RESUMO DE DIREITO CIVIL

LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO

Conceito de Direito - Palavra originária do latim, que significa "tudo aquilo que é reto". É o conjunto de normas que regulam a conduta e que garantem ao Estado o poder de fiscalizar e exigir seu cumprimento por meio da coação.

Conceito de Direito Civil – Ramo do Direito que trata das relações coletivas nos âmbitos privado, social, patrimonial, obrigacional, contratual e outros.

Direito Positivo – Conjunto de normas vigentes em um determinado Estado.

Direito Natural - Sentimento de justiça emanado pela sociedade. A pura expectativa de direito.

Direito Subjetivo - "facultas agendi" - Faculdade individual de agir ou não agir dentro das regras legais. Direito Objetivo - "norma agendi" - o direito imposto pelo Estado, ou seja, a simples existência das normas e sua aplicação geral. Direito Público - Todas as normas de ordem pública que disciplinam o interesse coletivo.

Direito Privado – Todas as normas de ordem privada que disciplinam o interesse das partes em determinados assuntos, firmados em litígios existentes entre determinados agentes.

FONTES DO DIREITO CIVIL

O Direito Civil tem suas fontes ou regras na lei, nos costumes, na doutrina e na jurisprudência.

1

Hierarquia das Leis – Na ordem decrescente: Constituição. o qual é protegido desde a concepção. Existe a possibilidade da lei determinar em seu texto a data de sua entrada em vigor. se respeitar: o "direito adquirido" (fato jurídico amparado por lei anterior e devidamente constituído). Leis Ordinárias. Essa reiteração e aceite praticados pelos juízes denomina-se jurisprudência. até sua morte. e a "coisa julgada" (decisão judicial irrecorrível). no caso de leis temporárias. o "ato jurídico perfeito" (consumação do ato jurídico em conformidade com a existência de uma lei vigente). para que. 2 . podendo ocorrer. estabelecida pelo Presidente da República. de vir expressa a data de sua validade.Lei – Norma oriunda do poder legislativo. individuais e coletivas. isto é. Vigência da Lei – “vacatio legis” – a regra é que a lei passa a vigorar 45 dias após sua publicação. com a primeira respiração. Decretos regulamentares e normas de hierarquia inferior. Nascituro – É o ser humano que está para nascer. até o término de sua vida. Costume – Capacidade que o Juiz tem de aplicar os costumes quando a lei é omissa sobre determinado assunto. possa usufruir de seus direitos e ter obrigações. Emendas a Constituição. a contar de seu nascimento. Irretroatividade da Lei – A lei só retroage para beneficiar. Leis Complementares. ou quando não existe lei específica para determinado assunto. DA PERSONALIDADE E DA CAPACIDADE Da Pessoa Natural (artigo 1º) – É o ser humano. Em casos especiais. por meio das medidas provisórias. após seu nascimento com vida. a lei nova só pode regular fatos passados. isto é. Doutrina – Todo trabalho científico elaborado por estudiosos do Direito. Jurisprudência – A reiteração de julgados faz com que se crie uma interpretação da lei pela forma mais aceita.

