DÉCIO

PIGNATARI

1973 3 a ed. 2004.. . CDD 302.2 Depósito Legal na Biblioteca Nacional. Literatura. . 2004 Ficha catalográfica elaborada pelo Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP Pignatari. ed. I. Inclui índice onomástico. Título.Cotia: Ateliê Editorial. . Comunicação.. conforme Decreto N° 1825. 272 p. Ateliê Editorial.I a éd. 3. Décio. Contracomunicação / Décio Pignatari.. Arte. Editora Perspectiva. 2. de 20 de dezembro de 1907. rev.3. 1971 2 a éd. Editora Perspectiva. ISBN 85-7480-207-7 1.

SUMÁRIO GUISADO DE PREFÁCIO 11 1 . ENTREVISTAS E DEPOIMENTOS Entrevista Depoimento 1 .Canal 2. ?Í\VV/V.. São Paulo Um Novo Gênero Literário 75 81 69 . ^M'?.. 61 Mensagem e Massagem de Massa TV Cultura no Ar . COMUNICAÇÃO 19 27 31 33 Uma Escola de Comunicação Código & Repertório Formação e Informação Inaugural) 43 53 Universitárias (Uma Aula . Depoimento 2 A Comunicação Pensada (Entrevista) 2. .

Tripé k j j r / 99 121 127 131 137 ( í ç .TS H 0 PtiS^QO I fy o 4. 500 A. Terceiro Tempo: O n z e Crônicas de Futebol (1965) Flama não se Paga Bola Carijó .1 Grosso & Fino .j * n » « < « Marco Zero de Andrade Teoria da Guerrilha Artística A Vida em Efígie (Caos. Ademirável da Guia Bolítica Sem Piedade. cXo f=-£. Caso e Acaso) 149 167 177 5. 203 207 211 213 215 219 223 227 .3. Chega de Campeões! .1 Chega de Campeões! -2 189 193 . T X T 1 3&L-Ç. 195 199 .2 .gft. Mané! Ama Dor Rivelino e o Dragão Grosso & Fino . . Literatura A Situação Atual da Poesia no Brasil Vanguarda como Antiliteratura Qorpo-Santo Antologia Sincrônica? Apor o . .C. . .

6... ARTES. Mad in Brazil ÍNDICE ONOMÁSTICO. Volpi O Que Acontece quando o Happening Acontece Antiarte Artística Metacinema-. 253 265 . 233 239 241 247 .

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dos desbotamentos. como poderia dizer Augusto de Campos. o novo como processo de recuperação viva e crítica do passaturo.Este é meu coat of many colours. Em tudo. vida. pontos e pespontos de certa contemporaneidade.. Mr. prefácios a. quase tudo e seu etc. Um trencb coat. Texto têxtil. esse agora. essa pequena guerra sem frentes e só de frentes. planejamento aberto. Read. desordem mais ou menos cronológica. Ilustrado.. a epígrafe-prefácio do Coat of many colours à guisa de posfácio de prefácio. 0 lucro exige um tempo linear. camuflar até o que se quer captar. a cultura.G U I S A D O DE PREFÁCIO . autocorretivo. eventualmente. rede aberta. tinto. Diz Herbert Read que Henry James fez do prefácio um novo gênero literário. um sincronismo. uma espécie de meia-idéia. Rosa sabe. cameraeye. Un livre comme je ne les aime pas/Mallarmé. A explosão porno-erótica não foi apenas contestação à repressão sexual cristã. uma vez. museu orgânico do homem. mais de uma década. coerência com retábulo de retalhos. transcrevo. poesia. E porque é assim... traduzida.e . mas também ao dinheiro cristão . neutralizando os desprodutos do assalto predatório ao homem biológico. umas tantas lutas. Um outro nome para este livro seria Guisado de Prefácios.

a pretexto de "humano" e "realidade brasileira". Mas os grandes formalistas russos foram decapitados: a arte acadêmica dos salons burgueses europeus do século XIX tinha muito mais "conteúdo". body expiatório.e o "significado" flutua pela cravelha: é o n + 1 do mundo dos signos. vida indireta. visão linear. a automação desloca cerca de 40000 empregos por semana. Os que desejam o lucro ideológico à vista acabam por arreglar-se com os que aspiram aos psicosmovisionarismos a prazo. a matemática é a metalinguagem das linguagens. Em A linha geral. recuperar o futuro que desejam igual ao seu. não . assim como há graus de comunicação . Para haver comunicação. muito tudo. os números se impõem ao corpo e à tecnologia: nos Estados Unidos. como viriam a descobrir os stalojdanovistas. como Valéry viria a descobrir. O mundo da linguagem. 1905. presente. perceber. o trator é Ford. para deus-e-o-mundo. diversos graus. O Packard serviu de modelo ao desenho industrial dos carros soviéticos. Marx e Pietro Ubaldi no mesmo cordão. para seu inteiro espanto e revolta. Sem o incomunicável. deles. espalhará. As diferenças são o incomunicável. O primeiro sputnik 93% brasileiro. Há graus de incomunicação. 1987. ora signo. Henry James/Pound. Tarefa para jovens: recuperar o passado que os velhos querem enterrar. idealismo. com uma caneta-tinteiro e um bloco de papel.adeus ao mais direto. é preciso haver diferenças. para gáudio dos culturólogos burocráticos do subdesenvolvimento. Muita gente. A Banda e a protofonia de O Guarany. E Napoleão foi derrotado pelos misteriosos estilhaços de um obus recém-inventado pelo coronel inglês Shrapnell. de Eisenstein. Einstein criou a teoria da relatividade. anti-"progresso". Uma questão de tema. demais ou demasiado pouca comida. Separação forma/conteúdo. A linguagem é a tecnologia das tecnologias. Um novo antilinear. corpo.

"O canto é que faz cantar" / F. a arte pretende ser um signo de recuperação da vida. tanto melhor para a obra de arte" / Engels. morreu lutando na Guerra Civil Espanhola . o Sr.. Para Marx. memória na carne. "E completamente estranho ao espírito do marxismo negligenciar o lado formal da arte. um tanto desconsolado. N u m mundo em que todos sejam artistas. O exemplo da chave Yale (o código genético é mesmo digital. as questões formais são de primeira importância" / Ralph Fox. depois obra de arte"/ F. Eu sou muito comunicativa. Foi por volta de 1900 que a palavra "beleza" começou a ceder lugar à palavra "vida". E o kitsch salvaguardará a beleza da vida atrás de um delicioso mau-gosto. coisinha de candura. forma e conteúdo estão inextricavelmente ligados e inter-relacionados pela dialética da vida ..o kit já é um começo de abertura. "A obra de arte é primeiro obra. O signo é contra a vida. "Acho que vou cursar Comunicação. . observou Valéry. O incomunicável é o signovo. cit. vida. crítico marxista inglês. Quando os aedos populares partem. Jakobson?): permutando-se 10 elementos. Comunicação de massa sem massificação.disse a moça. N ã o há duas pessoas iguais na loteria do código genético. para o escritor do realismo socialista. Pessoa.e. a informação original. Caetano Veloso. ob.há comunicação. canta-se menos e mal. 10!=3 628 000 chaves diferentes. Pessoa. "Faço parte da oposição chamada vida'VBalzac.apud H. "Quanto menos explícitas as opiniões políticas de um escritor. O que pode ser imitado não é informação principal. nem os gêmeos. E a qualidade da vida decai. não acha?" . Read. Fernando Pessoa. "Navegar é preciso. viver não é preciso "/um general grego. como no futebol um mundo sem "arte" .

. "Grande arte é notícia que permanece notícia" / Pound. diante do elementar. criadora do Destino: "ou tudo ou o seu nada" / F. Não ceder ao hábito. Toda revolução é uma invenção-recuperação de estruturas. Un coup de dés. Poesia é um tudo. ser capaz de. mas é preciso ser também um primitivo. porque labora ao nível das estruturas da linguagem. Veja-se Edgar Poe e a revolução tecnológica e industrial norte-americana. E tende a incorporar as explicações como sendo o "significado" do quadro. "Se o meu filme pudesse ser explicado.para ter-se consciência dos processos intersemióticos. a propósito de Blow-up. Continuar a espantar-se.ou seja. que é usura progressiva. Quando alguém pergunta: "Que quer dizer isto?" diante de um quadro. Toda poesia refaz o nascimento da linguagem. tudo se torna igual ao que somos. como acontece.que não a destruíssem. que fosse uma base para a construção de acréscimos sucessivos . é design da linguagem.não só de língua .. E preciso ter consciência de linguagem . que a criança subsistisse dentro do homem. planejada ou não. Permanecer "primeiro" em presença das coisas primeiras. sempre. continuar a ser novo. do homem e das coisas .Arte original é prenuncio ou acompanhamento de knowhow original. A beleza irreconhecível é maior nos começos. Não basta ser apenas um primitivo. tudo se parece e se repete. Arte é know-how de linguagem. Pessoa. devir e não apenas ser: 1 . sem dela desprender-se. ante tudo o que é novo: pois tudo é novo para quem é novo. A hora do lobo / Bergman / é a hora terrível da defrontação com a linguagem. é um pensamundo concreto. elementar. e até o fim. Seria preciso que o homem se acrescentasse à criança. e tudo se torna poeirento e cinza. não seria um filme" / Antonioni. As coisas informam mais em seus inícios. uma significação de tudo. Quando guaraná for coca-cola. por exemplo. e grande arte é know-how insuperável: não sofre o processo da obsolescência. está pedindo explicações verbais. porque nós nos parecemos e nos repetimos.

F. cit. 33. Fontaine. mas em movimento. em meio ao que é móvel.apud H. "Pages de Journal". C. Kamuz. em direção a um interior onde se recolhem e se ordenam as coisas. entregue totalmente ao exterior. transformando-se a si próprio. ob. em contato incessante còm o que se transforma. que a criança não tem. como a criança.não imóvel. mas com esse retorno a si mesmo. . 1944 . . n. Read.

Depois vem a sátira. primeiro epos da aldeia global. A pitografia: Altamira.Toda linguagem se inaugura. O cinema: Méliès. Eisenstein. veículo ou linguagem. Televisão: homem na lua. Da Bíblia para a grande urbe do capitalismo protestante norte-americano: Super-Homem. épica do além. Os quadrinhos: Flash Gordon. Wagner. essa forma de metalinguagem. Griffith. A escrita: os poemas épicos. Batman. O Príncipe Valente. A orquestra: Beethoven. Um meio. . A Música: ritual dos mortos. A "realidade cambial" chega também para os deuses e heróis: o Super-Homem chorando. Alex Raymond inspirando-se em Gustave Doré { e este em Miguel Ângelo . esse épico da gravura. Os processos intersemióticos. se re-forma e/ou reafirma em epos. A palavra falada: as sagas da tribo.a épica do afresco). funcionando como metalinguagem de outro.

ENTREVISTAS E DEPOIMENTOS .1 .

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delimitar. É preciso saber. Há nove anos nos fazem essa pergunta! A poesia concreta mudou. Besteira do Augusto. Luiz Ângelo Pinto. Augusto de Campos e eu. se vem fazendo poesia concreta sem palavras: Wlademir Dias Pino. E assim mesmo distinguindo peculiaridades individuais . Qual poesia concreta? Urge aplicar os índices de Korzibski.ENTREVISTA P . sem atentar para o seu presente". todo mundo se preocupa com o seu futuro. por exemplo.embora nosso duradouro trabalho em equipe seja uma experiência e um fenômeno dos mais notáveis em nossa ou em outras literaturas. Mas se os chamou. vindo de sua grandeza. .. Pois a poesia concreta só pode mudar. Poesia Concreta 1965.Que futuro vê para o concretismo? R .Alguém já disse: "Quando surge uma coisa nova. Ronaldo Azeredo. Poesia Concreta 1962. Há três anos. vai mudar. no que se refere à sobrevivência e à independência criativas. para maior clareza: Poesia Concreta 1956. N ã o é um ismo. Os ingleses batizaram de poemas semióticos. selecionar o que estamos falando. vale.. Poesia Concreta 1958. ser concreto histórico. tem mudado. Augusto prefere chamar os dele de popcretos.

esfarrapado. O que eu acho ótimo... Garibaldi tinha que passar por ali. não está favorecendo o retorno da "poesia do amolecimento?" R . está. Poesia.. Sinal de que está sumindo de vez o que chamamos tradicionalmente de poesiá. da pintura. da escultura . esta. Você viu aquele troço do Ledo Ivo. o anúncio linguagens novas. a literatura . professores e leitores do sistema. chata.P . Ezra Pound já dizia isto mesmo: poesia está do lado da música. Tudo é possível! O insulto a Oswald de Andrade é típico . Televisão. em seu estudo sobre Camões. Oswald sempre os gozou. da prosa. para mim hoje.A pouca presença quantitativa da poesia concreta na imprensa e em obras publicadas. O que. Estavam traçando planos de combate. digestos. poesia... para a massa. cinema. fosse um gênio da poesia. inculto. chanta. rádio. de Garibaldi. hoje. está nos fundamentos da linguagem em relação aos meios de comunicação de massa e à compressão_da informação_( iriformação sintética. ainda. por onde deveria passar o povo em luta. Lembro uma história que Volpi conta. Pela lógica obviedade estratégica. fiados na perenidade do sistema literário. Verdade que não se vê presença de poesia nenhuma. E o livro. quando um general pouco mais italiano se lembrou: Ma quello no conosce strategia.chão. O EstadoMaior dos exércitos papalinos ítalo-austríacos reunidos na montanha.muito duro. provoca um certo alívio em todos os críticos.E. Coisa chata.não é literatura. Ci pensi: sbaglia .pA poesia concreta tem pouco que ver com as noções literárias de poesia e literatura. na Manchete? A revalorização do soneto e de Coelho Neto como conquistas de 45! Grande terra. do pensamento bruto. 0~jrrrniÇ-õ-seíííanário. certamente..esses márioandradinos. que ameaçam voltar? Passeata crepuscular de zombies. Há quase meio século atrás. chutão. Admitir que aquele palhaço. Os moles retornam sempre. sobre uma garganta. enlatados). Você se refere a alguns de 45. da militância e da vida . E os goza agora.

na música. N a publicidade. no decisivo influxo da poesia concreta teórica e prática. de 1958. por Gilberto Mendes. de 1961 (II Congresso de Crítica e História Literária.strada . musicados por Rogério Duprat e Willy Correia de Oliveira. declarada ou sonegada. é grande. de Haroldo de Campos. de Augusto. SP). desse tempo. Bense elaborava sua teoria do texto quando a poesia concreta já partia para uma poesia de contexto. Sua grande contribuição foi a tentativa de quantificar a infor- .E a influência do concretismo . A poesia concreta ortodoxa. Na evolução dos jovens músicos de vanguarda. uma exposição em Oxford.ou poesia concreta.conquistas hoje já tão assimiladas. já é o texto bensiano. com o salto participante. como queira . um trabalho de cooperação: meus poemas organismo e movimento. na evolução do pensamento de M a x Bense. até hoje. Sua classificação dos textos considerou largamente as realizações concretas. Falemos. já em 1955. Os poemas em cores. P . se pudessem. Ninguém quer compreender o significado da atuação em âmbito internacional? Não falemos da influência. é um bem necessário: redundância que propicia informação (invenção). Algumas letras de músicas populares. Agora mesmo. A sua teoria do texto já está no planopiloto para a poesia concreta.Particularmente. nas artes gráficas .o sistema cairia de queixo e costas. também. aqui. que ninguém mais se lembra de suas origens. Assis. sim. O diabo é que o mundo está acontecendo à revelia do Brasil: se organizássemos hoje uma exposição da influência e repercussão da poesia concreta em todo o mundo . e uma nova antologia na Alemanha. M a s os diluidores se apossariam até do primeiro rabisco do homem das cavernas. oralizados pelos músicos. respectivamente. Mas. O nascemorre. Livros e cadernos escolares.e fa ofèssa a noi! Oswald não conhecia estratégia: errou o caminho e estrepou todo o sistema.nas outras artes? R . Isto de influência.

entre os quais o brasileiro Tulo Hostílio Monténégro ( Análise Estatística do Estilo. mesmo. a experiência tentada por Wlademir Dias Pino e outros poetas?* R . . dando conteúdo participante à arte de vanguarda (grande contribuição de Cordeiro).com ele. em prosseguimento aos trabalhos de Fuchs. o manifesto Por uma Arte Popular Revolucionária. Quando tudo ficou menos simples e mais quente. escrita em dois dias. levar-me-iam ao rompimento . que é de três anos depois. redundância e informação). Durante anos.não à inimizade . Em plena fase ortodoxa.. que talvez caiba. Voltei da Europa. IBGE. e os violões de rua.). dentro do grupo de artistas concretos (também já pintei. em 1956. com o estampido do XX Congresso do PCUS_na cabega. na sua opinião. e Coca-Cola (1957).. Zipf e vários outros. viu-se o carreirismo desenfreado de quantos realistas-socialistas! Desta vez não! NÃO.Que vem a ser. neo-realismo socialista que repontava.das as formas caboclas de estalinismo-jdanovismo. As violentas disputas com Waldemar Cordeiro. realizado em João * Pela própria data da entrevista (1965). de Carlos Estevam. vê-se que se trata dos primeiros poemas-código de Wlademir Dias Pino.e não do rebatizado poema-processo. P . quando este ainda integrava o movimento concreto . Era o neo-estalinismo.Um pouco de história longínqua. para a coisa terminar sempre em decisões de reboque. Produzi uma tese-destampatório. surgiram os CPCs. Já em colóquios-discussões com o músico Pierre Boulez (1955). eu me lançara o desafio: chegar a uma poesia de vanguarda e participante. disposto a investir ç()ntra-to. meus poemas Terra (1956). neo-jdano-vismo. 1956). para o III Congresso de Crítica. Sentir-se pressionado à má-consciência era uma chantagem oportunista. Após o salto participante (1961). o grupo de Cordeiro (eu no meio) lutava ao lado deles.mação estética por meios estatísticos-informacionais (cálculo de entropia.

de Londres. Em todo caso.Pessoa.. 1 i " • 1 1 i m lidade da máquina e dos meios de comunicação de massa.. Importância desses trabalhos? Mas é o ideograma projetado! Possibilidades inimagináveis de compressão da informação por sintaxe analógica bidimensional..Edgard Braga é alagoano. Pedro Xisto.. acho que não se perdeu grande coisa. dois anos antes! Ele não conhecia estratégia. Um ter-ro-desse_íipo é um erro ideológico. da Universidade de São Paulo. O proElemada comunicação não poderia ser resolvido em termos demagógico-artesanais ... paranaenses.. cariocas. na hora da descoberta. Não sei por quê. Leminski e Paulo Paes. Parti para o estudo mais detido da linguagem (não língua. ' l i . .mas não foi publicada. no Suplemento Literário de O Estado de S. Durante ano e meio. que está nas livrarias.contra a linguagem e a reail ' . José Lino Grünewald e Ronaldo Azeredo. Surpresa nossa: chegamos a uma nova linguagem concreta: são os poemas-código ou semióticos. Pediram-me para publicação no Tempo Brasileiro . especialmente). Luiz Ângelo Pinto (engenheiro e poeta. 24 anos) e eu trabalhamos juntos.) e da Teoria da Informação e da Comunicação. mato-grossense. em maior número. P . Paulo .Como explica a posição de Ferreira Gullar na poesia nacional? E a sua própria e dos demais componentes do grupo paulista em relação à realidade brasileira? R . pernambucano. Wlademir.e agora. . junto com outras e novas experiências concretas (Edgard Braga e Augusto de Campos.. na revista Invenção 4. inclusive realizando modestas pesquisas com o computador eletrônico do Centro de Cálculo Numérico. Paulis* Correio da Manhã. 1962. publicados pela primeira vez neste jornal*. Acontece que.. lembrei-me de que Wlademir Dias Pino já havia chegado lá. Ng_ssa_b a n d e i r a foi JVlaiakóvski: Não há arte revolucionária sem forma revolucionária. em seguida no suplemento literário do Times.

de explosão de objetos poéticos . barbaridade. Quantos televisores há. Sem contar Oswald de Andrade. E a . Não percebe que isto é religião.. Eu. Fascinante peripécia. É uma posição tática: ele não pode fingir que não conhece estratégia. Mas se equivocou de avesso. apesar de onipresente. Sbows participantes: quem lhes nega a repercussão na elite. Porque ele parou no meio do processo e ficou girando a vácuo. Eu também não entendia... pelo menos. y Gullar_ainda parece acreditar na coisa-em-si. Hoje julga poder deixar de sê-lo . Caiu no engodo ^. só no Rio? Quantos rádios? Não há posição nem atuação revolucionárias efetivas sem a radical consciência da nascente realidade industrial e dos meios de comunicaçãp^Ésmiassa.no artesanato ideológico ou na ideologia artesanal. Ferreira Gullar foi um excelente poeta. forma de luta válida para as classes altamente artesanais? Mas a revista Capricho e a revista Seleções tiram meio milhão de exemplares por mês. apenas levo em conta a linguagem dos próprios meios de reprodução.e não concordo.que não possa ser reproduzida. Consumo em massa. partir para a grossura. n o i ^ ^ ^ ^ ^ ^ v l a s não h á j n a i s cqisa_em si.. Confundiu poesia com verso (A luta corporal): a poesia acabou.da qualidade e da estética. Só há quantidades. A poesia concreta veio mostrar que o que se acabara fora apenas o verso. mesmo. naturalmente. Luiz Ângelo e eu. Na verdade. Artes plásticas! Horror.tas. agora. Caiu no visgo artesanal . só estes pobres sujeitos: Augusto.ou lá que nome tenha .para poder sê-lo. • Redimensionou-se e voltou à carga: renovação de símbolos. Haroldo. destruição física da poesia (projetado espetáculo. Ataca pelo avesso: faz versos para acabar com a poesia. como queiram. não faço poesia .que infelizmente não se realizou). Acho que ele ainda acredita na Grande Arte. Mas agora entendo . Que pouca gente entendeu. ainda que pelo avesso? A poesia concreta está voltada para o consumo. não-objeto. Faz crítica de artes plásticas para acabar com as artes plásticas.

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ACOMUNICAÇÂO'i 25.'

luta toda está nisto: preciso 1er e reler o artigo de José fcin'^^^îtSR^MgïKP^ de Invenção*, sobre Vivre sa vie, de Goda rd?U~âproTfe~íe Walter Benjamin. Bem entendido: Gullar está certo. Só que pelo avesso errado. Maldito artesanato. E eis o meu Brevíssimo Tratado de Antiestética Semântico-quantitativa: 1 - Quantidade é qualidade; 2 O belo é o significado; 3 - O significado é o uso; 4 - O uso é a comunicação. C o t ^ v H K Aft O q ? P - Estaria a poesia concreta condenada a se omitir diante dos graves problemas econômico-sociais do País? Ou acha que o concretismo é um movimento atuante dentro de sua sistemática, e até mesmo "inquietante" para a sociedade burguesa? R - Q u a n t o à primeira pergunta, acho que alguma resposta já dei no que disse mais atrás. Quanto à segunda, Luiz Ângelo e eu desenvolvemos o tema em nosso trabalho Crítica, Criação, Informação (que levou à poesia semiótica), também publicado no último número de nossa revista** e onde citamos uma excelente observação de Bense. Em resumo: os valores da classe dominante se fixam na linguagem dominante. A perturbação dessa linguagem constitui uma ação inquietante, como você diz. Como não podia deixar de ser, primeiro trabalhamos _ao nível sintático. _que-é -0 -níy-el-da_produção - pois como é que essa gente pensa que se cria uma nova indústria ou uma nova linguagem? E como uma linguagem desse tipo, nova, inquietante, pode ser uma linguagem majoritária? A sua radicalização marginal, nessa fase, é prova de sua ação perturbadora. Agora, passamos ao consumo, ou seja, à semântica e à pragmática. Eu só~me smtcTínclinado a atacar pelo avesso como Ferreira Gullar. Só que eu quero atacar industrialmente e n a d a faço ou digo que n ã o me envolva em consciência
* N 2 4, dezembro de 1964. • ** Fevereiro de 1965.

e estado de massa, visando à linguagem e aos meios de comunicação adequados. Cordeiro e Gullar foram para o artesanato artístico. Engraçado é que os realistas-socialistas são contra a pop art, de tremenda contundência social, especialmente aquela pop-precária e antigaleria. J ^ o j i n o j 3 a ^ d o , _ C O T 4 e [ r o j t ^ procurou para fazer mos algo. ^Só^se.fox^m plena Rua São Benele procurou Augusto, Augusto topou - e ëlês~fizeram arte de galeria. Ou melhor: antiarte de galeria. Interessantíssima, de resto (especialmente a de Augusto - nova, mas com meios inadequados). A arte não me interessa. Tampouco a antiarte - a não ser como tática localizada de ataque pelo avesso errado. Nestes quatro ou cinco anos, tenho lutado pelo Desenho Industrial. Ajudei a fundar a ABDI - Associação Brasileira de Desenho Industrial. E só tenho proferido palestras e aulas sobre desenho industrial, linguagem, Teoria da Informação e da Comunicação, publicidade. Acho que a associação - que. acaba de levar a cabo, com a Escola Superior de Desenho Industrial, daqui, um sério Seminário sobre o Ensino do Desenho Industrial - deve incentivar e congregar, também, criadores_de-histór-ia~em_.quadrinhos e de fotonovelas, layout-men é desenhistas de produção de-filmes. Linguagem, comunicação e vida - eis o que ha^de novo., ajerrudo m e r a m g n t e j s ^ c o - a r t í s t i c o ^ N a d a de impingir à massa o que chamamos cultura. Mesmo porqüe a massa e os meiqs .de comunicação cJe/mass as^-que estão demiindo^essa j u k u r X j ^ z s e l g c i g n a d ^ Q ^ n t i d a d e s | massa. pãrã~qüe ela^^envo!? va a sua c a p a c i d l S i ^ ^ ^ p ç a ó ^e seleção - a suacapacidade^de criãrTAcaso e escolha. Chance & choice. Invenção. N a lingua-gem, como na vida, como^na,máquina.

DEPOIMENTO

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& já que não há mais nada a fazer com Drummond de Andrade & João Cabral de Mello Neto & Bandeira & nem falemos de outros & se não aprenderam com eles naquilo que têm de mais didático e radical como se_chega ao fim do que se costuma chamar de poesia & se não perceberam que poesia é linguagem & se não aprenderam com Poe & Mallarmé que poesia é linguagem & se não perceberam com Sousândrade & C Oswald (João Miramar &c Poesias Reunidas finalmente de novo na praça - que vocês estão esperando?) ôí com os poetas concretos que poesia é ÜnguagemJ&^não língua) & se não perceberam que poesia é linguagem e não língua &c que o que se costuma chamar de poesia chegou ao fim & se sequer perceberam que a palavra escrita é apenas uma codificação convencional da palavra' falada &c se ainda se preocupam com a correção ortográfica & não se aperceberam das novas realidades gráficas tipográficas magnetofônicas audiovisuais & se não perceberam isso muito menos vão perceber que a nova poesia nasceu há mais_de dez anos sob os seus narizes 8c a poesia concret-aínasceu sob os seus nan-zes por um descuido do sister X ma & est^E£^íÚ!ÇãeLafir.m anggtejop os seus narizes eorotóti. .pag.^ dã"lingu^gamoc

chegou ao fim o que se costuma chamar de poesia concreta que eles tendem a não chamar de poesia 8c é explicável 8c ainda bem 8c Nathalie Sarraute chegou aqui disse uma coisa-px^

padrões 8c já estas coisas vão por minha"contaoc vocês n â t r reconheceram oJ)Jelo-no-signo.noxO-é.ób.vio_&c.a.b.usca dcTbelõ" conduz ao estetismo 8c á busca do eidos belo é coisa de idiotas jg alienados Sc o belo se existejsó_existe útil e momentaneamente nà sociedade de consumo em massa por uma lógica estatística da preferência Sc se vocês quiserem as coisas muito bem explicadinhas nos seus mínimos detalhes eu não vou fornecer Sc nós não temos feito outra coisa há mais de dez' anos agora chega Sc se vocês quiserem para começar leiam a Teoria da Poesia Concreta provavelmente na Biblioteca Municipal de São Paulo Sc e se vocês detestam a poesia concreta procurem o verbete semantics na enciclopédia britânica para saber por que a poesia é sempre concreta 8c os velhos dispõem de mil formas de corromper os moços vide Pirandello Os Velhos e os Moços 8c uma delas é a defesa do verso 8c os moços defenderão o verso até a morte tudo serve para defender o verso a começar pela psicologia ah o mistério da criação 8c a psicologia experimental que é a única que conta já partiu para a linguagem S^a "puesi"ã~experimental que e a única que conta é a linguagem das linguagens ao nível sensível como a matemática o é ao nível da lógica 8c lançam mão de tudo para salvar o verso ritmo linear lógica aristotélica discursiva inerentes aos sistemas lingüísticos não-isolantes (as coisas muito bem explicadinhas...) 8c lançam mão do folclore outra vez que chato 8c se necessário lançarão mão da palavra nacionalismo 8c o que estamos vendo de novo em processo é a provincianização da cultura 8c não é à toa que certos trechos do Bicho lembram o Juca Mulato 8c que na capa da Revista Civilização Brasileira aparece aquele pescador típico dos__velhos-.bons-tempQS-&-a~rede_de_m'/ow não apodrece

não precisa secar pesa setevezes menos & os grandes países Pg^ugjíosjg.onLMrcgs^yfábrica ^e sonar para localizar carduT" mes são qsprimeiros interessados em financiar o nosso fo lclore... 8c mais a praga do neocolonial dos móveis e imóveis 8c João Gilberto foi mandado às favas 8c,hoje nos deliciamos com A Banda &c Disparada 8c é claro que o consumo busca o seu jeito naturalSíãjmdía comunicativa 8c Oswald mostrou que é possível radicalizar-se a média com Sócrates 8c Tarzan '8c que são revoluções'senão radicalizações da média? 8c tudo serve para salvar o verso 8c é preciso pensar em termos de VERSUS 8c Erik Satie realizou ao nível semântico-pragmático o que Webern realizou no sintático 8c os poetas não viram o quase milagroso espetáculo Satie no Teatro Pesquisa tão por fora estão 8c da f orma nasce a idéia disse Flaubert 8c a teoria da informação e Marshall McLuhan estão comprovando 8c é preciso distinguir entre conteúdo e significado para não parafrasear conteúdos já catalogados Scjjmi c r 1 ar_S IG NI fic a dos, n oyx^íürT" ÍloIflíLpo.eta 8c certa vez um consagrado poeta nos disse: o arco não pode permanecer tenso o tempo todo um dia tem de afrouxar 8c eu: na geléia geral brasileira alguém tem de exercer as funções de medulãlTõss(78c a cultura de massa é crítica em relação à dita cultura superior 8c onde estão os novos poetas? nas agências de publicidade nas redações de jornais_nos. _e st ú d i o s_d e_£el e vi s ã o 8c esperemos nas futuras faculdades de comunicação de massas 8c enquanto os chamados poetas se comprazem na angústia na luta pela expressão e na crise da poesia mando meu abraço a Paulo Leminski em Curitiba 8c a Luiz Ângelo Pinto que aceitou o extremo risco de cursar ciências sociais 8c a esse de repente Pedro Bertolino na ilha barriga verde 8c aos companheiros da revista Invenção cujo número 5 se deus quiser sai este mês 8c etc.

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onde se travarão as grandes lutas. de Poe. Os estudantes repetem na superestrutura os modelos das lutas operárias infra-estruturais do passado. E tempo de PRODUSSUMO. NOVA BARBÁRIE: campo * O Cruzeiro. sintaxe de massa. 1969. vida cada vez mais pobre. Sociedade cada vez mais rica. Só a NOVA BARBÁRIE abre a sensibilidade aos contatos vivos.DEPOIMENTO 2* A colagem é a sintaxe provisória da síntese criativa. textículos. não de centralização. . totem geral. A colagem é a montagem da simultaneidade. A tecnologia chega a um tal ponto de requinte que passa a requerer o marco zero de uma NOVA BARBÁRIE para desobstruir os poros. O estudante está para a universidade como o operário para a fábrica. É tempo de massa e de síntese. Não há mais tempo para textos. Os Ushers. O mundo do consumo substituído pelo mundo da informação. O estudante é o operário da informação. O dinheiro é a leucemia. só para títulos. PRODUSSUMO. Os modelos do consumo de hoje são os modelos da produção de quarenta anos atrás: vide Oswald de Andrade e o tropicalismo do grupo baiano. chegam a um tal requinte dos sentidos que só podem suportar a grossura do paladar. Textítulos.

E a guerrilha artística. o mundo dos signos para a cultura. O artista é um designer da linguagem. É a NOVA BARBÁRIE. A alegria coletiva é a prova dos nove: contatos em profundidade. Atrás de cada mito freudiano se esconde um cifrão. estão podres de burrice: qualquer novo bárbaro sabe mais do que eles. . E contra os cifrões.aberto para os novos modelos da batalha informacional. N ã o é necessário que cada indivíduo possua um automóvel para que se produza uma nova cultura. O mundo das coisas é para a posse. Além das cifras.e especialmente. particularmente as do ensino. ainda que marginalizado . As elites.

isto é. Mesmo a idéia de obra aberta. ainda no sentido de salvar a idéia de obras. É uma coisa nova. o Lance de Dados de Mallarmé colocou em xeque a obra: não é nem obra nem nãoobra. Fazem parte da compra. das info rmações de^ gtrjff TS^fr f rlf primeico era**-. isto é. Dentro de poucos anos o sexo só terá alguma graça na vida dos sete aos vinte anos. Passou à categoria dos comforts. novos sistemas de comunicação etc. Com a pílula. Sexo. tanto os signos como a vida. coisa como outra. entram o u } na era da linguagem intersemiótica. hoje. E a vida no Ocidente virou Museu. Embora alguns tenham c o n t i n u a d o a fazer obra. como se situam a obra e o produtor? Décio Pignatari: N ã o há obra. Quero dizer que as vanguardas hoje pertencem ao consumo. . . ra.reprodução em massa. Enfim. O computador é o grande instrumento para esse tipo de indagações.A C O M U N I C A Ç Ã O PENSADA (Entrevista) Jornal do Escritor: Do ponto de vista da atual conjuntura . invxnçõesjfu turas.— Z S j g m o s falando de inven£ão. A única coisa que importa. o sexo virou bem de consumo.

Qualquer pessoa pode participar da Associação. Essa ABS. E eu estou encarregado de organizar. logo de saída. viu. etc. Nesse Congresso será eleita uma diretoria efetiva. Eles recomendam que se formem as associações regionais. elegeu-se um comitê diretor permanente composto de um presidente e cinco vice-presidentes. quem não viu. a Associação Brasileira de Semiótica. Nessa data. Com sede em Paris. Basicamente. já que Umberto Eco. vai ter uma publicação. eu quero dar para os jovens. Solicitando o apoio financeiro da Unesco. este ano*. E ela visa justamente a incentivar.JE: Associação Internacional de Semiótica??!! DP: A Associação Internacional de Semiótica foi fundada em Paris. Décio Pignatari (Brasil) e um italiano. Como diz um amigo meu: "Em matéria de Europa. dentro de cinco anos. O automóvel está destruindo a Europa. O presidente eleito foi E. investigar. não existe mais. Tal como a idéia que a gente tem dela. chamada Semiótica. Ludskanov (Bulgária). Benveniste e os vice-presidentes foram Roman Jakobson (EUA). na ocasião. divulgar as pesquisas no campo da semiótica. este comitê (o que está formado) está encarregado de preparar o I Congresso Internacional de Semiótica. filiada à Associação Internacional de Semiótica. como todas as grandes cidades. a ser designado. recusou o posto. Loitman (URSS). E está se transformando violentamente. não vê mais". quem viu. a AIS comporta dois representantes oficiais por país. JE: E a Europa? DP: A Europa está se americanizando contra a vontade. segundo recomendações. que vai ser editada pela editora Mouton. Para isso há determinadas mensalidades. ser associado e receber a publicação. Ela vai deixar de existir. em 22 de janeiro. .

Nas bancas rodeadas de bancos. Mas o que é mais bacana ainda é o povo. paga dois reales* pela leitura da revista. É impressionante como o pes- * Cerca de $0. que fazer qualquer diferenciação a estas alturas é besteira.eu documentei por fotografia . O ambiente aqui no Brasil ficou tão pobre. Uma outra coisa muito curiosa . Numa pesquisa realizada pelo prof. E vai chegar. é a parte viva da cidade.JE: Quais as objeções que faz ao trabalho de Augusto e Haroldo de Campos? DP: Nenhuma. Só em Quito. embora aquelas sejam transportes de notícias deste. JE: Que tal o Equador? DP: A altitude altera realmente o comportamento do sujeito. Há 400 anos ele está esperando a vez dele. Eu dei um curso sobre Teoria da Informação & Marshall McLuhan no Ciespal (Centro Internacional de Estúdios Superiores de Periodismo para América Latina). senta no banco e a lê. Ao contrário. o camarada chega. o índio. nas classes populares. auditiva. A cidade é dividida em partes sul e norte. vê-se claramente que. há 28 emissoras de rádio. Samaniego.05.é a biblioteca ao ar livre de revistas de estórias em quadrinhos. A parte sul. dos índios. que existe como nunca. O contrapeso da cultura dos índios é ultra-auricular. Duas coisas curiosas pude observar no Equador. no Ciespal. eles acreditam muito mais nas notícias transmitidas pelo rádio do que nas de jornal. . Esta escola é um órgão da Unesco. O rádio transistor tem uma importância de status: o tamanho do rádio é que confere. sobre os índices de credibilidade de notícias. tão miserável. alguns até cobertos.

Mas tem dois ou três bons jornais. veículo. J . eu fiquei em São Paulo. Marx. O que o pessoal odeia ver no McLuhan é que ele transpôs para-Q-veículo ( médiumIj Lvisão mallarma-ica_J~istcrõ~que o" pessoaTdetesta. Mas como basicamente meu mercado de trabalho é lá. E estã^isâ^e^strünjralTnaâ^em nada a ver com ideologia. que de resto é a visão de M a r ^ B ^ m i m . gringos e brancos. são mais equilibrados do que no homem. Primeira: o homem entendido como meio. JE: Qual o melhor jornal do Brasil? DP: O Brasil não tem melhor jornal.mensagern. Como separar a sua forma do seu conteúdo? Segunda prova: por que as mulheres intelectuais. na mulher normal. JE: Politicamente. impede a participação e rebaixa os sentidos que. Nesse sentido é conservador.i m . ^ que o pessoal detesta e ter que jogar forTWulíW^ecM^rviços dos veículos semânticos.^ ^ t i M a U s t a .:M-oJTereeiro~Mün~dÕ? ~ "— ——" DP: Acho que a própria idéia do Terceiro Mundo é uma idéia que está se esfacelando. Há duas provas contundentes de que ojrieio_é_a.. ligadas aos livros. é a ideologia de MarsbâlÍMdLuhan servadora? ' 1 con- DP: É simplesmente uma abertura mística>©-qtíe ele dá é uma abertura para o misticismo da Era Eletrônica. tendem a se masculinizar e perder a feminilidade? Porque a palavra escrita é um meio quente. ^^JE. evitam ver as "cenas deprimentes da zona sul". mas isto não importa nele. Além de outras ligações.soai da zona norte. Estaremos sempre em busca de . JE: Por que vive em São Paulo e não no Rio? DP: Nestes cinco anos tenho vivido cá e lá.

é preciso incentivar a criatividade. quando a ação atual e próxima dos computadores já começar a se fazer sentir em larga escala. Segundo. JE: Está fazendo alguma coisa atualmente? DP: Eu estou fazendo três coisas. ou de outro. Estamos entrando na era dos grandes números. não existe. sua ação só começa a se fazer sentir quando se manifesta em grandes números. E um longo período de redundâncias mais ou menos aceitas e que formarão a linguagem comum universal do fim do século. vindo das principais potências de um campo. Resumindo os meus artigos publicados nos últimos quatro anos. Eu vejo para o futuro um certo cessar das transformações. Computador é um superveículo ou é a estrutura de todos os veículos. ou seja. E para que ele realmente exista como terceiro. em todos os campos. selecionando.um enésimo mundo. para mim toda e qualquer prosa é uma diluição de poesia. como opção. São duas ou três idéias de um sentido de prosa. que é o mais importante. Mas como todos os veículos. Vou juntar com alguns outros trabalhos inéditos e publicar um livrinho de ensaios. Terceiro. quando posso. . é um novo livro sobre comunicações. fazendo a triagem. Sobre Comunicação Pensada.^^-JE: Quais-as previsões para os próximos 50 anos? DP: E engraçado. . em relação aos dois outros. Mas no fundo são projetos de prosa. para tentar fugir à inevitável subserviência ao know-how de primeira mão. É o que se chama de prosa mas de que só esbocei um fragmento e que na verdade não é uma coisa só. Definitivamente. E um livro que eu estou ditando ao meu gravador. Em parte se enquadra no que se chama de obra e que eu disse que não existe mais. O que se chama Terceiro Mundo é um mundo que luta por industrializar-se.

. JE: Que tal o IV Festival Internacional da Canção? DP: O ano de 68 foi fantástico. Décio? DP: O livro de Haroldo de Campos deve sair logo: A Arte no Horizonte do Provável e o Augusto já entregou. Quando o número é ainda pequeno não altera o comportamento da cidade. uma queda vertical e uma espécie de autoflagelação no sentido de engolir infinitamente o gosto médio intermediário e medíocre da Canção Popular Ocidental. JE: Algum outro recado. sobre o Pedro Kilkerry.JE: Isto não se chamaria de envolvimento? DP: Não. A saída deles [do Brasil] provocou uma espécie de hipnotismo baboso da imbecilidade como se pode ver neste IV FIC. dos grupos muito reduzidos. Só se altera quando o número de televisores já é de quantidade. o trabalho de pesquisa que ele realizou na Bahia. com os grandes números ou no âmbito dos pequenos grupos. Ou seja. Com a televisão acontece o mesmo. o Mallarmé baiano. isso se chamaria de que as coisas mais importantes são as que vão ocorrer com as grandes massas. para o Conselho Estadual de Literatura de São Paulo. Atingiu o pico da criação com o Grupo Baiano [Décio refere-se a Caetano Veloso e Gilberto Gil].

e mais ouvia. Porém. instigado. ânsia soberana: assim se "comunica" o incomunicável. Luís D e l f i n o (1834-1910) Poesia. e em lânguido repouso. a cbave-de-oura como informação máxima do sistema-soneto. A socos e floreios. tudo isso olhava Do fundo de uma orelha. O mudo olhar inquieto ardia em lava. Se o leitor. comuns em outros sonetos de Algas e Musgos. informação básica sobre linguagem. Começa em retórica boba e. Menos falava o deus que não falava. onde vai.. os homens como deuses.. conseguir encontrar algo do último Luís Delfino perdido por alguma biblioteca.. bons.. Esse sujeito Luís Delfino fazia versos com pás. não deve deixar de 1er Tentanda Via: odisséia no espaço. são os que avançam recuperando o passado.. Milhões d'olhos de um vago olhar aflito Cobrem-lhe o corpo. informação básica sobre o homem: ruins são os poetas mecânicos de uma época... N o templo de ísis..do ouve. quanto mais via. um Rubens do soneto! . porque dizer não ouso: Seguindo estância e estância o antigo rito.. enfim. Aqui. humor cósmico.O Deus d o Silêncio Não sei por que.. afresquista condenado à miniatura. depois. as aliterações em "Ib". Guardando um gesto altivo e desdenhoso. do Kitsch ao raro.. picaretas e bilros. Pousava à boca um dedo de granito.. que o envolvia: E aos seus pés vendo a turba imbele e escrava. adorava o Egito O deus sem voz. o deus misterioso. E como um olho só. vai-se ver. linguagem. E esse deus. ojDlfiouui.

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2. COMUNICAÇÃO .

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Isto representou. uma calamidade tripla (que poderá vir a ser neutralizada na reestruturação da Universidade): 1 ) representou um retrocesso em relação à Universidade de Brasília. de resto). em Paris. a Escola de Comunicações CULTURAIS. os juristas consultados houveram por bem horrorizar-se ante o subversivo nome. A faculdade foi cautelosamente batizada de-Escola. a Escola Prática de Altos Estudos não se sentia curvar ante o poderio ianque ao manter um Centro de Comunicações de Massa. então.U M A ESCOLA DE COMUNICAÇÃO Quando.deX.omunicação Coletiva. em 1965. responsável pela edição da revista Communications. Dois anos depois. em São Paulo. com a . hoje mundialmente famosa. Pompeu de Souza apresentou à Congregação da Universidade Nacional de Brasília a proposta de regulamentação da Faculdade de Comunicação de Massa. criou-se. estruturada segundo o sistema das universidades norte-americanas (já em fase de superação. dentro do esquema de nossas faculdades de filosofia. De nada valeram as argumentações de que a expressão norte-americana mass communication já estava universalmente consagrada e que. de que era coordenador e que já estava com os cursos de Jornalismo e Cinema em pleno funcionamento.

trabalhar^ojno sentido da imp/osão..derivada do mecanismo.progressão dos alunos segundo os créditos obtidos. já profis- .e_disciphnas.já está decrépita. ppssam r mais tarde.no primeiro ou nos dois primeiros anos. com cursos semestrais e com um dispositivo de integração que muito contribuía para o encanto e vivacidade daquele campus (alunos de química estudando música. As "traduções" de um nome novo para um nome velho e de uma coisa_noym_para_uma-estrutura-antiga_implicamã~3egradação do significado do ensino da comunicaçãq_e_da_fprmação das elites num campo novo de atividade.o_ejda síntese.conter a explosão jlejiepartamentos.ara_que_eles. A incapacidade de criar e experimentar estruturas novas é o índice mais seguro do baixo repertório de nossas elites dirigentes.integração. E esta degradação do significado da comunicação ameaça contaminar as escolas do gênero que surgem ou venham a surgir nesta conservadora pátria. um novo instituto de ensino superior (ainda mais uma escola de comunicação!) tinha por obrigação inaugurar e experimentar estruturas novas. 3) por simples razões de bom senso.. quando já era mais do que evidente a obsolescência das estruturas universitárias em todo o Brasil e no mundo inteiro. a fim de . 2) a estrutura de nossas faculdades de filosofia . do cientificismo e do industrialismo europeus do século passado .da_. principalmente .da-concentraçã._currículos.o que chamam de --^lastro-cultural"v. O "Lastro Cultural" Julgam os responsáveis pela organização de escolas de comunicação que é necessário dar aos alunos . de economia e de eficiência.. alunos de letras estudando cinema etc.).p.

o slogan não declarado da universidade brasileira.). E .e ele responderá que só a prática ensina.nicação de massa.sionais. que ora organiza a Escola de Comunicação da Guanabara. como é o caso do prof.escrita e falada . com a absurda conseqüência de que não compreenderão a natureza da linguagem para a qual se estão preparand£ profissionalmente! Pergunte-se a um profissional traquejado no jornalismo.a criação ou a destruição". como o sabem os professores mais conscientes. João Carlos Lisboa. assim se exprime um deles: "A maior parte da educação universitária é insultuosa: despejam-nos em cima um bolo de fatos sem maior importância e depois nos obrigam a vomitá-lo". já é um meio. N o artigo de capa de recente revista Time (7. Vê-se por esse artigo que duas queixas amargas são constantes entre os universitários: a falta de criatividade no âmbito da universidade e o dramático divórcio entre o campus universitário e a vida lá fora. o que acha dos alunos formados nas escolas..6. cinema.já é um médium. assim se expressa: " O aluno só aprende verdadeiramente depois que sai da escola". que faz pender a balança da linguagem (que possui muitos pratos) para um lado só..1968). um veículo de comunicação. na publicidade ou no cinema. viciando-a com o chumbo do código verbal e provocando efeito justamente contrário àquele que se desejava obter. jornalismo etc. Desabafa um outro estudante: "Só há duas reações possíveis a uma sociedade inumana . elevar o "baixo nível" cultural dos veículos de comu. Lamentável-equívocoTMesmo um professorbem intencionado. mesmo superiores. não se dá conta de que a palavra . Intoxicados pelo código verbal. dedicado ao problema dos formandos desse ano. e de que o tal lastro cultural não passa de um empachamento livresco. se o aluno tiver talento. de uma prisão de ventre verbosa e "literária^. De resto. destinadas a preparar profissionais para aquelas atividades . os alunos tenderão a traduzir para o verbal os demais códigos e linguagens (televisão..

