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NEIL HARBISSON: EM DEFESA DE UMA IDENTIDADE CIBORGUE

Djaine Damiati FCLAr / UNESP djainedamiati@gmail.com CAPES Diversidade, identidades e direitos Neil Harbisson é um artista audiovisual portador de acromatopsia. Doença genética rara que só lhe permite ver o mundo em preto e branco. Em 2003, em parceria com cientistas da computação, ele desenvolveu um olho eletrônico que detecta a cor e a transforma em uma frequência de som transmitida para um chip instalado em sua cabeça. A aparência do " eyeborg" é semelhante a uma minicâmera posicionada no meio da testa. Harbisson foi a primeira pessoa no mundo reconhecida como ciborgue. Ao tirar uma foto para o seu passaporte, ele foi proibido de utilizar o equipamento pela polícia alfandegária de seu país. Assim, o governo do Reino Unido foi obrigado a reconhecer Harbisson como o primeiro indivíduo ciborgue. A partir de então, a foto com o dispositivo em frente à testa passou a ser válida para todos os seus documentos. Atualmente o artista ciborgue atua como ativista percorrendo países na defesa dos direitos dos seres humanos de se transformarem em ciborgues. Em 2010, ele criou a Fundação Ciborgue cujo lema é “Defenda os direitos do ciborgue e promova o uso da cibernética como parte do seu corpo.” A instituição busca desenvolver pesquisas com o intuito de auxiliar seres humanos em condição semelhante a de seu fundador, a serem reconhecidos como ciborgues. Com base no pensamento social contemporâneo, o presente artigo traz o caso de Harbisson para o centro de uma reflexão sobre as identidades no mundo atual e os processos de subjetivação em um contexto onde a própria ontologia humana é colocada em xeque, à medida que se torna possível hibridizar organismos e máquinas. Quais os direitos dos ciborgues? Qual seu lugar no mundo? A este debate juntam-se a discussão sobre a configuração do biopoder e o descentramento do sujeito contemporâneo, considerando as fronteiras do corpo como limites da identidade de si e estando o sujeito materializado neste corpo, não apenas em naturalidade biológica, mas em toda a cultura que se projeta nele.