˜o Introduc ¸a ` a

ˆ nica dos Fluidos Meca
e aos ˆ menos de Transporte Feno

Maur´ ıcio Gobbi, Ph.D.
Centro Federal de Educa¸ c˜ ao Tecnol´ ogica do Paran´ a

Nelson Lu´ ıs Dias, Ph.D.
Universidade Federal do Paran´ a

Flavio Mascarenhas, D.Sc.
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Enise Valentine, D.Sc.
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Pref´ acio

A ´ area de Mecˆ anica dos Fluidos ´ e uma das mais importantes e dif´ ıceis na forma¸ c˜ ao de cientistas e engenheiros. A´ area de pesquisa e ensino hoje conhecida como Fenˆ omenos de Transporte formou-se aos poucos, ao longo do s´ eculo XX, ` a medida em que se compreendiam as analogias existentes entre os processos de transporte de quantidade de movimento, energia, e massa, em meios cont´ ınuos. A Mecˆ anica dos Fluidos forma a grande base de conhecimento para a compreens˜ ao dos Fenˆ omenos de Transporte. Esta vis˜ ao unificada instalou-se inicialmente nos cursos de engenharia qu´ ımica e mecˆ anica, mas est´ a cada vez mais presente em outros ramos das ´ areas tecnol´ ogicas e cient´ ıcicas. Este livro nasceu da necessidade de se dotar disciplinas de Mecˆ anica dos Fluidos e/ou Fenˆ omenos de Transporte do curso de engenharia de v´ arias unidades de ensino de terceiro grau do Brasil, de um texto unificado introdut´ orio, rigoroso, e corretamente dimensionado para um curso que compreende um u ´ nico semestre da disciplina com um m´ ınimo de quatro horas/aula te´ oricas semanais. O texto contˆ em os fundamentos matem´ aticos e f´ ısicos dos processos e as abordagens para cada tipo de propriedade transportada foram feitas, na medida do poss´ ıvel, em conjunto, e n˜ ao em partes distintas como ´ e o caso de v´ arios livros texto sobre o assunto.

Os autores.

iii

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 Revis˜ ao matem´ atica . . . . 1. . . . . . . .3 Fluidos .5 Sistema de unidades . . . . . . . . . . . . .3 Temperatura . . . .6. . . . . . . .1 Escalares. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1. . . . . . 1. . . . contra¸ c˜ oes entre tensores 1. . . . 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1. . . . . 2. . .3 Integral de linha. . .1 Apresenta¸ c˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . .6 A s´ erie de Taylor . . . de superf´ ıcie. .6. . . . . 2.Conte´ udo Pref´ acio Conte´ udo 1 Introdu¸ c˜ ao 1. .1 O potencial de Lennard-Jones . . . . . . .4 Campos escalares e vetoriais .4 A primeira lei da termodinˆ amica . . . . . . . . . . . v iii v 1 1 2 3 4 6 7 7 8 10 13 15 16 19 19 21 24 24 26 28 31 32 . . . . . . . . . . . . e de volume . .6. . . . . . . . . .8 Problemas propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2. . . . . . . .7 Equa¸ c˜ oes de estado . . . . . . . . 1. . . . . .2 Produtos escalares e vetoriais.6 A equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal . . . . . . . . . . . . 2 Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica 2. . . . . . . . . .2 O meio cont´ ınuo . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . 2.4 Princ´ ıpios fundamentais da f´ ısica . . . . . . . 1. . . . 1.5 Teoremas de Gauss. . . . . . . . . . . . . 2. vetores. . . . . . . . . 1. Stokes. . . . . . . . . . . . . .5 A energia interna ´ e fun¸ c˜ ao da temperatura e do volume . . . . 2. 1. e Green . . .2 Energia de um sistema de part´ ıculas . e tensores . . .6. . . . . . . . 2. . . . . . .

. . . . .1 For¸ cas de corpo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6. .5 Problemas propostos . .1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6.7 Problemas propostos . . . . . . 4. . . . . . . . . . . .1 Fluidos newtonianos e n˜ ao-newtonianos . . . . . . . . . . . . .2 Press˜ ao . . . . . . 3. . . . 4.4 Problemas propostos . . .1 Linha e tubo de corrente . . . .1 Lei de Fick para difus˜ ao molecular . . .vi 3 Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo 3. . . 3. . . . .4 Fluxos difusivos e advectivos combinados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5. . . . . .4 Descri¸ c˜ oes de Euler e de Lagrange . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas 6. . . . .2. . . .2. . . .1 Taxa de deforma¸ c˜ ao de um fluido . .4. . . . . . . . . . . .5 Propriedades intensivas e extensivas 3. . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3 Hidrost´ atica . . . . . . . . . . . . .2 Deforma¸ c˜ ao de cisalhamento . . . . . . . . . . . . . 5. . . . .1 O tensor de tens˜ oes . . .5 A segunda lei da termodinˆ amica . . . . . . . . 5. . . . . . . . . . 6. . . . 6. . . . . . . . . . . . .2. . . . . . 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Deforma¸ c˜ ao linear . . . . . 4 For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . . .2 For¸ cas de superf´ ıcie . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . .3 Difus˜ ao e advec¸ c˜ ao . . . . 5 Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica 5. . . . . .2 Transferˆ encia de calor . . . 6. . . . . . . . . . . . . 3.Hidrost´ atica 4. . . . . . . . . . . .4 Circula¸ c˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Lei de Fourier para a condu¸ c˜ ao de calor . . . . . . . .2 A viscosidade como fun¸ c˜ ao da temperatura 6.1 Introdu¸ c˜ ao . . . 6. . .1.1. . . . . . . . .3 Transferˆ encia de massa . . . . . . . . . . . . . .6 Fluxo e fluxo espec´ ıfico advectivo . . . . . . . .2 A hip´ otese do cont´ ınuo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5. . . 3. . . . . . . 3. . . . . . . . . 5. . . . . . . . . . . . . . 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . ´ CONTEUDO 35 35 36 38 39 40 42 44 46 51 51 51 53 57 58 66 77 77 77 79 81 82 83 85 88 91 91 99 99 100 100 102 102 105 106 107 .1. . . 5. . . . 4. . . . . .1 Linha e tubo de vorticidade . . . . . . . . . . . . . . . . 6. . 4. . . . .6 Problemas propostos . . . . .1 Transferˆ encia de quantidade de movimento . .2 Rota¸ c˜ ao de um fluido: vorticidade . . . . . .3 Movimento relativo . .

137 . . . . . . . . . . . . 163 8. 7. .12 Problemas propostos . .9. 180 8. . . . . . . . . . . . .11. . . . . . .5 Escoamento oscilat´ orio em fluido semi-infinito . . . . . . . . . . . . 149 . . . . . . .7 A equa¸ c˜ ao de Bernoulli .primeiro problema de Stokes . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Coordenadas cil´ ındricas . . . . . . . . . . . . . 116 . . 175 8. .3 A derivada material de uma propriedade intensiva . . . . . 186 8. . . . . . . . .3 Balan¸ co de massa . . . . . . . 162 8. . 7. . . . . . . .1 Energia mecˆ anica e energia t´ ermica . . . . .´ CONTEUDO 7 Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais 7. . 7. . . . .4 Balan¸ co de massa de um soluto . . . . . . . 160 8. . . . . . 161 8. . . .3 Difus˜ ao pura em material semi-infinito . . . .5 Balan¸ co de quantidade de movimento . . . . 192 . . 171 8. 165 8. . . . 7. .4 Escoamento transiente em fluido semi-infinito . . . . . . . . . . . . . 175 8. . .6 Conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento . . . .11. . . . . 189 8. . . 7. . . . . . . . .11.11. . . . . . . . . . . . . . . . . 143 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11 Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao . . . . . . . . 159 8. .1 Escoamento permanente entre placas paralelas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Princ´ ıpios b´ asicos de conserva¸ c˜ ao . . . . . . . . . . . 124 . . . . . . . . . .2 Fluxos difusivos e equa¸ c˜ oes integrais . . . 128 . . 166 8. . . . . . . . . . . . . . . . . .segundo problema de Stokes . . 8 Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais 159 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 182 8. . . . .6 Escoamento laminar em plano inclinado . . . . . . . . . . . . 109 . . . 174 8.10 Equa¸ c˜ oes em coordenadas curvil´ ıneas . . . . . . . . . . .9. .4 Condi¸ c˜ oes de entrada e sa´ ıda . . 7. . . . . 171 8. . . .3 Interface entre dois fluidos . . .1 Superf´ ıcie s´ olida . .10. .7 Condu¸ c˜ ao de calor atrav´ es de uma parede . . . 168 8.2 Superf´ ıcie livre de um l´ ıquido . . . . . . . .11. vii 109 . . .7 Conserva¸ c˜ ao da energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 8. . . . . . . . . 147 . . .4 Conserva¸ c˜ ao da massa . . .1 Equa¸ c˜ ao de Navier-Stokes . . . . .9. . . . . .2 Coordenadas esf´ ericas . . . . . . .1 Introdu¸ c˜ ao . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . .11. . . . . . . . . . . . . . . .5 Conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto .6 Balan¸ co de energia . . . .8 Aspectos das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao . . . . . 188 8. . . .10. . 7. . . . . . . . . 176 8. . . . .11. . 168 8.2 Teorema do transporte de Reynolds . . . . . . . . . . . . . .2 Fluido em rota¸ c˜ ao uniforme . 173 8. .9. . 191 8. . . . . . . . . . . . 170 8. . . . . 184 8. 180 8. . . . . . . . . . . . . 112 . . .9 Problemas propostos . . . . . .9 Condi¸ c˜ oes de contorno . . . . . . . . . .7. . 7. . . . . . .8 A equa¸ c˜ ao de Bernoulli e o balan¸ co de energia . .

viii ´ Indice ´ CONTEUDO 195 .

1.1 Apresenta¸ c˜ ao Na natureza. Em fenˆ omenos de transferˆ encia estuda-se os processos por meio dos quais trˆ es propriedades f´ ısicas fundamentais s˜ ao transportadas de um ponto a outro do espa¸ co: massa. volume..Cap´ ıtulo 1 ˜o Introduc ¸a Este cap´ ıtulo introduz os conceitos de meio cont´ ınuo e de fluido. no lugar de mol´ eculas e espa¸ cos vazios. y. O sucesso em se prever ou simular quantitativamente o comportamento de um determinado meio depende de nossa capacidade de formular modelos matem´ aticos dos seus ´ fenˆ omenos f´ ısicos mais importantes. a massa do meio ser´ a representada atrav´ es da fun¸ c˜ ao cont´ ınua massa espec´ ıfica ρ(x. E u ´ til considerar um fenˆ omeno f´ ısico como um processo a que um determinado sistema bem identificado ´ e submetido. Por exemplo. etc. constitui¸ ca ˜o qu´ ımica. temperatura. press˜ ao. uma breve revis˜ ao de alguns conceitos matem´ aticos ´ e apresentada. ou seja. tais como: massa. quantidade de movimento. y. No final do cap´ ıtulo. h´ a uma distribui¸ c˜ ao cont´ ınua de mat´ eria onde pode-se definir as propriedades do meio como fun¸ c˜ oes matem´ aticas cont´ ınuas do espa¸ co tridimensional (x. A hip´ otese do cont´ ınuo ´ e v´ alida se as escalas de comprimento relevantes no 1 . uma grande quantidade de fenˆ omenos f´ ısicos ocorrem continuamente. e energia. t). apresenta as leis fundamentais da f´ ısica e um sistema consistente de unidades (SI) das principais grandezas que aparecem ao longo do livro. Os meios f´ ısicos onde tais processos ocorrem ser˜ ao supostos cont´ ınuos. z. Por estado do sistema entende-se o conjunto de suas propriedades f´ ısicas. ou seja. assim como em sistemas projetados pelo homem. como uma seq¨ uˆ encia de transforma¸ c˜ oes no estado do sistema. z ) e do tempo t.

o cont´ ınuo ´ e um modelo v´ alido desde que a menor escala de interesse . os estudos s˜ ao feitos em termos estat´ ısticos pela chamada mecˆ anica estat´ ıstica. Como motiva¸ c˜ ao.2 1 – Introdu¸ c˜ ao processo f´ ısico em quest˜ ao forem v´ arias ordens de magnitude maiores que o espa¸ camento m´ edio entre as mol´ eculas no meio. • o aquecimento da atmosfera durante o dia provocado pela radia¸ c˜ ao solar. por sua vez. Uma grande quantidade de fenˆ omenos f´ ısicos podem ser enquadrados como objetos de estudo desta ampla disciplina chamada fenˆ omenos de transferˆ encia. seja ela s´ olida ou fluida. Em geral. o n´ umero de mol´ eculas por unidade de volume de mat´ eria ´ e enorme. pode-se propor uma abordagem macrosc´ opica da mat´ eria. ou seja: que o sentido dos processos obedece ` a segunda lei da termodinˆ amica. tentar compreender um sistema atrav´ es da descri¸ c˜ ao de cada mol´ ecula individualmente ´ e algo simplesmente imposs´ ıvel. Assim sendo. na melhor das hip´ oteses.2 O meio cont´ ınuo O comportamento da mat´ eria. d˜ ao origem a fluxos dessas quantidades em dire¸ c˜ ao ao equil´ ıbrio. • a lubrifica¸ c˜ ao a ´ oleo de um sistema mecˆ anico. tubula¸ c˜ oes. o n´ umero de mol´ eculas em um cent´ ımetro c´ ubico de ar ´ e da ordem de 1019 . lagoa. Se vocˆ e decidisse contar o n´ umero de mol´ eculas nesse pequeno volume a uma raz˜ ao de uma mol´ ecula por segundo. • a dispers˜ ao de um poluente lan¸ cado num rio. vocˆ e n˜ ao teria terminado! Obviamente. A todo processo f´ ısico em fenˆ omenos de transferˆ encia est˜ ao associadas diferen¸ cas de concentra¸ c˜ ao (de um soluto). est´ a diretamente associado ao comportamento das mol´ eculas que a constituem. Uma das mais importantes hip´ oteses feitas em fenˆ omenos de transferˆ encia ´ e a de que os processos f´ ısicos procedem na dire¸ c˜ ao do equil´ ıbrio. temperatura (energia). de um meio cont´ ınuo. ou seja. • a refrigera¸ c˜ ao a ´ agua de um motor. e se torna conveniente pensar em termos de uma distribui¸ c˜ ao espacial cont´ ınua de massa. canais. Conforme j´ a mencionado anteriormente. mar ou na atmosfera. 1. tais como ´ agua em rios. ou quantidade de movimento que. ao final de 20 vezes a idade do universo. Na pr´ oxima se¸ c˜ ao discute-se com mais detalhe tal hip´ otese. aqui est˜ ao alguns exemplos de interesse em engenharia: • o escoamento de todo e qualquer fluido. Por exemplo. Alternativamente. ou gases em condutos ou na atmosfera.

na verdade est´ a se considerando a m´ edia estat´ ıstica do efeito de um grande n´ umero de mol´ eculas em torno deste ponto. no problema em quest˜ ao seja muito maior que as escalas moleculares. de modo que o registro de press˜ ao no sensor em fun¸ c˜ ao do tempo ´ e praticamente constante.1 est˜ ao indicadas trˆ es situa¸ c˜ oes. Na situa¸ c˜ ao (a). Para os objetivos do presente texto.1: Limite de validade da hip´ otese do cont´ ınuo numa cˆ amara com um g´ as progressivamente evacuada.3 – Fluidos a b c 3 1234 1234 1234 1234 1234 1234 p p p t t t Figura 1. considere o registro de um sensor de press˜ ao em um cˆ amara contendo g´ as. por . nas mais diversas situa¸ c˜ oes. Na figura 1. existe um grande n´ umero de mol´ eculas na cˆ amara. Assim. em fun¸ c˜ ao dos choques apenas eventuais das mol´ eculas de g´ as. Finalmente.1. quando se refere a propriedades em um ponto no meio cont´ ınuo. retira-se g´ as da cˆ amara at´ e um ponto em que pode-se perceber o efeito do bombardeio individual das mol´ eculas sobre o sensor. Na situa¸ c˜ ao (b). define-se fluido da seguinte forma: Um material ´ e dito fluido quando se deforma indefinidamente ao ser submetido a uma tens˜ ao (tangencial) de cisalhamento.3 Fluidos In´ umeros pesquisadores j´ a propuzeram v´ arias defini¸ c˜ oes do que seja um fluido. o n´ umero de mol´ eculas na cˆ amara ´ e t˜ ao pequeno que o registro se torna err´ atico. 1. Esta ´ e uma tarefa dif´ ıcil na medida em que os materiais que denominamos genericamente de fluidos tem seu comportamento associado a um grande n´ umero de vari´ aveis. Como exemplo. em (c). e que nem sempre ´ e poss´ ıvel distinguir claramente a fronteira entre os s´ olidos e fluidos.

2: Diferen¸ ca entre s´ olidos e l´ ıquidos em termos de deforma¸ c˜ ao e taxa de deforma¸ c˜ ao.1) enquanto que. no caso de um fluido. a tens˜ ao tangencial aplicada sobre o materal ´ e F/A. a for¸ ca ser´ a proporcional ` a sua taxa de deforma¸ c˜ ao: F ∆x 1 Vx =k = . A y (1. Um s´ olido sofrer´ a uma deforma¸ c˜ ao finita. a for¸ ca com que o s´ olido resiste ao esfor¸ co da placa ´ e proporcional ` a pr´ opria deforma¸ c˜ ao sofrida. Em termos das defini¸ c˜ oes da figura 1.4 Princ´ ıpios fundamentais da f´ ısica Os princ´ ıpios fundamentais que ser˜ ao adotados como leis que governam todos os fenˆ omenos f´ ısicos de relevˆ ancia neste livro s˜ ao: 1. 1. J´ a um fluido se deformar´ a continuamente enquanto F estiver aplicada.2 ilustra a defini¸ c˜ ao acima. conserva¸ c˜ ao da massa. (1. menor que ela seja.2: F ∆x =k .2) A ∆t y y Eis neste exemplo uma diferen¸ ca fundamental entre a mecˆ anica dos s´ olidos e a mecˆ anica dos fluidos: enquanto na primeira quer-se resolver as deforma¸ c˜ oes (que se traduzem em deslocamentos).4 Vx = ∆x ∆t 1 – Introdu¸ c˜ ao A ∆x F y A F S´ olido Fluido Figura 1. A figura 1. equilibrando F . No primeiro caso. na segunda o enfoque ´ e resorver-se as taxas de deforma¸ c˜ ao (que se traduzem em velocidades). Um material ´ e colocado entre uma placa horizontal de ´ area A e um plano horizontal em repouso. e uma for¸ ca el´ astica restauradora aparecer´ a sobre a placa. Ao se aplicar uma for¸ ca tangencial F sobre a placa. .

para o equil´ ıbrio. e o ´ ıtem (4) ´ e a segunda lei da termodinˆ amica. O´ ıtem (1) dispensa coment´ arios. jamais o sistema se arrefecer´ a cedendo a sua energia t´ ermica para o pˆ endulo ganhar energia mecˆ anica (note que nesse caso a energia se conservaria). Pela experiˆ encia sabe-se que a viscosidade do fluido far´ a com que em algum instante toda a energia mecˆ anica inicialmente no pˆ endulo desapare¸ ca. A segunda lei da termodinˆ amica diz simplesmente que todo sistema caminha naturalmente no sentido da elimina¸ ca ˜o das diferen¸ cas. ou que os dois corpos retomar˜ ao temperaturas distintas. Um cubo de a¸ cu ´ car colocado em uma x´ ıcara de caf´ e ir´ a se dissolver e o a¸ cu ´ car tender´ a a se distribuir no caf´ e. conserva¸ c˜ ao ou aumento da entropia. Quando se fala em um aumento na desordem do sistema o que se quer dizer ´ e que a energia inicialmente organizada do pˆ endulo (as part´ ıculas do pˆ endulo se movem em conjunto de forma ordenada) se transformou em energia desorganizada do sistema (agita¸ c˜ ao aparentemente aleat´ oria das mol´ eculas traduzindo-se macroscopicamente em aumento da temperatura). aumentando a temperatura do sistema para T2 . Dois corpos com temperaturas distintas colocados em contato um com o outro ir˜ ao tender a uma temperatura de equil´ ıbrio. a segunda lei diz que jamais o a¸ cu ´ car ir´ a se reagrupar e formar um cubo. Essa energia mecˆ anica (o vai-e-vem do pˆ endulo) ter´ a sido transformada em energia t´ ermica (agita¸ c˜ ao microsc´ opica das mol´ eculas). As leis da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento linear e angular s´ o s˜ ao independentes uma da outra quando h´ a rota¸ c˜ ao intr´ ınseca de uma ou mais part´ ıculas constituindo um sistema. a segunda lei garante que se a condi¸ c˜ ao inicial for o pˆ endulo parado num sistema com temperatura T2 . o ´ ıtem (2) trata-se dos princ´ ıpios de conserva¸ c˜ ao da mecˆ anica newtoniana. Considere tamb´ em que o pˆ endulo oscila inicialmente com uma certa energia mecˆ anica (potencial+cin´ etica). j´ a que ela aparece implicitamente nos modelos e n˜ ao na forma de uma ou mais equa¸ c˜ oes como nos ´ ıtens (1) a (3). 4. A lei (4) merece uma pequena digress˜ ao. Freq¨ uentemente a segunda lei ´ e enunciada dizendo que h´ a sempre um aumento da desorganiza¸ c˜ ao ou desordem do sistema. que n˜ ao ´ e o caso em mecˆ anica dos s´ olidos e fluidos. Mais que isso. Essa forma de enunciar a segunda lei freq¨ uentemente causa confus˜ oes que o exemplo a seguir tenta elucidar: considere um pˆ endulo num recipiente fechado e isolado contendo um certo fluido a uma certa temperatura T1 . A vari´ avel termodinˆ amica associada ` a desordem dos sistemas ´ e . 3. conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento e de quantidade de movimento angular.1. conserva¸ c˜ ao da energia. Mais uma vez. o ´ ıtem (3) em sua forma mais geral ´ ea primeira lei da termodinˆ amica.4 – Princ´ ıpios fundamentais da f´ ısica 5 2.

ou. utilizada em navega¸ c˜ ao. temperatura. e viscosidade. • comprimento (L). etc. . como ´ e o caso.6 1 – Introdu¸ c˜ ao chamada de entropia.2 mostram as unidades SI das grandezas fundamentais e daquelas definidas a partir das mesmas. a entropia de um sistema isolado sempre aumenta. portanto. etc. As tabelas 1. utilizadas neste texto. tempo. por exemplo. Na realidade. a segunda lei da termodinˆ amica est´ a t˜ ao presente no dia-a-dia dos seres humanos que pode-se dizer que ela ´ e a mais intuitiva e a mais facilmente assimil´ avel de todas as leis da f´ ısica. • grandezas derivadas: s˜ ao aquelas para as quais as dimens˜ oes s˜ ao expressas em termos das grandezas fundamentais. permanece constante.1 e 1. condutividade t´ ermica. basta que se adote valores positivos para os coeficientes de difus˜ ao molecular. como comprimento.5 Sistema de unidades O termo dimens˜ ao ´ e utilizado em referˆ encia a qualquer grandeza mensur´ avel. no m´ ınimo. Em fenˆ omenos de transferˆ encia as grandezas fundamentais empregadas s˜ ao: • massa de cada componente do sistema (M ). 1. acelera¸ c˜ ao (LT −2 ).. n˜ ao possuem unidades com nomes padr˜ ao no SI. Os s´ ımbolos entre parˆ enteses n˜ ao se tratam das unidades. mas sim de uma abrevia¸ c˜ ao usualmente utilizada para indicar a grandeza em si. Algumas grandezas como velocidade (LT −1 ). as unidades adotadas ser˜ ao exclusivamente as do sistema internacional de unidades (SI). • tempo (T ). para atender ` a segunda lei nas modela¸ c˜ oes matem´ aticas dos processos f´ ısicos. Adiantando um pouco o que ser´ a introduzido em cap´ ıtulos futuros. As grandezas mensur´ aveis em geral s˜ ao divididas em dois grupos: • grandezas fundamentais: s˜ ao aquelas para as quais se estabelecem escalas arbitr´ arias de medida. Neste texto. • temperatura (Θ). da unidade n˜ ao -SI de velocidade n´ o.

v = v(x.3) φ ´ e um escalar. ou simplesmente tensor) com nove componentes. mas a dependˆ encia temporal ´ e irrelevante para as considera¸ c˜ oes desta se¸ c˜ ao) com coordenadas cartesianas r = (x.6 Revis˜ ao matem´ atica Uma base s´ olida de matem´ atica (c´ alculo diferencial e integral. e T ´ e uma matriz 3 × 3 (tamb´ em chamada de tensor de ordem 2 no espa¸ co R3 . Grandeza For¸ ca Energia Potˆ encia Press˜ ao Unidade S´ ımbolo Newton N Joule J Watt W Pascal Pa F´ ormula kg m s−2 kg m2 s−2 kg m2 s−3 kg m−1 s−2 1. z ).2: Grandezas derivadas do SI. ´ e definido por uma componente apenas. y. (1. z ). e tensores Considere trˆ es tipos de grandeza como fun¸ c˜ oes cont´ ınuas do espa¸ co tridimensional R3 (elas podem tamb´ em ser fun¸ c˜ ao do tempo.) ´ e fundamental para a compreens˜ ao dos conceitos em fenˆ omenos de transferˆ encia. z ) cujos vetores unit´ arios canˆ onicos s˜ ao (ex . etc. por agora .1: Grandezas fundamentais do SI.1 Escalares. O leitor com base matem´ atica mais fraca deve procurar livros texto sobre os assuntos espec´ ıficos. No cap´ ıtulo 3 ser˜ ao definidas grandezas f´ ısicas tensoriais do tipo T.6. T = T(x. Unidade S´ ımbolo Quilograma kg Metro m Segundo s Kelvin K 7 Grandeza Massa Comprimento Tempo Temperatura Tabela 1.1. v ´ e um vetor no espa¸ co R3 . y. 1. Nesta se¸ c˜ ao ´ e apresentada de forma bastante breve uma revis˜ ao de alguns conceitos da parte mais avan¸ cada da matem´ atica utilizada neste texto. ´ algebra vetorial e tensorial. y. ey . ou seja. ez ): φ = φ(x. z ). y. vetores.6 – Revis˜ ao matem´ atica Tabela 1.

(1. No caso particular em que v ´ e um vetor unit´ ario. T =  Tyx Tyy Tyz  . por defini¸ c˜ ao. quando aplicadas a uma matriz quadrada. θ n˜ ao est´ a definido e o produto interno ´ e simplemente tomado como igual a zero. Em coordenadas cartesianas:   Txx Txy Txz v = (vx . v = 1.8 1 – Introdu¸ c˜ ao admita que T ´ e nada mais que uma matriz. note que u · v = v · u. Fica claro portanto que se u e v s˜ ao vetores perpendiculares.4) Tzx Tzy Tzz onde. e quando os dois vetores s˜ ao colineares o produto interno ´ e igual a u v se os vetores tiverem o mesmo sentido. ou viceversa. e a proje¸ c˜ ao de u na dire¸ c˜ ao de v. ux vy − uy vx ) . O produto escalar pode ter a seguinte interpreta¸ c˜ ao geom´ etrica: o seu resultado ´ e o produto entre o m´ odulo de v. denotar´ a o seu determinante. vy . . enquanto barras verticais simples ir˜ ao denotar valor absoluto de um escalar. o produto interno entre eles ´ e nulo. vz ).5) Claramente. contra¸ c˜ oes entre tensores Produto escalar O produto escalar (tamb´ em chamado de produto interno) entre dois vetores u e v em coordenadas cartesianas ´ e definido por: u · v = ux vx + uy vy + uz vz . uz vx − ux vz . Finalmente. (1. 1 (1. v = v 1 . o produto interno acima ´ e simplesmente o valor da proje¸ c˜ ao de u na dire¸ c˜ ao de v. Outro resultado particular importante ´ e o seguinte: u 2 = u2 = u · u. No caso em que se conhece o ˆ angulo θ ≤ π entre os vetores u e v. cada componente de v e de T ´ e um escalar e ´ e fun¸ c˜ ao de (x. e − u v se tiverem sentidos opostos. z ). obviamente.6. ou seja. 1. o produto interno pode ser calculado como u · v = u v cos θ. ou. Produto vetorial O produto vetorial entre dois vetores u e v tem como resultado um vetor w cujas componentes s˜ ao dadas em coordenadas cartesianas em termos das componentes de u e v por: w = u × v = (uy vz − uz vy .2 Produtos escalares e vetoriais. No caso em que pelo menos um dos vetores seja nulo. o resultado da express˜ ao acima ´ e um escalar.6) Barras verticais duplas como v denotam m´ odulo de um vetor. y.

6 – Revis˜ ao matem´ atica w u v 9 Figura 1. Note que.6) pode ser calculada como o determinante: w =u×v = ex ey ez ux uy uz . Note tamb´ em que a express˜ ao (1. vx vy vz (1.8) Note que o resultado da opera¸ c˜ ao acima ´ e um vetor. A contra¸ c˜ ao entre dois tensores T e D cujo resultado ´ e um novo tensor. (1.contra¸ co ˜es Define-se o seguinte produto (contra¸ c˜ ao ) entre um tensor T e um vetor v:    Txx Txy Txz vx T · v =  Tyx Tyy Tyz   vy  Tzx Tzy Tzz vz = (Txx vx + Txy vy + Txz vz ) ex + (Tyx vx + Tyy vy + Tyz vz ) ey + (Tzx vx + Tzy vy + Tzyz vz ) ez . e o sentido ´ e dado pela regra da m˜ ao direita (figura 1.3). u × v = −v × u.7) Produtos envolvendo tensores .1. por defini¸ c˜ ao. A dire¸ c˜ ao de w ´ e perpendicular ao plano definido por u e v. ´ e definida por:     T11 T12 T13 D11 D12 D13 T · D =  T21 T22 T23  ·  D21 D22 D23  T31 T32 T33 D31 D32 D33 .3: Regra da m˜ ao direita para determinar o sentido do produto vetorial w = u × v. O m´ odulo de w ´ e igual ` a´ area do paralelogramo cujos lados s˜ ao os vetores u e v.

ou de volume (integral tripla) pode ser bastante complicado devido ` a dificuldade de se identificar o dom´ ınio de integra¸ c˜ ao e seu contorno em termos das coordenadas que se tem em m˜ aos.9) No caso geral. Considere agora uma linha (que pode ser curva) C no espa¸ co R3 ao longo da qual f ´ e uma fun¸ c˜ ao bem comportada. (1.10  3 j =1 T1j Dj 1 3 j =1 T2j D1j 3 j =1 T3j Dj 1 3 j =1 T1j Dj 2 3 j =1 T2j Dj 2 3 j =1 T3j Dj 2 3 j =1 T1j Dj 3 3 j =1 T2j Dj 3 3 j =1 T3j Dj 3 1 – Introdu¸ c˜ ao  onde se utilizou ´ ındices i. z ) em Txx . Integral de linha Considere uma fun¸ c˜ ao escalar no espa¸ co R3 . y.11) . em coordenadas cartesianas ´ e bastante complicado o c´ alculo d´ a´ area da superf´ ıcie de uma esfera.3 Integral de linha. j (= 1. z ). e de volume  =   . para que o contorno da esfera se torne uma superf´ ıcie com uma das coordenadas constantes enquanto as outras variam (se a esfera est´ a centralizada em (0. de superf´ ıcie. o c´ alculo de uma integral de linha (integral simples). e como usar parametriza¸ c˜ oes de coordenadas para facilitar seus c´ alculos. para abreviar a nota¸ c˜ ao atrav´ es da utiliza¸ c˜ ao do somat´ orio. 2. Nestes dois casos particulares ´ e interessante se trabalhar transformando as coordenadas cartesianas em cordenadas polares esf´ ericas. etc. 0. Por exemplo. apresenta-se as integrais de linha. No caso geral. (1. A seguir. f (x. e de volume. de superf´ ıcie (integral dupla). 0) esta coordenada seria o vetor distˆ ancia do centro e o contorno seria definido pelo raio da esfera). y.6. 3) em Tij no lugar de (x. A contra¸ c˜ ao dupla entre dois tensores T e D resulta em um escalar e ´ e definida por:     Txx Txy Txz Dxx Dxy Dxz T : D =  Tyx Tyy Tyz  :  Dyx Dyy Dyz  Tzx Tzy Tzz Dzx Dzy Dzz = Txx Dxx + Txy Dxy + Txz Dxz + Tyx Dyx + +Tyy Dyy + Tyz Dyz + Tzx Dzx + Tzy Dzy + Tzz Dyz . Txy . de superf´ ıcie.10) 1. (1. ou a massa de uma esfera cuja densidade diminui ao se afastar do centro. estas transforma¸ c˜ oes de coordenadas nada mais s˜ ao do que parametriza¸ c˜ oes das coordenadas originais em termos de novas vari´ aveis independentes. A integral de linha de f ao longo de C ´ e definida por: Il = C f dl.

y = y (τ ). Para v´ arios p’s. mas f dl ´ e substitu´ ıdo pelo produto escalar v · dr. z = z (p.12) ou seja. z (τ )) dl dτ. z (b)). Repare que dr ´ e um vetor elementar ao longo de C (ao passo que dl era um comprimento elementar e portanto n˜ ao possuia orienta¸ c˜ ao). Este vetor posi¸ c˜ ao pode ser parametrizado em termos do parˆ ametro τ : x = x(τ ). Similarmente. Caso a linha seja fechada. y. (1. z (a)) at´ e o seu fim (x(b).16) C Imagine que se mantenha p constante.15) onde r ´ e ainda o vetor posi¸ c˜ ao ao longo de C . y (b). y. Ent˜ ao. y = y (p. y (a). q ). percorre-se a linha do seu in´ ıcio (x(a). Por isso. Integrais de linha aparecem tamb´ em na forma: Il = v · dr.14) Note o produto escalar na express˜ ao acima. na forma (1. parametrizando o vetor posi¸ c˜ ao r com dois parˆ ametros. cada ponto da linha pode ser identificado por seu vetor posi¸ c˜ ao r = (x. a ≤ τ ≤ b. q ).13) onde pode-se mostrar que dl = dτ dr dr · dτ dτ 1/2 . Ao variar-se q obt´ em-se uma linha da mesma forma que na se¸ c˜ ao anterior. obt´ em-se uma . z = z (τ ). (1. y (b). geralmente se denota a integral por ). Integral de superf´ ıcie Na se¸ c˜ ao anterior foi visto como a parametriza¸ c˜ ao das coordenadas r = (x. z ). dτ (1. De modo geral. A linha C pode ou n˜ ao ser fechada (quando sim.6 – Revis˜ ao matem´ atica 11 onde dl ´ e um comprimento elementar ao longo da linha C . y (τ ). ent˜ ao (x(a). y (a). a integral de linha troca de sinal ao se trocar o sentido para o qual se move em C . a integral de linha pode ser escrita como: b f dl = C a f (x(τ ). (1. portanto.15). q ). Repare que se f = 1. z (b)). z ) com um u ´ nico parˆ ametro (no caso τ ) fornece uma linha no espa¸ co R3 .1. (1. ` a medida que se varia τ de a para b. fornece uma superf´ ıcie S (que pode ser curva) no espa¸ co: x = x(p. a integral de linha ´ e simplesmante o comprimento da mesma. z (a)) = (x(b).

z )dS. · × ∂α ∂β ∂γ (1. z ) sobre S . E acil mostrar que. γ ). Se f = 1 a integral acima ´ e o volume total V . Parametrizando r = (x. A integral de superf´ ıcie de f em S ´ e definida como a seguinte integral sobre todo o dom´ ınio de integra¸ c˜ ao S : Is = f (x. q ). para cada par (p. β. γ ) ´ e igual a dV = e a integral de volume fica f (x(α. tem-se um ponto no espa¸ co (x.20) Pode-se demonstrar que o volume elementar em termos das novas coordenadas (α. q ).19) onde dV ´ e um volume elementar. β.22) V ´ e a regi˜ ao do sistema de coordenadas (α. ou seja. q )) ∂r ∂r × dpdq. q ). z )dV. y (p.18) Repare o produto vetorial na express˜ ao de dS . γ ). · × ∂α ∂β ∂γ (1. γ ) tem-se: x = x(α. a integral de superf´ ıcie acima pose ser calculada como a seguinte integral dupla: = f (x. γ ) correspondente a V . Se f ´ e por exemplo a massa espec´ ıfica de um material ocupando V . β. γ ). ´ e regi˜ ao que mapeia a superf´ ıcie S . z )dS = S S f (x(p. Integral de volume De forma absolutamente an´ aloga ` as integrais de linha e de superf´ ıcie. z (α. q ). γ )) V ∂r ∂r ∂r dαdβdγ. β. y. (1. em termos de (p. y. z ) em termos de trˆ es parˆ ametros (α. β. q ) da express˜ ao acima. β.21) ∂r ∂r ∂r dαdβdγ.12 1 – Introdu¸ c˜ ao fam´ ılia de linhas (uma para cada p) que forma uma superf´ ıcie. ent˜ ao a integral ´ e a massa total de V . ∂p ∂q (1. y (α. y = y (α. γ ). . a integral de volume de uma fun¸ c˜ ao f em um volume V ´ e definida por: Iv = V f (x. z (p. y. Repare que se f = 1. (1. β. A regi˜ ao de integra¸ c˜ ao S nas vari´ aveis (p. β. γ ). z = z (α. S (1. y. β. y.17) onde dS ´ e um elemento de ´ area. a integral acima ´ e ´ f´ simplesmente a ´ area da superf´ ıcie.

(1. ent˜ ao ∇ · v = v · ∇. y. div v.6. diz-se que h´ a um campo vetorial. z )).1.6 – Revis˜ ao matem´ atica 1. Considere a seguinte integral de superf´ ıcie: S (v · n) dS . no sentido que a dimens˜ ao m´ axima de R tende a zero enquanto R cont´ em P . sua dire¸ c˜ ao e sentido s˜ ao fun¸ c˜ oes de (x. ∂x ∂y ∂z (1. (1.27) . (1.24) Considere agora o operador diferencial vetorial (` as vezes chamado de operador gradiente) definido por: ∇ = (∂/∂x. um operador com trˆ es componentes).4 Campos escalares e vetoriais 13 Quando uma grandeza est´ a definida em todos os pontos de uma regi˜ ao R do espa¸ co R3 diz-se que naquela regi˜ ao h´ a um campo. Se a grandeza for um vetor (por exemplo a acelera¸ c˜ ao da gravidade no entorno da terra). Nesta se¸ c˜ ao ´ e apresentada uma s´ erie de conceitos relacionados a tais tipos de campos. z ) num campo vetorial v em torno do qual h´ a uma regi˜ ao R (de volume V ) cujo contorno ´ e a superf´ ıcie S (n˜ ao importa muito aqui qual ´ e a forma desta regi˜ ao). ∂/∂z ) . Se a grandeza for um escalar (por exemplo a temperatura do ar) diz-se que h´ a um campo escalar. e n˜ ao um vetor. Obviamente. ∂x ∂y ∂z (1. Pode-se demonstrar facilmente que no caso de coordenadas cartesianas: div v = ∂vx ∂vy ∂vz + + .25) Utilizando a nota¸ c˜ ao do produto escalar. define-se o divergente em termos do operador ∇: div v = ∇ · v. y. v·∇ ´ e definido como o seguinte operador diferencial escalar: v · ∇ = vx ∂ ∂ ∂ + vy + vz . v´ arios campos escalares e campos vetoriais podem coexistir na mesma regi˜ ao. Na realidade. A divergˆ encia Considere um ponto P = (x. Define-se o divergente do vetor v.23) R→0 V onde R → 0 significa que a regi˜ ao R tende ao ponto P .26) Repare que como ∇ ´ e um operador diferencial vetorial (isto ´ e. no ponto P como: (v · n) dS div v = lim S . onde dS ´ e o elemento de integra¸ c˜ ao da ´ area S e n ´ e o vetor unit´ ario normal a dS (note que n = 1 constante mas. ∂/∂y.

mas em rela¸ c˜ ao a uma dire¸ c˜ ao qualquer definida por um vetor unit´ ario n. z ) ´ e o vetor definido por (em coordenadas cartesianas): ∂φ ∂φ ∂φ .31) vx vy vz onde se utilizou a nota¸ c˜ ao do produto vetorial. ´ e poss´ ıvel construir-se ´ (iso-)superf´ ıcies curvas bi-dimensionais nas quais o valor de φ ´ e constante.30) dn Repare que se n ´ e tangente a uma iso-superf´ ıcie de φ. como ´ e de se esperar de acordo com a interpreta¸ c˜ ao geom´ etrica do gradiente dada acima. (1. y. ent˜ ao dφ/dn = 0. Esta derivada ´ e calculada como: dφ = ∇φ · n. ou z . O rotacional O rotacional de um vetor ´ e o vetor definido em coordenadas cartesianas por: ex ey ez rot v = ∇ × v = ∂ ∂x ∂ ∂y ∂ ∂z . (1.29) . + + ∂x ∂y ∂z ∂Tyx ∂Tyy ∂Tyz + + ∂x ∂y ∂z ey + (1. A opera¸ c˜ ao que resulta em um vetor ´ e definida em coordenadas cartesianas por: ∇·T = ∂Txx ∂Txy ∂Txz ex + + + ∂x ∂y ∂z ∂Tzx ∂Tzy ∂Tzz ez .28) O gradiente O gradiente do escalar φ(x.14 1 – Introdu¸ c˜ ao O significado f´ ısico do divergente de um vetor ficar´ a claro oportunamente. Uma aplica¸ c˜ ao interessante do gradiente ´ e quando se deseja calcular a derivada de φ n˜ ao em rela¸ c˜ ao a x. y . As barras verticais denotam o determinante da matriz cuja primeira linha cont´ em os vetores unit´ arios normais do sistema cartesiano. ´ E comum se usar a nota¸ c˜ ao do divergente (∇·) aplicada a um tensor T. a segunda cont´ em ∇ e a terceira cont´ em o . . grad φ = ∇φ = ∂x ∂y ∂z Se φ ´ e uma fun¸ c˜ ao suave do espa¸ co tridimensional. e seu sentido aponta para a dire¸ c˜ ao para onde o valor de φ aumenta. (1. E um fato que o vetor ∇φ em um ponto ´ e sempre normal ` a iso-superf´ ıcie que passa naquele ponto.

32) ∇2 φ = ∇ · ∇φ = ∂x2 ∂y ∂z A seguir uma s´ erie de identidades s˜ ao apresentadas. Em mecˆ anica dos fluidos. Stokes. ∇ × (u × v) = u∇ · v − v∇ · u + (v · ∇) u − (u · ∇) v. (1.6 – Revis˜ ao matem´ atica 15 campo vetorial v.33) (1.37) (1. ∇ · (u × v) = v · ∇ × u + u · ∇ × v. e o escalar φ: ∇ · (φv) = ∇φ · v + φ∇ · v.5 Teoremas de Gauss. uma s´ erie de teoremas envolvendo campos.39) A seguir. da´ ı o nome rotacional. Combina¸ co ˜es O divergente do gradiente de um escalar φ ´ e definido como o importante operador escalar chamado laplaciano (aqui apresentado em coordenadas cartesianas): ∂2φ ∂2φ ∂2φ + 2 + 2.1. div rot (u) = ∇ · ∇ × u = 0. e integrais de linha superf´ ıcie e volume s˜ ao apresentados. O teorema da divergˆ encia de Gauss garante que a integral de volume do div v em V ´ e igual ` a integral de superf´ ıcie em S de v · n (componente de v perpendicular . rot grad (φ) = ∇ × ∇φ = 0. o rotacional deste campo em cada ponto ´ e igual a duas vezes o vetor velocidade angular local.36) (1. e Green div (φv) rot (φv) div (u × v) rot (u × v) = = = = (1. O teorema da divergˆ encia de Gauss Seja um campo vetorial v definido em um volume V cujo contorno ´ e a superf´ ıcie S .34) (1. grad (u · v) = ∇ (u · v) = (u · ∇) v + (v · ∇) u + u × (∇ × v) + v × (∇ × u) .35) (1. Dados os vetores u.38) (1. e seja n o vetor unit´ ario normal a cada ponto de S . v.6. No caso em que o campo vetorial ´ e um campo de velocidade em um meio cont´ ınuo. 1. As demonstra¸ c˜ oes destes teoremas podem ser encontradas em livros de matem´ atica. ∇ × (φv) = ∇φ × v + φ∇ × v. o rotacional do campo de velocidade ´ e chamado de vorticidade ω = ∇ × v.

e a orienta¸ c˜ ao da integral de linha ´ e no sentido anti-hor´ ario.16 a S em cada ponto de S ). (1. ou seja: V 1 – Introdu¸ c˜ ao (∇ · v) dV = S (v · n) dS. . (1. v = φ(x. p1 (x) . . . . . .6. + (1. . (1.: p0 (x) = f (a). 2! 1 (n) f (a) (x − a)n . O teorema de Stokes garante que a integral de superf´ ıcie em S da componente do rotacional de v normal a S ´ e igual ` a integral de linha fechada da componente de v tangencial ` a linha C . .45) pn (x) = f (a) + f ′ (a) (x − a) + . y ). . .43) (1. y )ey . (1.42) S 1. p2 (x) = f (a) + f ′ (a) (x − a) + . ou seja: S (∇ × v · n) dS = C v · dr. o teorema de Stokes se reduz ao chamado teorema de Green: ∂ψ ∂φ − ∂x ∂y dS = C (φdx + ψdy ) . p1 (x) = f (a) + f ′ (a) (x − a) . e r o vetor distˆ ancia da origem at´ e C .41) O teorema de Green No caso particular em que a superf´ ıcie S e seu contorno C est˜ ao no plano cartesiano (x. . Seja n o vetor unit´ ario normal a cada ponto de S .6 A s´ erie de Taylor Considere uma fun¸ c˜ ao suave f (x) e a seguinte seq¨ uˆ encia de polinˆ omios p0 (x). y )ex + ψ (x.46) . n! (1. . .44) 1 ′′ f (a) (x − a)2 .40) O teorema de Stokes Seja um campo vetorial v definido em um espa¸ co R3 contendo uma superf´ ıcie aberta S delimitada por uma linha curva C fechada.

os primeiros termos da s´ erie de Taylor podem fornecer uma ´ otima aproxima¸ c˜ ao para f (x0 ). at´ e a n-´ esima derivada. se x0 estiver suficientemente pr´ oximo de a. n! (1.6 – Revis˜ ao matem´ atica 17 Fazendo x = a para as express˜ oes acima assim como suas derivadas primeira. a fun¸ c˜ ao f e o polinˆ omio p s˜ ao iguais no ponto x = a. j´ a que ele mostra que. em nota¸ c˜ ao mais compacta: f (x) = ∞ n=0 1 (n) f (a) (x − a)n + · · · n! (1..1. segunda. Mais do que isso. tem-se: p0 (a) = f (a) p1 (a) = f (a) p2 (a) = f (a) · · · p′1 (a) = f ′ (a) p′2 (a) = f ′ (a) · · · ′′ p′′ 2 (a) = f (a) · · · . pode-se calcular a fun¸ c˜ ao em qualquer ponto x0 nesta visinhan¸ ca.47) Portanto. . dado que uma fun¸ c˜ ao ´ e bem comportada o suficiente na vizinhan¸ ca de um ponto x = a de seu dom´ ınio. etc.49) onde. por defini¸ c˜ ao: f (0) = f (derivada de ordem zero). e 0! = 1. Este ´ e um resultado extremamente importante. . mesmo n˜ ao conhecendo-se todas as derivadas em x = a (apenas digamos as duas primeiras). A partir deste resultaso.48) 1 (n) f (a) (x − a)n . a s´ erie de Taylor de f (x) em torno de x = a ´ e definida por: f (x) = f (a) + f ′ (a) (x − a) + · · · + ou. conhecendo-se a fun¸ c˜ ao e todas as suas derivadas em x = a. (1..

