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Jogos CooperativoseaTerceiraIdade

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UNIMONTE CENTRO UNIVERSITÁRIO MONTE SERRAT

JOGOS COOPERATIVOS NA TERCEIRA IDADE

ANA PAULA PERON

PÓS – GRADUAÇÃO EM JOGOS COOPERATIVOS SANTOS
2002

Ana Paula Peron

JOGOS COOPERATIVOS NA TERCEIRA IDADE

Monografia apresentada à Banca Examinadora do Programa de Pós-Graduação em Jogos Cooperativos da UNIMONTE, como exigência parcial para obtenção do titulo de Especialista em Jogos Cooperativos

Orientadora : Márcia Perides Moisés

SANTOS
2002

SUMÁRIO

1 2 3

INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 7 SEGUINDO O CAMINHO............................................................................................ 14 O QUE É ENVELHECER ............................................................................................. 18 3.1 3.2 3.3 3.4 O ENVELHECIMENTO E SEUS ASPECTOS DEMOGRÁFICOS ....................... 22 EXPECTATIVA DE VIDA / LONGEVIDADE ...................................................... 23 ASPECTOS SOCIAIS DO ENVELHECIMENTO .................................................. 25 COMPORTAMENTOS – ATITUDES .................................................................... 28

4

O NOVO VELHO ........................................................................................................... 31 4.1 ENCONTRANDO A SUA TURMA... ..................................................................... 33

5 6 7

IDOSO E A ATIVIDADE FÍSICA ............................................................................... 36 EXPERIÊNCIA QUE NOS FAZ APRENDER E CRESCER ................................... 40 JOGOS COOPERATIVOS: UMA LIÇÃO DE VIDA ............................................... 42 7.1 DE ONDE VIERAM ESTES JOGOS? ..................................................................... 47

8 9 10 11

PORQUE O JOGO ? ...................................................................................................... 49 JOGOS COOPERATIVOS E UM ENVELHECER MAIS SAUDÁVEL... ............. 57 O INÍCIO DE TUDO... .............................................................................................. 60 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 63

entendendo o idoso como um Ser de múltiplas possibilidades. . 2002. vejo ser este um excelente momento para estudar sobre as práticas corporais na área do desenvolvimento e crescimento pessoal. a Psicologia. Este trabalho tem por finalidade apresentar levantamento e pontos de discussão sobre a aplicação dos Jogos Cooperativos em atividades corporais para idosos. englobando várias áreas de estudos como a Geriatria. abrindo portas para inúmeras possibilidades de trabalhos inovadores. A capacidade de mover-se. andar e atuar está ligada a esta percepção corporal. Com muitos estudos tratando das potencialidades das pessoas idosas. a Gerontologia. entre outras.25). Não basta simplesmente prolongar a existência: é necessário dar maior vida a estes anos.1 INTRODUÇÃO A ciência e a tecnologia têm o propósito de criar condições para uma existência mais prolongada. a Educação Física. Para iniciarmos qualquer consideração a respeito da terceira Idade é preciso ressaltar que o aumento da população de idosos tem propiciado enriquecer sobremaneira as pesquisas sobre o envelhecimento. p. o estar consciente e presente no corpo (Rosemary Rauchbach. Não basta simplesmente sobreviver: é necessário viver e participar da civilização.

Envelhecer com lucidez e dignidade. sonha. das cisões. pensa. Ele não é o simples objeto.09). não um destino que se encerra na inatividade e no isolamento. sonhar e a se desenvolver. que o idoso pode vivenciar sensações já experimentadas e esquecidas ao longo de sua vida. Através das experiências corporais. Contribuindo. . outra conversão. re-significar sua imagem corporal. Somos além do que pensamos. propõese vivências corporais para que o idoso possa. além dos dualismos. das dicotomias. entendo.. para a condução de novas investidas. Sobre este tema encontramos em Vargas (apud Meireles. acima dos dualismos e liberto das lógicas das ciências positivas. é a realização total da aventura humana no planeta em que vivemos e sobrevivemos. Mas acredito que o corpo é o caminho real para se chegar à alma. mas carregadas do significado de uma vida vivida que deseja se eternizar livremente com a força de quem começa a espiritualizar sua própria vivência. E eu acrescento: o corpo lúdico é o do velho que faz coisas não produtivas. A idade é apenas uma convenção social. novas propostas pessoais e novas argumentações e expectativas. trabalha e brinca. Não existe outra estrada. inclusive. das ideologias. p. (.) O corpo vivente está além do pensamento analítico. das tensões. em pleno corpo e em pleno espírito.O idoso tem muito a aprender. Sensações estas que o ajudaram a tornar-se o que é hoje. desta forma. texto que reputo ser da maior importância para este trabalho. Considerando-se a extensão da possibilidade de aprendizagem.. Descubro que envelhecer é um testemunho de amor à vida. Estamos além do corpo e da alma. outra inteireza: só o corpo leva à alma e ao mais humanamente divino de nós mesmos. 1997. Para Santini o corpo lúdico é o da “criança que faz coisas não produtivas”. dos dogmas. “O corpo vive.

. de servir os outros sem participar ativamente da vida de sua comunidade. Platão já falava sobre a velhice ser uma época de se desfrutar da sabedoria e espiritualidade elevadas. a cooperação pressupõe que todos ganhem juntos. também. Pouco ouviram falar sobre as possibilidades da cooperação (objeto de estudo deste trabalho). uma época de poucas possibilidades corporais. Embora. onde as perdas físicas eram tão dramáticas que faziam da velhice o mais terrível dos males. desqualificação do próprio prazer e a partir de uma supervalorização da produção ou do “ ser produtivo”. sobre a possibilidade de todos vencerem ou ainda sobre o quanto eles têm a contribuir na construção de um mundo melhor. mas da mesma forma pode-se afirmar que também existem ganhos. Um ser servil não é sinônimo de um ser participativo e cooperativo. é comum encontrarmos os que apenas aprenderam a aceitar a condição da passividade.Os idosos têm vivido sob o paradigma da competição exacerbada além de terem vivenciado. enquanto Aristóteles defendia ser esta a fase da decrepitude. a grande maioria conviveu com muita repressão. levando-os a um distanciamento da família e da sociedade. É inegável que ocorrem muitas perdas com o envelhecimento. dominação. sobre jogar junto por um objetivo coletivo. Que todos tenham oportunidades de estar uns com os outros e de Ser uns com os outros. os idosos tenham bastante competência para cooperar.

15) Quanto mais se enfraquecem os outros prazeres – os da vida corporal – tanto mais crescem. e seu desempenho em tudo está manifestamente aquém do que seria necessário. para poder desenvolver meu trabalho. tive que caminhar na busca por trabalhos multidisciplinares re-significando ou descartando minhas . Aristóteles Parece justo. minhas necessidades e alegrias.Podemos observar melhor sobre estas visões contraditórias em Meirelles (1997. Existem crenças que precisam ser construídas. A partir da própria transformação os idosos podem ajudar a transformar. que precisam ser descartadas. porque muitas vezes foram enganados. São muitos os exemplos de transformações vivenciadas por pessoas que acreditaram que podiam fazer diferente. a ingênua crença de que esta é a fase de “ pendurar as chuteiras”. Platão Porque viveram inúmeros anos. porque as coisas humanas são quase sempre. também. que podiam viver a partir de valores transformados e aprendidos na idade madura. Desta forma. do que da esperança. A mudança das crenças sobre o envelhecimento oferece um vasto campo para conquistas. no entanto. outras precisam ser resignificadas e outras. p. porque cometeram erros. ainda. em relação às coisas do espírito. más os velhos não têm segurança em nada. que saibamos valorizar ambos os aspectos. tanto o corpo quanto o espírito precisam ser estimulados e fortalecidos afim de que o idoso possa desfrutar de sua integralidade. Os mais idosos devem mandar e os jovens obedecer. Vivem mais da lembrança.

39). para o homem que envelhece é um dever e uma necessidade dedicar atenção séria ao seu próprio Si-mesmo. ser amado e respeitado. Inspirada. o Sol recolhe os seus raios para iluminar-se a si mesmo (apud Costa. a Neurolinguística. a Ginástica Holística e. a Meditação.crenças e entre os tantos caminhos encontrei-me com a Bioenergética.. também por Jung que diz: . a Psicologia. E mais. Falar de si mesmo e saber do outro.. São eles:  O idoso precisa viver sucessos – Criar espaço. Necessidade de pertencer a um grupo – Sair do isolamento e descobrir qual é a sua turma: um grupo de amigos que tem muito a aprender e trocar (e não um grupo de idosos ociosos). pertencer a um grupo.. 1998. Elegi alguns pressupostos que julguei pertinentes ao desenvolvimento de atividades que agregassem valores e que considerassem o ser humano por inteiro. com os Jogos Cooperativos. amar e respeitar. principalmente. . Depois de haver esbanjado luz e calor sobre o mundo.  Foco no positivo – Descobrir e reconhecer as situações e realizações positivas em sua vida e incentivar que seu foco se volte para suas conquistas pessoais. p.. oportunidades para que as pessoas vivenciem experiências de sucesso Os idosos precisam descobrir que são capazes de realizar-se plenamente.

