COMO VENCER UM DEBATE SEM PRECISAR TER RAZÃO: OS 38 ESTRATAGEMAS DE ARTUR SCHOPPENHAUER. DIALÉTICA ERÍSTICA.

1) AMPLIAÇÃO INDEVIDA: Levar a afirmação do adversário para além de seus limites e exagerá-la. Antídoto = dos puncti ( dos pontos) ou status controversiae = maneira de controvérsia. Ingleses como nação do gênero dramático = na música e na ópera eles nunca foram importantes. A paz de 1814, ...cidades hanseáticas alemãs; B) instancia in contrarium, (...) Danzig perdeu a independência; pois Danzig é uma cidade polonesa; ( Aristóteles, Tópicos, Livro III, Cap.12,11.) Lamarck (Philosophie zoologique, vol. I, p.203). Os pólipos- mônada; o mais perfeito dos seres vegetais." 2) HOMONÍMIA SUTIL: A importância de usá-la. Synonyma são duas palavras. Homonyma são dois conceitos. Aristóteles, Tópicos, Livro I, Cap.13. Baixo, agudo, alto = homônimos; honesto, sincero = sinônimos. Sofisma ex hononymia. Lumen = sentido literal e figurado. Ex.1: Os casos inventados não são capazes de ser enganadores. A+B= os mistérios da filosofia de Kant.; Ex.2: A crítica de honra de qualquer pessoa e sua resposta dialética = hononímia, a honra civil pelo conceito de point d´honneur ponto de honra- injúria. Mutatio controversiae- mudança dos pontos conflitivos em dicussão. 3) MUDANÇA DE MODO: No modo relativo "KATA TÍ" (grego) no modo absoluto = simpliciter- aplos (grego) absoluto. Aristóteles dá exemplo: O mouro é negro, mas nos dentes é branco. Ao mesmo tempo negro e não negro. Ex.1 Os quietistas. Hegel e seus escritos. Crítica ad rem, e formulação do argumentum ad hominem = elogio aos quietistas e eles escreveram muitas coisas sem sentido. Ataquei a argumentação do adversário e mencionei Hegel. Estes 3 estratagemas são afins. Estratagema = ignoratio elenchi ( ignorância do contra- argumento). O adversário não consegue fundamentar a sua tese, pois cai em contradição. Refutação direta de sua refutação = per negationemum consequentiae. Regras 4,5. 4) PRÉ-SILOGISMOS: Admissão de cada conclusão uma de cada vez, e a utilização do pré- silogismo, isto é, as premissas das premissas; sem ordem e confusamente. 5) USO INTENCIONAL DE PREMISSAS FALSAS: Necessidade alguma de uso de proposições falsas, se o adversário aceitar as verdadeiras. Proposições falsas mas verdadeiras ad hominem, e argumentaremos ex concessis, a partir do modo de pensar do adversário. O falso como verdadeiro e viceversa. Se ele é militante de uma seita, podemos argumentar contra ele, como principia (Princípios) as máximas dessa seita. Aristóteles, Tópicos, Livro VIII, Cap. 9. 6) PETIÇÃO DE PRINCÍPIO OCULTA: Petitio Principii : 1) nome distinto = boa reputação- no lugar de honra, virtude em vez de virgindade; animais de sangue vermelho, em vez de vertebrados; 2) aceitar aquilo de um modo
banca-de-revista.blogspot.com

1

Fallacia non causae ut causae (tratar como prova o que não é prova).geral o que é controvertido. particular. 15. isto nos acontece queiramos ou não. 18) USO INTENCIONAL DA MUTATIO CONTROVERSIAE: Se notamos que o adversário faz o uso de uma argumentação que nos abaterá. nós lhe diremos: "Porque você não vai embora na primeira diligência?" Semelhantemente. nós o perguntaremos se não está em contradição. branco ao negro. Se ele a aceitar. fazendo juízo analítico. 7) PERGUNTAS EM DESORDEM: Para confrontar o que se diz é necessário que o adversário ou o outro faça perguntas para concluir a verdade. regime opressor. e o mesmo aos ouvintes. 8) ENCOLERIZAR O ADVERSÁRIO: Encolerizar o adversário. a primeira ordem constituída e na Segunda. Se ele for tímido ou tolo. de Aristóteles. (no caso de desonestidade psicológica) podemos nos salvar mediante alguma distinção sutil. de modo que se não perceba qual delas queremos afirmar. 17) DISTINÇÃO DE EMERGÊNCIA: Se o adversário nos acossa com uma prova contrária à nossa. 9) PERGUNTAS EM ORDEM ALTERADA: Perguntas num modo organizado = o adversário não conseguirá saber aonde queremos chegar. então devemos perguntar o contrário. o outro: Os padres. condução do absurdo. Transformação pelo adversário e nós = subversão. caso a questão admita algum tipo de dupla interpretação ou nos dois casos diferentes. E o tratando com insolência. 