.

O problema entretanto ´ e suficientemente complexo para que at´ e os dias de hoje n˜ ao exista uma descri¸ c˜ ao de intera¸ c˜ oes intermoleculares baseada exclusivamente em leis fundamentais cl´ assicas. J. Edi¸ ca ˜o em portuguˆ es: F´ ısica . e que a dire¸ c˜ ao da for¸ ca ´ e dada pela reta que une os seus centros de massa.Cap´ ıtulo 2 ´tica Elementos de Teoria Cine ˆ mica Cla ´ ssica e Termodina Neste cap´ ıtulo s˜ ao introduzidos alguns conceitos fundamentais relacionados com as escalas moleculares ocorrentes nos fenˆ omenos f´ ısicos que se relacionam com fenˆ omenos em escalas macrosc´ opicas que ser˜ ao objeto dos pr´ oximos cap´ ıtulos. e n˜ ao diretamente com as for¸ cas em si. 1967. 2. Editora Edgard Bl¨ ucher. E conveniente tratar-se destes fenˆ omenos em termos de energia potencial associada ao campo de for¸ cas.Fundamental University Physics.1 O potencial de Lennard-Jones A natureza da intera¸ c˜ ao entre duas mol´ eculas ´ e eletromagn´ etica. qualitativamente. . duas mol´ eculas tendem a se repelir se estiverem muito pr´ oximas e a se atrair quando a distˆ ancia ´ entre elas for relativamente grande. 1972. e Finn. a rela¸ c˜ ao entre a energia Alonso. Sabe-se que.Um Curso Universit´ ario. Addison-Wesley Publishing. M. 1 19 . Supondo que a intera¸ c˜ ao entre duas mol´ eculas depende exclusivamente das distˆ ancias rij entre elas. E. A forma de exposi¸ c˜ ao adotada aqui ´ e baseada no livro F´ ısica 1 de Alonso & Finn .

8 0. (2.0 3.2 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica Em /E0 0. potencial molecular Em (rij ) e a for¸ ca F (rij ) ´ e: Fij = − ∂Em .0 0. ambas adimensionalizadas. .8 -1.PSfrag 20 1.0 r/r0 Figura 2. ∂rij (2.0 -0.6 0.2) onde E0 e r0 s˜ ao constantes determinadas para cada tipo de g´ as. e ´ e da ordem do diˆ ametro de uma mol´ ecula.5 1.0 0.5 4. em fun¸ c˜ ao da distˆ ancia rij adimensionalizada por r0 .5 2.1) Uma equa¸ c˜ ao emp´ ırica que descreve com sucesso a fun¸ c˜ ao Em para gases ´ e o potencial de Lennard-Jones: Em (rij ) = E0 r0 rij 12 −2 r0 rij 6 .4 -0. r0 ´ e a distˆ ancia em que a for¸ ca entre duas mol´ eculas passa de repulsiva para atrativa.0 1.0 2. A figura 2.4 0.1: Energia potencial de Lennard-Jones em fun¸ c˜ ao da distˆ ancias entre mol´ eculas.5 3.2 -0. −E0 ´ ea energia potencial no ponto de equil´ ıbrio.1 mostra a fun¸ c˜ ao Em adimensionalizada por E0 .6 -0.

ou seja: E = Ect + Ept . e a energia cin´ etica correspondente ao movimento do centro de massa.7) i=1 j =i+1 Observe que o termo com somat´ orio duplo s´ o depende das intera¸ c˜ oes m´ utuas entre as mol´ eculas. a energia potencial total ser´ a: Ept = N −1 N N Em (rij ) + i=1 mgzi . (2.8) . Num sistema composto por N part´ ıculas. cada uma com massa m. (2.2 Energia de um sistema de part´ ıculas Considere agora a existˆ encia de duas formas de energia: cin´ etica e potencial.2 – Energia de um sistema de part´ ıculas 21 2.3) O potencial de Lennard-Jones dado pela equa¸ c˜ ao (2. A velocidade de cada mol´ ecula pode ser decomposta em: vi = v + vri . enquanto que o u ´ ltimo termo ´ e devido ao campo gravitacional. A energia cin´ etica total do sistema ´ e: N 1 Ect = m (vi · vi ) .5) onde vi ´ e a velocidade de cada mol´ ecula.2. i=1 (2. A energia cin´ etica total do sistema Ect pode ser separada entre a energia cin´ etica interna em rela¸ c˜ ao ao centro de massa.4) mvi . a energia total ´ e a soma da energia cin´ etica total com a energia potencial total. onde zi ´ e a posi¸ c˜ ao de cada mol´ ecula em rela¸ c˜ ao a um plano horizontal de referˆ encia.6) 2 i=1 Supondo que al´ em da energia potencial devido ` as intera¸ co ˜es m´ utuas. todas as mol´ eculas est˜ ao sujeitas a um campo gravitacional uniforme com acelera¸ c˜ ao g de m´ odulo g . como ´ e mostrado a seguir. a massa total do sistema ´ e: M = Nm. (2. (2.2) supre empiricamente a falta de um conhecimento mais detalhado sobre a natureza das for¸ cas intermoleculares. Supondo que o sistema ´ e composto por N mol´ eculas idˆ enticas. A velocidade do centro de massa do sistema ´ e dada por: 1 v= M N (2.

i=1 (2. (2.10) e o termo entre colchetes representa a quantidade de movimento do sistema em rela¸ c˜ ao ao centro de massa. Definindo a velocidade rmq (raiz-m´ edia-quadr´ atica ) vrms do sistema de part´ ıculas como: vrmq 1 = N N 1/2 i=1 (vri · vri ) . A equa¸ c˜ ao (2. 2 (2.14) (2. 2 (2. e 1 Ec = M (v · v) .15) .9) fica ent˜ ao: 1 Ect = M (v · v) + 2 N i=1 1 m (vri · vri ) .12) pode-se reescrever (2.22 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica onde vri ´ e a velocidade de cada mol´ ecula em rela¸ c˜ ao ao centro de massa.11) como: Ect = Ec + Ecu . que ´ e nula (a prova ´ e deixada como exerc´ ıcio). 2 1 2 Ecu = Nmvrmq . e a segunda.9) i=1 m (v · vri ) = v · mvri . onde.11) sendo a primeira parcela a energia cin´ etica translacional do sistema associada ao movimento do centro de massa.13) (2. 2 (2. A energia cin´ etica total ser´ a: N Ect = i=1 N 1 m (vi · vi ) 2 1 m ([v + vri ] · [v + vri ]) 2 1 m (v · v + vri · vri + 2v · vri ) 2 N N = i=1 N = i=1 1 (v · v ) M + = 2 Note que N i=1 m (v · vri ) + N i=1 1 m (vri · vri ) . a energia cin´ etica em rela¸ c˜ ao ao centro de massa.

cuja contabiliza¸ c˜ ao exige o conhecimento das posi¸ c˜ oes e velocidades de cada part´ ıcula (no caso. por sua vez.18) i=1 j =i+1 O resultado deste desenvolvimento projeta alguma luz sobre a maneira usual de modelar a energia de um sistema (no caso.23) onde ec = 1/2 (v · v). de cada mol´ ecula) do sistema: E = (Ec + Ecu ) + (Ep + Epu ) . possui uma parcela identific´ avel com o centro de massa do sistema e outra parcela interna.19) cada uma das quais. A energia total do sistema ´ e t˜ ao somente a soma das energias cin´ etica e potencial totais: E = Ect + Ept . de modo que podemos associar a cada ponto uma certa energia total por unidade massa. de mol´ eculas). (2. e.22) (2. (2. (2.2 – Energia de um sistema de part´ ıculas 23 A mesma id´ eia ´ e agora aplicada ` a energia potencial do sistema. Esta ´ e obtida dividindo-se E em (2.20) Um ponto crucialmente importante na modela¸ c˜ ao de processos que ocorrem em meios cont´ ınuos ´ e a suposi¸ c˜ ao de que existe um sistema formado por um grande n´ umero N de mol´ eculas na vizinhan¸ ca de cada ponto do espa¸ co.2. e u = U/M . A posi¸ c˜ ao z do centro de massa em rela¸ c˜ ao a um plano horizontal de referˆ encia pode ser escrita como: N Mz = i=1 mzi . define-se a energia interna do sistema por: U = Ecu + Epu .21) (2. ep = gz . Por conveniˆ encia. . (2.16) A energia potencial gravitacional de todo o sistema ´ e portanto: N Ep = i=1 mgzi = Mgz. (2.22) pela massa M do sistema: e = ec + ep + u. (2. de modo que a energia total passa a ser dada por: E = Ec + Ep + U.17) enquanto que a energia potencial interna ´ e: Epu = N −1 N Em (rij ).

deve haver tamb´ em uma energia (potencial) de liga¸ c˜ ao a ser considerada. P. cada mol´ ecula tem 3 em m´ edia uma energia cin´ etica em rela¸ c˜ ao ao centro de massa igual a 2 kT .24) onde o lado direito ´ e a energia cin´ etica m´ edia (por mol´ ecula) do sistema em rela¸ c˜ ao ao centro de massa. 1970. e vibra¸ c˜ ao. entretanto.4 A primeira lei da termodinˆ amica O princ´ ıpio da conserva¸ c˜ ao de energia diz que. Se o sistema interage com a vizinhan¸ ca. A equa¸ c˜ ao (2. . E permanece constante.. o trabalho Feymman. recomenda-se Feymman et al. De fato. R.24) mostra que a temperatura do sistema ´ e proporcional a Ecu . Os resultados apresentados aqui. R. e por estarem os ´ atomos ligados. Pode-se mostrar que para cada grau de liberdade que a mol´ ecula possui para se movimentar (trˆ es. e Sands. no presente caso) est´ a associada uma energia m´ edia 1 igual a 2 kT . este ´ e o caso. B.3 Temperatura A no¸ c˜ ao macrosc´ opica de temperatura est´ a associada a Ecu . Al´ em disso. Observe que no presente modelo. o fracasso da f´ ısica cl´ assica em explicar o comportamento de mol´ eculas poliatˆ omicas (na verdade de prever seu calor espec´ ıfico . Leighton. se restringem em princ´ ıpio a mol´ eculas mono-atˆ omicas. a f´ ısica cl´ assica ´ e insuficiente para descrever o comportamento molecular das diversas formas de energia poss´ ıveis neste tipo de sistema: transla¸ c˜ ao. Podese imaginar que as mol´ eculas constituidas de dois ou mais ´ atomos possuem energia cin´ etica vibracional e rotacional.. o conceito f´ ısico de temperatura ´ e usado para definir o estado de agita¸ c˜ ao. Em outras palavras. .38045 × 10−23 J K−1 . cada mol´ ecula est´ a animada apenas de energia cin´ etica translacional. 2 . no caso de um sistema isolado. 2. Historicamente. ou simplesmente a energia cin´ etica das mol´ eculas que constituem o sistema em rela¸ c˜ ao ao seu centro de massa. De fato. portanto. 2 2 (2.24 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica 2. Para uma apresenta¸ c˜ ao mais geral 2 do assunto. Addison-Wesley Publishing.The Feymman Lectures on Physics. k ´ e denominada constante de Boltzmann e´ e dada por: k = 1. rota¸ c˜ ao. ser´ a razo´ avel definir a temperatura T de um sistema em que cada part´ ıcula (mol´ ecula) s´ o possui energia cin´ etica translacional tal que: 3 1 2 kT = mvrmq . M.ver pr´ oxima se¸ c˜ ao) criou um impasse que s´ o seria solucionado com o advento da mecˆ anica quˆ antica. Para os objetivos deste texto.

Adx ´ e a varia¸ c˜ ao do volume do sistema associada a um deslocamento infinitesimal dx.2. Um pist˜ ao cheio de g´ as est´ a parado num referencial inercial. (2. Neste caso Ec = 0 e Ep = C (constante). A figura 2.2 mostra um exemplo cl´ assico. o trabalho realizado pelas for¸ cas externas no sistema ´ e: W = |Fext | (−dx) . Quando movemos oˆ embolo do pist˜ ao reduzindo o volume do sistema. (2.28) A onde A ´ ea´ area do pist˜ ao.2: Trabalho macrosc´ opico realizado por for¸ ca externa sobre um sistema. ´ e poss´ ıvel calcular W como: W = Fext · dr.26) onde Fext s˜ ao as for¸ cas externas atuando sobre o sistema. Neste caso. (2.25) Quando as intera¸ c˜ oes entre o sistema e sua vizinhan¸ ca d˜ ao origem a deslocamentos macrosc´ opicos.4 – A primeira lei da termodinˆ amica 25 A Fext ∆x Figura 2. e: p= W =− pdV. O sistema em quest˜ ao ´ e formado por todas as N mol´ eculas de g´ as dentro do pist˜ ao. (2.29) .27) Define-se a press˜ ao a que o sistema est´ a submetido como: |Fext | . (2. realizado pela vizinhan¸ ca sobre o sistema ´ e igual ` a varia¸ c˜ ao de E do sistema: W = ∆Ec + ∆Ep + ∆U.

30) No entanto. (2. Trˆ es classes de processos particularmente importantes s˜ ao aqueles que ocorrem: a volume constante (W = 0) ou isovolum´ etricos. Usando (2. e Epu depender´ a essencialmente da densidade de . A equa¸ c˜ ao (2. a press˜ ao constante ou isob´ aricos.15) e (2.32) Em (rij ) . ou que seja poss´ ıvel identificar claramente as for¸ cas externas atuando sobre o mesmo.5 A energia interna ´ e fun¸ c˜ ao da temperatura e do volume A energia interna U de um sistema ´ e: U = Ecu + Epu .31) ´ e conhecida como a primeira lei da termodinˆ amica.18): 1 2 U = Nmvrmq + 2 e.31) onde agora W refere-se somente ` a parcela macrosc´ opica de trabalho realizada sobre o sistema.26 logo 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica − pdV = ∆U. 2. ´ e poss´ ıvel que uma parcela de W seja realizada em n´ ıvel microsc´ opico. e sem trocas de calor com o exterior ou adiab´ aticos. (2.34) i=1 i=i+1 As mol´ eculas devem se distribuir mais ou menos homogeneamente por todo o volume V do sistema. Por exemplo. usando (2. Define-se o calor Q como essa parcela de W realizada microscopicamente sobre um sistema. Assim. (2. Ou seja. pode-se escrever a lei da conserva¸ c˜ ao de energia como: W + Q = ∆Ec + ∆Ep + ∆U. (2. uma barra de a¸ co muito quente mergulhada em um balde de ´ agua fria troca energia com a ´ agua quando as mol´ eculas do metal com grande quantidade de energia cin´ etica (alta temperatura) se chocam com as da ´ agua. ´ e poss´ ıvel que um sistema troque energia com sua vizinhan¸ ca sem que haja deslocamentos percept´ ıveis (ou seja.24): 3 U = NkT + 2 N −1 N N −1 N (2.33) i=1 i=i+1 Em (rij ) . macrosc´ opicos).

Estes casos s˜ ao quando a substˆ ancia for: (i) um g´ as ideal.5 – A energia interna ´ e fun¸ c˜ ao da temperatura e do volume 27 mat´ eria e da extens˜ ao ocupada pelo sistema. sup˜ oe-se que as mol´ eculas est˜ ao t˜ ao afastadas umas das outras. U = U (T ).36) Conforme mencionado anteriormente. v ) − u (T1 . v ) = cv ∆T. um fluido incompress´ ıvel ´ e um material cuja massa espec´ ıfica permanece constante ao longo dos processos f´ ısicos aos quais ele ´ e submetido. Neste caso. v ) . que Epu pode ser desprezado. Logo: ∆u = cv ∆T. (2. Quando v´ alida. (2.41) . a varia¸ c˜ ao da energia interna entre dois estados. entretanto. V ) . z ) do espa¸ co.2.40) Por outro lado. (2. y. para um sistema de massa M constante. evidentemente. o conhecimento do valor de cv e a hip´ otese de que ele permanece constante ao longo de uma determinada faixa de temperatura ∆T = T2 − T1 s˜ ao suficientes para calcular varia¸ c˜ oes de energia interna. M (2. a energia interna depender´ a de sua temperatura T e de seu volume V : U = U (T. ser´ a apenas fun¸ c˜ ao da varia¸ c˜ ao de temperatura: ∆u = u (T2 . No modelo de g´ as ideal. Assim. (2. ∂T (2. n˜ ao existe tal material e o sucesso desta hip´ otese simplificadora fica sujeito a verifica¸ c˜ ao experimental e depende da situa¸ c˜ ao em quest˜ ao.39) Em dois casos particulares. V (2.38) O calor espec´ ıfico a volume constante de uma substˆ ancia ´ e definido como: cv = ∂u . Neste caso. (ii) um fluido incompress´ ıvel.37) M .35) Define-se a massa espec´ ıfica de um sistema como: ρ= e o volume espec´ ıfico ´ e o inverso de ρ: v= V . Naturalmente. a energia interna espec´ ıfica (energia interna por unidade de massa) u ser´ a uma fun¸ c˜ ao de T e de v : u = u (T. num meio cont´ ınuo imagina-se que existe de um sistema termodinˆ amico em torno (na vizinhan¸ ca) de cada ponto (x.

se V ´ e constante. O calor espec´ ıfico a press˜ ao constante de uma substˆ ancia pode ser definido de maneira an´ aloga como o calor recebido por unidade de massa por unidade de temperatura quando a press˜ ao p do sistema ´ e constante: cv = cp = 1 M dQ dT .44) M dT v ∂T onde o sub-´ ındice indica a grandeza mantida constante.45) Em gases. os efeitos de compressibilidade s˜ ao grandes. de forma que: 1 dQ ∂u = . Diferenciando (2. p (2. em geral as varia¸ c˜ oes de volume espec´ ıfico s˜ ao desprez´ ıveis (o fluido pode ser considerado incompress´ ıvel).42) 2M Al´ em disso o nome de cv prov´ em do fato de ele ser numericamente igual ao calor recebido por unidade de massa por unidade de temperatura.46) em rela¸ c˜ ao ao tempo: dA = dt = i=1 N i=1 N dri mvi · + dt m (vi · vi ) + N m i=1 N dvi · ri dt N i=1 mai · ri = 2Ect + i=1 Fi · ri.28 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica novamente. a volume constante.6 A equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal Considere a quantidade escalar: N A= i=1 mvi · ri .34) prevˆ e que o calor espec´ ıfico a volume constante de um g´ as monoatˆ omico ´ e: 3 Nk . cv e cp sejam praticamente iguais. 2. Isso faz com que para l´ ıquidos que n˜ ao estejam sujeitos a condi¸ c˜ oes extremas de press˜ ao. De fato.47) . J´ a em l´ ıquidos. e ´ e comum distinguirse claramente entre cv e cp . (2. (2. ent˜ ao W = 0 e: cv = Q = ∆U.46) onde ri ´ e o vetor posi¸ c˜ ao de cada mol´ ecula num referencial inercial.43) (2. (2. (2. Observe tamb´ em que a equa¸ c˜ ao (2.

52). para ∆ suficientemente grande: N 2Ect + i=1 (Fei · ri ) + N −1 N i=1 j =i+1 (Fij · rij ) = 0. Suponha que o sistema esteja em repouso. (2.49) Sabendo que Fij = −Fji (pela terceira lei de Newton) e que rij = ri − rj : N N i=1 j =1 Fij · ri (j = i) = N −1 N i=1 j =i+1 (Fij · ri + Fji · rj ) (Fij · rij ) .47). tem-se: dA A|t=∆ − A|t=0 = = 2Ect + dt ∆ N i=1 (Fei · ri ) + N −1 N i=1 j =i+1 (Fij · rij ). que a velocidade v do centro de massa seja nula. isto ´ e. pela segunda lei de Newton.2. (2.53) A equa¸ c˜ ao acima ´ e o chamado teorema do virial. Cada Fi pode ser escrita como a soma da for¸ ca externa ao cas internas devido ` as sistema sobre cada mol´ ecula Fei . j = i.6 – A equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal 29 onde ai ´ e a acelera¸ c˜ ao de cada mol´ ecula e Fi ´ e a for¸ ca resultante sobre cada mol´ ecula.51) Tomando a m´ edia temporal entre t = 0 e t = ∆ da equa¸ c˜ ao acima. (2. desde que a quantidade A seja finita em qualquer t. (2.52) Repare que em (2. . N = donde: dA = 2Ect + dt N −1 N (2. com a soma das for¸ N − 1 outras mol´ eculas Fij : N Fi = Fei + j =1 Fij . tem-se: dA = 2Ect + dt N N Fei + i=1 j =1 Fij · ri j = i.48) Substituindo em (2. de modo que Ect = Ecu . (2. onde ∆ a ¯ = 1/∆ 0 adt.50) i=1 j =i+1 N i=1 (Fei · ri ) + N −1 i=1 j =i+1 (Fij · rij ) .

54) onde p ´ e a press˜ ao ` a que a face est´ a submetida.3) um cubo de aresta 3 a. x = 0.55) i=1 naquela face. volume V = a . As for¸ cas externas correspondem aos choques das mol´ eculas de g´ as fora do cubo com as paredes do cubo. pode-se escrever que. N (2. Procedendo analogamente para as outras faces.30 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica z H D C G a E A x B F y Figura 2.3: G´ as contido num cubo de aresta a. Aplica¸ c˜ ao do teorema do virial. considere (figura 2. tem-se. Como exemplo de aplica¸ c˜ ao. Em EFGH.53): 2Ect − 3pV + N −1 N i=1 j =i+1 (Fij · rij ) = 0. (2. (2. em repouso contendo N mol´ eculas de um g´ as.57) . Supondo que as for¸ cas sejam perpendiculares ` as respectivas paredes.56) Substituindo (2. para todo o cubo: N i=1 (Fei · ri ) = −3pV. para a face ABCD: N i=1 (Fei · ri ) = −pa3 = −pV. portanto: (Fei · ri ) = 0. (2.56) em (2.

4 10060. 2.01 × 10−3 32.4 3147.02 × 10−3 286. e cp para alguns gases nas condi¸ c˜ oes normais de temperatura e press˜ ao (CNTP).4 2000. M R J kg−1 K −1 J cv kg−1 K −1 J cp kg−1 K −1 mol−1 CO2 He H N2 O2 H2 O 28.58) que ´ e a equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal.1 mostra valores de M. O n´ umero N de mol´ eculas ´ e igual ao n´ umero de Avogadro NA vezes o n´ umero de moles n.4 651. Usando ainda (2. Ru ´ e a chamada constante universal dos gases e ´ e dada por: Ru = 8.58) na sua forma mais conhecida: pV = nRu T. R ´ e uma constante espec´ ıfica do g´ as dada por R = Ru /M. cv . o u ´ ltimo termo de (2.00 × 10−3 18. (2.4 5225.15).8 461. e o fato de que Ect = Ecu .60) (2. Outra forma muito u ´ til de se escrever a lei universal ´ e: p = ρRT.61) (2.1: G´ as Ar Di´ oxido de carbono H´ elio Hidrogˆ enio Nitrogˆ enio Oxigˆ enio Vapor d’´ agua S´ ımbolo kg 31 Grandezas fundamentais do SI.0 Como para um g´ as ideal as for¸ cas internas no sistema s˜ ao desprez´ ıveis.7 Equa¸ c˜ oes de estado As vari´ aveis mais comumente utilizadas para descrever processos t´ ermicos e mecˆ anicos em sistemas termodinˆ amicos com substˆ ancias puras s˜ ao a press˜ ao .4 717.314JK−1 mol−1 .57) pode ser desprezado.7 – Equa¸ c˜ oes de estado Tabela 2.00 × 10−3 2.9 188.2. e M = M/n. (2. definindo Ru = NA k pode-se reescrever (2.0 909. (2.6 1540.0 296.8 259.59) onde ρ ´ e a massa espec´ ıfica do g´ as.0 742. Assim.9 2077.0 4124. A tabela 2.0 649. ´ e a chamada massa molecular do g´ as.24). por sua vez. R.01 × 10−3 4.0 1005.0 14180.07 × 10−3 28.98 × 10−3 44.0 1039.0 840. tem-se: pV = NkT.

63) M dT M dT n dT n dT onde M ´ e a massa do sistema. 2. T . Equa¸ c˜ oes de estado s˜ ao aquelas que interrelacionam estas vari´ aveis. baseado nas defini¸ c˜ oes deste cap´ ıtulo. c ˜p = c ˜v + Ru .314 J kg K−1 para este g´ as. e o volume V . De forma mais geral: p = f (T. pV = nRu T . (2. e recebem quantidades de calor dQv e dQp tais que as suas temperaturas aumentam igualmente de dT . n ´ e o n´ umero de moles e ∼ indica calores espec´ ıficos molares. mostre que: (a) cv = 1 ∂U M ∂T = ∂u .61) ´ e um caso particular de equa¸ c˜ ao de estado. A equa¸ c˜ ao (2.32 2 – Elementos de Teoria Cin´ etica e Termodinˆ amica Cl´ assica p. c ˜v = . ∂T (b) cp = cv + R. (2. (2. e para tal utiliza-se p. Obs: nos dois u ´ ltimos itens. e v . Com R = 8. pode-se trabalhar por unidade de massa.8 Problemas propostos 1. cp = . 3. v ).64) dU = nc ˜v dT .57) ´ e por assim dizer o respons´ avel pela forma da equa¸ c˜ ao de estado para casos particulares. dQ = 0. (c) c ˜p = c ˜v + Ru .65) . use a equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal nas formas convenientes. (2. Seja a equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal: pV = nRu T . Considere dois sistemas: um cujo volume ´ e mantido constante e outro cuja press˜ ao ´ e mantida constante.62) Note que o termo envolvendo o somat´ orio das for¸ cas internas na equa¸ c˜ ao (2. 2. c ˜p = . a temperatura T . Alternativamente. dW = −pdV . valem as seguintes rela¸ c˜ oes: dQ + dW = dU . Ambos est˜ ao inicialmente ` a mesma temperatura. re-escreva a equa¸ c˜ ao na forma p = ρRT . A partir das defini¸ c˜ oes de calor espec´ ıfico a volume e press˜ ao constante: cv = 1 dQp 1 dQv 1 dQp 1 dQv . Durante uma transforma¸ c˜ ao adiab´ atica de um g´ as ideal.

. V1 ) e (p2 . 4. mostre que as varia¸ c˜ oes de entalpia ser˜ ao dadas por ∆h = cp ∆T .66) onde p ´ e a press˜ ao e ρ ´ e a massa espec´ ıfica do material.8 – Problemas propostos 33 onde os ∼ indicam calores espec´ ıficos molares. c ˜v (2. Define-se entalpia espec´ ıfica por: h=u+ p .67) γ= c ˜p . Para o caso de um g´ as ideal com calor espec´ ıfico m´ assico constante cp . V2 ). Se as condi¸ c˜ oes iniciais e finais s˜ ao (p1 . mostre que: p1 V1γ = p2 V2γ . onde ∆T s˜ ao as varia¸ c˜ oes da temperatura absoluta do sistema.2. ρ (2.

.

enquanto que o transporte devido aos processos a n´ ıvel molecular d˜ ao lugar ao conceito de difus˜ ao. No caso dos fluidos. 35 . O enfoque. concentra¸ c˜ ao. Alternativamente. d´ a lugar ao conceito de advec¸ c˜ ao (o transporte de uma propriedade devido ao movimento macrosc´ opico do meio).1 Introdu¸ c˜ ao O principal objetivo deste cap´ ıtulo ´ e a formula¸ c˜ ao de conceitos que permitam a quantifica¸ c˜ ao dos fenˆ omenos f´ ısicos que ser˜ ao estudados em cap´ ıtulos futuros. Conforme visto no Cap´ ıtulo 1. ´ e poss´ ıvel ent˜ ao definir algumas propriedades tanto a n´ ıvel macrosc´ opico quanto molecular do meio em cada ponto do espa¸ co. a existˆ encia de um campo de velocidades. 3. envolvem fluidos em movimento. e postular a existˆ encia das propriedades associadas a este sistema em cada ponto. em fenˆ omenos de transferˆ encia defronta-se com um n´ umero extraordinariamente grande de part´ ıculas (mol´ eculas). de um vetor velocidade associado a cada ponto do espa¸ co. tais como: massa espec´ ıfica. ´ e claramente imposs´ ıvel se aplicar as leis da f´ ısica para cada part´ ıcula individualmente na tentativa de se descrever o sistema como um todo. Outra quest˜ ao fundamental ´ e a compreens˜ ao da natureza dinˆ amica dos processos que. ou seja: de que a mat´ eria distribui-se uniformemente no espa¸ co. velocidade. e portanto. tens˜ ao. temperatura.Cap´ ıtulo 3 ˜ o do Meio Cont´ Descric ¸a ınuo Este cap´ ıtulo introduz formalmente a hip´ otese do cont´ ınuo. ou seja. pode-se supor a existˆ encia de um sistema em equil´ ıbrio termodinˆ amico tal como definido no Cap´ ıtulo 2 na vizinhan¸ ca de cada ponto do espa¸ co. em sua maioria. A partir deste modelo.

1: Sistema termodinˆ amico em torno de cada ponto do espa¸ co. ∆M .1. 3.36 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo z ∆E . A id´ eia foi de se criar base para a chamada hip´ otese do cont´ ınuo. ocupando todo o espa¸ co tridimensional. tal como indicado na figura 3. a quantidade de movimento ∆P. e sim ` as propriedades do escoamento em uma regi˜ ao de interesse. ∆V . daqui para frente. n˜ ao mais ser´ a dado ao que acontece a cada mol´ ecula. define-se a massa espec´ ıfica ρ em cada ponto do espa¸ co cartesiano (x. De acordo com o Cap´ ıtulo 2. y. E u ´ til imaginar que em torno de cada ponto do espa¸ co existe um sistema termodinˆ amico.2 A hip´ otese do cont´ ınuo No Cap´ ıtulo 2. Esta hip´ otese concebe um meio material com uma ´ distribui¸ c˜ ao cont´ ınua de mat´ eria. tais como a energia interna. e o volume ocupado pelo sistema ´ e ∆V . al´ em das caracter´ ısticas intr´ ınsecas. tal como vapor d’´ agua em ar seco. tal que o sistema da figura 3. A massa do sistema ´ e ∆M . Considere tamb´ em a possibilidade de existir alguma substˆ ancia dilu´ ıda no meio. z ). . ou a¸ cu ´ car em ´ agua destilada. ∆P y x Figura 3. procurou-se mostrar como a natureza molecular de sistemas termodinˆ amicos se evidencia macroscopicamente atrav´ es de propriedades associadas ao movimento do centro de massa.1 comporte uma certa massa ∆MA de uma substˆ ancia A sujeita a dilui¸ c˜ ao. a energia total ∆E .

T (x. y. a saber: ρ(x. (3. ou microgramas por litro. dependendo do problema ou ´ area de conhecimento. rigorosamente falando. z. gramas de soluto por litro de solu¸ c˜ ao. t). t) = lim e = ec + ep + u. a sua validade tem sido amplamente verificada. Neste sentido. uma vez que. (3. Os limites de validade dos modelos cont´ ınuos devem ser estabelecidos empiricamente. define-se concentra¸ c˜ ao das mais diversas formas e com as mais diversas unidades: gramas. y. v(x.2 – A hip´ otese do cont´ ınuo e instante de tempo t como: 37 ∆M . como medida da quantidade de soluto A. ρ). ∆V → 0 s˜ ao uma abstra¸ c˜ ao matem´ atica. e CA (x. por meio de experimentos. y. t).6) ∆M →0 ∆M O meio cont´ ınuo passa ent˜ ao a ser descrito por trˆ es fun¸ co ˜es (ou campos) escalares e uma fun¸ c˜ ao (ou campo) vetorial. miligramas. y. y. ep = gz. ou seja: ∆MA CA (x.5) 2 Finalmente. Para manter uniformidade na nota¸ c˜ ao e nas unidades. Ao contr´ ario de ρ. (3. ´ e preciso definir concentra¸ c˜ ao em cada ponto.2) v(x. uma vez que a rigor ´ e imposs´ ıvel que um sistema termodinˆ amico tenha dimens˜ oes nulas.3) ∆M →0 ∆M Observe que (3. t) = lim . Obviamente quando ∆M se aproxima da massa de um n´ umero relativamente pequeno de mol´ eculas.1) ∆V →0 ∆V A velocidade em cada ponto dever´ a ser a velocidade do centro de massa do sistema na vizinhan¸ ca do ponto: ∆P . v. y. t) = lim ∆M →0 ∆M Analogamente. z. z. . s˜ ao parte da modela¸ c˜ ao dos fenˆ omenos f´ ısicos. n˜ ao existe uniformidade na defini¸ c˜ ao de concentra¸ c˜ ao. conforme j´ a visto: e(x. moles de soluto por moles de solu¸ c˜ ao. y. y. z. ou T . etc. os limites ∆M. este texto adotar´ aa concentra¸ c˜ ao m´ assica CA de um soluto A como a massa de A por massa da solu¸ c˜ ao. z. ou seja.3. t).3) pressup˜ oe a existˆ encia de um campo de temperaturas T . A justificativa final para a utiliza¸ c˜ ao da hip´ otese do cont´ ınuo deve ser a sua capacidade de prever com sucesso o comportamento dos meios materiais. z. t). . a hip´ otese do cont´ ınuo falha. z. (3. onde ec = (3.4) 1 (v · v) . u = u(T. Repare que. a energia espec´ ıfica (energia por unidade de massa) ser´ a: ρ(x. z. (3. t) = lim ∆E .

38 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo z ∆V v∆t y x Figura 3. t).2 ilustra a situa¸ c˜ ao. para serem distinguidas das outras mol´ eculas do fluido. z. z. y. . por causa da aleatoriedade do movimento das mol´ eculas. Deve-se considerar tamb´ em que o sistema termodinˆ amico local em torno de (x. z. z ) no instante t. em m´ edia. y. y. Em outra palavras. Por simplicidade. e ocorre independentemente do movimento do fluido. ∆M permanece constante. y.2: Movimento de uma part´ ıcula de fluido: advec¸ c˜ ao e difus˜ ao. y. 3. verifica-se que algumas das mol´ eculas pretas est˜ ao agora fora de ∆V . Repare que. A transla¸ c˜ ao do volume ∆V ´ e denominada advec¸ c˜ ao. T (x. suponha que todas as mol´ eculas desta part´ ıcula foram pintadas de preto. y. t). Para fixar as id´ eias.3 Difus˜ ao e advec¸ c˜ ao Uma maneira algumas vezes u ´ til de se raciocinar em problemas envolvendo o escoamento de fluidos ´ e considerar a existˆ encia de uma part´ ıcula de fluido com um pequeno volume ∆V passando pelo ponto (x. Este efeito que ´ e devido ao movimento aleat´ orio das mol´ eculas que comp˜ oem a part´ ıcula de fluido. Em t + ∆t. v(x. Este ´ e o an´ alogo ao ponto material. e CA (x. t). suponha que durante ∆t o volume ∆V da part´ ıcula n˜ ao variou. entram tantas mol´ eculas brancas quanto saem mol´ eculas pretas. de modo que o efeito da difus˜ ao molecular sobre a massa do fluido ´ e nulo. ou part´ ıcula. z ) mencionado acima ´ e por assim dizer interno ` a part´ ıcula. enquanto que algumas entraram. da mecˆ anica cl´ assica. apenas transladou-se de v∆t. z ): ρ(x. t). y. z. O que acontece ∆t segundos depois? A figura 3. no instante t. ´ e chamado de difus˜ ao molecular ou simplesmente difus˜ ao. de forma que a mesma possui no instante t as propriedades do ponto (x.

Por exemplo. ao longo do tempo. a pr´ opria identidade da part´ ıcula se modifica continuamente por causa das trocas de mol´ eculas entre esta e o fluido em seu redor. Como j´ a visto.9) (a posi¸ c˜ ao ocupada pela part´ ıcula e sua velocidade no tempo inicial). y. 1 . z. n˜ ao h´ a interesse em se conhecer a hist´ oria de cada part´ ıcula e sim da evolu¸ c˜ ao temporal da distribui¸ c˜ ao espacial das propriedades do meio.Um dos mais importantes matem´ aticos de todos os tempos. (x. A descri¸ c˜ ao de Euler2 ou euleriana do movimento dos fluidos. z. e CA (x. Euler possuia uma mem´ oria espetacular: sabia de cor todas as f´ ormulas de an´ alise e trigonometria.7) onde a ´ e a acelera¸ c˜ ao da part´ ıcula. t). etc. 3. drp = vx 0 . Assim sendo. t). vy 0 .O mais prol´ ıfico dos matem´ aticos. a energia (ou a temperatura). z ) n˜ ao ´ e a posi¸ c˜ ao Joseph-Louis Lagrange (1736-1813) . 2 Leonhard Euler (1707-1783) .3. A equa¸ c˜ ao (3. y. dt (3. uma infinidade de poemas. z. ainda ´ e poss´ ıvel modelar a trajet´ oria da part´ ıcula e suas propriedades matematicamente. v(x. Sua obra ´ e repleta de elegˆ ancia e simplicidade. t). dt2 (3. t). z. y. consiste em acompanhar as propriedades do escoamento em pontos fixos no espa¸ co. e a concentra¸ c˜ ao do soluto A (em casos nos quais h´ a um soluto A) nas part´ ıculas de fluido.4 – Descri¸ c˜ oes de Euler e de Lagrange 39 Entretanto. y.7) deve ser integrada com as condi¸ c˜ oes iniciais: rp (0) = (x0 . h´ a transferˆ encia destas propriedades no fluido. No entanto. a difus˜ ao molecular afeta a quantidade de movimento. que pode ser determinada pela segunda lei de Newton. Sua obra completa tem mais que setenta volumes.8) (3.4 Descri¸ c˜ oes de Euler e de Lagrange A descri¸ c˜ ao de Lagrange1 ou lagrangeana do movimento de um fluido consiste em acompanhar a hist´ oria de uma ou mais part´ ıculas. Na maioria das vezes. z0 ) . as primeiras seis potˆ encias dos primeiros cem n´ umeros primos. por outro lado. vz 0 . devido ` a difus˜ ao molecular. para fornecer rp (t). T (x. a descri¸ c˜ ao euleriana de um escoamento consiste em encontrar as fun¸ c˜ oes ρ(x. A modela¸ c˜ ao dos mecanismos sob os quais estas transferˆ encias se d˜ ao ´ e o objeto da disciplina fenˆ omenos de transferˆ encia. y. Diz-se ent˜ ao que devido ` a difus˜ ao aliada ` a advec¸ c˜ ao. o vetor posi¸ c˜ ao rp de uma part´ ıcula obedece ` a equa¸ c˜ ao: d2 rp = a. onde agora. y0 ..

Nenhum vetor velocidade cruza um tubo de corrente.40 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo z y x Figura 3. Um conceito importante. a linha de corrente pode ser definida pelas equa¸ c˜ oes: dx dy dz = = . . vx vy vz (3. Alternativamente. de uma part´ ıcula em qualquer instante t.2 ilustra as defini¸ c˜ oes de linha e de tubo de corrente. A figura 4.4. especialmente na descri¸ c˜ ao euleriana. A descri¸ c˜ ao euleriana ser´ a preferencialmente utilizada ao longo deste texto. e sim um sistema de coordenadas cartesiano indicando uma posi¸ c˜ ao fixa no espa¸ co. onde n ´ e o vetor normal ` a linha de corrente.10) Um tubo de corrente ´ e uma superf´ ıcie formada por pareces contendo de linhas de correntes e topologicamente igual a um cilindro (um tubo ou um cilindro deform´ avel).1 Linha e tubo de corrente Uma linha de corrente ´ e definida como a linha ` a qual o vetor velocidade ´ e tangente num dado instante.3: Linhas de corrente gferando um tubo de corrente. independente de t. ou v · n = 0. ´ e o de linha de corrente. 3.

12) 1+y a) Determinar a trajet´ oria da part´ ıcula situada no ponto (x.19) (3. (1 + yp ) dyp = dt. 3 2 2 yp + + Cy = t.15) (3. yp (0)) = (1.20) . b) Determinar a linha de corrente (ou fluxo) que passa no ponto (x. 3 3 2 1 2 3 + yp (t) + yp (t) = t.3. 2 (3.14) 41 onde as constantes de integra¸ c˜ ao Cx e Cy s˜ ao determinadas pela 4 e Cy = − 3 . − 2 2 − (3. = vx = dt 1 + x2 p dyp 1 = vy = . As condi¸ c˜ ao inicial (xp (0). y ) = (1.18) (3. Solu¸ ca ˜o a) As coordenadas de uma part´ ıcula (xp . y ) = (1.16) (3.11) vx = 1 + x2 1 vy = . 1) no instante t = 0. 1) no instante t = 1. Integrando: xp + yp x3 t2 p + Cx = .17) (3.13) (3.4 – Descri¸ c˜ oes de Euler e de Lagrange Exemplo Um escoamento bidimensional tem as seguintes componentes de velocidade: t . (3.yp ) s˜ ao tais que: dxp t . 1): Cx = − 3 2 equa¸ c˜ oes param´ etricas da trajet´ oria da part´ ıcula (a posi¸ c˜ ao em fun¸ c˜ ao do tempo) s˜ ao: 4 1 1 2 + xp (t) + x3 p (t) = t . (3. dt 1 + yp Separando as vari´ aveis: 1 + x2 p dxp = tdt.

Integrando: t y+ y2 2 =x+ x3 + C. Naturalmente. onde C = 1 6 3.4: Linha de corrente. e ocupar´ a regi˜ oes distintas do espa¸ co com o correr do tempo. y (1)) = (1.22) (3. conter´ a um n´ umero extraordin´ ario (infinito ) de part´ ıculas (aqui nos referimos a part´ ıculas de fluido e n˜ ao a mol´ eculas).23) dy vy 1 + x2 = = . dx vx t(1 + y ) (3. um volume Vs finito.10.42 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo y Linha de corrente v α vx vy x Figura 3. por menor que seja. conforme a figura 3. pode-se considerar a por¸ ca ˜o de mat´ eria que ocupa um dado volume Vs (volume do sistema) em um determinado instante t como um sistema termodinˆ amico. b) A linha de corrente deve ser tangente ao vetor velocidade em ´ imediato que: cada ponto. E tan α = rearranjando: t (1 + y ) dy = 1 + x2 dx. . 1). ou seja: as posi¸ c˜ oes de suas part´ ıculas variar˜ ao com o tempo.21) . pela condi¸ c˜ ao (x(1).5 Propriedades intensivas e extensivas Conforme visto anteriormente. 3 (3.

(3. energia total. o volume Vs de um sistema pode sofrer distor¸ c˜ oes cont´ ınuas. reescrevˆ e-las para uma regi˜ ao arbitr´ aria do espa¸ co (um volume de controle). (3. mais tarde (Cap´ ıtulo 5).24)-(3. de maneira geral. ´ e mais conveniente a aplica¸ c˜ ao das leis b´ asicas da f´ ısica a um volume fixo ou com movimento conhecido no espa¸ co. O procedimento a ser aqui adotado consiste em formular as leis da f´ ısica primeiro para um sistema. s˜ ao definidas ponto a ponto e n˜ ao s˜ ao aditivas: ao reunir-se dois sistemas com a mesma concentra¸ c˜ ao de soluto CA . e η a grandeza ou propriedade intensiva associada. propriedades extensivas s˜ ao aditivas: ao reunir-se dois sistemas.25) A energia total por sua vez ser´ a: E= Vs eρdV. (3. por outro lado. o mesmo valendo para a quantidade de movimento. Este volume recebe a denomina¸ c˜ ao de volume de controle. a massa total do soluto A dilu´ ıdo no sistema ser´ a: MA = Vs CA ρdV.26) E finalmente. .27) Repare que. obviamente a concentra¸ c˜ ao resultante n˜ ao ser´ a 2CA . foi visto que na descri¸ c˜ ao euleriana do movimento dos fluidos a observa¸ c˜ ao ´ e feita com rela¸ c˜ ao ` as propriedades do escoamento em cada ponto. e massa de soluto.5 – Propriedades intensivas e extensivas 43 Assim sendo.27) na forma: ηρdV. pode-se escrever as integrais (3. A massa total de um sistema pode ser escrita como: M= Vs ρdV.28) N= Vs Diz-se que N ´ e uma grandeza ou propriedade extensiva. a massa resultante ser´ a a soma das massas individuais. Al´ em disso. mas permanecer´ a CA . ao longo do tempo. (3. e. (3. Propriedades intensivas.24) O vetor quantidade de movimento total do sistema ser´ a: P= Vs vρdV. De maneira geral. Dessa forma.3. e torna-se extremamente dif´ ıcil o acompanhamento de uma massa de fluido durante todo o tempo de observa¸ c˜ ao.

e a concentra¸ c˜ ao de soluto ´ e a massa de soluto por unidade de massa (total). a quantidade total de mat´ eria que atravessou ∆S estar´ a contida no prisma mostrado em detalhe.6 Fluxo e fluxo espec´ ıfico advectivo Seja S uma superf´ ıcie aberta no espa¸ co correspondente a um fluido em escoamento. a quantidade de massa que ´ e transportada no espa¸ co entre t e t + ∆t ser´ a dada pelo produto entre massa espec´ ıfica do fluido ρ e o volume do prisma. ou simplesmente fluxo de massa. A tabela 3. concentra¸ c˜ ao S´ ımbolo 1 v e CA Rela¸ c˜ ao M= P = E= MA = Vs ρdV Vs vρdV eρdV Vs CA ρdV Vs A equa¸ c˜ ao (3.29) A grandeza denominada fluxo espec´ ıfico de massa. Ent˜ ao: ∆M = ρ (v · n) ∆t∆S.28) mostra claramente que as propriedades intensivas η podem ser consideradas como concentra¸ c˜ oes m´ assicas das propriedades extensivas associadas: a velocidade ´ e a quantidade de movimento por unidade de massa. a energia espec´ ıfica ´ e a energia por unidade de massa. ´ e definida como a quantidade de massa transportada por unidade de tempo por unidade de ´ area: m ˙ = lim ∆M = ρ (v · n) . e seja ∆S um elemento de ´ area dessa superf´ ıcie.30) ∆t.5. Entre os instantes de tempo t e t + ∆t. Propriedade extensiva Massa Quantidade de movimento Energia Massa de soluto S´ ımbolo M P E MA Propriedade intensiva 1 velocidade energ. espec. cuja base ´ e ∆S e a altura ´ e (v · n) ∆t.1: Propriedades extensivas e intensivas em um fluido. de acordo com a figura 3.1 resume as rela¸ c˜ oes entre propriedades intensivas e extensivas utilizadas neste texto. (3.44 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo Tabela 3. Sendo n o vetor de m´ odulo unit´ ario normal a ∆S .∆S →0 O fluxo advectivo total de massa. que ´ ea taxa com que a massa ´ e transportada atrav´ es de uma superf´ ıcie. ser´ a dado . ∆t∆S (3. 3.