Era como que um sentimento físico: deste lado.um terceiro: "Senti que estava numa prisão cujas grades apenas se afastavam. I . Foi-se o tempo da divisão. A continuar as coisas como estão. tendo em vista a formação de um novo profissional da cultura: o especialista geral das linguagens e dos meios de comunicação. Mesmo durante o período de formação profissional. lá fora. um profissional que possua^ conhecimento e visão crítico-criativa de outros setores além do 'seu. o aluno não deverá perder contato com outros setores. comxursos. da fragmentação. outro norteando a operacionalidade e ambos intimamente interligados: Princípio I (escopo) . Os Princípios Dois princípios elementares e básicos devem reger a estruturação de uma nova escola de comunicação. a universidade com seus portões de ferro. departamentos e disciplinas correndo por trilhas e tubula- . um referindo-se a funções e finalidades. vale dizer.INTEGRAÇÃO DOS "MEDIA" (integração dos meios e veículos de comunicação.Integração dos "Media" (ou meios de comunicação) Os primeiros semestres ou os dois primeiros anos se destinam a promover a integração dos media (pronúncia: "mídia"). não apenas o profissional especializado de velho estilo. mas um especialista crítico. do parcelamento e da compartimentação da cultura e do ensino. dos códigos e das linguagens). a comunidade". Princípio II (operacionalidade) . o estudante de comunicação irá diplomar-se em comunicação e tornar-se um especialista em incomunicabilidade. mas nunca desapareciam.O ALUNO TAMBÉM FAZ PARTE DO CORPO DOCENTE (corolário: O professor também faz parte do corpo DISCENTE).

Mallarmé. justamente ao nível de uma compreensão atualizada dos códigos e das linguagens! É a multiplicação explosiva dos meios. Alain Resnais: ópera e histórias em quadrinhos.e os quatro encontraram. pintura. dos códigos e das linguagens que contribui. o maior poeta depois de Dante: música. François Jacob (biólogo. 1957. fotografia. Mentor Book. jornalismo. cinema. Pound: ideograma chinês. da fotografia e da televisão. Piscator: cinema. Orson Welles veio do rádio. Oswald de Andrade: jornalismo. as tomadas davam a impressão de uma cidade inteira falando e . cada qual emitindo uma sentença. teatro. música. poesia. {The Liveliest Art . fotografando os diversos locutores em primeiro piano contra um fundo neutro. Na rádio. quase tudo. utilizando um crescendo de vozes. N .o que era igualmente importante do que a cidade inteira estava falando. pintura. em boa parte. Roman Jakobson (lingüista). uma linguagem e interesses comuns. dança. escultura. com surpreendente facilidade. emitiu um programa baseado num encontro extraordinário: Lévi-Strauss (antropólogo). canto. artes gráficas. Quem compreende apenas um médium tornase" um b u r o c r a tir s e rvil^dFss^ mêázM m.ções separadas. música. o fragmento de uma sentença. Godard. este fenômeno ocorreu também no rei- . Inicialmente. ou. canto. da Rádio-Difusão Televisão Francesa. o Canal Um. pintura. York. tipografia. Prêmio Nobel 1965) e Philippe L'Heritier (geneticista) . pitografia. às vezes. música. pintura. Eisenstein: ideograma chinês. Juntas em rápida sucessão.) A 20 de fevereiro deste ano*. Arthur Knight. telégrafo. para a incomunicabilidade. James Joyce: cinema. Chaplin: música e dança. Welles desenvolveu uma técnica especial de montagem. Levou isto para o filme. Grãndês~criã3ores modernos sempre se chegaram com interesse a outros media. Kubrik.

favorecendo a smtese. Perpié 7 rxojmte a massa de inf ormacões_que o assalta. O que importa é saber v r e lac i o n a r liyc~ól sãsTO~cjuê~im porta é_saber onde estão as irF formações adequadas para o processo de relacionamento (mform^iôn'fWtYie'i^^^^^jl peraçào da informa ção). em lugar de promover a integração dos media.muito é3_òlic(TmlisTkT^ em face da explosão da informação. Quanto mais lê-los! Ele precisa contar com a classe para essa tarefa de atualização geral do conhecimento7de:modoa desenvolver em tojdos-um_agudo-sense-d<£|gy|g nando como um verdadeiro pro-cessador de dados (com'puta=. importa relativamente pouco "saber muito". Hoje. II .no dos computadores ("cérebros eletrônicos"). não é difícil ter consciência do atentado cultural que representa uma escola de comunicação que. mais do que nunca. que permite a um computador operar na "língua" do outro. pode acompanhar sequer os títulos das obras que se publicam em todo o mundo sobre a sua própria especialização. p_o i s. por mais genial e dedicado que seja.jLpreciso partir para a reversão da informação explosiva.s. é a Indústria da Informajjãú.._a_implosão.e s t e.Uma classe deve ser uma equipe de trabalho criativo.Cj3m__ajgum_empenho a fenômenos e bibliografia atuais e af u~ár .O aluno faz parte do carpo docente . incentiva precisamente o seu divórcio. a concentrarão da informar ã o .dor). com relativa facilidade. Os novos computadores já começam a deter essa explosão por meio de dispositivos "implosivos" de tradução e integração.-0-prÕfêssors'g sente como que paralisado e tende a afundar cada vez mais na "rotinas ~~ ü Eis por que o aluno de nossos dias pode "saber mais" do que o professor. onde se notava uma multiplicação babélica de "línguas" e "dialetos" (códigos). hoje. Nenhum professor. da quai j j j x o f e s s o r j . o _ ç o o r d ê n a ^ ü f r T ^ j v g r s j j ^ d e . desde que se dedique . Depois disto.aber.

2. pelo q u a J s ë j ^ s s a T r i ^ ' ao mesmo tempo. 2. a saber: A) Núcleo Informacional 1. Esboço a Lápis de Estrutura A estrutura básica de uma escola de comunicação deverá articular-se organicamente em cinco setores fundamentais. cesso autocorretivo e auto-alimentajjQiyxofessor e aluno interTãrnbi and o^se jyttualiz a n d^ilTfõrm a"ç ôë"s. 5.lizadas.'Tr a t a . 4. Teoria da Informação e da Comunicação Comunicação Verbal -. o ensino e a'côi¥âëiïsinada. Comunicação Visual l Comunicação Audiovisual Comunicação Sonora J Cultura dos Meios de Reprodução Sociologia da Comunicação (Cultura de Massas) Bf Núcleo Formacional 1. Tradução 8. pois. de um experimentalismo criativo sistemático. 5. Filmoteca etc. 3. 4.) 7. 6. Televisão Cinema Imprensa Rádio Publicidade e Propaganda Recuperação da Informação (Biblioteconomia. 6.s e._É-prêeis0-que-e-&Hsiao_se_estruture segundo um pro-. Teatro 9 10 C) Núcleo de Programação Criativa . Documentação. 3.

de uma célula à outra. Cabe ainda a esses alunos incentivar e coordenar as sugestões de programações das classes. que cederão seus lugares a outros alunos. Isto vale tanto para as células teóricas como para as práticas. E é dessa forma que também comporão o Núcleo de Programação Criativa. cabendo a suplementação da informação ao Núcleo de Cursos. em número controlado (três ou quatro. no máximo). conforme as programações parciais ou globais. para efeito de alimentação das programações de todo o sistema. de composição variável (representantes de cada Núcleo). Equipamentos etc. de natureza mais prática. com professores convidados. Cada Coordenador de Célula se reveza na Coordenação da Molécula respectiva. para posterior triagem e autocorreção no Núcleo de Programação Criativa. As moléculas substituem os atuais departamentos. Ficam para um próximo "esboço a lápis" a discriminação das células possíveis e a graduação dos cursos. de modo que. Cada uma das moléculas dos Núcleos de Informação e Formação comporta células (disciplinas). com entrecruzamento de aulas. o Núcleo Formacional. em número variável. que ativará cursos compactos. todos tenham a oportunidade de exercer a função junto a todas as células. a funcionar como subcoordenador (aluno). desejavelmente.D) Núcleo de Cursos (Extensão e Especialização) E) Núcleo de Laboratórios (Estúdios. sempre acompanhado de um aluno-subcoordenador de cada célula ( I a caso) e de um aluno-subcoordenador de cada molécula (2 a caso). Cada Coordenador de Célula contará com pelo menos dois alunos subcoordenadores. após um certo tempo-tarefa. A especializa— . e cada Coordenador de Molécula se reveza na Coordenação do Núcleo respectivo.) O Núcleo Informacional é de natureza mais teórica. inclusive proferir aulas. Ambos se fundem no Núcleo de Programação Criativa. aqui. passando o Coordenador (professor).

Internamente: programações propostas pelos alunos. não se limitará à tradução lingüística . numa autêntica invasão inf ormaclõ"-" nal de estudantes "bárbaros".ção. E em função dessas pressões que se verá da conveniência de criar novas células. Para finalizar: Claro que sabemos que mil leis e regulamentos logo formarão clamor na boca de mil interessados passadistas.. por exemplo.sem dúvida uma de suas funções mais importantes . / . nos últimos semestres. a próxima reestrutura-/ ção da Sorbonne.mas comportará também uma Célula de Tçadução_ Intersemiótica (tradução de um sistema de signos para outro: do sistema sonoro para o sistemTvisüãl7p5gxêní r " pJoJJPara efeito de atualização. em que necessidades galopantes passarão por cima de mil portarias. sempre. por segurança e para copiá-la. Quanto à Molécula-Tradução. em ligação com o Núcleo de Programação Criativa. A não ser que fiquemos aguardando. o\sistema deve sofrer pressões tanto internas como externas. tem início após conhecimento e alguma experiência em relação aos demais media.. porém. esta possibilidade deve vir acompanhada. Externamente: os cursos compactos organizados pelo Núcleo de Cursos. Dia virá. do estudo da possibilidade de assimilá-la a alguma célula já existente ou de um reagrupamento destas.

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Uma grande capacidade de manipulação do código implica um repertório mais alto. antagônicos e não-antagônicos. mais previsível e ambíguo. conforme o critério dos pesquisadores de mercado. por sua vez.das revistas de fotonovelas.C Ó D I G O & REPERTÓRIO Código Central ou Básico A comunicação é uma função do código e do repertório. entre o previsível e o imprevisível. entre os diversos repertórios. que tendem a coincidir com a divisão da sociedade em classes sociais (A. Informação não é uma "coisa". que. . a baixa capacidade de manipulação acarreta um repertório mais redundante. C e D. baseado nas rendas individuais ou de unidades familiares). um maior teor possibilístico de informação. B. mas uma relação estatística entre o que se conhece e o que não se conhece. O grau de imprevisibilidade dos sinais . O problema da cultura reside justamente nos conflitos.vincula-se à capacidade de manipulação do código. por exemplo). menos preciso: quer-se informar mais do que os sinais comportam (vejam-se os nomes.da informação. estão na dependência da informação. portanto .

O Brasil é.a palavra escrita. agora. a um repertório reduzido. ainda é privilégio de apenas metade da população alfabetizável. é que o repertório está sempre relacionado a um código hegemônico e padrão. uma audiência mais ampla . Mas o que interessa observar. o sistema verbal lógico-discursivo. onde a alfabetização. know-how básico.A um repertório mais amplo corresponde uma audiência mais reduzida. pois. em função do qual o repertório se define. . decodificador ou metalingüístico . de maneira genérica. um código central ou básico. Este código unificador é também um código "tradutor".este o postulado básico da Teoria da Informação e da Comunicação. Podemos dizer. um país de baixo repertório. se encararmos o repertório como função de um código hegemônico . que o código central da maioria das sociedades "civilizadas" é a palavra escrita.vale dizer: é através dele que os demais códigos se tornam inteligíveis. Este fenômeno é evidente no Brasil.

metalingüística. cinema. assim classificados com relação ao código central. podemos observar que as classes populares . tato e visão (áudio-hapticovisual).exibem um repertório superior ao das elites. o mesmo se dá no que toca aos repertórios baixos. em alguns casos. algo semelhante. ou seja. qualitativamente superior. uma superior capacidade de manipulação do código e de criação de linguagem (a elite não conseguiu criar.de Donga a Caetano Veloso . Ora.) só adquirem "sentido" quando "traduzidas" para o código central sob forma. Em meio século de criatividade e de desenvolvimento . reduzido em relação a este. Aqui. Mas pode dar-se que este repertório reduzido não seja assim tão restrito.a música popular brasileira se tem mostrado culturalmente mais importante. se medido por um código lateral subsidiário. de onde emergem as chamadas elites culturais. e. e mesmo ao iê-iê-iê . crítica de cinema etc. música etc. se os repertórios amplos se definem em relação a um código privilegiado. se definido em função de um outro código que não o código central. desenvolver e consolidar nenhuma dança que substituísse o balé clássico). singular ou coletiva.do candomblé ao samba. de crítica e/ou história da arte. pode ser amplo. "escritura" corporal. simbólico ou para-simbólico e que envolve pelo menos três sentidos: audição. à música . Exemplos É o caso da dança. A transposição intersemiótica (tradução) já constitui uma operação crítico-interpretativa. por exemplo. que exerce função de decodificador geral. pode-se observar como as manifestações ou informações vazadas em outros códigos (pintura. jogo de estruturação espacial pelo movimento. Na música.Códigos Laterais ou Subsidiários Nas faixas ou classes de repertório mais amplo (A e B). crítica musical.

E é sabido que as pessoas afeitas aos 1 i v r os_eJ o r n a i s se n t em^Tfi eu tdãdêrd e~~e n t e n dër" a s a n e d o t a s dos comics. N o en- . Os diretores de arte. Villa-Lobos. chegaram a um repertório artístico de tal sofisticação que acabaram por influenciar a arte erudita de vanguarda ( p o p art). numa agência. a cortextura de Volpi é de altíssimo repertório. logo passam a contatos ("boys de luxo" . —-_ Os chamados artistas plásticos demonstram uma característica aversão pela palavra escrita. a elite letrada gosta de "primitivos". tal como os bluejeans puídos e desbotados da moçada zona-sul de hoje. O futebol também mostra a superioridade relativa dos repertórios vinculados a códigos subsidiários ou laterais (em confronto com o repertório do código central). já os redatores se sentem à vontade na escalada da pirâmide: especialistas do código central.de Carlos Gomes. é notavelmente sofisticado. Paulistano) . Volpi conseguiu acesso a esse mercado porque os críticos lhe impuseram o labéu de "primitivo". Os ingleses o criaram como combate simulado. enquanto os "brancos" mandaram (Fluminense. Os criadores de quadr estórias. dizendo que os redatores não entendem nada de arte ou são uns escritores frustrados. os redatores novatos ficam possessos quando descobrem que os layout-men não só não "entendem" como mal lêem os seus textos. raramente atingem os mais altos escalões da administração: alergia por papel escrito. Nas agências de publicidade. N o caso do barroco mineiro. Os artistas lhes dão o troco. E com este "conteúdo". os mulatos de Vila Rica é que quase chegaram ao nível de Mozart. Ao nível de seu código. Camargo Guarnieri ou Cláudio Santoro. partindo de um baixo repertório técnico.dizem os artistas) e a cargos diretivos. hapticovisual. Face às linguagens de outros códigos. ele se introduziu e se firmou entre nós.até que os negros o transformaram em dança e lhe conferiram o traço criativo e distintivo que o tornou famoso em todo o mundo.

introduzindo e alimentando uma contradição antagônica no discurso. A mulher vê de modo diferente do homem: seu olhar é mais táctil. com leis e lógica próprias. pintor de repertório hapticovisual inferior. quando falamos de palavra escrita. Nem é outro o "segredo" do chamado "sexto sentido" feminino . E talvez seja por perceber essas contradições que o crítico Mário Schemberg demonstra uma curiosa preferência pelo que poderíamos chamar de "primitivos de vanguarda". desvenda o código e seus valores. O "primitivismo" radical tem sempre função metalingüística. as mulheres terão dado mais um passo rumo à igualdade dentro da desigualdade. vale dizer. a mulher permanece relativamente analfabeta. forçam uma abertura extralingüística. semiótica.sexto sentido feminino que só existe. priapicamente.. O ideograma oriental e o poema concreto. no código central: Oswald de Andrade é o exemplo mais escandaloso.tanto. essa mesma elite não admite "primitivos" no seu código. para o homem letrado do mundo ocidental. Foram os letrados que promoveram a pintura letrada e temática de Portinari. à palavra escrita enquanto estrutura discursiva. Então. estamonos referindo à escritura linear. O nu artístico masculino só passará a despertar maior atenção das mulheres a partir do momento em que as revistas erótico-culturais começarem a mostrar a tipologia do falo. . Talvez devido às funções gestativas. Claro é que. esta se transfere para os seios e nádegas.. os sentidos da mulher são mais integrados. Mulher & Amenidades Felizmente para uma futura cultura cósmica da humanidade. Daí que o chamado "nu artístico" é criação do sexo masculino. como o órgão sexual feminino não é passível de tipologia meramente visual. na mulher.

os franceses. esta pseudo-alienada. hão por bem ficar perplexos ante o trágico fim do Visconde de Valmont. D.sucessão e herança. Até hoje.mudando de significação. A linha e linhagem da primogenitura se impuseram ao sincronismo coletivista do matriarcado . verbo.massa Âmass*media)*J]m comgo~so"se satura-em-êutrõ . para finalizar. ao corolário da proposição inicial referente ao repertório alto ligado a um código hegemônico: a informação crescente (repertório) ao longo do eixo de um código conduz à individualização crescente (até chegar à abstração da informação absoluta. O código operou uma revolução no tempo. . pelo consumismo ou pela socialização. A contestação autodestrutiva de Ema Bovary permitiria a Gilka Machado escrever "Sinto pêlos no vento". Mas acham bastante "lógico" o fim muito mais surpreendente de Ema Bovary. talvez se possa estabelecer uma relação direta entre o surgimento do código alfabético. a informação decrescente (repertório) ao longü~do~eixõ"d'êTínr^ para códigos lateràis e a que estamos as/ s i s t i h d l ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ T ^ O T ^ ^ ^ ^ ^ w m i e n t o de poderosos _____ Z^™ . nas Liaisons Dangereuses. e a queda do matriarcado. . Conclusão & Corolário O que nos leva. . letrados incuráveis.^ J ^ S E S ^ ^ codigos laterais demãrtianação ! „em. no Ocidente.Como tese e palpite.iogos. criando a história enquanto diacronia. Quixote de saias. a empapar a túnica translúcida: denúncia da instituição do casamento enquanto do homem para a mulher. e a ísadora Duncan dançar com o leite escorrendo dos peitos. Contrariamente. A saturação de um código implica uma operação de metalinguagem semiótica. deus).que ora volta a agitar as sociedades. solidão absoluta que reverte em participação também absoluta .

Michel Butor o considere u m " p r i m i t i v o " . . Q u e m sabe. p o r isto.. . em lugar da mímica tradicional do palhaço do circo.. A professora-bibliotecária clássica: sex-repeal. A cultura vista do livro. da qual resulta a d i s r u p ç ã o das " s a g r a d a s escrituras" e o esboço das "escrituras p r o f a n a s " .E foi M a l l a r m é q u e m e m p r e e n d e u .. a o l o n g o d o eixo d o código verbal a escalada sisífica r u m o à informação a b s o l u t a . institucionalizado por Picasso e pelos demais nostálgicos do século XIX. como prê- . as escrituras de u m a n o v a cultura. Abelardo "Chacrinha" Barbosa é o primeiro grande clown da TV brasileira: a verve da palavra falada e a verve táctil da roupa. As paronomásias do Chacrinha: "concurso do maior pão".. Quando a Sociedade Protetora dos Animais protestou contra o fato de distribuir animais. Por isso mesmo. multissígnicas o u semióticas. já aceito pela "cultura" (dos livros). A cultura sem humor nem amor. "concurso da maior pizza".

ao público. Depois. Chacrinha é cultura de massa para as massas: iniciação urbana. os intelectuais esquerdistas se sentiram vexatoriamente atendidos em seus reclamos de combater "programas de alienação do povo^f :Cë>m~o. é a televisão.futebol. Ser alguém. foi a vez do cinema: "Para ser artista do nosso cinema" /Noel Rosa..mios. Agora. J^er^conhecido^ por gente que ajíenU~nãp conhece nem^ conhecerá^ntes. Kildare". pelos cânones ^ÒMrgMçses. a mesma coisa. carteira de identidade social pelo vídeo. essa virtude peftenci<Tãò jornal: ver conto de Artur Azevedo sobre o pretendente que só seria aceito pela amada se tivesse o nome publicado no jornal. Quando o governo começou a impor restrições aos programas de Dercy Gonçalves e Abelardo "Chacrinha" Barbosa. Chacrinha pôs avental de médico em seu assistentetratador-de-animais e fez escrever no bolso do uniforme: "Dr. Como pode ser alienação do povdparticipar d-e\algo que é criação do priòpriõ~põvõ?" ~ ' " ——-———~ - .

experimentação ou criação à pesquisa. e de informação. O tema geral que propus e me propus toca certamente a já famosa crise universitária brasileira . dentro da expectativa de uma aula inaugural*.FORMAÇÃO E INFORMAÇÃO UNIVERSITÁRIAS (Uma Aula Inaugural) Serei breve. E eu quero dizer que as doenças são outras. chamando de formação ou instrução ao ensino. no entanto. pois nos levam à ilusão de que. conhecendo os males e os medicamentos. em minhas rápidas análises e proposições. Evito. 1-3-1968. São Paulo. se não puder ser ameno. Costuma-se colocar o problema da crise universitária em termos de organização e de dinheiro: mais certo seria colocá-la * Faculdade de Filosofia. o repertório universitário vigente. outro tema predileto dessa mesma crise. embora nem breves nem amenas seriam as discussões e debates que elas poderiam provocar. . tudo não passa de uma questão de dosagem e aplicação. Ciências e Letras de Marília.e poderia ser traduzida em termos de ensino e pesquisa. assim acredito nas equivalências estruturais entre uma e outro e assim acredito que ensino e pesquisa são etiquetas de remédios e mezinhas por demais consabidas e em si mesmas viciadas. Pois assim como me recuso a separar forma e conteúdo.e mundial .

A universidade brasileira procura resolver sua crise intra muros. no seu mais singelo sentido. aquela justamente que é a mais difícil de absorver. . vem anunciando que os universitários acabariam por constituir-se numa massa cada vez mais excedente! E isto é o que se chama de democracia.. quando supérfluas se tornam as janelas em paredes de vidro. a sua antimatéria.. Nós . há mais de século e meio. diz Norbert Wiener.e os europeus. vieram os meios de comunicação de massas. Os computadores surgiram para controlar a explosão da informação e este fenômeno provocou o seu avesso. E a informação de primeiro grau é uma informação estrutural.e muitas universidades européias estão em crise.e já cumpriu a sua missão forçosamente transitória. Esta implosão significa a mudança de sentido da especialização.temos de enfrentar ambos os problemas a um só tempo. ou seja. A estrutura universitária tradicional visava a uma elite . porque se recusam a compreender que chegaram à época da muda. A conseqüência foi a explosão das massas e da informação. Um organismo é tanto mais forte quanto maior a sua capacidade de absorver. que é preciso trocar a epiderme e as entranhas aristocráticas pelo pêlo democrático e de massas. se assim podemos dizer. Juntamente com a massa. o fundador da cibernética.em termos de economia do organismo.e renovar-se. mas a relações entre coisas e fenômenos. ainda mais nos tempos que correm. a explosão para dentro. mas que se refere antes a métodos de integração do que à falta de vagas. que se exprime pela implosão da informação. mesmo porque a Revolução Industrial. que só vêm conhecer a verdadeira massa a partir do Mercado Comum . portanto: "viver efetivamente é viver com a informação adequada". A universidade brasileira . quando seria muito mais simples e universitário abrir as janelas para o mundo. Os americanos e russos também se defrontam com uma crise. pois não se limita a coisas e fenômenos isolados. que passa a caminhar no rumo da integração. interrelacionar e criar informações novas .

informa menos do que um artigo de revista ou de jornal versando sobre o mesmo assunto? Um dos slogans quase secretos da universidade brasileira é o de que "o aluno só aprende verdadeiramente depois que sai da escola". declara que é preciso substituir a instrução pel^experimentação) e pela^nvên'çãa^E~ nãõ~esta~3izendõ"maís" do que jaTfíssfTGÍambattista Vico7*Ka dois séculos e meio: "A suprema norma do conhecimento é. latino-americanos. Quando essa atividade criativa cessa. É preciso restituir a pesquisa ao seu sentido original. O que ele mesmo descobre é que tem real importância para ele e lhe dá o necessário incentivo ao trabalho. para Vico. em Ciências da Cul tu r<3 j7"E"Em i F N o 1 d e. que somos: derrubemos os muros de nossas fortalezas e reconheçamos que informações decisivas estão sendo produzidas fora dos muros da universidade e que sua estrutura atual é incapaz de absorvê-las. às vezes já é velho de uma década lá fora! Por que razão. nonagenário: "O que um artista aprende importa pouco. e este sentido é um só: experimentação. o chamado "profeta das comunicações" de nossp-temp.Que significa tudo isto. internos ou externos. Para dizermos em termos mais brutais: muita coisa que a universidade produz e considera original. E o quanto basta para jogar por terra o que costumamos chamar de ensino e de pesquisa. especialmente no campo das ciências humanas.o. morto há alguns anos. a resolver. como bons americanos. . quando não há mais dificuldades ou problemas. O homem só compreende enquanto cria" ( apud Cassirer.e mesmo nos Estados Unidos . afinal? Sejamos pragmáticos e antropófagos. O campo do nosso saber não se estende nunca além dos limites de nossa própria criação. o princípio segundo o qual nenhum ser penetra e conhece verdadeiramente senão aquilo que ele mesmo cria. o pintor expressionista alemão. então o fogo se extingue rapidamente. descoberta. criação.a maioria das teses universitárias. aqui . Uma habilidade para aprender nunca foi sinal de gênio" (citado por Herbert Read. em seu âmbito. Marshall McLuhan.

destinadas a colher as informações-víveres necessárias à subsistência e ao desenvolvimento desse mesmo organismo. isto é.telêljpãítÍGipeCEles são nós.em Art now). eu responderia que tampouco se destina a formar medíocres e burocratas da cultura. um_S.e esta é uma mensagem do próprio organismo social.S_daprópria sociedade a ela mesma .e da qual a universidade é ^pax. hoje. A oposição entre estudantes e professores é absurda. Para não dizer que seria uma pena que assim não fosse. aqueles pensa- . para p^tgrem as inf ormações que lhes permitam sobreviver . onde estão as informações. sequer todas as coisas importantes de sua própria especialização: ..u_por vocação: : elas o fazem. que lhe permitam criar os pensamentos brutos. inclusive. simplesmente. com igual franqueza. e não é nada desprezível o dado biométrico recentemente^divulgado pelos jornais. pelo qual se constata que as crianças da classe média. Alguém poderá objetar. meter na cabeça. Qire""significa explosão da informação? Significa que.. como que biologicamente. nos dias atuais. Mesmo porque a universidade tem uma altíssima função: atuar como antenas do organismo social. Cumpre-nos acabar com noções obsoletas de uma sociedade oportunista: as massas de estudantes não acorrem às uni—. que possuem uma capacidade d e " ^ s H ? v ^ ^ ^ ^ a P ^ ^ n t u a d a m e n t e i maior do que a dos estucknt^s_de há uma_geração.medida mesma em que experimentasse e coordenasse.O. Nós somos eles. coordenasse a experimentação de métodos. da qual o professor fosse^o^coorde nador . um diploma de doutor_o. ou seja.o_que4mpQrta_é saber onde estão as informações adequadas às suas indagações. ninguém consegue "saber".um c o o r dénador ~q ué'ap rend esse juntamente com seus alunos na . versidadesjgara conseguir. que a universidade não se destina a formar gênios. são cinco centímetros mais altas (em média) do que as de trinta anos atrás! Uma classedeveria ser uma equipe de trabalho. Estamos assistindo a uma verdadeira invasão de estudantes "bárbaros"..

defesa de redutos muitas vezes puramente Que s i g n i f l c a ^ ^ ^ ^ ^ ^ á a ^ f o r ^ ^ ^ i Significa que so. inclusive) . rural. a título de ilustração. a descoberta e a invençã® devem constituir a forma moderna do ensino universitário. a criação. desde que se reestruture no sentido da experimentação e da convergência e não no da formação e da divergencia que a vem caracterizando até agora.per-ceber-estr. a universidade é o lugar adequado para esse empreendiM mento. no II Congresso de Crítica e História Literária. Há sete anos atrás*. dentro e fõrà de nosso'campo específico de ativi7/ a p s f ã i ^ s i i f e ^ — • — ' — r r 1 dades.1 mos c o n t i n u a m en t^lSSahar dê à d õ s ^ õ j ^ i M a massa heterogê-' nea de informações qu^^^^^gfimge^pressi onam a. de sua instrução e de sua formação. ^^ A" experimentação.. Poderemos ter. Para falar a verdade.mentos que. Certas lacunas e carência da universidade não são facilmente compreensíveis.utu-" . p s ^ e toda estrutura é síntese. enquanto as chamadas ciências humanas se perdém~e-mur-cKam~na. então. plexo industrial. A implosao da informaçao nos convida e torça a estabe._uma_rede. no dizer de AbrahajgMglës. é claro. Cito dois casos. uma dinamização do equipamento e dos quadros já existentes (alunos. que lhe permite ligar-se imediatamente ao grande com-. administrativo. .Jjuscardhes^uHa raí20. criam conceitos e fazem-avançar a ciência. _seguida e renovadamente. íecer relações. bastante restritos.comando a. acho que a universidade já dispõe de meios para realizar muito mais do que vem realizando. social e cultural da sociedade.significante : . é umxonvite-e_um.de relações.sem exclusão de novos. a professores .pondo à prova continuamente o ediTP" ^SÍ^SlimmmmmkmSÊÊÊ^ £______-————— cio dos conhecimentos adquiridos e legitimados. Com todas as suas insuficiências. E ninguém tem dúvidas de que é graças à experimentação que as ciências exatas avançam firmemente. que teve lugar em Assis.

mas era totalmente empírica: acho que os seus realizadores.. algum dia! .universitários de todo o Brasil reunidos em conclave.LI ) pr que os escritoren5r2sP' leiros. que então surgiam. transformada em revista musical.. Salvo provável ignorância minha. fiz uma pergunta ingênua. fundamental "pira os es^^Õs~lingmSiçp.continuam a sair das faculdades de Direito e Medicina . sabemos que os Estados Unidos gastam em pesquisa o correspondente ao produto bruto brasileiro. mas nós temos de começar. a eminente assembléia. Bernard Shaw valeu-se justamente dos novos recursos fonoelétricos.e também deste congresso ._np_ rádio e na televisão. Quem teve a oportunidade de assistir à transposição cinematográfica de My fair lady.s^e_de inestimável valia na orientar ã o prática da dicção nas escolas. dirigida por George Cukor.íaculdades~5e. não sei da existência dcTum laboratório desse tipo. até hoje.a sua peça Pigmalião. não sabem o que seja um laboratório dessa natureza. para compor. Sim. ^griação^ literária. que sao a razaò de sér dos cursos de letras .ou de faculdade nenhuma? Propunha eu a organi^^zaçãojd ^entwsjixperimentai^de criação de textos junto aos ^cursos d^^^as^com^jdupl^finalid. para maior eficácia e profundidade das atuações^do professor.ade de incentivar a criação' 1 i t e rária e d e p ro pi c ia r o conhecimento direto dos grocessõs^dF.perfeição essa que só se tornou possível graças aos longos anos de experimentação científica no campo. moderno e atuante. alcançou grande sucesso nos Estados Unidos e em outras partes do mundo. se não irritou. Recentemente.dp^çrít^^d^nsSistãTPropunha também a criação de um laboratório de fonologia e fonética. que inquietou.letras. pois a questão lhes pareceu perfeitamente impertinente. no teatro. Nos inícios do século.. em nossas universidades. A pergunta era „nasxhamadas. A versão brasileira também teve êxito . e que não teve nenhum seguimento prático ou útil. sem dúvida se terá maravilhado com a perfeição sonora e de dicção da película . sobremodo. no cinema.

aquelas idéias que a mente recebe passivamente.e que constitui a sua vida". "Eu observaria ainda que à compreensão que desejamos é a compreensão do presente insistente. Se não somos grandes. Nenhum mal é mais mortal às mentes jovens do que a depreciação do presente". A descoberta que ela tem de fazer é a de que as idéias gerais fornecem uma compreensão daquele fluxo de acontecimentos que se despeja em sua vida .e não ensiná-lo. extraídas de sua obra The aims of éducation . Alfred North Whitehead. sem que sejam utilizadas. . ou. a criança deveria experimentar a alegria da descoberta. farei algumas citações do matemático. Nós precisamos criar um Brasil . "A educação moral é impossível sem uma visão constante de grandeza. "Não é possível a existência de um eficaz sistema educacional no vácuo.Antes de concluir a aula com uma frase de efeito. "Desde os primeiros passos de sua educação. acima de tudo devemos precaver-nos contfã o qüe chama rei de idéias inertes . de um sistema divorciado do contato imediato com a atmosfera intelectual existente".ou seja. pouco importa o que fazemos ou debatemos e o sentido da grandeza é uma intuição imediata e não a conclusão de uma argumentação lógica". filósofo e professor. ou postas à prova."Os objetivos da educação": "Ao exercitar uma criança na atividade de pensar. vale dizer. "Qualquer mudança fundamental na visão intelectual da sociedade humana deve ser necessariamente acompanhada de uma revolução educacional".articuladas em novas combinações". A única utilidade do conhecimento do passado é a de equipar-nos para o presente.

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contrariando. destacou-se nos meios literários de vanguarda dos Estados Unidos. Canadense. graças a estudos sobre Mallarmé. Passando da capa dura para a capa mole. estudos esses ainda hoje dignos de consulta.. os prognósticos pessimistas dé^seu^próprio editor. por conter JZ5% de informação nova. veio do setor das letras.. publicou A Noiva Mecânica (The Mechanical Bride) e A Galáxia de Gutenberg (The Gutenberg Galaxy). que o considerou um livro "difícil". Chegou afinal às revistas não-especializadas (a revista Newstpeek. mas foi com J Jnder standing Medi a. que chegou ao nívél~3ourado ád^ est-selle^ . agora traduzido em português com o título Os Meios de Comunicação copioJLxtensões-dsx Home m. "o profeta das comunicações". Joyce e Pound. nos inícios da década de 50. . formado que é em Literatura Inglesa.M E N S A G E M E MASSAGEM DE M A S S A Marshall McLuhan. o livro vendeu às pampas e foi ganhando fama na proporção mesma em que provocava polêmicas. Passando à abordagem dos meios de comunicação de massa. por •exemplo. alias. dedicou-lhe um artigo de capa) e certas expressões sua'S7com5T/?e médium is the message (o meio é a mensagem) acabaram entrando para o acervo crítico-cultural dos últimos anos.

america^ no. cuja tendência é a de só encontrar significado nas coisas que possam ser "traduzidas" em palavras. o amor. também. não percebem que McLuhan é um estruturalista .t. uma peça musical^ uma casa ou um automóvel. na TV. e não um estruturalist a . ele quer significar que. os alienados da linguagem e os ansiosos do chamado "conteúdo". os intelectuais e artistas de "linha francesa". A ilusão de que se trata da mesma mensagem nasce da lógica linear inerente à nossa cultura escrita.um estruturalista pragmático. não percebem que Understanding Media é uma brilhante e original defesa de arte na era do consumo. Para eles. Drummond ou João Cabral. particularmente. Posteriormente. busca apenas o "conteúdo". também não se pode separar a mensagem do veículo que a transmite. Pode parecer estranho. como diria Yeats. num poema. não é nem pode ser a mesma: sua lógica estrutural e o efeito_que produz no receptor são diversos. parece óbvio que o que conta. da eletrônica e dos vôos espaciais. McLuhan desenvolveria uma variante de sua formulação: o . Com o meio é a mensagem. A "mesma''mensag£m r íra«sfflmda-por-dc^ c ferentes. embora não se sintam muito à vontade nesse mister mutilante diante de certos fenômenos onde ele se torna bastante inoperante. mas quem já se esforçou por compreender certos fenômenos de linguagem (não de língua) que se manifestam em certos poemas de Pessoa. Por esta razão.emático à la européia. assim como "não se pode separar o dançarino da dança".O Meio é a Mensagem/Massagem O livro de McLuhan tem o condão de irritar. canibal. em livro e disco. num jornal ou numa revista. N ã o conseguem pensar o mundo sem a prática constante da separação entre forma e fundo. a estrutura do átomo. tais como um poema.s£mânticp_je_sis. Por isto. à nossa tradição livresca. uma geladeira. a "mensagem". é a chamada "mensagem". está melhor preparado para entender este livro do que aquele que.

que. dizendo que "parece uma fotografia". um meio de "baixa definição". nesta altura. um poema.se ocorrer . Em conseqüência. a TV é um veículo audiovideotáctil). que permite pouca participação do espectador. a caricatura. roupas "brutalistas" de textura rude. que repele as posturas rígidas ou pessoas falando de maneira formal (lendo um discurso. ele entende tanto a roupa como o dinheiro. Outros meios "quentes": o livro. deixando dé ser TV. um carro compacto. rádio. de alta definição. como se pode observar nos planos gerais e na preferência pelos primeiros planos. em contrapartida. por meios. Segundo o canadense.afirma McLuhan. a valsa. A TV "esfria" o ânimo do telespectador.Isto porque a TV é um veículo "frio". os programas ao vivo e a improvisação são mais adequados a esse meio. à.a TV se terá transformado. Daí a bobagem de se elogiar a imagem de um televisor. não-linear. o gravador ou a TV. . participando muito mais intensamente da natureza do próprio veículo. um semanário noticioso. Outros meios "frios": meias femininas de malhas largas. um semanário ilustrado. uma consciência em profundidade. nos Estados Unidos .meio é a massagem. o telespectador tende a "preencher" as imagens. por exemplo). PeliTmesma razão. Convém lembrar. Pela maior dispersão de seus pontos. roupas e maquilagens só para a vista (e não para o tato). uma fotografia normal é um veículo "quente". para significar que os meios se desenvolvem e se transformam pelo constante atrito entre eles. . a retícula do televisor não permite o delineamento nítido das imagens. dando-lhe. quando isto ocorrer . dos fatos e fenômenos.explosão de fúria popular. Meios Frios e Quentes Se não existisse a TV. semelhança da estrutura dos mosaicos (para McLuhan. Em oposição. o assassinato do presidente Kennedy teria desencadeado uma .

o militarismo.. a escultura é uma extensão do tato (extensões hápticas do homem). a palavra escrita e a fotografia são extensões do olho. ao fim da hegemonia da palavra escrita. para entrarmos na Era da Instantaneidade.a sociedade humana (a ocidental. Trata-se de unidades "insignificantes". onde todos possam exercer papéis e não ofícios e empregos especiali- . gerando desníveis de repertório (que deixou de ser comum a toda a sociedade). que é a era da eletricidade e da eletrônica. desligadas de conjuntos fonéticos (letras).e desprezando as seculares lições e advertências "integrativas" de seus artistas .A Volta à Tribo Estamos chegando ao fim da Era Gutenberg. o olfato e o paladar são mais "inclusivos". significantes (palavras e frases). O código alfabético é uma extensão altamente fragmentada e especializada do olho.. Os meios são extensões do homem: a roda são os pés em rotação. mais "frios". o tato. do que o sentido da visão. da recuperação e integração da sensibilidade e. que tende para a alta definição. Destribalizada e narcotizada pelo novo meio . o perfume uma extensão do olfáto etc. A audição. especialmente) teve de esperar pela eletricidade e pela televisão para poder dar início a um lento processo de retribalização e integração social. em prejuízo da natureza inclusiva dos demais sentidos. Vai daí que o código alfabético fragmentou e destruiu a tribo. fenômenos esses que se criaram ou se manifestaram mais claramente após a invenção da imprensa. da Consciência Universal. o individualismo. como se pode observar nas culturas e pessoas pré-letradas. o nacionalismo e a produção industrial em cadeia de montagem. O código alfabético tende a traduzir todas as coisas numa uniformidade linear geral e exclusiva. que se compõem linearmente em unidades maiores. a palavra falada e a música são extensões do ouvido. quem sabe. com todas as suas riquíssimas gamas e correspondências (sinestesia).

Arte como Antiambiente Os media em sucessão e em atrito criam um ambiente irritante. em relação à tecnologia.já dizia o grande poeta Pound. os meios com que criticar e salientar os desmandos provocados pelas novas tecnologias. ou seja. uma função da consciência crítica. um contra-irritante. Assim como nosso sistema nervoso central integra todos os sentidos instantaneamente. extraindo dos próprios meios os meios com que criticá-los e compreendê-los. o integrado e o sintético se chocam com o explosivo. urge um antídoto. quando sentimos que o implosivo. o circuito elétrico integra instantaneamente os meios e os homens. que produz o stress e a irritação. fragmentadas. especialmente agora. quase abrasivo.zados tão-somente. no ano passado (fi- . A arte é esse contra-irritante. pois ela previne e prepara a sensibilidade para as mudanças e os efeitos causados pelos novos meios de comunicação.conseqüência da indústria eletrônica de nosso século. Estamos. o fragmentado e o analítico. assistindo ao fim da era das especializações mecânicas. de velho estilo (fruto da indústria mecânica do século passado) e vamos entrando na era em que o melhor especialista é aquele que mais coisas conhece fora do campo de sua própria especialização . Para neutralizar a pressão do ambiente. em New York. pois. Contradições Canadenses Embora tenha proferido um curso sobre Teoria da Informação e da Comunicação. amaciando os seus efeitos de hipnose e alienação. Poderíamos mesmo dizer que. "Os artistas são as antenas da raça" . esse antiambiente. a arte exerceria uma função de metalinguagem.

de uma das afirmações fundamentais^^M^rbert Wiener. Marshall McLuhan não formava boa opinião da Teoria da Informação..é uma transposição direta. os segundos implicam repertórios mais altos . o contrário é que se dá. em 1964. Sílvia Ferreira. é que o slogan que o tornou famoso otmejo e\a mensagem . com os meios de alta definição. e. lhe disse já ter aprendido tudo aquilo dois anos atrás. portanto. Os meios de baixa definição são meios mais redundantes. oTiome^WíinêrTrão j/errcr itlá^urna única vez..e audiências mais reduzidas. que freqüentava o curso. da Guanabara). o pai da cibernétiëï^Sçguntio o qual o e \ a ^ mensa^èm' ï M^titsKto. mais ambíguos e mais abertos à interpretação e à participação. Os primeiros implicam um repertório mais baixo . em todo o livro. Mas isto não impediu que a sua noção de meios de baixa definição (frios) e de alta definição (quentes) derivasse diretamente de noções básicas da referida teoria. para o e s t u S ^ d o S ^ e i o s de comunicação. com taxa de informação mais baixa. ^©maísjmrioso. . porém.cou surpreso quando uma aluna brasileira. data da primeira edição deste seu livro: acusava-a de perder-se em itens e tópicos despidos de maior importância.e audiências mais largas. na Escola Superior de Desenho Industrial.

assim como sustenta.T V CULTURA NO A R CANAL 2 . sala de concertos etc. é necessário que nos compenetremos de que uma TV Cultura não é apenas cultura. pelo consumo dos produtos anunciados. da educação e da cultura. e com o . sala de aula.). forçando-o a comportar-se como outros meios (livro. em quase todas as partes do mundo. Violentar um meio como a televisão. Antes. num contato que o designer Fernando Lemos e eu mantivemos com o Dr. cinema. A explosão da informação de nosso tempo está a exigir uma síntese. SÃO PAULO A grande revolução que hoje vemos processar-se. no campo do ensino. as televisões comerciais. Dessa forma. e principalmente. em poucos anos. a fim de que seja o menos televisão possível. afinal. uma implosão. porém. mas também. rádio. presidente da Fundação Anchieta. nossa TV Cultura poderá. granjear grandes audiências. José Bonifácio Coutinho Nogueira. paga e sustenta a TV Cultura de São Paulo. parece assegurar um futuro promissor às televisões culturais. O computador e a televisão são alguns dos meios mais importantes para que ela se realize. para a grande decepção do povo que. é um erro básico de comunicação e uma cincada pedagógica que podem acarretar sérios prejuízos à função cultural a que se pretende o Canal 2. televisão. Há mais de um ano.

Se definirmos repertório como a capacidade de manipular códigos para efeito de comunicação. no vídeo. derivada da Teoria da Informação. REALMENTE. constatamos que a TV Cultura pretende introduzir um alto repertório livresco num baixo repertório televisual. atingirá uma linguagem mais dinâmica e adequada (coisa que não está fazendo). atinge. à vontade. Sinto-me. para fazer da TV um veículo de cultura. 60 segundos). a pretexto de "conteúdo". Julga-se elevar o nível da TV elevando o seu conteúdo (ou o que as pessoas letradas chamam de conteúdo). mal se suporta uma aula expositiva de 50 minutos. 10 minutos são demais para uma aula de mesmo tipo. Antônio Soares Amora. em primeiro lugar). o tempo. pára continuar a defender aquela posição. lembro-me de haver-lhes dito que.Prof. Na verdade. E podemos acrescentar: sendo a televisão . responsável pelo setor de ensino da TV Cultura. Por isso. É FUNDAMENTAL NÃO APENAS PERMITIR COMO TAMBÉM INCENTIVAR A EXPERIMENTAÇÃO NO ÂMBITO DO CÓDIGO TELEVISUAL. é um tempo de alta concentração (um comercial. pois. Ressalve-se que a crítica que se segue leva plenamente em conta o fato de que a TV Cultura está apenas começando. por um lento processo de feedback (autocorreção). é um veículo-síntese. falar a própria linguagem do veículo. a TV Cultura. necessário se tornava. o que essas pessoas desejam é introduzir na TV um outro veículo anterior à TV e no qual formaram a sua cultura (o livro. no máximo. na TV. Ensino e Cultura: Observações Gerais • A televisão é um veículo de veículos. de São Paulo. N a escola. certo de que. A noção de repertório. pode ajudar-nos no raciocínio. antes de mais nada. Que se conclui dai? QUE PARA ELEVAR. O NÍVEL DA TELEVISÃO. na televisão.

a aparência arrogante de uma cultura aristocrática sobre a massa incauta dos telespectadores? Deixem o Paulo Planet desenvolver aquele desembaraço e aquela informalidade que sabe mostrar em Alianças para o Sucesso e que vão tão bem com a linguagem da TV. de modo tranqüilo e natural. artes etc. Gilberto Amaral era o apresentador . disco.um veículo de veículos .A palavra "cultura" parece ter transformado em estátuas de sal (ou sem sal) todas as pessoas da TV Cultura. não saber falar olhando para a lente da câmera é um erro palmar. revista.TV não é rádió. E depois. Ensino e Cultura: Observações e Sugestões Miúdas 1. já calcularam o preço de uma informação que não se comunica pelo menos com o número mínimo desejável de telespectadores? 2. rádio. E dizia coisas assim: " O grupo desafiante aduziria alguma coisa à explanação do Prof. O ERRO . Será tão humilhante assim aprender com os noticiaristas da TV comercial como isto se faz. . N u m programa sob a rubrica Cultura em Questão. mesmo com a melhor das intenções.e não apresentá-los prontos como pratos requentados. O ERRO . Estelinha Epstein interpretou ao piano inumerável programa. todos os professores e apresentadores aparecem vesgos no vídeo.e se apresentou arfante e contrafeito. Sob a rubrica Recital. que acarreta fatalmente o.) . Paulo Planet Buarque virou estátua ao lado de uma estátua do Aleijadinho. Nestes casos.cabe-lhe instigar o gosto e a curiosidade pelos demais veículos (livro.Com esse método de cartelas.bloqueio da comunicação. SUGESTÃO . cinema. portanto . Kliass?" A SUGESTÃO .um metaveículo. provavelmente por sentir-se condenado a ficar de olho duro na carteia de texto colocada atrás da câmera (temos aqui todos Os erros num só).Para que despejar.

) 4. no final. 3. sem grave perda da informação (com maior eficácia. em dez diversos programas. E a REGRA DE TEMPO N 2 1 pode ser assim formulada: Programas dinâmicos podem ser mais longos. de. sim. um rápido trecho da ópera Aida. porém.e fala-se demais. "consubstanciado no deus AmonrRa". O programa Recital poderia ter sido levado por uma rádio-emissora.Que tal ura copydesk para os textos? Que tal um verdadeiro diálogo informal. que a marca-símbolo foi criada para utilização dinâmica e está sendo utilizada estaticamente. que mal se distinguiam das estátuas e múmias mostradas em diapositivos! E despejavam sobre os madurandos um texto incrível. como se faz no Canal 9.. com coisas que tais: "consoante os costumes da época". se é que ouvi bem.. extraído direitinho de um livro. De um modo geral (com as exceções de impacto). da cabeça quadrada do boneco-símbolo da TV Cultura. de pescoço tão duro (os olhos pregados na famosa carteia). "a cultura saítica". . Por motivos que não consigo explicar.Tudo é longo e lento . o casal de professores-apresentadores estava tão rígido. não se observou a mais leve descontração. A iluminação é do cinema de Hollywood de 1940. a cultura séria na TV deve ser breve e leve. não se observou um sorriso sequer! E nós que julgávamos que o tempo da cultura como ritual fúnebre-soturno fosse coisa de outras eras!. de resto. à hora do almoço? Que tal abrandar a idéia de que a cultura toda cabe em perguntas e respostas certinhas e quadradinhas? (Não gosto. O ERRO . programas estáticos devem ser breves.Cenografia e iluminação gélidas como uma enfermaria. os produtores da TV Cultura ainda não se aperceberam da relação entre tempo e movimento na televisão.Verdi! Foi o único sorriso (involuntário) em toda a programação. Ah. a rádio. SUGESTÃO .textos na mão e olhar na câmera? E em dez professores e apresentadores diferentes. Ressalve-se. Numa aula do Curso de Madureza sobre a civilização dos antigos egípcios. E para variar. O ERRO . aliás).

N o desafio entre músicos. a experimentação e a criatividade participante das massas na cultura. 6. em particular. vale dizer. em geral. quais sejam o urbanismo. e da televisão brasileira. N o entanto. E os câmeras? Parece que têm medo de chegar perto das pessoas. Expressou-se bem. muito bem. ACERTO . Mover e mostrar as câmeras no vídeo. . ACERTO . o excelente equipamento sonoro permite.Romper a barreira pré-brechtiana da TV coisa que a TV comercial já fez há muito tempo.N ã o é necessário que TODOS os p r o g r a - mas de uma TV Cultura se destinem à massa. a parte mais viva da TV Cultura. da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. para mensagens de alto repertório televisual . falou prá-frente. Por que a TV Cultura parece sentir vergonha de ser TV? 5. Nestor Goulart Reis Filho.Os filmes. Cultura em Questão. umà solidão em tudo . E é absolutamente necessário que se reserve um tempo para a TV Cultura EXPERIMENTAL. a preservação e a ativação do patrimônio histórico.mesmo com a pesada cenografia escultural. Defendeu o informalismo.Um vazio. sobre questões atualíssimas e difíceis. justamente. Falou bem.A excelente intervenção do Prof. Mas falou demais. E infelizmente estava mui rigidamente sentado e vestido (com gravata. A TV tem de mostrar que é TV. a vida e a cultura urbanas. A TV Cultura de São Paulo pode e deve estabelecer gradações para as diversas faixas de público. em Caixote de Opinião. E uma câmera não pode captar nem a sombra da outra! SUGESTÃO .atividade didáticocriativa da maior importância para o desenvolvimento da linguagem da TV Cultura. SUGESTÃO FINAL . a cenografia e os móveis eram tão pesadões que obrigavam todo mundo a ficar sentado hieraticamente. colete e tudo). a libertação dos movimentos. N ã o escondeu suas fichas de consulta.

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em Cara de Bronze. em janeiro de 1970. em geral. com seus pontos-chave de satisfação da expectativa. cujos anseios e sentimentos se bifurcam: primeiramente. As estruturas narrativas permanecem em combinações mais ou menos previsíveis. a novela e o romance.UM NOVO GÊNERO LITERÁRIO Há muitos anos. que ao depois se revela amor-frustração ou amor-vilão. ao amor-segurança e ruma para o happy end: vence a disposição de sistemarsi . inserir-se no contexto (via matrimônio). vem o cineasta Lima.como dizem os italianos . a meio caminho entre o folhetim escrito e o cinema (mudo). já.ou seja. Barreto reclamando para o roteiro cinematográfico o título de novo gênero literário narrativo. que fez parte de um show em multimídia levado num teatro de São Paulo. . dirige-se ao amor-fiel. uma extensão para outro médium. A fotonovela é um prolongamento sintético do folhetim clássico. Dando seguimento a essa idéia. a estrutura é centrada em torno de uma figura feminina. ao lado dos gêneros tradicionais: o conto. publicamos o script de um novo gênero de espetáculo narrativo: a audiofotonovela. Na fotonovela. em seguida. E Guimarães Rosa utilizou elementos da técnica do script. em direção ao amor-sonho.

sem falar no interesse que possam vir a ter na produção concreta de fotonovelas e audiofotonovelas). mas os tempos são prolongados. para que o espectador possa consumir a imagem de alta definição. se a metalinguagem é evidente para as pessoas de alto repertório. películas de cinema. mesmo porque ela também se destina a uma dupla função didática: aos que não têm idéia de como se preparam roteiros para fotonovelas. como nas indicações de "vídeo". são de alta definição. de uma operação kitsch e de uma operação meta-kitsch. por exemplo . Evitou-se a multiplicação de efeitos. a audiofotonovela é um médium a meio caminho entre a fotonovela e o cinema falado. Enquanto possível gênero literário. e estáticas: a trilha sonora modula a dinâmica. evitou-se a simples e mera linguagem de desmoralização. As fotos.Neste processo de hibridização de media (meios de comunicação). entre a baixa definição da imagem daquela e a alta definição deste. seu "conteúdo". tanto nas indicações de "áudio". pois. Trata-se. em cores. e aos alunos de Comunicação (para efeitos de exercícios de découpage e visualização. de modo que. Na versão que ora se dá a público. ao mesmo tempo. acrescente-se que muitos efeitos podem ser obtidos mediante um adequado tratamento verbal. . novelas e comerciais de TV. Manteve-se o estático da imagem novelesca. o mesmo não se dá para as pessoas de médio e baixo repertório. várias indicações foram amenizadas. que podem absorvê-la como normalidade verossímil.

São Paulo 2 de janeiro de 1970 Principais Intérpretes Tania Taterka Rogério Duprat Damiano Cozzella Décio Pignatari Narrador Voz de M a r g h e r i t a : Margherita Paolo Andréa Umbetto Solano Ribeiro Ana Regina (do Grupo OEL) Luís Carlos Autuori Eduardo Ribeiro Damiano Cozzella Franklin Horylka Equipe Técnica Fotografia Trilha Sonora Letreiros .DESATINOS DO D ESTINO audiofotonovela I a apresentação Teatro Galpão (Ruth Escobar) .

Continua tema musical. Margherita Vilmaria Vilmonte Funicolare Paolo Ruggiero Crescinbene Umbetto Umberto Mangiabiggole Ecco Andréa Damiano Piccinterra e apresentando Ferdy Coglione Busto no papel de Doutor Biondino Calvo no papel de Jessuíno Narrador 4 5 Giancarlo Spuffo Fotografia 6 Sandro Luigi Scattabottone Edoardo Vittorio dei Edu Trilha Sonora Aristide Cazzincullo Mario Del Soffio Trombetta Letreiros S. Roteiro e Regia 7 8 Decio Leone Nasinbestia Copyright Bestemio Cèpostopertutti Casa Editrice San Paolo 1969 . .Plug e Marda apresentam: 2 3 LOC. plug e marda movimento de arregimentação radical em defesa da arte apresentam LETREIRO: Desatinos do Destino audiofotonovela première cósmica Cast ÁUDIO 1 Música de abertura LOC. Tema. Fumetti Cigari Argumento.VÍDEO LETREIRO: .Desatinos do Destino Música grandíloqua. .

Vou encontrar com ele!.Margherita é uma jovem normalista romântica..... não. .. Mãos dadas.passando para BG (background: música de fundo)..E os jovens namorados se encontram naquela noite.. Mas não adianta. Não conseguiam reprimir a emoção que tomava conta de seus corações.Ele também não chegará ao ponto.. Não é pelo hálito.. Que CLOSE quadris... MÁRGHERITÀ {pensando) . com uma rosa na mão..Me deu um poema concreto sobre os meus olhos... ..... entrando em casa.. de frente CLOSE boca (na vertical) PM (Plano Médio) MARG.. MÚS. o Paolo veio falar comigo. PAOLO ( voz embargada) ...que tristeza. lindo de morrer. CLOSE quadris......... .. NAR. . Mas hoje eu fujo!.. de uniforme e livros chegando em casa.tinha usado o"Avanço" de Andréa. de frente CLOSE axila CLOSE cabeça se agitando.VÍDEO PG {Plano Geral). . Meu hálito até que está bacana. porta entreaberta.......Eu estava de calcinha nova. aceite esta rosa. em praça ou jardim público.. .... ... Eu sei que é por causa de Andréa!..... . de mini.. Noite.. ..Beethoveniana.. de terno azul-marinho.Margherita. MARG. ... Cena de alameda. PM herma Beethoven...Finalmente. .. por trás CLOSE busto CLOSE orelha CLOSE olhos ÁUDIO MÚS. NARRADOR .Que solidão . e PAOLO. PM MARG..

. CLOSE UMBETTO.. parado diante do casal. que vai saindo do carro. . Umbetto! UMB.Pode deixar o bolha comigo. atracando-se com MARG.. PG PAOLO.... sai pela outra porta. Não há padronização de know-how. .. UMB. Jessuíno! Estamos na nossa! MARG. tão generoso!. enquanto seu companheiro.. Cada sutiã é de um jeito.. Sentados nos degraus. entrando em ... BG.. .Eh. aplicando golpe de judô no braço de MARG.Seu cafajeste! UMB.. .De ação.Solte-me. essa paquera de florzinha não dá pé!.. abrindo zíper do vestido.Nada e ninguém no mundo nos hão de separar. meu chapa. .Oh..Trim! MARG.. com 2 caras dentro.VÍDEO PG MARG. Você é tão bom!. PG Busto Beethoven. seu bruto! MÚS.Trim! UMB... . . Tem que ser na marra!. MÚS. MARG. MÚS. JES. CLOSE Mãos tentando soltar sutiã. . PAOLO .. PG Carro esporte.Malditos colchetes!. UMB..Paolo. CLOSE Mãos de UMB. meu amor!. atracando-se com PAOLO.. TÉCNICA .. biscoitinho! MARG. um carro estridente freia diante do jovem casal de namorados... cara fora da porta. E isso que dá viver em país subdesenvolvido. dando para o sinistro. não!. .. (Pensando) . PM UMB. meu braço! UMB.. JESSUÍNO. PG JES.. sob a herma. .Beethoveniana.Freada de carro. . raivoso.Ai. fazendo gesto de horror.Vamos lá.Nesse instante. recostada em PAOLO.De "comercial" de TV. MARG. UMB.. Paolo!. . . Eu me sinto tão segura ao seu lado. . CLOSE UMB..Venha cá. por trás. ÁUDIO ela diga o que as minhas palavras jamais conseguirão exprimir. NARRADOR . ar cínico. dirigindo-se para MARG.. PAOLO ... precipitandose para UMB..

destaca-se em PRIMEIRO PLANO. recomposta..De suspense. .Andréa! ANDR.. Você está bem? Vamos sair daqui!.. acertando. MÚS.. PG MARG. entrando em casa.. Estou toda dolorida.. E Paolo. à procura de PAOLO. Uma trilha de marcas duplas de dentes. entrando em BG. inconsciente.Depois de longos minutos de inconsciência. Margherita. Boa noite. chicote na mão.. cambaleante. MUS. MARG.De clímax. MÚS.. despertando. Passar do tempo. ÁUDIO CLOSE Tronco corpo MARG. SEGUNDA PARTE PM Táxi parado à porta da casa de MARG. Paolo conduz Margherita para casa.Deixe-me ir com você. Margherita' desperta para a triste realidade. Andréa!. Que foi que aconteceu?.Sua cadela vadia.. MARG. você vai aprender a obedecer-me! PM De dentro para fora: MARG..Ai!. . . .Paolo! PAOLO .... sobre moça deitada. boa noite. busto riu. onde estará? MARG.. surpreendida ao pé da escada por ANDREA cuja silhueta escura. perdendo-se ventre abaixo. . começando no pescoço. . . . O que não vai dizer Andréa?!. apreensiva.. PAOLO ..Beethoveniana. MARG.... descomposta. que surge todo amarfanhado. . Fui atacada por um vampiro!. de pé. por detrás da herma. e letreiro: "QUE SARRO!" CLOSE Busto Beethoven. Sexo indefinido. NARRADOR .. MARG.Meu Deus!.. .Margherita!.Não.VÍDEO PM UMB. Você não conhece Andréa. PG MARG.. Eu lhe telefono.Depois de se abluírem num lavatório público. Balão de pensamento em UMB. inclusive pela voz.. PG MARG. errando caminho. Paolo.. passando sobre o seio esquerdo.. NARRADOR . que se despede de Paolo (fazendo menção de sair do carro).

doutor. (EM OFF) NARRADOR . se o senhor soubesse! MÉD..Sou o seu médico..Meu Deus. calcinhas à mostra. Você está se recuperando muito bem. minha filha. MARG. MÉD. MARG. . . olhar perdido... Silhueta de ANDR. minha filha. Vamos examinar o seu estado geral. Chove. Margherita ficou gravemente enferma. junto à janela..Quando Margherita abre os olhos: MED.. Em flou. estou saindo de um pesadelo. Andréa!.VÍDEO ENQUADRAMENTO anterior.. MARG. (sussurro arfante) . chega!.Biscoi-ti-nho! GRITO DE HORROR DE MARG. (sussurrante) . de bruços.Traumatizada pelos acontecimentos. NARRADOR . protegendo o rosto com o braço. ANDR. VISÃO UMB. . MARG.Violinos.Calma. soerguida. Alheada de tudo e de todos. parecia recusar-se a viver. Tema de Love letters ou algo pelo estilo..Não tenha medo. ÁUDIO MARG..Nada n o mundo nos há de separar. MARG. . brandindo chicote... PM Silhueta de Andréa carregando MARG. CLOSE rosto demoníaco de UMB.Chega. . redinada em sofá. desmaiada escada acima. ou entrando nele?. . nádegas e coxas com vergões. CLOSE Estetoscópio sob o seio. Pelo amor de Deus. vestes rasgadas. dentes de vampiro.. TERCEIRA PARTE PG MARG.Quem é o senhor? MED.. Até que um dia.. CLOSE rosto MARG. . Não se excite. Margherita.Oh. Trilha de dentadas entrevista pelo robe entreaberto..Sua natureza é jovem e sadia... CLOSE Rosto velho médico. prostrada. MUS. ... . olhos cerrados.

.. MARG..Primaveril. como que desvanecida. Festa hippiesca.e a vida normal. . de onde sai um alarido de vozes e de música. .. MÚS.. cabeça fora da porta. . .Ruídos e guinchos de carro célere em curvas. ao volante. em PP.De clímax e horror. biscoitinho!.Seu Português ainda está um pouco fraco. para apanhar a condução. NAR. . cabeça jogada para trás do encosto.Param diante de uma casa de campo.Poucos dias depois. ao portão de uma casa. e MARG. PG PLONGÉ. _ o Beto. olhos arregalados.. NAR. PM MARG. seu trabalho . .VÍDEO PG MÉD..Seus devaneios foram bruscamente interrompidos pelo ruído estridente de uma freada de automóvel.(voz sufocada) . Gente seminua.Ele!.Olá. é retomar seus estudos. Margherita..Como que hipnotizada.. MARG.. NAR. Amanhã me encontro com Paolo. SUS. mi^ a . (pensando) . PG Carro parado diante de casa entre árvores. UMB.. vindo pela alameda. cínico-sorridente. . o Beto! _ Manson.Ruído de carro brecando. que parte em doida carreira.. . NAR. entrando e sendo saudados. . PG Interior. Precisamos dar uma puxadinha em concordância e análise lógica.Está uma noite gostosa. Vou caminhar até a avenida. . UMB. Como foi bom ouvir a sua voz!. à noite. e moça adolescente. Susana.. MARG. ar satânico. Médico guardando estetoscópio na valise. UMB.O que é preciso. TÉC. come with me! PG MARG. Até amanhã. ÁUDIO MÉD. agora.. PM'UMB. .Até amanhã. . e MARG. TÉC. Margherita se despede de uma de suas alunas particulares. estática. PM MARG. MÚS. Carro parado diante de MARG. Margherita é arrastada para o interior do carro. . A seu lado.. MARG.. PM Interior carro. Não hei de decepcioná-la.

atropelos.Gritaria. dois sujeitòs ajoelhados..O que não vai dizer meu noivo? . Pânico geral. estou muito nervoso. Não sei como contar-lhe.Pare.Caminhando como uma sonâmbula. NAR. MARG. .. . de gatinhas.Isto são horas de chegar? . . . Margherita se viu escondida atrás de uma sebe. gatinha do papai.. ar de mártir. idéias contraditórias pareciam guiar os seus passos.Ao amanhecer Margherita está diante da porta do apartamento de Paolo.Sem saber como. A Beira do Caminho (E. minha gente! TEC. sobre o . pela porta entreaberta... caminhando pela estrada. PG Orgia. com as cabeças metidas sob a saia da moça. PG MARG.Trouxe um biscoitinho fresco. sonambulicamente.Padre. PG MARG. atrás de uma sebe. . . enquanto o som e a fúria da confusão se cruzavam no ar. senão eu atiro! .Venha cá. MOÇO 2 . parada a um batente de porta. MOÇO 1 .Vamos lá.A polícia! Fuja.Gloria in exsexus Dei! MOÇO 3 .VÍDEO ÁUDIO . (pensando) . ... oh Paolo!. sirenes.Como que alucinada pelo ambiente e pelos tóxicos.. PM MARG. de pé. NAR. Vê-se MARG.Réquiem-sinistra. Se eu ao menos pudesse pôr fim aos meus dias! MUS.Me dá uma puxadinha aí. À frente e atrás. que horror! Paolo.Andréa. Margherita submeteu-se a toda sorte de devassidões..Estamos entubados! . PG Moço gritando de fora para dentro. NAR. garota de Hippinema !. como que a rezar. . . . NAR. exausta. Carlos)... à beira da estrada.

PG PAOLO e MARG. MARG.Aquele canalha! PAOLO . . . Alguns dias depois.Você é tão bom.. MARG.Paolo dedicou-se a Margherita com desvelo. Margherita..VÍDEO ÁUDIO MARG. PAOLO ..Se o seu filho a fez viver. Eu nem sei dizer quanto.Margherita! MARG. MARG. . PAOLO .. Paolo. Só você pode me salvar... CLOSE Superposição olhos de MARG. . caindo nos braços de PAOLO...Paolo! PM Interior. meu amor. meu anjo! MÚS. Você precisa mesmoficar fora todo esse tempo? CLOSE MARG. se. Motorista botando malas no porta-malas... tão nobre. MARG..Um mês!.Eu deveria ficar feliz com isso.. Mas é preciso que você saiba.. Paolo!... eu não estivesse grávida!.. . PAOLO (off) .N ã o diga isso. . PAOLO (off) . e visão vampiresca do rosto de UMB. PM PAOLO ajoelhado. . .Sim... minha querida. soluçando. MÚS.. EPÍLOGO FINAL PG PAOLO entrando na sala. meu bem? MARG. NAR. Porta aberta.. diante de um táxi. se... ..De suspense e clímax. MARG.Saiba o quê. MARG. segurando as mãos de MARG. Tudo isto passará.Aquele sem-vergonha vai ser condenado a uns seis anos de prisão por tráfico de entorpecentes. reclinada na poltrona.. eu aprenderei a amá-lo também. Não molestará mais você.. (soluçando) -Paolo!. se.Que eu já teria me matado. ar feliz. .Primaveril.. PAOLO . Descanse. jornai à mão.... Paolo. PAOLO (off) . eu já terià me matado. rosto entre as mãos.Não se emocione.

Burburinho.. NAR. .Gemidos. A porta está travada por dentro. Ela vai ficar contente. Esta viagem representa um passo muito importante para a minha carreira e para as nossas vidas... todo maquilado. me demorarei nem um dia a mais. a saia levantada até à cintura: CLOSE Cara ANDREA: um homem. Paolo dirige-se ao quarto.. que conseguiu terminar todo o serviço com alguns dias de antecedência. despida... Vou entrar pela porta de serviço. PG PAOLO com malas.Paolo foi tão eficiente em sua viagem de inspeção. . Margherita.Sou o seu bichagay. saudações. Adeus.. peludo...Sem fazer ruído.. PAOLO (pensando) . . Depois de inspecionar a última agência. meu amor. ANDR.Entreabrindo a porta. PM Silhueta de Paolo entreabrindo a porta.. E suas precauções são bem justificadas. Ela pode estar repousando. Você me pertence. .Estou ansioso por rever Margherita.. TÉC.. PAOLO (pensando) .. NAR. com um fichu à cabeça. PM MARG. MUS. Titinha..Suspense. Titínha.É estranho. PAOLO desembarcando de um noturno. .Tenha coragem e paciência. para não perturbá-la.não assustar Margherita. diante da porta de entrada. cavalgando ANDREA. .. NAR. TEC.VÍDEO ÁUDIO PAOLO . ruídos. Upa! Upa! .. para. Até breve. PG PAOLO subindo escada. de quatro no chão. experimentando a maçaneta. . Paolo deparou-se com uma cena atroz. Mas é claro! Margherita não me esperava. n ã o PG Estação de estrada de ferro..

. MARG. PG PAOLO empunhando um castiçal para abater ANDR.Seu canalha! ANDR. que protege o rosto com o braço. PM PAOLO e MARG. tentando deter a mão de PAOLO. formarse e lecionar.Vou matar esse depravado! MARG. só agora posso avaliar o quanto o amo! MÚS. cobrindo-se com uma peçà íntima..Suave. CLOSE Pé de PAOLO esmagando cara de ANDR. com fim brusco. MARG. como deve ser a vida daqueles que se amam. . ANDR. olhando aterrado. .Verme! Desapareça da minha frente se não quiser morrer esmagado como um verme nojento! MARG.Serei nomeado gerente da agência de Botucatu. E assim começaremos uma vida nova e normal. de frente.. meu amor. Paolo. Lá mesmo. MARG.O pesadelo acabou. ÁUDIO MARG. Margherita. .Não.Oh. com uma manta. do pescoço ao púbis. Paolo! PAOLO .Ainda bem que você veio livrar-me deste suplício. que olha firme e confiante. Já iremos casados.-Paolo! PAOLO . .. você poderá completar as disciplinas didáticas. que vexame! PAOLO . PAOLO . PAOLO . entremostrando marcas de dentes. Manta entreaberta de MARG. ela recostada nele.VÍDEO PG PAOLO precipitando-se.Nossa Senhora. Paolo! PM PAOLO cobrindo MARG. .

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morre. Vendo um cisne. Delfino e Delgrosso? . em pregas. e aquele "amor teu/morre". acaso. Enquanto a luz prateada e mole escorre D'âgua azul.. queria Dar-te a beber em vaso primoroso. Poesia. um rio ao vento a arfar. Singular objeto. repele consumo grosso. que não há mais hoje em dia. e um golfinho atrás. grosso e fino. alto teor de invenção no último terceto. gole e gole.Ocasos Tu-Fu pensava: . Ocasionais. quando Frio o sol. acentos não-verbais escandindo.Ó Fchitrá.. ter-se-ão dado à curiosidade de voltar a contemplar esta aparente chinoiserie de um poeta menor? Um show. nos últimos trinta anos. O pranto meu. e o amor teu mais frio. E um chá cor do teu corpo saboroso. virgulágrimas. e outra paisagem que lhe corre junto. Haurindo o aroma. pregueando um fluxo. Do caulim. vírgulas. machucada. Eu lentamente. que já conter não ouso. vários. antilinear. de líquidos. percorre. digamos. e gozo e gozo. Na pintura da taça. teu brando Olhar. escorrendo em palavras. certas sutilezas. uma bordadura sintática surpreendente. favorece paisagem em xícara de chá. corpo e chá. que de ti viria. Junto a ti. nadando. esse beber lágrimas. Luís D e l f i n o (1834-1910) Quantos. virgulágua. iria. enfim. choro mal contido. e quase alegre.

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3- LITERATURA .

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ainda que ocorram juízos de valor. por meios estatísticos e classificatórios. do que uma aproximação à sua " c o m oi e-x-i d a d e-h o riz o n t a 1 ". tipo balanço ~mTrès"enha. afetivo-simbólica.§ Coincidência ou não. da poesia de hoje. nessa acidentada superfície horizontal.A SITUAÇÃO ATUAL DA POESIA NO BRASIL Preliminarmente. . selecionar uma faixa de operação com passado e futuro .situar o atual. p ^ e ^ r ^ u ^ ^ m e n o s j i j j m a va 1 oração. de todos os 9 livros de poemas lançados neste ano. e necessariamente.§ O poeta B. mantém-se fiel a seus temas mas incorpora recursos da poesia espacial. " O ser e a vida". ainda que relativa. mágica. soam eles gratuitos-ou sim- . " O ar e o vento". por meio da copulativa e: " O mar e a praia". "Os passos e o caminho" etc. de que serviriam de exemplos cômputos desta ordem: § O poeta A. .§ Permanece obscuro o processo pelo qual os poetas. novos ou consagrados. incontinente. conseguem ainda ser editados comercialmente §. 7 são titulados dentro do esquema de dois substantivos relacionados lírica. impõe-se dar ao termo atual uma determinada espessura de tempo histórico. sugestiva e/ou cosmicamente. acaba de lançar suas poesias completas . enfim. A verdade é que. É claro que o atual comporta um agora e que este.

Se o olho. tratando-se. ela mesma parcela de uma crise muito mais vasta: a crise do artesanato f ace à revoluçã^ industrial (econômica. para usar terminologia de cinema: a revolução industrial.e simplesmente .à crise do verso. o aparecimento do verso livre. corresponde isomorficamente . não pode abranger o todo de uma rede._ em qualquer dos aspectos que a tomemos. as ramificações permanecem abertas ainda que fora de foco. Creio poder situar com razoável clareza a poesia atual.õns. é que a crise da poesia.ro e a necessidade de informação. que se manifestou e .plesmente ininteligíveis. quando comecam_a manifestar-se aqueles caracteres de»autp.o presente-c-cacassein o tempo. dos ismos que se vêm sucedéndo e/ou imbricando de há um século a esta parte. âfe ITO m e n o íl) g i a. a invenção a partir de uma situação bem definida. Mallarmé e o projeto. um campo de possíveis orig i n a i i ^ r a t r ^ ^ õ n t S ^ l m i v ê r s a l . como numa ossada ou numa notícia de jornal. sistematizados pela poesia concreta num . é" básica a intervenção daquela dimëïïsacTKîstôrica que configura" g. detém-se num setor dela: nas bordas.ciência crítica que. vale dizer: nao estão situados. a guêrra fri a e D r u m m o n ^ ^ ^ ^ ^ m ^ ^ ^ ^ o c o n t e ú dÒ"^COÍTStrução e o conteúdo-expressáõ. o empirismo antropof ágico brasilei. iriam projetar para a poesia brasileira. de "crise da poesia". posto que as provas estão ao nível da evidência mesma. complexidade vertical de uma situação. por exemplo. Nessas malhas"âssinrdëlïn u t ã B p ^ ^ b e í f r v o z e F fora-de-campo. O que é importante esclarecer. social e ideológica). poder" julgar tanto a coisa julgada como o própriõ~jüízo dê~vãlor. Para situa-los-ëfp o r t a n t o". sobra . considerando-a jituaLa partÍ£_do pós-guerra ou mesmo um pouco antes. do poema em prosa. a arquitetura. como se trata. N ã o é necessário aduzir muitas provas ou indícios para confirmar o que vem sendo chamado. desde logo. —--——•—-—— r salto qualitativo bem definido. ou de língua portuguesa.c. por lhe estar próximo. há várias décadas. porque neles. Lembramos. de uma única e mesma crise.

e a arte. deseja "conservar". destinado a localizar os inventos e as invenções na poesia). isto não impede que ambos ainda possam ser considerados poetas "artesanais". E. Seria ingênuo pensar. subtítulo. Na areia movediça.ainda se manifesta em todos os setores artísticos. Temos então Leconte de Lisle a afirmar que o processo da arte é o mesmo da ciência. os avanços da ciência e da técnica e a consciencialização da luta de~clãssei~deixariamintatos. a esse . total e universal. título. Essas realidades configuram uma crise sem precedentesjii^tóricos. combatendo-as e adotando-adaptando-lhes os métodos e processos. e os seus conteúdos herdados. o verso e/ou a poesia. descontínuOnãsVimultânea^Q jornal surge comõ^mT dos principais instrumentos de informação e comunicação dessa descontinujdadee dessa simultaneidadFê a sua"~particular fi sionomia v e r b ov_o c o_y i sua 1. tópico e texto) . que não encontra mais a função na sociedade utilitária. noção que Pound também adotaria em sua crítica comparativa e experimental (um método heurístico à sua moda. talvez. Mais elucidativo. por ora. apenas neste terreno. E a arte e o artista são obrigados a defrontar-se com a ciência e a indústria... por verdade superior e supra ou a-fiistorica. não só diante da própria o b ^ C m m o d a ^ ^ ^ ^ E r e m ^ ^ S c í e n o v a s fo rmasconteúdos. a exacerbação contraditória do individualismo lastreadcrnaTclivisão da propriedade e dos interesses.e conscience e a aü^de. que o advento da burguesia ao poder.iria refletir-se na obra máxima de g O ^ i ^ ^ g m i ^ á ^ ^ H ã M ^ ã f e ' a ™mlrstíüáção. aliás. para ficarmos. e q u a n t o mais deseja conservar. mais parece acelerar a dissolvência da própria obra. no entanto.renexiya. Interioriza a crise e a exterioriza no próprio fazer-a-sua-arte. I n s t a l a m ^ nele a mauuais. resistindo-lhes. como que num instinto de defesa "artesanal". a revolução industrial.j:xític'()-analítica. ideogrâmica (manchete. A crise do ^ffês'arîâïôTWysecÛlo^ gjgf a crise do artista.

a verdade é que o nosso homem da Rue de Rome ainda não foi "engolido". sessenta e tantos anos depois de sua perplexante performance do Lance de Dados.^ ^ e ^ tos. é a indicação. dos " o b j e t o g ^ d o ^ g ^ g ^ . ou prescindir. acaba por superá-la. aqui e hoje. mas que aqui não calham. Mais interessante. e mesmo levando-se em conta que uma das coisas novas de hoje é a mudança de ritmo da própria mudança (Oppenheimer). propriamente dita). em sua triagem sobre a responsabilidade social e humana do artista. destinado a iluminar por mais um lado os motivos que o levaram ao "culto da forma". O Un coup de dés não só já é do século XX. de que Flaubert trabalhava "duro" e metodicamente. Certo é que seu artisanat furieux constitui uma reação e um desafio à máquina e ao assoberbante mundo industrial. Quem se dispõe a levar alguma coisa "às suas últimas conseqüências".um dos mestres de Pound. para sentir-se (ou provar que era) um profissional útil à sociedade a que pertencia (e assim apaziguar sua consciência e suas dúvidas). abrindo outro (o da poesia contemporânea. como a querer mostrar quejosjjrodutos deste não podem competir. resultado de um rigoroso. em percurso psicanalítico.proposito. a descontinuidade e a probabilidade no mundo físico. abordagem ao "homem concreto" Flaubert. que" vêjl^leT^^^^^^ Este conflito se generalizou e se desenvolveu . ao nível sensível.^encerra o ciclo_da_poesia ocidentaLiniciado com Dante. com cuja obra maior apresenta mais de uma relação interessante. em busca de seüs eidos . como antecipa. alias. já levantada por outrem. seja Flaubert . Este foi Mallarmé.e chega até nós. porém.obra que.de uma oportunidade. Com toda a ânsia de síntese de nosso tempo. Sartre abordou Flaubert errTmais. com apuro e rigor. Da última vez. a noção de estrutura substituindo a de . muitos dos problemas fundamentais que a ciência e a filosofia iriam abordar anos depois: a intervenção do acaso. lento e longo descascamento fenomenológico da coisa-poema.

pegadas^J^ela se reconhece o processo heurístico.gekjisjtias. por caminhos outros da rede ramificada do processo heurístico (para usar a expressão de Abraham Moles): Ezra Pound. Quem lhe arrancou o livro que ele quis ter sem acabar? . se aeterminer a la fois par rapport aux facteurs reels et présents qui la conditionnent et par rapport à un certain objet à venir qu'elle tente de faire naître [.forma..] Fuite et bond en avant. A poesia de Mallarmé. pela primeira vez na história da poesia moderna. réfusée par le mouvement même qui la dépasse. A estirpe mallarmaica: James Joyce. rien ou presque un art". como a que dela advém. Oswald de Andrade. os poetas concretos. é uma poesia-onça^t^z. A poesia que. Mas. tem no Coup de dés o seu marco zero: "sans présumer de l'avenir qui sortira d'ici. Esta é a melhor poesia que se faz no Brasil.. .. João Cabral de Mello Neto. mas em circunstâncias históricas concretas: único modo de ser concreto e produzir resultados concretos. Em Mallarmé. no que nos toca. Mallarmé lançou os seus dados não " dans des circonstances éternelles". que vai dizendo a sua descoberta na medida mesma em que a faz. a entropia. ou quase (mas depois). mesmo quando não tem completa consciência. réfus et réalisation tout ensemble. Cummings. de um modo ou de outro. Drummond. as correspondências estruturais (isomorfismo). e fenomenológico da poesiadescoberta. le projet retient et dévoile la réalité dépassée. Mas resignou-se: não era d' "os que na força de irem põem tudo". a dimensão tempo e as suas relações com o espaço. São os empíricos. o principal destes problemas é o das relações entre a arte e a ciência. Outros lá chegaram. no sentido-sartnano: la conduite la plus ruaimentaire ãõit gs%r. Fernando Pessoa. da poesia-invenção. . podemos detectar claramente a idéia dialética de projëK to. Guimarães Rosa. Pessoa foi raro e claro. . a simultaneidade.na-ptóprja. a topologia. incluindo boa parte da poesia concreta.

de Mallarmé. em Claro Enigma (1951). Ainda desse poema: "Não me procurem que me perdi eu mesmo". que organizou em 1956 para os Ca- dernos de Cultura. anterior a fronteiras. a mauvaise conscience criativa e o que nele é conteúdo-construção (secura da quadra de versos curtos. com trechos de poemas tirados todos do "Sentimento do mundo" e "José" (Poesias."espelho de projeto não vivido". humildemente vos peço que me perdoeis. nos mostra o conflito já maduro. Sinto-me disperso. no projeto.Drummond foi o primeiro homem no Brasil. justamente quando a Guerra da Abissínia. tanto é sensível o isomorfismo forma-conteúdo nesse poeta. assim como começará a ganhar "inconsciência" da crise da poesia quando se manifesta a "guerra fria" . do Serviço de Documentação . E assim que. como os versos para caixas de bombons. constante da confusa antologia de seus versos. E de perguntar-se se hoje ainda se podem fazer impunemente. sua poesia aparece engomada com o amido de diversos autores . 1935-1942). Uma rápida montagem ideogrâmica do verso-prosa "jornalístico" de Drummond. a Guerra Civil Espanhola e a Guerra Mundial obrigam os homens a se situar.e isto é válido inclusive para a apreciação do valor poético de sua obra. constatar que começa a tomar consciência da crise da poesia. "poemas de espera".Ministério da Educação e Cultura. - (Sentimento do Mundo) . que João Cabral levaria até à dissolução): Os camaradas não disseram que havia uma guerra e era necessário trazer fogo e alimento. É fundamental. como diria no poema "Elegia". exceto o último. que é de A Rosa do Povo (1945) (quando o poeta dá o "salto participante"). para o seu entendimento.

E me despreza. depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. o medo dos democratas cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte. (Privilégio no Mar) Os beijos não são importantes. Ele sabe que não é. civil. Sim. a cair em frente dele. e mais nada. nunca foi meu irmão. Sabemos que nada nos acontecerá. sustar-lhe a marcha.Para onde vai o operário? Teria vergonha de chamá-lo meu irmão. quem sabe se um dia o comprenderei? (O Operário no Mar) cantaremos o medo dos ditadores.. Ou talvez seja eu próprio que me despreze aos olhos dele. (Congresso Internacional de Poesia) Neste terraço mediocremente confortável.. bebemos cerveja e olhamos o mar. que não nos entenderemos nunca. pelo menos implorar-lhe que suste a marcha. será o amor dos indivíduos perdidos na massa e só uma estrela guardará o reflexo do mundo esvaído (aliás sem importância) (Canção de Berço) . O edifício é sólido e o mundo também. uma fascinação quase me obriga a pular a janela. N o teu tempo nem haverá beijos Os lábios serão metálicos. Tenho vergonha e vontade de encarálo.

sozinho. sem mistificação. até outra vida. nem traço da pena dos homens.. ( Madrigal Lúgubre) e sabes que. . Adeus. dormindo. dinamitar a ilha de Manhattan. a guerra. tens pressa em confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva. A vida apenas. Aceitas a chuva. (Os Ombros Suportam o Mundo) de âmbar! de âmbar! fantásticas dentaduras.Chegou um tempo em que não adianta morrer chegou um tempo em que a vida é uma ordem. mastigando lestas e indiferentes a carne da vida! (Dentaduras Duplas) lagarta mole que escreves a história escreve sem pressa mais esta história: O chão está verde de lagartas mortas. N o cimento. (Elegia 1938) Na areia da praia Oscar risca o projeto.. Salta o edifício da areia da praia. o desemprego e a injusta distribuição porque não podes. admiráveis presas. Coração orgulhoso. princesa. os problemas te dispensam de morrer.

. Luto corpo a corpo... luto. te atravessa. absorve num ranger monótono substância humana. Lutar com palavras parece sem fruto. meu poema. Entretanto lutamos mal rompe a manhã. (Edifício Esplendor) Lutar com palavras parece luta vã. Não têm carne e sangue. Tamanha paixão e nenhum pecúlio.As famílias se fecham em células estanques. sem maior proveito que o da caça ao vento. O povo. luto todo o tempo. O elevador sem ternura expele. (O Lutador) Essa viagem é mortal e começá-la Tal uma lâmina. Entretanto.

sensível. assim como em Cabral será a psicologia da composição. neste sisífico descascamento concreto da poesia. Como bom mallarmaico. O Drummond autobiográfico é antes autográfico: escreve-se a si mesmo para ser.prenuncio. formando a estrutura móvel de um sempre mesmo poema a fazer que é a sua poesia. tudo em Drummond é palavra (especialmente no período 1935-1945). em busca da situação da poesia. Drummond. fenomenologia (e fisiognomia). sucessivamente. o que em Mallarmé é metafísica hegeliana (" subdivisions primatiques de l'Idée ") da composição. Itabira é para Drummond o que Dublin é para Joyce. Et pour cause: essa reincidência. . o ser e estar na noite.Os temas passam mas tu resistes. sem termo definido mas com objetivo.concreção da composição. em situações históricas determinadas. do poeta e do mundo. brasileiro do século XX. embora pareça estar falando sempre de outra coisa: as memoráveis e imemoráveis parafernálias familiares e torrãonatalinas. afinal. (A Rosa do Povo) Nesta corrida de revezamento. essa repetição obcecada. e nos concretos. uma certa mecânica devoradora. Apenas. matemática e .enfim . conflito irresoluto da "comunicação incomunicável"). como a dar prosseguimento ao livro que o poeta francês concebera {"rien ou presque un art") e de que o Lance de Dados não seria mais do que um prefácio . por exemplo). em D r u m m o n d é angústia da composição (fenomenologia poética. numa consciencialização geral do problema que constitui justamente a primeira totalização da situação. da solidão. essa reiteração autobiográfico-itabirana é a espiral semântica isomórfica de processos formais recorrentes (a quadra como unidade blocai e a estranha dicção epistolar de certos poemas. tomou o bastão de Mallarmé. geometria.

. de J e a n . l'indignation sociale.sont à l'origine du poème. mais il passe de la magie blanche à la magie noire.. son aspect visuel lui composent un visage de chair qui représente la signification plutôt qu'il ne l'exprime [.. c'est à la poésie de le récupérer.. À noter aussi que ce choix confère au poète une fonction très précise dans la collectivité: dans une société très intégrée ou religieuse. Em conseqüência "sa sonorité.. s e d u ç ã o . sa longueur. le poète fait front commun avec le prosateur pour la déclarer invivable. desafio e impossibilidade p a r a a poesia (até a g o r a ) .] S'il en est ainsi.] me paraît l'attitude originelle de la poésie contemporaine.necessidade. Sans doute.] la valorisation absolue de l'échec [. Ce qui est à l'arrière-plan de son acte. d'introduire arbitrairement la défaite et la ruine dans le cours du monde. o p r i m e i r o a enfrentar a d u r a luta: o subjetivo d o i n c o m u n i c á v e l se exterioriza n o o b j e t i v o p o e m á t i c o d o êchec-réussite da poesia.P a u l Sartre: Na poesia (contemporânea). ses désinences masculines et féminines... La poésie. on comprendra facilement la sottise qu'il y aurait à réclamer un engagement poétique. como na prosa.] Il ne s'agit pas. d'ailleurs. et qui permettra le passage au mythe... mais plutôt de n'avoir d'yeux que pour elles [.et pourquoi pas la colère. p a r a emp r e g a r a fórmula terrível. L'homme est toujours présenté comme la fin absolue. la passion même . ce n'est donc plus le succès. a palavra é coisa e não mera portadora de significados. comme dans un pamphlet ou dans une confession [. mais par la réussite de son entreprise il s'enlise dans une collectivité utilitaire. onde o leitor a atravessa "como um raio de sol atravessa um vidro" (Valéry). Et le poète authentique choisit de perdre jusqu'à mourir pour . Mais elles ne s'y expriment. comme sont nos démocraties. O m u n d o n ã o nasceu o n t e m : Joyce t u d o fez p a r a livrar-se d o " p e s a d e l o da H i s t ó r i a " . mais l'échec [. dans une société moins intégrée ou laïque.] Après l'avènement de la société bourgeoise. l'émotion. c'est qui perd gagne. l'échec est masqué par l'État ou récupéré par la Religion. f u n d a m e n t a l . D r u m m o n d é o p r i m e i r o p o e t a brasileiro " e m s i t u a ç ã o " ..E e m D r u m m o n d surge o fator n o v o : a q u e s t ã o engagement do . la haine politique . Il s'agit toujours pour lui de créer le mythe de l'homme.