11) SALTO INDUTIVO: Se fizermos uma indução e o adversário o toma em casos particulares e nisto podemos levá-lo à crer que a admitiu. 15) ANULAÇÂO DO PARADOXO: Se não conseguirmos apresentar uma proposição e prová-la. Se ele a recusar. Um homem tem de fazer tudo o que seu pai lhe ordene.Deve ou não obedecê-lo? Se por frequencia em muitos ou poucos casos. foi escolhido pelos católicos. e nós tivermos bela voz o golpe poderá funcionar. 12) MANIPULAÇÃO SEMÂNTICA: Discurso como metáfora e metáfora que mais favoreça a nossa tese. 4) Para demonstrarmos uma verdade geral e que se admitam todas particularidades. Cap. com os princípios de uma escola ou seita. Ele dirá: "muitos". 3) Duas coisas são consequencia uma da outra. nós o atacamos: "Porque você não se enforca?". pois ele não será capaz de se raciocinar corretamente..redução ad absurdum. devoção. Se ele afirmar que Berlim é uma cidade incômoda. já poderemos protelar a conclusão. Na Espanha os dois partidos políticos serviles e liberales. como a medicina no exemplo de incerteza. 16) VÁRIAS MODALIDADES DO ARGUMENTUM AD HOMINEM: Argumenta ad hominem ou ex concessis. (Mudar de assunto nos dois casos). interrompê-la e sair dela e levá-lo à outra banca-de-revista. o adversário diria: crendice. 14) FALSA PROCLAMAÇÃO DE VITÓRIA: Respostas tolas por parte do adversário. que não podem deixar de levar à conclusão. ou se não o fizer aceitará a nossa tese. Cinzento ao negro. Os que com lentidão não conseguirão entender a discussão. pedimos ao adversário que a aceite ou recuse. Um diz: O clero.com 2 . Podemos usar disto para tirarmos vantagens. 10) PISTA FALSA: Se o adversário responde pela negativa às perguntas afirmativas. desprezo. ou com a conduta dele. devemos desviar o rumo da argumentação. fanatismo. Se ele falar em suicídio. interrogar" usado pelos antigos = método socrático = a partir do LIBER de elenchis sophisticis.. O nome "protestantes" como evangélicos. O que uma pessoa chamasse de culto. triunfaremos.blogspot. Método erotemático = do grego Eromai = perguntar. etc. O nome hereges. Fervor religioso/ fanatismo. Caso amoroso/ Adultério. 13) ALTERNATIVA FORÇADA: Uma tese e a apresentação da contrária para que o adversário escolha.se o adversário fizer uma afirmação.

Replicamos com o argumentum ad auditores com base no clima. enotasis. como você dizia há pouco. Não da verdade mas da vitória. Ruminantes tem chifres = exemplo demolido (cavalo). no caso de milagres. mas algo dentro do Thema quaestionis. Mas não é fácil encontrar um auditório assim. devemos deixá-lo fazer o que quiser. Um golpe brilhante. É um novo uso da fallacia non causae ut causae. 21) PREFERIR O ARGUMENTO SOFISTÍCO: Se estivermos frente à um argumento adversário. seria preciso expor todo um tratado. E refutá-lo: "Eu disse isto e nada mais!" 24) FALSA REDUCTIO AD ABSURDUM: A arte de criar consequências.exemplum in contrarium.petição de princípio.blogspot. quando o argumento do próprio adversário pode ser utilizado contra ele. devemos utilizar o mesmo argumento. deveremos prestar bastante atenção. Isto é um uso da fallacia non causae ut causae.. 3) Se está em contradição com a verdade.algo diferente. Falsas consequências e distorções dos conceitos = são absurdas e perigosas. 19) FUGA DO ESPECÍFICO PARA O GERAL: Adversário nos pede alguma objeção contra um fato e nós não dispusermos de nada apropriado. porque vemos nisto que tocamos em sua parte fraca.. exemplum in contrarium. Desvio insolente"Sim.mutatio controversiae. Cipião que atacou os cartaginenses. faremos um contra-argumento ad hominem (ex concessis). A é B. Ouvintes riem. Argumentação quanto a crosta terrestre. lhe subtrairemos seu melhor argumento. pois bem.que todos os cidadãos na China são punidos.. Hipótese física é crível. Raciocínio ilógico.. ilustraremos com muitos exemplos. 2) Se se entra no conceito da verdade.instância. Se o adversário o captar. Ouvintes sem conhecimento de física. A apagoge. não na Itália. 