidos cáprico.

obtusifolina e estigmasterol. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. 1978). malválico. 1979). além de ácido palmítico. flavonóides (Wassel & Baghdadi... Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. crisoobtusina. . siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. e das folhas. 1986). De C.. 1986). polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. . obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. 1980) e os ácidos palmítico. esteárico. oléico. 1989)... oléico e linoléico. flavonóides (Crawford et al. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. 1987). obtusifolia foram também isolados obtusina.. antraquinonas (Zhang et al. Ishidaet al.. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. linoléico. flavonas. m-cresol. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. ácido crisofânico. De C. 1988). 1985). angustifolia não difere muito do de C. colesterol. polissacarídeos (Khare et al. aurantioobtusina. obtusofolina. 1990). De C. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. 1988). flavonóides (Wassel & Baghdadi. o aminoácido histidina (Zhang et al. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. De C. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al.. succínico e tartárico (Matsuura et al.. além da presença de beta-sitosterol. glicosídeos. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. 1990). O perfil fitoquímico de C. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido.Das raízes de C. obtusina. 1988). 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. Asamizu et al. De C.. fisciona.. emodina. o senosídeo é o principal desses derivados. questina.. 1984). 1986). 1988). 1987. 1989). De C. 1987) e emodina (Yang & Wang. 1989). Nas sementes de C. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. Metil palmitato e metil oleato. acutifolia quanto à presença de aminoácidos.. 1986. 1977).estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. 1986).. 1997).. estigmasterol. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. beta-sitosterol e l.

emodina.. 1988). glauca foram isolados os ácidos palmítico. . De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. O extrato das folhas de C. De C. arginina. linoléico. beta-amirina. malválico. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. Do óleo das sementes de C. 1977).. De C. 1988). de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. flavonóides (Srivastava & Gupta. fistula e C..javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh.. 1989a).De C. 1987b. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. Das folhas de C. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh.senosídeos das folhas de vagens de C..javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al.. Chowdhury et al. 1988). 1988). palmitato... 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . 1987b). 1978). butirospermona. proteínas brutas.. 1988) e antraquinonas (. 1981). Das cascas do caule de C. 1990). carboidratos.Ahuja et al. ácido glutâmico e aspártico. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. fistula (Cano Asseleih et al. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. De C. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. behenato de beta-sitosterol. Das sementes de C. javanica apresenta nonacosano. Das raízes de C. 1991). Das vagens de C. 1990a) e antraquinonas (Messana et al. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. 1987).. O óleo da semente de C. triacontano. 1990). ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. palmitato de beta-sitosterol. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. De C.. treonina e leucina). 1990a). linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. 1990). reina. 1987). ácido behênico.. As cascas do caule de C. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. esteárico. renigera possui ácidos vernólico. triptofano.. 1978). 1990)... aminoácidos (lisina. 1990). oléico. fistula e das cascas de C. araquidato de beta-sitosterol.

. 1988). 1989) e nas sementes de C. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. 1989). dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. fisciona. . De C. 1987). 1987. 1986. além de alcalóides (Christofidis et al.. 2-methoxistipandrona.. linoléico.. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani... 1985). marginata (Kumar et al. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. 1988). A composição dos ácidos graxos de C. 1978).. emodina e rheina) (Krambeck et al. 1986). Cassia laevigata (Singh. 1997). Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. 1988).. Das sementes de C. C. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. Das raízes de C. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít.. 1988). 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. palmitoléico. 1987). pumila foram isolados tetratriacontanol. ácido quelidônico. sericea (Muralikrishna et al. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. siamea (Khan et al. semicordata foram isolados compostos do tipo 1. araquídico e behênico (Khalid et al.. palmítico. R.. 1987). emodina. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. oléico. De C. mirístico. estérico... fastuosa foram isolados os glicosídeos. 1985). 1986 e 1987). podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. C. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. spectabilis foram isolados antraquinonas. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. Cassia javanica (Azero et al. Das flores de C.. C. 1988).. holosericea é predominantemente de ácido láurico. 1990).. Das folhas de C.. 1989).. (Baba et al. De C. linolênico.4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. javanica (Singh & Jindal. B. 1977). De C. Sen et al. De C. 1977). senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina.Das partes aéreas de C.

C. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. 1990) Lima. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al... 3- . 1991). 2001) e antimolarial de B. 1996... guianensis (Kittakoop et al.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. 1998). ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. 2002a e 2002b). 1986)... 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al.. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. Munoz et al. malabarica e B. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al.. 2000). O uso crônico de B. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. antiedematogênica. anticoagulante (Milagres et al. 1977)..... 1976) e proteínas de C.. sapanchalcona. O. 1995... 1988). A espécie C. 1999). Os inibidores da aldose reductase. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. Nakamura et al. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W.. contêm caesalpina P. 2002. 1998). analgésica (Carvalho. 2000..forficata e B. T. C. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al.. 1995. 1986). tarapotensis (Braca et al. 1997).. 2001. E. Extratos de C. Lemus et al. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar.. ferrea como antitumoral (Queiroz et al.. 1991). candicans (Pepato et al. 1985). et al. Amaral et al. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. antiinflamatória (Carvalho. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. et al. Estudos mais recentes têm apontado C. J. Lopes et al. 1987). leiostachya (Moura et al. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. antimicrobiana (Cebalhos et al. 1994.. 1996). J. De C.. Bacchi & Sertié. et al. O. Rossi-Ferreira et al. et al.

1985). 1999). De C.. 1997). 1978. 1976) e. hipotensiva. 1989).. antimalária (Gasquet et al. 1987.. Cassia Nas folhas de C. antiviral contra hepatite B (Patney et al. 2001). antibacteriana. Caceres et al... que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. 1994. O extrato metanólico de C.. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. 1992. de estimulante uterino (Saraf et al. inibitória da hemólise. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. 1995a).. antifúngica. Feng et al. Hussain et al. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al...deoxisapanona. 1996). sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. 1962).. 1987)... Schmeda-Hirschmann et al. Sama et al. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al... sappan como ingredientes ativos (Morota et al. Sadique et al. hepatoprotetor (Jafri et al. A brasilina isolada de C.. in vitro. vasoconstritora. 1991. . 1996). brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. protosapanina A. de relaxamento do músculo liso. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al... 1997). antiparasitária. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. 1993.

1991). podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C.Das sementes de C. Nas sementes de C. As folhas de C. As antraquinonas de C.5'-tetrahidroxistilbene. 1989). que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. As sementes de C. 1989). pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina.. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. 1986).. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. acutifolia. Os resultados finais indicaram que tanto C. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan.. C. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. A fração polissacarídica de C. 1990). fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al.. acutifolia como controle positivo. 1990).. 1991). garrettiana foi isolada a 3. garrettiana (Inamori et al. Crawford et al. 1986a). obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. 1990). 1990. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. 1988) e C.4. obtusifolia (Kitanaka & Takido. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C. e C. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. O extrato das folhas de C.. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos.. De C.pudibunda (Cavalcanti et al. lugustrina (Abhaham et al. Estudos com as sementes de C. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. O extrato a 10% das folhas de C. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al.. 1989). 1984). alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona.3'. 1979) e C. alata quanto C.. utilizando as folhas de C. citotóxica com extratos de C. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). pudibunda (Cavalcanti et al.. 1988)... espasmolítica com subs- . 1988 e 1989). 1985).

C. A administração de folhas de C. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. 1979) e C. . apatia. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. 1998). deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado... cansaço e dores. 1979). Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. angustifolia (Nakajima et al. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. anemia. na forma fresca. 1986. O gênero Cassia produz. amplamente utilizada pela população. cavalos e cabras. seca e/ou torrada. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos.. dispnéia. em geral.. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. 1985). quinquangulata (Ogura et al. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. 1987).. fistula (Bhardwaj & Mathur. que apresentaram um quadro de ataxia. em muitos países. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia.tâncias isoladas de C. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. 1979). 1977) e antivirótica com extratos de C. 1984). um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. 1991).. pumila (Fatawi et al. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al... Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. vômitos. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. roenwilana (Rowe et al.. Seu consumo indiscriminado é perigoso. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. como substituta do café. diarréia. Colvin et al.. purgativa dos glicosídeos de C. antitumoral com extratos de C. especialmente por crianças. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. 1985). A espécie C. 1986b). fistula (Babbar et al. ferrea. cólicas abdominais e diarréia. 1986). Salienta-se que a espécie C. caracterizado por náuseas.

um importante produto alimentar no Brasil —. Nos estudos realizados na região amazônica e . Derris e Lonchocarpus. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Cymbosena. Myrocarpus e Ormosia. Indigofereae: Indigofera. Millettieae: Tephrosia. Robinieae: Sesbania e Robinia. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Cajanus. Canavalia. Crotalarieae: Crotalaria. Dioclea e Mucuna. Psoraleae: Psoralea. Sophoreae: Sophora. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Dypteryxeae: Dypteryx. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Diplotropis. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Trifolieae: Medicago. Abreae: Abrus. onde se encontram plantas (Barrozo. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. 1978). Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Genisteae: Lupinus. Vicieae: Vicia e Pisum. Desmodieae: Desmodium. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais.

sendo um nome popular da planta usado em Malabar. compostas de três folíolos aveludados. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. mas há divergências quanto a essa classificação. comprimida. as quais são descritas a seguir. Cuandu. . podendo atingir 3 m de altura. No restante do Brasil é conhecida como Guando. dispostas em pedúnculos axilares. com ampla utilização em diversos países. dores de barriga e diarréia e a infusão. com ramos angulosos. Andu. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. de onde partem folhas pecioladas. pinadas. sendo ainda forrageira. Espécies medicinais Cajanus cf. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. Ervilhade-angola. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. flores vistosas. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. contra constipação nasal. fruto do tipo vagem linear. Feijão-de-árvore. Erva-do-congo. 1984). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. Guandu ou Feijão-guandu. A espécie possui um grande valor econômico. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. na Mata Atlântica. gripes. oblongos. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais.

flores rosas. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. de Flor-da-terra. significa "pele dura". O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O nome do gênero Derris. menos freqüentemente. reunidas em fascículos. 1997). oblongos. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. na Mata Atlântica. fruto do tipo legume falcado. descrito por João de Loureiro. Nomes populares A espécie é chamada.Cymbosema roseana Bent. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. e foi descrito por George Benthan. acuminados e glabros. por arbustos ou árvores. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. referindo-se ao legume. em forma de bote. pediceladas. flores rosas. . com ramos tomentosos.

folhas alternas. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. Trevo-da-flórida. didamídea. revestida de pêlos curtos. hermafrodita. Outros nomes populares são Amores-do-campo. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. flores fortemente zigomorfas.) DC. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. externa. com cálice gamossépalo. cilíndrica. Dados botânicos Erva de pequeno porte. sementes sem endosperma (Figura 18. Desmodium tortuossum (Sw.5). a prefloração da corola é imbricada descendente. ereto e com raiz bastante lenhosa. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. fruto do tipo legume linear. com uma grande pétala superior. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. trifoliadas e . compostas. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. corola dialipétala. coriáceo. pentâmera. com folíolos articulados na base. folhas pecioladas. Derris floribunda Bth.

Sucupira-da-terra-firme. Sebipira. Dados botânicos Árvore de pequeno porte.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. . Sapupira. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. Sapupira-da-mata. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. referindo-se à disposição das flores. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. Sapupira-preta. todas conhecidas como Sucupira. Sapupira-da-várzea. Diplotropis purpurea (Rich. vexilo oblongo provido de apêndices na base. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. indeiscente. Cutiúba. Sicupira. com sementes pretas e duras (Figura 18. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. flor com estandarte longo. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. O nome do gênero significa "feixe". pequenas. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. reunidas em racemos. O nome Diplotropis significa "duas carenas". e a infusão é usada internamente como antigonorréico.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. fruto do tipo legume. Dados da medicina tradicional A semente ralada. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Cutiubeira. misturada com enxofre. Paricarana. pinadas e folíolos glabros. plano. com folhas compostas. fruto do tipo vagem. com ampla distribuição no Brasil e no México.6). coriáceos. tendo um apêndice na base. Outros nomes comuns são Favinha.

com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. flores vermelhas. grosso. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. quando maduros e secos. referindo-se ao cálice. Imburana-de-cheiro. 1991). frutos em forma de vagem drupácea. pecioladas. dispostas em panículas pubescentes. e na produção de perfumes. Cumar-do-amazonas. podendo atingir até 35 m de altura. Cumaruzeiro. . de cor verde-amarelada. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. de Cumaru. alternas.) Willd. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. de pequena espessura. alimentos e uísque.Dipteryx odorata (Aubl. servem para tratar a pneumonia. além da famosa fava de cumaru. que. folhas grandes. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. charutos. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. caule reto. doces. compostas. cigarros. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. Cumaru-amarelo. quando passados sobre as costelas. O nome do gênero significa "duas asas". oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. Umburana e Kumbaru. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. aromáticas. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. se fendem liberando a semente roxo-escura. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". Nomes populares A espécie é chamada. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. na região amazônica. Imburana. imparipinadas.

imparipinadas. flores vermelhas. diaforéticas. para banhos fortificantes de crianças. emenagogo. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. contra contusão e reumatismo. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. dispostas em panículas pubescentes. e os palikur. contendo casca de pequena espessura. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. com semente oleosa e aromática. emenagogas e cardíacas. antiespasmódico. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. contra qualquer inflamação. pela presença de Cumarina. antitussígeno. aromáticas. pecioladas. essa espécie é utilizada como anticoagulante. internamente. diaforético. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. 1991). podendo atingir até 3 m de altura. compostas de sete a nove folíolos. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. . grosso. antidispéptico.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. cardiotônico. frutos em forma de vagem verde. como reconstituinte das forças orgânicas. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. para aliviar dores de garganta e. folhas grandes. diaforético. alternas. febrífugo. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. caule ereto. narcótico e estimulante. Em outros lugares.

portas e janelas de luxo. de ocorrência na América do Sul. outros compostos . Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. Bálsamo e Pau-de-óleo. tinturas e perfumaria. Nomes populares A espécie é chamada. possui aroma balsâmico. com casca rugosa no caule.. urucu.Myrocarpus frondosus Aliem. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". para fabricação de carroças. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. indicadas nas lesões do sistema respiratório. 1974). de Cabreúva. Outros nomes são Cabruê. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. compostos 5-9 folioladas. assim como a casca. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. sendo ainda expectorante peitoral. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. a mais estudada é a D. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. A madeira. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. Óleo-pardo. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. sendo muito usada na indústria de cosméticos. Pau-bálsamo.

canadense (L. 1997).. E em D. 1993.rotenóides (Braz Filho et al.. Em D. canarensis (Evans et al. 1976) e D.) DC. do seu caule e de suas folhas. amoena. lipídios. 1986)... spruceana. 1985) e D. crisantemina e cianina (Matinod et al. Rao M. 1995b). D. 1978).. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. obtusa (Nascimento et al. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. 1954). 1977). com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. 1989). senegalenseína.) DC.. 1962). e das raízes de D. deguelina e tefrosina (Ahmed et al. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas.. Foram isolados alcalóides de D.. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. Da espécie D. B e C). Lin & Kuo.. também denominada D. 1973b) e saponina (Parente & Mors. Kimetal. 1995b) e D. hiravanona. 1976. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. Bell et al. os flavonóides. foram isolados. tortuosum. D. Flavonóides também foram isolados em D. 1996). ou D. Desmodium De D. adhaesivum Schldl. aparines (Link. 1978). araripensis (Nascimento et al. Nakatu et al. D. D. Nascimento & Mors. 1994). oblonga e D. enquanto de D. N. spruceana (Garcia et al. benthmii (Fellows et al.... D.. 1961. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch.... Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. incanum DC. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al.8-difenileriodictiol. foram isolados os flavonóides desmodina. 1986.. 1989). D.. frutescens. lupinifolina e laxiflorina. reticulata. . Do caule de D.. laxiflora Lin et al. 1988). 1997). 1991.. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. 1978. epoxilupinifolina e dereticulatina. Das raízes de D. et al.. 1977). conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi.. 1978). proteínas. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. glutinosum. heterocarpon e D. homoadonivenita (Batyuk et al. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. 1994).. De D. As espécies D.

) DC. O D. gangetinina. ario-inositol e betapinitol. desmodina. 1964) foram todos isolados de D.4-dimetoxifenetilamina.. Nmetiltiramina. elegans DC. isoquercitrina. 1972). 3. ácido octacosanóico. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. leptocladina. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. e de D.. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. 1971). N. hipoforina e os alcalóides. genisteína. 1973).. A espécie D. hipoforina. 1983)..N-dimetiltriptamina. 1978). 1963).Os alcalóides bufotenina. 2-feniletilamina. 1975). 1949) e a canavanina (Van Etten et al. 1962. Purushothaman et al. Em suas raízes foram isolados abrina. hordenina. gangeticum (L.. beta-carbolina.. cinereum (Kunth) DC. salsolidina.. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. . 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. Ghosal & Bhattacharya. gangetina. Don. 1-octacosanol. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D.. Bell et al. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. os flavonóides hiperina. possui os flavonóides dalbergioidina. difisolina. hordenina. galactopinitol A. os alcalóides candicina. além de canavanina (Beveridge et al.) DC. salsolina. Em D.4-dimetoxifenetilamina. foram isolados mangiferina. 1969. kaempferol e quercetina. 1977. intortum) possui carboidratos. caudatum (Thunb. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. 1972. também denominada D. Nakatu et al. O-metilbufotenina. Purushothaman et al. betaína. os flavonóides desmodol (Ueno et al. normacromerina. tiliafolium G. desmocarpina. bufotenina N-óxido. também muito usado medicinalmente. De D. 1984. N-N-dimetil-3. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. cinarascens A. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia.

os terpenóides beta-amirina. Mukherjee et al. 1966). 1984). Anjaneyulu et al.. e de D. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. triquetrum foram isolados friedelina. 1995). mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al. também denominado D. vitexina e xilosilvitenina. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. 1989). Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. estigmasterol. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. 1989)... styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. heptacosanol. kaempferol. ovalifolium (Giner-Chavez et al.) DC.. inositol. De Desmodium uncinatum (Jacq. 7-hidroxiflavona. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. 1962).... De D. De D. 1965. tricosanol. racemosum. laxiflorum foram isolados heptacosanos. 1989. Adinarayana & Syamasundar. e de D. isovitexina. De D.. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. estigmasterol.. 1971. De D. 1982. vitexina. Ahluwalia et al. 1989). Bell et al. De D. Kubo et al. ácido indol-3-acético. Amor-de-velho-comum. pinitol e canavanina (Beveridge et al. também conhecido com D. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. De D. 1985). De D. e de D sandwicense E. floribundum. e os flavonóides isoliquiritigenina.. Sreenivasan & Sankarasubramanin. lupeol. N.N-dimetiltriptamina N-óxido. 1995). 1977. b-sitosterol..1995. 1963a e 1963b. homoferreirina. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. . foram isolados os flavonóides apigenina. podocarpum. ojeinese.. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. compostos estes também isolados em D. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. 1986. 1996). 1961 e 1962. 1965). 1978). e os alcalóides colina. triflorum (L. multiflorum.. Kubo et al. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. 1997). 1968).. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. formononetina... o terpenóide lupeol. feniletilamina. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. flavosativasídeo. nonacosanos.) DC. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. Perez-Maldonado & Norton..

lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al. 1982).1973a).. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina. 1.3epimetoxilupanina. .

De diferentes partes de D. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. odoratina. lupenona e lupeol (Kaplan et al. odoratina. 1994). 1991). 1995). odorata apresenta um grande valor comercial.. 1994). . A espécie D.. retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria.. flavonóides (dipterixina. além dos terpenóides betulina.. cumarinas (Ehlers et al. punctata (Gruenwald. isoflavonóides (Lourenço et al... odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). De D. além dos terpenóides betulina. punctata (Gruenwald. alata foram determinados 40% de óleo.Dipferyx De diferentes partes de D. 1981). Togashi. pois suas sementes são ricas em Cumarina. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri.. 1952). lupenona e lupeol (Kaplan et al.. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. 1996). Nakano et al. Das sementes da espécie D. 2000. 1952). odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. alata foram determinados 40% de óleo. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. 1995. 1995). 1993). ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. flavonóides (dipterixina. De D. odoratina... odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. 1966). De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 1994). odoratina. Das sementes de D. retusina).

. 1999. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. urucu e D.. 1987). gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. 1972). 2002)... Foi isolada das raízes de D... 2001).. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. 1998. nicou (Costa et al. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. 2001). Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. O extrato etanólico de D. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. D. Aragão & Valle... e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. 1997). sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali...Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al.. 1997). Das raízes de D. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. 1996). Derris sp e D. 1979). indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. micou. . 1997). urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. De Derris sp. também conhecido como Timbó. Datta & Bhattacharrya. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. De D.

De D.. 1997).. 1987). O extrato de D.. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. styracifolium. B e C. . 1996). além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. 1996. O extrato de D. Tolera & Said. 1988)... A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. 1989). que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. 1997).. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar..A D. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. O extrato aquoso de D. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. e os taninos isolados de D.. 1999). Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. 1997). 1988). styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. D.

.950 espécies descritas..Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. distribuídas em cinco tribos. urucum provoca irritação da pele. Calliandra. vômito. 1991). Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. das quais destacamos os gêneros Parkia. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al. 1987). Mimosa. 1996).. et al. Albizia. M. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. muitos deles de valor medicinal. Adenanthera. Zollernia e Acácia. doses elevadas podem causar náusea. . Prosopis. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins.. 1998). Inga. das sementes de D. Y. 1993).Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. Leucaena.

pecioladas. . é chamada de Espinheira-santa. Nomes populares A espécie. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. encontradas em áreas tropicais e temperadas. Zollernia ilicifolia Vog. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). a espécie é chamada de Mocitaíba. na região da Mata Atlântica. Laranjeira-do-mato. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas.) Willd. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. flores reunidas em espigas terminais. Moçataíba e Orelha-de-onça. compostas por folíolos ovais. com grande ocorrência na Amazônia. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. Em outras regiões do país. pinadas. repletas de glândulas. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. Ingá-grande e Jambolão. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura.