Tomar às mãos suas escolhas. valorizar estas competências é reconhecer o Ser de cada um. de qualquer forma.  Reapropriação do corpo – Estabelecer um maior contato consigo mesmo. redescobrir o prazer através de seu corpo.  Redescoberta da alegria e da espontaneidade . e pode ser libertador descobrir que podemos aprender e conviver com estas diferenças.  Convivência e Crescimento a partir das diferenças – Quando envelhecemos tornamos ainda maiores as nossas diferenças. ou acreditando que ele volte a ser uma criança. porém jamais tratando o idoso como criança. com seus desejos.  Educação para o possível – A maneira como fazemos as coisas pode variar dependendo de nossas competências. a descobrir o prazer nas atividades corporais. .  Participação Ativa – Participar das ações e também dos processos decisórios. Tornando-se sujeito das próprias ações. respeitando o outro e nos fazendo respeitar. é preciso saber que muitas atividades que julgamos impossíveis não o são. Valorização das competências – Todos nós temos competências e podemos desenvolvê-las em qualquer tempo de nossas vidas. existindo somente a necessidade de adaptações. auxiliando assim.Entrar em contato com a nossa criança interior.

criando um clima de comunhão. afim de que possamos evoluir juntos. Foi caminhando de mãos dadas com estes pressupostos. especialmente na dor e na perda.  Auto-valorização – A partir do auto-conhecimento e da autoestima. Precisamos nos transformar enquanto sociedade e abrir nosso coração para a sabedoria e energia próprias do idoso. desconhecem o direito e a capacidade de fazerem parte do processo de transformação de si próprios e dos que os cercam.verdades que serviam para um outro momento da sua biografia. Abrir-se para o novo . Percebo. que os idosos são bastante solidários. que elaborei um programa de Atividades Corporais para a Terceira Idade. alegria e descontração. em meu cotidiano. desenvolver a auto-valorização. mas que podem não servir mais. Entretanto. é preciso abrir mão de “velhas estradas”. compromisso consigo e com o outro e principalmente. apresentando os Jogos Cooperativos como fundamento às atividades que realçassem os valores e as potencialidades dos grupos. velhos hábitos e costumes . Para que tenhamos algum sucesso na intenção de aprender sobre os idosos necessitamos estar conectados com o novo paradigma do envelhecimento: Envelhecer é estar em constante desenvolvimento. por vezes.abrir mão do velho – Para aprender novos caminhos. .

pois o trabalho com a ginástica feminina tinha como objetivo melhorar a performance e condicionamento físico e. buscar soluções além de promover atividades sociais.2001. Meu trabalho.73). . compreendeu-se que seria importante uma alteração destes objetivos. é ver o humano (Rauchbach. no caso do grupo de idosos. ansiedades. como professora de Educação Física para idosos. Em 1990. a Secretaria de Saúde de São Bernardo do Campo.2 SEGUINDO O CAMINHO Olhar para um corpo que traz expresso suas histórias. etc. devido às necessidades especiais desta clientela. grupos estes. A escolha deste tema. p. através do Departamento de Promoção Social. sob a coordenação da diretoria que responde pelas atividades comunitárias. tristezas. suas alegrias. que participavam de "pontos de encontro". iniciava a formação de grupos de terceira idade. como bailes. para discutir problemas. para a monografia. tem sido desenvolvido na Prefeitura de São Bernardo do Campo. teve seu ponto de partida na prática desenvolvida nos Centros Esportivos da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo. na Secretaria de Esportes deste Município. passeios e palestras. Quando se percebeu a necessidade da formação de uma turma especial para idosos. é ver além das medidas. mais precisamente.

e nesta época a idade mínima era de 45 anos porque poucas pessoas acima desta idade procuravam o Centro Esportivo. um número aproximado de 1500 alunos de terceira idade. portanto. O curso de Atividades Corporais para a Terceira Idade. Entre cursos. Para conseguir uma vaga. No ano seguinte já contávamos com o dobro do número de alunas. o que. democraticamente. hoje. Em 1992. dando igual oportunidade a todos os interessados. os alunos passam por um sorteio no início de fevereiro.Desde 1992 atendi. Ocorrendo. um aumento de profissionais atuantes na área. hoje. Com o crescimento do Projeto Pedagógico. fui convidada a formar um grupo de “Ginástica para Terceira Idade”. com duração de 70 minutos. consiste em aulas de educação física. tenho confiança que muito tenho aprendido com este maravilhoso grupo de pessoas tão especiais. de munícipes participantes. ministradas duas vezes por semana. cerca de 1200 alunos de terceira idade divididos em vários Centros Esportivos. assim como de locais de atendimento e conseqüentemente. garante a renovação das turmas a cada ano. a Secretaria de Esportes de São Bernardo do Campo atende atualmente. pessoalmente. . no Centro Esportivo da Vila Paulicéia. Iniciei uma turma com 20 pessoas. palestras e vivências.

principalmente fora do ambiente doméstico e  reintegrar o idoso no “processo da vida”. destacam -se :      incentivar a autonomia. entre os objetivos específicos propostos com a terceira idade. melhorar a auto-estima. melhorar as condições físicas para a realização das atividades da vida diária e  incentivar o convívio social. . É importante ressaltar que os objetivos gerais da educação física sempre estiveram presentes.   melhorar a força e flexibilidade. propiciar o auto-cuidado. são eles:  melhorar as capacidades cárdio-respiratória e cárdiocirculatória. ampliar as possibilidades de experiências vivenciadas pelos alunos. promover a auto-consciência. Com relação ao programa de curso. com o foco voltado para as possibilidades de transformação da realidade do idoso foi possível desenvolver um programa abrangente e diversificado.A partir de uma visão holística.

Até o início deste trabalho a literatura sobre atividade física para idosos era escassa e se limitava a estudos e pesquisas de alunos de pós-graduação de poucas universidades. No decorrer destes anos. . muitos estudos surgiram e espero que este trabalho. possa oferecer sua contribuição no sentido de ampliar as possibilidades de atuação na área das atividades corporais para idosos. também.

um dos maiores sábios da Índia: Shankara. Chopra. na mesma obra. mas que encontra respaldo em culturas distantes. Marcelo Antônio Salgado (1982) propõe que seja a velhice entendida como uma etapa da vida na qual. ocorrem modificações de ordem biopsicossocial que afetam a relação do indivíduo com o meio. diferente da juventude e da maturidade.Simone de Beauvoir. E cita ainda. que afirma que “as pessoas envelhecem e morrem porque vêem as outras envelhecer e morrer “. e deixando aberta ao indivíduo ampla gama de possibilidades . ainda estabelece o que chama de uma Alternativa Quântica para o envelhecimento que foge sobremaneira aos padrões adotados por nossa sociedade. . não é a conclusão necessária da existência humana. nós envelhecemos porque assim o aprendemos. Confort (1979) nos diz que “O envelhecimento é caracterizado pela incapacidade de manutenção da homeostasia em condições de sobrecarga funcional”. Para ele. em decorrência da alta idade cronológica. Chopra (1993) nos fala da “hipnose do condicionamento social” uma ficção na qual coletivamente concordamos em participar. mas dotada de um equilíbrio próprio. Nossos corpos vêm aprendendo como envelhecer com o passar dos tempos. é uma fase da existência.3 O QUE É ENVELHECER A velhice.

mas não cuidamos devidamente. deixamos sob chuva e sol sem proteção. não trocamos o óleo ou revisamos o motor. morre-se por conseqüência de várias doenças oportunistas. estragado. que sem receber os devidos cuidados passam a ter menor tempo de vida. mas dificilmente de velhice. envelhecer e morrer cria o fenômeno biológico que chamamos envelhecimento. segundo Chopra (1993). associada a crenças profundas de que somos destinados a sofrer. Chopra (1993) propõe que nossas idades podem ser medidas de três formas distintas:  Idade Cronológica: refere-se a quantos anos se tem segundo o calendário . ou mesmo não cuidamos dos pneus. Estudos gerontológicos evidenciaram que as pessoas idosas que concordam em adotar hábitos mais saudáveis aumentam sua expectativa de vida em dez anos. fazer com que o tempo se desloque rapidamente para frente ou até mesmo para trás. A crença cria a biologia. o homem contemporâneo raramente morre de velhice.Chopra (1993) define que nossa expectativa herdada de que o corpo deve se desgastar com o tempo. Nosso corpo é como um carro novo que nós compramos. É importante sabermos que. desta forma. está completamente corroído. podendo. em poucos anos este carro que deveria durar muitos anos. Vida é consciência em ação. Bortz (1995). O mesmo ocorre com nossos corpos.

