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ESTRUTURA CONCEITUAL BÁSICA DA CONTABILIDADE X RESOLUÇÕES DO CFC.

RESUMO: Estudo da Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade, cujo propósito é apresentar por meios conceituais, um conjunto de princípios que possam subsidiar o estabelecimento de normas ou padrões contábeis, a fim de atingir os objetivos da contabilidade, disponibilizando a seus usuários informações de natureza econômica, financeira, física e de produtividade. Para tanto, primeiramente, será realizada uma reflexão sobre o estado da arte da contabilidade, contemplando a origem do referencial teórico ou princípios contábeis e quais usuários foram priorizados na sua elaboração. Posteriormente, apresentará o referencial teórico norte-americano e os dois modelos adotados no Brasil: Estrutura Conceitual Básica no modelo IPECAFI/IBRACON/CVM e as Resoluções 750/1993 e 774/1994 do Conselho Federal de Contabilidade para analisar comparativamente seus conteúdos, verificando se existem divergências entre eles, e se os mesmos são suficientemente completos, para que a contabilidade atinja seus objetivos e disponibilize informações que atendam os diversos modelos decisórios dos usuários da informação contábil. Palavras-chave: estrutura conceitual, resoluções CFC, usuários da contabilidade, assimetria informacional. Abstract: Study of Accounting Basic Conceptual Structure, whose intention is the presentation by conceptual ways, a set of principles that can subsidize the accounting of norms or standards establishment, in order to reach the accounting objectives, giving your users information of economics, financial, physical and productivity nature. For in such a way, first of all, a reflection on the accounting state of the art will be carried through, contemplating the origin of the theoretical reference or accounting principles and which users had been prioritized in its elaboration. Later, it will present the North American theoretical reference and the two adopted models in Brazil: Basic Conceptual Structure in model IPECAFI/IBRACON/CVM and Resolutions 750/1993 and 774/1994 of the Federal Accounting Council in order to analyze comparatively its contents, verifying if there is divergences between them, and if both of them are complete enough, so that the accounting reaches its objectives and provides information that supports many decision models of the accounting information users. Keyword: conceptual structure, CFC resolutions, accounting users, informational asymmetry.

1 INTRODUÇÃO

do CFC. conforme afirmativa de Hendriksen e Breda (1999. a primeira . informações utilizáveis. como próprio título indica. 2005. física e de produtividade. com a criação do FASB (Financial Acconting Standards Bord). Foi com esta concepção. (LOPES E MARTINS. que as primeiras manifestações sobre a construção de um referencial para a teoria da contabilidade.74). principalmente no que se refere aos usuários externos da contabilidade.º 750 e 774 do CFC. existem dois documentos que se referem a esses conceitos: a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade elaborada pelo IPECAFI e as Resoluções 750/1993 e 774/1994 do Conselho Federal de Contabilidade. do que significa um princípio. aprovado e divulgado pelo Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON). se uma prática comum seria desejável para atender a todos os modelos decisórios dos diversos usuários da informação contábil. fornecer um conjunto de princípios e normas. 108). modelo IPECAFI e Resoluções do CFC? 2. no Brasil. como os que norteiam o desenvolvimento do presente estudo: 1. A estrutura conceitual básica da contabilidade. com o intuito de conduzir a prática contábil no atendimento destes objetivos. não existe ainda uma opinião unânime. no estágio atual de desenvolvimento da contabilidade. iniciaram-se nos Estados Unidos a partir de 1930 e ganharam conotação em 1936 com a obra de Paton e Litteton. financeira. a segunda . busca por meios conceituais. ainda. E. Este cenário traz consigo preocupações e questionamentos. disponibilizadas de acordo com a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. verificar se estas são suficientemente completas para atender os objetivos da contabilidade. qual o relacionamento destes com os postulados ou se os postulados podem ser utilizados para gerar padrões contábeis. as quais com atribuições distintas. discute-se. são suficientemente completas para atender as necessidades dos diversos modelos decisórios dos usuários das informações contábeis? Este trabalho tem como objetivos: apresentar e analisar comparativamente a Estrutura Conceitual da Contabilidade.são as Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade n. Várias foram as discussões e organismos envolvidos nessa construção.º 29/1986. visando à tomada de decisões. p. refletir se é possível.trata-se do estudo elaborado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisas Contábeis (IPECAFI). estabelecer um único modelo que supra as demandas informativas dos diversos .º 750/1993 e 774/1994. até que em 1973. há a necessidade de que seus registros sejam realizados de acordo com padrões pré-estabelecidos. visam a regulamentação das práticas contábeis brasileiras. modelo IPECAFI e as Resoluções 750/93 e 774/94. Tal discussão ganha conotação no Brasil. por intermédio da Deliberação n. modelo IPECAFI ou de acordo com os Princípios Fundamentais apresentados pelas Resoluções n. prover com informações utilizáveis os vários modelos decisórios de seus usuários. seus pronunciamentos passaram a ser considerados como princípios geralmente aceitos para a contabilidade americana.Existem divergências entre a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade.A elaboração dos demonstrativos contábeis e as análises de natureza econômica. e adotado pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM). onde a estrutura conceitual básica da contabilidade é apresentada por duas instituições. a qual se estendeu aproximadamente por cinqüenta anos. disponibilizando a todos os modelos decisórios dos usuários. No entanto.2 Para que os registros contábeis encontrados nos demonstrativos financeiros possuam validade atestada. A contabilidade tem por objetivo básico. p. Apesar de muitos esforços e estudos.

