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O mineral existe no solo de diversos países

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Nióbio Um metal raro no mundo, mas abundante no Brasil, considerado fundamental para a indústria de alta tecnologia e cuja demanda

tem aumentado nos últimos anos, tem sido objeto de controvérsia e de uma série de suspeitas e informações desencontradas que se multiplicam na internet – alimentando teorias conspiratórias e mitos sobre a dimensão da sua importância para a economia mundial e do seu potencial para elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Trata-se do nióbio, elemento químico usado como liga na produção de aços especiais e um dos metais mais resistentes à corrosão e a temperaturas extremas. Quando adicionado na proporção de gramas por tonelada de aço, confere maior tenacidade e leveza. O nióbio é atualmente empregado em automóveis, turbinas de avião, gasodutos, em tomógrafos de ressonância magnética, na indústria aeroespacial, bélica e nuclear, além de outras inúmeras aplicações como lentes óticas, lâmpadas de alta intensidade, bens eletrônicos e até piercings. O mineral existe no solo de diversos países, mas 98% das reservas conhecidas no mundo estão no Brasil. O país responde atualmente por mais de 90% do volume do metal comercializado no planeta, seguido pelo Canadá e Austrália. No país, as reservas são da ordem de 842.460.000 toneladas e as maiores jazidas se encontram nos estados de Minas Gerais (75% do total), Amazonas (21%) e em Goiás (3%). Segundo relatório do Plano Nacional de Mineração 2030, o Brasil explora atualmente 55 substâncias minerais, respondendo por mais de 4% da produção global, e é líder mundial apenas na produção do nióbio. No caso do ferro e do manganês, por exemplo, em que o país também ocupa posição de destaque, a participação na produção global não ultrapassa os 20%. Tal vantagem competitiva em relação ao nióbio desperta cobiça e preocupação por parte das grandes siderúrgicas e maiores potências econômicas, que costumam incluir o nióbio nas listas de metais com oferta crítica ou ameaçada. É isso também que alimenta teorias de que o Brasil vende seu nióbio “a preço de banana”; que as reservas

morto em 2007.nacionais estão sendo “dilapidadas”. e que o país está “perdendo bilhões” ao não controlar o preço do produto. O nióbio já chegou a ser relacionado até com o mensalão. maior produtora mundial de nióbio. após o empresário Marcos Valério afirmar na CPI dos Correios. que o Banco Rural conversou com José Dirceu sobre a exploração de uma mina de nióbio na Amazônia. incluiu as minas brasileiras de nióbio na lista de locais cujos recursos e infraestrutura são considerados estratégicos e imprescindíveis aos EUA . o nióbio voltou a ganhar os holofotes em razão da venda bilionária de uma fatia da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). a liga ferro-nióbio foi comercializada em 2012 . Um dos seus porta-vozes mais ilustres foi o deputado federal Enéas Carneiro. em 2005. um grupo de empresas chinesas. Mais recentemente. o fato é que o quase „monopólio‟ da oferta ainda não resultou numa política específica para o nióbio no Brasil ou programa voltado para o desenvolvimento de uma cadeia industrial que vise agregar valor a este insumo que praticamente só o país oferece. Segundo estatísticas oficiais. um documento secreto do Departamento de Estado americano. japonesas e sul coreana fechou a compra de 30% do capital da mineradora com sede em Araxá (MG) por US$ 4 bilhões. que alardeava que só a riqueza do mineral seria o suficiente para lastrear toda a riqueza do país. A chamada “questão do nióbio” não é um assunto novo. para companhias asiáticas. vazado pelo site WikiLeaks. Em 2011. Independente do debate muitas vezes ideológico por trás da questão e dos mitos que cercam o mineral (veja quadro abaixo). Em 2010. FATO: Trata-se de um mineral nobre e encontrado em poucos países. mas o preço está muito distante do valor do ouro.

