Administração pública

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Administração pública
Administração pública é, em sentido prático ou subjetivo, o conjunto de órgãos, serviços e agentes do Estado, bem como das demais pessoas coletivas públicas (tais como as autarquias locais) que asseguram a satisfação das necessidades coletivas variadas, tais como a segurança, a cultura, a saúde e o bem estar das populações. A administração pública é o conjunto das normas, leis e funções desempenhadas para organizar a administração do Estado em todas as suas instâncias.[1] A Administração Pública tem como principal objetivo o interesse público, seguindo os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Um mapa mental sobre Gestão Pública.

Uma pessoa empregada na administração pública diz-se servidor público ou funcionário público. Como área de estudo é uma subárea da Administração, enfocando o desenvolvimento e sistematização de conhecimentos administrativos no âmbito das organizações públicas, tendo surgido há mais de um século. Um dos pioneiros da Administração pública foi Woodrow Wilson.[2]

Nomenclatura
O estudo da nomenclatura prospera do sentido de inserir a origem e fundamentos dos termos no contexto do direito na esfera da Administração Pública. São indicadas por Oswaldo Aranha Bandeira de Mello duas versões para a origem do vocábulo administração. A primeira é que esta vem de ad (preposição) mais ministro, mais are (verbo), que significa servir, executar; já a segunda indica que, vem de ad manus trahere, que envolve ideia de direção ou gestão. Nas duas hipóteses, há o sentido de relação de subordinação, de hierarquia. O mesmo autor demonstra que a palavra administrar significa não só prestar serviço, executá-lo, como também dirigir, governar, exercer a vontade com o objetivo de obter um resultado útil; até em sentido vulgar, administrar quer dizer traçar um programa de ação e executá-lo. A administração pública deve estar voltada para atender as necessidades e os direitos da sociedade, pois um Estado não consegue sobreviver sem planejamento e o tal deve ser sistematizado pelos membros que estão à frente da administração pública de cada país.

respaldando também os anseios da comunidade onde está inserida. o modelo anglo-saxão (Reino Unido e Irlanda). especialmente no Japão e na Coreia do Sul adotam um modelo semelhante ao renano e ao mediterrâneo.Administração pública 2 Aspecto objetivo e subjetivo A administração pública é conceituada com base em dois aspectos: objetivo (também chamado material ou funcional) e subjetivo (também chamado formal ou orgânico):[3] [4] • Sentido objetivo. Alemanha e Luxemburgo) e o modelo mediterrâneo (Grécia. Neste sentido. de fomento. os modelos nórdico e anglo-saxão apresentam níveis elevados. Em relação aos níveis de emprego. Finlândia. pessoas jurídicas e agentes. Na América Latina a preferência é o modelo mediterrâneo. adota o alto status do funcionalismo público. Bélgica. é mais focado no sistema de emprego. departamentos ou políticas públicas visando o bem comum da comunidade a que se destina e em consonância com as normas legais e administrativas vigentes. Itália. técnica e transparente a coisa pública. baixa intervenção da política na administração. existem basicamente quatro modelos de gestão da administração pública. fundacionais. quando composta pelos entes federados (União. sob regime jurídico de direito público. forte intervenção da política na administração e níveis elevados de proteção ao emprego. é adotada uma alta descentralização e independência dos serviços (modelo de agência). aos quais a lei atribui o exercício da função administrativa do Estado. Modelo mediterrâneo O modelo mediterrâneo é mais focado no sistema de carreira. países de colônia inglesa quase em sua totalidade adotam o modelo anglo-saxão. Modelo nórdico e anglo-saxão O modelo nórdico e anglo-saxão são semelhantes com algumas diferenças. sociedades de economia mista e empresas públicas. formal ou orgânico: a administração pública é o conjunto de órgãos. Nos dias atuais o papel do gestor público na administração das necessidades públicas vem a maximizar e aperfeiçoar as demandas que faz-se necessário para alcançar uma gama de objetivos estabelecidos pelos órgãos governamentais. NaÁsia. Fora da Europa. Gestor público O gestor público tem como função gerir. Neste sentido. • Sentido subjetivo. a administração pública pode ser direta. Estados. No caso nórdico. se caracteriza pelo baixo status do funcionalismo. material ou funcional: a administração pública é a atividade concreta e imediata que o Estado desenvolve para a consecução dos interesses coletivos. Portugal e Espanha). França. Suécia e Países Baixos). níveis elevados de empregabilidade e seguro-desempregro. administrar de forma ética. o serviço público e o poder de polícia. quando composta por entidades autárquicas. . a exemplo do Brasil. ou indireta. seja esta órgãos. Modelos Na Europa. sendo o nórdico melhor para a redução das desigualdades. a administração pública compreende atividades de intervenção. o modelo renano ou continental (Áustria. o modelo nórdico (Dinamarca. Municípios e DF).