4'trihidroxi-6. farmacológicos e toxicológicos. 1973). a antiga casa regente prussiana. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. laurina. stipularis (Kraus & Reinbothe.7). 5. incluindo dores.. longispica.. e o nome deriva de Hohenzollern. semialata. I.7. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. flores rosadas (Figura 18.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. . I. I. I. 6. oerstediana e I. com margens onduladas e providas de espinhos.3'. I. Maytenus ilicifolia). Foram isolados alcalóides das espécies I. I. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. heterophylla. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação.oblongas. sertulifera. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. 1996). alba. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. I. parviflora foram isolados os constituintes 7. I.8-dimetilflavona (Correa et al. I. 1991). paterno (Morton et al. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. nobilis.3'4'-trihidroxiaurona e 7. bourgonii.

Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. . b) detalhe das folhas (fotos originais por M. Reis).FIGURA 18.1 . S.

FIGURA 18.Caesalpinia ferrea. Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .2 .

b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 . 1984).3 .FIGURA 18.

1939).FIGURA 18. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . b) escanerata do ramo com flores e frutos.4 .Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.

FIGURA 18. Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .Derris floribunda.Banco de imagens - .5 .

Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .6 .FIGURA 18.Diplotropis purpurea.

Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.7 .FIGURA 18. S.Zollemia ilicifolia. . Reis).

arbustivas. A. distribuídas nos 188 gêneros. a Punica granatum. Punicaceae. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. com inúmeros representantes no Brasil. Di Stasi C. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. 1978). que inclui o gênero Punica. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. 1997). assim come outras espécies de valor econômico. da famosa Romã. e as duas famílias aqui descritas.950 espécies. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4.19 Myrtales medicinais L. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. que incluem espécies medicinais. São plantas herbáceas. C. Melastomataceae e Myrtaceae.

) DC. Neste estudo. . que descreveu inúmeras patologias em plantas. ambas pela indicação popular na região amazônica. fruto do tipo baga. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. Huberia. em outras regiões. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. ereto e piloso. Nomes populares Na região amazônica. Salpinga. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. na região amazônica. ou Pixirica. flores pequenas. Microlicia. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. brancas ou rosas. dispostas em cimeiras. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. roxo. nervadas e pubescentes. essa espécie é chamada de Quaresma. Miconia. 1998). com folhas ovais e cordiformes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. foram referidas como medicinal apenas duas espécies.

A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. e várias outras em climas temperados.. 1990). Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. que contém 19% de taninos hidrolizáveis.620 espécies (Mabberley. Os . bem representada na Austrália. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. Pseudocaryophyllus. Leptospermum e Melaleuca. 1997) arbustivas e arbóreas. planas. Syzygium. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. Eucalyptus. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. Pimenta. de onde partem folhas de pecíolo longo. Eugenia. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. oeste da Índia e América tropical.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. Psidium. Essa família inclui gêneros como Myrtus.

dispostas em corimbos. ácidos fenólicos e ésteres. 1996). Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. fruto do tipo drupa. opostas. oblongas e glabras. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. No Brasil. flores pequenas. além de óleos essenciais. para o alívio de dores de dentes. leucoantocianinas. Cereja-nacional. cultivado ou adquirido no comércio. especialmente as flores. são usadas no local. rosas ou avermelhadas. E uma espécie exótica. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. taninos. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). Araçá). de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas.constituintes dessa família incluem. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. . bastante aromáticas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Myrciaria Gabuticaba). Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. as partes aéreas do Cravo-da-índia. com folhas pecioladas. Eugenia (Pitanga. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. 1998). congestão nasal e dores de cabeça.

O nome do gênero. 1984). Psidium. folhas opostas. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. e. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. Provém de psidion. brancas e com numerosos estames. internamente. A infusão dos frutos. no entanto. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. com caule tortuoso e casca lisa. edema e. galhada. contra diarréias. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. esmagar. fruto com baga amarela. flores hermafroditas. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. Guaiava. botões florais tomentosos ou glabros. existem registros para a espécie como Goiabeira. com cálice membranoso.1). que é a denominação em grego da planta. para regulação do ciclo . Guaiaba. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. Araçá-goiaba. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. usada externamente. o chá das folhas novas. é útil contra hemorróidas. por outras. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. de sabor agradável. é indicado contra diarréia.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. Araçáguaiaba. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. Araçá-guaçu. morder". Na região da Mata Atlântica. curto-pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. os brotos de goiaba e de caju. fervidos. diclamídeas. referindo-se aos frutos. actinomorfas. doenças da pele. ovadolanceoladas. significa "triturar.

1980. misturado com folhas de pitanga. Duke & Vasquez. brancas e com numerosos estames. curto-pecioladas e glabras. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. fruto com baga amarela. Central. botões florais tomentosos ou glabros. igualmente usados como alimento. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. o chá da folha. . antidiarréica. é antidiarréico (Amorozo &Gély. no Rio Grande do Sul. 1986). flores hermafroditas. no Pará. 1982). a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. 1987. 1992). Grandi & Siqueira. actinomorfas. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. 1994). Grenand et al. antileucorréica. como também os frutos. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. lavagens de úlceras. indisposição estomacal e vertigem (Forero. em Minas Gerais. como estomáquico. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. no Piauí. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al.menstrual. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. Psydium cf. 1988). A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. anticolérica e antiúlcera. 1982). folhas opostas. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. de polpa abundante. diclamídeas. misturado com folhas de salva-de-marajó. o chá das folhas. e o decocto. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. guajava ainda são utilizadas na América Latina. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. 1984). guineense Sw. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. sendo facilmente confundida com esta.. 1982.. As folhas de P. com cálice membranoso.. principalmente em diarréias infantis.

.1-díetoxietano. Chyau & Wu. p-cimeno. 1986. 1991).. 1994). -bergamoteno. derivado de eugenol. Pino et al. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. pectina.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al.. apresentou atividade depressora do SNC. lignina. 1968).. ésteres. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. humuleno. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. 1978).. denominados 1. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. alcanos. himacaleno. -santaleno. 1. 1987). -terpineol. cremoflieno. 1.. vitaminas C e A. 28 ésteres. t-cariofileno. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. 1990. O dehidrodieugenol. 1987. As diferenças quantitativas e qua- . Wilson & Shaw. 1990). dos quais 13 são aldeídos. mirceno. 1982) e quercetina. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al.. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. 1994). p-menten-9-ol. Zheng et al.. além de taninos (Misra & Seshadri. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. 1996. 1996). 10 ácidos. 1996). aldeídos. 1987. -cedreno. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al.. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. Ortega & Pino.. acoradieno.. óxido de humuleno. Yusof & Mohamed. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno.1-dietoximetano.. borneol. Pino et al. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. Marcelin et al.. 122 componentes voláteis. 1989. 1990. Ortega & Pino. 31 alcanos. 1989. 1981). -guaieno. 1968. açúcares.. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. -bisaboleno. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. 1987). -cubebeno. 17 cetonas. 1996). 1989. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. Oliveros-Belardo et al.. e 95% são cariofileno (Latza et al. cetonas.

Hegnaurer. 1996). ácidos linoléico. 1981). 1986). ácido oleanólico (Mair et al. 1986). 1987). polifenoloxidase (Augustin et al.. O extrato aquoso tam- . Osman et al. óleo essencial (Ji et al... As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. Lima Filho et al.. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. 1987. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. Chen & Yang (1983). 1987). e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. 1978)... d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. flavonóides. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. palmítico.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. 1979b. Okuda et al. Ácido elágico.. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. 2002. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. guaijaverina.. Jain et al. 1991). oléico e esteárico (Opute.. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. A atividade antibacteriana das cascas de P. O interior das cascas é rico em ésteres. d-galactose. e Maruyama et al. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. 1974. 1989). (1994) e Neri et al. 1987).. 1987)..

Das cascas de P. et al.... A. 1998). guyanensis (Santos. P. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al.. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. 1994.). Santos et al. 1993. O óleo essencial de P. anticonvulsivante (Santos. 1990. Grover et al... guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. F. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt.. et al. P.. 1994). pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. 1995. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. et al. Do extrato hexânico das folhas de P. 1994. guyanensis. 1995). F.. 1994. 1994). Cheng et al. Lutterdodt. 1997. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. Lozoya et al. De P. 1996a). A quercetina isolada de P. 1996). et al. Cáceres et al.. Lozoya et al. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. incanescens (Zelnik et al. 1992... Cáceres et al. 1999).. 1996b) e P. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. . 1996c. A. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. Shimomura... 1996a) de P. incanescens (Santos. Lutterdodt et al. widgrenianum (Souza et al. 1999). F.. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. 1970). 1994. O extrato de folhas de P. Meckes et al. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. 1989.bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. (Santos et al. 1995). pohlianum e Psidium sp. óxido e b-selineno).. e antitumoral de P. 1995). 1983). incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. propriedade anticatártica (Pinto et al.. 1990.. F. 1989).. A. F. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. et al... 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo.. guyanensins. 2002. 1993.. Morales et al. e eugenol e timol de P. 1988) e tosse (Jaiay et al. A. 2000. PonceMacotela et al... A. Lutterdodt...

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .FIGURA 19.1 .Psydium guajava.

gênero de grande valor medicinal. N. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. são Celastrus e Trypterygium. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. Seito F . ambos contendo espécies amplamente estudadas. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica.G. Os principais gêneros dessa família. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica.20 Celastrales medicinais L. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. e Maytenus. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. C. Di Stasi L. Austroplenckia.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. nos quais se distribuem aproximadamente 1. representa importante fonte de espécies medicinais. . 1997). a família Celastraceae. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. e apenas uma delas. com atividade antifertilidade masculina. que possuem espécies medicinais.

Também é conhecida como Sombra-de-touro. arbusto menor (de 1 a 3 m). atingindo até 9 cm de comprimento. de Espinheira-santa. Salva-vidas. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. denteadas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. dores nas costas e úlceras do estômago.cancerosa. de onde partem folhas elípticas. dor do "ciático". . ápice agudo. Espinho-de-Deus. com acúleos. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. axilares. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. flores numerosas. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). Espinheira-divina. amarelo-avermelhado. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. copa globosa e ramos glabros. Erva. na região da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é chamada. gastrite e ulcera péptica. Erva-santa e Congorça. ex Reiss. bastante coriáceas. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. Cancerosa. fruto do tipo cápsula ovóide.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. Maytenus aquifolium M. glabras.

cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. De M. 2000). oblongas.. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. 1998) e glucosídeos (Zhu et al. krukovii (Honda et al. 1995a).. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al..Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto.. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. 1995.. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. 1999).. Da infusão das folhas de M. heterophylla e M. Dados químicos De M. 2001) e triterpenos cetônicos de M.. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. arbitifolia (Orabi et al.. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. fruto do tipo capsular. Foram também isolados um glicosídeo.. 1998)... podendo chegar a até 4 m de altura. Foram isolados das cascas de raízes de M. vermelho. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. com ramos finos.. contendo folhas alternas. 1997). flores pequenas e axilares. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. . 2000). 1995). Das sementes de M.

sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos... De M. 1992b).Gonzalez et al. Sesquiterpenos foram isolados de M.16.. ácido oleanólico e ácido betulônico. emarginatina-E e emarginatinina. chuchuhuasca (Shirota et al. os triterpenos 3-beta. ilicifolia (Itokawa et al. 7 alfa-hidroxicanarol.. emarginatina-D. . ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al.28. 1992). 1999). tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. Dos ramos de M. além de epicatecol...30-diol (20). canaradial. Das folhas de M.. diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). macrocarpa (Chavez et al. 1993a e 1993b). xuxuarinas F beta. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3.. lupeol. e outros triterpenos (Gonzalez et al. E-I e E-II (Itokawa et al.. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. lup-20(29)-ene-3beta. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. E-III. 1998). Além disso. G alfa e G beta.30-lup-20(29) ene-triol e 28. Dos ramos de M. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. 1993). E-IV. foram isolados das folhas de M.. 1994b). 1999a e 2000).. triterpenos do tipo friedelana. 1991b). 1997). 1998). 1994).30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al.. 1991). E-II. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. e escutidina alfa A foram isolados de M.. 1996b).. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. E-V.. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. 1994). cangoronina e ilicifolina. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. As cascas das raízes de M. 7. os triterpenóides beta-amirina. De M.21-trione (Nozaki et al. os triterpenos fenólicos canarol. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. 1994). betulina. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. iliocifolia (Shirota et al. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al...8dihidroisoxuxuarina E alfa. além de pristimerina. 1995a)..

magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al.. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. 1996b). G. 2001). Gonzalez et al.. -15-triacetoxi-l alfa. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. 1999a). 8 beta. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al... 1999). senegalensis e M. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. scutioides (Gonzalez et al. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. 1971. isolados de M.M. 6 beta. Dados farmacológicos M.. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. M.. 1996a). 1981) e antimolarial ( El Taher et al. macrocarpa (Chavez et al. 1999). senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina.. Wang et al. assim como os compostos 6 beta. 2000. 1999b). 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al.. 1996b). A. catingarum (Alvarenga et al. O composto escutiona isolado de M.. et al..... Alcalóides foram isolados de M. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al.. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. 1981). Nor-triterpenos isolados de M.. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. 1971). De M. 8 beta.. 1984). . Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. 1996). 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al... 1999). 1996c). myrsinoides (Baudouin et al.

2001).. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. Gonzalez. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. et al. 2002). Extratos de Maytenus ilicifolia e M. G.O extrato diclorometânico de M. F. Oliveira et al... ... 1991. 2001. 2000). 1991. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. 1999).. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. Queiroz et al.. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. As folhas e caules de M. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al.

. usada na produção da Ayahuasca. No Brasil. ambas com várias espécies medicinais. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. C. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. contendo cerca de 1. Trigoniaceae. Polygalaceae. Vochysiaceae e Krameriaceae. com importantes espécies fontes de madeiras. Malpiguia e Stygmaphyllon.100 espécies tropicais. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. especialmente árvores. com aproximadamente trezentas espécies. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. bebida alucinógena. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. ocorrem 32 gêneros. arbustos e lianas (Mabberley. Byrsonima. além das duas referidas a seguir. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae.21 Polygalales medicinais L. 1978). 1997). e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. corantes e de medicamentos.

nas raízes formam-se grandes tubérculos. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp.) Juss. e. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. glabas na face superior e sedosas na face inferior. de folhas cordiformes. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. grande e robusta. externamente. . bastante pubescente. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. descrito por Antoine Laurent de Jussieu.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. significa "estigmas foliáceos". contra icterícia.) Juss. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. arredondadas. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. dor de estômago e gripes. O nome do gênero Stigmaphyllon. Gordura-de-porco ou Cajuçara.

É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. Rutaceae. Souza-Brito L. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Sapindaceae. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. Cupania e Serjania.22 Sapindales medicinais C. essas espécies serão descritas a seguir. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Meliaceae. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. inúmeras espécies medicinais. Ailanthus. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. o Guaraná. especialmente dos gêneros Simarouba. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. Essa ordem. R. Das demais famílias dessa ordem. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. C. além das espécies aqui citadas. M. Oxalidaceae e Balsaminaceae. Simaroubaceae. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Simarubaceae e a outra família. especialmente no Sistema Nervoso Central. A. destacando-se as famílias Burseraceae. que contém. Quassia. Hiruma-Lima A. Picrasma e Brucea. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. . Anacardiaceae.

arbustos. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Schinus. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. com aproximadamente 875 espécies. amplamente consumida . Pistacia terebinthus e Rhus coriaria.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). subclasse Rosidae. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). relatados a seguir. Spondias. No Brasil. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). Manga e Pistache. as espécies Pistacia lentiscus. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. nos países de clima temperado. reúne setenta gêneros. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. Semecarpus (Semecarpeae). Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Essa família botânica inclui árvores. 1997). Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). pertence à ordem Sapindales. distribuídas em regiões tropicais. Desses gêneros destacam-se. Do mesmo gênero. A espécie Mangifera indica. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. Mangifera. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). Além dos usos medicinais. Nessa família. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. tais como Caju. Spondias e Schinus. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). lianas e raramente ervas pereniais. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. descrita por John Lindley.

Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. sendo também denominada Cajuaçu. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. .1). não sendo referida em outra comunidade da região amazônica.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. com tronco de casca lisa. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. entre outras tribos indígenas. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. Pará e Mato Grosso. as flores. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. especialmente no Amazonas. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. Engl. dispostas em panículas. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. de 25 a 30 m de altura. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. Caju-assu. não foi referida na região de estudo como medicinal. Cajuí. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. perfumadas. o fruto em forma de drupa é peduncular. ovário súpero com um só óvulo. Caju-da-mata (Amazonas). O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca.

O . reticuladas e nervadas em ambas as faces. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. glabras. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. raspa de amor-crescido e cajá. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. sendo seu centro de ocorrência o Brasil.Anacardium occidentale L.2). possui importante mercado nacional e internacional. entre outras. várias outras denominações são usadas para a espécie. assim como a própria castanha. no entanto. Acajuíba. ovadas. em referência ao nome de seu fruto. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. Caju-de-casa. Anacardium. onduladas. pecioladas. Caju-da-praia. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. tomando-se um copo por dia. Caju-manteiga. o óleo da castanha. o fruto é do tipo aquênio reniforme. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. É uma planta decídua. as folhas são alternas. tais como Acajaíba. pequenas e de coloração pálida. Economicamente. O nome do gênero. ou simplesmente Caju. O óleo é usado na produção de borracha. plástico e resinas. Para hemorróidas. as flores. ovário unilocular. com um só estame fértil. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. Contra diarréia. heliófita e que cresce bem em solos secos. significa "semelhante ao coração". Cajumanso. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante.

purgativa. 1995). Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. depurativo e anti-sifilítico. 1994). No Piauí. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. calos e verrugas.. para controle das secreções vaginais. tônico. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. uma infusão de folha é usada contra diarréia. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. desordens urinádas e asma (Lima. debilidade muscular. Grenand et al.. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. Matos. 1993). 1982). 1984). contra glicosúria e poliúria na forma de banho. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. estimulante e afrodisíaco. 1993. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. 1990. 1994. . P. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. contra úlceras. assim como um potente adstringente. e a raiz. tonsilite e problemas de garganta.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. A resina é usada como depurativo e expectorante. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. e a maceração de folhas para tratar diabete. 1995)... Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. a casca é utilizada como adstringente. astenia. 1982). como um diurético. anti-helmíntico. Em Juiz de Fora (MG). As flores são afrodisíacas. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. Cruz. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. 1992). O suco das folhas serve como antiescorbútico.

a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. . o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. analgésico e contra coceiras. com copa bonita e arredondada. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Fruto-de-sabi. Aroeira-vermelha. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. como cicatrizante e contra gengivites. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. lenha e carvão. sugere-se o uso com moderação. caule tortuoso. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. Cambuí. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica.Schinus terebenthifolius Raddi. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Bálsamo. febrífuga e usada contra afecções uterinas. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. O nome do gênero significa "cortar". Coração-de-bugre. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. Aroeira-branca. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. mas é muito usada como ornamental. Aroeira-do-brejo. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. Fruto-de-raposa. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. Aroeira-da-praia. referindo-se às frestas da casca do fruto. com casca grossa. estimulante e analgésico. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Aroeira-do-campo. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. adstringente. tônico. Aroeira-do-sertão.3).

o fruto. Acaju. Outras denominações comuns são Acajá. descrito também por Carl Linnaeus. esverdeado e doce (Figura 22. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. sendo um composto característico das espécies deste gênero.4). é ovóide. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero.O3). como antidiarréico. ilustrado a seguir. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. as flores são pequenas. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. Em outros países da América do Sul. O nome Spondias significa "ameixa". 1994). além de comestíveis. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. ou Cajá e Umbu. inclui espécies tropicais. imparipinadas. com 5 a 7 m de altura.Spondias purpurea L. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. diurético e analgésico. p-hidroxi- . Cirouela. ou mesmo Caju. Siriuela. especialmente árvores com resinas. reunidas em racemos. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. antiespasmódico. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). O gênero Spondias. do tipo drupa. referindo-se apenas à fruta da espécie. Acaiou. O ácido anacárdico (C22H32. referindo-se à semelhança com o fruto.

1989). cicloartenol. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. esteróis. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. limoneno. álcool araquidílico. narigenina. 1987). taninos. 1986). robustaflavona. 1987). também foram isolados (Costa. de diferentes partes da planta. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. apigenina. ácido-p-hidroxibenzóico. ácido gentísico. amentoflavona. e de suas folhas foram isolados miricetina. 1997). No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. C1. anacardol e cardol. campesterol e colesterol (Dinda et al. (-)-epiafzelequina. quercetina. além de flavonóides voláteis (Pino. derivado de resorcinol. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. ácido procatéquico. Mg. a-amirina. 1995). anacardol. aminoácidos. antocianinas. 1997c). além de Na. Compostos derivados do ácido anacárdico. Al. estigmasterol.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. P. flavonóides. n-eicosano. 1985). sódio e açúcar. glicosídeos de quercetina. kaempferol. 1973). amido. (-)epicatequina. anacardeína (Sathe et al. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. S... a-selineno e vitamina C (Gupta.. agathisflavona. fenol. aminoácidos. os seguintes compostos: acetofenona. taninos e açúcar (Nagaraja et al. 1986). K e Ca (Thomas & Dave. cardanol. Foram também caracterizados. leucocianidina. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. 1990).

Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. 1992). oléico. -linolênico.(Guerrero. denominados geraniina e galoilgeraniina. 1993. e raízes (Guerrero. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. palmítico. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742... Escherichia coli.Bacillus subtilis.. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. -caroteno. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. 2000). Himegima & Kubo. palmitoléico. flavonóides e triterpenos em suas folhas. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. láurico. 2000). 1991). 1994). Do extrato etanólico de folhas e caule de S. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária.. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. -sitosterol.. 1991). quercetina. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. 1991. aminoácidos variados. 1999). tocoferol. tais como -catequina.. ácidos esteárico. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. 1994). 1994). Vários derivados do ácido anacárdico. tocoferol e outros. 1994) e frutos (Augusto et al.. Muroi & . ácido salicílico.

e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida.. occidentale foram avaliados perante a B. 1982). meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. O extrato hexânico das cascas de A. 1974. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). . occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. 1995). 1994). 1993).. 1992. Souza et al. Craveiro et al. 1991). 1993). Jurberg et al.epicatequina Kubo. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al.. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama.. 1984a). que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. enquanto o cardol. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. glabrata. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A.

antiartrítica. Além disso. 1983). 1994).. Dos extratos hidroalcoólico. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. occidentale. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. occidentale. França et al. 1980) enquanto. Geraniina e galoilgeraniina... 1982 e 1985. Mota et al. . responsáveis por irritação da pele. isolada de A...A epicatequina. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. pela presença do cardol (Hoehne. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al.. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju.. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. 2000. 1992)... taninos isolados de S. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. 1990.. 1982. Akinpelu.. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. 1981). Kudi et al. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. Abo et al. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al... as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. 1992).. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. Barbosa Filho et al. 1993). 1999. 1994).. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. 2001. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). mombin. 1990). 1991).

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

. 1946).FIGURA 22.Spondias purpurea.4 . Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.

Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto. b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 22. c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .5 .

FIGURA 22.Ruta graveolens. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .6 .

as quais são descritas a seguir. denominada também Umbellales.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. 1997). Hiruma-Lima L. Essa família inclui 446 gêneros. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). mas alguns arbustos e árvores são des- . de acordo com o sistema de classificação botânica. com aproximadamente 3. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). como Umbelliferae. Di Stasi A ordem Apiales. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. A. C.23 Apiales medicinais C.

fibrosas e caule florífero solitário. Daucus (Caucalideae . Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). oblongolanceoladas. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . a Eryngium ekmanii. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. folhas alternas. e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. muito comum na Mata Atlântica. entre inúmeros outros. Coriandrum (Coriandreae . Cicuta. Muitas dessas espécies são cultivadas. Coentro. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. Erva-doce. Cominho e Salsa. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica.Apioideae). dunas e brejos. Apium (gênero do Salsão). Apium.Saniculoideae). 1998). assim. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil.Apioideae). Eryngium e Alepidea (Eryngeae . tais como Cenoura. No Brasil ocorrem poucos gêneros. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. Apium com características ruderais. com raízes fasciculadas. Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . Pimpinella (Erva-doce). densamente imbricadas. optamos por incluir aqui apenas duas delas.critos na família. Petroselium (Salsa). ascendentes.Hydrocotyloideae). Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). onde há amplo uso como medicamento. e Hydrocotyle exigua.

enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. habitando em lugares úmidos. cordiformes. lobadas e pilosas. frutos pilosos. Eryngium. fruto subgloboso (Figura 23.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. dos quais são emitidas raízes. é considerado excelente contra dores de cabeça. quando preparado em alta concentração. com nós. no entanto.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. Também é conhecida como Erva-capitão. Hydrocotyle hirsuta Sw. usado topicamente. com flores avermelhadas. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. de no máximo 1 cm de espessura. diclamídeas e hermafroditas. o sumo das folhas frescas. cíclicas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. torcidas antes de abrir. inflorescência em capítulo. especialmente em crianças. Esse chá.1). folhas pequenas. capítulos esverdeados com flores pequenas. espalhadas por diversos continentes. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. vem de eros = "lã". var. crenadas. e aix = "cabra". de Erva-terrestre. semelhantes a barba de cabra. exigua (Urban. referindo-se às fibras do rizoma. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O nome do gênero. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. na região do Vale do Ribeira.

também encontrados em E. foram isolados 46 compostos. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. a DL50 por via oral foi de 1. farneseno. sendo 2. O extrato aquoso de E. .. comarinas e flavonóides. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. acetilenos. 1997a). 1999). emético. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. Das folhas de E. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes.. elegans (Campos & Garcia. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. 1992).. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. 2002). enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E.. sendo majoritários carotol. planum (Hiller et al. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. 1986).5-trimetilbenzaldeído. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. 1986). Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. bourgatii (Lam et al. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh.4... e cotyle = "umbigo". 1985. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". A atividade antiinflamatória foi determinada em E.. 1997).. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. ilicifolium (Pinar & Galan.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. anetol e alfa-pineno (Pino et al. De E. campestre (Erdemeier & Sticher. em altas doses.. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. Glicosídeos foram isolados de E. foi ainda isolado o falcarindiol em E. foetidum L. 1986). maritimum (Lisciani et al. Hohmann et al.inclui 130 espécies cosmopolitas. 1980) e E. diurético e. 1995). 1985). 1997a). 1984). Além de saponinas.

Schefflera. e inclui 47 gêneros. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. Tetrapanax. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. 1998). é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. no envenenamento do filósofo Sócrates. segundo a história. arbustos. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. famosa por ter sido usada. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. Australásia e América tropical (Joly. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. subclasse Rosidae.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. lianas. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. e centenas de . mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. Mackinlaya e Polyscias. Das inúmeras espécies descritas nessa família. com aproximadamente 1. ambos introduzidos no Brasil. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. da famosa Hera dos parques. 1997). No Brasil ocorrem vários gêneros.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. especialmente em refogados e saladas. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. epífitas. Centro-Oeste e Sul. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. e Polyscias. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. Hedera. são encontradas na família. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. Tetrapanax e Aralia. utilizada como alimento. Árvores. especialmente do gênero Cicuta. Panax. No entanto. mas raramente ervas.

Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. reunidas em inflorescências axilares. Cuia. refere-se à forma da folhas. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. globoso.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. O nome popular da espécie. folhas alternas. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. O gênero Polyscias. usada internamente. variegadas. Cunha e Cunha-mansa. amplamente cultivada como ornamental. grandes. pertencente ao gênero Polyscias. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. ovário ínfero. androceu com cinco estames. com larga bainha na base. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. Outras espécies do gênero. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. sendo também usa- . fruto indeiscente. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. cálice pequeno. Dados botânicos Arvore de pequeno porte.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. Cuia. e acias = "sombra". pela beleza de sua folhagem. descrito por Johann Forster e Georg Forster. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. flores pequenas. A espécie não foi completamente identificada.

Glicosídeos oleanólicos.. 1990. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. Lutumski & Luan. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. Nesse estudo. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. 1992). Chaboud et al. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. 1988. 1986). 2002. Barilyak & Dugan. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias.. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. 1992).. 1992. 1996. Vo et al.. Fulva (Bedir et al. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso.. Proliac et al. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. Em P.. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984).... os autores demonstram que . 1990). 1994). 2001). 1991). (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. Nas folhas de Polyscias sp. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. 1989a. 1989c e 1990) e de P.dos como calmante por adultos.. 1989b. 1998). scutellaria (Paphassarang et al. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. 1995.

Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. FIGURA 23. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios..1 . mostram que essa espécie. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. associados àqueles referentes a outras da família. e de prolactina pela hipofise. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. assim como outras do gênero Polyscias. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . 2002). especialmente a Panax ginseng.Eryngium ekmanii. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. A espécie P.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização.

FIGURA 23.Polyscias.Banco de imagens - .2 . Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Di Stasi C.Strychnaceae. Apesar de não referidas no nosso estudo. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. demonstram que a ordem Gentianales. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. Genistomaceae. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . Gentianaceae e Asclepiadaceae. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. apesar de pouco numerosa.24 Gentianales medicinais L. Loganiaceae. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. A. C. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. . somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). Esses dados. Apocynaceae. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico.

serpentina. a família possui espécies trepadeiras. com destaque para ajmalina. além dessas. Aspidosperma. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. Hancornia. Vinca. com aproximadamente 1. muitas das quais conhecidas como Mangaba. Tabernaemontana. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. como os gêneros Allamanda. Inclui espécies arbustivas. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. ajmalinina. Java. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. arbusto encontrado na Índia. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. dentre os gêneros. Paquistão e Tailândia. e encontrado em várias outras espécies do gênero. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. Nerium. 1997). No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. Joly (1998) destaca. Strophantus. entre as espécies de pequeno porte. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. herbáceas. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. Mandevilla. arbóreas. e. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. Catharanthus. subclasse Asteridae. serpentinina e reserpina. Thevetia. muitas das quais trepadeiras e suculentas. sendo esta última o mais importante. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. aqueles que incluem espécies arbóreas. . muito utilizadas ornamentalmente. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. Hancornia. os gêneros Mandevilla e Thevetia. inclui 165 gêneros. Rauwolfia. fornecedores de madeira. Nesse contexto. Allamanda. como Aspidosperma.900 espécies tropicais e subtropicais.

e Thevetia peruviana. tem sido designada também como Catharanthus roseus. especialmente a Nerium oleander. Deve-se destacar. . • do gênero Strophantus. espécies ricas em glicosídeos. tais como alstonina. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. as espécies Strophantus gratus. Dedal-de-dama. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. as espécies Vinca major.• do gênero Vinca e Catharanthus. estrofantinidina e cimarina. tanto para os animais como para a espécie humana. Vinca minor. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. segundo Evans (1996). que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. tais como ouabaína. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. tais como majdina. Vinca rosea e Catharanthus roseus. Himathantus sp. Alamanda amarela e Quatro-patacas. Wrightia e Aspidosperma. alstonilina. • do gênero Nerium. A espécie Vinca rosea. cilastonina e também a reserpina. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. a saber Allamanda cathartica. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. contudo. Orélia. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. vinblastina e vincristina. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família.

contendo poucas sementes (Figura 24. com casca rugosa. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. A infusão das folhas é utilizada como emético. fruto do tipo capsular. alternas. com folhas brilhantes.1). semilenhoso. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. usada internamente. O gênero inclui doze espécies tropicais. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. a planta exsuda látex considerado venenoso. axilares e fasciculadas. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. Ucuuba e Sucuba. com copa estreita e tronco ereto. emético e purgativo. . com a mesma indicação. especialmente cães e macacos. atingindo até 20 m de altura. especialmente em crianças. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. A folha é considerada excelente catártico. inflorescências com flores amarelas. Segundo Corrêa (1984). folhas simples. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. na forma de funil. purgativo e catártico.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. sendo a A. glabras e verticiladas. é considerada um excelente vermífugo. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. espessas. enquanto a decocção das cascas da planta. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. em grande número. grandes. em animais domésticos. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. com tubo estreito e longo.

A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. acumi- . contendo sementes aladas. frutos geminados em forma de chifres. especialmente em crianças. significando "manto de flor". inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. sendo útil como anti-helmíntico. Coração-de-jesus. 1990). grandes e brancas. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. folhas alternas. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. no entanto.) K. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. com um tronco de casca cinzenta. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. Thevetia peruviana (Pers. heliófita e secundária. Schum. simples.pecioladas. linear-lanceoladas. glabras em ambas as faces. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. coriáceas. alcançando até 10 m de altura. O nome do gênero deriva do grego. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. 1997). referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. especialmente no alívio de coceiras. todas encontradas na América do Sul (Plumel. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. margens inteiras. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). sendo uma planta perenifólia. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. Noz-de-cobra. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. ovaladas. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley.

a amêndoa. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. descrito originalmente por Carl Linnaeus. além da sua utilização uso em vários países como emético. em pó. 1985). é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. No Brasil.nadas. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. 1997). o látex acre é usado para acalmar dores de dente. especialmente do continente africano. para provocar vômitos. contendo flores grandes. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. com corola em forma de funil. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. O nome do gênero Thevetia. assim como outros inúmeros usos de várias par- . como pulseiras. purgativa e emética e de uso perigoso. revestimento de maracás (Corrêa. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. arbotifaciente. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. As sementes da espécie são usadas como inseticida. purgante. amarelas. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. triangular. carnosas e glabras nas duas faces. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. braceletes. fruto do tipo drupa carnosa. bactericida e como veneno para peixes. É uma espécie muito usada como ornamental. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. Os usos dessa espécie como purgativo. contendo sementes duras e grandes. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. 1962). sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. A casca é considerada amarga e febrífuga. aromáticas. colares. 1984). 1984).

além de 13-O-acetil plumierida. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. assim como de outras espécies do gênero. plumierida. quercetina. 1993). O isolamento de diosgenina. 1996). como a A. tais como de T. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. -amirina.. Corrêa. Dados químicos dos gêneros Allamanda.. também chamado tevetina A. escopoletina. perivosídeo. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. 1984). 1974). além de lignanas como pinoresinol. -sitosterol. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al.. alamandina. 1996. 1986).tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. medioresinol. são ricas em um glicosídeo a tevetina.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. 1988).. 1988). kaempferol. rutina e os iridóides plumierida. a alanerosida.Kader et al. ruvosídeo e neriifolina. acetato de lupeol. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo.-hidroxipinoresinol e 9. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. canogenina. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico.. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. 1992b. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. ovata e T. 1992a e 1994).. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. blanchetii (Ganapaty et al. 1962.. Foram isolados de A. 1995c e 1995a). As sementes de Thevetia peruviana.. 1988). De outras espécies do gênero Allamanda. foram isolados do caule isoplumericina.1997. neriifolia os compostos 9. plumericina. schottii. thevetioides (Perez-Amador et al. Tewtrakul et al. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. 1985). ácido ferúlico e ácido gentísico. escoparona. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. . e de suas flores. pinoresinol e alamicina (Anderson et al.-hidroximedioresinol. 2002). 1989). -sitosterol. Kupchan et al.-O. flavonóides. tevetina B..

Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico.. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. (1990) e Beauregard Cruz et al. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. 1998). 1982). 1978). neriifolia (Dinda&Saha. esperolactonas.. triterpenóides (Wood et al. Triterpenos como ácido olianólico. 2000). esteárico. 1996). o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. Guerrero.. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda.. linolênico. De acordo com Obasi et al. taninos e saponinas (Gupta. ursólico. obovatus (Vilegas et al. enquanto as cascas possuem alcalóides. behênico e erúcico.. linoléico. Da espécie H. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. 1992) e em T. cáprico. flavonóides. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano.. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al.. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. triterpenos e saponinas. 1990)... allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. glicosídeos cardiotônicos. 1994. alcalóides. Das folhas de T. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . taninos. 1991). linoléico. oléico. follax (Abdel-Kader et al. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. Foram descritos os ácidos mirístico. Iridóides também foram isolados de H.. 1995. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. taninos e saponinas. Ali et al. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. ácido metilperlatólico (Endo et al. (1986). 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. 1992) e H. 1993).. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. Da mesma forma..Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. esteárico e palmítico. e as raízes.

1933). conhecida popularmente como orélia. 1990). 1992). analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. 2002) e antiofídico (Otero et al. 1982a e 1982b. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. antimicrobiana (Neto et al. 1994) antifúngico (Tiwari et al.. 1990... mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. 2002). O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk.. . o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. blanchetii (Melo et al. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. 1994). útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. Obasi & Igboechi. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. atóxica e cicatrizante (Villegas et al.... Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. produziu atividades espasmogênica.. violacea (Lima & Caldas. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. Moreira et al. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. 1981). Peruvosídeo e neriifolina. cathartica e A. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. 2000). isolada dessa espécie.. bexiga. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. 1945 e 1947). 1991). Moraes et al. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. 1984. 1962). 1989). 1997)..camundongos. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. 1935). A neriifolina....

O consumo da espécie por bovinos causa cólicas.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. 1993). 1996). Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente.. cobaias. No entanto. 1999.4g/kg. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. 0. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. 1933). cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. peixes e outros animais (Chopra et al. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2.700 mg/kg é dose letal.. 1933. Eddleston et al. 1996. Singh & Singh. 1996). para bovinos (Tokarnia et al. 2000). A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. 1958. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. Nerium oleander.. 2002. e Thevetia peruviana e T. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. 2000. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. Maringhini et al. 1992).. Oji et al. 1996).. e estudos recen- . 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. respectivamente. gatos.5 g/ kg e 14.. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. Frerejacque.. efeitos tóxicos também são similares. Saraswat et al... Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg.

. no entanto. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. dada a riqueza química da família. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. Da mesma forma. De todo modo. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. Dessa forma. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. incluindo o homem. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. ou seja. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. os quais ainda não foram estudados. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. 1996). A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. 1991). revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. inibição da Na+.K+-ATPase. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. Observações Várias espécies dessa família. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. Deve-se salientar. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar.

Sacamonoideae e Asclepiadoideae. trepadeiras. e algumas de grande valor medicinal. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. com aproximadamente 2. Fischeria. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. tais como Asclepias curassavica. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. . No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. mariana Dcne. e inclui 315 gêneros. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. mariana. Inclui lianas. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. Tylophora e Calotropis. Oxypetalum e Calostigma. subclasse Asteriddae. 1986).Asclepias. Espécies medicinais Fischeria cf. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. Oxypetalum. herbáceas e raramente arbustos e árvores. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. especialmente por seus efeitos tóxicos. descrita a seguir. sobretudo para animais. 1997). No Brasil. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas.

von Fischer. com lacínios conspicuamente crispados.Dados botânicos Espécie de pequeno porte. E. L. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. fruto unilocular. hermafroditas e de simetria radial. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. 1979).. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. flores pentâmeras. com ramos pubescentes. androceu modificado. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). com testa verrucosa (Figura 24. diclamídeas.225 espécies cos- . continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. corola gamopétala. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. sementes comosas. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. opostas. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. nos quais se distribuem 1. especialmente a febre. inclui aproximadamente 78 gêneros.2). com pecíolos pubescentes. foi realizado experimento de toxicidade. de onde saem as folhas simples. membranosas. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff.

Dados botânicos É uma planta anual. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. amenorréia e como vermífugo. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. flores brancas grandes e muito vistosas. . Puruvá e Cutúbea. reunidas em verticilos. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. Nomes populares A espécie é chamada. especialmente do gênero Dejanira. também sésseis. subtropicais e de clima temperado. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. Lisianthus e Coutoubea. Dejanira. na região amazônica.mopolitas. 1997). sendo várias delas medicinais. desordens estomacais. 1978). Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. e outras são usadas como ornamentais. amplexicaules e grandes. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. a decocção das raízes é usada contra febre. de Carne-seca. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. com caule ereto de muitos ramos. mas também inúmeras espécies tropicais. F. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas opostas e sésseis. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. dispostas em espigas simples terminais. Voyria. 1998). fruto capsular.

da famosa Strychnos nux vomica. lianas e ervas (Mabberley. 1979). diminuição da atividade do rúmen. dentre eles. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. um dos encontrados no Brasil. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. onde é cultivado como ornamental. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. 1984). hipotermia. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. . diminuição da atividade motora e dores abdominais.. e morte. incluindo tanto árvores como arbustos. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. taquicardia. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. quando ingerida dentro de 24 horas. Mas a C. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. Porém. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. polipnéia. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. e Strychnos. estudos de toxicidade. tônico. 1997). anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. febrífugo. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). destacamos apenas os principais: Spigelia.

O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. flores amarelas em grande abundância. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. nux-vomica (Shoba & Thomas. coriáceas e trinervadas.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. O nome do gênero designava. a maioria na Amazônia (Barrozo. 2002). antigamente. fruto do tipo baga globosa. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. A planta recebe esse nome por possuir. porém de S. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. nós na forma de uma cruz. em seus cipós. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre.. folhas opostas e ovais. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. também constatado para a espécie S. as plantas com propriedades narcóticas. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. . a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. 1978). 2001). que se refere à presença de mais de 190 espécies. No levantamento realizado. Nomes populares Na Mata Atlântica. glabras. Noz-vômica e Quina-de-cipó. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. Segundo Corrêa (1984). a planta é narcótica e venenosa.

. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al.. 2001). Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. panganesis (Nuzillard et al. Detalhe da flor (Banco de imagens - ). usambarensis (Frederich et al... 1996). 1998) e S. myrtoides (Martin et al.Allamanda cathartica.. icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. FIGURA 24. S. 1996). Rafatro et al. S.. 2000. 2000 e 2001.. 1999). mellodora (Brandt et al.1 ... 1996)..A S. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. 2001). 1995). Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. guianesis (Penelle et al.. Quetin-Lecrerq et al. S.. 2000). Das raízes de S.

2 . laniflora Dcne.Banco de imagens - . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .FIGURA 24.Fischeria cf.

ervas. das quais alguns exemplos são aqui referidos.25 Solanales medicinais L. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. arbus- .600 espécies. Solanaceae. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. Gonzalez L. lianas. C. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. incluindo plantas herbáceas. N. G. A. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Convolvulaceae. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. Seito C. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. Di Stasi F. algumas vezes parasitas.

1997). Na região da Mata Atlântica. de Batata-doce. com folhas alternas. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. geralmente lobadas. como Batata-da-terra.tos e raramente árvores (Mabberley. A planta também é conhecida. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. Possuem inúmeras variedades. suculentas. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. flores brancas. cordiformes. a espécie é cultivada e consumida como alimento. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. pecioladas. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. rosas ou arroxeadas. gengivite e dores de dente. ainda que raramente. . e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. internamente. Nomes populares A espécie é chamada. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. que são cultivadas com fins comerciais. aqui também descrita como medicinal. raízes tuberosas. Ipomoea batatas. delicadas e amplamente consumidas como alimento. em gargarejos. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. axilares e fruto capsular. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. para infecções da boca. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta.

purpurea e /. I. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. Muitas espécies são medicinais.. 1. 2000. 1995). com nove a dezenove pares por segmentos lineares. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. e de homoios = "semelhante". comparando-se as plantas deste gênero. com cinco lobos arredondados. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. Goda et al. tubérculos ou arbustos. 1996). oblongata. glabra. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. friedelina. Delgado et al. b-sitosterol. Alba. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. purpurea e I. cairica. acetil-b-amirina. como é o caso de /. muitas delas amplamente cultivadas. flavonóides (Zhou. carnea.. como é o caso de I. batatas Lam. hederifolia. pinatipartidas e pecioladas. Dados químicos do gênero Da espécie I. I. de 5 a 18 cm de comprimento. coptica. de cor vermelhoviva ou rosa. sinensis. anti-reumáticas e laxativas. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. 1996). enquanto as folhas são detergentes. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al.. I. I. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". 1996. fruto capsular ovóide. I. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). ácido caféico e quercetina (Tan et al. cairica. 1986).. De . com caules bastante entrelaçados. folhas alternas.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. sendo várias ervas. É também chamada de Boa-tarde e Primavera.