Si le poète raconte.] Il n'en faudrait pas conclure. "menor" na poesia (fracasso).. onde o discurso verbal é substituído por um "dis- .. também esquecida.. Aliás. é "maior" na prosa (êxito). il a perdu la partie. non pas la conséquence mais la source de sa poésie. Julguei básico repô-la em curso. que p o d e m constituir unidades blocais complexas (sem exclusão forçosa da frase) relacionadas estruturalmente . ainda mais quando incorpora elementos da comunicação não-verbal. [. Il s'agit de structures complexes.e o Lance de Dados. la poésie devient prosaïque. nem o problema superado. entendida como carga de significados. explique ou enseigne. neste sentido. provavelmente.. est présente. qu'on peut passer de la poésie à la prose par une série continue de formes intermédiaires. dans toute poésie. é menos entrópica. et réciproquement la prose la plus sèche renferme toujours un peu de poésie. é prototípico. Je répète qu'il s'agit de la poésie contemporaine. Poesia concreta não é apenas palavra concreta. foi a não-compreensão desta verdade que levou os chamados poetas neoconcretos ao despropósito do chamado "poema-objeto". A contraposição sartriana fracasso/êxito encontra correspondência na teoria da informação. c'est-à-dire une certaine forme d'échec [. A mensagem. C'est le sens profond de ce guignon. Si le prosateur veut trop choyer les mots. [. na literatura contemporânea. de cette malédiction dont il se réclame toujours et qu'il attribue toujours à une intervention de l'extérieur. e mais entrópica. une certaine forme de prose.] Il va de soi que. Mas a questão não é tão simples.. A citação é longa e certamente conhecida. impures mais bien délimitées.gagner. Mas.] Si donc l'on veut absolument parler de l'engagement du poète disons que c'est l'homme qui s'engage à perdre. toutefois. L'histoire présente d'autres formes de la poésie. mas também relações semânticas concretas. alors que c'est son choix le plus profond. que constitui a mais radical divisão de águas entre poesia e prosa. tal como acontece na poesia concreta. c'est-à-dire de réussite. l'eidos "prose" se brise et nous tombons dans le galimatias. que é tipicamente não discursiva. isto é..

o tempo presente. (Mãos Dadas) Cresce o "índice" participante. este segundo hemisfério do conflito. Decresce o animus participante. a vontade de ação quer o presente. E como a obra só se completa na interpretação.curso" cenográfico (cenografia para a palavra). regride a prosa. a cenografia é também simbólica. cresce a prosa. em geral. E para esse total conflito. o fracasso se exibe. Em Drummond. O conflito poesia / prosa é paralelo ao conflito contemplação / ação e também ao conflito eternidade / presente. a vida presente. Pulsam eles em Drummond de diversos modos: a eternidade afinal expelida estamos todos presentes (Edifício Sãó Borja) Entretanto há muito tempo nós gritamos: sim! ao eterno. Não nos afastemos muito O tempo é a minha matéria.e ela está em A Rosa do Povo (1945): participa e/ou não participa com a mesma convicção: Áporo e Carta a Stalingrado. (Soneto da Perdida Esperança) O presente é tão grande. os versos curtos e o duro enquadramento de sua quadra caracterizam. a simples trégua já é euforia . aumenta o êxito. não nos afastemos. os homens presentes. a contemplação quer o eterno (enraizado no passado). tal como certos túmulos com certos epitáfios. A guerra-fria .

e só por isso TODAS as palavras o podem. firmava-se outro grande poeta. face à situação dos homens: Como um ser vivo Pode brotar De um chão mineral? É o poema.como subtitularia sua Anti-ode.tal como ainda em Drummond. em termos de projeto. Mas em 1945. foram cortadas as raízes da tentação de fazer correr pelo gargalo do presente um passado que se sabe morto. seu amigo. A seleção fenomenológica rigorosíssima atinge a extrema indiferenciação. Homem em situação que projeta o poema.vai lançá-lo numa longa noite tartamuda. (1947).Flor é a palavra flor. onde parece perder os fios do projeto e do concreto: formalismo e subjetivismo tòmam conta de sua poesia e ameaçam aliená-lo. da poesia . sob a forma de palavras . na sua condição de poeta. É a consciência de homem que nasce do poema. na Psicologia da Composição.ambos mortosvivos. Diferença que poder ir entre a estrutura de uma árvore e a estrutura de um prédio. projetando-se. em oposição à poesia de conteúdo-expressão (sem projeto). dedicado a Carlos Drummond de Andrade. João Cabral é o primeiro poeta nitidamente de conteúdo-construção em nossa poesia. e só por isso pode ser inscrita ou escrita no poema. ou . entregá-lo embrulhado ao misticismo (recuperação do fracasso). radicalizando e iluminando o conflito com extrema lucidez e com uma sensibilidade só comparável à grande responsabilidade que soube assumir. à poesia dita profunda . E já aqui chegaria ao fulcro e ao ápice da questão: flor não é símbolo ou procuradora do canto. justamente. passado e poema . Entendeu-o todo e o superou. Acabou-se aqui a autobiografia. o único de seu tempo que o entendeu todo: João Cabral de Mello Neto publica O Engenheiro.

chega ao limiar da poesia concreta. O absoluto. a rarefação da informação começa a dissolver a unidade blocai da quadra. Não dá o salto. Sua poesia começa a ganhar em prosa. Ou antes. Ou. Aparentemente. que herdou de Drummond. as fezes vivas que és. Ou antes: em busca de uma nova fome que alimente o projeto e o conflito. fora de si e do poema. te escrevo agora. dá-o: para trás. sem falar eu: no feito. não mais. Os dados não estão lançados. então vai-se fazer outra coisa: as ilhas ou o engagement puro e simples. através e além da mosca azul (outro mallarmaico!) se dissolve num échec absoluto. o eidos poesia. que põe em xeque o prosseguimento-cometimento formal da poesia. Nessa dispnéia conteudístico-formal. embora o poeta tente valer-se do benefício da dúvida: Poesia. em busca de víveres informacionais concretos nas coisas que existem e conhece. que se julgava ver na. cuspe. Opta pela fidelidade e pela responsabilidade. tal como acontece com as células cancerígenas.melhor. fezes. desdiferenciação. Sei que outras palavras és. mas lançam-se sempre. aparentemente a única forma pela qual se apresenta a fome-alimento: . poema auto-(in)formativo (como todos. tão cuspe como a terceira (como usá-la num poema?) a terceira das virtudes teologais. Neste poema. Te escrevo cuspe. é o fim. palavras impossíveis de poema. em seu mais alto grau. nesse poeta) que é.

Fracasso genial do mestre da poesia contemporânea.). desce. É Dante e é Mallarmé. Da flor passa à faca. Sobe descendo." O Cão sem Plumas" (1950). 1959). isto é. se são coisas.situação absoluta do defunto. Desembutidos (no espaço) formam o poema. Cruza-se com Drummond no campo de possíveis do projeto: entra na participação quando o poeta mineiro dela vai saindo.. desparticipando-se: entra na realidade nacional. O primeiro subindo na espiral purificadora até atingir e integrar-se no olho de Deus. Mallarmé também vai para o alto. onde a integral liberdade se ganha renunciando-se totalmente à vontade de ser livre . caracterizam-se mais claramente pela telescopagem: círculos e cilindros que. selecionando suas opções na medida mesma em que as descreve e organiza.ou talvez por isso mesmo. de onde salta o centro. o absoluto só o é (concreto e absoluto) enquanto poema-homem: a constelação. único modo de poder saber diferenciar novamente as palavras que. e " O Rio" (1953). vão estreitando de diâmetro. que descer é o homem. ordem absoluta. com sua epígrafe tirada de Berceo: Quiero que compongamos yo y tu una prosa. só que Deus é a Idéia . E vai descascando a realidade sub specie de paisagens e fatos.. João Cabral. quanto mais sobe. caos recuperado e indiferenciado. Sua démarche tem muito da de um cientista e aqui se apresenta um novo aspecto da participação do poeta: . são também signos que transferem sentido. embutindo-se no tempo (ato da leitura). para dizer sim numa sala negativa.e também a dúvida. um dos raros ém que fala eu. até o estrangulamento. única renúncia possível à condição humana.obsessão tão óbvia como a do poema: o homem. dispnéia. mas apenas como o experimentador que faz parte do sistema experimental. o núcleo do núcleo de seu núcleo . única maneira de renunciar a ela. o acaso é concreto. Veja-se o poema "De um Avião" (Quaderna. A partir de " O Rio". o fulcro. de país subdesenvolvido (mesmo fisicamente ausente em Espanha ou França . Começa tudo de novo. supremo acaso e arbitrário.

ou este "sentiment to científico" . por conta do autor. de que fala Moles: Dans le processus de création. e da arquitetura tout court em . Só a atitude radical na poesia . obra boa e simpática. direta. L'image du monde n'est contenue que par fragments dans le cerveau des savants. Essa atitude. Em sua última obra. isto é.corresponde ao "sentimento estético" do cientista. pode conduzir à responsabilidade integral do poeta empenhado em construir.aquela que está sempre a perguntar "que é poesia?" alimentando indefinida e concretamente as suas contradições. détermine un sentiment esthétique interne qui joue un rôle essentiel dans la découverte. tirada este ano em Madri. Dois Parlamentos. Cette esthétique (aistbesis sens) interne trouve son expression la plus explicite dans la conception philosophique qui possèdent le savant comme l'artiste. mas incorporar elementos das ciências. de que João Cabral é a expressão mais perfeita em nossa poesia. para fins de catequese. Este poeta. "literária".se assim podemos falar . e a resultados poéticos positivos. na medida em que identifica o coletivo medieval europeu ou os nossos primeiros índios com o atual coletivo rural do Nordeste. João Cabral vai dando cumprimento ao seu projeto . mas ainda abstrata e subjetiva. l'accord (ou le désaccord) entre le parcours effectué [na rede ramificada do processo heurístico] et tout le bagage du subconscient constitué par les archétypes. retoma a "prosa" e algo do esquema de Morte e Vida Severina. tendo em vista o que se poderia chamar de uma antropologia poética: dar conta de fatos e situações sociais e humanas ao nível da apreensão sensível. E mais uma vez estamos dentro do problema da poesia didática.não fabricar metáforas ilustrativas para uma ideologia. em forma de poema.e ao projeto. Capaz de pedra e a paio seco. substitut de celui de la "valeur vérité" utilisé par l'édifice de la science achevée comme critère de solidité. que começou em plena consciência da era industrial e da imposição u r b a n a dos edifícios (ver influência da arquitetura ortogonal em O Engenheiro.

por conseqüência direta do Congresso de Praga (só escapando a arquitetura. Manifestação da contradição cidade/campo.cuja motivação mais funda (alienação burguesa e conjugai pelo bem-estar material. em primeiro lugar. por uma notável carência vivencial.a resposta ao apelo construtivo foi mofina. e as contradições ainda não bem definidas e todo o mundo praticamente desconhecendo a prosa de seu teatro e o .Anfion e Psicologia da Composição). No Brasil. Fixaram uma posição reacionária. acabou por adaptar e adotar recursos mais artesanais. de informação correta e de disposição participante nas coisas do mundo . mesmo nos países não diretamente abalados pelo conflito. Foram os que na poesia mesma sentiram as contradições do mundo a cada palavra. sua poética tenha algo da mecânica repetitiva de rodas dentadas.. Oswald de Andrade. do outro lado. O pós-guerra se caracterizou por uma vontade generalizada de reconstrução e construção. como o desses moedores de cana que vemos em bares e pastelarias. de mecanismos elementares e alimentares.). aliás. a cada relação de palavras. Não construíram: quiseram restaurar formalismos subjetivos superados. embora seja inegável que tenham suscitado. quando não de reforma ou revolução. João Cabral de Mello Neto. e as obras não reeditadas. na época.. ainda mais que. a pretexto de acabar com a suposta pouca seriedade da poesia de 22. um grande interesse pela poesia e seus problemas daqui e do exterior. da parte de todos aqueles intelectuais e artistas que pretenderam maior "rigor" formal na poesia. mesmo nas obras mais participantes. Essa maquinaria de mastigação. já vem indicada também em Drummond (muitas vezes em ligação com a decadência mecânica ou orgânica de edifícios). outra forma de reação artística também se fixava. cuja história tem sido mal contada. primitivistas.' Ainda que. para poder dar conta da realidade também "artesanal" do Nordeste. por exemplo) está a merecer investigação maior . que salvaram a situação e sustentaram a idéia da poesia criativa.

A diferença que ia entre o poema em prosa e o poema em versos é hoje a mesma que vai entre este e o poema concreto. enquanto poesia "projetada" . do Lance de Dados para cá). num suplemento literário de São Paulo. ainda sua melhor obra. Deu-o João Cabral sem muitas hesitações. numa sociedade onde a poesia. Até onde pulará para trás. a poesia concreta se encontra atualmente na situação em que se achava a Anti-ode. um poema como não se vêem muitos. A poesia concreta deslocou a linha divisória entre poesia e prosa. para prenunciar o fim da "poesia contemporânea" (e este pode ser o grande desafio ao seu poder de invenção)? A poesia concreta vai dar. hesitou. pelo menos. seduziu-se e deu o lance: seu resultado poético não foi tão grande quanto seu êxito discursivo. Os inconformistas de 48. Rigorosamente falando. é clandestina. Drummond hesitou. que formaram o grupo Noigandres em 52 e lançaram a poesia concreta em 56. e as soluções que vem apresentando constituem um grande avanço. De qualquer forma. o pulo conteudísticosemântico-participante. Carlos Drummond de Andrade que há poucos meses publicou.vasto diário confessional que dizem ter deixado. na medida mesma em que se reaproximam.a única poesia conseqüente de nosso tempo (a contar do simbolismo francês e.e quem . especialmente. para a poesia concre- ta é todo e qualquer poema em versos que hoje se faça. Isso é Aquilo. só tem de dar. o suficiente. sobre ser gratuita. prosaico. do seu "fracasso" da Anti-ode. Considerando-se projeto a mediação entre dois momentos de objetividade. Quando . para o êxito do verso? Ou conseguirá levantar a maldição sartriana. A onça vai dar o pulo. poética e esteticamente falando. A poesia concreta é a primeira grande totalização da poesia contemporânea.não se sabe. é preciso jogar os dados novamente. semanticamente enriquecidas. surpreendente e esperado. Nem se será percebido. . O projeto é coletivo também no tempo. onde se reconhece no projeto e cuja última palavra é justamente o sinete mallarmaico: ptyx.

1958. João Cabral de. São Paulo. Perspectiva. 18. . 1961. Genève.. Dois Parlamentos. São Paulo. Universo. Madri. 1958. 1954. Livraria Martins Editora. Amigos da Poesia. Éditions René Kister. José Lino. Mário da Silva. G o u d o t . 1960. Fernando. Tempo Espanhol. M e n d e s . Paulo. Livraria José Olympio Editora. Augusto e Haroldo de. 1945. ABC ofreading.Bibliografia ANDRADE. Edameris. "Cadernos de Cultura". Um e Dois. Rio de Janeiro. Livraria José Olympio Editora. J. Routledgg__&. M e l l o N e t o . Lisboa. New Directions. Les quanta et la vie. Robert. edição do autor.~K-. Guimarães Editores. São Paulo.1 9 3 5 ) . "Que sais-je?". P i g n a t a r i . s/data. 1952. 1951. Lisboa. Livraria José Olympio Editora. Livraria Martins Editora. 1950. Poesias Inéditas ( 1 9 3 0 . 1961. 1952. O Engenheiro. B r i t o . London. Andrée. Ezra. P o u n d .1961.-Pr-ineiples~&f-GestalLPs ychology. Tradução brasileira: São Paulo. Quaderna. Rio de Janeiro. São Paulo. Poemas. Edgard. Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura. Rio de Janeiro. Presses Universitaires de France. in Suplemento Literário de O Estado de S. Poesias. Lisboa. N. P e s s o a . 1955. Livraria José Olympio Editora.3. Paris. 1957. Simon & Schuster. N. 1956. O p p e n h e i m e r . Biografia. Rio de Janeiro. G u l l a r . Kegan Paul Ltd. Braga. Duas Águas. Ronaldo. 1959. Isso é Aqui- lo. Décio & A z e r e d o . São Paulo. 1971. York. Ferreira. G r ü n e w a l d . 1942. M o l e s . La création scientifique. 50 Poemas Escolhidos pelo Autor. Col. Extralunário. Abraham A. 1959. Rio de Janeiro. The open mind. Livraria Morais Editora. A Rosa do Povo. Noigandres 4 (incluindo um "Plano piloto para poesia concreta"). 1960. 1956. Claro Enigma. Rio de Janeiro. íÍowka. York. 1955. Edições Ática. edição do autor. Murilo. edição do autor. C a m p o s . edição do autor. Rio de Janeiro. 1945. Rio de Janeiro. A Luta Corporal. edição dos autores. Carlos Drummond de.

. edição do autor. X i s t o . W i e n e r . Critique de la raison dialectique ( Question de Méthode ). 1951. 1 9 6 0 . Paris NRF . Pedro. The human use of humans beings: Cybernetics and Socieí}TTTrYÕrKrDoubÍèdã7& Co. Paris. Gallimard. Inc?TÎ954! " " . Situations II: Qu'est-ce que la littératuref. Norbert. 1960.SARTRE. Jean-Paul. São Paulo. Haikais & Concretos. tomo I.Gallimard.

estruturas que comandam os significados. . ou: as afinidades eletivas da linguagem. Isto é: função poética da linguagem: poder / Poher.Paronomásia.

naquilo que tem de "pensamento bruto" oposto a "sistemas formalizados segundo normas catalogadas" (Abraham Moles). Quando a ciência e a arte gassam do certo para o provável e parajLBer' c ë b i d ^ ^ c o m o quer Moles .se existe alguma . a continuidade ou o continuísmo do que se chama "literatura" (história da): sistema perempto. nas pressupostas virtualidades e/ou domínio do idioma. o método da I f œ S é r t ^ é o único que interessa ao espírito criador.o método heurístico. ^transmissão passiva_de conhecimentos adquiridos é uma falácia: só se coiihece^verdadeiramente. Ela é criativa na medida mesma em que abala. Sistema ainda apoiado na língua. ainda que se possa tratar de "sistema de vanguarda" porventura em vias de fixar-se. todo sistema prévio. Arte experimental é a que põe em causa a própria arte: confina necessariamente com a não-arte. de modo criativo. segundo o qual o "acervo literário" se enriquece vegetativamente por agregação de "autores e obras de qualidade". parcial ou totalmente. mendiante seleção_çrítica.VANGUARDA COMO ANTILITERATURA Em plena segunda revolução industrial (automação).é arte experimental. Arte viva de nosso tempo . não se pode mais pretender manter a intangibilidade. acadêmico-universitário de transmissão de conhecimentos literários acabados. .

Invenção.O mundo dos objetos. Da informação e da comunicação. em certo sentido a Mário de Andrade. p í o v o c o u a ira dos "críticos * Revisão de Sousândrade. permanece totalmente desconhecido. de Ezra Pound. Ed. personalidade fascinante que não distinguiã entre' arte e vida. A obra de arte verdadeiramente nova e inovadoraã t u a no campo dajinguagem criativa e criadora desrealidaaesj (entendidas como nov^-r^laeões-conteúdo^ransf oíveis)T°"A" poesia nova cria a r i t e s ^ u a n t i d a d e s ^ que é antes criadora d e ^ ^ ^ s ^ ^ M q u e ' ^ ^ O T ^ ^ ^ ^ ^ ^ b . São Paulo. das coisas-em-si. Continua pouco conhecido. Mas a sua importância cresce. planejamento) . base revolucionária (depois diluída e distorcida) do modernismo brasileiro. As línguas são apenas manifestações particulares da linguagem. 2) Oswald de Andrade (18901954). A linguagem é a nova realidade objetiva de nosso tempo. que é a nossa. Tempo de signos. sob certos aspectos.sub specie signorum. Entramos na era da linguagem._3) aDoesia^concret^poesiâ^fîïn^ clamentalmente de linguagem. N o Brasil: 1) Joaquim de Sousândrade (1833-1902). que amaneirou a de visãç» oswaldiana.mesmo as futuras (projeto. tentando umda sincretismo cultürãl~con=* servadòr de regionalismos. precursor. 1964. Época canibal de todas as épocas . enquanto vai estacionando . D o código e da mensagem. Cada vez mais é tempo presente na era documentária. é um mundo em fase de superação. Criador da "poesia pau-brasil" e da "antropofagia" . a nova realidade universal.um dos projetos culturais anticolonialistas mais originais e radicais do pragmatismo latino-americano. Os irmãos Campos acabam de repô-lo em circulação*. ainda que lentamente. foi talvez o primeiro "antipoeta" das Américas. "homem língua". através de heróica edição crítica (com antologia).e felizmente. . a y ^ ' S " —— — ^ ^ ^ -—f AW^SSsmS^ ^^^SS^SSa^' A poesia revolucionária dos últimos^eem-anos se vem fazendo à margem do "sistema".

de informação e de comunicação. só para poderem continuar a fazer tranqüilamente o que de fato já foi feito. Problema que a poesia concreta. inclusive buscando forjar para ela uma classificação especial fora da "literatura". poesia de signos .. se considerássemos principalmente O Engenheiro e Psicologia da Composição. desde já.na qual estão empenhados.ou seja.agora que passamos para a criação de novas linguagens. poesia sem palavras. os quais tentaram e tentam amolecer o seu impacto renovador com as mais variadas artimanhas. em Noigandres 3. E agora que surge uma nova modalidade de poesia concreta. que vem de Oswald de Andrade à poesia concreta. de código. mais radical. Wlademir .Dias Pino. Ronaldo Azeredo e eu . é exemplar nesse sentido. fascinado talvez pela "imprevisibilidade da linha curva de Mirò" .do sistema". Mas.. de Ronaldo Azeredo. para publicações onde se debatem~os~prõBlemas de linguagem. jlesenhoJndustrial. a curto e a longo prazo. 1956. João Cabral de Mello Neto se inseriria nesta última. um novo e duro golpe é assestado contra aqueles que rosnam "Isto já foi feito!". de artes gráficas. Luiz Ângelo Pinto.literárias para publicações mais atuais e^uãnte>. arquitetura. há umaíinha da língua. enfrentou e resolveu de modo claro e conciso: o poema ro.a que se referiu certa ocasião . que vem de Mário de Andrade a Guimarães Rosa.. como ele a entende). Nem é por outra razão que a poesia concreta pouco a pouco vaLemigrando-das-chamadas publicações.reincidiu numa didática discursiva de conservação de certos valores (a "poesia". ^ Na literatura brasileira moderna. onde a fenomenologia faz o jogo de um prólogo interminável à coisa^em-si. semióticaj. Embora sabendo o quanto é perigoso presumir sobre os rumos da criação poética de um artista como João Cabral. . ainda em sua fase inicial. não posso reprimir a impressão de que ele só poderá deter a tediosa fuga do concreto que o vem caracterizando nestes últimos anos. e há uma linhagem da linguagem.

Estranho fenômeno o deste grande poeta. depois de dois anos de pesquisas com Luiz Ângelo Pinto . naturalmente.dizia ele.e simultaneamente com a minha "redescoberta" do "verdadeiro" projeto oswaldiano. Poesia de posse contra poesia de propriedade.o princípio estatístico da criação. Poesia ready-made. não é aprenias criadojielajinguagem. mestre das sutilezas fisiognômicas e das grandes transcendências adivinhadas no vácuo. que.Oswald põe. neste novo tipo de poesia concreta que nasceu há poucos meses. que ainda é o de digressar em torno de coisas "últimas". possuindo uma avançada educação visual.conjunção de signos prováveis oferecidos à seleção_criativãrC^i3^ce & choice . em Memórias Sentimentais de João Miramar (1924). é L coi^^^resentifica-as mediante seleção e colagem-montagem? Enquanto Cabral busca atingir o íntimo do ovo. continua sendo a melhor prosa literária brasileira. como é justo. a texto . a antipoesia e. a partir de 1930 . por ligação direta. primeiro.) . no seu Manifesto Antropófago (1928).^ A lição de Oswald de Andrade . Quanto a Guimarães Rosa. sem prolegômenos: estraçalhando as "regras do jogo". ^Cljeal^enquanto conteúdo rioyojxjmunicável. permanece preso à linearidade lógico-discursiva. Depois. depois. _o_pensamento bruto. Oswald inventa o óbvio e desmistifica a poesia carnivoramente. dominantemente. (Penso. Este canibal genial praticou. Meros esquemas numérico-permutacionais para os seus versos não resolverão o impasse. direto: sua poesia incorpora.vítima de diluições e autodiluições. da prosa-linguagem de Oswald de Andrade. deglute'. Cabral propõe .h• mediante a radicalização daquilo que em sua poesia anterior foi situação-limite: ljmiar cinde a "poesia" pode ganhar-se. não-linear e não-discursiva. entendida esta como ato decisório e executivo no campo da informação e da comunicação sensível.não pode ser esquecida. passando. E continua sendo. "Somos concretistas" .

que não existe . sua grande contribuição. Tenho para mim que há uma ideologia da composição.de so-« brar. el más . Só ki • anti-arte levará a arte às massas.. j ó se atinge as massas sendo-se humanamente radical. a fim de fazer o que costumam chamar de "a obra" com as migalhas-recursos da vanguarda . comojxBrasil^não. Esta a grande descoberta de Dada (e não "dadaísmo". Sobre .IM1 ir ...como não existe "concretismo"). artística. semântica. Assim o compreendeu Oswald. Eles não sabem criar o verdadeiramente novo e praticam a usura do já conquistado.frase de Juan Ramón Jimenez: "El más..camino único de la sabiduría". Um desafio à capacidade de criação. ideológica. Para terminar com uma.podem dar'^ se ao luxo de aperfeiçoar e aprimorar conquistas e contribui-A ~çõ"es-de-p"aíses-desenvolvidos7n"o aguardo de um suposto placèt\ ^ n i e s t a um c a m i n h o : devorar á .. ETprêciso cuidado com os intermediários. Talvez sobre uma constelação quixotesca.radicalidade útil que possam discernir no que se lhes oferece^] e devolver ao mundo criiçoésTTõvas^originaispnvençõesr" •• ' ' ' •• ' . . Os países subdesenvolvidos. IMI. assim o comprêendo.só há um modo: é radicalizá-la tetanicamente até extremos inequívocos geradores de novos extremos. os que dizem combater "a novidade pela novidade".Só há um modo de impedir que diluidores freiem o movimento da poesia concreta.

.

** Foi publicado em 1969 pela Universidade Federal do R. mas um véu misterioso parecia embaraçar as tentativas de contato . Cioso dos dados que detém sobre o estranhíssimo José Joaqim de Qampos Leão. que encenaram três peças inéditas suas em agosto-setembro do ano passado*. Fui-lhe no rastro e dei com os rapazes do Teatro do Clube de Cultura. Soou-me seu tanto estranho. * 1966. . sob a direção de Antônio Carlos de Sena e com apreciável êxito. E pedir-lhe que à paz acrescente uma certa dose de sofreguidão. Guilhermino César preferiu prosseguir em paz suas laboriosas pesquisas . em Porto Alegre.que afinal não se deu.QORPO-SANTO Ouvi seu nome pronunciado pela primeira vez em fevereiro. Ao vê-lo impresso.no que só podemos aplaudi-lo. G. para que em breve nos possa oferecer um generoso trabalho** sobre o subitâneo poeta e dramaturgo gaúcho. Guilhermino César. que ora emerge do passado para tonificar um pouco a anêmica corrente sangüínea de nossa literatura dramática e poética. segundo me relataram com entusiasmo justificado. do Sul. duplicou-me o espanto: Qorpo-Santo. Esforçaram-se por remeter-me a uma fonte mais rica de informações.

não é do tipo ingênuo comum. assim. Mas bem rara. lembram Ionesco e o teatro do absurdo.no que também foi precursor. quem sabe. Tinha uma telha a menos (ou a mais) e terminou seus dias num manicômio. aos 37 anos de idade / Em quatro ou cinco horas de trabalho". O final de sua comédia Matheus e Matheusa leva as seguintes anotações: "Porto Alegre. quem sabe. em poucas horas de um mesmo dia. internado por parentes . no sentido de tentarem trazer para o Rio o grupo teatral do Clube de Cultura de Porto Alegre. mestre-escola. Nos volteios e volutas de uma revelação mística. sob vários aspectos. firmada pelo próprio Guilhermino César.Valho-me. Consta que era homem de posses. desde a redação até a composição e impressão. Qorpo-Santo. ou melhor. Cada uma delas escrita em apenas um dia. Por força. n. pode ser tido por primitivo. apelando particularmente para os grupos e organizações teatrais. sobrado de 3 janelas. se o for. que editava sozinho. As analogias não são difíceis de ser localizadas. N ã o era raro que desse o espetáculo de surrar a esposa em plena via pública. não apenas a autenticidade de suas idéias como também a pureza de sua bizarra reforma ortográfica. Possuiu também um jornal. José Joaqim de Qampos Leão (1833-1883) foi comerciário. rebatizou-se de Qorpo-Santo. possuía casas na Rua da Praia. 21 / Pelo Rio-Grandense José Joaqim de Qampos Leão. da apresentação do catálogo. pois em . pois.à força. com sua encenação pioneira. ao que parece. buscava preservar. no sul. para espicaçar o interesse dos leitores pela figura e obra de QorpoSanto. A seu propósito. A peculiaridade da grafia vem do fato de haver elaborado um código ortográfico para uso próprio . Maio 12 de 1866 / Beco do Rosário. a obra que contém suas dezessete comédias até agora conhecidas: Enciclopédia ou Seis Meses de uma Enfermidade. do destrambelhamento mental. já pelo título. vereador e jornalista. e de informações esparsas que me foram fornecidas pelos moços do Clube de Cultura.

mais que à própria cama?! . Dá a impressão de um teatro de costumes que tivesse sofrido desregulagem de registro: o resultado é um tonus geral sinistro. Em Matheus e Matheusa. Qorpo-Santo. N o triângulo amoroso apresentado. para que prevaleça o império da lei. que faz valer contra o rival. mas com rimas internas. ambos os personagens masculinos se julgam e reclamam o direito de maridos: o amante. em dias do mais belo amor. dentro do maior desprezo pela lei escrita ("papéis borrados"). tu que fostes a ofrenda que me fez o Creador. fardado militarmente e armado de espada. particularmente quando se desencadeia a guerra dos sexos. um casal de velhos de 80 anos parece atrair-se e repelir-se por uma espécie de ódio erótico que conduz ã mutilação física. entre metafísico e surrealista. O dueto prossegue em diálogo em prosa. sob as vistas de suas três graciosas filhas adolescentes e/ ou meninas. já Linda. marido por posse. minha adorada prenda. a resposta da mulher é sempre concreta e física: atira-lhe com volumes da Constituição do Império e da história sagrada na cara. a violência e o ódio entre os casais. O marido de direito comparece. entortando-lhe o nariz e mutilando-o de uma orelha. e é inútil tentar avaliá-los de outro modo. Em Eu Sou Vida: Eu não Sou Morte. ama e despreza a ambos por igual. marido por propriedade. de antiversos. e o outro. que reclama e pratica a liberdade do adultério. A peça se abre com um dueto em quadrinhas rimadas entre Linda e Lindo (o amante): tratase.suas peças (pelo menos nas três que pude 1er) é inequívoco o comando da meta-linguagem. na pele de um personagem-marido. no final. mas com inesperadas erupções do "vulgar": LINDO .Ah. que pedes? como pedes àquele que tanto te ama. de alusão e crítica à linguagem romântica e ao teatro de costumes da época. parece um louco em busca da ordem e em defesa das instituições. a mulher fatal e dominante comparece na figura de Linda. dentro dos chavões românticos. na verdade.

trancou a porta de sua casa. no entanto. passados alguns minutos: terminadas as gargalhadas que sem dúvida devem desenvolver-se por algum tempo). por sinal" .. são um convite à encenação inteligente. Dizem alguns.e eu tenho duas cabeças por fora dos largos seios". Qorpo-Santo deixou obra numerosa. Narrativa de sua longa doença . As Relações Naturais se passam num bordel que calha ser também uma casa de família.LINDA . no Rio Grande do Sul. Sua linguagem é pop: labora num vocabulário restrito. Depois de Sousândrade. no Maranhão. . passando a entrar e sair da residência pela janela do andar superior. na Bahia . Personagens surgem e desaparecem sem maiores explicações.. de Ezra Pound. Algumas marcações suas são do tipo Erik Satie. depois de Kilkerry.Qorpo-Santo. pois Lindo declara possuir dois corações. quanto me deste! quanto me felicitaste com as maviosas expressões desses teus bofes ou pulmões . além das peças..e também versos.declara Guilhermino César. Por exemplo: (Entra um criado. a dona da casa e suas filhas enforcam em efígie o marido-pai-cliente. "Mui maus. que cindia e remontava palavras: botelas de fivinas. ou melhor. Ao final.Ha! ha! ha! meu queridinho. Se lembra Ionesco.envoltórios dos corações. Ao que a cerebral mulher replica: ". com os braços nos ombros dela. é tão importante quanto a criação da informação nova para a vida do organismo.. certa vez . que corresponde ao make it new. lembrará também Antonin Artaud. Tal como. O plural aí cabe. A recuperação da informação (information retrieval). O teatro de Qorpo-Santo é antiteatro. popular. E este: (. metateatro. por espaço de 5 minutos).narra-se . e tendo como referente-repertório o teatro de costumes de seu tempo. e passa a derramar lágrimas. E suas comédias são abertas e breves. à qual encostara uma escada.

descobre e assume o insólito absurdo desse sistema e o erige em sistema de anti-sistema. para metê-la dentro dos ossários da história da literatura. enriqueceu Portinari e subestimou Volpi. Espantoso sistema brasileiro! Que capacidade de maneirar! Os movimentos mais radicais. As elites. enterrou Sousândrade por noventa anos.insossa. de algum modo.e os nossos presentes. através dos tempos. o mais brasileiro de todos os pintores (nascido em Lucca). geradas pelo sistema e encarção estrutur ai N à o œ ^ A mesma lîflxuïur a aristocrático-rural que levou Mauá à falência. defend eu o tipocontra o_protótipo. as concepções mais revolucionárias são tranqüilamente absorvidos pela gelatina verde-amarela . têm selecionado sistematicamente mal. a pre-textcujeJ^rasileiridacÍF. tirou Oswald de Andrade da jogada durante décadas. E quando um Oswald. estendendo- . é também "atuado" por ele. Atua sobre o presente. insípida e insalubre. Alves e Mário de Andrade. exaltou Castro. genialmente. O presente seleciona seuj>assadoJinstrument a l . e está aguardando que o tempo "legitime" a poesia concreta.ANTOLOGIA SINCRÔNICA? O passado é know-how.

são exaltados pelo que têm de pior ou "médio". elevando-o à máxima antropofágica. sem mais. o norte-americano Charles Sanders Peirce veio antes e é melhor. Quantas megatoneladas de besteira gelatinosa se têm escrito sobre Machado. por isso. As elites brasílico-francesas não abrem mão de suas prerrogativas de filtragem.. hoje são os socioligóides. nós espichamos meia dúzia de bons autores a 600 escrevinhadores ... Vai daí que os bons e sutis mestres do sistema literário brasileiro Machado de Assis. um dia iria desencavar poesia de prosa alheia). foram os gramaticóides. prerrogativas nitidamente colonializantes e aristocratóides: o Brasil (e os americanos em geral) deve curvàr-se ante a Europa (França). . como João Cabral é severinamente elogiado. Bandeira. Se os estruturalistas nãó se transformarem (gelatina) em estruturalóides. Enquanto isso. por todas as forças em conflito. Dizem (Pound) que Confúcio reduziu 3 000 odes a trezentas. Guima•rães Rosa .o à totalidade da vida brasileira ("odaliscas no Catumbi"). odiado e odiento. Manuel Bandeira não inclui poemas de Sousândrade ou Oswald em sua apresentação de poesia brasileira (Oswald. Mário de Andrade dedicou A Escrava que Não E Isaura a Oswald.importante. colegiais. se este apreendeu alguma coisa do pífio enciclopedismo do "homem que sabia javanês" do modernismo ("É PRECISO EVITAR MALLARMÉ!"). Antes. Mário de Andrade. é capaz de termos algo de realmente novo: vão desabar as estatuãT*jpíu 1 e s ' í ° P ri m e 1 r o. e Oswald Começa a ser "grande" pelo Rei da Vela. porque acha que não é poesia. certamente apreendeu muito mais do que o pseudomestre lhe tentou ensinar: tornou-se. é excluído. mas ele próprio. nem o mais . taticamente acordadas. Drummond. sobre os traços psicológicos dos "tipos" que criou!.o que tem a utilidade de encher compêndios para uso dos universitários. depois vieram os psicologóides marioandradinos.. ginasianos e grupos-escolares.

A poesia brasileira continua a ser analisada pelo seu "conteúdo" (e não pela sua estrutura significante): já se viu coisa mais ridícula ? São as realizações radicais que redimensionam toda a literatura. Diante do Lance de Dados, de Mallarmé, o próprio Rimbaud passa para um segundo plano; diante do Ulysses e do Finnegans Wake, toda a prosa inglesa, do passado, do presente e do futuro, muda de fulcro valorativo. O gabarito brasileiro deveria ter-se elevado com Sousândrade, com Oswald, e com meia dúzia de poemas de Drummond, João Cabral de Mello N e t o e poetas concretos - mas^Q§-£ríticos^ professores e historiadores preferem o purê "eqüidistante"! A famosa "eqüirfi stânnã^nns"rr ftirris giiq_só serve ^ a r a m a n t ê - l o s n o ofíci of Os poetas, desde Poe, foram compelidos a cobrir também o campo da crítica e da teoria literária, para serem julgados por um repertório estrutural à altura de sua criação, para criticarem a crítica, para ensinarem os críticos - abomináv.eLpretensão! N ã o é à toa que o único crítico moderno quéTconseglte, dizer alguma coisa sobre a e s t r ú í i õ r ã r ^ o ^ o e i n ã ^ % ã K o B Í ^ ^ quiTdetèctõú^f^^^^^^tc^^^^^^^ãàõi^^^^^^^ tico" propriamente, mas^fn~lingüista que confessa, ao mesmo ^èmpo-hqfflifáe-ê-erg ülK^ poefãS muitas..coisas sobre a sua própria espéciâjidâdF'^â^ting^stf^a. Necessário se torna, agora, o aparecimento, não apenas de lingüistas tipo JaEõbson, mas de seOT/oí/a£tós.tipo_Jalcõb^on,.para darem conta dcTs-poemas-nãcPvérbais e não-inteiramente-verbais, que vão aparecende^gp^fido o mundo..^ ~~ Quando se parte passado é~õbrigado a dizer a que vem, uma e s t r u t u w w e Q v w a z valer o seu know-bow; mas quando se parte da "eqüidistância", passado, presente e futuro se transformam naquele bolo indefinido, incolor, insípido e insosso - único alimento que o > podres e requintadíssimos Ushers suportavam comer. A indiferenciação é o caos; ordem é seleção e diferenciação. Está na hora de que se comecem a organi-

zar antologias sincrônicas da poesia brasileira, como já sugeriu Haroldo de Campos - não de poetas, mas de poemas, para^ que comecemos objetivamente a nos perguntar sobre o que significaria, realmente, "poesia brasileira", no "contexto universaj^JPj^jTüi Sf *j a ; como tecnologia útil para um projeto cultural brasileiro de vanguarda. .

Um inesperado passo à frente renovador na quadrinização brasileira: o pessoal da Editora Edrel, com desenhistas como Cláudio Seto, Fernando Ikoma e outros. A simultaneização da narrativa. Atualização, em contato com gibis do Japão, Europa, Estados Unidos. "Este Mundo de Chacais Prontos para Devorar Carniças Humanas ", argumento e desenhos de Cláudio Seto, colaboração de Kazuko, em Estórias Adultas, « 2 2, novembro de 1969. Certos "excipientes" ajudavam a vender a revista: nus artísticos e piadas sexy, de resto, perfeitamente inofensivas. Temo que a censura, a pretexto de acabar com a "pornografia" nas revistas populares, acabe aviltando ou eli-

minando a melhor equipe de quadrinização que já possuímos (adianto que não conheço pessoalmente nenhum deles). E depois a "elite" vem pregar cultura de massas à gente...

ÁPORO

Um Inseto Semiótico
Um inseto cava cava sem alarme perfurando a terra sem achar escape. Que fazer, exausto, em país bloqueado enlace de noite raiz e minério? Eis que o labirinto (oh razão mistério) presto se desata: em verde, sozinha, antieuclidiana uma orquídea forma-se.
C a r l o s D r u m m o n d de Andrade

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Áporo 1, s. m. (do gr. áporos). Mat. Problema de resolução impossível, como o da quadratura do círculo.

s. s. Gênero da família das orquidáceas dendrobíceas. aporos). // 3. o fato de não adquirir qualquer coisa (pelo lat. falta de recursos. m. . .) Gênero de insetos himenópteros. dúvida). . (Gr. Aporos (difícil. indigência. // 2. falta.Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa (Caldas Aulete). i Aporo.Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (José Pedro Machado). O mesmo que aporismo. Entom.Grande Dicionário (Cândido de Figueiredo). s. ansiedade (de doente). ordinariamente esverdinhadas. embaraço. Planta das orquidáceas. aporos + ismo. .Grande Dicionário da Língua Portuguesa (Morais). Aporo. do gr. Secção do gênero dendróbio.Áporo 2. pobreza. necessidade. Mat. "aporia". Mat. // (Zool. particularmente numa investigação.Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. // Zool. possível de resolver. privação. Aporismo. dificuldade em passar.Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa (Laudelino Freire). da família dos cavadores. s. dificuldade. Aporo. Inseto himenóptero. "aporia". . m. Aporia. todas herbáceas. composto de várias espécies. embaraço. Gr.) Problema difícil ou impossível de resolver // (Bot. gr. m. IIF. Gênero de esfingeanos himenópteros. Problema difícil de resolver. Inseto himenóptero. numa discussão. adj: Bot.) Gênero de plantas da família das orquidáceas. Problema de difícil solução. embaraço. m. a + poros. m. falta de alimentação. sem saída). incerteza. cujo tipo é o áporo-bicolor. de flores quase solitárias. Gr. Aporo. Designativo das madréporas em que se encontram reunidos um aparelho sedimentar muito desenvolvido e uma muralha muito compacta. . Problema difícil ou im- . (Didát.

EScape / faZEr / EXausto / enlaCE / Eis / prESto SE dESata / forma-SE. com dois percursos principais. Macroestratura Dois aspectos da macroestrutura do poema: interno e externo . de insecare. se (com sua principal variante espelhada. É a trilha das fricativas. se fisicaliza e se metamorfoseia em flor-poema. logo de início. es). couper. um texto-têxtil. (Observem o desenho. insectum. conforme a tricotomia in-se-to. en. Seccionada em seus três anéis-sílabas. > .este referindo-se à configuração visual do poema olhado como um todo. o poema ganharia com um design tipográfico caprichado. ícone sutil de inseto e verme.Dictionnaire de la Langue Française (Émile Littré).Lat. in-se-to.inseto que. ainsi dit à cause des étranglements du corps. de in. A pista que leva à saída do labirinto é a central. por isomorfismo. Proposição Descritiva Inserto no bastidor verbal (suporte). couper (voy. à medida que o percorre e faz. ideográfico e ideofônico . et secare. signo-inseto que. Percurso-Inseto Comporta três pistas. a palavra IN-SE-TO desencadeia um processo de aliter ações verticais. section). a que chamaremos: percurso-inseto e percurso-orquídea. vemos o inseto-florpoema formando-se formado. aquele à trama-de-suas-linhas-se-tramando. . Sábia e encliticàmente expelido da forma. se apresenta sitiado em si mesmo. perfura e perfaz.) Percurso: inSEto / SEm /.

Ao nível das microestruturas.como em SEM. desenvolve-se o percurso-orquídea. Vale dizer: a "escritura" do poema é fono-gráfica. produzindo "ENlaCE de noiTE" . metade do poema). anuncia a orquídea. o desenho tipográfico não servindo tão-somente de veículo-suporte de sons e significados. o ritmo deste verso rompe com a andadura do poema até ali. comparecendo. várias das quais. em forMA-se. a unidade inicial do verso final. também. não na palavra inseto. áudio-visual. ENlace. que se inicia hipostasiado no primeiro. UMA orquídea. mas numa outra persona do mesmo: a palavra .Uma das pistas laterais segue a trilha das nasais. observar que há momentos em que duas trilhas se cruzam em pequenas unidades vocabulares . e continuando: / TErra / exausTO / noiTE / labirinTO / misTÉrio / presTO / desaTA. abrem e introduzem versos: UM in- seto. De outra parte. A outra pista lateral segue a trilha das oclusivas linguodentais. eco estocástico de INSETO. Num ponto-evento extraordinário (7 a verso. EM verde.país. mudando de gênero. mas também unidades e parentescos tipográficos. Eis a pista completa: UM / INseto / sEM / alarME / perfurANdo / sEM / EM / ENlace / MINério / labirINto / EM / sozINHa / ANtieuclidiANa / UMa / forMA-se.EN-CE-TE. O Percurso-Orquídea Paralelamente ao percurso-inseto. por exemplo. Lembrando uma vez mais: computam-se aqui não apenas as unidades de fonação. EM. a partir de inseTO. UMA. Não por coincidência. o himenóptero num estágio ou estado particular de sua operação de "cavar" o poema. caracteristicamente. as três pistas se cruzam. como veremos mais adiante. anuncia a entrada do IN. UM. assim como a unidade nasal inicial do primeiro verso. unidade metonímica de IN-SE-TO.

o sentido de fechar-abrir. como predicado de base .) até o nível das unidades verso e estrofe-. por exemplo). pois o poema todo é uma composição em variações toantes. . ao mesmo tempo em que. estocasticamente. sob a nova máscara da expressão oh razão mistério. extrapolada da prosa para a poesia .cava. como se em substituição à consonância das rimas . ar/ra."rastilhos de luz em pedrarias". dentro da palavra "antiEUCLIDIAna": euclídia / orquídea. o segundo dos quais anuncia a abertura. signo-fisiológico. o fenômeno mais notável que se pode observar neste percurso é o fato de a palavra orquídea já se apresentar em formação. Neste poema autofecundante e autogestatório. dentro dele. em "forma-SE". an/na etc."prESto SE dESata" . difusão e infusão das unidades que compõem uma matriz aliterante e que denominei aliteração vertical. se enleia e desenleia . transubstanciado. não se trata apenas do verbo cavar. Microestruturalmente. diria Mallarmé. mas antes na dispersão. que o poema não está construído em aliterações simples. o pertinaz "inseto" se apresenta encerrado não só dentro do parêntese como também dentro dos outros dois versos do terceto. reduplicada e adentrando a terra-poema-labirinto.mas ainda preso. O percurso-orquídea segue a trilha das oclusivas velares: CAva / CA va / esCApe / QUE / bloQUEado / eis QUE / antieuCLldiana / orQUÍdea. se/es.está presente em diversos níveis. O que não exclui outras linhas de apoio (uma variada gama da vibrante r. Fechar-Abrir Vê-se.para empregarmos uma noção de Todorov. para libertar-se. desde o espelhamento de letras (al/la. mas do inseto cavador cavando. o bicho avança. assim. posicionalmente.

E. se assim podemos dizer (corte para a gradativa introdução de informações) e do fato de fazer incidir vários acentos secundários. aqui. Algo assim como um soneto de versos decassílabos rasgado ao meio longitudinalmente. parodística.. parece decorrer de dois fatores principais: do corte dos versos. para produzir um inseto-soneto de pentassílabos. em geral. ou seja. A metalinguagem crítica. e neste poema. Ritmo Em 1950. impondo-lhe um parâmetro sincrônico. D. propriamente poética. E não deixa de ser curioso o fato de INSETO ser um quase-anagrama de SONETO. parodiado por miniaturização. semilongos. a saber. euclidiana. por bonsaização. Nos metros curtos. Sérgio Buarque de Holanda lançou mão de uma diferenciação entre ritmo e compasso .Macroestrutura Externa A configuração ideogrâmica da macroestrutura externa se constitui em algo assim como um índice-ícone (tal uma impressão digital) da forma do soneto. dentro de uma lógica teorêmica Q. em monossílabos átonos. A configuração ideogrâmica e a aliteração vertical contribuem para romper com a diacronia da estrutura do verso. em particular. diria mesmo. mas que acaba resultando numa antilógica. aparentemente "prosaico" e desossado. breves (é fácil observar neste poema não só a importância funcional e fisiognômica dos . analógica. Presto. da configuração externa apresenta também certas correspondências simbólicas na estrutura interna. técnica nipônica para produzir árvores-anãs. -vem bem a propósito.que. naquelas expressões do primeiro terceto que aludem à altiloqüência do pseudocastiço: Eis que.. quando ainda militava na critica literária. o peculiar ritmo drummondiano. que é antes um corte informacional. Oh razão.

o jogo fica aberto à interpretação . antidicionário.que nada pode acrescentar-lhe de essencial. .. de informação. Ouvimos. más plenamente isomórficos à denotação de enlace de noite / raiz e minério e que também pode funcionar como comentário de humor à forma do soneto. Paradoxalmente. que o poeta extrai . onde se passa para um esquema binário/ternário.) Interpretação Quanto a outros níveis do poema. ano da soltura de Luís Carlos Prestes ("presto se desata". Drummond tornaria a fazê-lo. o ritmo do poema se revela mais claramente quando o traduzimos em termos de compasso. ano de todas as auroras. de marcha batida e persistente. predominar a cadência binária. marcando como longos ou fortes os acentos secundários ou semilongos.monossílabos. jâmbico-anapéstico (breve-longo/breve-brevedongo) . (Cf. com Isto é Aquilo. mesmo esquema em Letra para uma valsa romântica. 7 a e 1 2 a versos.). com disrupção nos 6 a .compassos de uma valsa surpreendente e irônica. trocaica (longo/breve). a partir de um dicionário. ano da agonia do nazifascismo e do Estado Novo ("em país bloqueado"). Em todo caso. Didática do Poema Ou: Como o poema gera o seu próprio dicionário verbal e não-verbal. como também o teor de surpresa.da variação do comprimento das palavras). de Manuel Bandeira. alguma coisa sempre conta saber que Aporo surge na coletânea de um Drummond-ápice. A Rosa do Povo (1945). muitos anos depois e em igual nível. então..

e não ao próprio método. . em âmbito internacional e dentro da tradição do verso pósMallarmé. Apreciação do Poema Uma das peças de poesia mais perfeitas e mais criativas.Método Deveríamos valorizar mais o que eu chamaria de método. indicativo: aquele que conduz à obra analisada .

As cosmogonias inesperadas: o geométrico e o orgânico. Aqui estão expressionismos (observar a mão da figura chaplinesca) e surrealismo. A melancolia das situações para-oníricas de Juarez.O homem perplexo ante a máquina do mundo. Sempre melhor no preto-e-branco que em cores. pequena maravilha da idade mecânica. Sugestão de pensamento para a figura: "Parece que tenho um imitador superior . Zíper.

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4- TRIPÉ .

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"Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade". proponcR) Rroj etaygerais de criação e cultura. Por isso mesm o que exigem uma nova metalinguagem crítica. irreversível aos termos de um regime anterior. internacional. simplesmen- . ininteligível mesmo em meio a uma linguagem preexistente já estratificada em código. I a quadro. que o organismo procura ignorar para poder suportar. Joaquim de Sousândrade "exótico". e o país.é o sentimei to inaugural. "Pau-Brasil". " M a r c o Zero *>Sãe --0s "tíiadores originais. e quando o poeta-inventor se encoraja a t é ^ a g d â e i o s a e surpreendente veleidade de pensar. abstruso demais para o bom andamento evolutivo de nossa história literária. i. d a dç nnde se comera. É o caso de José Oswald de Sousa Andrade. mais adeq u a d a à sua análise e apreensão. é quase certo que venha ^ S e ? isolado como um corpo estranho ou um enclave exótico. de uma linguagem nova. e.M A R C O ZERO DE A N D R A D E A E n f e r m e i r a . pois. Brasil. O s w a l d de Andrade.é. É o caso do seu quase homônimo do século passado. Q u a n d o o setor é o da literatura. ÀlguP c t^m-a-Koljûgia e a coragem dojzpm. radicais. A orta.Sabes o que : medo? O H i e r o f a n t e .

como um intruso a que o tempo. 3. Deste ponto de vista. em Brigada Ligeira. Sob as Ordens de Mamãe. os paralelos entre obras de dois ou mais autores . . Livraria José Olympio Editora. o maior elogio que se pode fazer a um autor se refere ao seu domínio do idioma. Pseudônimo de Alexandre Marcondes. . 27/7 e 3/8-1963. 2. Martins Edit. se encarregou de fazer justiça. por exemplo. 1.te excluído dela. supl. põe em relevo semelhanças. "Miramar e Macunàíma". a crítica costuma analisar a obra literária segundo o parti pris da língua. Revolução Normahnente. Não que a abordagem dentro dessa faixa seja de somenos . a obra de Oswald de Andrade é tachada de "fragmentária". há alguns anos. anulando-o. Um Homem sem Profissão ."Eu iniciara em dialeto ítalopaulista as "Cartas d'Abaxo Piques" que encontraram um sucessor em Juó Bananere". O Estado de S. Também assim são estudados os influxos. Paulo. supl. São Paulo. tal como Nietzsche elogiava Heine (e se elogiava). "Estouro e Libertação". efetuado por Haroldo de Campos 3 . Evolução.Memórias e Confissões. e insensivelmente. como o que me manifestou. 1954. Haroldo de Campos.o que pode conduzir a rompantes definitivos e bizarros. Haroldo de Campos. Antonio Cândido. vol. Liv. Linguagem.especialmente quando o estudioso se chama Haroldo de Campos ou Antonio Cândido.. que fazem também excelentes abordagens ao nível da linguagem 2 . E assim. s/d (1945). Paulo. lit. "Raízes do Miramar". as semelhanças. o folclorista Alceu Maynard de Araújo (e não sem certo desdém): "Oswald está em Juó Bananere!" 1 A graça da tirada está em que ela poderia ser oswaldiana. mecanicamente. 106. p. Língua. lit. evidente- 1. O preciso cotejo de certos aspectos das obras de Oswald e Mário de Andrade. "desigual".. 17/24/31-8-63. Oswald de Andrade. O Estado de S..

objetivas . a segunda. é uma linha evolutiva que penetra sem maiores tropeços na "literatura". prefaciando os poemas pau-brasil. de Mallarmé. anti-"literatura". e língua. estabelecem a informação nova. Dentro de uma língua. por exemplo). uma manifestação particular de lingua. analogias de dicção e mesmo de processos (a paródia. As autênticas vanguardas artísticas contemporâneas têmse caracterizado por sua "antiarte".mas não é o momento de nos determos neste tópico. desde o "rien ou presque un art". Entendo por linguagem. passando pelo movimento Dada e por Oswald de Andrade.' gem. os aspectos microlinguísticos (métodos gramaticais) se detêm no idioma. qualquer conjunto de signos e o modo de relacioná-los. E possível que essa dualidade de enfoque seja mais. Paulo Prado. sem esquecer a nouvelle vague do cinema francês. isto é. Mas a linha que vai. bem mais.sua poesia. é uma linha revolucionária. Observe-se apenas que a linha que se pode traçar entre Macunaíma e Grande Sertão: Veredas. do que uma comodidade analítica e resulte de profundas contradições geradas no bojo da arte contemporânea. Mas só o enfoque do ponto de vista da linguagem pode detectar as "diferenças" reais. no sistema tradicional de incorporação à história literária. E aí está: "semelhanças".à poesia concreta. em sentido amplo. em função da revolução industrial . ou seja. até a poesia concreta. a originalidade de Oswald de Andrade.mente menos fruto de mera coincidência do que os. para citar um caso. chegou a percebê-lo: 4. sobrenomes dos estudados. por exemplo. da linguagem 4 . A primeira está na faixa da língua.as diferenças que. de Oswald de Andrade . . no caso. os aspectos macrolingüísticos (métodos estatísticos) levam à linguagem. seus manifestos e suas Memórias Sentimentais de João Miramar . o atual movimento da pop art norte-americana (setor das artes visuais) e o desenho industrial (forma do produto).

e Cult. Ruy Barbosa: uma cartola na Senegâmbia.ou de um roteiro. Envolve um problema de comunicação. nada tem a ver com o suposto problema de forjar uma "língua brasileira" .se o for . Sem mais nada. O quixotismo. concertos etc. A poesia existe nos fatos.. e alimentício. para utilizar um termo oswaldiano.a Literatura e a Filosofia.mas simplesmente os utiliza e/ou transcreve. Sem ilações. 16. de um projeto geral . Falar difícil. antropófago pragmático e internacional. 1959.A poesia pau-brasil é o ovo de Colombo. E x p o s i ç ã o do sentido p u r o mediante a inocência construtiva. conforme diz no "Manifesto da Poesia Pau-Brasil" 5 . A riqueza dos bailes e das frases feitas. A contribuição milionária de todos os erros. dez. e sobretudo das duas inimigas do verdadeiro sentimento poético . N ã o utiliza a falação altissonante (Machado Penumbra) ou os malapropismos (Minão da Silva). Este ser antiarte está intimamente vinculado ao estabelecimento de uma linguagem. Min.necessário. . é um risco . impondo os ditames de seus interesses às fontes de criação artística. o lado citações. Em oposição. ensino. O lado doutor.preocupação de Mário de Andrade e outros. que é de natureza classeconsumista. portanto. Comovente. Como somos. Tudo revertendo em riqueza.. e de comunicação com a massa por via imediata e direta. Deus nos livre de todos os ismos parasitas das idéias novas. Marginalização pelo Realismo: O Poeta Iminente Oswald de Andrade. Odaliscas no Catumbi. Negras de jóquei. 5. ao sistema vigente de administração da cultura (complexo editorial. Como falamos. Ed.).. n. em toda vanguarda genuína. museus. o lado autores conhecidos. exposições. Revista do Livro. ou os documentos dos primeiros cronistas como "recursos" para efeitos literários .

" . Arnault Daniel. pela Teoria da Informação e da Comunicação. heterônimos.o processo criativo de Oswald consiste basicamente num processo de seleção do já existente. Uma corrente de incompreensões e equívocos terríveis. abandona a "pesquisa alta". para efeitos de uma cosmologia mítico-folclórico-moderna. todo ato criativo ou decisório se faz por probabilidade e seleção . "No jornal anda todo o presente. Propércio. qualquer autor de um secretário de amantes qualquer. acabar quase por imitar seus pseudoimitadores. e com a aplicação decorativa de motivos e língua indígenas. montagem.pensamento bruto 6 .chance & choice .É o que eu chamaria de. com sua "língua brasileira". que acabou desaguando na moral bom-tom do "homem cordial" e submergindo o projeto oswaldiano original. embora temesse e julgasse imitá-lo em Macunaíma.heterônimos de Oswald: Machado Penumbra. O processo documentário. Génève. "Aussi poserons-nous de façon précise la contradiction entre science achevée.Abraham Moles. 1957. o canibal. esmagado por "uma espécie de sentimento 6. onde. personae: Guido Cavalcanti. . As personae. a diluiu e destorceu. quando desceram os "Búfalos do Nordeste trazendo nos cornos a questão social". 'mise en forme'. no momento ou na memória. Oswald de Andrade. Bem vistas as coisas. juntou suas águas a uma diluição anterior: a do grupo "Anta". suivant des normes parfaitement cataloguées. Antiliterariamente. et pensée brute. colagem." Mário de Andrade não entendeu a profundidade e/ou não quis comprometer-se com a radicalidade de Oswald de Andrade. Assim como. Ruy Barbosa. de fato. em Marco Zero: seu verdadeiro marco zero. na década de 30. Recorte.de ele próprio. Éditions René Kister. Fernando Pessoa. La création scientifique. Minão da Silva. a ponto. uma certa moral oportunista e "sem caráter". ele o chantara vinte anos antes! De fato. Ezra Pound afivelava máscaras. créatrice de concepts.

9. Daí a rebeldia dos que não aceitam a ordenação média dos atos pela socie7. no ano de sua morte 7 . e a única maneira correta de entender a sua vida. O selvagem significou para ele o que Confúcio significou para Pound: a visão de uma nova moral. incluindo Mário de Andrade. . a sua obra e estas "Memórias" é considerá-los deste modo. que é obrigado a pensar e pensar-se para não perecer. vive e cria em estado de iminência.como já esclareceu o crítico Oliveira Bastos 8 . e de uma nova linguagem. as "Memórias" esclarecem a aventura lírica de Oswald de Andrade. em estado de réplica sobrevivencial a desafios que considera fatais. Não come rotineiramente seu roteiro é o já-e-aqui: devora. agressivo contra o habitat do homem histórico . no "Prefácio inútil" às memórias oswaldianas 9 : Um escritor que fez da vida romance e poesia. Diário de Noticias. pois em Oswald de Andrade nunca estiveram separados. Organismo em pânico permanente. certamente. Quem. no "Manifesto antropófago". direta. 24-1-1954.. como Oswald de Andrade. Obra citada.conforme seu depoimento a Heráclio Sales. e fez do romance e da poesia um apêndice da vida.de culpa" . usa o nós. Nunca esteve interessado no aproveitamento da língua ou da literatura tupi para efeitos estilísticos óu formais: só se lhe conhece a transcrição de umas poucas palavras tupis. O propalado "indianismo" de Oswald nada tem de "indianista" . dominical de O Jornal do Brasil. aos que se lhe seguiram. 20-10-57. Vida ou romance? Ambos. 8. Na entrevista. gordo Quixote procurando conformar a realidade ao sonho.. Como diz Antonio Cândido. -como poeta. . não cristã. Como um organismo que cria para poder viver. "Oswald de Andrade e a Antropofagia". supl. publica as suas memórias. ideogrâmica.a sociedade. de quem declara ter nascido e dizendo-se inferior. Por isto. não distingue entre viver e criar. Rio de Janeiro. Oliveira Bastos.

Fac. afinal. Fil. por 10. Drummond. revelação. entremostrando o fácies de um Machado PenumbraRuy Barbosa sem alegria. fruto "poético" forçoso da descida às raízes. nunca se mostrou capaz de programar o êxito cumulativamente. contra todos. Oswald alça o tom do discurso. Em Oswald de Andrade. Republicado neste volume. por isso mesmo. como o vemos neste livro. Anais. Este fenômeno ajuda a compreender o rictus clownesco que vinca tanto uma como outra: quando quer falar "sério". De um imaginário que fosse o modelo real das coisas. implica em desvendamento. onde não cresceu segundo a dimensão do imaginário.abrindo-se para a ação de mudança do estado de coisas. A posição inaugural é uma posição crítica. como represália. se desenvolveu num processo bastante semelhante.não falemos de outros numa croniqueta-elogio fúnebre que lá está em "Fala. 1963. foi cruelmente mal entendido por Carlos Drummond de Andrade . como tentei mostrar em "Situação da poesia atual no Brasil" 1 0 . O poeta iminente Oswald de Andrade. porém. invenção e em violenta desidentificação (desalienação) com o sistema vigente .a ponto de despertar a suspeita de amadorismo ("Tem o túmulo de Tutan-Kamen sob as areias dum aparente amadorismo" . .Ribeiro Couto). ambos os "desencostos" se deram em luta acesa entre si e constituem o cerne de sua vida e de sua obra. que criou em torno dele. e revista Invenção. Nisto. por acrescentamento de obra . Visto de dentro. Ciências e Letras de Assis. 1. nunca se mostrou capaz de carreira literária. Este amadorismo é o estigma da marginalização. l 2 trimestre 1962. n.e a desidentificação ideológica ocorre com a mesma brutalidade.dade. amendoeira". do realismo crítico-criativo. a aura do maluco atirado contra tudo. A denúncia de um sistema artístico vem de par com a denúncia da infra-estrutura social . sempre teve vias de acesso ao sistema e. é antes o menino inconsolável em face do mundo. São Paulo.

1957. in "Dada. Fiel a si mesmo. trois autos s'arrêtèrent devant le cabaret. pela boca do personagem-cineasta Eisenstein. durante o processo de autodesestalinização . para uma constelação de utopias. Arthur Niggli Verlag.ocasião da morte de Oswald. N a década de 30. inglês e francês). Invasion inattendue: une douzaine de gens accompagnés de quelques professeurs viennois étaient venus nous étudier. Suíça." Descartes 1 1 . sob a denominação de sentimento órfico. .veja-se o seu teatro). peça teatral de 1934. Carnets en main. mas com o último reduto-núcleo insolúvel. Em O Homem e o Cavalo.mais um auto-da-fé purificador de que foi pródiga a sua vida . nous nous assîmes à boire un verre et à leur exposer notre crédo. A desidentificação com o stalinismo não lhe foi menos dolorosa. "un soir. porém. Zurique. Monografia de um Movimento". irracional. do homem. Willy Verkauf. ainda empreendeu uma última cavalgada quixotesca. estava no ponto mais lamentavelmente baixo de sua capacidade criativa. apontando com a lança trêmula. que acabou por identificar não tanto com o absurdo existencial. a tentativa de Oswald de Andrade de codificar a antropofagia em termos marxistas redundou em fracasso (não sem brilho . Brevíssima Montagem "Dada" "Je ne veux même pas savoir s'il y a eu des hommes avant • moi. ces disciples de Jung et Adler prirent des notes sur notre cas: Étions-nous des schizoïdes ou bien nos fichions-nous de leur tête? La soirée terminée. no imediato pósguerra. Dada 3.a ela retornou. intransferível. intraduzível. julgou ter dado cabo da magia. 1918. edição trilíngüe (alemão. inexplicável. notre foi dans l'instinct 11.

"Die Kunst ist tôt .. Que fait Dada? l'expressionisme empoisonne les sardines artistiques Que fait Dada? le simultanéisme en est encore à sa première communion artistique Que fait Dada? le futurisme veut monter dans un lyrisme ascenseur artistique Que fait Dada? l'unanimisme embrasse le tourisme et pêche à la ligne artistique Que fait Dada? le néo-classicisme découvre les bienfaits de l'art artistique 12. versão francesa de Alegra Shapira. Willy Verkauf. ibidt m. 13. saisis de peur. organique comme celui des primitifs et des enfants. magique. Idem. puis. mirent bas leurs crayons et prirent la fuite" 1 2 .Viva a nova arte maquinai de Tatlin) "le cubisme construit une cathédrale en pâté de foie artistique.créateur en art direct. 1920. Ils se jetèrent des regards singuliers. foto onde aparecem George Grosz e John Heartfield segurando um cartaz. Berlim.Es lebe die neue Maschinenkunst Tatlins" 1 3 (A arte morreu . op. cit. .

primeira.A Morta. . ao entulho e ao silêncio com que 14. . fim do 2 f l quadro.Que fait Dada? le paroxysme fait le trust de tous les fromages artistiques Que fait Dada? l'ultraisme recommende la mélange de 7 choses artistiques Que fait Dada? le créationnisme le vorticisme l'imagisme proposent aussi quelques recettes artistiques Que fait Dada? Que fait Dada? 50 francs de récompense à celui qui trouve le moyen de nous expliquer Dada ( ) Méfiez-vous des contrefaçons! Les imitateurs de Dada veulent vous présenter Dada sous une forme artistique qu'il n'a jamais éu L'IDIOTIE PURE réclamée par D a d a " 1 4 ( ) O Cadáver Renitente . ibidem. Horácio Descobrir a mensagem original. de Oswald de Andrade. Idem. em meio ao ruído.Insensato! Poeta! Guardar-te-ão para sempre os dentes fechados da morte! • .

. não é apenas tarefa de paciência justiceira. "tábula rasa" de ismos. é preciso uma identificação de propósitos e um entendimento do papel significante das pontas-de-lança da arte as vanguardas . Recentemente. o cadáver de Oswald de Andrade assusta. foi Oswald. num artigo intitulado " O Neo-indianismo de Oswald de Andrade".o volume de memórias . e Brasil.data de há 10 anos. o seu experimento . Nasceu na Suíça. a última que dele se editou . a compreendera. durante a I Guerra Mundial e fez mancha de óleo no pós-guerra: França. O Estado de S.tentam sufocá-lo. Tem-se uma idéia clara da situação oswaldiana quando se vê que as suas obras não são reeditadas. em nossa época. Paulo. nem outros menos sapientes. Para tanto. O que existe é Dada. O fato (palavras do articulista): O grupo "Anta" se opôs ao "Pau-Brasil" alegando que. 21-12-1963. Alemanha. não foi outro: nem Mário de Andrade. Estados Unidos. Salvam-no talvez a lembrança de um fato e uma observação. de validade internacional. Ao contrário do que se possa pensar. embora Oswald preconizasse uma "poesia de exportação". Como superarmã de uma "civilização original. em estado de legítima defesa" (observação de Cassiano Ricardo). como os do grupo "Anta". Sim. lit.sob o aspecto formal (ou informal?) . . A linhagem da linguagem. Supl. quando se leva em conta a precedência da Paulieéia Desvairada. a verdade é que Oswald captara a informação certa. rigorosamente falando. assimilara e transfundira para nosso roteiro e uso.não estava sendo mais do que a "importação" do dadaísmo francês 15 . Cassiano Ricardo induziu-se nos erros de praxe. não existe "dadaísmo". que soltaram o 15. uma história literária paralela à história oficial. Ora.. acontece que.que constituem. E sempre aparece um prático audaz disposto a conjurar o çachopo minaz. Toda vez que vem à tona.

p. contrafacção tupi-nacionalista dos manifestos oswaldianos que redundou num "patriotismo a priori ".. 18. os grupos "Anta" e "Verde-Amarelo" decerto não sabiam que estavam importando e imitando Dada. Dois roteiros-manifestos. Ao se declararem contra os "ismos". "mais pelo prazer do debate do que por antagonismo". Nem se fale em concretismo: o que existe é poesia concreta. Resultado: o verde-amarelo virou verde-amarelismo.. Quando'Cassiano Ricardo declara. sente-se. súcubo incômodo e desconhecido que acabou degenerando em discurso patafísico: "E velho refrão. 17. Mário de Andrade: no meio. movido por uma vontade de compreensão e apaziguamento . 163. Pobre Obra Depois de Sousândrade. política. o de direita. literária. que não é o dadaísta" 1 8 . Acredito que nós. quem sabe. n. cit. . São Paulo. que o grupo "Anta" se opôs ao "Pau-Brasil". nasce o pragmatismo brasileiro de esquerda.manifesto "Nhengaçu verde-amarelo" 16 . Oswald não gerou nenhum ismo. da "Anta". O antagonismo era evidente. que a arte corresponde a um estado de espírito. Antologia do Ensaio Paulista. Revista do Livro. já em 1928 1 7 . Ambas representavam a tomada de consciência do pragmatismo brasileiro. dois 16. Comissão de Literatura. cultural. por mais que o negasse Plínio Salgado. Ambas as posições predispunham e incitavam à ação. desde o dadaísmo". Conselho Estadual de Cultura. brasileiros. Idem. cuja bifurcação foi tanto mais clara quanto inevitável: de Oswald. ideológica. tivemos em nossa literatura a revolução manifesta (depois'diluida e abafada) de Oswald de Andrade. temos o nosso estado de espírito. p. a virtude. 160. revolução clandestina.mas que não condiz com os fatos. José Aderaldo Castelo. no artigo citado.

inclusive em relação ao próprio Ulysses. "Raízes do Miramar". em 1923. autodiluições. onde as lembranças selecionadas são fragmentos montados que se transitivam uns aos outros.volumes-cadernos de poemas e um livrinho de prosa consubstanciam. na Riviera italiana.prosa cubista que somente através de uma mirada superficial pode ser confundida com uma certa prosa surrealista: 19. escreveu o seu João Miramar. à cata de novos víveres e confrontos (trouxera futurismo e cubismo da primeira viagem) e trava conhecimento com Dada . basicamente. às vésperas do início do movimento Dada e do primeiro conflito mundial. Também não se sabe se botou os olhos no Ulysses. Dada parte para o centro internacional de Paris. recuperações parciais. numa nova dinâmica da percepção e da lembrança . Oswald volta à Europa. naquilo que tem de pura estrutura descritiva aberta.não se sabe como. desforços. arte. publicado em Paris. . ao certo. O que mais de perto tocou Oswald não foi isto nem aquilo da literatura: foi o cubismo . artigo citado de Haroldo de Campos. Em 1923. contradições. prosa sintética inovadora. Seqüelas.e isto é fundamental para entender-se a prosa- linguagem de Memórias Sentimentais de João Miramar 19. em 1922. de Joyce. O certo é que. por meio de que contatos e leituras. para o epicentro das contradições. conferindo-lhe os conteúdos violentos da rebeldia aberta contra a arte: os chamados valores espirituais eram zero face à irracionalidade material. confusão de caminhos e desalento se dispersam nas demais. sem alusões e arcaísmos. coisas e fatos. Cf. um ano após a Semana de Arte Moderna e o lançamento da Paulicéia Desvairada. A guerra mundial revoluciona por dentro a neutralidade suíça do Dada inicial. o boneco-de-molas de uma civilização voraz e idiota. naquilo que tem de estatística da memória. a revolução. o bobo-dacorte. 1912: Oswald na Europa.

que já chamara a atenção de Oswald). Idem. amarrando-o com um preconceito musical acadêmico . deitou falação para explicar a simultaneidade 2 4 . elevando Luís Aranha a paradigma "simultaneísta". edição do autor. simultaneidade real/ simultaneidade psicológica. o-homem-que-sabia-javanês do modernismo. Idem. citada. 24. e passava por cima da poesia espacial (sem falar na técnica jornalística e publicitária. Idem. estaria 20. Antologia do Ensaio Paulista. p. correspondentes ao acorde musical. 44.referindo-se à tendência de despojamento que. 45. e descartava o futurismo. p. Mário de Andrade. a fim de evitar tropeços à sua discreteação: "a não ser música e mímica. Expressionista que sempre foi. Ignorava artes visuais. Observação: não ocorreu a Mário de Andrade que o trocadilho e a palavra-montagem constituem realmente fenômenos de simultaneidade na palavra escrita e falada. citando um magote de autores secundários de suporte. 22. Mário de Andrade era o homem dos "distinguos" embasbacantes: simultaneidade/polifonia. 14. para ele. São Paulo. se resolvia em psicologia. Levaram-me para uma casa velha que fazia doces e nos mudamos para a sala do quintal onde tinha uma figueira na janela 23 . Vinham motivos como gafanhotos para eu e Célia comermos amoras em moitas de bocas 2 1 .e injustiçando clamorosamente a Oswald de Andrade. 1924. Sobre o cubismo . Rosas vermelhas buscaram Madame Rocambola na gare cautelosa do Brás 22 . metendo tudo no saco do subconsciente. p. Memórias Sentimentais de João Miramar. tudo.fordes quilometraram açafrões de ocaso 2 0 . 21. 68 23. segundo ele. p. nenhuma outra arte realiza 'realmente' a simultaneidade". .

na época Dada. livre ou preso. tais quais.fac-símiles únicos de coisas produzidas em quantidade.poesia-de-Qswâ-ld-d e-Andr ade. em papier maché. Aliás.3 -fffó^M^m ^^erdo em crise o verso: um prosaísmo d e l i B S i ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ r o r a contínua ao próprio verso. A coisa... Uma arte antropófaga.é_a^ p o e s i a jd a possg_çontra a propriedade. em lugar de "Ordem e Progresso". 40 anos depois de Oswald. Algumas manifestações da pop art são chamadas de happenings-. Faz estatística. _ _ A.o primeiro movimento autêntico de vanguarda dos Estados Unidos para o mundo: também uma rebelião contra a cultura européia. Sua poesia é um realismo auto-expositivo._não a idéia da c o i s ^ O J i m da arte de representação. trazia a reprodução de uma bandeira brasileira. pinta bandeiras norte-americanas.a mais torta tolice a que poderia atingir uma orientação direita". "Somos concretistas". Alguns poemas são simples transcrições de anúncios da época.e eis o poema "Nova Iguaçu"..o u ^ Com versos que não eram versos• ji^y. na hora existem como arte . sorvetes e bolos . um polígrafo!. Os ready-made. copia nomes de casas comerciais . A poesia de Oswald de Andrade é uma poesia ready-made. Lembrar que a capa da primeira edição da Poesia Pau-Brasil (1925). Exatamente como acontece com a atual pop art norte-americana (também batizada de "neodadaísta". Poesia por contato direto-Setn-ex-pliGaçães^sem andaimes. Um polígrafo. pop artist. Ou melhor: com "Poesia Pau-Brasil". ^ j n l p ^ l ã B u l o s . Jasper Johns. Claes Oldenburg reproduz. diz Oswald. nunca se colocou tal problema. de Man Ray.e fim.) .caracterizando a decoração teatral: "A influência cubista . Realismo sem tema ou temática realista» jpcnaü u Jiisptãnte"cío existente. os textos adquirem novo conteúdo: de lugares-comuns se transformam em lugares incomuns. que M a x Bense e os poetas concretos desenvolveriam. de verso livre ou metrificado. O senti- . na hora se fazem.. em seu manifesto canibal. Destacados do contexto. sem mais nada. Já é a teoria do texto.

1920). Em II Club dei Simpatici. acompanhado ao piano por Mlle Marguerite Buffet 27.do puro. Drummond. por direito de terra. Marinetti propõe uma nova moral canibal. O magistra- 25. lhes pertencia .e um sucessor em Marinetti. que inaugurou a questão entre n ó s 2 5 . . Willy Verkauf. espocarte. 26. da década de 20. Os selvagens iam ver. de 1931 (Palermo. Depoimento citado a Heráclio Sales. com poemas sobre o poema.como a chamou o prof . Antropofagia: Confrontos Curiosos Jacopétti. Hodierna Editrice). 31-3-63.não literatura. "No Reino da Pseudo-Arte". Num manifesto programa de espetáculo Dada. O Estado de S. formam um exemplário didático. A chamada arte de mau-gosto. a chamada pseudoarte . Nunca tivemos uma literatura de pobres" 2 6 . lit. mostra o sucedido numa ilha de aborígines. a que se referia Oswald. depois. Pop art : arte de estalo. construíram um simulacro de avião e de pista de pouso: para que os deuses se dessem conta da injustiça e do engano e ali fizessem aterrissar a estranha ave que. cit. o pintor Francis Picabia preparou o texto e a música de um "Manifeste cannibale dans l'obscurité". O problema do kitsch.e não aos brancos. João Cabral de Mello Neto e os poetas concretos da primeira fase passaram a limpo. lido por André Breton. Didática que. Os poemas de Oswald de Andrade. A antropofagia de Oswald de Andrade teve antecessores em Dada . em Dada era a idiotie pure. supl. em seu filme documentário Mondo cane. "Abrimos caminho para uma coisa que não existia até então entre nós: uma literatura de pobres. fenomenologicamente. quando lá se instalou um moderno campo de aviação. O clichê do clichê como arte. N o alto de uma colina. Textos . O cartão-postal como arte. 27. (Paris. Anatol Rosenfeld. op. Paulo.

spero. a uma ilha de canibais. Tokkamatok lavorava coi denti nella carlinga. Depois de uma identificação geral de pontos de vista. devorando-o: (o canibal Curreno) . uma poesia de exportação. Oswald de Andrade. . não ficou esperando pelo beneplácito dos deuses da cultura mundial para produzir obras originais.do Paranza e outros membros do clube propugnador dirigemse. como Sousândrade antes dele. anticolonialmente. os selvagens totemizam o aparelho. 164).Cosa ne dici. il carburatore che. Paranza saggissimo.Stiamo allargando alie macchine europee la nostra morale antropofaga. trasmetterà la sua capacita vorace al mio stommaco imperfetto. dopo le ali. strillando: . de hidroavião. de fato. destinadas ao confronto e ao julgamento internacional: deglutiu o avião. e produziu. Addenteró. delia mia idea de mangiare lo stabilizzatore per equilibrare il mio corpo che oscilla troppo quando bevo sangue fermentato? (p.

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Nos processos lineares. como diz Wolfgang Wieser . que tendem à implosão (compressão da informação."uma causa e um efeito podem.onde o que importa são as propriedades de totalidade. faz "pesquisa alta" em antiliteratura e liga a Paulo Mendes de Almeida. pinta um quadro assinado Bostoff. para que este lhe "resuma Proust" ao telefone.faz um discurso sobre a política cafeeira. ser tomados um pelo outro. . está procedendo como um homem dos novos tempos. pois precisa preparar com urgência uma tese universitária. A aceleração do processo de informação e comunicação vai arrebentando os sistemas lineares e instaurando sistemas de informação instantânea. Pecado maior que os literatos atribuíam a Oswald: era um homem que "não lia". para quem olhasse a totalidade do universo.TEORIA DA GUERRILHA ARTÍSTICA Quando o guerrilheiro Oswald de Andrade . como que trocando seus papéis" (Valéry. síntese) assim como os primeiros tendiam à explosão e à expansão (Marshall McLuhan). Já nos processos constelacionais ou abertos . os nexos de causa e efeito são vinculados à lógica aristotélica verbal.guerrilheiro da idade industrial . de Edgar Poe). sobre o Eurêka. antropófago retribalizado devorando a divisão do trabalho e a especialização.

j ^ ^ ^ ^ ^ S q ú i .. Sua força reside na simultaneidade das ações: Abrem-se e fecham-se frontes de uma hora para outra. Nas guerrilhas. p õ i r ' ^Maroldo'tle'Camjîo'srno-iSongresso do Pen. como investigação que origina para si a base em que se baseia.Ainda bem! Lema de Paul Valéry para uma biblioteca: "Plus élire que lire". a estrutura parece confu ndir-se com os próprios eventos que_propicia ^.t e m . onde tudo parece reger-se por coordenação (a própria consciência totalizante em ação) e nadi"por subordinação. ^guexf-ilh^jã^e^^ojfito^prospecto. não tomam posição para o combate. elas estão sempre em posição. lá de Florianópolis. Nada mais parecido com uma constelação do que a guerrilha. em New York (1966): "Acabou-se o tempo dos literatos!" Augusto de Campos lembrando o lema valéryano para o "Esboço de uma serpente": "Je mords ce que je puis". portanto. E faíscam nas surpresas dos ataques simultâneos.e-a--gstratégia_corn_a tática. linear. É a informação (surpresa) contra a redundância (expectativa). Em relação à guerra clássica. constituindo a sua própria negação e. se de tropas se pode falar. Nas guerrilhas. isto é. as tropas. É uma estruturajque se rege p e í o j s i n c r o n i s m o ^ uma gpjagemjsimultaneísta miniaturizada de todãslS~bata'lhas de uma grande guerra. Nas guerrilhas. hierarquizada." . superando-se indefinidamente para ser sempre presente. onde quer que estejam. citando Heidegger de permeio: "A vanguarda artística só se impõe e só pode ser concebida como antiarte. E o poeta Pedro Bertolino. a guerra se inventa a cada passo e a cada combate num total descaso pelas categorias e valores estratégicos e táticos já estabelecidos. num cálculo de probabilidades permanente que éluda a expectativa do inimigcuEstrutural mente. a guerrilha é uma estrutura móvel. que exigê7^ür^üã^inâlmici7uma e s trut u r ã a Bérta dêlrP" formação plena. operando dentro de uma estrutura rígida.

que f õ i~ i n tïo duzí d a como disciplina no ensino brasileiro pela Escola Superior de Desenho Industrial. Nada mais parecido com a guerrilha do que o processo da v an guaixla^T-tísjtjga x o nsç ie nte* d e : s irm e s m a.Foucault. aprendem a adotar uma postura "científica". Mas eis que de repente lhes surge pela frente um pensador europeu da nova geração . tudo conduz* aó ensino morto e nada à criação. N o entanto.mar„no. a Teoria da Informação e da Comunicação . Constelação da liberdade sempre se formando.áryore. da burocratização e da política tacanha da carreira e do carreirismo universitários. N a guerrilha."tudo ^mosquito. psicológicos e sociológicos. da Guanabara.. já nos bancos universitários. menosprezar a literatura .mas são literatos. Em conseqüência. por exemplo. Fingem. Só a guerrilha é de fato total (excluindo-se a atômica.tas.-E. Ffumiíde^nteJE^ sistema universitário. entregue que está aos azares da ignorância. em outras faculdades. a lei dos quanta e a "Teoria da Informação". Por exemplo. relações públicas e métodos audiovisuais. E cada gesto.cada. vivem a to. E há^uma = palavra que para eles é a mais científica de t o d a s í T ^ u ^ ^ d ^ ^ ^ ^ p r e c i s o ^ t e r 4rwniLiadei^preciso primeiro d o rrfi i s t e m a s filosóficos. psicólogos e sociólogos ainda não têm formação matemática e científica. N ã o sabendo como lhe fazer as perguntas vivas do debate. e para a qual preparei o primeiro programa. solhes rêstatomar notas. Já repararam como as toupeiras lineares do sistema concedem em dar importância teórica à poesia concreta. para rój^tão„cx»meçar_ j j i l f î ^ ï â i ^ p J i ^ ^ i ^ à F F â ' ^ û c m l ô g i z a r . por exemplo .Os_nossos filósofos. aguardando o grande momento. em 1964. para logo . hoje já vai correndo o risco..que lhes fala com o maior desembaraço de Mallarmé. de se transformar num incrível compósito de psicologismo.). e sim "humanística". Joyce.

é^mfl a rt-ísticar-Vale^ djzei^onfig u r a .ismos gerou uma nova qualidade. pois não se m a n i f e ^ ^ ^ j p a i a s como e v e n t o / ^ * á ^ e í l a g r o u um processo no c a n ^ p o ^ ^ ^ ^ ^ g g ^ a f t í s t j ç ^ ^ ^ ^ e j T O c e s s o ainda está longe de se es^otar^p'oï^ ^s^^t^^^dg'mformaçâo ainda é alta em relação à redundância do sistema existente. para a arte.o que corresponde à distinção que se possa fazer entre estratégia e tática. que continuamos a chamar de vanguarda. A informação_e&tá_do_lado-da estrutura. Num sistema. E por isso que o establishment absprye mais facilmente .o. que assim recupera. séculos de atraso em relação à ciência. pois"séTírataHa vanguardá como sistema. Vanguarda já nâ'o-pôSeSweefrsid'erada como vanguarda de üm~s i s te n^p£eexrétente»^de que ela seria ponta-de-lança ou c a b e ç a .ma : . a visão de eventos (obras) e o n d u ^ à ^ ^ k ^ í d i f l a n e r a m e n t o da vida.em seguida reclamar de sua falta de "resultados"? Oportunismo do sistema em busca de equilíbrio: como milhafres no restolho ou albatrozes na esteira alimentar de um barco. convém distinguir entre^struuirif e ppipiciados^por essa mesma estrutura . acreditam um dia suprir a "lacuna"._que sempre teve a experimentação^ como processo inerente à sua própria estrutura e desenvolvimento.c ^ p ^ j g l a se volta contra^» siste.se como metavanguardSnlmiedida em que~toma œnsfcie^cia de si mesma como noroeji arajanguarda permarignte. realizando as "obras" que os poetas concretos teriam deixado de realizar! Incapazes de perceber estruturas.\Tenm^-se uma visão sincrônica a^WocessõT~ívIãilãrmé ainda' é vajijuarda.Comunicação de controle analógico.. ' ~ ~ ARTE . mas que é algo novo. não per<^b£m^i^%a^qb^§^^ r p.a_redundânria_ do lado do evento.esia concreta é tudo: A visão de e/a vida. A quantidade de .

ou seja.todas as tentativas de institucionalização (absorção) da arte moderna . . porém: A massa ainda comerá do biscoito fino que fabrico (O. Já na década de 40. Oswald de Andrade desejou lançar no Rio de Janeiro um novo projeto ou movimento artístico.eventos do que estruturas. dada a sua taxa máxima de informa ção. simultânea e não cronológica. destinada a impedir a sedimentação e a diluição 7 das conquistas de 22 e a desentorpecer os seus membros. diga-se de passagem). no sentido de organizarem uma resistência sistemática . Sua estrutura dinâmica só é significante dentro de uma visada sincrônica e não diacrônica.homemj^a. O" ^'Projeto Zumbi" se inserêTno processo geral "da^vanguarda. que ficou encarregado da redação final do Manifesto Zumbi (não sabemos se foi sequer publicado) e que serviu de mediador nas tratativas. Mas. a sua absorção ameaça de destruição a estrutura absorvente. Vai sem dizer que. sabe-se que Murilo Mendes respondeu a "Zumbi" com uma blague: "Seria mais revolucionário fundar novamente a Academia Brasileira de Letras". por ora. se alguém conta ninguém canta esse Zumbi. A difusão de estruturas é sempre a mais difícil. Cantarão. a frente ampla não pôde ser formada porque os intelectuais solicitados a julgaram uma manobra de Oswald para se reaproximar e fazer as pazes com Mário de Andrade (já bem composto com o sistema.se denominaria algo assim como "Projeto Zumbi". Segundo me informou Pompeu de Souza. De outra parte. processo esse que vem estabelecendo um desenvolvimento marginal da arte em relação ao sistema artístico esta^ — • " _ _ _belgcido e em oposição a ele. pelo qual propunha uma espécie de frente ampïa~dôs artistas modernos. que. a proposta de Oswald era historicamente correta e trazia no seu bojo a possibilidade de uma verdadeira "revolução cultural".até o último. A sua peça O Rei da Vela será montada por José Celso Corrêa. creio. em geral. N o entanto. deflagrado no século passado sob a pressão da revolução industrial. Andrade).

. que são atos criativos. A televisão avança sobre o cinema: re_çursos cornqueirosdajelevisãoseriam_çonside rados deextrej a vanguarda no cinema: pense-se. a compressão da infor mação vai de par com a quantidade e multiplicidade de eventos que. • . Moles) e não das milícias do conhecimento já codificado. principalmente. ."Geralmente se considera a consciência. A ampliação do reper- . .:=^Nada existe fora do todo" . Os conhecimentos já codificados nutrem o impulso por meio da information retrieval e a recuperação da informação depende dos dados armazenados. na riqueza e~ na eficácia de um simples comercial de apenas trinta segundos! N a televisão. Understanding media (Compreendendo os Veículos) se apóia numa das idéias básicas da cibernética (Wiener): a organização é a mensagem. E vanguarda do pensamento bruto gerador deJTQVX>S_ conceitos (A. para espanto e escarmento de todos os lineares teatrais.em agosto próximo*. Veja-se como a crítica de cinema é mais aberta do que a teatral. por exemplo. ou Teoria da Decisão e da Descoberta." A^vanguarda_nega_o preexistente para criar uma nova tonalidade. e. dos projetos ou critérios de operação. . Bem misturadas com algumas idéias antecipadoras de Nietzsche (sem esquecer o afilhado Spenglet). hoje sistematicamente estudados pela Heurística. da escolha que deles se faz. ela é somente um meio de comunicação. deixam à mostraj^sua estrutura. A vulnerabilidade do sistema se acentua sob o impacto dos novos media (veículos ou meios de comunicação). em consideração aos interesses de relação. río^eníafíto. por isso mesmo. Mosaico de informaçoèsT"— O controvertido e fascinante livro de Marshall McLuhan. como se envolve mais na análise da linguagem (estrutura) e menos na da língua (eventos). como conjunto sensorial e como instancia superior. que se desenvolveu nas relações. Estes dois últimos aspectos envolvem atos decisórios.

na arte ocidental.çomplementos. pois. a revolução de. O professor Bizzarri teve de aprender. À divisão clássica do corpo humano ._gue os engaja no próprio processo de teatro. que_hnguagemj.cabeça. mais do que a revolta. visto como o mêtateatro l u t u r ® r a f ^ l a extrema compressão. apresentando-o como "documentário ilustrado" e fiando-se no coxim amortecedor de meio século de decalagem. não depende apenas do número de dados armazenados. ante o absenteísmo da crítica e do público em relação ao espetáculo que montou.. sob os mais variados pretextos. não é "conteúdo". Por . Talvez tenha aprendido que a van-_ se presta a pretextos. Era de ver. reservando-se como principal função o julgamento da qualidade do espetáculo e a distribuição de méritos e deméritos. acabando com o teatro. N o momento_. predicado-e. às suas custas. ainda que o futurismo servisse de mera^pretexto. mas sistema linear de estruturar a mensagem. provoca a mutação de quantidade em qualidade. mas as relações entre as_çpjsas.tório. Ou seja.os críticos teatrais somente o são na medida em que deixem claro aos seus leitores que já sabem o que seja teatro. Contrariamente aos que julgam estar aderindo ao óbvio ululante.se exig£ uma tomada de posição reflexi va fundamenta l. se mancam e se mandam. tronco e membros ._gr<2xis.deles. O adido cultural italiano desejava que a crítica de teatro se manifestasse sobre o seu espetáculo. a figura. a surpresa de Edoardo Bizzarri. Não as coisas. tal como é comumente entendido. Tentou tirar-lhe a contundência. . não sendo tatus. estrutura s marginaliza.em-q. como diz o velho Sartre e que.jobrigando-os à indagação "que é teatro?". em São Paulo.. mas a estrutura. N ã o os eventos. há poucas semanas. sobre o Teatro Sintético Futurista. é óbvio que.ue-. Ora.corresponde a tripartição do discurso: sujeito. talvez. da sua capacidade de linguagem. em arte como alhures. mas da capacidade de decisão e invenção sobre a sua seleção e operação.

po r_ex em p 1 a)_tenh a únplicado a destruição da figura.f i.Por quê? . .e linguagem também é tecnologia . reside no fato de que não soube criar o hibridismo entre dois veículos. a "poesia" se organiza. peloJinearismo. para conferir . em Terra em Transe.se estrutura pelo simultaneísmo (liquidação de princípio-meiò-fim).nao se. N ã o compreender a função da tecnologia . Enquanto a imagem . Assim como.N ã o .conhece..oeta serve de "fio condutor".sg. não é mera coincidência que a aparição_de_estruturas simultâneasna a rte m o derna ( c u bjsmo.na revolução das estruturas é o mesmo que considerar o surgimento de Marx durante a revolução industrial como uma aparição surrealista. que rejeite a revolução de estruturas é.. Dizem Marx. como destruiu o verso e a melodia: o q.afirmaçao que implica"oreconhecimento da enorme torça e significado da redundancia em qualquer sistema e.se.isso. daí. A.defend e . O problema comum da comunicação artística: . sistemas mosaicos ou simultâneos agrupam). é a era da retribalização do homem (sistemas lineares separam.. O. tanto para Oswald de Andrade como para Marshall McLuhan.luta„p. Entramos na era da desverbalização que. ^ Comunicar é codificar a realidade.gosta£como fun ção do significado (reconhecimento). por defini ção^reacionária. da dificuldade de introdução do signo novo .figura.Que.só. inclusive a participante. o L significado como função do repertório (conhecimento). O equívoco de Glauber_Rocha. já começam a considerar o Brasil como "universo industrial".do_p.ue_se destruiu foi a lógica discursiva e todo o seu embasamento verbal.assim também toda arte. Ainda bem que alguns dos nossos políticos e ideólogos de esquerda.N ã o entendi nada.. A colagem não é senão cubismo readymade levado à faixa da simultãneiclãde semântica: é uma arte cubista eventual.Gostou do„fil me? .se.deseja_e. se conhece e . um pouco mais perspicazes.eIo^quenao. Lênin & Wiener: só a estrutura é informaçao.

de que o próprio título do filme é exemplo.(áenadas.mas volta e meia encontramos "resultados" de Seurat nas fotos em cores das revistas de grande tiragem. à la Mallarmé. a voz convida à participação "quente" . couísBas_CÜOr. sob a forma de vestidos. _ ^ . é poesia escrita e não lida ou oral. Superando o tipo (obra em desenvolvimento linear). Esta foi também a preocupação de Klee: passar do tipo ao protótipo (obra cuja estrutura prevê sua própria reprodução). Procuram tipo^huahdo deveriam busjf^s^SÈsSgjAN J^rtj^—-—11— . simultaneizando-a (veículo "frio" que é. para obter efeitos oper rísticos de grotesco e m p o 1 a d o/QuãrrtõlTp oe s ra^el a~s~ë~v i n c u 1 a a uma certa lírica vigente há uns cinco lustros. Exemplo mais do que evidente de que o código verbal (verbalismo) lógico-discursivo ainda comanda aquilo que se costuma chamar de "o mundo dos significados".stmlénja heresia i ^ ^ O ^ ^ T ^ ^ n e deixou um número d i m i ^ t ç r d r ^ o b r a s " . por meio de superposições e distorções. mas eqüivale à Divina Comédia. Glaiiber_deveria ter exercido sua criação na VOZ. funcionando como verdadeira ideologia. no filme. Webern destruiu a melodia. a maior parte das quais em "esboço" ."significado" à mensagem. Quantas obras deixou Mondrian? Alguns de seus "resultados" são encontrados na rua. As mentalidades lineares BuscãnT^risüÍtados^ onde eles não podem ser enccmtrad^fpois^gsggutjura simultânea deslo-.no sentido de temperatura informacional). Nem é outra a preocupação dos artistas mais avançados (dgjlQssg tempo. numa poesia puramente oral. c u r a t r e v o l u g i o j i o i a o / r n p c e s s i o n i s m o (pintava "den^íte . Observe-se que a poesia.mas está na raiz de toda música de vanguarda. e deixou apenas 32 obras de curta duração . esses artistas prenunciarno advento do prototipo do desenho industrial. como Dib Lufti fez com asTfaces. de Mallarmé. nos corpos das mulheres. O Lance de Dados. tem apenas 19 páginas.

Infõ rmàçãormédida 4 e o r d e m de um v sistema.funcionando eu.ao.itfg ção): Paul McCarthney interessando-se pela música eletrônica de Stockhausen! O jovem arquiteto.. pode não subscrever. Ataca-se onde se deve e pode (desde que se tenha um projeto_ab. mita ações_simultâneas.».-que. "Sem comunicação. como um escriba a todo risco e escrevendo com muitas penas ao mesmo tempo. aluno do curso de pós-graduação. . Que.p_er. erfTcultura. — ^ ^-f^J^. Estrutura: malha de relações entre elementos ou entre processõs elementares.Qpiaimedida de desordem de um sistema" " ? Esta teoria (se for uma) é tanto minha quanto de Augusto de Campos.mesmo tempo uma arte deproduçãçLe„uma„arte de côïîsïïmbrRespondi que. estranhou que eu defendesse.er.. —. uniformizada" e de desenvolvimento linear. Wièser).tQ. necessariamente. E ação nova. não há\totalidade" fW. Ordem: dife renciação de formas e ii^JiÇÍÍê^--^^^ 1 ^ esdifereneiação-cle-formas _e-f üíõç"õSs3( tenxlénci a' entrópica-e-redundante')r-Entr. não éTpraticavél pelãs~forças radicais minoritárias.Os Beatles indo dolevento (consumo) à estrutura (produzi -. a g u e r fã*c lãs sic a. tudo o que aqui vai . no entanto. .) ~ ~ Só a estrutura nova é significado novo. assim.sem ordem.ru-. não há ordem .

de resto. Pelo approach código-estatístico da linguagem pode-se perceber a sua estrutura probabilística .. Caso e Acaso) A revolução industrial é a grande revolução.e aqui começa a denúncia da lógica discursiva (denúncia. A linguagem se volta contra e sobre si mesma: tem início a era da metalinguagem. Dos campos extra-artísticos. inevitavelmente. campo experimental. que passa a ser..A V I D A EM EFÍGIE (Caos. fotografia para a pintura) vêm os novos instrumentos de desnudamento da natureza formal da linguagem. latente em toda poesia: enclave analógico dentro da lógica verbal). funciona como verdadeira ideologia . A linguagem assim detectada em sua natureza de código define o campo operacional da atividade poética. Edgar Poe foi o primeiro a perceber o fenômeno e a tirar dele as primeiras conseqüências de importância: o código Morse é de 1834. The gold bug (O Escaravelho de Ouro). para a literatura. finalmente. o discurso comece a esfacelar-se com o Lance de Dados. até que. e Valéry diga com todas as letras: poesia é linguagem. E porque o sistema verbal. de 1845. a base lingüística. dos meios e técnicas de comunicação e reprodução (código Morse e telégrafo. N o campo do sistema verbal. em milênios e não apenas a linguagem lhe sofre o impacto. de 1842. de Mallarmé. The raven (O Corvo).

N a passagem da fissão à ficção.caracteriza-se a ruptura arte/.etiqueta que Croce e outros pespegaram a Pirandello. inclusive. o filósofo. vida dos tempos modernos.deFqeJl 842). Vemos então multiplicarem-se as máscaras. a matéria psíquica também se torna físsil.. os pseudônimos. instauram-se o caos e o acaso. João Cabral de Mello Neto? Na medida em que os artistas. Os signos já não pousam mais sobre as coisas. E que outra coisa é o Apor o. do qual o resultado mais palpável é a split personality._No-xorm5jr^é^^ (O Retrato OvaD. de Drummond.e muitos (especialmente nas culturas marcadamente literárias) não conseguirão sair desse novo cárcere-labirinto.. e toda a sua tumultuada galeria de dissidentes. o velho-velhice. A fenomenologia da composição. vai caracterizar muitas das obras mais importantes de nosso tempo . estes também começam a acusar fissuras. as personaSpos^tieteiônimos. entre tantos: Vivre sa vie. de Godard. d ^ ^ ^ ^ ^ n n ^ j d a j o u c u r a em-busca-dè^novo-sistèmã^ ~mufrõ"Aires fíãcTsãõ senão máscaras heteronímicas de Machado: o galante. cerne de toda a sua obra? E que mais faz. ainda hoje. Em Pessoa. como Einstein e Heisenberg permitiram uma nova visãodcTmundo físico.. que pennitgm uma nova visão do_homem. Em Pirandello: Mattia Pascal. se radicalizam na destruição-produção da linguagem. no entanto. ao contrário: descolam-se delas. Edgar Poe anteviu. o traído.. o deslocamento do indivíduo em relação ao corpo social: The man in the crowd~(0~ffcr~mem na Multidão).Instala-se o tema d ^ f ^ ^ u ^ ^ t t i l ^ d e Elbehnon. em busca do eidos. São esses artistas. os heterônimos: "drama em gente". em todos os campos. Destribalização que Marshall McLuhan atribui ao código alfabético e à imprensa. onde um personagem lê um fragmento do referido raconto de Poe. Em .em relação aos signos não-verbais. vão sendo tidos por "frios" e "cerebrais" . À cisão da matéria verbal. e que tendera~ã~s'er neutralizada pela televisão. Um exemplo recente.

Pound: as personae.alinhei mais de trinta expressões que tornam manifesta a "terceira posição". Com a^dialética hegeliana-marxistâp abre-se a "terceira frente" . fenômen o pequenoburguês. Instala-se o tema do adultério entendido como traição-subtração à personalidade-propriedade do marido. Oswald). Num levantamento perfunctório . De qualquer forma. o meio-termo. também não era feia / se era uma criança com fumos de homem. esse teatrólogo frustrado. o ETC parecem ficar excluídos. Exemplos colhidos ao acaso: Decida o leitor entre o militar e o cône- go. Machado de Assis. Serafim Ponte Grande. a convite do prof. Machado. Nelson Rossi. do Curso de Jornalismo (Faculdade de Comunicação Coletiva). Dentro desse sistema.e só no Brás Cubas . o acaso. de modo a confundir os "graus de abstração". o meio. Em aula que ministrei sobre o surpreendente mulato. Em Oswald de Andrade. Abelardo. entre duas coisas ou entre duas palavras. tive a oportunidade de mostrar aos alunos esse aspecto fundamental da obra machadiana. o conduto predTcãtivo torça como que um mesmo grau de certeza tanto na afirmação de algo verificável como na afirmação de algo apenas provável (Fulano é alto/ Fulano é safado). --— Em^íristóteles^e um membro de um par de sentenças contraditórias é verdadeiro e o outro falso. em 1965/na Universidade de Brasília. titular da cadeira de Língua e Literatura de Língua Portuguesa. eu volto ao emplasto / Eu deixo-me estar entre o poeta e o sábio / se não era bonita. se um homem com ares de menino / nem dócil nem rebelde à proposta / espécie de garganta . nãcTé" senão a crise da lógica clássica inerente ao sistema verbal. Digo mostrar porque apenas o destaquei pelo método estatístico elementar. embora os lógicos ainda se perguntem se Aristóteles falava de relação entre uma coisa e uma palavra. João Miramar. como diria o conde Korzibski. Instala-se o tema da devoração e da autodevoração (Pirandello. tudo ocorre por necessidade e não por acaso. fundador da Semântica Geral.

Persiste. assim. porém. além de uma terceira / não é ainda a invalidez. o signor Ponza e a signora Frola consolam-se como duas premissas irremediavelmente contraditórias e verdadeiras: saem de cena como duas partes~3e um discurso que não se conclui (^ue não se "resolve". mas já não é a frescura etc. pois através dela a crise atinge também o enredo. anti-silogisticamente. Na peça que leva aquele nome. Os humaníssimos personagens de Pirandello são bonecos-de-letras que imitam viver. pois a signora Ponza.como se diz de -certos medicamentos. basicamente. casa-se com um terceiro. a fabul ação.^funcionando como excipiente de um princípio ativo . Machado de Assis nunca diria: "Fuíano de Tal era mulato" . Apenas Mallarmé dispensou oexcipientei_é puro princípio ativojsua obra está ao abrigo da própria glória. vira do avesso. Talvez fosse Jacó Rodrigues / Não me tratou mal nem bem não era dor nem prazer / duas forças. O excipiente permite a "õbrã!^ (quantidade) e se manifesta sob a forma de estórias o u œ a l p i k . Veja-se que.mas é útil falar de experimentação semântica. todavia. não me recorda bem o nome.e sim: "Não era branco nem preto". como se diz de~um acorde musical). E é neste lusco-fusco que a dialética-vira Oportunismo brasileiro". que se esgarça ou é reduzida a esqueleto. como disse alguém). cujo percurso. em A Mão e a Luva. a mocinha. talvez sáHia mãneinã^^ BãlTTT Mas é desta microcélula q u P M l d í i d o parte pafa~ã**èstrutu= ração do "grau de surpresa" de suas narrativas. O cosi è (si vi pare) pirandelliano não é. é entreaberto botão. Sua preferência pelos três atos não é casual . diverso. requestada por dois pretendentes. mais parece o dos movimentos brownianos. Inútil falar de cerebralismo . em Dom Casmurro. a Verdade em novo estilo. por aí. entrefechada rosa: frustra-se. por um impasse.concluindo o terceiro. a expectativa do público e da lógica clássica que.entre o passado e o presente / vacilava entre um querer e um não querer / foi um certo Jacó Medeiros Valadares.

e muito menos aqueles que se dedicam ao estudo ou ao desfrute das chamadas artes literárias. Brás Cubas e o conto Alparcas de Titané) e o cinema.os potes. se. e a Lingüística estrutural (de um Jakobson) comecem eles. sub specie economiae: a publicidade. Entendam-se por personagens aque- . na verdade. sistemas dcsignos lógico-aristotélicos "casificados". no fundo. sem atentar para o sistema de signos que lhes fornece as possibilidades de estruturas analógico-significantes. um "humano" romântico. em agoniado^conflito . Nas mãos destes. Outros meios de comunicação. pelo menos. Salutar desconfiança.com a nova realidade_ejconsigo mesmos. E tudo aceitam.os sistemas filosóficos não são. a compreender ou a desconfiar. São atores qüe _rept£S£ntam papéis escritos. de qüèpõucos. São gentedeletras. no entanto. ameaçam esse verbalismo. escaninhos e compoteiras onde conservam. fichados e catalogados. a Teoria da Informação. E quantas toneladas de papel se encheram para estudar os "tipos" machadianos e pirandellianos. para que neles o mundo se_ ordene à revelia. a física newtoniana e a geometria euclidiana em travestis subjetivos e burgueses (daí o escândalo com a afirmação de "Ftaub eítT^^Qrmajiasce aJdéia). Os personagens de Pirandello são personagens escritos. todas). a formol. em que os intérpretes pretendam entrar na pele dos personagens. desde que não se destruam as suas formas . senão sistemas de escrituras. puramente emblemático. donde o' ridículo das encenações pirandellianas realistas e expressionistas (no Brasil.que se somam às centenas em Pirandello e Machado. no caso de Pirandello. no caso de Machado (cf. Espera-se que agora. a poesia sempre se avilta ao valor de uma fosca ex-mosca azul. Defendem. frascos. com a Semiótica (Peirce). infelizmente. pela lógica aristotélica. se têm beneficiado. anterior à revolução^ industrial e condicionado pelodiscurso. que não existem: estrabismo da visão "realista"! Já Paul Valéry desconfiava de que .us_prezados "significados ".

2 a ed. transformando-o. "A tragédia do herói . Fratelli-Bocca Ed. para ver a sua carroça ultrapassar o .... de repente. de Poe par lui même. N ã o é outra coisa o que diz Luigi Bàccolo (Pirandello .uma vez presa da engrenagem das deduções . A lógica é o seu Destino" ..é inexorável e rápida como um drama antigo. começam a raciocinar. alterando-se nas marcações e nas falas. contra o cinema: Pirandello sentiu logo que uma nova linguagem ameaçava a sua cultura verbal: o prazer com que Gubbio faz girar um filme de trás para diante. Milão.e.... referindo-se ao homem pirandelliano: " O homem é um animal que não vive. O dissídio verbal se vincula ao dissídio da personalidade. em "una mano che gira la manovella"..diz Jacques Cabau. Fratelli Treves Ed.assim como os demais personagens pirandellianos são apêndices da pazzia ragionante como se manifesta a revolta de Serafino Gubbio? Pela literatura! E põe-se a escrever contra a máquina.ersatEay. Frankenstein criando um franquistém que lhe ameaça o discurso. operador.). mas .assistejgiy.. esta "máquina" vira coisa. esses personagens. dr. (Si gira.s. contra as regras do jogo! Enjaulados dentro de u r n a i ^ c a l m e a r . cada qual assistindo ao e assistindo o outro.. para horror de Pirandello operatore. os demais comparsas. Para cada personagem de Pirandello deveria haver dois intérpretes gêmeos. inclusive nos contos e romances. E os produtos desta máquina são conceitos". extensão do homem. São. Milão. em qualquer parte do palco ou fora dele. 1949.sjJje_u!a máquina infernal chamada lógica.. 1919 romance depois rebatizado de Quaderni di Serafino Gubbio operatore).. Apêndice da máquina . representam o público (concessão pirandelliana aos "tipos"). como peças de xadrez que. excetuado um ou outro personagem-coro. câmara cinematográfica.les que se autorepresentam no palco.. N u m dado momento.é. a ele. utilizam as próprias gra^" des para tentar escapar da prisão. Tal como naquela fotomontagem em que aparecem Pirandelloescritor ditando a Pirandello-datilógrafo.

in un bosco finto. do distanciamento provocado pela ruptura. suspendeu ou superou a fenomenologia teatral. na Educação Sentimental. que o sistematizou. caduta dall'arte nel cinematògrafollUm exemplo claro do distacco. Ainda bem que o lema de Valéry para umjj. de Flaubert. o público aceita o fu- .gre_era "SANS PHRASES". ao lado de torrentes filosóficas e psicológicas ultrapassadistas. no romance citado). cenas de objetos inanimados tipicamente futuristas). transpondo-o à própria linguagem teatral. e a empresa Arte Industrial. tudo no cinema parecia falso e fingido. assim fazendo. de Pirandello (que contém. demonstra como. nos campos reais da Etiópia. Ao comparar os sublimes retratos da diva com a própria. pois "não precisava de palavras". Para o pobre Gubbio. de seu voraz lobo mecânico-imagético. in una caccia finta. per una stupida finzione. caduta da quel sogno. à linguagem cênica. postada à sua frente. já "Accademico D'Italia".) E a diva Nestoroff de explicar a Serafino que qualquer besta podia ser ator de cinema. vítima de sua "aranha sobre um tripé". para apoiá-la moralmente na caça ao Leão de Judá. la donna. mesmo a morte real de um tigre: "Ma ucciderla cosi. em certa medida. que caracteriza o teatro pirandelliano ao nível verbal. pela fissão conceito/referente: "O monte é monte porque eu digo: Aquele é um monte... Não. è vera nequizia. Paralelismo entre a empresa cinematográfica Kosmagraph. nessa obra. o "distanciamento" não é pura criação de Brecht.automóvel que o ultrapassara. com certeza por influência do Teatro Sintético Futurista: " O sucesso de Seis Personagens em Busca de um Autor. já decadente. che passa la parte!" (Um dia. O que significa: Eu sou o monte" (o personagem Simone Pau discursando a Serafino. o desprezo de Serafino-Pirandello pelo cinema só pode ser igualado pelo ódio que os intelectuais ( 1 i teratos)"Võtãm"Kõje' à~tëIëvisâo: "E qua. Pirandello regressará às pressas de New York à pátria. embora Pirandello o tenha também levado. porém.

Se não quisermos recuar mais. Sobre o problema da unidade psíquica individual. "Doppo il Teatro Sintético e il Teatro a Sorpresa. Prisioneiros de uma forma que perdeu a capacidade de ordenar o caos para congelar a v\dz~stano' male entre o Caos e o A~ca"so~( Caso . Sentem-se mal porque não podem estar fora nem dentro. o que significa que. fiquemos com o mestresíntese de todo-o-problema. varia necessariamente a unidade". em italiano).-ela mesma. variando as relações. põe as coisas em cena". sendo imprescindíveis .que e quandp arrazoam: bá uma flor-na-boca do discurso. assistem-se viver. Mallarmé. aliás . que antecede de cerca de trinta anos sua obra máxima e que tem a seguinte nota de abertura: "Este Conto é endereçado à Inteligência do Leitor que. incorporando-o. através de Serafino Gubbio: "Temos um falso conceito de unidade individual. em Ultimatum (1917). 1922).e à parte o fato de haver deixado notas para uma "estética não-aristotélica". o mínimo que seja.turismo em suas formas moderadas" (Marinetti. em 1924). e com esse primeiro escorço-esforço do Lance de dados. porque o mundo dos signos tende a insensibilizar as relações humanas. que é o drama-conto Igitur ou La folie d'Elbehnon. com suas "constelações" que organizam o acaso. Toda unidade está na relação dos elementos entre si. Fernando Pessoa se emparelharia com Pirandello. como diria Bàccolo. Denunciando o "mito da unidade da personalidade". Pirandello lança um olhar aguçado. arrazoam enquanto sofrem e sofrem_por. noi inventiamo il Teatro Antipsicológico Astratto. Pudera: da linhatronco mallarmaica não podem sair subliteratos! Os personagens de Pirandello vivem em ef ígie. Compare-se o seu famoso "o que em mim sente está pensando" com esta declaração de Pirandello: "Uma das novidades que eu dei ao drama moderno consiste em converter o intelecto em paixão" (conferência pronunciada em Barcelona. N ã o apenas neste ponto. di Puri Elementi e il Teatro Tattile". que já abordara em Arte e Scienza (1908).

disse Pirandello. en poète. pois todos eles se enquadram dentro de um "sistema de expectativa"). apesar do entulho dos seus psicofilosofismos e da redundância de seus casos-enredo (que ainda podem ser examinados com interesse. ponho-as abaixo. ou seja. que permitiu a vida como pode destruí-la.e fora deles é o abismo do Acaso rondando uma gaiola onde um pássaro agoniza. de comunicação". num de seus últimos pronunciamentos. num momento em que e j s ^ h ^ u a ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ i ^ n ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ t e . ao contrário. hoje . segundo a linguagem. Pirandello é um diluidor de elevado nível: "casifica" Mallarmé. Não é pouco. Afinal.para essas mesmas relações . pois surgia com razoável dose de informação em relação à arte codificada. E mereceu o interesse de um Joyce: "Há qualquer coisa de novo e de vital nesse escritor". Entre um Caos. Era uma arte que chegava a tocar no problema da estrutura da linguagem. para escondê-lo. Como um jornal. dentro dos novos dados de uma literatura de massas. também em relação ao sistema verbal.e ison^>d|c^jente. o caso humano (dentro de circunstâncias históricas).compreende-se bem. e um Acaso. onde não se distinguem formas e funções (nascera numa aldeia siciliana chamada "Il Caos"). Pirandello tenta diagnosticar e expor um caso fundamental de vida e ordem. que Pirandello tenta superar pela arte.incriminarão de antiarte. para revelá-lo" . "Nietzsche dizia que os gregos erguiam estátuas brancas contra o abismo negro. Eu. é preciso aprender a 1er aos pedaços.licamente. C^srelaciünã^ImmfêrAíítl^istote . ^ . por uma arte que tenta renovar e que vários .

Há mais História Americana nos quadrinhos clássicos americanos Flash Gordon.do que em todas as Histórias do Brasil em quadrinhos feitas até agora. . Abril). uma versão classicizante da atual fase tardia das estórias em quadrinhos. E obra recente.e se dão por satisfeitos com os quadrinhos chato-estáticos da História do Brasil. Não são estórias em quadrinhos. Mas o governo e os "responsáveis pela cultura" não compreendem isto. mas histórias em quadradinhos. da Walt Disney Productions (Ed. Lil Abnèr . Super-Homem. o friso no chapéu do tirano é laranja. mas a ninguém escapará a sóbria força deste quadrinho. nada fazem para estimular a técnica e a criatividade dos comics entre nós . baseados numa iconografia acadêmica do século passado. Batman.Os planos de cor forte não podem ser aqui reproduzidos. O ambiente é substituído por um plano de cor (verde). Dick Tracy.

TERCEIRO TEMPO: O N Z E CRÔNICAS DE FUTEBOL .5 .

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para não falar já de um lançamento. de uma antecipação. talvez ninguém. É comum ver bons jogadores. O campo é um verdadeiro prolongamento de sua pele: para onde vai. teve ou tem tanta sensibilidade e inteligência criativa para a relação básica do futebol: a relação bola-homem-campo. Esse erro é excepcional em Pelé^Sua^noção -perfeita de posição. com Pelé. Poucos. Pelé como que carrega o campo consigo. Aprende-se. de um pique. por estranho que pareça. raríssimos. muito poucos. talvez. O crioulo inimitável deve toda a grandeza e toda a beleza de seu futebol à sua inesgotável capacidade de criação. e até craques consumados. em função da meta. de um deslocamento .FLAMA NÃO SE PAGA..mesmo em lances agudoseuitra-rápidos : : 7 õ m 0 ^ é ' s a b e r também onde estará provavelmente (e onde os demais estarão) no lance ime- . errarem no cálculo de um rush. Isto porque ele sabe que. relacionada às contínuas deslocações da bola e dos homens e envolvendo sempre uma questão de tempo . de um impulso. raros. móvel. o campo não é estático e sim uma estrutura dinâmica. Mas não se imita Pelé..naçrp d o i a í o de não só saber perfeitamente^ onde está~]e onde os demais estão) a cada momento .o tempo fracionado em piques e lances que dão a precisão e o ritmo das jogadas e do jogo.

esse gênio.senão a primeira . Que achou a ambos.lêmbrar^se^^ïï^iJTîFnegrinho correndo doido pelo campo. como no desempenho de cada lance individual.algo que se conquista. = = . n e cessidade_d_e-lutgbgl. Rei.do_coração. çloidojjioido faminto à procur^teçbc^la e dejnmesmo. que não se paga. O que lhe falta é flama. viu"sêlogo nos~jogos seguintes. um outro moreno pintou de Pelé. em fins de 1956 ou começos de 57 (entrou no 2 a jjemp©-=4Í^me jogo? nãojaae^Êgrdo). é gemprFlTméîhor possível porque é ele próprio quem a cria._ com ou sem bola.mas não acima da média. etiquetado e carimbado de craque..no quadro principal do Santos. Injustiça. como um novilho negro saindo do touril. lembrar-se-á de quelp público ^riu^ap ouvir o ([bizarro norm^anunciado através d o ^ l ' t o . no Pacaembu. Viu-se também que o futeboLüje era um absflJS^estadõ7le"necessidade. Quem se lembre de tê-lo visto numa de suas primeiras aparições . Há alguns anos. que se alimenta dentro da. Aquele sentir-se_ern e s t a d p d e .e_apaga. qjje^criqa|'^ ambos. titular. nos quadros inferiores do Corinthians. Chamaram-no de mascarado. aquela certeza de que^nãp-se-iogajutebol pela = = = cartilha: bo-la.ue_s. aquela flama que precede a f ama e a cama.diatamente seguinte. já vinha com um Certificado de Garantia de Craque. N o entanto. Apresentou qualidades inegáveis . o problema e a solução. ou melhor. Pelé cria. essa lucidez física tem a animá-la uma flama que nem a luz poderosa da glória conseguiu ofuscar..be-la. é ele próprio quem cria as condições favoráveis à sua melhor posiçaõTTanto no posicionamento geral. Antes de correr qualquer risco. essa inteligência. Mais do que o^gostcx o risco da(aventura^eçessária . ao mesmo tempo. foi vacinado. Vale dizer: sua p o s i ç ã o ^ s e m p r e boa. craque de nascença e sabença. Ao ser lançado no time. do.^q uele impeto_carnívoro-dejde vqr ar a Bola eucaristicamente.barriga_e.f a b i ^ s . Foi criado e alimentado como craque. mas q.

pirazinha já quase cinzas. agonizando perdida pelo gramado de Parque São Jorge. . Nei. na Guanabara quem sabe (useira em revelações paulistas.feliz ou infelizmente . em outra agremiação.Talvez a encontre de novo e a reavive. ultimamente). R a s g ^ o certifica^loecrÍ£oseu futebol. Ou talvez .tenha de correr o risco de encontrá-la (ou não) em outra parte.

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quando em alta rotação. preta-não-preta. ou preto salpicado de branco. . afinal? Caleidoscópica. o interesse pela função do olho. Vê-se que o desenhista que bolou o projeto levou na devida conta o fato de o futebol ser jogado tanto com os pés quanto com os olhos. como eu. olho-a com suspeição e desconfiança a rolar enganosamente pelo gramado: bolanão-bola. A cogitação pode ter sido sagaz. branca-e-preta. mas me pergunto de que ilustre e maligna cabeça terá nascido tão caprichoso desenho de alta costura: seis gomos negros e seis gomos brancos entrelaçando-se em labirinto. branta. E cinza. branca-não-branca. hipnótica. nem sei se existe. prenca. louvável . Embora corintiana também.bola-de-tróia? Não conheço. camuflada. o parecer da FIFA que justificou a adoção dessa redonda carijó. que os altíssimos mentores da FIFA oficializaram para o Mundial de 66. preta-e-branca. Que diabo de nembola é essa.BOLA CARIJÓ Já estou começando a ficar encafifado com essa pelota malhada. preta-ou-branca. que funcionam como decodificadores de informações (estímulos) para a adequação dos reflexos (respostas). com esse couro branco pintalgado de preto.mas o resultado ainda não me convenceu. branca-ou-preta. mesmérica .

porque essa bola infernal tem "lado". por incrível que pareça: meteram-lhe na fachada uma decoração de ladrilho.um esforço extrà de adaptação. Mas esse aspecto positivo é francamente anulado e superado pelo lado negativo . muita matada de bola. esta bola não é mais redonda: a maquilagem que lhe impuseram destruiu a sua forma necessária.porque essa galinha-de-tróia não está com jeito de favorecer os malabarismos pessoais de nossos craques. ela "informa" sobre o sentido e a velocidade de sua própria rotação. de modo a preparar os reflexos do jogador para o controle do efeito: à distância e à vista. E é bom que se adapte logo a esse couro tatuado .e o jogador brasileiro é bem capaz de extrair da bicha novos recursos de malícia e solércia.) muito pique. Sem dúvida. em erros sutis de cálculo de tempo . azulejo ou mural . Este aspecto negativo se refere à destruição visual e visível da forma da pelota. em tiros sem pontaria. O camarada ..informal.se se pode dizer .especialmente quem joga .e ela virou mapamúndi em projeção esférica! A bola carijó exige um esforço extra dos nervos e dos olhos do jogador .tem a impressão de que ela varia de tamanho a cada instante e não sabe direito de que lado pegá-la. diurna e noturna. porém. a bola carijó prejudica o-pé. Visualmente. e sim o jogo quadrado das triangulações esquematizadas européias. que passou a ser . ele percebe mais facilmente se ela vem (ou vai) com ou sem efeito. em "muita finta falha. vai enroscar-se em muito controle. em furadas sensacionais. E teria sido tão mais simples a bola-bola branca.e em muito penosa carijó no galinheiro de três paus (se for guarda-metas). . Sim. É possível que se adapte a ela .. Até lá.Querendo beneficiar o olho. vai perder (misteriosamente.pela face oculta dessa lua alvinegra sem São Jorge.

a suar e salivar e enxergar verde verde verde. E começa a desertar dos estádios. A faixa de povo situada entre a pequena burguesia mais ou menos remediada e a burguesia mais ou menos enriquecida contribui com o maior contingente alviverde: não é por acaso que. uma vitória expressiva que seja. Basta o time cair de produção..ADEMIRÁVEL DA G U I A A torcida palmeirense também é uma torcida de massa . para os palestrinos. os alvi-esmeraldinos ocupam de preferência o setor das arquibancadas. ò palmeirense se torna um elemento de alta periculosidade. entre os Cr$ 500 das gerais e os Cr$ 2. basta uma derrota. Mais eis que o time melhora e colhe algumas vitórias.500 das numeradas. é melhor ir tratar dó emprego. da família. quase corintiano. preferindo .quando muito . e ele já começa a achar que futebol é atraso de vida. das chinelás e do video-tape. com se estivesse intoxicado por duas arrobas de lasanha preparada com clorofila! . Neste período de depressão e bile. é um investimento.. dos negócios.o conforto doméstico da poltrona. E o quanto basta para produzir no palmeirense uma transformação brutal. lobisômica: ele fica um fanático furioso.500 / Cr$ 3. ele não hesita em vaiar o seu próprio time em campo. Torcer. para o Palmeiras: ainda que com consciência carregada e aperto no coração.uma torcida típica da classe média paulista. no Pacaembu.

Ademir é um craque por desfastio e joga o seu futebol sutil como quem. Ao ultrapassar dois deles. um pelotaço no travessão (traçado a sextante e astrolábio. Que essa preguiça caprichada. a marca. mas não fico chateado: o time está bom. à luz dos refletores e sob as vistas perplexas de 30000 espectadores. Justamente naquilo em que é atacado. indolência solar de casa-grande . o moço loiro que é mulato-aço.. saiu ele do Pacaembu achando que o jogo e a sorte lhe ficaram devendo qualquer coisa. o sinete inconfundível de sua grandeza de craque...a sua proclamada moleza . . e que mais parece um pardo com o cabelo empoado. albino. Sinuosidade de cobra e elegância de dançarino de minueto. com minúscula margem de erro) e a maquinação geral no meio-campo.Anteontem. . está matando tempo balneariamente no gramado. Saiu num estado que não é o seu normal...de compasso. que quase esgota a categoria de Dino Sani. . viu-se na quarta-feira última.é que reside o segredo. digna de uma matemático decadente da corte de Luís XVl. frente aos pitecantropos corintianos. deixando bufando os quatro mastodontes da defesa alvinegra. é capaz de ímpeto.não ganhou.E quanto que você xingou aquele homem. constituíram um espetáculo dentro do espetáculo belíssimo que foi esse jogo de futebol. um gol que deixou de consignar por absoluto tédio (noblesse oblige ): quis concluí-lo fielmente de acordo com o desenho que trazia na cabeça. criticado. esquadro e tira-linha. à saída . soberano e sobranceiro. num estado intermédio entre um desgosto suportável e um mal contido acesso de icterícia d'alma. por ocasião da estréia do Palmeiras no RioSão Paulo. tradicional e gloriosamente armados de tacape. no ano passado! "Aquele homem" é Ademir Da Guia..dois deles nos seus verdes anos captei este fragmento de conversa. Um gol de mestre de balística . xingado .

nem a assistência decepcionante. Nada fazia prever que o fleumático Ademir Da Guia estivesse fria e admiravelmente empenhado em lutar por um lugar na seleção brasileira. E ele está.Nada fazia prever essa beleza: nem o tempo chuvoso. nem o gramado escorregadio. .

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rumo a um estranho bate-papo. em companhia de um inglês e um israelense. exibia sua carteira de filiação. lascadas. datada de 1935. no começo da primavera. Passou o tempo todo contando piadas mais do que irreverentes sobre o . atravessei a Mancha rumo à Inglaterra. o israelense não podia manter-se de pé. e perdera as duas pernas dando combate aos árabes. entre solavancos e bacias desbeiçadas. sinistramente convidando a embrulho-de-estômago e a vômitos. o inglês e eu. O velho súdito de Sua Majestade era uma bola. Com não menor orgulho. espalhadas pelo chão. N ã o era judeu . Este lutara contra os nazistas. no exército de sua majestade britânica. no convés: penoso demais. nas lutas pela independência de seu país. Ajudamo-lo a descer para o bar. de ágate.era israelense. velho e bemhumorado militante do Partido Comunista inglês. fazia questão de frisar. a barcaça começou a jogar. com as suas três pernas mecânicas (uma sobressalente que carregava numa caixa) e voltamos para cima.BOLÍTICA Há dez anos atrás. mostrando um certo orgulho e uma certa irritação na necessidade que sentia de afirmar sua nova nacionalidade. N o meio da travessia. O outro era um operário de volta das férias.

Sabemos todos que o trivial da vida esportiva é condimentado por fofocas. politicagens e politicalhas . Rui Barbo Ousa.sem falar nos grandes clássicos. Ferroviária . em inglês. já na Victoria Station. Retribuí o prazer da companhia e a lição cedendo-lhe os meus direitos sobre a garrafa de uísque a baixo preço. uma em cada bolso traseiro da calça.o desbocado. colocou a palavra certa e concreta . foi a de duas saliências nas nádegas. você ama.como dizia mestre 1 Ruy Barbossa. politiquices. tudo é política! Por motivos óbvios. isto é . na hora do desembarque. Ruim Verbosa.a certa altura.respondeu: . vale dizer ..o legalíssimo Rui Barbosa. portanto. Medo da Onça Faisão: digo — o nobre deputado Emenda Onça Falação: enfim . não pode encontrar datas que permitam a cessão dos craques paulistas para aqueles compromissos.N ã o adianta: você dorme. que . simplesmente porque o dr. de cujo teor não me recordo . Esportiva. E acaba de comunicar ao dr.o dr. presidente da CBD. A última visão que tive dele.o dr. Já o sr. digo . coloco "ama" onde ele.o eminente Rio Barbosa. que não cederá jogadores paulistas para o selecionado nacional que deverá enfrentar o da União Soviética nos dias 4 de julho e 14 de novembro próximos. Falcão não encontra novas datas para um XV de Novembro vs. Mendonça Falcão prefere librar-se nas altas esferas do que ele julga ser a política internacional. Isto significa que a seleção brasileira terá de se apresentar desfalcada naqueles importantíssimos ensaios internacionais (o time da URSS pode ser um sério desafiante às nossas tripretensões). João Havelange. você come. futricas. ou um Juventus vs.. Alega õ referido mentor da FPF que não pode alterar a tabela do campeonato paulista e.o dr. rebolando no meio da multidão: duas garrafas de um-quarto.casal real e . a uma observação minha. enfim -• o Águia de Haia e Mucama. melhor .

por acordo mútuo. O tempo de fazer média com a bándeira nacional já passou. Pode ser que o meu anônimo amigo comunista inglês não tivesse razão de todo: mas tinha senso de humor. Afinal de contas. Pode ser um_patriótimo : Isto não nos obriga a ser patrio-. nem outra coisa. quivoticontá. Se as coisas começam desse jeito. em nosso futebol. na Inglaterra.já pensaram no bode que vai dar? Será um tal de IPMs para cima de jogadores. O dr.. um tal de futebol "altamente comunizante". nada mais dará sorte nem certo.e um tal de reeleições.conduz ao caiporismo. brasões e brasis toda vez què~jõòesmendonças-falcões se afoitarem a rasteiríssimas bolitiquices.são transferidos.. massagistas e roupeiros. em 1966 . Imaginem agora se calha de o Brasil vir a ser derrotado pela URSS. preparadores. .tários: mandaremos brasas. ninguém tem culpa se o dr.político e esportivo . Mendonça já teve a sua oportunidade de conduzir a nossa delegação numa excursão que ficou famosa pelos resultados deprimentes. João Mendonça Falcão não tem nem uma. assim que chova um pouco mais!. O caipirismo mental . um tal de "em defesa dos mais altos princípios morais e cristãos da família brasileira" .

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digo. Tal como preferem deixar Garrincha apodrecer de maduro. Garrincha valia 500 milhões. o Santos quis comprar o seu passe. Neciedade? Generoso Nilton Santos! "Liberte o Garrincha.que desejou e teve. E o vexame de Garrincha. mataram o seu mainá. o joelho não tomou jeito e o seu futebol não voltou. M A N E ! O filho varão não veio. vai-se ver. como estará? Um enigma. resistiu ao temporal. como está o seu futebol. Se nos tempos da fúria amorosa da platéia. pondo-se em leilão. dê-lhe o passe de presente!" Nilton sabe que isto é inviável. por uma incógnita. com o passe na mão. Nei Cidade. dão-se ao luxo de deixar apodrecer 300 quartos de boi. A piedade é a mais feroz assassina do amor. são uns calhordas do negócio: move-os o orgulho irracional. viran- . Quando da primeira grande crise. Mas o amor que cantava . em tempos de piedade 150 milhões é muito: quem vai pagar. o sr. Como está Garrincha.SEM P I E D A D E . em lugar de vendê-los a preço de gente. Quando xingados. Recusou a oferta o orgulho bobo dos dirigentes de General Severiano: só trocando por Pelé! Dizem que os próceres do futebol são bons negociantes. os 300 milhões pretendidos pelo sr.a grande Eisa Soares! .

não está? . se não são brilhantes. já recebi abraço de rei. Solicitando 300 milhões à vista.do mendigo de porta de igreja ou pedinte de fila de ônibus e cinema? . certamente assustados pelas informações e rumores sobre o atual futebol de Garrincha.e não sou cigarra para viver só de cantada. Recuse a piedade assassina. bastam para demonstrar o acerto de sua política. a maior humanidade. Meu nome é Mané Garrincha: já fiz mandinga. Já dei copas ao Brasil. o estado do meu joelho: não melhora e não desincha. no que se mostra previdente e os bons resultados colhidos até agora.: "Veja. é encarar a questão a frio: convencer os dirigentes do Botafogo de que eles se mostrarão generosos simplesmente fazendo um bom negócio. eu compreendo. fingirão que não viram. Invocando. A vergonha não passa nunca . doutor.mas este momento passará". já fui alegria do povo e até apareci em fita .e que é trabalhar com a bola. seu Mané! O que você desa-prendeu4Jode_secaprendido_de_nOT^ Corisco diabólico do filme genial de Glauber Rocha! "Mais fortes são os poderes_do povo!" Onde a Comissão Técnica da Seleção vai arranjar quatro pontas-direitas iguais a você? Três? Dois? Um? Nenhum .se você se recuperar! Tal como vejo as coisas. os dirigentes botafoguenses poderão fazer nova oferta.e quem sabe vou de novo receber abraço de rei. O Botafogo está tentando renovar o seu plantei. Eu preciso me curar para voltar a trabalhar: eu não sou mais tão moço. Compre o passe.está barato.e o . volto a ser bom como no único ofício que tive e tenho . talvez os manda-chuvas de General Severiano tenham feito um lance para italiano ou mexicano ver. está a bom preço . mas se me tratar e me curar. os espíritos dá sensatez. tenho mulher e oito filhas que já não posso sustentar . operação e injeção. mais realista . neste momento.o doutor não acredita? Não faz mal. porém. porém. Por mais que vejam.

um bom negócio para o Botafogo e para você. Wadih Helou precisa de um golpe teatral desse porte para fortificar a sua situação às vésperas das eleições da nova diretoria. para maior elasticidade de dólares nas barganhas de jogos no exterior (ficará com a linha campeã mundial. Piedade para Garrincha se chama apenas: bom negócio. é tudo que você pode e deve exigir! . ao mesmo tempo em que o sr. pois Santos e Corinthians se interessam pelo famosíssimo craque: o Santos. Um bom negócio. e o Corinthians porque está desesperadamente necessitando melhorar o seu plantei.negócio se fará em três tempos. praticamente). Garrincha-.

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para grande espanto seu: nunca lhe havia passado pela cabeça que alguém pudesse pensar diferente em matéria tão óbvia. Por isto mesmo. sem prejuízo das necessárias horas de lazer. Discordei de cara e escrachadamente. artísticas e científicas). deveria poder dedicar-se a outra sorte de preocupações. de um modo ou de outro. isto é: que o melhor profissional deve receber a melhor recompensa monetária possível. Muita gente acha que já disse tudo de alguém. Segundo o meu modo de ver as coisas. quais fossem: lutar por condições de pesquisa e invenção criativas. com profissionais de sua e de outras especializações (técnicas. e abrir novas possibilidades de contatos e debates nacionais e internacionais. pudessem redundar em benefício de . tendo em vista a criação de novas concepções que. ao dizer que "se trata de um bom profissional" ou que "tem consciência profissional". Conversando com um arquiteto relativamente jovem e já bem posto em sua carreira. o profissional.AMA DOR O assunto que hoje abordo é dos que mais me atiçam o sangue das idéias. quero evitar a tentação e a tentativa de dizer tudo de uma só vez. em equipe ou isoladamente. dizia-me ele que a remuneração deve ser a medida da capacidade do profissional. após ter atingido um nível de ganho adequado ao pleno exercício de suas atividades. esclareci.

. a que nós outros denominamos "prédios". não . Nei Cidade Palmério. é que tentem fazer o mesmo com profissionais que se neguem ceder à rotina majoritária e não se julguem obrigados a bitolar suas idéias e sua linguagem pelas esquadrias do "sistema". e às vezes. falando a mesma linguagem.. esse "amador" criativo costuma pagar com a própria pele a sua audácia e a sua ingenuidade. É o que vem de acontecer. caluniando e deturpando suas idéias. suas tentativas.. nem se compreende. é a chama mal vista que busca na escuridão do conformismo clarear perspectivas nova. percebi que ele preferia continuar a projetar seus caixotes-de-morar bem-comportados. sob a pecha de "amador". Os profissionais de um certo campo... Pois.todos. de um bom profissional. mordendo indevidamente preciosos nacos desse bolo-mercado. Trata-se. seus esforços.e o técnico Geninho. com a sua idéia fixa de liquidar craques de renome. a rescisão de seu contrato com a agremiação da estrela solitária. isto teria muito mais importância e significado do que alguns milhões a mais no orçamento doméstico. com a'pele da alma .que os profissionais picaretas (também os há) e principalmente os donos da vida não se acanham de tentar liquidá-lo uma segunda vez. Por desgraça. Muitas coisas há a contar nesta história .ara. Afinal de contas. para defesa de seus interesses.. aliás. É justo e normal que busquem alijar de seu seio.s_p. na qual solicita. em parte. suas realizações. O que não se admite. se agrupam em entidades de classe.. sr. Pelo sorriso de ceticismo e complacência que me concedeu. Um destes é a garantia do mercado de trabalho.comunidades inteiras. em caráter irrevogável. o çjue parece amadorismo é amor pe 1 a criaç ã o j i aj : oisa realmente nova. a Nilton Santos. conforme se depreende da dolorosa carta que endereçou ao presidente do Botafogo. picaretas apadrinhados ou apaniguados que venham deslealmente tornar mais aguda a concorrência. às vezes..

torno a dizer: flama não se paga. sem concessões . Disse uma vez aqui. "um profissional com espírito de amador". Nilton Santos. numa recompensa de amargas desilusões. a um profissionalismo sem compromissos. Embora isto se tenha con^ vertido. graças ao gênio e à dedicação de um admirável número de "amadores". nem futuro e nem memória: só presente. ao conclamar os profissionais do futebol a um enrijecimento de posições.. Dinheiro. não tem passado. E as conseqüências que o grande campeão derivou desta lição foram as mais corretas possíveis. Mas o que me comoveu na missiva-libelo do grande craque foi a sua declaração de que se orgulha de haver sido.sem tréguas. dentro do puro dinheiro. mas se apaga. . mas acho que só agora aprendeu a conhecer a alma monetária. durante 18 anos no Botafogo.está a coberto de acusações. ao fim. Vamos a ver se. nossos dirigentes terão habilidade e alma para conseguir dos craques o mesmo futebol que temos conseguido até aqui. Declara Nilton que aprendeu a conhecer a alma humanà..

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na sua chocadeira. joga o fino . a hora da verdade. Muitos são tratados a aveia.RIVELINO E O DRAGÃO O futebol sobrevive e vive de renovação . algum garoto com pinta de craque. vitamina e pão-de-ló. muitos piam de craque. Mas não é o caso de Rivelino.com a maioria normal e medíocre.quando é mais feliz .mas principalmente. que vai encolhendo e desaparecendo. distinguir. de revelação. no Corinthians. para o qual as excelentes jornadas de Dias e Bellini melhor serviram de palco-pedestal. É o caso de Nei. N ã o há clube. Não se revelou . E muita platéia èstronda e uiva em vão. Revelou-se craque^^craquissimo^em^todas as dimensões da alma e do corpo: . joga maldoso. à toa e dolorosamente: a estrela não nasce na testa do moço.até o momento azado. não há agremiação. o teste final diante das platéias. que ontem deu um esplendoroso e monstruoso show de bola no Pacaembu.ou melhor: revelou-se negativamente. perceber. Rivelino joga duro.magistralmente: lição de bola do menino entre doutores. descobrir e catar. até confundir-se . não há dirigente nem preparador que não esteja sempre de olho aceso para adivinhar. são protegidos e resguardados das intempéries do tempo . Muitos pintam de craque.

dribloú-o e assinalou um gol de paralisar pássaro no ar.que constitui o único. à qual aliás.são de jeito a provocar a agressão física por parte do adversário (reconhecimento de sua grandeza). seu controle de bola-e suas fintas. a vitória do dragão. O Corinthians não ganhou (Dias estava lá. majestoso troglodita gaúcho.só os quatro lançamentos que fez (três a Flávio e um a Bazzani) bastariam para elevá-lo à altura dos maiores. ontem.. grandiosa e solitária. simplesmente seguiu a direção do braço do mestre (que lhe apontou. o local do lançamento). que sé postara no centro do arco! Rivelino revelou-se. Depois de onze anos de fel e são-jorge. Sua genialidade de tal maneira brilhou em campo que acabou por iluminar até o cérebro de Flávio: o admirável. pôde soltar o seu generoso e portentoso bafo^_de^abaÍQjie_grarideza . a fiel torcida acabou por desejar. no Pacaembu. em plena corrida. Sua estrela sobe. viu-se . sua inteligência e seus nervos. mas não importa: a fiel torcida. Rivelino: estrela com nome. encobrindo Bellini. Petulante e sinuoso. A torcida corintiana é o dragão . dentro da equipe alvinegra de Parque São Jorge. no céu do futebol bicampeão mundial. N ã o vai encolher nunca mais. com a qual se identifica e confunde. ele revida com prazer maligno. é a v ï ^ a n ç a dos "sofredores" corintianos. seus piques e lançamentos. dentro do futebol paulista.. Rivelino é mais do que a Esperança.e Rivelino é a labareda que sai da sua goela. autêntico e verdadeiro reconhecimento do gênio.milagre! . depois de deixar de marcar em duas rivelínicas oportunidades. ardentemente.sozinho diante de Suli. sua maldade gelada e a sua fúria no comando do meio-campo são realmente demoníacas . . e Cabeção não estava).

espero. Em abono de minha tese .l "Como Ser Fino Através da Grossura" .Cartas e telefonemas de leitores. Conclui-se dessas bondosidades todas que o ideal é ser grosso & fino a um só tempo e lugar.uns preferindo o grosso. Stan Hardy e Oliver Laurel. De qualquer modo. gume fino que veio da grossura dà escravidão. mais ou menos conhecidos. À guisa de epígrafe. um chofer de táxi me pede que escreva "coisa que se entenda". enquanto meu chefe opta pelo desenvolvimento decidido da linha sofisticada.vou desenvolv e r p o s s a n t e~feoíiã~deãu t oa e f e s a. o paciente leitor não perde nada e eu ganho alguma coisa . outros o fino crônico. companheiros ou simples interessados se têm traduzido de maneira contraditória sobre o teor ou a linguagem destes bicudos terceiros-tempos . conversas. aproveite imponderavelmente ao futebol. este é o certo: a carapuça se me calça como uma luva. pois que magro e grosso sou. prenhe de citações de nomes mais ou menos célebres. sugestões e opiniões de amigos. . Gastarei duas crônicas nesta brincadeira que. Pensando bem. ser gordo e magro. mais ou menos rampeiros.como diria o velho mestre epiléptico Machado de Assis. começo com Charles Cros (Cros = Gros = Grosso): "On devient très fin / Mais on meurt de faim". Assim. palpites.

trajando blue-jeans remendados no derrière e fumando uma fedorenta cigarrilha . nem precisam diferençar-se de ninguém. E vamos às provas.de onde se exala até um vago perfume de estrume . E ela não dá bola . que morreu como nascera. E acima dos acimas estão os legítimos aristocratas. na miséria. Espessamente comparando.nem que achassem péssimo. é o caso do Santos F. os autênticos "cascas-de-limão": estes não imitam nem se sujeitam a norma alguma porque criam suas próprias normas. . 2) Tolstói aconselhava o aristocrata russo a abastardar-se para sobreviver: vez por outra.que todo mundo acha ótimo. Em tradução grosseira: "a gente se refina / Mas a gente definha". descobriu o fonógrafo antes de Edison e os princípios fundamentais da fotografia em cores. esporas e estribos de minha tese: 1) Segundo estudo de um jornalista norte-americano para a revista Esquire.Os trocadilhos metidos dentro destes dois versos .são intraduzíveis.. porque ninguém jamais os confundirá com qualquer outra pessoa de qualquer outra classe. Pelos sucessos ulteriores da História. Assim. devia ele cobrir uma sangüínea camponesa de sólidas patas de elefoa. cada qual buscando pautar-se pelas normas e etiquetas da faixa que lhe fica imediatamente acima.. às escoras. pode atravessar um salão onde esteja acontecendo uma recepção "bem". infere-se que os aristocratas russos desprezaram o sábio conselho do experiente conde. Os peles-finas das 13 últimas posições devem apresentar-se e comportar-se sempre de maneira absolutamente impecável. uma Louise de Valmorin. ou melhor. Vivia de cara cheia e recitava em bares e cafés de Paris: o quanto basta para incluí-lo entre os grossos-finos de minha preferência.. C. em 1888. com ou sem título de nobreza. Literalmente: "Fica-se bem fino / Mas se morre de fome". poetisa e atriz de cinema. relativamente aos demais integrantes da Divisão Especial. a classe alta francesa se divide numas 14 gradações de gente bem. Esse incrível sujeito.

Quem não anda com a juba pelo menos aparada. um filme que só os espíritos "cascasde-limão" podem apreciar devidamente. ou o grosso da finura . dá: "Tornam-se Finos em Prol da Grossura"): 3) Por incrível que pareça.Prosseguindo no meu "fundo" e profundo arrazoado. Eisenstein (e não "Einstein". Onde estão os jovens? Já se aburguesaram e partiram para música mais fina? Seus pais que. se estivesse vivo.o que é intoleravelmente cômico . a gente não dá a filhinha da gente para casar com ele. N ã o tanto pela música. segundo estatísticas prováveis. um lúbrico. um obsceno.como quiserem. consomem exatamente 17 minutos POR ANO da chamada boa música. ó revisor de excelsa visão!). mas . . viola os símbolos da classe (que prefere o corte chamado "meio-americano"): é um renegado. um imoral. que tem por lema "Pró Grossura Fiant Eximia" (mal vertendo e mal versando.por condenarem moralmente seus bastos cabelos. de vêlo ficaria pasmado e entusiasmado. Os Reis do lê lê lê (A hgzd-day's night) é uma das mais finas películas dos últimos tempos. O fino da grossura. a fita sobre The Beatles está em a 1 2 lugar na Bolsa de Cinema da Folha. Um filme de vanguarda. um libidinoso de costumes inconfessáveis. Vai-se ver. naturalmente detestam Os Besouros.

nos inofensivos tempos da Primeira Grande Guerra. Sem desdouro nem deslouro para nenhuma das partes.E5hte. E também no final.não lhe inspiravam horror". de Araújo Jorge. Nas próprias palavras do POEta: "Sofria de uma agudeza mórbida dos sentidos. num poema..que espero poder comentar na próxima crônica.r^ât Jacques Demy. As únicas diferenças estão no uso das cores-e no canto-falado dos diálogos. Roderick.Chuvas-do. Oswald de Andrade escreveu outra coisa. Fotonovela. inclusive um poema sobre futebol .uilherme para o refinamento legião-de-honra.excursão do Paulistano à Europa . de instrumento de corda . mesmo a luz esbatida era uma tortura para os seus olhos. havia chegado a um refinamento tão extremo que só a grossura lhe era suportável. escreveu A Queda da Casa de Usher. Em troca. conta uma belíssima história de fotonovela. chegaram mesmo a es^ crever peças de teatro a quatro mãos.-ggc[uer interessou-se por futebol. Oswald partiu p a r a a grossura (incluindo seis ou sete casamentosLe_G. no duro. 5) Para citar um caso brasileiro: Oswald de Andrade e GuiJherme de Almeida começaram juntos. Graves lacunas da parte dele. só os paladares mais seletos sabem degustar~ãHpõêsiã"lTã prosa TjoãcTMiramar.Amo.Hoje.. Só que eu dé minha modesta e grossa parte. somente trajar roupas de uma certa textura. prefiro J.. e em meu benefício. nhas de piano e comoventes alunos dos Cursos de Madureza em 1 Ano. "traseiro" em lugar de "nádegas". que teve a sublime audácia de escrever. genialíssimo: aquela tomada do posto Esso nos dizendo que. . G. em francês. somente podia tolerar as comidas insípidas. e apenas alguns sons especiais .assim mesmo.4) Sabemos todos que Edgar Allan Poe jamais foi corintiano. 6) Voltando ao cinema: O^Guar das. os odores das flores oprimiam-no. Depois.G^ pliando sua torcida entre comovidas normalistas e professora^.. um conto onde conta como o último varão da estirpe dos Ushers. 1 S^afim.

trágico quinguecongue alvinegro. nobre. sim senhor . não compreendendo o ocorrido. só lê bola: é um troglodita erudito no assunto. o clube da estrela solitária é o que possui a melhor orientação no que se refere à combinação do grosso e fino. N o Corinthians. é analfabeto dos cinco sentidos: não entende nem apito de juiz. Só vê a bola. além da Penha). depois de perder dois lançamentos primorosos. nüm rasgo em que teve de pensar até com as tripas.na sociedade em que vivemos. doloroso. viu tudo em matéria de grosso e fino. Quem o viu no jogo contra o Palmeiras. Todos os críticos de cinema ficaram furiosos porque Dem)yiãO-£lejuj^ chegou" a dizer que o filme é "superficial. ocluso e obtuso. parado no meio do campo enquanto o jogo prosseguia.. quem sabe na impiedade dos holofotes e das vaias uma pequena luz de entendimento que esclarecesse a inocência do seu cérebro. meu exemplo é Flávio. Quod Eramus Demonstrandum. . Aliás. pilhado pela sexta vez em impedimento (em menos de 10 minutos). a não ser aquilo que queria dizer desde o começo: Viva o Corinthians! (com H. aprender fulgurosamente sua lição de grego. goleiro do Botafogo carioca.o qu^prova^iJ^jele está^rái s ^ or s c a f a n dr" 1 stijTõ üeserto ou escoteiro em bordel. tentando farejar no ar. uma coisa que até eu entendo. E não preciso dizer mais. quem tornou a vê-lo contra o São Paulo. 7) Para concluir. ó fino revisor. para marcar aquele gol inesquecível . tentando decorar a helênica lição de Rivelino e.em que pese a opinião contrária dos corruptos e subversivos.quem viu. mais ou menos: Manga. que Corinthians vem da Grécia e da Inglaterra. o dinheiro traz a felicidade. lacrimejante e piegas" .

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furou-lhe o osso frontal com a ponta de bronze. calcam já o mesmo terreno. "Os dois exércitos. E o poderoso Mengálvio o tomou pelos pés e o ia arrastando debaixo dos dardos. rubroverdes e alvinegros envolveram-se em luta mui renhida: cada guerreiro queria matar outro guerreiro. como lobos. o luso baqueou no combate como rui uma torre. Aluísio. Os guerreiros defrontam-se. Foi neste lance que Lima atacou o famoso jovem Ivair. por toda a parte se picam e cortam com as pontas e gumes de bronze. Aqui obliquando-se para a frente. o Mulato. na arrancada de um contra o outro.500 A. e o primeiro a morrer foi um luso. Quem primeiro começou a matar foi Ismael. Ismael atirou-lhe ao capacete de poupa de crinas. estreitam-se arca por arca. que se distinguia na vanguarda. arremessam-se uns para os outros e estrondeiam as rijas pancadas dos escudos. vendo-o curvado a puxar o cadáver e que o escudo lhe deixava a descoberto o flanco. e os peitos abroquelados rangem. afrontam-se. N ã o chegou o . baralham-se. mas frustrou-se-lhe o intento. além.C. num abraço de espantoso furor. porque o generoso Ditão. Em torno do cadáver de Mengálvio. meteu-lhe pelo vazio o pique de bronze e o matou. desejoso de lhe arrebatar as armas. toldou-lhe o olhar a sombra da morte.

infeliz moço a realizar as esperanças e amorosas vistas de seus pais, porque pouco tempo viveu, morrendo trespassado pela hasta do animoso Lima. Ferido no peito, junto do mamilo direito, a ponta do bronze saiu-lhe pela espádua. Sobre Lima correu Edilson, revestido de esplêndida couraça, e. arremessou um acerado virotão; não acertou em Lima o virote, mas de Coutinho furou a virilha: puxava Coutinho o cadáver de Ivair quando se lhe meteu e subiu por entre as pernas o dardo; escorregou-lhe das mãos o cadáver, e caíram lado a lado dois cadáveres. Era Góutinho de Pelé grande amigo. Mui sentido e exasperado com a morte do camarada, investiu Pelé com grande fúria a multidão dos lusos; relampejava-lhe sobre a fronte o capacete de bronze e na mão vigorosa refulgia a lança. Rodopiaram num instante os lusos, mas nem todos fugiram a tempo. A lança de Pelé apanhou Vilela. Foi este a quem Pelé, enfurecido pela morte do amigo, matou, e a morte do homem foi assim: a lança entrou por um lado da cabeça e saiu pelo outro. Grande surriada fizeram os de Vila Belmiro ao inimigo, e férvidas aclamações aos seus heróis; retiraram do campo de batalha os mortos; depois correram para a frente e ganharam muito mais terreno. Mas Aimoré estava a ver do alto de Pérgamo tudo que se passava, e não lhe agradava nada o que via. Por isso, começou a gritar aos rubroverdes: - Para a frente, lusitanos! Quem cavalos doma fugir não deve! Não cedais em ofensiva aos peixeiros! Tampouco deles a pele é pedra ou ferro insensível aos golpes do cortante bronze! Então o destino apoderou-se de Edilson: ficou com o tornozelo direito esmagado por uma angulosa pedra que lhe arremessou Olavo; a bruta pedra empastou totalmente os dois tendões e os dois ossos. Expirando, Edilson caiu de costas na poeira, estendendo ainda as mãos para os .companheiros. Saltou sobre ele o mesmo que o tinha ferido e com a lança furou-

lhe o ventre pelo umbigo; as tripas desatadas saíram, desenrolaram-se, correram e alastraram pela terra; os olhos velaramse de sombra." Eis como, provavelmente, Homero teria descrito a pugna Santos F. C. vs. Portuguesa de Desportos, ferida dentro dos muros do Pacaembu, na última quarta-feira. Tudo mais ou menos de acordo com fragmentos do Livro IV, da Ilíada, na horrível tradução do, digamos, bondoso padre M. Alves Correia, para a coleção "Clássicos Sá da Costa", Lisboa, 1951.

CHEGA DE CAMPEÕES! -

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Terra infeliz, terra desgraçada. Não podemos ter nada de bom, nada de destaque, nada de projeção e qualidade internacionais: assim que conseguimos algo, logo o perdemos de vista, logo não somos mais merecedores de vê-lo e desfrutá-lo. Terra infeliz, povo desgraçado. Tudo o que é bom, aqui, vira ouro. "Galo de Ouro", "Seleção de Ouro", "Berimbau de Ouro". Mas não é para nós: é para os outros. Povo infeliz, terra desgraçada. Enquanto não foi campeão do mundo, Eder Jofre era para todos nós: qualquer humilde servidor da vida podia ir vê-lo lutar, encher-se de sua grandeza, engrandecê-lo, encher o ginásio do Pacaembu ou do Ibirapuera, incentivá-lo na disputa do título máximo dos gaios. Depois que choveu sobre ele a chuva de ouro da glória - quantas vezes o vimos? Duas vezes. Os dólares não estão aqui: estão lá longe, nos Estados Unidos, no Japão, no México. Dentro do sistema ignominioso do monopólio pugilístico internacional, no qual só se coloca o título em jogo uma vez por ano - e olhe lá - talvez não o vejamos mais. Um campeão mundial deveria aceitar três ou quatro desafios

por ano: o que importa é o número de desafiantes aos quais resistiu e não o número de anos em que conservou o galardão. Povo infeliz, povo desgraçado. Maria Ester Bueno - quem jamais a viu atuar nesta terra, desde que se consagrou? Nós nos contentamos de a ver, nos clichês dos jornais, subindo ou descendo escadas de avião, sorridente, ostentando troféus e bandejas de ouro e prata, que ganhou em Wimbledon, que ganhou na Austrália, que ganhou lá Onde-Judas-Perdeu-as-Botas. Seus saques e voleios dourados não são para nós. Terra desgraçada, povo infeliz. Villa-Lobos, o Carlos Gomes do Estado Novo, não era lá essas coisas. De suas 2000 obras, pouca coisa se salva no contexto-de-renov.acão-da-música.de nosso séculõTMas. era o"que tínhamos de melhor: acabou encontrando nos Estados Unidos" um ambiente deTxãBãlho muito mais propício. Eleazar de Carvalho é, entre os regentes da velha guarda, o único que se interessa pela música revolucionária de nosso tempo - mas vem ao Brasil a passeio: é regente titular de uma grande sinfônica ianque. Justamente porque tudo aqui está por da Promissão às avessas, PesterrcT dã"Desprõmissão. Povo desgraçado, terra infeliz. O jovem maestro Júlio Medaglia, recém-formado em Ereiburg, após brilhante curso de quatro anos, já se deu o prazo máximo de seis meses para conseguir fazer alguma coisa: nada obtendo, manda-se de novo para a Europa, onde não lhe faltam convites e oportunidades para reger boas orquestras. Jovens músicos brasileiros, músicos de verdade - não aluninhos premiados de maestros folclóricos - como Damiano Cozzella, os irmãos Rogério e Régis Duprat, Gilberto Mendes é Willy Correia de Oliveira, que mantiveram contatos de alto nível com os grandes compositores da atualidade (Stockhausen, Boulez, Berio), até há pouco tempo andavam por aí, com uma mão !

Agora. O baiano João Gilberto está num paraíso de trabalho junto de Stan Getz: já importamos bossa nova dos Estados Unidos. ainda têm o topete de disputar para elas o título de "capital cultural do Brasil"! . empobrecendo-a ainda mais. é bom lembrar que se ouvia mais e melhor música na Vila Rica do -século X V I I I .na frente e outra atrás. Confiemos no destino em que os jovens criadores da nova música popular não se projetem em demasia e continuem entre nós. com raízes e tudo. E os cartolas de ambas estas cidades. ridículos truões. E já que estamos aqui. graças aos bons ofícios de Cláudio Santoro: é o caso cruel de não lhes desejar maior sucesso. os três primeiros obtiveram um cantinho de trabalho na Universidade de Brasília. para que não se arranquem desta terra. será de admirar se um Jobim e um Baden Powell não se mandarem também. do que na São Paulo e na Guanabara de hoje.

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. Ora. que vale evalerá^ quem_viver. uma das quais é justamente a reforma agrária. que se transformou em "estatuto da terra" . terra infeliz.por uma reforma agrária. A ocupação das terras do Oeste foi a responsável direta da riqueza daquela grande nação..que já não significa mais nada. enquanto que nós. Quem não tem cão. que permite a formação de um forte mercado interno de consumo. Até Fidel Castro teve de reconhecer esta verdade. E va- . que depois foi amenizada para "reforma agrária". da terra aberta aos pioneiros e seus carroções .Nós começamos com a idéia de "revolução agrária".. que também pode passar por lebre. Só uma coisa não sabem fazer nossos geniosos economistas: é aprender as lições das grandes realizações do povo norte-americano. tivemos Brasília.como costumamos ver nos filmes de far-west. que virou "revisão agrária".. pois que lhe propiciou um potencial de consumo interno até hoje não igualado por qualquer outro país. feita naquela base.CHEGA DE CAMPEÕES! - 2 E agora os salvadores da pátria nos querem fazer crer que exportar é a solução. Povo infeliz. Para não dizer que não tive- mos nada de uma vez.. a alternativa para a inflação não é a exportação: é a reforma agrária. caça com gato. verá .

A nós. os primeiros jogos de entrosamento contra esparros de categoria inferior e média. Para o p o v o brasileiro. terra desgraçada.e a esperança. Terra infeliz.quão poucas vezes a vimos jogar em nossos gramados! Para nós. nem Esterzinha. Assim que o quadro começa a tinir .e também contra o Flamengo. nem Santos FC e nem formos. Nossa "seleção de ouro" . E começamos tudo de novo: embora mais desdentados do que tamanduá. o osso . um vício. neste último caso.vai-se embora. Aliás. terra desgraçada. povo desgraçado. só nos são dados assistir os primeiros ensaios. os primeiros cortes.não esse deprimente futebol que vimos no Pacaembu contra os "universitários" . já nos acostumamos a roer ossos. por desventura. Povo infeliz. o filé.e a seleção se desfaz. nem Pelé.mas para comprar carros estrangeiros usados e assim refrear o crescimento de nossa nascente indústria automobilística. pois terão interesses em vir . as primeiras fofocas. Agora vai o Santos também pelos descaminhos da exportação. o erro . Terra desgraçada. Cobre-se de biglórias lá fora e volta para recepções apoteóticas e mal tem tempo para algumas exibições extras (a maioria.e a preços razoáveis. Nós também queremos ver os grandes de outros países exibirem-se entre nós . porque logo os clubes reclamam os direitos sobre os seus craques . campeões mundiais de futebol? Pois agora ainda é o momento de selecionar desafiantes da mais elevada categoria e trazê-los pra cá.e vamos esperar até quando para fazê-lo? Quando não tivermos mais Eder. Ver Pelé será privilégio de poucos brasileiros. Menos mal que alguns jogos de categoria terão de ser realizados aqui. no exterior). obrigatoriamente. Jogos de categoria .para os outros.mos exportar milhões de toneladas de ferro e manganês para expandir nossa indústria pesada e nossos conhecimentos tecnológicos? N ã o . o desespero-é-umhábito .

dos flamenguistas foi crasso: o Flamengo deveria ter esmagado o Santos. voltei a esquecer do tutu.pelo menos enquanto guaraná não for coca-cola. não vamos mais exportar coisa nenhuma. deveria ter enfiado um saco.. Povo infeliz. nisto tudo. que aceite o nosso bagulho: chega de campeões! N ã o vamos mais exportar campeões.nem mesmo presidentes-da-república. impiedosamente. Não. Se não soubermos nem pudermos fazê-lo de novo..chega de campeões! De que vale tê-los apenas como saltimbancos pelas estradas do mundo. Mas o ilustríssimo sr. . sorrindo mentalmente. É isto mesmo: não vamos exportar mais nada . de que vale tê-los apenas como medalhas de nossa prosápia. então . e e desarmou desarmou a a equipe equipe moralmente moralmente. dos dólares. não vamos mais exportar nossa gente . Acredito que os leitores. sem lhes ter visto os heróicos feitos? Quem quiser. gostariam de lembrar-me que. desgraçada terra. como tem sido nosso luxo e moda ultimamente.esquecer quem há-de? Mas relembro também que já fomos campeões do mundo de futebol antes de começarem a rolar as auríferas águas. Fadei Fadei preferiu preferiu sentir-se sentir-se pessoalmente pessoalmente afrontado afrontado e e humilhado humilhado pela pela ausência ausência de de Pelé Pelé. não esqueci .

.. Tão bóm ou melhor do que a popintura de um Roy Lichtenstein.Um quadrinho soberbo. pelo realismo.. A precisão do garoto em matéria de automóveis.. da atual fase "metalingüística" dos quadrinhos americanos.. Robin e o "batmóvel" como fenômenos da vida quotidiana.. a advertência clássica: "Quantas vezes já lhe disse para não falar com estranhos?" . humor e absurdo. pelo enquadramento. Batman. A dona de casa pequeno-burguesa e o humor que adquire. na situação.

6.. ARTES. ..

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quando começou a pintar . Esse artesanato que. daqui e do mundo . A execução. . aos 16 anos . figurativos ou não. palacetes e vilas de prósperos burgueses. de dez anos para cá. se não sempre ligado à figura.mas suficienteme nte irritante para a legião'de pintores modernos acadêmicos. de casas.VOLPI " O importante é ter o desenho. Entalhador. é fácil. solipsistas. renascença ou bar* Em 1957. depois. está sempre ligado a requintadas e torturadas contorções subjetivistas. em sua maioria. sala de jantar.resume em si a crise e a superação do artesanato.promovido a decorador. 61 anos*. Esta fra se simples ." Alfredo Volpi. Este fato basta para sugerir a medida da singular revolução natural que Volpi operou em sua obra. encadernador. Volpi tinha ano e meio de idade quando sua família emigrou para o Brasil. místicometafísicas: mão teleguiada pelo falso humano. a idéia. aprendiz de decorador de paredes. Peculiaridades da decoração de seu tempo: sala de visitas^ sempre em estilo Luís XV. em 1896. pouco depois. Itália. a frase é de Volpi. Nascido em Lucca. N o entanto. diversificação: greco-romano. de origem estrangeira. mestre artesão por excelência.

Nas casas menos pretensiosas. Maya Desnuda e Ensor. no Palácio das Indústrias. ao qual. do Cambuci a Santana. Em 1924. não pertenceu. Há 30 anos.. que conseguiria adquirir mais tarde.que costumava dizer. embora habitando em São Paulo. Fixase em sua atual casa do Cambuci. Conhece De Fiore .Helena_Í2íSÚva chamado por terem seus ateliers no edifício onde se encontra o Cine Sta. a duras penas (um conto por mês). cinza e vermelho escu- . vendo o que via: o mundo das formas. oficialmente: Minha Irmã ou Moça Costurando. mas a técnica. esguio e espesso a um tempo.roco (anjinhos). a atmosfera lembram a conhecida obra de Vermeer. as gentes. do Grupo Sattía.. para executar uma pequena empreitada. para significar: mera habilidade manual. É dessa época a série de marinhas e casas que marca uma de suas fases: impressionismo cedendoJugar_ao_express ionismo. Nunca freqüentou escola de arte ou professor. o decorador se "rebaixava" a pintor de paredes e ia. É reconhecido pintor. impressionista. a pé. mas que provavelmente o atraía por sua natureza popular. expõe pela primeira vez: três obras. Helena. se o dono era de origem italiana.e indicava o punho. Graciano. na Praça da Sé). que "só tinha isto" . pela cor e tonalidade. com mais alguns companheiros. sensual. N o período de 1934-1941. cinza e gesso. oposta à pintura de efeitos. conheceoutros pintores: Rebolo. grotesco e funéreo. em tempos bicudos. onde sua mulher convalesce. O tema. tinha mais liberdade e então se comprazia nos motivos geométricos. em verdade. com as coisas e as gentes.") . as humildes fachadas de casas continuam a servir de temas às suas telas . Aprendeu sozinho. o problema da luz. Zanini. de Portinari.("un bello artista. Mas aí já se obse^SEaque^que daí por diante seria a sua maior preocupação: limpar a cor. As ruas.e "ataca" o expressionismo com vigor: é de 1945 um Nu violentíssimo. O piso em xadrez. se dobra. mourisco. se de origem árabe. do quase impressionismo romântico de Monticelli. freqüenta amiúde Itanhaém. Vende seu primeiro quadro.

terras. embora tonai ainda .se distribui em grandes planos articulares na parte arquitetônica que serve de background à figura do Cristo. passou à produção em série. não tinha mais tempo para pintar de verdade. para evitar acusações de plágio. sua primeira obra de nítida tendência geométrica. A partir da segunda encomenda. A atmosfera^ que estará presente ainda em sua última série de casas e onde Mário Pedrosa quer ver a atmosfera das casas mal-assombradas e dos corvos de certas gravuras de Goeldi. de 1946: as arquiteturas da figura humana e da cadeira se correspondem quase que elemento por elemento.. Instintiva. de sabor barroco e popular: o drapeado da cortina do teatrinho-nicho repete as ondulações do gesto. São Silvestre Ressusci- . Volpi.ro. Finalmente. Fez. é a Moça Sentada. E dizer que nesse ano. O mesmo pode ser visto na Nossa Senhora com o Menino.: Cristo no Horto das Oliveiras). que Volpi só iria conhecer realmente três anos depois. o rumo à bidimensionalidade se explicita de vez no Cristo Monumental de 1947. Embora prenunciado em obras anteriores.. em vinte dias. é antes aquela atmosfera de maninconia mística. para viver. já lembra os chamados primitivos italianos. Essa parte.). com sucesso: quatro. podem ser vistas em casas humildes e pequeno-burguesas desses brasis afora. viu-se obrigado a pintar oleografias sacras (ex. mal chamado Giottino (cf. A cor. em seu genial discípulo Maso Di Banco. copiadas de estampas-modelo (com alterações. hiperacadêmicas e lambidas. o manto-sudário azul-celeste e o estrado marrom-zarcão denotam essa preocupação. que o produtor-vendedor lhe oferecia. desse modo. reproduzidas aos milhares. dominando inteiramente a "técnica". cerca de 50. tipicamente mediterrâneaj presente em'Giotto. a mais importante.. olivas .. já executava uma em apenas três dias. que. mas sólida.ocres. Levou quarenta dias para executar a primeira: achou barbaridade. não tão distante assim.

em Schiavo.setenta e dois contos). a cor se purifica: um M o n d r i a n trecentesco.para o que muito contribuiu. o Primeiro Prêmio Nacional de Pintura (juntamente com Di Cavalcanti) . a pura estrutura dinâmica de seu grande Xadrez. temos.. caracterizada pela bidimensionalidade e pela cor pura. giottesca fachad a de suas casas. Poussin.da^pintura^Já na irBiênãl7 suas casas foram a grande surpresa e arrebataram. Florença). segundo consta. branco e vermelho. Em 1950. Em sua obra.. num Carrà não-metafísico. Bellini.000.00 . vai à Europa. mesmo. que só executaria quando de novo no Brasil. bandeiras de portas). da última fase). a fejiz intervenção dos delegados estrangeiros.tando Alguns Mortos.papeL Confirmando a revolução. E assim c o m o M o n d r i a n supera a ortogonalidade estática de sua obra neoplasticista propriamente dita. propondo-se úm prõBlgma-de-mo-VÍmento.entoinha-de. E a visão dos "primitivos" italianos ("Quelli sapevano. À medida que a arquitetura visual da casa se vai confundindo com a do próprio quadro. a calma.Volpi acaba por agifc^pela_variacão de uns poucos elementos (janelas. pela movimentação barroco-impressionista de certos elementos (série Boogie-Woogie. graças a uma prévia subscrição de 24 obras (Cr$ 72. pois na Europa preferiu ver a pintar. para o seu autor. Volpi demonstrà um interesse relativo pela figura humana: sua preferência vai para a paisagem e. Santa Croce. a seguir. pela primeira vez. a casa. 1948 marca o início de sua última série àe Casas. que acabaria por se transformar numa das mais extraordinárias revoluções indi^uais-da-história.. e como Calder transpõe o neoplasticismo de Mondrian para o dinâmicoplanetário de seus mobiles .") reforçou e acelerou a evolução formal de sua obra. portas.eria-num-tema-típi^ co: a v._que-se-resolv. onde um fenômeno de refração por interferência de elementos (que se reconciliam no centro do quadro re- . na paisagem.. membros do Júri. na pintura metafísica e.

. saber em que ismo . gestalt. De resto. Esta obra é. diz: "Hoje. mas um dos grandes num confronto internacional. sua capacidade de rigor na organização das formas . topologia e coisas que tais . é bastante curioso esse vício e necessidade de alguns espíritos de algemarem o "humano" ao figurativo.-uma-obra_có«. realizada no Museu de Arte Moderna do Rio.tangular: incidência do olho) confere ao mesmo branco duas tonalidades distintas. pois é primário e arbitrário fazer derivar a noção de humano meramente do anedótico figurativo. toda a cultura árabe seria tachada de inumana ou desumana. como teve a sábia e justa coragem de dar um belíssimo salto qualitativo em plena maturidade. Foram os concretistas os inspiradores das duas últimas mostras de Volpi: a de maio do ano passado.insistem em chamar a aten^ a o para o caso Volpi. ._exatamente. fazem de Volpi um dos artistas mais conscientes e conseqüentes na evolução formal da própria obra. que consideram não somente o maior pintor brasileiro. nesta base. O importante é saber que os problemas visuais de Volpi e dos concretistas são comuns . provavelmente. A isto se deve chamar.se enquadra a sua última fase. Por tudo isto.justamente empenhados na fundação de uma tradição do rigoj. Volpi ignora o que sejam.ainda que os meios de ataque à sua realização sejam 'diversos (Volpilixou-se na têmpera). os concretistas .. um ingênuo ou um equivocadamente influenciado. Longe de desprezar o valor do estudo. s maiores. é um dos raros artistas brasileiros que não só não decaiu depois dos 40.mas nem por isso é um primitivo. e a individual no MAM de São Paulo. um pode aprender em cinco anos o que eu levei 30".especialmente os da estrutura dinâmica . retrospectiva. de humano. Sua educação_e cultura_visuais.. já que o Corão proíbe a representação da figura humana. no mesmo ano.junda que a Volpi não interesse. Por outro lado. precisamente. Volpi. teoricamente. além do mais.

N o entanto. que se inaugura no mês próximo. os responsáveis pela IV Bienal. . Mas essa gente não poderá furtar-se por muito mais tempo a uma grandeza que os esmaga. não acataram a sugestão de incluir Volpi entre os concorrentes ao Prêmio Internacional de Pintura.

reatando a posição crítica de Dada (a partir de 1915). N o entanto. O significado que possa ter deriva do fato de ser uma manifestação "antiarte". É a própria estética que entra em crise. deixará de ser happening. se isto ocorrer. naquilo que tem de artesanal. O happening é um acontecimento semântico-experimental. de experimentação de novos significados (bem como de destruição de significados já codificados). A rigor. ao vivo. Os signos que utiliza (geralmente ready-made. Daí as reações do público: "Não gostei. isto é. trata-se de uma manifestação "artística". para dar lugar a uma possível . de linguagem e comportamento. deslocados de seu contexto habitual e postos em relação insólítãTprovocam conflitos dê~significações. objetos já prontos). Mesmo porque o happening já demonstra tendências à institucionalização (como novo gênero de espetáculo). e justamente por isto. N ã o entendi nada".O QUE ACONTECE Q U A N D O O HAPPENING ACONTECE O happening é uma criação da' pop art americana. Sua importância atual reside em que é uma experimentação. É uma típica manifestação de contexto. como a televisão e o cinema. de nãoreprodïïtibi lidade e de público restritõ7~Gãnharia maior amplitude se pudesse dispor de meios de comunicação de massas.

precisamente. arte cotidiana. de São Paulo. contra arte de contemplação. Arte-vida. os happenings têm sido realizados em relação à música.mas foi o que mais se afastou da música. que seria a estética da sociedade de massa ou de consumo em massa. são corriqueiras e de uso banal. 1965). galerias. Este nosso happening foi realizado por músicos. Universidade de Brasília e Teatro Municipal de São Paulo. se arte é. por exemplo. por inspiração. com suas "experiências" da década de 30. Escosteguy e outros). em sua maioria ."lógica de preferência". Eu. Canal 7. Diogo Pacheco e Gilberto Mendes (Galeria Atrium e Faculdade de Arquitetura de São Paulo. de qualquer lugar . * Maio de 1966. Rogério Duprat. um urinol. O happening. Estas coisas. depois desenvolvido no João Sebastião Bar*. 1964. museus etc. Fazem exceção os realizados por Wesley Duke Lee (creio que anterior a todos os mencionados: começos de 1964) e o acontecido recentemente no Rio. montei o que denomino de "bateria semântica": um toca-discos. Show.) N o Brasil.contra toda arte que requer lugar especial para se manifestar ritualisticamente (salas de concertos.e num contexto totalmente diverso . por ocasião da inauguração da Galeria G4 (exposição de obras de Antônio Dias. uma bomba de flite e um boné. uma sineta. que o precursor do happening no Brasil foi Flávio de Carvalho. um livro sobre "lições práticas de democracia". pelas reações do público). de Damiano Cozzella. moedas. numa certa seqüência . Mas relacionadas entre si. no entanto. em seus respectivos contextos habituais. para o happening do Blota Jr. Lembrar. Willy Correia de Oliveira. os versos iniciais de uma poesia infantil de Bilac. Arte de ação. . principalmente. é uma arte do precário e do passageiro.perdem o seu significado de uso corrente e se transformam em signos abertos a novos significados (muitas vezes preenchidos.

são forçosamente retrospectivas . para os que estão por dentro .forçando um pouco a mão .as obras das principais representações (para não falar das outras) podem ser facilmente etiquetadas com um déjà vu.ANTIARTE ARTÍSTICA Todas as bienais.os membros do Júri.e nisto reside o interesse que possam ter. pois que ela se propõe justamente entrar no tempo do consumo. O compasso bienal está descompassado: dois anos já é muito para a arte.de contradição paradoxal. obras de há apenas três ou quatro anos já . como um ano é suficiente para a moda. Dentro desse novo tempo.. uma vez que a arte contemporânea se vai regendo pelo signo da experimentação. esta IX Bienal será uma extraordinária novidade. Isto é o que se poderia chamar . Acrescido do instigante fato de se tratar de retrospectivas de vanguarda. N ã o vai nisso desdouro nem desdém pela arte que hoje se faz. quando mais não fosse pelo simples fato de elas chegarem ao público através das revistas de grande tiragem ou das revistas especializadas antes de o atingirem pelas mostras tradicionais. Para a maioria. por exemplo e por suposto . que é o tempo da moda: o tempo precário é o seu tempo significante. daqui e dalhures. é o que a faz documentária e referencial.

em que o mais~c>bscuro amador mandou a sua brasa. Foram os americanos que. então. abriram a brecha no consórcio artístico europeu e soaram o halali para o avanço geral dos bárbaros subdesenvolvidos e subdesarrolhados. utilizando as armas européias de Dada. mais um estupor: quão artísticos e museológicos nos parecem agora os norte-americanos . quando os EUA mandaram-nos uma vasta representação do "realismo mágico". Lichtenstein. que não lhes souberam 1er os signos: a arte. brasileiros. uma tradição. tostou e deglutiu sua tíbia ou seu artelho! Conte-se esse aspecto como o ponto. e o debate era figurativismo / não-figurativismo. talvez. Coisa curiosa: Hopper.. quase d i r i ã í ^ e m comparação com os Brasileiros! ^Ajgpresentação brasileira é uma quermesse herói-comovente.quão europeus. em 1953. se chegarem a olhar para os . os ianques como que se vingam da Europa e dos seus (da Europa) satélites: graças a sua atual vanguarda vitoriosa. a maioria das peças da atual representação brasileira seria seguramente recusada: resta-nos o consolo de saber que._É_um festim canibalesco.. abstracionismo / concretismo. a partir e por força de uma vanguarda. o pioneiro. esteve largamente representado na II Bienal. Os membros do Júri Internacional. é isto o que não se entende no Brasil. nos vinha da Europa tão-somente. fazem-nos engolir toda uma tradição própria: firmam assim. e retroativamente. Indiana. Segai. E isto o que fascina e irrita os europeus. a apresentação de Hopper constitui uma retrospectiva dentro da retrospectiva (ou vice-versa) das obras de Rauschenberg. na representação norteamericana. pelo menos para nós. peças como essas ainda não existiam. onde o "sistema'' só deixa de combater a vanguarda quando ela já está legitimada pelo consenso internacional (europeu). Em conseqüência. se a memória não erra. que foi na época praticamente desconsiderado por todos. Hoje. Há apenas três bienais atrás. mais positivo dessa IX Bienal. nessa época.nos parecem clássicas: veja-se que.

à pressa. Na barbúrdia da montagem da mostra. a coberta dobrada. o que não parece ser o caso de nosso representante nessa alta corte artística. é uma obraprima da antiarte..e em plástico.nativos.. ficarão entre a perplexidade e a gozação diante de uma gana tão altamente primitiva. a alienação. O Quarto. Embora seja tarefa estranha descobrir peculiaridades na bizarria. mesmo. Era de Oldenburg. o kitsch do kitsch. de Wesselman. para gigantes infantis. que ocorrem quando se desenvolve o processo coisa-signo-coisa (quarto-miniatura-quarto). em tamanho natural . desses tridimensionais que se penduram à parede e que transpostos para o tamanho natural adquirem um significado de gigantismo! E a kitschização do kitsch . não nos deixam de impressionar várias de suas características. o casaco de pele de leopardo. É interessante observar como os nomes pouco ou nada conhecidos. Antes de mais nada. Irônica crítica à representação perspectivista. a encarregada norte-americana. me informa ser de Oldenburg uma obra que só pode ser de outro: Tom Wesselman. a perda de informação. o autor do Interiores . como Wesselman. algo assim como uma miniatura ampliada à escala de um-por-um! Um quarto-quadro de bonecas.. Imagine-se um casal deitado naquela cama de ângulos distorcidos em rigorosa perspectiva. r e d u n d a n d o numa perturbadora cenografia coisa-signo. como a do teatro ou da televisão presenciadas in loco. mas do modelo de um quarto. O kitsch em toda a sua crueza: os lençóis. já se nos afiguram "clássicos".e prefiro correr o risco*. não se trata de uma cópia. A não ser que entre eles haja algum estruturalista tristetropical.. já em fase de aperfeiçoamento de uma linguagem conquistada. . ou criançasgigantes: nós. um modelo ampliado da miniatura de um quarto.aguda metalinguagem que mostra a deformação. N ã o o mau-gos- to. ou seja.

o antiamericanismo dos americanos (eat-hugerr-die) é mais "por dentro" do que o dos europeus. a Wesselman. Sim. sua genética do nosso pavilhão. o nosso José da Silva. ou ainda: a bandeira brasileira em "série estocástica". não nos propomos falar. Se os artistas brasileiros se dessem ao trabalho de 1er. com sua surpreendente fenomenologia do auriverde pendão. ou melhor. Embora por via estadunidense. utilizando a retícula do off-set. um tanto primitivos diante da tecnologia e dos eletrodomésticos. Contraponha-se. O Jasper Johns das bandeiras não está*.por certo poderíamos alimentar a esperança de termos um dia uma fortíssima e autêntica arte popau brasileira. mas está o nosso Quissak Júnior. Mas em Segai. Brutal naco realista de um não-tempo viajando num formidável caixão de cimento para lugar nenhum (talvez num longo futuro alguém se atreva a ter essa "Preta Velha" em algum lugar!). Já Erika Steinberger superinfantofeminiliza o kitsch. as brancas. Por certo. e são. figuras humanas de gesso perdem dimensão: passam da terceira para a segunda dimensão: são vazados. Mas Jacquet caricaturiza sobre objetos de plástico e em silk-screen. José da Silva. nem menos! Seu Transe é um super-Almeida Júnior traduzido para a terceira dimensão. na verdade. pelo menos. porém. obras da tradição pictórica france* Estava e até ganhou prêmio de aquisição.Sobre os já clássicos americanos. é o único que retoma com todo o peso e com invenção aquela tradição da vanguarda brasileira dos anos 20: a estupenda bandeira pau-brasil de Tarsila para o livro de Oswald (1925). só agora descobrem a so.PauBrasil e Antropófago . que praticam uma curiosa arte e um curioso antiamericanismo MCE (Mercado Comum Europeu): afinal. .. um políptico de aproximação à Bandeira Nacional.ciedade de consumo. nem mais. os manifestos de Oswald de Andrade . buracos na paisagem..

sa: Déjeuner sur l'herbe. E dizer que, em 1960, o brasileiro Fiaminghi dera início a.pesquisas nesse terreno: parou por falta de gás e de atrito informacional. Os americanos descobriram a arte que existe na arte publicitária e Stampfli a traduz em europês e suicês, enquanto Reiçhert, da Alemanha, chega à poesia concreta: veja-se o seu bom Igor e mesmo todo o Codex Tipographicus (só, que, sendo "artista", artesaniza o industrial, gravuriza o tipográfico). Seralli, da Itália, vai à não-arte metafísica, com requintes de maneirismo renascentista: vejam-se as sombras de suas figuras recortadas em tábua, nos degraus da escada. E Pistoletti convida o homem comum, parece, à vida cotidiana, onde também há rainhas, através de painéis metalizados. Quanto mais se vê não-arte, mais se encontra arte - não há fugirTMesníõ porquê, nestes" tempos, a definição de arte~é bastantesimples e prática: arte é t u d o o^jueTigura em gatóríãs, museus e bienais. O conteúdo se defi n^pgIõ^onfinèníEI(Sonjtêxtõ),j^que-não-deixa_de-ser~exp.ejimental: se não se salva a arte, salva-se ao menos a sua história... De qualquer modo, a representação brasileira fascina, no seu espremido e bracejante caos. Waldemar Cordeiro, finalmente, redescobre certos aspectos elementares da linguagem: o tríptico "indivíduo/grupo" e a obra em que os indivíduos se desmassificam ao contato sensível da lente de aumento que os mostra: trabalhou modestamente, sem cor, nesse campo restrito e a sua tampa de vidro sobre placa de vidro convida a idéias de raiz sobre o quase-nada, quase-coisa, quase-signo; graças ao título (Folclore Urbano Paulista), seu cifrão com lantejoulas adquire certa dimensão oswaldiana. E um técnico eletrônico, Efísio, dá um contorno artístico ao seu primitivismo: vai ao olho com oscilômetros, ao nariz com tubos ionizados que alteram o cheiro ambiental e ao ouvido com uma máquina gratuitamente bucal, que repete as palavras da gente quatro segundos depois. Enquanto as coisas se montam, Felícia Leirner reclama que enormes esculturas metálicas estragam a visão de suas obras-

casas na varanda; Guerchman se queixa do aperto para a sua Cidade; Escosteguy lamenta uma obra danificada; Júlio Le Parc, o grande premiado de Veneza, que suas obras não chegaram; Quissak explica a "formação da pátria"; Efísio esclarece que um certo dispositivo eletrônico nada tem da estranja, é invenção recente de um técnico paulista; Amélia Toledo consulta Fernando Lemos sobre o melhor tapete para suas placas vergadas e Radá Abramo, encarregada geral da montagem, segreda que procurou dispor as coisas brasileiras de modo a obrigar os membros do Júri a vê-las. E Volpi, que diz o grande Volpi? Está ausente. N ã o diz nada. Mas nós também já temos nossos clássicos de vanguarda, quando Glauco Rodrigues faz surgir da concha de um petróleo, que não é nosso, e por óculos "verdemelhos", a sua ipanêmica e multiforme Afrodite-Sulamita: .vale por um cinema novo. Resta, de tudo..-q.ue.a_q.ues.tão iá não.s.e_põ.e entre faz er arte e/ou antiarte - mas entre fazer não-arte e não f azer arte. Para os brasileiros, esta bienal seria histórica, se na próxima não houvesse restauração e stop.

METACINEMA

Enquanto meio de comunicação, o cinema produziu profundas modificações e reajustamentos nos demais meios existentes à época de seu aparecimento e afirmação (na imprensa, por exemplo). De outro lado iria sofrer o impacto de meios novos, como o rádio e a televisão. Estamos acostumados a pensar na sétima arte em termos das demais artes, ou seja, em termos de um desenvolvimento uniforme e contínuo - e talvez isto seja uma ilusão prejudicial à compreensão da arte, dos meios e da comunicação. Assim, a linguagem do cinema era uma quando a película rodava a 16 quadros por segundo - e se tornaria outra com a introdução da rotação "real" de 24 quadros/segundo.

Chaplin: A Mímica dos 16 Quadros
Carlito realizou extraordinária obra criativa enquanto pôde - e soube - tirar o máximo proveito dos efeitos produzidos pela película "acelerada", óu seja, rodada à 16 quadros/ segundo. Para esta velocidade criou sua mímica e sua dança puramente cinematográficas (incluindo as correrias de gentes e

objetos), assim como em função dela, seus planos "lentos", por contraste, ganhavam enorme força lírica e dramática. Nesse tempo, o automóvel ainda não era o objeto "útil", prestigioso e massificante, tal como se revelaria nos Estados Unidos especialmente a partir da década de 30 (e tal como é hoje no Brasil) - e sim um brinquedo que envolvia alegremente as pessoas como um bicho doméstico; nos dias de hoje, é assim que ele nos reaparece sob a forma do calhambeque e é assim que Arthur Penn o recompôs em Bonnie and Clyde. Como brinquedos, entravam na dança e na mímica do cinema mudo. As vertigens hilariantes das quase-colisões de veículo^ do cinema mudo ainda hoje nos envolvem muito mais do que as vertigens técnico-reais do cinerama. A mímica do real, por aceleração, criava o efeito de hilaridade e envolvência..Ho.jê> quando, sob o impacto da televisão, o cinema se volta sobre si mesmo, transfõnnindõ-se em.^lcinem_a_aberto"jp.u-Hcinema_total", todos os; recursos, arcaicos e novíssimos, voltam a seintegrar nele, rompendo a aparente linearidade lógica de seu desenvolvimento^ (mudo, sonoro, em cores, tela larga, estereofônico etc.). Com o ^ __ , ,. .. , , — — •— ardvento~do~som~impôs-se a necessidade "realista" de fazer corresponder som e imagem - e surgiu a nova velocidade dos 24 quadros/segundo. Com ela findava-se a grande arte de Chaplin, que acabara de realizar sua derradeira obra-prima: Em Busca do Ouro (1927).