Rússia. vazado em 2010 pelo WikiLeaks. Finlândia e Estados Unidos. Em 2011. gasodutos. inclui as minas brasileiras na lista de locais considerados estratégicos para a sobrevivência dos EUA. Groelândia.pelo preço médio de US$ 26. de óleo e gás. O país detém mais de 98% das reservas conhecidas de nióbio no mundo. pois ninguém gosta de depender de um único fornecedor. Hoje é empregado em automóveis. entretanto.718. mas o mineral também é encontrado em países como Egito. O nióbio possui. FATO: O quase monopólio brasileiro da produção desperta a cobiça e a preocupação de outros países. Hoje. Congo. naval e automotiva. confere maior resistência ao aço. Já cotação média da onça do ouro (31. o tântalo e o titânio. Documento do Departamento de Estado americano. Quando adicionado na proporção de gramas por tonelada. FATO: O Brasil é o maior produtor mundial. FATO: Sua utilização garante alta performance em setores relacionados à siderurgia. seguido pelo Canadá e Austrália. concorrentes equivalentes como o vanádio.10 gramas) foi de US$ 1.500 a tonelada. turbinas de avião. FATO: O metal possui uma série de vantagens competitivas na produção de aços mais leves e ligas especiais. Mas não se trata de uma fonte de energia primária ou de alto nível de consumo como o petróleo. tomógrafos entre outras aplicações. um grupo de companhias . respondendo por mais de 90% da oferta. sobretudo na produção de aços de alta resistência. o nióbio já pode ser considerado um insumo essencial para indústria aeroespacial.

a relevância e valorização do mineral ainda não se compara ao ouro ou ao petróleo. segundo o governo. apesar do crescimento da intensidade de uso do nióbio e das inúmeras possibilidades de aplicações. uma grande alta no preço poderia incentivar a substituição do nióbio por produtos concorrentes e até uma corrida pela abertura de novas minas.000 toneladas e. japonesas e sul coreanas adquiriram por US$ 4 bilhões 30% do capital da brasileira CBMM. Segundo as empresas e especialistas. não existe previsão de início de produção em outras áreas do país com reservas lavráveis conhecidas como Amazonas e Rondônia. FATO: O preço médio de exportação de ferro-nióbio subiu de US$ 13 o quilo em 2001 para US$ 32 em 2008. FATO: O fato de possuir mais de 98% das reservas conhecidas deve garantir ao Brasil por muitos anos praticamente o monopólio da oferta. em Araxá. Em 2012. Como os preços não são negociados em bolsas e como as produtoras possuem subsidiárias em outros países. em razão das difíceis condições de produção e transporte para os países consumidores o governo considera infundadas as suspeitas de contrabando. As reservas conhecidas no país são da ordem de 842.chinesas.5 o quilo. . FATO: apesar do nióbio ser encontrado em regiões de fronteira. FATO: Somente a CBMM.460. mas. existem suspeitas não comprovadas de subfaturamento. considerando a demanda atual. onde ocorrem pequenos garimpos. explora jazidas com durabilidade estimada em mais de 200 anos. a média ficou em US$ 26.

professora do Departamento de Ciência Política da UFRJ e assessoria da Secretaria-Geral da Unasul (União de Nações SulAmericanas).FATO: O governo não prevê qualquer abordagem específica para o nióbio dentro das discussões sobre o novo marco regulatório da mineração. mas este potencial é desaproveitado”. professora do Departamento de Ciência Política da UFRJ “O Brasil detém praticamente todo o nióbio do planeta. mas este potencial é desaproveitado" Monica Bruckmann. Governo nega que riqueza seja negligenciada Embora seja enquadrado pelo governo federal como um mineral estratégico. que deverá ser encaminhado em breve para o Congresso Nacional. . O Brasil detém praticamente todo o nióbio do planeta. A oferta de nióbio está praticamente toda nas mãos das duas gigantes privadas que operam no país. as exportações de ferro-nióbio contribuem para o superávit da balança e o metal é hoje o 3º item mais importante da pauta mineral de exportação. sem a articulação de uma política de desenvolvimento de um parque industrial nacional consumidor de nióbio. o Ministério de Minas e Energia (MME) informa que não há previsão de “uma abordagem específica para o nióbio” dentro das discussões sobre o novo Marco Regulatório da Mineração. emenda. “O que se esperaria é que o Brasil tivesse uma estratégia muito bem definida por se tratar de uma matéria-prima fundamental para as indústrias de tecnologia de ponta e que pode ser vista como uma fortaleza para a produção de energias limpas e para o próprio desenvolvimento industrial do país”. Por outro lado. afirma a pesquisadora Monica Bruckmann.

a utilização de nióbio para a produção de aço poderá aumentar”. “Se o Brasil parasse de produzir ou vender nióbio hoje. não há comercialização do minério bruto ou do concentrado de nióbio (pirocloro) no mercado interno ou externo. entretanto. por outro lado. isso geraria certamente um caos”. controlada pela britânica Anglo American. Segundo o governo. as críticas de que o país estaria negligenciando esta riqueza.8 bilhões. na forma da liga ferro-nióbio (FeNb STD. acrescentou o ministério. afirmou o MME. Desde a década de 70. “Consideramos que o país tem aproveitado adequadamente o nióbio extraído do seu subsolo. Somente dois produtores no Brasil Toda a produção brasileira de nióbio está concentrada nas mãos de duas empresas: a CBMM. controlada pelo grupo Moreira Salles – fundadores do Unibanco – e a Mineração Catalão de Goiás. em resposta encaminhada ao G1. o Brasil deveria usar o nióbio como um trunfo para atrair mais investimentos e transferência de tecnologia. na medida em que o parque siderúrgico brasileiro se desenvolver. obtida a partir de diversas etapas de processamento.Para o pesquisador Roberto Galery. O metal é vendido. no valor de US$ 1. professor da faculdade de engenharia de minas da UFMG. as exportações de ferro-liga de nióbio atingiram em 2012 aproximadamente 71 mil toneladas. O governo rechaça. com 66% de teor de nióbio e 30% de ferro). sobretudo. “O atual nível de produção de nióbio no Brasil somente foi viável devido aos investimentos no desenvolvimento de tecnologia nacional de produção e na estrutura do mercado para o uso desse metal”. afirma. . se considerarmos que o minério é convertido em ferro-liga e exportado com um maior valor agregado.

e com a sua viabilidade técnica. afirma o ministério. que só possui operação de nióbio no Brasil. Rússia e Inglaterra. respondendo por cerca de 80% da produção mundial. e a Anglo American. em Araxá. O comércio global de nióbio se deve em grande parte aos esforços e pioneirismo destas companhias no processamento do mineral. Estados Unidos. principalmente pelos esforços tecnológicos e comerciais da CBMM.Vista aérea das instalações da CBMM. “O programa de desenvolvimento de mercado da CBMM tem 50 anos. “Com as descobertas de significativas reservas de pirocloro no Brasil e no Canadá. Coreia. com 8%. estão a canadense Iamgold. com destaque para a China. A CBMM informa estar presente hoje em todos os países produtores de aço. Índia. Em seguida. o que foi fundamental para a conquista do mercado mundial pelo Brasil”. houve uma transformação radical nos aspectos de preços e disponibilidade dessa matéria-prima para a obtenção de nióbio. com participação de cerca de 10%. Nesse período. Japão. Alemanha. em Catalão (Foto: Divulgação ) A CBMM é a empresa líder do mercado de nióbio. a companhia adquiriu legitimidade para desenvolver tecnologia do . e da Anglo American.

não é exclusivamente mineradora. a companhia informou ter registrado lucro líquido de R$ 1. . afirmou a empresa em mensagem enviada ao G1.nióbio com os usuários finais e clientes diretos”. Procurada pelo G1. uma alta de 18% na comparação com o ano anterior. quando o montante chegou a R$ 3. O mercado internacional foi responsável por 95% do faturamento total da empresa no ano passado.898 bilhões. A empresa possui mais de 100 projetos com clientes e usuários finais". segundo balanço publicado em jornais de Minas Gerais. “A CBMM comercializa produtos de nióbio acabados e. informou a companhia.454 bilhão. a empresa não atendeu ao pedido de entrevista com um porta-voz e de visita às suas instalações. portanto. se limitando a responder a perguntas encaminhadas por e-mail. produtos e aplicações da CBMM é reconhecido internacionalmente. Em 2012. O desenvolvimento tecnológico de processos. A etapa de mineração é a primeira de 15 etapas em seus processos produtivos que contam com tecnologia própria totalmente desenvolvida por ela no Brasil.