Huet na década de 50. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) é definida pela idade cronológica. pelo que se entende.9). Desta forma podemos nos tornar mais jovens depois de anos de mudanças de estilo de vida. Entender a velhice sob uma ótica holística e multidisciplinar. p. Terceira Idade foi um termo criado pelo gerontólogo francês Dr. não é um princípio naturalmente constitutivo de grupos sociais. está certo. A velhice. 1998. e as pessoas precisam se dar conta de que as idades psicológica e biológica podem ser mudadas diminuindo sua idade composta.124). p. está certo também. nem um fator explicativo dos comportamentos humanos (Guita Gebert. (Bortz 1995. da seguinte forma (Costa. somente a primeira idade é fixa. entende-la somente como um processo de degeneração física é resultado de um olhar detido. O envelhecimento é uma profecia que se realiza a si mesma. pois.34): . Segundo o autor. Se você acredita que não consegue. para caracterizar pessoas com mais de 60 anos. Pesquisas Antropológicas demonstram que a idade não é um dado da natureza. única e exclusivamente. na ciência biológica. é uma categoria socialmente produzida. 2001. se acredita que consegue. Conseguimos o que determinamos. parece-nos mais apropriado. p. Idade Biológica: refere-se qual a idade do seu corpo em termos de sinais críticos da vida e processos celulares  Idade Psicológica: refere-se a idade que você sente que tem.

ainda. são muitas os conceitos encontrados sobre o início da velhice e segundo Alves Junior. na verdade. sinônimo de apatia e desânimo. “(. que também não chegam a um acordo sobre como querem ser chamados. Há muita controvérsia sobre a nomenclatura mais adequada e o termo Terceira Idade.  75 anos e acima. Segundo Fries (apud Néri. 1993. O envelhecimento individual é uma experiência heterogênea. Para outros é a consciência de seu momento atual como mais um capítulo de uma vida de realizações.. com interesse. por parte dos próprios idosos.    Meia-idade O idoso O velho O muito velho  de 45 a 59 anos. encontra muitas restrições.  90 anos ou mais Entretanto. 2002. que deve ser vivido com o mesmo empenho e amor das outras fases da vida. A incidência de diferentes patologias durante o envelhecimento normal.  de 60 a 74 anos.. onde qualquer tentativa de libertação parece em vão. cada fase. .37). a partir de suas circunstâncias histórico-culturais. uma conquista que deve ser vivida experimentando. A velhice é para alguns um aprisionamento. p.) São bastante mutáveis estas definições o que desqualifica qualquer aventura simplista e redutora que procura rotular as pessoas pela sua idade cronológica”. três fatores contribuem para esta variabilidade: 1. Para outras. A maneira peculiar como cada pessoa organiza seu curso de vida. 2. é um privilégio. principalmente.

5% da população em 1991 (11 milhões) poderão atingir 15% em 2025. . 3. Segundo o Plano Integrado de Ação Governamental para o Desenvolvimento da Política Nacional do idoso de 1997. entre 1950 e 2025 a população de idosos no Brasil crescerá 16 vezes. A interação entre fatores genéticos e ambientais. gerontólogos. p. e trabalhos acadêmicos. em seu espaço profissional. a faixa etária de 60 anos ou mais é a que mais cresce em termos proporcionais. cada qual. o que significa a atual proporção de idosos na maioria dos países da Europa estes dados colocarão o Brasil no 6º lugar mundial em número de idosos. professores de educação física. Segundo as projeções estatísticas da OMS. jornais. ao passo que a população total crescerá 5 vezes. Geriatras.3. Todo este interesse por assuntos pertinentes ao envelhecimento tem uma forte razão de ser.1 O ENVELHECIMENTO E SEUS ASPECTOS DEMOGRÁFICOS Considerando que o envelhecimento tem sido um tema vastamente discutido em vários setores da sociedade. 2001. muitas pesquisas têm sido veiculadas em revistas especializadas. Este crescimento é o mais acelerado do mundo.13). têm escrito e pesquisado sobre esta população de idosos. o principal impacto na composição etária na sociedade brasileira. na busca de oferecer mais subsídios para um amplo atendimento. Os idosos que representavam 7. com aproximadamente 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos (Rauchbach. tem sido proporcionado pelo aumento absoluto e relativo da população adulta e idosa. contribuindo. tendo em vista o aumento significativo do número de pessoas na faixa de idade acima de 60 anos. assistentes sociais. entre outros profissionais. psicólogos. com o objetivo de otimizar os trabalhos com esta população. nesta segunda metade de século.

o questionamento que se faz imperioso é: para que tipo de vida estamos caminhando? Nos últimos dez anos diversos estudiosos têm reconhecido a importância de um significado para a existência. . a fim de se obter satisfação pessoal. p. sem garantir à mesma algum significado. enquanto que a população jovem já se encontrava em processo de desaceleração. Para alguns cientistas. já atingimos nosso limite. Para outros. apud Néri. 1995. Foi somente a partir de 1960. e o elixir da longa vida ainda é uma aspiração que apaixona a muitos. não é a melhor resposta para o desafio do envelhecimento (Deps.Este crescimento populacional se deu principalmente na segunda metade deste século. que começou a ocorrer um aumento proporcionalmente maior do grupo com 60 anos ou mais. O crescimento da população idosa tem sido proporcionalmente maior nos países de terceiro mundo. Têm afirmado e constatado empiricamente que prolongar a vida.58). Entretanto. o homem pode chegar aos 200 anos. 3.2 EXPECTATIVA DE VIDA / LONGEVIDADE Sabe-se que a expectativa de vida tem sido largamente discutida.

Segundo Bortz (1995) nossa longevidade biogenética máxima é de 120 anos.7 anos de idade.1 anos e em 1980 atingiu 63. podemos dizer que teremos pela frente. enquanto que a partir de meados deste século até 1980 a expectativa de vida cresceu 20.20). a expectativa de vida era de 33. ou seja. joga por terra a crença de que sessenta anos é a idade de se “pendurar as chuteiras”. a população em geral. No Brasil. atingindo 43.5 anos. ela passou a 57. certamente. ela precisa ser ampliada e seu foco precisa estar voltado para a qualidade e o significado que se quer para este tempo de vida.5 anos. pelo menos. A expectativa média americana de 49 anos em 1900 saltou para 75 anos em 1990 o que equivale a dizer que o tempo de vida que ganhamos em menos de um século é o mesmo que as pessoas tiveram como o total de sua existência durante mais de quatro mil anos. p. Ramos e Papaléo Neto 1990. pois desde a pré-história até a Revolução Industrial. tinha um tempo médio de vida de 45 anos. mais 40 ou 50 anos.A luta por ampliar nossa vida não pode se restringir ao tempo. Nesta época somente 10% da população chegavam a 65 anos. mas hoje 80% vivem por tanto tempo (Schoueri Jr. o que. É incontestável que melhoramos sobremaneira as condições básicas para que pudéssemos obter resultados tão significantes do ponto de vista do aumento da expectativa de vida. Existem projeções feitas por especialistas norte americanos para o ano 2025 de que chegaremos aos 116 anos. entre 1900 a 1950. isto é. entretanto que em 50 anos. Considerando os dados de uma expectativa média de 70 anos.9 anos de idade em 1960.3 anos. cerca de um milhão de horas. no início do século XX.2 anos em 1950 e 55. . Na década seguinte. Observou-se. houve um acréscimo de apenas 9.

são todas as relações entre os homens que é preciso refazer. É o homem inteiro que é preciso refazer. o idoso é reverenciado por sua sabedoria.3. portanto. p. se quisermos que a condição do velho seja aceitável. são todas as relações entre os homens que é preciso recriar.3 ASPECTOS SOCIAIS DO ENVELHECIMENTO Não precisamos olhar nos olhos de um idoso para julgarmos seu passado. mantendo um importante papel na transmissão das tradições e dos conhecimentos do seu povo. Entretanto. Simone de Beauvoir trata com aparente pessimismo esta questão e nos remete às idéias de grandes pensadores. que traduzem com igual pessimismo a questão do envelhecimento. . A velhice denuncia todo o fracasso de nossa civilização. Ao percorrer seus depoimentos torna-se viva a imagem da velhice decadente. extremamente competitiva. nossa sociedade. não merece mais atenção. discrimina e marginaliza o idoso. Em algumas sociedades. 1997. reforçando a crença de que este cidadão é improdutivo e.17/07/97). Um homem não deveria chegar ao fim com as mãos vazias e solitário (Beauvoir apud Meirelles.23). mas com certeza é a oportunidade que nós temos para refletir sobre nosso futuro (jornal O Estado de SP .

cognitivas. Considerando o aumento da idade. a inércia é que é o sinônimo da morte. como também fazem parte das expectativas de pessoas de todas as idades em relação à velhice. da criança. Beauvoir nos brinda com a resposta para nossas inquietações com relação à velhice. com grande sabedoria e nos dá uma grande lição: A velhice não é um fato estático: é o término e o prolongamento de um processo. Seremos levados a concluir. Semelhante paradoxo desconhece a verdade essencial da vida: ela é um sistema instável no qual se perde e reconquista o equilíbrio a cada instante. doenças ou estados emocionais. Em que consiste este processo? Em outras palavras o que é envelhecer? Esta idéia se acha ligada à de transformação. os efeitos do declínio do nosso organismo podem ser minimizados ou agravados por condições como alimentação. que nossa existência é uma morte lenta? Certamente não. A lei da vida é mudar (Beauvoir. Estas perdas biológicas. utilização adequada da sua capacidade. é forçoso admitir que ocorre um aumento progressivo nas perdas. como o fizeram alguns. 1970. onde. do recém nascido. contracapa). Para Néri (1995). constitui uma incessante transformação. mesmo assumindo a possibilidade de ganhos e compensações de perdas desenvolvimentais na velhice. O idoso precisa de apoio para superar a tristeza e o desânimo que podem advir como efeitos do declínio do organismo e da diminuição da eficiência . Mas a vida do embrião.Da mesma forma. motivacionais e sociais são não só um dado objetivo e observável.

que se habituam a ver sua dignidade se deteriorar de forma brutal. sejam culturais. formando mais um gueto em nossa sociedade. É importante ressaltar que programas baseados em atividades que separam o idoso do resto do mundo. isolando os ditos idosos do contato intergeracional. 2001. Todavia. artísticas ou esportivas. tratando-o como parte de um grupo isolado.A participação neste tipo de vida associativa não deve se resumir a participação em bailes ou de atividades que infantilizem (Alves Junior. da sociedade. e muitas vezes da sua própria identidade. levem em consideração a importância da interação dos idosos e aposentados com pessoas de outras gerações. alem da solidão muitas vezes provocada pela perda dos familiares e amigos. A situação em que se encontra o idoso é somente mais um reflexo de uma sociedade injusta que segrega e discrimina. talvez seja o maior peso sobre os idosos. podem trazer a este idoso resultados inversos aos desejáveis. tantas perdas biológicas e psicossociais não podem e não devem ser traduzidas na perda da dignidade. Este. No Brasil têm se desenvolvido muitos projetos desde o início dos anos 90. Segundo Alves Jr. muitas vezes de forma segregativa.funcional. Para que vislumbremos uma melhoria para esta situação é imperioso que pensemos criticamente que não . como a perda do seu espaço dentro da família. 1998) e alienem os idosos dos problemas da sociedade a qual estão inseridos. Além disto o idoso se encontra também à mercê de outras perdas significativas. Defendemos que projetos de intervenção baseados em atividades de lazer.

precisamos de uma política específica para quem está idoso.91) os seguintes fatores psicossociais precisam ser considerados para determinar com precisão se o processo de envelhecimento está sendo acelerado ou retardado: Obs. dívidas  Preocupação habitual ou excessiva  Arrependimento por sacrifícios feitos no passado  Irritabilidade. p. ausência de amigos  *Insatisfação com o trabalho  Ter que trabalhar mais de 40 horas por semana  Dificuldades financeiras.4 COMPORTAMENTOS – ATITUDES Para Chopra (1993. Os itens precedidos de asterisco referem-se aos de maior importância. enraivecer-se com facilidade ou ser incapaz de exprimir a raiva que sente  Criticar demais a si mesmo e aos outros Fatores positivos que retardam o envelhecimento:  *Casamento feliz (ou relacionamento satisfatório)  *Satisfação no trabalho  *Sensação de felicidade pessoal . mas sim de uma política que pense o envelhecimento como um processo que se inicia desde muito cedo. 3. Fatores negativos que aceleram o envelhecimento :  *Depressão  Incapacidade de expressar emoções  Sentir-se incapaz para modificar-se e modificar os outros  Viver sozinho  Solidão.

é preciso saber que esta é só uma escolha e que . É possível aprender a viver uma velhice bem sucedida. entretanto. pois mudanças desta natureza exigem esforço e cuidados constante (Maturana apud Teixeira. aparentemente. isso o leva a experimentar novas possibilidades. Essas novas respostas podem ser mais satisfatórias e mais compensadoras que as antigas o que vai trazendo à pessoa uma forte necessidade de mudar de fato. mais cômoda a manutenção de nosso “script de vida”. viver de acordo com suas Como podemos observar são os fatores comportamentais os que mais aceleram o processo de envelhecimento. ela precisa comprometer-se com a questão e desejar muito. Portanto para uma pessoa mudar de fato.13). A crença sobre a decrepitude ou a falência do corpo necessita ser transformada. Uma mudança de atitude está extremamente vinculada a uma mudança de percepção. vivendo da forma como aprendemos a viver e perpetuando velhos comportamentos. hobbies satisfatórios  Capacidade de exprimir os sentimentos facilmente  Visão otimista do futuro  Sentir-se financeiramente possibilidades seguro. obtendo respostas novas do meio. É. p. a fim de continuar recebendo aquele tipo de resposta mais satisfatória. quando a pessoa percebe o mundo ao seu redor de uma forma diferente. Capacidade de rir com facilidade  Vida sexual satisfatória  Capacidade de fazer e manter amigos íntimos  *Rotina diária regular  *Rotina de trabalho regular  Tirar pelo menos uma semana de férias por ano  Sentir-se capaz de controlar a própria vida (pessoal)  Tempo de lazer agradável. tem a oportunidade de agir de forma diferente também. 2002.

. 1993. a mente tende a reforçar seus velhos hábitos e cada vez se deixar prender mais e mais pelos condicionamentos (Chopra. nos roubam a possibilidade de fazermos escolhas positivas que nos tirem do círculo vicioso da estagnação e de comportamentos auto-destrutivos. pois deixada por conta da inércia. por vezes.outras possibilidades se delineiam. Ao tomarmos consciência desses comportamentos. Nossas programações internas. Permanecer aberto às mudanças. assim como das novas possibilidades. aceitar o novo e dar as boas vindas ao desconhecido é uma escolha que envolve talentos pessoais definidos. abrimos portas para superar o maior inimigo da transformação que é o hábito.95). desde que se esteja pronto a caminhar e encontrar novos rumos. Chopra novamente nos ajuda a compreender esta questão: A capacidade de adaptação pode ser definida simplesmente como liberdade para pensar ou agir sem condicionamentos. p.

Da mesma maneira. Embora exibissem alguns dos sinais aceitos da velhice . doentes e pobres. havia fatos igualmente melancólicos: apenas uma de cada dez pessoas vivia até os 65 anos antes deste século (. esclerosadas.frágeis.. mental e social.73).se é que viessem a atingir .pressão arterial e colesterol elevados e tendência à obesidade. que se caracteriza pelo estudo do declínio e das perdas de potencialidades morfo-funcionais do homem.. o estudo do envelhecimento psicológico. 1998.. os médicos começaram a notar pacientes de 60 e 70 anos cujos corpos ainda funcionavam com o vigor e a saúde da meia idade.não havia nada de senil naquela gente.física. Distintamente do estudo do envelhecimento biológico. e intenso progresso da ciência médica (Chopra. . A partir de um novo conceito sobre o envelhecimento (Okuma. Nossos conceitos sobre o envelhecimento têm sido drasticamente modificados no decorrer das duas últimas décadas. No início dos anos 70.4 O NOVO VELHO Felizmente.) A “nova velhice” entrou em cena após mais de meio século de condições de vida melhorada.. p. vista cansada e audição reduzida . A nova velhice como veio a ser chamada . Por séculos e séculos as pessoas esperavam atingir a idade avançada . Para reforçar esta perspectiva melancólica.havia nascido (.) A “velha velhice” fora marcada por declínios irreversíveis em todas as frentes . atualmente tem como foco de atenção não às perdas. Estas pessoas se alimentavam moderadamente e cuidavam de seus corpos. destaco outras considerações igualmente positivas sobre os novos conceitos a respeito do envelhecimento. p.81). mas às mudanças que podem ser descritas em termos de ganhos ou perdas. somos convidados à reflexão por novos rumos sobre os estudos do envelhecimento a partir da psicologia do envelhecimento. socialmente inúteis. 1993.

Não sei o que pesa mais sobre os velhos: se a idade ou a idéia que eles fazem de si mesmo. . até pouco tempo atrás não ouvíamos falar dos ganhos decorrentes do avanço da idade e o envelhecimento encarado como uma fase de novas oportunidades. Entender e aceitar o idoso como um ser digno. além de um fato. Esta sociedade inclui os velhos que também precisam mudar a visão negativa sobre seu próprio envelhecimento. movidos pelo modo como são tratados. levados por idéias tantas vezes negativas que orientam o comportamento (Gaiarsa apud Pereira. O envelhecimento. saboreado a partir de uma ótica positiva. Encontramos nas palavras de Gaiarsa provocações para uma reflexão sobre a importância de transformar conceitos: Ser velho. encarando como um processo e não como um fim. mas. principalmente de mudar paradigmas. valorizando e exaltando seus aspectos positivos. hábitos. e esta questão está longe de simplesmente mudar a imagem do idoso. crenças. é função da sociedade como um todo. 1996. p.21). é uma idéia bastante nova em nossa sociedade. é um conjunto de convenções sociais da pior espécie.Os paradigmas sobre o envelhecimento nos foram criados a partir de uma sociedade de jovens que não previu seu próprio envelhecimento. atitudes e comportamentos. opondo-se ao envelhecimento como um prenúncio da morte é a grande transformação que buscamos. assim como criar oportunidades para que o idoso se sinta como um ser integrado ao seu meio e não simplesmente um peso para a previdência e principalmente para sua família. as reais características desta idade.

cotidianamente. nas relações familiares. é preciso que lembrar que somos frutos de uma educação voltada ao descarte do que é velho. no Brasil eles acentuam-se. Nós precisamos nos sentir fazendo parte de algum grupo ou comunidade. é através do outro que percebemos quem somos. 1999). com experiências vividas muito diversas umas das outras e com aprendizados igualmente diferenciados. somos levados ao não questionamentos das injustiças que são cometidas com os envelhecidos. da mendicância dos idosos. fazendo com que sintam que este mundo não lhe é próprio (Okuma. do sistema asilar. O idoso se diferencia muito de si mesmo e. 2002).4.1 ENCONTRANDO A SUA TURMA. Sobre este aspecto pode-se dizer que os idosos perdem a cada dia um pouco do contato com o mundo e por conseqüência perdem o sentido de afiliação. dos seus contemporâneos. levando a sociedade a aceitar como normal a volta ao trabalho de aposentados. De uma maneira geral. descartando tudo aquilo que representa o antigo. O envelhecimento pressupõe uma longa história de vida. os problemas que afligem a população idosa são universais. só valoriza o novo. Porém. do isolamento e do esquecimento dos mais velhos (Alves Júnior... . A sociedade de consumo da qual estamos inseridos. Nós existimos no convívio com o outro. O sentido de pertencer a um grupo é vital para o ser humano. Sem repensarmos o nosso passado. principalmente. Além disto. Podemos perceber os efeitos destas diferenças.

