Conceitos Orçamento

Principais Itens

Orçamento Planejamento Controle

Estrutura Básica do Orçamento Suprimentos

Planejamento
Físico Financeiro Plano de Ataque Logístico

Controle
Prazo Custo Produtividade Perdas Qualidade

Conceitos Orçamento Planejamento Projeto Controle

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Conceitos
Esse capítulo é complexo pois procura promover a inter-relação entre o orçamento, o planejamento e o controle de execução de estruturas.

Conceitos

Nota
Um dos vícios mais perniciosos das construtoras é tratá-los separadamente, abordando cada um deles de forma separada e diferente. É inconcebível dissociá-los. Questiona-se: • Como posso executar um orçamento sem saber quais serão os métodos executivos?

Esses três elementos devem ser abordados com o mesmo nível de informações, com uma integração grande entre a(s) equipe(s) que os executa, e concomitantemente. Podemos, simplificadamente, caracterizar esses instrumentos da seguinte forma: Orçamento Tentativa de estimar o custo real. Instrumento balizador, para evitar que as decisões de caráter tecnológico fiquem mascaradas por uma decisão orientada pela ênfase na comparação de custos. Planejamento Instrumento que visa ordenar o emprego dos recursos físicos (materiais, equipamentos e mão de obra), de forma coerente com o fluxo de recursos financeiros e com os próprios compromissos do empreendimento frente a seus clientes. Controle Instrumento de aferição dos anteriores, cuja função é monitorar e acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos. É fundamental para inferir e projetar resultados futuros e, eventualmente, alertar para mudanças de curso. Essas três ferramentas devem ter, em comum, as seguintes características e funções: Flexibilidade Nenhuma delas deve ser rígida, “engessada” e imutável. Ao mesmo tempo, modificações a cada instante custam caro e ocasionam turbulência no processo. O bom senso, a necessidade e a estrutura de cada sistema, norteiam a forma de se flexibilizar esses instrumentos. Retroalimentação O processo todo deve ser inteligente e “aprender” à medida que se avança. A constante troca e retroalimentação de dados permitem que as informações estejam sempre atualizadas e prontas para análise.

• Como posso estabelecer os métodos executivos se não conheço os prazos? • Como estabelecer prazos se não sei como serão os gastos mensais? O sucesso dessa integração entre as ferramentas passa necessariamente através da comunicação eficiente entre os intervenientes. Para isso, os canais devem ser abertos, eficientes e formalizados.

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Orçamento

Instrumentos executivos De nada adianta guardar um bom orçamento na gaveta, pendurar um colorido cronograma na parede da obra, ou ainda mandar ao arquivo morto todos os controles efetuados. Esses instrumentos devem ser práticos, de consulta fácil e rápida, além de estarem disponíveis a todas as pessoas que interferem no processo.

Formação de um Banco de Dados “Reinventar a roda” constantemente custa tempo e dinheiro. É possível formar um excelente banco de dados com as informações históricas recolhidas com essas ferramentas e utilizá-lo – por completo ou parcialmente – em novos empreendimentos. Também com isso, mede-se a evolução tecnológica e empresarial da construtora.

Dicas
Procure sempre executar esse levantamento obedecendo a ordem de execução da obra. Essa sequência lógica ajuda a evitar erros. Normalmente, quanto maior for o volume concretado em uma mesma etapa, menores serão as perdas. Assim, quando possível, recomenda-se acumular maiores volumes de concretagem em um mesmo dia. Isso é ainda mais sensível quando a concretagem se dá com bombeamento.

Orçamento
A elaboração de um orçamento é muito útil para: • Melhorar os processos de obtenção de maior produtividade; • Analisar e reduzir os custos de produção. Uma atenção especial deve ser dada à etapa de levantamento quantitativo. É o princípio do trabalho. Para que seja bem feito, os projetos devem estar atualizados e completos. Todos os itens devem ser levados em consideração, e reuniões com o pessoal de planejamento serão importantes para discussão dos métodos e processos construtivos. Geralmente, a maioria dos orçamentos peca pela: • Falta de organização das informações; • Ausência de alguns elementos de custo; • Desatualização de quantidades e preços; • Distância da realidade de execução. Principais itens Existe um único orçamento para cada obra e para cada tipologia de construção. Mesmo assim, veremos quais são os principais itens de um orçamento convencional.

Glossário
Nesse capítulo, as perdas dos materiais sempre serão os excedentes entre o que determina o projeto e o que foi realmente aplicado.

Concreto Nesse item, alguns cuidados devem ser tomados: • Perdas Nunca esquecer de considerar as perdas do concreto. Elas representam o percentual que excede o quantitativo levantado em projeto. (Glossário 1) Elas decorrem basicamente do desperdício durante a concretagem (concreto que cai), da diferença de volume pedido à concreteira e o de fato entregue, do aumento da espessura das lajes na concretagem e das sobras (a programação do pedido sempre dá uma “folga”). • Discriminação No orçamento, é conveniente que os diversos tipos de concreto sejam caracterizados. Normalmente podem ser diferenciados – inclusive os preços – pela resistência (Fck), slump e forma de lançamento (o concreto bombeado tem sobretaxas em relação ao convencional). • Controle tecnológico Ele existe, é utilizado pela maioria das empresas e custa dinheiro. Não deve deixar de fazer parte desse item.

Nota
A perda zero geralmente é possível pelo volume de aço processado, além do fato de trabalharem com muitas bitolas em bobinas e não em barras.

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Aço e Telas • Perdas Também podem existir e devem ser levadas em conta no processo orçamentário. Mas aqui valem algumas distinções: - Se o projeto indica o aço convencional e a armadura é cortada e dobrada na própria obra, existem perdas significativas no corte, resultando em sobras (pontas). - Já se a construtora opta pela terceirização do corte e dobra, normalmente esses fornecedores cobram perda zero. - No caso das telas metálicas, deve-se considerar o traspasse entre painéis, nas franjas e na ancoragem das telas dentro das vigas. • Preço unitário O preço do aço em barras varia de acordo com a bitola. Assim, o orçamento mais preciso é aquele que atribui preços diferenciais a bitolas diferentes, tendo como base o resumo de aço encontrado nos projetos estruturais. • Diversos Existem outros gastos com aço que não estão nos projetos estruturais, mas que fazem parte desse serviço na obra. É o caso da confecção de caranguejos, barras de distribuição, ganchos, entre outros. Esse peso pode chegar a 2% de todo o aço da obra. • Arame Não esquecer de considerar, também, o arame recozido utilizado no ponteamento e fixação da armadura. Ele é medido por Kg e o consumo é muito grande. • Controle tecnológico Considerar no orçamento o controle tecnológico de todo o aço. Fôrmas e cimbramento • Dimensionamento das fôrmas A quantidade de fôrmas a ser utilizada e orçada é definida a partir do planejamento. O plano de ataque e os ciclos de produção irão determinar o número de jogos de fôrmas e o sistema adotado. • Reutilização e reformas O orçamento deve considerar o potencial de reutilização das fôrmas, em função da tecnologia e material adotado. Além disso, o planejamento fornecerá o plano de ataque, de onde pode-se estimar as reformas nas fôrmas. • Acessórios diversos Muitas vezes esquecidos, os acessórios e complementos para as fôrmas devem fazer parte do orçamento de estruturas. São eles os principais: - Desmoldante; - Madeiras diversas (sarrafos, pontaletes); - Prego comum; - Cunhas de madeira; - Prego de aço; - Pranchão para apoio do cimbramento - Espaçadores plásticos; no solo; - Distanciadores plásticos; - Graxa (para lubrificação de escoras), etc. - Barras e porcas de ancoragem; - Tubo de pvc para as barras de ancoragem; - Isopor;