entre elas as de: • Auditoria (Receita Federal. ANAC. • Infraestrutura . Esta fase é marcada pelo nepotismo e grande corrupção no serviço público.[6] Carreiras Dentro da organização da Administração Pública do Brasil. nos procedimentos e na objetividade Foco nos resultados e no desempenho Seguridade específica Participação de sindicatos regulamentada Seguridade igual ao do setor privado Participação de sindicatos da mesma forma do direito privado No Brasil A administração no Brasil aconteceu de três formas. Previdência Social e Ministério do Trabalho). . da impessoalidade. ANP. integram o Poder Executivo Federal diversas carreiras estruturadas de servidores públicos. o monarca nomeava os nobres para exercer cargos políticos. da ideia de carreira. que são considerados uma categoria especial. adota elevado status do funcionalismo público com alta interferência de sindicatos. ANTT. visando a redução dos custos e o aumento da efetividade e eficiência dos serviços prestados aos cidadãos. ANEEL. Analista da SUSEP). Analistas e Inspetor da CVM. • Regulação Federal (Especialista em Regulação e (Analista Administrativo das Agências Reguladoras Federais ANATEL. da hierarquia funcional. • Segurança Pública (cargos de Policial Rodoviário Federal. • Ciclo de Gestão (Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental. Delegado. a administração pública patrimonialista. ANTAQ. • Diplomacia (Diplomata. Escrivão e Agente da Polícia Federal e Analista de Informações da ABIN) • Supervisão do Mercado Financeiro e de Capitais (Analista do Banco Central do Brasil. Perito Criminal. tendo o patrimônio do soberano se confundindo com do Estado. Atualmente. ANVISA. Analista de Finanças e Controle). com a finalidade combater a corrupção e o nepotismo. Já na Era Vargas. orientando-se pelos princípios da profissionalização.[5] Sistema de carreira e sistema de emprego A tabela abaixo mostra as diferenças entre o sistema de carreira e o sistema de emprego: Sistema de carreira Legislação estatutária Procedimento formal de ingresso da carreira Ênfase na habilitação literária Estabilidade Promoções reservadas Remuneração por estatuto Progressão salarial Sistema de emprego Legislação de direito privado Procedimento informal de ingresso da carreira Ênfase na experiência profissional Rotatividade (foco no contrato) Promoções abertas Remuneração por contrato (acordo coletivo) Sem progressão salarial Foco na lealdade.Administração pública 3 Modelo renano ou continental O modelo renano apresenta um meio termo. houve a administração pública burocrática. Oficial de Chancelaria e Assistente de Chancelaria). Técnico do IPEA.carreira de Analista de Infraestrutura e cargo isolado de Especialista em Infraestrutura sênior. indo até a Constituição de 1934. do formalismo. • Militares (Forças Armadas). características do poder racional legal. há uma transição para a administração pública gerencial. ANS e ANA). sendo a primeira na época do Império. a qual busca a otimização e expansão dos serviços públicos. Papiloscopista. Analistas de Orçamento e Planejamento. ANCINE.