O desenvolvimento humano é atemporal. fazendo com que o envelhecer deixe de ser um drama na vida das pessoas. causando-lhe um grande mal. pois se os idosos já não fazem parte do mercado de trabalho. na verdade. O aprendizado destes novos valores deve proceder desde a infância.Para que haja mudanças estruturais e funcionais precisamos mudar as crenças sobre a velhice. Quando decidimos tomar às nossas mãos tarefas que julgamos não serem adequadas ao idoso estamos. colaborando com seu distanciamento do mundo e da necessidade básica do ser humano: a autonomia. é necessário que novos valores se estabeleçam com relação a esta nova visão em que esta fase da vida se apresenta. Contrapondo-se a este quadro percebemos que quanto maior a diversidade de atividades oferecidas aos idosos. assumir seu papel de agente na sociedade. dedicar-se à prática de atividades físicas ou artísticas. desenvolver trabalhos assistenciais. principalmente no que diz respeito ao próprio desenvolvimento e ao prazer. tanto melhor para aumentar sua . para que crianças cresçam olhando com orgulho e respeito para seus avós. enfim. portanto é desumano que façamos do envelhecer uma época de estagnação. Estudar. cuidar-se passa a ser plausível devido ao tempo livre em decorrência da aposentadoria ou dos filhos independentes. passam a ter mais tempo para se dedicar a outras atividades.

Sua auto-confiança e sua auto-estima se fortalecerão e.participação na sociedade. pois. conseqüentemente. . Ele terá aumentado seu sentimento de auto-valia. ele terá mais possibilidades de atuação. sua qualidade de vida se tornará cada vez melhor.

caminhar pelas ruas. foram relatadas melhoras nas atividades de vida diária (AVDs) como. relatam também melhoras nos relacionamentos familiares. fazer as tarefas de casa. reintegrando-se à sociedade (Rauchbah. menor valorização dos pequenos problemas rotineiros e melhora no relacionamento com o cônjuge. Contrariando esta crença.5 IDOSO E A ATIVIDADE FÍSICA A Atividade Física é um excelente caminho para que as pessoas se libertem de preconceitos. subir nos ônibus. Mas. 1999) Dr. E este diminuir de ritmo está. freqüentemente. a atividade física vem largamente sendo defendida como um excelente caminho para auxiliar os idosos a melhorarem suas competências e sua qualidade de vida. Em palestra proferida sobre o envelhecimento e a atividade física (Santos. percam complexos e redescubram a alegria e a espontaneidade. Jacob Filho relata que “Não existe nada que modifique a curva do envelhecimento com a magnitude da atividade física” Durante os programas de atividades físicas para idosos coordenados por mim. mais paciência. cuidar-se com atividades de higiene pessoal. . associado à ociosidade ou sedentarismo. 2001.15). p. O velho paradigma sobre o envelhecimento nos diz que esta é uma época em que se diminui o ritmo ou se aposenta.

15 que se consideram mais felizes. realizada neste centro esportivo. de um curso anual com duas sessões semanais de 70 minutos cada. as palavras mais citadas. Foram 99 questionários respondidos com abreviadas opiniões.Em 2000 realizei uma pesquisa com alunos de duas turmas do curso de educação corporal para a Terceira Idade. De maneira suscinta cada participante deu foco ao que mais lhe interessou. Entre outras falas importantíssimas. pude colocar como critério de seleção de dados. 20 alunos disseram ser muito bom para a saúde. Desta forma obtive os seguintes dados: 9 alunos manifestaram mudança no comportamento e 10 que mudaram o modo de viver. esquecem os problemas e se sentem mais leves. significa em sua vida? Esta pergunta permitiu que todos os participantes da pesquisa respondessem conforme suas próprias percepções quanto ao aspecto físicomotor. Assim sendo. 14 disseram sentirem satisfação. 9 disseram que a atividade exercita a mente e o corpo. 8 perceberam que os dias que lhe restam tem mais valor agora. considerando seu sentido no contexto do programa. 7 que modificaram seu comportamento no ambiente familiar. O grupo contemplava 99 alunos. Uma pessoa relatou que antes não queria mais viver e agora valoriza cada dia de sua vida. 14 que se divertem. 13 sentiram aumentado o grau de amizades. A pesquisa se deu a partir de um questionário que continha uma só pergunta: O que a atividade corporal. 13 manifestaram se sentirem muito bem. afetivo-social ou orgânico. realização e mais disposição e 4 não têm mais a depressão. mas .

. e isto está expresso em seu rosto. um local de acolhimento e amizade. De grandes risadas e de fortes vínculos. na prática. Quanto mais descontraído e feliz está o idoso.) Reconhece-se sua forte relação com o bem estar psicológico. mais facilmente consegue se superar. O grupo passa a ser um porto seguro. Na redescoberta de suas possibilidades corporais e na aceitação de suas eventuais limitações o idoso se redescobre um ser humano livre. ao participarem de atividades corporais passam a dar um novo sentido para suas vidas fazendo deste o seu grupo de amigos. que pessoas que estão seguras de que dispõem das competências necessárias para um adequado funcionamento intelectual. sem se preocupar com as diferenças. afetivo e social.. confiantes e que sentiram um tipo de paz interior. comumente indicado por sentimentos de satisfação. de pessoas com quem se pode Ser. o que se percebe. ou seja. p. por exemplo a de que se sentem mais desinibidas. em seu corpo (Rauchbach 2001. Sabe-se também.) Os benefícios da atividade física (.. físico.11). (. p. A descoberta das potencialidades está diretamente ligada ao estado emocional. felicidade e envolvimento.101). são beneficiadas no que tange à auto-estima e aos motivos de realização (Nery apud Okuma. . que se sentem eficazes.. é que os idosos. O mais importante na observação deste idoso é verificar se este tem prazer na execução do movimento. Enfim. Nas duas reflexões que seguem podemos entender melhor os efeitos da atividade física para o idoso e a importância da compreensão destes efeitos. um Ser que têm escolhas e por este motivo pode optar por viver de forma mais saudável e prazerosa.que não se repetem mais que 5 vezes está.

na atividade física os idosos voltam a tomar contato com seu próprio corpo e no contato físico consigo mesmo e com os companheiros de turma. afeto e autodescoberta. O prazer gerado pela "reapropriação" do corpo torna-se cada vez maior levando os idosos a se sentirem mais felizes e plenos. ele pode desfrutar do toque como linguagem de carinho. .Além disto.

senti a necessidade de ampliar minha atuação. deve ser encorajada a flexibilidade individual social (Néri. focalizando o auto-conhecimento e buscando elaborar aulas diferenciadas de uma rotina normal de educação física. como professora de educação física. Outra providencia relevante seria a educação continuada na vida adulta e na velhice. . p. A partir de minha experiência. apresentando propostas que considerei mais estimulantes do ponto de vista das relações com o mundo.6 EXPERIÊNCIA QUE NOS FAZ APRENDER E CRESCER Em primeiro lugar é essencial promover a saúde física ao longo do curso de vida. começaram a aparecer resultados positivos relacionados à liberação de movimentos. A inclusão sempre foi um ponto crucial para este trabalho. As aulas ficavam muito divertidas e desafiadoras. Incluindo oportunidades para treinamento compensatório. Finalmente. 1993. o trabalho foi ajustado conforme a avaliação feita pelos alunos. em pouco tempo. com o outro e consigo mesmos. mas não menos importante.47). todos os alunos podiam participar independentemente de seus problemas de saúde ou mobilidade. A metodologia e as estratégias pertinentes à educação física também eram desenvolvidas. dividindo espaço com novas técnicas. aumento de espontaneidade. Diversificando minhas aulas através dos Jogos Cooperativos. alegria e o sentido de grupo tomavam corpo. Em um processo de adaptação progressiva. no curso de atividades corporais para idosos.

. impedem o idoso de reconhecer o seu próprio ritmo e de descobrir os diferentes ritmos individuais para as diversas atividades diárias (Rauchbach. quando eu propunha um jogo e alguns alunos logo se dispunham a competir. p. 2001. Desta maneira. vivenciando desafios motores cooperativos.63). O sucesso destas aulas era evidente. solidariedade. tentando mostrar quem era o melhor do grupo. o sentido de amizade. todos princípios fundamentais para uma aula de educação física.. pode-se alcançar mudança de comportamento do grupo.Os exercícios dirigidos (calistênicos) ou conduzidos com certo vigor. respeito. sustentei a intenção de continuar buscando a cooperação e em um pouco mais de tempo uma solução vinha à tona. Eu estava segura de onde desejava chegar. Eram divertidas aulas sérias. inclusive aos olhos dos mais céticos e tradicionalistas. Já não se podia mais afirmar que aquelas aulas não eram sérias . Lembro-me das primeiras aulas... como uma descoberta cooperativa do grupo. cooperação e um vínculo amoroso muito grande. gerando novo conceito de trabalho grupal. Havia um comprometimento grupal crescente. . portanto.

Neste sentido. como se jogasse ou vivesse em sinergia e cooperação com os todos (Brotto .90). para que elas. em troca.2001. p. elevem e iluminem você. e nos fala da sua importância nas relações interpessoais. . harmonizar conflitos e realizar objetivos (. temos que nos educar a todos.7 JOGOS COOPERATIVOS: UMA LIÇÃO DE VIDA Num mundo que se convulsiona e onde a turbulência virou norma.. precisamos rever nossas ações. tanto quanto pela perpetuação de crenças ultrapassadas a respeito das relações humanas.. Para investirmos na sociedade que desejamos. ninguém joga ou vive tão bem.7). p. Brotto (2001) estuda vai a fundo nas questões sobre Jogos Cooperativos.15).. porque ninguém joga ou vive sozinho. já não existe mais o tempo de se falar em educação para crianças e adolescentes. 2000.). Para o autor: Tanto no jogo quanto na vida estamos permanentemente sendo desafiados a solucionar problemas. falar em Cooperação não é romântico nem quimérico. Somos os responsáveis pela transformação. Precisamos desenvolver uma consciência grupal e segundo Saraydarian (1990. o princípio básico da consciência grupal é ajudar a elevar e iluminar as pessoas. É vital que superemos o paradigma do individualismo e da competição exacerbada. p. É princípio (Neyde Marques apud Brotto. nossas práticas cotidianas e nossas crenças. Bem como. em oposição e competição contra os outros.

p. Pontes são criadas a partir do respeito do meu Ser e do Ser do outro. Nosso maior jogo é o jogo da vida que. Brotto (2001. Para Brotto (2001. Pontes são criadas a partir do momento em que vejo o outro como meu parceiro e não mais como um adversário. quando passo a jogar com o outro e não mais contra o outro. . propõe um modelo de Jeitos de ver-e-viver o jogo da vida.61).O conceito dos Jogos Cooperativos nos leva a desfazer as barreiras e construir pontes entre as pessoas. quando saio da solidão e da insegurança para a comunhão. quando passo do isolamento e do medo para o amor. capaz de transformar nosso condicionamento competitivo em alternativas cooperativas. podemos vivenciar os Jogos Cooperativos como uma prática re-educativa. diminuindo as distâncias criadas a partir de conceitos e ações discriminatórias.60). a partir de nossa consciência e abertura. p. poderá ser vivido baseado em uma nova prática – a cooperação. quando acredito num universo de abundância e não de escassez.

 Possível para todos.  Ilusão de vitória  Sucesso  Vitória às custas individual.  Habilidades de  Habilidades de relacionamento rendimento  Monótono.juntos. COMPETIÇÃO (Confronto)  Abundância X Escassez.  conformismo indiferença..  Obstáculo Conseqüência e Motivação Sentimentos Símbolo  Muralha Maslow (apud Orlick. (entre  Realização(para poucos)  Insegurança.  Ponte  Medo (para  Diversão (para alguns)... cumplicidade harmonia.Percepção / Ação Visão do jogo OMISSÃO (Individualismo)  Insuficiência..  Exclusão. Isolamento  Solidão.  Ativação.  Jogar CONTRA  Não jogar.  Dependência. p.  Opressão.  Parece possível só para um..  Alienação. contração. Objetivo O outro Relação  Ganhar sozinho. e raiva.94). frustração. atenção e  Tensão.  Ataque e Defesa. naturalidade . rivalidade e  Desconfiança  Jogar sozinho.  Inclusão.  Jogar COM. inimigo.  Troca e criatividade.  Satisfação.  Ganhar.  É impossível.  Interdependência.  Leve.  “Ser jogado”.  Amor  Alegria muitos).  Comunhão todos). simplicidade. Ação Clima do Jogo Resultado  Independência.  Adversário. COOPERAÇÃO (Encontro)  Suficiência.  Pesado.  Separação. dos outros e da natureza Espontaneidade. Compartilhado dos outros. “Tanto faz"  "Quem?"  Parceiro. stress e  Denso descontração. amigo.do outro. descreve as características mais representativas de pessoas saudáveis psicologicamente:   Aceitação de si mesmo.  Ganhar.  Vontade de  Acabar logo com continuar jogando. o jogo.. 1989.  “Cada um na sua”  Parceria e Confiança.

responsabilidade Senso de humor Percepção eficiente da realidade e boa relação com ela Resistência a cultuar a sociedade tal como ela existe Fortes padrões éticos e morais Capacidade de ter e gostar de experiências extremas Capacidade de apreciar a solidão e a privacidade Profundos sentimentos de identificação. Então. independência. . as ações são compartilhadas e os resultados são benéficos a todos Competição: é um processo onde os objetivos são mutuamente exclusivos. p.27) Cooperação: é um processo onde os objetivos são comuns.             Criatividade Constante espírito de renovação e apreciação das boas coisas básicas da vida Centralização nos problemas (em vez de no próprio ego) Relações interpessoais profundas e intensas Forte caráter democrático (e não autoritário) Autonomia. E que. ao contrário. autodeterminação. o fortalecimento de experiências competitivas podem nos desviar para padrões de comportamentos menos saudáveis do ponto de vista psicológico. as ações são individualistas e somente alguns se beneficiam dos resultados. simpatia e afeição pelos outros. Segundo Brotto (2001. podemos concluir que o fortalecimento das experiências cooperativas podem contribuir para a formação de indivíduos psicologicamente mais saudáveis.

. p.Para Saraydarian (1990. é um testemunho da ausência de sabedoria. relacionamentos e até o próprio Jogo. Esta dinâmica parte da convivência para a consciência e finalmente para a transcendência. p. o prazer e a aprendizagem de todos. É preciso experimentar para poder re-conhecer a si mesmo e aos outros. Desta forma entendo que o processo de aprendizagem se dá de maneira integral.1990.  Transcendência: Ajudando a sustentar a disposição para dialogar. . fazendo-nos agentes da transformação que desejamos.  Convivência: Ter a vivência compartilhada como o contexto fundamental para a aprendizagem. (. incentivando-os a refletir sobre a vivência do Jogo e sobre as possibilidades de modificar comportamentos. p. Para o ensino-aprendizagem dos Jogos Cooperativos..  Consciência: Criando um clima de cumplicidade entre os praticantes.39). “Cooperação é uma inclusividade sempre progressiva no interesse de todas as partes envolvidas”. testemunho de que as pessoas não questionam o suficiente para encontrar alternativas para divergências.63) propõe uma dinâmica de que considera como um dos principais eixos da Pedagogia da Cooperação. as transformações desejadas. Brotto (2001. guerra e derramamento de sangue (Saraydarian.40). decidir em consenso.) cada omissão na cooperação. na perspectiva de melhorar a participação. experimentar as mudanças propostas e integrar no Jogo e na vida.

na cultura ocidental. Considera-se que o início da sistematização dos Jogos Cooperativos se deu na década de 50.1 DE ONDE VIERAM ESTES JOGOS? Os JOGOS COOPERATIVOS começaram há milhares de anos quando membros de comunidades tribais se uniam para celebrar a vida (Terry Orlick. Jim Deacove. Temos competido em lugares. deveríamos. são outros importantes nomes nas pesquisas e ações com os Jogos Cooperativos.45). Temos agido assim como se fosse a única opção (Brotto. apud Soler. p. mais especificamente. Com dois livros publicados – Jogos Cooperativos – Se o Importante é Competir o Fundamental é Cooperar! (1997) e Jogos Cooperativos – O jogo e o . David Platts e Dan Davis. p. na sociedade moderna. 2002.19). Considerada como um valor natural e normal na sociedade humana. Assim como o livro Jogos Cooperativos Teoria e Prática de Guillermo Browm (1994). nos Estados Unidos através do trabalho de Ted Lentz em suas pesquisas para a paz. 2001. e muito menos.7. Os Jogos cooperativos surgiram da preocupação excessiva com a valorização dada ao individualismo e à competição exacerbada. O canadense Terry Orlick é um dos principais autores sobre o tema e seu livro Vencendo a Competição (1989) é reconhecida fonte de conhecimento e inspiração sobre os Jogos Cooperativos. a competição tem sido adotada como uma regra em praticamente todos os setores da vida social. com pessoas e em momentos que não precisaríamos.

os Jogos Cooperativos tem se tornado uma importante fonte de inspiração e estudos para as várias áreas do conhecimento humano. divididas em 4 grupos por Brotto (2001. depois com a criação do Projeto Cooperação em 1992. na década de 80.46): Organizações. A partir do seu trabalho iniciado na Universidade de São Paulo. assim como dos Festivais de Jogos Cooperativos e da criação do curso de PósGraduação Lato Senso em Jogos Cooperativos podemos. atualmente.Fábio Otuzi Brotto é a maior expressão na divulgação e estudos sobre os Jogos Cooperativos. cuja organização é dedicada à difusão dos Jogos Cooperativos e da Ética da Cooperação. Mas. hoje no Brasil. Educação. Comunidade e Descoberta Pessoal. encontrar muitos focos cooper-ativos.Esporte como exercício de convivência (2001) . p. .

61). e isto se manifesta de maneira ainda mais dramática no ambiente de trabalho. . 2002. O sentimento de aceitação parece ser uma condição necessária para a diversão e geralmente vem junto com ela. Nos Jogos e nos Esportes. Partilhar experiências torna a diversão ainda maior. Ao longo de suas vidas as pessoas são tolhidas do direito de imaginar.103). p. apud Nori. por isto mesmo. faz parte da natureza humana. e por conseqüência podemos manifestar o que há de melhor em nós. primordial. E a imaginação. A imaginação está para o homem como uma função básica. O jogo é a manifestação da criatividade e da imaginação.1989. p. por sua vez. A ajuda mútua e a interação positiva criam condições para a diversão.“entrar na brincadeira” significa entrar no simbólico. assim como a visão para uma águia. como seu dom natural. Para que a diversão possa florescer . nos bancos escolares alunos são levados a abandonar alegria e criatividade na busca por suas competências. manifestamos verdadeiramente quem somos. na cooperação e no divertimento. a audição para um morcego. O brincar. os grilhões do medo de fracassar devem ser removidos.8 PORQUE O JOGO ? Para o ser humano. ter a capacidade de superar os significados das coisas concretas e manipulálas em novos arranjos. como na criação ou transformação dela (Alba Zaluar. na fase adulta. é uma atividade básica. de fantasiar. Quando jogamos. tanto na socialização de qualquer cultura. contribuiremos com algo de grande valor para a qualidade de vida de nosso filhos (Terry Orlick. se pudermos focalizar nossa mente na auto-aceitação.

A vivência corporal produz um saber cinestésico.04). o jogo nos permite elaborar um grande acervo de respostas mentais e corporais para diversas situações e da capacidade de generalização de cada um dependerá a aplicação desta vivência do jogo nas ações cotidianas. pais. p. tios.. a capacidade de extrair aprendizagens de quaisquer simulações e transferi-las para outras circunstâncias em que os mesmos elementos estejam contidos (Vila . de engenharia e de convivência. o cérebro não faz distinção entre o real e o imaginário.. A alegria. 2002. como nosso cérebro não distingue o que é real e o que é imaginário. e enquanto nos divertíamos produzíamos verdadeiras obras de arte. experimentar. imprimindo em nosso corpo respostas e soluções acessíveis para os momentos de solicitação.) conforme estudos de neurociência . .E eu tomo a liberdade de acrescentar que também terá grande valor para a qualidade de vida de nossos irmãos. a espontaneidade e o riso nos trazem para dentro de nós mesmos e entramos em contato direto com o tempo em que podíamos criar. Numa situação de simulação.. ele responde da mesma forma como se fosse uma situação real. amigos. É preciso lembrar que o aprendizado se dá a partir de quem aprende e não de quem ensina. avós. Quando jogamos nosso corpo está vivenciando as situações do jogo e. É por isto que acordamos de um pesadelo com as mesmas reações fisiológicas e psicológicas que teríamos se a experiência fosse real.ciência que estuda o funcionamento da mente -. (. portanto..) O cérebro tem. Falcão. etc. (.

Através de modelos positivos nós podemos ajudar a construir valores de convivência e conviver é antes de tudo saber que o outro não é igual a mim e, portanto pode agir de forma diversa. Para Brown (1994, p.24), “Nos jogos podemos ir desenvolvendo certas atitudes que são importantes”:

A empatia – é a capacidade de pôr-se no lugar do outro – a raiz da palavra significa sinto contigo. A cooperação – é a capacidade de trabalhar em prol de uma meta comum. A estima – é a capacidade de reconhecer e expressar a importância do outro: suas percepções, suas contribuições e suas necessidades. A comunicação – é a relação do diálogo: o intercâmbio dos sentimentos, conhecimentos, estima, problemas e perspectivas.

Os jogos que jogamos, por toda a vida, podem dizer respeito ao outro à medida que aprendo que o outro joga comigo, que preciso dele para viver este momento, que posso compartilhar com ele momentos de alegria e que juntos podemos jogar melhor.

Gostaria de destacar, dentre as várias dimensões da convivência oportunizada pelo Jogo, aquela que nos permite aperfeiçoar a convivência com os outros existentes dentro de nós mesmos. Cuidar desse relacionamento íntimo, procurando conhecer, aceitar e dinamizar harmoniosamente os aspectos da nossa própria personalidade é uma das principais atenções sinalizadas pelos Jogos Cooperativos. Por isso, o Jogo é tão importante para o desenvolvimento humano em todas as idades. Ao jogar, não apenas representamos simbolicamente a vida, vamos além. Quando jogamos estamos praticando, direta e profundamente, um Exercício de Co-existência e de Re-conexão com a essência da Vida (Brotto,2001, p.11).

Quando analiso questões que ouço, mais freqüentemente, sobre os Jogos Cooperativos posso perceber que muitas das dúvidas estão diretamente ligadas à crença de que só é possível jogar se alguém vencer ou perder o jogo. Entretanto, se houver uma compreensão do jogo como uma manifestação ampla do relacionamento humano, passaremos a entender que jogo não é sinônimo de esporte, e tampouco de competição. O jogo está muito além desta concepção que, em muitos momentos, lhe é atribuída. Nesta forma ampliada da visão do jogo estão inseridos os Jogos Cooperativos. Entendendo a diferença básica entre cooperação e competição, podemos dizer ainda que os objetivos por vezes podem se confundir na simples elaboração de um jogo, podemos ter cooperação num jogo competitivo e podemos ter competição num jogo cooperativo. Precisamos, portanto, estar atentos às infinitas possibilidades dos jogos assim como às possibilidades humanas de competir e cooperar. Observemos o que acontece na prática quando pessoas são incentivadas a competir indiscriminadamente, ocorre a inversão dos valores e a transformação da vida. As relações pessoais e cada ato humano é transformado em atitude competitiva. Atitudes hostis e por vezes violentas são aceitas como normais sob a alegação de que o importante é o resultado, é preciso competir e ganhar sempre.

Desta maneira, em nossas ações cotidianas, já se tornou bastante difícil escolher formas cooperativas de convívio. A reprodução irracional de padrões comportamentais se reflete na destruição das relações pessoais por atitudes competitivas sem que isto seja necessário ou desejável. Na defesa da idéia de que precisamos ensinar a competir caso contrário não estaremos preparando as pessoas para a vida, nós educadores estamos incentivando um clima de animosidade, rivalidade e violência cada vez mais acirrado. Sabemos que valores como fraternidade, compaixão, entendimento, e solidariedade entre as pessoas são imprescindíveis para a construção de um mundo melhor. Sendo assim, precisamos rever nossos conceitos e objetivos, pois nossa prática tem caminhado na direção oposta deste nosso desejo de um mundo melhor. Vamos nos lembrar do pressuposto básico da competição que é o de um vencedor e um perdedor e num processo de generalização vamos pensar em quantos são estes perdedores e quantos são os vencedores. Pouquíssimos vencedores para milhares de perdedores. E como diz Orlick (1993) “em breve seremos todos perdedores”.

merece uma reflexão: o que realmente aprendemos quando perdemos. eu posso ensinar alguém a perder e ele poderá se tornar um bom perdedor. Acredito que podemos transformar nossa prática a partir da consciência dos atos que. de menos valia. de revolta. de incompetência de raiva e de medo? O que realmente estamos ensinando aos perdedores. A quem interessa ser um bom perdedor ? Na transformação para um mundo melhor acredito nas inúmeras possibilidades dos Jogos Cooperativos e na superação desta lógica competitiva que nos é imposta. motivação? Ou será de frustração. e o que estamos ensinando aos vencedores? Será que os que vencem são melhores e valem mais do que os que perdem? Da mesma maneira como posso ensinar alguém a pintar. mas que devem ser objetos de nossa reflexão para escolhas mais positivas em nosso processo de aprendizagem para viver uma Comum-Unidade. Portanto é importante que estejamos preparados para fazer nossas escolhas e responder por elas. . p. qual nossa sensação diante da perda? Auto-estima elevada. ajudando-o a tornar-se um bom pintor. entendemos por adequados. encorajamento. Como diz Brotto (2001. costumeiramente.A ilusão que precisamos aprender a perder é um mito e como tal.99) “Escolher é sempre uma atitude pessoal e uma ação interpessoal”.

O esporte como um fim em si mesmo é orientado para atletas e a função maior das nossas atividades enquanto educadores.A visão do jogo como uma manifestação primária das relações humanas. No meu entender o esporte pode e deve ser usado como um meio. . festas e comemorações têm outro caráter que não o competitivo. na maioria das vezes. mas jamais como um fim para a educação ou mesmo para a educação física. vêm permeadas por campeonatos. torneios e festivais com jogos de competição. Nas salas de aula o mesmo ocorre quando. Alinhados no compromisso com nossos objetivos enquanto educadores. somos convidados a refletir sobre as diferenças básicas entre o jogar cooperativamente e o jogar competitivamente do ponto de vista da nossa percepção e da nossa ação no jogo. sendo assim pode servir apenas como uma ferramenta para nosso trabalho. a inclusão e a integração precisamos rever estas atividades que. inadvertidamente. nas escolas. dizemos aos nossos alunos que serão premiados pelo melhor desenho ou pela melhor redação. deve ter seu horizonte ampliado e é necessário que se entenda que o esporte é tão somente um tipo de jogo. é orientar para se viver corporalmente da forma mais ampla possível. também que gincanas. pois se queremos incentivar a participação. Entendo. por um concurso de beleza ou mesmo pela vitória numa olimpíada.

Para cada um o jogo é um caminho de coevolução. onde não existe a intenção da oposição de uma forma ou outra de jogo. p. proposto por Walker (apud Brotto. mas sim da ampliação da nossa percepção sobre as dimensões do jogo.Segue um quadro de Percepção /Ação. Os jogadores não se solidarizam e ficam felizes  quando alguma coisa de  “ruim”acontece aos outros Pouca tolerância à derrota desenvolve em alguns  jogadores um sentimento de  desistência face às dificuldades Poucos se tornam bem sucedidos A       JOGO COOPERATIVO São divertidos para todos Todos têm um sentimento de vitória Há mistura de grupos que brincam juntos criando alto nível de aceitação mútua. 2001. JOGO COMPETIVIVO       São divertidos apenas A maioria tem um sentimento de derrota Alguns são excluídos por sua falta de habilidade Aprende-se a ser desconfiado Os perdedores ficam de fora do jogo e simplesmente se tornam observadores.56). . Desenvolvem autoconfiança porque todos são bem aceitos habilidade de perseverar face às dificuldades é fortalecida. Todos participam e ninguém é rejeitado ou excluído Os jogadores aprendem a ter um senso de unidade e a compartilhar o sucesso.

voltemos nossa reflexão para a questão das escolhas para uma nova etapa da vida e imaginemos pessoas idosas. enquanto outras os tornam impraticáveis (Editorial em Rain: The Journal of Appropriate Technology.. pois algumas tecnologias os favorecem. Antes que escolhamos nossas ferramentas e técnicas devemos escolher nossos sonhos e valores. ou se são aqueles que constroem por considerar a qualidade das relações e a oportunidade de continuar jogando com respeito e fraternidade. se quisermos igualdade. em qualquer tempo de nossas vidas Desta forma. Qual a possibilidade deles desenvolverem uma auto-estima positiva? É importante refletir sobre os paradigmas que devem prevalecer. além de perpetuar comportamentos. tendo reforço em paradigmas como os da competição. p105). que entram numa fase onde são realizados balanços de vida. concordo com Orlick (1989) quando nos adverte que “ Jogos de aceitação devem substituir os jogos de rejeição (Orlick. se são os que destroem pelo sentimento do fracasso.9 JOGOS COOPERATIVOS E UM ENVELHECER MAIS SAUDÁVEL. Se quisermos a paz precisamos plantar e cultivar a paz. se quisermos parcerias precisamos abrir nossos corações para encontrar parceiros.. precisamos plantar e cultivar a igualdade. . Sendo assim. citado por Ferguson). 1989. A forma como encaminhamos nossas ações cotidianas diz muito a respeito de nossas crenças.

Na cooperação somos muito cúmplices uns dos outros. reforçando padrões que não nos levaram a conquistas pessoais que desejamos. de uma sensação de menos valia. construir uma sociedade melhor. nosso com-tato é para nos abraçarmos. e de que os vencedores merecem prêmios e os perdedores têm que se conformar e aplaudir. olimpíadas para a terceira idade sob o pretexto de que são momentos de integração. Como seres que buscam a evolução. mais justa. . o com-tato utilizado como uma arma para impedir que o adversário conquiste seu objetivo O processo natural de envelhecimento pode vir acompanhado. então porque não oferecermos verdadeiramente momentos de integração. nos apoiarmos. deixando o com-tato para ser usado contra o adversário. estaremos sim. e freqüentemente o é. merecem trabalhos sérios que lhes ofereça uma oportunidade de. os idosos têm um importante papel na sociedade e portanto. Enquanto que na competição ficamos estrategicamente distantes. pois comparativamente o idoso se entende como menos capaz. Esta sensação é incrementada pelo valorização excessiva do “ter que ser o melhor”. ao invés de disfarçá-los com competições hipócritas que só fazem reforçar a idéia de que uns somos melhores do que outros. Entendo que ao incentivarmos concursos de beleza. Entendo os Jogos Cooperativos como um caminho para que possamos oferecer aos idosos oportunidades evolução. mais fraterna. também. Ora.

Pereira. 1996.. Sendo um exercício. afianço e aposto que se nos alfabetizarmos em Jogos Cooperativos. orgânicas e psíquicas a tudo que o circunda Teilhard de Chardin (apud. Para a autora. a Cooperação é uma síntese genuína da ÉTICA. carece da comvivência consciente de atitudes.. propomos aqui novas possibilidades de envolvimento com o jogo da vida. ao contrário. conseqüentemente.87). em níveis cada vez mais ampliados e complexos. p20) Viver em sociedade é um exercício de solidariedade e cooperação destinado a gerar estados de bem-estar para todos. de melhorar o mundo. liga-se por todas as suas fibras materiais. . “Eu creio. teremos criado uma nova linguagem capaz de melhorar os homens-mulheres e. valores e significados compatíveis com essa aspiração de felicidade interdependente.”. Partilho da opinião de Neyde Marques (2001). Competir não é a única opção. Cada um de nós. quer queira quer não.Para Brotto (2001. p.

autovalorização e pela qualidade das relações. existe um enorme abismo. Neste sentido . exatamente. Como resultado de minha experiência em atividades corporais para idosos em Centros Esportivos da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo. por conseqüência. que se apresenta repleta de possibilidades. uma referência positiva para esta nova fase da vida. Entre a sociedade que fazemos e a sociedade queremos.10 O INÍCIO DE TUDO. O IDOSO SE TRANSFORMA E TRANSFORMA. Por este motivo entendo que os Jogos Cooperativos podem contribuir sobremaneira para o desenvolvimento de uma nova velhice. Entendo que a busca da melhor qualidade de vida passa primeiramente pela auto-estima. Reconheço a competência e a necessidade de se estar Junto-Com-oOutro de Sentir-se Parte-de-um-Grupo. assim como a necessidade de viver experiências de sucesso... pude observar algumas mudanças no comportamento dos alunos depois de inserir os Jogos Cooperativos no programa de atividades corporais. Acredito ser. o grande caminho para a transformação. encontrando.. Como fruto deste trabalho e de uma análise mais aprofundada tento apresentar neste trabalho fundamentações para esta percepção de modo a ampliar as possibilidades de trabalho com idosos. o aprendizado da transposição deste abismo para uma nova forma de viver..

Desta forma. Este viver cooperativo.uma nova história de convivência precisa ser construída a partir de uma consciência do coletivo. formando verdadeiras comunidades. e a alegria como um potencial de crescimento pessoal e coletivo. Acredito que o desenvolvimento humano seja atemporal. descobrindo assim novas possibilidades de relação com o outro e consigo mesmo para Co-existir e Re-conectar com sua essência. promovendo uma transformação social. entendo que o idoso precisa jogar cooperativamente. . pois os Jogos Cooperativos tem caráter associativo. 2002). dá muita segurança às pessoas. contribuindo ainda mais para melhorar a qualidade de vida. pois jogando que criamos laços de identidade com os outros. Jogando Cooperativamente o sentimento de competência se eleva a cada dia. desta forma precisamos investir em promover novas experiências a fim de aumentar nossas competências para lidar com o cotidiano. onde sejamos agentes de ações cooperativas em busca de um mundo melhor. focalizando o indivíduo holístico. jogando. Acredito que a Educação Física pode ampliar seus objetivos para além do desenvolvimento do corpo. promovendo a inclusão. de que podem vencer desafios (Sidnei Soares. a valorização das diferenças.

Esta sociedade que discrimina. têm sido uma fonte onde todos bebemos do compromisso de criar uma nova forma de Com-Viver de uma maneira amorosa e construtiva. que ninguém precisa perder e que é seguro ser quem somos. experimentamos a leveza de poder Ser. . Então. desejo fortemente que as mudanças possam começar em nossa prática cotidiana. Acreditando e vivenciando que todos podem VenSer juntos.Os Jogos Cooperativos têm sido mais que um simples instrumento de trabalho.. E quando jogamos somos quem somos. e que possamos oferecer aos idosos possibilidades mais diversificadas de atividades corporais. Faço aqui um convite para que todos conheçam os Jogos Cooperativos e que comecem a experimentar um pouco da alegria e irmandade que eles promovem. que exclui e que maltrata não é um ser sem rosto. esta sociedade é feita por todos nós.. com mais significado e que considere o potencial criativo e transformador de cada um. Desejo que a proposta dos Jogos Cooperativos possa estar inserida nos programas de atividade física para idosos. Tomemos às nossas mãos esta transformação.

D. BROTTO.11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BEAUVOIR. a velhice em cena. Rio de Janeiro: Ed. Projeto Cooperação. 1993. I I . Rio de Janeiro: Ed.O jogo e o esporte como um exercício de convivência.se o importante é competir. Fábio O. COSTA. 1995. Gerontodrama. São Paulo: Ed Agora Ltda. o fundamental é cooperar. Jogos cooperativos . 2001. 1997. 1970. M. Deepak. Rocco. São Paulo: Ed. Jogos cooperativos .Difusão Européia do Llivro. São Paulo: CEPEUSP. Elisabeth Maria Sene. Jogos cooperativos nas organizações. .teoria e prática. Simone de . mente sem fronteiras. Santos: Ed. BROWN. São Paulo: SESC. ________ Jogos cooperativos . BROTTO. Walter M. 1998. A velhice. Corpo sem idade. BORTZ. CHOPRA. 2001. Fábio O. São Leopoldo: Sinodal. Viva mais de cem anos.Record . Guillermo. 1994.

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agora. o dia já nasceu! Olha o sol. a tua vida! (Autor Desconhecido) . olha a chuva. que és parte desta grande celebração que é a vida.. são tuas mãos que tocam o mundo.Acorda. Abre teus olhos e sente. tuas necessidades. Dá tempo. Tantas coisas te esperam neste dia. pois tua vida começa aqui. Preserva as águas límpidas que banham teu ser. dá carinho a ti mesmo. mostrando. Dá a chance para que teu ser esteja presente a cada momento. são teus olhos que vêem e experimentam todas as cores. neste momento. expanda rumo à luz amorosa que sempre está a te iluminar mesmo quando não sentes a sua presença... é teu espírito que toca a vida. trazendo ao teu coração a certeza de que tudo está disponível para que tu despertes contente. Alimenta este estado.. dá a oportunidade para que teu ser cresça. Ouça a tua verdade. Dá amor.. dá alegria para ti e a todos aqueles que cruzarem o teu caminho neste dia. trás o silêncio para dentro de ti quando teus olhos se fecharem na ânsia de sentir a amorosidade que avança. pouco a pouco.. rega as flores que perfumam tuas mãos.. olha a vida acontecendo..

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