Orçamento

Dicas
As pontas das sobras podem ser reaproveitadas como caranguejos, ganchos, etc. A maioria das empresas de “aço pronto” não fornece peças de apoio, como caranguejos, por exemplo. Entretanto, dependendo do porte da obra e do relacionamento com a construtora, exceções podem ser abertas. E vale a pena. É engano pensar que o uso de tela metálica prescinde do arame. Além do uso na montagem de pilares e vigas, muitas vezes ele é usado também na amarração de apoio em telas. Não esquecer de considerar, conforme o sistema adotado e o planejamento da obra, um jogo a mais para fundo de vigas e faixas de reescoramento. A fim de se evitar conflitos entre o orçamento e a obra, é útil que se faça um “acordo” com a produção, para que se chegue a um nível de reutilizações de fôrmas compatível com a realidade, métodos executivos e cuidados no canteiro.

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• Locação do cimbramento metálico Caso a opção seja pela locação de cimbramento metálico, por mais eficiente que sejam todos os profissionais da construtora, é difícil que não haja custos extras nesse item. Assim, para evitar surpresas, é recomendável que o orçamento disponibilize uma verba para indenizações, que vão desde a simples pintura de escoras até a reposição de equipamento danificado ou perdido.

Orçamento

• Fretes Deve também o orçamentista considerar verbas para fretes. Eles serão usados no transporte das fôrmas, cimbramentos, no aluguel de equipamentos, manutenções e transportes de modo geral. Equipamentos de transporte Na consideração dos equipamentos de transporte, especialmente nos de transporte vertical (gruas, guinchos, elevadores), o orçamento deve atentar a custos que vão além do valor de locação. São eles: • Transporte de ida e volta do equipamento; • Montagem e desmontagem; • Execução de blocos de apoio; • Custo do operador; • Ascensão; • Estaiamento; • Manutenção. No caso de equipamentos específicos, como guindastes, tratores, retroescavadeiras e afins, é mais interessante estabelecer um contrato a preço fixo e fechado, por empreitada ou serviço executado global. Outros equipamentos e materiais Em uma obra, especialmente na fase de estruturas, é intensivo o uso de equipamentos, em especial os de pequeno porte, além de materiais básicos como: • Furadeiras; • Serras; • Serrote; • Martelo; • Trena; • WC móvel; • Escadas metálicas; • Almoxarifado móvel; • Carrinhos (tipo plataforma ou caçambinha); • Cimento; • Areia; • Discos de corte; • Madeiras em geral etc.; Outro custo indesejável, mas que deve ser considerado é o de remoção de entulho. O orçamento pode estimar um número de viagens de dejetos por período específico.

Dicas
Vale a pena designar um conferente a cada carga ou descarga de formas e cimbramento. Além disso, um inventário periódico de todo equipamento locado pode evitar surpresas desagradáveis na hora da devolução total das peças. Custos podem ser reduzidos, se os blocos de apoio de gruas ou guinchos forem executados junto com as fundações.

Nota
Alguns desses custos farão parte de outras fases da obra. O orçamento poderá rateá-los, a fim de não sobrecarregar especificamente a fase de estruturas.

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Mão de obra direta É um dos itens de maior peso na fase de estruturas. No caso de utilizar mão-de-obra direta própria, o orçamento deve estar atento aos seguintes itens: • Custo e quantidade de horas normais; • Custo e quantidade de horas extras; • Premiação; • Encargos sociais (variam de região para região); • Férias; • Benefícios (alojamento, refeições, transporte) • Incidência de Dissídio da categoria durante a obra. Custos indiretos Considera-se no orçamento toda a mão-de-obra indireta do canteiro, como: • Engenheiro; • Mestre; • Encarregados; • Administrativos; • Almoxarifes; • Todos os encargos sociais e benefícios pertinentes. Custo da não-conformidade Em algum momento do empreendimento, as não-conformidades provenientes da má execução da estrutura, irão provocar custos extras. Obviamente devemos evitar que ocorram, mas o orçamento pode – por decisão estratégica da empresa – alocar alguma verba para disfunções, como: • Desaprumo de pilares; • Desnivelamento de lajes (face superior e inferior); • Desaprumo, desnivelamento e desalinhamento de vigas; • Bicheiras no concreto; • Exposição de armaduras; • Retrabalhos de ordem geral. Custo da segurança Podemos dizer que não se trata de custo, mas um investimento para a não ocorrência de custos que podem ter proporções muito grandes. O orçamento deve refletir a preocupação das obras e considerar custos para: • Equipamentos de proteção individual (EPI); • Bandeja de proteção fixa; • Bandejas de proteção móveis; • Sinalização de modo geral; • Fitas, cordas, cabos, telas e demais dispositivos de segurança coletiva; • Higiene do trabalho.

Já no caso da construtora terceirizar a execução, além de todas as precauções normais de contratação, é recomendável que o orçamento considere a existência de verbas referentes a serviços extras, não constantes do contrato com o subempreiteiro.

Orçamento

Os consumos de água, luz, telefone, transmissão de dados, seguros de obra, impostos municipais e aluguéis (se houver) também devem constar desses custos.

Notas
A informação sobre o número de horas normais depende do dimensionamento de mão de obra, definido na fase de planejamento. Muitas construtoras, com o objetivo de reduzir custos, vêm reduzindo os níveis hierárquicos no canteiro de obras, por exemplo eliminando a figura do mestre ou do encarregado. São decisões estratégicas que merecem análise mais profunda.

Dica
É importante, caso se trabalhe com mão-de-obra terceirizada, estabelecer todos os parâmetros de conformidade, para poder exigir correção sem custo de serviços executados de forma irregular.

Toda a relação acima exposta, obviamente não esgota a complexa relação de itens dos orçamentos de estruturas, mas destaca os principais, e também aqueles que por vezes são esquecidos nas composições. A natureza e o porte da obra, podem também sugerir outras abordagens de custos.

