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Curso de Design de Equipamento

Teoria e Critica do Design II
2º Semestre 2008/2009

VITRA

Fátima Gonçalves 5077

VITRA é das marcas mundiais que reúne o maior número de nomes sonantes do design ao serviço dos móveis com assinatura. Quando, em 1934, Willi Fehlbaum criou a empresa suíça, em Basileia, nunca imaginou que viria a alterar o modo de viver de milhares de pessoas em todo o mundo.

Os norte-americanos Charles e Ray Eames e George Nelson estarão sempre ligados às origens da Vitra. O mais surpreendente nas criações destes designers é a actualidade das formas e dos materiais. Ainda hoje as peças originais continuam a ser editadas e vendidas com o maior sucesso. A identidade da marca não se expressa apenas nas peças de mobiliário e acessórios que produz. Os próprios edifícios (ateliers, fábricas e lojas) reflectem uma clara preocupação com a forma e a função de cada um. Para dar resposta a esse desafio, a Vitra conta com arquitectos de renome internacional como: Frank O. Gehry, Tadao Ando, Zaha Hadid, Nicholas Grimshaw e o português Álvaro Siza Vieira, responsável pelo projecto da fábrica da Vitrashop, em Weil am Rhein, Alemanha.

It is the global brand that brings together the largest number of names in design with the service of mobile signature. When, in 1934, Willi Fehlbaum created the Swiss company, in Basel, never imagined that would change the way of life of thousands of people The around the world. classic

The Americans Charles and Ray Eames and George Nelson are always linked to the origins of Vitra. The most amazing creations of these designers is the timeliness of the forms and materials. Even today the original parts are still published and sold with great success. Barracks of the firemen Vitra in Weil am Rhein, Germany Zaha Hadid draft. The architecture

The brand identity is expressed not only in pieces of furniture and accessories it produces. Their own buildings (workshops, factories and shops) reflect a clear concern about the form and function of each. To meet this challenge, the Vitra has internationally renowned architects as Frank O. Gehry, Tadao Ando, Zaha Hadid, Nicholas Grimshaw and Portuguese Alvaro Siza Vieira, the project leader of the factory Vitrashop in Weil am Rhein, Germany.
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Índice

Identificação da empresa Percurso histórico Filosofia e desenvolvimento do produto Branding e Cultura Visual Conclusão Bibliografia Índice de imagens

pag. 4 pag. 11 pag. 14 pag. 17 pag. 26 pag 27 pag. 28

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Identificação da empresa
O projecto Vitra começou em Basel e Weil am Rhein1 nos anos de 1957, quando os fundadores da empresa Willi e Erika Fehlbaum começaram a produzir mobiliário de Charles & Ray Eames2 e George Nelson3. Hoje em dia continua a produzir estes clássicos. A razão para o nome de projecto Vitra, é devido ao facto de todas as pessoas envolvidas verem a Vitra mais do que um negócio apesar de que o negócio é um ponto a nunca esquecer. Tudo se desenvolve como um projecto. Manifesta-se em diferentes níveis: nos produtos, no conceito de interior, na arquitectura, na colecção, no museu, no método da comunicação, nos designers. Charles Eames foi das maiores influências da Vitra. Ele trabalhou sobre o problema do excesso de ornamentos. A Vitra trabalha sempre com designers que têm a capacidade de desenvolver um projecto através da maneira pessoal de ver o mundo. A diversidade de produtos da Vitra pode-se tornar confuso, mas isso nunca os aborreceu. A arquitectura do parque da Vitra Campus em Weil am Rhein mostra o leque de cadeiras e os escritórios de trabalho que produzem; A Vitra Design Museum contém as colecções, os arquivos, assim como interiores desenvolvidos ao longo dos tempos. A Vitra considera as casas, os escritórios e as ruas públicas como um conjunto de ambiente. “We are convinced that the design and arrangement, development and modification of the spaces in which we live and work is best archieverd with as few boundaries as possible… (…) Depending on the need, we creat products that are as inexpensive as our plastic chair, or as luxurious as the Eames Lounge Chair” (Fehlbaum, 2008:5)