Minayo (2004..”. que necessidades buscava suprir e quais usuários foram priorizados na sua construção. p. 20) manifesta que a pesquisa qualitativa “[. Para compreender todo o embate que circunda esse processo. o objetivo básico da contabilidade. p.. conforme assertiva de Schmidt (2006. p.38). para Marconi e Lakatos (2004. com o próprio desenvolvimento da sociedade. Após muitas reflexões de estudiosos da área e entidades de classe. constituído principalmente. [.76). descritivas e explicativas “[. aspirações. motivos. sendo que a abordagem do problema dar-se-á por intermédio de análise qualitativa. de forma que propiciem decisões racionais. Para Iudícibus (2004.. esse é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade.1 Contabilidade e seus Objetivos Estudos sobre o desenvolvimento histórico da contabilidade evidenciam que esta inicia seu período científico em 1840.. a pesquisa documental. 267) “[.. dos processos e dos fenômenos [. Os objetivos da contabilidade surgem das necessidades dos seus usuários e se modificam ao longo do tempo.] preocupa-se em analisar e interpretar aspectos mais profundos. desde publicações avulsas. etc.] enquadram-se o estudo de caso. quanto aos objetivos. atender as necessidades de informações dos diversos modelos decisórios de seus usuários traduz-se em um dos principais objetivos. consiste em fornecer informações econômicas para os vários usuários. Assim. classifica-se como bibliográfica. se as diretrizes estabelecidas no referencial teórico da contabilidade asseguram o fornecimento de fidedignas e simétricas a seus usuários. 49) “é desenvolvida a partir de material já elaborado. pesquisas. “por explicar a razão e o porquê das coisas. de livros e artigos científicos”. . discutir. vários foram os estudos e discussões por organizações ligadas à área contábil objetivando fornecer meios para que a contabilidade o alcançasse. A pesquisa explicativa.. a pesquisa bibliográfica. monografias. 2003. Fornece análise mais detalhada sobre as investigações. 183). se não o principal. p. Ela permite explorar áreas até então pouco observadas e ainda favorecer o conhecimento do determinado tema sobre as mais variadas vertentes.].. para Gil (1991. revistas. quanto aos procedimentos. 2.. p.3 grupos de usuários contábeis. de forma resumida. 2 REFERENCIAL TEÓRICO A busca por procedimentos contábeis que atendam as necessidades de informações dos mais diversos usuários da contabilidade tem sido a razão de inúmeras e permanentes pesquisas de estudiosos da área. o que corresponde a um espaço mais profundo das relações. (RAUPP E BEUREN IN BEUREN. a pesquisa bibliográfica “é realizada através da coleta de toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo... Quanto à pesquisa bibliográfica. crenças. o ponto de partida para o entendimento e estudo da teoria que envolve uma ciência social é o estabelecimento dos seus objetivos. a pesquisa participante e a pesquisa experimental”. Para o autor. se faz necessário. é explicativa. conhecer o ambiente em que o mesmo surgiu. [. a pesquisa de levantamento. livros.] trabalha com o universo de significados. Uma vez definido qual o objetivo da contabilidade. Segundo Lakatos (2000. p.. bem como.. boletins. valores e atitudes. . Já a analise é qualitativa. 21). A metodologia utilizada no presente estudo.]”. teses.” Nas tipologias exploratórias. p.]”. da contabilidade.

Foi apenas em 1973. p. a busca pelo referencial teórico da contabilidade foi desencadeada. 108). 1999. Todo o embate.] mecanismos contábeis são claramente de criação humana. 233). Assim. com uniformidade e consistência. Segundo Hendriksen e Van Breda (1999. e deveriam ser auditadas por contadores certificados por legislações locais ou nacionais. surgiram porque “[. os estudiosos da área contábil buscavam descrever as práticas observadas. as informações disponibilizadas pela contabilidade passaram a ter um novo enfoque. 79) manifestava que “a função da contabilidade e das explicações de princípios e procedimentos contábeis deve ser exposta em termos das necessidades e das finalidades dos proprietários”. Paton apud Hendriksen e Breda (1999. os quais tinham como propósito um consenso sobre a definição de princípios para a contabilidade. teriam que publicar suas demonstrações em conformidade às práticas contábeis amplamente aceitas. Naquele período de desenvolvimento. p.] não é mais que uma decisão de dirigir no lado direito das ruas nos Estados Unidos ou no lado esquerdo na Grã–Bretanha” (HENDRIKSEN e VAN BREDA. (LOPES E MARTINS. 2005. 2. p. Não há um único modo correto de proceder [. dos usuários externos da contabilidade.76). que a construção do referencial teórico para a contabilidade americana foi influenciada por órgãos reguladores e forças políticas que pressionavam para que os demonstrativos contábeis fossem publicados de acordo com práticas contábeis . Contudo. portanto. p. p. vários pronunciamentos.4 uma alternativa encontrada foi definir padrões de procedimentos contábeis por intermédio de uma estrutura conceitual básica. que apesar das novas necessidades de informações. com “o crescimento rápido das aplicações em ações de empresas.82). Cumpre ressaltar. principalmente. particularmente durante os primeiros anos seguintes à Primeira Guerra Mundial e gerou novas necessidades de informação contábil”.2 Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade: Reflexão Histórica O entendimento do referencial teórico da contabilidade e dos conceitos que moldam a prática contábil requer uma reflexão do momento histórico de seu surgimento e a que objetivos buscava atender. A partir da década de 30. marcou a história da contabilidade naquele país. passando a ter como ponto central investidores e acionistas. elaborou-se. as empresas americanas que viessem a negociar suas ações na Bolsa de Valores. Percebe-se. durante um período aproximado de 50 anos. Com a estrutura de classes profissionais nos Estados Unidos e a intensificação de pesquisas naquele país. Até o início do século XX. em especial. a busca por informações contábeis uniformes é anterior a esse período. a partir deste fato. 108). Na concepção dos autores. em sua obra datada de 1922. em torno da formação dos princípios básicos da contabilidade. pela quebra da Bolsa de Valores em 1929.... p. em Nova York. a fim de construir regras pedagógicas para classificar essas práticas. por intermédio de polêmicas e discussões.. esse processo foi desencadeado principalmente. com a criação do FASB. a preocupação era apresentar as práticas que deveriam ser adotadas (POHLMANN e ALVES In IUDÍCIBUS e LOPES. o qual recebeu apoio político de diversos organismos que integraram a sua formação que seus pronunciamentos passaram a ser considerados como princípios contábeis geralmente aceitos. deixando o grupo principal composto por administradores e credores. 2004. a qual sofreu pressões e foi influenciada por órgãos reguladores e forças políticas. fato que trouxe sérios prejuízos à economia americana e que segundo Lopes e Martins (2005.