Metalinguagem
N o estudo da linguagem, seja de que tipo for, costuma-se distinguir entre linguagem-objeto, que é a linguagem que se estuda, e metalinguagem, que é uma linguagem crítica, com a qual se estuda a linguagem-objeto, sem com esta se confundir. Acontece, porém, que a própria linguagem-objeto pode tornarse autocrítica, incorporando, portanto, a metalinguagem, de

modo a transformar-se ela própria, linguagem-objeto, em metalinguagem de si mesma, num contínuo e contraditório envolver-se como num jogo de espelhos. Este é o fenômeno que vem caracterizando a arte da era industrial, ou seja, do último século e meio. Quando o mestre-precursor da metalinguagem moderna, Edgar Allan Poe, pratica uma espécie de contra-trocadilho em seu conto A Queda da Casa de Usher (a casa termina por se afundar de fato num pântano); quando seu filho espiritual, Mallarmé, o maior gênio da metalinguagem, escreve cygne (cisne) para significar também signe (signo); quando Erik Satie anota numa partitura "para tocar rangendo os dentes"; quando Marcel Duchamp expõe numa galeria um vaso sanitário com o nome de Fonte (1915); quando Maiakóvski, num de seus roteiros cinematográficos, Enfeitiçados pelo Filme, indica que a heroína deve ser perseguida por um rolo de película, que acabará por envolvê-la como uma jibóia; quando fazemos um trocadilho; quando, numa estória em quadrinho, um personagem "sai" do quadro, rompendo o fio que o delimita; quando

Belmondo, em Pierrot Le Fou (O Demônio das Onze Horas),
dá uma piscadela para a platéia, ou, em La Chinoise, a câmara filma a câmara que aparenta filmar Jean-Pierre Léaud; ou quando nos defrontamos com os produtos da chamada "antiarte" - não estamos senão diante do mesmo fenômeno da metalinguagem, fenôme no pelo qual ajinguagem_desvenda^ sua própria natureza. NcTEnâsitrã gente de teatro costuma render preitos absolutos ao famigerado "efeito de distancia^ mento", de Brecht; fazem-no de um ponto^de vista "conteudístico", sem perceberem que o distanciamento brechtiano é, antes de mais nada, um-fenôme no metalingüístico njjjrigua^ gem teatral^- uma sistematização, se. não uma inovação, de natureza estrutural. Ficarão naturalmente horrorizados se souberem que o primeiro e o maior pensador, e criador, até agora, do distanciamento, é Stéphane Mallarmé...

o código verbal escritou-a.. A infoxm ação de estruturas é informação de primeiro grau . mas à relação entre. para o cinema bastaram 70.muitas vezes-falsa.Metacinema Se foram necessários uns dois mil anos para que a literatura chegasse à metalinguagem. provocando reajustamentos constantes . os meios e veículos de comunicação de massa se atritam uns aos outros. as yisõesxoniuntas. das relações entre a película sensibilizada e as coisas que a sensibilizam. Isto. o maior filme de Bergman. com toda a sua lógica discursiva de causazeefeito . porque nãotêm_consciência da .o.vale dizer que exercem poderosa função de metalinguagem. das relações e contradições entre o mundo da vida e o mundo dos signos. ^palavra escrita. Isto porque. pois cada veículo é obrigado a reexaminar seguidamente a natureza de sua própria estrutura. precisamente de uma fita de cinema.—Eis por que a crítica de cinema não compreendeu Persona (que quer dizer "máscara"). exercem contínua e aceleradamente pressões uns sobre os outros. Daí os carvões do projetor queimando no início do filme. é tao ciaro~qü'a'n"d'õ"sê"fãlã"de fenômenos sociais _sem percepção de estruturas. seu primeiro filme metalingüístico.de um filme sobre o cinema. portanto.seLapr-eendida-^pQrq-ue-nãxLse refere a "coisas em si".e é a mais difíc iLde. Ambos são "conteudistas". aparentemente.torna-se tabu quando se fala de arte. empregam em suas críticas. e necessariamente.dos problemas de linguagem e de metalinguagem. pelo menos. É cunüsoobservar.as-coisas: ela envolve. que.. Trata-se de um filme sobre um filme . do garoto estendido numa morgue. entre a vida e a linguagem. por exemplo. a erguer-se para apalpar uma . na era industrial e da automação. as semelhanças de linguagem e de "conteúdo" entre um crítico de cinema "participante" e um crítico de cinema "psicologizante". TpSoãdêírP.natureza do próprio veículo_qjLie.u_sei a.

na Lua. por sua vez. Estas analogias paranomásicas.e que os pensadore^.tela onde se exibe um filme.Uma Odisséia no Espaço..pois nela a bola são os seus próprios signos..^ ria por meio davçolagern Cinematográfica e não mais da mon-1 — '^MÉ^^^^xms^mm^Sism^^^^^mÍSSSSS»»®»^ .tage«^de. A colagem e uma sintaxe de .conflitantes — siimultarteamente. placenta / planeta. . . a sigla do tremendo computador (HAL) tem uma sonoridade que a aproxima de "HELL" (inferno). O mesmo com Blow-Up... . útero / galáxia.e. ^ N o extraordinário 2001 . brincando. Em seqüência anterior. E como jogar tênis sem bola .•JÏ""» smtese?iajae relaciona coisas tragmeritarias . Em Resnais de Hiroshima e Marienbad. Floyd perguntara. de Antonioni: a câmara filma a personagem que. estão presentes no filme todo: roda / valsa. vermelho. antropóide / cosmonauta. nave espacial / espermatozóide. E o ímã de Ezra Pound. no qual o cinema se torna insubstituível por qualquer outro veículo. como por acidente de projeção ("distanciamento") e das personagens femininas que são uma e mesma pessoa cíclica e contraditória: vida e morte (e ressurreição?) do cinema. E mais o conflito entre a construção geométrica. ao ser adentrado e morto por Dave.mas apenas Godard a sistematiza. . é como se o crime não tivesse existido. . . a subversão da linearidade e a introdução da simultaneidade introduzem a metalinguagem no^figma .e a sua tragédia .. fotografa a vida: quando os signos do crime desaparecem.. aos cientistas: What the hell did you got theref! (traduzido por: "Que demônios descobriram vocês lá?").Eisenstein Sr é^Kesnais.&-hojgjen^ tam conceituar. que congrega a limami||MMii«W[|iiiw>ii«ii . .e esta é a natureza da arte .. E HAL. ortogonal (arte) e a avalancha orgânica das duas moças e do rapaz enrolando-se no papel do estúdio (vida). da película que começa a passar "em branco" e depois se queima." " " " " ^ lha^ejerj^e^^ propõe novos^significad os . quase-trocadilhos.. ao visitar o monólito em Clavius.= ..

as crianças ainda estão sendo formadas dentro de esquemas de logicidade linear.e isto prejudicou enormemente a sua apreciaçaoTTTque mostra que.o que não deixa de ser uma surpresa. para o que também contribuiu um largo contingente de crianças e adolescentes . . malgrado a televisão. Eles não entenderam o filme . os quadrinhos e o iê-iê-iê.Surpreende o índice de "mau" dado como cotação ao filme.

como também dois Brasis com as cabeças trocadas. que novamente a favoreceu. embora a revolução de 64. ao abaterem a oligarquia paulista do café. não apenas há dois Brasis.pelo menos com aquela facilida- . não teria sido possível . em boa medida. como se diz hoje. as potencialidades de diversificação e desenvolvimento industrial da unidade mais rica da federação. O que não é de estranhar num país onde os yankees paulistas foram derrotados. particularmente durante (e após) a II Guerra Mundial. E tudo isto à revelia da oligarquia paulista. Em conseqüência.MAD IN BRAZIL Quanto ao Desenho Industrial. que continuou a abominar o "caudilho" Vargas. que veio na onda da grande crise de 1929. que. ao fim da qual Vargas já estava mais próximo do New Deal do que da Carta dei Lavoro ou do Estado Novo. o operariado paulista tornou-se o maior esteio de Vargas e a cidade de São Paulo viria a tornar-se "a cidade que mais cresce no mundo" justamente durante o Estado Novo parafascista. abafava. de Salazar. Paradoxalmente. como o faz até hoje. em 1932. dando-lhe o comando político-administrativo do Estado mais industrializado da Federação. essas forças se mostraram forças "prá-frente". por forças aparentemente reacionárias do latifúndio nortista e extremo-sulista lideradas por Vargas.

São Paulo representando a capacidade de organização infra-estrútural empresarial e industrial. no entanto. é de ver-se. v — "Assim"é que~Saõ~Pa ulo. aparando aquelas diferenças que. que delineou um nacionalismo mal empostado.enho-Industrial^ desde 1963.de! . desde 1951. ficou com a Bienal de ArteTEnquantcTque o Rio de Janeiro. se chegar a bom termo o convênio que ora se processa entre o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) e o Museu de Arte Moderna local*. possivelmente a cidade mais civilizada . De outra parte. não vai sem conflito: o Desenho Industrial é mais um item que se inscreve na agenda geral de oposição entre as duas maiores cidades brasileiras. stalinista e jdanovista. que pequénoaburgüesou o proletanadojsaufiitãlL.de todo o mundo ibero-americano.ou menos provinciana . especialmente o Brasil do Rio para. ainda permanecem vivas.-durante doiTSeculos capital da cõloMa7d^imp'ériõ _ é~3a república. o Rio poderá sentir a necessidade de unir-se mais a São Paulo. Chegou a bom termo. acabou ficando com aJEscolaJniperior de Des. Esta troca de cabeças. e provavelmente abrigará uma Bienal de Desenho Industrial. e o Rio de Janeiro a capacidade superestrutural de produção político-ideológica para todo o país. ou seja. baseado na tipicidade das manifestações regionais. . A industrialização do país implicará uma espécie de ianquização.não fora o trabalho de Getúlio Vargas. Sirvam de exemplos anedóticos e pitorescos: a) a definição que o diplomata e poeta Jaime Ovalle deu de São Paulo. à medida que Brasília se for firmando como centro das decisões nacionais. dentro do projeto geral de ressentimentos traçado na derrota paulista de 1932 e com o condimento especial que lhe trouxe a atuação do Partido Comunista. por ora. a sua paulistificação.o norte. com seu reduzido parque industrial e onde tudo tende a se transformar em arte. com a franca defesa dos valores artesanais em oposição aos valores industriais.

principalmente. ou coisa assim: "São Paulo são os Estados IJnidos do Brasil".c a m p o r n u m a . A partir da derrota de 64.pela abundância e variedade de madeiras. já por certas analogias estruturais com o projeto do espaço arquitetônico. não consegui obter o apoio do sindicato dos metalúrgicos de Osasco. os ideólogos de esquerda . Eis por que . em particular . b) a boutade do teatrólogo e cronista Nelson Rodrigues. o . norte e nordeste cuja obra ressoa . que ora se esboça no campo cultural..passaram a encarar o Brasil como um "universo industrial" . na década de 30: elementos vazados ("combongós") e brise-soleils. A última e mais curiosa manifestação dessa oposição.já.mas por algum tempo ainda veremos a defesa do n a c i o n a l i s m o confundir-se com a defesa de valores artesanais. Em 1962. luminárias e. contra a televisão. Ainda aqui.como se pode observar através da música popular de intenções "participantes" .os exilados. ex-operário em cerâmica. temos de distinguir entre o neoplasticismo dos paulistas e o neocolonial e neobarroco corbusieristas dos cariocas (incluem-se entre os "cariocas" os oriundos do centro.a esquerda tende a proletarizar o lumpenproletariat das favelas e a " camponizar " ^ c a b o c l ^ .mas a sua análise e discussão escapam ao escopo do presente trabalho. tais como padrões de tecidos. porém. é a defesa do livro.è não apenas brasileiro ..m e c â n i ^ ca de idèãliza"ções"de substituição.. móveis .há vinte anos. um carioca típico: "a forma mais terrível de solidão é a companhia de paulista". porque a película se destinava a desmistificar Vargas junto às massas operárias. E um curioso fenômeno . Historicamente: as primeiras iniciativas autônomas e conscientes no campo do desenho industrial partiram dos arquitetos. para um filme documentário que havia preparado juntamente com um amigo. hoje francamente industrializados. e alguns equipamentos para interiores. poderoso centro industrial próximo a São Paulo (fundado nos fins do século passado pelo piemontês Antônio Agu). do teatro e mesmo do cinema.

ac. uma embalagem para sabonete. a sentir a necessidade de recorrer aos designers . uma linha de móveis e duas ou três fachadas para lojas e magazines. desistiu de estabelecer em São Paulo uma sucursal de seu escritório. nos inícios de 50.arquitetos. portanto . a indústria do mobiliário apresenta certas características de transição entre o artesanato e a indústria tal como a utilização do concreto na arquitetura. que a conduziu ao consumo de formas e. seja pela influência que exerceu sobre o grupo de artistas concretos paulistas. executou alguns trabalhos. Um grande surto artístico e literário ca- . de Sérgio Rodrigues. Max Bill iria adquirir importância. nos fins da década de 40. então em formação. A estreita ligação arquiteto / móveis assegurou a formação do primeiro desenho brasileiro autônomo. pois não representa muito no mercado interno. uma vez que seu desenho não se presta à produção em escala mais ampla.através do Rio de Janeiro). seja pelo prêmio de escultura que conquistou com sua Unidade Tripartida. de resto . Ademais. original criação neocolonial . que hoje concorre no mercado interno com os desenhos consagrados da Knoll International e da Herman Miller.e contou desde o início com um razoável mercado de consumo nos centros urbanos."carioca". na I Bienal de São Paulo. nesse período de pré-formação. em sua maioria quase absoluta. certamente por falta de maiores perspectivas no mercado de trabalho. que os utiliza até hoje. O recente sucesso internacional da poltrona mole. durante a guerra.a. RaymonJJ^oeivy Associates. ^Algunsjjes/g-wgre-estrangeiros estiveram^entre nós.é mais simbólica dessa autonomia do que outra coisa. Bernard Rudofsky. a perspectiva da Praça dos Três Poderes apresenta inocultáveis semelhanças com a perspectiva de Versalhes.JSrasíHa^ejóma^A^ surrealista^ejieobarr. entre os quais a marca e o logotipo da empresa Fotoptica. portanto. conjunto de utensílios de alumínio. mas executou numerosos projetos: marca para uma empresa metalúrgica.

N ã o há dúvida:jnalgrado as ilusões européias sobre o Brasil.é-mais-eonser-vador do. 1967. a quem se destinava o prêmio. serve de índice do grau de seu oportunismo artístico. denunciado e se rebelado contra essa e outras farsas. concedendo-lhe de novo o prêmio. repetiram a dose na VIII Bienal. somente ganhou o Prêmio Nacional de Pintura.parece. que dura apenas dois anos.que.para lhe conceder o Prêmio Nacional de Pintura. . o maior pintor brasileiro. arquitetos_organizam um curso de desenho industrial. ~ r : —————~"t—"—• — nao^arquitetos. nascido em Lucca e até hoje não naturalizado brasileiro (aqui radicou-se há mais de meio século). ex aequo com Di Cavalcanti. o_país-. começou ! a tormãr-*se entre «^SSai^^sSSSK. críticos e intelectuais brasileiros não tenham seriamente. cultural e político. em 1965.A y e e o Museu de Arte Moderna. N a II Bienal. j 2 e l a p r 1 me ira vez. dos quadros que vende: sequer expôs na última bienal*. entre os artistas concretos j e São^Paulo. bem como da flexibilidade de suas espinhas dorsais. Que os artistas. ainda que modestamente. um pequeno grupo de cruzados quase fanáticos. os jurados brasileiros tiraram do bolso do colete o nome de um pintor de segunda categoria . ——r-—-r-—:——— g n o^jiid ustr-i a l . ambos em São Paulo. no primeiro. nessa época. o segundo organiza a Bienal de São^Pajjlo. até hoje. Volpi manteve digna a sua grandeza solitária e popular e hoje pode viver. mais precisamente.um italiano recentemente emigrado .élicó: baste que sé diga que. Apesar de humilhado pela necessidade e pela organização.racteriza esse período. devido à interferência direta de Herbert Read. Alfredo Volpi. atrãrcs de um mecenato orientado nxTsëntidcTde um d i r i sd s m o _ para f a s c i s t 6 i d e e maguiay. «o-q^l^perteneUtambém-^M^ * IX Bienal. Mas foi também nesse período que a consciência do dese. que depois se mostraria mais um mecanismo de controle_do que dé incêmiv^à""ãrtê~brasileira. Fundanvse o M y ^ g y J b . logo na I Bienal.

na fundação da Esdi . fruto do empenho direto do professor e crítico de arte Flexa Ribeiro. a Forminform. onde se tornaria Reitor da Hochschule für Gestaltung. e em 1965.International Council -of Societies of Industrial Design. então Secretário de Educação do Governo Carlos Lacerda. Nesse mesmo ano. que teve lugar em Vi'ena.um ex-romano que optara pela nacionalidade brasileira no imediato pós-guerra. no Rio de Janeiro. quando me coube chefiar a delegação brasileira ao IV Congresso do Icsid . Karlheinz Bergmiller. Mischa Black aconselhou <que se fundasse uma associação de desenho industrial a um grupo de designers e teóricos do design. reunidos em São Paulo. os dois primeiros alunos brasileiros de Uhm Alexandre Wollner e Almir Mavignier. embora não pertencentes ao grupo acima referido. . Era uma vanguarda ideologicamente empenhada — isto er^r wvoj-^ejiisto se opunha francamente ao calvinista Max Bill. para fundar o primeiro escritório de Comunicação Visual (o desenho industrial ficava a cargo de Bergmiller). Cordeiro viria a optar pela carreira artística pessoal. Eram pintores concretos. embora venha realizando seus melhores trabalhos justamente no campo do design (paisagismo). de São Paulo. não arquitetos.Escola" Superior de Desenho IndustrialTdècalcicla nos molBes de Ulm. mas a iniciativa prática coube ao grupo de arquitetos que havia participado. Este continuou na Alemanha. em Buenos Aires. Wollner e Bergmiller viriam a ter destacada atuação. na qualidade * Prematuramente falecido neste ano. de Ulm^ e onde tornei a visitá-lo. Mais tarde. logo após a abertura dos cursos. Forminform e um dos nossos melhores designers nesse setor*. hoje único dirigente da. juntamente com o artista gráfico Rubem Martins. Em 1953. em duas ocasiões: em 1955. que logo depois partiria para a Alemanha. em 1963. estabelecemos contato com Tomás Maldonado. 1968. aquele voltou para o Brasil em companhia de um ex-assistente de Max Bill. como pintor e cartazista.

Afinal. no dizer de Antônio Callado. de São Paulo. estabeleceu algumas normas para concursos e trouxe alguns conferencistas europeus. que. plina desdobrada em quatro anos . Eco.sóhdos.i trangeiros."estilistas" . mas a in^ serçãcTcío designer na indústria continua a ser problemáticas cercã*3e seis milhões de dólares anuais vão para fora do país. especialmente da área italiana (Van Onck.de. equipes de desenhistas de nível médio . filiou-se ao Icsid. no Rio de Janeiro.. a associação realizou um seminário sobre o ensino de desenho industrial. acabou por chocar-se tan- . Produto e Linguagem. alguns produtos eletrodo-' mésticos foram mesmo desenhados em agências de publicidade! Como "o Brasil é um país que tem preguiça de fazer história"._uma_Seqüência de Desenho Industrial . a Esdi substituí-la nas funções que lhe seriam próprias. pode ser que ainda venhamos a ter um desenho made in Brazil através do acúmulo do redesenho de detalhes: it's a mad~mãd mad mad world. recente autor de um romance de sucesso. a manifesta ção mais rica dêssF^pr âgm ãt i s m o é a Antropofa gia.mas não. por pregar a devoração utilitária de todos os valores es.com o mundo industrial... é preciso lembrar que nóTtamBem somos americanos e que existe um pragmatismo latino-americano para o qual o Brasil poderia dar uma certa contribuição criativa. em pagamento de royalties de desenhos estrangeiros. Gregotti) . Intr o^ duziiam^na-EALL^Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. publicou três números de sua revista.conseguiu contatos . N o seu primeiro impulso de entusiasmo. A escola da Guanabara já formou duas turmas.uma disci-. observador. com sede em São Paulo. dos-anqs 20. do III Congresso do Icsid. a ponto de. Até o momento. nem estender sua ação ao âmbito nacional.e promoveram a fundação da A B D A s sócia ç ã o Brasileira de Desenho Industrial (1963). Nos chamados departamentos de estilo das grandes indústrias.. criação do poeta e prosador paulista Oswald de Andrade. Paris (1962).trabalham simplesmente no redesenho de detalhes. principalmente europeus.

_ a o ^ a l ó r ^ g a f f ^ m valor tipicamente europeu herdado dos séculos-p'assãrd'IIPÂfina 1. ex-milanês e professor da FAU. E o desenho de processos não pode ser simplesmente confundido com métodos e metodologia.Í£tar_çoni. foi somente com o Mercado Comum" que a Europa começou a conhecer o verdadeiro consumo em massa. mas não percebe o erro de tentar_pro. tal como foi recentemente proposto por Maldonado. A "americanização" conseqüente é evidente^jima_ilusão de elite acreditar que há um desenho industrial ideal. mas Lúcio Grinover. não põF desenharem prod!Ttl?s~iMlãdõ'r"(ü"s~americant>s~o~fazem) 71ri'a's 1 em massa e sim endereçadas ao consumo •porque^íãcKestavam . encapt ^ . uma vez que esses métodos se mostraram "conteudísticos". deveria haver uma escola prática diretamente vinculada à indústria e desvinculada da universidade (tal como está). atualmente presidente do Icsid. seus ninhos tradicionais. só serve para confundir o problema. aspira introduzir no âmbito universitário um Instituto de Desenho Ambiental. que aparece bastante claro na expressão inglesa design (signo. de_restçx Uma escola de desenho industrial deve ser uma escola de desenho de processos e não de desenho propriamente dito. . desenho e desígnio).to com a oligarquia paulista quanto com os comunistas. ao mesmo tempo em que. Em São Paulo. no Paraná e em São Paulo. Maldonado sem dúvida percebeu a erosão da idéia do desenho de produtos isolados. de resto. como tem sido a tradição Bauhaus-Ulm. ex-presidente da ABDI. as velhas falanges intelectuais da direita tentam rearticular. A questão do ensino do desenho industrial. por já trazerem dentro de si mesmos. Suas colocações e sua arte vão cõnKêcên3õ^*HojF"ülnã""rêssurreição.untos_d_e ambientes na mesma linha de ex-tensão e ampliação da Bauhaus e de ÜlmT"Esfas ja~nãb possuem maior significado.tal como nos Estados Unidos. muitos são os desenhos no espaço e no tempo e muitas devem ser as escolas . A palavrã^dêsíF nho. no vácuo ideológico criado pela revolução de 64.

. cujo pioneiro. infelizmente. ex-advogado e ex-pintor. Foi isto mesmo. o papel. é coordenador do curso de Comunicação Visual. pois esta qualidade se tornaria um privilégio de uma classe limitada de consumidores. ocupado que está com os problemas técnicos ligados às cédulas do cruzeiro novo. E oneroso e anti-social. investir no constante aperfeiçoamento dos processos tecnológicos. no Brasil. mas.não se comportam como na Alemanha e na Suíça.. um verdadeiro estilo. Uma escola de processos deve abrir possibilidades~dê~Iinguágens e não Btoduànmer-as variantes de uma mesma linguagem oü estilo. N o Brasil. Alexandre Wollner.sulados. A exemplo de Rubem Martins.vRevner B a n ^ ^ ^ e r c e B e u isto^ííá alguns anos. quem melhor "canibalizou" a experiência de Ulm. Na escola da Guanabara.). paradoxalmente. . muito rica para o estabelecimento de uma ponte entre a Europa e a América (e o Japão: alguns indícios parecem indicar que o pragmatismo nipônico caminha para a síntese do processo). Bergmiller. especialmente no setor da Comunicação Visual.quantklade. aliás. Daí a incompreensão dos que têm criticado e ridicularizado o styling norte-americano. tinham grande significação (antes do Mercado Comum. recusando-se a compreender que as máquinas. só tem significado a nova qualidade a da-. sem jamais tê-la freqüentado. muitos são os sintomas de rejeição do enxerto ulmístico. que tentei dizer em minha intervenção no IV Congresso do Icsid. foi Aloysio Magalhães. na vã tentativa de alcançar a "qualidade européia". mas a ela não tem podido dedicar sua atenção. iíãõ* s süstentou mais aprofundadamente a sua posição. juntamente com Wollner.. que pouco tem a ver com a rr- tradicional quM\d&d't'\naüstr. um pernambucano radicado no Rio. . o . onde os índices de tolerância..\zrdíx-neavíeme europeia.. ESTA QÛÀLÏÏ5ÂDËliÛirdra PRODUZIDA EMM ASS A. as tintas e os homens no Brasil . não souBe praticar a antropofagia Brasileira de adaptação. limitadíssimos (qualidade).ainda que sejam todos estrangeiros. que desenhou..

o seu índice de canibalização.—-— ^^sss^^gr suhstituiçãododesign. na terra carioca vai encontrando mais "mercado" para o seu trabalho profissional: projetou o sistema de painéis do Museu de Arte Moderna.—: :—-— — nolõgia ae substituição para a ausência de know-howein geyrãlristo se torna mais evidente num país onde metade da população adulta ainda não domina o know-how básico: o alfabeto. N o Rio e em outras partes do Brasil. 2 a trimestre de 1965. nosso primeiro estruturalista. a Comunicação Visual já constituía uma tecnologia em progresso e em pouco tempo os alunos já dispunham de uma metalinguagem que lhes permitisse promover a crítica ao mero transplante de uma tecnologia estrangeira. de autoria do arquiteto e programador visual João Carlos Cauduro. são merámente tópicos.homem de Ulm no Brasil. ainda não dispomos de outra metalinguagem senão a verbal . o que deve contar é o pensamento bruto. assim como a verbalização é uma teç2 aisMíSSSrSÊ^f^MSsàss . a iniciativa governamental e institucional muitas vezes contrabalança a iniciativa particular sulista. Quando a . se se explicitam. ou. Para o Desenho Industrial. já dizia o famoso antropófago. n a 2. . Nota . de Abraham Moles.e os sintomas de rejeição nesse setor. para dedicar-se mais à escola: surpreendentemente. quase não se manifestam. transferiu-se de São Paulo para o Rio. A Comunicação Visual tem funcionado como técnica de : -— . ou seja.Alguns dados referentes aos inícios do desenho industrial no Brasil foram extraídos do pequeno artigo O Desenho Industrial no Brasil. publicado em Produto e Linguagem. e vai desenhar o conjunto dos talheres do Itamaraty. da Guanabara. São Paulo.escola do Rio começou a operar. Tupi or not tupi that is the question. N o Brasil de Oswald de Andrade.

. buscando pensar em pungência.. naquelas circunstâncias "festivas" de assassina e suicida irresponsabilidade cultural e humana. Caetano Veloso e Gilberto Gil.. jdanovisticamente ferozes e dispostos.. A CONSCIÊNCIA FLAGRA UM MOMENTO DE TENSÃO DESTAS COISAS.." N o dia 6 de junho de 1968. .. Mas ninguém queria ouvir. que vão reproduzidos acima." ".." ". na mesa." "." ".. NÃO TER MEDO DE SER FORTE CULTURALMENTE. Augusto de Campos e eu." (referindo-se ao programa do Chacrinha) "." "...... Coisas raras dizia ele em suas respostas... Paulo. Augusto de Campos e eu defendemos os grandes músicos com passável pugnacidade. ao lado deles.. presentes.. O IMPULSO DE TER UMA CONSCIÊNCIA. em boa parte. ESSE DESAVISO DE UMA POPULAÇÃO SUBDESENVOLVIDA PRODUZ UMA ARTE PARA A QUAL EU NÃO OUERO FECHAR OS OLHOS. anotei uns poucos fragmentos de sua fala... O MEDO.". teve início o debate sobre o chamado "movimento tropicalista" na música popular.... O NÃO É QUE RECUPERA... a um "massacre baiano". da Universidade de S.... O INIMIGO DENTRO: NÓS SOMOS ESSA TENSÃO. E uns duzentos universitários.." ". promovido pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.. a Ias seis en punto de la tarde-noche.. Vendo a inteligência de Caetano atuar...NÃO CONFUNDIR O ESTÁGIO DESSA NECESSIDADE COM A META IDEAL PARA O BRASIL.

em agosto de 1961.. em 1970. Folha de S. da Fac. . número comemorativo dos 10 anos de sua Morte). Milano. "A Vida em~Efígie" ^ 7 . "A_Comunicação Pensada". em plaquete. Paulo: Crônicas de Futebol (março 65). os artigos originais são de vária origem. São Paulo. julho 69)." no n 2 comemorativo do 3 9 2 aniversário do suplemento do Minas Gerais (1969). de Fil. "Antologia Sincrônica" (10-12-67). Paulo (29-6-69)._entrevistajn 2 3. de São Paulo. l 2 trimestre de 1962. e nos anais do congresso. 1969). setembro 69). ao II Congresso de Crítica e História Literária. pela Fac. "Formação e Informação Universitárias".S. pela revista Alfa. foi publicada na edição dominical de Última Hora . "Uma Escola de Comunicação" (16-6-68). "Metacinema" (1968). n 2 1. "Happening" (11-5-66). foi publicada pela revista Invenção. Correio da Manhã: "Entrevista a José Louzeiro^ (21-8-65). que teve lugar em Assis.6 7 ) . Lampugnani Nigri Editóre. "Mad in Brazil" era inédito em português e foi escrito para o número que a revista Aut Aut dedicou ao nosso país (n 2 109-110. Ciências e Letras de Marília. para o seu "Inquérito sobre a Poesia Brasileira" (3-12-66). o breve depoimento sobre a nova barbárie foi para a revista O Cruzeiro.Nota Informativa Emendados e alterados para este livro. 1969. Altmann. Suplemento Literário de O Estado de S. O roteiro da audiofotonovela e as vinhetas visuais e verbais comentadas foram aqui publicadas pela primeira vez. Paulo: "Marco Zero de Andrade" (24-10-64. "Situação Atual da Poesia no Brasil" foi tese que apresentefnãqúãlidâde de relator para a poesia. SP. 1963. "Teoria da Guerrilha Artística"~(4-6-67). Ciências e Letras de Assis. Jornal do Escritor: "Código e Repertório" (n 2 1. "Áporo. Fil.. "Qorpo-Santo" (março 67) "Antiarte Artística" (17-9-67). São Paulo. depoimento escrito a E. "A Análise dos Inícios da TV CulturaCanal 2".

162n.150 ARAÚJO JORGE. 123 BÀCCÓLÓ. Radá . 1 3 2 . O s w a l d de . 1 2 3 . 2 1 5 BEETHOVEN. M a x . BALZAC.7 7 AMARAL.1 7 6 . Walter .76 ANDRADE. 1 6 3 ARAÚJO. 2 5 .2 6 1 24.2 1 6 BENJAMIN. 150n.2 6 4 ARTAUD. Oliveira . BARBOSA. 174. 1 5 2 . M a n u e l . 159. 151-156.1 3 0 AULETE.1 3 BANDEIRA. 1 6 7 .2 4 9 BENSE.122. 122-125.5 9 . Abelardo ("Chacrinha") . 171 ANDRADE. H o n o r é . Luís Carlos . BANHAM. 179.8 1 BASTOS. 132.1 6 2 BELMONDO. M á r i o de .182. E . 200 BARRETO.16 251 ARANHA.ÍNDICE ONOMÁSTICO ABRAMO. 162. Alceu Maynard de . J . Antônio . 31. Jean-Paul . 27. Guilherme de . 2 1 . 131-133. 6 0 . Antonin . Paulo Mendes de . 171. 103. 216. 116. 2 3 .2 0 . Reyner . 150. Tarsila d o .4 7 . 155. 1 1 8 . Caldas .83 AZEREDO. 1 0 2 .1 5 4 . 160. Gilberto .2 7 . Dante . R u y 152. 1 5 4 n BEATLES. 150. 262 ANTONIONI. Antônio Soares .1 7 9 AGU. 1 4 3 1 3 1 . 1 1 4 ALTMANN. Luigi .1 6 5 .2 4 4 AUTUORI. 153. 2 6 3 BARBOSA. 259. M i c h e l a n g e l o 14. 29. 1 5 8 . Ludwig van . Luís .19. d e . 244.2 5 . T h e . 149.167 AMARAL. G . 57.2 4 6 ARISTÓTELES .2 2 5 AMORA.255 ALIGHIERI. 47.2 1 6 ALMEIDA. Ronaldo .2 1 . . Lima .138 ALMEIDA.154. 1 8 4 BADEN POWELL .

DONGA . Mário da Silva .1 5 3 Ademir .1 9 7 DE FIORE. CÂNDIDO DE MELLO E SOUZA.1 2 Pierre .35.127. George . Luciano .2 9 .134.1 1 8 BUARQUE.171 CORREIA.1 5 0 .176.5 5 DORÉ.122. 245.224. Marx . Michel . Waldemar . 100.118. A n - Arnault .1 5 6 DI CAVALCANTI. CALDER. 2 6 1 BERIO. Walt .2 4 0 Eleazar .2 3 .1 6 4 BRITO.221 COUTO. CUMMINGS. E .63 CASTELO. 142 Maria Ester . Mischa . 2 5 0 Karlheinz . 38. 257 CORRÊA. 104. Haroldo de .20 CAMPOS.227 CASTRO ALVES. 109. 103.122. Fidel . Antônio . Augusto de . 1 9 . DANIEL. 70. 1 6 8 BILAC.1 5 3 CÉSAR.1 7 3 BLACK.1 6 4 BUONAROTTI. Paulo Planet . 1 1 8 BRECHT. Damiano . .26.2 5 8 BLOTA J R . Sérgio BONAPARTE. BERCEO BERGMAN. Alves . 2 1 . Luís de . José Celso .59 BUENO.34 114 BERGMILLER. 9 6 DEMY. 108.240 CASSIRER.2 2 .1 8 6 DA GUIA. Antônio .2 2 4 BERTOLINO. 35. 111-114. Berthold .182 Alexander .1 3 2 Napoleão . 24. Guilhermino .24.1 8 3 .160n CASTRO.83. 248 CARVALHO.240 CROCE.213 CUKOR. José Aderaldo . 2 5 8 BIZZARRI. CARVALHO. Charles .259 CAMÕES. CONFÚCIO . BOULEZ. Ingmar .38.7 7 BUARQUE DE HOLANDA. Olavo . 168 CABAU.BENVENISTE.2 5 6 . tonio .1 4 .150n. 2 4 9 BRETON. BUFFET.66 CORDEIRO. Edoardo . . 116-118. 23.128. João Carlos .1 1 .16 BUTOR. 130 CHAPLIN.47.150. Edgard . 2 2 4 BRAGA. 263 CAMPOS. Benedetto . Carlos - 27.131 CAUDURO. Antônio .155 COZZELLA. Luís . 2 5 7 DIAS. Ernst .262 CAVALCANTI. 247. Ernesto . Charles .21. Jacques . 168. E .2 3 4 DELFINO. 26. 103 Jacques .2 1 6 DESCARTES.2 5 8 . Gustave -16 DRUMMOND DE ANDRADE. Emiliano .118.1 9 5 .2 3 6 . André . Miguel Ângelo .2 4 0 BILL.224. 228 Marguerite . Guido .236 CALLADO. Ribeiro . 161n.2 4 0 DISNEY.1 7 8 CROS. 1 5 0 n . Pedro .224 FIávio de . M. Émile .22. 154 .3 9 . René .

150 HARDY. João . GROSZ.16.234 GREGOTTI. Pedro .69.Werner HELOU.47 .2 0 GARRINCHA .23. Eugène .1 6 8 HEINE. Umberto .7 7 ESCOSTEGUY. Johannes .205 HOPPER.1 1 8 GRACIANO.25.203-205 Fernando . FALCÃO. 143.56 GUERCHMAN.47. D . Isadora .200 HEARTFIELD. INDIANA. Thomas Alva . 240 Jean-Luc .213 João . GIL.2 2 4 DUPRAT.225 François . 251 224. Eco. 259 EDISON. DUCHAMP.23-26. FERREIRA. 224 GONÇALVES.2 4 5 FIGUEIREDO.56. José Lino . Cândido de .235 Carlos .2 4 0 DUNCAN.1 3 FREIRE.2 4 5 Oswaldo .29. Martin . GOMES. 178 João Mendonça - 200. Marcel .260 George . 8 3 . Régis .215. 16 Albert .13 EPSTEIN. 181.251 ENGELS. JACOB. Camargo . Clóvis .2 1 .246 ESTEVAM.2 0 8 GETZ. William . 133. W . 263 GILBERTO. Ledo . 178.128.178 155. John . HAVELANGE. 137. Gilberto-38. Wadih . Rubens .157n GRÜNEWALD.22 EINSTEIN.2 4 9 Wesley . 1 0 2 . FIAMINGHI. Lúcio . 164.240. .7 4 Hermelindo .118 GUTENBERG. HEisENBERG . Estelinha .259 GOELDI. Gustave . 201 Sílvia . Carlos .2 2 1 HORYLKA. GRIFFITH. Vittorio .12.5 8 DUPRAT. 183 FLEXA RIBEIRO .1 3 5 Robert .246 GULLAR.12.47.242 IONESCO.34.157n HEIDEGGER.20 IKOMA. Franklin .242 169 HOMERO .60 GOUDOT. 156. 215 EISENSTEIN.2 9 . Michel - F o x . Dercy . Friedrich . Ferreira . Sierguiei . Andrée . GRINOVER.83 Laudelino -138 FUCHS.132. RALPH .2 2 GARIBALDI . Rogério . 130 Ivo.2 5 8 FOUCAULT. Heinrich . W . 72 Oliver . GENINHO .2 1 4 EFÍSIO . 118 GUARNIERI. 225 GIOTTO . 178. Stan . DUKE LEE.1 3 8 FLAUBERT.2 3 5 GODARD.

1 0 1 . 224. Karl . Arthur .3 4 LOUZEIRO. 103. Éder .JACOPETTI. "Juó BANANERE" (Alexandre Marcondes Machado) .1 7 5 JASPER JOHNS .13. Émile . 2 4 2 LISBOA.264 Roman . .12. James .1 1 8 .58 José Pedro .7 5 .1 2 5 Antonio Carlos . John . 1 6 9 . Rubem . Juarez . 2 9 LEMOS.2 4 5 LEMINSKI.233 Gilka . 1 6 1 . 174. Jean-Pierre . 104.258 MCCARTHNEY.2 3 . 261 MAVIGNIER. 1 0 8 . 2 4 4 Juan Ramón . Aloysio . 181.29.224 MÉLIÈS.3 8 . 1 0 3 . 36.4 7 KOFFKA. 175. JIMENEZ.2 2 5 JOFRE.2 4 9 LEIRNER. 100-104. 36. 132. Júlio . Georges . 184 MARTINS.47. Gilberto . 144. 133. 141. 260 MALLARMÉ. 108.1 6 3 . 69.2 4 6 LÉAUD.2 5 8 Stan . 2 4 6 LÊNIN.4 7 . 240 MACHADO.145 MACHADO DE Assis.256 José . Tomás .2 3 0 . 249 MALDONADO.258. Philippe . 249 MARINETTI. 164.1 9 . Wladimir Ilitch .1 6 4 JACQUET . 33.181 JAMES.4 7 LICHTENSTEIN. 12 LOITMAN . D i b . R o y .258.133. 180.23. LISLE. 133.38. LAUREL. 2 2 8 JOYCE. Wladimir . 11. 114.4 7 L'HERITIER. 112.2 2 3 .7 7 KNIGHT. João Cabral de 27.74. P a u l .7 1 Pedro . Stanley . 108. 27. 59. 35. 170. João Carlos .16 MELLO NETO. 70. Stéphane . 169. KILKERRY. Filippo Tommaso 164. LACERDA. 184.1 5 0 KAZUKO-135 KENNEDY. 109.1 7 4 LÊVI-STRAUS. LOEWY. 114. KORZIBSKI. 1 3 0 KLEE. 13. 151.11. Júlio . 124. MACHADO. 47. 132. Felicia .139 Raymond . 6 9 .172. Henry - LUDSKANOV .167. 123.178 MENDES. Fernando . Paulo .4 7 KLIASS. Alfred . KUBRIK. Almir . 180. 115-118.4 5 Leconte de .261 MAIAKOVSKI. 70.1 7 5 José . 177. 174 MCLUHAN.69. José Maria 132.3 4 LUFTI. 178 MEDAGLIA. JOBIM.138 MACHADO. LITTRÉ. Marshall . Paul . Claude . 34.176 MARX. 185. 179.2 4 4 JAKOBSON.2 1 3 LE PARC. 71.213 MAGALHÃES. 63. Kòller .21. 179 Carlos . 1 8 5 Luís XV .

J.178. F.13.12. 228. 180-185 P i s c a t o r . C . 167. 121. 181 Pelé (v. 131. 2 4 6 R a m u z .256 M i r ò .2 0 N i e t z s c h e . 224. 171 1 M i l l e r .154. Luís Carlos . 123 P i n t o .23 P e d r o s a .229 Coelho .102.130. 133. 15 242 Man .21. Alex .6 3 N o g u e i r a . 177. 118.47 Pistoletti 245 lé") Neto.262 M o n d r i a n . 203. Piet .65.123.16 READ. 23-25. Paulo . Claes .115.19.178. Juan .118. 70. 63.118.22 Mendes. Fernando . Edson Arantes ("Pe190. Edgar Allan . 264 Q u i s s a k J r .235 P e i r c e . 27.143 Propércio 153 Qampos Palmério.164 P i c a s s o . 243 Willy Correia de . 189.151 P r e s t e s .47. 132. 236 M o n t é n é g r o . José .175. Monticelli Mozart.153.14. 29. Oliveira.179. 172. 220. Wlademir Dias ..59 P i n o .1 2 3 M o l e s . Charles Sanders Santhiago .163. José Joaqim de (Qorpo-Santo) . Abraham . 182. 103.249 P o r t i n a r i .14.101-103. 69. 234 Penn. Rauschenberg Ray. 216.240 Nei Cidade .103. Jaime . 14. Emil . Pablo . Mário . N a s c i m e n t o . Herbert .240 O p p e n h e i m e r .Murilo .124 P i r a n d e l l o . Friedrich 185 Nolde. Diogo .248 P e s s o a .208 P a u l o P a e s . Ezra . 31.57.1 1 . Luigi-28. 150. Francis .179. 118 O v a l l e .19. 20.251 P r a d o .75 Oldenburg. Cândido . Luiz Ângelo . Wolfgang Amadeus - 56 Nascimento.2 5 4 Pacheco. Arthur . 178. 22n.122.153. Herman . José . José Bonifácio Coutinho . 22. 172. . Erwin . 234 P o u n d . Robert .153n.184 P i c a b i a . 257 Rebolo 234 13.127-130.2 4 4 . 73. 23. Poe. 15. Edson Arantes do) L e ã o . Tulo Hostílio .118.163 R a y m o n d .132.

1 3 1 . Salazar. 119. Nilton .1 5 9 .L o b o s .66 . 164n Samaniego Sani.1 4 1 Amélia . 177. 164N Vermeer 234 Antônio Carlos de . SHRAPNELL Shaw. 157n. Sarraute. 246. Nelson . Eduardo - 83 Solano .1 3 . 130-133. 1 0 3 .78 V e r k a u f .253-255 V e l o s o . N e l s o n . Toledo.203. 233.1 7 2 Sousândrade. 165 S o u z a . Ribeiro. 235-238.60 R o s e n f e l d . Segal . Pietro - Dirio .102.1 7 4 .246 Léon .175 .259 V a r g a s . Tania .56. Tzvetan . Stàmpfli 245 Steinberger. Heráclio . Giusepp. 3 8 . Glauber.127 245 Vico.27. Ferdinand de . Mário .2 5 6 R o s a . 225 S a n t o s . Sérgio . José da .1 2 RIBEIRO.156n. 35 Tolstói.242.2 4 5 R e i s F i l h o .244 29 Sócrates - Joaquim de .83 29 Bernard . 209 Nathalie . "Garrincha") Santoro. Cassiano . Anatol . Tarzan Toüorov.135 S e u r a t . João Guimarães . Manuel dos (v. Andres .8 3 R i c a r d o . 1 6 7 .63 V i l l a . '• 122. Rubens Rudofsky.1 7 9 Rosa.256 Antônio de Oliveira . Glauco . 2 5 1 Reichert.Jasia .43. Silva. 168. Alfredo .160 S a l e s . 122n. 1 3 . Sena. 257 Seralli - .1 2 . S h a p i r a . Nestor Goular R e s n a i s .4 7 . Erika . Oswald . 79 Cláudio . Plínio . Valéry. 183 V a l m o r i n . Alegra .e .2 4 6 R o d r i g u e s . Getúlio .196 Cláudio .253 S a l g a d o .5 6 . 2 2 4 Taterka.2 1 1 .8 1 . Alain .28 S a r t r e . 2 2 4 V o l p i . E r i k .2 5 5 R o d r i g u e s . Heitor . 1 0 9 . 132 Noel . 1 6 0 R i v e l i n o . 208. 171 S p e n g l e r . 2 0 4 R o d r i g u e s .214 V a n O n c k .132 S c h e m b e r g . 1 7 5 .164 Rossi.154. Jean-Paul . 130. . 123. 109. 5 6 .57 Santos. 2 6 3 V e r d i . 181. Pompeu de . 2 1 2 R o c h a .173 S a t i e .1 7 6 . 5 5 .2 0 . Willy .214 12 Ubaldi.157n Seto.2 9 .244 Karlheinz . Giambattista . 39 George Bernard . Roberto . Caetano . 249 S a u s s u r e . Georges . Stockhausen. 244 Paul . Louise de .

67 W i e n e r .29. Whitehead. Tom . Zipf. 261 Xisto.175 W e l l e s . Anton . G .176 William Buttler Mário K .Richard .47 Wagner. P e d r o .243. 119 Yeats. 119. Wesselman. Norbert .62. Wolfgang .2 2 234 70 Zanini. 172. Alfred North . . Orson .258. 74.174 W i e s e r . . 244 Wollner.167.2 3 . Alexandre .1 6 W e b e r n .

Sato Amanda E.Título Contracomunicação Autor Décio Pignatari Capa Plínio Martins Filho e Ana Paula Fujita Ilustração da Capa Luiz Fernando Machado Revisão Geraldo Gerson de Souza Editoração Eletrônica Aline E. de AJmeida Formato 14 x 21 cm Papel de Capa Cartão Supremo 250 g/m2 Papel de Miolo Pólen Soft 80 g/m2 Número de Páginas 272 Impressão Lis Gráfica .

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