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Weil am Rhein é uma cidade da Alemanha, no distrito de Lörrach, na região administrativa de Freiburg, estado de Baden-Württemberg. 2 Charles e Ray Eames foram dois designers americanos que juntos realizaram grandes contribuições para o design mundial. Charles Eames (1907/1978) nasceu no Missouri, EUA. Estudou arquitectura Ray. (1912/1988). Juntos actuaram em diversas áreas, como arquitectura, design industrial, filmes e na construção de mobiliários únicos. 3 George Nelson (1908-1986) foi um dos fundadores do modernismo americano. Na Europa conheceu uma série de pioneiros do modernismo. Nos EUA tornou-se colunista e apresentou à América Mies Van Der Rohe, Le Corbusier, entre outros. George Nelson ficou conhecido pelo seu conceito inovador, entre eles o de espaço familiar, que chamou a atenção de Herman Miller, ao qual se associou em 1945, chefiando o centro de design de sua empresa. George Nelson é considerado a mais articulada e uma das mais eloqüentes vozes sobre design e arquitectura na E.U.A. do século 20,

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Enquanto se encontram agarrados ao património de clássicos reeditando-os, fazendo exposições e publicações, estão a promover o design contemporâneo. “And Vitra is no less interested in ergonomics, ecology, logistics and quality assurance than in anthropology of dwelling” (Fehlbaum, 2008:6) O crescimento da colecção da Vitra leva à construção do Museu permitindo a divulgação através de exposições, assim como a criação de catálogos e organização de workshops. As exposições organizadas pela Vitra já passaram pelo mundo todo. Em 1981, surge de repente a oportunidade da integração da arquitectura na Vitra. Um incêndio destruiu a fábrica em Weil, tornando necessário a rápida reconstrução. Nicholas Grimshaw, arquitecto do primeiro edifício, juntamente com Frank Gehry4 projectam o de hoje Campus Vitra.
1- Modern living room

“Present assessment of Vitra Project can only be tentative. It is a work in progress – and will continue to be so for a long time to come” (Fehlbaum, 2008:6) A expansão do mercado para a Ásia, novos modelos de comunicação, assim como Vitra Edition, são experiências de grandes ideias colocadas em prática. Para Rolf Fehlbaum a Vitra é como que um sonho, pois tem a oportunidade de trabalhar com os maiores arquitectos e designers de todos os tempos. Todos os dias pensa no passo seguinte, nunca se encontra satisfeito. (Fehlbaum, 2008:7) A Vitra é como uma família onde a confiança é um elemento essencial. Rolf Fehlbaum desenvolveu um sólido projecto, tornando-o público. Outros deram a sua contribuição das mais variadas maneiras num processo de passo-a-passo. “We are now looking in the direction of the next fifty years, in which we hope to further the balancing act between Play and work, dream and reality. Everyday life will continue to be at the focus of our effort in the future (…)” (Fehlbaum, 2008:8)
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Frank O. Gehry nasceu em Toronto, mas mudou-se com a família para Los Angeles em 1947. Estudou arquitectura.Gehry desenhou uma série de peças de mobiliário chamadas "Easy Edges", utilizando madeira. Essas peças fizeram grande sucesso Nos anos 1970, Gehry projectou diversas residências, incluindo sua própria casa em Santa Mônica, na Califórnia. Desenvolveu também projectos de grande inventividade para edifícios públicos, tornando-se um dos fundadores do Desconstrutivismo, tendência na arquitectura que rompe com a tradição e resgata o papel da emoção. Vários de seus projectos tornaram-se marcos da arquitectura contemporânea, como o Museu Aeroespacial da Califórnia, o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, o Fishdance Restaurant, no Japão, e o Vitra Design Museum, na Alemanha.Nos anos 1980 Gehry voltou a desenhar móveis. Entre 1990 e 1992 ele criou uma linha de cadeiras para a indústria Knoll, construídas com tiras de madeira sem suporte estrutural.