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Estrutura básica do orçamento São muitas as formas disponíveis para realizar orçamentos. As ferramentas mais comuns são os aplicativos específicos (softwares). A estrutura básica (e convencional) de um orçamento, obedece a uma ordem lógica de níveis, que é:

Orçamento

Insumo São discriminados todos os insumos básicos do orçamento. Simplificadamente, são atribuídas a eles as seguintes características: • Descrição (Ex: Concreto Convencional Fck 18 MPa, Bloco Cerâmico 25x25x14); • Unidade (m2, m3, Kg, Hora, Verba); • Preço Unitário (R$/m2, R$/m3, R$/Kg); Outras informações sobre os insumos, como espécie, grupo do insumo (para futuras classificações), data de cotação, responsável pelas informações, etc, podem fazer parte desse nível.

Composições Segundo nível da hierarquia dos orçamentos. Representam o agrupamento de insumos necessários para a execução de uma unidade de determinado serviço. São atribuídas a elas as seguintes características: • Descrição: (Ex: Fôrma com chapa plastificada – utilização de 5 vezes); • Unidade (m2, m3, Kg, Verba, etc.); • Preço Unitário (R$/m2, R$/m3, R$/Kg, etc.); Relatório de Orçamento É a tabulação de todos os resultados, o qual consta: • Descrição da Etapa (Ex: Superestrutura); • Descrição do Serviço (Ex: Térreo); • Relação das Composições, com os quantitativos.

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Suprimentos Muita gente confunde as iniciativas de orçamento, com o trabalho de suprimentos. Apesar de atividades díspares, os departamentos de suprimentos muitas vezes facilitam a obtenção das informações importantes para a elaboração do orçamento. Mais importante que isso, compras farão parte do sucesso do empreendimento e por isso devem receber atenção especial. Atualmente, tem-se percebido algumas práticas visando a melhoria da relação clientefornecedor, resultando em redução dos custos das obras. São algumas delas: Redes de fornecedores Quando uma empresa qualifica e elege um número restrito de fornecedores, efetuando suas compras somente em empresas dessa rede; Centralização de compras Quando um grupo de empresas se une na compra em conjunto de determinado material, aproveitando os benefícios da economia de grande escala; Tipologias de entrega de materiais Quando os fornecedores criam condições de entrega particulares, facilitando o recebimento nas obras de seus clientes; Política de preços Muito mais aberta e franca. A competitividade enriqueceu os processos de negociação. Adaptação dos produtos Muitos fornecedores adaptam seu produtos para atender melhor as necessidades dos clientes. Conformidade, qualidade e garantia Requisito principal para a perpetuação de qualquer negócio.

Orçamento

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Planejamento
Planejamento é o ato de elaborar um roteiro de um empreendimento. É o processo de estabelecer, com antecedência, as ações, os recursos, os métodos e os meios necessários para a execução de um projeto. Podemos dividir o Planejamento em dois tipos, de acordo com o seu nível de detalhamento e abrangência: Planejamento Estratégico são definidas as estratégias gerais do projeto; Planejamento Executivo ou Operacional abrangem os detalhamentos de cada área ou especialidade do empreendimento. Abordaremos aqui os aspectos e características do Planejamento Executivo focando o subsistema estrutura de concreto armado. O planejamento de um empreendimento não é uma atividade estanque. O início do processo ocorre já na fase de execução e detalhamento dos projetos, com as definições de sistemas construtivos. Todo seu desenvolvimento tem como pano de fundo a executabilidade no canteiro. As ferramentas mais utilizadas para o detalhamento de um planejamento executivo são: • Redes de precedências; • Cronogramas de barras; • Formulários contendo normas e instruções; • Mapas e gráficos; • Projetos e croquis.

Planejamento

Dica
A atividade de planejar deve ser dinâmica e flexível, tornando possível alterar seus dados conforme se avança na elaboração e execução do empreendimento.

Redes de Precedências Também conhecidas como Diagrama de Blocos, incorporam técnicas de PERT (Program Evaluation and Review Tecnique) e CPM (Critical Path Method). É a representação gráfica de um planejamento que demonstra a seqüência lógica e a interdependência entre as diversas atividades de um projeto. São necessários os seguintes elementos para o estabelecimento de uma rede: • relação das atividades; • interdependência entre as atividades; • duração de cada atividade. Tabela contendo os itens de uma rede e sua interdependências para o subsistema estrutura. Após a definição dos elementos citados e desenhada a rede, com os tempos de duração para cada atividade, podemos calcular as folgas, analisar gargalos e caminhos críticos, e avaliar o início de cada atividade.

Nota
A quantidade e grau de detalhamento das ferramentas do planejamento varia de projeto para projeto; dependem do nível de controle que se deseja obter na execução das atividades.

Eixo Eixo Gastalho Desforma Armação Forma/Cimb Concreto

Gastalho

Desforma

Armação

Forma/Cimb

Concreto

precede

precede paralelo

precede defasado paralelo

precede defasado defasado defasado

precede precede precede precede precede

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Planejamento

Dicas
Uma das grandes vantagens do cronograma de barras é a facilidade com que ele pode ser revisado, uma vez que ao alterar a data ou a duração de um evento, não é preciso refazer todo o cronograma. Essas revisões são comuns em função da realidade do andamento da obra e permitem necessários uma ao reprogramação dos diversos recursos

Cronograma de Barras Também chamado de Gráfico de Gantt, é uma das ferramentas mais utilizadas em planejamento, principalmente pela fácil visualização. O Cronograma de Barras é um gráfico em que no eixo vertical estão listadas as atividades a serem desenvolvidas na obra ou recursos a serem empregados, e no eixo horizontal está lançado o tempo. É possível utilizar esse instrumento para elaborar um “cronograma inverso”, isto é, um cronograma do conjunto de providências que precedem determinada atividade. Assim, por exemplo, quando determinamos que a atividade “fôrma” deve iniciar no mês de março, devemos estar conscientes que a ela precedem o projeto de fôrmas, a compra de material, a eventual produção no canteiro, etc., e que todas estas atividades “extra-obra” devem ser pensadas no planejamento.

cumprimento das atividades.

Nota
é importante ressaltar que o Planejamento do subsistema Estrutura de Concreto Armado, que estamos abordando neste manual, está intimamente atrelado aos demais subsistemas do projeto. É impossível tomarmos decisões estanques, sem ter uma visão global do empreendimento.

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Planejamento

Planejamento físico É o processo de se estabelecer a seqüência física das atividades dentro de um canteiro de obras. Normalmente utilizamos a ferramenta do cronograma de barras, determinando o início e fim de cada etapa construtiva, e as relações de dependências entre elas. O planejamento físico de uma estrutura deve ser desenvolvido levando em consideração informações do fluxo de caixa e do planejamento financeiro do empreendimento. Setorização da Obra Nas edificações verticais a execução da estrutura é dividida em dois grandes blocos, facilitando o planejamento e a execução no canteiro. Estes blocos são chamamos de torre ou corpo e periferia. A torre ou corpo é a projeção do andar tipo e a periferia tudo que está fora desta projeção.

Nota
o Planejamento Físico será o balizador e ditará o ritmo da produção no canteiro.

Dica
devemos setorizar a obra permitindo que o planejamento possa encontrar a melhor maneira de executar o projeto, otimizando os recursos e as tecnologias disponíveis dentro do prazo estipulado.

Normalmente, o planejamento físico prevê que a projeção da torre nos andares inferiores (subsolos e térreo) seja executada com prioridade. Isto possibilita que, ao iniciarmos a execução dos andares tipo, podemos “tocar” a periferia em paralelo. A periferia possui características especificas em termos de aproveitamento de fôrmas e caminhamento das equipes de mão de obra - principalmente a de carpintaria. Para que haja um fluxo uniforme das equipes é aconselhável que as diversas regiões da periferia sejam divididas em volumes de serviços similares (fôrmas, armação e volume de concreto). Em contrapartida, podemos considerar que as lajes de subsolos e térreo, incluindo a periferia, devam ser executadas primeiro, deixando a execução dos pavimentos tipo para uma fase seguinte. Ambas as alternativas de execução de estrutura tem suas vantagens e desvantagens, e uma decisão correta deverá avaliar todas as variáveis que envolvem o processo de tomada de decisão. Então, qual é a melhor maneira de se executar a estrutura, considerando os blocos torre e periferia?

Alternativa 1 executamos as lajes inferiores (subsolos e térreo) na região da torre e posteriormente, tocamos a torre e a periferia em paralelo; Alternativa 2 executamos todas as lajes de subsolo e térreo, inclusive periferia, e depois trabalhamos no pavimento tipo;

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Alternativa 1 Prazo executivo

Alternativa 2

Normalmente, em uma edificação vertical a estrutura é caminho crítico da obra. Os prazos de execução do pavimento tipo determinam o início e o ritmo das demais tarefas – alvenaria, revestimentos, acabamentos. Portanto, se trabalhamos com prazos exíguos, devemos executar a torre rapidamente.
Planejamento financeiro

Esta alternativa só é viável quando temos tempo suficiente para a execução de toda a periferia, para depois iniciarmos o pavimento tipo. Neste caso, não há sobreposição de atividades.

Planejamento

Quando o fluxo de caixa permite, os desembolsos são maiores, porém, mais uniformes que a alternativa 2, pois executamos em paralelo a torre e a periferia.
Custos

Para esta alternativa, o fluxo de caixa no início da execução da estrutura é mais baixo. As despesas maiores, que ocorrem no período do pavimento tipo, são postergadas. Agora, se a estrutura de periferia e projeção da torre nos subsolos e térreo é uniforme, com trechos grandes, pode ser interessante executálos prioritariamente, utilizando um jogo de fôrmas próprio. Trabalharemos então com um novo jogo de fôrmas só para o pavimento tipo.

O custo pode impactar esta alternativa conforme o detalhamento da estrutura. Se a periferia possui lajes e vigas sem repetitividade e com panos pequenos, será interessante estender a execução da periferia, realizando-a em pequenos trechos e com poucos painéis de fôrmas, pois a reforma e adaptação para os trechos serão custosas. utilização de fôrmas e mão de obra.
Mão de obra e equipamentos

De qualquer maneira, é interessante fazer um equalização de custos das duas alternativas quanto a

Quando contratamos de subempreiteiros ou temos disponibilidade mão-de-obra e equipamentos, esta alternativa é viável, bastando realocar os recursos quando iniciamos a execução do pavimento tipo e a periferia em paralelo.
Qualidade

Quando temos limitações de recursos de mão-deobra, esta alternativa se torna mais viável, pois podemos equalizar o ritmo de trabalho com o dimensionamento da equipe. É interessante quando trabalhamos com mão-deobra própria Normalmente, quando executamos toda a periferia antes de iniciar o pavimento tipo, os resultados com relação à qualidade são melhores: • o canteiro fica “livre” da movimentação de terra; • o travamento da estrutura nas cortinas de periferia elimina não conformidades e problemas de qualidade na estrutura; • melhora o lay out do canteiro, criando mais áreas para estoque de materiais e alojamentos e escritórios de subempreiteiros; • evitamos trabalhar com equipes distintas em um mesmo período da obra; • as etapas construtivas são executadas obedecendo uma ordem lógica (começo, meio e fim), eliminando a possibilidade de deixar tarefas para serem executadas posteriormente.

Para este caso, devemos atentar para não estender a execução da periferia. É comum nos canteiros que os responsáveis pela produção encararem a periferia como um “pulmão”, realizando as atividades nos períodos de “folgas” ou com as “sobras” de material. É usual também encontrarmos uma equipe terminando a periferia quando a torre está em fase de acabamento e instalações. A possibilidade de se deixar “arremates” é muito grande e a qualidade, nessa hora, fatalmente é relegada a segundo plano.

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Estratégia comercial

A estratégia comercial pode influir na tomada de decisão. Em empreendimentos com preço fechado, em que a velocidade de vendas das unidades é fator determinante para o sucesso do negócio, a rapidez com que a obra “aparece”

Em empreendimentos com preço de custo ou financiados, em que a velocidade da estrutura não tem relevância ao negócio, esse aspecto terá um peso menor na tomada de decisão; devemos, então, analisar os outros itens com mais rigor.

Planejamento

passa a ser fundamental. Nestes casos, prioriza-se a execução da estrutura e até do acabamento, em detrimento a outras etapas que não são perceptíveis ao cliente final.

Nota
aspectos técnicos podem forçar a tomada de decisão em favor de uma determinada alternativa. Pode ser necessária a execução da toda a periferia antes de iniciarmos o pavimento tipo, quando, por exemplo, trabalhamos em terrenos que exijam rebaixamento do lençol freático. Nessa situação, o custo de aluguel do equipamento é alto, forçando a priorização da execução de toda a estrutura do corpo e periferia, inclusive a laje de subpressão. a comercialização é do fator