b) confiabilidade. do que ao balanço patrimonial. Surge então. mas. a estrutura conceitual básica da contabilidade é apresentada em cinco pronunciamentos. 109). este fato está diretamente atrelado ao rápido crescimento do mercado acionário americano. o FASB. a contabilidade foi pressionada a concentrar sua atenção aos resultados das empresas. Lopes e Martins (2005) destacam que devido ao grande número de críticas da ausência de uniformidade. 2. receitas. passivo. 2) Informações demandadas: apresentar as informações requeridas pelos usuários.. 109). investimentos e similares” (Lopes e Martins.5 amplamente aceitas. analistas e credores pudessem acompanhar e comparar as empresas que negociavam suas ações no mercado de capitais.. “estabelecer as linhas gerais de atuação”. Sendo que os investidores de mercados de capitais foram os que mais influenciaram e continuam influenciando a contabilidade naquele país. teoricamente orientada. . 5) Padrões de Contabilidade: São apresentados conceitos de reconhecimento e mensuração.” (LOPES e MARTINS. pretendendo elaborar melhor os objetivos da contabilidade para o desenvolvimento de conceitos operacionais. em 1978. uniformes e consistentes. na qual todos os princípios restantes deveriam ser baseados. os quais se dividem em: a) Premissas. o qual não possui acesso às informações contábeis. de forma generalizada. Para Lopes e Martins (2005. Quanto ao usuário. p. devem ser apresentadas características como: a) relevância. procurou diferenciar a busca de princípios. resultado. (2005). característica de utilidade de informação para o usuário externo. a necessidade de critérios de apresentação dos resultados das empresas de forma uniforme para que investidores. 2005. consoante manifestação de Lopes e Martins. p.110). que está relacionada a decisões a serem tomadas. 2005. Buscando a uniformidade das práticas contábeis. conceitos básicos de elementos como: ativo. perdas. não contemplando o atendimento de necessidades específicas. diferente do que vinha ocorrendo no passado. a atenção central é o usuário externo. “a informação contábil e os relatórios financeiros devem fornecer informações úteis para atuais e futuros investidores e credores e outros usuários na tomada de decisões racionais de crédito. p. De forma resumida. c) comparabilidade. os pronunciamentos emitidos. Neste sentido. passando a enxergar este referencial “como uma constituição. que não objetivam diretamente apresentar práticas contábeis. p. 109) “[. como os administradores. 1) Objetivos da contabilidade: para o FASB. ganhos. conforme Lopes e Martins (2005. procuraram estabelecer a estrutura conceitual americana. a fim de comparar eventos diferentes. verificável e neutra. este referencial conceitual estava estruturado hierarquicamente da seguinte forma. b) Princípios e c) Restrições. da estrutura conceitual básica da contabilidade. 4) Fundamentos da contabilidade: O FASB apresenta em seu referencial teórico.3 Estrutura Conceitual Básica: Modelo Americano. proporcionando valor preditivo. despesas. Para acompanhar esse processo. sob um aspecto comum. devendo ser uniforme e consistente. devendo a informação ser fidedigna. entre outros.] a comunidade financeira é responsável pela maior parte das pressões sofridas pelos vários órgãos que se propuseram a organizar a contabilidade americana ao longo do tempo.” Para os autores. patrimônio. controle e oportunidade. 3) Características qualitativas: para que as informações contábeis sejam úteis.

] proposição ou observação de certa realidade que pode ser considerada não sujeita a verificação. atualmente. 2. os princípios contábeis propriamente ditos (os Teoremas). com os trabalhos liderados pelo professor Willian Pato. mas também. princípios propriamente ditos e convenções.50 e 51). p. os pronunciamentos foram emitidos com o objetivo de atender demandas comuns. Decorrem do ambiente econômico e político e dos modos de raciocínio e dos costumes de todos os segmentos da comunidade dos negócios”. p. p. e. os autores apresentam uma hierarquia dos princípios. 1999). mas argumentam. Os princípios contábeis geralmente aceitos são as regras em que se assentam toda a estrutura teórica para a escrituração e análise contábil e formam o arcabouço teórico da contabilidade. que formam o arcabouço sobre o qual repousa o desenvolvimento subseqüente da Teoria da Contabilidade. ou axiomática [. envolvido com decisões de investimento e de crédito. não sujeitas à verificação. Para Hendriksen e Breda (1999. em contrapartida. os postulados são: “Pouco numerosos e representam as premissas básicas. p. com a designação de Accounting Standards. p. (HENDRIKSEN. foi a publicação do “ A Statement of accounting principles” dos Professores Henry Rand Hatfirld e Underhill Moore que enunciaram as primeiras regras de contabilidade e os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos – GAAPs. com o trabalho editado pelo American Institute Certified Public Accountants . Em sua obra. A busca por princípios contábeis surgiu da necessidade que os profissionais de Contabilidade tiveram para prover de informações não só a administração e os credores. Com a crescente complexidade das organizações e com o intuito de alcançar o objetivo da Contabilidade.6 Percebe-se. o qual explica que os Princípios Fundamentais da Contabilidade se classificam em três categorias básicas: postulados ambientais da contabilidade (os próprios Postulados ou Axiomas). mais tarde. para que um conjunto de demonstrações de finalidades genéricas seja suficiente. mas. Hendriksen e Breda (1999. Mesmo entendimento de Iudícibus (2004. . 113). os investidores e acionistas das organizações. para atendê-los. Estes princípios foram emitidos. o investidor e o credor. nas quais se apóiam os princípios. Mas não evidenciam os princípios como pedras fundamentais da contabilidade.. visando ao atendimento de diferentes demandas de informações. que ao estabelecer o objetivo básico da contabilidade: fornecer informações úteis privilegiou o usuário externo. Segundo Iudícibus (2004. ou seja.4 Definição de Postulados. nem axiomas. classificando-os como postulados. pelo AICPA até 1973. sendo que as necessidades não foram priorizadas. que os usuários possuem o bastante em comum. A preocupação de pesquisadores com a Teoria Contábil e com os Princípios pode ser vista inicialmente.] são premissas ou constatações básicas. são emitidos pelo Financial Accounting Standards Board – FASB. Princípios e Convenções. surgiu a necessidade de uniformização dos procedimentos contábeis. General Accepeted Accounting Principles – GAAPs e. Hendriksen e Breda (1999.94) esclarecem que o FASB e o AICPA 13 reconhecem a importância dos argumentos a favor de relatórios de finalidades específicas. p. inicialmente.”. em 1934. dos mais diversos usuários da contabilidade. os postulados são: [.. 77). Para Lopes e Martins (2005. “apesar do principal usuário ser bem definido. aquilo que é básico. 50).AICPA.73) definem como princípio.. e as restrições aos princípios contábeis fundamentais (as Convenções).. de acordo com o referencial teórico adotado pelo FASB.