pelo casamento. os viciados em tóxicos e os que. presume-se que todos os indivíduos de uma coletividade são capazes para determinados atos. por sentença do Juiz. presume-se que essas pessoas tiveram morte simultânea. sem desenvolvimento mental completo. o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. pelo exercício de emprego público efetivo.ou apenas de um deles. e os pródigos (aqueles que dissipam seu patrimônio de forma desregrada). se prova contraria não for feita. para outros. na falta do outro mediante instrumento público. e os que.Ocorre por concessão dos pais . não puderem exprimir sua vontade. Emancipação . em função deles. pela colação de grau em curso de ensino superior. Incapacidade Absoluta (artigo 3º) – proibição do exercício de direito sem representação legal. São absolutamente incapazes: os menores de dezesseis anos. relativamente a certos atos.Nome – Direito de ser conhecido na sociedade em que nasceu por meio de uma identificação. o que resulta em nulidade de ato praticado. se o menor tiver dezesseis anos completos. São incapazes. ouvido o tutor. não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos. os que. 3 . por deficiência mental. Capacidade Civil – No Direito Civil. ou à maneira de os exercer: os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. e que alguns atos civis têm impedimento de execução. independentemente de homologação judicial. desde que. os ébrios habituais. Estado – Capacidade adquirida na sociedade pela existência em si. para efeitos de abertura dos direitos de sucessão. firmados na incapacidade absoluta ou relativa desses mesmos indivíduos. ou pela existência de relação de emprego. tenham o discernimento reduzido. Comoriência – Sempre que duas ou mais pessoas falecem ao mesmo tempo. mesmo por causa transitória. pelo estabelecimento civil ou comercial. Incapacidade Relativa (artigo 4º) – Alguns atos podem ser praticados diretamente pela pessoa. os excepcionais. há necessidade da presença de um representante. por enfermidade ou deficiência mental.

são representadas por associações. DOS BENS Conceito – É tudo aquilo que. Existem pessoas jurídicas despersonalizadas. qualidade e quantidade (exemplo: uma lata de óleo). Pessoa Jurídica de Direito Público – Entidades criadas por lei. existem de fato ou de forma irregular. por sua incapacidade de ser transportada. Pode ser voluntário (fixado livremente) ou necessário (obrigação contida em lei). Bens Móveis – Podem mover-se do seu lugar de origem por meio de transporte ou por força própria. por lei. entidades paraestatais. isto é. isto é. sede jurídica. Domicílio – Local onde a pessoa se encontra presente.Pessoa Jurídica – Todas as entidades a que a lei empresta personalidade. por prazo ou por decisão judicial. Observações – A pessoa jurídica tem seu término fixado: pela vontade de seus membros. 4 . capacitando-as a serem sujeitos de obrigações e direitos. países e organismos internacionais. ou representadas por estados. satisfaça à necessidade do ser humano. de forma material ou não. fundações. Bens Imóveis – Por sua inamovibilidade. inclusive com seu patrimônio pessoal. Há possibilidade de os sócios responderem por atos da empresa. Bens Fungíveis – Podem ser substituídos por outros de mesma espécie. essa espécie de bens se encontra fixa em seus locais de origem. por determinação judicial. Pessoa Jurídica de Direito Privado – Criadas por lei. no caso da desconsideração da pessoa jurídica. empresas públicas ou de economia mista. Podem ser internas ou externas.

5 . Bens Fora de Comércio – São os de impossível apropriação (ar. públicos (pertencentes às pessoas jurídicas de direito público) e “res nullius” (que não têm proprietário definido. Bens Divisíveis – Bens que admitem divisão (como os terrenos de uma fazenda divididos em lotes). e acessórios (cuja existência depende do principal). Bens Quanto ao Titular do Domínio (artigos 98 a 103) – Dividem-se em: particulares (todos os bens que não pertençam às pessoas jurídicas de direito público). como as coisas abandonadas e os peixes de um rio ou mar).Bens Infungíveis – Não podem ser substituídos por outros de mesma espécie. Bens Consumíveis – Bens que se destroem com o uso (como os bens usados na alimentação). luz solar e outros). Bens Indivisíveis – Os que não admitem divisão (um carro. por exemplo). São divididos em: principais (existem por si sós). Bens Reciprocamente Considerados (artigos 92 a 97) – Bens cuja existência se fixa em uma reciprocidade. Bens Coletivos . dignidade humana) e os legalmente inalienáveis (gravados com cláusulas e bens de família). qualidade e quantidade (como por exemplo: um quadro raro). Bens Inconsumíveis – Bens que possuem durabilidade após seu uso (exemplo: os livros de uma biblioteca).O conjunto dos bens agregados no todo (por exemplo: os livros de uma biblioteca). os personalíssimos (honra. Bens Singulares – Bens que possuem individualização (como um livro).

excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. comete ato ilícito. morte. Exclusão de Ilicitude – Excluem a ilicitude de um ato: sua prática em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido. por ação ou omissão voluntárias. e ainda a fraude contra credores – que é o ato de se desfazer do patrimônio. o dolo – que é vontade de enganar alguém. vulcões e outros). a simulação – vontade de burlar a lei ou iludir a outra parte envolvida no ato. Também comete ato ilícito o titular de um direito que. por meio de subterfúgios ou artifícios (neste caso só anula o ato se for grave) . e pode ser ordinário (nascimento. que pode anular o ato se for substancial. negligência ou imprudência. por meio de declaração enganosa da vontade.FATOS JURÍDICOS (artigos 104 a 232) Conceito – Todo acontecimento que produz consequências de caráter jurídico. Ato Ilícito – É o ato que se contradiz frente à legalidade. 6 . e a manifestação da vontade. Defeitos do Ato Jurídico – Anulam os atos jurídicos: o erro (ou a falsa noção sobre o objeto). Suas principais características são: a capacidade do agente para o ato. ao exercê-lo. ou a lesão à pessoa. ou seja. raios. o objeto lícito. violar direito e causar dano a outrem. ou extraordinário (provocado por fatos fortuitos ou de força maior. Fato Jurídico Natural – Decorre da natureza. com o fim de evitar sua possível execução por dívidas. a coação – aplicação de violência física ou moral para obrigar outrem à pratica do ato (anulável se grave). é a ação humana ilegal. e a deterioração ou destruição da coisa alheia. a fim de remover perigo iminente. Características do Negócio Jurídico – O negócio jurídico possui elementos que são essenciais para sua efetividade e validade. como: tempestades. pela boa-fé ou pelos bons costumes. maioridade e outros). O indivíduo que. estando afastada a possibilidade no caso de erro acidental. ainda que exclusivamente moral. Ato Jurídico (ou Negócio Jurídico) – Fato decorrente da ação humana de forma lícita e voluntária.

Estrutura – A obrigação se compõe de um sujeito ativo (o credor).Modalidades dos Atos Jurídicos – Os atos jurídicos podem ser divididos nas seguintes modalidades: condição (subordinação do ato a evento futuro e incerto). e nexo causal – O comportamento do agente está diretamente relacionado ao dano provocado. Responsabilidade Civil – A responsabilidade civil ou dever de indenizar. ocorre sempre que presentes os seguintes requisitos: ato ilícito – ato omisso ou comissivo que traga lesão a direito ou a patrimônio alheio. e encargo (atribuição imposta ao beneficiário do ato jurídico). que viola um bem jurídico protegido. 7 . o negócio jurídico ou contrato. por inércia do interessado durante um determinado lapso de tempo. do objeto da obrigação (a prestação) e do vínculo (que é a sujeição do devedor ao cumprimento da obrigação em favor do credor). de forma direta. podendo ser: nulos (nulidade absoluta). culpa – existência de um ato praticado (mesmo que sem intenção). Validade Do Ato Jurídico – Os atos jurídicos têm plena eficácia quando celebrados em consonância com a lei.a lei. o abuso de direito. em seus artigos 186 a 188 e 927 a 954. que vincula. a responsabilidade civil e outros. Prescrição é a perda de um direito. Fontes . termo (momento em que se iniciam ou terminam os atos jurídicos). DIREITO DAS OBRIGAÇÕES (artigos 233 a 420) Conceito – Ato jurídico transitório. o ato ilícito. prevista no Código Civil. ou parte deste. Decadência e Prescrição (artigos 205 a 211) – Decadência é a extinção de um direito por falta de seu exercício no prazo legal estabelecido. ou anuláveis (nulidade relativa). a declaração unilateral da vontade. o credor e o devedor a uma prestação ou contraprestação econômica.

que será indicada. Extingue-se a obrigação de não fazer. com ou sem acessórios). a escolha pertence ao devedor. se o contrário não resultar do título da obrigação. Se a perda resultar de culpa do devedor. o devedor que recusar a prestação só a ele imposta. sem culpa do devedor. desde que. ou quando pendente a condição suspensiva. o credor pode exigir dele que o desfaça. este responderá pelo equivalente acrescido de perdas e danos. ou aceitar a coisa no estado em que se acha. mas não poderá dar coisa pior. indenização das perdas e danos. Antes da escolha. Se a prestação do fato tornar-se impossível. poderá o credor resolver a obrigação. Praticado pelo devedor o ato. ressarcindo o culpado por 8 . nem será obrigado a prestar a melhor. sendo depois ressarcido. que se obrigou a não praticar. será livre o credor para mandar executá-lo à custa do devedor.Classificação Obrigação de Dar Coisa Certa (artigos 233 a 242). pelo gênero e pela quantidade. responderá por perdas e danos. pode o credor.Tipo de obrigação na qual o devedor é obrigado a dar "coisa certa" (móvel ou imóvel. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. não sendo o devedor culpado. se por culpa dele. independentemente de autorização judicial. com direito a reclamar. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade. ao menos. ainda que por força maior ou caso fortuito. abatido de seu preço o valor perdido. poderá o credor exigir o equivalente. sob pena de se desfazer à sua custa. Se a coisa se perder. ou só por ele exeqüível. a cuja abstenção se obrigara. ou execução de ato positivo. resolver-se-á a obrigação. Sendo culpado o devedor. sem prejuízo da indenização cabível. Deteriorada a coisa. Obrigação de Dar Coisa Incerta (artigos 243 a 246) – Tipo de obrigação na qual o devedor se obriga a entregar a "coisa incerta". Em caso de urgência. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos. em um ou em outro caso. antes da tradição. ou aceitar a coisa. sem culpa do devedor. Se o fato puder ser executado por terceiro. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. Obrigação de Não Fazer (artigos 250 e 251) – Tipo de obrigação em que o ato não deve ser praticado para evitar na maioria das vezes prejuízo a parte contrária. sem culpa do devedor. havendo recusa ou mora deste. Obrigação de Fazer (Artigos 247 a 249) – Tipo de obrigação calcada na prestação de um serviço. se lhe torne impossível abster-se do ato. executar ou mandar executar o fato.

Pagamento: cumprimento da obrigação com a devida prestação em dinheiro ou espécie. Transação: é o puro acordo feito entre as partes. Coisa Fungível – Todas as coisas que podem ser substituídas por outras de mesma espécie.Todas as coisas que não podem ser substituídas por outras (por exemplo. Cláusula Penal – É o mesmo que multa por convenção das partes. Coisa Incerta – Basicamente são as coisas fungíveis. Confusão: o devedor e o credor passam a ser uma só pessoa.Inexecução: descumprimento da obrigação. ocorrendo ato ilícito ou descumprimento do contrato. no que se refere ao pagamento da dívida. pela falta de individualidade. Compensação: extinção de uma obrigação pelo equilíbrio existente entre os deveres e as obrigações das partes contratantes. Coisa Certa – São todas as coisas certas e determinadas. uma dúzia de ovos. podendo ser substituídas por outras de mesma espécie. Mora – Atraso no pagamento ou cumprimento das obrigações. independentemente de autorização judicial. Compromisso: acordo pelo qual as partes delimitam um procedimento para a solução de uma divergência. Em caso de urgência. qualidade e quantidade. deve uma parte indenizar a outra pelos danos causados. cinco metros de plástico). Coisa Infungível . o quadro da “Mona Lisa” e a espada usada por Caxias na Guerra do Paraguai). sem prejuízo do ressarcimento devido.perdas e danos. poderá o credor desfazer ou mandar desfazer. com características de infungibilidade e individualidade. Novação: ocorre na substituição de uma obrigação por outra. Perdas e Danos: quando. 9 . em que existe a obrigação do pagamento de multa por desrespeito às cláusulas do contrato ou por descumprimento deste. Remissão: perdão dado pelo credor. Efeitos das Obrigações . qualidade e quantidade (exemplo: um quilo de milho.

podendo ser efetivados de forma livre.Têm previsão legal. e Acessórios. e obrigatoriedade do contrato (o contrato faz lei entre as partes contratantes). Os Não-formais não possuem.Existem obrigações patrimoniais para as partes contratantes. Formais . para constituir. Nos Aleatórios. consentimento. a rigidez contida em lei. 10 . apenas uma das partes se compromete economicamente. para seu estabelecimento. os que dependem de um contrato anterior para existirem. Elementos dos Contratos – Bilateralidade (no mínimo duas partes). e bilateral. objeto lícito e forma prescrita e prevista em lei. Comutativos – As partes recebem contraprestações equivalentes ou iguais. capacidade. Nos Gratuitos.CONTRATOS (artigos 421 a 839) Conceito – Convenção legal. Onerosos . Classificação Bilaterais ou sinalagmáticos – Existem obrigações para ambas as partes contratantes. Princípios – Autonomia da vontade (liberdade na estipulação de cláusulas). regular ou extinguir direitos patrimoniais.São aqueles que existem de forma independente. Unilaterais – Existe obrigação para apenas uma das partes contratantes. a contraprestação pode não existir. formal ou não-formal. supremacia da ordem pública (dever de respeitar o interesse coletivo sobre o particular). ou ser desproporcional para uma das partes. Principais . estabelecida por partes capazes.

o contrato estabelece um vínculo jurídico de obrigatoriedade de cumprimento das cláusulas estabelecidas (respeitadas eventuais nulidades). um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa.Os que são firmados em simples proposta e aceitação. a pagar-lhe certa quantia 11 . Formação – Os contratos se formam. ou anuláveis. que será perdida pela parte que desistir da efetivação do contrato. quando atentarem contra normas de ordem pública. Vício Redibitório – São os eventuais defeitos da coisa. pode-se fixar uma entrada financeira.Consensuais . por defeito de formação. em favor de terceiro que era o verdadeiro proprietário. pela proposta e pelo aceite. e o outro. de maneira geral. Arras ou Sinal – A título de garantia do contrato.Normalmente o contrato se extingue com o seu cumprimento ou por rescisão (por meio de distrato ou inadimplemento). Evicção – Perda total ou parcial. sempre que uma parte sentir-se prejudicada. por decisão judicial. caso as partes não definam de forma diferente. da coisa já adquirida. Os Reais são os que se formam com a entrega da coisa.Pelo contrato de compra e venda. que a tornam imprópria para o uso ou diminuem seu valor. e sua celebração será o lugar de sua proposição. que poderá ser corrigido. Nulidades – Os contratos podem ser nulos. Tipos de Contrato Contrato de Compra e Venda (artigos 481 a 532) . Extinção . Revisão – Os contratos podem ser revistos mediante intervenção judicial. Efeitos – Quando celebrado dentro dos requisitos de validade.