As soluções tecnológicas adotadas na periferia nem sempre são as mesmas adotadas para a torre. Diferentes materiais em função de diferentes reaproveitamentos devem ser considerados - por exemplo: chapas compensadas diferentes. A logística e a metodologia de concretagem também pode ser diferente da torre, dependendo dos volumes e disponibilidade de equipamentos (bomba x grua). Planejamento financeiro É o processo de estabelecer o volume de aporte financeiro do empreendimento ao longo do tempo. Podemos utilizar as ferramentas do cronograma de barras, histograma, gráfico ou planilhas, determinando fluxo de dinheiro em cada etapa construtiva. A execução do Planejamento Financeiro de um empreendimento está atrelada às variáveis: • Fluxo de investimento do empreendedor/investidor, ou aporte do agente financeiro – quando trabalhamos com financiamento bancário, por exemplo; • Características de comercialização do empreendimento; • Planejamento Físico do empreendimento; Quando estamos trabalhando em um empreendimento a preço fechado, o sucesso e a velocidade de vendas podem alterar todo o planejamento elaborado previamente. Problemas como inadimplência dos compradores ou conjuntura econômica do País também costumam interferir nas atividades no canteiro. Entretanto, para empreendimentos que contam com aporte de algum agente financeiro, como bancos, cooperativas ou instituições estatais, o fluxo de caixa é mais seguro e sujeito a menores oscilações, determinando um cronograma físico – financeiro regular.
Atividade
Fundações e infraestrutura Tubulões (projeção) Blocos e vigas (projeção) Superestrutura (Projeção) 2º SS (projeção) 1º SS (projeção) Térreo (projeção) 1º Pav 2º Pav 3º Pav 4º Pav 5º Pav 6º Pav 7º Pav 8º Pav 9º Pav 10º Pav 17º Pav Laje de cobertura Ático Superestrutura (Periferia) Tubulões Blocos e vigas Cortina 1 Laje de Periferia - 2º SS Laje de Periferia - 1º SS Laje de Periferia - Térreo mai/00 jun/00 jul/00 ago/00

O Planejamento Financeiro de um empreendimento pode ser apresentado de duas maneiras distintas, a análise financeira e a análise econômica. Análise Financeira É a apresentação do Planejamento Financeiro em sua forma mais simples – fluxo de caixa; ou seja, o fluxo de desembolso de dinheiro, mês a mês, distribuídos nos subitens da estrutura determinados pelo planejamento físico e o orçamento. Este cronograma financeiro se presta para o dimensionamento do caixa da obra. Porém, para efeito de controle, é difícil prever se estamos dentro do orçamento, pois seu acompanhamento ocorre ao final de cada item, tornando impossível a verificação parcial durante a execução.

empreendimento

fundamental na definição do fluxo financeiro de uma obra, e portanto, na determinação do ritmo de execução.

set/00

out/00

Total (R$)
36.849,28 39.557,34 34.823,26 32.562,02 30.911,35 33.414,74 27.143,62 25.234,55 25.234,55 25.234,55 25.234,55 25.234,55 25.234,55 25.234,55 25.234,55 25.234,55 25.211,05 15.570,46

13.185,00 17.411,63 17.411,63 16.281,01 16.281,01 30.911,35

33.414,74 27.143,62

25.234,55 25.234,55 25.234,55 25.234,55

25.234,55 25.234,55 25.234,55

12.283,09 12.283,09 12.283,09 19.778,68 19.778,68 1.341,55 1.341,55 26.117,45 26.117,45 24.421,52 24.421,52 23.183,51

36.849,27 39.557,36 2.683,10 52.234,90 48.843,04 46.367,02

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Análise Econômica Difere da análise financeira por tornar possível o acompanhamento dos custos ao longo da execução de uma tarefa. É uma análise dos custos reais das etapas construtivas, sendo um importante instrumento de controle de custos. O que é a analise econômica? No que ela difere da análise financeira? Durante a execução de uma estrutura, vários insumos são adquiridos com antecedência (fôrmas, madeira, aço e etc.), outros são comprados somente no momento da aplicação (concreto) e outros são utilizados na execução e geram despesas posteriores – serviços pagos através de medições, tais como, mão de obra de carpintaria, armação, subempreiteiros etc.

A análise econômica equaliza a ação no mesmo tempo do desembolso ou custo. Já a analise financeira considera somente a saída do dinheiro do caixa. Por exemplo: Concretagem da laje do 5º pavimento tipo (de um total de 12 pavimentos) no dia 20 de maio (volume = 52,0 m3 para pilares, vigas e laje)

Planejamento

• pagamento da fatura para a concreteira em 20 dias fora a quinzena; portanto dia 20 de junho; • pagamento da mão de obra empreitada (fôrma, armação e lançamento de concreto), através de medição quinzenal, com fatura vencendo cinco dias após; portanto dia 05 de junho; • aço (material) recebido na obra 30 dias antes de sua aplicação, com fatura paga 30 dias após a entrega; portanto dia 20 de maio; • cimbramento metálico alugado é pago através de medições mensais, com faturas pagas no 10 dia do mês subsequente; portanto 10 de junho; • considerando ainda que concretamos duas lajes por mês; portanto o custo mensal do aluguel do cimbramento metálico é dividido em duas lajes; • fôrma de compensado plastificado para o pavimento tipo, com previsão de 12 utilizações, paga 30 dias após o recebimento na obra (considerar que este evento ocorreu em 1º de março); portanto 1º de abril; • como adquirimos um conjunto de fôrmas que será utilizado nas doze lajes tipo, consideramos então que, para cada laje concreta, o custo equivale a 1/12 do custo do conjunto; Considerando os fatos acima, como ficariam então as análises financeira e econômica desta fase da estrutura ? Cronograma com a Análise Financeira
Insumo Concreto (material) Aço (material) Mão de obra Cimbramento (aluguel) Fôrma (material) Total Custo (R$) abril/01 maio/01 junho/01 julho/01

8.320,00 7.020,00 10.660,00 332,80 11.544,00 11.544,00 37.876,80 11.544,00 7.020,00 7.020,00

8.320,00

10.660,00 332,80

18.980,00

332,80

Cronograma com a Análise Econômica
Insumo Concreto (material) Aço (material) Mão de obra Cimbramento (aluguel) Fôrma (material) Total Custo (R$) abril/01 maio/01 junho/01 julho/01

8.320,00 7.020,00 10.660,00 332,80 11.544,00 37.876,80 0,00

8.320,00 7.020,00 10.660,00 166,40 962,00 27.128,40 0,00 0,00

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Podemos perceber que a análise financeira nos dá um avaliação do desembolso da obra no mês em estudo, e a análise econômica, indexada pelos 52,0 m3 de concreto, por exemplo, nos fornece o exato custo/m3 gastos para a execução da laje do 5º pavimento. Plano de ataque É a fase do Planejamento Executivo em que detalhamos todos os aspectos técnicos da obra, tais como: • ciclo; • dimensionamento de equipamentos; • dimensionamento de equipe. Ciclo Nas obras verticais, a repetitividade das atividades em cada andar cria bom potencial para a prática de um planejamento sistematizado. É como se cada pavimento fosse um projeto separado, com um início e fim claramente definidos, repetindo-se para cada novo pavimento. Isto nos leva a identificar ciclos de atividades. Para a construção de um modelo representativo de ciclo, deve-se:
Dia 1 Dica
a análise econômica é uma importante ferramenta de gerenciamento de custos, pois nos fornece informações, praticamente em tempo real, tornando possível a avaliação dos trabalhos da equipe de estruturas, e possibilitando correções imediatas nos rumos da produção.

Planejamento

Nota
a informação básica para iniciarmos o detalhamento do Plano de Ataque é: quantos m3/dia, em média, deveremos concretar para seguir o planejamento físico e financeiro.

Atividade no Pavimento (n-1)

Atividade no Pavimento (n)

eixos – gastalho / armação dos pilares / montagem da fôrma de pilar / concretagem de pilar techo 1 eixos – gastalho / armação dos pilares / montagem da fôrma de pilar / concretagem de pilar techo / desforma de pilar trecho 1 desforma de vigas / retirada de cimbramento reescoramento desforma de vigas / retirada de cimbramento reescoramento / desforma de laje trecho 1 desforma de laje trecho 2 desforma de pilar trecho 2 / montagem de forma de viga / montagem de escoramento montagem de forma de viga / montagem de escoramento / montagem de painel de laje montagem de painel de laje trecho 2 / armação / instalação concretagem de viga e laje

2

3 4 5 6

• identificar os recursos necessários a cada operação de construção; • identificar as tarefas elementares; • relacionar a seqüência das tarefas e suas relações;

• identificar o caminhamento dos recursos (principalmente mão de obra) pelas tarefas;

Abaixo, exemplo de recursos empregados em uma estrutura de concreto. No passo seguinte do modelo, descrevemos a relação de ocupação entre as atividades, chegando aos estados ativos e ociosos de cada um dos recursos empregados.
Recursos Empregados Recurso Grua Fôrma do poço Fôrma de pilares Fôrma de laje Cimbramento e reescoramento Equipe de carpintaria Equipe de armação Equipe de concreto Quantidade Diagrama de ocupação
Tarefa
Grua

1 un. 1 jg. 1 jg. 1 jg. 2,5 jg. 1 eq. 1 eq. 1 eq.

Subir fôrma interna do poço Montagem de fôrma interna Subir aço pilares e poço Armação poço e pilares Subir fôrma de pilares e poço Montagem fôrmas pilares Concreto pilares e poço Desforma do andar inferior Reescoramento Subir cimbramento Subir fôrma da laje Limpeza de fôrmas Subir armação de laje Montagem de fôrmas da laje Subir instalação Montagem armação Montagem instalações Verificações Concretagem a laje

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19

ativa ativa ativa ociosa ativa ociosa ativa ociosa ociosa ativa ativa ociosa ativa ociosa ativa ociosa ociosa ociosa ativa

Equipe Equipe carpintaria armação

ativa ativa ociosa ociosa ativa ativa ociosa ativa ativa ativa ativa ativa ociosa ativa ociosa ociosa ociosa ativa ativa

ociosa ociosa ativa ativa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ativa ociosa ociosa ativa ociosa ativa ociosa

Equipe concreto

ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ativa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ociosa ativa

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Podemos representar graficamente o ciclo.

Planejamento

Nota
Trabalhar com ciclos possibilita que todos na obra saibam em qual

A definição do período do ciclo, na maior parte das vezes, está ligada a uma necessidade de conclusão do empreendimento, que por sua vez determina um prazo para a conclusão da estrutura. A execução da estrutura fica, então, confinada entre o final das fundações e o início da montagem de elevadores e acabamento das fachadas. Há muito tem-se procurado adotar como sendo o período de ciclo “ideal” o prazo de 5 dias para cada pavimento e coincidir o dia de concretagem às sextas-feiras, de forma que a cura e obtenção da resistência para desforma ocorram durante o final de semana. Dimensionamento de equipamentos Outro item definidor da estratégia de ataque da obra é o dimensionamento dos equipamentos. Neste caso, a escolha do equipamento de movimentação vertical de um canteiro é de fundamental importância, pois ele dita o ritmo da produção. Dimensionamento de equipe Os índices de composição orçamentários têm sido o principal referencial para o dimensionamento da equipe de produção. Entretanto, devemos modificar a forma de dimensionar este recurso, adotando uma visão detalhista das atividades que constituem o ciclo e buscando entender exatamente quem faz o que e quando. Observar o detalhe das operações significa entender como se processa esta operação como um todo, quais os recursos necessários a seu desempenho e o esforço de mão-de-obra requerido. Vejamos, como exemplo, o primeiro dia de um ciclo, com uma estratégia de concretagem de pilares “solteiros”, com grua, sendo necessário que, ao fim deste dia, os pilares estejam concretados. Ao invés de dimensionar a equipe pelo índice orçamentário, observamos os pilares, quantos são, qual o grau de dificuldade presente em cada um, e,

ponto deveriam estar em determinado dia do ciclo. Isso gera um controle quase que visual do andamento da produção e uma auto-regulação do trabalho da mão-de-obra direta.

Operação Marcação dos eixos Gastalhos Armação Desforma trecho anterior Montagem de fôrmas

Horário
7h00 – 8h30 8h30 – 10h00 8h00 – 10h30 7h00 – 10h30 10h30 – 14h30

Quem faz

Quantos

Topografia Carpintaria Armação Carpintaria Carpintaria Topografia Pedreiros Topografia
Dica
ao dimensionar as equipes, visualize as pessoas realizando as tarefas. O dimensionamento da equipe é função da quantidade de trabalho em cada etapa.

Liberação de concretagem 14h30 – 15h30 Concretagem Verificação
15h30 – 17h00 16h00 – 17h30

por fim, quais as atividades que fazem parte desse processo. Procedendo desta forma, podemos visualizar que, após a montagem da fôrma, a equipe de carpinteiros pode estar ociosa ou que a topografia pode “amarrar” as frentes de trabalho. Ao final do estudo de todos os dias de ciclo, teremos definido a quantidade de operários, não a partir de um índice genérico, mas através de uma boa avaliação sobre a atividade de cada um.

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A definição do sistema fôrma e cimbramento tem função importante no estudo do plano de ataque da estrutura e permeia todos os aspectos abordados acima: ciclo, dimensionamento de equipamentos e equipe. Sob o ponto de vista do plano de ataque, podemos dividir o sistema fôrma e cimbramento em dois grandes grupos, conforme a execução dos pilares:

Planejamento

1. Utilização de pilares “solteiros”:

Dicas
estruturas com lajes planas tendem a favorecer um plano de ataque com sistemas pilares solteiros, a utilização de grua e, eventualmente, o uso de mesas voadoras. estruturas vigadas aliada ao uso de guincho, “pedem” um plano de ataque com sistema integrado de fôrmas e cimbramento.

É uma solução que, praticamente, exige grua. O ciclo é articulado de forma que os pilares sejam concretados e desformados antes da realização de qualquer outro serviço. Torna a obra dependente da eficiência do planejamento e de equipamentos, além de não permitir a sobreposição de tarefas. Porém, pode possibilitar o uso de ½ jogo de fôrmas de pilares (ou até mesmo de 1/4), caso haja uma geometria adequada no projeto, diminuindo os custos de fôrmas.
2. Utilização de sistema integrado:

Sistema em que a montagem das fôrmas de pilares, vigas e lajes são feitas em conjunto. É uma solução que torna a obra muito dependente da qualidade e velocidade dos operários, além de exigir demais do sistema fôrma e cimbramento, devido aos constantes ajustes. Planejamento logístico É o estudo da movimentação horizontal e vertical de materiais, do dimensionamento de estoques, da administração do fluxo de insumos dentro de um canteiro, bem como do arranjo físico e sua evolução com a obra. O estudo logístico de uma obra produz o planejamento do transporte e armazenagem dos materiais e insumos e sua relação com o método executivo do trabalho, resultando na diminuição dos desperdícios de materiais, gastos com equipamentos, redução de equipes de serventias alocadas no transporte e organização do canteiro. Os produtos do planejamento logístico são: • dimensionamento de equipamentos 1. Definição dos materiais a e equipes para movimentação; serem estudados: • projeto de canteiro; No caso específico da estrutura de uma • os custos envolvidos nesta operação. obra, os materiais escolhidos são: A metodologia de trabalho para se • concreto; planejar a logística de uma obra, segue • aço cortado e dobrado; os seguintes passos (estaremos • fôrma; focalizando apenas o subsistema • cimbramento. estrutura neste estudo):

2. Cronograma de cargas:

Devemos analisar como os materiais se movimentam ao longo do tempo. Os equipamentos de transportes (horizontal e vertical) deverão ser dimensionados de acordo com as suas capacidades de carga. O resultado desta etapa pode ser visualizado em um histograma de cargas.

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3. Escolha do método de movimentação:

4. Avaliação das interferências:

Define-se qual é o melhor meio de transporte horizontal/vertical para os insumos elencados na primeira etapa. Esta análise é feita considerando todos os materiais separadamente e seus respectivos volumes a serem transportados durante o período crítico. Deveremos agora desenvolver um “pré arranjo físico” do canteiro, determinando os custos e os possíveis locais em que ficariam os equipamentos de movimentação e estoques, e mensurar as distâncias que os materiais percorrerão da área de armazenagem até a frente de serviço.

Muita vezes, o dimensionamento subestima o dia a dia da obra e as flutuações de demanda por determinado equipamento. Enquanto na média, determinado equipamento mostra-se compatível com o nível de serviços demandados, pode ocorrer que nos picos ele não atenda. Na verdade, resolver os picos de demanda do sistema de movimentação, acaba por definir o tipo e quantidade de equipamentos que iremos utilizar, como é o caso da grua, por exemplo.

Planejamento

5. Projeto do canteiro:

O projeto do canteiro deverá conter: • locação do equipamento de transporte vertical ( ex: guincho); • locação dos equipamentos auxiliares de transporte (ex: bomba de concreto); • vias de acesso ao canteiro (ex: portão de entrada de materiais e pessoas); • vias de circulação interna de materiais e pessoas; • áreas de estoques intermediários - painéis de fôrma, aço pré-montado, por exemplo; • áreas de estoque de matéria-prima madeira, compensado, vergalhões, por exemplo; • áreas de trabalho - pré-montagem de aço, fabricação de fôrmas, por exemplo.

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Controle
Os controles são sistemas, normalmente inoperantes em muitas empresas. Mesmo com o apoio de softwares, não realizam completamente suas funções básicas, que são: • Monitorar compromissos de prazos, custos e qualidade; • Fornecer subsídios para a melhoria contínua da performance da operação. Muita gente não percebe, também, o caráter de “planificação” dos controles, ou seja, além de monitorar o desempenho, ter capacidade de fazer projeções (inferências) futuras e propor alternativas durante o processo. Os controles devem ser estruturados antes do início da atividade e devem começar a “funcionar” concomitantemente a ela. O “fluxo” de controle deve obedecer mais ou menos essa lógica:

Controle

Padrões O orçamento e o planejamento contêm, geralmente, os padrões a serem definidos, como perdas, produtividade, consumo de materiais, etc. É importante que sejam definidos levando em consideração a natureza da obra, as características de projeto, a cultura da empresa, entre outros. Fatores que variam Os principais itens de uma obra - especialmente na fase de estrutura – que respondem pela maioria das variações são: Mão de obra Equipamentos Em função do nível de qualificação, treinamento, humor e fadiga; Devido à falta de manutenção (paradas por quebras), mal dimensionamento e má operação; Pela falta de padronização nos métodos e aumento da variabilidade nas formas de produção; Por causa da qualidade dos insumos.

Método de trabalho

Matéria prima

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O que controlar Não existe um padrão universal de controle. A sua importância é diretamente proporcional ao foco da empresa, do cliente ou do contrato. Genericamente, uma boa sistemática de controle deve prever: • Controle de prazos; • Controle de custos (controle financeiro e econômico); • Controle de qualidade • Controle da produtividade; • Outros controles de interesse exclusivo. Indicadores Os indicadores serão as referências, os balizadores a serem comparados com a situação real de desempenho da atividade. De maneira geral, esses indicadores apresentam-se de três formas: • Índices históricos da própria empresa, com os quais serão comparados os indicadores de uma obra específica; • Indicadores-meta, que seriam os resultados a serem perseguidos; • Indicadores de mercado, que refletem genericamente o que outras empresas têm realizado com relação aos seus desempenhos individuais. Seja qual for, o estabelecimento de referências implica no conhecimento profundo do resultado esperado para determinada atividade. Acervo Técnico A cada obra, erros são cometidos, inovações produzidas, experiências e conhecimentos gerados. O problema é que tudo se perde ou fica incorporado apenas aos profissionais que os vivenciaram. Os acervos registram uma história, que deve ser recuperada quando necessário e deve estar organizada de tal forma que possa ser inteligentemente disponibilizada. Deve existir, assim, uma metodologia de se organizar essa memória. Nesse conteúdo deve estar presente, por exemplo: • Procedimentos de execução dos serviços; • Modelos de decisão; • Índices; • Desempenho de fornecedores; • Registros de métodos de execução dos trabalhos; • Registros de inovação. • Registros dos erros cometidos;

Controle

Dica
Cuidado com a generalização. As obras têm tipologias distintas.

Controle de prazos

O controle normalmente é visualizado sobre o planejamento executivos, na forma de “previsto” (o planejamento) e “realizado”, como mostra o exemplo.
Pavimento Tipo 1º Pavto. 2º Pavto. 3º Pavto. 4º Pavto. 5º Pavto. Acomp. Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 Semana 5

previsto realizado previsto realizado previsto realizado previsto realizado previsto realizado

As diferenças entre o previsto e o realizado devem ser analisadas. Se houver necessidade, esse instrumento pode servir de base para um replanejamento. Caso contrário, registram-se os desvios e aguarda-se nova medição. Tudo dependerá dos motivos, do grau de risco assumido e da relação com o fluxo de caixa.