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Direcção: Hanns-Peter Cohn, (CEO) Chief Executive Officer Manfred Meier, (COO) Chief Operation Officer Ivan Bosin, (CFO) Chief Financial Officer Patrick Guntzburger, (CSO) Chief Sales Officer David Allemann, (CMO) Chief Marketing Officer Concelho de Administração: Rolf Fehlbaum (Chairman) Raymond Fehlbaum Uli Sigg Detlev Meyer Sede Birsfelden near Basel (CH)

Produção: Weil am Rhein (D) Neuenburg (D) Allentown (USA) Zhuhai (RC) National companies: Austria, Belgium, China, Czech Republic, France, Germany, India, Japan, Mexico, Netherlands, Norway, Spain, Sweden, Switzerland, United Kingdom, USA Representative Offices: Poland, Singapore

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Vitra Campus

Vitra Campus é como que um jogo, mas jogado a serio. Á primeira vista, Weil am Rhein não é o sítio mais apropriado para a indústria, mas, técnicas artísticas e de inovação tornaram-no num local que transpira arquitectura. É como que um centro de experimentação artística.
2 - Vitra Campus

No ano de 1981 a fábrica foi reconstruída e anos depois os mais famosos arquitectos também colaboraram. O britânico arquitecto Nicholas Grimshaw5 construiu a fabrica antes do incêndio, enquanto que Czech, Eva Jiricna e o italiano Antonio Citterio6 completaram o trabalho. Nos anos de 1993 e 94 o arquitecto português Álvaro Siza construiu outra parte e o japonês Tadao Ando o pavilhão das conferencias. Em poucos anos este centro tornou-se um numeroso campo de construções, Richard Buckminster Fuller7 construiu uma cúpula, a estação de petróleo por Jeam Prouvé e a paragem de autocarro por Jasper Morrison. Em 2006 dá-se inicio á construção de rampas de acessos a veículos, SANAA (Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa) para estar completo no ano de 2009. “These dynamic constructions, which cross cultural and stylistic frontiers, are metaphors for a world undergoing radical change. They represent, on the one hand, the hectic movement of people, towns, information and images which entwine the planet
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Nicholas Grimshaw nasce em Hove, em Inglaterra, 1939. Diplomado pela Architectural Association School em 1965, criou seu actual gabinete, o Nicholas Grimshaw & Partners em 1980. Conhecido como um adepto do estilo "high tech, Grimshaw construiu numerosas estruturas industriais, entre as quais as fábricas para a Herman Miller, em Bath (1976), a B.M.W., em Bracknell (1980), o fabricante de móveis Vitra, em Weil arn Rhein, na Alemanha (1981) e para o Financial Times, em Londres (1988). 6 Nascido em 1950, na cidade de Meda, norte da Itália, Antonio Citterio é o que se pode chamar de homem multi-tarefa: do design de objectos e móveis para residências e escritórios, passando por projectos arquitectónicos e interiores de grifes famosas, museus e galerias de arte. Citterio não se rendeu somente a uma vertente. Foi nos anos 90, aliás, que Citterio chamou a atenção em design de móveis ao projectar um novo conjunto de poltronas para escritório para a Vitra. Feitas de aço, couro e tecido, as peças eram de uma elegância e simplicidade que chegam a mascarar a força de sua funcionalidade. Prosseguindo com o trabalho, Antonio criou uma série de coloridas mesas dobráveis e carrinhos feitos de plástico, alumínio e aço que davam uma cara mais chamativa e inovadora aos tradicionais e tediosos móveis de escritório. 7 Engenheiro, cientista, inventor e arquitecto americano, Richard Buckminster Fuller nasceu em 1895, em Milton, Massachusetts, e morreu em 1983, em Los Angeles, nos EUA.

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with their vertiginous flows, but they also represent the growing instability and nomadic life that characterize modern economies and society, whose imbalances further precipitate changes and factures.” (Galiano, 2008:61)

Vitra Design Museum “Imagine if Volkswagen were to open a museum of car design. A museum of car design that was based on bringing together all the archives of Henry Ford, Pierre Boulanger and Harley Earl, with a collection made up of the most significant cars in the development of automobile history from three continents, going back for a century, alongside a selection of the most intelligently designed engines ever produced” (Sudjic, Deyan, 2008:257) Vitra criou uma das mais notáveis colecções de design do século XX em qualquer lugar. Muito mais do que um museu corporativo, oferece uma perspectiva sobre o design. A empresa tem um percurso singular na indústria transformadora e em conceber novas tipologias de mobiliário. O Museu Vitra é como que uma enciclopédia do design de interiores e da arquitectura. “And with the exception of a few classically styled pieces that demonstrate innovation in mass production, it limits itself to modernism and its descendants in its stylistic choices” (Sudjic, 2008:259) A colecção da Vitra incluiu Sottsass e Memphis e claro Panton, Kuramata, Aalto e Arad, Pesce e Colombo. Mas também faz um regresso ao inicio da produção industrial com artigos Thonet. Fehlbaum é inspirado na forma como as coisas são feitas. É lírico quando se fala sobre a magia que acompanha o momento que um disco de borracha se fecha para ligar a uma perna de uma cadeira de metal. Fehlbaum é animado pelo significado cultural de uma cadeira e gosta que o informem sobre os objectos adquiridos para a colecção, o que torna a colecção tão impressionante. As colecções permitem que a Vitra esteja num circuito de museu internacional, a fim de salvaguardar o legado histórico dos pioneiros, e para recolher os mais recentes trabalhos de designers contemporâneos. Vitra Design Museum, estabeleceu-se como uma produção igualmente importante, como que uma casa de exposições.
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Este é o rosto da Vitra, um visível programa cultural que tem uma história para contar sobre o projecto. O que fez com que o Museu Vitra se tornasse distinto é devido a um misto de paixão de Fehlbaum, que

caracterizou os parâmetros das colecções. As colecções têm um papel diferente. Tornaram-se demasiado grandes para ter uma presença permanente em exposição estando cuidadosamente tratadas em armazém. Assim, estão disponíveis para empréstimo a outras instituições. “In the end it is the two sides of the Museum, its collections and its exhibitions, that give it the power to shift the conversation on design, to focus attention on the areas that it sees as important, to explore achievements and innovations and to help make new ones possible.” (Sudjic, 2008:265)
3 - Vitra Design Museum

O Vitra Design Museum reflecte desde 1980 até á mais importante colecção moderna do futuro. Em 1989 a colecção já continha 1000 objectos, hoje em dia conta-se aproximadamente com 6000 peças. A colecção encontra-se devidamente documentada transmitindo a evolução das técnicas, dos materiais e das formas. “I opened Vitra Design Museum in 1989 and have watched it grow into na important international facility with a diverse yet distinctive profile” (Vegesack, 2008:300) Alexander von Vegesack e Rolf Fehlbaum sempre trabalharam para as colecções, para obterem os melhores resultados da produção industrial. Outro facto importante é que a colecção incluiu desenhos, manuscritos e fotografias de George Nelson; as patentes de Anton Lorenz; e artefactos e documentos de Alexander Girardm. O trabalho de Harry Bertoia, Verner Panton e Eero Saarien está também representado em muitos ícones de design. “By far the most important acquisition was the complete threedimensional estate of Charles & Ray Eames, which we obtained in 1988” (Vegesack, 2008:301)

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A Vitra inclui no museu peças de mobiliário com edição limitada, que, ou são reconhecidas pelo seu aspecto formal, estrutura e tecnologia ou pela sua contribuição para o design industrial. O Museu também contém uma fonte de informação, a biblioteca. Mais de 250 importantes revistas e jornais, mais de 9500 livros sobre arquitectura, design e disciplinas relacionadas, catálogos, fotografias, filmes, desenhos, documentos escritos.

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Percurso histórico
O fundador da Vitra, pai de Rolf Fehlbaum, em 1957, tornou a empresa famosa com a produção de mobiliário de Charles & Ray Eeames e George Nelson. Em particular George Nelson foi o pioneiro utilizando novas tipologias. Um bom exemplo é a mesa Lshaped desenhada por George Nelson em 1947.
4 - L-shaped desk, George Nelson, 1947

O primeiro contacto de Rolf Fehlbaum com o design ocorreu aos 16 anos, quando acompanhou o pai, que não falava inglês, aos EUA, para tratar da licença de industrialização das criações do casal Eames na Europa. Além delas, a Vitra produziria a primeira cadeira 100% plástico, desenhada pelo dinamarquês Verner Panton em 1960, que instantaneamente virou ícone pop. Antes de 1968 a Vitra já tinha lançado o seu próprio produto, a cadeira Panton. Em 1976 a Vitra desenvolve a sua primeira cadeira de escritório utilizando aspectos ergonómicos, mecanismo inovador e formas esteticamente completas pela mão do designer Wolfgang Muller. Em 1977, administrado pelo filho, Rolf Fehlbaum, a própria fábrica virou objecto de desejo. O novo director propunha novas relações entre

empregados, produtos e ambientes de trabalho. Para Fehlbaum, uma boa interacção entre eles resultaria em qualidade, adjectivo muito recorrente quando se pensa em Vitra Design.
5 - Vitramat, Wolfgang Muller 1976 5

As novas tecnologias e técnicas, o novo modo de relação entre operário e produto e, principalmente, as novas

demandas espaciais deveriam ser reflectidas não somente nos seus produtos, mas também na imagem da empresa no mercado, o que incluiria seu edifícios.

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Com Mário Bellini8 em 1980 desenvolvem-se os primeiros produtos com qualidade para os interiores de escritórios domésticos. Anos depois são produzidos projectos de Antonio Citterio, Alberto Meda e mais recente Ronan & Erwan Bouroullec. A Vitra não se limita a criar cadeiras de escritório, mas também os interiores. Os espaços de escritório podem ser intimidativos; podem expressar uma hierarquia; podem transmitir o estilo de vida pessoal. A Vitra sempre se interessou pela revitalização e pela redefinição e organização do espaço. Outro importante passo foi o ambiente desenvolvido pelos irmãos Bouroullec – conjunto de mobiliário que promove a comunicação do espaço. “The old Office fouded on the divison of labour and the hierarchical accretion of individual results is being supplanted by a marketplace of knowledge. An essential insight is that the organization as a whole knows more than the management” (Fehlbaum, Rolf, Project Vitra; 2008, p.123)

Um incêndio em 1980 foi a desculpa para começar a deixar sua marca. "Por que não chamar um grande arquitecto para a reconstrução?", pensou. O seguro cobrava urgência, e Fehlbaum sabia que teria problemas se a obra atrasasse muito. Ainda assim, convenceu o britânico Nicholas Grimshaw a apresentar um projecto em tempo recorde. Questões como contexto, diversidade e a relatividade do mundo actual passam a acompanhar todos os edifícios construídos a partir de 1989. Para a tarefa, foram chamados arquitectos de importância global: Tadao Ando, Zaha Hadid, Frank Gehry e o arquiteto português Álvaro Siza.

O galpão principal e a entrada da fábrica são de autoria do português Álvaro Siza. Ali, robôs torturam as cadeiras desenhadas por Phillipe Starck, Antonio Cit-terio e Ron Arad, para testar sua resistência. Peças de Isamu Noguchi e dos ir-mãos Ronan e Erwan Bou-roullec resumem as tendências desde os anos 50.

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Arquitecto italiano e designer, Mario Bellini nasceu em 1935, em Milão. Formou-se pela Escola Politécnica de Milão e tem-se destacado sobretudo como designer industrial, tendo concebido numerosas peças de mobiliário, electrodomésticos, produtos electrónicos e outros objectos de produção industrial para empresas como a Ollivetti, Artemidea, Vitra ou a Fiat. Bellini é um dos principais representantes do prestigiado design italiano que após a Segunda Guerra Mundial se desenvolveu adquirindo um estatuto de primeira linha no panorama mundial. Bellini foi também editor da revista de design e arquitectura Domus e tem-se destacado pelos trabalhos teóricos acerca da arquitectura do renascimento.

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Embora modestos em tamanho e em orçamento, arquitecto possuem estes projectos do

americano Frank Gehry as principais questões

arquitectónicas que permeiam toda sua obra. No galpão industrial, Gehry dialoga com o edifício hi-tech contruído por Nicholas Grimshaw no início dos anos 80. Os volumes destacados dos
6 - Miniature chair collection 1

elevadores forma incorporados pelo arquitecto americano, que os alocou próximos ao museu, criando um conjunto de formas e volumes independente dos próprios edifícios que os contém.

Mesmo sendo uma verdadeira explosão de formas e volumes geométricos, o Vitra Design Museum é um edifício de um único espaço, todavia fragmentado. O virtuosismo no tratamento das superfícies, metálicas e opacas, transparentes e translúcidas causa grande impacto no visitante. O Museu de Design Vitra, dentro da cidadela da empresa, possui a maior colecção particular de móveis de design no mundo maior inclusive que a do Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA. O acervo comporta desde a primeira cozinha moderna, criada na Bauhaus, ao próprio ateliê do casal Charles e Ray Eames. Actualmente, uma exposição sobre o lar do futuro tem peças dos irmãos Campana, entre vários outros.

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Filosofia e desenvolvimento do produto
Espaços públicos, de trabalho e privados: Qualquer que seja o espaço, de esfera pública, ambiente de trabalho ou espaço privado, é oferecida uma vasta gama de produtos, criando os mais variados ambientes. Os produtos da Vitra são componentes indispensáveis para o ambiente, transmitidos 7 - Vitra Vegetal chair, Ronan and Erwan Bouroullec, 2008 por todo o mundo, por meio dos media. A junção do design com a arquitectura influencia o estado mental dos indivíduos. “It should provide facilities that take the needs of an unknown public seriously in places where the issues of personal comfort and satisfaction are typically subordinate to other factors.” (Fehlbaum, 2008:102) A Vitra tem em conta as medidas de cuidados. Nas zonas públicas, por exemplo, o aeroporto, café. Museu, biblioteca, projectadas pela Vitra, contêm valores como a qualidade, autenticidade e longitividade. “Its design embodies clarity, directness and elegance, and we are of the opinion that these qualities have a positive influence on the content and atmosphere of an event” (Fehlbaum, 2008:103) A Vitra tem consciência do uso dos produtos assim como os factores que estão inerentes, assim, assume o compromisso de garantia de durabilidade. Todos os produtos são acompanhados com uma mensagem informativa do produto. Nos espaços privados os indivíduos podem decidir a seu gosto o interior do espaço, assim como fazer qualquer alteração ou intervenção.

O espaço de trabalho criando pela Vitra é de disciplina, uniformização e hierarquia. Durante trinta anos a Vitra cria produtos com preocupações ergonómicas, técnicos e culturais evitando os acidentes. A meta é: o melhor escritório. “The Office should become better for the operators, that is, for companies and institutions. First and foremost this means that it should be made more productive. But the user, the office worker, should also feel comfortable and at ease.” (Fehlbaum, Rolf, 2008:115)
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O melhor cenário de trabalho motiva o funcionário, aumentando a produtividade da empresa. Assim sendo, o espaço de trabalho é o centro da preocupação da Vitra. Hoje em dia pode-se trabalhar em qualquer sítio. O espaço privado, a casa, tornou-se um importante local de trabalho. Em casa fazem-se as mais variadas actividades, como ouvir musica, ver televisão, actividades criativas e outras ligadas ao computador, assim, é importante tomar atenção às novas formas de expressão e criar os melhores espaços. Os espaços são produtivos, onde cada habitante pode ler, jogar, cozinhar, comer, relaxar e até trabalhar. A casa deve de acomodar mobiliário, objectos, carpetes, luzes, têxteis, tecnologia, entre outros, tomando atenção que a moda está constantemente a mudar. Todas as casas são diferentes e particulares, assim, os produtos da Vitra podem facilmente ser combinados, utilizando diferentes acessórios

criando diferentes estilos, pois são heterogéneos. “A home that evolves from such opportunities is the only place where we can truly be ourselves” (Fehlbaum, 2008:134)
8 - Vitra party

A Vitra trabalha com independentes autores, designers, arquitectos e artistas gráficos. O que distingue o trabalho destes com o de outros designers é o facto de eles imprimirem nos projectos a pessoalidade. “We do not define our roles in terms of client and contractor. Two business partners – the designer and Vitra – embark on a common quest for an optimal solution” (Fehlbaum, 2008:223) A Vitra simula ambientes, técnicas de suporte, construções. Um produto tem uma existência longa, antes mesmo de existir, de ir para o mercado. Muitas vezes o resultado final é muito diferente do planeado. Grandes figuras como Frank Gehry, Philippe Starck e Ron Arad , Ettore Sottasass, Alessandro Mendini, Boreck Sipek, Gaetano Pesce, Denis Santachiara, Richard Artschwager colaboraram com a Vitra durante um período de tempo.

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Mais do que em relação a Vitra assume a responsabilidade ambiental nos processos de produção como uma inevitável obrigação de agências externas, pode ser vista como parte do valor e utilidade de um bom consumidor. Ao invés de ver o impacto ecológico de um produto como algo que aumenta os custos principalmente, pode ser abordada como uma concepção tarefa.

Como consequência de catástrofes naturais e exponencial crescimento aterros, uma nascente consciência das questões ambientais surgiu nos países industrializados durante o início de 1980, que acabará por conduzir a um consenso social. Esta não foi, contudo, a primeira vez que a Vitra se envolveu com o tema. Novamente foi o Eames modo de pensar que nortearam Vitra desde o início. Embora o significado actual de "ambientalismo" e "ecologia" não existia na época, Charles e Ray Eames sempre éticos reconhecidos e sociais em termos de design.
9 - Vitra Edition collection, Naoto Fukasawa, 2007

Vitra sempre esteve convencida de que parte do valor e utilidade de uma peça de mobiliário é naturalmente condicionada à garantia de que nem a sua produção, nem a sua utilização, nem a sua eliminação tem um efeito nocivo sobre o consumidor.

Vitra é cometida a uma cultura industrial baseada na prudência e racionalidade. No cerne deste compromisso é o de evitar transigentes estilos que são rapidamente atirados sobre a pilha de lixo da história da moda e tendências. É expresso em longa duração, que são meticulosamente produtos fabricados a partir de materiais superiores que são capazes de se reparar. O objectivo é criar produtos estéticos cuja expectativa de vida é não quantificáveis. Vitra continua a esforçar-se para este ideal.

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Branding e Cultura Visual

Hoje em dia, mais de 40.000 pessoas visitam anualmente as instalações do complexo Vitra. Isto mostra que esta nova postura trouxe consequências importantes na imagem institucional da empresa.

Uma outra questão ocorre ao se discutir o projectar para grandes empresas e corporações: o uso da arquitectura como elemento de identidade corporativa. Pode-se encontrar projectos que se relacionam directamente com o produto fabricado naquele espaço. Outros podem se configurar como suportes para a identidade corporativa; são edifícios padronizados, reproduzíveis, portanto, reconhecíveis como elementos complementares para a comunicação da empresa.

Entretanto o projecto de Vitra não segue um padrão uniformizante para as suas edificações. A diversidade, neste caso, é o elo que unifica as construções, e a sua materialidade/realização é a expressão da Imagem da empresa.

Ao se comparar a iniciativa de Rolf Fehlbaum com, por exemplo, a de Luciano Benetton, pode-se perceber que, apesar de aparentemente similares, partem de propostas completamente contrárias. No caso da Benetton, desenvolvido por Tadao Ando e, de uma forma mais prolongada, por Afra & Tobia Scarpa, as construções conformam-se diferentemente de acordo com as demandas funcionais do espaço. Ou quando não funcional, no caso de Tadao Ando para o projecto Fabrica, na demanda intelectual, como o desenvolvimento de novas linguagens publicitárias, de experiências visuais e formais. Desde as primeiras intervenções de Grimshaw no início da década de 80, a preocupação em reflectir nos edifícios o mesmo esmero e tecnologia encontrados em seus produtos já estava presente. Com as intervenções ocorridas nos anos 90, acresceu-se a diversidade de novas ideias e novos modos de se pensar Design.

A perfeição da execução dos concretos aparentes nas obras de Hadid e Ando; a explosão sensorial e sensível na de Gehry e também na de Zaha Hadid; o cuidado com as funções e com o contexto, geográfico e histórico, no galpão industrial de Álvaro Siza não se relacionam somente com a situação presente da empresa. Se tornam, como os produtos Vitra, o próprio processo do Design.