´ e dada pelo produto da propriedade intensiva associada η pela massa do prisma. Existe tamb´ em o chamado fluxo difusivo. (3.33) ηρ (v · n) dS. corresponde ` a parcela do transporte devida ` a advec¸ c˜ ao (movimento m´ edio das mol´ eculas). ˙ = M S ρ (v · n) dS.5: Fluxo atrav´ es de uma superf´ ıcie aberta. Entretanto.6 – Fluxo e fluxo espec´ ıfico advectivo 45 S ∆S n v ∆S (v · n) ∆t Figura 3. . a quantidade dessa grandeza transportada no espa¸ co durante um intervalo ∆t.chamado de fluxo advectivo.31) Generalizando. o fluxo (total) associado ser´ a: n ˙ = ˙ = N S (3. que ´ e aquele devido a processos intermoleculares. O fluxo espec´ ıfico da grandeza N ser´ a: ∆N = ηρ (v · n) . ∆t∆S Finalmente.3. e ser´ a objeto do cap´ ıtulo 6. para uma grandeza extensiva qualquer N . ∆M : ∆N = ηρ (v · n) ∆t∆S. pela integral de m ˙ em toda a superf´ ıcie S. (3.34) O tipo de fluxo discutido acima.32) (3. a importˆ ancia e as particularidades desse tipo de fluxo s˜ ao tais que o assunto merece uma discuss˜ ao ` a parte.

6: Determina¸ c˜ ao do fluxo de massa em uma tubula¸ c˜ ao. A figura 3. O escoamento possui velocidade m´ edia v . a componente horizontal da . e da fun¸ c˜ ao c(t) dada na figura. 3. e c(t). A tubula¸ c˜ ao da figura 3. y v0 fluido. D . 2. v . ˙ (t) atrav´ (a) Determine o fluxo de massa M es de S em fun¸ c˜ ao de ρ. (b) A partir do resultado de (a). Uma massa M de sal ´ e injetada a 100 m da se¸ c˜ ao S e observa-se a curva de concentra¸ c˜ ao em fun¸ c˜ ao do tempo c(t) mostrada.46 c(t) v c0 D 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo M ∆t 3∆t Figura 3. determine a velocidade m´ edia v em fun¸ c˜ ao de M . c0 . ρ B v0 (inv´ ıscido) C camada limite δL δ (x) A L (viscoso) D v0 δ (L) = δL x Figura 3. ρ.7 Problemas propostos 1. Em x ≤ 0. D .7: Determina¸ c˜ ao de fluxos em uma camada limite idealizada.7 mostra a forma¸ c˜ ao da chamada camada limite sobre uma placa horizontal: regi˜ ao do escoamento influenciada pela presen¸ ca da placa de comprimento L.6 tem diˆ ametro D . e ∆t.

8 axissim´ etrico.3. sendo δ (x) a expessura da camada limite.7 – Problemas propostos 47 v (r ) v0 R r Figura 3. (Obs. o ar u ´ mido ascende (este processo advectivo ´ e conhecido por convec¸ c˜ ao) at´ e um n´ ıvel onde se condensa dando origem ` a precipita¸ c˜ ao. vx (x.9 mostra o modelo simplificado de uma tempestade de ver˜ ao. ˙ (d) Px (fluxo de quantidade de movimento) atrav´ es da se¸ c˜ ao CD.: como o problema ´ e bidimensional. y ) = v0 = constante. que o perfil y de vx ´ e linear tal que vx (x. (b) o fluxo de quantidade de movimento no tubo. O campo de velocidades na se¸ c˜ ao circular do tubo da figura 3. determine: (a) o fluxo de massa no tubo. e que para y > δ (x) . e R ´ e o raio do tubo. 4. e ´ e dado por: v (r ) = v0 1 − r R 2 .B.8: Determina¸ c˜ ao de fluxos em um tubo circular. A concentra¸ c˜ ao de vapor de ´ agua no ar ´ e CA = 10 gramas de ´ agua por quilogramas de ar. (c) o fluxo de energia cin´ etica no tubo. ˙ x (fluxo de quantidade de movimento) atrav´ (c) P es da se¸ c˜ ao AB.35) onde v0 ´ e a velocidade no centro do tubo. 0) = 0 e vx (x.. Considere a regi˜ ao de entrada como sendo a lateral de um cilindro de raio r0 = 10000 m e altura h = 1000 m. ˙ (b) M (fluxo de massa) atrav´ es da se¸ c˜ ao CD. O ar u ´ mido entra pela base da nuvem C. para o centro do cilindro) ´ e 10 m s−1 . por simplifica¸ c˜ ao.) 3. A figura 3. admita. Determine: ˙ (fluxo de massa) atrav´ (a) M es da se¸ c˜ ao AB. velocidade vx (0. em 0 < x ≤ L. . δ (x)) = v0 . Sendo a massa espec´ ıfica do fluido ρ. r ´ e a distˆ ancia a partir do centro (vari´ avel). A velocidade do vento convergindo para a nuvem (isto ´ e. (3. y ) = v0 . Dentro da nuvem. dˆ e sua respostas por unidade de comprimento na dire¸ c˜ ao z .

5] o fluxo do vetor quantidade de movimento P ˙ A atrav´ o fluxo de massa de argila M es da superf´ ıcie vertical cujo vetor normal unit´ ario ´ e n (ver figura). Calcule a quantidade (altura) acumulada de chuva em mm (ou seja. trˆ es horas ap´ os o seu in´ ıcio. 5. e nula na superf´ ıcie. e ρH2 O = 1000 kg m−3 . ˙ = mas seja consistente. A distribui¸ c˜ ao de velocidades 2 do fluido ´ e v (r ) = v0 1 − (r/R) .5] cule: (a) [1. onde S N =propriedade extensiva. e η =propriedade intensiva associada. A figura 3. m´ axima no fundo (CM ). 6. S˜ ao conhecidos: ρar = 1. Neste escoamento s´ o h´ a varia¸ c˜ oes na dire¸ c˜ ao radial r .10 mostra um canal inclinado (um rio) de largura B com ˆ angulo θ e profundidade H (na vertical). Cal˙ . onde v0 ´ e a velocidade no centro do .2 kg m−3 . Posicione o sistema de coordenadas na forma que melhor lhe convier. admitindo que os dados fornecidos se mantiveram constantes durante este intervalo de tempo.48 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo C. F´ ormula do fluxo: N ρη (v · n)dS . A concentra¸ c˜ ao C de sedimentos (argila) na ´ agua de densidade ρ constante ´ e linear.11 mostra um tubo circular de raio R onde se d´ a o escoamento permanente de um fluido de massa espec´ ıfica ρ. O vetor velocidade da ´ agua v tamb´ em ´ e uma fun¸ c˜ ao linear m´ axima na superf´ ıcie (vM ) e nula no fundo. A figura 3. h ˙A M r0 Figura 3. o volume de chuva por unidade de ´ area horizontal).9: Esquema simplificado de uma tempestade convectiva. e (b) [1. O escoamento ´ e permanente e varia apenas na dire¸ c˜ ao normal ao canal.B.

11: Tubo circular com escoamento. (c) Determine o fluxo de quantidade de movimento utilizando a velocidade m´ edia v ¯ calculada no item (a).) ˙ na se¸ (b) Determine o fluxo de quantidade de movimento P c˜ ao transversal do tubo utilizando a velocidade v (r ). A velocidade do fluido de massa espec´ ıfica ρ no canal varia com a profundidade e ´ e dada pela combina¸ c˜ ao de um termo devido a um vento na superf´ ıcie soprando para cima e outro termo devido ` a a¸ c˜ ao da gravidade: v (h) = −Vs 1 − h2 1 h + Vg 1 − 2 . 7.10: Problema do canal inclinado com sedimento. tubo. v(r) _ v R r Figura 3. Se as respostas do ´ ıtem (b) e (c) forem diferentes.3. H H .9 mostra um escoamento em um canal com superf´ ıcie livre (ingnore a dire¸ c˜ ao transversal e resolva o problema por unidade de largura). justifique. (a) Determine qual ´ e a velocidade m´ edia v ¯ no tubo. A profundidade do canal ´ e H e o escoamento n˜ ao varia na dire¸ c˜ ao do canal. (Use o fato de que a velocidade m´ edia deve produzir um fluxo de massa no tubo idˆ entico ao produzido por v (r ). A figura 4.7 – Problemas propostos vM H CM n 49 θ Figura 3. ao inv´ es de v (r ).

(b) calcule o fluxo de massa do soluto (di´ oxido de ferro). A figura 4. v (r ) C (r ) Figura 3.10 mostra uma tubula¸ c˜ ao de raio R por onde passa ´ agua com uma di´ oxido de ferro dilu´ ıdo (massa espec´ ıfica igual a ρ). 8. v (h) H h Figura 3.12: Fluxo de massa num canal.50 3 – Descri¸ c˜ ao do Meio Cont´ ınuo Onde Vs e Vg s˜ ao valores de velocidades que dependem do vento e do ˆ angulo no fundo respectivamente.13: Fluxo advectivo de massa em um tubo. Ambas fun¸ c˜ oes s˜ ao conhecidas. enquanto que o perfil de concentra¸ c˜ ao de di´ oxido de ferro C (r ) ´ e o dado na figura (nulo em r = 0 e igual a Cmax em r = R). . O perfil de velocidade v (r ) na se¸ c˜ ao ´ e dado como fun¸ c˜ ao da distˆ ancia r at´ e o centro por: v (r ) = Vmax (1 − r 2 /R2 ). Admitindo que nada varia com a coordenada x ao longo do tubo: (a) calcule o fluxo de massa da solu¸ c˜ ao (´ agua + di´ oxido de ferro) atrav´ ez de uma se¸ c˜ ao transversal qualquer. admitindo que as outras vari´ aveis s˜ ao conhecidas. Determine o valor de Vs para que o fluxo de massa do fluido numa se¸ c˜ ao qualquer do canal seja nula.

Considere uma pequena regi˜ ao de ´ area ∆S da superf´ ıcie de um sistema. cuja normal ´ e n. sendo o campo definido em todo o volume contendo o sistema.Cap´ ıtulo 4 ˜ es num Fluido Forc ¸ as e Tenso ´ tica . isto ´ e. 4. sujeito ` a acelera¸ c˜ ao do campo gravitacional g: Fc = Vs ρgdV.1 For¸ cas de corpo For¸ cas de corpo s˜ ao aquelas que atuam em um sistema devido a ` presen¸ ca de um campo de for¸ cas. a for¸ ca de corpo em um sistema ocupando volume Vs ser´ a dada pelo peso do corpo.1) ´ u E ´ til se pensar no campo gravitacional imaginando-se um vetor g associado a todo e qualquer ponto do espa¸ co. (4.Hidrosta 4. A figura 4.1 ilustra esquematicamente o conceito de for¸ ca de superf´ ıcie. Uma caracter´ ıstica fundamental ´ e a de que. O resultado das intera¸ c˜ oes com as part´ ıculas do lado de fora ´ e uma for¸ ca ∆Fs agindo sobre ∆S . ele atuar´ a em todo o sistema.2 For¸ cas de superf´ ıcie As for¸ cas de superf´ ıcie s˜ ao o resultado das intera¸ c˜ oes das mol´ eculas que est˜ ao na fronteira do sistema com o espa¸ co imediatamente ` a sua volta. Define-se o vetor tens˜ ao atuando 51 . Neste texto apenas o campo gravitacional ser´ a considerado como for¸ ca de corpo.

. ignorando por um momento a qual sistema esta superf´ ıcie pertence ou com que sistema ela faz fronteira (figura 4.2). a for¸ ca ∆Fs muda. ∆S →0 ∆S (4. devido aos choques entre as mol´ eculas de um lado e do outro de ∆S . Considere agora uma pequena superf´ ıcie ∆S dentro de um fluido. (4.Hidrost´ atica z ∆FS n S y ∆S x Figura 4. A defini¸ c˜ ao do vetor tens˜ ao dada por (4. y.3) onde Ss ´ e a superf´ ıcie em torno volume do sistema (superf´ ıcie do sistema).52 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . Entretanto. num ponto (x. no caso geral. E inconveniˆ encia em se trabalhar com o vetor tens˜ ao que surge a necessidade do conceito de tensor de tens˜ oes. a for¸ ca total de superf´ ıcie atuando sobre o sistema ser´ a: Fs = Ss tdS. z ).1: For¸ cas de superf´ ıcie sobre um sistema.2) obviamente permanece v´ alida. mas tamb´ em da dire¸ c˜ ao n escolhida. Em outras palavras. num ponto como: t = lim ∆Fs . Considere a for¸ ca resultante ∆Fs agindo sobre ∆S . z ) e do tempo t . o vetor tens˜ ao ´ e uma fun¸ ca ˜o n˜ ao apenas do ´ desta ponto (x. y.2) Deste modo. uma caracter´ ıstica de certa forma incˆ omoda desta defini¸ c˜ ao ´ e que ao mudar-se a orienta¸ c˜ ao do vetor unit´ ario normal n.

o segundo sub-´ ındice indica o plano de atua¸ c˜ ao da tens˜ ao. e um escalar possui um elemento. Note que o n´ umero de elementos desse tensor ´ e nove no caso geral de um espa¸ co tridimensional (quatro. Tyx ´ e a componente y do vetor t1 que atua no plano com normal na dire¸ c˜ ao x (note que este plano est´ a na dire¸ c˜ ao y ). e o primeiro indica a dire¸ c˜ ao da componente da tens˜ ao atuando naquele plano. t. no caso bidimensional). Para se obter uma descri¸ c˜ ao apropriada de for¸ cas de superf´ ıcie por unidade de ´ area. e ao que este texto . z n ∆Fs y x x z ∆Fs n x. ´ e necess´ ario que se introduza um novo tipo de grandeza: o tensor.2. A figura 4. enquanto que um vetor possui trˆ es elementos (dois. sem prejudicar a compreens˜ ao dos conceitos fundamentais.3.4) (4.1 O tensor de tens˜ oes At´ e agora. note que: t1 = Txx ex + Tyx ey . e grandezas vetoriais: v. foram apresentadas grandezas escalares: ρ. 4. Alguns autores se referem aos escalares como tensores de ordem zero. Ou seja.2: Dependˆ encia entre o vetor tens˜ ao t = ∆ ∆S de atua¸ c˜ ao. de acordo com a figura 4. e CA .5) onde ex e ey s˜ ao os vetores unit´ arios nas dire¸ c˜ oes x e y . y. Por exemplo. Trabalhar em duas dimens˜ oes facilita a visualiza¸ c˜ ao e o esfor¸ co alg´ ebrico. no caso). t2 = Txy ex + Tyy ey . Assim sendo. Define-se Tij como a i-´ esima componente do vetor tens˜ ao que atua no plano com normal na dire¸ c˜ ao j . T´ e chamado de um tensor (de tens˜ oes. no caso bidimensional). (4.4. y. dada pelo vetor normal n. T . aos vetores como tensores de primeira ordem. z y 53 Fs e a dire¸ c˜ ao do plano Figura 4. com componentes Tij .3 mostra um elemento de fluido em duas dimens˜ oes.2 – For¸ cas de superf´ ıcie z x.

Tensores de ordem mais alta tamb´ em s˜ ao poss´ ıveis. mas est˜ ao fora do escopo deste texto. de tensores de segunda ordem. Admitindo que t(ex ) = t1 .9) (4. tem-se que os vetores tens˜ ao atuando em ∆x e ∆y s˜ ao −t2 e −t1 .7) . ent˜ ao: ∆Fs = t∆S − t1 ∆y − t2 ∆x. 2 na segunda lei de Newton aplicada sobre o elemento: ∆Fs + ∆Fc = ∆ma. t(ey ) = t2 . chama tensor. que ´ e: 1 ∆Fc = ∆mg = ρ∆x∆y g. (4. Considere agora o elemento triangular da figura 4. por simplicidade.Hidrost´ atica y t2 Txy ∆y Txx ∆x x Tyy t1 Tyx Figura 4. e utilizando o fato de que t(−n) = −t(n) (pela terceira lei de Newton da a¸ c˜ ao e rea¸ c˜ ao).54 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . (4.3: Conven¸ c˜ ao adotada entre o vetor tens˜ ao t e o tensor de tens˜ oes T. ignore a dire¸ c˜ ao z ).6) de modo que nx e ny s˜ ao as componentes de n. O vetor normal ` a superf´ ıcie ∆S ´ e: n = cos θex + sen θey = nx ex + ny ey .8) (4. A for¸ ca de superf´ ıcie total sobre o elemento ´ e. Substituindo a for¸ ca total de corpo sobre o elemento. O vetor tens˜ ao atuando em ∆S ´ e t.4 (novamente. respectivamente.

pendˆ encia entre t e n.4) e (4.11) (4. 2 (4. Determina¸ c˜ ao da de- onde a ´ e a acelera¸ c˜ ao do elemento.5) tem-se: t = (Txx ex + Tyx ey ) nx + (Txy ex + Tyy ey ) ny = (Txx nx + Txy ny ) ex + (Tyx nx + Tyy ny ) ey . quando ∆S → 0.14) tz Tzx Tzy Tzz nz . z ) a equa¸ c˜ ao acima fica:      tx Txx Txy Txz nx  ty  =  Tyx Tyy Tyz   ny  .10) Tomando o limite quando o elemento se torna infinitesimal. (4.4. Usando (4. tem-se: tx ty = Txx Txy Tyx Tyy nx ny . considerando as componentes do vetor t = tx ex + ty ey .13) (4.2 – For¸ cas de superf´ ıcie 55 y n θ ∆y ∆S −t1 −t2 ∆x x t Figura 4. ou seja.12) No caso de um elemento tridimensional no espa¸ co (x. ou. (4. y. o lado direito da equa¸ c˜ ao acima se anula. 2 2 Substituindo ∆y = ∆Snx . tem-se: 1 1 ρ∆x∆y g + t∆S − t1 ∆y − t2 ∆x = ρ∆x∆y a. ∆x = ∆Sny e rearranjando: 1 t − t1 nx − t2 ny = ρ∆Snx ny (a − g).4: Elemento triangular de um fluido.

Para demonstrar essa propriedade.5. considere o elemento de fluido da figura 4. em nota¸ c˜ ao de ´ algebra vetorial: t = T · n. o vetor tens˜ ao atuando num plano cuja normal ´ e n.5: Elemento de um fluido. A for¸ ca tangencial sobre a face AD ´ e −Txy × 1 × ∆x e o torque desta for¸ ca em rela¸ c˜ ao a G ´ e −Txy × 1 × ∆x∆y/2. Txy . (4. Repetindo a id´ eia para as demais faces. tem-se o torque total: Tz = −Txy ∆y ∆x + Tyx ∆x∆y − 1 ∂Txy 1 ∂Tyx ∆y 2 ∆x + ∆x2 ∆y. −Txy +∆y∂Txy /∂y e −Tyx + ∆x∂Tyx /∂x produzem torque Tz em rela¸ c˜ ao ao ponto G: Tz = Iα. Apenas as componentes tangenciais Txy . Simetria de T: Txy = Tyx .56 y 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . (4. ou. 2 ∂y 2 ∂x (4.15) Ou seja.17) . Uma caracter´ ıstica importante do tensor de tens˜ oes ´ e que ele ´ e sim´ etrico. ´ e dado pelo produto matricial entre o tensor de tens˜ oes T e o vetor unit´ ario normal n.16) onde I ´ e o momento de in´ ercia do elemento e α ´ e sua acelera¸ c˜ ao angular. (o torque ´ e positivo quando provoca rota¸ c˜ ao anti-hor´ aria).Hidrost´ atica Txy + B ∂Txy ∆y ∂y C −Tyx ∆y ∆x A G Tyx + ∂Tyx ∆x ∂x −Txy D x Figura 4.

24) . ou seja. est´ a em movimento.2. pela equa¸ c˜ ao (4.16).22) Txz Tyz Tzz 4.19) Tomando-se o limite quando (∆x.20) Para o caso de um elemento tridimensional. (4.19) torna-se desprez´ ıvel. o tensor de tens˜ oes T ´ e sim´ etrico: T= Txx Txy Txy Tyy . dando: Txy − Tyx = ∂Tyx 1 ∂Txy ∆y − ∆x + ρ ∆x2 + ∆y 2 α. ∂y ∂x 12 (4. (4. Da pr´ opria defini¸ c˜ ao de fluido. juntamente com o momento de in´ ercia do quadrado: I =ρ ∆x∆y ∆x2 + ∆y 2 . sendo todos os outros nulos: T= Txx 0 0 Tyy . e n˜ ao ao movimento das mol´ eculas que comp˜ oem o sistema termodinˆ amico associado a cada ponto ou part´ ıcula de fluido ). no caso de um fluido em repouso as tens˜ oes tangenciais s˜ ao nulas e o tensor de tens˜ oes apresentar´ a apenas os termos da diagonal principal. resultando em: Txy = Tyx .15): t= Txx 0 0 Tyy cos θ sen θ = Txx cos θ Tyy sen θ . 12 57 (4.2 – For¸ cas de superf´ ıcie que. Portanto. o lado direito da equa¸ c˜ ao (4. o processo ´ e an´ alogo e resulta no seguinte tensor de tens˜ oes sim´ etrico:   Txx Txy Txz T =  Txy Tyy Tyz  . (4.23) O vetor tens˜ ao t associado a uma dire¸ c˜ ao normal gen´ erica n = (cos θ.21) (4. sabe-se que sob tens˜ oes tangenciais n˜ ao nulas o fluido se deforma continuamente. ∆y ) → 0.4.18) pode ser substituido em (4.2 Press˜ ao Considere um fluido em repouso (lembre-se que o repouso refere-se ao movimento macrosc´ opico do meio cont´ ınuo. (4. sen θ) ser´ a. ou seja.

1 (4. (4. z + ∆z )∆x∆y − ρg ∆x∆y ∆z = 0. y. t e n devem ser sempre paralelos. e m´ odulo igual a p: t = T · n = −pn. Isso significa que. esta grandeza ´ e a mesma que foi definida no cap´ ıtulo 2. neste caso. e o sinal de menos aparece para indicar que as tens˜ oes em um fluido em repouso s˜ ao de compress˜ ao. por hip´ otese. e o elemento est´ a sujeito ao seu peso (for¸ ca de corpo) na dire¸ c˜ ao vertical. .25) A grandeza escalar p ´ e chamada de press˜ ao.26) ´ e conhecida como o princ´ ıpio de Pascal 1 : num fluido em equil´ ıbrio as mol´ eculas tˆ em iguais probabilidades de estarem se movimentando em qualquer dire¸ c˜ ao. a componente tangencial de t deve ser nula.27) Uma vez que a resultante total deve ser nula (caso contr´ ario o fluido aceleraria). onde p ´ e um n´ umero positivo. o barˆ ometro. A resultante das for¸ cas de superf´ ıcie na dire¸ c˜ ao z ´ e: ∆Fsz = p(x. z )∆x∆y − p(x.29) Blaise Pascal (1623-1662) . Em cada uma das faces do elemento o vetor tens˜ ao t tem m´ odulo igual ` a press˜ ao p orientado normalmente ` a face no sentido de compress˜ ao. o vetor tens˜ ao t em um fluido em repouso tem sempre sentido contr´ ario ao vetor unit´ ario n.F´ ısico-matem´ atico que deu grandes contribui¸ co ˜es na ´ area da hidrost´ atica. e a for¸ ca de corpo (gravitacional) ´ e ∆Fcz = −ρg ∆x∆y ∆z.28) (4. (4. qualquer que seja a orienta¸ c˜ ao do vetor normal n. nas dire¸ c˜ oes x e y as for¸ cas de superf´ ıcie nas faces opostas devem se equilibrar.58 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . para um sistema termodinˆ amico. y. e. e a seringa. Entre outras coisas inventou uma m´ aquina de calcular. z + ∆z )∆x∆y. A equa¸ c˜ ao (4.6. z )∆x∆y − p(x. neste caso.Hidrost´ atica Repare entretanto que.26) 4. ´ e o mesmo em todas as dire¸ c˜ oes e igual ` a press˜ ao em um sistema termodinˆ amico p. O m´ odulo da for¸ ca de superf´ ıcie por unidade de ´ area. num fluido em repouso. a prensa hidr´ aulica. (4. A u ´ nica maneira de atender a essa condi¸ c˜ ao ´ e requerendo: Txx = Tyy = −p. tem-se: p(x. Obviamente.3 Hidrost´ atica Considere um elemento de fluido em repouso num referencial inercial conforme o esquema mostrado na figura 4. ou seja. y. y.

4.3 – Hidrost´ atica

59

z

t(x, y, z + ∆z )

ρg

y

x

t(x, y, z )

Figura 4.6: Elemento de um fluido em repouso.

Dividindo (4.29) pelo volume do elemento ∆x∆y ∆z : p(x, y, z + ∆z ) − p(x, y, z ) + ρg = 0. ∆z (4.30)

Tomando-se o limite quando ∆z → 0, tem-se a equa¸ c˜ ao diferencial da hidrost´ atica : dp + ρg = 0. dz (4.31)

A figura 4.7 apresenta um esquema de um reservat´ orio sujeito ` a press˜ ao atmosf´ erica p0 , onde uma certa quantidade de um l´ ıquido de massa espec´ ıfica constante ρ (ou seja, o fluido ´ e incompress´ ıvel) est´ a confinada. Para se obter a press˜ ao no ponto z = −h, integra-se a equa¸ c˜ ao (4.31) na vertical entre z = 0 e z = −h:
p(−h) p(z =0)

dp = −ρgdz, dp =
0 −h

(4.32) (4.33) (4.34) (4.35)

−ρgdz,

p(−h) − p0 = −ρg (−h − 0), p(−h) = p0 + ρgh.

60

4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido - Hidrost´ atica

z p0 (0, 0) x

z = −h

Figura 4.7: Fluido em repouso sujeito ` a press˜ ao hidrost´ atica.

A equa¸ c˜ ao (4.35) mostra que num fluido incompress´ ıvel em repouso, a press˜ ao cresce linearmente com a profundidade. Embora esta equa¸ c˜ ao seja chamada de equa¸ c˜ ao hidro st´ atica, ela ´ e usada n˜ ao s´ o para ´ agua, mas para a maioria dos fluidos, l´ ıquidos ou gasosos. A constante de integra¸ c˜ a o p0 ´ e o valor da press˜ ao em z = 0 (press˜ ao atmosf´ erica, no caso da figura 4.7). O valor m´ edio da press˜ ao atmosf´ erica ao n´ ıvel do mar ´ e: p0 = 101325 Pa. Freq¨ uentemente os intrumentos de medi¸ c˜ ao de press˜ ao s˜ ao capazes de medir diferen¸ cas de press˜ ao em rela¸ c˜ ao ` a press˜ ao atmosf´ erica p0 . Por isso, costumase chamar a press˜ ao dada por p na equa¸ c˜ ao (4.35) de press˜ ao absoluta, e a press˜ ao dada pela leitura desses instrumentos de press˜ ao relativa (prel ), press˜ ao instrumental, ou press˜ ao manom´ etrica (manˆ ometro ´ e o nome dado a um aparelho que mede press˜ ao). deste modo, tem-se que: prel = ρgh. (4.36)

Exemplo Uma maneira bastante simples de medir press˜ ao em um sistema consiste no manˆ ometro do tipo tubo U, que possui uma extremidade ligada ao sistema e outra ` a atmosfera. Na figura 4.8, o fluido dentro do tubo, denominado fluido manom´ etrico, tem massa espec´ ıfica ρm , e a diferen¸ ca de n´ ıveis no tubo ´ e h. Determine a press˜ ao relativa e absoluta do sistema que cont´ em o g´ as.

4.3 – Hidrost´ atica

61

D h G´ as, ρg h1 B C ρm A

Figura 4.8: Medi¸ c˜ ao de press˜ ao hidrost´ atica. Manˆ ometro em tubo U.

Solu¸ ca ˜o Primeiramente, repare que em qualquer fluido a press˜ ao aumenta com a profundidade, j´ a que em um fluido em equil´ ıbrio, a press˜ ao nada mais ´ e que o efeito do peso do fluido. Portanto, entre os pontos A e B, haver´ a uma diferen¸ ca de press˜ ao dada por: ∆pAB = ρg gh1 . (4.37) Muitas vezes este efeito ´ e pequeno no caso de um sistema gasoso, em compara¸ c˜ ao com o fluido manom´ etrico, j´ a que ρg ≪ ρm . Assim, as diferen¸ cas de press˜ ao entre pontos do sistema gasoso podem ser desprezadas: ∆pAB ≈ 0. Os pontos B e C contˆ em o fluido manom´ etrico e possuem a mesma press˜ ao pois est˜ ao a uma mesma altura (diz-se que est˜ ao no mesmo plano isob´ arico): pB = pC . pC = pB = p = pD + ρm gh. Onde pD ´ e igual ` a press˜ ao atmosf´ erica p0 . Lembrando que a press˜ ao relativa pr = p − p0 : pr = ρm gh. (4.40)

(4.38) (4.39)

Mas pB ´ e a press˜ ao do g´ as em quest˜ ao. Pela equa¸ c˜ ao da hidrost´ atica:

62

4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido - Hidrost´ atica

pv p0 h0 p0

ρm Hg

Figura 4.9: Medi¸ c˜ ao de press˜ ao atmosf´ erica. Barˆ ometro de merc´ urio.

Exemplo A press˜ ao atmosf´ erica p0 depende da localiza¸ c˜ ao na vertical e pode ser determinada atrav´ es do barˆ ometro de merc´ urio. Observe na figura 4.9 que o reservat´ orio cont´ em merc´ urio sujeito a ` press˜ ao atmosf´ erica p0 , exceto no compartimento central onde o merc´ urio est´ a isolado e sujeito apenas ` a press˜ ao do seu pr´ oprio vapor pv .

Solu¸ ca ˜o Aplicando a equa¸ c˜ ao da hidrost´ atica entre a superf´ ıcie livre do merc´ urio sujeita ` a p0 e a superf´ ıcie livre dentro do tubo sujeita a pv : p0 = pv + ρm gh0 . (4.41)

Sabe-se que a press˜ ao de vapor do merc´ urio ´ e muito pequena e pode ser desprezada: pv ≈ 0, ent˜ ao, a press˜ ao atmosf´ erica pode ser calculada como: p0 = ρm gh0 . (Em condi¸ c˜ oes normais: h0 ≈ 0,76 m). (4.42)

4.3 – Hidrost´ atica y x h H ξ sen θ ´ agua. Sabendo que a press˜ ao a uma profundidade h qualquer abaixo da superf´ ıcie livre ´ e dada por: pe = p0 + ρgh.10.43) Adotando um sistema de coordenadas ξ e η como mostra a figura 4. (4. Sd (4.44) .10: Solu¸ ca ˜o A for¸ ca pedida ´ e uma for¸ ca de superf´ ıcie decorrente das press˜ oes hidrost´ aticas nas duas faces da comporta. A ´ area do elemento dS no plano da comporta.10: Determina¸ c˜ ao da for¸ ca hidrost´ atica em uma comporta.45) (4. A intensidade da for¸ ca de superf´ ıcie total ´ e dada por (ver detalhe da figura 4.10): |Fs | = pdS = Se + Sd Se pe dS − pd dS. onde: h = H + ξ sen θ. de altura dξ e largura b ´ e dS = bdξ . Exemplo Determine a intensidade da for¸ ca total que o ar e a ´ agua exercem sobre a comporta da figura 4. ρ Se η ξ b dξ Sd θ ξ 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 123456789012 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 d 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 12345678901234567 63 L pe p = p0 dS Figura 4. tem-se que a proje¸ c˜ ao na vertical de ξ ser´ a ξ sen θ.

Exemplo Um manˆ ometro diferencial ´ e utilizado para medir a varia¸ c˜ ao da press˜ ao causada pela redu¸ c˜ ao na se¸ c˜ ao transversal de um escoamento em tubo.Hidrost´ atica B 2m ´ agua A ´ agua ρm D C E ´ agua H 3m Figura 4.11: Manˆ ometro diferencial para medir mudan¸ ca de press˜ ao devido a varia¸ c˜ ao da se¸ c˜ ao transversal de um escoamento em tubo. Calcule a diferen¸ ca entre as press˜ oes nas se¸ c˜ oes transversais do tubo onde h´ a escoamento de ´ agua passando por A e B. como mostra a figura 4.11. caso contr´ ario a mesma n˜ ao estaria em equil´ ıbrio. logo: L L (4. ent˜ ao pe = p0 + ρg (H + ξ sen θ).64 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . Observe ainda que a for¸ ca de superf´ ıcie determinada deve ser equilibrada pelo peso e for¸ cas nos pontos de fixa¸ c˜ ao da comporta. supondo que: (i) a press˜ ao ´ e uniforme em qualquer se¸ c˜ ao transversal (incluindo as se¸ c˜ oes . p0 bdξ 0 = ρgbL H + (4.46) |Fs | = 0 [p0 + ρg (H + ξ sen θ)] bdξ − L sen θ 2 . j´ a que sua atua¸ c˜ ao nos dois lados da comporta se anula.47) Repare que a contribui¸ c˜ ao da press˜ ao atmosf´ erica n˜ ao aparece na for¸ ca total de superf´ ıcie sobre a comporta.

.31): dp = ρgdh.50) 65 Como os pontos C e E est˜ ao a uma mesma altura.49) (4. pD = pB + ρa g (H − 3).52) Note que. Solu¸ ca ˜o Aplicando a equa¸ c˜ ao da hidrost´ atica dentro do manˆ ometro. (4.50) em (4.12. determine a intensidade da for¸ ca de superf´ ıcie devido ao fluido e o ar sobre a parede vertical da figura 4. ou seja. sua massa espec´ ıfica ´ e constante. p h (4. pA > pB . ou seja.3 – Hidrost´ atica passando por A e B) do tubo com ´ agua. como ρm > ρa . pE = pD + 3ρm g. j´ a que os fluidos tendem a se movimentar para pontos de menos press˜ ao. Se a massa espec´ ıfica de um fluido varia linearmente com a profundidade segundo ` a lei ρ = ρ0 + ch.48) (4. entre 3 pares de pontos: pC = pA + ρa g (H − 2). a press˜ ao deve ser calculada a partir da integra¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao diferencial da hidrost´ atica (4.54) dp = p0 0 ρgdh.51) e rearranjando: pA − pB = g (3ρm − ρa ) . (ii) no manˆ ometro (fluido abaixo dos pontos A e B) tanto a ´ agua quanto o fluido manom´ etrico est˜ ao em repouso. sendo ρ0 e c constantes.4. (4. Exemplo At´ e agora.53) (4. (4. pC = pE : pA + ρa g (H − 2) = pD + 3ρm g.51) Substituindo (4. o que ´ e de se esperar. Solu¸ ca ˜o Como a massa espec´ ıfica agora varia com h. em todos os exemplos vistos o fluido foi considerado incompress´ ıvel.

4 Problemas propostos 1.12: For¸ ca sobre uma parede vertical exercida por um fluido de massa espec´ ıfica vari´ avel.Hidrost´ atica p0 h fluido. Integrando: H dS = Bdh.55) Seja o elemento de ´ area dS com dimens˜ oes dh e B .13 tem massa m.56) |Fs | = p0 + ρ0 gh + cg 0 h2 2 Bdh − p0 BH H3 H2 + cgB − p0 BH = p0 BH + ρ0 gB 2 6 H3 H2 . . O fluido tem massa espec´ ıfica ρ e a acelera¸ c˜ ao da gravidade ´ e g .57) 4. ρ h p0 B 123456789012345 123456789012345 123456789012345 dh H dS Figura 4.66 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . Determine o m´ aximo valor de H para o qual a comporta n˜ ao abre. A intensidade da for¸ ca que atua no elemento ser´ a: |dFs | = pdS − p0 dS. 2 (4. Em R h´ a uma r´ otula em torno da qual a comporta pode girar e S est´ a livre. (4. A comporta retangular da figura 4. o que fornece: h p − p0 = (ρ0 + ch) gdh = ρ0 gh + cg 0 h2 . +c = Bg ρ0 2 6 (4.

.14: Determina¸ c˜ ao das for¸ cas de press˜ ao em uma comporta triangular.13: Comporta sujeita a press˜ ao hidrost´ atica. patm patm ´ agua.4 – Problemas propostos 67 B H R ρ θ S L Figura 4.4. ρ B H Figura 4.

Calcule a for¸ ca de superf´ ıcie devido ` as press˜ oes da ´ agua e do ar na comporta triangular da figura 4. (iii) tanto o ar quanto a ´ agua s˜ ao incompress´ ıveis (ρw e ρa constantes).16. e a acelera¸ c˜ ao da gravidade g : (a) Calcule aproximadamente a press˜ ao dentro da bolha PB em t = 0. (iv) o sistema ´ e completamente isolado (n˜ ao troca calor. Uma barra s´ olida est´ a em equil´ ıbrio e imersa at´ e 3/4 de seu volume em um fluido como mostra a figura 4. e que em t ≫ 0 (o tempo suficiente para a bolha subir) a bolha ocupar´ a o topo do tubo. Usando apenas o comprimento do tubo h. A figura 4. mas isso n˜ ao ´ e necess´ ario para resolver o problema). (Obs.14. (c) Calcule a press˜ ao no fundo do tubo (ponto B) para t ≫ 0 (situa¸ c˜ ao de equil´ ıbrio). simplesmente admita que a press˜ ao imediatamente no lado de fora da bolha ´ e igual ` a press˜ ao dentro da bolha). Considere o leito de um lago seco. No topo do tubo (ponto A). por m ).Hidrost´ atica 2. (a) determine a massa total de lama por unidade de ´ area horizontal 2 (ou seja. com uma camada de lama de 10 m de profundidade sobre uma superf´ ıcie horizontal de rocha. 5. ρw . a massa espec´ ıfica da ´ agua. Indique nas suas solu¸ c˜ oes todas as vezes que vocˆ e precisar usar qualquer das suposi¸ c˜ oes (i)-(v). (b) Mostre que a situa¸ c˜ ao em t = 0 ´ e de desequil´ ıbrio. Supondo que a massa espec´ ıfica da lama varia com a profundidade h segundo ρ(h) = ρ0 (1 + αh). massa.15 mostra a seguinte situa¸ c˜ ao: no instante t = 0 uma bolha de ar (g´ as ideal ) se encontra no fundo de um tubo de ´ agua completamente fechado (n˜ ao me pergunte como ela foi parar l´ a). n˜ ao h´ a ar (a ´ agua est´ a em contato direto com o tubo) e a press˜ ao l´ a´ e pA |t=0 = 0.: despreze a press˜ ao atmosf´ erica atuando no topo da camada de lama. ainda em t = 0. e as trocas de calor entre a bolha de ar e a ´ agua s˜ ao desprez´ ıveis. 3.) 4. Justifique sua resposta. (ii) a bolha de ar tem dimens˜ oes desprez´ ıveis em compara¸ c˜ ao com o tamanho do tubo e a press˜ ao dentro dela ´ e uniformemente distribu´ ıda (se lhe convier suponha uma geometria para a bolha. por exemplo um cubo. onde ρ0 = 1300 kg m−3 e α = 20 kg m−4 . Admita que: (i) a massa espec´ ıfica da ´ agua ρw ´ e muito maior que a do ar ρa . (v) despreze completamente efeitos de tens˜ ao superficiais na superf´ ıcie da bolha (se vocˆ e n˜ ao sabe o que ´ e isso.68 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . trabalho com o exterior). (b) determine a press˜ ao sobre a rocha devido ao peso da camada de lama. O 1/3 inferior da barra tem massa .

Respostas ˜ baseadas puramente em intui¸ c˜ ao NAO ser˜ ao sequer consideradas. 2/3 1/3 ρágua g 2 ρágua Fluido ρ=? Figura 4. As massas m1 e m2 est˜ ao sobre ˆ embolos sem atrito e sem massa. . Justifique sua resposta baseando-se em leis e/ou equa¸ c˜ oes da f´ ısica. A2 .15: Problema da bolha. os 2/3 restantes (parte superior) tˆ ρa . de ´ areas A1 e A2 . No fundo. 6.).4 – Problemas propostos A g h A p= 0 A 69 bolha de ar ρ a água ρw B p=? t>> 0 B água ρw bolha ρ de ar a B t= 0 p=? B Figura 4. onde ρ ´ e o valor da massa espec´ ıfica da ´ a gua. menos pesado. A3 . espec´ ıfica 2ρa em massa espec´ ıfica ´gua . a for¸ ca F atua para cima no ˆ embolo de ´ area A3 . O fluido ea ´gua a ´gua barra est˜ ao sob a press˜ ao atmosf´ erica. da massa espec´ ıfica do fluido ρ. determine: (a)A massa m1 . e das grandezas geom´ etricas que vocˆ e julgar necess´ arias (A1 . Determine se o fluido em quest˜ ao ´ e mais pesado.17 mostra um sistema hidr´ aulico em equil´ ıbrio (o recipiente est´ a fixado num referencial inercial e o fluido est´ a em repouso).16: Problema da barra parcialmente imersa. h1 . igualmente sem atrito e sem massa. da acelera¸ c˜ ao da gravidade (apontando para baixo) g .4. A figura 4. etc. Em fun¸ c˜ ao de m2 . ou t˜ ao pesado quanto a ´ agua.

calcule a nova configura¸ c˜ ao das alturas de merc´ urio nos dois lados depois que o sistema entrar novamente em repouso. ρ ´ e a massa espec´ ıfica da ´ agua. Se 20 cm3 de ´ agua (densidade ρa = 999 kg/m3 ) s˜ ao inseridos no lado direito. A figura 4. A figura 4. Determine qual a massa m m´ axima poss´ ıvel dos equipamentos para os mesmos permane¸ cam acima do n´ ıvel da ´ agua. .18 mostra uma b´ oia em um lago parado sujeito a uma press˜ ao atmosf´ erica p0 . Determine as componentes horizontal e vertical da for¸ ca da ´ agua sobre a superf´ ıcie da calota.20 mostra uma calota hemisf´ erica de raio R = 0. e a parte superior at´ e a plataforma possui altura h e ´ e feita de material com massa espec´ ıfica igual a ρ/2.Hidrost´ atica m2 m1 Êmbolo A2 Êmbolo h1 h2 A1 Fluido ρ d h3 h4 h5 A3 F Êmbolo Figura 4. a parte inferior da b´ oia possui altura h/4 e ´ e feita de material com massa espec´ ıfica igual a 2ρ. com merc´ urio (densidade ρm = 13550 kg/m3 ). a parte da b´ oia acima da plataforma possui altura h/4 e tamb´ em possui massa espec´ ıfica ρ/2.19 mostra um tubo em U aberto para a atmosfera de diˆ ametro interno igual a 1 cm. 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido .17: Sistema hidr´ aulico em equil´ ıbrio. A base da b´ oia possui ´ area a. 8. A b´ oia carrega sensores e equipamentos de medi¸ c˜ ao na plataforma horizontal da parte superior.70 (b) [1.5] A fˆ or¸ ca F . 7. 9. A figura 4.6 m imersa a 3 m de profundidade (´ agua em repouso com ρ = 999 kg/m3 ).

4. 11.25 mostra um reservat´ orio de ´ agua onde h´ a um acesso com uma tampa circular e uma placa triangular (triˆ angulo equil´ atero) no lado direito . h h/4 71 10. de h. O sistema est´ fun¸ c˜ ao da gravidade g . A figura 4. Considere que a largura do tanque na dire¸ c˜ ao perpendicular ao papel ´ e constante e igual a 1 m. A massa espec´ ıfica da ´ agua ´ e dada por ρ = 999 kg/m3 . Use o fato de que. Note que o merc´ urio est´ a separado da ´ agua por uma parede vertical. Considerando as alturas a e 3a/2 conforme a figura. ´ agua (densidade ρa conhecida). a b´ oia possui 1 m de comprimento (altura do prisma). massa total m h/4 Ar. Em fun¸ c˜ ao dos outros dados mostrados na figura: (a) Calcule qual deve ser a menor massa m dessa tampa para que o . altura de merc´ urio d.23 mostra um tanque com ar. calcule a for¸ ca que os ´ ıquidosfazem na parede esquerda (AB). 12.4 – Problemas propostos Equipamentos. A figura 4.22 mostra um tanque com 2 l´ ıquidos: ´ agua (massa espec´ ıfica 5 a em repouso.21 mostra uma b´ oia prism´ atica/triangular (triˆ angulo equil´ atero). ρ ρ/2 2ρ ´ Area a Figura 4. 13.24 mostra um sistema com um g´ as em uma cˆ amara fechada e um tubo em U contendo 2 l´ ıquidos (l´ ıquido 1 e l´ ıquido 2). e ρ. Em ρ) e lama (massa espec´ ıfica 4 ρ). (b) a press˜ a o pb ` a direita. A figura 4. Calcule a densidade ρ1 em fun¸ c˜ ao dos outros dados da figura.18: B´ oia suportando equipamentos de medi¸ c˜ ao. e merc´ urio (densidade ρm conhecida). calcule quanto deve ser a densidade ρb do material da b´ oia para que esta configura¸ c˜ ao ocorra. p0 ´ Agua. e a press˜ ao pa medida no sensor da esquerda. A figura 4. determine (a) a altura h (ver figura). A figura 4. na dire¸ c˜ ao perpendicular ao papel. Conhecendo a press˜ ao atmosf´ erica p0 .

Encontre o ˆ angulo β que a superf´ ıcie livre ter´ a para que o fluido esteja em repouso em rela¸ c˜ ao ao carro. A figura 4.19: Tubo U com merc´ urio.72 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido . 15.27 mostra um tanque contendo ´ agua (massa espec´ ıfica ρ) sobre merc´ urio (massa espec´ ıfica 14ρ). 14. flutua um bloco s´ olido de a¸ co (massa espec´ ıfica 8ρ). Justifique sua resposta atrav´ Obs.: resposta intuitiva NAO es de argumentos baseados nas leis da f´ ısica. em rela¸ c˜ ao ao qual a ´ agua est´ a parada. mas n˜ ao se esque¸ ca de incluir a for¸ ca fict´ ıcia de in´ ercia (lembre-se de seus cursos de f´ ısica). A acelera¸ c˜ ao da gravidade ´ e g.26 mostra um carro cheio d’´ agua que se acelera livremente (sem atrito) sobre um plano inclinado com inclina¸ c˜ ao α em rela¸ c˜ ao ` a horizontal.Hidrost´ atica d = 10 cm d = 10 cm Figura 4. ˜ VALE. (b) Calcule a for¸ ca que a ´ agua faz na placa triangular. peso dela seja suficiente para n˜ ao haver vazamento de ´ agua. Determine a raz˜ ao entre as distˆ ancias a e b. A figura 4. . Sugest˜ ao: use o referencial acelerado do pr´ oprio carrinho. Na interface entre os dois fluidos.

21: B´ oia triangular.4.22: Press˜ ao de 2 l´ ıquidos nas paredes de um tanque. 6 m Figura 4. a 3a/2 ρ = 999 kg/m3 Figura 4.4 – Problemas propostos 73 ρ = 999 kg/m3 h=3m R = 0. A patm ρ h 5 4ρ h/2 B Figura 4. .20: For¸ ca em calota hemisf´ erica.