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Controle de custos

Controle

Similar ao controle de prazos, o controle de custos acompanha os gastos como um fluxo de caixa. Compara os recursos previstos e disponibilizados com o realmente incorrido. É de suma importância, uma vez que os recursos que “sobram” deixam de ser remunerados em aplicações financeiras ou destinados a outros fins, enquanto a falta de recursos pode tornar a empresa inadimplente. A tabela seguinte mostra simplificadamente um exemplo.
Descrição dos serviços Superestrutura
Fôrma de madeira (pilar/viga) Fôrma chapa compens. Plastif. (laje/escada) Escora de madeira para lajes Armadura CA -50 (pilar/viga) Armadura CA-50 (laje/escada) Armadura CA-50 (alvenaria/verga) Graute em alvenaria estrutural (ensacado) Concreto usinado fck 30,0 MPa (pilar/viga) Concreto usinado fck 30,0 MPa (laje/escada) 34.258,09 94.741,48 3.820,82 59.540,00 63.177,71 19.324,00 29.294,00 31.944,04 73.730,60
Prev. Real Prev. Real Prev. Real Prev. Real Prev. Real Prev. Real Prev. Real Prev. Real Prev. Real 11.990,33 11.000,00 23.685,12 25.000,00 955.21 11.990,33 1.500,00 23.685,12 22.000,00 955,21 1.000,00 5.954,00 4.879,00 2.527,11 10.277,43 14.700,00 23.685,12 22.456,00 955,21 1.000,00 10.717,20 7.489,00 4.548,80 4.269,00 23.685,12 18.521,00 955,21 1.000,00 7.144,80 7.523,00 7.960,39 6.985,00 2.898,60 2.900,00 4.394,10 5.500,00 3.833,28 4.100,00 9.164,06 10.600,00

Custo total M-O + Material

fev

mar

abr

mai

jun

jul

1.895,00 254,00 3.194,40 5.749,93 3.100,00 4.985,00 2.909,22 5.236,60 2.154,00 4.999,00

16.075,80 8.458,00 8.745,00 5.360,99 12.509,19 6.974,00 11.589,00 3.091,84 3.285,08 2.955,00 4.589,00 4.687,04 4.979,98 2.569,00 3.965,00 8.624,89 1.458,00 6.325,00 6.109,37 14.400,66 5.236,00 9.654,00

Esses dados podem gerar um gráfico para facilitar o acompanhamento visual.

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Controle de produtividade

Na construção – e em especial na fase de estruturas - a produtividade está atrelada especialmente à mão-de-obra direta. E como temos funções muito bem definidas no canteiro – carpinteiros, pedreiros e armadores – devemos dar tratamentos específicos a cada especialidade. Os índices mais comuns a serem levantados para cada função são:
Função Índice

Controle

Carpinteiro Armador

hh/m2 de fôrma fabricada hh/m2 de fôrma montada hh/Kg de aço cortado e dobrado hh/Kg de aço montado hh/Kg de tela metálica montada
Notas
É engano pensar que o controle da mão-de-obra terceirizada é desnecessário. Muitas empresas obtêm reduções nos preços de empreitada, quando negociam junto aos fornecedores a capacitação e o aumento da mão de obra do mesmo. Em nenhum dos casos

Pedreiro

hh/m3 de concreto lançado

Note que os valores de referência já foram definidos nas fases de planejamento e orçamento (os quantitativos vêm dos projetos e o número total de homens-hora é definido pelo dimensionamento das equipes). Um refinamento se faz necessário. Nesse tipo de controle, devemos tomar cuidado com a diferenciação entre: Homem-hora trabalhado Que envolve estritamente as horas gastas com a produção (horas normais e horas extras sem os acréscimos de custo); Homem-hora custeado Que envolve as horas gastas na produção (horas normais mais horas extras), somadas aos acréscimos de custo das horas extras (50% ou 100%), somadas ainda às horas-prêmio (horas pagas sem trabalho).

considera-se a incidência de encargos sociais.

Glossário
“hh” significa homem-hora, ou seja, refere-se ao trabalho de um homem durante uma hora.

Essa distinção é muito importante, porque baliza decisões junto à mão-de-obra. Veja o exemplo abaixo:
Carpinteiro A Carpinteiro B

Quantidade de fôrmas a montar Horas Normais gastas Horas Extras a 50% gastas Premiação Índice Trabalhado Índice Custeado

80 m2 76 horas 20 horas 50 horas 1,20 hh/m
2

80 m2 144 horas _ 10 horas 1,80 hh/m2 1,93 hh/m2

1,95 hh/m2

Percebe-se que o carpinteiro A teve uma produtividade muito melhor no índice trabalhado, apresentando um índice custeado praticamente igual ao do seu colega. A análise dos índices é de suma importância para as tomadas de decisão. É que a maior ou menor produtividade podem estar atrelados a fatores como paradas, esperas, movimentação, enfim, muitas outras variáveis que não apenas a “eficiência” do operário.

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Controle de perdas

Controle

Esse controle, apesar de muito útil para acompanhamento de custos e desperdício, é ao mesmo tempo bem difícil de ser operacionalizado, pois toda a análise dos resultados é delicada e minuciosa. Tomemos como exemplo o concreto: • Volume de concreto de projeto para determinada laje = 50 m3 • Volume real lançado = 53 m3 • Diferença = 3 m3 = 6% Onde foram parar esses 3 m3 gastos a mais? Podemos, nesse caso, ter mais de uma resposta:
a) Os caminhões de concreto vieram com menos concreto do que o volume nominal dos caminhões; b) Caiu muito concreto durante o lançamento; c) A laje foi executada com espessura maior do que determinava o projeto (as mestras “subiram” durante o lançamento); d) O engenheiro programou o volume junto à concreteira com uma “folguinha”; e) Todas as anteriores.

Esse exemplo serve para ilustrar que o “rastreamento” dos motivos para a incidência de perdas é importante antes de qualquer indicação de atitudes. A tabela e os gráficos abaixo exemplificam um acompanhamento de perdas no concreto. O mesmo raciocínio vale também para as fôrmas e todo o aço.

Controle de qualidade

A qualidade, palavra tão em voga ultimamente, também deve ser controlada nessa fase, especialmente porque a estrutura forma o “caráter” da edificação, ou seja, se não for bem formada no começo, a possibilidade de realizar melhorias posteriores é muito pequena. A qualidade de todas as etapas seguintes depende da boa qualidade da estrutura de concreto. O segredo para efetuar o controle da qualidade é primeiramente definir o que se pretende com o controle e o que é importante acompanhar. Isso varia de acordo com a cultura da empresa e das características de cada obra. As empresas que participam de algum programa de qualidade, ou que já possuem uma certificação, já estão sensibilizadas no que diz respeito à qualidade e no seu

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