1999) e estudos químicos foram realizados com a I.I.. 1987). (Sharma & Shukla.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. Diversos flavonóides foram isolados de I. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis... as lignanas arctigenina. arctiina e matairesinosídeo.. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. 1986). 1996). Das sementes de I. carnea Jacq. é medido por mecanismos colinérgicos. cornea. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. 1996). ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I.. 1997). hardwickii (Liu et al. operculinas I-VIII ácido operculínico A. 1989). lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al.. e das flores de I.. 1990). As folhas de I. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. 1987). onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. 1988). 1996 e 1997). os flavonóides 4'.. De Lima & Braz-Filho. quando administradas a cabras. De I. 1997). regnellii e I.. 1997). carnea. 1999). Das sementes de I. matairesinol e trachelogenina. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. adrenérgicos e . operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. também encontrados em I. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. Das partes aéreas de I. reticulata (Mann et al. alta concentração de cálcio e potássio. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. 1999a. e também dibenzil-g-butirolactona. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas.. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. Das raízes de I. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. 1996). 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. 1997).

pescapae (Madeira et al. 1995). conhecida popularmente como salsa-da-praia. com 2. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. As sementes de Ipomoea ssp. hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena... muitos destes com grande ocorrência no Brasil. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta...950 espécies subcosmopolitas.. 1997). 1994). 1996). tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. 1996). 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. espasmolítica (Medeiros et al. 1991). A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas.. 1990). As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. A I. stans três tetrassacarídeos.não-colinérgicos (Hore et al. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. Foram isolados de I. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al.. 1992). fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul... 1996). Entre estes. arbustos.. encontram-se árvores. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. Os extratos aquosos. 1998). 1997). O extrato diclorometano de I. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. 1998a e 1998b). Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. 2000). dos quais 25 são endêmicos. lianas e ervas (Mabberley. depressão. Foram observadas também anorexia. 1998). Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. O efeito tóxico foi observado no cérebro.. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: .

especialmente na espécie Hyosciamus niger. da famosa espécie Nicotiana tabacum. com inúmeros representantes no Brasil. Physalis. dessa subfamília. Fumobravo. e Solanum. Lycopersicum. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. Nomes populares Na região amazônica. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. a capsaicina. da famosa Datura stramonium. importante ferramenta farmacológica e. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. entre outros inúmeros compostos. Brunsfelsia. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. Nos estudos realizados. Datura. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. Em outras regiões. Manacá-açu e Jeratacaca. pelos nomes de Manacá-da-serra. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. Cuvitinga e outras espécies. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. do famoso Tomate. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. tanto do ponto de vista farmacológico. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. ainda do ponto de vista comercial e social. . uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. Managá-caa. de onde se isolou. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. como Juá-bravo. • Cestroideae. Gambá. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. Don. na qual se encontram os gêneros Capsicum.• Solanoideae. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. fonte de nicotina. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. descrito posteriormente.

usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. ereto e crasso. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Joá-de-capote. caule verde. Mulaca.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. Joá. ovário bicarpelar. folhas elípticas e acuminadas. referindo-se à forma do fruto. na região amazônica. diclamídeas. bolha". súpero. possui. agudas. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. Mata-fome.1). especialmente na Amazônia. O chá preparado com raiz de . O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. flores amarelas. pentâmeras. Bolsa mulaca. sem estipulas. Nomes populares A espécie é chamada. com anteras azuladas. semente rufescente (Figura 25. Physalis angulata L. glabra. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. de Camapu. longo-pecioladas. fruto esverdeado do tipo baga. Dados botânicos Erva com muitos ramos. flores dispostas em cimeiras. pequenas. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. folhas inteiras. androceu com cinco estames. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. muito ramificado. hermafroditas. bilocular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Juá-de-capote.

são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. problemas hepáticos. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. problemas hepáticos. 1980. Rutter. 1990). A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. em Minas Gerais. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. Juripeba. contra icterícias (Schultes & Raffauf. 1994). o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. 1990). e suas folhas têm uso diurético. 1984) e a raiz. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. outros. Jubeba.. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. útil contra reumatismo. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. 1974-1975). da Amazônia brasileira. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. dermatites e doenças de pele. vômito. hepatite e reumatismo (Forero. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. contra vermes.camapu misturada com raiz de açaí. malária. . contra inflamações. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. 1980). Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. 1998). interna e externamente. a infusão da sua raiz. para tratar hepatite. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. os frutos são desobstruentes. 1993). o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. Solanum paniculatum L. bem como no combate a febre. renais e de vesícula biliar (De Almeida. 1980). Juuna e Juvena. diuréticos e resolutivos (Corrêa. no Pará. na Paraíba. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. No Brasil. 1984). 1995). No Peru.. 1982).

hepatite e febres intermitentes. muito parecidas com as da Batata-inglesa. sinuosas e acuminadas.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. fruto do tipo baga redonda. dispostas em racemos. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. especialmente contra lombrigas. alívio". de onde é obtida pelos habitantes locais. flores em umbela. desiguais. Solanum tuberosum L. todas cultivadas. lilás ou roxas. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). flores brancas. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. ereta. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. carnosos. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. Inclui inúmeras variedades. es- . brancos ou amarelados. de caule alado. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. muitas delas de grande valor econômico. além de ser indicada contra problemas do estômago. sendo úteis contra icterícia. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. fruto do tipo baga globosa. folhas alternas.700 espécies subcosmopolitas.

. ácido palmítico (7. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. 1987). Eguchi et al. 1985. 1981). espécie de origem cubana. ácido oléico (11. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. cetonas. 1987. Vasina et al. 1995)..52%) (Maestri & Guzman. P. 1977a). 1991).. 1986... 1988.. 1980. Gottlieb et al. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75.. 1977 e 1978). principalmente. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. nitida. 1994). Na região.. uniflora constituem rica fonte de óleo (30.... 1985). Oshima . alcoóis e ésteres. 1979a. dos quais foram caracterizados.. Alcalóides foram isolados de P. peruviana (Sahai & Ray. 1980) e P. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. P pubescens (Reddy et al. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas).25%) e ácido ricinoléico (0. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina.8%). P. 1986). hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. grandiflora. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al... obtido de suas partes aéreas. 1987. alkekengi (Kawai et al. No óleo das sementes de B. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. Frolow et al. Itoh et al. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al.. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. 1986). Glotter et al. ixocarpa (Abdullaev et al. Sinha et al.5%). 1986). a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. com ciclopropenóides. angulata (Row et al.. identificou a presença de 122 compostos. 1980. De B. As sementes de B. Do gênero Physalis.5%). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. aldeídos. P peruviana (Gottlieb et al. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. minima (Mulchandani et al. 1996). P viscosa (Maslennikova et al. hidrocarbonetos.. 1977).pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. Já da casca da raiz de B.

. 1987 e 1990.. 1989. 1990). aianinas. 1987). fisagulina A e K. 1987. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al.. 1992a. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. 1990. 1975. 1991). além de alcalóides. pauciflora e B. fisalina B e quercetina (Gupta et al. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al.. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. Uma triagem hipocrática em ratos. 1968. Chen et al. 1990). flavonóides (Ismail & Alan.. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. 1987b. hopeana. Chen et al.. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al.. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida.. febre e picadas de cobra.. 1989. 1988). acetil colina. vitagulatina A. fisangulídeo. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. neoclorogenina... minima var. 1967a e 1967b).. Vasina et al. Neilson & Burren. revelou atividade depressora do SNC. indica foram isolados vitasteróides. com extratos da raiz de B. 1983. De P. vitaminimina.. beta-sitosterol.. 1988 e 1989).. glicosídeos. vamonolídeo.et al. figrina. Dinan et al. De P.. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. artrites. A administração oral de B. enquanto das folhas de P. 1992). Banton et al. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. 1997. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. 1993.. 1990). Shingu et al. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. Moiseeva et al. uniflora. 1977). calcyina var. australis (McBarron & de Sarem. O extrato aquoso de B.. 2001). além de vitaminimina (Gottlieb et al. 1988). 1992b e 1992c). bronquites. utilizada para picadas de cobra. Spainhour et al. bonodora. 1986). flavonóides (Ser. B. . ácido clorogênico.. B. floribunda. 1986. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo.. angulata foram isolados ainda vitasteróides. 1997). painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. Já da raiz de B. 1990. vitangulatina A. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. Ripperger et al.. Oliveira et al.

antiviral (Otake et al. Barbi et al. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho.. Ribeiro et al. antiespasmódica. V. Os extratos aquosos. 1998). atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. 1992. T. 1989). moluscicida (Almeida & Fonteles.. aos esteóides. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. 1987). aqui descrita. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. 1987). Haussmann et al.. antileucêmica. tripanossomicida (Barbi et al. et al. 1998). antigonorréica.. 1998).. 1998) e antineoplásica (Carvalho. Pietro et al. G... et al. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana... O estudo dos vitanolídeos de P.. Carvalho.. Kurokawa et al. quando ingeridas em dose única ou repetida. 1995. et al. alcoólicos.. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D.. anticoagulante (Kone-Bamba et al. et al.Para a Physalis angulata. anticolinérgica (Fonteles et al. imunomoduladora (Rosas et al.. P. M. 1993. 1998). 1998).. incluindo leucemias. antibacteriana (Hussain et al. e a atividade imunoestimulante. M. constataram-se atividades hipotensora.. et al. M. 1998). 1990). 1998. diurética. V. V. como movimento . M. melanomas. I. V. 1992a e 1992b). O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho.. entre outras.. Silva... in vitro e in vivo. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. et al. et al. M. Soares et al. et al. M. 2000). 1991. 1997. antiasmática.. M. Kusumoto et al. V. entre outras (Lin et al. 1990). edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. etanólicos e esteroidal mostraram. imunoestimulante (Carvalho. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. 1998. 1998b). 2002. niruri e P.. Nos frutos de P. Chiang et al. embora outros sinais também tenham sido verificados. 1997. M. citotóxica.. 1992a e 1992b). V. 1998) antimicobacteriano (Januario et al.. 1988). antimutagênica. anti-séptica. 1998.. Das folhas de P.

1 .Banco de imagens - . perda de peso.de mastigação. FIGURA 25. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi . salivação. às vezes levando-o ao chão.Physalis angulata. quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. irritabilidade. estiramento e contração das patas traseiras. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. 1991). Além disso. falta de apetite.

das quais se destacam as Boraginaceae. apesar de incluir apenas oito famílias. M. Di Stasi E. as quais serão discutidas a seguir. A. M. inclui 130 gêneros distintos. Nas regiões de estudo. freqüentemente . espalhadas por todo o planeta. A família inclui árvores. C.300 espécies (Mabberley. Amazônia e Mata Atlântica. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes.26 Lamiales medicinais L. Guimarães C. com aproximadamente 2. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). arbustos. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. 1997). Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. Santos C.

lanceoladas. pubescentes na face inferior. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura.herbáceas e raramente lianas. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. muito ramificado. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. Nomes populares A espécie é chamada. 1998). . a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. É uma planta heliófita e higrófita. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly.1). Borago e Symphytum (Boraginoideae). agudas. formando grandes populações em áreas litorâneas. com até 12 cm de comprimento. densa. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). inflorescência espigosa. • Heliotropium (Heliotropioideae). um dos gêneros mais comuns no Brasil. sendo raramente encontrada no interior de matas. de Ervabaleeira. de onde saem folhas sésseis. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. • Cynoglossum. fruto subgloboso vermelho (Figura 26.

com ramos lisos e glabros. dispostas em espigas solitárias. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados.Heliotropium indicum L. faringites. folhas pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com flores brancas ou azuis. incluindo úlceras. alternas. 1994). glabro ou pubescente. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. com dispersão regiões tropicais e temperadas. e as espécies H. e seu suco é de alto valor contra aftas. abcessos. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. . a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. furúnculos e também contra queimaduras. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. É uma planta anual. amplexicaule e H. europaeum são reconhecidamente medicinais. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". ovadas ou cordiformes e acuminadas. moléstias cutâneas e feridas. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. Segundo Corrêa (1984). Aguaraquiunha. de flores brancas. tubulosas. Na medicina tradicional salvadorenha.5 a 1 m de altura. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. e trepein = "mudar". Crista-de-galo. Jamacanga e Jacuacanga. anginas. inflorescência curvada. estomatites. fruto formado como uma mitra.

. amarelas ou rosas. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. De H. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. como beta-sitosterol. além de alcalóides e taninos. flores grandes. 1994).Symphytum officinale L. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. Outros nomes são Consolda. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. dispostas radialmente. Nomes populares A espécie é chamada. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. 1996). indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. . na Mata Atlântica e em todo o Brasil. vistosas. Sonsólida. distúrbios estomacais. inflamação e dores de barriga. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. de Confrei. tubulosas. europina. fruto com quatro aquênios lisos. Língua-de-vaca. lupeol. caule curto e ramoso. acuminadas no ápice. Erva-do-cardeal. Consolda maior. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. Orelha-de-vaca etc. 1986). taninos e triterpenos. ásperas e onduladas. com folhas ovadas ou oblongas. enquanto as raízes. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. Das partes aéreas de H. lasiocarpina.

. Farrag et al.. bursiferum (Marquina et al.De H. arborescens (Bourauel et al. stenophyllum.. heliotrina e lasiocarpina (Guner. coromandalinina.. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. supinina e europina (Rizk et al. H. (1989). Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. coromandalina.. intermedina e retronecina) por Ravi et al. bovei. argentinum e var. H. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. H. 1988. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1988). keralense (isolicopsamina. 1989). curassavinina. Reina et al. europina e supinina em H.. echinatina. destacando-se compostos fenólicos em H. 1988). Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. 1988).de H. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. 1988). esfandiarii (Yassa et al. 1996). em H. e heliotropina de H.. hirsutissimum (Guner et al. rotundifolium (europina. 1995). dasycarpum (Rakhimova & Shakirov.a heliospatina e o heliospatulina . 1996). subulatum (Malik & Rahman. heliotrina e lasiocarpina e. spathulatum (Roeder et al. 1995b. 1991). H. heleurina. em que se .. Das partes aéreas de H. heleurina. H.. heliotrina. em menor quantidade. lasiocarpum (Akramov. (1990). bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. 1986). 1995) e H. 1995b). 1988).. curassavicum var. curassavicum (Davicino et al. 1990). 1994). H.. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. europina. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. heliovicina. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. H. curassavina. heliotrina. 1987). licopsamina amabilina. heliotrina e lasiocarpina de H.

descreveram os constituintes galangina. pinobanksina-3-acetato. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. De H. 2000b). 1991 e 1988.. 1994 e 1996). 2001). 1996). 7-O-metileriodictiol. Sertie et al. 1987). Os flavonóides ayanina. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. 2001) e de C. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. C. stenophyllum (Villarroel & Urzua. pinocembrina. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C.. 1989) e esteróis e quinonas em H. 1996). pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. Al Awadi et al.3'-dimetileriodictiol. Do exsudato resinoso de H. hesperetina. sakuranetina foram isolados da resina de H.. 1998). 1996).. bacciferum (Miralles et al. C. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. 7. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. curassavica (Ioset et al. 3-0-metilgalangina.3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. De H. pinocembrina. solicifolia (Hayashi et al... filifolium (Urzua et al. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. do exsudato. 2001).. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis.. verbenacea. 1990). dentre outras espécies (Ficarra et al. 1995. C. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . A H. 1990). filifolium também foram isolados.. 2002). 2001). 1990).. 2000a) e C.. chenopodiaceum. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al.. alliodora (Ioset et al. ovalifolium (Guntern et al. myxa. linnaei (Ioset et al. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. tais como ácido rosmarínico. As propriedades antifúngicos. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido.. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al... pinocembrina. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. Os constituintes fenólicos denominados galangina..

1995). bursiferum (Marouina et al. europaeum e H. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado.paz de inibir efetivamente o B. Alcalóides isolados de H. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. 1994. Eroksuz et al. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . Portanto.. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. subtilis como o extrato bruto de H... 1989). Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. porcos e aves (Gaul et al. ellipticum e H. 1992). Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. Das partes aéreas de H. 1987. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. 2001a e 2001b). ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. De H. 1997). também denominada Labiatae. argentinum apresentam genotoxicidade. infusão ou chás por via oral. Jain et al. Dados toxicológicos A espécie. 1987). elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora.. 2002.... assim como todo o gênero Heliotropium. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. nos quais se distribuem 6. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. é potencialmente tóxica. 2001). Singh et al.700 espécies. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. sendo também contra-indicado o uso do material fresco.

Origanum. flores dispostas em capítulos pedunculados. com haste suculenta. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Teucrioideae: Teucrium. Satureja. . corola com tubo infundibuliforme. crenadas. Thymus.(Mabberley. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. com cálice tubuloso. Pogostemonoideae: Pogostemon. Nepetoideae: Hyssopus. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. Lavandula. Melissa. Leucas e Sideritis. Hyptis e Plectranthus. ex Benth. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. oposto-decussadas. Malva. Rosmarinus. Salva-do-campo. Scutellarioideae: Scutellaria. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. Salvia. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. alimentos. Ajugoideae: Ajuga. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. rígidas. Lamioideae: Leonotis. 1997). Ocimum. bilabiado. folhas pecioladas.2). A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. Mentha. Trata-se de uma importante família. pois são usadas como condimentos. pubescentes. do ponto de vista medicinal. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Salva. especialmente americanas. obovais.

Na Mata Atlântica. um pouco lenhosa. de constipações e artrites (Van den Berg. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. a decocção das folhas é usada contra malária. 1982). flores dispostas em racemos densos e verticelados. folhas opostas. sudoríficos. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. na região amazônica e em quase todo o Brasil. formando capítulos globosos isolados (Figura 26.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. para regular a menstruação. Leonotis nepetaefolia Hort. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. de Rubim. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". emenagogos. diarréia. de até 2 m de altura. . Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. anti-reumático e contra cólicas menstruais. com caule quadrangular aveludado e pubescente. flores pediceladas com quatro estames. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. cólicas menstruais e problemas digestivos.3). As folhas e os ramos são indicados como excitantes. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. recebe o mesmo nome. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. e inclui apenas quinze espécies tropicais. Dados botânicos Erva anual. e a infusão da planta toda. mas não foi completamente identificada. Na região da Mata Atlântica. ovadas e subcordiformes na base. Nomes populares A espécie é chamada. icterícia. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. antigripal.

herbáceo. uma xícara por dia. A planta é também considerada antiespasmódica. facilitando a expectoração. no Mato Grosso. 1980). hipotensão. 1982). 1982). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. duas vezes ao dia. Leucas martinicensis R. corola bilabiada. o chá de toda a planta. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. folhas pecioladas. com lábio superior 1-2 . 1986). contra gripes. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. antiasmática. flores sésseis. pilosos e sulcados. brancas. como abortivo e antitérmico (Simões et al. como Cordão-de-frade. a infusão das folhas é usada. de caule ereto. ovadas ou oblongolanceoladas. febrífuga e diurética.. durante dois dias. como cicatrizante. Dados botânicos Planta anual. Br. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. cálice bilabiado. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. ramos quadrangulares. ramoso e pubescente. externamente. pubescentes nas duas faces e membranosas. no Ceará (Matos et al. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. 1982. sendo ainda indicada contra úlceras.. Na região do Vale do Ribeira. desiguais entre si. reumatismo. útil contra úlceras. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. raramente arredondadas. 1984). a planta florida é usada na fraqueza geral. em Minas Gerais (Verardo. no Rio Grande do Sul. dores gerais. Grandi & Siqueira.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. especialmente de barriga e. nas inflamações broncopulmonares. antireumática. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. internamente. é utilizado como anti-reumático. distúrbios do estômago. na Mata Atlântica. com cinco segmentos acuminados.

Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. com raiz fibrosa e caule ereto. serrilhadas. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. ramos eretos e opostos. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. e seu cozimento é indicado como antireumático. Menta e Hortelã-verdadeira. fruto do tipo aquênio (Figura 26.lobado e o inferior 1-3 lobado. corola gamopétala. pentâmeras. o macerado das folhas em água. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. viridis e M. apenas de Hortelã. O nome do gênero Leucas. nome recebido em todo o Brasil. folhas opostas. dela. Na região do Vale do Ribeira. diclamídeas. curto-pecioladas. Dados botânicos A espécie M. contra dores musculares e reumatismo. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. antiespasmódico e contra nevralgias. externamente. topicamente. numerosas. flores violáceas. descrito por Robert Brown. de porte herbáceo.5). zigomorfas. na Mata Atlântica. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. filha de Cocylus. .4). fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. ramoso. aquatica. decussadas. bilabiada. A planta também é utilizada como tônico. Hortelã-das-cozinhas. 1984). é usado sobre gargantas inflamadas. formando espigas no ápice dos ramos. contra tumores. hermafroditas. difere da M. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. planas. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. pouco aveludada. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. referindo-se à cor das flores. piperita é um híbrido de M. significa "branco". flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. um pouco pubescentes. agudas. na forma de gargarejo.