Hidrost´ atica Figura 4. Figura 4. Figura 4. .25: Sistema sob press˜ ao.74 4 – For¸ cas e Tens˜ oes num Fluido .24: Tubo em U.23: Press˜ ao hidrost´ atica.

ρ a b 14ρ 8ρ Figura 4.26: Carro com ´ agua descendo a ladeira.4 – Problemas propostos 75 Superf´ ıcie livre xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 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xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx β g x α Figura 4.4. .27: bloco flutuante.

.

1 Taxa de deforma¸ c˜ ao de um fluido O conceito de taxa deforma¸ c˜ ao de um fluido ´ e vital para se compreender como um fluido pode transportar quantidade de movimento. de modo que n˜ ao ´ e pr´ atico se falar em deforma¸ c˜ ao e sim em taxa de deforma¸ c˜ ao (ou seja. vx = 0. 77 (5. Note que esta deforma¸ c˜ ao. A taxa de deforma¸ c˜ ao linear do elemento na dire¸ c˜ ao x ´ e definida como a varia¸ c˜ ao relativa no tamanho do elemento naquela dire¸ c˜ ao: 1 d 1 ∆x + ∆l − ∆x (∆x) = lim . Nesta se¸ c˜ ao se apresenta este conceito. al´ em disso.1. o quanto o elemento se deforma com o tempo). ∆x dt ∆x ∆t→0 ∆t Mas ∆l = (vx |x+∆x − vx |x ) ∆t. 5. como mostra a figura 5.1.Cap´ ıtulo 5 Movimento Relativo Em Um ´ tica Fluido: Cinema 5. ocorre continuamente com o tempo.2) (5. este se deforma devido ` a varia¸ c˜ ao de vx na dire¸ c˜ ao x. O elemento tem inicialmente tamanho ∆x e ap´ os ∆t.1 Deforma¸ c˜ ao linear Considere um elemento de fluido retangular em um escoamento plano unidirecional com vy = 0. no caso geral.1) . considere que vx ´ e fun¸ c˜ ao de x apenas.

a taxa deforma¸ c˜ ao volum´ etrica ´ e igual ` a soma das taxas de deforma¸ c˜ ao linear nas trˆ es dire¸ c˜ oes. ∂/∂z ). ∆y dt ∂y 1 d ∂vz (∆z ) = . (5.78 y 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica y ∆t vx |x ∆x vx |x+∆x x ∆x + ∆l x Figura 5. que substitu´ ıdo em (5. pode haver tamb´ em a chamada deforma¸ c˜ ao volum´ etrica. dada por: 1 d ∆V ∆V dt = 1 d (∆x∆y ∆z ) ∆x∆y ∆z dt 1 d 1 d 1 d = (∆x) + (∆y ) + (∆z ) ∆x dt ∆y dt ∆z dt ∂vx ∂vy ∂vz + + = ∂x ∂y ∂z = ∇ · v. Ou seja.3) Para um elemento suficientemente pequeno.1: Deforma¸ c˜ ao linear de um elemento de fluido em escoamento plano unidirecional.7) onde ∇ = (∂/∂x. ∆z dt ∂z (5. ent˜ 1 d ∂vx (∆x) = . Note que ´ e . ∆x dt ∆x (5.5) (5.4) Al´ em da deforma¸ c˜ ao linear.1) resulta em: (vx |x+∆x − vx |x ) 1 d (∆x) = . ∂/∂y. o lado direito de (??) ´ e a derivada ∂vx ao a taxa de deforma¸ c˜ ao linear em x ´ e: parcial ∂x . ∆x dt ∂x Analogamente as taxas de deforma¸ c˜ ao linear em y e z s˜ ao: 1 d ∂vy (∆y ) = .6) (5.

enquanto que o bordo superior tem velocidade vx |y+∆y . em um intervalo de tempo ∆t.5. Analisando seu deslocamento relativo. Para introduzir a id´ eia de deforma¸ c˜ ao de cisalhamento em um fluido com um caso simplificado. a deforma¸ c˜ ao de cisalhamento ´ e. ao passo que os s´ olidos apresentariam uma deforma¸ c˜ ao finita.2 Deforma¸ c˜ ao de cisalhamento Ao definir-se fluido no cap´ ıtulo 1. 5. Note que est´ a se supondo que o atrito na base do s´ olido ´ e suficientemente grande para que o corpo n˜ ao deslize. e por isso. e ´ e nulo quando o fluido ´ e incompress´ ıvel (no Cap´ ıtulo 6 o divergente ser´ a apresentado com maior detalhe). at´ e que uma for¸ ca el´ astica restauradora equilibraria a for¸ ca provocada pela tens˜ ao tangencial. fun¸ c˜ ao do espa¸ co e do tempo. mas sim em taxa de deforma¸ c˜ ao. mais uma vez. considere uma part´ ıcula retangular plana (bidimensional) elementar com lados ∆x e ∆y no interior de uma massa fluida em um escoamento unidimensional (vy = 0). n˜ ao ´ eu ´ til se falar em deforma¸ c˜ ao para fluidos.2: Deforma¸ c˜ ao de cisalhamento de um elemento de fluido em escoamento plano unidirecional. ∇ · v ´ e o escalar chamado de divergente do vetor velocidade. nota-se que o bordo inferior do elemento tem velocidade vx |y . A taxa de deforma¸ c˜ ao do elemento ´ e definida como a m´ edia das taxas de varia¸ c˜ ao dos ˆ angulos que as faces do elemento do fluido fazem com os eixos . no caso geral. poss´ ıvel haver deforma¸ c˜ ao linear sem que haja deforma¸ c˜ ao volum´ etrica. conforme est´ a mostrado na figura 5.2 do cap´ ıtulo 1). Portanto.1 – Taxa de deforma¸ c˜ ao de um fluido 79 y vx |y+∆y ∆y vx |y x ∆t y ∆l α|t+∆t x Figura 5. e que se deforma indefinidamente enquanto sob uma tens˜ ao tangencial (ver figura 1.2. foi dito que trata-se de um material distribuido de acordo com a hip´ otese do cont´ ınuo.1.

15) .9) (5. 2 ∂y (5.80 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica coordenados.3 mostra o elemento em tal configura¸ c˜ ao. (5. 2 dt 2 ∆t→0 ∆t α | t = 0. (5. a taxa de deforma¸ c˜ ao de um fluido escoando apenas na dire¸ c˜ ao x e sujeito a cisalhamento apenas na dire¸ c˜ ao y´ e igual ` a metade da taxa de varia¸ c˜ ao da velocidade em x na coordenada y .8): ∆t (vx |y+∆y − vx |y ) ∆ 1 dα 1 y = lim 2 dt 2 ∆t→0 ∆t 1 (vx |y+∆y − vx |y ) = 2 ∆y 1 ∂vx = . y ) em um escoamento tridimensional. Substituindo as equa¸ c˜ oes (5. ∆y ∆y ∆l = (vx |y+∆y − vx |y ) ∆t. No caso da figura 5. (5.8) (5. Considere agora o caso mais geral de um corte no plano (x. ∆ly = (vy |x+∆x − vy |x ) ∆t.2.9) foi usado arctan ∆ ≈ ∆ em vista de que a deforma¸ c˜ ao ´ e y y pequena em rela¸ c˜ ao ao tamanho do elemento.10) na equa¸ c˜ ao (5. A figura 5.9) e (5.13) onde ∆lx = (vx |y+∆y − vx |y ) ∆t. h´ a apenas deforma¸ c˜ ao em uma dessas dire¸ c˜ oes e o ˆ angulo ´ e α: α|t+∆t − α|t 1 1 dα = lim .12) α|t+∆t + β |t+∆t = arctan (5.11) para ∆y suficientemente pequeno. tendo o vetor velocidade v componentes x e y iguais a vx e vy .10) mas α|t+∆t = arctan ∆l ∆l ≈ .14) (5. ∆y ∆x dα dβ + dt dt = 1 lim 2 ∆t→0 α|t+∆t − α|t β |t+∆t − β |t + ∆t ∆t . e ∆l ∆l onde em (5. ∆lx ∆ly + arctan ∆y ∆x ∆lx ∆ly ≈ + . Pela defini¸ c˜ ao de taxa de deforma¸ c˜ ao: 1 2 Desta vez: α | t = β | t = 0. Ou seja.

2 dt 2 ∆t→0 ∆t (5. obt´ em-se: ∆t ∆t + (vy |x+∆x + vy |x ) ∆ (vx |y+∆y − vx |y ) ∆ y x 1 d (α + β ) 1 = lim . por´ em. ∂y 2 ∂z   1 ∂vx 1 ∂vy ∂vz z z + ∂v + ∂v 2 ∂z ∂x 2 ∂z ∂y ∂z 5.14).18) + ∂y  . para facilitar e uniformizar a nota¸ c˜ ao. z ). imagine que os ˆ angulos α e β tivessem ambos o mesmo sentido de rota¸ c˜ ao (na figura 5. (5. y ) de um elemento de fluido em escoamento. Finalmente. e (5.16) Para ∆x e ∆y suficientemente pequenos: 1 1 d (α + β ) = 2 dt 2 ∂vx ∂vy + ∂y ∂x . as taxas de deforma¸ c˜ ao linear e de cisalhamento podem ser combinadas para formar o tensor taxa de deforma¸ c˜ a o D:   ∂vy ∂vx 1 ∂vx 1 ∂vx ∂vz + + ∂x 2 ∂y ∂x 2 ∂z ∂x    1 ∂vx ∂vy  ∂vy 1 ∂vy ∂vz D =  2 ∂y + ∂x (5. y ). (5. Substituindo as equa¸ c˜ oes (5.12). que ´ e a taxa de deforma¸ c˜ ao no plano (x. Uma dedu¸ c˜ ao an´ aloga pode ser feita para as taxas de deforma¸ c˜ ao nos planos (x.3.3: Deforma¸ c˜ ao de cisalhamento no plano (x.2 – Rota¸ c˜ ao de um fluido: vorticidade 81 y vy |x vy |x+∆x y ∆lx α|t+∆t ∆ly β |t+∆t x vx |y+∆y ∆t vx |y x ∆y ∆x Figura 5.13) em (5.5.2 Rota¸ c˜ ao de um fluido: vorticidade Considere agora a figura 5.17) Note que D ´ e um tensor sim´ etrico.15). z ) e (y.3 os ˆ angulos est˜ ao em sentidos .

82 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica opostos). o que temos ´ e: 1 d (β − α ) 1 = 2 dt 2 ∂vy ∂vx − ∂x ∂y . ωz ) ≡ 5. neste caso. z ). Assim como definimos linha de corrente como as linhas ` as quais os vetores velocidade s˜ ao tangentes a elas. − . (5. Aplicando a mesma id´ eia para a rota¸ c˜ ao nos planos (x. ´ e poss´ ıvel calcular o campo de voticidade ω associado a esse campo de velocidades. podemos. o tubo de vorticidade ´ e uma superf´ ıcie gerada por linhas de vorticidade adjacentes. (5. (5. temos o que se assemelharia mais a uma rota¸ c˜ ao que a uma simples deforma¸ c˜ ao. analogamente definir linhas cujos vetores vorticidade s˜ ao tangentes a elas. ωy . Essas linhas s˜ ao definidas pelas equa¸ c˜ oes: dx dy dz = = . ou. Assim. a velocidade angular local da part´ ıcula de fluido en torno do eixo z . z ) e (y. simplesmente aplicando-se o rotacional de v. ou seja. − .21. dado pela equa¸ c˜ ao 5. Um exemplo pr´ atico aproximado de um tubo de vorticidade ´ e o funil de um tornado ou de um furac˜ ao.2. essencialmente.21) Ao que aparece entre parˆ enteses em 5. linhas de vorticidade. Podemos definir esta velocidade como a componente z de um vetor velocidade angular. pode-se perceber que a vorticidade ω ´ e igual ao rotacional do campo de velocidades: ω = (ωx .23) ωx ωy ωz Analogamente a um tubo de corrente. definimos a taxa de rota¸ c˜ ao de forma an´ aloga ` a taxa de deforma¸ c˜ ao de cisalhamento.20) que d´ a. temos ent˜ ao um vetor velocidade angular: 1 2 ∂vz ∂vy ∂vx ∂vz ∂vy ∂vx − . .1 ∂vz ∂vy ∂vx ∂vz ∂vy ∂vx − . (5. e portanto mede a taxa de rota¸ c˜ ao no ponto. d´ a-se o nome de vorticidade. − ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y = ∇ × v (5.19) Analogamente ao caso da deforma¸ c˜ ao (o leitor deve aqui dar os passos alg´ ebricos para comprovar). − ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y .22) Linha e tubo de vorticidade Dado um campo vetorial de velocidades v de um fluido.35. Claramente. Claramente. a vorticidade ´ e um vetor igual a duas vezes a velocidade angular do fluido em um ponto. por´ em com um dos ˆ angulos com sinal trocado: 1 2 dβ dα − dt dt = 1 lim 2 ∆t→0 β |t+∆t − β |t α|t+∆t − α|t − ∆t ∆t .

4: Movimento relativo. v e v + ∆v.3 Movimento relativo Vamos considerar agora o movimento relatido entre dois pontos pr´ oximos em um fluido.3 – Movimento relativo z Q r + ∆r ∆r r P v y x v + ∆v 83 Figura 5. ∆z ). ∆vz ) = ∂vx ∂vx ∂vx ∆x + ∆y + ∆z. ∂x ∂y ∂z ∂vz ∂vz ∂vz ∆x + ∆y + ∆z ∂x ∂y ∂z (5.24 pode ser reescrita de forma muito mais conveniente como: ∆v = G∆r (5. Sejam dois pontos pr´ oximos P e Q. A velocidade de Q relativa a P. ∆y.25) .4 ilustra a situa¸ c˜ ao. 5. naquela regi˜ ao. ∆vy . Se em uma regi˜ ao do dom´ ınio o escoamento ´ e tal que a vorticidade ´ e nula.5. pode ser expressa em termos de diferenciais: ∆v = (∆vx . separados por um vetor distˆ ancia ∆r ≡ (∆x. ω = ∇ × v = 0.24) A equa¸ c˜ ao 5. ∂x ∂y ∂z ∂vy ∂vy ∂vy ∆x + ∆y + ∆z. ou seja. respectivamente. A figura 5. e cujas velocidades s˜ ao. tal escoamento ´ e chamado de escoamento irrotacional ou potencial. ∆v.

27 ´ e chamada de tensor de rota¸ c˜ ao R .26)       G= 1 2 1 2  ∂vx ∂y ∂vx ∂z + + 0 ∂vx + ∂y ∂vy ∂y ∂vy + ∂z ∂vx ∂y  = ∂vy ∂x 1 2 1 2 ∂vx ∂z ∂vy ∂z + + ∂vz ∂x ∂vz ∂y      ∂vz ∂y ∂vy ∂x 1 2 1 2 ∂vz ∂y ∂vz ∂z ∂vx ∂z ∂vy ∂z   +   1 2 1 2 ∂vx ∂z ∂vx ∂z − 0 − − − 0 ∂vz ∂x ∂vz ∂y − −      (5.84 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica onde a matriz G ≡ ∇v ´ e chamada tensor gradiente de velocidade. uma medida local do movimento relativo entre duas part´ ıculas vizinhas.27) Au ´ ltima matriz na equa¸ c˜ ao 5. (5. e definida por:  ∂v ∂v ∂v  x x x O tensor G ´ e.29) .28) A conclus˜ ao ´ e que qualquer movimento relativo entre 2 part´ ıculas infinitesimalmente pr´ oximas ´ e uma combina¸ c˜ ao (soma) entre deforma¸ c˜ ao pura e rota¸ c˜ ao pura: G = D + R. portanto. (5. e pode ser escrita em termos das componentes de vorticidade como:  0 1 2 1 2 ∂vx ∂z ∂vx ∂z 1 2 ∂vz ∂x ∂vz ∂x 1 2 1 2 ∂vy ∂z ∂vx ∂y   R≡   − 0 − ∂vy ∂x 1 2 1 2 − − ∂vx ∂z ∂vy ∂z − − 0 ∂vz ∂x ∂vz ∂y  ∂vz ∂y  0 −ωz ωy  ωz 0 −ωx  −ωy ωx 0    =  (5. ´ e antisim´ etrica. Note que:  ∂vx ∂x ∂vy ∂x ∂vz ∂x ∂vx ∂x ∂vx ∂y ∂vy ∂y ∂vz ∂y ∂vx ∂z ∂vy ∂z ∂vz ∂z 1 2 ∂vy ∂x ∂vz ∂x 1 2 1 2 ∂vz ∂x ∂vz ∂x 1 2 ∂vy ∂z  G= ∂x ∂vy ∂x ∂vz ∂x ∂y ∂vy ∂y ∂vz ∂y ∂z ∂vy ∂z ∂vz ∂z  .

ao longo de uma linha fechada: Γ= C v · dr. uma maneira alternativa ` a integral de linha 5. para calcular a circula¸ c˜ ao causada por um campo de velocidades v. (5. e a integral ´ eo fluxo sobre uma superf´ ıcie qualquer S que passa por C .5: Defini¸ c˜ ao de circula¸ c˜ ao.5.30. ´ e usar o Teorema de Stokes juntamente com a defini¸ c˜ ao de vorticidade ω ≡ ∇ × v: Γ= S (ω · n) dS.32) onde n ´ e o vetor unit´ ario normal ao elemento de ´ area dS . 5. A figura 5. a circula¸ c˜ ao Γ ´ e definida como uma integral de linha orientada do produto interno entre o vetor velocidade do fluido e o vetor elemento da linha. Pelo teorema de Stokes (∇ × v · n) dS = v · dr.4 – Circula¸ c˜ ao 85 z dr v y C x Figura 5. (5. Veja a ilustra¸ c˜ ao na figura 5.5.6 ilustra a conex˜ ao entre o fluxo de vorticidade e a circula¸ c˜ ao. (5.4 Circula¸ c˜ ao Por defini¸ c˜ ao.30) O conceito ´ e an´ alogo ao conceito de trabalho de uma for¸ ca ao longo de um circuito fechado. Especificamente. .31) S C temos uma liga¸ c˜ ao entre o conceito de circula¸ c˜ ao e o conceito de vorticidade.

(5.6: Conex˜ ao entre a circula¸ c˜ ao e o fluxo de vorticidade. − . Ap´ os um per´ ıodo transiente. j´ a que r 2 = x2 + y 2 . 0) = (−Ωy.35) (5.34) . 2Ω) (5.33) Embora seja poss´ ıvel usar coordenadas polares. Ωx. 0) .86 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica z ω n dS S dr v C y x Figura 5. em c´ ırculos concˆ entricos. e nenhuma varia¸ c˜ ao na dire¸ c˜ ao vertical. v = (vx . − ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y = (0. o fluido se move como se fosse um corpo s´ olido. vθ = Ωr. A figura 5. O efeito viscoso ir´ a ent˜ ao fazer com que o fluido se mova paralelamente ` as paredes do balde. vy . Ou seja.7 ilustra vistas lateral e superior do balde. espera-se que todo o fluido esteja se movendo apenas com velocidade na dire¸ c˜ ao tangencial. Ent˜ ao. 0. A vorticidade ter´ a ent˜ ao somente componente z : ω= ∂vy ∂vx ∂vz ∂vy ∂vx ∂vz − . a vorticidade pode ser calculada em termos de coordenadas cartesianas. A velocidade do fluido pode ser expressa em coordenadas polares cil´ ındricas: vr = 0. Considere um balde com ´ agua colocado lentamente em rota¸ c˜ ao em torno do seu eixo at´ e atingir uma velocidade angular final Ω. Exemplo Rota¸ c˜ ao de corpo s´ olido.

0. 0 (5. 0.36) A circula¸ c˜ ao pode tamb´ em ser calculada pelo fluxo de vorticidade atrav´ es do disco de raio R circundado pela linha da integral acima: 2π R 0 Γ= 0 (0. r onde c ´ e uma constante.8 ilustra vistas lateral e superior do escoamento. . A figura 5.37) 0 Exemplo Modelo de furac˜ ao. 2Ω) · (0.38) vr = 0. lembrando que r 2 = x2 + y 2 . Considere um modelo simplificado de um furac˜ ao (ou de um ralo que drena ´ agua de uma banheira). (5.5. 1)rdrdθ r2 = 2π 2Ω 2 R = 2π ΩR2 .4 – Circula¸ c˜ ao 87 Ω vθ Ω Figura 5.7: Fluido em rota¸ c˜ ao como se fosse um corpo s´ olido. A vorticidade pode ser calculada em termos de coordenadas cartesianas. vθ = . A circula¸ c˜ ao em torno do eixo de rota¸ c˜ ao ao longo de uma circunferˆ encia de raio R ´ e dada por: 2π Γ= v · dr = vθ Rdθ = 2πR(ΩR) = 2π ΩR2 . A velocidade tangencial do fluido pode ser expressa em coordenadas polares cil´ ındricas por: c (5.

39) A vorticidade para este campo de velocidades ´ e nula (verifique este resultado). exceto na origem. Note que a vorticidade de fato ´ e zero em todo o dom´ ınio do problema. A circula¸ c˜ ao em torno do eixo de rota¸ c˜ ao ao longo de uma circunferˆ encia de raio R ´ e dada por: 2π Γ= v · dr = vθ Rdθ = 2πR 0 c = 2πc. Entretanto.5 Problemas propostos 1.40) O resultado ´ e aparentemente contradit´ orio. pois tende a ±∞. calcule: a) o tensor taxa de deforma¸ c˜ ao para um ponto no meio das duas placas. onde sequer a velocidade ´ e definida.0 . Ent˜ ao. n˜ ao h´ a nada de errado com este resultado.8: Fluido em rota¸ c˜ ao tipo furac˜ ao. 2 + y x + y2 (5. 5. . por´ em produz circula¸ c˜ ao n˜ ao nula. 2 .88 5 – Movimento Relativo Em Um Fluido: Cinem´ atica vθ vθ Figura 5. R (5. Para o campo de velocidades do experimento de Newton mostrado na figura 5. Note que a vorticidade tende a +∞ na origem (h´ a uma descontinuidade infinita na velocidade). Este fato ´ e que faz com que haja circula¸ c˜ ao em torno da origem: toda a vorticidade est´ a concentrada na origem e o escoamento responde a isso com uma circula¸ c˜ ao n˜ ao-nula.9. mesmo que ele seja irrotacional fora da origem. v= x2 cx −cy . pois o escoamento ´ e irrotacional.

c/r. 2 + y x + y2 (5. 0) (modelo de furac˜ ao). c/r. no modelo de furac˜ ao. µ b) o tensor de rota¸ c˜ ao para um ponto no meio das duas placas. 0).5 – Problemas propostos 89 V0 v x (y ) D Figura 5. 6. vz ) = (0. ωz = . onde a vorticidade ´ e infinita. e uma integral de linha em torno do eixo de rota¸ c˜ ao.42) r ∂r r ∂θ calcule ωz diretamente em coordenadas polares a partir de (a) (vr .5. Usando coordenadas cartesianas. Prove que. e (b) (vr . 2. Sabendo que em coordenadas polares cil´ ındricas a componente vertical da vorticidade ´ e definida por 1 ∂ 1 ∂vr (rvθ ) − . vz ) = (0.0 . C H ρ. Ωr. ou seja. a circula¸ c˜ ao em torno do eixo de rota¸ c˜ ao ´ e igual a 2πc. deforma¸ c˜ ao. prove que.9: Rota¸ c˜ ao. Prove que. vz ) = (0. c) a circula¸ c˜ ao ao longo do contorno C (ver figura) usando a integral de linha. no modelo de furac˜ ao. Usando coordenadas cartesianas. 2 .41) 4. 3. no modelo de furac˜ ao. prove que. a vorticidade ´ e zero em todos os pontos. vθ . vθ . vθ . 0) (rota¸ c˜ ao como de um corpo r´ ıgido). e circula¸ c˜ ao no experimento de Newton. o fluido n˜ ao se deforma. 5. exceto na origem. (5. todos os elementos do tensor taxa de deforma¸ c˜ ao s˜ ao nulos. a velocidade (vr . d) a circula¸ c˜ ao ao longo do contorno C (ver figura) usando a integral de superf´ ıcie (teorema de Stokes). no caso de rota¸ c˜ ao como corpo r´ ıgido. quando escrita em coordenadas cartesianas d´ a: v= x2 cy cx .

.

Esta equa¸ c˜ ao pode ser obtida empiricamente atrav´ es de experiˆ encias de laborat´ orio. A equa¸ c˜ ao constitutiva da transferˆ encia de quantidade de movimento. Em fenˆ omenos de transferˆ encia e em mecˆ anica dos fluidos. As equa¸ c˜ oes constitutivas s˜ ao. No caso da transferˆ encia de quantidade de movimento. sup˜ oe-se que as equa¸ c˜ oes constitutivas s˜ ao proposi¸ c˜ oes emp´ ıricas obtidas experimentalmente. esta rela¸ c˜ ao chama-se equa¸ c˜ ao ou lei constitutiva para a quantidade de movimento. ou atrav´ es de modela¸ c˜ ao matem´ atica da estrutura molecular da mat´ eria. por 91 . Neste texto. o elo entre as propriedades moleculares e as propriedades macrosc´ opicas do meio cont´ ınuo. Estas equa¸ c˜ oes n˜ ao s˜ ao propriamente leis fundamentais como as leis de conserva¸ c˜ ao. e sim equa¸ c˜ oes emp´ ıricas que carregam como u ´ nico princ´ ıpio fundamental a segunda lei da termodinˆ amica. 6. Resta agora estabelecer a rela¸ c˜ ao dessas taxas com as tens˜ oes surgidas no fluido. por assim dizer. v´ alidas para um conjunto de materiais. e calor.1 Transferˆ encia de quantidade de movimento No cap´ ıtulo anterior foram obtidas as taxa de deforma¸ c˜ ao de um fluido em fun¸ c˜ ao do campo de velocidades do mesmo. a equa¸ c˜ ao constitutiva estabelece uma rela¸ c˜ ao entre tens˜ ao tangencial e a taxa de deforma¸ c˜ ao devido a esta tens˜ ao.Cap´ ıtulo 6 ˜ es Fluxos Difusivos: Equac ¸o Constitutivas Neste cap´ ıtulo ser˜ ao apresentadas as chamadas equa¸ c˜ oes ou leis constitutivas para a transferˆ encia de quantidade de movimento. massa.

Entretanto. ´ e bem mais complexa que as de massa e de calor. e estas por sua vez. nem todas as part´ ıculas de fluido se movem com a mesma velocidade. uma distribui¸ c˜ ao espacial de velocidades vx (y ). (6. Quando a placa superior entra em movimento. transferem parte .1) onde A ´ ea´ area da placa. como mostra a figura 6. O mecanismo se d´ a da seguinte forma. O experimento de Newton Imagine um fluido de espessura h confinado entre um fundo r´ ıgido e uma placa m´ ovel na fronteira superior. ela arrasta consigo as part´ ıculas que est˜ ao aderidas a ela.92 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas v0 F vx (y ) x Txy = µ dv dy fluido h Figura 6. pois implicam que as part´ ıculas de fluido em contato com uma fronteira s´ olida tˆ em a velocidade da fronteira). esta ser uma grandeza vetorial. Observa-se ent˜ ao que a massa fluida entra em escoamento no sentido do movimento da placa. Por isso ela ser´ a apresentada primeiramente no contexto cl´ assico do experimento de Newton: um escoamento cisalhante unidirecional.1. Inicialmente o fluido e a placa est˜ ao em repouso. ou seja. e entre camadas de fluido adjacentes. Exercendo-se uma for¸ ca F constante na placa superior. sendo vx (0) = 0 e vx (h) = v0 (estas s˜ ao as chamadas condi¸ c˜ oes de n˜ ao-deslizamento. e aparece uma tens˜ ao tangencial Txy na parte superior do fluido: Txy = F A . a placa se move com velocidade v0 . A distribui¸ c˜ ao de velocidades ocorre devido ` a transferˆ encia de quantidade de movimento da placa para o fluido. Estabelece-se um perfil de velocidades.1: O experimento de Newton de transferˆ encia de quantidade de movimento.

ou fluxo espec´ ıfico difusivo de quantidade de movimento. (6. dvx /dy .4) ∂y A unidade SI da viscosidade dinˆ amica ´ e [µ] = Pa s. por assim dizer). enquanto que part´ ıculas com menor velocidade tendem a diminuir a velocidade do seu entorno (a transferˆ encia neste caso ´ e negativa. e assim por diante para as camadas abaixo. e que esta ´ e. e descobriu a lei da gravita¸ ca ˜o. haver´ a uma transferˆ encia de quantidade de movimento do fluido devido aos choques aleat´ orios entre as mol´ eculas dessas camadas. µ. ∂y (6. part´ ıculas de fluido com maior velocidade que o seu entorno tendem a aumentar a velocidade do seu entorno. E.inventou o c´ alculo difer´ ao encial e integral. ou seja. ` a qual denominou viscosidade absoluta ou viscosidade dinˆ amica. portanto. este tende a freiar a camada de fluido imediatamente acima. Repare que a varia¸ c˜ ao da velocidade em y . o respons´ avel pelo paradigma cient´ ıfico sob o qual vive-se hoje. e da viscosidade cinem´ atica ´ e [ν ] = m2 s−1 . e ao fato de que estas camadas ir˜ ao trocar mol´ eculas com quantidades de movimento m´ edias diferentes entre si.2) a forma: ∂vx Txy = ρν . Assim: Txy = µ ∂vx . ´ e a taxa de deforma¸ c˜ ao. A transferˆ encia de quantidade de movimento deve ser entendida como existindo nos dois sentidos. definida por: µ .1 – Transferˆ encia de quantidade de movimento 93 de sua quantidade de movimento para as que est˜ ao imediatamente abaixo. lado de Ren´ e Descates. criou a mecˆ anica (newtoniana). um indicador da taxa de transferˆ encia de quantidade de movimento. e tˆ em a ver com o fato de que as mol´ eculas em uma camada de fluido (mesmo este estando macroscopicamente em repouso) est˜ ao em constante agita¸ c˜ ao e se h´ a uma velocidade m´ edia (lembre-se da id´ eia da velocidade do centro de massa de um sistema visto no cap´ ıtulo 2) maior que a das mol´ eculas de uma camada vizinha.6. Estas transferˆ encias de quantidade de movimento se d˜ ao devido a intera¸ c˜ oes a n´ ıvel microsc´ opico entre mol´ eculas que est˜ ao pr´ oximas umas das outras.2) Por raz˜ oes pr´ aticas. (6. conforme explicado na pr´ oxima se¸ c˜ ao). e que a constante de proporcionalidade ´ e uma propriedade intr´ ınseca do material. h´ a uma proporcionalidade entre a tens˜ ao tangencial e a taxa de deforma¸ c˜ ao. Sir Isaac Newton (1642-1727) . 1 . matem´ atico. Note que.3) ν= ρ dando a (6. fisico . como o fundo ´ e fixo. para muitos fluidos (os chamados fluidos newtonianos. Newton1 observou empiricamente que. se trabalha tamb´ em com a chamada viscosidade cinem´ atica.Fil´ osofo.

Como o interior do fluido tem energia mecˆ anica constante (j´ a que a velocidade da placa se mantˆ em constante). Para uma exposi¸ c˜ ao mais detalhada. que em u ´ ltima instˆ ancia diz que a o valor m´ edio das tens˜ oes normais (Txx + Tyy + Tzz ) /3. Por isso ´ e conveniente separar o tensor de tens˜ oes em duas partes: a parte hidrost´ atica. que alimenta de energia o interior do fluido.7) onde ∇ · v corresponde ` a deforma¸ c˜ ao volum´ etrica e D ´ e o tensor taxa de deforma¸ c˜ ao dado por (5. e a parte dinˆ amica T′ : T = −pI + T′ . (na equa¸ c˜ ao acima est˜ ao inclu´ ıdas suposi¸ c˜ oes que est˜ ao al´ em do escopo deste texto introdut´ orio: a isotropia nas rela¸ c˜ oes entre tens˜ oes e deforma¸ c˜ oes do fluido. 3 (6. onde h´ a taxa de deforma¸ c˜ ao linear. Sir George Gabriel Stokes (1819-1903) .Excepcional f´ ısico-matem´ atico cuja obra na ´ area de mecˆ anica dos fluidos e dos s´ olidos ´ e inestim´ avel. sempre que h´ a deforma¸ c˜ ao em um fluido. e essa for¸ ca realiza trabalho. ver Kundu (1990) ou Batchelor (1967). este constante input de energia que vem do mecanismo que puxa a placa (seja ele qual for) est´ a sendo perdido. que n˜ ao ´ e capaz de deformar o fluido. para manter a placa com uma velocidade constante ´ e necess´ ario que haja uma for¸ ca sobre a placa. em um fluido em repouso n˜ ao h´ a deforma¸ c˜ ao. De fato.6) A equa¸ c˜ ao (6.18). Obviamente.4) ´ e a equa¸ c˜ ao constitutiva de transferˆ encia de quantidade de movimento para um fluido em escoamento cisalhante em uma u ´ nica dire¸ c˜ ao. e a hip´ otese de Stokes2 . No caso geral. e de cisalhamento nas trˆ es dimens˜ oes.94 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas onde I ´ e a matriz identidade.5) 0 0 −p (6. ou melhor. muito embora haja um campo de tens˜ oes dado pelo campo de press˜ ao:   −p 0 0 Trepouso = −pI =  0 −p 0  . Neste ponto o leitor atento deve estar se perguntando se n˜ ao deveria haver processos t´ ermicos ocorrendo sempre que ocorrem transferˆ encias de quantidade de movimento por tens˜ oes viscosas. Ainda com rela¸ c˜ ao ao exemplo da placa posta em movimento sobre um fluido. h´ a perda de energia mecˆ anica para energia interna. 2 . (6. volum´ etrica. a proporcionalidade entre tens˜ oes dinˆ amicas T′ e as taxas deforma¸ c˜ ao ´ e mais complexa e dada pela seguinte rela¸ c˜ ao: 2 T′ = − µ (∇ · v) I + 2µD. est´ a sendo transformado em energia interna do fluido. tem m´ odulo igual ` a press˜ ao termodinˆ amica p.2) ou (6.

Nesses casos a equa¸ c˜ ao constitutiva (6.12) ∂x ∂y ∂z O tensor taxas de deforma¸ c˜ ao ´ e dado por::   ∂vy ∂vx 1 ∂vx 1 ∂vx ∂vz + + ∂x 2 ∂y ∂x 2 ∂z ∂x     1 ∂vx ∂vy ∂vy 1 ∂vy ∂vz + D =  2 ∂y + ∂x  .11) Multiplicando o tensor acima por 2µ e x vy = v∞ L . Solu¸ ca ˜o O tensor de tens˜ oes ´ e dado pela equa¸ c˜ ao (6.1 – Transferˆ encia de quantidade de movimento 95 A equa¸ c˜ ao constitutiva geral para a transferˆ encia de quantidade de movimento ´ e dada pela rela¸ c˜ ao entre o tensor de tens˜ oes T e o tensor taxas de deforma¸ c˜ ao D ´ e: 2 (6.13) ∂y 2 ∂z ∂y   ∂vz 1 ∂vy ∂vz ∂vz 1 ∂vx + ∂x + ∂y 2 ∂z 2 ∂z ∂z y substituindo vx = v∞ L . (6. vy ) = v∞ ex + ey . 3 Em muitos casos (especialmente de l´ ıquidos).8) T = − p + µ (∇ · v ) I + 2 µ D . 0 (6. (6. determine o tensor de tens˜ oes T.  0 0 . (6.10) L L Conhecendo-se o campo de press˜ oes p(x. y ). o fluido pode ser considerado incompress´ ıvel (∇ · v = 0).9) Exemplo Seja o seguinte campo de velocidades em um plano horizontal: y x v = (vx .8) se reduz a: T = −pI + 2µD.14) .8): 2 T = − p + µ (∇ · v ) I + 2 µ D . j´ a que ∂vx ∂vy ∂vz ∇·v = + + = 0. e vz = 0:  2µv∞ 0 L ∞ 2µD =  2µv 0 L 0 0 A parte da tens˜ ao relacionada ` a deforma¸ c˜ ao volum´ etrica ´ e nula.6. (6. 3 (6.

y ) 0  . R R R (6. R (6.19) . (6.15) T =  2µv −p(x.16) v (r ) = v0 1 − R onde R ´ e o raio do tubo. y ) L ∞ (6. Se a viscosidade dinˆ amica do fluido ´ e µ. O tensor de tens˜ oes. j´ a que se trata de um escoamento bidimensional (x. y ). determine a for¸ ca por unidade de comprimento que as paredes do tubo exercem sobre o escoamento. Solu¸ ca ˜o A for¸ ca que a parede do tubo exerce sobre o fluido ser´ a devido ` a tens˜ ao de cisalhamento na fronteira entre o tubo e o fluido. incluindo a press˜ ao ser´ a dado portanto por:   2µv∞ 0 −p(x. A tens˜ ao de cisalhamento dentro do fluido ´ e dada por: Txr = µ ∂v r 2 ∂ v0 1 − =µ ∂r ∂r R r 1 2µv0 r = µv0 −2 =− 2 . r = R e a tens˜ ao ´ e: Txr = −2µv0 . o que ´ e de se esperar. (6.96 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas Note que a u ´ ltima coluna e a u ´ ltima linha da matriz de deforma¸ c˜ oes s˜ ao nulas. L 0 0 −p Exemplo A distribui¸ c˜ ao de velocidades para um escoamento em um tubo circular ´ e: r 2 .18) A for¸ ca por unidade de comprimento de tubo ser´ a igual ` a tens˜ ao Txr em r = R vezes a per´ ımetro da se¸ c˜ ao do tubo: F = Txr × (2πR) = −4πµv0 .17) Na parede do tubo.

A viscosidade da ´ agua ´ e µ.6. obtenha: (a) A equa¸ c˜ ao diferencial para a velocidade do bloco.2: Bloco de gelo deslizando em um plano inclinado. massa m v lˆ amina d’´ agua θ v0 = 0 Figura 6. (b) A velocidade final do bloco. Esta for¸ ca de atrito ´ e devido ` a viscosidade da ´ agua.20) onde Fa ´ e a for¸ ca de atrito da ´ agua sobre o gelo. Exemplo Um bloco de gelo de massa m desliza em um plano inclinado com velocidade v a partir do repouso. ea´ area da base do bloco ´ e A. dt (6.1 – Transferˆ encia de quantidade de movimento 97 y x δ gelo. Supondo uma distribui¸ c˜ ao linear (na dire¸ c˜ ao normal ao plano inclinado) de velocidades na lˆ amina de ´ agua. sobre uma lˆ amina de ´ agua de espessura δ .2. Solu¸ ca ˜o (a) A equa¸ c˜ ao do movimento para bloco de gelo com velocidade v´ e dada pela segunda lei de Newton: m dv = mg senθ − Fa . e pode ser calculada . como mostra a figura 6.

24) v Fa = µA . ent˜ ao: ∂va v = .25) dv µA + v = mg senθ.98 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas conhecendo-se a tens˜ ao cisalhante existente no topo da lˆ amina: Txy = µ ∂va . e esta deve ser nula no plano inclinado e igual a v na superf´ ıcie de contato com o gelo. dt mδ µA d (v − v1 ) = − dt. µA . mδ µA v = v1 + v2 exp − t . δ (6. (6.28) . ∂y δ de modo que e a equa¸ c˜ ao (6.24) pode ser resolvida como mostrado abaixo: d µA (v − v1 ) + (v − v1 ) = 0.20) fica: m (b) Definindo: v1 = mδg senθ .23) a equa¸ c˜ ao (6.27) µA mδg senθ 1 − exp − t µA mδ (6. ln (v − v1 ) = − mδ µA v − v1 = v2 exp − t . dt δ (6.22) (6. (v − v1 ) mδ µA t + ln v2 . Como a distribui¸ c˜ ao da velocidade va em y ´ e linear. µA (6.(6.21) onde va ´ e a velocidade da ´ agua.26) mδ Como em t = 0 a velocidade ´ e nula: v2 = −v1 = − ent˜ ao v= mδg senθ . ∂y (6.

1 Fluidos newtonianos e n˜ ao-newtonianos A viscosidade de um fluido ´ e a medida de sua resistˆ encia ` a deforma¸ c˜ ao.2 A viscosidade como fun¸ c˜ ao da temperatura A viscosidade de qualquer fluido varia sensivelmente com a temperatura. Alguns exemplos de fluidos newtonianos s˜ ao: ´ agua. pois esta tem maior viscosidade. Portanto. a ´ agua resistir´ a menos (e portanto se deformar´ a mais) que a glicerina. e podem apresentar diversos tipos de equa¸ c˜ oes constitutivas diferentes das dos fluidos newtonianos. Fluidos que n˜ ao obedecem a tais rela¸ c˜ oes s˜ ao chamados de fluidos n˜ ao-newtonianos.6. (6.1 – Transferˆ encia de quantidade de movimento A velocidade final do bloco se d´ a quanto t → ∞ e o termo exponencial tende a zero: mδg senθ . . as for¸ cas de coes˜ ao intermolecular s˜ ao desprez´ ıveis (devido ao grande espa¸ camento entre as mol´ eculas) e o comportamento do material em rela¸ c˜ ao ` a viscosidade ´ e avaliado frente aos movimentos aleat´ orios das mol´ eculas gasosas. o espa¸ camento m´ edio entre as mol´ eculas aumenta. Este movimento aumenta consideravelmente com o aumento da temperatura (na realidade o aumento da temperatura ´ e exatamente uma manifesta¸ c˜ ao desse aumento da agita¸ c˜ ao das mol´ eculas).1.29) vf = µA 99 6. Todo fluido que obedece ` as equa¸ c˜ oes constitutivas dadas na se¸ c˜ ao anterior ´ e chamado fluido newtoniano. A figura 6. a viscosidade pondera a transmiss˜ ao de quantidade de movimento no interior de uma massa fluida. v´ arios tipos de ´ oleo. como se sabe. e essas for¸ cas se enfraquecem. intensificando o choque entre as part´ ıculas. 6. etc. e com o aumento da temperatura. ar. glicerina. Como foi dito anteriormente. No caso dos gases.. ´ e de se esperar que.3 mostra curvas relacionando tens˜ ao e taxa de deforma¸ c˜ ao para v´ arios tipos de fluido.1. diminuindo o atrito entre as camadas de fluido em movimento relativo. o que acarreta um aumento da tens˜ ao viscosa e da viscosidade. a viscosidade diminua com o aumento da temperatura. em l´ ıquidos. No caso dos l´ ıquidos. Ao se submeter ´ agua e glicerina ` a mesma tens˜ ao Txy durante um intervalo de tempo ∆t. Os fluidos newtonianos constituem a maioria dos gases e l´ ıquidos existentes em condi¸ c˜ oes normais e de interesse em engenharia e ciˆ encias da terra. as for¸ cas de coes˜ ao molecular s˜ ao fortes se comparadas com as dos gases.

1 Lei de Fourier para a condu¸ c˜ ao de calor Primeiramente.3: Tens˜ ao × taxa de deforma¸ c˜ ao para v´ arios tipos de fluido. Para introduzir as id´ eias de transferˆ encia de calor por condu¸ c˜ ao pura. Considere uma barra longa e esbelta constitu´ ıda de um material homogˆ eneo e isotr´ opico. ou seja. estando inicialmente toda ela ` a mesma temperatura. em qualquer meio cont´ ınuo h´ a transferˆ encia de energia t´ ermica (calor) por condu¸ c˜ ao sempre que h´ a gradientes de temperatura. 6. Se em uma extremidade for . A lei de Fourier trata apenas da transferˆ encia de calor por condu¸ c˜ ao. ou seja. um fluido mais quente em escoamento pode transferir calor de uma regi˜ ao do espa¸ co a outra simplesmente por efeito da transla¸ c˜ ao das part´ ıculas. 6.2. ´ e mais f´ acil considerar um s´ olido em vez de um fluido.2 Transferˆ encia de calor Assim como em fluidos h´ a transferˆ encia de quantidade de movimento quando h´ a gradientes de velocidade (na realidade taxas de deforma¸ c˜ ao espaciais). A equa¸ c˜ ao constitutiva que relaciona gradiente de temperatura e fluxo de calor por condu¸ c˜ ao ´ e conhecida como lei de Fourier. pela difus˜ ao desta propriedade causada pelo contato entre pontos com diferentes temperaturas (agita¸ c˜ ao molecular). ´ e preciso se explicitar que pode haver transferˆ encia de calor por advec¸ c˜ ao.100 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas Txy fluido pl´ astico ideal pequeno cisalhamento fluido newtoniano µ 1 grande cisalhamento dvx dy Figura 6.

A transferˆ encia de calor por condu¸ c˜ ao no sentido oposto ao gradiente de temperatura ´ e exprimida atrav´ es do vetor fluxo de calor q.6. que. que ocasionar´ a um fluxo de calor no sentido oposto ao gradiente de temperatura. Esta situa¸ c˜ ao caracteriza um desequil´ ıbrio t´ ermico.4: Condu¸ c˜ ao de calor em uma barra. A lˆ amina junto ` a fonte de calor estar´ a mais quente que sua vizinha. obviamente esta extremidade da barra ficar´ a mais quente que o seu restante.2 – Transferˆ encia de calor 101 T t=∞ t = ∆t T0 fonte qx T∞ t = 2∆t t = 3∆t t = 4∆t x Figura 6. ou seja. da extremidade mais quente para a mais fria. Em s´ olidos como metais h´ a tamb´ em grande contribui¸ c˜ ao na condu¸ c˜ ao de calor devido ` a transferˆ encia de el´ etrons livres. por sua vez. colocada uma fonte de calor. lˆ aminas vizinhas ir˜ ao trocar calor devido a haver entre elas trocas e choques de mol´ eculas com maior agita¸ c˜ ao (maior energia interna. a rela¸ c˜ ao entre o fluxo de calor e o gradiente de temperatura (lembrando mais uma vez que a temperatura se relaciona com a energia . Em muitos materiais. Usando o mesmo racioc´ ınio do caso de transferˆ encia de quantidade de movimento. (figura 6.4). etc. portanto maior temperatura) com mol´ eculas com menor agita¸ c˜ ao. suponha que a barra seja formada por uma sequˆ encia de lˆ aminas transversais (perpendiculares ` a dire¸ c˜ ao de sua maior dimens˜ ao) imagin´ arias. Assim como no caso da quantidade de movimento. estar´ a mais quente que a pr´ oxima.