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quando as vendas somaram 72. . pois ninguém gosta de ficar na mão de um único produtor. As estatísticas do Ministério do Desenvolvimento.Crescimento da demanda por nióbio Segundo o diretor de assuntos minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).3 bilhões (6. passando de 33. e que a farta oferta brasileira é o que vem garantindo a o aumento do consumo e da penetração do nióbio na indústria mundial.06%).06%) e US$ 2. A demanda mundial por nióbio tem crescido nos últimos anos a uma taxa de 10% ao ano. afirma. “Essas empresas sempre tiveram um comportamento no sentido de criar mercados e nos últimos 10 anos atuaram fortemente na Europa e na China”.9 bilhões (80. respectivamente.771 toneladas. puxado principalmente pelo aumento do apetite chinês por aço. à conquista de novos clientes no mundo. ficando atrás apenas do minério de ferro e do ouro. Tunes explica que o nióbio possui concorrentes no mercado de insumos para ligas especiais como o tântalo. o nióbio respondeu por 4. Já a CBMM afirma que o objetivo da companhia é aumentar a demanda em 50% até 2020. O nióbio tem sido nos últimos anos o 3º item mais importante da pauta mineral de exportação.68% das exportações minerais brasileiras em 2012.688 toneladas em 2003 para 70. O maior pico foi registrado em 2008. a produção total de nióbio no país foi de 61 mil toneladas – mas em 2007 chegou a quase 82 mil toneladas. Em 2012. Marcelo Tunes.948 em 2012. sobretudo. O maior salto ocorreu a partir de 2004. cujas exportações no ano passado somaram. US$ 30. 3º mineral mais exportado Segundo o Ibram. “O fato do nióbio ser praticamente um monopólio traz uma limitação de mercado. Mas o mundo hoje já está mais confiante que tenha suprimento garantido”. Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que o volume de ferro-nióbio exportado cresceu 110% em 10 anos. afirma o especialista. o vanádio e titânio. O Ibram prevê que até 2015 a produção anual chegará a 100 mil toneladas. o aumento da demanda se deve. A Anglo American estima um crescimento de 6% ao ano no mercado de nióbio.

ao passo que o crescimento médio da indústria siderúrgica foi de 2% ao ano.Embora o consumo de ferro-nióbio esteja diretamente relacionado ao mercado siderúrgico. afirma Ruben Fernandes. a demanda pelo produto tem crescido a um ritmo superior ao da produção de aço. Nióbio é extraído a céu aberto na mina da Anglo American em Catalão (GO) (Foto: Divulgação) Preocupação com a sustentabilidade abre mercados As empresas apostam numa maior adesão ao produto no mundo. especialmente devido à demanda por matérias-primas mais eficientes . Levantamento do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) mostra que entre 2002 e 2007 a taxa média de crescimento do consumo de ferronióbio foi de 15% ao ano. presidente da unidade de negócios Nióbio e Fosfato da Anglo American. “A intensidade do uso vem crescendo na siderurgia o que faz com que o aumento da demanda por nióbio seja muito mais pronunciado”.

esse índice de uso é de cerca de 25 gramas por tonelada de aço. A Anglo estima em 40 anos o tempo de vida útil de suas jazidas e anunciou neste ano que irá investir US$ 325 milhões até 2016 na . diz o executivo da Anglo American.e à preocupação com a sustentabilidade. Europa e Japão. a utilização de nióbio para a produção de aço poderá aumentar" Ministério de Minas e Energia As empresas que atuam no Brasil afirmam possuir capacidades instaladas para atender ao atual ritmo de crescimento da demanda mundial. “A China e diversos outros países começam a enxergar os benefícios do uso do nióbio em obras de infraestrutura. para a construção de estruturas mais leves. por exemplo. A indústria chinesa. se considerarmos que o minério é convertido em ferro-liga e exportado com um maior valor agregado. O ferro-nióbio pode ajudar. Consideramos que o país tem aproveitado adequadamente o nióbio extraído do seu subsolo. na medida em que o parque siderúrgico brasileiro se desenvolver. que não se degradam no tempo e com um impacto ambiental menos intenso”. por exemplo. A CBMM avalia que suas reservas em Araxá são suficientes para garantir a produção de nióbio por mais de 200 anos. é um dos setores que ainda usam aço com uma porção pequena de nióbio. que consomem menos energia e combustível. a produzir estruturas e veículos mais leves. onde as siderúrgicas costumam fazer adições de 80 a 100 gramas do minério por tonelada de aço. diferentemente do que já ocorre em mercados como EUA. por outro lado. Na China.

em empresas para produzir com crescente incorporação de tecnologia e crescente valor agregado bens que elevem a qualidade dos empregos e o quantum da renda nacional”. com a produção restrita a dois grupos econômicos no Brasil é “evidente” que o interesse é exportar o nióbio do Brasil “ao menor preço possível”. caso ditasse o preço do produto no mercado mundial e aumentasse o consumo interno do mineral. É de se imaginar. portanto. argumenta Benayon. com o objetivo de elevar a produção anual do patamar de 4. 'Não há uma diretriz política para estatização. com os recursos da exportação valorizada. professor da faculdade de engenharia de minas da UFMG.400 toneladas de nióbio para 6.ampliação da capacidade de produção da sua planta em Catalão (GO). “A nacionalização impõe-se. Política de preços É diante desta perspectiva de aumento da demanda mundial e de concentração de mercado que os críticos do atual modelo de exploração do nióbio cobram uma maior atuação do governo federal. defendendo o controle do preço de comercialização do produto e em alguns casos até mesmo a estatização da produção. o MME afirmou que “não há uma diretriz política para estatização de minas de qualquer bem mineral”. avalia o pesquisador Roberto Galery. Para Adriano Benayon. o Brasil poderia ganhar até 50 vezes mais o que recebe atualmente com as exportações de ferro-nióbio. autor de vários dos artigos sobre nióbio que circulam na internet. que exista uma enorme pressão de fora para ter um produto que eles precisam a um preço acessível”. “Quem consome nióbio são empresas transnacionais superespecializadas.500 toneladas. Pelos cálculos do pesquisador. . diz ministério Questionado pelo G1 sobre o tema. economista e autor do livro “Globalização versus Desenvolvimento”. porque ao Brasil importa valorizar o produto externamente e investir.

Segundo as empresas. devido. Em 2012. os valores de cada venda acabam sendo confidenciais. afirma Fernandes. quando o preço médio de exportação da liga ferro-nióbio subiu de US$ 13 para US$ 22 o quilo. principalmente. ao aumento da demanda. “Apesar de não estar listado em . sem a intervenção direta do governo federal”. Como os preços são negociados diretamente entre o comprador e o vendedor.Metal retirado do solo e é comercializado na forma de liga ferro-nióbio (Foto: CBMM/Divulgação) “Quanto às vendas de reservas. mas sim os preços de venda no mercado desses países [compradores]. “Nossa carteira de pedidos vai diretamente para o cliente final. vendemos para as siderúrgicas que aplicam o nióbio nos seus aços. diz Benayon. O último grande salto ocorreu em 2007. chegando a US$ 33 em 2008. as mesmas são estabelecidas entre empresas privadas. acrescentou o ministério. o que costuma levantar suspeitas de subfaturamento. As estatísticas oficiais apontam para uma relativa estabilidade nos preços do nióbio nos últimos anos. da Anglo American. Não vendemos para nenhuma das subsidiárias da Anglo. precisar-se-ia confrontar não os preços de importação. o preço médio ficou em cerca de US$ 27 o quilo. praticados pelas empresas importadoras do mesmo grupo das exportadoras”. considerado aqui como futuras aquisições. tais suspeitas não têm fundamento. “Para saber o preço efetivo e os ganhos reais das empresas que controlam o mercado. Não temos nenhuma operação de venda de nióbio fora do Brasil”. segundo dados do MDIC. e não em bolsas.

“O nióbio é bem competitivo. presidente da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM) Segundo a Anglo American. Já a canadense Iamgold reportou ter obtido em 2012 uma receita de US$ 190.5 milhões com a exploração de nióbio e uma margem de lucro de US$ 15 por quilo de nióbio vendido. Margem de lucro alta Os números e valores da receita da comercialização de nióbio informados nos balanços da Anglo American e da Iamgold – ambas de capital aberto – apontam que o preço médio do quilo de ferronióbio chegou a US$ 40 em 2012. está bem posicionado. que possui um amplo portifólio e registrou lucro global de US$ 6. outras jazidas no mundo todo entrarão em produção. o preço do nióbio obedece a clássica lei de oferta e demanda”. Se o preço do nióbio brasileiro for elevado. O teor do nosso concorrente é muito maior. emenda. o mineral respondeu por apenas uma fração dos ganhos totais da companhia. a divisão de nióbio respondeu por uma receita de US$ 173 milhões em 2012 e gerou para a companhia um lucro operacional de US$ 81 milhões. .2 bilhões no ano passado. Embora a exploração de nióbio tenha gerado uma margem de lucro superior a 40%. o que há é economicidade no processo. mas a rentabilidade depende muito do teor de nióbio contido no concentrado que é retirado da mina. explica o executivo da Anglo. Não há nada insubstituível no mundo.bolsa. Foi isso o que aconteceu recentemente com as terras raras na China" Elmer Salomão. Já o dos novos projetos que estão sendo estudados no mundo tem teor muito menor”.

o que há é economicidade no processo. o governo informa que não existe previsão de produção em novas minas ou novas concessões. outras jazidas no mundo todo entrarão em produção. Consequências de uma eventual intervenção O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM). o fator determinante para o 'monopólio' brasileiro no nióbio é o custo de produção "praticamente imbatível". alerta que uma eventual intervenção governamental na oferta ou no preço do nióbio representaria um grande tiro pela culatra. "Não há nada insubstituível no mundo. diz o especialista. informou o ministério. nos Estados Unidos. Elmer Prata Salomão. “O nióbio de São Gabriel da Cachoeira (AM) carece ainda de tecnologia para permitir a sua extração com viabilidade econômica”. No Brasil.Atualmente estão sendo desenvolvidos novos projetos de exploração de nióbio no Canadá. . Se o preço do nióbio brasileiro for elevado. no Quênia e em Nebrasca. que hoje importa 100% do nióbio que consome. embora existam reservas conhecidas na região de fronteira e em áreas de reservas indígenas no Amazonas e em Roraima. Segundo Salomão. Foi isso o que aconteceu recentemente com as terras raras na China”.

29 milhões em royalties em 2012 Segundo o governo. entretanto. O diretor do Ibram também acredita que a elevação do preço do nióbio estimularia a busca por produtos substitutos. “A China resolveu contingenciar e elevar o preço de terras raras e o que acontece é que já existem quase 50 projetos na área em fase de pesquisa e desenvolvimento no mundo”. Ele explica que o nióbio apresenta hoje melhor vantagem em relação aos outros elementos químicos não apenas por suas propriedades. o controle da produção e venda de nióbio é feito atualmente pelo DNPM. afirma Tunes. que o órgão . O governo informa. Nióbio gerou R$ 5. afirma. “A ambição de ganhar mais acaba sempre facilitando a entrada de concorrentes”. mas também por ser um metal com oferta abundante.Anglo anunciou investimentos de US$ 325 milhões para ampliar produção em Catalão (Foto: Divulgação) Ele lembra que o gigante asiático anunciou em 2011 uma redução de mais de 10% no volume de exportação de terras raras com o objetivo de atrair mais indústrias de tecnologia como fabricantes de tela de LCD para o país.

o valor arrecadado com a CFEM pouco reflete a valorização do ferro-nióbio no mercado mundial.2% até 3% e incide sobre o valor do faturamento líquido obtido por ocasião da venda do produto mineral. Embora não esteja prevista uma abordagem específica para o nióbio no novo marco regulatório. Ou seja. a exploração de nióbio garantiu em 2012 um recolhimento de CFEM (Compensação Financeira sobre a Exploração Mineral) de R$ 5. a CFEM varia de 0. . o MME reconhece que a legislação mineral vigente ainda “não possui instrumentos necessários para uma abordagem específica para minerais estratégicos”. A China e diversos outros países começam a enxergar os benefícios do uso do nióbio em obras de infraestrutura. O DNPM explica que como no caso do nióbio não ocorre a venda do mineral bruto.29 milhões – valor que foi distribuído entre União e estados e municípios produtores. em discussão no governo. substituindo o DNPM. Está prevista a criação da Agência Nacional de Mineração. de forma a regulamentar os leilões de áreas públicas. e Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM). que não se degradam no tempo e com um impacto ambiental menos intenso" Ruben Fernandes.não possui a competência de fiscalizar a produção e comercialização do ferro-liga de nióbio. nos mesmo moldes utilizados para o petróleo. No caso de minerais como o nióbio a alíquota é de 2%. é considerado como valor para efeito do cálculo da CFEM a soma das despesas diretas e indiretas ocorridas antes da transformação da matéria-prima em ferro-nióbio. Pela legislação atual. para a construção de estruturas mais leves. Segundo o DNPM. Anglo American Brasil A revisão das alíquotas dos royalties da mineração está entre os pontos que devem ser abordados pelo novo Código de Mineração.

porém. afirma. Para Salomão. conclui. é necessário que se avalie a capacidade de o parque industrial brasileiro possuir os demais fatores necessários para transferência de tecnologia de produção de manufaturados que contenham nióbio”. Somos obrigados a aproveitar os nossos recursos minerais justamente devido à revolução tecnológica. o setor mineral tem contribuído para os investimentos no país e para o superávit da balança comercial e não deve utilizado como combustível ideológico para políticas intervencionistas. A idade da pedra não acabou por causa da pedra. mas porque a pedra foi substituída por outra coisa”. . “Se o Brasil não está aproveitando hoje suas riquezas minerais como deveria é porque não tem uma política industrial nesse sentido”. acrescentou o ministério. da ABPM.“O governo federal avalia que o país já possui a tecnologia necessária para a produção de ferro-nióbio. “O que não podemos fazer é guardar toneladas de minério sem saber se no futuro isso será tecnologicamente utilizado ou não.

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