Contudo. 1980). A M. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. Na região da Mata Atlântica. Hortelã-comum. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. Hortelã-graúda. vômitos. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. carminativas. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. 1986). de estômago. timpanite. dismenorréias e verminoses. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). estimulante do fluxo biliar. Hortelã-pequena. dor de barriga. . dores de cabeça. 1982) e como anti-séptico. cólicas abdominais e tétano. três vezes ao dia. é indicada contra dores de estômago em crianças. digestivas. calmante.. estimulantes. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. anti-reumático e contra insônia. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. Nomes populares A espécie é chamada. 1986). a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. em Brasília. a infusão das folhas. antiespasmódicas. 1984). de Hortelã-verde. diarréia.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. no Rio Grande do Sul. 1991). o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. em 1990. Mentha viridis L. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. eólicas uterinas. musculares. catarros de mucosas. tremores. na região amazônica. Hortelã-da-preta. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. bronquite e tosses. problemas cutâneos. sendo indicada contra flatulências. estomáquicas. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. garganta e dentes (Simões et al.

corola e cálice campanulado (Figura 26. Mentha pulegium L. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. ovais ou oblongas. ovadolanceoladas. garganta e estômago. Na região do Vale do Ribeira. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. opostas. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. . ameba e giárdia. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. assim como em todo o Brasil. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. folhas subsésseis. bronquite e gripe. especialmente lombriga. glabras. caule ereto. gripes. além de ser considerada útil contra febres. pecioladas.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. tétano. seu decocto é considerado útil contra tosse.6). com folhas pequenas. cólicas. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. bronquites. bastante pilosa e com aroma forte. denticuladas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. dores de barriga e pedras nos rins. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. serrilhadas. dores de estômago e "quebranto". tosses. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. flores rosas ou violeta-claras. ramos eretos. inflorescência do tipo espiga. em verticilos aproximados. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. cilíndrica e frouxa. ascendentes.

peitoral. entre outros. Alfavaca-do-campo. referindo-se à planta toda. pequenas e finas. Em outras regiões. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. Alfavaquinha. diurética e útil contra resfriados. Alfavacona. significa "perfumada". Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. com até 50 cm de altura ou maior. especialmente de ocorrência na África. Ocimum. descrito por Carl Linnaeus. diaforética. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. de onde partem folhas opostas. dentadas. diarréias e disenterias. Alfavaca-de-cheiro. de caule ramoso. Em outras regiões. glabras. O nome do gênero. Ocimum canum Sims. com ramos tetrágonos e pubescentes. estimulante. . Dados botânicos A planta é uma erva anual. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. assim como em todo o Brasil. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. de Alfava. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Alfavaca-cheirosa. estomáquica.Ocimum basilicum L. ovadas. flores brancas ou rosas.

de ramos quadrangulares. serradas. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. A planta toda é bastante aromática. é usada contra febres. A decocção das raízes . verticiladas e dispostas em racemos. glabras. dispostas em racemos paniculados. dispnéia e reumatismo. além de diurética. pubescentes. de onde partem folhas ovais. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. flores vermelhas. raramente. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. flores roxas ou. ovadolanceoladas. fruto do tipo capsulas. tosses e desordens uterinas e renais. amarelo-esverdeadas. rins e uretra. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. tosses. além de excelente na cura da coqueluche. verdes e finas. a espécie é chamada de Alfavaca. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. béquica. As folhas cruas também são empregadas como condimento. denteadas. glabros e eretos. dores de cabeça e bronquites. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. diaforética. carminativa. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. contendo folhas pecioladas. pubescentes. enquanto a infusão das partes aéreas. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso.

Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Alfavaca-do-campo.é usada contra diarréias. e na Mata Atlântica. pequenas. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. margem irregular. Ocimum micranthum Willd. membranosas. . Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. núculas negras e lisas (Figura 26. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. sudorífica. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. folhas pecioladas. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. ovaladas. carminativa. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. diurética e útil contra tosses. gripe e catarro no peito. glomerulada. dores de cabeça e febres. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. gineceu com ovário ovóide. problemas nervosos. As folhas são ainda muito usadas como condimento. congestão nasal e dor de cabeça. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta.7). agudas. como Manjericão. androceu com estames inclusos. Alfavacão. distúrbios do estômago. dores de cabeça e como sedativo para crianças. inflorescência racemosa.

formando uma espiga terminal. a infusão das folhas é usada contra infecções. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. vilosas. 1984). 1988). no Pará (Amorozo & Gély. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. com ramos ascendentes.Na região da Mata Atlântica. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. no Mato Grosso (Van den Berg. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. além de a espécie ser utilizada também como condimento. tosses e bronquites. dispostas em panículas. dores de cabeça e tosse. pilosa. as folhas são consideradas úteis contra gripes. de onde partem folhas ovais. flores em glomérulos. 1980). de base arredondada e margem denteada. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. Pogostemon patchouly Pellet. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). com até 50 cm de altura. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Origanum vulgare L. . Patchuli ou Patchouli. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem.

Existem. 2001 e 2002). suaveolens apresentou altas concentrações de 1. O óleo essencial das partes aéreas de H. pentâmeras. 1991). enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. flores diclamídeas. significa "estames barbados". dos quais 32 foram identificados. predominantemente de sesquitepenos. Azevedo et al.8). sedativo e hipotensor. 1988. O nome do gênero Pogostemon. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. 1990). suaveolens possui setenta componentes. alfa-bergamoteno. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. ovário supero. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça.. flores em glomérulos. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. terpinen-4-ol. descrito por Desf. três formando um lábio aberto. fruto seco (Figura 26.. com dois óvulos em cada lóculo. suaveolens por Misra et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com espigas compostas. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. corola com quatro lobos. bilocular. bicarpelar.8-cineol. sendo mais comuns o beta-cariofileno. androceu com estames excertos. cruzadas. 1990). Triterpenóides foram isolados de H. Uma outra análise do óleo essencial de H.. (1982).Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). porém. hermafroditas.. 1. como beta- . Das folhas de H. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al.

. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. 1990). e de H. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. sendo p-cimeno. campesterol. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al... e de L. 1996). . 1987). spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. 4.. salzmanii foram isolados diterpenos.. ácido oleanólico acetato. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa.elemeno. uma outra análise do óleo de H. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. 1991). 1990b). 1990) e de H. 1988). (1978) e Blounietal. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al.. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. 1988). gama-terpineno. 1989). ácido n-octacosanóico. quercetina. De H. Das raízes de L. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. ácido ursólico. Metil betulinato. 1990). beta-cariofileno. Porém. Em H. timol. 1990). leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. De H.. albida foram isoladas triterpenolactonas. 1988). pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. mutabilis foram isolados triterpenos.6. Das partes aéreas de H.. umbrosa. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. 1987a). Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. Das folhas de H. lignanas e flavononas (Messana et al. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao.. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. (1980). urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. 1988).

colesterol.. triptofano e metionina (Dinda et al.. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. 1996). De L. 1996). Das partes aéreas de L. tirosina..7. 1986). hidroxiprolina.. 1986 e 1987). Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. Mentha A composição do óleo essencial de M. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. prolina. ácido aspártico..64%). brassicasterol. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. 1987).80%). O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. Vaverkova et al. ácido glutâmico. 1988). metil acetato (16. Com isso. 1979).07%) e mentano (11. N. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison.. alanina.80%). mentocubanona. T. O óleo essencial de três variedades de M. flavonas himenoxina. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. Das raízes de L.. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. fenilalanina. 1987).84%). Da espécie L. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. serina. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. lisina. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- .4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. A M.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. et al. mentona.3'. treonina. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. das partes aéreas de L. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. mentona (24. 5-hidroxi-6. 1990) e um composto fenólico (Misra. glicina. sendo os principais terpenos mentol. 1987. 1987).10%) e 1.20%). enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. 1995).8-cineol (6.. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. mentofurano (19. piperita var. officinalis.

lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. luteolina e 5. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. De M. b-cariofileno. vitaminas C e D2. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. limoneno.e sesquiterpenóides. caféico e clorogênico. cadideno. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. Em Mentha viridis var. reduzindo significativamente a concentração de mentol. glicídios. K.7. 1989). peroxidases.6. Nas folhas de M. como alfa-pineno. piperita foram encontrados ainda os elementos Na.3'. betasitosterina.8..4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. resinas. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. 1988). além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. . ácidos p-cumárico. Fe. nicotinamida. 1987). 1990) e flavonóides glicorilados. 1986).. Mg. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. fenílico.8-cineol. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. Mg. Foram ainda isolados mono.posição de terpenos dessa espécie (Sacco. Zi e Cu. Ca.. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. 1992). fitosterol. 1. catalase.

gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. o eugenol é o constituinte majoritário. Phan et al. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. Na China. eugenol (Ekundayo et al. 1996 e 1997a). 1990). . o óleo essencial apresentou 21 constituintes. 1987). 1989). 1996). Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. 1986. b-cariofileno. 1990).. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. Borges et al. cis-ocimeno. 1986. Takahashi et al. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. 1986.. 1986. beta-cariofileno. Das folhas da O. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos.. hidrocarbonetos como p-cimeno. 1987.8-cineol.. basilicum (Brophy & Jogia. O óleo essencial de O..Patel et al.. sendo 1.. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. Das sementes de O. 1981). De O. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. 1.... De O. 1990). cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. as folhas e flores de O. canum foram isolados diversos componentes..cariofileno. 1988... gratissimum é composto de gamaterpineno. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al.. eugenol. Lawrence. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al.8-cineol. sendo eugenol.. micranthum foram isolados vinte compostos.. Em Cuba. Nas folhas. 1997). enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. 1987. eugenol. 1986. Ocimum Do óleo essencial de O. Sharma et al. O óleo essencial de O. 1981. t-bergamoteno. Porém. 1987). Khanna et al. Do óleo essencial das folhas.. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. 1996). linalol.. Sakurai et al. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. Kartnig & Simon. 1988). flores e caule de O. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. 1983). 1989). 1996a).. já citados.

A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. De O. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan.. rutina. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. 1995). palmítico esteárico.8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. Em O. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al..8cineol e eugenol. esculetina. fenóis. No Paquistão. nesse caso.. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. Das sementes de O.8cineol. Ekundayo et al. alcoóis.. quercetin-3-O-diglucosídeo. linoléico. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. kaempferol-3-O-rutinosídeo. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. já comentados (Modawi et al. o óleo essencial de O. 1991). linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul.. além de metilchavicol. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. 1. basilicum e O. 1987). linalol. Das folhas de O. 1988). sabineno e eugenol (Retamar et al. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . No Marrocos foram isolados 28 constituintes. 1986. láurico. 1987). 1996). 1989). Murugesan & Damodaran. ácidos orgânicos. terpenos. 1987.O óleo essencial de O. esculina (Skaltsa & Philianos. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. 1989).. rubrum foram isolados borneol. triacontanol ferulato. isoquercitrina. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. 1995). A casca do caule de O. eriodictiol. cetonas. Thoppil.. sanctum possui estigmasterol.. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico.. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. Fatope & Takeda. 1990. sendo Metil chavicol. A espécie O. basilicum apresenta 44 compostos. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. na Turquia. basilicum foram isolados quercetina. oléico. sendo. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. 1989). 1985. 1. b-sitosterol. timol. mirístico. 1978). 1. 1995). 1996). 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. 1994). 1996). kaempferol. além de ácido p-cumárico. ácido caféico. 1984). linolênico e araquídico (Malik et al. 1990).... timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O.. Das flores de O.

hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. flavonas (Patwarphan & Gupta. 1984). Foram isolados de P purpurascens. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa... 1985).Além desses compostos. 1981). foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. lactonas sesquiterpenóides de P. Pogostemon As folhas de P. viride (Ekundayo. parviflorus (Nanda et al. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. 1986). 1984) e grandes quantidades de timol em O. cablin (Akhila . flavonas.

O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al. ovalifolia e H. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al.. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al... 1977. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. também conhecido como Sambacaitá. et al. 1998).. beta-amirina. 1990). 1989). estigmasterol.. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. pectinata (Bispo et al. O óleo essencial de H. 1988. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. 1990). comumente utilizada como calmante. . Phadnis et al.. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. Em H. plectranthoides foram investigados experimentalmente.. Em H.. saxatilis (Fernandes. H. 1998). a-bulneseno. 1989). Thapa et al. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. 1971). 1998).. C. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. Do óleo essencial das folhas de P. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. 1984. 1997). garwal et al. mutabilis. suaveolens apresenta 32 terpenóides. betasitosterol. 2001). Coelho et al. 1987... cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. analgésica (Freitas et al.. Silva et al. Munck & Croteau. 1990). F et al. 1988).. 1987... plectranthoides (Esvandzhiya et al. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa.. atrorubens. 1998) e atóxica (Junior et al. suaveolens e H.. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. 1994. 1988). H. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. P. umbrosa. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al.. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al.& Nigan. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H.. além de outros diterpenóides (Hussaini et al.. 1984). Foram identificados n-octacosanol. auricularis (Prakash et al. crenata..

1988. 1988).. 1988). que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. leonurus (Bienvenu et al. 1980. Saksena & Saksena. 1988). enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica... causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. 1988).. Mentha O infuso das folhas de M. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al... umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. capitata foi isolado o ácido ursólico. conhecido como Cordão-de-frade. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. Leonotis Em L. que foram testados quanto à sua citotoxicidade. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al... 1988). nepetaefolia. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. do extrato de H. Coelho et al.. ramos e flores de H. e Novelo et al. verticillata.. Di . 1995.. foram detectadas as atividades broncodilatadora. Do extrato metanólico de H. 1985. enquanto extratos de folhas. 1988). 1995). 2002). piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. Diterpenóides isolados de H. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano.. 1995). 1993) foram atribuídas a H. 1976. tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. 1988. anti-hipertensiva e espasmolítica.. antimicrobiana (Cos et al.. 1979). Calixto et al. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere.. Posteriormente. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. 2002).As propriedades antibacterianas. 1984). Forster et al.

micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. Almeida et ai. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. sanctum (Dey & Choudhuri.. 1982. 1987. Queiroz & Reis.. 1986a. espasmolítica (Queiroz & Reis.. basilicum demonstraram atividades analgésica. 2002). Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. Chen et al. também verificada com extratos de O. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. 2001 e 2002). .. R. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. O óleo essencial de O. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas.. 1989). Extratos brutos de O. 1987b). sanctum (Phadke & Kulkarni. 2002. Queiroz & Brandão. O... determinaram-se propriedades fungicida. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. 1993. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. 1986b). Em O. Além das atividades já relatadas com M. Do híbrido. 1996) e hipotensora (Guedes et ai. 1988. (1968). Sharma & Jocob. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. cannum (Dubey et ai. et ai. 1986). piperita. Lahlou et ai. 1986a. 1986c) e em O. enquanto estudos com O. 1986a). cordifolia (Villasenor et al. antibacteriana. piperita (Ansari et al. 2002). antiespasmódica (Di Stasi et ai.. 2000). O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. 1987).. Queiroz & Brandão. 1978) e O. 1989) e diurética (Carvalho et ai. 1986).. arvensis (Ceruti et al. 2002).. crispa (Mello et ai.. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. 1981). e a atividade antimutagênica ao extrato de M. 1989). gratissimum (Atai et ai... 1998). micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro.. americanus (Jain & Agrawal. A..Stasi et al. Ocimum Verificou-se que a espécie O. antifertilidade. utilizando-se M.. 1984).

. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. 2001).. 1986). E. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. 1994. 1994). enquanto a O... Vanderlinde et al. O. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. antiinflamatória. et ai. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. 1999. 1992. 1986). Extrato etanólico das folhas de O. O óleo essencial de O. 1995).. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. As folhas de O. 1997). basilicum (Dube et al. 1989). selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa.. 1996).O. O óleo essencial de O. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. o ácido ursólico. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. gratissimum (Sobti et al. Das folhas de O. 1995) e O. suave foram utilizadas como repelente de insetos. 1989)... 1986). 2002). 1994b. 1993. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. Vanderlinde et al.. mas a administração de O. antipirética em ratos (Singh & Majumdar. suave (Tan et al. Nakamura et ai.. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. que apresentou atividade protetora do mastócito. Os óleos fixos de O. 1990).. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. 1994a).. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. Das folhas de O. 1994).. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. 1992. Vanisree & Devaki. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio.. 1996). O óleo essencial de O. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa... Vanderlinde et al.. Vanderlinde et al.

Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. especialmente da América do Sul (Mabberley. 1997). sobretudo em crianças. 1984). e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. Stachytarpheta e Lippia. Alecrim-docampo. pubescentes. alternas ou opostas .5 ml/kg. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. 1995). arbustos e ervas. Salsa. caule e ramos primários. Sálvia e Salva-da-gripe. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade.) N. 1986). Compreendem árvores.E. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. provocando sonolência. Salva-brava. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. folhas pecioladas. quadrangulares.Br. ascendentes. como Erva-cidreira-do-campo. longos. Salva-limão. e em outras.

náuseas. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. cólica do estômago. folhas pecioladas. estomáquica. Dados botânicos Planta de pequeno porte. Salva. reunidas em inflorescências vistosas. diclamídeas.9). emenagoga (Corrêa. Na região do Vale do Ribeira. flores pequenas. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. 1986). além de problemas do estômago. 1980). relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. Essa espécie é usada como antiespasmódica.. 1988). no Pará. na Paraíba (Agra. fruto com dois mericarpos plano- . tosses e gripes. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. membranoso. flores pequenas. pentâmeras. Malva e Nulva-do-marajó. fruto do tipo capsular branco. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. cálice curto. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. sem estipulas. no Mato Grosso (Van der Berg. o chá das folhas é utilizado como calmante. 1980). pubescente e bipartido. reunidas em inflorescências capituliformes. relaxante e contra intoxicações gerais. corola bilabiada. hermafroditas.(às vezes na mesma planta). cálice curto. 1984). como antigripal e calmante. Lippia grandís Schan. sementes pequenas (Figura 26. no Rio Grande do Sul (Simões et al. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. o chá das folhas é utilizado como calmante.

carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup.convexos. 1987). dulcis (Bubnov & Gurskii. esteárico. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. alfa-cubebeno. Sauerwein et al. 1982). (1981). três vezes ao dia. ukambensis (Chogo & Crank. citral e carvona (Matos et al. 1981).. naringenina. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. Craveiro et al. timol. mirceno. limoneno. canescens e I.. No óleo essencial de L. geranial. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. behênico e lignocérico (Macambira et al... 1983).. Já de L. americana foram obtidos ácidos graxos livres. timol. Hernandulcina. é usado contra problemas do fígado. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno.. a mais estudada é a L sidoides. acacetina. (1986 e 1987). e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. 1987). 1986. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. 1987. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. 1996a e 1996b). broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. e do caule e folhas foram obtidos ácido . As espécies L. lapachenol. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . Souto-Bachiller et al. 1981). isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico.vanílico. monoterpenos. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. Da parte aérea de L. Matos et al. gama-terpineno. 1987). 1980).. Vários terpenóides foram isolados de L. 1986. o chá das folhas. araquídico. Da espécie L... p-cinieno. 1996).. 1991. betacariofileno (Craveiro et al. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi.

33%).8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al.l. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. eupatorina...5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al.. graveolens foram isolados pinocembrina. 1987). crisoeriol. Das folhas de L.43%) e piperitenona (11. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L.12%). multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. 6-hidroxiluteolina. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. 1988). 1991 e 1995). alfa-terpineno (4. 1. alfa...27%). sabineno. 1989). p-cimeno. fissicalyx (Retamar et al. 1. Dentre os compostos isolados. 1996a). apigenina. integrifolia foram isolados sesquiterpenos. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. a-pineno. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. cirsimaritina. 1989). limoneno. timol. Fun et al.origanoides foi quantificada. neral.97%) como principais componentes (Mwangi et al. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial.. timol. sendo 22 hidrocarbonetos. 1. Das folhas e flores de L. alba e L. hispidulina. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. 1994 e 1995). quatro éteres.. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. 1990).54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino.8-cineol. luteolina.35%).. Do óleo das folhas de L. De L. 1990). Os constituintes p-cimeno. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. p-cimeno (3. wilmsii foram isolados quinze componentes. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l.e beta-pineno.67%). dos quais foram identificados piperitona (28. quatro alcanos.8-cineol (2. 1996b). 1. 1. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. graveolens. O óleo essencial de L.01%) ecariofileno (15. . Das partes aéreas e das raízes de L. diosmetina.8-cineol. 1990.espécies de L.8-cineol. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. acetato de timol (17. A composição química do óleo essencial de L..23%) e metiltimol (2.8-cineol (15.. 1989).. 1987). eupafolina.

inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al.. além de uma atividade moluscicida (Almeida. Já o óleo essencial de L. misturado a cremes. P D. mircenona (31%) e de L..9%) elimoneno (13.. turbinata e L. polystachya foram isolados tujona (30. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. Observou-se ainda atividade antitumoral com L. 1988a). 1986). assim como o de L.. 1990). Com a espécie L. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. Vale et al. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. aristata (Rouquayrol et al. Esse óleo. integrifolia e L.. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al... L.3%) (Zygadloet al.. 1998)..5%).4%. sidoides mostrou atividade moluscicida.. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L.. integrifolia foram isolados da cânfora (18. 1979). relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. 1996). Do óleo das flores de L. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. et al. polystachya. lipifolil(6)-en-5-ona (18.2% e 41. 1996)...4- . enquanto o outro componente...Y. 2000).. Do extrato das folhas de L. Além disso. atribuída à presença de flavonóides (Santos... 1987). 1998). antiulcerogênica (Pascual et al. um dos componentes principais. 1981). junelliana. 1997). contribui para a coesão das células da pele.. 1980). grata (Viana et al.. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. o verbascosídeo. Moraes et al. um éster do ácido caféico ligado ao 3. aristata (Moraes Filho et al. junelliana. M. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. de L. respectivamente). et al. 1990). multiflora. gracilis foram observados aumento inotrópico. 1980). Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. 1980 e 1987. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. De L. L. 1995a).. 1996). turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. 1998. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al.carvacrol. 2002)..

nodiflora foi realizado um screening preliminar. 1994. Almeida. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. 1995). antifúngica (Lemos et al. e no óleo essencial. apresentaram atividades antibacteriana. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al.. timol e carvacrol. Teixeira.. et al. 1992. 1978). 1978). 1979). Y. 1980.. O óleo essencial de L.. moluscicida (Moraes. et al.. Matos et al. O. Nunes. 1977). antibacteriana (Aguiar et al. M.. Menezes et al. . tranqüilizante (Matos et al. 1984). espasmolítica (Viana et al.dihidroxifeniletanol. Laxoste et al. 1985).. 1988. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. 1988.. L. multiflora (Chanh et al. Moraes.. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. graciliy (Fontenele et al. anti-hipertensiva. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. M. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. S. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al... 1992). Viana et al... et al. 1978. 1995. grata.. Nas folhas de L. 1994.. 1978). bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. Lacotes et al. 1988b). 1980. 1979. 1979) e I.. M. O.. 1998). no qual se observaram atividades analgésica. sidoides (Fonteneles & Sales. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. Além disso. Teixeira et al. et al. 1996. 1988). porém. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. Os principais componentes do seu óleo essencial. atividades cicatrizante. geminata e L. hipnótica e hipotensora (Noamesi.. e o de L. Ximenes et al.. 1998). 1986).. 1996).. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. 1996). anestésica (Viana et al.. R. O óleo essencial das folhas de L... anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L.. 1980). 1995b). 2001).. 1996... Botelho & Soares.