30) onde K ´ e a chamada condutividade t´ ermica. No caso tridimensional: q = −K ∇T. inclusive com a temperatura.102 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas interna em um ponto) ´ e linear. Imagine agora que uma placa . ρcp (6. A equa¸ c˜ ao (6. Inicialmente n˜ ao h´ a outra substˆ ancia no recipiente que n˜ ao ´ agua. Define-se difusividade t´ ermica α de um material qualquer como: α= K .31) onde ρ ´ e a massa espec´ ıfica do material e cp ´ e o calor espec´ ıfico a press˜ ao constante.31) ´ e a equa¸ c˜ ao constitutiva para transferˆ encia de calor por condu¸ c˜ ao. [cp ] = Jkg−1 K−1 .1 Lei de Fick para difus˜ ao molecular Considere um recipiente com ´ agua pura (solvente B ). No caso de uma barra na dire¸ ca ˜o x: qx = −K dT .3. Note que a difusividade t´ ermica α tem a mesma unidade da viscosidade cinem´ atica ν = µ/ρ.32) (6.3 Transferˆ encia de massa Finalmente. S˜ ao grandezas que variam com diversas propriedades do sistema.31) n˜ ao-linear e portanto mais complexa. 6. Tanto a condutividade t´ ermica K quanto a difusividade t´ ermica α n˜ ao s˜ ao constantes para um dado material. 6. Este assunto ser´ a tratado mais adiante onde algumas simplifica¸ c˜ oes permitir˜ ao a solu¸ c˜ ao de v´ arios problemas interessantes. dx (6. A equa¸ c˜ ao constitutiva que fornece esta rela¸ c˜ ao ´ e conhecida como lei de Fick. [K ] = Jm−1 s−1 K−1 . [α] = m2 s−1 . o que torna a equa¸ c˜ ao (6. pode-se estabelecer uma rela¸ c˜ ao entre o gradiente espacial de concentra¸ c˜ ao CA de um soluto em um fluido e a taxa de transferˆ encia deste soluto no espa¸ co. As unidades SI das vari´ aveis e constantes envolvidas s˜ ao: [q] = JM−2 s−1 . da mesma forma que nos casos anteriores para transferˆ encia de quantidade de movimento (equa¸ c˜ ao de Newton para fluidos viscosos) e de calor (lei de Fourier).

Como A ´ e sol´ uvel em ´ agua. servido de fonte de algum s´ olido sol´ uvel em ´ agua (soluto A) ´ e colocada em contato com a superf´ ıcie livre da ´ agua como mostra a figura 6. No restante do meio. por algum mecanismo f´ ısico-qu´ ımico3 . independentemente das condi¸ c˜ oes no meio fluido. a concentra¸ c˜ ao na interface permanece igual ` a de satura¸ c˜ ao. ao entrarem em contato com a superf´ ıcie s´ olida do fundo. pode ser que as mol´ eculas do soluto. sofram um processo de adsor¸ ca ˜o. a placa de A) observa-se que a concentra¸ c˜ ao atinge o seu valor de satura¸ c˜ ao (os espa¸ cos dispon´ ıveis entre as mol´ eculas de ´ agua s˜ ao totalmente ocupados): ∗ CA = CA . (6.3 – Transferˆ encia de massa 103 fonte de soluto y ∗ CA fluxo jy h ´ agua t = ∆t t = 2∆t t = 3∆t t = 4∆t t=∞ CA Figura 6. devido a trocas de mol´ eculas entre camadas adjacentes de fluido de concentra¸ c˜ oes diferentes. na interface com uma regi˜ ao onde h´ a ampla disponibilidade de soluto (no caso. A concentra¸ c˜ ao do soluto junto ` a placa ser´ a sempre muito alta. Suponha que.6.5. este se dissolver´ a transferindo parte de sua massa para espa¸ cos vazios entre as mol´ eculas da ´ agua. Em particular. no caso da transferˆ encia de calor. o fluxo espec´ ıfico de massa ´ e a massa de A que atravessa Por exemplo.5: Difus˜ ao molecular causando fluxo de massa. estabelece-se um fluxo de massa na dire¸ c˜ ao de menor concentra¸ c˜ ao e forma-se um perfil cont´ ınuo de concentra¸ c˜ oes similar ao que ocorre com a temperatura. No caso da figura 6. Este processo se d´ a devido ` a difus˜ ao molecular (ver se¸ c˜ ao 3. y = h. a concentra¸ c˜ ao do sol´ uvel no fundo seja mantida nula.“abandonando” a ´ agua e se ligando quimicamente ` a superf´ ıcie do fundo. o fluxo espec´ ıfico de massa de A se d´ a na dire¸ c˜ ao y . Por defini¸ c˜ ao.3). 3 .33) Assim.5.

e o gradiente de concentra¸ c˜ ao de A se d´ a na forma de uma equa¸ c˜ ao constitutiva. j. Exemplo Na figura 6. O coeficiente de difus˜ ao molecular depende da press˜ ao. a equa¸ c˜ ao constitutiva de transferˆ encia de massa (lei de Fick) ´ e: j = −ρDAB ∇CA . com que o ´ acido HCl se difunde atrav´ es de uma se¸ c˜ ao transversal em B.5 ´ e: ∂CA . (6.34) jy = −ρDAB ∂y No caso geral de haver uma distribui¸ c˜ ao tridimensional de concentra¸ c˜ ao. H2 O.6. 1 [CA ] = kgA kg− AB . B. a concentra¸ c˜ ao de HCl ´ e C0 . Em s´ olidos a difus˜ ao molecular ´ e ainda menor (por volta de uma ordem de magnitude) que nos l´ ıquidos. (6. e C contˆ em respectivamente HCl. j´ a que a mobilidade das mol´ eculas ´ e bem maior nos gases. determine a taxa MHCl . e NaOH. temperatura. os tanques A. (6. Na interface BC a concentra¸ c˜ ao de HCl ´ e nula.36) DAB tem a mesma unidade que a viscosidade cinem´ atica ν e a difusividade t´ ermica α. Da mesma forma que nos casos anteriores. DAB . A lei de Fick para difus˜ ao molecular para o caso unidimensional da figura 6. Na maioria dos casos a sua determina¸ c˜ ao ´ e feita por via de experimentos em laborat´ orio. Sabendo-se que a difusividade do HCl em ´ agua ´ e D. e composi¸ c˜ ao qu´ ımica do sistema. Na interface AB. As unidades SI das grandezas envolvidas s˜ ao: [j] = kgA m−2 s−1 .104 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas o plano perpendicular ao fluxo (paralelo ` a placa de a¸ cu ´ car)) por unidade de ´ area por unidade de tempo. . e depende de uma propriedade intr´ ınseca do meio (soluto+solvente) chamada de coeficiente de difus˜ ao (ou difusuvidade) molecular do soluto A no solvente B . ´ E de se esperar que este coeficiente seja maior (por volta de trˆ es ordens de magnitude) para gases que para l´ ıquidos.35) [DAB ] = m2 s−1 . pois o ´ acido reage com o hidr´ oxido de s´ odio. a ´ area das membranas interfaciais ´ e A e a massa ˙ espec´ ıfica no tanque ´ e ρ. a rela¸ c˜ ao entre o fluxo espec´ ıfico difusivo de massa de A.

39) ond η ´ e a grandeza intensiva associada a N .38) C0 0 − C0 ex = ρD ex .6 (cap´ ıtulo 3).6. ´ area A A B H2 O + HCl + NaOH ρ. que se .4 Fluxos difusivos e advectivos combinados Na se¸ c˜ ao 3. D C NaOH HCl 1 δ Figura 6.4 – Fluxos difusivos e advectivos combinados 105 membrana.37) 6. (6. δ−0 δ (6. Solu¸ ca ˜o O fluxo espec´ ıfico de massa ser´ a o vetor: jHCl = −ρD ∇C = −ρD O fluxo difusivo ser´ a: ˙ HCl = jx A = ρAD C0 .6: Fluxo de ´ acido clor´ ıdrico de A para C. foi definido o fluxo advectivo de qualquer grandeza extensiva N atrav´ es de uma superf´ ıcie aberta S como: ˙ adv = N S ηρ (v · n) dS. M δ (6. Este fluxo corresponde ao transporte de N devido ao movimento m´ edio das mol´ eculas de fluido.

energia. e o produto (T · n) entre um tensor e um vetor. .5 A segunda lei da termodinˆ amica Qualitativamente.41) Analogamente.3). O fluxo total de massa de A atrav´ es de S´ e obtido combinando-se (6.31)): ˙A = M ˙A +M ˙A = M adv dif S ρ (CA v − DAB ∇CA ) · ndS. e calor.8).43) = S ρ [(ev − αcp ∇T ) · n] dS. pode-se obter o fluxo total do vetor quantidade de movimento: ˙ = P [vρ (v · n) + (T · n)] dS.35). e massa devido ` a difus˜ ao molecular (ver se¸ c˜ ao 3. (6. Finalmente. O fluxo difusivo de massa do soluto A atrav´ es de da superf´ ıcie aberta S ´ e: ˙A = M dif S (j · n) dS. as equa¸ c˜ oes constitutivas indicam o sentido em que se d´ a os processos difusivos de transferˆ encia de quantidade de movimento. sobreposto a este. 6.39 para a grandeza massa (equa¸ c˜ ao (3. T ´ e dada pela equa¸ c˜ ao (6. Note que em todos os casos a segunda lei da termodinˆ amica ´ e respeitada desde que os valores de µ. e 6. O fluxo de uma propriedade devido ` a difus˜ ao molecular foi justamente o objeto de estudo deste cap´ ıtulo (se¸ c˜ oes 6. o que obviamente ´ e o caso. Na verdade este ´ eou ´ nico (embora crucial) momento em que a segunda lei da termodinˆ amica ´ e invocada de forma expl´ ıcita em toda a teoria apresentada neste texto. α. e DAB sejam n˜ ao-negativos (condi¸ c˜ oes estas necess´ arias e suficientes). (6.40) com (6.42) S onde. 6. massa.1.3). Na realidade. ´ e chamado de uma contra¸ c˜ ao simples. o fluxo total de uma grandeza N atrav´ es de uma superf´ ıcie ´ e a soma dos fluxos advectivo e difusivo desta grandeza. Sabe-se que.106 6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas traduz como a pr´ opria velocidade do fluido como um meio cont´ ınuo.2. h´ a um fluxo de quantidade de movimento.40) onde j ´ e dado pela equa¸ c˜ ao (6. (6. o fluxo total de energia atrav´ es de S ´ e: ˙ = E S eρ (v · n) dS + S (q · n) dS (6. resultando no vetor tens˜ ao.

e da massa espec´ ıfica do ar ρ. Admita que o efeito viscoso nas paredes laterais ´ e despres´ ıvel. D . 2. obtenha a concentra¸ c˜ ao CL em fun¸ c˜ ao de f . C0 .7: Difus˜ ao de ´ alcool no ar em um recipiente. e que a difusividade molecular do ´ alcool no ar ´ e D . A figura 6. O ´ alcool evapora para o ar que est´ a totalmente parado dentro do recipiente. Sabendo que a concentra¸ c˜ ao de ´ alcool no ar em y = 0 ´ e C0 . (6.8. Seja o escoamento de um fluido com viscosidade dinˆ amica µ no canal mostrado na figura 6. uma corrente de ar remove constantemente o vapor de ´ alcool ` a taxa de f CL (massa de ´ alcool por unidade de ´ area por unidade de tempo). onde CL ´ e a concentra¸ c˜ ao de ´ alcool em y = L. 6.6 Problemas propostos 1.44) Determine o diagrama de tens˜ oes tangenciais na se¸ c˜ ao transversal e a for¸ ca sobre o fundo do canal de comprimento L e largura B .6 – Problemas propostos y j˙y = f CL y=L 107 ar em repouso evapora¸ c˜ ao y=0 ´ alcool Figura 6. L.7 mostra um recipiente contendo ´ alcool et´ ılico.6. Na borda superior do recipiente. O campo de velocidades ´ e dado por: v = vx (y ) = 2vM y 1 y − H 2 H 2 . e supondo que o problema ´ e permanente (n˜ ao depende do tempo) e unidimensional. .

108

6 – Fluxos Difusivos: Equa¸ c˜ oes Constitutivas

vM vx (y )

L

H B

Figura 6.8: Escoamento em um canal com superf´ ıcie livre.

3. Suponha que o l´ ıquido 1 da figura 4.24 (cap´ ıtulo anterior) se dilui na interface A entre os 2 l´ ıquidos e penetra dissolvido com uma concentra¸ c˜ ao C no l´ ıquido 2. Sabendo que: (i) a difusividade de massa do l´ ıquido 1 no l´ ıquido 2 ´ e D12 e a densidade da mistura se mant´ em ρ2 ; (ii) na superf´ ıcie livre (interface entre l´ ıquido 2 e atmosfera) a concentra¸ c˜ ao C = 0; e (iii) na interface A entre os 2 l´ ıquidos a concentra¸ ca ˜o ´ e m´ axima C = CM ; (iv) o fluxo de massa atrav´ es de qualquer se¸ c˜ ao do tubo com o l´ ıquido 2 (comprimento d3 ) ´ e constante; pergunto: qual ´ e esse fluxo de massa do l´ ıquido 1 diluido no l´ ıquido 2, em fun¸ c˜ ao de ρ2 , R, CM , D12 , e de d3 .

Cap´ ıtulo 7

˜o: Princ´ ıpios de Conservac ¸a ˜ es Integrais Equac ¸o
Neste cap´ ıtulo s˜ ao apresentados formalmente trˆ es princ´ ıpios b´ asicos da f´ ısica: conserva¸ c˜ ao da massa, conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento, e conserva¸ c˜ ao da energia. Essas leis ser˜ ao aplicadas a problemas de escoamento de fluidos. Embora as leis da f´ ısica sejam aplicadas a sistemas com identidade fixa, ´ e mais interessante que o comportamento local (sem acompanhar o sistema) das grandezas intensivas seja conhecido. Ser´ a estabelecido um conjunto de equa¸ c˜ oes integrais de conserva¸ c˜ ao das propriedades f´ ısicas em um volume (o volume de controle ), onde a varia¸ c˜ ao de cada propriedade f´ ısica (massa espec´ ıfica, velocidade, energia, e concentra¸ c˜ ao de um soluto) no volume se equilibrar´ a com fluxos dessas propriedades na superf´ ıcie (a superf´ ıcie de controle ) no contorno deste volume.

7.1

Princ´ ıpios b´ asicos de conserva¸ c˜ ao

No cap´ ıtulo 3 foram apresentadas as rela¸ c˜ oes integrais entre as grandezas extensivas e intensivas (ver tabela 3.1). As equa¸ c˜ oes integrais sobre o volume do sistema relacionando massa com massa espec´ ıfica, quantidade de movimento com velocidade, energia com energia espec´ ıfica, e massa de soluto com concentra¸ c˜ ao do mesmo, s˜ ao: M =
Vs

ρdV, vρdV,
Vs

(7.1) (7.2)

P = 109

110

7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais E =
Vs

eρdV, CA ρdV,
Vs

(7.3) (7.4)

MA =

respectivamente. Ora, sabe-se que a massa de um sistema, por defini¸ c˜ ao, deve permanecer constante. Do mesmo modo, a massa de um soluto dilu´ ıdo no sistema permanecer´ a constante a menos do fluxo difusivo de massa atrav´ es da superf´ ıcie do sistema. Quando houver um fluxo difusivo de massa atrav´ es da superf´ ıcie, este dever´ a ser igual em m´ odulo ` a taxa de varia¸ c˜ ao de massa do soluto dentro do sistema. O fluxo difusivo de massa total atrav´ es da superf´ ıcie do sistema (Ss ) pode ser calculado a partir da integra¸ c˜ ao do vetor fluxo espec´ ıfico de massa j sobre Ss . J˙ = − (j · n) dS. (7.5)
Ss

Observe que o sinal negativo indica que o fluxo para dentro do sistema seja considerado positivo, j´ a que o vetor n aponta para fora, por conven¸ c˜ ao. A quantidade de movimento do sistema, segundo ` a segunda lei de Newton, variar´ a em fun¸ c˜ ao da for¸ ca resultante Fs + Fc (for¸ ca de corpo mais for¸ ca de superf´ ıcie) sobre ele, onde: Fc =
Vs

ρgdV,

(7.6)

e Fs =
Ss

(T · n) dS.

(7.7)

˙ A energia total do sistema variar´ a em fun¸ c˜ ao do fluxo difusivo de calor Q ˙ recebido pelo sistema e o trabalho por unidade de tempo W realizado sobre ˙ ´ o sistema (primeira lei da termodinˆ amica). O fluxo difusivo de calor Q e calculado a partir do vetor fluxo espec´ ıfico de calor q integrado sobre toda a superf´ ıcie do sistema: ˙ =− (q · n) dS. (7.8) Q
Ss

Mais uma vez, fluxo de calor para dentro do sistema ´ e positivo, da´ ı o sinal negativo. Finalmente, o trabalho realizado pelas for¸ cas de superf´ ıcie sobre o sistema por unidade de tempo ´ e: ˙ = W
Ss

[(T · n) · v] dS,

(7.9)

7.1 – Princ´ ıpios b´ asicos de conserva¸ c˜ ao

111

onde v ´ e a velocidade em cada ponto da superf´ ıcie do sistema. Note que, por T ser um tensor, T · n ´ e um vetor, e n˜ ao um escalar. Al´ em disso T · n ´ e uma tens˜ ao (for¸ ca por unidade de ´ area) e vdS representa a taxa de varia¸ c˜ ao do volume de um elemento de fluido na fronteira do sistema, de modo que (7.9) ´ e uma generaliza¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao (2.26) para o c´ alculo do trabalho realizado sobre um sistema. O trabalho realizado pelas for¸ cas de corpo n˜ ao precisa ser inclu´ ıdo, uma vez que ele est´ a intrinsecamente contabilizado em termos de energia potencial em (7.3). A lei da conserva¸ c˜ ao da massa diz que a massa de um sistema n˜ ao muda com o tempo, e se escreve: DM , (7.10) 0= Dt D , chamado de derivada material ou total, ´ e a taxa de onde o operador Dt varia¸ c˜ ao temporal da grandeza em quest˜ ao associada a um sistema. Ou seja, D indica a varia¸ c˜ ao temporal de uma propriedade extensiva quando se est´ a Dt seguindo ou se movendo com o fluido. A lei de conserva¸ c˜ ao de massa de um soluto A diz que a varia¸ c˜ ao de massa de soluto em um sistema deve ser igual ao fluxo difusivo de massa do soluto, J˙, atrav´ es das fronteiras do sistema: DMA J˙ = . Dt (7.11)

A lei da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento diz que a quantidade de movimento de um sistema muda com uma taxa igual ao valor da resultante das for¸ cas de corpo Fc e de superf´ ıcie Fs atuando no sistema: Fc + Fs = DP . Dt (7.12)

A primeira lei da termodinˆ amica pode ser escrita como: ˙ +W ˙ = DE , Q Dt (7.13)

ou seja, a taxa de varia¸ c˜ ao da energia total do sistema DE ´ e igual ` a soma do Dt ˙ , e da taxa de fluxo de calor fornecido ao sistema atrav´ es de sua superf´ ıcie, Q ˙ trabalho realizada sobre o sistema, W . Note que esta forma de enunciar a primeira lei ´ e ligeiramente diferente da apresentada no cap´ ıtulo 2, uma vez que pretende-se obter aqui uma equa¸ c˜ ao instantˆ anea. Aqui, como no cap´ ıtulo ˙ ˙ 2, Q ´ e positivo quando calor ´ e fornecido ao sistema, e W ´ e positivo quando trabalho ´ e realizado sobre o sistema. As rela¸ c˜ oes (7.10)-(7.13) governam como um sistema com suas propriedades extensivas evoluem no tempo. Os lados esquerdos das equa¸ co ˜es atuam como

14) A figura 7. ∆ t → 0 Dt ∆t (7. De modo geral. A taxa de varia¸ c˜ ao da propriedade N ´ e dada por: N (t + ∆t) − N (t) DN = lim .1: Sistema fluido entre dois instantes. Em t + ∆t. tem-se DN . (7. ´ e composto sempre pelas mesmas part´ ıculas. o sistema ocupa um volume Vs (t) = VI + VII .2 Teorema do transporte de Reynolds Seja N (t) uma propriedade extensiva qualquer de um sistema no instante t.1 ilustra o sistema em 2 instantes consecutivos t e t + ∆t. por Dt defini¸ c˜ ao. Como o sistema. Os lados direitos s˜ ao as taxas de varia¸ c˜ ao das propriedades extensivas do sistema. O volume ocupado pelo sistema no instante t ser´ a denominado volume de controle Vc = Vs (t) = VI + VII .15) . Na pr´ oxima se¸ c˜ ao a express˜ ao para DN em termos do campo de velocidades ´ e deduzida. Dt 7. Em t. for¸ cantes e geralmente s˜ ao conhecidos ou facilmente determin´ aveis. para uma propriedade N .112 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais z v y VI x VII VIII Figura 7. a quantidade DN ir´ a Dt depender do campo de velocidades pois o sistema poder´ a ocupar posi¸ c˜ oes diferentes ` a medida que o tempo passa. o mesmo ocupa o volume Vs (t + ∆t) = VII + VIII .

14) tem-se: DN Dt = 1 ∆t→0 ∆t lim − ηρdV + Vc VIII ηρdV − ηρdV VI t+∆t ηρdV Vc t .18) onde o sub-´ ındice no colchete indica o tempo em que a quantidade dentro dos colchetes s˜ ao calculadas.15) e (7.20) Rearranjando a express˜ ao acima tem-se: DN Dt = + 1 ∆t→0 ∆t lim 1 ∆t→0 ∆t lim ηρdV Vc t+∆t − − ηρdV Vc t ηρdV VIII t+∆t ηρdV VI t+∆t . 113 (7.16): N (t + ∆t) = Vs (t+∆t) ηρdV ηρdV + Vc VIII = ηρdV − ηρdV VI t+∆t . (7. (7. Para calcular N (t + ∆t).22) . Vc ηρdV Vc t+∆t − ηρdV Vc t (7. usa-se (7.2 – Teorema do transporte de Reynolds O volume do sistema em t + ∆t est´ a relacionado com Vc por: Vs (t + ∆t) = VII + VIII = Vc + VIII − VI .17) vem: N (t) = Vs (t) ηρdV = Vc ηρdV t .21) O primeiro limite da equa¸ c˜ ao (7. (7. N= Vs ηρdV. (7. (7.19) em (7.21) ´ e simplesmente igual ` a derivada parcial da quantidade entre colchetes: 1 ∆t→0 ∆t lim = ∂ ∂t ηρdV.19) Substituindo (7.16) Usando a rela¸ c˜ ao geral entre grandezas extensivas N e intensivas η .7.18) e (7.

a integral sobre o volume VIII na equa¸ c˜ ao (7.21). Observe que pode-se tomar como elementos de volume da regi˜ ao III prismas elementares cuja base est´ a sobre a superf´ ıcie do volume de controle (superf´ ıcie de controle. A id´ eia ´ e a de transformar as integrais nas regi˜ oes I e III em integrais no instante t na superf´ ıcie Sc .21) fica: ηρdV VIII t+∆t = lim ∆t ∆t→0 S+ ηρ (v · n) dS.23) Como dentro do elemento o produto ηρ pode ser considerado constante (pois o elemento ´ e pequeno). Considere as regi˜ oes I e III em um corte bi-dimensional (para facilitar a visualiza¸ c˜ ao) como na figura 7. pode-se calcular a integral sobre a regi˜ ao I usando como elementos de volume prismas cuja base est´ a sobre Sc .24) onde S+ ´ e a parcela da superf´ ıcie de controle que contribui para a superf´ ıcie da regi˜ ao III. Analogamente.2. (7. O volume de cada prisma ∆V ´ e o produto da ´ area da base. (7. pela altura (v · n) ∆t: ∆V = (v · n) ∆t∆S. Para se avaliar o segundo limite da equa¸ c˜ ao (7. Sc ) e cujo topo encontra-se na superf´ ıcie do sistema em t + ∆t. ´ e preciso calcular separadamente as integrais pois as regi˜ oes de integra¸ c˜ ao s˜ ao diferentes. e cujo topo est´ a na . ∆S .2: Elementos de integra¸ c˜ ao nas regi˜ oes I e III correspondendo a um sistema nos instantes t e t + ∆t.114 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Sc S− S+ III v ∆S ∆S v n I n − (v · n) ∆t (v · n) ∆t Figura 7.

29) substituindo-se N e η pelas propriedades extensivas em quest˜ ao.2 – Teorema do transporte de Reynolds 115 superf´ ıcie do sistema em t + ∆t.7. e considerando que.13) substituir´ a DN na Dt equa¸ c˜ ao (7. (7.29) que ´ e a express˜ ao para se calcular a taxa de varia¸ c˜ ao instantˆ anea de uma propriedade extensiva N de um sistema que ocupa o volume Vc nesse instante. que ´ e a equa¸ c˜ ao integral de balan¸ co da propriedade extensiva N para um volume de controle.29) ´ e o Teorema do transporte de Reynolds. j´ a que. quantidade de movimento.27) Usando (7. para um volume de controle. instantaneamente. o vetor normal unit´ ario n est´ a apontando para fora do prisma (o oposto do caso da integral na regi˜ ao III). Como a regi˜ a o Vc ´ e arbitr´ aria. e usar as leis da f´ ısica (7.26). .13) combinadas com a rela¸ c˜ ao (7. e a integral sobre VI ser´ a: ηρdV VI t+∆t (7. (7. cada uma das leis (7. Desta vez o produto (v · n) dever´ a ter um sinal negativo.26) onde S− ´ e a parcela da superf´ ıcie de controle que contribui para a superf´ ıcie da regi˜ ao I.21) ´ e portanto: 1 ∆t→0 ∆t lim = Sc ηρdV VIII t+∆t − ηρdV VI t+∆t ηρ (v · n) dS.24).10)-(7. (7. em geral se escolhe uma que seja conveniente para o problema em quest˜ ao. (7.10)-(7. Nas pr´ oximas se¸ c˜ oes. e energia.27) o segundo limite da equa¸ c˜ ao (7. por conven¸ c˜ ao.28) em (7.22) e (7. (7. o sistema ocupa aquele volume de controle.28) Levando (7. O volume de cada elemento ser´ a: ∆V = − (v · n) ∆t∆S. e (7. a superf´ ıcie de controle total ´ e: Sc = S+ ∪ S− . massa de um soluto. A equa¸ c˜ ao (7.25) = lim −∆t ∆t→0 S− ηρ (v · n) dS. Naturalmente. de forma a facilitar os c´ alculos das integrais envolvidas. Para um problema particular a id´ eia ´ e a de se definir um volume de controle.21) tem-se a seguinte express˜ ao envolvendo apenas integrais na regi˜ ao ocupada por Vc : DN ∂ = Dt ∂t ηρdV + Vc Sc ηρ (v · n) dS.29) para formar as equa¸ c˜ oes integrais de conserva¸ c˜ ao de massa.

e diz que.3. que permanece constante (equa¸ c˜ ao (7.30) A equa¸ c˜ ao (7.3 Balan¸ co de massa Conforme j´ a foi discutido na se¸ c˜ ao 3. efeitos difusivos n˜ ao alteram a massa total de um sistema. um fluido d´ a-se da esquerda para a direita e ´ e permanente e uniformemente distribu´ ıdo nas se¸ c˜ oes transversais antes e depois da transi¸ c˜ ao. esta deve ser balanceada pelo fluxo de massa atrav´ es da superf´ ıcie de controle Sc .10) e (7.3 ´ e tal que o diˆ ametro reduz-se de D para D/2.29) com η = 1. de modo que reunindo (7. O fluido de massa espec´ ıfica ρ ´ e incompress´ ıvel. se h´ a varia¸ c˜ ao temporal de massa dentro de um volume de controle Vc . Solu¸ c˜ ao O volume de controle escolhido ´ e formado pela pr´ opria tubula¸ c˜ ao e por uma se¸ c˜ ao transversal antes da transi¸ c˜ ao (se¸ c˜ ao 0) e uma se¸ c˜ ao transversal depois da transi¸ c˜ ao (se¸ c˜ ao 1). em um dado instante. Conhecendo a velocidade V0 antes da redu¸ c˜ ao. tem-se: 0= ∂ ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS. A equa¸ c˜ ao de . (7.10)).3: Transi¸ c˜ ao numa tubula¸ c˜ ao circular. A grandeza intensiva η associada ` a massa total de um sistema ´ e simplesmente 1.30) ´ e chamada de balan¸ co integral de massa. calcule a velocidade V1 depois da redu¸ c˜ ao. Exemplo A redu¸ c˜ ao da se¸ c˜ ao transversal da tubula¸ c˜ ao circular da figura 7. O escoamento de V0 D D/2 V1 = ? Figura 7.116 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais 7.

com que a press˜ ao p cai no instante em que Determine a taxa ∂p ∂t a v´ alvula ´ e aberta. o g´ as escapa com velocidade v0 .31) O balan¸ co de massa ent˜ ao se reduz ao fluxo de massa sobre toda a superf´ ıcie de controle: ρ (v · n) dS = 0. se usou o fato de que S0 dS e S1 dS s˜ ao as ´ areas das se¸ c˜ oes transversais das se¸ c˜ oes 0 e 1. ent˜ ao: ∂ ∂t ρdV = 0. chamando as superf´ ıcies das se¸ c˜ oes 0 e 1 de S0 e S1 .34) Exemplo Um extintor de incˆ endio como mostra a figura 7. (7. ent˜ ao v · n = 0 em toda a superf´ ıcie de controle.3 – Balan¸ co de massa conserva¸ c˜ ao da massa (7. supondo que a expans˜ ao do g´ as atrav´ es da v´ alvula ´ e isot´ ermica. exceto nas se¸ c˜ oes 0 e 1. e que na se¸ c˜ ao 0 o valor ´ e negativo pelo fato de que os vetores v e n tˆ em sentidos opostos). pode sair da integral.33) + V1 4 4 (acima. cuja se¸ c˜ ao tem ´ area a.4 tem volume V e contˆ em CO2 ` a temperatura ambiente T0 . Vc 117 (7. respectivamente (note que estes valores s˜ ao constantes nas se¸ c˜ oes transversais. Como por hip´ otese o escoamento ´ e permanente. . ρ.30) ´ e a lei da conserva¸ c˜ ao a ser usada. (7. a equa¸ c˜ ao fica ent˜ ao: ρ (v · n) dS = ρ (v · n) dS + dS + ρV1 S0 S1 Sc S0 S1 ρ (v · n) dS dS = −ρV0 = ρ −V0 πD 2 π (D/2)2 = 0. Abrindo-se a v´ alvula de sa´ ıda.7. sendo constante. (7. Al´ em disso. respectivamente) donde: V1 = 4V0 .32) Sc Como o fluido n˜ ao penetra as paredes do tubo. onde v · n = −V0 e v · n = V1 .

Solu¸ c˜ ao O volume de controle escolhido aqui ´ e o pr´ oprio extintor. Repare que este ´ e um problema transiente (ou n˜ ao-permanente). Al´ em disso. tem-se: ∂ ∂t ρdV = Vc ∂ ∂ρ (ρV ) = V . A equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da massa ´ e dada por (7. uma vez que a massa total de g´ as dentro do volume de controle varia com o tempo.37) . o escoamento ´ e necessariamente compress´ ıvel.118 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais v0 a V T0 Figura 7. Usando a equa¸ c˜ ao de estado de um g´ as ideal. RT (7. ∂t ∂t (7. ρ= p .35) Acima usou-se o fato de que o volume do extintor.36) na express˜ ao acima. ∂t RT0 ∂t (7. como o g´ as se expande dentro do volume de controle devido ` a despressuriza¸ c˜ ao. Supondo que a cada instante a distribui¸ c˜ ao da massa espec´ ıfica ´ e uniforme no extintor. tem-se que o termo transiente ´ e: V ∂ρ 1 ∂p =V .30).4: Problema do extintor de incˆ endio. ´ e constante. V .

RT0 ∂t RT0 (7. RT0 (7.41) Exemplo Considere um tanque de ´ agua cil´ ındrico com ´ area da base igual a A. ∂t V um valor negativo. determine a altura da ´ agua como fun¸ c˜ ao do tempo h(t).40) Sc e a equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da massa fica: V Portanto: p0 v0 a ∂p =− . como mostra a figura 7. a u ´ nica superf´ ıcie onde h´ a fluxo (v · n = 0) ´ e a se¸ c˜ ao transversal da v´ alvula. Se a velocidade da ´ a gua atrav´ es do orif´ ıcio ´ e conhecida e √ igual a v = 2gh e a altura inicial da ´ agua no tanque for h0 . (7. temperatura T0 e press˜ ao atmosf´ erica p0 ambientes: ρ0 = p0 .30). RT0 (7.38) Sc Note que acima foi usado ρ0 . ou seja. Sc 119 (7. No termo advectivo de (7.42) p0 1 ∂p + v0 a = 0. e n˜ ao ρ (massa espec´ ıfica dentro do volume de controle). como era de se esperar.7.5. . Como l´ a v · n = v0 (constante): ρ (v · n) dS = ρ0 v0 dS = ρ0 v0 a.39) O fluxo total na superf´ ıcie de controle fica portanto: ρ (v · n) dS = p0 v0 a. ρ0 pode ser calculada pela equa¸ c˜ ao de estado para um g´ as ideal nas condi¸ c˜ oes da sa´ ıda do g´ as pela v´ alvula. e com um orif´ ıcio de ´ area a no fundo.3 – Balan¸ co de massa onde foi usado T = T0 constante.

acima do n´ ıvel de ´ agua inicial.43) onde V (t) = Ah(t) ´ e o volume de ´ agua no volume de controle que ´ e fun¸ c˜ ao apenas do tempo. que dependendo da escolha do volume de controle (VC). Este termo ´ e dado por: ∂ ∂t ρdV = Vc ∂ dV dh (ρV ) = ρ = ρA .5 por (a). e portanto a derivada parcial ´ e igual ` a derivada ordin´ aria. Al´ em disso.30) n˜ ao pode ser desprezado. O escoamento pode ser suposto incompress´ ıvel com massa espec´ ıfica ρ. j´ a que a massa dentro do volume de controle ´ e vari´ avel com o tempo. portanto primeiro termo de (7.5: Cilindro com orif´ ıcio no fundo. considere o VC que vai at´ e a linha tracejada marcada na figura 7.30) Note que o problema ´ e transiente. Solu¸ c˜ ao Este exemplo mostrar´ a que ´ e poss´ ıvel escolher mais que um volume de controle para se resolver o mesmo problema. Novamente a equa¸ c˜ ao que ser´ a utilizada para se resolver o problema ´ e a equa¸ c˜ ao integral de conserva¸ c˜ ao da massa (7. o problema pode ser permanente ou transiente! Inicialmente. ∂t dt dt (7. A integral de superf´ ıcie (fluxo advectivo) da .120 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais a h0 h(t) b v= √ 2gh Figura 7.

(7.48) Neste problema. Portanto: h(t) = √ a 2g h0 − t 2A 2 .50) = −ρv0 A + ρva = 0.46) h−1/2 dh + A Integrando a express˜ ao acima: h h h0 −1/2 a dh + A 1/2 t 2g + a A 0 dt 2gt (7. (7.30) fica: dh ρA + ρ 2gha = 0. homogˆ enea. Neste caso.44) Juntando o termo transiente com o fluxo advectivo. A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa se reduz a: ρ (v · n) dS = 0. (7.30) tem apenas contribui¸ c˜ ao no orif´ ıcio. . linear.47) = 2 (h(t))1/2 − h0 = 0. a massa de ´ agua no volume de controle ´ e constante. o problema ´ e permanente. de modo que o balan¸ co de massa no VC se dar´ a pelas integrais de superf´ ıcie no topo e no orif´ ıcio do fundo: Sc ρ (v · n) dS = Stopo ρ (v · n) dS + Sfundo ρ (v · n) dS (7. (7. poderia-se alternativamente escolher o volume de controle que corta o fluido (abaixo de h(t)). enquanto a superf´ ıcie livre n˜ ao alcan¸ car o topo do volume de controle. A solu¸ c˜ ao pode ser obtida separandose as vari´ aveis: a 2gdt = 0. e portanto. Esta integral fica simplesmente: Sc 121 ρ (v · n) dS = ρ 2gha.3 – Balan¸ co de massa equa¸ c˜ ao (7. sob o aspecto da conserva¸ c˜ ao da massa.49) Sc Repare que agora h´ a fluxo de massa atrav´ es do topo do volume de controle. pois somente l´ a v · n = 0. marcado por (b). Pode-se admitir que a velocidade que atravessa esta superf´ ıcie ´ e uniformemente distribuida na superf´ ıcie e igual a dh v0 = − dt . a equa¸ c˜ ao (7. (7. de primeira ordem.45) dt A express˜ ao acima ´ e uma equa¸ c˜ ao diferencial ordin´ aria.7.

6: Aterro de coleta de ´ aguas pluviais (escoamento em um meio poroso).51) que. √ Substituindo v = 2gh e v0 = − dh acima. Admitindo que a vaz˜ ao Q que eflui ´ e proporcional ao n´ ıvel da ´ agua dentro do aterro.30). para reduzir perdas por evapora¸ c˜ ao.122 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais concreto piezˆ ometro H argila B θ Q canaleta Figura 7. ´ e a mesma equa¸ c˜ ao diferencial para h(t) que foi obtida anteriormante (7. obt´ em-se: dt ρA dh +ρ dt 2gha = 0. Q = kLH . Note que necessariamente o problema . sabendo que H (0) = H0 . determine o n´ ıvel H em fun¸ c˜ ao do tempo. Este tipo de armazenamento de ´ agua dentro de um meio poroso pode ser u ´ til em regi˜ oes ´ aridas. Solu¸ c˜ ao O volume de controle escolhido ´ e o pr´ oprio de aterro e a equa¸ c˜ ao utilizada para se resolver este problema ser´ a a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (7. (7. e que a porosidade do solo ´ e n.45). onde L ´ e o comprimento do aterro. e k ´ e conhecido empiricamente. Exemplo A figura 7. obviamente.6 mostra um aterro destinado a coletar ´ aguas de chuva e conduzi-las a uma canaleta.

j´ a que a vari´ avel que se quer resolver H (t) est´ a relacionada com o volume de ´ agua no aterro. (7. de modo θ que o volume de ´ agua ´ e dado por: VA = n B − H 2 tan θ HL.53) Observe o uso de derivadas ordin´ arias para H . tem-se: nB H t dH n dH + k dt = − tan θ H0 H0 H 0 n H − (H − H0 ) + kt = 0.52) 123 Admitindo que a massa espec´ ıfica da ´ agua ρ ´ e constante.56) Integrando a equa¸ c˜ ao acima. (7. nB ln H0 tan θ H (7. tem-se: nB dH n − dH + kdt = 0. o termo transiente de (7.57) . uma vez que o tempo ´ e a u ´ nica vari´ avel da qual H depende. Por defini¸ c˜ ao.54) Sc A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa fica: ρnL B dH H dH − dt tan θ dt + ρkLH = 0. (7. O volume ocupado pelo aterro H at´ e o n´ ıvel da ´ agua H ´ e dado por V = B − 2 tan HL. a u ´ nica regi˜ ao da superf´ ıcie de controle onde h´ a fluxo (v · n = 0) ´ e pr´ oximo ` a canaleta.30) fica: ∂ ∂t ρdV Vc ∂ H ρn B − HL ∂t 2 tan θ dH H dH = ρnL B . o volume de ´ agua dentro do aterro ´ e igual ao produto do volume total da regi˜ ao molhada (at´ e o n´ ıvel H ) com a porosidade n. H tan θ (7.55) Rearranjando e separando as vari´ aveis H e t. onde a integral de superf´ ıcie ´ e dada pela pr´ opria vaz˜ ao Q = Sc (v · n) dS multiplicada pela massa espec´ ıfica ρ: ρ (v · n) dS = ρQ = ρkLH.7. e este ´ e vari´ avel dentro do volume de controle. Desprezando o pequeno fluxo dentro do piezˆ ometro.3 – Balan¸ co de massa ´ e transiente. − dt tan θ dt = (7.

Na sa´ ıda. h (7.7: Canal de vento fechado sobre um reservat´ orio.11). e concentra¸ c˜ ao de vapor de ´ agua s˜ ao dadas por: v (y ) = 4v2 y (h − y ) .29) com N = M e η = CA . (a) Calcule a velocidade m´ axima na sa´ ıda (se¸ c˜ ao 2) v2 em fun¸ c˜ ao de v1 . DM ´ e dado por (7. A equa¸ c˜ ao A Dt fica: ∂ CA ρ (v · n) dS.7.58) CA ρdV + J˙ = ∂t Vc Sc Exemplo Ar seco com massa espec´ ıfica ρ e velocidade v1 entra em um duto de se¸ c˜ ao retangular h × b. h2 C (y ) = C 0 (h − y ) . .124 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Repare que a equa¸ c˜ ao acima n˜ ao permite uma express˜ ao expl´ ıcita para H . (7.4 Balan¸ co de massa de um soluto A lei integral da conserva¸ c˜ ao de massa de um soluto A (na ausˆ encia de rea¸ c˜ oes qu´ ımicas!) em uma regi˜ ao do espa¸ co (volume de controle) ´ e expressa pela A equa¸ c˜ ao (7. 7. cujo fundo ´ e um reservat´ orio de ´ agua como mostra a figura 7. as distribui¸ c˜ oes de velocidade b entrada do canal sa´ ıda do canal h ar ´ agua v1 J˙ ar ´ agua v2 C0 Figura 7. Este tipo de equa¸ c˜ ao ´ e chamada de transcendental e H s´ o pode ser avaliado numericamente de forma iterativa.59) Desprezando as varia¸ c˜ oes de velocidade nas laterais.

60) = −ρv1 bh + 4v2 ρ 0 y (h − y ) bdy = 0. 2 (7. v2 .61) Repare que J˙ n˜ ao contribui para o balan¸ co de massa do fluido. o termo transiente (∂/∂t) ´ e nulo. e portanto deve ser solucionado considerando-se a conserva¸ c˜ ao da massa do fluido (7. o termo transiente ´ e nulo. ap´ os a integra¸ c˜ ao. em fun¸ c˜ ao de C0 . e h.4 – Balan¸ co de massa de um soluto (b) Calcule o fluxo de massa de vapor de ´ agua que evapora do ˙ reservat´ orio. a integral naquela superf´ ıcie ´ e nula (CA = 0). (7. (b) A equa¸ c˜ ao de balan¸ co de massa de um soluto (no caso.7. J . O termo devido aos fluxos advectivos tˆ em componentes na entrada (S1 ) e na sa´ ıda (S2 ) do duto. e a integral de superf´ ıcie em S2 ir´ a equilibrar o fluxo difusivo de massa do soluto: J˙ = ρ4C0 v2 b CA ρ (v · n) dS = h3 S2 1 ρC0 v2 bh. Como o problema ´ e permanente.30). obt´ em-se: v2 = 3v1 . portanto: ρ (v · n) dS = h 125 SC S1 ρ (v · n) dS + S2 ρ (v · n) dS (7.62) Como por hip´ otese o ar est´ a seco na entrada do duto (S1 ). Como o escoamento ´ e permanente. h2 donde. b. Solu¸ c˜ ao (a) Este ´ ıtem diz respeito ` a velocidade do fluido. vapor de ´ agua) ´ e dada por (7.58). ρ. = 3 h 0 y (h − y )2 dy (7. A integral sobre a superf´ ıcie de controle (fluxo advectivo) ´ e: CA ρ (v · n) dS = + S2 Sc S1 CA ρ (v · n) dS CA ρ (v · n) dS.63) .

30) nos fornece ´ e a de que a vaz˜ ao de entrada deve ser igual ` a vaz˜ ao de sa´ ıda. Exemplo A figura 7. o problema ´ e permanente). Au ´ nica informa¸ c˜ ao que a equa¸ c˜ ao do balan¸ co de massa de fluido (7. uniformes no volume de controle: ∂ ∂t CA ρdV = Vc ∂ dCE [ρCE (t)V ] = ρV ∂t dt (7. CE (t). conectado a tubos de circula¸ c˜ ao. O termo transiente pode ser calculado imediatamente. e desprezando a difus˜ ao molecular do fenol. j´ a que CA = CE (t) e ρ s˜ ao. Para se calcular uma f´ ormula para CE (t).8. Q (repare que para a conserva¸ c˜ ao da massa de fluido.8: Fluxo de fenol em um tanque. Considere que um misturador mant´ em a concentra¸ c˜ ao de fenol dentro do tanque homogˆ enea e igual ` a concentra¸ c˜ ao de sa´ ıda.126 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Q. Sendo V o volume (constante) de fluido no tanque. Solu¸ c˜ ao O volume de controle a ser utilizado ´ e obviamente o tanque em si. dada pela equa¸ c˜ ao (7. mostra um tanque industrial contendo inicialmente ´ agua pura (ρ constante). por suposi¸ c˜ ao. O termo J˙ ´ e dado como desprez´ ıvel. uma vaz˜ ao volum´ etrica Q come¸ ca a transitar no tanque tranzendo ´ agua com uma concentra¸ c˜ ao m´ assica C0 de fenol.58).C0 Q.64) . deve ser empregada a lei de conserva¸ c˜ ao de massa de um soluto.CE (t) V misturador Figura 7. Em t = 0. obtenha CE (t).