de comum acordo. no prazo estabelecido. desde que aceita pelo seu representante legal. o locador é obrigado a entregar ao locatário a coisa alugada. que fica autorizado a vendê-los. sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. ficará sem efeito o contrato se a coisa vier a não existir. importa em adiantamento do que lhes cabe por herança. será considerada obrigatória e perfeita. A doação de ascendentes a descendentes. Salvo disposição em contrário. se sua restituição integral tornar-se impossível. e a mantê-la nesse estado. O contrato de compra e venda pode ter por objeto coisa atual ou futura. Na locação.em dinheiro. Se. A doação será feita por escritura pública ou instrumento particular. Contrato de Troca e Permuta (artigo 533) – As partes. dando alguma coisa por outra que não seja dinheiro. uma das partes se obriga a ceder à outra. quando pura. por vontade. bens ou vantagens para determinada pessoa. durante a locação. mediante certa retribuição. por tempo determinado ou não. desde que as partes acordem no objeto e no preço. durante o tempo do contrato. desde que se trate de doação pura. o consignante entrega bens móveis ao consignatário.Na locação de coisas. a este caberá pedir 12 . salvo se a intenção das partes era de concluir contrato aleatório. cada um dos contratantes pagará a metade das despesas com o instrumento da troca. Contrato de Locação (artigos 565 a 578 e 593 a 626) . fazem concessões mútuas. ainda que por fato a ele não imputável. tratando-se de bens móveis e de pequeno valor. O consignatário não se exonera da obrigação de pagar o valor da coisa. o uso e o gozo de coisa não fungível. Contrato Estimatório (artigos 534 a 537) . Nesse caso. restituir-lhe a coisa consignada. o uso pacífico da coisa. ou de um cônjuge a outro. sem culpa do locatário. pelo tempo do contrato. parte ou totalidade de patrimônio. salvo cláusula expressa em contrário. dispensa-se a aceitação. Aplicam-se à troca as disposições referentes à "compra e venda". A doação feita a nascituro valerá. Se o donatário for absolutamente incapaz.Pelo contrato estimatório. pagando àquele o preço ajustado. A compra e venda. deteriorar-se a coisa alugada. É anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes. com suas pertenças. O locador é ainda obrigado a garantir ao locatário. Contrato de Doação (artigos 538 a 564) – Ato pelo qual se transfere. A doação verbal será válida. em estado de servir ao uso a que se destina. salvo se preferir.

para consumo. ou resolver o contrato. 13 . Transporte (artigos 730 a 756) – Obrigação de transportar. uma pessoa se compromete com a outra a indenizá-la no caso do sofrimento de danos reparáveis. para devida guarda. caso a coisa já não sirva para o fim a que se destinava. e responderá pelos seus vícios. Sua devolução se faz por coisa equivalente ou do mesmo gênero. Depósito (Artigos 627 a 652) – O depositário recebe um objeto móvel. Fiança (artigos 818 a 839) – Forma de assegurar ao credor o pagamento de uma dívida. Esse tipo de contrato permite a prisão do depositário pelo não-cumprimento do dever de guarda. obrigando-se o recebedor a devolvê-la. que tenham ou pretendam ter direitos sobre a coisa alugada. no caso de inadimplência do devedor principal.redução proporcional do aluguel. ou defeitos. até que o depositante o requeira de volta. Mandato (artigos 653 a 709) – Ocorre quando alguém recebe poderes de representação para a prática de atos por meio de um instrumento denominado procuração. ou devolver outra coisa da mesma espécie. Comodato – Empréstimo não oneroso de coisas não fungíveis. Mútuo – Empréstimo de coisa fungível. Empréstimo (artigos 579 a 592) – Entrega da coisa a uma pessoa de forma não onerosa. anteriores à locação. mediante pagamento de uma retribuição financeira ou não. Seguro (artigos 757 a 802) – Mediante pagamento de uma quantia previamente estipulada. O locador resguardará o locatário dos embaraços e turbações de terceiros.

14 . Posse Indireta é exercida por terceiro em virtude de contrato ou dever legal.510) Também chamado de Direito Real. Posse (artigos 1.Os direitos reais são exercidos sobre coisas próprias (propriedade) ou alheias (gozo. Classificação . considera-se na posse todo aquele que tem de fato o exercício. Trata-se de normas que regulamentam as relações de trato subjetivo e objetivo. Composse . uso. a Posse de Má-fé é exercida sem que os vícios sejam de desconhecimento do possuidor.196 a 1. Posse de boa-fé . pleno ou não. nem violenta ou precária.368) – Direito pessoal de usar. pela existência de mais de um possuidor. garantia e aquisição).É exercida diretamente pelo possuidor. O Código Civil adota a posse de forma objetiva. existentes entre pessoas e seus bens materiais e imateriais. Defesa da Posse – A posse pode ser defendida sempre que houver a ocorrência de esbulho (perda da posse). Posse Justa – Toda posse que não for clandestina. Classificação Posse Direta .É quando o possuidor ignora o vício ou o obstáculo impeditivo do seu exercício. Posse Injusta é aquela exercida de forma clandestina. turbação (tentativa de esbulho) ou pela ameaça de iminente agressão. gozar.É a união de posses de forma sucessiva. Propriedade (artigos 1. violenta e precária. dispor ou reivindicar um bem que esteja sob posse alheia.DIREITO DAS COISAS (artigos 1.228 a 1. de alguns dos poderes relacionados ao domínio ou a simples propriedade.227) – É a detenção plena de uma coisa em nome próprio.196 a 1. ou seja.