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ).1 .Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido. . b) escanerata com detalhe da inflorescência.FIGURA 26.

Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. .Hyptis crenata.2 .FIGURA 26. 1998).

FIGURA 26.3 .Leonotis nepetaefolia. Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .

FIGURA 26. Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leucas martinicensis.4 .

5 .Mentha piperita. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 26.

Mentha viridis.FIGURA 26. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .6 .

7 . Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Ocimum micranthum.FIGURA 26.

Pogostemon patchouly.FIGURA 26.8 . Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.9 . b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .FIGURA 26.

representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. No estudo realizado. lianas. subclasse Asteridae. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. pertence à ordem Scrophulariales. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Mabberley. C. e reúne 120 gêneros. 1998. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. arbustos e raramente ervas (Joly. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. Hiruma-Lima L. Scrophulariaceae. 1997). foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). A.27 Scrophulariales medicinais C. as quais passamos a descrever. incluindo árvores. Bignoniaceae. com aproximadamente 750 espécies. Os gêneros mais importantes da .

No Brasil. uma delas. as quais são discutidas a seguir. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. da famosa Flor-de-são-joão. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. são Tabebuia e jacaranda.família. . fruto do tipo capsular largo. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. oblongo-linear. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. elípticos e coriáceos. Jacaranda caroba. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. os gêneros mais comuns são Tabebuia. folhas normalmente 2-3-folioladas. com ampla distribuição nas regiões tropicais. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. curto-pecioladas. com gavinhas. que inclui os Ipês e o Paud'arco. de ramos cilíndricos e glabros. contendo sementes oblongas (Figura 27. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro".1). Em outras regiões do país. com folíolos peciolados. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. é descrita aqui. anteras glabras e ovário oblongo. e as várias espécies do gênero Zeyhera. também é conhecida como Cipó-de-alho. Pyrostegia. Na região da Mata Atlântica. o que gera o nome popular atribuído à espécie. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica.

flores tubulosas. Uma outra espécie do mesmo gênero. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. Jacaranda caroba (Vell. fruto do tipo capsular. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. Camboté. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. Caroba-miúda. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. não completamente identificada e conhecida como . Carobado-carrasco. sendo amplamente usada como ornamental.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. coriáceos e glabros. dispostas em panículas. roxas. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. Camboatá-pequeno. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. Caroba-do-campo.) DC. por ser mole e porosa. das quais a maioria é encontrada no Brasil. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções.

com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. Trata-se de uma espécie heliófita. amplamente encontrada em campos. É muito comum no Brasil. podendo ocorrer com flores amarelas. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta".5 cm de largura. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. com ramos jovens delgados e folhagem densa. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. folhas com folíolos ovadooblongos. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. raramente encontrada no interior de matas densas. O nome do gênero Pyrostegia.5 cm de largura (Figura 27. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. sítios e quintais de residências. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. como corimbos multiflorais. inflorescências numerosas. especialmente no Dia de São João. Segundo Corrêa (1984).Carobinha. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. de cor laranja. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. descrito por Carel Borinov Presl.2). . Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. longas. ou seja /'coberta de fogo". sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. especialmente em crianças. adstringente e anti-sifilítica. repletos de flores tubulares.

. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. No Brasil. sendo a maioria de ervas ou arbustos. mas apenas cultivada. a família não é encontrada de forma espontânea. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros.. 1994). 1996).. 1996). venusta a presença de aminoácidos. 1992).. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. Foi detectada na flor de P. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. acorendico presente na planta (Oguro et al. 1995). 1976 e 1977). marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. . 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. Espécies medicinais Sesamum indicum L. A espécie J. especialmente a espécie Sesamum indicum. 1999). A espécie J. O extrato etanólico da espécie A. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos..

contra hemorróidas (Bown. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. externamente. distúrbios renais.. visão fraca. osteoporose. folhas simples. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. e sobre as pernas para tratar paralisia. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. O óleo de gergelim. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. com muitas sementes oleosas. 1995). A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. externamente. vistosas. 1997). Nas sementes de S. indicum foi caracterizada a presença de . diarréias. fruto do tipo capsular. flores amarelas. clorosesamona hidroxisesamona é 2. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. tosses secas. opostas. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. no Egito e na Babilônia (Bown.. 1990). para evitar perda de cabelos. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. além de seu uso na culinária. para alívio da dor de ouvido. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. 1997). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. para tratar constipação nasal crônica. inteiras e pubescentes. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. disenteria e catarro intestinal. Tashiro et al.. e. com origem na Ásia tropical ou na África. 2001). sesamolina (Mimura et al.Dados botânicos A planta é uma erva anual. episesaminona (Marchand et al.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al.. dores de cabeça. abortiva e anti-reumática e. 1995). 1988. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina.

1994). Nas raízes de S. prolamina. 1996). indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. bem como três novos triglicosídeos. globulina. Mimura. indicum detectaram a presença de glicolipídios. 2000 e 2001). Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S.. 1989. gama-tocoferol e sesamolina. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. ácidos graxos. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. . Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa.. (Kar & Mishra. glutelina (Singh & Khanna. 1988).2000). A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. 1993). indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. indicum L.albumina. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. sesamina Do extrato aquoso de S. 1991).

respectivamente (Kang et al. 1995). e. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. 2001). 1988. Tashiro et al.. indicum (Takswchi et ai. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. 1991). 1990) e sesangolina. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. indicum e S.Duas lignanas furânicas. 1992).. protegendo-o contra danos oxidativos. 1992). Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. dessa forma. em altas doses. 1994).. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. 2002). Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro.. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab.. 1991). Da parte aérea de S. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias.. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. 1992).. 1997). alatum.. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. além de verbascosídeo. O extrato de S. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai.. . Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. sesamolina (Mimura et al. alatosídeo A-C. angolense. dois derivados do ciclohexiletanol. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. foram isoladas das sementes de S. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal.

Pupeiçava. bilabiada. hermafroditas. lanata. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. opostas. axilares. Vassoura. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. incluindo árvores. Vassourinha-de-botão. 1997). tais como Digitalis. pequenas. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. crenadas e glabras. Ganha-aqui-ganha-acolá. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Outros nome são Vassourinha. . Coerana-branca. Calceolaria e Maurandia. arbustos e ervas. especialmente dos gêneros Antirrhinum. das famosas D. popularmente conhecido como Vassoura. bicarpelar. quatro estames didínamos. no Pará. Nomes populares Na região amazônica. flores brancas. Veronica. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. Verbascum e Wightia. aqui descrito como medicinal.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. Scobedia. Tapixaba. algumas aquáticas (Mabberley. ovaldolanceoladas. purpurea e D. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. Esterhazia. No Brasil. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. com corola rotácea. ovário supero. nos quais estão distribuídas 5. Tupixaba. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. pentâmeras.

essa espécie também é considerada emoliente. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. hipotensiva. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. por causa do seu emprego. brotoejas. 1982. 1988. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Já entre os ticunas. especialmente na Floresta Amazônica. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. para lavar feridas (Branch & da Silva. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. 1990). problemas cardíacos. 1980). com todas as partes da planta. peitoral. tosse. Encontrada em abundância na América do Sul. 1995).. febrífuga. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. Coee et al. 1984). menstruais. tosse. 1990). expectorante. 1994. 1994. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. No Pará. picada de mosquito. Em Minas Gerais. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al.bilocular. 1983). também.. diabetes e hipertensão (De Almeida. é utilizada como anti-hemorroidal. significa "vassoura". Coimbra. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. pectoral. o chá da planta é usado contra hemorróidas.3). além de ser considerada tônica. hepáticas e estomacais. febre. 1990). erisipela e afecções cutâneas.. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. emoliente e béquica (Corrêa. Cruz. Grandi et al. 1987). Grandi & Siqueira. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. bronquite.. para melhorar o estado geral do indivíduo. 1993. malária. desordens menstruais.. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. doenças venéreas. O nome do gênero.. hipoglicemiante. 1986). 1996). e as folhas. emoliente. béquica. também. Verardo. . e utilizada contra desordens respiratórias. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. o chá é preparado. bronquite. Matos. com muitos óvulos (Figura 27. 1982. No Brasil. 1988). antidiabética e contra afecções catarrais. Scoparia. 1982. coceiras. Nas tribos indígenas do Equador. Na Paraíba. No Rio Grande do Sul. 1982).

1988a e 1990c). O. antidiabética (Jain.. anti-herpética. anti-séptica. antifúngica. simpatomimética (Freire et al. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- .. 1989. E. Hayashi et al. Azevedo et al. 1986 e 1988a. 1998). 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis.. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. 1993 e 1996).. 1997. 1987 e 1988c).. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. 1993 e 1996) depressora (Freire. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. 1990). escopadulciol.. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. 1987). scopadulciol (Hayashi et al.. Também foi detectada a presença de glicosídeos.. obtidos da espécie. 1990b)... et al... hipocolesterolêmica. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. (1981). antiespasmódica. acacetina. entre outros compostos (Kawasaki et al. alfa-amirina. cinarosídeo D. cumárico. et al. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. antiviral. S. apigenina.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. dulcinol e ácidos dulcióico. 1996). secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. hipertensiva (Freire et al. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al.1988b).. 1987... beta-sitosterol. Hayashi e al. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. antiinflamatória (Freire et al. escutelareína. antibacteriana gram-positiva. antiinflamatória. 1990b). M. gentísico. Freire. 1985)... 6-metoxibenzoxazolinona. expectorante e atóxica (Moura et al. B e C (Kawasaki et al. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. glutinol e acacetina (Hayashi et al. manitol. S. iflainóico. 1993 e 1996a). 1994. Torres et al.. Os ácidos escopadúlcico B.. 1996b). 1988. sedativa e diurética (Ahmed et al. 1991). betulínico. benzoxazolinona. 1990a e 1991). (1979) e Mahato et al. Dalla Torre et al. M. 2001). depressora do SNC.. flavonas.

FIGURA 27.. Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne.. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al.1 . 1997a).. além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano. 1978) (Banco de imagens - ... 1988b). porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. 1993).vidade antimalarial in vitro (Riel et al. 1997a e 1997b).Adenocalyma alliaceum. 2002) e antitumoral (Nishino et al.

2 . Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .Pyrostegia venusta.FIGURA 27.

1946) (Banco de imagens - .3 . Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.Scoparia dulcis.FIGURA 27.

Inclui espécies arbustivas. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. A. M.Ivan Martinov.28 Asterales medicinais L. 1997). arbóreas. exceto na Antártida (Mabberley. M. C. Di Stasi C. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. Os gêneros estão distri- . trepadeiras e ervas. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. que passamos a descrever a seguir. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. Hiruma-Lima C. encontradas em todo o planeta. Santos E. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. Essa família compreende 1.750 espécies cosmopolitas. Trata-se de uma grande ordem.528 gêneros. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. com aproximadamente 22. herbáceas.

A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). Nesse contexto. várias espécies do gênero Bidens. Matricaria. Novalgina e Anador. Semeio e Emilia (Senecioneae). muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. • Asteroideae Inula (Inuleae). Baccharis e Solidago (Astereae). Tanacetum. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. Achillea millefolium. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). conhecida como Mil-folhas. Mikania. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Calendula. Aster. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. Ageratum. as várias espécies de Artemisia. a Camomila. Lactuca. gênero da famosa Calêndula.buídos em três grandes subfamílias. as importantes Carquejas. Galinsoga. Arnica e Tagetes (Helenieae). Artemisia. o Mentrasto. especialmente a Mikania glomerata. tais como inúmeras Vernonia. a famosa Arnica. Bidens e Helianthus (Heliantheae). Gnaphalium e Achyrocline. Calendula (Calenduleae). Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Achillea e Santolina (Anthemideae). Calendula officinalis. Saussurea e Echinopis (Cardueae). conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. e inúmeras plantas de . Wedelia. do gênero Arnica. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. das quais se destaca a Baccharis trimera. Calea. com ampla distribuição no território brasileiro. Ageratum conyzoides. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Zinnia. do gênero Mikania. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). Matricaria chamomila.

como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". onde foram incorporadas na medicina tradicional.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. como cicatrizante. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. externamente. Dados botânicos Planta anual. ereta ou prostrada. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. curto-pecioladas. folhas simples. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. amplamente usadas na medicina popular. de ápice e base agudas. como antiinflamatório e. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. a decocção das folhas é usada. opostas. inteiras. rasteira. Na região do Vale do Ribeira. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. Em outras regiões do país. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro.1). em Minas Gerais.pequeno porte do gênero Eupatorium. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. . internamente. flores unissexuais e marginais. oblongo lanceoladas. com borda irregularmente serreada. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. de pequeno porte. caule comprimido e denso-piloso. apenas masculinas.

rizomatosa. sendo as marginais femininas e brancas. no Uruguai. agindo ainda como antiespasmódico. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. gripes e distúrbios do estômago. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. Em outras regiões do país. 1997). a espécie é chamada de Novalgina. amarelas e tubulosas. 1982) e. raras são nativas das Américas. dor de cabeça e dores gerais. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). além de ser anti-helmíntica. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. glabra. contendo folhas oblongolanceoladas. hemorroidais e pulmonares. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. com até 60 cm de altura. com caules ramosos. Dados botânicos A planta é uma erva perene. . como contraceptivo feminino (Mabberley.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al.. Milefólio e Mil-em-rama. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. hermafroditas. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. e as centrais. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. Aquiléia. digestivo. reunidas em capítulos corimbosos. flores dimorfas.

pilosa e ramosa. e o nome do gênero. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. cólicas flatulentas e uterinas. febrífuga. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. amenorréia e gonorréia.2). antidiarréica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. flores brancas ou lilases. ovadas. com até 1 m de altura. útil contra resfriados. Erva-de-são-joão e Maria-preta. mucilaginosa. tônica. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. significa "o que não envelhece". crenadas. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. carminativa.Ageratum conyzoides L. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. com folhas opostas. . pecioladas. além de indicada para aliviar náuseas. anti-reumático e contra cólicas menstruais. a espécie é chamada de Mentrasto. Em outras regiões do país. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. Catingade-barão. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. anti-reumática. a espécie é chamada de Carqueja. Ageratum. Baccharis trimera (Lers) DC. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28.

A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. Macela-do-campo. Erva-picão. podendo atingir até 1 m de altura. Aceitilla. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. com ampla distribuição na América do Sul. anti-reumático. fruto do tipo aquênio (Figura 28. a planta é usada como tônico. o deus Baco do vinho. Carrapicho-deduas-pontas. hipertensão. entre outras (Corrêa. Piolho-de-padre. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. Goambu.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. estomacais e intestinais. 1926). estomáquico. (Bidens pilosa L. bem como em vários Estados brasileiros.3). Amor-seco. Carrapicho-de-cavalo. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Erva-picão e Pau-pau. Picão-do-campo. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. Espinho-de-agulha. diurético e contra distúrbios renais. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. Em outras regiões do país. Carrapicho. Carrapicho-de-agulha. derrame cerebral e diabetes. anti-helmíntico. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. . enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. Pirco. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. Bidens bipinnatus L. tais como Cuambu.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. a decocção das folhas é usada como analgésico. como Picão-preto.

diabetes e inflamações (Corrêa. pecioladas e fendidas. diurética. antiblenorrágica. O nome. 1984). . O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. Vasquez. Bidens. a espécie também é referida como emoliente.. com cálice modificado. capítulos pleiomorfos. antiescorbútica. laringite. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. utilizada especialmente contra icterícia. 1990. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. 1994). referindo-se às aristas do papilho. infecções urinárias (Mejia & Reng. pentâmeras. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. ramosa. A planta é considerada estimulante. folhas opostas. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. 1990).4). diurético e contra hepatite. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a espécie é usada como antiinflamatório. desordens hepáticas.Dados botânicos Planta de pequeno porte. Na medicina tradicional peruana. Duke et ai. dismenorréia. significa "dois dentes". adstringente e considerada útil contra icterícia. No Leste da África. bem como no combate a dores em geral Jager et al. antidisentérica. hepatite. 1996). 1962).. com até 1 m de altura. 1995). Coimbra. glabra. micoses. edema. 1994). sialagoga. antileucorréica. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. vermífuga e vulnerária. leucorréia. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. disenteria. diabetes. dores de cabeça e de dentes (De Feo. conjuntivite. 1993. desobstruente. No Brasil. ereta. simples. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. com flores radiais liguladas. 1992.

Aiapana. enquanto o sumo das folhas frescas. anguloso. estriado e diminuto. Dados botânicos Erva bastante delicada. antidiarréico e antidisentérico. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. visto a grande semelhança entre elas. mas são comuns outras denominações. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. estimulante. Japana-roxa e Erva-de-cobra. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). cólera.5). O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. folhas opostas. triplinervadas. Japana-branca. e contra malária. especialmente do fígado. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. Em outras regiões do Brasil.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. angina. de caule ereto. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. fruto do tipo aquênio alongado. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. como tônico. lanceoladas. corola com tubo interno glabro. .Eupatorium ayapana Veuten. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. acuminadas.ambas não identificadas . Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. androceu com anteras levemente sagitadas. como Iapana. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . sudorífico. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. empregado externamente na forma de banho. flores (20 a 30) azuis. estomáquico.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. 1984). a espécie possui vários usos das folhas. digestivo. ferrugíneo e glabro.

Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene.especialmente na América do Norte . com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. O nome significa "feltro". flores amarelas. capítulos pequenos e reunidos. podendo atingir até 1 m de altura. assim como em todo o Brasil. serradas. de ocorrência nas Américas . O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. a espécie é chamada de Macela. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. . Solidago microglossa DC. referindo-se ao tomento das folhas. a espécie é chamada de Arnica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. que formam uma inflorescência cilíndrica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. pequenas.e com raras espécies na América do Sul. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. com ápice arredondado. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. a infusão das folhas é usada contra diarréia. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. O nome do gênero significa "o que é firme". folhas oblongas.

Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. o chá das folhas. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. ovadas. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. longo-pecioladas. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. O nome do gênero. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. Agrião-do-brasil. Botão-de-ouro. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. vários outros nomes são usados. Mastruço e Agrião-do-norte. comprimido com papilho aristado. fruto do tipo aquênio. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. não alado. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. cálculos da bexiga e dores de dente. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. picadas de insetos e infecções. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. . significa "flor com mancha". flores amarelas. entretanto. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. agudas. Dados botânicos Planta herbácea. com corola curva. Jambuaçu. Spilanthes acmella Rich. membranosas. que tem mancha escura sobre a lígula.6). com folhas opostas. descrito por Nicolaus von Jacquim. Spilanthes. Essa planta é utilizada como estomáquica. tais como Agrião-do-pará. batidas. o preparado com folhas de arruda. Agriãobravo.. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. Abecedária.

bronquite. a S. tais como T. e indicada contra problemas hepáticos. são partidas e aromáticas. atingindo de 60 a 90 cm de altura. patula e T. narcótica. Cravo-africano e Tagetes. antiespasmódica. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. abortiva. minuta. também são usadas como medicinais. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. está muito bem aclimatada no Brasil. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. Cravo-de-tufo. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. Cravinho. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. T. as folhas. com muitos ramos. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. Amorozo & Gély (1988) referem que o . sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. sendo também comumente chamada de Cravo. em Brasília (Matos & Das Graças. emenagoga. considerada carminativa. desinfetante e antiasmática. e seu nome vem de Tages. Originária do México. febrífuga. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. opostas ou alternas. 1980). Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. no Pará (Amorozo & Gély. digestiva. antigripal. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. tosse e resfriado. 1988). divindade etrúria representada como um belo jovem. lucida. Outras espécies do gênero. cicatrizante.1982). 1997). as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. Na Colômbia. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes.

Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. resfriados. bronquites e tosses. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. as folhas são ásperas. com uso freqüente contra dores reumáticas. incluindo brancas. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. é amplamente usada no Brasil como ornamental.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. australe. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. sésseis. na região de estudo. rosas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. as flores possuem várias cores. forte. para tratar "doença que deixa o queixo duro". cordiformes. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. Segundo Hoehne (1939). de Zinha ou Zínia.chá das folhas com alho é usado contra febres. opostas. pela abundância de flores. arroxeadas e vermelhas. Originária do México. Moça-e-velha e Canela-de-velho. com caule ereto. Nomes populares A espécie é chamada. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. Zinnia elegans Jacq. anteras amarelas e estigmas vermelhos. o chá das folhas e flores. .

gama-cadineno. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. terpenos (Verzan & El Sayed. 1988a e 1988b.. De A. Herz & Kalyanaraman.. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. Gene et al. bipinnatus. De A. Torres et al. 1987. 1997). 2001. Hoffman & Hoelzl.. millefolium também foram isolados ésterois. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. Nair et al. delta-cadineno (De Marais et al. 1990. cumarinas. alfahumuleno. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. Alvarez et al.. Wang et al. 1979). Bohlmann et al. De Tommassi et al. alfa-felandreno. limoneno. 1994 e 1984. tripartitus. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. Das partes aéreas de A. axilarina e 5. 1987.. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. flavonóides (Shimizu et al. 1977). australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al... B. 1987).. beta-cariofileno.. Achilea. 1984). 1991). 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. 2002. leucantha (Wat et ai. flavonas (Falk et al.. Hausen et al. B.. leucoantociandinas. pilosa.. alfa-copaeno. Gill et al. 1975) e monoterpenos (Orth et al. 1986.. catecolaminas. 1976a e 1976b).. Sharma & Sharma. beta-guaieno. 1985.. timol.. 1992b. 1979). flavonóides (Bohlmann et al. 1992). diterpenos (Saleh et al. monoterpenos. cadineno.beta-elemeno. 1976).. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. 1975). isocariofileno. germacreno A... 1981).. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. 1994. 1994).6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al.. 1997)..4'-trihidroxi-3. B. 1981. 1986. laevis e B. Debenedetti et al. deterpenos. Herz & Kalyanaraman. 2000).7.. triterpenos (Chandler et al.. flavonas. crisosfenol D. 1996. Poliacetilenos. glabratum (Saleh et al.. pilosa . 1990). De A.. Christensen et al.. 1987). beta-pineno. 1980.. 1979. 2000).. Caffmi & Demolis. saponinas e xantonas (Caetano et al. Da espécie B. 1978). 1975.. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow.