Essa Resolução. 211). de uso predominantemente no meio em que se aplicam. era bastante apoiada nos preceitos advindo da escola italiana de pensamento contábil. os quais se constituíram como condição de legitimidade das . Em 1981.] o surto de desenvolvimento econômico. estabeleceu a expressão “Princípios Contábeis Geralmente Aceitos”. além de tratar de normas de auditoria. “representam. p. 2005... 179 do Conselho Monetário Nacional do Banco Central.7 De acordo com Schmidt (2000.123): No Brasil. 53).5 Princípios Contábeis no Brasil A Contabilidade. econômica e institucional admitida pelos postulados”. Até os anos 60. conforme Iudícibus. 220. com a preocupação com a informação contábil. “a inspiração da contabilidade brasileira. é bastante recente quando comparada com a história contábil de outros paises e nota-se aqui.] solidificou essa tendência no sentido de adotar o modelo anglo para a contabilidade brasileira [. p. foi aprovada a Resolução n° 530/81. As convenções ou restrições aos princípios. Em 1976. a contabilidade brasileira passou por grandes modificações com a edição da Lei 6. p.] procuram delimitar como a profissão deve se posicionar em relação à realidade social. Contudo. A primeira regulamentação contábil foi apresentada no Código Comercial Brasileiro de 1850. a tentativa de desenvolvimento de um mercado de capitais mais forte e influente no desenvolvimento das empresas e a invasão das empresas de auditoria norte-americanas [.. em 1972 e a circular nº. Martins e Gelbcke (2003. 123). do Conselho Federal de Contabilidade. os primeiros atos normativos de acordo com a concepção norte-americana foi a Resolução nº. dentro da antiga lei das sociedades por ações. Para Lopes e Martins (2005.”. 53) definem princípios como “[. p. emanados da contabilidade.] voltado para o mercado de capitais e para o investidor deste mercado” (LOPES e MARTINS. LOPES E MARTINS (2005.. certos condicionamentos de aplicação dos princípios.. Martins e Gelbcke (2003. dentro do direcionamento geral dos princípios. [.. numa ou noutra situação prática”. a utilização dos princípios enunciados pelos doutrinadores consagrados ou os constantes nos programas de Contabilidade ao nível de graduação. com isso o Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer oficialmente 16 Princípios Fundamentais de Contabilidade.] criaram a demanda por uma contabilidade mais pragmática e com um vínculo mais forte entre a teoria e a prática contábil e mais voltada para as necessidades dos usuários. a presença marcante do governo na profissão.404 denominada de Lei das Sociedades Anônimas. a contabilidade brasileira foi marcada pela intervenção governamental e pela influência do pensamento contábil italiano... p. os profissionais da área começaram a sofrer influência da escola americana. proporcionando interpretações uniformes das Demonstrações Contábeis”. recomendou em seu inciso V. 123). Iudícibus. 2. “os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos são as normas resultantes do desenvolvimento da aplicação prática dos princípios técnicos. visando a estruturar o mercado brasileiro de capitais..] a resposta da disciplina contábil aos postulados [. no Brasil. Essa lei “[. mas a partir desse período... que no mesmo ano. trazendo a obrigatoriedade da escrituração contábil e não as normas contábeis. embora não fossem assim denominados. foi através da Resolução 321 de 1972 que o Conselho Federal de Contabilidade – CFC adotou a terminologia dos princípios contábeis.. p.

o Instituto Brasileiro de Pesquisas Contábeis. financeira. representa a base de valor para a contabilidade. assim sendo.. de acordo com a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade.] (DELIBERAÇÃO CVM N. restrições aos princípios fundamentais . representam a resposta da disciplina contábil aos seus postulados. econômica e institucional do ambiente delimitado pelos postulados. A partir dos objetivos. Neste sentido. modelo IPECAFI. Por ser expresso. p. º 29.8 Normas Brasileiras de Contabilidade. Estes buscam delimitar o campo de atuação da contabilidade e em que situações ela irá operar. um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica. com a edição da Resolução n° 750/93. Em 1986. A seguir. expresso em termos de moeda de poder aquisitivo constante.. segundo o CFC e revogou a Resolução CFC nº. Esta Resolução definiu os Princípios Fundamentais de Contabilidade. apresenta-se a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. constituídos. em três categorias. com relação a entidade objeto de contabilização. os sócios ou quotistas. tidos como conceitos fundamentais da contabilidade. basicamente.º 29/86. os quais são transcritos abaixo: Contabilidade é. estes princípios foram reduzidos a apenas sete. os princípios atuam como orientadores dos procedimentos contábeis. De acordo com este princípio. conforme segue: postulados ambientais da contabilidade.Custo Original como Base de Valor – Considerado o mais antigo e discutido princípio da contabilidade. modelo IPECAFI e os Princípios Fundamentais da Contabilidade segundo o Conselho Federal de Contabilidade.CVM. o custo de aquisição de um ativo ou dos insumos necessários para fabricálo e colocá-lo em condições de gerar benefícios para a entidade.6 Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade – Modelo IPECAFI/IBRACON/CVM. Os Princípios Contábeis. o mesmo poderia ser traduzido . dentro das quais a contabilidade irá disponibilizar informações econômicas. emprestadores de recursos.b) Postulado da Continuidade Contábil: a entidade é um organismo vivo que deverá operar por tempo indeterminado. que foi aprovado e divulgado pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON) e adotado pela Comissão de Valores Mobiliários . Este documento traz em seu texto a definição dos objetivos e conceituação dos usuários da informação contábil. diante da realidade social.Convenções. 1-2). Atuariais e Financeiras (IPECAFI) desenvolveu um estudo sobre a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. seus proprietários ou gestores não se confundem. A seguir. Atualmente. por: acionistas. são definidos os princípios. por intermédio da Deliberação CVM N. com elas. apresentam-se os quatro princípios propriamente ditos: 1. física e de produtividade.] escolhemos como usuário preferencial o externo à entidade.. de 05 de fevereiro de 1986.. se traduz em conseqüência direta da continuidade da contabilidade. para efeito contábil . São dois os Postulados Ambientais: a) Postulado da Entidade Contábil: estabelece que a contabilidade seja mantida para as entidades. 530/81 e com ela a NBC T 1. 2. organizadas hierarquicamente. até que surjam fortes evidências que contrariem este fato. sempre em moeda de poder aquisitivo constante. constituindo-se em seu núcleo central. princípios contábeis propriamente ditos. credores em geral e integrantes do mercado de capitais [. estabelecendo as condições econômicas e sociais. objetivamente. [.

não devem ser modificados constantemente. Tomando assim. sendo que a vantagem desta forma de registro dos ativos está na objetividade de sua avaliação. “A Resolução CFC nº. 2. segundo os Princípios Fundamentais. o método e a busca das causas primeiras. não é necessário que o pagamento ocorra concomitantemente. deverão ser confrontadas no mesmo período. os quais. as convenções são as seguintes: 1) Da Objetividade – A contabilidade. gastos com pesquisas e desenvolvimento. 2) Da Materialidade – Refere-se ao julgamento do custo . os que foram corroborados por consenso de pessoas qualificadas da profissão. 4. serão expressos em termos de moeda nacional de poder aquisitivo da data do último balanço Patrimonial. que estão revestidos de universalidade e generalidade. esta convenção estabelece o critério de escolha para os registros contábeis. quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade. 4) da Consistência – Estabelece a escolha dos melhores métodos possíveis para os registros contábeis. reunidas em comitês de pesquisa ou em entidades que têm autoridade sobre princípios contábeis. de acordo com seu referencial teórico.Confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis – Estabelece que todas as despesas ligadas com as receitas reconhecidas em determinado período. 750-93 define os PRINCÍPIOS. deve haver homogeneidade com relação à apresentação dos demonstrativos contábeis. sem prejuízo dos registros detalhados de natureza qualitativa e física. onde para procedimentos igualmente relevantes. delimitando e instruindo de acordo com a experiência e bom-senso da profissão. por intermédio da Resolução n. preferem-se a aplicação daqueles que puderem ser objetivamente verificados em especial por documentos. referentes a investimentos de longo prazo.7 Resoluções CFC 750/93 e 774/94 Em 29/12/1993. considerando a necessidade de atualização dos princípios fundamentais da contabilidade. uma vez adotados. justamente com a certeza. 3. os quais.9 para custo histórico corrigido. basta apenas a transferência de controle para outra entidade. pela Resolução 530/81. aprova o Apêndice desta Resolução. a escolha dos procedimentos contábeis. precauções em seu critério de avaliação do patrimônio. para que os usuários das demonstrações contábeis tenham possibilidade de delinear a tendência da mesma com o menor grau de dificuldade possível. Para tanto. em situações onde mais de um caminho pode ser seguido. reduzindo o número de princípios para sete. juros e encargos financeiros. 750. levando sempre em consideração os aspectos internos do sistema contábil. o Conselho Federal de Contabilidade. representam complementos aos postulados e princípios. em caso especiais como: gastos pré-operacionais. passível de registro pela Contabilidade. E em 16/12/1994. primeiramente. editados. em período pré-operacional. Corrigiu-se sua indevida inclusão entre as Normas . aprova a Resolução nº. resultantes da aplicação dos Princípios.Da Realização da Receita – Determina que a receita será considerada realizada e. que podem ser diferidos. 3) Do Conservadorismo – Para esta convenção. portanto.º 774. Já as convenções ou restrições aos princípios. 2. posteriormente. é extremamente objetiva. Esta regra pode sofrer algumas exceções. De acordo com a Estrutura Conceitual Básica. elementos que caracterizam o conhecimento científico. igualmente válidas.benefício da produção de determinada informação contábil. deverá ser: menor valor atual para o ativo e o maior para as obrigações. a escolha entre alternativas de avaliação para o patrimônio.Do Denominador Comum Monetário – De acordo com esse princípio. Neste sentido.

regulamentou sete princípios. devem ser consideradas a partir da classificação e avaliação das mutações patrimoniais. . busca prover seus usuários com informações sobre aspectos de natureza econômica. que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores. a um conjunto de pessoas. conforme citado anteriormente. o CFC. uma ótica pragmática. 6. 4. A Resolução CFC n. 7. objeto da contabilidade. direitos e obrigações para com terceiros.Princípio da competência . Já sob. sempre simultaneamente quando se correlacionarem.faz referência à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações.destaca que os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis através do ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais. independentemente de recebimento ou pagamento. Além de definir alguns conceitos básicos da contabilidade. 2. buscando uniformizar os Princípios Contábeis.Princípio do registro pelo valor original . bem como sua vida definida ou provável. os objetivos (finalidades) e ressalta que o objetivo científico da Contabilidade manifesta-se na correta apresentação do patrimônio e na apreensão e análise das causas das suas mutações. esta Resolução. os que não ocorre com os princípios. presta esclarecimentos sobre o conteúdo e abrangência dos Princípios Fundamentais da Contabilidade.”. independentemente das causas que as originaram. inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da entidade. tornou obrigatória a aplicação deste princípio apenas quando a inflação acumulada no triênio for igual ou superior a 100%.reza que os componentes do patrimônio sejam registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior. a partir de 1995.º 774/94. (CRC-RS 2006.Princípio da prudência – semelhante a convenção do conservadorismo. uma vez que as normas deles emanam e podem ser mutáveis.Princípio da Entidade – reconhece e assegura a autonomia patrimonial e a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular com o patrimônio da entidade. pertencente a uma pessoa física. sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido. 5. faz esclarecimentos aos Princípios Fundamentais de Contabilidade emitidos. gerando informações relevantes aos profissionais.10 Brasileiras de Contabilidade.define que as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem.Princípio da continuidade . segundo esta resolução. por intermédio da Resolução N.afirma que a continuidade ou não da entidade. resumindo-se apenas a uma conta contábil. quantitativas e qualitativas.Princípio da atualização monetária . A Resolução define ainda. determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta. financeira e física do patrimônio da entidade e suas mutações. determina a adoção do menor valor para os componentes do ativo e do maior para os do passivo.º 900/2001. 7).º 750/93.Princípio da oportunidade . o patrimônio consolidado não representa uma nova entidade. a saber: 1. Diferente do modelo IBRACON. Esta Resolução. 3. p. Estabelece o patrimônio. Em função da baixa inflação apresenta no Brasil. na Resolução n. expressos a valor presente na moeda do País. como conjunto de bens. gerando maiores informações aos profissionais da área contábil.

de acordo com a Resolução CFC n. com base nas verdades gerais da ciência. Já.Estrutura Conceitual: IPECAFI/CVM/IBRACON x CFC Tópico Fundamentos da Estrutura Órgãos Normatizadores IPECAFI/ CVM/ IBRACON Atendimento aos objetivos amplos da contabilidade delineados pelas necessidades dos usuários. constituindo-se em verdades primeiras da ciência contábil. p. QUADRO COMPARATIVO . se chega ao detalhe aplicado. proposições que se colocam no início de uma dedução e são deduzidas de outras dentro do sistema.11 2. tendo por fim o atendimento das necessidades dos usuários. A seguir. o referencial teórico da contabilidade é estruturado a partir dos objetivos mais amplos da contabilidade. Pela Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. segundo Lopes e Martins (2005. das principais diferenças apresentadas entre a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade no Modelo IPECAFI. são diretivas de natureza operacional e não podem sofrer qualquer restrição de observação aos princípios. apresentem conteúdos parecidos. e estas sim. Essa idéia é fundamental para o desenvolvimento do restante do arcabouço desenvolvido. sendo que a contabilidade. 135). e as Resoluções do CFC...] essas duas estruturas são aparentemente parecidas. volta-se integralmente para o usuário. que a precisão das informações geradas pela contabilidade. Contudo. 124) “[. existe uma hierarquização dos conceitos que a compõem. mas guardam sérias divergências no que se refere ao conteúdo apresentado. embora essas estruturas. não contemplam essa hierarquia. reservam várias divergências. As Resoluções 750/1993 e 774/1994 do CFC. podem ser alteradas em função das necessidades dos usuários.º 774/1994) No modelo IPECAFI. critérios de avaliação. os princípios do CFC são normativos e dogmáticos.. dado que eles são os elementos predominantes na constituição de um corpo orgânico.”.. Acredita-se. etc. a partir destes. Neste sentido. procedimentos. p. p.º 774/1994. conforme assertiva de Lopes e Martins (2005. no modelo IPECAFI.] é baseado na definição de um objetivo maior da contabilidade para que. são demandadas por seus usuários e dependem sempre da observação dos princípios. Neste sentido. ao longo do tempo. . 125): [. Todavia. que permanecem imutáveis. a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC). O CFC as apresenta como obrigatórias no exercício da profissão contábil. são elaboradas as Normas Brasileiras de Contabilidade que são expressões do direito positivo e estabelecem os ordenamentos de “como fazer”. nessa estrutura. contemplando as técnicas. esclarecendo que: “Nos princípios científicos jamais pode haver hierarquização formal.” (RESOLUÇÃO CFC N. que com competências distintas regulam a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. as Normas Brasileiras de Contabilidade. alicerçando seu entendimento na prática contábil. manifestam-se Lopes e Martins (2005. mantendo a harmonia do conjunto.8 Comparação entre Estrutura Conceitual e Resoluções do CFC Percebe-se que o Brasil possui duas Instituições. A CVM utiliza essa estrutura como base para o delineamento de suas políticas contábeis RESOLUÇÕES CFC Aspecto dogmático e normativo. em seguida sejam desenvolvidos os princípios contábeis que deverão nortear a contabilidade na consecução desses objetivos. apresenta-se um quadro comparativo. as Resoluções do CFC estabelecem que.

135). seja mais abrangente que as Resoluções do CFC. 2005. financiares. São tratadas como princípios. para o desenvolvimento dos princípios. especialmente. que a contabilidade possui diversos grupos de usuários. São tratados como decorrências dos objetivos da contabilidade e das premissas orientadoras. estas não caracterizam problemas maiores de ordem prática aos profissionais da área. como referência para os profissionais da contabilidade no país. por exemplo: credores. sendo que o usuário da contabilidade não ocupa o lugar central. autoridades tributárias e autoridades regulatórias. por se focarem mais precisamente na demanda de informações dos usuários externos da contabilidade. Cumpre salientar porém. entre outros. sem os descrever. e Considerações a respeito do custo Aspecto conceitual tratado como histórico como base de valor. Entre os usuários internos. por intermédio do processo dedutivo. São abordados diretamente Constituem-se em pilares das Normas Brasileiras de contabilidade. Trata objetivamente desses conceitos como postulados. sobre as necessidades de informações dos usuários internos da contabilidade. parte dos objetivos da contabilidade e depois consideram as premissas gerais orientadoras. Não são considerados. São Paulo: Atlas. MARTINS. estão os proprietários. aos princípios. São tratadas como princípios. p. Fonte: adaptado de LOPES.12 Força das Normas Obrigatório para brasileiras de capital aberto. Caracterizados como internos Externos. administradores. fornecedores. apesar das diferenças apontadas. Contudo. representa um referencial à Contabilidade Societária. os referenciais apresentados. Com relação às diferenças apresentadas. Tratamento da Considera o resultado da Trata o consolidado como meramente Entidade Contábil consolidação como um ente uma conta. Hierarquizada: Objetivos gerais. 135. levando. Estrutura normativa. investidores e credores em potencial. Teoria da Contabilidade: uma nova abordagem. Eliseu. principalmente. princípio da contabilidade. quanto à elaboração dos demonstrativos contábeis. contábeis orientadores da prática contábil. cada um com interesses específicos na entidade e que podem ser classificados em usuários internos e externos. controladores. Como usuários externos. p. Normatizar a prática contábil no país. as empresas Objetivo maior das Normas Estrutura Lógica Usuários Premissas Orientadoras Princípios Convenções Conceitos de Capital e de Manutenção do Capital Mensuração Fornecer informações para a tomada de decisões econômicas. que o modelo IPECAFI. econômico. . credores. (LOPES E MARTINS. razão pela qual esse modelo está estruturado hierarquicamente. embora a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade adotada pela CVM. seu modelo decisório pode ser disponibilizado por instrumentos da contabilidade gerencial. consideradas. deixam algumas lacunas. Neste sentido. Toda a estrutura da contabilidade é consubstanciada por intermédio de princípios. No que se refere a estes usuários. Assim. As resoluções do CFC são apresentadas de forma dogmática e normativa. sem considerar os objetivos da contabilidade. Alessandro Broedel. em sua maioria não contemplados nestas estruturas. Preferenciais: acionistas. Trata objetivamente desses conceitos como convenções. destaca-se em especial. encontram-se. demais integrantes do mercado de capitais. Reconhecimento Competência e confrontação da Esses aspectos são delineados na receita e da despesa são abordadas forma de princípios contábeis. 2005.

que atenda os diversos modelos decisórios de seus usuários. como por exemplo. principalmente. 84) manifestam que “[. Este argumento fundamenta-se na objetividade requerida pela estrutura conceitual da contabilidade. Apesar deste complexo cenário. quanto ao atendimento dos objetivos contábeis. ainda se encontra num estágio demasiadamente primitivo para que tal ocorra. que acaba por deixar à margem. que os investidores. no que concerne a atual abordagem do referencial teórico da contabilidade... p. 181) revelam que “[. verifica-se uma omissão de instrumentos. Percebe-se esse fato. dado que cada empresa possui demandas específicas. é praticamente impossível se ter um modelo que atenda a todos. além do modelo. nas práticas de governança corporativa. que busca atender necessidades especificas de cada organização. um longo caminho já foi percorrido..] num certo nível poderia ser dito . 32). em face de interesses específicos. como um modelo a ser seguido na elaboração dos demonstrativos contábeis. No entendimento de Hendriksen e Van Breda (1999. que ostentam por intermédio de regulação própria. Como bem lembram Lopes e Martins (2005. neste sentido. Ainda. gerando assim assimetria informacional.. p.] mecanismos de governança alternativos devem ser adotados para evitar que os acionistas sejam expropriados de seus recursos pelos administradores. é o entendimento do regime de competência.. Esses são muito distintos. a contabilidade gerencial deve ser aplicada segundo a realidade de cada empresa. Mesmo entendimento de Lopes e Iudícibus (2005. principalmente. e lembrando que os investidores obtêm as informações da empresa por intermédio dos demonstrativos contábeis que são preparados pelos gestores. a fim de atender as necessidades específicas de todos os usuários da informação contábil. os quais afirmam que: Cada grupo de interessados na empresa possui uma classe distinta de aspirações [.] o mapa é a melhor analogia que temos com um modelo. Ao analisar a estrutura conceitual básica da contabilidade.13 não sendo suficientemente completa.. Hendriksen e Van Breda (1999. Da mesma forma que é necessário algo mais do que o mapa para se fazer uma viagem. garantir que investidores tenham assegurado o retorno de seu capital. que são fundamentais para o atendimento de demandas informativas. Considerando este fato. permitindo que os gestores manipulem o resultado da empresa.] a contabilidade precisa adaptar-se a cada uma dessas categorias para que possa fornecer informações realmente úteis. é natural que estes últimos possuam mais informações sobre o desempenho da empresa. p. 177) “[. Iudícibus e Lopes (2004. no intuito de fornecer informação fidedigna e não enviesada. “Embora uma única teoria geral da contabilidade possa ser desejável. ser considerada básica. Não existe uma única contabilidade que possa atender a todos os interesses. p.”. embora a estrutura conceitual busca objetivar a proteção dos acionistas e fornecedores. instrumentos de avaliação e controle gerenciais que não atendam a essas características.. não existindo. as diretrizes estabelecidas pela estrutura conceitual básica da Contabilidade visem em seu aspecto conservador a proteção. dos acionistas minoritários. Confirmando esta realidade. para atuar na realidade são necessários outro instrumentos. esta segurança não é uma realidade. p. em busca de um referencial teórico. Assim. um único modo correto de proceder. embora. fato esse que se constitui em um dos maiores desafios da contabilidade. não podendo desta forma. dos usuários internos da informação contábil.”. Um exemplo. a contabilidade. métodos de apropriação de custos. Estes instrumentos são disponibilizados pela contabilidade gerencial. que atua com certo grau de subjetivismo. Por sua vez. orçamentos.” Para os autores. percebe-se que existem falhas nestes modelos. 176). como ciência. Em face dessas considerações. sendo vários e contínuos os estudos desenvolvidos. entre outros..

Mesmo entendimento de Santos et al (2007. segundo seus padrões. apesar das diferenças apontadas no decorrer deste trabalho. razão pela qual esse modelo esta estruturado hierarquicamente. Neste sentido. e dessa premissa surge a problematização “[. Com relação ao normativismo. portanto. não podendo compor-se. muito mais que atender aspectos normativos. . conclui-se que estas Estruturas não são conflitantes entre si. seus usuários e. ao usuário da informação. depois. p.. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo desta pesquisa consistiu em analisar comparativamente a Estrutura Conceitual da Contabilidade e as Resoluções do CFC 775/93 774/94. não trazem problemas maiores na prática do dia-a-dia dos profissionais da área. sem considerar os objetivos da contabilidade. é fundamental que se tenha consciência de sua estrutura dedutiva e mutável. sendo que a principal está na forma como foram elaboradas.. objetivando atender as necessidades de informações dos usuários que se modificam ao longo do tempo. aprimorar os princípios fundamentais da contabilidade para se adequar aos modelos decisórios necessários a diferentes usuários. eles devem acompanhar o processo de desenvolvimento. consideram as premissas gerais orientadoras para o desenvolvimento dos princípios e. Na concepção de Crozatti e Reis (2000). disponibilizando a todos os modelos decisórios dos usuários. como bem lembram Lopes e Martins (2005. Contudo. ser periodicamente reexaminada para permitir ajustamentos pelas crenças.. “[. tecnologias e experiências contemporâneas.. informações utilizáveis visando à tomada de decisões.125). com relação aos registros contábeis e elaboração dos demonstrativos contábeis. de princípios e teorias não contemporâneos aos seus usuários. “[. é necessário o desenvolvimento de pesquisas para mudar. Santos et al (2007. Por essas razões. nesta estrutura. Já as resoluções do CFC são apresentadas de forma dogmática e normativa. A Estrutura Conceitual adotada pela CVM parte dos objetivos da contabilidade. a fim de verificar se existem divergências entre seus conteúdos e refletir se estas são suficientemente completas para atender os objetivos da contabilidade. os critérios de escolhas. p..14 que o enfoque de postulados e princípios é parcial.] a contabilidade deve adaptarse às mudanças sociais. a contabilidade deve voltar-se. No entendimento de Martins (1988. 88) esclarecem que: A Contabilidade tem um papel muito maior que o de mero instrumento normativo. para que se possa estudar um princípio de contabilidade. tais como o usuário e o produtor. os princípios não são imutáveis. os usuários da contabilidade não ocupam o lugar central. tem imediata e manifesta pertinência às decisões dos gestores das organizações. à cerca da abrangência dos princípios. p. imposto às práticas contábeis e a defesa de sua imutabilidade. Observou-se que são várias as diferenças encontradas.”.] qual a informação é realmente mais relevante para o usuário”.”.) a estrutura deve assim.. p. Assim... por conseguintes. porque ignora alguns dos aspectos mais importantes da contabilidade. 18). políticas e econômicas que ocorrem na sociedade e no meio econômico (. 18) “a condição de usuário é que realmente inspira e motiva o desenvolvimento de formatos e concepções novos” (1988. p. por fim. pois. 87).] o atendimento das demandas do usuário da informação contábil é a razão de ser da contabilidade”.

Por fim. quanto ao estabelecimento de normas ou padrões contábeis. fato este que leva a contabilidade contribuir com mecanismos de governança corporativa para garantir a proteção dos acionistas.15 Quanto a abordagem de que se estas estruturas são o suficientemente completas para atender as diferentes necessidades de informações dos usuários. que existe para corrigir os problemas da informação contábil para que seus usuários possuam informação de forma equilibrada. e com ele as aspirações de seus usuários o que torna o desafio. Por essas razões. uma possível solução seria buscar inserir em sua estrutura. que são muito distintas as informações requisitadas pelos usuários internos e externos da contabilidade. ainda não é possível. seu referencial teórico. o cenário contábil também evolui. em especial: credores e acionistas. ainda cabe a preocupação da assimetria informacional. que há muito ainda a evoluir. destaca-se o papel da contabilidade. . que um único modelo contemple as necessidades informativas dos diversos grupos de usuários da contabilidade. portanto. Percebe-se. uma vez que os usuários priorizados na elaboração destes referenciais. não deve ser imutável. Surge então. sobre os quais. ainda maior. Assim. é oportuna a reflexão da abrangência dos referenciais teóricos existentes e o modelo decisório contemplado. entende-se que não. Em face destas considerações.Neste cenário. A partir deste enfoque. mas. que é atender as demandas de informações de seus diferentes usuários. acompanhar esse processo para que a contabilidade cumpra seu principal objetivo. Com relação às diretrizes estabelecidas pelo referencial teórico da contabilidade. Conclui-se ainda. inúmeras pesquisas continuam sendo realizadas. nas grandes corporações. percebe-se que estas não asseguram o fornecimento de informações fidedignas e simétricas a seus usuários. contemplando conceitos a fim de atender modelos decisórios específicos. a necessidade de adaptação dos informativos contábeis para que as informações disponibilizadas sejam verdadeiramente úteis e a contabilidade cumpra então seu objetivo. são os externos. dos diferentes grupos de usuários da informação contábil. ou criar outras estruturas. principalmente. entende-se que foi para atender as necessidades do usuário que a contabilidade surgiu e permanece em constante evolução. e que muito embora.

Jaime. LOPES. 2006. _____. Goiânia: 2000. 1999. às 19:00 horas. acesso em: 09/01/2007.br/siqueira/trab.16 4 REFERÊNCIAS COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS.br/arquivos/livros/livro_principios. 750. Teoria da Contabilidade: Introdutória. MARTINS. José Luiz. – 23ª ed. 1981. Elizeu. CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO RIO GRANDE DO SUL. 2004. Porto Alegre: Bookman. Teoria da Contabilidade. 2007. 6ª ed. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. método e criatividade. _____. Objeto e Objetivo da Ciência e da Contabilidade. SANTOS. Petrópolis. Porto Alegre.org. 2000. In: XVI Congresso Brasileiro de Contabilidade. 774. Coleção Resumos de Contabilidade. 1988. Deliberação n. Alexsandro Broedel (coordenadores).doc. 7 ª ed. 17. São Paulo: Atlas. 1993.PDF. 1994. _____. LOPES. Resolução nº. Disponível em: www.001.. Intermediaria e Avançada. MARTINS. IUDÍCIBUS. Rio de Janeiro: CVM. Teoria da Contabilidade. São Paulo: Atlas. 2003. Paulo. Brasília: CFC. Brasília: CFC. SANTOS. Souza Cecília de. Tradução de Antonio Zoratto Sanvincente. Eldon S. São Paulo: Atlas. Ernesto R. São Paulo: Atlas. Porto Alegre: CRCRS. São Paulo: Atlas. 53. História do Pensamento Contábil. 321. Atlas. Jose Luiz et al. REIS. 2006.crcrs. Disponível em: www. Resolução nº. RJ: Vozes.). Michael F. às 10:00 horas. São Paulo. out. 1981. Princípios Fundamentais de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade. Resolução nº. Sérgio de. Brasília: CFC. _____. Uma geral na Contabilidade. Gelbecke. Resolução nº. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. VAN BREDA.com. Teoria da Contabilidade: Uma nova abordagem. São Paulo: Atlas. MARTINS. Eliseu. Teoria Avançada da Contabilidade. CROZATTI. 2004. Brasília: CFC. 530. Revista do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul. Ernando Antonio dos. n. MINAYO. _____. Pesquisa social: teoria. SCHMIDT. História do Pensamento Contábil. acesso em: 29/01/2007. . HENDRIKSEN. 1986. 2004. 2005. Eliseu. v.milenio. Alexsandro Broedel. _____.º 029. (org.

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