O prazo reduz para dez anos.244) . Usucapião (artigos 1. Tradição – Por força de contrato. Aquisição da Propriedade Móvel – Dá-se pela tradição. pela especificação. abandono. tendo nela sua moradia. Aquele que possuir. sem oposição. pelo usucapião. desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. como sua. podendo requerer ao Juiz que assim o declare por sentença. área de terra em zona rural não superior a cinqüenta hectares. pelo casamento e pelo direito hereditário. tornam-se um só). renúncia. após se unirem. adquirir-lhe-á a propriedade. ininterruptamente e sem oposição. onde um bem pertence a várias pessoas.238 a 1. 15 . adquirir-lhe-á o domínio. adquire-lhe a propriedade. pela acessão. por cinco anos. por cinco anos ininterruptos. não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano. Perda da Propriedade – Perde-se a propriedade mediante alienação. pode reivindicá-la de terceiro. possuir como seu um imóvel.Aquele que. sem interrupção. uso ou gozo dela a estranhos. independentemente de título e boa-fé. pela comistão (ou mistura). Aquele que. por quinze anos. nem oposição. pela adjunção (união de um bem alheio a um bem pessoal). desapropriação e usucapião. a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. nem dar posse. ou nele houver realizado obras ou serviços de caráter produtivo. possua como sua. utilizando-a para sua moradia ou de sua família. entrega-se ao adquirente a propriedade da coisa móvel. defender a sua posse e alhear a respectiva parte ideal ou gravá-la. sem o consenso dos outros.Formas de aquisição – Registro do título de propriedade. Cada condômino pode usar da coisa conforme sua destinação e sobre ela exercer todos os direitos compatíveis com a indivisão. tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família. pela confusão (os bens. perecimento. se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual. Condomínio – Propriedade em comum. pela ocupação. Nenhum dos condôminos pode alterar a destinação da coisa comum. pelo usucapião e pelo direito hereditário. pelo direito hereditário ou pelo usucapião. área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados.

suscetível de alienação. será constituído mediante registro no Cartório de Registro de Imóveis.390 a 1. Penhor (artigos 1. tendo o credor preferência em relação a eventuais outros credores.Servidão (artigos 1.378 a 1. em compensação da dívida.505) – Direito de garantia. ou parte deste.Constitui-se o penhor pela transferência efetiva da posse que.A servidão proporciona utilidade ao prédio dominante e grava o prédio serviente.Pode o devedor ou outrem por ele. faz o devedor.431 a 1. 16 . e constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários.389) . Hipoteca (artigos 1.473 a 1. no todo ou em parte. ou por testamento. em garantia do débito ao credor ou a quem o represente. em um patrimônio inteiro. os frutos e utilidades. com a entrega do imóvel ao credor. O bem dado em garantia pode ser vendido mediante ordem judicial para quitação da hipoteca e de eventuais outros credores. ceder-lhe o direito de perceber. e subseqüente registro no Cartório de Registro de Imóveis. Usufruto (artigos 1.472) .506 a 1. em que o devedor oferece ao credor um determinado bem como garantia. quando não resulte de usucapião.411) – Direito de uso da coisa alheia. de uma coisa móvel.510) . móveis ou imóveis. O usufruto de imóveis. ou alguém por ele. Anticrese (artigos 1. O usufruto pode recair em um ou mais bens. os frutos e rendimentos. abrangendolhe. pertencente a diverso dono.

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