58) s´ o tem contribui¸ c˜ oes nas se¸ c˜ oes que comunicam o tanque com os tubos de circula¸ c˜ ao. tornase: dCE + Q (CE (t) − C0 ) = 0. A equa¸ c˜ ao de balan¸ co de massa de fenol.71) (7. (7. Finalmente: CE (t) = C0 1 − e−(Q/V )t . Sendo S1 e S2 as se¸ c˜ oes da entrada e sa´ ıda do tanque. (7.70) Como CE = 0 em t = 0.7. (7. A integral de superf´ ıcie da equa¸ c˜ ao (7.58) com J˙ = 0. dt (7.65) = −ρC0 Q + ρCE (t)Q. (7. tem-se: CA ρ (v · n) dS = + S2 127 Sc S1 CA ρ (v · n) dS CA ρ (v · n) dS S1 = ρC0 (v · n) dS + ρCE (t) S2 (v · n) dS (7.68) .69) V onde ln c ´ e a constante de integra¸ c˜ ao.66) V dt A equa¸ c˜ ao acima pode ser convenientemente rearranjada: V d (C0 − CE (t)) + Q (C0 − CE (t)) = 0. como o tempo ´ e a u ´ nica vari´ avel independente.67) Separando as vari´ aveis: d (C0 − CE (t)) Q = − dt. (7. (C0 − CE (t)) V Integrando: Q ln (C0 − CE (t)) = − t + ln c. ent˜ ao c = C0 .4 – Balan¸ co de massa de um soluto Repare que . a derivada parcial pode ser substituida pela derivada ordin´ aria. Exponenciando a express˜ ao acima: (C0 − CE (t)) = ce−(Q/V )t .

z ) de (7. y. vy ρ (v · n) dS. 4.12). como em muitos ∂ ∂t ∂ = ∂t ∂ = ∂t vx ρdV + Vc Sc vx ρ (v · n) dS.74) (7. (c) ∂p/∂y = −ρg . No sistema de coordenadas cartesiano as trˆ es componentes (x. tem-se: Fs + Fc = ∂ ∂t vρdV + Vc Sc vρ (v · n) dS. como a quantidade de movimento ´ e um vetor. com a acelera¸ c˜ ao da gravidade atuando no sentido −y perpendicular a x.1). onde Fs e Fc s˜ ao as for¸ cas de superf´ ıcie e de corpo atuando no sistema naquele instante (ver se¸ c˜ oes 4. de a respons´ avel pela varia¸ c˜ ao da quantidade de movimento do sistema. D Dt acordo com a equa¸ c˜ ao (7.72) para um escoamento permanente. Utilizando (7. mostre que: (a) ∂vx /∂x = 0. vz ρ (v · n) dS. (7.73) (7. Solu¸ c˜ ao Considere o elemento de fluido que ocupa um volume de controle mostrado na figura 7. Observe que.1. e com o tensor de tens˜ oes dado apenas pelo campo de press˜ ao T = −pI (I ´ e a matriz identidade). (7. (b) ∂p/∂x = 0. que ´ e o princ´ ıpio da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento de um sistema. desprezando termos viscosos.72) s˜ ao na realidade trˆ es equa¸ c˜ oes. Esta for¸ ca ´ e P .72) s˜ ao: Fsx + Fcx = Fsy + Fcy Fsz + Fcz Exemplo Utilizando as equa¸ c˜ oes (7. (7.128 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais 7. unidimensional na dire¸ c˜ ao x com v = vx ex .75) vy ρdV + Vc Sc vz ρdV + Vc Sc .9 (neste exemplo.72) ´ e a equa¸ c˜ ao integral do balan¸ co da quantidade de movimento em um volume de controle.29) com N = P e η = v. a for¸ ca que o restante do universo faz sobre o sistema ´ e Fs + Fc .2. e 6.5 Balan¸ co de quantidade de movimento Em um dado instante em que um sistema ocupa um volume de controle (VC) em um referencial inercial. ou seja.72) A equa¸ c˜ ao (7.

ent˜ ao: ρ (v · n) dS = −vx (x. As equa¸ c˜ oes relevantes para este sistema s˜ ao as da conserva¸ c˜ ao da massa e da quantidade de movimento nas dire¸ c˜ oes x e y: 0 = Fsx + Fcx Fsy + Fcy ∂ ∂t ∂ = ∂t ∂ = ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS.5 – Balan¸ co de quantidade de movimento 129 p(x. vy ρdV + Vc Sc Uma vez que o escoamento ´ e permanente. y + ∆y ) g y vx (x. y ) ∆x ∆y vx (x + ∆x. vy ρ (v · n) dS.9: Escoamento paralelo hidrost´ atico.7.79) Sc Dividindo a equa¸ c˜ ao acima por ∆x∆y . y )ρ∆y + vx (x + ∆x. y ) Figura 7. todos os termos tran∂ ao nulos. y )ρ∆y = 0. outros.78) vx ρdV + Vc vx ρ (v · n) dS. a dire¸ c˜ ao z perpendicular ao papel ser´ a desprezada por conveniˆ encia).77) (7. y ) x p(x. Tomando o limite no qual a altura do elemento ∆y tende a zero. a velocidade vx pode ser considerada constante entre y e y + ∆y . (7. sientes ( ∂t ) s˜ (a) Como s´ o existe escoamento na dire¸ c˜ ao x. e tomando agora o limite . Sc (7.76) (7. a equa¸ c˜ ao da continuidade se reduz ao balan¸ co entre os fluxos nas fronteiras laterais do volume de controle.

85) Como ∂vx ∂x = 0 (ver item (a)).81) (7. ∂x (7. a equa¸ c˜ ao acima se torna: 2 ∂p ∂vx + = ∂x ∂x ∂vx ∂p 2vx + = 0.82) Sc Combinando o termos acima na equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao. o lado direito ´ e nulo. (7. ∂x como quer´ ıamos demonstrar. (7. Nesta equa¸ c˜ ao.80) O lado direito da equa¸ c˜ ao se reduz ao fluxo advectivo de quantidade de movimento nas faces laterais do volume de controle: 2 2 vx ρ (v · n) dS = −vx (x. y )ρ∆y.83) Dividindo a equa¸ c˜ ao acima por ∆x∆y . y )ρ∆y + vx (x + ∆x. Ent˜ ao.130 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais quando ∆x → 0. pois . tem-se: ∂vx = 0. tem-se: p(x. y )∆y − p(x + ∆x. tomando ∆y → 0 admitindo que a press˜ ao ´ e uniforme ao longo de ∆y tem-se: Fs x = p(x. y )∆y − p(x + ∆x. e tomando agora o limite quando ∆x → 0. y )ρ∆y + vx (x + ∆x.84) (7. j´ a que s´ o h´ a for¸ ca de corpo na dire¸ c˜ ao y . y )∆y. ∂p = 0. (7. y )∆y = 2 2 −vx (x. (b) O lado esquerdo da equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao da componente x da quantidade de movimento reduz-se ` a contribui¸ c˜ ao das for¸ cas de superf´ ıcie devido ` a press˜ ao atuando nas faces verticais do volume de controle. ∂x ∂x (7. y )ρ∆y.86) (c) Resta agora a aplica¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao dinˆ amica (como tamb´ em ´ e conhecida a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento) na dire¸ c˜ ao y .

A0 . as for¸ cas de superf´ ıcies Fsy s˜ pelo balan¸ co de for¸ cas devido ` a press˜ ao: Fsy = p(x. Exemplo A figura 7.90) que mostra que um escoamento atendendo ` as condi¸ c˜ oes dadas tem um comportamento hidrost´ atico. p1 . y ). ∂y (7.91) (7. vy ρ (v · n) dS. ou seja. y + ∆y )∆x. vy ρdV + Vc Sc .7. A2 . e as press˜ oes nas se¸ c˜ oes 0.89) Dividindo a equa¸ c˜ ao acima pelo volume de controle e tomando o limite quando ∆y → 0: ∂p = −ρg. dadas por p0 .93) vx ρdV + Vc vx ρ (v · n) dS. v1 . (7. calcule o vetor for¸ ca da ´ agua sobre este trecho de tubula¸ c˜ ao.) Solu¸ c˜ ao As equa¸ c˜ oes para a solu¸ c˜ ao deste problema s˜ ao as de balan¸ co de massa e de quantidade de movimento em x e y : 0 = Fsx + Fcx Fsy + Fcy ∂ ∂t ∂ = ∂t ∂ = ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS. v0 .92) (7. (7. (7. A1 . 1. portanto n˜ ao h´ a componente gravitacional no plano (x. Sc (7. Simiao dadas larmente ` a componente x. y + ∆y )∆x − ρg ∆x∆y = 0.5 – Balan¸ co de quantidade de movimento n˜ ao h´ a escoamento na dire¸ c˜ ao vertical. vy = 0.10 ilustra o escoamento permanente de um fluido incompress´ ıvel atrav´ es de uma jun¸ c˜ ao de tubula¸ c˜ oes.87) 131 Tomando Fsy + Fcy = 0. (Admita que as velocidades e press˜ oes s˜ ao uniformes nas se¸ c˜ oes. A figura est´ a mostrada em planta. e 2. tem-se: A u ´ nica for¸ ca de corpo ´ e o peso do fluido dentro do volume de controle: Fc y = −ρg ∆x∆y.88) p(x. Considerando dados ρ. y )∆x − p(x. e p2 . y )∆x − p(x.

A1 . v2 = ? x p0 .132 y 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais p1 . Sendo o escoamento permanente.97) As for¸ cas de superf´ ıcie atuando sobre a superf´ ıcie de controle s˜ ao a combina¸ c˜ ao das for¸ cas devido ` as press˜ oes nas se¸ c˜ oes com as for¸ cas (Fx . Fy ) do conduto sobre o fluido: Fsx = p0 A0 cos θ + p1 A1 − p2 A2 + Fx . tem-se que todos os termos com ∂ s˜ ao nulos. A equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao de massa reduz-se ao balan¸ co de fluxos nas se¸ c˜ oes 1.99) . e na dire¸ c˜ ao y d´ a: Fsy = Sc vy ρ (v · n) dS = −v0 sen θρv0 A0 . v0 Figura 7. 2.98) (7.94) (7.95) Sc v0 A0 + v1 A1 . A2 . e fornece a velocidade v2 : ρ (v · n) dS = ρ (−v0 A0 − v1 A1 + v2 A2 ) = 0. v2 = (7.96) = −v0 cos θρv0 A0 − v1 ρv1 A1 + v2 ρv2 A2 . A2 A equa¸ c˜ ao dinˆ amica na dire¸ c˜ ao x torna-se: Fsx = Sc vx ρ (v · n) dS (7. Tomando como volume de controle o pr´ oprio con∂t torno da tubula¸ c˜ ao. A0 . Fs y = p0 A0 sen θ + Fy . v1 θ p2 . e 3. (7.10: For¸ ca de um fluido em uma jun¸ c˜ ao. (7.

7. A´ agua dentro do tanque passa a oscilar. o mesmo acontecendo com a velocidade v na tubula¸ c˜ ao entre o reservat´ orio R (repare .5 – Balan¸ co de quantidade de movimento 133 N´ ıvel c/ V aberta H (t) C h a R v (t) p L V 123 123 123 x A p + ∆p Figura 7. (7. A fun¸ c˜ ao do grande tanque C (denominado de chamin´ e de equil´ ıbrio) imediatamente antes da v´ alvula ´ e absorver este efeito para proteger a tubula¸ c˜ ao. (7.11. Fy ).100) (7. 2 Fy = −ρv0 A0 sen θ − p0 A0 sen θ. O s´ ubito fechamento da v´ alvula em t = 0 causa uma sobrepress˜ ao na tubula¸ c˜ ao.102) Exemplo Na figura 7.101) A for¸ ca da ´ agua sobre a jun¸ c˜ ao dos condutos ´ e a rea¸ c˜ ao a (Fx . Fy ): F = −(Fx .11: Oscila¸ c˜ ao num tanque devido ao fechamento abrupto de uma v´ alvula. ´ agua dentro de uma tubula¸ c˜ ao T escoa com velocidade v0 atrav´ es da v´ alvula V . que substitu´ ıdas nas equa¸ c˜ oes dinˆ amicas fornecem: 2 2 Fx = −ρv0 cos θA0 − ρv1 A1 2 +ρv2 A2 + p2 A2 − p1 A1 − p0 A0 cos θ.

A massa dentro de Vc pode ser escrita como: ρdV = ρ (VT + VC ) . Obtenha a equa¸ c˜ ao diferencial que governa a evolu¸ c˜ ao de H√ (t).104) Vc onde VT e VC s˜ ao os volumes de ´ agua dentro da tubula¸ c˜ ao e dentro da chamin´ e de equil´ ıbrio VC .30) e as equa¸ c˜ oes da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento (7. (7.134 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais que o volume do reservat´ orio ´ e enorme e o seu n´ ıvel pode ser considerado inafetado pelo sistema) e o tanque C que.103) Obviamente.108) . o fluido pode ser encarado como incompress´ ıvel (ρ constante).105) O termo transiente da equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da massa (7. Uma vez que o tanque C est´ a em contato com a atmosfera e a ´ agua pode se mover livremente dentro dele. este ´ e um problema transiente. A ´ area secional da tubula¸ c˜ ao ´ e a. (7. e a da base do tanque ´ e A. no caso ideal (sem atrito) varia entre ±v0 . Estes volumes s˜ ao: VT = constante. de modo que: ρ (v · n) dS = −ρav (t).30) ´ e portanto: ∂ ∂t ρdV = Vc dH ∂ ρ [VT + A(H (t) + h)] = ρA .107) Sc A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa fica: ρA dH − ρav (t) = 0. O volume de controle escolhido (tracejado) ´ e a tubula¸ c˜ ao T mais a chamin´ e de equil´ ıbrio C : Vc = T ∪ C .72). ∂t dt (7. Resolva esta equa¸ c˜ ao para o caso simplificado em que v ≪ gH . (7. VC = A(H (t) + h).106) Au ´ nica parte da superf´ ıcie de controle onde h´ a fluxo ´ e a fronteira entre a tubula¸ c˜ ao e o reservat´ orio. dt (7. Solu¸ c˜ ao As equa¸ c˜ oes adequadas para a solu¸ c˜ ao deste problema s˜ ao. (7. a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (7. mais uma vez.

Assim como o fluxo de massa. dt (7. (7. Vc (7. As for¸ cas de superf´ ıcies naquela dire¸ c˜ ao s˜ ao decorrentes das press˜ oes na fronteira R–T (entrada da tubula¸ c˜ ao) e na v´ alvula V . A press˜ ao na entrada da tubula¸ c˜ ao p ´ e: p = patm + ρgh.113) onde L ´ e o comprimento da tubula¸ c˜ ao. (7.112) de modo que o termo transiente ´ e: ∂ ∂t vx ρdV = ρaL Vc dv .115) . Resta estabelecer uma rela¸ c˜ ao entre estas vari´ aveis para se obter uma equa¸ c˜ ao diferencial para H (t) somente. pode-se admitir que a velocidade do escoamento ´ e significativa apenas dentro da tubula¸ c˜ ao T . as equa¸ c˜ oes dinˆ amicas ser˜ ao usadas. sendo desprez´ ıveis no tanque C : vx ρdV = vρaL. o fluxo de quantidade de movimento x existe apenas na entrada da tubula¸ c˜ ao: vx ρ (v · n) dS = −ρv 2 a.5 – Balan¸ co de quantidade de movimento Repare que a equa¸ c˜ ao acima n˜ ao ´ e a resposta do problema. Vc vρdV . A for¸ ca de superf´ ıcie resultante em x ´ e ent˜ ao: Fs x = pa − (p + ∆p)a = −ρgaH (t) (7.109) 135 Na v´ alvula. Para isso. dt (7.111) (7.110) Para calcular a quantidade de movimento x dentro do Vc . existe um efeito de sobrepress˜ ao compensado pelo desn´ ıvel H do tanque: p + ∆p = patm + ρg (H (t) + h). j´ a que h´ a duas vari´ aveis dependentes (H e v ). As for¸ cas de corpo na dire¸ c˜ ao x s˜ ao evidentemente nulas.7.114) Sc A equa¸ c˜ ao dinˆ amica em x torna-se. assim: −ρgHa = ρaL dv − ρv 2 a.

(7. Conhecendo-se a velocidade inicial no tubo v0 . (7. Ag (7. AL (7.122) . (7. tem-se. tem-se: H2 = aL v0 . obt´ em-se uma equa¸ c˜ ao diferencial para H (t): A d2 H L − a dt2 A dH a dt 2 + gH = 0.121) dt A donde por substitui¸ c˜ ao na derivada da express˜ ao para H (t) acima.116) (7.117) Substituindo as express˜ oes acima na equa¸ c˜ ao dinˆ amica j´ a obtida e dividindo-a por ρ. tem-se que H1 = 0.136 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Pela equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa obtida anteriormente: A dH a dt A d2 H dv = dt a dt2 v = (7. e a equa¸ c˜ ao diferencial para H (t) pode ser linearizada: ag d2 H + H = 0. Admitindo √ quantidade de movimento na tubula¸ c˜ ao que v ≪ gH . pela equa¸ c˜ ao da continuidade que: dH (t = 0) a = v0 .120) Usando H (t = 0) = 0. este termo pode ser desprezado em compara¸ com os outros.119) dt2 AL A equa¸ c˜ ao acima governa uma oscila¸ c˜ ao senoidal e tem solu¸ c˜ ao geral: H (t) = H1 cos ag t + H2 sen AL ag t.118) A equa¸ c˜ ao acima ´ e n˜ ao-linear devido ao termo (ρv 2 a) proveniente do fluxo de c˜ ao.

124) Percebendo que I · n = n. ´ e bastante importante.123) em (7. e D ´ e o tensor taxa de deforma¸ c˜ ao. e este termo ´ e nulo). No decorrer deste texto.1.6 Balan¸ co de energia Dentre as equa¸ c˜ oes integrais de balan¸ co. 3 (7.125) A segunda e terceira integrais de (7. e ser´ sipa¸ c˜ ao ser´ a denominada W a desprezada sistematicamente. µ ´ e a viscosidade dinˆ amica.9). e (7.13). em geral. Levando (7. a equa¸ c˜ ao de balan¸ co de energia ´ e au ´ nica que ser´ a apresentada de uma forma ligeiramente diferente. Na se¸ c˜ ao 6. A primeira integral de (7. Ss eρ (v · n) dS. essa dis˙ µ . (7.7.127) Como no instante considerado a superf´ ıcie do sistema e a superf´ ıcie de controle coincidem. Este termo. W a expresso numa forma conveniente para seu uso sistem´ atico. 3 (7. A equa¸ c˜ ao integral de balan¸ co de energia ´ e dada por (7.29) com N = E e η = e: DE ∂ eρ (v · n) dS. v = 0. (7. devido ` as ˙ dado por (7. os efeitos desta dissipa¸ c˜ ao viscosa sobre o escoamento de fluidos com viscosidade relativamente baixa (caso da ´ agua) s˜ ao desprez´ ıveis. Freq¨ uentemente.125) com N = E e η = e: ˙ +W ˙µ− Q p (n · v) dS = ∂ ∂t eρdV + Vc Sc Ss 2 µ (∇ · v) (n · v) dS + 2 3 Ss µ [(D · n) · v] dS.6 – Balan¸ co de energia 137 7. pode-se agrupar as integrais sobre estas superf´ ıcies em uma .125) representam a dissipa¸ c˜ ao de energia mecˆ anica do sistema por efeito da viscosidade (tens˜ ao viscosa) associada com o movimento da fronteira do sistema (note que numa fronteira s´ olida em repouso.9): ˙ = W Ss 2 − µ (∇ · v) I − pI + 2µD · n · v dS.126) eρdV + = Dt ∂t Vc Sc combinada com (7.125) representa a taxa de trabalho revers´ ıvel realizado pelo resto do universo sobre a superf´ ıcie do sistema. a menos que se indique o contr´ ario. Primeiradificuldades de se incluir o termo do trabalho W ˙ ser´ mente.123) onde p ´ e a press˜ ao no fluido. e aplicando a propriedade distributiva do produto interno: ˙ =− W Ss p (n · v) dS − (7. o tensor de tens˜ oes foi obtido como: 2 T = − p + µ (∇ · v ) I + 2 µ D .

mas. Por isso.12. u ´ nica integral. a complexidade do problema aumenta muito.128) A equa¸ c˜ ao (7.12: Ilustra¸ c˜ ao da inclus˜ ao do trabalho de eixo.138 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Figura 7. (7. e a equa¸ c˜ ao de balan¸ co integral de energia fica: ˙ +W ˙µ= ∂ Q ∂t eρdV + Vc Sc e+ p ρ ρ (v · n) dS. ´ e preciso que se inclua um termo de trabalho de eixo x realizado pela ˙ x a potˆ turbina sobre o fluido.128) est´ a quase completa para ser usada. para isso. Ao se considerar um volume de controle excluindo a turbina (linha tracejada). (7. considere a turbina sujeita a um escoamento como est´ a mostrado na figura 7. contendo a casa de for¸ ca com uma turbina. Para mostrar por quˆ e. Assim.129) . O desn´ ıvel entre o reservat´ orio e o canal de restitui¸ c˜ ao de vaz˜ oes ´ e H . devido ` a presen¸ ca de uma superf´ ıcie de controle demasiadamente complexa. denominando W encia adicionada por um eixo ao sistema dentro do volume de controle. Pela turbina. Desprezando os efeitos de viscosidade na tomada d’´ agua (se¸ c˜ ao 1) e no canal eρdV + Vc Sc e+ p ρ ρ (v · n) dS.13 mostra um corte da barragem de uma usina hidrel´ etrica. ´ e conveniente se usar o volume de controle contendo a turbina (linha pontilhada). transita uma vaz˜ ao volum´ etrica (unidade L3 T−1 ) Qv . tem-se finalmente: ˙ +W ˙µ+W ˙x= ∂ Q ∂t Exemplo A figura 7.

129) os termos de dissipa¸ c˜ ao viscosa e ˙µ e Q ˙ ser˜ de trocas de calor com o ambiente. e admitindo que a energia cin´ etica nas se¸ c˜ oes 1 e 2 podem ser desprezadas. determine a potˆ encia P da turbina em fun¸ c˜ ao de ρ. Na equa¸ c˜ ao da energia (7.6 – Balan¸ co de energia 139 p1 ρg A1 H1 z1 A2 p2 ρg H z2 H2 Figura 7. usando o fato de que o regime ´ e permanente.30) e a da conserva¸ c˜ ao da energia (7. A1 . e A2 s˜ ao as velocidades e ´ areas nas se¸ c˜ oes 1 e 2. Admitindo que o fluido seja incompress´ ıvel. de restitui¸ c˜ ao (se¸ c˜ ao 2). contendo a casa de m´ aquinas. admitindo regime de escoamento permanente.13: Transforma¸ c˜ ao de energia hidr´ aulica em energia el´ etrica. e escolhendo como volume de controle o volume de fluido entre as se¸ c˜ oes 1 e 2 (parte clara da barragem na figura).7. assim como o termo transiente.129). Solu¸ c˜ ao As equa¸ c˜ oes adequadas para a solu¸ c˜ ao deste problema s˜ ao a da conserva¸ c˜ ao da massa (7.30) torna-se apenas: −v1 A1 + v2 A2 = −Qv + v2 A2 = 0. H . Qv . v2 . Ent˜ ao: ˙x = W = S1 ∂ ∂t eρdV + Vc Sc e+ p ρ ρ (v · n) dS e+ p ρ ρ (v · n) dS . (7. W ao desprezados.130) onde v1 . a equa¸ c˜ ao (7. g .

estas quantidades podem ser fatoradas das integrais de superf´ ıcie. e tem-se que u1 = u2 . (7. ´ e poss´ ıvel calcular as press˜ oes p1 e p2 hidrostaticamente (ver pr´ oxima se¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ ao de Bernoulli).140 + 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais e+ S2 p ρ ρ (v · n) dS. donde: ˙ x = −ρQv gH.135) Baseado na suposi¸ c˜ ao de que a energias cin´ eticas v 2 /2 s˜ ao pequenas. tem-se: e1 = u1 + ˙ x = − u1 + gz1 + p1 W ρ + u2 + gz2 + p2 ρ ρQv .137) A energia interna espec´ ıfica u ´ e fun¸ c˜ ao da massa espec´ ıfica ρ e da temperatura T (ver cap´ ıtulo 2). Assim.134) 2 Desprezando v 2 /2 e lembrando que Qv = v1 A1 = v2 A2 . (7.132) W ρ ρ As energias espec´ ıficas s˜ ao dadas pelas somas das energias espec´ ıficas internas u.133) 2 v2 e2 = u2 + 2 + gz2 . (7. Assim: p2 p1 = gh1 . cin´ eticas v 2 /2.136) ρ ρ ˙ x fica: A express˜ ao para W ˙ x = [−u1 − gz1 − gh1 + u2 + gz2 + gh2 ] ρQv W = [− (u1 + gH1) + (u2 + gH2 )] ρQv = ρQv g (H2 − H1 ) + ρQv (u2 − u1 ) . e´ o c´ alculo das mesmas se tornam triviais: ˙ x = ρ e1 + p1 (−v1 A1 ) + e2 + p2 (v2 A2 ) .139) . (7. (7. (7.138) A potˆ encia fornecida pela turbina ´ e o rec´ ıproco da taxa de trabalho fornecida pelo seu eixo ao sistema ocupando o volume de controle: P = ρQv gH. (7. e potenciais gz : 2 v1 + gz1 . admitindo que o processo ´ e isot´ ermico (a temperatura da ´ agua ´ e a mesma nas se¸ c˜ oes 1 e 2). (7. W (7.131) Admitindo que as se¸ c˜ oes S1 e S2 s˜ ao pequenas e que portanto a energia espec´ ıfica e e a press˜ ao p s˜ ao homogˆ eneas nestas se¸ c˜ oes. = gh2.

14 mostra um g´ as ideal escoando atrav´ es do alargamento de uma tubula¸ c˜ ao. v2 . em fun¸ c˜ ao das condi¸ c˜ oes na se¸ c˜ ao 1. e as condi¸ c˜ oes p2 . T1 Figura 7. eρdV (7. p2 .14.140) vx ρdV Vc vx ρ (v · n) dS. quantidade de movimento em x. Solu¸ c˜ ao O volume de controle escolhido est´ a indicado pela linha tracejada na figura 7.7.141) ˙ +W ˙µ+W ˙x = Q ∂ ∂t Vc . e do calor espec´ ıfico a press˜ ao constante do g´ as cp : a taxa de ˙ atrav´ transferˆ encia de calor Q es das paredes do alargamento. e energia. As condi¸ c˜ oes na se¸ c˜ ao 1 de ´ area A1 s˜ ao: press˜ ao p1 . (7. Determine. v2 .6 – Balan¸ co de energia 141 p1 A2 . dadas por: 0 = Fsx + Fcx ∂ ∂t ∂ = ∂t + Sc ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS. Exemplo A figura 7. temperatura T1 . velocidade v1 . p1 .14: Escoamento de um g´ as atrav´ es de uma expans˜ ao s´ ubita. T2 A1 . v1 . As equa¸ c˜ oes a serem utilizadas s˜ ao as da conserva¸ c˜ ao da massa. A se¸ c˜ ao 2 tem ´ area A2 . T2 ap´ os o alargamento (suponha que o escoamento ´ e incompress´ ıvel). de A2 .

a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao de massa fornece: 0 = −ρv1 A1 + ρv2 A2 . As paredes verticais por sua vez reagem ` a essa for¸ ca de press˜ ao e a for¸ ca total na dire¸ c˜ ao x fica: Fsx = (p1 − p2 ) A2 . (7. A massa espec´ ıfica (constante) pode ser calculada em fun¸ c˜ ao das condi¸ c˜ oes na se¸ c˜ ao 1 por: ρ= p1 .145) A1 .142) Repare que o problema possui 4 inc´ ognitas e que h´ a apenas 3 equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao. (7. ρR (7. de modo que as derivadas temporais s˜ ao nulas. Repare que a press˜ ao p1 n˜ ao cai imediatamente ap´ os a expans˜ ao do duto.148) onde foi usado que v1 A1 = v2 A2 . (7. A equa¸ c˜ ao dinˆ amica escreve-se: 2 2 (p1 − p2 ) A2 = −ρv1 A1 + ρv2 A2 = ρ (v2 − v1 ) v2 A2 . A equa¸ c˜ ao adicional que pode ser usada ´ e a equa¸ c˜ ao de estado: p = ρRT.146) A2 N˜ ao h´ a for¸ cas de corpo na dire¸ c˜ ao x.144) Supondo uniformidade das condi¸ c˜ oes do fluido nas se¸ c˜ oes 1 e 2. RT1 (7. β= (7.143) Primeiramente. (7.150) .147) (7.149) A temperatura na se¸ c˜ ao 2 vem da equa¸ c˜ ao de estado: T2 = p2 . e que o valor de p pr´ oximo ` as paredes da expans˜ ao deve necessariamente ser p = p1 . (7. ou: v2 = βv1 . o problema ´ e permanente. Dividindo por A2 e usando novamente a equa¸ c˜ ao da continuidade: 2 p2 = p1 + β − β 2 ρv1 .142 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais + Sc e+ p ρ ρ (v · n) dS.

(7. O resultado pode ser interpretado como um balan¸ co de energia mecˆ anica. tem-se: ˙ = ρv1 A1 cp (T2 − T1 ) + 1 v 2 − v 2 Q 1 2 2 . resta calcular a taxa em que calor ´ e trocado atrav´ es ˙ da superf´ ıcie de controle. escoamento permanente. ou seja. chamada equa¸ c˜ ao de Bernoulli. o que mostra que o balan¸ co de energia mecˆ anica (em um sistema conservativo. . Considere um escoamento com as seguintes caracter´ ısticas: 1. a equa¸ c˜ ao do balan¸ co de energia fica: ˙ = − e1 + p1 Q ρ ρv1 A1 + e2 + p2 ρ ρv2 A2 . caso e o trabalho devido ` a viscosidade (W Assim. (7.7 – A equa¸ c˜ ao de Bernoulli Finalmente. u1 e u2 s˜ ao as energias espec´ ıficas internas nas se¸ c˜ oes 1 e 2. (7. e tomando para o caso de um g´ as ideal: u2 − u1 = cv (T2 − T1 ) .153) 7. admitindo que z1 = z2 . A dedu¸ c˜ ao envolve o balan¸ co de quantidade de movimento em um elemento de fluido e sua integra¸ c˜ ao ao longo de uma linha de corrente (ou linha de fluxo).151) 143 onde z1 e z2 s˜ ao as alturas das se¸ c˜ oes 1 e 2 em rela¸ c˜ ao a um n´ ıvel equipotencial de referˆ encia. N˜ ao h´ a trabalho de eixo (Wx ) neste ˙ µ ) pode ser desprezado.154) cp = cv + R.7 A equa¸ c˜ ao de Bernoulli A equa¸ c˜ ao do balan¸ co de quantidade de movimento pode ser reduzida a uma forma bastante conveniente. desprovido de dissipa¸ c˜ ao de energia) e o balan¸ co de quantidade de movimento s˜ ao equivalentes. Utilizando a equa¸ c˜ ao de estado e da conserva¸ c˜ ao da massa: ˙ = ρv1 A1 (u2 − u1 ) + g (z2 − z1 ) Q + R (T2 − T1 ) + 1 2 2 v2 − v1 2 .7. (7.152) Mas.

2. 3. Considerando que as velocidades s˜ ao aproximadamente uniformes em qualquer se¸ c˜ ao transversal do tubo. conforme mostra a figura 7. velocidade. e a ´ area na sa´ ıda do elemento de comprimento ∆l como os dois primeiros termos da s´ erie de Taylor destas vari´ aveis em torno dos seus valores na entrada do . A θ ∆l ∂A ∆l ∂l Figura 7. Por defini¸ c˜ ao. n˜ ao h´ a fluxo atrav´ es das paredes laterais do tubo de corrente. de forma que pode-se expressar a press˜ ao.155) (7. Define-se um volume de controle elementar de comprimento ∆l ao longo de uma linha de fluxo e supondo que n˜ ao h´ a escoamento atrav´ es das paredes deste volume (tal volume ´ e chamado de tubo de corrente ou tubo de fluxo ).144 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais tubo de corrente z (2) v+ ∂v ∆l ∂l A+ ∆l y x (1) v. efeitos de viscosidade desprez´ ıveis.15: Equa¸ c˜ ao de Bernoulli em um tubo de corrente. Sc (7.15. Em geral a ´ area da se¸ c˜ ao transversal do tubo de corrente ´ e dependente de l.156) vl ρdV + Vc vl ρ (v · n) dS. Considere agora a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa e de quantidade de movimento na dire¸ c˜ ao l (ou seja na dire¸ c˜ ao tangente ` a linha de corrente): 0 = Fsl + Fcl ∂ ∂t ∂ = ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS. e que o comprimento do tubo ∆l ´ e suficientemente pequeno. compressibilidade desprez´ ıvel.

∂l ∂v ∆l ∂l (7. a resultante das for¸ cas de superf´ ıcies na dire¸ c˜ ao l sobre o volume de controle ´ e: Fsl = pA − p + ∂p ∂A ∆l A+ ∆l ∂l ∂l ∂A 1 ∂p ∆l ∆l.7 – A equa¸ c˜ ao de Bernoulli 145 elemento. + p+ 2 ∂l ∂l (7.161) z .7. O fluxo de quantidade de movimento na dire¸ c˜ ao l atrav´ es da . A for¸ ca de corpo em l ´ e a proje¸ c˜ ao do peso do sistema naquela dire¸ c˜ ao: Fcl = − A + 1 ∂A ∆l ∆lρg sen θ 2 ∂l 1 ∂A ∆l ρg ∆z = − A+ 2 ∂l 1 ∂A ∂z = − A+ ∆l ρg ∆l 2 ∂l ∂l ∂z ≈ −ρgA ∆l. ∂l 2 ∂l ∂l ∂l (7.157) Dividindo a express˜ ao acima por ∆l e tomando o limite quando ∆l → 0: ρ (7.160) Repare que como ∆l ≪ 1 o termo quadr´ atico pˆ ode ser desprezado em compara¸ c˜ ao com o termo linear. a equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da massa em regime permanente fornece: 0 = −ρvA + ρ v + ∂A ∆l ∂l ∂v ∂A 2 ∂A ∂v ∆l + ρ ∆l = ρ A +v ∂l ∂l ∂l ∂l ∂v ∂A 2 ∂ ∆l . Rearranjando os termos escreve-se: Fsl = −A ∂p 1 ∂p ∂A 2 ∂p ∆l − ∆l ≈ −A ∆l. ∂l (7. novamente. e. o termo quadr´ atico em ∆l foi onde foi usado sen θ = ∆ ∆l desprezado.159) Ou ´ ltimo termo do lado direito da equa¸ c˜ ao acima ´ e a pequena contribui¸ c˜ ao da press˜ ao nas paredes laterais do tubo (tomada como atuando na posi¸ c˜ ao ∆l/2).156).158) Na equa¸ c˜ ao dinˆ amica (7. = ρ (vA) ∆l + ρ ∂l ∂l ∂l A+ ∂ (vA) = 0.

A equa¸ c˜ ao de Bernoulli ´ e extremamente u ´ til para se aplicar a escoamentos onde n˜ ao h´ a fonte ou perdas consider´ aveis de energia mecˆ anica. ∂l ∂v ∆l ∂l 2 A+ ∂A ∆l ∂l (7. e da energia cin´ etica (no caso.146 superf´ ıcie de controle ´ e: 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Sc vl ρ (v · n) dS = −ρv 2 A + ρ v + ≈ ∂ ρv 2 A ∆l.156 e dividindo a equa¸ c˜ ao por ∆l tem-se (repare que tomando o limite quando ∆l → 0 anularia os termos n˜ ao lineares em ∆l mesmo se estes n˜ ao tivessem sidos desprezados nas express˜ oes anteriores): −A Mas ∂ ρv 2 A ∂l = ρ ∂ (vA) ∂v v + ρvA ∂l ∂l ∂v ∂ 1 2 = ρvA = ρA v . a soma do trabalho realizado pela press˜ ao. − ρAg = ∂l ∂l ∂l (7. ∆l − ρgA ∆l = ∂l ∂l ∂l (7.162) Reunindo (7.167) ´ e conhecida como equa¸ c˜ ao de Bernoulli.161).163) Combinando os termos em 7. (7. Dividindo onde foi usado ∂l a equa¸ c˜ ao acima por A: ∂ ∂l ou: 1 p + ρgz + ρv 2 2 = 0. De acordo com ela. da energia potencial gravitacional.166) 1 p + ρgz + ρv 2 = constante. e (ii) os termos viscosos puderem ser desprezados. (7. se: (i) o escoamento for permanente. e (7. 2 (7.164) (7. ∂l ∂l 2 ∂p ∂z ∂ ρv 2 A . por unidade de volume) permanece constante.160). .162): −A ∂p ∂z ∂ ρv 2 A ∆l.165) ∂ (vA) = 0.167) A equa¸ c˜ ao (7. pela equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa. ao longo de uma linha de corrente.

(7. A entrada do primeiro manˆ ometro ´ e perpendicular ao escoamento. a energia t´ ermica e a energia mecˆ anica ficam desacopladas. Q (7. e que o regime ´ e permanente).169) Se as hip´ oteses da equa¸ c˜ ao de Bernoulli valem. o termo entre colchetes ´ e nulo. Em fun¸ c˜ ao de ρg . enquanto que a do segundo ´ e de frente para o mesmo. Exemplo A figura 7.128) ao volume de controle entre as se¸ c˜ oes (1) e (2).168) ρv1 A1 (7. As leituras nos dois manˆ ometros s˜ ao he e hs respectivamente. O calor Q trocado com o ambiente apenas muda a energia interna (temperatura) do sistema. . e n˜ ao sua energia mecˆ anica.170) ou seja. e das alturas manom´ etricas he e hs . Aplicando as equa¸ c˜ oes do balan¸ co de massa (7. contendo ´ agua (massa espec´ ıfica ρa ) s˜ ao inseridos numa tubula¸ c˜ ao contendo g´ as (massa espec´ ıfica ρg ) em escoamento. quando n˜ ao h´ a fonte ou dissipa¸ c˜ ao de energia mecˆ anica em um escoamento permanente. admitindo que o trabalho das for¸ cas viscosas nas laterais do tubo ´ e desprez´ ıvel. tem-se: v1 A1 = v2 A2 .8 – A equa¸ c˜ ao de Bernoulli e o balan¸ co de energia 147 7.16 mostra um esquema para se medir a velocidade de um fluido conhecido por tubo de Pitot.7.8 A equa¸ c˜ ao de Bernoulli e o balan¸ co de energia Considere a figura 7. g . e: p1 2 ˙ = − u1 + 1 v1 Q ρv1 A1 + gz1 + 2 ρ p2 1 2 ρv2 A2 + gz2 + + u2 + v2 2 ρ 1 2 1 2 p2 p1 = − v2 + gz2 + v1 + gz1 + 2 ρ 2 ρ + (u2 − u1 ) ρv1 A1 . ρa . e a equa¸ c˜ ao da energia se torna: ˙ = (u2 − u1 ) ρv1 A1 . Dois manˆ ometros. determine a press˜ ao e a velocidade do g´ as dentro do tubo (considere que as mesmas s˜ ao uniformes dentro do tubo.15.30) e energia (7.

175) . A diferen¸ ca entre a press˜ ao de estagna¸ c˜ ao e a press˜ ao est´ atica ´ e denominada press˜ ao dinˆ amica. z1 = 0. p2 = ps . Na entrada do segundo manˆ ometro (2) a velocidade do g´ as ´ e nula.148 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais (1) (2) g´ as. ρa Figura 7.172) (7.174) (7. Analogamente.16: Tubo de Pitot. 2 2 1 pe + ρg v 2 = ps .173) (7. Solu¸ c˜ ao O primeiro manˆ ometro mede a chamada press˜ ao est´ atica do escoamento. que ´ e maior que a press˜ ao est´ atica pois envolve o trabalho que o manˆ ometro realiza para desacelerar o fluido naquele ponto. ρg b he hs ´ agua. A press˜ ao est´ atica pe ´ e dada pela leitura do manˆ ometro (1): pe + ρg gb = patm + ρa ghe .171) com p1 = pe . e a press˜ ao lida ´ e denominada press˜ ao de estagna¸ c˜ ao. 2 (7. Aplicando a equa¸ c˜ ao de Bernoulli entre (1) e (2): 1 2 1 2 p1 + ρv1 + ρgz1 = p2 + ρv2 + ρgz2 . v2 = 0. Desprezando o peso do g´ as dentro do manˆ ometro: pe = patm + ρa ghe . a press˜ ao de estagna¸ c˜ ao ´ e: ps = patm + ρa ghs . isto ´ e a press˜ ao real do fluido. v1 = v = ?. e z2 = 0: (7.

A/4 A q =? H T (t) A0 v0 .176) 149 7. Utilizando o resultado acima para q .9 Problemas propostos 1. Dados: T0 . e que tanto o calor espec´ ıfico a volume constante cv e a massa espec´ ıfica do g´ as ρ s˜ ao constantes. ρg (7.17 mostra uma cˆ amara (volume A × H ) onde entra ar numa se¸ c˜ ao de ´ area A0 . Q0 . cv . A temperatura na cˆ amara ´ e uniforme e ´ e igual ` a temperatura na sa´ ıda do recipiente. com velocidade uniforme v0 .9 – Problemas propostos Ent˜ ao: v= 2 ρa g (hs − he ). . Determine qual o fluxo de calor q necess´ ario para manter a temperatura T (t) na cˆ amara constante e igual a 5T0 . ache a solu¸ c˜ ao transiente para T (t) (temperatura dentro e na sa´ ıda do recipiente) considerando que inicialmente T (t = 0) = T0 .17: Aquecimento de ar circulando recipiente. Na parte superior direita (´ area A/4) da cˆ amara h´ a uma fonte de calor que fornece um fluxo espec´ ıfico q . A.7. T0 Figura 7. A figura 7. ρ. a temperatura T0 .

3. que a dissipa¸ c˜ ao viscosa pode ser deprezada. Para que se fa¸ ca a retirada do cloro ao mesmo tempo que se .18 mostra um aparato conhecido por tubo venturi. ´ area A2 ) e do uso de dois manˆ ometros para se medir a press˜ ao nas se¸ c˜ oes 1 (´ area A1 ) e 2. e da press˜ ao atmosf´ erica p0 . A figura 7. que o regime do escoamento ´ e permanente. A2 .19 mostra uma contra¸ c˜ ao em uma tubula¸ c˜ ao que despeja ´ agua na atmosfera em forma de um jato ap´ os a contra¸ c˜ ao (pense na ponta de uma mangueira do corpo de bombeiros). para medir a vaz˜ ao de um tubo. v2 Figura 7. Admita que os fluxos de energia potencial nas se¸ c˜ oes 1 e 2 do tubo s˜ ao idˆ enticos. determine as velocidades na se¸ c˜ ao 1 e na se¸ c˜ ao 2. 4. e da massa espec´ ıfica do fluido ρ.150 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais 2. das alturas manom´ etricas h1 e h2 . O aparato consiste de um afunilamento do tubo (se¸ c˜ ao 2.18: Tubo venturi. A figura 7. Em fun¸ c˜ ao de A1 . Admitindo que as propriedades do fluido s˜ ao uniformes nas se¸ c˜ oes transversais. que todas as propriedades do fluido e do escoamento s˜ ao homogˆ eneas em cada se¸ c˜ ao transversal do tubo. da velocidade antes da contra¸ c˜ ao v1 . e que o sistema n˜ ao se envolve em processos de trocas de calor. A figura 7. que o escoamento ´ e permanente. v1 A2 . e que dissipa¸ c˜ oes viscosas s˜ ao desprez´ ıveis.20 mostra um tanque de base com ´ area A e altura hm inicialmente contendo ´ agua at´ e o n´ ıvel h0 e com uma concentra¸ c˜ ao inicial de cloro C0 . da acelera¸ c˜ ao da gravidade g . calcule a for¸ ca F que o fluido faz na tubula¸ c˜ ao em fun¸ c˜ ao da massa espec´ ıfica do fluido ρ. das ´ areas antes e depois da contra¸ c˜ ao A1 e A2 . h1 h2 A1 .

Massa de cloro dentro do tanque: MA = V CA ρdV = MC (t) = ρAh(t)C (t). h0 . abre-se tamb´ em a v´ alvula da se¸ c˜ ao 2 (´ area a2 ) e controla-se a velocidade de sa´ ıda v2 para que esta propicie uma vaz˜ ao igual ` a metade da vaz˜ ao de entrada. e da massa espec´ ıfica da mistura ´ agua cloro (considere-a constante) ρ. Em fun¸ c˜ ao de A.7. a2 . C0 . v1 .20: Entra ´ agua pura – Sai ´ agua com cloro. encontre a solu¸ c˜ ao C (t) da equa¸ c˜ ao acima e determine o tempo para que a concentra¸ c˜ ao se reduza ` a metade de C0 . C (t) Figura 7. encha o tanque. (Dica: Massa de fluido (´ agua+cloro) dentro do tanque (ver termo transiente da equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa): M = V ρdV = ρAh(t). Admita tamb´ em que n˜ ao h´ a fluxo difusivo envolvido no problema (J˙ = 0). Enquanto isso. abre-se a v´ alvula da se¸ c˜ ao 1 (´ area a1 ) e injeta-se ´ agua pura no tanque com velocidade v1 . . hm . Admita que o cloro e a ´ agua se misturam imediatamente. a1 C0 h0 v2 . a1 .9 – Problemas propostos 151 A2 v1 A1 v2 = ? Figura 7. de forma que a concentra¸ c˜ ao de cloro na sa´ ıda ´ e igual ` a concentra¸ c˜ ao de cloro dentro do tanque C (t).19: For¸ ca devido a uma contra¸ c˜ ao de um tubo.) A hm h(t) C (t) v1 .

22 mostra um tanque esf´ erico (raio R) onde entra ´ agua (massa espec´ ıfica ρ. ignore as for¸ cas na dire¸ c˜ ao vertical.21 mostra um sistema em regime permanente onde entra ´ agua (com massa espec´ ıfica uniforme ρ) na se¸ c˜ ao 1 e sai pela se¸ c˜ ao 2. enquanto que na se¸ c˜ ao 1 a press˜ ao ´ e desconhecida. h´ a uma fonte de um soluto A alimentando a ´ agua na esfera a um fluxo espec´ ıfico igual a jA atrav´ ez da ´ area a.) A1 . Despreze a press˜ ao atmosf´ erica agindo no sistema. (obs. (b) qual ´ e a solu¸ c˜ ao em regime permanente (equil´ ıbrio) do problema? (c) determine uma equa¸ c˜ ao diferencial para a concentra¸ c˜ ao CA do soluto como fun¸ c˜ ao do . velocidade.) podem ser consideradas uniformes em cada se¸ c˜ ao. p2 . A1 . ou seja. Admita que esta massa do soluto se mistura imediatamente com a ´ agua e que a massa espec´ ıfica da solu¸ c˜ ao permanece igual ` a da ´ agua pura. etc. ∆h. A press˜ ao na se¸ c˜ ao 2 ´ e p2 . incompress´ ıvel) pura na se¸ c˜ ao 1. 6. As ´ areas das se¸ c˜ oes s˜ ao A1 e A2 respectivamente. calcule a velocidade m´ axima v1 de entrada do fluido pela se¸ c˜ ao 1 para a qual a haste n˜ ao quebra em fun¸ c˜ ao de F . v1 =? ∆h g F A2 . No fundo.21: Determina¸ c˜ ao de v m´ aximo em rela¸ c˜ ao ` a resistˆ encia de uma haste. p2 . energia cin´ etica e potencial. A solu¸ c˜ ao ´ agua+soluto ent˜ ao sai pela ´ area A2 . Em fun¸ c˜ ao dos dados e a partir das equa¸ c˜ oes integrais da conserva¸ c˜ ao: (a) determine a velocidade v2 da solu¸ c˜ ao na sa´ ıda.: n˜ ao se preocupe com a for¸ ca vertical no apoio.152 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais 5. p1 =?. v2 =? Figura 7. Sabendo que a for¸ ca horizontal m´ axima que o apoio da tubula¸ c˜ ao suporta fazer antes de quebrar ´ e F . A figura 7. Considere que as propriedades do escoamento (press˜ ao. A figura 7. A2 .

23. .CA (t) =? Figura 7. Na sa´ ıda.7. Para que valor de h/H a distˆ ancia X ser´ a m´ axima? H h X Figura 7. 7. Estime a for¸ ca por unidade de altura do cone que o ar faz no cone (ou seja. ` a press˜ ao at0 mosf´ erica p0 .9 – Problemas propostos 153 tempo.23: Tanque furado. calcule a distˆ ancia X que a ´ agua atingir´ a como fun¸ c˜ ao de h e H . 8.CA = 0 jA atrav´ es de a A2 . A figura 7. raio R v1 .A1 .v2 =?.22: Esfera com soluto. que descreva o regime transiente. o ar se choca com um cone com ˆ angulo de 90 formando uma lˆ amina de altura d. (d) Resolva a equa¸ c˜ ao acima utilizando a condi¸ c˜ ao inicial CA (t = 0) = 0. Para o recipiente furado da figura 7. estime a for¸ ca para um cone de altura unit´ aria).24 mostra um duto de diˆ ametro D levando ar (massa espec´ ıcica ρ) com press˜ ao p1 e velocidade V1 .

ignore a for¸ ca da gravidade). 9. e logo ap´ os. calcule a velocidade e a press˜ ao na sa´ ıda do tubo. V 1 . 10. p2 = ?? Figura 7. Desprezando qualquer perda de energia por dissipa¸ c˜ ao: (i) utilizando a conserva¸ c˜ ao da massa e a equa¸ c˜ ao de Bernoulli.25: For¸ ca em um trecho conduto.26 mostra um canal de largura b (perpendicular ao plano do papel) onde h´ a o escoamento de ´ agua (massa espec´ ıfica constante . calcule a for¸ ca que a ´ agua faz nesse trecho de tubula¸ c˜ ao.25 mostra uma tubula¸ c˜ ao com escoamento permanente de ´ agua de massa espec´ ıfica ρ. A tubula¸ c˜ ao est´ a em planta (portanto. p1 D d V2 . A figura 7. h´ a uma curva (o diˆ ametro se mantˆ em igual a d nessa curva) de 180◦ .154 7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais d D p1 V1 90 o d Figura 7. A velocidade e a press˜ ao s˜ ao uniformes na ´ area da se¸ c˜ ao e conhecidas na entrada do tubo (V1 e p1 ). (ii) utilizando a conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento.24: For¸ ca do ar sobre um cone. Nessa tubula¸ c˜ ao h´ a uma redu¸ c˜ ao de diˆ ametro (de D para d). A figura 7.

7.9 – Problemas propostos

155

ρ) que sobe uma rampa com ˆ angulo de inclina¸ c˜ ao β . A ´ agua ´ e ent˜ ao lan¸ cada para cima no final da rampa de altura H (o sistema ´ e similar ` a “rampa de ski” nos canais vertedores de Itaipu). A profundidade da ´ agua h ao longo do seu percurso ´ e uniforme e constante. Suponha que a velocidade da ´ agua ´ e t˜ ao grande que a press˜ ao em qualquer ponto da ´ agua pode ser desprezada, e que a velocidade da ´ agua antes da rampa ´ e V0 . Em fun¸ c˜ ao das vari´ aveis dadas: (a) Determine a velocidade V1 da ´ agua na sa´ ıda da rampa. (b) Determine a for¸ ca F (horizontal) que a ´ agua faz na rampa. Obs.: justifique toda vez que desprezar um termo.

H V0 β h

Figura 7.26: For¸ ca da ´ agua numa rampa.

11. A figura 7.27 mostra (em planta) uma lagoa com volume V constante. Trˆ es rios desaguam na lagoa com vaz˜ oes (volume por tempo) Q0 , Q1 e Q2 constantes. Esses rios contˆ em quantidade de poluente quantificados pelas concentra¸ c˜ oes (massa de soluto por massa total da solu¸ c˜ ao) constantes C0 = 0 (rio limpo), C1 e C2 , respectivamente. Suponha que a concentra¸ c˜ ao do poluente ´ e uniforme (bem misturada) dentro da lagoa e igual ` a concentra¸ c˜ ap na sa´ ıda da lagoa Cs (t) (em princ´ ıpio, vari´ avel no tempo). Em fun¸ c˜ ao das vari´ aveis dadas: (a) Determine a vaz˜ ao Qs (constante) na sa´ ıda. (b) Encontre uma equa¸ c˜ ao diferencial para a concentra¸ ca ˜o Cs (t). (c) Determine o menor Q0 para que a concentra¸ c˜ ao na lagoa n˜ ao ultrapasse um valor m´ aximo denotado por Cm´ e conhecido). ax (esse valor ´ ˙ Obs.: Despreze fluxos difusivos (J = 0) 12. A figura 7.28 mostra um sistema em que ´ agua (densidade ρ, profundi-

156

7 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Integrais Q1 , C1

Qs , Cs (t) Volume V Q2 ,C2

Q0 , C0 = 0 Figura 7.27: Lagoa com poluente.

dade H ) sob press˜ ao pg de um g´ as de um tanque sai por uma tubula¸ c˜ ao de diˆ ametro constante que se curva para cima at´ e uma altura h, onde a press˜ ao ´ e a atmosf´ erica patm . Conhecendo essas vari´ aveis (mais, obviamente, a acelera¸ c˜ ao gravitacional g ), e supondo escoamento permanente, determine: (a) A velocidade V2 da sa´ ıda do tubo. (b) A velocidade V1 na entrada do tubo. (c) A press˜ ao p1 na entrada do tubo.

7.9 – Problemas propostos

157

pg

V2 =?? patm ρ H h

p1 =?, V1 =? Figura 7.28: Tanque com jato de ´ agua.

que. Este conjunto de equa¸ c˜ oes diferenciais dever´ a ser capaz de descrever a evolu¸ c˜ ao temporal de quaisquer vari´ aveis de interesse em Fenˆ omenos de Transferˆ encia em todos os pontos do dom´ ınio espacial. ´ e desej´ avel que se conhe¸ ca as grandezas intensivas como fun¸ c˜ ao do espa¸ co e do tempo. juntamente com as condi¸ c˜ oes iniciais. Em muitos casos.1 Introdu¸ c˜ ao No cap´ ıtulo 7 foram desenvolvidas as equa¸ c˜ oes integrais de balan¸ co de massa. O conjunto de equa¸ c˜ oes integrais obtido atende ` as necessidades de solu¸ c˜ ao de um grande n´ umero de problemas pr´ aticos de tranferˆ encia dessas quantidades. qualquer que seja a complexidade do problema. por isso. quantidade de movimento e energia. entretanto. As fronteiras do dom´ ınio do problema ser˜ ao tratadas nas chamadas condi¸ c˜ oes de contorno. recorrese com freq¨ uˆ encia a simplifica¸ c˜ oes ou a m´ etodos de solu¸ c˜ ao num´ erica (onde 159 . Obviamente. qualquer solu¸ c˜ ao particular de interesse ter´ a que satisfazer simultaneamente tanto ` as equa¸ c˜ oes diferenciais quanto ` as condi¸ c˜ oes iniciais e de contorno. para um volume de controle. Este conhecimento mais detalhado da solu¸ c˜ ao do problema se d´ a atrav´ es das solu¸ c˜ oes de equa¸ c˜ oes diferenciais parciais governando as propriedades do escoamento em cada ponto do espa¸ co. Na maioria dos casos pr´ aticos em engenharia esses problemas de valor de contorno n˜ ao possuem solu¸ c˜ ao anal´ ıtica completa e. complementam as equa¸ c˜ oes diferenciais na especifica¸ c˜ ao completa do problema. Neste cap´ ıtulo ser˜ ao deduzidas equa¸ c˜ oes diferenciais que atendem aos mesmos princ´ ıpios f´ ısicos j´ a apresentados no cap´ ıtulo 7.Cap´ ıtulo 8 ˜o: Princ´ ıpios de Conservac ¸a ˜ es Diferenciais Equac ¸o 8.

respectivamente: j = −ρDAB ∇CA . . 8. ∇ · v – divergente da velocidade (s−1 ). energia. 3 (8. A u ´ ltima op¸ c˜ ao ser´ a a utilizada neste texto. ∇CA – vetor gradiente da concentra¸ c˜ ao do soluto A (kgA kg−1 m−1 ). D – tensor taxa de deforma¸ c˜ ao (s−1 ). ρ – massa espec´ ıfica (kg m−1 ). q – vetor fluxo difusivo espec´ ıfico de calor (J m−2 s−1 ). e quantidade de movimento. ∇T – vetor gradiente de temperatura (K m−1 ). DAB – difusividade molecular do soluto A no solvente B (m2 s−1 ).2 Fluxos difusivos e equa¸ c˜ oes integrais As equa¸ c˜ oes ou leis constitutivas de Fick. regem os processos de transferˆ encia difusiva de massa. Na pr´ oxima se¸ c˜ ao faz-se uma breve revis˜ ao das equa¸ c˜ oes integrais (cap´ ıtulo 7) e equa¸ c˜ oes constitutivas (fluxos difusivos . e Newton. Fourier. apresentadas no cap´ ıtulo 6.cap´ ıtulo 6) para posteriormente chegar-se ` a an´ alise diferencial.2) (8. 2 T = −p + ρν (∇ · v) I + 2ρν D. A dedu¸ c˜ ao das equa¸ c˜ oes diferenciais de conserva¸ c˜ ao pode ser feita diretamente a partir da aplica¸ c˜ ao das leis da f´ ısica e das equa¸ c˜ oes constitutivas (cap´ ıtulo 6) em part´ ıculas de fluido elementares. q = −ρcp α∇T . Elas s˜ ao.3) Abaixo est´ a uma lista com as defini¸ c˜ oes dos parˆ ametros e vari´ aveis presentes nas equa¸ c˜ oes acima e suas unidades SI: j – vetor fluxo espec´ ıfico de massa (kgA m−2 s−1 ). Este texto introdut´ orio se concentrar´ a nos casos em que ´ e poss´ ıvel simplificar o problema suficientemente para obter-se solu¸ c˜ oes anal´ ıticas para os problemas. ou a partir das equa¸ c˜ oes integrais para um volume de controle j´ a deduzidas no cap´ ıtulo 7.160 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais aproxima-se as equa¸ c˜ oes diferenciais por equa¸ c˜ oes alg´ ebricas) das equa¸ c˜ oes. T – tensor de tens˜ oes Pa). ν – viscosidade cinem´ atica (m2 s−1 ). α – difusividade t´ ermica (m2 s−1 ).1) (8. cp – calor espec´ ıfico a press˜ ao constante (J kg−1 K−1 ).

Esta equa¸ c˜ ao escreve-se: ∂ ∂t CA ρdV + Vc Sc CA ρ (v · n) dS = − Sc (j · n) dS. em geral. 8. j´ a foi visto que esta se conservar´ a.5) com (7. (7.4) A equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto para um volume de controle pode ser expressa combinando-se (7. ambos em cada ponto do fluido.6) Finalmente a equa¸ c˜ ao da energia ´ e reescrita como a combina¸ c˜ ao de (7. (8.72): ∂ ∂t vρdV + Vc Sc vρ (v · n) dS = ρgdV + Vc Sc (T · n) dS.7) Se no escoamento n˜ ao h´ a fontes e/ou dissipass˜ ao de energia mecˆ anica. lembrando que o sistema de (7. Neste caso: − (q · n) dS = ∂ ∂t cv T ρdV + Vc Sc Sc cv T ρ (v · n) dS. (8.8) onde cv ´ e o calor espec´ ıfico a volume constante e T ´ e a temperatura. O fluxo difusivo n˜ ao afeta o balan¸ co de massa em um volume de controle.58) no instante considerado. (8. t) . (7. y. sob uma perspectiva euleriana.1)-(8. Obviamente. Em coordenadas cartesianas: η = η (x.9): ∂ ∂t eρdV + Vc Sc eρ (v · n) dS = − Sc (q · n) dS + Sc [(T · n) · v] dS.7).5) ´ e o que est´ a ocupando o volume de controle de (7.5) Analogamente a equa¸ c˜ ao de balan¸ co de quantidade de movimento pode ser escrita combinando-se (7. (8. e (7.58).3) ` as equa¸ c˜ oes integrais de conserva¸ c˜ ao apresentadas no cap´ ıtulo 7. (8. z.13).8).9) . e (7. (7.8. e que a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da energia se reduz a um balan¸ co entre as trocas de calor e a varia¸ c˜ ao da energia interna (energia t´ ermica) do fluido. fun¸ c˜ ao do espa¸ co tri-dimensional e do tempo. esta propriedade ´ e.6). (8. que ´ e: ∂ ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS = 0.3 – A derivada material de uma propriedade intensiva 161 A id´ eia agora ´ e a de acoplar as equa¸ c˜ oes constitutivas (8.3 A derivada material de uma propriedade intensiva Considere uma propriedade intensiva η (ou seja. uma que seja associada a cada ponto de um meio cont´ ınuo) qualquer.126).

14) Neste ponto ser´ a usado um sofisticado teorema conhecido por teorema da divergˆ encia. (8. (8. e um volume V no espa¸ co envolvido por uma superf´ ıcie fechada S : (∇ · f ) dV = (f · n) dS. (8. apresentada no cap´ ıtulo 7. ou teorema de Gauss 1 : Dado um campo vetorial f qualquer.15) V 1 S Karl Friedrich Gauss (1777-1855) . A id´ eia ´ e equivalente ` a da derivada material de uma propriedade extensiva. v = (vx . Em outras palavras. vy . se aplicam a part´ ıculas de fluido. vz ) = ent˜ ao: dx dy dz .12) dη Dη ∂η = = + (v · ∇) η. a maneira de se resolver este problema ´ e identificando as coordenadas de cada part´ ıcula.10) de modo que a taxa de varia¸ c˜ ao de η de uma part´ ıcula ´ e a derivada total de (8. por defini¸ c˜ ao. (8.162 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais Acontece que as leis da f´ ısica.11) dt ∂t ∂x dt ∂y dt ∂z dt Como. de modo que para que se aplique tais leis ´ e preciso que se identifique a part´ ıcula ` a qual se est´ a referindo. dt dt dt .Considerado o principal matem´ atico do s´ eculo XIX. que agora ter˜ ao que poder variar no tempo: ηpart´ ıcula = η (x (t) . . y (t) .4 Conserva¸ c˜ ao da massa A equa¸ c˜ ao integral de conserva¸ c˜ ao da massa para um volume de controle arbitr´ ario (mas fixo no tempo) ´ e: ∂ ∂t ρdV + Vc Sc ρ (v · n) dS = 0. t) . . (8. 8. z (t) . (8.10): ∂η ∂η dx ∂η dy ∂η dz dη = + + + . que tratam de taxas de varia¸ c˜ ao temporal de tais propriedades. Em uma descri¸ c˜ ao euleriana.13) dt Dt ∂t onde Dη (com esta nota¸ c˜ ao) ´ e denominada derivada material de uma proDt priedade intensiva e expressa a varia¸ c˜ ao temporal da propriedade η de uma part´ ıcula que se move com o fluido com velocidade instantˆ anea v. e n˜ ao a pontos do espa¸ co. deve-se associar η a uma part´ ıcula que move com o fluido.

(8. tem-se que a massa espec´ ıfica de cada part´ ıcula permanece constante ao longo do tempo: Dρ ∂ρ = + (v · ∇) ρ = 0 =⇒ ρpart´ (8. (8.14). Usando (8. pode-se escrever: Vc ∂ (CA ρ) + ∇ · (CA ρv) + (∇ · j) dV = 0. 8.20) ıcula = constante.18) A equa¸ c˜ ao (8.15) com f = ρv ` a integral de superf´ ıcie da equa¸ c˜ ao (8.8. a lei integral da conserva¸ c˜ ao da massa (8. ∂t (8.16) podem ser combinados: ∂ρ + ∇ · (ρv) dV = 0. (8. (8.21) aplicando-se o teorema da divergˆ encia (8.13).5): CA ρdV + Vc Sc CA ρ (v · n) dS = − Sc (j · n) dS. o operador ∂/∂t pode se distribuir dentro da integral e os dois termos de (8. Ent˜ ao: ∂ρ + ∇ · (ρv) = 0. sem deforma¸ c˜ ao volum´ etrica local (∇ · v) = 0. ou seja. ∂t (8.18) pode ser reescrita como: Dρ + ρ∇ · v = 0.15) ` as duas integrais de superf´ ıcie com f = CA ρv.19) Dt que mostra claramente que se a massa espec´ ıfica de uma part´ ıcula s´ o varia no tempo se houver um divergente n˜ ao nulo do campo de velocidades. esta se torna: ∂ ∇ · (ρv) dV = 0.5 – Conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto 163 Aplicando (8.16) ρdV + ∂t Vc Vc Como o volume de controle n˜ ao varia no tempo.22) . e f = j.5 Conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto ∂ ∂t Partindo da equa¸ c˜ ao (8.18) ´ e a equa¸ c˜ ao diferencial de conserva¸ c˜ ao da massa.17) s´ o pode ser satisfeita se o integrando for nulo para qualquer ponto do espa¸ co em qualquer instante. ∂t (8. Dt ∂t Repare por´ em que diferentes part´ ıculas podem ter ρ diferentes ao longo do escoamento. Se o escoamento ´ e incompress´ ıvel.17) Vc Como o volume de controle Vc ´ e arbitr´ ario.

13) ´ e nula. e ´ e definido como o divergente do gradiente.24) ou ainda. Para escoamentos permanentes. qu´ ımico. 2 (8. usando a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (8.28) s˜ ao equa¸ c˜ oes gerais de conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto com concentra¸ c˜ ao m´ assica CA em um fluido. e (8. e astrˆ onomo francˆ es. (8.Matem´ atico. expandindo o u ´ ltimo termo: ρ DCA − [∇ (ρDAB ) · ∇CA ] + ρDAB ∇2 CA = 0. a componente local (derivada parcial) de D/Dt em (8. Dt ou. e (8. . (8. Dt (8.28) torna-se: ρ DCA − DAB (∇ρ · ∇CA ) + ρDAB ∇2 CA = 0. ∂t ou. Admitindo que DAB ´ e uniforme e constante. necessariamente: ∂ (CA ρ) + ∇ · (CA ρv) + (∇ · j) = 0.164 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais donde se conclui que. ∂t (8.25) (8. Dt (8. Em coordenadas cartesianas: ∇2 = (∂ 2 /∂x2 + ∂ 2 /∂y 2 + ∂ 2 /∂z 2 ). utilizando a lei de Fick (8.26).18): ρ DCA − ∇ · (ρDAB ∇CA ) = 0.13) com η = CA ρ: D (CA ρ) + CA ρ (∇ · v) + (∇ · j) = 0. onde ρ ´ e a massa espec´ ıfica da mistura.27). Dt (8. f´ ısico.23) Esta equa¸ c˜ ao pode ser reescrita como (esse passo ´ e deixado como exerc´ ıcio): ∂ (CA ρ) + CA ρ (∇ · v) + v · ∇ (CA ρ) + (∇ · j) = 0.26) (8.29) As equa¸ c˜ oes (equivalentes umas ` as outras) (8.27) torna-se: ρ (v · ∇) CA − ∇ · (ρDAB ∇CA ) = 0.30) Pierre Simon de Laplace (1749-1827) . ou seja. utilizando (8.1). Dt Finalmente. tem-se: D (CA ρ) + CA ρ (∇ · v) − ∇ · (ρDAB ∇CA ) = 0.27) (8.28) O operador diferencial escalar ∇2 ´ e conhecido como o laplaciano2 . ∇2 = (∇ · ∇).

a equa¸ c˜ ao (8. e da velocidade (lembrando que T ´ e dado por (4. ∇ρ = 0. Por´ em.6 Conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento Nesta se¸ c˜ ao a equa¸ c˜ ao vetorial diferencial da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento ser´ a deduzida. Partindo do produto interno entre o vetor unit´ ario na dire¸ c˜ ao x ex .29) pode ser igualado a zero. g · ex = gx . o valor da massa espec´ ıfica da ´ agua ´ e praticamente insens´ ıvel a varia¸ c˜ oes de press˜ ao em condi¸ c˜ oes normais.8. ser´ a feita a dedu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao para a componente x da quantidade de movimento. Na atmosfera. J´ a no escoamento de um rio. considere o escoamento atmosf´ erico e o escoamento de um rio. muitas vezes podese considerar que cada part´ ıcula mant´ em sua massa espec´ ıfica constante. ´ e perfeitamente sabido que a massa espec´ ıfica da atmosfera diminui com a altitude (devido ` a diminui¸ c˜ ao da press˜ ao). A condi¸ c˜ ao de incompressibilidade de um escoamento em nada simplifica a equa¸ c˜ ao para CA .29) se reduz a: DCA ∂CA = + (v · ∇) CA = DAB ∇2 CA . neste caso. e tomando as componentes x da tens˜ ao.22)): (T · n) · ex = (Txx ex + Txy ey + Txz ez ) · n. pode-se dizer que o fluido ´ e aproximadamente incompress´ ıvel. da acelera¸ c˜ ao gravitacional.32) ρ (g · ex ) dV + [(T · n) · ex ] dS. pois tal condi¸ c˜ ao de incompressibilidade (8. ent˜ ao.20) ´ e a de que ρ´ e constante seguindo uma part´ ıcula. e a equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento (8.31) 8. Note que nem mesmo o vetor ∇ρ. do segundo termo de (8. v · ex = vx . Neste u ´ ltimo caso.6): ∂ ∂t Vc Vc (v · ex ) ρdV + Sc Sc (v · ex ) ρ (v · n) dS = (8. assim. .6 – Conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento 165 Neste ponto ´ e importante refor¸ car uma distin¸ c˜ ao entre as aproxima¸ c˜ oes para escoamentos incompress´ ıveis e fluidos incompress´ ıves. Para facilitar a compreens˜ ao. Para exemplificar estas aproxima¸ c˜ oes. J´ a a condi¸ c˜ ao de incompreesibilidade do fluido implica em que ρ seja uniforme no espa¸ co e no tempo. Neste caso pode-se dizer que o escoamento da atmosfera ´ e aproximadamente incompress´ ıvel. Dt ∂t (8.

ou melhor. e f = vx ρv.34) em apenas uma.Um dos expoentes da an´ alise rigorosa em matem´ atica. 8. ∂t (8. Utilizando o teorema da divergˆ encia (8.6. rege a dinˆ amica de todo e qualquer tipo de escoamento de todo e qualquer tipo de fluido. 3 . Uma Augustin-Louis Cauchy (1789-1857) .37) Dt A equa¸ c˜ ao (8.18). conclui-se que o integrando deve ser nulo em todos os pontos para qualquer instante. distribuindo a diferencia¸ c˜ ao parcial para dentro da integral.35) Utilizando a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (8. pode-se escrever: ∂ ∂t Vc vx ρdV + Vc Vc ∇ · (vx ρv) dV − (8.166 pode-se escrever: ∂ ∂t Vc 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais vx ρdV + Vc Sc vx ρ (v · n) dS = (8.37) est´ a no fato de que T ´ e uma inc´ ognita. pode-se combinar todas as integrais de (8. Pode-se escrever de forma compacta uma equa¸ c˜ ao vetorial (na verdade as equa¸ c˜ oes para as trˆ es componentes de v) como: Dv ρ = ρg + (∇ · T) .36). Assim: ∂ (vx ρ) + ∇ · (vx ρv) = ρgx + ∇ · [(Txx ex + Txy ey + Txz ez )] . como um tensor sim´ etrico. conhecida como equa¸ c˜ ao de Cauchy3 . Cauchy desenvolveu toda a teoria de vari´ aveis complexas.37).36) Dt ∂t Para as componentes y e z . basta substituir x (no caso das componentes de T.33) ρgx dV + Sc [(Txx ex + Txy ey + Txz ez ) · n] dS. T s˜ ao seis inc´ ognitas. (8. tem-se (este passo ´ e deixado como exerc´ ıcio): ρ Dvx ∂vx =ρ + ρ (v · ∇) vx = ρgx + ∇ · [(Txx ex + Txy ey + Txz ez )] . (8.34) ρgx dV − Vc ∇ · (Txx ex + Txy ey + Txz ez ) dV = 0.33) ` as duas integrais de superf´ ıcie com f = (Txx ex + Txy ey + Txz ez ). Sendo esta igual a zero para qualquer volume de controle.1 Equa¸ c˜ ao de Navier-Stokes Uma das dificuldades de se resolver (8. o primeiro ´ ındice) em (8.

41) ´ comum se definir uma quantidade chamada press˜ E ao modificada pm como pm = p + ρgh. (8.8). y . Dt 3 (8. e ´ e um dos resultados mais importantes de toda a mecˆ anica dos fluidos.39) (a verifica¸ c˜ ao da igualdade vetorial acima ´ e deixada como exerc´ ıcio. g = −g ∇h. ρ ∂t ∂y ∂p ∂vz + ρ (v · ∇) vz = − + ρgz + µ∇2 vz . Dt (8.46) . fornece: ρ 2 Dv = −∇p + ρg + ∇ · 2µD − µ (∇ · v) I . Dt 3 (8. ρ ∂t ∂z ρ (8. ∂t ∂x ∂p ∂vy + ρ (v · ∇) vy = − + ρgy + µ∇2 vy . Com isso escreve-se (8.44) (8.38) se torna: ρ onde foi usado: ∇ · 2D − 2 1 ( ∇ · v ) I = ∇2 v + ∇ ( ∇ · v ) .40) Dv 1 = −∇p + ρg + µ ∇2 v + ∇ (∇ · v) .) Em casos em que o escoamento ´ e incompress´ ıvel. Dt ∂t (8. esta equa¸ c˜ ao ´ e dada por (6. Admitindo que a viscosidade µ ´ e uniforme no fluido (ou seja. No caso de um fluido newtoniano. e z para o caso da equa¸ c˜ ao vetorial (8. A equa¸ c˜ ao vetorial (8.43) As componentes cartesianas em x.41) como: ρ Dv = −∇ (p + ρgh) + µ∇2 v. ∇ · v = 0 e: ρ Dv ∂v =ρ + ρ (v · ∇) v = −∇p + ρg + µ∇2 v.37). que aplicada em (8.38) ´ e conhecida como equa¸ c˜ ao de Navier-Stokes. ou seja.8. que as varia¸ c˜ oes de temperatura s˜ ao pequenas). 3 3 (8.38) onde usou-se a identidade ∇ · (pI) = ∇p.42) onde h ´ e uma distˆ ancia em rela¸ c˜ ao a um ponto de referˆ encia na dire¸ c˜ ao oposta a g.45) (8.6 – Conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento 167 maneira de se reduzir esse n´ umero de inc´ ognitas ´ e usando uma equa¸ c˜ ao constitutiva. (8.41) s˜ ao: ∂vx ∂p + ρ (v · ∇) vx = − + ρgx + µ∇2 vx .

(7. tem-se: ρ D 1 Du +ρ (v · v) = ρ (g · v) + ∇ · (T · v) + ∇ · (ρcp α∇T ) . combinando as integrais de volume.168 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais 8. Dt ∂t (8.7 Conserva¸ c˜ ao da energia A equa¸ c˜ ao integral do balan¸ co de energia pode ser reescrita combinando-se as equa¸ c˜ oes (7.52) .8). 2 (8.7. e passando este termo ao lado direito ∂t (este termo pode ser interpretado como a taxa de trabalho realizada pela for¸ ca de corpo gravitacional). notando que ∂t eρdV = ∂ (eρ)dV .37) e tomando o produto interno desta com o vetor velocidade. e notando que (T · n) · v = (T · v) · n: ∂ ∂t eρdV + Vc Sc eρ (v · n) dS = − Sc (q · n) dS + Sc [(T · v) · n] dS.49) A equa¸ c˜ ao (8. ∂t De ∂e = ρ + ρ (v · ∇) e = ∇ · (T · v) + ∇ · (ρcp α∇T ) . (8. f = q.126). tem-se: ∂ (eρ) + ∇ · (eρv) = ∇ · (T · v) − ∇ · q.9).18) e a lei de Fourier (8.49) pela soma das energias interna. onde r ´ e o vetor posi¸ c˜ ao.13).47). 8.48) Usando a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (8. tem-se: ρ v· Dv Dt = ρ (v · g ) + v · (∇ · T ) .50) notando que os termos da derivada total da energia potencial espec´ ıfica d˜ ao ∂ (g · r) = 0 e (v · ∇) (g · r) = (g · v). e usando o fato que o inte∂t grando deve ser nulo. e o sinal negativo indica que a energia potencial aumenta no sentido oposto ao sentido de g): e=u+ 1 (v · v ) − (g · r ) .47) Aplicando trˆ es vezes o teorema da divergˆ encia (8.49) ´ e a equa¸ c˜ ao diferencial geral de conserva¸ c˜ ao da energia total. (8. cin´ etica.2): ρ (8.51) Dt Dt 2 Voltando ` a equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento (8. (8. (7. e (7.15) com f = eρv. ∂ e f = T·v ` as integrais de superf´ ıcie de (8.1 Energia mecˆ anica e energia t´ ermica Substituindo a energia espec´ ıfica e em (8. e potencial gravitacional (a energia potencial espec´ ıfica ´ e dada por (−g · r).

pode-se escrever (T : D) como (T : D) = −p (∇ · v) + φµ . Os termos do lado direito. Substituindo T e D por (6.55) onde φµ ´ e a parte do produto (T : D) proporcional a µ. O pen´ ultimo termo. dado por (5. e o termo v · (∇ · T) foi Dt 2 escrito como: v · (∇ · T ) = ∇ · (T · v ) − (T : D ) . ´ e a parte revers´ ıvel da troca de energia mecˆ anica em energia interna (e vice versa). e a taxa de trabalho que deforma o fluido por tens˜ oes viscosas. O u ´ ltimo termo. ´ e a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da energia mecˆ anica em um fluido. (8.18) respectivamente.56).18).8.51). tem-se: ρ Du = −p (∇ · v) + φµ + ∇ · (ρcp α∇T ) . Dt 2 (8. O resultado deste produto ´ e. Subtraindo a equa¸ c˜ ao (8. p (∇ · v).56) A equa¸ c˜ ao (8. e representa a taxa de dissipa¸ c˜ ao de energia mecˆ anica em energia interna.7 – Conserva¸ c˜ ao da energia que pode ser reescrita como: ρ D 1 (v · v) = ρ (v · g) + ∇ · (T · v) − (T : D) . obtida a partir da conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento. obviamente. Dt 2 169 (8. a taxa de trabalho que deforma o fluido por expans˜ ao volum´ etrica.57) A equa¸ c˜ ao (8. Repare que os termos de trabalho de deforma¸ c˜ ao tˆ em sinais opostos nas equa¸ c˜ oes . O lado esquerdo ´ e a varia¸ c˜ ao da energia cin´ etica das part´ ıculas.56) de (8. Assim a equa¸ c˜ ao (8. (8. na ordem mostrada: a taxa de trabalho devido ` a for¸ ca de corpo gravitacional (ou varia¸ c˜ ao da energia potencial gravitacional).53) pode ser reescrita como: ρ D 1 (v · v) = ρ (v · g) + ∇ · (T · v) + p (∇ · v) − φµ .57) ´ e a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao de energia t´ ermica.54) onde D ´ e o tensor taxa de deforma¸ c˜ ao. a taxa de trabalho devido ` as tens˜ oes de superf´ ıcie. um escalar. por expans˜ ao volum´ etrica. respons´ aveis por tal varia¸ c˜ ao de energia cin´ etica s˜ ao.8) e (5. −φµ ´ e sempre negativo (processo irrevers´ ıvel). Esse termo pode ter sinal positivo ou negativo.53) v D 1 onde foi usada a identidade: v · D = Dt (v · v) . Dt (8. O produto (T : D) entre tensores ´ e chamado de uma contra¸ c˜ ao dupla e ´ e definido como a soma dos produtos entre cada respectiva componente de T e de D.

8 Aspectos das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao As equa¸ c˜ oes diferenciais de conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto.56).2) supondo a difusividade t´ ermica α ´ e uniforme. e energia t´ ermica s˜ ao formalmente bastante similares. Dt ∂t (8.19) d´ a: −p (∇ · v) = p Dρ p ≈ ρ Dt ρ ∂ρ ∂T DT p DT DT =− = −ρ (cp − cv ) . para um g´ as ideal tem-se que a energia interna dada por u = cv T . t) .60). tome como exemplo as equac˜ oes (8.1).57) e (8. e. Dt (8. tem-se: DT ∂T = + (v · ∇) T = α∇2 T.60) que ´ e a forma mais simples da equa¸ c˜ ao de difus˜ ao/advec¸ c˜ ao de calor.60) pode ser usada tamb´ em para l´ ıquidos.28). na equa¸ c˜ ao da energia mecˆ anica (8. obviamente cp e α sejam uniformes. (8. Elas podem ser escritas como: ∂η + (v · ∇) η − K ∇2 η = f (x. e cp − cv = R. j´ a que no primeiro caso eles subtraem energia mecˆ anica do escoamento. De acordo com o cap´ ıtulo 2. A equa¸ c˜ ao (8. y. z. Entretanto.61) onde η ´ e a propriedade intensiva que pode ser substitu´ ıda pela concentra¸ c˜ ao. quantidade de movimento. A suposi¸ c˜ ao de que φµ ´ e um termo desprez´ ıvel na equa¸ c˜ ao da energia t´ ermica ´ e uma excelente aproxima¸ c˜ ao para escoamentos em condi¸ c˜ oes normais.41). e (8. A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa (8. desde que: o escoamento seja incompress´ ıvel.56). (8. a equa¸ c˜ ao de estado ´ e p = ρRT . 8. e usando a lei de Fourier (8.57) tem-se: ρcp DT = φµ + ∇ · (ρcp α∇T ) .58) Dt T Dt Dt p Usando esses resultados em (8.170 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais (8. em casos em que h´ a for¸ cantes externos (como ocorre no caso do experimento de Newton se¸ c˜ ao 6. este termo geralmente n˜ ao pode ser desprezado pois ele representa o u ´ nico mecanismo dissipa¸ c˜ ao de energia capaz de manter a energia do fluido finita.59) Admitindo que o aumento de temperatura devido ao trabalho das for¸ cas viscosas φµ ´ e desprez´ ıvel. ou pela temperatura (ou energia . ∂t (8. e no segundo eles aumentam sua energia interna. pelas componentes do vetor velocidade. De fato.

Neste . z. f (x. 8. Dη e a taxa de varia¸ c˜ ao da propriedade η da part´ ıcula Fisicamente.9 – Condi¸ c˜ oes de contorno 171 interna no caso mais geral).8. ´ e comum adotar-se a condi¸ c˜ ao de impermeabilidade. (v · ∇) η . na qual representa a soma dos for¸ cantes do escoamento (gradiente de press˜ ao e for¸ ca de corpo gravitacional). e das mol´ eculas em choques com a superf´ ıcie se refletirem com ˆ angulos tamb´ em aleat´ orios (reflex˜ ao difusa). Note que no caso geral as equa¸ c˜ oes possuem derivadas primeiras no tempo e derivadas segundas no espa¸ co. no caso das equa¸ c˜ oes em quest˜ ao. al´ em de condi¸ c˜ oes de contorno em toda a fronteira em torno do dom´ ınio do problema para todo t. ou seja. Este termo ´ e dividido na varia¸ c˜ ao local (ou seja fixa no espa¸ co) de η . e calor (α).9. isso implica em ser necess´ aria uma condi¸ c˜ ao inicial (a solu¸ c˜ ao para η deve ser conhecida em algum instante). y. y. o fluido n˜ ao penetra o contorno mas pode deslizar sobre ele. ´ e n˜ ao nulo apenas na equa¸ c˜ ao da quantidade de movimento. obviamente. Finalmente o termo f (x. Nesta se¸ c˜ ao s˜ ao apresentadas algumas das condi¸ c˜ oes de contorno freq¨ uentemente encontradas. t) ´ e uma fun¸ c˜ ao for¸ cante. A n´ ıvel molecular. quantidade de movimento (µ). onde as mol´ eculas se refletem perfeitamente (reflex˜ ao especular). e uma varia¸ c ˜ a o devido ao ∂t 2 fluxo advectivo de η . t) ´ e um for¸ cante que.9 Condi¸ c˜ oes de contorno As equa¸ c˜ oes diferenciais apresentadas nas se¸ c˜ oes anteriores descrevem as propriedades do fluido dentro de um dom´ ınio que.62) Em casos aproximados em que as tens˜ oes viscosas n˜ ao s˜ ao importantes (escoamentos inv´ ıscidos). ∂η . o termo Dt ´ de fluido que ocupa a posi¸ c˜ ao (x. Neste contorno deve-se especificar o comportamento da solu¸ c˜ ao das equa¸ c˜ oes para todo t. faz com que a condi¸ c˜ ao de contorno seja a de que a velocidade do fluido (que ´ e uma m´ edia das velocidades moleculares) no contorno ´ e igual ` a velocidade do contorno: v = vc . y. O termo K ∇ η ´ e o termo de difus˜ ao de η no espa¸ co ao longo do tempo. z ) no instante t. K ´ e a propriedade molecular da mat´ eria relacionada com a capacidade de difus˜ ao de massa (DAB ). deve ser circundado por um contorno. z.1 Superf´ ıcie s´ olida Em um contorno formado por uma superf´ ıcie s´ olida que se move com velocidade vc (note que em muitos casos o contorno est´ a em repouso e vc ´ e nulo). o fato da superf´ ıcie possuir uma rugosidade aleat´ oria. 8. isso ´ e equivalente a se ter uma superf´ ıcie perfeitamente lisa. Matematicamente. (8.

(8. onde β ´ e um coeficiente conhecido. Um efeito an´ alogo aparece tamb´ em nas condi¸ c˜ oes de contorno para a temperatura e para a concentra¸ c˜ ao de um soluto. em que v · n − vc · n = 0. h´ a trˆ es tipos de condi¸ c˜ ao de contorno em paredes s´ olidas: • prescri¸ c˜ ao da temperatura: T = f .172 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais onde n ´ e o vetor normal unit´ ario ao contorno. e dependente da porosidade do material da parede. Nenhuma condi¸ c˜ ao ´ e imposta ` a componente tangencial da velocidade. Para a temperatura.63) podem n˜ ao funcionar bem. para a concentra¸ c˜ ao de um soluto as condi¸ c˜ oes em paredes s´ olidas s˜ ao: • prescri¸ c˜ ao da concentra¸ c˜ ao: CA = f . vct ´ contorno. a condi¸ c˜ ao ´ e a de que a componente da velocidade do fluido normal ao contorno naquele ponto ´ e igual ` a componente da velocidade do contorno naquela dire¸ c˜ ao: v · n = vc · n. Nestes casos a condi¸ c˜ ao para a velocidade normal ` a supef´ ıcie ´ e (8. ´ e comum se utilizar a condi¸ c˜ ao de penetrabilidade. Em casos em que o contorno ´ e uma parede porosa.63) (8. Em alguns casos em que o fluido ´ e um g´ as em que distˆ ancia m´ edia entre as mol´ eculas ´ e relativamente grande e a superf´ ıcie ´ e rugosa. e cf ´ e um coeficiente de atrito emp´ ırico entre o fluido e o contorno. mas a condi¸ c˜ ao para a componente tangencial vtan pode ser aproximada por: 3 vtan − vct = Ma cf . Ma ´ e o n´ umero de Mach do escoamento (ver pr´ oximo cap´ ıtulo). Um caso particularmente interessante ´ e aquele em que o contorno ´ e insulado. Este tipo de condi¸ c˜ ao de contorno n˜ ao ser´ a utilizada neste texto e estes casos n˜ ao ser˜ ao discutidos aqui.62) ou apenas (8. • condi¸ c˜ ao combinada: T + β (∇T · n) = f . . • prescri¸ c˜ ao do fluxo de calor: (∇T · n) = f . (8. Similarmente ` a temperatura.63). Note que nos trˆ es casos f ´ e uma fun¸ c˜ ao que pode variar no tempo e na superf´ ıcie do contorno.64) onde V ´ e a velocidade tangencial relativa do fluido fora da regi˜ ao influˆ encia do e a componente da velocidade do contorno tangencial ao pr´ oprio contorno. • prescri¸ c˜ ao do fluxo de massa: (∇CA · n) = f . e ∇T · n = 0. V 2 caso.

o efeito ´ e chamado de capilaridade. que pode ser escrita como: ∂ζ ∂ζ ∂ζ vz = + vx + vy .9 – Condi¸ c˜ oes de contorno 173 • condi¸ c˜ ao combinada: CA + β (∇CA · n) = f . Macroscopicamente. t) ´ e a posi¸ c˜ ao da superf´ ıcie livre. Este efeito faz com que o n´ umero de mol´ eculas na superf´ ıcie livre seja o m´ ınimo necess´ ario para mantˆ e-la. entretanto. que ´ e apresentada brevemente a seguir: Tens˜ ao superficial A existˆ encia de uma interface visivelmente bem definida entre um l´ ıquido e um g´ as tem origem no fato de que normalmente l´ ıquidos tˆ em massa espec´ ıfica ordens de grandeza maior que gases. Novamente. tende a ser puxada para o interior do l´ ıquido no sentido normal ` a superf´ ıcie. a superf´ ıcie livre ´ e uma superf´ ıcie material). 8. y. y. diz-se que esta interface ´ e uma supef´ ıcie livre. t) = 0 a condi¸ c˜ ao cinem´ atica ´ e DF/Dt = 0. se a superf´ ıcie livre ´ e representada pela equa¸ c˜ ao F (x. a menos da tens˜ ao superficial.2 Superf´ ıcie livre de um l´ ıquido Quando um l´ ıquido est´ a em contato com um g´ as onde tens˜ oes de cisalhamento s˜ ao despreziveis. onde β ´ e um coeficiente conhecido. A condi¸ c˜ ao de contorno dinˆ amica ´ e dada por: 1 1 .65) ∂t ∂x ∂y onde z = ζ (x. Matematicamente. Uma mol´ ecula dentro do l´ ıquido ´ e atra´ ıda igualmente em todas as dire¸ c˜ oes pelas suas visinhas. Numa superf´ ıcie livre h´ a dois tipos de tens˜ ao: a j´ a familiar press˜ ao e a tens˜ ao superficial. na qual a press˜ ao do g´ as p0 deve equibrar a press˜ ao do l´ ıquido na interface. as mol´ eculas na superf´ ıcie est˜ ao em ambiente diferente daquelas dentro do l´ ıquido. f ´ e uma fun¸ c˜ ao que pode variar no tempo e na superf´ ıcie do contorno. Uma mol´ ecula na superf´ ıcie. Por causa da existˆ encia dessa interface. dois tipos de condi¸ ca ˜o de contorno se fazem necess´ arias numa superf´ ıcie livre: (i) condi¸ ca ˜o cinem´ atica. no qual a superf´ ıcie livre est´ a sempre tentando se contrair atrav´ es de uma tens˜ ao denominada tens˜ ao superficial. em que as part´ ıculas da superf´ ıcie livre permanecem na superf´ ıcie livre (ou seja. Em termos de dinˆ amica do escoamento. z. (ii) condi¸ c˜ ao dinˆ amica. (8. pois a for¸ ca de atra¸ c˜ ao molecular ´ e muito menor no lado do g´ as. (8. As for¸ cas moleculares que atraem as mol´ eculas umas ` as outras dependem da distˆ ancia m´ edia entre elas.66) + p = p0 + σ R1 R2 .9.8.

o balan¸ co da tens˜ ao normal deve ser corrigido de acordo 1 1 ).1: A¸ c˜ ao da tens˜ ao superficial num elemento de uma superf´ ıcie livre. • continuidade da concentra¸ c˜ ao de um soluto A nos fluidos 1 e 2: CA 1 = CA 2 . • continuidade do fluxo de calor atrav´ es da interface cuja normal local ´ e n: ρ1 cp 1 α1 (∇T1 · n) = ρ2 cp 2 α2 (∇T2 · n).9. onde σ ´ e o coeficiente de tens˜ ao superficial que depende das condi¸ c˜ oes da interface (fluidos envolvidos. e calor. etc.1 ilustra o equil´ ıbrio para uma superf´ ıcie livre (desprezando uma dimens˜ ao). Note que a tens˜ ao superficial s´ o´ e importante se a superf´ ıcie livre tem raios de curvaturas pequenos. • continuidade das tens˜ oes na superf´ ıcie (press˜ ao mais tens˜ oes viscosas) cuja normal local ´ e n: T1 · n = T2 · n (no caso em que h´ a tens˜ ao superficial.174 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais p0 g´ as σ R σ p l´ ıquido Figura 8. . 8. as condi¸ c˜ oes de contorno na interface s˜ ao: • continuidade da velocidade: v1 = v2 .3 Interface entre dois fluidos No caso mais geral de haver uma interface entre dois fluidos (sub-´ ındices 1 e 2) em que h´ a fluxos de quantidade de movimento (tens˜ oes de cisalhamento).). temperatura. A figura 8. massa de um soluto. com (T1 · n) · n = (T2 · n) · n + σ R +R 1 2 • continuidade da temperatura: T1 = T2 . e R1 e R2 s˜ ao os raios de curvatura da superf´ ıcie livre em dire¸ c˜ oes ortogonais do plano tangente ` a superf´ ıcie no ponto em quest˜ ao.

e o sub-´ ındice 1 se refere ` a mistura entre A e B (fluido 1). O mesmo ´ e v´ alido para o fluido 2. e ez .59) . .70) onde (x.9.19). p∞ . T∞ . ∂x ∂y ∂z 2 2 2 ∂ ∂ ∂ + 2 + 2. 8. Obviamente.10 – Equa¸ c˜ oes em coordenadas curvil´ ıneas 175 • continuidade do fluxo de massa: ρ1 DAB 1 (∇CA 1 · n) = ρ2 DAB 2 (∇CA 2 · n). se nenhuma simplifica¸ c˜ ao ´ e feita.por exemplo de uma tubula¸ c˜ ao ou em duas se¸ c˜ oes transversais de um rio). ey .por exemplo (8.10 Equa¸ c˜ oes em coordenadas curvil´ ıneas As equa¸ c˜ oes da conserva¸ c˜ ao da massa. embora de forma geral foi utilizado o sistema de coordenadas cartesiano nas suas dedu¸ c˜ oes.31). y. z ) s˜ ao as coordenadas cujas orienta¸ c˜ oes s˜ ao dadas pelos vetores unit´ arios ortogonais entre si ex .41).68) (8. 8. e (8. digamos que o dom´ ınio se estende at´ e y → ∞. (8. concentra¸ c˜ ao do soluto CA . Dt ∂t ∂x ∂y ∂z ∂ ∂ ∂ ∇ = ex + ey + ez . e energia apresentadas em nota¸ c˜ ao vetorial . (8. Nesta se¸ c˜ ao as equa¸ c˜ oes para um escoamento incompress´ ıvel onde as propriedades moleculares do fluido s˜ ao uniformes e constantes s˜ ao apresentadas (sem dedu¸ c˜ ao) em sistemas de coordenadas cil´ ındricas e esf´ ericas. e a difusuvidade de um soluto A no solvente Na u ´ ltima equa¸ c˜ ao acima. o soluto A deve ser o mesmo para os dois fluidos.s˜ ao v´ alidas para qualquer sistema de coordenadas. DAB 1 ´ B. quantidade de movimento.8.69) (8. ∂ ∂ ∂ ∂ D = + vx + vy + vz . Por exemplo. ent˜ ao deve-se especificar v∞ . As equa¸ c˜ oes em sistema cartesiano s˜ ao obtidas simplesmente substituindo: v = vx ex + vy ey + vz ez . press˜ ao p. Estas condi¸ c˜ oes se estendem tamb´ em para casos em que se conhece a solu¸ c˜ ao no far-field.4 Condi¸ c˜ oes de entrada e sa´ ıda Quando o contorno do dom´ ınio de um problema intercepta o escoamento (tipicamente em entradas e/ou sa´ ıdas do fluido . ∇2 = 2 ∂x ∂y ∂z (8.67) (8. a rigor. temperatura T . CA ∞ . devem ser conhecidas as seguintes vari´ aveis em todos os pontos desses trechos do contorno: vetor velocidade v.

x ou x = r cos θ. z ) e sua rela¸ c˜ ao com o sistema cartesiano (x.1 Coordenadas cil´ ındricas As coordenadas cil´ ındricas s˜ ao representadas por (r. θ. (8. A coordenada z ´ e idˆ entica ` a do sistema cartesiano. θ. y = r sen θ. θ.74) ∇2 = ∂r 2 r ∂r r 2 ∂θ2 ∂z 2 Conserva¸ ca ˜o da massa A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa de um fluido incompress´ ıvel em coordenadas cil´ ındricas ´ e dada por: ∂vr 1 ∂vθ ∂vz vr ∇·v = + + + = 0. z = z. θ = arctan . A figura 8. z ). Os seguintes operadores s˜ ao definidos: D ∂ ∂ 1 ∂ ∂ = + vr + vθ + vz . z = z. eθ .176 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais z r (r. (8.2: Sistema de coordenadas cil´ ındricas (r. z ) cujas orienta¸ c˜ oes s˜ ao dadas pelos vetores unit´ arios ortogonais er .75) ∂r r ∂θ ∂z r .10. (8.71) r = x2 + y 2.2 ilustra o sistema de coordenadas cil´ ındricas e sua rela¸ c˜ ao com o sistema cartesiano. z ) z θ x y Figura 8. 8. As rela¸ c˜ oes entre as coordenadas cil´ ındricas e as coordenadas cartesianas s˜ ao: y (8.73) Dt ∂t ∂r r ∂θ ∂z 1 ∂ 1 ∂2 ∂2 ∂2 + + + . e ez .72) O vetor velocidade ´ e representado por v = vr er + vθ eθ + vz ez . (8. y.

77) + µ ∇2 vθ + 2 − r ∂θ r ∂θ r ∂p = ρgz − + µ∇2 vz . e eφ .74).73) e (8. Dt (8. (8. respectivamente.76) + µ ∇2 vr − 2 − 2 ∂r r r ∂θ 1 ∂p 2 ∂vr vθ = ρgθ − . O raio R aqui n˜ ao tem a mesma defini¸ c˜ ao que o raio r das coordenadas cil´ ındricas e a nota¸ c˜ ao R (mai´ usculo) foi adotada exatamente para evitar confus˜ oes. y = R sen φ sen θ.80) 2 x x + y2 + z2 ou x = R sen φ cos θ. (8.79) 2 onde −vθ /r e vr vθ /r s˜ ao as parcelas da acelera¸ c˜ ao devido ` as for¸ cas fict´ ıcias centr´ ıpeta e de Coriolis. A coordenada θ ´ e idˆ entica ` a do sistema de coordenadas cil´ ındricas.8.31) com os operadores (8.81) . θ.78) ∂z = ρgr − Repare que o vetor acelera¸ c˜ ao (lados esquerdos das equa¸ c˜ oes acima) ´ e: a= 2 Dvr vθ − Dt r er + Dvθ vr vθ + Dt r eθ + Dvz ez . Equa¸ co ˜es de Navier-Stokes As equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes para um fluido incompress´ ıvel e com viscosidade constante. Conserva¸ ca ˜o da energia A equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da energia t´ ermica para a temperatura T em coordenadas cil´ ındricas ´ e dada por (8. (8. θ. (8. 8. φ = arccos .74). (8.10 – Equa¸ c˜ oes em coordenadas curvil´ ıneas Conserva¸ ca ˜o da massa de um soluto 177 A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto de concentra¸ c˜ ao CA em coordenadas cil´ ındricas ´ e dada por (8.73) e (8. θ = arctan . φ) cujas orienta¸ c˜ oes s˜ ao dadas pelos vetores unit´ arios ortogonais eR .10. em coordenadas cil´ ındricas para as dire¸ c˜ oes r . e z s˜ ao dadas por: ρ ρ 2 Dvr vθ − Dt r Dvθ vr vθ + Dt r Dvz ρ Dt ∂p vr 2 ∂vθ .2 Coordenadas esf´ ericas As coordenadas esf´ ericas s˜ ao representadas por (R.59) com os operadores (8. As rela¸ c˜ oes entre as coordenadas esf´ ericas e as coordenadas cartesianas s˜ ao: z y R = x2 + y 2 + z 2 . z = R cos θ. eθ .

2 R sen φ ∂φ ∂φ (8.3 ilustra o sistema de coordenadas esf´ ericas e sua rela¸ c˜ ao com o sistema cartesiano.83) Conserva¸ ca ˜o da massa A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa de um fluido incompress´ ıvel em coordenadas esf´ ericas ´ e dada por: ∇·v= 1 ∂vθ 1 ∂ (sen φvφ ) 1 ∂ (R2 vR ) + + = 0. Os seguintes operadores s˜ ao definidos: ∂ ∂ 1 1 ∂ ∂ D = + vR + vθ + vφ . θ. θ.82) (8. z ). φ) e sua rela¸ c˜ ao com o sistema cartesiano (x. y. φ) R φ θ x y Figura 8.178 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais z (R.3: Sistema de coordenadas esf´ ericas (R. A figura 8. 2 R ∂R R sen φ ∂θ R sen φ ∂φ (8. O vetor velocidade ´ e representado por v = vR eR + vθ eθ + vφ eφ . Dt ∂t ∂R R sen φ ∂θ R ∂φ 1 ∂2 1 ∂ 2 ∂ R + + ∇2 = R2 ∂R ∂R R2 sen2 φ ∂θ2 1 ∂ ∂ sen φ .84) .

86) + 2 + 2 2 R sen φ R sen φ ∂θ R sen2 φ ∂θ 2 1 ∂p cot φ Dvφ vR vφ vθ = ρgφ − + − Dt R R R ∂φ 2 ∂vR vφ 2 cos φ ∂vθ ∇2 vφ + 2 . (8.82) e (8.83).83). em coordenadas esf´ ericas para as dire¸ c˜ oes R.59) com os operadores (8. . Conserva¸ ca ˜o da energia A equa¸ c˜ ao de conserva¸ c˜ ao da energia t´ ermica para a temperatura T em coordenadas esf´ ericas ´ e dada por (8. e φ s˜ ao dadas por: ρ + µ ρ + µ ρ + µ 2 2 + vφ ∂p DvR vθ = ρgR − − Dt r ∂R 2vR 2 ∂vφ 2vφ cot φ 2 ∂vθ ∇2 vR − 2 − 2 . e vR vφ /R s˜ ao acelera¸ c` oes de Coriolis.82) e (8.88) + − Dt R R 2 2 2 onde −(vθ + vφ )/R e −vθ cot φ/R s˜ ao acelera¸ c˜ oes centr´ ıpetas e vR vθ /R. (8. vθ vφ cot φ/R.85) − − R R ∂φ R2 R2 sen φ ∂θ 1 ∂p Dvθ vR vθ vθ vφ cot φ = ρgθ − + + Dt R R R sen φ ∂θ vθ 2 2 cos φ ∂vφ ∂vR ∇2 vθ − 2 .10 – Equa¸ c˜ oes em coordenadas curvil´ ıneas Conserva¸ ca ˜o da massa de um soluto 179 A equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto de concentra¸ c˜ ao CA em coordenadas esf´ ericas ´ e dada por (8. (8. θ.8.31) com os operadores (8.87) − 2 − 2 2 R ∂φ R sen φ R sen2 φ ∂θ Mais uma vez as for¸ cas fict´ ıcias se manifestam no vetor acelera¸ c˜ ao: a = 2 2 + vφ Dvθ vR vθ vθ vφ cot φ DvR vθ eR + eθ + − + + Dt R Dt R R 2 cot φ Dvφ vR vφ vθ eφ . Equa¸ co ˜es de Navier-Stokes As equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes para um fluido incompress´ ıvel e com viscosidade constante. (8.

as trˆ es equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes. 8. e energia. trˆ es componentes de velocidade.4: Fluido entre placas paralelas sujeito a gradiente de press˜ ao. e temperatura. para situa¸ c˜ oes particulares nas quais algumas simplifica¸ c˜ oes s˜ ao feitas de modo a viabilizar solu¸ c˜ oes anal´ ıticas.11. Devido aos termos advectivos (n˜ ao-lineares). press˜ ao. Primeiramente o escoamento pode ser suposto incompress´ ıvel. e uma equa¸ c˜ ao de estado. difusividade m´ assica. Caso se queira considerar os coeficientes de viscosidade. tem-se sete equa¸ c˜ oes para as sete inc´ ognitas: massa espec´ ıfica. O escoamento ´ e obviamente uniforme na dire¸ c˜ ao x. solu¸ c˜ oes anal´ ıticas s´ o s˜ ao poss´ ıveis para casos particulares extremamente simplificados. a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da energia t´ ermica. concentra¸ c˜ ao do soluto. quantidade de movimento. 8.1 Escoamento permanente entre placas paralelas Considere o escoamento permanente (∂/∂t = 0) de um fluido viscoso entre duas placas paralelas infinitas em movimento relativo (a placa superior em movimento com velocidade V e a placa inferior parada). de modo que a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa . Nesta se¸ c˜ ao ´ e apresentada uma s´ erie de exemplos de aplica¸ c˜ ao das equa¸ c˜ oes diferenciais de conserva¸ c˜ ao da massa. Este sistema de equa¸ c˜ oes diferenciais parciais n˜ ao lineares ´ e extraordinariamente dif´ ıcil de se resolver para casos gerais.4. deve-se estabelecer equa¸ c˜ oes de estado para estas vari´ aveis tamb´ em. ent˜ ao ∂vx /∂x = 0. e mesmo solu¸ c˜ oes num´ ericas s˜ ao limitadas devido ` a complexidade das equa¸ c˜ oes.11 Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao Com as equa¸ c˜ oes da conserva¸ c˜ ao da massa e da massa de um soluto. e condutividade t´ ermica como vari´ aveis.180 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais V ∂p ∂x y x 2h Figura 8. e sujeito a um gradiente de press˜ ao uniforme ∂p/∂x. como mostra a figura 8. A bi-dimensionalidade do escoamento imp˜ oe ∂/∂z = 0.

95) . vx = V . − 2h µ ∂x 2 (8. Na placa inferior y = 0.94) vx = 2h e a tens˜ ao de cisalhamento ´ e: Txy = Note que neste caso Txy ´ e constante.8. − 2 ∂x (8. e o escoamento ´ e movido apenas pelo trabalho das for¸ cas viscosas proveniente do movimento da placa superior.90) A equa¸ c˜ ao do movimento-y mostra que a press˜ ao ´ e hidrost´ atica.92) A tens˜ ao de cisalhamento no fluido ´ e: Txy = µ dvx µV ∂p = + (h − y ) .44) e (8. Na placa superior.45) se reduzem a: d2vx ∂p +µ 2 . ∂x dy ∂p 0 = −ρg − . Integrando a equa¸ c˜ ao do movimento-x duas vezes em rela¸ c˜ ao a y .93) Escoamento plano de Couette Este ´ e um caso particular do exemplo mostrado em que o gradiente de press˜ ao ´ e nulo. dy 2h ∂x (8. As equa¸ c˜ oes do movimento para x e y (8. tem-se: y 2 ∂p + µvx + C1 y + C2 = 0. O perfil de velocidades ´ e ent˜ ao dado por: vx = y y ∂p Vy h− . 2h (8. µV . y = 2h. (8. vx = 0.91) C1 e C2 s˜ ao constantes de integra¸ c˜ ao e podem ser determinadas pelas condi¸ c˜ oes de contorno como se segue.89) (8. ent˜ ao C1 = h (∂p/∂x) − µV / (2h).11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao 181 ∂vx /∂x + ∂vy /∂y = 0 fornece ∂vy /∂y = 0. ent˜ ao vy = 0 em todo o dom´ ınio. ∂y 0 = − (8. Como vy = 0 em y = 0. ent˜ ao C2 = 0. Neste caso o perfil de velocidade ´ e: Vy .

o mesmo sinal (b). incluindo aquelas em que ∂p/∂x e V tˆ em sinais opostos (a). tem-se o chamado escoamento de Poiseuille.182 V 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais V ∂p ∂x <0 ∂p ∂x >0 (a) V y x (b) V =0 ∂p ∂x =0 ∂p ∂x <0 (c) Couette (d) Poiseuille Figura 8.11. no qual a fonte de energia ´ e o trabalho residual devido ao gradiente de press˜ ao. Escoamento plano de Poiseuille Se a placa superior se encontra em repouso.97) Repare que a tens˜ ao no centro do tubo (y = h) ´ e nula neste caso. 8. µ ∂x 2 (8. e os casos particulares de Couette (c) e Poiseuille (d).2 Fluido em rota¸ c˜ ao uniforme Imagine um cilindro contendo um fluido inicialmente em repouso colocado em ˙.5: V´ arios casos de escoamento entre placas paralelas. ∂x (8. Para este caso o perfil de velocidade ´ e parab´ olico: vx = − y y ∂p h− .96) e a tens˜ ao de cisalhamento ´ e uma fun¸ c˜ ao linear: Txy = (h − y ) ∂p . A figura 8. Inicialmente a superf´ rota¸ c˜ ao com velocidade angular θ ıcie livre do fluido ´ e .5 ilustra v´ arias combina¸ c˜ oes das solu¸ c˜ oes mostradas neste exemplo.

horizontal. Al´ em disso. e uma equa¸ c˜ ao hidrost´ atica para a dire¸ c˜ ao vertical z : ˙2 = − −ρr θ ∂p ∂r ∂p 0 = − − ρg.98) (8. como o fluido n˜ ao se deforma. e muito menos o divergente das mesmas.11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao 183 ˙ θ Superf´ ıcie livre Figura 8. Neste ponto o fluido p´ ara de se deformar e entra em rota¸ c˜ ao uniforme com o recipiente como se fosse um corpo s´ olido.6: Fluido em rota¸ c˜ ao uniforme com superf´ ıcie livre.100) .6 ilustra este estado final. dr + dz = ρr θ ∂r ∂z (8. ∂z (8.8. n˜ ao h´ a tens˜ oes viscosas. a velocidade do fluido na dire¸ c˜ ao radial ´ e nula. e n˜ ao do ˆ angulo θ. ou seja: µ∇2 v = 0. e a componente na dire¸ c˜ ao angular θ ´ e apenas fun¸ c˜ ao do raio r . A pergunta ´ e: que fun¸ c˜ ao descreve a superf´ ıcie livre neste caso? Inicialmente pode-se observar que. Devido ao atrito com as paredes do recipiente o fluido come¸ ca a se mover at´ e que um regime permanente ´ e atingido quando as for¸ cas centr´ ıfuga e o gradiente de press˜ ao devido ` a inclina¸ c˜ ao da superf´ ıcie livre se equilibram. A figura 8. Essa ˙ velocidade na dire¸ c˜ ao θ ser´ a: vθ = r θ.99) O diferencial da press˜ ao ´ e dado por: dp = ∂p ∂p ˙2 dr − ρgdz. As equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes se reduzem ao balan¸ co entre a for¸ ca centr´ ıfuga e do gradiente de press˜ ao em r .

Resta encontrar a posi¸ c˜ ao da superf´ ıcie livre zs . Ao entrar em regime permanente. 2g (8. tem-se que. tais tens˜ oes desaparecem completamente.106) (8.103) que ´ e a equa¸ c˜ ao para um parabol´ oide de revolu¸ c˜ ao em torno do eixo. p2 − p1 = ρθ 2 (8. Esta ´ e a equa¸ c˜ ao que descreve a posi¸ c` ao de superf´ ıcies de igual press˜ ao. 2g (8.104) Integrando o lado esquerdo e explicitando z1 : ˙2 R2 θ z1 = − . que subtamente ´ e colocado em contato com um reservat´ orio de ´ agua salgada (a difusividade sal-´ agua ´ e Ds ) com concentra¸ c˜ ao de sal que pode variar com o .102) Supondo ainda que z1 ´ e a posi¸ c˜ ao da superf´ ıcie livre no centro do cilindro (r1 = 0). 2g (8. ent˜ ao: z (r ) = ˙ 2 R2 θ 2g r2 1 − 2 R 2 . 8. e atribuindo z2 = z e r2 = r tem-se: z = z1 + 1 ˙2 2 θ r . ent˜ ao: 2π 0 0 R H + z1 + 1 ˙2 2 θ r rdrdθ = πR2 H. ela deve satisfazer ` a equa¸ c˜ ao acima com p1 = p2 = p0 : (z2 − z1 ) = 1 ˙2 2 2 θ r2 − r1 .184 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais Integrando a equa¸ c˜ ao acima entre dois pontos 1 e 2 quaisquer no fluido: 1 ˙2 2 2 r2 − r1 − ρg (z2 − z1 ) . 4g A fun¸ c˜ ao que descreve a superf´ ıcie livre em fun¸ c˜ ao de r ´ e.101) Supondo que a superf´ ıcie livre est´ a sob press˜ ao atmosf´ erica constante p0 . Admitindo que o raio do cilindro ´ e R e que a posi¸ c˜ ao da superf´ ıcie livre em repouso ´ e z = 0 com a profundidade inicial do fluido igual a H .11. (8. se o volume total de fluido deve se manter o mesmo quando o fluido est´ a em rota¸ c` ao.3 Difus˜ ao pura em material semi-infinito Considere um canal semi-infinito com ´ agua pura em repouso.105) Neste exemplo ´ e importante notar que as tens˜ oes viscosas s˜ ao importantes apenas para colocar o fluido em rota¸ c˜ ao.

C ¯ (s) = A transformada de Laplace em t ´ e dada por L {f (t)} = f ¯ como propriedade: L {df /dt} = sf (s) − f (0) 4 ∞ 0 (8.6 ilustra a situa¸ c˜ ao.107) Aplicando a transformada de Laplace4 no tempo ` a equa¸ c˜ ao diferencial parcial (8. e tem . qual ser´ a a concentra¸ c˜ ao dentro do canal em fun¸ c˜ ao de x e t? A figura 8.110) f e−st dt. Como a condi¸ c˜ ao inicial ´ e de v nulo. as part´ ıculas de ´ agua ir˜ ao permanecer com velocidade constante no tubo. ∂t ∂x2 As condi¸ c˜ oes iniciais e de contorno s˜ ao Cs (x. Primeiramente note que como n˜ ao h´ a qualquer for¸ cante no problema. t = 0) = 0.29) que. A equa¸ c˜ ao de transporte de sal ´ e dada por (8.8.109) − 2 dx Ds A solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao acima ´ e: √ √ ¯s = Ae s/Ds x + Be− s/Ds x . tem-se: ¯s s ¯ d2 C Cs = 0. assim como a viscosidade.11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao y 185 C0 (t) x Figura 8. as equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes para x e y se resumem a: Dvx /Dt = 0 e Dvy /Dt = 0. tempo C0 (t). Admitindo que o gradiente de press˜ ao entre o reservat´ orio e o canal e a componente x da for¸ ca da gravidade.108) (8. com DAB = Ds e v = 0.7: Canal de ´ agua doce em contato com ´ agua salgada. se reduz a: ∂ 2 Cs ∂Cs = Ds . ent˜ ao v permanecer´ a nulo para todo t. s˜ ao desprez´ ıveis. (8.107). (8. t) = C0 (t) . ou seja. Cs (x = 0.

Assim: √ ¯s = Be− s/Ds x . como . ou seja.186 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais ¯s (x → ∞) = 0. (8.112) que d´ a: x Cs (x. t) = 0.115) Este problema ´ e conhecido como problema de Rayleigh e tamb´ em como primeiro problema de Stokes.112) A solu¸ c˜ ao desejada ´ e a transformada inversa de (8. ent˜ Tomando C ao A = 0. 8. Este problema tem uma vers˜ ao inteiramente an´ aloga para a transferˆ encia de calor (bastando substituir concentra¸ c˜ ao por temperatura. e t ´ e o instante atual. e aplicando-a em (8.4 Escoamento transiente em fluido semi-infinito . vx (0.114) (ν ´ e a viscosidade cinem´ atica igual a µ/ρ). Isso n˜ ao ´ e surpreendente.primeiro problema de Stokes Considere uma placa infinita localizada em y = 0 sob um fluido viscoso inicialmente em repouso. τ ´ e uma vari´ avel de integra¸ c˜ ao no tempo.111) fornece B = C0 (s). Para obter a solu¸ c˜ ao poderia-se utilizar. vx (∞.111) fica: √ − s/Ds x ¯ ¯ Cs (x. 0) = 0. C (8. (8.111) Chamando a transformada de Laplace da condi¸ c˜ ao de contorno em x = 0 de ¯ ¯ C0 (s). s) = C0 (s) e . A equa¸ c˜ ao relevante ´ e a equa¸ c˜ ao do movimento na dire¸ c˜ ao x que. ap´ os simplifica¸ c˜ oes se reduz a: ∂vx ∂ 2 vx =ν 2.113) A integral acima n˜ ao possui uma forma anal´ ıtica em termos de fun¸ c˜ oes elementares e deve ser avaliada numericamente. (8. da informa¸ c˜ ao passada. t) = √ 2 Ds π t C 0 (τ ) 0 e−x 2 /[4D s (t−τ )] (t − τ )3/2 dτ. j´ a que n˜ ao ´ e de se esperar que o que ocorrer´ a na condi¸ c˜ ao de contorno no futuro influencie a situa¸ c˜ ao do presente. A placa ´ e posta em movimento em t = 0 e mantida a velocidade constante V na dire¸ c˜ ao x. e (8. ∂t ∂y (8. e difusividade molecular por t´ ermica) e outra para transferˆ encia de quantidade de movimento que ´ e mostrada a seguir. Repare que a concentra¸ c˜ ao no canal Cs apenas depende da condi¸ c˜ ao de contorno entre τ = 0 e τ = t. t) = V. As condi¸ c˜ oes iniciais e de contorno para o problema s˜ ao: vx (y.11.

I 2 = ∞ −ξ 2 e dξ : 0 π/2 ∞ −r 2 e rdrdθ. ∂t dξ ∂t t dξ ∂ 2 vx 1 2 d2 vx = ξ .114) cujos termos ficam: dvx ∂ξ n dvx ∂vx = = ξ . √ I = π/2 Solu¸ ca ˜o da integral I = dxdy = rdrdθ.119) dξ 2 ξ νt dξ A id´ eia do m´ etodo ´ e escolher n e B de forma que a equa¸ c˜ ao (8. a t´ ecnica da transformada de Laplace (note a semelhan¸ ca do problema).119) se torne fun¸ c˜ ao de ξ apenas (e n˜ ao de y ou t). 0 0 ∞ ∞ −(x2 +y 2 ) e dxdy .118) (8. pode-se substituir esta transforma¸ c˜ ao em (8. Aplicando a condi¸ c˜ ao de contorno vx (ξ = 0) = V . (ii) r2 0 0 ∞ −r 2 I 2 = π/2 − 1 = π/4.122) vx = C1 0 e−ξ dξ + C2 .121) dvx dξ + 2ξ dvx = 0. tem-se C2 =√ V .116) Admitindo que vx = vx (ξ ). Aplicando a condi¸ c˜ ao de contorno vx (ξ = ∞) = 0. vx (ξ = ∞) = 0.8. escolhe-se: 1 1 y n=− . 2 2 ν 2 νt As condi¸ c˜ oes de contorno em termos de ξ s˜ ao: vx (ξ = 0) = V. Assim. ser´ a procurada a chamada solu¸ c˜ ao por similaridade. como ilustra¸ c˜ ao.114) fica: d2 vx n y 2 dvx − = 0.119) ´ e reescrita como: d dξ Integrando duas vezes tem-se: ξ (8. Considere a seguinte vari´ avel: ξ = Bytn . A equa¸ c˜ ao (8. (8. ∂y 2 y 2 dξ 2 ent˜ ao (8.124) = x2 + y 2 . (iv) 2e 0 . B= √ . dξ (8. tem-se5 C1 = −2V / π : vx = V 5 2 1− √ π (i) I 2 = (iii) ξ 0 e−ξ dξ . 2 (8.117) (8.120) (8. (8. 2 (8.123) onde C1 e C2 s˜ ao constantes de integra¸ c˜ ao.11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao 187 no problema anterior. Em vez disso. ξ= √ .

127) Se a solu¸ c˜ ao ´ e oscilat´ oria. per´ ıodo T = 2π/ω ) e amplitude V0 : V (t) = V0 cos ωt. (8.128) (8. Portanto. (8.5 Escoamento oscilat´ orio em fluido semi-infinito . em nota¸ c˜ ao complexa (onde ape6 nas a parte real deve ser considerada) : vx (y. da´ ı a terminologia solu¸ c˜ ao por similaridade. assim como o ´ e a condi¸ c˜ ao de contorno.130) Dividindo por eiωt e solucionando a equa¸ c˜ ao diferencial para F (y ): F (y ) = Ae(1+i)δy/ = Ae 6 √ 2 √ √ δy/ 2 iδy/ 2 + Be−(1+i)δy/ + Be 2 e √ √ −δy/ 2 −iδy/ 2 e .segundo problema de Stokes Considere uma situa¸ c˜ ao similar ` a do problema anterior. 8. .126) ∂t ∂y As condi¸ c˜ oes de contorno s˜ ao: vx (∞. ou seja.125) Repare que para um dado ξ tem-se um u ´ nico vx . 2 e eiθ = cos θ + i sen θ. mas h´ a um n´ umero infinito de combina¸ c ˜ o es de y t t que d´ a o mesmo ξ (aquelas que satisfazem ξ = √ y/ 2 νt ). pode-se escrever. t) = 0. t) = F (y ) eiωt . ∂vx = iωF (y ) eiωt . A equa¸ c˜ ao do movimento ´ e: ∂vx ∂ 2 vx =ν 2. e sim a condi¸ c˜ ao quando t → ∞. entretanto.188 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais que pode ser escrita em termos da chamada fun¸ c˜ ao erro : vx = V (1 − erf ξ ) = V 1 − erf y √ 2 νt . Neste caso n˜ ao ser´ a considerado o per´ ıodo transiente em que o fluido ´ e colocado em movimewnto a partir do repouso. t) = V0 cos ωt.129) (8. as solu¸ c˜ oes para pontos ξ = constante s˜ ao similares. (8. dy 2 √ (8.126) fica: iωF eiωt = ν d2 F iωt e . vx (0.11. ∂t onde i = √ −1 A equa¸ c˜ ao (8. com a velocidade da placa infinita oscilando com freq¨ uˆ encia angular ω (ou seja. (8.131) por defini¸ ca ˜o: sen θ = eiθ −e−iθ . 2i cos θ = eiθ +e−iθ . ser´ a admitido que a solu¸ c˜ ao ´ e peri´ odica.

A equa¸ c˜ ao de Navier-Stokes na dire¸ c˜ ao x se reduz a: 0 = ρg sen θ + µ A equa¸ c˜ ao em y ´ e: 0 = −ρg cos θ − dp . t) = F (y ) eiωt = V0 e−δy/ = V0 e e √ √ √ −δy/ 2 i(ωt−δy/ 2) √ 2 −iδy/ 2 iωt e e . Como vx → 0 onde A e B s˜ ao constantes de integra¸ c˜ ao.6 Escoamento laminar em plano inclinado Considere um fluido viscoso incompress´ ıvel escoando sobre uma superf´ ıcie plana infinita e com inclina¸ c˜ ao θ em rela¸ c˜ ao ` a superf´ ıcie da terra. Admitindo que vy = vz = 0. dy 2 (8. como ´ e de se esperar. Retornando a vx : vx (y.8 ilustra a solu¸ c˜ ao com perfis em y de vx em v´ arios instantes num per´ ıodo T = 2π/ω de oscila¸ c˜ ao. (8. ent˜ ao A = 0. A figura 8.11. (8. considerando que a press˜ ao atmosf´ erica ´ e desprez´ ıvel. supondo que o u ´ nico for¸ cante do problema ´ e a for¸ ca da gravidade. ao mesmo tempo que oscila tanto no espa¸ co (y ) quanto no tempo. n˜ ao h´ a gradiente de press˜ ao na dire¸ c˜ ao x.8. e que.9) ilustra a situa¸ c˜ ao.133) Repare que a solu¸ c˜ ao decai exponencialmente de V0 at´ e se anular em y = ∞. a condi¸ c˜ ao ´ e a de que a tens˜ ao viscosa de cisalhamento ´ e nula: Txy (y = δ ) = µ dvx dvx (y = δ ) = 0 ⇒ (y = δ ) = 0 . t) = V0 cos ωt.135) d2vx . t) = V0 e− √ ω/(2ν )y cos ωt − ω y 2ν .132): vx (y. Na superf´ ıcie livre. dy (8.11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao 189 ω/ν . e δ = quando y → ∞. fornece que B = F (y = 0) = V0 . a condi¸ c˜ ao vx (0. a freq¨ uˆ encia espacial da solu¸ c˜ ao (em y ) aumenta ` a medida que a freq¨ uˆ encia temporal ω aumenta. e que viscosidade diminui. dy dy (8. 8.136) . e que.132) Tomando apenas a parte real de vx em (8. portanto.134) A condi¸ c˜ ao de contorno no fundo fornece vx (y = 0) = 0. A id´ eia ´ e procurar uma solu¸ ca ˜o para a velocidade vx em regime permanente. A figura (8. ent˜ ao a equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao da massa ∂vx /∂x + ∂vy /∂y + ∂vz /∂z = 0 fornece que ∂vx /∂x = 0.

2 t4 t3 t2 t1 0.6 0. partindo de um instante de referˆ encia t.2 0.8 −0. y δ x vx (y ) g θ Figura 8.8 1 vx /V0 Figura 8. s˜ ao dados por tn = t + (n − 1)T /8.9: Escoamento em plano inclinado.8: Escoamento sobre fundo oscilat´ orio com per´ ıodo T . . Os instantes tn . Perfis de velocidade vx (y ) para v´ arios instantes dentro de um per´ ıodo.0 0.4 0.6 −0.4 −0.190 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais y t8 t7 t6 t5 −1 −0.

137) Sustituindo as condi¸ c˜ oes de contorno tem-se: C1 = A solu¸ c˜ ao ´ e ent˜ ao: vx (y ) = ρg sen θ µ δy − y2 2 . Ent˜ ao. A equa¸ c˜ ao governante para este problema ´ e a equa¸ c˜ ao da difus˜ ao unidimensional (j´ a que o problema s´ o depender´ a de x) para um material em repouso.142) dx x=L ρcα Integrando (8.140) duas vezes: T (x) = Ax + B.11. 2µ 191 (8.11 – Solu¸ c˜ oes das equa¸ c˜ oes de conserva¸ c˜ ao A solu¸ c˜ ao de (8.134) ´ e: vx (y ) = − ρg sen θ 2 y + C1 y + C2 . entretanto. Em x = L n˜ ao se sabe qual ´ e a temperatura. Em uma das faces (posi¸ c˜ ao x = 0) a temperatura ´ e mantida constante em T0 .138) Repare que o perfil ´ e parab´ olico e que a velocidade ´ e m´ axima na superf´ ıcie livre.139) ρg sen θ δ. uniformes e constantes.8. e calor espec´ ıfico c.141) dx ou qx dT =− . (8. em x = L: dT −ρcα = qx . (8. 8. (8. massa espec´ ıfica ρ. que deve haver um fluxo de calor qx que deve ser igual ao fluxo de calor dentro da parede naquela posi¸ c˜ ao. e em regime permanente: d2 T 0 = α 2. (8. Sabe-se. (8.143) . A outra face (x = L) est´ a em contato com o ar que difunde calor para x > L a uma taxa igual a qx . Deseja-se saber a distribui¸ c˜ ao de temperatura na parede em regime permanente. (8. µ C2 = 0.7 Condu¸ c˜ ao de calor atrav´ es de uma parede Considere uma parede infinita perpendicular a um eixo x com um material s´ olido de condutividade t´ ermica α.140) dx A condi¸ c˜ ao de contorno em x = 0 ´ e T (0) = T0 .

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx ρ1 . (c) µ2 = 2µ1 . (b) µ2 = µ1 . (i) Escreva as equa¸ c˜ oes de Navier-Stokes completas para os fluidos 1 e 2. das difusividades t´ ermicas α1 e α2 . todos uniformes.10 as paredes s˜ ao mantidas a temperaturas T1 e T2 . tanto nas paredes quanto na interface entre os fluidos (dica: na interface. com a condi¸ c˜ ao em x = 0 e x = L. Ambos os fluidos est˜ ao sob um gradiente de press˜ ao constante ∂p/∂x < 0.10: Dois fluidos entre placas fixas. 2. (8. µ2 . . com igual espessura. Admita que as camadas de fluido s˜ ao infinitas nas dire¸ c˜ oes horizontais.10 mostra duas camadas de fluidos diferentes (sub-´ ındices 1 e 2 indicam fluido superior e inferior). ent˜ ao teria-se qx = 0 e portanto a solu¸ c˜ ao permanente do problema seria uma temperatura uniforme e igual a T0 . (iv) esboce gr´ aficos dos perfis em y da velocidade vx para os casos em que (a) µ2 = µ1 /2.12 Problemas propostos 1. nas dire¸ c˜ oes x e y . (iii) resolva para vx (y ) em termos das propriedades dos fluidos e de ∂p/∂x. µ1 ∂p/∂x = constante < 0 ρ2 . onde. Em termos de ρ1 e ρ2 . e dos calores espec´ ıficos a press˜ ao/volume constante (iguais neste caso) c1 e c2 . e que o problema ´ e permanente. tem-se B = T0 . 8.192 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais qx . incompress´ ıvel. A acelera¸ c˜ ao da gravidade ´ e g apontando para baixo. Na figura 8.144) T (x) = T0 − ρcα Repare que se a parede fosse insulada em x = L. (ii) fa¸ ca as simplifica¸ c˜ oes nas equa¸ c˜ oes. Txy 1 = Txy 2 ). e que todas as propriedades de cada fluido s˜ ao uniformes. A figura 8. e A = − ρcα Portanto: qx x. estabele¸ ca condi¸ c˜ oes de contorno em y . onde ρ2 > ρ1 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx h y x h Figura 8. resolva o problema permanente e ache o perfil de temperatura em cada camada em fun¸ c˜ ao das propriedades de cada fluido.

determine a distribui¸ c˜ ao espacial da velocidade do fluido) em uma tubula¸ c˜ ao cil´ ındrica (raio R) horizontal sujeito a um gradiente de press˜ ao conhecido na dire¸ c˜ ao do eixo do tubo. µ2 . Determine a solu¸ c˜ ao permanente para a velocidade do fluido em cada um dos segunites casos: • (a) O cilindro externo se move com velocidade constante V0 enquanto o cilindro interno permanece em repouso. a expessura da pel´ ıcula. Fa¸ ca as simplifica¸ c˜ oes pertinentes e determine: • (a) m ˙ como fun¸ c˜ ao de δ (x). Admita tamb´ em que n˜ ao h´ a varia¸ c˜ ao da press˜ ao atmosf´ erica no ar.12 mostra dois fluidos com ρ1 . Determine a velocidade V da placa do meio. onde m ˙ ´ e igual ao fluxo de massa na dire¸ c˜ ao do escoamento na placa. • (b) Ambos os cilindros permanecem em repouso. e o fluido de cima (´ ındice 1) e de baixo (´ ındice 2) est˜ ao sujeitos a gradientes de press˜ ao constantes dp/dx = k e dp/dx = −k . 7. • (b) A espessura da pel´ ıcula δ (x). Determine o escoamento de um fluido viscoso (viscosidade µ) em regime permanente (o seja. A placa superior e a inferior est˜ ao em repouso. 5. As espessuras dos fluidos s˜ ao h e 2h. mas h´ a gradiente de press˜ ao modificada conhecido na dire¸ c˜ ao axial.11 vapor se condensa em uma superf´ ıcie vertical. mas a placa do meio pode se mover horizontalmente. Mostre que: 193 DCA ∂ (CA ρ) + ∇ · (CA ρv) = ρ . A figura 8. • (c) O cilindro externo se move com velocidade constante V0 enquanto o cilindro interno permanece em repouso. Admita que a lˆ amina ´ e muito fina e que o escoamento ´ e viscoso. e n˜ ao h´ a gradiente de press˜ ao modificada na dire¸ c˜ ao axial. A taxa de condensa¸ c˜ ao ´ e dm/dx ˙ = C1 constante. 6. escoando entre 3 placas. ρ2 . . Na figura 8. Imagine um escoamento de um fluido viscoso (viscosidade µ) entre dois cilindros concˆ entricos com raios R0 (externo) e Ri (interno). e h´ a gradiente de press˜ ao modificada na dire¸ c˜ ao axial. respectivamente.8.12 – Problemas propostos 3. A ´ agua (de massa espec´ ıfica ρ e viscosidade µ) ´ e ent˜ ao puxada para baixo pela for¸ ca gravitacional formando uma fina pel´ ıcula de espessura δ (x). µ1 . ∂t Dt 4.

dp/dx = k xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Placa m´ ovel h y 2h x xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx ρ2 . µ2 . dp/dx = −k Figura 8.11: Condensa¸ c˜ ao em uma parede.12: Dois fluidos e trˆ es placas. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx ρ1 .194 8 – Princ´ ıpios de Conserva¸ c˜ ao: Equa¸ c˜ oes Diferenciais y ar ´ agua δ x Figura 8. µ1 . .

´ Indice

condi¸ c˜ ao de contorno, 171 interface entre dois fluidos, 174 balan¸ co da quantidade de movimento na superf´ ıcie livre equa¸ c˜ ao integral, 127, 161 cinem´ atica, 173 balan¸ co de energia dinˆ amica, 173 equa¸ c˜ ao integral, 136, 161 superf´ ıcie livre, 173 balan¸ co de massa superf´ ıcie s´ olida, 171 equa¸ c˜ ao integral, 115, 161 tens˜ ao superficial, 173 balan¸ co de massa de um soluto condu¸ c˜ ao de calor, 100, 191 equa¸ c˜ ao integral, 124, 161 condutividade t´ ermica, 102 Bernoulli unidades, 102 equa¸ c˜ ao de, 143 conserva¸ c˜ ao balan¸ co de energia e, 146 energia, 4, 24 Boltzmann massa, 4 constante de, 24 quantidade de movimento, 4 quantidade de movimento angucalor, 26 lar, 4 transferˆ encia de, 99 conserva¸ c˜ ao da energia calor espec´ ıfico coordenadas cil´ ındricas, 177 a press˜ ao constante, 28 coordenadas esf´ ericas, 179 a volume constante, 27 equa¸ c˜ ao diferencial, 167 em gases e l´ ıquidos, 28 equa¸ c˜ ao integral, 136, 161 campos conserva¸ c˜ ao da massa escalares, 12 coordenadas cil´ ındricas, 176 vetoriais, 12 coordenadas esf´ ericas, 178 capilaridade, 173 equa¸ c˜ ao diferencial, 162 Cauchy equa¸ c˜ ao integral, 115, 161 Augustin-Louis, 166 conserva¸ c˜ ao da massa de um soluto equa¸ c˜ ao de, 166 coordenadas cil´ ındricas, 176 circula¸ c˜ ao, 84 coordenadas esf´ ericas, 178 concentra¸ c˜ ao, 37 advec¸ c˜ ao, 37 195

196 equa¸ c˜ ao diferencial, 163 equa¸ c˜ ao integral, 124, 161 conserva¸ c˜ ao da quantidade de movimento coordenadas cil´ ındricas, 177 coordenadas esf´ ericas, 179 equa¸ c˜ ao de Navier Stokes, 166 equa¸ c˜ ao diferencial, 165 equa¸ c˜ ao integral, 127, 161 constante universal dos gases, 31 constitutiva equa¸ c˜ ao, 91 lei, 91 cont´ ınuo, 1, 35 hip´ otese do, 35, 36 coordenadas cil´ ındricas, 175 conserva¸ c˜ ao da energia, 177 da massa, 176 da massa de um soluto, 176 Navier-Stokes, 177 coordenadas curvil´ ıneas, 175 coordenadas esf´ ericas, 177 conserva¸ c˜ ao da energia, 179 da massa, 178 da massa de um soluto, 178 Navier-Stokes, 179 corrente linha de, 40 tubo de, 40 Couette escoamento de, 181 deforma¸ c˜ ao de cisalhamento, 79 linear, 77 taxa de, 77 volum´ etrica, 78 derivada material em um ponto, 161 em um sistema, 111 difus˜ ao, 37 pura exemplo de, 184 difus˜ ao molecular, 102 difusividade molecular, 104 unidades, 104 difusividade t´ ermica, 102 unidades, 102 divergente, 13

´ INDICE

energia, 36 conserva¸ c˜ ao, 111 coordenadas cil´ ındricas, 177 coordenadas esf´ ericas, 179 equa¸ c˜ ao diferencial da conserva¸ c˜ ao, 167 equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao, 136, 161 espec´ ıfica, 37 interna, 23, 26, 36 espec´ ıfica, 27 mecˆ anica, 168 t´ ermica, 168 total, 23 total de um sistema, 43 energia cin´ etica, 21, 22 do centro de massa, 21 interna, 21 energia potencial, 21 gravitacional, 21, 23 interna, 23 entropia, 4 equa¸ c˜ ao constitutiva, 91, 160 de Bernoulli, 143 e o balan¸ co de energia, 146 hidrost´ atica, 60 equa¸ c˜ ao constitutiva transferˆ encia de calor, 102 transferˆ encia de massa, 104

´ INDICE

197

transferˆ encia de quantidade de movi- Leonhard, 39 mento, 95 fenˆ omeno f´ ısico, 1 equa¸ c˜ ao da conserva¸ c˜ ao em coordenadas cil´ ındricas, 175 Fick lei de, 102 em coordenadas curvil´ ıneas, 175 fluido em coordenadas esf´ ericas, 177 defini¸ c˜ ao, 3 equa¸ c˜ ao de estado, 28, 31 n˜ ao-newtoniano, 99 equa¸ c˜ ao diferencial newtoniano, 99 conserva¸ c˜ ao da energia, 167 fluxo conserva¸ c˜ ao da massa, 162 advectivo, 44 coordenadas cil´ ındricas, 176 difusivo, 91, 160 conserva¸ c˜ ao da massa de um socalor, 101 luto, 163 massa, 103 coordenadas cil´ ındricas, 176 quantidade de movimento, 93 conserva¸ c˜ ao da quantidade de moviespec´ ıfico mento, 165 advectivo, 44 da hidrost´ atica, 59 fluxo de calor, 110 de Navier-Stokes, 166 for¸ ca energia de corpo, 51 coordenadas cil´ ındricas, 177 de superf´ ıcie, 51 coordenadas esf´ ericas, 179 For¸ c as, 51 massa Fourier coordenadas esf´ ericas, 178 lei de, 100 massa de um soluto coordenadas esf´ ericas, 178 g´ as ideal, 28 quantidade de movimento Gauss coordenadas cil´ ındricas, 177 Friedrich, 162 coordenadas esf´ ericas, 179 teorema de, 15 equa¸ c˜ ao integral gradiente, 14 conserva¸ c˜ ao da energia, 136, 161 grandezas fundamentais, 6 conserva¸ c˜ ao da massa, 115, 161 Green conserva¸ c˜ ao da massa de um soteorema de, 16 luto, 124, 161 conserva¸ c˜ ao da quantidade de movi-hidrost´ atica, 58 mento, 127, 161 equa¸ c˜ ao, 60 equil´ ıbrio, 2 equa¸ c˜ ao diferencial da, 59 escalar, 7 hip´ otese do cont´ ınuo, 1, 35, 36 escalas moleculares, 19 Integral estado de um sistema, 1 de linha, 10 Euler de superf´ ıcie, 11 descri¸ c˜ ao de, 39

198 de volume, 12 interface entre dois fluidos, 174 Lagrange descri¸ c˜ ao de, 39 Joseph-Louis, 39 laplaciano, 15 lei constitutiva, 91 da viscosidade, 93 de Fick, 102, 160 de Fourier, 100, 160 de Newton da viscosidade, 160 Lennard-Jones potencial de, 19 linha de corrente, 40 linha de vorticidade, 82 meio cont´ ınuo, 2, 35, 37 meio fluido, 3 modelos matem´ aticos, 1 mol´ eculas, 2 movimento relativo, 83

´ INDICE

Navier-Stokes coordenadas cil´ ındricas, 177 coordenadas esf´ ericas, 179 equa¸ c˜ ao de, 166 Newton experimento de, 92 Isaac, 93 lei da viscosidade, 93

placas paralelas escoamento plano entre, 180 Poiseuille escoamento de, 181 massa, 36 potencial conserva¸ c˜ ao, 111 gravitacional, 21 coordenadas cil´ ındricas, 176 potencial de Lennard-Jones, 19 coordenadas esf´ ericas, 178 Press˜ ao, 51 de soluto num sistema, 43 press˜ ao, 57 de um sistema, 43 dinˆ amica, 148 equa¸ c˜ ao diferencial da conserva¸ c˜ ao, est´ atica, 148 162 equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao, primeira lei, 24 primeira lei da termodinˆ amica, 111 115, 161 princ´ ıpios de conserva¸ c˜ ao transferˆ encia de, 102 energia, 111 massa de um soluto equa¸ c˜ oes diferenciais, 159 conserva¸ c˜ ao equa¸ c˜ oes integrais, 109 coordenadas cil´ ındricas, 176 massa, 111 coordenadas esf´ ericas, 178 quantidade de movimento, 111 equa¸ c˜ ao diferencial da conserva¸ c˜ ao, princ´ ıpios fundamentais da f´ ısica, 4 163 equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao, produto 124, 161 escalar, 8 massa espec´ ıfica, 36 contra¸ c˜ oes, 9 mat´ eria, 2 vetorial, 8 abordagem macrosc´ opica, 2 propriedades mecˆ anica estat´ ıstica, 2 estensivas, 42

36 tensor. 15. 99 dinˆ amica. 93 Taylor volume. 144 estado de um. 43 tens˜ ao superficial. 22. 82 sistema de part´ ıculas. 24. 182 de calor. 29 primeiro problema de. 16 de controle. 37 sistema termodinˆ amico. 77 unidades. 102 de quatidade de movimento. 1 tubo de corrente. 111 teorema do transporte de. 36 s´ erie de. 94 virial hip´ otese de. 7 George Gabriel. 43 sim´ etria do. 42 199 coeficiente de. 173 . 174 Tens˜ oes. 144 sistema de fluxo. 85 transferˆ encia de. 7. 16 tubo segunda lei. 93 teorema de. 81 transferˆ encia fluido em. 40 propriedades f´ ısicas de um. 91 s´ erie de Taylor. 85 dependˆ encia da temperatura. 186 viscosidade segundo problema de. 99 rotacional.´ INDICE intensivas. taxa de deforma¸ c˜ ao. 91 do transporte de Reynolds. 36 rmq. 6 velocidade. 26. 94 teorema. 2 rota¸ c˜ ao trabalho. 112 segunda lei. 16 quatidade de movimento de Stokes. 161 de Green. 24 de uma part´ ıcula de fluido. 84 equa¸ c˜ ao diferencial da conserva¸ c˜ ao. 51 quantidade de movimento. 162 127. 20 sistema SI de unidades. 186 termodinˆ amica. 19 problema de. 43 temperatura. 56 equa¸ c˜ ao de Navier-Stokes. 2 de corrente. 23. 111 de tens˜ oes. 29 Rayleigh teoria cin´ etica. 14 de massa. 16. 93 taxa de deforma¸ c˜ ao. 188 cinem´ atica. 26 de um sistema. 166 gradiente de velocidade. 81 165 teorema equa¸ c˜ ao integral da conserva¸ c˜ ao. 19 Reynolds primeira lei. de Gauss. 22 Stokes vetor. 52 conserva¸ c˜ ao. 52 de um sistema. 1 tubo de vorticidade. 112 virial. 16.

82 tubos de. 81 linha de.200 vorticidade. 82 ´ INDICE .