. 1986). E.. Pagani. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. tripartita (Isakova et al.. micranthum (Herz et al 1978). Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. chinese (Zhao et al. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. 1991. £. tinifolium (D'Agostinoetal. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. E. cannabinum (Stevens et al.fortunei. radiata e B.. Wang et al.. 1995) e £. E. 1991) e E. B. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. dois derivados tiofênicos.. E. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. 1992). E. 1990a e 1990b). 1988b. 1992). E. eugenol. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. portoricense (Wiedenfeld et al. angustifolium (Mesquita et al. tripartitus (Christensen et al.. buniifolium (Muschietti et al. ferulefolius. littorale (Sato et al. 1990). E. pilosa (Zuleeta et al. cernuol.. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. £. 1988. 1995) E. 1986). Três poliacetilenos. Poliacetilenos também foram isolados de B. 1997). 1982). 1995). 1994). 1990). parviflora. 1995). subhastatum (Ferraro et al. altissimum (D'Agostino et al. 1987. tais como quatro auronas. maximowicziana. E guayanum (Sagareishvili et al. salvia (Gonzalez et al. enquanto várias chalconas foram obtidas de B.. E. B. 1988c e 1988d)..foram ainda isolados inúmeros compostos. E. B. E. adenophorum (Li et al. ternbergianum (D'Agostino et al.. frondosa (Karikome et al. 1987 e 1988). ácido linoléico. odorata (Hai et al. 1992). erythropappum (Talapatra et al. 1985).. . 1990). e vários flavonóides (Geissberger & Sequin.japonicum. 1981).. B. Liu et al. 1993 e 1995). 1997). 1985). 1997). 1987.. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. ácido linoléico e linolênico. 1988a. B. E. B.. rotundifolium (Hendriks et al. 1995). bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al.. dahlioides. glandulosum (Nair et al. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. frondosa. 1979). 1992). 1994) e E.B. bipinnatus (W B. E. chrysoanthemoides. 1991). Edgar et al. E. B. leucolepis (Herz & Palaniappan. campylotheca (Bauer et al.

Uma grande quantidade de terpenos (geranial. entre outras espécies (Ding et al. 1992b. 1987). americana foram isolados monoterpenos. Das partes aéreas de S. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. 1987). e sesquiterpenóides de E. 1994).. espilantol.. Os principais constituintes do óleo essencial de E. 1986). 1978).. E. 1991). deltoideum (Quijano et al. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. 1986b). 1996). acmella L. quadrangularae (Hubert et al. laevigatum (Lopes et al. 1986). Uma amida. recurvens (Herz et al. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. tinifolium (D'Agostino et al.. estigmasterol. cannabinum (Zdero & Bohlmann. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. adenophorum. var. naginatacetona. quadrangularis (Hubert et al. 1987) e E. E. E. 1987). mikanioides (Herz et al. laevigatum (Bauer et al. p-cimeno.. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. 1986).. E. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. sesquiterpenos. cânfora. altissimum (Jakupovic et al. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al.. 1999). triterpenóides de E. 1980) e E. 1987). 1993). fortuna (Haruna et al. 1987).. entre outros (Nakatani & Nagashima. . 1988a e 1988b). 1987)..fortunei (Haruna et al. fenóis e saponina. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. 1980). limoneno. 1979). 1977). ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico.. E. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al.. cannabinum (Stefanovic et al. 1992a). E. rufescens (Ruecker et al. sitosterol. odoratum (Talapatra et al. Diterpenóides foram isolados de E. Ramsewak et al.Nas folhas de E. enquanto em E. 1990a e 1990b). paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. odoratum foram encontrados taninos. 1986). E. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. De S. E.

1988). minuta são ocimeno. 1993b).. T. T. minuta e T. 6-hidroxikaempferol.. 1993). lucida (Hethelyi et al. 1990a)... T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. T. glandulifera) (Craveiro et al. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. Entretanto.. 1988). Os monoterpenos descritos em T. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T.. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. 1987). 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. mendocina e T. T microglossa (Castro. 1987). Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. tais como quercetagetina. 1985). riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. Tosi et al. 1994) e T. erecta (Singh et al. 1990b). riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev.. como quercetagetina. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. As espécies T. 1993). campanulata. argentina) foram identificados quatro tiofenos. patuletina e muitos desses derivados. pois somente T.. patula. T. 1988a e 1988b). 1991). patula (Ivancheva & Zdravkova. laxa (De-Israilev et al. 1988). que podem ser diferenciadas pela composição química. 1987). 1995). erecta e T. T. 1992). Ahmad et al. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. Das raízes de T. No entanto. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. patula foram isolados tiofenos. T. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. 1988. T. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. 1987. Pe- . tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. patuletrina e patuletina.. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. além de enxofre e fósforo. 1990)..

australe (Matsunaga et al. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. 1996) dessa espécie. taninos.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al... o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. 1988.. 2002) e antifúngica (Portillo et al. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al.. 2001). Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A.. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3.. 1987).. 1997). hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. australe contra Plasmodium berghei em roedores. patula foi detectada (Arroo et al. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. glicosídeos cardíacos.. 1988).. 1988). 1997). 1980). 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. glabratum (Saleh et al.. ocitocina.. elegans indicou a presença de Cumarina. Nascimento et al. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. Em A. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. 1995).. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. 1991). além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. Carvalho et al. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al.. . Experimentos com A. As antocianinas das flores de Z. a A. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. 1995)..

. mas Bidens pilosa var.-ol. 1998b. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. reduzindo a produção de prostaglandinas. pilosa. Abena et al. var.Achila. minor (Blume) Sherff. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. pilosa (Santos et al. Goldberg et al. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. Bondarenko et al.. 1996). 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. como friedelina e friedelan-3. N'Dounga et al. 2000). 1983). Extrato etanólico de B. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. 1987)... além de vários flavonóides obtidos de B. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. 2000). 1949). à presença de saponinas (Gene et al. B. Porém. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. 1969). bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca... 1987. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. 1985. possuem atividade antiinflamatória. presente em suas partes aéreas (Torres et al. (1991). As folhas de A. 1991). pilosa L. imunoestimulante (Ignácio et al. 1980).. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. e B.. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B... Bidens Experimentos com B.. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. Triterpenos.. 1997). as propriedades analgésica e antiinflamatória. minor foi a mais .

in vitro. consaguineum (Lopes et al. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. . 1996)... 1986b). E. pauciflorum (Giesbrecht et al. Para a espécie B. E. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. E.. gracilae. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. Eupatorium A espécie E. tequendamense (Mantilla & Sanabria. O extrato hexânico de B. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. morifolium e E. 1997). Um composto sesquiterpênico isolado de B. 2002). além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. var. Entretanto.. 1995 e 1996) e. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. A espécie B... balantaefolium (Almeida & Fonteles. pilosa L. 1998 e 1999).. ou seja.. E.. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al.... 1997). As folhas de E. 1989). Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E... 1995). 1994. 1995).. glyptophlebum. 1986) e diurética (Rebuelta et al. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. minor e B. densum. La Casa et al. 1977). 1988) e E. somente os extratos de B. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase.. 1995). 1996). pilosa L. 1985). 1985). 1994). E. campylotheca apresentou.ativa. E. mais recentemente. brevipes (Guerrero et al. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. 1985). e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. hipotensora (Dimo et al. atidifolium e E.

1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. larvicida (Pitasawat . odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. Cáceres et al. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. RNAse.. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. flaccida. cannabinum. squalidum (Carvalho et al. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. Os extratos de E. 1991). Inibição da síntese de colesterol.. 1996) e E. E. A.. ayapana (Gonçalves et al.. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. hyssopifolium (Hall et al. odoratum (Iwu & Chiori. assim como da atividade da RNA polimerase. 1986). proteínas. 1984. Guerrero et al... squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. A. 1991). brevipes e E. DNAse. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. 1992). triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. O óleo essencial de E. acmella foram isolados n-isobutil-4. Achyrodine alata.1986).. candolleanum (Campos et al. 1986 e 1987. Eupatorium perfoliatum. halinfolium e E. E... porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. enquanto a espécie E. pauciflorum.. 1988. inulaefolium (Gorzalczany et al. riparium (Ratnayake-Bandara et al. cannabinum (Bourrel et al. e de E. E. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos.. Piperidinas de E. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E... 1995) e E. Herz & Palaniappan. 1989). Inya-Agha et al. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. DNA e RNA de células tumorais. 1990). 1985.5-decadienamida... (Giesbrecht et al. 1990). Sesquiterpenóides isolados de E. O extrato bruto aquoso de E. 1995). 1995). 1990 e 1991). seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. E. Spilanthes Das folhas de S. 1988). 1998). 1982a). Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E.. 1991). 1978).

et al. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. Em S.. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. et al. Souza. oleracea (Herdy & Carvalho.. 1993). e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. 1986) e S. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. folhas e flores de T. presente em muitas espécies. antimicrobiana. 1996). 1992.. Valderrama et al.. enquanto o extrato de S. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. 1995). 1988.. sendo os deri- . como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. 1993. L. J.. bem como no consumo destas (Meckes et al. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp.. F.. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. 1987. et al. 1994). erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. 1995).. usado como emenagogo. O extrato de S. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. 1992).. 1993). e o extrato de S. 1984).. C. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al.. (Fabry et al. Camargo Neves et al. et al. como no cravo-da-índia. 1998) e espilantol. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. 1992) e antitumoral (Moraes et al. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis.. 1990). 1999). isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. in vitro. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al... RJ. sedativa. T. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. Andrade. mas não contra Candida sp. Em I minuta. 1989).. O eugenol.. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica.

. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. . O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. 1987). Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al.. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. a atividade da ATPase. 1989). foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. 1996). elegans L. Dentre outras espécies. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo.. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. in vitro. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. lúcida estimulou discretamente. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. Do extrato de Z. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. O extrato de T. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. 1992). O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al.. D e F. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. o óleo essencial de T.. 1997).Ca2+ dependente e inibiu. 1991). in vivo e in vitro.. 1995). 1995). coronopifolia e T. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. Os extratos hexânicos de T. Zinnia As sementes de Z. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al... sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos... 1991). foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. 1994). Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado.vados tiofênicos os compostos ativos. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. 1994). 1997).

caracterizados por diarréia.. S. et ai. a espécie E. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. australe são tóxicas para aves. Estudos com a espécie A. dispnéia. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. alopecia. congestão do baço e coração. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. fraqueza e debilidade dos membros. adenophorum (Oelrichs et ai. M. 1994).. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. Segundo Hoehne (1939).. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. 1988). especialmente na fase jovem. V. Entretanto. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. 1993). As folhas de S. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. 1995). 1978a e 1978b). poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. 1996 e 1997). hemorragia.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes.. enquanto o extrato aquoso de S. australe durante o período de prenhez de ratas. Tremetona isolada de E. A. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. 1990). rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. no entanto. 1995). A ingestão regular de E. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. et al. T.. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. especialmente ..

A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas. c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - .Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. b) detalhe da escanerata. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades.1 . FIGURA 28.como diurético e hipotensor. relaxante muscular e antineoplásica.

FIGURA 28.Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .2 .

b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.FIGURA 28.3 .

Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .Bidens bipinnatus.FIGURA 28.4 .

.original).FIGURA 28.5 .Eupatorium ayapana. 1998). b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.: a) ramo florido (Di Stasi .

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.Spilanthes acmella. . 1984).6 .FIGURA 28.

do famoso Cafeeiro. Genipa. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. Coffea arábica. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. algumas espontâneas nas áreas tropicais. do famoso jenipapo brasileiro. Desfontainiaceae e Rubiaceae. Di Stasi C. alguns deles de valor histórico. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. com representantes arbóreos. nos quais se distribuem mais de 10. • Ixoroideae: Coffea. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. arbustivos.29 Rubiales medicinais L. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. e Gardenia. A. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). . como é o caso de Coffea e Cinchona. importante fonte de espécies ornamentais. 1997). assim como de vários compostos com atividade farmacológica. C. Gelsemiaceae.200 espécies vegetais cosmopolitas.

muito comuns em terrenos baldios. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. flores hermafroditas. estipulas não foliáceas. • Rubioideae: Psychotria.1). ovário ínfero. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. 1997). Não foram encontrados sinônimos. inteira. Cephaelis da famosa C. com pêlos abaixo da inserção dos estames. fruto indeiscente. folhas curto-pecioladas. Borreria e Dioidea. ipecacuanha. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. Dados botânicos Pequeno arbusto. lanceoladas. importante árvore. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. simples. com corola de base gibosa. e Palicourea. com espécies popularmente denominadas Poaia. especialmente na Amazônia. . O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais.• Antirheoideae: Guettarda. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. carnoso e drupáceo (Figura 29. fonte de emetina e outros constituintes de importância. ereto. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. bicarpelar. diclamídeas. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas.

. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. 1999). A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. 1994). Hil.. opostas. frutos do tipo baga. avermelhadas. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. 1995. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. .Palicourea marcgravii St. fendleri (Nakano & Martin. 1996. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. avermelhados. pecioladas. 2001). sobretudo na região amazônica. E popularmente usada como medicamento. Stuart & Woo-Meng. 1976).. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. 1989a). marcgravii.. Nomes populares No Brasil todo. De-Moraes-Moreau et al. glabros. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. (Kemmerling.. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. com ramos cilíndricos. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. acuminadas.5 m de altura. delgados. de onde partem folhas com venação tênue. de P. Além de alcolóide. Palermo-Neto et al. inflorescência em panículas. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al.

1984a. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. De-Moraes-Moreau et al. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. 1986). Segundo Schvartsman (1979). espasmos musculares. falta de coordenação motora. Palermo-Neto et al. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. 1989). 1989b. P. Além de fluoroacetato. Gorniak et al. 1995). que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling.. 1989. midríase e morte em bovinos (Costa et al. 1996). porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. 1982). e a intoxicação. comum em animais e rara na espécie humana. FIGURA 29. 1988. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos.. et al. náuseas... A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. enquanto P. vômitos. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. 1989). Tokarnia & Dobereiner...Banco de imagens - .. contrações musculares. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .1 . Das folhas de P. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. 1980) e convulsivante (Gorniak et al.teratogênica (Costa. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação..Palicourea laniflora.

mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. arbustos e lianas. Di Stasi C. também utilizado como medicinal em todo o mundo. No Brasil. 1978). . A família inclui inúmeras plantas ornamentais. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. 1997). cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. Abelia e Linnaea. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil.30 Dipsacales medicinais L. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. A. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. Lonicera. Os principais gêneros são Sambucus. Lonicera e Sambucus (Barrozo. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. descrita a seguir. C. Viburnum.

O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. A espécie. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. e possuem aroma muito agradável. com ramos bastante lenhosos. Floresce nos meses de julho a agosto. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo.Espécies medicinais Sambucus nigra L. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. A infusão das folhas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. . dispostas em um corimbo branco. Apresenta importante valor econômico. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares.1). considerada exótica nas Américas. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. gripes fortes e varicela. além de seu histórico uso medicinal. no champanhe e no catchup. as flores são brancas. usada internamente. Na região da Mata Atlântica. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. além de flavorizantes em vinhos. óleos e ungüentos. é considerada excelente diurético e sudorífico.

descrita no trabalho de Grieve (1994). 2001).. tetradecênico. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. esteárico. lectinas das cascas (Shibuya et al. folhas. 1989. De S.. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. Kaku et al. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. palmítico. os ácidos graxos láurico. canadensis foi isolado o iridóide . S. casca e frutos são usados para diminuir febres. 1986). os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. nigra. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral.Bown (1995) refere que flores. gripes. 1989a). mirístico.. 1990. reumatismo e febres. catarros. sinusite. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. Van Damme et al. externamente. racemosa e S. 1988). oléico. 1989b e 1989c). diuréticas. heptadecênico. a planta ainda é indicada contra influenza. sudoríficas.. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. para pequenas queimaduras. Internamente. lignanas. flavonóides. erisipelas e queimaduras. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al.. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. cianogeninas.

nigra. 1974). Salvia offtcinalis. mexicana. 1988). 1997).. Com base nessa constatação. 1995). conhecido como Sauco. Schoning. Bojic & Cuperlovic. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F.morronisídeo (Jensen & Nielsen. que possui atividade colerética (Takeda et al. australis. das folhas. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al.. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. O reatival. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. De S. 1986).. 1997. 1992b e 1992). O extrato aquoso das folhas de S. indicado para hidropisia. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. 1987). 1989). 1994). canadensis (Buhrmester et al. beta-amirina e o ácido oleanólico. 1996. Van Damme & Peumans. O extrato aquoso de S.. Artemisia absinthium. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. O extrato hidroalcoólico de S. Prunus spinosa.. 2000).. e das raízes de S. formosana foram isolados.. De S. . promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. As lectinas de S. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. Centaurium minus.. 1990). antiinflamatória e antipirética. 1997.. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al.. apresentou atividades analgésica. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. Das cascas de S. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al.. Sambucus nigra. 1980). que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. 1997a e 1997b). indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol.. 1997). e Polygonum aviculare. 1996). 1997).

1 .Sambucus nigra. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). 1999) e a espécie S. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. FIGURA 30. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al..A espécie S. . Neto et al.. 2000. 2002).

C. como é o caso do Alho (Allium sativum). Mata Atlântica.Posfácio L. entre outros. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. da Hortelã (Menthapiperita). muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. . • 109 são usadas na Amazônica. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. Dessas 135 espécies medicinais. A maioria é nativa desse ecossistema. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea).

Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. o Mamão (Carica papaya). o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais.Dessas 135 espécies medicinais. o Coentro (Coriandrum sativum). entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. a Losna (Artemisia absinthium). das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. o Agrião (Nasturtium officinalis). várias espécies amplamente conhecidas. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. razão pela qual não foram incluídas no texto. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. a Mostarda (Brassica nigra). ou seja. apenas dezesseis são monocotiledôneas. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. Esse dado se torna mais importante porque. a Camomila (Matricaria chamamila). A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. líquens. a Calêndula (Calendula officinalis). No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. neste livro. . compreendidas em trinta diferentes ordens. 340 espécies. a Erva-doce (Pimpinela anisum). mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas.

O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. Sobre essas. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. . seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. pelos mais variados grupos de pesquisadores. Por isso. alcançando alto índice de citação.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. e que esse conhecimento seja recuperado. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. Finalmente. esse conhecimento se enriquece a cada dia. como a de massa e a erudita. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. isto é. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área.

Que abraça o caule. Que fica na axila. pelo lado interno. Arista. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule.Glossário de termos botânicos. Alternas. Fruto seco. Arilo. Aguda. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. com uma única semente. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Hermafroditas. o ciclo reprodutivo e depois morre. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Bianual. os estames. Bainha. no segundo. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Androceu. Baga. Planta que nasce. com dois sexos. indeiscente. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Acuminada. Andróginas. Antera. . se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Aquênio. Axilar. Amplexicaule. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Anual. Excrescência da semente. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Conjunto de órgãos masculinos da flor. folhas que envolvem o caule.

Conjunto de pétalas. Que se abre. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Corola. Pétala superior da corola papilionada.Bráctea. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Cariopse. Epicarpo. Fruto seco. Diz-se da flor. Cuneiforme. Fruto monospérmico. Endosperma. Caduco. Carpelo. deiscente. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Deiscente. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. Diclamídea. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Qualquer órgão que cai em determinado período. Ex. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Decumbentes. tornando-o alado. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Colmo. dois mais altos e dois mais baixos. em geral dois. Planta trepadeira. Pedúnculo geralmente sem folhas. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Capítulo. mas sempre terminando na mesma altura. com função de proteção. Cada um dos apêndices. . inseridas em um eixo comum. Estipula. Conjunto de sépalas. normalmente largo. Na forma de cunha. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Estilete. Escandente. Escapo. Folha modificada que origina o gineceu. como o fruto das gramíneas. Decorrente. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. seco e indeiscente. Camada externa do pericarpo. Didínomo. Cápsula. Dicotiledôneas.: cana-de-açúcar. que é o verticilo externo da flor. androceu ou planta que possui quatro estames. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Drupa. Com a forma de elipse. Estandarte. Elíptico. Cálice. Crenada. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Carena. Corimbo.

que juntos constituem o perianto. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. complexas e variadas nas formas. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. pentâmeras etc. Filete. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. Parte do estame que sustenta a antera. trímeras. Flores. e ao de pétalas. que é ramificada igualmente em forma de pincel. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. As flores são estruturas de reprodução. Fasciculada. As flores podem ser dímeras.Estômato. . o de corola.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. Folha.

sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação. e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: .A morfologia das lâminas foliares é bastante variada.

Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. ou com o próprio caule. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . às vezes reduzidas. . as folhas podem ser pecioladas ou não. Nesses casos.ou composta .quando consta somente uma lâmina .quando se compõem de duas ou mais lâminas. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. no caso das folhas compostas pinadas. às vezes numerosas.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. recebendo o nome de folíolos (ou pinais). As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário.