fundações. com personalidade jurídica de direito público. empregados públicos e terceirizados via convênio. patrimônio e autonomia administrativa e cujas despesas são realizadas diretamente através do orçamento da referida esfera. além dos órgãos subordinados. suas subsidiárias. Fundação pública: a entidade dotada de personalidade jurídica de direito publico. e não são sociedades de economia mista. No caso das que não foram criadas após autorização legislativa.a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias. CF . seus ministérios. XII. . direta ou indiretamente. dependendo de sua criação ter sido ou não autorizada por lei. criada em virtude de autorização legislativa. secretarias. Sociedades de economia mista: a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado. criado por lei específica para a exploração de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por força de contingência ou de conveniência administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito. estadual ou municipal. pois não decorreram de autorização legislativa. A administração indireta caracteriza-se pela descentralização administrativa. federal. 37.[9] Empresas controladas pelo Poder Público podem ou não compor a Administração Indireta. que é uma distribuição interna de competências. temporários. a participação de outras pessoas jurídicas de direito público interno. 4 Administração direta e indireta Administração direta é aquela composta por órgãos públicos ligados diretamente ao poder central. Empresa pública: a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado. fundações. sem fins lucrativos. será admitida. ou seja. São exemplos as autarquias. criada por lei para a exploração de atividade econômica. gestão administrativa e financeira descentralizada. sociedades de economia mista. patrimônio e autonomia administrativa e cujas despesas são realizadas através de orçamento próprio.[7] São essas as características das entidades pertencentes à administração indireta:[8] Autarquias: serviço autônomo. sem a delegação a uma pessoa jurídica diversa. São os próprios organismos dirigentes. os servidores não estruturados em carreiras (integrantes do Plano de Classificação de Cargos de 1970). Existem subsidiárias que são controladas pelo Estado. para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público. que requeiram. bem como de entidades da Administração Indireta da União. e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes.Administração pública Há. e sociedades controladas. Não possuem personalidade jurídica própria. empresas públicas e sociedades de economia mista. como neste exemplo: "Art. para executar atividades típicas da Administração Pública. de 1969: Desde que a maioria do capital votante permaneça de propriedade da União. Conforme dispõe o art 5º do Decreto-Lei nº 900. criado por lei. de forma indireta. para seu melhor funcionamento. Distrito Federal e Municípios. a competência é distribuída de uma pessoa jurídica para outra. com autonomia administrativa. empresas públicas. pelo poder público". ainda. com patrimônio próprio e capital exclusivo da União. elas só se submetem às derrogações do direito privado quando seja expressamente previsto por lei ou pela Constituição Federal de 1988. patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção. cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a entidade da Administração Indireta. dos Estados. Caracterizam-se pela desconcentração administrativa. no capital da Empresa Pública. sob a forma de sociedade anônima. Administração indireta é aquela composta por entidades com personalidade jurídica própria. patrimônio e receita próprios.

fomentar e fiscalizar determinadas atividades privadas (ANCINE). Tem por objeto a fixação de metas de desempenho para a entidade administrativa. Não há muitas diferenças em relação à tradicional autarquia. ANVISA]] e ANS]]). também por meio de decreto. otimizar e aperfeiçoar a prestação de serviços públicos. ANTAQ). Se a entidade autárquica ou fundacional descumprir as exigências previstas na lei e no contrato de gestão. Podemos citar como exemplos como agências executivas o INMETRO (uma autarquia) e a ABIN (apesar de ter o termo "agência" em seu nome. Nota-se que a Constituição Federal faz referência a "órgão regulador". são pessoas jurídicas de direito público interno e consideradas como autarquias especiais. Essas entidades podem ter as seguintes finalidades básicas: • • • • fiscalizar serviços públicos (ANEEL.[10] Sua função é regular a prestação de serviços públicos. tais agências detêm prerrogativas especiais relacionadas à ampliação de sua autonomia gerencial. a qual se compromete a cumpri-las. 37. O poder público poderá qualificar como agências executivas as autarquias e fundações públicas que com ele entabulem um contrato de gestão (CF. a não ser uma maior autonomia financeira e administrativa. • tenham celebrado contrato de gestão com o ministério supervisor. orçamentária e financeira das entidades da Administração Indireta. poderá ocorrer sua desqualificação. não podem editar atos normativas primários (leis e similares). sob o regime de concessão ou permissão. administrativa e financeira. ANAC. exercer atividades típicas de estado (ANVS. Possuem certa independência em relação ao Poder Executivo.649/1998 (art. motivo pelo são chamadas de "autarquias de regime especial".[10] Seu objetivo principal é a execução de atividades administrativas. São requisitos para transformar uma autarquia ou fundação em uma agência executiva: • tenham planos estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento.[11] . organizar e fiscalizar esses serviços a serem prestados por concessionárias ou permissionárias. 51). regulamentar. § 8º) e atendam a outros requisitos previstos na Lei 9. Sua principal função é o controle de pessoas privadas incumbidas da prestação de serviços públicos. mas um órgão público). não utilizando o termo "agência reguladora". O contrato de gestão celebrado com o Poder Público possibilita a ampliação da autonomia gerencial. nos prazos acordados. Agências reguladoras As agências reguladoras são autarquias de regime especial. integrantes da Administração Pública Direta ou Indireta. art. mas tão somente atos secundários (instruções normativas).Administração pública 5 Agências reguladoras e executivas As agências executivas e reguladoras fazem parte da administração pública indireta. não é uma autarquia. com o objetivo garantir o direito do usuário ao serviço público de qualidade. ANTT. Tais agências têm poder de polícia. ou até mesmo órgãos públicos. Celebrado o precitado contrato. além de seus diretores serem eleitos para mandato por tempo determinado. Agências executivas São pessoas jurídicas de direito público ou privado. que podem celebrar contrato de gestão com objetivo de reduzir custos. controlar e fiscalizar atividades econômicas (ANP). podendo aplicar sanções. Nelas há uma autonomia financeira e administrativa ainda maior. Embora tenham função normativa. o reconhecimento à respectiva autarquia ou fundação pública como agência executiva é concretizado por decreto. Sendo "autarquias de regime especial". que regulam as atividades econômicas desenvolvidas pelo setor privado.

aplicando-a a uma região autónoma (exemplos: Administração Regional dos Açores e Administração Regional da Madeira).serviços com competência em todo o território nacional (exemplo: Direção-Geral de Administração Interna). com natureza patrimonial (exemplo: Serviços Sociais da Polícia de Segurança Pública). Administração indireta do Estado A administração indireta do Estado constitui o segundo grupo e reúne as entidades públicas dotadas de personalidade jurídica e autonomia administrativa e financeira.serviços regionais com zona de ação limitada a uma parcela do território nacional (exemplo: Direção Regional de Educação do Algarve). Este grupo pode ser subdividido nos seguintes grupos: • Serviços personalizados .pessoas coletivas de natureza institucional dotadas de personalidade jurídica (exemplos: Instituto Nacional de Estatística e Laboratório Nacional de Engenharia Civil). • Fundos personalizados . serviços e agentes do Estado que visam à satisfação das necessidades coletivas. Cada uma das entidades deste grupo está associada a um ministério. mas por serem conseguidos por entidades distintas do Estado diz-se que é "administração indireta". . • Administração local (autónoma) . aplicando-a a um nível local (exemplos: Município do Porto e Freguesia de Alcântara). Este grupo pode ser divido em: • Serviços centrais . com fim lucrativo. Por prosseguir objectivos do Estado.copia a organização das administrações direta e indireta do Estado. • Entidades públicas empresariais .pessoas coletivas de natureza associativa criadas pelo poder público para assegurar a prossecução dos interesses não lucrativos pertencentes a um grupo de pessoas que se organizam para a sua prossecução (exemplo: Ordem dos Engenheiros). • Associações públicas .pessoas coletivas de natureza empresarial. com total capital do Estado (exemplos: Hospital de Santa Maria e Hospital Geral de Santo António). que se designa por "ministério da tutela". instituídas por ato do poder público.copia a organização das administrações direta e indireta do Estado.Administração pública 6 Portugal A Administração Pública Portuguesa pode ser categorizada em três grandes grupos. • Serviços periféricos . reunindo as entidades que prosseguem interesses próprios das pessoas que as constituem e que definem autonomamente e com independência a sua orientação e atividade.pessoas coletivas de direito público. Estas entidades podem ser subdivididas em três categorias: • Administração regional (autónoma) . entram na categoria de administração pública. Administração autónoma A administração autónoma constitui o terceiro e último grupo. de acordo com a sua relação com o Governo: • Administração direta do Estado • Administração indireta do Estado • Administração autônoma Administração direta do Estado A administração direta do Estado reúne todos os órgãos. que visam a prestação de bens ou serviços de interesse público.

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