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Publicações

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Evolução da imagem gráfica

1934

1950

1974

1982 ( Concept: Karl Gerstner)

1990 (Design: Pierre Mendell)

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A maior concentração de design e arquitectura premiados por metro quadrado não mora em Nova York ou Londres. Está nos Alpes, entre as cidades de Basiléia, lado suíço, e Weil Am Rein, na fronteira alemã. Ali fica a sede da Vitra, tradicional fábrica de móveis que virou ponto de peregrinação para fanáticos do bom desenho. Dentro da fábrica, na linha de produção ou no museu Vitra, está o melhor do design mundial das últimas cinco décadas.

A Vitra cria produtos formados com poucos componentes, que se podem reparar e desmontar facilmente – descompõem-se nos seus elementos básicos – e são recicláveis. É através de estudos e de experiencias ergonómicas que os seus produtos proporcionam uma boa estrutura corporal, permitindo o movimento, ao mesmo tempo que oferece uma imagem visual. «A razão por que lhe chamamos projecto é porque toda gente envolvida vê-o muito mais do que um negócio», diz Rolf Fehlbaum, o presidente da empresa. O mesmo que reconhece que a diversidade do projecto Vitra pode até parecer confusa. «O parque de arquitectura no Vitra Campus em Weil am Rhein define-nos tão bem como as cadeiras e o mobiliário de escritório que produzimos», escreve ainda no livro Project Vitra. A Vitra também se manifesta na arquitectura. Trabalha com as personalidades importantes da arquitectura contemporânea: Gehry, Ando, Siza, Hadid e Grimshaw. Assim surgem espaços inconfundíveis para os colaboradores e para os visitantes. Em muitos países estão representados por importadores.

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Bibliografia

Charlotte; Fiell, Peter;1000 Chairs; Germany;Taschen;2005; Dunas, Peter et al;100 Masterpieces from Vitra Design Museum Collection;Weil am Rhein; Vitra Design Museum and Authors, 1996; Fehlbaum, Rolf; ; Project Vitra; Berlim; Cornel Windlin and Rolf Fehlbaum; 2008; Galiano, Luís Fernandez; Project Vitra; Berlim; Cornel Windlin and Rolf Fehlbaum; 2008; Sudjic, Deyan; ; Project Vitra; Berlim; Cornel Windlin and Rolf Fehlbaum; 2008; Vegesack, Alexander von Dimensions of Design – 100 Classical Seats; ;Munich; Vitra Design Museum and authors; 1997 Vegesack, Alexander von, Remmele, Mathias; Verner Panton, The collected works; Berlim; Vitra Design Museum and Authors; 2000 Vegesack, Alexander von; Project Vitra; Berlim; Cornel Windlin and Rolf Fehlbaum; 2008;

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Índice de imagens

1 - Modern living room http://www.flickr.com/photos/scleroplex/332686117/ 2 - Vitra Campus http://www.flickr.com/photos/philomenaspqr/1452191260/ 3- Vitra Design Museum http://www.flickr.com/photos/ligthelm/2436464183/ 4 - L-shaped desk, George Nelson, 1947 http://www.metroretrofurniture.com/images/georgenelson/ar09georgenelsondesk01.jpg 5 – Vitramat, Wolfgang Muller 1976 5 http://193.238.185.184/vare/4/1/9/8/aw419850-2.jpg 6 - Miniature chair collection http://www.flickr.com/photos/chezlarsson/2292126120/ 7 - Vitra Vegetal chair, Ronan and Erwan Bouroullec, 2008 http://www.spacecraftint.com/media/minicms/blog/vegetal%20vitra%20chair.jpg 8 - Vitra party http://www.flickr.com/photos/smallritual/2636905083/ 9 - Vitra Edition collection, Naoto Fukasawa, 2007 http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://www.apartmenttherapy.com/images/uploads/7-2-fukasawachair-vitra-3.jpg&imgrefurl=http://www.apartmenttherapy.com/ny/seating-misc/nyt-vitra-edition-2007025777&usg=__WTtsrwOOJUUCKJuIsUx5y1TQFuU=&h=300&w=400&sz=16&hl=ptPT&start=26&um=1&tbnid=f_JsentpU6QrM:&tbnh=93&tbnw=124&prev=/images%3Fq%3Dvitra%2Bchair%2Boffice%26ndsp%3D18%26h l%3Dpt-PT%26sa%3DN%26start%3D18%26um%3D1

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