Finalmente. . Todas essas características. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. conforme se observa na figura a seguir. mais aquelas apresentadas para as flores.

Hermafrodita. Indeiscente.Folíolo. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Monóica. em linhas gerais. Gavinha. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Inflorescência. Folículo. mais longa que larga. Flor com apenas um invólucro no perianto. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Que não se abre. Monoclamídea. Infrutescência. Lobado. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Diz-se da folha em forma de círculo. . Lóculo. Glabro. Orbicular. deiscente. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Gineceu. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Planta ou flor com dois sexos. Metaclamídeos. Hirsuto. Gluma. é constante para cada espécie vegetal. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Desprovido de pêlos. Lígula. Diz-se da folha que tem a forma de lança. Lâmina. Planta que produz flores unissexuais. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Oblonga. porém presentes na mesma planta. Fruto seco. As inflorescências podem ser de diversos tipos. os carpelos. Porção alargada e achatada da folha. Lanceolada. e as principais são motivadas na próxima figura. Monocotiledôneas. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Provido de pêlos longos. Brácteas externas que envolvem a espigueta.

. .Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al. 1978).

Panícula. Estruturas com simetria bilateral. cáprico. . fórmico. Receptáculo. fenólico e tartárico. Hidrocarboneto não saturado. isovalérico. aromáticos etc. Conjunto de estruturas com a mesma função. Caule subterrâneo. Qualquer substância de sabor ácido. succínico. Ácido. Uncinada. Tomentoso. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Cálice modificado em pêlos. Exemplos: ácidos acético. araquídico. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. incolor. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. Perianto. Conjunto formado por cálice e corola. oléico. cujos pêlos se entrelaçam. dibásicos. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Pecíolo. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. Zigomorfa. com cheiro desagradável. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. cerdas ou aristas. esteárico. Perene. palmítico. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. mirístico. nitrogenadas de origem vegetal. característico da família Asteraceae (Compositae). Rizoma. Ráquis. dispostas circularmente. linoléico. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. Termos químicos Acetileno. solúvel em água. Substâncias orgânicas. Verticilo. Planta ou órgão denso. Pubescente. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Que forma gancho. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. gálico. Racemo. Alcalóides. Papilho. Qualquer estrutura provida de pêlos. Ácidos orgânicos. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. gasoso. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Ácido graxo. o mesmo que cacho. Podem ser monobásicos. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Séssil.

Carboidrato. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. estragol. originam as flavononas. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. Esteróides. Ou hidrato de carbono. Líquidos incolores. Ver esteróides. eugenol e hidroquinonas. Esterol. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. Amilopectina. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Catalase. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Aldeído. Uma das substâncias constituintes do amido. Cumarinas. . Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. Compostos aromáticos. Compostos naturais ou artificiais. Flavonóides. Exemplo: p-cimeno. onde exerce importantes funções. que exercem várias funções. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis.Alcoóis. amarelos e roxos. Fitosterol. Flavonas. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. timol. Cetonas. Compostos orgânicos não-cíclicos. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. como a quercetina. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. encontrado nos organismos vivos. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). voláteis. vegetais e animais. tais como os hormônios. Betaínas. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). derivados do cicloperidrofenantreno. com caráter gelatinoso. São corantes vegetais. Aminoácidos. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Fenóis. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Exemplos: carvacrol. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Compostos alifáticos.

Glicosídeos. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Insulina. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Glicídios. pela ação de ácidos diluídos. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. Peroxidase.Fosfolipídio. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Substâncias que. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Mucilagens. Peróxido. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Hormônio secretado pelo pâncreas. recobrindo-as com uma camada protetora. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. geralmente de odor agradável. oxidando outros compostos. . obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Ligninas. Heterosídeo. Compostos cíclicos. Hidrocarboneto. Lactonas. Hidrolato. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Óleo essencial. Lignanas. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Insaturados. Líquido incolor e aromático. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. sofrem hidrólise. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Lipídios. Compostos cíclicos. Líquido oleoso. derivados do fenilpropano.

Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Analgésico. Acne. Agregação. antigonorréico. ato ou efeito de desvariar. de um músculo ou grupo de músculos). Amenorréia. Que suprime náuseas ou vômitos. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Antiblenorrógico. perda momentânea da razão. Anestésico. Antibacteriano. Angina. Anemia. calvície. Afasia. Antiemético. . Adenocarcinoma. Dor sufocante. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Auticonvulsivante. Que combate as convulsões (contrações violentas. que impede a formação de catarro. Capaz de promover expulsão do feto. Adstringente. Antigonorréico. Antifúngico. que prende. podendo ser feminina ou masculina. que provoca constricção. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Que combate fungos. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Expectorante. Que reduz a capacidade de reprodução. doença sexualmente transmissível. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Que combate a eliminação de muco. aglomeração. Anticatarral. Que aperta. Agrupamento. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Antidisentérico. Afrodisíaco. Alucinação. especialmente táctil e dolorosa.Termos médicos Abortivo. Antiescorbútico. Alopecia. Falta de menstruação. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. involuntárias de músculos voluntários). sufocação. a sangue). Antifertilidade. Antidiabético. Tumor maligno com disposição glandular. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Que aumenta ou excita o desejo sexual. Que reduz ou suprime a dor. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Antiespasmódico. às vezes. Delírio. violenta. Queda dos cabelos.

especialmente bactérias. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Que combate micróbios. Anti-séptico ou Antisséptico. Antimicrobio. Antivenéreo. Redução ou perda de apetite. Que combate a formação de tumor maligno. Que combate a sífilis. Antileucorréico. Que combate helmintos. Anti-sifilítico. Antitérmico. Relativo à tosse. . Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Que combate a histeria. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Anti-reumático. também chamada de paludismo. Que faz baixar a temperatura. Antitumoral. em geral acompanhada por desordens na fala. doença causada pelo Treponema pallidum. popularmente chamados de vermes dos intestinos. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Ataxia. quase sempre transmitida por contato sexual. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. febre paludosa ou palustre. Anorexia. Em geral se forma na bexiga. falta de emoção. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Que combate a lepra. Antinociceptivo. nos rins e/ou na vesícula biliar. Que dilata os brônquios. Antineoplásico. Antipruriginoso. Antiinflamatório. Antimalárico. Também denominado antipirético e febrífugo. Brônquios. Antivirótico. Cálculo. que serve para o tratamento da tosse. Antileprótico. Que combate o corrimento vaginal simples. Estado de indiferença. formada por sais minerais. desinfetante. Béquico. Que impede a fermentação. Que combate as doenças provocadas por vírus. insensibilidade. Que combate o reumatismo.Anti-helmíntico. Anti-histérico. inatividade. Que combate as inflamações. Que combate tumores. putrefação ou contaminação microbiana. Apatia. Broncodilatador. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Anti-hemorroidal.no.

Que combate as infecções ou seus agentes causadores. enfraquece. Catártico. Desobstruente. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Carminativo. Respiração difícil. sensação de peso ou queimação no estômago. que separa substâncias nocivas. Eczema. Que tem a propriedade de amolecer. caracterizado visualmente pelo inchaço. Desinfetante. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. do intestino. Diurético.Carbúnculo. Purgativo. Dificuldade na deglutição. que ativa a eliminação de bile. Prisão de ventre ou. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. também. empachamento. Que favorece ou provoca menstruação. Emenagogo. resfriado. Que deprime. Indigestão. Que alivia a distensão por gases. Disfagia. libera a passagem de um vaso ou canal. Sudorífico. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Depurativo. Diaforético. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. reduz a força. Que limpa. reduz a excitação. Dispnéia. Constipação. Edema. Citotóxico. Que provoca vômito. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. estimulante da transpiração. Dispepsia. do estômago etc. muitas delas usadas para destruir células tumorais. gripe. Cicatrizante. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. que previne a invasão de microorganismos. Que desentope. Que favorece a secreção urinária. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Emoliente. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. acompanhada de náuseas. Inflamação da pele. Emético. dificuldade para respirar. que aumenta ou provoca a secreção urinária. Que exerce efeito tônico sobre o coração. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Cardiotônico. Dermatite. Colagogo. Depressor. gripe comum. Infecção por bactérias. Congestão. . purifica. Que favorece o fluxo biliar. crostas e secreção.

Que baixa a taxa de glicose no sangue. deposição de bile nos tecidos. Que estimula ou provoca a ação. com vermelhidão. que estanca hemorragia. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. com bradicardia (pulso lento. Relativo ao fígado. Excitante. O mesmo que arroto. Fitofármaco. Tóxico para as células do fígado. Relativo a hemostasia. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Derrame de bile no sangue. Febrífugo. Ictericia. Hepatotóxico. Hepático. Hemostático. Fitoterapia. no estômago etc. que melhora o funcionamento do fígado. Que combate fungos. estado de irritação. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Hipotensor.Erisipela. Hipertensor. Hipoglicemiante. que facilita as funções do estômago. Que baixa a pressão sangüínea. Hipocolesterolêmico. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. espanto. Farmacoterápico. assombro. Hidropisia. Hepatócitos. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Estupefaciente. Fungicida. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. que leva à perda de atividade. Que combate a febre. Que produz imobilidade emocional. Expectorante. Relativo ao estômago. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Distensão por gases no intestino. Glicosúria. Estimulante. Que aumenta a pressão sangüínea. . pigmentação amarela generalizada da pele. Hiperglicemia. Fitoterápico. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). com anemia. Capaz de promover estímulos. Eructação. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Células do fígado. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Flatulência. Estomáquico.

Que produz gordura. produzindo sono e alívio da dor. Incapacidade de reprodução. Lipogênico. Parasitemia. Relativo a peito. Que mata ou destrói parasitas. calmante. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Dor na região lombar (costas. Mutagênico. Que laxa ou afrouxa. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Lipemia. tranqüilizante. importantes para a coagulação sangüínea. impaludismo. Estado que é tóxico ao rim. Malária. Morféia. Que alivia excitação. Corpúsculos sangüíneos. como no caso da esquistossomose). . Nefrotoxicidade. Excreção excessiva de urina. Narcótico. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. o mesmo que laxante. Plaquetas. Purgativo. Que resolve. Tóxico para as células brancas do sangue. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. que acalma. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Linfocitotóxico. afecção cutânea. Poliária. Sedativo. Parasiticida. purgante. Grau ou índice de parasitas no sangue. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Substância que mata insetos. Infertilidade. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). dorso). que apenas exonera o intestino. Lenitivo. Lumbago. Maleita. que faz cessar inflamação. purgativo fraco. Lepra. Midríase. Sialagoga. Dilatação da pupila. Que produz sono ou inconsciência. Peitoral. droga que paralisa as funções do cérebro. Moluscicida. Laxativo. Inseticida. causado por gordura. Que adoça ou acalma.Impingem. Resolutivo.

que facilita a saída de pus. Que destrói ou afugenta vermes. Testículo. Próprio para curar feridas. Tônico. Tranqüilizante.Sialorréia. Revigorante. Sinusite. Diaforético. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Que tranqüiliza. Vermífugo. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Teratogênese. Tóxico para o zigoto. bolhas. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Vesicante. Sudorífico. Vulnerário. Que provoca vesículas. Salivação abundante. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Zigotóxico. . Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. que acalma. Que produz pus. Supirativo.

p. et al..3.3. p. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. et al. v. D. ABDALA. nos casos de única autoria.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. Human Toxicol. O mesmo se aplica a teses. ABDULLAEV. p.23.l69-71. v. . Prir. 1995.12. v. simpósio ou similar. ABDEL-KADER. L. v. Nat. n. p. I. n. página e ano.499-500.4.5. n. 1986. Soedin. ABE. . n. página inicial e página final e ano de publicação. P Lilloa. SEELIGMANN.38. 1995a. Um autor. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. M. • Quando se trata de livro. os autores são citados como nos casos das revistas. et al.269-74.1294-7. F. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. Biochemical Systematics and Ecology. 1995.43. seguindo-se o título do congresso. fascículo. 1986. Prod. Prir. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). n. nos casos de dupla autoria. incluindose volume. v.5.657-63. et a l j . Khim. os autores são citados no texto. n.. dissertações e outras publicações do gênero. p.326-32. S. p. Soedin (Tashk). n. N. (Tashk). Os dois autores. 1997. p. . Khim. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros).7-8. apenas sua referência. nos casos em que há mais de dois autores. ABDU-AGUYE.871-2. R. 1985.60.2.

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113 Aristolochiales. 202-4 . 75 Allium sativum. 3512. 79 Aristolochia. 351-2 Averrhoa carambola. 458-6 Achillea millefolium. 65. 90 Apiaceae. 376 Araliaceae. 90-3. 78 Alpiniajaponica. 480. 102. 450. 345. 227-8. 65. 461 Ageratum conyzoides. 67. 96. 58. 56. 377-78. 449 Bixa arborea. 113-5. 316 Bidens bipinnatus. 488 Bauhinia forficata. 340-3. 468-9. 79 Allamanda cathartica. 342-3. 391 Allium cepa. 487 Alismataceae. 364 Apiales. 475. 351-2 Baccharis trimera. 386 Asteraceae. 52. 373 Averrhoa bilimbi. 453. 42-3 Andropogon nardus. 111 Annonaceae. 223 Bixa orellana. 140-1. 77 Aloe vera. 152. 381-5. 463-5 Asterales. 110 Annona tenuiflora. 69-74. 113 Asclepiadaceae. 62 Alternanthera brasiliana. 154 Alternanthera micrantha. 339-40 Anacardium giganteum. 149-50 Amaranthaceae. 149. 201-2. 474. 93. 463 Asteridae. 65-6. 467. 467-8. 360 Anacardium occidentale. 489 Bidens pilosa. 79 Alismatidae. 475. 43 Annona muricata. 364 Apocynaceae. 81 Arecidae. 468-9.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 115 Aristolochia trilobata. 68. 368 Arecaceae. 143 Acanthospermum australe. 148 Anacardiaceae. 479. 119 Aristolochiaceae. 361 Andropogon leucostachys. 480 Bignoniaceae. 466 Adenocalyma alliaceum. 95-9. 465.

287 Cecropia peltata. 382-3. 322 Clusiaceae. 272 Clidemia novemnervia. 247. 83 Eryngium ekmanii. 212-3. 54. 490 Euphorbiaceae. indicus. 394-5 Ipomoea quamoclit. 205. 150. 225 Guttiferales. 393 Cordia verbenacea. 231 Celastraceae. 440 Costus spiralis. 53-4 Coutoubea spicata. 210. 298 Derris floribunda. 430. 41-2 Convolvulaceae. 224 Hibiscus sabdariffa. 265 Caprifoliaceae. 238 Cucumis anguria. 496 Dipteryx odorata. 441 Inga spectabilis. 411 Hibiscus furcellatus. 190 Cucurbitapepo. mariana. 175 Diplotropis purpurea. 155-6 Caesalpinia ferrea. 301-2. 282-3. 327 Cassia multijuga. 211. 331 Celosia argentea. 312 Ipomoea batatas. 46-7. 259 Hedychium coronarium. 207. 379. 230-2. 266 Capparidales. 147 Caryophyllidae. 231 Celastrales. 385 Hirtella. 315 Caesalpinia pulcherrima. 264-5 Cymbopogon citratus. 300. 237. 375 Gnaphalium purpureum. 275 Hydrocotyle exigua. 206-7. 214 Himatanthus. 82-3 Fabaceae. 276-7 Cajanus cf. 165. 298 Derris amazônica. 201 Boerhavia difusa. 259 Commelinidae. 387 Gentianales. 236 Euphorbiales. 481. 292. 470. 398. 496 Caryophyllales. 151-2.Bixaceae. 235 Cecropiaceae. 408-9. 395 . 272. 44. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 152-3. 295. 213. 287-8 Cassia reticulata. 365-9. 242. 61 Heliotropium indicum. 318 Desmodium tortuossum. 145 Caryophyllus aromaticus. 185. 215. 178-9. 80. 284 Hyptis crenata. 386-7 Gentianaceae. 285. 49 Cymbosena roseuna. 170 Chenopodiaceae. 407. 280. 471 Gomphrena globosa. 402-3 Cactaceae. 279. 163-4 Chrysobalanaceae. 366-7 Hymenaea courbaryl. 236 Euterpe edulis. 296 Fabales. 406 Brunfelsia grandiflora. 413-4. 287 Cassia occidentalis. 302 Echinodorus grandiflorus. 163 Chenopodium ambrosioides. 373 Eupatorium ayapana. 283. 171 Gossypium barbadense. 297 Capparidaceae. 179 Cucurbitaceae. 172 Boraginaceae. 286. 388 Croton cajucara. 178 Cybianthus. 63 Heliconia. 292 Caesalpiniaceae. 299. 255 Croton sacaquinha. 308 Dipteryx punctata. 299 Dillenidae. 276 Fischeria cf. 154. 324. 281. 319 Dipsacales.

161-2 Portulaca pilosa. 424. 121-2 Pereskia grandifolia. 181-2. 427. 256 jatropha gossypifolia. 42 Pogostemon patchouly. 161 Ocimum basilicum. 444 Mentha pulegium. 184-9. 425-6. 64 Lippia alba. 445 Mimosaceae. 417. 241. 129. 323-4 Myrtales. 123. 199 Passifloraceae. 133 Piper gaudichaudianum. 108 Petiveria alliacea. 122-3 Piper cernnum. 321 Nyctaginaceae. 415-6. 418 Mentha viridis. 336 Maytenus ilicifolia. 240-1 Magnoliidae. 447 Polygalales. 239-40. 427-8. 87 Magnoliales. 427. 136 Piperaceae. 208 Malvaceae. 422-3. 303 Myrsinaceae. 254. 332. 135 Piper marginatum. marcgravii. 262 Myrtaceae. 426. 64-5 Liliales. 399-400. 321 Menispermaceae. 244-6. 191-2. lhotzkyanum. 221-2. 125. 421. 121. 198 Lacistemaceae. 337 Malva parviflora. 130. 107 Leguminosae. 443 Liliaceae. 89 Malpiguiaceae. 432 Ocimum canum. 132 Peperomia. 195 Mabea angustifolia. 446 Origanum vulgare. 420. 493. 139 Mentha piperita. 369-72 Portulaca oleraceae. 156-7 Persea americana.Jacaranda caroba. 158-9. 39. 229 Musa. 332. 334-6 Melastomataceae. 451-2 Jatropha curcas. 245. 61 Musaceae. 389 Luffa cylindrica. 160. 185. 311 Momordica charantia. 106 Laurus nobilis. 425. 432. 131. 432 Ocimum micranthum. 419-20. 158 Pothomorphe peltata. 64 Liliidae. 442 Leucas martinicensis. 431. laniflora. 124. 167-9. 191 Lamiaceae. 166 Piper cavalcantei. 350 Palicourea cf. 427 Ocimum gratissimum. 252. 103 Myrocarpus frondosus. 128. 495 Palicourea cf. 238-9. 180. 419. 162 Portulacaceae. 204 Malvales. 79 Moraceae. 126-7. 200 Maytenus aquifolium. 60 Myristicaceae. 422 Oxalidaceae. 250-1. 134 Piper d. 277 Leonotis nepetaefolia. 431. 192 Pedaliaceae. 120 Poaceae. 173 Phyllanthus corcovadensis. 406 Lauraceae. 494-5 Passiflora coccinea. 414. 435 Loganiaceae. 416.120 Piperales. 337 Polyscias. 137 . 429. 258 Physalis angulata. 412-3 Lamiales. 251 Lacistema. 233 Muntingia calabura. 434-5 Lippia granais. 125. 453 Peperomia elongata. 108 Persea gratíssima. 196 Monocotiledonae. 192-3. 402-5 Phytolacaceae.

452. 216 Stigmaphyllon fulgen. 197 Xylopia cf. 484 Zollernia ilicifolia. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 227 Theobroma speciosa. 390 Symphytum officinale.Pothomorphe umbellata. 45. 233-4 Spilanthes acmella. 379-85 Tiliaceae. 345. 360 Scoparia dulcis. 182 Sesamum indicum. 353 Saccharum officinarum. 472. 477. 215-6. 485. 138 Primulales. 350. 217-9. 338 Stigmaphyllon strigosum. 457 Scrophulariales. 48. 482. 400 Solanum tuberosum. 361 Sterculiaceae. 274 Psydium cf. 330 Pyrostegia venusta. 76 Sapindales. 271 Rosidae. 339 Schinus terebenthifolius. 457-60. 230-1 Verbenaceae. 344. 412 Tagetes erecta. 101. 50 Sambucus nigra. 226 Solanaceae. 183. 397-8 Solanales. 58 Zingiberaceae. 208-9. 213. 471 Sorocea bomplandii. 479. 51 Zinnia elegans. 463 Scrophulariaceae. 347. 453-6 Sida rhombifolia. 177-8 Virola surinamensis. 112 Zingiber officinale. 473-4. 312. 269 Rubiaceae. 434 Violales. 127. 354-7. 326 Psydium guajava. 99. 497-500 Sansevieria. 409. 209 Urticales. frutescens. 262 Prunus domestica. 338 Strychnos triplinervia. 474. 492 Ruta graveolens. 322 Rosaceae. 462 Ranunculales. 478 Theobroma grandiflorum. 218. 189. 349. 273 Rosales. 94-5. 401 Solidago microglossa. 139 Rhynchanthera grandiflora. 228 Thevetia peruviana. 132. 51 Zinigiberidae. 449 Sechium edule. guineense. 393 Solanum paniculatum. 221 Urena lobata. 55. 363 Rutaceae. 492 Rubiales. 325-9. 491 Spondias purpurea. 320 . 52 Zingiberales. 103-6 Vismia japurensis.

SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.Estúdio Gráfico (Diagramação) .5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .

do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. do Departamento de Farmacologia. Campus de Botucatu.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. Capa: tsabel Carballo . do Departamento de Fisiologia.

ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. .