20) USO DA PREMISSA FALSA PREVIAMENTE ACEITA PELO ADVERSÁRIO: Se já interrogamos o adversário e ele se calou. etc. pressão atmosférica. 26) RETORSIO ARGUMENTI: Retorsão do argumento. e que o adversário não consegue levar vantagem mais em nada. Período de instância. "É um menino. adotamos um desvio. histórias de fantasmas.com 3 . EX: China: uso do desvio. Deste modo. os ouvintes não. enfocaremos o tema atacando-o assim. Na discussão devese usá-la "faute de mieux ( falta de algo melhor). logo C é provavelmente B. E a contextualização do exagero. Descaracterizar a afirmação. 25) FALSA INSTÂNCIA: Apagoge. C é provavelmente A. 29) DESVIO: Se percebermos que cairemos. Equivale a uma refutação indireta. apagoge ao contrário. mas na África. nada mais à questioná-lo. aparente ou ilusório = de igual modo combateremos. inductio = indução. Provocação ao adversário contradizendo-o e induzi-lo assim a exagerar para além do que é verdade uma afirmação. etc. banca-de-revista. Tiraremos as nossas conclusões. O adversário terá que provar a ebulição diferente do grau de calor. Se ao contrário. 22) FALSA ALEGAÇÃO DE PETITIO PRINCIPII: Se o adversário nos exigir a conclusão do assunto em foco. sob a incerteza geral do conhecimento humano. recusamos a fazê-lo uma petitio principii. 28) ARGUMENTO AD AUDITORES: Uma pessoa culta num auditório inculto = argumentum ad rem e ad hominem = usamos um ad auditores. Se ele apresentar argumentum ad hominem. 23) IMPELIR O ADVERSÁRIO AO EXAGERO: Contradição e luta." Retorsio: "Porque é um menino deve-se castigá-lo para não cair em maus hábitos.questão. em lugar de uma longa explicação. Desvio é o grau intermediário entre o argumentum ad personam e o ad hominem." 27) PROVOCAR A RAIVA: Se o adversário fica zangado. 1) Se o exemplo é verdadeiro. apagoge.

etc. 35) PERSUASÃO PELA VONTADE: Mesma se for tomada por um manicômio. Professor diante do estudante. eu não apavorarei). "Quam temere in nosmet legem sancimus iniquam (Com que rapidez sancionamos uma lei que vai contra nós)! Opinião do adversário em contraste com os argumentos dos ouvintes como mesquinhos e frouxos. Os "ismos". um Siegfried com chifres. 3o Ex: Teoria evolucionista de Darwin.30) ARGUMENTUM AD VERECUNDIAM: É dirigido ao sentimento de honra. Absurdo. quando da pavimentação de sua rua: "Paveant illi. 4o Ex: Processo educativo. 4o Ex: Incitação à greve. 1o Ex: Indecisão no falar. Aplausos à parte e o adversário envergonhado. 4o Ex: Boca fechada não entra mosquito (provérbio). 31) INCOMPETÊNCIA IRÔNICA: O que você diz ultrapassa minha débil capacidade de compreensão = coisa insensata. mas é alimentado pela vontade e pelas paixões". Se desconhecidas as autoridades.Os muitos tem muitas opiniões". espiritismo. 3o Ex: Entrevista à um criminoso. indo para outro lugar. 3o Ex: Calúnia lançada à alguém. Ex: Um eclesiástico e os dogmas da Igreja. 5o Ex: A exploração da lua pelo homem. resumindo de todo contexto. Fazemos ao adversário acreditar na sua teoria perigosa e ele a deixaria por persuasão. Tactique des assemblées legislatives.). ego non pavebo (Eles que se apavorem. "Colher a árvore pela raiz". mais respeito se terá delas. EX: Carneiros que seguem os guias. 32) RÓTULO ODIOSO: Tornar suspeita. 2o Ex: Contradição de alguém. Crítica da Razão Pura = Contradição no que afirmavam e a mudança para o estado de humor.incompreensão. 1) "Ah. A ratione ad rationatum valet consequentia.(da premissa à consequência a conclusão é obrigatória). ex hipothesi. Caso contrário há falha na teoria e o será sem dúvidas. Platão: Toís polois pola dokei". O proprietário de terras na Inglaterra tendo em vista os maquinários." O jogo ao lado da autoridade respeitada pelo adversário. Tribunais = Autoridades = leis e suas aplicações dialéticas. 5o Ex: O saber no campo de trabalho. O não saber manusear um livro pelo adversário.2. Ex: 1 e 2 sobre a distância.. p. (grego) Opinião absurda se torna universal. Aceitam-se fundamentos mas negam-se as consequências. como gentileza."qualquer um prefere crer e julgar por si mesmo. imerso na maré da incapacidade de pensar e julgar. "Pesam mais umas migalhas de vontade que uma tonelada de compreensão e persuasão". 