TERRA, UMA MÃE ESQUECIDA

(*)
Francisco Antonio Romanelli

Mais uma vez, com a vinda do segundo domingo de maio, comemoramos o dia das mães. Festividades. Abraços. Risos. Choros. Presentes... Homenagens e mais homenagens. Mensagens, cartões, flores, comerciais e notícias, muitas notícias. A mãe nos deu luz, vida e amor; carinho, renúncias, cuidados, ternura e alimentos. Foi quem nos gerou e nos nutriu, física, psicológica e espiritualmente. São justas as homenagens. Merecidas, apropriadas e apreciadas. Mas, como é habitual, uma mãe continua esquecida e carente das homenagens que merece: a Mãe Terra. Doa-se a nós, como qualquer mãe faz. Está se sacrificando, exaurida, vilipendiada, ofendida e degradada, com o risco da própria existência, para nos manter vivos. Não foi lembrada, nem homenageada, nem ao menos, nem por isso, pelo menos poupada um pouco dos ataques reais que lhe são desferidos, a golpes duros e impiedosos. Se não lhe posso render as merecidas homenagens, nem me comprazer daquelas que por outros filhos seriam prestadas, mitigo minha dor de inconsciência em uma oração: Querida Mãe, tu, que nos geraste no amor de tuas benditas dádivas, que nos nutres com a vida de teu sopro e a matéria de teu corpo; que nos dás calor, luz, alimento; que nos acolhes e abrigas na segurança de tua proteção, no carinho de teu aconchego, na confiança de tua provisão; tu, que nos concedes todas essas graças pela benignidade paciente e gratuita da grande Mãe que és; tu, que dás arrimo às obras da razão, aos vôos de sonhos e ideais

perdoa-nos. destruímos tuas belezas e fazemos desertos de teu solo. envenenamos a atmosfera e na ganância de adquirir poder e lucro nela depositamos elementos perniciosos a toda forma de vida. impiedosos. gentil. destruímos. que tão docemente nos concedeste para sangue de nosso corpo e para alimento de todos os teus rebentos. se depositamos detritos e sujeiras e escórias . perdoa-nos se pelo ar que nos concedes como alento e vida. arrancando com ganância. te degradamos. perdoa-nos se em troca de teu abrigo e de tua proteção nós desmatamos. perdoa-nos se em troca dos alimentos que. se cegamente. Perdoa-nos se subjugamos e oprimimos nossos semelhantes aviltando neles o milagre e a graça da vida que lhes concedeste. ferozes. que nos sustentas e amparas e nos conduzes com o carinho de teu amor em nossa viagem pelo universo infinito. tu. perdoa-nos se tornamos estéril e venenosa a abençoada água. nos ofereces. e tantas e tão profundas chagas te provocamos.que em ti são concretizados. perdoa-nos se. nós devastamos as tuas riquezas. matamos. dores e danos os frutos de tuas vísceras. ofendemos. queimamos. desastrados. nós. te violentamos todo o tempo.

só a mãe é capaz de sofrer. em cada um dos elementos de tua existência. Perdoa-nos. pelo filho. se lhes destruímos a dignidade.. perdoa-nos se por tantas bênçãos e dádivas que a cada segundo nos ofereces. e os humilhamos. em toda a tua extensão. em ti. pela esperança destruída. em troca te devolvemos todos esses e tantos outros sofrimentos.nos tapetes das habitações que em ti nos acolhem. perdoa-nos se em troca da abundância que nos concedes. perdoa-nos. pela instrução sonegada. nós fomentamos a miséria e a degradação física e moral dos que são mais fracos e menos afortunados.. . se puderes.nós não sabemos o que fazemos! ________________________________________________ (*) Redigido para as comemorações do dia das mães/2000 . e os aniquilamos pelas doenças não tratadas. porque. pela fome não satisfeita. Mãe.. perdoa-nos porque era de nossa obrigação e responsabilidade conhecer que enquanto houver um só ferimento na harmonia da Criação.. existirá a dor agoniante e o lamento angustiante que.

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