34) RESPOSTA AO MENEIO DE ESQUIVA: Recusa ou não da resposta direta de alguma afirmação ou se esquivando. 36) DISCURSO INCOMPREENSÍVEL: Desconcertar o adversário com palavras banca-de-revista.blogspot. A men logois doxei tauta ge einai psanen. Cura francês. Conselho de Comunidade. 1o Ex: Só sei que nada sei. dizemos que o são". Algo que é impossível. 1O Ex: Discurso numa campanha política. 2) Categoria refutada e pode não haver palavra verdadeira." "As coisas que parecem justas a muitos. 2o Ex: Produto industrializado." Persistir no ponto e não deixar que o adversário saia do lugar. Floreios retóricos gregos e latinos pelos ignorantes. isto nós já sabemos.79). 2o Ex: O caso de um sacerdote.o que corresponde a um "mutismo relativo. citou trecho da Bíblia. sistema ptolemaico ( Bentham. Exposição do problema e sua resposta tão mastigada que o estudante nolens volens se diz que o entendeu. na prática.(como em fanatismo. 33) NEGAÇÃO DA TEORIA NA PRÁTICA: Verdade na teoria mas na prática é falso. quando na realidade nada absorveu. mas para alguns "paver" era pavimentar. Intellectus luminis sicci non est: "O entendimento não é uma luz que arde sem óleo. Fundamentos = Autoridades. 5o Ex: Afirmar algo que não viu ou tem certeza. reduzir a afirmação do adversário."Argumentum ab utili". O que é certo na teoria tem de sê-lo na prática. Dizia Sêneca: "Unuscuisque mavult credere quam judicare. Opinião geral = 2 ou 3 pessoas.com 4 .. encontramos um ponto fraco. Arma dos fundamentos. vol.

"Normalmente o homem. A paz vale ainda mais que a verdade. banca-de-revista. que é fácil refutar. 1o Ex: 5+9 para um analfabeto. Es müsse sich dabei doch auch was denken lassen". Ofensas pessoais declara que a partida está perdida. Argumentum ad personam. (Bate. É usada com frequência. Hobbes (de cive. nos tornamos insultuosos. Se alguém tenta provar a existência de Deus pelo argumento ontológico (teoria ou ciência do ser enquanto ser). Se se percebe que o adversário escuta coisas que não compreende e faz como que as entendesse.com 5 . possit magnifice sentide de se ipso". Voltaire: "La paix vaux encore mieux que la vérité". Fausto.sem sentido. em certos casos não são. Wenn er nur Worte hört. No que a lei tem de ser aplicada.) A honra vale mais que a vida." 1o Ex: Contenda em reuniões. 4o EX: Entre patrões e empregados." (Apóstolo São Paulo). acredita que também deve haver nelas algo para pensar". 3o EX: Função da eletricidade e solicitar explicações. omnisque alacritas in eo sita est. (Em Goethe. ao escutar apenas palavras. 38) ÚLTIMO ESTRATAGEMA: Quando o adversário for superior no conhecimento. (Tradução). akouson de". "Gewönlich glaubt der Mensch. Temístocles à Euribíades: "Patazon men. 1o EX: O bem que desejo praticar não consigo. esse é o que faço. 4o EX: O conceito do bem e o mal. quibuscum conferens se. mas escuta = grego).blogspot. mas o mal que habita em mim.sucesso obtiveram com este método. 37) TOMAR A PROVA PELA TESE: Se o adversário tem de fato razão e escolheu uma prova ruim para se defender.34. a paz. Bons advogados perdem uma causa boa. podemos apresentá-lo nossas próprias teses. Língua alemã). Exampla Odiosa em Goldsmith. grosseiros. 2o EX: Exposição da equação linear aos alunos numa só vez. 5o EX: Nas relações conjugais. 5o EX: Num debate onde venço por possuir respostas. 3o EX: A inversão de valores nos dias atuais. 4o EX: "Quem tem boca vai à Roma" (Provérbio). E do árabe: "Da árvore do silêncio pende. p. deixamos de lado o objeto da discussão para atacarmos ao nosso adversário. ( Todo prazer do espírito e todo contentamento consiste em termos alguém em comparação com o qual possamos Ter alta estima de nós mesmos. cap. vencemos. 3o EX: Entre vizinhos. 2o EX: Discurso religioso ou político. como fruto. Se ao adversário ou aos ouvintes não lhes vem às mentes uma prova melhor. Filósofos em frente ao público alemão. 2O EX: O esquecimento de uma lei por um advogado. I) "Omnis animi voluptas. quod quis habeat. Vicar of Wakefield. 5o EX: A tradução exigida de uma língua por alguém incauto.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful